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Numero do processo: 11684.720057/2011-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/12/2010
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.686
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/12/2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 72 00 57 /2 01 1- 64 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720057/201164 Acórdão n.º 9303003.686 CSRF‐T3 Fl. 272 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3802002.313. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 272DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720057/201164 Acórdão n.º 9303003.686 CSRF‐T3 Fl. 273 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 273DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720057/201164 Acórdão n.º 9303003.686 CSRF‐T3 Fl. 274 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720057/201164 Acórdão n.º 9303003.686 CSRF‐T3 Fl. 275 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 275DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720057/201164 Acórdão n.º 9303003.686 CSRF‐T3 Fl. 276 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 276DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720057/201164 Acórdão n.º 9303003.686 CSRF‐T3 Fl. 277 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720057/201164 Acórdão n.º 9303003.686 CSRF‐T3 Fl. 278 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 278DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720057/201164 Acórdão n.º 9303003.686 CSRF‐T3 Fl. 279 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720057/201164 Acórdão n.º 9303003.686 CSRF‐T3 Fl. 280 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720057/201164 Acórdão n.º 9303003.686 CSRF‐T3 Fl. 281 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720057/201164 Acórdão n.º 9303003.686 CSRF‐T3 Fl. 282 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 282DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11080.721583/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2010 a 30/09/2010
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA AUTUAÇÃO
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - PESSOA JURÍDICA QUE UTILIZA SISTEMA ELETRÔNICO DE DADOS - APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS - OMISSÃO OU INCORREÇÃO - INFRAÇÃO - CFL 22
Apresentar a pessoa jurídica que utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal informações em meio digital com omissão ou incorreção.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES, MONTANTE DE QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS - INCIDÊNCIA - CFL 34
A autuação ocorre por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.236
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Leandro Alves dos Santos, OAB/DF nº 44.655/DF.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2010 a 30/09/2010 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA AUTUAÇÃO Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - PESSOA JURÍDICA QUE UTILIZA SISTEMA ELETRÔNICO DE DADOS - APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS - OMISSÃO OU INCORREÇÃO - INFRAÇÃO - CFL 22 Apresentar a pessoa jurídica que utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal informações em meio digital com omissão ou incorreção. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES, MONTANTE DE QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS - INCIDÊNCIA - CFL 34 A autuação ocorre por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Recurso Voluntário Negado
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PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO PESSOA JURÍDICA QUE UTILIZA SISTEMA ELETRÔNICO DE DADOS APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS OMISSÃO OU INCORREÇÃO INFRAÇÃO CFL 22 Apresentar a pessoa jurídica que utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal informações em meio digital com omissão ou incorreção. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 15 83 /2 01 2- 21 Fl. 840DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES, MONTANTE DE QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS INCIDÊNCIA CFL 34 A autuação ocorre por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Leandro Alves dos Santos, OAB/DF nº 44.655/DF. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721583/201221 Acórdão n.º 2202003.236 S2C2T2 Fl. 835 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 1045.460 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigações principal e acessória. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância, o lançamento se refere aos Autos de Infração: (a) Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 51.001.3007, sendo lançamento de glosa de compensação indevida em 08/2010 e 09/2010, de valores retidos em notas fiscais. O Relatório Fiscal (fls. 17/21) informa que foram glosados os valores declarados pela autuada nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência – GFIPs, no campo "retençãovalor compensado", nas competências de 08/2010 e 09/2010, pois ainda que nas notas fiscais tenha constado que houve a retenção, os lançamentos contábeis demonstraram que tais retenções foram devolvidas à empresa, conforme verificado no Livro Razão na conta nº "1.1.01.02.03 – BANCO ITAÚ” e na conta nº “1.1.02.06.02 INSS A RECUPERAR S /NFS SERVIÇOS”. Os valores retidos devolvidos, a data da devolução e o número da nota fiscal correspondente, constam explicitados no item 5.1.3 do Relatório Fiscal (fls. 18). O crédito resultou no montante de R$ 1.810,79 (um mil, oitocentos e dez reais e setenta e nove centavos), consolidado em 15/02/2012. (b) Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 51.001.3031 (CFL 22) é relativo ao descumprimento de obrigação acessória em razão da apresentação, pela empresa autuada, de arquivos em meio digital com omissão ou incorreção. Segundo o Relatório Fiscal, os arquivos digitais apresentados não continham os dados relativos às folhas de pagamento das filiais, bem como os pagamentos efetuados a contribuintes individuais, cujos dados foram obtidos na contabilidade da empresa na conta n° 32020202 FRETES TERCEIRIZADOS P. JURÍDICA e na conta nº 3.2.02.02.02 FRETES TERCEIRIZADOS PESSOA JURÍDICA, no período de 02/2007 Fl. 842DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 a 12/2008, conforme demonstrado na "Planilha 6 Contribuintes.Individuais Contas Fretes Terceirizados PJ" (fls. 516/542) e "Planilha 14 Trabalhadores Que Não Constaram Do Arquivo Digital Da Folha De Pagamentos", no período de 07/2007, 09/2008, 10/2008 e 11/2008 a 13/2008 (fls. 580). Esta infração é identificada nos sistemas informatizados desta Instituição sob o Código de Fundamento Legal CFL nº 22. A multa aplicável é de 5% (cinco por cento) do valor da operação correspondente à informação omitida ou incorreta, limitada a 1% (um por cento) da receita bruta da pessoa jurídica no período. Considerase como valor da operação o valor da base de cálculo da contribuição previdenciária omitida ou incorreta. A receita bruta é a do anocalendário em que as operações foram realizadas (Lei n° 8.218/1991, art. 12, parágrafo único). A Receita Bruta de 2007 foi de R$ 20.321.938,59 (limite da multa de 1% = R$ 203.219,38) e a Receita Bruta de 2008 foi de R$ 21.272.515,85 (limite da multa de 1%= R$ 212.725,15). O valor da multa resultou em R$ 11.243,57 (onze mil, duzentos e quarenta e três reais e cinqüenta e sete centavos) e consoante informado no item 5.2.1 do Relatório Fiscal (fls. 18), estaria demonstrada na Planilha 14 Cálculo da Multa Aplicada. (c) O Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 51.001.3015 (CFL 34) é relativo ao descumprimento de obrigação acessória de lançar os fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios da contabilidade, tendo a empresa lançado pagamentos efetuados a pessoas físicas em conta contábil referente a pessoas jurídicas. As contas envolvidas são: n° 32020202 FRETES TERCEIRIZADOSPJURÍDICA e conta nº 3.2.02.02.02 FRETES TERCEIRIZADOS PESSOA JURÍDICA, conforme demonstrado na Planilha 6 Contribuintes Individuais Contas Fretes Terceirizados – PJ (fls. 516/542). Esta infração é identificada nos sistemas informatizados desta Instituição sob o Código de Fundamento Legal CFL nº 34. Para esta infração foi aplicada a multa no valor de R$ 16.170,98 (Dezesseis mil, cento e setenta reais e noventa e oito centavos). (d) O Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 51.001.3023 (CFL 78) é decorrente do descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP´s com informações incorretas ou omissas, conforme relacionado na "Planilha 10 Demonstrativa da Multa COD 78 para GFIP´s entregues a partir de 04/12/2008"(fls. 548/549) e na "Planilha 13 Dados Gerais Da GFIP"(fls. 577/579). Fl. 843DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721583/201221 Acórdão n.º 2202003.236 S2C2T2 Fl. 836 5 Esta infração é identificada nos sistemas informatizados desta Instituição sob o Código de Fundamento Legal CFL nº 78. O item 5.2.3 do Relatório Fiscal (fls. 19/20) consigna que nas competências de 03/2008, 13/2007 e 10/2008 as GFIPs válidas foram enviadas a partir de 04/12/2008. Explica que em relação às GFIP's entregues a partir de 04/12/2008 e que se referem a competências anteriores a 12/2008, aplicase a nova redação da lei, uma vez que a infração ocorreu já na vigência desta. O contribuinte teve ciência dos Autos de Infração, por via postal Aviso de Recebimento AR, em 17.02.2012, conforme fls. 03, 04, 10, 12 e 14. O período objeto do auto de infração, conforme o Anexo do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, é de 08/2010 a 09/2010. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva em 16.03.2012, conforme o relatório da decisão de primeira instância: 2. Das razões de fato e de direito 2.1. Do decurso do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal. Requer a anulação de todos os Autos de Infração pelo decurso do prazo do MPF e face à ausência de prova acerca da efetiva cientificação do sujeito passivo quanto às prorrogações daquele documento, na forma conforme determina o art. 9º, caput e § 1º, da Portaria RFB nº 11.371/2007. 2.2. AI Debcad 51.001.3031 2.2.1 Relata que fora aplicada a multa por descumprimento de obrigação acessória com base no art. 12, II, parágrafo único da Lei nº 8.218/1991, pela suposta omissão de informações em meio digital. 2.2.2 Da indevida multiplicidade de multas sobre o mesmo fato. Relata que a razão da multa aplicada, segundo a autoridade fiscal, seria a apresentação de “informações em meio digital com omissão uma vez que não apresentou as folhas de pagamento das filiais, bem como os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, que foram obtidos na contabilidade da empresa, nas contas nºs 32020202 FRETES TERCEIRIZADOS P.JURÍDICA e 3.2.02.02.02TERCEIRIZADOS –PESSOA JURÍDICA...” Ressalta que este fato também foi apenado com a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, II da Lei nº 8.212/1991, imposta pelo AI Debcad nº 51.001.3015, bem como pela multa prevista no art. 32A da mesma lei e que “ambas” as multas não podem ser cumuladas. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Assevera a observância ao critério da especialidade (que resolve conflito de competência de leis) e da razoabilidade. Explica que a lei especial não revoga a lei geral, que se apresenta como critério de resolução acerca de qual norma deva ser aplicada e que, em havendo previsão de determinado fato em lei especial, esta deve ser aplicada, em detrimento da lei geral e que este é o caso. Sustenta que o fato praticado pela impugnante é um só, ou seja, por falha, omitiu informações ao fisco, uma vez que não declarou adequadamente pagamentos feitos a pessoas físicas, que acabaram sendo lançados em contas de pagamentos feitos a pessoas jurídicas, entendendo que este fato se amolda ao previsto no art. 32, II da Lei nº 8.212/1991(lançar em títulos próprios da contabilidade) ou ainda, ao art. 32, IV da mesma lei (declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma, prazo e condições estabelecidos, ... dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária...). Explica que, por outro lado, o art. 11 da Lei nº 8.218/1991 determina a obrigação de sistema eletrônico de dados e envio de arquivos digitais registrando a escrita contábil e fiscal, cujo descumprimento é apenado com multa prevista no art. 12 da referida lei e que ambas as multas não podem ser cumuladas, devendo incidir a multa prevista no art. 12 da Lei nº 8.218/1991 somente quando o fato não for também apenado com multa diversa em lei específica, pois caso contrário se estaria diante de dupla sanção sobre um único fato, o que é inadmissível. Sustenta que o critério da especialidade afasta a aplicação da multa prevista no art. 12 da Lei nº 8.218/1991 e que o raciocínio exposto é corroborado pela Lei nº 8.212/1991, quando em seu art. 92, prevê uma multa geral que deve ser aplicada em caso de infração sem previsão de multa específica. 2.2.3 – Do valor da multa. Explica que a multa aplicada está prevista no art. 12, I, da Lei nº 8.218/1991, ou seja, de 5% sobre o valor da operação omitida e que conforme consta da Planilha 14, mencionada pela autoridade fiscal, a base de cálculo omitida teria sido de R$ 6.685,59 e que aplicando o referido percentual sobre este valor resulta em R$ 334,28, reclamando que o montante de R$ 11.243,57 não está adequado e que não houve a demonstração clara de como a autoridade fiscal chegou a dito valor, devendo ser anulada. 2.3. AI Debcad 51.001.3015 2.3.1 Relata que fora aplicada a multa por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, II da Lei nº 8.212/1991, pela suposta omissão de informações acerca de fatos geradores de contribuições previdenciárias, cuja multa é a prevista nos arts. 92 e 102 da referida lei. 2.3.2 Da indevida multiplicidade de multas sobre o mesmo fato. Relata que a razão da multa aplicada, segundo a autoridade fiscal, seria o fato de o contribuinte ter “lançado pagamentos Fl. 845DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721583/201221 Acórdão n.º 2202003.236 S2C2T2 Fl. 837 7 efetuados a pessoas físicas em conta contábil referente a pessoas jurídicas”. Ressalta que este fato também foi apenado com a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/1991, imposta pelo Debcad nº 51.001.03031. Assevera que o fato praticado foi um só, ou seja, por falha, omitiu informações ao fisco, uma vez que não declarou adequadamente pagamentos feitos a pessoas físicas, cujos valores acabaram sendo lançados em contas relativas a pagamentos feitos a pessoas jurídicas, mas que ambas as multas não podem ser cumuladas pois caso contrário se estaria diante de uma múltipla sanção sobre um único fato, o que é inadmissível pelo princípio da razoabilidade, entendendo descabido o agir da impugnante como descumprimento de duas obrigações acessórias (de lançar fato gerador de tributo na contabilidade e a de declarar fato gerador à SRF). Explica que quando houver omissão de declaração à RFB, somente deve ser aplicada a multa prevista no art. 32A, ou seja, deve ser apenado o descumprimento da obrigação acessória do art. 32, IV pois neste caso o fato erro/omissão no lançamento de fatos geradores na contabilidade estará contido naquele fato, se constituindo em um fato meio, como mero passo do iter que culmina com a omissão de declaração à RFB, este sim podendo ser apenado. A doutrina penalista trata dos crimesmeio que são absorvidos pelos crimesfim, sendo apenado somente este último e não todos aqueles contidos no último. Neste raciocínio, a suposta infração foi mero meio, que culminou com o fato de omissão de declaração de fatos geradores à RFB e este possui apenamento específico conforme art. 32A da Lei nº 8.212/1991, sendo inaplicável o art. 92 daquela lei, devendo ser afastada a multiplicidade de multas sobre um mesmo fato. 2.3.3 – Do valor da multa. Reclama do valor da multa aplicada, de R$ 16.170,98, com base no art. 92 da Lei nº 8.212/1991. Explica que o Decreto nº 3.048/1999, no intuito de regulamentar o art. 92 da Lei nº 8.212/1991, determinou que a multa mínima no caso de descumprimento da obrigação acessória do art. 32, II da Lei nº 8.212/1991 seria de R$ 6.361,73 e não de R$ 636,17 (patamar mínimo), o que se mostra ilegal vez que é superior ao patamar mínimo previsto em lei. Assevera que deve ser aplicada a multa no mínimo legal de R$ 1.617,12 conforme art. 8º, inciso IV, da Portaria Interministerial MPS/MF nº 02, de janeiro de 2012 e não no valor de R$ 16.170,98, amparada nos princípios da razoabilidade e da isonomia entre contribuintes, pois não é razoável a pena mais grave, sem determinação legal neste sentido. 2.4. AI Debcad 51.001.3023 2.4.1 Relata que fora aplicada a multa por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/1991, Fl. 846DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 pelos supostos erros/omissão de informações acerca de fatos geradores de contribuições previdenciárias, cuja multa é a prevista no art. 32A da referida lei. 2.4.2 Da indevida multiplicidade de multas sobre o mesmo fato. Relata que a razão da multa aplicada, segundo a autoridade fiscal, seria o fato de o contribuinte apresentar “... GFIP com informações incorretas ou omissas...”.Ressalta que este fato também foi apenado com a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, II da Lei nº 8.212/1991, imposta pelo Debcad nº 51.001.3015. Assevera que o fato praticado foi um só, ou seja, por falha, omitiu informações ao fisco, uma vez que não declarou adequadamente pagamentos feitos a pessoas físicas, cujos valores acabaram sendo lançados em contas relativas a pagamentos feitos a pessoas jurídicas. Entende que este fato pode ser enquadrado no art. 32, II da Lei nº 8.212/1991(obrigação de lançamento na contabilidade) e também no art. 32, IV da Lei nº 8.212/1991 (obrigação de declarar à RFB dados relacionados a fatos geradores), mas que ambas as multas não podem ser cumuladas pois caso contrário se estaria diante de uma múltipla sanção sobre um único fato, o que é inadmissível. Alega que no caso é descabido o descumprimento de duas obrigações acessórias (de lançar fato gerador de tributo na contabilidade e a de declarar fato gerador à SRF) pois uma das obrigações está contida na outra. Explica que quando houver omissão de declaração à RFB, somente deve ser aplicada a multa prevista no art. 32A, ou seja, deve ser apenado o descumprimento da obrigação acessória do art. 32, IV pois neste caso o fato erro/omissão no lançamento de fatos geradores na contabilidade estará contido naquele fato. Rejeita a cumulação de multas sobre um mesmo fato pedindo que, na hipótese de ser mantida a multa do AI Debcad nº 51.001.3015, se tenha a anulação da presente multa, no sentido de que seja aplicada uma só multa. 2.4.3 – Do valor da multa. Reclama do valor da multa aplicada, de R$ 11.000,00, com base no art. 32A da Lei nº 8.212/1991, segundo o qual a multa mínima será de R$ 500,00, alegando que a lei não faz qualquer outra referência à aplicação da multa, não estipulando que este limite se refira a cada competência, do que se pode interpretar que o limite mínimo se refere ao menor valor que pode ser atribuído a cada Auto de Infração que veicula as infrações à obrigação acessória do art. 32, IV, da Lei nº 8.212/1991. Assim, a multa, caso mantida, não poderia ultrapassar o montante de R$ 3.250,00 que é o somatório das multas de cada competência, consideradas as planilhas 9 e 10 elaboradas pela autoridade fiscal, com a desconsideração do absurdo limite de R$ 500,00 por competência. Conclui que o valor da multa não está adequado, devendo ser reduzido para R$ 3.250,00. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721583/201221 Acórdão n.º 2202003.236 S2C2T2 Fl. 838 9 A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 1045.460 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2010 a 30/09/2010 AI Debcad nº 51.001.3007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AI Debcad nº 51.001.3031 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APRESENTAR ARQUIVOS E SISTEMAS DAS INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL COM OMISSÃO OU INCORREÇÃO. A apresentação de informações em meio digital com incorreções ou omissões constitui infração à legislação previdenciária, cabendo a aplicação da penalidade correspondente. AI Debcad nº 51.001.3015 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Lançar fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos impróprios da contabilidade constitui infração à legislação previdenciária, cabendo a aplicação da penalidade correspondente. AI Debcad nº 51.001.3023. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APRESENTAR A GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. MULTA. A apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou com omissões configura infração à legislação previdenciária, cabendo a aplicação da penalidade correspondente. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A ciência das alterações e prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal se dá de forma eletrônica. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Para cada obrigação acessória prevista em lei descumprida, corresponde a aplicação de uma penalidade correspondente. MULTA A multa por descumprimento de obrigação acessória definida na legislação tributária não pode ser reduzida ou dispensada. RETIFICAÇÃO Constatado erro no cálculo do valor da multa, cabe a sua retificação. ILEGALIDADE No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de ilegalidade. INTIMAÇÃO As intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. SUSTENTAÇÃO ORAL A legislação que rege o processo administrativo fiscal não prevê a oportunidade de sustentação oral no julgamento de 1ª instância. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão de primeira instância, às fls. 802, deu provimento parcial à Impugnação para: Nesses termos, voto por julgar procedente em parte a impugnação, retificando o crédito tributário relativo ao Auto de Infração Debcad nº 51.001.3023 para R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais) e mantendo integralmente os demais Autos de Infração. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo fundamentadamente a decisão de primeira instância, em apertada síntese: (i) Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário art. 33, Decreto 70.235/1972 e art. 151, III, CTN Fl. 849DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721583/201221 Acórdão n.º 2202003.236 S2C2T2 Fl. 839 11 (ii) As sanções pecuniárias aplicadas à Recorrente e descritas nos DEBCAD's 51.001.3031 e 51.001.3015 se referem a um mesmo ato infrator, e por isso não se pode aplicar sanções pecuniárias cumuladas, em evidente descumprimento de normas e princípios constitucionais. A multa que serve como objeto do DEBCAD 51.001.3031, foi aplicada por apresentação de "informações em meio digital com omissão uma vez que não apresentou as folhas de pagamentos das filiais, bem como os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, que foram obtidos na contabilizada da empresa, nas contas 32020202 FRETES TERCEIRIZADOS Pessoa Jurídica e 3.2.02.02.02 FRETES TERCEIRIZADOS Pessoa jurídica". Já aquela aplicada através do DEBCAD 51.001.3015 assim o foi em função do contribuinte "ter lançado pagamentos efetuados a pessoas físicas em conta contábil referente a pessoas jurídicas, contas n.° 32020202 FRETES TERCEIRIZADOS P JURÍDICA e 3.2.02.02.02 FRETES TERCEIRIZADOS" (...) Ora, evidente que quando houver uma omissão de declaração à SRFB, somente deve ser aplicada a multa prevista no Art. 32A da Lei 8.212/91, uma vez que o fato erro/omissão no lançamento de fatos geradores na contabilidade estará contido naquele fato, se constituindo em um fatomeio, como mero passo do iter que culmina com a omissão de declaração da RFB. (ii) Redução das multas No que se refere ao DEBCAD 51.0001.3031, temos o fato, sustentado pela própria autoridade fiscal, de que a sanção a ser aplicada é aquela previsa no Art. 12, I, da Lei 8.218/91, qual seja: 5% sobre o valor da operação omitida, que seria o valor da base de cálculo da exação sob lume. Seguindo este raciocínio, e se a base de cálculo omitida foi de R$ 6.685,59, a multa nunca deveria perfazer a quantia exigida pela autoridade fiscal, em patamares que ultrapassam em muito aludida percentagem. (...) A multa capitulada no DEBCAD 51.001.3015 por sua vez também se mostra inadequada ao passo que o Art. 238 do Decreto 3.048/99, no intuito de regulamentar o Art. 92 da Lei 8.212/91, determinou que a infração a qualquer dispositivo da mesma lei, para o qual não haja penalidade expressa, sujeitaria o responsável ao pagamento de multa mínima de R$ 6.361,73, esbordando o patamar mínimo fixado pela Lei 8.212/91, em flagrante ilegalidade. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 A Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte emanou Despacho, às fls. 827, desmembrando o processo de forma a transferir para outro processo n. 11080.730833/201303, o AIOP 51.001.3007 (Glosa de Compensação) e o AIOA 51.001.302 3 (CFL 78) porque o contribuinte não os questionou no Recurso Voluntário. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, É o Relatório. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721583/201221 Acórdão n.º 2202003.236 S2C2T2 Fl. 840 13 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada às fls. 827. Da delimitação da lide A Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte emanou Despacho, às fls. 827, desmembrando o processo de forma a transferir para outro processo n. 11080.730833/201303, o AIOP 51.001.3007 (Glosa de Compensação) e o AIOA 51.001.302 3 (CFL 78) porque o contribuinte não os questionou no Recurso Voluntário. Portanto, restaram para discussão neste Colegiado o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 51.001.3031 (CFL 22) e o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 51.001.3015 (CFL 34). DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Fl. 852DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). (...) Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (A) Da regularidade da lavratura dos AIOAs. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 1045.460 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigações principal e acessória. Foram lavrados: (i) o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 51.001.3031 (CFL 22) é relativo ao descumprimento de obrigação acessória em razão da apresentação, pela empresa autuada, de arquivos em meio digital com omissão ou incorreção. (ii) O Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 51.001.3015 (CFL 34) é relativo ao descumprimento de obrigação acessória de lançar os fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios da contabilidade, tendo a empresa lançado pagamentos efetuados a pessoas físicas em conta contábil referente a pessoas jurídicas. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foram lavrados AIOAs que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do Fl. 853DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721583/201221 Acórdão n.º 2202003.236 S2C2T2 Fl. 841 15 art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Fl. 854DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721583/201221 Acórdão n.º 2202003.236 S2C2T2 Fl. 842 17 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se Fl. 856DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (i) Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário art. 33, Decreto 70.235/1972 e art. 151, III, CTN Analisemos. De fato, o Recurso Voluntário suspende exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 33, Decreto 70.235/1972 c/c art. 151, III, CTN: Decreto 70.235/1972 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) CTN Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Portanto, nada há que se contestar neste tópico. DO MÉRITO. (ii) As sanções pecuniárias aplicadas à Recorrente e descritas nos DEBCAD's 51.001.3031 e 51.001.3015 se referem a um mesmo ato infrator, e por isso não se pode aplicar sanções pecuniárias cumuladas, em evidente descumprimento de normas e princípios constitucionais. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721583/201221 Acórdão n.º 2202003.236 S2C2T2 Fl. 843 19 Analisemos. (ii.1) Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 51.001.3031 (CFL 22). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.189.320 8, Código de Fundamentação Legal – CFL 22 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente porque os arquivos digitais apresentados não continham os dados relativos às folhas de pagamento das filiais, bem como os pagamentos efetuados a contribuintes individuais, cujos dados foram obtidos na contabilidade da empresa na conta n° 32020202 FRETES TERCEIRIZADOS P. JURÍDICA e na conta nº 3.2.02.02.02 FRETES TERCEIRIZADOS PESSOA JURÍDICA, no período de 02/2007 a 12/2008, conforme demonstrado na "Planilha 6 Contribuintes.Individuais Contas Fretes Terceirizados PJ" (fls. 516/542) e "Planilha 14 Trabalhadores Que Não Constaram Do Arquivo Digital Da Folha De Pagamentos", no período de 07/2007, 09/2008, 10/2008 e 11/2008 a 13/2008 (fls. 580). Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.218, de 29/08/1991, art. 11, §§ 3º e 4º, com a redação dada pela MP nº 2.15835, de 24/08/2001. (ii.2) Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 51.001.3015 (CFL 34). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 51.001.3015 (CFL 34) é relativo ao descumprimento de obrigação acessória de lançar os fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios da contabilidade, tendo a empresa lançado pagamentos efetuados a pessoas físicas em conta contábil referente a pessoas jurídicas. As contas envolvidas são: n° 32020202 FRETES TERCEIRIZADOS PJURÍDICA e conta nº 3.2.02.02.02 FRETES TERCEIRIZADOS PESSOA JURÍDICA, conforme demonstrado na Planilha 6 Contribuintes Individuais Contas Fretes Terceirizados – PJ (fls. 516/542). Esta infração é identificada nos sistemas informatizados desta Instituição sob o Código de Fundamento Legal CFL nº 34. Para esta infração foi aplicada a multa no valor de R$ 16.170,98 (Dezesseis mil, cento e setenta reais e noventa e oito centavos). Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. (ii.3) Conclusão Diante do exposto, restou claro a fundamentação legal utilizada pela AuditoriaFiscal quando da lavratura destas autuações por descumprimento de obrigação acessória, AIOA nº 51.001.3031 (CFL 22) e AIOA nº 51.001.3015 (CFL 34). Fl. 858DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 Ficou demonstrado que tais autuações são independentes, com fundamentações legais distintas, de forma que não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Redução das multas Analisemos. O contribuinte requer a redução da multas. A autuação por descumprimento de obrigação acessória, AIOA nº 51.001.3031 (CFL 22), tem a capitulação da multa aplicada na Lei n° 8.218, de 29/08/1991, art. 12, inciso II e parágrafo único. Enquanto que a autuação por descumprimento de obrigação acessória AIOA nº 51.001.3015 (CFL 34) tem a capitulação da multa aplicada na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "a" e art. 373. Portanto, entendo que não há o que reparar na fundamentação legal da capitulação da multa aplicada pela AuditoriaFiscal na lavratura dos AIOAs, de forma que descabe a redução das multas pleiteadas pelo contribuinte. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso, para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 859DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10120.006009/2004-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2000
REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO STJ ART.
62-A DO ANEXO II DO RICARF. UTILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DE PRECEDENTES JUDICIAIS. IDENTIDADE DAS SITUAÇÕES FÁTICAS. NECESSIDADE.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62-A do Anexo II do Regimento
Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010).
O disposto no art. 62-A do RICARF não implica o dever do julgador
administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos
considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC.
IMPOSSIBILIDADE.
A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo.
Recurso Extraordinário Provido.
Numero da decisão: 9100-000.219
Decisão: Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional.
Nome do relator: Valmar Fonsêca de Menezes
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO STJ ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. UTILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DE PRECEDENTES JUDICIAIS. IDENTIDADE DAS SITUAÇÕES FÁTICAS. NECESSIDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). O disposto no art. 62A do RICARF não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 60 09 /2 00 4- 53 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO Processo nº 10120.006009/200453 Acórdão n.º 9100000.219 CSRFPL Fl. 942 2 Recurso Extraordinário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Julio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valdete Aparecida Marinheiro e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Com fundamento nos arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, a Fazenda Nacional, irresignada com o teor do Acórdão CSRF, interpôs Recurso Extraordinário, com vistas à uniformização de divergência entre decisões de turmas desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em sede de recurso especial, da contribuinte, a Primeira Turma, por maioria de votos, DEU provimento ao apelo, assentando o entendimento de que o prazo decadencial deve ser contado a partir da data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), A decisão restou assim ementada: “TRIBUTÁRIO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEGURIDADE SOCW. DECADENCL4 — PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DE SEUS CRÉDITOS DECADÊNCM. Em se tratando de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, o poderdever do Fisco de efetuar o lançamento de oficio deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 150, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo" Para configurar a divergência necessária à admissibilidade do recurso extraordinário, a Recorrente alega que a decisão recorrida conferiu interpretação divergente da Fl. 351DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO Processo nº 10120.006009/200453 Acórdão n.º 9100000.219 CSRFPL Fl. 943 3 assentada pela Segunda Turma desta Câmara Superior quando proferiu o Acórdão CSRF, cuja ementa da decisão é a seguinte: “PIS. DECADÊNCIA. Por ter natureza tributária, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, aplicase ao PIS a regra de decadência prevista no art. 173,1, do CTN. Recurso Especial Negado. " Como se depreende das ementas acima transcritas, apesar dos julgados se referirem a tributos distintos, a matéria a ser uniformizada pelo Pleno desta Corte diz respeito ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação. O acórdão recorrido entendeu que a contagem se inicia a partir da data do fato gerador, enquanto que para a decisão paradigma, na ausência de pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ante a comprovação do dissenso jurisprudencial e o atendimento aos demais requisitos processuais, o Presidente da Câmara Superior deu seguimento ao recurso, conforme despacho, nos autos. Presentes as contrarrazões da Contribuinte, que apenas defende que a aplicação do art. 150 do CTN não depende da existência de pagamento. É o relatório, no essencial. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Adoto, homenageando o brilhante conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, excertos de voto da sua lavra (Recurso 143.870), por suficiente para dirimir litígio e por demais esclarecedor e didático. “ (...) Tratam os presentes autos de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, com vistas a resolver divergência de interpretação entre duas turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais em relação ao termo inicial para contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário. Salientese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, o Fl. 352DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO Processo nº 10120.006009/200453 Acórdão n.º 9100000.219 CSRFPL Fl. 944 4 recurso extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do art. 40 do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no antigo Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25.06.2007 (RICSRF). Conforme dito acima, a questão a ser dirimida por este Colegiado cingese em definir qual o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a data do fato gerador, conforme a regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do art. 173, inciso I do Código Tributário. De início, cumpre salientar que em razão da recente alteração no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, DOU de 22.12.2010), os colegiados desta Corte deverão reproduzir em suas decisões o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido definitivamente julgada por meio de recurso representativo de controvérsia, nos termos dos arts. 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis o que estabelece o art. 62A do Anexo II, do RICARF: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” No que diz respeito ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), sessão de 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, consolidou o entendimento daquele Tribunal em decisão assim ementada, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp Fl. 353DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO Processo nº 10120.006009/200453 Acórdão n.º 9100000.219 CSRFPL Fl. 945 5 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destacouse) Conforme restou assentado, havendo pagamento parcial ou declaração prévia de débito, devese computar o prazo decadencial na forma do art. 150, § 4º do CTN e, caso contrário, não se verificando o pagamento parcial e inexistindo declaração prévia de débito ou nos casos de dolo, fraude ou simulação, referido prazo deve ser computado na forma do art. 173, inciso I, do CTN. No caso dos autos, a Contribuinte apurou no período prejuízo fiscal e base negativa da Contribuição Social, conforme se verifica nos autos – inclusive na apuração fiscal que não houve pagamento de tributo relativo ao período que ensejou o lançamento de ofício. Assim, a teor do entendimento consolidado pelo e. Tribunal Superior, no presente caso, ante a ausência de pagamento antecipado, devese iniciar a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, aplicandose a regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO Processo nº 10120.006009/200453 Acórdão n.º 9100000.219 CSRFPL Fl. 946 6 Sucede, porém, que ao dar interpretação ao termo inicial para contagem do prazo previsto neste dispositivo, o e. STJ fez constar do decisum que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do FATO IMPONÍVEL, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (...)”. A recente interpretação dada ao aludido art. 173, inciso I, redunda em resultados distintos no cômputo do lapso decadencial, quando comparada com remansoso entendimento deste Conselho. Acerca do entendimento do STJ quanto a este ponto emergiram amplas discussões no âmbito deste Conselho. Consolidaramse duas posições antagônicas no que diz respeito à interpretação e ao alcance do art. 62A do Regimento Interno do CARF, quanto à reprodução das decisões proferidas em sede de recursos repetitivos. Um primeiro entendimento sustenta que o art. 62A do Regimento exige a mera reprodução do acórdão firmado em recurso repetitivo pelo STJ. Deste modo, em relação a este assunto, o STJ teria afastado a literalidade do art. 173, inciso I do CTN, segundo o qual, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, devendo prevalecer a assertiva constante do acórdão proferido no aludido Resp nº 973.733/SC, no sentido de que, nestes casos, o termo inicial passou a ser o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado correspondente, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível.” O outro entendimento existente no âmbito desta Conselho defende que a análise do contexto fático do acórdão do STJ e a finalidade do art. 62A devem ser devidamente considerados para fins de aplicação do dispositivo. Devese levar em conta, inclusive, a própria jurisprudência daquela Corte, verificada conforme suas decisões posteriores sobre a mesma matéria. Na forma desta segunda linha, a qual reputo mais acertada, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, ou seja, nos exatos termos da redação do aludido art. 173, inciso I do CTN. É perfeitamente aplicável ao caso o sentido teleológico do aludido dispositivo. Isto permite que, antes de reproduzilo automaticamente na decisão administrativa, seja feita uma análise mais ampla e técnica do precedente judicial, sob pena de prejudicar o atingimento de suas finalidades. Dada a sua natureza e estando o mesmo sob a égide do vetor da segurança jurídica, o novel dispositivo regimental deve ser compreendido segundo as regras dos ordenamentos que admitem os precedentes jurisprudenciais como determinantes para os julgamentos futuros sobre as mesmas situações fáticas e jurídicas. A força persuasiva das decisões paradigmas decorre de uma perfeita similitude entre os feitos comparados. O pedido e a causa de pedir do provimento judicial considerado parâmetro devem ser simétricos ao caso sob análise. A adoção de critério distinto infirma os fundamentos do instituto e compromete o resultado do julgamento. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO Processo nº 10120.006009/200453 Acórdão n.º 9100000.219 CSRFPL Fl. 947 7 Por estas razões, devese levar em conta o aspecto teleológico do aludido art. 62A do Regimento. A relevância de seu escopo implica adotar critérios jurídicos consolidados na utilização dos precedentes jurisprudenciais. Com efeito, a finalidade da norma veiculada pelo art. 62A é evitar que o litígio administrativo prossiga, inutilmente, no âmbito do Poder Judiciário, podendo acarretar prejuízos sucumbenciais à União, uma vez que, as instâncias judiciais inferiores não decidirão de forma divergente, em face do rito previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC). Assim, dada a força persuasiva dos acórdãos firmados sob o regime do art. 543C do CPC, não seria de bom alvitre que o CARF decidisse pela manutenção da exigência, quando fosse certo o desfecho em sentido contrário na ação judicial ajuizada posteriormente. É com este escopo que se apresenta a norma contida no referido art. 62A do RICARF, o qual, acertadamente buscou evitar que os acórdãos proferidos no âmbito desta Corte administrativa divirjam das decisões já consideradas definitivas nos órgãos judiciais, conforme a sistemática dos recursos repetitivos. Contudo, é imperioso assegurar que a questão sub examine no processo administrativo seja a mesma tratada no precedente judicial. Se o provimento judicial se deu em face de situação fática ou de direito distinta, a reprodução da decisão paradigma deve ser precedida de análise objetiva que conclua pela similitude entre os julgados. A aludida norma não traduz a ideia de que o julgador administrativo deve fazer simples cópia da decisão do Tribunal Superior, mormente quando manifestações posteriores da mesma Corte são em sentido diverso, refletindo que o entendimento exarado pelo acórdão proferido em sede do repetitivo não é aplicável indistintamente à totalidade os casos. Desta forma, para dar concretude à finalidade do disposto no art. 62A, ou seja, buscarse uma decisão conforme a linha adotada pela jurisprudência dos órgãos judiciais, impõese a ampla compreensão do teor daquela decisão. Tornase, assim, inadmissível a simples reprodução de seu texto decisório, dissociada de uma análise completa do precedente judicial. Pois bem, no presente caso, a análise detida do inteiro teor do referido acórdão, associada ao conhecimento das decisões que se seguiram reiteradamente da mesma Corte, revelam que a aludida decisão do STJ não colide com o disposto no art. 173, inciso I do CTN, que continua recebendo a mesma interpretação. Em primeiro lugar, é necessário verificar qual o contexto da argumentação em que o Ministro relator proferiu a afirmação de que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. Verificase com clareza que a manifestação neste sentido vem em resposta às razões da Recorrente (INSS), conforme destacado no relatório do Ministro Luiz Fux, verbis: “(...) Fl. 356DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO Processo nº 10120.006009/200453 Acórdão n.º 9100000.219 CSRFPL Fl. 948 8 Nas razões do especial, sustenta a autarquia previdenciárias que o acórdão hostilizado incorreu em violação dos artigos 150, § 4º, e 173, I, do CTN, uma vez que: ‘Nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, o prazo para a homologação do lançamento é de 5 (cinco) anos. Assim, como o prazo para a constituição do crédito tributário se inicia no primeiro dia seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o prazo de decadência, nos tributos sujeitos a lançamentos por homologação, inexistente o pagamento, é de 10 (dez) anos, e não 5 (cinco), como equivocadamente concluiu o Tribunal a quo.” (destacouse) A Autarquia sustentava a tese de que o prazo previsto no art. 173, I do CTN, somente teria início após o decurso dos cinco anos para o lançamento por homologação, o que implicaria considerar o prazo de dez anos a contar da data do fato gerador. Precisamente ante a esta alegação da Recorrente (INSS), o acórdão do STJ buscou refutar o entendimento de que o termo inicial da decadência para o lançamento de ofício somente se iniciaria após o lapso do prazo quinquenal para a homologação tácita, tendo assentado o seguinte: “(...) O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis: (...) Assim é que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (...) Outrossim, impende assinalar que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed. Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed. Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed. Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199. (destacouse) O que resta claro das partes transcritas e destacadas do teor da decisão é que, ao mencionar que o dies a quo, segundo o art. 173, I, do CTN, corresponderia ao primeiro dia Fl. 357DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO Processo nº 10120.006009/200453 Acórdão n.º 9100000.219 CSRFPL Fl. 949 9 do exercício seguinte ao fato imponível, quis o STJ afastar a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário. Este é o conteúdo assentado no acórdão, que se torna evidente com a leitura completa do parágrafo. Devese ressaltar que nenhum dos autores citados pelo acórdão (Alberto Xavier, Luciano Amaro e Eurico Marcos Diniz de Santi) defende que o termo inicial para a contagem do prazo da decadência, de acordo com o art. 173, I, seja o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Isto torna prejudicada a compreensão do acórdão, no sentido do voto vencido, quando se toma o seu desfecho de forma não contextualizada. Ademais, cumpre ainda aduzir que as decisões seguintes proferidas pelo Tribunal vem seguindo o entendimento ora defendido, em aparente contradição ao texto do aludido acórdão no recurso repetitivo. A contradição é apenas aparente, pois, consideradas no seu âmago, as decisões não colidem com o disposto no art. 173, I do CTN. As duas turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, mesmo após o referido julgamento, vêm reiteradamente aplicando de forma correta o art. 173, I, do CTN, merecendo destaque a expressa referência de que este foi o entendimento assentado no aludido Resp nº 973.733/SC. Confirase: “TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. ATRASO NO PAGAMENTO DAS PARCELAS. RESCISÃO ADMINISTRATIVA. 1. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento de ofício, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inciso I). Tal entendimento foi solificado no STJ quando do julgamento do Resp nº 973.733/SC, julgado em 12.08.2009, relatado pelo Min. Luiz Fux e submetido ao rito reservado aos recursos repetitivos (CPC, ART. 543C). 2. Parcelado o débito sob a égide da MP 38/2002, o atraso de mais de duas parcelas implica em imediata rescisão da avença administrativa, nos termos do art. 13, parágrafo único, da Lei nº 10.522/02, vigente à época da ocorrência dos fatos. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Resp 1219461/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 07.04.2011, Dje 14.04.2011) (destacouse) A Primeira Turma da Primeira Seção do STJ, em sessão realizada quando o Min. Luiz Fux, ainda compunha o referido colegiado, manifestou o mesmo entendimento, verbis: “TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. INCABIMENTO. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÁQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. AGRAVO IMPROVIDO. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO Processo nº 10120.006009/200453 Acórdão n.º 9100000.219 CSRFPL Fl. 950 10 1. Em sede de agravo regimental, não se conhece de alegações estranhas às razões do recurso especial, por vedada a inovação de fundamento. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme em que, no caso de imposto lançado por homologação, quando há prova de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). 3. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Resp 1050278/RS, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, julgado em 22.06.2010, Dje 03.08.2010) (destacouse) Como se verifica das partes destacadas nas decisões acima, ambas as turmas da Primeira Seção do STJ vêm se manifestando no sentido de que, na forma art. 173, I, do CTN, o termo inicial para a contagem do prazo da decadência é sem dúvida o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não se tratando, pois, de alteração no entendimento, mas espécie de “interpretação autêntica” do teor do acórdão do repetitivo, manifestada em sequência, pelos mesmos ministros daquela Corte. Portanto, à luz destas considerações, concluise que: i) o disposto no art. 62A não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial; ii) a finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil; iii) e que a contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo. (...)” Diante de tão bem fundamentadas razões, verifico que no caso dos autos, não houve pagamento não houve pagamento antecipado, inclusive tendo se limitado a contribuinte nas contrarrazões – a defender que tal premissa não é necessária para aplicação do artigo 150. No Auto de Infração, o fato gerador em discussão ocorreu nos dois primeiros trimestres de 1999, sendo que a ciência do contribuinte se efetivou em 28/09 /2004. A data da ciência autuação 28 de setembro de 2004. Logo, por força das disposições do art. 173, I, do CTN, o direito de lançar extinguirseia com o transcurso do lapso de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como a ciência do auto de infração foi em 28/09/2004 as exigências de_IRPJ e CSLL são referentes aos períodos de apuração ocorridos nos dois trimestres de 1999, não estão alcançados pela decadência. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO Processo nº 10120.006009/200453 Acórdão n.º 9100000.219 CSRFPL Fl. 951 11 Por tais fundamentos, DOU provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para afastar a arguição de decadência e determinar o retorno dos autos à Câmara ordinária para apreciação das demais razões do recurso voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO
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Numero do processo: 10380.901159/2006-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
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Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
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AUMENTO DE DÉBITO DECLARADO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação de declaração de compensação não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado em declaração anterior, conforme disposto no artigo 59 da IN SRF nº600/2005. PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91. Aplicase o prazo de cinco anos contados do pagamento antecipado ao pedido de restituição pleiteado administrativamente após 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A realização de diligência requerida com a finalidade de suprir a falta de apresentação de provas no momento processual oportuno deve ser indeferida. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 01 15 9/ 20 06 -7 3 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901159/200673 Resolução nº 3302003.119 S3C3T2 Fl. 335 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO Trata o presente de apreciação das declarações de compensação sob os nº 23170.70124.250603.1.3.042804 e 12413.38911.130208.1.3.041595. O Despacho Decisório de efl. 81 indeferiu a DCOMP 23170.70124.250603.1.3.042804 por falta de apresentação do Livro Razão relativo às receitas que integraram a base de cálculo demonstrada, de modo a comprovar a legitimidade do crédito pleiteado, e indeferiu a DCOMP 12413.38911.130208.1.3.041595 por decadência do direito de repetição do indébito tributário. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou, em preliminares, a necessidade de suspensão da exigibilidade dos débitos cuja compensação fora indeferida e, no mérito, reconhecer a legitimidade do indébito pleiteado mediante a juntada de novas partes do Livro Razão, relativo às contas de receita, ou, alternativamente, a realização de diligência fiscal, em homenagem ao princípio da verdade material. Quanto ao indeferimento da DCOMP nº 12413.38911.130208.1.3.041595 por decadência do direito de repetição, alegou que o crédito pleiteado já havia sido informado na DCOMP retificadora 25186.19137.261006.1.7.047990, única e exclusivamente com o fito de incluir a atualização pela taxa Selic não informada na DCOMP original 23170.70124.250603.1.3.042804. Entretanto, pelo fato de a Receita Federal ter glosado este instrumento, por “razões suas”, a recorrente se viu obrigada a apresentar a DCOMP complementar de nº 12413.38911.130208.1.3.041595, embora já informara o crédito na DCOMP não admitida, dentro do prazo do artigo 168, inciso I do CTN. A Décima Sexta Turma da DRJ/RJ1 no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão nº 12 59.072, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901159/200673 Resolução nº 3302003.119 S3C3T2 Fl. 336 3 Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. REPETIÇÃO DO INDÉBITO DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de tributo pago em valor maior que o devido extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, assim entendida como sendo a do pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante. PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá o pedido de realização de perícia quando esta for prescindível. É de se considerar prescindível a realização de perícia requerida com a finalidade de suprir a falta de apresentação de provas na impugnação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, reprisando as alegações deduzidas na manifestação de inconformidade e pugnando pelo conhecimento de toda a documentação já produzida no processo 10380.901169/200617, o qual seria o processo principal de toda a verificação relativa à matéria de direito objeto de diversas DCOMPs protocoladas. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O processo trata de indeferimento de duas declarações de compensação: DCOMP nº 23170.70124.250603.1.3.042804 e 12413.38911.130208.1.3.041595. A DCOMP nº 12413.38911.130208.1.3.041595 foi indeferida por decadência do direito de repetição. Por seu turno, a recorrente alega que esta DCOMP não teve a finalidade de fazer compensação nova, mas apenas de fazer constar a atualização do crédito tributário informado na DCOMP nº 23170.70124.250603.1.3.042804. Informa que transmitiu a DCOMP retificadora 25186.19137.261006.1.7.047990 para constar a atualização monetária, tendo sido indeferida Fl. 336DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901159/200673 Resolução nº 3302003.119 S3C3T2 Fl. 337 4 pela Receita Federal por “questões suas” e que devido a este indeferimento, se viu obrigada a transmitir a DCOMP complementar nº 12413.38911.130208.1.3.041595. Destacase, de início, que a DCOMP retificadora mencionada não foi admitida, por ter apresentado aumento de débito em relação à original transmitida. De fato, constatase que nesta última houve compensação de débito original no montante de R$ 64.600,60 referente a Cofins de fevereiro/2003, efl. 141, enquanto na dita retificadora, foi a informada a compensação de R$ 73.702,82, portanto, débito superior ao informado na DCOMP original, o que caracteriza nova compensação e não retificação, ao contrário do que afirma a recorrente. O artigo 59 da IN SRF nº600/2005 esclarece: Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput , o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. O impedimento justificase porque a data de valoração da compensação na retificadora é a data da original transmitida, e por isso o débito compensado não pode ser alterado sob pena de se considerar a nova DCOMP como original e nova data de valoração, conforme art. 61 da IN SRF nº 600/2005: Art. 61. A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 28, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original. Assim, ao contrário do que afirma a recorrente, a inadmissão da DCOMP retificadora não foi por “questões” da Receita Federal, mas porque, de fato, se tratava de nova compensação e não de retificadora, o que implicaria nova data de valoração dos créditos. Por outro lado a DCOMP nº 12413.38911.130208.1.3.041595 compensa o valor de R$ 9.102,22, ou seja, a diferença entre as DCOMPs original e a suposta retificadora, reafirmando a natureza de nova compensação. Concluise, portanto, que, primeiro, a DCOMP 25186.19137.261006.1.7.04 7990 não foi, acertadamente, admitida e, destarte, não produziu efeitos legais. Segundo, a DCOMP 12413.38911.130208.1.3.041595 representa nova compensação e, portanto, demanda análise distinta da DCOMP nº 23170.70124.250603.1.3.042804 quanto ao prazo de repetição do crédito pleiteado. No caso, tendo a DCOMP sido transmitida em 13/02/2008, referente a crédito constante de recolhimento em 14/06/2002, configurase o decurso do prazo estabelecido no artigo 168, inciso I do CTN, aplicável aos pedidos administrativos pleiteados após 9/06/2005, em consonância com a Súmula CARF nº 91: Fl. 337DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901159/200673 Resolução nº 3302003.119 S3C3T2 Fl. 338 5 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Ressaltase, ainda, que a recorrente poderia ter efetuado declarações de compensação há mais de cinco anos da data do pagamento indevido ou a maior, desde que tivesse efetuado o pedido de restituição dentro do prazo de cinco previstos no CTN, conforme disposto nos artigos 26 e 27 da IN SRF nº 600/2005, o que, entretanto, aparentemente não ocorreu: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. [..]§ 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. Art. 27. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela SRF caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante Pedido de Restituição ou Pedido de Ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional. Concernente à DCOMP nº 23170.70124.250603.1.3.042804, o despacho decisório decidiu pelo indeferimento pela falta de provas, precisamente, pela falta de apresentação do Razão relativo às contas contábeis de receita, necessárias para a verificação da legitimidade do direito creditório. A recorrente pugnou pela aplicação do princípio da verdade material, alegando ter juntado as contas de receitas da Cofins de maio/2002, e a necessidade de se conhecer a documentação anexada ao processo 10380.901169/200617 e, caso a documentação não seja suficiente, alega, ainda, a necessidade de realização de diligência. Inicialmente, a recorrente alegou que o fundamento das declarações de compensação foi objeto de processo de consulta de nº 10380.000375/200357, cuja solução lhe foi favorável no sentido de que a aplicação da sobretarifa de que trata o §1º do artigo 4º da MP nº 14/2001 deveria compor a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins dos períodos em que ocorressem o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a sobretarifa e não em dezembro/2001, conforme determinado pela Resolução ANEEL nº 72/2002. A própria solução de consulta indicou os procedimentos previstos na IN SRF nº 210/2002 para a recuperação dos tributos e abordou apenas o ano de 2001, embora a recorrente afirmou ter efetuado o mesmo procedimento em alguns meses de 2002. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901159/200673 Resolução nº 3302003.119 S3C3T2 Fl. 339 6 Para demonstrar seu direito, a recorrente apresentou em manifestação de inconformidade, demonstrativo da base de cálculo do período do crédito, Razão de 2003 contendo lançamentos relativos a tributos e contribuições compensáveis, incluindo históricos de PIS/Pasep e Cofins retidos, a recuperar, compensação de PIS/Pasep e Cofins, Razão da conta de retenção de PIs/Pasep e Cofins de 31/12/2001 a 31/12/2003, balancete comparativo de 04/2002 e 05/2002. Afirmou ainda, em recurso voluntário, ter juntado o Livro Razão relativo às contas de receitas de maio/2002, embora tal documento não tenha sido localizado nos autos. Reafirmou, ainda, a necessidade de conhecimento das provas juntadas ao processo 10380.901169/200617, o qual conteria a consulta formulada no processo 10380.000375/2003 57, as planilhas de cálculo do PIS e da Cofins relativa aos períodos de dezembro/2001, janeiro, fevereiro, março, maio e agosto/2002, livro Razão de contas do ativo do anocalendário de 2003. Destacase que a recorrente apresentou um primeiro demonstrativo referente a Cofins de maio de 2002, efl. 45 relacionando os valores de receita operacional, encargo emergencial, receita financeira, acréscimos por atraso – Encargo Emergencial, Diferimento de Receita órgãos públicos – Adição, Diferimento de Receita órgãos públicos – Exclusão, valor retido – Lei 9.430, valor compensado e valor recolhido em DARF. Posteriormente, em manifestação de inconformidade, apresentou novo demonstrativo, identificando as rubricas contábeis: Receita pela disponibilidade de rede elétrica, comercialização de energia elétrica, suprimento, ativo regulatório, outras receitas e rendas – distribuição, outras receitas e rendas – comercialização, receita financeira – comercialização, atualização ativo regulatório, receitas não operacionais – outras receitas, diferimento órgãos públicos e retenções órgãos públicos. Pelos documentos constantes no processo, podese comprovar o valor da Cofins retida em maio/2002, efls. 65. Em relação aos demais valores, os documentos não são suficientes à sua comprovação, como se depreende do excerto extraído do voto condutor do acórdão da DRJ: "30. Do exame da documentação apresentada pela interessada à Autoridade Fiscal que apreciou as compensações declaradas nos PER/DCOMP nºs 23170.70124.250603.1.3.042804 e 12413.38911.130208.1.3.041595, verificase que no demonstrativo de apuração da base de cálculo da Cofins referente ao mês 05/2002, não foi informado quais receitas compõem as parcelas que integram o cálculo nos títulos: receita operacional, receita financeira, receita não operacional, diferimento da receita – órgãos públicos – adição e diferimento da receita – órgãos públicos – exclusão. Também, não foi anexada aos autos a documentação contábil que pudesse comprovar os valores informados nesse demonstrativo, conforme solicitado na Intimação Fiscal. 31. Na manifestação de inconformidade, a impugnante informa ter anexado o Livro Razão das contas de receitas que integram a base de cálculo da Cofins de maio de 2002 (Doc. 09, fls. 254 a 259). Ocorre que, ao contrário do informado, tal documentação não foi trazida aos autos. Os documentos apresentados pela interessada (Doc. 09, fls. 254 a 259) foram: Fl. 339DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901159/200673 Resolução nº 3302003.119 S3C3T2 Fl. 340 7 31.1 Demonstrativo de Apuração da Cofins referente ao mês 05/2002 (fl. 255); 31.2 Balancete Comparativo referente ao mês 05/2002 (fls. 256/257); e 31.3 Lançamento efetuado no mês 05/2002 na conta 6310519000 Com Out Rec FinAcrésc Moratório Conta (fl. 258). 32. Do exame da documentação apresentada verificase que: 32.1 Não restaram comprovados os valores informados a título de: “Receita FinanceiraAdministração CentralDistribuição” (R$ 27.594,05), “Receita Financeira – Comercialização” (R$ 6.905.047,78), “Diferença receitas financeiras” (R$ 365.347,15), “DIFERIMENTO ÓRGÃOS PÚBLICOS” (R$ 466.290,32), “RETENÇÕES ÓRGÃOS PÚBLICOS” (R$ 6.970,97) e OUTRAS COMPENSAÇÕES (R$ 15.856,63); 32.2 Não restou comprovado que o valor excluído a título de “Atualização Ativo Regulatório” (R$ 3.851.476.09) estaria incluído no valor informado a título de “Receita Financeira – Comercialização” (R$ 6.905.047,78), e que aquele seria referente aos juros remuneratórios incidentes sobre o financiamento contratado e vinculado à recomposição tarifária extraordinária “RTE”; 32.3 Além disso, não foi objeto da consulta efetuada no processo n° 10380.000375/200357 qualquer questionamento relacionado ao tratamento tributário a ser dado aos juros remuneratórios incidentes sobre o financiamento contratado e vinculado à recomposição tarifária extraordinária “RTE”. 33. Sem essas comprovações, não há como se afirmar qual seria o valor devido da Cofins no mês 05/2002, tampouco reconhecer ser o valor recolhido maior que o efetivamente devido." De fato, dadas as peculiaridades do caso concreto, a recorrente deveria ter juntado as cópias do Livro Razão de todas as contas de receita, contas de recebimentos de receitas, o controle extracontábil relativo às adições e exclusões decorrentes das receitas auferidas em face de órgãos públicos, bem como identificado como surgiram os valores que foram excluídos da base de cálculo como ativo regulatório e sua atualização. Por outro lado, dos documentos informados como constantes do processo 10380.901169/200617, a consulta formulada no processo 10380.000375/200357 e o demonstrativo de cálculo foram aqui juntados, sendo que o Livro Razão do ano de 2003 é irrelevante para se apurar o direito creditório de maio de 2002, objeto desta lide. O que, na realidade, constatase, é que a recorrente teve oportunidade de demonstrar a base de cálculo na análise da compensação, em manifestação de inconformidade e, por fim, no recurso voluntário, quando já possuía conhecimento, pela decisão da DRJ, do que seria necessário para comprovar suas alegações, não se desincumbindo do ônus que lhe cabe quanto à comprovação do indébito tributário, nos termos do artigo 170 do CTN, dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 e do artigo 333 do vigente Código de Processo Civil, Lei nº 5.869/73. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901159/200673 Resolução nº 3302003.119 S3C3T2 Fl. 341 8 Quanto ao pedido de diligência fiscal, a recorrente não logrou êxito em demonstrar a impossibilidade de juntar as provas necessárias nos três momentos que lhe foram oportunizados, mormente após a decisão da DRJ, a qual especificou os pontos não comprovados. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 341DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 15504.720852/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OMISSÃO OU OBSCURIDADE. MERA INTEGRAÇÃO DA DECISÃO EMBARGADA.
Não obstante a inexistência da contradição, omissão e obscuridade apontadas pela embargante, acolhem-se em parte os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, apenas para integrar a decisão embargada com algumas considerações e explicações adicionais.
Numero da decisão: 1401-001.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER em parte os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, apenas para integrar a decisão embargada com as considerações e explicações que integram o voto.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Julio Lima Souza Martins, Marcos de Aguiar Villas Boas, Aurora Tomazini Carvalho e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OMISSÃO OU OBSCURIDADE. MERA INTEGRAÇÃO DA DECISÃO EMBARGADA. Não obstante a inexistência da contradição, omissão e obscuridade apontadas pela embargante, acolhemse em parte os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, apenas para integrar a decisão embargada com algumas considerações e explicações adicionais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER em parte os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, apenas para integrar a decisão embargada com as considerações e explicações que integram o voto. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Julio Lima Souza Martins, Marcos de Aguiar Villas Boas, Aurora Tomazini Carvalho e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 08 52 /2 01 2- 65 Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão embargada, fls. 10761081: I Do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal Mediante o processo em epigrafe foram lavrados os autos de infração Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social s/Lucro Líquido relativos aos anocalendário de 2008, fls. 03 a 14, para exigência de crédito tributário, sob a fundamentação abaixo transcrita: “001 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS De acordo com o "Termo de Verificação e de Constatação FiscalTVCF" em anexo, o Contribuinte excluiu do lucro liquido de 2008 receitas de reversão de provisão no valor de R$82.763.604,73. Conforme o mesmo TVCF, à época de sua constituição em 1994, tal provisão não teve sua contrapartida (no caso, uma despesa indedutível) adicionada ao lucro líquido para efeito de apuração do Lucro Real ou da Base de Cálculo da CSLL. Desse modo, a posterior exclusão de sua reversão se caracterizou como indevida, nos termos da legislação tributária e em conformidade com a "Solução de Consulta n° 118SRRF 06/DISIT", de 08/11/2010; cuja decisão se deu a partir de "Petição", de 24/06/10, formulada pelo Contribuinte em questão. A despeito disto, o Contribuinte não retificou sua escrituração e declarações ou efetuou qualquer pagamento; tendo interposto "Recurso Especial de Divergência" à SRF/COSIT, em 02/12/2010; o qual, embora admitido e pendente de apreciação, não tem efeito suspensivo na presente autuação.” O Termo de Verificação Fiscal, de fls. 17/25, apresenta síntese dos procedimentos fiscais, informa que se trata de instituição financeira, com atuação no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação, tece considerações sobre os lançamentos contábeis/fiscais, sobre a solução de consulta/recurso de divergência e indica a legislação aplicável. II – DA IMPUGNAÇÃO A empresa apresenta sua impugnação de fls. 948 a 968, acompanhada dos documentos de fls. 969 a 981 (estatuto, ata, documentos de identificação e despacho de admissibilidade do recurso de divergência). No tópico 1 – Da Autuação, indica os valores exigidos nos respectivos autos de infração, afirma que a impugnação é tempestiva e no mérito o lançamento é improcedente, “por não Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.638 S1C4T1 Fl. 3 3 terem ocorrido os fatos geradores apontados nos Autos de Infração, segundo a legislação de regência da matéria.” No tópico 2 – Dos Fatos, reportase à consulta por ela efetuada: “Em 26.06.2010, a recorrente apresentou consulta sobre interpretação da legislação tributária, que constitui o processo nº 10680.721664/201038. Na referida consulta, indagou se era correto seu entendimento de que a reversão de provisão anteriormente realizada para ajuste a valor de mercado de bens imóveis, por não ter reduzido qualquer base de cálculo das exações do PIS, da COFINS, do IRPJ e da CSLL quando de sua constituição, não seria considerada receita nova e tributada, por ocasião de sua reversão. Como relatado na consulta apresentada, a provisão foi constituída em 30.06.1994, data na qual a recorrente estava submetida ao regime de liquidação extrajudicial e, portanto, sua gestão era exercida por liquidante nomeado pelo Banco Central. A provisão foi constituída em atendimento à legislação do sistema financeiro nacional, visando à adequação de valores da conta ‘Outros Valores e Bens’, que registrava imóveis retomados ou recebidos de devedores para pagamento de dívidas.” Depois de transcrever artigos da Circular Bacen 2246, de 05/11/1992, complementa: “Em 30.09.1994, da mesma forma em cumprimento de legislação do BACEN, antes cessação do regime de liquidação extrajudicial e, portanto sob a gestão do liquidante nomeado pelo Banco Central, foi contabilizada uma complementação da provisão destinada a adequar seu valor para amparar perdas em ações judiciais de usucapião de alguns imóveis. Igualmente foi informado na consulta formulada que, com vistas a resolver questões relativas aos níveis de imobilização e endividamento, a recorrente alienou todos os imóveis com os quais se relaciona a provisão, tendo realizado previamente a avaliação dos bens a valor de mercado. Do confronto entre o valor dos imóveis obtido no laudo de avaliação e o correspondente valor contábil deduzido da provisão, constatouse ser o valor de mercado superior ao valor contábil líquido da provisão, impondose, portanto, uma reversão de parte da provisão. Em seguida, foram alienados os imóveis pelo seu valor contábil, após o ajuste mencionado no parágrafo anterior” Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 Em seguida, transcreve ementa da Solução de Consulta nº 118, de 8 de novembro de 2010, informando ter apresentado Recurso de Divergência, que se encontra pendente de decisão, destacando: “Como informado na Consulta apresentada, a Impugnante não era contribuinte do IRPJ e CSLL na época em que a provisão para ajuste ao valor de mercado de imóveis foi constituída, ou seja, em junho e setembro de 1994, uma vez que se encontrava em regime de liquidação extrajudicial no período de 03.05.1984 a 04.10.1994. Assim, a constituição de provisão para ajuste a valor de mercado de imóveis não reduziu a base de cálculo do IRPJ e CSLL quando de sua constituição, já que, estando em processo de liquidação extrajudicial, a Economisa não era contribuinte dos tributos mencionados.” No tópico 3 – Da preliminar de decadência, entende que: “De início, como preliminar, cabe lembrar que, se a mencionada provisão teve qualquer efeito fiscal, o que se admite apenas para argumentar, esses efeitos ocorreram em 1994, quando ela foi constituída.” Transcreve o art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95, tece comentários sobre a constituição de provisões e conclui, fundamentandose no art. 150 do CTN e art. 898 e 899, do RIR/99 que: “Assim, a provisão constituída em 1994, se não dedutível perante a legislação do IRPJ e CSLL, constitui adição à base de cálculo do IRPJ e da CSLL daquele ano, ou seja, integra o fato gerador de 1994, o qual já se encontra alcançado pela decadência em 2012, quando houve a autuação.” No tópico 4 – Do Mérito assinala que “pautou seu procedimento à vista de manifestação expressa das autoridades fiscais, constante das soluções de consulta apontadas como paradigmas de divergência, as quais são anteriores à SC nº 118/2010.” Reitera que agiu de boafé, inclusive apresentando a solução de consulta para ter a confirmação de seu entendimento, destacando, novamente: “Ressaltese que a Solução de Consulta nº 118/2010 preconiza uma condição impossível de ser cumprida pela empresa, pois, na época da constituição da provisão, a Economisa não era contribuinte dos tributos em causa, sendolhe impossível fazer a adição da provisão às bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Daí a surpresa da consulente pela solução prolatada. Como se não bastasse, ato contínuo, a despeito de o recurso de divergência não ter sido decidido pela COSIT, viuse a Impugnante na condição de fiscalizada, exatamente quanto aos fatos que submeteu à consulta da autoridade tributária.” Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.638 S1C4T1 Fl. 4 5 Reafirmando que agiu de boafé, expressa sua convicção de estar amparada pelo art. 100 do CTN, por haver entendimento expresso em soluções de consulta publicadas pela Receita Federal do Brasil, bem como em jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Complementa que: “E veio a ser autuada justamente quanto ao ponto objeto da consulta, a reversão da provisão. E isto sem que tivesse sido solucionado o mérito da divergência! A autuação fundamentouse única e exclusivamente na malsinada SC 118/2010, cujo mérito ainda está por ser resolvido pelo órgão competente.” Entende que “É absolutamente improcedente a cobrança, como será demonstrado.” Inicia sua demonstração apresentando o que chama de “gênese da provisão tributada”, quando relata a cronologia dos fatos, destacando nos trechos literalmente transcritos: “Essa reversão é o objeto da presente autuação. Em seguida, foram alienados os imóveis pelo seu valor contábil, após o ajuste mencionado no parágrafo anterior. Ressaltese que o registro dessa provisão só se deu por determinação expressa do Banco Central, segundo as normas específicas aplicáveis somente às instituições financeiras, portanto, normas não tributárias. Embora as instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil devam observar as disposições da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, e os atos normativos dela decorrentes, para fins fiscais, tais normas não se sobrepõem às normas tributárias de apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. A constituição da provisão em tela foi decorrente de determinação do Banco Central, mas o seu registro não poderia jamais gerar efeitos fiscais, como de fato não os gerou. Não gerou efeitos fiscais ao tempo pretérito em que a provisão foi constituída por que a Impugnante estava submetida ao regime de liquidação extrajudicial e, portanto, não era contribuinte do IRPJ e CSLL. E não gerou efeitos fiscais ao tempo da reversão da provisão já que quando de sua constituição a base de cálculo do imposto e da contribuição não foi afetada. O resultado fiscal não pode ser alterado em virtude do registro da provisão realizado por determinação das normas aplicáveis às instituições financeiras, que não são de natureza fiscal.” Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Afirma ainda que não houve acréscimo patrimonial ou lucro, portanto, conclui não há que haver exigência do IRJP e CSLL. A impugnante cita/transcreve excertos de decisões administrativas e judiciais para subsidiar seus argumentos. A 4ª Turma da DRJ Belo Horizonte, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou improcedente a impugnação, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 983: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. DECADÊNCIA Não tendo expirado o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, é legítimo o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PROVISÃO. REVERSÃO. Não tem amparo legal a exclusão da base de cálculo do IRPJ, do valor da reversão de provisão não dedutível, cuja despesa (contrapartida da provisão) não foi adicionada ao lucro líquido no passado. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL s/LUCRO LÍQUIDO O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos dos demais tributos com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhes recomenda tratamento diverso. Impugnação Improcedente Cientificada do referido Acórdão em 28/05/2012 (fls. 1000), a contribuinte apresentou em 26/06/2012 o recurso voluntário de fls. 100221037, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.638 S1C4T1 Fl. 5 7 Em sua peça recursal, a contribuinte basicamente sustentou que: a) Submeteu à incidência do IRPJ e da CSLL o valor representativo da reversão das provisões indedutíveis; b) Inexistiram efeitos tributários nos atos de constituição das provisões; c) Guardadas as devidas particularidades, a liquidação extrajudicial de instituições financeiras equivale à falência das demais instituições; d) Não há que se falar em incidência do IRPJ e da CSLL posto que inexistiu acréscimo patrimonial; e) Não haveria que se falar em acréscimo patrimonial tributável, até o encerramento do processo “falimentar”. Eventual acréscimo patrimonial apurado, após a satisfação de todos os credores, somente poderia ser tributado na pessoa dos acionistas e não no nome da pessoa jurídica que se encontrava em vias de extinção; f) Não deve haver incidência de juros de mora sobre a multa de mora (alegação inovadora, não apresentada na fase impugnatória). Este colegiado negou provimento ao recurso voluntário, por meio do Acórdão nº 1401001.346 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA Não tendo expirado o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, é legítimo o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ PROVISÃO. REVERSÃO. Não tem amparo legal a exclusão da base de cálculo do IRPJ, do valor da reversão de provisão não dedutível, cuja despesa (contrapartida da provisão) não foi adicionada ao lucro líquido no passado. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL s/LUCRO LÍQUIDO O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos dos demais tributos com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato, tendo em vista a clara relação de causa e efeito. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 Devidamente cientificada do supracitado Acórdão, a contribuinte apresentou os presentes embargos de declaração, que foram recebidos nos termos do art. 65, §1º, do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF. A embargante alegou contradição, omissão e obscuridade no Acórdão nº 1401001.346, relativamente os seguintes itens: 1) Arguição de contradição e obscuridade do acórdão, por falta de coerência lógica entre a sua premissa "a provisão referese a uma despesa indedutível" e a sua conclusão "a reversão da despesa indedutível deve ser tributada"; 2) Arguição de omissão e obscuridade para definir qual foi a infração que ensejou o lançamento em apreço: a) se quando a embargante deduziu do lucro líquido despesa indedutível; b) se quando a embargante não tributou a reversão de provisão indedutível. Por ocasião do exame de admissibilidade dos presentes embargos, este Relator consignou o seguinte: Analisando os autos, verifiquei que não assiste razão à embargante, pois não procedem nenhuma das arguições de omissão, obscuridade ou omissão no acórdão embargado. Não obstante este fato, a leitura da peça de embargos demonstra que a interessada não compreendeu o motivo pelo qual este colegiado [...] negou provimento ao recurso voluntário (não obstante a aparente clareza do voto vencedor do Acórdão embargado). Esta falta de entendimento do Acórdão por parte da interessada pode, em última análise, configurar alguma obscuridade no aludido Acórdão. Por esta razão, inobstante a óbvia ausência de efeitos infringentes, considero prudente que este colegiado aprecie os presentes embargos, com vistas a melhor esclarecer à contribuinte as causas de decidir adotadas pelo Acórdão embargado. Neste termos, admitindo eventual obscuridade no Acórdão, considero presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação dos presentes embargos pela Turma. É o relatório. Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.720852/201265 Acórdão n.º 1401001.638 S1C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Tratase de embargos de declaração manejados pela contribuinte, em face do Acórdão nº 1401001.346, relativamente os seguintes itens: 1) Arguição de contradição e obscuridade do acórdão, por falta de coerência lógica entre a sua premissa "a provisão referese a uma despesa indedutível" e a sua conclusão "a reversão da despesa indedutível deve ser tributada"; 2) Arguição de omissão e obscuridade para definir qual foi a infração que ensejou o lançamento em apreço: a) se quando a embargante deduziu do lucro líquido despesa indedutível; b) se quando a embargante não tributou a reversão de provisão indedutível. Passo à análise dos itens arguidos pela embargante. Arguição de falta de coerência lógica entre a sua premissa "a provisão referese a uma despesa indedutível" e a sua conclusão "a reversão da despesa indedutível deve ser tributada" A presente arguição merece ser sumariamente rejeitada, posto que tanto a premissa quanto a conclusão apontadas pela embargante não correspondem à verdadeira premissa e à verdadeira conclusão contida no acórdão embargado. Na verdade, a verdadeira premissa adotada pela decisão embargada foi a de que "a provisão referese a uma despesa indedutível que, no passado, não foi adicionada ao lucro real da contribuinte". A parte em destaque referese à parcela da premissa que foi (voluntária ou involuntariamente) ignorada pela embargante. A efetiva ocorrência destes fatos (falta de adição ao lucro real da provisão indedutível, realizada no passado) encontrase amplamente demonstrada nos autos, não tendo sido sequer contestada pela contribuinte, seja em sua peça recursal, seja em sua peça de embargos. A partir desta verdadeira premissa, o acórdão embargado chegou, corretamente, à conclusão de que "a reversão da despesa indedutível, que não tenha sido previamente adicionada ao lucro real, deve ser tributada". Mais uma vez, a parte em destaque referese à parcela da conclusão que foi (voluntária ou involuntariamente) ignorada pela embargante. A própria ementa da decisão embargada bem demonstra o fato acima referido, fls. 1074: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ PROVISÃO. REVERSÃO. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 Não tem amparo legal a exclusão da base de cálculo do IRPJ, do valor da reversão de provisão não dedutível, cuja despesa (contrapartida da provisão) não foi adicionada ao lucro líquido no passado. Diante do exposto, é forçoso concluir pela inexistência de qualquer espécie de contradição e/ou obscuridade do acórdão, no tocante à presente arguição. Arguição de omissão / obscuridade pelo fato de o Acórdão embargado não ter identificado claramente o momento da ocorrência da infração que ensejou o presente lançamento: a) quando a embargante deduziu do lucro líquido despesa indedutível; ou b) quando a embargante não tributou a reversão de provisão indedutível. Tal arguição pode ser refutada mediante simples transcrição de um pequeno trecho da decisão embargada, fls. 1083 (grifado): Destaquese que esta abordagem tem como objetivo tão somente demonstrar que a impugnante não atendeu à legislação de regência de forma a lhe permitir excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor da reversão de provisão não dedutível, em 2008. Sob nenhum aspecto pretendese analisar o mérito do fato ocorrido em 1994, por não ser objeto de litígio e, até porque, a impugnante não o nega. Como facilmente se percebe, a presente autuação versou apenas sobre a infração ocorrida quando a embargante não tributou a reversão de provisão, em 2008. Inexiste, portanto, a omissão / obscuridade arguida pela embargante. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de ACOLHER EM PARTE os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, apenas para integrar a decisão embargada com as considerações e explicações que integram o presente voto. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10166.724470/2011-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. RENUNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF N° 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 2201-003.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por concomitância de instância.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 01/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por concomitância de instância. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 01/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
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RENUNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por concomitância de instância. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 01/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 44 70 /2 01 1- 94 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Para o contribuinte identificado no preâmbulo, foi emitida, por Auditor Fiscal da DRF/Brasília – DF, a Notificação de Lançamento de fls. 42/45, referente ao imposto de renda pessoa física do exercício 2008. A restituição apurada na declaração foi reduzida para R$ 536,63, valor já pago ao interessado. A Notificação de Lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual ND nº 01/35.600.436, quando foram alterados os dados nela informados em decorrência da seguinte irregularidade: •Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, no valor de R$ 123.160,59. Fonte pagadora: Caixa de Previdência= dos Funcs do Banco do Brasil. O enquadramento legal e a descrição dos fatos foram anotados à fl. 43. Na descrição dos fatos consta que, como o laudo médico estava incompleto, intimouse o médico que o emitiu, o qual, em resposta, informou que o contribuinte não é mais portador da doença diagnosticada em 1987. Depois da ciência do lançamento, foi apresentada impugnação às fls. 3/5. O impugnante afirma que é portador de neoplasia maligna e enfrenta sérias dificuldades no seu cotidiano desde a operação para retirada de tumor, pois necessita de acompanhamento médico constante, medicamentos e realização de exames com periodicidade anormal. Recorre a julgado do STJ e argumenta que não se trata de uma simples enfermidade, que permitiria a recuperação total e retorno das condições de saúde presentes antes da moléstia. A gravidade da doença impôs ao requerente uma série de limitações. Junta aos autos os documentos de fls. 8/34. Solicita prazo para apresentar laudo médico pericial mais detalhado, caso o laudo médico acostado aos autos seja considerado insuficiente. Requer a improcedência do lançamento. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.724470/201194 Acórdão n.º 2201003.275 S2C2T1 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Inadmissível a juntada posterior de provas quando a impossibilidade de sua apresentação oportuna não for causada pelos motivos especificados na legislação de regência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. DECISÕES JUDICIAIS. O efeito das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, de ato específico do Secretário da Receita Federal. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, os argumentos dispostos na impugnação e acrescenta informação acerca do processo judicial n.º 005092364.2011.4.01.3400, em trâmite no Tribunal regional Federal da 1ª Região, no qual estava sendo discutida a isenção em questão. Em seguida, foi apresentada Informação Fiscal, fl. 293, dispondo sobre a existência de decisão judicial, transitada em julgado em 12/11/2014, na qual houve o reconhecimento do direito à restituição do IRPF incidente sobre os rendimentos de aposentadoria do contribuinte auferidos a partir de 16/09/2006, bem como à nulidade das Notificações de Lançamento n° 2007/601451460304199, 2008/179706851061457, 2009/179706871789707 e 2010/179706900505457. Na referida análise, verificouse que as Notificações de Lançamento n° 2008/179706851061457, 2009/179706871789707 e 2010/179706900505457 encontramse Fl. 296DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 atualmente em discussão administrativa no CARF, em sede dos processos 10166.724470/2011 94, 10166.724473/201128, e 10166.724471/201139 respectivamente. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conforme salientado no relatório, houve decisão judicial transitada em julgado acerca da matéria objeto do presente processo, de modo que restou anulada a presente Notificação de Lançamento (2008/179706851061457), ressaltandose que a execução da sentença ocorrerá na via judicial. Nesse contexto, impõese a aplicação da decisão judicial, importando renúncia pelo contribuinte à instância administrativa, nos termos da Súmula CARF n.º 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso apresentado pelo contribuinte, tendo em vista o deslinde da controvérsia na via judicial. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 297DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18470.732107/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS,
O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.276
Decisão: Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento fiscal, vencidos os Conselheiros EDUARDO DE OLIVEIRA e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que aplicavam aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA."
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS, O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento fiscal, vencidos os Conselheiros EDUARDO DE OLIVEIRA e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que aplicavam aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 21 07 /2 01 2- 91 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA." Relatório O presente processo decorre de procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual 2011, anocalendário 2010 no qual foi apurado omissão de rendimentos no valor de R$ 313.887,40 que resultou em um imposto suplementar no valor de R$ 69.664,55. Confrontando o valor dos Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas declarados pelo Contribuinte com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), constatouse omissão de redimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 313.887,40. Na apuração do imposto devido foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) no valor de R$ 9.416,62. Em sua impugnação o contribuinte alegou que, por existir a opção do lançamento ser feito em Rendimentos Tributáveis de Pessoa Jurídica Recebidos Acumuladamento, a utilizou. Foram juntados documentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro lavrou o Termo Circunstanciado (fls. 39/43), no qual registrou que: a) os rendimentos considerados omitidos oriundos da fonte pagadora Banco do Brasil são provenientes do processo judicial nº 2001.51.01.5382251 da 38ª Vara Federal do Rio de Janeiro; b) Indeferiu o pedido constante da Impugnação para que o rendimento fosse considerado como Rendimento Recebido Acumuladamente, pois o contribuinte não teria declarado tal rendimento nem como rendimentos tributáveis nem como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva e, nos termos do artigo 832 do RIR/99, a retificação da declaração somente é permitida antes de incidado o processo de lançamento de ofício. O contribuinte foi cientificado da mencionada decisão em 25/10/2012 (fls. 35) e apresentou impugnação em 22/11/2012(fls.2). A Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente a a Impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18470.732107/201291 Acórdão n.º 2202003.276 S2C2T2 Fl. 95 3 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 Ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGRA DE TRANSIÇÃO PARA O ANOCALENDÁRIO DE 2010. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. Os rendimentos recebidos acumuladamente, no período compreendido entre 01 de janeiro de 2010 e 20 de dezembro de 2010, decorrentes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, e os provenientes do trabalho, inclusive aqueles oriundos de decisões das Justiças do Trabalho, Federal, Estaduais e do Distrito Federal, relativos a anoscalendários anteriores ao do recebimento, que não foram tributados exclusivamente na fonte, poderão sêlo mediante a opção, do contribuinte, pela forma de tributação "Exclusiva na fonte" quando do preenchimento da declaração de ajuste anual do imposto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu voto a DRJ ressalta que, ao consultar o portal DIRF, constatou que o Branco do Brasil apresentou DIRF Retificadora, em 25/02/2015, no qual declarou rendimento bruto no valor de 313.887,40 e um imposto retido no montante de R$ 9.416,62. De acordo com a DRJ, o Recorrente tinha a faculdade de oferecer à tributação seus rendimentos recebidos acumuladamente na nova sistemática, mediante ajuste específico na declaração anual. No entanto, como essa faculdade não foi exercida no momento oportuno, o sujeito passivo estaria impedido de exercêla e, por essa razão, considerou correto o procedimento da autoridade lançadora no sentido de tributar os rendimentos recebidos acumuladamente com base no art. 12 da Lei nº 7.713/88. Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, no qual alega que, de acordo com a jurisprudência dos Tribunais Regionais, do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, não poderia ser tributado com base na sistemática prevista no artigo 12 da Lei nº 7.713/88, em virtude da sua inconstitucionalidade. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora Fl. 96DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Conforme mencionado no Relatório o lançamento utilizou como fundamentação legal o artigo 12 da Lei nº 7.713/88, por entender que, apesar de lhe ser facultada a opção pelo regime de tributação previsto no artigo 12A, o contribuinte não exerceu, tempestivamente, a referida opção. O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nª 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, (transitada em julgado em 09/12/2014) ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.(RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Artigo 62 (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18470.732107/201291 Acórdão n.º 2202003.276 S2C2T2 Fl. 96 5 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007519/2003-37
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/1998 a 31/12/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZOS.
1NTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados
da ciência da decisão recorrida, a teor do art. 33 do Decreto if
70.235/72. Os prazos são contínuos, excluindo-se na sua contagem o
dia do início e incluindo-se o do vencimento.
Recurso não conhecido, por intempestivo.
Numero da decisão: 201-80.944
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: Antônio Ricardo Accioly Campos
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1998 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZOS. 1NTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, a teor do art. 33 do Decreto if 70.235/72. Os prazos são contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Recurso não conhecido, por intempestivo.
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Recorrida DRJ em Curitiba - PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1998 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZOS. 1NTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, a teor do art. 33 do Decreto if 70.235/72. Os prazos são contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Recurso não conhecido, por intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. diaartia, ~ti-CA • SE A MARIA COELHO MARQUES Presidente. \—NC-re • NTÔNIO RICARDO ACCIOLt CAMPOS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e José Antonio Francisco. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Processo n.• 10980.007519/2003-37 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C01 Acórdão n.• 201-80.944 CONFERE COMO ORIGINAL Fls. 125 Brasffis, py taxx. $4„,ígiroosa mat. Safa 91745 Relatório Com vistas a uma apresentação sistemática e abrangente deste feito, sirvo-me do relatório contido na decisão recorrida de fls. 80/90. A DRJ em Curitiba - PR, não conhecendo do recurso, julgou o lançamento procedente para manter o crédito tributário no valor de R$ 190.695,45, referente ao PIS, além da respectiva multa de oficio de 75% e encargos legais correspondentes. Inconformada, a interessada recorre a este Conselho (fls. 94/110), reiterando as razões da peça impugnatória. Às fls. 111/121, relação de bens e direitos para arrolamento. - - o Relatório. 1\°.X. Processo n.° 10980.007519/2003-37 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.944 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBIANTES CONFERE COMO ORlGlNAL Fls. 126 Brasília. /M/ rá9" siNio 944.3eftinsa Voto Mal..‘Seps 91745 Conselheiro ANTÔNIO RICARDO ACCIOLY CAMPOS, Relator A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância (Acórdão ri 2 06- 13.241) em 24/01/2007, conforme AR de E. 93. Apresentou recurso a este Conselho em 16/03/2007, conforme carimbo de recebimento à E. 94. Analisando o art. 33 do Decreto 11 2 70.235, de 6 de março de 1972, que trata do prazo para apresentação de recurso contra a decisão de primeira instância, tem-se: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão". A contagem do prazo segue as regras estabelecidas no art. 52 do mesmo diploma legal, verbis: "Art. 50 Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Sendo 12/02/2007 uma segunda-feira, a contagem do prazo para interposição de recurso voluntário se iniciou na terça-feira, dia 13/02/2007 e foi encerrada terça-feira, dia 13/03/2007. • Logo, se o recurso foi interposto em data posterior (16/03/2007) ao termo final, a decisão a guo já se tomara definitiva, nos termos do art. 42 do Decreto n 2 70.235/72, que assim, estabelece: "Art 41. São definitivas as decisões: 1- de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; ". Em face do exposto, não conheço do recurso, por ser intempestivo. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2008. C/Nwia Nik Ô1Nt---1;-10X1-nICA.RDO ACCIOLY CAMPOS 12, Page 1 _0059900.PDF Page 1 _0060100.PDF Page 1
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Numero do processo: 13805.002435/94-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. . SÚMULA CARF N° 11
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-003.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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SÚMULA CARF N° 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 24 35 /9 4- 10 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13805.002435/9410 Acórdão n.º 2201003.086 S2C2T1 Fl. 468 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/FNS (Fls. 408), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Mediante o Auto de Infração de fls. 1 a 4, integrado pelos demonstrativos de fls. 5 a 11, exigese do contribuinte acima qualificado o pagamento da importância de 33.477,69 UFIR, a titulo de Imposto de Renda Pessoa Física, anosbase 1988 e 1989, acrescida de multa de oficio de 50% e juros de mora devidos à época do pagamento. Em consulta à Descrição dos Fatos constante do Auto de Infração (fls. 3 a 4) e ao Termo de Verificação Fiscal de fls. 241 a 250, constase que a autuação se deu em razão das seguintes infrações: 1) omissão de rendimentos da atividade rural, apurada no ano base 1988; 2) omissão de rendimentos em virtude da detecção de acréscimo patrimonial a descoberto, nos anosbase 1988 e 1989; 3) omissão de rendimentos caracterizados por sinais exteriores de riqueza, no anobase 1989; 4) omissão de ganho de capital apurado nos meses de dezembro de 1988, janeiro e , novembro de 1989. Inconformado com o lançamento, o contribuinte interpôs a impugnação de fls. 253 a 270, apresentado por seu procurador, conforme instrumento de mandato de fl. 271, fazendo, inicialmente, uma breve descrição da ação fiscal (fls. 253 e 254) seguida de item intitulado "Delimitação da Controvérsia" (fls. 255 a 258), no qual destaca as parcelas do lançamento com as quais concorda. As fls. 258 a 270, o interessado passa às questões de mérito que se encontram a seguir resumidas. Exercício 1989, anobase 1988 Atividade Rural O contribuinte requer que sejam excluídas do total das receitas omitidas apuradas pela fiscalização, as importâncias de NCz$ 500,00 e NCz$ 658,00, provenientes da venda de veiculo (F1000) e equipamentos (Trator Valmet), assim como os rendimentos de aplicações financeiras, nos montantes de NCz$ 749,32, NCz$ 42,03 e NCz$ 382,55. Considerando que a atividade rural é feita em regime de parceria, deve ser excluído NCz$ 174,90, que corresponde a 50% do total dos valores acima descritos, aplicado o percentual de 15%(percentual de arbitramento do lucro tributável da atividade rural), restando um montante tributável de NCz$ 2.947,45. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13805.002435/9410 Acórdão n.º 2201003.086 S2C2T1 Fl. 469 3 Acréscimo Patrimonial a Descoberto O contribuinte alega, inicialmente, erro no somatório do valor apurado pela autuante as fls. 5 e 6 do Termo de Verificação Fiscal, referente â "variação patrimonial não declarada", afirmando que o correto é NCz$ 168.398,25, e não NCz$ 207.850,66 como consta. Requer, ainda, que deste valor sejam excluídas as seguintes parcelas: a) Do valor de NCz$ 14.206,20 (item 2 do TVF) deve ser excluída a importância de NCZ$ 9.470,80, remanescendo NCZ$ 4.735,40. Este item referese a valores não declarados de duas lojas do Edifício Laura Osório da qual sua participação era de um terço do total do imóvel e, portanto, o valor tributável a ser exigido do contribuinte deve ser de um terço, para que seja mantido o critério adotado pela fiscalização na apuração do ganho de capital de outros 4 apartamentos do mesmo prédio. b) O valor de NCz$ 40.800,00 (item 12 do TVF) deve ser reduzido para NCz$ 4.500,00, tendo em vista o valor declarado no item 21 de sua declaração de bens como Cz$ 4.500.000,00, como mencionado na verificação fiscal. c) O valor de NCz$ 69,50, indicado no item 15 do TVF como não declarado, já estava computado, juntamente com o valor de Cz$ 5.500,00, referente A letra "b", do item 21 da declaração de bens, totalizando NCz$ 75,00. d) A importância de NCz$ 85.399,57, referente aos valores dos bens imóveis, benfeitorias, máquinas e equipamentos da atividade rural, informados em quadro demonstrativo assinado por seu parceiro, os quais foram considerados não declarados (item 16 do TVF). Assevera que os imóveis rurais constam nos itens 21 e 22 de sua declaração de bens* e, quanto As compras de máquinas e equipamentos agrícolas nos anosbase 1988 e 1989, já esclareceu, por duas vezes, que quem os adquiriu foi seu parceiro e não o contribuinte. Sustenta que não pode os valores informados em um demonstrativo informal, nos quais constam os valores atualizados dos imóveis e equipamentos rurais, prevalecer sobre a declaração apresentada. Com as exclusões acima descritas, o valor de NCz$ 168.398,25 deve ser diminuído para NCz$ 37.158,38. Somandose a este valor as glosas dos rendimentos isentos ou não tributáveis, chegase a um montante de NCz$ 76.610,779, o qual, subtraído do valor correspondente A sobra patrimonial declarada, obtém se um valor tributável final de NCz$32.447,03. Ganho de Capital O contribuinte alega que o fiscal apurou ganho de capital na alienação de bens descritos nos itens 5.b e 8.d do TVF, no Fl. 469DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13805.002435/9410 Acórdão n.º 2201003.086 S2C2T1 Fl. 470 4 montante de NCz$ 129.877,10, que corresponde ao valor tributável apurado no DALI (fls. 238 a 240) somado a NCz$ 36.264,58, concernente venda de quotas do condomínio OZANAN (item 5.b e letra "C" do TVF). Quanto As quotas do condomínio OZANAN, entende que se não foram aceitas como permutadas por um terreno no item 5.a do TVF, da mesma forma não podem ser considerados para efeitos de tributação do lucro imobiliário no item seguinte, 5.b. Salienta que no item 5.a do TVF, a operação de permuta foi desconsiderada visto que, segundo escritura pública de compra e venda, houve pagamento do prego total do terreno, no valor de NCz$ 5.961,71, reputandose como acréscimo patrimonial a diferença entre o valor da escritura e o declarado no item 63 da declaração de bens, ou seja, NCz$ 1.261,71. Alega haver bis in idem quando sobre a mesma operação econômica se tributa como acréscimo patrimonial e como lucro imobiliário, ao mesmo tempo. O contribuinte acolhe a imposição tributária descrita no item 5.a (acréscimo patrimonial injustificado), no valor de NCz$ 1.261,71, mas rejeita a do item 5.b (lucro imobiliários), no valor de NCz$ 36.264,58. No que se refere ao lucro imobiliário apurado no DALI elaborado pela fiscalização, reconhece a procedência do valor tributável de NCz$ 5.627,93, calculado na fl. 1 do DALI, do qual deve ser excluído NCz$ 1.046,12, calculado no DALI apresentado pelo impugnante na declaração apresentada, resultando no valor tributável de NCz$ 4.581,81. Quanto às fls. 2 e 3 do DALI elaborado pelo fiscal, sustenta que está calculado com o suposto lucro imobiliário que o contribuinte teria auferido na transferência de bens imóveis para integralização de capital na empresa L.F. Sustenta que os valores de alienação constantes do instrumento de alteração contratual — retificativo do contrato originário — conferem, exatamente com os expressos no DALI entregue pelo impugnante junto com sua declaração de rendimentos. As divergências entre fisco e contribuinte residem justamente no valor de alienação. Acrescenta, ainda, que a transferência de bens imóveis da pessoa física para a pessoa jurídica, a titulo de integralização de capital não implica lucro imobiliário, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal. Cita jurisprudência sobre o tema. Conclui o contribuinte que o valor tributável, neste item do Auto de Infração, é de NCz$ 4.581,81. Origem dos valores aparados no anobase 1988 Por fim, o impugnante alega que no o total do rendimento que entende ser tributável, referente ao anobase 1988, totalizando NCz$ 39.976,29, teria sua origem justificada no lançamento tributário efetuado contra a pessoa jurídica Cosmetic Comércio de Produtos Químicos Ltda., da qual o contribuinte detinha 65% do capital social. O lançamento fiscal e a participação societária Fl. 470DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13805.002435/9410 Acórdão n.º 2201003.086 S2C2T1 Fl. 471 5 estão provados pelos documentos acostados aos autos, assim como o parcelamento do correspondente ao respectivo crédito tributário, processos administrativos Nº 11080.005911/9116 e 11080.005915/9169, em trâmite junto à Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre. Acrescenta que mediante o lançamento acima citado foi exigido da empresa Cosmetic imposto de renda na fonte sobre omissão de receitas no montante de NCz$ 193.554627,00, relativo ao anobase 1988, a titulo de lucro automaticamente distribuindo. Deste valor, a parcela referente a participação do contribuinte é de NCz$ 125.812.457,00 (65% do capital social), o que lhe dá uma grande folga para suportar às parcelas das bases de cálculos cuja procedência foram por ele admitidas, tornando nulo qualquer lançamento referente ao anobase 1988. Exercício 1990, anobase 1989 Acréscimo patrimonial a descoberto O contribuinte acolhe o lançamento integralmente, nesta parte, pelos valores nele indicados. Sinais exteriores de riqueza O impugnante alega, inicialmente, ser nulo esta parte do lançamento, uma vez que não identifica bem a matéria tributável, contrariando o disposto no art. 142 do CTN. Segundo ele, a fiscalização apurou valor tributável de NCz$ 456.297,68 proveniente de variação patrimonial a descoberto, fazendo referência aos itens 9, 10 e 12.b do TVF. Argumenta que a soma dos valores indicados em cada um dos itens não fecha com a base de cálculo tributável lançada: o item 9 não expressa qualquer valor; o item 10 contém uma base tributável de NCz$ 145.800,00; e o item 12.b, indica um valor de NCz$ 47.055,00, totalizando NCz$ 192.855,00. No mérito, argúi que, não obstante o item 9 do TVF faça referencia a saldo de contacorrente não declarado, não lid qualquer indicação do valor omitido. Quanto ao item 10 do TVF, o contribuinte alega que a autuante chegou ao valor tributável de NCz$ 145.800,00 porque, para efeito de origem patrimonial, desconsiderou 50% do valor correspondente a parcela do ganho de capital não tributável, julgando que o contribuinte a havia declarado integralmente. Afirma que, analisandose as declarações do casal, a parcela isenta, tanto quanto a tributada, foi declarada na proporção de 50%. Por fim, com relação ao item 12.b do TVF, segundo o qual foram glosados rendimentos não tributáveis da atividade rural, no montante de NCz$ 47.055,00, embora nada tenha a objetar o interessado, entende ser insustentável em razão do vicio de nulidade. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13805.002435/9410 Acórdão n.º 2201003.086 S2C2T1 Fl. 472 6 Ganho de Capital Alega que a fiscalização apurou ganho de capital tributável no valor de NCz$13.628,89, no mês de janeiro de 1989, e outro de NCz$ 158.217,00, em novembro do mesmo ano, conforme descrito nos itens 11.b e 2 do TVF. Quanto ao ganho de capital apurado em janeiro de 1989, concorda com o valor de NCz$ 10.012,00, que se relaciona na realidade com a letra "a" do item 11 e não com a "b". No que se refere a parcela remanescente de NCz$ 3.616,79, pugna por sua exclusão, pois é alusiva a ganho de capital que, no seu entender, não ocorreu na transferência de bem imóvel da pessoa física para a pessoa jurídica. Com relação ao item 2 do TVF, discorda do ganho de capital apurado pela fiscalização, no valor de NCz$ 158.217,00, afirmando que a autuante incorreu em erro ao converter em BT'N o custo de aquisição deste imóvel, fazendoo pelo índice de novembro de 1988 (359,27) quando o correto seria o do mês de aquisição, ou seja, abril de 1988 (90,588), conforme consta do demonstrativo apresentado pelo impugnante junto com sua declaração. Assim, neste item concorda o contribuinte com o ganho de capital de NCz$10.012,10, referente a janeiro de 1988. Exercícios 1989 e 1990, anosbase 1988 e 1989 Aplicação da TR Às fls. 266 a 270, discorre longamente sobre a TRD, alegando ser ilegal sua aplicação como indexador ou como juros de mora, tendo em vista seu caráter remuneratório. Acrescenta, ainda, que com a extinção do BIN, antigo indexador oficial ou índice de correção monetária, outro indexador de tributos somente poderia ser exigido a partir de 1' de janeiro de 1992, com a criação da UFIR pela Lei n 8.383, de 30 de dezembro de 1991. A aplicação da TRD, nos termos do art. 9 da Lei 8.177/1991, foi um artificio visando suprir a lacuna da correção monetária existente entre 01.02.1991 a 31.12.1992. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/FNS entendeu por bem julgar o lançamento procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: Anocalendário: , 1.988 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS — Classificase como omissão de rendimentos, a oscilação positiva observada no estado patrimonial do contribuinte, sem respaldo em rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, não logrando o contribuinte apresentar documentação capaz de ilidir a tributação. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13805.002435/9410 Acórdão n.º 2201003.086 S2C2T1 Fl. 473 7 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1988, 1989 Ementa: INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL COM IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL — A transferência de bens imóveis de pessoa física para pessoa jurídica a titulo de integralização de capital constitui fato gerador do ganho de capital. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1989 Ementa: SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. DESCARACTERIZAÇÃO — Glosas de rendimentos não tributáveis e lançamentos baseados exclusivamente em documentos bancários não configuram sinais exteriores de riqueza para fins de tributação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1988, 1989 Ementa: APLICAÇÃO DA TRD. EXCLUSÃO — Excluise a cobrança da TRD, no período compreendido entre 4 de fevereiro e 29 de julho de 1991, tendo em vista a Instrução Normativa n 2 32/97. Nesse período incidirão juros de mora à razão de 1% ao mês, nos termos do art. 161, § 1°, do Código Tributário Nacional. Cientificado em 15/10/2013 (Fls. 459), o ESPÓLIO DE LUIZ FELIPE DE PAOLA OSÓRIO, através da inventariante, LUCILA ROJAS VILLELA OSÓRIO conforme fls. 450 a 453, interpôs Recurso Voluntário em 12/11/2013 (fls. 443 a 449), argumentando em síntese que: (...) RECORRER parcialmente, do acórdão acima mencionado, que manteve em parte o lançamento efetuado, o que faz pelas seguintes razões de fato e de direito: Inicialmente, vale esclarecer que o contribuinte autuado, Luiz Felipe de Paola Osório, faleceu em 19/12/2003, conforme comprova o atestado de óbito ora anexado (doc. 02). Decorre o presente de auto de infração através do qual se exige do contribuinte falecido valores a título de Imposto de Renda Pessoa Física, anosbase 1988 e 1989. (...) Fl. 473DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13805.002435/9410 Acórdão n.º 2201003.086 S2C2T1 Fl. 474 8 Com a devida vênia, Exas., a cobrança ora em questão não pode prevalecer, posto a ocorreu a prescrição intercorrente. Explica se. (...) 06. Analisandose a tramitação do presente processo, temse que o mesmo teve uma duração de, simplesmente, 19 anos entre a autuação e a intimação do acórdão proferido pela Turma de Julgamento! E a divisão de tempo ocorreu da seguinte maneira: mais de 10 anos para se julgar a impugnação E mais de 9 anos para se fazer a intimação da mesma. 07. E sabido por todos que os órgãos públicos se encontram assoberbados e, muitas vezes, sem estrutura para fazer frente à quantidade de processos em tramitação; porém, ultrapassa todos os limites do razoável uma delonga nos termos da que ora se apresenta, estando configurada, sem dúvida alguma, a prescrição intercorrente, instituto este já reconhecido pelo Ministro José Delgado ao julgar o REsp 208345/PR: "Após o decurso de determinado tempo sem promoção da parte interessada, devese estabilizar o conflito pela via da prescrição, impondo segurança jurídica aos litigantes." 08. Não se pode negar que o art. 151, III, do Código Tributário Nacional estabelece a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, todavia, o Fisco não possui prazo "ad aeternuni'' para decidir impugnações administrativas opostas a lançamentos de créditos tributários. 09. Ora, a duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5o, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 10. Assim, a conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade, devendo a administração pública observálos e respeitálos! (...) 13. Notese que o dispositivo legal (art. 24 da Lei n° 11.457/2007) não confere uma faculdade à Administração, mas, sim, impõe um dever, uma obrigação, qual seja, o de dar uma resposta ao administrado contribuinte no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. E, não se pode deixar de reconhecer que o prazo de 1 (um) ano é mais do que suficiente para fazêlo. Como já mencionado, "não se desconhece as dificuldades de trabalho e/ou pessoal pelas quais passam os órgãos administrativos", contudo, dentre outros, o princípio da eficácia é primado constitucional e existe lei estipulando prazo para tanto. Portanto, estes devem ser cumpridos/observados, como também devem os contribuintes Fl. 474DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13805.002435/9410 Acórdão n.º 2201003.086 S2C2T1 Fl. 475 9 fazêlo relativamente às obrigações impostas, sob pena de sofrer as sanções previstas. 14. Por sua vez, os artigos constantes nos Decretos referidos se referem à realização de at ^ qi'e elevam ser executados fora da área de jurisdição da autoridade preparatória com competência para fazêlo. Neste caso, além da injustificada demora da Delegacia competente no julgamento da impugnação, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis — para onde fora encaminhado o processo em 05/09/2002 (vide doe. 03) deveria ter observado referido prazo; ora, o desrespeito foi flagrante, tendo ela proferido julgamento apenas em 12/11/2004, com final intimação ao contribuinte falecido, ora representado por seu espólio, em 15/10/2013!!!! 15. Assim, não obstante eventual entendimento acerca da inaplicabilidade da prescrição intercorrente, o que se admite apenas para efeito de argumentação, a pena de perempção prevista no art. 267, II e III, do Código de Processo Civil, é medida que se impõe. (...) Anexou em conjunto: Certidão de Inventariante (fls. 450 e 451); Documento de Identificação da Sra. LUCILA ROJAS VILLELA OSÓRIO (fls. 452); Certidão de óbito (fls. 453 e 454) imagem de dados do processo administrativo (fls. 455) e Histórico de movimentação do processo (fls. 456) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Segundo se verifica nos autos, o Recorrente, representado pelo seu Espólio, na pessoa da Inventariante Sra. Lucila Rojas Villela Osório, não veio a combater o mérito da autuação, limitandose a alegar que a cobrança em questão não pode prevalecer, posto a ocorrência de prescrição intercorrente. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13805.002435/9410 Acórdão n.º 2201003.086 S2C2T1 Fl. 476 10 Deste modo, o recurso será analisado apenas sob o aspecto da existência, ou não da prescrição intercorrente do crédito tributário. Neste ponto, a Súmula CARF n° 11, de aplicação obrigatória pelos Conselheiros, estipula que não há a aplicação de prescrição no decorrer do processo administrativo fiscal de lançamento; in verbis: Súmula CARF n° 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Verificado que não houve a prescrição intercorrente alegada pelo recorrente, que este foi seu único argumento recursal, não sendo negado a omissão de rendimentos, e que os fundamentos do acórdão recorrido não foram combatidos, é dever manter o lançamento. Ante tudo acima exposto, e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 476DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10830.724209/2012-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
LANÇAMENTO. NOTIFICAÇÃO QUE NÃO EXPÕE OS MOTIVOS ENSEJADORES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. OFENSA AO ART. 142 DO CTN. Tendo em vista que a notificação de lançamento não trouxe elementos suficientes a demonstrar a ocorrência do fato gerador,ou mesmo a clara descrição dos fatos que ensejaram a sua formalização, é de ser reconhecida a ofensa ao disposto no art. 142 do CTN.
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO PARA A EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Nos limites do processo administrativo para a cobrança de crédito tributário não cabe a realização de pedido de restituição, que possui processualística própria para sua análise.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelamento da exigência fiscal e, com relação ao pedido de restituição, negar provimento ao pleito. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que negava provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ERRO MATERIAL Recorrente INAJA GUEDES BARROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO. NOTIFICAÇÃO QUE NÃO EXPÕE OS MOTIVOS ENSEJADORES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. OFENSA AO ART. 142 DO CTN. Tendo em vista que a notificação de lançamento não trouxe elementos suficientes a demonstrar a ocorrência do fato gerador,ou mesmo a clara descrição dos fatos que ensejaram a sua formalização, é de ser reconhecida a ofensa ao disposto no art. 142 do CTN. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO PARA A EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Nos limites do processo administrativo para a cobrança de crédito tributário não cabe a realização de pedido de restituição, que possui processualística própria para sua análise. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 42 09 /2 01 2- 95 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelamento da exigência fiscal e, com relação ao pedido de restituição, negar provimento ao pleito. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que negava provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10830.724209/201295 Acórdão n.º 2402005.210 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por INAJA GUEDES BARROS, em face de acórdão que entendeu por manter integralmente notificação de lançamento lavrada pela restituição indevida de imposto de renda, em decorrência do processamento de DIPF retificadora, através da qual o contribuinte, informando ser portador de doença maligna, requereu a restituição de valores indevidamente pagos aos cofres públicos em exercícios anteriores. Consta dos autos que o recorrente foi “diagnosticado como portador de neoplasia maligna de próstata em 04/2005, tendo se submetido à intervenção de radioterapia na tentativa de estancar a doença e como não obteve a cura completa pleiteou a isenção de IR somente no final de 2011, conforme portaria lavrada pelo Procurador Geral da Justiça do Estado de São Paulo, publicada no D.O E. de 13/01/2012 (anexa), tendo a partir de 01/2012 obtido o benefício da isenção com efeito retroativo, razão pela qual apresentou declaração retificadora para pleitear a devolução dos valores relativos à diferença entre o imposto pago e o restituído no exercício de 2009, anocalendário de 2008.” Com referida retificação, pretendia ter como restituídos os valores de impostos indevidamente pagos em referido exercício. Todavia, ao efetuar tal retificação, em sua impugnação, o contribuinte informou que “ao transmitir a sua declaração retificadora para requalificar os rendimentos como isentos, por evidente equívoco, cometeu erro formal ao suprimir da ficha Rendimentos Tributáveis todas as informações das fontes pagadoras (Governo do Estado de São Paulo), inclusive a informação referente ao IRRF, no valor constante da declaração original de R$ 75.283,50 ”. Assim, diante das novas informações apresentadas na retificadora, fora lavrada a notificação objeto do presente processo para exigir do recorrente a diferença entre o imposto que lhe fora restituído por ocasião da apresentação da declaração original (R$ 22.511,91) e o efetivo imposto a restituir em decorrência das novas informações constantes na declaração retificadora (R$ 0,00). A DRJ, entendeu por afastar o pleito formulado, entendendo ser intempestiva a impugnação apresentada, mas mesmo assim manifestouse sobre o alegado erro material cometido, apontando que a declaração retificadora substituiu integralmente a original diante das informações prestadas pela recorrente, não cabendo àquela turma julgadora reconhecer direito à nova retificação. Fora então, interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta a contribuinte: 1. que deve ser reconhecida a ocorrência do alegado erro material na supressão das informações do imposto retido na fonte, em observância ao princípio da busca da verdade material; Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 2. que além de nada dever ao fisco, tem direito à restituição do imposto retido na fonte em razão da demonstração de que era portador de moléstia grave à época das retenções efetuadas. 3. é equivocado o entendimento no sentido de que o mero erro de fato pode impor obstáculo a restituição de imposto indevidamente recolhido aos cofres públicos; 4. a administração tributária tem o poderdever de revisar de ofício o lançamento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária; 5. por fim, aduz ser possível o deferimento da restituição pleiteada em decorrência do reconhecimento do erro material cometido, seja pela DRJ, seja por este Conselho; Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10830.724209/201295 Acórdão n.º 2402005.210 S2C4T2 Fl. 248 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINAR Quanto às preliminares, há questão a ser analisada. Conforme determina o Código Tributário Nacional (CTN), o lançamento deve trazer aos autos informações que possibilitem que os sujeitos passivos compreendam os motivos da exação. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Pois bem, para deixarmos claro nosso ponto de vista, transcreveremos, integral e novamente, os motivos que constam na NL (lançamento), para a efetivação da exigência: "Em decorrência do processamento da Declaração Retificadora de Ajuste Anula do Imposto sobre s Renda da Pessoas Física, fica o contribuinte acima identificado, com base no § 2º do art. 147 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, nos arts. 835, §§ 1º e 2º , e 839 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 19999 Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), e nos arts. 9º , caput, 11 e 23, do Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972, notificado a recolher no prazo de 30 (trinta) dias, contado do recebimento desta notificação, a importância de R$ 22.511,91, correspondente à restituição recebida indevidamente, que deverá ser acrescida de juros de mora, conforme demonstrado acima. Para o pagamento, o contribuinte deverá preencher o Documento de Arrecadação de Receitas Federai (Darf) no código de receita 1054, período de apuração 31/12/2010 e.data de vencimento 29/04/2011 Os valores do principal (campo 07), Fl. 161DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 juros (campo 09) e do total (campo 10) no Darf correspondeu respectivamente, aos valores das linhas C, D e E do Demonstrativo do Crédito Tributário Apurado apresentado nesta notificação, calculados para pagamento ate o último dia' útil de 05/2013. Fica dispensado o pagamento da restituição indevida a devolver caso o seu valor , acrescido de juros de mora, seja inferior a R$ 10,00 (art.68 da Lei no9.430/96). Caso não concorde com o presente lançamento o contribuinte poderá impugnálo no prazo de 30 (trinta) dias, contado do recebimento desta notificação, em petição dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de sua jurisdição, nos termos do disposto nos artigos 14 a 16 do Decreto no 70.235, de 1972). DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL" Da leitura integral da acusação, só conseguimos a informação sobre sua origem, restituição recebida indevidamente, mas: 1. Recebida indevidamente por quê? 2. Quando e como ocorreu o fato gerador? 3. Qual a matéria tributável? 4. Como se chegou ao cálculo do montante do tributo devido? Em um Estado Democrático de Direito todo acusado tem direito de que sua acusação seja clara e certa, e que siga o que determinam as disposições legais. Construir decisão pelo que o acusado traz aos autos, assim como inovar na acusação, é desrespeitar, totalmente, regras mínimas do devido processo legal. Somase a esse grave equívoco a supressão de instância que o acusado, sujeito passivo, tem, que é a decisão da DRJ, para ter seus pleitos analisados e decididos. Se a acusação fosse certa e clara, com as informações trazidas pela DRJ, o recurso à DRJ teria os mesmos argumentos e provas? Não sabemos e não há como saber, pois não foi o que ocorreu, mas que deveria ter ocorrido. O contribuinte, procurador de justiça, vem alegando, desde o início do procedimento, que a cobrança é indevida, que sua restituição foi correta e que não há lógica em apresentar anos depois declaração retificadora com valor menor. No mínimo, pela razoabilidade dos argumentos e pela busca da verdade material, as pesquisas e diligências para checar as informações deveriam ter sido efetuadas. Assim, como a fiscalização não demonstrou o motivo do lançamento que acarretou a conceituação da restituição como indevida, na origem, entendo que, neste ponto, deve ser dado provimento ao recurso do sujeito passivo. Ademais, o pedido de restituição de valores indevidamente retidos não pode ser analisado por este Eg. Conselho, a uma por não entender cabalmente comprovada a ocorrência de erro material, a duas, por se tratar de matéria que não comporta discussão na via do presente processo, devendo ser objeto de pedido em separado. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10830.724209/201295 Acórdão n.º 2402005.210 S2C4T2 Fl. 249 7 A propósito, trago à baila posição sobre o assunto adotada por este Eg. Conselho, conforme se verifica do acórdão n. 2801003.969, a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 ALTERAÇÃO DA DIRPF. RETIFICAÇÃO. LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. Poderá o contribuinte, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos cometidos e solicitando a revisão pela autoridade competente. Estando demonstrados os erros cometidos em pretensa declaração retificadora, deve a mesma ser desconsiderada e cancelada a infração apurada a partir dela. LIMITES DA LIDE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Recurso Voluntário Provido. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a exigência fiscal, indeferindo, no mais, o pedido de restituição pleiteado. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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