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Numero do processo: 19515.722111/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
SIMULAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Simular é o ato de fingir, mascarar, esconder a realidade, camuflar o objetivo de um negócio jurídico valendo-se de outro, eis que o objetivo intentado seria alcançado por negócio diverso, daí o motivo de o artigo 167 do Código Civil dispor que o negócio jurídico simulado será nulo.
Não é simulação o desmembramento das atividades por empresas do mesmo grupo econômico, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-003.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 28/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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INEXISTÊNCIA. Simular é o ato de fingir, mascarar, esconder a realidade, camuflar o objetivo de um negócio jurídico valendose de outro, eis que o objetivo intentado seria alcançado por negócio diverso, daí o motivo de o artigo 167 do Código Civil dispor que o negócio jurídico simulado será nulo. Não é simulação o desmembramento das atividades por empresas do mesmo grupo econômico, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 28/03/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 11 /2 01 2- 41 Fl. 675DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório do acórdão de piso nº 1660.621: 1. EUCATEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, empresa acima identificada, foi submetida a procedimento de auditoria fiscal. Ao término dos trabalhos a fiscalização constatou algumas irregularidades referentes ao ano calendário de 2008, narradas no Termo de Verificação Fiscal PIS (fls. 320/328) e no Termo de Verificação Fiscal COFINS (fls. 329/337). Transcrevo trechos do Termo de Verificação Fiscal PIS, que aborda as mesmas irregularidades descritas no Termo de Verificação Fiscal COFINS: As mudas clonáis são plantadas nos viveiros, entretanto, as florestas resultado das mudas plantadas estão localizadas nas fazendas da EUCATEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Aliás, tais fazendas são filiais da EUCATEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, como veremos abaixo na análise do Item 2 do Termo de Intimação n°05/2012. Além disto, na resposta de lavra da própria EUCATEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ:56.643.018/000166) referente ao Item 03 do Termo de Intimação 05/2012, contém demonstrativos onde as fazendas elencadas tem o mesmo CNPJ de 08 digitos (CNPJ:56.643.018/ ), e ainda, são expressamente denominadas pela própria EUCATEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO como fornecedoras de madeira (folhas 02 a 07 do documento citado). Ressaltese a planta da descrição do processo produtivo da empresa apresentado, quando da resposta ao item 02 do Termo de Intimação n°04/2012(documento em anexo).Onde (ica provado que as florestas de eucalipto (icam nas fazendas da EUCATEX S/A INDÚSTRIA E COMERCIO. Logo, se a floresta (or de propriedade de terceiros o direito de contrato de exploração por prazo determinado poderia ser amortizado anualmente no aspecto (iscal e contábil,mas se a floresta for própria o que parece ser o caso, haveria exaustão anual no aspecto contábil e (iscal dos insumos utilizados na formação das (lorestas(como custo ou encargo), resultante da sua exploração.E, ainda, a EUCATEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO alegue que a floresta não seja de sua propriedade caberia a mesma aplicar a quota de exaustão no contrato de exploração por prazo indeterminado (....) Logo, há necessidade da fiscalização glosar os valores das operações consideradas como aquisições de madeira por parte da EUCATEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO e incluídas indevidamente na linha 02, da Ficha 06 A das DACON(s), visto que a EUCATEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO não adquiriu de fato a madeira (insumo para produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda no caso concreto). E, ainda, tais glosas baseiamse nos valores das notas fscais de entrada por afronta ao art.3°, § 3o, inciso I c/c o art.3°, inciso II, ambos dispositivos da Lei n°10.637/2002.E caso a EUCATEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO quisesse gozar de algum desconto de crédito, relativo a formação de florestas, deveria proceder na forma do art.3°, §1°, inciso III da Lei n°10.637/2002 c/c o inciso VII do art.3° do mesmo Diploma Legal, ou seja, no caso de amortização Incorrido no mês, já que a exaustão não está amparada para reconhecimento de desconto de crédito de PIS no Regime NãoCumulativo da Lei Fl. 676DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.722111/201241 Acórdão n.º 3302003.138 S3C3T2 Fl. 3 3 n°10.637/2002. E na visão da fiscalização, não existe no aspecto material (núcleo da hipótese de Incidência do fato gerador) a operação de aquisição de madeira por parte da EUCATEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO junto a AGROFLORESTAL. Configurandose em tese o delito previsto no art. 72 da Lei n °4502/1964 c/c o art. 1o, inciso II da Lei n °8.137/1990. 0 que gera em consequência a aplicação da multa administrativa qualificada de 150% com fulcro no art.44 da Lei n °9430/1996(com a redação dada pela Lei n ° 11.488/2007). B)Quanto ao Item 2 o contribuinte informa os CNPJ(s)das fazendas que são filiais da EUCATEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, e consideradas por ela própria como fornecedoras de madeira; (....) Ora o contribuinte informa, ainda, no item 03 a relação de notas fiscais do fornecimento de madeira, ocorridas em 2008. Vale destacar, os demonstrativos apresentados pelo contribuinte.Tais demonstrativos, por si só, comprovam serem as fazendas fornecedoras de madeira filiais da EUCATEX S.A INDÚSTRIA E COMÉRCIO(CNPJ:56.643.018/000166).Basta comparar o CNPJ(s) das fazendas elencadas pelo contribuinte com o CNPJ da Matriz; (....) A Fiscalização vislumbrou, ainda, a necessidade de glosar também parte dos créditos existentes na linha 07, da Ficha 06 A, das DACON(s) do anocalendário 2008, relativos a despesas de armazenagem e fretes de operação de venda.Em razão da exegese do art.3°, inciso IX da Lei n° isto é, o dispositivo citado determina expressamente que o reconhecimento do crédito de armazenagem e frete se vincula aos casos do incisos I e II do art.3° do mesmo da Lei n° 10.637/2002.E tais insumos somente poderão ser descontados como crédito quando a pessoa jurídica adquire bens e serviços considerados como insumos de outra pessoa jurídica(art.3°,§3°, inciso I da Lei n°10.637/2002).O que não é o caso, conforme largamente exposto acima.Assim sendo, é forçoso reconhecer que parte desta despesa de armazenagem e frete disposta nas DACON(s) foi usada indevidamente para armazenagem e frete de produtos com matériaprima (no caso concreto madeira), que não foi incluída nos benefícios da Lei n°10.637/2002.Inclusive, o art. 111, inciso I da Lei n°5172/1966(CódigoTributário Nacional)determina que interpretase literalmente a legislação que disponha sobre exclusão do crédito tributário.Assim sendo, a fiscalização apurou a glosa de parte da despesa de armazenagem e frete usando a proporção existente entre os valores dispostos nas linhas 02(Bens Utilizados como Insumos) e 07(Despesas de Armazenagem e Frete na Operação de Venda)da Ficha 06A , das DACON(s),partindose da glosa de linha 02 para chegar se ao valor da glosa da linha 07(diretamente proporcional), conforme Demonstrativo de glosa de despesa de armazenagem e frete(em anexo). Ficando configurado em tese o delito previsto no art. 72 da Lei n °4502/1964 c/c o art.l°, inciso II da Lei n°8.137/1990.O que gera em consequência a aplicação da multa administrativa qualificada de 150% com fulcro no art.44 da Lei n °9430/1996(com a redação dada pela Lei n 488/2007). (....) Vale destacar, que na visão da fiscalização ocorre uma unicidade da atividade empresarial das duas empresas citadas acima(EUCATEX S.A e EUCATEX AGROFLORESTAL LTDA), quando constatase na cláusula 3o do Contrato Social da EUCATEX AGROFLORESTAL LTDA um específico objeto social: "o cultivo de mudas e florestas próprias ou adquiridas de terceiros, que se Fl. 677DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO 4 destinem ao corte para comercialização".Explicando melhor chegase a um abuso de forma ou até mesmo abuso de direito.Ora vejamos se a EUCATEX S.A controla 99% do capital da EUCATEX AGROFLORESTAL LTDA. e a EUCATEX S.A cede suas fazendas para sua controlada cultivar e supostamente vender para ela mesma o insumo madeira que tem um alto valor agregado.Diante do exposto, chegase a seguinte conclusão: não existe atividade complementar entre as duas empresas em questão, mas disfarçada unicidade de propósito negocial. (....) Logo, na visão da fiscalização: não há efetivamente operação de compra e venda de madeira entre EUCATEXS.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO e a AGROFLORESTAL (CNPJ:07.580.377/000106), nome empresarial:EUCATEXIMOBILIÁRIA LTDA, pois no máximo existiria um contrato de exploração de florestas por prazo(determinado ou indeterminado), e não o negócio jurídico de compra e venda de madeira entre as duas pessoas jurídicas citadas do mesmo grupo econômico, conforme afirmado pelo próprio sujeito passivo. (....) E além disto, por tudo que está descrito acima, há fortes indícios de que as florestas de eucaliptos são de propriedade da EUCATEX S.A.INDÚSTRIA E COMÉRCIO, o que significaria a existência de exaustão na exploração de recursos florestais.Ora, não é a própria EUCATEX S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO que afirma serem as suas fazendas(filiais da mesma)fornecedoras da madeira, o que é fato conforme constatase no CNPJ das fazendas.Inclusive, há glosa parcial das despesas de crédito de armazenagem e fretes na operação de venda de mercadoria, quando parte das mesmas são utilizadas em insumos, no caso madeira, não adquirida de terceiros.Assim sendo, em tese, há dolo específico para caracterização do delito fiscal previsto no art.72 da Lei n°4502/1964, conforme exposto acima. 2. Em face das irregularidades apuradas foram lavrados os seguintes autos de infração: a Auto de Infração da Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 338/339): Valor do crédito tributário de R$ 82.378.318,47, que inclui o tributo, a multa e os juros de mora calculados até 11/2012, fundamento legal citado nas fls. 340/344 ; b Auto de Infração da Contribuição para o o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 363/364): Valor do crédito tributário de R$ 87.200.267,11, que inclui o tributo, a multa e os juros de mora calculados até 11/2012, fundamento legal citado nas fls. 364/368; Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 305/318 em face de FLÁVIO MALUF, OTÁVIO MALUF, JOSÉ ANTÔNIO GOULART DE CARVALHO, CLÁUDIO FERREIRA DE OLIVEIRA e EDISON MASAYUKI TAMURA. A empresa autuada e os sujeitos passivos solidários: FLÁVIO MALUF, OTÁVIO MALUF e JOSÉ ANTÔNIO GOULART DE CARVALHO foram cientificados dos autos de infração em 17/11/2012 (fls. 388, 307, 310 e 319), ao passo que os Srs EDISON MASAYUKI TAMURA e CLÁUDIO FERREIRA DE OLIVEIRA foram cientificados dos autos em 16/11/2012 e 19/11/2012, respectivamente (fls. 313 e 316). Os contribuintes apresentaram uma mesma peça impugnatória, de fls. 393/424, em 19/12/2012, da qual destaco: Fl. 678DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.722111/201241 Acórdão n.º 3302003.138 S3C3T2 Fl. 4 5 a a responsabilidade somente pode ser redirecionado nas hipóteses em que os diretores e gerentes agirem com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, o que NÃO se comprovou ter ocorrido; b o Sr. AFRF simplesmente lavrou o Termo de Sujeição Passiva sem contudo indicar de maneira clara e inequívoca qual o fundamento legal para inclusão dos diretores e gerentes no pólo passivo da obrigação tributária. Ademais, como cediço e já pacificado, o mero inadimplemento de obrigações tributárias não caracteriza infração legal; c as decisões do E. STJ são claras no sentido de que o redirecionamento deve ser precedido de efetiva comprovação, pela Fazenda Pública, de que os diretores e gerentes efetivamente tenham agido de forma irregular, ilegal; d para fins de constituição do crédito tributário, o Sr. AFRF simplesmente considerou o valor contábil das compras como o valor supostamente devido pela impugnante, quando o correto seria retirar tais valores da base de cálculo dos creditos de PIS/COFINS, proporcionalmente às respectivos alíquotas; e no tocante à glosa das despesas com frete e armazenagem, o SR. AFRF utilizou os valores efetivos referentes à aquisição de madeira da AgroFlorestal Ltda. para realizar um cálculo proporcional, ou seja, sem qualquer documento comprobatorio de que tais números representam de fato o quantum gasto nessas operações; f não se pode deixar de mencionar que o Sr. AFRF adotou para a mesma operação critérios distintos, uma vez que partes das notas fiscais foram consideradas válidas e outras não, as quais deveriam, da mesma forma, ter servido de base para o Al, ora guerreado (doc. 03); g No Código Civil, a simulação nos atos jurídicos ocorre quando aparentemente conferirem ou transmitirem direitos a pessoas diversas das a quem realmente conferem; quando contiveram declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira, ou quando os instrumentos particulares forem antedatados ou posdatados. A partir dessa definição é possível depreender que o caso em exame não pode ser atacado pelo Fisco sob o prisma da simulação, pois, as partes existem, praticam efetivamente negócio jurídico de compra e venda de madeiras, não há impedimento legal para tanto e seguem todas as formalidades exigidas; h o conjunto de atos lícitos praticados pelo contribuinte, que tenham como objetivo diminuir sua carga tributária, ou seja, elisão fiscal, são legítimos, de modo que não são por excelência atos simulados ou fraudulentos; i No caso em questão, as empresas têm sede própria, contabilidade e pessoal administrativo e operacional individualizados, conforme atesta o Relatório Anual de Informações Sociais RAIS (doc. 04) e recolhimento de INSS da AgroFlorestal (doc. 05), de modo que ambas apuram e recolhem seus impostos. Não há mútuos entre as empresas, o que demonstra a independência financeira e operacional da Impugnante, bem como da sua fornecedora, sendo irrelevante o fato de serem do mesmo grupo econômico; j para caracterização do planejamento tributário, a presença da vantagem econômica é motivo imprescindível. No entanto, no caso em questão, em nenhum momento o Sr. AFRF demonstrou que a operação resulta numa elisão fiscal; Fl. 679DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO 6 k é indubitável que não se trata de planejamento tributário, tal pouco há atos simulados, uma vez que todas as operações são efetivamente reconhecidas no plano real, contábil e fiscal, uma vez que tais operações são computadas nas apurações dos respectivos tributos incidentes, razão pela qual não se trata de mesma empresa e tais aquisições devem ser consideradas como insumos, e como tal base de créditodo PIS/COFINS; l requer seja recebida a presente Impugnação para anular in totum o lançamento impugnado, haja vista seu inequívoco erro de constituição, determinando seu cancelamento imediato; m Caso assim não entenda esse D. Órgão Julgador, seja, no mérito julgada procedente a impugnação para cancelar o auto de infração, afastandose a absurda imposição de simulação feita pelo Sr. Agente Fiscal, e validando a operação praticada pela Impugnante, inclusive com o aproveitamento dos créditos de PIS/COFINS decorrentes da aquisição de madeira de pessoa jurídica independente. O julgamento foi convertido em diligência, por meio do Despacho de fls. 589/590, com o intuito de se obter uma melhor instrução processual. Ao término dos trabalhos de diligência, a fiscalização elaborou o Relatório Fiscal de fls. 598/603, no qual opina pelo cancelamento da glosa de créditos relativos a despesas com frete e armazenagem e concorda que equivocouse ao considerar como crédito de PIS e de COFINS aquilo que na realidade era de base de cálculo dos créditos. A respeito deste relatório, o contribuinte manifestouse nas fls. 608/613, nas quais reitera os fundamentos da impugnação. É o relatório." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente a impugnação apresentada pela fiscalizada nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 AQUISIÇÃO DE PRODUTOS. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. É necessária a produção de provas robustas, para se descaracterizar a operação de compra e venda. CRÉDITO. DESPESAS COM FRETE E ARMAZENAGEM. Os gastos com fretes e armazenagem glosados pela fiscalização devem ser discriminados, caso contrário ocorrerá cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 AQUISIÇÃO DE PRODUTOS. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. É necessária a produção de provas robustas, para se descaracterizar a operação de compra e venda. CRÉDITO. DESPESAS COM FRETE E ARMAZENAGEM. Os gastos com fretes e armazenagem glosados pela fiscalização devem ser discriminados, caso contrário ocorrerá cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 680DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.722111/201241 Acórdão n.º 3302003.138 S3C3T2 Fl. 5 7 Considerando que a decisão piso tenha exonerado o crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, previsto na Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Conforme se extrai dos autos, a Interessada é empresa de direito privado e tem como objeto social a fabricação de madeira laminada e de chapas de madeira compensada, prensada e aglomerada, devidamente inscrita no CNPJ (MF) sob o nº 56.643.018/000166. Em 14 de junho de 2005, a Interessada juntamente com o Sr.º José Antônio Goulart de Carvalho constituíram a empresa denominada Eucatex AgroFlorestal Ltda., inscrita no CNPJ (MF) sob o nº 07.580.377/000106, para realização das seguintes atividades: "A sociedade tem por objeto: a) o cultivo de mudas e florestas próprias ou adquiridas de terceiros, que se destinem ao corte para comercialização, consumo, além de prestar consultoria ambiental; b) a produção agrícola e de fibras vegetais; c) a participação em outras empresas na qualidade de quotista ou acionista; d) a importação e exportação em geral; e) a representação por conta própria ou de terceiros e atividades ligadas ao presente objeto; f) prestação de serviços relacionados com o presente objeto." O capital social da sociedade Eucatex AgroFlorestal Ltda foi dividido da seguinte forma: Nome Quotas Valor Eucatex S/A Indústria e Comércio 9.900 9.900,00 José Antônio Goulart de Carvalho 100 100,00 Já em 22 de novembro de 2007, por meio de ordem judicial proferida nos autos da Recuperação Judicial nº 72201/05, em trâmite perante a 3ª Vara Cível da Comarca de Salto em São Paulo, a Interessada transferiu, a título de integralização de capital, à empresa Eucatex AgroFlorestal Ltda. os seguintes imóveis de sua propriedade (vide documentos de fls.555583): 1. Rua Ribeirão Preto, 811 Casa 01, Município de Salto, Estado de São Paulo, CEP. 13.322010; 2. Estrada Municipal Botucatultatinga, s/n°, Km 14, Município dè .Botucatu", Estado de São Paulo, CEP. 18603970, Fazenda São Francisco de Assis; 3. Estrada Municipal Rubião Júnior, s/n°, Km 13, Município Botucatu, Estado'de São Paulo, CEP. 18603000, Fazenda João Paulo II; Fl. 681DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO 8 4. Bairro Três Cruzes, s/n°, Município de Elias Fausto, Estado de São Paulo, CEP. 13350000, Fazenda São Pedro; 5. Bairro Cruz das Almas, s/n°, Município de Itu, Estado de São Paulo, CEP. 13301331, Fazenda Santa Luzia, 6. Bairro do Jacu, s/n°, Município de Itu, Estado de São Paulo, CEP. 13301 331, Fazenda Nossa Senhora da Conceição; 7. Fazenda Santo Agostinho, s/n° Município de Salto de Pirapora, Estado a j São Paulo, CEP. 18160013; 8. Bairro Pirambóia, s/n°, Município de Anhembi, Estado de São Paulo, Ci P. 18620000, Fazenda São Judas Tadeu III; 9. Estrada Itatinga Angatuba, Km 18 Bairro dos Veados, s/n°, Municír, J de Itatinga, Estado de São Paulo, CEP. 18690000, Fazenda São Joa do Bromado; 10. Estrada Conduz a Estrada Oiti, Km 16, s/n°, Município de Botucatu, estado de São Paulo, CEP. 18603750, Fazenda Santa Fé; 11. Rodovia Municipal Itatinga Angatuba, Km 17, s/n°, Município de :atinga, Estado de São Paulo, CEP. 18690000, Fazenda Santa Irene; 12.Rodovia SP191, Km 15,5, Município de São Manuel, Estado de S i o Paulo, CEP. 18650000 Fazenda São Manuel; 13. Estrada ItatíngaAngatuba, s/n°, Município de Itatinga, Estado de S o Paulo, CEP. 18690000, Fazenda Boa Esperança II; 14. Estrada Itatinga, Km 16, s/n° Município de Itatinga, Estado de SlolPaulo, CEP. 18690000, Fazenda Avaré; 15. Estrada Municipal Itatinga Botucatu, s/n° Município de Botucatu, EUado de São Paulo, CEP. 18603750, Fazenda Morrinhos; 16. Estrada Municipal s/n° Km 4, s/n°, Município de Avaré, Estado : e São Paulo, CEP. 18701175, Fazenda Rio Pardo; 17.Estrada Municipal São Miguel Arcanjo Capão Bonito, s/n°, Município de Capão Bonito, s/n° Estado de São Paulo, CEP. 18300050, Frenda Vitória; 18.Estrada Municipal Capão Bonito/São Miguel Arcanjo, s/.n° Município de Capão Bonito, Estado de São Paulo, CEP. 1830Õr050, Fa tenda Paranapanema; 19. Estrada Municipal São Miguel Arcanjo/Capão Bonito, s/n?» Município de Capão Bonito, Estado de São Paulo, CEP. 18300050, Fazenda São/Tomé; 20. Bairro Ferreira das Almas, s/n°, Município de Capão Bonito,,Estadò dè São Paulo, CEP. 18300050, Fazenda Planalto; 21. Bairro São Roque Novo, s/n°„ Município de Bofete, Estado de São Paulo, CEP. 18.590000, Fazenda Santa Terezinha I; 22. Estrada Municipal de Buri, s/n°, Município de Buri, Estado de São Paulo, CEP. 18.290000, Sítio São Benedito; 23. Estrada Municipal ItatingaAvaré, km 18, Município de Itatinga, Estado de São Paulo, CEP. 18.690000, Fazenda Liberdade; Fl. 682DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.722111/201241 Acórdão n.º 3302003.138 S3C3T2 Fl. 6 9 24.Junto à Represa Jurumirim/Encravada na Fazenda Veados, Município de Itatinga, Estado de São Paulo, CEP. 18.690000, Fazenda Santa Adelaide; 25. Rodovia SP 147 à 8 Km da Rodovia SP300, s/n°, Município de Anhembi, Estado de São Paulo, CEP. 18700000, Fazenda Coronel Delfino; 26. Estação Barra Grande Km 7 Entrada à Direita, s/n°, CEP. 18700000, Município de Avaré, Estado de São Paulo, Fazenda 2T, 27. Estrada Municipal Presidente Alves a Gália, s/n°, Município de Presidente Alves, Estado de São Paulo, Fazenda Boa Esperança; 28. Km 15 da Estrada antiga Paranapanema, s/n°, Município de Avaré, Estado de São Paulo, CEP. 18700000, Fazenda Santa Filomena; 29. Estrada Municipal Itaginga à Pardinho, Km 5, s/n°, Município de Itatinga, Estado de São Paulo, CEP. 18690000, Fazenda Figueira; 30. Estrada Botucatu à Piapara, Km 11, s/n°, Município de Anhembi, Estado de São Paulo, CEP. 18620000, Fazenda Alvorada; 31. Estrada Municipal Presidente Alves Garça, Km 20 Município de Presidente Alves, Estado de São Paulo, CEP. 16670000, Fazenda Nova Esperança; 32. Estrada Botucatu/Piapara, Km 26 Município de Anhembi Estado de São Paulo, CEP. 18620000, Fazenda Barra Mansa; 33. Estrada da Barra Km 35 Município de Itatinga Estado de São Paulo, CEP. 18690000, Fazenda ACN; e, 34. Rodovia Marechal Rondon, Km 29, Distrito Vitoriana, Bairro Cezar Neto, Município de Botucatu, Estado de São Paulo, CEP. 18603970 Fazenda Estiva. A motivação da decisão judicial foi proferida nos seguintes termos: "(...) Realizada perícia contábil (fls. 2984/3061), concluiu o perito que, caso a integralização de bens tivesse se efetivado, não teria restado prejuízo patrimonial à empresa recuperanda, em especial porque detém mais de 99% das ações da empresa EUCATEX AGROFLORESTAL LTDA. A integralização consistiria em manobra empresarial objetivando redução da contribuição previdenciária relativa ao empregador. Segundo entendimento do INSS, a contribuição deveria ser calculada sobre o faturamento total da empresa e não mais sobre o valor da folha de pagamento (fls.2990 e 3009). Conforme destacou o representante do Ministério Público (fls.3.064): Ao efetivar a transferência das propriedades rurais, a empresa recuperanda procurou gerir seu patrimônio na órbita do que se entende por ativo permanente. Ou seja, não teve por objetivo alienar ou onerar bens do seu ativo permanente, mas movimentálos dentre das subcontas que os especificam. A manobra societária, em resumo, procurou migrar os bens da subconta imobilizados (inerentes às atividades da empresa) para a de investimentos (não inerentes às atividades da empresa). Tal agir, contudo, não acabou por desfalcar o Fl. 683DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO 10 ativo permanente da recuperanda, que, de uma forma ou de outra, continua contando com as propriedades rurais que seriam transferidas. Portanto, verificase que o ato jurídico praticado pela autora não acarretou danos aos credores ou consistia em ato fraudulento, razão pela qual não se pode considerar a hipótese da convolação da recuperação judicial em falência. Embora financeiramente a integralização do capital possa ser entendida como transferência entre contas, juridicamente constitui verdadeira alienação de bens, a exigir a necessária autorização judicial ( Lei nº 11.101/05, artigo 66). Conquanto o objetivo do negócio jurídico fosse simples, sua materialização envolvia a transferência de inúmeras propriedades rurais para a subsidiária. Uma vez concretizada, os bens poderiam eventualmente responder por dívidas da EUCATEX AGROFLORESTAL LTDA. e também serem alienados sem as restrições de uma empresa em recuperação judicial. Portanto, escorreito o procedimento adotado pela Oficial do Registro de Imóveis. Inúmeras são as irregularidades apontadas, mas não todas de interesse do juízo da recuperação. Diversas são afeitas ao ato registrário e deverão ser oportunamente enfrentadas ou sanadas pela recuperanda. Como a escritura de compra e venda foi lavrada sem observância dos artigos 66 e 69, da Lei nº 11.101/2005, deverá a recuperanda realizar nova escritura ou ratificar a anterior, observando as normas legais mencionadas.(...) (destacado) Dado isso, nos termos da cláusula 2ª, da 4ª Alteração Contratual datado de 22 de novembro de 2007 (fls.257284), a empresa Eucatex AgroFlorestal Ltda. constituiu uma filial para cada imóvel recebido a título de integralização. Face às alterações societárias procedidas, verificase que a Interessada deixou de ser proprietária dos referidos imóveis, centralizando o plantio e cultivo de eucaliptos na empresa Eucatex AgroFlorestal Ltda. Concernente as operações realizados no exercício de 2008, alvo da fiscalização, a Interessada adquiriu da empresa Eucatex AgroFlorestal Ltda., por meio de operação de compra e venda, insumos (árvores em pé) para ser utilizado em seu produtivo, tendo apurado e utilizado créditos de PIS e de COFINS. Ao que consta dos autos, a operação era realizada da seguinte forma: A) A interessada por meio de suas filiais (Eucatex S/A Indústria e Comércio CNPJ 56.643.018/000166) adquiria da empresa Eucatex AgroFlorestal, CNPJ 07.580.377/000106, madeiras (árvores em pé) para ser utilizada em seu processo produtivo; B) Por conta do Regime Especial concedido pelo Governo do Estado de São Paulo, abaixo (fls.552554), quando a operação estava relacionada a aquisição de árvores em pé, a Interessada e suas filiais ao assumir o encargo de retirar o material eram obrigadas a emitir notas fiscais de compra. Nesse momento a Interessada procedia o registro contábil das operações e apurava o crédito de PIS/COFINS. Art. 1o Nas aquisições de matériasprimas constituídas por madeira, raiz de mandioca e gomaresina de pinus elliotis, feitas a fornecedores deste Estado, quando a requerente assumir o encargo de retirar ou transportar as mercadorias, serão estas acompanhadas no seu trânsito por nota fiscal de entrada de subsérie especial emitida pelo estabelecimento destinatário. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.722111/201241 Acórdão n.º 3302003.138 S3C3T2 Fl. 7 11 Art. 3°. A interessada exigirá de cada estabelecimento de produto a emissão de uma nota fiscal de produtor, no último dia do mês, à vista dos totais registrados nas "Fichas de Controle", referida no artigo anterior, englobando os fornecedores havidos nesse mês. 2. Fica o presente regime especial averbado para os estabelecimentos filiais da interessada arrolados a seguir: 2.1 Estrada de Buri, s/n° (....) CGC: 38.991.592/001014; 2.2. Estrada Municipal do Ibiti, s/n° (....) CGC: 38.991.592/001367 2.3.Estrada Municipal Botucatu a Itatinga, s/n° CGC: 56.643.018/009708 (g.n.) C) Após a retirada da madeira pela filial da Interessada, o produto era transferida à Matriz para industrialização; D) A empresa Eucatex AgroFlorestal estava desincumbida de emitir nota fiscal de venda, pr conta do regime especial e da Consulta nº 526/2001, de 19 de setembro de 2001. Nessa situação fática, a autoridade fiscal entendeu que houve simulação no negócio realizado entre a interessada e sua subsidiária (AgroFlorestal Ltda.), posto que segundo ela a aquisição de madeira da empresa EUCATEX AGROFLORESTAL LTDA de fato não teria ocorrido, haja vista que a madeira seria oriunda de fazendas pertencentes a própria Interessada, havendo pura e simplesmente mera transferência de bem, não existindo, assim, direito à tomada de crédito. Em suma, pretende a fiscalização demonstrar que a criação da empresa Eucatex AgroFlorestal Ltda. foi simulada, objetivando uma diminuição no recolhimento de PIS/COFINS. Como a acusação da autoridade fiscal é de que a Interessada tenha simulado o negócio jurídico realizado, o enfretamento da existência ou não de simulação é medida que se impõe. O planejamento tributário, na medida em que tem sua legalidade provada pelo uso de formas alternativas ou indiretas, representando o negócio jurídico praticado, tem o seu limite de licitude na equivalência entre o fato praticado e o seu efeito jurídico. Ultrapassado este limiar, aparece o artifício dissimulador necessário para disfarçar ou camuflar o verdadeiro e real ato promovido e os seus efeitos jurídicos. No direito tributário, é perfeitamente admissível ao contribuinte utilizarse de meios lícitos para economizar/reduzir tributos. Assim, o planejamento tributário, que pode ser legítimo, é ponto de conturbada verificação, considerando que se deve aferir até que ponto é possível ao contribuinte (sujeito passivo da relação), empreender métodos e negócios jurídicos que impliquem a não ocorrência do fato gerador de determinado tributo. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO 12 Assim, é na prática de atos simulados que o limite da licitude é transposto, cabendo à Administração Pública investigar e provar sua ocorrência. Sobre atos simulados, trazemos à baila os ensinamentos do professor Silvio Rodrigues1: "A simulação é, na definição de Beviláqua, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. Negócio simulado, portanto, é aquele que oferece uma aparência diversa do efetivo querer das partes. Estas fingem um negócio que na realidade não desejam. Encontramse aí os elementos básicos caracterizadores da simulação, pois nela é elementar a existência de uma aparência contrária à realidade. Tal disparidade é produto da deliberação dos contraentes. De fato, a simulação caracterizase quando duas ou mais pessoas, no intuito de enganar terceiros, recorrem a um ato aparente, quer para esconder um outro negócio que se pretende dissimular (simulação relativa), quer para fingir uma realidade jurídica que nada encobre (simulação absoluta). Tratase, portanto, de uma burla, intencionalmente construída em conluio pelas partes que almeja disfarçar a realidade enganando terceiros." (destaques incluídos). Segundo Silvio de Salvo Venosa2 caracteriza a simulação, fundamentalmente, a divergência consciente entre a vontade e a declaração realizada, confira se: "Há, na verdade, oposição entre o pretendido e o declarado. As partes desejam mera aparência do negócio e criam ilusão de existência. Os contraentes pretendem criar aparência de um ato, para assim surgir aos olhos de terceiros. A disparidade entre o querido e o manifestado é produto da deliberação dos contraentes. Na simulação, há conluio. Existe uma conduta, um processo simulatório; acerto, concerto entre os contraentes para proporcionar aparência exterior do negócio". Interessante, também, verificar o magistério de Paulo Ayres Barreto3: "A simulação em sentido lato é definida como a declaração de vontade irreal, emitida conscientemente, que visa a aparentar um negócio jurídico inexistente, ou que, se existe, é diferente daquele que se realizou, com o propósito de iludir terceiros. E requisito indispensável, portanto, que haja uma divergência entre a vontade interna e a declarada, como bem lembra César García Novoa. No âmbito fiscal, o prejuízo ocasionado pelo ato simulado é o não recolhimento ou a diminuição do valor que efetivamente deveria ser recolhido a título de tributo. Sobre esse assunto, o Direito Tributário, por força do art. 109 do Código Tributário Nacional, segue o conceito dado pelo Direito Privado, o qual distingue duas espécies de simulação:a absoluta e a relativa. A simulação será absoluta quando não houver relação negocial efetiva entre as partes, isto é, elas praticam um ato de forma ostensiva, mas este, verdadeiramente não ocorre. Por conseguinte, não esperam nenhum efeito do ato simulado. É, por exemplo, o caso de venda simulada para executar uma fraude contra credores. 1 Rodrigues, Silvio Direito Civil Parte Geral. vol. 1 São Paulo Saraiva, 2000 0 30ª Edição. pag. 222228 2 VENOSA, SILVIO SALVO. Direito Civil, Parte Geral, Editora Atlas Jurídico, 6a edição, pág. 523. 3 BARRETO, Paulo Ayres. Ato Simulado e Sonegação Fiscal. São Paulo: Editora Noeses, 2014. Pág. 7. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.722111/201241 Acórdão n.º 3302003.138 S3C3T2 Fl. 8 13 Por outro lado, caracterizase a espécie relativa (dissimulação) quando há dois negócios jurídicos sobrepostos: o simulado aparece para terceiros, mas sua função na verdade é ocultar outro negócio, dissimulado, aqueles que as partes realmente desejam." Os requisitos para configurar simulação estão previstos no Código Civil, em seu artigo 167, §1º, que assim dispõe: "Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. §1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Sobre o tema, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais têm adotado o seguinte posicionamento: “SIMULAÇÃO/DISSIMULAÇÃO – Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade, ao passo que a dissimulação contém em seu bojo um disfarce, no qual se encontra escondida uma operação em que o fato revelado não guarda correspondência com a efetiva realidade, ou melhor, dissimular é encobrir o que é”. (acórdão 10194.771) Depreendese dos citados ensinamentos que simular é o ato de fingir, mascarar, esconder a realidade, camuflar o objetivo de um negócio jurídico valendose de outro, eis que o objetivo intentado seria alcançado por negócio diverso, daí o motivo de o artigo 167 do Código Civil dispor que o negócio jurídico simulado será nulo, porém, subsistirá o que se dissimulou, se for válido na substância e na forma. Por isso, incumbe ao Fisco desconstituir a presunção de legitimidade de que gozam os atos e negócios jurídicos atacados, provando que não passam de mera aparência ou ocultam uma outra relação jurídica de natureza diversa, escamoteando a ocorrência do fato gerador, há de se valer da prova indireta, de indícios, que hão de ser graves, precisos, concordantes entre si, resultantes de uma forte probabilidade e indutores de ligação direta do fato desconhecido com o fato conhecido. Contudo, não vejo nos autos nenhum indício de ato simulado, posto que as irregularidades apontadas pela autoridade fiscal, que poderiam configurar a famigerada "simulação", não restaram comprovadas. Com efeito, não há nos autos provas de que a Interessada, no exercício de 2008, era proprietária dos imóveis que são extraídas as madeiras utilizadas como insumos em seu processo produtivo. Por outro lado, os documentos societários carreados no processo, os quais foram devidamente registrados na JUCESP, indicam, até prova em contrário, que as Fl. 687DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO 14 propriedades da Interessada foram transferidas no exercício de 2007, a título de integralização de capital, à empresa Eucatex AgroFlorestal Ltda., dando conta que os imóveis não mais pertenciam a Interessada. Neste ponto, destacase que a integralização de capital realizada pela Interessada, avalizado por ordem judicial e devidamente registrado nos órgãos competentes (JUCESP), demonstra que houve transferência de propriedade dos bens da Interessada à empresa Eucatex AgroFlorestal Ltda., comprovando que, de fato, ela não era proprietária dos imóveis onde são extraídos os insumos. A Solução de Consulta nº 224, de 14 de agosto de 2014, embora não trate de questão idêntica a discutida neste processo, esclarece que a integralização de capital equivale a alienação propriamente dita, senão vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRANSFERÊNCIA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. PESSOA FÍSICA. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. Na operação de incorporação de ações, a transferência destas para o capital social da companhia incorporada caracteriza alienação cujo valor, se superior ao indicado na declaração de bens da pessoa física que as transfere, é tributável pela diferença a maior, como ganho de capital, na forma da legislação.Dispositivos Legais: Lei nº 6.404, de 1976, art. 252; Lei nº 7.713, de 1988, art.3º; Lei nº 9.249, de 1995, art. 23; e Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, arts. 2º, 3º, 16, 27 e 30. Portanto, não vejo irregularidades na operação de compra e venda realizada entre a Interessada e a empresa Eucatex AgroFlorestal Ltda., tratandose de mera operação mercantil devidamente aceita em nosso ordenamento jurídico. Neste ponto, destaco parte do voto proferido pelo julgador de piso: O simples exame destes processos de produção não permite concluir que as fazendas fornecedoras de madeira estariam localizadas nas propriedades do impugnante. As descrições somente indicam as etapas de produção que se inicia no viveiro de mudas, em seguida estas mudas são plantadas nas fazendas, e após o corte das árvores estas são estocadas e levadas à fabrica. O simples fato de a "floresta de eucaliptos" estar na seqüência entre o "viveiro de mudas" e a fábrica, não indica necessariamente que as fazendas produtoras de madeira sejam de propriedade do impugnante. Os textos contidos nestes documentos também não trazem subsídios capazes de determinar que as fazendas seriam de propriedade do contribuinte. Consta somente a seguinte informação, incapaz de determinar quem seria o proprietário das fazendas: "o viveiro produz 23 milhões de mudas clonais por ano para as 73 fazendas, que abastecem a unidades fabris". Além disso, existem outros fatos comprovados pela Interessada que afastam qualquer indício de simulação nas operações sob análise, a saber: (i) as empresas possuem sede própria; e (ii) contabilidade e funcionários individualizados. Conclusão diversa chegaria se a fiscalização demonstrasse de forma contundente que os locais de onde são extraídos os insumos eram de propriedade da Interessada; que a empresa Eucatex AgroFlorestal Ltda. não mantinha registros e inscrições fiscais próprias; que não possuia empregados; e que não celebrava seus próprios negócios. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.722111/201241 Acórdão n.º 3302003.138 S3C3T2 Fl. 9 15 Não bastasse isso, é imperioso destacar que a simples criação de uma empresa com o objetivo de reduzir a carga tributária, por si só, não caracteriza infração fiscal, tampouco é suficiente para desconsiderar os atos e negócios realizados com amparo legal. Nesse sentido: COFINS DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS CISÃO PARCIAL DESMEMBRAMENTO DE ATIVIDADESIMULAÇÃO INOCORRÊNCIA ART.116, § ÚNICO DO CTN. Embora não se ignore que a autoridade administrativa pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a Lei Complementar somente autoriza a desconsideração, desde que observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária (art. 116, § único do CTN). Assim o contrato só se transmuda em forma dissimulada quando ocorrer violação da própria lei e da regulamentação que o rege, donde decorre que a descaracterização do contrato só pode ocorrer quando fique devidamente evidenciada uma das situações previstas em lei, sendo que fora desse alcance legislativo, impossível ao Fisco tratar um determinado contrato privado como outro de natureza diversa, para fins tributários. Não há simulação na cisão parcial através da qual se efetua o desmembramento de atividades em várias empresas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. (Acórdão n° 3402001.908 da 4a Câm., sessão de 26/09/12) Como se vê, o fato de uma empresa desmembrar suas atividades para reduzir a carga tributária, não pode e não deve ser vista pelas autoridades competentes como ato ilícito. Isto porque, para obter o melhor resultado em uma economia instável com altos índices de tributação como a brasileira, um dos mais significativos instrumentos de que as empresas dispõem, para que possam equacionar seus custos tributários, desde que respeitada as legislações pertinentes a cada tributo, é o planejamento tributário. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, mantendose integralmente a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 689DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO
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Numero do processo: 10166.728248/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 22.
Constitui infração apresentar a empresa informações digitais com registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção.
VALOR DA MULTA.
Considera-se correto o valor da multa quando calculado conforme os ditames legais.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.961
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 22. Constitui infração apresentar a empresa informações digitais com registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção. VALOR DA MULTA. Considerase correto o valor da multa quando calculado conforme os ditames legais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 82 48 /2 01 1- 61 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10166.728248/201161 Acórdão n.º 2201002.961 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0351.975 da 5ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito tributário, constituído em desfavor do MDF MOVEIS LTDA, por intermédio dos seguintes autos de infração de obrigação acessória: – AIOA DEBCAD 51.010.3863, no valor de R$ 971.638,71 (novecentos e setenta e um mil, seiscentos e trinta e oito reais e setenta e um centavos), AIOA DEBCAD 51.010.3871, no valor de R$ 30.488,28 (trinta mil, quatrocentos e oitenta e oito reais e vinte e oito centavos) e, AIOA n. 51.010.3880, no valor de R$ 45.732,42 (quarenta e cinco mil, setecentos e trinta e dois reais e quarenta e dois centavos), (CODIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL – 22, 35 e 38, respectivamente). De acordo com o Relatório Fiscal de fls.8/31, na presente auditoria foram analisados todos os documentos apresentados pela empresa, entre eles: Os registros contábeis foram apresentados em formato de arquivos digitais no padrão MANAD, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP N. 12/2006 e os registros de folhas de pagamento no padrão MANAD, porém, estes, contendo informações inexatas, o que impossibilitou sua utilização na apuração dos fatos geradores; Foram utilizadas também, informações coletadas em diligências fiscais realizadas junto às empresas AMERICEL S/A e 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A, ambas contratantes da MDF MOVEIS LTDA. No exame da documentação, a auditoria apurou fatos geradores de contribuição previdenciária provenientes do pagamento de verba remuneratória devida a segurados empregados (promotores/vendedores), a título de incentivo de vendas. Durante as ações fiscais nas empresas acima citadas constataramse que a empresa prestadora de serviços de telefonia móvel sob a marca CLARO possuía contrato de Constituição de Relações Comerciais com a autuada, cujos nomes comerciais são STAR MÓVEIS; IDHEA, para comercialização de aparelhos celulares, acessórios e ativação de serviços de telefonia celular. Tal acordo abrangia, dentre outras, cláusulas comerciais que previam o fornecimento de treinamento pela Claro aos vendedores da autuada e o respectivo pagamento Fl. 415DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 de valores à mesma, em contraprestação pela utilização de sua força de vendas em horário integral na comercialização de produtos e aparelhos da marca Claro, à título de incentivo, sob a denominação de guelta. Referidos pagamentos efetuados a autuada, constam da contabilidade da empresa AMERICEL S/A, em contas de despesas nos anos de 2006 e 2007, em que foram lançadas Notas de Débitos emitidas pela empresa varejista, a título de incentivo de venda (gueltas) de seus promotores, juntamente com relatório de controle de vendas de aparelhos celulares efetuadas (relatório Rotatividade Geral de Produtos mensal),anexo. Intimada a apresentar de forma inequívoca, as contas contábeis utilizadas para o registro contábil dos pagamentos feitos pela CLARO/AMERICEL S/A, a autuada não apresentou a documentação a contento, afirmando que as notas de débito não foram localizadas em seu arquivo, assim como foram incinerados os relatórios de rotatividade dos produtos que serviram de base para o cálculo dos pagamentos de incentivos de vendas. A empresa apresentou, ainda, as notas fiscais de prestação de serviços emitidas. Para a contabilização dos valores recebidos, a empresa indicou a conta contábil do grupo Receita OperacionalServiços Prestados. Analisada tal conta, foram identificados pagamentos feitos à autuada por outras empresas prestadoras de serviços de telefonia celular como, VIVO, TIM e BRASILTELECOM, além da própria AMERICEL. Intimada a apresentar todos os contratos de prestação de serviços com as mesmas e os documentos de suporte dos lançamentos efetuados, a empresa os apresentou, quando foi constatada a existência de pagamentos habitualmente efetuado a título de incentivo de vendas/gueltas, para promotores de vendas da autuada, para o período de 01/2007 a 12/2008, por parte da empresa 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A, além da AMERICEL S/A. Em pesquisa realizada nos sistemas da Receita Federal do Brasil, para fins de confrontação de valores constantes do Imposto de Renda Retido na FonteDIRF, apresentada pelos contratantes, com os valores contabilizados pela autuada, relativos à respectiva prestação de serviços, foi verificada grande discrepância relativa aos valores pagos pela empresa 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A. A MDF MOVEIS LTDA, constou como beneficiária de rendimentos pagos pela 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A, além da AMERICEL S/A, conforme DIRF apresentada para o ano de 2007, no valor total de R$567.000,00 relativos a comissões e corretagens (código de receita 8045). No entanto, nos lançamentos da MDF, só constam lançamentos de serviços prestados à BRASIL TELECOM entre os meses de 07/2008 e 12/2008.Intimada a informar de forma inequívoca as contas contábeis utilizadas para o registro dos valores discrepantes, limitouse a informar que tais valores referemse ao contrato de relações comerciais firmado entre as partes e que as contas contábeis utilizadas constam dos seus Diários. Devido tanto, as discrepâncias de valores declarados e contabilizados, quanto a falta de esclarecimentos suficientes Fl. 416DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10166.728248/201161 Acórdão n.º 2201002.961 S2C2T1 Fl. 4 5 prestados pela MDF, assim como pela apresentação inconsistente da totalidade da documentação comprobatória dos fatos sob análise, a fiscalização decidiu por realisar diligências fiscais nas empresas AMERICEL S/A e 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A, com vistas a subsidiar o procedimento fiscal, quando restou evidenciada a existência de pagamentos realizados mensalmente, conforme contrato, de valores relativos a incentivo de venda a empres MDF, pela disponibilização de sua equipe de promotores para a comercialização de serviços e produtos daquelas empresas. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: ▪ AIOA n. DEBCAD 51.010.3863 (CODIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL – 22), no valor de R$ 971.638,71 (novecentos e setenta e um mil, seiscentos e trinta e oito reais e setenta e um centavos), por apresentar informações em meio digital com incorreções, infringindo, assim, o disposto na Lei 8.218/91, art.11, §§3º e 4º, ou seja, intimada a apresentar as informações contábeis e de folhas de pagamento em formato de arquivos digitais no padrão MANAD, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP N. 12/2006, para os anos de 2007 e 2008, os arquivos apresentados das folhas de pagamento continham somente as informações referentes ao estabelecimento Matriz, CNPJ n. 02.524.506/000125. Intimada através de TIF n. 01 para efetuar a correção forneceu novos arquivos persistindo em incorreções, tais como: não continham as informações referentes às competências 01 a 11/2007 e 01 a 11/2008 e, informações referentes ao 13º salário dos anos de 2007 e 2008 para todos os estabelecimentos da empresa, além de não conter as rubricas de provento códigos 600 e 640, constantes da folha de pagamento em meio papel apresentada. A empresa persistiu no erro também ao ser intimada, através de TIF n. 02, apresentando novos arquivos digitais contendo informações inconsistentes. A multa aplicada a esta conduta está preceituada no art.12, inciso II, parágrafo único, da Lei 8.218/ 91, conforme cálculo da multa , no item 76, deste relatório às fls.23. ▪ AIOA n. DEBCAD 51.010.3871, (CODIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL – 35), no valor de R$ 30.488,28 (trinta mil, quatrocentos e oitenta e oito reais e vinte e oito centavos), por deixar de prestar, à Secretaria da Receita Previdenciária – SRP, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, infringindo, assim, o dispositivo legal previsto no §11, art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP n. 449/2008, c/c art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A infração restou caracterizada quando a autuada, devidamente Fl. 417DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 intimada por meio de Termo de Intimação Fiscal – TIF 01, deixou de apresentar: . Notas de Débito;. Notas Fiscais ou Recibos emitidos, referentes ao pagamento de incentivos de vendas/gueltas devidos aos promotores Star/Claro;. Relatórios de Rotatividade de Produtos emitidos que serviram de base para a apuração dos pagamentos dos incentivos citados. A multa aplicada à esta conduta está preceituada nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91, e do inciso II, alínea "b" do art. 283 e art. 373, ambos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, cujo valor foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 407, de 14/07/2011. O contribuinte incorreu em reincidência genérica, conforme resumo das infrações apuradas em procedimento fiscal anterior, às fls.25, item 81 do relatório fiscal. Dessa forma, o valor mínimo da multa foi elevado em 2(duas) vezes, ou seja, R$ 15.244,14 x 2 = 30.488, 28. ▪ AIOA n. DEBCAD 51.010.3880, (CODIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL – 38) no valor de R$ 45.732,42 (quarenta e cinco mil, setecentos e trinta e dois reais e quarenta e dois centavos), por apresentar livro ou documento que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira, infringindo, assim, o disposto na Lei nº 8.212/91, artigo 33, parágrafos 2º e 3º, com redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, c/c artigo 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A infração restou caracterizada quando ficou constatado que a autuada não contabilizou regularmente valores de remuneração auferidos pela mesma em contrato de prestação de serviços formalizado com a empresa 14 BRASIL TELECOM CELULAR AS, no período de 01/2007 a 05/2008 conforme exposto nos itens 27 a 29 e 39 a 43, do relatório fiscal. A multa aplicada à esta conduta está preceituada no art.92 da Lei 8.212/91 c/c o art. 283, inciso II, alínea “j” do RPS, cujo valor foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 407, de 14/07/2011. O contribuinte incorreu em reincidência específica, conforme resumo das infrações apuradas em procedimento fiscal anterior, às fls.27, item 88, do relatório fiscal. Dessa forma, o valor mínimo da multa foi elevado em 3(três) vezes, ou seja, R$ 15.244,14 x 3 = 45.732,42. DA IMPUGNAÇÃO Tempestivamente, a autuada apresentou a impugnação ao auto de infração DEBCAD nº 51.010.3863 (CFL 22) às fls. 278/381, com as seguintes alegações em síntese: Preliminarmente, alega que o presente auto não merece prosperar, uma vez que atendeu todas as intimações, apresentou todos os arquivos, referentes aos períodos fiscalizados. Forneceu arquivos em 21/09/2011, 05/10/2011 e por último 20/10/2011, para o período solicitado, porém ao contrário do que alega a Autarquia, tais arquivos, cujo conteúdo contém informações Fl. 418DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10166.728248/201161 Acórdão n.º 2201002.961 S2C2T1 Fl. 5 7 consistentes de folhas de pagamentos, foram submetidos sobre a regra de validação, devidamente validados e autenticados, não apresentando avisos e muito menos erros, estando em atendimento às normas legais, conforme comprovantes anexados. Que a presunção de legitimidade diz respeito aos aspectos jurídicos do ato administrativo, e, em decorrência desse atributo, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, o que não se aceita no Processo Administrativo Fiscal é a atuação sustentada em indício obscuro. No caso do lançamento, imprecisa foi à descrição dos fatos, uma vez que, os arquivos referendados (magnético), não constam de vícios, assim, impedido a certeza e segurança jurídica, o que macula o lançamento tornando nula a respectiva constituição. No mérito traz as seguintes argumentações: Que as remunerações oriundas do contrato celebrado com a 14 BRASIL TELECOM CELULAR AS, em exclusividade, e do contrato de Constituição de Relações Comerciais junto à Claro são ferramentas de gestão, previstas ao desembolso para despesas relacionadas diretamente com o objeto social dos contratos, sendo consideradas Participações nos Lucros e como tal, referidas parcelas não integram o salário de contribuição para a Previdência Social, por força do disposto no art.7º, XI, da CF/88 e do art. 28, §9º, alínea j, da Lei 8.212/91; Que os pagamentos que devem ser considerados como base de cálculo de contribuição previdenciária são somente aqueles percebidos a título de “gueltas”, cujos valores estão discriminados na Cláusula 1, item 1.2.1.3 do Contrato n.AA/BTC0001A/2005 celebrado junto a 14 BrTCelular , que diz: “será concedido adicional de 1% na Margem Comercial, por estação móvel, para premiação aos vendedores do credenciado a cada venda de produtos da 14 BrTCelular”, não sendo diferente, com os firmados com a Claro, Cláusula 12.1, que diz: “a Claro disponibilizará ao grande Varejo a importância de R$ 2,00 (dois reais), a titulo de "Gelta", para serem pagos aos promotores por cada venda efetivada de aparelhos pós pagos e prépago da claro”. Assim, conclui que os valores devidos, de acordo com relatórios anexos, são: O valor devido de base de cálculo previdenciário para a 14BrTCeIular é de R$61.927,22. O valor devido de base de cálculo previdenciário para a Claro é R$348.600,00. Ao final o que espera, é que se aplique o princípio da boa fé objetiva, calculandose a multa de 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação correspondente de R$410.527,22, o que resulta em R$20.526,36, tendo em vista o equívoco da Autarquia ao considerar que toda a remuneração de natureza salarial é Fl. 419DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 aquela auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Pagou os AIOA's 51.010.3781 e 51.010.3880. · Atendeu todas as intimações e apresentou todos os arquivos, sendo estes validados e autenticados pela Receita Federal. · Multa com caráter confiscatório. · Também houve incidência de multa no processo referente à obrigação principal (10166.728270/201119). Dupla cobrança de multa. · Os arquivos apresentados em meio magnético não contem vícios, incorreções ou omissões. Não há que se falar em multa. · A prova é indiciária. Não se aceita autuação sustentada em indício obscuro. Imprecisa a descrição dos fatos. · A fiscalização foi voltada ao sujeito passivo MDF Móveis Ltda, inscrita no CNPJ 02.524.506/000125, tão somente. A recorrente sequer era obrigada a fornecer documentos das filiais. · Questiona a base de cálculo. É o relatório. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10166.728248/201161 Acórdão n.º 2201002.961 S2C2T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Discutese neste recurso unicamente o AIOA Debcad 51.010.3863. O fisco afirma que a recorrente, apesar de reiteradamente intimada, apresentou arquivos e sistemas das informações em meio digital (folhas de pagamento) com inexatidões, infringindo assim o artigo 11, parágrafos 3º e 4º da lei 8.2128/91. Pelo descumprimento da obrigação acessória, aplicou a multa prevista no artigo12, II, parágrafo único, da mesma lei. Art.11.As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária..(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)(Vide Mpv nº 303, de 2006) ... §3ºA Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados..(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §4ºOs atos a que se refere o § 3opoderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal..(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) ... Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: IImulta de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período;.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 421DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 10 ... Parágrafo único.Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas..(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Abaixo Trechos do Relatório Fiscal. ... Fl. 422DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10166.728248/201161 Acórdão n.º 2201002.961 S2C2T1 Fl. 7 11 A recorrente ao mesmo tempo que afirma ter atendido todas as intimações e apresentado todos os arquivos, também alega que a fiscalização foi voltada ao sujeito passivo MDF Móveis Ltda, inscrita no CNPJ 02.524.506/000125, tão somente e que sequer era obrigada a fornecer documentos das filiais. O Termo de Intimação Fiscal nº01, folhas 43 e 44, reitera a intimação para apresentação das folhas de pagamento e destaca que os arquivos entregues "contém somente informações relativas ao estabelecimento Matriz CNPJ 02.524.506/000125." O Termo de Intimação Fiscal nº 02, folhas 45 e 46, novamente reitera a intimação destacando que os arquivos entregues "não contém informações referentes às competências 01 a 11/2007 e 01 a 11/2008 e informações referentes ao 13º salário de 2007 e 2008 para todos os estabelecimentos da empresa..." Entendo que a recorrente foi intimada a apresentar os arquivos magnéticos referentes às folhas de pagamento de todos estabelecimentos da empresa e que não atendeu as intimações, o que caracteriza a infração. Quanto ao valor da multa, a recorrente entende que tem caráter confiscatório, questiona a base de cálculo e afirma que também houve incidência de multa no processo referente à obrigação principal (10166.728270/201119), o que representa dupla cobrança de multa. Entendo que também aqui não cabe razão à recorrente. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 12 Não podemos misturar nem confundir uma multa por descumprimento de obrigação acessória com multa por descumprimento de obrigação principal. São objetos distintos e umas vez caracterizada a infração, devida é a autuação. Para o cálculo do valor da multa, foi aplicado exatamente o estabelecido no artigo 12, II e parágrafo único da Lei 8.218/91 (acima apresentados). Foram comparados dois valores: cinco por cento sobre o valor da operação correspondente (conta 2.1.01.0000006 Apropriação da Folha de Pagamento) e um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período, com prevalência do primeiro, por ser menor, conforme demonstrado no Relatório Fiscal. Não cabe exclusão de valores. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 424DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 11080.004864/2003-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-001.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do voto do relator,
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente), Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do voto do relator, JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente), Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 04 86 4/ 20 03 -2 5 Fl. 449DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11080.004864/200325 Resolução nº 3401001.659 S3C4T1 Fl. 450 2 Relatório Em 1º.8.02, foi lavrado Mandado de Procedimento Fiscal nº 10.1.01.002002 004719 contra a contribuinte Allenge Refrigeração Industrial Ltda. (CNPJ 87.844.304/0001 13) exigindo o recolhimento de créditos tributários de COFINS no montante de R$ 108.148,48 (atualizado até 30.4.03) composto da seguinte forma: Contribuição: R$ 45.806,05 Juros de mora: R$ 27.988,09 Multa proporcional (passível de redução): R$ 34.354,34 O lançamento referese à diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago para os fatos geradores de jan/98 a dez/98. Em 17.6.03 a contribuinte protocolou, tempestivamente, Impugnação ao lançamento, na qual alega, em síntese, que: a) o Auditor Fiscal, ao incluir a parcela relativa ao ICMS na base de cálculo da contribuição desrespeitou o art. 3º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.718/98, abaixo transcrito: “Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica . (…) § 2º. Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (…) III – os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo (…)”Transcreve jurisprudência relativa a nãoinclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS; b) a omissão do Poder Executivo em não regulamentar o artigo acima transcrito não pode prejudicar a contribuinte, pois nenhum decreto regulamentador pode alterar o estabelecido pela lei. Em sessão de 4.5.06, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – RS acordou, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento. Segundo o voto: a) o ICMS integra o faturamento da empresa, que é a base de cálculo da COFINS, estabelecida pelo art. 2º da LC nº 70/91; b) quanto à alegação de que a exclusão seria permitida pelo art 3º, § 2º, inc. III, da Lei nº 9.718/98, a transferência contida nesta norma jurídica estabelece uma venda decorrente de uma anterior ou posterior compra de outra pessoa jurídica ou prestação de serviços por outra pessoa jurídica, que foi fundamental para o auferimento da venda pela contribuinte, e tal fato não foi em nenhum momento provado. Ademais, a citada norma foi revogada pela MP nº 1.99118, não gerando nenhum efeito, tendo em vista que o decreto regulamentador não foi editado. Esta conclusão está estabelecida pelo Ato Declaratório SRF nº 56, de 20 de julho de 2000 e na majoritária jurisprudência sobre o assunto. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11080.004864/200325 Resolução nº 3401001.659 S3C4T1 Fl. 451 3 Em 3.10.06, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que tramitava no STJ, no momento do protocolo, o Recurso Extraordinário nº 240.785, que contava, naquele momento, com 6 votos favoráveis à exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, o que já assegurava a decisão nesse sentido. É o relatório. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11080.004864/200325 Resolução nº 3401001.659 S3C4T1 Fl. 452 4 Voto Em suma, foi lavrado auto de infração exigindo o recolhimento de créditos tributários de COFINS referentes se à diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago para os fatos geradores de 30.9.97 a 31.12.01, não logrando êxito em sua impugnação, a contribuinte protocolizou recurso voluntário, onde rebate a inclusão da ICMS na base de cálculo da COFINS. Mesmo não sendo requerida pela contribuinte cabe à autoridade administrativa, devido ao princípio da legalidade, declarar de ofício a decadência quando for o caso. Neste caso o auto de infração foi lavrado em 12.5.03, tendo portanto decaído os créditos anteriores a 12.05.98, conforme dispõe o §4º do art. 150 do CTN, que reproduzo abaixo: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Quanto ao ICMS, segundo a contribuinte, seria valor computado como receita que foi transferido para outra pessoa jurídica e, portanto, passível de exclusão da base de cálculo, conforme permitido pelo o art. 3º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.718/98, transcrito abaixo: “Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica . (…) § 2º. Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (…) Fl. 452DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11080.004864/200325 Resolução nº 3401001.659 S3C4T1 Fl. 453 5 III – os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo (…)”No entanto, devo ressaltar que a matéria sobre a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS está sob análise do Egrégio Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 559.607, com repercussão geral já definida pela Corte. Assim não pode o presente processo ser analisado em conformidade aos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, que abaixo reproduzo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes” Após consulta ao site do E. STF, consultado em 27 de janeiro de 2012, o debate do RE nº 559.607 (tema 001) versa o seguinte: Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 149, § 2º, III, a; e 195, IV, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, da expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/2004, o qual estabelece que a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e do Programa de Integração Social PIS, em operações de importação, equivale, para efeitos da referida norma legal, ao valor aduaneiro, entendido como o montante que servir ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições. Frente a todo o exposto, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a incidência do crédito de ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. É como Voto! Fernando Marques Cleto Duarte – Relator. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 15504.725767/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE . MÉRITO
Tomando-se como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário.
Nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto 70.235, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencida a relatora e os conselheiros Andréa Brose Adolfo e João Bellini Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Fez sustentação oral o Dr. Marcelo Braga Rios, OAB/MG 77.838.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE . MÉRITO Tomando-se como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário. Nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto 70.235, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta Recurso Voluntário Provido
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REGIME JURÍDICO ANTERIOR À LEI 12.101/2009 Recorrente FUNDAÇÃO OBRAS SOCIAIS DA PARÓQUIA DA BOA VIAGEM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE . MÉRITO Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário. Nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto 70.235, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencida a relatora e os conselheiros Andréa Brose Adolfo e João Bellini Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Fez sustentação oral o Dr. Marcelo Braga Rios, OAB/MG 77.838. João Bellini Júnior Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 57 67 /2 01 1- 11 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15504.725767/201111 Acórdão n.º 2301004.518 S2C3T1 Fl. 307 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão n.º 0239.135, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte (MG), f. 260267, com ciência ao sujeito passivo em 14/06/2012, que julgou improcedentes as impugnações aos Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) abaixo mencionados, dos quais a interessada teve ciência em 06/12/2011, fls. 92: 1. AIOP nº 37.330.2207, fls. 120170, que trata da exigência da contribuição patronal destinada à Seguridade Social, inclusive a contribuição destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). 2. AIOP nº 37.330.2215, fls. 171198, que trata da exigência das contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros), relativas à contribuição do salárioeducação e às contribuições destinadas ao INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE. Segundo o relatório fiscal de fls. 8082, as contribuições incidiram sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais nas competências 01/2006 a 12/2007. Consta, ainda, do relatório fiscal, que a empresa apresentou Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com código 639 (entidade isenta), porém ela não faz jus à imunidade. Segundo o relatório fiscal, a entidade teve seu pedido de isenção indeferido em 08/09/2004, e não é portadora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) válido para o período do lançamento. A autoridade lançadora explica que, na vigência da Medida Provisória 446, de 07/11/2008, a entidade protocolizou pedido de renovação do CEBAS, e teve deferido seu pedido. Entretanto, como a Medida Provisória 446/2008 foi rejeitada pelo legislativo federal, a fiscalização concluiu que voltou a vigorar o artigo 55 da Lei 8.212/91, de modo que a concessão do certificado deixou de abranger os períodos de 2006 e 2007, que são objeto do lançamento. Contra o lançamento, a autuada apresentou impugnação, fls. 200210, solicitando o cancelamento do crédito lançado, ou, subsidiariamente, a aplicação da multa de 24% em substituição à multa de 75%, apresentando suas razões, contendo os seguintes pontos controvertidos: a) decadência do período de 01/2006 a 12/2006, considerando que apresentou GFIP e recolheu as contribuições descontadas dos segurados empregados; b) inconstitucionalidade do art. 55 da Lei 8.212/91; c) a entidade atende todos os requisitos para exercício do direito à imunidade, pois é reconhecida como de utilidade pública federal, estadual e municipal, é registrada no CNAS desde 1955 e é portadora do Certificado de Entidade Beneficente para o período de 2006 e 2007; d) enquanto não retomado o julgamento e decidido o pedido de renovação do Certificado deferido pela MP 446/2008, o Certificado deferido continua válido; e) não é possível cumular e comparar penalidades por Fl. 308DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 descumprimento de obrigação acessória e principal; f) às contribuições lançadas deve ser aplicada a multa de 24%, por ser mais benéfica que a multa aplicada de 75%. A DRJ julgou a impugnação improcedente, afastando a decadência, por entender aplicável, à espécie, a regra do art. 173, I, do CTN, afastando, ainda, a tese de imunidade, com base nos fundamentos de que o pedido de isenção foi indeferido e a entidade não possui CEBAS válido para o período do lançamento, considerando que não é válido o certificado concedido com fundamento na MP 446/2008, rejeitada pelo legislativo federal. Por fim, manteve o critério da multa aplicada de acordo com a orientação contida na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009. Em 06/07/2012, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 277289, apresentando suas razões, cujos pontos relevantes são: Alega que a entidade possui Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) válido para o período do lançamento, conforme certidão do CNAS em anexo, o qual foi concedido antes da MP 446/2008, tendo sido requerido em 2003 e deferido em 2006, no processo nº 71010.002998/200367 (Resolução nº 51/06). Alega que a declaração de voto da decisão recorrida afronta ao art. 146 do CTN, pois inovou o critério jurídico do lançamento, ao afastar o direito da recorrente à imunidade com base na ausência de prova do requerimento de isenção previsto no § 1o do art. 55 da Lei 8.212/91, entendendo que o relatório fiscal trata de indeferimento de “sua inclusão como entidade beneficente”, cujo procedimento é totalmente distinto daquele relativo ao requerimento de isenção. Argumenta que a exigência do pedido prévio de isenção restou superada com o advento da Lei 12.101/2009, sendo que a legislação superveniente deve ser aplicada retroativamente, com base no art. 106, II, “b”, do CTN, além de se tratar de matéria procedimental. Quanto à penalidade aplicada, sustenta que não é possível cumular e comparar penalidade por descumprimento de obrigação acessória e principal, que possuem naturezas distintas, pedindo que seja aplicada a multa de 24% em substituição à multa de 75%, por ser mais benéfica. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15504.725767/201111 Acórdão n.º 2301004.518 S2C3T1 Fl. 308 5 Voto Vencido Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Fundamentos do não reconhecimento da imunidade pela fiscalização A Recorrente deixou de recolher as contribuições aqui tratadas por entender que gozava da imunidade concedida pelo art. 195, § 7o, da Constituição Federal1. Entretanto, no entendimento da fiscalização, no período do lançamento (01/2006 a 12/2007), a Recorrente não tinha direito à imunidade pois não possuía ato declaratório reconhecendo seu direito e não possuía Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), conforme consta do trecho do relatório fiscal abaixo transcrito: A Fundação requereu junto a Previdência Social sua inclusão com entidade beneficente, teve seu processo analisado e INDEFERIDO em 08092004, conforme se verifica por tela do Cofilan – consulta a entidades filantrópicas – INSS/CNAS em anexo. No advento da Medida Provisória 446 de 07112008 a empresa protocolizou pedido de renovação do certificado de entidades beneficentes de assistência social – CEBAS que foi concedido. Entretanto, a Medida Provisória 446/2008, foi rejeitada pelo legislativo federal, logo entendemos que volta a vigorar o artigo 55 da Lei 8212/91 e que a concessão do supracitado certificado não abrange o período de 2006 e 2007 objeto desse lançamento. Também constou do relatório fiscal a seguinte informação acerca da entidade: Requereu junto a Previdência Social a sua isenção, porém, o seu pedido foi indeferido em 08/09/2004; Ao contrário do alegado, a decisão recorrida, na parte relativa à declaração de voto, não inovou os fundamentos do lançamento, uma vez que, no relatório fiscal, também foi mencionado que a Recorrente teve indeferido pedido de seu interesse protocolado junto à Previdência Social, com identificação do nº do processo (processo nº 35.097.001587/200469) em documento anexo, fls. 93. Como a Recorrente atuou no processo nº 35.097.001587/200469 na condição de parte requerente, teve pleno conhecimento de que se tratava de pedido de isenção das contribuições sociais aqui tratadas, não havendo que se falar em cerceamento de defesa. 1 § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Superada essa questão, cabe analisar se a Recorrente gozava da imunidade das contribuições previdenciárias de acordo com as regras previstas no art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores. Aplicação da Lei Processual no Tempo Em 28/11/2011, data da lavratura do lançamento, o art. 55 da Lei 8.212/91 estava revogado pela Lei nº 12.101/2009, que estabeleceu novas regras para o gozo da imunidade condicionada prevista no art. 195, § 7o da Constituição Federal, regulamentada, à época, pelo Decreto 7.237, de 20/07/20102. Dentre outras alterações, a lei nova modificou o termo inicial do gozo da imunidade. No regime jurídico da Lei 8.212/91, o direito à imunidade somente podia ser exercido após a certificação do atendimento dos requisitos pelo órgão fazendário, nos termos do § 1o do art. 55 da Lei 8.212/91, que se dava por meio da expedição de ato declaratório, com efeitos a partir da data do protocolo do "pedido de isenção", conforme art. 208, § 2º, do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99. A nova legislação passou a estabelecer que o direito à imunidade pode ser exercido a contar da data da publicação da concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), desde que atendidas as demais condições, conforme art. 31 da Lei 12.101/209: Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Esse dispositivo levou à alteração do art. 228 da Instrução Normativa RFB 971/2009, pela IN RFB 1071, de 15 de setembro de 20103. Não existe dúvida quanto à aplicação do art. 31 da Lei 12.101/2009 em relação aos fatos geradores ocorridos após a sua vigência, em 30 de novembro de 2009. O que é necessário esclarecer é se a lei nova alcança também os fatos geradores anteriores à sua vigência, considerando que este processo administrativo tributário abarca o período de janeiro 2006 a dezembro 2007 e não está definitivamente julgado. A solução depende do estudo das leis e princípios que regem a aplicação da norma processual no tempo. Os princípios que regem a lei processual no tempo são os princípios da imediatividade, segundo o qual a nova lei passa a valer para todos os processos pendentes e 2 Revogado pelo Decreto nº 8.242, de 2014. 3 Art. 228. Observado o disposto no art. 227, o direito à isenção poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação no Diário Oficial da União, independentemente de requerimento à RFB. (Nova redação dada IN RFB Nº 1.071, de 16/09/2010) Redação original: Art. 228. Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata o art. 227 deverá ser requerida à RFB. (revogado pela IN RFB 1.071/2010) Fl. 311DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15504.725767/201111 Acórdão n.º 2301004.518 S2C3T1 Fl. 309 7 futuros, e o princípio da irretroatividade, o qual veda que o ato processual já praticado pela lei antiga seja atingido pela lei nova, salvo no processo penal, para beneficiar o réu. Assim, na análise da retroatividade da lei processual, os atos consumados antes da inovação legislativa não sofrem os efeitos desta, em atenção ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito, incidindo sobre eles a preclusão consumativa, a não ser que a lei expressamente determine a retroatividade. Ainda que o processo esteja pendente de solução, a verificação quanto ao alcance ou não da lei nova deve ser feita em relação a cada ato processual que o integra, ou a cada procedimento, isoladamente, em homenagem à teoria dos atos processuais isolados. Essa solução vem sendo adotada pelos Tribunais Superiores, e, a título de exemplo, colaciono abaixo a ementa de decisão do STJ, que, ao considerar cada ato processual isoladamente, decidiu que a regra da Lei nº 12.541/11, que proibiu a execução de dívidas referentes a anuidades profissionais inferiores a quatro vezes o valor cobrado anualmente, não alcançaria as execuções fiscais em curso de qualquer valor, ajuizadas antes dessa lei: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC. CONSELHO DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL. ART. 8º DA LEI 12.514/2011. INAPLICABILIDADE ÀS AÇÕES EM TRÂMITE. NORMA PROCESSUAL. ART. 1.211 DO CPC. “TEORIA DOS ATOS PROCESSUAIS ISOLADOS”. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. 1. Os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todas as teses levantadas pelo jurisdicionado durante um processo judicial, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas, em obediência ao que determina o art. 93, inc. IX, da Constituição da República vigente. Isto não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. É inaplicável o art. 8º da Lei nº 12.514/11 (“Os Conselhos não executarão judicialmente dívidas referentes a anuidades inferiores a 4 (quatro) vezes o valor cobrado anualmente da pessoa física ou jurídica inadimplente”) às execuções propostas antes de sua entrada em vigor. 3. O Art. 1.211 do CPC dispõe: “Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes”. Pela leitura do referido dispositivo concluise que, em regra, a norma de natureza processual tem aplicação imediata aos processos em curso. 4. Ocorre que, por mais que a lei processual seja aplicada imediatamente aos processos pendentes, devese ter conhecimento que o processo é constituído por inúmeros atos. Tal entendimento nos leva à chamada “Teoria dos Atos Processuais Isolados”, em que cada ato deve ser considerado separadamente dos demais para o fim de se determinar qual a lei que o rege, recaindo sobre ele a preclusão consumativa, ou seja, a lei que rege o ato processual é aquela em vigor no Fl. 312DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 momento em que ele é praticado. Seria a aplicação do Princípio tempus regit actum. Com base neste princípio, temos que a lei processual atinge o processo no estágio em que ele se encontra, onde a incidência da lei nova não gera prejuízo algum às parte, respeitandose a eficácia do ato processual já praticado. Dessa forma, a publicação e entrada em vigor de nova lei só atingem os atos ainda por praticar, no caso, os processos futuros, não sendo possível falar em retroatividade da nova norma, visto que os atos anteriores de processos em curso não serão atingidos. 5. Para que a nova lei produza efeitos retroativos é necessária a previsão expressa nesse sentido. O art. 8º da Lei nº 12.514/11, que trata das contribuições devidas aos conselhos profissionais em geral, determina que “Os Conselhos não executarão judicialmente dívidas referentes a anuidades inferiores a 4 (quatro) vezes o valor cobrado anualmente da pessoa física ou jurídica inadimplente”. O referido dispositivo legal somente faz referência às execuções que serão propostas no futuro pelos conselhos profissionais, não estabelecendo critérios acerca das execuções já em curso no momento de entrada em vigor da nova lei. Dessa forma, como a Lei nº 12.514/11 entrou em vigor na data de sua publicação (31.10.2011), e a execução fiscal em análise foi ajuizada em 15.9.2010, este ato processual (de propositura da demanda) não pode ser atingido por nova lei que impõe limitação de anuidades para o ajuizamento da execução fiscal. (g.n.) 6. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. (REsp 1404796/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/03/2014, DJe 09/04/2014) No presente caso, o ato procedimental modificado pela lei nova é o exercício da imunidade precedido do pedido de isenção. Este ato foi praticado pela Recorrente ao tempo da ocorrência do fato gerador, ocasião em que gerou todos os efeitos. Vale dizer, o ato foi consumado ao tempo da ocorrência do fato gerador, momento em que se deu a preclusão consumativa. Logo, o ato processual praticado pela Recorrente fica sujeito aos efeitos da lei em vigor no momento em que ele foi praticado, no caso, o art. 55 da Lei 8.212/91. Para que a nova lei produza efeitos retroativos seria necessária a previsão expressa nesse sentido, o que não ocorreu. A Lei 12.101/2009 não dispensou quaisquer dos requisitos para a concessão de isenção para o período anterior a sua vigência, sendo, neste sentido, as disposições dos arts. 49 e 50 do Decreto 8.242, de 23 de maio de 2014, que regulamenta a Lei 12.101/2009: Art. 49. Os pedidos de reconhecimento de isenção formalizados até 30 de novembro de 2009 e não definitivamente julgados, em curso no âmbito do Ministério da Fazenda, serão analisados com base na legislação em vigor no momento do fato gerador que ensejou a isenção.(g.n.) Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, será certificado o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do Fl. 313DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15504.725767/201111 Acórdão n.º 2301004.518 S2C3T1 Fl. 310 9 pedido de isenção até a data de publicação da Lei nº 12.101, de 2009. Art. 50. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados a sua unidade competente para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.(g.n.) Ademais, a aplicação retroativa do art. 31 da Lei 12.101/2009 ensejaria a antecipação do exercício à imunidade, uma vez que a data da publicação da concessão da certificação de assistência social é anterior ao pedido de isenção, marco inicial do exercício do direito reconhecido no ato declaratório. Em outras palavras, ocorreria, na hipótese, dispensa de tributo não prevista na legislação anterior. Todavia, a retroatividade da norma que dispensa tributos deve ser expressa, considerando, ainda, o princípio constitucional da igualdade, conforme leciona Luciano Amaro: A lei não está proibida de reduzir ou dispensar o pagamento de tributo, em relação a fatos do passado, subtraindoos dos efeitos oriundos da lei vigente à época, desde que o faça de maneira expressa; a cautela que se há de tomar, nessas hipóteses, diz respeito ao princípio constitucional da igualdade, a que também deve obediência o legislador. (AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. Saraiva, 15ª ed., 2009, p. 119) Inaplicável, na espécie, ainda, a norma prevista no art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b", do Código Tributário Nacional (CTN) 4, que se referem às infrações e às penalidades, e não ao tributo em si mesmo. A falta de pagamento de tributo não é elidida pela aplicação retroativa do art. 106 do CTN, caso sobrevenha uma norma isentiva da exação tributária, conforme já decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO DO ARESTO RECORRIDO. SÚMULA 283/STF. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL TIDO POR VIOLADO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. INCLUSÃO DE COMBUSTÍVEIS E ENERGIA ELÉTRICA NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL ESTENDIDO AO PRODUTORVENDEDOR. MP N° 1.484/96. INTERPRETAÇÃO 4 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; ... Fl. 314DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 LITERAL. RETROATIVIDADE. DESCABIMENTO. MATÉRIAS PRIMAS E INSUMOS DE PESSOA FÍSICA. ... Sabendose que a legislação tributária que outorga isenção deve ser interpretada literalmente art. 111, II, do CTN , tem se que o benefício fiscal estendido ao produtor vendedor somente opera efeitos a partir da vigência da Medida Provisória n° 1.484/96, não sendo cabível sua aplicação retroativa.(g.n.) ... (REsp nº 816.496AL, Relator Min. Castro Meira, Dje 19/06/2012) Portanto, em relação aos fatos geradores do período anterior à lei 12.101/2009, entendo que permanece válida a exigência legal do ato declaratório de isenção como requisito para fruição da imunidade do art. 195, §7o, da CF. Imunidade Considerando que é o art. 55 da Lei 8.212/91 que deve reger o ato do exercício do direito à imunidade no período do lançamento, concluise que a Recorrente não estava dispensada do recolhimento das contribuições previdenciárias aqui tratadas porque não possuía o ato declaratório de isenção, em desatendimento ao § 1º do art. 55 da Lei 8.212/91. A entidade comprova que possuía CEBAS válido para o período de 30/12/2004 a 29/12/2007, juntado às fls. 245, o que engloba o período do lançamento correspondente a 01/2006 a 12/2007. Tratase de renovação concedida pela Resolução CNAS nº 51, de 22/03/2006, DOU 29/03/2006, Seção I, que julgou o processo nº 71010.002998/2003 67, a qual é anterior à MP 446/2008, que estabeleceu novos procedimentos para a outorga de Certificados de Entidades Beneficentes de Assistência Social, de modo que é irrelevante a discussão acerca dos efeitos da rejeição dessa Medida Provisória pelo Plenário da Câmara dos Deputados, em sessão realizada em 10 de fevereiro de 2009 (DOU de 12/02/2009). Não obstante isso, a entidade teve indeferido o seu pedido de isenção, objeto do processo nº 35.097.001587/200469, em decisão definitiva, e, por decorrência lógica, não lhe foi concedido o ato declaratório, condição indispensável para o exercício da imunidade no período do lançamento. Multa O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/915, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o 5 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 315DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15504.725767/201111 Acórdão n.º 2301004.518 S2C3T1 Fl. 311 11 realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário de notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20096) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20097). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 6 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 7 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 316DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo incluído em lançamento tributário chamada de multa de ofício (art. 35A), que, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, é única para três condutas: i) falta de pagamento ou recolhimento; ii) falta de declaração e iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: no primeiro caso, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/968; no segundo caso, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/969. 8 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 9 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 317DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15504.725767/201111 Acórdão n.º 2301004.518 S2C3T1 Fl. 312 13 O presente processo trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento tributário, portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa para pagamento de contribuições incluídas em lançamento tributário que é o caso conforme já mencionado aqui, na nova sistemática do art. 35A da Lei 8.212/91, é única para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata. Já o revogado art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento de contribuições incluídas em lançamento tributário. Era o revogado art. 32, inciso IV, §§4o e 5o, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Portanto, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento de contribuições não declaradas e/ou com declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o.. A multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação do dado quantitativo resultante do cálculo conforme descrito no parágrafo anterior (vigente à época dos fatos geradores) com o dado quantitativo resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Fl. 318DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 ... Portanto, entendo que a multa mais benéfica deve ser calculada de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB 971/2009, acima transcrito, e deverá ser apurada no momento do pagamento, nos termos do art. 2o da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Conclusão Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO e NEGAR LHE PROVIMENTO. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 319DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15504.725767/201111 Acórdão n.º 2301004.518 S2C3T1 Fl. 313 15 Voto Vencedor Conselheiro Ivaccir Júlio de souza Com todas as vênias à Conselheira relatora, apresento o voto divergente vencedor . Destaco do voto vencido a íntegra da ementa em razão de concluir que a mesma, de fato, faz síntese perfeita do que fora enfrentado na condução do voto: " IMUNIDADE. TERMO INICIAL DO EXERCÍCIO DO DIREITO À IMUNIDADE CONDICIONADO AO PEDIDO DO RECONHECIMENTO DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. CONDIÇÃO EXTINTA PELA LEGISLAÇÃO POSTERIOR. IRRETROATIVIDADE. O art. 31 da Lei 12.101/2009 modificou o momento do exercício do direito à imunidade, que, no regime jurídico da Lei 8.212/91, era a data do pedido do reconhecimento da isenção, passandoo para a data da emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, desde que cumpridas as demais condições legalmente previstas. Ainda que o processo esteja pendente de solução, a verificação quanto ao alcance ou não da lei nova deve ser feita em relação a cada ato processual que o integra, ou a cada procedimento, isoladamente, em homenagem à teoria dos atos processuais isolados. Os atos consumados antes da inovação legislativa não sofrem os efeitos desta, em atenção ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito, incidindo sobre eles os efeitos da preclusão consumativa." Em contraponto ao registro supra, temse na ementa do acórdão aquo abaixo transcrita, que aquela instância de piso enfrentou argumentos de DECADÊNCIA, ora não observados não obstante os reiterados reclamos em grau de recurso às fls 278: " DECADÊNCIA O direito de apurar e constituir os créditos tributários extingue se apósccinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. ISENÇÃO. Somente são isentas das contribuições previdenciárias patronais e dasdestinadas a outras entidades e fundos, as entidades que Fl. 320DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 atendam,cumulativamente, aos requisitos previstos no artigo 55, da Lei nº 8.212, de1991, na redação vigente no período da ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É vedado ao fisco afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo poralegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade. MULTA. Não compete ao órgão julgador administrativo reduzir percentual de multa aplicado de conformidade com a legislação pertinente." Do Relatório a quo se extrai que a autuada argüira decadentes o período 01/2006 a 12/2006 : " (...) Em sua defesa faz um relato dos fatos e aduz, em apertada síntese, o que segue: Decadência do direito de constituir o crédito relativo ao período de 01/2006 a 12/2006, com base no art. 150 § 4º, do CTN, já que declarou as GFIP e recolheu as contribuições descontadas dos empregados, e a notificação dos autos de infração somente ocorreu em dezembro de 2011." O Relatório do voto aquo registra ainda que a autuada alegara que era portadora do Certificado de Entidades Beneficentes para o período autuado de 2006 e 2007 , verbis: " A impugnante atende os requisitos do artigo 14 do CTN, tanto que a fiscalização não contesta qualquer deles. Em relação aos requisitos do artigo 55 da Lei 8.212/91, independentemente da sua flagrante inconstitucionalidade e também dos efeitos da sua revogação pela MP 446, além daqueles já previstos no artigo 14 do CTN, são devidamente cumpridos pela impugnante, já que é reconhecida como de utilidade pública federal, estadual e municipal. É registrada no CNAS desde 1955 e portadora do Certificado de Entidades Beneficentes para o período de 2006 e 2007." Como se vê, a autuada possuía o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) válido para o período do lançamento, conforme certidão do CNAS em anexo, foi concedido antes da MP 446/2008, tendo sido requerido em 2003 e deferido em 29/03/2006, no processo nº 71010.002998/200367 (Resolução nº 51/06). Assim, de fato, o referido CEBAS juntado pela defesa às fls. 169 literalmente declara: “O presente Certificado é válido de 30/12/2004 a 29/12/2007”. DA DECADÊNCIA Em sede de impugnação, na condução do voto, o i. Julgador se utilizou dos argumentos abaixo transcritos: " No caso sob análise, como o contribuinte não declarou nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, as contribuições objeto dos autos de infração em questão, não há como aplicar o prazo decadencial previsto no Fl. 321DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15504.725767/201111 Acórdão n.º 2301004.518 S2C3T1 Fl. 314 17 parágrafo 4º, do artigo 150, do Código Tributário Nacional – CTN. Aplicandose o prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, têmse que a competência janeiro de 2006 poderia ser lançada até 31/12/2011, considerando que os autos de infração foram lavrados em dezembro de 2011 e tendo o contribuinte tomado ciência deles em dezembro de 2011, concluise que foi observado o prazo decadencial de cinco anos para a constituição dos créditos objeto dos Autos de Infração em análise. " No item 3 do Relatório Fiscal de fls.80, a autoridade autuante registra que a autuada recolheu as obrigações com segurados empregados e contribuintes individuais no período: " 3 Os levantamentos a seguir discriminados compõem os créditos dos quais este relatório é parte, relativamente à parte patronal (parte dos segurados empregados e contribuintes individuais) e terceiros, incidentes sobre valores pagos a título remuneração aos segurados empregados e aos contribuintes individuais. Base de incidência essa, confirmada pelos valores declarados em GFIP, confrontados com os valores em Folha de Pagamento e Rais, uma vez a que a empresa declarou a GFIP no código FPAS 639 como entidade beneficente, confessando e recolhendo apenas os valores descontados de segurados empregados e contribuintes individuais:" Cumpre ressaltar que por ser de ordem pública , a decadência deve ser observada ainda que o contribuinte não houvesse requerido. Na forma do Aviso de Recebimento AR , às fls 92, a autuada foi intimada do lançamento em 06/12/2011. Assim , exortandose a Súmula do CARF n° 99, as competência 11/2006 e anteriores restaram fulminadas pelo Instituto da Decadência., verbis: Súmula CARF nº 99: "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração" A i. Conselheira fez destacar na ementa que essencialmente fundamentara seus argumentos no sentido de que : " o art. 31 da Lei 12.101/2009 modificou o momento do exercício do direito à imunidade, que, no regime jurídico da Lei 8.212/91, era a data do pedido do reconhecimento da isenção, passandoo para a data da emissão do Certificado de Entidade Fl. 322DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 Beneficente de Assistência Social, desde que cumpridas as demais condições legalmente previstas. Ainda que o processo esteja pendente de solução, a verificação quanto ao alcance ou não da lei nova deve ser feita em relação a cada ato processual que o integra, ou a cada procedimento, isoladamente, em homenagem à teoria dos atos processuais isolados. Os atos consumados antes da inovação legislativa não sofrem os efeitos desta, em atenção ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito, incidindo sobre eles os efeitos da preclusão consumativa." A nova legislação passou a estabelecer que o direito à imunidade pode ser exercido a contar da data da publicação da concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), desde que atendidas as demais condições, conforme art. 31 da Lei 12.101/2009: Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Na seção I de que fala o art. 31 da Lei n Lei 12.101/2009 em, que a i. Relatora motiva seu voto, se observa o art. 29 , verbis: Seção I Dos Requisitos Art. 29 da Lei 12.101, de 27 de novembro 2009, caput : " Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: " Não obstante o encimado, o art. 17 da Lei n° 12.868, de 2013, não observada pela Relatora, põe termo à lide na medida em que com a sua edição determinouse o cancelamento dos lançamentos e inscrições relativas as contribuições de que trata o crédito tributário em comento posto que inserto na exegese do referido art. 29 da multicitada Lei n° 12.101, de 27 de novembro de 2009 que na essência contempla a isenção do pagamento das contribuições de que tratam arts. 22 e 23 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, verbis: " Art. 17. Ficam dispensados, a partir da publicação desta Lei, a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição na Dívida Ativa da União e o ajuizamento da respectiva execução fiscal, e cancelados o lançamento e a inscrição relativos às contribuições de que trata o art. 29 da Lei n 12.101, de 27 de novembro de 2009, em razão do disposto nos arts. 7o e 9o a 15 desta Lei e nos arts. 38A e 38B da Lei n 12.101, de 27 de novembro de 2009. Parágrafo único. O disposto neste artigo não implicará restituição de quantia paga. " Fl. 323DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15504.725767/201111 Acórdão n.º 2301004.518 S2C3T1 Fl. 315 19 Art. 29 da Lei 12.101, de 27 de novembro 2009, caput : " Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: " Embora o sobredito torne meridiana a nulidade do lançamento em razão do cancelamento a que se obriga, aduz que nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto 70.235, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta, verbis: " Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. " CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, entendo que os créditos constituídos pelas competências 11/2006 e anteriores restaram fulminadas pelo Instituto da Decadência. Defino também DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto Ivaccir Júlio de Souza Redator designado. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10280.722679/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. LANÇAMENTO, OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. DESCUMPRIMENTO.
Os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil serão tributados pelo imposto de renda.
O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos.
O lançamento de ofício far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza.
Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte.
Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte.
No presente caso, a fiscalização demonstrou que a contribuinte arcou com despesas com cartões de crédito sem possuir renda para tanto, o que configura renda presumida, obrigando a lavratura do lançamento.
NORMAS GERAIS. LANÇAMENTO. REQUISITOS. DETERMINAÇÃO LEGAL.
Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
No presente caso, fica claro que a fiscalização constituiu o crédito tributário pelo lançamento; verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (renda para pagamento de despesas); determinou a matéria tributável, citando a legislação que fundamenta o lançamento; calculou o montante do tributo devido (especificando, por planilhas, como chegou à base de cálculo e a alíquota aplicável); identificou o sujeito passivo, que é o titular dos cartões de crédito; e propôs a aplicação da penalidade cabível, juros e multas determinados por Lei, cumprindo a legislação..
NORMAS GERAIS. COMPETÊNCIA, MATÉRIA CONSTITUCIONAL.
Como determina a súmula n º 02, do CARF, de efeito vinculante, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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LANÇAMENTO, OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. DESCUMPRIMENTO. Os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil serão tributados pelo imposto de renda. O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. O lançamento de ofício farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. No presente caso, a fiscalização demonstrou que a contribuinte arcou com despesas com cartões de crédito sem possuir renda para tanto, o que configura renda presumida, obrigando a lavratura do lançamento. NORMAS GERAIS. LANÇAMENTO. REQUISITOS. DETERMINAÇÃO LEGAL. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 26 79 /2 01 1- 15 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 No presente caso, fica claro que a fiscalização constituiu o crédito tributário pelo lançamento; verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (renda para pagamento de despesas); determinou a matéria tributável, citando a legislação que fundamenta o lançamento; calculou o montante do tributo devido (especificando, por planilhas, como chegou à base de cálculo e a alíquota aplicável); identificou o sujeito passivo, que é o titular dos cartões de crédito; e propôs a aplicação da penalidade cabível, juros e multas determinados por Lei, cumprindo a legislação.. NORMAS GERAIS. COMPETÊNCIA, MATÉRIA CONSTITUCIONAL. Como determina a súmula n º 02, do CARF, de efeito vinculante, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10280.722679/201115 Acórdão n.º 2402005.098 S2C4T2 Fl. 241 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou impugnação improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2008 SINAL EXTERIOR DE RIQUEZA Sinal exterior é a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, por unanimidade de votos, em julgar a impugnação improcedente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Segundo a fiscalização, de acordo com o Termo de Verificação de Infração (TVI), fls. 0175, como relatado na decisão recorrida, o lançamento possuía seguinte motivação: Segundo as Decred apresentadas pelos bancos Itaucard S/A, Citlcard S/A e Bradesco S/A, a contribuinte efetuou, durante o anocalendário 2008, pagamentos de faturas de cartão de crédito no total de R$ 115.381,54. Contudo, os rendimentos informados ao Fisco através da Declaração de Ajuste Anual Simplificada, Exercício 2009, entregue em 29/04/2009, são bastante inferiores aos dispêndios com cartão de crédito. Na declaração, a contribuinte informou que auferiu R$ 15.750,00 de rendimentos tributáveis (...) Com base nas autorizações apresentadas, foi solicitado, em 17/06/2011, que os bancos mantenedores dos cartões apresentassem os comprovantes de pagamento das faturas, referentes ao ano de 2008, de titularidade da contribuinte ALBANISA GOMES QUEIROZ. Atendendo às intimações, os bancos apresentaram os comprovantes Fl. 242DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 mensais de pagamento efetuados pela contribuinte durante o ano de 2008. (...) Provada pelo fisco a realização de gastos com cartão de crédito Incompatíveis com a renda disponível do contribuinte, cabe a este a prova da origem dos recursos utilizados. A contribuinte foi intimada por duas vezes, através dos termos 306 e 337/NUFIS/2011, a comprovar a origem dos recursos financeiros utilizados no pagamento das faturas dos cartões de crédito. Na Declaração de Ajuste Anual, consta o recebimento de rendimentos de pessoa física no valor total de R$ 15.750,00. Na referida declaração não há informações sobre dívidas e ônus reais. As demais alegações, recursos da sua genitora e saldo em caixa do ano calendário 2007, não foram comprovadas. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos nos autos. Em 16/11/2011 foi dada ciência à recorrente do lançamento, conforme extrato do processo, fls. 0237. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, em 01/12/2011, fls. 0237, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: “(...) Os valores foram sacados em dinheiro através do cartão da Senhora Raimunda Gomes Queiroz, uma vez que a impugnante é a responsável pelos recebimentos e pagamentos, já que a referida senhora é mãe da impugnante e possui mais de 70 anos. (...) A senhora Raimunda é aposentada pelo INSS e recebe aluguéis e com esses valores declarados, ajuda a família, pagando as despesas como no presente caso. (...) Os comprovantes foram apresentados, ou seja, comprovante da aposentadoria e os formulários do DIMOB, cujos valores, serviram para pagar as despesas com cartão de crédito. É importante ressaltar, que as origens dos valores para pagar as despesas com cartão de crédito foram rendimentos da sua genitora senhora Raimunda Gomes Queiroz, CPF N°. 414.055.95272, da qual a impugnante é procuradora para assinar e receber seus rendimentos e aplicar nas necessidades da família. As despesas realizadas com os cartões de crédito, anexo nos autos do processo administrativo encaminhado em resposta ao termo, foram pagos com recursos da genitora da impugnante a senhora Raimunda Gomes CPF N°. 414.055.95272 uma vez que é a responsável, já que a referida senhora encontrase com a saúde debilitada, precisando de ajuda, e seus recursos cobrem várias despesas. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10280.722679/201115 Acórdão n.º 2402005.098 S2C4T2 Fl. 242 5 (...) Os extratos de cartões de créditos não são documentos no sentido legal do termo. Não há lei que obrigue o contribuinte a conserválos e justificar através da relação fornecida, visto que, não veio acompanhado dos comprovantes de pagamento das administradoras dos cartões de crédito, veio apenas uma relação produzida pela auditora fiscal, que pode não ser os mesmos valores registrados nos extratos dos cartões de crédito. (...) Recurso em caixa do ano calendário de 2007 R$ 85.000,00” A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando improcedente a impugnação. Em 26/09/2013, a recorrente foi cientificada da decisão, fls. 0237. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0222, em 30/09/2013, fls. 0237, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. O procedimento de fiscalização não atendeu o art. 142, do CTN; 2. O cartão de crédito é utilizado por toda família; 3. A quebra de sigilo, dos dados dos cartões de crédito, só podem ocorrer por determinação judicial; 4. As informações que fundamentam o lançamento foram obtidas por lei inconstitucional; 5. Para que haja o lançamento é necessário que haja investigação, como determina o Art. 142, do CTN, e isso não ocorreu, uma vez que as faturas do cartão de crédito não foram apresentadas pela fiscalização, pois lá se encontram os responsáveis pelas compras, que poderiam justificar o objetivo; 6. Fica provado o defeito de estrutura no lançamento e não um mero vício formal; 7. A legislação citada determina "prestar as informações e os esclarecimentos" e a recorrente prestou todas informações e esclarecimentos; 8. A legislação não determina que se informe o Fisco sobre seus rendimentos e operações financeiras; 9. A intimação do Fisco para a prestação de comprovação das operações não possui respaldo legal, desobrigando a recorrente de seu atendimento; 10. A fiscalização está exigindo que a recorrente produza prova negativa, o que é impossível; 11. Cabe ao Fisco o ônus da prova, portanto nula a autuação; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 12. Solicita que seja suspenso o julgamento, até o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir a questão da quebra do sigilo pela administração tributária; 13. Requer, por fim, que seja declarado nulo o lançamento, pelo vícios formais demonstrados. É o relatório. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10280.722679/201115 Acórdão n.º 2402005.098 S2C4T2 Fl. 243 7 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Quanto às preliminares, a recorrente afirma que o procedimento de fiscalização não atendeu o art. 142, do CTN. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não assiste razão à recorrente. Na leitura dos autos fica claro que a fiscalização: 1. Constituiu o crédito tributário pelo lançamento; 2. Verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (renda para pagamento de despesas); 3. Determinou a matéria tributável, citando a legislação que fundamenta o lançamento; 4. Calculou o montante do tributo devido (especificando, por planilhas, como chegou à base de cálculo e a alíquota aplicável); 5. Identificou o sujeito passivo, que é o titular dos cartões de crédito; e 6. Propôs a aplicação da penalidade cabível, juros e multas determinados por Lei. Portanto, o lançamento foi lavrado de forma correta, sem defeitos em sua estrutura e sem vício algum, obedecendo o que determina o dispositivo acima. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Quanto à inconstitucionalidade de Leis, esclarecemos à recorrente que o CARF não é competente para apreciar a constitucionalidade de Lei, como determina uma de suas súmulas. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. As súmulas, conforme determina o regimento interno do CARF (RICARF), possuem efeito vinculante. Portanto, não há razão no argumento da recorrente. Esclarecemos à recorrente, que, em recente julgado, o STF solucionou a questão, definindo como constitucional a obtenção de dados de operações financeiras pela Receita Federal do Brasil. Em 24/02/2015 o STF concluiu o julgamento conjunto de processos (ADIs 2390, 2386 e 2397) que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à Receita Federal do Brasil (RFB) receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – , prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Portanto, definida a questão pelo STF, razão da improcedência do argumento da recorrente. Por todo o exposto, rejeito as preliminares e passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito, em síntese, a recorrente continua a afirmar, como já fez em sua impugnação, que o cartão de crédito é utilizado por toda família e que os rendimentos de sua genitora mais as sobras de recursos de ano anterior é suficiente para comprovar a origem dos recursos. Cabe demonstrar o que determina a legislação. Lei 7.713/1988: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) Fl. 247DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10280.722679/201115 Acórdão n.º 2402005.098 S2C4T2 Fl. 244 9 § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. ... § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. ... Lei 8.021/1990: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. Lei 8.134/1990: Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta lei. Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. Como está claro no lançamento, a fiscalização verificou sinais exteriores de riqueza, gastos com cartões sem renda, e renda incompatível para efetuar esses pagamentos. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Pela diferença entre receita auferida pela contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte (renda declarada versus gastos efetuados), como demonstra planilha elaborada pelo Fisco, a fiscalização lavrou o lançamento. Ressaltese que o Fisco solicitou esclarecimentos da recorrente, investigou, mas a recorrente apresentou esclarecimento sem comprovar sua veracidade, ou demonstrar por indícios de que havia renda disponível declarada para pagamento dessas despesas. Alegar sem trazer o mínimo de indícios sobre suas alegações impossibilita a modificação do lançamento. A fiscalização não está exigindo que a recorrente produza prova negativa, está exigindo o mínimo de indícios que suas alegações são verdadeiras, como, por exemplo, por transferências bancárias de sua genitora para sua conta bancária. O Fisco buscou, solicitou, prova, mas não foi atendido, efetuando o arbitramento, como determina a Lei 8.021/1990, citada acima. Em razão do exposto, não há razões nos argumentos que possibilitem a alteração do lançamento. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007511/2003-71
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/02/1998 a 31/08/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZOS.
INTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, a teor do art. 33 do Decreto d 70.235/72.
Os prazos são contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento.
Recurso não conhecido, por intempestivo
Numero da decisão: 201-80.943
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: Antônio Ricardo Accioly Campos
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SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ....., , n.:.„ PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10980.007511/2003-71 Recurso n° 138.676 Voluntário Matéria Cofins de COnttibuintes Acórdão n° 201-80.943 ceesekhd. ,._, ee t 4 10 wif -Se9":e7e0 Diário o tirai; ...liS--.- Sessão de 14 de fevereiro de 2008 dota-N--I I, Recorrente SAVANA VEÍCULOS LTDA. Recorrida DRJ em Curitiba - PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/1998 a 31/08/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, a teor do art. 33 do Decreto d 70.235/72. Os prazos são contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Recurso não conhecido, por intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. 4 . • I* S : 1 A MARIA COELHO MARQUE Presidente k , L---:\&N)ç."\.. ...„...—.. NTÔNIO RICARDO ACCIOLkAMPOS R lator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maurício Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e José Antonio Francisco. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. , % Processo n.° 10980.00751 I t2003-71 CCO2/C01 Acórdão n.' 201-80.943 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 124 Brasília, _dy 1 12 14-7,202. S:Mo 55-, irbesa Relatório Mat.: Siape 91745 Com vistas a uma apresentação sistemática e abrangente deste feito, sirvo-me do relatório contido na decisão recorrida de fls. 82/88. A DRJ em Curitiba - PR, não conhecendo do recurso, julgou o lançamento procedente, para manter o crédito tributário no valor de R$ 330.618,61, referente à Cofins e R$ 247.963,96 de multa de oficio, além dos acréscimos legais. Inconformada, a interessada recorre a este Conselho (fls. 94/106), reiterando as razões da peça impugnatória. É o Relatório. - t Processo n.• 10980.007511/2003-71 CCO2/C01 Acórdão n.• 201-80.943 ''' MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM 0 OfUGNAL Fls. 125 Brasilia.#1 _O y / 7008. S.Mo9r5Z5Pittr.S t2Voto Mat: àaape 91745 Conselheiro ANTÔNIO RICARDO ACCIOLY CAMPOS, Relator A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância (Acórdão 112 06- 12.985) em 24/01/2007, conforme AR de fl. 91. Apresentou recurso a este Conselho em 26/02/2007, confoime carimbo de recebimento à fl. 94. Analisando o art. 33 do Decreto n 2 70.235, de 6 de março de 1972, que trata do prazo para apresentação de recurso contra a decisão de primeira instância, tem-se: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão". A contagem do prazo segue as regras estabelecidas no art. 52 do mesmo diploma legal, verbis: "Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Sendo 24/01/2007 uma quarta-feira, a contagem do prazo para interposição de recurso voluntário se iniciou na quinta-feira, dia 25/01/2007 e foi encerrada seta-feira, dia 23/02/2007. Logo, se o recurso foi interposto em data posterior (26/02/2007) ao termo final, a decisão a quo já se tomara definitiva, nos termos do art. 42 do Decreto n2 70.235/72, que assim, estabelece: "Art. 42. São definitivas as decisões: I- de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; ". Em face do exposto, não conheço do recurso, por ser intempestivo. É corno voto. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2008. ,x — A ÔNIO RICARDO ACC1OLY CAMtOS\NT 4iZtk' Page 1 _0059300.PDF Page 1 _0059500.PDF Page 1
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Numero do processo: 12448.721267/2011-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. LANÇAMENTO. GLOSA DE DEDUÇÃO A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. Somente são dedutíveis as importâncias pagas, comprovadamente, a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. LANÇAMENTO. GLOSA DE DEDUÇÃO A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. Somente são dedutíveis as importâncias pagas, comprovadamente, a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Recurso Voluntário Negado.
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LANÇAMENTO. GLOSA DE DEDUÇÃO A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. Somente são dedutíveis as importâncias pagas, comprovadamente, a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 12 67 /2 01 1- 25 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), fls. 079 1, que julgou impugnação improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 GLOSA DE DEDUÇÃO A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. Somente são dedutíveis as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 19ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação apresentada, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), fls. 005, o lançamento referese a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública. Ressalta o Fisco que devidamente intimado o contribuinte não tendeu a intimação, até a data do lançamento. Também são objeto do lançamento as deduções consideradas indevidas com previdência privada e Fapi, pois, novamente, devidamente intimado o contribuinte não tendeu a intimação, até a data do lançamento. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos nos autos. Em 07/01/2011 foi dada ciência ao recorrente do lançamento, fls. 0128. Contra o lançamento, o recorrente apresentou impugnação, fls. 002, em 01/02/2011, fls. 0128, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que apresenta documentação para comprovar a correção nas deduções. O lançamento foi remetido à fiscalização, que proferiu Despacho Decisório (DD), fls. 054, retificando o valor lançado. 1 Numeração conforme processo eletrônico. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12448.721267/201125 Acórdão n.º 2402005.248 S2C4T2 Fl. 173 3 Após a ciência do DD, o contribuinte foi cientificado do mesmo e apresentou impugnação, fls. 062, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: * o inconformismo se refere a Beneficiária MARLY PINHEIRO MACHADO FARIA; * o pensionamento dos filhos do casal se encerrou com as respectivas maioridade e/ou conclusão de curso de graduação no ensino superior; * em relação a beneficiária a decisão judicial não fixa prazo, logo, o pensionamento deverá ocorrer até a sua morte; * não é crível que o requerente tenha que obter nova decisão judicial para ratificar uma decisão já consolidada há mais de 30 anos; * a beneficiária declara a pensão em sua declaração de ajuste; * requer acolhimento da impugnação e cancelamento da exigência; * apresenta documentação para comprovar a correção nas deduções. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando improcedente a impugnação. Em 02/09/2015, fls. 0128, o recorrente foi cientificado da decisão. Inconformada com a decisão, o recorrente apresentou recurso voluntário, em 25/08/2015, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Paga pensão alimentícia por decisão judicial; 2. Informa o pagamento à Receita Federal, assim como a beneficiária da pensão informa seu recebimento; 3. A pensão só pode ser extinta por decisão judicial; 4. Não correu causa legal que justifique pedido de exoneração de alimentos, restando mantida a obrigação; 5. A vista do exposto, requer o acolhimento e o provimento de seu recurso. O contribuinte apresentou decisão judicial. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, o litígio referese a pagamento de pensão alimentícia. Na fiscalização, como consignado na NL, o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou documentos referentes ao pagamento da pensão alimentícia. Agora, em fase recursal, o contribuinte apresenta decisão, de 1986, onde consta determinação de pagamento de pensão a sua ex esposa e a seus dois filhos. Não há como, pro essa decisão, verificar se os pagamentos atuais estão de acordo com o decidido pelo Poder Judiciário. Assim como não há nos autos qualquer prova de pagamento efetivo da pensão (depósitos, saques,etc). O artigo 73 e §1º do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) estabelece: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Foi o que fez o Fisco, seguiu a legislação, buscando comprovar a dedução. Caberia ao interessado provar que os valores pagos estão de acordo com a decisão judicial e que esses valores foram transferidos para a beneficiária. Como nenhuma dessas ações ficou comprovada nos autos, não há como prover o recurso. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12448.721267/201125 Acórdão n.º 2402005.248 S2C4T2 Fl. 174 5 CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 14751.002101/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
RECURSO APRESENTADO APÓS O TRINTÍDIO LEGAL. PEREMPÇÃO.
Revela-se perempto o recurso apresentado, após trinta dias da data do recebimento da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3302-003.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, o Recurso Voluntário não foi conhecido por perempção.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 RECURSO APRESENTADO APÓS O TRINTÍDIO LEGAL. PEREMPÇÃO. Revela-se perempto o recurso apresentado, após trinta dias da data do recebimento da decisão de primeira instância.
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PEREMPÇÃO. Revelase perempto o recurso apresentado, após trinta dias da data do recebimento da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, o Recurso Voluntário não foi conhecido por perempção. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 21 01 /2 00 8- 01 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA 2 Tratase de auto de infração, advindo do lançamento de COFINS, tanto referente ao sistema nãocumulativo, quanto ao sistema cumulativo, por divergência entre as informações, contidas nos valores escriturados nos livros contábeis/fiscais e os valores pagos no período de outubro de 2003 a junho de 2008. Do Termo de Verificação Fiscal, fls. 75/771, , extraemse trechos importantes: Foi elaborada pela fiscalização planilha denominada "Demonstrativo de Diferenças Apuradas pelo AFRFB", na qual estão discriminados os meses onde foram verificadas diferenças não justificadas pelo contribuinte entre os valores escriturados e os declarados/pagos da Cofins Cumulativa (fls.69) e Não Cumulativa (fls.70/72). Na coluna 1 da referida planilha, denominada "Débito Escriturado PJ", estão demonstrados os valores da Cofins Cumulativa (fls.69) e NãoCumulativa (fls.70/72) extraídos do livro Razão (fls.46/51). Na coluna 2, denominada "Débito Declarado DCTF", estão demonstrados os valores declarados da Cofins Cumulativa (fls.69) e NãoCumulativa (fls.70/72) extraídos da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (fls.52/68). Na coluna 3, denominada "Créditos Apurados", estão demonstrados os valores pagos, parcelados e dos Pedidos de Compensação da Cofins Cumulativa (fls.69) e NãoCumulativa (fls.70/72). Finalizando, será constituído o crédito tributário lançandose as diferenças apuradas entre os valores dos débitos escriturados e os valores declarados e/ou pagos apontados na planilha "Demonstrativo de Diferenças Apuradas pelo AFRFB" (fls.69/72), na coluna "Diferença Tributável", através do Auto de Infração da Cofins Cumulativa e do Auto de Infração da Cofins NãoCumulativa (fls.1/13). A coluna denominada "Diferença Tributável" demonstra os valores da Cofins Cumulativa (fls.69) e NãoCumulativa (fls.70/72) resultantes da subtração do valor do Débito Escriturado (coluna 1) pelo valor do Débito Declarado em DCTF (coluna 2) ou pelo valor do Crédito Apurado (coluna 3), subtraindose o maior entre eles O auto de infração teve ciência em 29 de outubro de 2008, sendo que a defesa administrativa foi apresentada em 28 de novembro de 2008. Da impugnação, fls. 79/97, extrai se em síntese: i) Nulidade na autuação, pois entendeu que a ordem específica do Mandado de Procedimento Fiscal é para pedidos de ressarcimento do IPI; ii) Inexigibilidade da COFINS cumulativa, iii) Solicita a realização de perícia; 1 Todas as folhas citadas no voto correspondem ao eprocesso. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 14751.002101/200801 Acórdão n.º 3302003.154 S3C3T2 Fl. 3 3 iv) Aumento indevido de alíquota em 3%; v) Inclusão indevida na base de cálculo do ICMS; vi) Inexigibilidade da COFINS nãocumulativa; vii) Inexigibilidade da multa de ofício de 75% Entre o protocolo da defesa e a decisão da DRJ/Recife, a contribuinte renunciou a discussão relativa à cobrança da COFINS não cumulativa, nas competências 01/2005 a 03/2005, 09/2005 a 12/2005, 11/2006, 12/2006, 02/2007 a 05/2007 e 09/2007 a 11/2007, fazendoo porquanto aderiu ao parcelamento da Lei n° 11.941/2009. Da impugnação administrativa apresentada, colacionase, abaixo, a ementa do julgamento da DRJ/Recife: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005, 01/09/2005 a 31/12/2005, 01/11/2006 a 31/12/2006, 01/02/2007 a 31/05/2007, 01/09/2007 a 30/11/2007 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. Quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação processual fiscal, não se cogita da nulidade do auto de infração. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. ESCRITURAÇÃO. MEIO DE PROVA. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. APLICAÇÃO DE MULTA. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição quando comprovada a declaração inexata pelo sujeito passivo. A contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos da impugnação administrativa. É o relatório. Voto Fl. 202DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA 4 Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo intempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 27 de fevereiro de 2013, fls. 172, e o recurso foi protocolado em 01º de abril de 2015, fls. 173. Tratase, portanto, de recurso intempestivo. Vale transcrever o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, no que se refere aos prazos: Decreto nº 70.235/1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. (...) Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No caso em apreço, o trigésimo dia para apresentação do recurso voluntário seria 29 de março de 2013 sextafeira , tratase, portanto, de recurso intempestivo. 2. Conclusão Pelos motivos acima expostos, não conheço do recurso voluntário. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10972.000007/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.BASE DE CÁLCULO.
A fonte pagadora ao assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, obriga o beneficiário ao reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto,
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO.
Não se alberga na condição de erro de fato, consignado no art. 147 do CTN, a entrega de nova Declaração de Imposto de Renda com vistas a alterar a opção original na forma de apuração do imposto devido no ano calendário.
PAF PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OBSERVÂNCIA Na função de aplicador da lei não pode o julgador tributário esquecer de integrá-la observando os princípios constitucionais. O agente público que fiscaliza e apura créditos tributários está sujeito ao principio da indisponibilidade dos bens públicos e deverá atuar aplicando a lei, que disciplina o tributo, ao caso concreto, sem margem de discricionariedade.
RECURSO NEGADO
Numero da decisão: 2201-002.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso
assinado digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto
assinado digitalmente
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relator.
EDITADO EM: 03/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relator. EDITADO EM: 03/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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A fonte pagadora ao assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, obriga o beneficiário ao reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO. Não se alberga na condição de erro de fato, consignado no art. 147 do CTN, a entrega de nova Declaração de Imposto de Renda com vistas a alterar a opção original na forma de apuração do imposto devido no ano calendário. PAF — PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OBSERVÂNCIA — Na função de aplicador da lei não pode o julgador tributário esquecer de integrála observando os princípios constitucionais. O agente público que fiscaliza e apura créditos tributários está sujeito ao principio da indisponibilidade dos bens públicos e deverá atuar aplicando a lei, que disciplina o tributo, ao caso concreto, sem margem de discricionariedade. RECURSO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 00 07 /2 01 1- 59 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10972.000007/201159 Acórdão n.º 2201002.977 S2C2T1 Fl. 165 2 assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relator. EDITADO EM: 03/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Relatório GERALDO BARBOSA DOS SANTOS, recorre do acórdão 0944.996, da 6ª Turma da DRJ/JFA, de 10 de julho de 2013, que julgou procedente a exigência para o Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário de 2006, que alterou o valor do imposto a restituir na declaração de R$ 23.995,46, para R$ 8.448,85. Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão recorrido, por bem definir a matéria do litígio: O contribuinte acima identificado insurgiuse contra o lançamento do IRPF/2007 (anocalendário 2006), consubstanciado no Auto de Infração de folhas 04 a 09, do qual tomou ciência em 24/01/2011, que alterou o resultado da declaração de saldo de imposto a restituir de R$ 23.995,46 para R$ 8.448,85. Motivou o lançamento a constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, da seguinte forma: O contribuinte recebeu rendimentos tributáveis acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, correspondente à importância liquida de R$ 160.000,00 (cento e sessenta mil reais), conforme termos do acordo celebrado no processo n° 01154199604203005, 2ª Vara do Trabalho de Uberaba (MG). Segundo, ainda, o que consta no acordo, a pessoa jurídica responsável pelo pagamento dos rendimentos líquidos assumiu os ônus pelo recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, cabendo, assim, o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto. Para reajustamento da base de calculo, foi aplicada a seguinte fórmula: RR = RP D / 1 T/100, conforme disposto no Art. 20, da Instrução Normativa SRF n° 15/2001,onde:RR, é o rendimento reajustado;RP, é o rendimento pago, correspondente à base de cálculo antes do reajustamento; D, é a dedução da classe de rendimentos a que pertence o RP; T, é a alíquota da classe de rendimentos a que pertence o RP. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10972.000007/201159 Acórdão n.º 2201002.977 S2C2T1 Fl. 166 3 Considerandose que a importância liquida de R$ 160.000,00 foi recebida parceladamente, em seis parcelas de R$ 26.667,00, foi aplicada a fórmula para cada parcela e depois o valor encontrado multiplicado por seis. Foram considerados no cálculo, ainda, o valor R$ 16.000,00 (dezesseis mil reais) pagos a título de honorários advocatícios, os quais foram deduzidos do rendimento bruto. Assim, RR 200.533,13. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e da aplicação da fórmula acima, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos auferidos pelo titular. Inconformado, o interessado apresentou impugnação de folhas 41 a 45 em 23/02/2011, da seguinte forma: Os rendimentos que foram objeto de revisão fiscal se referem à importância de R$ 160.000,00 (cento e sessenta mil reais) recebidos com base em acordo trabalhista firmado nos autos do processo n.° 01154199604203005, em trâmite perante a 2ªVara do Trabalho de Uberaba (Doc. 01). No referido acordo, a Reclamada comprometeuse ao pagamento da quantia mencionada em seis parcelas iguais e sucessivas, da mesma forma em que se comprometeu ao pagamento das parcelas relativas ao imposto de Renda e contribuições previdenciária, in verbis: "A Reclamada arcará também com o pagamento da parcela relativa ao Imposto de Renda e contribuições previdenciárias do empregado e do empregador, conforme apurado nos autos. Requerem, outrossim, seja autorizada a Reclamada a proceder a quitação dos tributos após cumprido o acordo, facultado aquela a obtenção de parcelamento perante os órgãos competentes, havendo em qualquer caso, de juntarse aos autos os comprovantes respectivos." (destaques nossos) Cumpre salientar que o referido acordo foi homologado pelo juízo competente, já tendo sido transitado em julgado, nos seguintes termos: "J. Homologo o presente acordo para que surtam seus jurídicos e legais efeitos, caberá ao reclamado diligenciar os recolhimentos previdenciários e fiscais. "(destaques nossos) Ainda, assim, a Impugnante está sendo cobrada por tributo que não é de sua responsabilidade. O Sr. Auditor Fiscal aplicou o cálculo do reajustamento dos rendimentos, nos termos da IN n.° 15/2001, baseado no art. 725 do Regulamento do Imposto de Renda, que assim dispõe: Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, Fl. 166DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10972.000007/201159 Acórdão n.º 2201002.977 S2C2T1 Fl. 167 4 creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os art. 677 e 703, parágrafo único. Ora, foi anexado aos autos da Notificação de Lançamento n.º 2007/606450070984024 os comprovantes do depósito do valor equivalente ao saldo remanescente da parcela relativa ao Imposto de Renda, no total de R$ 47.898,80 (quarenta e sete mil, oitocentos e noventa e oito mil e oitenta centavos), com acréscimos legais tendo sido determinada a transferência desse montante à União Federal. Além desse valor, a Reclamada já havia feito o pagamento de R$ 22.915,24 (vinte e dois mil, novecentos e quinze reais e vinte e quatro centavos). Desta forma, o valor total de R$ 70.814,04 (setenta mil, oitocentos e quatorze reais e quatro centavos), incluindo os acréscimos legais, foi completamente desconsiderado por esse Ilmo. Auditor Fiscal, que adotou como líquida a importância paga, reajustando o respectivo valor para fins de incidência de imposto de renda. Não obstante a fonte pagadora ter cumprido com a sua obrigação fiscal, no estrito cumprimento de decisão judicial, o cálculo do reajustamento da base de cálculo no corpo do presente auto de infração mostrase completamente inteligível, dificultando a defesa por parte do contribuinte. Ademais, a despeito do argumento de que a Reclamada cumpriu com o acordado e, nos termos da legislação fiscal, efetuando o depósito do imposto de renda devido, temos que o ônus do imposto continua sendo da fonte pagadora. Este, inclusive, é o entendimento da Receita Federal, conforme solução de consulta abaixo: "FATO GERADOR.CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. A fonte pagadora é responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte incidente sobre os valores tributáveis, pagos ou creditados em cumprimento de decisão judicial. O imposto incidente sobre os rendimentos tributáveis pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte , pela pessoa jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível ao beneficiário. Quando se tratar de rendimento sujeito à tabela progressiva, deverá ser utilizada a tabela vigente no mês do pagamento. Na falta de retenção, o rendimento colocado à disposição da pessoa física do beneficiário será considerado liquido, devendo procederse a reajustamento da base de cálculo, assumindo a fonte pagadora o respectivo ônus do imposto." (SRRF/lª RF, Solução de Consulta n.° 25, 23.03.2006) SENDO ASSIM, COMO O REFERIDO AUTO DE INFRAÇÃO TEVE COMO CONSEQÜÊNCIA A REDUÇÃO DO IMPOSTO A Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10972.000007/201159 Acórdão n.º 2201002.977 S2C2T1 Fl. 168 5 RESTITUIR DO IMPUGNANTE, O QUE SIGNIFICA QUE A RECEITA ENTENDE QUE HOUVE PAGAMENTO DE IMPOSTO A MENOR, IMPOSTO ESSE, DE RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA E NÃO DO IMPUGNANTE CONFORME ESTA SENDO IMPUTADO. Para instruir o pleito, anexou os documentos de folhas 46 a 48. Ciente da decisão em 20 de agosto de 2013, conforme AR de fls.63, interpõe, em 10 de setembro de 2013, as razões de fls.66/77, onde, em síntese, narra o procedimento fiscal e reclama porque se trata de um segundo lançamento fiscal sobre um mesmo fato tributável. Comenta que recebeu rendimentos tributáveis acumuladamente, no importe de R$ 160.000,00, no processo trabalhista 01154.1996.042.03.00.5, neste , a fonte pagadora reteve o IRRF, conforme comprovantes de depósitos realizados em duas datas, nos valores de R$ 22.915,25 e R$ 47.898,80, totalizando R$ 70.814,04 Sofreu um primeiro lançamento através da Notificação de lançamento nº2007/606450070984023, Processo 10148.000852/200841, onde viu restaurado seu direito à restituição de R$ 23.995,46, em 24/06/2010. Registra a sua inconformação como o novo reexame que resultou na atual exigência e com a tese do fisco de que deveria ter declarado o valor bruto dos rendimentos e não o líquido. 1)Oferece o argumento de nulidade do auto de infração pois decorrente de ilegal procedimento fiscal, porque não foi notificado durante o procedimento, o que o impediu do exercício da ampla defesa e do contraditório. Invoca descumprimento do princípio da verdade material, pela lavratura direta do auto de infração. 2)Alude equívoco na apuração do imposto devido , ilegalidade da redução do saldo restituível do imposto. Na base de cálculo não foi considerado o valor do imposto , retido e recolhido pela fonte pagadora, no momento do seu pagamento. Reclama da soma de R$ 56.533,13 aos rendimentos declarados, implicando no total de rendimentos no ano calendário de R$ 216.533,13, o que redundou na redução da parcela a restituir. Referese à incoerência da decisão recorrida quando reconheceu o valor do imposto informado em sua Declaração de Ajuste Anual de R$ 55.874,69 e mesmo assim manteve a exigência. Informa que anexou, ainda, o DARF referente ao recolhimento de R$ 22.915,24, mas este não foi reconhecido pelo fisco. Este valor e mais aquele anteriormente mencionado resultaria em R$ 70.814,04, valor maior que a reconhecida no lançamento. Caso o fisco entendesse que deveria informar o valor bruto recebido deveria têlo intimado a retificar a declaração, obedecendo ao principio da verdade material e não alegar que "não era o momento processual adequado". Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10972.000007/201159 Acórdão n.º 2201002.977 S2C2T1 Fl. 169 6 Consigna que mero erro formal , no preenchimento da declaração, sanável com a retificação não poderia ser tratado de " forma brutal e equivocada por via do indigitado Auto". Transcreve a ementa do acórdão 2801001.721, ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 Ementa: RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. Comprovado o mero erro material no preenchimento das declarações apresentadas, deve ser reconhecido o direito da retificação alicerçada em documentação hábil e idônea Continua para dizer que recebeu R$ 144.000,00 (R$160.000,00 R$14.000,00 de honorários advocatícios) e que o IRRF foi recolhido em dois momentos (R$ 22.915,24+ R$ 47.898,80), sendo reconhecido pela RFB apenas a quantia de R$ 55.874,69. Pede: a) reconhecer o efetivo depósito de R$ 160.000,00 em favor do Recorrente, bem como o comprovado recolhimento total do IRRF no valor de R$ 70.814,04; b) conversão do julgamento em diligência para retificar a DIPF , consignando o valor do IRRF valor de R$ 70.814,04; c) julgar procedente seu recurso. 3) Necessidade de realizar diligência com vistas a apurar a real base tributável em respeito ao princípio da Verdade Material, na forma do artigo 57 do Decreto 7574/11, caso no mérito não seja provido o recurso. Despacho de fls. 163 encaminha, por sorteio, o processo para relato. É o Relatório. Voto Relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10972.000007/201159 Acórdão n.º 2201002.977 S2C2T1 Fl. 170 7 Conforme anteriormente relatado, tratase de exigência oriunda de imposto suplementar apurado a partir de reexame na declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2007, anocalendário 2006. A Recorrente em suas razões de recurso oferece o argumento de erro na base de cálculo do lançamento, porque tanto o valor lançado quanto o imposto compensado estariam incorretos. No tocante a base de cálculo do lançamento, nenhum reparo cabe na decisão de primeiro grau quando consignou: Iniciandose a análise do pedido, já de plano podese afirmar que se equivocou o contribuinte. A fiscalização corretamente aplicou a fórmula de reajuste do rendimento líquido recebido pelo interessado, inclusive nos moldes da legislação citada pelo próprio defendente na peça impugnatória. Destaquese que nos casos em que a fonte pagadora assume o ônus do imposto de renda devido pelo beneficiário, o valor do rendimento deve ser reajustado mediante a seguinte fórmula: RR = RP D1 (T / 100) De acordo com a fórmula, RR = rendimento reajustado, RP = rendimento pago (corresponde à base de cálculo antes do reajustamento), D = parcela a deduzir da classe de rendimentos a que pertence o RP, T = alíquota da classe de rendimentos a que pertence oRP. No caso em foco, os rendimentos foram recebidos em seis parcelas de R$ 26.667,00. Como o imposto de renda regese pelo regime de caixa, ou seja, os rendimentos são tributados no mês em que recebidos, foi aplicada a fórmula de reajuste dos rendimentos para cada parcela recebida pelo impugnante. Após o reajuste dos rendimentos, somandose as parcelas de rendimentos, obtevese o valor total tributável recebido. Como se tratavam de rendimentos recebidos acumuladamente, a autoridade lançadora acatou a redução dos rendimentos, tendo em vista o pagamento comprovado de R$ 16.000,00, a título de honorários advocatícios, nos moldes da legislação vigente. Obtevese então um montante de rendimentos tributáveis auferidos de R$ 200.533,13. Em relação ao imposto retido na fonte, foi acatado o valor informado pelo impugnante na DAA 2007, de R$ 55.874,69, que inclusive foi o determinado judicialmente. No que tange ao valor do imposto passível de compensação, também não cabe reparo à decisão recorrida. O Contribuinte teve homologado acordo trabalhista, conforme fls. 10, em 26 de março de 2006, na seguinte ordem: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10972.000007/201159 Acórdão n.º 2201002.977 S2C2T1 Fl. 171 8 A Reclamada pagará ao Reclamante a importância liquida de R$ 160.000,00 (canto e sessenta mil reais), em seis parcelas mensais, iguais e sucessivas, no valor de R$ 26.667,00 (vinte e seis mil, seiscentos e sessenta e sete reais) cada uma, a primeira no ato de assinatura do presente, através do cheque ng 500435, de emissão da Reclamada, sacado contra o UNIBANCO S/A, agência ng 7164, de UberabaMG, o qual será descontado no dia 02/05/2006, e as demais até o dia 30 (trinta) de cada mês, de maio a setembro do corrente ano. O pagamento das parcelas acima, será feito perante a Secretária dessa E. Vara do Trabalho, com posterior comprovação nos autos, sendo que o pagamento da primeira parcela representada pelo cheque acima referido, somente se considerará efetuado após seu efetivo pagamento pelo Banco sacado. A Reclamada arcará também com o pagamento da parcela relativa ao Imposto de Renda e contribuições previdenciárias do empregado e empregador, conforme apurado nos autos. Requerem, outrossim, seja autorizada a Reclamada a proceder a quitação dos tributos após cumprido o acordo, facultado àquela a obtenção de parcelamento perante os órgãos competentes, havendo em qualquer caso, de juntarse aos autos os comprovantes respectivos. (...) Pelo acordo os pagamentos iriam de maio a setembro de 2006. No dia 03 de maio seguinte, conforme fls.13, O empregador da Recorrente, (Reclamada na ação trabalhista)solicitou ao juiz da causa uma prorrogação para pagamento dos impostos, na ordem seguinte: REGIONAL CENTRO SUL DE COMUNICAÇÃO S/A, devidamente qualificada nestes autos, vem, respeitosamente ante V.Ex.a, por seu advogado e procurador in fine assinado, em atendimento ao despacho exarado, publicado dia 29/04/2006, expor e após requerer o seguinte: Reclamada e Reclamante celebraram o acordo de fls. 799/801, homologado por V.Ex.a, de cujo teor se toma ciência. Entretanto, na petição conciliatória,houve pedido de pagamento dos encargos previdenciários e fiscais somente após a liquidação da última parcela, isto 6, em 30/09/2006. O pedido baseiase no fato de que o montante de tais obrigações é vultuoso e, com certeza, a Reclamada deverá solicitar parcelamento frente aos órgãos arrecadadores. Assim, reiterase a V.Ex.a que se digne aguardar os pagamentos ou parcelamentos requeridos após a data de 30/09/2006. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10972.000007/201159 Acórdão n.º 2201002.977 S2C2T1 Fl. 172 9 Ou seja, admitiu sua impossibilidade de quitar os débitos tributários de uma só vez. Às fls. 19, consta o "Resumo de Atualização de Débito Trabalhista e aponta o "TOTAL IMP.RENDA" e a "data final" 31/10/2006 e o valor de R$ 55.874,69, mesmo valor se repete às fls. 23, no mandado de citação. Na fls. 137 consta um DARF, no valor de R$ 22.915,24, datado de 16/11/2007, sob código 5936.(Vejase que mais de um ano após o prazo definido para início do pagamento). Buscando no Manual de Imposto de Renda na Fonte "MAFON " temse (fls.18receita.fazenda.gov.br/acessorapido/tributos/arquivostributos/mafon2011.pdf): O Código 5936 Rendimento Decorrente de Decisão da Justiça do Trabalho, exceto o disposto no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 1988 FATO GERADOR Rendimentos em cumprimento de decisão ou acordo homologado pela justiça trabalhista, inclusive atualização monetária e juros e pagamento de remuneração pela prestação de serviços no curso do processo judicial, quando:(Grifei) a) não sejam pagos acumuladamente; ou b) pagos acumuladamente e sejam relativos ao anocalendário de 2010 (RIR/1999, art. 718; Lei n 10.833, de 2003, art. 28; IN SRF n 491, de 2005 art.3º) Ou seja, neste código recolhese o principal e os acréscimos. E mais adiante, em 08 de julho de 2009, às fls.140, há o levantamento do valor de R$ 47.898,80, do depósito judicial a favor da Fazenda Nacional , onde aponta que a base de cálculo do IRRF é de R$ 39.372,29. Aqui o pagamento se realizou mais de 03 anos após a celebração do acordo . E em todos os recolhimentos não se faz menção exclusiva ao valor líquido do IRRF, o que prejudica a tese da Recorrente de que todo valor recolhido seria de IRRF, passível de restituição. A Recorrente em suas razões de recurso oferece o argumento de cerceamento do seu direito de defesa e de falta de observância ao princípio da verdade material. Aqui, igualmente, falece razão à recorrente. A fase inquisitória do preparo do lançamento é privativa da autoridade lançadora. E esta não é obrigada a ouvir o Contribuinte neste momento. Principalmente quando Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10972.000007/201159 Acórdão n.º 2201002.977 S2C2T1 Fl. 173 10 a matéria é eminentemente de direito. A própria Recorrente consignou em suas razões de impugnação o dispositivo que dá sustentação ao lançamento, o artigo 725 do RIR/1999: Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº 4.154, de 1962, art. 5º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 63, § 2º ). Cabe lembrar que todos os princípios constitucionais de regência da constituição do crédito tributário são obrigatórios. Porque na função de aplicador da lei não pode o julgador tributário esquecer de integrar a interpretação aos princípios constitucionais que funcionam como vetores interpretativos.O agente público que fiscaliza, apura e julga a legalidade dos créditos tributários está sujeito ao principio da indisponibilidade dos bens públicos e deverá atuar aplicando a lei que disciplina o tributo ao caso concreto, sem margem de discricionariedade. Por fim, igualmente , não cabe atendimento ao pedido de realização de diligência, por não se tratar de dúvida quanto a matéria de fato. Como antes mencionado o que se trata neste lançamento é eminentemente a aplicação da lei ao caso concreto. Nessa conformidade NEGO provimento do recurso. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
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Numero do processo: 16004.001058/2007-55
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente, conforme o parágrafo 15 do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9101-002.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte não conhecido por unanimidade de votos.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte não conhecido por unanimidade de votos. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente, conforme o parágrafo 15 do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte não conhecido por unanimidade de votos. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 10 58 /2 00 7- 55 Fl. 11443DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 9101002.250 CSRFT1 Fl. 3 2 (Suplente Convocada), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelos responsáveis tributários acima identificados, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pelo qual eles alegam divergência de interpretação da legislação tributária quanto à (1) manutenção da responsabilidade tributária por interesse comum no fato gerador da obrigação (art. 124, I do CTN); e (2) à rejeição da preliminar de decadência parcial do lançamento. Os recorrentes insurgemse contra o Acórdão nº 130200.777, de 20/10/2011, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, negou provimento a recurso voluntário anteriormente apresentado. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA APLICÁVEL. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. PROCEDÊNCIA. Se as provas carreadas aos autos deixam foram de dúvida a participação dos indicados como sujeitos passivos solidários nos fatos que resultaram em evasão fiscal, há que se manter tais pessoas no pólo passivo das obrigações tributárias correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. No caso vertente, revelase adequada a imputação de solidariedade tributária passiva nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional, eis que os elementos trazidos ao processo pelas autoridades fiscais apontam para uma relação direta dos indicados nos Termos de Sujeição Passiva Solidária com os fatos geradores dos tributos e contribuições sonegados. No recurso especial, os responsáveis tributários afirmam que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos para as matérias acima mencionadas. Quanto à responsabilidade tributária, os recorrentes alegam que existe jurisprudência divergente, no sentido de que não cabe a imputação de responsabilidade solidária aos sócios da empresa autuada que não participaram diretamente no fato gerador da obrigação tributária. Para sustentar a divergência, indicam o Acórdão nº 10809.263, de Fl. 11444DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 9101002.250 CSRFT1 Fl. 4 3 28/03/2007, proferido pela 8º Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que possui a seguinte ementa, na parte que interessa aqui: Acórdão nº 10809.263 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — DESCABIMENTO A responsabilidade solidária prevista no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional enseja comprovação do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Em relação à decadência, sustentam que a jurisprudência administrativa entende que se não comprovada a existência de dolo ou fraude, o prazo decadencial para a realização do lançamento é o previsto no §4º do art. 150 do CTN. Nesse caso, indicam como paradigma a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, representada pelo Acórdão nº 920202.246, proferido em 07/08/2012, pela 2ª. Turma: Acórdão nº 920202.246 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO LANÇAMENTO QUE ENVOLVE APENAS A CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TRABALHADORES AVULSOS DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassa do esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” No caso, relativamente ao período em apreço, a autuada efetuou recolhimentos de outras contribuições previdenciárias a cargo da empresa, previstas no artigo 22 da Lei n° 8.212/91, sendo que a notificação fiscal de lançamento de débito envolve apenas o tributo incidente sobre a remuneração paga a trabalhadores avulsos que prestaram serviços médicos a seus empregados e beneficiários, inexistindo acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação. Lançamento atingido pela decadência quanto aos fatos geradores ocorridos até a competência 11/1999, inclusive. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por meio do Despacho nº 99/2014, de 18/07/2014, deu parcial seguimento ao recurso, reconhecendo a existência de divergência apenas para a questão da responsabilidade tributária, nos seguintes termos: Examinandose o acórdão apresentado como paradigma (a ementa em conjunto com seu inteiro teor), verificase que existe similitude fática com a situação Fl. 11445DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 9101002.250 CSRFT1 Fl. 5 4 analisada no acórdão recorrido, sendo divergentes as conclusões acerca da responsabilização solidária. O acórdão paradigma traz entendimento, no voto vencedor, de que a responsabilidade solidária prevista no art. 124, inc. I do CTN somente se aplica em relação às pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, como nos coproprietários de imóvel em relação ao IPTU e que se comprovada a conduta dolosa dos sóciosadministradores caberia a responsabilidade pessoal e não solidária, prevista no art. 135 do CTN. O acórdão recorrido, por sua vez, entendeu como adequada a imputação solidariedade tributária passiva nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional, uma vez que os elementos trazidos ao processo pelas autoridades fiscais apontam para uma relação direta dos indicados como responsáveis com os fatos geradores dos tributos e contribuições sonegados, mediante a utilização de condutas fraudulentas pela utilização de empresas e pessoas “laranjas” para ocultar a ocorrência do fato gerador. Assim, entendo que resta configurada a divergência argüida pelos recorrentes, e opino no sentido de dar seguimento ao presente recurso neste ponto. [...] Com relação ao segundo ponto a recorrente traz o acórdão paradigma, do qual transcrevo abaixo a parte da ementa que interessa ao questionamento sob exame: [...] Examinandose o fundamento da decisão contida no acórdão apresentado como paradigma (a ementa em conjunto com seu inteiro teor), verificase que ele tem contornos distintos dos fundamentos do acórdão recorrido, decorrentes das provas apresentadas em cada um dos processos. O acórdão paradigma reconheceu a ocorrência de decadência nos termos do §4º do art. 150 do CTN, tendo em vista a inexistência de acusação de dolo, fraude ou simulação pelo Fisco e, ainda, a existência de recolhimentos. Já o acórdão recorrido entendeu aplicável o prazo decadencial previsto no art. 173, inc. I do CTN, tendo em vista a ocorrência de dolo fraude ou simulação. A questão divergente posta sob análise não decorre, portanto, da interpretação da legislação tributária, mas sim das provas trazidas aos autos A contradição entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido decorre essencialmente da valoração do conjunto probatório contido em cada um dos processos no qual o segundo aponta a existência de dolo, fraude e simulação e o primeiro não. Assim, não restando configurada a divergência argüida pela recorrente, e, tendo em vista que o recurso especial não se presta ao reexame das provas dos autos, não há como dar seguimento ao presente recurso quanto ao segundo ponto. Em 24/02/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu em parte o recurso especial dos responsáveis tributários, e em 02/03/2015 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DA NÃO COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA os recorrentes não lograram demonstrar a existência de divergência jurisprudencial hábil a justificar o recebimento do recurso especial por eles interposto, uma vez que o paradigma citado pelos recorrentes, Acórdão nº 10809.263, foi reformado pelo Acórdão Fl. 11446DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 9101002.250 CSRFT1 Fl. 6 5 nº 910100.286, que fixou o mesmo entendimento do acórdão recorrido, não sendo, assim, apto a configurar a divergência necessária; o paradigma indicado foi reformado pelo Acórdão nº 910100.286, proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior deste Conselho, na sessão do dia 24/08/2009, que restou assim ementado: MULTA QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada deve ser mantida se comprovada a fraude realizada pelo Contribuinte, constatados a divergência entre a verdade real e a verdade declarada pelo Contribuinte, e seus motivos simulatórios. Se a empresa não existe de fato, servindo tão somente para acobertar as operações praticadas por outra empresa, deve ser mantida a multa de oficio qualificada. DECADÊNCIA. FRAUDE. O direito da Fazenda Pública de realizar o lançamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, está previsto no art. 150 do CTN, sendo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Se caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, o prazo decadencial deve ser contado em conformidade com o art. 173,1, do CTN. SOLIDARIEDADE. São pessoalmente responsáveis aqueles que tem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) por maioria de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer a multa de oficio qualificada no percentual de 150%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Karem Jureidini Dias que negava provimento integral ao recurso. 2) Por unanimidade de votos, RESTABELECER os créditos tributários de IRPJ e CSLL cujos fatos geradores ocorreram após o terceiro trimestre de 1998 e, em relação ao PIS e COFINS, cujos fatos geradores ocorreram após novembro de 1998, em razão do prazo decadencial previsto no art. 173,1, do CTN. 3) Pelo voto de qualidade, RESTABELECER a solidariedade passiva, na forma do auto de infração, vencidos os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Relator e VicePresidente Substituto), Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho e Valmir Sandri, que negavam provimento nessa parte. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro quanto a matéria solidariedade tributária. (grifos acrescidos) pela simples leitura, percebese que a solidariedade passiva que havia sido afastada pelo suposto paradigma foi restabelecida pela CSRF; conforme mencionado, os recorrentes, irresignados com o decidido no Acórdão nº 130200.777, interpuseram Recurso Especial em 06/02/2013, indicando como paradigma o Acórdão nº 10809.263, que já havia sido superado em 24/08/2009 pelo Acórdão nº 910100.286, como se constatou das ementas acima transcritas, onde a responsabilidade solidária foi totalmente restabelecida na forma do auto de infração; percebese claramente que quando da interposição do Recurso Especial, em 06/02/2013, o acórdão indicado como paradigma já havia sido reformado pela Câmara Superior (24/08/2009), razão pela qual não era apto a comprovar a divergência de entendimento, nos termos do §10 do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Fl. 11447DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 9101002.250 CSRFT1 Fl. 7 6 Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. pelo acima exposto, uma vez que não foi caracterizada a divergência de entendimentos quanto à matéria recorrida, não deve o presente recurso ser conhecido, por falta de um dos pressupostos de admissibilidade. Na seqüência das contrarrazões, a PGFN, na eventualidade de não acolhimento da questão preliminar suscitada, desenvolve argumentos de mérito, defendendo a manutenção integral do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 11448DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 9101002.250 CSRFT1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O relatório anteriormente apresentado esclarece que foi dado seguimento parcial ao recurso especial interposto pelos responsáveis tributários, porque houve comprovação de divergência apenas para a parte que trata da responsabilidade tributária. Entretanto, mesmo em relação a essa matéria, não há condições para se conhecer do recurso especial. Realmente, quando os recorrentes interpuseram o recurso, em 06/02/2013, indicando como paradigma o Acórdão nº 10809.263, este já havia sido reformado muito antes pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 24/08/2009, conforme Acórdão CSRF nº 9101 00.286. Naqueles outros autos, a Câmara Superior de Recursos Fiscais restabeleceu a responsabilidade solidária que havia sido afastada pelo acórdão indicado como paradigma, manifestando o mesmo entendimento do acórdão recorrido. Portanto, no âmbito destes autos, não há nenhuma divergência a ser solucionada mediante processamento de recurso especial, porque o Acórdão nº 10809.263, de 2013, não serve como paradigma como determina o parágrafo 15 do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, impondose o não conhecimento do recurso, verbis: § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial apresentado pelos responsáveis tributários. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 11449DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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