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Numero do processo: 15504.019621/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO.
Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e explicita a fundamentação legal correlata.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. ACETONA.
Os removedores de esmalte a base de Acetona, por apresentarem como destinação final a remoção de esmalte (de unhas), classificam-se na posição 3304.30.0300
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE.
A conduta consistente em reduzir sistematicamente, sem amparo legal, a base de cálculo do tributo, por meio da escrituração de receitas como não tributáveis pelo IPI sem a mínima comprovação desta natureza demonstra a intenção deliberada de diminuir o montante do tributo devido, caracterizando evidente intuito de fraude, adequando-se ao tipo objetivo descrito no art. 72 da Lei n° 4.502/64, e sujeitando o infrator a multa de oficio qualificada, nos termos da legislação tributária especifica.
MULTA AGRAVADA. 112,5%. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. CABIMENTO.
Deve ser mantido o aumento pela metade da multa de ofício quando constatado que o contribuinte no caso concreto, reiteradamente, descumpre intimações para prestação de informações e apresentação de documentos.
Numero da decisão: 3201-002.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e explicita a fundamentação legal correlata. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. ACETONA. Os removedores de esmalte a base de Acetona, por apresentarem como destinação final a remoção de esmalte (de unhas), classificam-se na posição 3304.30.0300 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. A conduta consistente em reduzir sistematicamente, sem amparo legal, a base de cálculo do tributo, por meio da escrituração de receitas como não tributáveis pelo IPI sem a mínima comprovação desta natureza demonstra a intenção deliberada de diminuir o montante do tributo devido, caracterizando evidente intuito de fraude, adequando-se ao tipo objetivo descrito no art. 72 da Lei n° 4.502/64, e sujeitando o infrator a multa de oficio qualificada, nos termos da legislação tributária especifica. MULTA AGRAVADA. 112,5%. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. CABIMENTO. Deve ser mantido o aumento pela metade da multa de ofício quando constatado que o contribuinte no caso concreto, reiteradamente, descumpre intimações para prestação de informações e apresentação de documentos.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e explicita a fundamentação legal correlata. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. ACETONA. Os removedores de esmalte a base de Acetona, por apresentarem como destinação final a remoção de esmalte (de unhas), classificamse na posição 3304.30.0300 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. A conduta consistente em reduzir sistematicamente, sem amparo legal, a base de cálculo do tributo, por meio da escrituração de receitas como não tributáveis pelo IPI sem a mínima comprovação desta natureza demonstra a intenção deliberada de diminuir o montante do tributo devido, caracterizando evidente intuito de fraude, adequandose ao tipo objetivo descrito no art. 72 da Lei n° 4.502/64, e sujeitando o infrator a multa de oficio qualificada, nos termos da legislação tributária especifica. MULTA AGRAVADA. 112,5%. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 96 21 /2 00 9- 18 Fl. 708DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 709 2 Deve ser mantido o aumento pela metade da multa de ofício quando constatado que o contribuinte no caso concreto, reiteradamente, descumpre intimações para prestação de informações e apresentação de documentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de auto de infração de fls. 02/14, relativos a Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, do ano calendário 2005, no valor de RS 3.600.203,24. A contribuinte tomou ciência do lançamento em 10/12/2009 (fl. 237). Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 15/38, a Delegacia de origem efetuou o lançamento com base nas seguintes infrações: a) Venda sem emissão de nota fiscal apurada em decorrência de receita não comprovada; b) Produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com emissão de nota fiscal operação com erro de classificação fiscal e/ou alíquota; c) Multa por falta/atraso de entrega de arquivo magnético. A contribuinte apresentou impugnação de fls. 240/294, em 11/01/2010, na qual alegou, em síntese: a) A nulidade do lançamento por vicio substancial: ausência de fundamentação legal e de motivação a suscitar a correição da classificação fiscal adotada pela impugnante; V, Fl. 709DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 710 3 b) Revelase carente de fundamentos científicos a conclusão fiscal acerca dos produtos autuados (item 7.l2.l; 7.l2.2, 7.l2.3 e 7.l2.4 do TVF), bem como ausente de fundamentos jurídicos e classificações eleitas pelo Fiscal (em especial as preparações para manicuros e pedicuros); c) O Fisco, por não haver previsão de prestação de serviços no objeto social da impugnante, desconsiderou as receitas decorrentes da prestação de serviços, fazendo incidir sobre elas o IPI; r d) Na aplicação da incidência do IPI sobre as receitas advindas da suposta prestação de serviços, aplicou a alíquota de 22%, fato esse baseado também na presunção de que os produtos da autuada seriam classificados na posição 3304.30.00, no entanto, deveria o fisco, no mínimo utilizarse da média sobre as receitas auferidas e suas respectivas alíquotas e, em hipótese alguma, atribuir uma alíquota máxima; e) Resta claro que a Fiscalização não se desincumbiu do ônus de provar a existência dos fatos aptos a atrair a incidência da norma fiscal, tributando a impugnante por presunção, sem que militasse a seu favor a inversão do ônus da prova; f) A inaplicabilidade da qualificação da multa imputada em relação ao item 001 do auto de infração em litígio, em razão da inexistência de crime contra a ordem tributária nacional; g) O fato de a autuada não ter ofertado à tributação do IPI as receitas contabilizadas como sendo de prestação de serviços, tal fato por si só não reflete a suposta presunção de fraude que consiste em modificar, impedir ou retardar o fato gerador do tributo e, não corresponde automaticamente tal conduta, cujo tipo está previsto no dispositivo mencionado nos autos, pois o fato gerador permaneceu e permanece devidamente exposto nos livros contábeis da autuada, cujas informações foram recebidas pela Receita Federal através da DIPJ e DACON regularmente entregues; h) Em síntese, o fato gerador perseguido pelo Fisco, jamais esteve dolosamente escondido, por todas as razões acima expostas, muito pelo contrário, sempre esteve escancarado nos documentos alhures mencionados, razão pela qual a multa de oficio imputada, como sendo infração qualificada (advinda de uma fraude), não pode e não deve prosperar, por questões de direito, pois a autuada jamais praticou, ou teve a intenção de rime contra a ordem tributária nacional. i) Já no Termo de Verificação Fiscal TVF, o Senhor Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil descreve cronologicamente e detalhadamente todos os procedimentos e fatos acontecidos no curso da ação fiscal, tais como termos de intimações e constatações, em número de 10 (dez) e as respostas da impugnante a todos esses 10 (dez) termos, com exceção ao termo n° 5, que cuidou exclusivamente de uma constatação fiscal, sem qualquer solicitação de documentos e/ou informações; Fl. 710DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 711 4 j) Portanto, as ilações do Senhor Auditor, “de que o contribuinte não forneceu as informações relativas à composição e indicação de uso, solicitadas através dos termos n°s 9 e 10, mesmo depois de decorridos quase 1 (um) mês entre a ciência do termo n” 9 e a resposta ao termo n° 10”, são inverídicas, pois todas as informações foram prestadas tempestivamente, quando da resposta aos Termos 7 e 8, bastando compulsar o inteiro teor dessas respostas, para se concluir com bastante tranqüilidade de que a verdade está do lado da impugnante; . k) Após citar as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, argumenta que não restam dúvidas de que a solução de acetona deve ser classificada como acetona, segundo a regra 2b, que admite a matéria em estado puro ou misturada; 1) Aduz, ainda, que a classificação no capítulo 29, posições acetona (2914.1100) ou outros (2914.1990), é mais específica do que a classificação pretendida pelo Fisco, haja vista que os empregos da acetona e da solução de acetona são enormemente diversificados; ' m) Se há reparos à classificação da Impugnante, estes devem ser atribuídos ao critério adotado em relação'a algumas operações com o produto autuado no ano de 2005 (...), classificado, para fins fiscais, de modo equivocado pela impugnante, ensejando uma das infrações capituladas no auto de infração, visto que naquela oportunidade houve a adição, em pequena proporção, do coadjuvante corante, sem prejuízo das características essenciais do produto; n) Por conseguinte, a jurisprudência advinda do Conselho de Contribuintes, o acórdão provido em favor da impugnante de n° 20300.942, Recurso 90.602 do Segundo Conselho de Contribuintes, em 27/01/1994, a relevância dos fundamentos aduzidos na decisão judicial acima transcrita, que desfazem induvidosamente a controvérsia acerca do tema, a manifestação clara e inequívoca da Receita Federal através dos Pareceres Normativos CST de n°s 83/70 e 225/70 e a comprovação através de foto da embalagem utilizada para acondicionamento da acetona, sem qualquer indicação de sua aplicação e/ou utilização, comprovam o acerto da impugnante em classificar o produto no Capitulo 29 da TIPI e jamais no Capítulo 33, como quer a autoridade fiscal autuante. O) A classificação fiscal adotada pela impugnante tem amparo em decisão administrativa definitiva a seu favor, constituindo, nessa esteira, coisa julgada administrativa. Deveras, no passado, já fora autuada a impugnante em decorrência da classificação do seu produto na posição da TIPI correspondente à acetona, com decisão favorável ao recurso interposto pela impugnante pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes; p) De acordo com as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado, a classificação efetuada pela contribuinte está correta, a seguir descrita: a) produto autuado nos itens Fl. 711DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 712 5 7.12.1, denominado óleos 3301.19.00 (e não 3304.99.90 como classificado pelo fisco); b) produto autuado nos itens 7.12.2, denominado produtos capilares 3301.29.90 (e não 3305.90.00 como classificado pelo fisco); c) produto autuado nos itens 7.l2.3, denominado vaselina 2710.19.91 (e não 3304.99.90 como classificado pelo fisco); q) No tocante à multa pela não entrega de arquivos magnéticos, referiuse a autoridade administrativa à omissão dos arquivos magnéticos que compõem a base de dados do Sintegra (Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços) diante da não apresentação no ato da fiscalização destinada a apuração de débitos de IPI; . r) Concluise que a não apresentação de arquivos magnéticos pertencentes à base de dados Sintegra, destinados a envio exclusivo para a Secretaria do Estado da Fazenda, não pode resultar em tal gravame ao contribuinte em procedimento fiscalizatório sobre o IPI, de competência exclusivamente federal; . s) Merece ser afastada a multa aplicada pela correção da “suposta falta”, através da fungibilidade existente entre a documentação requerida e a apresentada para os fins que a fiscalização se prestava; t) Resta claro a impossibilidade de se utilizar a taxa de referência selic como taxa de juros moratórios para os créditos fiscais federais, como pretende a Lei 9.065/95, já que a mesma, tal como definido pelo seu regulamento, não possui característica de indenização, próprias dos juros moratórios. z) Isto posto, requer a improcedência do auto de infração em comento, com a extinção do crédito tributário e da multa regulamentar nele consubstanciados, assim como a juntada dos documentos comprobatórios do direito alegado, com fulcro no art. 16, § 4° do Decreto n° 70.235/72, haja vista o vasto material probatório e o remoto período relativo aos fatos autuados. Sobreveio decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2005 FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO A saída de produtos tributados, com falta de destaque do imposto em decorrência de erro de classificação fiscal, implica no lançamento de oficio do que deixou de ser recolhido por iniciativa do sujeito passivo, acrescido dos consectários legais. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 713 6 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA APLICAÇÃO Correta a aplicação da multa de oficio qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos o intuito de fraude. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO DE PENALIDADE. O contribuinte que se furta a atender no prazo estabelecido, sem justificativa plausível, à intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos, dará lugar ao agravamento da multa decorrente do lançamento de oficio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O processo administrativo tributário tem' como escopo decidir, na órbita administrativa, se houve ou não a ocorrência de fato gerador do imposto e, caso este tenha ocorrido, verificar se o lançamento esteve de acordo com a legislação aplicável. Logo, o julgador administrativo não deve se manifestar quanto ao processo de representação fiscal para fins penais, já que nele não há interesse tributário envolvido. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Nesse passo, o Fisco deve comprovar regularmente seu direito ao crédito tributário provando o acréscimo patrimonial. Já o contribuinte deve apresentar qualquer fato extintivo, modificativo ou impeditivo ao referido acréscimo. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 714 7 A recorrente sustenta também que a decisão recorrida não enfrentou todas as questões por ela exposta em sua impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Das preliminares A requerente sustenta a nulidade do procedimento fiscal devido a falta de motivação. Em atenção ao alegado, verificase que o auto de infração expõe com clareza as infrações praticadas pela recorrente, não se olvidando de nenhuma das informações exigidas pela legislação fiscal. As questões postas pela recorrente, em verdade, confundemse com a análise do mérito da causa, de forma que serão analisadas em outros pontos desta decisão. Assim sendo, negase provimento ao pleito de nulidade do auto de infração. Da classificação fiscal das mercadorias acetona A RFB modificou a classificação fiscal adotada pela recorrente em relação a produtos por ela industrializados a base de acetona, por entender mais adequada a posição 3304.30.00, devido aos produtos serem destinados à remoção de esmaltes de unhas e terem sido embalados para venda a retalho. A recorrente, a seu turno, sustenta que a classificação fiscal correta para seus produtos é a 2914.19.29, por ser mais específica do que a classificação pretendida pelo Fisco, afirmando que os empregos da acetona e da solução de acetona seriam diversificados. De acordo com o disposto na Regra nº1 para interpretação do Sistema Harmonizado, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições. Para tanto, reproduzimos o texto do código NCM 2914.19.29 (TIPI vigente à época dos fatos geradores): 29.14 CETONAS E QUINONAS, MESMO CONTENDO OUTRAS FUNÇÕES OXIGENADAS, E SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS 2914.1Cetonas acíclicas não contendo outras funções oxigenadas 2914.11.00Acetona Fl. 714DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 715 8 2914.12.00Butanona (metiletilcetona) 2914.13.004Metilpentan2ona (metilisobutilcetona) 2914.19Outras 2914.19.10 Forona 2914.19.2 Dicetonas 2914.19.21 Acetilacetona 2914.19.22 Acetonilacetona 2914.19.23 Diacetila 2914.19.29 Outras A nota 1a) do Capítulo 29 assim determina: 1.Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) Os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo que contenham impurezas; Portanto, é imprescindível que o produto, para ser classificado no capítulo 29, seja definido como um composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente. A recorrente informou que os produtos em questão tratamse de compostos de acetona com outros produtos químicos, e seriam indicados para remoção de esmaltes de unhas, informação esta confirmada no site da recorrente na internet. Não se trata, portanto, de um composto químico apresentado isoladamente. Desta forma, por determinação expressa da Nota 1a) do Capítulo 29, os produtos não podem ter sua classificação fiscal no Capítulo 29. A RFB entende que os produtos classificamse na posição 3304.30.00, que tem a seguinte redação: 33.04 PRODUTOS DE BELEZA OU DE MAQUILAGEM PREPARADOS E PREPARAÇÕES PARA CONSERVAÇÃO OU CUIDADOS DA PELE (EXCETO MEDICAMENTOS), INCLUÍDAS AS PREPARAÇÕES ANTISOLARES E OS BRONZEADORES; PREPARAÇÕES PARA MANICUROS E PEDICUROS [...] 3304.30.00 Preparações para manicuros e pedicuros A nota 3 do capítulo 33 esclarece ainda que: Fl. 715DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 716 9 3. As posições 33.03 a 33.07 aplicamse, entre outros, aos produtos, misturados ou não, próprios para serem utilizados como produtos daquelas posições e acondicionados para venda a retalho tendo em vista o seu emprego para aqueles usos, exceto águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais. Pois bem, tendo em vista que os produtos em comento tratamse de preparações para manicuros e pedicuros, e se encontram acondicionados para venda a retalho, mostrase correta a classificação fiscal adotada pelo Fisco, de forma a mostrarse correto o lançamento fiscal. Quanto à aplicação da regra 3.b, conforme alegado pela recorrente, ela somente é aplicável quando as regras anteriores se mostrarem insuficientes para classificar o produto. No presente caso, a classificação adotada pela fiscalização baseouse na regra 1, sendo, portanto, inaplicável as demais regras para interpretação do Sistema Harmonizado. A recorrente sustenta ainda ser aplicável à lide o inciso III do artigo 100 do CTN, que define com norma complementar as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, e o inciso II do mesmo artigo, pois possuiria decisão pretérita favorável. Observo, contudo, que a decisão a que se refere a recorrente não foi proferida com eficácia normativa, bem como o próprio lançamento que já foi objeto de julgamento administrativo demonstra a contrariedade das autoridades administrativas em relação ao entendimento da recorrente. Desta forma, deve ser mantida a exigência fiscal. Da classificação fiscal das mercadorias óleos vegetais para utilização no corpo A autoridade fiscal, em relação a diversos produtos industrializados pela recorrente, que em síntese correspondem a óleos vegetais para utilização no corpo, discordou da classificação fiscal adotada por esta. Entendeu que, devido a se tratarem de produtos destinados basicamente a tratamento corporal e terem sido embalados para venda a retalho, classificamse na posição 3304.99.90. A recorrente, contudo, sustenta que os produtos deveriam ser classificados na posição 3301.19.00, que admite matéria em estado puro ou misturada. Pois bem, a nota explicativa da posição 33.01 estabelece que: A Óleos essenciais , incluídos os chamados “concretos” ou “absolutos”; resinóides; oleorresinas de extração. Os óleos essenciais (também chamados essências) são matériasprimas de origem vegetal que se utilizam em perfumaria, em algumas indústrias alimentares ou em outras indústrias. Geralmente, a sua composição é muito complexa; contêm, especialmente, álcoois, aldeídos, cetonas, éteres, ésteres, fenóis e hidrocarbonetos terpênicos ou terpenos, em maiores ou menores Fl. 716DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 717 10 quantidades. Os óleos essenciais mantêm a sua classificação nesta posição mesmo que tenham sido desterpenados, isto é, mesmo quando lhes tenham sido eliminados os constituintes terpênicos, que lhes alteram o aroma. Na sua maior parte, são voláteis e só mancham o papel apenas de maneira passageira. (grifo nosso) A Nota 3 do capítulo 33, por sua vez, determina que: As posições 3303 a 3307 aplicamse, entre outros, aos produtos, misturados ou não, próprios para serem utilizados como produtos daquelas posições e acondicionados para venda a retalho tendo em vista o seu emprego para aqueles usos, exceto águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais. (grifo nosso) A Nota Explicativa da posição 3304 afirma ainda que A PRODUTOS DE BELEZA OU MAQUILAGEM PREPARADOS E PREPARAÇÕES PARA CONSERVAÇÃO ou CUIDADOS DA PELE, INCLUÍDAS AS PREPARAÇÕES ANTI SOLARES E OS BRONZEADORES Incluemse na presente posição: [...] 3) Os outros produtos de beleza ou de maquilagem preparados e as preparações para conservação ou cuidados da pele (exceto os medicamentos), tais como: os pósdearroz e as bases para o rosto, mesmo compactos, os talcos para bebês (incluído o talco não misturado, nem perfumado, acondicionado para venda a retalho), os outros pós e pinturas para o rosto, os leites de beleza ou de toucador, as loções tônicas ou loções para o corpo; a vaselina acondicionada para venda a retalho e própria para os cuidados da pele, os cremes de beleza, os cold creams, os cremes nutritivos (incluídos os que contêm geléia real de abelha); os cremes de proteção para evitar as irritações da pele; as preparações para o tratamento da acne (exceto os sabões da posição 34.01) próprios para limpeza de pele e que não contenham ingredientes ativos em quantidades suficientes para que se considerem como tendo urna ação essencialmente terapêutica ou profilática sobre a acne; os vinagres de toucador, que são misturas de vinagre ou de ácido acético com álcool perfumado. Este grupo compreende igualmente as preparações antisolares (filtros solares) e os bronzeadores. (grifo nosso) Em sendo estas as disposições normativas que regem a matéria, em especial a Nota 3 do capítulo 33, resta claro que os citados produtos devem ser incluídos na posição 3304, posto não se tratarem de óleos essenciais, mas sim de produtos de beleza acondicionados para venda a retalho. Desta forma, mostrase correta a autuação fiscal. Da classificação fiscal das mercadorias produtos capilares Fl. 717DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 718 11 Foram objeto de reclassificação fiscal alguns produtos industrializados obtidos com base em queratina e velluto, destinados a tratamento capilar e embalados para venda a retalho, aos quais a autoridade fiscal entendeu como correta a classificação na posição 3305.90.00. A recorrente, novamente, sustenta que os produtos deveriam ser classificados na posição 3301.19.00, que admite matéria em estado puro ou misturada. Relacionada a lide, em conjunto com as notas já citadas no tópico anterior, a Nota Explicativa da posição 3305 determina que: A presente posição compreende: [...] 4) As outras preparações para serem aplicadas nos cabelos, tais como brilhantinas; óleos, cremes (“pomadas”), fixadores; as tinturas (tintas*) e os produtos descolorantes para cabelos; os cremes para enxaguar (cremesrinses). Assim sendo, entendo que os citados produtos devem ser incluídos na posição 3305, posto não se tratarem de óleos essenciais, mas sim de produtos a serem aplicados em cabelos acondicionados para venda a retalho. Correto, portanto, o lançamento fiscal. Da classificação fiscal das mercadorias vaselina A autoridade fiscal reclassificou ainda o produto, entendendo que o mesmo deveria ser classificado na posição 3304.99.90, devido a ser destinado a tratamento corporal e ter sido embalado para venda a retalho. A contribuinte sustenta que a classificação correta seria na posição 2710.19.91. A posição pretendida pela recorrente tem a seguinte redação: 2710 Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos; preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto residuos de óleos. " 2710. 19.91 Óleos minerais brancos (óleos de vaselina ou parafina) Pois bem, da mesma forma como já esclarecido em relação aos demais produtos reclassificados, tendo em vista particularmente a Nota 3 do capítulo 33, resta claro que os citados produtos devem ser incluídos na posição 3304, posto se tratarem de óleos destinados a tratamento corporal acondicionados para venda a retalho. Desta forma, mostrase correta a exigência fiscal. Das receitas não comprovadas Fl. 718DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 719 12 Foi constituído crédito tributário de IPI em relação a receitas contabilizadas como decorrentes de prestação de serviços, mas que não possuíam documentos que comprovavam esta natureza. A recorrente contesta a exigência, arguindo que se estaria efetuando lançamento por presunção, pois o IPI estaria sendo exigido pela alíquota máxima. Afirma não haver prova da ocorrência dos fatos. Ingressandose na análise dos fatos, verificase que a recorrente contabilizou no ano de 2005 receitas no montante de R$ 1.884.658,70 referentes a serviços prestados. Intimada a apresentar as referidas notas ficais de prestação de serviços, informou que não possui nos seus objetivos sociais a atividade de prestação de serviços, e que o que ocorreu ao longo do anocalendário de 2005 foi a prestação de serviços eventuais, sem a emissão de nota fiscal de serviço, por não possuíla. Informa ainda, conforme descrito no relatório fiscal, que: Não utiliza livros auxiliares, inclusive Livro de Registro de Duplicatas; Efetuou os recebimentos de suas duplicatas exclusivamente através de cobranças bancárias, onde os lançamentos relativos aos recebimentos encontramse detalhados; Não possui o Livro de Registro de Duplicatas, pois efetua os controles das duplicatas através dos extratos bancários; Comprometese a identificar os clientes e respectivas duplicatas, desde que seja informado, com base nos Livros Razão, os lançamentos contábeis correspondentes. O contribuinte foi intimado, então, para: Apresentar a relação de todos os serviços prestados no ano de 2005, identificando os respectivos lançamentos contábeis; Informar para todo serviço prestado ao longo de 2005, e especialmente para os lançamentos contabilizados na conta PRESTAÇAO DE SERVIÇOS A PRAZO 4.01.02.02, qual foi o serviço prestado, a quem foi prestado, o valor e a forma de recebimento do mesmo; Apresentar todas as duplicatas ou documentos equivalentes relativos aos lançamentos contabilizados nas contas DUPLICATAS A RECEBER l.01.06.01 (Quadro 1) e contabilizado na conta DUPLICATAS A RECEBER 1.1.2.0l.002 (Quadro 2) [...] Apresentar os extratos bancários relativos a todas as contas bancárias da empresa para os meses de Janeiro até Julho e Outubro de 2005, tendo em vista a resposta ao Tenno de Intimação Fiscal n° 4, em que informa que os controles Fl. 719DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 720 13 auxiliares aos Livros Diário são feitos através dos extratos bancários. A estes questionamentos a contribuinte apresenta a seguinte resposta: Ratifica resposta dada anteriormente, onde informa que o que ocorreu ao longo de 2005, foi a prestação de serviços eventuais, com a respectiva tributação das receitas auferidas em relação ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, mas que não localizou os documentos e/ou elementos que pudessem comprovar a identificação dos serviços prestados, por não terem sido encontrados em seus arquivos, em virtude de um provável extravio; Informa que não tem condições de apresentar as duplicatas solicitadas, tendo em vista que as mesmas não foram localizadas em seus arquivos, em virtude de um provável extravio. Contudo, afirma que do total das duplicatas discriminadas no termo, no valor de R$ 2.190.363,77, R$ 1.884.658,70 referese a recebimentos das prestações de serviços e o restante a recebimentos relativos a vendas de mercadorias; Informa que não tem condições de apresentar os extratos bancários solicitados, tendo em vista que os mesmos não foram localizados em seus arquivos, em virtude de um provável extravio. Pois bem, o que se constata dos autos é que a recorrente não apresentou um único documento capaz de minimamente comprovar que as receitas por ela percebidas decorrem da prestação de serviços. Como bem coloca a recorrente, tratase de uma empresa que não possui em seu objeto social a prestação de serviços, e por isso não possui nenhum documento que ateste sua atividade. Neste contexto, e tendo em vista que a representatividade da receita declarada como prestação de serviços, que corresponde a aproximadamente 25% de sua receita bruta (R$ 7.624.325,89) no ano de 2005, a versão da recorrente não só não está comprovada por documentos que ela está legalmente obrigada a possuir como ainda é de difícil aceitação racional. Assim, mostrase correto o lançamento fiscal de exigir o IPI em relação às receitas de origem não comprovada. Em relação ao tributo estar sendo exigido por meio da alíquota mais elevada, a autoridade fiscal assim procedeu em atendimento ao disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 448 do RIPI/2002, que assim dispõe: Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da Fl. 720DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 721 14 mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matérias primas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). § 1º Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento.(Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) § 2º Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1º.(Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) Correta, portanto, a exigência fiscal. Da multa de ofício qualificada A recorrente contesta a imputação da multa qualificada devido à inexistência de crime contra a ordem tributária. Sustenta que o fato de não ter ofertado à tributação do IPI as receitas contabilizadas como sendo de prestação de serviços não configura fraude, pois o fato gerador encontravase exposto em seus livros contábeis. A multa foi aplicada pela autoridade fiscal em sua forma qualificada com a seguinte justificativa, extraída do relatório fiscal: 6.13.2. A multa foi qualificada tendo em vista que o contribuinte contabilizou venda de mercadorias como se fosse prestação de serviços, com o claro propósito de reduzir o valor do tributo devido, incidente sobre as vendas dos produtos por ela industrializados, o que configura o evidente intuito de fraude nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei 4.502, de 30/11/2004, conforme demonstrado anteriormente, e em especial conforme O disposto abaixo: 6.13.2.l. O contribuinte contabilizou, de forma resumida/consolidada, sempre no último dia de cada mês, de Janeiro até Setembro de 2005, as receitas com prestações de serviços, mas a despeito do disposto no art. 258 e nos parágrafos 1° até 4° do (RIR/99) não elaborou os correspondentes livros auxiliares demonstrando de forma individualizada os serviços prestados, a data da prestação, o destinatário e o valor, conforme resposta ao termo n° 4; 6.13.2.2. Apesar da receita com os serviços (R$ 1.884.658,87) corresponder a aproximadamente 1/4 da Receita Bruta (R$ 7.624.325,89), conforme balancete da empresa em 2005 (fls. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 722 15 143), o contribuinte afirmou tratarse de prestação de serviços eventuais, e não emitiu nenhuma nota fiscal, conforme resposta ao termo n° 3; 6.13.2.3. O contribuinte não apresentou nenhuma duplicata relativa aos recebimentos das receitas, relativas aos serviços prestados em 2005, sob o argumento que as mesmas não foram encontradas em função de possível extravio, conforme resposta ao termo n° 6, apesar de ter se comprometido a identificar os clientes e respectivas duplicatas, conforme resposta ao termo n° 4; 6.13.2.4. O contribuinte informou em resposta ao termo n° 4 que não possuía o Livro de Registro de Duplicatas e que efetuava os controles das mesmas via extratos bancários, mas quanto intimado a apresentálos, limitouse a informar, em resposta ao termo n° 6, que não tinha como apresentálos, tendo em vista que os mesmos não haviam sido localizados em ração de um possível extravio. No entanto, se quisesse realmente esclarecer os fatos, poderia ter requerido as 2” vias dos extratos junto aos bancos. 6.13.2.5. Apesar de não ter emitido notas fiscais de serviços, não ter encontrado nenhuma das duplicatas e extratos bancários correspondentes às receitas auferidas, não ter encontrado nenhum documento e/ou elementos que pudessem comprovar a identificação dos serviços prestados, conforme respostas aos termos n° 3 e 6, o contribuinte foi capaz de informar, com precisão de centavos, que do valor total das duplicatas solicitadas através do termo n° 6, R$ 1.884.658,70 referiamse a recebimentos de receitas advindas de serviços prestado, conforme resposta ao termo n° 6, o que demonstra que o contribuinte possui documentos, não apresentados. Os artigos 71 e 72 da Lei n.º 4.502, de 1964, citados pela autoridade fiscal como fundamento da qualificação da multa, assim dispõem: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedirou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 723 16 Importa verificar, desta forma, para legitimar a qualificação da multa, se a atitude da recorrente pode ser entendida com intencional, como dolosa, ou se, ao contrário, decorre de meros erros, não intencionais. A análise dos fatos, devidamente comprovados neste processo, não deixa dúvidas quanto à dolosidade de sua conduta. A recorrente, durante todo os períodos de apuração referentes ao ano calendário 2005, escriturou vultuosas receitas como sendo referentes a serviços prestados e, desta forma, não tributáveis pelo IPI, todavia não foi capaz de comprovar a origem de nenhum dos aludidos serviços. Nada. Sequer apresentou alguma justificativa coerente para a sua falta de comprovação, aludindo falta de formalização das operações e a ocorrência de inúmeros extravios de documentos outros que, quiça, permitiriam gerar alguma dúvida em relação ao ocorrência dos fatos. Assim sendo, mostrase correto o lançamento fiscal ao exigir a multa de ofício em sua forma qualificada. Da multa de ofício agravada A recorrente contesta o agravamento da multa de ofício aplicada em relação ao tributo devido em decorrência da reclassificação fiscal, sustentando ter se manifestado tempestivamente em relação a todos os termos lavrados pelo Fisco. A autoridade fiscal aplicou a penalidade com a seguinte justificativa: 7.18 Cabe informar que foi aplicada multa de oficio agravada previsto no parágrafo 7° do art. 488 do (RIPI/2002), tendo em vista que o contribuinte não forneceu as informações relativas à composição e indicação de uso, solicitadas através dos termos n°s 9 e 10, conforme demonstrado anteriormente, e em especial conforme o disposto abaixo: 7.18.1 Mesmo após decorrido quase 1 (um) mês, entre a ciência do termo n° 9 e a resposta ao termo n° 10, o contribuinte não atendeu, em relação a nenhum dos produtos, o solicitado nos termos n° 9 e 10, e nem ao menos explicou a divergência descrita no item 7.06.02, relatada nos termos n° 9 e 10. O artigo 488, §7º do RIPI/2002, utilizado como fundamento da penalidade, assim dispõe: Art. 488. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto destacado ou o recolhimento, após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45): I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória (Lei nº Fl. 723DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 724 17 4.502, de 1964, art. 80, inciso I, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45); ou II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, inciso II, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45). [...] § 7º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passam a ser de cento e doze e meio por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos e serão exigidas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 46): I juntamente com o imposto, quando este não houver sido destacado nem recolhido; ou II isoladamente, nos demais casos. O agravamento da penalidade decorre, portanto, do não atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. Observase, de pronto, que a recorrente respondeu as intimações, todavia sem ofertar as informações solicitadas. A autoridade fiscal intimou a contribuinte, por meio do Termo nº 8, a apresentar no prazo de 5 (cinco) dias úteis as seguintes informações: Informar a composição e indicação principal de uso dos produtos discriminados no quadro abaixo, em relação à produção da empresa em 2005 e atualmente, nos moldes das notíficações efetuadas à ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com base na normatização daquele órgão, e em especial O disposto na Resolução da Diretoria Colegiada RDC n°. 343, de 13/12/2005. A recorrente apresentou resposta questionando a exiguidade do prazo concedido, requerendo a dilação deste prazo para sessenta dias. A autoridade fiscal respondeu a recorrente no Termo nº 9, justificando o prazo de 5 dias desta forma: Por fim, em relação ao item 1.4, esclarecemos que o prazo de 5 (cinco) dias havia nos parecido compatível com o solicitado, tendo em vista que o contribuinte já possui em seu poder todas as informações solicitadas, conforme disposto nos Artigos 8° e 9° da Resolução da Diretoria Colegiada RDC n°. 343, de 13/12/2005 da ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária abaixo transcritos: "Art. 8° O preenchimento dos formulários eletrônicos contemplará, dentre outras, as seguintes informações: Fl. 724DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 725 18 111. Fórmula qualiquantitativa, função e bibliografia ou referência dos ingredientes; IV. Finalidade, modo de uso. " "Art. 9° Os documentos gerados ao final do procedimento eletrônico devem ser impressos, assinados pelo responsável Técnico e pelo Representante Legal da empresa e mantidos na empresa complementando toda a documentação relativa ao produto conforme estabelecido no Anexo III da Resolução Anvisa RDC N” 211, de 14 de julho de 2005, suas alterações, atualizações ou instrumentos que vierem a substituílo. "(gn) Na oportunidade, reintimou a recorrente para prestar as informações solicitadas, desta vez, no prazo de 20 (vinte) dias corridos. A recorrente, em resposta, novamente reclama do curto espaço de tempo, requerendo a ampliação deste. Pois bem, em sendo estes os fatos, constatase que a autoridade fiscal cometeu um equívoco, posto a citada Resolução da Diretoria Colegiada RDC ANVISA n°. 343, de 13/12/2005, iniciar sua vigência apenas em 01/01/2006. A recorrente, portanto, não tinha em seu poder os documentos a que se refere o artigo 9º desta Resolução, pois não tinha obrigação à época de gerálos. Não pode, assim, ser penalizada pela não apresentação dos mesmos. Desta forma, deve ser cancelada a exigência da multa na forma prevista pelo artigo 488, §7º do RIPI/2002 em relação ao IPI devido em decorrência da reclassificação fiscal. A recorrente contesta ainda o agravamento da multa em relação ao IPI lançado decorrente da não comprovação da origem das receitas escrituradas relacionadas a prestação de serviços. A autoridade fiscal justifica a exigência nestes termos: 6.13.1. A multa foi agravada tendo em vista que o contribuinte não apresentou nenhum dos documentos ou informações que pudessem identificar, em relação às receitas com prestações de serviços, o serviço prestado, a data da prestação, o destinatário e o valor, conforme demonstrado anteriormente, e em especial conforme o disposto abaixo: 6.13.1.1. Apesar de não ter emitido notas fiscais de serviços, não ter encontrado nenhuma das duplicatas e extratos bancários correspondentes às receitas auferidas, não ter encontrado nenhum documento e/ou elementos que pudessem comprovar a identificação dos serviços prestados, conforme respostas aos termos n° 3 e 6, o contribuinte foi capaz de informar, com precisão de centavos, que do valor total das duplicatas solicitadas através do termo n° 6, R$ 1.884.658,70 referiamse a recebimentos de receitas advindas de serviços prestados, conforme resposta ao termo n° 6, o que demonstra que o contribuinte possui documentos, não apresentados; Fl. 725DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 726 19 6.13.1.2. O contribuinte informou em resposta ao termo n° 4 que não possuía o Livro de Registro de Duplicatas e que efetuava os controles das mesmas via extratos bancários, mas quanto intimado a apresentálos, limitouse a informar, em resposta ao termo n° 6, que não tinha como apresentálos, tendo em vista que os mesmos não haviam sido localizados em ração de um possível extravio. No entanto, se quisesse realmente esclarecer os fatos, poderia ter requerido as 2' vias dos extratos junto aos bancos; 6.13.1.3. O contribuinte não apresentou nenhuma duplicata relativa aos recebimentos das receitas, relativas aos serviços prestados em 2005, sob o argumento que as mesmas não foram encontradas em função de possível extravio, conforme resposta ao termo n° 6, apesar de ter se comprometido a identificar os clientes e respectivas duplicatas, conforme resposta ao termo n° 4. De fato, em relação a esta infração, a recorrente deixou de prestar os esclarecimentos requeridos nas intimações, sendo que as justificativas apresentadas para o não atendimento foram de baixa credibilidade. Como aceitar que a recorrente teve extraviado todos os documentos referentes a 1/4 de suas receitas percebidas no ano de 2005? E mesmo que se aceite como factível a situação descrita pela recorrente, porque esta não tratou de buscar com seus parceiros comerciais ou com as instituições bancárias as informações solicitadas? Correto, portanto, o agravamento da multa imposta a recorrente em relação ao IPI lançado decorrente da não comprovação da origem das receitas escrituradas relacionadas a prestação de serviços. Da multa pela não entrega de arquivos magnéticos Foi aplicada multa equivalente a 1 (um) por cento da receita bruta da empresa no anocalendário de 2005, pelo não cumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas, prevista no prevista no art. 12, inciso III, da Lei n.º 8.218, de 1991 (artigo 504, inciso III, c/c art. 318, do RIPI 2002): Transcrevese abaixo os artigos 11 e 12 da Lei n.º 8.218, de 1991, que fundamentam a exigência: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser Fl. 726DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 727 20 diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (grifo nosso) A autoridade fiscal justifica a imposição nestes termos: Em 08/05/2009 o contribuinte foi reintimado através do Termo de Intimação Fiscal n° 2 (fls. 46/47), a apresentar os arquivos digitais. 5.02. Em 25/05/2009 o contribuinte apresenta (fls.48), em resposta o termo n° 2, em que apresenta arquivos digitais relativos aos meses de Outubro até Dezembro de 2005. 5.03. Em 04/06/2009 foi emitido Termo de Constatação e Reintimação Fiscal n° 3 (fls. 50/52), onde é relatado, dentre Fl. 727DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 728 21 outras coisas, a constatação de que foram apresentados somente parte dos arquivos digitais solicitados, sendo que a parte apresentada (arquivos de contabilidade relativos aos meses de 10 até 12/2005) estava com os dados inconsistentes. 5.04. Em 10/06/2009 o contribuinte apresenta novamente mediante resposta (fls 53/54 ), relativa ao termo n° 3, os arquivos digitais relativos à contabilidade do período de 10 até 12/2005 e ratifica a informação prestada em 06/05/2009 de que não possui os demais arquivos digitais solicitados. Em 24/06/2009 foi emitido Termo de Constatação Fiscal n° 5 ( fls. 59/61 ), onde é informada a constatação de que os arquivos digitais não foram entregues ou foram entregues com dados inconsistentes. A recorrente esclarece a não apresentação dos arquivos magnéticos nestes termos: Em relação a esse item, a contabilidade ao longo do ano calendário de 2005, estava a cargo do Escritório Suspensão Ltda., com endereço à Rua Geraldo Teixeira da Costa. Esse escritório infelizmente não deixou disponível para a empresa Lemos e Rago Ltda., esses arquivos, se limitando somente a entregar os livros acima listados. Com a mudança para outro escritório, a partir de 2006, a empresa Lemos e Rago tem disponíveis esses arquivos, que caso necessário, poderemos disponibilizar para esta fiscalização. Em relação ao SINTEGRA do anocalendário de 2005, aconteceu exatamente o mesmo fato relatado no parágrafo anterior. Cabe ressaltar, que nas visitas da fiscalização estadual,apresentamos esta justificativa e pela falta desse arquivo, jamais fomos autuados, visto que apresentamos todas as Notas Fiscais de Entradas e Saídas. Tendo em vista não termos condições técnicas de apresentarmos os arquivos magnéticos solicitado na Intimação, colocamonos ao inteiro dispor desta fiscalização, para caso seja necessário, apresentaremos imediatamente todas as Notas Fiscais de Entradas e Saídas de Mercadorias, referente ã nossa movimentação no anocalendário de 2005, para os levantamentos que julgar necessários. (Termo de Entrega de Documentos fl. 44) Do exposto, resta claro que a contribuinte utilizava sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. A recorrente, contudo, não cumpriu sua obrigação de manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. O fato de o escritório de contabilidade contratado por esta para a tarefa não ter disponibilizado os arquivos não serve de justificativa perante o Fisco. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 729 22 A recorrente contesta a exigência, aludindo que a presente penalidade não pode abranger a não entrega de arquivos do Sintegra (Sistema Integrado de Informações sobre Operações interestaduais com Mercadorias e Serviços), pois tais dados não se encontrariam na competência federal. A limitação a que se refere a recorrente, contudo, não se encontra prevista na legislação fiscal. Percebase que a redação do dispositivo é ampla, obrigando as pessoas jurídicas que utilizam sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, a manter, à disposição da SRF, os respectivos arquivos digitais e sistemas. Inexiste qualquer vedação quanto aos dados solicitados terem origem em banco de dados do fisco estadual ou mesmo municipal. Ademais, não foram apenas os arquivos do Sintegra que não foram entregues, mas praticamente todos os documentos passíveis de comprovar a sua escrituração contábil referente ao período de janeiro a setembro de 2005. Restando configurada a inobservância da obrigação contida no artigo 11 da Lei nº 8.218, de 1991, mostrase correta a imputação da multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Ressaltese que a revogação tácita da presente penalidade decorrente da modificação operada pela Lei nº 12.766, de 2012, na redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, não atinge a conduta praticada pela recorrente, pois esta não manteve a disposição da RFB os arquivos digitais e sistemas de processamento eletrônico de dados. O revogação tácita operase apenas em relação aos contribuintes que não apresentem ou o façam incorreta ou intempestivamente declaração, demonstrativo ou escrituração digital mas possuem a escrituração eletrônica, o que não é o caso da recorrente. Este entendimento é corroborado pelo Parecer Normativo RFB nº 3/2013, do qual se extrai o excerto abaixo transcrito: [...] 2.3. A multa genérica para descumprimento de obrigação acessória passou para uma que serve para os casos de não apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital por qualquer sujeito passivo, ou que os apresentar com incorreções ou omissões. Como novidade, o inciso II determina que os prazos para a apresentação dos documentos descritos no caput não podem ser inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias da intimação. [...] 4.1. O legislador poderia ter dado nova redação ao art. 72 da MP nº 215835, de 2001, o qual deu a atual redação dos arts. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 730 23 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, em vez de ter alterado o art. 57 da MP. Se não o fez, chegase à conclusão que tais dispositivos continuam vigentes, com exceção das situações de incompatibilidade com o novo art. 57. Isso tendo em vista o critério cronológico, já que eles têm o mesmo grau hierárquico e são normas específicas. Analisamse de forma comparada, portanto, os elementos do atual art. 57 da MP nº 215835, de 2001, com os arts. 11 e 12 da Lei nº8.218, de 1991; 4.2. No elemento pessoal, o sujeito passivo da Lei nº 8.218, de 1991, é a pessoa jurídica que utiliza sistema eletrônico de processamento de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. Já a multa da Lei nº 12.766, de 2012, não possui delimitação. É apenas o sujeito passivo, ou seja, qualquer um cuja conduta contrária ao direito enseje a sanção. 4.3. O elemento material possui verbos distintos. Enquanto a nova lei fala em “deixar de apresentar” declaração demonstrativo ou escrituração digital, ou os “apresentar com incorreções ou omissões”, a Lei nº 8.218, de 1991, traz, no art. 11, a conduta esperada, que é “manter à disposição” os respectivos arquivos digitais e sistemas das pessoas jurídicas destinatárias da conduta: os “sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal”. A multa é pela sua inobservância. 4.4. Na literalidade do disposto na Lei nº 12.766, de 2012, a multa é para aqueles sujeitos, quaisquer que sejam, que não apresentem ou o façam incorreta ou intempestivamente declaração, demonstrativo ou escrituração digital. Eles não apresentam, mas possuem a escrituração eletrônica. Já a Lei nº 8.218, de 1991, é para aquelas pessoas jurídicas que nem mantêm os arquivos digitais e sistemas à disposição da fiscalização de maneira contínua. Objetivamente a infração ocorre (seu “fato gerador”) com a não apresentação, apresentação incorreta ou intempestiva, mas os elementos materiais são distintos. 4.5. Caso a Fiscalização comprove que a pessoa jurídica não apresentou o demonstrativo ou escrituração digital por não ter escriturado e, concomitantemente, não mantém os arquivos à disposição de maneira contínua à RFB, tal conduta se amolda no aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Ressaltese que a falta de existência de comprovação da falta de escrituração digital de maneira contínua quando seja obrigatória (caso da Escrituração Contábil Digital (ECD), por exemplo) deve ser demonstrada e comprovada. 4.6. Na situação do item 4.5, é importante que a aplicação da multa prevista nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, se Fl. 730DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 731 24 coadune com a distinção dos aspectos materiais dela em relação ao novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. A simples não apresentação de documentos sem a comprovação de que faltou a escrituração não pode gerar a multa mais gravosa, mas sim a geral de que trata o novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. Havendo dúvidas quanto a esse fato ou não se conseguindo comproválo, aplicase a multa mais benéfica da Lei nº 12.766, de 2012, em decorrência do que determina o art. 112, inciso II, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). 4.7. Caso tais arquivos não sejam apresentados pela pessoa jurídica na forma que deveriam ser feitos, em decorrência da inexistência de dispositivo específico na Lei nº 12.766, de 2012, aplicase o disposto no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Isso porque é uma conduta cuja sanção não se encontra na multa da Lei nº 12.766, de 2012, mas na do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Esse último dispositivo continua em vigência e deve ser aplicado quando não haja divergência com a nova lei. (grifo nosso) Desta forma, mantêmse a exigência da penalidade. Da Selic A recorrente questiona a utilização da taxa Selic para a correção dos débitos fiscais. Observo, contudo, que esta questão já se encontra pacificada nesta casa, sendo objeto, inclusive, da sumula CARF nº 4, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta forma, negase o pleito da recorrente. Do acórdão da DRJ A recorrente, em seu recurso voluntário, afirma que o voto da relatora do acórdão recorrido furtouse em analisar e/ou rebater as razões de defesa apresentadas na peça impugnatória, fugindo de todas as questões de direito nela suscitadas. Bem, o que se verifica, em verdade, é que a recorrente não ficou satisfeita com a decisão administrativa recorrida, que negou provimento a todos os seus pleitos, mas isso não significa que a decisão não tenha abordado as questões. Esclarecese a recorrente, ainda, que o julgador não está obrigado a rebater todo e qualquer argumento exposto na peça impugnatória; basta que a decisão aborde todas as questões e se manifeste de forma clara e motivada, requisitos este que foram observados pelo órgão julgador. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15504.019621/200918 Acórdão n.º 3201002.202 S3C2T1 Fl. 732 25 Quanto à utilização no acórdão de legislação não contemporânea dos fatos geradores, qual seja o artigo 44 da Lei nº 9430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, tendo em vista que a modificação legal se restringiu ao texto, mantendose integramente a penalidade imposta a recorrente, entendo que este equívoco do órgão julgador é irrelevante, não viciando a decisão recorrida. Diante de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, devendo ser cancelado o agravamento da multa em relação ao IPI lançado decorrente da não comprovação da origem das receitas escrituradas relacionadas a prestação de serviços, mantendose os demais valores exigidos. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 732DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10166.730163/2013-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009, 2010
CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetem- se à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. Logo, apenas o reajuste efetuado com base nos custos de produção ou com base na variação de índice que reflita a variação dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço como predeterminado.
A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS
Numero da decisão: 9303-003.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente Substituto
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Charles Mayer de Castro Souza (Substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ELETRONORTE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetem se à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. Logo, apenas o reajuste efetuado com base nos custos de produção ou com base na variação de índice que reflita a variação dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço como predeterminado. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 01 63 /2 01 3- 12 Fl. 4361DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.337 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Charles Mayer de Castro Souza (Substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo que busca a reforma do Acórdão nº 3403003.482 (fls. 4255 a 4263) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 12/12/2014, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário por unanimidade de votos, tendo sido assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009, 2010 COFINS. REGIME CUMULATIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA. Não descaracteriza a condição de preço predeterminada a previsão de cláusula de correção monetária baseada no IGPM ou IPCA, pois tais índices no contrato têm como objetivo preservar o valor do preço predeterminado pelas partes, evitando, assim, os efeitos nefastos da inflação sobre os preços. COFINS. REGIME CUMULATIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. INSTRUÇÃO NORMATIVA N 658/2006. A Instrução Normativa nº 658/2006, da RFB, nunca poderia ter restringido o conteúdo do inciso XI, do artigo 10 da Lei n 10.833/2003, sem prévia autorização legal, em sentido expresso, nem a IN SRF n 468/2004, conforme reconhecido pelo STJ. Precedente judiciais e administrativos. Recurso Voluntário Provido. Para elucidar a questão posta nos autos, adotase em parte o relatório do voto proferido no recurso voluntário, que bem descreve os fatos ocorridos nos seguintes termos: Fl. 4362DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.338 3 Trata se de auto de infração lavrado contra a empresa Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. Eletronorte, apurado por meio do Mandado de Procedimento Fiscal nº 01.1.01.002012026147 relativo ao cumprimento das obrigações tributárias referentes à Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, período de apuração 2009 e 2010. Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal de fls. 4.011 a 4.075, entendeu a Fiscalização que a contribuinte, nos anos de 2009 e 2010, embora tendo apurado o PIS e a Cofins no regime cumulativo, já estava sujeita ao regime não cumulativo. Isso porque, a juízo da autoridade lançadora, não se aplicava no caso concreto o disposto no inciso XI, do art. 10, da Lei nº 10.833/2003. Foi descaracterizada a figura do preço predeterminado, dado que a contribuinte, apesar de intimada, não logrou comprovar que os reajustes dos preços ocorreram em função do acréscimo dos custos de produção ou de índices que refletissem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Portanto a contribuinte não teria demonstrado que os reajustes ocorreram em percentual não superior àqueles correspondentes ao acréscimo dos custos de produção. Os contratos foram reajustados pelo IGPM e IPCA. Concluiu a Fiscalização que esses índices refletem a variação dos preços de uma forma geral, compreendendo desde produtos agrícolas até serviços finais ao consumidor, e, por isso, não atendem ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2005, nem à Instrução Normativa SRF nº 658/2006. Nenhum desses índices refletiria especificamente a variação ponderada dos custos dos insumos necessários à execução dos contratos firmados pela contribuinte, o que afastaria o caráter predeterminado dos preços praticados. A contribuinte apresentou Impugnação, em que alega o seguinte: As receitas cuja tributação se discute são decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003. A Instrução Normativa SRF nº 658/2006, na linha do disposto no art. 109 a Lei nº 11.196/2005, reconheceu a aplicação do regime cumulativo aos contratos em que o ajuste de preço se efetivasse em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo do custo de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada os custos dos insumos utilizados; O preço predeterminado em contrato não perde a sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/2003, fosse excluir os contratos com preço preestabelecido e clausula de reajuste, o termo empregado seria preço fixo e não preço predeterminado; A tarifa de energia elétrica é regulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, não cabendo às concessionárias decidir quanto à sua majoração. Existe manifestação da própria Receita Federal, nos processos administrativos 14033.003352/20818 e 10166.911300/200923, no sentido de que o regime aplicável à Cofins e ao PIS é o da incidência cumulativa; Fl. 4363DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.339 4 Quanto à multa, arguiu a inadequação do percentual, tendo em vista a boa fé da impugnante, no mais, a penalidade tem caráter de confisco, cabendo, na eventualidade de ser mantido o lançamento, a redução do percentual para 20%. A DRJ julgou a Impugnação improcedente sob os seguintes fundamentos. Sobre a matéria, a Receita Federal, através da Coordenação Geral de Tributação, se pronunciou pela Nota Técnica Cosit nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, sustentando o entendimento de que o IGPM não atende à exigência do art. 109 da Lei nº 11.196/2005. A DRJ utiliza como fundamento a decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento de Porto Alegreque apreciou questão semelhante ao presente processo, citando o voto da Relatora Ana Cristina Schneider Martins,que basicamente, se apega à aplicação da Instrução Normativa n 658/2006. A decisão utlizada como fundamento cita, ainda que: Portanto, em que pese orientação da ANEEL, que por meio da Nota Técnica n° 224/2006 SFF/ANEEL, entendeu que a utilização do IGPM não descaracteriza a condição de preço predeterminado dos contratos firmados pela autuada, esse não é o posicionamento adotado pela Receita Federal do Brasil. E finaliza o seu voto, concluindo pela Nota Cosit n 01/2007, anteriormente citado pela DRJ: A Coordenação de Tributação da Receita Federal do Brasil por meio da Nota Cosit no 1, de 16 de fevereiro de 2007 se posicionou de forma contrária ao entendimento da ANEEL. Essa posição foi corroborada pelo Parecer PGFN/CATn° 1610/2007, emitido pela CoordenaçãoGeral de Assuntos Tributários da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que reitera suas alegações constantes na Impugnação, e descreve que em respostas aos Termos de Intimação 1 a 9, forneceu toda a documentação e explicações solicitadas pelo auditor fiscal, especialmente acerca da manutenção das receitas de contratos firmados anteriormente a outubro de 2003 no regime de tributação cumulativa. É o relatório. [...] Conforme descrito inicialmente, sobreveio acórdão que deu provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte entendendo que as cláusulas de correção monetária adotadas nos contratos do Sujeito Passivo, como IGPM e IPCA, não retiram dos referidos instrumentos a característica de preço predeterminado, os quais seguem no regime de tributação cumulativo das contribuições do PIS e da COFINS. Fl. 4364DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.340 5 Não resignada com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 4265 a 4282) suscitando divergência quanto ao regime de tributação do PIS e da COFINS, cumulativo ou nãocumulativo, a que devem ser submetidas as receitas decorrentes de contratos do setor elétrico firmados anteriormente a 31/10/2003, após o reajuste pelo IGPM e IPCA do preço predeterminado, previsto no art. 10, inciso XI, alínea "b", da Lei nº 10.833/2003. Trouxe como paradigmas os acórdãos de nº 210200.001 e 20219.497. A Recorrente aduziu em seu apelo, em síntese, que: (i) a regra de exceção prevista no art. 10, inciso XI, alíneas "b" e "c" da Lei nº 10.833/03, em que se funda a defesa do Sujeito Passivo, tem caráter excepcional e transitório, com intuito de os Contribuintes prepararemse para a sistemática não cumulativa, sem, no entanto, tornar permanente a sujeição dos contratos do setor elétrico ao regime cumulativo; (ii) o reajuste estipulado no contrato não descaracteriza o preço predeterminado apenas se for equivalente ao custo da produção ou se utilizar índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II, §1º, art. 27 da Lei nº 9.069/1995. Caso contrário, estarse á diante da hipótese de tributação pelo regime nãocumulativo do PIS e da COFINS; (iv) o limite autorizado de reajuste dos contratos, para que não perdessem a natureza de preço predeterminado, foi fixado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005, sendo que a sua inobservância impõe a tributação das receitas pelo regime nãocumulativo; (v) o IGPM não se constitui em índice que reflita a variação dos custos de produção e dos insumos utilizados no setor elétrico. No entender da Fazenda Nacional, caberia à empresa demonstrar que o índice, efetivamente, está em consonância com as variações dos insumos da atividade que presta. Comprovada a divergência jurisprudencial apontada, admitiuse na íntegra o recurso especial da Fazenda Nacional por meio de despacho do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF em exercício, proferido em 20/05/2015 (fls. 4284 a 4286). O Sujeito Passivo apresentou contrarrazões (fls. 4300 a 4312), postulando a negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Reitera os argumentos de que a atualização monetária por índice previamente estabelecido nos contratos não desnatura sua característica de preço predeterminado, e, por conseguinte, defende a manutenção da tributação das receitas decorrentes dos mesmos pelo regime cumulativo do PIS e da COFINS. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 11/12/2015, com numeração eletrônica até a folha 4335 (quatro mil trezentos e trinta e cinco), estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 4365DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.341 6 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello O recurso especial da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, uma vez tempestivo e devidamente comprovada a divergência jurisprudencial suscitada em relação ao direito da Contribuinte permanecer no regime da cumulatividade do PIS e da COFINS, após o reajuste pelo IGPM e IPCA do preço predeterminado, previsto no art. 10, inciso XI, alínea "b", da Lei nº 10.833/2003. Em atenção ao pleito do Sujeito Passivo veiculado nas contrarrazões, no sentido do não conhecimento do recurso especial, consignese que a discussão sobre a matéria ainda não foi pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo, prestandose os acórdãos indicados como paradigma pela Recorrente a comprovar a divergência. Portanto, não há de se fazer reparos no exame de admissibilidade constante no despacho de fls. 4284 a 4286. Transposta a questão da admissibilidade, adentrarseá ao mérito do recurso especial. Delimitase a controvérsia em torno da determinação do regime de tributação de PIS e COFINS (cumulativo ou não cumulativo) a que devem ser submetidas as receitas decorrentes de contratos do setor elétrico firmados anteriormente a 31/10/2003, após o reajuste pelo IGPM e IPCA do preço predeterminado, previsto no art. 10, inciso XI, alínea "b", e art. 15, inciso V, ambos da Lei nº 10.833/2003: COFINS Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...] b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; [...](grifouse) PIS/PASEP Fl. 4366DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.342 7 Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Inequívoco que, para permanência na sistemática de tributação do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo, as receitas a serem tributadas devem ser de contratos que possuam as seguintes características: (i) tenham sido firmados em data anterior a 31/10/2003; (ii) seu prazo de duração seja superior a 1 (um) ano; (iii) conste como objeto a construção por empreitada ou o fornecimento de bens ou serviços; e (iv) seja estipulado preço predeterminado. A controvérsia posta neste, e em outros casos semelhantes, centrase no requisito referente ao "preço predeterminado", impondose a tarefa de se fazer emergir um conceito para o termo. Para tratar do tema, em novembro de 2005, foi editada a Lei nº 11.196/05 que, em seu artigo 109, definiu hipótese de reajuste do valor dos contratos que não descaracteriza a condição de preço predeterminado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. (grifouse) De outro lado, o §3º do art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, ato normativo editado pela Secretaria da Receita Federal para interpretar os comandos legais que tratam do preço predeterminado, dispôs que: DO PREÇO PREDETERMINADO Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: Fl. 4367DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.343 8 I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. (grifouse) Da leitura dos dispositivos, depreendese que o texto da Instrução Normativa SRF nº 658/2006 apenas reiterou o disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/05, no sentido de que a simples aplicação de um índice de reajuste ao contrato não é suficiente para desnaturar a sua condição de "preço predeterminado". A lei nova teve por objetivo integrar a lei anterior conferindolhe a interpretação mais adequada. Esclareçase, ainda, que o inciso II, §1º, art. 27 da Lei nº 9.069/1995, citado nos dois comandos legais, em nada altera o conceito, apenas reproduz o mesmo texto: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: [...] II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; (grifouse) Com relação a esse dispositivo, o Ilustre Conselheiro Ivan Allegretti manifestou se no sentido de que o intuito da lei era possibilitar que os contratos pudessem ser corrigidos por outros índices que não aquele previsto no caput, ao proferir o acórdão nº 3403003.480 do qual se reproduz parte, passando a integrar a presente fundamentação: [...] Vale perceber, ainda, que na sua origem remota, quando o conceito surgiu no art. 27 da Lei nº 9.069/95, pretendiase – em relação aos “contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – autorizar que nestes casos se pudesse utilizar um critério de atualização diferente daquele índice específico fixado no caput. Fl. 4368DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.344 9 No presente caso, o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 utiliza o mesmo conceito para dizer que o reajuste não configura uma alteração de preço, nem alteração de contrato, mas apenas a preservação dos ajustes necessários ao preço, justamente para permitir a duração do contrato pelo longo período de tempo para o qual foi concebido para durar. Assim, o reajuste por índice de correção previsto no próprio contrato original, firmado e vigente antes de 31 de outubro de 2003, não pode implicar na sua exclusão do conceito de contrato por preço determinado, prevista no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003. Entendo, por isso, que a aplicação do índice de atualização previsto no contrato não desqualificou o “preço predeterminado”, mantendose as receitas no tratamento previsto no art. 10, XI, da Lei nº 10.833/2003 [...]. Entendese, portanto, que a aplicação de um índice de correção monetária não descaracteriza o “preço determinado” referido pelo art. 10, inciso XI, da Lei nº 10.833/2003, mas apenas repõe a desvalorização da moeda frente à inflação, restabelecendo o equilíbrio econômico entre as partes do contrato. Nesse sentido, inclusive, já se manifestaram o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região: TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Fl. 4369DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.345 10 Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. (REsp 1089998/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 30/11/2011) (grifouse) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA CUMULATIVIDADE. CONTRATO DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. CLÁUSULA DE REAJUSTE. ART. 10, XI, DA LEI 10.833/2003. INSTRUÇÕES NORMATIVAS 468/2004 E 658/2006. ILEGALIDADE. PRECEDENTES DESTA CORTE E DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PEDIDO PROCEDENTE. 1. O Secretario da Receita Federal, ao editar as Instruções Normativas 468/2004 e 658/2006, inovou em relação à determinação anteriormente prevista na Lei 10.833/2003, alterando o conceito de caráter predeterminado do preço. Precedentes: (AC 200533000019491, JUIZ FEDERAL MÁRCIO LUIZ COÊLHO DE FREITAS, TRF1 1ª TURMA SUPLEMENTAR, eDJF1 DATA:17/12/2012 PAGINA:659; AGA, JUÍZA FEDERAL GILDA SIGMARINGA SEIXAS (CONV.), TRF1 SÉTIMA TURMA, eDJF1 DATA:15/07/2011 PAGINA:145.) e AGRESP 201200355487, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:17/09/2012..DTPB:.) 2. Apelação da autora provida para assegurar a sua sujeição ao regime cumulativo das contribuições para o PIS e COFINS, em relação às receitas provenientes dos contratos firmados com a CBEE, nos termos do disposto no art. 10, inciso XI, alínea b da Lei n. 10.833/2003, afastando as disposições do art. 3º, §2º, da Instrução Normativa n. 658/2006. 3. Apelação da União e remessa oficial, tida por interposta, às quais se nega provimento. (AC 00251919120054013400, JUIZ FEDERAL RODRIGO DE GODOY MENDES, TRF1 SÉTIMA TURMA, eDJF1 DATA:14/11/2013 PAGINA:1165.) (grifouse) Adentrandose a análise do caso concreto, verificase que os contratos abrangidos por este processo administrativo estabelecem como índice de correção monetária para reajuste dos preços o IPCA. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, ao prover integralmente o recurso voluntário interposto pela Contribuinte, por bem entender que a previsão de cláusula de correção monetária, baseada no IGPM ou IPCA não descaracteriza a condição de preço predeterminado, fez constar na fundamentação do acórdão: [...] por variação monetária, conforme é cediço, devese entender a simples manutenção do valor da moeda no tempo, sendo, portanto, natural que a Recorrente e seus contratantes adotem o IGPM ou o IPCA, para melhor refletirem a atualização da moeda, pois tais índices se fundamentam em cesta de índices e levam em conta a variação real de preços aplicáveis ao dia a dia. Ou seja, o IGPM e o IPCA objetivam manter atualizado o preço dos contratos, evitando, assim, que o valor estabelecido pelas partes, Fl. 4370DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.346 11 predeterminado, seja corroído pelos efeitos da inflação, medida justamente por tais índices que não passam de índices de correção monetária. Mas não é só! Analisando o Relatório e o Voto, até o presente patamar, não se faz necessário muito esforço de raciocínio para se concluir que a Instrução Normativa RFB n 468/2004 e 658/2006 são completamente órfãs, pois sob o argumento de buscarem suposta validade na Lei n 10.833/2003, elas acabam extrapolando o seu conteúdo, restringindo a aplicação do inciso XI, do artigo 10 do referido Diploma Legal. Apenas a Lei poderia dispor sobre o que se considera preço predeterminado ou, conforme intentou fazer as IN´s, restringir o conteúdo da norma contida no inciso XI, do artigo 10 da Lei n 10.833/2003, mas nunca uma mera Instrução Normativa que, como observado anteriormente, não encontra embasamento prévio em Lei. [...] Dessa forma, não há como manter a autuação na forma lavrada, pois além das razões anteriormente descritas, ela contraria inclusive precedentes judiciais e administrativos do próprio CARF. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer que as cláusulas de correção monetária adotadas pela Recorrente, tais como o IGPM e o IPCA, não desnaturam a característica de preço predeterminado de seus contratos, que continuam sendo tributados pelo regime cumulativo de apuração das Contribuições ao PIS e COFINS. [...] (grifouse) Portanto, não havendo a descaracterização da condição de preço predeterminado por cláusula contratual prevendo o reajuste por índice de correção monetária, estáse diante de contratos que preenchem integralmente os requisitos estabelecidos na exceção do inciso XI, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, sendo imperiosa a manutenção da tributação das receitas deles decorrentes pelo regime de tributação do PIS e da COFINS cumulativo. Ainda, consignese que caberia à Fiscalização verificar se a atualização monetária implementada no contrato (IGPM, IPC ou outro índice) descaracterizou o preço predeterminado com um reajuste superior à variação dos custos dos insumos, até porque em alguns casos esses índices podem refletir variação inferior àquela verificada para os custos dos insumos utilizados. Nesse sentido, pronunciouse a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção, no acórdão nº 3101001.682, de 19/08/2014, de relatoria do Ilustre Conselheiro Luiz Roberto Domingo, cujos fundamentos são incorporados a este voto, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2010 Fl. 4371DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.347 12 COFINS. CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. O preço predeterminado previsto em contrato com prazo superior a 1 (um) ano, de fornecimento de bens ou serviços, não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária com base em índice geral de preços. Nos termos da O art. 3º, § 3º, da IN SRF nº 658/2006, caberá à administração tributária fiscalizar os reajustes de preços efetivamente aplicados a partir pós 31 de outubro de 2003, a fim de verificar se não foram superiores ao correspondente acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, o que representa limite objetivo para manutenção da característica de “contrato a preço predeterminado”. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Voto Vencedor Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Portanto, a pedra angular da lide posta nos autos restringese a decidir se o recorrente deveria apurar o PIS e a Cofins no regime cumulativo ou no regime nãocumulativo. Essa matéria foi enfrentada e votada na sessão passada no processo nº 19515.722154/201145, de relatoria do conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cujo voto o acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo e utilizálo com razões de decidir, verbis: A discussão em debate centrase em decidir qual regime de tributação estavam sujeitas as receitas decorrentes de contratos do setor elétrico firmados anteriormente a 31/10/2003, se pelo regime cumulativo ou nãocumulativo do PIS e da Cofins. De um lado, o sujeito passivo defende que suas receitas permaneceram tributadas pelo regime da cumulatividade, por Fl. 4372DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.348 13 força do disposto na 1alínea b do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, de outro, o Fisco entendeu que as condições para que as receitas auferidas pela contribuinte permanecessem tributadas pelo regime cumulativo não foram atendidas, e que, portanto, deveriam ter sido recolhidas na nova sistemática, ou seja, na nãocumulatividade. A controvérsia, pois, reside na questão de se decidir qual o regime de tributação de incidência do PIS e da Cofins aplicase às receitas decorrentes dos contratos de prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, firmados pela ora recorrida. Se permanece no cumulativo, com amparo nas disposições da alínea “b”, inciso XI, do artigo 10, e artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, ou no não cumulativo, enquadrandose na regra do novo regime de tributação dessas contribuições. O âmago dessa controvérsia restringese à definição do que se deve entender por contrato com preço predeterminado, a que se refere a alínea b do inciso XI do art. 10 da Lei 10.833/2003. O Fisco, com arrimo na Nota Técnica Cosit nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, e no Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, entendeu que o tipo de contratado de prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, celebrado pela ora recorrida, não se enquadraria como contrato de preço predeterminado, pois as cláusulas de reajuste de preços, com base no IGPM, não refletiriam apenas a variação de custo de produção ou de insumos, condição necessária para a manutenção da incidência cumulativa do PIS e da Cofins sobre as receitas relativas a esse contrato. Inicialmente, afasto os argumentos da autuada sobre a competência da ANEEL para regulamentar a incidência de tributos, ainda que relativo a atividades do Setor Elétrico. As Notas Técnicas e as Resoluções dessa agência reguladora aplicase às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. A competência dessa agencia reguladora, abrange a seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos, mas não é tão ampla a ponto de alcançar as relações de natureza tributária. Assim, eventuais pronunciamentos da ANEEL sobre regime de tributação aplicáveis a quem quer que seja, é meramente opinativa, despida de qualquer força normativa ou vinculante. Tampouco pode ser incluída no rol da legislação tributária a que alude o art. 96 do CTN. 1 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...). XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Fl. 4373DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.349 14 Desta feita, aqui não será debatido eventual opinião da ANEEL sobre o regime de tributação do PIS e da Cofins, a que está sujeita a recorrida. Com esses esclarecimentos, passase à análise da questão trazida debate. O PIS e a Cofins foram instituídas na sistemática de incidência cumulativa, posteriormente, com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, instituise o regime nãocumulativo para o PIS/Pasep, com efeitos a partir de 1º de dezembro de 2002. A seu turno, a Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, trouxe para a Cofins o regime nãocumulativo. Todavia, algumas pessoas jurídicas permaneceram obrigadas a recolher essas contribuições na sistemática cumulativa. Também permaneceram sujeitas à incidência cumulativa algumas receitas percebidas pela sociedade empresária, independentemente, do regime a que ela estava sujeita. Essas exceções foram explicitadas nos arts. 10 e 15 da Lei nº 10.833/2003, nos termos seguintes: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º I Omissis ........................................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) Omissis b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I Omissis ......................................................................................................... V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Os dispositivos acima não deixam margem à dúvida de que, para permanecerem na sistemática cumulativa, as receitas objeto deste debate precisariam referirse a contratos que atendessem a quatro requisitos, a saber: Fl. 4374DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.350 15 a) houvessem sido firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003; b) tivessem prazo de duração superior a um ano; c) tivessem por objeto construção por empreitada ou fornecimento de bens ou serviços; e d) o preço pactuado fosse predeterminado. Quanto aos três primeiros requisitos dos contratos, não há controvérsia, apenas o último – o do preço predeterminado – é que se converteu no pomo da discórdia. A definição de preço predeterminado gerou grande celeuma, levando os interessados a reajustarem seus contratos por índices de inflação, acreditando que, com isso não se descaracterizaria os contratos como por preço predeterminado, inclusive, com a anuência da agência reguladora do setor. Assim, não interessaria quanto tempo durasse o contrato, o preço continuaria o pactuado no início, já que a correção por índice de inflação não alteraria o preço préacordado. Em novembro de 2005, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, trouxe regra de reajuste dos contratos que não desnaturaria a característica de preço predeterminado. Esse reajuste teria de refletir o custo de produção ou a variação de índices que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Com a palavra o legislador: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por sua vez, editou a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, para interpretar os dispositivos legais que tratam do preço predeterminado. Segundo a interpretação da Administração Tributária, cláusulas de reajuste, independentemente da periodicidade, como também as regras de reajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, após sua implementação, afastariam o caráter predeterminado do contrato. Para não haver a descaracterização de preço predeterminado, o reajuste não poderia exceder o aumento do custo de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 4375DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.351 16 Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. §1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. §2º Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. §3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A meu sentir, a interpretação dada por essa IN é perfeitamente compatível com norma veiculada no art. 10 da Lei 10.833/2003 e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. Na verdade, é uma reprodução literal do texto legal. Ora, dada a similitude da regra trazida na IN com a veiculada na lei, não me parece coerente atacar a interpretação da Administração Tributária. Assim, para que o ajuste ou revisão de preço não descaracterizem o contrato como de preço predeterminado, o acréscimo deve refletir o aumento do custo de produção, ou a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Visitada a legislação, passase ao exame das cláusulas contratuais que têm relevância ao deslinde da Lide. Neste mister, socorrome da análise feita pelo relator do acórdão de primeira instância, a quem, desde já rendo as homenagens de estilo. 36. No caso concreto, analisando as Cláusulas Sexta dos Contratos de Concessão de Transmissão nº 59/2001 (fls. 27342736) e nº 143/2001 (fls. 28112813), verificase que a receita decorrente do serviço de transmissão (Contrato de Prestação de Serviços de Transmissão CPST) consiste de Receita Anual Permitida (RAP), a ser reajustada anualmente conforme as fórmulas lá postas, da qual é integrante o Índice Geral de Preços Mercado – IGPM da Fundação Getúlio Vargas. 37. A Quinta Subcláusula da Cláusula Sexta do Contrato de Concessão de Transmissão nº 59/2001 prevê que: “No atendimento ao disposto no § 3º, art. 9º, da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a assinatura deste CONTRATO, quando Fl. 4376DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.352 17 comprovado seu impacto, implicará revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA, para mais ou para menos, conforme o caso.”. Igual previsão consta da Oitava Subcláusula da Cláusula Sexta do Contrato de Concessão de Transmissão nº 143/2001. 38. Portanto, estes contratos não só são corrigidos pelo IGPM, mas como também pela variação tributária. O fato de tais reajustes estarem expressamente previstos em cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, em princípio, já afastaria o caráter predeterminado das tarifas acordadas, a partir da implementação da primeira alteração de preços, após 31 de outubro de 2003. 39. Resta então verificar se tais cláusulas de reajustes (com base no IGPM e em razão da alteração, extinção ou criação de tributos ou encargos setoriais com o objetivo de atender à “manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão”) enquadrase no conceito de “reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”, para fins de aplicação do art. 109, da Lei nº 11.196, de 2005. 40. O IGPM, segundo informações constantes do site da Fundação Getúlio Vargas – FGV (www.fgv.br), tem as seguintes características: ...................................................................................................... O IGPM tem como base metodológica a estrutura do Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI),resultando da média ponderada de três índices de preços: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM), o Índice de Preços ao Consumidor (IPCM) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCCM). À semelhança do IGPDI, a escolha desses três componentes do IGPM tem origem no fato de refletirem adequadamente a evolução de preços de atividades produtivas passíveis de serem sistematicamente pesquisadas (operações de comercialização em nível de produtor, no varejo e na construção civil). Quanto à adoção dos pesos convencionados, cujos valores representam a importância relativa de cada um desses índices no cômputo da despesa interna bruta, justificase do seguinte modo: a) os 60% representados pelo IPAM equivalem ao valor adicionado pela produção, transportes e comercialização de bens de consumo e de produção nas transações comerciais a grosso; b) os 30% de participação do IPCM equivalem ao valor adicionado pelo setor varejista e pelos serviços de consumo; c) quanto aos 10% complementares, representados pelo INCC M, equivalem ao valor adicionado pela indústria da construção civil. Fl. 4377DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.353 18 41. Está claro então que não se trata de índice que reflita especificamente os custos da autuada. Não há como entender que um índice de reajustes com base em preços médios de mercado, como o IGPM, seja um índice que reflita o custo dos insumos de transmissão de energia elétrica. 42. Assim, tal tipo de índice de variação não reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelo contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção. Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriomente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM), que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matérias primas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos Veja, a seguir, a estrutura desse índice. Estrutura hierárquica do IPAM Segundo Origem (OG) IPAM PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LAVOURAS TEMPORÁRIAS LAVOURAS PERMANENTES PECUÁRIA PRODUTOS INDUSTRIAIS INDÚSTRIA EXTRATIVA CARVÃO MINERAL MINERAIS METÁLICOS MINERAIS NÃOMETÁLICOS Fl. 4378DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.354 19 INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO PRODUTOS ALIMENTÍCIOS E BEBIDAS PRODUTOS DO FUMO PRODUTOS TÊXTEIS ARTIGOS DO VESTUÁRIO COUROS E CALÇADOS PRODUTOS DE MADEIRA CELULOSE, PAPEL E PRODUTOS DE PAPEL PRODUTOS DERIVADOS DO PETRÓLEO E ÁLCOOL PRODUTOS QUÍMICOS ARTIGOS DE BORRACHA E DE MATERIAL PLÁSTICO PRODUTOS DE MINERAIS NÃOMETÁLICOS METALURGIA BÁSICA PRODUTOS DE METAL MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA MÁQUINAS, APARELHOS E MATERIAIS ELÉTRICOS MATERIAL ELETRÔNICO, APARELHOS E EQUIPAMENTOS DE COMUNICAÇÃO VEÍCULOS AUTOMOTORES, REBOQUES, CARROCERIAS E AUTOPEÇAS OUTROS EQUIPAMENTOS DE TRANSPORTE MÓVEIS E ARTIGOS DO MOBILIÁRIO Segundo Estágios de Processamento (EP) IPAM BENS FINAIS BENS DE CONSUMO ALIMENTAÇÃO ALIMENTAÇÃO IN NATURA ALIMENTOS PROCESSADOS COMBUSTÍVEIS Fl. 4379DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.355 20 NÃO DURÁVEIS EXCETO ALIMENTAÇÃO E COMBUSTÍVEIS BEBIDAS E FUMO VESTUÁRIO, CALÇADOS E ACESSÓRIOS MEDICAMENTOS E ARTIGOS PARA RESIDÊNCIA, HIGIENE E LIMPEZA BENS DE CONSUMO DURÁVEIS UTILIDADES DOMÉSTICAS AUTOMÓVEIS E ACESSÓRIOS BENS DE INVESTIMENTO VEÍCULOS PESADOS MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS BENS INTERMEDIÁRIOS MATERIAIS E COMPONENTES PARA MANUFATURA MATERIAIS E COMPONENTES PARA CONSTRUÇÃO COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA PRODUÇÃO EMBALAGENS SUPRIMENTOS MATÉRIASPRIMAS BRUTAS AGROPECUÁRIAS COMERCIALIZÁVEIS PROCESSAMENTO INDUSTRIAL PARA FINS ALIMENTARES PROCESSAMENTO INDUSTRIAL PARA FINS NÃO ALIMENTARES MINERAIS 2.1. ESTRUTURA DA AMOSTRA DE PRODUTOS A seleção dos produtos integrantes do IPA se faz em duas etapas. Primeiramente, são escolhidas as classes de produtos a serem representadas e, em seguida, os produtos considerados em cada uma destas classes. Índice Geral de Preços – Mercado De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são Fl. 4380DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.356 21 aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção. Não fossem as razões expendidas acima suficientes para refutar a tese de defesa da autuada, o inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, ao qual remete o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, deixa claro que a correção de preços por variação do Índice de Preços ao Consumidor, ou de índices gerais de preços que o tenham sucedido, é, absolutamente, distinta da fórmula de reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. vejase o dispositivo acima aludido Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados;...” Como se pode observar da leitura do dispositivo acima, o legislador diferenciou, nitidamente, os índices de preços gerais daqueles que refletem os custos de produção ou os custos dos insumos. Como bem observou o relator da Primeira instância, enquanto os primeiros refletem a variação de preços ao consumidor, a lei, quando se refere aos custos de insumos, remete a índices que traduzam os preços dos bens, materiais, equipamentos e pessoal utilizado pelas empresas para a consecução de suas finalidades econômicas. 45. Portanto, emerge dos próprios dispositivos legais que tratam da matéria em tela que variações de preço com base em índices Fl. 4381DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.357 22 gerais de preços descaracterizam os preços contratados pela impugnante como predeterminados. De tudo o que foi dito acima, não há como deixar de reconhecer que os contratos da recorrida, objeto da controvérsia ora em debate, não se caracterizavam como de preço predeterminado, e, por conseguinte, o regime de tributação do PIS e da COFINS, incidentes nas receitas referentes a esses contratos deve ser o nãocumulativo, como, acertadamente, decidiu o órgão julgador de primeira instância. Aliás, aqui peço licença para, mais uma vez, transcrever excerto do acórdão primeiro como arrimo desta decisão. 46. Além disso, ressaltese que a exceção contida no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/2006 diz respeito apenas ao reajuste de preços efetuado em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação do índice. Desta forma, ainda que considerássemos admissível a utilização do IGPM para fins do disposto naquele dispositivo, caberia à impugnante demonstrar que o reajuste efetuado não ultrapassa o limite nele fixado, o que também não foi feito. 47. Do exposto, concluise que os contratos em questão não se caracterizam como a preço predeterminado, para fins de enquadramento nas hipóteses prevista na alínea “b” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, razão pela qual as receitas da impugnante deles decorrentes submetemse a tributação pelo regime nãocumulativo das contribuições. 48. Quanto ao reajuste decorrente de criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, notese que está disposto em cláusula contratual que quando comprovado seu impacto, implicará revisão da Receita Anual Permitida RAP. 49. Cabe agora, então, destacar a aplicação da lei para os contratos e licitações efetuados pela União, ante a menção da IN SRF nº 658/2006, art. 3º, inciso II, de que o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Vejamos o que diz o § 5º do art. 65 citado pela lei: § 5º Quaisquer tributos ou encargos legais criados, alterados ou extintos, bem como a superveniência de disposições legais, quando ocorridas após a data da apresentação da proposta, de comprovada repercussão nos preços contratados, implicarão a revisão destes para mais ou para menos, conforme o caso. ........................................................................................................ 51. Ademais, relendo o art. 109 da Lei n° 11.196/2005, salvo nas hipóteses lá expressas, quaisquer reajustes de preços Fl. 4382DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.358 23 ocasionarão a descaracterização como preço predeterminado. E as duas únicas possibilidades, como já exaustivamente colocado, são: o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Isto quer dizer que para reajustar seus preços e permanecer atendendo ao disposto na regra de exceção da nãocumulatividade (ou seja, manterse na cumulatividade), a contratada deve demonstrar que não está aplicando um índice aos seus próprios preços, mas sim, que os preços das etapas econômicas anteriores é que foram modificados: somente neste caso, o incremento do valor do contrato não estaria refletindo o aumento da carga tributária da própria contratada, mas de um aumento de custo de sua produção. 52. O objetivo da exceção posta na lei era evitar o desequilíbrio contratual imprevisto. Entretanto, nos contratos em que há a previsão de que eventuais alterações na carga tributária influenciam diretamente nos preços acordados não há razão para manter a empresa signatária na regra temporária (cumulatividade). O que é óbvio porque a revisão de valor do preço da própria contratada, obrigatoriamente leva à modificação legislativa introduzida pela Lei n° 10.833/2003, dando ensejo à sua entrada no campo da nãocumulatividade. 53. Ressaltese que no caso dos contratos em questão, entretanto, essa circunstância é irrelevante, pois neles, como já visto, o reajuste anual é efetuado, essencialmente, com base na variação do IGPM e esse índice, de caráter genérico, não pode ser aceito como reflexo da variação do custo de produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção, nos termos do art. 109 da Lei n° 11.196/2005. Agora digo eu. Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Caso o resultado da aplicação do índice eleito superasse o resultado da aplicação do índice previsto na IN SRF nº 658/2006, deveria deixar de aplicálo e assim se manteria no regime cumulativo. Compulsando os autos, não identifiquei documentos que demonstrassem o cotejo entre os dois índices acima mencionados e, por consequência, sua intenção de se manter no regime cumulativo. Feitas essas breves considerações, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 4383DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 9303003.543 CSRFT3 Fl. 4.359 24 É como voto. Sala de sessões, 17/03/2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Fl. 4384DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001820/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2009
SEGURADO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO.
A contribuição do Segurado Especial destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212/91, é de 2,0 % e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos dos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. COOPERATIVA CONSTITUÍDA E EM FUNCIONAMENTO NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Para efeito da apuração da contribuição previdenciária devida pelo segurado especial, as vendas de sua produção rural realizadas a cooperativas constituídas e em funcionamento no país são consideradas vendas internas e, portanto, tributáveis.
A imunidade tributária prevista no inciso I do §1º do art. 149 da CF/88 alcança, tão somente, as receitas decorrentes de exportação, ou seja, decorrente da própria operação de exportação realizada com adquirente domiciliado no exterior.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SONEGAÇÃO.
Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
SENAR. SEGURADO ESPECIAL. RECEITA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCIDÊNCIA.
Por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, integram a base de cálculo da contribuição para o SENAR tanto as receitas brutas provenientes da comercialização da produção rural realizadas por Segurado Especial com empresas constituídas e em funcionamento no país, mesmo as cooperativas, como aquelas decorrentes de exportação, ou seja, realizadas com adquirente domiciliado no exterior.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL COM EMPRESA CONSTITUÍDA E EM FUNCIONAMENTO NO PAÍS. IMUNIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não incidem as contribuições previdenciárias sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos rurais, cuja comercialização ocorra diretamente com adquirente domiciliado no exterior.
A imunidade não alcança a receita decorrente de comercialização de produção rural, por Segurado Especial com empresa constituída e em funcionamento no País, a qual é considerada como receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto rural.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Numero da decisão: 2302-003.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento quanto à contribuição previdenciária devida pela cooperativa, na condição de sub-rogada, ao adquirir produto rural de produtor rural pessoa física, nos termos do voto divergente vencedor, devendo a multa aplicada ser recalculada, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz que entenderam pelo provimento do recurso. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
Andrea Brose Adolfo - Relatora ad hoc na data da formalização.
Marcelo Oliveira - Redator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. A contribuição do Segurado Especial destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212/91, é de 2,0 % e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos dos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. COOPERATIVA CONSTITUÍDA E EM FUNCIONAMENTO NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Para efeito da apuração da contribuição previdenciária devida pelo segurado especial, as vendas de sua produção rural realizadas a cooperativas constituídas e em funcionamento no país são consideradas vendas internas e, portanto, tributáveis. A imunidade tributária prevista no inciso I do §1º do art. 149 da CF/88 alcança, tão somente, as receitas decorrentes de exportação, ou seja, decorrente da própria operação de exportação realizada com adquirente domiciliado no exterior. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SONEGAÇÃO. Qualificase como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 18 20 /2 01 0- 91 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 133 2 SENAR. SEGURADO ESPECIAL. RECEITA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCIDÊNCIA. Por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, integram a base de cálculo da contribuição para o SENAR tanto as receitas brutas provenientes da comercialização da produção rural realizadas por Segurado Especial com empresas constituídas e em funcionamento no país, mesmo as cooperativas, como aquelas decorrentes de exportação, ou seja, realizadas com adquirente domiciliado no exterior. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL COM EMPRESA CONSTITUÍDA E EM FUNCIONAMENTO NO PAÍS. IMUNIDADE. INEXISTÊNCIA. Não incidem as contribuições previdenciárias sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos rurais, cuja comercialização ocorra diretamente com adquirente domiciliado no exterior. A imunidade não alcança a receita decorrente de comercialização de produção rural, por Segurado Especial com empresa constituída e em funcionamento no País, a qual é considerada como receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto rural. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 134 3 multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento quanto à contribuição previdenciária devida pela cooperativa, na condição de subrogada, ao adquirir produto rural de produtor rural pessoa física, nos termos do voto divergente vencedor, devendo a multa aplicada ser recalculada, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz que entenderam pelo provimento do recurso. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator). Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 135 4 Relatório Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora designada ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação tributária DEBCAD n° 37.276.2280, consolidado em 27/08/2010, em face de COOPERATIVA TRITICOLA REGIONAL SANTO ANGELO LTDA, no valor de R$ 3.175.458,21 (três milhões cento e setenta e cinco mil quatrocentos e cinquenta e oito reais e vinte e um centavos), referente contribuição da empresa, na alíquota de 2,0% sobre a comercialização da produção rural realizada pelo segurado especial cooperado, na condição de adquirente cooperativa. Segundo o relatório fiscal, em análise da conta contábil denominada “Reserva Incentivo Exportação”, verificouse que a Recorrente deixou de cumprir as obrigações tributárias em destaque, originadas pela aquisição de produção rural dos cooperados – fato que consubstancia operação realizada internamente, não acobertadas pela imunidade. Apresentada impugnação pelo Autuado, o lançamento foi mantido, in totum, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, nos termos da ementa proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2009 Auto de Infração Debcad n° 37.276.2280 CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO ESPECIAL. SUJEIÇÃO PASSIVA DA COOPERATIVA (RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO). HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA E IMUNIDADE. Quando o produtor rural, cooperado ou não, recebe pelo produto entregue à cooperativa, resta evidenciada a comercialização e, portanto, a subsunção do fato à hipótese de incidência de tributação inserta no art. 25 da lei n° 8.212/91. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 136 5 Somente quando a cooperativa exporta diretamente a produção de seus filiados é que a operação terá a imunidade de que trata o art. 149, § 2o, I, da CF/88, eis que pratica ato cooperado, agindo em nome dos produtores rurais, alienando para pessoa situada no exterior. A contribuição do segurado especial foi instituída sob o comando autorizativo do parágrafo oitavo do art. 195 da CF/88, de forma que nenhum vício de inconstitucionalidade recai sobre ela. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão, o Autuado interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: a) Que é cooperativa de produção agrícola e agroindustrial com quadro social de 7.500 associados, na sua maciça maioria composto de mini e pequenos produtores rurais, espalhados por vários municípios , cuja produção é por ela recebida, beneficiada, armazenada, industrializada e comercializada em comum; b) Que a cooperativa agrega produtores associados promovendo a defesa de seus interesses econômicos e profissionais, através de prestação de serviços, compra em comum de artigos necessários à sua produção e subsistência, classificação, padronização, industrialização e venda da sua produção e subprodutos, isto é, realiza o denominado ATO COOPERATIVO, e com isso fomenta o desenvolvimento econômico de seu quadro social; c) Aduz que em face da isenção prevista na Carta Magna (inciso I do § 2º do art. 149 da CF/88) a cooperativa descontou dos cooperados, cujos produtos entregues foram exportados, o percentual de 2% do valor do recebimento daqueles produtos, mas deixou de recolher à Previdência Social a Contribuição Previdenciária sobre a comercialização de produtos rurais (art. 25 da lei nº 8.212/91); d) Argumenta que, de acordo com a Ata da Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 04/08/2007, a Cooperativa não sofreria a exação da contribuição previdenciária sobre a comercialização de produtos agrícolas destinados à exportação, já que os associados concordaram em autorizar a cooperativa que realizasse uma retenção de 2% sobre o valor dos produtos entregues (e que foram exportados) e destinasse os recursos retidos para um fundo de incentivo à exportação; e) Pondera que a hermenêutica tópica e sistemática do art. 30, inciso III e IV, da Lei nº 8.212/91, consubstanciada em jurisprudência remansosa e homótona do Egrégio Superior Tribunal de Justiça consagram que a cooperativa não é adquirente da produção de seu associado. Em nome dos associados, a entidade cooperativa comercializa sua produção agrícola a terceiros; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 137 6 f) Argumenta que a cooperativa apenas é adquirente de produto rural quando adquire de terceiros e não de associados. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 138 7 Voto Vencido Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do Mérito Das Exportações Quando da apresentação de sua impugnação, a ora Recorrente pleiteou o reconhecimento da impossibilidade de incidência de tributos sobre as receitas decorrentes das exportações de produtos rurais destinados à exportação com base na imunidade prevista no inciso I do § 2° do artigo 149 da Constituição Federal, que dispõe: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; Não obteve, todavia, a Recorrente, em primeira instância, julgamento procedente do seu pedido, visto que, no entender da decisão recorrida, o benefício previsto no dispositivo constitucional em comento seria restrito apenas àquelas exportações realizadas diretamente pelo cooperado, conforme se depreende do artigo 245 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/05, que estabelece: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 139 8 Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capitulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso Ido ,§ 2° do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional n°33, de 11 de dezembro de 2001. § 1° Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no Pais é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Os Julgadores de piso entenderam não restar comprovado nos autos do presente processo, a realização de atos cooperativos, tendo em vista que a exportação dos produtos rurais comercializados pela Recorrente teria se dado em momento posterior à entrega da produção rural pelos cooperados – que consiste em operação própria – ausente, portanto o suporte fático ensejador da imunidade prevista no inciso I do § 2° do artigo 149 do Diploma Maior. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer, pois a referida exação afronta não só uma série de princípios normativos referentes aos limites dos poderes de atuação da Administração Pública, como também vai de encontro à própria inteligência consagrada pelo dispositivo constitucional em comento, que é a de viabilizar a comercialização da produção rural pátria no exterior e possibilitar, consequentemente, a afirmação do Brasil como potência econômica no competitivo cenário da economia globalizada, assim como o preceito constitucional disposto no artigo 146, III, "c", de que o ato cooperativo deve receber adequado tratamento tributário e, no artigo 174, § 2º , em que restou ditada que a lei apoiará e incentivará o cooperativismo e outras formas de associativismo. Outrossim, a autuação em fustigo efetuou lançamento sobre fato imponível não existente, ao considerar a entrega da produção rural pelo cooperado a cooperativa uma operação distinta da exportação. Vêse, claramente, que foi violado o conceito legal de ato cooperado, previsto no artigo 79 e seu parágrafo único, da Lei nº 5.764/71, in verbis: Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si, quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Podese dizer, insofismavelmente, que o ato cooperativo é o suposto jurídico, ausente de lucro e de intermediação, que realiza a organização cooperativa em cumprimento de um fim preponderantemente econômico e de utilidade social. Tal conceituação se coaduna com o recebimento da produção rural pela cooperativa, com o fim precípuo de negociála no mercado externo, proporcionando lucros e benefícios ao cooperado. É de sabença acadêmica, que também faz parte das funções das cooperativas atuar no mercado, eliminando intermediários e obtendo, em razão disto, maiores vantagens Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 140 9 patrimoniais aos cooperados. Desta maneira, costumase dividir os atos praticados pelas cooperativas em cooperativos e nãocooperativos. O ato cooperativo vem disciplinado no art. 79 da Lei nº 5.764/71 e são aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para consecução dos objetivos sociais da cooperativa. Sob esse prisma, convém trazer ao lume a doutrina do Mestre Fábio Ulhoa Coelho, bastante elucidativa nesse ponto, conforme se observa pelas seguintes transcrições: “A colaboração entre os sócios para todos alcançarem mais facilmente a satisfação de sua necessidade individual é a marca distintiva da cooperativa. Nas sociedades de qualquer tipo, os sócios combinam seus esforços num objetivo comum. Assim também na cooperativa; nesse tipo, contudo, o objetivo é a facilitação do atendimento às necessidades individuais dos sócios. A motivação dos cooperativados é a de organizar uma sociedade em torno do mecanismo típico do mutualismo. O modelo cooperativista é marcado pela dispensa ou variabilidade de capital, pelo ingresso livre e voluntário, pelo concurso de sócios em número mínimo necessário a compor a administração da sociedade, sem limitação de número máximo, pela administração democrática, pela distribuição de despesas e resultados proporcionalmente às operações do sócio, pela despatrimonialização relativa das cotas1.” Outrossim, o art. 83, do mesmo diploma legal, dispõe sobre o ato cooperado concernente a tradição da produção do cooperado e cooperativa: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. Nessa toada, se a intenção do legislador constitucional era desonerar as exportações, fazendo com que o preço do produto brasileiro seja competitivo no mercado internacional, a interpretação dada pela Receita Previdenciária entendendo como ato de comércio a entrega do produto rural à cooperativa, esquecendose que estas são uma longa manus do produtor rural quando efetiva a exportação, acabou por fazer permanecer onerada a exportação dos produtos rurícolas brasileiros. Como o dispositivo constitucional mencionado supra não faz qualquer distinção entre o tipo de exportação passível de ser abrangida pela imunidade nele prevista, isto é, não diferencia a exportação direta daquela realizada por intermédio de cooperativa, não cabe à Administração Pública determinar que apenas as operações de exportações realizadas diretamente com adquirente domiciliado no exterior é que são aptas ao gozo do referido favor constitucional, pois ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus (onde o legislador não distingue, não cabe ao intérprete distinguir). Tal premissa hermenêutica, oriunda dos clássicos brocardos latinos, pode, inclusive, ser traduzida, no contexto contemporâneo do Estado Democrático de Direito, como uma forma de manifestação do Princípio da Legalidade, o qual, no âmbito do Direito 1 Fábio Ulhoa Coelho, cit., pp. 466 e ss. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 141 10 Administrativo, determina a completa submissão da Administração Pública ao que está legalmente positivado. A Administração Pública deve, portanto, tãosomente primar pela obediência e pelo cumprimento dos dispositivos legais. “Daí que a atividade de todos os seus agentes, desde o que lhe ocupa o cúspide, isto é, o Presidente da República, até o mais modesto dos servidores, só pode ser a de dóceis, reverentes e obsequiosos cumpridores das disposições gerais fixadas pelo Poder Legislativo, pois esta é a posição que lhes compete no Direito brasileiro”. (MELLO, 1999) Bem assim, para usar a terminologia de Robert Alexy, o Princípio da Legalidade atua como mandado de otimização da atividade administrativa e, no que pertine às questões tributárias, implica que “qualquer das pessoas políticas de direito constitucional interno somente poderá instituir tributos, isto é, descrever a regra matriz de incidência ou aumentar os existentes, majorando a base de cálculo ou a alíquota, mediante expedição de lei (CARVALHO, 2005), sendo este, inclusive, o teor do artigo 150, inciso I da Constituição Federal, que dispõe: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...) Portanto, se não há qualquer distinção feita por significante normativo competente no sentido de estabelecer o alcance da expressão “exportação” encontrada no inciso I do §2º do artigo 149 da Constituição Federal, de forma a determinar o tipo de atividade exportadora abrangido pela imunidade tributária nele prevista, não cabe à administração pública, sob pena de afronta ao Princípio da Legalidade, restringir o referido favor constitucional apenas às exportações realizadas diretamente com o adquirente domiciliado no exterior, tributando aquelas que se realizarem por intermédio de cooperativas. Todavia, apesar de tão óbvio e claro preceito, a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio de sua Instrução Normativa MPS/SRP nº 03, de 14 de julho de 2005, em seu artigo 245, estabeleceu que, em relação às atividades rurais e agroindustriais, a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do artigo 149 da Constituição Federal seria restrita às exportações realizadas diretamente entre o produtor e o comprador externo, excluído as operações feitas pelas cooperativas em nome dos cooperados. Tal situação, todavia, não só afronta uma série de princípios expressamente consagrados pelo Diploma Maior no escopo de proteger o contribuinte de exações indevidas, como também, por tabela, acaba por deturpar gravemente o próprio conceito de tributo consagrado pelo nosso ordenamento jurídico e por descaracterizar a atuação da Administração Pública, a qual, conforme já afirmado, deve ser guiada unicamente pelo que está expressamente previsto em lei. Destarte, está o contribuinte, munido de um verdadeiro estatuto de proteção contra as eventuais arbitrariedades indevidas que possam, equivocadamente, vir a ser contra ele cometidas, como é o caso da edição da referida instrução normativa a partir da errônea interpretação do teor I do §2º do artigo 149 do Diploma Magno. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 142 11 Dentre esses preceitos, está o já citado artigo 150, inciso I da Carta Magna o qual veda, expressamente, aos entes que compõem a federação a exigência ou aumento de tributos sem que haja a devida correspondência legal. Tal dispositivo, faceta tributária do Princípio da Legalidade característico do Estado Democrático de Direito, repercute de maneira significativa no conceito de tributo consagrado pelo nosso ordenamento jurídico e elencado no artigo 3º do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. (Grifo meu) Da leitura do referido artigo, fica clara origem exclusivamente legal do tributo, ou seja, só será tributo aquilo que for expressamente determinado pelo respectivo diploma legislativo, cabendo a este, por sua vez, não apenas a mera instituição da exação fiscal, mas também, “a definição da hipótese ou hipóteses em que o mesmo será devido, vale dizer, da hipótese de incidência, dos sujeitos da obrigação correspondente, e ainda da indicação precisa dos elementos necessários ao conhecimento do valor a ser pago, vale dizer, da base de cálculo e da alíquota, bem como do prazo respectivo.” (MACHADO, 1998) Ora, conforme já anteriormente afirmado, inexiste dispositivo legal estabelecendo a distinção acerca do tipo de atividade exportadora abrangido pela imunidade consagrada pelo inciso I do §2º do artigo 149 da Constituição Federal. Dessa forma, não pode a administração pública determinar que apenas aquelas realizadas diretamente com o adquirente domiciliado no exterior é que são imunes à incidência de contribuições previdenciárias, independentemente de quaisquer argumentos no sentido de justificar a tributação das exportações realizadas por intermédio de cooperativas. Ademais, considerando o Princípio da Legalidade, é descabido o argumento de que a edição da referida instrução normativa se deu no escopo de determinar o meio correto de interpretação da imunidade prevista no inciso I do §2º do artigo 149 da Constituição Federal, pois, embora tenha a instrução o objetivo de prescrever a maneira pela qual a administração pública conduzirá a execução dos seus serviços, não pode esta premissa servir de base indireta para a instituição de um tributo, vez que este só pode ser instituído a partir da edição de um expresso dispositivo legal. O entendimento de que a imunidade prevista no inciso I do §2º do artigo 149 da Constituição deve ser aplicado, também, às exportações realizadas por intermédio de cooperativas em razão de não haver distinção acerca do tipo de operação por ela abrangido. No escopo de corroborar este entendimento, destacamse as seguintes ementas, de julgados em sentido semelhante: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO AGRAVO DE INSTRUMENTO EM FACE DA DECISÃO QUE DEFERIU LIMINAR PARA DETERMINAR A NÃO SUJEIÇÃO DAS IMPETRANTES AOS EFEITOS DA RESTRIÇÃO IMPOSTA PELO ARTIGO 245, PARÁGRAFOS 1º E 2º DA IN MPS/SRP Nº 3 ARTIGO 149, PARÁGRAFO 2º, INCISO I, DA Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 143 12 CONSTITUIÇÃO FEDERAL RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO IMUNES DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – NORMA INFRACONSTITUCIONAL QUE PRETENDE DESABRIGAR DA IMUNIDADE O RESULTADO DA EXPORTAÇÃO INTERMEDIADA POR "TRADING COMPANIES" AGRAVO DE INSTRUMENTO IMPROVIDO. (...) 2.O art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal assim que as contribuições sociais "não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação". 3. O objetivo do constituinte é desonerar das contribuições as receitas oriundas de operações de exportação; a Carta Magna não distinguiu entre as exportações diretas (operação entre o produtor local e o adquirente alienígena, sediado no estrangeiro) e as exportações indiretas (operações "triangulares", envolvendo o produtor local, uma empresa exportadora intermediária e o adquirente alienígena situado noutro país). 4. Dispõe o art. 110 do Código Tributário Nacional que "a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias." 5. Não parece adequada a distinção feita na Instrução Normativa nº 03/2005, em seu art. 245, § 2º, de modo a desabrigar da imunidade o resultado da exportação intermediada por "trading companies", uma vez que norma infralegal não pode ir além do texto legal, menos ainda do texto constitucional. 6. Na verdade tudo indica que o § 2º do art. 149 da Constituição Federal intenta imunizar a receita adquirida quando houver específica operação de exportação; isso é o que mais importa, e não quem seja o contratante que está na "outra ponta" do negócio.7. Preliminar de incompetência absoluta do Juízo a quo rejeitada e, no mérito, agravo de instrumento improvido. (AGTR 257656/SP. Rel. Des. Fed. Johonsom Di Salvo. Julgado em 31.08.2006. DJU de 31.08.2006, p.256.) (Grifamos) EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 144 13 tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 22 112013 PUBLIC 25112013) Vêse, portanto, que não há razão para afirmar que apenas as operações realizadas diretamente com o adquirente domiciliado no exterior é que são aptas a gozar do favor constitucional supracitado, uma vez que se a cooperativa não provar a efetiva exportação das mercadorias por ela adquiridas dos produtores que a procuraram no escopo de ter sua produção levada ao mercado externo, ficará sujeita, normalmente, à incidência dos respectivos tributos. Nesse diapasão, diante não só desse fato, mas também da total ausência no ordenamento jurídico pátrio de qualquer dispositivo legal apto ao estabelecimento do tipo de exportação atingido pelo disposto no inciso I do §2º do artigo 149 da Constituição Federal, em obediência e respeito ao Princípio da Legalidade, não há que se falar na impossibilidade de não Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 145 14 gozarem da imunidade prevista no referido dispositivo constitucional as exportações realizadas por intermédio de cooperativa, razão pela qual é, neste ponto, improcedente o lançamento pelo Fisco realizado. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, cancelando o lançamento fiscal contido no DEBCAD nº 37.276.2280. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 146 15 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira Redator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato dos conselheiros responsáveis pelos votos vencido e vencedor não mais integrarem o colegiado, fui designado AD HOC para redigir o voto vencedor. Feito o registro. 1. DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo a subsunção do caso concreto tratado nos presentes autos à hipótese de imunidade tributária prevista no inciso I do §2º do art. 149 da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001. De fato, a Emenda Constitucional nº 33/2001 introduziu no ordenamento jurídico um novo regramento de imunidade visando a diminuir a carga tributária incidente sobre receitas decorrentes de exportações, mediante a inclusão do §2º ao art. 149 da Constituição Federal. Constituição Federal Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. §1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41/2003) §2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 147 16 II incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42/2003) O dispositivo constitucional acima transcrito é de clareza solar ao estatuir que somente as receitas decorrentes da operação de exportação encontrarseão a salvo da tributação. Noutros dizeres, a fruição do benefício fiscal em tela não contempla as operações no mercado interno, ainda que essas se realizem com o objetivo específico de ulterior comercialização da produção rural com o mercado externo. Ser “decorrente de” significa ser “consequência de”, “ter ocorrido em razão de”, “que teve origem em”, consoante deflui da etimologia e da semântica do vocábulo exposta no Priberam Dicionário da Língua Portuguesa, e não “visando a” ou ”destinada a“, como assim quer fazer crer a semântica aprendida pelo Recorrente. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa http://www.priberam.pt/dlpo/decorrente de∙cor∙ren∙te (latim decurrens, entis, particípio presente de decurro, eredescer a correr, ir, percorrer) adjectivo de dois géneros 1. Que decorre. 2. Que passa (ex.: tempo decorrente). 3. Que é consequência de; que teve origem em (ex.: isto é decorrente do que aconteceu ontem). 4. [Botânica] Dizse da folha cujo pedúnculo está pegado ao longo da haste em quase todo o seu comprimento. Assim, uma coisa é a “receita decorrente de exportação”, outra coisa bem diversa é a comercialização, pelo Segurado Especial, de produtos rurais com cooperativa constituída e em funcionamento no País, mesmo que eventualmente visando à exportação. No primeiro caso, encontrase garantido que a exportação já ocorreu. A venda para o exterior já se encontra consolidada. A exportação é fato consumado. Dessa operação de exportação de produto rural resultou uma receita, a qual é imune à tributação previdenciária. Operouse definitivamente o objetivo da lei: diminuir a carga tributária sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos rurais. No segundo caso, há a realização de uma mera comercialização de produção rural com pessoa jurídica sediada e em funcionamento no país. Inexiste qualquer operação de exportação e nada garante que tal produção rural será efetivamente comercializada com adquirente domiciliado no exterior ou que, eventualmente, venha a ser vendida no mercado interno. Dessarte, ao estatuir hipótese de imunidade às receitas “decorrentes de exportação” o Legislador Constituinte Derivado estabeleceu, efetivamente, um discrimen entre Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 148 17 as operações realizadas diretamente com empresas adquirentes domiciliadas no exterior e as operações realizadas com empresas adquirentes domiciliadas e em funcionamento no País. Tal discernimento encontrase positivado expressamente no art. 241 da IN nº 03/2005, o qual prevê, dentre outras modalidades, que o fato gerador contribuições sociais ocorre na comercialização da produção rural do produtor rural pessoa física e do segurado especial realizada diretamente com adquirente domiciliado no exterior, hipótese em que se configura a exportação da produção rural, assim como a cooperativa, operação esta que se qualifica como operação interna, a teor do art. 245 da mesma Instrução Normativa em foco. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 241. O fato gerador das contribuições sociais ocorre na comercialização: (Redação dada pela IN SRP nº 20/2007) I da produção rural do produtor rural pessoa física e do segurado especial realizada diretamente com: (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) a) adquirente domiciliado no exterior (exportação), observado o disposto no art. 245; b) consumidor pessoa física, no varejo; c) adquirente pessoa física, nãoprodutor rural, para venda no varejo a consumidor pessoa física; d) outro produtor rural pessoa física; e) outro segurado especial; f) empresa adquirente, consumidora, consignatária ou com cooperativa; (Incluído pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) Cumpre relembrar que o art. 111 do CTN impõe exegese restritiva a toda e qualquer norma tributária que implique renuncia fiscal. Nessa perspectiva, para que o ingresso de numerário mantenhase imune à tributação é imperioso e indispensável que a operação de origem seja a própria operação de exportação, isto é, que o adquirente seja domiciliado no exterior, assim como prevê a alínea ‘a’ do inciso I do art. 241 da IN nº 03/2005. A tal conclusão também convergiu o entendimento do Ministério da Previdência Social ao editar a Instrução Normativa MPS/SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, cujo art. 245 excluiu da hipótese de imunidade ora em comento as receitas decorrentes de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País, por reconhecêla como receita proveniente do comércio interno e não de exportação. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. §1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 149 18 §2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Ora, a restrição em voga dimana diretamente da CF/88, a qual concede a imunidade tributária às “receitas decorrentes de exportação” e não às operações de comercialização destinadas a exportação. Dessarte, pelo prisma oclusivo interposto pelo art. 111 do CTN, há que se concluir que apenas as receitas geradas pela operação propriamente dita de exportação, mas não pelas operações anteriores, é que estariam acobertadas pelo favor fiscal em pauta. O ato normativo ministerial increpado não introduziu qualquer inovação à ordem jurídica vigente, mas explicitou, tão somente, o conteúdo e as condições de contorno da norma constitucional em rodeio, nada mais. Repisese que a hipótese constitucional de não incidência tributária, configurandose como norma de exceção, não pode ter seu alcance ampliado para além dos limites que o Legislador Constituinte honrou em consignar, em sua literalidade, na Carta Constitucional. No caso em estudo, o Relatório Fiscal a fls. 23/25 nos informa que as obrigações tributárias objeto do presente lançamento decorrem de fatos geradores consubstanciados na própria comercialização da produção rural por segurado especial com a cooperativa Autuada, na condição de adquirente, e que eventual exportação de tais produtos somente ocorreria mediante operação subsequente. De outro eito, o Relatório Fiscal atesta ainda que as contribuições de que trata o vertente auto de infração também se houveram por descontadas dos produtores rurais respectivos, mas não recolhidas, razão pela qual se houve por lavrada a competente Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista a ocorrência de conduta que, em tese, representa crime contra a Previdência Social. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao Autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à Parte Adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Autor. No caso dos autos, a Fiscalização comprovou, mediante documentação idônea, elaborada sob a responsabilidade e domínio do próprio Recorrente, que a cooperativa efetivamente adquiriu a produção rural de segurados especiais, mediante operação interna, e ainda que, do valor pago pela aquisição dos produtos rurais, descontou dos produtores rurais as contribuições previdenciárias objeto do presente lançamento, conforme exposto no Extrato das Contas Analíticas exposto a fls. 26/37. Em contrapartida, o Autuado alega tratarse de ato cooperativo, e que a produção rural que lhe foi entregue destinavase à exportação. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 150 19 Lei nº 5.764 de 16 de dezembro de 1971 Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Todavia, no curso da instrução processual, não logrou o Recorrente comprovar o Direito por si alegado. Ora, tratandose a situação concreta aqui em debate de expressivo caso de exceção à regra geral de tributação, o adimplemento das condições e dos requisitos necessários ao devido e indubitável enquadramento na hipótese de renúncia fiscal em apreço deve ser comprovado pelo Interessado, sob pena de agrilhoamento à regra geral. Nessa esteira, registrese que o Recorrente não logrou produzir qualquer prova de que os segurados especiais de quem havia recolhido a produção rural ora em debate eram, formalmente, associados à cooperativa Autuada, nos termos da Lei nº 5.764/71. Lei nº 5.764 de 16 de dezembro de 1971 Art. 3º Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 14. A sociedade cooperativa constituise por deliberação da Assembleia Geral dos fundadores, constantes da respectiva ata ou por instrumento público. Art. 15. O ato constitutivo, sob pena de nulidade, deverá declarar: I a denominação da entidade, sede e objeto de funcionamento; II o nome, nacionalidade, idade, estado civil, profissão e residência dos associados, fundadores que o assinaram, bem como o valor e número da quotaparte de cada um; III aprovação do estatuto da sociedade; IV o nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos associados eleitos para os órgãos de administração fiscalização e outros. Art. 16. O ato constitutivo da sociedade e os estatutos, quando não transcritos naquele, serão assinados pelos fundadores. Art. 22. A sociedade cooperativa deverá possuir os seguintes livros: I de Matrícula; II de Atas das Assembleias Gerais; III de Atas dos Órgãos de Administração; IV de Atas do Conselho Fiscal; V de Presença dos Associados nas Assembleias Gerais; VI outros, fiscais e contábeis, obrigatórios. Parágrafo único. É facultada a adoção de livros de folhas soltas ou fichas. Art. 23. No Livro de Matrícula, os associados serão inscritos por ordem cronológica de admissão, dele constando; Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 151 20 I o nome, idade, estado civil, nacionalidade, profissão e residência do associado; II a data de sua admissão e, quando for o caso, de sua demissão a pedido, eliminação ou exclusão; III a conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social. Além disso, inexiste nos autos qualquer indício de prova material de que a produção rural objeto do lançamento em foco houvese, de fato, por exportada pela cooperativa autuada para adquirente domiciliado no exterior. Cordão não quer dizer pescoço !!! A mera tradição de produção rural por segurado especial para uma cooperativa não implica, necessária e inequivocamente, ato cooperativo, tampouco exportação do produto rural entregue. Inexistem provas nos autos de que o Contribuinte em questão e as operações em realce se subsumem ao regime jurídico instaurado pela Lei nº 5.764/71, não havendo que se falar, portanto, ao meu sentir, de ato cooperativo, mas mera operação de compra e venda de produtos rurais por cooperativa, de produtores rurais – segurados especiais. Assim, a responsabilidade tributária da cooperativa pelo recolhimento da contribuição social a cargo do Segurado Especial, incidente sobre a comercialização da sua produção rural, encontrase prevista taxativamente no inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 11.933/2009). Portanto, por incidirem contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de comercialização da produção rural realizada com cooperativas domiciliadas no país, deveria esta ter informado os dados conformadores das operações comerciais em voga nas GFIP correspondentes, conforme orientações assentadas no Manual da GFIP, consoante se vos segue: MANUAL DA GFIP 2.12 COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO Informar o valor da comercialização da produção realizada no mês de competência. 2.12.2 Pessoa Física Este campo deve ser preenchido: a) pela empresa adquirente, inclusive a agroindústria, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, quando Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 152 21 adquirirem a produção do produtor rural pessoa física ou do segurado especial, independentemente de as operações terem sido realizadas diretamente com estes ou com intermediário pessoa física, em relação ao valor da comercialização da produção adquirida ou consignada; (...) A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, quando adquirirem a produção do produtor rural pessoa física ou do segurado especial, devem prestar esta informação na mesma GFIP/SEFIP em que estão relacionados os trabalhadores da empresa, com o código FPAS da atividade econômica principal, quando for o caso. Não deve ser elaborada GFIP/SEFIP com código FPAS 744. O SEFIP gera automaticamente um documento de arrecadação da Previdência GPS distinto para os recolhimentos incidentes sobre a comercialização da produção. 6.5 – ADQUIRENTE E CONSIGNATÁRIO DE PRODUÇÃO RURAL A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, na condição de subrogadas nas obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial, são responsáveis pelo recolhimento das contribuições a que se refere o artigo 25 da Lei n° 8.212/91, e são responsáveis também pela informação em GFIP/SEFIP da receita da comercialização da produção no campo Comercialização da Produção – Pessoa Física. Esta informação pode ser prestada na mesma GFIP/SEFIP em que forem informados os trabalhadores regulares da empresa. Em suma, o Recorrente alega tratarse de ato cooperativo e que o produto rural adquirido foi exportado. Todavia, não produz nos autos qualquer prova material, tampouco indício de os produtores rurais em questão eram seus associados, nos termos da lei nº 5.764/71, tampouco de que a produção rural adquirida foi, efetivamente, comercializada com adquirente domiciliado no exterior. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio Também não procede a alegação de que as contribuições sociais em tela houveramse por declaradas inconstitucionais pelo STF. Cumpre inicialmente trazer à balha que todo ato normativo oriundo do Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 153 22 do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. Mostrase imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. No caso dos autos, todos os fatos geradores objeto do presente lançamento ocorreram já sob a égide da Lei nº 10.256/2001. Merece ser enaltecido que as contribuições sociais exigidas mediante os vertente Auto de Infração têm por fundamento jurídico de validade o art. 25, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, a qual, até o presente momento, não foi ainda vitimada de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, na via concentrada, esta exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Aditese, também, que a obrigação instrumental da empresa adquirente de produção rural de produtor rural pessoa física ou de segurado especial de recolher as contribuições sociais de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91 encontrase expressamente assentada no inciso III do art. 30 desse mesmo Pergaminho Legal, o qual também se mantém hígido no ordenamento jurídico pátrio. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 154 23 com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 11.933/2009). (grifos nossos) Não se deve olvidar, igualmente, que a Contribuição social destinada ao SENAR houvese por instituída pelo art. 3º da Lei nº 8.315/91. A lei 9.528/97, mediante seu art. 6º, modificou o regramento legal da contribuição em apreço, passando a instituir, a contar de sua vigência, a contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, à alíquota de 0,1% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. Posteriormente, em julho de 2001 foi promulgada a Lei nº 10.256/2001 a qual, por dispor de forma diversa, revogou tacitamente a norma explicitada no parágrafo anterior, fazendo criar, a contar da data de sua publicação, a contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. Não se deslembre que o parágrafo quinto do art. 33 da Lei nº 8.212/91 estabeleceu presunção absoluta de desconto, pelo adquirente, das contribuições sociais devidas pelo produtor rural pessoa física, incidentes sobre a comercialização da produção rural, não sendo lícito ao Obrigado alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, as contribuições incidentes a título de substituição e as devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Chamamos a atenção do Leitor para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço não teve, ainda, a sua constitucionalidade abatida pelos órgãos judiciários competentes, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são de estilo. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 155 24 Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Pelos motivos expendidos, pugnamos por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, JULGAR IMPROCEDENTES as alegações nele aviadas, em razão de o Recorrente não ter logrado demonstrar que os Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária apurados pela Fiscalização se subsumiam à hipótese de imunidade tributária prevista no inciso I do §1º do art. 149 da CF/88. 2. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente em seu instrumento de Recurso Voluntário, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade pecuniária decorrente do atraso no recolhimento do tributo devido, a ser aplicada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 156 25 A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 157 26 a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 158 27 competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado em Auto de Infração de Obrigação Principal referente a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2007 a outubro/2009. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante Auto de Infração de Obrigação Principal a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II, da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I, da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 159 28 previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 160 29 II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 161 30 §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 162 31 Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 163 32 Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 164 33 Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c", do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Configurase sonegação tributária toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou, ainda, das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 165 34 Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Na mesma vertente, tipificase criminalmente como sonegação de Contribuição Previdenciária a conduta dolosa consistente na supressão ou redução de Contribuição Previdenciária ou de qualquer acessório mediante: a) Omissão em folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, de segurado empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; b) Omissão, total ou parcial, de receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias; c) Omissão de lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade da empresa, das quantias descontadas dos segurados ou das devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; Decretolei no 2.848, de 07/12/1940. – Código Penal Sonegação de contribuição previdenciária (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Art. 337A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) I omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) II deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) III omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 166 35 Pena reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §1o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §2o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) I (VETADO) (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) II o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §3o Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil, quinhentos e dez reais), o juiz poderá reduzir a pena de um terço até a metade ou aplicar apenas a de multa. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §4o O valor a que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas mesmas datas e nos mesmos índices do reajuste dos benefícios da previdência social. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) No caso dos autos, a volitiva e consciente omissão de declaração em GFIP de todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS também se configura sonegação tributária, na medida em que exclui da Autoridade Fazendária Federal o conhecimento a respeito da efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e, até mesmo, das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. A sonegação também se mostra patente na medida em que a Autuada, ao não declarar, volitiva e conscientemente, em suas GFIP os fatos geradores de Contribuições Previdenciárias consistentes na aquisição de produção rural de produtor rural Segurado Especial, além de excluir da Administração Fazendária o conhecimento a respeito da efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, também deu ensejo à supressão/redução da Contribuição Previdenciária naturalmente devida/recolhida. Encontramse presentes, conforme exposto, todos os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da sonegação tributária previstos no art. 71 da Lei nº 4.502/64, circunstância que importa na aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, conforme previsto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I, e §1º, da Lei no 9.430/96 c.c. artigo 71 da Lei nº 4.502/64. Diante de tal contingência, sendo a multa de ofício de 150%, não há mais que se falar, no caso ora em estudo, de limitador para a multa de mora prevista no inciso III do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, inexistindo qualquer hipótese em que seja aplicável o preceito insculpido no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 2302003.620 S2C3T2 Fl. 167 36 Assim, pelas razões de fato e de Direito acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, estando presentes os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da sonegação tributária, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, insculpido no art. 144 do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, em atenção ao princípio tempus regit actum, insculpido no art. 144 do CTN. É como voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15504.728937/2012-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 25/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 25/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 25/04/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 89 37 /2 01 2- 91 Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 3 a 14), exigindo Contribuições Previdenciárias da empresa e destinadas à Seguridade Social, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de capacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre valores pagos ou creditados a segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 07/2007 a 12/2008. Conforme o Comparativo de Multas constante do Anexo IV ao Relatório Fiscal (item 5, às fls. 13 a 571), a autuação já foi efetuada levandose em conta a penalidade mais benéfica para a Contribuinte. Em sessão plenária de 11/03/2015, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2302003.706 (fls. 1.016 a 1.057), assim ementado: "Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS NÃO INTEGRANTES. EXCLUSÃO LEGAL EXPRESSA E EXAUSTIVA. O conceito de Salário de Contribuição abraça não somente a folha de salários como, também, todos os demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados a qualquer título à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, ressalvadas as hipóteses de isenção legal previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15504.728937/201291 Acórdão n.º 9202003.909 CSRFT2 Fl. 1.108 3 Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte" A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a multa de mora seja aplicada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008." O processo foi encaminhado à PGFN em 20/03/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.058). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 04/05/2015, o que foi feito em 24/04/2015 (fls. 1.059 a 1.067), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 1.068. O Recurso Especial está fundamentado no artigo 67, do Anexo II, do RICARF, e visa rediscutir a forma de cálculo utilizada para a aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, se a da legislação vigente à época dos fatos geradores ou a da legislação vigente no momento da autuação. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o despacho de 19/05/2015 (fls. 1.070 a 1.075). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: antes das inovações da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91 (multa isolada); com o advento da MP nº 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212/91; o art. 32A, em sua redação dada pela MP nº 449/2008, dispõe que: Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.". tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91.; contudo, a MP nº 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. Tal dispositivo remete a aplicação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”; a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91; essa foi a conclusão a que chegou a eminente relatora do acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15504.728937/201291 Acórdão n.º 9202003.909 CSRFT2 Fl. 1.109 5 nessa linha de raciocínio, a autoridade fiscal deve aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte considerando os seguintes parâmetros: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009; aliás, a respeito da forma correta para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, cumpre registrar que a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 1.027, de 22/04/2010, explicando qual é o procedimento adequado a ser utilizado. É o que se extrai do art. 4º do citado ato, que explicita a forma de cálculo da multa: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: “Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.” ora, no presente feito exigese contribuições previdenciárias referentes ao período de 01/2007 a 12/2007, anteriores, portanto, à data de 30 de novembro de 2008, estabelecida pela Instrução Normativa nº 1.207/2010 como marco divisor para análise da multa cabível; assim, deve ser aplicado o disposto no inciso I, do art. 4º da citada Instrução Normativa, que determina a comparação entre os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009; nessa linha de raciocínio, o auto de infração da obrigação principal e o auto de infração da obrigação acessória devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, § 5º, da norma revogada) ou o art. 35A da MP 449. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do recurso, reformandose o acórdão recorrido, para que prevaleça a forma de cálculo em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa nº 1.027, de 2010. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade, a Contribuinte quedouse silente (fls. 1.106). Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não houve o oferecimento de Contrarrazões. Tratase de Auto de (fls. 3 a 14), exigindo Contribuições Previdenciárias da empresa e destinadas à Seguridade Social, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de capacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre valores pagos ou creditados a segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 07/2007 a 12/2008. Conforme o Comparativo de Multas constante do Anexo IV ao Relatório Fiscal (item 5, às fls. 13 a 571), a autuação já foi efetuada levandose em conta a penalidade mais benéfica para a Contribuinte. Na decisão recorrida, determinouse a aplicação da multa de mora considerandose as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 9.876, ed 1999, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, de 2008, ou seja, até a competência 11/2008. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que prevaleça a forma de cálculo em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa nº 1.027, de 2010. A retroatividade benigna encontrase efetivamente prevista no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), conforme a seguir: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15504.728937/201291 Acórdão n.º 9202003.909 CSRFT2 Fl. 1.110 7 (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." No presente caso, os fatos geradores ocorreram à luz de legislação posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve ser levada a cabo mediante comparação da redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Esclareçase que, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15504.728937/201291 Acórdão n.º 9202003.909 CSRFT2 Fl. 1.111 9 de mora e multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Além disso, tanto os demais tributos como as contribuições previdenciárias têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina que a exigência tributária tem de ser formalizada por meio de lançamento, como também especifica as respectivas modalidades: lançamento por homologação, lançamento por declaração e lançamento de ofício. Cada uma dessas modalidades está ligada ao grau de colaboração verificado por parte do sujeito passivo. No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido e efetuar o seu recolhimento, independentemente de prévia ação por parte da Autoridade Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que seja o tributo ou contribuição, e independentemente da denominação atribuída ao lançamento, claramente são visualizadas duas formas de recolhimento fora do prazo estabelecido: aquele efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa. Assim, embora a antiga redação do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora” para as contribuições previdenciárias, não há dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas condutas tipificadas nos dispositivos legais que regulavam os demais tributos federais: pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do CTN. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a penalidade, nos termos em que figurou no lançamento, que já aplicou a norma mais benéfica (Comparativo de Multas Anexo IV do Relatório Fiscal). (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 10235.001214/2006-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RECURSO DA FAZENDA NACIONAL - IRPF - DECADÊNCIA.
Sendo a tributação do imposto de renda das pessoas físicas sujeitas a declaração de ajuste anual, independente de homologação trata-se de lançamento por homologação para o qual se aplica o prazo decadencial disposto no artigo 150, §4
Numero da decisão: 9202-003.724
Decisão: Recurso Especial negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Recurso apreciado na sessão da tarde do dia 28/01/2016, antecipada a pauta a pedido do patrono do contribuinte para realização a sustentação oral (Dr. Armildo Vendramin OAB-PA 7854).
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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Sendo a tributação do imposto de renda das pessoas físicas sujeitas a declaração de ajuste anual, independente de homologação tratase de lançamento por homologação para o qual se aplica o prazo decadencial disposto no artigo 150, §4 Recurso Especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Recurso apreciado na sessão da tarde do dia 28/01/2016, antecipada a pauta a pedido do patrono do contribuinte para realização a sustentação oral (Dr. Armildo Vendramin OABPA 7854). (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 12 14 /2 00 6- 05 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial referese a pedido de Análise de Divergência motivado pela Fazenda Nacional, face ao Acórdão 340200135, proferido pela 2ª Turma Ordinária /4ª Câmara/3ª Seção de Julgamento/CARF. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido (fls. 494/50, fls. 401/408, numeração manual): “Tratase de auto de infração (fls. 04/14) lavrado contra o contribuinte JOSUÉ SOUZA ROCHA, CPF/MF n° 106.149.15287, para exigir crédito tributário de IRPF, no valor total de R$ 404.179,35, em 13.12.2006, por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, em abril de 2000 e agosto de 2003. Os fatos constatados e a justificativa para o lançamento de ofício estão apontados na própria descrição dos fatos da peça básica, indicandose que se trata de uma conta conjunta mantida pelo Contribuinte no Delta Bank, nos Estados Unidos da América, identificada a partir das investigações levadas a efeito na conta CC5 do Banestado S.A. Intimado por AR, em 21.12.2006 (fls. 181), o contribuinte apresentou sua impugnação, em 17.01.2007 (fls. 182/191). Em 18.01.2007 (dentro do prazo de defesa), foram apresentadas razões complementares de impugnação (fls. 198/201) e anexados os documentos de fls.204/304. Os seus principais argumentos estão fielmente sintetizados pelo acórdão da decisão de primeira instância, o qual adoto, nessa parte (fls. 309); ‘a) entende que o sigilo bancário somente pode ser quebrado mediante determinação judicial; b) a ciência do auto de infração deuse em 20/12/2006 e está decaído o crédito tributário do ano de 2000, pelo transcurso do prazo de que trata o art. 150, § 4", do Código Tributário Nacional — CTN; c) os valores dos depósitos decorrem de meras transferências entre contas do mesmo titular; d) no ano de 1998, recebeu verbas a título de distribuição de lucro e com parte desses recursos realizou mais quatro depósitos no valor de U$ 102.200,00, U$ 60.000,00, U$ 47.000,00 e U$ 100.000,00, respectivamente; e) tais valores foram aplicados em contas de investimento ou fundo em seu nome; f) não ficou provada a ocorrência dos fatos geradores.’ Analisando as razões de defesa e os documentos apresentados, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém, por intermédio da sua 2 a Turma, à unanimidade de votos, houve por bem em considerar o lançamento totalmente procedente. Tratase do acórdão n° 017.624, de 05.02.2007 (fls. 306/320), cuja ementa bem demonstra as razões de decidir (fls. 306): ‘Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2004 EMENTA: DECADÊNCIA. CASOS DE DOLO, FRAUDE E SIMULAÇÃO. Aplicase a regra do art. 173,1 do CTNpara casos da espécie OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10235.001214/200605 Acórdão n.º 9202003.724 CSRFT2 Fl. 7 3 E perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei. Os depósitos bancários, cujas origens não foram devidamente comprovadas não podem ficar à margem da tributação. Lançamento Procedente.’ De tal decisão, o contribuinte foi intimado por AR, em 06.03.2007 (fls. 325). Inconformado, interpôs o correspondente recurso voluntário, em 02.04.2007 (fls. 334/352), acompanhado dos documentos de fls. 353/395), que está centrado nos seguintes pontos: a) nulidade do acórdão de primeira instância por não apreciação das provas legítimas trazidas na defesa, o que representaria cerceamento ao direito de defesa; b) decadência do direito do Fisco lançar o ano calendário de 2000, pela aplicação da regra do artigo 150, § 4o , do CTN, por se tratar de um lançamento por homologação, cujo fato gerador se consuma mensalmente, no caso dos depósitos bancários; c) ilegalidade do lançamento por ofensa ao artigo 5º, da Constituição Federal (quebra do sigilo bancário); d) insubsistência do lançamento diante das provas apresentadas pelo contribuinte, que demonstrariam que os supostos depósitos bancários autuados são meras transferências havidas entre a conta corrente do contribuinte e aplicações financeiras realizadas. Tal fato estaria amparado nos extratos bancários já juntados aos autos que apontariam a expressão TRANSFER (fls. 146/147), além de extratos mensais das próprias aplicações financeiras (fls. 204/297) e declaração firmada pela própria instituição bancária (fls. 292); e) os depósitos em questão tiveram a sua origem nos anos de 1995 e 1998, não tendo havido nenhum outro nos anos anteriores, sendo eles decorrentes de lucros recebidos da empresa AR Filhos & Cia Ltda, da qual era sócio, conforme comprovaria a sua contabilidade (fls. 206); f) requer sejam considerados na base de cálculo autuada os valores já declarados como rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, nos anos correspondentes, excluindoos da base tributável; g) por fim, requer que, se for o caso, seja realizada uma diligência a fim de se confirmar o alegado. Às fls. 397, consta a formalização do arrolamento de bens, para fins de garantia recursal.” Em análise ao Recurso Voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, nas fls. 494/501 (fls. 401/408, numeração manual), entendeu ter havido a decadência parcial para o fato gerador havido no anocalendário de 2000, sob o entendimento de que a presente hipótese sofre a incidência, não do art. 173,1, mas do art. 150, § 4°, ambos do CTN. Considerou que, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, incide o art. 150, § 4°, pelo só fato dessa natureza, independentemente da existência ou não do prévio pagamento pelo contribuinte. Reconhece que o fato gerador do IRPF se dá em 31 de dezembro de cada ano, e não mensalmente, sendo os recolhimentos Fl. 573DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 mensais mera antecipação do que será apurado e consolidado em 31 de dezembro. Assim, a contagem do prazo decadencial de cinco anos, previsto no § 4º, do art. 150, do CTN se aplica a partir de 31 de dezembro de cada ano. Concluiu que, sendo o IRPF um tributo sujeito a lançamento por homologação, está decaído o anocalendário de 2000, considerando que a ciência do lançamento se deu em 21 de dezembro de 2006, portanto, há mais de cinco anos contados da ocorrência do seu fato gerador (31 de dezembro de 2000), nos termos do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. Relativamente ao lançamento do anocalendário de 2003, o respectivo informe de rendimentos e saldos de aplicações financeiras, emitido pelo banco, apenas indica a existência de rendimentos brutos, oriundos de investimentos, não evidenciando a realização de nenhum novo depósito em 2003, passível de tributação, nos termos do artigo 42, § 3º, I, da Lei n° 9.430/96 (não serão considerados os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica). Assim, no mérito, deu provimento ao Recurso Voluntário. Do Acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração às fls. 405/507 (fl. 412/414, numeração manual), sendo rejeitados, conforme fls. 509/510 (fl. 416, numeração manual). Às fls. 514/535 (fls. 420/441, anotação manual), a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial, o qual foi admitido às fls. 544/550 (fls. 450/456, anotação manual). A irresignação referiuse especialmente à decadência parcial reconhecida, declarando extinto o conteúdo do lançamento referente ao fato gerador do IRPF, ocorrido em 31/12/2000. Alegou que, de acordo com dados constantes na Declaração de Rendimentos do anocalendário de 2000, é possível constatar que o contribuinte não apurou qualquer crédito devido, de maneira que não efetuou o pagamento do imposto de renda, atraindo ao regramento da decadência o multicitado art. 173, I. Assim, o acórdão recorrido colide frontalmente com a jurisprudência consolidada no âmbito da Câmara Superior do CARF (acórdãos paradigmas colacionados), notadamente no que tange à aplicabilidade do art. 173, I, do CTN, ante a falta de recolhimento antecipado do imposto devido. Intimado da interposição do Recurso Especial, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 554/556. O Contribuinte também apresentou Embargos de Declaração (fls. 558/560) do Acórdão proferido pela Turma Ordinária, os quais foram rejeitados, conforme Despacho de fls. 564/565, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de auto de infração (fls. 04/14) lavrado contra o contribuinte JOSUÉ SOUZA ROCHA, CPF/MF n° 106.149.15287, para exigir crédito tributário de IRPF por omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada, em abril de 2000 e agosto de 2003. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10235.001214/200605 Acórdão n.º 9202003.724 CSRFT2 Fl. 8 5 O acórdão recorrido acatou a preliminar de decadência, declarando extinto o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário para o fato gerador havido no anocalendário de 2000, sob o entendimento de que a presente hipótese sofre a incidência, não do art. 173,1, mas do art. 150, § 4°, ambos do CTN. Relativamente ao lançamento do anocalendário de 2003, deu provimento ao Recurso Voluntário, aplicando o art. 42, § 3º, I, da Lei 9.430/96 (não serão considerados os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica). O Recurso Especial da Fazenda Nacional insurgiuse tão somente quanto à tese decadencial, conforme relatado alhures. Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de IRPF cujo auto de infração discute a omissão de omissão de receita pela existência de depósitos bancários não declarados. Adoto a tese de que o Fato Gerador do IRPF se dá em 31 de dezembro de cada ano, e não mensalmente, sendo os recolhimentos mensais, mera antecipação do que será apurado e consolidado em 31 de dezembro de cada ano sumula 38. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, cuja parte da renda foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão necessário se faz que se observem outros requisitos. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe por força do art. Se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Há informação precisa nestes autos de que o contribuinte realizou o adiantamento de imposto, através do imposto de renda retido na fonte e declarado em sua declaração de ajuste anual no importe de R$ 3.088,17 (fls.15). Contudo, embora minha simpatia com a tese esposada no recurso da Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, nos casos de lançamento de ofício, no caso em tela, por força do artigo 62 do RICARF havendo orientação firmada no RE 973.733SC , me filio ao atual entendimento do STJ, no qual ficou definido que havendo o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 150, § 4 do CTN. O prazo para homologação é, também, o prazo para lançar de ofício eventual diferença devida. O prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, no caso de entender que é insuficiente, fazer o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, portanto, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos Fl. 575DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 os artigos, conforme se pode ver em nota ao art. 173, I, do CTN”. PAULSEN, Leandro, 2014. Assim, considerando que o lançamento do IRPF se consolida em 31 de dezembro de cada ano, e que a intimação do lançamento de ofício se deu em dezembro de 2006, contado o prazo decadencial com base no art. 150, §4 do CTN, considero de caído o direito do Fisco no tocante ao anocalendário 2000. Diante do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 576DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10980.723827/2010-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA.
A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
Recurso Especial da Fazenda Provido
Numero da decisão: 9202-003.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora), Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora
(Assinado digitalmente)
Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial da Fazenda Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 38 27 /2 01 0- 32 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora), Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora (Assinado digitalmente) Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.723827/201032 Acórdão n.º 9202003.712 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Foi lavrado auto de infração referentes às contribuições previdenciárias correspondentes à parte da empresa, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa resultantes de riscos ambientais do trabalho, inclusive sobre os pagamentos ou créditos de remunerações efetuados pela empresa aos segurados empregados e prestadores de serviço pessoas físicas, que prestaram serviços ao contribuinte no período de 01/2005 a 12/2009. Segundo o Relatório Fiscal, o fato gerador das contribuições lançadas são os pagamentos efetuados pela empresa aos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas das folhas de pagamento, livros contábeis e extratos do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF. Para fundamentar o não recolhimento dos valores, a empresa declarou indevidamente na GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social ser optante pelo SIMPLES. Ao longo da instrução processual ficou demonstrado que a Recorrida nunca havia feito opção pelo regime de recolhimento unificado de tributos o Simples Nacional, nem mesmo havia sido optante pelo extinto regime do Simples Federal da Lei nº 9.317/96, não havendo que se falar em migração automática. Em sua defesa o contribuinte argumenta que preenche os requisitos para o seu enquadramento como empresa do Simples Nacional, podendo usufruir da sistemática de recolhimento unificado de tributos. Além de questionar a constitucionalidade da Lei do Simples o contribuinte pugna ainda pela nulidade do lançamento em razão do procedimento adotado pela fiscalização estar eivado de vícios. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento 89 em Belo Horizonte (MG), julgou improcedente a impugnação, proferindo decisão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 ADESÃO AO SIMPLES. OPÇÃO. A adesão ao Simples é facultativa. Para obter o tratamento jurídico diferenciado dispensado às microempresas e às empresas de pequeno porte o empresário deverá optar pela adesão ao Simples. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS Compete privativamente ao Poder Judiciário decidir acerca de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de leis. NULIDADE. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 4 Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, não há como prosperar a argüição de nulidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No que tange a multa, mesmo não tendo havido manifestação do contribuinte, a DRJ assim entendeu: No que tange à multa de ofício aplicada aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2008, esta se deu em virtude da introdução do artigo 35A na Lei nº 8.212, de 1991, pela Medida Provisória MP nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, esta referese à mora do contribuinte e deve ser cobrada sobre o recolhimento em atraso das contribuições. Decorre de imposição legal, especificamente do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99. Cabe observar, contudo, que, com a introdução do artigo 35A na Lei nº 8.212, de 1991, pela Medida Provisória MP nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, as contribuições previdenciárias, no caso de lançamento de ofício, ainda que para competências anteriores a esta Medida Provisória, estão sujeitas à multa prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, no caso de esta ser mais benéfica ao contribuinte, face ao disposto na alínea “c” do inciso II do artigo 106 do CTN. Para tanto, a fiscalização realizou o comparativo entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à MP nº 449, de 2008, e de obrigação acessória, conforme § 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212, de 1991, com a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Após o comparativo, resultou na aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, por competência. O contribuinte em recurso voluntário reiterou suas argumentações. Por meio do Acórdão nº 2402003.339 a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas e, no mérito, deu provimento parcial determinando o recálculo da multa aplicada. Foi lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 ADESÃO AO SIMPLES FACULDADE DO CONTRIBUINTE A legislação que trata do SIMPLES é clara no sentido de que a adesão ao referido sistema simplificado de tributação é uma faculdade que pode ser exercita pelas empresas mediante opção formal que, após análise, poderá ser ou não deferida pela autoridade administrativa. Não há possibilidade de a empresa Fl. 186DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.723827/201032 Acórdão n.º 9202003.712 CSRFT2 Fl. 4 5 absterse do recolhimento das contribuições abrangidas pelo SIMPLES, se não efetuou a opção. ERROS DE ESCRITA NULIDADE INOCORRÊNCIA Meros erros de escrita contidos no Relatório Fiscal que não prejudicam a compreensão da origem do lançamento não são capazes de levar à sua nulidade. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte Assim, o acórdão recorrido, contrariando procedimento adotado quando da lavratura do auto de infração entendeu que aos fatos geradores anteriores a entrada em vigor da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, somente se aplicava multa de mora, não havendo previsão legal para aplicação de multa de ofício, afastou, assim, a possibilidade de se comparar a multa prevista no 'antigo' art. 35 da Lei nº 8.212/91, com aquela prevista no 'atual' art. 35A. Determinou que a penalidade seja aplicada conforme a norma vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, limitandoa, entretanto, pelo princípio da razoabilidade, ao patamar de 75%. Foi apresento recurso especial apenas pelo Procurador da Fazenda Nacional e com o exclusivo objetivo de rediscutir o critério utilizado pela Câmara Ordinária para fixação da multa. Foi requerida a reforma do acórdão com a manutenção da forma de cálculo utilizada pela autoridade fiscal, em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa SRF nº 1.027/2010. Não há nos autos manifestação do recorrido em sede de contra razões. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 6 Voto Vencido Conselheiro Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme despacho de admissibilidade, o recurso preenche todos os requisitos legais razão pela qual dele conheço. Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional com base nos artigos 67 e 68 do então vigente Regimento Interno deste órgão, haja vista comprovada divergência jurisprudencial no que tange a aplicação de multa por lançamento de ofício e pelo descumprimento de obrigação acessória vinculado ao recolhimento de contribuições previdenciárias do período de 01/01/2005 a 31/12/2009. A Fazenda Nacional ao demonstrar a divergência ente os acórdãos, acabou por resumir seu entendimento no sentido de que para aferição da penalidade mais benéfica ao contribuinte devese somar as multas das obrigações principal e acessória (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada), referentes à sistemática antiga, e comparar o resultado com a multa atual (art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela MP nº 449/2008), em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/10/2010. Sobre esse tema, tenho o seguinte argumento. Entre as inúmeras alterações promovidas pela citada Medida Provisória nº 449/2008, com a qual buscouse equiparar o tratamento dado aos tributos em razão da unificação da Receita Federal com a Previdência Social, nos interessa aqui as que dizem respeito às penalidade aplicadas em razão do descumprimento das obrigações principais e dos deveres instrumentais referentes às contribuições sociais. Para correta interpretação do mérito, no que tange a multa pelo descumprimento da obrigação principal, é essencial analisar a extensão da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, até então aplicada apenas aos tributos administrados pela Receita Federal, às contribuições cuja administração era da competência do INSS. Neste último caso a norma vigente à época somente previa a aplicação de multa de mora, conforme expressamente descrito no revogado art. 34 e no alterado art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.723827/201032 Acórdão n.º 9202003.712 CSRFT2 Fl. 5 7 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo Fl. 189DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 8 § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. Salvo os artigo acima transcritos, não havia, na data da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais em questão, qualquer outro dispositivo que dispunha sobre normas punitivas aplicas à falta ou ao atraso do seu recolhimento, ou seja, não incidia sobre tais infrações multa de ofício. Assim, o atraso ou não pagamento das contribuições era punido única e exclusivamente pela multa de mora cuja percentual variava segundo o momento do adimplemento. Somente há que se falar em aplicação de multa de ofício aos fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/08, a qual acrescentou à citada Lei nº 8.212/91 o art. 35A que prevê expressamente que nos casos de lançamento de ofício das contribuições sociais previstas no art. 11 do mesmo diploma aplicarseá o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 multa de ofício de 75% podendo ser majorada a 150% caso ocorram as hipóteses de qualificação. Multas decorrentes de fatos geradores anteriores à medida provisória, devem ser consideradas "multa de mora". Adotandose essa premissa e juntando a ela a discussão quanto a multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória, devemos lembrar que com base no art. 106 do CTN, para se constatar se uma nova penalidade é mais ou menos benéfica, ela deve ser confrontada apenas com aquela que era anteriormente prevista para a mesma infração. Assim, para definição da retroatividade ou não de norma punitiva devemos comparar se a multa de mora e a multa pela omissão ou prestação de informações incorretas previstas antes da edição da MP nº 449/08 são mais ou menos benéficas que as penalidades atuais. Em relação a multa de mora aplicada às hipóteses previstas pelos incisos do art. 35 (com redação anterior à MP nº 449/08, da Lei 8.212/91) deve ser comparada à multa de mora prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, atualmente aplicável aos casos de débitos de contribuições sociais não pagos no prazo por força do 'novo' art. 35: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a Fl. 190DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.723827/201032 Acórdão n.º 9202003.712 CSRFT2 Fl. 6 9 partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Comparando as normas citadas temos que: 1) antes da edição da Medida Provisória nº 449/08, aos fatos geradores que ensejavam aplicação de penalidade pelo atraso ou pelo não pagamento das contribuições sociais aplicavase multa de mora em percentual que variava, conforme data do efetivo pagamento, de 24% à 100% (art. 35, II e III da Lei 8.212/91 com redação anterior à Lei nº 10.941/09); 2) Após a Medida Provisória, a multa de mora é única e fixada em trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Ora, é patente que a norma construída a partir da edição da Medida Provisório nº 449/08 é mais benéfica ao contribuinte, pois está limitada ao percentual de 20%. No que tange ao descumprimento da obrigação acessória, o raciocínio é o mesmo: a retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN estará sendo respeitada apenas se uma penalidade for confrontada com outra prevista para a mesma infração. O próprio Procurador da Fazenda, em seu recurso afirma: O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. Assim, aqui comparação deverá ser feita entre a multa isolada vigente à época (art. 32 com redação anterior à MP nº 449/08) e a multa isolada do art. 32A, e neste caso a aplicação de uma outra dependerá da análise do caso concreto, face as variáveis de cada um dos dispositivos legais. Em que pese o entendimento acima e considerando a limitação imposta pelo princípio processual da adstrição do julgador, vou me filar a corrente defendida pela Relatora em seu voto haja vista semelhança de entendimento no que tange a natureza das multas aplicadas. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda mantendo a decisão ora recorrida. Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 191DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 10 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Embora tenha a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri muito bem fundamentado suas razões de decidir, ouso divergir de seu entendimento quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ter seu patamar restabelecido àquele lançado pela autoridade fiscal. Neste ponto, entendo que razão assiste ao recorrente. A autoridade fiscal registrou em seu relatório, que foram efetuados cálculos, por competência, para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte comparandose a da legislação anterior, art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91, na redação antiga, e a legislação atual (art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009). Como resultado, aplicouse, para cada competência, a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. Ainda, no que tange ao cálculo da multa, para entender a natureza das multas aplicadas e por conseguinte como deve ser interpretada a norma, passemos a algumas considerações, tendo em vista que a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP, introduzindo dois novos dispositivos legais, senão vejamos: Até a edição da MP 449, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD ou Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória AIOA Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.723827/201032 Acórdão n.º 9202003.712 CSRFT2 Fl. 7 11 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” A referida MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 12 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia atualmente, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD (ou AIOP) + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. No presente caso, foi realizado o devido comparativo entre as multas já sendo aplicado, dentro da interpretação acima estabelecida, àquela, mais favorável ao contribuinte. Já pela teoria trazida no acórdão recorrido, não se aplica o referido somatório, autorizando inclusive a aplicação isolada da dupla penalização, qual seja, a aplicação tanto do auto de infração de obrigação principal, quanto o de obrigação acessória, mesmo para os períodos anteriores a edição da MP 449, convertida na lei 11.941/2009. Assim, entendo que a multa aplicada pelo auditor encontrase em perfeita consonância com os normativos vigentes, bem como refletem de forma mais adequada a natureza da multa aplicada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para restabelecer a multa originalmente aplicada no presente lançamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 13884.002076/98-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 15 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 202-00.693
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Numero do processo: 10314.723397/2014-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 14/09/2011 a 15/09/2012
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. DECADÊNCIA NÃO CARACTERIZADA
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do Relatório Fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
Sendo os anos de 2011 e 2012 como período de cometimento da infração e no relatório fiscal, que esteia a descrição da conduta atribuída aos autuados, encontrando-se lá a precisa data de registro das importações objeto do lançamento fiscal em cotejo, sendo a primeira delas, com data de 14/09/2011 e a última delas, de 15/09/2012, não há que se falar em decadência.
IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS EMPREGADOS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao Erário a falta de comprovação da origem, disponibilidade e da efetiva transferência de recursos empregados nas operações de comércio exterior.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76.
IMPORTAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA.
Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie, no caso, a pessoa jurídica adquirente de fato das importações ocultado nas informações ao fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos voluntários e negar-lhes provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 14/09/2011 a 15/09/2012 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. DECADÊNCIA NÃO CARACTERIZADA A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do Relatório Fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. Sendo os anos de 2011 e 2012 como período de cometimento da infração e no relatório fiscal, que esteia a descrição da conduta atribuída aos autuados, encontrando-se lá a precisa data de registro das importações objeto do lançamento fiscal em cotejo, sendo a primeira delas, com data de 14/09/2011 e a última delas, de 15/09/2012, não há que se falar em decadência. IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS EMPREGADOS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considera-se dano ao Erário a falta de comprovação da origem, disponibilidade e da efetiva transferência de recursos empregados nas operações de comércio exterior. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76. IMPORTAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie, no caso, a pessoa jurídica adquirente de fato das importações ocultado nas informações ao fisco. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos voluntários e negar-lhes provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. DECADÊNCIA NÃO CARACTERIZADA A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do Relatório Fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. Sendo os anos de 2011 e 2012 como período de cometimento da infração e no relatório fiscal, que esteia a descrição da conduta atribuída aos autuados, encontrandose lá a precisa data de registro das importações objeto do lançamento fiscal em cotejo, sendo a primeira delas, com data de 14/09/2011 e a última delas, de 15/09/2012, não há que se falar em decadência. IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS EMPREGADOS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a falta de comprovação da origem, disponibilidade e da efetiva transferência de recursos empregados nas operações de comércio exterior. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76. IMPORTAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie, no caso, a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 33 97 /2 01 4- 35 Fl. 2982DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 pessoa jurídica adquirente de fato das importações ocultado nas informações ao fisco. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos voluntários e negarlhes provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1150.144, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelos Recorrentes, em acórdão assim ementado (fls. 2.539/2.552): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 14/09/2011 a 15/09/2012 IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. REVELIA. EFEITOS. A não apresentação tempestiva da impugnação, na dicção do Decreto nº 70.235/72, conhecido como Lei do Processo Administrativo Fiscal Federal (Lei do PAF), artigos 15, 16, §4º, e 21, caracteriza a preclusão do direito de se manifestar no processo. CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE INFRAÇÕES E PENALIDADES. A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de vedação ao confisco, demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E NÃO CONFISCO. Fl. 2983DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.723397/201435 Acórdão n.º 3402003.063 S3C4T2 Fl. 2.983 3 Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculada e obrigatória. IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie, no caso, a pessoa jurídica adquirente de fato das importações ocultado nas informações ao fisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) Contra a empresa COMARK COBRANÇAS LTDA, ora impugnante, já devidamente qualificada nos autos deste processo, doravante denominada apenas por COMARK, foi lavrado Auto de Infração (AI), por AFRFB em exercício na Delegacia da Receita Federal de Comércio Exterior e Indústria em São Paulo SP, em sede de Procedimento Especial de Fiscalização para averiguar a regularidade de importações realizadas pela GILEADE COMÉRCIO DE PAPEIS LTDA – ME, ao final do qual restou apurado ser a empresa autuada a real interveniente das operações fiscalizadas, com enquadramento de sua conduta em infração tipificada como “Dano ao Erário”, punível com a penalidade de perdimento das mercadorias, convertida em pecúnia em face da impossibilidade de sua apreensão, com lançamento de crédito tributário no montante total de R$ 19.856.235,09, com atribuição de responsabilidade solidária às pessoas jurídica e físicas GILEADE COMÉRCIO DE PAPEIS LTDA – ME e MAURO VINOCUR, respectivamente, na forma prevista no art. 124 e 135, III, do CTN, e art. 95, I, do Dl nº 37/66. A seguir, destacaremos os principais fatos e elementos indiciários apresentados pela fiscalização como motivação do presente lançamento, instruídos por documentos, informações e pesquisas levantados no curso da ação fiscal, constantes do Relatório de Fiscalização, anexo do presente auto (fls. 08 a 94). Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Após apresentar esclarecimentos sobre o desenvolvimento da ação fiscal, bens jurídicos protegidos pelo controle aduaneiro e prejuízos perpetrados pela interposição fraudulenta de pessoas, em síntese, as motivações e fundamentos para o lançamento foram apresentados pela fiscalização conforme se resume a seguir: 1. A ação fiscal teria concluído que o importador GILEADE não possuía capacidade econômica para realização de suas operações de comércio exterior, identificandose a dotação dos recursos envolvidos em tais operações pela empresa COMARK, através de um conjunto de atos simulados, inclusive com a participação direta do Sr. Mauro Vinocur, verdadeiro dono do grupo de empresas partícipes do esquema fraudulento, o que estaria fartamente comprovado em documentação recebida do Ministério Público Federal, objeto de mandado de busca e apreensão judicial, compartilhado mediante expressa autorização judicial; 2. A citada documentação teria trazido uma série de informações úteis ao presente processo, uma vez que identificou um engenhoso esquema montado para desviar papel imune, tendo levado à quebra de sigilo bancário de diversas empresas e pessoas físicas ligadas ao esquema criminoso, dentre elas a COMARK, identificada neste procedimento como a real interveniente das importações realizadas pela GILEADE entre os anos de 2011 e 2012; 3. No decorrer das investigações, verificouse a participação de um expressivo número de pessoas jurídicas, todas com estreita relação entre si. Muitas emitiram notas de expressivo valor, sem, contudo, movimentar contas bancárias, entregar declaração à Receita, recolher tributos ou possuir empregados. Esse emaranhado de empresas seria parte de um esquema de branqueamento de valores obtidos ilicitamente e de blindagem patrimonial em favor de MAURO VINOCUR, apontado como principal executivo e proprietário de fato de várias empresas envolvidas nas fraudes, dentre elas a empresa COMARK; 4. A COMARK apresenta em seu quadro societário duas empresas domiciliadas no exterior, ATLANTIS BUSINESS LLC e SUN INVEST LLC, mesmas sócias da empresa TBLV COM. IMP E EXP DE PAPEIS LTDA. Até 23/08/13, constava como sócio administrador o Sr. Rodrigo da Silva Brito, CPF 316.487.438 38, que é ou foi diretor de dezenas de empresas de participação, mas declara rendimentos que não ultrapassam R$30 mil anuais. Seu patrimônio declarado em 31/12/2012 é de apenas R$4.500,00, indicando tratarse de um laranja. A partir de 23/08/2014, passa a constar como sócia administradora da COMARK a Sra. Ieda Maria Mitiko Matuoka, CPF 134.852.948 29, que já era procuradora das sócias estrangeiras, sendo sócia também da empresa TBLV. Anexo ao presente processo encontrase cópia das declarações em que MAURO VINOCUR aparece como responsável pela COMARK, e pelas empresas domiciliadas no exterior, ATLANTIS BUSINESS LLC e SUN INVEST LLC; Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.723397/201435 Acórdão n.º 3402003.063 S3C4T2 Fl. 2.984 5 5. A empresa GILEADE foi constituída em setembro de 2008, com um capital social de R$ 5.000,00, acrescido para R$ 300.000,00, em dezembro de 2010, com a participação dos sócios Sr. Ricardo Martins (90%) e sua esposa, Sra. Marisa Alves Martins (10%), ambos com registro de emprego em diversas empresas distribuidoras de papel. Em 2010, a empresa importou R$ 640 mil, com vertiginoso crescimento nos anos seguintes: R$ 8 milhões, em 2011 e quase R$ 12 milhões, em 2012, fl. 41; 6. Em diligência realizada ao endereço cadastral da empresa, constatouse seu funcionamento em apenas uma pequena sala, sem local para armazenamento e movimentação de mercadorias, tendo seu sócio majoritário, Sr. Ricardo Martins, afirmado não possuir funcionários. Anteriormente ao endereço diligenciado, o sócio declarou que a empresa teve como local de funcionamento a residência de seu pai, onde também residia, fls. 41 e 43; 7. A página eletrônica da GILEADE (www.gileadepapeis.com.br) informa que a “Gileade é no Brasil distribuidor de papéis da APP, via semiimportação, importação direta via porto e estoque”, assim definindo “importação direta: A Gileade intermedia a importação até os portos do Brasil, onde colocamos o papel no porto desejado e o cliente faz a nacionalização com o seu despachante” e “Semiimportação: Para clientes que não tem o radar ou não querem fazer a importação direta junto com o fabricante (...)”, fls. 43 e 44; 8. Quanto aos recursos empregados na execução de suas importações, a empresa atribuiu sua captação a contratos de mútuos levantados junto à empresa COMARK. Nenhum dos contratos de mútuo apresentados à fiscalização possui a identificação ou assinatura de testemunhas, e, em todos eles, a única autenticação de assinatura referese ao sócio da mutuaria (Sr. Ricardo), e em mesma data (09/11/2012), meses após a data de sua celebração, todos eles prevendo como local para restituição dos valores a “sede da Comark”. Nenhum dos contratos apresentava registro público; 9. A fiscalização apresenta um conjunto de outros elementos indiciários no intuito de concluir que os contratos de mútuos apresentados foram forjados apenas para mascarar a dotação dos recursos envolvidos na execução das importações da GILEADE pela COMARK; 10. Aponta ainda a fiscalização que os registros bancários indicados como a devolução desses valores para a COMARK, na realidade, não passavam de simulação de quitação desses empréstimos, uma vez que nas mesmas datas, a COMARK transferia de volta esses e outros valores para a GILEADE sem que aparecesse seu nome nos extratos; Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 11. A análise das notas fiscais de saída da GILEADE evidencia outro mecanismo de ocultação da COMARK, uma vez que ocultam o real adquirente das mercadorias através de um conjunto de operações que não representam a realidade dos fatos, utilizandose de transações desacobertadas de movimentação financeira, de supostas empresas adquirentes sem registros de saída ou consumo das mercadorias importadas, com muitas dessas empresas interligadas por sócios ou representantes em comum; 12. As principais empresas supostamente adquirentes das mercadorias importadas pela GILEADE eram a EDITORA POINT, EDITORA ROMA e EDITORA MAKOVSKI. As duas primeiras teriam como identidade seus responsável fiscal, contador e sócios. Estas, apesar de terem adquirido montantes de mercadorias superiores a 15 e 12 milhões, respectivamente, apresentaram irrisórios montantes de registro de saída de mercadoria para o mesmo período. A EDITORA POINT não apresentou qualquer registro de movimentação financeira, e a EDITORA ROMA apresentou montante irrisório comparado ao valor das mercadorias supostamente adquiridas. Seu sócio em comum, Helder Fazilari, em declaração prestada à fiscalização, afirmou que MAURO VINOCUR, apesar de não constar do quadro social das empresas, também era seu dono, e que o antigo endereço da EDITORA ROMA é o local de residência de seus pais há mais de 40 anos, e que ali nunca funcionou de fato qualquer empresa ou negócio, fls. 56 e 57; 13. A EDITORA MAKOVSKI, apesar dos registros de aquisição de mercadoria importada da GILEADE superior a R$ 10 milhões, nunca apresentou registro de movimentação financeira e de venda para o período fiscalizado. Em diligência realizada ao endereço cadastral da empresa, constatouse que “não funciona qualquer empresa, tratandose de residência em que habita terceiros, os quais declaram não ter conhecimento da pessoa jurídica” da MAKOVSKI, fls. 57 e 58; 14. Buscando demonstrar a efetividade de suas transações de revenda da mercadoria importada, a GILEADE teria apresentado à fiscalização ‘Laudo Técnico Contábil’, o qual se propunha a identificar as transferências bancárias realizadas por seus clientes relacionados às operações de revenda declaradas. Porém, o acesso aos dados bancários da COMARK permitiu identificar as liquidações de cobrança ali apontadas como provenientes de transferências bancárias da COMARK para a GILEADE, demonstrando que aquelas operações atribuídas às EDITORA POINT, EDITORA ROMA e EDITORA MAKOVSKI não representavam a realidade dos fatos, fls. 58 a 63; 15. A ação fiscal chega à clara conclusão que as notas fiscais emitidas pela GILEADE em nome de supostos adquirentes não correspondem à realidade dos fatos, sendo na verdade as empresas adquirentes declaradas “laranjas” operadas pelo Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.723397/201435 Acórdão n.º 3402003.063 S3C4T2 Fl. 2.985 7 próprio MAURO VINOCUR, as quais nunca pagaram por tais mercadorias nem apresentaram estrutura para isso (não apresentam movimentação financeira, não emitem nota fiscal de revenda, não apresentam receita bruta). Nos extratos bancários apresentados pela GILEADE, não existem registros de pagamentos realizados por essas empresas; 16. Em pesquisa fiscal realizada, buscouse levantar as empresas que anteriormente à GILEADE teriam emitido notas fiscais para as editoras citadas, identificandose a empresa TBLV COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PAPEIS LTDA, de propriedade de MAURO VINOCUR, que até 2011 respondia pela maior parte das notas fiscais de entrada emitidas para as citadas gráficas; 17. Documentos apreendidos na TBLV envolviam dezenas de empresas inexistentes de fato, utilizadas meramente para distribuir o papel imune fora de sua destinação constitucional, sem envolver a TBLV. Era forte a evidência de que TBLV e MAURO VINOCUR tinham pleno conhecimento e anuíam com o uso destas empresas para a execução da fraude fiscal. Outra evidência importante da fraude arquitetada era que as diversas cartas de cessão de crédito, documentos que autorizavam o cliente a depositar o pagamento do papel não para a conta da noteira, mas para a conta da TBLV, todas elas apresentavam a mesma assinatura, embora as noteiras fossem várias, cada qual com sócios distintos umas das outras, mostrando claramente que era a mesma pessoa, provavelmente dentro das dependências da TBLV, que assinava todas estas cartas de cessão; 18. Levantamentos e análises realizados pela fiscalização demonstrariam que a empresa GILEADE não dispunha de recursos próprios para arcar com as importações realizadas, identificandose os aportes de recursos da COMARK como o suprimento indispensável à execução das importações, fls. 67 a 88; 19. Conclui a fiscalização que a GILEADE, em articulado esquema fraudulento com a COMARK e MAURO VINOCUR, ocultou a condição de real interveniente destes últimos nas importações por ela realizados, concorrendo todos conjuntamente na conduta tipificada no art. 23, inciso V, do Dl nº 1.455, de 1976, sujeitandose, portanto, à penalidade de perdimento dos bens importados sob tal conduta, no caso, convertido em penalidade pecuniária haja vista a não localização dos bens. Respondem solidariamente pela penalidade aplicada na forma prevista no art. 124 e 135, III, do CTN, e art. 95, I, do Dl nº 37/66. De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pela impugnante COMARK Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 COBRANÇAS LTDA podem ser sinteticamente descritas como seguem (fls. 1.961 a 1.990): (A) Preliminarmente, aponta inexistir a correta tipificação da conduta comissiva ou omissiva da recorrente, uma vez que a fiscalização apenas indica o art. 23, do Dl nº 37/66, sem, no entanto, destacar em qual de seus incisos encontrase tipificada a conduta autuada, além da ausência de prova nos autos de ter a recorrente praticado a conduta tida por infracional, o que torna o auto nulo; (B) Ainda preliminarmente, aponta decadência do fato gerador objeto do presente lançamento, o qual se refere à competência de 12/2003, conforme se observa em texto do auto; (C) Quanto ao mérito, ressalta ser o objeto social da recorrente a atividade de cobrança, apontando inexistir nos autos prova de ter sido ela a destinatária final das mercadorias importadas, o que torna improcedente o presente lançamento; (D) Alega a recorrente que o percentual de 100% da penalidade aplicada ofende princípios constitucionais, como da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco; (E) Diante de todo o exposto, requer que seja julgado o presente lançamento insubsistente ou improcedente. As contrarrazões apresentadas pela impugnante GILEADE podem ser sinteticamente descritas como seguem (fls. 1.993 a 1.998): (F) Inicialmente, esclarece que em ocasião prévia à realização de suas importações, a recorrente tivera que se submeter a criterioso procedimento de verificação de sua capacidade econômicofinanceira, por ocasião de sua habilitação no sistema RADAR, na forma prevista na Instrução Normativa nº 650/2006, o que afasta, de pronto, a sustentação do presente lançamento, fundado na ausência de capacidade econômicofinanceira; (G) Quanto às empresas adquirentes de suas mercadorias importadas, no caso Point Editora, Editora Roma e Editora Makoviski, esclarece que para que tais empresas operasses no mercado interno quanto à aquisição de papel imune, fezse igualmente necessário criterioso processo de habilitação prévia junto à RFB, na forma prevista na Instrução Normativa nº 71/2001, o que dota uma “garantia as parcerias comerciais de tais concessionárias”; (H) No caso em questão, os elementos indiciários apresentados pelo fisco dizem respeito a documentos encontrados em outra empresa, de outro grupo, apenas aquela podendo ser responsabilizada pelas hipóteses de dolo e máfé lá apuradas. Inexiste instituto jurídico capaz de transmitir a responsabilidade pela prática de atos ilícitos de seu agente para outra empresa, não sendo o Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.723397/201435 Acórdão n.º 3402003.063 S3C4T2 Fl. 2.986 9 caso do instituto da solidariedade previsto no art. 124 do CTN; (I) Se houve fraude quanto ao gozo da imunidade incidente sobre o papel revendido, esta se deu pelas empresas que detinham a concessão outorgada pela RFB, tendo a recorrente apenas importado os papéis e os revendidos legitimamente; (J) Ante o exposto, requer improcedência do presente lançamento. É o que importa relatar. Como se vê, o presente processo trata de Auto de Infração (fls. 02/07), constituído para cobrança da multa prevista nos arts. 673, 675, IV, 689 e § 1º do Decreto nº 6.759/2009 e arts. 73, §§ 1º e 2º e 77 da Lei nº 10.833, de 2003 e no Relatório Fiscal nos art. 23, inc. V, §§ 1º e 3° do DecretoLei n° 1.455, de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, combinado com art. 81, inciso III da Lei nº 10.833/03 (fl. 88/90), equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, por meio das Declarações de Importação relacionadas no Relatório Fiscal (continuação do Auto de Infração) às fls. 08/94, que, ficaram sujeitas à pena de perdimento, uma vez que não foram localizadas ou foram consumidas. No Relatório de Fiscalização continuação do Auto de Infração (fls. 08/94 do eprocesso), elaborado pela Fiscalização Aduaneira da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização de Comércio Exterior (DELEX/SP), que é parte integrante do presente Auto de Infração, analisa minuciosamente a documentação apresentada pela COMARK COBRANÇAS LTDA, doravante denominada apenas por COMARK e com atribuição de responsabilidade solidária às pessoas jurídica e físicas GILEADE COMÉRCIO DE PAPEIS LTDA – ME (doravante denominada de GILEADE) e MAURO VINOCUR, respectivamente, na forma prevista no art. 124 e 135, III, do CTN, e art. 95, I, do Decreto Lei nº 37/66, abordando aspectos relativos à sua existência e ao seu funcionamento, bem como da capacidade econômicofinanceira da empresa e do seus sócios. O Fisco traça ainda, um perfil do importador desde a sua constituição até a ocorrência das operações de comércio exterior que culminaram com o procedimento em questão. O auto de infração lavrado às fls. 02/07, cominou com a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, uma vez que ao final das investigações restou apurado ser a empresa autuada a real interveniente das operações fiscalizadas, com enquadramento de sua conduta em infração tipificada como “Dano ao Erário”, punível com a penalidade de perdimento das mercadorias, convertida em pecúnia em face da impossibilidade de sua apreensão, com lançamento de crédito tributário. Das Intimações Informase, primeiramente, que todos as partes interessadas nos autos foram regularmente intimadas da decisão recorrida, conforme pode ser verificado às seguintes folhas do eprocesso: COMARK: fls. 2.553/2.558 e AR 2.568; Mauro Vinocur: fls. 2.559 e AR 2.569; GILEADE: fls. 2.560/2.562, AR 2.567 e Edital fl. 2.649 e a Responsável pela Empresa COMARK: Sra. Ieda Maria Mitiko Matuoka às fls. 2.566 e AR fl. 2.570. Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Dos Recursos Voluntários 1) A recorrente COMARK, cientificada da referida decisão da DRJ em 03/06/2015 (fl. 2.568), apresentou em 12/06/2015 (fl. 2.572) o recurso voluntário de fls. 2.572/2.589, com as alegações sintetizadas (ressaltase que assina o recurso a Sra. Ieda Maria Mitiko Matuoka, intimada às fls. 2.566 e AR fl. 2570), lastreadas nas seguintes razões: (i) da Nulidade do Auto de Infração: Inicialmente, alega que há que se considerar que o Auto de Infração é nulo, pelos seguintes motivos: a) uma vez que, o ato de lançamento, entendido como procedimento administrativo voltado à constituição do crédito tributário, deve obedecer a imperativos de forma que garantam a sua conformação jurídica, o que não ocorre no caso dos autos. O Fisco, ao formalizar o Auto de Infração, com base em pressuposições e presunções, sem que houvessem sido carreadas provas no sentido de que as mercadorias da GILEADE foram, de fato, importadas pela Recorrente, deixou de atender à necessária comprovação dos fatos, incorrendo em vício quanto ao motivo do ato, uma vez que fato jurídico é unicamente aquela ocorrência fenomênica traduzida em linguagem própria (prova) e à qual sejam atribuídos efeitos jurídicos; b) que a fiscalização deixou de indicar qual(is) inciso(s) do art. 23 do Decretolei nº 1.455/76 e do artigo 689 do Decreto nº 6.759/09 teria(m) sido supostamente violado(s) pela Recorrente, e c) que a fiscalização somente indicou como enquadramento legal da referida multa, o artigo 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/76, artigo 81, inciso III, da Lei nº 10.833/03; artigos 673, 675, inciso IV, 689 e § 1º, do Decreto nº 6.759/09 e artigos 73 §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03 (reproduzindoos). O auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo Artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. (ii) da Decadência: alega que além disso, o Auto de Infração explicita que o fato gerador se refere à competência de 12/2003. Reproduz no corpo do recurso o texto do campo "Enquadramento legal" do auto de infração (fl. 3): "* Multas não passíveis de redução" fatos geradores a partir de 30/12/2003...(...). Com o fato acima, afirma que não são necessários grandes esforços para verificar que ocorreu a DECADÊNCIA do direito do Fisco efetuar o lançamento em relação a fatos supostamente ocorridos em 2003, ou seja, há mais de 10 (dez) anos. Nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN e o art. 139 do Decretolei nº 37/66, o prazo decadencial para a cobrança de créditos tributários é de 5 (cinco] anos, contados a partir da data do fato gerador. Que foi cientificada do Auto de Infração em 28/05/2014 e os supostos fatos geradores se referem à 30/12/2003. (iii) Da ausência de infração à legislação Aduaneira e da ilegitimidade da parte: a Recorrente é empresa que tem por desiderato social a atividade de cobrança, e nunca adquiriu mercadorias importadas, tampouco este nunca foi o seu objeto. Não há nos autos comprovação que a Recorrente teria sido a destinatária final das mercadorias importadas e que apenas as pessoas jurídicas destinatárias finais das mercadorias importadas é que poderiam ser enquadradas em quaisquer das hipóteses previstas no artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76 e artigo 689 do Decreto nº 6.759/09, o que não é o caso da Recorrente. (iv) Da ofensa ao princípio da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco: O percentual de 100% de multa aplicada sobre o valor da mercadoria configura Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.723397/201435 Acórdão n.º 3402003.063 S3C4T2 Fl. 2.987 11 montante excessivo e desproporcional à suposta infração, pelo que afrontam diretamente o princípio constitucional da capacidade econômica do contribuinte e violam o princípio de proteção ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, da CF/88, conforme prescrevem o art. 145, § lº e o art. 150, IV, da CF/88). Portanto, resta evidente que a Recorrente não pode ser submetida a multas excessivas e desproporcionais, na medida em que sobressai o caráter confiscatório das mesmas, devendo, pois, serem reduzidas a um patamar razoável e proporcional. Ante ao todo exposto, requer a reforma total da decisão recorrida, julgandose improcedente o auto de infração. 2) Quanto ao Recorrente Sr. MAURO VINOCUR, devidamente qualificado nos autos, e conforme consta do item "7" do Relatório Fiscal Da Sujeição Passiva e a Responsabilidade Solidária (fl. 90), foi cientificado em 03/06/2015 e apresentou seu Recurso Voluntário protocolada em 12/06/2015 (fls. 2.607/2.630). Argumenta, em resumo o que segue: (i) em questão preliminar, aduz que a produção e a apresentação de provas quanto à ocorrência dos fatos geradores e, conseqüentemente, dos sujeitos que os praticam, é ônus da fiscalização, em relação ao Recorrente, razão pela qual merece ser reconhecida, de pronto, a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária; (ii) no mérito, passa discutir sobre a atribuição de sujeição passiva solidária no caso presente, tudo no sentido de demonstrar a imprestabilidade do artigo 124, I e 135, III, do Código Tributário Nacional, no presente caso. Ao final, requer o conhecimento e o provimento do recurso voluntário para o fim de reformar o acórdão combatido, cancelandose, em definitivo, o Termo de Sujeição Passiva Solidária. 3) A empresa GILEADE, regularmente intimada por AR da decisão recorrida e depois por Edital, afixado em 1/06/2015 e desafixado em 16/06/2015 (fl. 2.649), apresentou em 22/06/2015, seu recurso voluntário (fls. 2.822/2.841), que em resumo, alega o seguinte: (i) que a decisão recorrida não levou em consideração os créditos internacionais que a GILEADE tinha na época desta fiscalização, os quais comprovavam através de DIs, emails entre outros; que a recorrente não teve participação em qualquer esquema, simulação ou sequer tinha o conhecimento do envolvimento de MAURO VINOCUR e que a GILEADE possuía sim capacidade econômica para tais importações; (ii) que não participou de qualquer tipo de engenhoso esquema montado para o desvio do papel imune; que o único relacionamento entre a GILEADE e a COMARK, foram empréstimos feitos e os quais foram devidamente pagos conforme quitação de duplicatas de seus clientes conforme as "francesinhas" em anexo deste recurso; a recorrente não efetuou qualquer tipo de venda para a COMARK onde por si própria já descaracteriza qualquer tipo de importação direta ou indireta para esta empresa em questão; (iii) que a Recorrente não teve, participação alguma com o Sr. Mauro Vinocur e todo o movimento bancário foi entregue a esta fiscalização sem a necessidade de quebra de sigilo; que não tinha o conhecimento antes desta ação fiscal, que o Sr. Mauro Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 Vinocur é sócio da empresa COMARK e nem poderia saber pois seu nome não consta do contrato social da empresa; (iv) que fazse necessário alguns esclarecimentos quanto a diligência efetuada na sede da empresa recorrente: a) que não era uma pequena sala conforme afirma esta fiscalização, era um escritório com 3 mesas dois telefones e uma sala de espera e um banheiro (era o suficiente para um escritório); b) que a recorrente trabalhava com empresas terceirizadas, conforme documentos juntados aos autos, contrato de prestação de serviços com a contabilidade, contratos de armazenamento que eram terceirizados, transporte terceirizados; e c) que o sócio administrativo Ricardo Martins, era responsável pelas compras vendas e pagamentos. (v) que a GILEADE faz a intermediação da importação até os portos do Brasil, onde coloca o papel (produto) no porto desejado e o cliente faz a nacionalização com o seu despachante; que a recorrente teve um contrato de prestação de serviço com a Cathay no Brasil, uma subsidiária da fabrica de papel APP, onde a GILEADE ganhava uma comissão da Cathay e não do cliente; (vi) sobre as "Semiimportação", explica que é para clientes que não tem o sistema Radar ou não querem fazer a importação direta junto com o fabricante onde o cliente fica com o preço bem competitivo; (vii) que apresentou um laudo técnico contábil (fls. 2.842/2.850) elaborado por um perito graduado, por esta razão a recorrente ressalta que o laudo pericial é verossímel e que apresenta a realidade dos fatos; (viii) que a recorrente nunca fez negócios com a TBLV ou com o Sr. Mauro Vinocur, não existe nenhum movimento na conta bancaria desta empresa ou desta pessoa física, na conta da GILEADE nunca teve. Do Direito (ix) Afirma que todo o Auto de Infração objeto da presente ação anulatória, baseiase em indícios e não em provas; (x) que a ilicitude dos atos praticados pelo Sr. MAURO VINOCOUR e as fraudes praticas e ilícitos fiscais de suas empresas não podem ser transferidas para a recorrente por ser terceira de boafé, e constituise numa ilegalidade além de afrontar a constituição; (xi) que o auto de infração originário foi lavrado contra a empresa COMARK da qual a ora recorrente não é e nunca foi sócia e com a qual nunca manteve qualquer relação que pudesse configurar grupo econômico; Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.723397/201435 Acórdão n.º 3402003.063 S3C4T2 Fl. 2.988 13 (xii) a recorrente não agiu em conjunto com a empresa COMARK para a realização dos pagamentos a beneficiários não identificados e, portanto, não praticou e não contribuiu para a pratica do suposto fato gerador; (xiii) não se beneficiou economicamente do suposto "esquema" descrito pela fiscalização somente tendo atuado na venda de papel imune, e (xiv) no caso em questão, os elementos indiciários apresentados pelo Fisco dizem respeito a documentos encontrados em outra empresa, de outro grupo, apenas aquela podendo ser responsabilizada pelas hipóteses de dolo e máfé lá apuradas. Inexiste instituto jurídico capaz de transmitir a responsabilidade pela prática de atos ilícitos de seu agente para outra empresa, não sendo o caso do instituto da solidariedade previsto no art. 124 do CTN. Por fim, alega que demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de ser assim ser decidido, cancelando os débito fiscal, e tornando sem efeito a declaração de inaptidão do CNPJ da recorrente, com a conseqüente reabilitação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator Da admissibilidade dos recursos A recorrente COMARK, cientificada da referida decisão da DRJ em 03/06/2015 (fl. 2.568), apresentou em 12/06/2015 (fl. 2.572) o recurso voluntário de fls. 2.572/2.589. Ressaltese que quem assina o recurso é a Sra. Ieda Maria Mitiko Matuoka, intimada às fls. 2.566 e AR fl. 2570. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235, de 1972, o mesmo pode e deve ser conhecido. A recorrente GILEADE, regularmente intimada por AR da decisão recorrida e depois por Edital, afixado em 01/06/2015 e desafixado em 16/06/2015 (fl. 2.649), apresentou em 22/06/2015, seu recurso voluntário (fls. 2.822/2.841). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode e deve ser conhecido. Em relação ao Recorrente MAURO VINOCUR, devidamente qualificado conforme consta do item 7 do Relatório Fiscal da Sujeição Passiva e a Responsabilidade Solidária, foi cientificado da decisão em 03/06/2015 e mesmo sendo declarado REVEL pela decisão a quo, apresentou seu Recurso Voluntário protocolada em 12/06/2015 (fls. 2.607/2.630). Vejase o que ficou acordado na referida decisão (grifo nosso): "(...) Registrase, de plano, que foi constatada a revelia do autuado MAURO VINOCUR, formandose a presente lide apenas em relação às empresas acima citadas. As duas intimações postais encaminhadas ao endereço de domicílio fiscal do Sr. Mauro Vinocur (fls. 1.952 e 1.955) retornaram com motivo informado de mudança de endereço, procedendose assim a intimação por edital publicado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação (fl. 1.957), na Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 forma prevista no art. 23, § 1º, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações feita pela Lei nº 11.196, de 2005. Como se vê, com relação ao autuado Mauro Vinocur, ocorreu a preclusão do seu direito de se manifestar neste processo, como se extrai na dicção dos artigos 15, 16, § 4º, e 21 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Lei do PAF), posto que transcorreu e se esgotou, sem manifestação, o prazo legal para a apresentação de impugnação e documentação probatória pertinente, extinguindose o direito de os interessados omissos fazêlo em outro momento processual. Contudo, dada a hipótese de solidariedade na responsabilidade por infração à legislação aduaneira apontada na autuação fiscal, as razões de contestação apresentadas por um dos acusados em princípio aproveitam ao outro autuado, com exceção de eventuais alegações de caráter pessoal que possam importar na caracterização de dolo específico. Preliminares (i) da Nulidade do Auto de Infração: A Recorrente alega nulidade do Auto de Infração em seu recurso em que a fiscalização deixou de indicar qual(is) inciso(s) do art. 23 do Decretolei nº 1.455/76 e do artigo 689 do Decreto nº 6.759/09 teria(m) sido supostamente violado(s) pela Recorrente e ainda que somente indicou como enquadramento legal da referida multa, o artigo 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/76, artigo 81, inciso III, da Lei nº 10.833/03; artigos 673, 675, inciso IV, 689 e § 1º, do Decreto nº 6.759/09 e artigos 73 §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, reproduzindoos. O auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo Artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 9º,10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Embora, de fato, não se encontre indicado no enquadramento legal descrito na peça vestibular o inciso do art. 23, do Decretolei nº 1.455/76, que se fundamenta a autuação, há que se destacar que o Relatório Fiscal é parte integrante do auto de infração, consistindolhe em parte anexa. Conforme pode ser verificado às fl. 08, o próprio Relatório Fiscal é denominado: "Relatório Fiscal continuação do Auto de Infração". No corpo do auto de infração encontrase expressamente destacado sua composição, conforme se verifica ao final da fl. 5, in verbis: “Fazem parte do presente Auto de Infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados”. Então, no Relatório Fiscal que é parte integrante do auto de infração, observase tópico exclusivo quanto ao "Enquadramento Legal" da conduta autuada à fl. 89, onde se observa a precisa indicação do tipo infracional, restando infundada a alegação da recorrente, uma vez que se encontra reproduzido o texto do art. 23, V, §§ 1º e 3º, do Decreto lei nº 1.455, de 1976. Portanto não assiste razão a Recorrente neste tópico. Aduz também que uma vez que, o ato de lançamento, entendido como procedimento administrativo voltado à constituição do crédito tributário, deve obedecer a imperativos de forma que garantam a sua conformação jurídica, o que não ocorre no caso dos Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.723397/201435 Acórdão n.º 3402003.063 S3C4T2 Fl. 2.989 15 autos. O Fisco, ao formalizar o Auto de Infração, com base em pressuposições e presunções, sem que houvessem sido carreadas provas no sentido de que as mercadorias da GILEADE foram, de fato, importadas pela Recorrente, deixou de atender à necessária comprovação dos fatos, incorrendo em vício quanto ao motivo do ato, uma vez que fato jurídico é unicamente aquela ocorrência fenomênica traduzida em linguagem própria (prova) e à qual sejam atribuídos efeitos jurídicos. Muito bem. Em sede preliminar é alegada a existência de vícios no ato e que não teria atendido aos requisitos de motivação e finalidade no Auto de Infração. Não vislumbro assistir razão as alegações da Recorrente. Quanto à alegação da ausência de prova para a conduta descrita, observo vasta colação de elementos probatórios trazidos aos autos entre as fls. 165 a 1.937, cabendo a análise de sua valoração quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento, matéria atinente ao exame de mérito do litígio, que se dará em ocasião oportuna, posterior ao exame das questões de ordem preliminar. Quanto ao auto de infração, o mesmo teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. (ii) Da decadência Argumenta em seu recurso que o Auto de Infração explicita que o fato gerador se refere à competência de 12/2003. Reproduz no corpo do recurso o texto do campo "Enquadramento legal" do auto de infração (fl. 3): "* Multas não passíveis de redução" fatos geradores a partir de 30/12/2003...(...). Com o fato acima, afirma que não são necessários grandes esforços para verificar que ocorreu a DECADÊNCIA do direito do Fisco efetuar o lançamento em relação a fatos supostamente ocorridos em 2003, ou seja, há mais de 10 (dez) anos. Nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN e o art. 139 do Decretolei nº 37/66, o prazo decadencial para a cobrança de créditos tributários é de 5 (cinco] anos, contados a partir da data do fato gerador. No caso em tela, a Recorrente foi cientificada do Auto de Infração em 28/05/2014 e os supostos fatos geradores se referem à 30/12/2003, conforme consta do Auto de Infração. Nesse aspecto também não assiste razão a Recorrente. Senão vejamos. Verificase que a data mencionada pela recorrente, na verdade, representa tão somente a data a partir da qual a penalidade prevista no art. 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455, de Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 1976, não mais será passível de redução, haja vista a vigência, a partir daquele dia, das disposições previstas no art. 81, inciso III, da Lei nº 10.833/03, por ocasião da publicação da citada lei no Diário Oficial da União – DOU. Vejase: Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (publicado no DOU em 30.03.2003) Art. 81. A redução da multa de lançamento de ofício prevista no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, não se aplica: I – [...]; [...];III à multa prevista no § 3º do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; [...] [...] Portanto, quanto à alegação de decadência, maior equívoco igualmente incorreu a recorrente. Como visto, o Relatório Fiscal continuação do Auto de Infração, é recorrente quanto aos anos de 2011 e 2012 como período de cometimento da infração, conforme trecho abaixo destacado, que esteia a descrição da conduta atribuída aos autuados. No tópico 5, "Da Ação Fiscal" (item 5.1), encontrase destacado e preciso o período das importações realizadas. Vejase (fl. 29): "(...) A empresa COMARK foi ocultada pela GILEADE nos anos de 2011 e 2012 nas importações aqui tratadas. Conforme se verá adiante, as notas fiscais de venda apresentadas e registradas pela GILEADE não representam a realidade dos fatos, ou seja, não correspondem aos verdadeiros adquirentes finais das mercadorias, fato que é agravado por serem essas mercadorias papéis importados com imunidade (a qual é vinculada à destinação dos mesmos)". Da mesa forma na conclusão do Relatório Fiscal (item 8, fls. 92 e 93), encontrase lá destacada a precisa data de registro das importações objeto do lançamento fiscal em cotejo, a primeira delas, em ordem cronológica dos fatos, com data de 14/09/2011 e a última delas, de 15/09/2012. “(...)Conforme demonstrado nas análises anteriores, concluiuse que COMARK e MAURO VINOCUR foram ocultados pela GILEADE nas seguintes importações ....(...). A ciência dos autuados, ocasião a partir da qual não mais haveria de se falar em decadência, deuse entre os dias 20 de maio e 18 de junho de 2014 (ver cópia dos correspondências postais e edital de intimação anexos às fls. 1.951 a 1.957), encontrandose alcançado pelo instituto da decadência previsto nos arts. 138 e 139 do Decretolei nº 37/66, APENAS os fatos geradores anteriores a 20 de maio de 2009. Neste sentido, conforme o antes exposto, afasto todas as questões de ordem preliminares apresentadas pela recorrente COMARK. II – Quanto ao Mérito Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.723397/201435 Acórdão n.º 3402003.063 S3C4T2 Fl. 2.990 17 Primeiramente, ressaltese que a análise e julgamento dos argumentos apresentados nas impugnações foram reunidas e agrupadas por temas semelhantes, de forma lógica e sistematizada, com o fito de, a uma, elencar todos os pontos impugnados; a duas, evitar duplicidades ou redundâncias temáticas e, a três, permitir a congruência dos diversos argumentos articulados. Da ofensa ao princípio da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco No tocante à ofensa a princípios constitucionais da penalidade aplicada, pleiteia a Recorrente, nesse particular, que se reconheça a afronta aos princípios do não confisco, razoabilidade, proporcionalidade, haja vista a inexistência de dano ao Erário. "(...) O percentual de 100% de multa aplicada sobre valor da mercadoria configura montante excessivo e desproporcional à suposta infração,pelo que afrontam diretamente o princípio constitucional da capacidade econômica do contribuinte e violam o princípio de proteção ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, da CF/88], conforme prescrevem o art. 145, § lº e o art. 150, IV, da CF/88. Portanto, resta evidente que a Recorrente não pode ser submetida a multas excessivas e desproporcionais, na medida em que sobressai o caráter confiscatório das mesmas, devendo, pois, serem reduzidas a um patamar razoável e proporcional". No caso, cabe lembrar que, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 1966, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável, somente sendo excluída, nos termos do art. 138, pela denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo devido. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º do CTN, é atividade administrativa plenamente vinculada. O que é determinante para a efetivação do lançamento e considerado no seu julgamento é a ocorrência do fato gerador. Nesse contexto, demonstrada a incidência da norma ao fato, não se poderia afastar a sua aplicação, face ao critério da lex superior constitucional, máxime quando tal norma se situa no plano dos princípios, sabidamente normas de eficácia contida. E mais, afasto as alegações de ofensa aos princípios constitucionais que não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária, conforme a Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Da infração à legislação Aduaneira e da legitimidade das partes Verificase que a lide gira em torno da exigência de multa, devida na importação de mercadorias, o qual restou apurado ser a empresa autuada (COMARK) a real interveniente das operações fiscalizadas, com enquadramento de sua conduta em infração tipificada como “Dano ao Erário”, punível com a penalidade de perdimento das mercadorias, convertida em pecúnia em face da impossibilidade de sua apreensão, com lançamento de crédito tributário, com atribuição de responsabilidade solidária às pessoas jurídica e físicas GILEADE COMÉRCIO DE PAPEIS LTDA – ME e MAURO VINOCUR, respectivamente, na forma prevista no art. 95, I, do Decreto lei nº 37/66. Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 As autuadas, em sua defesa, alegam a licitude dos recursos utilizados e a atuação de boa fé nas operações, estando sofrendo a imputação de uma fraude que não existe. Da legislação e conceitos aduaneiros nas operações de importação. No caminho para melhor esclarecer os fatos, reproduzo um breve relato sobre a legislação e os conceitos aduaneiros envolvidos nas operações de comércio exterior, a ocultação de intervenientes e a interposição fraudulenta, elaborado pelo Conselheiro Winderley Morais Pereira, proferido no Acórdão nº 3201001.852, de 28/01/2015: O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro, decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do Siscomex Importação em janeiro de 1997. A partir deste Sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresa interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações, existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A ocultação dos reais intervenientes ou a falta de comprovação da origem dos recursos configura, por força legal, dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Art.23.Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.723397/201435 Acórdão n.º 3402003.063 S3C4T2 Fl. 2.991 19 § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº10.637,de30.12.2002). § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). O art. 23 do Decreto Lei nº 1.455/76 trata de duas situações distintas: a primeira de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação e outra a interposição fraudulenta de terceiros que pode ser comprovada ou presumida nos termos previstos no art. 22, § 2º, do Decretolei nº 1.455/76. A existência de uma das duas situações, quando comprovadas pelo Fisco, ensejam a aplicação da penalidade de perdimento. Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior, afastaria a aplicação de penalidades. Tal argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23, inciso V do Decreto Lei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria. A comprovação da origem dos recursos afasta a presunção da interposição fraudulenta,mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que trata da ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Quando a origem dos recursos não esta comprovada presumese a interposição fraudulenta, quando comprovada nos autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias nos termos do art. 22 do Decreto Lei nº 1.455/76. É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados na IN SRF nº 225/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. A par de toda a discussão sobre a aplicação da pena Fl. 3000DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 de perdimento da mercadoria por dano ao erário, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui tem os um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecido pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, §3º do Decreto Lei nº 1.455/76. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento, nas situações em que for comprovada a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, bem como a conversão da pena de perdimento em multa.Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. Da aplicação da penalidade Resolvida a questão da legalidade da imputação, passo a analisar a situação fática que culminou na aplicação da penalidade ora combatida. Alega a Recorrente que é empresa que tem por desiderato social a atividade de cobrança, e nunca adquiriu mercadorias importadas, tampouco este nunca foi o seu objeto. E que não há nos autos comprovação que teria sido a destinatária final das mercadorias importadas. Portanto, apenas as pessoas jurídicas destinatárias finais das mercadorias importadas é que poderiam ser enquadradas em quaisquer das hipóteses previstas no artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76 e artigo 689 do Decreto nº 6.759/2009, o que não é o caso. Pelos argumentos acima expostos, passemos ao exame daquela que seria a essência da defesa apresentada pela recorrente COMARK, qual seja, inexistir nos autos prova de ter sido ela a destinatária final das mercadorias importadas. Verificase nos autos, que é farta a demonstração probatória apresentada pela fiscalização, sob diversas vertentes, que assim podem ser resumidas: da artificialidade da empresa GILEADE quanto à execução de suas importações por conta própria; da dotação, dissimulada por diversos artifícios dolosos, dos recursos empreendidos na execução de suas importações pela COMARK; e do esquema fraudulento empregado para ocultação dos reais intervenientes na importação e distribuição de papel imune, com a utilização de várias empresas de fachada e operações simuladas que em nada correspondiam à situação de fato, práticas que passavam pelas mãos da empresa COMARK e da pessoa de MAURO VINOCUR. Analisandose o Relatório de Fiscalização, o Fisco concluiu que o importador GILEADE não possuía capacidade econômica para realização de suas operações de comércio exterior, identificandose a dotação dos recursos envolvidos em tais operações pela empresa COMARK, através de um conjunto de atos simulados, inclusive com a participação direta do Sr. Mauro Vinocur, verdadeiro dono do grupo de empresas partícipes do esquema fraudulento, o que estaria fartamente comprovado em documentação recebida do Ministério Público Federal, objeto de mandado de busca e apreensão judicial, compartilhado mediante expressa autorização judicial. Fl. 3001DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.723397/201435 Acórdão n.º 3402003.063 S3C4T2 Fl. 2.992 21 Embora a recorrente COMARK tente descaracterizar a conduta autuada sob a alegação de inexistir nos autos prova inequívoca de ter sido ela a destinatária final das mercadorias importadas, resta precisamente indicado em demonstrativo elaborado pela fiscalização (fls. 67 a 88) ter sido os recursos por ela dotados, dissimulados na forma de mútuo (fls. 44 a 51), diretamente empregados na execução das importações realizadas, sem os quais o importador GILEADE, com flagrante artificialidade quanto a sua capacidade econômica, financeira e operacional necessárias ante o vultoso porte das operações, não as teria realizado. Pode ser verificado às fl. 33/34, do Relatório Fiscal, item 5.4: "Das Provas e Documentos Compartilhados", onde Fisco procede as seguintes informações (grifouse): "(...)A presente fiscalização teve acesso a documentos do Ministério Público Federal, compartilhado com autorização judicial concedida nos autos do processo 0014930 31.2013.403.6181 pelo Juiz Federal Substituto da 6ª Vara Criminal Marcelo Costenaro Cavali, (documentos “Autorização para compartilhamento” anexados ao presente eprocesso). O referido processo traz uma série de informações úteis à presente fiscalização, uma vez que identifica um engenhoso esquema montado para desviar papel imune, tendo levado à quebra de sigilo bancário e sequestro de bens de diversas empresas e pessoas físicas ligadas ao esquema criminoso, dentre elas a empresa COMARK COBRANÇAS LTDA, CNPJ 12.527.758/000161, identificada neste procedimento de fiscalização como sendo a real responsável pela realização de importações registradas pela GILEADE nos anos de 2011 e 2012 nos casos tratados neste Relatório Fiscal. E prossegue, "(...) No decorrer das investigações, verificouse a participação de um expressivo número de pessoas jurídicas, todas com estreita relação entre si. Muitas emitiram notas de expressivo valor, sem, contudo, movimentar contas bancárias, entregar declaração à Receita, recolher tributos ou possuir empregados. Esse emaranhado de empresas seria parte de um esquema de branqueamento de valores obtidos ilicitamente e de blindagem patrimonial em favor de MAURO VINOCUR, apontado como principal executivo e proprietário de fato de várias empresas envolvidas nas fraudes, dentre elas a empresa COMARK". Nesse plano, embora a COMARK possa vir a não ser a final destinatária das mercadorias importadas, para onde tenta conduzir a discussão, enquadrase perfeitamente na condição de adquirente de mercadoria de origem estrangeira importada por sua conta e ordem, na forma prevista na conclusão presuntiva do art. 27 da Lei nº 10.637, de 2002, quando assim restou evidente tratarse tal empresa a verdadeira supridora dos recursos financeiros envolvidos na execução das importações objeto do presente lançamento. Lei nº 10.637, de 2002: “Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001”. Ainda nesta linha, é consistente a pluralidade de indícios apresentados pela fiscalização no sentido de demonstrar um esquema fraudulento constituído por um conjunto de empresas de fachadas cujo ordenamento da ações e dotação financeira passam pela empresa COMARK e pela pessoa de MAURO VINOCUR. Este, por exemplo, é apontado por um dos sócios das formais adquirentes das mercadorias importadas, Sr. Helder Fazilari, como o verdadeiro dono de tais empresas (ver declaração às fls. 56 a 58). Fl. 3002DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 São várias as ligações apontadas pela fiscalização entre a COMARK, MAURO VINOCUR e as empresas de fachadas adquirentes da mercadoria importada. Vejase trechos reproduzidos do Relatório Fiscal (fl. 34): “A COMARK apresenta em seu quadro societário duas empresas domiciliadas no exterior, ATLANTIS BUSINESS LLC e SUN INVEST LLC, mesmas sócias da empresa TBLV COM, IMP E EXP DE PAPEIS LTDA, conforme se verá adiante. Até 23/08/13, constava como sócio administrador o Sr. Rodrigo da Silva Brito, CPF 316.487.43838, que é ou foi diretor de dezenas de empresas de participação, mas declara rendimentos que não ultrapassam R$ 30 mil anuais. Seu patrimônio declarado em 31/12/2012 é de apenas R$ 4.500,00, indicando tratarse de um laranja. A partir de 23/08/2014, passa a constar como sócia administradora da COMARK a Sra. Ieda Maria Mitiko Matuoka, CPF 134.852.94829, que já era procuradora das sócias estrangeiras, sendo sócia também da empresa TBLV. São demonstradas nos autos do processo nº 001493031.2013.403.6181 significativas discrepâncias entre a movimentação financeira da COMARK, sua receita bruta e recolhimentos, e por meio de intimações ao principal cliente beneficiário das fraudes, provouse que a finalidade da COMARK está atrelada à ocultação dos rendimentos auferidos por terceiros, sonegação e lavagem de ativos. Após a investigaçãofiscalização detalhada nos referidos autos, apontouse como real beneficiário e único controlador do grupo, incluindo a empresa COMARK, o Sr. MAURO VINOCUR, CPF 165.795.10811. Anexo ao presente processo encontrase cópia das declarações em que MAURO VINOCUR aparece como responsável pela COMARK, e pelas empresas domiciliadas no exterior, ATLANTIS BUSINESS LLC e SUN INVEST LLC. A procuradora oficial da TBLV e da COMARK, a Sr.a Ieda Maria Mitiko Matuoka (que passou a constar como administradora da COMARK após a saída de Rodrigo da Silva Brito), é pessoa da extrema confiança de Mauro Vinocur, tendo recebido dele diversas procurações com poderes ilimitados para assinar por empresas dele de forma isolada. ”. A execução da importação com recursos alheios à capacidade econômica do importador autoriza presumir ter sido a operação realizada por conta e ordem daquele que dotou os recursos. É este o paradigma que se encontra positivado nas disposições do art. 27, da Lei nº 10.637, de 2002, fundado na constatação que nos negócios simulados, de interposição fingida de pessoas, é a origem dos recursos que identifica aquele que verdadeiramente intervém no negócio. Levantamentos e análises realizados pela fiscalização demonstrariam que a empresa GILEADE não dispunha de recursos próprios para arcar com as importações realizadas, identificandose os aportes de recursos da COMARK como o suprimento indispensável à execução das importações (fls. 67 a 88). Dessa forma, ficou evidenciado nos autos, que os documentos do processo nº 001493031.2013.403.6181, compartilhados com autorização judicial e fornecidos pelo Ministério Público Federal, contribuíram certeiramente para que a fiscalização esclarecesse a forma de atuação do esquema de fraude utilizado pelas empresas GILEADE e COMARK. Também, ficou evidenciado que foi por meio do acesso aos extratos bancários da COMARK, que foi possível identificar os repasses de recursos da COMARK para a GILEADE, permitindo ao Fisco descaracterizar os contratos de mútuo apresentados pela GILEADE, bem como descaracterizar os pagamentos indicados pela GILEADE como sendo se seus “clientes”, e identificálos como sendo recursos da COMARK para pagamentos de importações para as quais a COMARK é, de fato, a real promovedora e responsável e ainda Fl. 3003DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.723397/201435 Acórdão n.º 3402003.063 S3C4T2 Fl. 2.993 23 identificar a pessoa de MAURO VINOCUR, através das suas declarações, que é o verdadeiro dono da COMARK e das empresas estrangeiras que fazem parte de seu quadro societário. O Fisco concluiu que a GILEADE, em articulado esquema fraudulento com a COMARK e MAURO VINOCUR, ocultou a condição de real interveniente destes últimos nas importações por ela realizados, concorrendo todos conjuntamente na conduta tipificada no art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455, de 1976, sujeitandose, portanto, à penalidade de perdimento dos bens importados sob tal conduta, no caso, convertido em penalidade pecuniária haja vista a não localização das mercadorias importadas. Portanto, tanto a GILEADE como o Sr. MAURO VINOCUR, respondem solidariamente pela penalidade aplicada na forma prevista no art. 95, I, do Decreto lei nº 37/66. Da caracterização do dano ao Erário Público Ao final da ação fiscal do qual restou apurado ser a empresa autuada a real interveniente das operações fiscalizadas, com enquadramento de sua conduta em infração tipificada como “Dano ao Erário”, punível com a penalidade de perdimento das mercadorias, convertida em pecúnia em face da impossibilidade de sua apreensão. Não podemos esquecer que o perdimento de bens tem por finalidade a reparação de eventual dano causado ao Estado pelo contribuinte. Não é por outro motivo que na legislação infraconstitucional (art. 23 do Decretolei nº 1.455/76), especialmente em seu parágrafo primeiro, consta expressamente a previsão da aplicação de pena de perdimento, quando das infrações tipificadas nos incisos, resulte dano ao erário público. De acordo com o art. 23, V, §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, na redação da Lei nº 10.637/2002 (grifouse): “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. [...] § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.” A caracterização do dano ao Erário, decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial, quando fez vir a mercadoria do exterior, é hipótese de infração a legislação aduaneira, que se materializa quando o sujeito passivo oculta nos documentos de habilitação para operar no comércio exterior, bem assim na declaração de Fl. 3004DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 importação e nos documentos de instrução do despacho, a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário ou cambial perpetrado. Vale lembrar que o propósito do tipo infracional é coibir a ocultação do real adquirente da mercadoria na importação ou do vendedor da mercadoria na exportação. Tratase de regra de especial relevância, à medida que a ocultação dos sujeitos envolvidos nas operações de comércio exterior pode estar associada à prática de crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, tipificados na Lei nº 9.613/1998. Além disso, ao dificultar o controle da valoração aduaneira e do preço de transferência praticado entre partes relacionadas, a ocultação proporciona a redução indevida dos tributos incidentes da importação (IPI, II, PIS/Pasep, Cofins, ICMS), bem como do IPI devido na comercialização no mercado interno da mercadoria importada e do IRPJ e da CSLL. É evidente, portanto, que o dispositivo, ao pressupor a ocultação ilícita, se refere à simulação fraudulenta. Logo, nas operações de importação, a infração é caracterizada sempre que um determinado sujeito passivo denominado importador oculto , visando a evasão dos órgãos de fiscalização, age em conluio com outrem importador ostensivo para que este figure formalmente como importador e omita a identificação do real adquirente perante as autoridades competentes. A natureza fraudulenta pode ser provada por qualquer meio admitido pela ordem jurídica, sendo presumida, nos termos do § 2º do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/1976, sempre que o importador não for capaz de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação: “Art. 23. [...] § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.” Com base nesse dispositivo, alguns julgados do CARF têm operado com a diferenciação entre interposição fraudulenta comprovada e interposição fraudulenta presumida. Entendese, contudo, que não há duas modalidades de interposição. O § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, apenas estabelece uma regra de presunção relativa, que constitui uma técnica de inversão do ônus da prova e não implica qualquer consequência no regime jurídico do instituto. Aplicase, em qualquer caso, com ou sem presunção, a pena de perdimento da mercadoria ou, nas hipóteses do § 3º do art. 23, a multa substitutiva ao importador ostensivo, como ocorreu neste caso. Do Recurso da GILEADE Em seu Recurso a GILEADE alega que a decisão recorrida não levou em consideração os créditos internacionais que tinha na época desta fiscalização, os quais comprovavam através de DIs, emails entre outros, que a recorrente não teve participação em qualquer esquema, simulação ou sequer tinha o conhecimento do envolvimento de MAURO VINOCUR e que a GILEADE possuía sim capacidade econômica para tais importações. Não participou de qualquer tipo de engenhoso esquema montado para o desvio do papel imune e que o único relacionamento entre a GILEADE e a COMARK, foram empréstimos feitos e os quais foram devidamente pagos conforme quitação de duplicatas de seus clientes conforme as "francesinhas" que anexa em seu recurso. Não efetuou qualquer tipo de venda para a Fl. 3005DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.723397/201435 Acórdão n.º 3402003.063 S3C4T2 Fl. 2.994 25 COMARK onde por si própria já descaracteriza qualquer tipo de importação direta ou indireta para esta empresa em questão. Fez alguns esclarecimentos quanto a diligência efetuada na sede da empresa recorrente: (a) não era uma pequena sala conforme afirma esta fiscalização, era um escritório com 3 mesas dois telefones e uma sala de espera e um banheiro (era o suficiente para um escritório); (b) a recorrente trabalhava com empresas terceirizadas, conforme documentos juntados aos autos, contrato de prestação de serviços com a contabilidade, contratos de armazenamento que eram terceirizados, transporte terceirizados e (c) que o sócio administrativo Ricardo Martins, era responsável pelas compras vendas e pagamentos. Afirma que a GILEADE faz a intermediação da importação até os portos do Brasil, onde coloca o papel (produto) no porto desejado e o cliente faz a nacionalização com o seu despachante. Sobre as "Semiimportação", alega que para clientes que não tem o radar ou não querem fazer a importação direta junto com o fabricante onde o cliente fica com o preço bem competitivo. Apresentou um laudo técnico contábil (fls. 2.842/2.850) elaborado por um perito graduado, por esta razão a recorrente ressalta que o laudo pericial é verossímel e que apresenta a realidade dos fatos. Quanto ao Direito, argumenta que todo o auto objeto da presente ação anulatória baseiase em indícios e não em provas; que a ilicitude dos atos praticados pelo Sr. MAURO VINOCOUR e as fraudes praticas e ilícitos fiscais daquelas empresas não podem ser transferidas para a recorrente por ser terceira de boafé; que o auto de infração originário foi lavrado contra a empresa COMARK da qual a ora recorrente não é e nunca foi sócia e com a qual nunca manteve qualquer relação que pudesse configurar grupo econômico; a recorrente não se beneficiou economicamente do suposto "esquema" descrito pela fiscalização somente tendo atuado na venda de papel imune e que no caso em questão, os elementos indiciários apresentados pelo fisco dizem respeito a documentos encontrados em outra empresa, de outro grupo; não existe instituto jurídico capaz de transmitir a responsabilidade pela prática de atos ilícitos de seu agente para outra empresa, não sendo o caso do instituto da solidariedade previsto no art. 124 do CTN. Pois bem. Notase que a recorrente GILEADE, ante toda a caracterização de empresa de fachada atribuída pela fiscalização nos fundamentos do lançamento, agarrase apenas em questões processuais para defender sua capacidade econômicofinanceira, em nada refutando ou contrapondo as conclusões apresentadas pela fiscalização. Consta no Relatório de Fiscalização às fl. 41/42, que a empresa GILEADE foi constituída em setembro de 2008, com um capital social de R$ 5.000,00, acrescido para R$ 300.000,00, em dezembro de 2010, com a participação dos sócios Sr. Ricardo Martins (90%) e sua esposa, Sra. Marisa Alves Martins (10%), ambos com registro de emprego em diversas empresas distribuidoras de papel. Em 2010, a empresa importou R$ 640 mil, com vertiginoso crescimento nos anos seguintes: R$ 8 milhões, em 2011 e quase R$ 12 milhões, em 2012. Verificase às fls. 41/43, que diligência realizada ao endereço cadastral da empresa, constatouse seu funcionamento em apenas uma pequena sala, sem local para armazenamento e movimentação de mercadorias, tendo seu sócio majoritário, Sr. Ricardo Martins, afirmado não possuir funcionários. Anteriormente ao endereço diligenciado, o sócio Fl. 3006DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 declarou que a empresa teve como local de funcionamento a residência de seu pai, onde também residia. Com relação aos recursos empregados na execução de suas importações, a empresa atribuiu sua captação a contratos de mútuos levantados junto à empresa COMARK. Consta dos autos, que nenhum dos contratos de mútuo apresentados à fiscalização (relação e cópia às fls. 45/48) possui a identificação ou assinatura de testemunhas, e, em todos eles, a única autenticação de assinatura referese ao sócio da mutuaria (Sr. Ricardo), e em mesma data (09/11/2012), meses após a data de sua celebração, todos eles prevendo como local para restituição dos valores a “sede da Comark” e que nenhum dos contratos apresentava registro público. O Fisco relata que os registros bancários indicados como a devolução desses valores para a COMARK, na realidade, não passavam de simulação de quitação desses empréstimos, uma vez que nas mesmas datas, a COMARK transferia de volta esses e outros valores para a GILEADE sem que aparecesse seu nome nos extratos. O Fisco informa em seu Relatório Fiscal (fls. 48 e 49), que dentre os itens questionados à COMARK, constavam a apresentação de comprovação de origem dos recursos utilizados nos Contratos de Mútuo, a apresentação dos arquivos contábeis, a descrição de qual seria a relação com a empresa GILEADE COMERCIO DE PAPEIS LTDA, e informar qual a garantia apresentada pela GILEADE na contratação dos Mútuos. Em sua resposta a COMARK encaminhou por correio carta informando que precisaria de mais prazo para atendimento do Termo, e não apresentou mais respostas. Foi re intimada por meio do Termo 005/14, mas também não apresentou respostas. No mesmo sentido, por meio dos Termos de Intimação 007/14, 008/14 e 152/14 a GILEADE foi intimada e reintimada a responder com relação aos contratos de Mútuo realizados com a empresa COMARK, CNPJ 12.527.758/000161, informar se os mesmos foram registrados na contabilidade da empresa, e em caso positivo, identificar os lançamentos. Informar por escrito qual a garantia apresentada pela GILEADE na contratação dos Mútuos contratados com a empresa Comark Cobranças LTDA, CNPJ 12.527.758/000161 O sócio Sr. Ricardo Martins, apresentou resposta ao Termo 152/14, apresentando as cartas de declarações anexadas ao presente eprocesso (fl. 49). Apesar de informar que os contratos de Mútuo foram lançados na contabilidade, no mesmo momento da entrega dos documentos buscamos verificar e de fato não identificamos nenhum lançamento contábil referente aos Mútuos. Tal fato foi anotado no protocolo de recebimento dos documentos. Neste contexto, embora a recorrente COMARK tente descaracterizar a conduta autuada sob a alegação de inexistir nos autos prova inequívoca de ter sido ela a destinatária final das mercadorias importadas, resta precisamente indicado em demonstrativo elaborado pela fiscalização (fls. 67 a 88) ter sido os recursos por ela dotados, dissimulados na forma de mútuo (fls. 44 a 51), diretamente empregados na execução das importações realizadas, sem os quais o importador GILEADE, com flagrante artificialidade quanto a sua capacidade econômica, financeira e operacional necessárias ante o vultoso porte das operações, não as teria realizado. O Fisco demonstra às fl. 51 do seu Relatório Fiscal, que ao examinar os extratos bancários e a liquidação dos contratos de câmbio da GILEADE, chegouse a seguinte conclusão: "(...) Entretanto, os extratos bancários da COMARK permitiram verificar que as entradas referidas como “Liquidação de Cobrança” eram na realidade transferências da própria Fl. 3007DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.723397/201435 Acórdão n.º 3402003.063 S3C4T2 Fl. 2.995 27 COMARK para a GILEADE. Na mesma data em que existem “quitações de mútuo” por parte da GILEADE e em dias imediatamente anteriores vêse que a própria COMARK fornece dinheiro para tais pagamentos de “quitação”. A análise dos extratos deixa evidente que a COMARK é responsável não só pelo pagamento dos câmbios de importação, mas também por proporcionar à GILEADE a capacidade de pagamento dos próprios “mútuos” feitos por ela, (evidenciando a tentativa de simulação de “empréstimos” que nunca existiram de fato)". Em verdade, como apurado pelo Fisco, a empresa GILEADE presta serviços de registrar a importação para “clientes que não têm radar ou não querem fazer a importação” por eles mesmos. Tratase de uma prática irregular, que é oferecida abertamente no próprio website da empresa como um tipo de “serviço”, o que deixa claro que é prática da GILEADE registrar importações em seu nome cujos responsáveis são na realidade terceiros não identificados. Foi exatamente o que foi constatado nos autos: a GILEADE registrou importações para a empresa COMARK, com recursos desta última, de forma que esta permanecesse oculta. Quando das análises da importações efetuadas pela GILEADE, a fiscalização em seu Relatório Fiscal itens 5.5.6.1 e 5.5.6.2, conclui o seguinte (fls 70/88): " (...) Somandose os valores pagos pela GILEADE nos contratos de câmbio das importações registradas em 2012, temos o valor na ordem de R$ 8.600.000,00. Ou seja, todas as importações registradas pela GILEADE em 2012 foram feitas com recursos da COMARK. Tais recursos foram depositados na conta da GILEADE em datas imediatamente anteriores aos pagamentos dos câmbios, conforme vêse no extrato bancário. Assim, não restam dúvidas de que a COMARK, comandada por Mauro Vinocur, é a responsável e real adquirente de todas as mercadorias importadas e registradas pela GILEADE no ano de 2012. Apesar de nunca ter respondido aos questionamentos anteriores realizados por esta fiscalização, no que se referia aos “mútuos” realizados com a GILEADE, a empresa COMARK, em resposta ao Termo de Intimação nº 203/14, informou que “não adquiriu mercadorias da empresa GILEADE”. Tal resposta era de se esperar diante de todo o esquema montado para ocultar os reais destinatários das mercadorias, conforme verificado neste Relatório Fiscal. Fato é que as mercadorias importadas em 2011 e 2012 sob responsabilidade da COMARK e MAURO VINOCUR não puderam ser localizadas pela fiscalização". E mais. A recorrente GILEADE tenta atribuir eventual fraude na destinação do papel imune às empresas adquirentes do produto, ressaltando que tais empresas estavam devidamente habilitadas perante a Receita Federal quanto à aquisição de papel imune e que o instituto da solidariedade não é hábil a transferir para terceiro penalidade por atos de outrem. A conduta ilícita autuada não diz respeito à destinação do papel imune. Trata da ocultação do real interveniente em suas operações de comércio exterior, conduta alheia àquela que tenta se defender. Foi elaborado pelo Fisco uma análise das Notas Fiscais de Saída registradas pela GILEADE (extraído do sistema SPED Sistema Público de Escrituração Digital), as quais seriam referentes aos compradores de suas mercadorias. A análise dessas notas fiscais evidenciou outro mecanismo de fraude utilizado pelas empresas COMARK e GILEADE no esquema de ocultação da primeira. Abaixo trecho do Relatório Fiscal, item 5.5.5 (fls. 51/53): Fl. 3008DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 "(...) A análise dessas informações foi importante para verificar que as Notas Fiscais de Saída registradas pela GILEADE não representam a realidade dos fatos, ou seja, não se referem aos verdadeiros compradores das mercadorias importadas em seu nome, sendo desconsideradas para análise das destinações das mesmas. Mais do que isso, as notas de 2011 e 2012 nos indicou a existência de um verdadeiro esquema montado para acobertar os verdadeiros responsáveis pelas operações e reais adquirentes das mercadorias. Verificouse que apesar de existirem milhões de reais em vendas para essas empresas, elas não apresentam movimentação financeira (quando apresentam esta é irrisória), apresentam apenas Notas Fiscais de entrada, e não de saída (ou seja, apenas “compram” mercadorias sem nunca vender nada), não apresentam Receita Bruta, em muitos casos essas empresas apresentam sócios e representantes em comum, e não existe registro de pagamentos realizados por elas nos extratos bancários da GILEADE, (vide itens deste Relatório Fiscal 5.5.5.4 e 5.5.6). Abaixo colocamos um resumo das Notas Fiscais de saída emitidas pela GILEADE em 2011 e 2012, com os valores totais de SAÍDA por comprador, e a quantidade de Notas emitidas para cada um deles em cada ano"(...): "(...) No ano de 2011 mais de 92% das vendas teriam sido feitas para as empresas que a partir de agora chamaremos de “EDITORA POINT” e “EDITORA ROMA”, e em 2012, além dessas duas, grande parte das vendas também teria sido feita à empresa “EDITORA MAKOVSKI”. Alega a Recorrente que apresentou um laudo técnico contábil (fls. 2.842/2.850) elaborado por um perito graduado, por esta razão a recorrente ressalta que o laudo pericial é verossímel e que apresenta a realidade dos fatos. O Fisco ao analisar o respectivo Laudo, no item 5.5.5.4 do Relatório Fiscal (“Laudo Técnico Contábil” Apresentado e Da Não Comprovação de Pagamento de Clientes") às fls. 58/63, documento que se propõe a identificar as transferências bancárias realizadas pelos clientes declarados, e traz uma série de extratos do Bradesco do período de novembro de 2011 a outubro de 2012 onde aparecem os nomes dos clientes (EDITORA POINT, EDITORA ROMA, EDITORA MAKOVSKI) e respectivos valores de transferência, que seriam correspondentes a pagamentos de tais clientes. O Relatório faz ainda uma relação dessas transferências com os pagamentos existentes nos extratos bancários de 2011 e 2012, junta documentos contábeis da GILEADE e apresenta planilhas denominadas “CONCILIAÇÃO DOS CRÉDITOS RECEBIDOS E ORIGEM DOS RECURSOS”. Após análises, em sua conclusão, a fiscalização assim consignou: "(...) Após as análises dessas informações, verificouse que tal Relatório apresentado não condiz com a realidade dos fatos, ou seja, os pagamentos indicados como sendo de EDITORA POINT, EDITORA ROMA e EDITORA MAKOVSKI na realidade são transferências bancárias realizadas pela empresa COMARK, e não pelas editoras indicadas. Não é documento válido para demonstrar a origem dos recursos e indicação dos pagamentos dos clientes. Mais do que isso, o documento induz a fiscalização ao erro, afirmando que as empresas para as quais a GILEADE emitiu nota fiscal de saída teriam realmente pago por tais mercadorias. Traz a informação de que empresas que não apresentam sequer movimentação financeira teriam realizado as transferências bancárias, quando na realidade nunca o fizeram. A verificação de que os lançamentos bancários são transferências da empresa COMARK (e não de EDITOA POINT, EDITORA ROMA e EDITORA MAKOVSKI) foi possível de ser feita após o recebimento de material encaminhado do Ministério Público Federal, compartilhado por autorização judicial, onde consta a quebra de sigilo bancário da empresa COMARK". Neste diapasão, a responsabilidade solidária pelo que lhe é atribuída pelo cometimento da infração, na forma prevista no art. 95, I e IV, do Decretolei nº 37, de 1966, diz respeito a sua condição de importador, de pessoa que ocultou o real interveniente nas informações que prestou ao Fisco por ocasião do registro de importação, de pessoa que Fl. 3009DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.723397/201435 Acórdão n.º 3402003.063 S3C4T2 Fl. 2.996 29 concorreu diretamente para a prática da infração quando cedeu seu nome e estrutura documental com vistas à ocultação daquele que dissimuladamente lhe dotava o recurso necessário à empreitada fraudulenta. Dessa forma, ficou evidenciado nos autos, que os documentos do processo nº 001493031.2013.403.6181, fornecidos legalmente pelo Ministério Público Federal, contribuíram certeiramente para que a fiscalização, esclarecesse a forma de atuação do esquema de fraude utilizado pelas empresas GILEADE e COMARK. Também, foi meio do acesso aos extratos bancários da COMARK, que foi possível identificar os repasses de recursos da COMARK para a GILEADE, permitindo ao Fisco descaracterizar os contratos de mútuo apresentados pela GILEADE, bem como descaracterizar os pagamentos indicados pela GILEADE como sendo se seus “clientes”, e identificálos como sendo recursos da COMARK para pagamentos de importações para as quais a COMARK é, de fato, a real promovedora e responsável e ainda identificar a pessoa de MAURO VINOCUR, através das suas declarações, que é o verdadeiro dono da COMARK e das empresas estrangeiras que fazem parte de seu quadro societário. Da declaração de inaptidão do CNPJ da GILEADE Por fim, a Recorrente GILEADE, pede em seu recurso que "(...) demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de ser assim ser decidido, cancelando os débito fiscal, e tornando sem efeito a declaração de inaptidão do CNPJ da recorrente, com a conseqüente reabilitação do mesmo". Pois bem. Em primeiro plano, releva dizer que o procedimento fiscal previsto na IN SRF n° 228, de 2002, não tem os contornos de um processo fiscal, uma vez que é fase inquisitória e precedente a possível lavratura de auto de infração e/ou declaração de inaptidão de CNPJ, estes dois atos administrativos sim, diversos e autônomos, cada qual possibilitando a existência de um processo administrativo stricto sensu, na medida em que contêm sanções, e como tal, devem seguir ritos próprios que observem os postulados do contraditório e da ampla defesa. Quanto às questões abordadas sobre a declaração de inaptidão do CNPJ da empresa, não cabe a este Conselho (CARF) manifestarse, uma vez que não existe tal competência determinada pelo RICARF. Entretanto, cumpre, apenas como medida de boa ordem, transcrever o que preceitua o art. 11 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 228/2002: "Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: 1 ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2a do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, em Fl. 3010DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 30 decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. Parágrafo único. Nas hipóteses previstas nos incisos I e II do caput, será ainda instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ)." Sobre o dispositivo reproduzido, duas observações são necessárias. Primeira: "concluído" o procedimento "aplicarseá" a pena de perdimento nas hipóteses citadas (incisos I e II). Isto quer dizer que aplicação do perdimento (e a sua eventual conversão em multa, na hipótese de mercadoria não localizada ou que tenha sido consumida) prescinde de qualquer outro ato além da conclusão do procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, instituído pela IN SRF nº 228/2002. Segunda: será instaurado "ainda ", também, o procedimento com vistas à inaptidão da inscrição da empresa no CNPJ (à época dos fatos, nos termos dos art. 37 a 39, da IN SRF n° 200, de 13 de setembro de 2002). A expressão "ainda " não está ali por acaso. Ela significa que, além do processo de perdimento, será promovido igualmente o processo de inaptidão. Logo, o processo de inaptidão é paralelo ao processo de perdimento e não fundamento deste último. Resumindo, os processos de Perdimento e de Declaração de Inaptidão têm uma origem comum, qual seja o procedimento especial no qual se constata a ocultação do verdadeiro responsável pelas operações ou a interposição fraudulenta, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, todavia são autônomos entre si. Enfim, o término do processo de inaptidão não é pressuposto para o início do processo de perdimento. Um independe do outro. Assim, a análise da questão do mérito nestes autos, deve restringirse à aplicação da multa por conversão do perdimento, face à impossibilidade de localização das mercadorias importadas. Conclusão As conclusões da Fiscalização Aduaneira sobre a vinculação das importações realizadas pela empresa GILEADE com outras empresas, são baseadas em procedimento de investigação detalhado e com fundamentos robustos, baseados em vastas provas e documentos do Ministério Público Federal, compartilhado com autorização judicial concedida nos autos do processo 001493031.2013.403.6181 pelo Juiz Federal Substituto da 6ª Vara Criminal (apensos aos autos), não há como afastar após os relatos e informações obtidos, que existia a compra dos produtos importados com intervenção direta da empresa COMARK e do Sr. MAURO VINOCUR, sendo a empresa GILEADE uma espécie de "prestadora de serviços" que viabilizava as operações de importação das mercadorias. Posto isto e diante do conjunto de fatos e documentos trazidos aos autos é importante ressaltar, que a penalidade que esta sendo imputada diz respeito a um engenhoso esquema de ocultação dos reais adquirentes da operação de comércio exterior por meio de fraude e simulação. Pelo todo exposto, votase, assim, pelo conhecimento dos recursos voluntários e pelo seu integral desprovimento, mantendose integralmente o Acórdão Fl. 3011DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.723397/201435 Acórdão n.º 3402003.063 S3C4T2 Fl. 2.997 31 recorrido, inclusive com atribuição de responsabilidade solidária às pessoas jurídica e físicas GILEADE COMÉRCIO DE PAPEIS LTDA – ME e MAURO VINOCUR, respectivamente, na forma prevista no art. 95, I, do Decreto lei nº 37/66. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 3012DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10580.720312/2009-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9202-004.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Redator designado.
EDITADO EM: 18/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 12 /2 00 9- 50 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Relatora. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado. EDITADO EM: 18/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física, decorrente do fato de, supostamente ter o contribuinte classificado erroneamente rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributados. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de "Valores Indenizatórios de URV", conforme previsão da Lei estadual nº 8.730/03 e visavam corrigir diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão das moedas Cruzeiro Real para URV em 1994. O lançamento abrange os anos calendários 2004, 2005 e 2006. Em impugnação, o Contribuinte argui serem as verbas indenizatórias nos exatos termos em que fixado pela Lei Estadual, cita como exemplo entendimento sedimentado pelo STF quando da promulgação da sua Resolução nº 245, a qual reconheceu que o abono conferido aos magistrados da União em razão das diferenças de URV possui natureza jurídica indenizatória. O auto de infração foi mantido pela Delegacia de Julgamento. Segundo a decisão as diferenças recebidas pelo Contribuinte estão sujeitas à incidência do imposto de renda, pois visavam a manutenção do valor real dos salários e como tal possuem natureza eminentemente salarial. Afastou a aplicação da Resolução nº 245 do STF, destacou que a competência para tratar do imposto é da União e portanto o dispositivo da lei baiana não teria Fl. 302DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720312/200950 Acórdão n.º 9202004.187 CSRFT2 Fl. 302 3 qualquer efeito, afirmou que a incidência do tributo independe da denominação dada ao rendimento. Foi apresentado Recurso Voluntário o qual foi julgado parcialmente procedente tão somente para excluir a multa de ofício. Recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte reiterando os argumentos de defesa. Em exame e reexame de admissibilidade, o recurso foi recebido apenas no que tange a discussão acerca da natureza da verba recebida, se indenizatória ou remuneratória. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e portanto deve ser conhecido. Conforme relatório, discutese nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos pelo Recorrente a título de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Insatisfeito com a decisão a quo, o Contribuinte interpôs Recurso Especial objetivando o cancelamento do lançamento sob o fundamento de que citada verba tem caráter indenizatório. Segundo argumentos apontados no Recurso, a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da magistratura federal e ao Ministério Público Federal. Segundo a Resolução nº 245/2002 as verbas recebidas teriam natureza indenizatória e como tal estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Desta forma, aplicando o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação do estado da Bahia deve ser igual aquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Pertinentes as considerações do Recorrente. Natureza Indenizatória da Verba: Ao contrário do apontado no acórdão recorrido e do alegado em sede de contrarrazões não se pode afastar a aplicação do citado entendimento apenas pelo fato de a Resolução nº 245/2002 versar sobre valores recebidos por profissionais da União, afinal interpretandose sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV também é tratado tanto na resolução quanto nas normas federais acima citadas. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotandose a posição do STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação do Estado da Bahia teve com pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixouse o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1°é explícito ao prever: "Artigo 1o É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Diante da clareza dessa previsão, encerrase a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois Fl. 304DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720312/200950 Acórdão n.º 9202004.187 CSRFT2 Fl. 303 5 este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computando se a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F então vigente. À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n, 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: "Artigo 1° A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobouse a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Podese concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Daí duas consequências: 1 quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença de URV estava a recebêIa naquele momento embutida no abono. 2 Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Fl. 305DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSITn. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Notese que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; 2) Aplicamse aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiuse o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: Fl. 306DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720312/200950 Acórdão n.º 9202004.187 CSRFT2 Fl. 304 7 <http://www.direitodoestado.com/revista/REDE30ABRIL2012 MARCOAURELIOGRECO.pdf>. Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pela lei baiana deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a açãotipo tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Destaco ainda que o lançamento e acórdão recorrido ao afastarem o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor a atualização monetária dos salários do período considerado, reforçaram a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada pela quando da conversação das moedas. Apuração do Imposto Regime de competência: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Mesmo que superada a tese de que os valores recebidos pelo Recorrente não possuem natureza indenizatória, ainda assim o lançamento não pode prosperar haja vista ter ocorrido erro na realização da apuração do imposto. Inicialmente, apesar de toda a discussão, não tenho dúvidas de que o mérito dessa questão já foi decidido tanto pelo Superior Tribunal de Justiça quanto pelo Supremo Tribunal Federal, respectivamente sob os ritos do Recurso Repetitivo e da Repercussão Geral. Estamos falando do RESP 1.118.429/RS e do RE 614.406/RS, que receberam as seguintes ementas: RESP 1.118.429/RS TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. RE 614.406/RS IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Certa dúvida poderia ser suscitada em relação a aplicação do julgado do STJ pois a tese firmada traz o seguinte texto: O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios previdenciários atrasados pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado, não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Assim, pelo fato de constar no texto da ementa e também da tese firmada referência ao fato de se ter discutido o pagamento de benefícios previdenciários há quem defenda sua inaplicabilidade ao caso concreto. Entretanto, nenhuma dúvida subsiste em relação ao julgado do Supremo Tribunal Federal, afinal o tema fixado para a Repercussão Geral foi delimitado da seguinte forma: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Percebese que não foi feita qualquer ressalva quanto a origem dos rendimentos discutidos. Tal fato fica ainda mais cristalino quando nos debruçamos sobre a fundamentação utilizada pelo Ministro Marco Aurélio que levou em consideração o princípio da isonomia e o da capacidade contributiva. Em voto vista, a Ministra Carmem Lúcia citando a exposição de motivos da Medida Provisória nº 497/2010 (convertida na Lei n. 12.350/2010 que deu origem ao art. 12A da Lei 9.713/88) resume bem a questão: “52. Tratase da tributação de pessoa física que não recebeu o rendimento à época própria, recebendo em atraso o Fl. 308DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720312/200950 Acórdão n.º 9202004.187 CSRFT2 Fl. 305 9 pagamento relativo a vários períodos. Nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, esses rendimentos seriam tributados no mês do recebimento mediante a aplicação da tabela mensal, o que muitas vezes resulta em um imposto de renda muito superior àquele que seria devido caso o rendimento fosse pago no tempo devido” Assim, resta indiscutível a aplicação do art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. Diante do entendimento dos nossos tribunais, vejamos a situação do lançamento: exigese do contribuinte imposto de renda apurado conforme sistemática declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o que impacta diretamente na natureza jurídica do lançamento tributário. Estamos diante de vício que maculou o lançamento em sua essência, na própria aplicação da regra matriz, o que afasta qualquer possibilidade de recalculo do tributo ou da incidência do disposto no art. 173, inciso II do CTN. Pelo exposto dou provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior Com a devida vênia ao entendimento esposado pela relatora quanto ao mérito do Recurso, ouso discordar. Reitero aqui considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Estadual n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da referida Lei: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, Fl. 309DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verifica se sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Tribunal de Justiça da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO Fl. 310DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720312/200950 Acórdão n.º 9202004.187 CSRFT2 Fl. 306 11 DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração à efl. 06. b) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, Fl. 311DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 06, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto Fl. 312DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720312/200950 Acórdão n.º 9202004.187 CSRFT2 Fl. 307 13 sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais de efl. 06 que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. c) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 06, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos Fl. 313DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Feita tal digressão, verifico que, no caso em questão, a autoridade fiscal optou por tributar os valores com base nas tabelas vigentes nos meses foram recebidos regime de caixa (o recebimento se deu em 36 parcelas mensais, durante os anoscalendário de 2004 a 2006, tendo a autoridade fiscal utilizado a alíquota de 27,5% para todos os anos, consoante e fls. 07 a 09) e não consoante a tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001) . Chegouse a propor, em sede de julgamento de impugnação, diligência fiscal de forma a se propor a adequação do lançamento a tal sistemática (então referendada pelo Parecer PGFN/CRJ no. 287, de 2009), mas tal diligência não se concretizou pela revogação dos efeitos do referido Parecer (vide efl. 81). Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo que se segue: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720312/200950 Acórdão n.º 9202004.187 CSRFT2 Fl. 308 15 Assim, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte, para que seja promovida a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, vedada a reformatio in pejus. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator Fl. 315DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.003877/2003-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2201-002.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/STM (Fls. 216), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O interessado acima qualificado foi autuado, exigindolhe o crédito tributário, no montante de R$ 118.089,08, nele compreendidos imposto, multa de oficio e juros de mora, relativo ao anocalendário 1998, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 87 7/ 20 03 -3 1 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.003877/200331 Resolução nº 2201002.203 S2C2T1 Fl. 240 2 O contribuinte, às fls. 168 a 171, impugna total e tempestivamente o auto de infração, juntando os documentos de fls. 172 a 210, e fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. 1. O contribuinte apresentou declaração de IRPF de isento para o exercício em tela porque possuía inscrição de pessoa jurídica, Severo Automóveis Ltda, da qual fazia parte como sócio quotista, sendo tributada pela pessoa jurídica, e os rendimentos que dela recebia não eram suficientes para exceder o limite estabelecido. O autuado não possuía conta corrente em nome da pessoa jurídica, justificando a movimentação financeira em sua conta de pessoa física. 2. O contribuinte apresentou documentação das contas correntes que mantinha, bem como os documentos de transações com veículos que fizera e a demonstração solicitada pela fiscalização e acostados no processo demonstram as saídas de importâncias, provando que os valores são líquidos e não brutos, e não deverá ser tributado pelo total, mas sim, pelo que restou na conta corrente. 3. O impugnante forneceu meios para a fiscalização, apresentando extratos bancários de que dispunha, nomeou advogado para representálo e, como no processo civil e penal, a parte deve ser intimada na pessoa de seu patrono ou defensor e este não foi regularmente intimado pelo fisco. ' 4. Não pode o impugnante ter deixado de atender a qualquer intimação, eis que constituiu representante legal para defender seus interesses. 5. O contribuinte demonstrou a movimentação de depósitos e saques provenientes de sua atividade profissional, com a entrada de valores nas vendas e saídas nas compras de veículos, cujos recibos foram entregues à fiscalização e, quanto à pessoa jurídica, foram pagos os impostos devidos. 6. O interessado é sócio de pessoa jurídica em regime de lucro presumido e toda a movimentação financeira de compra e venda de veículos passa por esta empresa e, portanto, o valor declarado em sua declaração resulta apenas do valor efetivamente recebido da pessoa jurídica que não possui conta corrente. Requer, o autuado, o recebimento da impugnação, dando vistas ao auditor emitente para opinar, e, no final, seja dado provimento a esta, para o fim de determinar o cancelamento do auto de infração, requerendo, ainda, a intimação regular do procurador legalmente constituído para os atos processuais administrativos. Em decorrência da transferência da competência definida na Portaria SRF n° 103, de 29 de janeiro de 2007, veio o processo para julgamento nesta DRJ. Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/STM entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁR1OS. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.003877/200331 Resolução nº 2201002.203 S2C2T1 Fl. 241 3 A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. Cientificado em 21/08/2008 (Fls. 223), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 22/09/2008 (fls. 229 a 233), alegando a decadência da cobrança e reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto. Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Compulsando os autos, verifico que parte do lançamento versa sobre depósitos bancários de origem não comprovada. Em análise aos documentos acostados ao processo às fls. 178 verifico que das três contas do Banco ITAÚ que embasaram a autuação as de números 086802, 603283, são conjuntas. Também verifico às fls. 179 que, em relação a tais contas bancárias, a fiscalização imputou apenas 50% dos valores depositados ao recorrente, tendo em vista tratar se de contas conjuntas. Ocorre que, ainda assim, imprescindível se faz a intimação dos cotitulares para que igualmente comprovem a origem de seus depósitos. O CARF já manifestou entendimento, o qual encontrase pacificado por meio de súmula, de que em se tratando de conta conjunta deve ser também intimado o cotitular para a comprovação da origem dos depósitos realizados. Neste sentido a Súmula CARF nº 29 assim dispõe: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Contudo, não consta nos autos intimação, ou indícios de sua existência, dos co titulares das contas bancárias para justificar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos. Ante o acima exposto, proponho o retorno dos autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora informe se houve a intimação de cada um dos cotitulares das contas bancárias conjuntas, para comprovarem, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos, e faça juntada de documentos hábeis a comprovar tais intimações. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19515.003877/200331 Resolução nº 2201002.203 S2C2T1 Fl. 242 4 Ao final, com vistas a garantir o contraditório e o amplo direito de defesa, cientificar ao contribuinte acerca desta diligência e dos resultados dela decorrentes, assegurandolhe prazo para sua manifestação. Tomadas as providências acima, os autos devem retornar a este Colegiado para apreciação. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 242DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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