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Numero do processo: 13896.001428/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2006
RETENÇÃO 11%. FALTA CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
RELATÓRIO INCOMPLETO. NULIDADE.
O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998.
O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal, nem na complementação do relatório, os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. Não foi realizado o cotejamento pelos Auditores Fiscais entre a documentação analisada e a legislação que dispõe acerca da
cessão de mão de obra. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os
elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n º 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo.
Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2302-001.102
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2006 RETENÇÃO 11%. FALTA CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RELATÓRIO INCOMPLETO. NULIDADE. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998. O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal, nem na complementação do relatório, os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. Não foi realizado o cotejamento pelos Auditores Fiscais entre a documentação analisada e a legislação que dispõe acerca da cessão de mão de obra. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n º 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235. Recurso de Ofício Negado.
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FALTA CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DEOBRA. RELATÓRIO INCOMPLETO. NULIDADE. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998. O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal, nem na complementação do relatório, os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. Não foi realizado o cotejamento pelos Auditores Fiscais entre a documentação analisada e a legislação que dispõe acerca da cessão de mãodeobra. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n º 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto n º 70.235. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatorio e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Ausente momentaneamente a Conselheira Liege Lacroix Thomasi. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.001428/200769 Acórdão n.º 230201.102 S2C3T2 Fl. 1.635 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude da retenção de 11% decorrente da contratação das prestadoras arroladas no anexo do relatório fiscal, conforme previsão no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991. O período compreende as competências janeiro de 2002 a maio de 2006, conforme relatório fiscal às fls. 622 a 626. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 1.072 a 1.101. A DecisãoNotificação anulou o lançamento fiscal pela ausência de caracterização da cessão de mãodeobra, fls. 1.622 a 1.628. Dessa decisão foi interposto recurso de ofício, fls. 1.630. Cientificado da decisão de primeira instância, o autuado não se manifestou no prazo normativo. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Não merece reparo a decisão de primeira instância. Verificando que houve irregularidade na caracterização da cessão de mãodeobra, cabe ao órgão julgador anular o lançamento fiscal. O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção quanto ao serviço de transporte escolar, entretanto não indicou no relatório fiscal, os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. Não foi realizado o cotejamento pelos AuditoresFiscais entre a documentação analisada e a legislação que dispõe acerca da cessão de mãodeobra. Não se pode confundir uma simples prestação de serviços com a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Somente o fato de constar na lista prevista no Regulamento da Previdência Social não é suficiente para que surja a obrigação da retenção. Por exemplo, o serviço de vigilância e segurança consta na referida lista, entretanto pode ser realizado com ou sem cessão de mãodeobra, como na vigilância remota; a obrigação da retenção será exigida somente no primeiro caso. Nesse sentido dispõe o art. 145, parágrafo único da Instrução Normativa MPS/SRP n ° 3/2005, nestas palavras: Art. 145. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, observado o disposto no art. 176, os serviços de: (...) Parágrafo único. Os serviços de vigilância ou segurança prestados por meio de monitoramento eletrônico não estão sujeitos à retenção. Salientase que no presente caso não houve destaque dos valores a serem retidos em nota fiscal, assim é dever da fiscalização indicar os fundamentos de sua convicção. Os trabalhadores ficavam à disposição da tomadora, havia um controle sobre a atividade dos mesmos. Os trabalhadores ficavam no aguardo de ordens da tomadora. Questões como essas devem estar respondidas no relatório fiscal a fim de caracterizar a cessão em serviços. O recurso visa a análise da correção da decisão de primeira instância. Se a mesma deve ser mantida, se deve ser reformada, ou anulada. Quando o vício ocorre no ato administrativo do lançamento, não caberia a anulação da decisão de primeira instância, mas sim o reconhecimento de que o ato nulo deve ser refeito. Não se pode confundir o órgão fiscalizador com o julgador. Cabe à Receita Federal fiscalizar e lançar os tributos, e cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF a tarefa de verificar a regularidade da decisão de primeira instância, e não efetuar ou complementar o lançamento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.001428/200769 Acórdão n.º 230201.102 S2C3T2 Fl. 1.636 5 O disposto nos artigos 59 e 60 do Decreto n ° 70.235/1972, que tratam de nulidades, somente se aplicam para os atos praticados no curso do processo administrativo. O lançamento é ligado ao procedimento fiscal de apuração do crédito. Desse modo, há que se reconhecer a possibilidade de existência de outras nulidades que não somente as previstas nos arts. 59 e 60. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n º 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A falta de motivo do ato administrativo vinculado causa a sua nulidade. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. A falha na motivação pode ser corrigida, desde que o motivo tenha existido. Não é outra a lição do mais abalizado administrativista brasileiro, Celso Antônio Bandeira de Mello. De acordo com esse doutrinador, na obra Curso de Direito Administrativo, 22ª edição, Ed. Malheiros, pág. 385, verbis: “em se tratando de atos vinculados, o que mais importa é haver ocorrido o motivo perante o qual o comportamento era obrigatório, passando para segundo plano a questão da motivação. Assim, se o ato não houver sido motivado, mas for possível demonstrar ulteriormente, de maneira indisputavelmente objetiva e para além de qualquer dúvida ou entredúvida, que o motivo exigente do ato preexistia, deverseá considerar sanado o vício do ato.” Na mesma obra, página 451, o autor afirma que “a convalidação, ou seja, o refazimento de modo válido e com efeitos retroativos do que fora produzido de modo inválido, em nada se incompatibiliza com interesses públicos. Isto é: em nada ofende a índole do Direito Administrativo. Pelo contrário”. Na lição de Celso Antônio, página 453: “A Administração não pode convalidar um ato viciado se este já foi impugnado, administrativa ou judicialmente. Se pudesse fazêlo, seria inútil a argüição do vício, pois a extinção dos efeitos ilegítimos dependeria da vontade da Administração, e não do dever de obediência à ordem jurídica. Há entretanto, uma exceção. É o caso da “motivação” de ato vinculado expendida tardiamente, após a impugnação do ato. A demonstração, conquanto serôdia, de que os motivos preexistiam e a lei exigia que, perante eles, o ato fosse praticado com o exato conteúdo com que o foi é razão bastante para sua convalidação.” Entendo que os meros erros materiais podem ser corrigidos no lançamento, agora as falhas mais graves, os vícios, demandam a realização de um novo ato. A correção dos erros materiais, a complementação de informações, ou esclarecimentos, já constantes no relatório fiscal, podem ser trazidos aos autos por meio de diligência, inclusive comandada pelo CARF. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto n º 70.235. CONCLUSÃO: Voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 37018.003002/2005-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2005
PREVIDENCIÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA DE MULTA E OS JUROS DE MORA.
A legislação vigente determina que a autoridade tributária efetue o lançamento para prevenir a decadência nos casos em que o contribuinte esteja discutindo na via judiciária a legalidade do tributo (art. 142 do CTN e art. 63 da Lei n.º 9.430/93).
A multa e os juros de mora não devem incidir sobre a dívida tributária objeto
de depósito judicial.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.216
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em dar parcial provimento ao recurso, para excluir do lançamento as multas e os juros de mora, que não devem incidir sobre o crédito tributário objeto de depósito, nos termos do voto do Relator;
b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Compensação.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2005 PREVIDENCIÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA DE MULTA E OS JUROS DE MORA. A legislação vigente determina que a autoridade tributária efetue o lançamento para prevenir a decadência nos casos em que o contribuinte esteja discutindo na via judiciária a legalidade do tributo (art. 142 do CTN e art. 63 da Lei n.º 9.430/93). A multa e os juros de mora não devem incidir sobre a dívida tributária objeto de depósito judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em dar parcial provimento ao recurso, para excluir do lançamento as multas e os juros de mora, que não devem incidir sobre o crédito tributário objeto de depósito, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Compensação.
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Recorrida Fazenda Nacional Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2005 PREVIDENCIÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA DE MULTA E OS JUROS DE MORA. A legislação vigente determina que a autoridade tributária efetue o lançamento para prevenir a decadência nos casos em que o contribuinte esteja discutindo na via judiciária a legalidade do tributo (art. 142 do CTN e art. 63 da Lei n.º 9.430/93). A multa e os juros de mora não devem incidir sobre a dívida tributária objeto de depósito judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em dar parcial provimento ao recurso, para excluir do lançamento as multas e os juros de mora, que não devem incidir sobre o crédito tributário objeto de depósito, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Compensação (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 37018.003002/200594 Acórdão n.º 2301002.216 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório 1. Tendo em vista que o relatório já foi apresentado, por ocasião da decisão anterior, cito seu inteiro teor: “1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa SERRA AZUL COMÉRCIO LTDA em face da decisão que julgou procedente o lançamento do débito correspondente à contribuição previdenciária de parte patronal, recolhida a menor, devido depósito judicial feito a maior, relativas ao período de 01/03/2003 a 31/03/2005. 2. Durante o período de 03/2003 a 03/2005 foram apuradas diferenças de recolhimentos da contribuição devido ao fato dos depósitos judiciais terem sido feitos, de forma errônea, o montante relativo a 30% (trinta por cento) de suas obrigações previdenciárias, muito embora esteja discutindo, apenas 2,4% (dois vírgula quatro por cento), gerando o recolhimento a menor referente às contribuições normais da empresa. 3. O cálculo da contribuição devida foi feito com base na diferença entre o valor depositado e o que realmente deveria ser depositado. Devido ao fato do depósito a maior ter provocado o recolhimento a menor das contribuições normais da empresa, foi protocolizado (protocolo nº 1556457) em 02/06/2005 Mandado de Segurança, na qual o contribuinte fez pedido de conversão em renda dos depósitos judiciais do processo 2003.38.00.0111420. 4. Solicitada a esclarecer sobre a lide, a Procuradoria Federal opinou nos seguintes termos: a) Tratase de pedido de pronunciamento e orientação desta Procuradoria no que se refere ao procedimento a ser adotado pela fiscalização. b) Consta que a empresa em questão impetrou mandado de segurança, com o intuito de ver declarada inexistência de relação jurídica que a obrigue ao recolhimento de contribuição para o FUNRURAL. c) O mandado de segurança foi denegado em primeira instância, encontrandose em fase recursal no TRF da 1° Região. d) Ocorre que a empresa alega que vem depositando valor superior ao devido a titulo da contribuição em litígio. Tendo isso em vista, pretende compensar os valores depositados a maior com as contribuições vincendas. e) A compensação pode ser realizada quando o contribuinte efetivar o pagamento indevido. f) Sabese, contudo, que o depósito judicial não é considerado pagamento, mas apenas uma garantia e, por conseguinte, causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. g) Desta forma, não se pode compensar valores depositados a maior com contribuições vincendas. Entretanto, se efetivamente houver a conversão em renda dos depósitos, de acordo com o pleiteado pelo impetrante, não Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 vislumbro óbice a que seja feita a compensação, visto que, em sentido amplo, podese considerar a conversão em renda como pagamento. h) À compensação somente será legitima, portanto, se realizada após a conversão em renda dos valores depositados. 5. O julgamento de primeira instância que deu origem ao decisum contraposto deu origem à seguinte ementa: “DIREITO PREVIDENCIÁRIO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas e ou creditadas aos segurados empregados, conforme disposto no art. 22, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n." 9.876/99. A compensação pode ser realizada quando o contribuinte efetivar pagamento indevido. Na solicitação apresentada a compensação somente será legitima se realizada após a conversão em renda dos valores depositados. Oferecimento de defesa tempestiva. Argumentação insuficiente para elidir ou alterar o feito fiscal. Procedência total do débito. Manutenção do Crédito Previdenciário. LANÇAMENTO PROCEDENTE.” 6. Em sede recursal, buscando a improcedência do lançamento, o contribuinte aduziu, em síntese: a) a empresa contribuinte impetrou Mandado de Segurança pleiteando o reconhecimento do direito de compensar os valores pagos indevidamente com parcelas de contribuições previdenciárias vincendas, sendolhe deferido o pedido de depósito em juízo das parcelas vincendas. Assim, o contribuinte passou a depositar judicialmente os valores no percentual de 30% (trinta por cento) de suas obrigações previdenciárias, incidentes sobre a folha salarial, não obstante a discussão judicial fosse limitada à inexigibilidade do recolhimento dos 2,4% referente à contribuição para o FUNRURAL; b) requereu, a improcedência do lançamento fiscal haja vista que não haveria motivo para que o fisco rejeitasse os valores depositados em Juízo, como forma de extinguir o débito. 7. As contrarrazões do fisco são no sentido de manutenção da decisão e do lançamento fiscal, pois o contribuinte não apresentou fatos novos que pudessem retificar o lançamento. É o relatório.” 2. O julgamento do recurso foi convertido em diligência, conforme determinado na Resolução nº 230100.026: “5. Desta forma, sendo incontroverso nos autos que o contribuinte efetuou depósitos em valores superiores ao discutido judicialmente e que tais valores poderiam ser objeto de compensação com os valores ora lançados, desde que atendidas às exigências asseveradas no douto parecer da Procuradoria, entendo que deve ser realizada diligência para que o fisco informe o atual estágio do pleito manejado pelo contribuinte perante a Justiça Federal, no sentido de converter os depósitos em renda aos cofres públicos.” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 37018.003002/200594 Acórdão n.º 2301002.216 S2C3T1 Fl. 3 5 3. A DRF/Juiz de Fora informou que a diligência foi cumprida e que houve a “transformação em pagamento definitivo dos depósitos judiciais efetuados na Ação n. 2003.38.00.0111420” (f. 94). Contudo, constata ainda que, em consulta no sítio do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, foi verificado que a referida ação ainda não transitou em julgado. 4. Em seguida os autos foram enviados à apreciação deste Conselho para julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso, uma vez que é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade. DO LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA 2. No mérito, a demanda conduzida nos autos diz respeito ao lançamento para prevenir a decadência, ante à realização do depósito judicial das contribuições previdenciárias nos autos do Mandado de Segurança n. 2003.36.00.011142O. 3. Nos termos do art. 151, inciso II do CTN, o depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito tributário. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário, para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. O art. 142 do CTN define que a autoridade administrativa é competente para constituir o crédito tributário pelo lançamento, atividade essa vinculada e obrigatória. Sendo assim, é mandatório o lançamento de ofício para prevenir a decadência de créditos tributários, cuja exigibilidade encontrase suspensa pelo depósito judicial do montante integral. 5. O entendimento, segundo o qual a Fazenda está impedida de efetivar o lançamento do tributo cuja exigibilidade encontrase suspensa por ordem judicial, implica admitir a interrupção do prazo decadencial, o que, nesse caso, não se coaduna com a natureza do instituto. A legislação vigente determina que a autoridade tributária efetue o lançamento para prevenir a decadência nos casos em que o contribuinte esteja discutindo na via judiciária a legalidade do tributo (art. 142 do CTN e art. 63 da Lei n.º 9.430/93). 6. O Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou pela obrigatoriedade do lançamento para prevenção da decadência, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. VIOLAÇÃO DE FRONTAL DISPOSIÇÃO DE LEI. ART. 485, V, DO CPC. DECADÊNCIA. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERRUPÇÃO OU SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE. ARTS. 173, PARÁGRAFO ÚNICO, E 174, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. PEDIDO PROCEDENTE. [...] 4. O simples processamento de ação judicial em que se discute a existência ou inexistência de relação jurídicotributária não tem o condão de impedir o Fisco de constituir o crédito tributário, que é atividade privativa e vinculada, nos termos do art. 142 do CTN. Ainda que presentes quaisquer das causas de suspensão da exigibilidade previstas no art. 151 do CTN, estaria a autoridade fiscal obrigada a constituir o crédito mediante lançamento com o objetivo de prevenir a decadência tributária. Precedente da Seção. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 37018.003002/200594 Acórdão n.º 2301002.216 S2C3T1 Fl. 4 7 [...]9. Pedido rescisório que se julga procedente.” (AR 2.159/ SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, 1ª TURMA, julgado em 22/08/2007, DJe: 10/09/2007) Confirase também o festejado Alberto Xavier: "A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. Nem o depósito, nem a liminar em mandado de segurança têm a eficácia de impedir a formação do título executivo pelo lançamento, pelo que a autoridade administrativa deve exercer o seu poderdever de lançar, sem quaisquer limitações, apenas ficando paralisada a executoriedade do crédito. (...) Embora de constitucionalidade discutível, do ponto de vista formal (dado a matéria de lançamento ser reservada a lei complementar), a verdade é que, do ponto de vista material, o preceito citado é compatível com o Código Tributário Nacional, pois é corolário do caráter 'obrigatório' do exercício do poder de lançar, tal como estabelecido no artigo 142 daquele Código" (in Do lançamento Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª edição, p. 428). 7. A propósito, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do parecer PGFN/CRJN nº 743/1988, já se posicionou no sentido de recomendar a constituição, de ofício, do crédito tributário, a fim de se evitar a decadência. Assim, o lançamento é foi regularmente efetivado, ficando sobrestadas as ações de cobrança até a decisão judicial final. 8. Assim, é certo que a fiscalização agiu no estrito cumprimento da lei (art. 142 do CTN e art. 63 da Lei n.º 9.430/93), eis que o lançamento é ato vinculado, procedendo corretamente ao lançar o crédito previdenciário. A exigibilidade do crédito ficará suspensa até o final da demanda judicial, quando lhe seja possibilitada a cobrança. 9. Ainda no mérito, apesar de o contribuinte não atacar a incidência de multa e juros de mora, passo a analisar o ponto de ofício, haja visto tratarse de matéria atinente ao controle de legalidade exercido pelo CARF. 10. Constatouse que foram realizados todos os depósitos judiciais referentes aos valores questionados, de maneira que não há mora por parte do recorrente, uma vez que os valores foram integralmente depositados, conforme informação trazida pelo Fisco (f. 94). 11. Como é cediço, uma vez realizado o depósito (art. 151, inc. II do CTN), no caso de o contribuinte sair vencedor da lide judicial, após o trânsito em julgado da ação, esse poderá levantar a quantia depositada. Contudo, caso a Fazenda vença a lide, o depósito realizado se converterá em renda, extinguindo o crédito tributário, nos termos do artigo 156, VI, do CTN. Nesse sentido é o Enunciado n. 18 da Súmula do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, verbis: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 “O depósito judicial destinado a suspender a exigibilidade do crédito tributário somente poderá ser levantado, ou convertido em renda, após o trânsito em julgado da sentença” (Súmula 18 DJ (Seção II) de 021293, p.52558) 12. Nesta mesma linha de raciocínio, a exigência da multa de mora pelo fisco também é indevida, eis que a empresa em momento algum deixou de reservar cauterlamente o tributo nos cofres do judiciário. 13. Quanto à multa de ofício, vale ressaltar que, mesmo no caso da concessão de medida liminar, sem a efetivação de depósito relativo ao débito objeto da discussão judicial, a própria Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 63, assevera claramente que não caberá lançamento da multa de ofício. “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. [...] § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” 14. Nessa esteira, cito julgados confirmando o entendimento ora ventilado: “TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ARTIGOS 151 E 156, DO CTN. 1. As causas suspensivas de exigibilidade do crédito tributário, enumeradas no artigo 151, do Código Tributário Nacional, advindas antes do decurso do prazo para pagamento do tributo (sujeito a lançamento por homologação ou a lançamento de ofício direto), têm o condão de impedir a aplicação de multa ou juros moratórios, por não restar configurada a demora no recolhimento da exação pelo contribuinte, pressuposto dos aludidos encargos (a multa moratória pune o descumprimento da obrigação principal no vencimento; e os juros de mora constituem compensação pela falta de disponibilidade dos recursos pelo sujeito ativo pelo período correspondente ao atraso). [...] 4. É cediço na jurisprudência da Corte que somente o depósito integral e em dinheiro suspende a exigibilidade do crédito tributário e, a fortiori, extingueo com o levantamento pela Fazenda Pública. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 774.739/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/04/2008, DJe 14/05/2008)” “DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO. EXIGIBILIDADE. TRIBUTO. JUROS. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 37018.003002/200594 Acórdão n.º 2301002.216 S2C3T1 Fl. 5 9 O depósito do montante integral com fins de suspender a exigibilidade do tributo (art. 151, II, do CTN) não possui natureza especulativa, logo há que se afastar a incidência de juros, especialmente de remuneratórios, sob pena de transformálo em investimento financeiro. A esse montante deve ser acrescida apenas a correção monetária (art. 3º do DL n. 1.737/1979, art. 32 da Lei n. 6.830/1980 e Súm. n. 257 do extinto TFR). Precedentes citados: REsp 422.833MG, DJ 23/8/2004; REsp 460.230SP, DJ 4/10/2004, e REsp 392.879RS, DJ 2/12/2002.” (RMS 17.976SC, Rel. Min. CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/10/2004.) 15. Inclusive este Conselho já sumulou a matéria: “Súmula CARF Nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” “Súmula CARF n° 17 Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.” 16. No presente caso, destarte, não deve haver a incidência da multa, eis que a exigência do débito está suspensa pelo depósito integral dos valores cobrados pelo Fisco. Entendese que uma vez feito o depósito judicial do montante integral do quantum debeatur ficam excluídos os juros e a multa de mora da exação. 17. Vale ressaltar que o Fisco confirmou por intermédio de diligência que houve a “transformação em pagamento definitivo dos depósitos judiciais da Ação judicial n. 2003.38.00.0111420”. 18. Feitas essas considerações, voto pela exclusão do lançamento das multas e os juros de mora, que não devem incidir sobre a dívida tributária objeto de depósito, mantido o lançamento do débito principal, pois foi emitido pela autoridade lançadora dentro das regras que regem tanto o processo administrativo fiscal, quanto a exigência do tributo. CONCLUSÃO 19. Ante o exposto, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário, conforme o acima exposto. Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 13706.002840/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO.
INTIMAÇÃO POR EDITAL. IMPUGNAÇÃO. TERMO A QUO.
O prazo de 30 (trinta) dias para impugnação começa a ser contado 15
(quinze) dias após a data da publicação do edital.
Hipótese em que não houve qualquer vício na intimação editalícia.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.196
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. IMPUGNAÇÃO. TERMO A QUO. O prazo de 30 (trinta) dias para impugnação começa a ser contado 15 (quinze) dias após a data da publicação do edital. Hipótese em que não houve qualquer vício na intimação editalícia. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 79DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13706.002840/200958 Acórdão n.º 2101001.196 S2C1T1 Fl. 67 2 Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 51/61) interposto em 19 de janeiro de 2010 (fl. 51) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (fls. 40/41), do qual o Recorrente teve ciência em 18 de dezembro de 2009 (fl. 43v), que, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação apresentada em 25 de maio de 2009 (fl. 01), em virtude de intempestividade (ciência por meio de edital afixado no mural em 12 de fevereiro de 2009 até 27 de fevereiro de 2009, fl. 27), mantendo, consequentemente, a notificação de lançamento de fls. 04/08, lavrada em 24 de novembro de 2008, em decorrência de deduções indevidas de dependente e de despesas médicas, verificadas no anocalendário de 2004. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 PRELIMINAR. TEMPESTIVIDADE. É válida a intimação encaminhada ao domicílio fiscal eleito pelo contribuinte perante a repartição fiscal. Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada fora do prazo legal, rejeitase a preliminar de tempestividade suscitada. Impugnação Não Conhecida. Crédito Tributário Mantido” (fl. 40). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 51/61), sustentando que a intempestividade da impugnação deveria ser afastada, uma vez que o edital de intimação é nulo, posto que omite os prazos para apresentação da impugnação, ferindo o princípio da ampla defesa. Se isso não bastasse, teria sido observado o procedimento previsto no artigo 30, parágrafo único, do RIR. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13706.002840/200958 Acórdão n.º 2101001.196 S2C1T1 Fl. 68 3 A questão sob análise cingese à tempestividade da impugnação apresentada pelo Recorrente. A Recorrida não conheceu da impugnação em virtude de sua intempestividade, considerando válida a intimação da notificação de lançamento por meio do edital de fl. 27, nos termos do artigo 23 do Decreto 70.235/72. Sustenta o Recorrente que o edital de intimação é nulo, havendo cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que “omite os prazos para a apresentação da impugnação” (fl. 53). Ocorre que, a partir da análise do Edital n.º 00001/2009, verificase que há a informação sobre o prazo para apresentação da impugnação, qual seja, a “data de vencimento”, no caso, o dia 31/03/2009, data essa que coincide com o último dia do prazo de 30 dias (para impugnação) que por sua vez tem início com a intimação, considerada realizada 15 dias após a publicação do edital, conforme dispõe o art. 23, §2º, IV, do Decreto n.º 70.235/72. Assim sendo, não deve ser acatado o argumento do Recorrente de nulidade do edital de intimação, uma vez que não há omissões com relação aos prazos pertinentes para apresentação da impugnação, constando, inclusive, o fundamento legal. Nem se alegue que deveria a fiscalização ter exaurido todas as formas de intimação para optar pela intimação editalícia, à luz do disposto no art. 23 do Decreto n.º 70.235/72, in verbis: “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 81DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13706.002840/200958 Acórdão n.º 2101001.196 S2C1T1 Fl. 69 4 III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) § 8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) § 9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Fl. 82DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13706.002840/200958 Acórdão n.º 2101001.196 S2C1T1 Fl. 70 5 Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007)” Isso porque, quando a intimação da notificação de lançamento foi enviada ao contribuinte por via postal o envelope retornou com a informação “destinatário mudouse”, situação essa confirmada pelo Recorrente, que apresentou impugnação nesse sentido requerendo que ela fosse considerada tempestiva, tendo em vista a mudança de endereço do contribuinte. Ora, se a tentativa de intimação pelo correio resultou improfícua pelo fato de o contribuinte ter mudado de endereço, sem comunicar as repartições competentes (SRF) dentro do prazo estipulado, obviamente frustrada restará a intimação pessoal. Sendo assim, a intimação pelo edital deve ser considerada válida. A fiscalização comprova que a notificação de lançamento foi encaminhada para o domicílio fiscal informado pelo contribuinte e devolvida pelos Correios com a informação “mudouse”. Diante da frustração da intimação pela via postal, não restou outra alternativa que não fosse a intimação pelo edital. Por qual razão deveria a fiscalização dirigir se ao endereço informado como domicílio fiscal se já tinha conhecimento de que lá não mais residia. A legislação do processo administrativo federal autoriza que a intimação seja feita, sem ordem de preferência, tanto pessoalmente, quanto pela via postal. Assim, improfícuos um dos referidos meios de intimação, em virtude de mudança do domicílio fiscal do contribuinte, sem a devida comunicação ao Fisco, não há que se falar em nulidade da intimação por edital. Cumpre destacar que o RIR/99 estabelece em seu art. 30 que: “Art. 30. O contribuinte que transferir sua residência de um município para outro ou de um para outro ponto do mesmo município fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 195). Parágrafo único. A comunicação será feita nas unidades da Secretaria da Receita Federal, podendo ser também efetuada quando da entrega da declaração de rendimentos das pessoas físicas.” Conforme informado pelo próprio contribuinte, a comunicação da alteração do domicílio fiscal se deu após expirado o prazo estipulado pela legislação pertinente, depois da publicação do edital, concretizandose quando da apresentação da Declaração de Ajuste de 2009. Com relação ao argumento de que foi observado o quanto disposto no art. 30, parágrafo único do RIR/99, igualmente não merece guarida. Quer crer o contribuinte que o Regulamento, ao dispor que a comunicação poderá ser efetuada quando da entrega da declaração de rendimentos, estabelece que a comunicação pode se dar no prazo de 30 (trinta) dias ou quando da entrega da declaração. Contudo, na realidade, o parágrafo único em complemento à redação do caput do art. 30 do RIR/99 somente determina que a comunicação da alteração poderá se dar Fl. 83DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13706.002840/200958 Acórdão n.º 2101001.196 S2C1T1 Fl. 71 6 na declaração de rendimentos desde que esta ocorra no prazo de 30 dias estipulado, o que não se vislumbra no caso em tela. Assim, tendo sido respeitado o disposto no artigo 23 do Decreto 70.235/72, nada há que invalide a intimação editalícia, motivo pelo qual, no caso, a impugnação deveria ter sido apresentada até 31 de março de 2009 (30 dias após a intimação, considerada realizada 15 dias após a publicação do edital, que no caso ocorreu em 12 de fevereiro de 2009), o que não foi feito. Intempestiva, portanto, a impugnação protocolizada no dia 25 de maio de 2009, o presente recurso deve ser improvido. Se tudo isso não bastasse, cumpre ressaltar que quando da apresentação da impugnação em 25/05/2007 (fl. 01), na qual o Recorrente suscita preliminarmente a tempestividade da defesa, a matéria de fundo, ou seja, o mérito do lançamento, não foi questionado, tornandose, portanto, questão incontroversa. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 84DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 11610.005810/2006-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. São tributáveis os
rendimentos produzidos por aplicação financeira de renda fixa, aplicando-se esta norma aos depósitos judiciais ou administrativos quando o seu levantamento se der em favor do seu depositante.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.037
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DEPÓSITO JUDICIAL. São tributáveis os rendimentos produzidos por aplicação financeira de renda fixa, aplicando-se esta norma aos depósitos judiciais ou administrativos quando o seu levantamento se der em favor do seu depositante. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto de elator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes, Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Caio Marcos Cândido. Relatório 0 recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 17-35.875, proferido pela 4a Turma de Julgamento da DRJ/SP2 (11. 52), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade A. 45/49. A matéria em litígio e as questões suscitadas pelo contribuinte em favor do seu pedido de restituição foram resumidas na decisão a quo nos seguintes termos: 0 contribuinte acima identificado insurge-se contra o Despacho Decisório de tis. 41/43, que indeferiu o pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte no ano- calendário de 2003, sobre levantamento de depósitos judiciais ocorridos por determinação judicial em Ação de Consignação em Pagamento. Cientificado do despacho decisório em 29/06/2009 (fl. 43), o contribuinte apresentou em 30/06/2009, manifestação de inconformidade de fls. 45/49, alegando em síntese que: - na análise da 8RF em nenhum momento foi observado que, na retenção havida, houve uma bi tributação pois na ocasião dos depósitos mensais os valores foram retirados dos salários que sofreram tributação de imposto de renda; - o código de retenção utilizado pelo Banco Nossa Caixa 6 o "8053", utilizado para aplicação financeira, sendo que não lid rendimentos para tributar e sim "atualizações monetárias e juros e não foi tomada nenhuma providencia para corrigir o código de retenção; - na análise da 8RF não se verificou que a retenção (IRRF) foi calculada sobre atualização monetária e juros aplicados nas várias contas de depósitos judiciais, o que configura outro grave erro, pois não se trata de rendimentos auferidos de investimentos, sendo que: (1) em levantamento complementar a este processo não houve retenção e a funcionária dá agência Osasco do Banco Nossa Caixa informou desconhecer a aplicação de retenção do IR em depósitos judiciais; (2) em consulta aos vários profissionais do Direito, todos desconhecem tal procedimento de retenção em levantamentos judiciais e (3) em resposta a consulta, a DERAT afirmou que os dispositivos 27 e 28 da Lei n° 10833/2003 não se aplicam As Justiças Estaduais; - solicita a reconsideração do despacho e o ressarcimento dos valores retidos atualizados monetariamente desde novembro de 2003. 0 acórdão recorrido possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DEPÓSITO JUDICIAL. São tributáveis os rendimentos provenientes dos depósitos judiciais levantados pelo próprio depositante por expressa disposição Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em seu apelo ao CARF (fls. 57/60), o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador de primeiro grau. o relatório. Gt 2 Processo n° 11610.005810/2006-94 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-01.037 Fl. 72 Voto Conselheiro JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que a decisão recorrida não merece qualquer reparo. Conforme relatado pelo interessado, o montante de R$77.851,89 corresponde aos depósitos judiciais efetuados na ação de consignação em pagamento. Com a incidência dos respectivos juros e correção monetária até 03/06/2003, o valor acima passou para R$132.004,70. Nos termos do artigo 729 e 730, inciso IV, do RIR199, aprovado pelo Decreto no 3.000, de 1999, está sujeito ao imposto, à aliquota de vinte por cento, o rendimento produzido, a partir de 10 de janeiro de 1998, por aplicação financeira de renda fixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica imune ou isenta, aplicando-se esta norma aos depósitos judiciais ou administrativos quando o seu levantamento se der em favor do seu depositante. Assim, conclui-se que a retenção do imposto de renda no montante de R$10.712,70 alcançou, tão-somente, os rendimentos produzidos (R$55.800,44), conforme extratos de DIRF as fls. 31/32, atuando a instituição financeira (fonte pagadora) em estrita observância à legislação tributária. Este fato repele a tese do recorrente quanto A tributação dos próprios depósitos realizados no curso da ação de consignação em pagamento, oriundos de salários, que já haviam sido tributados pelo imposto de renda, a ensejar a ocorrência de bitributação. Ressalte-se que o código de receita informado pela fonte pagadora "8053", em DIRF, refere-se a IRRF - Aplicações Financeiras de Renda Fixa - Pessoa Física, e não há prova nos autos de que o Banco Nossa Caixa S/A agiu em desacordo com as determinações da Corregedoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo, de modo a ser responsabilizada por qualquer prejuízo causado ao interessado, na administração financeira dos depósitos judiciais, nem há elemento de prova para sustentar a tese do recorrente de que os recursos foram efetivamente aplicados em poupança, isentos do imposto de renda. Conforme consta no extratos da DIRF à fl. 32, apresentada pelo Banco Nossa Caixa S/A, para todos os pagamentos efetuados houve retenção do imposto de renda. Ressalte- se que o artigo 30 da Lei n° 9.249, de 26/12/1995, determinou a extinção da correção monetária de todos os valores constantes da legislação tributária federal, a partir de 01/01/1996, o que implica na tributação de todo o valor acrescido ao principal, observada é claro a legislação especifica de cada época em que o rendimento foi produzido, no que tange A. base de cálculo e aliquota. A instituição financeira, na qualidade de responsável tributário, detém todas as informações de cada conta judicial: datas e valores dos depósitos, aplicação financeira realizada e respectivos acréscimos. Sobre a responsabilidade da fonte pagadora, transcrevo os artigos 732 e 733 do RIR199, aprovado pelo Decreto n° 3000, de 1999: Art. 732. 0 imposto de que tratam os arts. 729 e 730 será retido (Lei n2 8.981, de 1995, art. 65, §72): I- por ocasião do recebimento dos recursos destinados ao pagamento de dividas, no caso das operações referidas no art. 730, inciso II; por ocasião do pagamento dos rendimentos, ou da alienação do titulo ou da aplicação, nos demais casos. Art. 733. .t responsável pela retenção do imposto (Decreto-Lei n 2 2.394, de 21 de dezembro de 1987, art. 6 2, e Lei n2 8.981, de 1995, art. 65, §82): I- a pessoa jurídica que efetuar o pagamento dos rendimentos; II- a pessoa jurídica que receber os recursos do cedente, nas operações de transferência de dividas; III- as bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como outras entidades autorizadas pela legislação que, embora não sejam fonte pagadora original, façam o pagamento ou crédito dos rendimentos ao beneficiário final. Parágrafo único. As pessoas jurídicas que retiverem o imposto de que trata este Subtítulo deverão (Decreto-Lei n 2 2.394, de 1987, art. 62, parágrafo único): fornecer aos beneficiários comprovante dos rendimentos pagos e do imposto retido na .fonte; prestar as informações previstas neste Decreto. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. José Rain u k Osta Santos
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Numero do processo: 10280.720234/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CONTRADIÇÃO – CABIMENTO – INTEGRAÇÃO DO ACÓRDÃO - Acolhem-se os embargos declaratórios quanto existente contradição no acórdão vergastado.
PAP PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OBSERVÂNCIA — Na função de aplicador da lei não pode o julgador tributário esquecer de integrar a interpretação aos princípios constitucionais que funcionam como "vetores interpretativos"."O agente público que fiscaliza e apura créditos tributários está sujeito ao principio da indisponibilidade dos bens públicos e deverá atuar aplicando a lei — que disciplina o tributo —ao caso concreto, sem margem de discricionariedade. A renúncia total ou parcial e a redução de suas garantias pelo funcionário, fora das hipóteses estabelecidas na Lei 11.5.172/66, acarretará a sua responsabilização funcional".(Aliomar Baleeiro).
IRPJ e CSLL — OMISSÃO DE RECEITAS — ESCRITA FISCAL IMPRESTÁVEL – ARBITRAMENTO – Mostrando-se imprestável a escrita da Contribuinte para fins de apuração do lucro real, o caminho para exigência dos tributos é o arbitramento. Confirma-se a exoneração procedida pela autoridade de primeiro grau.
PIS E COFINS – Cancela-se o lançamento que não observou o critério temporal, apenas no valor excedente ao respectivo período da exigência.
Embargos acolhidos.
Recurso de Ofício parcialmente provido.
Numero da decisão: 1102-000.447
Decisão: ACORDAM os Membros da 1° CÂMARA / 2º TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, acolher os embargos interpostos pela Fazenda Nacional, concedendo-lhe efeitos infringentes, e, nessa conformidade retificar o Acórdão, 1102-00247, de 05 de julho de 2010, para, por maioria de votos, Dar parcial provimento, ao recurso de oficio, para restaurar as exigências das Contribuições para o PIS e Cofins, referentes aos meses de março, junho, setembro e dezembro de 2003 ,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ficaram vencidos naquela votação os Conselheiros Silvana Rescigno Guerro Barreto e Manoel Mota Fonseca que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro José Sérgio Gomes restaurava toda a exigência referente às contribuições.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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PAP PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OBSERVÂNCIA — Na função de aplicador da lei não pode o julgador tributário esquecer de integrar a interpretação aos princípios constitucionais que funcionam como "vetores interpretativos"."0 agente público que fiscaliza e apura créditos tributários está sujeito ao principio da indisponibilidade dos bens públicos e deverá atuar aplicando a lei — que disciplina o tributo —ao caso concreto, sem margem de discricionariedade. A renúncia total ou parcial e a redução de suas garantias pelo funcionário, fora das hipóteses estabelecidas na Lei 11.5.172/66, acarretará a sua responsabilização funcional".( Aliomar Baleeiro). IRPJ e CSLL — OMISSÃO DE RECEITAS — ESCRITA FISCAL IMPRESTÁVEL – ARBITRAMENTO – Mostrando-se imprestável a escrita da Contribuinte para fins de apuração do lucro real, o caminho para exigência dos tributos é o arbitramento. Confirma-se a exoneração procedida pela autoridade de primeiro grau. PIS E COFINS – Cancela-se o lançamento que não observou o critério temporal, apenas no valor excedente ao respectivo período da exigência. Embargos acolhidos. Recurso de Oficio parcialmente provido. Processo no 10280.720234/2007-14 S1-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.447 Fl. 2 ' Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração interpostos pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da 1° CÂMARA / 20 TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO,:por unanimidade de votos, acolher os embargos interpostos pela Fazenda Nacional, concedendo-lhe efeitos infringentes, e, nessa conformidade retificar o Acórdão, 1102-00247, de 05 de julho de 2010, para,"por maioria de votos, Dar parcial provimento, ao recurso de oficio, para restaurar as exigências das Contribuições para o PIS e Cofins, referentes aos meses de março, junho, setembro e dezembro de 2003 ,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ficaram vencidos naquela votação os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barreto e Manoel Mota Fonseca que negavam provimento ao recurso.0 Conselheiro José Sergio Gomes restaurava toda a exigência referente às contribuições. IVETE AS PESSOA MONTEIRO —Presidente e Relatora EDITADO EM: 0 r: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro , João Otavio Oppertnan Thorne, Silvana Rescigno Guerra Barrett°, Manoel Mota Fonseca (Suplente convocado) José Sergio Gomes (Suplente convocado), e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Suplente convocada) 2 Processo n° 10280.720234/2007-14 SI-C1T2 Acórao ri.° 1102-00.447 Fl. 3 Relatório: Trata-se de embargos declaratórios opostos pela FAZENDA NACIONAL, em face do Acórdão 1102-00247, de 05 de julho de 2010,assim ementado e decidido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 Ementa: PAF – RECURSO DE OFICIO – REMESSA NECESSÂRIA • – CONHECIMENTO – Conhece-se de recurso de oficio interposto nos termos do art. 34 do Dec. n.° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 64 da Lei 17. 0 9.532, de 10 de dezembro de 1997, quando os valores exonerados extrapolam o limite consignado na Portaria MF n.° 3, de 03 de janeiro de 2008. RAE — PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS OBSERVÂNCIA — Na função de aplicador da lei não pode o julgador tributário esquecer de integrar a interpretação aos princiPios constitucionais que funcionam como "vetores inteipretativos"."0 agente público que fiscaliza e apura créditos tributários está sujeito ao principio da indisponibilidocie dos bens públicos e deverá atuar aplicando a lei — que disciplina o tributo —ao caso concreto, sem margem de discricionariedade. A renúncia total ou parcial e a redução de suas garantias pelo .funcionário, fora das hipóteses estabelecidos na Lei 17.5.172/66, acarretará a sua responsabilização funcional".(Ah0171ar Baleeiro). IRPJ e CSLL — OMISSÃO DE RECEITAS — BASE IMPONÍVEL — DIMENSIONAMENTO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 42 DA LEI 9430/1996 e ,bs' 2 0 AO CONCEITO DE RENDA INSCULPIDO NO ARTIGO 43 do CTN — POSSIBILIDADE — Estando os autos devidamente instruidos quanto a real atividade da Contribuinte e, firmada a base de cálculo das receitas omitidas, a autoridade julgadora deverá ajustá-la, nos termos da legislação de regência. Cancela-se, apenas, a parcela que exceder a este valor. PIS E COFINS Cancela-se o lançamento que não observou o critério temporal e material clas exigências. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Jose Sergio Gomes e João Carlos Lima Junior que davam provimento ao recurso. Ao ser cientificada desse acórdão a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), através do seu Procurador, com fundamento no artigo 64, inciso I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 256 MF, de 22 de junho de 2009, opôs tempestivamente, fls.538/540, EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelas razões a seguir expostas: Processo n° 10280.720234/2007-14 Si -Cl T2 Acórchio n.° 1102-00.447 Fl. 4 O acórdão embargado apreciou recurso de oficio em face do acórdão da DRJ de Belem-PA, que havia julgado o lançamento improcedente em sua integralidade. E na sua conclusão consta que, por maioria de votos, os membros do colegiado negaram provimento ao recurso de oficio, "nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado" ([1. 528-v). Ocorre que a análise cio voto-condutor, exarado pelo Relator Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, revela que a sua orientação é pelo aproveitamento parcial do lançamento cio IRPJ e da CSLL, mantendo- se a base imponivel, e redu:indo somente o montante exigivel, na linha da fimdamentação apresentada. Eis a sua conclusão: "Esse o motivo para cancelamento da exigência. Discordo desta conclusão por entender que não se trata de uma (sic) caso de nulidade absoluta do lançamento, mas tão somente de ajuste da base iMponivel. (...) Embora inobservado este aspecto, entendo que o trabalho fiscal não é de todo invalidado, devendo-se, tão somente reduzir o montante exigível e, diga-se de passagem, sem qualquer novação no feito, porque, a base imponivel já era conhecida como bem explicitado na própria decisão recorrida quanto esta afirma: (...) Quanto ao PIS e a COFINS, serão cancelados porque lançados incorretamente, corno bem consigna a decisão recorrida: (..)" (fls. 530-v/534) (Grifou-se). Aponta que a conclusão do acórdão encontra-se em contradição com os fundamentos e a conclusão do voto-condutor, no sentido do aproveitamento do lançamento do IRPJ e da CSLL, corn os ajustes meramente quantitativos ali mencionados. Pede que sejam recebidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, para efeito de sanar a contradição apontada, consignando-se a conclusão do acórdão pelo parcial provimento do recurso de oficio, nos termos do voto-condutor. 0 presidente da Camara, através do despacho 1101-00.006, fls.542/543, acolheu os embargos e determinou o retorno dos autos para julgamento. Providência efetivada na sessão do mês de maio de 2011. Este é o relatório. Processo 0 10250.720234/2007-14 SI-C1T2 Acórddo n.° 1102-00.447 Fl. 5 Voto: Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Relatora Os embargos são tempestivos. Corn razão a embargante ao argüir a contradição no acórdão quanto aos fundamentos do Voto condutor e a decisão nele proferida. Tratou-se naquele julgamento da revisão do ato administrativo que exonerou a Recorrente das exigências consubstanciadas nos lançamentos de tls. 465/489. Naquela ocasião a turma julgadora me convenceu de que no tocante à exigência para o IRPJ e a CSLL não caberia ajustar o lançamento, posto que a escrita da Contribuinte não se mostrava apta à apuração do lucro real.Dessa forma, o caminho legal para quantificar a exigência, seria o arbitramento. E mais, não prosperaria minha pretensão de ajustar o lançamento para os percentuais de arbitramento cabíveis na atividade da contribuinte, por implicar em novação do feito. Pois, sequer o fundamento legal desta forma de exigência fora mencionado no auto de infração. Curvei-me a esta conclusão. Todavia, na hora de formalizar o acórdão troquei as versões, o que implicou no erro que ora corrijo, desculpando-me de tal falha. Já quanto as contribuições que foram lançadas apenas nos últimos meses dos trimestres do ano calendário, igualmente a turma julgadora me convenceu que não macularia o feito se ajustar a base de cálculo dos valores correspondentes aos meses corretamente lançados, tese corn a qual me alinhei. Nesta assentada acolho os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, concedendo-lhe efeitos infringentes, e, nessa conformidade retifico o Acórdão, 1102- 00247, de 05 de julho de 2010, que vigerá coin a ementa constantes deste acórdão. Por todo exposto dou parcial provimento ao recurso de oficio para restaurar as exigências das Contribuições para o PIS e Cofias, referentes aos meses de março, junho, setembro e dezembro de 2003, nos valores correspondentes aos faturamentos daqueles meses. alaquias Pesa )Monteiro 5
score : 1.0
Numero do processo: 13899.001427/2004-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999
DECADÊNCIA. DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO
Decai em 05 (cinco) anos, contados dos respectivos fatos geradores, o direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário decorrente de diferenças apuradas entre os valores declarados/pagos e os efetivamente devidos, referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação.
Numero da decisão: 3301-000.846
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999 DECADÊNCIA. DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO Decai em 05 (cinco) anos, contados dos respectivos fatos geradores, o direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário decorrente de diferenças apuradas entre os valores declarados/pagos e os efetivamente devidos, referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999 DECADÊNCIA. DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO Decai em 05 (cinco) anos, contados dos respectivos fatos geradores, o direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário decorrente de diferenças apuradas entre os valores declarados/pagos e os efetivamente devidos, referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Possas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Campinas, SP, que julgou procedente o lançamento da contribuição para o Programa de Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Integração Social (PIS) referente aos fatos geradores dos meses de competência de fevereiro a dezembro de 1999, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 68. O lançamento decorreu de diferenças entre os valores declarados/pagos e os efetivamente devidos, apuradas com base na escrita contábil e fiscal da recorrente. Inconformada com a exigência do crédito tributário, a recorrente interpôs a impugnação às fls. 74/90, alegando, em síntese, a decadência qüinqüenal do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, nos termos do CTN, art. 150, §4º, e a ilegalidade da exigência de contribuição sobre receitas decorrentes de variação cambial ativa. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgou o lançamento procedente, conforme acórdão nº 0517.775, datado de 11/06/2007, às fls. 272/279, sob as seguintes ementas. “PEDIDO DE PERÍCIA Indeferese o pedido de perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando efetuado sem a formulação dos quesitos, assim como sem a indicação do nome, do endereço e da qualificação profissional do perito, por não se coadunar às regras insculpidas no art. 16, inciso IV, e § 1°, do Decreto n° 70.235, de 1972. PROVAS A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972. DECADÊNCIA O prazo para a constituição de crédito tributário relativo ao PIS é de 10 anos, os termos da Lei n° 8.212, de 1991, art. 45, conforme Regulamento do PIS/PASEP e COFINS (Decreto n° 4.524, de 2002, art. 95). PIS. FALTA DE RECOLHIMENTO É devida a exigência da contribuição apurada no confronto dos valores declarados e aqueles escriturados pela contribuinte. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS A partir de fevereiro de 1999, as variações monetárias ativas em função da taxa de câmbio e/ou em função de outros índices aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas receitas financeiras, integrantes da base de cálculo da contribuição. Até dezembro de 1999, o regime de competência era utilizado como regra geral de tributação pelo Pis sobre as receitas provenientes de variações monetárias. A exclusão da base de cálculo da contribuição para o Pis, da parcela das receitas financeiras decorrentes das variações cambiais ativas, efetuadas segundo o regime de competência e que excederam ao valor da variação monetária efetivamente realizada, em relação ao anocalendário de 1999, é válida somente na apuração da contribuição devida a partir de janeiro de 2000, nos termos do art. 31 da Medida Provisória n° 1.858 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13899.001427/200441 Acórdão n.º 330100.846 S3C3T1 Fl. 313 3 10, de 26 de outubro de 1999, e reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. LEI 9.718/98. JUROS À TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 284/306, requerendo a sua reforma a fim que se julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese, as mesmas razões de mérito expendidas na impugnação, ou seja, a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, nos termos do CTN, art. 150, § 4º, e a ilegalidade da exigência da contribuição sobre receitas financeiras decorrentes de variação cambial ativa. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em face da decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em discussão, as alegações quanto à exigência da contribuição sobre receitas decorrentes de variação cambial ativa ficaram prejudicadas. Na data do lançamento, vigia a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que estabelecia o prazo de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, para a Fazenda Pública constituir créditos tributários referentes a contribuições destinadas à seguridade social, como no presente caso. No entanto, em julgamento ocorrido em 11 de junho de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional o art. 45 daquela lei e, ainda, aprovou na sessão plenária realizada em 12/06/2008 a Súmula Vinculante nº 08, que assim estabelece, in verbis: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, considerandose que houve pagamentos por conta das parcelas lançadas e exigidas, aplicase ao presente caso, em relação à decadência, o disposto no Código Tributário Nacional (CTN), art. 150, § 4º, que assim determina, in verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...).” § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” De acordo com este dispositivo legal, na data em que a recorrente tomou ciência do lançamento, em 03/01/2005, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em discussão já havia decaído. O prazo qüinqüenal limite para a constituição do crédito tributário referente ao fato gerador mais recente, 31/12/1999, expirou em 31/12/2004. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, dou provimento ao recurso voluntário. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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Numero do processo: 18329.000050/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/2007
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. RECIBOS DE PAGAMENTOS DE PESSOAS FÍSICAS NÃO CONTABILIZADOS CONTRIBUINTES
INDIVIDUAIS NULIDADE AUSÊNCIA DE DISPOSITIVOS LEGAIS
A mera alegação por parte da empresa de nulidade, quando cumpridos todos os requisitos para constituição do lançamento deve ser prontamente afastada.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/2007
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. RECIBOS DE PAGAMENTOS DE PESSOAS FÍSICAS NÃO CONTABILIZADOS CONTRIBUINTES
INDIVIDUAIS.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente.
A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado.
Ao apurar recibos de pagamentos não contabilizados pela empresa referente a pagamentos de trabalhadores deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento de contribuições pela contratação de contribuintes individuais.
A mera alegação não possui o condão de desconstituir lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.845
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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RECIBOS DE PAGAMENTOS DE PESSOAS FÍSICAS NÃO CONTABILIZADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NULIDADE AUSÊNCIA DE DISPOSITIVOS LEGAIS A mera alegação por parte da empresa de nulidade, quando cumpridos todos os requisitos para constituição do lançamento deve ser prontamente afastada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/2007 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. RECIBOS DE PAGAMENTOS DE PESSOAS FÍSICAS NÃO CONTABILIZADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. Ao apurar recibos de pagamentos não contabilizados pela empresa referente a pagamentos de trabalhadores deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento de contribuições pela contratação de contribuintes individuais. A mera alegação não possui o condão de desconstituir lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18329.000050/200734 Acórdão n.º 240101.845 S2C4T1 Fl. 134 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.048.6986, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, levantadas sobre os valores pagos sem contabilização a pessoas físicas, caracterizadas como segurados contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 03/1997 a 03/2007 e referese a contribuições apuradas durante procedimento fiscal em que foram encontrados diversos documentos de pagamentos a pessoas físicas sem o devido registro contábil, conforme registrado no relatório fiscal: A contribuição individual do contribuinte autônomo — 11% incidente a partir de 04/2003, não foi descontado do segurado, caracterizando assim, não apropriação indébita. O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei 8.212/91, Art. 33, parágrafo A empresa não declarou em GFIP os contribuintes individuais a seus serviços, originando assim AI 37.048.6994 — Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Na empresa, foram apreendidos documentos pelo Auto de Apreensão lavrado em 08/08/2007, tais como, recibos de depósitos bancários, recibos de pagamento de salários e horas extras, recibo de pagamento a autônomos, cópia de cheques emitidos, cópias de faturas de prestação de serviços, todos sem o correspondente lançamento contábil e quando de empregados, sem o registro em Livros da empresa. No exame da documentação apreendida conforme Relação de Documentos Apreendidos anexo, e na contabilidade da empresa, concluiuse que: Nos itens, 01 a 32 do período de 01/1997 a 12/2002, não foram lançados na contabilidade, os empregados, recebiam em recibos individuais, ou através de depósitos bancários, fora da folha de pagamento, sem o conseqüente registro em Livro de Empregados. Nos itens 33, 34 e 35 do período de 01/2003 a 04/2003, os sócios Ruth e João fizeram retiradas de honorários, não emitiram recibos, não contabilizaram em despesas e a empresa no período não distribuiu lucros. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Nos itens 36, 37 e 38 do período de 02, 03 e 04/2003, recibo de horas extras com pagamento de despesas de Liziane Dias Josende, depósito bancário feito a Alcenira Dias Josende, sem o conseqüente lançamento em contas de despesas. No item 39, de 06/2003 Dr. Odilon, retirou honorários, emitiu nota fiscal em nome da empresa Régio e Ritter Médicos Associados S/C Ltda e recebeu seus honorários na conta particular n° 286028 da agência 1449. Nos itens 40 e 41, de 10/2003 a 01/2004, D? Ruth, sócia gerente da empresa, retirou honorários com emissão de notas fiscais 315, 316, 319, 320, 323, 324 e 329 da empresa Centro Cirúrgico Livramento S/C Ltda e recebeu na conta particular 0000140 da agência Unicred. Nos itens 42, 44, 48, 49 e 50 do período 09/2004, 01/2006 a 03/2007, a empresa pagou e contabilizou despesas de terceiros, tais como telefone celular da Irmandade Santa Casa Caridade de Alegrete, Guia de Arrecadação do Detran/RS, por exames prestados, no órgão, por Laura Graciele Ortiz de Lima e faturas da empresa Cardio Nefroclinica Delta. No item 43 e 47, de 04/2005 a 06/2005 e 01/2006, a empresa pagou através dos cheques 206039, 206047, 219099 e 000098, despesas que não foram localizadas nas contas de despesas e também, não foram localizados os recibos. No item 45, de 03 a 06/2005, demonstra que os sócios Ruth e João retiravam honorários por serviços prestados em plantões médicos, por despesas particulares e a título de retorno de capital investido. No item 46, de 07/2005, demonstra que a empresa ao tratar Daniela Pertile, nutricionista como uma segurada autônoma, ao mesmo tempo, pagava despesas de curso de especialização. 8 — Também foi localizado pagamento de despesas da empresa, sem o correspondente recibo de pagamento e ou lançamento contábil nas contas de despesas, como: 12/2005 — R$ 750,00— Fátima Melo, RPA 01. 11/2005 — R$ 520,00 — Nívea T. de Souza, plantões médicos. 10/2005 — R$ 520,00 — Nívea T. de Souza, plantões médicos. 09/2005 — R$ 520,00 — Nívea T. de Souza, plantões médicos. 12/2004 — R$ 133,46 — Carem C. A. Biscuby. 08/2004 — R$ 750,00 — Adriana Melogno, honorários. 08/2004 — R$ 300,00 — Valdemir Giriboni, pedreiro. 10/2003 — R$ 1.260,34— Liziane Dias Josende, horas extras. 09/2000 — R$ 3.500,00— Dehnar Girardi, pedreiro. 05/2000 — R$ 3.378,00 — Delmar Girardi, pedreiro. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18329.000050/200734 Acórdão n.º 240101.845 S2C4T1 Fl. 135 5 Os documentos apreendidos integrarão processo de fraude fiscal, por se tratar de pagamento "por fora" , aos seus empregados, despesas que não foram registradas na contabilidade e nem em folhas de pagamento, o que caracteriza o não oferecimento à tributação como salário contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados, e pelo aqui exposto, a empresa foi autuada (...) Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 17/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 20/08/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 68 a 91. Foi exarada a DecisãoNotificação – DN, fls. 110 a 113, que confirmou a procedência parcial do lançamento, considerando a aplicação da decadência quinquenal a luz do art. 150, § 4 do CTN, foram excluídos as contribuições até 07/2002. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 147 a . Em síntese, a recorrente alega: 1. Preliminar de nulidade do ato administrativo urna vez que este se encontra eivado de vício pela falta de motivação; a NFLD não contém a clareza mínima necessária exigida pelo art. 50 da Lei n° 9.784/99; a capitulação legal informada é genérica (falta de capitulação da norma infringida), ou mesmo extensiva (8 páginas) tendo como conseqüência o cerceamento do direito de defesa do contribuinte. 2. Há de ser respeitado o princípio da razoabilidade, se coibindo a prática de lavraturas de autos genéricos, que tipificam todos os atos ilegais, sem descriminar, de forma específica, a pratica do contribuinte e o dispositivo legal infringido, sob pena de cerceamento de defesa. 3. Máxima vênia, não é possível o acatamento do entendimento da turma julgadora que sustenta a inexistência de cerceamento de defesa por esta se consubstanciar no impedimento de conhecimento do processo ou apresentação impugnação, pois isto é o mínimo assegurado pelo sistema jurídico brasileiro, que em matéria de defesa ultrapassa essas questões para assegurar todas as razões que aqui se sustenta. 4. A RECORRENTE só pode presumir que o Sr. Agente Fiscal escolheu aqueles que seriam empregados e aqueles que seria autônomos pela livre escolha, isto porque não há no auto qualquer fundamentação que permita a RECORRENTE o exercício do contraditório. Notem, eméritos julgadores, que a autoridade fiscal não individualiza as condutas e as circunstâncias que o motivaram a considerar cada uma das pessoas listadas como autônomos, ao contrário, se limitou a arrolálas de forma genérica o que demonstram a fragilidade de seu convencimento. 5. Notese que a RECORRENTE poderia no mérito trazer inúmeros argumentos para sustentar que determinado pagamento não se refere a pagamento de honorários a profissionais autônomos, todavia não o faz pela insegurança sobre o suporte físico do entendimento do Sr. Fiscal. Significa dizer, sobre determinado pagamento o agente se baseou nos recibos de depósitos bancários, nos recibos de pagamento de salários e horas Fl. 142DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 extras, nos recibo de pagamento a autônomos, nas cópias de cheques emitidos ou nas cópias de fatura de prestação de serviços.. 6. No mérito requer a insubsistência do auto pela total inexistência de suporte físico hábil a sustentar o entendimento levantado pelo agente fiscal, que pecou pelo lançamento arbitrário, sendo, portanto, totalmente nula a NFLD em questão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 143DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18329.000050/200734 Acórdão n.º 240101.845 S2C4T1 Fl. 136 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 115 e 116. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito estando ocultos os dispositivos legais a facilitar o direito de ampla defesa do defendente, advindo apenas fundamentação genérica sendo o relatório, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal, como também o relatório RL – Relatório de Lançamentos demonstrou a autoridade fiscal de forma individualizada os lançamentos efetuados, ademais o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, trazem toda a fundamentação legal, por período que embasou a constituição da presente NFLD. DECADÊNCIA Quanto ao prazo de decadência do período incialmente objeto da NFLD, ressaltese que já houve por parte da autoridade julgadora de primeira instância sua apreciação, excluindo do lançamento as contribuições até 08/2002 face a aplicação da decadência a luz do art. 150, § 4 do CTN. Assim, não havendo recurso de ofício a ser apreciado atenhome a apreciação do recurso interposto. DO MÉRITO Fl. 144DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 As contribuições da empresa sobre os serviços prestados por contribuintes individuais, para o período compreendendo as competências maio de 1996 a fevereiro de 2000, é regulada pela Lei Complementar n ° 84/1996, nestas palavras: Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Já para o período posterior à competência março de 2000, inclusive, às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). De acordo com o previsto no § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social na redação conferida pelo Decreto n ° 4.032/2001: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) § 4º A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.032/01) Uma vez que a recorrente remunerou pessoas físicas, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e Fl. 145DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18329.000050/200734 Acórdão n.º 240101.845 S2C4T1 Fl. 137 9 à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Notese que o recorrente argumenta a impossibilidade de levantamento de contribuições pela contratação de contribuintes individuais, apontadas diversas irregularidades no lançamento. Contudo, a irregularidade no caso em questão partiu do próprio recorrente ao realizar contratação de pessoas físicas sem o correspondente registro e pagamento de contribuições. Notese primeiramente, que não se tratou de descaracterização de contribuintes individuais para caracterização como segurados empregados, como em outras NFLD lavradas durante o mesmo procedimento, mas tão somente lançamento de contribuições pelos serviços prestados por pessoas físicas. Descreve o recorrente que uma leitura apressada do relatório poderia levar a considerações equivocadas sobre as contratações realizadas pela empresa, e que apenas analisando de forma pormenorizada, poderseia concluir a natureza dos serviços prestados. Pois, após analisar de forma detalhada o relatório fiscal e os argumentos trazidos pelo recorrente entendo que o procedimento da fiscalização foi acertado, posto que apenas não incluiu a autoridade fiscal o cargo ocupado, ou descreveu o serviço prestado, quando o próprio recibo não descrevia tal fato. Assim, não competiria o auditor fazer qualquer outra caracterização pormenorizada para efeitos de cobrança de contribuições sobre a contratação de contribuintes individuais. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 146DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Fl. 147DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13973.000380/96-98
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 10 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Nov 10 00:00:00 UTC 1998
Ementa: ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA - IMUNIDADE TRIBUTÁRIA - Consoante iterativa jurisprudência do STF, as entidades de previdência privada não gozam da imunidade tributária prevista no art. 150, item VI, letra c, da Constituição.
PAGAMENTO COM EFEITOS DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA - O prazo do exercício do direito a que se refere o art. 47 da Lei nº 9.430/96, expira, para os contribuintes já sob ação fiscal à época de sua publicação, no vigésimo dia seguinte à vigência da lei.
Recurso negado.
Numero da decisão: 106-10.507
Decisão: NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. vENCIDOS OS CONSELHEIROS WIFRIDO AUGUSTO MARQUES QUE DAVA PROVIMENTO E APRESENTOU DECLARAÇÃO DE VOTO E ROMEU BUENO DE CAMARGO QUE DAVA PROVIMENTO PARCIAL PARA EXCLUIR DA EXIGÊNCIA A MULTA DE OFÍCIO DE 75%.
Nome do relator: Luiz Fernando Oliveira de Moraes
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MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Recurso n°. : 14.646 Matéria: : IRF -ANOS: 1992 a 1995 Recorrente : VVEG SEGURIDADE SOCIAL Recorrida : DRJ em FLORIANÓPOLIS - SC Sessão de : 10 DE NOVEMBRO DE 1998 Acórdão n°. : 106-10.507 ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA — IMUNIDADE TRIBUTÁRIA — Consoante iterativa jurisprudência do STF, as entidades de previdência privada não gozam da imunidade tributária prevista no art. 150, item VI, letra c, da Constituição. PAGAMENTO COM EFEITOS DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA — O prazo do exercício do direito a que se refere o art. 47 da Lei n° 9.430/96, expira, para os contribuintes já sob ação fiscal à época de sua publicação, no vigésimo dia seguinte à vigência da lei. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VVEG SEGURIDADE SOCIAL. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros VVilfrido Augusto Marques que dava provimento e apresentou declaração de voto, e Romeu Bueno de Camargo que dava provimento parcial para excluir da exigência a multa de oficio de 75%. Dl 017!E OLIVEIRA • e LUIZ FERNAND IVEIRACAORAES RELATOR FORMALIZADO EM: 1 6 DEZ 1998 _ _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Acórdão n°. : 106-10.507 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ANA MARIA RIBEIRO DOS REIS, HENRIQUE ORLANDO MARCONI, ROSANI ROMANO ROSA DE JESUS CARDOZO E RICARDO BAPTISTA CARNEIRO LEÃO. 2 r"- ccs " - - — • - - - - = - - „ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Acórdão n°. : 106-10.507 Recurso n°. : 14.646 Recorrente : WEG SEGURIDADE SOCIAL RELATÓRIO Contra WEG SEGURIDADE SOCIAL, já qualificada nos autos, foi lavrado auto de infração para exigência de imposto de renda na fonte, mais acréscimos legais, que não foi retido quando da produção de rendimentos em aplicações financeiras, no período de março de 1992 a julho de 1995 (relação de fls. 206/210), tudo conforme fundamentos legais constantes daquela peça. Em sua impugnação, alega que, como entidade fechada de previdência privada, está ao abrigo da imunidade tributária constitucional, conforme tem entendido o STF, e colaciona jurisprudência. O Delegado de Julgamento de Florianópolis julgou procedente a ação fiscal, sob os fundamentos assim resumidos: a) a Lei n° 6.435/77 fixou presunção legal que equiparava as entidades de previdência privada às instituições de assistência social, que têm a garantia da imunidade tributária constitucional; b) esta equiparação feita por lei ordinária foi revogada pelo art. 6°, § 3°, do DL 2.065/83; c) ao Poder Executivo cumpre aplicar e exigir o cumprimento das disposições do decreto-lei em foco, não podendo pronunciar-se sobre sua inconstitucionalidade, por força do Decreto n° 73.529/74, que veda a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, e por ser esta função privativa do STF, em julgamento de recurso extraordinário. Foi, ainda, reduzida a multa para o percentual de 75%, conforme art. 44, item I, da Lei n° 9.430/96. 3 ccs . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Acórdão n°. : 106-10.507 Intimado da decisão, ingressa o contribuinte com duas petições. A primeira é dirigida ao Delegado da Receita Federal de Joinville e nela invoca o art.47 da Lei n° 9.430/96, que ampliou o prazo de pagamento espontâneo previsto no art. 138 do CTN para até o vigésimo dia subsequente à data do recebimento do termo de inicio de fiscalização e, com base no arl 106, II, c, do CTN, requer lhe seja deferido o pagamento naquelas condições, tendo em vista que, após a promulgação da lei, aquela foi a primeira oportunidade que teve para falar nos autos. Salientou, por fim, que não renunciava ao direito de continuar contestando a exigência fiscal. A segunda petição é o recurso a este Conselho, no qual a contribuinte discorre sobre disposições de seu estatuto social e reitera os argumentos expendidos na defesa, quanto a sua imunidade tributária, ademais de incorporar os argumentos expendidos na petição dirigida à DRF/Joinville. É o Relatório. 4 ‘?%( ccs amue MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Acórdão n°. : 106-10.507 VOTO Conselheiro LUIZ FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES, Relator Conheço do recurso, por tempestivo. Juntamente com o recurso, vêm os autos com petição dirigida à DRF/Joinville, na qual a contribuinte, arrimado no princípio da retroatividade benigna, contemplado no art. 106, item II, letra c, do CTN, e ressaltando seu propósito de não renunciar à lide, requer lhe seja concedida a oportunidade de quitar o crédito tributário da forma mais favorecida prevista no art. 47 da Lei 9.430, de 27.12.96, cuja redação originária transcreve, verbis: "Art. 47 - A pessoa física ou jurídica submetida à ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subsequente à data do recebimento do termo de início de fiscalização os tributos e contribuições já lançados e declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo." Cabe a esta Câmara enfrentar, com referência à petição em foco, reproduzida nas razões recursais, se está ali presente confissão de dívida e conseqüente desistência tácita do recurso interposto, a teor do art. 16, § 2°, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Não há, a meu ver, impedimento a que a petição seja conjugada ao apelo. O pleito do autuado tem em mira o pagamento do crédito tributário com exclusão de multa, caso não logre ver reconhecida a tese da imunidade tributária. Nessas condições, obedece ao princípio da eventualidade, segundo o qual, na praxe forense, os pedidos são cumulados na ordem decrescente de sua onerosidade para o peticionário e, nessa ordem, serão examinados neste voto. -744- CCS _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380196-98 Acórdão n°. : 106-10.507 No mérito, alega a Recorrente que está ao abrigo da imunidade tributária prevista no art.150, item VI, letra c, da Constituição, por ser instituição de assistência social e, por conseguinte, as disposições dos §§ 1° e 2° do art. 6° do DL 2.065/83, que embasam a exigência, afrontariam a Lei Maior. O julgador de primeiro grau absteve-se de aprofundar o mérito das alegações da Recorrente, por considerar-se impedido de decidir sobre matéria constitucional e invoca, inclusive, o malsinado Decreto n° 73.529/74, que veda a extensão dos efeitos de decisões judiciais, que contrariem orientações normativas estabelecidas para o Poder Executivo. Equivoca-se, permissa vênia, o ilustrado julgador ao trazer à baila um decreto que servia aos propósitos de um regime de exceção, no qual o Poder Executivo sobrepunha-se aos demais poderes, e que não pode ser recepcionado por uma Constituição democrática. De resto, não deve o diploma executivo ser interpretado de forma tão extremada, como já deixei claro em parecer, verbis: 12. O decreto em tela teve em mira situações que passam ao largo da competência julgadora dos Conselhos de Contribuintes. 13. Como ensina DE PLÁCIDO E SILVA, em seu conceituado Vocabulário Jurídico, no Direito, o conceito de extensão é aplicado para indicar que certa regra, certo preceito ou certa medida não se circunscreve a determinado ato ou fato, mas a outros, igualmente atingidos, por analogia, ou por força de lei (ob.cit., 1a ed. universitária, vol. I, verbetes EXTENSÃO e EXTENSIVAMENTE). 6 Ç.)(,/ ccs , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380196-98 Acórdão n°. : 106-10.507 14. Com efeito, o que o decreto proíbe é que servidor do Poder Executivo, à vista de decisão judicial, determine de ofício que seus efeitos não se limitem a quem é parte no litígio, incidindo sobre a generalidade dos casos idênticos. 15. Essa é a condição sine qua non para que se opere a extensão administrativa na espécie: que seu beneficiário seja alguém que não tenha litigado e não tenha obtido, em conseqüência, um provimento judicial. 16. Os Conselhos de Contribuintes são órgãos colegiados com competência para julgamento de processos administrativos fiscais, no âmbito do Poder Executivo e, como tais, apresentam-se para os contribuintes como uma alternativa aos órgãos judiciários. Portanto, quando os Conselhos dirimem os litígios que lhe são submetidos não estão estendendo decisões judiciais, mas sim ofertando uma prestação própria, expressamente pleiteada pelo contribuinte. 17. Os Conselhos de Contribuintes, ao decidirem com base em precedentes judiciais, estão se louvando em fonte de direito ao alcance de qualquer E autoridade instada a interpretar e aplicar a lei a casos concretos. Não estão estendendo Édecisão judicial, mas outorgando um provimento específico, inspirado naquela. (Parecer E PGFN/CRF n° 439/96, exarado por LUIZ FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES, in Revista Dialética de Direito Tributário n°13, outubro 1996, p. 98/99). Ainda no mesmo parecer, ressaltei que a própria Constituição impede a autoridade do Poder Executivo de furtar-se ao exame de matéria constitucional: 18. A Constituição inscreve entre os direitos e garantias individuais (art. 50, inciso LV): 7 ccs à . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Acórdão n°. : 106-10.507 LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. 19. Como se constata, o constituinte houve por bem equiparar a lide judicial à administrativa com o fim de assegurar o respeito aos princípios processuais do contraditório e da ampla defesa. 20. A plenitude do direito de defesa deve ser vista sob as perspectivas das partes e do juiz. À parte assegura-se esse direito quando se lhe faculta produzir todas as provas admissíveis para fazer valer sua pretensão e articular, com o mesmo propósito, quaisquer argumentos de fato e de direito, não excluídos os que envolvam questão constitucional. 21. Mas essa garantia constitucional da parte não estará atendida se, da perspectiva do juiz, o direito de ampla defesa não corresponder ao correlato poder-dever de apreciar todas as provas produzidas e todos os argumentos articulados pela parte. Não fora assim, a defesa da parte estaria a priori desprovida de eficácia. 22. Por conseguinte, se à parte em processo administrativo não pode ser vedada a faculdade de invocar a inconstitucionalidade de lei obstativa de seu direito, tampouco se pode admitir que o juiz administrativo imponha a si próprio restrições à prerrogativa de apreciá-la ou permita que alguma autoridade superior o faça. (Parecer cit., p.99/100). Nessas condições, passo a examinar a questão central posta pelo Recorrente, em tomo da alagada imunidade constitucional. E o faço para registrar que o Supremo Tribunal Federal inclina-se fortemente para consolidar em definitivo jurisprudência contrária à pretensão da Recorrente, pois tanto sua Primeira, como sua Segunda Turma já 8 .ffia; . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380196-98 Acórdão n°. : 106-10.507 se pronunciaram nesse sentido. A esse propósito, é paradigmático o acórdão proferido no julgamento do RE n° 127584-7/SP, de 27.09.96, relatado pelo Ministro CARLOS VELLOSO, que equivale a uma súmula do pensamento dominante naquela Corte em tomo da matéria. O aresto está assim ementado: "EMENTA: CONSTITUCIONAL - TRIBUTÁRIO - PREVIDENCIÁRIO - IMUNIDADE TRIBUTARIA - PREVIDÊNCIA PRIVADA - ASSISTÉNCIA SOCIAL - C.F., 1967, art. 19, III, c; CF188, art. 150, VI, c. 1. - A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, firmada sob o pálio da CF167, é no sentido de que as entidades de previdência privada, porque não são entidades de assistência social, não estão abrangidas pela imunidade tributária do art. 19, III, c, da Constituição pretérita. II. - Entendimento pessoal do relator deste em sentido contrário, esclarecendo-se, entretanto, que tal entendimento não é sustentável sob o pálio da CF188, que distingue previdência de assistência social (CF/88, art. 194). III. - R.E. conhecido e provido." O Relator inclui em seu voto, como razões de decidir, parecer da Procuradoria-Geral da República, da lavra do Subprocurador-Geral MIGUEL FRAUZINO PEREIRA, verbis: Em rigor, assiste razão ao recorrente. O Supremo Tribunal Federal vem sedimentando o entendimento de que a circunstância de a entidade prestar serviços mediante contrapartida dos seus beneficiários é óbice intransponível a' sua caracterização como instituição de assistência social, questão que precede e transcende o mero preenchimento dos requisitos do art. 14 e incisos do Código Tributário Nacional Vêm em socorro a essa proposição os seguintes acórdãos da Suprema Corte: 9 '‘g4 ces ' • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Acórdão n°. : 106-10.507 "ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA - Sendo mantida por expressiva contribuição dos empregados1 ao lado da satisfeita pelos patrocinadores, não lhe assiste o direito ao reconhecimento da imunidade tributária, prevista no art. 19, III, c, da Constituição de 1967, visto não se caracterizar, então, como instituição de assistência social. Recurso extraordinário de que, por maioria, nao se conhece.' (RE n-0 136.332-I-RJ, Rel. Min. Octavio Gallotti, DJ de 25.06.93, p. 12641). 'IMUNIDADE TRIBUTÁRIA - FUNDAÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - Não sendo mantida com a contribuição dos beneficiários, nem tendo finalidade lucrativa, a fundação tem a característica de instituição de assistência social, destinada a propiciar bem estar ao grupo de pessoas vinculadas às empresas patrocinadoras. A natureza pública da instituição não provém da generalidade de seus participantes e beneficiários, mas dos fins sociais a que atende. Recurso conhecido e provido.' (RE n-O 108.796-SP, Rei. Min. Carlos Madeira, DJ de 12.09.86, p. 16426, sem grifos no original) E, ainda: 'IMUNIDADE TRIBUTÁRIA (ISS) - INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - Art. 19, III, c da CF c/c arts. 9c, IV, c, e 14, III, do Código Tributário Nacional. Não basta, para esse efeito, que a entidade preencha os requisitos do art. 14 e seus incisos do CTN. É preciso, além disso e em primeiro lugar, que se trate, de instituição de assistência social. Hipótese não caracterizada, pois a recorrente, conforme os estatutos, só presta serviços de assistência onerosa a seus associados, mediante contraprestação mensal, como entidade de previdência privada ou auxilio mútuo, sem realizar atendimento de caráter estritamente social, como o de assistência gratuita a pessoas carentes.' (RE n-O 108.120-SP, Rei. Min. Sydney Sanches, RTJ 125/750)." Em uma ocasião afastou-se o Pretório Excelso desse posicionamento, mas para reconhecer princípio, então evocado, da imunidade indivisível - 'não se é imune em parte ou até certo ponto' -, em proveito de recorrente cujo caráter de instituição de assistência social era previamente incontroverso: to (k77 ccs • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380196-98 Acórdão n°. : 106-10.507 "ISS SESC - CINEMA - IMUNIDADE TRIBUTÁRIA (art. 19, III, c, da EC n-O 1/69) - Código Tributário Nacional (art. 14). Sendo o SESC instituição de assistência social, que atende aos requisitos do art. 14 do Código Tributário Nacional - o que não se pós em dúvida nos autos - goza da imunidade tributária prevista no art. 19, III, c, da EC n-O 1/69, mesmo na operação de prestação de serviços de diversão pública (cinema), mediante cobrança de ingressos aos comerciários (seus filiados) e ao público em geral.' (RE n — 116.188-SP, Rel. Min.. Sydney Sanches, RTJ 131/1295)." Coincidentes, pois, as razões do recorrente com a orientação pacífica dessa Suprema Corte, opino pelo conhecimento e provimento do apelo extremo, para revogar a segurança concedida. Adiante, o Relator, esclarecendo seu posicionamento pessoal, deixa claro que a controvérsia poderia ser alimentada quando vigente a Carta de 1967/69, mas não pode prosperar no vigente regime constitucional: O meu entendimento pessoal a respeito do tema, entretanto, não coincide com a jurisprudência indicada. Esclareço, entretanto, que, com a promulgação da Constituição de 1988, que distingue previdência de assistência social (C.F., art. 194), o meu entendimento a respeito do tema é outro, vale dizer, é no sentido da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Todavia, sob o pálio da CF/67, que não fazia a distinção, sustentei, por ocasião do julgamento, em 16.06.88, no antigo Tribunal Federal de Recursos, da argüição de inconstitucionalidade na AC n-O 101.394-PR, que a entidade de previdência social privada podia ser classificada como instituição de assistência social, por isso que, não obstante cobrar ela contribuições, certo é que a assistência que presta dá-se com base numa gratuidade relativa, que é o quanto basta. E' que, sob o pálio da CF/67, não era assistencial apenas a entidade que presta assistência social inteiramente gratuita. ccs . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Acórdão n°. : 106-10.507 Não devo, entretanto, arrostar a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ainda mais em se tratando, como bem registrou, por ocasião do julgamento do RE 136.332-RJ, na 1' Turma, o eminente Ministro Sepúlveda Pertence, de caso residual, vale dizer, caso julgado sob o pálio da CF167, quando se sabe que, sob o pálio da CF/88, seria imodificável a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, conforme linhas atrás ressaltamos. Do exposto, com a ressalva do meu ponto de vista pessoal a respeito do tema, conheço do recurso e dou-lhe provimento. Ressalte-se que o Pleno da Corte Suprema ainda não se pronunciou a respeito da matéria, estando em pauta naquele colegiado expediente da Procuradoria-Geral da República para o estabelecimento de precedente, inserido nos autos do RE n° 1973775- 1/SP, relator o Ministro MARCO AURÉLIO. De acordo com o Sistema de Acompanhamento Processual do STF, a última movimentação conhecida é de 06.11.97 (intimação do Procurador da Fazenda Nacional). No entanto, estando duas turmas do STF firmes em seu entendimento, a tendência é pela confirmação deste, como parece antecipar o Ministro CARLOS VELLOSO ao considerar, no voto antes citado, imodificável a jurisprudência daquela Corte. De notar-se que a legislação vigente sobre a matéria (Lei n° 9.532, de 10.12.97) amolda-se a essa orientação jurisprudencial, extremando, em definições precisas, as instituições imunes das simplesmente isentas (arts. 12 e 15). Estas são as instituições de caráter filantrópico ou, como a Recorrente, as associações civis cujos objetivos se dirigem a um público restrito e enquanto não tiverem fins lucrativos, que merecem um tratamento menos favorecido do que o proporcionado às primeiras. 12 ccs , . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Acórdão n°. : 106-10.507 Demonstração veemente da diferenciação entre ambas, vem de dar o próprio Supremo Tribunal Federal quando, ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.802, proposta pela Confederação Nacional da Saúde, suspendeu liminarmente os efeitos do § 1° do art. 12 da Lei 9.532/97, que mandava tributar as aplicações financeiras das instituições amparadas pela imunidade constitucional, mas manteve intocada disposição de idêntico teor (art. 14, § 2°) dirigida às entidades criadas nos moldes da ora Recorrente. Por conseguinte, entendo que cumpre a esta Câmara ajustar-se aos precedentes subsidiados pelo Supremo Tribunal Federal e considerar válida a exigência de imposto de renda na fonte sobre os resultados de aplicações financeiras efetuadas por instituições fechadas de previdência privada. Por derradeiro, passo a examinar o invocado direito de a Recorrente quitar o crédito tributário com o benefício do art. 47 da Lei n° 9.430/96, hoje com a redação dada pelo art. 70 da Lei n° 9.532/97, que corrigiu a impropriedade da menção a créditos lançados, quando está se cuidando da fase inicial do procedimento fiscal. Trata-se, como vimos, de direito superveniente à formalização da exigência neste processo e é fora de dúvida que o CTN ampara sua aplicação retroativa. Todavia, a aplicação da norma aos contribuintes já sob ação fiscal deve ser feita em igualdade de condições aos contribuintes que venham a sofrê-la no futuro. Neste particular, deve-se atentar para o prazo de exercício de tal direito, que, nos termos da norma, expira no vigésimo dia subsequente à data do recebimento do termo de início de fiscalização. Entende a Recorrente que o prazo em foco deve ser contado a partir da primeira intimação feita no processo, após a vigência da lei. Tal interpretação não respeita as condições de igualdade antes referidas, pois importaria na prática na dilação indefinida 13 ccs - . . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Acórdão n°. : 106-10.507 para o exercício de um direito já do conhecimento do contribuinte. O correto é contar-se o prazo a partir da publicação da lei, quando o direito se incorporou ao ordenamento jurídico e à titularidade do contribuinte. Nessas condições, seu exercício deveria ter lugar em janeiro de 1997, isso se abstrairmos a vigência da medida provisória de que a lei se originou, de qualquer forma distante da data da petição, de novembro de 1997. Tais as razões, voto por acolher a petição de fls. 226/228 como recurso, por conhecer do recurso e, no mérito, por lhe negar provimento. Sala de Sessões, 10 de novembro de 1998. LUIZ FERNANDO OLIV RA DE .ÁfAES 14 ccs MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Acórdão n°. : 106-10.507 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, In casu, trata-se a Recorrente de entidade fechada de previdência privada, pelo que, consoante o artigo 5° do seu Estatuto Social, de igual forma se dedica à prestação de assistência social ou financeira a seus membros. • Não obstante o d. entendimento da composição majoritária desta Câmara, dele discordo, consoante as razões integrantes deste voto. • A Carta Magna vigente, em seu artigo 150, inciso VI, alínea veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a instituição de impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços das instituições de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. Há que ser reconhecida a plena demonstração, pela Recorrente, do empreendimento de atividades de assistência social gratuita aos participantes (contribuintes e não-contribuintes), bem como aos respectivos dependentes. Consoante o artigo 5° do seu Estatuto Social, a Recorrente se dedica à g (...) prestação de assistência social ou financeira a seus membros (...)", ao que o artigo 19 do seu Regulamento Básico de Benefícios assegura o pagamento de prestações aos dependentes de participantes não contribuintes. 15 11. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Acórdão n°. : 106-10.507 Desta forma, a prestação da assistência social não é mantida com a contribuição dos beneficiários, sendo realizada de forma gratuita pela Recorrente, tanto aos participantes contribuintes, como aos participantes não- contribuintes. É induvidoso que a prestação, pela Recorrente, dos benefícios assistenciais referidos no artigo 19 de seu Regulamento Básico de Benefícios, implica na efetivação do que preconizam os incisos I e II do artigo 203 da Constituição Federal, relativos aos objetivos da assistência social pelo Estado. Em caráter de ilustração, traga-se à colação o excerto do voto proferido pelo Em. Min. CESAR ASFOR ROCHA, a seguir: • (...) Penso que, além dessa reconhecida utilidade social do empreendimento, há um inevitável e incontestável liame entre a assistência e a previdência, não sendo possível o completo isolamento desses conceitos, para o fim de restringir o alcance da norma imunizante, em cuja interpretação penso deva prevalecer o elemento teleológico ou finalístico. (...)* (RSTJ 691208) Em adição, verifica-se o atendimento, pela entidade, ao requisito subjetivo da imunidade, qual seja, a ausência de finalidade lucrativa, mediante a implementação dos pressupostos estabelecidos pelo artigo 14 do Código Tributário Nacional, e mais recentemente pela Lei n. 9.532, de 10.12.97 (artigo 12, §2°, alíneas "a", "b", "c ' , 'd', 'e', 'g', 'h', ao que a alínea "f" teve sua eficácia suspensa por força do deferimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da medida cautelar requerida nos autos da ADInMC 1802-DF), na forma prelecionada, ainda, pelo artigo 12, §3 9 da mencionada Lei, sendo mister o reconhecimento da imunidade tributária. • 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Acórdão n°. : 106-10.507 Logo, evidenciando, a Recorrente, a qualidade de ente de assistência social, sem finalidade lucrativa, flagrante se apresenta a insubsistência da exigência fiscal, já que inaplicáveis, na espécie, as disposições dos §§ 1' e 2' do art. 6' do Decreto-Lei n. 2.065, de 26 de outubro de 1983, cuja inconstitucionalidade foi objeto de reconhecimento pelo extinto Tribunal Federal de Recursos, na forma da ementa a seguir: ' Entidades privadas de previdência social fechada. Instituições complementares do sistema oficial de previdência e assistência social (art. 35 da Lei n. 6435/77) — lnconstitucionalidade dos parágrafos 1' e 2', do art. 6', do Dec.- lei n. 2.065/83, que consideram sujeitos ao imposto de renda os rendimentos de capital auferidos pelos entes da espécie. A assistência social, hodiernamente, não se resume à caridade pública, podendo também realizar-se por meio da previdência, que corresponde à assistência preventiva, destinada aos impossibilitados de continuarem trabalhando e à família dos que sucumbem. As entidades em tela, por isso, são beneficiárias da imunidade prevista no art. 19, III, c, da CF, regulamentado pelo art. 9', IV, c, c/c o art. 14, do CTN, que não condiciona o benefício à gratuidade dos serviços prestados, nem exige que sejam acessíveis a todas as pessoas indistintamente (RE n. 70834- RS, RE n. 89.012-SP, RE n. 108.796-SP e RE n. 115.970-RS). Argüição procedente' (TFR — Pleno, Arg. de inconst. na Apel. Civ. n. 101.394-PR, Rel. Min. limar Gaivão). No mesmo sentido, declarando a inconstitucionalidade: TRF da 3' Região (AMS 90.03.00537-0) e TRF da 5' Região (AC 91.05.01230-9). É de especial relevo verificar que o dispositivo instituidor da tributação dos rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável realizadas pelas entidades de educação e de assistência social, qual seja, o artigo 12, §1', da Lei n. 17 si , . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Acórdão n°. : 106-10.507 9.532/97, teve sua eficácia suspensa cautelarmente por força da aludida ADInMC 1802-DF, mesmo porque, flagrante é o vicio de inconstitucionalidade formal e material da exclusão determinada pela norma, na forma das razões integrantes do voto proferido pelo Em. Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, já que, no primeiro aspecto, a delimitação do objeto da imunidade se reserva à lei complementar e, quanto ao segundo aspecto, o vicio material reside na aferição de que os rendimentos e ganhos aludidos no dispositivo caracterizam- se como renda, alcançados no âmbito da imunidade, não sendo restringiveis sequer por lei complementar. Inclusive, o Em. Relator, ao manifestar-se sobre as aplicações no mercado financeiro como atividades próprias ou não da instituição beneficente sem finalidade lucrativa, esposou o entendimento segundo o qual a (...) o que descaracteriza, para o fim da imunidade, a instituição de fins não lucrativos não é que ela possa ter resultados financeiros positivos, mas, sim, que se destine a distribuir esses resultados como lucros aos seus associados'. Corroborando este entendimento, transcreva-se a lição de HUGO DE BRITO MACHADO, a seguir: 'Não ter fins lucrativos não significa, de modo nenhum, ter receitas limitadas aos custos operacionais. Elas na verdade podem e devem ter sobras financeiras, até para que possam progredir, modernizando e ampliando suas instalações. O que não podem é distribuir lucros. São obrigadas a aplicar todas as suas disponibilidades na manutenção dos seus objetivos institucionais' (ia 'Curso de Direito Tributário', 11' edição, Malheiros Editores, pág. 196). Deste modo, inequívoco reconhecer a qualidade de ente de assistência social da Recorrente, o que se explicita a partir dos próprios objetivos sociais da entidade, aplicando-se, na espécie, a imunidade 18 041 V MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Acórdão n°. : 1 06 - 1 O . 507 tributária prevista na Carta Magna, pelo que, indevida a tributação incidente sobre as aplicações financeiras efetuadas pela Recorrente, diante da inconstitucionalidade dos §§ 1 e 2' do artigo 6' do DL n. 2065183, na forma reconhecida pelo extinto Tribunal Federal de Recursos, merecendo reforma a d. decisão recorrida. Sob outro aspecto, a interpretação teleológica do artigo 150, inciso VI, alínea "c" da Carta Magna, remete à conceituação das instituições de assistência social em seu sentido lato, compreendendo, neste sentido, as entidades fechadas de previdência privada, mesmo porque, consoante leciona o Mestre ALIOMAR BALEEIRO, aa Constituição quer imunes instituições desinteressadas e nascidas do espirito de cooperação com os poderes públicos, em suas atividades especificas'. Igual entendimento é esposado por ROQUE ANTÔNIO CARRAZA que assim expõe: • (...) são imunes a tributação por via de impostos: (...) c) (...) as instituições educacionais e assistenciais, sem fins lucrativos (ai compreendidas, dentre outras, as instituições fechadas e de previdência privada, também chamadas "fundos de pensão', que, por sua natureza orgânica e finalidades, estão abrangidas pelo beneficio constitucional, já que não têm animus distribuendi — embora, por vezes, tenham animus lucrandi — preenchem o requisito da universalidade, ainda que restrita, e miram o interesse público), atendidos os requisitos apontados em lei (...)" (in 'Curso de Direito Constitucional Tributário', 8' Edição, Malheiros Editores, nota 147, pág. 367). Veja-se que, sobre a inteligência do dispositivo constitucional instituidor da imunidade, o Em. Min. MARCO AURÉLIO, por ocasião do 19 lia 1 (9( _ - - - 1. • • MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13973.000380/96-98 Acórdão n°. : 106-10.507 julgamento do Recurso Extraordinário n. 219.435-MG, proferiu voto no sentido de que a imunidade alcança as pessoas jurídicas de direito privado que exerçam atividade de previdência sem fins lucrativos. Neste diapasão posicionou-se a 4° Turma do E. TRF da 1 8 Região, em recente julgado proferido à unanimidade de votos (AMS n. 1998.01.00.010071-9/PA, Rel. Juiz MÁRIO CÉSAR RIBEIRO, j. 13.05.98, DJ 18.06.98, pág. 84), constituindo ainda o entendimento esposado pelo Superior Tribunal de Justiça (RSTJ 69/208; REsp n. 20438-4-RJ, Rel. Min. GARCIA VIEIRA, DJ 10.05.93; REsp n. 45301-1-RJ, Rel. Min. DEMÓCRITO REINALDO, DJ 27.06.94). Logo, ainda que não evidenciada a implementação da atividade de assistência social, restaria assegurado à Recorrente o beneficio da imunidade tributária — o qual é aplicável, inclusive, às operações financeiras efetivadas que, consoante já aduzido, não implicam em desvirtuação ao requisito de inocorrência de finalidade lucrativa — eis que a interpretação do dispositivo constitucional remete-se à conceituação dos entes de assistência social lato sensu, restando portanto abrangida a entidade fechada de previdência privada, tendo sido reconhecida pelo extinto Tribunal Federal de Recursos a inconstitucionalidade dos §§ 1° e 2° do art. 6° do Decreto-Lei n. 2065/83, merecendo reforma a d. decisão recorrida, diante da insubsistência da autuação. É o voto. Sala das Sessões - DF, em 10 de Novembro de 1998. Ar 1 WILFRIDO JGUS1. MA UES Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1
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Numero do processo: 14052.004112/91-31
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 1998
Ementa: FINSOCIAL/IR - DECORRÊNCIA - A decisão proferida no processo principal estende-se ao decorrente, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Recurso provido parcialmente.
Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso.
Numero da decisão: 107-05262
Decisão: DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE
Nome do relator: Natanael Martins
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-21T16:11:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-21T16:11:38Z; Last-Modified: 2009-08-21T16:11:38Z; dcterms:modified: 2009-08-21T16:11:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-21T16:11:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-21T16:11:38Z; meta:save-date: 2009-08-21T16:11:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-21T16:11:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-21T16:11:38Z; created: 2009-08-21T16:11:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-08-21T16:11:38Z; pdf:charsPerPage: 1210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-21T16:11:38Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA .));;-..f. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 5:= SÉTIMA CÂMARA Iam-4 Processo n° : 14052.004112/91-31 Recurso n° : 88.702 Matéria : FINSOCIAL — Ex.: 1988 Recorrente : CONSULPREV — CONSULTORIA E PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA Recorrida : DRF em BRASILIA-DF Sessão de : 21 de agosto de 1998 Acórdão n° : 107-05.262 FINSOCIALJIR - DECORRÊNCIA - A decisão proferida no processo principal estende-se ao decorrente, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Recurso provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CONSULPREV — CONSULTORIA E PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. FRANCIS* D LE RIBEIRO DE QUEIROZ PRESIDE TE 9,4444 440 NATANAEL MARTINS RELATOR FORMALIZADO EM 25 SET 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA ILCA CASTRO LEMOS DINIZ, PAULO ROBERTO CORTEZ, EDWAL GONÇALVES DOS SANTOS, FRANCISCO DE ASSIS VAZ GUIMARÃES, MARIA DO CARMO SOARES RODRIGUES DE CARVALHO e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. Processo n° : 14052.004112/91-31 Acórdão n° : 107-05.262 Recurso n° : 88.702 Recorrente : CONSULPREV — CONSULTORIA E PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA RELATÓRIO Trata-se de lançamento decorrente de fiscalização de IPI, no qual foi apurado redução indevida da base de cálculo daquele tributo, gerando insuficiência da base de cálculo da contribuição para o FINSOCIAL, calculado com base no IR, conforme estabelecido no art. 23, § único do RECOFINS, aprovado pelo Dec. 92698/86. Na impugnação, tempestivamente apresentada, a contribuinte requereu que se estendesse a este processo as razões de defesa apresentadas no processo principal e, a decisão singular, acompanhando o que fora decidido naquele processo, julgou procedente a ação fiscal. Cientificada desta decisão, manifestou a contribuinte seu inconformismo através do recurso, invocando o principio da decorrência, em face do recurso apresentado no processo principal. O processo principal, objeto de recurso para este Conselho, onde recebeu o n° 108078, julgado nesta mesma Câmara, na sessão de 20.08.98, Acórdão n° 107.05.227, logrou provimento parcial. É o Relatório. 2 processo n° : 14052.004112/91-31 Acórdão n° : 107-05.262 VOTO Conselheiro NATANAEL MARTINS - Relator O recurso foi interposto dentro do prazo e, preenchendo os demais requisitos legais, deve ser conhecido. Como visto no relatório, o presente procedimento fiscal decorre do que foi instaurado contra a recorrente, para cobrança de IPI, também objeto de recurso que, julgado, logrou provimento parcial. Em consequência, igual sorte colhe o recurso apresentado neste feito decorrente, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. vista do exposto, e do mais que do processo consta, conheço do recurso por tempestivo e, no mérito, dou-lhe provimento parcial, para que se ajuste ao decidido no processo matriz. E Sala das Sessões-DF, 21 de agosto de 1998. ifbastet NATANAEL MARTINS II -E _e E 3 Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1
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Numero do processo: 14052.001320/92-22
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IRPJ - Exs.: 1987 e 1988 - ARBITRAMENTO DE LUCRO DISTRIBUIÇÃO AUTOMÁTICA DE LUCROS - A ausência de escrituração regular dos livros comerciais e fiscais e a falta ou recusa de sua apresentação autorizam o arbitramento do lucro das pessoa jurídica tributada pelo regime de lucro real, com base nas Declarações de Imposto de Renda apresentadas.
ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS - Na apuração do crédito fiscal aplica-se, a título de juros, a Taxa Referencial Diária - TRD acumulada sobre os débitos vencidos, excluindo-se a incidência sobre o período de fevereiro a julho de 1991, anterior à vigência da Lei nº 8.218/91.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 102-43317
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, PARA EXCLUIR DA EXIGÊNCIA O ENCARGO DA TRD RELATIVO AO PERÍODO DE FEVEREIRO A JULHO DE 1991.
Nome do relator: Ursula Hansen
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ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS - Na apuração do crédito fiscal aplica-se, a título de juros, a Taxa Referencial Diária - TRD acumulada sobre os débitos vencidos, excluindo-se a incidência sobre o período de fevereiro a julho de 1991, anterior à vigência da Lei n° 8.218/91. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ATLÂNTIDA MÓVEIS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência o encargo da TRD relativo ao período de fevereiro a julho de 1991, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julg- o MINISTÉRIO DA FAZENDA "=n PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° . 14052001320/92-22 Acórdão n°. 102-43.317 Recurso n° 115.100 Recorrente : ATLÂNTIDA MÓVEIS LTDA ANTONIO DE FREITAS DUTRA PRESIDENTE / uva 'IrANSEN R 9' :TORA FORMALIZADO EM. 16 OUT 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros VALMIR SANDRI, JOSÉ CLÓVIS ALVES, CLÁUDIA BRITO LEAL IVO, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. 2 -- MINISTÉRIO DA FAZENDA -..-... PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES40 '''' ''n'-'- SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 14052001320/92-22 Acórdão n° • 102-43.317 Recurso n° • 115.100 Recorrente . ATLÂNTIDA MÓVEIS LTDA RELATÓRIO ATLÂNTIDA MÓVEIS LTDA, inscrita no CGC/MF sob o n°. 00.616.441/0001-12, recorre a este Colegiado de decisão do Delegado de Julgamento da Receita Federal em Brasília, DF, que manteve a cobrança do crédito tributário apurado em valor equivalente a 9.901,10 UFIR e correspondentes acréscimos legais. A exigência, conforme Auto de Infração de fls. 01 e anexos, capitulada nos artigos 399, incisos I e III, do Regulamento de Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 85.450/80, artigo 17 do Decreto-lei 1.967/82 e Instrução Normativa 11/83, decorreu do arbitramento do lucro nos exercícios de 1987 e 1988, anos-base 1986 e 1987, tomando-se como base de cálculo a receita de venda de mercadorias declarada (de acordo com a Declaração apresentada pelo lucro real), face à não apresentação da escrituração contábil e fiscal Em sua impugnação de fls.. 28/35, apresentada tempestivamente, dentro do prazo legal devidamente dilatado, através de patrono devidamente constituído,a contribuinte argüiu a nulidade do auto de Infração, incluindo a aplicação indevida da Taxa Referencial Diária a título de correção monetária, o cálculo dos juros e a indexação pela UFIR, além da imposição de multa por atraso na entrega da Declaração Quanto ao mérito, alega que o registro da empresa já fora baixado e que, inadvertidamente havia extraviado a sua documentação. Afirma que efetuara o pagamento dos impostos e contribuições, e que, se mantido o arbitramento, ao menos estes valores deveriam ter sido compensados na atual cobrança. Requer a produção de provas documental e pericia . i V 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA ' • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES " i SEGUNDA CÂMARA Processo n° 14052001320/92-22 Acórdão n°. 102-43.317 Informação Fiscal opinando pela manutenção do lançamento às fls. 37/39 A autoridade julgadora singular, após analisar os argumentos que fundamentaram a impugnação, mantém o arbitramento, cancelando a multa por atraso na entrega da declaração. Irresignada, a contribuinte, em suas Razões de recurso voluntário, carreadas aos autos às fls. 46/57, questiona a decisão proferida, por não ter abordado nenhum dos argumentos expendidos, retirando da impugnante uma das fases de defesa contra o auto de infração e, ratificando os termos de sua impugnação, argui em preliminar a supressão de instância. Em sessão realizada em 25 de abril de 1995, os integrantes desta 2° Câmara, acolhendo a preliminar argüida, decidiram reconhecer a nulidade da decisão monocrática, conforme faz certo o Acórdão 1 02-29 805. Após adotados os procedimentos regulamentares de intimação da contribuinte para ciência do acordado, a digna Delegada da Receita Federal de Julgamento, em Brasília, analisou cuidadosamente todas as preliminares levantadas, que rejeita e, no mérito mantém a exigência Constatando não ter havido atraso na entrega da Declaração, exclui a multa lançada. A bem fundamentada decisão encontra-se às fls. 99/108 dos autos, e é lida integralmente em sessão, considerando-se como se aqui estivesse integralmente transcrita Ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso, alegando em suas Razões, acostadas às fls. 113/125, quanto ao mérito, basicamente cj 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA --"v -.-• -9;4" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';̀ P ..1 n '.ç.' SEGUNDA CÂMARA Processo n°. . 14052 001320/92-22 Acórdão n°. 102-43.317 argumentos anteriormente expendidos, e, insurgindo-se especificamente contra a cobrança de juros calculados com base na Taxa Referencial Diária - TRD. A Procuradoria da Fazenda Nacional, em atendimento ao disposto na Portaria MF n° 260 de 24/10/95 e suas alterações posteriores, ofereceu Contra- Razões, juntadas às fls. 128/133, em que discorre sobre os tópicos levantados, considerando evidente a improcedência das alegações, pugna pela manutenção da Decisão recorrida, por estar em consonância com a lei que versa sobre a matéria É o Relatório il 5 ,:, c.,,, MINISTÉRIO DA FAZENDA4, -- •-. .- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -m, • : - 9),-- SEGUNDA CÂMARA ,>;::',1•.":>,- Processo n° 14052001320/92-22 Acórdão n°. . 102-43.317 VOTO Conselheira URSULA HANSEN, Relatora Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Conforme demonstram os documentos trazidos aos autos em exame, a empresa teve seu lucro arbitrado com base na receita constante da demonstração de resultado efetuada, por falta de apresentação de livros e documentos fiscais solicitados. Verifica-se que o arbitramento do lucro se deu com base no disposto no Artigo 399, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 85,450/80, que determina: "Artigo 399 - A autoridade tributária arbitrará o lucro da pessoa jurídica, inclusive da empresa individual equiparada, que servirá de base de cálculo do imposto, quando I - o contribuinte sujeito à tributação pelo com base no lucro real não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras de que trata o artigo 172; II - o contribuinte autorizado a optar pela tributação com base no lucro presumido não cumprir as obrigações acessórias relativas à sua determinação; III - o contribuinte recursar-se a apresentar os livros ou documentos da escrituração à autoridade tributári i A /"7 6 s , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES;- SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 14052.001320/92-22 Acórdão n°. 102-43.317 Consta do artigo 403 do citado Regulamento, que "o lucro arbitrado se presume distribuído em favor dos sócios ou acionistas de sociedades não anônimas, na proporção da participação no capital social, ou ao titular da empresa individual". Determina a legislação do imposto de renda que as pessoas jurídicas, em especial as declarantes pelo lucro real, devem manter seus livros e registros devidamente escriturados e atualizados, mantendo-os juntamente com todos os comprovantes e documentos me boa ordem, e à disposição do fisco pelo período decadência. Estas normas aplicam-se igualmente às empresas que já deram baixa em sua inscrição, que suspenderam ou encerraram suas atividades. Pleiteia, ainda, a ora Recorrente, a não incidência da TRD na composição do débito tributário consolidado, procurando provar a inviabilidade de sua cobrança como fator de atualização de tributos Nos presentes autos se vislumbra claramente o cálculo e a cobrança da Taxa Referencial Diária - TRD a título de juros sobre débitos vencidos. Este tem sido o entendimento dos integrantes deste Conselho, conforme fazem certo diversas decisões, mencionando-se os Acórdãos 102-28.469/93, 102-28.876/94, entre outros. Os argumentos sobre a ilegalidade da cobrança de débitos fiscais com aplicação de TRD, ficaram reduzidos a procedimentos de cálculo para cobrança, medida meramente executória; o cálculo da TRD a título de juros de mora, expurgada da base de cálculo para outros acréscimos, está sendo efetuado pelas autoridades executoras das decisões administrativa- 7 • MINISTÉRIO DA FAZENDA s='; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES3•• SEGUNDA CÂMARA Processo n°. 14052 001320/92-22 Acórdão n°. 102-43.317 Considerando, no entanto, a data e vigência da Medida Provisória 297/91 (convertida na Lei n° 8 218/91) que interpretou e complementou o contido sobre a matéria em legislação anterior, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, pela unanimidade de seus membros, conforme faz certo o Acórdão CSRF/01-1 773/94, ao examinar a aplicabilidade da legislação que criou a Taxa Referencial Diária decidiu que a TRD somente poderia ser cobrada, como juros de mora, a partir do mês de agosto de 1991, quando entrou em vigor a mencionada Lei n°. 8218, Considerando restar demonstrado nos autos o acerto, segundo os dispositivos legais, dos procedimentos de arbitramento de lucro, Considerando que os argumentos formulados pela contribuinte, como preliminares e quanto ao mérito, já haviam sido apreciados com muita propriedade pela autoridade "a quo", Considerando que a ora Recorrente não logrou carrear aos autos quaisquer fatos, provas ou razões novas passíveis de elidir o acerto da decisão recorrida; Considerando o acima exposto e o que mais dos autos consta. Voto no sentido de dar-se provimento parcial ao recurso para excluir da incidência da Taxa Referencial Diária - TRD, o período de fevereiro a julho de 1991, anterior à vigência da Lei n. 8218/91 Saia das Sessões - DF, em 22 de setembro de 1998 / HANSEN 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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