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Numero do processo: 16327.002055/00-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.394
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, RESOLVERAM converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Luciana Zanin, Júlio Martins, Marcos Villas-Bôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini.
Nome do relator: MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS
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PERC Regularidade. Recorrente Santander Noroeste S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, RESOLVERAM converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Luciana Zanin, Júlio Martins, Marcos VillasBôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 02 05 5/ 00 -7 6 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16327.002055/0076 Resolução nº 1401000.394 S1C4T1 Fl. 8 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 16221.445 da 8ª Turma da DRJ/SPO1 que julgou, por maioria, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente após indeferimento de um PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais realizado por ela. A Recorrente apresentou o referido PERC devido à não emissão de incentivo fiscal do FINAM relativo ao ano calendário de 1997, exercício de 1998, e o indeferimento se deu sob o fundamento de existirem pendências junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil / Procuradoria da Fazenda Nacional. Vide decisão que indeferiu o PERC: "Após análise do processo de acordo com a NE/SRF/COSAR/COSIT N°10 de 17 de julho de 2000, foi constatado que o contribuinte possuía pendências impeditivas a liberação do incentivo. Foi, então, o contribuinte intimado em 14/12/05 a regularizar as pendências, conforme fl. 103. Feita nova análise da regularidade fiscal, foi constatado que ainda havia pendências impeditivas a liberação do Incentivo, conforme consta do relatório à página 174. Tendo em vista que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativo a tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95), proponho que o processo de PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 1998, seja indeferido". Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual: a) alega que o momento de análise da regularidade fiscal é o do pedido, e não da apreciação, que se deu dez anos depois, ferindo o princípio da eficiência da Administração Pública; b) apresenta diversos precedentes do Conselho de Contribuintes no sentido de que a análise do PERC deve se dar no momento em que é feito; c) alega que tinha certidão conjunta da Secretaria da Receita Federal com a Procuradoria da Fazenda Nacional, que era positiva com efeitos de negativa até 2008, estando ela, portanto, regular no momento do PERC; d) apresenta inúmeros precedentes do Conselho de Contribuintes no sentido de que a certidão conjunta negativa ou positiva com efeitos de negativa é suficiente para comprovar a regularidade fiscal; e) sustenta que alguns dos débitos inscritos em dívida ativa estão com exigibilidade suspensa no conta concorrente e outros débitos sequer existiam à época do PERC; f) por fim, apresenta precedentes que afirmam não ser possível indeferir PERC com base em débitos posteriores ao pedido. O Acórdão da DRJ ficou ementado da seguinte forma: Fl. 467DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16327.002055/0076 Resolução nº 1401000.394 S1C4T1 Fl. 9 3 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ 1997 PERC QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Solicitação Indeferida" O Acórdão da DRJ foi formado por maioria, tendo em vista que ficou vencido o julgador José Antonino de Souza, que votou pela procedência da Manifestação de Inconformidade, pois entendeu não ter ficado comprovada a irregularidade da empresa na data da declaração. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual repete os argumentos da Manifestação de Inconformidade e, como novidade, alega nulidade da decisão que indeferiu o PERC, uma vez que ela deveria ter sido intimada para comprovar a sua regularidade. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS DE AGUIAR VILLASBÔAS Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual passo à sua análise. Nulidade da decisão sobre o PERC A Recorrente alega que teria havido nulidade, pois é dever da Autoridade Fiscal que analisa o PERC intimar o contribuinte para que ele possa fazer prova da sua regularidade. Na verdade, essa intimação ocorreu em 14/12/2005 e está juntada na fl. 103 dos autos deste processo administrativo. Por meio dela, fica intimada a Santander Noroeste S/A a regularizar suas pendências relativas a débitos inscritos na Dívida Ativa da União. Há, inclusive, nas fls. 104 e 105 dos autos, pedidos de alargamento do prazo, realizados pela Recorrente, datados de 02/02/2006 e 08/03/2006. A Recorrente teve muitos anos para comprovar a sua regularidade. Poderia têlo feito, ao menos, em sua Manifestação de Inconformidade ou em seu Recurso Voluntário, não havendo porque se falar em nulidade. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16327.002055/0076 Resolução nº 1401000.394 S1C4T1 Fl. 10 4 Período para o qual se deve comprovar a regularidade O Acórdão da DRJ e o Recurso Voluntário são anteriores à Súmula nº 37 do CARF, que foi publicada apenas no ano de 2010. Essa súmula sedimentou o seguinte: "Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72". De acordo com a súmula, a regularidade deve existir no período em que é feita a Declaração de Rendimentos, ou seja, relativamente ao ano calendário de 1997 no presente caso. Não interessa o momento em que há a análise, pois o contribuinte deveria estar irregular no momento em que fez a opção pelo uso do incentivo fiscal. Se não fosse assim, o contribuinte ficaria sujeito à sorte de ter o seu pedido analisado em um momento no qual ainda estivesse regular, o que, como se sabe, não é fácil no Brasil, país com a tributação mais extensa e complicada do mundo. De qualquer forma, ainda que irregular no momento da Declaração de Rendimentos, é dada a oportunidade ao contribuinte de comprovar, durante todo o processo administrativo, que ficou regular posteriormente. Esse entendimento vem sendo amplamente aplicado pelo CARF, tendo o sido feito, inclusive, por esta turma no seguinte recente julgamento: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS Conforme Súmula CARF nº 37, “Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72” (1ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma, Acórdão nº 1401 001.480, Rel. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Sessão de 19 de janeiro de 2016). O referido Acórdão foi constituído por maioria, tendo ficado vencido apenas o Conselheiro Fernando Mattos. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentíssimo julgamento relatado pelo Presidente desta 4ª Câmara, nem sequer conheceu o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em processo no qual foi aplicada a Súmula nº 37 do CARF, conforme ementa abaixo transcrita: " [...] 2. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do Fl. 469DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16327.002055/0076 Resolução nº 1401000.394 S1C4T1 Fl. 11 5 CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 [...]" (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 9101 002.339, Rel. Rafael Vidal de Araújo, Sessão de 05 de maio de 2016). Notase que há poucas discussões hoje no CARF a respeito do tratamento jurídico a ser dado à presente questão. Cabe analisar, portanto, se a Recorrente estava regular no momento em que apresentou a sua Declaração ou se comprovou a regularidade em momento posterior. A regularidade da Recorrente No entendimento deste Relator, o processo administrativo fiscal carece de lastro probatório. A Receita Federal apontou irregularidades (débitos inscritos em dívida ativa da União) da Recorrente no momento em que analisou o PERC, não tendo comprovado que ela estava irregular no momento da apresentação da Declaração. A partir da Súmula nº 37 do CARF, entendo que o PERC deveria ser negado se houvesse comprovação de irregularidade no período de apresentação da Declaração de Rendimentos, e não em momento posterior. Por outro lado, a Recorrente menciona, sem fazer referência às respectivas folhas, na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, que haveria nos autos uma Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, mas este Relator não encontrou o documento. Há nos autos apenas espelhos do sistema de consulta da Receita Federal os quais apresentam débitos da Recorrente aparentemente em aberto. Em outro momentos, a Recorrente afirma existir menção nos autos à emissão anterior de certidão conjunta e isso, de fato, pode ser confirmado em documento juntado à fl. 109, que traz a seguinte informação: "CNPJ : 02.736.455/000103 CERTIDAO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA: 8D38.6119.C2A5.FB5E EMISSAO:10/03/2008 VALIDADE:06/09/2008 EMITIDA CONSIDERANDO A LIBERACAO PGFN" A respeito da emissão de certidão conjunta, informação que vem logo abaixo dessa transcrita acima, está registrado um "não consta". Aparentemente, a certidão referida dizia respeito tão somente à PGFN". Para que a regularidade da Recorrente ficasse comprovada, ela precisava ter trazido aos autos certidão conjunta (Secretaria da Receita Federal e PGFN), certidão relativa às contribuições previdenciárias e de terceiros e a certidão relativa ao FGTS. Quanto ao FGTS, há espelhos juntados pela própria Receita Federal que dão conta da regularidade da Recorrente. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16327.002055/0076 Resolução nº 1401000.394 S1C4T1 Fl. 12 6 Somente a partir de 3 de novembro de 2014, foi criada nova certidão conjunta, pela Portaria MF nº 358/2014, que unificou os débitos de contribuições previdenciárias e de terceiros na mesma certidão conjunta antes existente referente a débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. A própria Recorrente admite em dado momento que há débitos pendentes, mas alega que eles não poderiam ser levados em consideração, uma vez que são posteriores ao ano calendário de 1997. Ocorre que, segundo a interpretação deste Relator em relação à Súmula nº 37 do CARF e aos precedentes em geral, é preciso que, ao longo do processo administrativo, o contribuinte comprove que estava regular no ano calendário da declaração ou, ao menos, que regularizou todas as pendências mais tarde, ainda que apenas suspendendo a sua exigibilidade, de modo que não serve a alegação de que surgiram outras pendências após o ano calendário. Tem sido muito comum no CARF, em casos de dúvidas sobre a regularidade do contribuinte no período de apresentação da Declaração de Rendimentos, a determinação de diligência para que a Autoridade de origem possa verificar essa informação, intimando o contribuinte para fazer prova, e, então, possa esclarecer aos conselheiros julgadores essa questão fática. Devido à falta de clareza fáticoprobatória dos autos e da situação de a jurisprudência do CARF ter vindo se consolidando apenas após a publicação do Acórdão e a interposição do Recurso Voluntário, essa é a proposta deste Relator, conforme detalhada em seguida. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a Autoridade de origem: a) esclareça quais eram as pendências existentes na conta corrente da Recorrente no momento da opção pelo incentivo fiscal, que é o tempo adequado, segundo a Súmula nº 37 do CARF, para analisar a regularidade do contribuinte; b) caso não seja possível prestar o esclarecimento anterior, informe essa impossibilidade e exponha os motivos; c) intime a Recorrente a comprovar que estava regular, no momento da opção pelo incentivo fiscal ou em momento posterior, em relação a todo e qualquer débito federal, inclusive aos seus deveres relativos ao FGTS; Fl. 471DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16327.002055/0076 Resolução nº 1401000.394 S1C4T1 Fl. 13 7 d) esclareça se, de fato, houve algum momento durante o processo administrativo em que a Recorrente esteve completamente regular, mesmo que com situação positiva, mas com efeitos de negativa. e) preste quaisquer outros esclarecimentos que entenda pertinentes ao julgamento deste processo administrativo. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Fl. 472DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 01 /07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003008/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
A ausência de comprovação dos saldos negativos de períodos anteriores que teriam contribuído para a geração do saldo negativo de IRPJ do período invocado, bem como do IRRF deduzido do imposto devido e/ou de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram devidamente computadas na determinação do lucro real, não permite atestar a liquidez e certeza do crédito.
DECADÊNCIA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA NA APURAÇÃO DO TRIBUTO A RECOLHER/RESTITUIR SEM ALTERAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. INOCORRÊNCIA.
O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. Inteligência da Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012.
É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. Tratando-se de verificação dos valores de estimativas, imposto de renda na fonte ou compensações realizadas, não há que se falar em necessidade de lançamento, e, por conseguinte, de decadência.
SALDO NEGATIVO DA CSLL.
Não comprovada a existência de saldo negativo da CSLL adicional àquele apurado pela autoridade administrativa, não há que se falar em crédito contra a Fazenda Nacional.
DECADÊNCIA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA NA APURAÇÃO DO TRIBUTO A RECOLHER/RESTITUIR SEM ALTERAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. INOCORRÊNCIA.
O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. Inteligência da Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012.
É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. Tratando-se de verificação dos valores de estimativas, imposto de renda na fonte ou compensações realizadas, não há que se falar em necessidade de lançamento, e, por conseguinte, de decadência.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES.
Nos termos da Súmula CARF nº 80, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-002.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo, Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A ausência de comprovação dos saldos negativos de períodos anteriores que teriam contribuído para a geração do saldo negativo de IRPJ do período invocado, bem como do IRRF deduzido do imposto devido e/ou de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram devidamente computadas na determinação do lucro real, não permite atestar a liquidez e certeza do crédito. DECADÊNCIA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA NA APURAÇÃO DO TRIBUTO A RECOLHER/RESTITUIR SEM ALTERAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. INOCORRÊNCIA. O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. Inteligência da Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012. É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. Tratando-se de verificação dos valores de estimativas, imposto de renda na fonte ou compensações realizadas, não há que se falar em necessidade de lançamento, e, por conseguinte, de decadência. SALDO NEGATIVO DA CSLL. Não comprovada a existência de saldo negativo da CSLL adicional àquele apurado pela autoridade administrativa, não há que se falar em crédito contra a Fazenda Nacional. DECADÊNCIA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA NA APURAÇÃO DO TRIBUTO A RECOLHER/RESTITUIR SEM ALTERAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. INOCORRÊNCIA. O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. Inteligência da Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012. É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. Tratando-se de verificação dos valores de estimativas, imposto de renda na fonte ou compensações realizadas, não há que se falar em necessidade de lançamento, e, por conseguinte, de decadência. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES. Nos termos da Súmula CARF nº 80, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado.
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A ausência de comprovação dos saldos negativos de períodos anteriores que teriam contribuído para a geração do saldo negativo de IRPJ do período invocado, bem como do IRRF deduzido do imposto devido e/ou de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram devidamente computadas na determinação do lucro real, não permite atestar a liquidez e certeza do crédito. DECADÊNCIA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA NA APURAÇÃO DO TRIBUTO A RECOLHER/RESTITUIR SEM ALTERAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. INOCORRÊNCIA. O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. Inteligência da Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012. É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. Tratandose de verificação dos valores de estimativas, imposto de renda na fonte ou compensações realizadas, não há que se falar em necessidade de lançamento, e, por conseguinte, de decadência. SALDO NEGATIVO DA CSLL. Não comprovada a existência de saldo negativo da CSLL adicional àquele apurado pela autoridade administrativa, não há que se falar em crédito contra a Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 30 08 /2 00 3- 17 Fl. 2916DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11610.003008/200317 Acórdão n.º 1402002.153 S1C4T2 Fl. 2.917 2 DECADÊNCIA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA NA APURAÇÃO DO TRIBUTO A RECOLHER/RESTITUIR SEM ALTERAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. INOCORRÊNCIA. O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. Inteligência da Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012. É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. Tratandose de verificação dos valores de estimativas, imposto de renda na fonte ou compensações realizadas, não há que se falar em necessidade de lançamento, e, por conseguinte, de decadência. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES. Nos termos da Súmula CARF nº 80, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Fl. 2917DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11610.003008/200317 Acórdão n.º 1402002.153 S1C4T2 Fl. 2.918 3 Baptista, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo, Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 2918DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11610.003008/200317 Acórdão n.º 1402002.153 S1C4T2 Fl. 2.919 4 Relatório NESTLÉ BRASIL LTDA recorre a este Conselho em face do acórdão nº 16 23.432 proferido pela 6ª Turma da DRJ em São Paulo I DRJ/SP1 que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da lei nº 9.430/96 e no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: Por meio das Declarações de Compensação de fls. 01/02 e 363/364, a empresa pretende compensar seus débitos tributários com saldos negativos de IRPJ e de CSLL apurados no anocalendário de 2002. Em Despacho Decisório de fls. 347/358, a DERAT/DIORT/EQPIR/SPO homologou apenas parcialmente as compensações declaradas. Em 02/10/2007, a contribuinte tomou ciência dessa decisão (verso da fl. 359) e, em 01/11/2007, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 411/425), alegando, em síntese, que: no tocante ao anocalendário de 2000, a manifestante retificou a DCTF do 1º trimestre/2000 para declarar que o imposto por estimativa de fevereiro e março de 2000 foi compensado com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999. já em relação ao IRRF desse período, anexase cópia dos informes de rendimentos que garantem a integralidade do crédito compensado na apuração anual do IRPJ. observese que a DIRF não se presta a declarar as receitas de serviços auferidas pela interessada, posto que a DIPJ é o instrumento adequado para tal. com isso, a composição do saldo negativo de IRPJ desse período deve ser restabelecida, legitimandose as compensações realizadas pela contribuinte. a manifestante também retificou as DCTF dos anoscalendário de 2001 e 2002, a fim de declarar que o imposto por estimativa considerado pela DERAT como não recolhido nos respectivos períodos foi compensado com saldos negativo de IRPJ apurados em anoscalendário anteriores. o mesmo procedimento foi adotado em relação às estimativas de CSLL dos períodos analisados pela DERAT, devendo portanto ser restabelecido o saldo negativo de CSLL relativo anocalendário de 2002. O Processo 11610.004158/200348 foi juntado a este, por anexação, em atendimento ao disposto na Portaria SRF 6.129/2005 (fl. 408). Em 23/07/2008, os autos foram encaminhados à DEFIC/DIPAC/SAPAF/SPO (fls. 653/654), para realização de diligência, com o intuito de comprovar, por meio de livros e documentos contábeis e fiscais, a existência de saldo negativo de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002. Fl. 2919DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11610.003008/200317 Acórdão n.º 1402002.153 S1C4T2 Fl. 2.920 5 O resultado dessa diligência encontrase consubstanciado no relatório de fls. 1.378/1.382. Conforme Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (fl. 1.377), foi concedido à interessada o prazo de 10 dias, nos termos do art. 44 da Lei n.º 9.784/1999. Por meio do documento de fls. 1.340/1.341, a contribuinte manifestouse sobre o resultado da diligência. Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. A recorrente foi intimada da decisão em 15 de dezembro de 2009 (fl. 2827), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 28352871 em 14 de janeiro de 2010, cujas alegações e fundamentos assim podem ser sintetizados: foram pleiteados saldos negativos de IRPJ e de CSLL referentes ao ano calendário de 2002, sendo que na composição de tal saldo utilizouse de saldos negativos referentes aos anoscalendário de 2001 e 2002; ocorre que tais saldos negativos também foram formados por outros saldos negativos de períodos anteriores, sendo que o não reconhecimento dos direitos creditórios sob litígio se deu justamente por supostas inconsistências nos saldos negativos desses períodos mais pretéritos; para a Recorrente, as declarações correspondentes já teriam sido homologadas tacitamente na data do despacho decisório contestado; alega que o crédito tributário em questão já estaria extinto por decadência, pois se pretender declarar, no anocalendário de 2007, uma suposta falta de pagamento de créditos tributários anteriores a 2002; conclui que os pagamentos de estimativas por ela realizados nos anos calendário de 2001 e anteriores devem ser considerados homologados em razão do transcurso de prazo de 5 anos; a respeito da quantificação dos créditos tributários, reafirma os termos da manifestação de inconformidade: (i) a falta de declaração dos débitos de estimativa em DCTF não poderia implicar em óbices para o reconhecimento do direito aos saldos credores pleiteados, pois a simples declaração de débito em DCTF não é fato constitutivo de direito a saldos credores de IRPJ/CSLL; (ii) se saldos credores acumulados de um ano, não foram utilizados para compensar estimativas do ano seguinte, não haveria dúvida de que restaria saldo para ser utilizado no próximo anocalendário; (iii) faria jus à totalidade do IRFonte pleiteado, devendo ser levada em conta as receitas de serviços auferidas pela Recorrente e informadas em DIPJ, bem como os comprovantes de rendimentos apresentados, não havendo que se comparar tais informações com as extraídas da DIRF. É o relatório. Fl. 2920DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11610.003008/200317 Acórdão n.º 1402002.153 S1C4T2 Fl. 2.921 6 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. 2 MÉRITO A discussão limitase a dois pontos: a. Possibilidade, ou não, de despacho decisório proferido antes de 5 anos contados a partir do pedido/declaração de compensação analisar a composição de saldos negativos formados há mais de cinco anos; b. Direito a utilizar IRFonte em que se contesta se os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação. Há um terceiro ponto tratado no recurso voluntário que diz respeito à ausência de declaração de estimativas em DCTF, bem como o procedimento adotado pelo contribuinte de retificar as DCTFs após o despacho decisório ter sido exarado, contudo, tal matéria não é mais litigiosa, pois a decisão de primeira instância já levou tal fato em consideração, inclusive antes da análise do mérito do pedido, convertendo o julgamento em diligência a fim de que levasse em consideração as retificações realizadas. Passo à análise das matérias controvertidas. Embora a Recorrente esmiúce a composição dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL desde o anocalendário de 2000 até o período a que se refere o saldo negativo pleiteado nestes autos (anocalendário de 2002), extraise que o ponto controvertido é que, para se analisar os saldos negativos de IRPJ e de CSLL pleiteados necessitouse examinar também os saldos negativos referentes aos anoscalendário de períodos anteriores, sendo que despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas somente foi exarado no anocalendário de 2007. Para a Recorrente, não poderia mais a autoridade administrativa revisitar períodos de apuração ocorridos há mais de 5 anos, pois esses já estariam homologados tacitamente, sendo vedado, a seu ver, não reconhecer estimativas compensadas em 2002 com saldos negativos de períodos formados há mais de 5 anos. Tece argumentos ainda em relação à decadência. É certo que a decadência opera no sentido do princípio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Em consequência, em 2007 (caso dos autos) o Fisco não mais poderia formalizar lançamento para exigência de crédito tributário e impor penalidades quanto a infrações incorridas no ano calendário de 2001 e anteriores, ou seja, constituir exigências tributárias. Isso por disposição expressa dos artigos 150 e 173 do CTN. Fl. 2921DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11610.003008/200317 Acórdão n.º 1402002.153 S1C4T2 Fl. 2.922 7 O “prazo de homologação tácita” alegado pelo contribuinte que seria de cinco anos corresponderia ao mesmo prazo decadencial para o lançamento (constituição da obrigação tributária), previsto no CTN. Não há dúvidas de que na modalidade de lançamento por homologação, cabe ao Fisco exercer o controle da legalidade do ato praticado (ou mesmo omitido) pelo contribuinte, a fim de determinar se foram obedecidas as diretrizes que determinam a apuração correta do resultado tributável do exercício. O controle de legalidade envolve a averiguação, entre outras coisas, do cômputo correto e adequado das receitas tributáveis, das despesas incorridas e do resultado final do exercício. Caso o Fisco detecte qualquer divergência na apuração do resultado tributável, a menor ou mesmo a maior que o correto, tem o dever de exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Se for o caso, deve providenciar o lançamento de ofício do tributo que eventualmente não foi apurado ou recolhido corretamente. Tratandose de declaração de compensação, assim como o contribuinte está sujeito a datas e procedimentos determinados para realizar a tarefa prevista em lei, o Fisco também está sujeito a prazos e procedimentos para verificar se o contribuinte cumpriu o que a lei determina. Resta claro, que o Código Tributário Nacional se refere ao lançamento por homologação como a “atividade” exercida pelo contribuinte, que é realizada quando o objeto da “atividade” é um tributo que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte, caso do IRPJ. Não está a tratar das hipóteses de homologação tácita. Claro está de que no ordenamento pátrio existe prazo de caducidade aquisitiva. Todavia, tais prazos devem ser expressos. Ademais, não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além da possibilidade da interpretação, especialmente porque não haveria limites para o indébito tributário. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes elevados. Ademais, os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Assim, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório (liquidez e certeza) invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos tacitamente, independentemente da existência dos créditos, a teor do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 2922DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11610.003008/200317 Acórdão n.º 1402002.153 S1C4T2 Fl. 2.923 8 Vejase que a ausência de exame da declaração no prazo de 05 anos implica a extinção do crédito compensado, não se falando em reconhecimento de direito creditório, por exemplo, superior ao débito compensado. E o prazo para não homologação da compensação é contado a partir data da declaração que a formalizou. Mas nada impede que o Fisco, desde que decida no prazo de 5 anos contados da transmissão da declaração de compensação, averigue a correição do direito creditório pleiteado tendo que examinar eventuais recolhimentos realizados há mais de 5 anos e que por ventura componham o saldo negativo pleiteado. No mesmo sentido, assim concluiu a Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012: 24. Como se trata de Declaração de Compensação, invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar seu direito líquido e certo. Dentro do prazo para homologação determinado no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996, não há que se falar em decadência do direito de se aferir o pleito de compensação, que exige o cumprimento dos requisitos de liquidez e certeza do crédito informado. 25. Não se pode concluir que a autoridade fiscal deva aprovar o saldo negativo de IRPJ demonstrado na DIPJ correspondente, e decidir pela homologação da compensação, sem a verificação prévia da liquidez e certeza do indébito tributário que lhe dá suporte. A norma específica que versa sobre Dcomp não deixa dúvidas quanto à limitação da homologação tácita somente às compensações, e não ao crédito em si. [...] 31.1. Após transcorrido o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, assim como o prazo para homologação de compensação de que trata o art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996 (homologação tácita), há apenas a impossibilidade de lançamento de diferenças do imposto devido. Tal vedação não se aplica à compensação de débitos próprios vincendos que tenha sido homologada tacitamente, quando ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. 31.2. Todavia, pode a Administração Tributária, dentro do lapso de que esta dispõe (art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996), não homologar a compensação declarada em momento posterior, em que se utilizem créditos de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, inclusive os oriundos de estimativas quitadas por meio de Dcomps homologadas tacitamente, se verificada a inexistência de liquidez e certeza desses créditos. Este colegiado, com outra composição, já debateu o tema também sobre outro enfoque. É que o artigo 9°, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972, impõe a necessidade de lançamento ainda que, tendo sido constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário, o que implicaria, no entender de uma corrente minoritária dos conselheiros que então compunham esta turma, o início da contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do encerramento do período de apuração correspondente. Fl. 2923DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11610.003008/200317 Acórdão n.º 1402002.153 S1C4T2 Fl. 2.924 9 De fato, nas hipóteses que for constatada infração à legislação tributária, ainda que dela não implique exigência de crédito tributário, há de ser realizado o lançamento, a teor do que dispõe o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235/72. Ocorre que a necessidade de lançamento baseiase única e exclusivamente nas hipóteses em que se constatarem divergências na apuração das bases de cálculos dos tributos em questão, ou ainda da correta alíquota aplicável. Vejase que na redação original do art. 9º do Decreto nº 70.235/72 falavase em lançamento para retificação de prejuízo fiscal, e a alteração trazida pela redação dada pela Lei nº 11.941/2009 somente veio adaptar tal aplicabilidade a novos tributos que também poderiam ter suas bases de cálculo alteradas, sem, contudo, haver exigência de crédito tributário, tais como o PIS e a Cofins em seus regimes de apuração não cumulativos. Resta evidente que a necessidade de lançamento somente diz respeito, portanto, à aferição das bases de cálculo, e até mesmo alíquotas, dos tributos, ou seja, na quantificação do tributo devido, o qual terá como valor mínimo, zero, insuscetível, de per si, na caracterização de saldo negativo de IRPJ ou CSLL. Para fins de comparação, imaginemos a hipótese de um débito confessado em DCTF e não recolhido: haveria necessidade de lançamento? Evidentemente que não. Caso o Fisco discordasse do débito confessado, faria o lançamento da diferença de tributo. Agora, se o contribuinte informa em DCTF que tem determinado valor de imposto devido, mas, ao mesmo tempo, informa que o débito foi recolhido, ou seja, que o imposto a pagar é “zero”, mas a autoridade fiscal constata que não houve o recolhimento do imposto... Seria necessário o lançamento? Novamente a resposta é negativa, bastandose cobrar o imposto correspondente, ou se fosse o caso de compensação, não homologála. Vejase que o lançamento somente se faz necessário quando há alteração no valor do tributo devido, pois, divergências relativas ao tributo a recolher resolvemse mediante mera ação de cobrança, ou, se for o caso, analisandose a declaração de compensação correspondente, não havendo que se falar em lançamento, e, portanto, em decadência. Em razão disso, discordo das correntes interpretativas que se baseiam no art. 9º do Decreto nº 70.235/72 para afirmar que se estaria sujeita ao prazo decadencial a verificação da correição de saldos negativos, iniciandose a contagem do prazo no momento de encerramento do correspondente período de apuração. Ora, na apuração do saldo negativo o exame se dá após a definição do tributo devido, ou seja, nos valores eventualmente deduzidos em face de recolhimentos de estimativas, de retenções na fonte ou de compensações anteriores. Tais procedimentos referemse à definição de eventual tributo a recolher, ou, como no caso dos autos, justamente na formação do indébito pleiteado, e não a alterações no prejuízo fiscal do período, essa sim a matéria tratada no art. 9º do PAF. Sublinhese que sequer há necessidade de apuração de prejuízo fiscal ou saldo negativo de CSLL para se apurar indébito, bastandose que o valor do tributo devido seja menor que as retenções, recolhimentos de estimativas e compensações realizadas, ou seja, o tributo a recolher seja "negativo". Fl. 2924DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11610.003008/200317 Acórdão n.º 1402002.153 S1C4T2 Fl. 2.925 10 No caso em exame, não houve qualquer alteração na base de cálculo ou de alíquota de forma a alterar o saldo de tributo devido. Caso houvesse discordância em relação à base de cálculo, ou no montante de tributo devido, sem dúvida, o prazo para o Fisco alterar os valores apurados pelo contribuinte seria de cinco anos, contados na forma do art. 150 ou 173, I, do CTN, a depender da existência de pagamentos antecipados e na ausência de dolo, fraude ou simulação. Ocorre que, no caso concreto, o Fisco somente discordou do valor de estimativas recolhidas informado pelo contribuinte, o que, evidentemente, não pode se confundir com redução de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, tema jamais questionado pela autoridade fiscal, hipótese em que se faria necessário o lançamento para alteração do prejuízo fiscal apurado, tal qual exige o art. 9º do PAF, e, consequentemente, estaria sujeito ao prazo decadencial. Em resumo, entendo que o Fisco possui o prazo de cinco anos para alterar a base de cálculo de um tributo ou para aplicar a correta alíquota, alteração essa que deve ser realizada mediante lançamento, ainda que não haja exigência de crédito tributário, procedimento esse limitado ao prazo decadencial. Contudo, tratandose de divergências nos valores de recolhimentos de estimativas, retenções na fonte ou compensações, não há que se falar em lançamento. No máximo, pode vir a ocorrer a homologação tácita de eventual compensação. Portanto, no caso de alteração de base de cálculo, ou de tributo devido, o Fisco deve valerse de lançamento, sujeito ao prazo decadencial. Por outro lado, se a questão disser respeito a divergências entre valores de tributos extintos por recolhimentos anteriores ou retenções na fonte e que vieram a formar o indébito pleiteado, o Fisco pode retroagir tanto quanto for necessário, desde que o faça no prazo de cinco anos contados da transmissão da declaração de compensação. E, em relação a esse último prazo, o Fisco agiu dentro do interregno fixado em lei. Desse modo, rejeito a arguição de decadência. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Quanto ao IRFonte pleiteado, alega a Recorrente que a DIRF não é elemento para se aferir se os rendimentos foram ou não oferecidos à tributação, mas sim a correspondente informação contida em DIPJ. A seu ver, restaria comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos que redundaram na retenção em questão, o que implicaria o reconhecimento ao direito do IRFonte correspondente. O raciocínio desenvolvido pela Recorrente faz sentido, mas, no caso concreto, não há nos autos comprovação de que todo o rendimento constante nas DIRFs tenham sido levados ao crivo da tributação. Convém relembrar que a matéria é objeto de súmula no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Fl. 2925DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11610.003008/200317 Acórdão n.º 1402002.153 S1C4T2 Fl. 2.926 11 A fim de demonstrar que todo o rendimento informado em DIRF já havia sido oferecido à tributação, deveria a Recorrente trazer os elementos de prova correspondentes, como, por exemplo, cópia das DIPJs de períodos anteriores, ou ainda dos lançamentos e demonstrativos contábeis, que demonstrassem que os rendimentos informados em DIRF, ou ao menos partes deles já haviam sido oferecidos à tributação em períodos anteriores, sendo a diferença detectada na DIPJ em questão decorrente da divergência de critérios entre a contabilidade (regime de competência) e as informações prestadas em DIRF (regime de caixa, informando todo o rendimento como sendo auferido na data do pagamento/retenção). Mas tais provas não foram coligidas pela Recorrente, a quem compete o ônus da prova em matéria de indébito. 3 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por rejeitar a arguição de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 2926DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.004362/2007-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS BANCÁRIAS. INCOMPROVAÇÃO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO.
Somente se justifica a exigência de multa qualificada, nos moldes do artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando a conduta omissiva do contribuinte possa ser tipificada como sonegação, fraude ou conluio, na forma dos artigos
71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A ausência de provas diretas sobre a prática destes delitos inviabiliza, por óbvio, a qualificação da sanção. Nesse cenário, não se pode admitir que seja cominada penalidade de 150% (cento e cinquenta por cento) se o lançamento for operado com fulcro em mera presunção legal. Aduções de que a conduta do contribuinte é reiterada, de um
lado, e de que as receitas informadas ao Fisco são inveridicas, de outro, não servem para tal fim, a teor da Súmula CARF n° 14
Numero da decisão: 1101-000.587
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira
Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração, nos te Ar relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
Nome do relator: Benedicto Celso Benicio Júnior
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS BANCÁRIAS. INCOMPROVAÇÃO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. Somente se justifica a exigência de multa qualificada, nos moldes do artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando a conduta omissiva do contribuinte possa ser tipificada como sonegação, fraude ou conluio, na forma dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A ausência de provas diretas sobre a prática destes delitos inviabiliza, por óbvio, a qualificação da sanção. Nesse cenário, não se pode admitir que seja cominada penalidade de 150% (cento e cinquenta por cento) se o lançamento for operado com fulcro em mera presunção legal. Aduções de que a conduta do contribuinte é reiterada, de um lado, e de que as receitas informadas ao Fisco são inveridicas, de outro, não servem para tal fim, a teç4a Súmula CARF n° 14. Vistos, relatados discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração, nos te Ar relatório e do voto que acompanham o presente acórdão. frk Valmar Fonseca e i ■ nezes - Presidente Benedict° -elso Be cio Júnior - Relator Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10640.004362/2007-72 SI-CITI AcórclAo n.° 1101-000.587 Fl. 3 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Jose Ricardo da Silva, Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Diniz Raposo e Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Cuida-se de Embargos de Declaração opostos, pela Fazenda Nacional (fls. 1127/1129), em face do Acórdão n° 105-17.201, proferido pela extinta Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Na oportunidade, prevaleceu, nos termos do voto vencedor por mim proferido, o entendimento de que não estariam presentes os requisitos essenciais à qualificação da multa de oficio cominada pelo auto de infração exordial. 0 remédio sob apreço foi apresentado com o desiderato de suscitar a análise de duas questões que, alegadamente, teriam sido omitidas pelo aresto embargado, a saber: 1) conduta omissiva reiterada da autuada; 2) discrepância entre as receitas informadas ao Fisco e as apuradas em realidade. Asseverou-se, na oportunidade, que o embargado omitiu receitas, por, pelo menos, dois exercícios seguidos. Por esta razão, estaria verificada situação fatica que legitimaria a imposição da multa equivalente a 150% (cento e cinquenta por cento). Assim, com fulcro em precedentes apresentados, sustentou a embargante que a contumácia no descumprimento das obrigações fiscais demonstraria dolo sonegatório, subsumivel a um dos tipos penais esculpidos pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64. o relatório. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, Relator: Os Embargos se mostram tempestivos e atendem aos pressupostos legais para seu seguimento. Deles conheço. Preliminarmente, ressalto que o recurso estudado toca a acórdão em que prevaleceu voto vencedor por mim redigido, voltado a reduzir a multa de oficio qualificada, até o importe de 75% (setenta e cinco por cento). Dito arcsto fora proferido pela extinta Quinta Câmara do Primeiro Con lho de Contribuintes. Os embargos opostos foram distribuídos, então, novamente para mim, forte no1posto pelo artigo 3 0, § 40, da Portaria MF no 256/09: 2 Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo 6 0 10640.004362/2007-72 SI-Cl TI Acórdão n.° 1101-000.587 Fl. 4 "Art. 3° Os recursos já sorteados aos conselheiros anteriormente a edição desta Portaria não serão devolvidos ou redistribuídos e serão julgados na turma para a qual o conselheiro for designado. (.) 5S' 4° Os processos que retornem de diligência e os com embargos de declaração interpostos em face de acórdãos exarados ern sessões anteriores à vigência deste Regimento Interno serão distribuídos ao relator original do recurso, salvo quando estiver atuando em colegiado com especialização diversa da do anterior." A Fazenda Nacional, por meio de sua Procuradoria, alega que o acórdão exarado deixou de avaliar, ao desqualificar a multa punitiva imposta, circunstancias que levariam a entendimento distinto, consubstanciadas pela reiteração da conduta omissiva e pela discrepância entre os valores declarados pelo contribuinte, de um turno, e os apurados pela Fiscalização, de outro. Ocorre, no entanto, que não houve qualquer omissão. Aventadas situações não foram versadas, expressamente, porquanto totalmente irrelevantes para a análise da pertinência ou da impertinência da qualificação da penalidade oficiosa. Segundo se explicou, é corrente neste conselho o entendimento — com o qual concordo — de que os lançamentos calcados em presunção de omissão de receitas não podem vir acompanhados de imposição de multa majorada. 0 permissivo qualificador, afinal, expressamente condiciona a penalidade de 150% (cento e cinquenta por cento) aos casos em que reste caracterizado comportamento enquadrado em um dos tipos penais dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Ora, a imputação, ao contribuinte, dos delitos de fraude, sonegação ou conluio pressupõe, evidentemente, arcabouço probatório robusto, que denote, direta e imediatamente, o desiderato infrator. Nos casos em que a exigência fiscal se arrima em simples presunções, tal condição não é satisfeita, eis que existentes, nos autos, simples indícios oblíquos da evasão. A simples aferição de omissão de receita, quer de forma contumaz, quer não, não autoriza a qualificação da multa de mora. De tão sedimentado, a exegese que ora se expõe chegou a ser sumulada por este colegiado, nos seguintes termos: "Súmula CARF n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Resta claro, pois, que a contumácia omissiva, primeiramente, e a constatação da própria omissão, segundamente, não determinam a gravação de multa de oficio duplicada. Os presentes Embargos, antes de buscarem apontar omissão, intentam gerar, isto sim, efeitos infringentes, alterando o sentido prevalente no acórdão recorrido. Isto posto, REJEITO os ipbargos de Declaração. Benedicto Celso/Ben c a Júnior 3 Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS
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Numero do processo: 10680.015918/2004-37
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES flAS NI/CROEMPRESAS E DAS EM PRESAS DE PEQUENO
PORTE SIMPLES
Exercício: 2003
SIMPLES ATO DE EXCLUSÃO NULIDADE,
Sob pena de nulidade, a exclusão da sistemática de recolhimento
simplificado, pelo exercício de atividade vedada por semelhança, deve estar acompanhada de prova irretorquivel da prestação de serviços de profissional
habilitado que impeça a opção e possibilite a aferição da legalidade do ato de
exclusão, (Inteligência do art. 9", inciso XIII da Lei n" 9 317/96)
Numero da decisão: 1803-000.420
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES flAS NI/CROEMPRESAS E DAS EM PRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 SIMPLES ATO DE EXCLUSÃO NULIDADE, Sob pena de nulidade, a exclusão da sistemática de recolhimento simplificado, pelo exercício de atividade vedada por semelhança, deve estar acompanhada de prova irretorquivel da prestação de serviços de profissional habilitado que impeça a opção e possibilite a aferição da legalidade do ato de exclusão, (Inteligência do art. 9", inciso XIII da Lei n" 9 317/96)
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Processo n" 10680.015918/2004-37 Recurso n" 1.41 549 Voluntário Acórdão n" 1.803-00.420 — 3" Turma Especial Sessão de 20 de maio de 201 O Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO R CCOrteille MULTIMÁQUINAS MANUTENÇÃO E COMÉRCIO DE MÁQUINAS E EQIIIPAMEN`rOS 1 ,TDA. Recorrida EA/ENDA NACIONAL, ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSIIOS E CONTRIBUIÇÕES flAS NI/CROEMPRESAS E DAS EM PRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 SIIVIPLKS. ATO DE EXCLUSÃO NULIDADE, Sob pena de nulidade, a exclusão da sistemática de recolhimento simplificado, pelo exercício de atividade vedada por semelhança, deve estar acompanhada de prova irretorquivel da prestação de serviços de profissional habilitado que impeça a opção e possibilite a aferição da legalidade do ato de exclusão, (Inteligência do art. 9", inciso XIII da Lei n" 9 317/96) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator, que negava provimento ao recurso Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Adoltb Maresch Presidente Sérgio Rodrigues Mekles - Relator Wâlter Adolfo Mareseh / Redator Designado EDITADO EM: 20/05/2010 Proce,.sso n" 10650.01591 /2004-37 S1-1 E03 Acórdão n."1803-00:420 II 55 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferteira de Moines, Benedieto Celso Benicio J-únior, Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Sérgio Rodrigues Mendes e Diniz Raposo e Silva. Relatório Por hem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão :recorrido (fls. 69 e 70): A optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de linpos . los e Contribuiçõe,s das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - ,SIMPLES foi excluída de oficio pelo Ato Declaratório Executivo 1)I?1,,/131112, - n" 512.558, de 02 de agosto de 2004, II 56, com eleitos a partir de 01/01/2002, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados. RUa da opção pelo Simples: 31/10/2000 Situação cxcludente: (evento 306): Descrição: atividade econômica vedada: 2969-6/02 Instalação, teparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de USO específico Data da ocorrência: 31/10/2000 Fundamentação legal: Lei n° 9 317, de 05/12/1996: art. 9", .X.I.I.I.; art. 12; art. 14, 1; art. 15, II.. Medida Provisória n° 2.158-34, de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRL' . n" 355, de 29/08/200.3: a-a, 20, X11; art. 21; art. 23, I; art 24, TI, c/c parágrafo único. A empresa manistoti-se contrariamente ao procedimento, apresentando a Solicitação de Revisão da EXclu.são do Simples - SRS n" 06101/512 5.58, j`l 02, com pedido de revlsão do alo CM rito sumário. A decisão administrativa considerou improcedente a MS, JI 03, 110.5' lei MON á seguir Atividade vedada (típica de engenharia). O contribuinte alega questão dedireito, incompatível com a SRS. Cientificada, fl. 15 (art. 23 do Decreto a' 70 235, de 6 de marco de 1972), a optante cio 27/12/2004 (fi. 01-verso) apresentou impugnação, fl 01, com as alegações abaixo sintetizadas. Discorre .sobre a exchrsào efetuada de (feio contra a qual se :.,\F?fr(\ urgc, ao argumento de que alterou sua atividade pala ,1)\ "reparador de equipamentos"- CNAE 5271-0/01. Em lace do exp(Mo. 1 CqUer o cancelamento da exclusão. Tendo em vista a Resolução DIUMHE n" 625, de 26 de janeiro de 2006, fls. 18/20, a diligência tOi realizada com observaneia 1.1 , Processo n" 1 0680. 0 i 5918/2004 -.37 S1-1E03 Acórdão ri 1803-00.420 H 86 do disposto no art.. 10, 8" do art. 15 e ,. 2" do art. 22 da Portaria MF n 0 58, de 17 de março de 2006, para identificar a atividade efetivamente exercida pela interessada perante a qual as receitas são auferidas a partir cle. 01/01/2002 Novamc'nte cientificada em .30/07/2007, fl. 57-verso, a reguei ente apresentou nova.s razões de defesa, Ils. 59/66 _Nessa oportunidade a requerente afirma que presta os segninies ..çervieos: I . , ..] montar e consertar máquinas e equipamentos; ensinar os funcionários das empresas a trabalhar com segurança; lazer manutenção diária [.. .11 Argúi que não fabrica ou projeta qualquer equipamento industrial, tampouco tem fbrmação superior Esclarece que somente recebe IreillainC1110 dos fabricanle y de equipamentos e que exerce suas atividades no domicílio do cliente Em lace do exposto, reitera sua solicitação de cancelamento da c.vclusão A decisão da instância a quo foi assim ementado (fis. 68): ASSUNTO . SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E [),15 Elill 'R E,S'A S DE PE() UEATO PORTE - SIMPLES Exercício. 200.3 Opção Vedada a opção pelo Simples pela i..?essoa jurídica que presta _serviço de manutenção de equipamento industrial, por - caracterizar prestação de SCi . viço profissional de engenheiro. Solicitação Indefirida Cientificada da referida decisão em 27/11/2007 (A .R. de fls. 7,3), a tempo, em 26/12/2007, apresenta a interessada recurso de fls. 74 a 82, instruido com o documento de fls. 8.3, nele argumentando, em síntese: a) que o inciso X1111 do art. 9' da Lei n" 9..317, de 1996, impede o exercício de atividade pela pessoa ,jurídica envolvendo prestação de serviço profissional de engenheiro, e não meramente de técnico em manutenção, como pretende o fisco; b) que entender que a mera substituição de peças defeituosas e lubrificação de equipamentos seja atividade típica de engenheiro, seria, não só desqualificar tal profissão, como também contrariar a própria Lei n' 5,194, de 24/12/1966, que dispõe sobre as profissões de engenheiros, arquitetos e engenheiros agrônomos, como disposto em seu art„ 1"; e) que a execução dos serviços de substituição de peças e ajuste de - máquinas de pequeno porte não exige profissional legalmente habilitado ('-' , ri? Processo n" 10950 015918/2004-37 E03 Acórao " 1803 -00A29 1-4 5.7 (engenheiro), nem a Lei ns) 5.194, de 1966, exige o registro no ('rea ptra a pessoa jurídica executar tais serviços; e d) que os serviços técnicos a que se refere a Lei dos lnigenlieiros são aqueles ligados a editicações (obras). Em mesa para julgamento. Voto Vencido Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do recurso. • Art. 9", inciso X111,, da Lei 0 9.317, de 1996 Dispõe o art. 90, inciso XIII, da Lei n" 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (grifou-se): .,4rt 90 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa juriilica: f -7, - que preste •serviços profissionais de co; ¡vivi; representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, truWico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor; consultor, estatístico, administrador; programador, analista de sistema, advogado, proksV)f, jornalista, publicikirio, lis judio); ou assemelhados, e de qualquer orara prolis..são cujo exercício dependa de habilitação pi olissional legalmente exigida, Por outro lado, consta do Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples, de fls.. 56, emitido em 02/08/2004, o seguinte (destacou-se): A; 't. r Fica o contribuinte, a seguir identificado, excluído do Simples' a partir do dia 01/01/2002 pela ocorrencja da situação exch«lente indicada abaixo.. Nome, MULTIMÁQUINAS - MANUT E COMÉRCIO DE AIÁO C.'1111.),.1 • 04..120. 219/0001-85 Data da opção pelo Simples :31/10/2000 Sitmição excludente (evento 306). Descrição- atividade econômica rodada.. 2969-6/02 Instalas-iro, repara çôo e manuten .-ão outras máquinas . e equipamentos do uso nsoecifico Data da ocorrèneia: 31/10/2000 Processo n'' 10680(115918/2001- 37 S -1-Err3 A côrdão n " 1803-00..42(1 Fl 88 No caso da recorrente, a sua atividade se refere, especificamente, a manutenção e reparação de máquinas das indústrias de marcenaria (máquinas seccionadoras, coladeiras de bordos, lixadeiras, furadeiras, pantógrafos, respil,radeiras, copiadoras e esquadrejadeiras) (11s. 52). Para bem distinguir o alcance dos termos do art. 9", inciso XIII, da 1 Li n" 9.317, de 1996, notadamente no que se refere, à expressão "serviços profissionais de engenheiro ou issei.nelhados", é importante transcrever o contido no art. 4" da lei n" 10.964, de 28 de outubro de 2004, com a redação dada pelo art. 15 da Lei n" 1 1..051, de 29 de dezembro de 2004, como segue: Art. dFicam excetuadas da restrição de que trata o inciso UH do art 9 da Lei 14 9.317, de .5 de dezembro de 1996, (15' pessoas jurídica.s que se dediquem às seguintes atividades- (Redação dada pela Lei n" 11.051, de, 2004) I serviços de manutenção e reparação de flutonuiveN, caminhões, ônibus e outros veículos pc: •sados,- (Redação dada pela lei n° 11.051, de 2001) — :ser viços de instalação, manutenção e répor "Y`io acessórios para -veículos automotores,- (Redação dada pela Lei n() 11.051, de 2004) /// S'efr viços de manutenção e repatação de motocicletas., motonetas e bicicletas,- (Redação dada pela Lei n" 11.051, de 2004) IV VcrViço dc insta/ação, manutenção e reparação de FilágrliiMIS de CWerit6F10 e de informática; (Redação dada pela I ,ei a" I 1.051, de 2004) serviços de manutenção e reparação de aparelhos elebodomé,.slicos.. (Redação dada pela .1..,eiri.0 11 .051, de 2004) Como se verifica, os serviços de manutenção e reparação de veículos, acessórios de veículos, máquinas e aparelhos cru geral estão excluídos do regime do Simples, à exceção dos expressamente referidos no dispositivo legal acima. Como os serviços de manutenção e reparação de máquinas das indústrias de marcenaria não estão ressalvados nesse dispositivo legal, as empresas que se dedicam a. essa atividade estão impedidas de optar pelo Simples. É que não iria o legislador excetuar da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9" da I ,ei n" 9.317, de 1996, situações que lá não estivessem incluídas, o que permite considerar relerido dispositivo legal como um verdadeiro preceito interpretativo. Saliente-se, por fim, que, apenas com a edição da Lei Complementar n" 1282" de 19 dc‘ dezembro de 2008, já na nova sistemática do Simples Nacional, foi permitida a opção, a partir de 1" de janeiro de 2009, pelas empresas prestadoras de serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral (art. .3"). Conclusão Pro:'v,se ii" 1000 01591W2004-37 1! 03 AcÓnku n " 1803-00.420 1 Em face do exposto, e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto, Sérgio Roi- rigues teiiNes 1 Pmeesso 11" 10080 015018/2004-37 Si- 11{:03 AfÓl -dãO " 1803-00.420 [41. 90 Voto Vencedor Conselheiro Walter Adol fo .Mareseh, Redator Designado Em que pesem Os _judiciosos argumentos trazidos pelo ilustre conselheiro relator para embasar suas conclusões, estes não foram acolhidos pelos demais integrantes desta Terceira Turma. de julgamento. Com efeito, a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Mietoem presas e das Empresas de Pequeno Porte -- Simples, da forma como foi conduzida não se sustenta ante os princípios constitucionais que nortearam a criação do sistema simplificado de recolhimento de tributos e que regem o devido processo legal ad ia i nistrativo. Inicialmente, há que se ter em mente que a sistemática instituída pela Lei n" 9.317/96, fundada no art. 179 da Carta da República, coni:OMIC seu art. 10 dispõe: (verbis) Art.. I Esta Lei reg'ida, em coa/anuidade com o disposto no art 179 da Constituição, O tratamento diferenciado, simplificado e .fitvoreeido, aplicável às liliCrOCInpreSítS e a 5 cuiprescts de pequeno porte, relativo aos impostos e às contribuições que menciona. Grifamos Conforme já deixa claro o art., V' retro citado, pretende-se com a legislação em debate, Obter um tratamento diferenciado, simplificado e favorecido às mieroempresas e empresas de pequeno porte, libertando-as dos elevados ônus de exigências e carga tributária das demais empresas, combatendo a intbrmalidade e o desemprego no País. Assim, a exclusão de empresas da sistemática simplificada, deverá ser feita com parcimônia e cercada de cuidados que preserve desde que atendidas as exigências legais, o enquadram ento realizado pelos contribuintes Considerando as graves repercussões na esfera econômica dos contribuintes, a exclusão deve observar o devido processo legal administrativo e a efetiva comprovação do exercício de atividade vedada ao sistema simplificado. No caso em tela, a. recorrente foi excluída do SIMPLES tendo em vista que o código (CN A F.) roi considerado pela Secretaria da Receita Federal, como atividade vedada por ser assemelhada ao exercício de atividade de engenheiro, -Na locução da norma invocada pela Secretaria da Receita Federal art.. 90 , inciso XIII, não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa ,iuridica que preste serviços profissionais de (...) engenheiro, (...) ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Ora, confbrme se depreende dos elementos colacionados pela recorrente esta. exectna serviços de manutenção e reparação de máquinas das indústrias de marcenaria, não havendo qualquer prova adicional por parte da Secretaria da Receita. Federal, de que a empresa preste efetivamente qualquer serviço que exija o concurso de profissional com diploma de engenheiro ou equivalente.. 1'uocesso n" 10680 015918/2004-37 S1-1-E03 . Adita° n '' 1.803-00..420 1.-' I 91 A ilação extraída de um simples código de atividade, não se presta a comprovar o exercício de atividade ainda .mais por semelhança não prescindindo nestes casos de prova material que comprove a atuação de profissional habilitado com diploma de engenheiro ou equivalente.. A frágil invocação do exercício de atividade vedada, fere os princípios constitucionais esculpidos no art. 37 da Carta Magna, repisados no art.. 2" da Lei n" 9.784/99, que conduzem o agir da Administração Pública, inquinando de nulidade o ato de exclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento ao tecurso, anulando-se o Ato Deelaratório de Exclusão, ab ovo, não produzindo quaisquer efeitos, seja na exigência no recolhimento de tributos como de Obrigações acessórias adicionais, f7f--- ,,,,,.,,,e, i)Walter Adolfo Mareseh Redator Designado , .-1 ,.. .. .. ,. M IN 'SIE RIO I ).A FAZENDA CONSIL,H() ADMINISTRAIIVO DE RECURSOS I ISCAIS QUARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Plocesso n" : 10680,015918/2004-37 Acórdão n0 : 1S03-00 420 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos PI ocut adores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciado no aeOi dão supra, nos termos do att. 81, § 3', do anexo II, do Regimento Interno do CARP, aprovado pela Poitaria Ministerial n' 256, de 22 de junho de 2009 Bi asília, 09 de julho de 2010 Mteilie-MíteocrittHs — Seca etária da Câmara Ciência Data: / Nome: Procurado' (a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PEN: [ j apenas com. ciência; I- 1 com Recurso 1 ,spcscial; com Embargos de Deelat açao
score : 1.0
Numero do processo: 12448.725881/2013-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PJ. TRIBUTAÇÃO.
Devem ser oferecidos à tributação os rendimentos recebidos de pj, observadas as hipóteses isentivas definidas na legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PJ. TRIBUTAÇÃO. Devem ser oferecidos à tributação os rendimentos recebidos de pj, observadas as hipóteses isentivas definidas na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 41 1 40 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.725881/201328 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.220 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente RUBENS MENDES CARDOSO FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PJ. TRIBUTAÇÃO. Devem ser oferecidos à tributação os rendimentos recebidos de pj, observadas as hipóteses isentivas definidas na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Malagoli da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 58 81 /2 01 3- 28 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) – DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) alterando o saldo de imposto de renda a restituir do anocalendário 2011 de R$ 9.947,39 para o montante de R$ 6.604,08 a título de imposto suplementar a pagar (fls. 3/7). A notificação decorreu da apuração de omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica no valor total de R$ 60.187,16. Em sua impugnação (fl. 2), o contribuinte alegou que os órgãos pagadores não teriam abatido o valor considerado omitido pela RFB, sendo que o julga isento, conforme previsto na Lei nº 8.852/94, em seus artigos 1º, inciso III, letras “d”, “f” e “n.”, e 4º, inciso III. Mantida a exigência no julgamento de primeira instância (fls. 22/26), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/9/2014, repisando os argumentos da impugnação (fls. 32/33). É o relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 12448.725881/201328 Acórdão n.º 2402005.220 S2C4T2 Fl. 42 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No que diz respeito à infração de omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica, busca o recorrente abrigo em legislação de natureza não tributária, a Lei nº 8.852/94, para justificar o fato de não ter declarado a percepção das verbas em apreço. Cumpre dizer que, no que se refere aos rendimentos percebidos no ano calendário anterior a mesma matéria foi objeto de lançamento e consequente controvérsia nos autos do processo nº 12448.724007/201292, tendo este relator adotado as razões da decisão de primeira instância acerca do assunto quando da redação do voto do correspondente julgamento de recurso voluntário, dadas sua percuciência e minúcia. Assim sendo, reproduzo, com a devida vênia, aquela decisão no que interessa ao presente litígio, para fins de fundamentar o afastamento das pretensões do contribuinte, também no presente caso: Quanto ao lançamento por omissão de rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício, o contribuinte alega que o imposto de renda não pode incidir nas seguintes parcelas dos vencimentos: gratificação de compensação orgânica, gratificação ou adicional natalino, ou décimo terceiro salário, e adicional por tempo de serviço, de acordo com a Lei nº 8.8.52, de 1994. No que diz respeito às alegações sobre o disposto na Lei nº 8.8.52, de 1994, cumpre assinalar que é cediço que o Código Tributário Nacional Lei 5.172/66, no artigo 43, define o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. No mesmo sentido, a Lei 7.713/88, em seu art 3º, § 1º, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 9º a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 4º do art 3º da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, além de outras providências. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Na realidade, o artigo 1º da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Não estabelece qualquer majoração ou redução de tributos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser específica, nos termos do § 6º do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. Portanto, as alíneas de “a” até “r” no inciso III do art. 1º da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não cuidam de hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, tais dispositivos não determinam qualquer exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repitase, da exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94 e, por isso mesmo, não teve nenhum dos seus dispositivos revogados pela Lei 9.250/95. Assim sendo, não há como acatar os argumentos do recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 13787.720159/2014-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO DE QUESTÃO RELEVANTE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
São nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa.
No presente caso, argumento relevante presente na defesa não foi enfrentado pela decisão de primeira instância, motivo de nulidade.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-005.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância em razão da falta de exame de questão fática postulada na peça de impugnação.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO DE QUESTÃO RELEVANTE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. São nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. No presente caso, argumento relevante presente na defesa não foi enfrentado pela decisão de primeira instância, motivo de nulidade. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 7. 72 01 59 /2 01 4- 08 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância em razão da falta de exame de questão fática postulada na peça de impugnação. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13787.720159/201408 Acórdão n.º 2402005.250 S2C4T2 Fl. 57 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), fls. 042 1, que julgou impugnação improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 EMENTA DISPENSADA. Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos no uso da competência atribuída pelo inciso I do art. 25 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário, nos termos do Relatório e Voto da Relatora. Segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), fls. 032, a exigência referese a omissões de rendimentos recebidos de pessoas físicas, informados em Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), pelas administradoras ou em outros documentos. Conforme consta da NL, o aluguel foi recebido de Luiz Antonio Guedes Valle, já descontada a comissão. Também faz parte da exigência a glosa de compensação indevida a título de imposto de renda retido na fonte. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos nos autos. Em 30/07/2014, fls. 037, foi dada ciência ao recorrente do lançamento. Contra o lançamento, o recorrente apresentou impugnação, fls. 002, em 14/08/2014, fls. 002, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: 1. O lançamento caracterizado como omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, no valor de R$ 27.072,00, 1 Numeração conforme processo eletrônico. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 referemse à receita de aluguel produzida por bem comum e oferecida à tributação na declaração do cônjuge; 2. Quanto ao lançamento atinente à Mirassol Londrina Moveis e Eletrodomésticos Ltda, CNPJ nº 08.258.963/000100, no valor de R$ 4.775,47, afirma que a fonte pagadora não entregou o informe de rendimentos e que a Dirpf foi feita baseada na Dimob da administradora do imóvel, tendo recebido os aluguéis descontados do IRRF; 3. Afirma que os rendimentos referentes GODX Restaurante e Lanchonete Ltda, CNPJ nº 11.498.467/000120, foram comprovados através das cópias do contrato de locação de imóvel não residencial e da Dimob, e que, quando se trata de IRRF, a fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento; 4. No que diz respeito à Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, referente ao Instituto Nacional do Seguro Social, CNPJ nº 29.979.036/000140, o sujeito passivo afirma que concorda com a infração (R$ 111,41). A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando improcedente a impugnação. Em 06/10/2014, fls. 048, o recorrente foi cientificado da decisão. Inconformado com a decisão, o recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 049, em 05/11/2014, acompanhado de anexos, onde reitera seus argumentos de defesa, somente na questão do aluguel. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13787.720159/201408 Acórdão n.º 2402005.250 S2C4T2 Fl. 58 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Quanto às preliminares, a questão a ser analisada. Como já ressaltado, na questão do aluguel, a exigência está clara na NL: omissões de rendimentos recebidos de pessoas físicas, informados em Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), pelas administradoras ou em outros documentos. Conforme consta da NL, o aluguel foi recebido de Luiz Antonio Guedes Valle, já descontada a comissão. Em sua impugnação o contribuinte afirma que esses valor foram declarados em DIRPF de sua esposa, apresentando a DIRPF, fls. 019. Apesar dessa relevante questão,a decisão não se pronuncia sobre a exatidão, ou não, do procedimento. Segue trecho da decisão que trata do tema: "A disciplina jurídica civil que regula o regime patrimonial adotado pelo impugnante e seu cônjuge (comunhão, na forma certidão de casamento à fl. 11) assegura a participação dos frutos dos bens comuns de cada cônjuge na comunhão (art. 262 a 268 da Lei 3.071/1916 – Código Civil revogado, com regime conservado conforme art. 2.039 da Lei nº 10.406, de 10/1/2002, Código Civil). Art. 2.039. O regime de bens nos casamentos celebrados na vigência do Código Civil anterior, Lei no 3.071, de 1o de janeiro de 1916, é o por ele estabelecido. O aluguel é fruto civil do bem imóvel e integra a comunhão patrimonial, portanto, não tem natureza de rendimento particular. Tratase de rendimento comum do casal. Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de cem por cento dos que lhes forem próprios (particulares) e cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges (Decreto nº 3.000, de 26/3/1999, art. 6º e parágrafo único). Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Não há, assim, reparos a fazer no regime tributário imputado pela Fiscalização, que integralizou os rendimentos comuns no sujeito passivo (frutos civis dos bens imóveis comuns). Ora, onde está a análise sobre a declaração de rendimentos da esposa? Pela leitura do voto quase se chega a conclusão que o procedimento do casal foi correto, mas essa não foi a decisão, pois a mesma cita legislação que dá a opção dos rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. Portanto, em nosso entender a decisão recorrida não enfrenta ponto relevante da defesa, motivo de nulidade, pelo cerceamento de defesa,q eu gera supressão de instância de enfrentamento de argumento relevante. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: ... II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por esse motivo, voto por anular a decisão de primeira instância, para que se aprecie a declaração apresentada pela esposa, onde constam os valores a Luiz Antonio Guedes Valle , nos termos do voto. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pela anulação da decisão de primeira instância, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.722038/2013-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2008 a 30/07/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008
NOTA DE CRÉDITO INTERNACIONAL. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. NATUREZA JURÍDICA DE BONIFICAÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Não compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins os valores recebidos a título de bonificação, via Nota de Crédito Internacional, quando haja elementos que vinculem inequivocamente a bonificação às operações realizadas, ausência de condição para o recebimento das Notas de Crédito, e comprovação do efetivo recebimento dos valores.
Numero da decisão: 3402-003.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que negaram provimento. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Diego Marchant, OAB/SP 208.360; e pela Fazenda Nacional o Dr. Miquerlam Chaves Cavalcante, OAB/CE 19.135.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2302; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 3 1 2 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.722038/201355 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.071 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2016 Matéria PIS e Cofins Recorrente NOKIA SIEMENS NETWORKS DO BRASIL SISTEMAS DE COMUNICAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 30/07/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008 NOTA DE CRÉDITO INTERNACIONAL. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. NATUREZA JURÍDICA DE BONIFICAÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Não compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins os valores recebidos a título de bonificação, via Nota de Crédito Internacional, quando haja elementos que vinculem inequivocamente a bonificação às operações realizadas, ausência de condição para o recebimento das Notas de Crédito, e comprovação do efetivo recebimento dos valores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que negaram provimento. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido de participar do julgamento. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Diego Marchant, OAB/SP 208.360; e pela Fazenda Nacional o Dr. Miquerlam Chaves Cavalcante, OAB/CE 19.135. Antonio Carlos Atulim Presidente. Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 20 38 /2 01 3- 55 Fl. 892DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração do PIS e COFINS, lavrados em nome do contribuinte em epígrafe relativo à insuficiência do recolhimento das contribuições, nos períodos de apuração de 06/2008, 07/2008, 11/2008 e 12/2008, conforme discriminado em fls.294. Para expor os fundamentos da autuação, socorremonos aqui do preciso relato constante no Acórdão de Impugnação, reproduzido abaixo: A contribuinte supracitada foi lançada de ofício por falta/insuficiência de recolhimento de Cofins e de PIS, ambos nãocumulativos, dos meses de junho, julho, novembro e dezembro de 2008. Resultou num crédito de Cofins não cumulativa de R$25.546.939,29, conforme fls.290/300, e PIS nãocumulativo de R$ 5.546.374,96, conforme fls.301/311, tendo ambos ciência eletrônica via email em 28/06/2013 (fl.331). No Termo de Constatação e Encerramento Parcial, de fls.281/288, que faz parte integrante dos Autos de Infração de Cofins e PIS, é afirmado que houve omissão de receita que não foi incluída na base de cálculo das contribuições. Tal conclusão se fundamentou nas seguintes constatações: __ A contribuinte e a empresa NOKIA SIEMENS NETWORKS OY (NOKIA FINLÂNDIA), que são vinculadas, firmaram contrato referente a transações comerciais e de política de preços entre as partes e em relação ao preço de transferência, sendo que a empresa NOKIA FINLÂNDIA enviou a contribuinte (empresa coligada) a quantia de R$ 153.952.978,15 mediante a emissão de notas de crédito, sendo este valor utilizado pela contribuinte como ajuste de preços de transferência nas aquisições de programas de computador (R$ 53.821.423,19) e de compra de produtos (R$ 100.131.554,96) (...) Devidamente cientificada em 13/06/2013 fl.331, a interessada apresentou, em 24/07/2013 fl. 334 e ss., impugnação para os Autos de Infração do PIS e COFINS, alegando em resumo que: __ A natureza da Notas de Crédito era de ajustar o preço praticado nas importações com sua matriz (de quem a contribuinte importou) levando em consideração o preço de transferência, de forma que a margem de lucratividade da contribuinte (importadora) fosse preservada, segundo contrato celebrado entre a contribuinte e a matriz (NOKIA FINLÂNDIA), cujo objeto é de distribuição de hardware, software e serviços no território brasileiro e que tinha cláusulas que tratavam do preço de transferência e compensação da lucratividade da contribuinte devido a aplicação da legislação referente a este. Por isso, os valores das Notas de Crédito serviriam de recomposição e não poderiam ser caracterizados como receitas; __ A origem das Notas de Crédito decorrem de operações de importação da contribuinte de bens e serviços da matriz para Fl. 893DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 3402003.071 S3C4T2 Fl. 4 3 fins de fornecimento a clientes no mercado, mais especificamente a empresas que compõem o grupo Claro, com objetivo de recompor os custos decorrentes destas aquisições devido ao efeito do preço de transferência sobre elas. Ainda informa que as operações com a expressão “Buyback Claro” e “ Price Amendment” estão enquadradas na recomposição da lucratividade da contribuinte, além de trazer exemplo da correlação da emissão de Nota de Crédito e a importação de produtos e a contabilização; __ A origem da divergência entre os valores que a Fiscalização considerou como ajuste do preço de transferência (R$ 15.869.656,35) e os valores constantes da Notas de Crédito (R$ 153.952.978,15) decorre do fato que o cálculo pelo preço de transferência pela legislação brasileira é diferente do obtido pela legislação que rege a matriz (OCDE), sendo este último considerado como ajuste do preço de transferência. Tal fato não mudaria o entendimento já alegado de que os valores das Notas de Crédito serviriam de recomposição e não poderiam ser caracterizados como receitas, pois seriam devolução parcial de preço, contabilizados como redutores de custo; __ A contabilização do ajuste de custo para fins de preço de transferência, nos termos do art.45 da Lei 10.637/2002, é feita por um lançamento a débito na conta do resultados acumulados e a crédito na conta do ativo onde foi contabilizada a aquisição dos bens, direitos ou serviços e que permanecem ali registrados ao final do período de apuração ou na conta própria de custos ou despesas do período de apuração, caso estes tenham sido vendidos/baixados na conta registrou a aquisição. Como a contribuinte não fez ajuste no LALUR, de maneira somente fiscal, utilizouse da forma de contabilização preconizada no norma legal, sendo que o Acórdão 1621239, de 29/04/2009, da 2ª Turma da DRJSP, também entendeu as Notas de Crédito, no caso de ajuste de preço de transferência, podem ser utilizadas como redução do custo de determinado produto; __ O recebimento das Notas de Crédito somente teve efeito fiscal para diminuir o custo dos bens e serviços e aumentar o lucro do período, refletindo de forma positiva na apuração de IRPJ e CSLL, não afetando o PIS e a Cofins por não ser receita; __ O conceito de receita seria extrajurídico, pois decorrente do campo econômico, cuja melhor definição, nos termos da doutrina, seria o contido no pronunciamentoº 30 do Comitê de Pronunciamento Contábil, que prescreve que “Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades normais de uma entidade que resultam no aumento do Patrimônio Líquido, porém não se relacionam ao aumento de capital promovido pelos acionistas”. Então, a contribuinte deduz que a base de cálculo do PIS (art.1º da Lei 10.637/2002) e da Cofins (art.1º da Lei 10.833/2003) é a receita tributável, compreendida nos acréscimos ou nos decréscimos dos passivos, originárias de outros patrimônios, cuja propriedade é adquirida pela sociedade no exercício de Fl. 894DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 suas atividades e que possa alterar seu próprio patrimônio líquido, desde que esta receita não esteja em alguma hipótese da legislação que a torne não tributável. No caso em concreto, haveria ajuste no custo dos equipamentos importados adquiridos como contrapartida da contabilização das Notas de Crédito, não havendo nem acréscimo do ativo ou diminuição do passivo de forma a aumentar o patrimônio líquido. Ou seja, não haveria receita, mas sim recuperação de custo, não havendo incidência do PIS e a da Cofins; __ As despesas recuperadas não poderiam ser tributadas pelo PIS e pela Cofins, com fundamento analógico no entendimento contido no art.2º do ADI 25/2003, que diz que não há incidência sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente, e na jurisprudência do STJ sobre valores recuperados a título de ICMS, que seriam redutores do custo e não receita, e do STF sobre valores de transferência de créditos de ICMS, que seriam custos recuperados e não receita; __ As notas de Crédito, caso fossem consideradas receitas, deveriam ser consideradas receitas de exportação, pois houve ingresso de divisas advindas de empresa domiciliada na Finlândia (NOKIA SIEMENS NETWORKS OY). Em sendo exportação, estariam isentas de PIS e Cofins, nos termos do art.149 da Constituição, da Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, além de soluções de consulta da Receita Federal do Brasil e da jurisprudência do STF; __ Caso seja entendido que as Notas de Crédito sejam receitas tributáveis, alega a decadência dos valores das citadas Notas anteriores a data de 28/06/2008. Isto porque foi cientificada do Auto de Infração em 28/06/2013 e, nos termos do art.150, §4º do CTN, a contagem decadencial de 5 anos inicia na data do fato gerador do tributo, que seriam a data de emissão destas Notas de Crédito, conforme entendimento contido em solução de consulta da Receita Federal do Brasil sobre o instituto da competência contábil no reconhecimento da receita na prestação de serviço; __ Ainda solicita a nãoincidência dos juros de mora sobre a multa de ofício porque seria ilegal, contrariando o art.61 da Lei 9.430/1996, nos termos da jurisprudência do Conselho de Contribuintes, atual CARF; __ Por fim, protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que possam comprovar tudo que foi alegado na impugnação. Decidiu a D. Delegacia de Julgamento de Porto Alegra (RS), em acórdão de fls. 758/772, pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo as importâncias lançadas. Os fundamentos da decisão se encontram claros na ementa reproduzida abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 30/07/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008 FATO GERADOR. INCIDÊNCIA MENSAL. DECADÊNCIA PARCIAL. INEXISTÊNCIA. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 3402003.071 S3C4T2 Fl. 5 5 O fato gerador da contribuição é mensal, considerando ocorrido somente no final do mês. Em havendo ciência do lançamento antes do final do mês em que se completaria cinco anos do fato gerador, inexiste decadência parcial do crédito tributário constituído. RECEBIMENTO DE NOTAS DE CRÉDITO. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Os recebimentos de Notas de Crédito como decorrentes de ajustes nos preços dos fornecimentos à contribuinte para garantir sua rentabilidade/lucratividade se classificam como receitas, nos termos da doutrina e jurisprudência. Em sendo estas receitas tributáveis, estão dentro da hipótese de incidência da contribuição e devem ser tributadas. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic sobre débitos tributários, aí incluída a multa de ofício, por expressa previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 30/07/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008 FATO GERADOR. INCIDÊNCIA MENSAL. DECADÊNCIA PARCIAL. INEXISTÊNCIA. O fato gerador da contribuição é mensal, considerando ocorrido somente no final do mês. Em havendo ciência do lançamento antes do final do mês em que se completaria cinco anos do fato gerador, inexiste decadência parcial do crédito tributário constituído. RECEBIMENTO DE NOTAS DE CRÉDITO. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Os recebimentos de Notas de Crédito como decorrentes de ajustes nos preços dos fornecimentos à contribuinte para garantir sua rentabilidade/lucratividade se classificam como receitas, nos termos da doutrina e jurisprudência. Em sendo estas receitas tributáveis, estão dentro da hipótese de incidência da contribuição e devem ser tributadas. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic sobre débitos tributários, aí incluída a multa de ofício, por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte, discordando do Acórdão exarado pela a D. Delegacia de Julgamento de Porto Alegra (RS), protocolou Recurso Voluntário tempestivo contra a referida Fl. 896DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 decisão, que fora contrarrazoado pela Fazenda Nacional, também em tempo hábil. O recurso e as contrarrazões repisam os argumentos proferidos anteriormente no processo, motivo pelo qual não serão revisitados neste relatório. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. Versam os autos de lançamento tributário de PIS e Cofins incidentes sobre Notas de Crédito recebidas como redutoras de custo na operação entre partes vinculadas, cujos preços parâmetros de saída (na Finlândia) e de entrada (no Brasil) para fins de legislação de preços de transferência discrepavam em razão de regras assimétricas. O caso em tela, conquanto inusual neste Seção de Julgamento, é, em nosso juízo, de simples compreensão, uma vez afastados os aspectos não essenciais. Na consecução de suas operações habituais, a Recorrente celebra contratos de fornecimento complexos, que envolvem o fornecimento de equipamentos e prestação de serviços, inclusive o licenciamento de software, que por sua vez são viabilizados por meio do suporte da Nokia Siemens Networks Oy, situada na Finlândia ("NSNOy"), que se dá mediante o fornecimento de equipamentos. É inconteste nos autos que a Recorrente e a NSNOy são pessoas vinculadas. Logo, naturalmente, e nos termos dos art.18 a 24 da Lei 9.430/96, as operações entre elas estão sujeitas ao controle de preços de transferência nas importações para verificar se houve excesso de dedutibilidade de custos em relação às operações realizadas com a NSNOy e outras empresas vinculadas. O exame dos preços de transferência possui o escopo de identificar eventual transferência indireta de lucros nas operações entre partes vinculadas. Verificado tal panorama, procedese a um ajuste na base calculada do imposto sobre a renda, incidindo, assim, o referido imposto sobre parcela do lucro transferida indiretamente por intermédio dos preços manipulados por força das relações existentes entre as partes vinculadas (BARRETO, Paulo Ayres. Imposto Sobre a Renda e Preços de Transferência. São Paulo: Dialética, 2001. P.152). Outrossim, o controle de preços de transferência também é efetuado pela NSNOy na Finlândia, no momento da exportação dos produtos. Todavia, estas regras são baseadas nas Diretrizes de Preços de Transferência da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (“OCDE”), as quais são bem diferentes das regras brasileiras apresentadas pelos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430/96. Portanto, quando o bem vai ser exportado da Finlândia, aplicamse as regras de preços de transferência da OCDE para obter um preço parâmetro de exportação que deverá ser praticado na exportação e, da mesma forma, com a importação desse bem no Brasil aplicamse os critérios previstos nos arts.18 a 24 da lei 9.430 para se obter o preço parâmetro Fl. 897DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 3402003.071 S3C4T2 Fl. 6 7 de importação. Frisese que, via de regra, seria despiciendo adjetivar o preço parâmetro, haja vista que eles deveriam ser exatamente iguais, por força do princípio do arm's lenght. Em uma economia globalizada, é comum que a empresa tenha braços operacionais espalhados no mundo inteiro, que realizem operações comerciais entre si, promovendo uma especialização da atividade produtiva atrelada a essa mundialização do processo produtivo. Como pontua Luís Eduardo Schoueri, essa estrutura globalizada esvazia o parâmetro do mercado como árbitro para a distribuição de riqueza, já que, por exemplo, o lucro ou prejuízo de uma determinada unidade produtiva dessa cadeia internacional seria condicionado por decisões internas do grupo empresarial (Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro, 2ªed. São Paulo: Dialética, 2006. P.11). Assim sendo, o lucro contábil da empresa se torna um parâmetro confiável de sua capacidade contributiva apenas nos casos em que ele reflita operações realizadas de acordo com os preços praticados no mercado. E prossegue o autor: Assim, entendese que ao substituir os preços das transações entre partes ligadas pelos preços de mercado, a legislação sobre preços de transferência nada mais busca, senão aferir com maior exatidão a riqueza gerada pela empresa. À luz do conceito de renda, portanto, a legislação sobre preços de transferência será aceita e até exigida quando, privilegiando os preços de mercado, apurar com exatidão a riqueza e, portanto, a renda tributável. Em consequência, apenas se tolera a substituição dos preços praticados em uma transação se em seu lugar se registrarem valores que representem com maior exatidão os preços de mercado. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro, 2ªed. São Paulo: Dialética, 2006. P.12) Nesse contexto, o arm's lenght opera como critério de igualdade tributária nas operações entre pessoas vinculadas no âmbito do comércio internacional, aplicandose o art.150, II e sua vedação a tratamento desigual de contribuintes em situação equivalente. Pois bem, retomando a legislação brasileira acerca da matéria, devese analisar o art.18 da lei 9.430: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: É dizer, do preço de importação dos bens, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real, através de registro do custo na LALUR, aquele valor calculado como preçoparâmetro de acordo com as regras específicas da lei. No caso em tela, realizouse os cálculos de acordo com o método adequado, conforme planilhas de fls.08 a 36, onde verificouse um valor total de R$ 15.869.423,19 este, portanto, é o preço parâmetro na importação do produto, para fins de aproveitamento do custo na apuração do lucro real da Recorrente. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Ocorre, entretanto, que a aplicação das regras de preço de transferência na Finlândia, no momento da exportação, estipula valores de vulto muito superior àqueles calculados pelas regras brasileira, para estes casos. Em síntese: para a Finlândia, o preço é um, enquanto para o Brasil, é outro (muito menor que aquele considerado na Finlândia), de modo que a Recorrente precisará realizar uma custo equivalente ao preço de exportação praticado na Finlândia, podendo excluir do seu lucro real apenas até o limite do preço considerado pelo Brasil, restando "descoberto" a diferença desse valor. Essa diferença de custo que não pode ter tratamento tributário de custo, por força das regras de preços de transferência do Brasil mina a própria a operação, onerando demasiadamente o negócio e inviabilizando a manutenção da prática comercial entre as pessoas vinculadas. As partes convencionaram o seguinte, nas cláusulas 2 e 3 do Acordo de fornecimento de bens : “2. PREÇOS a. Os preços cobrados pela NSNOy para o hardware, software e serviços segundo este instrumento devem estar em conformidade com os padrões de internacionais de plena concorrência simultaneamente de acordo com o Artigo 9 do Tratado de Dupla Tributação Finlandês Brasileiro em vigor e as Diretrizes de Preços de Transferência da OECD (“PREÇOS”), conforme detalhado no anexo 1 anexado ao presente como a Política de Preços de Transferência da Nokia Siemens Networks para refletir as margens que normalmente são realizadas pelas empresas envolvidas em operações similares a aquelas da NSN Sistemas. b. Pelo menos anualmente, a NSN Sistemas e a NSNOY deve analisar as margens brutas da NSN Sistemas para as suas operações de distribuição/revenda para determinar se tais margens estão em conformidade com os princípios internacionais de plena concorrência aceitos, bem como com a legislação de preços de transferência brasileira. Se for determinado que as margens da NSN Sistemas para qualquer período coberto por este CONTRATO não estão em conformidade com referido princípio de plena concorrência ou com as normas de preços de transferência brasileira, então a NSNOY deve devolver/reembolsar para a NSN Sistemas uma quantia favorecida por notas de crédito que farão com que a NSN Sistemas realize um resultado/margem agregado financeiro de suas operações que estejam de acordo com o referido princípio de plena concorrência e normas de preços de transferência brasileira. Se por qualquer período coberto por este contrato a NSN Sistemas realizar um resultado/margem adjunto financeiro de suas operações que estejam de acordo com o referido princípio de plena concorrência e normas de preços de transferência brasileira sem o pagamento de qualquer valor adicional, então nenhum pagamento será devido pela NSNOy para a NSN Sistemas segundo este instrumento.” “3. AJUSTES ESPECIAIS NAS MARGENS: Caso a NSN Sistemas e a NSNOy determinem que, mediante a análise das margens da NSN Sistemas de acordo com a Seção 2 no presente instrumento, para qualquer período coberto por este Fl. 899DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 3402003.071 S3C4T2 Fl. 7 9 CONTRATO, os PREÇOS cobrados pela NSNOy ou quantia adicional devolvida/reembolsada à NSN Sistemas por notas de crédito não resultam no fato da NSN Sistemas realizar uma margem que esteja com os princípios internacionais de plena concorrência aceitos e as normas de preços de transferência brasileira, então os ajustes adequados e especiais serão realizados pela NSN Sistemas e pela NSNOy na medida necessária para alcanças a conformidade com o referido padrão de plena concorrência e normas de preços de transferência.” Com isso, ajustaram as partes que o preço pago pela Recorrente à NSNOy seria parcialmente devolvido através de Notas de Crédito (credit notes) no valor da diferença entre o preço pago e o preço parâmetro calculado de acordo com as regras de preços de transferências no Brasil, de modo a, simultaneamente, atender à regra do arm's lenght com a prática de preços compatíveis com o mercado e atender às regras de brasileiras. Ora, verificase de pronto que a obrigação de emissão de Notas de Crédito deriva de uma avença civil entre as partes, e não de qualquer regra de tributação internacional (haja vista que o tratado de bitributação entre o Brasil e a Finlândia sequer prevê a cláusula 9.2, do ajuste forçado dos preços praticados entre partes vinculadas). A decisão recorrida, inclusive, reconhece que os valores recebidos pelo Recorrente por meio das Notas de Crédito são decorrente de ajustes de preços de transferência (ergo os preços praticados entre partes vinculadas) que estão previstos no contrato de distribuição firmado com a matriz da Recorrente. Vejase o seguinte trecho da r. decisão recorrida: “No caso em apreço, o que ocorre é que as Notas de Crédito emitidas pela empresa exportadora são para garantir a rentabilidade/lucratividade da importadora (contribuinte), conforme contrato juntado aos autos, devido ao ajuste do preço de transferência para fins de apuração de IRPJ e CSLL em um momento posterior à importação propriamente dita, não para recuperação de custo.” É importante fazer uma distinção nesse ponto. A decisão recorrida fala que as Notas de Crédito tem a finalidade de garantir a lucratividade da importadora, todavia, é bem sabido e foi suficientemente repisado alhures, que os ajustes de preço de transferência têm como objetivo a busca pelo valor de preço justo entre partes relacionadas (“arm’s lenght”), e não aumentar a rentabilidade/lucratividade das empresas. Se a lucratividade é eventualmente aumentada pelo ajuste, tratase de uma contingência da operação, e não a sua causa há que se distinguir entre finalidades e efeitos de um ato ou negócio., contraste este já secular no Direito Civil. Ora, em primeiro lugar, há que se observar que não se trata de receita tributável pelas contribuições em comento, nos termos do art.1º, §1º da Lei 10.833 e 10.637: Art. 1o A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Vejamos o segundo item, relativo aos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art.183 da Lei 6.404/76 que se refere apenas aos elementos do ativo decorrentes de operações de longo prazo serão ajustados a valor presente, sendo os demais elementos ajustados quando houver efeito relevante. Quanto à primeira espécie de receita tributável, há que se reproduzir o conteúdo do art.12 DecretoLei nº1.598/77: Art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral. III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. A legislação é expressa em limitar a incidência à chamadas receitas operacionais, descritas no artigo acima. As notas de crédito analisadas não se adequam aos incisos I e II, por não serem produto de venda de bens ou prestação de serviços. Além disso, não se subsume ao inciso III por não se tratar de resultado auferido em operações de conta alheia. Quanto ao inciso IV, mais amplo que os demais, tampouco pode fundamentar a incidência, haja vista que as notas de crédito não são receitas da atividade ou objeto principal da empresa, mas simples meios financeiros de realizar o ajuste dos preços de transferência. A jurisprudência é farta de exemplos de rechaço a tentativas de ampliação do conceito de receita tributável pelas contribuições para atingir receitas não operacionais, para além das hipóteses da legislação. Ainda que se considere subsumível ao conceito de receita tributável pelas contribuições do PIS e COFINS, esses valores deveriam ser excluídos da base de cálculo, como se demonstrará adiante. Colocando em parênteses as vicissitudes de se tratar de uma operação sujeita a regras de tributação internacional, o que se verifica, no caso, é a presença de uma forma análoga de bonificação a Nota de Crédito opera como um redutor de custos da adquirente dos produtos, haja vista que os custos não podem ser aproveitados na contabilização do lucro real para além do preço parâmetro estipulado nos termos da lei 9.430/96. Em rigor, o conteúdo da lide é o tratamento tributário dos abatimentos de preço realizados através das Notas de Crédito que a Recorrente obteve junto ao seu fornecedor (NSNOy) em virtude de um acordo comercial (citado acima, em fl.86), como forma Fl. 901DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 3402003.071 S3C4T2 Fl. 8 11 de propiciar o atendimento ao princípio do arm's lenght, respeitadas as regras de preços de transferência do Brasil e da Finlândia, e viabilizar a operação. Nesse sentido, Administração Tributária, por meio de sua Coordenação do Sistema de Tributação, possui entendimento acerca do regime jurídico das “bonificações” em relação ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, exarado no Parecer CST/SIPR nº 1.386/1982: Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF n° 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. (grifos nossos) Conquanto exarada em relação ao IRPJ, esse entendimento também é estendido ao âmbito das contribuições sociais em comento, conforme se verifica no campo de "Perguntas e Respostas" do sítio virtual da Receita Federal do Brasil: “370 As bonificações concedidas em mercadorias compõem a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins? Os valores referentes às bonificações concedidas em mercadorias serão excluídos da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, somente quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos. Descontos incondicionais, de acordo com a IN nº 51, de 1978, são as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Portanto, neste caso, as bonificações em mercadoria devem ser transformadas em parcelas redutoras do preço de venda, para serem consideradas como descontos incondicionais e conseqüentemente excluídas da base de cálculo das contribuições.” Logo, para que as referidas Notas de Crédito tenham natureza de bonificações, é preciso que elas sejam caracterizadas como descontos incondicionados, atendendo aos requisitos da IN SRF nº51/1978, quais sejam: a) constar na nota fiscal de venda dos bens; e, a segunda, de que não dependam de evento posterior à emissão desse documento. Como se verifica do contrato entre as partes, a concessão da bonificação é condicionada à constatação de divergência entre preços parâmetros praticados no Brasil e na Finlândia, que por sua vez são resultados de dois regimes jurídicos diferentes de preços de transferência. É dizer, não há qualquer discricionariedade, ou influência da vontade da parte que concede a bonificação, ou sequer condição, para a emissão das Notas de Crédito, haja vista que o regime de preços de transferência é decorrência de lei, e não da vontade dos contratantes. Fl. 902DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 A estipulação contratual deixa claro isso tratase de uma cláusula contratual feita justamente com o escopo de anular os problemas comerciais decorrentes da discrepância nas regras de TP (transfer princing), permitindo à Recorrente reduzir seu custo de aquisição dos bens. As cláusulas 2 e 3 do contrato de distribuição, citadas acima, condicionam a emissão das Notas de Crédito apenas à discrepância na sistemática de preços de transferência, que impactaria margem de lucro mínima que a operação deve ter. É dizer, a divergência de preços parâmetros é fundamento da bonificação, e não condição posterior à venda, haja vista que no momento que a operação é efetuada, os regimes jurídicos já são préestabelecidos e estão fora do âmbito de vontade dos contraentes. Ainda que os preços possam ser livremente estipulados pelas partes (tendo em vista que o regime de TP afeta apenas o limite de incorporação de custos na apuração do Lucro Real), a cláusula contratual não condiciona a bonificação à discrepância maior ou menor entre eles, mas à divergência de regimes jurídicos preexistentes e independentes da vontade das partes e seu efeitos sobre o negócio. Parece estar comprovado, para além de qualquer dúvida, o caráter incondicionado da emissão das Notas de Crédito, restando agora analisar o requisito da presença da bonificação nas notas fiscais de venda. Em primeiro lugar, verificase que não constam dos Autos as Notas Fiscais da aquisição dos bens. O auditor fiscal, na etapa fiscalizatória do procedimento, optou por solicitar: Todavia, não nos parece que a ausência das notas fiscais seja impeditivo da verificação da relação direta entre a bonificação concedida e cada um dos produtos adquiridos, mesmo sem recurso às notas fiscais. Nessa mesmo linha foi o Acórdão 3401002.11, rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, julgado em 31 de Janeiro de 2013, que entendeu que a ausência do registro das bonificações na nota fiscal não seria impeditivo do reconhecimento da sua natureza de redução de custo, desde que houvesse outro documento que comprovasse de forma inequívoca a vinculação entre a bonificação e a aquisição realizada. Nos termos do relator: No presente caso, o resultado da diligência demonstra que, não obstante as bonificações não tenham constado do corpo das notas fiscais de venda, uma parte delas teve a sua emissão na mesma data, ao mesmo cliente, com numeração sequencial imediata, envolveu o mesmo produto [com ressalvas feitas pela fiscalização quanto às referências dos mesmos, o que, para mim se mostra irrelevante], o mesmo transportador e as mesmas placas dos veículos transportadores. Sob essas condições, portanto, não vejo como elas possam ter ficado na dependência de evento posterior à emissão da nota fiscal de venda, o que permite que possam ser caracterizadas Fl. 903DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 3402003.071 S3C4T2 Fl. 9 13 como “descontos incondicionais concedidos”, mostrandose irrelevante, porquanto não fundada em lei, o preenchimento da condição de que constem da própria nota fiscal de venda e não de um documento em separado desta. O que se verifica, e é esta a interpretação mais adequada da legislação a respeito do tema, é que a exigência do registro da bonificação na nota fiscal é uma forma de garantir: 1) que ela não estará condicionada a nenhum outro evento ou condição posterior à operação; e 2) que ela estará diretamente vinculada à operação realizada. Ainda que o registro na NF seja condição suficiente para garantir os elementos essenciais das bonificações, não se trata de condição necessária, podendo ser atingidas de outros modos, como de resto ficou demonstrado no Acórdão 3401002.11. Também nesse exato sentido é o entendimento da DRJ/São Paulo, no Acórdão nº 1621239 de 2009: NOTA DE CRÉDITO INTERNACIONAL. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DO REFLEXO NO ESTOQUE OU NOS CUSTOS. Eventuais cartas ou notas de crédito internacionais podem ser consideradas como redução do custo de determinado produto, para a comparação com o respectivo preçoparâmetro, apenas se se referirem, especificamente, a esse produto e a uma determinada operação de importação, e desde que evidenciado que o recebimento em pecúnia do valor materializado neste título de crédito resultou em redução do custo ou do estoque registrado contabilmente para este bem importado. É dizer, reconhecese a possibilidade da Nota de Crédito ter natureza de bonificação, redutora de custo, desde que a) se refira, especificamente, a cada operação de importação e b) evidenciado o recebimento efetivo, com o registro contábil na conta adequada. Ora, nas fls. 08 a 36 dos autos há uma minuciosa planilha, apresentada pela Recorrente ao atender solicitação do Fiscal, em que há a discriminação de cada uma das operações de importação, inclusive com o montante da bonificação a ser concedida para cada um desses negócios. Além disso, nas fls.46 a 84 há farta documentação comprobatória do pagamento efetivo das Notas de Crédito, inclusive com cópia dos contratos de câmbio vinculados a cada uma das notas, o que evidencia o ingresso dos valores no Brasil. O Recorrente fez um quadro esquemático, para simplificar o acompanhamento: DATA CREDIT NOTE VALOR US$ CONTRATO CÂMBIO VALOR R$ 31.07.2008 94097883 23.344.119,84 80057294 37.770.785,90 Fl. 904DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 26.03.2008 94004021 16.935.782,25 08/027734 26.215.013,23 05.05.2008 94029131 5.780.663,57 80043031 9.332.881,33 29.04.2008 94024179 6.172.453,66 08/035965 11.044.000,01 10.06.2008 94058087 10.626.054,93 80052318 16.802.980,66 22.12.2008 94225910 1.413.556,03 09/005552 3.342.494,59 22.12.2008 94225911 1.601.172,11 09/005552 3.786.131,57 22.12.2008 94226018 16.086.641,60 09/005552 38.038.472,73 27.11.2008 94197908 444.412,62 08/096237 1.050.858,08 De todo modo, pelo exposto acima, as bonificações, independente da forma como sejam veiculadas, desde que no caso concreto se possa avaliar a sua vinculação à operação realizada, serão sempre descontos condicionais ou incondicionais, na linha de diversos precedentes desta Câmara da 3ª Seção do CARF, inclusive da composição pretérita desta Turma (Acórdãos 3401002.117, 3402002.092, 3402002.210, 3403001.393 etc). Ou seja, têm sempre natureza jurídica de desconto, e como tal deve ser tratadas pelo Direito, seja Privado seja Tributário, cabendo, então, aprofundar a investigação do conceito, conteúdo e alcance do que venha a ser bonificação ou desconto, e os correspondentes tratamentos determinados pelo ordenamento pátrio, para se aquilatar os efeitos tributários que deles devam emanar. Desse modo, parecenos que os requisitos para a consideração das Notas de Crédito como bonificações redutoras de custo encontramse plenamente demonstrados no conjunto probatório dos autos, devendo portanto ser excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins, na linha de consolidada jurisprudência desse Conselho: “PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BONIFICAÇÕES E DESCONTOS COMERCIAIS. NATUREZA JURÍDICA DE REDUÇÃO DE CUSTOS. Por força dos arts. 109 e 110, do CTN e segundo a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado (Direito Societário), nos termos do art. 177, da Lei nº 6.404/76, e conforme as Deliberações CVM nº 575, de 05 de junho e nº 597, de 15 de Setembro de 2009, e CPC nºs. 16 e 30, de 2009, temse que as bonificações e descontos comerciais não possuem natureza jurídica de receita, devendo ser tratados como redutores de custos, e como tal devem ser reconhecidos à conta de resultado ao final do período, se o desconto corresponder a produtos já efetivamente comercializados, ou à conta redutora de estoques, se o desconto referirse a mercadorias ainda não comercializadas pela entidade.” (CARF Acórdão 3402002.092 Fl. 905DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 3402003.071 S3C4T2 Fl. 10 15 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Processo: 10510.721517/201109) Quanto à forma de escrituração das bonificações recebidas através de Notas de Crédito, devese observar o art.45 da Lei 10.637/01: Art. 45. Nos casos de apuração de excesso de custo de aquisição de bens, direitos e serviços, importados de empresas vinculadas e que sejam considerados indedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, apurados na forma do art. 18 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica deverá ajustar o excesso de custo, determinado por um dos métodos previstos na legislação, no encerramento do período de apuração, contabilmente, por meio de lançamento a débito de conta de resultados acumulados e a crédito de: I conta do ativo onde foi contabilizada a aquisição dos bens, direitos ou serviços e que permanecerem ali registrados ao final do período de apuração; ou II conta própria de custo ou de despesa do período de apuração, que registre o valor dos bens, direitos ou serviços, no caso de esses ativos já terem sido baixados da conta de ativo que tenha registrado a sua aquisição. Ainda que uma nota de crédito se relacionasse a vários equipamentos (hardwares ou softwares) enviados pela NSNOy para a Recorrente, conforme documentos apresentados ao longo da fiscalização, a Recorrente contabilizava os valores das notas de crédito produto a produto conforme se observa do seu livro razão e documentos de fls.573 a 620. Não há dúvidas de que a escrituração em conta de custo foi observada pela Recorrente. Assim sendo, não há como negar que: (i) os valores recebidos decorrem bonificações redutoras de custo, com fundamento na realização do princípio do arm's lenght; (ii) que os valores foram efetivamente contabilizados como redução de custo, de maneira individualizada por produto; e (iii) houve efetivo ingresso desses recursos no Brasil. Portanto, não compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins os valores recebidos a título de bonificação, via Nota de Crédito, quando haja elementos que vinculem inequivocamente a bonificação às operações realizadas, ausência de condição para o recebimento das Notas de Crédito, e comprovação do efetivo recebimento dos valores. Ad argumentandum, cabe analisar a questão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Essa questão já foi enfrentada em inúmeros julgados no CARF, não sendo uma questão pacífica. E os quais cito o Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013, relatado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, a quem peço licença para adotar seus fundamentos, in verbis: "(...) O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula nº 4 do CARF: Fl. 906DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 “Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 3402003.071 S3C4T2 Fl. 11 17 Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é "créditos". Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo, para efeitos de execução do presente acórdão pela unidade local, que não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Rosaldo Trevisan" Fl. 908DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 18 Além disso, pretendo o Conselheiro Relator invocar o art. 43 da Lei 9.430/1996 para determinar a incidência dos juros sobre a multa de ofício, olvidando que tal dispositivo trata exclusivamente dos casos de autuação de multa isolada, como se depreende da literalidade do seu parágrafo único: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Desse modo, afasto a incidência dos juros sobre a multa de ofício, por ausência de fundamento legal. Ex positis, dou PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Declaração de Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Optei por apresentar esta declaração de voto por entender que os aportes financeiros recebidos por meio das notas de crédito não se identificam com bonificações, conforme sustentou o ilustre relator. Além disso, o Conselheiro Jorge Freire, no momento em que proferiu seu voto, divergiu por entender que a redação atual dos arts. 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, só seriam aplicáveis a partir do advento da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014. Embora seja o primeiro caso julgado na Terceira Seção sobre a natureza dos aportes financeiros para ajuste dos preços de transferência, a questão de fundo neste processo é velha conhecida dos conselheiros: tratase da amplitude das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Tal questão continuará por muito tempo na pauta de discussões do CARF, pois a fiscalização insiste em tributar toda e qualquer receita da pessoa jurídica, o que não encontra guarida nas leis que regularam a incidência dessas contribuições, como se verá a seguir. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 3402003.071 S3C4T2 Fl. 12 19 Historicamente essas contribuições sempre incidiram sobre o faturamento, entendido como o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços. A tentativa de a União incluir no rol de incidência das contribuições todas as receitas operacionais da pessoa jurídica tornouse uma odisseia que teve início em julho de 1988, quando se pretendeu alterar a base de cálculo do PIS por meio da edição de dois decretosleis. O PIS foi instituído por meio da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, a qual previa que as empresas privadas passariam a contribuir para o fundo com duas parcelas, sendo uma com base na dedução do imposto de renda devido e outra com base no faturamento (arts. 1º e 3º). Esse quadro legislativo se manteve até julho de 1988, quando foram editados os DecretosLeis nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e nº 2.449, de 21 de julho de 1988, por meio dos quais as contribuições mensais até então devidas sobre o faturamento, passariam a incidir sobre a receita operacional bruta (art. 1º, V, do DecretoLei nº 2.445/88). A tentativa de a União ampliar a base de cálculo do PIS por essa via foi rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 148.754, por meio do qual o Tribunal declarou a inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Relativamente ao financiamento da Seguridade Social, a odisseia teve início com a instituição do Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, por meio da edição do DecretoLei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, quando foi criada uma contribuição devida pelas empresas equivalente a 0,5% (cinco décimos por cento) do faturamento (art 1º, § 1º). Sobreveio então a Constituição Federal de 1988 e com o passar dos anos a alíquota inicial de 0,5% do FINSOCIAL foi sendo elevada ao mesmo tempo em que foi criada a Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988). Houve contestação judicial por parte dos contribuintes e o Supremo Tribunal Federal mais uma vez foi chamado a intervir. No julgamento do RE nº 150.764, o Tribunal manteve a cobrança do FINSOCIAL com a configuração existente na data da promulgação da CF/88, declarando inconstitucionais as majorações procedidas em sua alíquota após o advento da nova ordem constitucional. Diante da inviabilidade do aumento da contribuição ao FINSOCIAL, foi editada a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, por meio da qual foi revogado o FINSOCIAL, instituindose a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com alíquota de 2% incidente sobre o faturamento (art. 2º). Esse quadro legislativo se manteve até a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, por meio da qual a União mais uma vez tentou ampliar as bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS redefinindo o conceito de faturamento (art. 3º, § 1º). E mais uma vez a União viu sua tentativa frustrada, pois por meio do RE nº 390.840 o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 20 Desse breve retrospecto legislativo, resulta a comprovação da assertiva inicial deste voto, no sentido de que historicamente essas contribuições sempre incidiram sobre o faturamento e que a intenção da União, pelo menos a partir de 1988, sempre foi ampliar o campo de incidência para abarcar a receita operacional. Todas as vezes em que a União tentou ampliar as bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS para alcançar as receitas operacionais das empresas, houve declaração de inconstitucionalidade da norma infraconstitucional. Esse quadro mudou com o advento da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, por meio do qual foi alterado o texto do art. 195, I, "b" da CF/88, que passou a prever a incidência das contribuições destinadas ao custeio da seguridade social sobre a "receita ou o faturamento". A partir dessa alteração constitucional, passou a existir permissão para que o legislador incluísse nas bases de cálculo das contribuições destinadas ao financiamento da seguridade social qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, pois o texto constitucional utilizou o vocábulo "receita" sem nenhuma qualificação ou limitação. Com lastro nessa alteração constitucional, foram editadas as Medidas Provisórias nº 66, de 2002 e 135, de 2003, que resultaram na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, respectivamente, que nas suas redações originais definiram as bases de cálculo das contribuições nos seguintes termos: Lei nº 10.637: " Art. 1oA contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. 1oPara efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2oA base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)" Lei nº 10.833 "Art. 1oA Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1oPara efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2oA base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 3402003.071 S3C4T2 Fl. 13 21 (...)" A primeira leitura desses dispositivos legais aparentemente autoriza a pretensão fiscal de incluir a na base de cálculo das contribuições qualquer tipo de receita, seja ela operacional ou não operacional. Mas embora exista autorização na constituição para a tributação da "receita" em geral, o legislador não se valeu dessa faculdade, pois não só vinculou "a totalidade das receitas" ao termo "faturamento", mas também excluiu expressamente da incidência as receitas não operacionais nos parágrafos 3º dos arts. 1º dessas duas leis. Nas cabeças dos arts. 1º de ambas as leis, a menção ao termo "faturamento", limita a amplitude do "total das receitas auferidas" ao total das receitas operacionais, uma vez que as receitas nãooperacionais não se identificam com faturamento, já que não decorrem da execução do objeto social da pessoa jurídica. Tal afirmação parece ser confirmada pelos parágrafos 3º dos dois dispositivos citados, que se encarregaram de excluir da incidência das contribuições as receitas não operacionais, nos seguintes termos: Lei 10.637/2002: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I a IV omissis... V referentes a: a) vendas canceladas ou aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI–não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (incluído pela Lei nº 10.684/2003) Lei nº 10.833/2003: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I omissis II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III e IV omissis V referentes a: Fl. 912DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 22 a) omissis b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (...)" Ao contrário do entendimento de alguns, esse rol de exclusões das receitas não operacionais não é exaustivo, pois o legislador, no momento da elaboração da norma, não tem condições de prever todas as hipóteses de receitas não operacionais que podem se apresentar no mundo real. Tanto isso é verdade que com o advento da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, houve alteração na técnica de redação dos artigos 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois ao mesmo tempo em que o legislador especificou e limitou a incidência às receitas estabelecidas no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e no art. 183, VIII da Lei nº 6.404/76, houve ampliação do rol de exclusões de receitas nãooperacionais das bases de cálculo, fato que comprova que o rol de exclusões anteriormente existente não era exaustivo. Se fosse exaustivo, não seria necessário e nem logicamente possível que uma lei posterior viesse a ampliálo. Assim, se historicamente o legislador nunca pretendeu incluir as receitas não operacionais nas bases de cálculo do PIS e COFINS e se existe previsão expressa de exclusão dessas receitas nas leis que instituíram as contribuições não cumulativas, é incabível a pretensão da fiscalização tributálas. No caso concreto, é fato inconteste que os aportes financeiros recebidos do exterior, por meio das notas de crédito, não constituem receitas operacionais, uma vez que possuem causa distinta do faturamento ou de qualquer outra operação resultante da execução do objeto social da pessoa jurídica. A causa jurídica dessas receitas foi a necessidade de redução do custo de aquisição de bens para revenda, a fim de que não fossem violadas as regras estabelecidas para a fixação do preço de transferência entre empresas coligadas. Desse modo, embora os valores recebidos por meio das notas de crédito sejam receitas, não se tratam de receitas operacionais e, por tal motivo, não podem ser tributadas pelo PIS e COFINS nãocumulativos, nem antes e nem depois do advento da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014. Com esses fundamentos, acompanho o ilustre relator no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Fl. 913DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 12269.003665/2009-50
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
COOPERATIVA. CONSTITUIÇÃO. MEMBROS FUNDADORES. PRESCINDIBILIDADE DO TERMOS DE ADESÃO. DEMONSTRAÇÃO DO REQUISITOS LEGAIS. ATENDIMENTO AS REGRAS DA LEI 5.674/71 E ESTATUTO DA COOPERATIVA.
É justificada a autuação quando se baseia em elementos convincentes e indicadores de que parte das obrigações fiscais deixaram de ser saldadas, pois a realidade dos fatos demonstram a ausência do recolhimento de determinadas rubricas devidas por qualquer empresa/entidade/organização/instituição, inclusive, quando cooperativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-004.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I- por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira para excluir do lançamento fiscal os levantamentos FP e FP3. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. II- por voto de qualidade, em negar provimento aos demais levantamentos do lançamento fiscal. Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
Andrea Brose Adolfo - Relatora ad hoc na data da formalização.
Marcelo Oliveira - Redator ad hoc na data da formalização.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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CONSTITUIÇÃO. MEMBROS FUNDADORES. PRESCINDIBILIDADE DO TERMOS DE ADESÃO. DEMONSTRAÇÃO DO REQUISITOS LEGAIS. ATENDIMENTO AS REGRAS DA LEI 5.674/71 E ESTATUTO DA COOPERATIVA. É justificada a autuação quando se baseia em elementos convincentes e indicadores de que parte das obrigações fiscais deixaram de ser saldadas, pois a realidade dos fatos demonstram a ausência do recolhimento de determinadas rubricas devidas por qualquer empresa/entidade/organização/instituição, inclusive, quando cooperativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira para excluir do lançamento fiscal os levantamentos FP e FP3. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. II por voto de qualidade, em negar provimento aos demais levantamentos do lançamento fiscal. Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 36 65 /2 00 9- 50 Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.080 2 Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.081 3 Relatório Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora designada ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração n°37.200.4652/2009 lavrado contra o contribuinte acima mencionado, período 01/2006 a 12/2006, cujos motivos constam do Relatório Fiscal de folhas 31 a 35, e são: (...) 3) A empresa, sujeito passivo do presente lançamento fiscal, tem como atividade econômica principal à prestação de serviços médicos ambulatoriais e de diagnósticos, enquadrada no código 86500 do Código Nacional de Atividade Econômica CNAE e no código 515 do Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS. 4) Os créditos previdenciários constituídos neste lançamento fiscal destinamse à Previdência Social e referemse à contribuição devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre o total dos valores pagos, devidos ou creditados pela cooperativa de trabalho, sujeito passivo da obrigação tributária de reter e recolher estas contribuições. 5) O fato gerador da obrigação previdenciária é decorrente dos atos praticados pela cooperativa, em desacordo com os pré requisitos estabelecidos na Lei n°5.764, de 16/12/1971, pelos motivos abaixo descritos, eliminado dessa forma o benefício da substituição para as Cooperativas de Trabalho e tributandose a empresa de acordo com o item I do art. 22 da Lei 8.212/91: a) A empresa MITRA COOPERATIVA DE TRABALHO NA ÁREA DA SAÚDE E ASSISTÊNCIA SOCIAL sujeito passivo da obrigação tributária, é sucessora da empresa MITRA Assessoria Integrada em Recursos Humanos Lida, CNPJ 01954384/000144, encerrada em 31/01/2005, por exercerem a mesma atividade, traduzida na prestação de serviços aos Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.082 4 mesmos tomadores, sendo todas as sócias da sucedida, Mitra Assessoria Integrada em Recursos Humanos Lida: Anna Lúcia Mello, Teresa Carmen Cavalcanti Koppe, Elisa Maria Oliveira dos Santos, Célia Regina Fernandes, Márcia Silvana Fernandes e Cristina Quadros Rojas, exceto Mara Rosane Gallina, fundadoras da Cooperativa de trabalho MITRA, cuja Ata de Constituição foi registrada na JUCERGS em 14/09/2004, caracterizada a sucessão do parágrafo único do artigo 32 do Código Tributário Nacional: "Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual" b) Não foi comprovada a prestação de nenhum tipo de serviço para os associados, objeto principal de sua constituição, e sim apenas a intermediação do trabalho realizado; c) Não foi apresentado o Livro de Matricula dos associados conforme consta da Lei n°5.674, de 16/12/1971; d) Não identificado o registro contábil dos Fundos mencionados no art 28 da Lei 5.674/71 e no art. 57 do Estatuto Social da Cooperativa; e) O principal tomador de serviço da cooperativa é a empresa AMA Assistência Médica Administrada que até a data de 30/03/2006 estava localizada no mesmo endereço da cooperativa e da prestadora de serviços, encerrada em 31/01/2005, MITRA Assessoria Ltda; f) No livro de Atas do Conselho Administrativo não restou comprovado o número total de associados, e desligamentos ocorridos no período; g) Não foi apresentado o livro de Atas do Conselho Fiscal; h) Os serviços prestados não são de caráter esporádico. O local de trabalho diário dos contribuintes individuais, dito cooperados, são os ambulatórios estabelecidos dentro de empresas que necessitam prestar este serviço aos seus empregados, citandose como exemplo o ambulatório da empresa SONAE DISTRIBUIÇÃO BRASIL S/A, quase sempre intermediados pela empresa AMA Assistência Médica Administrada, sua principal tomadora. i) Na consulta ao endereço eletrônico do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, verificouse a existência do processo 00353200802004008 da 20ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, do reclamante Mauro Azambuja de Souza, onde foi julgado procedente o vínculo empregatício com Cooperativa Mitra; j) No período auditado, não foram distribuídas sobras aos associados, existindo no balanço dos Livros Diário de 2006 a Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.083 5 conta franciscana de reserva de sobras, comparativamente baixo aos valores da receita da cooperativa; 6) O presente AutodeInflação compõese dos seguintes levantamentos, criados para identificar as diversas situações encontradas na empresa sob ação fiscal: Levantamento FP Valores lançados em folha de pagamento e declarados na GFIP código 211 (Cooperativa de Trabalho) e 115 (empregados), sendo que na GFIP de código 211 os segurados são informados na categoria 17, em desacordo com as conclusões do item 6. Levantamento FP1 Valores lançados em folha de pagamento para os segurados contribuintes individuais, não declarado em GFIP. Levantamento FP2 Valores lançados em folha de pagamento para a Presidente da Cooperativa Ana Lúcia Mello, não declarados em GFIP. Levantamento FP3 Valores lançados em folha de pagamento a Ana Lúcia Mello, declarados em GFIP, no código de categoria 17 (cooperado), em desacordo com as conclusões do item 5 Levantamento FP4 Diferença entre os valores lançados na contabilidade a título de folha de pagamento e as próprias folhas de pagamento, não lançados em GFIP, não elucidada pala empresa, mesmo intimada para isso através Termo de Intimação Fiscal n°1. Obs: Foram desconsideradas as declarações de múltiplo vínculo, por estarem incompletas ou não devidamente formalizadas. (...) DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. Os autos foram encaminhados à diligência fiscal. A autoridade fiscal emitiu despacho esclarecendo o lançamento fiscal. O contribuinte foi cientificado do despacho resultante da diligência fiscal, apresentando contestação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente o lançamento fiscal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.084 6 da análise do Estatuto Social da Cooperativa em questão, temse que a mesma atende todos os requisitos estabelecidos em lei. Como: a) adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços, conforme art. 4o e 6o do estatuto; b) variabilidade do capital social representado por quotaspartes, art. 18; c) limitação do número de quotaspartes do capital para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento dos objetivos sociais, art. 19; d) inacessibilidade das quotaspartes do capital a terceiros, estranhos à sociedade, art. 18; e) Singularidade de voto, art. 34; f) quorum para o funcionamento e deliberação da Assembléia Geral baseado no número de associados e não no capital, arts. 28 e 32; g) retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral, art. 61; h) indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social, art. 57; i) neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social, art. 3o; j) prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa, art. 3o; l) área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços, art. 4o. a cooperativa em questão detém todas as características estabelecidas na lei de regência não havendo como questionar sua legitimidade. O art. 1094 do Código Civil traz os mesmos requisitos do art. 4o da Lei específica 5.764/70. Assim, não há que se falar em irregularidades da autuada nem em desclassificação da mesma; ao desclassificar a cooperativa com base em fatos estranhos à realidade da mesma, e estando a cooperativa em pleno acordo com o que dispõe a legislação, a fiscalização viola o princípio da legalidade, pois desclassifica o contribuinte com fundamentos diversos dos legalmente franqueados; a ausência de indicação correta do artigo (art. 32 do CTN) no qual o fisco consubstancia sua autuação prejudica a correta compreensão da infração cometida, afrontando o direito de defesa do contribuinte. Assim, temse a irregularidade formal do lançamento fiscal impondo sua anulação; No caso em comento a cooperativa recorrente (supostamente sucessora) foi autuada por supostos débitos incorridos nas competências de 2006. A sua vez, a empresa Mitra Assessoria Integrada em Recursos Humanos Ltda (supostamente sucedida), teve suas Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.085 7 atividades encerradas em 2005 consoante distrato em anexo, tendo sua baixa formalizada perante os órgão competentes em 2008. Logo, tendose que o encerramento das atividades da suposta empresa sucedida deuse anteriormente aos fatos geradores aqui perseguidos, temse como inócua a sucessão pretendida, posto que ausente o requisito basilar para a sucessão, qual seja a existência de débitos tributários pela sucedida; a sucessão tributária prescinde de extinção da empresa sucedida anteriormente ao fato ensejador da própria sucessão. A empresa Mitra Assessoria Integrada em Recursos Humanos Ltda (supostamente sucedida) manteve suas atividades comerciais concomitantemente àquelas desempenhadas por Mitra Cooperativa de Trabalho na Área da Saúde e Assistência Social conforme documentos em anexo. Logo, mais uma vez evidenciada a inaplicabilidade da sucessão tributária no caso vertente, dada a ausência dos pressupostos legais para tanto; não há como caracterizar a sucessão no caso em tela. Da comparação atenta entre os objetos sociais da empresa Mitra Assessoria Integrada em Recursos Humanos Ltda (prestar serviços de recursos humanos) e da cooperativa Mitra Cooperativa de Trabalho na Área da Saúde e Assistência Social (prestar serviços de saúde e assistência social) temos que os mesmos em nada se correspondem; a tese da fiscalização de que a prestação de serviços de ambas as empresas se davam para os mesmos tomadores não subsiste. Enquanto a empresa Mitra – Assessoria Integrada em Recursos Humanos Ltda tinha como principal tomador de serviços a empresa AMA Assistência Médica Administrada , a cooperativa Mitra Cooperativa de Trabalho na Área da Saúde e Assistência Social possuí pluralidade de tomadores; as contratações efetuadas pela cooperativa se prestam à alocação dos serviços de seus cooperativados, e tendo em vista que seu objeto social pressupõe a organização do trabalho individual dos cooperados, resta evidente que a prestação de serviço para os associados ocorre com as contratações efetuadas pela cooperativa junto aos seus tomadores. Logo, a afirmação da fiscalização de ausência de prestação de serviço para os associados está desassociada da realidade; quer por chancela legal, quer por previsão expressa estatutária, o livro de matrícula pode ser substituído por fichas numeradas e catalogadas em ordem cronológica de admissão. Desta feita, como bem se comprovam os documentos acostados, a recorrente possui as fichas individuais de matrícula em plena ordem e guarda, em consonância com o que dispõe quer a lei de regência e o estatuto da recorrente. Os documentos foram entregues à fiscalização, não havendo que se falar em ausência de apresentação; De um universo de aproximadamente 115 (cento e quinze) notas fiscais válidas emitidas no ano de 2006, somente 18 (dezoito) tem como tomador de serviços a AMA Assistência Médica Administrada, representando aproximadamente 28% da receita auferida pela cooperativa. Não há que se falar assim, que a AMA Assistência Médica Administrada figura como principal tomadora do serviço da cooperativa, posto que nem em quantidade de demanda, nem em quantidade de faturamento a contratação da respectiva empresa pode ser considerada como principal; Consoante relatórios de produção em anexo, vislumbrase claramente que os cooperados prestam serviço junto às tomadoras em caráter não habitual e, jamais, diário. Exemplifica o caso com as empresas Portodonto e JOSAPAR. Com carga horária amplamente Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.086 8 variável resta evidente que os mesmos os profissionais jamais poderiam ser considerados como prestadores de serviço diário ao referido tomador; inexistindo vedação legal, temos que a prestação dos serviços dos cooperados no local estabelecido pela tomadora ou em suas unidades, em nada descaracteriza a natureza da contratação havida entre as partes, tampouco a legalidade e legitimidade da recorrente; quanto a existência de sentença trabalhista advinda da 20a Vara do Trabalho de Porto Alegre a qual reconheceu a existência de vínculo empregatício entre o cooperado e a cooperativa, Conforme documentos colacionados, as partes transacionaram no processo de referência o qual se deu sem o reconhecimento de vínculo empregatício, da mesma forma que os valores alcançados ao reclamante ocorreram com cunho meramente indenizatório, constituindose em devolução da quota parte do reclamante devidamente corrigido. Dito acordo foi homologado pelo juízo competente fazendo lei entre as partes; não tendo havido no período em comento qualquer eliminação/exclusão de associado, não há que se falar em deliberação do Conselho de Administração acerca dos desligamentos, posto que, por decorrência constitucional, este não prescinde de autorização para ser executado. Outrossim, em que pese o controle de admissão/desligamento poder ser realizado pelas fichas de matrículas dos associados, temse que por controle específico dita informação também poderia ser facilmente aferida; Consoante documentos acostados, claro se mostra a existência física do mesmo, encontrandose este em pleno acordo com a legislação, sendo descabida a irregularidade apontada pela fiscalização; Dispõe a Lei 5.164/71, corroborado pelo estatuto da entidade, que sobre o resultado líquido do período constituirseão os fundos de reserva e de assistência técnica, educacional e social (FATES), na proporção de 10% e 5%, respectivamente. Consoante Ata do Conselho Fiscal o balancete do ano de 2006 restou aprovado, constituindose os fundos em comento nos moldes definidos pela lei e reiterados pelo estatuto da entidade. Da mesma forma, em Assembléia Geral ocorrida em março de 2007, o referido balancete restou aprovado pelos membros da cooperativa, determinandose o destino das sobras apuradas. há que se ter presente que a legislação de regência não veda que os cooperados deliberam acerca da destinação diversa do que o rateio das sobras. Hígido se mostra o procedimento adotado pela cooperativa, inclusive no que concerne a existência e correção dos valores dos fundos legalmente previstos; a cooperativa recorrente encontrase validamente constituída não havendo qualquer incorreção ou ilegalidade em suas atividades que ensejassem sua descaracterização como cooperativa e conseqüente enquadramento como empresa; todas as informações e recolhimentos efetuados pela recorrente encontrase em consonância com seu tipo empresarial, não havendo que se falar em ausência de recolhimento ou incorreção de informação. Sendo cooperativa legitimamente constituída e legalmente operante tendo prestado e recolhido todas as informações previdenciárias correta e tempestivamente, a anulação do auto de infração é devida; requer, ainda, a compensação dos valores já recolhidos. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.087 9 Os autos foram convertido em diligência fiscal pela Resolução nº 2803000.134 – 3ª Turma Especial, em 19/12/2012, para análise dos argumentos e documentos apresentados no recurso do contribuinte. DA INFORMAÇÃO DA DILIGÊNCIA FISCAL Em resposta, a diligência fiscal, fls. 1038/1042, informou que: os documentos apresentados nos autos são os mesmos já analisados no processo: 12269.003663/200961; a verdadeira atividade, a de intermediar mãodeobra, em desacordo com a essência do cooperativismo, está caracterizada no entendimento da fiscalização: a) mesma atividade da Mitra Assessoria e da Mitra Cooperativa. Embora formalmente os objetos sociais sejam diversos, na prática houve a continuidade das atividades, intermediando mãodeobra, inclusive ao mesmo tomador de serviços, AMAAssistência Médica Administrada; b) não prestação de serviços ao associados e sim intermediação de mãode obra. A Ata da Assembléia Geral Ordinária de 06/01/2005, fl 88, assunto 02. Assevera que fica claro que há a comercialização do trabalho e desvio da essência da cooperativa, há a busca de profissionais para atendimento do contrato e que, na sequência terão como condição para a realização do trabalho, o preenchimento de ficha de matrícula de associado; c) analisados os documentos apresentados pelo recorrente, podese ver que não estão em conformidade com a Lei 5.764/71 (art. 23) e Estatuto da cooperativa (art. 12). Não há registro de conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social, por exemplo. Nas Atas do Conselho Administrativo que delibera sobre novos associados, em momento algum é tratado da integralização das quotas, o que deveria acontecer na forma da Lei 5.764/71 e do art. 5o do Estatuto da Cooperativa. No Balanço Patrimonial de 2006, folhas 723 e 724, se verifica que o Capital Social é de R$ 310,00, desde a constituição da Cooperativa, e não houve integralização e nem mesmo subscrição de quotaspartes. Assim, a análise das Fichas de Matrículas corroboram o entendimento de que os profissionais não eram cooperados e sim prestadores de serviço; d) da não identificação do Registro Contábil dos Fundos: os documentos apresentados, folhas 723 e 724, contém o indicativo de existência de registros contábeis dos Fundos de Reserva. Considerando que o valor das "Sobras Apuradas", contido nesse documento, equivale ao valor mencionado na ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária, de 16/03/2007, folhas 720 a 722, que trata da distribuição das sobras no valor de R$ 6.234,94, crêse que se tratar de valores contidos nas demonstrações da Cooperativa, embora a cópia anexada não tenha sido extraída do Livro Diário e nem tenha sido apresentados os lançamentos efetuados no Livro citado, que deram origem aos saldos; e) da análise dos contratos de prestação de serviços e notas fiscais, a fiscalização concluiu que, embora a emissão de notas fiscais contra a AMA Ass. Médica não atinge valores que expressam a maior parte do faturamento mensal, também é possível verificar que a maior parte dos contratos são assinados por Marcos Lucchese Sporleder e Fernando Cabelera Sporleder. Assim como, o local para envio das faturas é o endereço da AMA, Rua Gomes Jardim n° 472; Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.088 10 f) no livro de Atas do Conselho Administrativo não restou comprovado o número total de associados e desligamentos ocorridos no período; g) se verifica, nas atas apresentadas, folhas 94 a 110, por exemplo: fornecimento de ticket alimentação de acordo com o número de lojas atendidas; verba e telefone para coordenador da área médica Daniel Manart. A análise das atas deixa claro que o Conselho Fiscal não tem fiscalização assídua, não há, a renovação de 2/3 dos membros, se reúne em período de tempo diverso do estabelecido, sem a participação de pelo menos 3 membros, o que reforça o entendimento de que a atividade exercida não é feita dentro do espírito da lei do cooperativismo; h) não há nada de esporádico na necessidade dos serviços pelas empresas Tomadoras. Tratase de necessidade permanente, cuja execução está sendo suprida através da terceirização dos mesmos. Os contratos sempre são acompanhados de anexo que define qual o profissional que vai realizar a prestação de serviços. Na ata de reunião do Conselho Fiscal, de 26/09/2005 (fl. 101) fica definido o fornecimento de cartão alimentação aos Assistentes Sociais, de acordo com o número de lojas que cada profissional atende, o que demonstra que se trata de serviço permanente a ser realizado. A documentação do contribuinte não modifica o entendimento da fiscalização; i) quanto ao processo 00353200802004008 da 20a Vara do Trabalho de Porto Alegre, do reclamante Mauro Azambuja de Souza, não modifica os fatos. O acórdão só foi citado para demonstrar como se posicionou o Tribunal Regional do Trabalho da 4a Região frente a realidade fática de intermediação da mão de obra feita pela Mitra Cooperativa; j) a possibilidade de aproveitamento das guias GPS será tratada no atendimento da diligência do processo 12269.003665200950, DEBCAD 37.200.4652, que trata da contribuição referente a parcela dos segurados; l) No que diz respeito aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte houve o aproveitamento, sendo excluídos os valores lançados no levantamento FP das competências 01 a 11/2006 e redução do valor lançado na competência 12/2006. Para os valores lançados no levantamento FP1 houve redução nas competências de 01, 02, 04, 08, 09e 10/2006, conforme demonstrado nas planilhas de folhas 1042. Por fim, a fiscalização mantém o lançamento fiscal para as competências não alteradas. DA CONTESTAÇÃO À ANÁLISE DOS DOCUMENTOS E RESULTADO DILIGÊNCIA FISCAL A recorrente apresenta os mesmos argumentos e documentos já analisados no processo: 12269.003663/200961, mencionando: a) a cooperativa recorrente (supostamente sucessora) foi autuada por supostos débitos incorridos nas competências de 2006. A sua vez, a empresa Mitra Assessoria Integrada em Recursos Humanos Ltda (supostamente sucedida), teve suas atividades encerradas em 2005 consoante distrato, tendo sua baixa formalizada perante os órgãos competentes em 2008. Logo, temse inócua a sucessão pretendida, posto que ausente o requisito basilar para a sucessão, qual seja a existência de débitos tributários pela sucedida, consoante art. 132 do CTN. A mera existência de tomadores comuns à cooperativa e à empresa Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.089 11 por si só não pode ser fator determinante para o reconhecimento de sucessão. Ainda assim, calha sublinhar que a pluralidade de tomadores da recorrente restou devidamente comprovada, afastando por completo a Ilação feita pela fiscalização de que a empresa e a cooperativa mantinham exclusividade de contratação com a AMAAssistência Médica Administrada, a cooperativa Mitra Cooperativa de Trabalho na Área da Saúde e Assistência Social; b) a chamada "busca de outros profissionais" referida consiste, unicamente, na habilitação junto à cooperativa de novos cooperados que constam no cadastro de aspirantes (Doc.02); c) as fichas de matrícula não apresentam qualquer irregularidade frente à lei 5.764/71, ao passo que a integralização das quotaspartes está adequadamente formalizada junto à recorrente, como bem atesta o extrato de integralização de capital em anexo (doc.03) – a partir de 02/2008. Apenas Adriane Rodrigues 01/02/2005, Adriane Parker 14/11/2003, Cíntia Mendes 01/03/2005, Elisa Szameltat 05/09/2005, ...); d) como bem reconhecido pela fiscalização há a correta contabilização dos fundos da entidade, não havendo que se falar, portanto, em desatenção aos preceitos legais; e) Evidente se mostra que, na condição de administradora, a empresa AMA Assistência Médica Administrada Ltda gere os recursos atinentes aos pagamentos dos prestadores de serviço o que, por si só, justifica o envio das faturas de serviço da recorrente para o endereço da AMA. Ademais, na condição de administradora, a empresa AMA, através de seus representantes, detém o poder de firmar os contratos de prestação de serviço em nome de suas tomadoras. Evidente, portanto, que a administração realizada pela AMA não possui o condão de afastar a real contratação havida entre a recorrente e suas tomadoras, tampouco pode se prestar a desqualificar a recorrente como cooperativa; f) há a correta apresentação das fichas de matrícula onde constam os desligamentos junto à cooperativa no período, não havendo que se falar, portanto, em desatenção aos preceitos legais; g) no que tange à apresentação atas do Conselho Fiscal, temos que a autuação em comento referiu à ausência de tal livro. Desta forma, a avaliação da fiscalização quanto à suposta irregularidade das atas e da composição do Conselho Fiscal desborda os limites legais da autuação importando em novação, o que é vedado pelo ordenamento jurídico. Ainda que o Estatuto da entidade preveja uma renovação de 2/3 do Conselho Fiscal, temos que esta disposição referese a uma liberalidade da entidade, não correspondendo à imposição legal. Desta maneira, impossibilitada a renovação do Conselho Fiscal pela ausência de chapa contrária àquela que exerce o mandato, temos que a manutenção dos conselheiros é medida impositiva sob pena de inviabilizar as atividades da cooperativa. h) ao contrário do que faz crer a fiscalização a prestação de serviços realizada pelos cooperados se faz em caráter eventual e jamais habitual, fato este provado através dos relatórios de produção outrora anexados; i) o acórdão de trabalhista não caracteriza a existência de vínculo empregatício entre o cooperativado e a recorrente. Desta maneira, dada a homologação de acordo sem que houvesse o reconhecimento de vínculo não há que se falar em apropriação das razões do acórdão para conduzir ao entendimento de que a relação é de trabalho e não de cooperativismo; Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.090 12 j) há a correta distribuição das sobras, não havendo que se falar, portanto, em desatenção aos preceitos legais; Por fim, requer a anulação do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.091 13 Voto Vencido Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálo. MESMO RECURSO APRESENTADO PARA OS PROCESSOS: 12269.003663/200961, 12269.003664/200913 e 12269.003665/200950. A análise dos julgamentos será em conjunto e terá como referência o processo: 12269.003663/200961. A decisão recorrida, fls. 240/250 dos autos digitalizados do processo: 12269.003663/200961, assim se pronunciou: (...) O estatuto da cooperativa prevê a manutenção de um livro de matrículas, que o impugnante alega ter juntado em sua peça. As folhas 111 a 118, de fato, há uma relação de inclusões e desligamentos de associados, constando profissões, registros profissionais e matrículas. Queremos crer que tais elementos supririam a falta alegada. Mas não se pode olvidar que o art. 23 da Lei 5.764/1971 determina que nele devem constar nome, idade, estado civil, nacionalidade, profissão, residência do associado; data de sua admissão e de sua demissão, eliminação ou exclusão; conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social. Mesmo que adotados livros de folhas soltas ou fichas, conforme permissivo no parágrafo único do art. 22 da citada Lei, tais informações deveriam constar desse livro ou dessas fichas, o que não foi observado. O registro contábil dos fundos não pôde ser visualizado da inspeção das cópias do Diário acostadas às folhas 64 a 70. Tampouco podemos crer que o documento nominado de balanço, de folhas 119 e 120, possa ser apto a esclarecer a ausência de tais registros. Tratase de documento sem nenhuma autenticação ou identificação da pessoa que o confeccionou, não havendo Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.092 14 qualquer identificação de onde vieram os saldos das contas dos respectivos fundos. (...) Quanto à questão no número total de associados e desligamentos no livro de Atas do Conselho Administrativo, tratase de informação que deveria estar contida no livro de matrículas, mas não observadas nos documentos juntados aos autos, conforme análise já expendida. O Conselho de Administração é órgão superior na hierarquia administrativa da impugnante (art. 39 do seu estatuto, folha 30 do anexo I) e suas reuniões deveriam ser documentadas. O art. 47 de seu estatuto determina também que é da competência desse conselho deliberar sobre admissão, demissão e eliminação de associados. Assim, as informações que deveriam consta no livro de matrículas poderiam também ser encontradas nas atas do Conselho de Administração. Isso, no entanto, não consta dos autos. (...) No que diz respeito à reclamatória trabalhista (003532008020 04008.20a Vara de Porto Alegre, 4a Região), a leitura do acórdão do recurso interposto vai ao encontro do raciocínio da auditoriafiscal, a despeito do esforço da impugnante de minorá la: (...) A distribuição das sobras, entendemos, necessita que estas existam, da mesma maneira que o repasse dos prejuízos. O impugnante alega que tais sobras não existiram por conta de terem sido contingenciadas em 2005, sem, no entanto, explicar seus valores em 2006, exercício do lançamento. Também não indicou ou provou que a cooperativa, em assembléia geral, tivesse destinado tais sobras, nesse último exercício, a alguma outra função. É fato de que o lançamento fiscal deve se sustentar pelas provas e indícios que a auditoriafiscal apura no seu mister. E face aos elementos contidos nos autos, a conclusão que se chega é de que este encontrase escorado em fatos e fundamentos em que se infere elementos suficientes para atestarse a ocorrência dos fatos geradores citados. Por último, no que diz respeito aos recolhimentos pelo sujeito passivo empreendidos (código de recolhimento 2127 Cooperativa de trabalho CNPJ Contribuição descontada do cooperado Lei 10.666/2003), verificase que tratase de recolhimento que não se coaduna com o FPAS utilizado no lançamento, código 515. Poderseia conjecturar que a apropriação desses pagamentos devia se dar de maneira ex officio, dadas as circunstâncias citadas no Relatório Fiscal, no entanto, analisando as GFIP entregues no período lançado pelo impugnante, constatase que estas também o foram no código FPAS 515. Dessa maneira, temse que os recolhimentos foram Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.093 15 incompatíveis com a declaração apresentada desde o início. Não obstante, de nossa análise nos autos do processo 12269.003665/200950, concluímos por seus aproveitamentos lá, em levantamento específico, não havendo, por esta análise, como aproveitálos no presente lançamento. Nesse sentido, votamos pela improcedência da impugnação. Após análise do Relatório Fiscal, fls. 36/40 dos autos digitalizados, da nova diligência fiscal e pronunciamento sobre os documentos apresentados e as contrarrazões do contribuinte, quanto à alegação de intermediação de mão de obra, em desacordo com o ato do cooperativismo, alegado pela fiscalização, temse: a) A contribuinte (empresa MITRA Cooperativa) é sucessora da empresa sucedida MITRA Assessoria, encerrada em 31/01/2005, e exerciam a mesma atividade de prestação de serviços aos mesmos tomadores, sendo todos os sócios da sucedida fundadores da MITRA Cooperativa, exceto Mara Rosane Gallina. Desse modo, entendese plenamente aplicável o § único do art. 132 do CTN, quando há a extinção da pessoa jurídica e a exploração da atividade seja continuada por outra, sob a mesma ou outra razão social, e representada por qualquer sócio remanescente, sendo responsável pelos tributos devidos até à data do ato. A recorrente assevera que a MITRA Assessoria teve suas atividades encerradas em 2005 com baixa formalizada nos órgãos competentes em 2008. Temse inócua a sucessão pretendida por falta de requisitos, qual seja a existência de débitos tributários, consoante art. 132 do CTN. A mera existência de tomadores comuns à cooperativa e à empresa sucedida não pode ser fator determinante para o reconhecimento de sucessão. A pluralidade de tomadores da recorrente restou devidamente comprovada, afastando a ilação de que mantinham exclusividade de contratação com a AMAAssistência Médica Administrada. Diante dos fatos constantes dos autos, não resta dúvida de que a Mitra Assessoria e a Mitra Cooperativa exerciam as mesmas atividades e que houve a continuidade das atividades para os mesmos tomadores, embora por intermédio de cooperativa. Resta saber se a intermediação de mão de obra foi em desacordo com as regras do cooperativismo. b) A fiscalização alega que não foi comprovada a prestação de nenhum tipo de serviço para os associados da cooperativa, mas a intermediação do trabalho realizado. Há a comercialização do trabalho e desvio da essência da cooperativa, pois há a busca de profissionais para atendimento do contrato e que na sequência terão como condição para a realização do trabalho o preenchimento de ficha de matrícula de associado. A Ata da Assembléia Geral Ordinária de 06/01/2005, fl 88, assunto 02, assim dispõe: Passado assim para o assunto 02 a Sra. Ana comunica a celebração do contrato de Prestação de serviço social com a Empresa SONAE distribuição Brasil a partir do dia 10 de dezembro de 2004 para atender a todas as unidades da empresa no RS, PR, SC e SP. Informa ainda que foi necessária a busca de outras profissionais de serviço social para atender algumas localidades que ainda não haviam cooperados. A recorrente menciona que a chamada "busca de outros profissionais" consiste na habilitação junto à cooperativa de novos cooperados que constam no cadastro de aspirantes (doc.02); Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.094 16 A cópia da relação de Aspirantes selecionados (doc. 02, fls. 1411) não apresenta a data de sua confecção. Dos dados apresentados não é possível conclusões, apenas constam o nome, idade, fone, central e profissão. Os documentos apresentados devem ser contemporâneos ao período fiscalizado e devem demonstrar de maneira clara o alegado pela recorrente. c) Da não apresentação do Livro de Matrícula: o fisco afirma que os documentos apresentados não estão em conformidade com a Lei 5.764/71 (art. 23) e Estatuto da cooperativa (art. 12). Não há registro de conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social. Nas Atas do Conselho Administrativo que delibera sobre novos associados, em momento algum é tratado da integralização das quotas (art. 5o do Estatuto da Cooperativa). No Balanço Patrimonial de 2006, folhas 723/724, se verifica que o Capital Social é de R$ 310, 00, desde a constituição da Cooperativa, e não houve integralização e nem mesmo subscrição de quotaspartes. Assim, a análise das Fichas de Matrículas corrobora o entendimento de que os profissionais não eram cooperados e sim prestadores de serviço. Diz o art.12 do Estatuto da Cooperativa: Art. 5 o Após aprovada a proposta, deverá o candidato subscrever as quotaspartes do capital, nos termos deste Estatuto, e assinar o livro de matrícula juntamente com o Presidente da Sociedade, sendolhe entregue cópia do Estatuto Social, cópia da Ata do Conselho de Administração que aprovou o seu ingresso na Sociedade e cópia da ficha de matrícula; Parágrafo Único O associado adquire todos os direitos e assume todos os deveres e obrigações da Lei, deste Estatuto e das deliberações da Sociedade. (...) Art. 12 Os associados serão inscritos em livros ou fichas individuais de matrícula, numeradas em ordem cronológica de admissão, constando: a) Nome, idade, estado civil; nacionalidade, profissão, número da Carteira de identidade (RG) e do Cadastro Nacional de Pessoa Física (CPF/MF) e endereço residencial do associado. b) Data de admissão, e, quando for o caso, data de demissão a pedido, eliminação ou exclusão. c) Conta corrente das quotaspartes de capital do associado. d) Assinatura do associado e do Presidente. E o art. 23 da Lei 5.764, de 16/12/1971: Art. 23 No livro de Matrícula, os associados serão inscritos por ordem cronológica de admissão, dele constando: I o nome, idade, estado civil, nacionalidade, profissão e residência do associado; II a data de sua admissão e, quando for o caso, de sua demissão a pedido, eliminação ou exclusão; Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.095 17 III a conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social. A recorrente informa que as fichas de matrícula não apresentam qualquer irregularidade frente à lei 5.764/71, ao passo que a integralização das quotaspartes está adequadamente formalizada, como bem atesta o extrato de integralização de capital em anexo (doc.03). Da análise das filhas de matrículas (doc. 03, fls. 1413/1425), para o período do lançamento fiscal 01/2006 a 12/2006, não é possível firmar conclusão sobre a integralização do capital subscrito para os cooperados que ingressaram na cooperativa até a data do lançamento fiscal. Para os cooperados com ingresso até 2006 temse o status do registro: “Cap. Cancelado”, “devolvido” ou apenas com “subscrição” sem integralização. As exceções, onde consta subscrição integralizada no valor de R$10,00 (dez reais) para alguns cooperados são: Adriane Vasconcelos Parker em 14/11/2003, Cíntia Cardoso Mendes em 01/03/2005, Elisa Salto Szameltat em 1/10/2005, Eloísa Ely Frato em 1/04/2006, Estela Simone Rapahel Dalbem em 1/11/2005, Giovanna Rispoli em 1/01/2006, Luciani dos santos Fonseca em 1/01/2005, Maria de Lourdes Silva Francisco em 1/06/2005. d) Quanto a não identificação do Registro Contábil dos Fundos, não foi possível identificar com clareza o valor das "Sobras Apuradas" do Fundo de Reserva, mencionado na ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária, de 16/03/2007, folhas 720/722, que trata da distribuição das sobras no valor de R$ 6.234,94. A cópia anexada não demonstra ser extraída do Livro Diário e não foram apresentados os lançamentos efetuados no Livro Diário que deram origem aos saldos. Destarte, a fiscalização não reconheceu em definitivo que há a correta contabilização dos fundos da entidade, como quer a recorrente. Os documentos apresentados não foram suficientes para a constatação que de os atos contabilizados pela cooperativa seguem os preceitos legais, como alega a recorrente. e) Principal tomador de serviço da cooperativa é a empresa AMA – Ass. Médica, que até 30/03/2006 estava localizada no mesmo endereço da MITRA Cooperativa e prestadora MITRA Assessoria Ltda: em relação à análise dos contratos de prestação de serviços e notas fiscais, a fiscalização concluiu que a emissão de notas fiscais contra a empresa AMA Ass. Médica não atinge valores que expressam a maior parte do faturamento mensal, entretanto, verificou que a maior parte dos contratos com os tomadores de serviços são assinados pelas mesmas pessoas: Marcos Lucchese Sporleder e Fernando Cabelera Sporleder, inclusive contrato com o tomador de serviço: Unidade de Saúde Central Ltda, em 01/02/2003, data anterior à constituição da Cooperativa, assim como, o local para envio das faturas é o endereço da AMA, Rua Gomes Jardim n° 472. Atenta para o desligamento de Frederico Fuhrmeister, fls. 395, mencionando que não há mais interesse em atender na Unidade de Saúde Central e em outros ambulatórios administrados pela AMA. A recorrente menciona que a empresa AMA – Ass. Médica na condição de administradora gere os recursos atinentes aos pagamentos dos prestadores de serviço o que justifica o envio das faturas de serviço da recorrente para o endereço da AMA. Ademais, a empresa AMA, através de seus representantes, detém o poder de firmar os contratos de prestação de serviço em nome de suas tomadoras. A administração realizada pela AMA não possui o condão de afastar a real contratação havida entre a cooperativa recorrente e suas tomadoras, tampouco pode se prestar a desqualificar a recorrente como cooperativa. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.096 18 Das informações constantes da fiscalização e do recurso do contribuinte tem se que a AMA – Ass. Médica é uma empresa que administra o pagamento dos prestadores de serviços onde se inclui o MITRA Cooperativa. Até 30/06/2006 estava localizada no mesmo endereço a AMA – Ass. Médica, a MITRA Cooperativa e a MITRA assessoria Ltda. A maior parte dos contratos prestação de serviço são assinados pelas mesmas pessoas: Marcos Lucchese Sporleder e Fernando Cabelera Sporleder. Assim, temse que a AMA é tomadora dos serviços da cooperativa MITRA (fl. 1390) e administradora/gestora dos pagamentos dos contratos dos prestadores (inclusive a cooperativa MITRA) e firma contrato em nome dos tomadores. Tomador de Serviço: Ama Assistência Médica Administrada Ltda Representada por barcos Lucchese Sporleder Contrato assinado por Fernando Cabelera Sporleder, em 01/01/2005 Aditivos assinados por Marcos Lucchese Sporleder e Fernando Cabelera Lucchese Local para envio de faturas: Rua Gomes Jardim n° 472, endereço da AMA f) Quanto ao livro de Atas do Conselho Administrativo, a fiscalização informou que não restou comprovado o número total de associados e desligamentos ocorridos no período. Informa que foram apresentadas as Atas do Conselho Administrativo onde é tratado o ingresso, desligamento e fichas de matrículas. Assim sendo, a recorrente cumpriu o exigido pelos preceitos legais nessa obrigação. g) A fiscalização informa que o livro de Atas do Conselho Fiscal foi apresentado somente na defesa. Verificase, nas atas apresentadas, folhas 94 a 110, por exemplo: 1 Ata da reunião de 02/12/2005, fls. 101/102, assinam a Ata Patrícia Dias, Cristina Rojas e Ana Lucia de Mello (Presidente do Conselho de Administração), um dos assuntos debatidos foi o fornecimento de ticket alimentação de acordo com o número de lojas atendidas; 2 Ata da reunião de 04/08/2006, fls. 102/103, assinam Patrícia e Cristina únicas presentes na reunião), um dos assuntos debatido foi a verba e telefone para coordenador da área médica Daniel Manart. A análise das atas deixa claro que o Conselho Fiscal não tem fiscalização assídua, não há a renovação de 2/3 dos membros, se reúne em período de tempo diverso do estabelecido, sem a participação de pelo menos 3 (três) membros, o que reforça o entendimento de que a atividade exercida não é feita dentro do espírito da lei do cooperativismo estabelecido na Lei 5.674/71 e nos arts. 51 e 52 do Estatuto. Art. 51 A administração da Cooperativa será fiscalizada, assídua e minuciosamente, por um Conselho Fiscal, constituído por 3 (três) membros efetivos e 3 (três) suplentes, todos associados, eleitos anualmente pela Assembléia Geral, sendo permitida a reeleição de apenas 1/3 (um terço) de seus componentes. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.097 19 § 1o Não poderão fazer parte do Conselho Fiscal, além dos inelegíveis, os parentes, entre si e dos membros do Conselho de Administração ate 2o (segundo) grau, em linha reta ou colateral. § 2 o Nenhum associado poderá exercer, cumulativamente, cargos nos Conselho de Administração e Conselho Fiscal. Art. 52 O Conselho Fiscal reúnese, ordinariamente, uma vez por mês, e, sempre que necessário, extraordinariamente, com a participação de pelo menos 3 (três) dos seus membros. A recorrente questiona que a fiscalização apenas registrou a ausência do livro de Atas do Conselho Fiscal. A avaliação quanto à suposta irregularidade das atas e da composição do Conselho Fiscal desborda os limites legais e importa em novação, o que é vedado pelo ordenamento jurídico. A renovação de 2/3 do Conselho Fiscal é uma liberalidade da entidade, não sendo imposição legal. Impossibilitada a renovação do Conselho Fiscal pela ausência de chapa contrária àquela que exerce o mandato, temse que a manutenção dos conselheiros é medida impositiva sob pena de inviabilizar as atividades da cooperativa. A análise da documentação pela fiscalização só pode ser feita após sua apresentação. Constatada irregularidade quanto às normas da Lei 5.674/71 e Estatuto da cooperativa deve ser relatado o fato por dever funcional da autoridade fiscal. Como demonstrado, a recorrente não atentou para as normas estatutárias quanto à renovação dos membros do Conselho Fiscal, nem registrou nas Atas as impossibilidades estatutárias. Não há que falar em novação. h) A fiscalização informou que não há eventualidade na necessidade dos serviços pelas empresas Tomadoras. São necessidades permanentes, cuja execução é suprida através da terceirização. Os contratos sempre são acompanhados de anexo que define qual o profissional que vai realizar a prestação de serviços. Na ata de reunião do Conselho Fiscal, de 26/09/2005 (fl. 101) fica definido o fornecimento de cartão alimentação aos Assistentes Sociais, de acordo com o número de lojas que cada profissional atende, o que demonstra que se trata de serviço permanente a ser realizado. Assevera a recorrente que a prestação de serviços realizada pelos cooperados se faz em caráter eventual e jamais habitual, entretanto, os relatórios de produção e documentos anexados aos autos não são suficientes para a confirmação do alegado. i) Quanto ao processo 00353200802004008 da 20a Vara do Trabalho de Porto Alegre, do reclamante Mauro Azambuja de Souza, a fiscalização informa que o acórdão só foi citado para demonstrar como se posicionou o TRT da 4a Região frente à realidade fática de intermediação da mão de obra feita pela MITRA Cooperativa. O acordo feito entre as partes ocorreu após sentença de reconhecimento de vínculo empregatício e ficou convencionado a inexistência de vínculo empregatício e que o valor pago seria a título de indenização constituindose na devolução de quotaparte do cooperado. Questiona a recorrente que o acórdão trabalhista não caracteriza a existência de vínculo empregatício entre o cooperativado e a recorrente, dada a homologação de acordo sem que houvesse o reconhecimento de vínculo. Não há que falar em relação de trabalho e sim de cooperativismo. Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.098 20 Da decisão do processo trabalhista em comento, anexada aos autos, fls. 1392/1393, temse que ficou reconhecida a contratação de mão de obra para exercer atividades essenciais e de forma exclusiva para outros estabelecimentos por intermédio da cooperativa de trabalho, emergindo a relação de emprego e sendo nulo ato de contratação por meio de cooperativa, nos termos do art. 9º da CLT, não se aplicando o art. 442 da CLT. Desse modo, reconhecese a realidade fática de intermediação de mão de obra feita pela MITRA Cooperativa na sentença judicial em epígrafe. Corroborando com o entendimento da ausência dos requisitos que caracterizam o cooperativismo (art. 442 da CLT) e da presença dos elementos fáticojurídicos da relação de emprego têmse as sentenças dos Tribunais da Justiça do Trabalho: COOPERATIVA DE TRABALHO INTERMEDIAÇÃO ILEGAL DE MÃODEOBRA DESCARACTERIZAÇÃO. O verdadeiro cooperativismo pressupõe a conjugação de interesses comuns e a reversão dos frutos do trabalho em benefício de todos os associados ou cooperados, não podendo existir, entre eles, qualquer forma de subordinação própria da relação de emprego. Sendo assim, provado, nos autos, que a Cooperativa reclamada, embora formalmente constituída, limitase, sistematicamente, a realizar intermediação de mãodeobra, recrutando trabalhadores e trabalhadoras para a prestação de serviços em empresas diversas, forçoso reconhecer a existência de simulação que tem por finalidade disfarçar verdadeira relação de emprego. (TRT7 RO: 417000320095070007 CE 0041700 0320095070007, Relator: MARIA JOSÉ GIRÃO, Data de Julgamento: 09/04/2012, Primeira Turma, Data de Publicação: 19/04/2012 DEJT) COOPERATIVA. DESCARACTERIZAÇÃO. RECONHECIMENTO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. A prestação de serviços que se inserem na atividade fim da empresa, por intermédio de cooperativa caracteriza fraude na contratação de mão de obra. Tal circunstância, aliada à ausência de affectio societatis entre os cooperados, e à fixação do trabalhador na mesma empresa ao longo de todo o contrato, evidencia a utilização da cooperativa como mera intermediadora de mão de obra, impondose, nesse caso, o reconhecimento do vínculo empregatício com a empresa tomadora dos serviços. Recurso provido. (TRT2 RO: 7272520125020 SP 00007272520125020432 A28, Relator: IVANI CONTINI BRAMANTE, Data de Julgamento: 01/10/2013, 4ª TURMA, Data de Publicação: 11/10/2013) VÍNCULO EMPREGATÍCIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. DESCARACTERIZAÇÃO. Ausentes os requisitos que caracterizam o cooperativismo, conforme disposto no art. 442 da CLT, bem como restando comprovada a existência de elementos fáticojurídicos da relação de emprego, de se manter a sentença que reconheceu a existência de vínculo empregatício entre as partes, deferindo ao empregado as parcelas trabalhistas Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.099 21 decorrentes de tal liame contratual. Recurso conhecido e improvido. (TRT7 RO: 8948620105070007 CE 00008948620105070007, Relator: MARIA ROSELI MENDES ALENCAR, Data de Julgamento: 06/02/2012, Primeira Turma, Data de Publicação: 10/02/2012 DEJT) j) Informa a fiscalização, quanto à falta de distribuição de sobras e do baixo valor da reserva de sobras, que a Ata da Assembléia de Geral Ordinária e Extraordinária de 16/03/2007, fls. 720/722, trata da distribuição, embora a data da Ata esteja rasurada. A possibilidade de aproveitamento das guias GPS será tratada no atendimento da diligência do processo 12269.003665200950, DEBCAD 37.200.4652, que trata da contribuição referente à parcela dos segurados. A recorrente alegou que houve a correta distribuição das sobras, não havendo desatenção aos preceitos legais. Diante dos fatos abordados no voto, temse como conclusão que o lançamento fiscal é procedente. A sucessão da MITRA Cooperativa pela sucedida MITRA Assessoria, com mesma atividade de prestação de serviços aos mesmos tomadores, sendo quase todos os sócios da sucedida fundadores da cooperativa, exploração de atividade continuada, a dificuldade para identificar a prestação de serviço para os associados da cooperativa e identificação da visualização da intermediação do trabalho realizado, a busca de profissionais para atendimento do contrato de prestação de serviços, os documentos apresentados em desconformidade com a Lei 5.764/71 (art. 23) e Estatuto da cooperativa (art. 12), a falta de visualização clara do registro de conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social, a falta de clareza na integralização das quotas (art. 5o do Estatuto da Cooperativa), desligamento de cooperado de sua unidade de saúde e de outros ambulatórios administrados pela AMA – Ass. Médica, a confusão fáticojurídica onde a AMA – Ass. Médica é tomadora dos serviços da cooperativa (fl. 1390) e administradora/gestora dos contratos da prestadora (cooperativa) e firma contrato em nome das tomadoras, a dificuldade de se visualizar os atos praticados pelos membros do conselho fiscal e o cumprimento do estatuto da cooperativa, a definição nos contratos do profissional cooperado que vai prestar os serviços, fornecimento de cartão alimentação aos assistentes sociais, sentença trabalhista reconhecendo o vínculo empregatício, dente outros mencionados nos autos. No mesmo sentido é a falta de participação dos cooperados nas assembléias, a intermediação de mão de obra para atender tomadores de serviços desvirtuando os fins da cooperativa, a colocação à disposição dos tomadores dos supostos cooperados para executar tarefas ligadas à atividade fim, trabalho em caráter habitual, a falta de comprovação de todas as subscrições de quotaspartes, enfim, a falta de sintonia entre os fatos narrados pela recorrente com os documentos apresentados, atas, estatuto e o confronto com a escrituração contábil (Livro Diário). Corroboram o entendimento esposado as decisões dos Tribunais Federais, a seguir: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRATAÇÃO Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.100 22 FRAUDULENTA DE MÃODEOBRA POR INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DESCARACTERIZAÇÃO DA FIGURA DO COOPERADO. EXIGÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇO POR RESTAR CONFIGURADO O VÍNCULO EMPREGATÍCIO. MULTA. PERCENTUAL DE 15%. RAZOABILIDADE. 1 Tratase de Ação Anulatória de Débito Fiscal em que o autor pretende a anulação da NFLD n.° 35.039.4342. O débito apurado referese às contribuições não repassadas à Previdência Social, quando da contratação de mãodeobra pelo autor por intermédio da Cooperativa Regional de Serviços Autônomos do Alto do Paranaíba Ltda. COOTRAR, em decorrência da decisão exarada pelo juízo da Vara do Trabalho de Patos de Minas que declarou o vínculo empregatício entre o tomador de serviços e os trabalhadores, e irregular a cooperativa. 2 – (...). 4 "In casu, restou demonstrado nos autos que Cooperativa em pauta COOTRAR serviuse de subterfúgio a dissimular o liame empregatício firmado entre o produtor rural e os contratados, uma vez que o ente se desgarrou da liturgia alinhada na Lei n.° 5.746/71, modificada pela Lei n.° 7.231/84. (...). Os rurícolas, pseudo cooperados, ignoravam a existência da Cooperativa, não participavam de assembleias, da distribuição das sobras líquidas e, se pudessem, optariam por laborar com registro em carteira,(...). 5 A Ação Civil Pública n.° 00412199907103 004, promovida pelo Ministério Público do Trabalho em face da COOTRAR, teve o seu pedido julgado procedente para que fosse impedida a COOTRAR de continuar intermediando mãodeobra ilicitamente, com fraude à lei e ofensa a direitos sociais coletivos de trabalhadores, sendo que a r. sentença foi mantida no julgamento do Recurso Ordinário n.°4159/2003 em que o Juiz Relator entendeu que restou claro que a COOTRAR foi constituída com o fim específico de intermediar mãodeobra para os fazendeiros da região, desvirtuando os fins da cooperativa, colocando à disposição dos tomadores os supostos cooperados para executar tarefas ligadas à sua atividade fim. A referida ação transitou em julgado. 6 Correta a fiscalização do INSS em autuar a parte autora para que recolha ao INSS as contribuições previdenciárias relativas aos empregados que lhe prestaram serviços por intermédio de contratação de mãode obra fraudulenta pela COOTRAR. 7 – (...). (TRF1 AC: 200138000133341 AC 200138000133341 Relator: GRIGÓRIO CARLOS DOS SANTOS, Data da decisão: 19/11/2013, 5ª Turma Suplementar, Data de Publicação: 27/11/2013 eDJF1) CONTRIBUIÇÃO AO FUNDO DE GARANTIA POR TEMPO DE SERVIÇO FGTS. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO TRABALHISTA PARA APURAR A EXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO (ART. 118, DO CTN). COOPERATIVA DE TRABALHADORES DE CARGAS SECAS E MOLHADAS. TRABALHO COM SUBORDINAÇÃO, NÃO EVENTUAL E COM PAGAMENTOS HABITUAIS. RELAÇÃO DE EMPREGO EVIDENCIADA (ART. 3º DA CLT). 1. (...). 2. A fiscalização Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.101 23 trabalhista e previdenciária têm legitimidade para efetuar lançamentos ex officio de contribuições para o FGTS e as de cunho previdenciário, desconsiderando a qualificação jurídica dada pela empresa à relação trabalhista, conforme prevê o artigo 118 do Código Tributário Nacional. 3. Na forma do artigo 3º da CLT, constituem elementos imprescindíveis à configuração da relação de emprego a subordinação, a nãoeventualidade, a pessoalidade e a remuneração. 4. Na hipótese, o vínculo empregatício entre a Embargante e os participantes da Cooperativa dos Trabalhadores em Empresa de Transportes de Cargas Secas e Molhadas da Cidade de Manaus foi comprovada pelos minuciosos Relatórios Fiscais das NFLD's que, em grau de recurso foram confirmadas, uma vez que a inspeção no local e a análise dos documentos comprovaram a total descaracterização dos elementos formais e substanciais típicos da sociedade em regime de cooperativa e a caracterização da relação de emprego, donde se destacam: a) inexistência da affectio societatis; b) ausência de espontaneidade na criação da entidade; c) falta de igualdade de direitos; d) inexistência de subscrição de cotaspartes; e) não participação dos associados na vida da cooperativa. 5. A situação fática retratada pela atuação fiscal é mais do que suficiente para embasar a autuação imposta à apelante pela fiscalização trabalhista, (...). (TRF1 AC 199932000070988 AC 199932000070988, Relator: PEDRO FRANCISCO DA SILVA (CONV.), Data da decisão: 30/11/2009, 5ª Turma, Data de Publicação: 29/01/2010 eDJF1) PROCESSO CIVIL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DOCUMENTO RELATIVO A FATO NOVO. COBRANÇA SOBRE VALORES CREDITADOS OU PAGOS A AUTÔNOMOS. INCONSTITUCIONALIDADE. DESCONFIGURAÇÃO DO VÍNCULO CONTRATUAL COM COOPERATIVA. MUNICÍPIO CONTRATANTE SEM SERVIDORES PÚBLICOS. PERÍCIA. ANÁLISE JURISDICIONAL DO VÍNCULO DE EMPREGO. VALORES ARCADOS COMO AUTÔNOMOS. DESCONTO DA PARTE DEVIDA PELOS EMPREGADOS. PARCIAL PROCEDÊNCIA. SUCUMBÊNCIA. 1. (...). 6. A questão enfocada é saber se havia vínculo de emprego entre os cooperados da cooperativa e a municipalidade. (...). 13. O que leva a consideração de existência de vínculo de emprego entre os cooperados e o Município exclusivamente para fins de incidência das contribuições previdenciárias, são os elementos colhidos em juízo. Além do minucioso relatório fiscal das duas inscrições, é de se ver que o próprio município declara às fls. 664 dos autos em apenso que, ao menos até 1.996, não tem nenhum funcionário público e, portanto, não tem nenhum registro de empregado. Causa espécie a existência de um ente municipal desprovido de agentes para o desempenho de suas atividades essenciais, restando evidente que a tal terceirização pela cooperativa visou suprir integralmente a nãoexistência de servidores públicos (ocupantes de cargo público ou de emprego público). A testemunha ouvida, Sr. Valdevino Rodrigues, às fls. 680 dos autos em apenso, confirma essa constatação. 14. (...). 15. Além Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.102 24 do mais, como retratado pela fiscalização, 22 (vinte e duas) pessoas que foram descaracterizadas da condição de "autônomo" eram ligadas ao Município de Angatuba como empregados (fl. 10). Angatuba era o município da qual Campina do Monte Alegre era distrito. 16. O desempenho de atividades por terceirização generalizada, sem especificação para serviços de natureza puramente acessória, bem como a ausência formal de servidores públicos (provimento efetivo ou com vínculo de emprego), indicam com veemência a existência de vínculo empregatício dos cooperados com o município, de modo que para fins tributários são devidas pelo município o recolhimento das contribuições previdenciárias (parte "empresa") nos termos dos artigos 15, I e 22, I, da Lei 8.212/91, sem prejuízo do recolhimento que os cooperados fizeram em seu próprio benefício (parte segurado) como autônomos. 17. (...). 19. Os valores comprovadamente recolhidos pelos cooperados a título de contribuição de autônomo devem ser descontados dos valores exigidos da embargante na parte "empregados" dos discriminativos de fls. 03, 119 e 120 do apenso relativo aos autos administrativos, baseados no art. 30, I, "a", da Lei 8.212/91, nas mesmas competências e relativas aos mesmos segurados, também objeto de cobrança em ambas as inscrições, sob pena de "bis in idem" e enriquecimento sem causa do fisco exequente. (...). (TRF3 – APELREEX: 00193563520004039999 APELREEX 582871, Relator: ALEXANDRE SORMANI (CONV.), Data da decisão: 22/09/2009, 2ª Turma, Data de Publicação: 01/10/2009 eDJF3) ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. ANULAÇÃO DESCABIDA. COOPERATIVA ART. 442, PARÁGRAFO ÚNICO CLT. DESCARACTERIZAÇÃO. PROFISSIONAIS AUTÔNOMOS. CONFIGURADO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. 1. Considerase empregado, toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário (art. 3º da CLT). 2. Em todas as atividades será obrigatório para o empregador o registro dos respectivos trabalhadores, podendo ser adotados livros, fichas ou sistema eletrônico, conforme instruções a serem expedidas pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social (art. 41 da CLT). 3. É justificada a autuação quando se basear em elementos convincentes e indicadores de que, efetivamente, a realidade dos fatos – empregados não condiz com a situação jurídica formalmente demonstrada – autônomos. 4. Os “cooperados” na verdade, eram operários que prestavam serviços a MATEC, estando sujeitos a subordinação nitidamente trabalhista, pois: a) obrigados ao cumprimento de uma jornada de trabalho; b) sujeitos a avaliação pela MATEC, podendo ser desligados (demitidos), c) sujeitos a fiscalização na figura do “controlador” indicado pela COOPERWORK; d) trabalhavam em caráter habitual com horário prédeterminado, além de horas extras; e e: percebiam pagamento de salário no 5º dia útil conforme a legislação trabalhista e cujo valor fora definido por categoria profissional no contrato celebrado entre a MATEC e a Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.103 25 COOPERWORK. 5. A Lei 8.949/94 que acrescentou o parágrafo ao artigo 442, visa, apenas, aos casos de cooperados que realizam trabalho eventual ou de curta duração; interpretála de modo diverso, ou literal, é abrir campo para graves deformações incompatíveis com o caráter protetivo da lei trabalhista. 6. Descaracterizada a condição de cooperativa e caracterizado o vínculo empregatício, correta a autuação efetivada pela Delegacia do Trabalho. 7. Apelação improvida. (TRF4 – AC: 199904010987078AC, Relator: ALCIDES VETTORAZZI, Data da decisão: 05/12/2000, 4ª Turma, Data de Publicação: 24/01/2001 DJ) É justificada a autuação quando se baseia em elementos convincentes e indicadores de que a realidade dos fatos (intermediação de mão de obra) não condiz com a situação jurídica formalmente demonstrada pela cooperativa, nos termos do art. 118 do CTN. Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Correta a fiscalização em autuar a cooperativa recorrente para que recolha as contribuições sociais previdenciárias relativas à intermediação de mão de obra, vez que não demonstrada o cumprimento das regras da Lei 5.674/71 e Estatuto da cooperativa. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório Fiscal REFISC; e, ainda, o Discriminativo do Débito, as Instruções para o Contribuinte – IPC, os Fundamentos Legais do Débito – FLD, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso para retificar o lançamento fiscal conforme valores demonstrados nas planilhas constantes do Despacho de Diligência fiscal resultante da Resolução nº 2803000.134 – 3ª Turma Especial, de folhas 1042 dos autos digitalizados do processo: 12269.003665/200950. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.104 26 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira Redator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato dos conselheiros responsáveis pelos votos vencido e vencedor não mais integrarem o colegiado, fui designado AD HOC para redigir o voto vencedor. Feito o registro. Pedi vistas dos autos para melhor poder expressar minha convicção ante os votos prolatados pelos I. Conselheiros que me antecederam e que apresentam soluções diametralmente apostas para o caso. Todavia, peço máximas vênias a ambos os conselheiros que me antecederam para discordar da fundamentação destes. Ainda, que por motivos diversos a minha conclusão acabe por se alinhar ao menos em parte ao resultado de um deles. Dessa forma, acompanho em parte a fundamentação do I. Relator, mas quanto a decisão divirjo daquela em parte, o que explico em minha fundamentação e conclusão. Inicialmente, ressalto que toda a discussão sobre a existência de lançamento tributário, advindo de responsabilidade por sucessão é inócua, pois nestes autos especificamente como defendido pela impugnante desde o início, não existe a atribuição de responsabilidade tributária por sucessão e muito menos o lançamento de crédito devido por outra empresa. Podese verificar que o crédito lançado referese ao período de 01/2006 a 12/2006 e a empresa autuada, impugnante e recorrente Mitra Cooperativa apresentou para registrado na junta comercial, seu ato constitutivo em 25/03/2004, sendo que esse só foi liberados, em 26/08/2004, e, após isso foi providenciado o CNPJ e a inscrição Municipal, bem como o registro no OCERGS, iniciando suas atividades, no ano de 2004, Ata de Assembléia, de 06/01/2005, fls. 88 a 90. Além disso, a suposta empresa sucedida a Mitra Acessória a partir do ano de 2005, tornouse inativa, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Inativa – 2006 a 2008, fls. 324 a 330. Da leitura do Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Principal – REFISC – AIOP podese verificar que os levantamentos constantes do lançamento são os seguintes: Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.105 27 Levantamento AUT Pagamentos efetuados para prestadores de serviço, pessoa física,verificados na contabilidade da empresa. Levantamento FP Valores lançados em folha de pagamento e declarados na GFIP código 211 (Cooperativa de Trabalho) e 115 (empregados), sendo que na GFIP de código 211 os segurados são informados na categoria 17, em desacordo com as conclusões do item 6. Levantamento FP1Valores lançados em folha de pagamento para os segurados contribuintes individuais, não declarado em GFIP. Levantamento FP2Valores lançados em folha de pagamento para a Presidente da Cooperativa Ana Lúcia Mello, não declarados em GFIP. Levantamento FP3 Valores lançados em folha de pagamento a Ana Lúcia Mello, declarados em GFIP, no código de categoria 17 (cooperado), em desacordo com as conclusões do item 5 Levantamento FP4 Diferença entre os valores lançados na contabilidade a título de folha de pagamento e as próprias folhas de pagamento, não lançados em GFIP, não elucidada pela empresa, mesmo intimada para isso através Termo de Intimação Fiscal n° 1. Levantamento FPE Valores lançados na folha de pagamento aos segurados empregados, não informados em GFIP. Levantamento DAL Diferença de Acréscimos Legais das guias consideradas para abater no crédito. Do rol dos levantamentos acima descritos fica evidente em razão do período a que se referem, bem como em razão dos documentos utilizados como fonte de informação: a) contabilidade; b) GFIP e c) folha de pagamento, todos da empresa fiscalizada, que as bases de cálculo e por consequência as contribuições são todas decorrentes de responsabilidade própria nada tendo a ver com responsabilidade por sucessão. Ao analisar os levantamentos efetuados e acima listados em conjunto com os demais elementos dos autos podese verificar o que a seguir se descreve. · Levantamentos: AUT – AUTÔNOMOS NÃO INFORMADOS , conforme Relatório de Lançamentos RL, de fls. 17 e 18, os pagamentos foram realizados a pessoas físicas identificadas em RPA ou na conta contábil correspondente e identificada no RL, inclusive com o nome do profissional em algumas competências. Desta forma, esse levantamento é devido independentemente do tipo societária da recorrente; FP – FOLHA DE PAGAMENTO DECLARADO , conforme Relatório de Lançamentos RL, de fls. 18 e 19, os pagamentos foram Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.106 28 realizados a pessoas físicas da categoria de cooperados, que foram descaracterizados para Contribuinte Individuais – CI, tendo em vista as irregularidades na constituição da cooperativa. Desta forma, esse levantamento não merece prosperar, uma vez que não vislumbro irregularidades na constituição da cooperativa, o que não justifica a descaracterização dos cooperados; FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO , conforme Relatório Fiscal REFISC, de fls. 35, os pagamentos foram realizados a pessoas físicas da categoria de Contribuintes Individuais – CI, não declarados em GFIP. Desta forma, esse levantamento é devido independentemente do tipo societário da recorrente; FP2 – PRESIDENTE DA COOPERATIVA conforme Relatório Fiscal REFISC, de fls. 35, os pagamentos foram realizados a pessoas físicas da categoria de cooperado que exerce cargo de direção da “empresa” e que nessa qualidade é Contribuinte Individual CI. Desta forma, esse levantamento é devido independentemente do tipo societário da recorrente; FP3 – PRESIDENTE DA COOPERATIVA , conforme Relatório Fiscal REFISC, de fls. 35, os pagamentos foram realizados a pessoa física da categoria de cooperados, que foram descaracterizados para Contribuinte Individuais – CI, tendo em vista as irregularidades na constituição da cooperativa. Desta forma, esse levantamento não merece prosperar, uma vez que não vislumbro irregularidades na constituição da cooperativa, o que não justifica a descaracterização dos cooperados; FP4 – LANÇAMENTO ARBITRADO , conforme Relatório Fiscal REFISC, de fls. 35, cuida este levantamento de diferenças de valores apurados pelo confronto da folha de pagamento com os lançamentos contábeis apurados na contabilidade e que não foram esclarecidos pela empresa apesar de intimada para tal. Desta forma, esse levantamento é devido independentemente do tipo societário da recorrente; FPE – FOLHA DE PAGAMENTO EMPREGADOS , conforme Relatório Fiscal REFISC, de fls. 35, este levantamento cuida de valores existentes em folha de pagamento e não declaradas em GFIP. Desta forma, esse levantamento é devido independentemente do tipo societário da recorrente; DAL – DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS – são diferenças decorrentes de GPS recolhidas em atraso e que tiveram o valor do acréscimo juros e multa, calculadas de forma incorreta pelo contribuinte, havendo a cobrança da diferença no lançamento. A observação dos levantamentos é muito elucidativa no presente caso, sendo possível concluir que os levantamentos AUT – AUTÔNOMOS NÃO INFORMADOS; FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO; FP2 – PRESIDENTE DA COOPERATIVA; FP4 – Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.107 29 LANÇAMENTO ARBITRADO; FPE – FOLHA DE PAGAMENTO EMPREGADOS; DAL – DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS são devidos independentemente da discussão sobre a descaracterização da recorrente, pois em razão de tais levantamentos o tipo societário é irrelevante, uma vez que a exação por eles representados são devidas pelos diversos tipos societários existentes, empresas em geral, cooperativas e etc. Contudo, em razão dos dois levantamentos abaixo identificados não podemos dizer o mesmo. REFISC, DE FLS. 35. Levantamento FP Valores lançados em folha de pagamento e declarados na GFIP código 211(Cooperativa de Trabalho) e 115 (empregados), sendo que na GFIP de código 211 os segurados são informados na categoria 17, em desacordo com as conclusões do item 6. REFISC, DE FLS. 35. Levantamento FP3 Valores lançados em folha de pagamento a Ana Lúcia Mello, declarados em GFIP, no código de categoria 17 (cooperado), em desacordo com as conclusões do item 5 No Despacho de Diligência Nº 612/2010 5ª, Turma da DRJ/JFA, fls. 198 e 198v, emitido em razão da impugnação da ora recorrente, o órgão julgador faz o seguinte questionamento entre outros. Por último, também seria útil o esclarecimento da razão da opção da auditoriafiscal em efetuar os lançamentos com referência aos associados da cooperativa como contribuintes individuais, posto algumas orientações sugerirem conduta diferente (Maprof 4.0, item 8.6, subitens 3.7.1/3.7.2). A autoridade fiscal questionada, assim, pronunciouse, observese a transcrição, Informação Fiscal – IF, de fls. 200. d) Em relação ao enquadramento como contribuinte individual, esclarecemos que, como não foi possível estimar a data dc admissão e demissão, assim como a rotatividade dos cooperados era muito grande, tributamos como contribuintes individuais por uma questão de maior prudência no lançamento dos valores. Tal diligência e sua resposta foram cientificadas ao contribuinte que recebeu cópia daquelas, conforme recibo, de fls. 201. A empresa fiscalizada e recorrente apresentou manifestação acerca da diligência, as fls. 207 a 212, acompanhada dos documentos, de fls. 213 a 232. Ficou evidenciado que a empresa recorrente tinha pleno conhecimento do que fora e como fora lançado o crédito e que este não se refere a responsabilidade por sucessão, mas apenas e tão somente ao enquadramento dos cooperados como contribuintes individuais, Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.108 30 ante a uma série de supostas irregularidades na constituição da cooperativa elencadas pelo lançador. Destarte, todas as alegações referentes as supostas irregularidades na documentação de constituição da cooperativa são irrelevante, em razão dos levantamentos, abaixo listados, pois as contribuições exigidas são devidas por empresas em geral e, também, por cooperativas, conforme determinado em lei e nada mais, pelo menos no que tange ao levantamento indicados e que reproduzo a seguir: AUT – AUTÔNOMOS NÃO INFORMADOS; FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO; FP2 – PRESIDENTE DA COOPERATIVA; FP4 – LANÇAMENTO ARBITRADO; FPE – FOLHA DE PAGAMENTO EMPREGADOS; DAL – DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Todavia, não se pode dizer isso para os levantamentos FP FOLHA DE PAGAMENTO DECLARADO e FP3 PRESIDENTE DA COOPERATIVA, uma vez que se reportam a exigência de cooperados como contribuintes individuais. A recorrente juntou, as fls. 1.082 a 1.104, Folha Analítica – Mensal onde constam os funcionários administrativos. No entanto, apenas em razão do apego a argumentação, esclareço que os documentos apresentados em especial no recurso voluntário demonstram a nítida intenção de promover a regularização das falhas apontadas pelo fisco, buscando a demonstração da regularidade da constituição e desenvolvimento das atividades da entidade cooperativa, mas que como dito e sobredito são irrelevantes ao deslinde do presente caso, pois não há no presente auto responsabilização por sucessão e muito menos em relação os levantamentos, AUT – AUTÔNOMOS NÃO INFORMADOS; FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO; FP2 – PRESIDENTE DA COOPERATIVA; FP4 – LANÇAMENTO ARBITRADO; FPE – FOLHA DE PAGAMENTO EMPREGADOS; DAL – DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. A mera observação de alguns dos documentos, que acompanham o recurso voluntário, e, que foram juntados aos autos demonstram a irregularidade na emissão desses, observese. Fichas de matrícula dos cooperados da cooperativa NÚMERO COOPERADO DATA IRREGULARIDADES FLS 01 ADRIANE* N/C AUSÊNCIA DA DATA ADMISSÃO 381 02 ALESSANDRA 12/03/2004 ANTERIOR A EXISTÊNCIA LEGAL DA COOPERATIVA 382 03 ANA LÚCIA* 10/08/2004 ASSINA E RECEBE DOCUMENTOS ANTERIORES A SUA ADMISSÃO E ANTES DA EXISTÊNCIA LEGAL DA 384 Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.109 31 COOPERATIVA 04 CÉLIA* 17/10/2005 A SOLICITAÇÃO DE INGRESSO DE FLS. 386 ESTÁ DATADA DE 23/11/2005, OU SEJA, O INGRESSO FOI ANTES DA SOLICITAÇÃO 385 05 CHISTIANE* 05/03/2004 FORA DA ORDEM CRONOLÓGICA 387 06 CRISTINA* 28/11/2003 FORA DA ORDEM CRONOLÓGICA 388 07 ELAINE 19/11/2004 FORA DA ORDEM CRONOLÓGICA 389 08 ELIANE N/C AUSÊNCIA DA DATA ADMISSÃO 390 09 ELISA N/C AUSÊNCIA DA DATA ADMISSÃO 392 10 FERNANDO 04/03/2004 ANTERIOR A EXISTÊNCIA LEGAL DA COOPERATIVA E FORA DA ORDEM CRONOLÓGICA 394 11 FREDERICO N/C AUSÊNCIA DA DATA ADMISSÃO, PORÉM COM RECONHECIMENTO DE FIRMA EM 13/05/2005 395 12 GLECI N/C AUSÊNCIA DE DATA DE ADMISSÃO 398 13 ISABEL N/C AUSÊNCIA DE DATA DE ADMISSÃO 400 14 GEANINE 29/04/2005 FORA DA ORDEM CRONOLÓGICA 402 15 LAINE 24/11/2003 ANTERIOR A EXISTÊNCIA LEGAL DA COOPERATIVA E FORA DA ORDEM 404 Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.110 32 CRONOLÓGICA OBS: 1) CONSTA NA ATA DE ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA, DATADA DE 06/01/2005, fls. 88 a 90, QUE AS SENHORAS: TEREZA CAVALCANTI KOPPE; CRISTINA ROJA, ANA LÚCIA DE MELLO, PATRÍCIA DIAS; ADRIANE VASCONCELOS PARKER; LORELAI DAS NEVES; MÁRCIA FERNANDES; CÉLIA FERNANDES; CRISTIANE PEGORARO E LUCIENE FONSECA, PARTIPARAM DAQUELA AGO; * PARTICIPARAM DA AGO DE 06/01/2005. OBS: 2) APENAS PARA REGISTRO NA FICHA DE ANA LÚCIA CONSTA A EXISTÊNCIA DE UM DEPENDENTE – GABRIEL DE MELLO SPORLEDER, OU SEJA, O MESMO SOBRENOME DOS REPRESENTANTE DA CONTRATANTE JOSAPAR, FLS. 336 A 339; TERMO ADITIVO II E III, FLS. 341 E 342; REPRESENTANTE DA CONTRATANTE PORTODONTO, FLS 343 A 346; ANEXO I E II, FLS. 347 E 348; TERMO ADITIVO V, FLS. 349; REPRESENTANTE DA CONTRATANTE AMA, FLS 350 A 353; TERMO ADITIVO IV, FLS. 355; TERMO ADITIVO X E XI, FLS. 356 E 357; TERMO ADITIVO XIX E XVI, FLS. 358 E 359; REPRESENTANTE DA CONTRATANTE UNIDADE SAÚDE CENTRAL, FLS 360 A 363; ANEXO I, FLS. 364; REPRESENTANTE DA CONTRATANTE FN SAÚDE E SERVIÇOS MÉDICOS LTDA, FLS 372 A 375; ANEXO I, FLS. 376 OBS: 3) CONSTA SOLICITAÇÃO DE DESLIGAMENTO DE ELIANE FÁTIMA VOLTENA, AS FLS. 391, SEM DATA DE EMISSÃO, MAS COM DATA DE RECEPÇÃO DA COOPERATIVA EM 30/03/2004, RECEBIDA POR ANA LÚCIA MELLO, MAS ESSA SÓ SE ASSOCIOU EM 10/08/2004, ISTO É, RECEBE DOCUMENTOS NA QUALIDADE DE PRESIDENTE ANTES DE SE ASSOCIAR E EM PERÍODO QUE A COOPERATIVA NÃO EXISTIA LEGALMENTE; Verifico, ainda, que a cópia do suposto Diário, anexado, as fls. 1.075 a 1.081, não está acompanhado dos termos de abertura e encerramento e nem devidamente registrado no órgão competente. As informações, alegações e constatações acima são referentes as irregularidades na documentação da cooperativa as quais foram exaustivamente esclarecidas no presente lançamento. Todavia, ante as alegações e demonstrações do patrono quando do uso da tribuna e dos N. Conselheiros Dr. Amílcar Barca e Dr. Ricardo Messetti quanto a constituição da cooperativa e da demonstração de que as cooperadas apontadas na tabela elencada acima, são em verdade as fundadoras da cooperativa a necessidade de fichas de adesão em relação a elas era irrelevante. Dessa forma, reformulo parte do meu voto e excluo da autuação os levantamentos FP FOLHA DE PAGAMENTO DECLARADO e FP3 PRESIDENTE DA COOPERATIVA, por entender que não cabe a exigência em face da cooperativa da parte patronal da contribuição em relação aos seus próprios cooperados. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003665/200950 Acórdão n.º 2803004.174 S2TE03 Fl. 1.111 33 Com esses esclarecimentos, ainda, que por motivos distintos do I. Relator acompanho parcialmente o seu voto, pedindo vênia ao N. Conselheiro Gustavo Vettorato prolator do primeiro votos vista para dissentir de sua conclusão. As citações de folhas e documentos foram feitas em relação aos autos do processo principal 12269.003663/200961. CONCLUSÃO: Ante o exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos FP FOLHA DE PAGAMENTO DECLARADO e FP3 PRESIDENTE DA COOPERATIVA, por entender que tal obrigação não cabe a cooperativa. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10283.001041/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 01/12/2006
RECOLHIMENTOS EFETUADOS APÓS O LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIADE DE APROPRIAÇÃO NO CONTENCIOSO. SITUAÇÃO A SER VERIFICADA JUNTO À AUTORIDADE FISCAL DA DRF - ORIGEM. FALECE AO CARF COMPETÊNCIA PARA PRONUNCIAR-SE SOBRE RFFP. O AGENTE LANÇADOR DESCREVEU NO RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS AS PARCELAS QUE CONSIDEROU PARA FINS DA BASE DE CÁLCULO.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio Oliveira Barbosa -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente VISTEON AMAZONAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 01/12/2006 RECOLHIMENTOS EFETUADOS APÓS O LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIADE DE APROPRIAÇÃO NO CONTENCIOSO. SITUAÇÃO A SER VERIFICADA JUNTO À AUTORIDADE FISCAL DA DRF ORIGEM. FALECE AO CARF COMPETÊNCIA PARA PRONUNCIARSE SOBRE RFFP. O AGENTE LANÇADOR DESCREVEU NO RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS AS PARCELAS QUE CONSIDEROU PARA FINS DA BASE DE CÁLCULO. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio Oliveira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 10 41 /2 00 8- 11 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10283.001041/200811 Acórdão n.º 2202003.229 S2C2T2 Fl. 119 2 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10283.001041/200811 Acórdão n.º 2202003.229 S2C2T2 Fl. 120 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.098.0220, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da retribuição/honorários/rendimentos pagos, devidos ou creditados aos trabalhadores da categoria de contribuintes individuais parte patronal e parte descontada do trabalhador, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 61 a 67, com período de apuração de 01/2000 a 11/2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 51. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 23/01/2008, conforme AR, de fls. 77. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 85 a 95, recebida, em 20/02/2008, acompanhada dos documentos, de fls. 97 a 465. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 473. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0112.667 5ª, Turma da DRJ/BEL, em 05/12/2008, fls. 523 a 535. O lançamento foi considerado procedente em parte, tendo este sido retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 537 a 549. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 01/03/2010, conforme AR, de fls. 553. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 555 a 557, recebida, em 17/03/2010, com razões recursais acostadas, as fls. 559 a 565, acompanhado do envelope de remessa, de fls. 567 e 568, postado, em 10/03/2010. As razões recursais estão a seguir sumariadas. Mérito. · que o débito é insubsistente, pois a recorrente pagou as contribuições que estão sendo exigidas no lançamento, conforme documentos que anexa, devendo o lançamento ser anulado; · que a RFFP foi expedida de forma temerária, pois o débito foi constituído de forma absurda; · que os pagamentos efetuados e ignorados pelas fiscalização devem ser considerados, bem como nas competências 01/2004; 02/2005 e 11/2005 a fiscalização apurou base de cálculo equivocada, o que promoveu a majoração do valor da cobrança, cabendo ao menos a retificação do débito; Fl. 578DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10283.001041/200811 Acórdão n.º 2202003.229 S2C2T2 Fl. 121 4 · Dos pedidos e esperanças: a) acolhimento do recurso; b) reconhecimento da insubsistência da autuação. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 569 e 571. O autos foram remetidos ao CARF, fls. 571. O presente PAF foi sorteado e distribuído a esse conselheiro, em 12/02/2015, lote 06, conforme, fls. 574. É o Relatório. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10283.001041/200811 Acórdão n.º 2202003.229 S2C2T2 Fl. 122 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Mérito. A questão do pagamento efetuado depois que o fisco lançou o crédito tributário foi esclarecida pelo órgão julgador de primeiro grau, observese a transcrição. 19. Notase que as cópias das Guias da Previdência social — GPS acostadas às fls. 121 — 140, apresentam data de recolhimento posterior à. lavratura e ciência da NFLD, ou seja, em 13/02/2008. A esse respeito, assim dispõe o Regulamento da Previdência Social: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (...). §7º A liquidação de crédito incluído em notificação deve ser feita em moeda corrente, mediante documento próprio emitido exclusivamente pelo Instituto Nacional do Seguro Social. (grifos não originais) Qualquer providência do contribuinte depois de iniciada a atividade fiscal e em especial depois de promovido o lançamento, não implica em denúncia espontânea, artigo 138, da Lei 5.172/66. O CARF não é competente para se pronunciar sobre RFFP, nos termos da Súmula nº 28, abaixo colacionada. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10283.001041/200811 Acórdão n.º 2202003.229 S2C2T2 Fl. 123 6 Todos os pagamentos efetuados antes do lançamento foram considerados pela fiscalização ou aproveitados pela instância julgadora a quo, basta ver as passagens da decisão, que dos autos se extrai. 21. Quanto às cópias das GPS juntadas às fls. 141146, relativas as competências 12/2005 a 11/2006, notase que as mesmas foram recolhidas antes do inicio da ação fiscal, assertiva corroborada por extrato da Consulta Recolhimentos por Código de Pagamento de fls. 162174. 22. Do confronto entre o "Demonstrativo de Contribuintes Individuais, Pessoas Físicas Não Informadas em GFIP", às fls. 35, o Relatório de Lançamentos RL, as fls. 1820, e as GPS apresentadas e recolhidas antes do inicio da ação fiscal, As fls. 141 — 146, notase que as guias fazem referência inequívoca ao segurado Flávio César, identificado pela auditoria fiscal no RL e no referido demonstrativo. Portanto, tais GPS que não foram consideradas pela fiscalização devem ser apropriadas nas competências 12/2005 a 11/2006, em atendimento ao Principio da Verdade Material, tendose como prioridade para apropriação a rubrica 1F Contrib indiv (Contribuição de Contribuinte Individual) e, posteriormente, a rubrica C.ind/adm/Aut (Contribuição da Empresa), mesmo não tendo sido informados nas GFIP apresentadas os valores pagos aos contribuintes individuais a serviço da empresa, o que pode ser comprovado ao exame da Consulta Bases de Cálculo por Situação/FPA, as fls.162174. Assim, o pleito da recorrente foi atendido na decisão de primeiro grau. No que tange, a alegação de que nas competências 01/2004; 02/2005 e 11/2005 estão com a bases de cálculo majoradas não há como acatar tal assertiva, o agente fiscal lançador, assim registrou no Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 31 a 41. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10283.001041/200811 Acórdão n.º 2202003.229 S2C2T2 Fl. 124 7 No REFISC o agente lançador deixou claro que o lançamento tem lastro em recibos de autônomos, notas fiscais e nos lançamentos contábeis, tendo, ainda, elaborado a planilha, de fls.34 e 35, onde lista os valores a serem tributados, assim sendo a juntada de apenas uma das notas pelo contribuinte em sua impugnação não é o suficiente para desqualificar o levantamento efetuado pelo agente lançador, pois a ausência da juntada de uma das notas, não leva a correlata comprovação da inexistência da outra, uma vez que o lançamento, também, está lastreado na análise e observação do livro razão 01/2000 a 11/2006, conforme abaixo consta. 5. Para apuração do crédito, cujos lançamentos que compõem o levantamento SPR SERVIÇO PREST.SEM GFIP , foram examinados o livro razão até 01/2000 a 11/2006, Notas Fiscais Avulsas e Recibos de Profissionais Autônomo. Destarte a argumentação não procede. Postos os argumentos acima declinados não há motivos para atender aos pedidos da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721824/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2008
MULTA ISOLADA. IRRF. A multa pela não retenção de imposto de renda na fonte decorre do art. 9 da Lei 10426/2002, ainda vigente no sistema jurídico brasileiro. Refere-se a uma obrigação acessória transformada em principal, tendo em vista que o contribuinte não efetuou a retenção e nem o recolhimento da parcela do imposto de renda relativo aos valores pagos a terceiros.
IRRF. MULTA E JUROS ISOLADOS. PROCESSO REFLEXO. Tendo em vista o art. 6 da Portaria 343/2015 e, pelo princípio da economia processual, a decisão definitiva relativa ao processo principal que também originou o lançamento de IRRF deve ser considerada no processo vinculado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, em afastar as preliminares e dar-lhe parcial provimento para exonerar deste lançamento tributário, se for o caso, os valores reflexos respectivos já exonerados no processo principal conexo que originou esta autuação (13896.721090/2011-41), conforme a seguir: a) excluir das exigências fiscais a verba intitulada de Propriedade Intelectual, inclusive do AIOA 68 n° 37.316.2235; e b) desqualificar a multa para todos os levantamentos, exceto para os decorrentes da caracterização do vínculo de emprego. Vencidos na votação os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Rayd Santana Ferreira. O Conselheiro Cleberson Alex Friess aquiesceu com a decisão proferida no processo principal.
Maria Cleci Coti Martins
Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2008 MULTA ISOLADA. IRRF. A multa pela não retenção de imposto de renda na fonte decorre do art. 9 da Lei 10426/2002, ainda vigente no sistema jurídico brasileiro. Referese a uma obrigação acessória transformada em principal, tendo em vista que o contribuinte não efetuou a retenção e nem o recolhimento da parcela do imposto de renda relativo aos valores pagos a terceiros. IRRF. MULTA E JUROS ISOLADOS. PROCESSO REFLEXO. Tendo em vista o art. 6 da Portaria 343/2015 e, pelo princípio da economia processual, a decisão definitiva relativa ao processo principal que também originou o lançamento de IRRF deve ser considerada no processo vinculado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 18 24 /2 01 1- 92 Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, em afastar as preliminares e darlhe parcial provimento para exonerar deste lançamento tributário, se for o caso, os valores reflexos respectivos já exonerados no processo principal conexo que originou esta autuação (13896.721090/201141), conforme a seguir: a) excluir das exigências fiscais a verba intitulada de Propriedade Intelectual, inclusive do AIOA 68 n° 37.316.2235; e b) desqualificar a multa para todos os levantamentos, exceto para os decorrentes da caracterização do vínculo de emprego. Vencidos na votação os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Rayd Santana Ferreira. O Conselheiro Cleberson Alex Friess aquiesceu com a decisão proferida no processo principal. Maria Cleci Coti Martins Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13896.721824/201192 Acórdão n.º 2401004.326 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário que visa reverter a decisão no Acórdão 0540.769 1ª Turma da DRJ/CPS, que considerou improcedente a impugnação do contribuinte para o crédito tributário objeto deste processo. O crédito tributário referese a multas e juros isolados pelo não recolhimento de IRRF em decorrência do processo relativo á contribuições previdenciárias n. 13896.721090/201141. Observo que o contribuinte desistiu dos recursos relativos aos seguintes lançamentos do processo principal (ver efl.2968): O recurso foi interposto em 13/08/2013 e a ciência eletrônica à decisão recorrida deuse em 16/07/2013. O acórdão recorrido está assim ementado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO. PROVAS. VINCULAÇÃO A OUTRO PROCESSO. AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. É perfeitamente válida a utilização de provas produzidas em outros processos administrativos, desde que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer, mormente quando o outro processo foi formalizado pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil. Por outro lado, apesar do conjunto probatório ser comum, não há que se falar em vinculação entre os lançamentos, uma vez que os fatos jurídicos que dão fundamento às exigências, bem como a legislação aplicável, são totalmente distintos, o que não impede a adoção das mesmas razões de decidir já exaradas em acórdão anterior, relativamente a aspectos em que se verifica identidade de matéria e de argumentos de defesa, observandose os diferentes efeitos no resultado do julgamento decorrentes da diversidade de Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 cada exigência formulada e da correspondente legislação de regência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Verificada a condição de segurado empregado em relação a titular de firma individual ou sócio de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, os pagamentos a eles efetuados deveriam ter sofrido a retenção de imposto de renda na fonte prevista em lei. LANÇAMENTO. PERSONALIDADE JURÍDICA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. RECONHECIMENTO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO. A desconsideração da personalidade jurídica se constitui fenômeno decorrente de pronunciamento judicial, tendo cabimento em situações específicas, não adequadas ao ato administrativo de lançamento. Não configura desconsideração da personalidade jurídica o afastamento que se faz em relação ao contrato civil de prestação de serviços, reconhecendose a condição de empregado. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. PAGAMENTOS A EMPREGADOS SOB A FORMA DE PESSOA JURÍDICA. PAGAMENTOS A EMPREGADOS SOB RUBRICAS DIVERSAS DE QUOTA UTILIDADE. O fato gerador do imposto de renda é o acréscimo patrimonial, decorrente da aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de quaisquer proventos, não importando se tais proventos decorrem do capital, do trabalho, da combinação de ambos, ou de outras fontes. A tributação do imposto de renda obedece ao princípio da generalidade, sendo indiferente a nomenclatura utilizada para o benefício recebido pelo empregado/dirigente ou beneficiário. O que se tributa é a remuneração ou qualquer forma de vantagem ou rendimento, independentemente de sua denominação, origem ou do título em que é recebido. PAGAMENTOS A EMPREGADOS. QUOTA UTILIDADE. Integram a remuneração dos beneficiários os montantes pagos a título de cota utilidade, tais como vale supermercado, diárias de viagens e reembolso quilometragem, propriedade intelectual, ajuda educação, notadamente quando tais valores prestamse a disfarçar parcela de remuneração e a fonte pagadora não comprova documentalmente a sua natureza indenizatória. MULTA ISOLADA. JUROS DE MORA ISOLADOS. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. Constatada a falta de retenção do IRRF, que tiver a natureza de antecipação, depois da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, são exigidas da fonte pagadora a multa de ofício Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13896.721824/201192 Acórdão n.º 2401004.326 S2C4T1 Fl. 4 5 e os juros de mora isolados, estes calculados desde a data prevista para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual. DUPLICAÇÃO DA PENALIDADE. FRAUDE. Evidenciadas pela fiscalização circunstâncias que denotam intuito de fraude, mantémse a multa no percentual aplicado de 150%. O recorrente aduz as seguintes razões. O auto de infração combatido referese a IRRF em decorrência de pagamentos efetuados às pessoas jurídicas que supostamente seriam empregados da empresa e, de cota utilidade aos seus empregados (auxílio educação, vale supermercado, propriedade intelectual, diárias de viagem e reembolso de quilometragem). A autoridade fiscal também entendeu pela qualificação da multa de ofício em decorrência de dolo. A autuação deste processo administrativo fiscal é decorrência dos autos de infração n. 37.316.2243, 37.316.221 9, 37.316.2227 e 37.316.2235, relativo a contribuições sociais e folhas de salários supostamente incidentes sobre os valores pagos pelo recorrente às pessoas jurídicas que lhe prestaram serviços, bem como sobre o pagamento da "cota utilidade" aos seus empregados. A base das conclusões deduzidas nos autos de infração previdenciários é a do lançamento neste processo. A autoridade fiscal teria usado como subsídios adicionais para o lançamento, o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) n. 40 de 25/06/2008, no qual a recorrente teria afirmado que duzentas pessoas físicas prestariam serviços ao recorrente por intermédio de pessoa jurídica; e também acordos homologados pelo poder judiciário relativos a reclamações trabalhistas promovidas pelo sr. Carlos Alberto Torres e sra. Louise Bonfá nos quais não há o reconhecimento de qualquer vínculo empregatício. Em suma, alega que o entendimento da fiscalização sobre os fatos não corresponde a realidade, e está incorreto. Já na impugnação alegou que o auto de infração é nulo, ilegal e arbitrário. Preliminarmente alega: 1. Vício de motivação. As razões apontadas no acórdão recorrido são as mesmas do processo administrativo 13896.721090/201141, com trechos transcritos integralmente (págs. 22 a 34). Assim, a autoridade julgadora deixou de analisar as alegações deduzidas e também os documentos que instruíram a defesa. Entende que tal conduta violaria o princípio da motivação (art. 2 e 50 da Lei 9.784/99) 2. Inexistência de confissão. Não foram analisadas as provas documentais e as alegações do impugnante, com cerceamento do direito de defesa, causando a nulidade da decisão recorrida. Afirma que o declarante considerado como confesso, não teria nenhum poder para confessar alguma coisa em nome do recorrente, conforme a procuração pública outorgada ao sr. Nilton César Vieira em 18/11/2010. A autoridade fiscal teria adotado uma linha viesada de entendimento dos fatos. Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 3. A autoridade fiscal não conseguiu demonstrar e comprovar a existência concomitante dos 3(três) requisitos básicos para a configuração da relação de emprego (subordinação, habitualidade e pessoalidade). 4. Mesmo que se tivesse demonstrado a relação de emprego entre a recorrente e os prestadores de serviço, entende que são serviços de natureza intelectual e poderiam ser prestados por meio da pessoa jurídica, conforme permite o artigo 129 da lei 11.196/05. Tal questionamento não foi analisado pelo acórdão recorrido. 5. Afirma que o TAC não produz quaisquer efeitos tributários e foi firmado por estratégia de gestão de risco da recorrente. Entretanto, fora usado pela autoridade fiscal como confissão da alegada relação jurídicotributária decorrente das relações de emprego supostamente reconhecidas no TAC. 6. Não ficou demonstrado quem seriam os superiores hierárquicos de Rafael Giaccobbe, Daniel Machado Campos Neto e Bruno Oliveira dos Santos. A autoridade fiscal afirmou que essas pessoas teriam poder de direção e não demonstrou a alegada subordinação, requisito essencial para a configuração da relação de emprego. 7. As duas reclamações trabalhistas relatadas no relatório fiscal não têm o condão de comprovar a existência de relação de trabalho entre a recorrente e os prestadores de serviço, porque nos acordos celebrados não constariam o reconhecimento do vínculo empregatício e nem determinação para anotação nas Carteiras de Trabalho e Previdência Social dos reclamantes. 8. A reclamação trabalhista 0008500102005.5.01.0040, ajuizada por Carlos Alberto de Souza Torres perante a 40a. Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, mencionada no Relatório Fiscal, foi ajuizada em 04/02/2005 e objetivou o reconhecimento da suposta relação jurídica ocorrida no período de 07/02/2000 até 01/11/2004, período anterior ao autuado e não se presta a verificar prática da recorrente durante o ano 2008. 9. A reclamação trabalhista n. 007682008202007, ajuizada por Louise Bonfá, em 27/03/2008, não se refere ao período autuado e na decisão não foi reconhecido qualquer vínculo trabalhista. Os valores discriminados no Termo de Conciliação referemse a danos morais, contrariamente ao que fora afirmado pela fiscalização à fls. 7 do Relatório Fiscal. 10. Juntou aos autos cópias da reclamação trabalhista 0032900841010 5020202 que tramitou perante a 2a. Vara da Justiça do Trabalho de Barueri, na qual foram julgados improcedentes os pedidos deduzidos pelo reclamante Marcelo Telles Rodrigues Bussata. Transcreve partes da decisão no recurso. Os documentos anexados contra argumentariam os que foram anexados pela autoridade fiscal, mas entende que não foram contemplados no acórdão guerreado. 11.Teria juntado aos autos depoimento pessoal do sr. Danilo José Bassornia, que também não foi considerado na decisão a quo. 12. Relaciona exemplos de situações em que houve lançamento, que entende não há motivos para tal. Exemplos: Age Company Assessor, Aleijos Consultoria, Anteu Assessoria, Antena Assessoria, Aval Informática, B&B Management Inter, Bego Informática, Corsystem Comércio, DMC Intermediação, etc. Colaciona decisão deste Conselho aonde a "ausência de análise de argumentos e documentos trazidos aos autos por meio de interposição de peça inpugnatória implica nulidade da decisão exarada." Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13896.721824/201192 Acórdão n.º 2401004.326 S2C4T1 Fl. 5 7 13. A fiscalização e a decisão a quo impõem obstáculos à livre iniciativa das prestadoras de serviços que só poderiam ser previstos em lei. A atividade econômica do recorrente é exercida sem qualquer violação aos direitos trabalhistas. Alega que é impossível se conceber o reconhecimento de relação empregatícia entre os prestadores de serviços e a recorrente sem se considerar inexistente a sociedade constituída para a prestação de serviços. Em existindo a empresa, a tributação deve ser feita pelo regime das pessoas jurídicas. A aplicação do TAC na esfera tributária não só desconsidera a personalidade jurídica dos prestadores de serviço, como também a desconstitui, o que não pode ocorrer. Cita exposição de motivos para a lei 11.196/05 e também doutrina sobre o assunto. II. Ausência de fundamentação legal para desconsiderar a personalidade jurídica das pessoas jurídicas prestadoras de serviços à recorrente. Violação à legalidade, ampla defesa, contraditório e devido processo legal. Questiona a competência da fiscalização para analisar provas e afirma que a atuação foi celebrada por amostragem. O acórdão recorrido não analisou as provas documentais que instruíram a defesa apresentada pelo recorrente, que demonstrariam a insubsistência das presunções utilizadas pela fiscalização. Discorda que os valores pagos a pessoas jurídicas seriam mensalmente iguais. cita exemplos (Age Company Assessor, Alejo Consultoria, e outras) Por não terem sido analisados documentos e argumentações da impugnação, entende que houve preterimento do direito de ampla defesa, o que, conforme o Dec. 70235/72, tornaria a decisão nula. III. Do mérito. Da nulidade da autuação por falta de busca da verdade material. Ilegalidade da presunção. As duas reclamações trabalhistas utilizadas como parâmetro não são representativas, porque não se referiam ao período autuado e ao final, não houve o reconhecimento de vínculo de emprego. Com base nessas duas situações, a autoridade fiscal presumiu que outras 130 pessoas físicas prestariam serviços a recorrente sob a forma de pessoa jurídica. Desta forma, entende o recorrente que o AI é nulo por vício de motivação do ato administrativo. Cita julgado deste Conselho(Acórdão n. 240100.210). Mais ainda, a recorrente contratava prestadores de serviços que recebiam remuneração específica para cada projeto contratado junto ao cliente da recorrente. Assim, não havia qualquer remuneração fixa e não havia habitualidade porque o contrato se encerrava no mesmo prazo em que se encerrava o projeto. A natureza da atividade empresarial exige que a recorrente contrate prestadores de serviços para projetos específicos e isso nada se assemelha a uma relação de emprego. Como exemplo, cita a "consultoria na implementação do modelo de software CNMI nível 2 à contratante..". A autoridade fiscal não se valeu de todos os elementos de prova apresentados, pois utilizouse do procedimento por amostragem, sem qualquer fundamentação legal e, em assim agindo, teria ferido o princípio da verdade material. Reforça que nunca existiu vínculo empregatício entre a recorrente e as pessoas jurídicas contratadas, tendo em vista a não ocorrência dos requisitos exigidos para tal: Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 subordinação, onerosidade, continuidade, habitualidade e pessoalidade. Não foi demonstrada a existência de subordinação, nem mesmo em relação aos 3 (três) casos analisados individualmente. A argumentação relativa às notas fiscais em número sequencial teria indicado, conforme a autoridade fiscal, dependência econômica com a recorrente. Entende que essa é uma avaliação subjetiva não corroborada por lei ou outro instrumento normativo que leve ao entendimento de que os sócios das empresas seriam empregados da contratante. Entende que, mesmo assim, nada impede que uma sociedade tenha apenas um cliente. A padronização contratual não é apta, em qualquer situação, a evidenciar relação de emprego e muito menos suposto tratamento idêntico às prestadoras de serviços. Os contratos podem ser idênticos, mas somente em relação à sua forma, contendo, cada qual, seus próprios prazos, objeto, limites e condições à prestação de serviços e, também seus próprios valores. Cita parecer administrativo do MPAS. Entende que a habitualidade é inerente à espécie de serviço para o qual foram contratadas as pessoas jurídicas. Tal característica pode ser verificada em outros tipos de contratos, havendo inclusive previsão legal (art. 598 do Código Civil), limitando o tempo de duração desse tipo de contrato. A continuidade dos serviços é um elemento que pode ser encontrado em outras relações jurídicas e comerciais. Relativamente à pessoalidade, o relatório fiscal não aduziu qualquer palavra acerca da existência ou não da pessoalidade nas relações jurídicas ora tributadas. Não mencionou nada a respeito dos casos individualmente analisados. Tal fato também não foi analisado pelo julgador a quo. Argumenta que para a comprovação do vínculo, deveria ter ficado demonstrado a caracterização concomitante dos quatro requisitos impostos pela lei: habitualidade, continuidade, onerosidade e subordinação. Cita jurisprudência deste Conselho. A autoridade fiscal invadiu a competência da Justiça do Trabalho a quem compete processar e julgar todos os casos oriundos das relações de trabalho (art. 114 da CF/88). Mais ainda, conforme o art. 50 do Código Civil, somente no âmbito judicial é possível desconsiderar a personalidade jurídica de uma empresa tendo em vista as hipóteses de desvio de finalidade ou confusão patrimonial. A possibilidade de tal desconsideração está também contemplada no CTN, contudo inaplicável, pois depende de regulamentação. Observa que o art. 129 da Lei 11.196/05 expressamente determina a aplicação da legislação aplicável às pessoas jurídicas, para fins fiscais, e previdenciários, no que tange à prestação de serviços intelectuais, o que é o caso da reclamada. Assim, o profissional intelectual se assemelha ao profissional liberal. A partir do item 209 do recurso voluntário, o recorrente analisa a situação de algumas empresas, como por exemplo, a D.M. CAMPOS ARQUITETURA E NEGÓICOS, a JK COMÉRCIO E CONSULTORIA DE INFORMÁTICA LTDA., a TIBITEL ENGENHARIA DE TELECOMUNICAÇÕES LTDA., a HTHRON SUPORTE TÉCNICO EM TECNOLOGIA DA INFORMÁTICA, a VLB CONSULTORIA E ASSESSORIA EM TELECOMUNICAÇÕES LTDA., todas empresas cujos sócios são profissionais que exercem profissões regulamentadas (engenheiros, técnicos em informática e telecomunicações, etc.) que prestam serviços de natureza intelectual à recorrente. Repisa o fato de que o art. 129 da Lei Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13896.721824/201192 Acórdão n.º 2401004.326 S2C4T1 Fl. 6 9 11.196/05 é abrangente na medida em que faz referência ao serviço intelectual, que não é privativo das profissões liberais regulamentadas em lei. O art. 647 do RIR/99 prevê a possibilidade de se criar pessoa jurídica para a prestação de serviços que, pela sua natureza são pessoais. Entende que o art. 129 da Lei 11.196/05 apenas reiterou a possibilidade da constituição de sociedade para a prestação de serviços intelectuais. III. 5. Multa isolada Ausência de fundamento legal. Responsabilidade do recorrente até a data da entrega da declaração das pessoas físicas. Considerando que em 2011 o tributo supostamente devido não pode mais ser exigido do recorrente (fonte pagadora), não há previsão legal para sustentar a exigência de multa isolada de 150%. Entende que o dispositivo legal utilizado pela fiscalização para fundamentar a autuação faz referência expressa à multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96 e não ao inciso II, como pretendeu a autoridade julgadora. Cita jurisprudência deste conselho. O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 não prevê a possibilidade de exigência da multa isoladamente, mas apenas permite a exigência da multa conjuntamente com o tributo devido. Entende que não existe na legislação tributária a previsão de exigência de multa de 150% sobre o valor do IRRF ao tempo em que a fonte pagadora não mais é responsável pelo tributo devido. O reajustamento da base de cálculo é uma flagrante ilegalidade sob a alegação de que tais valores foram disponibilizados líquidos aos beneficiários. Contudo, o recorrente nunca assumira o ônus do imposto devido pelo beneficiário e assim não estariam presentes os requisitos exigidos pelo próprio art. 725 do RIR relativamente ao reajuste da base de cálculo. Cita jurisprudência deste Conselho que, conforme o recorrente, especifica que o ônus tributário assumido corresponde ao valor líquido da prestação do serviço, acrescido do valor do IRRF, cujo real contribuinte é o prestador do serviço. Na decisão mencionada, o contribuinte enfatizou com sublinhado a seguinte frase: o rendimento tributável deve corresponder ao valor líquido recebido, acrescido do imposto de renda na fonte comprovadamente recolhido. Argumenta o recorrente que, conforme jurisprudência deste Conselho, a ausência do pagamento do IRRF pelo tomador de serviço significa que não foi assumido o ônus pelo imposto, razão pela qual não cabe o reajustamento da base de cálculo pela autoridade lançadora. Não deveria ser recolhido IRRF sobre verbas indenizatórias, pois o imposto de renda deve incidir sobre renda, ou seja, toda e qualquer espécie de acréscimo patrimonial, entendido este como riqueza nova. Cotas utilidade (ajuda educacional, diárias de viagem, propriedade intelectual, reembolso de quilometragem, vale supermercado) são benefícios concedidos que não representam remuneração. Após a apresentação da impugnação pela recorrente no processo 13896.721090/201141, relativo às contribuições previdenciárias no qual se baseou este AI, foi proferido o acórdão reconhecendo a necessidade de retificação do lançamento na parte relativa às diárias para viagem não representam mais do que 50% dos salários dos empregados que receberam tal valor. Contudo, entendeu aquele acórdão, que a recorrente teria admitido em sua impugnação que a norma relativa às contribuições destinadas ao custeio da seguridade social Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 prevê a necessidade de extensão do auxílio educação a todos os empregados da empresa para que não houvesse sua incidência sobre os valores pagos à título do referido auxílio educação, o que não seria verdade. Assim, entendeu a autoridade julgadora que tais valores, por não serem controlados e pelo fato de que apenas alguns empregados faziam jus ao recebimento, seriam complementações salariais. Assim, estaria violado o princípio da universalidade. Contudo, o recorrente discorda. Não é necessário atender ao princípio da universalidade porque a recorrente não está obrigada a conceder a todos os seus empregados os benefícios de ajuda educacional e vale supermercado. Também não foi observado no lançamento deste processo, a parte em que foi reconhecida a ausência de motivação para cobrança das contribuições sociais sobre diárias de viagem e reembolso de quilometragem. Diárias de viagem e reembolso de quilometragem não devem compor a base de incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, devido à natureza indenizatória dessas parcelas. A lei isenta do imposto as diárias de viagem que não excedam a 50% da remuneração mensal. (art. 28 da lei 8.212/91). Todos os valores relativos às despesas de viagens não superam 50% da remuneração mensal dos empregados. Exemplos: Cristiane Jardim Souza Soares, despesas de viagem: R$ 1.393,18, salário: R$ 6.362,18. Tais pagamentos também não eram habituais, conforme análise na planilha 33/35 do relatório fiscal. Entende que, para qualificar a multa, a autoridade fiscal deveria demonstrar, por meio de provas inequívocas, que foram praticados atos com evidente intuito doloso por parte da recorrente, o que não ocorreu. As presunções não podem ser considerados elementos de prova. Observa que a autoridade fiscal acusou a recorrente de ter praticado a suposta fraude para não pagar contribuições previdenciárias, contudo, a presente autuação se refere a IRRF, e não há a tipificação do dolo para o caso da multa aplicada. Todos os atos praticados pela recorrente foram escriturados e declarados às autoridades fiscais. A autuação, neste caso, viola o princípio da tipicidade cerrada. É o relatório. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13896.721824/201192 Acórdão n.º 2401004.326 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O Recurso foi interposto tempestivamente e atende as condições de admissibilidade. Conforme o art. 6 da Portaria 343/2015 (a seguir transcrito) os processos administrativos fiscais podem estar vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. ... § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. O lançamento no presente processo administrativo é reflexo do processo administrativo fiscal n. 13896.721090/201141, que já possui decisão proferida por este Conselho, conforme ementa a seguir. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 12 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Com fulcro no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela impugnante, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a exigência fiscal, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. VALORES CONCEDIDOS A TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA E/OU CARTÃO VALE SUPERMERCADO. INCIDÊNCIA Com esteio no artigo 28, § 9º, alínea “c”, da Lei nº 8.212/91, c/c a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, as verbas pagas aos segurados empregados a título de auxílio alimentação somente não integrarão a base de cálculo das contribuições previdenciárias quando concedidas in natura, não alcançando, portanto, aquelas fornecidas em pecúnia e/ou cartão. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO INDIRETO. PLANO EDUCACIONAL/AUXÍLIO EDUCAÇÃO. HIPÓTESE DE ISENÇÃO NÃO CONFIGURADA. INOBSERVÂNCIA REQUISITOS LEGAIS. EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS FUNCIONÁRIOS. De conformidade com o artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, os valores concedidos aos funcionários e diretores da empresa a título de Plano Educacional/Auxílio Educação, conquanto que extensivo a sua totalidade, estão fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Tendo a contribuinte pago aludida verba somente a parte de seus segurados empregados e/ou diretores, caracterizase como Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13896.721824/201192 Acórdão n.º 2401004.326 S2C4T1 Fl. 8 13 salário indireto, sujeitandose, assim, à incidência das contribuições previdenciárias. VERBA DENOMINADA PROPRIEDADE INTELECTUAL. AUSÊNCIA MOTIVAÇÃO LANÇAMENTO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Não tendo a autoridade lançadora se desincumbido do ônus de comprovar que a verba intitulada Propriedade Intelectual se reveste da natureza remuneratória, a partir de esclarecimentos solicitados à contribuinte, na forma que exige o artigo 142 do Código Tributário Nacional, impõese reconhecer a improcedência de referida rubrica, em face do vício de motivação. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA AI 68. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada improcedente em parte, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente, quanto à verba denominada Propriedade Intelectual. NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatandose a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, poderá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores e/ou sócios desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU DA MULTA QUALIFICADA PROCEDÊNCIA DA DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. Sendo procedente o lançamento pela prática simulatória de contratação de empresas interpostas, mas com todas as características de vínculo de emprego, comprovada encontrase a conduta fraudulenta que enseja a procedência da aplicação da multa qualificada. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 14 Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. A decisão em segunda instância para o processo principal está como segue: ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do acórdão recorrido e dos lançamentos; e II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial para: a) excluir das exigências fiscais a verba intitulada de Propriedade Intelectual, inclusive do AIOA 68 n° 37.316.2235; e b) desqualificar a multa para todos os levantamentos, exceto para os decorrentes da caracterização do vínculo de emprego. Conforme o art. 6 da Portaria 343/2015, conjugado com o princípio da economia processual, entendo que a decisão definitiva relativa ao processo principal que também originou o lançamento de IRRF deve ser considerada e adotada neste processo vinculado. O recurso voluntário interposto pelo contribuinte, para este processo reflexo, contesta os fatos já analisados no processo principal (13896.721090/201141) e, portanto, não serão reanalisados nesta decisão. Desta forma, farseá aqui apenas a análise dos questionamentos relativos a este processo, isto é, à exigência de multa e juros sobre IRRF devido e não recolhido na fonte, obrigação legal da autuada. A retenção de Imposto de Renda na Fonte não tem outra finalidade senão a de fornecer subsídios ao planejamento da fiscalização tributária. Assim, a multa isolada e juros pelo não recolhimento de IRF definidos no art 9o. da lei 10.426/2002 visam punir as empresas que não prestaram ao fisco informações sobre pagamentos efetuados a terceiros (não identificados, ou sem causa). Observo que o recolhimento de IRF não se caracteriza efetivamente num tributo, pois a empresa deduz do valor a pagar, o montante a recolher ao fisco, e o beneficiário aproveita tal valor no momento da declaração de ajuste anual de Imposto de Renda. Assim, repetindo, a multa e juros isolados visam punir o não cumprimento da obrigação acessória pela empresa, que deixou de informar ao fisco os pagamentos feitos. A falta de informação sobre valores pagos a terceiros dificulta o trabalho do fisco para detectar a sonegação fiscal decorrentes de tais pagamentos. Entendo que é esse objetivo da multa e juros cobrados de forma isolada sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem determinação da causa. Assim, mesmo que o beneficiário tenha sido identificado e tenha declarado os valores recebidos na declaração de ajuste anual, entendo que, ainda assim, deve subsistir a multa isolada e os juros pois a obrigação da empresa pagadora não foi cumprida. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13896.721824/201192 Acórdão n.º 2401004.326 S2C4T1 Fl. 9 15 Acrescento que a multa decorre de lei, portanto dentro do princípio da legalidade cerrada, e entendo que caso não existisse, tornaria o comando legal da obrigatoriedade de retenção de imposto de renda na fonte sem qualquer efetividade. O procedimento fiscal está embasado no art. 9 da Lei 10.426/2002, com redação dada pelo art. 16 da Lei 11.488/2007, a seguir transcrito, ainda vigente no direito brasileiro. Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. O artigo 44 da Lei 9430 foi alterado pelo art. 14 da Lei 11.488/2007, que passou a vigorar com a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O lançamento dos juros isolados tem como fundamento legal o art. 61, parágrafo 3 da Lei 9.430/96. O reajustamento da base de cálculo é uma determinação legal (art. 725 do Decreto 3000/99) cuja inteligência está no fato de que o valor pago ao terceiro é considerado líquido, i.e. já com o desconto do IRRF. Dado o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar as preliminares e para exonerar deste lançamento tributário, os valores reflexos respectivos já exonerados no processo principal conexo que originou esta autuação Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 16 (13896.721090/201141), conforme a seguir: a) excluir das exigências fiscais a verba intitulada de Propriedade Intelectual, inclusive do AIOA 68 n° 37.316.2235; e b) desqualificar a multa para todos os levantamentos, exceto para os decorrentes da caracterização do vínculo de emprego. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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