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Numero do processo: 10805.908236/2011-45
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA.
1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade.
2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
Numero da decisão: 1803-002.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
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PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 82 36 /2 01 1- 45 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908236/201145 Acórdão n.º 1803002.635 S1TE03 Fl. 78 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de restituição (PER/DComp) 42370.98983.190106.1.2.042350, em 19.01.2006, com base em pagamento a maior de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código 2089, referente ao período de apuração de abril de 2002, apurado pelo lucro presumido. No despacho decisório, proferido em 03/01/2012, foi identificada a utilização do valor integral da DARF de referência do pedido de restituição, qual seja, R$ 10.150,60, não existindo, dessa forma, qualquer crédito a ser restituído. Cientificada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade. Esclarece, inicialmente, tratarse de empresa que desenvolve atividades de análises clínicas, laboratoriais, patologia clínica e ultrassonografia. Seu objeto, em seu contrato, é descrito como “prestação de sérvios de laboratórios de análises e medicina diagnóstica”. Alega, a recorrente, que é optante do regime de tributação pelo lucro presumido, tendo recolhido, regularmente, IRPJ e CSLL a partir de bases de cálculo presumidas correspondentes aos percentuais de 32%. Após a edição da Instrução Normativa IN/SRF nº 539/2005 e da resposta de consulta realizada pela recorrente, anexada aos autos, entendeu ter realizado recolhimentos a maior, durante o período de 30/10/2000 a 28/07/2005, na medida em que poderia ter utilizado as bases presumidas reduzidas, respectivamente em 8% e 12%. Por força de sua interpretação, apresentou inúmeros pedidos de restituição, mediante PER/DCOMP, para cada DARF mensal recolhido a maior, assim como os posteriores pedidos de compensação com os valores futuros, mediantes novos PER/DCOMP. Defende, a recorrente, que após a edição da IN/SRF 539/2005, suas atividades de análises laboratoriais foram equiparadas a serviços hospitalares, de forma que a tributação nos patamares elevados de 32% de lucro presumido é ilegal, devendose aplicar, retroativamente, as alíquotas diminuídas. Em suas palavras temos que: Com a edição da IN/SRF nº 539/2005, em 25/04/2005, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF nº 480/2004, a interessada foi equiparada a “serviços hospitalares”. Sendo assim, a interessada começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente. Os impostos e as contribuições já pagas e declaradas em DCTF foram recalculadas e se verificou que a interessada pagou à maior os tributos. Assim, o contribuinte providenciou o pedido de restituição eletrônica através do programa PER/DCOMP. Uma vez que a IN/SRF nº 539/2005 atribuiu nova interpretação à lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908236/201145 Acórdão n.º 1803002.635 S1TE03 Fl. 79 3 O recorrente, ainda, explica que realizou o pagamento dos DARF conforme lançamentos em DCTF, de acordo com a apuração pelo lucro presumido com base nos patamares majorados de 32%. Isso implicou na impossibilidade de identificação, pelo sistema de mero cruzamento dos dados, dos valores indevidamente recolhidos. Defende que a fiscalização deveria examinar a aplicação da nova interpretação, recalculando, a partir de cada DCTF, o valor a maior constante em cada DARF. Esclarece que o decurso do prazo legal impediria a retificação das DCTF’s. Salienta, ainda, que foi realizada consulta formal e específica pelo contribuinte, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas, devendo ser adotada, obrigatoriamente, a solução, pela fiscalização. Acusa que o único elemento analisado pela autoridade fiscal, para fundamentar o despacho decisório de indeferimento, foi a correspondência de valores constantes de DCTF e DARF. Ressalta a inaplicabilidade dos efeitos da IN/SRF nº 791, de 10/12/2007, que revoga a IN/SRF nº 539/2005, por tratarse de regra prejudicial ao contribuinte. Continua sua argumentação, demonstrando, contabilmente, invocando os dados informados em DIPJ 2004, a apuração efetivamente realizada, assim com os cálculos necessários para a identificação do seu crédito. Basicamente, refaz os cálculos do imposto devido, alterando a base presumida de 32%, para os 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Anexa planilhas de cálculo. Conclui, ao final, requerendo a procedência do pedido de restituição. Junta, ao processo, contrato social, solução de consulta citada, planilha demonstrativa do cálculo do IRPJ com base presumida de 32%, de apuração do IRPJ no período, de novo cálculo do IRPJ com base presumida de 8%, assim como nova apuração, demonstrativa do crédito recolhido a maior (fls. 28 a 49). Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSB nº 03 54.237, de 22/08/2013, decisão, por unanimidade, de improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos em que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908236/201145 Acórdão n.º 1803002.635 S1TE03 Fl. 80 4 Direito Creditório Não Reconhecido A Delegacia de Julgamento utiliza como fundamento de sua decisão, inicialmente, a faculdade, e não obrigatoriedade, da administração tributária intimar o contribuinte para esclarecimentos ou realizar diligencias diretas. Nos termos da decisão, temos: De início, cabe esclarecer que o despacho decisório foi formalizado com base nas informações prestadas pela contribuinte em Per/Dcomp e DCTF apresentadas a Receita Federal. Eventual intimação para prestar esclarecimentos ou realização de diligência fiscal é uma faculdade da autoridade fiscal competente, haja vista ela dispor das informações prestadas em declarações, não havendo, assim, se falar em nulidade do ato questionado. Continua, a decisão, argumentando que o procedimento de compensação, nos termos do art. 170 do Código tributário nacional, exige a existência de créditos líquido e certo do sujeito passivo. No caso em tela, não existiria crédito a ser compensado, já que a totalidade do valor constante da DARF está alocada para a quitação de IRPJ confessado em DCTF. Nos termos da decisão da DRJ, temos: Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo. O crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido o seu exato valor. Sendo líquido e certo o crédito (premissa básica à compensação), procederseá ao encontro das contas devedora e credora. In casu, a compensação realizada na DCOMP 42370.98983.190106.1.2.04 2350 não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ do PA 31/03/2002, confessado em DCTF, conforme consta no despacho decisório. Analisa, ainda, sequencia de normas que regulam a aplicação da alíquota diferenciada de presunção de lucro para os serviços hospitalares, demonstrando os requisitos para sua aplicação. Vejamos: Como se nota no dispositivo acima, na vigência dos referidos normativos, a definição de serviços hospitalares abrange aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN SRF 360/2003; aqueles que atendam ao requisito do art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, e aos requisitos implementados pela alteração do art. 27 da IN 480/2004, dada pela IN SRF n.º 539, de 2005. Vale consignar que no exame de matéria controvérsia relativa à aplicação da legislação tributária, o julgador administrativo devese ater aos exatos limites da norma, não podendo ser extensiva para não alcançar exação não prevista em lei ou fazer desonerações ou estender benefício sem previsão legal. Daí, a sábia Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908236/201145 Acórdão n.º 1803002.635 S1TE03 Fl. 81 5 inteligência do legislador complementar ao prever a interpretação restritiva da legislação tributária. Portanto, para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos atos normativos, transcritos em linhas pretéritas, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Destaca, ainda, que mesmo que cumpridos os requisitos para a eventual utilização da alíquota diferenciada, o procedimento correta para isso seria a retificação das DCTF e DIPJ. De outro lado, cumprida todas exigências/requisitos, para ter direito a eventual direito creditório, a manifestante antes de apresentar os Per/Dcomp, nas hipóteses em que admitidas pela legislação tributária de regência, deveria ter retificado em tempo hábil suas declarações (DCTF e DIPJ), cuja competência para apreciálas é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Concluiu, ao final, que a consulta anexada pelo recorrente não autoriza a aplicação da alíquota diferenciada pelo recorrente, limitandose a indicar os requisitos necessários para isso. Destaca, por fim, a ausência de força vinculante das decisões judiciais e administrativas citadas pelo recorrente. Notificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.12.2013. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, destacando que o único argumento para a improcedência, pela Delegacia de Julgamento, referese ao suposto não preenchimento dos requisitos necessários para a aplicação da equiparação a serviços hospitalares. Inova, tão somente, ao trazer uma série de documentos dos órgãos de vigilância, atestando sua condição de estabelecimento equiparado a hospitalar, como forma de justificar a utilização das alíquotas reduzidas de lucro presumido. Conclui alegando que a divergência resumese, nessa etapa, a mera comprovação da situação de fato. Vale dizer, ainda, que existem, ao todo, sessenta e seis recursos voluntários do contribuinte, versando sobre o mesmo assunto, relativos a totalidade das PER/DCOMP apresentadas na mesma oportunidade, relativa aos 60 meses anteriores a percepção da alteração da interpretação da norma, em suposto respeito às regras de decadência tributária. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 430, de 01.07.2015, DOU de 02.07.2015 e do art. 17 e do art. 18, do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. É o Relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908236/201145 Acórdão n.º 1803002.635 S1TE03 Fl. 82 6 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A discussão do caso em tela referese ao reconhecimento de crédito tributário, decorrente de aplicação retroativa de interpretação acerca da legislação tributária, no tocante aos diferentes percentuais de presunção de lucro. Mais que isso, versa acerca da prova dos requisitos para tal aplicação, além da regularidade da própria via eleita, qual seja, pedido de restituição de créditos não identificáveis na escrituração, diante de ausência de retificação. A análise do presente caso, engloba, assim, três diferentes pontos: i. sujeição ou não do recorrente às alíquotas diferenciadas de lucro presumido; ii. Comprovação dos requisitos; iii. Adequação da via eleita. Passemos aos pontos. Inicialmente, vale dizer, que o contribuinte, laboratório de análises, pode ser beneficiado pelo sistema de percentuais reduzidos do lucro presumido, aplicável as atividades hospitalares. Alertese para o fato de que não tratarei, ainda, da comprovação dos requisitos fáticos para tal sujeição, mas apenas seus aspectos normativos. Durante os exercícios de 2000 a 2005, o recorrente ofereceu a tributação seus resultados com base na presunção de 32%, regra geral para os prestadores de serviços. Em 2005, com a edição da IN/SRF nº 539/2005, norma que alterou a IN/SRF 480/2004, efetivamente explicitouse a possibilidade de aplicação do percentual de 8% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e a CSLL, para as instituições de assistência de saúde, auxiliares das hospitalares, dentre elas os laboratórios de análises estruturados empresarialmente. IN/SRF 480, com redação dada pela IN/SRF 539/2005: (...) Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n º 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n º 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908236/201145 Acórdão n.º 1803002.635 S1TE03 Fl. 83 7 c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). Vale dizer que esse diploma foi posteriormente alterado pela IN RFB nº 791, de 2007, passando a ter nova redação. Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. A norma em questão, por sua própria natureza, tem nítido viés interpretativo, na medida em que não poderia, de forma alguma, alterar conteúdo de lei tributária. Não poderia definir nova hipótese de incidência, ou mesmo modificala em qualquer aspecto. As duas situações dependem da observância da estrita legalidade. Por exclusão, portanto, somente resta à instrução normativa, no contexto do presente caso, a possibilidade de mero conteúdo interpretativo. Assim, a norma inserida na IN SRF 539/2005 é norma interpretativa, regulada pelo mandamento expresso no art. 106, I do Código Tributário Nacional. Em outras palavras, sujeitase ao efeito retroativo no tempo. Desta forma, correta a interpretação do contribuinte de que se sujeitaria, em tese, aos percentuais diminuídos de presunção do lucro e, com isso, seria credor de valores recolhidos indevidamente aos cofres públicos. No que tange a existência de consulta formal à administração, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas ao contribuinte, vale dizer que sua conclusão, pela forma extremamente reticente e pouco objetiva, nada atesta. Não afirma, confirma ou infirma a Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908236/201145 Acórdão n.º 1803002.635 S1TE03 Fl. 84 8 aplicação da norma ao contribuinte consulente. Apenas explicita o critério legal, dizendo quais os requisitos que devem ser satisfeitos. Com isso, ela nada conclui, mas apenas direciona a discussão para a análise fática de seus requisitos. Vejamos o teor da resposta a consulta, comunicada ao contribuinte pela Comunicação SEORT nº 831/2006, fls 37 a 45. CONCLUSÃO 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase a presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, respectivamente. 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retro citada resolução, devidamente comprovados por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a sua pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido, aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Reafirmase, então, que a solução da consulta citada pelo contribuinte não soluciona a questão concreta. Apenas indica a necessidade de preenchimento de alguns requisitos para a subsunção aos termos da lei. Nada mais. Houvesse cumprido, a consulta, seu dever normativo, restaria claro a que norma estaria sujeito o contribuinte. Não bastassem esses argumentos, vale ressaltar que o STJ pacificou seu entendimento acerca do assunto, por intermédio do Recurso Especial 1.116.399, sujeito a sistemática dos recursos repetitivos, com a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908236/201145 Acórdão n.º 1803002.635 S1TE03 Fl. 85 9 PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908236/201145 Acórdão n.º 1803002.635 S1TE03 Fl. 86 10 Percebese, portanto, que a exigência das licenças e outros requisitos são, a rigor, irrelevantes, bastando, portanto, o mero enquadramento pela descrição do objeto social. A eventual desconsideração de sua natureza depende de construção de prova robusta de elementos concretos para caracterizar eventual simulação e fraude (falsidade de objeto social). Desta forma, no primeiro aspecto de análise do presente voto, de viés estritamente normativo, concluo absolutamente correta a pretensão do contribuinte de enquadrarse na aplicação dos percentuais de 8% e 12%, adrede citados, pela equiparação aos serviços hospitalares. A retroatividade no tempo, da interpretação, encontra respaldo em nosso sistema normativo. Passemos a análise do preenchimento dos requisitos necessários, agora em sua dimensão fática, à equiparação pleiteada. O recorrente é pessoa jurídica da espécie sociedade limitada, regularmente constituída segundo as leis de regência. Para o enquadramento pleiteado, precisa cumprir uma série de exigências de prestação de serviço de forma específica, com natureza empresarial. Esse requisito, ainda, depende de confirmação pela autoridade sanitária a qual esteja vinculada. Preenchidos esses requisitos, possível a equiparação. O recorrente preenche os requisitos exigidos pela lei. De fato, como bem alertado, a r. decisão da Delegacia de Julgamento tem por principal fundamento a não comprovação de existência de atestado da Vigilância Sanitária acerca do preenchimento de tais requisitos. Em sede de recurso voluntário do contribuinte, foram juntados diversos documentos para a comprovação dessa condição, tais como as licenças sanitárias das Prefeituras de São Bernardo do Campo, de Santo André e do Órgão Federal responsável (SIVISA – Sistema de informação em vigilância sanitária), além de contratos de prestação de serviços com diversas instituições. A rigor, essas licenças sanitárias somente são concedidas aos estabelecimentos que preenchem os requisitos mínimos descritos na legislação de regência, com especial atenção à Resolução – RDC nº 50, de 2002, emitida pela Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com o objetivo de aprovar o Regulamento Técnico destinado ao planejamento, programação, elaboração, avaliação e aprovação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, a ser observado em todo território nacional, na área pública e privada. Em assim sendo, fica presumivelmente comprovado em favor do contribuinte o requisito exigido pela legislação, em função dos documentos carreados aos presentes autos. Afasto, assim, este específico impeditivo lembrado pela Delegacia de Julgamento para o reconhecimento do crédito pleiteado. Desta forma, entendo que o contribuinte traz prova da presença dos requisitos necessários para a aplicação dos percentuais de 8% e 12% aqui aludidos, equiparado à unidade hospitalar. Resta, por fim, analisar se a existência do direito de crédito pleiteado pode ser reconhecida pelo instrumento jurídico utilizado, assim como seu manejo no caso concreto. Tratase, exatamente, do último ponto de análise. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908236/201145 Acórdão n.º 1803002.635 S1TE03 Fl. 87 11 O recorrente utilizouse de pedido de restituição eletrônica de crédito (PER/DCOMP). O crédito apontado decorre de incorreta interpretação e aplicação da legislação tributária, já que tratase de recolhimentos de tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação, ou seja, pelo contribuinte definidos e apurados. Dessa forma, por evidente, a “contabilidade fiscal” do sujeito passivo não identificaria, de imediato, a existência do crédito. O caminho natural para a identificação de tais créditos pela administração tributária seria a retificação das declarações (DIPJ ou DCTF), o que geraria nova apuração, a menor do que os recolhimentos realizados. O confronto, posterior, com os valores recolhidos (DARF), mostraria o crédito. Optou, contudo, o recorrente, pela utilização direta do pedido de restituição, eletrônico, indicando, em sede de manifestação de inconformidade, a origem de seu crédito, tanto no aspecto interpretativo (fundamento), como operacional (apresenta planilhas de calculo do valor devido e recolhido a maior). Há de se entender que o contribuinte não optou pela melhor via. A administração tributária negou a restituição, tanto pelo despacho decisório, quanto pelo v. acórdão da D. Delegacia de Julgamento, basicamente, pela impossibilidade de identificação do crédito, pelo simples confronto dos dados da contabilidade fiscal do recorrente. Em sede de análise da manifestação, inclusive, alerta o julgador ser faculdade da administração realizar intimações ou mesmo diligenciar pela busca da verdade dos fatos. Por força disso, o pleito foi simplesmente indeferido. Assim, uma primeira impressão, formalista, concluiria pela improcedência, também, do recurso voluntário, já que inadequado o procedimento. Contudo, o presente caso merece análise mais detalhada. Entendo que as regras do processo administrativo não podem ser ignoradas ou flexibilizadas de maneira inconsequente. Regras formais e processuais existem para atingir determinadas finalidades e não por mero capricho do legislador. As regras processuais não guardam um fim em si mesmas. Devem ser, em regra, cumpridas e observadas. O rigor formal, contudo, no processo administrativo, pode e deve ser pontualmente adequado as demandas específicas, de forma a permitir que ao contribuinte não lhe seja negado seu direito. De maneira muito mais perceptível do que no processo judicial, a esfera administrativa pode analisar as diferentes situações, tentando identificar graus de desvio de forma, passíveis ou não de relevação, em confronto com o direito pleiteado e sem afronta às normas de competência. Certamente, existirão desvios de forma ou de procedimento contornáveis, e outros, contudo, incontornáveis. De qualquer forma, o rigor da dinâmica administrativa processual deve ser pautado, sempre, no princípio da verdade real e em suas implicações para o resguardo do direito material. Em assim sendo, a negativa da administração de diligenciar a busca da verdade material, ou mesmo permitir, ou exigir, a comprovação do preenchimento do requisito formal (documentos da vigilância sanitária) parece incompatível, ou, ao menos, muito Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908236/201145 Acórdão n.º 1803002.635 S1TE03 Fl. 88 12 inadequada, frente aos princípios norteadores do processo administrativo fiscal e aos objetivos que tais princípios perseguem. O caso em tela envolve situação que, a rigor, a administração poderia ter solucionado com diligência, já na instância inicial. A busca da verdade real, especialmente em situações em que o contribuinte pleiteia sua verificação, não são mera faculdade da administração; ao contrário, são obrigações, ainda que não explicitadas em norma de competência funcional, mas decorrentes das regras processuais e das garantias do contribuinte. Somese o fato de que o tempo decorrido, no presente caso, entre o pedido de restituição e o despacho decisório negativo, inviabilizou a retificação das obrigações acessórias respectivas, pelo decurso do prazo legal de 5 anos. Fosse despachado em prazo razoável a negativa de crédito pela inexistência de linguagem adequada (DIPJ/DCTF) para demonstrálo, poderia o contribuinte atender aos desígnios da administração e o presente processo sequer chegaria a este Corte. A demora da administração tributária não pode implicar em cerceamento do exercício do direito de crédito do contribuinte. Desta forma, por todo o exposto, entendo que o sujeito passivo está abrangido pela regra da incidência do percentual de lucro presumido reduzido, comprovou os requisitos necessários e, apesar da evidente inadequação formal inicial, pode ter seu pleito atendido, em claro equilíbrio entre o rigor formal e a verdade material. Procedente, assim, em sua totalidade o recurso voluntário e, em consequência, reconhecido o direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.910567/2013-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 15/10/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 15/10/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.910567/201392 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801005.069 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente CALIENDO METALURGIA E GRAVACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/10/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 05 67 /2 01 3- 92 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910567/201392 Acórdão n.º 3801005.069 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910567/201392 Acórdão n.º 3801005.069 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Tempestivamente o interessado manifestou sua inconformidade tecendo várias alegações de nulidade, na medida que o Despacho denegatório não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e cerceado sua defesa No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material, que o cerceamento à defesa se constituiria em motivo de força maior para não apresentar nenhuma prova de seu direito creditório, o qual estaria amparado em declaração de inconstitucionalidade, cuja ação teria transitado em julgado.” A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 15/10/2008 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. MULTAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910567/201392 Acórdão n.º 3801005.069 S3TE01 Fl. 5 4 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá las nos moldes da legislação que a instituiu. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Perfeitamente cabível a exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme os ditames do art. 13 da Lei n° 9.065/95 e art. 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96, uma vez que estas se coadunam com a norma hierarquicamente superior e reguladora da matéria: Código Tributário Nacional, art. 161, § 1º.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910567/201392 Acórdão n.º 3801005.069 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910567/201392 Acórdão n.º 3801005.069 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910567/201392 Acórdão n.º 3801005.069 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910567/201392 Acórdão n.º 3801005.069 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910567/201392 Acórdão n.º 3801005.069 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10882.002618/2009-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
Ementa:
PREVIDENCIÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ATO DECLARATÓRIO N° 5 DA PROCURADORA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL - PGFN.
Compondo pacificada corrente doutrinária, Aliomar Baleeiro define o lançamento como sendo: o ato, ou a série de atos, de competência vinculada, praticado por agente competente do Fisco para verificar a realização do fato gerador em relação a determinado contribuinte, apurando qualitativa e quantitativamente o valor da matéria tributável, segundo a base de cálculo, e, em conseqüência, liquidando o quantum do tributo a ser cobrado.
A exegese do artigo 106, a e b inciso II, do Código Tributário Nacional - CTN, traduz entendimento de que tratando-se de ato não definitivamente julgado, é compulsório albergar-lo sob o manto do principio da retroatividade benigna. Se por ocasião da ação fiscal o contribuinte já portava o registro do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEBAS a que se refere o art. 228, da Instrução Normativa RFB nº 1.071, de 15 de setembro de 2010; o art. 31 da Lei nº 12.101, de 2009, desde então o sobredito certificado concedia o direito de usufruir da isenção da contribuição previdenciária.
No Ato Declaratório n° 5 da Procuradora-Geral da Fazenda Nacional - PGFN , esta DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração de que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social é meramente declaratório, produzindo efeito ex tunc, retroagindo à data de protocolo do respectivo requerimento, ressalvado o disposto no art. 31 da Lei nº 12.101, de 2009 (data da publicação da concessão da certificação), desde que inexista outro fundamento relevante, como a necessidade de cumprimento da legislação superveniente pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ATO DECLARATÓRIO N° 5 DA PROCURADORA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL - PGFN. Compondo pacificada corrente doutrinária, Aliomar Baleeiro define o lançamento como sendo: o ato, ou a série de atos, de competência vinculada, praticado por agente competente do Fisco para verificar a realização do fato gerador em relação a determinado contribuinte, apurando qualitativa e quantitativamente o valor da matéria tributável, segundo a base de cálculo, e, em conseqüência, liquidando o quantum do tributo a ser cobrado. A exegese do artigo 106, a e b inciso II, do Código Tributário Nacional - CTN, traduz entendimento de que tratando-se de ato não definitivamente julgado, é compulsório albergar-lo sob o manto do principio da retroatividade benigna. Se por ocasião da ação fiscal o contribuinte já portava o registro do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEBAS a que se refere o art. 228, da Instrução Normativa RFB nº 1.071, de 15 de setembro de 2010; o art. 31 da Lei nº 12.101, de 2009, desde então o sobredito certificado concedia o direito de usufruir da isenção da contribuição previdenciária. No Ato Declaratório n° 5 da Procuradora-Geral da Fazenda Nacional - PGFN , esta DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração de que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social é meramente declaratório, produzindo efeito ex tunc, retroagindo à data de protocolo do respectivo requerimento, ressalvado o disposto no art. 31 da Lei nº 12.101, de 2009 (data da publicação da concessão da certificação), desde que inexista outro fundamento relevante, como a necessidade de cumprimento da legislação superveniente pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Ivacir Júlio de Souza - Relator Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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ATO ADMINISTRATIVO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ATO DECLARATÓRIO N° 5 DA PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL PGFN. Compondo pacificada corrente doutrinária, Aliomar Baleeiro define o lançamento como sendo: “o ato, ou a série de atos, de competência vinculada, praticado por agente competente do Fisco para verificar a realização do fato gerador em relação a determinado contribuinte, apurando qualitativa e quantitativamente o valor da matéria tributável, segundo a base de cálculo, e, em conseqüência, liquidando o quantum do tributo a ser cobrado”. A exegese do artigo 106, “a” e “b” inciso II, do Código Tributário Nacional CTN, traduz entendimento de que tratandose de ato não definitivamente julgado, é compulsório albergarlo sob o manto do principio da retroatividade benigna. Se por ocasião da ação fiscal o contribuinte já portava o registro do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS a que se refere o art. 228, da Instrução Normativa RFB nº 1.071, de 15 de setembro de 2010; o art. 31 da Lei nº 12.101, de 2009, desde então o sobredito certificado concedia o direito de usufruir da isenção da contribuição previdenciária. No Ato Declaratório n° 5 da ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional PGFN , esta DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração de que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social é meramente declaratório, produzindo efeito ex tunc, retroagindo à data de protocolo do respectivo requerimento, ressalvado o disposto no art. 31 da Lei nº 12.101, de 2009 (data da publicação da concessão da certificação), desde que inexista outro fundamento relevante, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 26 18 /2 00 9- 26 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 como a necessidade de cumprimento da legislação superveniente pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002618/200926 Acórdão n.º 2403002.048 S2C4T3 Fl. 370 3 Relatório A instância “ ad quod ” produziu o Relatório abaixo que, li, compulsei com os autos e, com grifos de minha autoria, o transcrevi: Tratase de lançamento de crédito tributário contra a notificada em referência o qual têm por objeto contribuições sociais incidentes sobre remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, as quais não foram confessadas em Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). As três autuações estão fundamentadas nos mesmos fatos geradores, sendo que o AI n° 37.198.3177 versa sobre contribuições previdenciárias patronais; o AI n° 37.198.3185, sobre as contribuições destinadas aos Terceiros (INCRA, SESC, SEBRAE) e o salárioeducação destinado ao FNDE e o AI n° 37.198.3193 versa sobre a autuação por descumprimento do dever instrumental de declarar em GFIP as contribuições patronais devidas, as quais são exigidas na primeira autuação mencionada. O AI n° 37.198.3177 foi formalizado no processo principal registrado sob o número 10882.0026181200926. As demais autuações, AI n° 37.198.3185 e 37.198.3193, foram, respectivamente, formalizadas nos processos apensados 10882.002622/200994 e 10882.002671/200981. Informa a Fiscalização que a entidade declaravase isenta nas GFIP, código FPAS 639, mas, não obstante portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), não possui o Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias, o que a impede de usufruir do mencionado beneficio fiscal. Todas as remunerações que compõem as autuações foram reconhecidas pela autuada em GFIP. A controvérsia, destarte, reside na qualidade da impugnante de isenta ou não de contribuições previdenciárias. Especificamente sobre a multa exigida, informa a Fiscalização que verificou qual a multa mais benéfica aplicável ao caso: se a penalidade total vigente à época em que ocorreram os fatos geradores (multa de mora mais multa prevista no § 5° do artigo 32 da Lei n° 8.212, de 1991, revogado pela Lei n° 11.941, de 2009) ou se a multa de ofício de 75% estabelecida pela Lei n° 9.430, de 1996. A conclusão foi pela incidência das penalidades vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores. A autuada apresentou impugnações contra as três autuações (AI nos 37.198.3177, 37.198.3185 e 37.198.3193), as quais foram juntadas, respectivamente, a fls. 132/138, 172/184 e 226/233. o Fl. 391DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 As três impugnações apresentam a mesma fundamentação pela improcedência. Deste modo, a descrição das razões da defesa serão relatadas sem discriminar a que autuação a argumentação especificamente se refere. Após descrever os fundamentos das autuações, alega que o "Ato Declaratório de Isenção Tributária foi estatuído pela Lei n° 11.457, de 2007, que unificou o Fisco Federal. Entende que o embasamento do lançamento é o documento previsto no § 1° do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991. Informa que o documento deveria ser requisitado pelas entidades beneficentes que atendessem os requisitos para fruição da isenção previdenciária, mas que ainda não a possuíssem antes da vigência da Lei n° 8.212, de 1991. Entretanto, as entidades que já eram isentas antes da vigência da mencionada lei foram dispensadas de requerer o ato declaratório em questão, respeitandose, assim, o direito adquirido. Argumenta que este entendimento foi exarado no Parecer CJ/MPAS n° 3.093, de 2003, aprovado pelo Sr. Ministro da Previdência Social. A impugnante aduz estar dispensada de requerer o Ato Declaratório, posto que é entidade beneficente de fins filantrópicos preexistente à Lei n° 8.212, de 1991. Argui que já gozava da isenção, pois possuía título de reconhecimento de utilidade pública municipal, estadual e federal. Por estar dispensada de requerer o ato declaratório de isenção, não incorreu em qualquer descumprimento da legislação tributária. Lembra que o artigo 48 da Lei n° 11.457, de 2007, manteve a vigência dos atos administrativos editados pelo Ministro da Previdência Social. Afasta a aplicação do artigo 7° da Lei n° 9.732, de 1998, bem como a redação por ela dada ao § 4° do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, visto que os efeitos destas normas foram suspensos pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da Ação Direta de Inconstitucional idade n° 2.0285/99. Conclui serem improcedentes as autuações bem como as penalidades exigidas, inexistindo o crime de sonegação fiscal. Relatei.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.293, a 7 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Campinas (SP) DRJ/CPS, em 06 de maio de 2010, por unanimidade de votos, exarou o Acórdão n° 05 28.708, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.316, onde reiterou as alegações interpostas em sede de impugnação e refutou pontualmente as razões do “decisium”. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002618/200926 Acórdão n.º 2403002.048 S2C4T3 Fl. 371 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE Conforme registros de fls.368, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO. Alega a Recorrente que quando entrou em vigor a Lei n° 8.212/91, há quase 20 ( vinte ) anos a Requerente já era Entidade Beneficente reconhecida nas três esferas administrativas : Federal, Estadual e Municipal, o que lhe assegurava, na forma da lei, direito nunca revogado ao gozo da imunidade tributária sem necessitar requerêla ao INSS. Alega, ainda, que, “ à toda evidência , tratase de decisão que por sua fundamentação e razão de decidir está absolutamente divorciada do discutido na impugnação e do amparo fático e legal desenhado no Relatório Fiscal que instrui o lançamento em debate . Vale dizer, por não ter atacado o objeto da lide e ter decidido sobre o que não estava em discussão é decisão inócua e sem nenhuma validade jurídica / legal. Razão porque , inafastáve ter restado não contestada , portanto, examinados, ou examinados e acolhidos . os fatos e fundamentos da impugnação, insubsistente o lançamento havido por falta de amparo fático e legal.” Na seqüência, sem colacionar elementos probantes, argüiu as disposições contidas no artigo 246 da Instrução Normativa RFB n ° 971 de 13 de novembro de 2.009, no que concerne ao Prouni. Exortando, o artigo 246 da sobredita instrução asseverou estar desobriga de apresentar pedido de isenção em razão de ter aderido ao Prouni. A ementa do Acórdão ad quod revela que a entidade não obteve provimento de sua impugnação em razão de na ocasião dos fatos geradores da constituição do crédito seu direito adquirido ter sido cancelado e a mesma não dispor de Ato Declaratório de Isenção para voltar a usufruir do benefício: “ A entidade que tem sua isenção cancelada, para voltar a usufruir da isenção da contribuição previdenciária, deve requerer ao órgão fiscalizador o Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias, mesmo que tivesse direito adquirido à isenção quando do início da vigência da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1.991.” Como se observa no sobredito relatório do voto de primeira instância, o I. julgador, reconhece que a Recorrente portava o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), e em apertada síntese traduziu a motivação da Autoridade autuante para constituir o crédito em tela: Fl. 393DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 “ (...) não obstante portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), não possui o Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias, o que a impede de usufruir do mencionado beneficio fiscal. Todas as remunerações que compõem as autuações foram reconhecidas pela autuada em GFIP. A controvérsia, destarte, reside na qualidade da impugnante de isenta ou não de contribuições previdenciárias. ” ( grifos de minha autoria) Do exposto, é lícito destacar que as demais exigências restavam adimplidas e a questão de fundo é decidir se o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Tal questionamento permeou também a decisão de primeira instância e isto fica explícito nos dizeres contidos na parte final da transcrição supra: “A controvérsia, destarte, reside na qualidade da impugnante de isenta ou não de contribuições previdenciárias.” O período do lançamento compreende as competências 01/2006 a 13/2007. A empresa argüiu “direito adquirido” anterior à vigência da Lei n° 8.212, de 1991. Aduz que o I. Julgador “ad quod” na forma do Acórdão n° 0528.708, de 06 de maio de 2010, para negar provimento orientou sua argumentação referindose a um Ato Cancelatório de n°O1/97, posterior a lei n° 8.212, de 1991 e anterior ao período levantado, determinando na conclusão do voto que se providenciasse o requerimento de que trata o § 1° do art. 55 da n° 8.212 que, ressaltese, à época do “decisium” já não era mais condição exigível, vide o abaixo transcrito: “ Realmente, procede a alegação de que as entidades que já gozavam de isenção das contribuições em apreço estavam dispensadas de requerer o ato declaratório de isenção, nos termos do § 1° do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991: (...) Cumpre salientar que, embora a Lei n° 3.577, de 1959, isentasse as entidades reconhecidas de utilidade pública, o DecretoLei n° 1.572, de 1977, manteve a isenção destas entidades que fossem portadoras de certificado de fins filantrópicos. A partir da publicação da Lei n° 8.212, de 1991, estas entidades, com direito adquirido, poderiam continuar gozando da isenção desde que observassem as demais disposições do artigo 55 da citada lei, o qual regulamenta o § 7° do artigo 195 da Constituição Federal: § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Em análise aos autos, não verifico qualquer certificado de entidade de fins filantrópicos válido para o período anterior à vigência da Lei n° 8.212, de 1991, que pudesse corroborar à tese da impugnante de que tinha direito adquirido à isenção. Mas este não será o fundamento para o julgamento. O fundamento é o cancelamento da isenção ocorrido em 1997. Foi votado nesta mesma sessão o Acórdão por mim relatado que trata do Processo n° 35415.00323/200103, que tem por Fl. 394DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002618/200926 Acórdão n.º 2403002.048 S2C4T3 Fl. 372 7 objeto lançamento contra a impugnante. Nesse processo discute se a exigência de contribuições previdenciárias em decorrência do cancelamento da isenção determinado pelo Ato Cancelatório n° 01/97, cuja cópia juntei a fls. 277. (...) Não constatei, por conseguinte, qualquer indício de que o pedido da impugnantepoderá ser acolhido. Prevalecer: os fatos indicados na ementa de fls. 537, quais sejam, é definitiva a decisão administrativa favorável ao Ato Cancelatório n°O1/97. Com o cancelamento da isenção promovido pelo Ato Cancelatório n° 01/97, a entidade perdeu sua condição de beneficiária da isenção das contribuições sociais de que trata o § 7° do artigo 195 da Constituição Federal, deixando de ser beneficiária, não se pode mais falar que tenha direito à isenção. Logo, para poder usufruir novamente da isenção, deverá cumprir todos os requisitos do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, inclusive providenciar o requerimento de que trata o § 1° do citado artigo. Da Conclusão Ante o exposto, voto pela improcedência das impugnações, mantendo oscréditos exigidos. ” Do acima exposto, entendo que uma vez cancelado o direito adquirido mediante o ATO CANCELATÓRIO 01/97, a entidade voltou a subsumir, por ocasião da ocorrência dos fatos geradores do lançamento em tela, ao comando do então vigente art. 55 da Lei n 8.21/91 impondose novo requerimento ao INSS na forma do § 1° , inciso V, do art. 55. Na ocasião da ocorrência dos fatos geradores, Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção das contribuições a cargo da empresa era hipótese albergada no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, com ênfase no preceituado no § 1º do inciso V, o qual destacava o cumprimento da exigência de se requerer ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS sua fruição, verbis: “ Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). Fl. 395DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 446/2008 Em 07 de novembro de 2008 a Medida Provisória MP nº 446, passou a regular a questão da certificação de entidades beneficentes e de assistência social, bem assim, a fruição do direito à isenção em relação às contribuições a cargo da empresa, sem a necessidade de se requerer o reconhecimento do direito à isenção a qualquer que fosse o órgão. A referida Medida teve curto prazo de vigência vigorando desde 10/11/2008 a 11/02/2009. Não obstante, as relações jurídicas afetadas pela Medida Provisória, em face do disposto no § 11 do artigo 62 da Constituição Federal de 1988, se mantiveram regidas pelos termos da Medida Provisória durante sua vigência. No Relatório Fiscal de fls.84 , a Autoridade autuante registra que o Termo de Início de Procedimento Fiscal foi datado de 24/09/2009. O Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF , às fls. 81, revela que o encerramento ocorreu, em 17/12/2009. Desse modo, a ação fiscal, muito embora se reportasse aos fatos do período do período 01/2006 a 13/2007, teve parte do curso na plena vigência da lei nova Lei nº 12.101/2009, de 27 de novembro de 2009. No item 2.2 do referido Relatório Fiscal, consta que a Recorrente era portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS mas não detinha o Ato Declaratório do INSS, razão pela qual foi autuada. Aduz que na forma do sobredito Relatório Fiscal, a exceção do Ato Declaratório do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, exigência que, à época da ocorrência dos fatos geradores, se fazia no § 1° art. 55 da Lei nº 8.212/91, revogado em 07 de novembro de 2008 pela edição da Medida Provisória nº 446, DOU de 10/11/2008, a Recorrente atendia aos demais requisitos exigíveis. A intenção do Legislador de fazer valer aqueles efeitos da Medida Provisória nº 446, não obstante o hiato, fica patente quando em 27 de novembro de 2009, dispondo especificamente sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social e regulando os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social, alterouse a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, revogaramse os dispositivos das Leis nºs 8.212, de 24 de julho de 1991, 9.429, de 26 de dezembro de 1996, 9.732, de 11 de dezembro de 1998, 10.684, de 30 de maio de 2003, e da Medida Provisória nº 2.18713, de 24 de agosto de 2001, mediante a publicação da Lei nº 12.101/2009 , DOU de 30/11/2009), verbis: “ Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de Fl. 396DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002618/200926 Acórdão n.º 2403002.048 S2C4T3 Fl. 373 9 que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006.” O comando do art. 3º da Lei nº 12.101/2009 , datada de 27 de novembro de 2009, revela nitidamente retroação da aplicação da medida pelo menos para exercício fiscal anterior ao requerimento ou sua renovação : “ Art. 3º A certificação ou sua renovação será concedida à entidade beneficente que demonstre, no exercício fiscal anterior ao do requerimento, observado o período mínimo de 12 (doze) meses de constituição da entidade, o cumprimento do disposto nas Seções I, II, III e IV deste Capítulo, de acordo com as respectivas áreas de atuação, e cumpra, cumulativamente, os seguintes requisitos” ( grifos de minha autoria) Fl. 397DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 DO LANÇAMENTO E DO ATO ADMINISTRATIVO Aliomar Baleeiro,em sua obra Direito Tributário Brasileiro, 10ª ed., Rio de Janeiro: Forense, p.502, traz definição doutrinária do lançamento como sendo “o ato, ou a série de atos, de competência vinculada, praticado por agente competente do Fisco para verificar a realização do fato gerador em relação a determinado contribuinte, apurando qualitativa e quantitativamente o valor da matéria tributável, segundo a base de cálculo, e, em conseqüência, liquidando o quantum do tributo a ser cobrado”. ( grifos de minha autoria) O escólio de Baleeiro, retrata o comando do art. 142 do CTN , onde no parágrafo único aduz que o lançamento é uma atividade administrativa, sendo lícito traduzir como ato administrativo, verbis: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” ( grifos de minha autoria) O presente processo, ressaltese, ainda sob análise, contém ato (lançamento) não definitivamente julgado cuja motivação fora a ausência de documentação, exigência legal contemporânea aos fatos geradores mais tarde deixada de ser definida como infração mediante lei revogatória. DO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO É cediço que as leis, em face do caráter prospectivo de que se revestem, ordinariamente, dispõem para o futuro. Entretanto, cumpre ressaltar que o artigo 106, inciso II, “a”,“b” e “c”, do Código Tributário Nacional – CTN, destaca que tratandose de ato não definitivamente julgado, é compulsório albergarlo sob o manto do principio da retroatividade benigna , verbis : Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002618/200926 Acórdão n.º 2403002.048 S2C4T3 Fl. 374 11 DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIALCEBAS Relevante ressaltar,subsidiariamente, o comando do art. 288 da Instrução Normativa RFB nº 1.071, de 15 de setembro de 2010, onde resta definido que o direito à isenção poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação no Diário Oficial da União, independentemente de requerimento à RFB, verbis: “ Art. 228 Observado o disposto no art. 227, o direito à isenção poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação no Diário Oficial da União, independentemente de requerimento à RFB.” ( grifos de minha autoria) DO ATO DECLARATÓRIO Nº 05/2011 DA PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Referindose às lides sobre a validade dos Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social como documento legal da fruição da isenção, a Procuradora Geral da Fazenda Nacional – PGFN, exarou o ATO DECLARATÓRIO Nº 05 /2011 desistindo de pelejar judicialmente , verbis: “ A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2132/2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social é meramente declaratório, produzindo efeito ex tunc, retroagindo à data de protocolo do respectivo requerimento, ressalvado o disposto no art. 31 da Lei nº 12.101, de 2009 (data da publicação da concessão da certificação), desde que inexista outro fundamento relevante, como a necessidade de cumprimento da legislação superveniente pelo contribuinte.” ( grifos de minha autoria) JURISPRUDÊNCIA: REsp 1.027.577/PR, 2ª Turma, relatora a ministra ELIANA CALMON, DJe de 26.02.2009; AgRg no REsp 756.684/RS, relatora a ministra DENISE ARRUDA, DJ de 02.08.07; REsp 413.728/RS, relator o ministro PAULO MEDINA, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/10/2002, DJ 02/12/2002, p. 283; AgRg no REsp 579.549/RS, relator o ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/08/2004, DJ 30/09/2004, p. 223; AgRg no REsp 382.136/RS, relator o ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Fl. 399DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/03/2004, DJ 03/05/2004, p. 95; REsp nº 478.239/RS, relator o ministro CASTRO MEIRA, Segunda Turma, DJ de 28.11.2005; MS nº 9.152, relator o ministro CASTRO MEIRA, DJ de 17.05.2004; AgRg no MS nº 10.757, relator o ministro CASTRO MEIRA, DJ 03.03.2008. Brasília, 20 de dezembro de 2011 Na forma do supra exortado art. 31 da Lei nº 12.101, de 2009 no ATO DECLARATÓRIO Nº 05 /2011 da PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL – PGFN, verbis : “ Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo.” ( grifos de minha autoria) Assim, considerando o registro no item 2.2 do Relatório Fiscal às fls. 81 referido alhures, onde consta que a Recorrente por ocasião da ação fiscal já portava o registro do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS a que se refere o art. 228, da Instrução Normativa RFB nº 1.071, de 15 de setembro de 2010; o art. 31 da Lei nº 12.101, de 2009 e o Ato Declaratório n° 5 da ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional – PGFN, desde então o sobredito certificado concedia o direito de isenção em apreço. Desse modo dou provimento ao recurso de Voluntário CONCLUSÃO Assim, por tudo que foi exposto, conheço do Recurso Voluntário para NO MÉRITO DAR PROVIMENTO AO RECURSO determinando que seja expurgada a totalidade dos levantamentos que constituirão os créditos dos Autos de Infração: AI n° 37.198.3177 ; AI n° 37.198.3185; e AI n° 37.198.3193. É como voto. Ivacir Júlio de Souza. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10820.002296/2005-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
Ementa:
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS - NÃO APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO.
No caso de que trata os autos não foi aplicada qualquer presunção legal de omissão de receitas. A base de cálculo foi determinada com base nas provas colhidas no curso da ação fiscal.
ART. 3° DA LEI 10.174/2001 - APLICAÇÃO A FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO.
A questão sobre a retroatividade e legalidade do artigo 3º da Lei 10.174/2001 e a Requisição de Movimentação Financeira pela Receita Federal são matérias que tem como fundamento a violação ao artigo 5º, inciso XII, da CF. O STF ainda não decidiu de forma definitiva a matéria, atribuindo ao Recurso Extraordinário pendente de julgamento na Corte Maior os efeitos da repercussão geral.
Incompetência desse Tribunal Administrativo em analisar a matéria. Súmula nº 2 do Carf.
DECADÊNCIA - CONTAGEM DO PRAZO - CONSTATAÇÃO DE FRAUDE.
A contagem do prazo decadencial de cinco anos do IRPJ, nos casos em que se verificar a ocorrência de fraude, conta-se do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, c/c art. 150, § 4º, CTN)
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - INEXISTÊNCIA.
Por meio das provas acostadas aos autos foi demonstrado sobejamente que o real titular das receitas auferidas foi o contribuinte autuado.
UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA - PROVA.
De acordo com todas as provas e indícios colhidos no curso da ação fiscal, restou demonstrado que o contribuinte se valeu de interpostas pessoas (DISTRIBUIDORA e ABAETE) para ocultar suas receitas tributáveis.
MULTA DE 150% - FUNDAMENTAÇÃO.
Ha nos autos de infração lavrados expressa referência ao ilícito tributário que ensejou a aplicação da multa de 150%, de modo que não há que se falar em falta de motivação.
PROCEDIMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. COFINS-INSS.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida quanto ao IRPJ pela intima relação de causa e efeito existente.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-001.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS - NÃO APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO. No caso de que trata os autos não foi aplicada qualquer presunção legal de omissão de receitas. A base de cálculo foi determinada com base nas provas colhidas no curso da ação fiscal. ART. 3° DA LEI 10.174/2001 - APLICAÇÃO A FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. A questão sobre a retroatividade e legalidade do artigo 3º da Lei 10.174/2001 e a Requisição de Movimentação Financeira pela Receita Federal são matérias que tem como fundamento a violação ao artigo 5º, inciso XII, da CF. O STF ainda não decidiu de forma definitiva a matéria, atribuindo ao Recurso Extraordinário pendente de julgamento na Corte Maior os efeitos da repercussão geral. Incompetência desse Tribunal Administrativo em analisar a matéria. Súmula nº 2 do Carf. DECADÊNCIA - CONTAGEM DO PRAZO - CONSTATAÇÃO DE FRAUDE. A contagem do prazo decadencial de cinco anos do IRPJ, nos casos em que se verificar a ocorrência de fraude, conta-se do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, c/c art. 150, § 4º, CTN) ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - INEXISTÊNCIA. Por meio das provas acostadas aos autos foi demonstrado sobejamente que o real titular das receitas auferidas foi o contribuinte autuado. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA - PROVA. De acordo com todas as provas e indícios colhidos no curso da ação fiscal, restou demonstrado que o contribuinte se valeu de interpostas pessoas (DISTRIBUIDORA e ABAETE) para ocultar suas receitas tributáveis. MULTA DE 150% - FUNDAMENTAÇÃO. Ha nos autos de infração lavrados expressa referência ao ilícito tributário que ensejou a aplicação da multa de 150%, de modo que não há que se falar em falta de motivação. PROCEDIMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. COFINS-INSS. Aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida quanto ao IRPJ pela intima relação de causa e efeito existente. Recurso conhecido e não provido.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS NÃO APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO. No caso de que trata os autos não foi aplicada qualquer presunção legal de omissão de receitas. A base de cálculo foi determinada com base nas provas colhidas no curso da ação fiscal. ART. 3° DA LEI 10.174/2001 APLICAÇÃO A FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. A questão sobre a retroatividade e legalidade do artigo 3º da Lei 10.174/2001 e a Requisição de Movimentação Financeira pela Receita Federal são matérias que tem como fundamento a violação ao artigo 5º, inciso XII, da CF. O STF ainda não decidiu de forma definitiva a matéria, atribuindo ao Recurso Extraordinário pendente de julgamento na Corte Maior os efeitos da repercussão geral. Incompetência desse Tribunal Administrativo em analisar a matéria. Súmula nº 2 do Carf. DECADÊNCIA CONTAGEM DO PRAZO CONSTATAÇÃO DE FRAUDE. A contagem do prazo decadencial de cinco anos do IRPJ, nos casos em que se verificar a ocorrência de fraude, contase do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, c/c art. 150, § 4º, CTN) ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA. Por meio das provas acostadas aos autos foi demonstrado sobejamente que o real titular das receitas auferidas foi o contribuinte autuado. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 22 96 /2 00 5- 16 Fl. 22995DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 De acordo com todas as provas e indícios colhidos no curso da ação fiscal, restou demonstrado que o contribuinte se valeu de interpostas pessoas (DISTRIBUIDORA e ABAETE) para ocultar suas receitas tributáveis. MULTA DE 150% FUNDAMENTAÇÃO. Ha nos autos de infração lavrados expressa referência ao ilícito tributário que ensejou a aplicação da multa de 150%, de modo que não há que se falar em falta de motivação. PROCEDIMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. COFINSINSS. Aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida quanto ao IRPJ pela intima relação de causa e efeito existente. Recurso conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior. Relatório Por critério de economia processual, tomo como parte deste Relatório as descrições trazidas no Relatório proferido pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do Carf, que sobrestou os autos em razão de dispositivo existente e já revogado do regimento interno do Carf. Tratase de recurso voluntário apresentado pela contribuinte acima identificada em face de decisão que manteve a autuação decorrente de exclusão do Simples, consoante relatório que, com a devida vênia, reproduzo parcialmente abaixo, por bem esclarecer os fatos de interesse para o julgamento: Fl. 22996DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.002296/200516 Acórdão n.º 1201001.164 S1C2T1 Fl. 3 3 Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi apurado que a receita operacional auferida nos anos de 2000, 2001 e 2002 não foi declarada, havendo o contribuinte optado indevidamente pelo Simples. Tendo em vista que a escrituração comercial e fiscal se mostrou imprestável para a apuração dos tributos, o lucro foi arbitrado para os fatos geradores relativos a todos os trimestres dos anos de 2000, 2001 e 2002. Como conseqüência, foi lavrado o auto de infração de fls. 291297, integrado pelos termos, demonstrativos e documentos nele mencionados, para lançar o imposto sobre a renda devido para estes fatos geradores. O crédito tributário de IRPJ lançado perfaz o total de R$ 18.210.909,77, composto pelo imposto, pela multa de 150% e pelos juros moratórios, calculados até 30/11/2005. 2. Como reflexos da ação fiscal, foram lançados também os seguintes créditos tributários: 1 PIS (auto de infração de fls. 306311), perfazendo o total de R$ 5.018.152,32, incluído neste montante o valor da contribuição, da multa de 150% e dos juros de mora, calculados até 30/11/2005; 2 CSLL (auto de infração de fls. 319324), perfazendo o total de R$ 8.330.689,38, incluído neste montante o valor da contribuição, da multa de 150% e dos juros de mora, calculados até 30/11/2005; COFINS (auto de infração de fls. 334339), perfazendo o total de R$ 23.160.706,46, incluído neste montante o valor da contribuição, da multa de 150% e dos juros de mora, calculados até 30/11/2005. 3. As irregularidades apuradas foram descritas no “Termo de Constatação Fiscal” de fls. 178252, discriminandose, a seguir, seus aspectos essenciais: 3.1. Inicialmente, foi detectada que a movimentação financeira do contribuinte FRIGORÍFICO BABY BEEF LTDA. (doravante designado apenas como BABY BEEF), apurada através da CPMF, era incompatível com as receitas declaradas relativas aos anoscalendário 1999 a 2001, ressaltandose que o contribuinte apurou os tributos pelo Simples para todos estes fatos geradores. 3.2. Relativamente ao anocalendário 1999, foi lavrado o auto de infração de que trata o processo administrativo 10820.002512/200442. Ademais, por meio do processo administrativo 10820.002515/200486 efetuouse representação fiscal para fins de exclusão do BABY BEEF do Simples, tendo resultado na expedição do Ato Declaratório Executivo nº 01, de 13/01/2005, aplicandose os efeitos da exclusão a partir de 01/01/2000. Paralelamente, foi lavrada representação fiscal para fins de declaração de inaptidão do contribuinte DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA. (doravante designado apenas como DISTRIBUIDORA), CNPJ 68.207.463/000162, processada sob o nº 10820.002518/200410, da qual resultou o Ato Declaratório Executivo nº 44, de 03/11/2005, aplicandose os efeitos da inaptidão a partir de Fl. 22997DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 01/01/1999. Igualmente, foi lavrada representação fiscal para declaração de inaptidão do contribuinte FRIGORÍFICO ABAETÉ LTDA (doravante designado apenas como ABAETÉ), CNPJ 01.180.149/000162, processada sob o nº 10820.002519/200464, da qual resultou a expedição do Ato Declaratório Executivo nº 26, de 05/04/2005, aplicandose os efeitos da inaptidão a partir de 27/02/1999. [...] 3.4. Foi constatado que não há nos Livros Caixa a escrituração da movimentação bancária e tampouco há documentação comprobatória desta movimentação. 3.5. A primeira nota fiscal emitida pelo BABY BEEF data de 02/06/2000. A operação registrada nesta nota fiscal foi indevidamente caracterizada com a natureza de prestação de serviço, ocultando a real atividade do BABY BEEF que é a compra, abate e comercialização de carne e seus subprodutos. Entre 02/99 e 05/2000 a DISTRIBUIDORA se valeu dos dados cadastrais do ABAETÉ, que havia sido arrendado em 12/98 pelo BABY BEEF, para emitir notas fiscais. 3.6. Ao responder intimação, o contribuinte BABY BEEF afirma que a atividade por ele desempenhada foi a de transporte rodoviário de cargas no período de 1999 a 05/2000 e de abate e frigorificação de bovinos para terceiros no período de 06/2000 a 12/2001. Afirma que não efetuou compras de gado para abate por conta própria nos anos de 1999, 2000 e 2001. Assevera que as instalações do ABAETÉ foram arrendadas em janeiro de 1999, mas as atividades tiveram início apenas em junho de 2000, em razão da liberação do posto fiscal de Andradina/SP. Finalmente, sustenta que, a partir de janeiro de 2003, o imóvel foi adquirido por Marcelo Aparecido Pompei, sendo que a escritura definitiva está sendo providenciada, assim como o contrato de aluguel. [...] 3.8. Em 18/07/2003, o BABY BEEF respondeu intimação informando que não apresentaria a documentação relativa a sua movimentação bancária tendo em vista que os recursos movimentados em suas contas seriam de titularidade da DISTRIBUIDORA, de modo que estaria resguardando o sigilo bancário desta. 3.9. Foi apresentado contrato de prestação de serviços, datado de 02/01/99, firmado entre BABY BEEF e DISTRIBUIDORA, mediante o qual o primeiro se compromete a abater gado bovino e suíno por meio de entrega em seu estabelecimento de animais, entregando os produtos que resultarem em caminhões contratados pela DISTRIBUIDORA ou por quem esta indicar. Ademais, estipulase que os pagamentos aos pecuaristas fornecedores de animais serão realizados por meio de repasses de numerários em contacorrente bancária, assim como os recebimentos dos valores relativos às vendas realizadas pela DISTRIBUIDORA. Fl. 22998DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.002296/200516 Acórdão n.º 1201001.164 S1C2T1 Fl. 4 5 3.10. Tendo em vista o contrato de que trata o item anterior, BABY BEEF deveria escriturar toda a movimentação financeira relativa ao repasse de numerários da DISTRIBUIDORA, porém, tais informações não constam de sua contabilidade, que restou incompleta, irregular e imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. 3.11. Em 31/05/2000, a DISTRIBUIDORA alterou seu contrato social para incluir a atividade de abate através de terceiros, em descompasso com a data (02/01/99) do contrato firmado com BABY BEEF. Também o contrato social de BABY BEEF foi alterado em 21/06/99, portanto em data posterior à do arrendamento do ABAETÉ (janeiro de 1999), passando seu objeto social de transporte rodoviário de cargas para abate e frigorificação de bovinos e suínos próprios e para terceiros, industrialização de carnes bovinas, suínas, ovinas, caprinas e seus derivados e subprodutos, ração animal, gordura e óleos animais, embutidos de carne bovina, suína e outras e transporte rodoviário de cargas. 3.12. Constatouse a existência de cheque pago em 1999 ao procurador do ABAETÉ, Sr. Fábio Antônio Óbice, relativo ao pagamento do arrendamento pelo BABY BEEF, revelando que é falsa a alegação de que este só operou a partir de junho de 2000, assim como é falsa a afirmação da DISTRIBUIDORA de que, de fevereiro de 1999 a maio de 2000, quem prestou serviço de abate foi o ABAETÉ. 3.13. Constatouse que o Sr. Marcos Antônio Pompei firmou grande parte dos cheques e autorizações para pagamentos emitidos pelo BABY BEEF, sem que nenhuma assinatura fosse verificada de pessoa da DISTRIBUIDORA, contrariando a informação de que a movimentação financeira era desta. 3.14. Verificouse que havia procurações para empregados e prepostos do BABY BEEF para que estes movimentassem contas bancárias não apenas do BABY BEEF, mas também da DISTRIBUIDORA, demonstrado que, a rigor, as contas desta eram controladas por aquele. [...] 3.18. Os extratos bancários do BABY BEEF foram apresentados pelo Sr. Vanderlei Antunes Rodrigues, contador da DISTRIBUIDORA. 3.19. A Srta. Maria dos Anjos de Medeiros, empregada da DISTRIBUIDORA, declarou que os compradores e vendedores desta atuam nos frigoríficos e são remunerados a título de comissão. Constatouse, porém, que não há registro desses empregados nem escrituração dos pagamentos de salários ou comissões nos livros da DISTRIBUIDORA. Fl. 22999DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 3.20. A Sra Cláudia Regina Barra Moreno (sócia da DISTRIBUIDORA) informa que recebe pro labore, sem que conste qualquer recibo dos respectivos pagamentos, e que seu nome consta no quadro social da DISTRIBUIDORA a pedido do Sr. Valder Antônio Alves, para que a empresa pudesse ser registrada como sociedade limitada, em troca da remuneração mencionada. 3.21. O Sr. Vanderlei Antunes Rodrigues, a despeito de ser o contador da DISTRIBUIDORA, não esclarece quanto às instituições financeiras com as quais esta opera. 3.22. A DISTRIBUIDORA informa, contradizendo afirmação da Srta. Maria dos Anjos Medeiros, que as dependências térreas de suas instalações, nas quais se localizam as câmaras frias, são utilizadas por ela e não por outra empresa. Informa, ademais, que não tem contratos de prestação de serviços com compradores e vendedores que efetuam operações de compra e venda comissionada, que não faz retenção de IR e que os acertos com estes são realizados mensalmente em dinheiro. 3.23. Constatouse a existência de contrato firmado entre BABY BEEF e ELECTRO ELETRICIDADE S/A, em 13/01/99, bem como pagamentos do consumo ocorrido a partir de março de 1999. Verificouse que foi interrompido o fornecimento de energia entre janeiro de 1998 (último período de funcionamento do ABAETÉ) e janeiro de 1999. 3.24. Constatouse, por circularização, que os pagamentos dos clientes não eram feitos à DISTRIBUIDORA, mas ao BABY BEEF. 3.25. Constatouse que o ABAETÉ não demonstra quaisquer recebimentos que correspondam a prestação de serviço. Não foi localizado no livro Diário da DISTRIBUIDORA quaisquer menções a pagamentos ou históricos de prestação de serviço, tanto do BABY BEEF quanto do ABAETÉ. O Sr. Ricardo Aparecido Quinhones, funcionário do BABY BEEF, consta como responsável pelo preenchimento e entrega das DIRPJ’s do ABAETÉ, declarações estas de valores condizentes apenas com os recebimentos do arrendamento para o anocalendário 1999 e não de atividade de abate. 3.26. Constatouse, por cruzamento de dados entre extratos bancários e recolhimentos do ICMS, que o BABY BEEF pagou até a dívida de ICMS do ABAETÉ. 3.27. Constatouse que o ABAETÉ não efetuou recolhimentos do INSS, de modo que não tinha empregados e, portanto, não poderia operar o frigorífico. 3.28. Constatouse que o ABAETÉ não teve movimentação financeira de 1999 em diante e que sua última movimentação financeira foi em abril de 1998, corroborando a informação da Elektro de que ocorreu um corte no fornecimento de energia de junho de 1998 a janeiro de 1999, período em que o ABAETÉ esteve inativo. Fl. 23000DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.002296/200516 Acórdão n.º 1201001.164 S1C2T1 Fl. 5 7 3.29. Constatouse que o Sr. Marcelo Aparecido Pompei e o Sr. Marcos Antônio Pompei praticaram atos de administração no BABY BEEF quando não constavam no quadro social da empresa. 3.30. Constatouse que a movimentação financeira do BABY BEEF foi muito superior à da DISTRIBUIDORA e que a primeira utilizou as contas bancárias da segunda para transitar seus recursos, inclusive por meio do Sr. Alex Sandro Pereira da Silva que, a despeito de constar como funcionário do BABY BEEF, atuou como procurador deste (a partir de 06/10/1999) e como procurador da DISTRIBUIDORA (a partir de 05/03/2001). 3.31. Constatouse que no anocalendário 1999 não se localizou qualquer repasse de recursos das contascorrentes do BABY BEEF para as contascorrentes da DISTRIBUIDORA. Nos anoscalendário 2000 a 2002 somente se encontraram três cheques nominais à Distribuidora, nos valores de R$ 36.000,00 (29/10/2001), R$ 15.000,00 (20/02/2002) e R$ 141.000,00 (28/03/2002), e foi efetuado um depósito pela DISTRIBUIDORA na contacorrente do BABY BEEF, no valor de R$ 12.496,00 (27/06/2000), que, pela insignificância diante da movimentação financeira verificada, demonstra que não houve os repasses previstos nos itens 2.4 e 6.3 do contrato de prestação de serviços firmado entre ambas. Verificouse, ademais, que não há no referido contrato a indicação do método a ser utilizado para quantificar os valores devidos pela prestação de serviços, além de não constar comprovação desses pagamentos. 3.32. Constatouse que não há registro de veículos da DISTRIBUIDORA no Renavam, que seu prédio é alugado e que os valores declarados na DIRPF pelo Sr. Valder Antônio Alves são incompatíveis com as vendas declaradas pela DISTRIBUIDORA em DIPJ. Verificouse que a movimentação financeira (1999) do Sr. Valder Antônio Alves é irrisória e os bens constantes de sua declaração são de pequena monta. Por outro lado, o Sr. Marcos Antônio Pompei possui movimentação financeira elevadíssima na pessoa física (1998/1999), além de possuir patrimônio de valor altíssimo quando comparado ao do Sr. Valder. 3.33. Em 28/09/2005, foi arquivada na JUCESP alteração contratual do BABY BEEF por meio da qual saíram do quadro social o Sr. Marcos Antônio Pompei e a Sra. Sinézia de Lima e entraram o Sr. Vinicius dos Santos Vulpini (sócio da empresa NORTE RIOPRETENSE) e a DISTRIBUIDORA. Verificouse que o Sr. Valder Antônio Alves, sócio da DISTRIBUIDORA, constou na referida alteração contratual do BABY BEEF como residente à Rua São Paulo, nº 1.439, casa 2, Jardim Paulista, São José do Rio Preto/SP, fato este que não corresponde à verdade, conforme constatado pela Fiscalização. 3.34. O INSS informou que o BABY BEEF realizou recolhimentos de contribuição previdenciária descontada dos empregados a partir de novembro de 1998, sendo que a partir de Fl. 23001DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 julho de 1999 os valores pagos triplicaram em relação ao mês de junho de 1999, crescendo nos meses seguintes, informações estas condizentes com o crescimento dos abates informados pelo SIF. 3.35. Constatouse que no dia 30/12/2002 o Sr. Marcos Antônio Pompei sacou mais de R$ 800.000,00 em espécie da conta bancária do Banco Bradesco de titularidade do BABY BEEF. 3.36. Em conclusão, o BABY BEEF exerceu a atividade de compra de bovinos para abate e comercialização (frigorífico) desde fevereiro de 1999 até os dias atuais, vez que ele próprio sempre adquiriu, industrializou e comercializou seus produtos com plena autonomia financeira, utilizandose da DISTRIBUIDORA apenas para acobertar operações comerciais, além do que, no período de fevereiro de 1999 a maio de 2000, também se valeu dos dados do ABAETÉ, acobertando suas operações comerciais. Na impugnação (fls. 371466), o contribuinte aduz, dentre outras, a seguinte alegação: 4.3. Para a constituição dos créditos tributários foram utilizados dados da CPMF, aplicandose de forma retroativa o disposto no art. 3º da Lei 10.174/2001. Esta Lei entrou em vigor na data de sua publicação (10/01/2001), de modo que a autoridade não estava autorizada a requisitar informações bancárias relativas a períodos anteriores, sob pena de violação ao princípio da irretroatividade das leis, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido. As provas, portanto, foram obtidas por meios ilícitos, em afronta ao princípio da moralidade administrativa, ao art. 5º, LVI, da Constituição Federal, ao art. 30 da Lei 9.784/99 e ao art. 105 do CTN. A jurisprudência do STF adota a teoria constitucional dos “frutos da árvore envenenada”, segundo a qual a prova obtida por meio ilícito contamina de ilicitude todas as demais constantes do processo. Assim, tendo em vista que os dados da CPMF foram utilizados para alcançar fatos geradores ocorridos antes de 2001, concluise que todo o procedimento restou maculado. Este é o entendimento do Conselho de Contribuintes e da doutrina. A DRJ manteve integralmente a autuação, motivando assim a decisão quanto ao tema referido: 8.2. Vejase que o § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996 foi alterado pela Lei nº 10.174/2001, possibilitando ao Fisco a utilização dos dados da CPMF para instauração de procedimento administrativo que indique a exigência de outros tributos. De outro lado, a Lei Complementar nº 105/2001 abriu a possibilidade de o Fisco obter informações diretamente das instituições financeiras. Nos dois casos, em face do § 1º do art. 144 do CTN, a utilização de tais dados pode abranger fatos geradores anteriores à publicação de ambos os diplomas legais. A esse respeito, cabe esclarecer que a questão já se encontra pacificada no STJ, conforme se pode observar do seguinte acórdão ora transcrito [...] Fl. 23002DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.002296/200516 Acórdão n.º 1201001.164 S1C2T1 Fl. 6 9 Cientificada da decisão em 16/01/2007 (AR à fl.532), a contribuinte, inconformada, apresentou recurso voluntário ao CARF, em 14/02/2007 (fls.533 e seguintes), em que contesta a decisão recorrida, trazendo, especificamente quanto à questão do sigilo bancário, os argumentos abaixo sintetizados. Alega que dois fatos interferem na legalidade da constituição do crédito tributário: a) lapso temporal da efetiva vigência do art.11, § 3° da Lei n° 9.311/96, e b) criação, pela Lei n° 10.174/2001, de uma nova forma de lançamento. Aduz que a utilização da Lei n° 10.174 de 09/01/2001, que entrou em vigor na data da sua publicação em 10 de janeiro de 2001, não autoriza a utilização da CPMF para instaurar procedimento administrativo em data anterior ao seu surgimento no mundo jurídico, como é o caso da autuação fiscal, que decorre da utilização de dados da CPMF abrangendo os anos de 1999 a 2000, período anterior à vigência da Lei Complementar n° 105/2001 e da Lei n° 10.174/2001. Segundo ela, a permissão desse procedimento constituiria clara afronta a irretroatividade das leis, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido. Pede a anulação da autuação com base nessa preliminar, antes de prosseguir com as alegações de mérito Este é o Relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Inicialmente, cumpre destacar que os presentes autos ora julgados decorrem de reflexos da exclusão da empresa do Simples, ou seja, estamos tratando dos tributos incidentes nos anos calendários de 2000, 2001 e 2002. A exclusão do Simples está sendo discutida nos autos do Processo nº 10820.002515/200486, julgado nessa mesma sessão. Destacase ainda que os tributos incidentes sobre a omissão de receita do ano de 1999 está sendo analisado nos autos do Processo nº 10820.002512/200442, também julgado nessa sessão. Portanto, não há nenhuma nulidade ou necessidade de sobrestamento desse processo, pois a exclusão do Simples está sendo julgada conjuntamente por essa Colenda Turma na mesma sessão de julgamento dos demais processos. A contribuinte se pauta basicamente na tese da quebra de sigilo bancário com base em informações obtidas pela CPMF e por meio de Requisições de Movimentação Financeira RMF, sem autorização judicial, bem como na questão da decadência parcial. Fl. 23003DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 Vejamos o que constou do TCF sobre a quebra de sigilo bancário: O Termo de Constatação Fiscal de 22/02/2005 (fls.173 e seguintes) esclarece que os valores da movimentação financeira da contribuinte foram obtidos com base nas informações prestadas à Secretaria da Receita Federal, pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, § 2°, da Lei n°9.311, de 24 de outubro de 1996, que trata de nova instituição da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), consoante trechos abaixo reproduzidos: 48) Solicitaramse às instituições financeiras os extratos (em papel e em meio magnético — ver itens 108 a 120) dados cadastrais procurações etc., através de Requisições de Movimentação Financeira — RMFs 48, em 23/07/2003, que foram emitidas em 31/07/2003, para todas as instituições bancárias constantes do Termo de Inicio de Fiscalização, e que as respectivas destinatárias foram cientificadas em 05/08/2003. [...] 55) Também foi apresentada parte dos documentos solicitados nas RMFs, referentes aos anoscalendário 1999 a 2001 em que se constata na ficha cadastral da Fiscalizada que os dados ali consignados são dela própria52 e não os da Distribuidora, como não poderia deixar de ser; além de haver históricos de transações de créditos com as informações de "carnets e assemelhados" e "liberação de capital de giro" que são pagamentos de despesas mediante débito automático e de empréstimos de capital de giro para a Fiscalizada, respectivamente, que não foram contabilizados em seus livros contábeis e fiscais 53 56) Em 02/09/2003 a Fiscalizada informou que não apresentaria a documentação por motivo de sigilo bancário 54. Assim em 09/10/2003 foram emitidas novas RMFs para o período de 2002, solicitando os extratos e demais documentos cadastrais, cujas ciências ocorreram em 14 e 16/10/200355 . 57) Em 13/10/2003 emitiuse duas RMFs para apresentação de cópia dos documentos relativos a valores creditados ou depositados (cheques, comprovantes de depósitos etc.) dos bancos Itaú e Bradesco, cujas ciências ocorreram em 15/10/2003 56. Antes de se il receber os documentos, verificou se, pelos extratos, que há uma movimentação financeira elevada. [...] 77) No final do mesmo dia da realização da diligência, compareceuse ao endereço do escritório contábil do Sr. Vanderlei Antunes Rodrigues, conforme indicado pela Srta. Maria dos Anjos Medeiros, que prestou, pessoalmente, algumas informações, conforme Ref. —Termo de Diligência Fiscal/Intimação n° 106, datado de 30/10/2003. Indagado a respeito da documentação da Fiscalizada, ele apresentou todos os extratos bancários da Fiscalizada do período que se estava fiscalizando (entretanto, a Fiscalizada não os apresentou a esta Fl. 23004DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.002296/200516 Acórdão n.º 1201001.164 S1C2T1 Fl. 7 11 fiscalização em nenhum momento), informando que tais extratos foram apresentados para que fosse analisada a possibilidade de incluílos na escrituração da Distribuidora. Diante do fato, solicitoulhe que esclarecesse a presença dos extratos em seu escritório. As Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) foram emitidas em consonância com o disposto no art. 4º, §6º, do Decreto nº 3.724, de 10/10/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. No recurso voluntário, assim como na impugnação, a contribuinte alega a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001. A despeito da discussão ter conotação de legalidade/ilegalidade, essa suposta ilegalidade ou retroatividade da legislação frente aos períodos de 1999 a 2001, tem cunho constitucional, pois as requisições de movimentações financeiras emitidas pela fiscalização aos Bancos se deram sem qualquer autorização judicial, e nesse aspecto teria incorrido o fisco em violação ao artigo 5º, inciso XII, da CF. Observase que o espírito da tese defendida pelo contribuinte não é nova, pois há quase 5 (cinco) anos o STF atribuiu repercussão geral ao tema (Recurso Extraordinário nº 389.808/PR), e por sua morosidade e burocracia processual nas definições de questões importantes para o país ainda não definiu o julgamento da matéria: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Repitase, a questão da quebra de sigilo bancário, embora passe pela análise da Lei nº 4.595/64, em seu artigo 38, § 5º, que trata de procedimento instaurado pela autoridade fiscal competente, para fins de obter esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras, envolvendo inclusive o artigo 197 do CTN e a Lei Complementar nº 105/2001 (vide artigos 1º e 6º), é uma matéria reflexa no plano da discussão de eventual ilegalidade, tendo como fundamento principal a inconstitucionalidade do acesso às informações sem decisão judicial fundamentada para tanto, qual seja violação clara do artigo 5º, inciso XII. Sob esse prisma, a violação dos dados e informações bancárias pelas autoridades Fazendárias, que tem total rechaço por esse julgador, é matéria que deve ser levada ao Poder Judiciário, que sinalizou no brilhante voto do Ministro Marco Aurélio tratarse de uma garantia do contribuinte não se sujeitar à quebra de sigilo bancário sem ordem judicial. Vejamos: “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a Fl. 23005DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 12 privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. RE 389808/PR, Min. Rel. Marco Aurélio, Julgamento em 15/12/2010. Pleno.” No caso específico ora julgado o fundamento do lançamento fiscal, embora se trate de omissão de receita em razão de movimentações bancárias que extrapolaram os limites do Simples, temse como preceito a quebra de sigilo bancário sob a forma de RMF – Requisição de Movimentações Financeiras, não existindo nenhuma outra peculiaridade. Como esse E. Tribunal não pode cancelar lançamentos fiscais por violação de regra constitucional, visto o teor da Súmula nº 2 do CARF, que exclui a competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, matéria essa reservada ao Poder Judiciário, não podemos acolher a pretensão da contribuinte na parte que ventila essa matéria em seu Recurso: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe então analisarmos a questão da Receita omitida, que não fora afastada por elementos de provas ou justificativas objetivas pelo contribuinte, preferindo impugnar a forma, do que a essência dos depósitos bancários, que resultou por conta disso no arbitramento do lucro, em razão da não apresentação de escrituração de livros fiscais (Livro Diário), nos termos do artigo 530, inciso III, do RIR/99. Nesse caso, é sabido que movimentação financeira não pode ser considerada como receita tributada sob uma verdade absoluta. Ademais, não estamos diante de presunção de receita omitida, há efetiva demonstração nos autos de que as operações qualificadas pela Recorrente e pela DISTRIBUIDORA como prestação de serviços de abate de primeira à segunda foram, na verdade, operações de abate do BABY BEEF, que utilizava a DISTRIBUIDORA como interposta pessoa, deixando de recolher os tributos devidos. Vejamos as descrições trazidas na decisão da DRJ, confirmada pelas Notas Fiscais, depoimentos de fornecedores, cópia de cheques, etc: 3.12. Constatouse a existência de cheque pago em 1999 ao procurador do ABAETÉ, Sr. Fábio Antônio Óbice, relativo ao pagamento do arrendamento pelo BABY BEEF, revelando que é falsa a alegação de que este só operou a partir de junho de 2000, assim como é falsa a afirmação da DISTRIBUIDORA de que, de fevereiro de 1999 a maio de 2000, quem prestou serviço de abate foi o ABAETÉ. 3.13. Constatouse que o Sr. Marcos Antônio Pompei firmou grande parte dos cheques e autorizações para pagamentos emitidos pelo BABY BEEF, sem que nenhuma assinatura fosse verificada de pessoa da DISTRIBUIDORA, contrariando a informação de que a movimentação financeira era desta. Fl. 23006DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.002296/200516 Acórdão n.º 1201001.164 S1C2T1 Fl. 8 13 3.14. Verificouse que havia procurações para empregados e prepostos do BABY BEEF para que estes movimentassem contas bancárias não apenas do BABY BEEF, mas também da DISTRIBUIDORA, demonstrado que, a rigor, as contas desta eram controladas por aquele. 3.22. A DISTRIBUIDORA informa, contradizendo afirmação da Srta. Maria dos Anjos Medeiros, que as dependências térreas de suas instalações, nas quais se localizam as câmaras frias, são utilizadas por ela e não por outra empresa. Informa, ademais, que não tem contratos de prestação de serviços com compradores e vendedores que efetuam operações de compra e venda comissionada, que não faz retenção de IR e que os acertos com estes são realizados mensalmente em dinheiro. 3.23. Constatouse a existência de contrato firmado entre BABY BEEF e ELECTRO ELETRICIDADE S/A, em 13/01/99, bem como pagamentos do consumo ocorrido a partir de março de 1999. Verificouse que foi interrompido o fornecimento de energia entre janeiro de 1998 (último período de funcionamento do ABAETÉ) e janeiro de 1999. 3.24. Constatouse, por circularização, que os pagamentos dos clientes não eram feitos à DISTRIBUIDORA, mas ao BABY BEEF. 3.25. Constatouse que o ABAETÉ não demonstra quaisquer recebimentos que correspondam a prestação de serviço. Não foi localizado no livro Diário da DISTRIBUIDORA quaisquer menções a pagamentos ou históricos de prestação de serviço, tanto do BABY BEEF quanto do ABAETÉ. O Sr. Ricardo Aparecido Quinhones, funcionário do BABY BEEF, consta como responsável pelo preenchimento e entrega das DIRPJ’s do ABAETÉ, declarações estas de valores condizentes apenas com os recebimentos do arrendamento para o anocalendário 1999 e não de atividade de abate. 3.26. Constatouse, por cruzamento de dados entre extratos bancários e recolhimentos do ICMS, que o BABY BEEF pagou até a dívida de ICMS do ABAETÉ. 3.27. Constatouse que o ABAETÉ não efetuou recolhimentos do INSS, de modo que não tinha empregados e, portanto, não poderia operar o frigorífico. 3.28. Constatouse que o ABAETÉ não teve movimentação financeira de 1999 em diante e que sua última movimentação financeira foi em abril de 1998, corroborando a informação da Elektro de que ocorreu um corte no fornecimento de energia de junho de 1998 a janeiro de 1999, período em que o ABAETÉ esteve inativo. 3.29. Constatouse que o Sr. Marcelo Aparecido Pompei e o Sr. Marcos Antônio Pompei praticaram atos de administração no Fl. 23007DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 14 BABY BEEF quando não constavam no quadro social da empresa. 3.30. Constatouse que a movimentação financeira do BABY BEEF foi muito superior à da DISTRIBUIDORA e que a primeira utilizou as contas bancárias da segunda para transitar seus recursos, inclusive por meio do Sr. Alex Sandro Pereira da Silva que, a despeito de constar como funcionário do BABY BEEF, atuou como procurador deste (a partir de 06/10/1999) e como procurador da DISTRIBUIDORA (a partir de 05/03/2001). 3.31. Constatouse que no anocalendário 1999 não se localizou qualquer repasse de recursos das contascorrentes do BABY BEEF para as contascorrentes da DISTRIBUIDORA. Nos anoscalendário 2000 a 2002 somente se encontraram três cheques nominais à Distribuidora, nos valores de R$ 36.000,00 (29/10/2001), R$ 15.000,00 (20/02/2002) e R$ 141.000,00 (28/03/2002), e foi efetuado um depósito pela DISTRIBUIDORA na contacorrente do BABY BEEF, no valor de R$ 12.496,00 (27/06/2000), que, pela insignificância diante da movimentação financeira verificada, demonstra que não houve os repasses previstos nos itens 2.4 e 6.3 do contrato de prestação de serviços firmado entre ambas. Verificouse, ademais, que não há no referido contrato a indicação do método a ser utilizado para quantificar os valores devidos pela prestação de serviços, além de não constar comprovação desses pagamentos. 3.32. Constatouse que não há registro de veículos da DISTRIBUIDORA no Renavam, que seu prédio é alugado e que os valores declarados na DIRPF pelo Sr. Valder Antônio Alves são incompatíveis com as vendas declaradas pela DISTRIBUIDORA em DIPJ. Verificouse que a movimentação financeira (1999) do Sr. Valder Antônio Alves é irrisória e os bens constantes de sua declaração são de pequena monta. Por outro lado, o Sr. Marcos Antônio Pompei possui movimentação financeira elevadíssima na pessoa física (1998/1999), além de possuir patrimônio de valor altíssimo quando comparado ao do Sr. Valder. 3.33. Em 28/09/2005, foi arquivada na JUCESP alteração contratual do BABY BEEF por meio da qual saíram do quadro social o Sr. Marcos Antônio Pompei e a Sra. Sinézia de Lima e entraram o Sr. Vinicius dos Santos Vulpini (sócio da empresa NORTE RIOPRETENSE) e a DISTRIBUIDORA. Verificouse que o Sr. Valder Antônio Alves, sócio da DISTRIBUIDORA, constou na referida alteração contratual do BABY BEEF como residente à Rua São Paulo, nº 1.439, casa 2, Jardim Paulista, São José do Rio Preto/SP, fato este que não corresponde à verdade, conforme constatado pela Fiscalização. 3.34. O INSS informou que o BABY BEEF realizou recolhimentos de contribuição previdenciária descontada dos empregados a partir de novembro de 1998, sendo que a partir de julho de 1999 os valores pagos triplicaram em relação ao mês de junho de 1999, crescendo nos meses seguintes, informações estas condizentes com o crescimento dos abates informados pelo SIF. Fl. 23008DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.002296/200516 Acórdão n.º 1201001.164 S1C2T1 Fl. 9 15 3.35. Constatouse que no dia 30/12/2002 o Sr. Marcos Antônio Pompei sacou mais de R$ 800.000,00 em espécie da conta bancária do Banco Bradesco de titularidade do BABY BEEF. 3.36. Em conclusão, o BABY BEEF exerceu a atividade de compra de bovinos para abate e comercialização (frigorífico) desde fevereiro de 1999 até os dias atuais, vez que ele próprio sempre adquiriu, industrializou e comercializou seus produtos com plena autonomia financeira, utilizandose da DISTRIBUIDORA apenas para acobertar operações comerciais, além do que, no período de fevereiro de 1999 a maio de 2000, também se valeu dos dados do ABAETÉ, acobertando suas operações comerciais. Assim, as operações tidas como de prestação de serviços pela autuada foram consideradas operações compra de gado, abate e venda de carnes e derivados. Desta feita, não há qualquer erro quanto ao sujeito passivo do lançamento. Diante dessa fraude, devidamente demonstrada, o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN é inaplicável, devendo ser aplicado o artigo 173, inciso I, do CTN. Nestes termos, não há que se reconhecer a decadência do ano de 2000, como alegada pela Recorrente. Quanto à multa de 150%, a mesma possui previsão legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, devendo ser aplicada em razão da fraude demonstrada pela fiscalização. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, NEGOLHE provimento, mantendo a decisão da DRJ. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 23009DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.902832/2013-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiar-se duas vezes com o mesmo crédito.
Numero da decisão: 3801-005.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiar-se duas vezes com o mesmo crédito.
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COAN & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiarse duas vezes com o mesmo crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 28 32 /2 01 3- 07 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório O presente processo trata de PerDcomp transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, decorrente de recolhimento indevido a maior. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi indeferida. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, ocasião em que demonstrou no PER/DCOMP que realizou o recolhimento a maior da contribuição em tela, tendo inclusive apresentado o Comprovante de Arrecadação. Acostou aos autos a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON que atestam o valor correto da contribuição, de forma a comprovar o recolhimento indevido e a maior e, por conseguinte, a existência do crédito e a legitimidade do seu pedido de restituição formulado através do PER/DCOMP, nos termos da legislação de regência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) não acolheu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, ao argumento de que: As razões de defesa ficam prejudicadas, porque o despacho contestado já reconhece o valor alegado para o pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A razão da não homologação contestada é outra: consta do despacho em litígio que a restituição foi indeferida, porque o crédito já foi todo utilizado em compensações. Inconformado, o contribuinte apresentou o seu Recurso Voluntário, reforçando as razões já apresentadas em sede de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso foi apresentado tempestivamente e preenche os demais requisitos para sua admissão. Portanto, dele conheço. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 13888.902832/201307 Acórdão n.º 3801005.210 S3TE01 Fl. 12 3 Verificase que o Pedido de Restituição foi negado pelo fato de a Recorrente ter utilizado o crédito em compensação. Ocorre que, consoante demonstrado pela Recorrente, o crédito oriundo do recolhimento indevido e a maior informado no PER e nas respectivas DCTF e DACON, entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil, foi, realmente, utilizado na compensação com débito da Recorrente informado em PER/DCOMP. Vejase, pois, que tratamse de dois pedidos: o primeiro deles relativo ao crédito oriundo do pagamento indevido ou a maior (Pedido de Restituição, apenas) e o segundo, atrelado ao primeiro, atinente à compensação do referido crédito com débito da Recorrente (Declaração de Compensação). E o que se está a se analisar aqui é o Pedido de Restituição. A princípio, caso se indeferisse o presente Pedido de Restituição, onde a Recorrente informou o crédito oriundo do recolhimento indevido ou a maior, conseqüentemente a declaração de compensação a ele atrelada seria não homologada. E, se assim procedêssemos, estaríamos também negando o direito do contribuinte à compensação. E o contribuinte, por sua vez, muito embora pudesse fazer jus ao direito creditório, teria esse direito tolhido sem sequer vêlo apreciado. É claro, contudo, que essa lógica só se mantém para o caso de a compensação não ter sido ainda homologada. De se salientar, porém, que a decisão da DRJ destaca expressamente que a compensação listada foi totalmente homologada. A homologação da compensação ensejou, via de consequência, o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição ora analisado. Tendo a autoridade fiscal homologado a compensação declarada na DCOMP, de fato, não há mais que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiarse duas vezes com o mesmo crédito. Isto posto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
score : 1.0
Numero do processo: 11080.001882/91-60
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 04 00:00:00 UTC 1993
Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE - A simples alegação de
inconstitucionalidade da lei, ainda mais
quando existem outros fundamentos de
impugnado no impede o julgamento
administrativo.
Numero da decisão: 102-28.163
Decisão: ACORDAM OS Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, Declarar nulidade dos atos processuais a partir das flhs, 37 nos termos do e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Julio Cesar Gomes da Silva
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ementa_s : INCONSTITUCIONALIDADE - A simples alegação de inconstitucionalidade da lei, ainda mais quando existem outros fundamentos de impugnado no impede o julgamento administrativo.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por OLVEBRA INDUSTRIAL S/A. ACORDAM OS Membros da Segunda Cãmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, po 'r unanimidade de votos, Declarar nulidade dos atos processuai p:Rrtir 02 fis, 37 nos termos do e VO0 A''''Arft A i n g ifr o çn-esente jui.qado. Smi Sessee, em 04 de Maio de 1993. .drecemem, — TRIN-LU-SIMIANER- - PRESIDENTE- ---------- JULIO CÉSAR MIES DA_S-' RELATOR VISTO EM 1.4nt Lt;CIA DE mu luLíftl% - PROCURADORA DA SESSAO DE: FAZENDA NACIONAL O ,nrz 193 Participaram, 'àinotra7 do 'presente julgaffiento, os seguintes Conselheiros: WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, FRANCISCO DE PAULA CORREA CARNEIRO GIFFONI, KAZUKI SHIOBARA, URSULA HANSEN, MARIA CLLIA DE ANDRADE FIGUEIREDO E CARLOS ROBERTO MONTEIRO BERTAZI. .); MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2: 11(M0/01,2s91-b0 RECURSO N2: 68“112 ACoRDA0 NP: 102-28.163 RECnRRENTF: VERR rW)11: RELAT6RI O OLVEBRA INDUSTRIAL SiA., nMo se conformando com a r. decisão de fls. 37/39, dela recorre a este E. Conselho, pleiteando a sua nulidade. A coe~yiç reere-seo erro ap~ção do cálculo da Contribuiçáo Social, do exercício de 1990, tendo sido expedida a Notificação de Lançamento de fls. 09, no valor de 313.480,53 BTNF. Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/05, alegando que a fiscalizaçao nao considerou a exclusão, da base de cálculo da referida contribuição, no valor correspondente ao lucro oriundo da exportação incentivada, no total de CR$ 2.092.146,00 e incluiu, na referida base de cálculo, a quantia correspondente às participaçóes de administradores e partes beneficiárias, na importãncia de CR$ 260.000,00. Ademais, calculou o valor da contribuiçao social aplicando a aliquota de 107. quando o correto é de 87., conforme estabelecido na Lei n2 7.689/88, art. 32, "caput". Insurge-se contra a aplicação da Lei n2 7.856, de 24/10/89, que revogou o dispositivo retromencionado, arguindo que consoante art. 195, par 62 da Constituiçáo Federal, as contribuições sociais só poderão ser exigidas após decorridos no- • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2 .i. No 1.02-28”16J venta dias da data da publicaçaD Ipi qH houver instituído ou modificado, sendo, pois, inconstitucional referida cobrança. A autoridade julgadora, acolhendo o parecer da Divisão de Tributação as fie. 37/39, deixou de decidir sobre o pleito,sob o fundamento de que o mesmo não versa sobre a correta ou incorreta aplicação da lei, mas, sim, sobre a própria qualidade da lei e seu posicionamento no universo jurídico. Cientificada da intimação de fls. 40, em 08/08/91 e com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, dentro do prazo legal, o recurso voluntário de fls. 43/48, alegando a preliminar de nulidade da decisão " a quo", na medida em que, ao assumir postura decisória embasada em motivo negativo de decidir, a autoridade judicante feriu direito líquido e certo da recorrente, constitucionalmente reconhecido no - caput" do art. 37, e no art. 52, inciso LV, o que, - de per si", atrai a aplicação de inciso II, do art. 59, do Decreto n2 70.235/72. No mérito, esclarece que informou no item 13/26 de sua declaração de rendimentos, como contribuição social sobre o lucro, o valor de NCZ$ 3.433.177,00_ Não obstante, lançou no quadro 14/11, em adição ao lucro real apurado, a quantia de NCZ$ 810.006,00. Explica que o valor adicionado ao lucro real é o resultado da diferença entre o valor constante na contabilidade e o efetivamente devido como contribuição social. Alega que assim procedeu para que a correção do valor erroneamente informado não influísse na determinação do IRPJ a pagar, de cuja base de cálculo havia sido excluidà o valor maior, procedendo-se à adição ao lucro real, como forma de serem [ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES g PROCESSO N2 110k:50~1..&32/1.1? 1 ACÓRDA0 N2 1 á anulados os seus efeitos. Corroborando seus procedimentos, a recorrente anexa cópia da folha do LALUR e ratifica os argumentos expendios em sua peça recursal, pedindo, por fim, a nulidade da decisão recorrida. É o relatório. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES s PROCESSO r,12 1101.2/'-!1-A0 ACÓRDA0 N2: 1 1, (,) Li 1 n CÇ:nejhei'e jULIO CÉSAR GOMES DA SILVA, Re.laer 'Tem J-azao a Cer~lbulnte, n,a vez wAe D despacho de Sr-. Deegde de Perto AA.egf-e, ,afl~nde que delx;iqva do ddcldir o proc=so, na verdade O faz a favor do fisco, uma vez que sua negativa em decidir, obriga o Contribuinte, como determina aliás o próprio despacho, a pagar o tributo. A decisão deste Conselho, no sentido de que não cabe ao Tribunal Administrativo Fiscal da União, conhecer e declarar a inconstitucionalidade das leis fiscais ou deixar de aplicá-las aos atos e fatos que o legislador determinou que fossem aplicados, ao contrário da interpretação que lhe vem sendo dada, determina o julgamento. Não cabe a qualquer autoridade declarar inconstitucionalidade da lei, mas deve julgar o processo administrativo, não podendo se escudar nesta justificativa para cieixar de tazê-lo, caracterizando na hipótese cerceamento de defesa do art. 59, inciso II do DEC. 70.235/72. Na hipótese, além do mais, existem fundamentos outros que não foram apreciados pela autoridade monocrática, razão porque voto no sentido de determinar a nulidade dos atos processuais a partir da folha 37, inclusive. Brasilia, em 04 de maio de 1993. ,Trill,To (ÉSAP, (4(44 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 19647.009690/2006-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO APÓS INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO, POR MEIO EXTRA-CONTÁBIL, DE PARCELAS JÁ AMORTIZADAS CONTABILMENTE.
A partir da ocorrência do evento de fusão, incorporação ou cisão, a amortização do ágio ou deságio anteriormente pago deve ser registrada contabilmente, na escrituração comercial da pessoa jurídica, sem a necessidade de ajustes, por adição ou exclusão ao lucro líquido, para fins fiscais. A amortização contábil do ágio ou deságio, a partir da ocorrência do evento que determinou a extinção da participação societária, produz efeitos fiscais. Não é possível aproveitar, para fins exclusivamente fiscais, as parcelas do ágio ou deságio já amortizado contabilmente em períodos anteriores
IRPJ/CSLL. INEXISTÊNCIA DE EXTINÇÃO DO INVESTMENTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA.
1. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização.
2. Em regra, o ágio efetivamente pago - em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura - deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99).
3. A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou vice-versa (§6º, II).
3. Inexistindo extinção do investimento mediante reestruturação societária entre investida e investidora não há que se falar em amortização do ágio, não se admitindo sua transferência para terceiros para que usufruam de tais despesas.
IRPJ. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA.
A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Precedentes.
MULTA DE OFÍCIO. SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, mormente se a incorporadora e incorporadas têm em comum a mesma controladora. A multa de lançamento de ofício aplica-se à sucessora por infração cometida pela sucedida, ainda que apurada após a sucessão. Precedentes.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
CSLL. DECADÊNCIA.
Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula vinculante n° 8, DOU de 20/06/2008), cancela-se o lançamento no qual não foi observado o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas.
Recurso voluntário parcialmente provido.
LUCRO DE EXPLORAÇÃO. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO E PROVISÃO PARA MANUTENÇÃO DA INTEGRIDADE DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO.
Os benefícios fiscais de redução e isenção do imposto são calculados sobre o lucro da exploração decorrente exclusivamente da atividade que se deseja incrementar. Neste sentido a amortização do ágio e a baixa da PMIPL não devem afetar o lucro de exploração da empresa.
Recurso de ofício desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e acolher a argüição de decadência em relação à exigência da CSLL no ano-calendário de 1998, 1999 e 2000. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento ao recurso. Vencidos preliminarmente em votações sucessivas: i) O Conselheiro Carlos Pelá que acolheu a argüição de decadência em relação à amortização do ágio ; ii) Os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá que davam provimento parcial para afastar a glosa da amortização do ágio na base de cálculo do IRPJ e CSLL, restabelecer parcialmente os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL e cancelar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, volta se apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO APÓS INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO, POR MEIO EXTRA CONTÁBIL, DE PARCELAS JÁ AMORTIZADAS CONTABILMENTE. A partir da ocorrência do evento de fusão, incorporação ou cisão, a amortização do ágio ou deságio anteriormente pago deve ser registrada contabilmente, na escrituração comercial da pessoa jurídica, sem a necessidade de ajustes, por adição ou exclusão ao lucro líquido, para fins fiscais. A amortização contábil do ágio ou deságio, a partir da ocorrência do evento que determinou a extinção da participação societária, produz efeitos fiscais. Não é possível aproveitar, para fins exclusivamente fiscais, as parcelas do ágio ou deságio já amortizado contabilmente em períodos anteriores AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 96 90 /2 00 6- 99 Fl. 4000DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 3.994 2 IRPJ/CSLL. INEXISTÊNCIA DE EXTINÇÃO DO INVESTMENTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA. 1. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização. 2. Em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). 3. A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou viceversa (§6º, II). 3. Inexistindo extinção do investimento mediante reestruturação societária entre investida e investidora não há que se falar em amortização do ágio, não se admitindo sua transferência para terceiros para que usufruam de tais despesas. IRPJ. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Precedentes. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, mormente se a incorporadora e incorporadas têm em comum a mesma controladora. A multa de lançamento de ofício aplicase à sucessora por infração cometida pela sucedida, ainda que apurada após a sucessão. Precedentes. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. CSLL. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula vinculante n° 8, DOU de 20/06/2008), Fl. 4001DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 3.995 3 cancelase o lançamento no qual não foi observado o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Recurso voluntário parcialmente provido. LUCRO DE EXPLORAÇÃO. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO E PROVISÃO PARA MANUTENÇÃO DA INTEGRIDADE DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Os benefícios fiscais de redução e isenção do imposto são calculados sobre o lucro da exploração decorrente exclusivamente da atividade que se deseja incrementar. Neste sentido a amortização do ágio e a baixa da PMIPL não devem afetar o lucro de exploração da empresa. Recurso de ofício desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e acolher a argüição de decadência em relação à exigência da CSLL no anocalendário de 1998, 1999 e 2000. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento ao recurso. Vencidos preliminarmente em votações sucessivas: i) O Conselheiro Carlos Pelá que acolheu a argüição de decadência em relação à amortização do ágio ; ii) Os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá que davam provimento parcial para afastar a glosa da amortização do ágio na base de cálculo do IRPJ e CSLL, restabelecer parcialmente os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL e cancelar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Relator (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Fl. 4002DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 3.996 4 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ (período 01/2000 a 12/2004) e CSLL (período 01/1998 a 12/2004), cumulados com juros, multa de ofício e multa isolada, apurados em decorrência da glosa de exclusão indevida na apuração do Lucro Real (fls. 424/463 digital, 209/248 papel). A ciência foi tomada em 30/10/06. A Tim Nordeste S/A (antiga Maxitel S/A), foi autuada em razão da sua condição de sucessora da Tim Nordeste Telecomunicações S/A (antiga Telpe Celular S/A), que, por sua vez, sucedeu as empresas: Telasa Celular S/A, Teleceará Celular S/A, Telern Celular S/A, Telepisa Celular S/A e Telpa Celular S/A. Conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 482/538, 265/321 papel) as infrações apuradas podem ser resumidas da seguinte forma: Infração 1. Apropriação de despesa não dedutível de amortização de ágio pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 2000 a 2004). Tem origem na aquisição de operadoras de telefonia em leilão de desestatização do serviço de telecomunicações promovido pela União Federal na década de 1990. Corresponde ao principal ponto dos lançamentos em questão, sendo as demais acusações (à exceção das infrações 5 e 6, adiante descritas) meros desdobramentos da glosa da despesa de ágio; Infração 2. Exclusão indevida de ágio (registrado no Lalur) pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 2000 a 2004). Envolve parcela do ágio amortizada contabilmente pela Bitel/1B2B antes da transferência do ágio da TNC para as operadoras.; Infração 3. Glosa de prejuízos e base negativa de períodos anteriores compensados indevidamente pelas empresas Telern (IRPJ e CSLL 2002 a 2004), Telpa (IRPJ e CSLL do ano base 2002) e Telpe (IRPJ 2002 a 2004 e CSLL 2002 e 2003). É mero reflexo das glosas descritas nos itens anteriores. Como resultado da glosa da amortização do ágio, houve a reversão parcial de prejuízos fiscais e bases negativas dos períodos em que incorridas e, por conseguinte, a exigência de crédito tributário em períodos subsequentes em que compensados (as compensações glosadas, como afirmou o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, serão objeto de Autos de Infração específicos do IRPJ e da CSLL); Infração 4. Dedução a maior de incentivo fiscal de lucro da exploração pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2002, a 2004). A fiscalização concluiu que a reversão da Provisão para Manutenção da Integridade do Patrimônio Líquido (PMIPL), criada em razão da incorporação do patrimônio da empresa 1B2B pela TNC (por determinação da Instrução CVM 319/99), teria majorado o cálculo do lucro da exploração, por ter sido tratada como receita operacional, quando, em verdade, deveria ser qualificada como não operacional, o que reduziria o percentual do benefício; Fl. 4003DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 3.997 5 Infração 5. Glosa de dedução de CSLL retida na fonte por órgão público. Na DIPJ/1999, anocalendário de 1998, da empresa Telepisa foi informado no ajuste anual o valor de R$ 539,87 a título de dedução de CSLL retida na fonte por órgão público. Entretanto a fiscalização constatou que tal valor já havia sido deduzido pela contribuinte no cálculo das estimativas mensais, razão pela qual, glosou a dedução indevida da CSLL; Infração 6. Deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas. Glosa de dedução de IRPJ e CSLL mensais pagos por estimativa. A fiscalização não conseguiu confirmar créditos informados em diversas DCOMP’s transmitidas pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 1998 a 2004); e Infração 7. Multas isoladas por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidas por estimativa mensal. Em razão das infrações apuradas acima, sustenta a fiscalização que as empresas sucedidas teriam deixado de recolher (ou teriam recolhido a menor) os valores devidos pelas estimativas de IRPJ e CSLL, sujeitandose, portanto, à multa isolada de 50%. Envolve as empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 4º trimestre de 2001, 2002 a 2004 e CSLL 1998 a 2004). Em relação a esta última infração, no que toca ao IRPJ, esclareçase que foram lançadas apenas as diferenças a maior apuradas com base nas novas infrações levantadas para os meses de outubro, novembro e dezembro do anocalendário de 2001, haja vista que no processo n°. 19647.012821/200534 já está sendo cobrada multa isolada (IRPJ estimativa) para esses meses (Encerramento Parcial), contra a empresa Tim Nordeste Telecomunicações S/A (CNPJ 02.336.993/000100 incorporada). Com relação a CSLL, da mesma forma, foram lançadas apenas as diferenças a maior apuradas para o anocalendário 2001, com base nas novas infrações apuradas, uma vez que no processo n°. 19647.012818/200511 já está sendo cobrada a multa isolada (CSLL Estimativa) para esse ano (Encerramento Parcial). Vale notar, para logo, que após a impugnação dos autos de infração, a Fiscalização produziu um Relatório de Informação Fiscal, por meio do qual procurou aplicar a Solução de Consulta Interna COSIT nº. 18, de 13/10/06. Com isso, os valores lançados referentes às infrações 6 e 7 foi revisto de ofício, diminuindo o montante da exigência contida no presente processo. DA OPERAÇÃO Passo 1. Aquisição da TNC pela Bitel em leilão de desestatização A Tele Nordeste Celular Participações S/A (“TNC”) foi legalmente constituída em maio de 1998, em decorrência do processo de reestruturação e privatização do sistema de telefonia brasileiro, com a cisão de parte do acervo da sociedade Telecomunicações Brasileiras S/A Sistema Telebrás. Em julho/1998, um Consórcio formado pelas empresas Bitel Participações S/A (“Bitel”) e UGB Participações Ltda (“UGB”) adquiriu, em leilão de desestatização, a totalidade das ações ordinárias da TNC em poder da União, representativas de 51,79% de seu Fl. 4004DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 3.998 6 capital votante, por um valor superior ao de seu patrimônio líquido contábil (PL), ou seja, o preço pago envolveu parcela substancial de ágio. No leilão, as adquirentes Bitel e UGB participaram com 50% cada uma. Em fevereiro de 1999, a Bitel comprou a totalidade das ações da empresa TNC pertencentes a UGB (32.202.575.563 ações). Assim, a Bitel passou a ser titular das 64.405.151.125 ações ordinárias alienadas pela Telebrás no leilão de privatização e, por conseguinte, tornouse controladora direta da TNC. A Bitel procedeu ao desdobramento do custo de aquisição das ações, mediante a indicação de seu valor de PL e o ágio correspondente à diferença a maior entre o preço de aquisição do investimento e o montante do PL da controlada (TNC). O fundamento econômico era a perspectiva de rentabilidade futura da TNC, como controladora das empresas operadoras de telefonia celular da região nordeste do Brasil. Passo 2. Constituição da 1B2B pela Bitel para controlar a TNC Em 07/01/2000 foi constituída a empresa 1B2B Participações Ltda (“1B2B”), com o capital social de R$ 1.000,00, divido em 1.000 quotas de valor de R$ 1,00; onde o Sr. Robson Goulart Barreto (CPF n°. 787.091.48787) detinha 999 quotas e Sr. Kenneth Gerald Clark Júnior (CPF n°. 016.415.04714) detinha 1 (uma) quota. Em 31/03/2000 foi promovida a primeira alteração contratual da 1B2B, onde o sócio quotista Robson Goulart Barreto cede e transfere a totalidade das suas 999 quotas para a Bitel pelo valor de R$ 999,00. Nessa mesma data, os sócios quotistas resolvem promover o aumento do capital social de R$ 1.000,00 para R$ 673.262.640,00, com emissão de 673.261.640 novas quotas; que foram totalmente subscritas e integralizadas pela Bitel nesta data, mediante a conferência de 64.405.151.125 ações de emissão da TNC, no valor de R$ 673.262.640,00, tendo, portanto o Sr. Kenneth Gerald Clark Júnior cedido em favor da Bitel o seu direito de subscrição das novas quotas, continuando a ser detentor de apenas uma quota no valor de R$ 1,00. Os sócios quotistas, por unanimidade, resolvem transformar a sociedade em sociedade anônima, sob a denominação de 1B2B Participações S/A (“1B2B”), convertendose as 673.262.640 quotas representativa do capital social da sociedade em igual número de ações ordinárias nominativas e sem valor nominal, distribuída entre os sócios na mesma proporção anteriormente detida. Sendo assim, foi transferido o investimento (da Bitel na TNC) para a 1B2B e permanecendo na Bitel o passivo resultante da aquisição das ações da TNC no leilão de desestatização, passando a Bitel a manter, então, o controle indireto da TNC. Noutras palavras, a integralização do capital acima mencionada tornou a 1B2B subsidiária integral da Bitel. Passo 3. TNC incorpora sua nova controladora direta 1B2B Tendo em vista que o único ativo da 1B2B era o investimento detido na TNC, foi aprovada em AGE de 28/04/2000 a incorporação, e conseqüente extinção, da 1B2B pela TNC, pelo valor contábil, mediante o recebimento pelos acionistas da sociedade incorporada de ações da sociedade incorporadora. Fl. 4005DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 3.999 7 Assim, devido à incorporação, a Bitel recebeu, em substituição das ações da 1B2B, ações da TNC na mesma quantidade e espécie das ações originais, subrogandose nos mesmos direitos e obrigações, sem que tenha havido alteração no capital da TNC no momento da incorporação. Aqui a Bitel teve seu investimento de volta, porém sem o destaque do ágio, ou seja, no valor do investimento já estava contido o valor do ágio. A operação de incorporação resultou (na TNC) na constituição de um ativo diferido (ágio líquido) e em contrapartida a esse lançamento: um passivo (provisão para manutenção da integridade do patrimônio líquido) e um patrimônio líquido, na conta de reserva especial de ágio, correspondente a diferença (ágio menos provisão). Havia a previsão de que ao término de cada exercício social em que a TNC viesse a gozar do pretendido benefício fiscal da amortização do ágio, a parcela da reserva especial correspondente a tal benefício seria objeto de capitalização em proveito do acionista controlador (Bitel), ficando o respectivo aumento de capital sujeito ao direito de preferência aos demais acionistas, conforme previsto no § 1º do artigo 7°, da Instrução CVM n°. 319/1999. As quantias contribuídas pelos acionistas minoritários que exercessem os seus direito de preferência seriam transferidas diretamente ao acionista controlador. Na medida em que o pretendido beneficio fiscal da amortização do ágio fosse gerado através da redução efetiva da carga tributária nas operadoras, seriam emitidas ações da TNC para a Bitel. No plano dos registros contábeis, quando a 1B2B foi incorporada pela TNC, esta registrou um ativo diferido de R$ 600.200.535, equivalente ao montante líquido (pós amortização) do ágio pago pela Bitel na aquisição do controle da TNC, em contrapartida a conta de Patrimônio Líquido denominada “Reserva Especial de Ágio na Incorporação”. Para atender a Instrução n.° 319/99 da CVM, no momento da incorporação da 1B2B pela TNC, foi criada na incorporada uma Provisão Para a Manutenção da Integridade do Patrimônio Líquido (PMIPL) no valor equivalente a 66% do ativo diferido, tendo sido a referida reserva reduzida desse valor, a fim de evitar que a amortização do ágio causasse impacto negativo no fluxo de dividendos aos acionistas minoritários. Passo 4. Cisão da TNC mediante versão de parcelas de seu patrimônio às sociedades operadoras Após isso, foi realizada a cisão da TNC, com a transferência do ativo diferido e do caixa para as sociedades controladas, as operadoras Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe. Essa etapa foi aprovada pelo Conselho de Administração da TNC em 30/05/2000 e pela Assembléia Geral Extraordinária de cada controlada em 30/06/2000. Com a operação de cisão, o ágio (oriundo da Bitel) foi transferido para as sociedades operadoras para amortização no prazo de 60 meses, com base na expectativa de rentabilidade futura das sociedades operadoras controladas pela TNC. Passo 5. TELPE (TIM) incorpora as sociedades operadoras Em 30/01/2004, foram realizadas Assembléias Gerais Extraordinárias nas operadoras Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa, tendo sido aprovados os Protocolos e Fl. 4006DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.000 8 Justificação de Incorporação dessas sociedades pela Telpe, bem como a mudança de sua razão social de Telpe Celular S/A para Tim Nordeste Telecomunicações S/A. Argumentos fiscais para a autuação: Diante de tal situação fática, a fiscalização concluiu que os atos praticados pelas empresas objetivaram, desde o princípio, tão somente, transferir o ágio do investimento realizado pela Bitel para as operadoras, tornando possível amortizálo e, com isso, reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse passo, fundamenta a glosa da despesa com o ágio numa suposta caracterização de abuso de direito. Admite que os envolvidos reuniam as condições para amortizar o ágio após o encerramento do leilão de desestatização. Entretanto, afirma que o modo como as operações foram praticadas teria desrespeitado os limites impostos pela legislação fiscal, tornando descabida a dedução do ágio. Aduz que os atos societários realizados (operações estruturadas em seqüência) aumento de capital, cisão e incorporação tinham como única finalidade a redução da carga tributária, com o uso de empresa veículo, de modo a permitir a amortização do ágio pago no leilão de desestatização. Além do uso de empresa veículo que supostamente teria como única função transferir o ágio, destaca a prática de incorporação às avessas, a formação de ágio de si mesmo em operação envolvendo partes relacionadas e a falta de pagamento do ágio por parte das empresas 1B2B, TNC e operadoras para fundamentar a alegação de abuso de direito e a configuração de prática ilícita. Sustenta, ainda, que inexistiria pagamento em dinheiro de ágio na aquisição das ações de TNC e de Bitel por 1B2B quando da sua capitalização, única hipótese em que, segundo a legislação, se poderia cogitar da ulterior dedução da importância na determinação dos resultados tributáveis pelo IRPJ e pela CSLL. Especificamente no que toca à infração 2, acrescenta a fiscalização que foi constatado nas operadoras (Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe) diversas exclusões na apuração do lucro real (Lalur) e na base de cálculo da CSLL a título de valores referentes às parcelas do ágio já anteriormente amortizados pelas empresas Bitel e 1B2B. Nesse passo, aduz a fiscalização que os valores, já amortizados nas empresas Bitel e 1B2B até a data de transferência do ágio da TNC para as operadoras, deveriam ter sido adicionados na parte A e controlados na parte B do Lalur da Bitel e da 1B2B, cuja exclusão somente aconteceria quando da alienação do investimento (art. 426 do RIR/99). Entretanto, verificouse que esses valores, supostamente registrados na parte “B” do Lalur das empresas Bitel e 1B2B, foram indevidamente transferidos para o Lalur das operadoras. A respeito do assunto, argumenta que a legislação do imposto de renda não autoriza tal procedimento, permitindo a exclusão via Lalur apenas (i) quando da alienação do investimento pela investidora, no caso a Bitel; e (ii) nas hipóteses do art. 386 do RIR/99, onde Fl. 4007DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.001 9 há a extinção do investimento pela unificação patrimonial, ocorrida com a incorporação da investida pela investidora, ou visse versa, fato não ocorrido na situação em questão, as parcelas amortizadas passam a ter registro e controle exclusivamente contábil, não mais se admitindo controles via LALUR. No Lalur os valores excluídos foram registrados com os históricos: "Integridade do Patrimônio Líquido contas 143/21173 ou C404013086/92" ou no ano 2000 "Integridade do Patrimônio Líquido contas 143/21173 Amortização Ágio da 1 B2B/Bitel". Esclarece a fiscalização que nos anos de 2001 a 2004 no histórico "Integridade do Patrimônio Líquido contas 143/21173 ou C404013086/92" foram registradas juntamente com a parcela sob análise a reversão da Provisão para Manutenção da Integridade do Patrimônio Líquido (“PMIPL”), porém os valores relativos a essa reversão não compõem os valores glosados pela fiscalização. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a Contribuinte apresentou impugnação às fls. 2887/2931 (2555/2598 papel), acompanhada dos documentos de fls. 2932/3018 (2556/2668 papel) em que aduz, em síntese, o que segue: a) Já havia decaído o direito de a Administração Fiscal fazer exigências relacionadas à despesa supostamente indedutível por amortização de ágio, em razão do artigo 150, §4°, do CTN. As operações societárias que levaram à incidência dos artigos 7° e 8° da Lei nº. 9.532/97, permitindo a referida amortização, ocorreram no ano de 2000, enquanto os Autos de Infração foram lavrados em outubro de 2006, mais de 5 anos após. Desse modo, as exigências referentes aos anoscalendário de 2001 a 2004 são mera decorrência dos atos praticados em 2000, já decaído, devendo ser canceladas as exigências decorrentes. b) A CSLL é um tributo submetido ao regime de lançamento por homologação, fiscalizado e recolhido pela Receita Federal. Por isso seu prazo de decadência é de 5 anos, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. Não se submete ao artigo 45 da Lei n°. 8.212/91. Ademais, essa regra é contrária ao CTN. Por isso, quando da lavratura dos Autos de Infração, já havia decaído o direito de a Administração Fiscal exigir supostos créditos tributários relacionados aos anoscalendário de 1998 a 2000. c) A situação em que se encontravam as empresas Bitel e TNC permitia a aplicação do artigo 386 do RIR/99 (artigos 7° e 8° da Lei n°. 9.532/97), com o tratamento tributário nele constante, bastando a incorporação de uma pela outra. Apenas por razões de cunho societário e regulatório foi adquirida a sociedade IB2B. Com a participação dessa nova sociedade era igualmente possível a aplicação da regra fiscal. d) Não se pode falar em abuso de direito no caso, pois para isso seria necessário existir um dano efetivo para a Administração Fiscal. Todavia, o resultado fiscal advindo com a realização das operações de aumento de capital da IB2B pela Bitel, a incorporação daquela pela TNC e a posterior cisão dessa última com a incorporação nas empresas operadoras foi exatamente o mesmo que seria obtido caso tivesse havido a incorporação da TNC pela Bitel e a incorporação das empresas operadoras: o direito à amortização do ágio, nos termos e condições do artigo 386 do RIR/99. Fl. 4008DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.002 10 e) Também não há abuso de direito, pois os atos praticados não visaram exclusivamente uma economia fiscal, que poderia ser obtida na situação em que se encontravam as empresas no anocalendário 2000. Os atos praticados tiveram como causa a legislação societária, para evitar prejuízo aos acionistas minoritários. Também se procurou atender a legislação do setor de telecomunicações, com suas vedações de perda de controle, de supressão de empresa “holding” nacional e junção das empresas operadoras (esta última operação mais tarde autorizada). Por fim, ocorreu na verdade todo um amplo e longo processo de reestruturação das empresas do Grupo TIM, buscando desde o início a simplificação da complexa estrutura. A reestruturação ocorrida, portanto, seria realizada, mesmo se não houvesse o tratamento fiscal do artigo 386 do RIR/99. J) Nesse cenário, não se pode falar em abuso de direito, não sendo procedentes as alegações da Fiscalização. g) O parágrafo único do artigo 116 do CTN, incluído pela LC nº. 104/01 foi aprovado com o objetivo de combater planejamentos fiscais praticados com abuso de direito. Essa regra carece, ainda, de regulamentação, o que foi tentado com a MP n°. 66/02, mas rechaçado pelo Congresso Nacional. Logo, a Administração Fiscal não possui competência para negar efeitos a atos jurídicos conformes com as normas de direito privado, que supostamente visem obter um beneficio fiscal, quando praticados antes da promulgação da LC nº. 104/01 e enquanto ela não for regulada. h) A sucessão tributária se dá em relação aos direitos e obrigações de cunho fiscal. Assim, as empresas operadoras eram sucessoras, em razão de incorporação, inclusive em relação ao ágio amortizado contabilmente e controlado no Lalur das sucedidas, sem qualquer efeito fiscal até então. Não houve dupla utilização fiscal do ágio. Por isso, a exigência relacionada à infração 2 deve ser cancelada. i) A infração 3 é mera decorrência das infrações 1 e 2 e, como elas, deve também ser cancelada. j) As empresas sucedidas pela autuada calcularam corretamente o lucro da exploração, pois a reversão da provisão PMIPL não é uma receita nãooperacional que deva ser excluída do cálculo. Mesmo se o fosse, seria necessário, por coerência adicionar as despesas de amortização de ágio, intrinsecamente, ligadas à referida provisão. A legislação manda excluir os resultados nãooperacionais e não apenas as receitas. k) A fiscalização, em relação à infração 6, limitouse a afirmar que as empresas sucedidas pela autuada teriam deduzido antecipações de IRPJ e de CSLL que não teriam sido comprovadas. Nada demonstrou, nem provou. Não há motivação/fundamentação dos lançamentos feitos. O contribuinte foi autuado sem saber, especificamente, os motivos para tanto. Por isso, não pode apresentar defesa e demonstrar o correto recolhimento dos tributos devidos. A autuação, portanto, deve ser cancelada por contrariar o Decreto nº. 70.235/72 e a Lei nº. 9.784/99. 1) A fiscalização contrariou o artigo 132 do CTN, segundo o qual a sucessão tributária por incorporação limitase aos tributos devidos. Não é correta, assim, a imposição de multas contra a autuada, sucessora das sociedades que praticaram os atos impugnados pela Fiscalização. Ninguém pode ser punido por supostas infrações que não cometeu. Nesse sentido é a vasta jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Fl. 4009DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.003 11 m) Foi aplicada, ainda, multa isolada de 50%. Todavia, nos termos do artigo 44 da Lei nº. 9.430/96 (seja na redação dada pela MP nº. 303/06, não mais em vigor quando da intimação da autuada, seja na redação original, atualmente em vigor), essa pena é aplicada isoladamente, desacompanhada de tributos. No caso, houve aplicação juntamente com exigência de tributos e cumulada com a multa de 75%. Isso contraria o dispositivo legal e caracteriza uma duplicidade de punição, que deve ser afastada. DA REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO Em 13/12/2006, a fiscalização apresentou Relatório de Informação Fiscal às fls. 3024/3027 e 3628/3632 (2673/2076 e 3257/3261 papel), esclarecendo que por força da interpretação adotada pela Solução de Consulta Interna n°. 18 de 13/10/2006 e considerando o disposto no art. 10 da IN SRF n°. 600/2005, constatouse que a metodologia aplicada na elaboração de algumas planilhas de cálculo estavam em desacordo com o tratamento adequado e recomendado pela COSIT. A Solução de Consulta Interna n°. 18 de 13/10/2006 orienta no sentido de que no caso de compensação não homologada, os débitos de IRPJ ou CSLL estimativa não devem ser glosados para apuração do imposto a pagar no saldo de ajuste anual. Dessa forma, para assegurar a correta aplicação da Solução de Consulta mencionada e para observar a uniformidade de tratamento entre o critério adotado nos autos de infração e a metodologia a ser aplicada nos diversos processos de DCOMP em andamento, a fiscalização procedeu a revisão de ofício do lançamento, acatando as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL declaradas em DCOMP objeto de compensação nãohomologada para efeitos de apuração do IRPJ e da CSLL. Ou seja, as estimativas mensais de IRPJ e da CSLL declaradas em DCOMP, objeto de compensação nãohomologada e que por força da Solução de Consulta citada foram acatadas nesta revisão para efeitos de apuração do IRPJ e da CSLL, serão tratadas em processos específicos e objeto de cobrança espontânea. Os pagamentos de estimativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados nesta revisão para dedução, respectivamente, do IRPJ e da CSLL devidos no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme disposto no art.10 da IN n°. 600/2005. Já os débitos declarados em DCOMP para compensação com tais créditos serão objeto de nãohomologação e também de cobrança espontânea. A revisão dos valores inicialmente lançados no tocante às infrações 6 e 7, implicou em crédito tributário inferior ao lançado inicialmente. Em manifestação, a autuada afirma que a revisão do lançamento confirma o que foi aduzido na peça impugnatória no sentido de que as exigências relacionadas aos itens 6 e 7 não possuíam adequada fundamentação e nem mesmo simples explicações que possibilitassem saber qual suas origens e motivo. Afirma que a diminuição dos valores deveria ser motivada pelo cancelamento definitivo das exigências e não por sua transposição para outros processos. Assevera a empresa que não tem condições de avaliar o efeito da transposição de valores, pois segundo o próprio Relatório de Ação Fiscal serão cerca de 160 Fl. 4010DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.004 12 processos ao todo, e que assim, não é possível inferir se ao final haverá aumento ou não do valor da exigência total. Se houver aumento, afirma que haverá violação aos artigos 145 e 149 do CTN e que nesse caso as novas exigências, constantes dos processos de compensação, deverão ser canceladas, homologandose as compensações então realizadas. Finaliza, reafirmando todas as considerações já efetuadas na impugnação. DA DECISÃO DA DRJ Em 13/12/2007, acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/REC, indeferir a preliminar de decadência do ágio e, no mérito, dar parcial provimento à impugnação, em função da procedência em parte dos lançamentos referentes ao Lucro de Exploração e a Compensação (fl. 3640/3716, 3269/3345 papel), nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURíDiCA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. O prazo decadencial nos lançamentos por homologação aplica se aos pagamentos efetuados pela contribuinte e não a seus registros contábeis. O Fisco nada poderia lançar enquanto a contribuinte não amortizasse o ágio diferido, reduzindo o lucro real tributável. LUCRO REAL TRIMESTRAL. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÔES. FALTA DE EFETIVO PAGAMENTO. DEDUÇÃO INDEVIDA. A legislação fiscal somente admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de incorporação de sociedade controladora por sua controlada, se efetivamente ocorre o desembolso do valor pago a este título, do mesmo modo que se exige o efetivo pagamento para toda e qualquer dedução pleiteada no âmbito fiscal, ainda que a incorporação realizada tenha observado os ditames da legislação societária. LUCRO DE EXPLORAÇÃO. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO E PROVISÃO PARA MANUTENÇÃO DA INTEGRIDADE DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Os benefícios fiscais de redução e isenção do imposto são calculados sobre o lucro da exploração decorrente exclusivamente da atividade que se deseja incrementar. Neste sentido a amortização do ágio e a baixa da PMIPL não devem afetar o lucro de exploração da empresa. Fl. 4011DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.005 13 MULTA DE OFÍCIO. SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.. A incorporadora é responsável pelo pagamento da multa de ofício decorrente de infração atribuída à incorporada, mormente se sucessora e sucedida têm em comum a mesma controladora. A multa de lançamento de ofício aplicase à sucessora por infração cometida pela sucedida, ainda que apurada após a sucessão. MULTA PROPORCIONAL NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA COM MULTA ISOLADA. A exigência do lançamento de multa isolada pela falta ou insuficiência do recolhimento de antecipações mensais não constitui impedimento para a exigência concomitante de multa proporcional na hipótese de se apurar na mesma ação fiscal que houve falta ou insuficiência de recolhimento do tributo devido no ajuste anual. MULTA ISOLADA PELO NÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A multa isolada pelo não recolhimento de estimativa, aplicada após o encerramento do anocalendário respectivo, se encontra prevista de forma expressa na legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998, 2000 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Lançamento Procedente em Parte DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a Contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 3756/3795 (3384/3423 papel), repisando os argumentos de suas peça impugnatória e acrescentando novos. Destacamse os seguintes: Infração 1 A questão do “ágio interno” não se põe no caso em exame, já que não há pagamento de ágio entre as sociedades do grupo TIM. Tampouco a formação de nova mais valia em operações intragrupo. Pelo contrário, o ágio corresponde à maisvalia desembolsada Fl. 4012DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.006 14 em favor da União na desestatização do setor (transação entre partes independentes com substrato econômico). Justamente por isso, o grupo TIM atendia os pressupostos dos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97 para a fruição da amortização do ágio antes mesmo de implementar os negócios impugnados pela fiscalização. Assim, caso ocorresse a incorporação de TNC e das operadoras pela Bitel (ou viceversa), a sucessora poderia amortizar o ágio no seu resultado, atingindo os propósitos das disposições legais. No entanto, a incorporação da TNC e das operadoras pela Bitel (ou vice versa) era inviável por razões extratributárias, de cunho societário e regulatório, tais como: A) Abuso de poder de controle: A prática de operação na forma descrita acarretaria prejuízo aos minoritários, violando normas societárias, pois, como a Bitel adquiriu o controle mediante a assunção de passivo para com a União, a incorporação implicaria que referida dívida de interesse exclusivo do controlador fosse atrelada ao próprio negócio e suportada pela sucessora, prejudicando os demais acionistas, com reflexo patrimonial negativo a todos os minoritários. Em consequência, a amortização do ágio pela aquisição de controle de TNC reduziria o seu próprio resultado, diminuindo os dividendos pagos aos minoritários. B) A operação acima descrita, se implementada, violaria o art. 117, § 1°, “b”, da Lei das S/A e os arts. 15 e 16 da Instrução CVM nº. 319/99. Como consequência, os controladores ficariam obrigados a indenizar a TNC pelos danos causados (Lei das S/A, art. 246) e sujeitos às penalidades previstas na Instrução CVM nº. 319/99 e nos incisos III e VIII do art. 11 da Lei nº. 6.385/76 (caracterização de exercício abusivo de poder de controle). C) Perda do poder de controle – Violação à Lei Geral de Telecomunicações LGT (Lei nº. 9.472/97): Caso a Bitel incorporasse a TNC, o controlador da Bitel perderia a participação na maioria absoluta do capital, na medida em que seria emitido um número inferior de ações em substituição a esse bloco, em comparação com a participação antes detida pela Bitel, por conta da transferência do passivo pela aquisição do controle, resultando assim numa participação inferior a 50% do capital para tal bloco de acionistas. Isso, além de não ser do interesse empresarial do controlador, implicaria violação ao art. 202 da LGT que veda a transferência do controle das operadoras nos cinco anos seguintes ao de aquisição. D) Participação do capital estrangeiro de forma direta em operadora de telefonia: Caso Bitel, TNC e as operadoras de telefonia fossem reunidas em uma só sociedade, a controladora da pessoa jurídica resultante passaria a ser sociedade não residente. A medida configuraria transgressão ao Decreto 2.617/98 (art. 1º), que impõe a obrigatoriedade de que a detentora da maior parte do capital de concessionária de serviços de telecomunicação seja residente no Brasil. E) Transferência de outorgas de serviços concedidos com inobservância das determinações da ANATEL: Para a Agência, a reunião de concessionárias do serviço de telecomunicação celular em uma só empresa somente poderia ocorrer 5 anos após a entrada em vigor da LGT, pois caracterizaria transferência dos contratos de concessão do SMC. Tanto que a reunião de operadoras de celular só foi admitida quando da edição de ato que as incentivava a migrarem do SMC para o SMP (Resolução ANATEL 254/01, item 7.2.1). Assim, para que pudesse haver o aproveitamento fiscal do ágio sem desrespeito às normas citadas, as empresas do grupo TIM deveriam proceder de uma forma tal Fl. 4013DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.007 15 que a incorporadora e as incorporadas detivessem o ágio sem, contudo, implicar manutenção da dívida relacionada com a aquisição da participação societária e a transferência do controle da TNC. Foi o que se deu com a reestruturação societária proposta que, por fim, também criou uma estrutura mais racional e condizente com os negócios da Contribuinte. A mera incorporação da TNC e das operadoras pela Bitel (ou vice versa) implicava a prática de ato ilegal. Por isso, não pode ser tida como alternativa aos atos praticados, tal como alegaram a fiscalização e a DRJ. Se a hipótese aventada pressupunha o cometimento de ilicitude, ela não era uma opção. A reestruturação realizada era, na realidade, a única medida à disposição para o aproveitamento do ágio. Há típico exercício regular de direito. Com efeito, a motivação para a prática das operações não foi fiscal, mas extratributária. Sustenta que roteiro semelhante foi adotado pelos demais grupos econômicos (Brasil Telecom, Telefônica e Oi/Telemar, dentre outros) que participaram do processo de privatização do sistema de telefonia para viabilizar a amortização do ágio por eles pago no leilão. Dada a absoluta identidade entre as razões de decidir dos precedentes existentes e os fundamentos sustentados em suas peças recursais, indicada alguns julgados já prolatados pelo CARF, inclusive por esta egrégia turma, que acataram os fundamentos da autuada, tais como: caso TNL (Acórdão nº. 1301000.711), caso Vivo (Acórdão nº. 1101 00.354), caso CELPE (Acórdão nº. 120100.689), caso Termopernambuco (Acórdão nº. 1301 000.999), caso Santander (Acórdão nº. 140200.802), caso Consern (Acórdão nº. 140200.993), caso Energisa (Acórdão nº. 140200.409), caso Scipione (Acórdão nº. 1402001.077). Cita também precedente que analisou a própria situação da autuada, acórdão nº. 1102000.873. Igualmente, é improcedente a alegação de que o abuso estaria caracterizado em razão de, mediante o uso de “empresa veículo”, ter havido a transferência do ágio para ser amortizado por sociedade distinta daquela que poderia apropriálo. Isso porque, o resultado obtido com a reestruturação societária conduzida é, do ponto de vista fiscal, idêntico ao que seria obtido se a Bitel tivesse incorporado a TNC e as operadoras que controlava. Em qualquer dos casos, Bitel teria direito de amortizar o ágio pago na compra das ações de controle no leilão promovido pela União. Da mesma maneira, é descabida a assunção fiscal de que o ágio não seria passível de amortização por ausência de desembolso de recursos para o seu pagamento pela 1B2B. Assim é porque, segundo definição legal (Lei 9.532/97, art. 7º, III), o pressuposto à aplicação da amortização do ágio é a aquisição de participação societária com ágio e não a aquisição de participação com o pagamento (ou desembolso) de ágio. Não prospera o argumento da DRJ no sentido de que tais operações teriam sido realizadas para não acarretar a perda de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa. Isso porque, os prejuízos fiscais e base negativa existentes no ano de 2000 na Bitel (hoje com o nome de TIM Brasil Participações) permanecem até hoje, sem utilização (na verdade só aumentaram de valor, tendo ocorrido pequenas compensações, irrelevantes para o caso doc. 02 do recurso voluntário). Dessa forma, seria muito estranho um "planejamento fiscal" urdido para manter prejuízo fiscal e base negativa e, 8 anos após, permanecerem eles sem utilização, tendo aumentado de valor. Fica demonstrada, assim, a carência de suporte na realidade para as alegações da DRJ. Fl. 4014DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.008 16 A reestruturação societária que possibilitou a transferência do ágio pago para empresas operadoras foi de interesse empresarial, independentemente do benefício fiscal. Com ela, o patrimônio total e o patrimônio líquido das empresas foram aumentados. O valor contábil das operadoras, expressos em seus balanços patrimoniais, se aproximou de seu valor de mercado. Isso ocorreu justamente porque os valores do ágio e do beneficio dele decorrente foram transferidos para essas empresas. Essa medida tem por efeito melhorar a capacidade da empresa, p. ex., para obter financiamentos bancários. O balanço patrimonial passa a demonstrar que ela tem uma situação econômica melhor, tornandoa atraente para investidores do mercado, facilitando eventuais propostas de aumento de capital ou lançamento de debêntures. Além disso, como referido, os atos de integralização de capital e posterior incorporação foram apenas etapas iniciais de uma ampla reorganização de todo o Grupo TIM. Após a participação no processo de privatização e aquisição de várias empresas, o Grupo TIM passou a ser composto por 17 (dezessete) sociedades, sendo 11 (onze) de capital aberto. Tratavase, portanto, de uma estrutura complexa, ineficiente e cara. Nada mais natural e empresarialmente adequado do que procurar a simplificação dessa estrutura, de modo a reduzir custos variados e alcançar economias possíveis, independentemente de qualquer beneficio de cunho fiscal. Essa reestruturação foi feita, tanto que o Grupo TIM passou a estar composto apenas 4 sociedades, sendo somente 1 (uma) de capital aberto. A DRJ, porém, alega que não teria havido, na incorporação das empresas operadoras, celeridade presente na transferência do ágio da empresa Bitel para elas. A concentração das operadoras na Telpe teria ocorrido quatro anos após a conclusão do processo de transferência do ágio, sendo que ele seria possível a partir de julho de 2002, como decorrência de regras da ANATEL. O argumento de que o Grupo TIM não teria dado continuidade ao seu processo de reestruturação não procede. Na realidade, nesse intervalo de tempo ocorreram outras operações societárias visando a simplificação da estrutura organizacional do Grupo. Foi dada prioridade a outros "braços" do Grupo, como o das empresas da Região Sul do País (TIM Sul) (doc. 04 do recurso voluntário demonstra as diversas etapas da reorganização realizada). Assim, no período entre julho de 2002 (a partir de quando a incorporação entre as empresas operadoras na Região Nordeste poderia ocorrer) e janeiro de 2004 foram praticadas a incorporação das empresas Telepar, CTMR e Telesc, a incorporação da TIM Brasil S/A pela Bitel e a venda da empresa Blah! pela TND, TSU, TIM Brasil e Maxitel para a TIM International. Após, outras operações foram realizadas, sempre com o objetivo de reduzir a complexidade do Grupo. Após terem sido adquiridas diversas empresas públicas, nos mais diferentes Estados do País, com enorme atraso de investimentos, era compreensível que a reorganização fosse sendo feita aos poucos. Tratavase antes de conhecer as empresas, verificar a situação em que se encontravam, descobrir custos a serem reduzidos, identificar as necessidades mais prementes de investimento (época de popularização dos aparelhos celulares). Tudo isso não podia ser feito concomitantemente com uma reorganização total, em todas as empresas do Grupo. Priorizouse a reorganização das empresas Região Sul e, após, as do Nordeste. Por isso houve um intervalo de tempo entre primeiros atos societários envolvendo as empresas sucedidas pela Recorrente e incorporação de janeiro de 2004. Fl. 4015DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.009 17 Nesse contexto, afirma, ainda, que caso fosse possível superar as assertivas até o momento expostas acerca da impossibilidade de se qualificar as operações praticadas como abusivas, ainda assim as autuações fiscais devem ser declaradas improcedentes, porque a Fiscalização desconsiderou as operações praticadas, sem, contudo, requalificálas. Contudo, no caso concreto, as conseqüências fiscais da operação direta incorporação da TNC pela Bitel seriam rigorosamente as mesmas da operação indireta praticada incorporação da 1B2B Participações pela TNC: a amortização do ágio pago. Possivelmente por isso, o voto vencedor da decisão DRJ tentou negar a necessidade de desconsideração e requalificação dos supostos atos abusivos praticados. Infração 2 Não procede a alegação de que teria ocorrido uma amortização do ágio em duplicidade, pois teriam sido excluídas do lucro real e da base de cálculo da CSLL valores referentes às parcelas de ágio já anteriormente amortizadas pela Bitel e 1B2B. No período anterior à incorporação da 1B2B Participações, houve a amortização de parte do ágio para fins meramente contábeis, seguindo as determinações da contabilidade. Não houve, porém, amortização para fins fiscais e tal ágio amortizado contabilmente foi controlado na Parte B do Lalur, nos termos do que determina a legislação fiscal. É que em tais anos ainda não havia se dado a reunião entre a investidora e as investidas mediante fusão, cisão ou incorporação exigida pela legislação. Aliás, justamente por essa razão é que a sua amortização contábil foi registrada na parte B do LALUR, a fim de ser levada ao resultado fiscal apenas quando atendidos os pressupostos dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Além disso, a fiscalização incidiu em erro ao computar um valor superior em relação ao IRPJ da empresa Telpe. Essa contribuinte considerou como exclusão, em relação a este item, o valor de R$ 4.959.145,41, enquanto a fiscalização adotou como valor tributável a quantia de R$ 7.128.197,44. Isso representa uma exigência a maior a partir do montante de R$ 2.169.052,03. Logo, independentemente do restante, essa exigência deve ser afastada. Infração 3 Tratase de infração decorrente das demais. Assim, sendo improcedentes as demais infrações, esta também o será. Infração 4 Por fim, no que toca ao recurso de ofício, afirma que a fiscalização concluiu que a amortização de ágio teria impactado o lucro da exploração da Contribuinte. O efeito imaginado teria por origem a baixa da Provisão para Manutenção da Integridade do Patrimônio Líquido – PMIPL (formada por determinação da Instrução CVM 319/99, art. 6º). De acordo com a acusação fiscal, a baixa da PMIPL deveria ser classificada como receita não operacional, ao invés de operacional, como feito pela Contribuinte. Ela não poderia afetar o lucro da exploração, posto que seu objetivo restringese a permitir que o ativo diferido formado com o ágio seja registrado pelo valor líquido do benefício que proporciona Fl. 4016DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.010 18 (redução do IRPJ e da CSLL), a fim de não causar prejuízo no fluxo de dividendos aos minoritários. Para determinar o crédito tributário exigido, a fiscalização excluiu a receita contábil de PMIPL do lucro líquido. Isso fez diminuir a parcela utilizada para fins de identificação do resultado incentivado (“lucro da exploração”, cujos contornos estavam resumidos, à época, no art. 57 da IN 267/02). A diferença de IRPJ verificada entre um e outro procedimento foi lançada acompanhada de multa e juros. Independentemente de a PMIPL integrar a receita operacional (como fez a Recorrente) ou não operacional (como alega a fiscalização), o fato incontroverso é que o procedimento adotado para cálculo do crédito tributário incide em contradição com as próprias razões expostas para concluir pela identificação da infração. Tanto que a percepção da inconsistência descrita serviu de motivação à DRJ para cancelar o crédito tributário. Com efeito, se é certo que a PMIPL serve apenas para fins societários, isso significa que ela é neutra para fins fiscais. Sendo assim, a fiscalização deveria não só retirar a receita com a baixa PMIPL do lucro líquido para cálculo do lucro da exploração, a exemplo do realizado, como também estava obrigada a adicionar a despesa com a amortização de ágio ao resultado líquido (correção que deixou de proceder). O último registro descrito levaria ao aumento do lucro líquido e, por conseguinte, do lucro da exploração. Com isso, ficou patente o tratamento dispare para os dois lados da mesma situação. A amortização do ágio que, como despesa, diminuía o lucro da exploração, não foi corrigida pela fiscalização. Já a baixa da PMIPL, por gerar o aumento do lucro da exploração e do incentivo, foi autuada. Ou seja, o que aumentava a arrecadação foi aceito e o que a diminuía ignorado. Identificada a inconsistência no trabalho fiscal, a DRJ concluiu (corretamente) por declarar a improcedência de tal parcela do crédito tributário. Inclusive os reflexos em geral de tal decisão devem ser acolhidos. Ou seja, não só há cancelamento da exigência feita a partir deste item, como também deve ser verificado o montante recolhido a maior pelas empresas por terem incluído no cálculo do lucro da exploração não só a receita da baixa da PMIPL, como também o montante superior da despesa da amortização de ágio. Com isto é aumentado o valor do beneficio do lucro da exploração, cuja fruição deve ser garantida à Recorrente. De outro lado, porém, não está correto acórdão recorrido quando manteve parte da exigência relacionada à Teleceará, por alegadamente estarem equivocados os cálculos feitos em relação ao lucro da exploração desta empresa. Foi correta a apuração feita pela empresa do beneficio baseado no lucro da exploração. Deve, por isso, ser alterada nesta parte a decisão da DRJ. Infração 5 Tratase aqui de glosa relacionada ao anocalendário de 1998. Por isso, tal exigência já havia sido alcançada pela decadência, consoante determina a Súmula Vinculante nº. 08 do STF. Infração 6 Fl. 4017DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.011 19 A Contribuinte apontou, quando da impugnação, que essas exigências não foram fundamentadas adequadamente. A Fiscalização deveria ter apontado especificamente em quais pontos residia sua discordância com o procedimento das empresas sucedidas pela Contribuinte como fez em relação aos demais itens da autuação. Havia apenas a afirmação, genérica, de que teriam ocorrido deduções indevidas indicadas em planilhas. Tal procedimento impedia a verificação, por parte da contribuinte, de quais acusações lhe foram feitas, impossibilitando sua defesa. O Auto de Infração nesses termos deveria ser cancelado, pois a Administração tem a obrigação de buscar a verdade material, e para tanto deve investigar, diligenciar, demonstrar e provar o fato jurídico tributário e, após, motivar/fundamentar seu ato. Após a impugnação, a DRF expediu um Relatório de Informação Fiscal, por meio do qual realizou uma revisão de ofício, retirando a cobrança de vários valores do presente processo, para serem exigidos em processos apartados de compensação. Contudo, a DRF voltou a incidir na mesma falha da autuação: fazer exigências sem dar uma fundamentação suficiente, capaz de dar condições a defesa. A DRJ não fez referência às duas manifestações da Recorrente, limitandose a transcrever a Solução de Consulta Interna n°. 18/06 com adição de argumentos, sem, contudo, sanar os vícios do trabalho da fiscalização, que autuou indevidamente. Assim, impõe se o cancelamento da exigência, face a falta de motivação. Multas e juros Repisa os argumentos contra a aplicação da multa de oficio nos casos de sucessão, da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa e inova contestando a cobrança de juros sobre multa de ofício. MEMORIAIS DA FAZENDA NACIONAL A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões 3961/3982 (fls. 3589/3611 papel) sustentando as seguintes razões para o desprovimento do recurso voluntário: 1) Embora a aquisição da empresa TNC pelo consórcio formado pela Bitel e pela UGB, tenha ocorrido em 27/07/1998, e a compra da participação societária da UGB na TNC pela Bitel tenha ocorrido em março de 1999, momentos em que o respectivo ágio foi contabilizado na empresa adquirente, a amortização do ágio a que se referem os lançamentos somente afetou diretamente os pagamentos de IRPJ realizados pela empresa a partir do ano calendário de 2001. Tendo a empresa optado pelo lucro real anual, a data do fato gerador mais remoto de IRPJ é a de 31/12/2001, e a decadência, neste caso, somente ocorreria a partir de 31/12/2006. 2) Quanto à CSLL, contudo, o mesmo não se pode afirmar, considerando que foram efetuados alguns lançamentos fora do prazo de 5 (cinco) anos a partir dos correlatos fatos geradores. 3) A dedutibilidade do ágio amortizado é benefício fiscal que se restringe às hipóteses previstas em lei, não se permitindo ao aplicador da lei fazer interpretações extensivas de modo a desvirtuar o objetivo legal da norma. Fl. 4018DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.012 20 4) O fato de a 1B2B ter como patrimônio apenas as ações da TNC, transferidas sem qualquer contrapartida, o fato de servir como uma "empresa veículo", bem como o fato de as operações societárias terem sido realizadas de maneira estruturada e em curto espaço de tempo, dentre outros indícios, demonstram não ter havido qualquer justificativa fáticonegocial para as operações realizadas. 5) Conforme destacou o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, consta no protocolo e Justificação da Incorporação da 1132B pela TNC que o objetivo principal da incorporação era o aproveitamento pela incorporada e suas controladas do benefício fiscal representado pela despesa de amortização de ágio (fls. 270 Volume II). Em outra oportunidade, a fiscalização segue relatando que consta do Fato Relevante, de 11/04/2000, publicado pelas empresas 1B2B e TNC, em seu item 4, que, em virtude da incorporação em tela, o grupo econômico da TNC terá a possibilidade de obter economias fiscais oriundas da amortização do ágio. É dizer que toda a reorganização societária teve como único propósito a redução de sua carga tributária. 6) Autoorganização societária é um direito do contribuinte. Contudo, para que ela possa ser oposta ao fisco, deve estar embasada em causas reais, ligadas ao desenvolvimento da empresa. Por outro lado, quando fundada unicamente em causas fiscais e em desacordo com o perfil objetivo no negócio, como ocorre na hipótese dos autos, ela assume um caráter abusivo, podendo o fisco desqualificar e requalificar o ato. 7) Qualquer ilação acerca da licitude das operações sob o ponto de vista tributário, pelo simples fato de a ANATEL ter anuído, deve ser rechaçada. Não há como serem aceitas as operações societárias realizadas pela Contribuinte, tendo em vista os indícios de fraude e simulação que permeiam as mesmas, vez que praticada sem qualquer propósito negocial plausível. 8) A norma estabelece a responsabilidade dos sucessores pelos “créditos tributários”, o que certamente, engloba as penalidades tributárias. Dessa forma, deve ser mantida a multa de ofício. 9) Em virtude de se tratarem de infrações distintas, a multa de ofício aplicada isoladamente pela falta de recolhimento de estimativa, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. 10) nada há que afaste a incidência da taxa Selic sobre débitos de qualquer natureza devidos à União, o que inclui a multa de ofício. A Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões às demais infrações objeto dos presentes autos. É o Relatório. Fl. 4019DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.013 21 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. PRELIMINARES Decadência do ágio em relação à exigência advinda de despesa não dedutível por amortização de ágio (e das infrações decorrentes) Inicialmente, no que tange à alegação de preclusão da possibilidade do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio, cabe tecer algumas considerações. A Recorrente alega que as operações societárias que levaram à incidência dos artigos 7° e 8° da Lei nº. 9.532/97, permitindo a amortização do ágio, ocorreram no ano de 2000, enquanto os Autos de Infração foram lavrados em outubro de 2006, ou seja, depois de decorridos mais de cinco anos da apuração do ágio. Desse modo, uma vez que as exigências referentes aos anoscalendário de 2001 a 2004 são mera decorrência dos atos praticados em 2000, já decaído, deveriam ser canceladas. Posto isso, a controvérsia preliminar destes autos cingese em saber qual a data inicial para contagem do prazo decadencial do ágio, se (i) na data em que ocorre a aquisição de participação societária, (ii) na data da incorporação que permite legalmente o início da amortização do ágio, ou (iii) na data de sua primeira parcela amortizada. E, mais do que isso, consiste em saber se os atos societários perpetrados pela contribuinte, cujos valores foram contabilizados a mais de cinco anos, podem ou não ser revistos pela fiscalização, se causarem reflexos na contabilidade atual. No mais, parece claro que ao caso aplicase o artigo 150, § 4º do CTN. Como se sabe, os tributos sujeitos ao lançamento por declaração impõe ao fisco a necessidade de ulterior homologação do lançamento, como atividade exercida pelo sujeito passivo. Por conta disso, quando o contribuinte efetua pagamento antecipado, contase o dies a quo do prazo quinquenal a partir da ocorrência do fato gerador. Pois bem. O artigo 114 do CTN estabelece como fato gerador da obrigação principal "a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência." Logo, está claro que para a ocorrência do fato gerador da obrigação é necessário: (i) a situação de fato e (ii) a norma aplicável ao fato. Sobre o conceito de fato gerador, diversos doutrinadores já se debruçaram e apresentaram suas críticas. Paulo de Barros Carvalho assevera que esse termo é acompanhado de enorme vício de linguagem já que alude, em um só tempo, a duas realidades distintas, quais Fl. 4020DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.014 22 são: (i) a descrição legislativa do fato que faz nascer a relação jurídico tributária; e (ii) o próprio acontecimento relatado no antecedente da norma individual e concreta do ato de aplicação. Assim, essa expressão pode parecer, em princípio, um obstáculo de ordem semântica, mas não deve, contudo, dificultar nossa análise. É necessário, apenas, ter em mente que, em virtude da nossa legislação, o "fato gerador" deve ser encarado como o momento em que ocorre a subsunção do fato à norma. Nessa linha de raciocínio, o artigo 116 do CTN define quando se considera ocorrido o fato gerador. Vejamos: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. A situação de fato é aquela concretizada no nível das realidades materiais, também chamada de "mundo fenomênico". Essa situação de fato, se relatada no antecedente de uma norma individual e concreta, fará irromper o vínculo abstrato que o legislador estipulou na consequencia (efeitos), podendo ser então chamada de situação jurídica. Com relação a este dispositivo em específico, o citado doutrinador Paulo de Barros Carvalho tece algumas considerações que confio serem pertinentes à nossa análise. Dessa forma, passo a transcrever: Da forma como prescreveu (o art. 116), parece até admitir que existam conjunturas de fato, disciplinadas pelo direito, mas que, mesmo assim, não podem ser consideradas situações jurídicas. É de ciência certa a afirmação de que uma circunstância de fato, prevista em norma do direito positivo, será sempre um fato jurídico, quer em sentido lasso, quer em acepção estrita, pois consiste num acontecimento, em virtude do qual as relações de direito nascem e se extinguem, no conceito de Clóvis Beviláqua. E não nos deparamos, ainda, com a discordância de qualquer autor, no que repita a esse ensinamento. Sobre ele há absoluta unanimidade. (pg. 271, Curso de Direito Tributário, 13. ed. rev e atual. São Paulo: Saraiva,2000.) Pretendeuse demonstrar com a passagem transcrita que, tanto a situação do inciso I do art.116, quanto a do inciso II constituem situações jurídicas tecnicamente falando, pois inexistem conjunturas de fato disciplinadas pelo direito que não possam ser consideradas situações jurídicas. Fl. 4021DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.015 23 Com efeito, podemos assinalar que o fato gerador do ágio, tratandose de situação jurídica, considerarseá ocorrido, desde o momento em que esteja definitivamente constituído, nos termos de direito aplicável. Noutras palavras, acerca da subsunção do conceito de fato ao conceito de norma é possível dizer que houve a subsunção, quando o fato (fato jurídico tributário) guardar absoluta identidade com o desenho normativo da hipótese (hipótese tributária, construção de linguagem prescritiva geral e abstrata). Passo então a analisar os desenhos normativos aplicáveis à hipótese. A primeira observação a ser feita é de que os ágios e deságios fazem parte do regramento do sistema de avaliação de investimentos permanentes em pessoas jurídicas controladas e coligadas, que se denomina “método da equivalência patrimonial” (MEP), instituído no ordenamento jurídico brasileiro com a Lei nº. 6404/1976. Muito embora esse método tenha surgido com a lei societária, essa lei limitouse a determinar os casos em que ele é obrigatório e não há nela uma só palavra relativa a ágio ou deságio no MEP. Ágio e deságio são entes que surgiram expressa e especificadamente no ordenamento pelas leis fiscais, precisamente, com o advento do Decretolei nº. 1598/1977, nos art. 20 e seguintes. Nessa toada, vejamos como o Decretolei nº. 1598/1977 regulamenta o assunto: Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. Parágrafo 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. Parágrafo 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Fl. 4022DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.016 24 Parágrafo 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras ‘a’ e ‘b’ do parágrafo 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Assim é que, face a mandatória redação do art. 20 (“deverá, por ocasião da aquisição”) quando o investimento for sujeito obrigatoriamente ao MEP, no momento da sua aquisição também é obrigatório o desdobramento do respectivo custo. Posteriormente, em virtude do art. 8º, letra “a”, da Lei nº. 9532/1997, o mesmo desdobramento se torna obrigatório para os investimentos não sujeitos ao MEP, nos casos de pessoas jurídicas que passem por processos de reorganização societária previstos nessa lei, senão vejamos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei n. 1598, de 26 de dezembro de 1997: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea ‘a’ do parágrafo 2º do art. 20 do Decretolei n. 1598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea ‘c’ do parágrafo 2º do art. 20 do Decretolei n. 1589, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea ‘b’ do parágrafo 2º do art. 20 do Decreto lei n. 1598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea ‘b’ do parágrafo 2º do art. 20 do Decretolei n. 1598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Parágrafo 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. Parágrafo 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: Fl. 4023DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.017 25 a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. Parágrafo 3º O valor registrado na forma do inciso II do ‘caput’: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. Parágrafo 4º Na hipótese da alínea ‘b’ do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. Parágrafo 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Sendo assim, o desdobramento do custo de aquisição em valor de equivalência patrimonial e ágio ou deságio não é uma conveniência do contribuinte, já que a lei expressamente o obriga a proceder à separação entre o custo avaliado por equivalência e o ágio ou deságio. Ora, entendo com isso, estarmos diante da precisa subsunção do fato à norma. Tanto na participação societária (no caso de empresas obrigadas ao MEP), quanto na ocorrência dos eventos de incorporação, fusão ou cisão (no caso de empresas não obrigada ao MEP) verificase uma situação de fato que se subsume a uma norma jurídica tributária posta. Ambas as situações estão relatadas no antecedente de uma norma individual e concreta, e, portanto, desde o momento em que estejam definitivamente constituídas considera se ocorrido o fato gerador. Fl. 4024DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.018 26 Forçoso concluir que, o fato gerador (entendido como subsunção do fato à norma) do ágio ou deságio para empresas obrigadas ao MEP ocorre no momento em que definitivamente concluída a aquisição de participação societária, quando nasce legalmente a obrigação de se desdobrar o preço pago. É nessa situação em que o fato (aquisição de participação societária) subsume a norma do art. 20 e produz efeitos, obrigando o contribuinte a contabilizar o ágio ou deságio e seu fundamento econômico. Na data em que a aquisição de participação societária de fato ocorre quando consignada a tradição das mesmas é que nasce o ágio a ser registrado contabilmente. Lembrando que o contribuinte poderá tornarse obrigado ao MEP em razão da própria aquisição de participação societária. Nesses casos, se na data da aquisição de participação societária a empresa tornarse obrigada pela legislação vigente a registrar o investimento adquirido pelo MEP, estará consequentemente obrigada a desdobrar o preço pago, e, assim, diante do fato gerador do ágio ou deságio. Na mesma linha de raciocínio, o fato gerador (entendido como subsunção do fato à norma) do ágio ou deságio para empresas até então não obrigadas ao MEP ocorre no momento em que definitivamente concluídos os eventos de incorporação, fusão ou cisão, quando nasce legalmente a obrigação de registrar o ágio ou deságio apurado e o seu fundamento. A propósito, cabe lembrar, aqui, que o ágio ou deságio nada mais é que a diferença entre o valor pago e patrimônio líquido adquirido, portanto, efeito oriundo do desdobramento do pagamento realizado. Daí porque sua origem está intrinsecamente relacionada à ocorrência da situação de fato que, em virtude de norma jurídica tributária, obrigue o contribuinte a desdobrar contabilmente o pagamento realizado. O ágio existe no momento em que sua contabilização tornase obrigatória por força de lei, seja em razão de aquisição de investimento, seja em razão dos eventos de incorporação, fusão ou cisão. Há mais uma observação relevante a ser feita, apontada em estudos por Ricardo Mariz de Oliveira que, no mais das vezes, é simplesmente ignorada por alguns intérpretes ou aplicadores da lei: a finalidade legal do desdobramento do custo de aquisição, com a determinação de ágio ou deságio. A disposição mandatória das leis supracitadas tem como finalidade o desdobramento do preço pago para apuração de ágio ou deságio, tanto porque algumas espécies de ágio podem ser amortizadas fiscalmente, senão porque a amortização de deságio é sujeita à tributação. Logo, se estamos diante de uma norma jurídicotributária que impõe obrigação principal, quando se trata de deságio, o conteúdo da norma representa uma imposição tributável. Ou seja, é nesse momento que o Fisco deve avaliar se a contabilização do ágio ou deságio está correta, de forma a exigir ou não, dependendo do caso, a cobrança do imposto sobre a base tributável. Fl. 4025DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.019 27 Assim, tanto o valor apurado de ágio ou deságio como a natureza do ágio registrado na contabilidade devem ser avaliados no momento em que verificada a situação de fato que imponha a incidência dos dispositivos legais supramencionados e o consequente desdobramento do preço pago. A relação jurídicotributária de crédito, no caso do ágio, está sujeita à homologação pelo Fisco desde o momento em que o contribuinte desdobra o preço pago. Nesse passo, nem se alegue que o fato gerador do ágio ocorre com a sua amortização, já que a ocorrência do ágio elemento contábil nada tem a ver com a possibilidade de amortização do mesmo. A concessão de vantagens fiscais, quando se trata de determinados tipos de ágio, não pode ser encarada como finalidade da norma que institui decomposição mandatória do preço pago. A possibilidade de estarmos diante de base tributável é que justifica a necessidade de decomposição do preço pago. Mesmo porque, como a própria norma dispõe, o contribuinte "poderá" amortizar o ágio pago cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n°. 1.598/1977 e "deverá" amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do Decretolei n.º 1.598/1977. Voltando ao caso concreto, verificamos que a Bitel estava obrigada ao MEP no anocalendário 1998 e 1999, em virtude da aquisição de participação societária na TNC, por força do que dispunha o art. 248 da Lei nº. 6404/1976. Vejamos a redação do artigo há época: Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos relevantes (artigo 247, parágrafo único) em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, e em sociedades controladas, serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido, de acordo com as seguintes normas: I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente; somente será registrada como resultado do exercício: Fl. 4026DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.020 28 a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. § 1º Para efeito de determinar a relevância do investimento, nos casos deste artigo, serão computados como parte do custo de aquisição os saldos de créditos da companhia contra as coligadas e controladas. § 2º A sociedade coligada, sempre que solicitada pela companhia, deverá elaborar e fornecer o balanço ou balancete de verificação previsto no número I. Ou seja, no momento em que a Bitel adquiriu participação societária na TNC, passou a ser sua controladora. Com isso, viuse legalmente obrigado a registrar sua participação na TNC pelo MEP, com o desdobramento do preço pago (conforme dispõe o art. 20 do Decretolei nº. 1598/1977). Sendo assim, o ágio pago pela Bitel nasceu nas datas da aquisição de participação societária da TNC – em julho/1998 e fevereiro/1999. É de se convir que a partir dessa data os fatos passaram ao conhecimento da autoridade fiscal e a partir desse momento já era possível proceder ao lançamento ou questionamento acerca da fundamentação do ágio registrado. Diante disso, não poderia ser questionado o ágio em análise, já que decorridos mais de 5 anos entre o seu surgimento (julho/1998 e fevereiro/1999) e a ciência dos autos de infração (30/10/2006). Outrossim, e por consequência de ser assim, o entendimento jurisprudencial deste Conselho é no sentido de que a adição de valores futuros tidos como indedutíveis a períodos passados e alcançados pela decadência não pode ser admitida, já que se equipara a lançar valores naquele período. Vejamos algumas decisões nesse sentido: DECADÊNCIA ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO GLOSA NO APROVEITAMENTO A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido. DECADÊNCIA CONTAGEM DE PRAZO REALIZAÇÃO MÍNIMA DO LUCRO INFLACIONÁRIO APLICAÇÃO DA SUMULA N. 10 O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Fl. 4027DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.021 29 Na íntegra: (...) No que diz respeito à glosa do prejuízo fiscal, sustentou a recorrente que o prejuízo foi efetivamente apurado a maior em decorrência de erro no cálculo do seu valor em 1997, em função de ter sido a ele adicionado também o montante do prejuízo não operacional, adição essa que a recorrente reconhece ser vedada pelo disposto no artigo 511 do Regulamento do Imposto de Renda. Ocorre que essa adição não poderia ser questionada pela fiscalização em função do decurso do prazo decadencial. Com efeito, o valor do prejuízo fiscal, compensado a maior nos anos calendário de 2001 e 2002, foi apurado no ano calendário de 1997. Como o auto de infração foi lavrado em 07 de dezembro de 2005, já teria ocorrido a decadência do direito de o fisco revisar os valores em questão. (...)Tenho para mim que a razão está com a recorrente. Isso porque, a meu ver, a decadência é algo que atinge todo o conjunto de informações que compuseram a atividade do lançamento efetuado em determinado período e que consta nos livros e documentos que integram a escrituração fiscal da empresa. O período atingido pela decadência, portanto, toma imutáveis os lançamentos feitos nos livros fiscais, não podendo ser mais alterados, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. (...) Essa questão, aliás, não é nova na jurisprudência administrativa. Vários precedentes já foram apreciados e o entendimento desta Corte é no sentido sustentado pela recorrente. Assim, é firme a orientação jurisprudencial que a contagem do prazo decadencial deve ter início na data em que o prejuízo é apurado A partir dessa data, tem o fisco cinco anos para verificar os critérios utilizados na quantificação do valor do prejuízo e questionar a forma como ele foi apurado Passado esse prazo, o fisco não pode mais glosar o valor compensado. (Acórdão 10809.621, Relator João Francisco Bianco, DOU em 07.11.2008). RECURSO EX OFFICIO — DECADÊNCIA — EFEITOS — O alcance das regras de decadência previstas no CTN, não só obsta o direito de o Fisco constituir o crédito tributário de período já precluso, como também, o de alterar informações e valores registrados em livros contábeis e fiscais, já alcançados pela homologação tácita. Homologado o crédito, por já estar extinto o direito de lançar pelo decurso de prazo previsto no CITY; homologada está toda a atividade praticada pelo contribuinte, vale dizer, todo o conjunto de informações contábeis e fiscais que a orientaram.(Acórdão 10196.265, Relator Paulo Roberto Cortez, DOU em 06/03/2008). DECADÊNCIA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSSÃO FUTURA DECADÊNCIA Glosar no Fl. 4028DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.022 30 presente os efeitos decorrentes de valores formados no passado só é possível se a objeção do fisco não comportar juízo de valor quanto ao fato verificado em período já atingido pela decadência. (Acórdão 10707.819, Relator designado Natanael Martins, DOU em 01.04.2005). IRPF REVISÃO DO PREJUÍZO FISCAL COMPENSAÇÃO A Fazenda Nacional tem o prazo de cinco anos para rever o prejuízo fiscal apurado e adequadamente declarado. Incabível a glosa da compensação do prejuízo que, oportunamente, não foi revisto pela autoridade competente. Preliminar acatada.(Acórdão 10246.305, Relatora Maria Goretti de Bulhões Carvalho, DOU em 10/09/2004). IRPF ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA CUSTO DE AQUISIÇÃO O custo de aquisição de participação societária alienada, constante da declaração anual de ajuste do exercício de 1992, tempestivamente apresentada, não é passível de contestação, presente a decadência, prevalecendo, se maior, sobre outro que venha a ser apurado pelo fisco. Na íntegra: (...)Tratase de lançamento de ofício do imposto de renda de pessoa física fundado em ganho de capital em alienação de participações societárias ocorridas em 1995, cua tributação foi diferida para as datas dos efetivos recebimentos dos valores, fls. 03. (...)No que respeita a custo de aquisição, presente a decadência, a fiscalização não poderia questionar valores de mercado constantes da DIRPF/92, como ressaltado pela autoridade recorrida. (Acórdão 10418.701, Relator Roberto William Gonçalves, DOU em 03/09/2002). CSLL BASE NEGATIVA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA DECADÊNCIA Adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Vedação. Na íntegra: (...) No caso presente, o auto de infração foi lavrado em 24/06/99; portanto, em princípio, o último período passível de ser alcançado por lançamento de ofício seria o períodobase encerrado em 31/05/1994. Embora as exigências refiramse a fatos geradores a partir de outubro de 1994, tiveram origem em despesas indedutíveis de empresa incorporada, relatadas pelo fisco como falta de adição à base de cálculo da CSLL nos meses de fevereiro a novembro de 1993 de depósitos judiciais da COFINS, nos termos do art. 8º da Lei nº 8.541/92. A redução indevida, ou falta de adição ao lucro líquido, no dizer do fisco, não originou exigências tributárias nos períodos em Fl. 4029DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.023 31 que ocorridas, por ter a empresa, até setembro de 1994, saldo anterior de bases negativas da CSLL que foram aproveitadas de ofício. Sobre esse tema fatos que nascem ou se formam em um período e repercutem em períodos subseqüentes já expressei minha opinião em voto que proferi nesta Câmara que deu origem ao Acórdão 10706061. Lá como aqui, é preciso terse presente que adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Com efeito, a redução do resultado negativo de um período, ou o aumento do resultado positivo, pela adição de despesa, se vinculada à formação de juízo sobre a dedutibilidade ou não do dispêndio apropriado, inserindose, portanto, no campo do lançamento de ofício. (Acórdão 10706.572, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 21/06/2002) DECADÊNCIA — ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO — GLOSA NO APROVEITAMENTO — Existindo erro na apuração do prejuízo fiscal, o prazo legal da abrangência da decadência deve considerar o período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido.(Acórdão 108 06.921, Relator José Henrique Longo, em 17/04/2002). DECADÊNCIA – IRPJ – PREJUÍZOS FISCAIS – GLOSA DE DESPESAS O direito de a Fazenda Pública constituir exigências tributárias relativas ao imposto de renda das pessoas jurídicas, extinguese após cinco anos da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. A glosa de despesas, ainda que implique apenas em redução de prejuízos fiscais, por comportar juízo de dedutibilidade, não provada a existência de fraude ou simulação, está impedida pelo decurso do prazo decadencial referido. Na íntegra: (...)Como já acenado, em todas as hipóteses acima consideradas há um elemento uniforme, qual seja, temse um fato pretérito que se integra aos resultados apurados nos exercícios seguintes. Vale dizer, a repercussão atual tem origem e representa a continuação dos fatos verificados no passado. Portanto, tais fatos devem ser examinados sob duas perspectivas: no passado, no tocante à formação; no futuro, no que tange às repercussões ficais decorrentes da efetiva apropriação. O trabalho fiscal, nesses casos, pode examinar a formação pretérita do fato, mas não deve extrair e atribuir repercussão fiscal aos exercícios já protegidos pela decadência. O possível ajuste na formação desse fato, neste contexto, deve repercutir no Fl. 4030DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.024 32 exercício subseqüente, vale dizer, no momento da sua efetiva apropriação. Há, assim, um perfeito equilíbrio, pois o lançamento de ofício não invade exercício já atingido pela preclusão administrativa, como também o fato não repercute no futuro com uma formação distorcida. (...) Essas premissas, como não poderia ser diferente, devem nortear o exame da compensação do prejuízo fiscal. Todavia, neste particular, é preciso terse presente que reduzir o valor do prejuízo apurado, mediante a impugnação de valores apropriados ao resultado do período de sua formação, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele exercício. Com efeito, a redução do prejuízo fiscal de um período, se vinculada à formação de juízo sobre a dedutibilidade ou não de um dispêndio lá apropriado, ou sobre a falta de tributação de uma receita ou ganho havido no período da sua formação, inserese, portanto, no campo do lançamento de ofício. (...) Submisso às premissas colocadas e para reforçar a coerência necessária, diferente seria o tratamento quando o fisco recalcular lucro inflacionário em períodos já atingidos pela decadência, constatando, em função da ação fiscal, que o contribuinte teria realizado valores menores que o mínimo exigido nesses períodos. Ocorrendo essa hipótese entendemos que deve o fisco considerar como se realizado fosse o mínimo exigido para esse período, evitandose assim a transferência da tributação suplementar não mais possível para períodos posteriores ainda não atingidos pela decadência. Ainda nesse ponto, mas agora analisando os reflexos na recomposição do lucro real dos períodos afetados pelo recalculo do lucro inflacionário passível de diferimento, tendo em vista as premissas já referidas, não podem ser aceitas as glosas efetuadas pela fiscalização no valor excluído do lucro real, a título de lucro inflacionário diferido, nos anos de 1991 e 1º semestre de 1992. Reduzir aquelas exclusões implicam na redução dos prejuízos fiscais apurados pela empresa naqueles períodos (=lançar, como visto), o que não é mais possível face ao decurso do prazo decadencial. (Acórdão nº : 10706.061, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 28/03/2001) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS EXERCÍCIOS DE 1989 E 1990 Incabível a glosa da compensação de prejuízo com o lucro real obtido em determinado exercício, quando o referido prejuízo, apurado na demonstração do lucro real, não tiver sido objeto de revisão por parte da autoridade lançadora no prazo decadencial. Recurso provido.(Acórdão 10318.623, Relator Cândido Rodrigues Neuber, em 14/05/1997). Fl. 4031DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.025 33 Que fique claro que, em virtude da íntima relação de interdependência entre períodos de apuração, eventual glosa realizada pelo fisco não poderá refletir na composição de bases de cálculo em anoscalendário anteriores já atingidos pela decadência. Como bem se percebe de alguns julgados transcritos, a problemática ora enfrentada também é verificada, por exemplo, no âmbito das compensações de bases negativas de IRPJ e CSLL, quando se torna necessário saber se o fisco pode efetuar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas a períodos passados (atingidos pela decadência), mas que repercutem nos créditos pleiteados pelos contribuintes em períodos futuros (ainda não decaídos). Com todo respeito às opiniões divergentes, é incabível dizer que a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário ocorre com a compensação do saldo negativo (e não com a sua apuração), ou com a amortização do ágio (e não com a sua apuração). Isso porque, tratamse de efeitos futuros continuados de ato pretérito. Não pode o Fisco alterar informações e valores da contabilidade já alcançados pela homologação tácita. A esse propósito, é necessário fazer constar que, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao enfrentar a problemática da contagem do prazo decadencial de base negativa de CSLL (Acórdão 40105.873), muito embora tenha decidido que entre a formação da base de cálculo negativa e seu aproveitamento poderá transcorrer mais de cinco anos, sem que se possa alegar decadência do direito de constituir o crédito tributário, deixou consignado que assim seria, pois a fiscalização, na ocasião, não efetuou qualquer juízo de valor no tocante à formação do saldo de base de cálculo negativa, restringindose a refazer o histórico dos valores declarados pelo contribuinte e os cálculos inerentes à apuração do saldo a compensar nos anos seguintes. Reforçase, com isso, o entendimento que adoto para decidir que não é possível retroagir no tempo para, após cinco anos, alterar os lançamentos contábeis do sujeito passivo. É exatamente o caso dos autos, no qual a fiscalização, avaliando procedimento adotado na contabilização do ágio, desconsiderou os registros contábeis da contribuinte, embora essa apuração já estivesse alcançada pela decadência. Não é demais ressaltar que ao disciplinar o procedimento de amortização, as Leis nº 9.532/1997 e 9.178/1998, não estabeleceram qualquer regra demarcando os limites temporais em relação aos quais o Fisco poderia retroceder no tempo, para verificar se o contribuinte efetivamente faz jus à amortização do ágio. Entretanto, a omissão não deve ser entendida como apta a permitir que o Fisco retroceda livremente a períodos remotos, com o objetivo de desconstituir despesas com amortização de ágio que entende indevidas. Pelo contrário, a legislação tributária estabelece que o Fisco dispõe de cinco anos a contar do fato gerador para homologar, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo contribuinte. Fl. 4032DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.026 34 Um outro ponto digno de nota é que a homologação compreende toda atividade realizada pelo contribuinte em substituição à autoridade fiscal, desde o procedimento de apuração de débitos e créditos tributários até seu pagamento. Prova disso é que o resultado pode ser deficitário, nulo ou superavitário e, ainda assim, as autoridades fiscais têm o dever de avaliar a apuração levada a cabo pelo contribuinte. Esse entendimento, aliás, harmonizase com aquele sempre adotado pela CSRF, segundo o qual: O que o CTN homologa é o procedimento, a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo. Se o citado § 4º do art. 150 homologasse apenas o pagamento teria dito “homologado o pagamento” e não “homologado o lançamento”, como diz o texto do citado parágrafo do art. 150 da lei complementar. (Acórdão 910100.169 da 1ª Turma da CSRF, no DOU de 15/06/2009). Por isso, em síntese, após o decurso do prazo decadencial, não cabe à fiscalização homologar ou deixar de homologar a apuração tributária do sujeito passivo, incluídos, claro, fatos que nascem ou se formam em um período e repercutem em períodos subseqüentes. Pelo exposto, voto no sentido de acatar a preliminar de decadência levantada pela Recorrente para entender que não poderiam ser questionados os atos praticados nos anoscalendário 1998, 1999 e 2000. Vencido quanto à decadência do ágio, enfrento a preliminar de decadência das exigências de CSLL referentes aos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000 e o mérito. Decadência CSLL anoscalendário de 1998, 1999 e 2000 O Supremo Tribunal Federal, como se sabe, julgou inconstitucional o artigo 45 da Lei n°. 8.212/91, que havia estabelecido o prazo de 10 anos de decadência para contribuições (Súmula Vinculante nº. 08, DOU de 20/06/2008). Dessa forma, considerando (i) que a ciência dos autos de infração ocorreu em 30/10/06, (ii) a apuração pelo Lucro Real anual, (iii) afastada a hipótese de dolo, fraude ou simulação (as alegações de abuso de direito não prosperam, conforme esclarecimentos dos itens a seguir), (iv) que existem pagamentos de CSLL no anocalendário 2000 registrados na DIPJ/2001 (fl. 150/167 – Anexo XXI) da empresa Telpe Celular S/A (antiga denominação de Tim Nordeste Telecomunicações S/A sucedida pela Recorrente), encontramse decaídas as exigências de CSLL relacionados aos anoscalendário de 1998 a 2000, conforme art. 150, § 4º do CTN. Assim, devem ser canceladas as exigências de CSLL relacionadas aos anos calendário 1998, 1999 e 2000, alcançados pela decadência. Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.027 35 MÉRITO INFRAÇÃO 1 Apropriação de despesa não dedutível de amortização de ágio Não é matéria controversa nos autos a existência, a grandeza e a natureza (por rentabilidade futura) do ágio registrado pela Bitel, em razão da aquisição de participação societária na empresa TNC, em leilão de desestatização do Sistema Telebrás. Da mesma forma, não se contesta que houve uma compra e venda entre partes nãorelacionadas (Bitel x União e UGB), com pagamento de valor que supera aquele registrado no patrimônio líquido. A questão controvertida, reside no conjunto de operações realizada posteriormente pelas empresas sucedidas pela Recorrente, que, no entender da fiscalização e da DRJ, tiveram como objetivo exclusivo transferir o ágio para a Recorrente e possibilitar a sua amortização, em abuso de direito contra a Administração Fiscal, a autorizar a desconsideração dos atos praticados. Merece razão a Recorrente. Para que se considere efetivamente ocorrido o evento causador do ágio ou do deságio é imprescindível a existência de substrato econômico e propósito negocial. Ainda que o propósito negocial seja a própria redução da carga tributária, a operação deve estar apta a ser considerada efetiva, sendo necessário, dentro outros elementos, o dispêndio econômico ou patrimonial por parte do adquirente e o ganho econômico ou patrimonial do alienante. Sem essa troca de riquezas não há que se falar em alienação. Em decorrência disso, não são admitidos ágios internos, originários de operações entre partes ligadas, ou ágios decorrentes de operações simuladas, dissimuladas ou que de qualquer forma representem abuso de direito. Ademais, para que o ágio possa ser amortizado, é necessário ser demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Nessa linha de raciocínio, esta Egrégia Turma firmou entendimento no sentido de que, a amortização do ágio pago com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, com fulcro no art. 7º, inciso III da Lei nº. 9.532/97, deve atender, inicialmente, a 3 (três) premissas básicas, quais sejam: 1) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; 2) a realização das operações originais entre partes não ligadas; 3) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.028 36 No presente caso, essas premissas básicas foram cumpridas. O ágio em questão decorre de operação efetiva e real de aquisição de participação societária, realizada entre partes independentes (União e UGB x Bitel), tendo havido o efetivo pagamento do preço, fatos incontroversos e reconhecidos no relatório fiscal. Destarte, o laudo de avaliação e demonstração da expectativa de rentabilidade futura da TNC não passou por qualquer crivo da fiscalização. Logo, não cabe a este Relator questionar os aspectos técnicos do aludido laudo, se isso não foi feito pela fiscalização. Nesse diapasão, é necessário distinguir, de uma vez por todas, as análises que devem ser feitas na verificação da legitimidade dos ágios amortizados pelos contribuintes em geral. O ponto primordial de atenção e análise diz respeito à sua formação. O segundo ponto, de relevância secundária, diz respeito ao caminho escolhido para efetuar/tornar possível a sua dedução fiscal. Em análises como estas, para efeitos de verificação da legitimidade do ágio pago, o que interessa, especialmente, é a formação do ágio. Significa que (i) deve ter ocorrido o evento societário de alienação e efetivo desembolso de capital, (ii) em operação que envolva partes independentes, (iii) lastreadas em expectativa real de rentabilidade futura. Uma vez diante de tais requisitos, é claro que o ágio pago possuirá fundamento e poderá ser amortizado. Agora, o segundo ponto, não deve interferir na análise da legitimidade do ágio registrado. Ou seja; as operações subseqüentes que permitirão ao contribuinte amortizar o ágio registrado, desde que se tratem de operações lícitas e legalmente previstas pelo nosso ordenamento jurídico, não tem o condão de desconstituir a natureza de um ágio legítimo. Nessa toada, convém sublinhar, que a utilização de empresa veículo, por si só, não é capaz de indicar qualquer irregularidade na constituição do ágio, já que, em inúmeras situações se verifica a necessidade da criação de uma empresa veículo que viabilize as operações e reestruturações societárias. Equivocase o Fisco ao afirmar que o ágio decorrente da operação em questão não poderia ser amortizado pela Recorrente, em razão da reorganização societárias realizadas posteriormente pelo Grupo TIM, cujas etapas vale relembrar: 1) a participação acionária na TNC é vertida para a empresa veículo 1B2B; 2) TNC incorpora a 1B2B; 3) TNC é cindida mediante versão de parcelas de seu patrimônio e do ágio para as sociedades operadoras Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe; 4) Telpe (antiga denominação da Recorrente) incorpora as sociedades operadoras Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa. Conforme esclareceu a Recorrente, diversos motivos justificam o modelo de reestruturação e a estrutura adotada pelo Grupo TIM no momento da aquisição da TNC: Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.029 37 1) Abuso de poder de controle: A prática de operação na forma descrita acarretaria prejuízo aos minoritários, violando normas societárias, pois, como a Bitel adquiriu o controle mediante a assunção de passivo para com a União, a incorporação implicaria que referida dívida de interesse exclusivo do controlador fosse atrelada ao próprio negócio e suportada pela sucessora, prejudicando os demais acionistas, com reflexo patrimonial negativo a todos os minoritários. Em consequência, a amortização do ágio pela aquisição de controle de TNC reduziria o seu próprio resultado, diminuindo os dividendos pagos aos minoritários. 2) A operação acima descrita, se implementada, violaria o art. 117, § 1°, “b”, da Lei das S/A e os arts. 15 e 16 da Instrução CVM nº. 319/99. Como consequência, os controladores ficariam obrigados a indenizar a TNC pelos danos causados (Lei das S/A, art. 246) e sujeitos às penalidades previstas na Instrução CVM nº. 319/99 e nos incisos III e VIII do art. 11 da Lei nº. 6.385/76 (caracterização de exercício abusivo de poder de controle). 3) Perda do poder de controle – Violação à Lei Geral de Telecomunicações LGT (Lei nº. 9.472/97): Caso a Bitel incorporasse a TNC, o controlador da Bitel perderia a participação na maioria absoluta do capital, na medida em que seria emitido um número inferior de ações em substituição a esse bloco, em comparação com a participação antes detida pela Bitel, por conta da transferência do passivo pela aquisição do controle, resultando assim numa participação inferior a 50% do capital para tal bloco de acionistas. Isso, além de não ser do interesse empresarial do controlador, implicaria violação ao art. 202 da LGT que veda a transferência do controle das operadoras nos cinco anos seguintes ao de aquisição. 4) Participação do capital estrangeiro de forma direta em operadora de telefonia: Caso Bitel, TNC e as operadoras de telefonia fossem reunidas em uma só sociedade, a controladora da pessoa jurídica resultante passaria a ser sociedade não residente. A medida configuraria transgressão ao Decreto 2.617/98 (art. 1º), que impõe a obrigatoriedade de que a detentora da maior parte do capital de concessionária de serviços de telecomunicação seja residente no Brasil. 5) Transferência de outorgas de serviços concedidos com inobservância das determinações da ANATEL: Para a Agência, a reunião de concessionárias do serviço de telecomunicação celular em uma só empresa somente poderia ocorrer 5 anos após a entrada em vigor da LGT, pois caracterizaria transferência dos contratos de concessão do SMC. Tanto que a reunião de operadoras de celular só foi admitida quando da edição de ato que as incentivava a migrarem do SMC para o SMP (Resolução ANATEL 254/01, item 7.2.1). Logo se vê que, para que pudesse haver o aproveitamento fiscal do ágio sem desrespeito às normas acima apontadas, o Grupo TIM deveria proceder de uma forma tal que a incorporadora e as incorporadas detivessem o ágio sem, contudo, implicar manutenção da dívida relacionada com a aquisição da participação societária e a transferência o controle de TNC. Foi exatamente o que se deu com a reestruturação societária levada a cabo que, por fim, também criou uma estrutura mais racional e condizente com os negócios da Recorrente. Assim sendo, a utilização da 1B2B para recepcionar as ações da TNC, no contexto da operação analisada, revelouse necessária, não podendo ser enquadrada como abuso de direito, sem motivação negocial, sem causa aparente, ou de qualquer forma simulatória. Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.030 38 Portanto, o Grupo TIM, diante de um ágio legítimo, utilizouse da estrutura societária que mais lhe apreciava, conforme opções oferecidas pelo ordenamento jurídico. A legitimidade do ágio registrado face à expectativa de rentabilidade futura da TNC é indiscutível, pois não se trata da hipótese de ágio interno ou que de qualquer forma possua vício na sua formação. Além disso, a utilização da 1B2B na reorganização societária não foi determinante para a formação do ágio ou para o seu aproveitamento, já que o mesmo resultado direito à amortização fiscal do ágio poderia ter sido atingido por outros meios. Atendido o programa de desestatização, a Bitel poderia simplesmente incorporar TNC e as operadoras de telefonia, ser incorporada por TNC (da mesma forma que as operadoras) ou ainda ser incorporada por uma das operadoras (que aglutinaria também as demais empresas de telefonia e TNC). Em qualquer dos cenários descritos, a amortização do ágio seria inquestionável o que foi reconhecido pela própria fiscalização e os propósitos da Lei 9.532/97 seriam alcançados. Aliás, como visto, era objetivo do Gurpo TIM reunir todas as sociedades (a própria Bitel, TNC e as seis operadoras) em uma só pessoa jurídica operacional. Almejavase, com isso, simplificar a estrutura societária (tornandoa mais atrativa para investidores do mercado de ações de companhias abertas) e obter ganhos de escala (redução dos custos comuns), de modo a tornála mais eficiente e lucrativa. No entanto, a implementação da operação nas formas descritas acima, como aduzido, representaria: 1) Transgressão à Lei das S/A por abuso de poder de controle (art. 117, § 1º, “b”); 2) Transgressão à Lei Geral de Telecomunicações por perda de controle (art. 202); 3) Transgressão ao Decreto 2.617/98, que dispõe sobre a participação do capital estrangeiro em prestadora de serviços de telecomunicação impondo a obrigatoriedade de ser mantida a holding brasileira para deter os investimentos nas empresas de telecomunicações nacionais (art. 1º); e 4) Transgressão às determinações da ANATEL a reunião de concessionárias de telefonia celular em uma só sociedade, mediante fusão, cisão ou incorporação caracterizaria, na visão da Agência, transferência dos contratos de concessão do Serviço Móvel Celular – SMC (o que só passou a ser admitido com a Resolução ANATEL 254/01). A estrutura adotada permitiu, ao mesmo tempo, remanescer com uma só empresa operacional na região Nordeste, atendendo aos propósitos de simplificação da estrutura societária e obtenção de ganhos de escala. Fl. 4037DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.031 39 Tais verificações, reforçam a constatação de que a utilização da empresa veículo foi uma opção do Grupo TIM, levada a efeito por questões operacionais e societárias, sem a geração de qualquer vantagem fiscal indevida, o que por si só é suficiente para afastar qualquer alegação de abuso de direito. Ao invés de frustrar as normas fiscais, alcançouse a finalidade dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97, que, como se sabe, garante aos adquirentes das empresas privatizadas a fruição do benefício fiscal que serviu de incentivo para que oferecessem propostas maiores. Impedir operações estruturadas dessa forma, seria impor aos contribuintes que adotem sempre as operações mais onerosas e burocráticas, o que não merece qualquer respaldo, por ausência de sustentação jurídica. Ressaltese que, os efeitos buscados pela Recorrente eram os efeitos próprios dos atos praticados: adquirir a participação da TNC com ágio, por meio da Bitel e depois promover a reorganização societária do Grupo, transferindo o ágio para uma única empresa operacional, a Recorrente. Ou seja, na hipótese de entenderse presente uma operação indireta, a fiscalização deveria ter requalificado os atos para considerar praticada a operação direta – incorporação da TNC pela Bitel. Contudo, no caso concreto, as consequências da operação direta seriam rigorosamente as mesmas: o direito à amortização do ágio pago. Talvez por isso, a fiscalização e a DRJ tenham se furtado de requalificar as operações praticadas. A vontade do Grupo TIM era efetivamente utilizar a 1B2B, ainda que não tivesse a intenção de perpetuar a empresa, e isso não torna a motivação/causa de sua utilização menos verdadeira. É lícito no nosso ordenamento jurídico, agir motivado pelas normas permissivas do Estado que possibilitem a economia de gastos e impostos, já que o fim último dos empresários é maximizar os lucros. O entendimento de que o contribuinte pode se reorganizar desde que não seja exclusivamente para reduzir carga tributária deve ser aplicado com as devidas ressalvas. Não seria lícito se a alienação do investimento fosse simulada de qualquer forma apenas para gerar o ágio e possibilitar a redução da carga fiscal, mas não se pode dizer, que diante de real alienação do investimento e de ágio perfeitamente formado, que a Recorrente não possa valer se da opção fiscal menos custosa para efetuar a dedução fiscal do ágio. Por fim, cabe lembrar, no intuito de frisar novamente que merece ressalvas a interpretação fiscal de que o direito de livre organização dos contribuintes está limitado a motivações extrafiscais, que o conceito de propósito negocial e empresa veículo não constam das nossas leis e não tem qualquer relação, ao menos em princípio, com a amortização fiscal do ágio. Aliás, vale dizer, que é totalmente coerente, do ponto de vista econômico, que o valor do ágio esteja contabilizado na mesma pessoa jurídica que é detentora do investimento, pois só assim será possível a amortização desse ágio contra os lucros futuros que o justificaram. Com efeito, não basta identificar uma empresa de curta duração na reorganização societária para que se considere a amortização do ágio como inválida, mormente Fl. 4038DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.032 40 quando, a partir da análise do conjunto de atos praticados, como se fosse um “filme”, verifica se que: 1) O ágio foi gerado em operação original entre partes independentes; 2) Houve efetivo desembolso de capital e pagamento do custo total de aquisição, inclusive do ágio; 3) A lisura na avaliação da TNC, bem como a sua expectativa de rentabilidade futura não foi objeto de questionamento nos autos; 4) Houve efetiva mudança de controle acionário, já que a participação acionária da TNC passou da União para o Grupo TIM; 5) Houve propósito negocial. Existem diversos motivos autônomos que justificam a realização de cada uma das etapas da operação; 6) A utilização de empresa veículo (1B2B) não resultou em aparecimento de novo ágio ou economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo, já que a amortização fiscal do ágio poderia ter sido alcançada por outros meios. Por tudo isso, a reorganização societária operada pelo Grupo TIM e a transferência, para a Recorrente, do ágio inicialmente registrado pela Bitelo na compra da TNC, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao Fisco. JURISPRUDÊNCIA Na prática, temos visto que, é comum que as empresas constituam uma nova empresa com a finalidade exclusiva de adquirir ou transferir um investimento, opção que deve ser respeitada, desde que realizada para fins lícitos e sem qualquer simulação. No contexto dos processos de privatização, a transferência do investimento adquirido com o respectivo ágio que o acompanhou, foi prática comum não só no setor financeiro, mas em diversos setores (energia, telecomunicações, etc). Inúmeros casos de ágio foram julgados recentemente pelo CARF e por esta Egrégia Turma. Tais julgamentos avaliaram operações diversas, nos mais particulares aspectos. Dada a absoluta identidade entre as razões de decidir de alguns precedentes julgados e os fundamentos exposados, serão indicados a seguir alguns julgados proferidos por esta E. Turma e pelas demais turmas deste CARF, que guardam semelhança com o caso que discutimos nestes autos. Nesses casos, como se verá, foi confirmada a regularidade da amortização do ágio na compra de empresa (inclusive no contexto de privatizações) após implementação de reestruturação na qual houve a transferência da investida para nova sociedade, desde que, ao final, o valor deduzido correspondesse ao mesmo montante desembolsado para a sua aquisição: 1. Acórdão 1301000.711, Rel. Cons. Valmir Sandri, J: 19/10/11 (Caso “TNL”): “INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE Fl. 4039DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.033 41 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO – ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO – INOCORRÊNCIA. No contexto do programa de privatização das empresas de telecomunicações, regrado pelas Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. ABUSO DE DIREITO. A figura de ‘abuso de direito’ pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deuse, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio”. 2. Acórdão 110100.354, Rel. Cons. José Ricardo da Silva, J: 02/09/10 (Caso “VIVO”): “há legitimidade na dedução do ágio na aquisição da CRT por aqueles acionistas (membros do consórcio que originou TBS), aquisição esta que se deu em razão da privatização daquela empresa, cujo Edital estipulou preço inicial fundamentado em rentabilidade futura” (trecho do voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa). 3. Acórdão 120100.689, Rel. Cons. Rafel Correia Fuso, J: 08/05/12: (Caso “CELPE”): “AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO RECONHECIDA. AUSÊNCIA DE ABUSO DE DIREITO. A aquisição de participação societária de uma determinada empresa, com ágio, por outra que venha a ser incorporada, permite a dedução do ágio pago, no cálculo do lucro real, pela incorporadora, haja vista que se extinguiu o investimento anteriormente realizado com a incorporação às avessas, a teor do inciso II do § 6° do artigo 386 do RIR/99. A existência de documento (demonstrativo ou laudo) que contempla por metodologia o valor dos ativos em razão de rentabilidade futura permite que a contribuinte realize o aproveitamento do ágio apurado. Inexistência de ágio interno, visto que o valor do ágio apurado na aquisição da Celpe foi transmitido às demais empresas pelo mesmo valor, conforme laudos juntados nos autos. Empresa veículo utilizada sob fundamento econômico devidamente justificado nos autos”. 4. Acórdão 1301000.999, Rel. Cons. Valmir Sandri, J: 07/08/12 (Caso “TERMOPENAMBUCO”): “INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO – ARTIGOS 7º E 8º Fl. 4040DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.034 42 DA LEI Nº 9.532/97. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO, ABUSO DE DIREITO OU ABUSO DE FORMA No contexto do programa de privatização, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco”. 5. Acórdão 140200.802, Rel. Cons. Antonio José Praga, J: 21/10/11 (Caso “SANTANDER”): “No contexto do programa de privatização das empresas de telecomunicações, regrado pelas Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco”. 6. Acórdão 140200.993, Rel. Cons. Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, J: 07/08/12 (Caso “COSERN”): “AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO – ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO, ABUSO DE DIREITO OU ABUSO DE FORMA No contexto do programa de privatização, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco”. 7. Acórdão 140200.409, Rel. Cons. Leonardo de Andrade Couto, J: 10/07/13 (Caso “ENERGISA”): “INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. A reorganização empresarial, sob amparo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco”. 8. Acórdão 1402001.077, Voto vencedor Cons. Carlos Pelá, J: 13/06/12 (Caso “SCIPIONE”): “DESPESAS COM ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É dedutível a despesa com ágio quando demonstrada nos autos a veracidade da operação e a causa do negócio jurídico, sendo justificável a utilização de ‘empresa veículo’ em face das peculiaridades da operação”. Fl. 4041DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.035 43 9. Acórdão 1102000.873, Voto vencedor Cons. Antônio Carlos Guidoni Filho, J: 11/06/2013 (Caso “TIM”): “AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PRIVATIZAÇÃO. TELECOMUNICAÇÕES. É legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio pago no âmbito de leilão de privatização de empresas de telecomunicações. A circunstância de a reorganização societária de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº. 9.532/97 ter sido realizada por meio de empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, ante o fato incontroverso de que dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. Precedentes dessa Corte Administrativa”. A essa altura, para corroborar tudo quanto exposto até aqui, peço vênia para transcrever o voto do Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho, no acórdão nº. 1102001.077, citado acima, cujas razões de decidir peço vênia para adotar como minhas. Vale notar que, a operação analisada na oportunidade é exatamente a mesma operação aqui analisada (relacionada ao período de 2005), portanto, aplicamse aqui integralmente os fundamentos e as referências às operações societárias envolvendo as empresas do Grupo TIM. Com relação à amortização do ágio, o ilustre Relator afirma em seu voto que “o pagamento do ágio, no âmbito do leilão de privatização, é inconteste, ou seja, houve aquisição onerosa, por parte da Bitel Participações S/A, da participação societária na TNC, tanto da parte adquirida diretamente da União, quanto da parte adquirida da UGB Participações S/A, que anteriormente a adquirira da União” e, mais adiante, afirma que: “não identifico na lei, a priori, nenhuma restrição a que o ágio em questão venha a ser amortizado por outra empresa qualquer, a qual, por força de evento de fusão, incorporação, ou cisão, passe a efetivamente deter a participação societária anteriormente adquirida com ágio. Nem tampouco há restrições a que sejam feitas sucessivas operações societárias desta natureza.” Baseandose na doutrina de Marco Aurélio Grego, entretanto, o ilustre Relator ressalta que, para serem oponíveis ao Fisco, as operações societárias ocorridas, que possibilitam o aproveitamento do ágio, deveriam ser “orientadas por legítimos propósitos negociais” (fls. 27 do voto). A despeito de reconhecer (a) que o ágio pago é legítimo e (b) que, a priori, a lei não faz restrição a que o ágio venha a ser amortizado por outra empresa em razão de reorganizações societárias, o ilustre Relator mantém o lançamento por não vislumbrar, em parte da operação societária, repito, por relevante, em parte da operação, propósito negocial para justificala. Por abstração, o ilustre Relator faz um “corte" nas operações relacionadas à Contribuinte e empresa por ela sucedida, dividindoas em duas partes: (a) a primeira, relativa ao leilão, ao pagamento do ágio pela Bitel e a sua transferência para outra empresa (1B2B), se tornando essa (iB2B) holding das operadoras de telefonia (Telepisa, Teleceará, Telpe, Telpa, Telasa, Telern); e (b) a segunda, inquinada como tendo sido feita por motivos exclusivamente tributários, envolvendo a incorporação da 1B2B pela TNC, que possibilitaria a dedução do ágio, e a cisão parcial desta (TNC) de modo a transferir àquelas operadoras o ativo diferido correspondente ao ágio. Fl. 4042DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.036 44 Com a devida vênia, essa não é a melhor forma de observar a questão posta nos autos, isto é, observala de forma estática, isolandose as operações, contrariando o próprio modelo proposto por Marco Aurélio Greco adotado pelo lançamento e pelo ilustre Relator. Em seu festejado livro sobre Planejamento Tributário, Greco assevera que: “Compreender a realidade (e entender um fenômeno tributário como o da elisão) implica ver e iniciar a interpretação a partir do conjunto e não de cada situação individual ou isolada. Em tema de elisão e planejamento, a interpretação da lei tributária deve levar em conta o “filme”, muito mais do que os fotogramas isoladamente considerados, o que está na base da teoria da step transaction. Compreender esta mudança no ponto de partida da interpretação é entender igualmente a “alegoria do elefante” que relata as incongruências que surgem quando ele é descrito por quatro pessoas que não conhecem tal animal e o encontram no escuro, cada qual entrando em contato com uma parte do objeto. Cada um terá interpretado o objeto e afirmado sua natureza (e construído sua própria “verdade”); ele será uma mangueira d’água (tromba), um leque (orelha), um pilar vivo (perna) ou um trono (dorso), conforme a parte que for captada pelo observador. A interpretação da lei tributária também pode ser de um “elefante no escuro” se o intérprete pretender se fixar apenas num aspecto ou elemento. Compreender integralmente o objeto supõe concebêlo como um complexo e não isoladamente como partes reunidas. É muito diferente afirmar que um objeto é “azul mais amarelo” ou então que ele é “verde”. Aliás, exatamente isso, a doutrina tem frequentemente chamado a atenção e, até mesmo, definido a elisão tributária como o “conjunto de operações” com o objetivo comum de redução da carga tributária. Por isso, as análises que segmentam o conjunto de operações para examinar, isoladamente, a legalidade de cada etapa, muitas vezes conduzem a um resultado distorcido, pois o resultado da interpretação de cada uma das partes pode não coincidir com o resultado da interpretação do conjunto”. Aqui a questão central sobre o tema e o ponto fundamental da divergência: a matéria só pode ser observada considerando o conjunto das operações, o “filme” (segundo doutrina acima citada), que se inicia muito antes daquelas operações societárias inquinadas pelo ilustre Relator como tendo sido realizadas com propósitos exclusivamente tributários. Assim, é fundamental fazer retrospecto dos fatos, ou melhor,dos capítulos, de forma cronológica, que fazem parte do “filme”. O “filme”a ser analisado iniciase antes do leilão do qual as empresas participaram e em que pagaram o referido ágio. O filme iniciase em 1995 com a promulgação da EC n. 8/95, que quebrou o monopólio da União no sistema de telefonia. Em 1996, foi editada a Lei n. 9.295/96, que permitiu a licitação de concessões de telefonia celular da banda B, não envolvendo aquisição de empresa estatal. Em maio de 1997, foi promulgada a Lei n. 9.947/97, que alterou a Lei n. 6.404/76 e afastou um dos grandes entraves à realização das privatizações, conforme explicita Modesto Carvalhosa: “A Lei n. 9.457, de 5 de maio de 1997, resulta do Projeto de Lei n. 1.564, de 28 de fevereiro de 1996, ou "Projeto Kandir", cujo objetivo era o de suprimir o direito de recesso no caso de cisão, com vistas a reduzir os custos do governo nos processos de privatização. Ao contrário do que ocorre em outros países, como Estados Unidos e Inglaterra, em que a lei societária é de natureza contratual, e, como tal, objetiva compor interesses privados dos acionistas e da companhia, no Brasil, predomina o modelo institucional, voltado aos interesses do Estado. Atendendo a essa política que visualiza a lei societária como instrumento de interesses macroeconômicos, a Lei n. 9.457 suprimiu, pela conjugação dos arts. 136 e 137, o direito de recesso não só nos casos de cisão, mas também nas hipóteses de dissolução da companhia ou cessação do estado de liquidação (art. 206 e segs.)” No mesmo sentido, assevera Marcelo Otavio de Lorenzo Fernandez, em monografia sobre “Premio de Controle no Brasil”: Fl. 4043DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.037 45 “A primeira reforma da legislação societária de 1997, Lei 9.457, em seu artigo 6º, revogou expressamente o artigo 254 e os parágrafos 1o e 2o do artigo 255, eliminando a Oferta Pública obrigatória de aquisição de ações dos minoritários ao mesmo preço pago ao controlador. Conforme a justificação do “Projeto Kandir” (CARVALHOSA, M.; EIZIRIK, 2002) que resultou na reforma da Lei das S.A., a iniciativa “visava a reduzir os custos para o adquirente do controle acionário que, ao invés de estarem sendo utilizados na capitalização da companhia, estariam sendo despendidos na aquisição de ações dos minoritários”. Contudo, como é sabido, o fator que, de fato, motivou essa reforma da Lei, foi a necessidade de, em 1997, “deslanchar” o processo de privatização (véspera da privatização do sistema de telefonia TELEBRAS, que ocorreria em meados de 1998).” Em setembro de 1997 foi editada a Lei n. 9.491/97, que alterou os procedimentos relativos ao Programa Nacional de Desestatização PND, revogandose a Lei n. 8.031, de 12 de abril de 1990. Esta Lei traçou os seguintes objetivos para o novo PND: “Art.1. O Programa Nacional de Desestatização – PND tem como objetivos fundamentais: Ireordenar a posição estratégica do Estado na economia, transferindo à iniciativa privada atividades indevidamente exploradas pelo setor público; IIcontribuir para a reestruturação econômica do setor público, especialmente através da melhoria do perfil e da redução da dívida pública líquida; IIIpermitir a retomada de investimentos nas empresas e atividades que vierem a ser transferidas à iniciativa privada; IVcontribuir para a reestruturação econômica do setor privado, especialmente para a modernização da infraestrutura e do parque industrial do País, ampliando sua competitividade e reforçando a capacidade empresarial nos diversos setores da economia, inclusive através da concessão de crédito; Vpermitir que a Administração Pública concentre seus esforços nas atividades em que a presença do Estado seja fundamental para a consecução das prioridades nacionais; VIcontribuir para o fortalecimento do mercado de capitais, através do acréscimo da oferta de valores mobiliários e da democratização da propriedade do capital das empresas que integrarem o Programa.” Destaque merece ser feito ao último inciso, pois, além de transferir à iniciativa privada atividades anteriormente exploradas pelo setor público, o PND tinha como objetivo o fortalecimento do mercado de capitais através do acréscimo da oferta de valores mobiliários e da democratização da propriedade do capital das empresas que integrarem o Programa1. A fiscalização desses objetivos coube à Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”), que baixou diversas normas com essa finalidade. Essa preocupação com o mercado de capitais esteve presente principalmente na escolha do modelo de privatização, pois o Governo Federal detinha o controle mas não a totalidade das ações das empresas estatais, estando parte nas mãos de acionistas minoritários. 1 Notese que, ainda no contexto do PND, citada lei permitiu a utilização de várias formas societárias possíveis para a implementação da nova política, inclusive empresas veículos (subsidiárias integrais) para viabilizar a implementação da modalidade operacional que fosse escolhida (aprovada, posteriormente, pelo Decreto 2.546/97). (art. 4º. ... § 1º. A transformação, a incorporação, a fusão ou a cisão de sociedades e a criação de subsidiárias integrais poderão ser utilizadas a fim de viabilizar a implementação da modalidade operacional escolhida). Fl. 4044DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.038 46 Ainda em 1997 foi editada a Lei Geral das Telecomunicações, Lei nº 9.472, de julho de 1997, base regulatória para o setor de telecomunicações e que definiu as diretrizes para a privatização do Sistema Telebrás. De acordo com o art. 195 da LGT: “O modelo de reestruturação e desestatização das empresas enumeradas no art. 187, após submetido a consulta pública, será aprovado pelo Presidente da República, ficando a coordenação e o acompanhamento dos atos e procedimentos decorrentes a cargo de Comissão Especial de Supervisão, a ser instituída pelo Ministro de Estado das Comunicações.” A complexidade e os desafios para a escolha do modelo é sintetizada com clareza por Ana Novaes, em trabalho sobre “Privatização do Setor de Telecomunicações no Brasil”, disponível no sítio eletrônico do BNDES, verbis: “A privatização da Telebrás não só foi uma das maiores do mundo, como também uma das mais complexas: havia não só o desafio regulatório de evitar passar um monopólio estatal para as mãos do setor privado, mas também assegurar os direitos dos acionistas minoritários e garantir ao governo (e apenas ao governo) o recebimento de um prêmio pelo controle no momento da privatização.” De julho de 1997 a abril de 1998 vários estudos e consultas públicas foram realizados. Neste interim, em novembro de 1997, foi editada a Medida Provisória n. 1.602, posteriormente convertida na Lei n. 9.532/97, regulando, dentre outras, a matéria relativa à dedutibilidade do ágio para fins fiscais. Antes da Lei n. 9.532/97, o ágio somente produziria efeitos fiscais na hipótese de alienação, liquidação ou extinção do investimento por incorporação, fusão ou cisão, influenciando a determinação do ganho de capital. No caso de extinção por incorporação, fusão ou cisão, assim dispunha o art. 34 do Decreto n. 1.598/77, verbis: Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. Fl. 4045DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.039 47 § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. Especificamente no que tange à extinção do investimento por incorporação, fusão ou cisão, na vigência da legislação acima referida, seria considerado dedutível apenas a perda de capital correspondente à “diferença entre o valor contábil e o valor do acervo líquido avaliado a preços de mercado” (sic art. 34 do DL 1.598), que poderia ser deduzido de uma vez só ou como ativo diferido em 10 anos. Esquematizando, podese dizer que VDP = VC – VALPM, onde VDP é o valor a deduzir como perda, VC é o valor contábil registrado na investidora e VALPM é o valor do acervo líquido avaliado a preço de mercado. Exemplificando: uma empresa que possui patrimônio líquido (acervo líquido) de 50(PL) é adquirida por outra pelo preço de 120. Nesse caso, a investidora registrará investimento avaliado pelo PL de 50 e ágio sobre investimento de 70, e consequente valor contábil de investimento de 120 (VC). Se este investimento for ulteriormente incorporado, poderseá vislumbrar um dos seguintes resultados: Hipótese 1º) VALPM igual ao valor do próprio investimento avaliado pelo PL, isto é, de VALPM = 50, no exemplo acima. Assim ficará a equação: VDP = 120 – 50 ou VDP = 70. Portanto, a perda de capital dedutível será de 70, que, no exemplo, corresponde exatamente ao valor do ágio pago. Hipótese 2º) VALPM superior ao valor do próprio investimento avaliado pelo PL e inferior ao VC, isto é, VALPM > 50 e < 120, por exemplo, de 80. Nesse caso o resultado é VDP = 120 – 80 ou VDP = 40. Ou seja, na hipótese o valor dedutível como perda é menor que o valor do ágio pago. Hipótese 3º) VALPM igual ou superior ao valor de VC, isto é, VALPM ≥ 120. Neste caso o resultado é VDP = 120120, ou seja, VDP = 0. Nesse caso não haverá valor a ser deduzido como perda. Com a devida vênia, pois, é equívoco afirmar que sob a égide da legislação anterior o ágio pago era dedutível, pois somente poderia ser deduzida a perda de capital apurada segundo a fórmula acima mencionada que levava em consideração duas variáveis: o valor contábil registrado na investidora (VC) e o valor do acervo líquido avaliado a preços de mercado (VALPM). O valor a deduzir poderia ser igual ou inferior ao ágio, ou até mesmo ser inexistente. Apenas para contextualizar, imaginese o ambiente de empresas listadas em bolsa, como a Telebrás e controladas. Numa realidade em que estas empresas estão obsoletas e sob o regime de monopólio estatal, o valor das ações em bolsa, que serve para determinar o VALPM, provavelmente refletirá o valor do patrimônio líquido (pode ser mais ou menos). O que aconteceria num ambiente em que o poder estatal anunciasse a privatização destas empresas? Naturalmente, o valor das ações aumentaria, aumentando, por conseguinte, o VALPM, isto é, o valor do acervo líquido avaliado a preços de mercado. Dependendo do momento e da oscilação do mercado, todo o valor do ágio que fosse pago na aquisição desse investimento estatal poderia se tornar indedutível, da noite para o dia. Ou seja, o modelo previsto no Fl. 4046DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.040 48 artigo 34 do Decreto n. 1.598/77 colidia frontalmente com os interesses do próprio Governo Federal de fomentar as privatizações e obter lances maiores para a venda das ações. A Lei n. 9.532/97 inova por dar tratamento específico e mais benéfico para quem pagou o ágio nos casos específicos de extinção da participação societária por incorporação, fusão ou cisão. Restou garantido ao investidor que a dedutibilidade seria do valor integral do ágio que foi pago, sem qualquer variável negativa como existia no modelo da legislação anterior. Não há dúvida, pois, que a Lei n. 9.532/97 foi mais um elemento que serviu para incentivar os casos de privatização, garantindose aos investidores que o ágio pago, todo ele, fundando em rentabilidade futura, seria deduzido. E isso foi decisivo para a definição do modelo de privatização, pois ao desvincular a possibilidade de dedutibilidade do ágio de qualquer outra variável, mantendo apenas a necessidade de se demonstrar a rentabilidade futura, o ágio poderia embutir um “prêmio de controle”, como de fato embutiu. Marcelo Otavio de Lorenzo Fernandez, em monografia acima citada sobre este tema, explica o que seja o “premio de controle”, verbis: “Há uma percepção já consolidada na literatura de finanças de que nem todos os acionistas recebem um retorno financeiro proporcional aos seus direitos sobre o fluxo de caixa, auferidos estes por decorrência da propriedade de suas ações. Existiria então uma parte do valor da companhia que seria apropriado exclusivamente pelos controladores da empresa, para o que se dá o nome de “benefício privado de controle”. Nessa linha, a diferença entre o preço de uma ação comum (que não faz parte do controle) e uma de controle é justamente o que os teóricos chamam de prêmio de controle (conceito que no Brasil deveria ser expandido por conta da existência das ações preferenciais) e está diretamente ligado ao nível de governança corporativa (entendida como a forma pela qual os fornecedores de recursos para as empresas asseguram para si próprios o retorno de seus investimentos). Assim, uma das medidas do nível de deficiência da governança corporativa pode ser entendida como a proporção do valor da companhia que não é apropriada para todos os acionistas em uma base individual por ação, mas ao invés disso, é capturada por insideshareholders que controlam a companhia ou a administram diretamente. Essa definição de “benefícios privados do controle” reflete a realidade de que o controle efetivo de uma companhia confere oportunidades, não somente para gerir e incrementar a performance e potencializar o seu valor; mas também para apropriarse da riqueza dos acionistas em geral, em favor do grupo de controle.” Prêmio de controle, em síntese, é o valor pago “a mais” em relação ao valor de mercado para a aquisição do controle da empresa. E especificamente sobre o prêmio de controle no processo de privatização da Telebras, Lorenzo Fernandez explicita como este foi definido, verbis: “A metodologia de cálculo do prêmio de controle foi discutida nos processos de privatização no Brasil, sendo que os resultados das avaliações das empresas privatizadas, apurados pelos consultores nos serviços “A” e “B”; representavam apenas uma referência para que o controlador (União, Estados ou Municípios) determinasse o preço de venda. De fato, as avaliações referiamse ao “preço mínimo” para a alienação do bem público, podendo o controlador determinar um “sobrepreço” conforme entendesse conveniente (enfatizando que um dos objetivos fundamentais estabelecidos no artigo 1§ da Lei da Privatização nº 8.031 era: “a maximização do valor de alienação”). O estabelecimento do sobrepreço foi discutido em alguns processos de privatização, levandose em consideração: (i) a situação do mercado de capitais à época de cada privatização, em especial do mercado bursátil(somatório do valor de todas as ações das companhias que são negociadas na bolsa de valores); (ii) a análise do interesse dos Fl. 4047DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.041 49 potenciais investidores; e, (iii) a estrutura de capitais, uma vez que, quanto menor o percentual do capital social necessário para adquirirse o controle, maior a percepção de “espaço” para estabelecerse o sobrepreço no lote de ações a serem alienados. O paradigma metodológico fica claro: porque estabelecer um sobrepreço que possa inibir o interesse de investidores potenciais, se o mecanismo de leilão público – ao expor positivamente a alienação do bem público ao mecanismo de mercado – acaba por regular naturalmente eventuais desajustes na definição do preço mínimo de alienação, bem como alinhar o “preço do interesse”. Nesse sentido, como os valores constantes das avaliações eram estabelecidos sob a ótica da transição da empresa pública para a iniciativa privada, mas sem definir um preço para um investidor específico, somente o mecanismo de leilão poderia assegurar o ajuste do preço, incorporando plenamente as eventuais sinergias ou interesses estratégicos dos potenciais compradores. Sendo essa lógica o pano de fundo do processo de privatização, como então foi tratado tecnicamente pelos diversos especialistas o prêmio de controle potencial? Simplesmente não foi tratado diretamente pelas equipes de avaliação, pois todas as diversas consultorias avaliavam o lote de ações a ser alienado como uma parcela proporcional do “fair marketvalue” (valor justo de mercado, doravante tratado também como “valor econômico”) para a empresa como um todo. Não obstante, poderia o Estado estabelecer, eventualmente, um ágio sobre o preço mínimo sugerido para o lote de ações a ser alienado, como de fato aconteceu no processo de venda do sistema Telebrás onde, por determinação do então Ministro das telecomunicações, Sérgio Motta, o lote de ações foi sobrevalorizado em 30%. Vejase que, com o leilão em referência, o ágio total obtido pela União foi de 63% pela venda de todas as empresas, tendo, em algumas situações particulares, o ágio ultrapassado a 300%. Notadamente, esse resultado somente foi obtido em razão de a Lei n. 9.532/97 ter desatrelado a dedutibilidade do ágio, que embutia o “prêmio de controle”, ao limite estabelecido anteriormente pelo art. 34 do Decretolei n. 1.598/77. Mas, repitase, ainda, que o ágio somente era dedutível na parte comprovada por intermédio de estudos de rentabilidade futura. Outra vantagem introduzida pela Lei n. 9.532/97, e que se aplicou a todas as hipóteses das empresas privatizadas, exatamente pelo modelo escolhido e a reestruturação realizada no sistema Telebras, foi a possibilidade de dedutibilidade do ágio na hipótese de incorporação reversa. A Lei nº 9.532/97 serviu de instrumento para valorizar e incrementar a oferta de preços, em razão de garantir a futura dedutibilidade do ágio pago. Aliás, a conveniência dessa legislação de natureza fiscal foi bem apontada por Ricardo Mariz de Oliveira, verbis: A norma legal contida nos art. 7º e 8º foi promulgada com vistas a facilitar as privatizações levadas a cabo pelo Governo Federal, pois passou a permitir a dedução fiscal de certos ágios antes indedutíveis. (...) Portanto, essa norma de concessão do direito à dedução fiscal da amortização é uma norma excepcional, baseada em motivações extra tributárias de (1) conveniência da política fiscal no sentido de favorecer as privatizações, à época promulgação da Lei nº. 9.532, e também de (2) justiça econômica contida na amortização do ágio pago na aquisição do negócio, paulatinamente à geração dos lucros que tenham dado lastro a ele, eis que estes são sujeitos à tributação quando surgidos. Este último dado é que justifica a extensão da norma a Fl. 4048DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.042 50 quaisquer aquisições, mesmo às feitas fora do programa de privatizações que estava em andamento na data da Lei n. 9.532. E essa “conveniência da política fiscal no sentido de favorecer as privatizações”,mencionada por Mariz de Oliveira, é refletida na própria exposição de motivos citada pelo ilustre Relator, que ora se reproduz parte, verbis: “Atualmente, pela inexistência de regulação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos “planejamentos tributários”, vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista do desaparecimento de toda a vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo.” Pela citada exposição de motivos, a norma acaba com a vantagem fiscal para ágios decorrentes de “planejamento tributários”, pelo método indutivo, isto é, retirando o benefício naquelas hipóteses, mas por outro lado assegura a dedutibilidade fiscal especificamente “às hipóteses de casos reais”, ou seja, aos ágios realmente existentes, como foram todos os ágios pagos realizados no âmbito dos leilões de privatização. Assim, a Exposição de Motivos apenas corrobora o que acima se disse, no sentido de que a Lei em tela acaba por garantir às empresas a dedutibilidade futura do ágio efetivamente pago. Em abril de 1998, já com o arcabouço jurídico preparado do ponto de vista regulatório (LGT Lei n. 9.472), societário (com a alteração perpetrada pela Lei n. 9.947/97) e tributário (Lei n. 9.532/97), e após as várias consultas públicas e discussão com toda a sociedade, chegouse ao modelo de desestatização do sistema Telebras, mediante cisão da empresa com posterior privatização, com a edição do Decreto 2.546/98. Ana Novaes explicita esse modelo e que ressalta, ainda, a questão do prêmio e o problema dos entraves societários rechaçados com a Lei n. 9.947/97, a saber: “Modelo C: cisão da Telebrás seguida de privatização Este foi afinal o modelo adotado pelo governo a partir de discussões com participantes do mercado e com a ajuda dos consultores contratados pelo Ministério das Comunicações para modelar a venda da Telebrás. As principais vantagens desse modelo eram: a) garantir que apenas o governo recebesse o prêmio de controle na privatização; e b) assegurar o direito dos acionistas minoritários. Notese que com a aprovação da nova Lei das Sociedades Anônimas em 1997, não havia mais dificuldades jurídicas para cindir uma empresa listada em bolsa. O Diagrama 2 mostra o modelo de privatização e o modelo de cisão da Telebrás. A Telebrás foi dividida em três grandes empresas de telefonia local fixa (Tele NorteLeste, Telesp e Tele CentroSul), oito empresas de telefonia celular correspondendo às áreas de concessão deste serviço definida pela Lei Mínima do Serviço Celular, de julho de 1996, e a Embratel, empresa operadora de longa distância. Em suma, o Modelo C permitia ao governo atingir os seus objetivos: a) criar as condições necessárias para o estabelecimento de um regime competitivo; b) assegurar ao governo (e apenas ao governo) o recebimento do prêmio de controle; e c) assegurar um modelo transparente que garantisse o direito dos acionistas minoritários da Telebrás.” O Decreto n. 2.546, de abril de 1998, que regulou o Modelo de Reestruturação e Desestatização do sistema Telebrás, estabeleceu que: “a reestruturação societária das empresas federais de telecomunicações darse á mediante cisão parcial da Telecomunicações Brasileiras S. A TELEBRÁS, que fica autorizada a constituir doze empresas que a sucederão como controladora” (art. 3º). Fl. 4049DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.043 51 A desestatização dessas 12 holdings darseia “mediante alienação onerosa, a uma empresa ou consórcio de empresas, nos termos do edital, das ações de propriedade da União que lhe asseguram, direta ou indiretamente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores da sociedade.” (art. 5do Anexo ao decreto n. 2.546/97). Ainda em 1998 surgiu o Edital MC/BNDES n. 1/98, que estipulou as regras a que estariam estabelecidas as empresas participantes do leilão. Dentre essas regras, merece destaque a seguinte: “4.3 OBRIGAÇÕES ESPECIAIS Além das demais obrigações previstas neste EDITAL, os PARTICIPANTES vencedores do LEILÃO de cada uma das COMPANHIAS e seus eventuais sucessores, a qualquer título, inclusive em decorrência de posterior cessão e transferência de ações, nos termos da legislação em vigor,estará(ão) obrigado(s), solidariamente, de forma irrevogável e irretratável, a cumprir rigorosamente as seguintes obrigações especiais, exercendo para tal, se necessário, seu direito de voto nas Assembléias Gerais, (...)” Vejase que o Edital, antes de proibir, permitia a cessão e a transferência das companhias adquiridas indistintamente. A única condição era seguir os termos da legislação, que exigia a prévia aprovação da operação pela ANATEL, nos termos do artigo 97 da LGT, verbis: “Dependerão de prévia aprovação da Agência a cisão, a fusão, a transformação, a incorporação, a redução do capital da empresa ou a transferência de seu controle societário. Parágrafo único. A aprovação será concedida se a medida não for prejudicial à competição e não colocar em risco a execução do contrato, observado o disposto no art. 7° desta Lei.” Aliás, até mesmo a transferência da União para as empresas vencedoras do leilão precisaram passar pelo crivo da ANATEL, como no caso, tal qual se observa das fls. 267 e seguintes. E foi nesse contexto que em julho de 1998 ocorreu o leilão das empresas estatais de telefonia, segundo relata o BNDES em seu sítio eletrônico, verbis: “A privatização do Sistema Telebrás ocorreu no dia 29 de julho de 1998 através de 12 leilões consecutivos na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro – BVRJ, pela venda do controle das três holdings de telefonia fixa, uma de longa distância e oito de telefonia celular, configurando a maior operação de privatização de um bloco de controle já realizada no mundo. Com a venda, o governo arrecadou um total de R$ 22 bilhões, um ágio de 63% sobre o preço mínimo estipulado”. No caso, pela aquisição da TNC, holding criada e vendida pelo Governo Federal que detinha o controle das empresas operacionais envolvidas, houve o pagamento de ágio superior a R$ 600 Milhões. Em estudo nominado "Privatização das telecomunicações: algumas lições", Bernardo Estellita Lins atesta que: "Os sobrepreços refletiram, provavelmente, três aspectos dessa privatização: primeiramente, a adequada definição do marco regulatório; em segundo lugar, o atendimento a interesses estratégicos dos adquirentes que, eventualmente, vêm conduzindo projetos empresariais de caráter internacional; finalmente, a possibilidade oferecida pela legislação de imposto de renda, de lançar o ágio como despesa da empresa adquirida para fins de redução de imposto devido nos dez anos subseqüentes." (grifamos) A questão de criar todo o arcabouço regulatório e jurídico (societário e fiscal) em torno do ágio no processo de privatização fazia parte do próprio modelo proposto à época, como explica Licínio Velasco Jr., Chefe do Departamento de Serviços de Privatização do BNDES, em trabalho “Privatização: Mitos e Falsas Percepções”, a saber: Fl. 4050DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.044 52 “(...) Como no caso do Brasil a questão do déficit público tem forte apelo, a privatização caracterizase como uma política capaz de contribuir para a redução dos problemas de ordem financeira do Estado. E, nesse sentido, modelos tidos em algum nível como maximizadores são importantes para os casos brasileiros. Daí decorre, em grande parte, o fato de os leilões terem sido adotados como o modelo básico de venda, apesar de a própria legislação do PND admitir a venda de ações a preço fixo, de forma a permitir a sua pulverização ao público. Daí decorre, também, a importância atribuída aos ágios obtidos nas vendas em relação aos preços mínimos estipulados. Leilões e ágios têm sido importantes, antes de tudo, no Brasil porque geram apoio à implementação da política pública privatização. Independentemente da questão do tamanho do nosso mercado de capitais, não se poderia imaginar o governo brasileiro, no período analisado, vendendo suas empresas a preço fixo – e atrativo, enfatizese – como no Reino Unido ou mesmo na França.” A rigor, todas as empresas poderiam imediatamente promover a incorporação das holdings criadas pelo Governo Federal, de modo a realizar a dedutibilidade do ágio. Estas empresas precisariam justificar o por quê desta incorporação? Absolutamente não. Aliás, o ilustre Relator afirma isso, verbis: “Conforme já referido, não há dúvidas de que, acaso tivesse a Bitel incorporado a TNC, ou viceversa, a empresa daí resultante teria adquirido o direito à amortização do ágio, nos termos dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, com efeitos fiscais.” E porque assim não o fizeram? A resposta é simples, porque o foram proibidas de fazer pela ANATEL e pela CVM. Com efeito, em novembro e dezembro de 1999, várias empresas de telefonia iniciaram o procedimento para a realização desse tipo de operação, ou seja, da incorporação direta daquelas holdings constituídas pelo Governo que possuía as operadoras e que havia adquirido com ágio no leilão. Ocorre que a CVM, instada a se manifestar, editou, em 3 de dezembro de 1999, a Instrução CVM 319, vedando expressamente essa operação sob pena de configurar “exercício abusivo do poder de controle”, com as penalidades e punições daí decorrentes, nos termos do artigo 17 do referido normativo. A incorporação direta, no caso em comento, encontrava óbice ao menos em dois dispositivos da citada Instrução CVM, a saber: “Art. 15. Sem prejuízo de outras disposições legais ou regulamentares, são hipóteses de exercício abusivo do poder de controle: (...) II a assunção, pela companhia, como sucessora legal, de forma direta ou indireta, de endividamento associado à aquisição de seu próprio controle, ou de qualquer outra espécie de dívida contraída no interesse exclusivo do controlador; Art. 16. Os dividendos atribuídos às ações detidas pelos acionistas não controladores não poderão ser diminuídos pelo montante do ágio amortizado em cada exercício. Não era possível, diante da Instrução CVM acima referida, a realização da operação de incorporação da Bitel pela TNC ou viceversa diretamente, em razão da existência de passivos vinculados à aquisição do controle da TNC. O artigo 15, II do citado normativo vedou essa operação porque a empresa resultante herdaria um passivo em prejuízo dos acionistas minoritários da TNC (lembrese que a TNC pertencia apenas em parte à União). Não bastasse isso, a incorporação da Bitel pela TNC não poderia ocorrer, ainda, pois haveria a redução de dividendos, já que os lucros seriam reduzidos em decorrênciada própria amortização do ágio, o que também Fl. 4051DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.045 53 era vedado pelo artigo 16 da Instrução CVM 319 acima citada. Em razão da vedação imposta pela CVM, a ANATEL deixou de autorizar as operações, nos termos dos artigos 97 e parágrafo único c/c 38 c/c 43 da LGT. Diante desse cenário é que as empresas promoveram a revisão de suas operações. É interessante notar que o “Fato Relevante da Telemar” reflete exatamente essa alteração decorrente da Instrução CVM nº 319, o qual ora se cita por ser contemporâneo e refletir o que ocorrera à época. Após ter publicado fato relevante em 03 de dezembro de 1999, mesma data da referida Instrução, a Telemar publicou novo Fato em 14 de dezembro de 1999 para ajustar toda a operação àquele novo regramento, verbis: “Telemar Participações S.A. (“Telemar”) e Tele Norte Leste Participações S.A. (“TNL”), em cumprimento ao disposto no artigo 157 da Lei nº 6.404/76 e nas Instrução CVM nº 31/84 e as recentes Instruções CVM nº 319/99 e 320/99, vêm a público divulgar o seguinte fato relevante que em sua integralidade rerratifica o Fato Relevante anterior e a respectiva Nota Explicativa publicadas em 03 de dezembro de 1999, passando a constituir a informação oficial da TNL com respeito à operação aqui descrita.” Ainda, esse Fato Relevante da Telemar demonstra que uma nova estrutura de operações societárias iria ser realizada em razão da vedação perpetrada no artigo 15, II e art. 16 da Instrução CVM, que foram assim ressalvadas, verbis: “5. Não Transferência de Passivos: O aproveitamento do Ágio na TNL ocorrerá após uma série de operações societárias que terão por objetivo impedir que sejam transferidos para a TNL, juntamente com o Ágio, quaisquer dívidas oriundas da aquisição das Ações ou outras obrigações da Telemar ou de qualquer outra companhia criada no curso da operação descrita neste fato relevante. (...) 12. Dividendos: A amortização do Ágio não acarretará reflexos negativos sobre o pagamento de dividendos dos acionistas da TNL, comprometendose a Telemar a exercer seus direitos de acionista da TNL de modo a fazer com que os dividendos dos acionistas da TNL não sejam prejudicados em razão da despesa decorrente da amortização do Ágio.” Do mesmo modo, a atender as regras da Instrução 319 da CVM, todas as empresas de telefonia, que seguiram o mesmo modelo estabelecido pelo Governo Federal, tiveram que realizar a transferência do investimento que detinham na holding criada pela União, e que fora adquirida com ágio, para uma nova holding criada especificamente para este fim, isto é, possibilitar a dedução ágio sem que isso afetasse os minoritários e reduzisse a distribuição de dividendos. E essas operações societárias de transferência, como não poderia deixar de ser, passaram pelo crivo da ANATEL, que as autorizou. É exatamente nessa “passagem” que o ilustre Relator enxerga um vício, que será comentado adiante. Em abril de 2000, Elvira Lobato, da Folha de São Paulo, veiculou notícia cujo título era: “União "devolve" ágio de R$ 7,5 bilhões”, na qual relata: “Aos poucos, o Tesouro Nacional está devolvendo ao setor privado os ágios registrados nos leilões de privatização. As seis empresas de energia elétrica e as teles privatizadas receberão de volta (em prazos que variam de 5 a 30 anos) pelo menos R$ 7,5 bilhões em redução de impostos. O benefício, admitido pelas legislações tributária e das S/ As, fica com o controlador. Sete das 12 companhias telefônicas privatizadas pela União no leilão da Telebrás, em julho de 1998, fizeram reestruturações societárias para receber de volta do Tesouro R$ 3,9 bilhões como amortização do ágio e já estão pagando menos impostos. Fl. 4052DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.046 54 As outras cinco teles resultantes do desmembramento e privatização da Telebrás vão seguir o mesmo caminho e já preparam a documentação para também aproveitar o benefício fiscal, no valor aproximado de R$ 1,3 bilhão. O ágio retorna para as empresas sob a forma de redução do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.” Em suma, dos fatos narrados o scritpt do filme é claro: as empresas financiaram à época o Governo Federal, em plena crise mundial, pagando ágios vultosos pela aquisição de participações nas empresas estatais e, em contrapartida, teriam a segurança jurídica de deduzir o ágio em 5 anos na apuração do lucro tributável. Por razões de natureza societária, reconhecidas expressamente pela CVM e pela ANATEL, essas empresas ficaram impossibilitadas de realizar operações de fusão/incorporação diretamente entre si, razão pela qual lançaram mão de veículo legítimo de investimento para viabilizar o aproveitamento do benefício fiscal prometido pelo Governo Federal na forma da lei. Citado procedimento não implicou geração de novo ágio, como também não resultou economia distinta de tributos daquela que seria obtida sem a utilização desse veículo de investimento (repitase, cuja utilização tornouse obrigatória apenas em virtude dos citados normativos societários e regulatórios). A segurança jurídica acima referida foi severamente abalada pelas sucessivas autuações fiscais que glosaram ou impediram a amortização do ágio pago por forçadas privatizações, com intuitivo prejuízo à imagem do marco regulatório brasileiro de concessões. Feito esse panorama e síntese do “filme” a que alude a doutrina de Marco Aurélio Greco, voltase ao voto do ilustre Relator que não vislumbra propósito negocial em parte das operações realizadas pela empresa sucedida pela Contribuinte e, portanto, nega os efeitos fiscais da dedutibilidade do ágio no caso. Verbis: “De fato, a integralização de capital na 1B2B, pela Bitel, com as ações da TNC, não representou qualquer intenção de, efetivamente, constituir empresa que atuasse como holding da participação societária na TNC, tanto assim que a existência da 1B2B foi extremamente breve.” De plano, com a devida vênia, reitero que essa forma de observar o caso peca por olhar o problema de forma segmentada, parcial, a “foto”, e não o todo, o “filme”, conforme critica do próprio renomado tributarista. Visto o filme desde sua origem, como acima sintetizado, não há dúvida de que todas as operações não foram apenas autorizadas, mas sim e principalmente induzidas pelo Governo Federal com um único objetivo: aumentar o valor do ágio no leilão de privatização em contrapartida ao direito de as empresas participantes deduzirem, com segurança, esse ágio posteriormente. Esse, e apenas esse, é o propósito negocial de todas as operações, sendo equivoco, por abstração, analisar apenas parte da “coisa” para conceituala. Reiterese, por relevante, que essa parte não trouxe vantagem tributária “adicional” à contribuinte, mas apenas viabilizou o legítimo exercício de direito resguardado por lei e que não pode ser formalizado pela via exigida pela Fiscalização e pelo ilustre Relator por força de questões de natureza societária/regulatória. O direito à dedutibilidade em referência independe da natureza da própria dedutibilidade engendrada pela Lei n. 9.532/97: ser ou não um benefício fiscal. A realidade é que essa norma, de natureza fiscal, como todo o conjunto de normas de cunho regulatório e societário, teve o propósito primeiro, principal e fundamental de influenciar diretamente e incrementar os preços com ágio ofertados em prol do Governo Federal, conforme amplamente demonstrado acima. Vejase que o Professor Luis Eduardo Schoueri, no livro citado pelo ilustre Relator, a despeito de não reconhecer a natureza de “benefício fiscal” da Lei n. 9.532/97, reconhece logo a seguir ao trecho citado no voto ora em comento que a partir desse normativo existiu maior segurança jurídica a respeito da dedutibilidade do ágio. Verbis: Fl. 4053DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.047 55 “Como antigamente não havia qualquer coerência e consistência para a dedução do ágio, a falta de regulamentação específica estava sendo utilizada para distorcer a lógica do sistema, o que gerou motivação suficiente para que o legislador barrasse esses artifícios prejudiciais à completude do ordenamento jurídico. Verificando esse panorama que adveio com a nova regulamentação fiscal em matéria de ágio, Ricardo Mariz de Oliveira e João Francisco Bianco observaram que “a nova lei não ignora a existência dos ágios e deságios e não obriga, pura e simplesmente, que eles sejam descartados, pois passa a preserválos e a reconhecerlhes efeitos no devido tempo, conforme as circunstâncias de cada caso”. Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei nº 9.532/1997, adveio um cenário diferente em matéria de dedução fiscal de ágio. Desde então, restringiramse as hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso de incorporação entre pessoas jurídicas, com a imposição de limites máximos de dedução em determinadas situações. Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica que lhe seja conferida. Por outro lado, verificada a hipótese do art. 7º da Lei nº 9.532/1997 e atendidos os requisitos ali constantes, não há como se negar a dedutibilidade do ágio. Tratase de regra específica e de exceção, cujos requisitos, uma vez atendidos pelo contribuinte, afastam a regra geral consistente na indedutibilidade do ágio.” Enfim, é de senso comum a afirmativa de que todo o arcabouço jurídico perpetrado de 1995 a 1998 (regulatório, societário e fiscal) teve e gerou o resultado almejado pela União Federal de obter vultosos valores de ágio. Do ponto de vista fiscal, a contribuição para isso se deu com a garantia de dedutibilidade do ágio para aquelas empresas que o pagaram ao Governo Federal. Com a devida vênia, não se pode, 15 (quinze) anos mais tarde e após todos esses acontecimentos, achar que são isolados (a) o pagamento do ágio e (b) a segurança dada pela Lei nº 9.532/97 às empresas de deduzirem o ágio para efeitos fiscais. Não parece ser adequado separar o “filme” em duas partes, em razão de fato novo gerado pela CVM, de proibir a incorporação direta em vista do endividamento de uma das empresas e da inevitável redução de dividendos aos acionistas minoritários. O fato é que todo esse arcabouço encontra se enquadrado nas ditas"condutas desejadas (induzidas)", as quais o professor Marco Aurélio Greco assevera estarem fora do rol das operações que ele entende que sejam tidas como planejamento tributário (inoponível ao Fisco), nada obstante possam levar ao recolhimento menor de tributos. Para Greco: "O segundo conjunto de hipóteses que deve ser apartado do planejamento tributário compõese das situações em que o ordenamento positivo deseja certo resultado e veicula preceitos no sentido de viabilizar ou induzir condutas dos destinatários da norma.E estas condutas podem, em certos casos, até mesmo levar a um tributo menor. Este conjunto engloba duas principais categorias: a denominada extrafiscalidade pura; e, particularmente, o engajamento do contribuinte em programas de incentivo. Menciono separadamente estas duas figuras, pois embora tenham base conceitual comum (utilizar o instrumento jurídico para induzir comportamentos humanos), a prática mostra que, por um lado, existem situações em que o objetivo visado pela norma é alcançado por outro lado, o atingimento do objetivo depende de um maior esforço do destinatário, muitas Fl. 4054DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.048 56 vezes consistente na realização de investimentos vultosos ou na formulação de compromissos de desempenho (exportar, incrementar produção, etc).” O que importa para configurar a conduta desejada (induzida), como explicitado por Greco, é que o ordenamento positivo veicule determinadas condutas do destinatário visando alcançar determinado objetivo, estabelecendo “o engajamento do contribuinte em programas de incentivo.” Veja que Greco fala simplesmente em programas de incentivo, de forma genérica, sem condicionar a que esse implique em redução de tributo. O ordenamento jurídico, mais precisamente, a Lei Complementar nº 101/00, reconhece que há incentivo sem necessariamente existir renuncia de receita, ao estabelecer que: “Art. 14.A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentáriofinanceiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos uma das seguintes condições: (...) § 1º A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado.” Enfim, a indução querida pela União Federal com todo o arcabouço jurídico montado para viabilizar e tornar um sucesso o leilão de privatização implica assegurar às empresas participantes a dedutibilidade do ágio pago. Reiterese, esse é o único propósito negocial que justifica as operações realizadas pela Contribuinte. Nesse passo cabe ainda uma ponderação. Será que a mera dúvida quanto a ser ou não um benefício fiscal já não seria suficiente para mostrar a boafé objetiva do contribuinte e, demonstrar, no caso que toda a operação teve uma razão de ser, que não a simples tributária, e teve origem no pagamento do ágio nas privatizações? O próprio Relator assevera “que há muitos juristas e doutrinadores – quiça a maioria – que tratam os referidos artigos 7º e 8º como incentivo fiscal à privatização”, demonstrando que até mesmo o Poder Legislativo, nos debates sobre a possibilidade de revogação desses dispositivos, o tratavam como um incentivo dado pela legislação às privatizações. No ponto, por considerar que a manifestação do Poder Legislativo é relevante em qualquer interpretação jurídica por constituir parte do acervo histórico, da interpretação histórica, pedese vênia para reproduzir parte do voto proferido no Acórdão 1301000.711, em caso de interesse da Tele Norte Leste Participações S.A., acolhido à unanimidade de votos pela Primeira Turma, da 3ª Câmara da Primeira Seção dessa Corte, verbis: “Aliás, o Poder Legiferante não apenas reconhece a ligação ontológica entre o ágio pago e as regras de dedutibilidade previstas na Lei nº 9.532/97, mas reconhece também que esta norma legal foi um incentivo à reestruturação societária de empresas tão necessárias à economia nacional. Com efeito, foi apresentado pelo então Deputado Waldemar da Costa Neto o Projeto de Lei nº 2.922A, de 2000, que propunha, em seu artigo 1º, a revogação do inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532/97, ao argumento de que ser “absurdo o benefício fiscal que ela concedeu às empresas vencedoras dos leilões de privatização de empresas estatais.” Fl. 4055DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.049 57 Posteriormente, foi apresentada a este Projeto de Lei emenda propondo a sua supressão, ou seja, a manutenção integral do artigo 7º da Lei nº 9.532/97 no ordenamento jurídico, com a seguinte justificativa: “Propomos a supressão do dispositivo, tendo em vista afetar negativamente o tratamento contábil relativo às operações de reorganização societária e, conseqüentemente, o desenvolvimento da economia nacional. Como se sabe, os processos de privatização de empresas estatais e concessão dos serviços públicos têm justamente o objetivo de fortalecer a economia, transferindo aos particulares o controle e a administração de companhias estatais. Desta forma, andou bem o Estado ao promover a privatização de suas empresas, visando justamente incrementar a situação financeiraeconômica do país. Inclusive, a forma de contabilização atualmente prevista no inciso III do art. 7o da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, representou um incentivo para que as empresas privadas participassem dos programas de desestatização. Neste sentido, podemos até dizer que um dos principais incentivos apresentados pelos processos de privatização está inserido na seara fiscal, eis a razão pela qual o benefício fiscal do inciso III do Art. 7o da Lei nº 9.532, de 1997, se faz necessário. A amortização do ágio efetivamente pago, com o fundamento na rentabilidade futura da empresa adquirida, é perfeitamente justa. O ágio consiste num “plus” no valor da empresa negociada, podendo ser bastante subjetivo, devendo, portanto, ser amortizado ao longo do tempo. O ágio, muitas vezes, representa um substancial valor no preço total de negociação de uma empresa. A amortização a longo prazo permite que a empresa adquirente consiga “digerir” o investimento efetuado de uma forma equilibrada, o que incentiva as reorganizações societárias. As demonstrações financeiras da empresa adquirida, por meio de privatização ou não, registram apenas o valor contábil da própria empresa. O eventual ágio a ser pago, que pode ser bastante relevante, não integra o patrimônio líquido da empresa adquirida; na verdade, podemos dizer que representa uma despesa necessária (do ponto de vista da empresa adquirente) para a aquisição ou reorganização. Na categoria de despesa, deve ter o tratamento apropriado para tanto. Importantíssimo ressaltar que a amortização do ágio não traz qualquer lesão ao patrimônio público, até porque o assunto faz parte das normas contábeis e dos princípios geralmente aceitos. Ora, não se pode dizer que a aplicação de um princípio contábil, qual seja, amortização do ágio, traz lesão ao poder público, pois muitos desses princípios são legalmente previstos. Além disso, não há que se falar em prejuízo, porque prejuízo pressupõe a necessária apuração de perda, o que não é o caso. A amortização de ágio é uma tradição contábil e fiscal e representa a verdadeira harmonização entre as normas contábeis e o tratamento tributário. A supressão do referido inciso III do art. 7o da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, representará um desastroso descasamento com relação a esses aspectos e terá conseqüências negativas, porque a proposta representa um desincentivo às reorganizações societárias (inclusive às privatizações), o que culminará com o enfraquecimento da economia nacional e, aí sim, o patrimônio público será lesado. Fl. 4056DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.050 58 Também é importante lembrar que a aprovação do dispositivo prejudica enormemente todas as reorganizações societárias praticadas por empresas privadas, e não só as vencedoras dos leilões de privatização. A aprovação do dispositivo seria um retrocesso na tentativa de reerguer o país, já que representa a imposição de mais um ônus injusto e desnecessário às empresas, e por conseqüência, à população em geral. O Brasil precisa de medidas construtivas, bem estudadas, para que finalmente consiga atingir o desejado equilíbrio econômico. Ante a todo o exposto, o mais correto é suprimir o referido art. 1° do Projeto de Lei n° 2.922, de 2000, que revoga o inciso III do art. 7o da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, fazendo justiça ao próprio projeto de desenvolvimento econômico do país. Sala das Comissões, 22 de agosto de 2003.” Posteriormente, o Relator da questão junto à Comissão de Finanças e Tributação, em seu voto, acolheu integralmente as ponderações apresentadas quando da apresentação da emenda supressiva, asseverando, quanto ao mérito, em seu voto que: “No tocante ao mérito, julgamos conveniente e oportuna a atual sistemática de amortização do valor do ágio, a qual guarda perfeita harmonia com as normas contábeis e com o tratamento tributário. Como o ágio, decorrente da expectativa de rentabilidade positiva do investimento, pode representar um significativo acréscimo no preço total de negociação da empresa, a sua amortização permite que investimento feito nessa empresa seja diluído em determinado período. Estimulase, assim, o investimento em outras empresas e a reorganização societária, tão importantes num contexto de baixo crescimento econômico do país. O investimento em outras empresas e a reorganização societária contribuem para o fortalecimento das bases da economia nacional. Acrescentese ainda que o número de privatizações das empresas estatais a que se referem os autores dos projetos de lei em epígrafe diminuiu significativamente nos últimos anos. Não se deve alterar a legislação tributária vigente com base em argumentos tidos como válidos em outra realidade.” E mais, o próprio ilustre Relator demonstra, citando trechos, que em todos os atos praticados pela Contribuinte, esta trata toda esta situação como sendo própria de um benefício fiscal. O Protocolo de Justificação da Incorporação da 1B2B pela TNC é textual ao afirmar que, verbis: “... a incorporação em tela objetiva fortalecer a estrutura financeira da incorporadora e/ou suas controladas, através do incremento da sua capacidade de geração de fluxo de caixa e de investimento, fortalecimento este que ocorrerá através do aproveitamento pela Incorporadora e/ou suas controladas em suas operações do benefício fiscal representado pela despesa de amortização do Ágio, nos termos do artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97.” Ou seja, tudo e todos juristas, articulistas, imprensa, legislador e a Contribuinte consideravam a situação apresentada à época como sendo um benefício fiscal. Assim, seria legítimo, por meio de uma interpretação ao método desenvolvido por Greco, desconsiderar tudo isso, e principalmente a boa fé, para simplesmente, após 15 anos, dizer que uma operação , que do ponto de vista jurídico não possui vício de nulidade ou anulabilidade e que não trouxe qualquer vantagem tributária que não aquela já conferida pela legislação , é “inoponível ao Fisco”? Com a devida vênia, tratase de posição extremada que o próprio Greco rechaçou na 3º Edição de seu livro “Planejamento Tributário”, de 12/10/2011. Diz o ilustre tributarista, verbis: Fl. 4057DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.051 59 “Lembrando as lições de Van de Kerchove e François Ost sobre a relação entre Direito e “jogo”, é importante acentuar que, no caso do planejamento tributário, não se pode passar do “jogo” do “tudo permitido” para o “jogo” do “tudo proibido”. É essencial existirem regras e critérios claros e previamente postos, que levem a soluções ponderadas e não extremadas. Um verdadeiro “jogo” saudável e não uma perseguição sem tréguas.” É inadequado o abandono a toda a boa fé da Contribuinte e de todos aqueles que sustentaram que o investimento era verdadeiramente um benefício fiscal para justificar a glosa da amortização respectiva. A questão de a Lei n. 9.532/97 constituir ou não um benefício fiscalé despicienda na solução do litígio, pois,como salientado, a lei representou algo maior do que um simples benefício fiscal, mas verdadeiro incremento à própria privatização. Contudo, sobre o tema, vale notar que a Lei Complementar nº 101/00 define as hipóteses consideradas como sendo concessão de incentivo ou benefício fiscal, abarcando, dentre outras hipóteses “a modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado.” Como demonstrado acima, a Lei n. 9.532/97 criou, concedeu, nova redução de base de cálculo de tributo de forma discriminada e sob condições específicas, e que até então era inexistente. Introduziu algo novo em matéria de dedutibidade de ágio e de forma específica e discriminada. Aliás, é a própria Exposição de Motivos que assevera ter disposto sobre a “regulação legal relativa a esse assunto”. A aparente restrição trazida pela nova regulação do ágio, na verdade, é uma discriminação introduzida pelo legislador, que se enquadra como uma “ modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições”. O dispositivo acaba com a possibilidade da dedução geral, ampla, que, esta sim, não poderia ser considerada um benefício fiscal, por ser uma redução indiscriminada, e cria uma dedutibilidade específica, pontual, inclusive melhor e mais vantajosa para essas situações especificas do que as que tinham essas mesmas situações na legislação anterior. As vantagens foram acima explicitadas, mas cabe arrolálas de forma sucinta: Regime de dedutibilidade do ágio na extinção do investimento por incorporação, fusão ou cisão Art. 34 da Dl 1598 Arts. 7 e 8 da L 9.532 Limitação quantitativa Limitado ao valor de mercado do acerco líquido Não há limitação, deve apenas ser justificado por meio de laudo demonstrando a rentabilidade futura. Em hipótese de incorporação reversa Inexiste Expressamente autorizada Portanto,a Lei n. 9.532/97 efetivamente concedeu um benefício fiscal mediante nova redução de base de cálculo de tributo de forma discriminada e sob condições específicas, e que até então eram inexistentes, enquadrandose perfeitamente naquilo que Greco denominou de "condutas desejadas (induzidas)" e que não configurariam planejamento tributário inoponível ao fisco. Nesse mesmo sentido foi a decisão proferida no caso da Telemar Norte Leste Participações S/A, acórdão acima citado, cujo trecho do voto condutor ora se pede vênia para adotar como razão de decidir nessa oportunidade, verbis: “Por sua vez, a Lei nº 9.532/97, deu um tratamento diverso ao ágio reconhecido nos termos do artigo 20 do Decretolei n. 1598/77, e o fez apenas para efeito fiscal. Regulou o aproveitamento do ágio condicionado ao evento absorção do patrimônio e montante ao Fl. 4058DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.052 60 longo de determinado prazo. Com efeito, a cabeça e o inciso III do artigo 7º da Lei 9532/97, prescrevem o seguinte: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: ... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração;” Assim, este dispositivo previu a amortização do ágio com fundamento em rentabilidade futura apenas para efeitos fiscais, tanto que a norma fala em “balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração”. Em outras palavras, estabeleceu o dispositivo uma nova regra para a utilização do ágio, diferente daquela prevista anteriormente, possibilitando o contribuinte, sob determinada condição (absorver o patrimônio) e por prazo certo, forma de reduzir a base de cálculo do IRPJ mensalmente por, ao menos, 60 meses. No presente caso, o auto de infração e a decisão recorrida suprimiram este benefício fiscal ao criarem condições inexistentes na própria legislação tributária, mais precisamente, no inciso II, do artigo 7º, da Lei nº 9.532/97. Esse dispositivo condicionou a amortização do ágio apenas e tão somente à absorção do patrimônio da investida pela investidora ou viceversa (art. 8º da norma legal), absorção esta que só pode ocorrer mediante incorporação, cisão ou fusão. Vejase que o evento condicionante trazido pela norma não é, em si, a incorporação, fusão ou cisão, mas sim a absorção do patrimônio. E por que a absorção do patrimônio foi determinada como evento condicionante para o contribuinte usufruir o benefício condicional? Simples! Porque com a absorção do patrimônio este ágio simplesmente desaparece, na medida em que há uma confusão do patrimônio de uma empresa com a outra. O artigo 219 da Lei nº 6.404/76, é claro ao dizer que: “extinguese a companhia: I pelo encerramento da liquidação; II pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades.” Veja que o inciso III, do artigo 7º, da Lei nº 9.532/97 abarca apenas as extinções realizadas mediante incorporação, fusão ou cisão, e não abarca a regra do encerramento por liquidação, em que o ágio será considerado perda de capital. No caso dos autos ocorreu este evento, conforme se denota de todos os documentos acostados; a TNL absorveu o patrimônio da empresa 140 PARTICIPAÇÕES, que foi extinta, fazendo desaparecer, pela confusão patrimonial, o ágio existente. Fl. 4059DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.053 61 Portanto, a condição da regra fiscal foi cumprida, fazendo jus, o contribuinte, a usufruir no prazo determinado (mínimo e máximo estipulado) o beneficio fiscal estabelecido, que não pode ser revogado por uma nova norma legal, e muito menos por ato administrativo, como é o auto de infração. Na verdade, há uma total inversão da questão no caso. Uma coisa é o contribuinte utilizarse de negócios jurídicos para obter vantagens fiscais. Como é sabido, este Conselho vem reiteradamente rechaçando operações, como a denominada “casa e separa”, ou mesmo o “ágio interno”, quando a causa da operação societária é tão somente a criação de uma vantagem fiscal. Outra coisa completamente diversa é quando a legislação tributária cria regra fiscal para regular a utilização pelo contribuinte de determinadas “vantagens fiscais” (dedução de despesa, amortização, etc.), trazendo e regulando em seu bojo eventos, por exemplo, elementos e situações do direito societário, civil ou comercial. Nas perdas no recebimento de créditos, por exemplo, a legislação fiscal – RIR/99 criou uma série de regras para possibilitar a sua dedução, dispondo que: Art. 340. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º). § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 1º): I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até cinco mil reais, por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de cinco mil reais, até trinta mil reais, por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a trinta mil reais, vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; De fato, na maioria dos casos, por questões de mercado, os comerciantes só iniciam uma cobrança administrativa ou judicial da dívida em casos extremos. Tentam, em primeiro plano, todas as formas para cobrar a dívida amigavelmente, como, aliás, faz a própria Receita Federal do Brasil para cobrar seus créditos. Fl. 4060DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.054 62 Porém, o comportamento de ingressar com medida judicial pode ser alterado em razão de aspectos estritamente fiscais, com o intuito de o contribuinte obter a dedutibilidade da perda com o crédito. Assim, por exemplo, se o contribuinte possui um crédito de R$ 500.000,00, vencido há mais de um ano, pode iniciar o processo judicial por motivos exclusivamente fiscais, isto é, para obter a dedução da perda como despesa. E neste caso, não cabe ao intérprete perquirir se este processo judicial é procedente ou improcedente, razoável ou não razoável, bom ou ruim. A lei fiscal não trouxe esses elementos qualificativos do evento que condiciona a dedutibilidade da perda. Na verdade, neste e noutros casos, a lei fiscal induz o comportamento, ou seja, interfere na própria vontade do contribuinte. A vontade, o impulso que leva a prática da ação é eminentemente fiscal. Realmente, não há qualquer abusividade ou ilicitude no caso de o contribuinte realizar determinado negócio jurídico motivado por vantagens fiscais instituídas pela legislação. O que é ilícito, por ser abusivo, seria a causa de o negócio jurídico ser a vantagem fiscal. Não há ilícito o fato de a motivação ser fiscal. Este é o ponto fundamental, pois causa e motivo são coisas distintas. A causa é de natureza objetiva, enquanto que o motivo é subjetivo. O motivo constitui a causa impulsiva, a causa, a causa final. MOREIRA ALVES, resume bem a questão, quando ensina que: “a causa de um negócio jurídico difere dos motivos que levaram as partes a realizálo. Com efeito, a causa se determina objetivamente (é a função econômicosocial que o direito objetivo atribui a determinado negócio jurídico); já o motivo se apura subjetivamente (diz respeito aos fatos que induzem as partes a realizar o negócio jurídico). No contrato de compra e venda, a causa é a permuta entre a coisa e preço (essa é a função econômicosocial que lhe atribui o direito objetivo; essa é a finalidade prática a que visam, necessária e objetivamente, quaisquer que sejam os vendedores e quaisquer que sejam os compradores); os motivos podem ser infinitos (assim, por exemplo, alguém pode comprar uma coisa para presentear com ela um amigo). (...) A distinção entre causa e motivo é importante porque, em regra, a ordem jurídica não leva em consideração o último.” Assim, a título de síntese, enquanto a causa é a função típica de determinado negócio jurídico, o motivo é a razão metajurídica que levou a pessoa a realização do mesmo, que só influenciará na órbita jurídica se esta motivação for ilícita (art. 166 do CCv.). O problema da reorganização societária “ilícita” do ponto de vista tributário está quando a causa, isto é, a função econômicosocial que o direito objetivo atribui a determinado negócio jurídico, é distorcida para criar, instituir ou estabelecer uma vantagem fiscal. Aliás, a própria decisão recorrida cita casos em que o vício encontrase na causa típica dos negócios jurídicos, como no acórdão 10196.724, que tratou de “ágio fabricado internamente”. Neste caso, a operação societária cria um ágio artificialmente, para assim obter a vantagem fiscal. Fl. 4061DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.055 63 O vício está na formação do ágio e não no seu aproveitamento posterior, quando da incorporação. Entretanto, é óbvio que o vício do ágio macula o seu próprio aproveitamento. Mas se o ágio é legítimo como no caso em tela, o seu aproveitamento deve seguir a causa típica estipulada no ordenamento para a incorporação de empresas. Se na compra e venda a causa é a permuta entre a coisa e preço, como asseverou Moreira Alves, na incorporação a causa típica é a absorção de uma ou mais sociedades por outra; esta é a função econômicosocial que lhe atribui o direito objetivo, como deixa patente o art. 227 da Lei nº 6.404/76, verbis: “Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações.” A absorção do patrimônio de uma empresa por outra é a finalidade prática a que visam, necessária e objetivamente, quaisquer que sejam as empresas incorporadoras e incorporadas, constituindo, esta, por conseguinte, a sua causa típica. E foi exatamente esta causa típica, a pessoa jurídica absorver o patrimônio de outra, estipulada pelo artigo 7º, III, da Lei nº 9.532/97, como condição para o contribuinte usufruir da regra do benefício fiscal oneroso. Neste caso, a lei concede o benefício fiscal, e condiciona o seu aproveitamento, isto é, a vantagem fiscal estipulada em lei, à pessoa jurídica absorver o patrimônio de outra. Tratase de indução da norma fiscal à realização de absorção de patrimônio de empresa por intermédio de incorporação, cisão ou fusão, o que não passou despercebido do, que corroborou isso ao vetar o projeto de lei que pretendia revogar a norma isencional em tela, como acima demonstrado.” Apenas para concluir sobre esse tema, assevera o ilustre Relator que as regras da Lei n. 9.532/97 “são válidas para todo e qualquer evento de fusão, incorporação ou cisão que implique a extinção de participação societária anteriormente adquirida com ágio”, razão pela qual, conclui ele, não haveria nenhum elemento na referida Lei que expressamente a vincule ao Programa Nacional de Desestatização. O fato de não existir menção expressa na lei não quer dizer que essa vinculação não exista. Segundo os critérios de interpretação jurídica ordinariamente aceitos (lógico, sistemático e, principalmente, o histórico2), é possível colher o exato sentido do texto normativo e, no caso, sua clara vinculação aos processos de privatização. Não é o fato de a norma ser genérica que impede ao intérprete atribuir a ela interpretação especifica na aplicação a um determinado caso, pois, como ensina Eros Roberto Grau, “a norma é produzida, pelo intérprete, não apenas a partir de elementos colhidos no texto normativo (mundo do deverser), mas também a partir de elementos do caso ao qual será ela aplicada, isto é, a partir de dados da realidade (mundo do ser)”.Complementando, o ilustre Professor Titular da Universidade do Largo de São Francisco preleciona que: “Logo, o que incisivamente deve aqui ser afirmado, a partir da metáfora de Kelsen, é o fato de a “moldura da norma” ser, diversamente, moldura do texto, mas não apenas dele; ela é, 2A interpretação histórica é “aquela que indaga das condições de meio e momento da elaboração da norma legal, bem assim das causas pretéritas da solução dada pelo legislador”, como ensina Limongi França, e é fundamental, além das demais, para compreender a questão dos autos. Fl. 4062DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.056 64 concomitantemente, moldura do texto e moldura do caso. O intérprete interpreta também o caso, necessariamente, além dos textos, ao empreender a produção prática do direito.” Ou seja, toda a interpretação ora engendrada serve para o caso, e, quanto muito, como jurisprudência, para casos semelhantes. Veja que é a necessidade de se analisar o texto à luz do contexto fático do problema é que possibilita a análise das questões envolvendo o ágio caso a caso. Quando o ilustre Relator, nos autos desse processo, isola parte da operação societária e afirma que esta teria objetivos estritamente fiscais, sem propósito negocial, promove exatamente uma análise do texto da lei à luz de uma situação específica, a situação que entendeu por bem analisar, a segunda parte do filme. A discordância ora trazida nesse voto é , a par de encontrar justificativa extrafiscal (regulatória/societária, reconhecida pela própria CVM) para a operação tida como sem propósito negocial pelo voto em comento, defender que a análise seja realizada à luz de todo o contexto em exame, isto é, de todo o “filme” citado na doutrina de Greco. Em conclusão, peço vênia para citar trecho da ementa do Acórdão n. 1301000.711, proferido à unanimidade de votos dos Conselheiros da 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção dessa Corte em caso similar ao presente, que sintetiza o quanto mencionado nos parágrafos anteriores. Verbis: (...) INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃODE ÁGIO –ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCALINOPONÍVEL AO FISCO – INOCORRÊNCIA. No contexto do programa de privatização das empresas de telecomunicações, regrado pelas Leis9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resulta do aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. ABUSO DE DIREITO. Afigura de “abuso de direito” pressupõe que oexercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, nãopodendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovadapelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistasminoritários), e não violálos.Não se materializando excesso frente ao direitotributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se nãohouvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário,pois a utilização da empresa veículo deuse,exatamente, para a proteção dosacionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar asamortizações do ágio. O quanto alegado acima aplicase tanto à hipótese de falta de adição da amortização de ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, quanto na parte que se refere à exclusão tida como indevida de amortização de ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Tal assertiva decorre do fato de que não há vedação legal ao procedimento adotado pela Contribuinte; muito ao contrário, a legislação autoriza o aproveitamento fiscal integral do ágio pago ao Governo Federal pela aquisição de ações de empresas de telecomunicações à época das respectivas privatizações, o que não ocorreria caso não fosse permitida a exclusão em referência. Aplicase, também, à CSLL cuja base de incidência é o resultado do exercício, antes da provisão do IRPJ, o qual é afetado pela amortização do ágio em questão. Em sentido contrário ao defendido pela PGFN, há precedentes dessa Corte no sentido de que o ágio não necessitaria sequer ser adicionado à base de cálculo do tributo, aí sim por ausência de previsão legal. Portanto, conferindo coerência aos julgamentos, mostrase necessário, ainda, observar a jurisprudência deste Conselho e os julgados já proferidos por esta E. Turma. Fl. 4063DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.057 65 INFRAÇÃO 2. Exclusão indevida de ágio não registrado no Lalur pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 2000 a 2004). Contanos a fiscalização que foi constatado nas operadoras diversas exclusões na apuração do lucro real (Lalur) e na base de cálculo da CSLL a título de valores referentes a parcelas do ágio amortizadas contabilmente pela Bitel e 1B2B antes da transferência do ágio da TNC para as operadoras. A fiscalização afirma que esses valores deveriam ter sido adicionados na parte A e controlados na parte B do Lalur da Bitel e da 1B2B, cuja exclusão somente aconteceria quando da alienação do investimento (art. 426 do RIR/99). Contudo, verificouse que esses valores registrados na parte “B” do Lalur das empresas Bitel e 1B2B foram indevidamente transferidos para o Lalur das operadoras. A respeito do assunto, argumenta que “a legislação do IRPJ não autoriza tal procedimento, permitindo a exclusão via Lalur apenas quando da alienação do investimento pela investidora, no caso a Bitel; e nas hipóteses do art. 386 do RIR/99, onde há a extinção do investimento pela unificação patrimonial, ocorrida com a incorporação da investida pela investidora, ou visse versa, fato não ocorrido na situação em questão, as parcelas amortizadas passam a ter registro e controle exclusivamente contábil, não mais se admitindo controles via LALUR.” No Lalur os valores excluídos foram registrados com os históricos: "Integridade do Patrimônio Líquido contas 143/21173 ou C404013086/92" ou no ano 2000 "Integridade do Patrimônio Líquido contas 143/21173 Amortização Ágio da 1 B2B/Bitel". Esclarece a fiscalização que nos anos de 2001 a 2004 no histórico "Integridade do Patrimônio Líquido contas 143/21173 ou C404013086/92" foram registradas juntamente com a parcela sob análise a reversão da Provisão para Manutenção da Integridade do Patrimônio Líquido (“PMIPL”), porém os valores relativos a essa reversão não compõem os valores glosados pela fiscalização. Analisando a controvérsia, a decisão recorrida afirmou que o fundamento econômico para a constituição do ágio, em todos os momentos, desde a privatização, passando pela integralização de capital da 1B2B pela Bitel, até a incorporação da 1B2B pela TNC, sempre foi a expectativa de rentabilidade futura. Assim, o ágio pago por expectativa de lucros futuros deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados de exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. Dessa forma, com o passar do tempo e a realização dos lucros futuros na TNC, pelas quais a Bitel pagou um substancial ágio, esse vai se amortizando. Esse processo prossegue quando a 1B2B se torna controladora da TNC, de forma que do ágio original pago no leilão de privatização, parte dele não se justifica mais, já que a expectativa de rentabilidade futura entre o leilão de privatização e a incorporação da 1B2B pela TNC já ocorreu. Por isso, não haveria qualquer fundamento econômico no procedimento da Recorrente em tentar trazer o ágio já amortizado entre 1998 e 2000 para ser novamente amortizado, ainda que em termos fiscais, no período a partir de 2001. Afirma que, o ágio amortizado na Bitel e na 1B2B o foi não somente em termos contábeis, mas também em termos fiscais, embora não tivesse qualquer efeito para apuração do IRPJ e da CSLL, uma vez que não Fl. 4064DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.058 66 se poderia cogitar de se aplicar a regra do art. 386 do RIR/99, como feito posteriormente do da incorporação da 1B21 pela TNC. A Recorrente por sua vez, afirma que a parcela em questão não afetou as bases de IRPJ e CSLL nos períodos em que amortizado contabilmente, já que em tais anos ainda não havia ocorrido a reunião entre a investidora e as investidas e, justamente por isso, a sua amortização contábil foi registrada na parte B do LALUR, a fim de ser levada ao resultado fiscal apenas quando atendidos os pressupostos dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Esclarece que o ágio amortizado contabilmente é controlado no LALUR para a apuração do ganho de capital na alienação do investimento (RIR/99, art. 391). Assim, se como para determinação do ganho ou perda de capital a legislação fiscal estabelece tratamento próprio, desprezando a amortização ocorrida, não há motivo para aplicar entendimento diverso no que se refere à sua dedutibilidade quando realizada operação de fusão, cisão ou incorporação. Afinal, a determinação do controle, via LALUR, ocorre justamente porque haverá algum reflexo fiscal em momento futuro. A explicação para tanto, continua, decorre da constatação de que a amortização do ágio para a formação do lucro líquido tem por base critérios econômicos dissociados dos parâmetros previstos na legislação tributária. Enquanto para o lucro líquido ele deve ser amortizado de forma proporcional ao prazo de duração do contrato de prestação do serviço sob concessão e independentemente de fusão, cisão ou incorporação (Inst. CVM 247/96, art. 14, § 2º, “b”), para fins fiscais, ele só era (e continua a ser) passível de registro após a realização de uma das operações societárias descritas, além de não poder ser apropriado em menos de 5 anos (Lei 9.532/97, art. 7º, III). Portanto, respeitados a implementação do ato societário e o lapso temporal mínimo, não há qualquer impedimento para que o ágio amortizado contabilmente não possa ser deduzido na apuração das bases de IRPJ e CSLL. Entendimento diverso levaria a distinção de tratamento entre sociedades que estejam na mesma situação da Recorrente e pessoas jurídicas que procedem à incorporação, fusão ou cisão antes do início da amortização contábil do ágio, sem que o critério utilizado como fator de discriminação esteja previsto no texto legal. Nesses termos, pleiteia que as exações fiscais sejam canceladas, já que a parcela do ágio que era mantida no LALUR não havia afetado o resultado tributável até então, bem como por não haver restrição na legislação a proibir a sua apropriação nas bases de IRPJ e CSLL após já ter sido registrado na formação do lucro líquido. Nesse ponto, também adoto as razões de decidir do acórdão nº. 1102 001.077, citado acima. É de se ressalvar, contudo, que, nessa parte, o voto vencedor foi do Conselheiro Relator João Otávio Oppermann Thomé. Passo a transcrever os fundamentos: (...). Inicialmente, foi editado o DecretoLei nº 1.598/77, o qual, no seu art. 20, assim dispôs a respeito do desdobramento do custo de aquisição do investimento e da indicação dos fundamentos: “Art 20. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II – ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. Fl. 4065DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.059 67 § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. (...)” Vêse, assim, que os fundamentos indicados nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do § 2º acima transcrito correspondem aos mesmos fundamentos apontados pela legislação societária/contábil. Já quaisquer outros fundamentos que a legislação societária/contábil possa vir a reconhecer e expressamente normatizar a respeito, encontramse albergados pela alínea ‘c’ do § 2º acima transcrito (“outras razões econômicas”), a exemplo do ágio decorrente da aquisição do direito de exploração, concessão ou permissão delegadas pelo Poder Público. E, quanto à amortização, inicialmente previa o art. 25 do DecretoLei nº 1.598/77 uma regra específica para a amortização do ágio ou deságio fundamentado na diferença entre o valor de mercado e o valor contábil dos bens, que diferia daquela aplicada aos demais fundamentos. Contudo, o Decretolei nº. 1.730/79, ao dar nova redação ao art. 25 do DecretoLei nº 1.598/77, desfez esta ressalva e determinou que, ao ágio com este fundamento (diferença entre o valor de mercado e o valor contábil dos bens), fosse aplicada a mesma regra que o diploma legal já previa para os demais fundamentos. Assim, consolidouse o tratamento dispensado à amortização do ágio, para fins fiscais, nos seguintes termos: “Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. (Redação dada pelo Decretolei nº. 1.730, 1979)” O art. 33 trata da apuração de ganho de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido. Vejase que a lei fiscal deixou, assim, de possuir qualquer comando relativo à forma como deveria ser feita a amortização do ágio ou deságio, deixando tal regulamentação inteiramente a cargo da legislação societária e contábil. Dito de outra forma, qualquer que fosse a forma ou critério utilizado contabilmente, o que importa é que, para fins fiscais, o valor desta amortização deveria ser “estornado” ou “revertido” na apuração do lucro real. Contudo, a lei fiscal previu algumas hipóteses específicas, vinculadas à apuração de ganho de capital, em que a amortização do ágio ou deságio poderia ter reflexos fiscais. Inicialmente, vejase o que dispôs o art. 31 do DecretoLei nº 1.598/77 a respeito do ganho de capital: “Art 31 Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte, corrigido monetariamente e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. (...)” O art. 33 contém justamente uma disposição especial a respeito do ganho ou perda de capital, nos seguintes termos: “Art 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; Fl. 4066DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.060 68 II – ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº. 1.730, 1979) III ( Revogado pelo Decretolei nº. 1.730, 1979) IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. (...)” Portanto, no caso específico de alienação ou liquidação do investimento, determinou a lei fiscal que o ágio ou deságio anteriormente amortizado contabilmente fosse considerado, para fins fiscais, na apuração do ganho de capital, a par da consideração no cálculo deste ganho de capital, também, do ágio ou deságio ainda não amortizado. Por força desta disposição específica da lei fiscal é que o RIR/99, a exemplo dos Regulamentos anteriores, traz inserto, em parágrafo ao art. 391, a determinação para que seja mantido controle, no LALUR, da amortização contábil do ágio ou deságio, nos seguintes termos: “Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº. 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº. 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426).” Outra ocorrência específica, à qual a lei fiscal também determina a apuração de ganho de capital, e em que a amortização do ágio ou deságio pode vir a ter reflexos fiscais, é tratada no art. 34 do DecretoLei nº 1.598/77, nos seguintes termos: “Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: I – somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; II – será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional.” Retornando ao art. 31 do DecretoLei nº 1.598/77, acima transcrito, vejase que a lei fiscal determinou que fosse feita a apuração de ganho de capital nas seguintes hipóteses: a) Alienação; b) Liquidação; c) Baixa – por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão. Fl. 4067DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.061 69 Conforme visto, o art. 33 determinou regras próprias para a apuração do ganho de capital na alienação ou liquidação do investimento, e previu o aproveitamento, nestes eventos, mesmo do ágio já amortizado contabilmente. Já o art. 34, conforme visto, considera que, na fusão, incorporação ou cisão de sociedades, o que ocorre é a extinção do investimento. Neste caso, as regras próprias ali previstas para a apuração do ganho de capital são as seguintes: a) se o acervo líquido recebido exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, temse o ganho de capital, que pode ser diferido nos termos dos §§ 1º e 2º, caso contrário, deverá ser oferecido à tributação imediatamente; b) somente será admitida como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, sendo esta diferença deduzida imediatamente como perda, ou então, à opção do contribuinte, tratada como ativo diferido amortizável pelo prazo máximo de 10 anos. Portanto, no caso de fusão, incorporação ou cisão de sociedades, com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a lei fiscal não previu a consideração do valor do ágio ou deságio já amortizado contabilmente no cálculo do ganho de capital, valor o qual, conforme referido, encontravase registrado na parte B do LALUR para ser utilizado na determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento, eventos os quais não mais poderão ocorrer, em face dos eventos de reorganização societária retrocitados. (grifei) Em síntese, da aplicação do quanto até aqui exposto (situação vigente antes da Lei no 9.532/97) a um caso de ágio fundamentado em expectativa de resultados futuros, (como é o fundamento do caso concreto), tínhamos a seguinte configuração: 1) A lei fiscal não continha regra determinando a forma de amortização deste ágio no tempo, deixando à cargo da lei societária/contábil dispor acerca da sua amortização, apenas ressalvando que esta amortização não seria aceita para fins fiscais, ou seja, que deveria o seu valor ser adicionado para a apuração do lucro real. 2) A lei societária/contábil determinava que o ágio fosse amortizado no prazo e na extensão das projeções de resultados futuros que o determinaram, ou, excepcionalmente, por ocasião da baixa do investimento em decorrência de sua alienação ou perecimento. Tratase, no caso, da aplicação do princípio contábil do confronto das despesas com as receitas (“matching principle”): à medida que os lucros vão sendo equivalência patrimonial, na proporção que lhe pertencem), as despesas pagas para ter direito a esses lucros vão sendo amortizadas. No limite do acerto das projeções feitas, o resultado contábil é nulo, na medida em que os lucros auferidos correspondem ao quanto por eles foi pago antecipadamente pela investidora. E o resultado fiscal também é nulo, na medida em que tanto as receitas de equivalência patrimonial, quanto as despesas com a amortização do ágio, devem ser “estornadas” (excluídas e adicionadas, respectivamente), para fins de apuração do lucro real. 3) Em caso de alienação, liquidação ou baixa do investimento, antes do término do prazo previsto de amortização, determina a lei societária/contábil que o saldo ainda não amortizado pela investidora seja lançado integralmente contra conta de resultado. Vale dizer, apenas o ágio ainda não amortizado entra no cálculo do ganho de capital (resultado não operacional). A parte já amortizada não mais configura custo de aquisição para fins de apuração do resultado, na medida em que já foi “recuperada” pelos lucros até então gerados pela investida. 4) A legislação fiscal, contudo, deu tratamentos distintos a essas ocorrências: no caso de alienação ou liquidação do investimento, permitiu o aproveitamento do ágio já amortizado contabilmente no cálculo do ganho (ou perda) de capital; já no caso de extinção da Fl. 4068DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.062 70 participação societária por força de fusão, incorporação ou cisão, previu apenas o aproveitamento do ágio ainda não amortizado contabilmente, e, ainda, para fins de dedutibilidade fiscal de eventual perda de capital, exigiu que a avaliação do acervo líquido recebido fosse feita a preços de mercado. Em 11.12.1997 foi editada a Lei no 9.532/97, cujos artigos 7º e 8º trouxeram novas regras relativas à amortização do ágio ou deságio, específicas para os casos em que há a extinção da participação societária por força de fusão, incorporação ou cisão. Neste sentido, os referidos artigos derrogaram o disposto no art. 34 do DecretoLei nº 1.598/77, no que diz respeito às participações societárias adquiridas com ágio ou deságio. Vale registrar que o citado art. 34 do DecretoLei nº 1.598/77 (atual art. 430 do RIR/99) permanece vigente, contudo, aplicável tão somente às hipóteses de participações societárias adquiridas sem registro de ágio ou deságio. Por outro lado, os referidos artigos em nada alteraram as disposições até aqui comentadas relativas ao aproveitamento do ágio ou deságio nas hipóteses de alienação ou liquidação do investimento, as quais continuam reguladas pelo art. 33 do DecretoLei nº 1.598/77 (art. 426 do RIR/99). Transcrevemse abaixo os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97: (....). Da leitura dos referidos dispositivos, deflui que, a partir da ocorrência do evento que determinou a extinção da participação societária, o ágio ou deságio deverá ser contabilizado pela pessoa jurídica de diversas formas, de acordo com o seu fundamento econômico. Assim, em síntese, temse que: a) se o fundamento for a diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de bens do ativo, o ágio ou deságio deve ser contabilizado na própria conta (ou em contrapartida à conta) que registra o bem ou direito que lhe deu causa, de sorte que o ágio ou deságio passa a integrar o valor contábil do bem, tanto para fins de depreciação, amortização, exaustão, quanto para apuração de eventual ganho ou perda de capital; b) caso o bem que tenha dado causa ao ágio ou deságio não tenha sido transferido para o patrimônio da sucessora, o ágio ou deságio deve ser contabilizado em conta de ativo diferido ou de receita diferida, respectivamente, para ser amortizado da mesma forma que deve ser feita a amortização no caso de a fundamentação ser a expectativa de resultados futuros; c) se o fundamento do ágio (ou deságio) for a expectativa de resultados futuros, a sua amortização deve ser feita em no mínimo (no máximo) cinco anos, respeitandose a razão de um sessenta avos, no máximo (no mínimo) para cada mês do período de apuração; d) por fim, se o fundamento do ágio for o fundo de comércio, os intangíveis, ou quaisquer outras razões econômicas, ele deve ser contabilizado em conta de ativo permanente, não sujeita a amortização, podendo apenas ser baixado, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital, nas hipóteses de alienação do direito que lhe deu causa, de devolução de capital a sócio ou acionista, ou de encerramento das atividades da empresa. Conforme se observa, o regramento especifica a forma pela qual devem ser feitos os registros contábeis dos valores que antes eram ágio ou deságio, bem como determina que as amortizações registradas contabilmente passam a ter, a partir do evento que determinou a extinção da participação societária, efeitos fiscais (literalmente, diz a lei que o ágio ou deságio será amortizado “nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão”). Fl. 4069DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.063 71 Não há nenhum comando na lei que autorize ou determine o aproveitamento do ágio ou deságio já amortizado contabilmente, nem que possa dar a entender que as amortizações registradas contabilmente a partir do evento devam ser “revertidas” (por adição ou exclusão ao lucro líquido) para fins fiscais. Os lançamentos referidos na lei dizem respeito tão somente à escrituração comercial da pessoa jurídica. (grifei) Assim, conquanto tenha a Lei no 9.532/97 alterado profundamente a forma como deve ser feita a amortização do ágio ou deságio em caso de extinção de participação societária em decorrência de fusão, incorporação ou cisão, não modificou o aspecto de que, nesses casos, não deve ser levado em consideração o ágio ou deságio que já havia sido amortizado contabilmente, nos mesmos moldes em que já o fazia o art. 34 do DecretoLei nº 1.598/77, parcialmente derrogado. INFRAÇÃO 3. Glosa de prejuízos e base negativa de períodos anteriores compensados indevidamente pelas empresas Telern (IRPJ e CSLL 2002 a 2004), Telpa (IRPJ e CSLL do ano base 2002) e Telpe (IRPJ 2002 a 2004 e CSLL 2002 e 2003). Tratase de mero reflexo das glosas analisadas nos itens anteriores (infração 1 e 2). Como resultado da impugnação à amortização do ágio, houve a reversão parcial de prejuízos fiscais e bases negativas dos períodos em que incorridas e, por conseguinte, a exigência de crédito tributário em períodos subsequentes em que compensados. Dessa forma, considerando o provimento do recurso voluntário quanto à infração 1 e o desprovimento quanto à infração 2, o lançamento, nesse tópico, é parcialmente procedente. Os valores de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa deverão ser apurados pelas autoridades fiscais quando da baixa dos autos à origem. INFRAÇÃO 4. Dedução a maior de incentivo fiscal de lucro da exploração pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2002, a 2004). A fiscalização concluiu que a baixa da provisão formada com a transformação do ágio em ativo diferido após a incorporação (por determinação da Instrução CVM 319/99 PMIPL) teria majorado o cálculo do lucro da exploração, por ter sido tratada como receita operacional, quando, em verdade, deveria ser qualificada como não operacional, o que reduziria o percentual do benefício. Para determinar o crédito tributário exigido, a fiscalização excluiu a receita contábil de PMIPL do lucro líquido, diminuindo a parcela utilizada para fins de identificação do resultado incentivado (“lucro da exploração”, cujos contornos estavam resumidos, à época, no art. 57 da IN 267/02). A diferença de IRPJ verificada entre um e outro procedimento foi lançada acompanhada de multa e juros. Porém, independentemente de a PMIPL integrar a receita operacional (como fez a Recorrente) ou não operacional (como alega a fiscalização), o fato incontroverso é que o procedimento adotado para cálculo do crédito tributário incide em contradição com as próprias razões expostas para concluir pela identificação da infração. Tanto que a percepção da inconsistência descrita serviu de motivação à DRJ para cancelar o crédito tributário. Fl. 4070DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.064 72 Com efeito, se é certo que a PMIPL serve apenas para fins societários, isso significa que ela é neutra para fins fiscais. Por isso, a fiscalização deveria não só excluir a receita com a baixa PMIPL do lucro líquido para cálculo do lucro da exploração, a exemplo do realizado, como também estava obrigada a adicionar a despesa com a amortização de ágio ao resultado líquido (correção que deixou de proceder). O último registro descrito levaria ao aumento do lucro líquido e, por conseguinte, do lucro da exploração. Com isso, ficou patente o tratamento dispare para os dois lados da mesma situação. A amortização do ágio que, como despesa, diminuía o lucro da exploração, não foi corrigida pela fiscalização. Já a baixa da PMIPL, por gerar o aumento do lucro da exploração e do incentivo, foi autuada. Identificada a inconsistência no trabalho fiscal, a DRJ concluiu corretamente por declarar a improcedência de tal parcela do crédito tributário, confirmando que os benefícios fiscais de redução e isenção do imposto são calculados sobre o lucro da exploração decorrente exclusivamente da atividade que se deseja incrementar. Logo, a amortização fiscal do ágio e a baixa da PMIPL não deveriam afetar o lucro de exploração. Nessas circunstâncias, não pode persistir a parcela das exações fiscais calcada na suposta dedução a maior de incentivo fiscal com base no lucro da exploração, justificando se o desprovimento do Recurso de Ofício. Por fim, vale acrescentar que recalculando os valores de forma que a amortização fiscal do ágio e a baixa da PMIPL não afetassem o lucro de exploração, a decisão recorrida manteve parte da exigência relacionada à Teleceará, por estarem equivocados os cálculos feitos em relação ao lucro da exploração desta empresa. A esse respeito, a Recorrente afirma que está correta a apuração feita pela empresa, devendo ser alterada nessa parte a decisão da DRJ, sem, contudo, indicar ou apresentar os erros ou documentos que comprovassem suas alegações. Pelo exposto, mantenho os valores calculados pela DRJ. INFRAÇÃO 5. Glosa de dedução de CSLL retida na fonte por órgão público. Na DIPJ/1999 da empresa Telepisa foi informado no ajuste anual o valor de R$ 539,87 a título de dedução de CSLL retida na fonte por órgão público. Entretanto a fiscalização constatou que tal valor já havia sido deduzido pela contribuinte no cálculo das estimativas mensais, razão pela qual, glosou a dedução indevida da CSLL. Tratase, evidentemente, de exação atingida pela decadência, por força do disposto no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que a Recorrente foi intimada dos lançamentos só em 2006, conforme vista no tópico preliminar. Logo, não deve prosperar. INFRAÇÃO 6. Deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas. Glosa de dedução de IRPJ e CSLL mensais pagos por estimativa. Fl. 4071DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.065 73 A Infração 6 envolve a não homologação de créditos das operadoras Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 1998 a 2004), utilizados em diversas PER/DCOMP’s, haja vista a não confirmação do pagamento de IRPJ e CSLL estimativa. Entretanto, como visto, após a impugnação dos autos de infração, a Fiscalização produziu um Relatório de Informação Fiscal, por meio do qual procurou aplicar a Solução de Consulta Interna COSIT nº. 18, de 13/10/06, revisando de ofício os lançamentos em relação às infrações 6 e 7. Consoante a Solução de Consulta Interna COSIT nº. 18, de 13/10/06, no caso de compensação não homologada, os débitos de IRPJ e CSLL estimativa não devem ser glosados para apuração do imposto a pagar na DIPJ. Por isso, foram consideradas na apuração dos presentes autos de infração todas as PER/DCOMP’s enviadas pela Recorrente, que serão objeto de análise à parte. Contudo, devem ser mantidas as glosas: da CSLL na TELASA no ano calendário 2004 no valor de R$ 536,42, fls. 2773, a glosa da CSLL na TELECEARÁ no ano calendário 2001 no valor de R$ 436.602,24, fls. 2858, a glosa da CSLL na TELPA no ano calendário 2003 no valor de R$ 59.080,47, fls. 2979, as glosas de IRPJ na TELPE nos anos calendários 2001, R$ 0,80, e 2004, R$ 4.744.510,20, fls. 3015, as glosas da CSLL na TELPE nos anos calendário 1998, R$ 414.878,00, e 2004, R$ 940.561,26, fls. 3049, a glosa da CSLL na TELERN no ano calendário 2004, no valor de R$ 404,55, fls. 3126, a glosa da CSLL na TELEPISA no ano calendário 2004, no valor de R$ 345,80, fls. 3225. Todas as demais glosas efetuadas pela fiscalização nesse item deverão ser excluídas. Os valores para a Teleceará, Telepisa, Telasa e Telern referemse tão somente a diferença entre o que a Recorrente declarou como IRPJ/CSLL mensal pago por estimativa em DIPJ e o que a empresa declarou em DCTF como pagamento ou compensação por pagamento indevido ou a maior (PER/DCOMP). A diferença de CSLL apurada na Telpa em 2003 é decorre da comparação entre os valores declarados em DCTF ou pagos em DARF e os declarados em DIPJ. O valor mantido referese basicamente a falta do pagamento declarado em DCTF no valor de R$ 115.215,25 no mês de setembro de 2003, fls. 2934 e fls. 48 e 57 do Anexo XVIII. Em relação a TELPE, foi apurada diferença entre o valor declarado do IR mensal pago por estimativa na DIPJ no ano calendário 2004, R$ 15.467.064,40, fls. 149 do Anexo XXI, e o valor declarado em DCTF, fls. 117/122 do Anexo XXII, e PER/DCOMP (meses de fevereiro e março não declaradas em DCTF), fls. 2989, 2795, 2799, 3088,3152, 3154 e 3156, no total de R$ 10.722.554,40. Para a TELPE também foi verificada a diferença de R$ 414.878,00, fls. 3049, entre o valor declarado da CSLL mensal paga por estimativa na DIPJ ano calendário 1998, R$ 4.712.957,95, fls. 18 do Anexo XXI, superior ao total declarado em DCTF R$ 4.298.075,95, fls. 124/129 do Anexo XXII. Ainda, foi constatada diferença de R$ 940.561,26, fls. 3049, entre o valor declarado da CSLL mensal paga por estimativa na DIPJ ano calendário 2004, R$ 15.698.335,78, fls. 152 do Anexo XXI, e o valor declarado em DCTF, fls. 146/152 do Anexo XXII, e PER/DCOMP (meses de fevereiro e março não declaradas em DCTF, maio declarado Fl. 4072DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.066 74 a maior em DCTF e setembro declarado a menor em DCTF), fls. 3023, 2704, 2706, 2708, 2795, 2797, 2799, 3011, 3013, 3088, 3156, 3158 e 3160, no total de R$ 14.757.774,52. Vale ressaltar que a Recorrente não contesta expressamente em seu recurso as diferenças acima, mantidas pela DRJ. Sustenta, apenas, que a fiscalização não teria fundamentado corretamente as exigências da infração 6, o que não me parece correto, vez que a glosa de estimativas já anteriormente não homologadas na composição do saldo de IRPJ e CSLL a pagar (ou a restituir) no ajuste final, não exige maior fundamentação do que a encontrada no Termo de Encerramento da Ação Fiscal. Ademais, conforme visto, a não homologação desses recolhimentos por estimativa já é objeto de outros processos administrativos tributários, portanto, neles se discutirão os fundamentos da não homologação. Posto isso, é procedente em parte o lançamento nesse item. INFRAÇÃO 7. Multas isoladas por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidas por estimativa mensal. A Infração 7 diz respeito à cobrança de multas isoladas em razão da falta de pagamento/pagamento a menor de IRPJ e CSLL mensais pagos por estimativa, com base em balancete de verificação, decorrente das infrações apuradas pela fiscalização, para as empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 4º trimestre de 2001, 2002 a 2004 e CSLL 1998 a 2004). Sobre o tema, este Conselho tem reiteradamente decidido pela impossibilidade de cobrança de multa isolada sobre débitos de estimativa de IRPJ (e CSLL), uma vez que estes débitos não são definitivos, não havendo, portanto, que se falar em atraso de seu recolhimento ou mora do contribuinte. As antecipações realizadas durante o anocalendário, são apenas valores estimados, provisórios, sem caráter definitivo, cuja notória precariedade perdura até o final do correspondente período de apuração. Em se tratando de apuração anual, é somente em 31 de dezembro, que efetivamente ocorre o fato gerador do IRPJ (e da CSLL), tornando a dívida destes tributos líquida e certa, somente a partir deste lapso temporal. Tributo, na acepção que lhe é dada no direito positivo (art. 3° do CTN), pressupõe a existência de obrigação jurídica tributária que não se confunde com valor calculado de forma estimada e provisória sobre ingressos da pessoa jurídica. Noutras palavras, o valor pago a título de estimativa não tem natureza de tributo, mas, sim, de prestações antecipadas. Diante disso, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, não haverá base de cálculo para se apurar o valor da penalidade. Não há porque se obrigar o contribuinte a antecipar o que não é devido e forçálo a pedir restituição posteriormente. Daí Fl. 4073DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.067 75 concluir que o balanço final é prova suficiente para afastar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa. Citese a esse respeito entendimento firmado no âmbito administrativo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes, Acórdão CSRF/01 05.875, proferido em 23/06/2008, da Relatoria do exConselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima: MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Desse modo, é improcedente o lançamento nesse item. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A questão da responsabilidade por multas aplicadas à sucessora em relação a fatos ocorridos antes do evento sucessório e formalizadas após a sucessão, já se encontra pacificada no âmbito da CSRF. À vista disso, sigo a orientação firmada pela CSRF no sentido de que a interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, mormente se a incorporadora e incorporadas têm em comum a mesma controladora. Tratandose de um mesmo grupo econômico, a multa de lançamento de ofício aplicase à sucessora por infração cometida pela sucedida, ainda que apurada após a sucessão. Citemse, a título ilustrativo, algumas ementas: Fl. 4074DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.068 76 MULTA DE OFICIO INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE SOB CONTROLE COMUM. A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum de sócio pessoa física e de controladora informal. (1ª Turma da CSRF, Acórdão 910100.050, 910100.051 e 9101 00.052, 910100.053, 910100.054, 910100.055, 910100.056, 910100.057, 910100.058, 910100.059, 910100.060, dentre outros com a mesma ementa, julgados em 10/03/2009; Acórdão 910100.508, j. em 26/12/2009; Acórdão 910100.350, j. em 26/08/2009). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE DO MESMO GRUPO. Não pode ser afastada a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporada, pertencem ao mesmo grupo econômico. (1ª Turma da CSRF, Acórdão 910100.197, j. em 27/07/2009) MULTA NA INCORPORAÇÃO CONTROLE COMUM. Quando presente o elemento subjetivo pelo controle comum à época da incorporação, deve ser mantida a penalidade de oficio ainda que lançada após o ato sucessório. A eficácia positiva do disposto no artigo 132 do CTN, combinado com o artigo 129 do mesmo diploma legal, para se cobrar tãosomente o tributo, está vinculada à não existência de participação dos controladores da sucessora nos atos anteriores da sucedida. (1ª Turma da CSRF, Acórdão 40105.546, j. em 19/09/2006) JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO A Recorrente sustenta, ainda, a improcedência da cobrança de juros de mora sobre a multa. A exigência para tal cobrança, conforme manifestação da Fazenda Nacional através do parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº. 28, de 02/04/98, está no art. 61, § 3º da Lei nº. 9.430/96, que assim estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 4075DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.069 77 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Pela simples leitura do texto acima, resta claro que o mesmo está apenas permitindo que os débitos com a União Federal decorrentes de tributos e contribuições não pagos nos vencimentos sejam acrescidos de multa de mora, e que aqueles mesmos débitos (e não a multa) sofram também a incidência de juros de mora. Corrobora com o entendimento que o art. 61 da Lei nº. 9.430/96 prevê a cobrança de juros exclusivamente sobre o valor dos tributos e contribuições o art. 43 da mesma Lei nº. 9.430/96, ao dispor: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ora, se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do art. 61 da Lei nº. 9.430/96 incluísse também a multa de ofício, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do art. 43 acima reproduzido, uma vez que a incidência de juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do art. 61. Desse modo, resta claro que somente existe previsão legal para a cobrança de juros sobre a multa no caso da multa lançada isoladamente, o que não e o caso do recurso em análise. Outra discussão que se tem em relação ao tema de cobrança de juros sobre a multa é que a legitimidade para a sua cobrança estaria no próprio Código Tributário Nacional, na medida em que o art. 113 do CTN estabeleceria o procedimento de cobrança e o regime jurídico das multas ao mesmo adotado para os tributos. Tal entendimento, todavia, não merece prosperar, senão vejamos. O art. 113 do CTN estabelece: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 4076DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.070 78 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Pela simples leitura do caput do artigo acima reproduzido, verificase que a obrigação tributária pode ser principal (de pagar tributo ou penalidade pecuniária) ou acessória (de fazer), sendo que a obrigação acessória “pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.”, nos termos do parágrafo 3º do referido art. 113. Desse modo, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória. E é somente sobre essa penalidade (descumprimento de obrigação acessória), que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal, que se não paga integralmente no seu vencimento podem incidir os juros de mora, conforme previsto no art. 43 da Lei nº. 9.430/96. No caso em questão, é preciso salientar mais uma vez que a multa de ofício lançada não se refere ao descumprimento de obrigação acessória, mas sim de multa exigida pelo descumprimento da obrigação principal de pagar tributo. Poderia, por fim se argumentar aqui que o art. 161 do CTN legitimaria a cobrança dos juros sobre a multa de tributo não pago no vencimento. Pareceme também que nesse artigo não traz tal permissão, senão vejamos. Dispõe o art. 161do CTN, “in verbis”: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Pelo texto legal acima transcrito verificase que se a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal já estivesse incluída no “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no art. 161 do CTN, seria desnecessária a ressalva final constante do referido dispositivo no sentido de que essa incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Fl. 4077DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.071 79 Ao analisar a matéria esse E. Conselho vem se manifestando pela impossibilidade da cobrança de juros sobre a multa, conforme se verifica das decisões abaixo reproduzidas: IRPJ E OUTRO Ex(s): 2001 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. A decisão vergastada foi exarada de acordo com a correta análise dos fatos e do direito aplicável ao caso em questão, pelo quê há ser confirmada. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR MOMENTO DO FATO GERADOR. A Lei nº 9.532/1997, não atuou modificando a data da ocorrência do fato gerador, mas, tãosomente, deslocou o seu componente temporal, indicando o momento em que esses lucros deveriam ser oferecidos à tributação. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR DECADÊNCIA. No caso de tributação de lucros auferidos no exterior por intermédio de coligada, o prazo decadencial tem início no dia 31 de dezembro do anocalendário em que houve a disponibilização para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR DISPONIBILIZAÇÃO ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO EM COLIGADA. São tributáveis os lucros auferidos no exterior por sociedade domiciliada no Brasil, por intermédio de sua coligada, que sejam disponibilizados àquela. Tais lucros serão considerados disponibilizados na data do seu pagamento, que é considerado efetuado, quando ocorrido o emprego do valor em favor da beneficiária. A alienação de participação societária em coligada no exterior incluise na hipótese de "emprego do valor em benefício" da pessoa jurídica domiciliada no Brasil. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR RESERVA LEGAL. Não deve compor a base de cálculo do lançamento a parcela correspondente à Reserva Legal, posto que esta tem destinação obrigatória prevista em lei e deve ser constituída antes de qualquer outra destinação dos lucros. TRIBUTOS PAGOS NO EXTERIOR COMPENSAÇÃO. A compensação do imposto sobre a renda devido no Brasil, em face da disponibilização dos lucros auferidos no exterior, só será possível com o imposto sobre a renda recolhido no exterior em razão dos mesmos lucros, independentemente da denominação do tributo no país de origem. PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS ADIÇÃO DE JUROS CAPITALIZAÇÃO DE RECURSOS INDISPONIBILIDADE DOS LUCROS. A adição dos juros decorrentes da capitação de recursos junto a coligada no exterior, só é cabível no caso de não ter sido disponibilizado os lucro do período para sua coligada no Brasil. Configurada a disponibilização de tais lucros não deve prevalecer o lançamento tributário. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido em relação ao tributo principal se aplica aos Fl. 4078DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.072 80 lançamentos reflexos, em virtude da estreita relação de causa e efeitos entre eles existentes, salvo quando houver na legislação de regência do tributo lançado como reflexo, característica que leve a outra conclusão. LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR CSLL. Por força do princípio da legalidade estrita, no Direito Tributário só há incidência tributária sob a vigência de norma que estabeleça tal tributação. No caso da CSLL sobre lucros auferidos no exterior por coligada, a norma instituidora da obrigação tributária foi publicada em 30 de junho de 1999, passando a vigorar a partir de 01 de outubro de 1999. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, que acolhiam a preliminar, sendo que o Conselheiro Aloysio José Percinio da Silva, acompanha pelas conclusões. No mérito, pelo voto de qualidade, considerar ocorrida a disponibilidade do lucro na alienação da participação societária, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior , José Ricardo da Silva, Aloysio José Percinio da Silva, que apresenta declaração de voto, e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, quanto a primeira infração para excluir a tributação da CSLL em relação aos lucros apurados pela coligada no exterior, até 30 de setembro de 1999, bem assim a reserva legal. Por unanimidade de votos, cancelar a exigência em relação 'a glosa de despesas de juros, acompanham pelas conclusões João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Aloysio José Percinio da Silva e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Por maioria de votos, excluir a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos nesta parte os Conselheiros Aloysio José Percinio da Silva Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Antonio Praga, que mantinham a incidência da taxa selic sobre a multa de oficio. (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 101 96.601 em 06.03.2008) Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Essa regra aplicase também à CSLL Fl. 4079DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.073 81 por força da Súmula nº 8 do STF. Acolhese a argüição de decadência em relação ao anocalendário de 1997. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO O agravamento da multa de ofício pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quanto efetivamente demonstrada a recusa ou efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO Por não se tratar da hipótese de penalidade aplicada na forma isolada, a multa de ofício não integra o principal e sobre ela não incidem os juros de mora. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4). Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1997, 1998, 1999 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE Aplicase ao lançamento formalizado como decorrência o resultado do julgamento proferido no processo que lhe deu origem, tendo em vista o liame fático que os une. Ementario publicado no DOU nº 13 de 20/01/2009. Págs. 05/09 Resultado: DPM DAR PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, acolheram a preliminar de decadência relativamente ao ano 1997, vencido o conselheiro Luciano de Oliveira Valença que aplicava o art. 173, I, do CTN. No mérito, por maioria de votos, deram provimento ao recurso, vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa. Houve sustentação oral do representante do recorrente, Sr. Ricardo Krakowiak, (Acórdão 10323566, Relator Leonardo de Andrade Couto, Data da Sessão: 17/09/2008, Recurso 160718, 3ª Câmara, Processo 16327.000106/200311) Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender às formalidades legais e for efetuado por servidor competente. SIMULAÇÃO GANHO DE CAPITAL Se as provas constantes dos autos demonstram que a Contribuinte realizou negócio jurídico de forma diversa daquela formalmente declarada, havendo desconformidade entre a realidade fática e a aparência do negócio jurídico, resta caracterizada a ocorrência de simulação, devendo a obrigação tributária ser apurada sobre o negócio jurídico de fato realizado. ATOS NÃOCOOPERADOS TRIBUTAÇÃO Os atos praticados por cooperativas que não se configurem como tipicamente cooperativos, estão sujeitos à tributação. Apenas os atos Fl. 4080DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.074 82 cooperativos, praticados entre associados e com o objetivo de atingir suas finalidades estatutárias não serão tributados. MULTA E JUROS SELIC Se a multa de ofício e os juros pela taxa Selic aplicados encontramse em consonância com a legislação vigente, o Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos da sua Súmula nº 02, não pode afastar sua aplicação, já que não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. RO Negado.RV Provido em Parte. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Quanto ao recurso voluntário, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos nessa parte, em segunda votação, os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Relator), Aloysio José Percinio da Silva e Antonio Praga, que mantinham a incidência da taxa selic sobre a multa de oficio. Nas demais matérias em litígio houve unanimidade do colegiado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior quanto a não incidência de juros de mora sobre a multa de oficio proporcional. (Acórdão 10196523, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Data da Sessão 23/01/2008, Recurso 157078, 1ª Câmara, Processo 19515.003663/200527) Ementa: AGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO A pessoa jurídica que, por opção, avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido e absorver patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, pode amortizar o valor do ágio com fundamento econômico com base em previsão de resultados nos exercícios futuros, contabilizados por ocasião da aquisição do investimento. A amortização poderá ser feita a razão de um sessenta avos, mensais, a partir da primeira apuração do lucro real subseqüente ao evento da absorção. No caso de deságio deverá amortizar na apuração do lucro real levantado a partir do primeiro ano calendário seguinte ao evento. O ágio também poderá ser amortizado por terceira pessoa jurídica que incorporar a investidora que pagou o ágio e incorporou sua investida. O legislador não estabeleceu ordem de seqüência dos atos que de incorporação, fusão ou cisão, não cabendo ao interprete vedar aquilo que a não proibiu. ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO O ágio na subscrição de ações deve ser calculado após refletido o aumento do patrimônio líquido da investida decorrente da própria subscrição. O ágio corresponde à parcela do valor pago que não beneficia, via reflexa, o próprio subscritor. A subscrição é uma forma de aquisição e de o tratamento do ágio apurado nessa Fl. 4081DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.075 83 circunstância deve ser o mesmo que a lei admitiu para a aquisição das ações de terceiros. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA Não procede a exigência de multa isolada quando da recomposição do resultado em virtude de glosa de despesa, visto que não participam da base a ser utilizada para calcular o imposto estimado antecipado mensalmente. JUROS SOBRE MULTA A SELIC incide tão somente sobre débitos de tributos e contribuições, não sobre penalidade, que deve seguir a regra de juros contida no artigo 161 do CTN. (Lei 9.430/96, art. 61 c/c art. 3º do CTN). Recurso parcialmente provido. Texto da Decisão: Decisão: Por unanimidade de votos, AFASTAR a tributação na aquisição de ações, no valor de R$ 315.144,91 mensais, TVF fl. 601 e determinar que os juros sobre a multa de ofício deverão ser calculados à razão de 1% ao mês nos termos do artigo 161 do CTN, a partir do 31º dia da ciência do lançamento. Por maioria de votos, AFASTAR a multa isolada. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Marcos Rodrigues de Mello e Waldir Veiga Rocha. Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL quanto ao ágio na subscrição de ações admitindo a amortização no valor total de R$ 3.483.041,38. Vencidos os Conselheiros José Clóvis Alves (Relator), Wilson Fernandes Guimarães e Marcos Rodrigues de Mello. Declarouse impedido o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente Convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Bekierman (Suplente Convocado). (Acórdão 10516774, Relator José Clóvis Alves, Data da Sessão: 08/11/2007, Recurso: 155375, 5ª Câmara, Processo: 13839.001516/200664, Recorrente: CPQ BRASIL S.A.) Ementa: RECURSO EX OFFICIO IRPJ e CSLL – Devidamente justificada pelo julgador a quo a insubsistência das razões determinantes de parte da autuação por glosa de despesas, é de se negar provimento ao recurso de ofício interposto contra a decisão que dispensou a parcela do crédito tributário irregularmente constituído. RECURSO VOLUNTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI – A apreciação da constitucionalidade ou não de lei regularmente emanada do Poder Legislativo é de competência exclusiva do Poder Judiciário, pelo princípio da independência dos Poderes da República, como preconizado na nossa Carta Magna. Assim, somente será apreciada nos Tribunais Administrativos quando uniformizada e pacificada na esfera judicial pelo Supremo Tribunal Federal. IRPJ – CSLL – PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS – TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade Fl. 4082DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.076 84 de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS – Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. MULTA ISOLADA – RETROATIVIDADE BENIGNA – No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, a multa isolada exigida pela falta de recolhimento do tributo em atraso, sem a inclusão da multa de mora, deve ser exonerada pela aplicação retroativa do artigo 14 da MP nº 351, de 22/01/2007, que deixou de caracterizar o fato como hipótese para aplicação da citada multa. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS – Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. JUROS MORATÓRIOS – TAXA SELIC Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para: 1) afastar a exigência das multas isoladas; 2) afastar a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez (Relator) e Sandra Maria Faroni, que deram provimento parcial ao recurso em menor extensão, no tocante à incidência dos juros de mora, e Sebastião Rodrigues Cabral e Mário Junqueira Franco Júnior que deram provimento parcial ao recurso em maior extensão, para também cancelar a exigência da CSL. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Caio Marcos Cândido. Ausente momentaneamente o Conselheiro Valmir Sandri. (Acórdão 10196008, Relator Paulo Roberto Cortez, Data da Sessão: 01/03/2007, Recurso: 151401, 1ª Câmara, Processo: 16327.004079/200275) Nesse mesmo sentido, também foi a manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais ao analisar e decidir sobre a matéria, conforme se verifica do acórdão abaixo reproduzido: Favorável – Administrativo – Câmara Superior de Recursos Fiscais Fl. 4083DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.077 85 Texto da Decisão: 1) Por maioria de votos, NÃO CONHECER da preliminar de perda de objeto do recurso em face do trânsito em julgado da decisão judicial quanto ao mérito, suscitada pela Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez e Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado); 2) Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência até os fatos geradores do mês de outubro de 1999, vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Júlio César Vieira Gomes e Elias Sampaio Freire que não acolhiam; 3) por maioria de votos CONHECER do recurso quanto a incidência sobre a multa de ofício dos juros à taxa SELIC, vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Leonardo Siade Manzan, e por maioria de votos DAR provimento nessa parte, vencidos s conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Antonio Praga, que mantinham essa incidência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP 138.192. (Acórdão CSRF/0203.133, Relator Henrique Pinheiro Torres, Data da Sessão: 06/05/2008, Recurso 202131351 ,2ª Turma, Processo: 18471.001680/200430, RECURSO DE DIVERGÊNCIA, Matéria: COFINS, Recorrente: COMPANHIA VALE DO RIO DOCE S/A.) Desse modo, entendo que, nesse ponto, assiste razão à Recorrente. CONCLUSÃO Por tudo quanto exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, em virtude do acolhimento da preliminar decadência do direito do Fisco de revisar os lançamentos realizados pela Recorrente nos anoscalendário 1998, 1999 e 2000. Vencido, dou parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) afastar os lançamentos de CSLL referentes aos anoscalendário 1998, 1999, 2000, em razão da decadência; (ii) afastar a glosa do ágio para o IRPJ e para a CSLL, relativas ao anocalendário de 2000 a 2004 (infração 1); (iii) manter a glosa do ágio já amortizado contabilmente em períodos anteriores (infração 2) (iv) restabelecer parcialmente os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL (infração 3); (v) declarar a improcedência do lançamento relacionado à dedução a maior de incentivo fiscal de lucro da exploração, mantendo, para a Teleceará, parte do lançamento em razão de outros ajustes, conforme valores apurados pela DRJ na planilha de fls. 3684 (infração 4); (vi) afastar a exação referente à infração 5, em razão da decadência; (vii) manter parcialmente os valores em cobrança referentes à infração 6; (viii) afastar as multas isoladas (infração 7); (ix) manter a cobrança da multa de ofício proporcional; e (x) afastar a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 4084DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.078 86 Voto Vencedor Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Redator Designado Em que pesem os valiosos argumentos do ilustre Conselheiro Relator, ouso discordar de três pontos em específicos: (i) no tocante à decadência relativa a fatos passados com repercussões futuras no crédito tributário; (ii) no direito à amortização do ágio de que trata o recurso voluntário; (iii) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Passo a expor meu entendimento sobre os temas. 1 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA NÃO OCORRÊNCIA DECADÊNCIA RELATIVA A FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÕES FUTURAS NO CRÉDITO TRIBUTÁRIO O tema é pacífico neste Colegiado. Entendese que, para início da contagem do prazo decadencial, devese ater à data de ocorrência dos fatos geradores, e não à data de contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Até mesmo porque o art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Portanto, o lançamento, dado seu caráter constitutivo do crédito tributário, mas declaratório da obrigação, somente pode ser realizado após a ocorrência do fato gerador e, consequentemente, o surgimento da obrigação tributária. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuinte a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advêm dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” Se por hipótese, o contribuinte mantivesse o ágio em seu ativo e não o amortizasse, não teria ocorrido o fato gerador, e, na ausência de infração à legislação tributária, não haveria que se falar em lançamento, pois mesmo nos casos em que do lançamento não resulte exigência de crédito tributário, a constatação de infração à legislação tributária é condição sine qua non para formalização do lançamento. Com efeito, o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Fl. 4085DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.079 87 Considerandose que a exigência de CSLL diz respeito a fatos geradores ocorridos a dos anoscalendário de 1998 a 2004, e a de IRPJ aos anoscalendário de 2001 a 2004, a contagem do prazo decadencial somente se iniciou a partir de tais períodos, aplicando se a partir a inteligência dos arts. 150, § 4º, e 173, I, do CTN, a depender da existência de pagamentos antecipados e existência de dolo, fraude ou simulação. Nesse cenário, voto por rejeitar a preliminar de decadência cuja tese implicaria contagem do prazo decadencial a partir da formação dos ágios, e não de sua efetiva amortização. 2 INFRAÇÃO 1 Apropriação de despesa não dedutível de amortização de ágio De fato, não se discute nos autos a existência do ágio registrado pela Bitel, em razão da aquisição de participação societária na empresa TNC, realizado no âmbito de leilão de desestatização do Sistema Telebrás. No mesmo sentido, não há qualquer questionamento quanto às operações de compra e venda entre Bitel e União, e Bitel e UGB, todas partes não relacionadas, com a geração do ágio correspondente. Conforme bem exposto pelo ilustre Conselheiro Relator, a “questão controvertida, reside no conjunto de operações realizada posteriormente pelas empresas sucedidas pela Recorrente, que, no entender da fiscalização e da DRJ, tiveram como objetivo exclusivo transferir o ágio para a Recorrente e possibilitar a sua amortização, em abuso de direito contra a Administração Fiscal, a autorizar a desconsideração dos atos praticados”. A respeito de tais operações, assim concluiu seu voto: [...] esta Egrégia Turma firmou entendimento no sentido de que, a amortização do ágio pago com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, com fulcro no art. 7º, inciso III da Lei nº. 9.532/97, deve atender, inicialmente, a 3 (três) premissas básicas, quais sejam: 4) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; 5) a realização das operações originais entre partes não ligadas; 6) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. No presente caso, essas premissas básicas foram cumpridas. Discordo de tal entendimento. Desde o julgamento do processo nº 16561.720026/201113 (“Caso Bunge” – acórdão nº 1402001.460), no qual fui designado Fl. 4086DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.080 88 redator do voto vencedor, esta turma, ainda que por voto de qualidade, alterou seu posicionamento. Fixouse o entendimento de que, em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). Por decorrência, incluiuse nova premissa para que a amortização do ágio por rentabilidade futura fosse possível, qual seja, a extinção do investimento em razão da absorção do patrimônio da investidora pela investida, ou viceversa, conforme prevê o art. 386, e seu inciso III, do RIR/99. Naquele caso a hipótese ainda tratava da utilização de empresa veículo cujo único objetivo foi possibilitar, mediante reestruturação societária meramente artificial e formal, a amortização do ágio. No presente caso, para seu deslinde, basta a análise de elemento fundamental para que o ágio pudesse ser amortizado, qual seja, que investida e investidora passassem a ser uma única pessoa jurídica, o que jamais ocorreu no caso concreto. Reproduzo, assim, alguns dos argumentos por mim em tal voto: Não se pode confundir o direito a contabilização do ágio com as condições para amortização em termos fiscais. Vejamos, com base no Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), a legislação que rege a matéria: Amortização do Ágio ou Deságio Art.391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). [grifo nosso] Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Art.426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): Ivalor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; IIágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do Fl. 4087DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.081 89 contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. [grifos nossos] Constatase, assim, que, em regra geral, o ágio deverá ser ativado e utilizado como custo somente no momento da alienação do investimento, obviamente se essa vier a ocorrer, o que, frisese, não há qualquer notícia de que tais alienações tenham ocorrido no caso concreto. Nesse sentido, compulsando os autos, percebese claramente que os investimentos realizados, e adquiridos com ágio, comporiam o ativo da Recorrente, provavelmente, por tempo indeterminado, haja vista a continuidade das operações antes realizadas pelas investidas em novas empresas, segregadas de acordo com o ramo de atividade a que se dedicavam e, ao que tudo indica, ainda se dedicam, com exceção da hipótese de fechamento de capital. A artificialidade da operação foi justamente buscar o contorno de tais normas imperativas, que impunham a ativação do ágio, buscando posicionar a Recorrente diante de normas de contorno, quais sejam, o art. 386, III, e seu § 6º, II, do RIR/99, transcritas a seguir, mediante operações societárias meramente com fins fiscais: Art.386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; [...] §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): [...] II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. [grifos nossos] Isso porque o fato de a formação do ágio ter cumprido os requisitos legais estabelecidos, em especial aqueles em que essa turma firmou entendimento necessários (o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; a realização das operações originais entre partes não ligadas; seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura), não possui o condão de permitir que a regra geral seja desrespeitada, qual seja, o ágio deverá compor o custo do Fl. 4088DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.082 90 investimento para fins de apuração de ganho de capital em eventual alienação (inteligência do art. 391 c/c art. 426, II, ambos do RIR/99). Nessa senda, para que o ágio com fundamento em rentabilidade futura possa compor o resultado do período, o regulamento do imposto de renda impõe ou a alienação do investimento – nesse caso, na forma de custo de aquisição , ou mediante amortização, desde que haja incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida (art. 386, caput e inciso III), ainda que de forma reversa (art. 386, § 6º, II). No que tange aos demais argumentos tecidos pela recorrente em sua peça recursal, peço vênia para adotar como fundamentos de meu voto as razões contidas no bojo do voto condutor do acórdão nº 1102000.873, de lavra do eminente Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. Saliento, contudo, que em tal matéria seu voto restou vencido, o que não altera minha concordância com a tese por ele adotada. Importante ainda ressaltar que a operação analisada na oportunidade é exatamente a mesma operação aqui analisada (relacionada ao período de 2005), portanto, aplicamse aqui integralmente os fundamentos e as referências às operações societárias envolvendo as empresas do Grupo TIM: [...] A profunda alteração levada a efeito pela Lei no 9.532/97 consiste no seguinte: antes dela (na vigência do art. 34 do DecretoLei no 1.598/77), era absolutamente irrelevante (nos casos de incorporação, fusão ou cisão) o fundamento no qual baseavase o anterior registro do ágio ou deságio. Bastaria à pessoa jurídica avaliar o acervo líquido recebido a preços de mercado, e toda a diferença entre este acervo e o valor contabilmente registrado, relativo à participação societária extinta, era imediatamente deduzido como perda, para fins fiscais, qualquer que fosse o fundamento daquele ágio. Após a Lei no 9.532/97, nos casos de incorporação, fusão ou cisão, o ágio fundamentado em rentabilidade futura não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, senão de forma “parcelada” em, no mínimo, cinco anos; o ágio fundamentado na diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de bens do ativo não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, senão de forma também “parcelada”, acompanhando a depreciação, amortização, ou exaustão normal do bem; e o ágio baseado em outros fundamentos econômicos não apenas não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, como ainda sequer pode ser amortizado ao longo do tempo. A nova lei, portanto, possui caráter manifestamente anti elisivo. Não somente pelo seu próprio conteúdo normativo, já que a partir de sua edição foram sensivelmente restringidas as possibilidades de dedução do ágio, conforme acima exposto, como também pela própria manifestação do legislador, contida na exposição de motivos ao art. 8° da MP 1.602/97, posteriormente convertido no art. 7° da Lei no 9.532/97, verbis: “O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de Fl. 4089DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.083 91 participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo.” Este ponto merece ser melhor explicitado, visto que há muitos juristas e doutrinadores — quiçá a maioria, até — que tratam os referidos artigos 7o e 8o como um incentivo fiscal às privatizações. Contudo, o entendimento aqui exposto não é isolado, e, neste sentido, transcrevo excerto de manifestação de Luís Eduardo Schoueri em recente livro3 a respeito do tema: “Muitos acreditam que a referida lei constituiu incentivo fiscal às privatizações. Neste sentido é o entendimento de Roberto Quiroga Mosquera e Rodrigo de Freitas, quando estes assinalam que o tratamento fiscal conferido ao ágio pela Lei no 9.532/1997 ‘foi estabelecido no contexto de incentivo às privatizações, em que o Estado brasileiro tinha interesse em oferecer condições vantajosas aos adquirentes e, com isso, conseguir melhores preços’. O mesmo raciocínio pode ser visto em Marcel e Michel Gulin Melhem, segundo os quais uma (e talvez a principal) das razões para a criação das normas sobre dedutibilidade do ágio na incorporação teria sido o incentivo ao “então chamado Programa Nacional de Desestatização, tornando as empresas estatais mais atraentes aos investidores privados, uma vez que o ágio eventualmente pago nos leilões de privatização poderia ser deduzido fiscalmente”. É, ainda, o mesmo entendimento de João Dácio Rolim e de Frederico de Almeida Fonseca, para quem um dos motivos para o tratamento dado ao ágio pela Lei no 9.532/1997 “foi o de fomentar o chamado ‘Programa Nacional de Desestatização do Governo Federal’”. Tal posicionamento não deixa de ser curioso. Afinal, se anteriormente o ágio era deduzido integralmente, a imposição de restrições não poderia ser considerada um incentivo. A exposição de motivos da Medida Provisória no 1.602/1997 deixou hialino esse intuito de restrição da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipótesese em que 3 SCHOUERI, Luis Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo: Dialética, 2012, p. 6668. Fl. 4090DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.084 92 fossem acarretados efeitos econômicotributários que os justificassem. Segundo as palavras utilizadas à época pelo Poder Executivo para justificar a introdução de disciplina diferenciada para o ágio conforme sua fundamentação, houve a necessidade de se coibir planejamentos tributários consistentes na aquisição com ágio de empresas deficitárias e posterior incorporação que fizesse com que o ágio fosse deduzido na empresa lucrativa. Como antigamente não havia qualquer coerência e consistência para a dedução do ágio, a falta de regulamentação específica estava sendo utilizada para distorcer a lógica do sistema, o que gerou motivação suficiente para que o legislador barrasse esses artifícios prejudiciais à completude do ordenamento jurídico.” Ainda que possa não ser o entendimento dominante, também no CARF se encontram manifestações no mesmo sentido do quanto exposto no presente voto. Peço vênia para transcrever trecho do voto proferido pelo ilustre Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, no acórdão no 10195.786, de 18 de outubro de 2006, à época acompanhado por unanimidade pela antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: “Antigamente, o Decreto 1.598/77, em seu artigo 34, atual artigo 430 do RIR/99 (...) Não havia prazo mínimo para esta operação de registro da perda, certo que alguns contribuintes, fortes na avaliação apenas de bens tangíveis e ignorando a valorização de intangíveis, registravam perdas quase pela totalidade do ágio pago na aquisição. E isso em operações muitas das vezes instantâneas. (...) A motivação para a nova regra teve caráter antielisivo, conforme a exposição de motivos ao artigo 8° da MP 1.602/97, convertido no artigo 7° da Lei 9.532/97, verbis: (...) A única conclusão possível, portanto, é que a nova regulamentação, além de tomar despicienda qualquer avaliação de acerco líquido quando existente ágio ou deságio, criou prazo mínimo para a amortização, no caso 5 anos, como forma de evitar o ganho fiscal imediato que anteriormente se obtinha, pelo reconhecimento a um só tempo da diferença entre o valor contábil e o valor do acervo líquido. No entanto, não há na norma qualquer permissão para que tal efeito represente um ajuste ao lucro líquido, mediante exclusão no LALUR. O fato é contábil, representativo do controle na escrituração da amortização do ágio após a incorporação. Como bem observou a decisão recorrida, apenas se a amortização ultimarse em período anterior a cinco anos, haverá necessidade de ajustes por adição e exclusão, para respeito ao prazo mínimo definido na norma.” Fl. 4091DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.085 93 O entendimento, data vênia equivocado, de que o referido artigo veicularia incentivo fiscal foi tão veemente e reiteradamente alardeado, que na própria Câmara de Deputados foi debatido um projeto de lei visando à revogação do “benefício fiscal” previsto no inciso III do artigo 7o (que trata da amortização do ágio fundamentado em expectativa de resultados futuros). De fato, o então Deputado Valdemar Costa Neto apresentou o Projeto de Lei n° 2.922A, de 2000, por meio do qual propunha, em seu artigo 1°, a revogação do inciso III do art. 7o da Lei n° 9.532/97, ao argumento de ser “completamente absurdo o beneficio fiscal que ela concedeu as empresas vencedoras dos leilões de privatização de empresas estatais”. Ainda, posteriormente, foi apresentada emenda, pelo Deputado Luiz Antonio Fleury, a este projeto de lei, propondo a supressão da revogação antes proposta, na qual, mais uma vez, deuse ao referido artigo a conotação de incentivo fiscal, verbis: “Inclusive, a forma de contabilização atualmente prevista no inciso III do art. 7o da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, representou um incentivo para que as empresas privadas participassem dos programas de desestatização. Neste sentido, podemos até dizer que um dos principais incentivos apresentados pelos processos de privatização está inserido na seara fiscal, eis a razão pela qual o beneficio fiscal do inciso III do art. 7o da Lei n° 9.532, de 1997, se faz necessário.” O Relator da matéria na Comissão de Finanças e Tributação, Deputado Antonio Cambraia, em seu voto, acolheu integralmente as ponderações apresentadas pela emenda supressiva, ressaltando que, por meio do artigo da Lei n° 9.532/97 em questão, “estimulase o investimento em outras empresas e a reorganização societária, tão importantes num contexto de baixo crescimento econômico do pais”. O Projeto de Lei n° 2.922A foi rejeitado, no mérito, por unanimidade, tendo sido arquivado em 02/12/2004, consoante informações obtidas em www.camara.gov.br. O entendimento de que se trata de um incentivo fiscal tem permeado as mais recentes decisões do CARF a respeito do tema. Neste contexto foram proferidos diversos dos acórdãos citados pela recorrente em sede de recurso e memoriais apresentados, bastando a tanto citar o Acórdão no 1301000.711 (Tele Norte Leste, de relatoria do ilustre Conselheiro Valmir Sandri) e o Acórdão no 1402000.802 (Banco Santander, de relatoria do ilustre Conselheiro Antônio José Praga de Souza). Transcrevo abaixo breve excerto do Acórdão no 1301 000.711: “Na verdade, o Programa Nacional de Desestatização, juntamente com as regras atinentes à dedutibilidade do ágio fizeram parte de todo um contexto para a formulação dos preços ofertados Fl. 4092DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.086 94 nos leilões de privatização e para as sucessivas reorganizações societárias realizadas pelas empresas objeto da desestatização, servindo como atrativo e motivo para o aumento substancial dos valores auferidos pelo Governo com a privatização. Noutro giro, a dedutibilidade do ágio e a possibilidade de a empresa realizar a reorganização societária para o seu aproveitamento fez parte do pacote de condições ofertadas às empresas que participaram das privatizações, tendo, todas elas, conforme pesquisa na internet, adotado a política incentivada acima.” Não me sensibilizam, contudo, os argumentos expendidos neste sentido. Identifico nos artigos 7o e 8o da Lei n° 9.532/97 tão somente uma nova normatização atinente ao registro e amortização do ágio — a propósito, sem sombra de dúvidas, mais restritiva que a anterior. Além disto, não há nenhum elemento na Lei n° 9.532/97 que expressamente a vincule ao Programa Nacional de Desestatização. Pelo contrário, suas regras são válidas para todo e qualquer evento de fusão, incorporação ou cisão que implique a extinção de participação societária anteriormente adquirida com ágio. Resta enfrentar a questão envolvendo as sucessivas reorganizações societárias, a saber: a “transferência” do ágio originalmente pago, pela Bitel à 1B2B, a posterior incorporação desta pela TNC, a posterior cisão desta com incorporação do ágio pelas operadoras controladas, e a posterior incorporação de todas as demais operadoras por uma delas. É dizer, importa saber se esses fatos trazem alguma implicação ao direito à amortização do ágio originalmente pago pela Bitel. Inicialmente, registro que, tendo o ágio sido efetivamente pago, em uma operação ocorrida entre partes independentes, e estando devidamente fundamentado na rentabilidade futura — todas circunstâncias as quais estão presentes no caso concreto, ou ao menos não foram refutadas pela autoridade fiscal — não se encontra na lei qualquer impedimento expresso a que este ágio venha a ser amortizado por outra empresa, que não aquela que pagou por ele. Ao contrário, a Lei n° 9.532/97, em seu artigo 8o, dispõe que a própria empresa que deu causa ao ágio pode, ao fim e ao cabo, amortizálo, basta que a incorporação seja do tipo “reversa”, ou “downstream”, i.e., com a controladora sendo incorporada pela controlada. De igual modo, não identifico na lei, a priori, nenhuma restrição a que o ágio em questão venha a ser amortizado por outra empresa qualquer que, por força de evento de fusão, incorporação, ou cisão, passe a efetivamente deter a participação societária anteriormente adquirida com ágio, se deste evento não resultou qualquer surgimento de “novo ágio” ou “multiplicação” do ágio anteriormente pago. Fl. 4093DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.087 95 Contudo, necessário se faz que as operações societárias ocorridas sejam orientadas por legítimos propósitos negociais. De fato, cediço que a recorrente, como qualquer outra pessoa jurídica, tem o direito a organizar a sua vida da maneira que julgar melhor, sendo legítima a busca de configuração que lhe propicie o pagamento do menor imposto possível. Contudo, o direito à autoorganização não é ilimitado, e deve ser exercido na medida em que existam causas reais que justifiquem tal atitude. Em obra que significou verdadeiro marco no estudo do chamado planejamento tributário4, Marco Aurélio Greco observa que a ótica da análise não deve ser feita apenas sob o ângulo da licitude ou ilicitude dos negócios jurídicos praticados, pois a licitude é requisito prévio, mas sim, da oponibilidade ou inoponibilidade dos seus efeitos ao fisco. Ressalta o autor que não apenas a simulação, mas também outras patologias, como a fraude à lei e o abuso de direito, este último especialmente a partir do novo Código Civil de 2002, contaminam o planejamento feito e o tornam inoponível ao fisco. Destacando que sua posição nada tem a ver com a chamada “interpretação econômica” na aplicação das leis fiscais, pondera o autor que, sempre que o exercício da autoorganização se apoiar em causas reais, e não unicamente fiscais, a atividade do contribuinte será irrepreensível, e contra ela o fisco nada poderá objetar. Contudo, ao discorrer sobre a figura do abuso de direito no campo do Direito Tributário, afirma: “No entanto, os negócios jurídicos que não tiverem nenhuma causa real e predominante, a não ser conduzir a um menor imposto, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo; neste caso, o Fisco a eles pode se opor, desqualificandoos fiscalmente para requalificálos segundo a descrição normativotributária pertinente à situação que foi encoberta pelo desnaturamento da função objetiva do ato. Ou seja, se o objetivo predominante for a redução da carga tributária, terseá um uso abusivo do direito. (...) Conforme diversas vezes afirmado acima, o contribuinte tem o direito de se autoorganizar; e dispor a sua vida como melhor lhe aprouver; não está obrigado a optar pela forma fiscalmente mais onerosa. Porém, o que disse acima é que esta reorganização deve ter uma causa real, uma razão de ser, um motivo que não seja predominantemente fiscal. Sublinhei o termo “predominantemente”, pois este é o conceito chave. Se determinada operação ou negócio privado tiver por efeito reduzir carga tributária, mas se apoia num motivo empresarial, o direito de autoorganização terá sido 4 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3a ed. São Paulo: Dialética, 2011, p. 194248. Fl. 4094DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.088 96 adequadamente utilizado. Não haverá abuso! O Fisco nada poderá objetar!” Ainda segundo o renomado autor, em vista de os negócios jurídicos praticados resultarem do exercício de um direito de autoorganização que se apoia no valor liberdade, e gozarem, portanto, da presunção de não abusividade, incumbe ao Fisco o ônus da prova da finalidade predominantemente fiscal. Na análise das operações efetivamente praticadas e de sua oponibilidade ou não ao fisco, observa Greco que há determinadas circunstâncias ou situações que, embora isoladamente não constituam razão suficiente para inquinar de inoponível determinado ato, demandam especial atenção do intérprete, seja pela sua complexidade, atipicidade ou até mesmo “estranheza”. São as operações por ele conceituadas como “preocupantes”. A acusação fiscal, podese perceber, adotou a classificação exposta por este doutrinador, elencando as situações “preocupantes” que entendeu presentes no caso, e que sucintamente destaco: a) Operações estruturadas em sequência (“step transactions”); b) Operações invertidas; c) Uso de sociedades; d) Empresas de passagem; e) Sociedades efêmeras; f) Ágio de si mesmo; g) Operações entre partes relacionadas. No caso concreto, conforme destaquei, não vislumbro, a princípio, restrição a que o ágio em questão venha a ser amortizado por outra empresa qualquer, a qual, por porça de evento de fusão, incorporação, ou cisão, passe a efetivamente deter a participação societária anteriormente adquirida com ágio. Nem tampouco há restrições a que sejam feitas sucessivas operações societárias desta natureza. Contudo, há de se perquirir, em todos esses eventos, se houve efetiva motivação empresarial, ou se se trata apenas de eventos encadeados com finalidade predominantemente fiscal. Conforme já referido, não há dúvidas de que, acaso tivesse a Bitel incorporado a TNC, ou viceversa, a empresa daí resultante teria adquirido o direito à amortização do ágio, nos termos dos arts. 7o e 8o da Lei no 9.532/97, com efeitos fiscais. Nas razões de defesa, argumenta a recorrente que a Bitel, contudo, não podia incorporar diretamente a TNC, nem ser por ela incorporada, em razão de diversos impedimentos societários e regulatórios, a saber, em síntese: Fl. 4095DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.089 97 a Bitel possuía um passivo vinculado à aquisição da TNC que não poderia ser transferido à TNC, por impedimento da legislação societária; a incorporação ou fusão das empresas envolvidas acarretaria a perda do poder de controle da Bitel, o que era vedado pela legislação regulatória do setor (Lei Geral de Telecomunicações – LGT); a Anatel somente autorizava a incorporação ou fusão das empresas operadoras em uma única empresa após transcorridos cinco anos da promulgação da LGT, ou seja, julho de 2002. Ora, o fato de existirem impedimentos societários e regulatórios à incorporação direta, sejam eles quais forem, e os quais foram contornados (ou evitados) mediante os eventos societários praticados, não constitui prova da existência de motivo extratributário para a realização das operações. O que se verifica, no caso, e se irá demonstrar a seguir, é que a motivação para a realização das operações foi exclusivamente tributária, e que a série de eventos societários praticados foi apenas a forma encontrada pela recorrente para obter a desejada redução da carga tributária, a qual, no caso concreto, não podia ser concretizada pela via da incorporação direta. De fato, a integralização de capital na 1B2B, pela Bitel, com as ações da TNC, não representou qualquer intenção de, efetivamente, constituir empresa que atuasse como holding da participação societária na TNC, tanto assim que a existência da 1B2B foi extremamente breve. Destaco a seguir algumas características desta empresa. A empresa 1B2B foi constituída em 07 de janeiro de 2000, pelos Srs. Robson Goulart Barreto e Kenneth Gerald Clark Júnior, ambos membros da banca de advogados da Sociedade Civil Veirano & Advogados Associados, empresa a qual emitiu pareceres em 07/04/2000 e 26/05/2000 a respeito da reorganização societária em questão. O capital social de R$ 1.000,00 ficou divido em 1.000 quotas de valor de R$ 1,00, ficando o Sr. Robson Goulart Barreto com 999 quotas e Sr. Kenneth Gerald Clark Júnior com 1 quota. Em 31 de março de 2000 (e registro na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 18/04/2000) foi promovida a primeira alteração contratual da 1B2B (fls. 343351), por meio da qual o sócio quotista Robson Goulart Barreto cede e transfere a totalidade das suas 999 quotas para a Bitel pelo valor de R$ 999,00. Neste mesmo instrumento os sócios quotistas Kenneth Gerald Clark Júnior e a empresa Bitel promovem o aumento do capital social de R$ 1.000,00 para R$ 673.262.640,00, com emissão de 673.261.640 novas quotas, que foram integralmente subscritas e integralizadas pela Bitel mediante a conferência das ações na TNC, tendo o Sr. Kenneth Gerald Clark Júnior deixado de exercer o seu direito de subscrição das novas quotas, em favor da Fl. 4096DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.090 98 Bitel, e continuado a ser detentor de apenas uma quota. Ainda no mesmo instrumento, a 1B2B foi transformada em sociedade anônima. Já em reunião realizada no dia 10 de abril de 2000 (fls. 352 354) foi debatida e aprovada a proposta de incorporação da 1B2B pela TNC, bem como foi analisado e aprovado o laudo de avaliação da 1B2B elaborado por empresa especializada (ACAL), com base no qual deuse o registro do ágio, na 1B2B, no valor líquido de R$ 605.064.441,00 (descontadas as amortizações do ágio acumuladas até 29/02/2000). Na Assembléia Geral Extraordinária de 28 de abril de 2000 (fls. 355357) foi aprovada a incorporação da 1B2B pela TNC, considerada como database o dia 3 de abril de 2000. Destacou o fisco o curioso “desaparecimento” da participação do Sr. Kenneth Gerald Clark Júnior, uma vez que, tanto no laudo de avaliação elaborado pela ACAL, quanto na própria ata da AGE de 28/04/2000, e ainda, na cláusula quinta do protocolo e justificação de incorporação da 1B2B pela TNC, e nos itens 2, 8 e 12 do fato relevante publicado em 11/04/2000 pelas empresas 1B2B e TNC, consta que a Bitel detém 100% do capital da 1B2B. Transcrevese a seguir trecho do Protocolo de Justificação da Incorporação da 1B2B pela TNC (fls. 377): “... a incorporação em tela objetiva fortalecer a estrutura financeira da Incorporadora e/ou suas controladas, através do incremento da sua capacidade de geração de fluxo de caixa e de investimento, fortalecimento este que ocorrerá através do aproveitamento pela Incorporadora e/ou suas controladas em suas operações do benefício fiscal representado pela despesa de amortização do Ágio, nos termos dos artigos 7o e 8o da Lei n.º 9.532/97.” E, a seguir, trecho do fato relevante publicado em 13/04/2000 pelas empresas 1B2B e TNC (fls. 374): “3. Motivos da Operação. A operação em tela visa ao fortalecimento da estrutura financeira do grupo econômico, ao qual pertence a TNC, através da criação, na TNC, de um ativo diferido (ágio) e, em contrapartida a este ativo, uma reserva especial de ágio no patrimônio líquido da TNC, tudo conforme o disposto no art. 6o da Instrução CVM 319/99. 4. Benefício da Operação. Em virtude da incorporação em tela, o grupo econômico da TNC terá a possibilidade de obter economias fiscais oriundas da amortização do ágio, surgido em função da incorporação, cujo valor é de R$ 610.000.000,00 (seiscentos e dez milhões de reais), a ser amortizado em 10 anos. Estimase que essas economias possam ser da ordem de R$ 201.000.000,00 (duzentos e um milhões de reais). Resta claro, assim, que não houve nenhuma outra motivação para esta operação, que não a tributária, mediante a “transferência” do ágio originalmente pago quando da aquisição no leilão de privatização, para fins de Fl. 4097DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.091 99 seu aproveitamento pelo “grupo econômico da TNC”, conforme acima destacado. Já na ata da Assembléia Geral Extraordinária de 28 de abril de 2000 da TNC (fls. 415), que aprovou a incorporação da 1B2B, bem como o laudo de avaliação do patrimônio feito pela ACAL, constou o seguinte registro: “5.3. Informado que a Companhia está estudando e avaliando a maneira mais eficiente possível de o benefício fiscal oriundo da amortização do ágio ser aproveitado no âmbito das sociedades operadoras controladas pela Companhia;” Em nova Assembléia Geral Extraordinária realizada pela TNC em 30 de junho de 2000 (fls. 416419), foi aprovado o Protocolo e Justificação de Cisão Parcial da TNC, e declarada efetivada a cisão parcial desta, com a incorporação da parcela cindida pelas operadoras, na proporção indicada em laudo elaborado pela ACAL. Transcrevese a seguir trecho do referido Protocolo e Justificação de Cisão Parcial da TNC (fls. 461467): “Considerando a cisão parcial da TNC com incorporação da parcela cindida pelas Incorporadoras justificase tendo em vista a impossibilidade de utilização total do ágio existente na sociedade 1B2B Participações S.A., por ausência de receitas tributáveis em montante suficiente na TNC; e Considerando que as Incorporadoras são controladas pela TNC e se beneficiarão da transferência do benefício fiscal resultante da incorporação do ágio existente na sociedade 1B2B Participações S.A., uma vez que geram receitas tributáveis em decorrência de suas operações. Vem as partes, por este, e na melhor forma de direito (...)” E, a seguir, trecho do fato relevante divulgado em 13/06/2000 pelas empresas TNC e suas controladas operadoras (fls. 468472): “3. Motivos da Operação. A operação de que se trata visa ao fortalecimento da estrutura do grupo econômico ao qual pertence a TNC. A operação em tela representa a concretização dos objetivos traçados por ocasião da incorporação da sociedade 1B2B Participações S.A. pela TNC realizada em 28/04/2000. A presente cisão parcial foi a medida mais eficiente encontrada pelas empresas envolvidas para aproveitar o benefício fiscal gerado pela amortização do ágio no âmbito das Operadoras, conforme antecipado no item 15 do Aviso de Fato Relevante referente à aludida incorporação, o qual fora publicado em 13 de abril na Gazeta Mercantil. 4. Benefício da Operação. Em virtude da incorporação em tela, as Operadoras, e por conseguinte, o Grupo Econômico como um todo, terão a possibilidade de obter economias fiscais oriundas da amortização do ágio surgido nas Operadoras através da cisão Fl. 4098DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.092 100 parcial da TNC. O valor total estimado dessas economias, as quais serão percebidos no decorrer dos próximos 10 (dez) anos é de R$ 203.155.440,00.” Mais uma vez, resta claro que a única motivação para a realização desta operação de cisão parcial da TNC também foi a tributária, agora para possibilitar que as operadoras viessem a gozar da dedutibilidade fiscal da amortização do ágio, já que a TNC, controladora destas, não gerava “receitas tributáveis em montante suficiente” para aproveitálo. Os demais passos da reestruturação societária efetivados a seguir não tiveram motivação exclusivamente (e nem preponderantemente) tributária. De fato, uma vez tendo a recorrente “transferido” o ágio para as operadoras, e nelas os tendo aproveitado para fins fiscais até janeiro de 2004, a posterior incorporação, pela Telpe Celular S/A, de todas as demais operadoras, representa apenas a concretização de um objetivo empresarial legítimo de consolidação das atividades em uma única empresa. Da mesma forma, tampouco se vislumbra no evento societário posterior (incorporação da TIM Nordeste Telecomunicações S/A, nova denominação da Telpe Celular S/A, em junho de 2006, pela MAXITEL S/A, no mesmo ato renominada TIM Nordeste S/A) motivação exclusiva ou preponderantemente tributária. Contudo, nos atos anteriormente analisados em detalhe, identificase claramente a ocorrência das operações estruturadas em sequência (onde se destacam o exíguo tempo transcorrido entre as operações, e a ausência de alterações substanciais ocorridas entre o “antes” e o “depois”), o uso de sociedade de existência efêmera como empresa de passagem, e a motivação exclusivamente tributária que orientou os atos praticados. Na peça de defesa, destaca a recorrente que, a partir da aquisição da TNC, passou a existir a necessidade de uma reorganização ampla, que idealmente “viesse a agrupar ... todas as empresas envolvidas (Bitel, TNC e as seis operadoras) em uma só, daí resultando uma empresa operacional de maior porte, com valor patrimonial condizente com seu valor de mercado”, e que “entre as vantagens dessa operação estavam a obtenção de ganho de escala e a economia de custos”. Como exemplo desses ganhos de escala, cita a obtenção de empréstimos menos custosos (já que as instituições financeiras levam em consideração o porte da empresa para conceder empréstimos e fixar o percentual de juros), o maior poder de negociação com os fornecedores, e a redução de custos operacionais em geral. Na verdade, nem mesmo após toda a reorganização levada a efeito, consta que tenha a empresa Bitel, ou mesmo a TNC, se agrupado ou incorporado às demais. De fato, e somente em janeiro de 2004, apenas as seis operadoras é que se consolidaram em uma só. Fl. 4099DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.093 101 Portanto, se algum “prejuízo” ou dano comercial — decorrente da impossibilidade de se obter os ganhos de escala antes de janeiro de 2004 — ocorreu, este foi naturalmente absorvido pelas empresas em questão. Afinal, se há impedimentos societários ou regulatórios para que a consolidação das empresas em uma só se efetive, pouco ou nada há a fazer. Contudo, na seara tributária, parece não concordar a recorrente que os impedimentos societários e regulatórios à prática dos eventos desejados possa constituir óbice a que alcance o seu “legítimo direito” à amortização do ágio pago para fins fiscais. Ora, conforme exposto no presente voto, a legislação fiscal tornouse, com a Lei no 9.532/97, muito mais restritiva com relação à possibilidade de amortização do ágio para fins fiscais. Longe de fazer parte de um “pacote de benefícios” oferecido às empresas vencedoras dos leilões de privatização, trata a lei em questão apenas de regular os efeitos ocorrentes a partir de eventos de fusão, incorporação ou cisão ocorridos, e quando orientados estes por legítimos interesses empresariais. Podese dizer que parte a recorrente do pressuposto de que haveria um “direito natural” à amortização do ágio para fins fiscais, e que este não poderia ser “suprimido” por conta de impedimentos societários ou regulatórios, quando na verdade se verifica que a lei fiscal é muito restritiva com relação à amortização do ágio, mesmo quando este tenha sido efetivamente pago, como o foi, no presente caso. Tanto é assim que, conforme também exposto no presente voto, o aproveitamento fiscal do ágio efetivamente pago, mas já amortizado contabilmente, somente é previsto para os casos de alienação ou liquidação do investimento, mas não para os casos de extinção de participação societária por força de fusão, incorporação ou cisão. Não cabe aqui questionar a opção do legislador, mas apenas registrar que assim foi por ele disciplinada a matéria. No caso, portanto, os impedimentos societários e regulatórios existentes fizeram com que a recorrente não pudesse naquele momento promover a incorporação nos moldes que alegadamente desejava realizar, e este fato traz, como de fato trouxe, implicações em todas as órbitas da vida empresarial, inclusive a tributária. Com relação às alegações recursais de que não poderia o fisco desconsiderar as suas operações para fins fiscais antes da vigência e devida regulamentação do artigo 116, parágrafo único, do CTN, sirvome mais uma vez do magistério de Marco Aurélio Greco5 para refutálas: “Tratandose de abuso de direito, o Código Civil assumiu postura clara e inequívoca no sentido de prever que configura ato ilícito. Isto significa que, na hipótese de abuso de direito no campo tributário, haverá uma ilicitude e, portanto, deixará de ser caso de elisão para configurar conduta ilícita (se evasão, sonegação ou outra figura, não é o momento de examinar). Portanto, ainda que o abuso implique uma dissimulação, a ilicitude originária contamina 5 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3a ed. São Paulo: Dialética, 2011, p. 556. Fl. 4100DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.094 102 a operação e, portanto, não é o caso de desconsiderar, mas de identificar o ilícito cometido. O Fisco não fica jungido aos procedimentos do artigo 116, parágrafo único, pois aplicase o artigo 149 do CTN.” O CARF também tem adotado firme posição no sentido da necessidade da existência de propósito negocial para que sejam aceitas as consequências tributárias de determinados atos, bem como vem acolhendo a possibilidade do reconhecimento do abuso de direito. Neste sentido, ainda que o caso concreto verse sobre situação diversa da tratada nos presentes autos, transcrevo a seguir ementa de recente julgado do CARF: “CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. ENCARGO DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO COM UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO. ABUSO DE DIREITO. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veículo) constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização. A utilização dos formalismos inerentes ao registro público de comércio engendrando afeiçoar a legitimidade destes atos caracteriza abuso de direito.” (Acórdão no 1103000.501, de 30 de junho de 2011, relator Cons. José Sérgio Gomes) Em conclusão deste tópico, corretos estão os lançamentos fiscais, tanto na parte que se refere à falta de adição da amortização de ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, quanto na parte que se refere à exclusão indevida de amortização de ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sendo de se destacar apenas que, com relação à exclusão, conforme exposto no voto, há motivos adicionais (em relação à falta de adição) para considerála indevida. De fato, conforme exposto, a partir da ocorrência do evento de fusão, incorporação ou cisão, a amortização do ágio passa a ser feita apenas contabilmente (embora com fins também fiscais), e o ágio já amortizado contabilmente não mais pode ser “recuperado” via exclusão, nem mesmo pela própria empresa que o tenha amortizado. Muito menos pode, como ocorreu no caso concreto, a TIM Nordeste Telecomunicações S/A (operadora resultante da incorporação de todas as seis operadoras em uma só) reduzir o seu lucro tributável com a exclusão, via Lalur, de parcelas do ágio que já haviam sido amortizadas pelas empresas Bitel e 1B2B. Em resumo: inexistindo extinção do investimento mediante real reestruturação societária entre investida e investidora não há que se falar em amortização do ágio, não se admitindo sua transferência para terceiros para que usufruam de tais despesas. Fl. 4101DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.095 103 Isso posto, voto por negar provimento ao recurso também em relação à tal infração. 3 DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO O ilustre Relator entendeu não ser possível a cobrança de juros sobre a multa de ofício seria ilegal. Discordo de tal posicionamento. Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a Fl. 4102DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.096 104 interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. Fl. 4103DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.097 105 A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: Fl. 4104DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.098 106 JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, Fl. 4105DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA Processo nº 19647.009690/200699 Acórdão n.º 1402001.876 S1C4T2 Fl. 4.099 107 DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Isso posto, voto por manter a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada, negando provimento ao recurso também em relação a tal ponto. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Redator Designado Fl. 4106DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, As sinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 10166.001011/2008-33
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS INFORMADOS EM DERC.
São isentos os rendimentos informados por Órgão da Administração Pública Federal, em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), para o Contribuinte ou seus dependentes.
Numero da decisão: 2001-002.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Luis Ulrich Pinto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO
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São isentos os rendimentos informados por Órgão da Administração Pública Federal, em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), para o Contribuinte ou seus dependentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura Relatório Trata-se de notificação de lançamento lavrada em 05/11/2007, a qual exige da ora contribuinte o valor de R$ 17.369,73 (dezessete mil, trezentos e sessenta e nove reais e setenta e três centavos), a título de IRPF, ano-calendário 2004, exercício de 2005, acrescido de multa de ofício e demais consectários legais, diante omissão de rendimentos recebidos de organismo internacional no valor de R$ 46.725,24 (quarenta e seis mil, setecentos e vinte e cinco reais e vinte e quatro centavos). Devidamente notificada do lançamento, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 02 a 09 alegando, em síntese: Relata que foi contratada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura-UNESCO/ONU, a fim de trabalhar com horário pré-estabelecido, sob subordinação hierárquica, em labor não eventual e mediante o recebimento de salários fixos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 10 11 /2 00 8- 33 Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-002.078 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.001011/2008-33 mensais. De acordo com o previsto em convenções e acordos internacionais promulgados pelo Brasil, deveria gozar de isenção de imposto de Renda em virtude de trabalhar para Organismo Internacional, mas, apesar de haver informado na declaração de imposto de renda, que gozava da isenção, foi surpreendida com o lançamento. A Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50 dispõe que funcionários da ONU serão isentos de qualquer imposto sobre salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas. Idêntica linha de raciocínio é adotada pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 52.288, de 1963, que no art. 6º declara que os funcionários dos Organismos Internacionais gozarão de isenções de impostos quanto aos salários e vencimentos a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas as de que gozam os funcionários das Nações Unidas. Defendeu, então, a supremacia dos tratados internacionais em relação à legislação interna, por força do disposto no art. 5, § 2º da Constituição Federal e nos artigos 96 e 98 do CTN e a aplicação das Convenções indistintamente aos funcionários estrangeiros ou nacionais dos Organismos Internacionais. Alegou ainda que seu entendimento é corroborado por orientações emanadas pela Receita Federal, contidas no Parecer CST 717, de O6/04/1979 e nas perguntas 172 e 176 do Manual Imposto de Renda Pessoa Física Perguntas e Respostas/1995, transcritos. Colacionou, também, excertos jurisprudenciais favoráveis à sua tese. Na ocasião do julgamento da Impugnação apresentada pelo ora Recorrente, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília proferiu o acórdão nº 03- 26.912, julgando improcedente a Impugnação. Nos termos do julgado, a contribuinte não se enquadra na categoria dos funcionários do Organismo que gozam da isenção de Imposto de Renda sobre os vencimentos recebidos, pela simples razão de não ser funcionária e sim técnica contratada, de acordo com as normas legais vigentes e as provas dos autos. Irresignada com o v. acórdão nº ª 03-26.912- 3ª Turma da DRJ/BSA, a Recorrente interpôs recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando em síntese que: a) é funcionária do organismo internacional do qual o Brasil participa enquadrando-se no disposto no art. 22, II do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999. b) que a norma legal não faz distinção entre trabalhos de qualquer natureza, bastaria ser rendimento do trabalho. c) que os manuais de orientação da Receita Federal vêm orientando pela isenção tributária citando os manuais dos anos de 1995 e 2002 d) que as convenções e tratados dos quais o Brasil faça parte incorporam-se à legislação pátria e) que a nomeação formal exigida pela lei brasileira, não corresponde necessariamente à nomeação exigida para ser funcionário da ONU. Que está comprovado nos autos o exercício permanente junto ao organismo internacional, fazendo jus a rendimentos mensais, seguro de vida em Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-002.078 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.001011/2008-33 grupo, está sujeita a controle de jornada, está subordinada hierarquicamente entre outras coisas, as quais evidenciariam sua condição de funcionária de organismo internacional com vínculo empregatício. Que a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas prevê o encaminhamento pelo organismo internacional ao governo brasileiro de “lista” identificando os funcionários atingidos pela isenção de tributos. Que eventual descumprimento não acarreta qualquer responsabilidade a ser imputada aos funcionários das agências especializadas contratados no Brasil. Mas, pelo visto, e de acordo com o que está colocado no item 14 do PN nº 717/79 a Receita Federal foi informada pela pessoa competente sobre a extensão do benefício a todos os funcionários brasileiros, exceto aqueles remunerados por taxa horária. Voto Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator. Conheço do recurso voluntário, tendo em vista a sua tempestividade. Desta forma, passo a analisar os argumentos expostos pela Recorrente em sua peça recursal: Haja vista a decisão proferida pelo STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos 543-C do Código de Processo Civil de 1973, entendeu que a isenção ora debatida se estende aos peritos e técnicos que prestem serviços no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, tal decisum deve ser aplicado ao caso. Observe-se: EMENTA TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RENDIMENTOS RECEBIDOS POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS AO PNUD. ISENÇÃO. MULTA. SÚMULA 98/STJ. 1. O Acordo Básico de Assistência Técnica firmado entre o Brasil, a ONU e algumas de suas Agências, aprovado pelo Decreto Legislativo 11/66 e promulgado pelo Decreto 59.308/66, assumiu, no direito interno, a natureza e a hierarquia de lei ordinária de caráter especial, aplicável às situações nele definidas. Tal Acordo atribuiu, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas, os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50. 2. O autor prestou serviços de assistência técnica especializada, na condição de Técnico Especialista, ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, de quem recebia a correspondente contraprestação. Assim, os valores recebidos nessa condição estão abrangidos pela cláusula isentiva de que trata o inciso II do art. 23, do RIR/94, reproduzida no art. 22, II, do RIR/99. 3. Nos termos da Súmula 98/STJ, embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório. 4. Recurso especial provido. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.159.379 - DF (2009/0194481-9)- RELATOR : MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI - Brasília, 08 de junho de 2011). Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-002.078 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.001011/2008-33 Outrossim, nos termos em que dispõe o art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho- RICARF as decisões proferidas pelos Tribunais Superiores sob a sistemática de recursos repetitivo, como o que se seguiu, são de observância obrigatória pelo CARF. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Deste modo, o entendimento a ser seguido por este conselho não pode ser outro senão aquele que reconhece o direito à isenção dos rendimentos recebidos pela Recorrente de Organismo Internacional, nos termos do julgado do Superior Tribunal de Justiça. Neste mesmo sentido, estabelece a Solução de Consulta COSIT nº 36/2019, que: DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS PAGOS A CONSULTORES POR ORGANISMOS INTERNACIONAIS - DERC. RESPONSABILIDADE. Nas contratações de consultores técnicos efetuadas pelos Organismos Internacionais, no âmbito de acordos e instrumentos congêneres de cooperação técnica, celebrados com a Administração Pública Federal, nos termos do Decreto nº 5.151, de 22 de julho de 2004, cabe ao órgão ou à entidade executora nacional informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio da Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), os valores pagos a esses consultores, a qualquer título, de forma discriminada por natureza e beneficiário. Note-se que, no caso em referência, consta da própria Notificação de lançamento que os rendimentos tidos como omitidos referem-se a valores informados por órgão da Administração Pública Federal, em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), para o titular ou dependentes, não havendo que se falar, portanto, em rendimento tributável, tendo em vista que, nos termos da legislação aplicável, estes valores são isentos. Diante do exposto, conheço do recurso e, no mérito, dou-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-002.078 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.001011/2008-33 Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10783.903844/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
CRÉDITOS. BENS OU SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO.
A Lei nº 10.833/2003, em seu art. 3º, § 2º, inciso II (norma equivalente à existente na Lei nº 10.637/2002, que trata do PIS/Pasep), veda o direito a créditos da não-cumulatividade sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição.
RECEITAS DAS COOPERATIVAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
De acordo com o art. 15, inciso I, da MP 2.158-35/2001, as receitas das cooperativas, decorrentes da comercialização da produção dos cooperados, poderão ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins, ou seja, são bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
ATOS COOPERADOS. RECURSO REPETITIVO. HIPÓTESE DE NÃO-INCIDÊNCIA.
Conforme decidido pelo STJ ao julgar o REsp 1.141.667/RS sob o rito dos Recursos Repetitivos, o art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E ainda, em seu parágrafo único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Dito isso, entende-se que a norma declarou a hipótese de não incidência tributária.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS.
Para pleitear os créditos faz-se indispensável a apresentação das notas fiscais, documentos que podem, efetivamente, comprovar a existência ou não dos mesmos e sua quantificação. Se tais documentos não contem qualquer destaque das contribuições, indicando claramente que sua aquisição foi realizada sem a incidência destes tributos, não é devido o creditamento, independentemente do emitente não ter feito constar tal fato no campo Observações.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA.
As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, o crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004.
Entretanto, somente considera-se produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial.
Numero da decisão: 3401-007.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Tom Pierre Fernandes da Silva Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fernanda Vieira Kotzias, Tom Pierre Fernandes da Silva (Presidente). Ausentes os conselheiros Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, João Paulo Mendes Neto e Mara Cristina Sifuentes, substituída pelo conselheiro Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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BENS OU SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. A Lei nº 10.833/2003, em seu art. 3º, § 2º, inciso II (norma equivalente à existente na Lei nº 10.637/2002, que trata do PIS/Pasep), veda o direito a créditos da não-cumulatividade sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. RECEITAS DAS COOPERATIVAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. De acordo com o art. 15, inciso I, da MP 2.158-35/2001, as receitas das cooperativas, decorrentes da comercialização da produção dos cooperados, poderão ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins, ou seja, são bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. ATOS COOPERADOS. RECURSO REPETITIVO. HIPÓTESE DE NÃO- INCIDÊNCIA. Conforme decidido pelo STJ ao julgar o REsp 1.141.667/RS sob o rito dos Recursos Repetitivos, o art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E ainda, em seu parágrafo único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Dito isso, entende-se que a norma declarou a hipótese de não incidência tributária. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS. Para pleitear os créditos faz-se indispensável a apresentação das notas fiscais, documentos que podem, efetivamente, comprovar a existência ou não dos mesmos e sua quantificação. Se tais documentos não contem qualquer destaque das contribuições, indicando claramente que sua aquisição foi realizada sem a incidência destes tributos, não é devido o creditamento, independentemente do emitente não ter feito constar tal fato no campo “Observações”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 38 44 /2 01 2- 40 Fl. 289DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, o crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Entretanto, somente considera-se produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Tom Pierre Fernandes da Silva – Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fernanda Vieira Kotzias, Tom Pierre Fernandes da Silva (Presidente). Ausentes os conselheiros Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, João Paulo Mendes Neto e Mara Cristina Sifuentes, substituída pelo conselheiro Felipe de Barros Reche. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o Relatório da DRJ – Fortaleza (DRJ-FOR): Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho Decisório de fl. 10, através do qual a RFB homologou parcialmente a compensação realizada através da DCOMP nº 39159.94661.201010.1.3.08-0310. Referida DCOMP teve como suporte um crédito declarado no PER nº 33796.58274.290110.1.1.08-1628, a título de PIS - Exportação, do período de apuração – PA 4º trimestre de 2009, no valor de R$ 112.593,31. Em procedimento de auditoria fiscal para apuração do crédito, a fiscalização atestou que o crédito correspondia à importância de R$ 40.642,50, glosando a diferença. A glosa incidiu sobre os créditos gerados em compras realizadas de cooperativas. A fiscalização entendeu que o contribuinte não poderia ter se creditado do PIS e da Cofins nessas compras pelas alíquotas convencionais, respectivamente 1,65% e Fl. 290DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 7,6%, previstas nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, mas pelo crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004, correspondente à 35% do crédito convencional. Em conseqüência dessa glosa “o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo” nas DCOMPs, tendo sido este o fundamento da homologação parcial/não homologação, constante do Despacho Decisório. O Relatório Fiscal que fundamentou a glosa consta das fls. 51 a 67. Sua conclusão segue-se abaixo transcrita: Conclui-se, portanto, que a Esteve Irmãos não tem o direito de apurar créditos integrais na aquisição de café de sociedades cooperativas. Primeiramente, porque as receitas de venda auferidas pelas sociedades cooperativas foram excluídas da base de cálculo das contribuições (não houve recolhimentos do Pis e Cofins sobre estas receitas de venda). Nesta situação nem crédito presumido ser-lhe-ia garantido. Segundo, porque as cooperativas venderam café com suspensão, sob a égide do inciso III do art. 8º da Lei 10.925/04 c/c arts. 2º a 7º da IN 660/2006, muito embora esta informação não tenha sido informada no corpo das notas fiscais. Neste caso foi garantido o direito à apuração de crédito presumido à alíquota de 35%. Neste sentido, as aquisições de café discriminadas no Dacon no item Bens para Revenda foram reclassificadas de crédito integral para crédito presumido. Tais considerações provocaram significativa alteração no montante dos créditos a descontar das contribuições. Ciente do Despacho Decisório em 18/12/2012, o contribuinte apresentou em 16/01/2013 a manifestação de inconformidade de fls. 12 a 36, alegando, em essência, que: a vedação de aproveitamento de crédito prevista no art. 3º, § 2º, II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, restringe-se às aquisições não sujeitas ao pagamento de contribuições, seja por isenção, não incidência ou aplicação de alíquota zero, não sendo o caso das vendas realizadas pelas cooperativas, sujeitas à incidência das contribuições; a apuração do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei 10.925/04 aplica-se tão-somente quando o bem é adquirido para utilização como insumo e sua saída da cooperativa se dá com suspensão do PIS e Cofins. o produto café cru foi adquirido para revenda e sua saída da cooperativa se deu sem suspensão das contribuições, razão pela qual a sistemática de apuração do crédito submete-se à regra geral do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, devendo o crédito ser apropriado integralmente; as aquisições foram realizadas sob o CFOP 1.102 e 1.117 e as saídas sob o CFOP 7.102, o que atesta a condição de aquisição destinada a revenda; a própria RFB admitiu que a empresa adquirente de carne bovina e suína descontasse créditos ordinários (integrais) de PIS e Cofins, no caso de aquisição de cooperativa para revenda; não obstante o beneficiamento no produto feito em terceiros, isso não descaracteriza sua atividade como de compra de café cru para revenda, tampouco a qualifica como pessoa jurídica que realiza processo industrial, para torná-lo próprio ao Fl. 291DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 consumo humano ou animal, como previsto no art. 8º da Lei 10.925/04, ao instituir o crédito presumido em causa; o café cru que a Requerente adquiriu das cooperativas no período foi revendido nessa mesma forma - grão cru. O processo de beneficiamento ocorrido não o tornou próprio à alimentação humana ou animal. muito embora a IN SRF nº 660 de 2006 eleja o café (capítulo 9) como espécie de produto de origem vegetal destinado à alimentação, sujeito ao crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei 10.925/04, houve por bem, excepcionar da norma (art. 5º, I, “d”) o produto do código 0901.1, justamente o café cru. no sentido de que a suspensão das contribuições e o direito ao crédito presumido existem quando se trata de aquisição de insumo agropecuário para fabricação de produto destinado à alimentação humana ou animal - o café cru em grãos necessita passar por processos industriais para só então se destinar à alimentação humana; suspensão da Contribuição ao PIS e da COFINS, como alega a d. autoridade fiscal, tanto assim que os documentos correspondentes a tais operações não fazem menção à suspensão das contribuições; A 5ª Turma da DRJ-FOR, em sessão datada de 20/11/2014, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Foi exarado o Acórdão nº 08- 31.846, às fls. 200/210, com a seguinte ementa: RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE PRODUTO DE COOPERATIVA AGROPECUÁRIA PARA VENDA APÓS BENEFICIAMENTO EM TERCEIRO. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. Equipara-se a produtor o estabelecimento comercial que envia produto de seu comércio para beneficiamento em estabelecimento de terceiros, com retorno para posterior revenda. O estabelecimento comercial que adquire de sociedade cooperativa agropecuária produtos nessas circunstâncias faz jus ao crédito presumido de PIS e Cofins previsto no art. 8º da Lei 10.925/04. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJ-FOR em 16/12/2014 (conforme TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO, à fl. 217), apresentou Recurso Voluntário em 18/12/2014, às fls. 219/246, basicamente repisando os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Fl. 292DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 I – DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Inicialmente, colaciono, a seguir, os dispositivos legais pertinentes à análise da presente lide: LEI nº 10.925, de 23/07/2004 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I - 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II - 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III - 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: Fl. 293DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considera-se produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 7º O disposto no § 6º deste artigo aplica-se também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I - de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II - de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III - de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I - aplica-se somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II - não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal - SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) NCM – POSIÇÃO 09.01 09 - Café, chá, mate e especiarias 0901 - Café, mesmo torrado ou descafeinado; cascas e películas de café, sucedâneos do café contendo café em qualquer proporção INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF nº 660, de 17/07/2006 (Revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1.911, de 11 de outubro de 2019) Fl. 294DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 DO ÂMBITO DE APLICAÇÃO Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES DOS PRODUTOS VENDIDOS COM SUSPENSÃO Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I - de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) b) 12.01 e 18.01; II - de leite in natura; III - de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV - de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. DAS PESSOAS JURÍDICAS QUE EFETUAM VENDAS COM SUSPENSÃO Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I - cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II - que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III - que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entende-se por: I - cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II - atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e Fl. 295DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 III - cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. § 2º Conforme determinação do inciso II do § 4º do art. 8º e do § 4º do art. 15 da Lei nº 10.925, de 2004, a pessoa jurídica cerealista, ou que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, ou que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do caput, deverão estornar os créditos referentes à incidência não-cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência das contribuições na forma do art. 2º. § 3º No caso de algum produto relacionado no art. 2º também ser objeto de redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nas vendas efetuadas à pessoa jurídica de que trata o art. 4º prevalecerá o regime de suspensão, inclusive com a aplicação do § 2º deste artigo. DAS CONDIÇÕES DE APLICAÇÃO DA SUSPENSÃO DA APLICAÇÃO DA SUSPENSÃO (REDAÇÃO DADA PELO(A) INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 977, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2009) Art. 4º Aplica-se a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I - apurar o imposto de renda com base no lucro real; II - exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III - utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. (...) DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entende-se por atividade agroindustrial: I - a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e II - o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF nº 635, de 24/03/2006 (Revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1.911, de 11 de outubro de 2019) Art. 1º As sociedades cooperativas devem observar as disposições desta Instrução Normativa na apuração: I - da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre o faturamento; II - da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação; e Fl. 296DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 III - da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Art. 2º São contribuintes, na hipótese do inciso I do art. 1º, as sociedades cooperativas em geral. (...) Art. 3º As sociedades cooperativas, na hipótese de realizarem vendas de produtos entregues para comercialização por suas associadas pessoas jurídicas, são responsáveis pelo recolhimento das contribuições sociais por estas devidas em relação as receitas decorrentes das vendas desses produtos, nos termos do art. 66 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Art. 4º O fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre o faturamento é o auferimento de receita. (...) Art. 6º A base de cálculo da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins é o faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pelas sociedades cooperativas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I - exclusão do valor repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por ele entregues à cooperativa; II - exclusão das receitas de venda de bens e mercadorias ao associado; III - exclusão das receitas decorrentes da prestação, ao associado, de serviços especializados aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV - exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado; V - dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização; (...) Art. 23 As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo sujeitas à incidência não-cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, os créditos calculados em relação a: I - bens para revenda, adquiridos de não associados, exceto os decorrentes de: (...) II - aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; Fl. 297DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 III - despesas e custos incorridos no mês, relativos a: (...) Art. 26 Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma do art. 23, as cooperativas de produção agropecuária que exerçam atividade agroindustrial podem descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não-cumulativos, devidas em cada período de apuração, crédito presumido relativo aos insumos adquiridos de pessoa física ou jurídica ou recebidos de cooperados, pessoa física ou jurídica, calculado na forma dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, observadas as disposições que disciplinam a matéria. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se a partir de 1º de agosto de 2004. (...) Art. 33 As sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária e as de consumo, apuram a Contribuição para PIS/Pasep e a Cofins no regime de incidência cumulativa. § 1º As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo apuram a Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins no regime de incidência: I - cumulativa, para os fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2004; e II - não-cumulativa, para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de agosto de 2004. (...) Da suspensão, da não-incidência e da isenção Art. 34 A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa em relação às receitas auferidas por sociedade cooperativa de produção agropecuária decorrentes da venda de: I - produtos in natura de origem vegetal, quando a cooperativa exercer cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar esses produtos; II - leite in natura a granel, quando a cooperativa a exercer cumulativamente as atividades de transporte e resfriamento do produto; III - produtos agropecuários que gerem crédito presumido na forma do art. 26. § 1º A suspensão de que trata o caput não se aplica às vendas de produtos classificados no código 09.01 da TIPI, realizadas pelas sociedades cooperativas de produção agropecuárias que exerçam cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (...) § 3º A hipótese de suspensão prevista no caput somente ocorrerá quando a venda dos produtos in natura de origem vegetal for decorrente da exploração da atividade agropecuária pelas pessoas jurídicas ou dos associados da sociedade cooperativa, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, 12 de abril de 1990. § 4º Os custos, despesas e encargos vinculados às receitas das vendas efetuadas com a suspensão prevista no caput, não geram direito ao desconto de créditos por parte da cooperativa de produção. Fl. 298DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 § 5º A aquisição de produtos com suspensão, na forma do caput, gera créditos presumidos para a pessoa jurídica adquirente, conforme disposto no art. 26. § 6º A suspensão de que trata este artigo alcança somente as vendas efetuadas à pessoa jurídica agroindustrial que apure o imposto de renda com base no lucro real ou à sociedade cooperativa que exerça a atividade agroindustrial. II – DO CREDITAMENTO INTEGRAL. DA ALEGAÇÃO DE LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS DECORRENTES DE AQUISIÇÕES DE CAFÉ DE COOPERATIVAS PARA REVENDA. Afirma o recorrente que o fundamento tanto para a glosa realizada pela Fiscalização, quanto para sua manutenção pela DRJ, decorre de premissa completamente equivocada, qual seja, o café foi adquirido para industrialização, e não para revenda, apesar de confirmar que, em nenhum momento, negou a possibilidade do envio do café cru adquirido para beneficiamento em estabelecimento de terceiros, momento em que comumente se realiza o blend final do café, etapa da produção em que ocorre o preparo e mistura de tipos de café para definição de aroma e sabor. Sustenta que, a despeito de realizar a elaboração de um blend final, para atender a especificações do seu cliente, tal fato não é suficiente para que seja considerada agroindustrial, à luz do disposto no §6° do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, e isso porque a equiparação da exportadora de café a uma empresa agroindustrial está condicionada ao exercício CUMULATIVO das atividades de: (i) Padronizar: processo de agrupar os grãos por qualidade de bebida, cor, umidade, variedade, reduzindo-o ao tipo de 1 a 10, conforme a classificação oficial brasileira; (ii) Beneficiar: ato de melhorar por processos mecânicos os grãos de café retirando suas impurezas, e (iii) Realizar o blend (mistura dos tipos padronizados para definição do aroma e sabor) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Segundo relata, nas aquisições de cooperativas, a Recorrente efetua eventualmente apenas o blend final, uma vez que o café já é adquirido (i) padronizado e (ii) beneficiado. Assim, não utiliza o café adquirido de cooperativas como insumo em processo produtivo, eis que não o industrializa, visto não exercer cumulativamente todas as atividades necessárias para se equiparar a uma empresa agroindustrial. Da mesma forma, afirma que é possível também verificar, em seu Livro Registro de Entrada que as aquisições foram realizadas sob os CF0Ps 1.102 e 1.117, e as saídas em exportação se deram sob o CFOP 7.102, que indica venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros. Em seguida, sustenta ainda que o beneficiamento feito em terceiros não descaracteriza sua atividade como compra e revenda de café cru, tampouco a qualifica como pessoa jurídica que realiza processo industrial de insumo agropecuário, tornando-o próprio à Fl. 299DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 alimentação humana ou animal. Isso porque o café cru que a Recorrente adquiriu das cooperativas no período foi revendido nessa mesma forma - grão cru. O processo de beneficiamento ocorrido não o tornou próprio à alimentação humana ou animal. Afirma que esta seria a razão pela qual os documentos fiscais que acobertaram as operações de aquisição de café de cooperativas, sobre as quais apurou créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, não fazem qualquer menção à suspensão das contribuições. Ao analisar o PARECER SEFIS n° 128/2012, às fls. 51/67, lavrado em 24/10/2012, documento que embasa o Despacho Decisório referente ao PER/DCOMP nº 33796.58274.290110.1.1.08-1628, obtemos as seguintes razões para as glosas: Em relação ao 2° item; a presente fiscalização reclassificou todas suas aquisições de café, garantindo apenas o desconto de crédito presumido, em detrimento do crédito integral. Tais aquisições foram realizadas exclusivamente de empresas cooperativas e, segundo a legislação vigente, somente poderia ter sido aproveitado, o crédito presumido, conforme veremos a seguir. 1) Aquisições de café de sociedades cooperativas De acordo com o inciso I do art. 15 da MP 2.158-35/2001, as receitas das cooperativas, decorrentes da comercialização da produção dos cooperados, poderão ser excluídas da base de cálculo do Pis e da Cofins. Ademais, segundo o inciso IV do mesmo artigo, as receitas decorrentes do beneficiamento, bem como do armazenamento e industrialização da produção de associado também poderão ser excluídas da base de cálculo das contribuições: (...) Ocorre que as receitas de venda auferidas pelas sociedades cooperativas podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições. Neste contexto, as empresas adquirentes, ao se creditarem das compras efetuadas junto às sociedades cooperativas, estariam se beneficiando indevidamente, na medida em que se creditam de um valor que não foi oferecido à tributação pelas cooperativas. As sociedades cooperativas não transferiram o ônus tributário ao longo da cadeia produtiva, urna vez que estas operações foram excluídas da base de cálculo das contribuições, por força da MP 2.158-35/2001. E a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não dará direito a crédito, conforme previsto no art. 3°, §2°, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, abaixo transcrito: (...) Com a publicação da Lei n° 10.925/04 (art. 8º e 9° abaixo transcritos), posteriormente alterada pelas Leis nº 11.051/04 e 11.196/2005, a incidência das Contribuições não- cumulativas ficaram suspensas no caso de venda de insumos pelas cooperativas de produção agropecuária: (...) Neste contexto, importante ressaltar que a Esteve Irmãos adquire café cru em grãos de sociedades cooperativas agropecuárias e de outros comerciantes. A mercadoria é encaminhada para industrialização em estabelecimentos de terceiros para fins de preparo para exportação. Posteriormente, este café beneficiado é exportado. Tais informações foram colhidas em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, prestada pela própria empresa. Fl. 300DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 (...) Todos os pré-requisitos para que as vendas de café das sociedades cooperativas saíssem com suspensão foram cumpridos. Não obstante, as sociedades cooperativas informaram, no corpo de algumas notas fiscais, expressões do tipo: "o Pis e Cofins estão sendo recolhidos normalmente sobe esta operação" e "operação com incidência do Pis e da Cofins”. Importante ressaltar que não houve prejuízo financeiro algum por parte das cooperativas, na medida em que, quando não dão saídas com suspensão, de qualquer forma acabam não recolhendo tributos sobre estas receitas, por força da MP 2.158- 35/2001, supracitada. Foram colhidas informações inerentes aos recolhimentos feitos por todas as cooperativas que efetuaram vendas de café à Esteve Irmãos, quais sejam: COOP. REGIONAL DE CAFEICULTORES EM GUAXUPE LTDA COOXUPE-GUAXUPE, CNPJ 20.770.566/0005-33, EXPOCACCER COOPERATIVA DOS CAFEICULTORES DO CERRADO LTDA, CNPJ 71.352.553/0001-51 e COCAPEC - COOPERATIVA DE CAFEICULTORES E AGROPECUARISTAS, CNPJ 54.772.017/0001-06. A primeira cooperativa figurou corno a maior fornecedora de café para a ESTEVE IRMÃOS, com, aproximadamente, 78% do total de suas aquisições. Em consulta aos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) desta empresa, observou-se que a cooperativa excluiu da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS) quase que a totalidade de suas receitas. Foram oferecidos à tributação valores que sequer alcançaram o total, das vendas à ESTEVE IRMÃOS, o que reforça a tese de que suas receitas foram excluídas da base de cálculo das contribuições. Também foram identificados recolhimentos de Pis incidentes sobre a folha de salários à alíquota de 1%, a que se submetem as sociedades cooperativas, nos termos do art. 13 e art. 15, §2°, I, da MP,2.158-35/2001. As outras duas cooperativas excluíram todas as receitas da base do cálculo das contribuições, nos meses em que foram realizadas vendas de café à Esteve Irmãos. Segundo o disposto no art. 7° da supracitada IN, gera direito ao desconto de crédito presumido as aquisições de insumos com suspensão da exigibilidade das contribuições. Neste diapasão, os créditos ora apropriados nas aquisições de café efetuadas junto a estas sociedades cooperativas foram glosados, adicionando-se, em seu lugar, o crédito presumido instituído pelo art. 8° da lei 10.925/2004, c/c arts. 5° a 7° da IN 600/2006. Ainda com base nos esclarecimentos prestados pela empresa, foi informado que ela não desenvolve atividades de beneficiamento. De fato, quem realiza esse beneficiamento são estabelecimentos de terceiros, os quais são empresas contratadas pela Esteve Irmãos. Pelo simples fato deste beneficiamento ser terceirizado a outras empresas, não descaracteriza o direito à apuração ao crédito presumido. Se assim o tosse, nem direito ao crédito presumido ser-lhe-ia garantido. (...) CONCLUSÃO Conclui-se, portanto, que a Esteve Irmãos não tem o direito de apurar créditos integrais na aquisição de café de sociedades cooperativas. Primeiramente, porque as receitas de venda auferidas pelas sociedades cooperativas foram excluídas da base de cálculo das contribuições (não houve recolhimentos de Pis e Cofins sobre estas receitas de venda). Nesta situação nem crédito presumido ser-lhe-ia garantido. Fl. 301DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 Segundo, porque as cooperativas venderam café com suspensão, sob a égide do inciso III do art. 8° da Lei 10.925/04, c/c arts. 2º a 7° da IN 660/2006, muito embora esta informação não tenha sido informada no corpo das notas fiscais. Neste caso, foi garantido o direito à apuração de crédito presumido à alíquota dá 35%. Neste sentido, as aquisições de café discriminadas no Dacon no item Bens para Revenda foram reclassificadas de crédito integral para crédito presumido. Tais considerações provocaram significativa alteração no montante dos créditos a descontar das contribuições. De outra senda, alega o recorrente que “pouco importa o regime de tributação a que esteja submetido o fornecedor de bens ou de serviços, uma vez estando este sujeito às contribuições, não há como se negar o direito ao aproveitamento de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre os valores despendidos com a aquisição de produtos agropecuários”. Sustenta essa afirmação com base na sua tese de que, muito embora a legislação permita a exclusão de determinados valores da base de cálculo das sociedades cooperativas, estão elas sujeitas ao regime não cumulativo de incidência das contribuições, e tal exclusão da base de cálculo não significa dizer que a cooperativa é entidade imune ou isenta. Salienta, ainda, que à pessoa jurídica adquirente dos produtos agropecuários, nomeadamente do café, não cabe investigar se a cooperativa adquiriu o produto da venda de cooperado ou não cooperado ou se ela excluiu ou não da base de cálculo as receitas auferidas com a venda de café. De sua parte, cabe somente o creditamento integral dos produtos adquiridos para revenda quando não atendidos os requisitos da suspensão. Analisando a legislação de regência da matéria, observa-se que a Lei nº 10.833/2003, em seu art. 3º, § 2º, inciso II (norma equivalente à existente na Lei nº 10.637/2002, que trata do PIS/Pasep), veda o direito a créditos da não-cumulatividade sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Este dispositivo legal foi invocado pela Autoridade Tributária para afirmar que as empresas adquirentes, ao se creditarem das compras efetuadas junto às sociedades cooperativas, estariam se beneficiando indevidamente, na medida em que se creditam de um valor que não foi oferecido à tributação pelas cooperativas, tendo em vista que, de acordo com o inciso I do art. 15 da MP 2.158-35/2001, as receitas das cooperativas, decorrentes da Fl. 302DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 comercialização da produção dos cooperados, poderão ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins, ou seja, são bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; O Supremo Tribunal Federal já se manifestou sobre a questão, no julgamento do RE 598.085-RJ, com Acórdão publicado em 10/02/2015 e trânsito em julgado em 10/08/2018: VOTO A matéria encontra-se imbricada com outros três recursos extraordinários objeto de repercussão geral nesta Suprema Corte. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de ato cooperado, receita da atividade cooperativa e cooperado, são temas que se encontram sujeitos à repercussão geral nos recursos: RE 597.315 RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012, Dje 22/02/2012, RE 672.215 RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 29/03/2012, Dje 27/04/2012. No RE 599.362 RG, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Dje-13-12-2010, controverte-se a possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.158-33, originariamente editada sob o nº 1.858-6, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998. (...) O inciso I, art. 6º, da LC nº 70/91 estabeleceu a isenção da COFINS para “as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades”. O art. 93, II, a, da MP nº 2.158- 35, que sucedeu a MP nº 1.858-6 e reedições seguintes, revogou o preceito anterior, expressando a previsão da incidência desta contribuição sobre a receita decorrente de atos cooperativos, verbis: (...) O tema atinente à isenção é matéria reservada à lei ordinária, consoante prevê o art. 178, do Código Tributário Nacional, razão pela qual a Lei Complementar nº 70/91 deve ser tida como complementar apenas formalmente, o que implica a possibilidade de ser alterada por medida provisória, a teor da interpretação albergada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal (ADI 1/DF, Min. Relator Moreira Alves, DJ 16/06/1995). Efetivamente, este benefício fiscal previsto no inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91 foi revogado pela Medida Provisória nº 1.858 e reedições seguintes, consolidada na atual Medida Provisória nº 2.158, tornando-se tributáveis pela COFINS as receitas auferidas pelas cooperativas quando prestarem serviços a terceiros não associados (não cooperados). (...) Com efeito, sem a norma geral que disciplinará o adequado tratamento ao ato cooperativo, não vislumbro afronta ao princípio da isonomia o tratamento diferenciado a algumas espécies de cooperativas, posto o dever do legislador em respeitar as peculiaridades de cada segmento. Fl. 303DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 Nessa linha de pensar, atos cooperativos próprios ou internos somente seriam aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados), na esteira do professor NASCIMENTO, Carlos Valder do. Teoria geral dos atos cooperativos. São Paulo: Malheiros, 2007. p. 54, que restringe o conceito de ato cooperativo de modo a abranger somente aqueles praticados entre a cooperativa e seus associados, sempre na busca dos objetivos colimados pelo empreendimento. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta. O Supremo Tribunal Federal também já se manifestou sobre a questão, porém com relação ao PIS/Pasep, no julgamento do RE 599.362-RJ, com Acórdão publicado em 10/02/2015 e trânsito em julgado em 25/11/2016. O Superior Tribunal de Justiça decidiu o tema ao julgar o REsp 1.141.667/RS sob o rito dos Recursos Repetitivos, em Acórdão publicado em 04/05/2016: 2. Pois bem. Esta Corte, inúmeras vezes, entendeu pela incidência do PIS/COFINS sobre os atos das cooperativas praticados com terceiros (não cooperados). Citem-se julgados: (...) 3. Evidencia-se que a discussão travada na Corte insere-se no conceito daquilo que não é ato cooperativo quando a cooperativa tem faturamento ao estabelecer relação com terceiros não cooperados. Contudo, resta agora a definição de ato cooperado típico realizado pelas cooperativas, capaz de afastar a incidência das contribuições destinadas ao PIS/COFINS. 4. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E ainda, em seu parágrafo único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 5. Dito isso, entende-se que a norma declarou a hipótese de não incidência tributária, tendo em vista a mensagem que veicula, mesmo sem empregar termos diretos ou específicos, por isso que se obtém esse resultado interpretativo a partir da análise de seu conteúdo. Consequentemente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados), ou pela cooperativa com outras cooperativas, ou pelos associados (cooperados) com a cooperativa, na busca dos seus objetivos institucionais. 6. Para deixar clara a diferença de um ato típico e um atípico podemos exemplificar assim: uma cooperativa que busca a aquisição de 1.000 litros de leite, entre seus cooperados consegue a aquisição de apenas 700 litros e os outros 300 litros adquire mediante o processo de compra e venda com um terceiro produtor não cooperado. Nesse caso, a aquisição dos 700 litros de leite de seus cooperados não será tributada, por se tratar de ato cooperativo típico. Já os outros 300 litros de leite que adquiriu de terceiro não cooperado, mediante o processo de compra e venda, este ato sim, será ato de cooperativa, mas atípico. Assim como seria tributado se a cooperativa realizasse um ato de compra e venda ou locação de imóvel, por exemplo. Fl. 304DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 7. O que se dever ter em mente é que os atos cooperativos típicos não são intuitu personae; não é porque a cooperativa está no polo da relação que os torna atos típicos, mas sim porque o ato que realiza, estão relacionados com a consecução dos seus objetivos sociais institucionais. (...) 9. Na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos – a cooperativa não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores que se associaram. 10. No caso dos autos, colhe-se da decisão que se está diante de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 124), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. (...) 12. Ante o exposto, voto pelo parcial provimento ao Recurso Especial para excluir o PIS e a COFINS sobre os atos cooperativos típicos e permitir a compensação tributária após o trânsito em julgado, respeitado prazo prescricional quinquenal. 13. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixando-se a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Observe-se que o STF define essa exclusão da base de cálculo do PIS/Cofins dos valores repassados aos associados como caso de isenção, enquanto o STJ trata como não- incidência. Neste último caso nada há a ser ressalvado, sendo diretamente vedado o creditamento. Na linha do STF, sendo uma isenção, existe a possibilidade do creditamento, caso não se trate de bens (i) adquiridos para revenda ou (ii) utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. O próprio contribuinte afirma que não realiza qualquer tipo de industrialização, comprovando sua alegação através dos CFOPs de entrada das mercadorias, mas tão somente as revende. Nesse diapasão, confirma-se a impossibilidade do creditamento pelo valor integral do crédito das contribuições. Entretanto, mesmo que a razão estivesse com o Fisco, ou seja, não se tratando de mera revenda, observe-se que o contribuinte afirma, em seu Recurso Voluntário, que os produtos por ele comercializados são objeto de exportação: Trata-se de Pedido de Ressarcimento e Declarações de Compensação relativos a saldo credor da Contribuição ao PIS vinculados à receita de exportação, sendo que os valores não aproveitados foram compensados com diversos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil ("RFB"). Como já assentado pelo STF no julgamento com Repercussão Geral do RE 627.815-PR, com Acórdão publicado em 01/10/2013 e trânsito em julgado em 25/10/2013, as receitas de exportação são imunes da tributação pelo PIS/Cofins: A Senhora Ministra Rosa Weber (Relatora): Senhor Presidente, trata-se do leading case da controvérsia atinente à constitucionalidade da incidência da COFINS e da contribuição ao PIS sobre a receita auferida pelas empresas exportadoras por variações Fl. 305DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 cambiais ativas, dada a imunidade das receitas decorrentes de exportação prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição da República, nos seguintes termos: (...) A repercussão geral da questão constitucional foi reconhecida por esta Corte em outubro de 2010. Inicialmente, consigno que a controvérsia acerca da imunidade das receitas advindas de variações cambiais ativas foi trazida, de modo reflexo, a esta Corte, no RE 474.132, em cujo julgamento se assentou o entendimento de que a imunidade do art. 149, § 2º, I, da Carta Constitucional não abrange a CSLL e a extinta CPMF. Eis a sua ementa: (...) Com efeito, ao apreciar o aludido recurso extraordinário, esta Corte decidiu que a imunidade não se aplicava: i) à CSLL, por incidir sobre o lucro, e não sobre a receita; e ii) à extinta CPMF, por incidir sobre as operações financeiras realizadas posteriormente à exportação, e não sobre o resultado imediato da operação. Em outros termos, julgou esta Corte que a imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal somente tutela as receitas decorrentes das operações de exportação, não alcançando o lucro das empresas exportadoras. Isso porque se trata de imunidade objetiva, concedida às receitas advindas das operações de exportação, e não subjetiva, a tutelar as empresas exportadoras, no que diz com o seu lucro. (...) Logo, resta definir, no âmbito do presente recurso, a questão relativa à imunidade das referidas variações cambiais frente à COFINS e à contribuição ao PIS. (...) 4. Isso posto, conheço do recurso extraordinário da União, mas nego-lhe provimento, assentando a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial ativa obtida nas operações de exportação de produtos. 5. Recurso extraordinário conhecido e não provido. As notas fiscais emitidas pelo recorrente na venda de seus produtos, juntadas às fls. 192/196, indicam que os produtos que comercializa efetivamente não foram sujeitos à tributação pelo PIS/Cofins. Nesse caso, os bens adquiridos das cooperativas (sob isenção, como premissa) estariam sendo utilizados como insumo em produtos não alcançados pela contribuição (imunes), fato que também impede o creditamento em favor do recorrente. O fato da aquisição dos bens, pelo recorrente, não ter se sujeitado ao pagamento das contribuições restou comprovado pela Fiscalização, tanto pela juntada das notas fiscais, às fls. 100/173, quanto pela verificação da ausência de recolhimentos destes tributos pelos fornecedores do recorrente, como se depreende dos seguintes excertos do Parecer SEFIS n° 128/2012: Foram colhidas informações inerentes aos recolhimentos feitos por todas as cooperativas que efetuaram vendas de café à Esteve Irmãos, quais sejam: COOP. REGIONAL DE CAFEICULTORES EM GUAXUPE LTDA COOXUPE-GUAXUPE, Fl. 306DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 CNPJ 20.770.566/0005-33, EXPOCACCER COOPERATIVA DOS CAFEICULTORES DO CERRADO LTDA, CNPJ 71.352.553/0001-51 e COCAPEC - COOPERATIVA DE CAFEICULTORES E AGROPECUARISTAS, CNPJ 54.772.017/0001-06. A primeira cooperativa figurou corno a maior fornecedora de café para a ESTEVE IRMÃOS, com, aproximadamente, 78% do total de suas aquisições. Em consulta aos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) desta empresa, observou-se que a cooperativa excluiu da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS) quase que a totalidade de suas receitas. Foram oferecidos à tributação valores que sequer alcançaram o total, das vendas à ESTEVE IRMÃOS, o que reforça a tese de que suas receitas foram excluídas da base de cálculo das contribuições. Também foram identificados recolhimentos de Pis incidentes sobre a folha de salários à alíquota de 1%, a que se submetem as sociedades cooperativas, nos termos do art. 13 e art. 15, §2°, I, da MP,2.158-35/2001. As outras duas cooperativas excluíram todas as receitas da base do cálculo das contribuições, nos meses em que foram realizadas vendas de café à Esteve Irmãos. O recorrente não tem razão ao afirmar que ao adquirente dos produtos agropecuários não cabe investigar se a cooperativa adquiriu o produto da venda de cooperado ou não cooperado ou se ela excluiu ou não da base de cálculo as receitas auferidas com a venda de café. Qualquer empresa, ao realizar um contrato de fornecimento de mercadorias ou de prestação de serviços, precisa saber em que condições será pactuado tal contrato, quais serão seus custos, o que poderá ser obtido como créditos da não-cumulatividade, enfim, todas as informações necessárias à correta apuração dos tributos devidos, o que evidentemente deverá ser esclarecido quando das tratativas contratuais. De qualquer sorte, mesmo que tivesse procedido com extrema desídia, para pleitear os créditos faz-se indispensável a apresentação das notas fiscais, documentos que podem, efetivamente, comprovar a existência ou não dos mesmos e sua quantificação. E, como visto, tais documentos não contem qualquer destaque das contribuições, indicando claramente que sua aquisição foi realizada sem a incidência destes tributos, independentemente do emitente não ter feito constar tal fato no campo “Observações”. Com efeito, o que caracteriza tal fato não é esta indicação expressa e textual, mas sim se o tributo foi ou não recolhido. Além disso, o recorrente não pode se eximir do conhecimento da legislação. Sabia, ou deveria saber, que tais aquisições ocorreram sem estarem sujeitas ao pagamento da contribuição, com todas as suas consequências tributárias, em especial, a impossibilidade de creditamento. Em conclusão, o recorrente não possui direito ao creditamento integral, como pleiteado em seu Recurso Voluntário. Resta, agora, apenas analisar a questão atinente ao crédito presumido. III – DO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL Por outro lado, o recorrente sustenta, ainda, que suas aquisições não estão sujeitas à suspensão das contribuições de que trata a Lei nº 10.925/2004, em seu art. 9º, por conta de não exercer, cumulativamente, as atividades descritas no §6° do art. 8º da Lei n° 10.925/2004: Fl. 307DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I - de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II - de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III - de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Neste ponto específico, assiste razão ao recorrente. Com efeito, os §§ 6º e 7º do art. 8º determinam o seguinte: Art. 8º (...) § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considera-se produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 7º O disposto no § 6º deste artigo aplica-se também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). A Instrução Normativa SRF nº 660/2006, em seu art. 4º, c/c o art. 6º, detalha as condições para que o adquirente possa usufruir do benefício de adquirir os produtos com suspensão das contribuições: Art. 4º Aplica-se a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I - apurar o imposto de renda com base no lucro real; II - exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III - utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. (...) Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entende-se por atividade agroindustrial: I - a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e II - o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM. Fl. 308DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 Considerando que o Fisco comprovou apenas que o recorrente realiza, em terceiros, a operação de blend (mistura) do café, assim como o próprio recorrente afirma, deve-se considerar que não exerce atividade agroindústria, e portanto não pode se beneficiar da suspensão prevista no art. 9º da Lei 10.925/2004. Porém, se não “produz mercadorias”, no conceito estipulado no art. 8º, § 6º, da Lei 10.925/2004, não pode se beneficiar do direito ao crédito presumido: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considera-se produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). Nesse sentido, o Acórdão nº 3201-005.323, deste Conselho, proferido na sessão de 23/04/2019: REGIME NÃO CUMULATIVO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, realizadas pelas pessoas jurídicas elencadas nos incisos I a III do art. 3º da IN SRF nº 606/06, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. APURAÇÃO. Nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, o contribuinte tem direito a crédito presumido das contribuições não cumulativas, apurado sobre o valor dos bens empregados como insumo, nos casos que cita, utilizados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana e animal, adquiridos de pessoas físicas, cooperativa de produção agrícola e pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, não sendo devido o crédito integral nessas situações. Ocorre, entretanto, que a Fiscalização entendeu, assim como a DRJ, que seria, sim, caso de suspensão obrigatória, e que o contribuinte teria direito não ao crédito básico, mas Fl. 309DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3401-007.471 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.903844/2012-40 sim ao crédito presumido. Nesse contexto, em virtude do princípio processual do non reformatio in pejus, não há como negar, nesta instância, o direito concedido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator Fl. 310DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13899.000670/2005-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2000
MULTA DE OFÍCIO 75%. PREVISÃO LEGAL
A aplicação da multa de ofício de 75% no lançamento do crédito tributário é legal e de observância obrigatória pela autoridade fiscal, não podendo ser afastada pelo julgador administrativo.
DECRETO 70.235/72 ART 7º. ESPONTANEIDADE.
A reaquisição da espontaneidade de que trata o art. 7º do Decreto 70.235/72 só ocorre, no curso da ação fiscal, caso transcorram mais de 60 (sessenta) dias após um ato escrito do Fisco, sem outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Ainda assim, para que essa reaquisição da espontaneidade surta efeito de afastamento da multa de 75%, é necessário que o contribuinte efetue o pagamento do tributo devido no gozo da espontaneidade.
Numero da decisão: 2001-002.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura, André Luis Ulrich Pinto e Fabiana Okchstein Kelbert.
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO
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PREVISÃO LEGAL A aplicação da multa de ofício de 75% no lançamento do crédito tributário é legal e de observância obrigatória pela autoridade fiscal, não podendo ser afastada pelo julgador administrativo. DECRETO 70.235/72 ART 7º. ESPONTANEIDADE. A reaquisição da espontaneidade de que trata o art. 7º do Decreto 70.235/72 só ocorre, no curso da ação fiscal, caso transcorram mais de 60 (sessenta) dias após um ato escrito do Fisco, sem outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Ainda assim, para que essa reaquisição da espontaneidade surta efeito de afastamento da multa de 75%, é necessário que o contribuinte efetue o pagamento do tributo devido no gozo da espontaneidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura, André Luis Ulrich Pinto e Fabiana Okchstein Kelbert. Relatório Trata-se de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2001, ano-calendário de 2000, em que foram apuradas as seguintes infrações, a juízo da autoridade lançadora: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 06 70 /2 00 5- 23 Fl. 345DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-002.135 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13899.000670/2005-23 - omissão de rendimentos tributáveis decorrente de trabalho com vínculo empregatício (R$ 7.171,82) e de deduções indevidas a título de dependentes (R$ 2.160,00) e de despesas médicas (R$ 700,00). O contribuinte apresentou impugnação junto à DRJ em Salvador/BA na qual não contestou as infrações apontadas no lançamento, entretanto se insurgiu contra a aplicação da multa de ofício de 75%, alegando que havia readquirido a espontaneidade, nos termos do art. 7º do Decreto 70235/72, e desta forma requereu a exclusão da multa. Transcrito do voto do acórdão nº 15-18.954 da 3ª turma da DRJ/SDR (fls.278 e segs): “Relativamente ao pleito do contribuinte, observa-se que não foi contestada qualquer das infrações que deram causa ao lançamento de imposto suplementar de R$2.513,03. Também, não consta nos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), além do pagamento do imposto apurado na Dirpf exercício 2001, no valor de R$73,81, qualquer pagamento relativo ao imposto suplementar lançado. Entre o comparecimento do contribuinte à RFB, em dezembro de 2004 e a notificação do lançamento, em 07/07/2005, decorreram mais do que sessenta dias com a conseqüente reaquisição da faculdade de denúncia espontânea. Entretanto, o contribuinte permaneceu passivo sem apresentar retificadora com a alterações das deduções não comprovadas no procedimento fiscal nem tampouco efetuou qualquer pagamento espontâneo de tributo, que deveria ser acompanhado dos acréscimos moratórios previstos na legislação (multa e juros de mora). Enfim, para que a denúncia espontânea tenha o efeito de excluir penalidades, seria necessário que o autuado providenciasse a retificação da declaração acompanhada do pagamento do imposto devido, decorrente dos fatos denunciados, como dispõe o artigo 138 do Código Tributário Nacional: (...) Daí, inexistindo a transmissão de retificadora com a apuração correta do imposto de renda a pagar nem qualquer pagamento efetuado pelo sujeito passivo, neste período, a qualidade de espontaneidade não traz qualquer conseqüência prática relativa à exclusão da aplicação de penalidades. Cabe, portanto, manter a aplicação da multa de lançamento de ofício.” A turma julgadora da DRJ concluiu então pela improcedência da impugnação, para manter integralmente o crédito tributário lançado. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de fl. 288 onde, em síntese, reitera o argumento já trazido na impugnação de que deve haver a exclusão da multa de 75% por ter readquirido a espontaneidade. É o relatório. Voto Fl. 346DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-002.135 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13899.000670/2005-23 Conselheiro Honório Albuquerque de Brito - Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço e passo à sua análise. Preclusão Cabe inicialmente delimitar a matéria que sobe a esta turma do CARF para análise e julgamento. O contribuinte foi autuado por mais de uma infração, como já aqui relatado, com lançamento do imposto devido, juros Selic e multa de ofício de 75%. Em sede de impugnação junto à DRJ, o contribuinte não questiona as infrações lançadas, tornando-se desta forma o imposto de renda lançado matéria preclusa, e insurge-se contra a aplicação da multa de ofício. A turma julgadora da DRJ manteve integralmente o crédito tributário lançado. Assim, é esta a matéria objeto do recurso voluntário a ser apreciada no presente julgamento: a procedência do recurso contra o lançamento da multa de ofício. Mérito Com relação à multa de ofício aplicada pelo Fisco e mantida na DRJ, contra a qual se insurge o recorrente, o art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece literalmente o percentual de 75% de multa no caso de lançamento de ofício, de observância compulsória pela autoridade lançadora, em sua atividade vinculada. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). A autoridade fiscal não só está autorizada como obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa prevista na legislação que rege a matéria, sem emitir juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou de eventual afronta em tese a princípios do direto administrativo e constitucional ou de outros aspectos de sua validade. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte repisa a alegação de que havia readquirido a espontaneidade, nos termos do art. 7º do Decreto 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal) abaixo transcrito, e assim sendo deveria ser excluída a multa de ofício de 75%. Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I – o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - (...) § 1º. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º. Para os efeitos do disposto no §1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos.” Sobre o instituto da denúncia espontânea, o artigo 138 do CTN: Fl. 347DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-002.135 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13899.000670/2005-23 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Esse aspecto já foi muito bem esclarecido no voto do acórdão da turma julgadora de primeira instância, esclarecimentos esses que tomo emprestados e faço meus no presente voto. A reaquisição da espontaneidade ocorre, no curso da ação fiscal, caso transcorram mais de 60 (sessenta) dias após um ato escrito do Fisco, sem outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. No caso em comento, de fato o contribuinte readquiriu a espontaneidade no curso da ação fiscal, pois entre seu comparecimento à RFB, em dezembro de 2004, e a ciência do lançamento, em 07/07/2005, decorreram mais do que sessenta dias. Entretanto, para que dela o recorrente tivesse se beneficiado, teria sido necessário que ele tivesse efetuado o pagamento do tributo devido, com os acréscimos moratórios, durante o seu gozo, o que não ocorreu. Assim sendo, entendo que deva ser integralmente mantido o crédito tributário lançado. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, conforme acima descrito. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 348DF CARF MF Documento nato-digital
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