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Numero do processo: 15586.001871/2010-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Kleber Ferreira de Araujo e Ronnie Soares Anderson, que negavam provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido.
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Recorrente MULTILIFT LOGÍSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 18 71 /2 01 0- 64 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Kleber Ferreira de Araujo e Ronnie Soares Anderson, que negavam provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001871/201064 Acórdão n.º 2402004.727 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições sociais, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 01/2007 e 12/2007. O Relatório Fiscal (fls. 24/26) informa que fato gerador decorre do fornecimento de auxílioalimentação sob a forma de ticket refeição e visavale, sem estar inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 17/12/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 102/239), alegando, em síntese, que o beneficio não tem natureza remuneratória e o fato de a empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador não é suficiente para a modificação da natureza do instituto, consoante precedentes jurisprudenciais. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1237.762 da 10a Turma da DRJ/RJOI (fls. 240/245) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que os valores apurados em decorrência do salário in natura possui natureza indenizatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória/ES informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não há incidência de contribuição social previdenciária sobre os valores pagos a título de valealimentação ou alimentação “in natura” sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que razão assiste a Recorrente. Verificase que o fato gerador decorrente da presente autuação se refere ao fornecimento pela empresa aos seus empregados de valealimentação in natura, sem inscrição no PAT, conforme ficou delineado no Relatório Fiscal, informando que “a empresa não possui o PAT para o período do presente lançamento”. Com o entendimento do que seja alimentação in natura para fins de tributação previdenciária – visando atender as regras previstas na Lei 6.321/1976, que instituiu o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) –, o art. 503, § 2o e inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, estabelece que a alimentação concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida mediante convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, sendo este o caso do presente processo. Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 503. Para a execução do PAT, a empresa inscrita poderá manter serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades estejam registradas no programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. § 1º Considerase fornecedora de alimentação coletiva: I a operadora de cozinha industrial e fornecedora de refeições preparadas e transportadas; II a administradora da cozinha da contratante; III a fornecedora de alimentos in natura embalados para transporte individual (cesta de alimentos). § 2º Considerase prestadora de serviço de alimentação coletiva a administradora de documentos de legitimação para aquisição de: Fl. 281DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001871/201064 Acórdão n.º 2402004.727 S2C4T2 Fl. 4 5 I refeições em restaurantes ou em estabelecimentos similares (refeiçãoconvênio); II gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais (alimentaçãoconvênio). (g.n.) Dessa regra, percebese que, no âmbito previdenciário, a alimentação in natura concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida por meio de valealimentação, desde que este seja utilizado na aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais conveniados com a fonte pagadora. Para a execução do PAT, tal hipótese de fornecimento de alimentação in natura é caracterizada como alimentaçãoconvênio. Para atender a hipótese de não incidência de contribuição previdenciária, esse art. 503 e os artigos 498 e 499, todos da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, não fazem qualquer distinção na modalidade de fornecimento da alimentação in natura pela empresa, podendo esta se dar por meio de serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva (refeiçãoconvênio e alimentação convênio). Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 498. O Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) é aquele aprovado e gerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 1976. Art. 499. Não integra a remuneração, a parcela in natura, sob forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa regularmente inscrita no PAT aos trabalhadores por ela diretamente contratados, de conformidade com os requisitos estabelecidos pelo órgão gestor competente. § 1º A previsão do caput independe de o benefício ser concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. § 2º O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. § 3º As irregularidades de preenchimento do formulário ou a execução inadequada do PAT, porventura constatadas, serão objeto de formalização de Representação Administrativa dirigida ao MTE. (g.n.) Nos termos da legislação previdenciária, percebiase que havia uma tendência no sentido interpretase literalmente a regra estampada no art. 28, § 9o e alínea “c”, da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, a fim de ser excluída da base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária somente a parcela in natura concedida rigorosamente nos termos do PAT, pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura seria considerada salário indireto e, por consectário lógico, integrava a remuneração do trabalhador. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) Fl. 282DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Hoje, pareceme que essa interpretação literal não encontra mais suporte nos tribunais de superposição, pois deve ser prestigiada a interpretação que – com fundamento nos artigos 195, I, alínea “a”, e 201, § 11, da Constituição Federal – conclui que as verbas indenizatórias não estão sujeitas à incidência de contribuição social previdenciária. Daí não se exigir mais o registro no PAT, como demonstra a seguinte Ementa do Resp. no 1051294 (DJ de 05/03/2009), proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido.” (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) No mesmo sentido, o entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária extraise do Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Diante do citado Ato Declaratório e da regra prevista no art. 503 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, retromencionada, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), extraise que a verba paga a título de valealimentação in natura, no Fl. 283DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001871/201064 Acórdão n.º 2402004.727 S2C4T2 Fl. 5 7 presente processo configurada como um pagamento in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Com isso, entendese que devem ser excluídos os valores apurados no presente processo oriundos das verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – fornecidas aos segurados empregados –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária nem sujeita à incidência da contribuição destinada a Outras Entidades/Terceiros. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, para que sejam excluídos, em sua integralidade, os valores decorrentes da verba paga a título de valealimentação ou salário indireto in natura, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000396/2006-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 07 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Sat Feb 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003
NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE.
Até a criação da DCOMP, a compensação entre tributos idênticos, em decorrência de pagamento indevido ou a maior, podia ser efetuada pelo próprio sujeito passivo em sua escrituração, sem que fossem exigidas outras formalidades. Só a partir de 01/10/2002, com a vigência da Medida Provisória n° 66, de 2002, a compensação do saldo negativo de CSLL a pagar de períodos anteriores com débitos de CSLL subsequentes precisa ser informada na Declaração de Compensação.
REGIMENTO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO.
De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO.
Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-002.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Tema 1) Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso; Tema 2) Quanto ao conhecimento, por maioria de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido em relação a concomitância da multa, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator), Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento da concomitância da multa o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(documento assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. Até a criação da DCOMP, a compensação entre tributos idênticos, em decorrência de pagamento indevido ou a maior, podia ser efetuada pelo próprio sujeito passivo em sua escrituração, sem que fossem exigidas outras formalidades. Só a partir de 01/10/2002, com a vigência da Medida Provisória n° 66, de 2002, a compensação do saldo negativo de CSLL a pagar de períodos anteriores com débitos de CSLL subsequentes precisa ser informada na Declaração de Compensação. REGIMENTO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 03 96 /2 00 6- 21 Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Decisão dos membros do colegiado: Tema 1) Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso; Tema 2) Quanto ao conhecimento, por maioria de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido em relação a concomitância da multa, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator), Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento da concomitância da multa o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações, para maior clareza, os relatórios dos acórdão recorridos: I) Relatório Acórdão DRJ Tratam os autos de recursos de ofício e voluntário em relação ao acórdão DRJ que manteve parcialmente o Auto de Infração, lavrado em 28/12/2006, relativo à exigência de CSLL dos anoscalendários de 2002 e 2003 e à aplicação de multa isolada devido à insuficiência de recolhimento de estimativas de CSLL nos mesmos períodos citados, que formalizou o crédito tributário no valor total de R$ 2.870.485,82. Consoante o Termo de Verificação e Constatação Fiscal à fl. 69/74, a fiscalização detectou as seguintes irregularidades: DOS EXAMES REALIZADOS: Todos os livros e demais documentos apresentados pelo contribuinte foram analisados e confrontadas com as informações coletadas junto ao sistema informatizado da Receita Federal, (DIPJ, DCTF, e pagamentos), acerca dos anoscalendários de 2002 e 2003. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000396/200621 Acórdão n.º 9101002.150 CSRFT1 Fl. 1.038 3 Em relação aos valores de Contribuição sobre o Lucro Líquido, relativo ao ano de 1002, foram encontradas as seguintes divergências abaixo demonstradas: Quadro I: MÊS Débitos informados em DIPJ Débitos declarados DCTF Diferença em entre DIPJ e DCTF Valores pagos JANEIRO 88.936,37 ZERO 88.936,37 ZERO FEVEREIRO 130.962,78 ZERO 130.962,78 ZERO MARÇO 236.909,39 ZERO 236.909,39 ZERO MAIO 266.751,62 ZERO 266.751,62 ZERO JUNHO 265.616,75 ZERO 265.616,75 ZERO JULHO 252.143,10 ZERO 252.143,10 ZERO AGOSTO (558.935,21) ZERO ZERO ZERO SETEMBRO (865.106,81) ZERO ZERO ZERO OUTUBRO (657.843,89) ZERO ZERO ZERO NOVEMBRO (661.722,81) ZERO ZERO ZERO DEZEMBRO (607.084,69) ZERO ZERO ZERO Total 1.241.320,01 ZERO ZERO ZERO No ano de 2003, constatamos as seguintes divergências: Quadro 2: MÊS Débitos informados em DIPJ Débitos declarados DCTF Diferença em entre DIPJ e DCTF Valores pagos JANEIRO 134.617,63 ZERO 134.617,63 ZERO FEVEREIRO (121.736,30) ZERO ZERO ZERO MARÇO 55.734,59 ZERO 55.734,59 ZERO MÊS Débitos informados em DIPJ Débitos declarados DCTF Diferença em entre DIPJ e DCTF Valores pagos ABRIL 769.597,41 738.073,77 31.523,64 738.073,77* MAIO (39.041,50) ZERO ZERO ZERO JUNHO 281.246,42 280.771,96 474,46 280.771,96 JUMO 115.414,51 115.414,51 115.414,51 115.414,51 AGOSTO 199.171,02 199.171,02 199.171,02 199.171,02 SETEMBRO 288.160,23 ZERO** 288.160,23 288.160,23 OUTUBRO 295.016,82 295.016,82 295.016,82 295.016,82 NOVEMBRO 307.778,79 307.778,79 307.778,79 307.778,79 DEZEMBRO 69.150,62 69.150,62 69.150,62 69.150,62 TOTAL: 2.515.887,04 2.005.377,49 510.509,60 2.293.537,72 *R$606.622,04 em pagamento com DARF e R$131.451,73 compensados (Fl. 45) **Declarado em DCTF após o inicio da ação fiscal Salientamos que os valores não recolhidos na DIPJ a título de estimativa mensal da CSLL, estão sujeitos à multa isolada a que se refere o artigo 44, parágrafo 1°, inciso VI, da Lei 9430/96, além da diferença de contribuição devida no ajuste anual, acrescido de multa e juros de mora, conforme quadros demonstrativos abaixo: (...) Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Diante de tal fato, reconstituímos a apuração da CSLL devida nos anos calendários 2002/2003 (ficha 17fls. 39 e 40), ajustandose as deduções efetuadas a titulo de CSLL paga por estimativa/declarado em DCTF, em face das diferenças constatadas entre a DIPJ e a DCTF (quadros), conforme a seguir demonstrado: Ano de 2002: Linha Discriminação AC 2002 Cálculo da CSLL 36 CSLL sobre o lucro líquido total 634.235,32 38 CSLL paga por estimativa/DCTF (zero) 42 CSLL a pagar 634.235,32 Ano de 2003: Linha Discriminação AC 2003 Cálculo da CSLL 36 CSLL sobre o lucro líquido total 2.515.888,04 38 CSLL paga por estimativa/DCTF (2.293.537,72) 42 CSLL a pagar 222.350,32 CONCLUSÃO: Assim, os débitos acima identificados estão sendo formalizados mediante o lançamento de oficio através do Auto de Infração n° 10932.000396/200621 cujo presente termo é parte integrante. II) Relatório Acórdão CARF Ressaltese que, durante o procedimento fiscal, a contribuinte intimada a prestar esclarecimentos apresentou planilhas de fls. 33/38, nas quais demonstra a apuração dos valores devidos mensalmente nos anos calendários de 2002 e 2003. Quanto à quitação dos débitos apurados, a empresa informou também, em resposta à intimação 0811900/06616/2006 que as estimativas relativas a 2002 teriam sido compensadas com indébito gerado no ano 2000, conforme demonstrativo de fl 43 do processo n.° 10932.000399/200665, cuja cópia encontra anexa (fl. 152). Inconformada com a autuação, cuja ciência foi dada em 29/12/2006, a contribuinte protocolizou impugnação de fls. 87/102, em 22/01/2007. Em síntese, aduz em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito: As supostas divergências entre as DIPJ e DCTF dos anoscalendários de 2002 e 2003, na verdade, não existem. As estimativas de CSLL devidas nos meses de janeiro a março e maio a julho de 2002 foram extintas por meio de compensações efetuadas com o saldo negativo de CSLL relativo ao ano base de 2000, conforme quadro anexo. As estimativas de CSLL de janeiro e março de 2003 também foram extintas por compensação realizadas com o saldo negativo de CSLL dos anos de 2000 e 2001; Apesar de não estarem declarados em DCTF, os valores citados foram extintos por compensações realizadas em 2002 e 2003, as quais se encontram devidamente registradas nos livros e documentos contábeis e fiscais. A contribuinte, portanto, tendo em vista a existência dos saldos negativos de períodos anteriores, utilizouse de seu direito irrefutável a compensação para recolher somente o valor devido após a utilização de seu direito creditório. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000396/200621 Acórdão n.º 9101002.150 CSRFT1 Fl. 1.039 5 Nesse sentido, a impugnante apresenta arrazoado referente ao seu direito de compensação, o qual estaria calcado nos próprios princípios constitucionais. Assim, a Fazenda não pode deixar de reconhecer a compensação realizada com saldos negativos de CSLL devidamente informados em DIPJ; "Evidente, pois, que constatada e comprovada a existência de créditos legítimos e válidos da impugnante em face do Fisco, como de fato ocorreu no caso em tela, não há que se falar na cobrança dos valores imputados por meio do auto de infração impugnado. Esta cobrança se apresenta totalmente insubsistente, devendo a compensação ser plena e totalmente reconhecida, sob pena de enriquecimento ilícito da Fazenda Pública, já que a legalidade e o direito a compensação restaram comprovados. Se a impugnante apurou e demonstrou em DIPJ créditos seus em face do Fisco, não pode este sem incontestável justificativa ou por questões meramente formais, cercear seu direito it compensação"; A afirmação fiscal de haver divergências entre a DIPJ e a DCTF não é verídica, posto inexistir possibilidade ou campo na DCTF, no qual possam ser declarados ou informados os valores relativos aos saldos negativos de tributos ou contribuições; Conforme DARF anexo, o pagamento referente à estimativa de setembro de 2003 foi paga tempestivamente, sendo sem fundamento o procedimento fiscal que a desconsiderou, alegando ter sido este pagamento realizado após o inicio da ação fiscal; As multas não encontram respaldo no ordenamento jurídico, nem tampouco nos princípios da justiça, ao contrário, afrontam os princípios da verdade real, razoabilidade e proporcionalidade; A agente fiscal fundamentou a aplicação de multa isolada em Medida Provisória sem eficácia, por entender o dispositivo mais benéfico à contribuinte. No entanto, não poderia ter fundamentado o lançamento em dispositivo não mais vigente, pelo que a exigência nula de pleno direito. O acórdão DRJ foi ementado conforme abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. Até a criação da DCOMP, a compensação entre tributos da mesma espécie e destinação constitucional podia ser efetuada pelo próprio sujeito passivo em sua escrituração, sem que fossem exigidas outras formalidades. A partir de 01/10/2002, com a vigência da Medida Provisória n° 66, de 2002, a compensação do saldo negativo de CSLL a pagar de períodos anteriores com débitos de CSLL subseqüentes precisa ser informada na Declaração de Compensação. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA DE OFICIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS DE CSLL. É devida a multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa de CSLL, impondose, porém, a redução do percentual para 50%, em face de Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 legislação superveniente ao fato gerador, por força do principio da retroatividade benigna. COMPENSAÇÃO NA ESCRITURAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. A compensação efetuada na escrituração contábil nos termos da legislação na época em vigor e não devidamente descaracterizada pela autoridade fiscal, obsta a exigência de oficio do crédito tributário correspondente. APRECIAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. MULTA DE OFICIO E COMPENSAÇÃO. Estando o julgamento administrativo estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade e da legitimidade, não poderia negar os efeitos de lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. A recorrente tomou ciência do acórdão em 21/08/2007 e apresentou recurso em 18/09/2007. Em seu recurso alega que não houve falta de pagamento e sim compensação pois havia recolhimentos a maior em 2000 e 2001. Que suas compensações foram desconsideradas por questões formais e, desta maneira, a forma estaria prevalecendo sobre a substância; Que haveria violação aos princípios da finalidade, da proporcionalidade e da verdade real; Que não houve fundamentação para aplicação da multa. Pela resolução 1051.425, a Quinta Câmara do 1º Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência, requerendo que a fiscalização comparecesse ao estabelecimento do contribuinte e verificasse a escrituração, bem como a documentação relativa ao crédito que o contribuinte alega possuir relativos aos anos de 2000 e 2001, que segundo ele utilizou para quitar os débitos em 2002 e 2003, objetos do lançamento. Em atendimento à resolução foi elaborado o relatório de fls. 875/885, que conclui serem legítimos os créditos do período de 2000 e 2001 e que foram regularmente utilizados em 2002, mas que em 2003 não foi entregue DCOMP formalizando a compensação. A recorrente foi cientificada do relatório fiscal e manifestouse a fls. 889 e seguintes, onde, em síntese, argumenta que possuía os créditos que alegara em sede de impugnação e recurso e que apenas não cumpriu a formalidade de apresentar DCOMP." Na sessão plenária de 29 de janeiro de 2010, a Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara julgou o Recurso nº 163.706, de interesse de STARAUTO COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA, e, mediante o Acórdão nº 130200.166 (fls. 936 a 947 do eprocesso), decidiu, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a multa isolada, e, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio. Aludido acórdão recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000396/200621 Acórdão n.º 9101002.150 CSRFT1 Fl. 1.040 7 Anocalendário: 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. Até a criação da DCOMP, a compensação entre tributos da mesma espécie e destinação constitucional podia ser efetuada pelo próprio sujeito passivo em sua escrituração, sem que fossem exigidas outras formalidades. A partir de 01/10/2002, com a vigência da Medida Provisória n° 66, de 2002, a compensação do saldo negativo de CSLL a pagar de períodos anteriores com débitos de CSLL subsequentes precisa ser informada na Declaração de Compensação. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA. É devida a multa isolada no caso da pessoa jurídica optante pelo pagamento do imposto de renda mensalmente com ajuste em 31/12 que deixar de fazêlo, sendo indevida se exigida concomitantemente com a multa proporcional de lançamento de ofício, calculada sobre o imposto lançado, por se basear na mesma infração. Recurso de Ofício: Compensação. Demonstrado.” Cientificada em 17/08/2011 (fls. 948 e 949 do eprocesso), a FAZENDA NACIONAL interpôs Recurso Especial (fls. 952 a 970 do eprocesso), em 30/08/2011, alegando que não há como prosperar a decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de oficio, sob o argumento de que, até a edição da MP n° 66/2002, o contribuinte poderia compensar tributos da mesma espécie em sua escrituração. O Recurso Especial foi admitido com fulcro em divergências de entendimentos em relação às seguintes matérias: I Compensação na escrita contábil sem informação na DCTF; e II Possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício com a multa isolada devida pelo não pagamento de estimativas mensais. Para tanto, as seguintes ementas foram contrapostas: I Compensação na escrita contábil sem informação na DCTF Acórdão nº 380100.338 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/10/1999, 01/01/2000 a 31/05/2000, 01/07/2000 a 31/07/2000, 01/03/2001 a 31/03/2001, 01/05/2001 a 31/05/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002 Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1999 a 31/10/1999, 01/01/2000 a 31/07/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/03/2001 a 31/03/2001, 01/05/2001 a 31/05/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002 ALEGADA COMPENSAÇÃO COM BASE NO ART. 66 DA LEI N°. 8.383/91. OBRIGATORIEDADE DE DECLARAÇÃO EM DCTF. 1. O regime da Lei 8.383/91 possibilita a realização da compensação entre tributos da mesma espécie, sem a necessidade de autorização prévia da administração pública. 2. A alegação do contribuinte, de que procedeu à compensação na forma da legislação referenciada não o isenta do cumprimento da obrigação de declarar o procedimento em DCTF. Recurso Voluntário Negado." II Possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício com a multa isolada devida pelo não pagamento de estimativas mensais. "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 (...) CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO. A multa de ofício aplicada isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa, que deixou de ser recolhido, no curso do anocalendário, é aplicável concomitantemente com a multa de ofício calculada sobre o imposto devido com base no lucro real anual igualmente não recolhido, em face de se tratar de infrações distintas. (...)" Não houve recurso especial do contribuinte e o recurso da Fazenda referese à parte que restou convalidada no acórdão da DRJ, objeto de recurso de ofício e que foi desprovido pelo Acórdão recorrido. Assim, a PGFN insurgese contra a possibilidade de compensação na escrita contábil sem informação na DCTF, alegando que, a despeito de o CTN ter previsto a compensação como forma de extinção do credito tributário, determinou também que essa modalidade dependeria de lei autorizadora, que estabeleceria as condições e as garantias em que poderia ocorrer a compensação ou atribuiria à autoridade administrativa o estabelecimento dessas condições e garantias. Cita as Leis n° 8.383/91 e nº 9.430/96 e a Instrução Normativa SRF nº 21/97 como legislação disciplinadora da matéria, a qual, embora não exija requerimento nos casos de tributos da mesma espécie, determinaria que o sujeito passivo, ao reduzir o tributo devido por meio compensatório, informe tal procedimento à fiscalização, para que esta possa aferir sua regularidade. Se assim não procede, o contribuinte estaria realizando a compensação de forma indevida, em desacordo com a legislação de regência da matéria. Alega que, uma vez realizada fora dos parâmetros legais no caso em litígio, por não ter sido declarada em DCTF, a compensação não pôde ser analisada, sendo inservível para a extinção do credito tributário. Por tal motivo, solicita que seja revisto o entendimento exarado na decisão recorrida. Sobre a possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício com a multa isolada devida pelo não pagamento de estimativas mensais, alega que, no caso em tela, a aplicação da multa de oficio, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, teria resultado de infrações às regras de Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000396/200621 Acórdão n.º 9101002.150 CSRFT1 Fl. 1.041 9 apuração do tributo ao final do anocalendário. Por outro lado, a denominada multa isolada teria sido aplicada em razão do descumprimento do modo de pagamento da CSLL sobre base de cálculo estimada, prevista no art. 2º da Lei 9.430/96. Afirma que a sistemática de recolhimento por estimativas mensais se justifica diante da necessidade que possui a União de auferir receitas no decorrer do ano, precisamente a fim de fazer face às despesas em que incorre também nesse período. Sendo assim, o não pagamento de tributos sobre bases estimadas seria infração bastante diversa daquela oriunda do desrespeito às regras de apuração do lucro ao final do anocalendário. Portanto, nada impediria que dessas infrações resultassem penalidades distintas: da infração às normas de determinação do lucro decorreria a multa de oficio prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96; enquanto que, do descumprimento da sistemática de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada, decorreria a multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, da mesma Lei. Em abono à tese exposta, transcreve jurisprudência do TRF da 5ª Região, que se pronunciou sobre o assunto no sentido de que, tendo em vista a natureza diversa da multa de oficio e da multa isolada, não há aplicação de multa em duplicidade. Alega ainda que a decisão desrespeita o art. 97, VI, do Código Tributário Nacional, ao criar nova hipótese de dispensa da multa isolada, não prevista na legislação, qual seja, a cobrança, concomitante, de multa de oficio decorrente do não pagamento do tributo. Requer, assim, que seja mantido o lançamento da multa isolada. O recurso foi admitido pela presidente da 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. Cientificada do despacho que acolheu o recurso especial da FAZENDA NACIONAL, a contribuinte apresentou contrarrazões, sustentando, em relação à compensação na escrita contábil sem informação na DCTF, que, ao contrário do que conclui a Recorrente, o julgado considerado divergente em momento algum afirma ser imprescindível a prévia declaração em DCTF para fins de validação da compensação efetivada pelo contribuinte. Alega que, tanto em primeira instância quanto no âmbito deste Conselho, teria sido confirmada a existência do crédito passível de compensação. Sendo assim, a discussão se daria somente acerca da obrigatoriedade da declaração em DCTF como requisito para validação da compensação. Argumenta que a legislação anterior à edição da Medida Provisória n° 66/2002 permitia que a compensação fosse realizada diretamente na escrituração contábil, não sendo requisito indispensável sua vinculação à prévia declaração em DCTF. Aduz decisão da DRJ que teria afirmado que o auto de infração não estaria fundamentado em compensação indevida por inexistência ou insuficiência de indébito, no caso, o saldo credor de CSLL apurado no anocalendário de 2000. Alega ainda que, uma vez reconhecido o crédito, não poderia um erro de preenchimento de DCTF macular a compensação efetuada, cabendo, no entanto, à contribuinte provar, com os meios de prova existentes, a existência de eventual crédito e compensação efetuada. Para corroborar a tese, transcreve ementa deste Conselho versando que eventuais erros de preenchimento na DCTF devem ser comprovados pelo contribuinte que detém todos os elementos necessários, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Acerca da aplicação concomitante da multa de ofício com a multa isolada, devida pelo não pagamento de estimativas mensais, afirma ser inadmissível, por se tratar de aplicação de dupla penalidade a um mesmo fato. Afirma que o regime opcional de estimativa mensal nada mais é do que uma antecipação do imposto devido no fechamento de cada anocalendário. Transcreve entendimento manifestado no voto vencedor do julgamento do Recurso Voluntário, no sentido de que, ao exigir concomitantemente a multa de ofício e a multa isolada sobre as estimativas que não foram recolhidas, estarseia admitindo que, sobre o imposto apurado de oficio, se aplicassem duas punições, atingindo valores superiores ao das penalidades cominadas para faltas qualificadas, o que seria desproporcional ao proveito obtido com a falta. Transcreve também a ementa do referido julgado, destacando que seria incabível a concomitância das multas pelo fato de a infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracterizar apenas etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Requer, assim, que seja mantida a decisão atacada, reconhecendose o cancelamento parcial da autuação fiscal. Os presentes autos foram a mim distribuídos por sorteio, em conformidade com o art. 49, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. É o relatório. Voto Voto vencedor no tema 1. Voto vencido no tema 2, quanto ao conhecimento. Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, relator O Recurso Especial é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. I Compensação na escrita contábil sem informação na DCTF A primeira divergência admitida referese à necessidade de entrega de declaração para que se procedesse à compensação de créditos tributários no período anterior à vigência da Medida Provisória n° 66/02, que alterou a Lei nº 9.430/96, para estabelecer as condições em que essa modalidade de extinção do crédito tributário seria possível, em observância ao disposto art. 170 do Código Tributário Nacional CTN. Até a edição Medida Provisória n° 66/02, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/02, a legislação regente do instituto da compensação se consubstanciava nas Leis nº 8.383/91 e nº 9.430/96, esta em sua redação original, e na Instrução Normativa SRF nº 21/97, que foi revogada pela IN 210/2002, a qual entrou em vigor em 01/10/2002 (observese deste período em diante não é objeto do recurso especial, nesta parte foi desprovido o recurso voluntário, ao qual foi dado provimento parcial). Pois bem, até a edição da MP n. 66/02 não havia nesses diplomas normativos, exigência expressa de que a compensação fosse condicionada à entrega de qualquer declaração, nem mesmo a qualquer requerimento, nos casos de tributos da mesma espécie. A despeito disso, alega a Recorrente que, Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000396/200621 Acórdão n.º 9101002.150 CSRFT1 Fl. 1.042 11 não obstante a omissão legal, seria indispensável que a compensação fosse informada à fiscalização, para que esta pudesse aferir sua regularidade. É forçoso admitir a lacuna existente na legislação vigente antes da edição da Medida Provisória n° 66/2002. Também é razoável pressupor que a esperada diligência do legislador resultasse em uma modalidade de extinção do crédito tributário que viesse acompanhada de uma obrigação acessória capaz de atestar junto ao Fisco a certeza e liquidez do pleito. Entretanto, o que não merece prosperar é a exigência, por dedução ou analogia, do cumprimento de obrigação acessória não expressamente prevista na legislação. Ocorre que, por mais relevante que se possa presumir ser o dever de informar a compensação ao Fisco por meio de uma declaração, sem norma tributária que a exija não é possível imputar responsabilidade à contribuinte por tal omissão. É de se observar que a Medida Provisória n° 66/02, ao suprir essa lacuna, em nenhum momento alterou ou substituiu obrigação acessória já prevista, mas sim inovou no ordenamento jurídicotributário ao implementar uma declaração específica na qual deveriam constar informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Portanto, foi apenas após a edição do referido ato legal que a entrega de declaração de compensação se tornou condição necessária para a extinção do crédito tributário. Assim decidiu a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em julgado de 09 de maio de 2012, cujo interessado era o mesmo do presente processo: COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. Até a criação da DCOMP, a compensação entre tributos da mesma espécie e destinação constitucional podia ser efetuada pelo próprio sujeito passivo em sua escrituração, sem que fossem exigidas outras formalidades. A partir de 01/10/2002, com a vigência da Medida Provisória n° 66, de 2002, a compensação do saldo negativo de IRPJ a pagar de período anteriores com débitos de IRPJ subseqüentes precisa ser informada na Declaração de Compensação. 1201000.705 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Tal posicionamento é corroborado por precedentes no sentido de que, antes da edição da Medida Provisória nº 66/02, havia modalidade específica de compensação que reputavase eficaz quando efetuada diretamente por meio da escrituração contábil, conforme positivado pela 2ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF no Acórdão de nº 3802003.645, de 16 de setembro de 2014: PIS/PASEP. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RECONHECIMENTO. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, unificou o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Desconto desse escopo de uniformização, foi realizado um corte temporal, em função do qual todos os pedidos compensação apresentados à luz da legislação pretérita foram convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, sujeitos ainda ao prazo de cinco anos para homologação tácita previsto no § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, na redação da Medida Provisória nº Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003: Solução de Consulta Interna no 01/2006. Precedentes do CARF. (grifos meus) Retornando ao caso concreto, tornase digno de nota que, pela resolução 1051.425, a Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes converteu o presente caso em diligência, a qual, por sua vez, confirmou o direito creditório adquirido em 2000 e 2001 e utilizado em 2002. Diante de tal fato, mostrase oportuna a interpretação da legislação sob a luz do princípio da verdade material. Diante do exposto, e tendo em conta que a escrituração contábil e fiscal da empresa, analisada em sede de diligência, confirmou o direito creditório adquirido em 2000 e 2001, e no período de referência a legislação de regência não exigia outra formalidade, não há reparo a fazer na decisão recorrida. Sendo assim, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial no que concerne à exigência de prévia informação em DCTF para homologação da compensação. II Possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício com a multa isolada devida pelo não pagamento de estimativas mensais. A segunda divergência se instaura diante de posicionamentos opostos quanto à possibilidade de concomitância da multa de oficio, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, resultante de infrações às regras de apuração dos tributos ao final do anocalendário, e da multa isolada, prevista no art. 44, § 1º, IV, da mesma Lei, devida pelo descumprimento da sistemática de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada mensalmente. Tal assunto, entretanto, encontrase pacificado no âmbito desta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em sessão realizada em 08/12/2014, sumulou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos paradigmas: 9101001.261, de 22/11/2011; 9101001.203, de 17/10/2011; 9101001.238, de 21/11/2011; 9101001.307, de 24/04/2012; 1402001.217, de 04/10/2012; 110200.748, de 09/05/2012; 1803001.263, de 10/04/2012. Ante ao exposto, oriento meu voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial também nesta parte, ratificando o afastamento da multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL, devendo subsistir a multa de ofício. Isto posto, voto de forma a NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial, mantendo a decisão ora recorrida, que julgou incabível a exigência de prévia informação em DCTF para homologação da compensação, bem como afastou a multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL, devendo subsistir a multa de ofício. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Relator Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000396/200621 Acórdão n.º 9101002.150 CSRFT1 Fl. 1.043 13 Voto Voto vencedor no tema 2, quanto ao conhecimento. Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, redator designado. Com a devida vênia ao relator, ouso divergir de seu voto no tocante ao conhecimento do recurso, para fins de aplicação de súmula. É fato que já acompanhei o relator em outros julgamentos relativamente ao conhecimento de recurso especial em casos de aplicações de súmulas. Entretanto, esses julgamentos foram todos anteriores a junho de 2015, quando então vigia o Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Atualmente está vigente o RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que modificou a disciplina do processamento dos recursos especiais, o que motiva a minha posição de agora divergir do relator. Para que a compreensão da discussão seja suficiente e de forma que eu possa detalhar quais as mudanças que me levaram a modificar meu entendimento anterior, vou reproduzir texto adaptado que elaborei no passado para defender exatamente a tese que hoje entendo não ser aplicável sob a égide do novo RICARF (aprovado pela Portaria MF nº 343/2015), ficando válida apenas para os julgamentos que ocorreram na vigência do RICARF anterior (aprovado pela Portaria MF nº 256/2009). 2. Inicialmente, trato de um tema que impactará diretamente na verificação dos pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial (REsp) e consequente decisão quanto ao conhecimento do recurso, qual seja: os aspectos temporal e processual dos efeitos de uma Súmula (seja Súmula CARF, seja Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal STF) no julgamento de um Recurso Especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). ... 2.3. Nesse cenário, duas possibilidades se apresentam: 1a) a Súmula é anterior à impetração de um Recurso Especial; 2a) a Súmula é posterior à impetração de um Recurso Especial, ou seja, o Recurso Especial é formalizado e apresentado sob um ordenamento jurídico (sem a Súmula), no período em que o recurso aguardava julgamento é aprovada a Súmula tratando da matéria do Recurso Especial. Assim, entendimentos diferentes têm surgido em relação ao comportamento a ser adotado pela CSRF em relação à segunda possibilidade acima, o que demanda estudo. 2.4. Colocando o assunto em termos gerais, procurase saber se, no exame dos pressupostos processuais de um recurso, devese aplicar a legislação do momento do julgamento ou a legislação da época da interposição, ou ainda se a súmula passa a ser uma lei (em sentido lato) processual, além de ser uma lei material (onde está o seu conteúdo). Nesse concepção, a súmula nova corresponderia a nova lei e a súmula revogada seria o vazio normativo, ou mesmo eventual súmula revogada (em havendo, que não é o caso). 2.5. A Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB), Decreto Lei nº 4.657, de 04/09/1942, assim denominado pela Lei nº 12.376, de 30/12/2010, traz, em seu art. 6º, regra geral de aplicação das leis no tempo. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 "Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957) § 1º Reputase ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) ..." 2.5.1. Conforme essa regra geral, o ato jurídico perfeito, definido conforme o §1º do art. 6º da LINDB, está protegido contra alterações legais posteriores. Prerrogativa essa elevada constitucionalmente a direito e garantia fundamental, estando gravada no inciso XXXVI do art. 5º da Constituição da República de 1988 (CR88). 2.5.2. A questão então é saber se a interposição do recurso especial é um ato jurídico perfeito. A meu ver, o momento de incidência das súmulas (sejam dos Conselhos de Contribuinte, sejam do CARF, sejam as Súmulas Vinculantes do STF – SV/STF) é no dia de interposição do recurso especial, outro não poderia ser o entendimento, pois a força normativa das súmulas é atual e ultrativa (prospectiva) e não retroativa (exceto apenas no caso das SV/STF quando assim dispõe expressamente o STF na forma do art. 4º da Lei nº 11.417/2006), tanto é assim que elas somente têm vigência imediata (na data das suas publicações), se não houver disposição diversa. 2.5.3. Logo, estando a interposição do recurso especial já consumada segundo o corpo de súmulas existentes e vigentes ao tempo em que se efetuou, reputase como ato jurídico perfeito; inevitável, portanto, o enquadramento ao §1º do art. 6º da LIDB; e, conseqüentemente, é imperioso aplicar as proteções do caput do mesmo art. 6º e do inciso XXXVI do art. 5º da CR88 ao caso concreto. 2.6. Superados os exames quanto às regras gerais, passemos propriamente ao direito processual. Relativamente à controvérsia de saber qual lei processual é aplicável aos processos em curso, Cintra, Dinamarco e Grinover explicam os três diferentes sistemas que tentam resolver o problema: (Teoria Geral do Processo. 30aed. Malheiros, 2014, págs. 121 e 122): a) o da unidade processual, segundo o qual, apesar de se desdobrar em uma série de atos diversos, o processo apresenta tal unidade que somente poderia ser regulado por uma única lei, a nova ou a velha, de modo que a velha teria de se impor para não ocorrer a retroação da nova, com prejuízo dos atos já praticados até a sua vigência; b) o das fases processuais, para o qual distinguirseiam fases processuais autônomas (postulatória, ordinatória, instrutória, decisória e recursal), cada uma suscetível, de per si, de ser disciplinada por uma lei diferente; c) o do isolamento dos atos processuais, no qual a lei nova não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, mas se aplica aos atos processuais a praticar, sem limitações relativas às chamadas fases processuais. 2.6.1. O sistema adotado pelo ordenamento jurídico brasileiro, como se verifica tanto no Código de Processo Penal (art. 2°) como no Código de Processo Civil (art. 1.211), é o sistema do isolamento dos atos, verbis: Código de Processo Penal (CPP) DecretoLei nº 3.689, de 03/10/1941: Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000396/200621 Acórdão n.º 9101002.150 CSRFT1 Fl. 1.044 15 "Art. 2º A lei processual penal aplicarseá desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior." Código de Processo Civil (CPC) Lei nº 5.869, de 11/01/1973: "Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes." 2.6.2. Consultandose a doutrina a respeito da questão, constatouse que: a) comentando o artigo 1.211 do CPC, Pontes de Miranda ensina que "a lei processual civil é de incidência sobre todos os atos que se vão praticar ou se estão praticando". (Comentários ao Código Processo Civil, Vol. XVII, 2ªed. Forense, pág. 4); b) Sobre a aplicação da lei nova aos processos pendentes, leciona Moacyr Amaral Santos que "... válidos e eficazes são os atos realizados na vigência e conformidade da lei antiga, aplicandose imediatamente a lei nova aos atos subseqüentes. Esta regra ampara até mesmo as leis de organização judiciária ..., as quais se aplicam de imediato aos processos pendentes". (Primeiras Linhas de Direito Processo Civil, 1º Vol., 29aed. Saraiva, 2012, pág. 56). 2.6.3. A jurisprudência, a respeito do art. 1.211 do CPC, assim se manifesta1: "Segundo princípio de direito intertemporal, salvo alteração constitucional, o recurso próprio é o existente à data em que publicada a decisão" (STJ2a Seção, CC 1.133, Min. Sálvio de Figueiredo, j. 11332, DJU 13.4.92). No mesmo sentido: Súmula 26 do TRF1a Reg.: "A lei regente do recurso é a em vigor na data da publicação da sentença ou decisão" (RT 732/424) "O recurso regese pela lei do tempo em que proferida a decisão, assim considerada nos órgãos colegiados a data da sessão de julgamento em que anunciado pelo Presidente o resultado, nos termos do art. 556 do CPC. ..." (STJRF 385/263: Corte Especial, ED no REsp 649.526, um voto vencido). "A lei nova que impõe exigência formal para a interposição de apelação, antes inexistente — comprovação do preparo no momento de protocolar a petição de recurso — não incide sobre os casos em que o prazo recursal já está em curso" (STJRF 337/230, maioria). "A lei em vigor, no momento da prolação da sentença, regula os recursos cabíveis contra ela, bem como a sua sujeição ao duplo grau obrigatório, repelindose a retroatividade da norma nova, in casu, da Lei 10.352/01" (STJCorte Especial, ED no REsp 600.874, Min. José Delgado, j. 1.8.06, DJU 4.9.06). "As condições de admissibilidade da ação rescisória são as da lei sob cujo império transitou em julgado a sentença rescindenda" (STJ2a Seção, AR 48, Min. Fontes de Alencar, j. 25.4.90, DJU 28.5.90) 1 NEGRÃO, Theotonio. Código de Processo Civil 2014 e Legislação Processual em Vigor. 46a Edição, Saraiva, págs. 1130 e 1131. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 2.7. Há de se reconhecer e dar pleno cumprimento no caso em exame ao princípio de que o tempo rege o ato (em latim: tempus regit actum), ou ainda, ao se reger o ato devese utilizar o seu tempo (e não outro tempo, ainda que o tempo de terceiros que o analisam). Citese ainda elucidativo precedente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que traz excelente definição deste princípio geral e essencial de direito público: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. ACÓRDÃO PROFERIDO POR MAIORIA. AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE EMBARGOS INFRINGENTES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 207/STJ. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. 1. A adoção do princípio tempus regit actum pelo art. 1.211 do CPC, impõe o respeito aos atos praticados sob o pálio da lei revogada, bem como aos seus efeitos, impossibilitando a retroação da lei nova. Sob esse enfoque, a lei em vigor à data da sentença regula os recursos cabíveis contra o ato decisório, por isso que o direito de impugnar surge com o ato lesivo ao interesse do sucumbente e o prazo para recorrer regulase pela lei da data da publicação do decisum. Distinção que evita tratamento antiisonômico na hipótese em que causas passíveis da mesma impugnação tem os seus arestos publicados em datas diversas. ... 5. Consectariamente, a lei da data do julgamento regula o direito do recurso cabível, (Pontes de Miranda, in "Comentários ao Código Processual Civil", Forense, 1975. T. VII, p. 44) ..." (AgRg no REsp 663864 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/09/2005, DJ 26/09/2005 p. 205) 2.7.1. Este princípio deixa claro que o ato deve ser regido (julgado, criticado, avaliado) pela legislação que estava vigente e aplicável no momento em que todos os seus elementos entraram para o universo das coisas criadas e, devidamente ajustados, culminaram na prática do mesmo ato. 2.7.2. Portanto, ao se julgar o conhecimento, ou seja, ao se reexaminar (reger) os pressupostos de admissibilidade do recurso especial (o ato), devese utilizar a legislação da época da sua interposição (que era o momento no qual esses pressupostos deveriam ser atendidos: o seu tempo) e não a legislação vigente no momento em que se faz esse julgamento (exame da regular interposição). 2.7.3. Sintetizando, concluise, que o principio do "tempus regit actum", somente é observado quando, na decisão sobre a regular formalização do recurso ou a respeito do seu conhecimento, a legislação apreciada e aplicada é aquela vigente ao tempo de sua formalização e não a do tempo do seu julgamento, que pode ocorrer e ocorre vários anos após a formalização. 2.7.4. Se não fosse assim, no julgamento do conhecimento, deveriam ser consultados um a um os paradigmas para verificação se foram reformados após a formalização do recurso; caso tenham sido, então todos os recursos sustentados por esses paradigmas deveriam ser não conhecidos, o que, além de impertinente, soa como contrário à justiça. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000396/200621 Acórdão n.º 9101002.150 CSRFT1 Fl. 1.045 17 2.8. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, é silente a respeito das Súmulas, quando da apreciação do conhecimento do recurso. Assim, para fins de busca de um comportamento que deva ser adotado nos julgamentos do CARF quanto à aplicação de Súmulas, devese procurar primeiramente normas do Regimento Interno do CARF que possam ser tomadas por analogia para integração desse vazio normativo. 2.9. Entre as normas que tratam de entendimentos vinculantes, encontramse o art. 72, o §2º do art. 67, art. 62, o caput do art. 62A e o inciso XXI do art. 18, todas do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Sejam elas: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. ... § 4º As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF.” "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância." "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 18 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993." "Art. 18. Aos presidentes de Câmara incumbe, ainda: ... XXI negar, de ofício ou por proposta do relator, seguimento ao recurso que contrarie enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, em vigor, quando não houver outra matéria objeto do recurso; e" 2.10. Primeiramente, cabe tecer comentários ao principal artigo do RICARF que impõe a observância das súmulas CARF, qual seja: o art. 72. Da simples leitura desse dispositivo verificase que ele não faz considerações de âmbito temporal e processual, sendo indiferente para o mesmo se houve ou não o conhecimento do recurso. Assim, para o principal dispositivo não importa que haja o conhecimento e a aplicação da súmula ou, diversamente, que não haja o conhecimento em função da súmula, o que importa é que seja observada a súmula, observância esta que ocorre tanto numa forma de proceder como na outra. 2.11. O art. 67, §2º, é o dispositivo que trata especificamente do Recurso Especial e que prevê o seu não cabimento quando o recurso for interposto contra decisão de Turma que aplicar súmula dos Conselhos de Contribuintes ou súmula do CARF. 2.11.1. Ora, se a súmula for posterior ao REsp, obviamente, na impossibilidade do julgamento da Turma voltar no tempo e aplicar essa súmula, obviamente a sua decisão não terá aplicado a súmula. Conseqüentemente, o REsp não estará sendo interposto contra decisão que aplicou súmula. Essa previsão é perfeitamente adequada para a primeira possibilidade da qual se tratou no item 2.3, mas não se enquadra para a segunda possibilidade do mesmo subitem, pois, quando o REsp foi impetrado, ainda não havia a súmula. 2.11.2. O recorrente não poderia prever que esta matéria viesse a ser objeto de súmula; logo, não se pode penalizar o recorrente ao negar conhecimento ao seu recurso especial em razão de fato superveniente a regular formalização do seu recurso, que este não tinha condições nenhuma de saber. 2.11.3. Assim, o §2º do art. 67 do Regimento Interno não serve de fundamento legal para sustentar a teoria do não conhecimento e tampouco veda o conhecimento. 2.12. O art. 62A referese ao comportamento que deve ser adotado nas sessões de julgamento, no caso de existência de repetitivos do STF/STJ. 2.12.1. O efeito vinculante de uma súmula (seja súmula CARF, seja SV/STF) assemelhase ao efeito vinculante de um repetitivo, pois, a meu juízo, os efeitos práticos da vinculação a um repetitivo do STF/STJ são os mesmos da vinculação a uma súmula do CARF ou a uma Súmula Vinculante do STF. 2.11.2. Portanto, não vejo razão para não se proceder com uma súmula da mesma forma que com um repetitivo do STJ/STF (em julgamentos realizados antes do novo regimento interno). Ressalto, ainda, que esse comportamento nos julgamentos está plenamente de acordo com o art. 72 do RICARF ou com o §1º do art. 2º da Lei nº Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000396/200621 Acórdão n.º 9101002.150 CSRFT1 Fl. 1.046 19 11.417/2006, onde o que se busca é a adequação ao conteúdo da súmula e não da repercussão procedimental que a sua existência superveniente venha a provocar. 2.11.3. Não se concebe de forma alguma deixar de conhecer um Recurso Especial em razão da existência de um repetitivo (sob a égide do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009): o procedimento padrão (senão dizer na totalidade das vezes) tem sido o de conhecer o recurso e aplicar o repetitivo. 2.12. O que se disse relativamente ao art. 62A também se estende ao art. 62, parágrafo único, sendo as conclusões ali alcançadas válidas na mesma medida. 2.13. O art. 18, XXI, não trata de procedimento em sessão de julgamento, mas sim de decisão monocrática de Presidente de Câmara no âmbito do recurso voluntário, sendo de plano não aplicável ao caso. 2.14. Não obstante, a só existência deste dispositivo regimental (art. 18, XXI, do RICARF) é definitivo para decidir a questão: não poderia o Presidente de Câmara, com base apenas no art. 67, §2º, negar seguimento em razão da existência de súmula superveniente à impetração do REsp. Tanto é assim que se fez necessário positivar (e demonstrar o respeito do regimento pelo princípio do "tempus regit actum"), entre as competências do Presidente de Câmara, a atribuição de negar seguimento a REsp em razão de súmula superveniente. E nem se diga que essa competência cuida de recurso voluntário; pois, se assim fosse, deveria ser atribuição de Presidente de Turma. 2.15. Apenas para diferenciar as situações, esclareço que os casos de não conhecimento a que esta Câmara Superior de Recursos Fiscais vem acordando não são por mudança do ordenamento jurídico, mas por interpretação do recorrido e dos paradigmas diferente da interpretação da autoridade. 2.16. Assim, por todo o exposto, a meu ver: 1º) se a impetração do Recurso Especial se deu posteriormente à publicação de Súmula relativa a tema do processo, é caso de não conhecimento do Recurso Especial, por desatendimento ao art. 67, §2º, do RICARF; 2º) se a interposição do Recurso Especial se deu anteriormente à publicação de Súmula relativa a tema do processo, é caso de aplicação analógica do art. 62A do Regimento Interno do CARF, ou seja, no julgamento conhecer do Recurso Especial para aplicar, no mérito, o conteúdo do entendimento vinculante. 2.17. O procedimento que aqui proponho não contraria o enunciado da súmula, não sendo caso do art. 45, VI, do RICARF, quando a súmula for do CARF, nem do art. 7º da Lei nº 11.417/2006, bem como do §3º do art. 56 e do art. 64B, ambos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, incluídos pela Lei nº 11.417/2006, quando a súmula for vinculante do STF. Vistas todas essas considerações que justificavam, sob a égide do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, conhecer do recurso especial e aplicar o entendimento da súmula superveniente à interposição do recurso, o que sustentava o meu entendimento de acompanhar o relator nos julgamentos daquela época, fato é que, a partir de 10 de junho de 2015, não se pode mais conhecer de recurso especial que contrarie entendimento de súmula emitida e publicada posteriormente à Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 20 impetração do recurso, pois no RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, há disposição expressa nesse sentido. Confirase: "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso." Portanto, tendo em vista que a Turma de julgamento da decisão recorrida adotou o entendimento da Súmula CARF nº 105, ainda que ela tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição deste recurso, então não cabe este recurso especial, devendo não ser conhecido. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN em relação a concomitância da multa. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13746.000663/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1998
AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. DÉBITOS DECLARADOS COMO SUSPENSOS POR AÇÃO JUDICIAL. OUTRO CNPJ. AUTO DE INFRAÇÃO.
A comprovação pela contribuinte da existência do processo judicial referenciado nas DCTF´s e de que dele foi parte ativa configuram situação que torna improcedente o lançamento efetuado sob fundamento de declaração inexata na DCTF consubstanciada na ocorrência PROC. JUD. DE OUTRO CNPJ.
Numero da decisão: 3402-002.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1998 AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. DÉBITOS DECLARADOS COMO SUSPENSOS POR AÇÃO JUDICIAL. OUTRO CNPJ. AUTO DE INFRAÇÃO. A comprovação pela contribuinte da existência do processo judicial referenciado nas DCTF´s e de que dele foi parte ativa configuram situação que torna improcedente o lançamento efetuado sob fundamento de “declaração inexata” na DCTF consubstanciada na ocorrência “PROC. JUD. DE OUTRO CNPJ”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 06 63 /2 00 3- 11 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de recurso de ofício contra Acórdão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro I, que julgou a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 16/06/2003, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, nos períodos de apuração de 05/98 a 12/98, no valor de R$ 622.780,01, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 1.648.688,87, em decorrência de auditoria interna efetuada pela DRFNova Iguaçu/RJ nas DCTF´s apresentadas pelo sujeito passivo, na qual se constatou a falta de recolhimento dos valores nelas informados, em razão de inexatidão, uma vez que o processo judicial informado estaria vinculado a outro CNPJ. A contribuinte foi cientificada e apresentou sua impugnação, alegando, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: ∙ Todos os valores exigidos no lançamento foram liquidados por meio de compensação decorrente da Ação Ordinária nº 98.00082174 (cópia anexa), conforme informado na DCTF; ∙ Por erro da RFB, a liquidação não foi confirmada sob a alegação de que a impugnante é parte estranha àquele processo judicial; ∙ A ação judicial foi proposta por diversos autores, entre eles a impugnante, conforme extrato emitido pelo sistema de acompanhamento processual da Justiça Federal, anexo; ∙ Assim, tendo sido deferida antecipação de tutela permitindo à impugnante compensar os valores indevidamente pagos a título de PIS (DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88) com valores devidos de PIS, Cofins e CSLL, a empresa procedeu à compensação informada em DCTF; ∙ Os juros lançados são indevidos, em razão da manifesta ilegalidade e inconstitucionalidade da fixação dos juros com base na taxa Selic. Mediante o Acórdão nº 1254.575 16ª Turma da DRJ/RJ1, de 08 de abril de 2013, foi julgada procedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, nos termos do artigo 10III do Decreto nº 70.235/72, é incabível a manutenção do lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 111DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13746.000663/200311 Acórdão n.º 3402002.939 S3C4T2 Fl. 111 3 Da sua decisão a DRJ recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por força do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações posteriores, c/c a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA A exigência tributária cancelada por meio da decisão recorrida supera o limite de alçada previsto na Portaria MF n° 3/2008, e o recurso de ofício, interposto por parte legítima, deve ser conhecido. Pelos documentos que constam nos autos nas fls. 38/49, sucederamse os seguintes fatos no âmbito judicial: Em 20/04/98, a empresa A. Mattos e Mattos Ltda e Fiori Empreendimentos Imobiliários Ltda. ajuizou a Ação Ordinária nº 98.00082174, pleiteando a declaração de inexistência de relação jurídica entre as autoras e a União, tendo por objeto o PIS apurado com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, além da declaração do direito de restituir ou compensar os valores pagos indevidamente com tributos federais da mesma espécie, incluindo a Cofins. Em 07/05/98 foi autorizada a emenda à inicial para a inclusão de outros litisconsortes, dentre eles a autuada, bem como foi concedida a tutela antecipada para autorizar as autoras a efetivarem a compensação dos valores decorrentes dos pagamentos a maior de PIS. Em 02/08/2000, foi proferida sentença para declarar o direito das autoras, inclusive da ora contribuinte, de efetuar a compensação decorrente dos pagamentos a maior de PIS com débitos de PIS, Finsocial, Cofins e CSL e com as parcelas devidas a título de PIS nos termos da Lei Complementar nº 7/70. Assim, do que se tem conhecimento nos autos, independentemente do desfecho da ação ordinária nº 98.00082174, podemos afirmar que, no período de 07/05/98 a 02/08/2000, a contribuinte constava como uma das suas autoras. O auto de infração de que trata o presente processo foi lavrado em 16/06/2003, relativamente a fatos geradores ocorridos entre os meses de maio e dezembro de 1998, em face de débitos declarados em DCTF´s como suspensos por medida judicial, para os quais o processo judicial informado estaria vinculado a outro CNPJ. As três DCTF´s nas quais se constatou as irregularidades foram apresentadas em 05/08/98, 05/11/98 e 03/02/99, datas nas quais a contribuinte constava, comprovadamente nestes autos, no rol de autoras da referida ação ordinária. Dessa forma, constatase, nos autos, que a contribuinte comprovou a existência do processo judicial referenciado nas DCTF´s e de que dele foi parte ativa, configurando situação que torna improcedente o motivo da autuação, qual seja, “declaração inexata” na DCTF consubstanciada na ocorrência “PROC. JUD. DE OUTRO CNPJ”. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 Assim, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, a contribuinte comprovou a existência de elemento extintivo da autuação, vez que não pode subsistir um ato administrativo com a improcedência do seu motivo determinante, em conformidade com o art. 50 da Lei nº 9.784/99 e art. 10, III do Decreto nº 70.235/72. Por essa razões, não cabe qualquer reparo na decisão de primeira instância que concluiu que "a ocorrência que deu origem à presente autuação, “Processo judicial de outro CNPJ”, não se confirma, uma vez que a autuada efetivamente consta como autora naqueles autos judiciais, informados corretamente nas DCTF em questão como fundamento para a compensação dos créditos tributários correspondentes". Assim, pelo acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 113DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10768.901847/2006-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Ademais, embargos de declaração não se reveste em recurso destinado à rediscussão do direito.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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(nova denominação de SANTOS BRASIL S.A.) Interessado NUMERAL 80 PARTICIPAÇÕES S.A. (nova denominação de SANTOS BRASIL S.A.) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Ademais, embargos de declaração não se reveste em recurso destinado à rediscussão do direito. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 47 /2 00 6- 99 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901847/200699 Acórdão n.º 3301002.747 S3C3T1 Fl. 0 2 Relatório Em sessão transcorrida em 23 de julho de 2014, a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção do CARF negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3802003.354, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. Recurso a que se nega provimento Em sede de embargos de declaração, aduz a interessada que a decisão vergastada fora omissa na medida em que não teria enfrentado a "ausência de prova da existência do crédito reclamado, não se acatam os argumentos do Recorrente quanto à homologação total da compensação declarada". Segundo a embargante, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário[...] restou amplamente esclarecido e comprovado que no DARF que fundamentou o PER/DCOMP acima identificado, foram localizados alguns pagamentos que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos da EMBARGANTE não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. As evidências das razões alegadas pela EMBARGANTE constam na DCTF retificadora, através da qual podemos observar um crédito correspondente ao valor informado no PER/DCOMP, acima descrito. 04.1 Assim, diante das razões constantes do Despacho Decisório originário, fica claro que essa SRFB não reconheceu o crédito que foi informado pela EMBARGANTE na DCTF; e, por conseguinte, está considerando o valor total do DARF pago totalmente utilizado na sua própria apuração. 05 Na verdade, o que não foi observado tanto no voto quanto no acórdão nº 3802003.354, foi a necessidade de desoneração da multa moratória, tendo em vista que houve a efetiva compensação. Na sequência, depois de fazer sua análise sobre os procedimentos de compensação a partir da IN SRF nº 21/97, questiona "como poderia a Requerente protocolar o PER/DCOMP na data do vencimento do tributo, se a disponibilização do programa e as instruções para preenchimento do Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) somente foi disponibilizada após o vencimento Fl. 191DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901847/200699 Acórdão n.º 3301002.747 S3C3T1 Fl. 0 3 da obrigação?". E ressalta que não teria sido enfrentada no acórdão a questão atinente à aduzida impossibilidade de a embargante protocolar declaração de compensação com base nas determinações da IN SRF nº 210/2002. Defende que "na época do vencimento do tributo e do envio do PER/DCOMP [...] não existia uma determinação legal para entrega na data de vencimento do tributo". Por fim, ressalta a embargante que a Nota Cosit nº 1, de 18/01/2012, decidiu pela validade da aplicação dos efeitos da denúncia espontânea nas hipóteses de extinção do pagamento por compensação tributária. Diante do exposto, requer a embargante o conhecimento e o provimento dos presentes embargos, com fulcro no "pronunciamento sobre as omissões expostas e sobre a denúncia espontânea". É o relatório. Voto A ciência da decisão recorrida se deu em 22/05/2015 (efls. 182). Por sua vez, a petição de embargos de declaração foi protocolizada em 27/05/2015 (efls. 181). Assim, considerando o disposto no artigo 5º, caput e parágrafo único, do Decreto nº 70.235/721, resta claro que a petição em tela foi apresentada dentro do prazo cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do RICARF – aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015). Há, pois, que se conhecer da petição em tela. Conforme relatado, vêse que a embargante procura rediscutir o pleito inerente ao pedido de compensação objeto dos autos, alicerçada em suposta omissão no acórdão no que concerne à "necessidade de desoneração da multa moratória, tendo em vista que houve a efetiva compensação", bem como quanto à questão atinente à aduzida impossibilidade de a embargante protocolar declaração de compensação com base nas determinações da IN SRF nº 210/2002. Não obstante, todos os argumentos suscitados pela recorrente foram devidamente tratados na decisão vergastada, de forma que não há nenhuma omissão passível de saneamento mediante embargos de declaração. Isso e válido também quanto à reclamada caracterização de denúncia espontânea. O seguinte trecho do voto condutor da decisão recorrida demonstra que as supostas omissões guerreadas não ocorreram. Confirase: O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda se restringe à contestação da incidência de juros de mora e de multa de mora, uma vez que o tributo já 1 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901847/200699 Acórdão n.º 3301002.747 S3C3T1 Fl. 0 4 se encontrava vencido quando da formalização do PER/DCOMP. Tal incidência é legítima, como demonstraremos a seguir. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 432 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a 2 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901847/200699 Acórdão n.º 3301002.747 S3C3T1 Fl. 0 5 declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. No que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento integral do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento integral do tributo ou de sua quitação completa via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Por fim, com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação integral pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários em aberto, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Da conclusão Fl. 194DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901847/200699 Acórdão n.º 3301002.747 S3C3T1 Fl. 0 6 Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Diante do que foi acima exposto vêse que nenhum dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo se subsume ao disposto no caput do artigo 65 do anexo II do Regimento Interno do CARF3, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, uma vez demonstrado que o acórdão embargado não padece de "obscuridade, omissão ou contradição", e que a embargante, com sua argumentação, vislumbra, na verdade, rediscutir o direito, o que é inadmissível em sede de embargos de declaração. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de vício que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pelo sujeito passivo, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 26 de janeiro de 2016. Francisco José Barroso Rios – Relator 3 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10925.000363/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/06/1999 a 30/06/2000
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.
O escopo das mencionadas Leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem.
Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva.
Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.
AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. O art. 36 da Lei nº. 12.058, de 2009, permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004.
AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18.
Recurso Voluntário que se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3402-002.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas de créditos tomados sobre os seguintes itens: materiais de uso geral; materiais de embalagem; peças de reposição e serviços gerais; materiais de segurança; materiais de conservação e limpeza; lavagem de uniformes; despesas de armazenagem de mercadorias; créditos presumidos da agroindústria com alíquota de 60%; créditos a descontar - Cofins paga na importação, este conforme resultado da diligência realizada.
Vencido o Conselheiro Jorge Freire quanto ao material de uso geral, peças de reposição e serviços gerais; quanto aos serviços de conserto de bens móveis; serviços de ajardinamento e limpeza. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, quanto às peças de reposição e serviços gerais; serviços de ajardinamento e limpeza e conserto de bens móveis. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Antonio Carlos Atulim, quanto à lavagem de uniformes. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galcowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto quanto as despesas com fretes.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Valdete Aparecida Marinheiro, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas Leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 03 63 /2 00 9- 13 Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. O art. 36 da Lei nº. 12.058, de 2009, permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Recurso Voluntário que se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas de créditos tomados sobre os seguintes itens: materiais de uso geral; materiais de embalagem; peças de reposição e serviços gerais; materiais de segurança; materiais de conservação e limpeza; lavagem de uniformes; despesas de armazenagem de mercadorias; créditos presumidos da agroindústria com alíquota de 60%; créditos a descontar Cofins paga na importação, este conforme resultado da diligência realizada. Vencido o Conselheiro Jorge Freire quanto ao material de uso geral, peças de reposição e serviços gerais; quanto aos serviços de conserto de bens móveis; serviços de ajardinamento e limpeza. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, quanto às peças de reposição e serviços gerais; serviços de ajardinamento e limpeza e conserto de bens móveis. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Antonio Carlos Atulim, quanto à lavagem de uniformes. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galcowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto quanto as despesas com fretes. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Valdete Aparecida Marinheiro, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.641 3 Tratase o presente processo, de pessoa jurídica qualificada neste processo, que transmitiu, em 31 de julho de 2007, Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) para declarar a compensação de débitos com crédito da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurada no regime da nãocumulatividade referente ao quarto trimestre de 2006. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: A Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC manifestouse pelo reconhecimento parcial do direito creditório postulado, com base no não acatamento da apuração de créditos em relação a: a) mercadorias para revenda adquiridas de pessoas físicas; b) aquisições de bens e serviços não enquadrados com insumos, como: b.1) material de uso geral; b.2) material de embalagem e etiquetas, utilizadas no acondicionamento para transportes das mercadorias; b.3) peças de reposição e serviços gerais; b.4) material de segurança; b.5) conservação e limpeza; b.6) manutenção predial; b.7) ovos incubáveis, considerados como serviços adquiridos de pessoas fisicas; b.8) fretes com a finalidade de transporte de documentos, bem como do transporte de insumos, matériasprimas e produtos em elaboração entre filiais da empresa; b.9) outros itens; c) gastos com transporte de produtos entre filiais, classificados pela cooperativa como despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda; d) crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais, tendo em vista não serem passíveis de ressarcimento, apenas de desconto, ou ainda decorrente da aplicação incorreta do percentual de 60% incidente sobre os insumos adquiridos, quando o percentual correto seria 35%; e) créditos a descontar na importação — foram incluídas importações com cujo pagamento foi suspenso devido a operação de DRAWBACK; A interessada apresenta manifestação de inconformidade frente esta decisão, com os argumentos abaixo expostos. Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Em relação à glosa dos créditos referentes a mercadorias para revenda adquiridas de pessoas físicas, a interessada confirma ter se equivocado na apropriação destes créditos. Requer, tendo em vista estas aquisições se referirem a animais para reprodução, e gerarem crédito presumido das contribuições, que seja reconhecido o direito ao crédito presumido sobre as referidas aquisições. No tocante aos bens e serviços não enquadráveis como insumos, salienta que a decisão considera o conceito de insumo de forma restrita, excluindo incontáveis insumos que a seu ver não são aplicados no produto. Aduz que, em atenção ao artigo 3° da Lei no 10.833/04, todas as aquisições de bens e serviços utilizados diretamente como insumo na fabricação de produtos destinados A venda geram direito ao crédito. Desta forma, os valores glosados se enquadrariam perfeitamente como insumos, tanto na ótica da Lei n° 10.833/04 quanto da IN/SRF n° 404/2004, artigo 8°. Em relação as peças de reposição de máquinas e equipamentos, sustenta o direito A compensação baseado na similaridade com os créditos decorrentes de depreciação de máquinas, combustíveis e lubrificantes e energia consumida, anexando solução de consulta n° 80, de 13/06/08, que permitiria o creditamento. Em relação às aquisições de caixas de papelão e etiquetas, aduz em primeiro lugar que é equivocada a afirmação da autoridade fiscal de que estes materiais foram utilizados no acondicionamento para transporte. Informa que o material utilizado nas embalagens tem por finalidade garantir a proteção adequada ao produto para minimizar a contaminação, prevenir danos e acomodar o rótulo. Explicita particularidades de algumas embalagens especiais, afirmando que as embalagens são colocadas com fins comerciais. No que tange as aquisições de material de segurança, produtos de conservação e limpeza e bens destinados A manutenção predial, defende o mesmo entendimento exposto em relação ao conceito de insumo, agregando a informação de que, no caso de equipamentos de proteção individual, os mesmo são obrigatórios nos termos da NR 6 e 8. Quanto à aquisição de ovos incubáveis, salienta que não se trata de remuneração de serviço prestado por pessoa física. Informa a adoção do modelo de produção integrado ou verticalizado, que consiste em uma combinação de dois ou mais estágios sucessivos de produção e ou distribuição em propriedade da empresa ou terceiros, mas sob o controle da empresa proprietária. Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.642 5 Neste modelo, a agroindústria, por meio de contrato de parceria, fornece ao produtor rural lotes de matrizes poedeiras e ou reprodutores de suínos, lotes de pinto de um a dois dias de vida, assim como leitões. 0 produtor rural pessoa física, chamado de integrado ou parceiro integrado cuida das matrizes poedeiras, até a fase anterior A incubação dos ovos. 0 parceiro integrado, de igual modo cria os pintos de um dia e ou leitões até a época do abate, recebendo assistência técnica, ração e medicamentos. 0 parceiro produtor, em contrapartida, recebe da empresa uma parcela da produção, em cada lote, obtendo para si uma parcela do que foi produzido. A parcela pertencente ao parceiro produtor, após apurada a sua participação no lote, normalmente é vendida para a empresa. E o caso dos autos, ou sej a, a parcela recebida pelo parceiro produtor corresponde a sua quota no lote de ovos produzidos para incubação, que foi vendida a empresa. Assim, não se trataria de remuneração paga A pessoa fisica e sim de compra e venda de ovos para incubação. Desta forma, a decisão deve ser reformada para, no mínimo, reconhecer o direito ao crédito presumido sobre as compras de ovos para incubação. No tocante As despesas de armazenagem de mercadorias e fretes na operação de venda e nas despesas com fretes considerados insumos, afirma que os serviços de transportes glosados não dizem respeito A transferência entre estabelecimentos; tratamse de fretes de vendas a clientes, fretes entre o estabelecimento produtor para outro estabelecimento produtor da mesma empresa e frete entre estabelecimento de produtor para estabelecimento comercial. Anexa documentos, a titulo exemplificativo. Aduz ainda que o frete incidente sobre as transferências de uma unidade produtora para outra unidade produtora deve ser considerado insumo de produção, salientando o posicionamento da 9a Região Fiscal (Solução de Consulta n° 71, de 28/02/05). Explica que na granja de aves são produzidos ovos, que é um produto semiacabado para o incubat6rio. No incubatório são produzidos pintos de um dia que é um produto semiacabado para o produtor. No estabelecimento do produtor são produzidas aves terminadas que é um produto semiacabado para o abatedor. E o processo se encerra apenas no estabelecimento industrializador, de onde sai o produto acabado para o estabelecimento comercial. No tocante aos valores creditados a titulo de crédito presumido e alocados no campo de receita de exportação, a recorrente salienta que, em que pese a utilização da interpretação literal leve ao entendimento exposado pela autoridade fiscal, esta interpretação não é única nem isolada. Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Afirma que os créditos presumidos deixaram de figurar nas disposições do artigo 30 das leis 10.637/02 e 10.833/03 pela simples necessidade de adequálos à realidade da não cumulatividade, e não com o objetivo de impedir a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos. Afirma ainda que mesmo na vigência da Lei n° 10.925/04 os créditos presumidos são passíveis de compensação ou ressarcimento, em razão de que os artigos 5° e 6° das leis 10.637/02 e 10.833/03, em seu §1°, regulam a utilização dos créditos apurados na forma do respectivo artigo 3°, e não dizem que são exclusivamente os créditos relacionados no artigo 3° de ambas as leis. 0 inciso II do caput do artigo 3° das leis em questão, permitem, pois duas formas de apropriação de créditos sobre bens utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens: uma de forma direta, que são os denominados créditos ordinários pagos pelos respectivos fornecedores daqueles bens; outra de forma presumida, nas limitações estabelecidas pelo artigo 8° da Lei n° 10.925/04. Tanto os créditos ordinários com o os presumidos vincularse iam A forma dos créditos estabelecida pelo artigo 3° de ambas as leis, e por isso mesmo seriam passíveis de compensação com outros tributos, ou de ressarcimento em espécie. Defende, caso não seja acatado sua argumentação, que isto provocaria o desrespeito da norma constitucional que veda a incidência das contribuições sobre as receitas de exportação, pois somente reconhecer a manutenção dos créditos sem possibilitar sua utilização ou recuperação implicaria em onerar os produtos exportados. Argumenta que o crédito presumido do Pis e da Cofins constitui forma de subvenção, espécie de estimulo financeiro, para reduzi ro impacto tributário existente sobre a produção. Aduz, após explicar a sistemática da dedução, compensação e ressarcimento dos créditos do tributo em tela, afirma que, frustradas as outras formas de ressarcimento, a Unido deve efetuar o pagamento, mediante a entra ao beneficiário da respectiva soma em dinheiro. Defende que, embora não esteja prevista expressamente no texto do artigo 8°, da Lei n° 10.925/04, há que se reconhecer a possibilidade de ressarcimento em relação ao crédito presumido do PIS/COFINS. No que tange a aplicação do percentual de 60% sobre os insumos adquiridos, quando deveriam ter sido aplicado o percentual de 35%, aduz que, em relação As aquisições de suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate, o artigo 8° da Lei n° 10.925/04 estabelece o percentual de 60% sobre o valor das aquisições. Argumenta que a Solução de Consulta n° 39, de 27/04/2006, apresenta decisão dos órgãos fazendários neste sentido. Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.643 7 No tocante As aquisições de milho inteiro e quebrado, deve, de igual modo, ser reconhecido o direito ao crédito presumido tendo por base o percentual de 60%, em razão de que tais insumos são destinados A alimentação de aves e suínos. Por derradeiro, em relação A glosa da Cofins paga em razão do registro das declarações de importação ter sido efetuado por meio do regime aduaneiro drawback, a interessada não contesta tal vedação a seus créditos. A interessada, todavia, expõe que não se creditou de algumas aquisições feitas por meio de declarações de importação referentes aos meses de abril a junho de 2006. Desta forma, requer que sejam incluídos no cálculo deste período os valores correspondentes a estas importações. Requer, por fim, a reforma da decisão prolatada, a produção de todas as provas em direito admitido, que o presente recurso seja recebido com efeitos suspensivo e devolutivo, bem como seja determinada a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição até a data da completa satisfação do crédito. E o relatório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito (fls. 335/370): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO. Despesas efetuadas com o fornecimento equipamentos de proteção aos empregados, adquiridos de outras pessoas jurídicas ou fornecido pela própria empresa, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados, consumidos ou daqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM PEÇAS DIVERSAS PARA MANUTENÇÃO DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. As peças para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue o seu ressarcimento. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de ressarcimento. Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.644 9 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 28/07/2010, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (cópia AR fl. 371). Inconformada, em 18/08/2010 (fl. 372), apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 372/396), no qual, resumidamente, argumenta as seguintes razões: que o direito creditório foi parcialmente reconhecido pela DRF de Joaçaba (SC), com homologação das compensações até o limite do crédito reconhecido, visto que foram efetuadas as glosas detalhadas no (TVE) Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal às fls. 826/844; foi apresentada manifestação de inconformidade e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) manteve o despacho decisório da unidade de origem, ensejando a interposição de recurso voluntário para contestar as glosas efetuadas pela fiscalização, nos seguintes eventos: a) Aquisição de Bens para revenda; b) Bens e Serviços não enquadráveis como Insumos; b.1) Material de uso geral; b.2) Material de embalagens e etiquetas; b.3) Material de segurança; b.4) Conservação e limpeza; b.5) Manutenção Predial; b.6) OVOS incubáveis; b.7) Fretes, e b.8) Outros itens: cesta básica, rendimento de trabalho assalariado e sem vinculo empregatício, serviço de vistoria de carga, serviço de desembaraço aduaneiro, serviço de hotelaria, serviços portuários; c) Despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda; d) Crédito Presumido Atividades Agroindustriais; e Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 e) Créditos a descontar COFINS paga/importação. Dentre as alegações da Recorrente, qual seja, a de que, relativamente ao crédito da Cofins paga na importação, a divergência entre os valores solicitados e os reconhecidos pela fiscalização decorreria da não inclusão, no pedido de ressarcimento do terceiro trimestre de 2006, da totalidade das DI registradas no período de julho a setembro de 2006. Posto isto, em 10/11/2001, este processo entrou em pauta de julgamento e considerando as alegações acima, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, resolveu por unanimidade de votos, conforme Resolução nº 340200346 (fls. 1.530/1.531), converter o julgamento do recurso em Diligência, nos seguintes termos: "(...) Assim sendo, uma vez que consta do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal que, além das glosas em virtude de tratarse de importação em regime suspensivo do pagamento do tributo, a fiscalização procedeu à redistribuição das Declarações de Importação (DI) em função das datas de registro e considerando que o art. 15, § 2°, da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, faculta a utilização, nos meses subseqüentes, do crédito não aproveitado no mês de competência, julgo necessário o retorno destes autos à unidade de origem para que se informe se, nessa redistribuição foram excluídas DI registradas no período acima mencionado cujo crédito não tenha sido utilizados em outros períodos, anteriores ou posteriores ao período objeto do pedido de ressarcimento deste processo. Na hipótese de haver DI registrada no período de julho a setembro de 2006 objeto de exclusão do pedido de que aqui se trata cujo crédito ainda não tenha sido utilizado, solicitase que seja apurado o novo valor do ressarcimento de que tratam estes autos. Diante disso, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, lembrando que a recorrente deve ser cientificada dessa diligência e do seu resultado para, sobre ela, manifestar se no prazo regulamentar". E desta forma o processo foi remetido à DRF de Origem para providências. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.645 11 Verificase no presente recurso que não foram abordadas questões de ordem preliminares caminhandose, então, diretamente às questões de mérito. 1 Do Resultado da Diligência (Resolução nº 340200346). A Recorrente, então, foi devidamente cientificada da referida decisão e em cumprimento a Resolução nº 340200346 deste CARF, em 06/08/2014, foi intimada pela fiscalização da DRF em Joaçaba (SC), conforme Termo de Intimação nº 363/2014 (fl. 1.611/12), solicitando apresentar cópia integral das Declarações de Importação (DI), relacionadas, que teriam sido objeto de glosa pelo Fisco ao examinar os créditos de PIS/COFINS nãocumulativo, referente ao 4º trimestre de 2006. Em 12/09/2014, em atendimento a solicitação do Fisco, a Recorrente atende a intimação e informa o seguinte (fls. 1.546/1.547): "(...) COOPERATIVA CENTRAL AURORA ALIMENTOS, já qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, em atendimento a Intimação SAORT 2012 N° 363/2014, vem apresentar os documentos fiscais e contábeis, hábeis e idôneos, em face a solicitação de Diligência (Resolução 340200.346, da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária), como segue: Item 2: Para atendimento do item 2, a requerente apresenta os documentos abaixo relacionados (por Dl), relativo as Declarações de Importações n°s 06/10103193; 06/10487722; 06/10804078; 06/11288987; 06/11289045; 06/11296459; 06/11556493: Cópia da Nota Fiscal de Entrada, relativo a compra dos insumos; Cópia integral da DI correspondente a NF de compra; Comprovante de Recolhimento dos débitos de Pis e Cofins incidentes sobre a respectiva importação. Item 3: Para atendimento do item 3, a requerente esclarece que em virtude da redistribuição das Dl's em função das datas de registro, regime de competência, pela autoridade fiscal à época da análise do crédito, foram excluídas no 3o Trimestre de 2006, porém não consideradas nos trimestres anteriores ou posteriores, especificamente as Declarações de Importação informadas pela autoridade fiscal no item 2 desta intimação. Noutras palavras, foram excluídas no 35 Trimestre de 2006 e não consideradas/ utilizadas em outros períodos as Dl's n°s: 06/10103193; 06/10487722; 06/10804078; 06/11288987; 06/11289045; 06/11296459; 06/11556493. (...).... Sendo o que se apresenta, permanecemos a disposição para outros esclarecimentos". Com base nos documentos acostados aos autos e na informação acima, a fiscalização efetuou o cotejamento dos dados e elaborou a Informação Fiscal nº 053/2015, às fls. 1.613 a 1.628, que em seu item 4, concluiu o seguinte: "(...) Conforme os documentos e demonstrativos apresentados, em atenção ao solicitado pela Resolução 340200.346 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, a presente Diligência resultou em uma complementação na apropriação de créditos de COFINS não cumulativa, Mercado Externo, no 4º trimestre de 2006, no valor de R$ 1.450.998,90, como base de cálculo do crédito de Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 PIS/COFINS não cumulativo, e R$ 110.275,91 como crédito a descontar à alíquota de 7,6%, alterando desta forma o valor reconhecido inicialmente de R$ 1.770.065,89 para R$ 1.794.293,96 a título de mercado externo, remanescentes ao final do 4º trimestre de 2006, passível de ressarcimento sem a incidência de juros moratórios, conforme disposto no § 5º do art. 83 da IN/SRF nº 1.300/2012. Em 27/04/2015, a Recorrente foi cientificada da referida Informação Fiscal (fl. 1.630), sendo que em 22/05/2015, protocolou documento manifestandose da seguinte forma (doc. fl. 1.631) grifouse: "(...) Relativamente ao resultado da diligência solicitada pela 2ª TO da 4ª Câmara da 3ª Seção de julgamento do CARF, no que concerne as DIs do período de julho a setembro de 2006, realocadas para o 4º Trimestre de 2006, a requerente informa que concorda com o novo valor de crédito apurado, conforme cálculo realizado pela autoridade fiscal. Desta forma, requer o imediato ressarcimento dos valores reconhecidos, tendo em vista a inexistência de pedidos de compensação pendentes de homologação atrelados ao crédito. Ato contínuo, solicita a remessa/retorno dos autos ao CARF, para a apreciação das demais matérias envolvidas no litígio". Posto isto, os autos, então, retornaram para essa Turma para prosseguimento do julgamento, em que da conclusão da Diligência solicitada, resultou em uma complementação na apropriação de créditos de COFINS nãocumulativa, Mercado Externo, no 4º trimestre de 2006, no valor de R$ 1.450.998,90, como base de cálculo do crédito de PIS/COFINS não cumulativo, e de R$ 110.275,91 como crédito a descontar à alíquota de 7,6%. Portanto, para este item, deve ser alterado o valor reconhecido inicialmente de R$ 1.770.065,89 para R$ 1.794.293,96, a título de crédito mercado externo, remanescentes ao final do 4º trimestre de 2006, passível de ressarcimento sem a incidência de juros moratórios, conforme disposto no § 5º do art. 83, da IN/SRF nº 1.300/2012. 2 Do Conceito de INSUMOS O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos bens ou serviços adquiridos, que geram direito aos créditos de PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Atualmente, este Conselho Administrativo, na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.646 13 interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (...) Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Portanto, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos. Como a Recorrente se dedica à fabricação de produtos derivados do abate de súinos e aves (carnes), obtémse que dão direito a crédito os bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos referidos produtos (industrialização de produtos alimentares derivados do abate de suínos e aves, derivados de frutas, hortaliças e leguminosas, derivados de leite, bovinos, etc), conforme consta do Estatuto Social anexado às fls. 39 e sgts. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. 3 Aquisição de Bens para revenda (adquiridas de PF) Alega a Recorrente em seu recurso que " (...) a autoridade fiscal, glosou (...), sob a alegação de que a recorrente apropriouse crédito de PIS/COFINS, sobre aquisições de mercadorias de pessoas físicas para revenda, sem permissão legal. De fato, a recorrente adquiriu suínos reprodutores de pessoas físicas, tendo, equivocadamente, apropriado crédito ordinário de PIS e COFINS, no percentual de 9,25%. Todavia, as aquisições de mencionados bens (suínos reprodutores), não se destinam a revenda e sim para a reprodução de animais, conforme provam os documentos acostados. A aquisição de animais para reprodução, gera, nos termos do art. 8°, da Lei n° 10.925/04, o crédito presumido do PIS e da Cofins (grifouse). O inciso I do artigo 3° da Lei nº 10.833/2003, autoriza o creditamento sobre bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos no mês, que assim dispõe (grifouse): Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada vela Lei n° 10.865,de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Incluído vela Lei n° 10.865, de 2004) Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.647 15 b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei a° 10.865, de 2004). (...). § 3º 0 direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no Pais; Dai o sentido de se autorizar o crédito relativo aos bens, serviços, custos e despesas pagas exclusivamente de pessoas jurídicas, nos incisos I e II do § 3º do art. 3º acima. No entanto, consta do Termo de Verificação Fiscal (TVE) às fls. 826/844, na relação de notas fiscais de aquisições de mercadorias que geraram créditos de PIS/COFINS, foram incluídos bens para revenda adquiridos de pessoas físicas, sendo que referido crédito não tem previsão na legislação. Ressaltese que a própria Recorrente, em seu recurso (fl. 374), admite esta situação em seu recurso (produtos adquiridos de pessoas físicas). Posto isto, sendo exigência da legislação de regência do tributo que a utilização dos créditos das contribuições do PIS e da Cofins, apuradas na sistemática da não cumulatividade, seja estabelecida pelo contribuinte por meio do Dacon, e não tendo a interessada informado estas aquisições como crédito presumido de atividades agroindustriais, conforme define a legislação, mantémse a glosa deste item, conforme proposto pela fiscalização da DRF/Joaçaba (SC). 4 Bens e serviços não enquadráveis como insumos Verificase no TVE elaborado pelo Fisco (fls. 826/844), que na relação de notas fiscais de aquisições de mercadorias que geraram créditos de PIS/COFINS, foram incluídos bens e serviços que não encontram enquadramento no referido inciso. A fiscalização alega que "tratamse, na verdade de despesas gerais, necessárias as operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao Pis e a Cofins". Quanto à relação de aquisições que não foram considerados para o cálculo do crédito da Cofins, me reservo a analisar apenas aqueles que a Recorrente buscou demonstrar participar de seu processo produtivo. Para os demais, nego de pronto sua inclusão no cálculo do crédito em virtude das alegações estarem órfãs de informações que sustentem seu direito. É salutar lembrar que a lide versa sobre pedido de ressarcimento, cujo ônus da prova é do recorrente. Desta forma, passemos ao exame de cada um deles: 4.1) Material de uso geral Alega a Recorrente que neste item foi excluído da base de cálculo da COFINS, importâncias relativos às aquisições, dentre outras, "de avental plástico, bota de borracha, camisa, camiseta impermeável, calça proteção, desinfetante, creme protetor Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 microbiológico, detergentes, lenha de eucalipto, luva, óleos lubrificantes, papel toalha, peças para máquinas, protetor auricular, correias industriais, etc". Aduz que, em atenção ao artigo 3º da Lei n° 10.833/03, todas as aquisições de bens e serviços utilizados diretamente como insumo na fabricação de produtos destinados a venda geram direito ao crédito. Na relação dos itens glosados pela fiscalização (TVE fl. 833), em virtude ao não enquadramento como "insumos" como prediz a legislação, foram relacionados os seguintes: a) Material de uso geral: Arruela, mangueira, rodinho, chave Allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, parafuso Allen, parafuso bucha, paraf.i.sext., porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado, tubo PVC, e etc. Posto isto, analisandose os autos, entendo que os valores gastos com a aquisição de avental plástico, camisa, desinfetante, luva, bota de borracha, camiseta impermeável, calça de proteção, creme protetor microbiológico, o protetor auricular, os óleos lubrificantes e as peças para as máquinas do parque fabril subsumem ao conceito de insumo, uma vez que, a meu sentir, se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa, portanto, foram utilizados no processo produtivo, devendo fazer parte do cálculo do crédito da Cofins. Portanto, neste espeque, entendo que deve ser revertida as glosas efetuadas para estes insumos. 4.2 Material de Embalagens e Etiquetas 4.2.1 Material de Embalagens Alega que neste item, glosouse as aquisições caixas de papelão e etiquetas, as quais seriam utilizadas no acondicionamento para transporte das mercadorias. "(,,,) em primeiro lugar, é equivocada a afirmação da autoridade fiscal de que as aquisições de caixas de papelão, etiquetas e outras embalagens foram utilizadas no acondicionamento para transporte. A forma e o material de embalagem, como feito pela recorrente não é gratuito e ou não visa única e exclusivamente o transporte. Vai muito além. Em primeiro lugar, a forma e o material de embalagem tem o propósito de garantir uma proteção adequada ao produto para minimizar a contaminação, prevenir danos e acomodar o rótulo. Já as medidas adotadas durante o transporte e logística têm como objetivo proteger os alimentos contra fontes potenciais de contaminação e danos capazes de tornar o produto impróprio para o consumo. Em sua finalidade de proteção contra ataques ambientais, as embalagens preservam os produtos alimentícios contra choques, vibrações impróprias, esmagamento, roubo e outras perdas do conteúdo do produto. Vários são os tipos de embalagens que podem ser utilizados nos alimentos. As carnes, recebem embalagens especiais que, por aquecimento, se tornam encolhidas e rígidas. Este tipo de embalagem tem a vantagem de ser amoldada ao produto, impedindo com isso a proliferação de mofos. A embalagem cryovac, termoplástico, é destinada embalagem a vácuo. Seu emprego se deve as suas qualidades de impermeabilidade ao oxigênio e outros gases e principalmente pela sua capacidade de contração imediata e uniforme. Já para fins de comercialização, os produtos embalados requerem barreiras ao oxigênio e a luz ainda maior. Tal fato é conseqüência do aumento da área superficial do produto exposta ao meio ambiente, como a descoloração, rancificação e deterioração Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.648 17 microbiológica. Dentre as principais reações de deterioração dos produtos cárneos, destacamse a oxidação e a fotoxidação dos pigmentos cárneos, que são responsáveis pela cor do produto. Para a produção e comercialização do salame, por exemplo, inicialmente é feita a moagem da matériaprima em picador de carne. A seguir, na misturadeira, mesclase a carne suína com os ingredientes, batendo até obter a mistura homogênea. A seguir vem o processo de embutir a massa numa tripa. Concluída esta etapa, o produto é levado ao fumeiro. A etapa seguinte é a cura, que exige o controle de tempo e temperatura, para o produto adquirir as características de sabor, cor e aroma. Após o produto é retirado e lavado até uma câmara de lavagem para a retirada da tripa e secagem. Após o produto é colocado em uma embalagem, que é denominada de primária, a qual contém todas as características do produto, tais como peso, data de fabricação, data de validade, composição, etc. Depois da colocação da embalagem primário, os produtos são colocados em caixa de papelão, denominada embalagem secundária, não só com a finalidade de transporte, mais também de armazenagem e para comercialização. E aqui é preciso deixar absolutamente claro que a recorrente não vende o produto de forma fracionada, ou seja, fora de sua embalagem secundária. A recorrente não vende aos seus clientes 1 salame de "x" kg, mas sim uma quantidade de produtos constantes numa caixa secundária. Quem fraciona o produto é o cliente, ou seja, o supermercado, o atacadista ou o retalhista. Nunca a recorrente. Em relação dos itens glosados pelo Fisco, em virtude ao não enquadramento como "insumos" como prediz a legislação, foram relacionados os seguintes: b) Material de Embalagens e Etiquetas: caixas de papelão e etiquetas de uso interno. Em diligência a empresa, no dia 08 de dezembro de 2008, verificouse que as embalagens apresentadas como caixas, são utilizadas no acondicionamento para transportes das mercadorias. O Fisco entendeu que não compõem o processo de industrialização as embalagens que se destinam precipuamente ao transporte dos produtos elaborados (doc. fls. 228/236). Com efeito, revendo os termos do TVE elaborado pelo Fisco, verifico que, concernente aos gastos com embalagens de transporte (embalagens), a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles produtos por se tratarem de embalagens para transporte e não de apresentação, na premissa que o termo “insumo” referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo. No mesmo sentido, veja como ficou consignado pela decisão recorrida: "(...) A contribuinte anexa fotos das embalagens que utiliza, sendo que a análise destes documentos permite concluir que aquelas denominadas pela interessada como "embalagens primárias" possuem a completa identificação do produto, passíveis, portanto, de utilização para venda do produto ao consumidor final. Além disso, a quantidade é compatível com a venda no varejo. Já a embalagem denominada "secundária", todavia, não apresenta as mesmas características. As fotos ilustram caixas de papelão, que comportam uma quantidade significativa de produtos dentro de "embalagens primárias". Em relação a estas Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 caixas de papelão, nenhuma evidência há de que possam se caracterizar como "embalagem de apresentação". Observo que a glosa procedida pela autoridade fiscal restringe se a aquisições de caixas de papelão, não tendo sido vedado o crédito em relação a outras embalagens. No entanto, a recorrente alega que a glosa, atingiu os créditos oriundos da aquisição de desses produtos por possuírem requisitos para o transporte sem alteração das características dos produtos, evidente que sua utilização é imprescindível para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, enquadrandose no conceito de insumo e devendo dar direito ao crédito pretendido. Neste caso, entendo que assiste razão, em parte a recorrente, pelas razões seguintes. O acondicionamento dos produtos a serem exportados constituise em etapa da industrialização e, como tal em face do princípio da não cumulatividade das contribuições, deve ter todos os valores relativos às suas aquisições de fornecedores considerados para fins de dedução de créditos. Como já frisado anteriormente sobre o conceito de insumos, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do IRPJ, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: Art. 66. [...] § 5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; A recorrente alega que não procede a afirmação de que a caixa de papelão, etiqueta e outras, têm por fim o transporte ou o acondicionamento do produto. Muito pelo contrario. A embalagem é colocada para fins comerciais, e visa a proteção do produto e a sua comercialização. Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.649 19 Portanto, neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois não são retornáveis. A recorrente fabrica seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. Para quem entende que elas não integram o custo de produção, pode se adicionar que a lei prevê créditos com despesas de armazenagem (art. 3º, inc. IX da Lei nº 10.833/2003). O Recorrente, portanto, mesmo considerando os critérios da IN SRF nº 247/2004 e ao conceito de insumo adotado pela jurisprudência do CARF, tem direito ao crédito relativo às aquisições de “embalagens” . Por fim, afastada a interpretação restritiva adotada pela decisão recorrida, descabe a exigência de prova da venda dos materiais de embalagens com o produto ao consumidor final. Concluindo, as caixas de papelão (embalagens) utilizadas no acondicionamento dos produtos para fins de proteção contra ataque ambientais, choques, vibrações impróprias, esmagamento, etc, fazem parte do processo produtivo do recorrente, de forma que devem ser (revertidas) incluídos nos cálculos dos créditos como sendo insumos. 4.2.2 Etiquetas (de uso interno) No entanto, mesma sorte não teve o insumo “etiqueta de uso interno”, pois não encontrei nos autos provas mínimas de sua utilização no processo produtivo ou se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Neste caso deve ser mantidas as glosas para Etiquetas (uso interno). 4.3) Peças de reposição e serviços gerais Aduz que as peças de reposição, assim como os demais insumos glosados, estão albergadas pelo mesmo dispositivo como insumo. "(...) Se é garantido o crédito da própria depreciação das máquinas (art. 3°, inc. VI, c/c § 1°, inc. III), assim como quanto aos combustíveis e lubrificantes (inc. II) e à energia consumida (inc. IX), etc, o que não se dizer das peças e outros produtos que se consomem ou desgastam no processo produtivo? Ora, se tanto a depreciação do maquinário quanto o consumo de combustíveis, lubrificantes e energia para a produção geram direito ao crédito, com mesma razão haverão de gerar as peças destinadas à troca de elementos dessas máquinas que se desgastam nesse processo e de materiais utilizados para a transformação do produto final, ainda que não venham a integrálo". No acórdão da DRJ, desta forma definiu sobre este item: Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 "(...) As peças de reposição de máquinas e equipamentos às quais a interessada busca creditarse, apesar de serem utilizadas em máquinas e equipamentos aproveitados no processo produtivo, não sofrem alterações em decorrência da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, destinandose tãosomente a manter os bens de produção em condições eficientes de operação". Na relação dos itens glosados pela fiscalização, em virtude ao não enquadramento como "insumos" como prediz a legislação, foi relacionado os seguintes: c) Peças de reposição e serviços gerais: Peças para máquinas e equipamentos, peça de manutenção, peças e serviços torno, serviço de conserto de equipamento, serviço de lavação de roupas, serviço de locação de guindaste, serviço de manutenção máquinas, serviço em peças, serviço instalação de equipamento, e etc. Em relação às peças de reposição de máquinas e equipamentos, a interessada sustenta o direito à compensação baseado na similaridade com os créditos decorrentes de depreciação de máquinas, combustíveis e lubrificantes e energia consumida, que permitiria o seu creditamento. Conforme consta do TVE de fls. 826/844, notase, que o critério adotado pela autoridade fiscal foi aquele proclamado pela legislação do IPI, adotado pelas instruções normativas SRF nº 247, de 2002 nãocumulatividade do PIS/Pasep e 404, de 2004 não cumulatividade da COFINS. Tais instruções normativas foram utilizadas como fundamento para a análise do pleito por parte da autoridade fiscal. Neste item em específico, e tendo como norte a essencialidade como pressuposto para a consideração de determinado bem como insumo, entendo que as partes e peças de reposição adquiridas pela Recorrente podem, sim, ser admitidas para fins de creditamento. Em exame dos autos, especialmente dos documentos acostados à manifestação de inconformidade, pude constatar que não há nenhum elemento que desacredite as justificativas apresentadas pela interessada no sentido de que os bens adquiridos pela empresa, acima elencados, devem sim estar relacionados às correspondentes finalidades mencionadas. As Glosas referemse a peças para máquinas e equipamentos, peça de manutenção, peças e serviços torno, serviço de conserto de equipamento, serviço de lavação de roupas, serviço de locação de guindaste, serviço de manutenção máquinas, serviço em peças, serviço instalação de equipamento, e etc., me parece que tais produtos guardam correlação com a finalidade declarada pela recorrente no recurso voluntário e consumidas na operação das máquinas de preparo de seu produto final (carnes e embutidos). Evidentemente, a análise quanto à aplicação dos produtos acima na atividade industrial da interessada, e, portanto, sua possível caracterização como insumo, é superficial, já que este conselheiro não tem conhecimento técnico específico em relação ao processo produtivo de carnes. Mesmo assim, entendo que a questão não merece sejam os autos baixados em diligência, uma vez que a premissa adotada pela autoridade fiscal obedeceu aos ditames traçados pelas instruções normativas nos 247/02 (para o PIS/Pasep vide § 5º do artigo 66) e 404/04 (para a COFINS vide incisos I e II do § 4º do artigo 8º), as quais, como vimos, seguem conceituação de insumo demasiadamente restritiva por equiparar sua acepção à que é adotada Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.650 21 pela legislação do IPI, o que, conforme defendemos, não é adequado ao regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Assim, diante da fundamentação adotada pela autoridade fiscal, e considerando que o parâmetro aqui adotado é o de dar à acepção de insumo um caráter de essencialidade à concretização da razão de ser do empreendimento, e por fim, fundado nas explicações trazidas pela recorrente e na documentação acostada aos autos, se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa e, portanto, penso que deverão ser admitidos os créditos calculados em relação aos itens descritos neste tópico. 4.4 Material de Segurança e 4.5 Material de Conservação e limpeza Argumenta que merece ser reformada a decisão em relação as glosas implementadas na base de cálculo da COFINS sobre as aquisições de Material de Segurança (b.3 da irresignação), tais como avental, botina, capacetes, creme protetor, mascaras, meia, protetor auricular, protetor facial, compras de botas sete léguas; etc, bem assim em relação as aquisições de produtos de Conservação e Limpeza (b.4 da irresignação), como por exemplo, as aquisições de desinfetantes, detergentes, vassouras, serviço de ajardinamento e limpeza, serviço de bens móveis. No caso dos equipamentos de proteção individual, acrescentese o fato de serem obrigatórios nos termos da NR 6 e 8, além de serem despesas intimamente e indispensavelmente utilizados e consumidos na produção. O mesmo digase em relação aos itens de consumo industrial relacionados limpeza e manutenção cível das instalações industriais. Ressalta, a titulo exemplificativo, cópia de notas fiscais sobre os itens glosados. Na relação dos itens glosados pelo Fisco (TVE), em virtude ao não enquadramento como "insumos" como prediz a legislação, destacase o que segue: d) Material de Segurança: Avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial, compras de botas sete léguas, e etc; e) Conservação e limpeza: Desinfetante, detergente, vassouras, serviço de ajardinamento e limpeza, serviço de conserto de bens móveis, serviço de lavanderia e etc. A DRJ em Florianópolis (SC), em seu acórdão, analisou da seguinte forma a aquisição desses materiais: "(...) No que tange as aquisições de material de segurança, produtos de conservação e limpeza e bens destinados à manutenção predial, a interessada defende o mesmo entendimento exposto em relação ao conceito de insumo, agregando a informação de que, no caso de equipamentos de proteção individual, os mesmo são obrigatórios nos termos da NR 6 e 8. (...)... Conforme o artigo 66, §5° da IN SRF no 247/02 e o artigo 8°, § 4°, da IN SRF n° 404/04, na definição de insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda foram excluídos quaisquer bens que não sofram alterações, tais como consumo, desgaste, dano ou a perda de propriedades Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto que está sendo fabricado. Foram também excluídos os bens que estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica. Desta forma, claro está que o conceito de insumo encontrase vinculado à aplicação direta no processo produtivo do contribuinte, requisito não satisfeito em relação a materiais de segurança e produtos destinados a conservação, limpeza e manutenção predial. 0 fato de tais materiais serem exigidos pela nossa legislação não tem o condão de transformálos em parte do processo produtivo, razão pela qual encontrase correta a decisão da DRF/Joaçaba. Por ser o estabelecimento industrial da Recorrente produtor de carnes e frios, é pacífico que os serviços de limpeza compreendem a lavagem e desinfecção das instalações, máquinas e equipamentos industriais; lavanderia industrial (lavagem dos uniformes utilizados pelos funcionários que atuam no processo produtivo). Portanto, em vista da atividade desenvolvida pela sociedade ser de cunho alimentício, entendo que os valores referentes a estes custos (d) Material de Segurança: Avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial, compras de botas sete léguas, e etc; e e) Conservação e limpeza: Desinfetante, detergente, vassouras, serviço de ajardinamento e limpeza, serviço de conserto de bens móveis, serviço de lavanderia e etc., se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa e devem fazer parte do cálculo do crédito da Cofins, por estarem contemplados no conceito de insumo. 4.6 Manutenção predial Da mesma forma, a Recorrente entende que merece reforma às aquisições de bens destinados a Manutenção Predial (b.5 da irresignação), como por exemplo, as aquisições de argamassa, calcáreo, tintas, tomadas, torneiras, compra de concreto usinado, serviço de pintura, serviço de construção civil, etc. Conforme constatou o Fisco no TVE, este item se refere a: (f) Manutenção predial: argamassa, calcáreo, tintas, tomadas, torneira, compra de concreto usinado, serviço de pintura, serviço construção civil, e etc; Verificase que a manutenção predial e os serviços de pintura e construção civil até podem ter ocorrido no estabelecimento fabril e a compra de todos os itens podem ter sido utilizada nos estabelecimentos industriais. Nesta senda, apenas os custos com a manutenção predial e serviços de pintura do setor fabril teria o direito de fazer parte do cálculo do crédito da exação, dede que não caracterizem benfeitorias e melhoramentos que devam ser adicionados aos valores dos imóveis para futuras depreciações. Já os custos com a manutenção e pintura dos prédios administrativos e outros setores não podem compor o referido crédito. No entanto, não há elementos nos autos que esclareçam e comprovem o efetivo emprego de tais fatos foram aplicados no setor fabril da empresa. É bom lembrar que a lide versa sobre pedido de ressarcimento, cujo ônus da prova é do recorrente. Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.651 23 Portanto, nego sua inclusão no cálculo do crédito em virtude das alegações estarem órfãs de informações que sustentem seu direito. 4.7 Ovos Incubáveis Alega a Recorrente que de igual modo, merece reforma a negativa do direito ao crédito sobre a aquisição de OVOS INCUBÁVEIS, ao argumento de que seria remuneração de serviços adquiridos de pessoas físicas, em desacordo com a legislação. Afirma que não se trata de remuneração de serviço prestado por pessoa física, uma vez que as agroindústrias da região Sul, ainda na década de sessenta, trouxeram dos Estados Unidos da América, o modelo de produção denominado sistema integrado ou verticalizado de produção. Referido modelo consiste em uma combinação de dois ou mais estágios sucessivos de produção e ou distribuição em propriedade da empresa ou terceiros, mas sob o controle da empresa proprietária. Neste modelo, a agroindústria fornece ao produtor rural, lotes de matrizes poedeiras e ou reprodutores de suínos, lotes de pinto de um dia a dois dias de vida, assim como leitões. O produtor rural pessoa física, chamado de integrado ou parceiro integrado cuida das matrizes poedeiras, até a fase anterior à incubação dos ovos. O parceiro integrado, de igual modo, cria os pintos de um dia e ou leitões, até a época do abate. O parceiro produtor, pessoa física integrado, recebe toda a assistência técnica, bem assim toda a ração e medicamentos necessários para os animais. No modelo de integração/parceria, a empresa firma um contrato de parceira com o parceiro produtor, pessoa física, em que a empresa se compromete a fornecer as matrizes, pintos, leitões, medicamentos, alimentação e assistência técnica, enquanto que o parceiro produtor, pessoa física, participa com as instalações, água, luz, mãodeobra de alimentação e manutenção do lote dos animais recebidos. O parceiro produtor, pessoa física, em contrapartida, recebe da empresa (agroindústria), uma parcela da produção, em cada lote, obtendo para si um parcela do que foi produzido. Tal parcela é estabelecida através da aplicação de uma fórmula especifica, constante no contrato, com base na conversão de produção ou conversão alimentar para determinar o fator de eficiência e produção. A parcela pertencente ao parceiro produtor, após apurada a sua participação no lote, normalmente é vendida para a empresa. É o caso dos autos, ou seja, a parcela recebida pelo parceiro produtor corresponde a sua quota no lote de ovos produzidos para incubação, que foi vendida a empresa. Ou seja, o parceiro produtor emitiu nota fiscal para acobertar a venda da sua parte na produção. O contrato e as notas fiscais acostados, a titulo meramente exemplificativo, atestam o alegado. Assim, não se trata de remuneração paga à pessoa física e sim de compra e venda de ovos para incubação. Os ovos e ou ovos incubáveis, estão classificados na TIPI, na posição NCM 04.07.00. Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 O Fisco em seu TVE, informa que (g) Ovos incubáveis: serviços adquiridos de Pessoas Físicas, em desacordo com a legislação, conforme item 2.1.2. Qual seja: Os créditos devem ser quantificados a rigor do disposto nos artigos 3° e 12 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que assim dispõem (...): Pois bem. A lide versa, sobre a natureza dos pagamentos efetuados pela requerente aos seus parceiros produtores; correspondemse à compra e venda de produtos agrícolas ou referemse à remuneração por serviços prestados. Quanto à aquisição de ovos incubáveis, salienta a interessada que não se trata de remuneração de serviço prestado por pessoa física. Informa a adoção do modelo de produção integrado ou verticalizado, que consiste em uma combinação de dois ou mais estágios sucessivos de produção e ou distribuição em propriedade da empresa ou terceiros, mas sob o controle da empresa proprietária. Que é exatamente o caso dos autos, ou seja, a parcela recebida pelo parceiro produtor corresponde a sua quota no lote de ovos produzidos para incubação, que foi vendida a empresa. Assim, não se trataria de remuneração paga à pessoa física e sim de compra e venda de ovos para incubação. Conforme se verifica no contrato de parceria, anexado aos autos, o mesmo tem por objeto o fornecimento à cooperativa de ovos para incubação, ovos férteis destinados à produção de pintos de corte. No caso em exame, são formalizados contratos de parceria entre a cooperativa (parceira) e o produtor integrado (matrizeiro), pessoa física. A parceira assume a obrigação de fornecer ao produtor os insumos necessários a produção, quais sejam lotes de aves, machos e fêmeas, além de rações, medicamentos e vacinas, bem como o transporte das aves e dos ovos que saírem da propriedade. O matrizeiro, por sua vez, tem por atribuição a guarda e conservação das aves postas à sua disposição, devendo cumprir uma série de prescrições relativas à criação das aves, além de suprir água potável e energia elétrica nas quantidades necessárias à atividade. Quanto à partilha dos frutos da parceria, reproduzse abaixo a cláusula contratual que a define (fls. 217/227): Cláusula segunda: [..]Parágrafo segundo: Ajustam as partes, para efetivação da parceria, que 88% (oitenta e oito por cento) dos ovos provenientes de cada lote de aves entregues, é de propriedade da PARCEIRA, sendo o saldo remanescente de 12% (doze por cento) de propriedade do MATRIZEIRO. O contrato estabelece ainda que, "em relação ao percentual de 12% (doze por cento) dos ovos produzidos, de propriedade do matrizeiro, comprometese este a dar à PARCEIRA preferência na sua compra, cujas condições serão dispostas em documento específico” No modelo de integração/parceria, a empresa firma um contrato de parceira com o parceiro produtor, pessoa física, em que a empresa se compromete a fornecer as matrizes, pintos, leitões, medicamentos, alimentação e assistência técnica, enquanto que o Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.652 25 parceiro produtor, pessoa física, participa com as instalações, água, luz, mãodeobra de alimentação e manutenção do lote dos animais recebidos. O parceiro produtor, pessoa física, em contrapartida, recebe da empresa (agroindústria), uma parcela da produção, em cada lote, obtendo para si um parcela do que foi produzido. Tal parcela é estabelecida através da aplicação de uma fórmula especifica, constante no contrato, com base na conversão de produção ou conversão alimentar para determinar o fator de eficiência e produção. parcela pertencente ao parceiro produtor, após apurada a sua participação no lote, normalmente é vendida para a empresa. Observase, também que, pelas tarefas executadas, a parceira agrícola paga ao matrizeiro uma remuneração, em pecúnia, cujo valor é definido de acordo com a produção. A própria Recorrente em seu recurso (fl. 385), admite que, "merece reforma a decisão recorrida que glosou os créditos sobre as aquisições de ovos para incubação de pessoas físicas. Devese, no mínimo, reconhecer o direito ao crédito presumido sobre as compras de ovos para incubação, nos termos das leis citadas". O produto, em que pese no contrato restar estabelecido que uma parte ser propriedade do matrizeiro, na realidade não lhe pertence, sendo ele apenas o responsável pela condução do setor de produção. Após apresentar a operação sob a ótica das partes envolvidas na lide, parto da premissa de que o ônus da prova é da Recorrente, em vista do processo tratar de pedido de ressarcimento. Em resumo, as afirmativas das partes convergem no sentido de que a operação efetuada é de prestação de serviço por pessoa física. Consoante noção cediça, a legislação veda o direito ao crédito relativo ao valor de prestação de serviço por pessoa física. Deste modo, mantenho a decisão a quo quanto à glosa desses valores do cálculo do crédito da Cofins. 4.8) Outros itens A Recorrente alega em seu recurso que negouse o crédito sobre os seguintes eventos: B.8) Outros itens: cesta básica, rendimento de trabalho assalariado e sem vinculo empregatício, serviço de vistoria de carga, serviço de desembaraço aduaneiro, serviço de hotelaria, serviços portuários. Já no seu TVE, o Fisco glosou os seguintes tens: i) Outros itens: Lavagem de uniforme, cimento, conserto de lava jato, pintura, e etc. Os custos com a manutenção e pintura dos prédios administrativos e outros setores não podem compor o referido crédito. Quanto aos demais itens da lista que não foram considerados para o cálculo do crédito da Cofins, me reservo a analisar apenas aqueles que o recorrente buscou demonstrar participar de seu processo produtivo. Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 Para os demais, nego de pronto sua inclusão no cálculo do crédito em virtude das alegações estarem órfãs de informações que sustentem seu direito. É bom lembrar que a lide versa sobre pedido de ressarcimento, cujo ônus da prova é do recorrente. Portanto devese manter as glosas efetuadas pelo Fisco. 5 Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda 5.1 Despesas com Fretes A Recorrente solicita a reforma da decisão que glosou créditos sobre os valores relacionados às Despesas de Armazenagem de Mercadorias e Frete na Operação de Venda, ao argumento de que não gera direito ao crédito as despesas entre estabelecimentos da empresa, além dos de valores sobre os serviços de frete com a finalidade de transporte de documentos, assim como o transporte de insumos, matériasprimas e produtos em elaboração entre filiais da empresa. Aduz em seu recurso que, para a devida consecução de sua atividade, possui granja de reprodutores de aves e suínos, incubatórios, fabricas de rações e concentrados, unidades de abate de aves e suínos, bem assim unidades onde são industrializados os derivados de aves e suínos. A empresa ainda possui filiais comerciais. Cada uma das unidades, seja industrial ou comercial, está localizada em lugares diferentes, com CNPJ próprios. Afirma em seu recurso que "os documentos acostados infirmam alegação da autoridade fiscal, ou seja, os serviços de transporte glosados não dizem respeito a transferência entre estabelecimentos. Tratase de fretes sobre vendas a clientes; fretes entre o estabelecimento produtor para outro estabelecimento produtor da mesma empresa e frete entre estabelecimento de produtor para estabelecimento comercial (vide anexo V e VI, a titulo exemplificativo)". Assim, por exemplo, os ovos férteis, coletados nas granjas, são transferidos desta para o incubatório até o nascimento do pinto. Este estabelecimento, após o nascimento do pinto, irá transferilos para os produtores rurais para engorda/terminação. Do estabelecimento do produtor rural, já na condição de ave para abate, estes animais são transferidos para o abatedouro de aves. Este, por sua vez, inicialmente irá abatêlas para então destinar as aves abatidas tanto para o estabelecimento industrializador (no caso unidades industriais que transformam a carne de frango em salsicha, mortadela, linguiça, dentre outros produtos), quanto para armazenagem ou para um estabelecimento comercial. Por outro lado o Fisco em seu TVE, relaciona os itens glosados em virtude ao não enquadramento como "insumos" como prediz a legislação, vejase: h) Fretes: serviço adquirido com a finalidade de transporte de documentos; e assim como o transporte de insumos, matériasprimas e produtos em elaboração entre filiais da empresa; No que se refere ao frete referente às transferências de produtos de uma unidade produtora para outra unidade produtora. Com o advento da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) o legislador além de permitir crédito calculado sobre o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, passouse a admitir também o aproveitamento de Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.653 27 crédito da Cofins calculado sobre o valor dos gastos efetuados com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece em seu art. 3º caput e inciso IX, que assim dispõe: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor; Sobre este fato, o Fisco em seu TVE, informa que: "(...) Entretanto, conforme memória de cálculo apresentada pela requerente, e cópias de documentos (fls. 1.043 a 1.049), as notas fiscais que compõem a despesas de frete de vendas, na verdade, tratamse de gastos com transporte de produtos nas transferência entre filias (ProduçãoProdução e ProduçãoVendas), portanto, não integram a "operação de venda". Na verdade, tratase de despesas operacionais que não geram direito ao crédito PIS/COFINS nãocumulativo por falta de expressa previsão legal. A partir dessa definição, aplicável às despesas que não podem ser classificadas como de armazenagem e/ou frete na operação de venda, não ensejando, portanto, direito a crédito, impondose desta forma a glosa. Das informações coletadas nos autos, concluise que as despesas com fretes estão divididas entre três situações: (i) as relativas ao transporte de produtos acabados em operação de venda, (ii) ao transporte entre estabelecimentos de produtos acabados e (iii) ao frete sobre as compras dos insumos utilizados para industrialização dos produtos a serem comercializados (doc. fls. 424/494 e 563/629). A meu sentir, a Recorrente entende que quaisquer despesas com fretes, sejam fretes de produtos acabados destinados a venda, sejam entre seus estabelecimentos, concedem direito a crédito, pois as considera insumos da produção. O aproveitamento do custo com frete relativo ao transporte de produto acabado para venda está previsto na Lei que instituiu a nãocumulatividade. Ressalto apenas que o ônus deve ser suportado pelo vendedor. Os custos dos fretes referentes à aquisição dos insumos incorporam ao custo dos insumos, desde que estejam descriminados na nota fiscal de compra e assumidos pelo comprador. Cumpridos esses requisitos, estarão acobertados pela legislação. Assim, o único problema a ser resolvido se refere ao frete correspondente ao transporte de bens acabados entre estabelecimentos da mesma sociedade. Conforme já mencionado o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins tem um alcance maior do que matériaprima, produto intermediário e material de embalagem relacionados ao IPI e menor que os custos de produção do IRPJ. Contudo, defendo que nos casos em que a Lei previu, expressamente, o tipo do bem ou o do serviço que poderá ser utilizado para descontar créditos das exações, aplico os dispositivos legais. É o caso da despesa com fretes, o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 prevê que apenas os fretes utilizados na operação de venda poderão servir de créditos a serem descontados do valor apurado de exação. Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 Neste caso, a decisão da DRJ, mandou muito bem ao analisar essas questões, a qual me filio e adoto como fundamentos e razão de decidir, nos termos do art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/99: "(...) 0 contribuinte, no caso em tela, limitouse a anexar uma variedade de documentos, a titulo exemplificativo, argumentando que se referem a fretes de vendas a clientes, fretes entre o estabelecimento produtor para outro estabelecimento produtor da mesma empresa e frete entre estabelecimento de produtor para estabelecimento comercial, sem vincular qualquer destes documentos com as glosas efetuadas pela autoridade fiscal. Como já explicitado, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo licito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Na realidade, resta claro que o requerente entende que quaisquer despesas com fretes, sejam fretes de produtos acabados destinados a venda, sejam entre seus estabelecimentos, concedem direito a crédito, pois as considera insumos da produção. E procedeu com apuração de seus créditos da forma que entende. Em relação ao entendimento que permite o creditamento de fretes entre estabelecimentos, nos reportamos ao item 3.5. deste voto, que esclarece não se enquadrar no conceito de insumos as despesas com o transporte entre unidades produtoras. Ressalto que o Fisco afirma que "as notas fiscais que compõem a despesas de frete de vendas, na verdade, tratamse de gastos com transporte de produtos nas transferência entre filias (ProduçãoProdução e ProduçãoVendas), portanto, não integram a "operação de venda". Na verdade, tratase de despesas operacionais que não geram direito ao crédito PIS/COFINS nãocumulativo por falta de expressa previsão legal". No caso em questão, o transporte de produto acabado de um estabelecimento a outro da mesma sociedade não dá direito ao crédito, pois falta previsão legal. Se fosse produto semiacabado, meu entendimento seria diverso, uma vez que esse frete faria parte do processo produtivo da empresa. Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.654 29 Em relação às alegações da Recorrente referentes à natureza dos fretes contratados, saliento a posição adotada em relação ao ônus probatório em processos de compensação, restituição e ressarcimento é do interessado. A Recorrente, no caso em tela, limitouse a anexar uma variedade de documentos, a titulo exemplificativo, argumentando que se referem a fretes de vendas a clientes, fretes entre o estabelecimento produtor para outro estabelecimento produtor da mesma empresa e frete entre estabelecimento de produtor para estabelecimento comercial, sem vincular qualquer destes documentos com as glosas efetuadas pelo Fisco. Quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento. Entendo que cumpre a Recorrente vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo licito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. Desta forma, quanto a essas despesas com Fretes, por ausência de elementos de provas do alegado pela Recorrente, mantenho afastados os valores da base de cálculo do crédito da Cofins. 5.2 Despesas de Armazenagem de Mercadoria As despesas com armazenagem está prevista no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 como integrante dos créditos descontáveis da exação. De sorte que afasto a glosa efetuada pela fiscalização e mantida pela DRJ de Florianópolis (SC). 6 Do Crédito Presumido Atividades Agroindustriais Verificase nos autos que foi glosado o crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais, devido a não serem passíveis de ressarcimento, apenas de desconto, ou ainda decorrente da aplicação incorreta do percentual de 60% incidente sobre os insumos adquiridos, quando o percentual correto seria 35%. 6.1) Do ressarcimento do crédito presumido Alega a Recorrente no que diz respeito a este item, qual seja de que os valores creditados a titulo de crédito presumido referentes às aquisições de aves, suínos, milho, etc, foram alocadas indevidamente no campo de receita de exportação, o que geraria o direito ao ressarcimento da COFINS, o que contraria as disposições contidas no art. 8°, da Lei nº 10.925/04, segundo o qual os créditos somente poderiam ser opostos para fins de dedução da contribuição e não restituição, de igual modo, entende, merecer reforma a decisão recorrida. Informa que inicialmente o crédito presumido estava previsto no art. 3° das Leis es 10.637/02 e 10.833/03 e que posteriormente, passou a ser previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04. E, que a interpretação apenas literal ou gramatical dos artigos 5° e 6° das Leis n° Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 30 10.637/2002 e n° 10.833/2003 talvez possa efetivamente dar sustentação ao entendimento do Fisco. Todavia, a interpretação lateral, gramatical, não é a única e nem pode ser isolada. Afirma que os créditos presumidos deixaram de figurar nas disposições do artigo 3° das Leis 10.637/02 e 10.833/03 pela simples necessidade de adequálos à realidade da nãocumulatividade, e não com o objetivo de impedir a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos. Que mesmo na vigência da Lei n° 10.925/04 os créditos presumidos são passíveis de compensação ou ressarcimento, em razão de que os artigos 5º e 6° das Leis 10.637/02 e 10.833/03, em seu § 1°, regulam a utilização dos créditos apurados na forma do respectivo artigo 3º, e não dizem que são exclusivamente os créditos relacionados no artigo 3° de ambas as leis. Afirma ainda que, o crédito presumido do PIS e da COFINS, constitui uma forma de subvenção, que é definida pelo artigo 12, § 3º, da Lei 4.320, de 1964 e que assim, o crédito presumido do PIS e da COFINS constitui espécie de estimulo financeiro, para reduzir o impacto tributário existente sobre a produção. Assim, frustradas as outras formas de ressarcimento, a Fazenda Pública deverá efetuar o pagamento, mediante a entrega ao beneficiário da respectiva soma em dinheiro. O particular deverá formular cumulativamente pedido de ressarcimento e de pagamento. Defende que, embora não esteja prevista expressamente no texto do artigo 8°, da Lei n° 10.925/04, há que se reconhecer a possibilidade de ressarcimento em relação ao crédito presumido do PIS/COFINS. Por outro giro o Fisco consignou em seu TVE (fls. 837 e 838) que: "Os procedimentos adotados pela empresa para o cômputo do crédito presumido, assim demonstrados por meio de memórias de cálculos apresentadas, planilhas digitais, Anexo I, evidenciam as seguintes incorreções: 1. os valores creditados referentes às aquisições no período estão sendo alocadas indevidamente no campo de Receita de Exportação, o que geraria o direito de ressarcimento do referido montante, entretanto conforme a literalidade do art. 8° da lei 10.925/2004, o mesmo só da direito a deduções da própria contribuição, sendo assim o valor de mercado externo foi zerado e transferido para o mercado interno" (grifo nosso). Pois bem. Temos que o cerne da questão é definir se os créditos presumidos da agroindústria podem ser objeto de processo de ressarcimento ou de compensação tributária e para a solução da lide passa necessariamente pelas irradiações das modificações impostas pela Lei nº 10.925/2005 ao regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins. Com a citada alteração legislativa, onde os créditos presumidos deixaram de ter sua matriz legal no artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, passando para a Lei nº 10.925, de 2004 (art. 8º, redação atual lhe foi dada pela Lei nº 11.051/2004), tanto o artigo 5º da Lei n° 10.637/2002, como o artigo 6º da Lei n° 10.833/2003, ao tratarem da compensação ou ressarcimento em dinheiro referemse exclusivamente aos créditos apurados na forma de seu artigo 3º, pelo que não estariam mais os créditos presumidos vinculados àqueles dispositivos, mas sim ao artigo 8º da Lei n° 10.925/2004, que conforme este dispositivo legal só seriam utilizados para abatimento do próprio PIS e da COFINS devidos nas operações do mercado interno. Vejase: Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.655 31 Ocorreu que os §§ 10 e 11 do art. 3º supra foram revogados pela Medida Provisória nº 183, de 30 de abril de 2004 (publicada nessa mesma data em Edição extra do Diário Oficial da União), verbis: Art.3° Os efeitos do disposto nos arts. 1º e 5o dars eão a partir do quarto mês subseqüente ao de publicação desta Medida Provisória. Art. 4° Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. Art.5° Ficam revogados os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e os §§ 5º, 6º, 11 e 12 do art.3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Então, a partir de agosto de 2004 produziria efeitos, portanto, a revogação desses créditos presumidos da agroindústria. Portanto, em que pese as alegações postas pela interessada, o art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004 (que determinou o beneficio as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal) foi claro e especifico ao estabelecer que o crédito presumido decorrente das aquisições que menciona somente poderia ser deduzido do valor devido da COFINS e do PIS nãocumulativos, não havendo a possibilidade de efetivarse ressarcimento dos mesmos. Corroborando esse entendimento, foi editado o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) nº SRF nº 15, de 2005, que em seus artigos 1° e 2°, impede a utilização do crédito presumido decorrente de aquisições de pessoas físicas para ressarcimento ou compensação, permitindo exclusivamente sua utilização por meio de desconto no cálculo da contribuição devida (grifouse): Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei n2 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º 0 valor do crédito presumido referido no art. 12 não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 52, § 12, inciso II, e § 22, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 62, § 12, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Na mesma esteira, a IN SRF n° 660, de 2006, é expressa neste sentido, vedando, com efeitos a partir de 1° de agosto de 2004, o pedido de ressarcimento (ou a compensação) desses créditos presumidos, conforme dispõe os arts. 5º , 8º, § 3°, inciso II, daquela Instrução (grifouse): Art. 5° A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 32 I destinados a alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...). § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe seu art. 21, caput: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: Como se pode notar o legislador não fez tal alteração, nem previu na própria Lei n° 10.925/2004 outra forma de aproveitamento desse crédito presumido que não a dedução da própria contribuição devida em cada período. Portanto, desejou que apenas essa forma de aproveitamento fosse possível. Por derradeiro, ao analisarmos o caput do art. 16, da Lei nº 11.116/2005, notamos que este dispositivo trata especificamente do saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, senão vejamos: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:(grifo nosso) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Noutro giro, não se pode perder de vista que a vedação do art. 8º, § 4º, da Lei nº 10.925, de 2004, constitui norma especial, porquanto se refere unicamente à situação específica ali descrita. Destarte, apenas excepciona, sem, contudo, conflitar com a norma geral do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que permite ao vendedor manter os créditos vinculados às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS, previsão esta genérica e atinente às operações em geral. Observese, ainda, que a previsão contida no caput dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, admite que as pessoas jurídicas aludidas “poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP, devidas em cada período de apuração” o crédito presumido ali tratado. Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.656 33 Neste passo, entendo que prevalecem as vedações contidas no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação às situações específicas previstas naquele artigo. Posteriormente, o art. 36 da Lei nº. 12.058, de 13 de outubro de 2009, aduziu importantes modificações no tema, a saber: a) permitiu a compensação dos saldos dos créditos presumidos em discussão com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB; b) autorizou o ressarcimento em dinheiro destes mesmos créditos, sob a ressalva de que o pedido só poderia ser efetuado para créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do mês subseqüente ao da publicação da lei. E o pedido referente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre 01/2009 e o mês de publicação da lei, a partir de 01/01/2010. Por fim, a Lei nº. 12.350, de 20 de dezembro de 2010, ratificou os direito concedidos pela Lei nº. 12.058/2009, no sentido de manter a permissão ao ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para as seguintes conclusões: 1 A Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento; 2 A partir de agosto de 2004, a legislação deixa de possibilitar a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos de agroindústria de PIS/COFINS de operações de exportação, podendo apenas servir para abater o PIS/Cofins devido na sistemática da nãocumulatividade. Ou seja, o valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Cofins apurado no regime de incidência nãocumulativa; 3 A partir de 13/10/2009, a legislação retornou com a possibilidade de ressarcir ou compensar os créditos referentes à agroindústria. Após esse singelo passeio pela legislação da não cumulatividade aplicada às agroindústrias, retornando ao caso em questão, conforme consta nos autos, a sociedade buscou compensar créditos presumidos de agroindústria da Cofins em operações de exportação com débitos de outros tributos. Partindo das premissas acima cravadas, não é necessário empreender qualquer esforço de interpretação para concluir que os créditos adquiridos de agroindústria são considerados créditos presumidos, podendo ser objeto de pedido de ressarcimento. Portanto o ressarcimento pretendido pela Recorrente deve prosperar sendo imperiosa a reforma da decisão proferida em primeira instância. 6.2) Do percentual incidente sobre os insumos adquiridos. A Recorrente questiona que merece reforma também a decisão recorrida no que se refere ao item, segundo o qual a requerente aplicou o percentual de 60% sobre os Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 34 insumos adquiridos como milho, milho quebrado, suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate, quando deveria ter aplicado o percentual de 35%. Assim, foi glosado o valor calculado a maior (diferença entre 60% e 35%). Afirma que nos termos do contido no art. 8° da Lei n° 10.925/04, em relação as aquisições de suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate, o percentual estabelecido é de 60% sobre o valor da aquisição, tendo por base a alíquota de 7,6%. Aqui, sim, a simples leitura da norma evidencia com clareza solar o direito ao crédito presumido no percentual de 60% sobre o valor das aquisições, uma vez que a recorrente produz as mercadorias de origem animal, destinadas a alimentação humana, classificadas na TIPI na posição 02, o que é incontestável. Assim, merece reforma a cisão recorrida que limitou o crédito presumido no percentual de 35% sobre as aquisições de mercadorias de origem animal (posição 02 da TIPI), destinadas a alimentação humana. No que se refere ao crédito presumido sobre as aquisições de milho inteiro e quebrado, deve, de igual modo, ser reconhecido o direito ao crédito presumido tendo por base o percentual de 60%, em razão de que tais insumos são destinados à alimentação de aves e suínos. "(...) É equivocada, a decisão recorrida, no mínimo em relação as aquisições de suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate". "(...) No que se refere ao crédito presumido sobre as aquisições de milho inteiro e quebrado, deve, de igual modo, ser reconhecido o direito ao crédito presumido tendo por base o percentual de 60%, em razão de que tais insumos são destinados à alimentação de aves e suínos". Por outro giro o Fisco entende e consignou em seu TVE (fls. 837 e 838) que: "Os procedimentos adotados pela empresa para o cômputo do crédito presumido, assim demonstrados por meio de memórias de cálculos apresentadas, planilhas digitais, Anexo I, evidenciam as seguintes incorreções: 2. A requerente aplicou incorretamente o percentual de 60%, do inciso I, §3º, art. 8º, sobre os insumos adquiridos como: milho, milho quebrado, suíno padrão, leitões piterm suicooper, aves para abate. Conforme as respectivas classificações fiscais TIPI (1005.90.10; 1005.90.10; 0103.91.00; 0103.91.00 e 0105.99.00), as referidas mercadorias tem como enquadramento legal o percentual de 35% das alíquotas previstas no art. 2° das Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Sendo assim, referidos valores a maior devido à aplicação incorreta do percentual de 60%, foram devidamente glosadas". O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 trata do percentual em questão (grifouse): Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07. 14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.657 35 período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 1° O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004). § 2° O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4° do art. 3° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3° O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1° deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei n°11.488, de 15 de junho de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei n°11.488, de 15 de junho de 2007) § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 36 II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013). Verificase, portanto, que o valor de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) para as empresas que produzam mercadorias de origem animal nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. De outro modo, sobressai que o legislador elegeu o critério da natureza do "produto" a ser produzido (isto é, do resultado decorrente do processo industrial) como método de discriminação das alíquotas. Assim, se o produto a ser produzido (ao qual os insumos agregados/consumidos) for de origem animal (carne embutida, p. ex.), deverá ser aplicada a alíquota de 60%, independente da qualificação desses insumos. Como se vê, no TVE elaborado pelo Fisco, os itens que tiveram sua alíquota alterada pela autoridade fiscal, quais sejam: milho (1005.90.10), milho quebrado (1005.90.10), suíno padrão (0103.91.00), leitões p/term suicooper (0103.91.00) e aves para abate (0105.99.00), realmente constam todos do capitulo 1 da TIPI, como devem ser, porém tratam se de insumos adquiridos para produção de mercadorias de origem animal (carnes e derivados). Posto isto, de acordo com as modificações aduzidas pela Lei nº 12.865, de 2013, o percentual aplicado aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no § 1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é de 60%. Portanto, o pleito da Recorrente tem amparo legal, de sorte que aplico o percentual citado e reformo a decisão a quo quanto a esta matéria. 7 Créditos a descontar COFINS paga na importação A recorrente, expõe que não se creditou de algumas aquisições feitas por meio de declarações de importação referentes aos meses de abril a junho de 2006. Desta forma, requer que sejam incluídos no cálculo deste período os valores correspondentes a estas importações. Este item já se encontra decidido, conforme consta do resultado de diligência efetuado (item 1 Resolução nº 340200346) e com a respectiva manifestação da Recorrente, atestando que encontrase de acordo com a conclusão da referida Informação Fiscal (fl. 1.631). 8 Conclusão Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.000363/200913 Acórdão n.º 3402002.976 S3C4T2 Fl. 1.658 37 1) Em relação aos créditos a descontar COFINS, pago na importação (DI), deve ser alterado o valor reconhecido inicialmente, remanescentes ao final do 4º trimestre de 2006, passível de ressarcimento sem a incidência de juros moratórios, conforme disposto no § 5º do art. 83, da IN/SRF nº 1.300/2012 (nos termos dos itens 1 e 7, deste voto); 2) admitir o ressarcimento/compensação dos créditos presumidos de Cofins não cumulativos (item 6.1, deste voto); 3) determinar a aplicação da alíquota de 60% aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos conforme o contido no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (item 6.2, do voto); e 4) admitir a inclusão dos custos abaixo relacionados no valor a ser descontado da contribuição devida na forma da Lei n° 10.833/2003: 4.a) despesas com embalagens (caixas de papelão) utilizadas no acondicionamento dos produtos para fins de proteção (item 4.2.1, deste voto); 4.b) peças de reposição e serviços gerais, que se desgastam e são utilizados no processo produtivo (item 4.3, deste voto); 4.c) material de segurança e conservação e limpeza, por estarem relacionados diretamente ao processo fabril da empresa (item 4.4 e 4.5, deste voto); 4.d) despesas com armazenagem para venda do produto acabado. (item 5.2, deste voto). É como voto. Sala das Sessões, em 16/03/2016. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 38 Voto Vencedor Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento deste processo, ousei divergir do ilustre Relator no que concerne à glosa relativa à "lavagem de uniforme", cujo creditamento da contribuição social não cumulativa foi requerido pela contribuinte sob a rubrica "Outros Itens". Segundo entendo, embora não haja nos autos prova acerca da finalidade desses uniformes dentro do estabelecimento da contribuinte, utilizandose o senso comum para uma agroindústria no ramo alimentício, para a qual são essenciais a higienização e a utilização de uniformes na sua atividade produtiva, entendo que os gastos relativos a "lavagem de uniformes" são considerados custos de produção e ensejam ao creditamento das contribuições sociais. Nesse sentido foi decidido em face da contribuinte, mediante o Acórdão nº 3401 002.675 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2014. Assim, o meu voto é no sentido de reverter as glosas relativas aos gastos de "lavagem de uniforme", sob a rubrica "Outros Itens", no que fui acompanhada por maioria dos Conselheiros da sessão de julgamento. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAU LA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000316/2003-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000
SIMPLES. RECONHECIMENTO DE OPÇÃO.
O exercício da atividade de prestação de serviços de inspeção e documentação técnica em equipamentos industriais não impede a pessoa jurídica de optar pelo Simples.
Numero da decisão: 1201-001.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 SIMPLES. RECONHECIMENTO DE OPÇÃO. O exercício da atividade de prestação de serviços de inspeção e documentação técnica em equipamentos industriais não impede a pessoa jurídica de optar pelo Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 8.333, exarado pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 58 e ss.): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 03 16 /2 00 3- 66 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13888.000316/200366 Acórdão n.º 1201001.207 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase o presente processo de pedido de inclusão retroativo no SIMPLES, mediante solicitação datada de 25/02/03, alegando erro no preenchimento da FCPJ, fato constatado posteriormente a inscrição. A DRF/Piracicaba, através do Despacho Decisório de fls. 28 a 34, indeferiu a solicitação alegando que a atividade exercida pela impugnante é impeditiva a opção ao SIMPLES, portanto, não há que se cogitar em retificar algo não permitido. Inconformada ingressou com a manifestação de fls. 39 a 40, em maio de 2004, alegando em síntese que não presta serviços profissionais de engenharia e ou equiparados ou qualquer serviço profissional. Que não emite laudo ou relatório técnico referente a projetos. Limitase a verificação dimensional de peças fabricadas mediante usinagem mecânica e de peças de caldeiraria fabricadas por empresas contratantes. A documentação técnica a que se refere o contrato social é reparação de documentação na forma de livros de dados emitidos por inspetores de qualidade e encadernálos. A impugnante cita ainda, acórdãos do Conselho de Contribuintes, processo de consulta e alega desvirtuamento do art. 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem indeferiu a solicitação do sujeito passivo. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na manifestação de inconformidade (fl. 68 e ss.). Levados os autos a julgamento a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu provimento ao recurso voluntário (fl. 99 e ss.) sob o argumento de retroatividade de norma benigna, qual seja, o art. 17, XI, da Lei Complementar nº 123/2006 (Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte). Contra a decisão acima referida a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fl. 105 e ss.), o qual foi julgado pela 1ª Turma da CSRF em acórdão assim ementado (fl. 162 e ss.): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 SIMPLES OPÇÃO RETROATIVA IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR nº 123/2006, COM REDAÇÃO DETERMINADA PELA LEI COMPLEMENTAR 128/2008 NÃO CONFIGURAÇÃO DE NENHUMA DAS HIPÓTESES PREVISTAS NO ARTIGO 106 DO CTN. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13888.000316/200366 Acórdão n.º 1201001.207 S1C2T1 Fl. 4 3 A Lei Complementar nº123/06, com redação determinada pela Lei Complementar nº128/08, não retroage por não se enquadrar em nenhuma das hipóteses de retroatividade prevista no artigo 106 do CTN. (...) Uma vez que a Turma recorrida não havia se manifestado sobre as razões expostas no recurso voluntário, a 1ª Turma da CSRF determinou o retorno dos autos à Câmara de origem para apreciação. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) DA ATIVIDADE EXERCIDA PELA RECORRENTE No caso, a interessada pediu (fl. 1) fosse reconhecida de ofício sua opção pelo Simples, sob o argumento de que ao preencher a ficha cadastral da pessoa jurídica FCPJ, apesar de haver aposto a razão social da empresa seguido da sigla "ME", e de ter apontado o porte da mesma como sendo "Microempresa", deixou de ali informar o evento código 301. Anexou ao pedido, entre outros documentos, a contrato social, a FCPJ original, as declarações simplificadas e o demonstrativo de pagamentos mensais do Simples. A autoridade local indeferiu o pleito da interessada sob a alegação de que a atividade por ela exercida, qual seja, a "prestação de serviços de inspeção e documentação técnica em equipamentos industriais", é assemelhada à profissão de engenheiro daí porque enquadrase no art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, que assim prescreve: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...) Pois bem, sobre o assunto a Súmula nº 57 deste Conselho assim estabelece, in verbis: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13888.000316/200366 Acórdão n.º 1201001.207 S1C2T1 Fl. 5 4 Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Ora, se a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos são atividades que não se equiparam à prestação de serviços de engenharia e, portanto, não impedem a opção da pessoa jurídica pelo sistema simplificado, com maior razão ainda não estará impedida de optar pelo Simples a pessoa jurídica que se dedique a prestar serviços de menor complexidade do aqueles citados na referida Súmula, como é o caso da "prestação de serviços de inspeção e documentação técnica em equipamentos industriais". 3) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 199DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000659/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.001651/2005-02, referente à exclusão da recorrente do SIMPLES.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.001651/200502, referente à exclusão da recorrente do SIMPLES. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 00 65 9/ 20 10 -1 9 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.000659/201019 Resolução nº 2401000.485 S2C4T1 Fl. 148 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2007 Data da lavratura do Auto de Infração: 11/02/2010. Data da Ciência do Auto de Infração: 19/02/2010. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Brasília/DF que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.246.4661, CFL 68, lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 13/16. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec. 4.729, de 09/06/2003. O contribuinte informava nas GFIP relativas ao período de apuração suso indicado ser optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Federal, apesar de já haver sido excluída de tal Sistema Simplificado, desde 01/01/2002, mediante o Ato Declaratório Executivo nº 046, de 23/04/2009, a fl. 18, oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, em virtude de infração ao art. 15, inciso II, da Lei nº 9.317/96 e art. 24, §1º da IN SRF nº 608/2006. A omissão de forma sistemática pela empresa da contribuição patronal destinada ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos à Secretaria da Receita Federal do Brasil e da contribuição para o custeio do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT, em consequência da informação incorreta do código de opção pelo SIMPLES na GFIP, cujo programa gerador deixa de calcular as referidas contribuições, constituise infração ao disposto no artigo 32, IV, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97. A multa aplicada corresponde a 100 % do valor das contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP, relativas aos fatos geradores descritos no parágrafo precedente, conforme destacado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa a fl. 23. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 30/46. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.000659/201019 Resolução nº 2401000.485 S2C4T1 Fl. 149 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou decisão administrativa aviada no Acórdão nº 0339.074 – 5ª Turma da DRJ/BSB, a fls. 101/106, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/12/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 108. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 109/123, requerendo preliminarmente a suspensão do presente Processo Administrativo Fiscal até o julgamento definitivo do processo administrativo n° 13971.001651/200502, no qual se discute a exclusão, ou não, do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. O julgamento do Recurso Voluntário houvese por convertido em Diligência Fiscal, para que fosse aguardado o Trânsito em Julgado do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001651/200502 suso citado, nos Termos da Resolução nº 2302354 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 05/11/2014, a fls. 136/139. Relatados sumariamente os fatos relevantes. 2. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 2.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/12/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18/01/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 3. DAS PRELIMINARES 3.1. DEPENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO O Recorrente argumenta que o presente Auto de Infração houvese por lavrado em razão da emissão do Ato Declaratório Executivo nº 046, de 23/04/2009, a fl. 18, oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, o qual foi tempestivamente impugnado e se encontra pendente de decisão administrativa nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001651/200502. A vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na confirmação ou não da efetiva exclusão da empresa autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. O Ato Declaratório Executivo nº 046/2009 acima referido foi impugnado pela entidade interessada, constituindo os autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001651/200502, no qual se analisa a manutenção da empresa em tela ao albergue do mencionado sistema simplificado. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.000659/201019 Resolução nº 2401000.485 S2C4T1 Fl. 150 4 Avulta das circunstâncias do presente caso que o veredictum a ser proferido no vertente Processo Administrativo Fiscal depende visceralmente do desfecho definitivo a que alcançar o julgamento PAF nº 13971.001651/200502, no qual se debate a manutenção da empresa em tela no SIMPLES Federal. Por tais razões, como medida de reconhecida prudência, houvese o julgamento do presente feito convertido em diligência fiscal para que se aguardasse o Trânsito em Julgado do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001651/200502 suso citado, sendo solicitado que a diligência fosse concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva proferida no PAF acima mencionado. A Resolução nº 2302354 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 05/11/2014, a fls. 136/139, foi clara e expressa ao determinar que a diligência deveria ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia das decisões definitivas proferidas no Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001651/200502. “Por tais razões, como medida de reconhecida prudência, pautamos pela conversão do julgamento em Diligência Fiscal, para que se aguarde o Trânsito em Julgado do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001651/200502 suso citado, devendo a diligência ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva proferida no PAF acima mencionado”. A DILIGÊNCIA FISCAL NÃO FOI CUMPRIDA !!! Os autos retornaram a este Colegiado sem que fosse juntada ao presente processo a cópia da decisão definitiva proferida no PAF nº 13971.001651/200502, em que se debate o mérito da exclusão da empresa ora Recorrente do Simples Nacional, sendo negligenciada a determinação expressa comandada pela diligência fiscal contida na Resolução nº 2302354 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 05/11/2014, a fls. 136/139. Por tais razões, pugnamos pela conversão do julgamento em nova diligência fiscal para que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem desídia, CUMPRA EFETIVAMENTE as determinações aviadas na Resolução nº 2302354 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 05/11/2014, a fls. 136/139, mediante a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva referente ao Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001651/2005 02. Além disso, conforme comandado na Resolução acima mencionada, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser promovida a ciência do Contribuinte a respeito do conteúdo e resultado da diligência fiscal ora requestada, sendolhe concedido o prazo normativo para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto Fl. 150DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.000659/201019 Resolução nº 2401000.485 S2C4T1 Fl. 151 5 do PAF nº 13971.001651/200502, devendo ser acostada aos presentes autos cópia da decisão definitiva em apreço. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10925.722517/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza– Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .7 22 51 7/ 20 11 -4 6 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722517/201146 Resolução nº 3201000.613 S3C2T1 Fl. 94 2 Relatório Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de Cofins, relativo ao 3o trimestre de 2004. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase o presente processo de manifestação de inconformidade frente a despacho decisório de indeferiu pedido de ressarcimento de créditos apresentado pela contribuinte. O pedido de ressarcimento referese a créditos no regime da não cumulatividade da Cofins referente ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$ 2.626.982,91. O indeferimento do pedido de ressarcimento foi motivado pela falta de comprovação da interessada de seu direito creditório. A autoridade fiscal esclarece ter intimado a contribuinte para comprovação da procedência de seu crédito, tendo a interessada solicitado por duas vezes a prorrogação de seu prazo para apresentação dos documentos. Conclui com a informação de que teriam se passado mais de 108 dias da data de ciência da Intimação Fiscal até a formalização do despacho decisório, não tendo sido apresentado nenhum dos documentos probatórios solicitados. A contribuinte, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade ao despacho decisório com os argumentos abaixo expostos. Aduz a que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de questionar as compensações realizadas, pois teria transcorrido o prazo de 5 anos previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Baseia seu argumento no fato da notificação da glosa ter sido realizada em 13/02/2012, e o crédito dizer respeito ao 2º trimestre de 2005. Entende que há cerceamento de defesa da impugnante, com consequente violação ao devido processo legal administrativo, tendo em vista a glosa decorrer de suposta ausência de comprovação de seus créditos. Argumenta que, diante das circunstâncias específicas do caso concreto, com a fiscalização exigindo documentos referentes a período significativamente antigo, a empresa sendo uma das maiores empresas de alimentos do mundo, e da impugnante ter sofrido em torno de 60 procedimentos de fiscalização por mês, deveria ter o Fisco aguardado mais um período antes de realizar a glosa. Defende ainda que, diante da não comprovação dos créditos, deveria a fiscalização proceder com o lançamento de ofício, e não com a glosa de seu pedido de ressarcimento. Entende ser fundamental a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de se confirmar a falta de comprovação ou a legitimidade de seus créditos. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722517/201146 Resolução nº 3201000.613 S3C2T1 Fl. 95 3 Quanto aos juros, entende que estes são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado. Ressaltar a impossibilidade de incidir juros sobre a multa. Argumenta que o valor da multa imputado é de evidente irrazoabilidade e confisco. Requer o reconhecimento da nulidade ou da improcedência do ato decisório. Requer ainda prova pericial destinada à avaliar, especialmente, se os bens, produtos/serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. Nomeia como assistente do perito Sérgio Luiz Lazzari, CPF: 423.505.30949. Requer, por fim, a juntada posterior de documentos, laudos, pareceres, perícias, caso seja necessário ao deslinde do presente caso, em cumprimento ao devido processo legal e verdade material A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Os atos anteriores a emissão do despacho decisório referemse à investigação fiscal que tem caráter inquisitório e se destina a verificação da situação fiscal da contribuinte, sendo que o contraditório e a ampla defesa referemse a momento posterior à emissão da decisão administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, entendeuse ausente a nulidade do ato administrativo, uma vez que fornecido à contribuinte todas as informações que embasaram a glosa de seus créditos, bem como lhe foi concedido o direito a se defender desta decisão. Sobre a decadência, entendeuse que em relação a pedidos de ressarcimento inexiste previsão específica, sendo incorreto o entendimento da contribuinte, além de que, não Fl. 418DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722517/201146 Resolução nº 3201000.613 S3C2T1 Fl. 96 4 teria decorrido o prazo estabelecido pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, no caso da declaração de compensação emitida. Quanto ao ônus probatório, afirmouse que incumbe ao contribuinte provar fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. Ademais, não se poderia usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes. Em sede de recurso voluntário, foram reiterados os argumentos iniciais, e juntados nessa ocasião, DVDs contendo, supostamente, todos os documentos comprobatórios do direito ao ressarcimento. Destarte, verificouse que, em 31/08/2012, houve termo de juntada física, contendo os seguintes dizeres: Informo que em data de 31/08/2012 foi incluído um ANEXO (Processo Papel) nº. 10925.722.208/201257 para guarda e arquivo de 06 CDR , contendo respostas da Intimação nº. 544 referente ao III trimestre 200 PIS/COFINS em nome da empresa SADIA S.A. Tais arquivos se referem aos processos 10925.722515/201157; 10925.722517/201146; 10925.722516/201100; 10925.722518/201191 E 10925.722519/201135. Foi juntado aos autos, da mesma forma, laudo do Instituto Nacional de Tecnologia, no qual se descreve o processo produtivo da Recorrente, bem como a forma em que os insumos, que gerariam o direito ao crédito, teriam sido empregados. Em vista da juntada dos documentos e do posicionamento desta Turma julgadora, no sentido de prestigiar a Verdade Material, aceitouse a juntada extemporânea, deliberandose por converter o julgamento em diligência, para que a Fazenda Nacional se manifestasse, de sorte a não corromper a dialética processual. O processo retornou para o prosseguimento do julgamento, com informação fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, na qual conta a seguinte análise (os grifos são do original): O processo nº 10925.722208/201257 contém 6 (seis) CD, aqui nomeados CD 1 a CD 6, com as seguintes inscrições no envelope que os contém: No envelope que contém o CD 1, folha 5, está escrito “Intimação 544/2011 PIS/COFINS 2000 3º trim”. No envelope que contém o CD 2, folha 7, está escrito “Int 544/2011 – créd. PIS/COFINS 3º trim 2000”. No envelope que contém o CD 3, folha 9, está escrito “Int 544/2011 Pis e Cofins / 3º trim 2000”. No envelope que contém o CD 4, folha 11, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. No envelope que contém o CD 5, folha 13, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. No envelope que contém o CD 6, folha 15, não há nada escrito. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722517/201146 Resolução nº 3201000.613 S3C2T1 Fl. 97 5 Foi verificado que todos os 6 (seis) CD têm o mesmo conteúdo. [...]Verificase a presença do arquivo 02 – Termo de Intimação Saort nº 05442011 20 062011.pdf. Tal arquivo contém cópia do Termo de Intimação de mesmo número, que se refere ao período do 3º trimestre de 2006. Em breve análise do conteúdo do CD verificase que contém arquivos de imagens (.PDF) de algumas notas fiscais, agrupadas em pastas relativas a diversas filiais e uma pequena quantidade de arquivos Excel (.xls), um deles contendo amostragem, e alguns relatórios de imobilizado. Ainda, há alguns arquivos texto (.TXT) contendo relatórios como o Relatório 1030429941 CALDEIRA CHAPECÓ.txt, que é um relatório de acompanhamento das compras para as obras da citada caldeira. Considerando o conteúdo do arquivo 10 Relatório de Notas Fiscais Amostragem Fiscal RFB .xls, que contém listagem de pequeno número de notas fiscais, parece tratarse de listagem de documentos relativos ao 3º trimestre de 2006 cujas cópias foram solicitadas pela citada intimação 0544/2011, período que não é objeto de nenhum dos processos em tela. Colo abaixo imagem do programa Excel da planilha Linha 02, contida no citado arquivo. Os documentos a que se referem as imagens e as próprias listagens existentes nos CD referemse a período de apuração diverso dos períodos tratados nos processos em tela. Cada um dos citados processos teve os mesmos documentos solicitados, relativos ao período analisado, através das intimações citadas abaixo: A ordem de grandeza da quantidade de notas fiscais de entrada com crédito de outros períodos de apuração já analisados desta empresa, por trimestre, costuma chegar a centenas de milhares (perto de cem mil por mês) e as notas fiscais de saída passam da marca do milhão. Não há nestes CD nenhuma informação que, mesmo remotamente, lembre o que foi solicitado nestas intimações, em especial a memória de cálculo solicitada no item 3 de cada uma das intimações e nem os arquivos digitais de notas fiscais (item 6), mesmo tendo sido facultada a apresentação no padrão do ADE COFIS nº 15/2001 ou formato SINTEGRA. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722517/201146 Resolução nº 3201000.613 S3C2T1 Fl. 98 6 2.Dos DVDs contidos no processo 10925.720663/201218 Na folha 01 do processo nº 10925.720663/201218 está presente Termo de Inclusão de Anexo Físico, com o seguinte teor: Por outro lado, verificando fisicamente os DVDs juntados à folha 2 daquele processo constatase que as capas dizem conter as respostas aos itens 3, 4, 5 e 6 das intimações citadas no quadro acima. Os dois DVDRW contidos no envelope da folha 2 daquele processo tem as seguintes inscrições a caneta no rótulo do disco: 1 “Intimações n.os 939941 e 945/2011 ANO 2004 Itens 3456.” 2 “Intimações n.os 937940942/2011 ANO 2005 Itens 3456” Embora não tenha sido determinada a juntada do conteúdo destes DVDs aos processos, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei a cada um dos processos citados no início desta informação fiscal o inteiro teor destes dois DVDs. Devido ao tamanho do conteúdo e às limitações do sistema Eprocesso, o DVD do item 1 foi compactado em 4 (quatro) partes (~.zip.001.zip a ~.zip.004.zip, que devem ser baixadas, descompactadas para gerar a parcela original compactada (extensão .zip.001, .zip.002, .zip.003 e .zip.004) e então novamente descompactadas a partir do arquivo de extensão .zip.001. Da mesma forma, o DVD do item 2 foi compactado em 5 (cinco) partes. 3.Conclusão O conteúdo dos CDs juntados ao processo 10925.722208/201257 não tem relação com os processos em tela. Em cumprimento às resoluções citadas, juntei o conteúdo dos CDs a cada um destes processos apesar de não tratarem do mesmo período. As informações contidas nos CDs não têm qualquer relação com os períodos tratados nestes processos. Porém, o conteúdo dos DVDs juntados ao processo 10925.720663/2012 18 é relativo aos períodos tratados nos processos em questão. Por outro lado, não foi possível localizar nestes DVDs resposta ao item 2 das citadas intimações, onde são solicitadas cópias dos livros Registro de Apuração do IPI de todos os estabelecimentos de cada período. Não é possível verificar a correção das informações prestadas relativas ao item 6 das citadas intimações sem ter disponíveis as informações de totais de créditos e débitos por CFOP, existentes nos livros solicitados ou nos livros Registro de Apuração do ICMS do período. Assim, não é possível afirmar que o conteúdo dos DVDs atenda ao item 6 das intimações por falta de atendimento ao item 2. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722517/201146 Resolução nº 3201000.613 S3C2T1 Fl. 99 7 Mesmo assim, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei o conteúdo dos DVDs presentes na folha 2 do processo 10925.720663/201218 a todos os processos em tela Não houve manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, nem mesmo da Recorrente, retornando o processo para o julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Conforme relatado, o processo foi baixado em diligência, para que fossem examinadas provas acostada aos autos, que pendiam de apreciação, do que resultou detalhado relatório da fiscalização. Os autos retornaram, contudo, sem que se desse oportunidade à Recorrente de se manifestar sobre as conclusões da diligência. Assim sendo, e, para que não fique prejudicada a dialética processual, o contraditório e a ampla defesa, a Turma deliberou nova conversão do julgamento em diligência, para se intimar a Recorrente do relatório fiscal, para que se manifeste, no prazo de trinta dias, prorrogáveis por mais trinta. Após, retornem os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 422DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10909.003307/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/01/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 2401-003.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão da intempestividade.
Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO
(Assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI - Presidente
(Assinado digitalmente)
CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2008 a 31/01/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso não conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão da intempestividade. Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO (Assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI - Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
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Deixar de exibir livros e documentos (Cód. Fund. Legal 38) Recorrente M J M CONSTRUTORA E INCORPORADORA EIRELI EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/01/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixase de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão da intempestividade. Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO (Assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 33 07 /2 01 0- 72 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10909.003307/201072 Acórdão n.º 2401003.989 S2C4T1 Fl. 137 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), por meio do Acórdão nº 0731.779, cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 120/123). 2. Extraise do relatório fiscal da infração, bem como do relatório fiscal da aplicação da multa, às fls. 11/17, que o Fisco impôs penalidade à empresa, por meio do Auto de Infração (AI) nº 37.293.4463, tendo em vista que a contabilidade deixou de atender às formalidades legais exigidas e aos preceitos fundamentais da contabilidade, infringindose, dessa maneira, o previsto nos §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 (Código de Fundamentação Legal CFL 38). 3. Cientificado pessoalmente da autuação em 13/09/2010, às fls. 2, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 107/110). 4. Intimada em 15/1/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 124/126, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 20/2/2014 (fls. 127/132). 4.1 Em síntese, a recorrente em sede recursal repete os argumentos expostos na sua impugnação, a saber: i) nulidade do lançamento fiscal, na medida em que o arbitramento da remuneração da mão de obra empregada na execução de obra de construção civil fundamentouse em equivocada interpretação de que sua escrita contábil não atenderia aos princípios das normas brasileiras de contabilidade; ii) ilegalidade do cálculo da mão de obra empregada proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, utilizandose as tabelas do Custo Unitário Básico (CUB); e iii) caráter confiscatório da multa de ofício, aplicada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10909.003307/201072 Acórdão n.º 2401003.989 S2C4T1 Fl. 138 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Tempestividade 5. Das decisões de primeira instância, cabe recurso voluntário. Nesse sentido, prescreve o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, "in verbis": Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 6. Constatase que a recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 15/1/2014, quartafeira, por via postal, sendolhe conferido prazo de trinta dias para interposição de recurso. Com isso, o termo do prazo recursal iniciouse em 16/1, quintafeira, e finalizou no dia 14/2, sextafeira. 7. Todavia, protocolou seu recurso somente em 20/2/2014, ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto em lei para sua apresentação. 8. Suplantado o permissivo legal, ausente o requisito extrínseco da tempestividade. Portanto, reputo inadmissível o recurso voluntário de fls. 127/132 e dele não tomo conhecimento. Conclusão Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 138DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 10315.721057/2011-17
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado.
Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa.
Decisão de primeira instância anulada.
Numero da decisão: 3802-004.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1797; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 407 1 406 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10315.721057/201117 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802004.086 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria IPI RESSARCIMENTO Recorrente SAO GERALDO AGUAS MINERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 10 57 /2 01 1- 17 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 406), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte SÃO GERALDO ÁGUAS MINERAIS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1445.646, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que não acolheu sua Manifestação de Inconformidade, na qual afirma ter direito a ressarcimento de IPI nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Por bem explicitar as questões de fato pertinentes ao caso, adotase o quanto consta da Informação Fiscal apresentada pela SARAC de Fortaleza/CE (fls. 41/53): (...) 2 – DO OBJETO SOCIAL No ato constitutivo original da São Geraldo Águas Minerais Ltda, datado de 13/01/1995, consta como objetivo social a extração, beneficiamento e comercialização de bens minerais. Através do 6.° Aditivo contratual datado de 01/06/2009, o objeto social foi alterado para: Extração, Engarrafamento e Gaseificação de Águas Minerais. 3 – DOS PRODUTOS FABRICADOS No item 2 da Descrição do Processo Produtivo apresentado a fiscalização, a São Geraldo Águas Minerais Ltda indica a fabricação dos seguintes produtos:ProdutoRegistro MS Código de Barra Garrafão 20L6.0980.000200137898193940202 Garrafão 10L6.0980.000200137898193940103 Garrafas 500 ML6.0980.000200137898193940226 Garrafas 1.500 ML 6.0980.000200137898193940219 No subitem 2.1, a fiscalizada enquadra os produtos por ela fabricados no Código NCM 2201.10.00 EX 01 e EX 02, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI. Os rótulos dos produtos fabricados pela São Geraldo Águas Minerais Ltda, as cópias das Notas Fiscais de Vendas mais relevantes dos meses de outubro, novembro e dezembro do ano de 2006, bem como as informações colhidas nos livros fiscais e nos arquivos digitais de notas fiscais (Convênio 57/95 – SINTEGRA) apresentados mediante autenticação através do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, referentes aos anos de 2007, 2008, 2009, demonstram que a citada empresa atua na fabricação e comercialização de ÁGUA Fl. 408DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10315.721057/201117 Acórdão n.º 3802004.086 S3TE02 Fl. 408 3 MINERAL NATURAL (SEM GÁS), conforme definido no item 2.1 do Anexo do Regulamento Técnico para Águas Envasadas e Gelo, aprovado pela Resolução RDC N.° 274, de 22 de setembro de 2005, da ANVISA. (...)Temos, portanto, que a São Geraldo Águas Minerais Ltda não pode se creditar do IPI referente a aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem empregados na industrialização de ÁGUA MINERAL NATURAL (SEM GÁS), tendo em vista que tal produto além de ser classificado como nãotributável (NT) impede o enquadramento da fiscalizada como “estabelecimento industrial” para estas operações, ficando impossibilitada de utilizar eventual saldo credor do IPI nas formas previstas no Art.73 e Art.74 da Lei N.° 9.430/96. (...) (grifo nosso). Referida Informação Fiscal embasou o Despacho Decisório, nos termos abaixo (fl. 250): "(...) 1. Em ação fiscal realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n.° 03.1.02.002011003620, deuse reclassificação e glosa de diversos créditos apresentados para ressarcimento, tendo como fundamento a utilização de matéria prima. Produto intermediário e material de embalagem, que geraram os supostos créditos de IPI, na fabricação de produtos não tributáveis. 2. Como os produtos classificados como nãotributáveis (NT) não podem gerar créditos do IPI, por força do Art.164, inciso I e Art.190, § 1.° do Decreto n.° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 e do Art.226, inciso I e Art.251, § 1.° do Decreto n.° 7.212, de 15 de junho de 2010, a fabricação de ÁGUA MINERAL NATURAL (SEM GÁS) impede a utilização de eventual saldo credor do IPI nas formas previstas no Art.73 e Art.74 da Lei N.° 9.430/96, conforme Art.2.°, inciso I do Ato Dec laratório Interpretativo SRF N.° 5, de 17 de abril de 2006. 3. Verificouse também que os insumos adquiridos e os produtos fabricados são os mesmos durante os anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, conforme Livro de Registro de Inventário, cópias das Notas Fiscais e planilhas, ANEXO I E ANEXO II, confeccionadas com base nos Arquivos Digitais de Notas Fiscais(Convênio 57/95 – SINTEGRA). 4. Assim, lavrouse representação propondo o não reconhecimento da legitimidade dos créditos básicos de IPI e a nãohomologação das compensações realizadas com respaldo nestes créditos. 5. Em face do exposto, proponho seja indeferido o pedido de ressarcimento 24000.12716.310111.1.1.010913 e não homologadas as compensações declaradas nos documentos 26895.88957.310111.1.3.019953 e 33974.65458.170211.1.3.01 5104. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – DRJ/RPO, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual requer (i) a adequada interpretação ao art. 11, da Lei nº 9.779/99, diante do princípio da não cumulatividade do IPI; (ii) da contrariedade da dita norma regulamentar aos princípios da isonomia e da seletividade; ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 254 do RIPI/2.010, da IN SRF 33/99 e do ADI 05/2006; e, por fim, (iii) o consequente reconhecimento do direito creditório pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 406), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise de apenas parte das razões recursais. De início friso que o relatório da DRJ contém erro quanto às premissas fáticas, pois aduz serem os produtos finais do Recorrente tratarse de livros. Segue transcrito abaixo o sucinto relatório: "(...) O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10315.721057/201117 Acórdão n.º 3802004.086 S3TE02 Fl. 409 5 A autoridade competente indeferiu o pedido em razão dos produtos, que a empresa produz e comercializa, serem livros classificados como NT (não tributado) na TIPI. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou, em suma, que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3º, II, da Constituição Federal e que o direito pleiteado encontra amparo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, conforme doutrina e julgados que cita. (grifei) O Recurso Voluntário não suscita esse vício, e a rigor a questão de mérito poderia ser facilmente resolvível ante a Súmula CARF nº 20. Veja se: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Contudo, como se trata de questão de fato, a premissa inicial da DRJ pode ser considerada como tendente a promover cerceamento de defesa – causa de nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Esse vício pode levar, portanto, a uma anulação de todo o processo administrativo, desde o julgamento pela DRJ, estendendose todos os demais atos posteriores. E tal pode ser suscitado inclusive judicialmente, nada obstante a conclusão me parecer ser a mesma – pois tanto o livro quanto a água mineral são considerados produtos NT pela legislação. Conclusão Dessa forma, para assegurar a higidez processual e, em última análise, o próprio crédito tributário em si, conheço do Recurso Voluntário e, de ofício, voto pela anulação da decisão recorrida, a fim de que profira novo julgamento considerando o efetivo produto final do Recorrente – água mineral natural (sem gás). Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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