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Numero do processo: 11686.000079/2008-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.120
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Recorrente SLC ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 79 /2 00 8- 99 Fl. 613DF CARF MF Processo nº 11686.000079/200899 Acórdão n.º 9303005.120 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302002.789, que, no tocante à matéria de interesse, não reconheceu o direito de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes de produtos acabados transportados entre estabelecimentos da mesma empresa. Cientificada, a Fazenda Nacional não apresentou recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Irresignado, o contribuinte interpôs apelo suscitando divergência quanto ao direito à tomada dos créditos em foco, argumentando, em resumo, que: · O objeto do presente recurso especial diz respeito ao direito de apuração de créditos de PIS e de Cofins, atinentes aos fretes de transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos; · É pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz, estando sujeita ao recolhimento de tributos, dentre as quais se destacam o PIS e a Cofins na sistemática não cumulativa; · As despesas ora em discussão são desdobramentos do frete de venda; · Para o regular desempenho de sua atividade, transfere os seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade, com o intuito de se obter melhores resultados, visto que devido às exigências do mercado, em não havendo estes centros, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, visto que seus grandes clientes, adquirentes de seus produtos, situamse, em sua grande maioria, na Região Sudeste e necessitam do produto à pronta entrega quase que diariamente; Fl. 614DF CARF MF Processo nº 11686.000079/200899 Acórdão n.º 9303005.120 CSRFT3 Fl. 4 3 · Tendo em vista que a maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos, os fretes são realizados por transporte ferroviário, como desdobramentos do frete de venda – o que demora 15 dias; · Para conseguir atender a sua demanda de pedidos, remete grandes quantidades por trem que, devido à demora no trânsito das mercadorias, quando chegam ao destino já estão vendidos; · A mercadoria, em muitos casos, já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. Em Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, contemplando, entre outros argumentos, que não é todo frete que pode ser considerado para fins de crédito da contribuição para fins de diminuição do débito ou ressarcimento. E que o entendimento administrativo somente permite o frete quando é feito diretamente para a venda do bem ou produto. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 11686.000079/200899 Acórdão n.º 9303005.120 CSRFT3 Fl. 5 4 Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Fl. 616DF CARF MF Processo nº 11686.000079/200899 Acórdão n.º 9303005.120 CSRFT3 Fl. 6 5 Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou Fl. 617DF CARF MF Processo nº 11686.000079/200899 Acórdão n.º 9303005.120 CSRFT3 Fl. 7 6 entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11686.000079/200899 Acórdão n.º 9303005.120 CSRFT3 Fl. 8 7 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 619DF CARF MF Processo nº 11686.000079/200899 Acórdão n.º 9303005.120 CSRFT3 Fl. 9 8 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11686.000079/200899 Acórdão n.º 9303005.120 CSRFT3 Fl. 10 9 b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 621DF CARF MF Processo nº 11686.000079/200899 Acórdão n.º 9303005.120 CSRFT3 Fl. 11 10 · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a Fl. 622DF CARF MF Processo nº 11686.000079/200899 Acórdão n.º 9303005.120 CSRFT3 Fl. 12 11 atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 11686.000079/200899 Acórdão n.º 9303005.120 CSRFT3 Fl. 13 12 Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: · Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: · A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; · A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11686.000079/200899 Acórdão n.º 9303005.120 CSRFT3 Fl. 14 13 dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 625DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009781/2010-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício:2005, 2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 97 81 /2 01 0- 75 Fl. 323DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2301002.791, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do Contribuinte, por descumprimento de obrigação principal, DEBCAD de nº 37.277.4890, no valor de R$ 100.224,53 (cem mil, duzentos e vinte quatro reais e cinquenta e três centavos), em virtude de ter deixado a Recorrente de incluir nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP a totalidade dos segurados a seu serviço, dos fatos geradores de contribuições previdenciárias decorrentes e das contribuições retidas relativas a tais segurados. Conforme Relatório Fiscal, às fls. 5 e seguintes, também tiveram alguns lançamentos na conta “Locação de Veículos” e outros fatos geradores aqui não relacionados não oferecidos à tributação nem contabilizados em títulos próprios. Tal multa corresponde aos períodos em que a fiscalização verificou ser mais favorável a aplicação da penalidade anterior ao advento da MP 449/2008 e da Lei nº 11.941/2009, enquanto que as demais competências tiveram a penalidade aplicada conjuntamente com o débito principal, nos moldes da legislação atual, no percentual de 75% sobre o valor do débito. O Contribuinte apresentou impugnação às fls. 254 e seguintes. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília emitiu a Decisão, fls. 323/330, mantendo em parte a autuação. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 279 e seguintes, alegando, em síntese, equívoco na aplicação da multa anterior, devendo ter aplicado a atual por se mais benéfica. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 289/294, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para que seja aplicada a multa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se esta lhe for mais benéfica para todas as competências do presente lançamento.. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/2005 a 12/2008 Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10120.009781/201075 Acórdão n.º 9202005.393 CSRFT2 Fl. 10 3 MULTA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. REVOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A revogação de dispositivo que serve de fundamento legal ao auto de infração não torna este nulo (tempus regit actum), mas tão somente permite a aplicação retroativa da norma mais benéfica ao contribuinte, se o ato não foi definitivamente julgado, uma vez existente autorização expressa do art. 106, II, “c” do CTN. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória. Às fls. 296/304, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à regra aplicável à multa mais benéfica ao contribuinte. A Turma prolatora do acórdão paradigma entendeu que, para efeito da apuração da multa mais benéfica ao contribuinte, em hipóteses tais como a dos autos, em que houve lançamento da obrigação principal bem como lançamento da obrigação acessória, devese efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga, somando as multas das obrigações principal e acessória (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa atual, prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%), em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/10/2010. Já o Colegiado a quo entendeu que, para alcance da multa mais benéfica ao sujeito passivo, devese comparar a multa prevista na redação antiga do art. 35 da Lei nº 8.212 com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, introduzido pela MP nº 449/2008. Em suma, o Colegiado a quo entendeu ser desnecessária a soma do valor da multa da obrigação principal com a multa da obrigação acessória para efeitos de comparação com o que dispõe o art. 35A da lei nº 8.212/91. Às fls. 307/309, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre o cálculo da multa. Fl. 325DF CARF MF 4 Foi dada ciência, ao Contribuinte, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização dos documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 11/10/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 26/10/2013. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do Contribuinte, por descumprimento de obrigação principal, DEBCAD de nº 37.277.4890, no valor de R$ 100.224,53 (cem mil, duzentos e vinte quatro reais e cinquenta e três centavos), em virtude de ter deixado a Recorrente de incluir nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP a totalidade dos segurados a seu serviço, dos fatos geradores de contribuições previdenciárias decorrentes e das contribuições retidas relativas a tais segurados. Conforme Relatório Fiscal, às fls. 5 e seguintes, também tiveram alguns lançamentos na conta “Locação de Veículos” e outros fatos geradores aqui não relacionados não oferecidos à tributação nem contabilizados em títulos próprios. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a retroatividade benigna. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10120.009781/201075 Acórdão n.º 9202005.393 CSRFT2 Fl. 11 5 aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Fl. 327DF CARF MF 6 Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10120.009781/201075 Acórdão n.º 9202005.393 CSRFT2 Fl. 12 7 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 329DF CARF MF 8 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10120.009781/201075 Acórdão n.º 9202005.393 CSRFT2 Fl. 13 9 Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei Fl. 331DF CARF MF 10 nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10120.009781/201075 Acórdão n.º 9202005.393 CSRFT2 Fl. 14 11 Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900936/2008-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
COFINS. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004, não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração da COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus.
Numero da decisão: 9303-003.935
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Érika Costa Camargos Autran (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004, não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração da COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Érika Costa Camargos Autran (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 36 /2 00 8- 73 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10882.900936/200873 Acórdão n.º 9303003.935 CSRFT3 Fl. 210 2 (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que por voto de qualidade negou provimento, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado" Trata se de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. O crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. A divergência suscitada pelo sujeito passivo diz respeito à isenção do PIS/Cofins sobre mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, garantidas, no seu Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10882.900936/200873 Acórdão n.º 9303003.935 CSRFT3 Fl. 211 3 entendimento, por força da aplicação conjugada do art. 4º do DL n.º 288/67 com o art. 40 do ADCT. Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Então, no caso presente do recurso especial, concentrase no mérito da questão (direito ao creditamento na entrada de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus). O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida. Contrarrazões foram apresentadas. É o relatório, em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Inicialmente cabe mencionar que o recurso especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e, a meu ver, encontramse reunidos os pressupostos de admissibilidade. A Constituição da República de 1988 mantém a Zona Franca de Manaus como consectário de um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: o de corrigir as desigualdades regionais (art. 3º, III, da CF), tendo em vista o distanciamento geográfico da área, o que dificultava demasiadamente o seu desenvolvimento econômico. Apenas para relembrar, o artigo 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, preceitua: Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10882.900936/200873 Acórdão n.º 9303003.935 CSRFT3 Fl. 212 4 “Art. 40 É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área de livre comércio, de exportações e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus”. O prazo acima foi postergado em mais dez anos pelo incluso art. 92 do mesmo ADCT: “Art. 92. São acrescidos dez anos ao prazo fixado no art. 40 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.” Em face disso, ganhou relevância o disposto no art. 4º, do DecretoLei n.º 288/67, norma que foi recepcionada na ordem constitucional em vigor, e que estatui: "A exportação de mercadorias de origem nacional para o consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será, para todos os efeitos fiscais constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro". Extraise da leitura do texto legal que os benefícios concedidos às mercadorias exportadas para o estrangeiro, devem ser igualmente deferidos às mercadorias exportadas para a Zona Franca de Manaus, o que abrange,inclusive, as isenções do “PIS” e da “COFINS”. A isenção do PIS e da COFINS que favorecia os produtos destinados à exportação foi conferida, originariamente, pela Lei n.º 7714/88 (art. 5º) e pela Lei Complementar n.º 70/91 (art. 7º), respectivamente. Entendo que se o ordenamento jurídico positivo equipara as vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus, às vendas para o exterior, parece óbvio que a isenção conferida às remessas de mercadorias para outros países, devam, por igual, beneficiar Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10882.900936/200873 Acórdão n.º 9303003.935 CSRFT3 Fl. 213 5 as vendas de produtos nacionais para os limites geográficos da Zona Franca de Manaus, atendendo de modo pleno ao interesse do Constituinte em manter os incentivos fiscais àquela importantíssima Região do País. Em que pese o fato de a equivalência estabelecida entre a exportação para o exterior e a venda de produtos para a Zona Franca de Manaus haver sido estabelecida em um DecretoLei, norma que fora editada antes do advento da Carta Política de 1988, penso que a referida equivalência foi recepcionada pela nova ordem constitucional, em face do que se acha disposto no art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, donde se infere, pois, que se encontra em pleno vigor. Contudo dita benesse veio a ser revogada quanto à COFINS, com o advento do Decreto n.º 1030/93, e, quanto ao PIS, com o advento da Medida Provisória n.º 622/94. Essas normas foram sucessivamente reeditadas e/ou ratificadas e culminaram com a edição da Medida Provisória n.º 1858/99 e, posteriormente, da Medida Provisória n.º 2037/19. A matéria foi amplamente discutida na Ação Direta de Inconstitucionalidade n.º 2.3489DF, que suspendeu, por decisão liminar, a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I, do § 2º, do art. 14, da MP n.º 2.03724, de 23.11.2000, o que resultou na suspensão da revogação do benefício fiscal. Transcrevo, a propósito, excerto do entendimento subscrito pelo Relator da referida Adin, o em. Ministro Marco Aurélio, que sintetiza toda a questão jurídica relacionada ao presente feito: “Portanto, não é sequer razoável, sob o ângulo constitucional, a vinda à balha de dispositivos, como o do inciso I do § 2º do artigo 14, o do artigo 32 da Medida Provisória nº 2.037/24, que estabelecem justamente o contrário do pretendido com o texto do artigo 40 do Ato das Disposições Transitórias. Defiro a liminar e suspendo, com eficácia ex nunc, o dispositivo atacado, ou seja, o inciso I do §2º do artigo 14 o do artigo 32 da Medida Provisória nº 2.037/24” Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10882.900936/200873 Acórdão n.º 9303003.935 CSRFT3 Fl. 214 6 Posteriormente essa Ação Direta de Inconstitucionalidade foi julgada prejudicada pelo Relator, com prejuízo da medida liminar deferida, porque a petição inicial não foi aditada, após as sucessivas reedições da Medida Provisória n.º 2.0371. Mesmo que a Adin n.º 2.3489DF tenha sido considerada prejudicada, por razões de ordem formal, penso que o raciocínio jurídico resultante da análise liminar da questão constitucional sob enfoque, deve ser prestigiado, para o fim de se reconhecer que a isenção deve ser reconhecida. Assim, com fundamento no artigo 4º do Decreto Lei n.° 288/1967, combinado com a previsão contida nos artigos 40 e 92 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as receitas provenientes de vendas a Zona Franca de Manaus jamais poderiam ser tributadas pela Cofins ou pelo PIS. E o posicionamento aqui defendido pode ser sintetizado pelo entendimento do Ministro Teori Albino Zavascki, quando do julgamento do REsp. 1084.380/RS, em 29.03.09, segundo o qual: “Nos termos do art. 40 do ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comercio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por 25 ano, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a ZAFM destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto Lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na ZFM, ou reexportação pra o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a ZFM são, para efeitos fiscais, Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10882.900936/200873 Acórdão n.º 9303003.935 CSRFT3 Fl. 215 7 exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à ZF. Assim, entendo que a contribuição apurada e recolhida pela recorrente sobre as receitas de vendas mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, constitui indébito tributário passível de restituição/compensação. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Designado Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10882.900936/200873 Acórdão n.º 9303003.935 CSRFT3 Fl. 216 8 qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10882.900936/200873 Acórdão n.º 9303003.935 CSRFT3 Fl. 217 9 Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10882.900936/200873 Acórdão n.º 9303003.935 CSRFT3 Fl. 218 10 acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10882.900936/200873 Acórdão n.º 9303003.935 CSRFT3 Fl. 219 11 Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 219DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.903337/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.978
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.903337/201121 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.978 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 37 /2 01 1- 21 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903337/201121 Acórdão n.º 3302003.978 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.505. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903337/201121 Acórdão n.º 3302003.978 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903337/201121 Acórdão n.º 3302003.978 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903337/201121 Acórdão n.º 3302003.978 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13839.903337/201121 Acórdão n.º 3302003.978 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 95DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.908781/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
INSUMO DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. NÃO COMPROVADA A UTILIZAÇÃO NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO AGROINDUSTRIAL. APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE.
O direito ao crédito presumido agroindustrial, calculado sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação (isenção, alíquota zero ou suspensão), somente é admitido se demonstrado, nos autos, que os referidos produtos foram (i) adquiridos das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) utilizados como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. O não atendimento de qualquer uma das condições, impossibilita a dedução do referido crédito presumido.
QUANTIDADE DE PRODUTO SAÍDA COM SUSPENSÃO MENOR DO QUE A ADQUIRIDA SEM CRÉDITO. ESTORNO PROPORCIONAL DE CRÉDITO SOBRE O VALOR DAS AQUISIÇÕES COM CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de amparo legal e não atender o critério da razoabilidade, não há como ser admitida a glosa de créditos proporcional ao valor das aquisições de produto vendido com suspensão, se a quantidade desse produto adquirido sem crédito (com suspensão) for maior do que quantidade vendida com suspensão. O estorno proporcional de crédito somente é admitido na hipótese de as vendas com suspensão superarem as aquisições do produto com suspensão, o que não ocorreu nos presentes autos.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS (MATÉRIA PRIMA E PRODUTOS EM PRODUÇÃO) ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda.
FRETE PROPORCIONAL ÀS VENDAS COM SUSPENSÃO. GLOSA RELATIVA À OPERAÇÃO DE VENDA RESTABELECIDA. GLOSA DO CRÉDITO CALCULADO SOBRE O FRETE PROPORCIONAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por ser diretamente dependente da manutenção da glosa do crédito calculado sobre o valor proporcional da aquisição do produto com crédito (operação tributada), a improcedência desta implica reconhecimento improcedência também da glosa do crédito calculado sobre o valor do frete proporcional a venda com suspensão também deve cancelada.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
DESPACHO DECISÓRIO E RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do relatório de informação fiscal e do despacho decisório e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para (i) o valor das aquisições de milho com crédito (tributadas) proporcional ao resultado da divisão das quantidades de milho revendidas com suspensão pelas quantidades totais das saídas com tributação e suspensão (Glosa 4.1); (ii) o valor do frete relativo às operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumos (matéria prima ou produto em elaboração) para produção (Glosa 4.2); e (iii) o valor proporcional do frete relativos às aquisições de milho com crédito (tributadas) proporcional ao resultado da divisão das quantidades de milho revendidas com suspensão pelas quantidades totais das saídas com tributação e suspensão (Glosa 4.4). Ausente a Conselheira Lenisa Prado.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INSUMO DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. NÃO COMPROVADA A UTILIZAÇÃO NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO AGROINDUSTRIAL. APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito presumido agroindustrial, calculado sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação (isenção, alíquota zero ou suspensão), somente é admitido se demonstrado, nos autos, que os referidos produtos foram (i) adquiridos das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) utilizados como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. O não atendimento de qualquer uma das condições, impossibilita a dedução do referido crédito presumido. QUANTIDADE DE PRODUTO SAÍDA COM SUSPENSÃO MENOR DO QUE A ADQUIRIDA SEM CRÉDITO. ESTORNO PROPORCIONAL DE CRÉDITO SOBRE O VALOR DAS AQUISIÇÕES COM CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de amparo legal e não atender o critério da razoabilidade, não há como ser admitida a glosa de créditos proporcional ao valor das aquisições de produto vendido com suspensão, se a quantidade desse produto adquirido sem crédito (com suspensão) for maior do que quantidade vendida com suspensão. O estorno proporcional de crédito somente é admitido na hipótese de as vendas com suspensão superarem as aquisições do produto com suspensão, o que não ocorreu nos presentes autos. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS (MATÉRIA PRIMA E PRODUTOS EM PRODUÇÃO) ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. FRETE PROPORCIONAL ÀS VENDAS COM SUSPENSÃO. GLOSA RELATIVA À OPERAÇÃO DE VENDA RESTABELECIDA. GLOSA DO CRÉDITO CALCULADO SOBRE O FRETE PROPORCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. Por ser diretamente dependente da manutenção da glosa do crédito calculado sobre o valor proporcional da aquisição do produto com crédito (operação tributada), a improcedência desta implica reconhecimento improcedência também da glosa do crédito calculado sobre o valor do frete proporcional a venda com suspensão também deve cancelada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DESPACHO DECISÓRIO E RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INSUMO DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. NÃO COMPROVADA A UTILIZAÇÃO NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO AGROINDUSTRIAL. APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito presumido agroindustrial, calculado sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação (isenção, alíquota zero ou suspensão), somente é admitido se demonstrado, nos autos, que os referidos produtos foram (i) adquiridos das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) utilizados como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. O não atendimento de qualquer uma das condições, impossibilita a dedução do referido crédito presumido. QUANTIDADE DE PRODUTO SAÍDA COM SUSPENSÃO MENOR DO QUE A ADQUIRIDA SEM CRÉDITO. ESTORNO PROPORCIONAL DE CRÉDITO SOBRE O VALOR DAS AQUISIÇÕES COM CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de amparo legal e não atender o critério da razoabilidade, não há como ser admitida a glosa de créditos proporcional ao valor das aquisições de produto vendido com suspensão, se a quantidade desse produto adquirido sem crédito (com suspensão) for maior do que quantidade vendida com suspensão. O estorno proporcional de crédito somente é admitido na hipótese de as vendas com suspensão superarem as aquisições do produto com suspensão, o que não ocorreu nos presentes autos. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 87 81 /2 01 1- 16 Fl. 21128DF CARF MF 2 produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS (MATÉRIA PRIMA E PRODUTOS EM PRODUÇÃO) ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. FRETE PROPORCIONAL ÀS VENDAS COM SUSPENSÃO. GLOSA RELATIVA À OPERAÇÃO DE VENDA RESTABELECIDA. GLOSA DO CRÉDITO CALCULADO SOBRE O FRETE PROPORCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. Por ser diretamente dependente da manutenção da glosa do crédito calculado sobre o valor proporcional da aquisição do produto com crédito (operação tributada), a improcedência desta implica reconhecimento improcedência também da glosa do crédito calculado sobre o valor do frete proporcional a venda com suspensão também deve cancelada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DESPACHO DECISÓRIO E RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência. Fl. 21129DF CARF MF Processo nº 13971.908781/201116 Acórdão n.º 3302004.335 S3C3T2 Fl. 20.129 3 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do relatório de informação fiscal e do despacho decisório e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para (i) o valor das aquisições de milho com crédito (tributadas) proporcional ao resultado da divisão das quantidades de milho revendidas com suspensão pelas quantidades totais das saídas com tributação e suspensão (Glosa 4.1); (ii) o valor do frete relativo às operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumos (matéria prima ou produto em elaboração) para produção (Glosa 4.2); e (iii) o valor proporcional do frete relativos às aquisições de milho com crédito (tributadas) proporcional ao resultado da divisão das quantidades de milho revendidas com suspensão pelas quantidades totais das saídas com tributação e suspensão (Glosa 4.4). Ausente a Conselheira Lenisa Prado. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, vinculada à receita de exportação, do 2º trimestre de 2009, no montante de R$ 23.228.276,31, o qual foi utilizado nas compensações dos débitos discriminados nas Declarações de Compensação (DComp) colacionadas aos autos. Por intermédio do Despacho Decisório de fls. 20.629/20.632, foi reconhecido o direito creditório, no valor de R$ 21.513.968,91 e homologada as compensações declaradas até o limite do valor do crédito reconhecido. Segundo o Relatório de Informação Fiscal de fls. 10.066/10.137, a parcela do crédito não reconhecido decorreu das glosas dos créditos relatadas nos seguintes itens e subitens: Glosa 1 – Aquisições de mercadorias com alíquota zero; Glosa 2 – Glosa por falta de estornos de créditos; Glosa 3 Glosa de créditos da CONAB; Glosa 4 Glosa de Fretes; Glosa 4.1 – Fretes sem vinculação com a nota da mercadoria transportada; Glosa 4.2 – Fretes vinculados a aquisições em relação as quais o contribuinte não tomou crédito; Glosa 4.3 – Fretes vinculados a operações com mercadorias adquiridas com FEX; Glosa 4.4 – Fretes vinculados a aquisições com crédito glosado; Glosa 5 Glosa de complementação de valores. Fl. 21130DF CARF MF 4 Em sede de Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou as seguintes razões, que foram resumidas no relatório integrante da decisão de primeiro grau: 5. Em face do Despacho Decisório proferido pela DRF Blumenau, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 09/08/2013, fls. 20.764/20.796, na qual alega em síntese: a “A Impugnante inicialmente ressalta que as glosas referentes ao Item 4.1.1 do Relatório, na Tabela 4 da pág. 14 a 16, da forma como constou do Relatório Fiscal não permitem a ampla defesa e a perfeita compreensão dos valores apontados pelo Sr. AFRFB. Ora, não foi possível abrir o valor por produto na medida que no relatório consta apenas uma lista contendo os itens que foram glosados, sem dispor de valores, e no arquivo que deveria conter todas as NFs listadas a Impugnante encontrou o mesmo problema de identificação para os fretes Glosa 4. O grande problema gira em torno da base de dados que contém as NF glosadas. Por algum motivo, o Sr. AFRFB ao listar os documentos fiscais não informou os documentos, mas sim o número do registro, que conforme confirmado por ele, referese ao registro do nosso LRES enviado no inicio da fiscalização. Dessa forma, a Impugnante entendeu necessário fazer a conversão do arquivo em PDF disponibilizado no processo para o formato excel. O arquivo extraído possui 500.000 linhas em excel, divididos em 10 mil páginas em PDF. De posse do arquivo convertido, para localizar os documentos inerentes a uma glosa, selecionase na coluna correspondente a Glosa (Ex. Glosa GL09) os campos com valores "1". Porém ao invés de ter os documentos fiscais que de fato compõem a glosa, a Impugnante se deparou com a informação do número do registro. Por conseqüência, era necessário procurar por esse registro no LRES em um universo de 9.000.000 de linhas, o que tornou absolutamente impossível o processo de localização e embasamento da defesa. Sendo assim, foram anexados documentos de forma aleatória para subsidiar a defesa, que provam que naqueles documentos há efetivamente direito ao crédito ora glosado.” b O interessado informa que equivocadamente apurou crédito básico sobre algumas notas fiscais relacionadas a aquisições com alíquota zero. Requer a apuração de crédito presumido na aquisição de arroz, trigo e outros itens; c A aquisição de Refinazil teria sido tributada; d A própria fiscalização reconheceu que as aquisições junto a pessoas físicas, superam as vendas efetuadas com suspensão, assim não haveria o que estornar; e O critério da glosa proporcional adotado pelo auditor não tem fundamento legal, mesmo porque as saídas com suspensão são inferiores às aquisições sem crédito. “A única possibilidade de fazêlo seria identificar isoladamente as aquisições e saídas desta glosa para segmentálas”; f Concorda com a glosa efetuada, relativa às aquisições não sujeitas ao pagamento da contribuição; Fl. 21131DF CARF MF Processo nº 13971.908781/201116 Acórdão n.º 3302004.335 S3C3T2 Fl. 20.130 5 g Juntou as notas fiscais não apresentadas relativas às despesas com fretes. As notas fiscais referentes ao 2º trimestre serão acostadas posteriormente; h Ressalta que a fiscalização não indicou as notas fiscais glosadas, fato que cerceou a ampla defesa; i O frete vinculado à transferência do produto acabado, dos insumos ou dos produtos em elaboração, faz parte do processo de venda, assim deve originar direito à apuração de crédito; j As vendas podem ocorrer pelo estabelecimento produtor ou pelos centros de distribuição, o que demonstra que a transferência do produto acabado faz parte do processo de venda. A transferência destes produtos é tributada pelo PIS/COFINS, assim como o faturamento do frete; k Vedar a apuração de crédito neste tipo de operação fere o conceito da não cumulatividade; l parte destes fretes são contratados por filiais dedicadas ao serviço de transporte que contratam o serviço de outros transportadores, fato que caracteriza insumo; m Fretes em remessa para armazém geral. Os fretes são contratados por filiais dedicadas ao serviço de transporte que contratam o serviço de outros transportadores, fato que caracteriza insumo; n Frete em compra de pessoa física para revenda. Não há previsão legal que vede a apuração de crédito incidente sobre frete contratado de pessoa jurídica referente a aquisição de mercadoria para revenda de pessoa física; o A IN nº 379/2003 não poderia extrapolar as disposições legais correspondentes, ao dispor que é vedado à empresa comercial exportadora apurar crédito nas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação; p A glosa efetuada se deve ao fato de que o contribuinte adquiriu mercadoria com a cláusula FOB e pagou pelo frete, com entrega por conta e ordem no estabelecimento portuário. Em muitas ocasiões não é possível enviar todo um lote de exportação de soja de uma única vez. Desde que comprovado que as transferências se referem a vendas já efetuadas pela empresa, é possível o creditamento relativo a estes fretes, segundo diversos julgados administrativos; q A empresa fiscalizada defende a tese de que não se pode vincular o crédito calculado sobre despesas com frete, com o crédito das mercadorias transportadas; r “também neste caso não foi possível à Impugnante ter acesso aos documentos fiscais que compõem a glosa na sua especifidade” (notas fiscais de complementação de valor); Fl. 21132DF CARF MF 6 s “a forma como Sr. AFRFB configurou e formatou os arquivos impossibilitaram a Impugnante de exercer plenamente seu direito de ampla defesa e contraditório, posto que não teve acesso de forma clara ao que estava sendo relacionado como glosa” t A comercialização de produtos agrícolas apresenta características peculiares, entre elas a de se fixar o preço definitivo, após a entrega do produto e da emissão da nota fiscal, assim muitas vezes se faz necessária a emissão de uma nota fiscal complementar; u A fiscalização se equivoca ao afirmar que a tradição da soja seria o momento adequado para o reconhecimento da receita. “Portanto, pouco importante na avaliação deste fato em que momento se deu a complementação de preço ou a tradição da soja em grão, para definir a aquisição, posto que as duas ocorrências significam a efetiva aquisição, a observar a legislação correspondente naquele momento e, conseqüentemente, o regime de competência”; v A legislação de regência não trata desta modalidade de negócio jurídico e não estabeleceu os critérios adotados pela fiscalização para justificar a glosa em comento; w Requer o reconhecimento da nulidade do relatório fiscal e do despacho, por cerceamento ao direito de defesa e a homologação das compensações apresentadas. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 CRÉDITOS GLOSADOS POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa de crédito devida à falta de comprovação, se na fase de impugnação não forem apresentados documentos comprobatórios. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não gera direito à apuração de crédito a compra de produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITO. É vedado à empresa cerealista o aproveitamento de crédito em relação às receitas de vendas com suspensão. FRETE. APURAÇÃO DE CRÉDITO. A despesa com frete na operação de venda gera direito à apuração de crédito, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor e o serviço seja prestado por pessoa jurídica domiciliada no país. A despesa com frete vinculado à operação de aquisição de bens para revenda ou utilizado como insumo, por integrar o custo de aquisição dos bens, origina direito ao cálculo do crédito de COFINS. Fl. 21133DF CARF MF Processo nº 13971.908781/201116 Acórdão n.º 3302004.335 S3C3T2 Fl. 20.131 7 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 8/7/2014, a autuada foi cientificada da referida decisão. Inconformada, em 7/8/2014, apresentou recurso voluntário, em que reafirmou, em preliminar, a nulidade do Relatório Auditoria Fiscal e do Despacho Decisório, por cerceamento do direito de defesa, e no mérito, contestou total ou parcialmente as glosas relativas aos seguintes itens: a) Glosa 1 (AZ) Aquisições com alíquota zero, nos casos em que foram calculados créditos em relação a aquisições de bens tributados na etapa anterior com a alíquota zero; b) Glosa 2 (SUS) Revendas de milho adquirido com suspensão, nos casos em que a contribuinte revendeu com suspensão parte do milho adquirido com tomada de créditos; e c) Glosa 4 Fretes. Em relação aos fretes, a recorrente contestou a glosa relativa apenas aos seguintes subitens: Glosa 4.1 – Fretes sem vinculação com Nota da Mercadoria Transportada; Glosa 4.2 Fretes vinculados a aquisições em relação as quais o contribuinte não tomou crédito, subdividida em: 4.2.1 – Fretes em transferências; Glosa 4.2.2 – Fretes em remessas para armazéns gerais; e Glosa 4.2.3 – Fretes em compras de PF para revenda; Glosa 4.3 – Fretes relativos a bens adquiridos com FEX; Glosa 4.4 – Fretes vinculados a aquisições com crédito glosado, subdividida em: Glosa 4.4.1 Mercadorias sujeitas à alíquota zero; e Glosa 4.4.2 Estornos nas vendas com suspensão. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia remanescente cingese a questões preliminar, atinente a nulidade do Relatório Auditoria Fiscal e do Despacho Decisório, e de mérito, referente a glosa parcial dos créditos da contribuição. 1) DA PRELIMINAR DE NULIDADE No recurso em apreço, a recorrente reiterou a preliminar de nulidade do do Relatório Auditoria Fiscal e do Despacho Decisório, com base no argumento de não conseguira ter acesso amplo às informações contidas nos arquivos digitais, especialmente os dados apresentados no formato “TXT”, que não possibilitava extrair com clareza as informações necessárias para compreender os motivos e os documentos relacionados à glosa dos créditos. Fl. 21134DF CARF MF 8 Previamente, cabe ressaltar que, no âmbito processo administrativo fiscal federal, as hipóteses de nulidade do despacho decisório, extensível ao relatório em embasado, encontramse estabelecidas no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, a saber: (i) incompetência da autoridade julgadora e (ii) preterição do direito de defesa do sujeito passivo. No caso em tela, não se vislumbra nenhuma das situações. O citado despacho decisório foi proferido pelo titular da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) da jurisdição da recorrente, reconhecidamente, a autoridade competente para decidir sobre o pedido de restituição colacionados aos autos, nos termos do art. 302, VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF 203/2012. E no âmbito do processo de ressarcimento/compensação, sabidamente, o direito ao contraditório e à ampla defesa é assegurado na fase litigiosa do procedimento, que tem início com a apresentação da Manifestação de Inconformidade e, em seguida, com a reiteração das razões de defesa suscitada no recurso em apreço. Além disso, ao compulsar o teor dos referidos relatório e decisório, verificou se que ele apresenta adequada motivação/fundamentação fáticojurídica, o que afasta a presença de qualquer vício possa conspurcar a higidez dos referidos documentos. O acesso ao arquivo “Demonstrativo de Glosas.txt” era possível e foi franqueado à recorrente. Para tanto bastava que o usuário ativasse, no software leitor de arquivos pdf, a opção de visualizar arquivos anexos, conforme orientação contida no citado relatório. E diante de qualquer dúvida ou dificuldade de acesso, a recorrente poderia ter solicitado ajuda ou esclarecimentos adicionais à autoridade fiscal, o que não ocorreu. Ademais, parte significativa dos dados contidos nos referidos arquivos, necessários à compreensão das glosas realizadas, foram reproduzidos no corpo do extenso relatório ou nos anexos que lhe seguiram, o que também infirma o argumento de que não fora possível extrair, com clareza as informações necessárias para compreender os motivos da glosa dos créditos. No que tange à incompreensão dos demonstrativos, a recorrente confunde dificuldade de compreensão, em face do elevado volume de registros, com a impossibilidade de compreensão. Todos os registros consignados nos demonstrativos estão vinculados aos registros no LRES, portanto, para saber qual o documento concernente a operação objeto da glosa, bastava a recorrente localizar o registro no referido livro e fazer a leitura do correspondente documento que amparou o respectivo registro. Na análise do mérito, esse ponto será analisado novamente. Além disso, a leitura das robustas peças defensivas colacionadas aos autos revelam que a corrente não só compreendeu como se defendeu adequadamente das irregularidades que lhe foram imputadas, inclusive, expressamente concordou com parte das glosas realizadas. Cabe ainda ressaltar que a recorrente fundamentou as suas alegações no art. 142 do CTN, que dispõe sobre os requisitos do lançamento do crédito tributário, matéria estranha aos autos, que, inequivocamente, trata de pedido ressarcimento de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, utilizado na compensação de débitos da própria contribuinte. Por essas razões, rejeitase a presente preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. 2) DA ANÁLISE DAS QUESTÕES DE MÉRITO. Fl. 21135DF CARF MF Processo nº 13971.908781/201116 Acórdão n.º 3302004.335 S3C3T2 Fl. 20.132 9 No mérito, a controvérsia remanescente cingese a glosa dos créditos calculados sobre (i) o valor das aquisições de insumos com alíquota zero, (ii) o valor de aquisição do milho revendido com suspensão e (iii) o valor das despesas com frete. 2.1 Da Glosa Relativa às Aquisições de Mercadorias Com Alíquota Zero (Glosa 1) Segundo a fiscalização, por expressa vedação legal (Lei 10.833/2003, art. 3º, § 2º, II), foram glosados os créditos calculados sobre o preço das aquisições de bens para revenda ou utilizados como insumos de produção, tributadas na etapa anterior com a alíquota zero. Inicialmente, a recorrente a legou que houve cerceamento à ampla defesa, pois não seria compreensível a glosa na forma como constou do citado Relatório Fiscal. Segundo a recorrente, não teria sido possível “abrir o valor por produto na medida que no relatório consta apenas uma lista contendo os itens que foram glosados, sem dispor de valores”. Além disso, a fiscalização não teria informado as notas fiscais glosadas, mas o número de registro no LRES, fato que tornara inviável a localização do lançamento e a fundamentação da defesa. A recorrente asseverou ainda que: O grande problema gira em torno da base de dados que contém as NF glosadas. Por algum motivo, o Sr. AFRFB ao listar os documentos fiscais não informou os documentos, mas sim o número do registro, que conforme confirmado por ele, referese ao registro do nosso LRES enviado no inicio da fiscalização. Dessa forma, a Recorrente entendeu necessário fazer a conversão do arquivo em PDF disponibilizado no processo para o formato excel. O arquivo extraído possui 500.000 linhas em excel, divididos em 10 mil páginas em PDF. [...] De posse do arquivo convertido, para localizar os documentos inerentes a uma glosa, selecionase na coluna correspondente a Glosa (Ex. Glosa GL09) os campos com valores "1". Porém ao invés de ter os documentos fiscais que de fato compõem a glosa, a Recorrente se deparou com a informação do número do registro. Por consequência, era necessário procurar por esse registro no LRES em um universo de 9.000.000 de linhas, o que tornou absolutamente impossível o processo de localização e embasamento da defesa. (grifos não originais) Embora a recorrente tenha alegado impossibilidade de acesso aos documentos, o que se depreende do relato transcrito, foi que do grande volume de registro no LRES, ela não fez a vinculação entre o número de registro no demonstrativo e o número de registro no LRES, onde mencionado os documentos correspondentes. Ou seja, a partir dessa informação, bastava pesquisar o número de registro no arquivo LRES e encontrada o respectivo lançamento todas as informações necessárias à compreensão da glosa estariam a disposição da recorrente, incluindo o número da nota fiscal. Ora, se o LRES tem “um universo de 9.000.000 de linhas”, como asseverado pela recorrente, e possibilitou a fiscalização realizar a citada vinculação, não se revela crível que recorrente, conhecendo o número do registro, não pudesse fazer o cominho inverso e Fl. 21136DF CARF MF 10 acessar o registro no LRES e conhecer os respectivos documentos da operação. Ademais, a menção apenas ao número do registro no LRES foi a forma adequada de a fiscalização fazer um demonstrativo conciso e compreensível, especialmente, tendo em conta que a menção do número da nota fiscal, em vez do número do registro do arquivo LRES, também dependia de realização de pesquisa no arquivo LRES, para fim de confirmar se o número da nota fiscal representava a correspondente operação de aquisição de mercadoria objeto da glosada realizada. Para fim de compreensão do questionado “Demonstrativo de glosas”, a fiscalização prestou os seguintes esclarecimentos relevantes: a) em face do porte da empresa auditada o trabalho de fiscalização “teve que, necessariamente, ser realizada com base nos arquivos digitais, uma vez que são milhões de operações por ano”; b) a análise foi efetuada, principalmente, com base no arquivo LRES (reprodução do Livro de Registro de Entradas e Saídas), que possui cerca de seis milhões de registros, referentes ao período analisado; c) especificamente quanto à glosa em comento, foram retirados do arquivo LRES a relação de todas as mercadorias adquiridas sujeitas à alíquota zero. Estas mercadorias compuseram a Tabela 4 que contempla a descrição da mercadoria, o respectivo código, o NCM e o momento a partir do qual passou a ser tributada com alíquota zero; e d) verificaram que alguns lançamentos do arquivo LRES, relativos à aquisição de mercadorias sujeitas à alíquota zero, foram objeto de apuração de crédito de PIS e de COFINS. Estes foram lançamentos alvo da glosa em questão. Assim, fica demonstrado que o fato de a fiscalização não ter citado, no referido “Demonstrativo de glosas”, a nota fiscal relativa à operação do crédito glosado, mas apenas o lançamento contábil irregular, inequivocamente, não acarretou qualquer cerceamento ao direito de defesa da recorrente, pois, o demonstrativo elaborado pela fiscalização possibilitava à recorrente verificar todos os elementos necessários a compreensão do motivo da glosa, dentre eles, a data do lançamento, o valor da operação e correspondente número da nota fiscal. Por essas razões, rejeitase o alegado cerceamento do direito defesa. A recorrente alegou ter anexado, de forma aleatória, documentos que comprovariam o direito ao crédito glosado. Porém, diferentemente do alegado, os documentos apresentados não se prestam a comprovar o direito ao crédito glosado em apreço. Com efeito, as notas fiscais emitidas pela empresa Corn Products Brasil (fls. 20.717/20.718) foram emitidas no segundo trimestre de 2008, portanto, de outro período de apuração; os textos de fls. 20.719/20.720 tratam das características do produto Refinazil; e os demais documentos (fls. 20.721 e ss.) referemse a glosa de frete, matéria estranha a que motivou a glosa. No mérito, a recorrente alegou que teria adquirido arroz, farinhas, farinha de trigo e trigo, para utilização como insumo e não para fins de revenda, como equivodamente informado no DACON, logo, precipitadamente, apurara “crédito básico”, quando o correto seria crédito presumido agroindustrial no percentual de 35% da alíquota normal. Assim, fica evidenciado que a recorrente não contestou o mérito da glosa dos créditos básicos da contribuição em apreço, o que significa que ela, tacitamente, concordou que as aquisições de bens submetidas à tributação pela alíquota zero não permitem a apropriação de crédito básico assegurado ao regime não cumulativo da contribuição. A discordância da recorrente limitouse apenas a glosa integral dos créditos básicos calculados sobre as aquisições de arroz, farinha, farinha de trigo e trigo. Para recorrente, tais produtos foram utilizados como insumos na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal, logo tinha direito de Fl. 21137DF CARF MF Processo nº 13971.908781/201116 Acórdão n.º 3302004.335 S3C3T2 Fl. 20.133 11 deduzir a parcela do crédito presumido agroindustrial, equivalente a 35% da alíquota do crédito básico, conforme previsto no art. 8º, § 3º, III, da Lei 10.925/2004. Este Colegiado, em reiterados julgamentos, tem reconhecido, de ofício, o direito ao crédito presumido agroindustrial nos casos em que há glosa integral dos créditos básico apropriados, por estabelecimento agroindustrial, sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação, se demonstrado, nos autos, que (i) a aquisição foi feita das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) que o produto agropecuário foi utilizado como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. Nos presentes autos, não foi acostado qualquer prova que demonstrasse que os produtos tributados à alíquota zero foram utilizados como insumos de produção das mercadorias de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal, especificadas no caput do art. 8º da Lei 10.925/2004. Aliás, a recorrente sequer informou qual a mercadoria fora produzida com os referidos produtos, condição indispensável para o reconhecimento do crédito presumido em apreço. E não se pode olvidar, que essa comprovação era imprescindível, tendo em conta que os produtos adquiridos pela recorrente eram todos eles semiindustrializados (por exemplo, arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido), ou já industrializados (por exemplo, farinhas de milho, descritas como fubá de milho e refinazil pelletizado, farelado e ensacado). Na produção de que mercadorias tais produtos foram utilizados? A resposta a essa indagação revelase imprescindível para o reconhecimento do valor do crédito presumido pleiteado, porém, nos autos, não há elementos para obtêla. A recorrente alegou que o produto, denominado Refinazil, teria sido classificado de forma equivocada e o código da NCM informado nas notas fiscais indicaria que o produto era derivado do milho, e assim seria tributado. Como as operações de aquisição do citado produto foram registradas sem tributação, sujeitas à alíquota zero, para reversão da glosa, revelase insuficiente a alegação de que houve erro na classificação da operação e a mera juntada de notas fiscais referentes à aquisição do produto, sem a demonstração de que houve pagamento das contribuições na operação de compra. Assim, sem provas de que o produto, denominado “Refinazil, Itens 111818, 111819 e 111820”, foi adquirido com pagamento e revendido com débito das contribuições não como ser restabelecido o crédito glosado. As duas notas fiscais colacionadas aos autos (fls. 20.717/20.718) foram emitidas, respectivamente, em 5/4/2008 e 4/6/2008, portanto, diz respeito ao 2º trimestre de 2008. Assim, não comprovada a cobrança das contribuições, não tem qualquer relevância, para o deslinde da controvérsia, o fato de a recorrente ter cometido ou não erro de classificação fiscal do produto na NCM. Enfim, caso admitido pelo Colegiado o direito ao crédito presumido pleiteado, o que se admite apenas para fim argumentação, ao menos o valor das aquisições do trigo importado da Argentina e dos Estados Unidos, necessariamente, devem ser excluído da base de cálculo do crédito presumido agroindustrial requerido, posto que, nos termos do art. 8º, § 2º, da Lei 10.925/2004, o referido benefício fiscal restringese apenas “aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País”. Fl. 21138DF CARF MF 12 Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos básicos da contribuição apurados sobre o preço de aquisição dos mencionados bens. 2.2 Da Glosa por Falta de Estorno de Crédito (Glosa 2) No citado Relatório de Auditoria Fiscal, a fiscalização prestou as seguintes informações relevantes para o deslinde da controvérsia: Até 2005, a BUNGE industrializava parte do milho adquirido em fábricas de ração, sendo que o milho em grãos era um dos insumos utilizados. Entretanto, após o encerramento das operações daquelas filiais (fábricas de ração), todo o milho adquirido pela BUNGE passou a ter a finalidade exclusiva de revenda, tanto no mercado interno quanto para exportações. Ainda segunda a fiscalização, na condição de cerealista, a recorrente adquiriu e revendeu o milho em grãos com suspensão do pagamento da contribuição. Logo, eralhe vedado o aproveitamento do crédito presumido agroindustrial calculado sobre o valor de aquisição do referido produto e eventual crédito apropriado sobre a revenda do milho deveria ser estornado, por força do disposto no art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004. Intimada pela fiscalização a comprovar o estorno de tais créditos, a recorrente prestou a seguinte informação, in verbis: Anexamos duas planilhas que resumem as Aquisições de MILHO no período de 2009, por CFOP e as Receitas das vendas de MILHO, por CFOP. Nessas planilhas podese verificar que as aquisições de milho de Pessoas Físicas, sem crédito de PIS/COFINS, importaram em R$ 299.923.000,00 e as vendas com Suspensão das Contribuições Sociais no valor de R$ 207.679.000,00. Por esse parâmetro, não há justificativa para estorno de créditos de PIS/COFINS do Milho vendido com Suspensão. Com base nessa resposta, resta esclarecido que, segundo o critério adotado pela recorrente, como a quantidade de milho revendido com suspensão foi inferior a quantidade do produto adquirido sem crédito (aquisições de pessoas físicas e CONAB), logo ela não estava obrigada a fazer o estorno. No entendimento da recorrente, somente se as aquisições do produto sem crédito fossem inferiores às revendas com suspensão era que o estorno do crédito deveria ser realizado, o que não ocorreu em nenhum trimestre do ano de 2008. Assim, o critério adotado pela recorrente, para verificar a necessidade ou não de estorno do crédito, foi atribuir, primeiramente, todo milho vendido com suspensão às aquisições sem crédito. Se esta quantidade fosse suficiente para “cobrir” as quantidades saídas com suspensão não haveria a necessidade de estorno de crédito das contribuições. Do contrário, haveria necessidade de estornos. No período de apuração, como a recorrente adquiriu de pessoa física maior quantidade sem tributação (sem crédito) do que a vendida com suspensão, ela concluiu que não havia necessidade de estorno. Como a própria fiscalização confirmou essa situação, inexiste controvérsia sobre essa situação. De outra parte, segundo a fiscalização, as aquisições, embora feitas de diferentes formas, de PF ou PJ, e estas tributadas, com suspensão ou com FEX, não vinculavam a utilização do grão para único tipo de saída específica. Assim, não era possível afirmar, como quer a empresa, que todo grão comprado de pessoa física, sem crédito, é o milho vendido com suspensão, o que dispensaria a necessidade de estorno do crédito, uma vez que não teria havido a tomada de crédito na aquisição; de outro lado, também não seria possível Fl. 21139DF CARF MF Processo nº 13971.908781/201116 Acórdão n.º 3302004.335 S3C3T2 Fl. 20.134 13 afirmar, por exemplo, que todo grão vendido com suspensão teria advindo das aquisições junto a PJ, com tomada de crédito, o que acarretaria a necessidade de estorno dos créditos correspondentes à quantidade saída com suspensão. Assim, tendo em vista que não era possível vincular entradas e saídas, ante a inexistência de método de controle de apropriação direta das quantidades do produto adquiridas e vendidas, e que o critério adotado pela recorrente eralhe extremamente favorável, a fiscalização adotou, para fim de rateio do valor do crédito a ser estornado vinculado à venda com suspensão, o percentual mensal obtido da divisão das quantidades das saídas com suspensão pelas quantidades saídas totais (excluídas, quando existentes, as exportações com fim específico de exportação FEX). E o valor do crédito a ser estornado determinado mediante a aplicação do percentual da proporção mensal sobre a base de cálculo total dos créditos decorrentes das aquisições de milho de pessoa jurídica (com ou sem crédito). O critério adotado pela fiscalização não tem expressa previsão legal. No caso de inexistência de método de apropriação direta, há previsão legal de rateio de custos, despesas e encargos comuns proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, nos termos do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [...] (grifos nãooriginais) O método de rateio proporcional, a meu ver, é a passível de aplicação ao caso em tela, desde que atendidas algumas premissas básicas. A primeira, que o milho é um produto fungível, especialmente, porque não foi mencionada a existência de qualquer diferença relevante do produto adquirido de distintos fornecedores pessoas físicas e jurídicas. A segunda, que o percentual proporcional de rateio somente se justifica se o valor da aquisição a ser rateado representar uma grandeza comum aos diversos tipos de saídas do produto do estabelecimento. Com base nessas premissas, o critério de rateio adotado pela fiscalização, além de não ter previsão legal, revelase não razoável, pois utiliza como base cálculo a ser rateada apenas os valores das aquisições de milho de pessoa jurídica com apropriação de crédito (tributadas), excluídas, portanto, às aquisições de pessoas físicas e das pessoas jurídicas Fl. 21140DF CARF MF 14 sem crédito, o que implica no rateio do crédito vinculado apenas as operações de aquisições com crédito de pessoas jurídicas entre as saídas tributadas e as saídas com suspensão (não tributadas) e, por conseguinte, o estorno de parcela de crédito de parte das operações com tributação, para as quais há previsão de manutenção do crédito. O critério adotado pela fiscalização seria razoável se todas as aquisições fossem com crédito e as saídas fossem parte tributadas (com direito a manutenção do crédito) e parte com suspensão (sem direito ao crédito), o que, sabidamente, não ocorreu no caso em tela. Outra hipótese razoável seria se as saídas com suspensão (sem direito a crédito) fossem superiores às aquisições das pessoas físicas (sem crédito). Neste caso, o percentual de rateio do valor do crédito a ser estornado seria obtido mediante a divisão entre as quantidades da diferença das saídas a maior com suspensão (em relação as quantidades adquiridas de pessoas físicas) pelo somatório das quantidades da diferença das saídas a maior com suspensão mais as saídas tributadas (excluídas, quando existentes, as exportações com fim específico de exportação FEX). Assim, como as aquisições de milho das pessoas jurídicas seriam parte revendidas com tributação e a outra parte com suspensão (a referida diferença), daí a necessidade do rateio, que a ser aplicado somente quando há uma base comum a ser apropriada entre os diferentes tipos de saídas do produto. Outro dado que revela imprestabilidade do critério de rateio adotado pela fiscalização consistiu na utilização do percentual de rateio calculado para os três trimestres de 2009, em vez do percentual mensal. Embora, a base de cálculo de rateio tenha sido mensal, o que representa evidente contradição. No caso, como as saídas com suspensão foram menores do que as aquisições de pessoas físicas (sem crédito), o critério adotado pela recorrente revelase mais adequado e razoável. Com base nessa conclusão, deve ser restabelecido o valor integral do crédito glosado calculado mediante a aplicação de percentual sobre o valor das aquisições de milho de pessoas jurídicas com crédito (tributada), em que percentual é calculado proporcionalmente às quantidades do milho saídas/vendidas com suspensão em relação as totais saídas/vendidas com tributação e suspensão. 2.3 Da Glosa Relativa aos Gastos com Frete (Glosa 4). A fiscalização procedeu a glosa de créditos calculados sobre diversos tipos de despesas com fretes. Aqui serão analisadas apenas as glosas contestadas pela recorrente. Porém, previamente a analise das glosas controvertidas, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete apropriado contabilmente sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis Fl. 21141DF CARF MF Processo nº 13971.908781/201116 Acórdão n.º 3302004.335 S3C3T2 Fl. 20.135 15 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 21142DF CARF MF 16 permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. Em relação à atividade industrial, embora também não haja expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, II e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, com o art. 290 do RIR/1999, é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre o valor do frete relativo ao serviço de transporte: a) de bens de produção (matériasprimas, produtos intermediários e material e embalagem) a serem utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e b) bens em fase de produção ou fabricação (produtos em fabricação) entre estabelecimentos fabris do contribuinte ou não. Senão, veja a redação dos trechos relevantes dos citados preceitos legais, in verbis: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; [...] [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] (grifos não originais) De acordo com os referidos preceitos legais, inferese que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, Fl. 21143DF CARF MF Processo nº 13971.908781/201116 Acórdão n.º 3302004.335 S3C3T2 Fl. 20.136 17 pela razões anteriormente aduzidas, há direito de direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matériasprimas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, durante o ciclo de produção ou fabricação, certamente haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, darseá de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: [...] II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; [...] (grifos não originais) Cabe ainda ressaltar que, em todas as hipóteses de creditamento, o direito de apropriação dos referidos créditos está condicionado ao atendimento das condições instituídas no art. 3º, § 3°, da Lei 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 21144DF CARF MF 18 [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Dessa forma, somente o valor do gasto com frete incorrido no mês (regime de competência), pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, gera direito à apropriação de créditos das referidas contribuições. Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado pelo vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). De outra parte, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. Será com base nesse entendimento que serão analisadas as glosas dos créditos apropriados sobre gastos com fretes objeto da presente controvérsia. 2.3.1 Glosa por falta de vinculação à nota fiscal de aquisição (Glosa 4.1). Fl. 21145DF CARF MF Processo nº 13971.908781/201116 Acórdão n.º 3302004.335 S3C3T2 Fl. 20.137 19 Segundo a fiscalização, a confirmação dos créditos relativos a despesas com fretes dependia da comprovação, de maneira inequívoca, que eles estavam vinculados a operações de transporte de mercadorias ou insumos, para as quais são permitidas a dedução de crédito. Assim, no entendimento da fiscalização, as operações de aquisição que não geram crédito também não asseguram a apropriação de crédito sobre os correspondentes gastos com os fretes. Com base nesse entendimento, a comprovação da referida vinculação era imprescindível, para fim de confirmação do direito ao crédito sobre os gastos com fretes. E para que ela pudesse ser feita, era necessário que a recorrente tivesse feito a vinculação entre cada gasto com frete, para o qual apropriou crédito, com a respectiva operação de entrada ou saída de mercadorias. No entanto, embora intimada a proceder tal vinculação, a recorrente não atendeu tal exigência, conforme se infere dos excertos a seguir transcritos, extraídos do citado Relatório: Numa análise inicial dos arquivos, especificamente do arquivo CONHECIMENTOS COM CRÉDITO SEM VINCULAÇÃO, foi possível verificar que 9.117 registros de fretes permaneceram sem vinculação, e tais registros representam uma base de crédito de cerca de R$ 51 milhões. Tais registros são aqui glosados, pela simples falta de vinculação com os registros das mercadorias transportadas. A glosa em questão justificase na medida em que, sem a devida vinculação, não é possível determinar se os bens transportados são insumos utilizados no processo produtivo da empresa, se os bens foram adquiridos de pessoa física ou jurídica e se o transporte está relacionado a uma operação de compra. A FISCALIZADA, por sua vez, não juntou aos autos elementos de prova capazes de contradizer esta argumentação. A recorrente alegou que foi levantado, aleatoriamente, documentos fiscais de fretes com a finalidade de comprovar que estes possuíam a vinculação em questão. De fato, com a impugnação, a recorrente trouxe à colação dos autos (fls. 20.722/21.000) Conhecimentos de Transporte Multimodal de Cargas, Notas Fiscais de Serviço de Transporte e Relações de Despachos. Acontece que esses documentos, em princípio, comprovam a prestação do serviço de transporte. Porém, este não foi o motivo da glosa em apreço. Como anteriormente mencionado, as irregularidades aqui apreciadas foram a falta de vinculação dos gastos com fretes a operações de aquisição ou venda de bens contabilizadas pela pessoa jurídica no LRES. Os referidos documentos, certamente, não servem para comprovar tal irregularidade e sem a comprovação da vinculação resta inviável saber se tais gastos com frete podem ou não assegurar o crédito da contribuição, por ser impossível a verificação da natureza da operação vinculada ao frete, bem como se a operação propícia a dedução do crédito e se refere ao respectivo período de apuração. A recorrente alegou que o Relatório Fiscal não apontara, especificamente, quais são as notas fiscais glosadas/não encontradas nos LRES, cerceando a defesa, impedindo especialmente a identificação para fins de defesa, nos mesmos moldes do que ocorrera com a glosa relativa às aquisições com alíquota zero (Glosa 4.1). Fl. 21146DF CARF MF 20 Conforme anteriormente demonstrado (subitem 2.1), a fiscalização indicou o número de registro do arquivo referente ao Livro de Registro de Entradas e Saídas (LRES) que foi objeto de glosa. E com essa informação era possível localizar no arquivo LRES, fornecido pela própria recorrente, o respectivo lançamento que contempla, entre outras informações, a identificação da nota fiscal. Logo, não houve o alegado prejuízo à defesa. Enfim, tendo em vista que a dedução do crédito calculado sobre o valor do frete depende do tipo operação transporte e da forma como custeada, bem como da natureza dos bens transportados (bens de revenda, insumos etc.), na falta dessa comprovação, a glosa em destaque deve ser integralmente mantida. 2.3.2 Da glosa vinculada às operações sem direito a crédito (Glosa 4.2). De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal, neste subitem foram glosados os créditos calculados pela contribuinte sobre despesas com fretes, cuja vinculação apresentada remetia a notas fiscais relativas a outras operações de entrada para as quais não houve apropriação de crédito da contribuição, tais como: transferências entre estabelecimentos; remessas para armazéns gerais; aquisições de pessoas físicas de bens para revenda. Por terem características específicas, cada uma das submodalidades de operações sem direito a crédito será apreciada separadamente. 2.3.2.1 Da glosa vinculada às operações de transferências entre estabelecimentos. De acordo com o citado Relatório de Auditoria Fiscal, a presente glosa compreende os créditos calculados sobre as despesas com fretes nas transferências (i) de insumos (matéria prima ou produto em elaboração) entre estabelecimentos industriais, para produção, e (ii) de produtos acabados entre filiais, para fim de armazenagem. A recorrente alegou que fazia jus ao crédito sobre o valor do frete nas operações de transferências entre seus estabelecimentos de insumos, produtos em elaboração e produtos acabados, porque tais operações fazia parte do processo de venda, apenas diferindo da venda direta ao destinatário final pela passagem da mercadoria pela filial receptora e de produção. Segundo a recorrente, tais transferências não descaracterizava o processo de venda nem de produção como um todo, posto que no primeiro caso equivale ao custo de transporte da venda direta. A alegação da recorrente não se sustenta, porque não procede o argumento de que as operações de transferências entre estabelecimentos, seja de produção ou distribuição, fazem parte da operação de venda direta. As operações de transferências entre estabelecimentos fazem parte da logística de produção e distribuição da recorrente e por se tratar de operações com identidade própria, inequivocamente, elas não fazem parte da operação de venda (“direta ou indireta”). Se adotado o entendimento da recorrente, até a operação de compra de produto acabado e do insumo também fazia parte da operação de “venda direta”, o que não tem sentido algum. A recorrente ainda alegou que fazia jus ao crédito glosado, porque as operações de transferências e as respectivas operações de transporte (gastos com frete) eram tributadas pelas referidas contribuições. Logo, sob pena de descumprimento do regime da não cumulatividade, o crédito sobre a despesa com frete deveria ser admitido. A alegação não se sustenta. A uma, porque a recorrente não comprovou que as operações de transferências entre os estabelecimentos eram tributadas pelas contribuições. A Fl. 21147DF CARF MF Processo nº 13971.908781/201116 Acórdão n.º 3302004.335 S3C3T2 Fl. 20.138 21 duas, porque não foi a falta de tributação que motivou a glosa em comento, mas a falta de amparo legal para dedução do crédito calculado sobre o valor do frete da operação de transporte vinculada a operação de transferência. E ante a ausência de amparo legal, não tem qualquer relevância para o deslinde da controvérsia, se a operação de transporte foi contratada ou subcontratada, pois, este não foi o motivo da glosa realizada pela fiscalização. O deslinde da questão envolve a análise do tipo de gasto com transporte que permite apropriação de crédito. E com base no entendimento anteriormente esposado, geram de direito a créditos da contribuição os gastos com frete no transporte (i) de bens utilizados como insumos de industrialização de produtos destinados à venda e dos produtos em elaboração, nas transferências entre os estabelecimentos industriais da própria pessoa jurídica para produção, ou complementação do processo produtivo; e b) dos produtos acabados apenas na operação de venda. Os motivos fáticojurídicos para apropriação do crédito, nas duas hipóteses, são distintos: a) as despesas (custos) de fretes com o transporte de insumos, por constituírem custo de produção, tem previsão legal no art. 3º, II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e (ii) as despesas com fretes para o transportar produtos acabados os produtos acabados, por representarem despeças na operação de venda, tem suporte legal no art. 3º, IX, da Lei 10.833/2003. Por outro lado, não geram direito a crédito os gastos com o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos industriais e os estabelecimentos distribuidores/vendedores da pessoa jurídica, ou entre estes últimos, por não configurar transferência de bens a ser utilizado como insumo nem operação de venda, mas mera operação de transferência de produtos acabados, com intuito de facilitar a comercialização e a logística de distribuição e entrega dos produtos aos futuros compradores. Assim, se essa operação de transferência de produtos acabados não faz parte da operação de venda, logicamente, ela não pode ser equiparada à operação de transporte relativa à operação de venda direta, a realizada ao destinatário final, conforme alegado pela recorrente. Logo, em relação ao valor do frete dessa operação de transferência, por falta de previsão legal, a apropriação de crédito não é permitida. O entendimento apresentado no enunciado da ementa do Acórdão n° 3301 001.577, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara deste Conselho, por admitir a apropriação de créditos nas transferências entre estabelecimentos tanto de produtos em elaboração quanto de produtos acabados, obviamente, contraria em parte o entendimento aqui esposado, logo, não há como acatar parte dos fundamentos nele esposado. Com base nessas considerações, deve ser restabelecido o crédito calculado sobre o valor do frete nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais de bens utilizados como insumos de produção, ou seja, matéria prima e produto em elaboração para produção de bens destinados à venda. 2.3.2.2 Da glosa vinculada às operações de remessas para depósito fechado ou armazém geral. De com o Relatório de Auditoria Fiscal, esta glosa referese a créditos calculados sobre valor das despesas com fretes nas operações de remessas de mercadorias para armazém geral ou depósito fechado. Fl. 21148DF CARF MF 22 Pelas mesmas razões anteriormente aduzidas, também deve ser mantida a glosa dos créditos calculados sobre os gastos com fretes nas operações de remessas de produtos acabados ou mercadorias para depósito fechado ou armazém geral, porque, induvidosamente, tais operações também não se enquadram como serviço de transporte utilizado como insumo de industrialização nem como operação de venda. E somente essas operações asseguram a apropriação dos referidos créditos, conforme anteriormente demonstrado. O enunciado da ementa do acórdão nº 380303.154, não ampara a pretensão da recorrente, pois ela trata da possibilidade de creditamento sobre despesas de armazenagem, embora tenha feito menção a “frete durante a venda”. A leitura do excerto, a seguir transcrito, extraído do voto condutor julgado, não deixa qualquer duvida de que apenas as despesas com frete nas operações de venda possibilitam o crédito da contribuição: Além disso, as despesas de deslocamentos da carga nas operações de venda encontram amparo no dispositivo legal acima identificado, pois se trata de despesas com fretes que, uma vez suportadas pela pessoa jurídica e tendo sido objeto de tributação pelas contribuições, dão direito ao creditamento. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve mantida integralmente a glosa dos referidos créditos. 2.3.2.3 Da glosa vinculada às aquisições de pessoas físicas de bens para revenda. Segundo a fiscalização, se não há direito a créditos nas aquisições de mercadorias para revenda, feitas de produtor pessoa física, logo não havia que se falar em créditos relativos aos fretes vinculado a essas aquisições, visto que os mesmos constituemse em parte do custo de aquisição das mercadorias compradas. A fiscalização procedeu com acerto. Os bens adquiridos para revenda de pessoas físicas não asseguram direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, segundo determina o art. 3º, § 3º, I, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; [...] (grifos não originais) Se os gastos com frete vinculados ao transporte de bens adquiridos para revenda admitem apropriação de crédito somente sob forma de custos agregados aos referidos bens, conforme anteriormente demonstrado, como não há direito a apropriação de crédito sobre aquisição de produtos adquiridos para revenda de pessoas físicas, por conseguinte, também não existe permissão para dedução de créditos sobre os gastos de frete com transporte de tais bens. Fl. 21149DF CARF MF Processo nº 13971.908781/201116 Acórdão n.º 3302004.335 S3C3T2 Fl. 20.139 23 A recorrente alegou que o fato de o fornecedor da mercadoria ter sido uma pessoa física, em tese, não desqualificava o serviço adquirido de terceiro pessoa jurídica, conforme entendimento esposado no acórdão nº 0714.350. de 17 de Outubro de 2008, da DRJ Florianópolis, e no acórdão n° 380303.154, da extinta 3ª Turma Especial da Terceira Seção deste Conselho. Com base nessas considerações, mantémse a glosa integral dos referidos créditos. 2.3.3 Da glosa vinculada às aquisições com fim específico de exportação FEX (Glosa 4.3). A fiscalização esclareceu que, os créditos apropriados sobre os gastos com frete vinculados às operações de compras (entradas no estabelecimento da empresa) de mercadorias com fim específico de exportação (FEX), já estavam abrangidos pela glosa do tópico “4.4.2 acima, intitulado Dos Fretes Vinculados a Aquisições sem Direito ao Crédito, uma vez que a “BC Cr” destas aquisições é igual à zero.” Segundo a fiscalização, havia outros gastos com fretes relacionados a as aquisições com FEX, que deveriam ser glosados, por falta de previsão legal. Tais fretes consistem nas transferências para a formação de lote, que, apesar de serem formalmente transferências, na verdade já configuravam uma etapa do processo de venda. A fiscalização informou ainda que os fretes para a formação de lotes (CFOP 5505/6505) foram acatados nesta análise como fretes nas vendas, admitindose a tomada de crédito das contribuições. Mas entre estes fretes para a formação de lotes, existem aqueles relacionados às aquisições com FEX, e para estes há norma específica, vedando a tomada de crédito. Os esclarecimentos da fiscalização são mais facilmente compreendidos na representação do fluxo das mercadorias desde a operação de compra do produtor até a transferência para formação dos lotes de exportação, apresentado na figura extraída do Relatório Fiscal, que segue transcrita: Fl. 21150DF CARF MF 24 Em suma, a glosa em apreço, referese às despesas com frete vinculadas às operações de transferências das mercadorias com FEX dos estabelecimentos da recorrente para o estabelecimento portuário, para formação de lote e posterior exportação. De acordo com o disposto no art. 6º, § 4º, combinado com o disposto no art. 15, III, da Lei 10.833/2003, há expressa vedação à apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados a receita de exportação auferida na operação com fim específico de exportação. Para facilitar a compreensão, seguem transcritos os citados preceitos legais: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...] § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; [...]. (grifos não originais) Da simples leitura dos transcritos preceitos legais, inferese que, em relação às exportações com FEX, realizadas pelas empresas comerciais exportadoras, é vedada a apuração de créditos das contribuições não apenas referente às operações de aquisição das mercadorias, como também em relação a custos, despesas e outros encargos vinculados à receita de exportação, dentre os quais incluemse os gastos com frete nas operações de compra e de transferência das mercadorias. Fl. 21151DF CARF MF Processo nº 13971.908781/201116 Acórdão n.º 3302004.335 S3C3T2 Fl. 20.140 25 A razão dessa vedação é óbvia: evitar a apropriação de crédito em duplicidade, ou seja, que os créditos sejam apropria tanto pela pessoa jurídica vendedora quanto pela pessoa jurídica compradora e exportadora. A recorrente alegou que era possível a apropriação de crédito sobre os gastos com frete vinculados a tais operações de transferências, sob argumento de que “tais despesas de frete são relativas a mercadorias para formação de loterevenda, no caso para exportação, conforme disposto no inciso I c/c inciso IX do art. 3o da Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003.” Segundo a recorrente as referidas remessas para formação de lote de exportação não poderiam ser tratadas como aquisições de mercadorias com fim específico de exportação por empresa comercial exportadora, porque ela “adquiriu mercadoria na condição FOB e pagou pelo frete, para entrega em seus armazéns/silos, e posteriormente remetidos ao estabelecimento portuário, posto que a formação de lote já [representa] a própria operacionalização da exportação.” Para a recorrente, a transferência de mercadoria, para formação de lote destinado à exportação, estava vinculada a própria exportação, que assegura o direito ao crédito glosado. A alegação da recorrente não procede, porque há expressa vedação à empresa comercial exportadora de apurar créditos sobre os custos/despesas vinculados à operação de aquisição de mercadoria com fim específico exportação, o que, certamente, inclui os custos/despesas com a operação de transporte da mercadoria, incluindo as despesas de frete nas transferências entre os demais estabelecimentos e o estabelecimento portuário, independentemente, desta ter sido feita diretamente para embarque de exportação, ou para depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, para a formação de lote. No caso, se a norma não previu nenhuma exceção, induvidosamente, não cabe ao intérprete criála, especialmente, em sede de concessão de crédito de tributo, matéria estritamente reservada à lei. Também não procede a alegação da recorrente a Instrução Normativa SRF 379/2003, em seu art 1o, § 2º, extrapolarA as disposições legais correspondentes, ao dispor que era vedado à empresa comercial exportadora apurar crédito sobre custo de aquisição das mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, posto que tal preceito normativo simplesmente reproduziu o teor do art. 6º, § 4º, da Lei 10.833/2003, anteriormente transcrito. Também não se aplica ao caso em tela, o entendimento esposado no acórdão n° 0712164, de 29 de fevereiro de 2008, prolatado pela DRJ Florianópolis, no sentido de que “valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para as transferências de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica”, pelas razões aduzidas nos tópicos precedentes. Com base nessas considerações, mantémse a glosa integral dos créditos apropriados sobre o valor dos gastos com frete vinculados às operações de venda com fim específico de exportação. 2.3.4 Da glosa vinculada a operações com crédito glosado (Glosa 4.4) A presente glosa abrange os créditos apurados sobre despesas com fretes ligados à aquisição de mercadoria, cuja operação não gerou crédito e que foi objeto de glosa no presente processo. Especificamente, compreende os fretes na aquisição de mercadorias sujeitas à alíquota zero (Glosa 4.1) e fretes na aquisição de mercadorias vendidas com suspensão (Glosa 4.2). Fl. 21152DF CARF MF 26 No entendimento da fiscalização, se a aquisição da mercadoria não gerava direito ao crédito, consequentemente, o respectivo gasto com frete também não podia gerar. No caso, segundo a fiscalização, apesar de a recorrente ter tomado crédito nas aquisições das mercadorias, o fez de forma indevida, tendo estes créditos sido glosados. Logo, a consequência inevitável era a glosa também dos fretes associados a tais operações aquisições. Para melhor compreensão, as dois tipos de glosa serão apreciados separadamente. 2.3.4.1 Da glosa vinculada às operações com alíquota zero. De com o Relatório de Auditoria Fiscal, neste subitem foram glosados créditos calculados sobre o valor dos fretes vinculados a notas fiscais de aquisição de mercadorias sujeitas à alíquota zero, objeto da glosa relatada no subitem 4.1 do citado Relatório da Auditoria Fiscal e analisado no subitem 2.1 deste voto. A decisão referente à presente glosa, inequivocamente, depende do resultado da decisão prolatada em relação à glosa anterior. Dessa forma, como a glosa do crédito calculado sobre valor da aquisição de mercadorias sujeitas à alíquota zero foi integralmente mantida, consequentemente, a presente glosa deve ter o mesmo desfecho. A recorrente alegou que não havia que se confundir ou vincular o crédito apropria sobre o valor do serviço de frete com as aquisições com ou sem direito ao crédito, pois, cada qual obedecia a regramento estabelecido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, nos quais inexiste a vedação ou limitação imposta pela fiscalização. Nos itens precedentes, restou demonstrado que, se o custo de aquisição do bem revendido ou utilizado como insumo de produção não origina crédito, consequentemente, o gasto com frete a ele associado também não o gera, pois, segundo o entendimento aqui esposado, nestas operações o que possibilita a apropriação do crédito é a inclusão do valor ao custo da mercadoria adquirida ou ao custo do insumo adquirido, conforme a natureza da operação de aquisição, e não o valor do custo/despesa com frete em si. Para o frete na operação de compra, isoladamente considerado, não há previsão legal de apropriação de crédito. Por esses fundamentos, deve ser mantida a glosa integral dos créditos em referência. 2.3.4.1 Da glosa vinculada às operações com suspensão. De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal, neste subitem foram glosados os créditos calculados sobre valores dos fretes “associados às operações com mercadorias vendidas com suspensão e aplicamos o mesmo percentual apurado no item 4.2”. Dada essa circunstância, a manutenção da presente glosa dependia da manutenção da glosa analisada no subitem 2.2 deste voto. No referido tópico foi demonstrada a improcedência da referida glosa e restabelecido o direito de a recorrente apropriar o valor do crédito glosado, calculado mediante a aplicação sobre o valor das operações de aquisição de pessoa jurídica com crédito (tributada) do percentual obtido da proporção entre as quantidades do milho saídas/vendidas com suspensão pelas quantidades totais do produto saídas/vendidas com tributação e suspensão. Assim, por decorrência, a presente glosa também se revela improcedente, logo, o valor integral do crédito glosado deve ser restabelecido. Fl. 21153DF CARF MF Processo nº 13971.908781/201116 Acórdão n.º 3302004.335 S3C3T2 Fl. 20.141 27 3) Da Conclusão. Por todo o exposto, votase por rejeitar a preliminares de nulidade do relatório de informação fiscal e do despacho decisório e, no mérito, pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para restabelecer o direito da recorrente a dedução dos créditos calculados sobre: a) o valor das aquisições de milho com crédito (tributadas) proporcional ao resultado da divisão das quantidades de milho revendidas com suspensão pelas quantidades totais das saídas com tributação e suspensão (Glosa 4.1); b) o valor do frete relativo às operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumos (matéria prima ou produto em elaboração) para produção (Glosa 4.2); e c) o valor proporcional do frete relativos às aquisições de milho com crédito (tributadas) proporcional ao resultado da divisão das quantidades de milho revendidas com suspensão pelas quantidades totais das saídas com tributação e suspensão (Glosa 4.4). (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 21154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000294/99-09
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 201-00.152
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara ,do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Serafim Fernandes Corrêa
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RESOL VEM os Membros da Primeira Câmara ,do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, ( . . nos termos do v.oto do Relator. . . , \ ) RESOLUÇÃO N° ~01-00.152 " 13116~000294/99-09 201-00.152 115.621 i1 de junho de 2001 TRANSBRASILIANA TRANSPORTE E TURISMO LTDA. DRJ em Brasília - DF MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Resolução Reçurso Sala das Sessões, em 21 de junho de 2001 .1 ~--~-. -~',.,-.,~ Jorge Freire SerafimF'emãndes Corrêa Relator Sessão Recorrente : Recorrida' Eaal/ovrs Processo' Resolução: Recurso Recorrente : " MiNISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHÇ) DE CONTRIBUINTES , 13116.000294/99-09 201-00.152 115.621 TRANSBRASlLIANA TRANSPORTE E TURISMO LTDA.. . RELATÓRIO i 'I ~\ i J A contribuinte apresentou Pedido de Restituição de FINSOCIAL excedénte a . aliquota de 0,5%, confon.ne decisão judicial transitada em julgado no Processo 91.4651-5, tramitado na 33 Vara da Justiça Federal em Góiás - 00. ADRF em ANÁPOLIS - 00 indeferiu o pedido sob o fundamento de qüe tendo o último pagamen~o sido efetuado em 07.1;'1,91 e' o pleito de restituição protocolizado em 09.07.99, "passaram-se mais de cinco anos o que, de acordo com art. l(i8, I, da Lei'n° 5.172, de 25.) 0.66 ( CTN ) extingue o di~eito de pleitear 'a restituição." . . . . \ .. .. A contribuinte recorreu à DRlem BrasÍlia - DF, que manteve o indeferimento. a e.llteConselho. . ,. /' 2 ./ 1 1 I 'i I j I I I I • II j 1 I ,.ltr;'rt' MINISTÉRIO DA FAZENDA. . SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo 13116.000294/99-09 Resolução: '- 201-0~.152 Recurso 115.621 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SERAFIM FERNANDES CORRÊA O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento . Do examedas peças juntadas pela empresa verifica-se, à fl. 52, que em 22.08.91 o ~uiz Federal da Terceira Varà da Seção Judiciária de Goiás concedeu liminar no Mandado de Segurança n° 91.4651 ~5, nos seguintes termos: . . "Os motivos da impetração me parecem relevantes; razão pela qual concedo a liminar para desobrigar as Impetrantes de recolherem a contribuição objeto de discussão neste "mandamus". (o grifo não é do original). Ou seja, à liminar desobrigou as impetrantes de recolherem o FINSOCIAL a, . partir de 22.08.91. Posteriormente, em 26.11.93, foi prolatada a sentença no referid~ Mandaqo de Segurança, conforme se lê, às fls. 87/88, nos seguintes termos: "ISTO POSTO, concedo, em parte, a segurança pedida pelas IMPETRANTES, apenas para determinar que a cobrança da exação se atenha aos limites imp,ostos pelo Egrégio STF, em razão da flagrante Ínconstitucionalidade do art. 9° da Lei 7.689/88 e da majoração das alíquotas imposta pelos arts. 7° da Lei 787/89, art. 1° da Lei 7.894/90 e art. 1° da Lei _8.147/90, devendo ser observado no recolhimento d.o FINSOCIAL das partes acima descritas~ quanto as parcelas ainda não pagas, os seguintes critérios: a) da empresa comercial ou que exerça atividades comerciais nos termos do art. 1, ~ 1° do DL 1.940/82, a referida exação na alíquota de 0,5% (meio por cento), incidente sobre a receita bruta, até a superação do prazo do art. 13 da LC 70/91, ou seja, até o dia 01.04.92; b) das empresas prestadoras de serviço ou que exerçam atividades de prestação de serviço nos termos 'do art. 10, ~ 2° do DL 1.940/82, a referida exação de 5% (cinco por cento) sobre o Imposto de renda devido ou corno se devido D~sse, d data de sua instituição, até dezembro de 1988 e 0,5% (meio por cento) s / 3 Processo Resolução: Recurso MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13116.000294/99-09 201-00.152 115.621 •••• 1 '-":' ' ... " ~ receita bruta mensal a partir de julho de 1989. até a superação dó prazo previsto no art. 13 da i;c 70/91,. sendo, portanto, inexistente a referida exação no 'período compreendido entrt1 dezembro de 1.98~a junho de 1989. R~vogo a decisão liminar de fls.. 146, a fim de que possa a autoridade coatora ajustar as atividades de arrecadação à forma acima descrita." O Delegado da Receita Federal em Goiânia - GO. f01 comunicado de tal decisão em 01.12'.93 (fls. 89). , . . -\ " . . , De ~cordo com os Documentos de fls. 1021109, o Tribunal Regional Federal da la Região, através de sua Terceira Turma,. negou 'provimenfo à remessa oficial em 06.02.95, estando certificado às fls. 110 que o Acórdão correspondente transitou em julgado em 18.04.95.. ", ' . . Ante 6s f(!.tos descritos, e. a fim de formar ininha cqnvicção, entendo deva '0 presente julgamento ser convertido em diligência a: fim de quea autoridade titul~r da repartição de origem preste as seguintes informações: . a)foi cumprida a decisão judicial, nos termos anterionnente descritos? ." " . '. b) em 'caso, positivo, foi formalizada a exigência através de auto de infração e compensados os valores que teriam sido' recolhi.dos a maior com os. valores devidos, de acordo com a decisão judicial? . . c) em caso negativo, por quai~ razões não foi cumprida a ordem judicial? d) sólicitar do órgão competente da PGFN qu~ informe se intentou alguma ação rescisória tendo em vista as reiteradas decisões do STF no sentido. de que os alimentos das alíquotas FJNSOCIAL das empresas exclusivamente prestadoras de serviços são constitucionais ,(Exemplos: AGRRE 255. 182/RJ e ~REED 192:29200); . e) prestar outros esclarecimentos que julgar convenient~s. 4 , Processo' .Resolução' : Recurso Câmara. MINISTÉRIO DA FAZENDA . . SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13116.000294/99-09 201-00.152 115.621 Findo o prazo, com ou ~em a sua manifestação, devem retornar. os autos a esta 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 10830.722777/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
Inconstitucionalidade de Lei. Exame no Processo Administrativo Tributário. Impossibilidade.
É vedado aos órgãos de julgamento administrativo o controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo, o que impede que se examinem eventuais violações pela norma legal a princípios constitucionais.
Preço de Transferência. Método PRL60. Ajuste com Base na INSRF nº 243/2002. Legalidade.
A Instrução Normativa SRF nº 243/2002 não viola o princípio da legalidade, mas define critério de interpretação e aplicação da lei, compatível com o disposto no art. 18 da Lei nº 9.430/1996.
Preço de Transferência. Princípios Ativos. Adição de Elementos Inertes, Diluentes e Aditivos. Agregação de Valor. Método PRL60.
A adição de elementos inertes, diluentes e aditivos, pela indústria de farmacêutica, aos princípios ativos produz agregação de valor, atraindo a aplicação do método PRL60.
Preço de Transferência. PRL60. Inclusão de Frete, Seguro e Imposto de Importação.
Na apuração do preço de transferência pelo método PRL60, devem ser adicionados ao preço praticado os valores de frete, seguro e o do Imposto de Importação, de modo a permitir a comparação do preço praticado com o preço parâmetro, no qual aquelas despesas já se encontram inseridas.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
CSLL e IRPJ. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que votaram pelo provimento integral.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. EXAME NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado aos órgãos de julgamento administrativo o controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo, o que impede que se examinem eventuais violações pela norma legal a princípios constitucionais. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE COM BASE NA INSRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa SRF nº 243/2002 não viola o princípio da legalidade, mas define critério de interpretação e aplicação da lei, compatível com o disposto no art. 18 da Lei nº 9.430/1996. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRINCÍPIOS ATIVOS. ADIÇÃO DE ELEMENTOS INERTES, DILUENTES E ADITIVOS. AGREGAÇÃO DE VALOR. MÉTODO PRL60. A adição de elementos inertes, diluentes e aditivos, pela indústria de farmacêutica, aos princípios ativos produz agregação de valor, atraindo a aplicação do método PRL60. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. Na apuração do preço de transferência pelo método PRL60, devem ser adicionados ao preço praticado os valores de frete, seguro e o do Imposto de Importação, de modo a permitir a comparação do preço praticado com o preço parâmetro, no qual aquelas despesas já se encontram inseridas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CSLL E IRPJ. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 27 77 /2 01 1- 71 Fl. 870DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 871 2 Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que votaram pelo provimento integral. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 872 3 Relatório Tratase de recurso interposto por MERIAL SAÚDE ANIMAL LTDA., pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1642.152 (fls. 683 a 700), da 5ª Turma da DRJ São Paulo I, que negou provimento à impugnação, mantendo a integralidade do crédito tributário constituído contra a recorrente. A infração colhida no lançamento foi a falta de ajustes (adições) ao lucro líquido, decorrentes da aplicação das regras de preço de transferência aos custos incorridos nas aquisições, no exterior, de bens e de serviços, de pessoa vinculada. No Termo de Constatação Fiscal (fls. 419 a 433), a autoridade lançadora afirmou que, nas importações do ano de 2007, sujeitas às regras de preço de transferência, a contribuinte havia adotado o critério da Instrução Normativa SRF nº 32/2001, que, àquela época, já se achava revogada pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002, que fixava critério diferente. No entender da Fiscalização, era a própria lei que determinava que o cálculo da margem bruta de lucro fosse feito a um percentual de 60%, incidente sobre o valor líquido de revenda, assim entendido a parcela do preço de venda correspondente à participação do bem importado no produto posteriormente vendido; e não, como quer a contribuinte, o percentual de 60% aplicável diretamente sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto, dele excluído o valor agregado no País. Do exame das memórias de cálculo exibidas pela contribuinte, constatou a autoridade fiscal que, nos cálculo do ajuste do preço de transferência, fora utilizado o valor FOB (custo do bem, sem frete e sem seguro) para calcular o preço praticado na importação, quando o correto seria o valor CIF (custo do bem, mais de frete e seguro) acrescido do Imposto de Importação, conforme determina o § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996. Não passou despercebido à autoridade fiscal que a contribuinte deduzira, na apuração do lucro, um valor a título de ajuste financeiro, que não correspondia a juros nas operações realizadas a prazo. A Fiscalização também constatou que alguns itens importados, de acordo com a codificação informada pela própria contribuinte, não tiveram "saída direta", mas "integraram produtos finais diferentes", acondicionados em embalagens diversas, havendo agregação de valor aos bens importados. Só foi admitida pela autoridade fiscal a metodologia de cálculo PRL20 nos casos de simples revenda do mesmo bem importado. Os contornos da infração foram bem descritos pela DRJ, cujo relatório é parcialmente reproduzido abaixo: Do cálculo do preço praticado nas importações Analisando as planilhas de memórias de cálculo apresentadas pela contribuinte, a fiscalização constatou que ela utilizou o valor FOB para calcular o preço praticado, quando o correto é o valor CIF (valor FOB acrescido de seguro e frete) + II (Imposto de Importação), conforme estabelece o § 6º do artigo 18 da Lei nº 9.430/96. Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 873 4 Notou, também, que, em seus cálculos do preço praticado, a contribuinte deduziu um valor a título de ajuste financeiro. Ocorre, no entanto, que a possibilidade de tal exclusão cingese à verificação da efetiva ocorrência de juros nas operações realizadas a prazo, conforme mencionado na Solução de Consulta de n° 17, expedida pela CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) em 30/05/2008. Intimada a demonstrar que a empresa tinha incorrido efetivamente em pagamento de juros em suas importações, a contribuinte respondeu da seguinte forma: "Utilizamos uma ferramenta da Deloitte para o cálculo do Transfer Pricing e nela está contemplado que nas compras a prazo se calcule o valor dos juros incorridos conforme determina a Lei. Na realidade não pagamos estes juros aos nossos fornecedores é somente um cálculo que o sistema faz". Dessa forma, a contribuinte não comprovou que tinha efetivamente incorrido em tais despesas financeiras. Assim, o custo total de importação de cada produto foi constituído a partir do valor FOB acrescido dos valores de frete, seguro e Imposto de Importação, com eventuais conversões de unidades de medida. Para efeito do cálculo da média ponderada dos preços, a fiscalização computou também os valores e as quantidades dos estoques iniciais de cada produto (obtidos nas planilhas enviadas pela contribuinte), conforme determina o § 3º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002, obtendo, assim, o preço praticado para cada item importado. O cálculo dos preços praticados pode ser visualizado na planilha "Demonstrativo de cálculo dos Preços Praticados". Do cálculo do preçoparâmetro Do método PRL20 Nos casos em que há agregação de valor no Brasil ao custo dos bens e serviços importados, a legislação é clara ao vedar o uso da margem de 20% no método PRL (PRL20). Há também orientação da COSIT nesse sentido, através, por exemplo, da Solução de Consulta nº 5, de 01/09/2006. No caso sob análise, verificouse que alguns itens importados, de acordo com a codificação informada, não tiveram saída direta, ou seja, integraram produtos finais diferentes, acondicionados em embalagens diversas, e que, além disso, houve agregação de valor aos bens importados. Comparouse o custo proporcional do item importado, de determinados itens, com o custo do produto final desses mesmos itens e constatandose diferenças significativas. Desta forma, a fiscalização só utilizou a metodologia de cálculo do PRL20 nos casos em que houve simples revenda do mesmo bem importado. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 874 5 O detalhamento dos cálculos dos preçosparâmetro pelo método PRL20 é mostrado na planilha "Demonstrativo dos cálculos dos preços parâmetro pelo PRL 20". Do método PRL60 Nos casos em que houve agregação de valor e que o produto final vendido não foi o mesmo produto importado, foi adotado o método PRL60 (PRL com margem de 60%) e o preçoparâmetro foi apurado seguindo a metodologia do § 11 do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002. Nos casos em que determinado insumo importado é aplicado na produção de diversos bens finais, são gerados preçosparâmetro distintos para cada bem final produzido. Desta forma, foi apurado o preço médio ponderado, dividindose a somatória dos preçosparâmetro pela quantidade total de insumo importado utilizada na produção. O detalhamento dos cálculos dos preçosparâmetro pelo método PRL60 é mostrado na planilha "Demonstrativo dos cálculos dos preços parâmetro pelo PRL 60". Do método PRL ponderado (PRL20/60) Adicionalmente, a fiscalização verificou que um dos produtos importados, o MR402, foi revendido diretamente e também utilizado na produção de outro bem, o MR401. Nesse caso, obtevese o preçoparâmetro pela ponderação, de acordo com as quantidades utilizadas de insumo, entre os preçosparâmetro resultantes da aplicação das metodologias do método PRL com margem de 20% e de 60%. A planilha "Demonstrativo dos cálculos do preço parâmetro ponderado PRL 60 x PRL 20" mostra, em detalhes, os cálculos do preçoparâmetro ponderado. Do cálculo dos ajustes O ajuste unitário para cada item importado é a diferença entre o preço praticado na importação e o preçoparâmetro encontrado pelo método PRL. O ajuste total calculado é o resultado da multiplicação do ajuste unitário pelo consumo, que é o obtido somandose a quantidade do estoque inicial com a quantidade importada e, desse resultado, subtraindose a quantidade do estoque final. Cabe observar que um dos produtos importados pela contribuinte, codificado como IS1716, não havia sido computado nos cálculos de ajustes a título de preços de transferência. Ao analisar as importações efetivadas pela contribuinte em 2007, através do relatório do SISCOMEX, a fiscalização verificou que uma das importações havia sido codificada pela contribuinte com dois códigos diferentes: IS1643/IS1716. Notou também que havia diversas importações de produtos aparentemente idênticos, com a mesma descrição na DI (mesma fórmula, mesmo nome comercial, mesma qualidade, mesma concentração, mesma destinação, mesma apresentação e até mesmo n° de licença no Ministério da Agricultura), mas com códigos distintos. Algumas estavam com o código IS1643 e outras com o código IS1706. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 875 6 A fiscalização questionou a contribuinte se os três produtos, IS1643, IS1706 e IS1716, eram idênticos, se não havia nenhuma diferença entre eles, e solicitou que enviasse o arquivo de memórias de cálculo do insumo IS1716 já que, de acordo com a resposta da última intimação, haviam sido importados 2.304Kg desse produto através da DI n° 703779715 de 23/03/07. Esse item não constava das memórias de cálculo, sintética e analítica, enviadas inicialmente pela contribuinte. Em resposta, a contribuinte informou que "Não existe diferença entre eles, controlamos nos três itens por uma questão de rastreabilidade", e enviou três arquivos: um contendo as informações sobre a compra do produto, as quantidades de estoque, inicial e final, e a relação de produção entre o insumo IS1716 e os diversos produtos acabados, outro contendo o razão do estoque e outro com os comparativos de relação de produção dos insumos IS1643, IS1706 e IS1716. A fiscalização questionou, então, sobre as vendas dos produtos acabados que utilizam o produto IS1716 como insumo. Solicitou que a contribuinte enviasse o arquivo de memórias de cálculo analíticas da Deloitte ou que preenchesse uma tabela com as informações sobre as vendas. A contribuinte respondeu que: "Originalmente, o arquivo não foi gerado uma vez que todas as vendas dos PAs desta matéria prima se deram para vinculadas, conforme pode ser verificado no arquivo anexo. Por tal motivo não foi possível ser aplicado o PRL 60% para este item. Ademais, por ausência de informações para PIC e CPL, também não foi possível aplicar qualquer outro método para o insumo sob análise". E enviou um arquivo com as vendas dos produtos acabados que utilizaram o IS1716 como insumo. Só houve exportações para empresas vinculadas. Desta forma, considerando que não há como considerar essas vendas para o cálculo do preçoparâmetro do item IS1716 e considerando também que não existem diferenças entre os itens IS1643, IS1706 e IS1716, que são usados três códigos diferentes só por uma questão de rastreamento e controle interno, a fiscalização apurou um único preço praticado e um único preçoparâmetro, utilizando a média ponderada, para os três itens importados. Foram consideradas apenas as vendas válidas para o cálculo do preçoparâmetro, ou seja, as vendas efetuadas para empresas não vinculadas, conforme determinado pelo § 3º do artigo 18 da Lei nº 9.430/96. Os cálculos de ajustes podem ser visualizados na planilha "Demonstrativo dos cálculos de ajustes”. Ressalta a fiscalização que, seguindo o estabelecido no artigo 38 da IN SRF nº 243/2002, que trata da margem de divergência, só foram feitos ajustes nos casos em que a diferença entre o preço praticado e o preçoparâmetro foi superior a 5%. O quadro de fl. 432 mostra, nos casos em que foi encontrado ajuste, o valor do ajuste e um comparativo dos preços praticados e dos preçosparâmetro, de acordo com os cálculos da contribuinte e de acordo com os cálculos da fiscalização (que apurou ajuste total de R$ 16.699.842,12). (fls. 685 a 688) A contribuinte se insurgiu contra o lançamento, apresentando impugnação, à qual a DRJ SPO negou provimento, em acórdão cuja ementa foi assim redigida: Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 876 7 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇOSPARÂMETRO. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. PRINCÍPIOS ATIVOS. PRODUÇÃO DE OUTRO BEM. AGREGAÇÃO DE VALOR. Não se aplica o método PRL20 (PRL com margem de 20%) para efeito de determinação do preço de transferência de princípios ativos importados utilizados na produção de medicamentos para consumo final, por configurar produção de um outro bem. O método do PRL20 não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. ALEGAÇÕES ESPECÍFICAS QUANTO A DETERMINADOS PRODUTOS. CÁLCULOS DA CONTRIBUINTE. INCONSISTÊNCIA. Verificandose estarem corretos os procedimentos e cálculos da fiscalização, rejeitamse os argumentos e cálculos da contribuinte, que padecem de vícios insanáveis, por não observarem as normas vigentes. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência, por desnecessária. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, alegando, em síntese, os seguintes pontos: a) A ilegalidade do art. 12, § 11, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, por ofensa à regra inserida no art. 97 do CTN; e das disposições contidas no art. 5°, inciso II; art. 37, caput; art. 84, inciso IV; art. 150, inciso I, todos da Constituição Federal. A referida instrução normativa, no entender da recorrente, ultrapassa o disposto no art. 18, inciso II, alínea "d", item 1, da Lei nº 9.430/1996. b) A inconstitucionalidade da Lei nº 9.430, por ofensa aos princípios constitucionais, da razoabilidade, da proporcionalidade, da vedação ao confisco e do livre exercício de atividade econômica (art. 170, parágrafo único e art. 174, todos da Constituição). c) O direito da recorrente de adotar o método PRL20%, na apuração do preço parâmetro dos princípios ativos importados de pessoa jurídica vinculada. d) O direito a que os valores de frete e seguro, e o do Imposto de Importação não integrem o preço de aquisição de bens, no exterior, de pessoa jurídica vinculada, para efeito de dedutibilidade do custo dos referidos bens, em comparação com o preçoparâmetro, Fl. 876DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 877 8 apurado no Método PRL, razão pela qual, tais valores não poderiam ter sido incluídos no ajuste tributável apurado pelo Fisco. e) A improcedência do ajuste tributável relativamente aos produtos importados sob códigos pa491, pa492, pa493, pa494. A recorrente citou trabalhos doutrinários e julgados do antigo Conselho de Contribuintes, todos apontando a linha da ilegalidade da IN SRF nº 243/2002. Especificamente nas importações de princípios ativos, empregados pela indústria farmacêutica, afirmou que, na hipótese de ser necessário efetuar ajustes de preço de transferência, o método adequado é preço de revenda menos lucro, com a margem de 20% (PRL20), sendo imprópria a utilização da margem de 60% (PRL60) É que, em tais casos específicos envolvendo esse ramo de atividade, a produção de outro bem não implica, necessariamente, transformar ou a modificar a composição original do produto importado. Insistiu a recorrente em que não há produção de outro bem, dizendo que produzir é dar nascimento, é criar, gerar, fabricar; o que não ocorre com os princípios ativos, pois a adição de simples elementos inertes, diluentes ou aditivos aos princípios ativos importados não gera produto novo. Os princípios ativos continuam a ser os mesmos, tal como inicialmente importados. É a própria Lei nº 9.430 que fala, no art. 18, inciso II, alínea "d", item 1, em produção de outro bem. Assim, pequenos processos industriais de beneficiamento, recondicionamento e outras modalidades, que não alteram a natureza do bem, não impedem a utilização do PRL20. Insurgiuse também contra a inclusão dos valores de frete e seguro na determinação do preço praticado, ao argumento de que os valores de frete e seguro não podem ser incluídos, se pagos a pessoa não vinculada. Também questionou a inclusão no preço praticado do valor do Imposto de Importação. Questionou especificamente os ajuste relativos aos produtos individualizados com os códigos pa491, pa492, pa493, pa494, IS1643, IS1706 e IS1716, pedindo que fossem excluídos os ajustes relativos a todos eles ou que, subsidiariamente, os autos fosse remetidos à unidade de origem para diligência. Nas contrarrazões, a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN afirmou que a IN SRF nº 243/2002 simplesmente regulamentou o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, em estrita conformidade com a intenção do legislador, que era evitar a transferência indireta de lucros para o exterior nas operações praticadas entre partes vinculadas. A sistemática delineada pelo art. 18 da Lei nº 9.430 é voltada para a quantificação de um preçoparâmetro para o bem importado, e não para o bem produzido no país, razão pela qual não há coerência em se apurar a margem de lucro de 60% sobre o preço líquido de revenda do produto final. O objetivo da lei é encontrar um preço atribuível ao bem importado, a fim de comparálo com o preço praticado. Sua sistemática de cálculo deve ser fundamentada no valor de revenda do insumo importado, e não no valor total do bem produzido. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 878 9 O termo “preço de revenda” deve ser compreendido como a fração ideal que o insumo importado representa no preço de revenda do produto final. Corrigindo a distorção inicialmente implementada com a edição da IN SRF nº 32/2001, a metodologia veiculada no § 11 do art. 12 da IN SRF nº 243/2002, não mais determinou a incidência da margem de lucro de 60% sobre o preço líquido de venda do produto acabado, mas sobre a parcela desse valor que corresponde ao bem importado, isto é, a chamada “participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido”, o que viabiliza a apuração do preçoparâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância com o objetivo do método PRL60 e a finalidade do controle dos preços de transferência. A interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL60, constatação esta que se agrava pela impropriedade da redação, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430 é plurívoca, e dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa, de acordo com a finalidade da Lei. Quanto à aplicação do PRL60 aos princípios ativos, embora a recorrente alegue que não houve transformação “significativa” dos bens importados, não se pode afirmar que os produtos importados foram objeto de simples revenda. Tais mercadorias foram submetidas a uma última etapa de produção em território nacional, que consiste na agregação de matérias nacionais que as tornam apropriadas ao consumo. Tais elementos, ainda que inertes, aditivos ou diluentes, podem influenciar o nível, a forma e a velocidade de absorção do princípio ativo importado, de acordo com a natureza e concentração de tais elementos. Qualquer intervenção realizada pelo importador que não caracterize a mera revenda, acarretando agregação de valor, implica na submissão do item à produção local, sendo inafastável a incidência do PRL60 como método de determinação do preçoparâmetro. A não inclusão do frete, do seguro e do Imposto de Importação no preço praticado implica a comparação entre um “preço praticado FOB” e um “preço parâmetro CIF”, tendo em vista que aquelas parcelas compõem o custo de aquisição do produto importado e, portanto, estão inseridas no parâmetro calculado a partir do preço de revenda desse produto. Ao se subtrair a margem de lucro bruto do preço de revenda, atingese justamente o custo de aquisição do produto – no qual estarão incluídos os valores do frete, seguro e Imposto de Importação, tratandose de bem importado. Percebese que as parcelas de frete, seguro e Imposto de Importação sempre integram o preço parâmetro apurado com base no método PRL, na medida em que compõem o custo de aquisição do produto e, por inerência, repercutem no seu preço de revenda. Logo, para viabilizar a comparação com o preço parâmetro influenciado pelos valores do frete, seguro e Imposto de Importação, é imprescindível que tais valores também integrem os custos constantes no documento de importação, ou seja, tais parcelas devem ser incluídas no preço praticado pelas partes associadas, sob pena da comparabilidade restar prejudicada. Dito por outro modo, o “preço parâmetro CIF” deve necessariamente ser comparado com o “preço praticado CIF”, de forma a assegurar a equivalência entre os termos Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 879 10 da comparação. É mera técnica de neutralização voltada para possibilitar a comparação entre grandezas equivalentes. Foram feitas alegações específicas quanto aos produtos pa491, pa492, pa493, pa494. Sobre o fato de a reembalagem poder ou não configurar aplicação dos bens à produção, se remete às considerações já tecidas quando da análise da integração de elementos inertes, aditivos e diluentes aos princípios ativos. Mutatis mutandis, o entendimento a ser aplicado é o mesmo. Sobre as alegações específicas referentes aos produtos IS1643, IS1706 e IS1716, disse que a recorrente fora questionada pela Fiscalização (intimação n° 09) se os produtos IS1643 (CLORSULON PURO OUTSOURCED), IS1706 (CLORSULON LYNCHEM TCA UK) e IS1716 (CLORSULON LYNCHEM TCA RAYLO CANADÁ) eram idênticos. Em resposta, afirmou que "não existe diferença entre eles, controlamos nos três itens por uma questão de rastreabilidade". Como informa a Fiscalização, esses três produtos tinham a mesma descrição na DI (mesma fórmula, mesmo nome comercial, mesma qualidade, mesma concentração, mesma destinação, mesma apresentação e até mesmo número de licença no Ministério da Agricultura), apenas com códigos distintos. Tratandose, portanto, dos mesmos produtos (apenas com códigos diferentes, por razões de controle interno da recorrente), devese calcular um único preçoparâmetro para esses três produtos, a ser comparado com um único preço praticado na importação desses três produtos, apurandose um único ajuste unitário, que deve ser multiplicado pela quantidade sujeita a ajuste (considerando as saídas de todos os produtos que utilizam essa matéria prima, seja ela codificada como IS1643, IS1706 ou IS1716), para se apurar o ajuste total. Não há, portanto, que se falar na impossibilidade de se apurar o preço de transferência do produto IS1716. Com a manifestação da PFN, os autos vieram a julgamento. É o relatório. Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 880 11 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Inconstitucionalidade A recorrente arguiu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.430, por ofensa aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da vedação ao confisco e do livre exercício de atividade econômica. Ao CARF não é dado exercer controle de constitucionalidade de lei. Nesse sentido dispõe de forma inequívoca o art. 26A do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 2, cujo enunciado afirma que este Colegiado "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Ilegalidade do método PRL60 definido pela IN SRF nº 243/2002 A IN SRF nº 234/2002, no entender da recorrente, seria ilegal, pois, a pretexto de regular a aplicação do método PRL60, previsto no art. 18 da Lei n° 9.430, teria Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 881 12 ultrapassado os limites estabelecidos no próprio dispositivo legal, instituindo um critério em desacordo com a lei. O art. 18 da Lei nº 9.430, na parte que trata especificamente do PRL60, contém imprecisões de redação (apontadas nas contrarrazões da PFN e em outros julgados do CARF) que acabam fazendo com que o texto comporte mais de uma interpretação igualmente válida. Tratandose de lei a ser aplicada pela Administração, a esta caberia definir, dentre as várias interpretações possíveis, aquela que haveria de ser observada. Não deve causar estranheza a existência de lei cujo texto se abra a mais de uma possibilidade interpretativa. "A interpretação de uma lei não deve necessariamente conduzir a uma única solução como sendo a única correta, mas possivelmente a várias soluções que na medida em que sejam aferidas pela lei a aplicar têm igual valor, se bem que apenas uma delas se torne Direito positivo no ato do órgão aplicador do Direito." (Hans Kelsen. Teoria Pura do Direito) Não deve igualmente ser causa de perplexidade o fato de a Administração, tendo escolhido uma determinada linha de interpretação ou critério de aplicação da lei, venha depois a adotar uma nova interpretação ou critério jurídico, desde que não o faça com efeito retroativo. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo federal, prevê expressamente essa possibilidade. Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Tendo essas duas premissas como farol, passase a examinar o problema posto nos autos. A lei vigente ao tempo do fato gerador determinava, a fim de apurar o preço parâmetro pelo método PRL60, que do preço de revenda fosse diminuído: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 882 13 Diante desse texto, a IN SRF 32/2001 determinava uma forma de cálculo do preçoparâmetro pela qual se excluíam os valores correspondentes aos descontos incondicionais, aos tributos incidentes sobre vendas, às comissões e corretagens, e o valor agregado, remanescendo como base de cálculo para se chegar ao preçoparâmetro o valor correspondente ao custo do bem importado e a margem de lucro de todo o produto. IN SRF 243/2002, modificando o critério de cálculo, fez com que, ao se excluir o valor agregado, fosse com ele excluída a parcela da margem de lucro a ele correspondente. Vale dizer, a base sobre a qual incidiria a percentagem de 60% seria o valor do bem importado acrescido tãosomente da margem de lucro que lhe correspondesse. Pela IN SRF nº 32, o percentual de 60% era aplicado sobre o valor do bem importado acrescido da margem de lucro de todo o produto, independentemente da maior ou menor relevância daquele insumo em face do produto final. Se o bem industrializado fosse, por hipótese, um automóvel e o produto importado fosse a tampa do acendedor de cigarros, a base sobre a qual se aplicaria a margem de 60% seria a soma daquele bem (tampa do acendedor de cigarros) com a margem de lucro de todo o produto (automóvel), caracterizando enorme distorção. A IN SRF nº 243 veio eliminar essa distorção, fazendo com que ao excluir o valor agregado, fosse excluída também a parcela da margem de lucro a ele correspondente, de modo que, ao final, remanescesse a margem de lucro proporcional ao bem importado. Há quem acuse esse critério de ser nocivo à economia do País e de acarretar outros problemas, inibindo a atividade empresarial. Essas considerações, por mais relevantes que sejam, situamse em campo no qual não cabe ao CARF adentrar. O que compete este órgão julgador verificar é se o critério da IN SRF nº 243 é compatível com o texto legal. A resposta a essa pergunta tem sido reiteradamente no mesmo sentido. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF já se debruçou sobre essa matéria, decidindo pela legalidade da IN SRF nº 243, como se pode constatar, entre outros, pelo Acórdão nº 9101002.417, de cujo voto condutor se extraem os fundamentos abaixo reproduzidos: Em relação ao recurso da Fazenda, entendo que assistelhe razão porque não vislumbro a ilegalidade na referida IN. É que sejam as interpretações trazidas pela contribuinte, sejam as previstas em atos normativos editados pela Receita Federal, dentre eles a IN SRF nº 243, de 2002, representam expressões matemáticas resultantes da interpretação feita pelo aplicador da lei, relativamente às disposições do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, a leitura que a contribuinte faz do que dispõe o art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, nada mais é do que a sua interpretação dada ao comando, que representa uma dentre outras tantas possíveis, restando saber se essa sua interpretação traduz, efetivamente, o que desejou a Lei: que o preço parâmetro, obtido a partir de estabelecimento de métodos matemáticos, seja aquele igual ao custo incorrido sem artificialismo, não majorado por renda indevidamente transferida ao exterior, conforme se pode depreender da própria exposição de motivos da Lei: (...) Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 883 14 Mas, analisando a leitura que a Contribuinte faz da lei em suas contrarrazões, temse que ela defende que: i) a margem de lucro de 60% deveria ser aplicada sobre o preço líquido de venda total e não sobre o valor da participação do bem importado sobre o preço líquido de venda; e ii) que o desconto do valor agregado deveria ser da margem de lucro e não do preço líquido de venda. Afirma, ainda, que "as duas etapas" de cálculo da IN SRF n° 243, de 2002, "obrigam que a lucratividade total do processo industrial seja de 60%", ferindo a intenção do legislador. Pois bem, no que diz respeito à proporcionalização trazida pela IN, não vislumbro qualquer ofensa ou extrapolação legal; pelo contrário, ela permite "isolar" o efeito do insumo importado, no custo, em relação a outros insumos que não foram importados de pessoas jurídicas vinculadas. Ora, se o que se quer avaliar é se o insumo importado de pessoa ligada foi ou não majorado, no cômputo do custo, nada mais alinhado à intenção do legislador do que comparar o "efeito" do custo desse insumo sobre o custo total. Passandose às fórmulas matemáticas que traduzem a interpretação da aludida IN, é possível verificar que, ao contrário do que aduzido pela contribuinte, sequer houve majoração de base de cálculo. Isso porque: i) se o limite de dedutibilidade que é o preço parâmetro, ora chamado de PP é igual ao Preço Líquido de Venda (PLV) deduzido da Margem de Lucro de 60%, temse: PP = PLV Margem de Lucro de 60%, que pode ser simplificada (abstraindo se, por enquanto, a discussão do valor agregado), já que a margem de lucro é um percentual sobre o PLV, nos seguintes termos: PP = PLV 0,6PLV = 0,4 PLV ii) se a IN determina que se proporcionalize os custos dos insumos importados (Cl), em relação ao custo total (CT), temse PP = (CI/CT) X 0,4 x PLV Se todos os insumos forem importados, CI/CT = 1, o que significa dizer que nada foi alterado e mais: que atingiuse exatamente a mens legis, ou seja, o preço parâmetro foi calculado sobre todas as operações com pessoas vinculadas. Indose para o outro extremo, que seria uma quantidade mínima de insumos terem sido importados de pessoas vinculadas, o CI/CT será um valor bem pequeno, o que refletirá em uma redução no valor final do preço parâmetro. Mas entendimento diferente é que estaria equivocado, pois se não houvesse essa proporcionalização, o PP estaria "contaminado" com o custo dos insumos que foram agregados no Brasil, e não é isso, como já dito, que os ajustes de preço de transferência buscam. Aliás, cumpre verificar que a referida e questionada proporcionalização até prescinde de ato normativo porque se a lei diz o preço parâmetro é determinado pela aplicação de uma margem de lucro sobre o preço de revenda do produto importado Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 884 15 e, se não existe preço de revenda específico sobre esse produto importado, mas sim sobre um outro produto que foi produzido utilizandose esse produto importado, a única forma possível para se calcular o "preço de revenda do produto importado", é proporcionalizando o preço de revenda total do produto produzido e, para tanto, é preciso usar o critério da relação de custos. Em relação ao desconto do valor agregado, também não se pode dizer que a interpretação dada pela IN SRF n° 243, de 2002, extrapola ou fere a lei, pois, o entendimento da IN é o de que o valor agregado no Brasil tem que ser excluído do preço parâmetro porque, mais uma vez, o objetivo dos ajustes é neutralizar eventuais majorações de custos e despesas em operações com pessoas vinculadas, no caso, na importação. E reconhecido que o ato legal padeceu da boa técnica legislativa, tanto que, na Exposição de Motivos da MP n° 478/2009, trazida pela recorrente em seu recurso, porém interpretada por ela, equivocadamente, como um reconhecimento da ilegalidade da IN, o então AdvogadoGeral da União, justifica as alterações trazida pela medida provisória como sendo com o intuito de reduzir a litigiosidade que a lei, e não a IN, causava. Assim, a tentativa de colocar em lei o texto da IN, não é um reconhecimento de ilegalidade na IN, mas sim uma forma de deixar a interpretação da lei menos susceptível a discussões judiciais ou mesmo no contencioso administrativo. Mas é preciso deixar claro que a interpretação da lei buscada pela contribuinte, em que pese não evidenciar problemas de técnica legislativa, resulta em considerar que a lei trouxe um erro gramatical, senão vejamos: i) o texto da lei, mais uma vez reproduzido, porém com destaques é: (...) ii) para deduzir, como quer a Contribuinte, o valor agregado da margem de lucro, terseia que admitir que a redação da lei seria: "e o valor agregado no País". Porém a redação é "e do valor agregado no País". Portanto, de qualquer forma, é de se reconhecer que o texto não estava bem escrito. Mas, o fato é que esta interpretação buscada pela Contribuinte representaria mais uma distorção no que se pretende com os ajustes do preço de transferência, conforme se demonstra pela fórmula matemática que representa o que ela entende: PP = PLV 0,6 (PLVVA) = PLV 0,6PLV 0,6VA= 0,4PLV + 0,6VA Ou seja, o preço parâmetro seria 40% do preço líquido de venda acrescido de 60% do valor agregado. Assim, se o sujeito passivo agregasse muito valor ao produto no Brasil, o preço parâmetro poderia seria (sic) influenciado por esses valores, o que não tem a menor lógica, se o que se quer avaliar é justamente a influencia dos valores transacionados com o exterior, em operações com pessoas vinculadas. Ora, mais uma vez, é óbvio que a intenção do legislação só pode ser buscada se se excluir o que foi agregado no país do preço parâmetro para que não haja a influência desses valores no limite de dedutibilidade; e isso só ocorre se a fórmula for, tal como preceitua a IN: PP = PLV 0,6PL 0,6VA Neste sentido, esta CSRF já decidiu conforme diversos acórdãos que, a título de exemplo, cito o de nº 9101002.321, de 3 de maio de 2016, da lavra do Cons. André Mendes de Moura, o acórdão 9101002.175, de 27 de fevereiro de 2016, da Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 885 16 lavra do Cons. Marcos Aurélio Pereira Valadão. No âmbito das turmas ordinárias, faço destaques ao acórdão nº 1302001.164, de 10 de setembro de 2013, da lavra do exconselheiro Eduardo de Andrade, que, de uma forma bastante exaustiva, fazendo uso inclusive de gráficos, demonstra a legalidade da IN ora guerreada. No âmbito dos tribunais, a Fazenda Nacional colaciona em seu recurso posicionamentos recentes de Tribunais Regionais decidindo, de forma unânime, pela legalidade da mencionada IN, que considero oportuno transcrever: (...) TRF 3 Processo n° 2003.61.00.0061258/SP: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS N°S 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF N°S 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF n° 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF n° 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF n° 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei n° 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF n° 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF n° 243/2002, sem romper os contornos da regra matriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF n° 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF n° 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 886 17 valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. A parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF n° 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regramatriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF n° 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário n° 153.600 processo n° 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clóvis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível n° 0017381 30.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 5. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF n° 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, tanto a proporcionalização quanto a exclusão do valor agregado para cálculo do preço parâmetro nos termos preceituados pela IN foram necessários para se atingir a finalidade da norma que é "evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação de preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas", descabendo se falar, inclusive, que a IN obrigou que a lucratividade total do processo fosse de 60%, pois, o que ela fez foi excluir os efeitos dos valores agregados no Brasil, vez que o que estava sob análise eram os preços dos produtos praticados com as pessoas vinculadas no Exterior. Fl. 886DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 887 18 E preciso também deixar claro que não é a IN que fixou a margem de lucro de 60%, mas sim, a lei. Assim, descabido também o argumento de que a IN não funciona como instrumento de controle de preços se o contribuinte, de boafé, praticar uma margem de lucro de 60%. Com esses fundamentos, afastase a arguição de ilegalidade da IN SRF nº 243/2002. Ajustes pelo PRL60 aplicáveis aos princípios ativos Nesse ponto a recorrente questiona a validade da aplicação do PRL60 na apuração do preço parâmetro dos princípios ativos importados, ao argumento de que não haveria propriamente processo de industrialização, já que o produto permaneceria com as mesmas características, conservando as mesmas propriedades. O que é revendido, diz a recorrente, é o mesmo bem importado e, por isso, deveria ser aplicado o método PRL20 para o cálculo do preço de transferência. O requisito para a aplicação do PRL60 não é a existência de um processo de industrialização stricto sensu, ou seja, aquele que se enquadra em uma das modalidades de industrialização, tal como previsto no Regulamento do IPI. A condição que torna aplicável o método PRL60 é a existência de agregação de valor, ainda que o processo do qual decorra esse resultado não possa ser reconhecido como um típico processo de industrialização. Os parâmetros não são os mesmos do IPI. O importante aqui é verificar se houve agregação de valor, ou seja, custo em sentido contábil. Nessa acepção, custo é entendido como o valor despendido com bens e serviços na elaboração de outros produtos. São exemplos de custo: matéria prima, material de embalagem, bens que se consomem no processo de produção, energia elétrica, salários e encargos do pessoal da produção, depreciação de máquinas empregadas no processo industrial. Importante ter em mente que os custos, quando realizados, não são despesas, são ativo e se transferem para o produto. É como se o produto absorvesse o valor dos diversos fatores de produção. Nisso consiste a agregação de valor. Eis aqui o ponto: para a aplicação do método PRL60, no cálculo do preço parâmetro, basta que haja agregação de valor, ainda que de forma incipiente ou rudimentar; para a incidência do IPI, ao contrário, é preciso que a agregação de valor seja suficiente para consumar o processo de industrialização. Essa é a razão pela qual não se pode adotar, como quer a recorrente, o conceito de industrialização do IPI como critério de aplicação do método PRL60. No caso em tela, a recorrente admite de forma expressa que, aos princípios ativos, são adicionados elementos inertes, diluentes ou aditivos, os quais seguramente não têm custo zero. A adição desses produtos talvez não caracterize, para fins de IPI, um processo industrialização; mas, implicando transferência de custo, é suficiente para atrair a aplicação do método PRL60 no cálculo dos ajustes de preço de transferência. Frete, seguro e Imposto de Importação Insurgiuse a recorrente contra a inclusão dos valores de frete e seguro na determinação do preço praticado, alegando que tais valores não podem ser incluídos, se frete e Fl. 887DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 888 19 seguro foram pagos a pessoas não vinculadas. Também questionou a inclusão no preço praticado do valor do Imposto de Importação. A inclusão desses valores no preço praticado é necessária para permitir a comparação com o preço parâmetro, no qual os referidos dispêndios já se acham inseridos. À lei se apresentavam duas alternativas, a fim de assegurar a congruência na comparação dos dois preços: ou mandava adicionar ao preço praticado os valores de frete, seguro e imposto, ou mandava excluílos do preço parâmetro. A lei preferiu a primeira hipótese. Há precedentes da CSRF nesse sentido, dos quais pode ser tomado como exemplo o Acórdão nº 9101002.524, cuja ementa, na parte que toca ao ponto aqui tratado, foi assim redigida: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. Segundo o disposto no art. 18, § 6o, da Lei n° 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzilos como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preçoparâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Produtos específicos A recorrente se opôs, de forma específica, aos ajuste referentes aos produtos individualizados com os códigos pa491, pa492, pa493, pa494, IS1643, IS1706 e IS1716, pedindo que fossem excluídas do lançamento as respectivas adições feitas pela Fiscalização. Subsidiariamente, na eventualidade de ser indeferida a pretensão, pediu que os autos fossem remetidos à unidade de origem para diligência acerca dos cálculos. A discordância quanto aos ajustes dos produtos classificados sob os códigos pa491, pa492, pa493 e pa494 tem o seguinte fundamento: É que, "in casu", tratase efetivamente de simples REEMBALAGEM de PIPETA ("princípio ativo" "fipronil" embalado) importada do exterior pela MERIAL, e que, por isso mesmo, NÃO IMPLICA "NA PRODUÇÃO DE OUTRO BEM" e, portanto, frisese, tratase de simples REVENDA dessa "PIPETA" (princípio ativo "fipronil" embalado) importada agora com o nome comercial "FRONTLINE", e por via de conseqüência, DECIDIDAMENTE, há, de se aplicar, à essa REVENDA, o MÉTODO PRL20% e não de PRL60%. (fl. 824) (grifos da recorrente) A controvérsia aqui não difere daquela que envolve os princípios ativos: discutese a existência de processo de industrialização. Se a questão é essencialmente a mesma, a ela há de ser aplicada idêntica decisão, com base nos mesmos fundamentos. Fl. 888DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 889 20 Quanto ao produto classificado sob o código IS1716, afirma a recorrente que todas as vendas foram feitas a pessoa ligada, razão pela qual não haveria como calcular o preçoparâmetro. Quanto aos outros dois, IS1643 e IS1706, haveria erro nos cálculos. Acerca dos produtos classificados nesses três códigos, a autoridade fiscal fez a seguinte observação no Termo de Constatação Fiscal: Na Intimação n° 09 questionamos, entre outros pontos, se os três produtos, IS1643, IS1706 e IS1716, eram idênticos, se não havia nenhuma diferença entre eles, e solicitamos que o contribuinte enviasse o arquivo de memórias de cálculo do insumo IS1716 já que, de acordo com a resposta da última intimação, haviam sido importados 2.304Kg desse produto através da Dl n° 703779715 de 23/03/07. Esse item não constava das memórias de cálculo, sintética e analítica, enviadas inicialmente pelo contribuinte. Em resposta à intimação n° 09, o contribuinte informou "Não existe diferença entre eles, controlamos nos três itens por uma questão de rastreabilidade.", e enviou três arquivos: um contendo as informações sobre a compra do produto, as quantidades de estoque, inicial e final, e a relação de produção entre o insumo IS1716 e os diversos produtos acabados, outro contendo o razão do estoque e outro com os comparativos de relação de produção dos insumos IS1643, IS1706 e IS1716. (fl. 430) A própria recorrente admitiu que, por questões internas, os três códigos eram utilizados para classificar o mesmo produto. Se é assim, não existe o óbice que impediria a apuração do preço parâmetro para os produtos do código IS1716, pois a eles aplicarseia o mesmo preço parâmetro dos produtos sob os códigos IS1643 e IS1706. Em relação aos produtos classificados nos códigos IS1643 e IS1706, a recorrente sustenta ainda ter havido erro de cálculo. A decisão recorrida se reporta aos supostos erros da seguinte forma: Com relação aos cálculos efetuados pela contribuinte relativos aos produtos codificados como IS1643 e IS1706 (docs. 09/26 e 27/30, fls. 603/658 e 659/668), estes devem ser desconsiderados, por apresentarem os seguintes vícios: • No cálculo do preço praticado, foi utilizado o valor FOB, quando o correto seria a utilização do valor CIF acrescido do Imposto de Importação; • No cálculo do preçoparâmetro pelo método PRL60, não foi utilizada a metodologia prevista no artigo 12 da IN SRF n° 243/2002; (fl. 699) Esses pontos não se caracterizam como erro de cálculo; são, na verdade, divergências de critério. A Fiscalização entende aplicável a IN SRF nº 243/2002, a recorrente prefere a IN SRF nº 32/2001; a Fiscalização incluiu no preço praticado os valores de frete, seguro e Imposto de Importação; a recorrente quer preço FOB. O que existe aqui é embate acerca de critérios jurídicos. Aliás, esses são precisamente os pontos em torno dos quais gira toda a controvérsia posta neste processo. O que ocorre com os produtos classificados sob os códigos IS1643 e IS1706 não é diferente do que se passa com os demais produtos. Não há motivo para dar a esses dois produtos tratamento diferente. Portanto, deve ser indeferida a pretensão da recorrente. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 10830.722777/201171 Acórdão n.º 1301002.416 S1C3T1 Fl. 890 21 Pela mesma razão, também se mostra desnecessária a diligência para a verificar a correção dos cálculos. No mais, em se tratando de alegação de erro nos cálculos, cabe a quem alega apontar de forma específica e clara quais são as incorreções existentes, informando também os valores que seriam corretos, sob pena de a alegação se tornar abstrata, servindo tão somente para abrigar o inconformismo com o ato impugnado. Frisese, por último, que o recurso não questiona os ajustes feitos pela Fiscalização no que tange às despesas de juros. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Quando os lançamentos de IRPJ e CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 890DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.902309/2011-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.828
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 23 09 /2 01 1- 56 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902309/201156 Acórdão n.º 3302003.828 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.259. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10140.902309/201156 Acórdão n.º 3302003.828 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10140.902309/201156 Acórdão n.º 3302003.828 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10140.902309/201156 Acórdão n.º 3302003.828 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10140.902309/201156 Acórdão n.º 3302003.828 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.722981/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATERIA NÃO PREQUESTIONADA. NÃO APRECIAÇÃO.
Em julgamento de Recurso Voluntário, salvo questões de ordem pública, não cabe a apreciação de matéria que não tenha sido prequestionada, expressamente, em sede de impugnação.
Numero da decisão: 2401-004.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada).
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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MATERIA NÃO PREQUESTIONADA. NÃO APRECIAÇÃO. Em julgamento de Recurso Voluntário, salvo questões de ordem pública, não cabe a apreciação de matéria que não tenha sido prequestionada, expressamente, em sede de impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 29 81 /2 01 2- 95 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10510.722981/201295 Acórdão n.º 2401004.788 S2C4T1 Fl. 142 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada). Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10510.722981/201295 Acórdão n.º 2401004.788 S2C4T1 Fl. 143 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 120/127) interposto em face do acórdão nº. 1536.045 (fls. 105/108), que julgou improcedente a impugnação da recorrente, restando assim ementado: COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA QUALIFICADA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada qualificada. IMPUGNAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONEXO. PARCELAMENTO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. O pedido de parcelamento põe fim ao litígio nos exatos limites dos valores parcelados e implica renúncia ao contencioso administrativo. O crédito tributário foi lançado através do Auto de Infração (AI) pelo descumprimento de obrigação principal, identificado pelo DEBCAD nº 51.026.8099, em nome do município acima identificado, referente à competência 12/2008, no valor atualizado de R$ 4.056.531,95 (quatro milhões cinqüenta e seis mil quinhentos e trinta e umreais e noventa e cinco centavos). De acordo com o Relatório Fiscal do AI, fls. 12 a 14, foi lançada contra o Município de Poço Verde Prefeitura Municipal, multa isolada de que trata o § 10 do art. 89 da Lei 8.212/91, acrescentado pela Medida Provisória 449 de 3/12/2008 (convertida na Lei n.° 11.941 de 2009), por ter a Prefeitura informado em GFIP valores relativos a compensações de contribuições previdenciárias para as quais não foram apresentados documentos que comprovassem a existência dos créditos. Para apurar a regularidade das compensações declaradas foram consideradas pela fiscalização, nas competências 11/2007 a 8/2011, as GFIP que se encontravam na situação de exportadas nos sistemas da Receita Federal do Brasil no dia de início da fiscalização, e para as competências 1/2012 a 4/2012 as GFIP que se encontravam como exportadas no dia da ciência do Termo de Intimação Fiscal n.° 2 (1/8/2012), conforme o Anexo 1Resumo das GFIP, juntado a este processo. A apuração do valor da multa se deu conforme o §10, do art. 89, da Lei 8.212/91, que estabelece que quando verificada a compensação indevida, na qual se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I, do caput do art. 44 da Lei 9.430, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Deve ser observado que na multa isolada aplicada através deste AI considera se a data da ocorrência do fato a data da entrega da GFIP independente da competência a que Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10510.722981/201295 Acórdão n.º 2401004.788 S2C4T1 Fl. 144 4 se refira, desta forma a competência da multa isolada é o mês em que ocorreu a infração, ou seja, o mês em que foram apresentadas as GFIP com informação falsa. Cientificada do lançamento em 15/8/2012 (fl. 68), a autuada apresentou impugnação em 14/9/2012 (fl. 71). Consta dos autos termo de desistência de impugnação ou recurso administrativo, juntado em 28/3/2013, em face de adesão do sujeito passivo a parcelamento (fls. 87/88). À fl. 98, juntado Despacho de Encaminhamento dando seguimento ao presente processo administrativo para julgamento, em virtude do débito exigido no presente processo administrativo não ser passível de inclusão no parcelamento da Lei nº. 12.810/13, ao qual tinha a recorrente aderido. Julgada improcedente a impugnação, conforme acórdão cuja ementa foi acima reproduzida, a recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 120/127) onde alega, em síntese: a) apresenta informações desconexas com relação ao parcelamento do débito; b) não poderia ser exigida a multa já que fora impugnado o auto de infração que exigia o pagamento das contribuições previdenciárias cujas compensações foram glosadas; c) a glosa das compensações se deu pela prescrição dos créditos utilizados na compensação, motivo pela qual não deveria prevalecer a hipótese de falsidade de declaração; d) parte dos créditos glosados nas compensações que ensejaram a aplicação da multa isolada ora combatida estavam lastreados em decisões judiciais que os reconheciam; e) não teria sido demonstrado o dolo da recorrente, razão pela qual não seria cabível a aplicação da multa do § 10 do art. 89 da Lei nº. 8.212/91. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10510.722981/201295 Acórdão n.º 2401004.788 S2C4T1 Fl. 145 5 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade Não há no recurso voluntário carimbo que comprove a data do seu protocolo, tampouco qualquer outro documento neste sentido. Todavia, há a informação de juntada por parte da autoridade fiscal (fl. 136) que nada insurge quanto a eventual intempestividade do recurso voluntário e determina o encaminhamento do mesmo a este e. Conselho, razão pela qual tomarei o mesmo como tempestivo, ante a ausência de alegação em contrário. E por atender aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Mérito Da multa isolada Tratase a controvérsia unicamente acerca do cabimento ou não do § 10º do art. 89 da Lei nº. 8.212/91, que possui a seguinte redação: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Pois bem. Para a verificação da manutenção ou não da aplicação do mesmo, necessária se faz a análise das razões do auto de infração, as quais reproduzo a seguir: Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10510.722981/201295 Acórdão n.º 2401004.788 S2C4T1 Fl. 146 6 Em suas razões recursais, a recorrente argumenta não haver sido comprovado o dolo apto a caracterizar a aplicação da multa em questão. Também, menciona os processos judiciais que dariam lastro aos créditos utilizados nas compensações glosadas. Em que pese a singeleza das razões recursais, analisando os fundamentos do auto de infração, entendo que não restou comprovado o dolo apto a manter a presente autuação. Como se vê, o ente municipal contratou consultoria "especializada" que, embora demonstrado que posteriormente poderia estar envolvida em irregularidades decorrentes justamente do tipo de serviço prestado à recorrente, não há provas do conhecimento desta à época da celebração do contrato e da realização das compensações. Ademais, o próprio contrato firmado entre as partes remete a levantamento de créditos para compensação, podendo indicar, frisese, PODENDO INDICAR, a boafé da recorrente, sem, contudo, poder afirmar, frisese, PODER AFIRMAR, que teria agido com dolo. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10510.722981/201295 Acórdão n.º 2401004.788 S2C4T1 Fl. 147 7 Assim, ante as razões acima expostas, entendo que os fundamentos apresentados pela fiscalização não foram suficientes para demonstrar inequivocamente a falsidade da recorrente na realização das compensações, entendo inaplicável a multa no patamar estabelecido pelo § 10º do art. 89 da Lei nº. 8.212/91. CONCLUSÃO Isto posto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10510.722981/201295 Acórdão n.º 2401004.788 S2C4T1 Fl. 148 8 Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Com a maxima venia, divirjo do Relator, pois entendo que a multa deve ser mantida, conforme razões a seguir expostas. A pena administrativa consignada no presente Auto de Infração, fl. 2, corresponde à multa isolada (qualificada) prevista na Lei 8.212/91, art. 89, § 10, acrescentado pela Medida Provisória 449, de 3/12/08 (convertida na Lei 11.941/09): § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em análise, tal multa foi aplicada em razão da PREFEITURA MUNICIPAL DE POÇO VERDE ter informado em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) valores de compensação de contribuições previdenciárias para as quais não foram apresentados documentos que comprovassem a existência dos créditos, tendo sido emitida, inclusive, Representação Fiscal para Fins Penais. Cabe destacar que o crédito referente à glosa das compensações (DEBCAD nº 51.026.8072) foi parcelado pelo sujeito passivo. A esse respeito, colacionamos, aqui, as considerações da DRJ/SDR quanto ao parcelamento e à consequente confissão irretratável do débito: O pedido de parcelamento importa em confissão irretratável do débito e configura confissão extrajudicial, nos termos dos artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil. Por conseguinte, não cabe mais discussão sobre as exigências parceladas. Desta forma, o pedido de parcelamento referido põe fim ao litígio nos exatos limites dos valores parcelados e implica renúncia ao contencioso administrativo. Quanto à multa isolada em si, a qual, como dito, compõe o objeto do presente processo, insta destacar que não houve prequestionamento na impugnação apresentada, fls. 72 a 77, fato este, inclusive, apontado na decisão de primeira instância, fls. 105 a 108. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10510.722981/201295 Acórdão n.º 2401004.788 S2C4T1 Fl. 149 9 Dessa forma, como não cabe a apreciação de razões recursais não prequestionadas, expressamente, em sede de impugnação, salvo quando se tratar de questão de ordem pública, que não é o caso, mantenho a multa qualificada, na forma como lançada. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720996/2012-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO.
Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida.
BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS.
As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98.
Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros.
Numero da decisão: 9303-005.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram. Acordam, ainda, em rejeitar o sobrestamento do processo, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Possas, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Originalmente, nos termos do art. 60 do Anexo II do RICARF, votaram por negar provimento ao recurso os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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INSTITUIÇÃO FINANCEIRA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram. Acordam, ainda, em rejeitar o sobrestamento do processo, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento parcial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Possas, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 96 /2 01 2- 72 Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.236 2 Castro Souza. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Originalmente, nos termos do art. 60 do Anexo II do RICARF, votaram por negar provimento ao recurso os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67, e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº3403003.571, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de julgamento, que decidiu dar provimento ao Recurso, por entender que a decisão judicial de 1º Grau, que trata sobre o alcance das receitas financeiras do PIS e da COFINS, prevalece sobre o Acórdão exarado pelo Tribunal Regional Federal da 3º Região, transitado em julgado, que deu provimento parcial à apelação e à remessa oficial, substituindo a sentença de primeiro grau, e decidindo a lide, na extensão do contido no julgamento proferido pelo STF nos termos dos Recursos Extraordinários 357.950/RS, 390.840/MG e 358.273/RS. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Versa o presente sobre os PER/DCOMP de fls. 4 a 71 (transmitida em 28/10/2011, utilizando o valor de R$ 277.174,87), 8 a 11 (transmitida em 18/10/2011, utilizando o valor de R$ 2.034.454,56), 12 a 15 (transmitida em 05/10/2011, utilizando o valor de R$ 159.000.001,43), 16 a 19 (transmitida em 28/09/2011, utilizando o valor de R$ 45.135.006,47), 20 a 23 (transmitida em 19/09/2011, utilizando o valor de R$ 2.077.504,53), 24 a 27 (transmitida em 31/08/2011, utilizando o valor de R$ 43.124.588,15), e 20 a 23 (pedido de restituição, transmitido em 31/08/2011, no valor de R$ 249.643.150,13), todos demandando a compensação/restituição de créditos decorrentes de ação judicial, nº 2006.61000034220, com trânsito em julgado em 12/11/2008 (com homologação da desistência de execução em 13/06/2011). Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.237 3 No despacho decisório (fls. 284 a 304), o direito creditório é parcialmente reconhecido (no valor de R$ 209.264,60), homologandose também de forma parcial as compensações (prosseguindose a cobrança dos débitos indicados em compensações não homologadas e propondose o lançamento de multa isolada de 50% sobre os créditos utilizados nas DCOMP não homologadas), considerando que: (a) a ação judicial nº 2006.61.00.0034220 buscou, com fulcro na inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei nº 9.718/1998, a declaração de inexistência de relação jurídica pertinente à exigência da COFINS nos moldes de tal dispositivo, com o reconhecimento do direito de compensar os valores indevidamente recolhidos, obteve sentença favorável de primeira instância, tendo o TRF, em grau recursal, dado parcial provimento à apelação e à remessa oficial, reconhecendo a existência do indébito e autorizando a compensação nos termos da Lei nº 8.383/1991, observada a prescrição qüinqüenal; tendo a autora, por fim, desistido (em 05/09/2008) do REsp de nº 1.083.122, interposto em relação à decisão do TRF, tendo ocorrido trânsito em julgado em 12/11/2008 (resumo das decisões às fls. 285 a 291); (b) com a desistência do recurso especial interposto pela empresa (homologada em 15/10/2008) antes da manifestação do STJ, e com a renúncia à execução do título judicial (em 13/05/2011), foi protocolizado “pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial”, formalizado no processo administrativo de no 16327.720739/201150 (anexado aos autos); (c) em face da incerteza quanto aos limites e efeitos da coisa julgada material formada nos autos da ação judicial nº 2006.61.00.0034220, foi formulada consulta à PGFN, que informou não ter havido o afastamento definitivo judicial das receitas financeiras, cabendo a aplicação do disposto no Parecer PGFN/CAT no 2.773/2007, excluindose da base de cálculo da COFINS somente as receitas não operacionais; (d) a decisão judicial que transitou em julgado, decorrente de decisão do TRF3, não assegura, ao menos nos termos em que formulado o pedido inicial, a certeza e a liquidez sobre o pretendido indébito de COFINS, tanto que a própria empresa questionou em embargos a obscuridade do aresto quanto à matéria (obscuridade não resolvida no correspondente acórdão); (e) a exclusão da base de cálculo da COFINS para as instituições financeiras, de receitas decorrentes de intermediação financeira e/ou da aplicação de recursos próprios e de terceiros, como suplicada pelo interessado na lide, encontrase pendente de apreciação pelo STF, em caráter de repercussão geral, no RE nº 609.096/RS; (f) para corroborar a assertiva, basta o fato de ter a mesma empresa, com o propósito de afastar a incidência da COFINS sobre as discutidas rendas de Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.238 4 intermediação e aplicações financeiras dos períodos de apuração out/2005 e subsequentes, ajuizado Mandado de Segurança de no 2005.61.00.0260148, com RE sobrestado em função do citado paradigma; (g) em caso análogo, no qual a unidade da RFB teve a mesma interpretação a respeito dos efeitos da coisa julgada, o posicionamento foi inclusive confirmado em juízo (fls. 296/297); e (h) como a decisão judicial deixou de analisar o alcance da expressão “receitas financeiras” no caso concreto, a unidade o faz, à luz da legislação e de precedentes, concluindo que para as instituições financeiras devem ser excluídas da base de cálculo da COFINS as receitas “não operacionais”. O Acórdão recorrido, restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO JUDICIAL QUE ENFRENTA O DETALHAMENTO DO ALCANCE. 1. Caso específico em que o contribuinte instigou o Poder Judiciário, tanto na petição inicial como pelo manejo de embargos de declaração, os quais foram acolhidos, obtendo o reconhecimento de que a base de cálculo da contribuição não alcança as receitas financeiras da instituição financeira. 2. Não se mostra plausível pretender retirar as rendas de intermediação financeira do conceito de receita financeira. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que: "a relação jurídica de direito material entre as partes está regrada inteiramente pelo v. acórdão do TRF da 3ª Região, o qual estabeleceu como base de cálculo da COFINS aquela prevista na Lei Complementar 70/91, de forma que não há fundamento para a pretendida exclusão da base de cálculo da COFINS, períodos de apuração Fev/2001 a Dez/2005, das receitas financeiras que abrangem, por força do já demonstrado e consagrado pelo STF no julgamento dos REE 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR, as receitas decorrentes de serviços relativos à operações bancárias (intermediação financeira), não se restringindo, portanto, a base de cálculo da COFINS às receitas provenientes de serviços bancários (tarifas), uma vez que ambos os serviços compõe sua receita operacional = soma das receitas oriundas do exercício de suas atividades empresariais. Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.239 5 Tal como já demonstrado na configuração da divergência do presente recurso, essa idêntica questão do BANCO BRADESCO, referente à inclusão das receitas financeiras no faturamento das instituições e o confronto com o decisum da Ação Ordinária nº 2006.61.00.0034220, foi objeto de julgamento neste CARF pela 2ª Turma, 3ª Câmara, da 3ª Seção, nestes termos: Processo nº 16327.000190/201183 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302002.768 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de novembro de 2014 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO BRADESCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. PEDIDO. FATOS E FUNDAMENTOS. CONDIÇÃO. Na ação civil, regra geral, a lide se estabelece em relação aos fatos descritos e juridicamente fundamentados na petição inicial e o pedido está relacionado a esses fatos descritos (art. 282, III e IV, do CPC). PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO. Naquilo que foi objeto de recurso, a decisão a decisão de segundo grau substitui integralmente a decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta, a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento, promovida pela Lei nº 9.718/98. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA A aplicação da multa isolada de 50% calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada encontrase expressamente prevista Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.240 6 na legislação que rege a matéria, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo afastála. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto acompanhou o relator pelas conclusões". Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3302002.768 e 9303002.994. Em seguida, submetido ao exame de admissibilidade, fls.1047/1051, o Presidente da Câmara admitiu integralmente o Recurso por atender os requisitos legais. Transcrevo as ementas dos acórdão paradigmas: Acórdão nº 3302002.768 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. PEDIDO. FATOS E FUNDAMENTOS. CONDIÇÃO. Na ação civil, regra geral, a lide se estabelece em relação aos fatos descritos e juridicamente fundamentados na petição inicial e o pedido está relacionado a esses fatos descritos (art. 282, III e IV, do CPC). PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO. Naquilo que foi objeto de recurso, a decisão de segundo grau substitui integralmente a decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta, a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento, promovida pela Lei nº 9.718/98. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA A aplicação da multa isolada de 50% calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada encontrase expressamente prevista na legislação que rege a matéria, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo afastála. Acórdão nº 9303002.994 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.241 7 Data do fato gerador: 31/12/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1° do caput do artigo 3° da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 1060/1111, requerendo o não conhecimento do Recurso da Fazenda Nacional, e, no mérito que seja negado provimento, mantendose a decisão recorrida nos termos do que decidiu a Câmara a quo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. A discussão cingese da existência ou não da relação jurídica de uma ação judicial ajuizada pelo sujeito passivo sobre a inclusão de receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência das contribuições do PIS/PASEP e COFINS. Para melhor compreensão e deslinde da lide, reproduzo corretamente o fluxo processual: A Contribuinte ajuizou a ação judicial sob nº 2006.61.00.0034220, buscou, com fulcro na inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei nº 9.718/1998, a declaração de inexistência de relação jurídica pertinente à exigência da COFINS nos moldes de tal dispositivo, com o reconhecimento do direito de compensar os valores indevidamente recolhidos, obteve sentença favorável de primeira instância, tendo o TRF, em grau recursal, dado parcial provimento à apelação e à remessa oficial, reconhecendo a existência do indébito e autorizando a compensação nos termos da Lei nº 8.383/1991, observada a prescrição qüinqüenal; tendo a autora, por fim, Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.242 8 desistido (em 05/09/2008) do REsp de nº 1.083.122, interposto em relação à decisão do TRF, tendo ocorrido trânsito em julgado em 12/11/2008 (resumo das decisões às fls. 285 a 291); com a desistência do recurso especial interposto pela empresa (homologada em 15/10/2008) antes da manifestação do STJ, e com a renúncia à execução do título judicial (em 13/05/2011), foi protocolizado “pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial”, formalizado no processo administrativo de no 16327.720739/201150 (anexado aos autos); (c) em face da incerteza quanto aos limites e efeitos da coisa julgada material formada nos autos da ação judicial nº 2006.61.00.0034220, foi formulada consulta à PGFN, que informou não ter havido o afastamento definitivo judicial das receitas financeiras, cabendo a aplicação do disposto no Parecer PGFN/CAT no 2.773/2007, excluindose da base de cálculo da COFINS somente as receitas não operacionais; (d) a decisão judicial que transitou em julgado, decorrente de decisão do TRF3, não assegura, ao menos nos termos em que formulado o pedido inicial, a certeza e a liquidez sobre o pretendido indébito de COFINS, tanto que a própria empresa questionou em embargos a obscuridade do aresto quanto à matéria (obscuridade não resolvida no correspondente acórdão); Nada obstante, na sessão de julgamento de 13 de fevereiro de 2017, o Patrono da Contribuinte entregou para este relator petição contendo o seguinte: " em demonstração de sua mais absoluta boafé, dar ciência a V.Sa. de fato novo que com a máxima vênia torna necessário o sobrestamento do julgamento do presente feito até definição pelo Poder Judiciário quanto ao contexto fático que devera ser considerado na apreciação do recurso interposto." Prossegue com os seguintes argumentos: "Ocorre que no último dia 19 foi publicado o acórdão que julgou aquele agravo e instrumento (doc j), ocasião em que se reconheceu a improcedência dos argumentos invocados pela DEINF/SP e DRJ/FNS nos presentes autos, confirmando o entendimento do v. acórdão nº 3403003.571, ou seja reconhecido que: a)O despacho decisório: que o fato de a sentença de 1º instância ter excluído as receitas financeiras da base de cálculo seria irrelevante porque o acórdão do TRF não tratou expressamente da questão e teria substituído integralmente a sentença; e b) a decisão da 4º Turma da DRF/FNS: b.1) inovando na argumentação até então utilizada que " o que foi expressamente objeto do pedido da ação foi reconhecimento de que a COFINS somente poderia ser exigida sobre o faturamento foi como conceituado pelo art. 2º da LC 70/91; entretanto (...) não foi especificado que nesse conceito de faturamento não estão enquadradas as suas receitas financeiras"; bem como b.2) insistindo no equivocado entendimento do despacho decisório que "face ao efeito Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.243 9 substitutivo, a decisão que formou a coisa julgada material foi o acórdão proferido pelo TRF/3º Região e não a sentença, visto que essa foi substituída por aquela". Já a C. 3º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção do CARF quando do julgamento do recurso voluntário concluiu que " a decisão judicial proferida no caso concreto de recorrente detalhou que o seu efeito concreto, inerente á declaração de inconstitucionalidade e do delineamento do conceito de faturamento dela decorrente, afasta as receitas financeiras, e que não se pode excluir deste conceito as rendas da intermediação financeira ( Acórdão nº 3403003.571)". Como bem se observa, o processo judicial ainda não foi encerrado, não existe fato novo, ou qualquer manifestação final acerca da lide, até porque, a Fazenda Nacional não esgotou todos os recursos inerentes a ampla defesa. Neste sentido, vejamos a decisão do Agravo de Instrumento interposto pela Contribuinte junto a Tribunal Regional Federal da 3º Região. Reproduzo integralmente: AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 001440327.2015.4.03.0000/SP 2015.03.00.0144035/SP RELATOR : Desembargador Federal NELTON DOS SANTOS AGRAVANTE : BANCO BRADESCO S/A ADVOGADO : SP026750 LEO KRAKOWIAK e outro(a) AGRAVADO(A) : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : SP000003 JULIO CÉSAR CASARI E CLAUDIA AKEMI OWADA PARTE RÉ : ALVORADA CARTOES CREDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S/A e outros(as) : BANCO BOAVISTA INTERATLANTICO S/A : BANCO FINASA S/A : BANCO MERCANTIL DE SAO PAULO S/A : BRADESCO LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL ORIGEM : JUIZO FEDERAL DA 21 VARA SAO PAULO Sec Jud SP No. ORIG. : 00034228420064036100 21 Vr SAO PAULO/SP PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. SENTENÇA DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA, COM RECONHECIMENTO DO DIREITO À COMPENSAÇÃO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. REEXAME NECESSÁRIO PARCIAL. CONDIÇÃO DE EFICÁCIA DA SENTENÇA. AVOCAÇÃO DOS AUTOS PARA A INTEGRALIZAÇÃO DO REEXAME NECESSÁRIO. AGRAVO PREJUDICADO. 1. A sentença que declara a inexistência de relação jurídica tributária e reconhece o direito à compensação impõe ao Fisco um dever de abstenção, Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.244 10 consistente em não proceder aos respectivos atos de cobrança. Assim, eventual descumprimento da sentença deve ser discutido e decidido nos próprios autos e não no âmbito da execução fiscal que veio a ser promovida pela Fazenda Pública. 2. O reexame necessário é condição de eficácia da sentença e sem ele não se opera o trânsito em julgado. Tratase de dever indeclinável e indisponível do Tribunal, decorrente de norma de ordem pública, absolutamente cogente; e que, justamente por isso, não pode ser evitado pelas partes. 3. Constatado, concretamente, o fato de que o Tribunal não procedeu ao integral reexame necessário da causa, deixando o acórdão de relatar, fundamentar, dispor ou mesmo fazer qualquer referência a respeito de um dos pedidos do autor, por sinal contestado pela ré, cumprelhe avocar os autos para que proceda à complementação do julgamento. 4. Decisão cassada. Agravo prejudicado. AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 001440327.2015.4.03.0000/SP 2015.03.00.0144035/SP RELATOR : Desembargador Federal NELTON DOS SANTOS AGRAVANTE : BANCO BRADESCO S/A ADVOGADO : SP026750 LEO KRAKOWIAK e outro(a) AGRAVADO(A) : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : SP000003 JULIO CÉSAR CASARI E CLAUDIA AKEMI OWADA PARTE RÉ : ALVORADA CARTOES CREDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S/A e outros(as) : BANCO BOAVISTA INTERATLANTICO S/A : BANCO FINASA S/A : BANCO MERCANTIL DE SAO PAULO S/A : BRADESCO LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL ORIGEM : JUIZO FEDERAL DA 21 VARA SAO PAULO Sec Jud SP No. ORIG. : 00034228420064036100 21 Vr SAO PAULO/SP O Senhor Desembargador Federal Nelton dos Santos (Relator): Tratase de agravo de instrumento interposto pelo Banco Bradesco S/A, contra decisão de f. 2.6452.647 dos autos da demanda de rito ordinário n.º 0003422 84.2006.403.6100, ajuizada em face da União, e em trâmite perante o Juízo Federal da 21ª Vara Cível de São Paulo, SP. Segundo o MM. Juiz de primeiro grau, "claro está que não existe na fundamentação ou no dispositivo da sentença, antes ou depois dos embargos, discussão alguma acerca da exclusão ou não de receitas operacionais das instituições financeiras do conceito de faturamento, como, aliás, tampouco na inicial", sendo que "o fato de a inicial enunciar receitas financeiras e Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.245 11 imobiliárias exemplificativamente como fora do conceito de receita bruta em nada altera esta conclusão, pois não houve causa de pedir e pedido específicos no sentido de se excluir tais receitas ainda quando decorrentes de sua atividade fim, não se discutiu na inicial ou nas decisões o conceito de receita operacional em face de receita bruta ou faturamento ou a questão da exclusão das receitas financeiras operacionais da instituição financeira" (f. 439438verso). Alega o agravante que a decisão viola a coisa julgada, uma vez que: Resta saber, assim, se o comando sentencial exarado no processo de origem contém ou não uma obrigação exigível, endereçada à União. Eis o teor do dispositivo da sentença: ISTO POSTO e considerando tudo mais que dos autos consta, JULGO PROCEDENTE A PRESENTE AÇÃO, nos termos do artigo 269, I, do Código de Processo Civil, para o fim de declarar a inexistência de relação jurídica tributária relativamente ao recolhimento da COFINS nos termos da ampliação da base de cálculo determinada pela Lei 9.718/98, bem como para declarar compensáveis, com quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, os valores indevidamente recolhidos a esse título, relativamente aos meses de competência de janeiro de 2001 a dezembro de 2005, aplicandose os mesmos índices de correção monetária dos créditos tributários da UNIÃO FEDERAL." (f. 117 deste instrumento). Assim, ao entender da agravada, o acórdão sobreporseia à sentença, ainda que objetivamente mais restrito do que esta; e a coisa julgada ficaria também restrita, de modo definitivo, ao quanto efetivamente decidido pelo tribunal. O raciocínio da agravada não está correto por inteiro. É que, como regra, o efeito substitutivo propicia que o acórdão sobreponhase à sentença somente naquilo em que com esta for incompatível, de modo que a extensão da coisa julgada determinese a partir do cotejo entre os atos decisórios proferidos em primeira e segunda instâncias. Importa destacar que o efeito substitutivo foi concebido e pelo legislador é tratado no âmbito dos recursos, cujo objeto é delimitado pelo recorrente e por este pode ser alvo de disposição, seja por meio de desistência antes do julgamento, seja pelo não manejo das vias recursais subsequentes. Ante o exposto e para os fins supracitados, por meu voto: a) casso a r. decisão agravada; b) avoco os autos n. 2006.61.00.0034220, que se encontram em primeiro grau de jurisdição; b) determino que, já nesta instância, seja aquele feito reativado como reexame necessário e venhame à conclusão. A pretensão recursal deduzida pelo agravante fica, destarte, prejudicada. É como voto. NELTON DOS SANTOS Desembargador Federal Relator Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.246 12 Com a máxima vênia, o processo judicial ainda não foi encerrado, deste modo, entendo que a turma baixa não poderia ter escolhido qual decisão judicial deveria ser interpretada, considerando como fundamento uma decisão de 1º grau como substitutiva de um provimento de 2º Grau ( Tribunal). Transcrevo os fundamentos utilizados pelo Relator da decisão recorrida: Os pareceres apresentados pelo recorrente, assinados por Humberto Theodoro Jr e Nelson Nery Jr, são contundentes em apontar que, no aspecto processual, o efeito substitutivo da decisão de Segunda Instância em relação à decisão de Primeira Instância operase por inteiro, mas no aspecto material esta substituição se da com a ratificação da decisão recorrida naquilo em que não modificada e sua alteração apenas nos limites em que provido o recurso interposto. Se a decisão judicial utiliza como critério o termo “receita financeira”, referindose e tratando especificamente de uma instituição financeira, não pode ser outra a abrangência de tal comando judicial, que não o conceito de receita financeira utilizado na planificação contábil COSIF: Quanto a efeito substitutivo pleno dos recursos, rechaço de plano, registrese o entendimento pacífico e reiterado tanto do STJ, como do STF. Vejamos: “PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PREJUDICADO. SUBSTITUIÇÃO DO ACÓRDÃO DO TRF PELO DO STJ. 1. O acórdão do Superior Tribunal de Justiça substituiu o acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal, nos termos do art. 512 do CPC. 2. O recurso extraordinário, interposto do acórdão do TRF, no caso, está prejudicado pela perda superveniente de seu objeto, em decorrência do provimento do recurso especial da ora agravante. 3. Agravo regimental improvido” (RE nº 506.500/PRAgR, Segunda Turma, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJe de 12/6/09). “RECURSO INTERPOSIÇÃO SIMULTÂNEA DO ESPECIAL E DO EXTRAORDINÁRIO PREJUÍZO. Ocorre o prejuízo do extraordinário quando o recorrente haja logrado êxito no julgamento do especial. O Direito é orgânico e dinâmico, sendo certo que, à luz do disposto no artigo 512 do Código de Processo Civil, o julgamento proferido pelo Tribunal substituiria a sentença ou a decisão recorrida objeto do recurso. (...)” (RE nº 436.109/RSAgR, Primeira Turma, Relator o Ministro Marco Aurélio, DJ de 26/8/05)". A tese é engenhosa, mas não me convence. Sem embargo, da análise da decisão do TRF da 3ª Região, que deu provimento parcial à apelação e à remessa oficial, substituindo a sentença de primeiro grau, e decidindo a lide, na extensão do contido no julgamento proferido pelo STF nos Recursos Extraordinários 357.950/RS, 390.840/MG e 358.273/RS. O votocondutor do aresto, temse que o Tribunal (TRF3) adotou como razões de decidir a conhecida posição do Supremo Tribunal Federal (STF) no sentido de proclamar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9718/98 – ao mesmo passo que reconhece a constitucionalidade do “caput” do referido artigo bem como do seu art. 2º , determinando que outrossim, que a base de cálculo da COFINS seja aquela prevista na LC 70/91. Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.247 13 Neste passo, o acórdão do TRF da 3º Região substituiu a sentença de primeiro grau aplicando integralmente o entendimento do STF nos leading cases RREE nºs. 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR. Com efeito, conforme destacado pela decisão da DRJ, observase que a questão relativa à base de cálculo da Cofins foi objeto de apreciação pelo TRF/3ª Região, conforme se verificou na análise da ementa e no votocondutor do relator, que seguiu o entendimento do Plenário do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, determinando a apuração da Cofins com a base de cálculo prevista na Lei Complementar nº 70/91. Confirase Destaco: “O mérito da matéria posta em discussão já mereceu apreciação pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários 357.950/RS, 390.840/MG e 358.273/RS. Peço vênia para transcrever a ementa do julgamento do RE 390.840/MG: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (STF, Tribunal Pleno, Relator Ministro Marco Aurélio, j. 9/11/2005, DJ 15/8/2006, p. 25) Acompanho neste voto os precedentes da Corte Guardiã da Constituição da República, que declararam a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98". que definia como receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e da classificação contábil, em homenagem aos princípios da segurança jurídica e da economia processual, permitindo o recolhimento da contribuição social em tela de acordo com a previsão da legislação anterior a respeito da base de cálculo (Lei Complementar 70/91).” Destarte, a decisão proferida pelo TRF3 declarou de modo cristalino os efeitos sobre a base de cálculo da COFINS, determinando a incidência da contribuição sobre a base de cálculo definida conforme dispõe a LC nº 70/91. Vejamos: Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.248 14 "a receita bruta das vendas de mercadorias, de serviços de qualquer natureza". Já é de conhecimento desta turma, que os Ministros do STF vem afastando a tese dos bancos de excluírem as suas receitas operacionais típicas da base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos dos RE's nº508.386 e 433.077. Portanto, o conceito constitucional de faturamento equivale ao de receita bruta operacional, obtida por meio de recurso inerentes ao desenvolvimento da atividade da empresa. O STF não abriu as porteiras, excluindo todas as receitas de forma indiscriminada, mas entendeu que se deve proceder a uma análise minuciosa dos itens tributados pela fiscalização para efetivamente verificar se podem ou não serem incluídas na atividade empresarial da empresa receita operacional. Neste diapasão, consideramse para os bancos (instituições financeiras) as receitas decorrentes da prestação de serviços de cobrança de tarifas e também de intermediação financeira. Ora, em nenhum momento o provimento judicial excluiu da base de cálculo da Contribuinte a Cofins dos períodos guerreados, das receitas financeiras, e que estas, devem ser tributadas, pois incluem todas as receitas decorrentes dos serviços de intermediação financeira. A respeito disso, esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, por meio do Acórdão nº 9303002.994, já se manifestou no sentido de que as receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeiras, consubstanciam receita bruta operacional das instituições financeiras. Transcrevo: Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.994 – 3ª Turma Matéria PIS – INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS Recorrente BANCO TRIÂNGULO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.249 15 No mesmo sentido, a 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, ao analisar caso idêntico, do mesmo contribuinte, envolvendo a discussão do alcance dos efeitos do provimento judicial, (Processo nº 2006.61.00.0034220 mesmo processo), decidiu nos autos do processo nº16327.000190/201183, acórdão nº3302002.768, julgado em 12 de novembro de 2014, que as receitas de intermediação financeira, o que inclui o spread bancário, devem ser mantidas na base de cálculo da COFINS. Vejamos: Recorrente BANCO BRADESCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. PEDIDO. FATOS E FUNDAMENTOS. CONDIÇÃO. Na ação civil, regra geral, a lide se estabelece em relação aos fatos descritos e juridicamente fundamentados na petição inicial e o pedido está relacionado a esses fatos descritos (art. 282, III e IV, do CPC). PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO. Naquilo que foi objeto de recurso, a decisão de segundo grau substitui integralmente a decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta, a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento, promovida pela Lei nº 9.718/98. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA A aplicação da multa isolada de 50% calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada encontrase expressamente prevista na legislação que rege a matéria, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo afastála. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto acompanhou o relator pelas conclusões. Portanto, a relação jurídica de direito esta totalmente integrada pelo acórdão do TRF/3, o qual estabeleceu como base de cálculo da COFINS aquela prevista na lei complementar 70/91, de modo, que não há fundamento legal para pretendida exclusão da base de cálculo da COFINS. Por fim, cumpre mencionar que, embora exista discussão no âmbito do processo judicial, não há de se falar em concomitância nos termos da Súmula CARF nº 01, pois as matérias discutidas nos processos administrativo e judicial são distintas. Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.250 16 Nestes termos, voto em dar provimento integral ao Recurso da Fazenda Nacional. É como penso é como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.251 17 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator Com a devida vênia, discordo do il. Relator. Com efeito, entendemos que a razão está com o relator do voto vencido, o Conselheiro Rosaldo Trevisan. O que temos aqui é uma ação judicial em que se reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo preconizado no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, afastando, de conseguinte, a incidência da Cofins sobre as “receitas financeiras”. Contudo, conforme nele brilhantemente exposto, não há, nas decisões judiciais nela prolatadas, qualquer pronunciamento a respeito do que venham a ser, afinal, as tais “receitas financeiras” para uma instituição financeira – mesma natureza da Recorrente. Reconhecida, no bojo da ação judicial transitada em julgado, a inconstitucionalidade do alargamento, a Cofins passou a incidir apenas sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços e da venda de mercadorias – as chamadas "receitas operacionais" –, que inequivocamente incluem, no caso das instituições financeiras, as receitas decorrentes da intermediação financeira, ainda que assim contabilizada. A Cofins não incide, porém, sobre aquelas receitas cuja origem é a aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros, as quais, conforme destacou o relator do voto vencido, a própria fiscalização entendeu como receita financeira, não como receita operacional, como também lá ressaltado. Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial, também para excluir a glosa de crédito em relação às receitas provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.252 18 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Considerando a complexidade das discussões trazidas nesse processo, em respeito as partes, solicitei vista dos autos para melhor compreensão dos pontos aqui atinentes – o que, antecipadamente, peço vênia ao ilustre relator Conselheiro Demes Brito por divergir de seu entendimento. A priori, vêse que o cerne da lide se resume em questões processuais. Não obstante, antes de tratar dessa discussão peculiar, da análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo primeiramente trazer as razões que me direcionam ao não conhecimento do recurso especial. Inicialmente, cabe salientar que o recurso especial da Fazenda Nacional traz no subtítulo do item II “DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL” – que houve violação aos arts. 319, 1008 e 1013 do Novo CPC e art. 3º da Lei 9.718/98, alegando, entre outros, que os paradigmas indicados demonstram a divergência de interpretação dos dispositivos do CPC e do art. 3º da Lei 9.718/98 quando confrontados com os dispositivos do acórdão recorrido. Para melhor elucidar os fatores que ensejaram o meu entendimento pelo não conhecimento do recurso, é de se recordar o art. 67 do RICARF – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores, in verbis (Grifos meus): “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente.” Tal dispositivo traz que o acórdão indicado como paradigma deve demonstrar a legislação que está sendo interpretada de forma divergente. O que cabe já trazer, pela leitura do acórdão recorrido, que os dispositivos do CPC utilizados como fundamento do acórdão paradigma não devem ser observados para a admissibilidade do recurso, restando apenas a Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.253 19 análise da interpretação dada ao art. 3º da Lei 9.718/98 – também invocado no r. acórdão paradigma. Quanto a esse dispositivo, vejo que as interpretações dadas pelos arestos estão consonantes, e não divergentes – o que, para melhor transparecer, trago: 1. Ementa do acórdão recorrido (Grifos meus): “COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO JUDICIAL QUE ENFRENTA O DETALHAMENTO DO ALCANCE. 1Caso específico em que o contribuinte instigou o Poder Judiciário, tanto na petição inicial como pelo manejo de embargos de declaração, os quais foram acolhidos, obtendo o reconhecimento de que a base de cálculo da contribuição não alcança as receitas financeiras da instituição financeira. 2. Não se mostra plausível pretender retirar as rendas de intermediação financeira do conceito de receita financeira. ” Pela ementa do julgado, vêse que o primordial para o direcionamento do julgado foi efetivamente a decisão transitada em julgado à época. Tanto é assim, que o redator designado trouxe em seu voto: “[...] A decisão judicial afasta a “receita financeira”, não havendo margem para excluir de tal conceito as rendas da atividade de intermediação financeira. Por estas razões, entendo que deve ser provido o recurso, para reconhecer que a decisão judicial proferida no caso concreto do recorrente detalhou que o seu efeito concreto, inerente à declaração de inconstitucionalidade e do delineamento do conceito de faturamento dela decorrente, afasta as receitas financeiras, e que não se pode excluir deste conceito as rendas de intermediação financeira [...]”. 1. Ementa do acórdão paradigma Acórdão nº 3302002.768: “[...] Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.254 20 BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta, a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento, promovida pela Lei nº 9.718/98. ” Vêse que nesse acórdão indicado como paradigma entendeuse que o art. 3º da Lei 9.718/98 permite a incidência de PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras de instituições financeiras, contexto no qual só se poderia considerar divergente decisão que entendesse que o teor do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 não permitiria a incidência de PIS e da COFINS sobre receitas financeiras de instituições financeiras. Tal entendimento jamais foi sustentado pelo v. acórdão recorrido, tendo o mesmo apenas concluído que no caso concreto aspecto de natureza puramente processual (existência de decisão judicial que impediria a Fazenda de cobrar referidas contribuições do Recorrido) demandou o cancelamento da exigência fiscal. Tanto assim é que, tal como expôs o sujeito passivo em memorial que na sessão de julgamento do dia anterior ao julgamento do recurso voluntário do sujeito passivo, confirmada em ata da sessão daquele mês, a mesma turma negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo BANCO RURAL S.A. em que se discutia a abrangência da regra do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 quanto às receitas de instituições financeiras, consignando a seguinte ementa: “(...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI nº 9.718/1998. Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.255 21 A base de cálculo da COFINS em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput da Lei nº 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/1998, como já reconheceu o STF.” (Acórdão nº 3403003.539) Nesse contexto, vêse a consonância entre os entendimentos da C. Turma prolatora do v. acórdão recorrido e o entendimento constante do acórdão paradigma. Ora, o Colegiado do acórdão recorrido concluiu que a decisão judicial impedia a exigência de PIS e COFINS sobre as receitas financeiras, tendo essa mesma Turma no caso acima referido concluído que “os provimentos judiciais obtidos (...) silenciaram em relação à abrangência do que seriam receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias das instituições financeiras”, o que, por conseguinte, aplicou seu entendimento sobre a interpretação do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 para concluir, exatamente como fez o acórdão paradigma, que tal norma permite a exigência de PIS e COFINS sobre receitas financeiras de instituições financeiras – o que fez com que, no acórdão indicado como paradigma, negasse provimento ao recurso voluntário. Sendo assim, resta claro que, em análise do mesmo dispositivo – art. 3º da Lei 9.718/98, convergiram em seu entendimento, considerando que tal dispositivo permite a exigência de PIS e Cofins sobre as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras. Não atendendo o pressuposto de divergência de interpretação da norma indicada objetivamente em recurso especial. Não houve a divergência entre os acórdãos recorrido e indicado como paradigma quanto à interpretação dada ao art. 3º da Lei 9.718/98, dispositivo apontado no Recurso Especial da Fazenda, quanto à discussão acerca da incidência de PIS e Cofins sobre a receita financeira. Em vista do exposto, em respeito ao art. 67, § 1º, do RICARF/2015, entendo que não deva conhecer o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.256 22 Ventiladas tais considerações, passo ao cerne da lide – qual seja, se a receita financeira auferida pelo sujeito passivo deve ser tributada pela Cofins. OU, mais especificamente, se resta tal matéria decidida definitivamente no judiciário. Para tanto, recordo os acontecimentos: 1. O sujeito passivo ajuizou ação ordinária nº 2006.61.00.0034220, trazendo os seguintes pedidos (Grifos meus): “a) declarar a inexistência de relação jurídica que tenha por objeto o direito da Ré de exigir das Autoras e/ou suas incorporadas, conforme indicado no primeiro parágrafo desta inicial, o recolhimento da COFINS, relativamente aos meses de competência de janeiro de 2001 a dezembro de 2005, de acordo com a base de cálculo instituída pela Lei nº 9.718/98, e por consequência reconhecer como indevidos os pagamentos realizados a este título, conforme comprovantes anexos (doc. 03), naquilo que excederem ao que seria devido sobre seu efetivo faturamento (“receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, conforme artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91, à qual se reportam os arts. 1º e 2º da Lei nº 9.718/98), neste conceito, portanto não se enquadrando quaisquer outras receitas de natureza diversa, tais como as provenientes de locação de imóveis, RECEITAS FINANCEIRAS, etc.; b) reconhecer o direito das Autoras de, nos termos dos artigos 165 e 170 do CTN, 66, “caput” e parágrafo 2º da Lei 8.383/91 e 74 da Lei 9.430/96, à sua opção, compensar ou ter restituídos os montantes indevidamente recolhidos conforme reconhecido no item “a” supra, condenandose a Ré, conforme o caso, a aceitar referida compensação para todos os fins de direito com débitos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal ou a restituir os valores em questão, num e noutro caso com os acréscimos legais cabíveis;” (fl. 448/449 – destaques nossos).” 2. O sujeito passivo sustentou que a correta base de cálculo da Cofins corresponde à receita bruta tal como definida pela LC 70/91, SUBSTANCIALMENTE IDÊNTICA AO DISPOSTO NO DL 2397/87, ART. 22, ALÍNEA “A”, considerandose que referida alínea “a” trata da “receita bruta das vendas de mercadorias e de Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.257 23 mercadorias e serviços”, ao passo que a alínea “b” trata das “RECEITAS OPERACIONAIS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS”. Eis o que traz o Decreto: “Art. 22. O § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, cujo caput foi alterado pelo art. 1º da Lei nº 7.611, de 8 de julho de 1987, passa a vigorar com a seguinte redação, mantidos os seus §§ 2º e 3º e acrescido dos §§ 4º e 5º: "§ 1º A contribuição social de que trata este artigo será de 0,5% (meio por cento) e incidirá mensalmente sobre: a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda; b) as rendas e RECEITAS OPERACIONAIS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS e entidades a elas equiparadas, permitidas as seguintes exclusões: encargos com obrigações por refinanciamentos e repasse de recursos de órgãos oficiais e do exterior; despesas de captação de títulos de renda fixa no mercado aberto, em valor limitado aos das rendas obtidas nessas operações; juros e correção monetária passiva decorrentes de empréstimos efetuados ao Sistema Financeiro de Habitação; variação monetária passiva dos recursos captados do público; despesas com recursos, em moeda estrangeira, de debêntures e de arrendamento; e despesas com cessão de créditos com coobrigação, em valor limitado ao das rendas obtidas nessas operações, somente no caso das instituições cedentes; c) as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas. [...]” 3. A Fazenda Nacional apresentou contestação na Ação Ordinária 2006.61.00.0034220, sustentando a constitucionalidade da Lei 9.718/98 defendendo que o faturamento corresponderia ao conceito trazido pela alínea “b” daquele mesmo diploma legal; 4. A sentença de 1ª instância acolheu os fundamentos da inicial promovida pelo sujeito passivo, julgando: Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.258 24 “(...) PROCEDENTE A PRESENTE AÇÃO, nos termos do artigo 269, I, do Código de Processo Civil, para o fim de declarar a inexistência de relação jurídica tributária relativamente ao recolhimento da COFINS nos termos da ampliação da base de cálculo determinada pela Lei 9.718/98, bem como para declarar compensáveis, com quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, os valores indevidamente recolhidos a este título, relativamente aos meses de competência de janeiro de 2001 a dezembro de 2005, aplicandose os mesmos índices de correção monetária dos créditos tributários da UNIÃO FEDERAL.” (fl. 484, destaques nossos).” 5. O sujeito passivo opôs Embargos de Declaração “para o fim de que, sanandose as omissões apontadas: (1) quando ao item “a” do pedido, seja esclarecido que a ação foi julgada procedente nos termos do pedido formulado; e (2) quanto ao item “b” do pedido, seja explicitado que a restituição dos valores pagos indevidamente poderá se dar não só mediante compensação, mas também mediante restituição em espécie, à opção das Autoras.” (fl. 491); 6. Os Embargos foram integralmente acolhidos nos seguintes termos: “Tratase de embargos de declaração interpostos pela parte autora, alegando a embargante omissões na decisão de fls. 1762/1767. Conheço dos embargos interpostos, pois são tempestivos. No mérito, acolhoos tão somente para explicitar que a procedência da ação implicou o acolhimento dos pedidos formulados.” (fl. 492) Pela descrição dos acontecimentos, é de se ter como certo que a 1ª instância de julgamento acolheu integralmente o pedido do sujeito passivo – rejeitando a alegação da PGFN. Ora, como bem ensina o professor Humberto Theodoro Jr, “o pedido formulado na inicial tornase o objeto da prestação jurisdicional sobre o qual a sentença irá operar, sendo ele, portanto, o mais seguro critério de interpretação da sentença, visto que está é justamente a resposta do judiciário ao pedido do autor, não podendo o provimento ficar aquém dele nem ir além dele, sob pena de nulidade”. Com a rejeição da alegação da Fazenda, houve interposição de apelação trazendo que “as receitas financeiras integram a receita operacional da pessoa jurídica”. Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.259 25 Posteriormente, o sujeito passivo apresentou contrarrazões trazendo que (Grifos meus): “[...] “Não bastasse isso, cumpre ressaltar que, longe de confirmar seus argumentos, a norma invocada pela Apelante quanto ao suposto tratamento diferenciado conferido às instituições financeiras vem apenas corroborar tudo quanto já foi exposto, no sentido de que o conceito de faturamento é um só, que não se altera em função do objeto da pessoa jurídica. Com efeito, o fato de que o artigo 1º do DL 1940/82, com a redação que lhe foi dada pelo DL 2397/87, expressamente estabelecer para as instituições financeiras uma base de cálculo de Finsocial distinta das demais pessoas jurídicas, apenas evidencia que “as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras” consubstanciam conceito distinto de faturamento, que é a “receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços”. Aliás, duas importantes decisões do Supremo Tribunal Federal evidenciam claramente que o conceito de faturamento é um só, que não se altera conforme o objeto social da pessoa jurídica. Primeiramente, no julgamento do RE 150.7551PE, como visto acima, o conceito a que se referiu o Supremo Tribunal Federal para definir o que seja faturamento foi aquele trazido na alínea “a” do art. 22 do DL 2397/87 (que alterou a alínea “a” do § 1º art. 1º do DL 1940/82), e não aquele contido na alínea “b” a que se refere a Apelante. E, em segundo lugar, a base de cálculo estabelecida naquela alínea “b” para as instituições financeiras só era possível porque à época a exação não tinha como fundamento constitucional uma competência para tributação do faturamento, tal como expressamente reconhecido pelo Supremo a propósito do DL 1940/82, “verbis”:” O que resta concluir que o pedido do sujeito passivo foi efetivamente deferido pela 1ª instância. Eis que aquele tribunal ao rejeitar a alegação da Fazenda, antes da interposição da Apelação, considerou como termo inicial da operação o pedido formulado na inicial, recordando que o que resta contemplado em sua inicial é o conceito de faturamento trazido pelo art. 2º da LC 70/91 – substancialmente idêntico à alínea “a” do § 1º do art. 1º, do Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.260 26 DL 1940/82, na redação do art. 22 do DL 2397/89 (exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da tributação da contribuição). Com efeito, o TRF da 3ª Região, após apreciação da apelação, deu provimento parcial a apelante apenas para “restringir a compensação a parcelas da própria COFINS e para reduzir o percentual de condenação imposta ao pagamento de honorários advocatícios para 1%”, consignando a seguinte ementa (Grifos meus): “EMENTA: TRIBUTÁRIO. COFINS. LEI 9.718/98. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. COMPENSAÇÃO. CRITÉRIOS. 1. A matéria posta em discussão já mereceu apreciação pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários 357.950/RS, 390.840/MG e 358.273/RS, nos quais foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. 2. A prescrição para restituição de indébitos é quinquenal. 3. As parcelas podem ser compensadas, por iniciativa do contribuinte, somente com débitos da própria COFINS, nos termos da Lei 8.383/91. 4. Esta Turma não aplica à espécie a Lei 9.430/96, inclusive com a alteração promovida pela Lei 10.637/2002, sob o fundamento (i) da inaplicabilidade do direito superveniente e (ii) tendo em vista que a opção pelo pedido de compensação na via judicial exclui o direito previsto na Lei 9.430/96 restrito à via administrativa. 5. Incidirá a taxa SELIC, por força do art. 39, § 4º, da Lei 9.250/95, que determina sua aplicação à compensação tributária e que é, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, ao mesmo tempo, índice de correção monetária e de juros de mora. 6. Apelação e remessa oficial providas em parte.” Assim, foram opostos embargos de declaração pelo agravante, sendo acolhidos com a seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. HIPÓTESE AFASTADA. OBSCURIDADE. ESCLARECIMENTO NECESSÁRIO. Por meio do acórdão embargado, foi reconhecido um indébito (quanto à alteração promovida pela Lei 9.718/98 na base de cálculo da COFINS) a Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.261 27 partir de 16 de fevereiro de 2001 – já que, antes dessa data, houve prescrição – que deve ser atualizado pela taxa SELIC (que já é índice de correção monetária e de juros de mora), restando para apreciação da Administração apenas a análise da possibilidade de o indébito ser compensado com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, diversos da COFINS. Em relação às demais questões, as embargantes pretendem atribuir efeitos infringentes aos embargos de declaração, o que é inadmissível, devendo a parte valerse do recurso cabível para lograr tal intento (TRF 3ª Região, Embargos de Declaração em REO nº 93.03.0162250, Terceira Turma, Relator Desembargador Federal Baptista Pereira, j. 02/10/1996, v.u., DJ 23/10/1996). 3. Embargos de declaração conhecidos e parcialmente acolhidos. ” Vêse, dessa forma, que o TRF3 não reformou a sentença da 1ª instância, que havia reconhecido o indébito tributário. Apenas deixou claro que se o sujeito passivo manifestar a pretensão de se compensar o referido crédito com outros tributos – deverá submeter tal pretensão à administração. Após essa decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional recurso extraordinário – que não foi admitido e Recurso Especial pelo contribuinte em relação a atualização e prescrição. Não obstante, o sujeito passivo posteriormente desistiu desse recurso. Com a não admissibilidade do Recurso Extraordinário e a desistência do Recurso Especial, houve decisão transitada em julgado, concedendo concretamente e definitivamente o direito de o sujeito passivo proceder a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da Cofins. Independentemente da decisão transitada em julgado, considerando que quando do julgamento do processo 16327.000190/201183 envolvendo o Banco Bradesco (um dos litisconsortes da ação ordinária) por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais houve entendimento de forma definitiva de que as receitas financeiras não teriam sido excluídas da base de cálculo – acordão 3302002.768, o Bradesco requereu o cancelamento da cobrança. O que foi negada a interposição do agravo de instrumento 2014.03.00.0144035. Com a negativa da interposição do agravo, entendeu a Fazenda Nacional que a sentença não mais existe, em função do efeito substitutivo recursal e que o TRF quis Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.262 28 efetivamente dispor que a COFINS deve incidir também sobre as receitas de prestação de serviços, tal como estabelecido naquela lei complementar. No entanto, tal entendimento não deve prosperar, eis a decisão do TRF relativa ao acórdão paradigma (Grifos meus): “DECISÃO DO TRF RELATIVA AO ACÓRDÃO PARADIGMA “PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. SENTENÇA DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA, COM RECONHECIMENTO DO DIREITO À COMPENSAÇÃO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. REEXAME NECESSÁRIO PARCIAL. CONDIÇÃO DE EFICÁCIA DA SENTENÇA. AVOCAÇÃO DOS AUTOS PARA A INTEGRALIZAÇÃO DO REEXAME NECESSÁRIO. AGRAVO PREJUDICADO. 1. A sentença que declara a inexistência de relação jurídica tributária e reconhece o direito à compensação impõe ao Fisco um dever de abstenção, consistente em não proceder aos respectivos atos de cobrança. Assim, eventual descumprimento da sentença deve ser discutido e decidido nos próprios autos e não no âmbito da execução fiscal que veio a ser promovida pela Fazenda Pública. 2. O reexame necessário é condição de eficácia da sentença e sem ele não se opera o trânsito em julgado. Tratase de dever indeclinável e indisponível do Tribunal, decorrente de norma de ordem pública, absolutamente cogente; e que, justamente por isso, não pode ser evitado pelas partes. 3. Constatado, concretamente, o fato de que o Tribunal não procedeu ao integral reexame necessário da causa, deixando o acórdão de relatar, fundamentar, dispor ou mesmo fazer qualquer referência a respeito de um dos pedidos do autor, por sinal contestado pela ré, cumprelhe avocar os autos para que proceda à complementação do julgamento. 4. Decisão cassada. Agravo prejudicado.” (TRF3 –Agravo de Instrumento nº 2015.03.00.0144035 3ª Turma – Rel. Des. Nelton dos Santos – DJU 19.01.2017)” Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.263 29 Ora, por evidente, independentemente do “estranhamento” da decisão do TRF3, eis que a decisão já havia sido transitada em julgado. Tanto é assim que o próprio Desembargador Federal trouxe em seu voto (Grifos meus): “[...] Com efeito, a fase de conhecimento do processo principal estava formalmente encerrada e os respectivos autos, já retornados ao juízo de origem, aguardavam em arquivo o pagamento de precatório referente à verba honorária. Em tal contexto, o Banco Bradesco S/A, um dos demandantes e ora agravante, peticionou ao juiz a quo, alegando ter havido, da parte da União, "flagrante descumprimento à coisa julgada" (f. 278verso deste instrumento) e pedindo o "imediato cancelamento das cartas de cobrança n. 353 e 354 e expedidas nos autos dos processos n. 16327.000190/201183 e 16327.720064/201220, bem como da cobrança contida no Termo de Ciência n. 530/2015, determinandose à Ré e seus agentes que examinem as compensações realizadas considerandose o real crédito assegurado ao Requerente pela decisão transitada em julgado nestes autos, ou seja, com a exclusão de todas as suas receitas financeiras da base de cálculo da COFIN (sic), de modo a restaurar a autoridade do julgado" (f. 296verso deste instrumento). [...]” Temse que aquele Tribunal não quis dispor que a receita financeira seria passível de tributação pela Cofins – mas apenas estabeleceu a necessidade de complementação do voto e relatório. E no que tange à possibilidade do novo julgamento com proferimento de nova decisão, não há que se cogitar que a decisão daquele Tribunal possa ser alterada para abarcar a receita financeira na base de cálculo do PIS e da Cofins por se tratar de receita operacional, eis que resta claro até mesmo para o ilustre desembargador que essa questão foi amplamente debatida e resolvida. Eis o que traz em seu voto: “[...] Convém destacar, até mesmo em razão do voto oralmente proferido pelo e. Desembargador Federal Nery Júnior em sessão, que considero fora de dúvida que a questão foi debatida entre as partes. Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.264 30 Na petição inicial, as autoras sustentaram o seguinte: [...] b) faturamento é conceito de Direito Comercial que de acordo com a legislação, doutrina e jurisprudência do STF corresponde à receita bruta tal como definida pela LC 70/91, substancialmente idêntica ao disposto no DL 2397/87, art. 22, alínea 'a', não podendo ser alterado pela legislação tributária por força do disposto no artigo 110 do CTN, não se compreendendo, portanto, neste conceito quaisquer outras receitas, tais como as provenientes de locação de imóveis, receitas financeiras, etc.; e Na contestação, a União sustentou a improcedência do pedido inicial e, quanto às receitas financeiras, afirmou: [...] No caso das instituições financeiras e das seguradoras, apenas a título de exemplo, são as receitas financeiras que compõem a maior parte da receita operacional. Está demonstrado, então, que a inclusão das receitas financeiras no conceito de faturamento ou receita bruta não é inédita no direito brasileiro. O DL n. 2.397/87, em seu art. 22, já o havia feito. Não é demais frisar que essa inclusão teve o beneplácito do STF, no julgamento do RE n. 150.755, já transcrito e tantas vezes aqui citado. O Pretório Excelso reconheceu que a receita bruta nos termos do DL n. 2.397/87 se traduz em faturamento e se insere dentro do pressuposto constitucional de incidência previsto no art. 195, I, da CF. Assim, o aludido precedente, a tributação das receitas financeiras com base no faturamento encontra respaldo no dispositivo constitucional em comento. [...] A existência de pedido e de resposta evidencia o debate. O litígio foi posto ao exame [...]” Sendo assim, com o voto do Desembargado Federal Nelton dos Santos, resta claro que não há que se falar que ocorreu o efeito substitutivo do acórdão do TRF 3, como quer entender a autoridade fazendária. Não é demais trazer ainda parte do voto do Desembargador que pronunciou sobre essa questão (Grifos meus): “[...] Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.265 31 Assim, ao entender da agravada, o acórdão sobreporseia à sentença, ainda que objetivamente mais restrito do que esta; e a coisa julgada ficaria também restrita, de modo definitivo, ao quanto efetivamente decidido pelo tribunal. O raciocínio da agravada não está correto por inteiro. É que, como regra, o efeito substitutivo propicia que o acórdão sobreponhase à sentença somente naquilo em que com esta for incompatível, de modo que a extensão da coisa julgada determinese a partir do cotejo entre os atos decisórios proferidos em primeira e segunda instâncias [...]” Dessa forma, por questão de ordem, devese esclarecer que quando da apreciação do Agravo de Instrumento, o que propôs o Desembargador é somente a complementação do relatório e voto, mas NÃO com a pretensão de se alterar a decisão, eis que para tal conclusão a turma já havia debatido amplamente a questão para proferir aquela decisão. Tendo sido trava a discussão na ação ordinária, pela lição do Prof. Nelson Nery Junior, resta definitivamente decidida entre as partes sob a proteção da autoridade da coisa julgada material. Proveitoso trazer que, nessa linha, concordam os ilustres Humberto Theodoro Jr. E Nelson Nery Jr em seus pareceres acostados nos autos desse processo (Grifos meus): “1) Tendo em vista o reconhecimento pela DEINF/SP de que a sentença proferida nos autos da ação ordinária nº 2006.61.00.0034220 excluiu as receitas financeiras da base de cálculo da COFINS, está correta a interpretação dada pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao magistério de V.Exa. a propósito do efeito substitutivo do acórdão em relação à sentença, em especial quanto às suas conseqüências especificamente nos autos da referida ação ordinária ?” Prof. Humberto Theodoro Jr.: “A Procuradoria da Fazenda Nacional conferiu interpretação equivocada às consequências do efeito substitutivo do acórdão sobre a sentença porque o provimento parcial de recurso ou da remessa necessária substitui totalmente a decisão recorrida por outra de igual conteúdo, em relação aos capítulos mantidos. Assim, por força do efeito substitutivo do acórdão, ele será atingido pela coisa julgada. Mas a interpretação de seus limites sempre terá de levar em conta os pedidos formulados na inicial, bem como a solução Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.266 32 que lhes deu a sentença que não foi modificada, de forma explícita ou implícita pelo tribunal, em segundo grau de jurisdição. ” Prof. Nelson Nery Jr.: “NÃO. Como se verifica da cópia dos autos, ao proferir a sentença, o MM. Juízo a quo acolheu todos os pedidos formulados pelos Consulentes na ação ordinária, o que, inclusive foi confirmado por decisão proferida em embargos de declaração nesse mesmo sentido. Nesse passo, muito embora tenha havido a devolução integral da matéria ao E. TRF3.ª pela interposição do recurso de apelação e pela remessa necessária, o acórdão exarado por aquele Egrégio Tribunal Federal reformou apenas parcialmente a sentença de primeiro grau, de modo que a substitutividade se dá somente na parte em que o acórdão altera efetivamente a sentença de mérito. Assim, como já expusemos nessa consulta, remanesce íntegra a parte da decisão que não foi modificada pelo acórdão. Ao citar nosso posicionamento doutrinário em seu parecer, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpreta o entendimento para embasar o equivocado argumento de que, interposto o recurso, a sentença perde sua total eficácia porque teria sido, integralmente, substituída pelo acórdão do TRF3.ª, e não faz a ressalva quanto à efetiva modificação da sentença pelo acórdão. Ora, evidentemente que o efeito substitutivo no caso sob exame, operase tão somente parcialmente, uma vez que foi modificada apenas parte da decisão do juízo a quo. Portanto, a decisão final do processo é composta por parte da sentença (Naquilo que não foi modificado pelo TRF3.ª) + acórdão do TRF3.ª que altera parte da decisão recorrida. Portanto, pelo acórdão de fls. 153/163, devidamente integrado pelo acórdão de fls. 189/197, destacase que foi totalmente confirmada a sentença de primeira instância na parte em que reconheceu o crédito tributário dos Consulentes decorrente do pagamento indevido de valores a título de COFINS e o direito à sua compensação. Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.267 33 Assim, quanto ao efeito substitutivo do acórdão em relação à sentença, não está correta a interpretação dada pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao nosso magistério. ” Sendo assim, não há que se falar em efeito substitutivo e muito menos que a intenção do TRF foi a de se tributar a receita financeira pela Cofins, eis que aquela turma proferiu decisão mantendo a sentença de primeiro grau que consignou que no conceito de faturamento da LC 70/91 não se incluem as receitas financeiras – APÓS debater amplamente sobre as colocações feitas pela autoridade fazendária em sua contestação (Receita Financeira x Receita Operacional x Cofins), em respeito ao pedido formulado na inicial promovida pelo sujeito passivo. Ademais, cabe recordar a jurisprudência do STJ que consignou através da apreciação do Agravo Regimento no REsp 27.267/RJ o entendimento de que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. É de se recordar também que o STJ ao apreciar o REsp 259.963/SP já decidiu que o julgamento proferido pelo tribunal substitui a decisão recorrida apenas naquilo que tiver sido objeto do recurso e efetivamente deliberado pelo colegiado, obtendose pronunciamento favorável ou desfavorável. E, ainda que haja o efeito substitutivo – vêse que, em vista do exposto, será confirmatório, e não modificativo, vez que a questão foi posta e decidida naquela ação, contrariamente à pretensão da autoridade fazendária. Em vista de todo o exposto, pela descrição e evolução dos fundamentos descritos, é de se entender que se deve negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Não obstante, vêse que, ainda assim, o sujeito passivo, sendo totalmente ético em sua forma de agir, traz como pedido o sobrestamento do presente julgamento até definição do Poder Judiciário. Sendo assim, considerando que o cerne da lide se resume em questões processuais que, por sua vez, deverão observar os princípios da administração pública, dentre as quais, o princípio da eficiência, da finalidade e do interesse público. E, considerando que tais princípios evocam a necessidade de o administrador/julgador fluir a lide para a solução mais eficaz, buscando as melhores e efetivas “saídas” – além de respeitar a decisão emanada ou a ser emanada pelo judiciário. Não se cogitando em se insurgir contra sua decisão judicial ou, ainda ignorar decisão “extraordinária”. Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.268 34 Tornase necessário, em respeito aos princípios da administração pública, inclusive a que aduz a “moralidade”, o sobrestamento do julgamento até decisão relativa ao agravo de instrumento 2015.03.00.0144035 e de eventual nova complementação do julgamento a ser adicionada nos autos da ação ordinária 2006.61.00.0034220. Ademais, cabe trazer que ainda que o atual Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não traga a possibilidade de sobrestamento de julgamento – é de se aplicar as normas do Código de Processo Civil nesse caso. Não é demais lembrar que no processo administrativo há que se considerar as disposições daquele Código subsidiariamente, conforme versa o art. 15 do NCPC: “Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. ” O que, por conseguinte, não seria demasiadamente extrapolar as regras que versam sobre o processo administrativo fiscal se esse Colegiado se direcionar para sobrestamento do julgamento com a aplicação do art. 313, inciso V, “a”, do CPC, que dispõe sobre tal possibilidade de ofício ou a requerimento de qualquer das partes. “Art. 313. Suspendese o processo: I pela morte ou pela perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu representante legal ou de seu procurador; II pela convenção das partes; III pela arguição de impedimento ou de suspeição; IV pela admissão de incidente de resolução de demandas repetitivas; V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo; [...]” Em vista de todo o exposto, ainda que entenda que a matéria trazida nos autos desse processo já tenha sido decidida definitivamente pelo Judiciário, em respeito a boa fé demonstrada pelo sujeito passivo, voto pelo sobrestamento do julgamento até a decisão relativa ao agravo de instrumento 2015.03.00.0144035 e de eventual nova complementação do julgamento a ser adicionada nos autos da ação ordinária 2006.61.00.0034220. Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 9303005.051 CSRFT3 Fl. 1.269 35 É de se atentar, somente para fins de compreensão do resultado do julgamento desse processo que, quando da apreciação do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, após negativa de alguns conselheiros quanto ao sobrestamento, foi apreciada o cerne da lide – que, por sua vez, manifesteime, fortes nos meus argumentos, pelo não provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1269DF CARF MF
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