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Numero do processo: 11128.729964/2013-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 02/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 02/10/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.062
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 02/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 02/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 02/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 99 64 /2 01 3- 46 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.506. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 148DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720186/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.940
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 86 /2 01 2- 75 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 11516.720186/201275 Acórdão n.º 3302003.940 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06047.587. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11516.720186/201275 Acórdão n.º 3302003.940 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11516.720186/201275 Acórdão n.º 3302003.940 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11516.720186/201275 Acórdão n.º 3302003.940 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11516.720186/201275 Acórdão n.º 3302003.940 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000059/00-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. MATÉRIA NÃO SUFICIENTEMENTE APRECIADA NA 1.ª INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RETORNO DOS AUTOS PARA DECISÃO COMPLEMENTAR.
Constatada a existência de decisão condicionada referente a matéria sobre a qual deveria ter se manifestado conclusivamente o colegiado recorrido, impõe-se o retorno dos autos a instância a quo, para que seja proferida decisão complementar.
Numero da decisão: 1302-002.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à turma de julgamento de primeira instância para que profira decisão complementar, na qual se manifeste sobre a ocorrência de homologação tácita dos pedidos objetos dos processos administrativos fiscais de números 13502.000073/00-75, 13502.000254/2002-99, 13502.000256/2002-88, 13502.000091/00-57 e 11924.000717/00-39.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Redator Ad Hoc
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: TALITA PIMENTA FELIX
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. MATÉRIA NÃO SUFICIENTEMENTE APRECIADA NA 1.ª INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RETORNO DOS AUTOS PARA DECISÃO COMPLEMENTAR. Constatada a existência de decisão condicionada referente a matéria sobre a qual deveria ter se manifestado conclusivamente o colegiado recorrido, impõe-se o retorno dos autos a instância a quo, para que seja proferida decisão complementar.
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MATÉRIA NÃO SUFICIENTEMENTE APRECIADA NA 1.ª INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RETORNO DOS AUTOS PARA DECISÃO COMPLEMENTAR. Constatada a existência de decisão condicionada referente a matéria sobre a qual deveria ter se manifestado conclusivamente o colegiado recorrido, impõese o retorno dos autos a instância a quo, para que seja proferida decisão complementar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à turma de julgamento de primeira instância para que profira decisão complementar, na qual se manifeste sobre a ocorrência de homologação tácita dos pedidos objetos dos processos administrativos fiscais de números 13502.000073/0075, 13502.000254/200299, 13502.000256/200288, 13502.000091/0057 e 11924.000717/0039. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Redator Ad Hoc Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 00 59 /0 0- 44 Fl. 663DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 650 2 Relatório Designado como Redator Ad Hoc para fins de formalização deste Acórdão, transcrevo abaixo a íntegra do relatório apresentado pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 16 de fevereiro de 2017, verbis: "COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS (sucessora por incorporação da INDÚSTRIA DE BEBIDAS ANTÁRTICA DO NORTE NORDESTE S/A), insurgese contra a manutenção de crédito tributário de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), em razão da não homologação de pedido de compensação e restituição, protocolizado em 14/02/2000, perfazendo um montante de R$ 10.608.451,45, sendo que a contribuinte apresentou pedido de compensação no valor de R$ 5.883.751,13 e de restituição no valor de R$ 4.724.700,32 (fls. 03/60). A contribuinte recorre do Acórdão de Impugnação nº. 1616.320, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (fls. 526/535), em sessão realizada em 12/02/2008 que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório/EQPIR (fls. 405/411). A ementa restou assim redigida: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 1999 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. A decisão que não homologa a compensação declarada deve ser proferida e cientificada à interessada antes do prazo de cinco anos do seu protocolo. Após o transcurso deste prazo, não é dado à Administração, pretender não homologar a compensação declarada. COMPENSAÇÃO. IRRF. O imposto de renda retido na fonte somente pode ser utilizado para compensação na Declaração de Informações DIPJ se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. RESTITUIÇÃO. SALDO CREDOR DE IRPJ O saldo credor de IRPJ apurado na Declaração de Informações DIPJ é passível de restituição quando restar comprovada pelo contribuinte a liquidez e certeza do crédito vindicado. Crédito indeferido por falta de comprovação da efetividade do recolhimento das antecipações. Solicitação Deferida em Parte. Vale destacar que a 5a Turma da DRJ/SPOI manifestouse favoravelmente ao reconhecimento da ocorrência da homologação tácita de relevante parcela dos créditos (conforme se depreende da primeira parte da ementa), por entender Fl. 664DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 651 3 que foram protocolizados em período anterior a 09/09/2000. Oportuno destacar que, por essa razão, dos 07 (sete) documentos juntados pela Recorrente, 05 (cinco) são destinados a comprovar protocolo em data anterior à citada. Com a realização do julgamento pela 5a Turma da DRJ/SPO1, os autos chegam a esta Turma Julgadora para que sejam apreciados, conforme Recurso Voluntário, os seguintes pedidos: a. o acolhimento integral da homologação do pedido face a abrangência da homologação tácita; b. ou, alternativamente, que seja revista a decisão singular para ser concedida a compensação integral, inclusive do saldo credor de períodos anteriores, não só em razão da documentação reconhecida pela auditoria da Receita Federal (fls. 506/508), mas, sobretudo pelas argumentações que entende provar o equivoco cometido pela DRJ. Os dispositivos legais tidos por infringidos, nos termos do Despacho Decisório, são os seguintes: (a) art. 165, I, da Lei n. 5.172/66 do CTN; (b) art. 66 e parágrafos da Lei 8.383, que trata da compensação nos casos de pagamento indevido ou a maior; (c) art. 74 da Lei n. 9.430/96, que trata da possibilidade de compensação sujeita a homologação perante a SRF; (d) art. 35 da Lei n. 8.981/95, que repete o artigo 230 do RIR/99; (e) arts. 10 e 12 da IN/SRF n. 93/97, que disciplina a comprovação do direito à compensação mediante apresentação de balanços e balancetes, e; (f) IN/SRF n. 460/04, que disciplina a compensação, restituição e ressarcimento de tributos. A Autoridade Fiscal, via Despacho Decisório/EQPIR (fls. 405/411), manifestouse desfavorável à compensação, tendo em vista que: (a) para que se realizasse tal procedimento mediante a apresentação de balanços e balancetes, seria necessária a transcrição destes no Livro Diário até a data fixada para o pagamento do imposto, e, (b) com sua respectiva autenticação na junta comercial. Ocorre que, segundo informa a fiscalização, tal fato não foi comprovado pela contribuinte. Em peça impugnatória, a contribuinte alega: i. que há limites à pretensão tributária, pois não poderia o Fisco “por simples controle interno e, suposta falta de documentação (fls. 419) negar direito previsto em lei à contribuinte”; ii. que seria correta e legal a compensação, apresenta julgados (fls. 421/427); iii. que há a necessidade de lhe ser oportunizada a produção de novas provas, haja vista ter, supostamente, o despacho decisório, cerceado seu direito de defesa, por entender que se a Fazenda teve mais de 5 anos para analisar os autos, poderia têlo intimado para prestar eventuais esclarecimentos em vez de desde já julgar improcedente o pedido, nos termos da contribuinte: “Deveria reintimar a recorrente a especificar e detalhar outros documentos ou então, até a formalização de perícia contábil para atestar os lançamentos tributários formalizados Fl. 665DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 652 4 no contexto de todos os documentos idôneos, inequívocos e contemporâneos.” (fls. 427/430); iv que ocorreu a prescrição intercorrente, sob o fundamento de que “não pode o contribuinte em seus atos ser limitado a 30 dias e o Estado premiado a eternidade” (fls. 430/431). Já, em sede de Recurso Voluntário (fls. 550/556) defendeu que (i) lhe deve ser oportunizada apresentação das provas que juntou aos autos (fls. 566/618), e, (ii) que deve ser aplicado o prescrito no art. 150, § 4º, nos casos de declaração de compensação. Consta do dispositivo da DRJ/SPOI o seguinte: “Pelo exposto, VOTO PELO DEFERIMENTO PARCIAL DA SOLICITAÇÃO, visto que, as compensações de que tratam os pedidos de fls. 50, 51, bem como as constantes dos processos de n. 10480.001493/00 40, 13502.000082/0066, 13502.000255/200233, 16707.000386/0024, 10183.000334/0055, 10183.000335/0018, 10283.001190/0062, já se encontravam homologadas de forma tácita na data que foi proferido o despacho decisório ora guerreado. (fls. 535). A Recorrente assevera ter a seu favor o reconhecimento, pela 5ª Turma da DRJ/SPO1, de seu direito à homologação tácita dos processos administrativos de nº. 13502.000073/0075 (fls. 566/574), 13502.000254/200299 (fls. 575/578), 13502.000256/200288 (fls. 579/582), 13502.000091/0057 (fls. 583/591) e 11924.000717/0039 (fls. 592/593) pelo que requer, seu reconhecimento, consideradas as datas dos protocolos. No mérito, aduz que a comprovação da existência de crédito a compensar resta demonstrada, haja vista a apresentação das DARF’s e demais documentos, conforme abaixo aduzidos: [...] o Julgador Singular simplesmente desprezou compensação de períodos anteriores no valor de R$6.332.802,59, conforme é demonstrado na composição das estimativas do ano calendário 1999 (doe. n°. 06), cuja documentação vai assinalada na ultima coluna como "documentação suporte doe. 07". Essa demonstração é amparada por documentos indicados na última coluna como "documentação suporte — doe. 07 ( doe. n°. 07 ) e abaixo detalhado: · em janeiro R$230.490,00, constatandose às fls. 2, 3 e 21 do documento n°. 07; · em fevereiro R$452.580,00, constatandose às fls. 4, 5 e 21 do documento n°. 07; · em junho R$4.234.224,47, constatandose às fls. 9, 10 e 21 do documento n°. 07; · Outubro R$309.177,12, constatandose às fls. 16 e 20 do documento n°. 07; Fl. 666DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 653 5 · Novembro R$1.106.331,00, constatandose às fls. 17,18 e 20 do documento n°. 07. Em síntese, é como relato." Fl. 667DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 654 6 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Ad Hoc para fins de formalização do Acórdão. Designado como Redator Ad Hoc para fins de formalização deste Acórdão, transcrevo abaixo a íntegra do voto proferido pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 25 de janeiro de 2017: A Relatora apresentou o seguinte voto na sessão, verbis: "1. PRELIMINARMENTE O recurso é tempestivo, por isso o conheço. 2. MÉRITO A recorrente protocolizou pedido de restituição corresponde ao IRF, sobre operações de mútuo entre empresas coligadas, cuja compensação com tributos da mesma espécie ficou inviabilizada pela inexistência de saldo devedor a pagar de IRPJ. O Despacho Decisório EQUPIR/PJ indefere o pleito da Recorrente sob dois fundamentos: (i) impossibilidade de compensação do crédito de IR por se constatar que a contribuinte não atendeu a legislação vigente quanto à sua escrituração fiscal, e, (ii) por não haver comprovado de forma efetiva os valores que foram retidos na fonte em seu benefício. 2.1. Da decadência do direito do Fisco de revisar o crédito constituído pela contribuinte e da decadência do direito do Fisco de analisar o pedido de compensação No caso em tela a contribuinte requer o reconhecimento da decadência do direito do Fisco constituir crédito em seu desfavor, ou seja, requer a homologação tácita dos lançamentos que constituiu. Em síntese, a DRJ/SP1, reconheceu a ocorrência da homologação tácita das declarações de compensação apresentadas em período anterior a 09/09/2000 (exatamente 05 antes da negativa manifestada por intermédio do despacho decisório). A decadência e a ‘prescrição’ (nota de rodapé), por sua vez, foram alegadas em Recurso Voluntário. A requerente foi cientificada do despacho ora guerreado em 09/09/2005 (fl. 409), posteriormente, portanto, à Medida Provisória n. 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e à Medida Provisória 135, de 30 de outubro de 2003. (...) Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 655 7 Assim, à vista do disposto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, acima transcrito, imperioso reconhecer que não mais cabia à Administração decidir acerca da sua não homologação, por meio do Despacho Decisório de fls. 401 a 408, porque já transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos, contado do protocolo do pedido. (fls. 531.) Quanto à homologação tácita do crédito constituído pelo lançamento tributário e da compensação, há que se ressalvar que são elementos distintos, sujeitos a prazos cujos lapsos temporais, também, são distintos. Portanto, ainda que o § 4º, do 150 do CTN, trate de homologação tácita, seu objeto é a constituição do crédito tributário, aqui, nestes autos, falase em prazo para homologar a declaração de compensação e não do lançamento tributário. Sobre o tema, Tácio Lacerda Gama, relata que: (…) a homologação da norma individual e concreta que dá origem à obrigação tributária – ou ao crédito tributário do contribuinte frente ao Fisco, dependendo do caso – é distinta da homologação da norma individual e concreta de compensação. São independentes, portanto, com relação à contagem do prazo de decadência. (…) Na norma jurídicotributário expedida pelo particular no exercício de sua competência para efetuar o lançamento por homologação, o Fisco tem cinco anos, a partir da declaração realizada pelo contribuinte, para contestar as informações ali relatadas, nos termos do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Se isso não for feito dentro desse prazo, essa norma individual e concreta tornase imutável, cessando a competência fiscalizatória da autoridade administrativa. A norma de compensação, por sua vez, é constituída por meio do exercício de outra competência, distinta da anteriormente mencionada, e, por isso, está sujeita a outro prazo decadencial, também de cinco anos, mas contado da declaração de compensação efetuada pelo particular, conforme regra do artigo 74, §5º, da Lei 9.430/96. Nota de rodapé: Eduardo II. Lobato, VALTER. Compensação tributária no âmbito federal. São Paulo. Foco Fiscal, 2015. P. 36. Com estas palavras ressalvo não ser o art. 150, §4º do CTN aplicável ao pedido de homologação. Em verdade, a legislação aplicável será justamente o art. 74, § 5º da Lei n. 9.430/96. Consoante Eurico Marco Diniz de Santi: De fato, parecenos que cair (descer, abaixar, arriar, sucumbir, morrer) seria melhor que decair (ir para baixo, baixar, diminuir, enfraquecer, declinar, passar a uma situação inferior), mas melhor ainda seria recriarse (bis). A decadência antes de extinguir, cria direito, quer dizer, para que ocorra a decadência mister se faz que a norma de decadência seja aplicada. É a norma individual e concreta da decadência que o extinguirá o direito. Reiterese: só o direito extingue direito. O direito para “cair”, antes cria direito, ou seja, recriase. (página 149) Inicialmente, a homologação tácita é uma forma extintiva de direito, pois nos moldes do prescrito no CTN, passados 5 anos da constituição da norma Fl. 669DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 656 8 individual e concreta pelo contribuinte, esta deverá ser homologada (ou não), (requisito i). Ato contínuo, Absorve incertezas e se mostra como instrumento da segurança jurídica ao impedir que o Fisco possa a qualquer prazo buscar mecanismos de rever a declaração do contribuinte (requisito ii). Nesse sentido, sobre a aplicação da homologação prevista no parágrafo 5º do artigo 74 e atento à ‘atecnia’ da Recorrente ao declarar as compensações (fls. 3/60) dos autos, perfazse importante perceber o que prescreve § 4o, do art. 74 da Lei 9.430/66, citado nestes autos pela 5a Turma da DRJ/SPO, pois ele prevê a ‘convolação’ dos pedidos de compensação em declaração de compensação. Senão veja: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Sem grifo no original) No mesmo sentido, manifestouse a 4a Câmara, da 1a Turma, da 3a Seção do CARF/MF, o § 4º do art. 74 da Lei nº. 9.430/66, cito trecho de voto proferido pelo Conselheiro Relator Eloy Eros da Silva Nogueira no caso JacenCilag Farmacêutica: Como se vê, o § 4º converteu em declaração de compensação os pedidos de compensação anteriores a 2002. No caso deste processo, os pedidos de compensação foram apresentados em 2001. Sendo assim, em 2002, eles foram convertidos em declaração de compensação para os efeitos da legislação que disciplina a matéria. (CARF, Ac. 3401003.231, Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira – Terceira Seção, 4C, 1T, Caso JacenCilag Farmacêutica. Sessão de setembro de 2016) A ementa do caso prevê o seguinte: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. É na data da ciência da decisão de não homologação que ela é aperfeiçoada para fins de concluir o pedido de compensação. Ultrapassado o prazo de cinco anos desde o pedido de compensação sem que a contribuinte não tenha sido intimado da decisão de não homologação, deve ser ele considerado homologado tacitamente. (Sem grifo no original) Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira – Terceira Seção, 4C 1T, Caso JacenCilag Farmacêutica. Acórdão n. 3401003231. Sessão de setembro de 2016. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 657 9 O § 4º acima transcrito se revela importante por demonstrar ainda, qual o termo inicial para a contagem do prazo da homologação tácita, haja vista o § 5º expressar com veemência o critério temporal adotado para que ocorra a homologação. Ele ainda é complementado pelos §§ 7º e 9º do citado art. 74. Transcrevoos: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (...) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. Daí surgem dois questionamentos: (i) se em casos de homologação tácita de declaração de compensação em decorrência do art. 74 da Lei n. 9.430/96, pode o Fisco impor como condição a apresentação de documentação que comprove o direito à compensação? (ii) e, se pode o Fisco imiscuirse do direito de compensar o pedido da parte alegando recolhimento a menor, ainda que já passado o prazo decadencial de constituição previsto para a Fazenda Pública no CTN? Pois bem, a respeito do primeiro questionamento, em 2007, a 1ª Câmara, da 1ª Seção se manifestou no seguinte sentido: CONFRONTO DIRF X DOCUMENTOS DE RETENÇÃO Pode o Fisco proceder ao confronte de documentos apresentados pelo contribuinte com as informações prestadas pela fonte pagadora acerca da retenção do IRRF. Não pode o Fisco negar a restituição com base em valores de suposta receita financeira omitida, quando comprovados os valores declarados, tanto da receita financeira quanto do IRRF, mormente quanto à obrigação de terceiro e não da peticionante. DECADÊNCIA Não pode o Fisco, a pretexto de verificar a existência de saldo a restituir, reabrir a análise de fatos ocorridos em período já abrangido pela decadência de constituir o crédito tributário. Assim sendo, a Primeira Câmara, da Primeira Seção do CARF, já se manifestou em caso de homologação tácita de compensação, não podia o Fisco alegar a falta de documentação para não homologar o que ao menos em tese já tinha sido homologado tacitamente, principalmente se se tratasse de documentação que deveria ter sido produzida por terceiro (fonte pagadora). E que não poderia de maneira alguma reanalisar os fatos ocorridos à época quando já atingidos pela decadência. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 658 10 Em um julgado, mais recente, por sua vez, o CARF, por intermédio da 2ª Turma Especial da Primeira Seção, proferiu entendimento diferente no acórdão n. 1802002.538. Assevera a ementa: IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária conforme pactuado no artigo 170 da Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN). O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei n. 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. (...) (CARF, Ac. 1802002.538, Ester Marques Lins de Souza, DP 30/03/2015) Como dito alhures, tanto a decadência quanto a prescrição são espécies de uma relevante forma de defesa meritória em sede processual, as prejudiciais de mérito. A homologação tácita, como também demonstrei, nada mais é que uma espécie de decadência. O antigo Código Processual Civil previa em seu art. 279 ao falar sobre as sentenças, as decisões que findavam com resolução de mérito, desde 73 previa que o juiz poderia pronunciar a decadência e a prescrição, que inclusive faziam coisa julgada, tornando imultado o decidido. Da mesma sorte, o atual Código de Processo Civil prevê em seu art. 487, II, que o juiz pode decidir de ofício, ou a requerimento, sobre ocorrência de decadência e de prescrição. Clarividente, portanto, se tratar de questão meritória. Outrossim, é importante lembrar a razão de existirem institutos tais como a prescrição e a decadência (ainda que sendo chamada de homologação tácita) para o ordenamento jurídico é a busca pela segurança jurídica, para que os cidadãos, no caso, contribuintes não fiquem à mercê de terceiros por prazos indeterminados. Com efeito, são mecanismos criados pelo Direito que buscam diminuir a incerteza, impondo limites à direitos por intermédio de critérios temporais (nota de rodapé). Em palavras outras, o sistema jurídico brasileiro, embora tenha criado mecanismos para que as pessoas possam exercer amplamente seus direitos, criou em favor da coletividade, uma limitação ao exercício desses direitos em decorrência do transcurso do tempo. O que pode ser comprovado pela legislação processual civil ser bastante incisiva no sentido de que o juízo, pode, inclusive, de ofício reconhecer a prescrição e a decadência (art. 487, II, CPC). Como é amplamente sabido, a busca pela segurança jurídica tem importância impar para o bem estar social e é por isso que o direito cria suas próprias realidades. Tais como a aplicação prática da decadência e da prescrição. Senão veja. A Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 659 11 própria forma de análise de um processo demonstra isso, pois o julgador sempre deve se pautar em uma análise lógica: primeiro verificar se não há vícios relacionados ao procedimento (chamadas preliminares ou defesas processuais), prejudiciais de mérito e por fim, analisar o mérito (causa de pedir próxima e remota, fatos e fundamentos jurídicos). Reparase, pois, que as prejudiciais ficam no meio das duas pontas, e a razão de assim o ser é simples: elas decidem o mérito, mas podem ser analisadas ainda no início do processo, pois independem de qualquer análise probatória. Não obstante, devo dizer, o ordenamento jurídico brasileiro, buscando, a segurança jurídica, criou a seguinte realidade: tendo razão ou não, o (possível) titular de um direito, tem determinado período para usufruir dele, passado esse período, não mais importará para o direito a realidade do mundo, haja vista que deve prevalecer a realidade criada pelo Direito. Para isso deuse vários nomes: efeitos da revelia, coisa (soberanamente) julgada, prescrição, decadência e, logo, homologação tácita. Eurico Santi assim se expressa: A prova não é a realidade, é a articulação jurídica dessa realidade. No limite da possibilidade da prova, como válvulas de escape, surgem a presunção e a ficção, que suprem a falta de conhecimento dos fatos, permitindo que o aplicador do direito aja como se conhecesse todos os eventos relevantes do caso. Em linhas outras, a lei criou, no parágrafo 5º do art. 74 da Lei n. 9.430/96, uma presunção, uma verdadeira ficção em favor da coletividade, de que o Fisco, deixando de não homologar a declaração de compensação passados 5 anos da sua apresentação, concordaria implicitamente com o que foi dito, constituindo o direito do contribuinte como certo e líquido, haja vista que é exatamente esse objeto do despacho decisório. Somo ao que eu disse acima, o fato do poder executivo, em um órgão com função judiciária, criar uma condição para o exercício de uma garantia do contribuinte previsto em lei, nada mais é que legislar. Leiase: ainda mais insegurança jurídica. Por fim, decidir de tal forma não deixa de se mostrar o exercício do papel de legislador negativo que só pode ser exercido pelo Legislativo e pelo judiciário em controle concentrado. Para chegar à tal conclusão não se faz nenhuma grande ginástica mental, bastando tão somente reparar que permitir o Fisco analisar, a qualquer momento (ainda que em processo administrativo), o que deveria ter sido feito em tempo hábil pelo despacho decisório, acatando ou não a compensação realizada, é o mesmo que dizer que o parágrafo 5º do art. 74, não tem eficácia prática alguma. Concluo essa minha fundamentação explicitando que aos meus olhos, quando o contribuinte produz norma individual e concreta chamada declaração de compensação e o Fisco não se manifesta em menos de 5 anos, ele tacitamente produz uma segunda norma individual e concreta que diz: eu concordo que o contribuinte tem direito líquido e certo à compensação. No caso, tanto contribuinte quanto Fisco criaram realidades que podem ser diferentes das do mundo do “ser”, mas que deverão ter total eficácia aos olhos do direito. Friso. Em se tratando de caso de prescrição e decadência a análise fática/probatória deve se restringir tão somente à análise se o direito foi exercido ou não em tempo hábil. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 660 12 Assim sendo, entendo que qualquer pedido de compensação/declaração de compensação protocolizada em período anterior a 5 anos antes da intimação do despacho decisório, foi devidamente compensado e homologado. Quanto ao segundo questionamento, ou seja, se pode ou não o Fisco reanalisar fatos que estariam ao menos em tese, resguardados pelo instituto da decadência para negar o direito de compensação do contribuinte. A priori, mais uma vez, apresento julgados. Por assim o ser, cito a parte final do voto da 2ª Turma Especial da Primeira Seção já acima apresentado (n. 1802002.538), por se tratar de caso análogo e ter sido julgado ainda em março de 2015: IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação ao ano calendário de 2006 mas o fato não impede o exame para apuração e constatação da veracidade de alegado saldo credor, uma vez que a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor da contribuinte. (CARF, Ac. 1802002.538, Ester Marques Lins de Souza, DP 30/03/2015) Em agosto de 2014, o CSRF deste Conselho afirmou, no acórdão n. 9101001.958 que o conceito de decadência não abrange a revisão de valores. É a ementa: RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. (...) Recurso Especial do Procurador Provido. (CARF, Ac. 9101001.958, Valmar Fonsêca de Menezes DP 17/11/2016) O mesmo posicionamento foi aplicado, em janeiro de 2016, pela 1ª Seção, 1ª Turma da 3ª Câmara no acórdão n. 1301001.896: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada a omissão no acórdão embargado quanto a matéria sobre a qual a turma deveria se pronunciar, conhecese dos embargos para suprila, sem efeitos modificativos na decisão recorrida. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. OFERECIMENTO DAS RECEITAS À TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 661 13 Rejeitase a alegação de que teria ocorrido a homologação tácita prevista no art. 150, § 4º do CTN, o que impediria o Fisco de rever a tributação das receitas financeiras que teriam sido tributadas em anoscalendário anteriores, em obediência ao regime de competência, na medida em que o contribuinte sequer se desincumbiu de demonstrar que o fato gerador de parte das receitas informadas no comprovante de retenção do ano de 2001, ocorreu em anos anteriores. (CARF, Ac. 1301001.896, Luiz Tadeu Matosinho Machado, DP 11/03/2016) Entendo de modo diverso. entendo ser a homologação uma espécie do comando decadência, por outro lado, também ponderei que homologação de declaração de compensação é diferente da homologação da obrigação que constitui crédito em favor do Fisco realizada pelo contribuinte (homologação do autolançamento). São diferentes e tem métodos de contagem de prazo diferentes. No caso da norma individual e concreta exercida pelo contribuinte para futura homologação pelo Fisco, este tem 5 anos para a partir da declaração realizada para impugnar/reavaliar, ou seja, questionar a base de cálculo declarada por aquele. É exatamente isso que prescreve o parágrafo 4º do art. 150. Reparase ao mesmo tempo que, enquanto o parágrafo 5º do art. 74 da Lei n. 9.430/96 constitui um crédito em favor do contribuinte, o parágrafo 4º do art. 150 do CTN constitui um crédito em favor do Fisco. Logo, os dois dispositivos se diferenciam por duas razões: i) preveem um dies a quo diferente e; ii) embora os dois constituam créditos relacionados à Fazenda, o primeiro é desfavorável à ela e o segundo favorável. O objeto da homologação, portanto, é a norma jurídica expedida pelo particular. O fato de ter havido antecipação ou não do pagamento é indiferente para essa finalidade. Nota de rodapé: Eduardo II. Lobato, VALTER. Compensação tributária no âmbito federal. São Paulo. Foco Fiscal, 2015. P. 33. Dessa feita de onde há duas normas que além de buscarem defender a ordem pública (segurança jurídica) beneficiam o contribuinte, estabelecendo prazos de 5 anos para constituir créditos perante o Fisco, seja ele a favor ou contra, estabelecendo se, ainda, dies a quo diferentes para cada uma dessas normas, criase uma terceira que permite que excepcionalmente pode o Fisco aproveitarse de uma norma individual e concreta produzida pelo contribuinte para compensar – ter um crédito em desfavor do Fisco – para ignorar a norma prevista no parágrafo 4º do art. 150, tanto no dies a quo quanto no prazo que é de 5 anos e poder constituir crédito em desfavor do contribuinte para compensar um crédito com o outro. É exatamente isso que se percebe da decisão da 5ª Turma da DRJ/SPOI, pois pretende ela, passados praticamente 8 anos do protocolo da declaração de compensação analisar objeto diferente dela (se a contribuinte recolher imposto a menor no anobase 1999). Nada mais teratológico. Vejam, pois, a diferença das duas competências, a primeira, foi tratada ainda quanto à constituição do crédito tributário, que é: i) competência do contribuinte produzir norma individual e concreta concernente à constituição do crédito tributário (autolançamento) e a extinção do direito de revisão daquela norma pelo Fisco em Fl. 675DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 662 14 decorrência do tempo; e ii) outra é a competência para o exercício do direito de compensação previsto na Lei n. 9.430/96. Por já ter tratado da primeira competência em tópico pretérito, explico, agora, a segunda competência. Pois bem. Conforme dito alhures o art. 74 da Lei n. 9.430/96, prevê um procedimento de compensação que deve ocorrer por intermédio da apresentação de uma DCOMP, ou seja, uma declaração de compensação, oportunidade em que o contribuinte deverá informar que é devedor de determinada quantia ao Fisco e, que ao mesmo tempo, é credor do Fisco. Desse modo, a contribuinte apresenta um crédito e um débito do Fisco e, nesse mesmo momento, pratica a norma individual e concreta da compensação prevista no art. 170 do CTN. Ao entregar a DCOMP tem ainda a contribuinte que apresentar a documentação referente ao crédito que diz ter, bem como indicar com qual débito ele foi compensado. Nos termos do § 2º a declaração de compensação extingue o crédito da Fazenda, porém, dispõe, outrossim, condição resolutória, homologação. No entanto, mais uma vez a legislação, buscando a segurança jurídica, passou a prever um prazo para o Fisco exercer a competência do § 2º, ou seja, um prazo para homologação da compensação. É exatamente o que faz o § 5º do art. 74, ao prever que o Fisco deve homologar (ou não) a declaração de compensação no prazo de 5 anos, sob pena da extinção do crédito tributário prevista no § 2º do art. 74. Destarte, o Fisco tem 5 anos, contados da data da entrega da DCOMP, para analisar se a compensação fora realizada devidamente ou não. Nesse período de 5 anos, o Fisco deve analisar, por exemplo, se o débito que o contribuinte indicou pode ser objeto de compensação, se o crédito que existe em favor do contribuinte é legítimo, deverá analisar se estão presentes os requisitos naturais à toda compensação (reciprocidade das obrigações, liquidez das dívidas, exigibilidade das prestações, fungibilidade das coisas devidas). Das descrições acima, fica clara a semelhança das duas competências outorgadas à contribuinte pela lei, pois, nos dois casos: (i) a contribuinte apresenta declarações constitutivas de créditos; (ii) abrase o prazo de 5 anos para que o Fisco, fiscalize a atividade praticada pelo contribuinte e as homologue ou não, sob pena de concordar com ela (homologação tácita); e, (iii) fica extinto de direito do Fisco de emitir juízo de valor sobre os créditos (sejam do Fisco, sejam do contribuinte), ou sobre a documentação por ele apresentada e, portanto, extinto o direito de constituir crédito em seu favor, em razão das declarações apresentadas (seja DCTF, seja DCOMP). Destaco, também, as diferenças: (i) quanto ao objeto, enquanto uma busca aferir a legitimidade da compensação a outra está relacionada ao ato de verificar a legitimidade do crédito constituído; e, (ii) tendem a se iniciar e acabar em momentos distintos. No mesmo sentido manifestase Tácio Lacerda Gama: Na norma jurídicotributária expedida pelo particular no exercício de sua competência para efetuar o lançamento por homologação, o Fisco tem cinco anos, a partir da declaração realizada pelo contribuinte, para contestar as informações ali relatadas, nos termos do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Se isso não for feito dentro desse prazo, essa norma Fl. 676DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 663 15 individual e concreta tornase imutável, cessando a competência fiscalizatória da autoridade administrativa. A norma de compensação, por sua vez, é constituída por meio do exercício de outra competência, distinta da anteriormente mencionada, e, por isso, está sujeita a outro prazo decadencial, também de cinco anos, mas contado da declaração de compensação efetuada pelo particular, conforme regra do artigo 74, §5º, da Lei n. 9.430/96. Assim, se no exercício de sua competência para constituir tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte apurar montante a pagar que, por alguma razão, lhe gere um crédito em face do Fisco, a autoridade fiscal tem cinco anos, contados dessa declaração, para contradizer essa informação, ou seja, para questionar aquela base de cálculo constituída pelo contribuinte. E se, posteriormente, o contribuinte utilizar esse crédito como pressuposto de uma norma individual e concreta de compensação, o termo inicial do prazo decadencial para que o Fisco conteste a informação ali prestada não se altera. Isso porque, insistimos, são normas diferentes, cuja fiscalização pelas autoridades administrativas se dá com fundamento em competências distintas e com aspectos temporais diferentes. Nota de rodapé: Eduardo II. Lobato, VALTER. Compensação tributária no âmbito federal. São Paulo. Foco Fiscal, 2015. P. 37. Com efeito, partindo das premissas acima, controle de legalidade das normas individuais e concretas produzidas pelo contribuinte (autolançamento e declaração de compensação) que deve ser feito pelo Fisco, pode ser dividido em 04 (quatro) momentos: 1º Momento: a contribuinte realiza o chamado autolançamento, apresentando a declaração e comunicando ao Fisco a ocorrência da materialidade. Com isso, iniciase o prazo de 5 anos para que o Fisco pratique aquelas hipóteses previstas no art. 149 do CTN. Passado os 5 anos, sem manifestação do Fisco, o lançamento é homologado tacitamente nos termos dos arts. 150, § 4º e parágrafo único do 149. 2º Momento: a contribuinte produz uma segunda norma individual (em momento distinto da primeira), em específico a prevista no art. 74 da Lei n. 9.430/96 e, é aberto um novo prazo de 5 anos ao Fisco, dessa vez para analisar os requisitos gerais da compensação, bem como, a observância de normas, tais quais a do § 2º do art. 74 da Lei n. 9.430/96. Esse lapso de 5 anos, está representado em azul no desenho abaixo: Fl. 677DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 664 16 De acordo com essa ilustração, notase que pode acontecer, a depender do caso concreto, que em determinados períodos, seja possível que o Fisco exerça o controle de legalidade das duas normas individuais e concretas praticadas pelo contribuinte, ou seja, poderá o Fisco, durante determinado lapso temporal, tanto exercer sua competência previsto no art. 149 do CTN, quanto fazer controle de legalidade da compensação realizada pelo contribuinte. Esse período está representado pela cor verde: 3º Momento: em decorrência do art. 150, § 4º, fica extinto o direito do Fisco de constituir o crédito que poderia ter em razão do exercício dos comandos do artigo 149 do CTN, tendo ainda, competência para realizar juízo de valor sobre o pedido de compensação do contribuinte, por intermédio de despacho decisório, homologando ou não a compensação. Esse 3º momento está representado (em roxo) na figura abaixo, ou seja, depois dos 5 anos do autolançamento, mas antes de ter passado 5 anos da declaração de compensação. Repare: 4º Momento: por fim, também passados os 5 anos da declaração de compensação, nada mais pode fazer o Fisco a não ser homologar a compensação, independentemente de qualquer juízo de valor. O 4º momento está representado em laranja na imagem abaixo. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 665 17 Conforme demonstrado acima, entendo tratarse de regras diferentes, que ocorrem em momentos diferentes, decorrente de competências diferentes e que tem objetos diferentes. Outros, contudo, têm sido alguns entendimentos proferidos por membros do CARF: PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no art. 170 da Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN). O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei n. 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação ao ano calendário 2006, mas o fato não impede o exame para apuração e constatação da veracidade de alegado saldo credor, uma vez que a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor da contribuinte. (CARF, Ac. 1802002.538, Ester Marques Lins de Souza, DP 30/3/2015). RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 666 18 “Para este Conselheiro, basta somente a constatação de que não nenhuma base legal que obrigue a Administracão Pública a ressarcir créditos ao contribuinte sem que lhe seja permitido verificar a certeza e liquidez de tais valores. Imaginem, senhores conselheiros, que um dos senhores estivesse sendo executado por uma dívida, supostamente constituída pela emissão de uma nota promissória, cujo suposto credor se recusasse a apresentála ao Judiciário. A “nota promissória” do contribuinte credor da Fazenda Pública são os documentos comprobatórios dos seus créditos. A ementa do Acórdão n. 1402002.153, proferido pela 1ª Seção, da 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, demonstra com clareza o que vem sendo decidido: DECADÊNCIA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA NA APURAÇÃO DO TRIBUTO A RECOLHER/RESTITUIR SEM ALTERAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. INOCORRÊNCIA. O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. Inteligência da Solução de Consulta Interna Cosit n. 16, de 2012. É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. Tratandose de verificação dos valores de estimativas, imposto de renda na fonte ou compensações realizadas, não há que se falar em necessidade de lançamento, e, por conseguinte, de decadência. (CARF, Ac. 1402002.153, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, DP 06/05/2016) Deveras, algumas manifestações caminham no sentido de que ao analisar a compensação, pode o Fisco, igualmente, analisar o mérito da constituição do crédito do contribuinte, ou seja, estaria reaberta uma janela de 5 anos para que o Fisco pratique atos de efeitos idênticos aos previstos no art. 149 do CTN. Com efeito, este entendimento pode ser representado pela imagem abaixo, onde, ao ser apresentada a declaração de compensação, se `renovaria’o prazo do art. 150, § 4º, segue: Depreendese, pois, o seguinte: em vez de distinguir claramente as duas competências citadas, apegase às semelhanças para poder, dentro do prazo de 5 Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 667 19 anos da homologação tácita da declaração de compensação, reanalisar matérias que estariam estabilizadas, imodificáveis em decorrência da decadência, via homologação tácita. Em que pese o respeito a posicionamento diverso, em virtude de partir da premissa de que são competências distintas, assim devem ser tratadas, com distinção, não podendo serem confundidas. Neste sentido, mais uma vez, me reporto a Tácio Lacerda Gama, ao concluir que: Percebese, assim, que houve uma modificação da jurisprudência do CARF, que passou a compreender que o contribuinte mantém a obrigação de comprovar os fatos que ensejaram o lançamento por homologação e a constituição do crédito mesmo após a decadência. Contudo, esse entendimento não se mostra adequado quando analisamos a operacionalização do sistema de direito positivo e suas categorias, na linha do exposto anteriormente. Afinal, quando verificamos a distinção entre norma jurídica tributária que constitui a obrigação tributária – e que eventualmente dá direito a crédito – e a norma jurídica de compensação, bem como suas respectivas competências fiscalizatórias, com seus aspectos temporais específicos, percebemos como o entendimento atual do CARF é inconsistente. (fls. 40 e 41) Nota de rodapé: Eduardo II. Lobato, VALTER. Compensação tributária no âmbito federal. São Paulo. Foco Fiscal, 2015. P. 4041. Ademais, pondero, na prática, o atual entendimento do CARF abre um novo precedente para a aplicação da tese dos 5 + 5, a favor do fisco, pois, a regra do art. 168 do CTN, impõe que a declaração de compensação, bem como pedido de restituição, deve acontecer no período de 5 anos, e, caso o contribuinte exerça esse direito apenas no último dia, terá ainda o Fisco mais 5 anos para aplicar as hipóteses do art. 149 também do CTN. Em palavras outras, embora o CTN preveja apenas 5 anos para o exercício do lançamento/revisão de ofício, a depender do caso concreto, poderá o Fisco fazêlo em até 10 anos depois do autolançamento. A figura abaixo demonstra claramente o que expus acima, pois com a comunicação da materialidade via autolançamento, iniciase o prazo de 5 anos e, se no último dia o contribuinte apresentar declaração de compensação, terá o Fisco mais 5 anos para, praticar comandos do art. 149, embora com nomenclatura diferente de ‘constituição de crédito’. Estabelecidas as diferenças entre a competência para constituir o crédito e a competência para aferir o pedido de compensação. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 668 20 2.2 Do pedido de compensação e seus deveres instrumentais A última discussão processual, por sua vez, se relaciona aos deveres instrumentais ligados ao IRRF e, portanto, com o que foi provado nos autos. Segundo a 5ª Turma da DRJ/SPO1: No tocante ao crédito solicitado, cumpre esclarecer que o IRRF por si só não é passível de restituição ou compensação com outros tributos. Para as pessoas jurídicas, o mesmo tem a natureza de antecipação do imposto devido e como tal deve ser compensado na DIPJ correspondente ao ano de sua retenção (...). (sublinhei)(Fls. 531) A DRJ nega o direito à restituição asseverando que “(...) a legislação tributária vincula a apuração do IRRF passível de ser compensado ou restituído à apresentação de retenção emitido pela fonte pagadora” e que por se tratar de empresas de um mesmo grupo econômico, seria necessário verificar se o IRRF foi, de fato, recolhido (fls. 532 e 533). Percebese, pois, ao menos três critérios estabelecidos pela decisão recorrida. São eles: (a) que a pessoa jurídica deve compensálo na DIPJ correspondente ao ano de sua retenção; (b) que só será lícita e passível de compensação o IRRF após a apresentação de retenção emitido pela fonte pagadora (art. 942 do RIR/99), e, (c) que por tratarse de empresas do mesmo grupo econômico, é necessário verificar se o IRRF foi mesmo recolhido. Passase, pois, à legislação aplicável ao caso. O RIR/99 é a legislação que, em essência, dispõe sobre os deveres instrumentais relativos ao IRRF. Segundo o Regulamento do Imposto de Renda, a base do IRF, compete à fonte reter o imposto de que trata este Título, salvo disposição em contrário. Essa é o texto previsto no art. 717. O art. 272, por sua vez, dispõe sobre a escrituração dos rendimentos, normas instrumentais destinadas à empresa beneficiária, cujo teor segue: Na escrituração dos rendimentos auferidos com desconto do imposto retido pelas fontes pagadoras, serão observadas, nas empresas beneficiadas, as seguintes normas: I o rendimento percebido será escriturado como receita pela respectiva importância bruta, verificada antes de sofrer o desconto do imposto na fonte; II o imposto descontado na fonte pagadora será escriturado, na empresa beneficiária do rendimento: a) como despesa ou encargo não dedutível na determinação do lucro real, quando se tratar de incidência exclusiva na fonte; b) como parcela do ativo circulante, nos demais casos. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 669 21 De outro turno, o art. 837, deixa a entender que realmente a compensação deve acontecer ao momento da apresentação da declaração, seguese: No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração. Nessa linha, a Recorrente juntou aos autos cópia da DIPJ referente ao ano base 1999 (fls. 90/119) e DIRF (fls. 75/87). A ficha que demonstra o IRRF (nº 12), por sua vez, nos meses de janeiro, junho, julho e outubro, se encontra às fls. 99/104 e é repetida pela Recorrente (fls. 599, 606, 609 e 613). Por fim, o art. 942 do RIR/99 prevê deveres instrumentais à fonte pagadora, tais como o dever de fornecer à fonte beneficiária Comprovante Anual de Rendimento Pagos ou Creditados e de Retenção de IRF. O art. 943 do RIR/99 assevera que o documento fornecido pela fonte pagadora à fonte beneficiária deverá ser apresentado em sua DIPJ e que, só poderá ocorrer a compensação em caso do Recorrente apresentar essa documentação: Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento. Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942. § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento. Essa é, portanto, a legislação aplicável ao caso concreto. E segundo a Recorrente, teria sido ela beneficiária de operações de mútuo, oportunidade em que teria sido retido e recolhido o IRF e que por isso teria direito à restituição. Deveras, o presente processo foi protocolizado em 14 de fevereiro de 2000 juntamente com diversos documentos (fls. 3/60) que em tese demonstrariam o direito da Recorrente de compensar. A Recorrente realizou inúmeras compensações que ainda precisavam ser homologadas (ou não) pelo fisco, acontece que este apenas pronunciouse pela negativa de homologação em desfavor da Recorrente no dia 09/09/2005 (fls. 414), ou seja, nos termos do parágrafo 5º, do art. 74, da Lei n. 9.430/66, o Despacho Decisório apenas poderia negar homologações protocolizadas em data posterior ao dia 09/09/2000. Veja a linha do tempo: a) 14/02/2000 protocolizado o pedido inicial de compensação (fls. 3/60); Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 670 22 b) 14/02/2000 protocolizado processo n. 11924.000717/0039 (fls. 593); c) 22/02/2000 – protocolizados os processos n. 13502.000254/200299 e 13502.000256/200288 (fls. 577 e 581); d) 28/02/2000 – protocolizado o processo n. 13502.000073/0075 (fls. 565); e) 03/03/2000 – protocolizado o processo n. 13502.000091/0057 (fls. 585); f) 09/09/2000 – marco temporal identificador dos 5 anos, depois desta data viria ser proferido o despacho decisório; g) 09/09/2005 – data em que a Recorrente foi intimada do despacho decisório não homologando as compensações apresentadas. Conforme dito alhures, entendo que o direito de lançar crédito e sua eventual revisão é competência distinta do direito de homologar a declaração de compensação. Assim, o presente caso, enquadrase bem ao momento 4. Coaduno, pois, com o entendimento proferido pela 5ª Turma da SDJ/SPOI, quanto à ocorrência da homologação tácita. Em palavras outras, quando o despacho decisório foi proferido, as compensações protocolizadas antes de 09/09/2000 já tinham sido homologadas tacitamente nos termos do art. 74, § 5º, da Lei. n. 9.430/96. Assim sendo, entendo que qualquer pedido de compensação/declaração de compensação protocolizada 5 anos antes da intimação do despacho decisório, in casu, 09/09/2000, foi homologado tacitamente. Ao ser homologado tacitamente, desnecessário se faz qualquer juízo de valor a respeito dos deveres instrumentais inerentes ao recolhimento de IRRF. Ocorre, porém que, dos R$ 10.556.795,36 de IRRF, o total do crédito percebido pela contribuinte, R$ 8.189.163,16 foram reconhecidos; no entanto, o montante de R$ 2.367.393,33, pertence às empresas coligadas (fls. 5, 07, 15, 20, 22, 25, 26, 28, 30, 38 e 52, cópia às fls. 210 a 213). Dessa forma, ainda que a declaração de compensação já esteja abrangida pela decadência (via homologação tácita), caso ela não tenha sido formalizada em nome próprio, o que por razões óbvias exclui pedidos realizados em nome de coligadas/controladas, será improcedente. Pois bem, o art. 272 prevê o dever instrumental da fonte pagadora, que é de emitir e entregar à beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. Esses comprovantes foram apresentados pela Recorrente nas fls. 8/52, 55, 199, 2000, 202/204. Ao mesmo tempo, importante observar que a Recorrente aparece como beneficiária nas fls. 8, 23, 31, 41, 55 (ilegível), 199, 200 e 202/204. Às folhas 534, por sua vez, a DRJ/SPOI, apresenta demonstrativo indicando que segundo informações do sistema interno da SRF, a contribuinte apresentou possuir créditos no valor de R$ 8.189.163,16 em seu nome, dos quais R$ 7.878.311,88 foram confirmados pelas fontes pagadoras em DIRF, ou, confessados via DCTF e foram recolhidos. Reconheceu ainda que a Recorrente comprovou (fls. 187 a 190, 193 a 199, 202 a 205 e 207), por intermédio de informe de rendimentos recebidos a Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 671 23 título de juros de capital próprio em aplicações financeiras, IRRF, no valor de R$ 69.631,24. Ratifico meu entendimento, segundo o qual, tal qual a comprovação do direito por intermédio de apresentação de documentação (dever instrumental), é questão abrangida pela decadência e, logo, pela homologação tácita, de modo que o crédito da contribuinte deve ser de R$ 8.189.163,16. Ante todo o exposto, voto no sentido de manter a decisão proferida pelo acórdão recorrido, reconhecendo homologadas todas as compensações de créditos que constem dos autos e que tiverem data de protocolo anterior à 09/09/2000, inclusive as de fls. 50 e 51, bem como as constantes dos processos n. 10480.001493/0040, 13502.000082/0066, 13502.000255/200233, 16707.000386/0024, 10183.000334/00 55, 10183.000335/0018, 10283.001190/0062 (constantes do dispositivo da DRJ/SPOI) e, também as de n. 13502.000073/0075, 13502.000254/200299, 13502.000256/200288, 13502.00091/0057 e 11924.000717/0039 (fls. 565/594). É como voto." O voto da conselheira relatora, acima transcrito, foi proferido na sessão de 25 de janeiro de 2017, tendo a conclusão do julgamento sido interrompida pelo pedido de vista do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Apresentado o voto vista do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, na sessão de fevereiro de 2017 a própria conselheira relatora modificou seu voto para acolher as razões apresentadas pelo referido conselheiro, expostas a seguir, verbis: "A parte dispositiva do acórdão de primeira instância assim dispõe: Pelo exposto, VOTO PELO DEFERIMENTO PARCIAL DA SOLICITAÇÃO, visto que, as compensações de que tratam os pedidos de fls. 50, 51, bem como as constantes dos processos de n° 10480.001493/0040, 13502.000082/0066, 13502.000255/200233, 16707.000386/0024, 10183.000334/0055, 10183.000335/0018, 10283.001190/0062, já se encontravam homologadas de forma tácita na data em que foi proferido o despacho decisório ora guerreado. Ora, sobre a parte deferida da impugnação, não cabe à relatora se pronunciar, pois, como não existe recurso de ofício em processo de compensação/restituição, a matéria não sobe a este Colegiado, quando já homologada, seja porque razão, a compensação. Observo que, por óbvio, o presidente da Turma prolatora da decisão de primeira instância não interpôs recurso de ofício. Cabia, então, à Relatora se pronunciar apenas sobre a parte indeferida do pedido, qual seja, se existia ou não direito creditório relativo a IRRF, pois o contribuinte apresentava o seguinte: IRRF a compensar 10.608.451,45 Valor Compensado 5.883.751,13 Saldo a Restituir 4.724.700,32 Fl. 685DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 672 24 O contribuinte utilizou esse suposto saldo a restituir para compensar os débitos confessados nos pedidos de compensações considerados tacitamente homologados pela decisão recorrida, mas também aqueles objetos dos seguintes processos: 13502.0000731/0075; 13502.000254/200299; 13502.000256/200288; 13502.000091/0057 e 11924.000717/0039. Nesse sentido, apenas as compensações objeto desses processos estariam em julgamento neste Colegiado. Ocorre que a decisão de primeira instância incorreu em vício ao estabelecer dentro dos seus fundamentos uma condição, ou seja, condicionou sua própria conclusão, ao estabelecer o seguinte: “No caso, deve ser observado que apesar de a contribuinte ter formalizado os pedidos de compensação de que tratam os processos números 10480.001493/0040, 13502.000082/0066, 13502.000255/200233, 16707.000386/0024, 10183.000334/0055, 10183.000335/0018, 10283.001190/0062 no formulário destinado a "Pedido de Compensação de Créditos com Débitos de Terceiros", os mesmos devem ser admitidos como compensação de débitos próprios, visto que a requerente aparece tanto na condição de titular do crédito quanto na condição de contribuinte devedor (matriz e filial). Destarte, os pedidos de compensação constantes dos processos acima citados, foram convertidos em Declaração de Compensação. A requerente foi cientificada do despacho ora guerreado em 09/09/2005 (fl. 409v), posteriormente, portanto, à Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e à Medida Provisória 135, de 30 de outubro de 2003. Os pedidos de compensação de fls. 50 e 51 e os processos acima citados, foram protocolizados nos dias 14 e 15 de fevereiro de 2000. Assim, â vista do disposto no § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, acima transcrito, imperioso reconhecer que não mais cabia à Administração decidir acerca da sua não homologação, por meio do Despacho Decisório de fls. 401 a 408, porque já transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos, contado do protocolo do pedido. Cumpre consignar que o despacho decisório cita a existência de pedidos de compensação formalizados nos processos de n° 13502.000073/0075, 13502.000254/200299, 13502.000256/200288, 13502.000091/0057 e 11924.000717/0039 que devem receber o mesmo tratamento, se constatada a compensação de débitos próprios formalizada antes de 09/09/2000.” (grifei). Ora, não poderia o julgador de primeira instância deixar tal questão em aberto. Se tais processos foram objeto do despacho decisório, deveria o julgador de primeira instância se pronunciar sobre a ocorrência ou não de homologação tácita, também para eles. Notese que, pelo número de alguns processos, há grande possibilidade de também ali ter ocorrido a homologação tácita. O julgador de primeira instância, se não tinha dados nos autos, para se pronunciar sobre a homologação tácita, deveria ter baixado o processo em diligência, mas não fazer o que fez, deixar esta questão de lado e passar a analisar a existência ou não do direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto por determinar o retorno dos autos à DRJ, para que profira decisão complementar, na qual se manifeste sobre a ocorrência de homologação tácita dos pedidos objetos dos seguintes PAFs: 13502.000073/0075, Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 673 25 13502.000254/200299, 13502.000256/200288, 13502.000091/0057 e 11924.000717/0039." Conforme exposto, a conselheira relatora reformulou seu voto para acolher na íntegra os fundamentos trazidos no voto vista do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Em face do exposto, acordaram os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à turma de julgamento de primeira instância para que profira decisão complementar, na qual se manifeste sobre a ocorrência de homologação tácita dos pedidos objetos dos seguintes PAFs: 13502.000073/0075, 13502.000254/200299, 13502.000256/200288, 13502.000091/0057 e 11924.000717/0039. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Ad Hoc para fins de formalização do Acórdão. Fl. 687DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000111/2005-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Para fins de se definir insumo para efeito de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve-se observar se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção e se a produção ou prestação de serviço demonstram-se dependentes efetivamente da aquisição dos referidos bens e serviços.
Deve-se observar, também, se os mesmos são aplicados diretamente ou indiretamente no processo de produção e nos demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Para fins de se definir insumo para efeito de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve-se observar se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção e se a produção ou prestação de serviço demonstram-se dependentes efetivamente da aquisição dos referidos bens e serviços.
Deve-se observar, também, se os mesmos são aplicados diretamente ou indiretamente no processo de produção e nos demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva.
Numero da decisão: 9303-004.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, acordam, quanto ao serviço de alteamento, ao serviço de limpeza e passagem, ao serviço de decapeamento, ao serviço de lavra, ao serviço de melhoria das estradas e quanto a gasolina comum e óleo diesel, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, quanto ao serviço de locação, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; quanto ao fornecimento de jantar e quanto ao serviço de transporte, por maioria de votos, acordam, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; e quanto ao serviço especializado de vigilância, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao serviço de locação, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza- Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Para fins de se definir “insumo” para efeito de constituição de crédito de PIS e de Cofins, devese observar se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção e se a produção ou prestação de serviço demonstramse dependentes efetivamente da aquisição dos referidos bens e serviços. Devese observar, também, se os mesmos são aplicados diretamente ou indiretamente no processo de produção e nos demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 11 /2 00 5- 94 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 438 2 Para fins de se definir “insumo” para efeito de constituição de crédito de PIS e de Cofins, devese observar se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção e se a produção ou prestação de serviço demonstramse dependentes efetivamente da aquisição dos referidos bens e serviços. Devese observar, também, se os mesmos são aplicados diretamente ou indiretamente no processo de produção e nos demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, acordam, quanto ao serviço de alteamento, ao serviço de limpeza e passagem, ao serviço de decapeamento, ao serviço de lavra, ao serviço de melhoria das estradas e quanto a gasolina comum e óleo diesel, por maioria de votos, em dar lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, quanto ao serviço de locação, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; quanto ao fornecimento de jantar e quanto ao serviço de transporte, por maioria de votos, acordam, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; e quanto ao serviço especializado de vigilância, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao serviço de locação, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Fl. 439DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 439 3 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3801002.044 (fls. 285 a 302) do processo eletrônico, proferido pela Primeira Turma Especial da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que: I por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições do óleo combustível TPABPF; II Por maioria de votos, em negar provimento quanto às glosas decorrentes de fornecimento de alimentação para os funcionários e serviço especializado de vigilância e III pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação as demais glosas (alteamento, limpeza e passagem, locação de equipamentos, decapeamento, lavra, transporte de funcionários, melhoria das estradas, gasolina comum e óleo diesel), conforme acórdão assim ementado: O acórdão recorrido possui a seguinte ementa: (...) PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma nãocumulativa Recurso Voluntário Provido em Parte. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência – fls. 316 a 344 em face do acórdão recorrido que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, suscitando Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 440 4 divergência contra o entendimento adotado pela decisão recorrida, relativamente aos itens não considerados como insumos. Para comprovar o dissenso inicialmente foram colacionados, como paradigmas, os acórdãos 930101.741, 340301.500, 20181.139, e 320200.226 (fls. 353 a 411). Somente os dois primeiros citados no recurso foram analisados no exame de admissibilidade, por força do disposto no art. 67 do RICARF. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, nos termos do despacho de fls. 415 a 418, entendendo que na decisão recorrida o colegiado, analisando o direito de créditos da Cofins não cumulativa, entendeu que “para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados pela pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto”. Por sua vez, os paradigmas citados firmam entendimento diverso, pois utiliza conceito mais amplo do que seriam os insumos dentro da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS. Engloba, outros conceitos, e rejeita a utilização do conceito empregado na legislação do IPI. Assim, entendeu que a divergência jurisprudencial foi comprovada. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 420 a 431 postulando pelo não provimento do recurso especial do contribuinte, para manter a decisão v. Acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido DO SERVIÇO DE LOCAÇÃO Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Para melhor elucidar meu entendimento, importante trazer o conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 441 5 Nos autos do processo administrativo n.º 13984.001511/200587, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, a ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama expôs brilhantemente o conceito de insumo, que passam a integrar a presente fundamentação: “Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 442 6 Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, por sua vez, foi confirmado pela pesquisa desenvolvida no âmbito do Núcleo de Estudos Fiscais da FGV Direito SO sob a coordenação dos estudiosos Breno Vasconcelos, Daniel Santiago, Eurico de Santi, Karem Dias e Suzy Hoffman. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo:“Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 443 7 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 444 8 Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 445 9 Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · o art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) a.matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) b.os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) [...]” art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 446 10 utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 447 11 Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 448 12 CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, Fl. 449DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 449 13 cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 450 14 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos." Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Cumpre lembrar que em razão da natureza extrativista da atividade e o processo produtivo compreende não apenas e tão somente a modificação do mineral até que dele se extraía o caulim, mas sim todas as etapas necessárias/essenciais à obtenção do produto final. Quanto ao serviço de locação que consiste na locação de equipamentos para extração do minério. Por sua especificidade e alta exigência técnica a extração de minério não pode ser realizada a contento sem maquinário apropriado. Diante disto, esse serviço é prestado na área produtiva e influenciam diretamente a produção, e sem o qual não há produto final. Assim, como tal, deve ser admitido no cômputo do crédito requerido. Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para considerar como insumos os gastos afetos serviço de locação. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran VOTO VENCEDOR QUANTO AOS DEMAIS ITENS Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 451 15 Como descrito acima, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Cumpre lembrar que em razão da natureza extrativista da atividade e o processo produtivo compreende não apenas e tão somente a modificação do mineral até que dele se extraía o caulim, mas sim todas as etapas necessárias/essenciais à obtenção do produto final. No presente caso, o Recurso Especial, versa sobre o direito a créditos de PIS e COFINS os serviços e produtos utilizados como insumos em todas as etapas do processo produtivo do minério caulim , quais sejam: Ø 1SERVIÇO DE ALTEAMENTO: consiste no aumento da capacidade da bacia de rejeitos. Visa a correta disposição de rejeitos, constituindo em exigência primordial à atividade produtiva da recorrente, sob pena de ver suas atividades impedidas por falta de adequadas para executála. Ø 2SERVIÇO DE LIMPEZA E PASSAGEM: consiste na remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim. A atividade produtiva não se completa sem a desobstrução das vias que permitem o acesso do maquinário às fontes de caulim. Ø 3SERVIÇO DE DECAPEAMENTO: consiste na retirada de vegetação e solo para expor o minério. É primeiro passo necessário à atividade extrativa mineral. Ø 4SERVIÇO DE LAVRA: consiste na extração do minério da natureza.. Se o decapeamento prepara o terreno para extração do minério, a lavra compreende a real retirada do minério de seu depósito natural para posterior beneficiamento e extração do caulim. Ø 5SERVIÇO DE MELHORIA DAS ESTRADAS: consiste na manutenção de estradas privadas que conduzem às jazidas minerais. Mantem as vias de acesso às jazidas em condição para o transporte e produção do caulim. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 452 16 Ø 6GASOLINA COMUM e ÓLEO DIESEL: utilizada nos veículos da fábrica para transporte de materiais. E o Oleo utilizado nos caminhões para transporte de caulim, deslocamento de matériaprima, produtos intermediários, e produto final entre os diversos setores da produção, seja das áreas de extração para a produção, entre setores desta última, ou ainda da produção para a distribuição. Ø 7FORNECIMENTO DE JANTAR: consiste no serviço de refeitório para os funcionários. Ø 8SERVIÇO DE TRANSPORTE: consiste no serviço de transporte de Funcionários. Ø 9SERVIÇO ESPECIALIZADO DE VIGILANCIA: consiste no serviço de segurança patrimonial. Cumpre lembrar que em razão da natureza extrativista da atividade e o processo produtivo compreende não apenas e tão somente a modificação do mineral até que dele se extraía o caulim, mas sim todas as etapas necessárias/essenciais à obtenção do produto final. Ademais, alguns desses serviços são prestados na área produtiva e influenciam diretamente a produção, e sem os quais não há produto final. Assim, como tal, devem ser admitidos no cômputo do crédito requerido.Dessa forma, para chegarse ao produto final comercializável foi essencial utilizar os vários insumos acima citados (itens 1 a 5) . Pois, sem a utilização destes, não haveria obter o produto final e destinálo ao mercado. No que tange aos combustíveis e lubrificantes (item 6) utilizados nos veículos da empresa no transporte de matéria prima, vêse que tal transporte é essencial para a atividade do sujeito passivo. Ora, estamos tratando, conforme denominação da empresa, de Indústria Extrativa– ou seja, para a extração do caulim – é necessário e essencial que a empresa promova o transporte das matérias primas e produtos industrializados. Frisese tal entendimento o decidido pelo STJ quando da apreciação do REsp 1.235.979 – RS – que restou consignada a seguinte ementa: Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 453 17 “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS, LUBRIFICANTES E PEÇAS UTILIZADOS COMO INSUMOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ENTREGA DE MERCADORIAS VENDIDAS PELA PRÓPRIA EMPRESA. ARTS. 3º, II, DAS LEIS N. N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. O creditamento pelos insumos previsto nos arts. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 e da Lei n. 10.637/2002 abrange os custos com peças, combustíveis e lubrificantes utilizados por empresa que, conjugada com a venda de mercadorias, exerce também a atividade de prestação de serviços de transporte da própria mercadoria que revende. 2. Recurso especial provido.” Proveitoso, assim, trazer que o ministro Mauro Campbell Marques considerou que, no caso, estão presentes todos os pressupostos para o creditamento ao pronunciar: “Tratase de combustíveis, lubrificantes e peças utilizados na prestação de serviços de transportes, serviços, estes componentes do objeto social da empresa e cujo custo é transferido para o elo subsequente na cadeia econômica e cujo faturamento sofre a tributação pelas contribuições ao PIS e Cofins não cumulativas”. Por fim, considerando o meu entendimento acerca do conceito de insumos, deixo de reconhecer, como pretende o contribuinte, o serviço de transporte de funcionários, o de vigilância patrimonial e de fornecimento de jantar (itens 7 a 9), pois, entendo que seu impacto no processo produtivo, se verificado, é apenas indireto. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 454 18 Voto Vencedor DO SERVIÇO DE LOCAÇÃO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Discordamos da il. Relatora. Não há razão jurídica para considerar como insumos os gastos dispendidos com a locação de equipamentos (aliás, nem serviço é), ainda que estes sejam necessários à produção. Da necessidade de utilização do equipamento não decorre a necessidade da sua locação. Afinal, a produção pode ser alcançada com a utilização de equipamentos de propriedade da própria contribuinte, o que afasta a pretensão. Ante o exposto, nego, no ponto, provimento ao recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 455DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.006516/2002-24
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1999
SALDO NEGATIVO - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO
COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITORIO.
Havendo revisão parcial nas glosas de despesas implementadas pela
Delegacia de origem, cabe reconhecer parcialmente o direito de credito e as compensações correspondentes.
Numero da decisão: 1802-000.727
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, André Almeida Blanco e João Francisco Bianco, que davam provimento total ao recurso
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
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Recorrida TURMA/DRJ-SA 0 PAULO/SP I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA 'RP.] Ano-calendário: 1999 SALDO NEGATIVO - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITORIO. Havendo revisão parcial nas glosas de despesas implementadas pela Delegacia de origem, cabe reconhecer parcialmente o direito de credito e as compensações correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, André Almeida Blanco e João Francisco Bianco, que davam provimento total ao recurso. st' es Lins de So 2,7 l" se de Oliveira Ferraz Correa - Relitor. EDITADO E ? J1. N I Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisco Bianco (Vice-Presidente), Jose de Oliveira Ferraz Correa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel • e Andre Almeida Blanco(Suplente Convocado). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em sac) Paulo/SP I, que manteve a negativa em relação aos Pedidos de Compensação de fls. 2 e 453, conforme já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão no 16-16.291, As fls. 583 a 587: Em 14/08/2002, a contribuinte protocolizou, junto ti CAC/DRF/SÃO PAULO, pedido de RESTITUIÇÃO (IT 01), cumulado com o pleito de COMPENSAÇÃO de fi. 02, objetivando o aproveitamento de saldo negativo do IRPJ, referente ao ano-calendário de 1999, no valor de R$ 578.168,07. Posteriormente, foi anexado aos presentes autos o processo de n° 13804.006517/2002-79, relativo ao mesmo crédito (f1.452), com pedido de compensação defi. 453. Em 16/07/2007, a DERAT/SPO/SP exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls.156/163), INDEFERINDO o pedido da interessada, pelos motivos a seguir expostos.: • Foram confirmados pagamentos (SINAL 08) no total de R$ 2.059.761,42 (informado R$ 2.077.401,46 na DIPJ/2002); • Não foi detectado recolhimento de IRRF sobre JCP (código 5706) no montante de R$ 2.779.539,35 (fls,134, 135 e 139). 0 beneficiário do pagamento dos JCP seria a empresa Transpor Brinks ATM Lida. (CNPJ n° 43.423,003/0001-40), no entanto, a referida empresa beneficiária não ofereceu et tributação os rendimentos auferidos. Ademais, a Transpor Brinks ATM Ltda. .foi a declarante da DIRF (fl. 126), da DCTF 015.127/128), sendo a responsável pelo recolhimento do 1RRF (uls,129/130) e, portanto, beneficiária na DIRF, e lido a empresa interessada,' • Deduziu indevidamente a CORNS e o PIS na apuração do lucro real. Tributos com exigibilidade suspensa são indedudveis, conforme estatui o art .344, ,9 1°, do RIR/99 Dessa forma, foram glosados os valores de R$ 478.465,22 e R$ 936.730,85 de COFINS e de PIS, respectivamente, A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 24/07/2007(1!. 164-verso) e dele recorreu a esta DIU em 23/08/2007 (17s, 203/213), As alegações expostas pela impugnante são resumidas a seguir, • Os débitos com compensações não homologadas deverão permanecer com a exigibilidade suspensa ('art.. 74, 9 11, da Lei n° 9430/96); • Os pagamentos por estimativa respondem por RS 2.060.323,54; • A empresa interessada é que suportou o ônus do pagamento da JCP, e, portanto, tem direito a deduzi-lo do IR; 2 Processo n 13804.006516/2002-24 81-TE02 Acórdão ri.° 1802-00.727 Fl. 612 • Os recolhimentos de PIS e COFINS totalizam R$ 251.440,92 e R$ 5.360.586,90, respectivamente; • Requer o provimento integral de seu pleito. Como já mencionado, a DRJ Sao Paulo/SP manteve a negativa em relação aos Pedidos de Compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Ano-calendário: 1999 SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARA ÇÃO, Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITORIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido Solicitação Indeferida Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento reconheceu que os pagamentos por estimativa respondem por R$ 2.060.323,54, como alegado na impugnação. Quanto A dedução a titulo juros sobre o capital próprio (JCP), que teria reduzido o lucro real; e, por conseqüência, contribuído indevidamente para a geração do reivindicado saldo negativo, a DRJ consignou que: Apesar do oferecimento a tributação dos montantes de rendimentos de JCP (11.139-linha 24 da ficha 7 A) não se constatou pagamento do respectivo IRRF 01.134) em nome da interessada, razão pela qual não se poderia deduzir o referido valor do IR devido. A simples apresentação do Livro Diário e o oferecimento a tributação não possuem o condão de dar respaldo à possibilidade de dedução do IRRF uma vez o valor deduzido não foi recolhido. Correto, portanto, o procedimento fiscal de glosa do IRRE Em relação As deduções a maior a titulo de PIS e COFINS, que também teriam reduzido indevidamente o lucro real, a decisão foi no sentido de que realmente não cabia a dedução da parcela destas contribuições que estavam corn exigibilidade suspensa, nos termos do art. 41, § 1 0, da Lei 8,981/1995. Ao final, a DRJ esclareceu que o acolhimento do argumento em relação As estimativas não era suficiente para a apuração de saldo negativo, motivo pelo qual foi mantida a negativa em relação aos pedidos de restituição/compensação. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 06/06/2008, a Contribuinte apresentou em 13/06/2008 o recurso voluntário de fls. 591 a 601, onde reitera as 3 mesmas razões de sua primeira defesa, conforme descrito nos parágrafos anteriores, acrescentando os seguintes argumentos: - a Recorrente assumiu o ônus do adimplemento dos juros sobre o capital próprio, o que, portanto, autoriza a dedução destas despesas na apuração do lucro real; - apesar de ter existido em equivoco no preenchimento das DIRF e dos DARF relativos ao pagamento dos juros sobre o capital próprio, a Recorrente assumiu o ônus do adimplemento dessa divida, como pode ser observado pelas folhas do Livro Diário Geral, anexadas h manifestação de inconfbrmidade; - os lançamentos no livro Diário Geral da Transpar, relativos ao IR fonte referente aos juros sobre capital próprio, sempre traziam a ressalva de que o pagamento do tributo era feito por meio de cheque emitido pela Brinks, e o acerto de contas era feito por meio de conta-corrente contábil entre as duas empresas; apesar da Transpar ter preenchido os DARF e a DIRF, não ha dúvidas de que o custo do IRRF, bem como dos juros sobre capital próprio, foi integralmente assumido pela Brinks, por meio da compensação contabil acima referida, conforme também indicas as folhas do livro Diário Geral da Brinks; - a Recorrente não questiona a impossibilidade de excluir do lucro real débitos de PIS e COFINS que estavam com a exigibilidade suspensa, mas apenas requer a exclusão dos efetivos pagamentos de PIS e COF INS realizados em 1,999 (R$ 251.440,92 e R$ 5.360.586,90, respectivamente) cujos montantes são maiores do que os considerados pela Receita Federal (R$ 213.862,73 e 4.394.703,62, respectivamente). Este é o Relatório piocesso rin 13804 006516/2002-24 S1-TE02 Acórdão n ° 1802-00.727 FL 613 Voto Conselheiro Jose de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o litígio diz respeito A negativa em relação aos Pedidos de Compensação de fls. 2 e 453, apresentados em 14/08/2002, abrangendo credito correspondente a saldo negativo de IRPJ no ano-calendário de 1999, e débitos de COFINS e PIS referentes a julho de 2002. Ao examinar os pedidos, a Delegacia de origem constatou três problemas envolvendo o saldo negativo apurado pela Contribuinte em sua DIPJ: - o valor efetivo das estimativas de IRPJ (R$ 1059.761,42) seria menor do que o valor deduzido na DIPS a esse titulo (R$ 2.077.401,46); - na apuração do lucro real teria havido uma dedução indevida no montante de R$ 2.779.539,35, a titulo de pagamento de juros sobre capital próprio; - também teriam sido indevidamente deduzidos do lucro real valores referentes a débitos de PIS e COFINS com exigibilidade suspensa, nos montantes de R$ 1.098.924,08 e 60.277,95, respectivamente. Em razão disso, foi refeita a apuração do IRPJ, conforme quadros constantes do Despacho Decisório de fls. 156 a 163: Lucro Real apurado pelo contribuinte (It 154)' 20.745.312,48 JCP , 2.779.539,35 Deduções indevidas COFINS 60.277,95 PIS/PASEP 1.098.924,08 Lucro real reconstituido 24.684.053,86 Aliquota de 15% - 24.684.053,86x 15% 3.702.608,07 Adicional - (24.684.053,86- 12 x 20.000,00) x 10% 2.444.405,38 Total 6.147.013,45 Imposto Apurado 6.147.013,45 (-) Ficha 13A — Linha 04 - Operações de Caráter Cultural e Artístico (declarado) 9.600,00 (-) Ficha 13A -- Linha 05- Programa de AlimentagElo do Trabalhador (declarado) 123.909,76 (-) IRRF (declarado) 3.784.094,07 (-) IR pago por estimativa (DCTF/SINAL08) 2.059.761,42 Imposto a pagar 169.648,20 Assim, como o saldo negativo foi revertido para saldo de imposto a pagar, os pedidos de restituição cumulado com compensação foram indeferidos. Ao final de seu pronunciamento, a Delegacia de origem esclareceu que o Despacho Decisório tratava exclusivamente de reconhecimento de direito creditório, e que as análises realizadas na DIPJ não implicavam retificação da mesma, e nem lançamento, mas apenas serviam para verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado junto à Receita Federal. Posteriormente, no julgamento em primeira instancia, a DRJ acolheu o argumento de que as estimativas somavam R$ 2.060.323,54, mas isto não foi suficiente para que se apurasse saldo negativo de imposto, e o indeferimento foi mantido. Cabe aqui, portanto, examinar os dois pontos remanescentes. Quanto aos juros sobre capital próprio, é importante esclarecer desde logo que a glosa em questão diz respeito à dedução da própria despesa a esse titulo, e não h dedução de IR fonte, por falta de pagamento do imposto retido, como entendeu a DRJ. Oportuno transcrever trechos do Despacho Decisório para verificar os fundamentos da negativa: não foi verificada nos sistemas da Receita Federal do Brasil a entrega de DIRF (fl. 136) e DCTF (ll. 135) nem o pagamento de IRRF (fl. 134) referente ao código 5706 em nome da empresa BRINKS. (.. .) Em verificação da demonstração do resultado do suposto beneficiário não foi verificado o oferecimento à tributação de JCP (t7. 133). A principio não teria a empresa pagadora do rendimento a responsabilidade sobre o não oferecimento tributação pela empresa beneficiária, porém foi verificado que o responsável pelo preenchimento das DIPJ's de ambas as empresas é o mesmo, Abel Fuhrmann (lis. 132 e 138); o representante de ambas as empresas também é o mesmo, Rodrigo Guimarães Simonetti (fis. 131 e 137); e a empresa beneficiária é controladora da empresa pagadora (fls. 06 e 32). Em consulta ao SIEF verificou-se a entrega de DIRF para o suposto beneficiário referente ao código 5706 informando rendimentos e IRRF similares ao declarado na Ficha 42A pela empresa BRINKS, porém tendo Como declarante a empresa TRANSPAR e não a empresa BRINKS (/1. 126), Em resumo, a empresa TRANSPAR consta como declarante e beneficiária da referida DIRF. A responsabilidade da retenção do imposto de renda na fonte, e conseqüentemente da entrega da DIRF e da DCTF e do recolhimento dessas retenções, é da fonte pagadora do rendimento, ou seja, a empresa que está realizando a retenção que está suportando o ônus da despesa do pagamento do rendimento e, portanto, a que poderia utilizá-la como dedução na apuração do lucro real. Processo n° 13504,006516/2002-24 SI-TE02 Fl. 614 Ac6idtio fl .0 1802-00.727 Tendo em vista ter sido a empresa TRANSPAR a declarante da D1RF N. 126) e da DCTF (fls.127 e 128) e a responsável pelo recolhimento dos IRRF (código 5706) através de DARF (fls. 129 e 130), constata-se ser a empresa TRANSPAR a responsável pela retenção do imposto de renda na fonte e, portanto, a que teria suportado o ônus da despesa do pagamento do rendimento e a que poderia efetuar a dedução dessa despesa na apuração do lucro real. Quanta ao .fato de esta empresa constar como beneficiária na DIRF, verifica-se que há uma inconsistência, pois conforme acima mencionado, não foi constatado o valor do rendimento de JCP na Demonstração do resultado (fl. 133, linha 23).. A Recorrente, por sua vez, no intuito de comprovar a ocorrência de erro no preenchimento da DIRF, das DCTF e dos DARF referentes ao IR fonte (fls. 126 a 130), e também de demonstras que assumiu o ônus tanto do imposto na fonte, quanto dos juros sobre o capital próprio, apresentou folhas do Livro Diário Geral das duas empresas envolvidas, corn lançamentos cujos históricos evidenciavam que o pagamento do IR fonte era feito por meio de cheque emitido pela Brinks, e ainda que havia um conta-corrente contábil entre as duas empresas, com a finalidade de sanar o erro cometido. Há vários aspectos a serem examinados. Primeiramente, cabe observar que embora a própria Delegacia de origem tenha mencionado, como regra geral, que a empresa pagadora dos rendimentos não responde pelo fato de a empresa beneficiária não oferecer os rendimentos recebidos à tributação, restou consignado no Despacho Decisório a informação de que nesse caso especifico as empresas tinham em comum tanto o responsável pelo preenchimento das DIN, quanto o seu representante, e ainda que a beneficiária dos rendimentos é controladora da empresa pagadora. Apesar destes fatos, continuo não vendo razão para atribuir responsabilidades h. fonte pagadora dos rendimentos, principalmente no sentido de glosar a dedução das despesas incorridas. A meu ver, as conseqüências da omissão de rendimentos deveriam ser suportadas por quem praticou a omissão, e não pela fonte pagadora. Por outro lado, também não considero pertinente condicionar a dedução dos juros sobre capital próprio ao pagamento do IR fonte. Inicialmente, a Lei 9.249/1995 trazia uma regra que dava fundamento para esse entendimento: Art. 9' A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a titulo de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do património liquido e limitados à variação, pro rota dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo - TAP. ( .-) § 9°À opção da pessoa jurídica, o valor dos juros a que se refere este artigo poderá ser incorporado ao capital social ou mantido em conta de reserva destinada a aumento de capital, garantida sua dedutibilidade, desde que o imposto de que trata o §" 2". assumido pela pessoa juridica, seja recolhido no prazo de 15 dias contados a partir da data do encerramento do período-base em que tenha ocorrido a deducão dos referidos juros, não sendo reajusttivel a base de cálculo nem dedutivel o imposto pago pat-a fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido (Revogado pela Lei n° 9.430, de 1996) (grifos acrescidos) Todavia, essa rega do § 9° vigorou por pouco tempo, tendo sido revogada pela Lei 9.43011996. Portanto, em 1999 a dedução da despesa não mais estava condicionada ao pagamento do IR fonte. Aliás, é importante frisar - que o IR fonte foi apurado, declarado e pago. Ocorre que tanto as declarações (DIRF e DCTF) quanto os pagamentos foram realizados em nome da beneficiária dos rendimentos, e não da fonte pagadora, e isso está na raiz de todo o problema apontado pela Delegacia de origem. Percebe-se que os argumentos mencionados no Despacho Decisório, em seu conjunto, não se prendem propriamente à regra do § 9 0 transcrito acima. A idéia defendida é de que a despesa a titulo de pagamento de juros sobre capital próprio seria daquele que arcou com o imposto retido na fonte correspondente a estes rendimentos. Realmente, o natural é que a PJ que incorreu na despesa, faça a retenção e recolha o correspondente IR fonte. Contudo, diante dos elementos apresentados, e levando em conta não só a natureza da própria despesa, que envolve urna pessoa jurídica pagando juros para seu sócio, mas também os critérios para o calculo dos valores declarados e pagos, tanto a titulo de JCP, quanto do respectivo IR fonte, tenho como insustentável a conclusão de que a despesa era da outra empresa (no caso a beneficiária dos rendimentos), fundada apenas no argumento de que foi esta outra empresa quem declarou e pagou o IR fonte. Todos os elementos colacionados apontam para a ocorrência de erro no preenchimento das declarações e dos DARF, como alega a Recorrente, pelo que o recurso merece ser provido em relação a esse tópico. Quanto a glosa na dedução das despesas relativas a COP -INS e PIS, ye-se que o Despacho Decisório da Delegacia de origem se pautou nos valores informados em DCTF. Como parte destes tributos foi declarada corn a exigibilidade suspensa, a dedutibilidade desta parcela não foi admitida, tendo em vista a regra contida no art 41, § 1°, da Lei 8.981/1995. Desde o inicio, a Contribuinte não questiona o impedimento legal para a dedução de tributos com exigibilidade suspensa. Seu argumento é no sentido de que os valores efetivamente pagos para estas duas cont ribuições são maiores do que aqueles considerados pela Receita Federal. Não obstante tal argumentação, a Delegacia de Julgamento apenas reiterou ern sua decisão o mesmo fundamento extraído do art. 41, §1°, da Lei 8.981/1995. Mas os Comprovante de Arrecadação de fls. 335 a 359 comprovam as alegações da Recorrente, evidenciando que os valores efetivamente recolhidos a titulo de Processo if 13804.006516/2002-24 S1-TE02 Fl 615 Ac6rdio n ° 1802-00.727 COFINS e PIS para o ano-calendário de 1999 foram respectivamente de R$ 5.360.586,90 e RS 251.440,92. Constata-se ainda que os valores pagos de COFINS referentes a maio e junho de 1999 não foram declarados em DCTF, embora tenham sido declarados na DIPS, o que justifica o valor a menor apurado pela Delegacia de origem, posto que tomou como referência a DCTF. Em relação ao PIS há problema semelhante, referente aos meses de janeiro, fevereiro e março. Embora tenha apurado débito desta contribuição na DIPS e pago parte do apurado, a DCTF não indicou a parte que havia sido paga, mas somente a suspensa. Tais inconsistências levaram a Delegacia de origem a promover a glosa na dedução das despesas com essas contribuições. Quanto à COFINS, não há valor a ser glosado, uma vez que os pagamentos são mais que suficientes para amparar a dedução feita na DIPS, no montante de R$ 4.453.981,57. Sobre a parcela dos pagamentos de COFINS que excede estes R$ 4.453.981,57, devem ser feitas algumas considerações. E importante registrar que a finalidade do presente processo consiste na verificação da certeza e liquidez do credito pleiteado junto à Receita Federal, ou seja, do saldo negativo apurado pela Contribuinte em sua DIPS, não cabendo, portanto, considerar nessa tarefa despesas em montante superior àquele computado pela própria Contribuinte na apuração do imposto, sob pena de reconhecermos saldo negativo superior ao reivindicado pela Contribuinte, o que não seria permitido. Além disso, nas peças de defesa a Contribuinte sempre contestou o valor considerado pela Delegacia de origem, mas em nenhum momenta alegou erro em sua DIPS, no sentido de ela mesma ter computado despesas menores do que as efetivamente incorridas. Assim, em relação à COFINS, cabe tão somente afastar a glosa realizada pela Delegacia de origem, porque os valores pagos são suficientes para amparar a dedução realizada na DIPS. No que toca ao PIS, mesmo reconhecendo os valores alegados pela Recorrente, na ordem de R$ 251.440,92, como efetivamente pagos, eles não são suficientes para amparar o total da dedução realizada na DIPS a esse titulo, no montante de R$ 1.312.786,81. Nesse caso, cabe reduzir o valor da glosa realizada pela Delegacia de origem, mas não afastá-la totalmente. Antes de refazer as tabelas já transcritas neste voto, 6 preciso destacar que o valor alegado pela Contribuinte referente As estimativas, de R$ 2.060.323,54, embora tenha sido acolhido já na primeira instancia, continua sendo inferior ao computado na apuração da DIPS - R$ 2.077.401,46. Deste modo, as tabelas passam a apresentar os seguintes valores: Utilizado como dedução (Ficha 07A - Linha 14 - PIS/PASEP) 1.312.786,81 Pago 251.440,92 Dedução indevida 1.061.345,89 Lucro Real apurado selo contribuinte (fl. 154) 20.745.312,48 Deduções indevidas JCP COFINS PIS/PASEP - 1.061.345,89 Lucro Real reconstituido 21.806.658,37 Aliquota de 15% - 21.806.658,37 x 15% 3.270.998,76 Adicional - (21.806.658,37 - 12 x 20.000,00) x 10% 2.156.665,84 Total 5.427.664,59 Imposto Apurado 5.427.664,59 (-) Ficha 13A — Linha 04 - Operações de Caráter Cultural e Artístico (declarado) 9.600,00 (-) Ficha 13A — Linha 05 - Programa de Alimentação do Trabalhador (declarado) 123.909,76 (-) IRRF (declarado) 3.784.094,07 (-) IR pago por estimativa (valor comprovado pela Recorrente) 2.060.323,54 Saldo negativo de Imposto (550.262,78) Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reconhecer o saldo negativo no valor de R$ 550.262,78, bem como para homologar as compensações no limite do crédito reconhecido. O' se de Oliveira erraz Correa 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 13804.006516/2002-24 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do att. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, 28 de janeiro de 2011 CLAUDE MALAQUIAS RODRIGUES Presidente da 2a fniara da rimeira Seção de Julgamento Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
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Numero do processo: 16327.902731/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 31 /2 01 0- 29 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 16327.902731/201029 Acórdão n.º 1301002.296 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 16327.902731/201029 Acórdão n.º 1301002.296 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 233DF CARF MF Processo nº 16327.902731/201029 Acórdão n.º 1301002.296 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.902731/201029 Acórdão n.º 1301002.296 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.902731/201029 Acórdão n.º 1301002.296 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.902731/201029 Acórdão n.º 1301002.296 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.902731/201029 Acórdão n.º 1301002.296 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13858.000509/2003-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/10/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Os embargos de declaração cabem quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Existindo omissão e contradição, os embargos devem ser acolhidos, com efeitos infringentes.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE NÃO CABIMENTO.
Os embargos de declaração não são cabíveis quando a omissão apontada não se confirma.
Embargos Admitidos Parcialmente, com efeitos infringentes
Numero da decisão: 3301-003.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher parcialmente os embargos de declaração, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. Os embargos de declaração cabem quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Existindo omissão e contradição, os embargos devem ser acolhidos, com efeitos infringentes. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE NÃO CABIMENTO. Os embargos de declaração não são cabíveis quando a omissão apontada não se confirma. Embargos Admitidos Parcialmente, com efeitos infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher parcialmente os embargos de declaração, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 8. 00 05 09 /2 00 3- 74 Fl. 566DF CARF MF 2 Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela Fazenda, em face do Acórdão nº 3301002.515, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1993 a 31/10/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULAÇÃO VIA PAPEL. POSSIBILIDADE. O Pedido de Restituição poderá ser feito por meio de formulário (via física), quando o Contribuinte estiver impossibilitado de solicitar pelo sistema PER/DCOMP devido à ausência de previsão de hipótese de restituição. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DOS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos termos da decisão do STF o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 10 anos para os pedidos protocolizados antes de 9 de junho de 2005 e de 5 anos se o pedido foi apresentado a partir dessa data. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI N.º 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos n.ºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. INCONSTITUCIONALIDADE. PIS DECRETOS. Declarada a inconstitucionalidade dos Decretosleis n.º 2.445 e 2.449, de 1988 declarada pelo STF através do RE 148.7542 e retirados do mundo jurídico por conta da Resolução n.º 49/95 do Senado Federal, é de se prover o direito de restituirse o valor pago a maior. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. Nos termos da Súmula n.º 2 do CARF o Conselho não é competente para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de Leis. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 13858.000509/200374 Acórdão n.º 3301003.448 S3C3T1 Fl. 567 3 Recurso Voluntário Provido em Parte. E o dispositivo: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, alegando omissão e contradição na decisão embargada. Às fls. 562 a 565 consta o Despacho que admitiu os embargos. Destaco o trecho dos embargos relativo à primeira omissão alegada: “Compulsando os autos, observase que o presente feito trata de pedido de restituição, formalizado em 03/11/2003, de créditos da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para a Seguridade Social (COFINS) que teriam sido recolhidos indevidamente, em relação aos períodos de apuração de 01/01/1993 a 30/09/1998 e períodos de apuração de 31/10/1998 a 31/10/2002. Nos trechos acima transcritos, verificase que o acórdão embargado aplicou ao caso o entendimento sufragado pelo STF no RE n. 566.621/RS, sob a sistemática da repercussão geral. (…) Nesses termos, tendo em vista que o pedido de restituição foi protocolizado em 03 de novembro de 2003 (fl. 01), e tendo o acórdão embargado aplicado ao a tese dos 5 + 5, ou seja, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar a contar da data do fato gerador , nos termos do artigo 150, §4º do CTN, mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I do CTN), verificase que não houve qualquer fundamentação para não considerar como prescrito o direito de pleitear restituição em relação aos fatos geradores de PIS e COFINS ocorridos antes de 03 de novembro de 1993. Daí evidenciado o vício da omissão. Cabe notar que o voto condutor nas passagens já citadas, apenas conclui que “no presente caso o pedido é de 03/11/2003 e serve para restituir tributos PAGOS entre 1998 e 2002 tem razão a contribuinte”. Ou seja, o acórdão embargado referese apenas aos anos de 1998 a 2002, não fazendo referência ao pleito relativo a períodos de apuração anteriores a 1998.” É o relatório. Voto Fl. 568DF CARF MF 4 Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Verifico que houve efetivamente a omissão. O pedido foi feito em 03/11/2003 (fl. 01). A ementa não detalha os dados, e o dispositivo da decisão remete ao voto do relator. O único trecho do voto que trata de minudenciar as datas é o seguinte: “Quanto ao prazo para a contribuinte pleitear a restituição de tributos, consoante decisão do Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621 (transitado em julgado em 27/02/2012), submetido a sistemática da repercussão geral, pacificouse o entendimento de que o prazo estabelecido na Lei Complementar n.º 118/05 somente se aplica para os processos ajuizados a partir 09 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação era de dez anos contados de seu fato gerador, como no presente caso o pedido é de 03/11/2003 e serve para restituir tributos pagos entre 1998 e 2002 tem razão a contribuinte.” Portanto, notase que o relator equivocouse quanto ao período dos tributos a restituir. Desse modo, o acórdão deve ser complementado com a análise do período anterior a 1998. Por aplicação da decisão do STF no RE 566.621, em regime de repercussão geral, o prazo para repetição do indébito é de 10 anos contados do fato gerador. Desse modo, os fatos geradores a partir de 03/11/1993 devem ser admitidos no cálculo do indébito. Aqui já se soluciona também a contradição apontada pela embargante. É que o voto vencedor, ainda que aplicando o entendimento do STF, que diz que o prazo é de 10 anos contados do fato gerador, decide por 10 anos contados do pagamento, o que é diferente, posto que o pagamento feito entre 03/11/1993 e 30/11/1993 referese ao fato gerador de 31/10/1993, já atingido pela decadência, se aplicado o entendimento do STF. Desse modo, solucionase a contradição aplicandose o entendimento do STF, no regime da repercussão geral, por força do art. 62, §2º: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O referido RE 566.621 decide pelo prazo de 10 anos, contados do fato gerador, quando o pedido é anterior à Lei Complementar 118/2005. Portanto, o Acórdão embargado, tendo como fundamento de decidir o RE 566.621, deve ser alterado para que conste o prazo de repetição do indébito como de 10 anos, contados a partir do fato gerador. Há ainda outra omissão apontada. Copio o trecho pertinente dos embargos: “Há ainda outro vício no acórdão embargado. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 13858.000509/200374 Acórdão n.º 3301003.448 S3C3T1 Fl. 568 5 Referido vício repousa na falta de fundamentação (omissão) para aplicar a semestralidade prevista no enunciado nº 15 da Súmula CARF, nada obstante não haja a referência a qualquer pedido feito pela parte interessada nesse sentido.” O pedido do contribuinte referese à inconstitucionalidade dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88, que alteraram a forma de recolhimento e alíquotas do Pis. Reconhecida tal inconstitucionalidade, importa decidir a forma de cálculo do PIS conforme a legislação anterior e posteriores alterações. Tratase de aplicação da lei. A questão da semestralidade quedouse pacífica com a Súmula 15 do Carf, que fundamentou a decisão embargada. Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Tal entendimento é aplicado inclusive no âmbito da Receita Federal, por força do artigo 26, §6º, “c” do Decreto 70.235/72 e do Parecer PGFN/CRJ/nº 2143/2006, de modo que não há outra forma de cálculo permitida, o que esvazia a pretensão da recorrente quanto a eventual decisão extra petita. Não se trata, em verdade, de decisão, mas tão somente de explicitação da forma de cálculo, atualmente considerada a única forma correta. Portanto, rejeito os embargos quanto a esta alegação de omissão. O artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, dispõe: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” Constatada omissão e contradição no julgado, voto pelo acolhimento parcial dos embargos, com efeitos infringentes, retificando a ementa e dispositivo para constar o seguinte: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1993 a 31/10/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULAÇÃO VIA PAPEL. POSSIBILIDADE. O Pedido de Restituição poderá ser feito por meio de formulário (via física), quando o Contribuinte estiver impossibilitado de solicitar pelo sistema PER/DCOMP devido à ausência de previsão de hipótese de restituição. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DOS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos termos da decisão do STF o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de Fl. 570DF CARF MF 6 tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 10 anos para os pedidos protocolizados antes de 9 de junho de 2005 e de 5 anos se o pedido foi apresentado a partir dessa data, contados do fato gerador. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI N.º 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos n.ºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. INCONSTITUCIONALIDADE. PIS DECRETOS. Declarada a inconstitucionalidade dos Decretosleis n.º 2.445 e 2.449, de 1988 declarada pelo STF através do RE 148.7542 e retirados do mundo jurídico por conta da Resolução n.º 49/95 do Senado Federal é de se prover o direito de restituirse o valor pago a maior. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. Nos termos da Súmula n.º 2 do CARF o Conselho não é competente para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de Leis. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.” É como voto. Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 13858.000509/200374 Acórdão n.º 3301003.448 S3C3T1 Fl. 569 7 Fl. 572DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901163/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.690
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 63 /2 00 9- 01 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901163/200901 Acórdão n.º 3201002.690 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.460. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901163/200901 Acórdão n.º 3201002.690 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901163/200901 Acórdão n.º 3201002.690 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003766/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROVA ILÍCITA. DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. NULIDADE.
Havendo decisão judicial, transitada em julgado, considerando ilícito o mesmo conjunto probatório utilizado pela Autoridade Fiscal para constituir o crédito tributário, deve ser anulado o lançamento de ofício.
Numero da decisão: 1402-002.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário e cancelar o lançamento. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Leonardo de Andrade Couto que votaram por negar provimento ao recurso e suspender a execução do acórdão até o trânsito em julgado da decisão proferida na ação anulatória nº 5038270-74.2015.404.7100/RS. Designado o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROVA ILÍCITA. DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. NULIDADE. Havendo decisão judicial, transitada em julgado, considerando ilícito o mesmo conjunto probatório utilizado pela Autoridade Fiscal para constituir o crédito tributário, deve ser anulado o lançamento de ofício.
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PROVA ILÍCITA. DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. NULIDADE. Havendo decisão judicial, transitada em julgado, considerando ilícito o mesmo conjunto probatório utilizado pela Autoridade Fiscal para constituir o crédito tributário, deve ser anulado o lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário e cancelar o lançamento. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Leonardo de Andrade Couto que votaram por negar provimento ao recurso e suspender a execução do acórdão até o trânsito em julgado da decisão proferida na ação anulatória nº 503827074.2015.404.7100/RS. Designado o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Relator (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 37 66 /2 00 9- 71 Fl. 3372DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 3373DF CARF MF Processo nº 11020.003766/200971 Acórdão n.º 1402002.469 S1C4T2 Fl. 3.373 3 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de IPI, lançado reflexamente ao IRPJ exigido nos autos do processo nº 11020.003765/200926, através do qual se apurou omissão de receitas, caracterizada pela prática de subfaturamento, relativa aos períodosbase de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008. Inicialmente distribuído à 3ª Seção de Julgamento, foi redistribuído a esta 1ª SEJUL por força do Despacho nº 0042014, de 10 de novembro de 2014, que declinou da competência para o julgamento por força do estatuído no art. 2º , inc. IV, do Regimento Interno do CARF (v. efls. 3.317/3.318). Consta do processo que a ação fiscal teve origem em atendimento à requisição do Ministério Público Federal e em cumprimento de mandados de busca e apreensão judicial realizados na sede do estabelecimento da Contribuinte, assim também na empresa Artefatos de Metais Condor Ltda, que opera no mesmo prédio e faz parte do mesmo grupo familiar, além da residência do titular da Recorrente, o Sr. Juarez Luiz Presotto. Da análise de toda a documentação apreendida, constatouse "a existência de elementos e evidências veementes da ocorrência da prática de subfaturamento". A Fiscalização constatou, ainda, a utilização, por parte da Contribuinte, de contas bancárias mantidas em nome de terceiros para realizar a movimentação financeira de receitas omitidas da tributação pelas vendas sem emissão de notas fiscais e pelas vendas com emissão de notas fiscais consignando valores menores do que aqueles efetivamente praticados na operação comercial. Prossegue a Fiscalização registrando que, por ser empresa industrial e ter a integralidade de seus produtos tributados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados, foilhe exigido através do presente Auto de Infração o IPI incidente sobre a totalidade das vendas apuradas e não registradas, ou contabilizadas a menor. O crédito tributário lançado compõese dos seguintes valores (em R$): Imposto 4.060.071,97 Juros de Mora 1.590.169,66 Multa Proporcional 5.166.509,79 TOTAL 10.816.751,42 A impugnação de efls. 2.484/2.560, foi julgada pela DRJ/Porto Alegre em 12 de agosto de 2010, ocasião em que foi proferido o Acórdão nº 1026.769 – 3ª Turma da Fl. 3374DF CARF MF 4 DRJ/POA. Referida decisão considerou o lançamento procedente em parte e recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida no processo decorrente deve seguir a mesma orientação decisória prolatada no processo principal. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. DIREITO A CRÉDITOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito aos créditos do IPI depende da comprovação das aquisições de insumos produtivos, à vista dos respectivos documentos fiscais, e da conseqüente escrituração dos mesmos nos livros fiscais do contribuinte. RECOLHIMENTOS PELA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. Devem ser abatidos da exigência fiscal os recolhimentos a título de IPI incluídos nos DARFs CÓDIGO 6106 correspondentes as empresas optantes pelo SIMPLES Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos, acordam os membros da Terceira Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, julgar procedente em parte, o lançamento formalização no Auto de Infração, das fls. 02/11, para, conforme Tabela 2, anexa ao voto, cancelar a exigência do IPI, no valor de R$ 41.246,61 (quarenta e um mil, duzentos e quarenta e seis reais e sessenta e um centavos), e respectivos juros de mora e multa correspondente de 75%, restando mantida a exigência remanescente do IPI, com o acréscimo de juros de mora e da multa de 75% ou 150%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ciente da Decisão supra, a Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de efls. 2.893/2.952, em que repisa os argumentos já expendidos quando da impugnação, em especial o seguinte: 1) Preliminarmente, protesta pela nulidade do Acórdão prolatado pela DRJ/POA pelo fato de que no respectivo julgamento não teria sido apreciado o aditamento que fez à Impugnação, consubstanciado na petição de efls. . Invoca infringência ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa. Alega que o aditamento teria sido protocolado em 27/09/2010, enquanto que o Acórdão proferido pela DRJ/POA teria sido objeto de ciência apenas no dia 01/11/2010; 2) Alega, também em sede preliminar, que o Mandado de Busca e Apreensão, exarado pela autoridade judiciária, conteria vícios oriundos da incorreção do pedido feito por seu respectivo autor; Fl. 3375DF CARF MF Processo nº 11020.003766/200971 Acórdão n.º 1402002.469 S1C4T2 Fl. 3.374 5 3) Alega vícios de nulidade em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal, que teria indicado, quando de sua prorrogação, o mesmo Auditor Fiscal "responsável pela execução do mandado extinto". No seu entender, portanto, o Auto de Infração teria sido emitido por Auditor Fiscal que não possuía poderes para a execução do respectivo mandado, restando nulo de pleno direito; 4) Reforça a tese de nulidade do Auto de Infração, desta feita pelo fato de que, em seu entender, o Ato Declaratório de Exclusão do Simples teria sido fundamentado erroneamente na Lei nº 9.317/96, fazendo com que sua exclusão do referido sistema só se considerasse devida até 01/07/2007, data em que entrou em vigor a Lei Complementar nº 123/2006. Como o Auto de Infração abrangeu períodos de 2004 a 2008, os lançamentos efetuados em relação aos períodos posteriores a 01/07/2007 "foram ilegalmente efetuados, o que gera nulidade absoluta do Auto de Infração"; 5) Propugna pela decadência dos lançamentos cujos fatos geradores tenham ocorrido no ano de 2004, haja vista o disposto no art. 150, § 4º, do CTN e o fato de a lavratura do Auto de Infração terse perfectibilizada, via edital, segundo sua visão, apenas no dia 04 de janeiro de 2010; 6) No mérito, inicialmente reclama a não observância do princípio da não cumulatividade do IPI, pois a Fiscalização teria exigido o IPI sobre "a pseudoomissão de saídas, excluindo a recorrente do Simples e deixando de abater os créditos fiscais das entradas"; 7) Reitera o pedido de perícia para que sejam levantados os valores relativos às entradas, saídas e estoques de produtos, que comprovariam suas alegações de que as presunções fiscais seriam indevidas; 8) Contesta, também, as margens de lucro apuradas pela Fiscalização durante o procedimento fiscal. Protesta pela nulidade do Auto de Infração pela carência das provas produzidas pela Autoridade Fiscal, "eis que não existem provas das margens de lucro aplicadas pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, por serem inverossímeis"; Destaquese que o processo nº 11020.003765/200926 (processo principal) já foi objeto de julgamento do Recurso Voluntário, apreciado que foi pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, que proferiu o Acórdão nº 1301000.752, de 23 de novembro de 2011, cujo resultado foi pelo não provimento do respectivo Recurso Voluntário. Compulsando o referido processo, verificamos que o crédito tributário nele exigido se encontra na fase de execução judicial, ajuizada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional Procuradoria Seccional de Bento Gonçalves/RS. Do mesmo processo, se extrai a informação de que a execução da dívida ativa estaria suspensa pelo motivo abaixo: Fl. 3376DF CARF MF 6 Em pesquisa ao sítio eletrônico do TRF4, verificamos a propositura de recurso especial por parte da Fazenda Nacional, autuado sob o nº 164.1635/RS, e ainda concluso para decisão ao Ministro Gurgel de Faria (Relator), no Superior Tribunal de Justiça STJ. Em petição protocolada em 12 de julho de 2016 (v. efls. 3.324/3.334), a Recorrente noticia a existência do Acórdão proferido pelo TRF4, que reconheceu a nulidade do lançamento de ofício do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, consubstanciados no PAF nº 11020.003765/200926, haja vista a utilização de provas obtidas ilicitamente durante o procedimento fiscal que culminou com a lavratura dos Autos de Infração. Tal decisão foi prolatada considerando o provimento dado, pelo STJ, ao Hábeas Corpus nº 211.393/RS, em que figura como Paciente outra pessoa, a princípio não vinculada à Recorrente, o Sr. JOÃO CÉSAR PRESOTTO, sócio da empresa ARTEFATOS DE METAIS CONDOR, que funciona no mesmo prédio da Recorrente, exercendo a mesma atividade industrial. É o relatório. Fl. 3377DF CARF MF Processo nº 11020.003766/200971 Acórdão n.º 1402002.469 S1C4T2 Fl. 3.375 7 Voto Vencido Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. Como vimos no Relatório, tratase de analisar Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte em face de Acórdão proferido pela DRJ/POA que indeferiu a impugnação ao Auto de Infração. Inicialmente, cumprenos abordar a informação trazida pela Recorrente em petição protocolada em 12 de julho de 2016 (v. efls. 3.324/3.334), através da qual noticia a prolação de Acórdão pelo TRF4, em que teria havido o reconhecimento da nulidade do lançamento de ofício do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, consubstanciados no PAF nº 11020.003765/200926 (processo principal), haja vista a utilização de provas obtidas ilicitamente durante o procedimento fiscal que culminou com a lavratura dos respectivos Autos de Infração. Tal decisão foi prolatada considerando o provimento dado, pelo STJ, ao Hábeas Corpus nº 211.393/RS, em que figura como Paciente outra pessoa, a princípio não vinculada à Recorrente, o Sr. JOÃO CÉSAR PRESOTTO, sócio da empresa ARTEFATOS DE METAIS CONDOR, que funciona no mesmo prédio da Recorrente, exercendo a mesma atividade industrial. Consultando os sítios eletrônicos do STJ e do TRF4 localizamos as respectivas decisões. O Hábeas Corpus encontrase arquivado, tendo transitado em julgado. Já o Acórdão proferido pelo TRF4 foi objeto de Recurso Especial ao STJ, encontrandose ainda concluso para decisão do Ministro Gurgel de Faria (Relator). Esta decisão do TRF4 trata especificamente do processo principal nº 11020.003765/200926, já o Hábeas Corpus foi proferido em favor de terceiro não vinculado aos presentes Autos. Assim, considerando que a decisão do TRF4 ainda não transitou em julgado, não nos resta outra alternativa senão dar continuidade ao julgamento deste processo administrativo, desde já fazendo um alerta à Autoridade Preparadora para que fique atenta aos desdobramentos futuros relativamente ao deslinde da ação judicial envolvendo o processo principal, haja vista que as decisões atinentes àquele influenciarão diretamente este processo ora em análise. O presente Auto de Infração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI tem origem e é reflexo do Processo Administrativo Fiscal nº 11020.003765/200926 (processo principal) através do qual é exigido crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. O fundamento para as autuações reside na apuração de omissão de receitas, pela prática de subfaturamento e falta de emissão de notas fiscais. A Fiscalização constatou, ainda, a utilização, por parte da Contribuinte, de contas bancárias mantidas em nome de terceiros para realizar a movimentação financeira de receitas omitidas da tributação pelas vendas sem emissão de notas fiscais e pelas vendas com emissão de notas fiscais consignando valores menores do que aqueles efetivamente praticados na operação comercial. O processo principal, de nº 11020.003765/200926, já foi objeto de julgamento do Recurso Voluntário, tendo sido apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara Fl. 3378DF CARF MF 8 desta 1ª Seção de Julgamento, que proferiu o Acórdão nº 1301000.752, de 23 de novembro de 2011. Abaixo reproduzo a ementa do referido Acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ Anocalendário: 2004 a 2008. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais irregularidades que se possa identificar na sua emissão ou prorrogação não podem dar causa a nulidade do feito fiscal. ARBITRAMENTO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. Demonstrado nos autos que a escrita da recorrente era manifestamente imprestável, porquanto (1) não considerava, de forma sistemática e reiterada, a integralidade das operações comerciais efetuadas pelo contribuinte e (2) a movimentação financeira decorrente das operações comerciais omitidas foi operacionalizada à margem da escrituração (os cheques recebidos eram repassados em pagamento ou havia a utilização de contas bancárias em nome de terceiros), apresentase viável o arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, afastar a arguição de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. O Auto de Infração objeto do presente processo foi formalizado com base nos mesmos elementos de prova e considerando os mesmos fatos apurados para embasar a exigência constante do processo de nº 11020.003765/200926 (processo principal); ainda, as alegações da Recorrente no referido processo são praticamente as mesmas (à exceção de duas, apenas); assim, não seria possível, ao decidir este processo, fugir daquilo que foi naqueles autos resolvido. Portanto, adoto as mesmas razões de decidir que conduziram o julgamento do processo principal, cuja cópia foi anexada às efls. 3.363/3.371, para fundamentar este voto pela improcedência do Recurso Voluntário, à exceção da alegação de que a Autoridade Fiscal não teria respeitado o princípio da nãocumulatividade do IPI e a alegação de nulidade do julgamento a quo, em razão da não apreciação do aditamento à impugnação por parte da Autoridade Julgadora, eis que constituemse nas únicas arguições próprias aos presentes autos. Passo a discorrer sobre elas. Segundo a Recorrente, a Fiscalização deveria ter considerado na apuração do IPI devido os créditos decorrentes de compra de insumos e/ou matériasprimas. Como bem abordado na decisão recorrida, o reconhecimento do direito ao crédito do IPI depende da comprovação das aquisições de insumos produtivos, à vista dos respectivos documentos fiscais, e da conseqüente escrituração dos mesmos nos livros contábeis/fiscais do Contribuinte. Esse ônus é exclusivo da Autuada, cabendo a ela apresentar os elementos necessários e suficientes para a apuração dos aludidos créditos. Fl. 3379DF CARF MF Processo nº 11020.003766/200971 Acórdão n.º 1402002.469 S1C4T2 Fl. 3.376 9 No presente caso, a alegação da Recorrente é totalmente descabida, na medida que não apresentou e/ou não identificou um único crédito passível de compensação, responsabilidade que lhe cabia de forma exclusiva. Portanto, em face da absoluta ausência de provas quanto à existência de tais créditos, tais alegações devem ser rechaçadas de plano. Com relação à alegação de que o aditamento à impugnação não teria sido considerado pela Autoridade Julgadora, também não vejo como dar razão à Recorrente. Primeiramente, vislumbro no Relatório da Decisão a quo item específico dando notícia da apresentação da referida complementação à impugnação (v. efls. 2.665). No voto (v. efls. 2.669/2.670), igualmente, a Autoridade Julgadora manifestase explicitamente pela consideração do referido documento, senão vejamos: Das preliminares Quanto ao prazo para impugnar, tendo por foco o exercício do contraditório e da ampla defesa, colimando o respeito à verdade material, as oportunidades ofertadas ao impugnante foram imensas. No item "Da ciência dos autos de infração e do prazo para impugnar" do presente voto, já analisei essa questão tendo deixado claro que o prazo outorgado ao impugnante acabou sendo maior do que o ordinário, tendo em vista as dificuldades observadas na cientificação dos autos de infração. Dessa forma, se considerarmos a data em que cientificados ao contribuinte os autos de infração e o ato administrativo de exclusão do Simples, admitida pela ECT (4 de dezembro de 2009), o contribuinte teria esgotado seu prazo para impugnar em 5 de janeiro de 2010 (justamente na data em que apresentadas suas duas primeiras petições). Diante da adoção do edital, o prazo restou estendido até dia 29 de janeiro de 2010. A terceira petição, apresentada no dia 1º de fevereiro de 2010, foi intempestiva (fl. 2.687). Entretanto, como não deixarei de apreciála, pelos motivos antes declinados, não consigo vislumbrar qualquer prejuízo ao impugnante. Sem qualquer sentido, entretanto, afixação de novo prazo para o contribuinte apresentar novas razões, seja em função da ausência de norma legal que o permita, seja em função do já oferecimento de largo espaço para contestar."(grifei) Ora, resta claro do excerto extraído da Decisão Recorrida acima reproduzido que o aditamento à impugnação foi considerado pela Autoridade Julgadora. Esta, inclusive, em sua Decisão, abordou tópicos exclusivos para tratar das alegações constantes do referido documento, que abaixo reproduzo (apenas exemplificativamente) para que não fique nenhuma dúvida a respeito: Passo à análise dos argumentos do contribuinte quanto aos documentos apreendidos pela Fiscalização. No que diz respeito às planilhas e controles de comissões, o contribuinte, de fato, nada aduziu. Efetivamente tratase de controles internos. Por via desses controles foi possível à Fiscalização identificar a existência de vendas declaradas (com nota fiscal) e omitidas (sem nota fiscal). No item "Das comissões" do meu relatório, esclareci isso à exaustão. Quanto aos recibos das comissões, esses eram parciais, porquanto somente refletiam as comissões incidentes sobre as vendas declaradas. Também tratei desse tema no item "Das comissões" do meu relatório. Fl. 3380DF CARF MF 10 Relativamente ao relatório "Posição dos Títulos a Receber” já ofereci exemplos, no item "Das vendas efetivas e seus controles" do meu relatório, que demonstram o contrário do alegado pelo contribuinte. Como ele traz o assunto à baila novamente, lanço outro exemplo dos muitos que constam dos autos. Na folha 2.212 dos autos, temos a cópia da nota fiscal nº 6.789, que registra a venda de jóias no valor de R$ 669,76 para Saraiva e Maia Ltda., sociedade sediada em Natal, RN. Na folha 2.213 dos autos, temos o relatório "Posição dos Títulos a Receber", indicando aquela operação no valor de R$ 1.859,29 com o código "X99". Já na folha 2.214, temos o mesmo relatório emitido na mesma data, indicando a mesma operação com o valor da nota fiscal (R$ 669,76), mediante a utilização do código "1". As provas, mais uma vez, falam por si, pois referemse à mesma operação (aquela lastreada parcialmente na nota fiscal n° 6.789). Refere o contribuinte que tais valores, identificados pelo código "X99", estariam por ser faturados, mas esquece ele que os relatórios já indicam, inclusive, a data de vencimento dos "títulos" decorrentes dessas pretensas vendas futuras, efetivas vendas omitidas. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário em sua integralidade. Em 12 de abril de 2017. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 3381DF CARF MF Processo nº 11020.003766/200971 Acórdão n.º 1402002.469 S1C4T2 Fl. 3.377 11 Voto Vencedor Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, Redator Designado. Com a devida vênia, ouso discordar do entendimento adotado pelo I. Conselheiro Relator, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, em seu profundo e preciso voto. Como resta provado e incontroverso nos autos, no julgamento do Habeas Corpus nº 211.393/RS, pelo E. Superior Tribunal de Justiça, em que figurou como Paciente o Sr. JOÃO CÉSAR PRESOTTO, sócio da empresa ARTEFATOS DE METAIS CONDOR, o mesmo conjunto probatório que fundamenta o presente lançamento de ofício, fruto da cautelar criminal nº 2008.71.13.0017933, foi considerado ilegal. Confirase trecho da decisão unânime da C. 5ª Turma do E. STJ, que acompanhou o voto do Exmo. Min. Relator CAMPOS MARQUES: (...) concedo a ordem para reconhecer a ilicitude da prova obtida mediante a aludida medida cautelar de busca e apreensão, bem como determinar a devolução dos objetos apreendidos na empresa e na residência do ora paciente e levantar a quebra do sigilo bancário, que restou igualmente deferido (destacamos). Como documentado nos autos e no inteiro teor do Acórdão1, a prova mencionada se refere a todas aquelas obtidas por meio da cautelar criminal nº 2008.71.130017933. A referida decisão da E. Corte Superior transitou em julgado em 17/09/2013. E, não obstante, como consta de petitório da Recorrente (fls. 3326), em Ação Anulatória movida para cancelar os débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS objetos do Processo Administrativo nº 1020.003765/200926 (sendo a demanda principal em relação à presente exação reflexa, que, naturalmente, valiase do mesmo conjunto probatório) o E. TRF da 4ª Região, por meio de Acórdão, anulou tal cobrança, com base na ilicitude de provas, considerando no julgado a posição definitiva do E. STJ sobre aquele mesmo conjunto probante: 1 https://ww2.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=ATC&sequencial=28983697&num_regi stro=201101501154&data=20130819&tipo=91&formato=PDF Fl. 3382DF CARF MF 12 Não obstante a reprobabilidade das práticas adotadas pela empresa, o artigo 5º, LVI, da CF/88 veda, incondicionalmente, provas obtidas por meios ilícitos, as quais contaminam, inclusive, o procedimento fiscal delas decorrente. Neste caso, o disposto no artigo 195 do CTN e no artigo 7º, II, do Decreto nº 70.235/72, esbarram nesta garantia constitucional, cujos efeitos limitam, inclusive, o poder fiscaliza tório do Estado em face do administrado. De outro lado, cabe referir, obiter dictum, que o STJ não fez qualquer ressalva no que toca aos efeitos da declaração de ilicitude. Assim, segundo o Direito pátrio, os lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS consubstanciados no PAF nº 11020.003.765/200926, estão eivados de nulidade. Reconhecido o pedido principal de nulidade do lançamento, resta prejudicado o pedido subsidiário que visava o reconhecimento da decadência. {...] Ante o exposto, voto por dar provimento à apelação.(destacamos) Posto isso, temos que o conjunto probatório que dá base para a exigência em tela já foi submetido ao Poder Judiciário e, por meio de pronunciamento expresso e definitivo do E. STJ, considerado ilícito. Tal fato é imutável, diante do trânsito em julgado. Mesmo que a declaração de ilegalidade das provas tenha ocorrido em Habeas Corpus, de Paciente não relacionado com o presente feito administrativo, é certo e inconteste que tal objeto da solução jurisdicional foi o mesmo deu origem ao presente feito. Por uma questão de nexo causal e até em observância ao conteúdo da teoria dos frutos da árvore envenenada, largamente aceita no Direito brasileiro, a repercussão da nulidade reconhecida pelo Poder Judiciário no presente processo não pode ser ignorada e nem superada por este E. CARF. Frisese que entende este Conselheiro também ser contraproducente ao Poder Público e contrário ao instituto da praticabilidade permitir o prosseguimento dessa exigência fiscal, notória e definitivamente contaminada pela ilegalidade da sua origem e fundamento, consequentemente fadada à anulação. Fl. 3383DF CARF MF Processo nº 11020.003766/200971 Acórdão n.º 1402002.469 S1C4T2 Fl. 3.378 13 Esta C. 2ª Turma Ordinária já decidiu no mesmo sentido em processo que versava sobre essa matéria em questão. Confirase a ementa e trechos do Acórdão nº 1402.001.510, de relatoria do I. Conselheiro Paulo Roberto Cortez, publicado em 10/02/2014: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 RECURSO DE OFÍCIO DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IRPJ. PIS. COFINS. CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE E/OU INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. Na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO NORMAS PROCESSUAIS. PROVA ILÍCITA. DECISÃO JUDICIAL. Havendo decisão judicial, transitada em julgado, considerando ilícitas as provas representadas por documentos e/ou informações, utilizadas pela autoridade fiscal para constituir o crédito tributário, é de se considerar nulo os lançamentos efetuados. (...) Assim, de acordo com os documentos trazidos pela Diligência, resta comprovado que a) o auto de infração se baseia integralmente nas provas obtidas na busca e apreensão realizada pelas operações “Pista Livre/Cevada”; b) tais provas foram integralmente declaradas ilícitas pelo judiciário; e c) as decisões judiciais (STJ e 1ª Vara Federal de Itaboraí) são definitivas. Diante disso, entendo que a este órgão administrativo a não ser se curvar às citadas decisões judiciais, o que implica fatalmente na insubsistência do presente auto de infração. Fl. 3384DF CARF MF 14 Isto porque, como o auto de infração se baseou integralmente nos documentos obtidos pela busca e apreensão, não vejo como possa subsistir o lançamento originário, já que impossível atestar a existência da “omissão de receitas” que lastreia o arbitramento do IRPJ/CSLL e a cobrança reflexa do PIS/COFINS sem as provas que foram declaradas nulas pelo Judiciário. (destacamos) Posto isso, resta imperioso o cancelamento da exigência fiscal em tela, tendo em vista também, como mencionado no Julgado acima citado, não ser possível, agora, substituir o lançamento inicialmente procedido, na tentativa de sanar a ilicitude declarada do conjunto probante que lhe arrima. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão recorrido, cancelando o lançamento sob exame. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 3385DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.002595/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. EXISTÊNCIA. INDIFERENÇA PARA O RESULTADO DO JULGAMENTO.
Cabem embargos de declaração para sanar eventual obscuridade, contradição ou omissão do julgamento. Igualmente erros materiais podem ser sanados por meio do referido instrumento. Sendo detectado o erro do órgão julgador em premissa fática adotada no acórdão, cabível a retificação pretendida, porém não implicando em alteração no resultado do julgado pretérito quando tal erro é indiferente para a conclusões anteriormente alcançadas pelo Colegiado.
Numero da decisão: 3402-004.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração apenas para corrigir o lapso com relação à permissão legal para a aplicação da multa prevista no artigo 30 da Lei n. 11.488/2007, que permanece vigente no ordenamento jurídico, sem nenhuma implicação no resultado do julgamento embargado
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1870; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 111 1 110 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.002595/201021 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.107 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2017 Matéria IPI Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado INAB INDÚSTRIA NACIONAL DE BEBIDAS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. EXISTÊNCIA. INDIFERENÇA PARA O RESULTADO DO JULGAMENTO. Cabem embargos de declaração para sanar eventual obscuridade, contradição ou omissão do julgamento. Igualmente erros materiais podem ser sanados por meio do referido instrumento. Sendo detectado o erro do órgão julgador em premissa fática adotada no acórdão, cabível a retificação pretendida, porém não implicando em alteração no resultado do julgado pretérito quando tal erro é indiferente para a conclusões anteriormente alcançadas pelo Colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração apenas para corrigir o lapso com relação à permissão legal para a aplicação da multa prevista no artigo 30 da Lei n. 11.488/2007, que permanece vigente no ordenamento jurídico, sem nenhuma implicação no resultado do julgamento embargado (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 25 95 /2 01 0- 21 Fl. 375DF CARF MF 2 Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente processo tem origem em recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Ribeirão Preto/SP (Acórdão 1448.335), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte contra auto de infração lavrado para a cobrança de multa regulamentar no montante de R$ 46.847.719,15, relativamente aos fatos geradores 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009. Para bem delimitar a controvérsia a ser enfrentada, colaciono abaixo a descrição da acusação fiscal, retirada do relatório do acórdão proferido pela DRJ, in verbis (fls 280): Consoante a descrição dos fatos, à fl. 183, e o termo de verificação fiscal às fls. 174/177, a contribuinte, fabricante de bebidas, apesar de intimada em duas ocasiões (20/11/2009 e 12/03/2010) a regularizar a situação no prazo de 10 dias, deixou de efetuar o ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil (CMB) pela execução dos procedimentos de integração, manutenção preventiva e corretiva do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE), de que trata a IN RFB nº 869, de 2008, em todas as linhas de produção. Em curso se encontra a ação mandamental nº 5000059 36.2010.404.7005 ajuizada perante a Justiça Federal do Paraná (4ª Região), conforme cópia da inicial de fls. 19/62. Contudo, o pedido de liminar foi indeferido e o agravo de instrumento (nº 0007514 06.2010.404.0000/PR) foi convertido em agravo retido no âmbito do TRF da 4ª Região. Inexistente a suspensão da exigibilidade, portanto, o valor da multa regulamentar foi determinado conforme o disposto na Lei nº 11.488, de 2007, art. 30: 100% do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00. Tudo conforme os relatórios de produção, de maio a dezembro de 2009, com os preços médios dos produtos (fls. 178/180). A DRJ de Ribeirão Preto concluiu o julgamento da impugnação, tendo sido lavrada a ementa nos seguintes termos: CONCOMITÂNCIA DE OBJETO ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Foi então interposto o recurso voluntário pelo contribuinte (fls 242), que, dentre outras questões, alegou a existência de erro no julgamento proferido pela DRJ, haja vista Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3402004.107 S3C4T2 Fl. 112 3 que a matéria discutida no presente processo administrativo é diversa daquela discutida no âmbito judicial, razão pela qual não se poderia falar em concomitância. Em 30 de janeiro de 2013, tal recurso voluntário, regularmente distribuído, foi avaliado pelo Conselheiro relator Rosaldo Trevisan, então membro da extinta 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que realizou a comparação entre os processos judicial e administrativo, decidindo anular o Acórdão a quo por cerceamento do direito de defesa. Assim, a DRJ de Ribeirão Preto, em 29 de janeiro de 2014, articulou o novo julgamento determinado por este Conselho (fls 279), tendo sida lavrada a ementa nos seguintes termos: CONCOMITÂNCIA DE OBJETO ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. MULTA REGULAMENTAR. VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. O montante da multa regulamentar aplicada é de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida. Já em 26 de abril de 2016, o processo retornou ao CARF, haja vista a interposição de novo recurso voluntário pelo contribuinte, o qual foi julgado procedente. Isto porque este Colegiado entendeu que a imposição da penalidade sob apreço (multa regulamentar Sicobe de 100% do valor comercial da mercadoria produzida) foi revogada pelo artigo 169, inciso III, alínea "b" da Lei nº 13.097/2015. Assim, nos termos do art. 106, II, "a" e "b" do Código Tributário Nacional, que estabelece a retroatividade benigna no direito tributário, a multa foi cancelada. A ementa atribuída ao acórdão foi lavrada nos seguintes dizeres: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 MULTA REGULAMENTAR. SICOBE. VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. REVOGAÇÃO DA PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa regulamentar de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, estampada no artigo 58T da Lei nº 10.833/2003 foi revogada pelo artigo 169, inciso III, alínea "b" da Lei nº 13.097/2015. Assim, nos termos do art. 106, II, "a" e "b" do Código Tributário Nacional, que estabelece a retroatividade benigna no direito tributário, a multa deve ser cancelada. Diante desta decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, afirmando existir contradição no julgamento. A Embargante afirmou que o dispositivo revogado foi o que instituiu a obrigação acessória. O dispositivo que instituiu a multa, único a fundamentar o auto de infração, é o art. 30 da Lei nº 11.488/07, que se encontra ainda em vigor e é aplicável ao caso Fl. 377DF CARF MF 4 independente da revogação ou não da obrigação acessória. Foi esta a contradição imputada primeiramente ao acórdão recorrido. Este Colegiado apreciou as razões dos referidos embargos, em sessão de julgamento de 21 de julho de 2016, ocasião em que entendeu o seguinte: i) A Lei n. 11.488/2007 trouxe sistemática para o controle de cigarros (NCM 2402.20.00) por meio de equipamentos contadores de produção, conforme expressamente estabelecido pelos seus artigos 27 a 29; ii) o artigo 30 da mesma Lei é o fundamento do presente auto de infração, positivou multa para caso de descumprimento das obrigações criadas pelos artigos 27 a 29 da própria Lei n. 11.488/2007, ou seja, para a burla das obrigações envolvendo o controle de cigarros; iii) a aplicação da multa trazida por este dispositivo legal ao SICOBE só era possível porque o artigo 58T da Lei 10.833/2003 assim determinava (artigo 58T); iv) o artigo 58T da Lei n. 10.833/2003, que estendia a multa literalmente prevista para desrespeito às obrigações sobre o controle de cigarros para o controle de bebida, foi revogado; v) com tais revogações, a multa persiste apenas para outras situações que não o SICOBE, o que levou este Colegiado a aplicar a retroatividade benigna ao caso, com fulcro tanto na alínea "a" como na "b" do artigo 106, II do CTN. A decisão foi objeto de novos embargos de declaração por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional, cujo conteúdo afirma que "há evidente omissão e erro material na premissa fática do acórdão ora embargado, uma vez que a obrigação acessória ensejadora da multa continua plenamente em vigor, tendo passado apenas por uma realocação de sua posição na lei." Tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 bem como o artigo 1.023, §2º2 do mesmo Codex, propus a abertura de vista dos autos à Contribuinte, para que se manifestasse acerca das questões apresentadas pela Embargante em sua petição de fls 348 a 351. Por meio de petição de fls 362 a 366, a Embargada apresentou suas razões, afirmando que o acórdão recorrido não merece reforma, pois de fato foi revogada a multa para fins do SICOBE. O Ato Declaratório Executivo (ADE) 75/2016, expedido pela Receita Federal, não deixaria dúvidas sobre a questão. É o relatório. 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. 2 Art. 1.023. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz, com indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se sujeitam a preparo. § 1o Aplicase aos embargos de declaração o art. 229. § 2o O juiz intimará o embargado para, querendo, manifestarse, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3402004.107 S3C4T2 Fl. 113 5 Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz De acordo com o despacho de admissibilidade proferido neste processo, os Embargos de Declaração são tempestivos e preenchem os requisitos do artigo 65, §3º do Regimento Interno do CARF. Assim, passo ao mérito. Como se depreende do relato acima, o que permanece em litígio nestes autos, por insistentes embargos da Procuradoria, são as sucessiva alterações legislativas a respeito da obrigação acessória de instalação e manutenção do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE), bem como da respectiva obrigação de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil e da multa atribuída pela legislação em caso de descumprimento de tais obrigações. Para que não restem mais dúvidas sobre o tema, cumpre estabelecermos algumas premissas. O art. 58T da Lei 10.833/03, com a alteração promovida pela Lei 11.827/08, passou a ostentar a seguinte redação: Art. 58T As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A desta Lei ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei 11.488, de 15 de junho de 2007. 1o. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput deste artigo, sem prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 2o. As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido correspondente ao ressarcimento de que trata o § 3o. do art. 28 da Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, efetivamente pago no mesmo período. (grifei) Constatase que o citado dispositivo legal criou para as pessoas jurídicas que importam ou industrializam refrigerante, cerveja, água e refresco (art. 58A da Lei 10.833/03 c/c Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados) a obrigação de instalar equipamentos contadores de produção a fim de viabilizar melhor fiscalização na cobrança da Contribuição ao PIS, da COFINS e do IPI. Cumprindo o quanto disposto no §1º do artigo 58T, a Receita Federal do Brasil regulamentou tal obrigação de instalar equipamentos, por meio da Instrução Normativa Fl. 379DF CARF MF 6 RFB 869/08, a qual estabeleceu que o monitoramento da contagem seria feito por meio do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE). Vejamos: Art. 2o. O Sicobe será composto por equipamentos contadores de produção, bem como de aparelhos para o controle, registro, gravação e transmissão dos quantitativos medidos à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1o. Os equipamentos de que trata o caput possibilitarão, ainda, a identificação do tipo de produto, embalagem e sua respectiva marca comercial. § 2o. Os produtos controlados também deverão ser marcados pelo Sicobe, em cada unidade, em lugar visível, conforme for mais apropriado ao tipo de embalagem, por processo de impressão com tinta de segurança indelével, com códigos que possibilitem identificar a legítima origem, a diferenciação da produção ilegal e a comercialização de contrafações. § 3o. Os procedimentos de integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva de todos os equipamentos que compõem o Sicobe nos estabelecimentos industriais envasadores das bebidas de que trata o art. 1º serão realizados pela Casa da Moeda do Brasil (CMB). Pois bem. Para fazer frente a tal obrigação relativa ao SICOBE (remunerar o Estado), o artigo 58T da Lei 10.833/03 indicou aos fabricantes de bebidas a aplicação dos artigos 27 a 30 da Lei 11.488/07, cujo conteúdo até então era utilizado são somente para a fiscalização dos estabelecimentos industrial fabricantes de cigarro. Para o deslinde da presente controvérsia, focamos nossa atenção no conteúdo dos artigos 28 e 30 da Lei 11.488/07, em suas redações originais: Art. 28. Os equipamentos contadores de produção de que trata o art. 27 desta Lei deverão ser instalados em todas as linhas de produção existentes nos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, em local correspondente ao da aplicação do selo de controle de que trata o art. 46 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1o O selo de controle será confeccionado pela Casa da Moeda do Brasil e conterá dispositivos de segurança aprovados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que possibilitem, ainda, a verificação de sua autenticidade no momento da aplicação no estabelecimento industrial fabricante de cigarros. § 2o Fica atribuída à Casa da Moeda do Brasil a responsabilidade pela integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva de todos os equipamentos de que trata o art. 27 desta Lei nos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, sob supervisão e acompanhamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil e observância aos requisitos de segurança e controle fiscal por ela estabelecidos. § 3o Fica a cargo do estabelecimento industrial fabricante de cigarros o ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil pela Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3402004.107 S3C4T2 Fl. 114 7 execução dos procedimentos de que trata o § 2o deste artigo, bem como pela adequação necessária à instalação dos equipamentos de que trata o art. 27 desta Lei em cada linha de produção. (Revogado pela Lei nº 12.995, de 2014) (Vigência) § 4o Os valores do ressarcimento de que trata o § 3o deste artigo serão estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e deverão ser proporcionais à capacidade produtiva do estabelecimento industrial fabricante de cigarros, podendo ser deduzidos do valor correspondente ao ressarcimento de que trata o art. 3o do DecretoLei no 1.437, de 17 de dezembro de 1975. (Revogado pela Lei nº 12.995, de 2014) (Vigência) § 5o Na hipótese de existência de saldo após a dedução de que trata o § 4o deste artigo, os valores remanescentes do ressarcimento de que trata o § 3o deste artigo poderão ser deduzidos da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins, devidas em cada período de apuração. (...) Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais) (grifei) Cumpre destacar que o § 4º do art. 28 da Lei 11.488/07, de forma literal, delegou à Secretaria da Receita Federal a atribuição de fixar o valor a ser ressarcido pelo fabricante em face dos custos do sistema SICOBE suportados pela Casa da Moeda do Brasil, o que veio a ser atendido com a edição da Instrução Normativa 869/2008 e do Ato Declaratório Executivo 61/08. Sobre tal contexto normativo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) apreciou Recurso Especial apresentado pela própria Embargada, proferindo julgamento importante a respeito a classificação das obrigações fiscais referentes ao Sistema SICOBE. Destaco a seguir a ementa atribuída ao caso: 1. O art. 58T da Lei 10.833/03 (redação dada pela Lei 11.827/08) criou para as pessoas jurídicas que importam ou industrializam refrigerante, cerveja, água e refresco a obrigação de instalar equipamentos contadores de produção a fim de viabilizar a fiscalização da cobrança de PIS/COFINS e IPI. Ao regulamentar o dispositivo, a Instrução Normativa RFB 869/08 estabeleceu que o monitoramento da contagem seria feito por meio do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE). 2. O dever de adotar o SICOBE qualificase como obrigação acessória, de que cuida o art. 113, § 2o. do CTN. 3. O art. 28, §§ 2o. e 3o. da Lei 11.488/07 impôs ao estabelecimento industrial o dever de ressarcir (entregar dinheiro) a Casa da Moeda do Brasil por possibilitar o funcionamento do SICOBE. Fl. 381DF CARF MF 8 4. Avulta a necessidade de distinguir a natureza das duas obrigações tributárias distintas, circunscritas ao SICOBE: (i) o dever de implementálo, de natureza acessória; e (ii) o dever de ressarcir à Casa da Moeda do Brasil os custos ou despesas da fiscalização da atividade, de natureza principal. Precedente: REsp. 1.069.924/PR, Rel. Min. ELIANA CALMON, DJe 26.2.2009. 5. A diferença fundamental entre obrigação tributária principal e obrigação tributária acessória é a natureza da prestação devida ao Estado. Consoante ensina a Professora REGINA HELENA COSTA, Ministra do STJ, enquanto a primeira consubstancia entrega de dinheiro, a segunda tem natureza prestacional (fazer, não fazer, tolerar). Isto não significa, todavia, que das obrigações acessórias não resultem dispêndios aos contribuintes, muito pelo contrário. 6. Parte da doutrina e da jurisprudência defende que o fato de as obrigações acessórias implicarem gastos aos contribuintes possibilita ao Estado criálas, responsabilizálos por seu implemento e, desde logo, cobrar por estes inevitáveis gastos, sem desnaturálas. Olvidase, entretanto, que a partir do momento em que nasce o dever de pagar quantia ao Estado, de forma compulsória, tem vida a obrigação tributária principal. 7. Os arts. 58T da Lei 10.833/03 c/c 28 da Lei 11.488/07 impuseram obrigação pecuniária compulsória, em moeda, fruto de ato lícito. Assim, a despeito de ter sido intitulada de ressarcimento, a cobrança se enquadra no conceito legal de tributo, nos termos do art. 3o. do CTN. 8. Os valores exigidos, à guisa de ressarcimento, originamse do exercício de poderes fiscalizatórios por parte da Fazenda Nacional, para evitar que as empresas produtoras de bebidas incidam em evasão fiscal. Tais atos fiscalizatórios são ínsitos ao poder de polícia de que está investida a União Federal, cuja remuneração pode ser perpetrada por meio da chamada taxa de polícia. Até aqui, mal algum há na conduta do Estado, pois lhe é amplamente permitido criar novas taxas através de lei. 9. O vício surge na forma como se estabeleceu o valor da taxa, por meio do Ato Declaratório do Executivo RFB 61/08. É que o art. 97, inciso IV do CTN estatui que somente a lei pode estabelecer a fixação de alíquota e da base de cálculo dos tributos e o art. 28, § 4o. da Lei 11.488/07 não previu o quantum deveria ser repassado à Casa da Moeda do Brasil, apenas atribuiu à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para fazêlo. 10. Ademais, o Ato Declaratório do Executivo RFB 61/08, quando definiu o valor cobrado a título de ressarcimento em número fixo por unidade de produto, não respeitou o contido no próprio dispositivo que lhe outorgou esta competência. O art. 28, § 4o. da Lei 11.488/07 estabeleceu a premissa segundo a qual os valores do ressarcimento deveriam ser proporcionais à capacidade produtiva do estabelecimento industrial, mas a Secretaria da Receita Federal do Brasil não se preocupou com Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3402004.107 S3C4T2 Fl. 115 9 este importante aspecto, cobrando igual montante de todos os produtores, indistintamente. 11. Desta forma, há violação ao art. 97, IV do CTN e ao 28, § 4o. da Lei 11.488/07, de modo a contaminar todo substrato vinculada ao ressarcimento, sobretudo a penalidade por seu inadimplemento. 12. Neste contexto, os questionamentos em torno da multa pelo não pagamento do ressarcimento restaram prejudicados com o entendimento que ora se firma da impossibilidade de cobrança do próprio ressarcimento, cuja alíquota e base de cálculo foram previstas em afronta ao art. 97, IV do CTN e 28, § 4o. da Lei 11.488/07. Insubsistente a obrigação de ressarcir, fixada no Ato Declaratório do Executivo RFB 61/08, também o é a multa decorrente de seu fictício inadimplemento. Por conseguinte, prejudicado está o conhecimento do dissídio jurisprudencial quanto à possibilidade de ato infralegal ampliar o conteúdo de punição tributária. 13. Recurso Especial conhecido e provido (RECURSO ESPECIAL Nº 1.448.096 PR (2014/00822098) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data do julgamento 1° de outubro de 2015) Portanto, segundo o E. STJ, existem duas obrigações tributárias distintas circunscritas ao SICOBE: i) o dever de implementálo, de natureza acessória (artigo 113, §2º do CTN), conforme o artigo 58T da Lei 10.833/03; e ii) o dever de ressarcir à Casa da Moeda do Brasil, de natureza principal (artigo 113, §1º do CTN), conforme o artigo 28, §§3º e 4º da Lei 11.488/07. Ao lado de tais obrigações, exsurge a iii) multa de 100% do valor comercial da mercadoria produzida, penalidade (sanção por ato ilícito, que não se confunde com o tributo em si, conforme o artigo 3º do CTN) pelo eventual descumprimento das obrigações, estipulada pelo artigo 30 da Lei n. 11.488/07. Pois bem. Estabelecidas tais premissas, passemos ao caso concreto. Como bem aponta a Embargante, a Lei n. 13.097/2015, muito embora tenha revogado o artigo 58T da Lei n. 10.833/2003, manteve a obrigação aos produtores de bebidas de instalar equipamentos contadores de produção, bem como manteve a aplicação extensiva dos artigos 27 a 30 da Lei n. 11.488/2007. Isso se deu pela alteração topográfica da norma para o artigo 35 da própria Lei n. 13.097/2015, a seguir transcrito: Art. 35. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 143 ficam obrigadas a instalar equipamentos 3 Seção IX Da Tributação de Bebidas Frias Subseção I Da Abrangência do Regime Tributário aplicável à Produção e Comercialização de Cervejas, Refrigerantes e outras Bebidas Art. 14. Observado o disposto nesta Lei, serão exigidos na forma da legislação aplicável à generalidade das pessoas jurídicas a Contribuição para o PIS/PASEP, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, a Contribuição para o PIS/PASEPImportação, a COFINSImportação e o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devidos pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização e Fl. 383DF CARF MF 10 contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007 Assim, reconheço o erro apontado no Acórdão embargado, no qual chegouse à conclusão de que, com as revogações perpetradas pela Lei n. 13.097/2015, a multa cobrada nos presentes autos persistia apenas para outras situações que não o SICOBE. Na realidade, o dispositivo que permite a aplicação da multa prevista no artigo 30 da Lei n. 11.488/2007 permanece vigente no ordenamento jurídico, tendo sido realocado para o artigo 35 da Lei n. 13.097/2015. Contudo, tal situação não altera a conclusão fora alcançada pelo Acórdão embargado. Explico. No Termo de Verificação Fiscal (TVF) é possível encontrar fundamentação para o lançamento originário do presente processo administrativo (fls 175 e 176): 4 o sujeito passivo estava obrigado a instalação e utilização do SICOBE de que trata a Instrução Normativa RFB n° 869/2008,5 a partir de 15 de maio de 2009. De acordo com o art. 11 da mesma Instrução Normativa RFB, a Contribuinte era obrigada ao ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil pela execução dos procedimentos de integração, instalação, manutenção preventiva e corretiva do SICOBE em todas as suas linhas de produção. Tais ressarcimentos não foram realizados, dando origem ao presente auto de infração, que cobra multa de 100% do valor comercial da mercadoria produzida. Ou seja, a imputação de ilícito à Embargada foi pelo não cumprimento da obrigação principal de ressarcimento à Casa da Moeda Nacional (taxa de poder de polícia, na visão STJ), devida pelo fato de ela também se sujeitar à obrigação acessória de instalação do sistema SICOBE, tudo nos termos da legislação exposta alhures. comercialização dos produtos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011: I 2106.90.10 Ex 02; II 22.01, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 2201.10.00; III 22.02, exceto os Ex 01, Ex 02 e Ex 03 do código 2202.90.00; e IV 22.02.90.00 Ex 03 e 22.03. 4 Destaco as seguintes passagens do TVF: 2 NÃO RESSARCIMENTO À CASA DA MOEDA De acordo com o art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 869/2008 e Ato Declaratório Executivo RFB n° 61, de Io de dezembro de 2008, amparados pela Lei n° 11.488/2007, fica o sujeito passivo obrigado ao ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil pela execução dos procedimentos de integração, instalação, manutenção preventiva e corretiva do Sicobe em todas as suas linhas de produção. Como o sujeito passivo não efetuou os referidos ressarcimentos, em 20 de novembro de 2009 e 12 de março de 2010 intimamos o sujeito passivo acima a regularizar no prazo de 10 (dez) dias, o ressarcimento a Casa da Moeda do Brasil, referentes a produção do meses de maio a dezembro de 2009, (Fls. 09 a 12). (...) 3 DETERMINAÇÃO DOS VALORES De acordo com o disposto no art . 13 da Instrução Normativa RFB n° 869/2008, amparada pelo art. 30, inciso I, da Lei n° 11.488/2007, o valor da multa a ser aplicada é de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). 5 INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 869, DE 12 DE AGOSTO DE 2008 Dispõe sobre a instalação de equipamentos contadores de produção nos estabelecimentos industriais envasadores de bebidas de que trata o art. 58T da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e dá outras providências Art. 11. O estabelecimento industrial envasador de bebidas fica obrigado ao pagamento da taxa de que trata o inciso II do art. 13 da Lei nº 12.995, de 18 de junho de 2014, pela utilização do Sicobe. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3402004.107 S3C4T2 Fl. 116 11 Ocorre que em 17 de outubro de 2016 foi editado o ADE COFIS n. 75/2016, cujo conteúdo é o seguinte: ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO COFIS Nº 75, DE 17 DE OUTUBRO DE 2016 Dispõe sobre a não obrigatoriedade de utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe). O COORDENADORGERAL DE FISCALIZAÇÃO da atribuição que lhe confere o art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008, declara: Art. 1º Ficam os estabelecimentos industriais envasadores de bebidas, relacionados no anexo único deste ato, desobrigados – a partir de 13 de dezembro de 2016 – da utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) de que trata a Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008. Art. 2º Este ato entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União Dentre as empresas relacionadas no anexo único do ADE COFIS 75/2016, citado no seu artigo 1º, encontrase a empresa Embargada. A competência para que a Receita Federal pudesse emanar tal espécie de ato normativo está expressa na própria legislação sobre a matéria, especificamente no artigo 35, parágrafo único da Lei 13.097/2015 e no artigo 32, §2ºdo Decreto 8.442/2015, a seguir colacionados: Art. 35. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 14 ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput deste artigo, sem prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Art. 32. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 1º ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos art. 27 a art. 30 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. § 1º A RFB estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput, sem Fl. 385DF CARF MF 12 prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 24 de agosto de 2001. § 2º A RFB poderá dispensar a obrigatoriedade de que trata o caput na hipótese de inviabilidade técnica para instalação dos equipamentos contadores de produção atestada pela Casa da Moeda do Brasil. Para conhecimento do Colegiado, destaco abaixo notícia publicada pela Secretaria da Receita Federal, em seu sítio eletrônico, 6 das razões e implicações da referida suspensão de obrigatoriedade: Foi publicado hoje no Diário Oficial da União o ADE nº 75/2016, que suspende a obrigatoriedade do Sistema de Controle da Produção de Bebidas (Sicobe) a partir do dia 13/12/2016. É importante destacar que a dispensa do selo de controle a ser aplicado nas bebidas quentes, concedida pelo Instrução Normativa RFB nº 1432, de 2013, tornouse sem efeito. Assim, os contribuintes sujeitos ao selo de controle e que haviam optado pelo Sicobe, estarão novamente obrigados à aplicação dos selos fiscais nos seus produtos a partir da data de suspensão estabelecida pelo ADE Cofis publicado. Com a suspensão do Sicobe, automaticamente, os contribuintes também estão desobrigados do pagamento da taxa pela utilização dos equipamentos contadores de produção de bebidas, criada pela Lei 12.995, de 2014, e, consequentemente, não terão direito aos créditos gerados de PIS e COFINS pelo pagamento do tributo. A Casa da Moeda do Brasil (CMB) está desenvolvendo um projeto que substituirá o Sicobe por um custo menor. Quando a CMB concluir o desenvolvimento da nova solução tecnológica para contagem e rastreamento da produção, serão editados novos ADE's para restabelecer a obrigatoriedade do sistema de contagem e, consequentemente, dispensa de aplicação do selo físico para as bebidas quentes. Importante lembrar que um sistema de controle de produção industrial deve ser aderente à legislação tributária que auxilia a acompanhar. Atualmente, o setor de bebidas é tributado com fundamento na Lei nº 13.097, de 2014, cuja vigência teve início a partir de maio de 2015. Seguindo uma diretriz de simplificação das obrigações tributárias, o novo modelo é mais simples (ad valorem) que o modelo anterior, razão pela qual, diversas funcionalidades presentes no Sicobe tornaramse desnecessárias, outra circunstância que determinou a mudança ora implementada. Ainda em relação ao acompanhamento do setor, a Receita Federal estabeleceu a obrigatoriedade do Bloco K do Sistema de Escrituração Pública Digital (SPED), que trata do livro de controle de estoque do estabelecimento, a partir de dezembro de 2016. A referida obrigação tributária foi instituída para as 6 Disponível em: http://idg.receita.fazenda.gov.br/noticias/ascom/2016/outubro/receitafederalsuspende obrigatoriedadedosistemadecontroledebebidassicobe Acesso em 16/03/2017. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3402004.107 S3C4T2 Fl. 117 13 indústrias do segmento de bebidas pela IN RFB nº 1.652, de 2016. Com o controle dos estoques, a RFB poderá analisar os dados recebidos com as informações decorrentes das notas fiscais eletrônicas de toda a cadeia produtiva (insumos, distribuição, etc.), auxiliando no monitoramento do setor, inclusive, quando o novo sistema de controle de produção voltar a operar. Assim, a própria Administração Tributária isentou a Embargada da obrigação acessória de utilização do Sistema SICOBE. Assim é que, muito embora tal ato normativo determine que sua vigência iniciouse somente a partir de 13 de dezembro de 2016, o artigo 106, inciso II, "b" do Código Tributário Nacional impõe sua aplicação retroativa. Vale relembrar o conteúdo do dispositivo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Com efeito, o caso sub judice, ainda não definitivamente julgado, trata de sanção aplicada a ato praticado pela Embargada (descumprimento de norma de utilização do Sistema SICOBE, vale dizer, de obrigação acessória, sem qualquer imputação de fraude ou simulação), que não é mais considerado pela legislação tributária como exigível. Mas não é só. Além da revogação da obrigação acessória de instalação do Sistema SICOBE, também, e consequentemente, foi revogada a obrigação principal de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil. Com efeito, os §§3º, 4º e 5º da Lei n. 11.488/2007, os quais, lembremos, estipulavam o "ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil" como obrigação principal relativa aos Sistema SICOBE, foram retirados do ordenamento jurídico pela a Lei n. 12.995/2014. Esta última Lei, por sua vez, apresentou novo texto para a imposição de cobrança relativa aos equipamentos contadores de produção, redação essa já ajustada ao entendimento do STJ de que tal cobrança caracteriza taxa, espécie de tributo específica disciplinada pelos artigos 77 a 80 do CTN. Segue abaixo o texto da Lei nº 12.995/2014: Art. 13. Fica instituída taxa pela utilização I do selo de controle de que trata o art. 46 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964; II dos equipamentos contadores de produção de que tratam os arts. 27 a 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007, e o art. Fl. 387DF CARF MF 14 35 da Lei no 13.097, de 19 de janeiro de 2015. (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) (Produção de efeitos) § 1o São contribuintes da taxa as pessoas jurídicas obrigadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil à utilização dos instrumentos de controle fiscal relacionados nos incisos I e II do caput, nos termos da legislação em vigor. É o conteúdo do §1º do artigo 13 que extermina a longa discussão aqui perpetrada: somente são sujeitos passivos da taxa (obrigação tributária principal) aquelas pessoas jurídicas determinadas pela Receita Federal. Ora, como visto acima, o ADE 75/2016 dispôs que a Embargada não é obrigada à utilização do SICOBE (obrigação acessória). Por conseguinte, a Embargada não está mais obrigada a pagar a obrigação tributária principal, antigo "ressarcimento " à Casa da Moeda (Lei 11.488/2007), atual taxa pela utilização dos equipamento contadores de produção (Lei nº 12.995/2014), por expressa disposição do §1º do artigo 13, que vincula à obrigação principal à acessória, como não poderia deixar de ser. Noutros dizeres, a Lei n. 12.995/2015 deixou de definir como infração o não pagamento da obrigação principal pela Embargada. Não havendo mais infração, não há mais a respectiva sanção, que é o que se cobra da Embargada no presente processo: a multa de 100% do valor comercial da mercadoria produzida, estipulada pelo artigo 30 da Lei n. 11.488/07. Como também já destacado, o artigo 106, inciso II, alínea "a" do CTN impõe que para atos não definitivamente julgados, devese aplicar retroativamente a lei que deixar de definir determinada conduta como infração e, consequentemente, de imputarlhe penalidade. Assim é que, mesmo tendo a conduta da Embargada implicado na falta de pagamento da taxa do Sistema SICOBE, há de se aplicar a retroatividade benigna com base na alínea "a". Sobre esse ponto, cumpre lembrar a lição de Luis Eduardo Schoueri7 sobre a aplicação do artigo 106, inciso II alíneas "a" e "b" do CTN exatamente para situações como a presente: Entretanto, não se pode deixar de notar que a alínea "b" considera a hipótese em que, além de não haver fraude, não tenha havido falta de pagamento de tributo. As condições ali são cumulativas. Ora, infração sem que haja falta de pagamento de tributo é aquela concernente ao descumprimento de deveres instrumentais. Daí parece assistir razão a Eros Grau, citado po Luciano Amaro, para quem a hipótese da alínea "a" se aplica à obrigação principal, e a alínea "b" à "acessória". Em síntese, a lei mais benéfica retroage sempre em matéria de descumprimento de obrigação principal; para deveres instrumentais, o Código Tributário Nacional condiciona a retroação a que não tenha sido fraudulento o ato. Finalmente, destaco que tanto o Acórdão 3402003.001 (sobre o recurso voluntário da Contribuinte), quando o Acórdão n. 3402003.180 (sobre os primeiros embargos de declaração da PFN), tiveram, dentre outros, a retroatividade benigna prevista tanto na alínea "a" como na alínea "b" do artigo 106, II do CTN como fundamento para decidir o presente caso. CONCLUSÃO 7 Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 2011, p. 686 Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3402004.107 S3C4T2 Fl. 118 15 Por tudo quanto exposto, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos de declaração, apenas para corrigir o lapso com relação à permissão legal para a aplicação da multa prevista no artigo 30 da Lei n. 11.488/2007, que permanece vigente no ordenamento jurídico, sem nenhuma implicação, contudo, no resultado do julgamento pretérito. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 389DF CARF MF
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