Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 14485.001622/2007-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2006
DECADÊNCIA. REGRA A SER APLICADA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELOS I, ART. 173 DO CTN OU PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Somente quando comprovada a ocorrência de pagamento parcial é que deve ser aplicada a regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A,
do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. ART. 7º, XI DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. OBSERVÂNCIA DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS COMO CONDIÇÕES NECESSÁRIAS E SUFICIENTES À AQUISIÇÃO DO DIREITO.
O art. 7º, XI da Carta Magna prescreve a desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração dos empregados, remetendo à Lei a regulamentação da matéria.
Sendo norma de eficácia limitada, a norma constitucional deve ser analisada com a condição das exigências contidas na Lei nº 10.101/2000 terem sido obrigatoriamente observadas, sob pena de os valores distribuídos aos empregados serem considerados Salário-de-Contribuição (SC).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.013
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir – devido à regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN – as contribuições apuradas até 12/2001, anteriores a
01/2002, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, no mérito, no que tange às contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados em 2004, devido ao não atingimento de metas pactuadas, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos demais anos contidos no lançamento, na forma do voto do Relator. O conselheiro Marcelo Oliveira acompanha a votação por suas conclusões. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira
Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2006 DECADÊNCIA. REGRA A SER APLICADA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELOS I, ART. 173 DO CTN OU PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Somente quando comprovada a ocorrência de pagamento parcial é que deve ser aplicada a regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. ART. 7º, XI DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. OBSERVÂNCIA DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS COMO CONDIÇÕES NECESSÁRIAS E SUFICIENTES À AQUISIÇÃO DO DIREITO. O art. 7º, XI da Carta Magna prescreve a desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração dos empregados, remetendo à Lei a regulamentação da matéria. Sendo norma de eficácia limitada, a norma constitucional deve ser analisada com a condição das exigências contidas na Lei nº 10.101/2000 terem sido obrigatoriamente observadas, sob pena de os valores distribuídos aos empregados serem considerados Salário-de-Contribuição (SC). Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 14485.001622/2007-49
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 4874631
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-002.013
nome_arquivo_s : 230102013_14485001622200749_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
nome_arquivo_pdf_s : 14485001622200749_4874631.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir – devido à regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN – as contribuições apuradas até 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, no mérito, no que tange às contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados em 2004, devido ao não atingimento de metas pactuadas, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos demais anos contidos no lançamento, na forma do voto do Relator. O conselheiro Marcelo Oliveira acompanha a votação por suas conclusões. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
id : 4740560
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:39:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044040971190272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2586; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 835 1 834 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.001622/200749 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230102.013 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2011 Matéria Salário Indireto: Participação nos Lucros e Resultados Recorrente SYNGENTA SEEDS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2006 DECADÊNCIA. REGRA A SER APLICADA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELOS I, ART. 173 DO CTN OU PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Somente quando comprovada a ocorrência de pagamento parcial é que deve ser aplicada a regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. ART. 7º, XI DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. OBSERVÂNCIA DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS COMO CONDIÇÕES NECESSÁRIAS E SUFICIENTES À AQUISIÇÃO DO DIREITO. O art. 7º, XI da Carta Magna prescreve a desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração dos empregados, remetendo à Lei a regulamentação da matéria. Sendo norma de eficácia limitada, a norma constitucional deve ser analisada com a condição das exigências contidas na Lei nº 10.101/2000 terem sido obrigatoriamente observadas, sob pena de os valores distribuídos aos empregados serem considerados SaláriodeContribuição (SC). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir – devido à regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN – as contribuições apuradas até 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 836 2 Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, no mérito, no que tange às contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados em 2004, devido ao não atingimento de metas pactuadas, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos demais anos contidos no lançamento, na forma do voto do Relator. O conselheiro Marcelo Oliveira acompanha a votação por suas conclusões. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso. Redator Designado: Marcelo Oliveira. Declarações de votos: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram da sessão os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 837 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, emitida em 26.10.07, em desfavor empresa Syngenta Seeds Ltda, referente às contribuições da empresa destinadas à Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, as destinadas à Terceiros e a diferença da parte do segurado não descontado na folha de pagamento. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 27/33, constituem fatos geradores do crédito previdenciário ora lançado os pagamentos aos segurados empregados da parcela correspondente à PLR, relativa ao período de 01/99 a 04/99, 04/00, 05/00, 04/01, 05/01, 04/02, 05/02, 04/03, 05/03, 04/04, 05/04, 04/05 e 04/06. Inconformada, apresentou Defesa tempestiva de fls. 83/141, tendo o Acórdão de fls. 722/751, julgado procedente o lançamento sob o fundamento de que a Participação nos Lucros ou ResultadosPLR fezse em desacordo com a MP 794, convertida na Lei nº 10.101/2000, uma vez que os programas de metas, resultados e prazos não foram pactuados previamente, além de que em muitos dos casos o pagamento a título de PRL superior em mais de 75% do salário nominal de alguns meses. Cumpre transcrever o acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: Período de apuração: 01/1999 a 04/2006 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASEDECÁLCULO. Entendese por salário de contribuição para o empregado a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive sob a forma de utilidades. Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões anotadas exaustivamente no parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8212/91, e alterações posteriores, não integram o salário de contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. Integra o salário de contribuição do segurado empregado o pagamento de participação nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a lei específica. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. É dever legal do auditor fiscal, sob pena de incorrer em contravenção penal comunicar ao Ministério Público a ocorrência do ilícito que configura em tese, crime contra a Seguridade Social, para que este promova ou não a Ação Penal. DECADÊNCIA É de 10 (dez) anos o prazo para apuração e 1 constituição do crédito previdenciário. INCONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE. Compete exclusivamente ao Poder Judiciário, sobre matéria relativa a constitucionalidade legalidade. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 838 4 APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS As provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções legais. Lançamento Procedente. Irresignada, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário tempestivo de fls. 756/829, alegando, em síntese: a) a decadência do direito de constituir o crédito previdenciário em fustigo, referente ao período de 1998 a 2002; b) a Participação nos Lucros e/ou resultados não constitui, em hipótese alguma, parcela integrante da remuneração de seus segurados, pois não possui natureza de remuneração, uma vez que não é paga de forma habitual, tampouco como contraprestação dos serviços prestados; c) a CF, em seu art. 7º, excluiu do conceito de remuneração as parcelas pagas pelo empregador aos seus funcionários a título de “participação”nos lucros ou resultados; d) a decisão em vergaste desconsiderou que o programa de PLR mantido pela Recorrente constitui reflexo de amplos e prévios debates entre representantes da empresa e dos empregados em torno da formatação do programa de metas e resultados da empresa; e) diferentemente do alegado pela r. decisão, a Lei nº 10.101/2000 não obriga a pactuação prévia do programa de metas e resultados, mas apenas sugere a adoção de tal procedimento; f) foi devidamente demonstrado que a definição das competências e objetivos sujeitos à avaliação de cada empregado estava expressa de forma clara no acordo, o que havia sido desconsiderado. Demonstrou, ainda, que a auto avaliação não retiraria a clareza e objetividade das regras constantes no acordo; g) os valores pagos a título de PLR eram feitos de forma variável, restando comprovado, assim, que tais pagamentos não podem ser considerados como salário. Sem ContraRazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 839 5 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Da Decadência No caso em apreço, a decisão recorrida entendeu que o prazo de decadência de que goza o INSS para constituir seus créditos é de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/1991. Pois bem. A NFLD em questão fora emitida e cientificada ao contribuinte em 26.10.2007, abrangendo as competências de 01/99 a 04/99, 04/00, 05/00, 04/01, 05/01, 04/02, 05/02, 04/03, 05/03, 04/04, 05/04, 04/05 e 04/06. Logo, foram atingidas pela decadência todas competências de 01/1999 a 10/2002, pois nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24.07.1991 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 840 6 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20.06.2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. No caso em apreço, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, §4º: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 841 7 § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 26.10.2007, verifico que somente as competências de 04/03, 05/03, 04/04, 05/04, 04/05 e 04/06 não foram atingidas pela decadência, cabendo, em relação a estas, examinar a legalidade do lançamento ora questionado. Do programa de Participação nos Lucros ou ResultadosPLR A Constituição Federal determinou, no seu art. 7º, inciso XI, que a participação pelo empregado nos lucros ou resultados da empresa estaria desvinculada de remuneração, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, ao definir a base de cálculo das contribuições previdenciárias, excluiu a participação nos lucros e resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, nos seguintes termos: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Diante da norma constitucional e da Lei nº 8.212/91, foi editada a Medida Provisória nº 794/1994, sucessivamente reeditada até posterior conversão na Lei nº 10.101/2000, que dispõe: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 842 8 § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (grifase). A partir da análise da Lei acima transcrita, quando interpretada conjuntamente com a Constituição Federal,verificase que o intuito do legislador foi o de estimular a criação pelas empresas de Programas de Participação em Lucros e Resultados, como mecanismo de incentivo à produção e de integração do capital da empresa aos recursos humanos. Através do PLR, permitese que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, sem, contudo, empregar lhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador investidor Exatamente por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes dos empregados e empregadores na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Ocorre que a Lei não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do PLR, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada sua finalidade e as exigências legalmente postas, evitandose, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burla à tributação e de substituição da remuneração dos empregados. O que se observa é que a Lei previu apenas os seguintes requisitos: Negociação entre empresa e empregados, com representantes de ambas as categorias; Regras claras e objetivas; mecanismos de verificação das informações relevantes para atingir as metas; previsão da periodicidade da distribuição, do período de vigência e dos prazos. Todos esses requisitos, na verdade, buscam garantir que o PLR tenha a participação das duas categorias (empregados e empregadores) tanto no momento de sua elaboração quanto de sua execução, podendo ser acompanhado por todos os envolvidos quanto ao cumprimento e ao alcance de metas. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 843 9 Por isso é que os programas de metas, resultados e prazos devem estar pactuados previamente, pois somente desta forma é que seria possível se ter certeza de que os empregados estão cientes das condições do PLR e que os esforços envidados serão recompensados com a distribuição dos valores. Sobre o tema, o 2º Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão 20501.331, fundamentandose no voto da ilustre Conselheira Liege Lacroix: Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Como se vê, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros seja justa. Não já regras detalhadas na lei sobre as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Afora os parâmetros estabelecidos pela lei,não foi intenção do legislador ou mesmo do Poder Executivo regulamentar com maior detalhamento e precisão as normas de participação nos lucros ou resultados. Toda a regulamentação se esgota com o três artigos da Lei nº 10.101/2000 acima transcritos. Além das regras claras e objetivas do acordo, o legislador impediu a substituição da remuneração pela distribuição do lucro e o seu pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil. A preocupação é justificável. Buscando preservar o intuito do legislador sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça também proferiu acórdão sobre a matéria, preservando ao máximo a subsistência do PLR e a sua produção de efeitos. Cumpre transcrevêlo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 844 10 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos ( arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratarse de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. 7. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos, em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ. 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. Analisando o Plano de Participação nos Resultados (PPR) da autora, encontramse as seguintes características: a) tem por objetivo o atingimento de metas de resultados econômicos e de produtividade; b) há estabelecimento de índices de desempenho econômico para a unidade e para as equipes de empregados que a integram; c) fixação dos critérios e condições do plano mediante negociação entre a empresa e os empregados, conforme declarações assinadas por 38 (trinta e oito) funcionários (fls. 352/389); d) existência de regras objetivas de participação e divulgação destas e do desempenho alcançado. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 845 11 Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91". (fls. 596/597) 9. Precedentes:AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido. (REsp 865.489/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/10/2010, DJe 24/11/2010) Neste diapasão, para que os valores pagos aos empregados a título de PLR não sejam tributados, devem observar as exigências legais, bem como o intuito do legislador, para que o espírito do Programa efetivamente seja alcançado. Esta deve ser a análise da fiscalização. Vejase que os dispositivos insertos na Lei 10.101/2000 devem ser rigorosamente observados, tanto para que o contribuinte não tenha que recolher a contribuição previdenciária quando houver PLR instituído na empresa, quanto para que somente as exigências nela contidas possam ser aplicadas. Sobre a limitação da fiscalização aos temos legais, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acórdão nº 920200.503, explicitou o entendimento que deve ser seguido e os requisitos que podem ser exigidos do contribuinte, in verbis: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. A teor do art. 7º, XI, da Constituição, constitui direito dos trabalhadores urbanos e rurais a “participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei”. Devem ser tributadas parcelas distribuídas a título de participação nos lucros ou resultados ao arrepio da legislação federal. Os critérios para a fixação dos direitos de participação nos resultados da empresa devem ser fixados, soberanamente, pelas partes interessadas. O termo usado – podendo é próprio das normas facultativas, não das normas cogentes. A lei não determina que, entre tais critérios, se incluam os arrolados nos incisos I (índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa) e II (programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente) do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/00, apenas o autoriza ou sugere. A Constituição reconhece amplamente a validade das convenções e acordos coletivos de trabalho (art. 7º, XXVI) e a função da negociação coletiva é obter melhores condições de trabalho e cobrir os espaços que a lei deixa em branco. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 846 12 O legislador ordinário, procurando não interferir nas relações entre a empresa e seus empregados e atento ao verdadeiro conteúdo do inciso XI do art. 7º da Constituição, limitouse a prever que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. A lei não prevê a obrigatoriedade de que no acordo coletivo negociado haja a expressa previsão fixação do percentual ou montante a ser distribuído em cada exercício. Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas serem atingidas. Considerando as cláusulas do acordo coletivo firmado há de se concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. O legislador não fez previsão de exigência no sentido de que as parcelas pagas a título de participação de lucros ou resultados fossem extensivas a todos os empregados da empresa para que houvesse a não incidência de contribuição previdenciária. Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo. O enquadramento sindical deve levar em consideração a base territorial do local da prestação dos serviços. Esta regra deve ser ressalvada quando se tornar necessária a observância dos princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e do direito adquirido e, ainda, na hipótese de transferência temporária do empregado. Recurso especial negado. A condição de norma de eficácia limitada do art. 7º, XI da Carta Magna impõe que o direito nela prescrito somente seja aplicado após a edição de lei dispondo sobre a matéria. Por outro lado, sendo esta editada, todas as exigências para que o destinatário da norma disponha do direito serão suficientes para a sua aquisição, não havendo que se falar em outros requisitos não expressamente postos na lei regulamentadora. No caso dos autos, o auditor fiscal fundamentou sua autuação, inicialmente, no fato de o acordo ter sido assinado quando já em curso o exercício financeiro no qual seria aplicado sem que, contudo, houvesse qualquer exigência legal quanto à data da assinatura do acordo ou forma especial para sua validade. Não se pode confundir anterioridade do acordo com data de assinatura deste. A negociação é iniciada antes da sua assinatura e registro, de forma que o empregado conheça Fl. 12DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 847 13 antecipadamente as metas para obtenção do direito à participação nos lucros, podendo buscar atingilas já no início do exercício. O que deve ser analisado é o prévio conhecimento por parte dos empregados dos termos do acordo quando do desenvolvimento de suas atividades, o que evidentemente é mais facilmente provado através da assinatura do contrato antes ou no início do ano. Entretanto, outros meios de prova são admitidos se forem aptos a comprovar que, de fato, os destinatários do PLR já tinham efetivo conhecimento dos termos do programa, bem como de suas metas e resultados almejados, de modo que os serviços prestados tiveram tal objetivo e, consequentemente, foram beneficiados com a imunidade da contribuição previdenciária que recai sobre os valores repassados àquele título. No caso dos autos, restou evidenciado pelo Recorrente que os valores pagos a seus empregados de fato foram distribuídos nos moldes do programa de participação de lucros e resultados. É que, como afirmado pela própria decisão recorrida no item 14.1.3 (fls. 745), o conteúdo dos acordos não sofreu alterações significativas no decorrer dos anos, já que houve pouca variação nas metas pactuadas, tanto em relação à parte fixa das participações, quanto em relação à parte variável. Ora, este é a maior prova de que os empregados iniciaram o ano buscando atingir as mesmas metas do ano anterior, que foram também aquelas previstas para o exercício corrente. Somado a isso, verificase que as tratativas foram iniciadas no início do ano, que já indicava a repetição dos termos dos acordos dos anos anteriores, permitindo, assim, o conhecimento prévio pelos empregados das metas a serem alcançadas. Neste contexto, não há que se falar em qualquer empecilho à aplicação do PLR em razão da assinatura e registro do acordo ter se dado após iniciado o ano, pois o que ficou demonstrado nos autos é que de fato já existiam regras disciplinando o desempenho e a participação dos empregados durante todo o exercício, e que estes tinham conhecimento efetivo dos termos acordados. Em outras palavras, se a atividade dos empregados baseouse nas regras ao final assinadas pela empresa e representantes dos trabalhadores, as verbas que lhe foram pagas com fundamento naquelas devem efetivamente ser consideradas como participação nos lucros e resultados da empresa. No tocante aos demais requisitos previstos na Lei nº 10.101/2000, observase que a empresa também comprovou o seu preenchimento. De início, cabe destacar que a autoridade administrativa tem competência para analisar os termos do acordo firmado entre empregador e empregados, haja vista que o cumprimento dos requisitos legais depende do enquadramento da remuneração paga a estes últimos como participação nos lucros e resultados e, em conseqüência, ser exonerada da incidência de contribuição previdenciária. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 848 14 Embora a autoridade fiscal não possa afirmar se a meta é suficiente para a eficiência e melhoria da produtividade da empresa, a avaliação do enquadramento legal das regras de PLR é dever funcional como meio de verificar a correção do regime jurídico aplicado. Contudo, no caso em vergaste, o que se observa é que a conclusão a que chegou o Fisco mostrase incompatível com os fatos por ele examinados, porquanto os acordos sob análise (anos de 2003 a 2005) observaram todas as exigências legais, inclusive no tocante à previsão de regras claras e objetivas. Além disso, as regras decorreram de exaustiva discussão entre representantes dos empregados e empregador, inclusive com a participação ativa de sindicato daquela categoria, alcançando, com isso, os critérios mais adequados, objetivos e claros à verificação do alcance das metas. Para que haja objetividade e clareza, não é necessário que todos os critérios estejam fixados no instrumento do acordo, sendo exigido pela Lei apenas que se preveja o direito à participação e as regras adjetivas, inclusive os critérios de aferição do cumprimento do acordado, a periodicidade de distribuição, o período de vigência e os prazos de revisão. Não existe qualquer exigência, no entanto, de que no instrumento do acordo conste minúcias de fixação de percentual, montante de distribuição, até porque esse nível de detalhamento prévio seria inviável para uma empresa que possuísse diversos setores e diferentes atividades. A participação e os interesses dos empregados na elaboração do PLR já são suficientemente garantidos na medida em que se alcançam melhores condições de trabalho e se prevejam elementos de verificação do alcance das metas e resultados, não sendo necessário o pormenor para que a execução do acordo nos termos inicialmente aventados seja preservada. Cabe transcrever voto contido no acórdão nº 240100.828 deste Conselho, no qual se expõe que os requisitos legais são apenas aqueles expressamente postos na legislação: Nessa esteira de entendimento, é de fácil conclusão que as importâncias pagas aos segurados empregados intituladas de PLR somente sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos legais de aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas, tão somente, quando assim não restar caracterizada. Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeitos de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Os artigos 111, inciso II e 176, do CTN, inobstante tratarem de isenção, traduzem muito bem os limites que a legislação tributária impõe quando da subsunção da norma ao caso concreto, in verbis: Fl. 14DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 849 15 “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias” Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer tipo de isenção, in casu, imunidade, que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal, não podendo o contribuinte, o fisco ou o julgador impor condições que não decorrem da lei seca. Outro não é o entendimento do eminente doutrinador Leando Paulsen que, ao discorrer sobre a matéria, assim preleciona: “Não se pode exigir senão o cumprimento dos requisitos previstos na lei isentiva. O artigo 111 do CTN também se presta ao afastamento de requisitos não estabelecidos por lei, como condição ao gozo da isenção. Por outro lado, também não faz a Lei qualquer exigência no tocante à necessidade de ocorrência de lucros para que os valores possam ser repassados. Isto porque a participação pode ser dos resultados, que irão se configurar quando do alcance das metas estipuladas, independentemente de lucro no período. Vejase que somente deste modo se estimulará a produção e se integrará o capital ao trabalho, fazendo com que este busque melhorias na sua atividade e alcançar as metas, pois o empregado sabe que será beneficiado com a distribuição do PLR, ainda que a empresa não tenha obtido resultados financeiros positivos. Evidentemente que as metas postas são todas destinadas a aumentar a produção e a lucratividade da empresa, até porque o interesse do empregador sempre será, ao final, a obtenção de lucro, que não poderia ficar de fora do PLR que depende de sua anuência. Ocorre que outros resultados também atendem ao interesse do investidor, a exemplo da diminuição dos prejuízos, ampliação do quadro de clientes, cujos efeitos serão sentidos nos exercícios posteriores, ainda que não haja lucro no fechamento do ano corrente. Por tal razão é que a obtenção de lucro poderá ser considerada, também, como uma meta a ser alcançada, mas não terá que estar prevista como uma condição necessária para a distribuição do PLR, já que outras metas e resultados que também promovem o aumento da produção e o desempenho da empresa no mercado. A Câmara Superior de Recursos Fiscais firmou entendimento neste mesmo sentido, razão pela qual cumpre transcrever parte do voto proferido no acórdão nº 920200.503: Ademais, não pode ser esquecido que estamos tratando aqui de participação nos lucros ou resultados e não, tão somente, participação nos lucros. Ou seja, essa participação pode variar conforme o acordo firmado e pode ainda Fl. 15DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 850 16 ser apenas com relação aos resultados (PR), aos lucros (PLR) ou tanto nos lucros como nos resultados (PLR). A participação nos resultados (PR) está ligada ao aumento da produtividade, isto é, a participação no resultado tem a natureza do incentivo direto por maior produção ou maior rendimento do trabalho e realização de meios previamente programados. A participação nos resultados está relacionada ao alcance da meta de desempenho proposta pela equipe. Segundo a definição dada por Fábia Tuma, in Participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas: incentivo à eficiência ou substituição dos salários? São Paulo: LTr, 1999, p. 202: “Participação nos resultados (PR): acordo em que o pagamento está condicionado a uma ou mais metas de desempenho, como melhora na qualidade do produto, redução de custos, produtividade, entre outras. Neste tido de acordo, a rentabilidade não integra os indicadores selecionados e o lucro não é referência e nem condiciona o pagamento da PLR”. A participação nos lucros (PL) ligase ao alcance de uma meta de rentabilidade previamente definida. Nenhum outro tipo de meta interfere ou determina a participação. A PLR – participação nos lucros e resultados é uma forma de participação mais complexa, pois vários indicadores se interligam para definir o valor pago aos empregados. Estes indicadores são o comportamento do lucro, a rentabilidade e a evolução do desempenho dos empregados, influenciada pelos resultados da produtividade e pela performance da empresa com relação a seu lucro. A partir dos esclarecimentos postos até então, cabe discorrer sobre cada um dos acordos firmados nos anos de 2003 a 2005, para uma análise mais detalhada do caso: I – Acordos de 2003 (fls. 485/490) e de 2004 (fls. 512/517) Os acordos de 2003 e 2004 foram desconsiderados pela fiscalização sob o fundamento de que a empresa não teria descriminado os objetivos e as competências, atribuindo à chefia tal definição com os empregados em momento posterior, conforme se verifica da sua cláusula sexta: CLÁUSULA SEXTA: DO PROGRAMA DE METAS A EMPRESA, a COMISSÃO e a CONFEDERAÇÃO estabelecem nos termos do artigo 2°, parágrafo 1°, letra II da Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, o programa metas para o ano de 2003, que fica subordinado à Participação nos Resultado, considerando os seguintes indicadores: (...). II INDIVIDUAL Definir 5 ou 6 objetivos/competências com a Chefia imediata OBJETIVOS/COMPETÊNCIAS NÚMERO DE SALÁRIOS Fl. 16DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 851 17 ABAIXO DE 85% 0,00 DE 86% A 100% 0,090 salários Alega a recorrente que as competências e objetivos estavam perfeitamente definidas pela negociação coletiva, já que previstas no acordo. De fato, merece ser acolhida a alegação da empresa. É que o acordo não precisa exaurir e especificar todas as metas, desde que estabeleça a participação, quantas competências serão avaliadas e que a definição seja posteriormente determinada com a participação também do empregado, o que ocorreu no caso em comento. Não se pode perder de vista que um Plano de Participação nos Lucros e Resultados completo é aquele que observa as metas de cada um dos empregados, considerando, inclusive, as peculiaridades das atividades que desempenha, pois somente assim será possível se estimular verdadeiramente a lucratividade da empresa e viabilizar o alcance dos resultados positivos pelo empregado, já que adaptada com a sua realidade. Por outro lado, a autoavaliação, como bem afirmado na decisão recorrida, não afasta a objetividade da regra, quando os critérios sujeitos à avaliação forem estabelecidos também pelo empregador. Temse, neste caso, a participação das duas categorias envolvidas e beneficiadas com a PLR. No tocante à previsão de pagamento mínimo em caso de não atingimento das metas determinadas, entendese que a finalidade do Plano de PLR é exatamente estimular a melhoria na prestação dos serviços pelos empregados e no aumento da lucratividade da empresa, o que certamente ficaria prejudicada se todos os esforços empreendidos fossem desconsiderados. O pagamento da quantia mínima decorre da impossibilidade de não impor ao empregado os riscos da atividade empresarial, não podendo, desta forma, ser descaracterizado como participação nos lucros e resultados, conforme já asseverado acima, quando se afirmou não ser imprescindível a aferição de lucro para que a transferência de valores para os empregados configure PLR. Por fim, no tocante ao pagamento aos segurados Flavio Agostinho de Carvalho, Joaquim Aparecido Machado, Lilian de Aguiar Saldanha e Ricardo Rinaldo de Góes de valores anotados como Participação nos Lucros e Resultados, a própria recorrente confirma que houve equívoco de sua parte no lançamento na contabilidade, pois na verdade se referiam à gratificação de produtividade. Em que pese o erro na escrituração contábil da verba, o fato é que o pagamento em comento não integra o saláriodecontribuição, ainda que seja entendido como gratificação de incentivo, porquanto foi paga eventualmente (uma única vez) a um grupo específico de segurados, não havendo que se falar na habitualidade necessária à incidência da contribuição previdenciária. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 852 18 Além disso, conforme afirmado pelo próprio auditor fiscal, o pagamento teve o fim específico de reconhecer financeiramente o trabalho desenvolvido pelos segurados desvinculado do salário, já que decorreu do desenvolvimento de programas da empresa em atividades pontuais: Flavio Agostinho de Carvalho —R$ 5.936,67 programa vinculado ao expatriado Basel Joaquim Aparecido Machado — R$ 36.748,00 — programa vinculado aos resultados Plant Science LATAM Lilian de Aguiar Saldanha —R$ 31413,00— programa vinculado aos resultados Plant Science LATAM Ricardo Rinaldo de Góes —R$ 5947,20— program a vinculado aos resultados da Europa Vejase que a Lei nº 9.711/1998 revogou a alínea c do §8º, art. 28 da Lei nº 8.212/91, que incluía no saláriodecontribuição pelo valor total as gratificações e verbas eventuais, concedidas a qualquer título, ainda que denominadas pelas partes de liberalidade, ao passo que incluiu o item 7, alínea e, do §9º, art. 28 da Lei nº 8.212/91, que dispõe: 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...). e) as importâncias: 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Deste modo, os valores pagos aos segurados acima mencionados não podem ser considerados saláriosdecontribuição, não sofrendo, tais quais os valores pagos a título de PLR, a incidência de contribuição previdenciária. II – Acordo de 2005 (fls. 561/566) Em relação ao acordo firmado no ano de 2005, acrescentese aos comentários já postos em relação aos acordos de 2003 e 2004 o fato de que as metas individuais tiveram seus objetivos mais específicos ainda, ao prever que o gestor apresentaria suas notas e comentários para justificar o seu alcance. Cumpre colacionar a cláusula sexta do acordo referente ao exercício de 2005: CLÁUSULA SEXTA: DO PROGRAM DE METAS A EMPRESA, a COMISSÃO e a CONFEDERAÇÃO estabelecem nos termos do art. 2º, parágrafo 1º, letra II da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, o programa de metas para o ano de 2005, que fica subordinado à Participação nos Resultados, considerando os seguintes indicadores: (...). II – INDIVIDUAL Fl. 18DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 853 19 Definir até 6 objetivos/competências com a Chefia imediata. Nas avaliações de objetivos e competências, o gestor apresenta suas notas e comentários, justificando os por meio de fatos e exemplos, classificando o profissional como: OBJETIVOS/COMPETÊNCIAS % Atingimento sobre PPR Lower Quartile 0% a 75% Strech 75% a 125% Upper Quartile 125% a 200% Em relação aos outros aspectos considerados pela fiscalização e pela decisão recorrida como descaracterizadores da PLR, importa observar os mesmos comentários já firmados acerca da possibilidade de utilização de autoavaliação e de definição de critérios juntamente com a chefia imediata. Por tal razão é que também deve se considerar os valores pagos aos empregados da empresa como participação nos lucros e resultados, devendo ser mantido o lançamento realizado pela autoridade fiscal. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para extinguir o crédito tributário lançado contra o contribuinte. É como voto. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, extinguindo o crédito tributário lançado contra o contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 19DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 854 20 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator designado. Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de suas conclusões quanto à decadência e a não integração ao Salário de Contribuição (SC) dos valores referentes ao ano de 2004. Quanto às preliminares, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue Fl. 20DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 855 21 se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Ocorre que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg Fl. 21DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 856 22 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733) Fl. 22DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 857 23 Destarte, como no lançamento, a ciência do sujeito passivo, momento da constituição do crédito, ocorreu em 10/2007 e o período do lançamento referese a fatos geradores ocorridos nas competências 01/1999 a 04/2006 todas as contribuições apuradas nas competências até 12/2001. anteriores a 01/2002, devem ser excluídas do presente lançamento. Por todo o exposto, acato, parcialmente, a preliminar ora examinada, no que tange à decadência, excluindo às contribuições apuradas anteriormente a 01/2002, e passo ao exame de mérito. Quanto ao mérito, como já ressaltei, divirjo, também, do nobre Relator quanto à não integração ao Salário de Contribuição (SC) dos valores referentes ao ano de 2004. Como demonstrado nos autos, até por reconhecimento da recorrente, as metas referentes ao ano de 2004 não foram cumpridas e, mesmo assim, os pagamentos foram feitos, conforme o acordo. A Lei 10.101/2000 dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências. Em seu artigo 2º a Lei disciplina a forma de previsão dessa participação. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Ora, a Lei prevê que devem constar as regras para o atingimento das metas e os direitos conseqüentes do alcance dessas metas. Portanto, não há como afirmar que o pactuado está dentro do que determina a Lei 10.101/2000 se as metas não foram cumpridas. Ressaltese, em esclarecimento, que a Lei 8.212/1991 determina que só nos programas de acordo com a Lei é que os valores serão isentos de contribuição previdenciária. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 858 24 Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Portanto, como a participação, no ano de 2004, devido ao não atingimento das metas, foi paga em desacordo com a lei específica, nego provimento ao recurso nesse ponto. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido à regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN as contribuições apuradas até 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto e, no mérito, voto em negar provimento no que tange às contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados em 2004, devido ao não atingimento de metas pactuadas, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 24DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 859 25 Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva, Antes de iniciar a análise do mérito, temos que esclarecer que no Acórdão 230100.569, cuja recorrente era Syngenta Proteção de Cultivos, esta Turma deu provimento ao recurso por maioria, vencidas as Conselheiras Bernadete de Oliveira Barros e Maria Helena Lima dos Santos. Ressalto que não podemos concordar com o argumento da ora recorrente de que os casos são, em tudo, similares, pois naquele julgado, conforme pudemos extrair do relatório e do voto do ilustre relator, Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, não havia menção à existência de pagamento mínimo em anos nos quais as metas não foram atingidas, nem foi discutida a existência de pagamentos em valor superior ao estabelecido no acordo, ou mesmo não houve a discussão sobre o conflito entre o conteúdo do acordo e a disciplina da lei. Portanto, parecenos fora de dúvida que a situação fática do presente caso é, por vários ângulos que observamos, diversa daquela encontrada no Recurso 230100.569 já julgado por esta Turma. Inicio a análise do litígio posicionandome sobre a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR. Definir a natureza jurídica do benefício fiscal será crucial para adotarmos a metodologia jurídica de interpretação, pois , como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Por outro lado, para a imunidade o processo interpretativo é livre para percorrer todos os métodos – literal, histórico, sistemático e teleológico. É nesse sentido a lição de Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. São Paulo: Revista dos tribunais, 1977, p. 120 121): “A distinção [entre não incidência, imunidade e isenção], além da importância que possui sob o ponto de vista doutrinário ou teórico, tem conseqüências práticas importantes, no que se refere à interpretação. É que, sendo a isenção uma exceção à regra de que, havendo incidência, deve ser exigido o tributo, a interpretação dos preceitos que estabeleçam isenção deve ser estrita, restritiva. Inversamente, a interpretação, quer nos casos de incidência, quer nos de nãoincidência, que, portanto, nos de imunidade, é ampla, no sentido de que todos os métodos, inclusive o sistemático, o teleológico etc., são admitidos”. Adotamos, para a interpretação das imunidades, a sistematização de suas características e limites fornecida por Ricardo Lobo Torres (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado Fl. 25DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 860 26 de direito constitucional financeiro e tributário, v. III; os direitos humanos e a tributação: imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 97): “Nessa perspectiva podemos dizer que a interpretação das imunidades fiscais: a) adota o pluralismo metodológico, com o equilíbrio entre os métodos literal, histórico, lógico e sistemático, todos eles iluminados pela dimensão teleológica[das finalidades]; b) modera os resultados da interpretação, admitindo assim a interpretação extensiva que a restritiva, tanto a objetiva quanto a subjetiva, todas em equilíbrio e a depender do texto a ser interpretado; c) apóiase no pluralismo teórico, com o princípio respectivo da nãoidentificação com ideologias triviais; d) recusa, da mesma forma que a interpretação das isenções, a analogia, que implica a extensão da imunidade a direitos nãofundamentais; e) busca o pluralismo dos valores, com o equilíbrio entre liberdade, justiça e segurança jurídica”. Tendo tomado tais lições, passemos à busca da natureza jurídica do benefício fiscal concedido os pagamentos a título de PLR. Encontramos duas posições a respeito da natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR: os que o consideram uma imunidade e os que o consideram uma isenção. Haveria imunidade na medida em que o art. 7º, inciso XI da CF desvincula a PLR da remuneração, o que equivaleria a afastar a natureza de remuneração e, em conseqüência, afastar a possível incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea “a” e inciso II. Dessa forma, estaria configurada uma supressão da competência constitucional impositiva atendendo ao conceito clássico de imunidade. Na jurisprudência, encontramos o anterior presidente desta Câmara, Júlio César Vieira Gomes que, em declaração de voto no Acórdão 20500.563, asseverou: “Outra importante constatação é que a participação nos lucros e resultados goza de imunidade tributária. Não é caso de isenção, como a maioria das rubricas excluídas da incidência de contribuições previdenciárias por força do artigo 28, 9º' da Lei 8.212 de 24/07/91. Isto porque cuidou a própria Constituição Federal de desvincular o beneficio da remuneração dos trabalhadores(...)” Entre doutrinadores, Kyoshi Harada e Sydnei Sanches assumiram a natureza jurídica de imunidade no texto a seguir: “O legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a repartirem seus lucros ou resultados com os seus empregados, promovendo a ‘socialização dos lucros’ como meio de alcançar o justo equilíbrio entre o capital e o trabalho, prescreveu no inciso XI do art. 7º da Carta Política, que a PLR fica desvinculada da remuneração. Em outras palavras, retirou do campo do exercício da competência impositiva prevista no art. 195, I, a da CF tudo o que for pago pela empresa a título de participação nos lucros, ou resultados. (...)A PLR, uma vez imunizada pela Constituição, jamais poderia integrar a base de Fl. 26DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 861 27 cálculo da contribuição previdenciária, sem gravíssima ofensa ao texto constitucional.” (HARADA, Kiyoshi; SANCHES, Sydney. Participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa: incidência de contribuições previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 962, 20 fev. 2006. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/16671>. Acesso em: 13 jan. 2011) A princípio, não entendemos que houve a total supressão da competência constitucional impositiva, pois não podemos deixar de considerar que a competência constitucional impositiva da União para a contribuição previdenciária inclui não só o que está inserto no art. 195, mas também o que está previsto no §11º do art. 201 (ganhos habituais a qualquer título). Nesse sentido o Ministro Marco Aurélio anotou em seu voto no RE 398.284: “não vejo cláusula a abolir a incidência de tributos, cláusula a limitar a regra específica do artigo 201,§11º, da Constituição Federal”. Portanto, houve supressão constitucional apenas da competência da União instituir contribuição previdenciária sobre a PLR na forma de remuneração, mas não na forma de ganho habitual. Ocorre que, a despeito de possuir competência constitucional para criar contribuição previdenciária sobre ganhos habituais a qualquer título, a União somente o fez em relação aos ganhos habituais sob a forma de utilidades, conforme consta da segunda parte do inciso I do art. 22(contribuição da empresa sobre pagamentos a empregados) e da segunda parte do inciso I do art. 28 (definição de salário decontribuição). Logo, a PLR só estará no campo de incidência da contribuição previdenciária se tomar a forma de remuneração. E isso só poderá ocorrer se houver desobediência à lei reguladora da imunidade. Curioso notar que a natureza jurídica de imunidade que o benefício fiscal concedido ao pagamento de PLR alcança colocanos diante da ausência de uma norma reguladora constitucionalmente válida, pois, como limitação constitucional ao poder de tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser regulada por lei complementar, status que a Lei 10.101/200 não possui. Se confirmada pelo STF a tese de que o inciso XI do art. 7º é norma de eficácia limitada, teríamos, em conseqüência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade. Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma reguladora da imunidade. Não ignoramos que o STJ já se manifestou no sentido de considerar como isenção o benefício fiscal concedido aos valores pagos a título de PLR, conforme ementas que transcrevemos: RE 865.489 – Relator Ministro Luis Fux PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 862 28 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. RE 856.160 – Relatora Ministra Eliana Calmon PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. (...) 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. Com o respeito devido aos Ministros do STJ que assumiram tal posição, reiteramos que nossa conclusão é a de que existe imunidade para os pagamentos a título de PLR na forma de remuneração. Estabelecida a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR no tocante às contribuições previdenciárias como imunidade, passemos a investigação de quais finalidades devem ser atendidas pela norma reguladora exigida no texto constitucional. Iniciamos a investigação sobre as finalidades da norma reguladora da imunidade com a lição de Luís Eduardo Schoueri. Para o autor, não existem tributos que tenham uma função estritamente fiscal (arrecadatória) sem que possuam qualquer efeito indutor a atuar no Domínio Econômico. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas tributárias indutoras e intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 16). Porém, prossegue afirmando que há normas que possuem o caráter indutor em destaque. Assim, as normas indutoras são normas por meio das quais “o legislador vincula a determinado comportamento um conseqüente, que poderá consistir em vantagem (estímulo) ou agravamento da natureza tributária”.( op.cit., p. 30). Em outras palavras, uma norma indutora é o que a doutrina clássica chamaria de norma extrafiscal stricto sensu. Parecenos que a norma do art. 7º, inciso XI da Constituição, bem como as normas que criaram requisitos para a fruição da imunidade possuem nítido caráter indutor de comportamento. Ao desvincular da remuneração o pagamento de PLR, conforme requisitos a serem estabelecidos pela lei, quis o legislador constituinte, de um lado, conforme interpretação do Ministro Marco Aurélio no RE 398.284, proteger o trabalhador de fraude que poderia ser perpetrada pelos empregadores que poderiam compensar o direito constitucional com o salário do trabalhador. Nas palavras do Ministro: Fl. 28DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 863 29 “É uma cláusula pedagógica para evitar o drible pelos empregadores, a compensação, o esvaziamento do direito constitucional” A fraude que pode estar relacionada à PLR não está relacionada apenas à compensação do salário com o direito de índole constitucional. A solidariedade no financiamento da seguridade social, prevista no caput do art. 195 da CF, pode ser violada na medida em que for revestida de PLR parcela verdadeiramente salarial, na tentativa de evasão da contribuição previdenciária. Esse é outro aspecto da fraude que a regulamentação tenta evitar e que já foi assinalado pelo antigo presidente desta Câmara, Júlio César Viera Gomes, em trecho da Declaração de Voto no Acórdão 20500.563 ao afirmar que: “é possível que esse importante direito trabalhista [a participação nos lucros e resultados] seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o . Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo , das contribuições previdenciárias”. Por outro lado, o próprio direito em si à participação nos lucros pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1º, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o atingimento de, pelo menos, dois dos objetivos da Republica: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional( art. 3º, incisos I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo social”(Ministro Ricardo Lewandowiski, RE 398.284) que contribuiria para a “humanização do capitalismo”(Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da empresa com seus atores sociais, com os seus protagonistas” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284). Como se vê, os Ministros do STF capturaram as duas preocupações que devem nos nortear na interpretação dos reflexos tributários da norma que estatui os requisitos exigidos pelo Texto Magno: evitar a fraude e levar as relações entre capital e trabalho a um patamar mais harmônico. Assim agindo, o intérprete estará garantindo que a finalidade indutora ou o caráter extrafiscal stricto sensu da norma regulamentadora da imunidade seja atingido. Portanto, no transcorrer do processo hermenêutico não perderemos de vista que os requisitos da lei reguladora da imunidade devem contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Passamos a analisar algumas questões específicas que interessam no presente caso. Data da assinatura dos acordos Fl. 29DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 864 30 Questão recorrente nas discussões sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos a título de PLR é aquela que versa sobre a data de assinatura dos acordos. Em suma, o que se questiona é se deve existir alguma relação entre três datas: (i) data da assinatura do acordo coletivo ou data da assinatura do acordo entre as partes; (ii) data do fim do período a que se referem os lucros ou resultados; e (iii) data do recebimento, pelo empregado dos pagamentos de PLR. Para tal análise tomamos o conteúdo do art. 2º da Lei 10.101/200, in verbis: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Faremos a interpretação de tal dispositivo considerando as finalidades dos requisitos para fruição da imunidade, conforme anteriormente esclarecemos: contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Inicialmente, extraímos do dispositivo legal que é necessário que haja uma negociação entre empresa e empregados. Tal requisito está em harmonia, principalmente, com o objetivo de contribuir para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Certamente, a norma se refere a uma negociação concluída e não a uma negociação em curso, o que nos coloca diante de um primeiro requisito temporal: a negociação entre empresa e empregados deve estar concluída antes do pagamento da PLR. Justificamos tal posição com a constatação de que, antes de assinado, antes de se tornar um ato jurídico perfeito, a proposta da empresa pode ser retirada ou alterada, bem como o pleito dos trabalhadores pode ser alterado. Em adição, devemos considerar que, em tese, a demora na conclusão de uma negociação em andamento pode servir para ganhar tempo para que os lucros ou resultados a serem pactuados sejam estabelecidos em patamares já sabidamente atingidos, de forma a garantir que uma verba salarial possa ser revestida de PLR sem que os trabalhadores tenham motivos para obstaculizar Fl. 30DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 865 31 o acordo. É uma porta aberta para a fraude. Como somente com a assinatura do termo de acordo entre as partes ou do acordo coletivo é que teremos a formalização do término da negociação e estaremos diante de um ato jurídico perfeito apto a exarar efeitos jurídicos, concluímos que o termo de acordo entre as partes ou o acordo coletivo deve estar assinado antes do pagamento da PLR. Além de assinado, o instrumento de acordo deve estar arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Tal exigência, constante do §2º pretende dar transparência ao instrumento de acordo e permitir que sejam evitadas fraudes com a lavratura pósdatada de um acordo entre as partes. Restanos desvendar se a data de encerramento do período a que se referem os lucros ou resultados deve se considerada. Tomando o conteúdo do inciso II do §1º do dispositivo acima transcrito, poderíamos concluir que há a exigência de uma pactuação prévia dos programas de metas, resultados e prazos. Mas não podemos deixar de considerar que os incisos do §1º não são taxativos, o que poderia nos levar a concluir que a necessidade de pactuação prévia não é extensível, por exemplo, aos casos enquadrados no inciso I. Esse argumento isolado, portanto, é frágil. Tomamos outro caminho. É certo que o dispositivo do art. 2º da Lei 10.101/200 exige regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Tratase de exigência que está em harmonia tanto com a finalidade de combater a fraude quanto com a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Se não houver a estipulação das regras quanto ao atingimento dos lucros ou resultados antes do término do período a que se referem, não haverá meios para evitarmos as fraudes. Ou seja, não haverá meios para evitarmos que, diante de um lucro ou resultado já conhecido, sejam revestidos de pagamento de PLR determinados valores entregues aos empregados e que a eles já seriam ou serão devidos pela contraprestação dos serviços. Conhecidos os lucros ou resultados, seria possível instituir objetivos para os empregados que, de antemão, a empresa saberia que seriam atingidos. Diante da certeza do pagamento, o empregado, ou mesmo seus representantes, aceitaria assinar um acordo que, na sua visão, só estaria mudando a nomenclatura da verba devida por seu trabalho. A impossibilidade de haver certeza de que o acordado seja cumprido é uma determinação legal que extraímos do trecho da lei que determina que existam”mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Se deve haver aferição do que foi acordado é porque não deve o lucro ou resultado estar totalmente configurado no momento da assinatura do instrumento de acordo. Portanto, harmonizando o texto da norma com suas finalidades, concluímos que o instrumento do acordo deve estar assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados. Tendo concluído que o instrumento de acordo deve ser assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados, podemos indagar se cumpriria a exigência da norma se, por exemplo, a assinatura e arquivamento ocorresse um dia antes do encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Evidentemente que não, pois estaríamos em situação em tudo similar à assinatura posterior. Os lucros e resultados já estariam, com um alto grau de previsibilidade, consolidados. É preciso que entre a data de assinatura e arquivamento dos acordos e a data de Fl. 31DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 866 32 término do período a que se refiram os lucros ou resultados haja um intervalo temporal que tanto permita ao empregado direcionar seus melhores esforços para alcançar o que foi acordado como afaste a possibilidade de ser uma alternativa para a empresa fraudar a solidariedade no financiamento da seguridade social. Como a lei – ou qualquer norma infralegal não esclarece qual seria o prazo necessário entre tais datas, mas a finalidade da norma exige que o intérprete adote uma posição, utilizaremos como data limite para a assinatura e arquivamento dos instrumentos de acordo o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. É certo que encontramos respeitosas posições mais conservadoras em relação à data de assinatura dos acordos. A Conselheira Ana Maria Bandeira concluiu que os Acordos devem estar assinados antes do início do período a que se refiram os lucros ou resultados, tendo se manifestado no voto condutor do Acórdão 240100.276 nos seguintes termos “Entendo que para fazer valer o que dispõe o § 1º do art. 2º da Lei n° 10/101/2000 que determina a existência de regras claras e objetivas, mecanismos de aferição etc, é imprescindível que tais questões sejam decididas a priori, ou seja, antes do início do exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com seus empregados. Os acordos firmados pela recorrente foram todos posteriores ao início do exercício para o qual deveria ser aferida a participação dos empregados na obtenção do lucro ou resultado.” No mesmo sentido temos o Acórdão 240100.545 cuja redatora designada foi a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A despeito dos méritos dos argumentos acima, entendemos que os limites que adotamos passam pelo teste da razoabilidade, pois asseguram que após os três primeiros meses do ano – normalmente um período difícil para que as partes se reúnam os interessados tenham três meses para iniciar e avançar nas negociações e três meses adicionais para sua total conclusão. Além de razoáveis, os limites adotados atendem à finalidade de que haja tempo hábil para negociações de modo contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Exigir a assinatura do acordo antes de iniciado o período atenderia apenas a uma das finalidades da norma regulamentadora – combater a fraude , mas acabaria por criar um significativo obstáculo para a concessão da PLR, o que impediria que o acesso dos trabalhadores a uma direito social previsto no art. 7º, inciso XI da Constituição Federal. Em resumo, concluímos que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de PLR a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto Fl. 32DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 867 33 aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Regras claras e objetivas A Lei 10.101/2000 determinou que a PLR seja objeto de negociação entre empresas e empregados, seja por meio de comissão escolhida entre as partes ou por acordo coletivo, devendo o instrumento de acordo conter regras claras e objetivas. De plano, portanto, podemos afastar possibilidade de as regras para o recebimento da PLR serem estabelecidas unilateralmente. Todo o contorno das regras deve ser objeto de negociação entre as partes. É uma exigência legal que contribui para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Mas o que seriam regras claras e objetivas? Entre os sentidos possíveis para a expressão “regras claras”, segundo o dicionário Michaelis, temos: regras fáceis de entender, evidentes, explícitas, inequívocas, manifestas. Regras objetivas, segundo a mesma fonte, seriam regras que se referem ao mundo exterior; regras que existem fora do espírito e independentemente do conhecimento que dele possua o sujeito pensante; ou regras que não se relacionam com os sentimentos pessoais do sujeito pensante. Em síntese, regras claras e objetivas são regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se referem ao mundo dos objetos, não podendo estar relacionadas com sentimentos pessoais. Como já vimos, as regras impostas pela Lei 10.101/2000 tem como objetivo tanto evitar a fraude que pode ser cometida pelo empregador ao pagar salário sob o manto de parcela de PLR como melhorar a s relações entre capital e trabalho. Nessa toada, não podemos deixar de considerar que a fixação da PLR por meio de regras subjetivas pode ensejar o assédio moral e todo o tipo de discriminação no ambiente do trabalho, o que não contribui para a melhoria da relação entre capital e trabalho e, sobretudo, atenta contra a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inciso III da CF). Com relação a esse aspecto, no julgamento do Recurso 144.015, o Conselheiro Júlio Cesar Vieira Gomes, assim se manifestou: “Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em Fl. 33DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 868 34 aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros.” (o negrito é nosso) Além de serem claras e objetivas, as regras devem estar presentes no Acordo e devem ter sido estipuladas conforme negociação entre as partes, conforme podemos extrair dos arts. 1º e 2º da Lei 10.101/200. Nesse sentido o voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, no Acórdão 230200.256 “As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido ou do resultado obtido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. “ Questiono se, a despeito de a Lei exigir regras claras e objetivas, deveremos aceitar o conteúdo de acordo coletivo que, nitidamente, convencionou uma avaliação individual baseada em critérios subjetivos. A autonomia privada pode prevalecer ainda que ultrapasse os limites estabelecidos pela Lei? O caso não suscita a aplicação do art 123 do CTN? Vejamos o comando da norma complementar in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Com efeito, já assentamos que a lei tributária estabelece que a empresa que paga parcela a título de PLR que foi regida por regras subjetivas não pode beneficiarse da imunidade da contribuição previdenciária respectiva. Se a parte paga com base em critérios subjetivos não for atingida pela tributação, por conta do conteúdo de acordo coletivo, estaremos diante de uma situação na qual uma convenção entre particulares alterou a definição do sujeito passivo da obrigação tributária – a empresa , configurando ofensa frontal ao estabelecido no art. 123 do CTN. Nesse sentido, em sua manifestação no RE 398.2842 que discutiu o aspecto temporal da PLR(possibilidade de cobrança da contribuição sobre tais verbas antes da MP 794), o Ministro Marco Aurélio expressou sua compreensão de que “no campo da tributação, não há espaço para a autonomia da vontade”. Parecenos que o posicionamento do ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire no Acórdão 920200.503, quanto à possibilidade de as partes poderem definir soberanamente as regras a que se submeterão para tornar devido o pagamento da PLR, não diz respeito àqueles casos nos quais as regras convencionadas estão em afronta à lei, mas, ao contrário, diz respeito àquela situação na qual as regras estão em consonância com a lei, mas são questionadas pela fiscalização. Alguns trechos do voto daquele julgado evidenciam a posição do mencionado relator: Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando Fl. 34DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 869 35 haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas. (..) Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir dos fundamentos adotados pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, ao concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo,... Além de representar ofensa ao art. 123 do CTN, o conteúdo de Acordo Coletivo que viola a lei não pode prevalecer com força normativa, pois, mesmo no âmbito da Justiça do Trabalho, o TST já reconheceu que o conteúdo do Acordo não pode derrogar norma cogente que protege ou beneficia o trabalhador, conforme consta do OJ 31 da SDC daquele Tribunal: OJ 31 SEÇÃO DE DISSÍDIOS COLETIVOS Nº31 ESTABILIDADE DO ACIDENTADO. ACORDO HOMOLOGADO. PREVALÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 118 DA LEI Nº 8.213/91 (inserida em 19.08.1998) Não é possível a prevalência de acordo sobre legislação vigente, quando ele é menos benéfico do que a própria lei, porquanto o caráter imperativo dessa última restringe o campo de atuação da vontade das partes. Assim considerado, nossa conclusão é de que o Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. Ou seja, as regras estipuladas no Acordo não podem conter critérios subjetivos para a concessão da PLR de modo a contrariar o que determina a Lei, conclusão que está em consonância com a jurisprudência da Justiça do Trabalho e respeita os preceitos do art. 123 do CTN. Pagamento mínimo sem que a meta seja atingida Fl. 35DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 870 36 Ainda que o Acordo traga regras claras e objetivas, entre estas poderá existir a determinação de um pagamento mínimo no caso de as metas não serem atingidas? Entendemos que a resposta a esse questionamento só pode ser negativa, pois é uma exigência da finalidade de combate à fraude que a norma reguladora da imunidade assume. O pagamento mínimo permite que uma verba remuneratória seja substituída pelo pagamento de PLR, dada a certeza de seu recebimento. É uma ofensa direta ao conteúdo do caput do art. 3º da Lei 10.101/2000 no trecho em que prescreve que a PLR “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado”. Nesse sentido, o Conselheiro Elias Sampaio Freire já destacou que os valores de PLR só são liberados se os objetivos e metas forem atendidos. Vejamos o trecho do voto do Conselheiro no Acórdão CSRF 920200.503: “Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas.” Logo, ainda que constante do Acordo, valores pagos a título de PLR em situações nas quais as metas de lucros ou resultados não forem atingidas, não possuem a natureza pretendida, o que lhes impõe a natureza de remuneração e sua inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária. A par das digressões jurídicas genéricas já apresentadas, passamos a analisar o caso concreto. Valores pagos em 2002 – Acordo celebrado em 19 de outubro de 2001 Por entender que tais fatos geradores foram atingidos pela decadência, o relator não enfrentou a situação fática de tais pagamentos. Contudo, conforme já expusemos, não partilhamos de tal posição e passamos a analisar os pagamentos feitos em 2002. A PLR paga em 2002 referiuse a um acordo celebrado em 19/10/2001. De acordo com o exposto acima, temos que a data de assinatura do acordo extrapolou o limite que adotamos – último dia do semestre anterior ao fim do período a que se refiram os lucros ou resultados e não há provas de que a recorrente apresentou proposta aos empregados até essa data. Logo, consideramos que houve desrespeito às normas regulamentadoras da imunidade. Devida, portanto, a inclusão dos valores a título de PLR no ano de 2003 na base de cálculo da contribuição previdenciária. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 871 37 Valores pagos em 2003 – Acordo assinado em 04 de outubro de 2002 A PLR paga em 2003 referiuse a um acordo celebrado em 04/10/2002. De acordo com o exposto acima, temos que a data de assinatura do acordo extrapolou o limite que adotamos – último dia do semestre anterior ao fim do período a que se refiram os lucros ou resultados e não há provas de que a recorrente apresentou proposta aos empregados até essa data. Logo, consideramos que houve desrespeito às normas regulamentadoras da imunidade. Devida, portanto, a inclusão dos valores a título de PLR no ano de 2003 na base de cálculo da contribuição previdenciária. Além disso, a PLR foi dividida em parte fixa e variável, ao passo que esta última está cindida em parcela empresa e parcela individual. A parcela individual é totalmente baseada em critérios subjetivos como “foco no cliente”, “orientação para resultados” e “voltados à equipe”. Embora sejam critérios previstos em acordo, nossas conclusões já apresentadas são no sentido de não aceitar o conteúdo do acordo que viola a lei regulamentadora da imunidade no tocante à vedação a critérios subjetivos. Assim, não fosse pela extrapolação da data de assinatura dos acordos, a parte individual da PLR paga em 2003 não obedeceu aos preceitos legais, ficando descaracterizada sua natureza jurídica de PLR. Valores pagos em 2004 – Acordo assinado em 17 de julho de 2003 A PLR paga em 2004 referiuse a um acordo celebrado em 17/07/2003. De acordo com o exposto acima, temos que a data de assinatura do acordo extrapolou o limite que adotamos – último dia do semestre anterior ao fim do período a que se refiram os lucros ou resultados e não há provas de que a recorrente apresentou proposta aos empregados até essa data. Logo, consideramos que houve desrespeito às normas regulamentadoras da imunidade. Devida portanto, a inclusão dos valores a título de PLR no ano de 2004 na base de cálculo da contribuição previdenciária. Mais importante ainda é a afirmação da própria recorrente de que “no ano de 2003, devido ao enorme revés que sofreu o setor agrícola no pais, as metas previamente pactuadas entre a Recorrente e seus funcionários, tanto as financeiras quanto as individuais, não foram nem de longe atingidas”. Por conta disso, teria havido um pagamento mínimo a título de PLR. Aqui fica claro que tais pagamentos não possuem natureza de PLR, pois desvinculados de qualquer meta de lucro ou resultado. Tratouse de uma gratificação ajustada de natureza contraprestacional que, segundo a recorrente, tinha por objetivo “confortar os funcionários que buscaram atingilas [as metas], mas não conseguiram em razão das conjunturas econômicas do período”. Além disso, a PLR foi dividida em parte financeira e parte individual, fls. 487, sendo que esta última é totalmente baseada em critérios que seriam definidos pela chefia imediata, o que contraria a lei regulamentadora da imunidade que exige que o pagamento da PLR seja objeto de negociação entre as partes. Recordando o que já afirmamos, a lei exige regras claras e objetivas negociadas entre as partes e não unilateralmente estipuladas. Uma tratativa direta entre empregado e sua chefia imediata não pode ser considerada negociação, Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 872 38 pois há forte presença da hierarquia e do temor pelo emprego. Se fosse sempre harmônica e imparcial tal relação não teríamos tantos casos de assédio moral. Reconhecemos que as situações individuais são difíceis de serem previstas em um acordo coletivo, mas o atingimento das situações individuais poderia, preservando a imposição legal de que haja negociação, ser objeto de tratativas em comissões setoriais escolhida pelas partes, integradas, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. Assim, não fosse pela extrapolação da data de assinatura dos acordos e pelo não atingimento das metas, a parte individual da PLR paga em 2004 não obedeceu os preceitos legais, ficando descaracterizada sua natureza jurídica de PLR. Valores pagos em 2005 – Acordo assinado em 29 de março de 2004 A PLR paga em 2005 referiuse a um acordo celebrado em 29/03/2004, o que afasta qualquer problema quanto ao conhecimento prévio das regras. Nesse ano, a PLR foi dividida em parte financeira e parte individual, fls. 514. Conforme a própria recorrente admitiu as metas estipuladas no Acordo não foram atingidas, o que retira a natureza de PLR da parte denominada financeira, pelos motivos já expostos. A parte individual, de maneira similar ao ano anterior, é totalmente baseada em critérios que seriam definidos pela chefia imediata, o que contraria a lei regulamentadora da imunidade que exige que o pagamento da PLR seja objeto de negociação entre as partes. Recordando o que já afirmamos, a lei exige regras claras e objetivas negociadas entre as partes e não unilateralmente estipuladas. Uma tratativa direta entre empregado e sua chefia imediata não pode ser considerada negociação, pois há forte presença da hierarquia e do temor pelo emprego. Se fosse sempre harmônica e imparcial tal relação não teríamos tantos casos de assédio moral. Reconhecemos que as situações individuais são difíceis de serem previstas em um acordo coletivo, mas o atingimento das situações individuais poderia, preservando a imposição legal de que haja negociação, ser objeto de tratativas em comissões setoriais escolhida pelas partes, integradas, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. Assim, a parte individual da PLR paga em 2005 não obedeceu os preceitos legais, ficando descaracterizada sua natureza jurídica de PLR. Com relação a pagamentos superiores ao previsto no Acordo, estes são relativos à parte individual da PLR. Tratase, portanto, de situação fática que agrava a descaracterização da natureza jurídica dessa parte da PLR paga em 2005, pois a o art. 2º da Lei 10.101/200 exige que a PLR esteja prevista em Acordo. Valores pagos em 2006– Acordo assinado em 26 de outubro de 2005 A PLR paga em 2006 referiuse a um acordo celebrado em 26/10/2005. De acordo com o exposto acima, temos que a data de assinatura do acordo extrapolou o limite que adotamos – último dia do semestre anterior ao fim do período a que se refiram os lucros ou Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 873 39 resultados e não há provas de que a recorrente apresentou proposta aos empregados até essa data. Logo, consideramos que houve desrespeito às normas regulamentadoras da imunidade. Devida portanto, a inclusão dos valores a título de PLR no ano de 2003 na base de cálculo da contribuição previdenciária. A PLR foi dividida em parte financeira e parte individual, fls. 563. A parte individual, de maneira similar ao ano anterior, é totalmente baseada em critérios que seriam definidos pela chefia imediata, o que contraria a lei regulamentadora da imunidade que exige que o pagamento da PLR seja objeto de negociação entre as partes. Recordando o que já afirmamos, a lei exige regras claras e objetivas negociadas entre as partes e não unilateralmente estipuladas. Uma tratativa direta entre empregado e sua chefia imediata não pode ser considerada negociação, pois há forte presença da hierarquia e do temor pelo emprego. Se fosse sempre harmônica e imparcial tal relação não teríamos tantos casos de assédio moral. Reconhecemos que as situações individuais são difíceis de serem previstas em um acordo coletivo, mas o atingimento das situações individuais poderia, preservando a imposição legal de que haja negociação, ser objeto de tratativas em comissões setoriais escolhida pelas partes, integradas, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. Assim, a parte individual da PLR paga em 2005 não obedeceu os preceitos legais, ficando descaracterizada sua natureza jurídica de PLR. Antes de encerrarmos, registramos que não foi relevante em nossa análise o fato de existirem ou não autoavaliações. Não é o fato de haver uma autoavaliação, de per si, que retira a clareza e a objetividade da regra para obtenção do direito ao recebimento da PLR. Podemos ter uma autoavaliação baseada em critérios objetivos totalmente previstos no Acordo – situação acobertada pela norma isentiva , ao passo que podemos ter uma autoavaliação baseada em critérios subjetivos – situação que afronta o texto legal. Não é o tipo de avaliação que consideramos, mas a origem e a conformação das regras que a compõem. Releva destacar, também, que não vislumbramos inovação na decisão de primeira instância, conforme apontado no Memorial da Recorrente, pois a discussão sobre autoavaliação e critérios subjetivos já constava do relatório da fiscalização, fls. 31. Por fim, assinalo que concordamos com a posição assumida pelo Relator quanto aos valores pagos a Flavio Agostinho de Carvalho, Joaquim Aparecido Machado, Lilian de Aguiar Saldanha e Ricardo Rinaldo de Góes. Tratamse de prêmios eventuais cobertos pela isenção do item 7, alínea e, do §9º, art. 28 da Lei nº 8.212/91. Ante ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir os valores pagos em 2004 aos empregados Flavio Agostinho de Carvalho, Joaquim Aparecido Machado, Lilian de Aguiar Saldanha e Ricardo Rinaldo de Góes. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 874 40 Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, Cingese a controvérsia principal dos presentes autos, à incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados pela empresa recorrente a seus empregados sob a rubrica de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). A PLR visa a disposição das estratégias organizacionais com a participação dos empregados no ambiente de trabalho, pois só será feita a distribuição dos lucros aos funcionários segundo o cumprimento de metas. O programa PLR é uma ferramenta de gestão que permite a motivação dos empregados na produtividade da empresa, proporciona a atração de melhores resultados, regulada pela lei 10.101/2000. Como é cediço, a Constituição Federal de 1988, no inc. XI do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados dos seus empregadores. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais. Eis o teor do dispositivo: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.” Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” Deste modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do referido benefício, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 875 41 aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” Posta a norma resta saber se o procedimento adotado pela empresa afrontou ou não tal regulamentação. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração”. (RE 398284, Relator Min. Menezes Direito, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei 10.101/00. (RE 393764 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, julgado em 25/11/2008) É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância de requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. Uma vez descaracterizado o benefício, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. Considerando que as Convenções Coletivas de Trabalho carreadas aos autos demonstram a existência de um programa de participação nos lucros ou resultados na empresa, com o acompanhamento dos trabalhadores, a base procedimental trazida pelo contribuinte na distribuição dos lucros entendo que é suficiente para o cumprimento das formalidades legais. Entendo que o critério da assiduidade, que consistia no cumprimento integral da jornada de trabalho não é suficiente para transfigurar a forma acordado pelos celebrantes da Convenção Coletiva de Trabalho. Pelo contrário, a estrutura montada pela empresa é satisfatória para determinar a natureza dos pagamentos excluindoos da base de cálculo do tributo. A preocupação do legislador, constante na Lei 10.101/00, é no sentido de salvaguardar o direito do trabalhador. Devese verificar, portanto, a existência de um procedimento bilateral, firmado entre empregadores e empregados, a fim de delinear uma estrutura normativa interna com o escopo de dar a máxima efetividade ao texto constitucional (art. 7º, inc. XI da CF/88). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é neste sentido, verbis: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 876 42 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos ( arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratarse de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. [...] 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. [...] Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos Fl. 42DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 230102.013 S2C3T1 Fl. 877 43 como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91". (fls. 596/597) 9. Precedentes: AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido” [g.n.] (REsp 865.489/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 24/11/2010). Urge ressaltar que a regulamentação normativa tem o escopo de proteger o trabalhador, para que sua participação nos lucros se efetive. Assim, podese concluir que os documentos trazidos aos autos indicam que houve uma negociação prévia entre as partes, bem como que os trabalhadores efetivamente tiveram conhecimento prévio do plano de metas exigidos pela empresa para a distribuição dos lucros. Para mim é crucial pontuar em favor do contribuinte o reconhecimento, pela própria autoridade de primeira instância, no sentido de que os acordos assinados não sofreram grandes alterações, considerando os documentos anteriores, o que demonstra que o sistema de metas adotado pela recorrente já fazia parte da rotina dos empregados. No mesmo sentido, entendo que a norma não trouxe vedação alguma para o valor dos pagamentos a serem realizados. Portanto, nada impede que a quantia paga a título de PLR supere o salário do empregado. Por estes motivos, acompanho integralmente o voto condutor do ilustre relator. CONCLUSÃO Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 43DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 29/02/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAU RO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001028/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa: : JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
PROGRAMA ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PAT – PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI.
O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Numero da decisão: 2302-001.220
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Vera Kempers de Moraes Abreu que entendeu que parcela alimentação
não integra o salário de contribuição.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: : JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. PROGRAMA ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PAT – PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI. O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 15586.001028/2008-63
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 4985285
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2302-001.220
nome_arquivo_s : 230201220_15586001028200863_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Marco André Ramos Vieira
nome_arquivo_pdf_s : 15586001028200863_4985285.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Vera Kempers de Moraes Abreu que entendeu que parcela alimentação não integra o salário de contribuição.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
id : 4743114
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041038299136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2051; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 278 1 277 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001028/200863 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230201.220 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2011 Matéria Remuneração Indireta. Recorrente CONCRESUL CONCRETO SUL LTDA Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO RJ Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: : JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. PROGRAMA ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PAT – PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI. O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Vera Kempers de Moraes Abreu que entendeu que parcela alimentação não integra o saláriodecontribuição. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Ausente momentaneamente os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001028/200863 Acórdão n.º 230201.220 S2C3T2 Fl. 279 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a Terceiros, sobre a remuneração paga a título de alimentação e assistência médica em desacordo com a legislação, e ainda, ao pagamento de horas extras, sem o recolhimento das contribuições previdenciárias sobre estes fatos geradores. Referese ao período compreendido entre as competências janeiro a dezembro de 2004, fls. 77 a 84. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 179 a 195. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro confirmou a procedência do lançamento, fls. 248 a 256. Não concordando com a decisão da órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 261 a 2. a) A alimentação in natura não é parcela integrante do saláriode contribuição, conforme entendimento do STJ; b) Houve fornecimento de alimentação a autônomos; c) A verba estava prevista em Convenção Coletiva; d) É indevida a aplicação da taxa Selic. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 277. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. A questão controversa reside no ponto de as verbas pagas a título de alimentação in natura sem inscrição no PAT para o período não decadente integrarem ou não a remuneração dos segurados empregados. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Fl. 306DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001028/200863 Acórdão n.º 230201.220 S2C3T2 Fl. 280 5 d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 307DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 308DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001028/200863 Acórdão n.º 230201.220 S2C3T2 Fl. 281 7 x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Como se verifica, a única previsão expressa em lei para exclusão da verba alimentação paga in natura da base de cálculo para fins de incidência de contribuição previdenciária, é a alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei n ° 8.212/1991. Para estar excluída da base de cálculo é imprescindível que a parcela recebida pelos trabalhadores esteja de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. No presente caso, a recorrente não fez prova de estar inscrita no PAT, requisito essencial para desfrutar do benefício fiscal. Não sendo uma mera formalidade como alegado pela recorrente. A verba alimentação paga in natura possui natureza remuneratória. Ao deixar de gastar com tal utilidade, o trabalhador obteve um ganho indireto. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento para o período não decadente. O entendimento firmado pelo STJ não vincula as decisões administrativas, tendo efeitos somente inter partes. A previsão da verba em Convenção Coletiva não afasta o tributo, pois se o tributo é instituído em lei, somente lei para afastar a incidência. Uma vez que a parcela integra o saláriodecontribuição, é devida tanto no pagamento a segurados empregados, como também aos segurados contribuintes individuais (trabalhadores autônomos). A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Fl. 309DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001028/200863 Acórdão n.º 230201.220 S2C3T2 Fl. 282 9 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 311DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10410.003923/2005-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2000
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN.
ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).
O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a
lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação
cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).
Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES.
Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago.
Numero da decisão: 2102-001.318
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2000 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10410.003923/2005-68
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4928164
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.318
nome_arquivo_s : 210201318_10410003923200568_201105.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10410003923200568_4928164.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
id : 4741281
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:40:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041056124928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2404; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C1T2 Fl. 78 1 77 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.003923/200568 Recurso nº 179.539 Voluntário Acórdão nº 2102001.318 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2011 Matéria IRPF DEDUÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO Recorrente ISMAR MACÁRIO PINTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial Fl. 80DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10410.003923/200568 Acórdão n.º 2102001.318 S2‐C1T2 Fl. 79 2 decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. ASSINADO DIGITALMENTE GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. ASSINADO DIGITALMENTE CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 18/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Fl. 81DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10410.003923/200568 Acórdão n.º 2102001.318 S2‐C1T2 Fl. 80 3 Cuidase de recurso voluntário de fl. 67, interposto contra decisão da DRJ em Recife/PE, de fls. 56 a 65, que julgou procedente o lançamento do IRPF de fls. 06 a 09, relativo ao anocalendário 2000, lavrado em 06/09/2005, com ciência do RECORRENTE em 22/09/2005 (fl. 36). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 20.798,25, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75,00%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 07, o presente lançamento teve origem na glosa de deduções relativas a despesas médicas, nos seguintes termos: “001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Glosa de deduções com despesas médicas, pleiteadas indevidamente no exercício de 2001, anobase de 2000, no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), conforme apurado por esta fiscalização. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2000 R$ 30.000,00 75,00 Enquadramento legal: Art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844/43; Arts. 8º, inciso II, alínea ‘a’ e §§ 2º e 3º, 35 da Lei 9.250/95; Arts. 73 e 83, inciso II do RIR/99.” No Termo de Encerramento de fl. 08, a autoridade fiscal narrou os fatos que deram origem ao presente auto de infração, conforme adiante transcrito: “O contribuinte informou em Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física/2001 (fls. 23 a 25), relativa ao anobase de 2000, que havia pago aos profissionais liberais Maria Valdeci Silva, CPF 139.826.99487, R$ 15.000,00 (quinze mil reais) e Alberto Marinho Paes Pinto, CPF 098.674.14420, R$ 15.000,00 (quinze mil reais). Como podese verificar na aludida DIRPF, os valores acima mencionados, foram utilizados pelo contribuinte como dedução de seus rendimentos tributáveis, o que reduziu a base de cálculo, e, conseqüentemente, o imposto a pagar. Diante do exposto, o contribuinte foi intimado a se pronunciar sobre o assunto (fls. ). Apesar de comparecer por duas vezes a esta Delegacia da Receita Federal o contribuinte não nos forneceu os recibos referentes às despesas médicas utilizadas para as deduções (R$ 30.000,00). Em razão desses fatos, os Fl. 82DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10410.003923/200568 Acórdão n.º 2102001.318 S2‐C1T2 Fl. 81 4 valores correspondentes a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por ele deduzidos, foram objeto de glosa, razão do porque da lavratura do presente Auto de Infração. Assim sendo, diante do acima exposto e em conformidade com o que dispõe o art. 11, § 3°, do DL n° 5.844/43; art. 8°, inc. II, alínea ‘a’ e §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.250/95 e arts. 73 e 80, do Decreto n° 3.000/99, tributamos o contribuinte em lide, por haver deduzido indevidamente de seus rendimentos tributáveis, a título de despesas médicas, no exercício de 2001, anocalendário de 2000, o valor correspondente à R$ 30.000,00 (trinta mil reais).” Conforme consta na declaração de ajuste referente ao anocalendário 2000 (fls. 23 a 25), bem como no dossiê de fls. 16 a 22, o RECORRENTE pleiteou deduções de despesas médicas no valor total de R$ 40.349,16. Assim, a partir da glosa de R$ 30.000,00 efetuada, a autoridade fiscal apurou o valor de restituição indevida de R$ 8.250,00 (fl. 04), que se sujeita à multa de ofício e aos juros de mora (fl. 05). DA IMPUGNAÇÃO Em 05/10/2005, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 37 e 38, e apresentou as alegações a seguir resumidamente transcritas: “(...) no dia 30 (trinta) de maio do ano em curso me dirigi à Delegacia da Receita Federal em Maceió e lá procurei e fui atendido pelo auditor fiscal Bartolomeu José Barbosa, e que quando apresentei as comprovantes (recibos de pagamentos) fornecidos pelos profissionais mencionados o Sr. auditor fiscal, preliminarmente, afirmou que os comprovantes por mim apresentados eram inválidos perante a Receita Federal, alegando entre outras coisas, que os referidos profissionais haviam omitido em suas declarações de imposto de renda, os valores por eles recebidos, os quais deram recibos que comprovam o recebimento por parte dos mesmos (cópias autenticadas anexas). Que posteriormente estive na Receita atendendo um convite verbal feito pelo auditor fiscal José Coêlho a pedido do Sr. Bartolomeu José Barbosa e lá chegando fui novamente atendido pelo mesmo e que nesta oportunidade reafirmou tudo o que já havia dito anteriormente e acrescentou o que poderia ocorrer em caso de não aceitação dos comprovantes de despesa por mim apresentados. (...) Quanto à rejeição por parte da Receita, dos comprovantes de despesas por mim apresentados, sob a alegação que me foi feita pelo auditor fiscal de que estes profissionais não fizeram constar Fl. 83DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10410.003923/200568 Acórdão n.º 2102001.318 S2‐C1T2 Fl. 82 5 em suas declarações de renda os valores recebidos pela prestação dos serviços profissionais que prestaram (incorrendo talvez em crime de sonegação fiscal), não me compete como contribuinte fiscalizar nem exigir dos mesmos que declarem, pois isto é tarefa específica da Receita Federal. (...) Face ao aqui exposto, solicito a V. Senhoria o arquivamento da presente autuação e em conseqüência a anulação dos valores cobrados bem como as multas e demais encargos descritos nos termos de autuação mencionados.” Na oportunidade, juntou aos autos os recibos de fls. 49 e 50, expedidos pelo Dr. Alberto Marinho Paes Pinto, no valor total de R$ 15.000,00; bem como o recibo de fl. 51 expedido por Maria Valdeci Silva, no valor de R$ 15.000,00. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 56 a 62 dos autos, julgou procedente o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Somente são acatadas as despesas médicas do contribuinte e seus dependentes, quando comprovadas por documentação que atenda aos requisitos legais e que produzam a convicção necessária ao julgador da realização dos serviços e do seu efetivo pagamento. Lançamento Procedente” Nas razões do voto que compõe o julgamento, a autoridade julgadora afirmou o seguinte: “(...)12. No caso de comprovação de despesas médicas através de recibos, tanto estes podem se mostrar suficientes ao convencimento do julgador, como não, pois, em alguns casos, as informações neles contidas podem estar deficitárias em relação aos requisitos formais exigidos na legislação como também podem conter informações que os fragilizem bastante, a ponto de que, não estando, os recibos, acompanhados de outros documentos que comprovem a realização dos serviços tais como, requisições médicas, laudos médicos, exames, fichas de tratamento ou internamento, notas fiscais de hospitais e de tratamentos, entre outros, a depender do caso , e nem de Fl. 84DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10410.003923/200568 Acórdão n.º 2102001.318 S2‐C1T2 Fl. 83 6 documentos que comprovem a efetiva transferência do numerário tais como extratos bancários, com indicação dos cheques compensados ou saques efetuados, guias de transferência bancária, cópias de cheques nominativos ou outros documentos bancários, com datas e valores coincidentes ou, pelo menos, próximos daqueles constantes dos recibos , não permitirão, os recibos, por si sós, o convencimento do julgador no sentido do acatamento dos mesmos para comprovação das despesas médicas. 13. É nesse sentido que seria bastante dirimente, na formação da livre convicção do julgador, tal como prevista no art. 29 do Decreto 70.235/72, a apresentação de comprovação da efetiva transferência do numerário, o que se materializa, essencialmente, por meio documentos bancários que atestem a transferência dos valores em datas coincidentes ou próximas às da emissão dos recibos. (...) 15. Deste dispositivo, depreendese que podem ser necessários comprovantes complementares àqueles descritos no art. 8° da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos casos em que são identificados elementos presentes nos próprios recibos ou até mesmo nas especificações da despesa em si, ou em qualquer outro elemento importante apurado na ação fiscal que fragilizem os recibos como instrumentos de prova e ponham dúvidas quanto à realização das despesas informadas nos mesmos ou em outras declarações. 16. Assim, a prova definitiva e incontestável da despesa médica, nesses casos, é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento), além de documentos que comprovem a realização do serviço. A existência de recibos, por si só, nesses casos, não tem este condão. O recibo é apenas uma prova simples que pode ser contestada por diversos elementos coletados no decorrer da ação fiscal. (...)” Diante do exposto, a DRJ julgou procedente o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão em 21/01/2009, conforme AR de fl. 66 dos autos, apresentou recurso voluntário de fl. 67 em 17/02/2009. Em suas razões, reiterou todos os argumentos de sua impugnação, e acrescentou o seguinte: “(...) os fatos originários deste processo se verificaram no ano calendário de 2000, e que só me foi enviado um termo de solicitação de esclarecimento em agosto de 2005, e considerando que a própria Receita Federal, quando da Fl. 85DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10410.003923/200568 Acórdão n.º 2102001.318 S2‐C1T2 Fl. 84 7 restituição do meu imposto de renda 2002, me enviou um documento, cuja cópia autenticada, anexei a mesma que deve constar no bojo desse processo. Outrossim acrescento que no ano que se verificou a declaração do imposto de renda que deu origem a esse processo, a receita sempre admitiu este tipo de comprovação de despesas médicas. Bem como se for observado o lapso de tempo entre o ano em que se deu o fato gerador e as datas em que estou sendo penalizado, já se deve observar o contido no art. 206 parágrafo 5º da ‘Lei 10.406 de 11 de janeiro de 2003’ (Prescrição).” Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Em princípio, cumpre analisar as preliminares razões de defesa apresentadas pelo RECORRENTE: Da Preliminar: Em seu recurso voluntário, o RECORRENTE alega que os fatos originários deste processo ocorreram no anocalendário 2000, enquanto que somente tomou conhecimento da fiscalização em agosto de 2005. Assim, entendeu que os débitos estariam extintos pela prescrição (sic). De início, devese observar que o instituto a ser observado seria o da decadência e não da prescrição, tendo em vista que o crédito tributário não encontrase definitivamente constituído. Sendo assim, no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), em 12 de agosto de 2009, com acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: Fl. 86DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10410.003923/200568 Acórdão n.º 2102001.318 S2‐C1T2 Fl. 85 8 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 87DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10410.003923/200568 Acórdão n.º 2102001.318 S2‐C1T2 Fl. 86 9 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” No presente caso, houve o pagamento antecipado do tributo. Portanto, de acordo com diversos julgados deste Conselho, o prazo decadencial para efetuar o seu lançamento é disciplinado pelo § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN (cinco anos contados da data do fato gerador). Obedecendo os critérios da decisão do STJ, tendo em vista o fato gerador do imposto de renda apurado no ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário, o prazo decadencial que a Fazenda Pública possui para lançar imposto referente ao ano calendário 2000 começou a fluir em 31/12/2000 (data do fato gerador), de modo que o lançamento poderia ser formalizado até 31/12/2005 (cinco anos depois). Assim, os créditos tributários objeto do presente lançamento não foram atingidos pela decadência, visto que o presente auto de infração foi lavrado tempestivamente em 06/09/2005 (fl. 09), com ciência do RECORRENTE em 22/09/2005 (fl. 36). Portanto, são insubsistentes as alegações quanto à extinção dos créditos tributários pela decadência. Ultrapassada a preliminar, passo a analisar o mérito da defesa do RECORRENTE: Do mérito: De acordo com o que consta dos autos, o debate resumese à aceitação de recibos entregues pelo Dr. Alberto Marinho Paes Pinto, CPF nº 098.674.14420 (fls. 49 e 50), e pela Dra. Maria Valdeci da Silva, CPF nº 139.826.99487 (fl. 51), como prova dos serviços médicos/odontológicos prestados, no anocalendário 2000, no montante total de R$ 30.000,00. Sobre o tema, o Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10410.003923/200568 Acórdão n.º 2102001.318 S2‐C1T2 Fl. 87 10 § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tomar irrecorrível na esfera administrativa. § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento." Em seu art. 80, o RIR/1999 determina, ainda, o seguinte: "Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1° O disposto neste artigo: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." No caso dos autos, os recibos foram rejeitados pela autoridade julgadora de primeira instância, que os considerou “frágeis”, e por ter o RECORRENTE deixado de comprovar a efetivação do pagamento através de extratos, cópias de cheques ou outros documentos bancários. Feitos estes esclarecimentos, passo a decidir. Conforme declaração de ajuste anual às fls. 23 a 25 dos autos, o RECORRENTE recebeu, durante o anocalendário 2000, o total de R$ 91.816,51 entre rendimentos tributáveis, isentos/nãotributáveis e rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. Desse total, R$ 17.997,12 foram efetivamente retidos a título de imposto de renda na fonte. Desse modo, o RECORRENTE obteve, em tese, o rendimento líquido de R$ 73.819,39 durante o anocalendário 2000. Contudo, declarou que efetuou despesas médicas na importância de R$ 40.349,16. Ou seja, conforme sua DIRPF, o RECORRENTE teria efetuado despesas médicas correspondentes a 54,66% (cinqüenta e quatro inteiros e sessenta e seis centésimos por cento) dos rendimentos totais que auferiu durante o anocalendário 2000. No que diz respeito ao Fl. 89DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10410.003923/200568 Acórdão n.º 2102001.318 S2‐C1T2 Fl. 88 11 montante das despesas médicas objeto da presente autuação (R$ 30.000,00), este corresponde ao percentual de 40,64% (quarenta inteiros e sessenta e quatro centésimos por cento) dos rendimentos totais do RECORRENTE. Portanto, nos termos do art. 73, § 1º, do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999), antes transcrito, entendo que o RECORRENTE pleiteou deduções incompatíveis com os rendimentos declarados. É verdade que, comprovada a efetividade do serviço, esse motivo não seria suficiente para a glosa da despesa. Sendo assim, caberia ao RECORRENTE comprovar que o serviço lhe foi verdadeiramente prestado, através de laudos médicos, exames e qualquer outro meio que atestassem a despesa: (p.ex.: cópias de cheques ou de extratos bancários com a indicação de saque em valor aproximado). Ademais, salientese que os recibos de fls. 49 e 50 não indicam quais serviços odontológicos foram prestados, e nem quem foi o paciente beneficiários do tratamento, o que confirma a fragilidade como documentos comprobatórios. O mesmo pode ser dito quanto ao recibo de fl. 51, tendo em vista que, além de não indicar o paciente, não há indicação do endereço da profissional. Neste sentido, vale transcrever as seguintes decisões do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2002 DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS REQUISITOS PARA DEDUÇÃO COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, está sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto aqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou os respectivos prestadores, ou quando esses não sejam habilitados. A simples apresentação de recibos, por si só, não autoriza a dedução, mormente quando, intimado, o contribuinte não faz prova efetiva de que os serviços foram prestados. Recurso negado. (recurso voluntário nº 156847; 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 06/08/2008)” “IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS À luz do artigo 29 do Decreto 70.235 de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Correta a glosa de valores deduzidos a título de Fl. 90DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10410.003923/200568 Acórdão n.º 2102001.318 S2‐C1T2 Fl. 89 12 despesas médicas e hospitalares cujos serviços não foram comprovados. APLICAÇÃO DA MULTA DE 150% EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Comprovado que o contribuinte praticou atos eivados de ilicitudes, tendentes a acobertar ou ocultar as irregularidades, restando configurado o evidente intuito de fraude, nos termos dos art. 71 a 73 da Lei 4.502 de 1964, correta a aplicação da multa de ofício de 150%. Recurso negado. (recurso voluntário nº 152397; 2ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes; julgamento em 15/06/2007)” Salientese, por oportuno, que a fiscalização se iniciou pelo fato de que haviam indícios de ilícitos nos recibos emitidos pelos profissionais médicos indicados pelo RECORRENTE, conforme atesta o documento de fl. 29. Desta forma, por não haver prova inequívoca do pagamento da despesa médica, não deve ser acatado o pedido de dedução no valor de R$ 30.000,00 pleiteado. Portanto, deve ser mantido o presente lançamento de imposto de renda, por falta de comprovação das despesas médicas declaradas. Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose integralmente o lançamento. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 91DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000296/2004-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa: DEDUÇÃO. DEPENDENTE. Na apuração da base de cálculo do
imposto referente ao ano-calendário de 2002 poderia ser deduzido o valor de 1.272,00 para cada um dos dependentes.
DEDUÇÃO. DEPENDENTE. CÔNJUGE. Somente no caso de declaração
apresentada em conjunto, o cônjuge pode ser considerado como dependente do declarante, para fins de apuração da base de cálculo do imposto.
DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Na apuração da base de
cálculo do imposto podem ser deduzidas as despesas com instrução próprias ou com os dependentes, desde que devidamente comprovadas.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2201-001.091
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar parcial
provimento ao recurso para reconhecer o direito à dedução de R$ 2.172,00 referente a uma dependente. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad que davam provimento em maior extensão.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Ementa: DEDUÇÃO. DEPENDENTE. Na apuração da base de cálculo do imposto referente ao ano-calendário de 2002 poderia ser deduzido o valor de 1.272,00 para cada um dos dependentes. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. CÔNJUGE. Somente no caso de declaração apresentada em conjunto, o cônjuge pode ser considerado como dependente do declarante, para fins de apuração da base de cálculo do imposto. DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Na apuração da base de cálculo do imposto podem ser deduzidas as despesas com instrução próprias ou com os dependentes, desde que devidamente comprovadas. Recurso provido em parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13839.000296/2004-90
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4904140
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-001.091
nome_arquivo_s : 220101091_13839000296200490_201105.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 13839000296200490_4904140.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito à dedução de R$ 2.172,00 referente a uma dependente. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad que davam provimento em maior extensão.
dt_sessao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
id : 4740966
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:40:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041072902144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1791; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.000296/200490 Recurso nº 164.197 Voluntário Acórdão nº 220101.091 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2011 Matéria IRPF Recorrente PAULO SÉRGIO POLLI Recorrida DRJSÃO PAULO/SP II Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Ementa: DEDUÇÃO. DEPENDENTE. Na apuração da base de cálculo do imposto referente ao anocalendário de 2002 poderia ser deduzido o valor de 1.272,00 para cada um dos dependentes. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. CÔNJUGE. Somente no caso de declaração apresentada em conjunto, o cônjuge pode ser considerado como dependente do declarante, para fins de apuração da base de cálculo do imposto. DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Na apuração da base de cálculo do imposto podem ser deduzidas as despesas com instrução próprias ou com os dependentes, desde que devidamente comprovadas. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito à dedução de R$ 2.172,00 referente a uma dependente. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad que davam provimento em maior extensão. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Fl. 96DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório PAULO SÉRGIO POLLI interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ SÃO PAULO/SP II (fls. 63) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 10/12, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2003, que alterou o resultado da declaração de imposto a restituir de R$ 1.078,50 para imposto a pagar de R$ 2.112,64. O lançamento decorreu da glosa dos valores declarados como deduções de dependentes (R$ 3.816,00) e despesas com instrução (R$ 7.788,00), conforme descrito na notificação de lançamento. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 no qual aduz que procedeu às deduções calcado em liminar obtida em mandato de segurança coletivo impetrado pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que o Contribuinte não comprovou a relação de dependência e, não tendo sido comprovada a relação de dependência, também não é devida a dedução dos gastos com a instrução das pessoas indicadas como dependentes do Contribuinte. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 07/01/2008 (fls. 69 e, em 25/01/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 72 anexa documentos que comprovariam as relações de dependência e reitera as alegações quanto à liminar. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da glosa de deduções com dependentes e de despesa com instrução. O fundamento da decisão e primeira instância para manter as glosas foi o fato de que o Contribuinte não ter apresentado provas das relações de dependência. Com o recurso, o Contribuinte apresenta Certidão de Casamento com Maria Fl. 97DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13839.000296/200490 Acórdão n.º 220101.091 S2C2T1 Fl. 2 3 Genoveva Pavan Polli (fls. 84) e Certidão de Nascimento de Juliana Pavan Polli (fls. 85), bem como Carteiras de Identidade de Juliana Pavan Polli e Maria Genoveva Pavan. Analisando os elementos carreados aos autos, verificase que os documentos de fls. 84 e 85 comprovam a relação de dependência de Juliana Pavan Polli, filha do Recorrente. Mas nenhum documento referente a Poliana Pavan Polli foi apresentado. Quanto a Maria Genoveva Pavan Polli, esposa do Recorrente não marcou no campo próprio de sua DIRPF que a declaração era em conjunto e nem declarou rendimentos do cônjuge, portanto, devese considerar que se trata de declaração em separado, e, sendo, assim, o Cônjuge não poderia figurar como dependente. Quanto às despesas com instrução, o Recorrente não apresentou nenhum comprovante referente a pagamentos feitos no anocalendário de 2002, a que se refere a autuação. Os documentos apresentados referemse todos a pagamentos feitos no ano de 2003. Assim, não restou comprovada a despesa com instrução. Quanto à questão da liminar, tendo em vista a falta de comprovação da despesa com instrução, o fato tornase irrelevante para o desfecho deste processo. Devese observar, ainda, em complemento, que a Lei nº 10.421, de 2002, posterior à liminar em questão, introduziu correção do limite de dedução de despesas com instrução. Assim, das deduções que foram glosadas, restou comprovada apenas a relação de dependência de Juliana Pavan Polli e, portanto, é devida a dedução de valor correspondente a uma dependente, que, para o ano de 2002, era de R$ 1.272,00 anuais. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito á dedução de R$ 2.172,00 referente a uma dependente. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 98DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 14489.000027/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1999 a 30/11/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO
IMPUGNAÇÃO EXPRESSA.
A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente durante o procedimento não apresentou os documentos para comprovar a regularidade, invertendo neste caso o ônus da prova, nem tampouco durante a fase recursal demonstrou estarem indevidos os valores.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.”
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/1999 a 30/11/2006
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.792
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos declarar a
decadência da totalidade dos levantamentos até a competência 08/2002. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que com relação ao levantamento CI, declarava a decadência somente até a competência 11/2001. II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 30/11/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente durante o procedimento não apresentou os documentos para comprovar a regularidade, invertendo neste caso o ônus da prova, nem tampouco durante a fase recursal demonstrou estarem indevidos os valores. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1999 a 30/11/2006 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 14489.000027/2008-37
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 4857913
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 12 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.792
nome_arquivo_s : 240101792_14489000027200837_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 14489000027200837_4857913.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos declarar a decadência da totalidade dos levantamentos até a competência 08/2002. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que com relação ao levantamento CI, declarava a decadência somente até a competência 11/2001. II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
id : 4740197
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:39:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041085485056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2052; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 368 1 367 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14489.000027/200837 Recurso nº 266.100 Voluntário Acórdão nº 240101.792 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2011 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente CONFEDERAL RIO VIGILÂNCIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 30/11/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente durante o procedimento não apresentou os documentos para comprovar a regularidade, invertendo neste caso o ônus da prova, nem tampouco durante a fase recursal demonstrou estarem indevidos os valores. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1999 a 30/11/2006 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos declarar a decadência da totalidade dos levantamentos até a competência 08/2002. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que com relação ao levantamento CI, declarava a decadência somente até a competência 11/2001. II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14489.000027/200837 Acórdão n.º 240101.792 S2C4T1 Fl. 369 3 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.121.7865, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados (quando não descontada em época própria), parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 10/1999 a 11/2006, sendo que os fatos geradores das contribuições lançadas consistem nas remunerações pagas aos segurados empregados,conforme apuração efetuada mediante consulta das Gfip's apresentadas pela empresa,originadas de registros constantes de sua folha de pagamento, os dados armazenados do sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil SRF(CNISA, Resumo Mensal;Plenus,Ccorgfip , Cvaldiv e Reldetdiv e também consulta ao Gfip Web). Constitui também fato gerador a retribuição percebida pelos administradores à título de prólabore e a prestação de serviços por pessoas físicas,registradas nas contas contábeis 331032(prólabore) e 331022 (serviços prestados pessoa física),relativamente ao período de 11.99 à 12.05,valores esses registrados na contabilidade do sujeito passivo e não declarados em GFIP,conforme planilha em anexo. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 13/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 134 a 160. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 291 a 303. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 385 a 399. Em síntese, a recorrente alega: 1. Improcedência total da NFLD, haja vista que transcorrido mais de 5 anos da ocorrência do fato gerador, importando decadência do direito de lançar. 2. No lançamento em questão não houve a dedução de todos os créditos, posto não houve a dedução do saláriomaternidade e do saláriofamília. 3. No lançamento devem ser deduzidas as guias de recolhimento pagas pelas empresas contratantes no código 2631 e 2640, utilizandose as respectivas competências de recolhimento, ao invés de utilizar as deduções das retenções contidas nas notas fiscais de serviços emitidas pela impugnante, utilizandose a data de emissão das mesmas como competência. 4. Por ser a impugnante uma empresa prestadora de serviços, são indevidas as contribuições ao SESC e ao SENAC, no período de 11.1999 a 12.2002, como determinava o Parecer Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14489.000027/200837 Acórdão n.º 240101.792 S2C4T1 Fl. 370 5 MPS/CJ 1.861/99, o qual só veio a ser substituído em 01.2003 pelo Parecer MPS/CJ 2.911/02. 5. Indevido o uso da taxa SELIC como juros moratórios. 6. A multa aplicada possui caráter confiscatório. 7. Requer a realização de diligência fiscal em seu estabelecimento para comprovar suas alegações.. 8. Requer o provimento a presente Impugnação, com o acolhimento inicial do instituto jurídico da decadência, e no mérito a total improcedência do débito, por inobservância também dos créditos de retenções e do lançamento inadequado das contribuições SESC/SENAC, atualização SELIC, multa e juros confiscatório após o que será reconhecida a nulidade da lavratura da NFLD. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 367. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Argúi inicialmente, o recorrente, acerca da decadência das contribuições frente a súmula vinculante n. 08 do STF. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido, à decisão do STF, atribuindo em parte razão ao recorrente.Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14489.000027/200837 Acórdão n.º 240101.792 S2C4T1 Fl. 371 7 IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14489.000027/200837 Acórdão n.º 240101.792 S2C4T1 Fl. 372 9 casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14489.000027/200837 Acórdão n.º 240101.792 S2C4T1 Fl. 373 11 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 No caso ora em análise, observamos o lançamento de diferença de contribuições sobre a remuneração paga aos segurados empregados conforme observamos no levantamento REM, onde é possível identificar pelo relatório Discriminativo analítico de débito – DAD, recolhimento de contribuições, inclusive sendo apropriadas contribuições, razão porque entendo aplicável o prazo decadencial a luz do art. 150, § 4º. Já para o levantamento CI, observase que o recorrente não reconhecia os valores como devidos, tanto que sequer houve a informação dos fatos geradores em GFIP, portanto, considerando o não reconhecimento do fato gerador e ausência de recolhimentos no período deve a decadência ser aplicada a luz do art. 173, I do CTN. Face o exposto e considerando que o lançamento em questão foi efetuado em 13/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia., podemos assim separar o aplicação da decadência qüinqüenal: levantamento REM, fatos geradores de 10/1999 a 11/2006, contendo valores declarados em GFIP, e com recolhimentos em todo o período. Assim, a luz do art. 150, § 4° do CTN, devem ser excluídos os fatos geradores até 08/2002. Já para o levantamento CI, onde não foram declarados os valores em GFIP, nem identificados recolhimentos a decadência deve ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN.. Os fatos geradores ocorreram entre 10/1999 a 12/2005, deve ser excluídas as contribuições até 11/2001. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal face a decadência , argumentando que não foram considerados todos os créditos, bem como inconstitucionalidade de contribuições, contudo, sem refutar, qualquer dos fatos geradores apurados . Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a Decisão Notificação. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a DecisãoNotificação. Caso não concordasse com os valores lançados deveria o recorrente, manifestarse a respeito, sendo que ao não fazêlo acaba por concordar com o lançamento. DAS INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, quanto a contribuições para o SESC;SENAC, SELIC e Multa, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo Fl. 12DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14489.000027/200837 Acórdão n.º 240101.792 S2C4T1 Fl. 374 13 pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Assim, não cabe a autoridade adminitratiNo mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao editar a Súmula . 2 SÚMULA N. 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Dessa forma, não cabe a apreciação da procedência de contribuições acerca do SESC e SENAC, nem tampouco afastar a aplicação de juros e multa. QUANTO AOS CRÉDITOS CONSIDERADOS Argumenta o recorrente que os crédito da empresa não foram devidamente considerados, principalmente em relação aos descontos de salário família e salário maternidade. Contudo, novamente, não assiste razão ao recorrente. Conforme já afastado pela autoridade de 1. Instância, item 8.1 da Decisão Notificação, fl. 206, os valores de salário família e maternidade foram devidamente compensados no levantamento REM, Caso a empresa constatasse que faltou algum crédito a ser considerado, deveria apresentar documentos que demonstrassem, porém não o fez. No mesmo sentido, não merece guarida a argumentação de que não foram integralmente compensados os valores retidos das Notas fiscais. Conforme descrito pela autoridade fiscal, item 8.2 da Decisão Notificação, fl. 206, foram deduzidos os valores das retenções descritas nas notas fiscais, destacando, inclusive que os valores destacados são deduzidos independente do recolhimento das retenções pelos tomadores de serviços. Novamente, tendo o recorrente apenas argumentado, sem apontar qualquer prova do erro no aproveitamento de créditos não merece prosperar. DA APLICAÇÃO DO JUROS SELIC Fl. 13DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais Fl. 14DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14489.000027/200837 Acórdão n.º 240101.792 S2C4T1 Fl. 375 15 DA MULTA MORATÓRIA Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito Fl. 15DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) REALIZAÇÃO DE PERÍCIA Quanto a possibilidade de realização de diligência, para esclarecer e comprovar as alegações do recorrente, razão não confiro ao mesmo. Entendo que a momento oportuno para indicação da necessária perícia, bem como cumprimento dos requisitos para realização da mesma seria a impugnação, o que não fez o recorrente. De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim Fl. 16DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14489.000027/200837 Acórdão n.º 240101.792 S2C4T1 Fl. 376 17 como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia ou mesmo diligência, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. Ademais, o lançamento em questão não demonstra qualquer dúvida acerca dos fatos geradores, tanto que nem mesmo foram questionados, competindo ao recorrente unicamente demonstrar a inexistência de valores recolhidos, podendo a autoridade julgadora dispensar perícia ou diligência se entender que as mesmas são desnecessárias No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. No presente caso, a perícia ou diligência é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E com principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. O lançamento foi Fl. 18DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14489.000027/200837 Acórdão n.º 240101.792 S2C4T1 Fl. 377 19 realizado com base em documentação da própria recorrente e a notificação seguiu o procedimento previsto, não reconheço sua nulidade. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do lançamento, face a aplicação da decadência qüinqüenal para o levantamento REM as contribuições até 08/2002 e em relação ao levantamento CI, as contribuições até 11/2001; e no mérito voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 19DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito ao critério para fixação do prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. A bem da verdade, tanto esse Conselheiro quanto a Ilustre Relatora entendemos que, havendo recolhimento antecipado da contribuição, há de se contar o prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4. do CTN, qual seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Divergimos, todavia, para os casos em que, embora existam recolhimentos efetuados pela empresa, esta não reconhece a incidência de contribuição sob determinada rubrica. Nesses casos, a Conselheira Elaine Cristina pondera que as guias de recolhimento embora existentes, dizem respeito a outras rubricas, haja vista que, para as parcelas sobre as quais não se considerou a incidência tributária, não há o que se falar em antecipação de pagamento. Ouso divergir dessa tese. É cediço que na Guia da Previdência Social – GPS não são identificados os fatos geradores, mas são lançados em campo único – “Valor do INSS” – todas as contribuições previdenciárias e, inclusive a dos segurados. Por esse motivo, havendo recolhimentos, não vejo como segregar as parcelas reconhecidas pela empresa, daquelas que não tenham sido tratadas como saláriodecontribuição. Verificase na espécie, que há recolhimentos da empresa para o período em questão, conforme Relatório de Documentos Apresentados – RDA, fls. 68/73. Nesses casos, o entendimento que tem prevalecido nessa Turma de Julgamento é que se aplique o § 4. do art. 150 do CTN para contagem do prazo decadencial. Assim, considerandose que a ciência do lançamento deuse em 13/09/2007, voto pela declaração de decadência para o período de 10/1999 a 08/2002, para todos os “levantamentos” constantes na NFLD. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 10/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10980.017128/2008-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Sendo a decisão devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar
em nulidade. O fato dela não ter rebatido ponto a ponto as razões da defesa
não implica vício.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DOS VALORES.
Despesas operacionais são aquelas necessárias a atividade operacional da
empresa e, no caso de prestação de serviços, devem ser comprovadas
mediante documentos que permitam identificar os prestadores, sem o que
procede a glosa fiscal.
CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS.
ENCARGO DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO COM
UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO.
ABUSO DE DIREITO.
O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve
decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de
forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração
do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a
utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veículo)
constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização. A
utilização dos formalismos inerentes ao registro público de comércio
engendrando afeiçoar a legitimidade destes atos caracteriza abuso de direito.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 02/01/2009
JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO.
A incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, após o seu
vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de
Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado
em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele.
Numero da decisão: 1103-000.501
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em REJEITAR a
preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Sendo a decisão devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar em nulidade. O fato dela não ter rebatido ponto a ponto as razões da defesa não implica vício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DOS VALORES. Despesas operacionais são aquelas necessárias a atividade operacional da empresa e, no caso de prestação de serviços, devem ser comprovadas mediante documentos que permitam identificar os prestadores, sem o que procede a glosa fiscal. CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. ENCARGO DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO COM UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO. ABUSO DE DIREITO. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veículo) constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização. A utilização dos formalismos inerentes ao registro público de comércio engendrando afeiçoar a legitimidade destes atos caracteriza abuso de direito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/01/2009 JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10980.017128/2008-35
anomes_publicacao_s : 201106
conteudo_id_s : 5010876
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1103-000.501
nome_arquivo_s : 110300501_10980017128200835_201106.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : JOSE SERGIO GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 10980017128200835_5010876.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4742575
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041093873664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 389 1 388 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.017128/200835 Recurso nº 514.485 Voluntário Acórdão nº 110300.501 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 30 de junho de 2011 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente CENTER AUTOMÓVEIS LTDA Recorrida 1ª TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ EM CURITIBA PR ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Sendo a decisão devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar em nulidade. O fato dela não ter rebatido ponto a ponto as razões da defesa não implica vício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DOS VALORES. Despesas operacionais são aquelas necessárias a atividade operacional da empresa e, no caso de prestação de serviços, devem ser comprovadas mediante documentos que permitam identificar os prestadores, sem o que procede a glosa fiscal. CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. ENCARGO DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO COM UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO. ABUSO DE DIREITO. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veículo) constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização. A utilização dos formalismos inerentes ao registro público de comércio engendrando afeiçoar a legitimidade destes atos caracteriza abuso de direito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 390 2 Data do fato gerador: 02/01/2009 JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Marcos Shigueo Takata. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata fará declaração de voto. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 391 3 Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em CuritibaPR que julgou procedente o lançamento efetuado em 03/12/2008 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em CuritibaPR com vistas a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos anoscalendário de 2003 a 2006, acrescidos de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). A ação fiscal consistiu na glosa de despesas por falta de comprovação mediante documentação hábil e idônea, mesmo motivador que serviu de tributação pelo imposto de renda devido na fonte a título de pagamentos a beneficiários não identificados cujo lançamento encontrase abrigado no processo administrativo fiscal nº 10980.017127/200891, como também, na glosa de despesa denominada de amortização de ágio. Consignou a autoridade lançadora que dos registros de despesas nas contas “Condução e Locomoção” e “Transferência Interna de Veículos” uma parte não houve apresentação de qualquer comprovante, enquanto para outra apresentou recibos, porém, os beneficiários não foram suficientemente identificados, seja por falta de nome completo ou do número do Cadastro de Pessoas Físicas CPF, daí a aplicação dos artigos 299 e 300 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, que estatuem sobre a indedudibilidade das importâncias declaradas como pagas ou creditadas a terceiros quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento. No tocante à despesa de amortização de ágio registrou que em 16/09/2004 a autuada, ora Recorrente, possuía R$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais) de capital social, distribuídos aos sócios Bordin Adm. Incorp. Ltda (40%), doravante BORDIN, Ivo Luiz Roveda (40%), doravante IVO e Antonio Bordin Neto (20%), doravante ANTONIO. Em 27/09/2004 os sócio IVO constituiu a empresa Pine Participações Ltda, doravante PINE, enquanto o sócio ANTONIO constituiu a empresa Gralha Azul Participações Ltda, doravante GRALHA AZUL, mediante entrega das respectivas quotas na autuada. Dessa forma, o novo quadro e distribuição societária passou a se compor de BORDIN (40%), PINE (40%) e GRALHA AZUL (20%). Referidas empresas lançaram em suas respectivas contabilidades o ganho de capital afeto à reavaliação do investimento na autuada por conta de “justo valor de mercado” constante em laudo elaborado por Delloite Touche Tohmatsu Consultores Ltda, segundo o qual seu patrimônio, considerando o valor de rentabilidade com base em previsão dos resultados de exercícios futuros, refletia a quantia de R$ 21.404.000,00. Informou a Fiscalização que estes ganhos não foram ofertados à tributação. Em 30/09/2004 as empresas BORDIN, PINE e GRALHA AZUL integralizam capital da empresa Marumbi Investimentos e Participações Ltda, doravante Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 392 4 MARUMBI, mediante a entrega das respectivas participações societárias, passando esta última a ser a única quotista da autuada. Neste evento aquelas três também entregaram quotas das empresas Barigui Veículos Ltda. e Espaço Automóveis Ltda. Informou ainda a Fiscalização que em 30/11/2004 a contabilidade da empresa MARUMBI apresenta os seguintes registros: i) conta devedora “Investimento Center” R$ 4.558.408,34 (a diferença para R$ 3.500.000,00 referese a equivalência patrimonial); ii) conta devedora “Ágio na Aquisição do Investimento Center” R$ 17.904.000,00; iii) conta credora “Provisão para Manutenção da Integridade do Patrimônio Líquido (PMIPL)” R$ 11.816.640,00 e iv) valor líquido R$ 10.645.768,34. Finalmente, em 27/12/2004, a empresa MARUMBI cindiu totalmente seu patrimônio vertendoo para a autuada, Birigui Veículos Ltda e Espaço Automóveis Ltda., fls. 118/123. Em decorrência, a autuada registrou o valor de R$ 6.087.360,00 como acréscimo de capital social sem aumento no resultado tributável (lucro real), quantia esta equivalente a 34% (trinta e quatro por cento) do ágio de R$ 17.904.000,00 aflorado na diferença do valor do patrimônio líquido com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros (R$ 21.404.000,00 menos o valor do capital social de R$ 3.500.000,00) e passou a reduzir o valor contabilizado no ativo permanente em 60 (sessenta) parcelas mensais no valor líquido de R$ 101.456,00 a partir de dezembro de 2004, registradas contabilmente pela despesa de R$ 298.400,00 (amortização de ágio) diminuída da receita de R$ 196.944,00 (reversão da PMIPL), seguida da exclusão desta última na apuração do lucro real. Concluiu o Fisco que “em todas as operações de reorganização societária realizadas (que não foram além da elaboração de documentos), não houve qualquer pagamento pelas transferências das participações, e tampouco custo financeiro para qualquer das pessoas físicas ou jurídicas envolvidas, que justificasse a contabilização de despesa e a conseqüente redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL”. Consignou, ainda, a ausência de propósito negocial em vista da artificialidade dos negócios realizados e a falta de motivação extratributária das operações de reestruturação societária na medida em que a autuada não recebeu qualquer participação societária mas sim suas próprias quotas do capital, em contraposição à realidade de que nenhuma empresa pode participar de si mesma, admitindose, quando muito, possuir ações próprias em tesouraria. Enfim, teria havido contabilização de “ágio de si mesma”. Os fundamentos legais para a glosa foram os artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300 do RIR/99, que prevêem, entre outros requisitos, que as despesas admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, necessárias à sua atividade e manutenção da respectiva fonte produtora. Impugnando o lançamento a contribuinte argüiu que a falta de indicação do CPF dos beneficiários nos recibos não se amolda ao conceito de falta de identificação mencionado na legislação e que estes indicam o nome completo dos prestadores, podendo existir homônimos e não possuírem o cadastro em vista dos valores variarem a partir de R$ 8,00 o que aponta para a possibilidade de se tratar de contribuintes com CPF cancelado ou expurgado. Com relação aos demais pagamentos observou que se revestem da condição de necessidade, vez que vinculados à atividade produtora das receitas operacionais. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 393 5 No que toca ao encargo de amortização de ágio argumentou que todas as alterações societárias encontramse regularmente registradas na Junta Comercial do Estado do Paraná, onde se encontram arquivadas sem exigências ou reparos, o que lhes dá plena validade, na forma do Decreto nº 1.800, de 1996. Relatou a ocorrência da avaliação patrimonial e as alterações societárias procedidas, observando que o aumento de capital na empresa MARUMBI foi efetivado por BORDIN, PINE e GRALHA AZUL e não por ela própria, bem assim, que o ganho de capital auferido pelas três subscritoras pode ser diferido por conta do artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, até que se dê a realização da participação societária por liquidação, alienação ou baixa, total ou parcialmente. Registrou que excetua a regra de realização a transferência da participação societária em decorrência de cisão (entre outras formas), consoante § 2º da norma citada, mas que, ainda assim, quando ocorrer qualquer das formas de realização uma, duas ou todas estarão, conforme o caso, tributando a realização parcial ou total. Com relação a ela própria afirmou que agiu ao abrigo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, que prevê a possibilidade de amortização do ágio formado nas circunstâncias sob apreciação. Ponderou que a ação fiscal não levou em conta a possibilidade da tributação se efetivar em duplicidade, ou seja, uma vez segundo o fustigado lançamento e outra quando as outras três empresas (BORDIN, PINE e GRALHA AZUL) se defrontarem com os eventos que caracterizam a realização das participações societárias. Dissertou quanto aos motivos econômicos de existência do artigo 36 da Lei nº 10.637/2002 que, embora revogado pelo artigo 133 da Lei nº 11.196, de 2005, surte plenos efeitos à empresa autuada e suas sócias, em vista dos atos terem sido praticados em 2004. Por fim, requereu o provimento da impugnação quanto ao mérito e argumentou que mesmo persista alguma dúvida quanto ao seu legítimo direito é de se aplicar o benefício da dúvida previsto no artigo 112 do Código Tributário Nacional (CTN) para o cancelamento da exigência. A douta 1ª Turma de Julgamento admitiu a impugnação e entendeu procedente o lançamento, assim ementando o Acórdão nº 0621.715, tomado por unanimidade de votos: “ÁGIO CONSTITUÍDO SOBRE AS QUOTAS DA PRÓPRIA EMPRESA E DECORRENTE DE TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza (ágio) em decorrência de uma transação dos sócios com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável, do ponto de vista econômico, tais transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes para merecer registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. Deve ser glosada eventual despesa lançada em função de ágio constituído nessas condições, dada a sua não oposição contra o Fisco, mormente se foi escriturada na própria sociedade sobre a qual o ágio foi constituído (ágio de si mesmo). DEDUTIBILIDADE. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 394 6 Somente são dedutíveis as despesas cujos comprovantes permitam que a Administração identifique de maneira inequívoca, no universo dos administrados, o indivíduo que recebeu os rendimentos.” Ciente do decisório em 24 de abril de 2009, fl. 303, a contribuinte apresentou em 26 do mês seguinte o recurso de fls. 304 e seguintes, no qual reprisa suas razões originárias e acresce os seguintes tópicos. Em relação aos comprovantes das despesas de condução, locomoção e transferências internas de veículos aduz que não fora objetivamente intimada para apresentar relação de nomes e pessoas com a identificação que a Fiscalização entende ser a completa como, por exemplo, endereço, número de documento de identidade, etc, nem tampouco apresentoulhe intimações endereçadas aos prestadores para que informassem acerca do CPF ou para que se cadastrassem, asseverando, mais, que o aprofundamento da ação fiscal requer intimações próprias e verificações junto aos beneficiários e todas outras formas de circularização e técnicas de auditoria. Quanto às despesas de ágio amortizado realça que a presente exigência representa dupla tributação, já que por ocasião da realização dos investimentos realizados pelos seus sócios, que pode ocorrer em breve ou longo prazo, haverá nova tributação, e que o único benefício obtido pelo grupo empresarial é eventual postergação no recolhimento do IRPJ e da CSLL. Qualifica a decisão recorrida de emocional e despida do necessário equilíbrio que deve nortear a função de julgar, bem assim, que o laudo de avaliação técnica não traduz um valor aleatório, mas sim representa a realidade do mercado e a rentabilidade projetada, tanto que mesmo depois da empresa ter amortizado o ágio de cada período ainda assim realizou lucros em montante superior ao projetado pelo laudo, daí resultando no efetivo recolhimento dos tributos. Clama pela demonstração por parte do Fisco da contrariedade à legislação vigente na época dos fatos, alertando que isso se revela impossível pois houve respeito em todos os seus termos. Pugna pela nulidade da decisão recorrida em razão de omissão quanto a dois pontos largamente indicados na peça impugnatória, quais sejam, a apropriação dos resultados nas empresas BORDIN, PINE e GRALHA AZUL, os reais beneficiários da operação de reorganização societária, e a dupla tributação ensejada pela posterior exigência tributária quando da realização dos investimentos pelas sócias, já que devidamente registrados na parte “B” dos respectivos livros LALUR. Também suscita nulidade do lançamento por erro na eleição do sujeito passivo, que seriam os beneficiários BORDIN ADMINISTRADORA/Félix Bordin, GRALHA AZUL/Antonio Bordin Nero e PINE PARTICIPAÇÕES/ Ivo Luiz Roveda. Igualmente acresceu que a decisão recorrida e o ato do lançamento refletem verdadeira desconsideração de ato jurídico, simulação ou negócio jurídico indireto calcados em simples suspeita e alegações, sem provas, a par de quebrar o conceito constitucional de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 395 7 tipicidade cerrada (criou figura tributária inexistente no campo jurídico) e introduziu interpretação econômica, não prevista no sistema legal pátrio. Discorreu sobre a inaplicabilidade de juros moratórios sobre a multa de ofício e requereu, ao final, o provimento do recurso, quer pela apreciação das preliminares ou do mérito. É o relatório, em apertada síntese. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 396 8 Voto Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. a) nulidade da decisão recorrida Analisando a decisão proferida pelo Colegiado de primeira instância, convençome que a mesma não padece do alegado vício de nulidade. Com efeito, verifico que, a par de proferida por quem detém a competência legal, apresenta todos os elementos formais (relatório, fundamentos, conclusão e ordem de intimação) requisitados pelo artigo 31 do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Igualmente, verifico que o decisório enfrentou os pontos cruciais de resistência trazidos na peça impugnatória e dessa forma a resposta ao Administrado fora regularmente entregue, sendo válida e eficaz, apta a desafiar inconformismo de mérito em segunda instância recursal. O fato de não ter rebatido ponto a ponto as razões da defesa não implica cerceamento do direito de defesa, importando que tenha adotado fundamentação suficiente para decidir a questão. Pertinente, pois, o ensinamento trazido pelo Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber em reiteradas oportunidades: vale ressaltar que o julgador não está obrigado a se referir e apreciar argumento por argumento da defesa, não se obriga a acatar as interpretações da defesa, ou a decidir como gostaria a impugnante, mas sim deve demonstrar e formar um conhecimento substancioso dos fatos e do Direito pertinente ao caso, de modo que possa solucionar o litígio, na sua parte nuclear, de acordo com a convicção haurida no contexto dos autos. Rejeito a preliminar. b) nulidade do auto de infração A preliminar de nulidade do lançamento por erro na eleição do sujeito passivo, questão instrinsicamente ligada à despesa de amortização do ágio glosada pelo ato administrativo, ao pressuposto que outros seriam os verdadeiros beneficiários deste ágio, em realidade se confunde com o mérito e, como tal, conjuntamente ao mesmo será analisada. c) mérito Com relação aos recibos afetos às despesas com “Condução e Locomoção” e “Transferência Interna de Veículos”, havidos como inservíveis ao lastro dos registros contábeis em face da legislação do imposto de renda, penso que a falta de indicação do Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou do documento de identidade do prestador, ou até mesmo a grafia incompleta de seu nome, realmente contamina o propósito. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 397 9 É que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (artigo 251 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). Significa, pois, que a escrituração deve obedecer aos preceitos da legislação comercial e da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e aos princípios e convenções da contabilidade geralmente aceitos, dentre eles, a convenção da objetividade, segundo o qual "os registros devem ter suporte, sempre que possível, em documentos de transações, normas e procedimentos escritos e práticas geralmente aceitas no ramo comercial específico" 1. Por sua vez, a legislação do imposto de renda não impede que a empresa contabilize despesas calcadas em recibos ou qualquer outro documento sem qualquer identificação ou com identificação deficitária, contudo, o que ela não admite é deduzilas como despesas operacionais, devendo, neste caso, serem adicionadas ao lucro líquido para efeito de determinação do lucro real, base legal que serve ao cálculo do tributo (RIR/99, art. 249, I). No que diz respeito à despesa de amortização de ágio, inicio com a questão do indicado erro na eleição do sujeito passivo. Evidentemente que não se observa pelo óbvio motivo que foi a contribuinte – e não terceiros – quem levou a registro em sua contabilidade a dedução de despesas a este título em todos os meses compreendidos entre dezembro de 2004 a dezembro de 2006 ao valor de R$ 248.400,00/mês, fls. 203/204, impactando para menos o lucro líquido dos respectivos exercícios e, conseqüentemente, o lucro real. E a este fato, inexorável, não é oponível a aventada existência de idêntico benefício econômico auferido pelo sócios BORDIN ADMINISTRADORA/Félix Bordin, GRALHA AZUL/Antonio Bordin Nero e PINE PARTICIPAÇÕES/ Ivo Luiz Roveda, as quais se prestaram a registrar em suas contabilidades o ganho de capital engendrado, pois, na forma do artigo 116 do Código Tributário Nacional, já se instalaram os efeitos da dedução destas despesas nos resultados da Recorrente. A utilização, pelos sócios, da previsão legal do diferimento da tributação do ganho de capital correspondente à diferença entre o valor pelo qual o investimento em participações societárias de uma pessoa jurídica foi integralizado no capital de uma outra pessoa jurídica e o valor contábil desse mesmo investimento, assim trazida no artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, não tem o condão de legitimar a extravagante subtração da real base de cálculo do IRPJ e CSLL da autuada, nem tampouco sustentar a tese de dupla tributação, mesmo porque não supera a seara da mera perspectiva. Com efeito, da forma como engendrado o raciocínio trazido comportaria análise somente diante da efetiva tributação do ganho de capital, não ocorrente. Assim, o crédito tributário lançado não se subordina à condição proposta, é dizer, aos eventos de “quando” e “se” as empresas enunciadas no parágrafo anterior deliberarem liquidar os resultados registrados na parte “B” dos respectivos livros LALUR. Na mesma linha é de se afastar a aventada ocorrência de postergação no pagamento do tributo, uma vez que o instituto, consoante disciplinado na legislação de 1 Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, Sérgio de Indícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke, editora Atlas, 2ª Edição, 1989, pág.69. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 398 10 regência, diz respeito a eventos praticados pelo contribuinte e com efeitos próprios, é dizer, não se concebe o débito de uma pessoa jurídica ser assimilado, em postergação, por outra. Além disso, as teses só comportariam indicativos de plausibilidade se os atos efetivamente praticados pelo grupo econômico revelassem validade jurídica, o que não ocorre. Ágio é a diferença positiva entre o valor pago e o valor patrimonial das ações ou quotas de capital e ocorre quando adotado o método da equivalência patrimonial. Os artigos 385 e 391 do RIR/99, que têm por matrizes legais os artigos 20 e 25 do Decretolei nº 1.598, de 1977 e artigo 1º do Decretolei nº 1.730, de 1979, estatuem que na avaliação de investimento pelo patrimônio líquido o custo de aquisição da participação em sociedade coligada ou controlada deve ser desdobrado em valor do patrimônio líquido correspondente à participação societária adquirida e em ágio porventura observado, sendo que não se computam as contrapartidas da amortização desse ágio na determinação do lucro real. Ainda, o parágrafo único deste artigo 391 determina que concomitantemente com a amortização do ágio na escrituração comercial deverá ser mantido controle no livro LALUR para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento. Todavia, caso a empresa absorver o patrimônio de outra em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, como também na hipótese da empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária (controladora), e em sendo fundamento econômico do ágio o valor de rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados de exercícios futuros, admitese a dedutibilidade, para fins do imposto de renda e contribuição social, do encargo de amortização à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Eis o regramento inserto no artigo 386 do RIR/99, as seguintes exceções: “Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (..................................................) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (...................................................) § 6º. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): (..........................................................) II – a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 399 11 (........................................................)” Por sua vez, não se reveste de validade um ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico, ou seja, não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, em incorporação/cisão de ações da interessada por empresa veículo também pertencente aos sócios dela, no caso MARUMBI, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. Os fatos descritos e os elementos de prova constantes dos autos, substancialmente a plena e mesma identidade dos sócios pessoas físicas e jurídicas envolvidas, refletem ausência de qualquer propósito negocial ou societário na cisão realizada, restando caracterizada a utilização da cindida MARUMBI como mera "empresa veículo" para transferência do ágio para a cindenda, leiase ágio de si mesma, tudo com o escopo de redução do lucro real. Afigurame a ocorrência autêntico abuso de direito. Rogo venia para transcrição parcial do voto do Julgador da douta 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de JaneiroI, Gastão da Silva Canário, havido no acórdão DRJ/RJO I nº 9.283, de 28/12/2005, a respeito do tema: “129. O abuso de direito é uma figura construída para inibir práticas que, embora observem legislação específica, implicam, no seu resultado, uma distorção no equilíbrio do relacionamento entre as partes, seja pela utilização de um poder ou de um direito em finalidade diversa daquela para a qual o ordenamento assegura sua existência, seja pela sua distorção funcional, por implicar inibir a eficácia da lei incidente sobre a hipótese, sem uma razão suficiente que a justifique. Consiste o abuso de direito, portanto, num limite funcional do direito. 130. A temática do abuso de direito permeia toda experiência jurídica, seja no âmbito do Direito Administrativo (no que tange às figuras do abuso de poder ou desvio de poder e do abuso de autoridade), seja no Direito Privado e no Direito Comercial (em relação às figuras do abuso do poder de controle nas sociedades anônimas ou do abuso do poder econômico). 131. A propósito do tema é importante lembrar as palavras de Serpa Lopes (Curso de Direito Civil, vol. I, 4ª edição, Freitas Bastos, Rio de Janeiro, p. 533): “Em que consiste essa noção de abuso de direitos? O direito deve ser exercido em conformidade com o seu destino social e na proporção do interesse do seu titular.” 132. Depois de expor a concepção individualista que predominava no Direito Romano, Serpa Lopes ensina: “A teoria do abuso do direito surgiu, então, com a finalidade de corrigir esse absolutismo. Quando examinamos o problema do direito subjetivo, vimos que, em regra, a um direito corresponde uma obrigação: ius et obligatio sunt correlata. A sociedade é, a mais das vezes, credora dessa obrigação. E a principal obrigação que pode Fl. 11DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 400 12 exsurgir de um direito é a que concerne ao seu exercício, de modo a ser ele conduzido sem causar um prejuízo à coletividade. Tal é o destino de um direito subjetivo relativo. Baseiase precipuamente na concepção filosófica, consoante a qual o direito individual é limitado pela sociedade na proporção do interesse geral, e o conceito de abuso do direito não faz mais do que realizar esta doutrina.” 133. Esta é a síntese do que se entende por abuso de direito. O direito de auto organização não é absoluto; o direito de liberdade de escolha e de liberdade de contratar previstos constitucionalmente não é ilimitado. Em outras palavras: no abuso de direito não se nega a existência do direito, mas o seu uso e o modo de seu exercício é que sofrem restrições. 134. E que limites são esses? 135. Segundo diz o Prof. Greco na obra citada anteriormente, o primeiro limite intrínseco à liberdade, que faz com que ela não seja mais absoluta e ilimitada, decorre do artigo 1º , inciso III, da Constituição Federal de 1988 que, dentre os fundamentos da República, aponta a dignidade da pessoa humana, de forma efetiva e plena, se o comportamento em sociedade estiver parametrado pela ética. 136. Outro limite intrínseco à liberdade encontramos na idéia da liberdade com solidariedade prevista no inciso I do artigo 3º da Constituição Federal, ao prever que um dos objetivos fundamentais da República consiste em “construir uma sociedade livre, justa e solidária”, significando que se temos de compor esses três valores a liberdade individual não é absoluta; há um limite imanente a ela. 137. Encontramos outro princípio no art. 5º da Constituição Federal, que trata do tema da propriedade privada e integra o capítulo “Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos”: estabelece o inciso XXIII que a propriedade atenderá à sua função social, significando que as condutas concretas que vierem a ser realizadas em relação à propriedade, não apenas não contrariem, mas estejam verdadeiramente em sintonia com sua função social. 138. O próprio Código Civil de 2002, em vigor a partir de 11/01/2003, dispõe em seu artigo 421, que: “Código Civil de 2002 Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato.” 139. Assim, o exercício da liberdade – que é a base da construção de planejamentos tributários – supõe o atendimento a requisitos e a limites contemplados no próprio ordenamento positivo. 140. Em suma, não há dúvida de que a interessada tem o direito, previsto na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito. Como tal, uma vez provado tratarse de operação com esta razão principal, como penso restou provado nestes autos pelos motivos por mim expostos neste voto, pode o Fisco recusarse a aceitar seus efeitos no âmbito tributário de modo a neutralizar os efeitos fiscais do excesso abusivo. 141. O abuso de direito pode existir independente de tipificação legal prévia, por corresponder a distorção instaurada a partir de conduta realizada, cuja Fl. 12DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 401 13 verificação se dá em função de realidades concretas, de algo efetivamente ocorrido no plano dos fatos. 142. No caso sob exame, o abuso de direito pode ser identificado a partir de características fáticas dos atos ou negócios praticados. 143. De acordo com o Prof. Greco, o exame dos fatos e a busca da sua interpretação para fins de enquadramento nas normas jurídicas, integra a experiência jurídica como um todo, tanto quanto a análise e interpretação das leis. Transitar no plano dos fatos é tão relevante quanto analisar as previsões abstratas do Direito. A realidade jurídica não é feita apenas de leis; compõese também de fatos aos quais as leis devem se aplicar. 144. Desta ótica, abuso de direito é uma figura voltada às qualidades que cercam determinados fatos, atos ou condutas realizadas, que lhes dão certa conformação à vista das previsões legais. Afirmar que houve abuso não significa ampliar ou modificar o sentido e alcance da lei tributária. Significa, apenas, identificar, nos fatos ocorridos, a hipótese legal, neutralizando o “excesso” para tentar escapar da incidência da lei. 145. Em outras palavras, a aplicação da figura do abuso de direito no ordenamento positivo brasileiro, pode ocorrer independente de lei expressa que o autorize, pois é decorrente da legalidade e da imperatividade do ordenamento. 146. Nestes termos, o abuso de direito é aplicável ao Direito Tributário independentemente de lei expressa que o preveja. Seja porque não interferem com a legalidade e a tipicidade, posto que situado no plano dos fatos e não da norma, seja porque são categorias gerais do Direito. O abuso é conseqüência do uso regular do direito, pois modernamente já se afastou a visão individualista de que um direito comporta qualquer tipo de uso, inclusive o excessivo ou que distorça seu perfil objetivo. Basta lembrar o artigo 5º da Lei de Introdução ao Código Civil: “Decretolei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução ao Código Civil Art. 5º. Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum.” 147. Além disso, não se pode perder de vista o sentido ético que permeia aplicação de medidas visando neutralizar a figura do abuso de direito. Assim como se exige da Administração Pública a moralidade da sua ação (Constituição Federal, artigo 37, caput), também exigese do cidadão lisura de conduta. Moralidade e lisura de conduta são princípios que se aplicam a todas as pessoas e não apenas à Administração Pública. Não é apenas uma questão de imperatividade e eficácia do ordenamento positivo, mas um aspecto de ordem moral e ética. 148. O Código Civil de 2002, traz também importante alteração no âmbito do abuso de direito, quanto aos fatos geradores ocorridos a partir de sua edição, ao dispor no artigo 187, que: “Código Civil de 2002 Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes.” 149. Vêse, assim, ainda sobre o tema das limitações, que o próprio Código Civil impõe, como limites à conduta do titular de um direito, a observância do princípio da função social do contrato e o princípio da boafé objetiva e dos bons costumes. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 402 14 150. Além disso, tratandose de abuso de direito, o Código Civil assumiu neste dispositivo postura clara e inequívoca no sentido de prever que a sua prática configura ato ilícito. 151. Isso implica, que a partir do Código Civil de 2002 abuso de direito configura indiscutivelmente ato ilícito e, portanto, neste caso não estaremos mais falando de planejamento e elisão tributária. Desde a sua vigência, abuso de direito implica evasão tributária; não mais é elisão, porque o comportamento estará apoiado em ato ilícito. E a licitude dos atos é requisito indispensável para existir verdadeiro planejamento. 152. Da leitura do art. 187, vêse que não existe critério objetivo para se determinar previamente o que é abuso. Isso dependerá de uma avaliação subjetiva, implicando na demonstração do excesso manifesto e desencadeando o debate sobre o fim social daquele direito; vale dizer, sobre o fim econômico e social da incorporação (direito de autoorganizar, de ser outra empresa), etc. (...) 159. Em resumo, o abuso de direito é um caso de ineficácia parcial de um ato praticado, cuja figura tem como características uma norma, um direito e um excesso cometido no seu exercício. 160. A ilicitude, que contamina a operação, está no excesso, não sendo caso de desconsiderála e sim de identificar o ilícito cometido, tal como identificado nestes autos, conforme já comentado. 161. Nestas condições, o Fisco não fica submetido aos procedimentos do artigo 116, parágrafo único, do CTN, pois o preceito legal aplicável ao caso em foco é a norma do artigo 149 do CTN c/c os artigos 249 e 250, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999). 162. Assim, as disposições do parágrafo único do art. 116, do CTN, não impedem o Fisco de agir com vistas à aplicação da legislação tributária e fiscal ao caso impugnado”. No caso sob exame o excesso praticado consubstanciase no fato de que os interessados dispunham de instrumentos na legislação societária que lhe davam liberdade para agir com relação às operações de aquisição de participação societária, de subscrição de capital e de incorporação/cisão de sociedade, porém, a legislação tributária somente permite a dedução de despesa efetivamente paga ou incorrida, o que não se verificou. Referida questão já foi enfrentada pela saudosa Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, a ver pelo seguinte aresto: “INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO". Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade Fl. 14DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 403 15 negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato continuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio à incorporadora. (Ac. 10323.290, j. em 05/12/2007) Por fim, a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento ex officio. O vencimento da multa por lançamento de oficio se dá no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Segundo o parágrafo único do artigo 43 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o valor da multa lançada, se não pago no vencimento, sujeitase aos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente até o mês anterior ao do pagamento à taxa a que se refere o § 3º do artigo 5º deste mesmo diploma legal, qual seja, taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) e de um por cento no mês de pagamento. Acresçase que o Decretolei n° 1.736, de 20 de dezembro de 1979, ao estatuir que os débitos perante a Fazenda Nacional sujeitamse a juros de mora quando não pagos nos vencimentos, definiu como valor originário o débito fiscal excluído das parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do Decreto Lei nº 1.025, de 1969, ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. Por sua vez, o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430 em foco reprisa a incidência de juros à taxa Selic sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Rogando venia à corrente desta Corte que tem se firmado em sentido oposto, consoante julgados colacionados pela Recorrente, entendo legítima a cobrança do acréscimo. Por força do artigo 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os entendimentos aqui esposados têm idêntica aplicação no que concerne à exigência da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL). Com tais razões, VOTO pela rejeição da preliminar e, no mérito, pelo improvimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 15DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 404 16 Declaração de Voto Conselheiro MARCOS TAKATA Rendo minhas homenagens ao nobre relator. Minha declaração de voto é pertinente à questão do ágio interno. A meu ver, é indispensável e necessária a distinção entre os ágios internos, assim os formados dentro de um grupo societário: não se podem colocar os ágios internos todos numa “vala comum”. Há ágios internos e “ágios internos”. Quero com isso dizer que há ágios internos reais ou efetivos ou com causa, e ágios internos “criados” ou artificiais ou sem causa. Para fins jurídicotributários, o ágio interno, formado dentro do grupo societário, para ser real ou com causa, deve ter uma efetividade econômica ou um significado econômico. Suponhase que haja aumento de capital de uma sociedade e um dos sócios ou acionistas não a subscreva, sendo integralmente subscrito pelo outro sócio ou acionista (por ex., o controlador). Como a empresa em que se organiza a sociedade vale mais que seu valor contábil, o sócio ou acionista que subscrever o aumento de capital daquela irá apurar ágio no aumento de sua participação societária, para que não haja diluição injustificada do outro sócio ou acionista. É um exemplo de ágio interno real ou com causa. Há efetividade ou significado econômico nesse ágio. Imaginese que uma pessoa jurídica resolva incorporar as ações de uma controlada sua que possui minoritários. Aqui, também, se a investida vale mais que seu valor contábil, a relação de substituição de ações pode se dar com base no valor econômico da investida (e da investidora) e a incorporação de ações pode vir a ser feita por esse valor de econômico (um critério de avaliação) da investida. Haverá um ágio no investimento, pago pela incorporadora de ações, através da emissão de ações entregues aos acionistas da incorporadora de ações. Outro exemplo de ágio interno real ou com causa. Há significado econômico nesse ágio. Há pagamento pela aquisição de ações (entrega de ações da incorporadora de ações): sua contrapartida é aumento do investimento com ágio. Mais um exemplo. Uma investida pode se encontrar com passivo a descoberto (PL negativo). Não obstante, sua controladora acredita na capacidade de recuperação e de rentabilidade da empresa. Para tanto, a controladora injeta dinheiro na empresa, por aumento de capital, revertendo o passivo a descoberto da investida (PL positivo), para a capacitar à sua recuperação e à geração de rentabilidade. O novo valor de investimento da controladora é o custo de aquisição no aumento de capital (valor em dinheiro aportado): a diferença entre o valor patrimonial da investida segundo o percentual de participação da controladora (equivalência patrimonial) e o custo de aquisição é ágio. Há efetividade econômica nesse ágio. Há pagamento em dinheiro pelo aumento de capital feito: sua contrapartida é aumento do investimento com ágio. O ágio interno é real ou efetivo. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 405 17 São alguns exemplos entre tantas outras situações em que o ágio interno é efetivo ou real ou com causa. Já, no caso vertente, o encadeamento dos fatos é o seguinte. A recorrente é a Center Automóveis. Os sócios da recorrente eram Bordin Adm. Incorp. Ltda. (40%), Ivo Luiz Roveda (40%) e Antonio Bordin Neto (20%). Em 27/09/04, o sócio Ivo constituiu a Pine Participações Ltda., conferindo a seu capital a participação na Center Automóveis (a recorrente), e o sócio Antonio Bordin constituiu a Gralha Azul Participações Ltda., conferindo a seu capital a participação na Center Automóveis. Com isso, os sócios da recorrente passaram a ser: a Bordin Adm. (que já era, com 40%), a Pine Part. (40%) e a Gralha Part. (20%). Os sócios da Center Automóveis (a recorrente) reavaliam o investimento nessa por seu valor justo, conforme laudo elaborado pela Delloite, e a conferem por esse valor justo ao capital de uma nova empresa, a Marumbi Investimentos e Participações Ltda., em 30/09/04. Também foram conferidos ao capital da Marumbi os investimentos na Barigui Veículos Ltda. e na Espaço Automóveis Ltda. (pelo sócio Bordin Adm.). A Marumbi passou a ter em 30/11/04 investimento na Center Automóveis (a recorrente) no valor de R$ 21.404.000,00, composto da seguinte forma: R$ 4.558.408,34 de valor patrimonial (valor de equivalência patrimonial) e R$ 17.904.000,00 de ágio. Ainda havia uma conta credora de provisão para manutenção da integridade do patrimônio líquido (PMIPL) de R$ 11.816.640,00, resultando no valor líquido de R$ 10.645.768,34. A Marumbi passou a ter 100% de participação na Center Automóveis. Em 27/12/04, a Marumbi sofreu cisão total, com versão do investimento na Center Automóveis (a recorrente) para a Center Automóveis, do investimento na Birigui Veículos para a Birigui Veículos e do investimento na Espaço Automóveis para a Espaço Automóveis. Como o valor do ágio na Center Automóveis era de R$ 17.904.000,00, quando o investimento passou para a Marumbi, com a versão do investimento na Center Automóveis para a Center Automóveis (cisão total da Marumbi), foi registrado um aumento de capital na Center Automóveis de R$ 6.087.360,00 (34% de R$ 17.904.000,00). O valor do ágio na Center Automóveis foi registrado no ativo diferido da Center Automóveis, com uma conta redutora de provisão no montante da diferença entre o valor do ágio e o do aproveitamento fiscal da amortização do ágio (ou seja, 66% = 1 – 34%); a contrapartida desse valor líquido é que foi registrada no PL da Center Automóveis como aumento de capital, conforme referido, e como determina a Instrução CVM 319/99. A partir daí, a Center Automóveis (a recorrente) passou a amortizar fiscalmente o valor do ágio (registrado em seu ativo diferido) de R$ 17.904.000,00. O ágio interno, aqui, foi gerado nas transferências das participações societárias na Center Automóveis para a Marumbi, em conferência a seu capital, pelos sócios Bordin Adm., Pine Part. e Gralha Part., sem que estas tenham apurado ganho de capital (diferença entre o valor contábil e o valor pelo qual foi transferido o investimento) e o Fl. 17DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 406 18 tributado. A maisvalia gerada pela Bordin Adm., pela Pine Part. e pela Gralha Part. no investimento na Center teve sua contrapartida registrada em reservas de reavaliação no PL daquelas. De seu turno, quando a Marumbi foi extinta, por cisão total, e o investimento na Center Automóveis foi vertido para a Center Automóveis (de modo que o valor do ágio que ficou “pendurado” no investimento na Center foi vertido para a Center para o seu ativo diferido), aquela maisvalia apurada pelos sócios Bordin Adm., Pine Part. e Gralha Part. não foi oferecida à tributação (não foi realizada). Assim, a maisvalia na Center Automóveis (a recorrente) gerada pela Bordin Adm., pela Pine Adm. e pela Gralha Adm. não sofreu tributação, mas passou a ter seu valor deduzido, por “incorporação” da controladora da Center (Marumbi) pela Center. A maisvalia gerada (correspondente ao ágio na Center) foi registrada no ativo diferido da Center, para passar a ser amortizada fiscalmente. Notese. As pessoas físicas Ivo Luiz Roveda e Antonio Bordin Neto constituíram a Pine Adm. e a Gralha Part., respectivamente, para nelas ser criado o ágio interno na Center Automóveis, sem tributação, ao conferirem esse investimento ao capital da Marumbi. A Bordin Adm. já existia e já possuía participação na Center Automóveis, mas também criou o ágio interno, sem tributação, ao conferir ao capital da Marumbi o investimento na Center Automóveis. Na sequência, a Marumbi foi extinta por cisão total, com versão do investimento na Center Automóveis para a Center Automóveis (a bem ver, versão do ágio na Center para a Center), para, a partir de então, o valor do ágio passar a ser amortizado. Esta sequência é apenas consectário da etapa precedente, a da geração do ágio. No cenário exposto, efetivamente, nada mudou em relação à Center Automóveis. Aqui se está diante de ágio interno “criado” ou artificial ou sem causa. Não há efetividade nem significado econômicos na geração do ágio interno na Center Automóveis (a recorrente). Neste caso, podese falar com razão que esse ágio interno é ágio “de si mesmo”. Se a maisvalia gerada pela Pine Adm., pela Gralha Part. e pela Bordin Adm. tivesse sido tributada por elas, como ganho de capital, a situação seria diferente. Aí o ágio na Center Automóveis passaria a ter causa. Se tributada a mais valia gerada, não haveria como se falar em falta de causa ao ágio interno, na esfera jurídico fiscal. A efetividade e significado econômicos seriam conferidos pela própria tributação da maisvalia (ágio). Não haveria como se recusar legitimidade a esse ágio, para efeitos fiscais (dedutibilidade, considerandose que o fundamento da maisvalia gerada seja a rentabilidade futura esperada). Aí o ágio seria com causa ou efetivo. O fundamento alegado para a não tributação da maisvalia gerada na Center pela Bordin Adm., pela Pine Adm. e pela Gralha Adm., e a dedução dessa maisvalia (ágio na Center) pela Center, foi o art. 36 da Lei 10.637/02. Nesse sentido, é dito que, conforme o § 2º do art. 36, não se considera realização a transferência da participação incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, por fusão, cisão ou incorporação. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 407 19 Não é ao alegado que se prestava o § 2º do art. 36 da Lei 10.637/02 (o art. 36 dessa lei foi revogado pela Lei 11.196/05). O art. 36 da Lei 10.637/02 não era abrigo para ágio sem causa ou ágio “criado”. Não era esse o sentido do referido art. 36. Ainda no âmbito desse art. 36 da Lei 10.637/02, o ágio até ostentaria cobertura se, à medida de sua realização (amortização do ágio), aquele, como maisvalia gerada no investimento conferido ao capital de outra sociedade, fosse realizado e tributado. O fato de as operações societárias teremse dado num curto período de tempo (inclusive a cisão total da Marumbi, recém criada, com versão do ágio na Center para a Center) não é razão para se infirmar o ágio interno gerado e a dedução da amortização de seu valor (em ativo diferido). Isso não interfere, a meu ver, na natureza e higidez do ágio, tampouco da amortização e dedução desse valor. O problema é o ágio não ter causa ou não ser efetivo ou real. Peço vênia, mas não me animo com a tese de abuso de direito. Para mim, a questão é, mais uma vez, divisarse o ágio interno “criado” ou “fabricado”, sem efetividade ou significado econômico, no caso vertente. Bem se vê, da análise dos fatos controvertidos em dissídio, a diferença entre ágio interno sem causa ou “criado” ou artificial, dentro de grupo societário, e ágio interno efetivo, com causa, ou real, conforme alguns exemplos que citei alhures. Na linha de raciocínio que deduzi, cito um caso de ágio interno, cuja legitimidade de registro foi reconhecida pelo colegiado da CVM, em julgamento de recurso contra entendimento deduzido em MEMO da área técnica da CVM. Tratase do Processo Administrativo CVM nº RJ 2010/16665, tendo como recorrente a Mahle Metal Leve S.A. Esta adquiriu 100% da participação societária da Mahle Participações Ltda. com ágio, a qual, por sua vez, havia incorporado sua subsidiária integral, Mahle Componentes de Motores do Brasil Ltda. Tanto a Mahle Metal Leve como a Mahle Participações são controladas da Mahle Industriebeteiligungen GmbH (Gessellshaft mit beschränkter Haftung), sendo que a última (Mahle Participações) era subsidiária integral da controladora alemã. Transcrevo excertos da declaração de voto nesse julgamento feita pelo Diretor da CVM Alexsandro Broedel Lopes: A Mahle Metal Leve, por sua vez, não pode reduzir seu patrimônio líquido. Ela está trocando ativos e passivos que já possuía por um ativo novo, que não era dela. Ativo novo esse que tem um valor econômico igual ao valor desses ativos entregues e passivos assumidos. Logo, é uma transação que não pode aumentar nem reduzir seu patrimônio líquido. (...) Aceitar o que foi sugerido no citado MEMO implicaria produzir uma redução patrimonial artificial no balanço da Mahle Metal Lefe (sic.). Para ela, tanto em seu balanço individual quanto em seu balanço consolidado, o ágio faz parte do seu ativo. Adotado tal procedimento teríamos a situação absurda de uma redução Fl. 19DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.017128/200835 Acórdão n.º 110300.501 S1C1T3 Fl. 408 20 patrimonial ocasionada pela aquisição de uma companhia por outra. Isto não faz sentido. (grifamos) Ainda, no referido julgamento pelo colegiado da CVM, é observado que tal ágio deveria ser eliminado somente nas demonstrações de Mahle Industriebeteiligungen GmbH, controladora da recorrente (Mahle Metal Leve, que deve reconhecer o ágio), pois na Mahle GmbH alemã se consolidam as demonstrações financeiras do grupo. Isso faz todo o sentido. Com efeito, na controladora da recorrente não há por que constar o ágio, assim como o ganho da outra controlada da Mahle GmbH, pois aí se tem a transação entre partes relacionadas, cujo resultado deve ser eliminado: tal como os resultados da venda que uma parte relacionada faça à outra, que não devem ser reconhecidos na consolidação, nem na aplicação da equivalência patrimonial pela controladora, enquanto não transacionados com terceiros. Esse julgamento do colegiado da CVM, reconhecendo que, naquela hipótese, deve ser registrado o ágio interno e as demais considerações, colocase em linha com tudo o que deduzi, sobre o necessário discernimento que se deve fazer entre ágio interno com causa, efetivo ou real, e o ágio interno como discutido no caso vertente, ágio interno sem causa, “criado” ou artificial. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso para acompanhar o relator. É o meu voto. (assinado digitalmente) MARCOS TAKATA Conselheiro Fl. 20DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 25/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900784/2006-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 15/05/2003
DESPACHO DECISÓRIO. TEMPESTIVIDADE. LITÍGIO.
INSTAURAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE
Provada a tempestividade da manifestação de inconformidade interposta pela
recorrente, anulase
a decisão de primeira instância que equivocadamente
dela não conheceu, para que outra seja proferida pela autoridade julgadora de
primeiro grau, enfrentando as questões de mérito, expendidas naquela
manifestação.
Numero da decisão: 3301-000.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento
ao recurso para anular o acórdão da DRJ que não conheceu da manifestação de
inconformidade, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte a advogada Heloísa
Guarita Souza OAB/PR nº 16.597.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2003 DESPACHO DECISÓRIO. TEMPESTIVIDADE. LITÍGIO. INSTAURAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE Provada a tempestividade da manifestação de inconformidade interposta pela recorrente, anulase a decisão de primeira instância que equivocadamente dela não conheceu, para que outra seja proferida pela autoridade julgadora de primeiro grau, enfrentando as questões de mérito, expendidas naquela manifestação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 02 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10950.900784/2006-96
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4930405
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3301-000.908
nome_arquivo_s : 330100908_10950900784200696_201105.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
nome_arquivo_pdf_s : 10950900784200696_4930405.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso para anular o acórdão da DRJ que não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte a advogada Heloísa Guarita Souza OAB/PR nº 16.597.
dt_sessao_tdt : Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
id : 4740684
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:39:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041105408000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 92 1 91 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.900784/200696 Recurso nº 244.352 Voluntário Acórdão nº 330100.908 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 2 de maio de 2011 Matéria PIS PER/DCOMP Recorrente TELEVISÃO CULTURA DE MARINGÁ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2003 DESPACHO DECISÓRIO. TEMPESTIVIDADE. LITÍGIO. INSTAURAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE Provada a tempestividade da manifestação de inconformidade interposta pela recorrente, anulase a decisão de primeira instância que equivocadamente dela não conheceu, para que outra seja proferida pela autoridade julgadora de primeiro grau, enfrentando as questões de mérito, expendidas naquela manifestação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso para anular o acórdão da DRJ que não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte a advogada Heloísa Guarita Souza OAB/PR nº 16.597. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 99DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Curitiba, PR, que não conheceu da manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito fiscal vencido, declarado no Per/Dcomp transmitido na data de 13/08/2003, com crédito de PIS decorrente de pagamento a maior efetuado em 15/05/2003. A DRF não homologou a compensação do débito declarado sob o argumento de inexistência do crédito declarado, tendo em vista que o recolhimento alegado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificada do despacho decisório, inconformada, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade às fls. 11/13, insurgindo contra a nãohomologação da compensação do débito declarado, alegando razões assim sintetizadas por aquela DRJ: “a) argúi que declarou a compensação do débito de R$ 15.880,45 de PIS do mês de abril/2003 por meio do PER/DCOMP n° 35414.22800.140603.1.3.026050, com crédito de saldo negativo de IRPJ, o qual tem origem no PAF N° 10950.001228/200392 e foi homologado por meio do despacho decisório proferido em 20/04/2007; b) contudo, o valor efetivamente devido a título de PIS em abril/2003 era de R$ 7.017,46, cuja parcela de R$ 1.250,85 foi quitada mediante recolhimento por DARF, enquanto o saldo de R$ 5.766,61 o foi por meio de compensação vinculada ao PER/DCOMP 35414.22800.140603.1.3.026050; c) daí a razão de ter informado como crédito para compensação nos autos o valor de R$ 15.880,45, que corresponde à importância total passível de restituição, antes de qualquer dedução, inclusive do próprio PIS de abril/2003 (R$ 5.766,61); d) assim, o direito creditório de R$ 10.113,84 foi utilizado na DCOMP tratada nos autos (R$ 4.804,57) e na de n° 35527.13234.100903.1.3.049095 (R$ 5.309,27).” Recebida a manifestação de inconformidade, a DRJ Curitiba não a conheceu sob o fundamento de que foi apresentada fora do prazo legal, não se instaurando litígio, conforme acórdão nº 0625.516, datado de 06/05/2010, às fls. 73/74, sob a seguinte ementa: “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. EFEITOS. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal é ineficaz para instauração da rase litigiosa do procedimento.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 80/88, requerendo o seu provimento, a fim de que se anule a decisão recorrida e determine à autoridade julgadora de primeira instância que profira nova decisão enfrentando as questões de mérito, expendidas na manifestação de inconformidade, alegando, em síntese que, ao contrário do entendimento daquela autoridade, a manifestação foi interposta tempestivamente, ou seja, dentro dos 30 (trinta) dias contados da ciência da intimação do Fl. 100DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10950.900784/200696 Acórdão n.º 330100.908 S3C3T1 Fl. 93 3 despacho decisório, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972. Tomou ciência do despacho decisório na data de 03/06/2008 e não na data de 02/06/2008, considerada na decisão recorrida, conforme prova o extrato de rastreamento expedido pela Empresa de Correios e Telégrafos às fls. 41. Em 02/06/2008, o carteiro não encontrou ninguém para fazer a entrega, retornando no dia seguinte, 03/06/2008. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A questão de mérito se restringe à tempestividade ou não da manifestação de inconformidade interposta pela recorrente contra o despacho decisório que não homologou a compensação do débito fiscal declarado no Per/Dcomp nº 14712.07110.130803.1.3.042061 em discussão. A DRJ fundamentou sua decisão na cópia do documento às fls. 09, denominado “Histórico da(s) Comunicações”. Do seu exame, verificamos que nele constam: registros; situação; e data da entrega, respectivamente: a.1) 16/05/2008; a.2) aguardando envio de comunicação; a.3) N/A; b.1) 20/05/2008; b.2) aguardando retorno de AR; b.3) N/A; c.1) 21/05/2008; c.2) aguardando retorno de AR; c.3) N/A; e, d.1) 01/12/2008; d.2) entregue; d.3) 02/06/2008. Com base nesse documento, a DRJ considerou intempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade e não a conheceu. No entanto, a recorrente carreou aos autos as cópias do “AR” de remessa postal do despacho decisório proferido pela DRF, às fls. 90, e do documento às fls. 40, denominado “CORREIOS RF63943084BR – Histórico do Objeto”, correspondente à postagem do despacho decisório proferido pela DRF em Maringá. Do exame deste, constatamos, dentre outros registros, os seguintes: 02/06/2008, destinatário ausente; e, 03/06/2008, entregue; já o “AR” às fls. 90 comprova que o despacho foi entregue em 03/06/2008. A Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, que instituiu a compensação de créditos contra a Fazenda Nacional, mediante a entrega de Dcomp e/ ou transmissão de Per/Dcomp, assim dispõe, in verbis: “Art. 74. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . (...). § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 (...). § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...).” No presente caso, conforme demonstrado anteriormente, a recorrente foi intimada do despacho decisório proferido pela DRF na data de 03/06/2008 (fls. 83) e postou na data de 03/07/2008, na agência dos Correios em Curitiba, a respectiva manifestação de inconformidade, segundo prova a cópia do envelope Sedex às fls. 10 e também consta da decisão recorrida. Como a recorrente postou a manifestação de inconformidade dentro do prazo de 30 (trinta) dias estabelecidos naquele diploma legal, não há que se falar em intempestividade. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer a tempestividade da manifestação de inconformidade interposta pela recorrente contra o despacho decisório proferido pela DRF em Maringá, anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para proferir nova decisão enfrentando as questões de mérito expendidas naquela manifestação. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 102DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001925/2007-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE
DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo,
portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente.
MPF. DETERMINAÇÕES LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Não é nulo o lançamento que seguiu as determinações legais em suas formalidades.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.917
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 02/2002, anteriores a 03/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa
no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do RelatorDesignado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do fisco com o início da fiscalização; b) em negar provimento, nas preliminares, nas questões referentes ao Mandado de Procedimento Fiscal, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pela nulidade do lançamento devido às questões do Mandado de Procedimento Fiscal. Por unanimidade de
votos: a) em negar provimento ás demais questões apresentadas pela recorrente, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. MPF. DETERMINAÇÕES LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Não é nulo o lançamento que seguiu as determinações legais em suas formalidades. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10675.001925/2007-73
anomes_publicacao_s : 201103
conteudo_id_s : 4963024
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-001.917
nome_arquivo_s : 230101917_10675001925200773_201103.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 10675001925200773_4963024.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 02/2002, anteriores a 03/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do RelatorDesignado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do fisco com o início da fiscalização; b) em negar provimento, nas preliminares, nas questões referentes ao Mandado de Procedimento Fiscal, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pela nulidade do lançamento devido às questões do Mandado de Procedimento Fiscal. Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ás demais questões apresentadas pela recorrente, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
id : 4743171
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041122185216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 303 1 302 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.001925/200773 Recurso nº 254.602 Acórdão nº 230101.917 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2011 Matéria Seguro Acidente do Trabalho SAT/GILRAT/ADICIONAL Recorrente AUTO VIAÇÃO TRIÂNGULO LTDA Recorrida DRP EM JUIZ DE FORA MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. MPF. DETERMINAÇÕES LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Não é nulo o lançamento que seguiu as determinações legais em suas formalidades. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 02/2002, anteriores a 03/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do RelatorDesignado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do fisco com o início da fiscalização; b) em negar provimento, nas preliminares, nas questões referentes ao Mandado de Procedimento Fiscal, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pela nulidade do lançamento devido às questões do Mandado de Procedimento Fiscal. Por unanimidade de Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 votos: a) em negar provimento ás demais questões apresentadas pela recorrente, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: presentes Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Leoncio Nobre De Medeiros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10675.001925/200773 Acórdão n.º 230101.917 S2C3T1 Fl. 304 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa AUTO VIAÇÃO TRIÂNGULO LTDA contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal correspondente a contribuições devidas à Seguridade Social, pela empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas aos terceiros (SalárioEducação, INCRA, SENAT, SEST, SEBRAE). 2. Segundo narra o relatório fiscal, constituem fatos geradores das contribuições lançadas: “ As remunerações pagas aos segurados empregados; Remunerações pagas a título de prolabore a sóciagerente; Remunerações pagas a Contribuintes Individuais; A emissão de notas fiscais/fatura por cooperativas de trabalho.” (fl. 72) 3. A decisão recorrida restou ementada nos termos que ora transcrevo abaixo: “TEMPESTIVIDADE. MPF. ASSINATURA. TIAF. DECADÊNCIA. AUXÍLIODOENÇA. FINANCIAMENTO DE BENEFÍCIOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DE RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. SEBRAE. INCRA/FUNRURAL. MULTA. JUROS. NORMAS ILEGAIS E INCONTITUCIONAIS. É tempestiva a impugnação se o carimbo de postagem dos Correios no Aviso de Recebimento encontrase com data dentro do período de 15 dias, contados da ciência do sujeito passivo. A assinatura do MPF pode se dar por meios informatizados. Não é exigível a existência do TIAF no período em que este não se encontrava previsto nas normas previdenciárias. O direito de a Fazenda constituir créditos de contribuições sociais decai em 10 anos e não em 5. Os 15 dias de remuneração do empregado a cargo da empresa, antes do pagamento pelo INSS do auxíliodoença é saláriode contribuição. As contribuições previstas no art. 22 da Lei de Custeio da Previdência Social são exigíveis. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 São devidas as contribuições a outros fundos tais como Incra e Sebrae. São devidos multa e juros em razão de atraso no recolhimento de contribuições previdenciárias, conforme arts. 34 e 35 da Lei de Custeio da Previdência Social. Não é possível, em sede administrativa, afastarse a aplicação de lei, decreto ou ato normativo em vigor. Lançamento Procedente.” 4. Em sede de recurso voluntário, o contribuinte arguiu, em síntese, os argumentos que seguem: a) preliminarmente, a inconstitucionalidade da exigência de depósito prévio para interposição de recurso, a nulidade absoluta do feito por falta de assinatura pela autoridade emissora no mandado de procedimento fiscal – MPF e a decadência quinquenal do período compreendido entre 06/2001 a 10/2001; b) a inconstitucionalidade e ilegalidade da contribuição previdenciária pretendida pelo fisco, bem como das verbas relativas ao INCRA e SEBRAE; c) incorreção do grau de risco da atividade do empregador, tendo em vista que a atividade preponderante da impugnante é leve; d) impossibilidade de se exigir multa e juros; e) ilegalidade e inconstitucionalidade da TAXA SELIC; f) por fim, alega a necessidade de perícia e diligências para apurar a real alíquota do SAT. 5. Devidamente notificado do recurso apresentado pela empresa, o fisco não apresentou contrarazões, sendo os autos remetidos para a análise desta Câmara. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10675.001925/200773 Acórdão n.º 230101.917 S2C3T1 Fl. 305 5 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, cumpre ressaltar que a garantia de instância para admissibilidade do Recurso Voluntário foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, não sendo mais exigível o depósito recursal para seguimento do Recurso. Dessa forma, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DECADÊNCIA 2. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaída, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional. 3. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 6. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 7. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 8. Compulsando os autos, depreendese do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF, juntado às fls. 71/72, que houve recolhimento parcial, em face da totalidade das folhas de salários da empresa, sobre os valores lançados. E por esse motivo, tenho como certo que deva ser aplicada a regra do artigo 150, §4º, do CTN. 9. E considerando que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 29/03/2007, referente às contribuições do período de 01/06/2001 a 31/12/2006, ficam Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10675.001925/200773 Acórdão n.º 230101.917 S2C3T1 Fl. 306 7 alcançadas pela decadência quinquenal as competências 06/2001 a 02/2002, restando mantidas as competências 03/2002 a 12/2006. 10. E considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF 11. Ainda em sede de preliminar, alega o contribuinte a nulidade absoluta do feito por ausência de assinatura pela autoridade emissora no mandado de procedimento fiscal – MPF. 12. E sobre o assunto, entendo que o MPF é o instrumento capaz de evitar excessos, abusos ou prolongamentos indevidos na ação de fiscalização, além de ser o responsável pelas garantias fundamentais do contribuinte, uma vez que visa à transparência e a publicidade dos atos a serem praticados. 13. Nesse sentido, podemos dizer que o MPF é ato administrativo fiscal que dá ciência de que os atos e procedimentos adotados pela fiscalização serão realizados nos limites estabelecidos e com observância a legislação em vigor à época dos fatos. 14. Assim, o documento fiscal não é mero instrumento de controle interno, atribuindo condições de procedibilidade ao agente do Fisco competente para o exercício da auditoria fiscal, sendo, por conseguinte, ato preparatório e indispensável ao exercício do lançamento. 15. O MPF foi criado pelo Decreto n.º 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e posteriormente alterado pelo Decreto n.º 6.104, de 2007, tendo por finalidade determinar a instauração dos procedimentos de fiscalização. 16. A redação original do artigo 2º, § 5º, inciso II, previa a necessidade da assinatura da autoridade que expediu o MPF: “Art. 2º A Secretaria da Receita Federal, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (...) § 5º Para fins deste artigo, o MPF deverá observar o que se segue: (...) II conterá, no mínimo, as seguintes informações: a) a denominação do tributo ou da contribuição objeto do procedimento de fiscalização a ser executado, bem assim o período de apuração correspondente; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 b) prazo para a realização do procedimento de fiscalização, prorrogável a juízo da autoridade que expediu o MPF; c) nome e matrícula dos AuditoresFiscais da Receita Federal responsáveis pela execução do MPF; d) nome, número do telefone e endereço funcional do chefe imediato dos AuditoresFiscais da Receita Federal, a que se refere a alínea anterior; e) nome, matrícula e assinatura da autoridade que expediu o MPF; f) código de acesso à Internet que permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento de fiscalização, identificar o MPF.” (g.n.) 17. Ocorre que, o julgador de primeira instância, ao analisar a argumentação da empresa, se posicionou no sentido de que “a assinatura da autoridade emitente pode ser dada por meios informatizados, através do acesso exclusivo a sistema próprio de processamento de dados” (fl. 230). Porém, tal afirmação não deve prosperar, conforme passo a demonstrar. 18. A previsão legal de assinatura eletrônica por intermédio de certificado digital, somente passou a existir no ano de 2007, com o advento da Portaria n.º 4.066, de 02 de maio de 2007. 19. Antes, era o Decreto 3.969, de 15 de outubro de 2001 (revogado pelo Decreto n.º 6.104/07) que regulamentava a execução de procedimentos fiscais com vistas à apuração e cobrança de créditos previdenciários. 20. E nos termos do inciso VII, do artigo 7º, do referido Decreto, o MPF deverá conter, além do nome e matrícula, a assinatura da autoridade emissora. Eis o teor do dispositivo citado: “Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I numeração de identificação e controle; II dados identificadores do sujeito passivo; III natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV prazo para a realização do procedimento fiscal; V nome e matrícula do servidor responsável pela execução do mandado; VI nome, endereço e telefone funcionais do chefe do servidor a que se refere o inciso V VII nome, matrícula e assinatura da autoridade emissora e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; VIII o código de acesso à "Internet" que permita, ao sujeito passivo do procedimento fiscal, identificar o MPF.” (g.n.) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10675.001925/200773 Acórdão n.º 230101.917 S2C3T1 Fl. 307 9 21. Dessa forma, tornase evidente a obrigatoriedade da assinatura da autoridade fiscal emitente do MPF, sem a qual o procedimento fiscalizatório tornase nulo. 22. Não bastasse isso, dispõe o inciso I, do artigo 59, do Decreto 70.235/1972 que os atos lavrados por pessoa incompetente são nulos: “Art. 59. São nulos: 1 os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta.” 23. E no caso concreto não há a possibilidade de analisar se o ato foi praticado por autoridade competente, uma vez que ausente a sua assinatura. 24. Assim, entendo que a falha no Mandado de Procedimento Fiscal, por ferir ao princípio da legalidade, torna nulo o lançamento. Caso o Colegiado não acate a minha posição, passo a análise dos demais pontos recursais. DA INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS 25. No mérito, a recorrente pugna pela inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias cobradas. 26. Não obstante o bom arrazoado trazido pela empresa, o decisum recorrido merece prosperar incólume. 27. É que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. 29. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 30. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” 31. No mais, o próprio Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a súmula nº 02 do mesmo órgão trazem a regra proibitiva nesse sentido: Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 32. Diante do exposto há que se registrar que o lançamento relativo às rubricas INCRA e SEBRAE está de acordo com a legislação que institui a cobrança, sendo desnecessária qualquer retificação na decisão de primeira instância. O mesmo se aplica à incidência da TAXA SELIC, questionada pelo contribuinte. 33. Razões pelas quais, rejeito as alegações feitas pela empresa no que se refere à inconstitucionalidade. DO SEGURO POR ACIDENTE DO TRABALHO SAT 34. Conforme asseverado no relatório, o lançamento em desfavor do contribuinte referese a contribuições devidas “à seguridade social, correspondentes a parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas aos terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAT, SEST, SEBRAE).” (fl. 74) 35. Consta no contrato social, juntado às fls. 74 a 78, que o objeto social da empresa é “a exploração do ramo de transporte coletivo de passageiro em âmbito urbano, municipal, estadual, interestadual e internacional, por concessão, permissão ou autorização dos poderes públicos competentes; serviços de fretamento de transporte turístico previsto na legislação em vigor e cargas em geral”. 36. E sobre sua atividade, a recorrente argumenta que, em consonância com o Regulamento da Previdência Social, o pagamento da verba relativa ao seguro de acidente do trabalho é feito em alíquotas variadas, de acordo com o grau de risco da atividade do empregador, assim, segundo o contribuinte, a alíquota a ser aplicada em seu caso seria a de 1% e não a de 3%, pois entende que sua atividade preponderante é de grau de risco leve. 37. Porém, entendo incorretas as alegações apresentadas pela recorrente, posto que o anexo V, do Decreto 3.048/99, traz a relação de atividades preponderantes e Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10675.001925/200773 Acórdão n.º 230101.917 S2C3T1 Fl. 308 11 correspondentes graus de risco, sendo que “transporte rodoviário de passageiros, regular, urbano” está associado ao grau de risco 3. 38. Cumpre ressaltar, ainda, que mesmo com as alterações posteriores, a atividade de “transporte rodoviário de passageiros, regular, urbano”, permaneceu correspondendo ao grau de risco 3. 39. Por esse motivo, julgo improcedente o pedido do contribuinte nesse ponto. DA MULTA DE MORA E JUROS DE MORA APLICADA 40. Sem razão a empresa quando contesta a aplicação da multa de mora e juros de mora, eis que prevista no art. 35, da Lei n.º 8.212/91. A imposição do acréscimo não está vinculado ao cometimento de ato ilícito, mas ao não pagamento das contribuições devidas em seu prazo legal. CONCLUSÃO 41. Ante o exposto, voto inicialmente por anular o lançamento fiscal por vício formal e, caso ultrapassada a preliminar, meu voto é pelo provimento parcial do recurso voluntário, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 02/2002, anteriores a 03/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira Com respeito ao excelente trabalho desenvolvido pelo Relator, não concordo com suas conclusões quanto ao MPF. Quanto ao MPF, devido a falta de assinatura, a legislação determinava: Instrução Normativa SRP 3/2005: Art. 583. O MPF conterá: I numeração de identcação e de controle; II dados identificadores do sujeito passivo; III tipo de procedimento fiscal a ser executado (Auditoria Fiscal previdenciária ou Diligência Fiscal); IV prazo para a realização do procedimento fiscal; V identificação (nome e matrícula) do(s) AFPS responsável(eis) pela execução do mandado; VI identificação (nome, matricula e assinatura) da autoridade emissora do mandado e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato de delegação; VII ciência do representante legal, mandatário ou preposto do sujeito passivo, com seus dados identificadores; VIII nome, endereço e telefone funcionais da chefia do(s) AFPS responsável(eis) pela execução do mandado. 1° A assinatura da autoridade emitente, prevista no inciso VI do caput, se caracterizará pelo acesso exclusivo ao sistema informatizado da SRP para a emissão do MPF. Portanto, fica claro que a assinatura da autoridade emitente poderia ser dada por meios informatizados, através do acesso exclusivo a sistema próprio de processamento de dados. Portanto, não há razão no argumento da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso, nos termos do voto, acompanhando o relator em sua análise sobre a decadência. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10675.001925/200773 Acórdão n.º 230101.917 S2C3T1 Fl. 309 13 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000891/2006-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/06/2005
MULTA ISOLADA – RETROATIVIDADE BENIGNA – Deixando a lei
nova de punir com a aplicação da multa isolada o recolhimento em atraso
sem o acréscimo da multa de mora, por força da retroatividade benigna
afastase
a exigência.
Numero da decisão: 3302-000.845
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/06/2005 MULTA ISOLADA – RETROATIVIDADE BENIGNA – Deixando a lei nova de punir com a aplicação da multa isolada o recolhimento em atraso sem o acréscimo da multa de mora, por força da retroatividade benigna afastase a exigência.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10805.000891/2006-96
anomes_publicacao_s : 201103
conteudo_id_s : 4938440
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-000.845
nome_arquivo_s : 330200845_10805000891200696_201103.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ALEXANDRE GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 10805000891200696_4938440.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2011
id : 4739196
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:39:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041126379520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 210 1 209 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.000891/200696 Recurso nº 512.652 De Ofício Acórdão nº 330200.845 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2011 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/06/2005 MULTA ISOLADA – RETROATIVIDADE BENIGNA – Deixando a lei nova de punir com a aplicação da multa isolada o recolhimento em atraso sem o acréscimo da multa de mora, por força da retroatividade benigna afastase a exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo a multa exigida isoladamente por conta de pagamento de contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, após o vencimento, sem o recolhimento da respectiva multa de mora. O relatório produzido pela DRJ de Campinas assim sintetizou os fundamentos do lançamento e a impugnação apresentada: O lançamento tem como fundamento legal os artigos 43; 44, § 1°, II; e 61, §§ 1° e 2° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado do lançamento em 02/06/2006, o sujeito passivo apresentou impugnação em 03/07/2006, fls. 116/130, alegando, em sua própria síntese, que: (i) o Auto de Infração foi lavrado para exigência de multa de oficio de 75% sobre os valores principais de PIS, sem qualquer base legal ou motivo sustentável; e, caso assim não se entenda, o que alega apenas para fins de argumentação, (ii) a exigência em questão deve ser cancelada, uma vez que a denúncia espontânea afasta qualquer penalidade, seja punitiva ou moratória. A decisão que julgou improcedente o lançamento assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/06/2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. CONDIÇÕES. A constituição de ofício do crédito tributário por meio de Auto de Infração somente é passível de anulação se efetuada por agente incompetente. A discussão de matéria de mérito não provoca a anulação do lançamento. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM ACRÉSCIMO DA MULTA DE MORA. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício isolada aplicada por pagamento em atraso sem o acréscimo da multa de mora. Lançamento Improcedente Por dever de ofício promoveuse o presente recurso. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente recurso preenche os requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica na análise do processo o Contribuinte efetuou o recolhimento em atraso do PIS relativo aos períodos de 07/2004 a 06/2005, sem o recolhimento Fl. 225DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10805.000891/200696 Acórdão n.º 330200.845 S3C3T2 Fl. 211 3 de multa de mora, o que resultou na aplicação da multa isolada estipulada no art. 44, § 1º, inciso II, e que é objeto do presente processo. Como já dito a multa isolada foi aplicada com base nos art. 44 da Lei 9.430/96 que à época da infração assim previa: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; Ocorre que, no decorrer do tempo, o art. 44 da Lei 9.430/96 sofreu alterações promovidas pelas Medidas Provisórias 303/2006 e 351/2007 e, por último, pela Lei 11.488/2007 que deixou de punir com multa isolada os recolhimentos efetuados em atraso sem o pagamento de multa de mora. A partir da Lei 11.488/2007 a redação do art. 44 da Lei 9.430/96 assim determinava: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 226DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 4 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Como se verifica da simples leitura da nova redação do art. 44 não há mais previsão de aplicação da multa isolada aos casos de pagamento em atraso sem o acréscimo da multa de mora. A partir da nova redação acima transcrita, deixou de existir a punição específica pela conduta típica prevista na legislação modificada. Indiscutível a aplicação ao caso do disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional que determina a retroatividade dos efeitos da Lei mais benéfica, senão vejamos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Sobre o tema assim já se pronunciou o Conselho de Contribuintes em diversos julgados: MULTA ISOLADA – RETROATIVIDADE BENIGNA – Deixando a lei nova de punir com a aplicação da multa isolada o recolhimento em atraso sem o acréscimo da multa de mora, por força da retroatividade benigna afastase a exigência. Recurso provido.Publicado no D.O.U. nº 114 de 17 de junho de 2008. (TERCEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO. Recurso 145.879. Acórdão 10323422) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 30/05/1997MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA.O pagamento ou recolhimento de tributos após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, deixou de ser punido com multa de ofício a Fl. 227DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10805.000891/200696 Acórdão n.º 330200.845 S3C3T2 Fl. 212 5 partir da edição da Medida Provisória nº 251/2007. Princípio da retroatividade benigna.Recurso provido. (PRIMEIRA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO. Recurso Voluntário n. 133.810. Acórdão 20180995) Forte nestes argumentos, entendo por bem NEGAR PROVIMENTO Ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 228DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 36904.001511/2006-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do Fato Gerador: 30/06/2006
RECURSO DE OFÍCIO. RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPLEMENTAÇÃO DE TODOS OS REQUISITOS EXIGIDOS PELA LEI. DIREITO ADQUIRIDO.
A multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, desde que o infrator seja primário, haja corrigido a falta e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2302-001.228
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 30/06/2006 RECURSO DE OFÍCIO. RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPLEMENTAÇÃO DE TODOS OS REQUISITOS EXIGIDOS PELA LEI. DIREITO ADQUIRIDO. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, desde que o infrator seja primário, haja corrigido a falta e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. Recurso de Ofício Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 36904.001511/2006-14
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 4985536
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2302-001.228
nome_arquivo_s : 230201228_36904001511200614_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Arlindo da Costa e Silva
nome_arquivo_pdf_s : 36904001511200614_4985536.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
id : 4743139
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041128476672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1718; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 223 1 222 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36904.001511/200614 Recurso nº 248.141 De Ofício Acórdão nº 230201.228 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2011 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PREVIDENCIÁRIAS AI CFL 68 Recorrente VM FLORESTAL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 30/06/2006 RECURSO DE OFÍCIO. RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPLEMENTAÇÃO DE TODOS OS REQUISITOS EXIGIDOS PELA LEI. DIREITO ADQUIRIDO. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, desde que o infrator seja primário, haja corrigido a falta e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. ARLINDO DA COSTA E SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Ausência momentânea: Wilson Antonio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Junior Relatório Data da lavratura do Auto de Infração : 30/06/2006. Data da Ciência do Auto de Infração : 30/06/2006. Tratase de recurso de ofício interposto pela Delegacia da Receita Previdenciária em Governador Valadares/MG, em razão da decisão de primeira instância a fls. 219/221, que, apesar de haver julgado procedente a autuação, relevou a multa aplicada, com fundamento nas disposições inscritas no §1° do artigo 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. É o Relatório. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DO MÉRITO Não merece qualquer reparo a decisão de primeira instância. De acordo com as informações prestadas pela Fiscalização Previdenciária, não restaram configuradas circunstâncias agravantes e nem atenuantes, tampouco. Além disso, a Autuada é primária, houve correção da falta no prazo normativo e pedido de relevação dentro do prazo de defesa, havendo sido dessarte satisfeitos todos os requisitos essenciais exigidos pela legislação previdenciária vigente à época para a concessão da benesse consubstanciada na relevação da multa, previstos no §1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36904.001511/200614 Acórdão n.º 230201.228 S2C3T2 Fl. 224 3 primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. §3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Malgrado a concessão do benefício em relevo já tenha sido extirpada do ordenamento jurídico brasileiro, por força da revogação integral do art. 291 do RPS promovida pelo Decreto nº 6.727, de 12 de janeiro de 2009, faz jus o contribuinte ao perdão tributário em apreço, em atenção aos princípios norteadores do direito adquirido e do tempus regit actum, eis que, à época da implementação dos requisitos exigidos, vigente se encontrava ainda a legislação concessiva. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso de Ofício para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
