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Numero do processo: 17787.720008/2014-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 05 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 29 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 2402-010.471
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2402-010.470, de 05 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 18470.722116/2014-36, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente e Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Claudia Borges de Oliveira, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: Francisco Ibiapino Luz
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RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE. SUSPENSÃO. MANIFESTAÇÃO. INADMISSÍVEL. O recurso conhecido mantém a suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído, impondo a expedição de certidão positiva com efeito de negativa nos termos requeridos pelo contribuinte. Logo, este Colegiado não dispõe de competência para dar ou negar provimento à presente matéria, eis que de procedimento legalmente já determinado. Afinal, reportada suspensão de exigibilidade tão somente obsta o início da cobrança do suposto crédito definitivamente constituído, nada refletindo na referida pretensão perante a administração tributária. PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVAS RAZÕES DE DEFESA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DO VOTO. DECISÃO DE ORIGEM. FACULDADE DO RELATOR. Quando as partes não inovam em suas razões de defesa, o relator tem a faculdade de adotar as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. O Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação possui formalidades que são essenciais para a análise do direito creditório nele declarado, máxime quando o objeto da restituição se relaciona com a retenção de contribuições previdenciárias quando da prestação de serviços com cessão de mão de obra/empreitada na forma da Lei n° 9.711/98. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP NÃO EFETIVADA. Para surtir seus efeitos e possibilitar a análise do pedido de restituição tendo como objeto a retenção Lei n° 9.711/98, faz-se necessário que a retificação do PER/DCOMP seja efetivada antes da emissão do Despacho Decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 78 7. 72 00 08 /2 01 4- 01 Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.471 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17787.720008/2014-01 RESTITUIÇÃO. GUIA DE RECOLHIMENTO AO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL/GFIP. NECESSIDADE DE DECLARAÇÃO DA RETENÇÃO. A completa declaração da Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social/GFIP, com os dados inerentes à retenção e valor devido à Previdência Social constitui requisito necessário ao deferimento da restituição. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2402-010.470, de 05 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 18470.722116/2014-36, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Claudia Borges de Oliveira, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Francisco Ibiapino Luz. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte contestando o indeferimento do requerimento da restituição de contribuição social supostamente recolhida indevidamente ou a maior. A 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, por unanimidade, julgou improcedente a contestação do Impugnante, nos termos do relatório e voto registrados no Acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: O Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação possui formalidades que são essenciais para a análise do direito creditório Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.471 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17787.720008/2014-01 nele declarado, máxime quando o objeto da restituição se relaciona com a retenção de contribuições previdenciárias quando da prestação de serviços com cessão de mão de obra/empreitada na forma da Lei n° 9.711/98. Para surtir seus efeitos e possibilitar a análise do pedido de restituição tendo como objeto a retenção Lei n° 9.711/98, faz-se necessário que a retificação do PER/DCOMP seja efetivada antes da emissão do Despacho Decisório. A completa declaração da Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social/GFIP, com os dados inerentes à retenção e valor devido à Previdência Social constitui requisito necessário ao deferimento da restituição. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional. Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, basicamente repisando os argumentando apresentados na impugnação, acrescentando o que ora destaco: 1. Discorre acerca da tempestividade do recurso interposto, considerando-se a suspensão de prazo para a prática de atos processuais no âmbito da RFB entre 23 de março e 31 de agosto de 2020. 2. Requer o efeito suspensivo previsto no CTN, art. 151, III. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Como medida de enfrentamento à pandemia decorrente da Covid-19, a Portaria RFB nº 543, de 20 de março de 2020, suspendeu o prazo para a prática de atos processuais no âmbito daquela Secretaria Especial até 29 de maio do mesmo ano. Ademais, decorrente do mesmo fato e por iguais razões, reportada suspensão foi, dentro das respectivas datas de vigência, prorrogada sucessivamente até 31 de agosto de 2020 mediante as Portarias RFB nºs 936, de 29/5/2020; 1.087, de 30/6/2020, e 4.105, de 30/7/2020 respectivamente. Nesse pressuposto, a ciência da decisão de origem ocorrida entre 23/3/2020 (data de publicação da Portaria RFB nº 543, de 2020) e 31/8/2020 (dia de vencimento da referida suspensão) teve a contagem do prazo recursal iniciada somente em 1/9/2020 (terça- feira), restando seu término em 30/9/2020 (quarta-feira). Ademais, do mesmo modo, inicia-se também, em 1/9/2020, a contagem do saldo remanescente do prazo recursal já iniciado, mas suspenso, em 23/3/2020, por conta da reportada pandemia. Trata-se de entendimento amplamente aplicado neste Conselho, consoante se vê nos acórdãos de sua jurisprudência, a exemplo, os de turmas diversas, que ora destaco na tabela abaixo: Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.471 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17787.720008/2014-01 Processo Sessão Acórdão 10480.721783/2020-19 2/9/21 1003-002.609 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária 13609.721741/2017-87 22/7/21 1301-005.454 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 16327.910151/2012-77 20/5/21 1302-005.457 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 11060.726527/2019-98 13/7/21 1001-002.482 – 1ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária 13748.002078/2008-32 23/2/21 2003-002.998 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária 16327.910155/2012-55 20/5/21 1302-005.456 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Assim entendido, dito recurso é tempestivo, ainda que a ciência da decisão recorrida tenha sucedida em 1/7/2020, e a peça recursal ter sido interposta somente no dia 26/8/2020, mas dentro do prazo legal para sua interposição (processo digital, fls. 155 e 158). Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dele tomo conhecimento. Preliminares Suspensão da exigibilidade do crédito constituído O Código Tributário Nacional (CTN) preconiza que as “reclamações” e os “recursos” suspendem a exigibilidade do crédito tributário constituído, consoante se vê em seu art. 151, inciso III, verbis: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Na mesma linha, da análise dos arts. 205, parágrafo único, e 206 do mesmo Ato legal, infere-se que a Fazenda Pública tem o prazo de 10 (dez) dias para atender requerimento do contribuinte pretendendo a obtenção de certidão positiva com efeito de negativa, quando existente crédito constituído com exigibilidade suspensa no respectivo período. Confira-se: Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido. Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na repartição. Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa. (Destaquei) Como se vê, a contestação que atende aos pressupostos de sua admissibilidade (impugnação e recurso conhecidos), automaticamente, suspende a exigibilidade do crédito tributário constituído, impondo a expedição de certidão positiva com efeito de negativa nos termos requeridos pelo contribuinte. Logo, este Colegiado não dispõe de Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.471 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17787.720008/2014-01 competência para dar ou negar provimento à presente matéria, eis que de procedimento legalmente já determinado. Afinal, reportada suspensão de exigibilidade tão somente obsta o início da cobrança do suposto crédito definitivamente constituído, nada refletindo na referida pretensão perante a administração tributária. Mérito Fundamentos da decisão de origem Por oportuno, vale registrar que os §§ 1º e 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017, facultam o relator fundamentar seu voto mediante transcrição da decisão recorrida, quando o recorrente não inovar em suas razões recursais, verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: [...] § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. [...] § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Nessa perspectiva, quanto às demais questões suscitadas no recurso, a Recorrente basicamente reiterou os termos da impugnação, nada acrescentando que pudesse alterar o julgamento a quo. Logo, tendo em vista minha concordância com os fundamentos do Colegiado de origem e amparado no reportado preceito regimental, adoto as razões de decidir constantes no voto condutor do respectivo acórdão, nestes termos: Em sua manifestação de inconformidade o requerente alega que apresentou todas as guias de recolhimento para o deferimento do pedido, sendo esta a condição necessária para a comprovação da retenção, conforme disposto no artigo 17 da Instrução Normativa RFB n° 1.300 de 20/11/2012. Sustenta ainda que retificou os PER/DCOMP e cancelou os pedidos anteriores, alterando o objeto dos pedidos de restituição de saldo de "Contribuição Previdenciária Indevida ou Maior" para crédito de "Retenção Lei n° 9.711/1998". Tratemos de início do pedido formulado pelo contribuinte nos PER/DCOMP transmitidos, fls. 24/35, 71/73. Em primeiro plano deve-se destacar que a análise dos PER/DCOMP transmitidos pelo contribuinte se deu de acordo com o respectivo mandado de segurança interposto em diferentes varas da Justiça Federal do Rio de Janeiro no que resultou na abertura de processos administrativos distintos, conforme segue: [...] [...] Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.471 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17787.720008/2014-01 Na ficha seguinte, o requerente apresenta guias de recolhimento no código 2640 que se refere a retenção de 11% quando da prestação de serviços a tomador: Na forma em que foi feito o pedido eletrônico, há duas hipóteses possíveis, a primeira delas que a retenção foi feita indevidamente, não ocorrendo a subsunção às hipóteses previstas nos incisos do artigo 31 da Lei n° 8.212/91 e nos incisos do § 2° do artigo 219 do Regulamento da Previdência Social /RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, verbis: Lei n° 8.212/91 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão- de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5° do art. 33. § 1° O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão-de-obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei n° 9.711, de 1998). § 2° Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lein°9.711, de 1998). § 3° Para os fins desta Lei, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade- fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei n° 9.711, de 1998). § 4 ° Enquadram-se na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei n° 9.711, de 1998). I - limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei n° 9.711, de 1998). II - vigilância e segurança; (Incluído pela Lei n° 9.711, de 1998). III - empreitada de mão-de-obra; (Incluído pela Lei n° 9.711, de 1998). IV- contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluídopela Lei n° 9.711, de 1998). § 5° O cedente da mão-de-obra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluídopela Lein°9.711, de 1998). § 6 ° Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei n ° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplica-se o disposto em todo este artigo, Fl. 108DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-010.471 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17787.720008/2014-01 observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. (Incluídopela Lein° 11.941, de 2009) Decreto n° 3.048/99 Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5° do art. 216. (Redação dada pelo Decreto n° 4.729, de 2003) § 1° Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2° Enquadram-se na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mão-de-obra: I - limpeza, conservação e zeladoria; II - vigilância e segurança; III - construção civil; IV - serviços rurais; V - digitação e preparação de dados para processamento; VI - acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII - cobrança; VIII - coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX - copa e hotelaria; X - corte e ligação de serviços públicos; XI - distribuição; XII - treinamento e ensino; XIII - entrega de contas e documentos; XIV - ligação e leitura de medidores; XV - manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI - montagem; XVII - operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII - operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX - operação de transporte de cargas e passageiros; XIX - operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou sub-concessão; (Redação dada pelo Decreto n° 4.729, de 2003) XX - portaria, recepção e ascensorista; XXI - recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII - promoção de vendas e eventos; XXIII - secretaria e expediente; XXIV- saúde; e XXV - telefonia, inclusive telemarketing. Fl. 109DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-010.471 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17787.720008/2014-01 § 3° Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mão-de-obra. § 4° O valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. § 5° O contratado deverá elaborar folha de pagamento e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante do serviço. §6° A empresa contratante do serviço deverá manter em boa guarda, em ordem cronológica e por contratada, as correspondentes notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, Guias da Previdência Social e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com comprovante de entrega. §7º Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. § 8° Cabe ao Instituto Nacional do Seguro Social normatizar a forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido no total da nota fiscal, fatura ou recibo, quando, na hipótese do parágrafo anterior, não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos. § 9° Na impossibilidade de haver compensação integral na própria competência, o saldo remanescente poderá ser compensado nas competências subseqüentes, inclusive na relativa à gratificação natalina, ou ser objeto de restituição, não sujeitas ao disposto no § 3° do art. 247. (Redação dada pelo Decreto n° 4.729, de 2003) § 1 0 . Para fins de recolhimento e de compensação da importância retida, será considerada como competência aquela a que corresponder à data da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. § 11. As importâncias retidas não podem ser compensadas com contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social para outras entidades. § 12° O percentual previsto no caput será acrescido de quatro, três ou dois pontos percentuais, relativamente aos serviços prestados pelos segurados empregado, cuja atividade permita a concessão de aposentadoria especial, após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Incluído pelo Decreto n ° 4.729, de 2003) (grifei) Ou seja, de alguma forma a empresa não estaria sujeita à retenção na prestação de seus serviços, hipótese que restou afastada nestes autos, pois em sua manifestação de inconformidade o requerente afirma prestar serviços sujeitos a retenção, conforme transcrevo: As retenções ocorrem pelo valor total da nota ou pelo valor referente a mão de obra empregada no determinado serviço, sempre possuem a alíquota de 11% e Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-010.471 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17787.720008/2014-01 sempre são recolhidas diretamente pelo tomador do serviço, independente de haver destaque na nota fiscal da informação para retenção da seguridade social previdenciária. De fato, o requerente juntou a 6 a alteração contratual datada de 05/05/2011, fls. 91/101, em que se verifica tanto a atividade de comércio varejista como a prestação de serviços em diversas áreas, passiveis de retenção se existente a cessão de mão de obra/empreitada, conforme transcrevo: [...] Devido a gama de atividades prestadas pelo requerente torna-se imprescindível a vinculação dos valores a restituir com as respectivas notas fiscais de prestação de serviços no pedido de restituição, o que não ocorreu na transmissão incorreta do PER/DCOMP como será visto mais adiante. Neste ponto, importante ressaltar que o contribuinte apresenta atitude dúbia quanto à informação de suas atividades, sujeitas ou não a retenção, com reflexos no tipo de pedido de restituição interposto. De fato, o contribuinte ingressou com mandado de segurança perante a 20 a Vara Federal do Rio de Janeiro, processo n° 2011.51.01.003346-0, em 24/03/2011, objetivando não ser compelida à retenção de 11% (onze por cento) sobre o total bruto de suas notas fiscais de prestação de serviços, sem que sofra qualquer tipo de sanção por parte do Fisco Federal, conforme se depreende da sentença que indeferiu o pedido liminar, em consulta pública ao site da Justiça Federal do Rio de Janeiro. Se fosse este o objeto do pedido de restituição aqui discutido, estaria adequado aos fins almejados, qual seja, o ressarcimento das importâncias retidas indevidamente, o que não restou comprovado nestes autos, sequer na via judicial manejada. Com efeito, o direito pleiteado no referido mandado de segurança, processo n° 2011.51.01.003346-0, foi denegado por ausência de direito liquido e certo, conforme excertos da sentença abaixo transcrita, ocorrendo o trânsito em julgado em 27/11/2011: Alega a impetrante ter sido a Instrução Normativa MPS n° 03/2005 revogada pela Instrução Normativa n° 971/2009, que, em seu anexo VIII, teria excluído da sujeição à retenção de 11% (onze por cento) sobre o total do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços, as atividades de instalação de aparelhos de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação, de aquecimento, de calefação ou de exaustão (fl. 05). Aduz ainda que tais serviços seriam facilmente comprovados, através da análise das notas com retenção de 11% (onze por cento), e a guia de recolhimento e Informações à Previdência Social - GFIP (fl. 5). Ocorre que a impetrante não logrou comprovar ter sofrido tal exação, haja vista ausência nos autos de qualquer instrumento contratual que demonstrasse a prestação desta atividade, bem como das notas fiscais de prestação de serviços que teria realizado, além das respectivas GFIPS, sendo insuficientes para tanto os relatórios de retenção a compensar/restituir de fls. 22/24. Aliás, nos próprios relatórios, encontra-se consignado que, para fins de restituição, estes deveriam ser encaminhados à SRFB juntamente com os comprovantes da retenção dos valores informados, o que não correu no presente mandamus. Além disso, os serviços arrolados no aludido anexo (fl. 54) somente seriam excluídos da retenção de 11 % se fossem realizados na área da construção civili , atividade estranha à impetrante. Ademais, os serviços que a impetrante diz serem imunes à incidência desta alíquota (instalação de aparelhos de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação, de aquecimento, de calefação ou de exaustão), não se encontram Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-010.471 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17787.720008/2014-01 previstos no objetivo da sociedade: comércio varejista de artigos para piscinas e móveis plásticos, serviços de guardião de piscinas e manutenção de piscinas, a teor do art. 4° da quarta alteração contratual de seus atos constitutivos (fl. 16). Logo, ausente o direito vindicado, impõe-se o indeferimento da pretensão deduzida no feito (letra c da inicial - fl. 9). Retornando ao tema, restando afastada a hipótese de recolhimento indevido, ainda poderia ser aventada a possibilidade de recolhimento a maior que o devido, porém, encontrando óbice pela inadequação da via eleita, ou seja impropriedade do pedido de restituição, pois ausente a correlação necessária dos valores pleiteados com as notas fiscais de serviço que sofreram a suposta retenção a maior que o devido. De fato, há várias irregularidades no pedido de restituição que ensejam o indeferimento do pleito do requerente. Percebe-se, em análise dos elementos constantes do processo, incorreção nos PER/DCOMP apresentados, uma vez que o preenchimento não abre a possibilidade para informação das notas fiscais relativas à retenção, como inclusive reconhece o requerente em sua manifestação de inconformidade ao mencionar que procederia a retificação do pedido. Cabe ressaltar que no programa PER/DCOMP, deve ser transmitido um "Pedido de Restituição - Retenção Lei n° 9.711/98" por competência (mês/ano), informando os dados do tomador do serviço e da Nota Fiscal que sofreu a retenção e o valor compensado na GFIP, conforme telas do programa que reproduzo a título exemplificativo: Neste ponto, importante lembrar que o art. 31 da Lei n° 8.212/91 (na redação dada pela Lei n° 9.711/1998), impõe para a empresa prestadora de serviços Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-010.471 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17787.720008/2014-01 realizados mediante cessão de mão de obra/empreitada não só o ônus financeiro da retenção do percentual de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas, mas também a necessidade de observância de obrigações tributárias de natureza acessória. Segundo o procedimento normativo previsto para viabilizar o procedimento de retenção dos 11% e seu aproveitamento pela prestadora de serviços, a empresa que sofreu retenção de contribuições previdenciárias no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições próprias devidas à Previdência Social, desde que a retenção esteja destacada em nota fiscal e declarada em GFIP. Não optando pela compensação dos valores retidos, ou, se após a compensação, restar saldo em seu favor, poderá requerer a restituição do valor não compensado. No que se refere aos procedimentos atinentes à restituição de valores, bem como à forma pela qual as informações devem ser prestadas em GFIP, a matéria é regulada pelo Regulamento da Previdência Social/RPS (em especial o art. 219 e seu § 5°, transcrito acima) e, considerando a época dos protocolos dos PER/DCOMP, pelo art. 17 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20/11/2012, verbis: Da Restituição de Valores Referentes à Retenção de Contribuições Previdenciárias na Cessão de Mão de Obra e na Empreitada Art. 17. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção de contribuições previdenciárias no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, que não optar pela compensação dos valores retidos, na forma do art. 60, ou, se após a compensação, restar saldo em seu favor, poderá requerer a restituição do valor não compensado, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e declarada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). grifei Parágrafo único. Na falta de destaque do valor da retenção na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, a empresa contratada poderá receber a restituição pleiteada somente se comprovar o recolhimento do valor retido pela empresa contratante. Nesse passo, destaco que para o crédito do contribuinte ser identificado com clareza, a Administração deve saber se a empresa contratada destacou as retenções nas notas fiscais emitidas, elaborou suas GFIP distintas para cada tomador e se tais informações foram veiculadas na forma normatizada no Manual da GFIP aprovado pela Instrução Normativa RFB n° 880, de 16/10/2008 e Circular CAIXA n° 451, de 13/10/2008. Ainda que seja correta a afirmação do requerente que, ausente o destaque da retenção na nota fiscal, o que importa é que houve o recolhimento pelo tomador do serviço, tal fato não afasta a necessidade de o requerente demonstrar os valores que foram levados à compensação e informar a retenção em GFIP, o que não ocorreu no presente caso. Note-se que a restituição, no caso de retenção de 11% sobre notas fiscais de serviço, para ser deferida está sempre sujeita à comprovação da liquidez e certeza do montante das remunerações pagas e das contribuições devidas, dos valores das retenções sofridas, e das compensações realizadas, sendo que o exercício deste direito condiciona-se à apresentação de PER/DCOMP, com as informações do crédito que alega possuir. O requerente alega ainda que retificou os PER/DCOMP, porém não apresentou qualquer elemento de prova neste sentido. Em consulta ao sistema SIEFWEB constato que os PER/DCOMP transmitidos são todos originais, não havendo retificadoras no período. Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2402-010.471 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17787.720008/2014-01 Na forma da legislação de regência, a retificação ou o cancelamento de PER/DCOMP deve ser feita diretamente no PGD PER/DCOMP, observados o prazo e as demais regras para retificação/cancelamento. Esta autoridade julgadora não detém competência para determinar que o interessado envie novos PER/DCOMP. A possibilidade de retificação do pedido de restituição através do próprio programa PER/DCOMP viabilizaria a análise e eventual deferimento do valor pleiteado, mesmo que inicialmente eivado de inconsistências, caso estas fossem sanadas pelo meios apropriados e disponíveis. No caso, não há como reconhecer crédito a favor da empresa, uma vez que, formalmente, o PER/DCOMP está incorreto, não foi retificado, e não há mais como retificar, considerando que o Despacho Decisório já foi emitido e já cientificado, de acordo com o que dispõe a Instrução Normativa RFB n° 1.300/2012, vigente quando da análise do pedido: Art. 87. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação gerados a partir do programa PER/DCOMP, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e da Declaração de Compensação apresentados em formulário, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da RFB. Art. 88. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 89 e 90 no que se refere à Declaração de Compensação. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Art. 107. Considera-se pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 88, 93 e 97, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso, em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil competente para decidir sobre a compensação, a restituição, o ressarcimento ou o reembolso. Grifei Cabe ressaltar, ainda, que durante o lapso temporal admitido para a retificação de eventuais inconsistências, o requerente não adotou as medidas necessárias para viabilizar a solução das divergências existentes nas informações prestadas. Portanto, tendo em vista a legislação supra mencionada neste voto, ao qual a autoridade administrativa se encontra vinculada, nos termos do artigo 7°, inciso V, da Portaria MF n° 341, de 12 de julho de 2011, verifica-se que os motivos para o indeferimento do requerimento de restituição, nos termos do Despacho Decisório combatido, permaneceram inalterados, não havendo que se falar em reconhecimento do direito creditório. Também afasto a possibilidade de conversão do julgamento em diligência, pois além de não ter retificado a tempo os PER/DCOMP transmitidos, o requerente não junta qualquer documento a demonstrar o direito pleiteado, tais como notas fiscais e contratos de prestação de serviços. Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2402-010.471 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17787.720008/2014-01 Ante o exposto, nego provimento ao recurso interposto. É como voto. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente e Redator Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720579/2019-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 29 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
ISENÇÃO. CONCESSÃO POR LEI ESPECÍFICA QUE REGULE EXCLUSIVAMENTE A MATÉRIA.
Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, somente poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição.
INCENTIVOS FISCAIS. PROMULGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO. NÃO CONFIRMAÇÃO POR LEI. REVOGAÇÃO APÓS DOIS ANOS.
São revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei.
Numero da decisão: 2202-008.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Leonam Rocha de Medeiros, Samis Antonio de Queiroz e Ronnie Soares Anderson (Presidente.)
Nome do relator: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 ISENÇÃO. CONCESSÃO POR LEI ESPECÍFICA QUE REGULE EXCLUSIVAMENTE A MATÉRIA. Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, somente poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição. INCENTIVOS FISCAIS. PROMULGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO. NÃO CONFIRMAÇÃO POR LEI. REVOGAÇÃO APÓS DOIS ANOS. São revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Leonam Rocha de Medeiros, Samis Antonio de Queiroz e Ronnie Soares Anderson (Presidente.)
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CONCESSÃO POR LEI ESPECÍFICA QUE REGULE EXCLUSIVAMENTE A MATÉRIA. Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, somente poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição. INCENTIVOS FISCAIS. PROMULGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO. NÃO CONFIRMAÇÃO POR LEI. REVOGAÇÃO APÓS DOIS ANOS. São revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Leonam Rocha de Medeiros, Samis Antonio de Queiroz e Ronnie Soares Anderson (Presidente.) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 05 79 /2 01 9- 67 Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.978 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.720579/2019-67 Trata-se de recurso interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo (DRJ/SP), que manteve lançamento de contribuição patronal, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) incidentes sobre as remunerações pagas aos servidores contratados e comissionados, vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, bem como a contribuições patronais incidentes sobre os valores pagos a contribuintes individuais, pelos serviços prestados à Universidade. Conforme se extrai do relatório fiscal (fls. 18 e seguintes), ou de assistência social, não sendo, portanto, alcançada pela imunidade prevista no art. 195, § 7º da CF/88, a UFU declarou na GFIP o código FPAS 639, que designa entidades isentas, em afronta às normas gerais de tributação, as quais disciplinam que apenas as entidades beneficentes de assistência social com certificação, nos termos da Lei nº 12.101/09, lei específica que trata da matéria e a qual deve ser atendida para que se faça jus à isenção, podem ser enquadradas no FPAS 639; - a UFU, a partir da Constituição Federal de 1988, passou a ser tratada como fundação educacional com personalidade jurídica de direito público, e por isso não há que se falar em isenção de contribuições sociais; - caso fosse mantida a isenção da UFU haveria uma afronta ao princípio da isonomia, visto que todas as demais instituições federais de ensino são classificadas como fundação pública ou autarquia (GFIP com o código FPAS 582 – Órgão Público), e contribuem normalmente para a Seguridade Social; - a Lei nº 6.532/78, que concedeu a isenção à UFU, tratou de diversos assuntos não relacionados à isenção, contrariando frontalmente o estabelecido no § 6º do art. 150 da CF/88, além de não prever condição e nem prazo certo para o gozo da isenção, de forma que há que se falar em direito adquirido, conforme § 2º do art. 41 do ADCT, e quando da elaboração da Constituição Federal de 1988, não restou dúvida quanto à possibilidade de se revogar incentivos fiscais, não confirmados por lei, inclusive isenções de tributos, conforme jurisprudência citada do STF (RE 280.294), no sentido da inexistência de direito adquirido a regime jurídico, razão pela qual não se pode falar em direito à imunidade por prazo indeterminado. Nesse mesmo sentido, cita a Súmula 544 do STF que prescreve que somente as isenções tributárias concedidas sob condição onerosa é que não podem ser livremente suprimidas, o que não se aplica a UFU. - esclarece que o Parecer MPS/CJ nº 3.337/04, de 29/10/2004, vinculante para a Administração Pública, concluiu que a isenção das contribuições sociais com relação aos servidores da UFU (não vinculados ao RGPS) foi revogada a partir da Lei nº 8.112/90, e que o mesmo Parecer não deixa dúvida que a UFU é sujeito passivo das contribuições para o RGPS. - conclui que não tendo direito à isenção, deve a UFU ser reconhecida como empresa nos termos do art. 15, I, da Lei nº 8.212/91, e proceder aos recolhimentos das contribuições previdenciárias nos termos do art. 22, incisos I, II e III da mesma lei. A UFU apresentou defesa tempestiva (fls. 75 e seguintes), alegando, em síntese: 1 - que autoridade fiscal ignorou a isenção a ela concedida pelo art. 6º da Lei nº 6.532/78, lei esta que estaria em plena vigência, uma vez que seu texto foi integralmente recepcionado pela Constituição Federal de 1988, e que para revogá-la seria indispensável a edição de lei que disponha de forma explícita sobre a revogação, que não pode ser presumida; Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.978 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.720579/2019-67 que a autoridade fiscal, ao afirmar que o art. 6º da Lei nº 6.732, de 1978, está revogado por legislação superveniente, o faz de modo genérico, pois não aponta objetivamente o dispositivo que promoveu tal revogação; 2 - que a isenção conferida pelo art. 6º da Lei nº 6.532/78 foi reconhecida tanto pela previdência social em tempos passados, quanto pelo judiciário; cita o Mandado de Segurança 2006.38.03.0018934, impetrado pela UFU, que entendeu que “A Lei 6.532, de 1978, dispôs que a Universidade de Uberlândia ficará isenta das contribuições previdenciárias, logo, também, da contribuição para o seguro de acidente do trabalho”; cita também decisão do TRF1 no mesmo sentido, ou seja, “2. A Lei 6.532, de 24/05/1978, que criou a Universidade Federal de Uberlândia, isentou a dita instituição de ensino, de modo expresso, do recolhimento de contribuições parafiscais, entre as quais pode ser considerada aquela destinada ao seguro obrigatório de acidente de trabalho”; 3 – alega que o art. 41 do ADCT CF/88, citado pela fiscalização, que disciplina que os incentivos fiscais deveriam ser confirmados em até dois anos após a edição da Constituição, é simplista, pois a isenção conferida à UFU não se confunde com os incentivos fiscais de que trata o art. 41 do ADCT CF/88; 4 - que a isenção conferida à UFU não se confunde com a isenção dispensada às entidades filantrópicas, uma vez que a isenção delas independe de lei, o que não é o caso da UFU; 5 – que o texto da Súmula 543 do Supremo Tribunal Federal corrobora todo o argumento expendido, quanto à necessidade de haver lei, em sentido material, revogando o art. 6º da Lei nº 6.532, de 1978, pois trata de situação semelhante à discutida neste Processo. A DRJ/JFA, por unanimidade votos, julgou a impugnação improcedente. A decisão restou assim ementada: ATIVIDADE FISCAL VINCULADA. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO E DO ENTENDIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EXPRESSO EM ATOS NORMATIVOS. Por exercer atividade vinculada, deve a autoridade fiscal observar as normas legais e regulamentares previstas na legislação de regência, bem assim o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos. ISENÇÃO. CONCESSÃO POR LEI ESPECÍFICA QUE REGULE EXCLUSIVAMENTE A MATÉRIA. Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição. INCENTIVOS FISCAIS. PROMULGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO. NÃO CONFIRMAÇÃO POR LEI. REVOGAÇÃO APÓS DOIS ANOS. São revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei. ISENÇÃO. PARECER VINCULANTE. A isenção da contribuição previdenciária concedida pelo art. 6º da Lei 6.532/1978 à Universidade Federal de Uberlândia foi revogada por leis posteriores à CF/88, consoante entendimento vinculante exarado no Parecer MPS/CJ N° 3337/2004. Recurso Voluntário Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.978 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.720579/2019-67 Cientificada da decisão de piso em 5/9/2019 (fls. 102), a contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 3/10/2019 (fls. 105 e seguintes), por meio do qual reitera os argumentos apresentados quando da impugnação, acrescentando que as conclusões do Parecer MPS/CJ n° 3.337/04 não se aplicariam à UFU, eis que tal parecer foi editado no âmbito da Previdência Social, e a UFU está vinculada ao Ministério da Educação, motivo pelo qual, para ter força vinculante para a Universidade, o parecer deveria ter sido exarado pela Advocacia- Geral da União, aprovado pelo Advogado-Geral da União e pelo Excelentíssimo Presidente da República, e publicado no Diário Oficial da União. É o relatório. Voto Conselheira Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. Registro inicialmente que a matéria foi recentemente enfrentada por este Conselho, nos Acórdãos 2301-008.963 e 2301-008.964, da lavra do Conselheiro Paulo Cesar Macedo Pessoa, que assim se pronunciou: No mérito, em que pesem os argumentos da Recorrente, que, no conjunto, são enfrentados nesse voto, entendo prevalecer o teor do Parecer MPS/CJ 3.337, de 29/10/2004, aprovado pelo Ministro de Estado, nos termos do 42 da Lei Complementar nº 73, de 1993, o que lhe confere caráter vinculante, firmando o entendimento de que o artigo 6° da Lei no 6.532, de 1978, que concedia isenção da contribuição previdenciária à UFU, foi revogado por leis posteriores à CF/88, uma vez que regularam totalmente a matéria. Por oportuno, transcrevo a respectiva ementa: ASSUNTO: Cobrança das contribuições previdenciárias INTERESSADO: Universidade Federal de Uberlândia. Ementa: Previdenciário. Contribuição Social. Custeio. Fundação Pública. 1. A Universidade Federal de Uberlândia - UFU, com o advento da Constituição Federal de 1988, passou a ter personalidade jurídica de direito público. 2. A partir da vigência da Lei nº 8.112, de 1990, a UFU deixou de gozar de isenção das contribuições sociais dos seus servidores. 3. A partir da vigência da Lei nº 8.212, de 1991, a UFU deixou de gozar de isenção das contribuições sociais em relação àqueles profissionais que lhe prestam serviços e que são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social. 4. A Universidade Federal de Uberlândia - UFU é sujeito passivo da contribuição para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS, nos mesmos moldes das empresas privadas, quanto aos segurados obrigatórios deste regime que lhe prestam serviços, não sendo devidas contribuições para outras entidades e fundos, a partir das seguintes datas: a) quanto ao servidor ocupante exclusivamente de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, autarquias ou fundações públicas federais, a contribuição é devida a partir da competência agosto de 1993; b) quanto ao pessoal contratado pela Universidade Federal de Uberlândia por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos do art. 37 da Carta Magna, a contribuição é devida a partir de 10 de dezembro de 1993; Fl. 127DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.978 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.720579/2019-67 c) quanto aos demais servidores contratados, que não estejam amparados pelo regime de seguridade social estatutário, a contribuição é devida a partir da vigência da Lei nº 8.212, de 1991. 5. Não havendo orientação normativa do Advogado-Geral da União, é competente a Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, como órgão setorial da Advocacia-Geral da União - AGU, para fixar interpretação de atos normativos sobre custeio do Regime Geral de Previdência Social - RGPS. Oportuno mencionar, ainda, que referido entendimento também foi confirmado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, ao teor do Parecer PGFN CAT nº 1012/2015, que assim concluiu: (...) 16. Em face das razões fáticas e jurídicas apresentadas ao longo do presente parecer, entendemos que: a) a Universidade Federal de Uberlândia não pode ser reconhecida como entidade beneficente de assistência social, o que a impede de gozar a imunidade prevista no Art. 195, § 7º da Constituição Federal; b) a isenção concedida a Universidade pela Lei n° 6.532, de 1978, não foi recepcionada pela nossa Constituição Federal, uma vez que seria incompatível com o princípio da igualdade tributária consignado no Art. 150, Inciso II da Constituição Federal. Argumenta a recorrente que as conclusões do Parecer MPS/CJ n° 3.337/04 não se aplicariam a ela, uma vez que tal parecer foi editado no âmbito do então Ministério da Previdência Social, e a Universidade estaria vinculada ao Ministério da Educação. Razão não lhe assiste, pois o que se discute no presente caso são questões tributárias, relativas a contribuições previdenciárias, cuja competência regulamentadora era do então Ministério da Previdência e hoje do Ministério da Economia (antes da Fazenda); conforme esclarecido no próprio Parecer MPS/CJ 3.337, de 29/10/2004: 5. Não havendo orientação normativa do Advogado-Geral da União, é competente a Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, como órgão setorial da Advocacia-Geral da União - AGU, para fixar interpretação de atos normativos sobre custeio do Regime Geral de Previdência Social - RGPS. Ademais, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que possui atribuição regimental de “fixar, no âmbito do Ministério da Fazenda, a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos a serem uniformemente seguidos em suas áreas de atuação e coordenação, quando não houver orientação normativa do Advogado-Geral da União;” também editou o Parecer PGFN/CAT Nº 1012/2015 com conclusões semelhantes àquelas já lançadas no Parecer MPS/CJ n° 3.337/04, e que estão acima copiadas. Quanto às demais teses de defesa, a simples leitura do Relatório Fiscal permite verificar que foram ali explicitados todos os argumentos pelos quais a entidade não mais faz jus à isenção prevista no referido art. 6º da Lei nº 6.532/1978, argumentos estes também enfrentados pela decisão recorrida, de forma que, não tendo a UFU apresentado novas teses de defesa, adoto e reproduzo as razões de decidir do acórdão de primeira instância, nos termos do artigo 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, que enfrentou todos os argumentos apresentados, ou seja: Ora, da simples leitura do Relatório Fiscal se pode observar que foram explicitados todos os argumentos pelos quais a entidade não mais faz jus à isenção prevista no referido art. 6º da Lei nº 6.532/1978. Fl. 128DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.978 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.720579/2019-67 Assim, restou consignado que, a uma, a Constituição Federal de 1988 dispõe que a concessão de isenção deve ser disciplinada por lei específica, isto é, que trate exclusivamente da matéria, nos termos do art. 150, §6º: ... No caso, a Lei nº 6.532/1978, que acrescenta e altera dispositivos do Decreto-lei nº 762/1969, o qual “autoriza o funcionamento da Universidade de Uberlândia, e dá outras providências", não pode ser considerada especial, pois não trata exclusivamente da isenção de contribuições previdenciárias. Como citado no Relatório Fiscal, a referida lei regulamenta diversos outros assuntos, como a federalização da entidade, a identificação das unidades que seriam incorporadas e a constituição do seu patrimônio, entre outros. Esclareça-se, como já o fez a autoridade fiscal, que a lei específica que ampara a isenção das contribuições previdenciárias é a Lei nº 12.101/2009, cujos requisitos devem ser atendidos para que a entidade possa usufruir da referida isenção. ... Por outro lado, conforme também consta do relato fiscal, não houve a confirmação do benefício dentro do biênio exigido no art. 41 do ADCT CF/1988, abaixo citado: Art. 41. Os poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. §1º Considerar-se-ão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei. (grifei) §2º A revogação não prejudicará os direitos que já tiverem sido adquiridos, àquela data, em relação a incentivos concedidos sob condição e com prazo certo. Além de não ter havido a confirmação, por lei, da isenção ora debatida, no prazo de dois anos da promulgação da Carta Magna, destaca-se que a Lei nº 6.532/1978 não previa condição e nem prazo certo para o seu gozo, não restando caracterizado assim o direito adquirido alegado, nos termos do art. 41 citado. Assim, quando da elaboração da Constituição Federal de 1988, não restou dúvida quanto à possibilidade de se revogar incentivos fiscais, não confirmados por lei, inclusive isenções de tributos. A propósito, é firme a jurisprudência do STF no sentido da inexistência de direito adquirido a regime jurídico, razão pela qual não se pode falar em direito à imunidade por prazo indeterminado. De acordo com o mesmo Tribunal, o art. 41 do ADCT/1988 compreende todos os incentivos fiscais, inclusive isenções de tributos, dado que a isenção é espécie do gênero incentivo fiscal, conforme exemplificado abaixo: ARE 999169 AgR / SP - SÃO PAULO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO Relator(a): Min. LUIZ FUX Julgamento: 30/06/2017 Órgão Julgador: Primeira Turma Publicação PROCESSO ELETRÔNICO DJe-171 DIVULG 03-08-2017 PUBLIC 04-08-2017. Ementa: AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. IPTU. ISENÇÃO. LEI MUNICIPAL 893/1954 DE SANTO ANDRÉ. INCENTIVO FISCAL SETORIAL CONCEDIDO ANTES DA CONSTITUIÇÃO DE 1988. NÃO CONFIRMAÇÃO POR LEI NO PRAZO DE DOIS ANOS APÓS A PROMULGAÇÃO DA CF. REVOGAÇÃO. ART. 41, § 1º, DO ADCT. CARACTERIZAÇÃO DE INCENTIVO CONCEDIDO SOB CONDIÇÃO E COM PRAZO CERTO. DIREITO ADQUIRIDO. ART. 41, § 2º, DO ADCT. Ainda de acordo com o relato fiscal, além dos argumentos já expostos, deve-se observar que a Súmula 544 do STF dispõe que somente as isenções tributárias concedidas sob Fl. 129DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-008.978 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.720579/2019-67 condição onerosa é que não podem ser livremente suprimidas 1 , o que não se aplica a UFU. Por outro lado, como também citado pela autoridade lançadora, somente podem usufruir da isenção das contribuições patronais as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências previstas em lei, nos termos do art. 195, § 7º da CF/1988. No caso, a Lei nº 12.101/2009 prevê, em seu art. 1º, dentre outras exigências, que a entidade tenha natureza de direito privado. Ora, este não é o caso da UFU, que admite não se enquadrar na hipótese de isenção prevista nos referidos dispositivos, uma vez que não é uma entidade beneficente de assistência social e que, a partir da CF/1988, passou a ser tratada como fundação educacional com personalidade jurídica de direito público. Além disso, como ressaltado pela autoridade fiscal, caso fosse mantida a isenção da UFU, haveria uma afronta ao princípio da isonomia, previsto no art. 150, II, da CF/1988, visto que todas as demais instituições federais de ensino são classificadas como fundação pública ou autarquia, contribuindo normalmente para a Seguridade Social. Por outro lado, entendo que não se aplica o entendimento da Súmula 543 do STF (A Lei nº 2.975, de 27/11/1965, revogou, apenas, as isenções de caráter geral, relativas ao impôsto único sôbre combustíveis, não as especiais, por outras leis concedidas) visto que, a uma, a Lei nº 6.532/1978 não trata exclusivamente de matéria relativa a isenção e que, a duas, a referida isenção não foi confirmada por lei no prazo previsto no art. 41 do ADCT, já citado. Sobre a decisão proferida no MS 2006.38.03.0018934, em que foi concedida a segurança, para tornar definitiva a liminar que determinou a expedição de CND e extinguiu o processo com julgamento de mérito, vale esclarecer que o Mandado de Segurança, em casos dessa natureza, tem caráter repressivo, atuando apenas sobre o ato concreto (liberação da CND) e que a imutabilidade da referida decisão somente ocorre dentro do referido processo, não vinculando outras demandas, como é o caso dos autos. Da mesma forma, não vinculam a atuação fiscal as decisões proferidas em outros processos judiciais do Impugnante, que lhe tenham sido favoráveis, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do CTN. Tendo em conta ainda que o art. 7º, V, da Portaria MF n.º 341/2011, que disciplina o funcionamento das Delegacias de Julgamento, determina que o julgador observe as normas legais e regulamentares (art. 116, III, da Lei n.º 8.112/90), bem assim o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos, deve ser observado o Parecer MPS/CJ nº 3337/2004, aprovado pelo Ministro de Estado, citado pela autoridade fiscal: ... No mesmo sentido, foi emitido o Parecer PGFN/CAT nº 1012/2015: Parecer CJ/MPS nº 3.337 de 29/10/2004 - Dispõe sobre a cobrança de contribuições previdenciárias da Universidade Federal de Uberlândia. ASSUNTO: Cobrança das contribuições previdenciárias. INTERESSADO: Universidade Federal de Uberlândia. Ementa: Previdenciário. Contribuição Social. Custeio. Fundação Pública. 1 SÚMULA 544 – “Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas”. No caso concreto trata-se de isenção não onerosa, um vez que não se exigia por parte da UFU o cumprimento de qualquer requisito para sua fruição, de forma que a isenção antes concedida à UFU não está albergada pela Súmula 544 Fl. 130DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-008.978 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.720579/2019-67 1. A Universidade Federal de Uberlândia - UFU, com o advento da Constituição Federal de 1988, passou a ter personalidade jurídica de direito público. 2. A partir da vigência da Lei nº 8.112, de 1990, a UFU deixou de gozar de isenção das contribuições sociais dos seus servidores. 3. A partir da vigência da Lei nº 8.212, de 1991, a UFU deixou de gozar de isenção das contribuições sociais em relação àqueles profissionais que lhe prestam serviços e que são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social. (grifei) 4. A Universidade Federal de Uberlândia - UFU é sujeito passivo da contribuição para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS, nos mesmos moldes das empresas privadas, quanto aos segurados obrigatórios deste regime que lhe prestam serviços, não sendo devidas contribuições para outras entidades e fundos, a partir das seguintes datas: a) quanto ao servidor ocupante exclusivamente de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, autarquias ou fundações públicas federais, a contribuição é devida a partir da competência agosto de 1993; b) quanto ao pessoal contratado pela Universidade Federal de Uberlândia por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos do art. 37 da Carta Magna, a contribuição é devida a partir de 10 de dezembro de 1993; c) quanto aos demais servidores contratados, que não estejam amparados pelo regime de seguridade social estatutário, a contribuição é devida a partir da vigência da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, diante de todos os fundamentos apresentados, entendo que o lançamento deve ser mantido. CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva Fl. 131DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11330.000393/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2002
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA. PORTARIA MF. 03/2008
DA SRP. O recurso de ofício somente será conhecido quando o valor do crédito tributário exonerado em favor do contribuinte for superior ao valor de alçada determinado na Portaria n. 03/2008 do Ministério da Fazenda.
LANÇAMENTO. INFORMAÇÕES CONTIDAS EM GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. As informações prestadas pelo contribuinte em GFIP constituem-se em confissão de dívida fiscal, a teor do 1o do art. 225 do Decreto 3.049/99, somente podendo ser elidida mediante prova documental
idônea que se preste a demonstrar o equívoco nas informações prestadas.
Recurso de Ofício Não Conhecido. e Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.925
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2002 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA. PORTARIA MF. 03/2008 DA SRP. O recurso de ofício somente será conhecido quando o valor do crédito tributário exonerado em favor do contribuinte for superior ao valor de alçada determinado na Portaria n. 03/2008 do Ministério da Fazenda. LANÇAMENTO. INFORMAÇÕES CONTIDAS EM GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. As informações prestadas pelo contribuinte em GFIP constituem-se em confissão de dívida fiscal, a teor do 1o do art. 225 do Decreto 3.049/99, somente podendo ser elidida mediante prova documental idônea que se preste a demonstrar o equívoco nas informações prestadas. Recurso de Ofício Não Conhecido. e Recurso Voluntário Negado.
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VALOR DE ALÇADA. PORTARIA MF. 03/2008 DA SRP. O recurso de ofício somente será conhecido quando o valor do crédito tributário exonerado em favor do contribuinte for superior ao valor de alçada determinado na Portaria n. 03/2008 do Ministério da Fazenda. LANÇAMENTO. INFORMAÇÕES CONTIDAS EM GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. As informações prestadas pelo contribuinte em GFIP constituemse em confissão de dívida fiscal, a teor do 1o do art. 225 do Decreto 3.049/99, somente podendo ser elidida mediante prova documental idônea que se preste a demonstrar o equívoco nas informações prestadas. Recurso de Ofício Não Conhecido. e Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Júlio César Gomes Vieira Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Fl. 1703DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1704DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.000393/200711 Acórdão n.º 2402001.925 S2C4T2 Fl. 1.670 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por IMPÉRIO DA BANHA AUTO SERVIÇOS LTDA e recurso de ofício interposto pela FAZENDA NACIONAL, em face de acórdão que manteve a parcialidade da NFLD 37.006.5328, lavrada para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a terceiros, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e a aquisição de produção rural, não recolhidas em época própria. Consta do relatório fiscal que os valores apurados e lançados na NFLD foram extraídos das GFIP´s, tendo sido deduzido os valores recolhidos em GPS. O lançamento compreende o período de 01/2000 a 12/2002, tendo sido o recorrente cientificado do lançamento em 31/08/2006 (fls. 01). Cumpre apontar que o v. acórdão de primeira instância determinou a exclusão do lançamento dos valores lançados referentes a aquisição de produtos rurais, tendo em vista terse apurado erro insanável na determinação do código FPAS da empresa, mantidos os demais valore lançados. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 1561/1.566), o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls.1.671/1.673, através do qual sustenta, em síntese: 1. que o recolhimento a menor de contribuições sociais que provém do adicional do RAT 15 anos incidente sobre remunerações creditadas a segurado apurado pelo Auditor Fiscal não pode ter procedência, pois fora proveniente de erro no preenchimento da declaração (GFIP); 2. que é o código CNAE que determina o enquadramento da contribuinte no respectivo grau de risco para fins de apuração da alíquota a ser utilizada no cálculo, sendo o da recorrente o de n. 52124, relativo ao comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios com área de venda entre 300 e 5000 metros quadrados – supermercado; 3. que é indevida a cobrança do adicional do RAT (GILRAT) uma vez que a recorrente não tem possui segurados sujeitos ou expostos a agentes nocivos no ambiente de trabalho, sendo que é equivocada a informação em GFIP onde alguns empregados foram cadastrados com código correspondente a situação Fl. 1705DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 especial, ocasionando as diferenças apuradas pela fiscalização Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 1706DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.000393/200711 Acórdão n.º 2402001.925 S2C4T2 Fl. 1.671 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO. Inicialmente, quanto ao recurso de ofício impetrado, da análise dos autos, verifico que a parte do crédito tributário do qual foi exonerado a recorrente totaliza o valor de R$ 611.349,56 (Seiscentos e onze mil trezentos e quarenta e nove reais e cinqüenta e seis centavos) montante inferior ao patamar fixado na Portaria n. 03/2008, a qual elevou para R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais) o valor do crédito tributário do qual deve ser exonerado o contribuinte a fim de viabilizar a interposição do recurso de ofício. Assim, não merece conhecimento o recurso de ofício. Entretanto, quanto ao recurso voluntário, por encontrase tempestivo e revestirse dos demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares, passo ao mérito do voluntário. MÉRITO Conforme já relatado, toda o lançamento relativo aos valores de aquisição da produção rural já foram objeto de exclusão pelo v. acórdão de primeira instância, restado somente o lançamento quanto aos valores de contribuições e adicional do RAT incidente sobre a remuneração de segurados empregados informadas pela contribuinte em Guia de Recolhimento e Informações à Previdência Social – GFIP. Sustenta o recorrente que a indicação na GFIP de possuir segurados empregados sujeitos a exposição de agentes nocivos foi equivocada, de sorte que efetuado a retificação de tais documentos, tem direito em ver excluída a tributação. Em que pesem suas alegações, e a juntada de uma sério de documentos com o recurso voluntário, dentre eles PPRA, ficha de concessão de EPI aos seus empregados e diversas GFIP, tenho que a pretensão não pode ser elidida. No caso dos autos, conforme se verifica do relatório fiscal, se depreende que o lançamento fora todo efetuado com base nas próprias GFIP´s que foram apresentadas à fiscalização, em confronto com os valores recolhidos em GPS. Tal situação, a teor do art. § 1o do art. 225 do Decreto 3.048/99, o qual aprovou o Regulamento da Previdência Social, constituise em confissão de dívida, confirase: Art.225. A empresa é também obrigada a IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Fl. 1707DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; §1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. De tal modo, deveria a recorrente ter demonstrado o equívoco cometido mediante prova documental, que a meu ver, no presente caso, não seria satisfeito simplesmente pela retificação das GFIP´s apresentadas com informações equivocadas, mas pela demonstração inequívoca de que leva a efeito o correto gerenciamento dos efeitos de agentes nocivos em seu ambiente de trabalho. E tal demonstração deveria referirse a todo o período objeto do lançamento. Dos documentos juntados no recurso voluntário, na tentativa de demonstrar a não ocorrência no ambiente de trabalho, a recorrente trouxe a colação apenas o PPRA do ano de 2000 e o modelo de ficha de distribuição de EPI a seus funcionários. Pois bem, da análise do PPRA já se verifica que dentre as suas conclusões consta a existência de empregados sujeitos à exposição de agentes nocivos no ambiente de trabalho (fls. 1802): “Em acordância ao item anterior, identificamos 43 (quarenta e três) trabalhadores expostos ao diversos riscos ambientais, distribuídos conforme descrito anteriormente.” Logo, a alegação da recorrente no sentido de que não existem no ambiente de trabalho a exposição a agente nocivos já cai por terra. Ademais, a ficha de distribuição de EPI (apenas uma juntada) encontrase em branco, o que não demonstra ter a recorrente mais uma vez agido de modo a comprovar o devido gerenciamento dos agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho. Não obstante, para a demonstração de um correto gerenciamento, o que poderia levar à conclusão de que a informação constante em GFIP, de fato, fora prestada de forma equivocada, deveria a recorrente apresentar além dos PPRA´s de todos os períodos objeto de lançamento, também os PCMSO´s, PPP´s, LTCAT´s, o que não ocorreu in casu. Ante todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO, e, quanto ao recurso voluntário, voto no sentido de conhecêlo, rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, em NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 1708DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.000393/200711 Acórdão n.º 2402001.925 S2C4T2 Fl. 1.672 7 Fl. 1709DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10314.002546/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 30 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 11/07/2008, 25/07/2008, 15/10/2008
AGÊNCIA DE CARGA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
A agência de carga representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional.
INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
O registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria objeto de exportação, fora do prazo previsto na legislação de regência, tipifica a infração prevista na alínea e do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
Numero da decisão: 3301-011.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Jose Adao Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini.
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/07/2008, 25/07/2008, 15/10/2008 AGÊNCIA DE CARGA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de carga representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. O registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria objeto de exportação, fora do prazo previsto na legislação de regência, tipifica a infração prevista na alínea e do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Jose Adao Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/07/2008, 25/07/2008, 15/10/2008 AGÊNCIA DE CARGA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de carga representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. O registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria objeto de exportação, fora do prazo previsto na legislação de regência, tipifica a infração prevista na alínea ‘e’ do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Jose Adao Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 25 46 /2 00 9- 61 Fl. 216DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.148 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.002546/2009-61 Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no. 06-62.428 - 4ª Turma da DRJ/CTA (fls 125/128): Trata o presente de auto de infração que constituiu e exige crédito referente à multa prevista na alínea 'e', inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei n. 37, de 1966, pelo fato o autuado ter deixado de prestar, aos sistemas informatizados de controle aduaneiro na forma estabelecida pela Receita Federal (IN RFB n. 800/2007), informação sobre a carga transportada e por ele operada nos conhecimentos de carga a seguir discriminados. Mais especificamente, o autuado deixou de informar o código NCM de mercadorias contidas nas cargas transportadas. Decreto-lei n. 37, de 1966: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: .. IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): .. e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e O autuado apresentou impugnação por meio do qual alegou: prestou as informações sobre as operações com as cargas à Receita Federal corretamente; a NCM foi informada a cada uma das mercadorias dos conhecimentos apontados; a responsabilidade de prestar dados a respeito das mercadorias estrangeiras provindas do exterior é do importador, através da declaração de importação; Fl. 217DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.148 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.002546/2009-61 é, portanto, parte ilegítima para responder pela penalidade. A Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/07/2008, 25/07/2008, 15/10/2008 NCM DE MERCADORIA. INFORMAÇÃO OBRIGATÓRIA. SISTEMA MERCANTE. É obrigatória informar ao sistema MERCANTE a NCM em termos de codificação até a posição (4 dígitos) de cada mercadoria contida em carga sob controle de determinado conhecimento de transporte, nos termos e prazos definidos pela Receita Federal. Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 138/152), no qual a Recorrente repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. A Recorrente apresentou as seguintes alegações: 1.1 Regularidade das informações prestadas pela Recorrente 1.2 Ilegitimidade da Recorrente para responder pela infração 1.3 Inexistência de prejuízo ao Fisco e boa-fé da Recorrente 1.4 Necessidade de imposição de multa singular – infrações administrativas da mesma espécie – continuidade delitiva Vejamos cada um dos itens levantados pela Recorrente. 1.1 Regularidade das informações prestadas pela Recorrente Conforme consta da decisão de piso, a informação da NCM das mercadorias importadas era obrigatória e deveria ter sido providenciada sob pena de aplicação da multa em pauta. Assim, proponho neste item manter integralmente a decisão recorrida, a qual reproduzo: Ao consultarmos os documentos que instruem a autuação podemos verificar que os conhecimentos de carga são filhotes que foram consolidados em conhecimentos MASTER em que KUEHNE & NAGEL consta como titular em cada um destes, no caso agente consolidador/ desconsolidador. Ela foi a responsável pela Fl. 218DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.148 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.002546/2009-61 desconsolidação e a alimentação nos sistemas informatizados dos dados a respeito da carga, tanto a nível de Master, quanto no nível de filhote (HBL). Exemplo extraído da consulta ao sistema MERCANTE (favor ver fls. 32 e ss): CE MERCANTE DO MASTER - 150805141867612 Situação do Master: SUSPENSO DE PAGAMENTO Agência Desconsolidadora 02.886.427/0001-64 - KUEHNE+NAGEL SERVICOS LOGISTICOS LTDA. Empresa (NVOCC) US000463 - KUEHNE & NAGEL , INC Qtde Filhotes Informados 1 Cubagem (m 3 ) 14.300 Qtde Filhotes Incluidos 1 Dados de Inclusão/Atualização CPF do Usuário 348.801.648-01 I Nome MARIANA SILVA DE SOUZA Tipo de Usuário AGENCIA DESCONSOLIDADORA Data 25/07/2008 Hora: 18:49:45 endereço IP: 200.157.0.11 As declarações de importação trouxeram alerta ao importador da inconsistência entre o sistema MERCANTE e o Sistema SISCOMEX IMPORTAÇÃO: 000 NI CARGA ENCONTRA-SE COM PELO MENOS UMA DAS NCM NAO CONTIDAS NAS NCM INFORMADAS NO CE- MERCANTE A legislação que disciplina a prestação de informações à autoridade aduaneira brasileira prevê a responsabilidade do interveniente na logística e os tipos de dados: IN RFB 800, de 2007 (versão vigente à época): Art. 1o O controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga em portos alfandegados obedecerá ao disposto nesta Instrução Normativa e será processado mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) pelos intervenientes, conforme estabelecido nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: I - no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), gerenciado pelo Departamento do Fundo da Marinha Mercante (DEFMM), pelos transportadores, agentes marítimos e agentes de carga; e II - diretamente no Siscomex Carga, pelos demais intervenientes. ... ANEXO IV DADOS DO ITEM DE CARGA DE CADA CE Conjunto de informações que caracterizam a identificação de cada item de carga do CE informado, conforme seu tipo, que pode ser identificado pelo fato de a carga apresentar-se unitizada (conteinerizada), solta, a granel ou tratar-se de veículo não acondicionado em contêiner. Características dos campos informados: a) a relação de códigos NCM devem ser válidos e informados em campo de 4 (quatro) dígitos (posição) ou opcionalmente 8 (oito) Fl. 219DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.148 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.002546/2009-61 dígitos (código do subitem completo), com um limite de informação de 1 (um) até 191 (cento e noventa e um) códigos, para cada item; Podemos constatar, consultando a legislação, a documentação juntada aos autos e os sistemas informatizados, que não procedem os argumentos da recorrente. Primeiro ela era a responsável pelas informações, na qualidade de agente de desconsolidação; 2º ela não prestou as informações NCM indicadas pela autoridade fiscal (a KUENE NAGEL havia informado NCM de outras adições, mas não as apontadas no quadro-resumo acima); 3º a responsabilidade das informações no sistema MERCANTE não é do importador, mas, sim, do operador logístico; 4º a penalidade prevista pela Lei Aduaneira nessas situações é exatamente a aplicada através do lançamento ora em análise. 1.2 Ilegitimidade da Recorrente para responder pela infração Cumpre observar também que se trata de uma questão pertinente especificamente à posição da Recorrente, por isso será analisado aqui. O Decreto-Lei nº 37/66 que prevê, em seu art. 37, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, o dever de prestar informações ao Fisco, nos seguintes termos: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (...) (grifei) O art. 107 do Decreto-Lei nº 37/66, também com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, prevê a multa pelo descumprimento desse dever, nos seguintes termos: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e No exercício da competência estabelecida pelo art. 107, IV, "e", do Decreto- Lei nº 37/66, foi editada a Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, que nos seus arts. 4º e 5º, equipara ao transportador a agência de navegação representante no País de empresa de navegação estrangeira: Fl. 220DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.148 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.002546/2009-61 Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. No caso em tela, tratando¬-se de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que o Recorrente concorreu para a prática da infração em questão, necessariamente, ele responde pela correspondente penalidade aplicada, de acordo com as disposições sobre responsabilidade por infrações constantes do inciso I do art. 95 do Decreto-¬lei nº 37, de 1966: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...). O art. 135, II, do CTN determina que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante com infração à lei. Em consonância com esse comando legal, determina o caput do art. 94 do Decreto¬lei n° 37/66 que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto¬lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-¬los”. Por sua vez, em relação à Súmula 192 do extinto TRF, trazida pela Recorrente, perfilha-se o entendimento constante do Acórdão no 9303003.562– 3ª Turma, da DRJ/FNS, de que essa Súmula, anterior à atual Constituição Federal, "há muito se encontra superada, porquanto em flagrante desacordo com a evolução da legislação de regência. Com o advento do Decreto-Lei nº 2.472/1988, que deu nova redação ao art. 32 do Decreto-Lei nº 37/1966, o representante do transportador estrangeiro no País foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação." Nesse mesmo sentido, a responsabilidade solidária por infrações passou a ter previsão legal expressa e específica com a Lei nº 10.833/2003, que estendeu as penalidades administrativas a todos os intervenientes nas operações de comércio exterior. Dessa forma, na condição de representante do transportador estrangeiro, o Recorrente estava obrigado a prestar as informações no Siscomex . Ao descumprir esse dever, cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-¬lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, e, com supedâneo também no do inciso I do art. 95 do Decreto-¬lei nº 37, de 1966, deve responder pessoalmente pela infração em apreço. Transcreve-se Ementa de decisão do CARF no mesmo sentido, Acórdão n° 3401-003.884: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2004 a 18/12/2004 Fl. 221DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.148 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.002546/2009-61 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE EMBARQUE. SISCOMEX. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. REPRESENTAÇÃO. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportador estrangeiro, é solidariamente responsável pelas respectivas infrações à legislação tributária e, em especial, a aduaneira, por ele praticadas, nos termos do art. 95 do Decreto-lei nº 37/66. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CLAREZA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Descritas com clareza as razões de fato e de direito em que se fundamenta o lançamento, atende o auto de infração o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, permitindo ao contribuinte que exerça o seu direito de defesa em plenitude, não havendo motivo para declaração de nulidade do ato administrativo assim lavrado. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. O contribuinte que presta informações fora do prazo sobre o embarque de mercadorias para exportação incide na infração tipificada no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto-lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente. Recurso voluntário negado. (grifei) Consigna-se, por fim, que esse entendimento é amplamente adotado na jurisprudência recente deste Conselho, conforme se depreende das seguintes Acórdãos: no 3401- 003.883; no 3401-003.882 ; no 3401-003.881; no 3401-002.443; no 3401-002.442; no 3401- 002.441, no 3401-002.440; no 3102-001.988; no 3401-002.357; e no 3401-002.379. Anote-se, por fim, que esse entendimento foi objeto de Súmula, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 185 O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107 inciso IV alínea “e” do Decreto-Lei 37/66. 1.3 Inexistência de prejuízo ao Fisco e boa-fé da Recorrente A Recorrente solicita o afastamento da penalidade com base no princípio da boa-fé, essa questão também está submetida ao Poder Judiciário, e além disso, não cabe a este CARF deixar de aplicar lei em face de pretensa inconstitucionalidade, conforme determina a Súmula no. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária 1.4 Necessidade de imposição de multa singular – infrações administrativas da mesma espécie – continuidade delitiva Fl. 222DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.148 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.002546/2009-61 A Recorrente defende ainda que a multa deveria ser cobrada uma única vez por se tratar de continuidade delitiva. Informa que, em razão da ausência de informação do código NCM de mercadorias contidas nas cargas transportadas no mês de julho e outubro de 2008, foi cominada multa no valor de R$ 5.000,00 por cada informação não prestada, no total de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). No entanto, a legislação é muito clara nos sentido de que a multa é por falta de prestação de informação, devendo ser lançada a multa tantas vezes quantas houver sido praticada a infração. Reproduzimos novamente a base legal: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e Portanto, carece a Recorrente de razão neste ponto. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 223DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10860.003344/2002-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3403-000.187
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Por bem descrever o caso, transcrevo os seguintes trechos do relatório do Acórdão nº 1413.260, de 2 de agosto de 2006, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ): Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal em Taubaté, que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de créditos do IPI e a consequ ente compensação de referidos créditos com débitos da própria empresa. A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, no montante de R$ 125.745,32 relativo ao saldo credor do IPI apurado no período em Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/04/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/04/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10860.003344/200274 Resolução n.º 3403000.187 S3C4T3 Fl. 2 2 destaque, a ser utilizada na compensação dos débitos declarados nos autos. O pleito foi parcialmente deferido pelo Despacho Decisório de fl. 82/84 que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 95.507,91 e homologou as compensações declaradas até este limite, sendo que a parcela glosada (R$ 30.237,41) se refere a créditos escriturados como "outros créditos" e provenientes da recuperação de créditos de IPI relativo ao imposto indevidamente destacado (notas de débito) e a créditos relativos a cesta básica (escriturados com o CFOP 1.99) que na verdade se referiam a cancelamento de vendas e amostras, entre outros. O demonstrativo das glosas encontrase à fl. 63/64 dos autos. Cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou, em suma que: • A origem dos créditos recuperados encontra respaldo na própria legislação fiscal, na medida em que as operações realizadas pela empresa à época estavam beneficiadas pela suspensão do IPI nos termos da Lei n° 9.826/1999 e posteriormente o Decreto n° 3.581/2000, tendo sido incorreto e indevido o destaque do IPI nas Notas Fiscais de vendas de mercadorias; • Ao constatar a irregularidade, a empresa concedeu ao cliente/destinatário (montadoras) redução no valor da fatura comercial na proporção do valor do IPI destacado indevidamente no documento fiscal, assumindo, desta feita, isoladamente o ônus pelo recolhimento tempestivo do referido imposto. •Visando comprovar a veracidade dos créditos apropriados, a empresa atendeu a todas as solicitações do Fisco, fornecendo os documentos comprobatórios. •O crédito recuperado é legítimo, o procedimento observado é o estabelecido em lei e os documentos apresentados são hábeis para instruir a referida recuperação de IPI. •O direito ao ressarcimento do valor glosado está constitucionalmente assegurado pelo principio da igualdade, legalidade, capacidade contfibutiva, principalmente, da segurança jurídica. (fl. 531) A DRJ, em seu julgamento, manteve o mesmo entendimento da decisão da DRF, resumindoo na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/1999 a 30/09/1999 Ementa: RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. A legislação somente permite o ressarcimento do saldo credor de IPI decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, e que o contribuinte não possa compensar com o IPI devido na saída de outros produtos. Solicitação Indeferida Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/04/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/04/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10860.003344/200274 Resolução n.º 3403000.187 S3C4T3 Fl. 3 3 No voto condutor do acórdão da DRJ, desdobramse as seguintes razões: A manifestante alegou que o crédito recuperado é legitimo, que o procedimento observado é o estabelecido em lei e que os documentos apresentados são hábeis para instruir a referida recuperação de IPI. O Fisco alegou que a as notas de débito não eram meio hábil para o contribuinte poder constituir crédito do imposto em tela. Dita a Lei n°9826, de 1999, em seu artigo 5°: Art. 5° A saída; do estabelecimento industrial, ou a importação de chassis, carroçarias, peças, partes, componentes e acessórios, destinados à montagem dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 e 8711 da TIPI, darseá com suspensão do IPI § 1° O fabricante dos veículos referidos no caput ficará sujeito ao recolhimento do IPI suspenso, caso destine os produtos recebidos com suspensão do imposto afim diverso do ali estabelecido. § 2° O disposto neste artigo não impede a manutenção e a utilização do crédito do imposto pelo estabelecimento que houver dado saída com suspensão do imposto.(g.n) § 3º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no caput, deverá constar a expressão "Saído com suspensão do IPP, com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas.(g.n). Referido dispositivo legal garante a manutenção e a utilização de créditos do IPI relativos aos insumos utilizados para a industrialização do produto (especificado) saído com suspensão. Não garante o crédito do IPI lançado incorretamente nas notas fiscais de saída destes produtos. O Regulamento do IPI (Decreto n° 2.637/98), em Seção II (Das Espécies de Créditos) estabelece os tipos de créditos que poderão ser escriturados pelos estabelecimentos industriais e equiparados; quais destes créditos podem ser utilizados por meio de ressarcimento e de qual forma se dará este aproveitamento (requisitos e procedimentos). Como se vê de referido dispositivo legal, os créditos estão divididos e créditos básicos; créditos por devolução ou retomo de produtos; créditos incentivados, créditos de outra natureza e créditos presumidos. O crédito em análise foi escriturado pela contribuinte dentre os "créditos de outra natureza". O artigo 163 do RIPI/1998, com referência a estes créditos, assim estabelece: Art. 163. É ainda admitido ao contribuinte creditarse: I do valor do imposto, já escriturado no caso de cancelamento da respectiva nota fiscal, antes da saída da mercadoria; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/04/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/04/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10860.003344/200274 Resolução n.º 3403000.187 S3C4T3 Fl. 4 4 II do valor da diferença do imposto em virtude de redução de alíquota, nos casos em que tenha havido lançamento antecipado previsto no artigo 11.5.(g.n.) Parágrafo único. Nas hipóteses previstas neste artigo, o contribuinte deverá, ao registrar o crédito, anotar o motivo do mesmo na coluna "Observações" do livro Registro de apuração do IPI Observese que o caso da contribuinte não se enquadra em nenhum dos itens acima descrito. A diferença do imposto não se refere a cancelamento da nota fiscal, nem de redução de aliquota, verificada posteriormente à emissão da nota fiscal, nos casos de venda à ordem ou entrega futura, ou de produto cuja unidade não possa ser transportada de uma única vez. Pelo menos, não foi isso que se alegou na manifestação de inconformidade. Pelo que se verifica dos documentos acostados ao processo, os créditos são provenientes de recuperação de crédito, ou seja, estorno de débito de IPI efetuado a maior, em decorrência de divergência de preço, quantidade e de IPI indevidamente destacado. Tratase, portanto, de correção de escrituração. A utilização destes créditos mediante ressarcimento não é possível. A Lei n° 9.779, de 1999, somente permite o ressarcimento do saldo credor decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização e que o contribuinte não possa compensar com o IPI devido na saída de outros produtos. Portanto, não é o total do saldo credor apurado no período que é passível de ser ressarcido, mas somente o proveniente de créditos decorrentes de aquisição de insumos utilizados na industrialização. (fls. 532/533) O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 540/549), por meio do qual reafirmou os mesmos fundamentos de sua impugnação, explicando o seguinte: 2.Ocorre que no período 06/1999 a 08/1999 a ora Recorrente por equívoco vendeu referidas mercadorias tributadas pelo IPI à Volkswagem do Brasil Ltda ,consoante se comprova pela juntada das respectivas notas fiscais (doc 01) quando o correto, repitase, seria tê las vendido com suspensão do imposto. 3.Ao perceber a irregularidade constante nas notas fiscais emitidas com destaque do IPI, a Recorrente concedeu à Volkswagem do Brasil Ltda redução no valor das faturas comerciais na proporção do valor do IPI indevidamente destacado, assumindo desta feita, isoladamente o ônus pelo recolhimento tempestivo do referido tributo. 4.Assim a cliente/montadora não recuperou o valor do IPI indevidamente destacado nos documentos fiscais quando do registro das referidas notas fiscais em seu livro de entrada. 5.Ato seguinte a cliente/montadora formalizou por escrito este procedimento, emitindo para cada nota fiscal uma declaração fiscal /nota de débito contábil atestando o valor do descontado da fatura comercial bem como o valor do IPI não recuperado na escrita fiscal, consoante se comprova numa leitura à planilha de "Demonstrativo de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/04/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/04/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10860.003344/200274 Resolução n.º 3403000.187 S3C4T3 Fl. 5 5 Apuração do Crédito de IPI Indevidamente Destacado" e declaração/nota de débito anexa da referida sociedade.(doc 02 e 03) 6.Após ter recebido todas as declarações da cliente/montadora atestando a não recuperação do IPI indevidamente destacado nas notas fiscais de venda de mercadorias beneficiadas pela suspensão do IPI Lei n°9.826/1999 e manutenção do crédito sobre os insumos utilizados na industrialização, a ora Recorrente creditouse diretamente no livro de apuração do IPI — coluna Outros Créditos"do valor correspondente a R$ 31494,63. 7.Aludido crédito foi recuperado no 1° decêndio de agosto de 1999 caracterizandose como imposto indevidamente recolhido vez que a operação não era tributada pelo IPI . (…)9.Quando da fiscalização o Sr. Agente Federal procedeu a glosa integral do crédito de IPI acima mencionado sob a alegação de que os documentos fornecidos pela cliente/montadora não são hábeis o bastante para comprovar que esta não havia se recuperado do valor do IPI indevidamente destacado nas notas fiscais de venda de mercadorias, que estes não se referiam a créditos de insumos aplicados na industrialização de produtos suspensos e como tal não eram passíveis de compensação. (…)11.Todavia, em verdade, o crédito que foi recuperado nada mais era do que o IPI oriundo dos insumos aplicados na industrialização de mercadoria beneficiada pela suspensão do imposto no momento da venda, que a Lei n° 9.826/99 expressamente assegura o direito à manutenção. Assim o crédito recuperado era o mesmo do anteriormente creditado por ocasião da compra dos insumos aplicados na industrialização de produto suspenso de IPI, porem registrado sob uma denominação diversa apenas para fins de controle interno das operações. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. A discussão gira em torno do procedimento adotado pelo contribuinte quando percebeu que estava lançando indevidamente o IPI nas operações de saída do seu estabelecimento. Isto porque, conforme explica, determinadas operações eram contempladas pela suspensão do IPI, de modo que não deveria ter procedido o destaque do IPI na nota fiscal de saída. A solução do equívoco foi encaminhada pelo contribuinte, como já visto, por meio da expedição de notas de débito pelo adquirente, na qual, além de declarar que o IPI não Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/04/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/04/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10860.003344/200274 Resolução n.º 3403000.187 S3C4T3 Fl. 6 6 havia sido aproveitado por ela, formalizava a redução do valor da nota fiscal, dando conta de que foi pago o preço reduzido do valor do IPI. Estes valores correspondentes ao IPI – que fora indevidamente lançado nas notas fiscais e que foi alvo do referido ajuste – teriam sido então escriturados pelo contribuinte como "outros créditos". O entendimento da DRF, reafirmado pela DRJ, foi de que um pedido de ressarcimento apenas poderia se referir ao crédito pela aquisição de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, não podendo se referir a “outros créditos”. O contribuinte, a este respeito, explicou que “o crédito recuperado era o mesmo do anteriormente creditado por ocasião da compra dos insumos aplicados na industrialização de produto suspenso de IPI, porem registrado sob uma denominação diversa apenas para fins de controle interno das operações” (fl. 542). Sem adiantar juízo de valor quanto ao direito pleiteado, percebese que de fato não se está tratando de uma “nova hipótese” de geração de crédito, como pretende ver a DRF e a DRJ, mas, como explicado pelo contribuinte, tratase do mesmo conjunto de créditos acumulados anteriormente por regulares operações de entrada de MP, PI e ME. O registro a título de “outros créditos” representaria a alternativa de procedimento de que o contribuinte lançou mão para promover a correção do seu equívoco. O contribuinte parece ter se inspirado no art. 240 do RIPI/2010, da subseção “Créditos de Outra Natureza”, que dita a possibilidade de creditamento “do valor do imposto, já escriturado, no caso de cancelamento da respectiva nota fiscal, antes da saída da mercadoria”. Ocorre que não fica claro nem o procedimento adotado, nem as provas apresentadas não estão minimamente ordenadas para ilustrar, com segurança, o procedimento e a exatidão dos valores. Entendo, por isso, que é necessária a conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem intime o contribuinte a esclarecer, demonstrar e comprovar o seguinte, em relação às glosas específicas deste processo: 1. identificar nos autos (ou apresentar) de maneira ordenada todas as notas fiscais em que houve o lançamento equivocado do IPI, em relação aos quais teria de ser aplicada a suspensão prevista no art. 5º da Lei n° 9826/99; 2. identificar nos autos (ou apresentar) de maneira ordenada todas as notas de débito que provam o estorno do IPI em razão do lançamento equivocado sem a suspensão do art. 5º da Lei n° 9826/99 (pagamento do valor da fatura reduzido do valor do IPI indevidamente constante na nota fiscal e declaração do adquirente de que o IPI não foi por ela creditado; 3. demonstrar que os valores das notas de débito conferem com o valor lançado como “outros créditos” no Livro de Apuração do IPI, apresentando as respectivas cópias do Livro, em relação ao período glosado. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/04/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/04/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10860.003344/200274 Resolução n.º 3403000.187 S3C4T3 Fl. 7 7 Deve em seguida a Delegacia de origem lavrar um relatório conclusivo, sobre se o procedimento é consistente em demonstrar que os “outros créditos” conferem exatamente com os valores de IPI equivocadamente consignados em notas fiscais de saída em relação ‘as quais se aplicava a suspensão do art. 5º da Lei nº 9826/99. Em seguida deve ser intimado o contribuinte a, querendo, manifestarse a respeito do relatório da diligência, devolvendose os autos a este Conselho. Ivan Allegretti Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/04/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/04/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 15959.000122/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 30 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2002, 2001, 2000, 1999
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ.
Deve ser reconhecido o direito de crédito devidamente declarado e comprovado.
Numero da decisão: 1201-005.327
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.325, de 21 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 15959.000121/2008-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Neudson Cavalcante Albuquerque
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PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. Deve ser reconhecido o direito de crédito devidamente declarado e comprovado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.325, de 21 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 15959.000121/2008-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AGRINDUS S/A EMPRESA AGRÍCOLA PASTORIL, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no julgamento da sua manifestação de inconformidade, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 9. 00 01 22 /2 00 8- 10 Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.327 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15959.000122/2008-10 O contribuinte apresentou o pedido de compensação em que aponta direito creditório de saldos negativos de IRPJ/CSLL. Ademais, o contribuinte apresentou outras DCOMP em que aponta os mesmos direitos creditórios. O pedido do contribuinte foi dividido em vários processos, cabendo ao presente processo a parte relativa a um dos anos analisados. A Administração Tributária, inicialmente, intimou o contribuinte para apresentar os documentos comprobatórios dos seus saldos negativos, O contribuinte respondeu à intimação informando que não estava mais obrigado a guardar documentos relativos a fatos geradores já atingidos pela decadência e apresentando alguns documentos solicitados. Em seguida, a Administração Tributária elaborou informação fiscal em que declina o seu entendimento sobre cada um dos direitos de crédito pleiteados. No que diz respeito ao presente processo, chegou-se ao entendimento de que os saldos negativos deveriam ser reconhecidos em idêntico valor ao que foi pleiteado na declaração de compensação inicial. Todavia, foi consignado o resultado final como de reconhecimento parcial do direito de crédito. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte reafirma a falta de necessidade de apresentar documentos relativos a fatos gerados já atingidos pela decadência. No julgamento de primeira instância, esse argumento foi afastado e a manifestação de inconformidade foi considerada improcedente. O recurso voluntário apresentado em seguida repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 03/08/2010 (fls. 215) e seu recurso voluntário foi apresentado em 1º/09/2010 (fls. 216). Assim, o recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecê-lo. O presente recurso deve-se ao fato de ter sido reconhecido apenas parte do pleiteado saldo negativo de IRPJ de 2001. Todavia, verificando a análise feita pela Administração Tributária, constato que nenhum elemento componente desse saldo negativo foi glosado e que o valor reconhecido coincide com o valor pleiteado na declaração de compensação, conforme o seguinte excerto (fls. 33): j) Ano-calendário 2001: No ano calendário de 2001, o contribuinte apurou imposto de renda pelo lucro real anual, tendo informado, na ficha 12 A da DIPJ/2002 (fls. 142) que o imposto de renda devido nesse ano totalizou R$ 811,53. Desse valor, o contribuinte efetuou deduções a título de IRRF (R$ 353,18) e imposto de renda mensal pago por estimativa (R$ 64.521,78), o que resultou na apuração de saldo negativo de IRPJ totalizando R$ 64.063,43. Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.327 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15959.000122/2008-10 O valor informado a título de imposto de renda mensal pago por estimativa na ficha 12A da DIPJ/2002 corresponde ao valor das estimativas mensais de IRPJ apuradas pelo contribuinte em 2001. Essas estimativas, de acordo informações fornecidas pelo contribuinte na ficha 11 da DIPJ/2002 (ficha relativa ao cálculo de IRPJ mensal por estimativa), às fls 134 a 141, e nas DCTFs relativas ao ano- calendário de 2001 (fls. 242 a 254), foram quitadas com compensações com saldos negativos de períodos anteriores e IRRF, conforme detalhado na tabela abaixo: [...] Desse modo, verifica-se que o saldo negativo apurado pelo contribuinte em 2001 decorre de compensações de estimativas mensais de IRPJ com saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores, totalizando R$ 60.959,26, e de retenções de imposto de renda na fonte totalizando R$ 3.915,70 (sendo R$ 3.562,52 informados na linha de imposto de renda mensal pago por estimativa e R$ 353,18 informados na linha IRRF da ficha 12 A da DIPJ/2002). Diante disso, passamos a analisar, inicialmente, as compensações efetuadas pelo contribuinte, para depois, em um segundo momento, passarmos à análise das retenções de imposto de renda na fonte utilizadas na apuração do saldo negativo de IRPJ do ano de 2001. Como se verifica nas planilhas às fls. 423 a 430, para efetuar as compensações de estimativas mensais de IRPJ de 2001, o contribuinte dispunha somente do saldo negativo de IRPJ apurado em 2000. Conforme é demonstrado na planilha às fls. 430, esse crédito foi suficiente para efetuar as compensações pretendidas pelo contribuinte, de modo que estas se encontram confirmadas. Com relação às retenções de imposto de renda na fonte no valor de R$ 3.915,70, mencionadas acima, constata-se que as mesmas foram detalhadas pelo contribuinte na ficha 43 da DIPJ/2002 (fls. 149), tendo sido confirmadas em pesquisa efetuada no sistema SIEF/DIRF às fls. 182 a 183. Deduzindo-se as estimativas mensais de IRPJ compensadas pelo contribuinte no ano-calendário de 2001 (R$ 60.959,26) e o IRRF confirmado relativo a esse ano (R$ 3.915,70) do imposto devido (R$ 811,53) tem-se o saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2000: R$ 64.063,43. Com isso, entendo que o resultado proclamado pela Administração Tributária, homologando apenas parcialmente o direito de crédito do saldo negativo de IRPJ de 2001, contém um lapso manifesto que deve ser reparado nesse momento. Veja-se que o lapso encontra-se na conclusão da análise, conforme a seguinte transcrição (fls. 36): m) conclusão: Efetuada análise dos saldos negativos de IRPJ informados pelo contribuinte na declaração de compensação de fls. 01 a 02, verifica-se que, na data de apresentação dessa declaração, o contribuinte não dispunha mais dos saldos negativos de IRPJ apurados nos anos-calendário de 1999 e 2000, uma vez que esses créditos foram integralmente utilizados em compensações com estimativas mensais de IRPJ devidas nos anos subseqüentes. A época da apresentação da declaração de compensação de fls. 01 a 02, o contribuinte dispunha apenas de parte dos direitos creditórios relativos aos saldos negativos de IRPJ apurados em 2001 (R$ 60.398,30) e 2002 (R$ 5.437,59). Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 64.063,43 e homologar as correspondentes compensações até o limite do direito de crédito reconhecido e ainda disponível. Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.327 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15959.000122/2008-10 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10660.901993/2017-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 29 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2013
EMBARGOS INOMINADOS. CONTRADIÇÃO ENTRE O RESULTADO DE JULGAMENTO E A EMENTA DO ACÓRDÃO RECORRIDO.
Havendo contradição entre o resultado do acórdão e sua ementa, faz-se necessário corrigir o equívoco para assegurar certeza e correção da decisão colegiada, devendo-se analisar a ratio decidendi do julgamento e, com base nela, consignar a intenção manifestada pela Turma Julgadora.
Embargos Inominados acolhidos, sem efeitos infringentes, para confirmar o provimento ao Recurso Voluntário e reconhecer a contradição consignada na ementa do acórdão recorrido.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP.
Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório reivindicado, há de se homologar a compensação requestada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-005.215
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para confirmar o provimento ao Recurso Voluntário e reconhecer a contradição consignada na ementa do acórdão recorrido, de forma que a mesma passe a ter a redação reproduzida neste voto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.209, de 18 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10660.901977/2017-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Fredy José Gomes de Albuquerque
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2013 EMBARGOS INOMINADOS. CONTRADIÇÃO ENTRE O RESULTADO DE JULGAMENTO E A EMENTA DO ACÓRDÃO RECORRIDO. Havendo contradição entre o resultado do acórdão e sua ementa, faz-se necessário corrigir o equívoco para assegurar certeza e correção da decisão colegiada, devendo-se analisar a ratio decidendi do julgamento e, com base nela, consignar a intenção manifestada pela Turma Julgadora. Embargos Inominados acolhidos, sem efeitos infringentes, para confirmar o provimento ao Recurso Voluntário e reconhecer a contradição consignada na ementa do acórdão recorrido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório reivindicado, há de se homologar a compensação requestada pelo contribuinte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para confirmar o provimento ao Recurso Voluntário e reconhecer a contradição consignada na ementa do acórdão recorrido, de forma que a mesma passe a ter a redação reproduzida neste voto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.209, de 18 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10660.901977/2017-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
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CONTRADIÇÃO ENTRE O RESULTADO DE JULGAMENTO E A EMENTA DO ACÓRDÃO RECORRIDO. Havendo contradição entre o resultado do acórdão e sua ementa, faz-se necessário corrigir o equívoco para assegurar certeza e correção da decisão colegiada, devendo-se analisar a ratio decidendi do julgamento e, com base nela, consignar a intenção manifestada pela Turma Julgadora. Embargos Inominados acolhidos, sem efeitos infringentes, para confirmar o provimento ao Recurso Voluntário e reconhecer a contradição consignada na ementa do acórdão recorrido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório reivindicado, há de se homologar a compensação requestada pelo contribuinte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para confirmar o provimento ao Recurso Voluntário e reconhecer a contradição consignada na ementa do acórdão recorrido, de forma que a mesma passe a ter a redação reproduzida neste voto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.209, de 18 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10660.901977/2017-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 19 93 /2 01 7- 75 Fl. 248DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.215 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.901993/2017-75 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Embargos manejados pela Fazenda Nacional, em face do acórdão desta Turma que julgou Recurso Voluntário com decisão favorável ao reconhecimento de direito creditório do contribuinte, com a seguinte conclusão de julgamento: Fixadas essas premissas, cumpre salientar que, no caso concreto a Recorrente comprovou com os documentos juntados aos autos que os valores dos incentivos estão registrados em conta contábil de reserva de incentivos fiscais; trata-se de incentivo ao estimulo a implantação e desenvolvimento econômico; e que o Estado de Minas Gerais tratou de convalidar junto ao Confaz os benefícios concedidos para as empresas antes da edição da LC 160/17 conforme podem ser verificados no Certificado de Registro e Depósito no. 050/2018 e Convênio Confaz 190/17. Feitas essas considerações e levando-se em consideração o quanto comprovado nos autos, entendo que assiste razão à Recorrente. Diante do exposto, voto por conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. Alega a Fazenda Nacional que, apesar do acórdão objetivamente reconhecer integralmente o direito creditório do contribuinte, mediante provimento integral do Recurso Voluntário manejado, consta do acórdão inequívoco erro material, uma vez que ficou consignado em sua ementa que “O direito creditório arguido contra a Fazenda da União deve exibir os atributos da liquidez e da certeza, sendo incabível a homologação de DCOMP cujo crédito não seja comprovado pela autoridade fazendária”. Ou seja, haveria contradição entre o que foi decidido pelo Colegiado (provimento ao Recurso Voluntário, com reconhecimento do direito creditório) e o que está consignado na ementa do acórdão (denegação da homologação de DCOMP, por ausência de liquidez e certeza do crédito). A Presidência desta Turma Ordinária admitiu os embargos em despacho de admissibilidade, tratando-os como Embargos Inominados, sob o fundamento de que “há clara diferença entre os conteúdos da ementa e do dispositivo do acórdão, o que pode suscitar dificuldades futuras de implementação do decidido ou de recurso pelas partes, motivo pelo qual se admite os embargos nos termos previstos no art. 66 do Anexo II do RICARF, que dispõe sobre os embargos inominados”. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.215 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.901993/2017-75 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Os Embargos são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade para conhecê-los, tendo sido regularmente admitidos por despacho da Presidência da Turma. A contradição apontada nos presentes Embargos está claramente evidenciada, mercê da divergência entre o resultado do julgamento e o texto consignado na ementa do acórdão. Com efeito, esta Turma de Julgamento, debruçando-se sobre a irresignação recursal do contribuinte, deu total provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório reivindicado. Não obstante, por equívoco na redação da ementa, consignou-se posição inversa ao que fora decidido, no sentido de denegar a homologação de DCOMP, por ausência de liquidez e certeza do crédito reclamado pelo interessado. Foi adequada a decisão da Presidência que evidenciou o equívoco apontado pela Fazenda Nacional, de forma que é importante corrigir a contradição para assegurar a adequada liquidação da decisão do CARF ou, alternativamente, viabilizar o manejo de eventual recurso pela parte vencida. O art. 66 do Regimento Interno do CARF estipula que “As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão”, razão pela qual, uma vez identificada a contradição decorrente de divergência material entre o dispositivo do acórdão e a ementa, faz-se necessário corrigir o equívoco para assegurar certeza no resultado da decisão colegiada. Neste sentido, cite-se alguns precedentes do CARF: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. LAPSO MANIFESTO. CONSTATAÇÃO. RECEPCIONADOS EMBARGOS INOMINADOS. ARTIGO 66 RICARF. Nos termos do artigo 66 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de lapso manifesto no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto contradição entre o dispositivo analítico e a conclusão do voto. (Acórdão nº 2401-007.594 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 3ª Seção, sessão de 17 de novembro de 2020) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Havendo contradição quanto a data do período abrangido pela decadência, devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição. No caso, retifica-se o ementa, conclusão do relator e dispositivo do acórdão para fazer constar que encontram-se atingidas pela decadência as competências anteriores a 11/2000, inclusive. (Acórdão nº 2202-006.028 – 2ª Câmara / 2ª Turma / 2ª Seção, sessão de 06/02/2020) EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. Constatada contradição entre o dispositivo do acórdão embargado e a conclusão do seu voto condutor, acolhemse os embargos declaratórios que apontaram o vício, para solucionar a contradição. (Acórdão nº 2201002.095 – Fl. 250DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.215 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.901993/2017-75 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 2ª Seção de Julgamento, sessão de 17 de abril de 2013) Penso que assiste razão à embargante, porquanto o voto claramente demonstrar que o direito creditório foi reconhecido, enquanto a ementa registra posição inversa. Ante o exposto, acolho os Embargos Inominados, sem efeitos infringentes, para confirmar o provimento ao Recurso Voluntário e reconhecer a contradição consignada na ementa do acórdão recorrido, de forma que a mesma passe a ter a redação ora reproduzida nesta nova decisão, a saber: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório reivindicado, há de se homologar a compensação requestada pelo contribuinte. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para confirmar o provimento ao Recurso Voluntário e reconhecer a contradição consignada na ementa do acórdão recorrido, de forma que a mesma passe a ter a redação reproduzida no voto do relator. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 251DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10935.002826/2007-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO INICIAL.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no
artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
O inadimplemento da obrigação de escrituração contábil ou preparação de folhas de pagamento se verifica no próprio período a que se refere, 12/2001; assim, é inaplicável o deslocamento do termo “a quo” do prazo decadencial para 01/2003.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-001.873
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO INICIAL. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. O inadimplemento da obrigação de escrituração contábil ou preparação de folhas de pagamento se verifica no próprio período a que se refere, 12/2001; assim, é inaplicável o deslocamento do termo “a quo” do prazo decadencial para 01/2003. Recurso Voluntário Provido
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DECADÊNCIA. PRAZO INICIAL. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. O inadimplemento da obrigação de escrituração contábil ou preparação de folhas de pagamento se verifica no próprio período a que se refere, 12/2001; assim, é inaplicável o deslocamento do termo “a quo” do prazo decadencial para 01/2003. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a autuação lavrada em 24/04/2007. A multa aplicada foi reduzida pela constatação de que ocorreu uma única reincidência e não duas. Segue transcrição do relatório fiscal da infração: 2) A empresa autuada deixou de apresentar os documentos, abaixo relacionados: a) Livro Diário 1997199819992000 e 2001, b) Livro Razão 1997199819992000 e 2001, c) Folhas de Pagamento: de todos os segurados empregados, contribuintes. Individuais, dos segurados declarados em GFIP e não recolhidos em GPS. Segue ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2007 MULTA. INFRAÇÃO. EXIBIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Constitui infração deixar a empresa de exibir livros ou documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias. REINCIDÊNCIA. PROCEDIMENTOS FISCAIS DISTINTOS. A caracterização da reincidência sempre se dará em relação a procedimentos fiscais distintos. Lançamento Procedente em Parte Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação, aqui transcritas da decisão recorrida: Alega que a autuação referese à não apresentação de documentos no período de 01/1997 a 13/2001 e, considerando que o débito ocorreu em 24.04.2007 a pretensão encontrase fulminada pela decadência, segundo dispõe o art. 173 do CTN; Afirma que apresentou todos os documentos solicitados pela fiscalização, ficando surpresa quando recebeu o auto de infração pela não apresentação dos mesmos. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.002826/200709 Acórdão n.º 2402001.873 S2C4T2 Fl. 90 3 E ainda o cerceamento de defesa em razão da intimação para manifestação sobre o resultado da diligência não apresentar forma adequada para a finalidade a que se destina, causando dificuldade de entendimento. É o Relatório. Fl. 91DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua Fl. 92DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.002826/200709 Acórdão n.º 2402001.873 S2C4T2 Fl. 91 5 revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constatase que se trata de autuação por descumprimento de obrigação acessória, portanto lançamento de ofício, daí deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Ressaltase que embora o crédito tenha sido constituído pelo descumprimento da obrigação de apresentação da escrituração contábil e das folhas de pagamento dos supostos salários pagos a segurados empregados, entendo que os valores lançados foram alcançados pela decadência, uma vez que ocorreu a perda do direito de constituição do crédito pelo descumprimento da obrigação principal relativa a esses supostos salários. Considerase, ainda, que a obrigação acessória tem natureza instrumental para a verificação do cumprimento da obrigação principal, daí a ausência dessa última à época da fiscalização desnatura a obrigação acessória. Também se deve levar em conta que a autuação no presente caso se deu porque o recorrente não apresentou documentos relativos a período alcançado pela decadência, época, portanto, em que não estava mais obrigado a mantêlos em seus arquivos, conforme dispõe o Código Tributário Nacional: Fl. 93DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. E no que se refere ao mês 12/2001, adoto o entendimento do Ilustre Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo na decisão proferida nos embargos opostos contra o acórdão nº 240201.244 desta turma de julgamento: Entendo que o conteúdo desse acórdão não possui omissão nem contradição ao afirmar que a competência 12/2001 foi atingida pela decadência tributária nos termos do art. 173, I, do CTN, pois o registro do fato (acontecimentos que provocam alterações qualitativas e/ou quantitativas no patrimônio do sujeito passivo) ou do ato (acontecimentos que não alteram o patrimônio do sujeito passivo) contábil realizado pelo sujeito passivo para essa competência– consubstanciado pela legislação fiscal que disciplina a escrituração contábil e pelo regime de competência a ser seguido pelas sociedades empresárias do ramo comercial – deverá ser escriturado dia a dia. ... Tal entendimento está consubstanciado pelo art. 1.184 do Código Civil CC (Lei no 10.406/2002), o qual registra que, no Livro Diário, devem ser lançados os fatos contábeis, diaadia, de todas as operações relativas ao exercício da empresa, transcrito abaixo: Código Civil CC (Lei no 10.406/2002): Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individualização, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. Além disso, para fins de esclarecimentos com relação à legislação que exige a escrituração dia a dia do fato ou ato contábil nos Livros Diário, o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, de acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade, determina que tais livros devem lançar, dia a dia, os atos ou operações da atividade da pessoa jurídica. Esse entendimento está consubstanciado no art. 258 do RIR/1999, transcrito abaixo: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da Fl. 94DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.002826/200709 Acórdão n.º 2402001.873 S2C4T2 Fl. 92 7 atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei no 486, de 1969, art. 5o). (g.n.) ... Por efeito, constatase que não houve qualquer omissão ou contradição da matéria embargada, nos termos do conteúdo do Acórdão nº 240201.244 (fls. 150/152), eis que o registro dos atos ou dos fatos contábeis são lançados dia a dia no Livro Diário ou Livro Razão e a hipótese fática (fato imponível) pelo descumprimento da obrigação tributária acessória de deixar de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade, exercício do ano de 2001, ficou materializada no dia 31/12/2001, representando o momento concreto de sua realização. ... Com esse entendimento retromencionado, esclarecemos que a hipótese fática da obrigação tributária acessória, que se opõe à abstração do paradigma legal que o antecede, deverá ser examinada, caso a caso, pela materialização da hipótese de incidência do seu fato gerador. Assim, poderá haver hipóteses fáticas pelo descumprimento da obrigação tributária previdenciária acessória que vão se protrair para o exercício contábil seguinte ao mês de sua referência legal, tais como: as obrigações relacionadas com a remuneração paga ou creditada aos segurados, em que a legislação exige o seu efetivo pagamento no mês seguinte; as obrigações relacionadas com a entrega e a declaração da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), também a legislação exige o seu cumprimento no mês seguinte à sua ocorrência principal; dentre outras obrigações tributárias acessórias. De fato, não há sustentação para deslocamento do início do prazo para 01/2003. A obrigação principal tem data de vencimento no mês seguinte, expressamente prevista na legislação do tributo, mas a obrigação acessória de escrituração dos livros contábeis ou das folhas de pagamento não. Independentemente da necessidade de cumprimento de formalidades extrínsecas (encadernação, numeração das folhas, registro no órgão competente etc) nos livros contábeis ou do eventual pagamento dos salários, na prática, no mês seguinte, a legislação exige que esses documentos estejam disponíveis desde o exercício a que se refiram, mensal ou anual. A impossibilidade prática de cumprimento de todas as formalidades no mesmo exercício, do que possibilitaria o deslocamento do vencimento da obrigação, não foi tutelada no regramento vigente, restando ao agente público atuar dentro da razão e do bom senso, qualidades inerentes ao exercício da discricionariedade administrativa. Em razão do exposto, acolho a preliminar de decadência para provimento ao recurso. É como voto. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 96DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10865.002101/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
INTEMPESTIVIDADE.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-001.918
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por intempestividade.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento realizado em 21/06/2010. Segue transcrição da ementa e de trechos do acórdão recorrido: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EMPREGADOS. As verbas pagas a título de "Participação no Lucros e Resultados" em desacordo com a legislação própria, integram o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. A discussão acerca da constitucionalidade de contribuição da forma prevista em lei deve ser feita no âmbito do Poder Judiciário. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO INCRA. São devidas contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados a serviço da empresa destinadas ao INCRA, inclusive para as empresas urbanas. MULTA DE MORA Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas em GFIP, a multa de mora sobre as contribuições sociais em atraso será reduzida em cinqüenta por cento (então vigente art. 35, §4°, Lei 8.212/91). MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS BENÉFICA Uma vez que a multa de mora, pela legislação anterior à MP 449/008, é definida conforme a fase processual do lançamento tributário em que o pagamento é realizado, a apuração da penalidade mais benéfica ao autuado, deverá ser efetuada no momento do pagamento ou parcelamento, conforme Portaria PGFNRFB n° 14, de 04/12/2009. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1° e 2° da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168A e 337A do DecretoLei na 2.848, de 7 de dezembro de 1940Código Penal, será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente, (art. 83 da Lei n° 9.430/96, redação dada pela Medida Provisória n° 497, de 2010). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Fl. 173DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002101/201089 Acórdão n.º 2402001.918 S2C4T2 Fl. 166 3 Tratase de AutodeInfração, Debcad n.° 37.259.3674, lavrado em 29/06/2010, referente às contribuições sociais da empresa e S AT incidentes sobre remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais e PLR paga em desacordo com a legislação, no período 01/2008 a 10/2008, perfazendo o montante de R$814.359,36 (oitocentos e quatorze mil e trezentos e cinquenta e nove reais e trinta e seis centavos). Informa o Relatório Fiscal RF, que constatou divergências entre os valores incluídos em folhas de pagamento e recibos de pagamento de prólabore e valores informados e confessados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. Sendo que, os valores declarados em GFIP não fazem parte da base de cálculo para apuração dos valores deste AutodeInfração, uma vez que foram constituídos em DCG, tendo sido lançados como dedução dos valores apurados nas folhas de pagamento e recibos de pagamento de prólabore. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: RAT não é devido, uma vez que se refere à alíquota adicional do SAT e custeia a aposentadoria especial e, no não foi comprovado nos autos qualquer atividade na qual o trabalhador esteja exposto a agentes nocivos; ademais, ainda que houvesse, a todos são fornecidos os chamados EPI Equipamentos deProteção Especial; o art. 7o da Constituição é autoalicável, de forma que não há que se falar que o acordado não tem validade perante o Fisco; a exclusão da participação nos lucros ou resultados do conceito de remuneração não é algo que dependa da definição legal; na pior das hipóteses, a implementação deuse com o advento da MP 794/94, convertida na Lei n° 10.101/2000; o §1° do art. 2o da Lei n° 10.101/2000 facultou a inclusão nos instrumentos de acordo dos critérios dos critérios indicados nos incisos I e II a título meramente exemplificativo; a cobrança de créditos advindos de PLR já é objeto de cobrança nos demais Autos de Infração, o que gera duplicidade de cobrança. expirou o prazo do Mandado de Procedimento Fiscal sem que tenha sido reaberto outro, desrespeitando as determinações da Portaria n.° 11.371/2007, art. 15; a multa aplicada está nitidamente em desacordo com os princípios da legalidade, proporcionalidade, razoabilidade, contraditório e ampla defesa, não havendo proporcionalidade com a infração cometida, mas sim uma progressão em decorrência de um fato alheio ao não recolhimento do tributo; se devida fosse a contribuição previdenciária, a impugnante faria jus à redução da multa no percentual de 50%, nos termos do §4° do art. 35 da Lei n.° 8.212/91; Fl. 174DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 a aplicação da taxa Selic juntamente com outros percentuais ou índices para fins de apuração do crédito tributário constitui "bis in idem", além de ser um verdadeiro confisco, advindo de uma duplicidade de cobranças; a fundamentação legal dos acréscimos legais está genérica demais, ensejando a impossibilidade de defesa e contraditório; a autuação é improcedente, pois não há liquidez; o respeito ao artigo 83 da Lei n.° 9.430/1996, privando de qualquer representação fiscal para fins penais, aguardando a decisão final. É o Relatório. Fl. 175DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002101/201089 Acórdão n.º 2402001.918 S2C4T2 Fl. 167 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Da Admissibilidade: Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ... Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No presente caso, conforme consignado às fls. 164, o recurso é intempestivo. O recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 29/11/2010 e somente em 12/01/2011 interpôs recurso: 1. O contribuinte protocolizou em 12/01/2011, Intempestivamente, o recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Por ser intempestivo, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 176DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000696/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 29 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2006
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária.
MATÉRIAS ESTRANHAS A LIDE. NÃO CONHECIMENTO.
Matérias estranhas à lide não devem ser conhecidas.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESTAQUE DE RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AUTO DE INFRAÇÃO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa prestadora de serviços, mediante cessão de mão-de-obra e empreitada, de destacar, nas respectivas Notas Fiscais de Serviço, os valores dela retidos a título de contribuição previdenciária
MULTA. LEGALIDADE.
A multa, nos moldes exigidos no presente lançamento, foi calculada em consonância com a legislação que rege a matéria, não podendo a Administração Pública deixar de aplicá-la, por se tratar de ato vinculado.
PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. REQUISITOS.
Numero da decisão: 2301-009.684
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e das matérias estranhas à lide, rejeitar o pedido de perícia e negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maurício Dalri Timm do Valle - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon (suplente convocada), Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: Maurício Dalri Timm do VAlle
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. MATÉRIAS ESTRANHAS A LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Matérias estranhas à lide não devem ser conhecidas. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESTAQUE DE RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa prestadora de serviços, mediante cessão de mão-de-obra e empreitada, de destacar, nas respectivas Notas Fiscais de Serviço, os valores dela retidos a título de contribuição previdenciária MULTA. LEGALIDADE. A multa, nos moldes exigidos no presente lançamento, foi calculada em consonância com a legislação que rege a matéria, não podendo a Administração Pública deixar de aplicá-la, por se tratar de ato vinculado. PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. REQUISITOS.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-11-24T16:23:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-11-24T16:23:29Z; Last-Modified: 2021-11-24T16:23:29Z; dcterms:modified: 2021-11-24T16:23:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-11-24T16:23:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-11-24T16:23:29Z; meta:save-date: 2021-11-24T16:23:29Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-11-24T16:23:29Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-11-24T16:23:29Z; created: 2021-11-24T16:23:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2021-11-24T16:23:29Z; pdf:charsPerPage: 1953; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-11-24T16:23:29Z | Conteúdo => S2-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 14751.000696/2009-32 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-009.684 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de novembro de 2021 Recorrente SIT-SERVIÇOS DE INFRA-ESTRUTURA E TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. MATÉRIAS ESTRANHAS ‘A LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Matérias estranhas à lide não devem ser conhecidas. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESTAQUE DE RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa prestadora de serviços, mediante cessão de mão-de-obra e empreitada, de destacar, nas respectivas Notas Fiscais de Serviço, os valores dela retidos a título de contribuição previdenciária MULTA. LEGALIDADE. A multa, nos moldes exigidos no presente lançamento, foi calculada em consonância com a legislação que rege a matéria, não podendo a Administração Pública deixar de aplicá-la, por se tratar de ato vinculado. PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. REQUISITOS. É válida a decisão de primeira instância que nega, de forma fundamentada, o pedido de perícia. Não atendidos os requisitos dispostos na legislação aplicável (art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72), não há que se falar em realização de perícia Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e das matérias estranhas à lide, rejeitar o pedido de perícia e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 06 96 /2 00 9- 32 Fl. 293DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.684 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14751.000696/2009-32 Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Maurício Dalri Timm do Valle - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon (suplente convocada), Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 240-284) em que a recorrente sustenta, em síntese: a) É necessária a reunião dos Autos de Infração n° 37.203.607-4, nº 37.203.608-2, nº 37.203.605-8, nº 37.203.606-6, nº 37.203.602-3, nº 37.203.604-0 e nº 37.203.603-1 para julgamento conjunto. Isso porque tal prerrogativa está amparada pelos princípios da eficiência e do formalismo moderado, bem como porque as provas que acompanham o presente recurso dão suporte às demais defesas. b) Justifica-se a juntada de documentos na fase recursal pois não foi possível apresenta-los com a impugnação, já foi necessária a análise minuciosa dos arquivos da recorrente referente aos anos de 2004 a 2006. Ainda, a apresentação dos novos documentos ampara-se no princípio da verdade material. c) Não houve a indicação do dispositivo legal infringido pela contribuinte no AI/DEBCAD nº 37.203.604-0, gerando cerceamento de direito de defesa. d) Sobre o AI/DEBCAD nº 37.203.602-3: a. São indevidas as contribuições incidentes sobre parcelas de natureza indenizatória que não constituem base de cálculo para o tributo (“reembolso quilometragem”, “locação de veículos", participação nos lucros, abonos salariais e assistência média, odontológica e hospitalar). Isso porque se tratam de utilidades fornecidas para viabilizar o trabalho realizado pelos segurados e contribuintes individuais, de natureza indenizatória, e não como contraprestação pelos seus serviços. Algumas dessas parcelas foram expressamente excluídas do salário dos empregados em acordo coletivo firmado com a recorrente. b. O grau de Riscos Ambientais do Trabalho (RAT) desenvolvido pela recorrente é de 2%, pois está enquadrada como “outras atividades de telecomunicação não especificadas anteriormente”. Sendo assim, a contribuição em questão já foi recolhida no valor correto, sendo indevida a cobrança através do AI. Fl. 294DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.684 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14751.000696/2009-32 c. As contribuições referentes aos contribuintes individuais também foram corretamente recolhidas. d. Foi repassado aos empregados baixa renda o benefício salario família que lhe ê concedido pela Previdência Social, tendo sido demonstrada e encaminhada a documentação exigida pelo Decreto 3.048/99. Afasta-se, com isso, o alegado pelo Órgão fiscalizador quanto às glosas efetuadas. e) Sobre o AI/DEBCAD nº 37.203.603-1: a. São indevidas as contribuições incidentes sobre parcelas de natureza indenizatória que não constituem base de cálculo para o tributo (“reembolso quilometragem”, “locação de veículos", participação nos lucros, abonos salariais e assistência média, odontológica e hospitalar). Isso porque se tratam de utilidades fornecidas para viabilizar o trabalho realizado pelos segurados e contribuintes individuais, de natureza indenizatória, e não como contraprestação pelos seus serviços. Algumas dessas parcelas foram expressamente excluídas do salário dos empregados em acordo coletivo firmado com a recorrente. b. As contribuições referentes aos contribuintes individuais foram corretamente recolhidas. f) Sobre o AI/DEBCAD nº 37.203.604-0: a. Não cabe a cobrança de contribuição destinada ao INCRA, pois a exação foi suprimida pela Lei nº 7.787/89. A extinção da contribuição em comento foi confirmada pelas Leis nº 8.212/91 e nº 8.213/91. b. Não cabe a cobrança das contribuições ao SEBRAE e da FNDE sobre as parcelas referidas pela fiscalização, por se tratarem de verbas de caráter salarial, mas sim indenizatório (“reembolso quilometragem”, “locação de veículos", participação nos lucros, abonos salariais e assistência média, odontológica e hospitalar). g) Sobre os AI/DEBCAD nº 37.203.605-8, nº 37.203.606-6, nº 37.203.607-4 e nº 37.203.608-2: a. Todas as exigências determinada pela legislação tributária, que digam respeito ã documentação, foram prestadas pela Impugnante, já fazendo parte do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dos Órgãos que fiscalizam, sendo insubsistente qualquer alegação de descumprimento formal. h) As multas aplicadas nos patamares de 24%, 30%, 40% e 50% dos valores dos supostos débitos tem caráter de confisco, ofendendo os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva. Ao final, formula pedidos nos seguintes termos: Diante de tudo quanto fora exposto, requer-se seja o presente RECURSO VOLUNTÁRIO seja julgado TOTALMENTE PROCEDENTE, reformando-se os Fl. 295DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.684 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14751.000696/2009-32 Acórdão n°s 11-28.819, 11-28.821, 11-28.703, 11-28.820, 11-28.697, 11-28.485 e 11- 28.482 da 75 Turma da DRJ/REC, declarando-se IMPROCEDENTE os respectivos lançamentos fiscais de n°s 37.203.6.02-3; 37.203.6.03-1; 37.203.6.04-0; 37.203.605-8; 37.203.6.06-6; 37.203.6.07-4; 37.203.6.08-2, reconhecendo-se: 1) A reunião dos Autos de Infrações supra elencados, realizando um julgamento conjunto, com ampara no princípio da eficiência e formalismo moderado; 2) Requer a juntada posterior de provas, por todos os meios legais permitidos, conforme art. 3° da lei 9.784/99. 3) A nulidade do MPF/Al em face das razões ora apresentadas e como medida salutar do Estado de Direito que vigora no país, inaugurado pela Constituição Federal de 1988, requer-se, digne julgador, conheça da presente defesa e lhe de provimento integral para julgar improcedente a autuação em questão, para que, em conformidade com as normas legais, excluam do lançamento, todos os valores exigidos e as verbas acessórias (multas e juros); 4) Requer que julgue PROCEDENTE a preliminar argüida para declarar a nulidade do Auto de Infração n° 37.203.604-O (Acórdão n°. 11-28.485) em combate sob o fundamento de cerceamento de defesa; 5) Requer a SUSPENSÃO da exigibilidade dos créditos tributário dos Autos de Infrações supra determinado, que se originou do MPF n° 0430100.2008.00485, conforme preceitua o art. 151, Ill, do Código Tributário Nacional; 6) Caso os Julgadores não considerem - de pronto – a ilegitimidade do lançamento em questão, requer a realização de perícia onde se possa analisar, a aplicação do tributo e suas multas e juros moratórios, respondendo: 1) Qual o ónus real que as referidas obrigações acessórias causarão sobre o patrimônio do IMPUGNANTE; 2) Qual o critério de análise do fiscal ao incluir parcelas que são determinada por lei como excluídas da base de cálculo das contribuições exigidas; 3) Como e em quais porcentagens a multa e os juros foram calculados sobre o valor principal; 4) Em quanto (porcentagem e valor real) a aplicação dos juros e multa onerou o valor principal; 7) Requer, por fim, que as intimações acerca do presente procedimento sejam encaminhadas - além do próprio RECORRENTE - para os representantes do mesmo, os Drs. NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES, inscrito na OAB/SP sob n° 128.341 e OAB/CE sob n° 16.599-A e RODRIGO OTÁVIO ACCETE BELINTANI, inscrito na OAB/PR sob n° 27.739 e OAB/CE sob n° 16.598-A, ambos com escritório na Avenida Ernesto de Paula Santos, n° 187, Sala 706, Recife/PE, CEP 51021-330, telefone (81) 3091-7547. Por fim, protesta pela juntada da presente aos autos, acompanhada da documentação anexa. A presente questão diz respeito ao Auto de Infração – AI/DEBCAD nº 37.203.607-4 (fls. 2-75) que constitui crédito tributário de penalidade em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, em face de SIT – Serviços de Infraestruturas e Telecomunicação LTDA (CNPJ nº 04.461.513/0001-80), referente a fatos geradores ocorridos no período de 01/2004 a 12/2008. A autuação alcançou o montante de R$ 1.329,18 (mil trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). A notificação aconteceu em 30/03/2009 (fl. 2). Na descrição dos fatos que deram causa ao lançamento, consta do Relatório Fiscal da Infração (fl. 8) o seguinte: Foi autuada a empresa SIT - SERVIÇOS DE INFRAESTRUTRA E TELECOMUNICAÇÕES LTDA, CNPJ 04.467.573/0001-80, por infração ao disposto no art. 31, §10 da Lei 8.212, de 24/07/91, na redação dada pela Lei 9.711, de 20/11/98 combinado com o art. 219, § 40 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por deixar de fazer o destaque de onze por cento sobre o valor Fl. 296DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.684 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14751.000696/2009-32 bruto de notas fiscais ou faturas emitidas em nome das empresas contratantes dos seus serviços no período de 01/2004 a 12/2006. Como a situação acima descrita ocorreu na imensa maioria das notas fiscais emitidas e a quantidade de ocorrências (número de NFs sem destaque) não tem relevância no cálculo da multa, já que o valor é fixo. A título de demonstração elaboramos a Planilha - Anexo I: NOTAS FISCAIS EMITIDAS SEM DESTAQUE DE RETENÇÃO DE 11%, contendo uma amostra com as 50 (cinqüenta) maiores notas fiscais emitidas nos anos 2004, 2005 e 2006. Para corroborar a Planilha - Anexo I, acima mencionada, anexamos cópias de algumas destas notas fiscais. Não foram localizados registros de autuações anteriores nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. Constam do processo, ainda, os seguintes documentos: i) Planilhas de notas fiscais emitidas sem destaque de retenção de 11% (fl. 10); ii) Notas fiscais de serviços (fls. 11- 39); iii) Termos de início da ação fiscal, de retenção e devolução de documentos e demais intimações à contribuinte (fls. 40-43, 46-60, 64-73); iv) Respostas do contribuinte (fls. 44, 45, 62 e 63); v) Procuração (fl. 61). A contribuinte apresentou impugnação (fls. 78-118), pela qual levantou argumentos semelhantes aos posteriormente apresentados no recurso voluntário – exceto alíneas “a” e “b” acima especificadas. Ao final, formulou pedidos nos seguintes termos: Diante de tudo quanto fora exposto, requer-se seja a presente impugnação julgada TOTALMENTE PROCEDENTE, anulando-se o MPF n° 0430100.2008.00485 e declarando-se IMPROCEDENTE os respectivos lançamentos fiscais de n°s 37.203.6.02-3; 37.203.6.03-1; 37.203.6.04-0; 37.203.6.05-8; 37.203.6.06-6; 37.203.6.07-4; 37.203.6.08-2, reconhecendo-se: 1) A nulidade do MPF/AI em face das razões ora apresentadas e como medida salutar do Estado de Direito que vigora no pais, inaugurado pela Constituição Federal de 1988, requer-se, digne julgador, conheça da presente defesa e lhe dê provimento integral para julgar improcedente a autuação em questão, para que, em conformidade com as normas legais, excluam do lançamento, todos os valores exigidos e as verbas acessórias (multas e juros); 2) Requer que julgue PROCEDENTE a preliminar argüida para declarar a nulidade do Auto de Infração em combate sob o fundamento de cerceamento de defesa; 3) Requer a SUSPENSÃO da exigibilidade dos créditos tributário dos Autos' de Infrações supra determinado, que se originou do MPF n° 0430100.2008.00485, conforme preceitua o art. 151, III, do Código Tributário Nacional; 4) Caso os Julgadores não considerem - de pronto – a ilegitimidade do lançamento em questão, requer a realização de perícia onde se possa analisar, a aplicação do tributo e suas multas e juros moratórios, respondendo: 1) Qual o ônus real que as referidas obrigações acessórias causarão sobre o patrimônio do IMPUGNANTE; 2) Qual o critério de análise do fiscal ao incluir parcelas que são determinada por lei como excluídas da base de cálculo das contribuições exigidas; 3) Como e em quais porcentagens a multa e os juros foram calculados sobre o valor principal; 5) Em quanto (porcentagem e valor real) a aplicação dos juros e multa onerou o valor principal; 5) Requer a juntada posterior de provas, por todos os meios legais permitidos, conforme art. 3° da lei 9.784/99; 6) Requer, por fim, que as intimações acerca do presente procedimento sejam encaminhadas - além do próprio IMPUGNANTE - para os representantes do mesmo, os Drs. NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES, inscrito na OAB/SP sob n° 128.341 e OAB/CE sob n° 16.599-A e RODRIGO OTÁVIO ACCETE BELINTANI, inscrito na OAB/PR sob n° 27.739 e OAB/CE sob n° 16.598-A, ambos com escritório Fl. 297DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.684 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14751.000696/2009-32 na Avenida Santos Dumont n°. 2828, Edifício Torre Santos Dumont, sala 1701, Aldeota, Fortaleza/CE, CEP 60.150-161, telefone (85) 3486-1260. Por fim, protesta pela juntada da presente aos autos, acompanhada da documentação anexa. A impugnação veio acompanhada dos seguintes documentos: i) Procuração e substabelecimentos (fls. 119-121); ii) Comprovante de inscrição e de situação cadastral (fl. 122); iii) Declaração (fl. 123); iv) Atos constitutivos e alterações contratuais da contribuinte (fls. 124- 137); v) Documentos pessoais (fls. 138-141); vi) Calendário de obrigações e tabelas práticas – trabalhista (fl. 142); vii) Acordos e convenções coletivas de trabalho (fls. 143-222) e viii) Convênio para arrecadação direta e termo de cooperação técnica e financeira (fls. 223-231). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (DRJ), por meio do Acórdão nº 11-28.819, de 28 de fevereiro de 2010 (fls. 234-238), negou provimento à impugnação, mantendo integralmente a exigência fiscal, conforme o entendimento resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 3 1/ 12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESTAQUE DE RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa prestadora de serviços, mediante cessão de mão-de-obra e empreitada, de destacar, nas respectivas Notas Fiscais de Serviço, os valores dela retidos a título de contribuição previdenciária. MULTA. LEGALIDADE. A multa, nos moldes exigidos no presente lançamento, foi calculada em consonância com a legislação que rege a matéria, não podendo a Administração Pública deixar de aplicá-la, por. se tratar de ato vinculado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2006 PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Será indeferido o requerimento de perícia quando esta não se mostrar útil para a solução da lide ou não vier instruído com os requisitos legais. PROVA EXTEMPORÂNEA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO LEGAL. INDEFERIMENTO. Não demonstrado se tratar das exceções que a lei expressamente comina, as provas documentais somente serão conhecidas se apresentadas na impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido É o relatório do essencial Voto Conselheiro Maurício Dalri Timm do Valle, Relator. Conhecimento A intimação do Acórdão deu-se em 05 de março de 2010 (fl. 288), e o protocolo do recurso voluntário ocorreu em 30 de março de 2010 (fls. 240-284). A contagem do prazo deve ser realizada nos termos do art. 5º do Decreto n. 70.235, de 6 de março de 1972. O recurso, portanto, é tempestivo, e dele conheço parcialmente, deixando de conhecer das alegações de inconstitucionalidade e aquelas especificamente vinculadas aos Autos de Infração diversos daquele abrangido por este processo (AI/DEBCAD nº 37.203.607-4). Fl. 298DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-009.684 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14751.000696/2009-32 Mérito 1. Da preliminar de reunião dos autos de infrações para julgamento único. Sobre esse ponto, informo que os processos nº 14751.000668/2009-15, nº 14751.000676/2009-61, nº 14751.000691/2009-18, nº 14751.000692/2009-54, nº 14751.000694/2009-43, nº 14751.000696/2009-32 e nº 14751.000697/2009-87, referentes aos lançamentos em face da recorrente, já foram apensados e serão julgados conjuntamente na presente sessão. 2. Da juntada extemporânea de documentos. A contribuinte requer a juntada de documentos não apresentados no momentos do protocolo da impugnação de fls. 1076-1116. Afirma-se que “a parte impugnante, ora requerente, não teve condições de apresentar toda a documentação referenciada nos autos combatidos, uma vez tais documentos, por se referirem a anos anteriores, só foram obtidos após análise minuciosa nos arquivos da empresa”. Ainda, o recurso também indica que a nova documentação deve ser aceita e analisada de acordo com o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 e art. 2º da Lei nº 9.784/99, bem como em respeito aos princípios do contraditório, da ampla-defesa e da verdade material. Em que pese tais argumentos, não lhe assiste razão. Não se pode olvidar que as instâncias administrativas de julgamento estão adstritas à letra da Lei, não cabendo nada além da aplicação da legislação tributária vigente. Nesse sentido, as alíneas do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 elencam taxativamente as hipóteses nas quais permite-se a apresentação de documentos após o prazo da impugnação: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Pois bem. A justificativa mencionada pela contribuinte está longe de configurar um evento de força maior, já que é de sua responsabilidade a adequada organização e armazenamento da documentação relativa aos fatos tratados nos autos. Igualmente, os documentos não se refrem a fatos ou direitos supervenientes, nem se destinam a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ao contrário, os novos documentos visam apenas complementar as razões anteriormente apresentadas. Por essas razões, indefiro a juntada dos novos documentos e deixo de considera- los. 3. Das matérias devolvidas. Superadas as questões acima mencionadas, passa-se a analisar os demais argumentos levantados pela recorrente. 3.1. Da obrigação acessória. Como referido no relatório, o Auto de Infração em comento constitui crédito tributário em decorrência do descumprimento das obrigações acessórias delineadas pelo art. 31, Fl. 299DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-009.684 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14751.000696/2009-32 §1º, da Lei nº 8.212/91, que impõe à empresa cedente de mão-de-obra destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. Argumenta a recorrente que: A empresa, além de cumprir com a obrigação principal, que é o recolhimento do tributo, quando há o fato gerador, também cumpre com suas obrigações acessórias, mesmo quando não há exigência do tributo. Dessa forma, todas as exigências determinada pela legislação tributária, que digam respeito à documentação, foram prestadas pela impugnante, já fazendo parte do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dos Órgãos que fiscalizam, sendo insubsistente qualquer alegação de descumprimento formal. Porém, como bem apontado na decisão recorrida, não foram apresentados documentos suficientes para comprovar que os destaques referidos pela legislação vigente foram devidamente efetuados. Tanto em sua impugnação como em seu recurso voluntário, a recorrente se limitou a afirmar genericamente que cumpriu a obrigação em questão. Sendo assim, ratifica-se o posicionamento adotado pela DRJ no sentido de que: Ao prestar serviços nos moldes do art. 31 da Lei n.° 8.212/91 e emitir as correspondentes Notas Fiscais, sem o destaque exigido no § 1° do citado comando legal, a empresa em tela não observou a obrigação de fazer, atraindo contra si os rigores legais em decorrência de seu descuido. Trata-se de obrigação acessória, instrumental, que objetiva subsidiar o Fisco com informações relativas ao fato gerador de contribuições sociais, ao mesmo tempo em que alerta o tomador dos citados serviços, na ocasião da liquidação da referida Nota Fiscal, a reter a parcela de 11%, a título de contribuição social, recolhendo-a aos cofies previdenciários em nome do prestador. Em matéria tributária, a obrigação acessória não segue a sorte da principal, porque têm naturezas distintas, tanto que há sujeitos passivos isentos da obrigação principal de recolher determinado tributo e, ainda assim, têm obrigação acessória de informar fatos relativos aos citados tributos de interesse do Fisco. [...]. Assim, independentemente de registrar mencionada retenção em outro documento que não a nota fiscal ou fatura do correspondente serviço ou de haver sido recolhida a contribuição social respectiva, fatos que, saliente-se, não restaram demonstrados pela impugnante, incorre, de qualquer maneira, a empresa na infração aqui tratada, fazendo prospere o AI em comento e sua correspondente penalidade. Assim, não conseguiu a defendente elidir a infração em comento, ensejando, em conseqüência, prospere incólume o presente AI. 3.2. Das multas aplicadas. Assevera a contribuinte que as multas aplicadas tem caráter de confisco, ofendendo os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva. No entanto, deve-se lembrar que os percentuais das referidas penalidades estão condizentes com a legislação vigente à época do lançamento, não cabendo à administração tributária questionar ou deixar de aplica-la. A decisão recorrida descreve ainda que: Quanto ao argumento de que a multa aplicada é confiscatória, não é o foro administrativo o local apropriado para discutir a matéria, porque a Administração Fazendária é compelida a executar as normas, enquanto integrantes do ordenamento jurídico pátrio e, estando a referida multa em consonância com a legislação vigente, resulta válida e eficaz a sua exigência. Fl. 300DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-009.684 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14751.000696/2009-32 Portanto, deixa-se de acolher a tese em questão. 3.3. Do pedido de realização de perícia. O citado pedido foi elaborado nos seguintes termos: 6) Caso os Julgadores não considerem - de pronto – a ilegitimidade do lançamento em questão, requer a realização de perícia onde se possa analisar, a aplicação do tributo e suas multas e juros moratórios, respondendo: 1) Qual o ónus real que as referidas obrigações acessórias causarão sobre o patrimônio do IMPUGNANTE; 2) Qual o critério de análise do fiscal ao incluir parcelas que são determinada por lei como excluídas da base de cálculo das contribuições exigidas; 3) Como e em quais porcentagens a multa e os juros foram calculados sobre o valor principal; 4) Em quanto (porcentagem e valor real) a aplicação dos juros e multa onerou o valor principal; Embora tenha apresentado quesitos a serem respondidos, a recorrente deixou de indicar o nome do perito, seu endereço e qualificação profissional, em clara inobservância às exigências do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. Por esse motivo, indefere-se o pedido. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e das matérias estranhas à lide, rejeitar o pedido de perícia e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Maurício Dalri Timm do Valle Fl. 301DF CARF MF Documento nato-digital
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