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Numero do processo: 13830.001764/2003-42
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
Ementa: ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. REQUISITO. PARADIGMA REFORMADO.
Não servirá de paradigma para a interposição de recurso especial o acórdão que já tenha sido reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF).
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.230
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 Ementa: ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. REQUISITO. PARADIGMA REFORMADO. Não servirá de paradigma para a interposição de recurso especial o acórdão que já tenha sido reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1249; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 454 1 453 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13830.001764/200342 Recurso nº 160.827 Especial do Contribuinte Acórdão nº 920202.230 – 2ª Turma Sessão de 28 de junho de 2012 Matéria IRPF Recorrente NELSON FANCELLI Interessado PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL (PFN) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 Ementa: ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. REQUISITO. PARADIGMA REFORMADO. Não servirá de paradigma para a interposição de recurso especial o acórdão que já tenha sido reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Fl. 537DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente). Fl. 538DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13830.001764/200342 Acórdão n.º 920202.230 CSRFT2 Fl. 455 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0418, interposto pelo sujeito passivo contra acórdão, fls. 0395, que decidiu, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO INOCORRÊNCIA – Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício relevante e insanável, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento dele decorrente. PAF CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando a ele foram conferidas todas as oportunidades de manifestação, tanto na fase de fiscalização, quanto na impugnatória e recursal, sempre com observância aos ditames normativos do Decreto n° 70.235, de 1972. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA POSSIBILIDADE Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL Desde 1° de janeiro de 1997, caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminar rejeitada Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NELSON FANCELLI. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR as Fl. 539DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em seu recurso especial o sujeito passivo alega, em síntese, que: 1. O recurso é tempestivo; 2. Não deve ser aplicada a Súmula CARF que dita: "A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n o 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”; 3. Referida súmula não pode ser aplicada no caso em tela, uma vez que o Recorrente desde o início do litígio administrativo vem advogando tese diferente da que originou a citada súmula; 4. O Recorrente não defende que "o Fisco deveria comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos", como preconiza a referida súmula; 5. Em suma, o Recorrente defende que a base de cálculo do IR é o plus que se agrega ao patrimônio do contribuinte, sendo certo que sua apuração deve levar em conta todas as despesas necessárias à sua conformação; 6. A matéria foi prequestionada e há acórdãos que abarcam sua tese (102 46139 e 10246231), devendo seu recurso ser admitido; 7. Com efeito, depósitos bancários como fatos isolados não se subsumem ao fato gerador do imposto sobre a renda, isto é, a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza; 8. Pelo exposto, requer o recebimento, o conhecimento e o provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0437, deuse seguimento ao recurso especial. A PFN apresentou suas contra razões, fls. 0444, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13830.001764/200342 Acórdão n.º 920202.230 CSRFT2 Fl. 456 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto ao questionamento, devemos analisar questão. Para a admissibilidade do recurso especial o Regimento do Conselho, em vigor na data de expedição do acórdão, continha regra sobre os requisitos para a admissão do recurso. Portaria 147/1998: Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. ... § 2º Na hipótese de que trata o inciso II do art. 7º deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovandoa mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara recorrida. ... § 5º Não servirá de paradigma para a interposição do recurso de que trata o inciso II do art. 7º deste Regimento o acórdão que já tenha sido reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ocorre que os dois paradigmas apresentados (Acórdãos 10246139 e 102 46231) já tinham sido reformados – com tese divergente a defendida pelo sujeito passivo – na data de julgamento de seu recurso voluntário. Acórdão 10246139: 10950.003984/200275 Recurso n° :102133413 Matéria : IRPF Fl. 541DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : 2a CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : CLEVERTON LUIZ BRUN Sessão de : 22 de setembro de 2005 Acórdão : CSRF/0400 084 IRPF AUTUAÇÃO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174, DE 2001 É legítimo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei n°. 10.174, de 2001, já que se trata do estabelecimento de novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas (precedentes do STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais). Acórdão 10246231: Processo n°. : 10660.004988/200236 Recurso n°. :102134847 Matéria : IRPF — Ex.: 1999 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessado : CELSO RUBENS TRINDADE Recorrida r CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de : 12 de junho de 2006 Acórdão n°. : CSRF/0400.259 DEPÓSITO BANCÁRIO — OMISSÃO DE RENDIMENTOS – Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, de 2001 Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, a Lei n° 10.174, de 2001 nada mais fez do que ampliar os • poderes de investigação do Fisco, sendo aplicável essa legislação, por força do disposto no § 1°, do art. 144 do Código Tributário Nacional. Recurso provido. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13830.001764/200342 Acórdão n.º 920202.230 CSRFT2 Fl. 457 7 Conseqüentemente, como os dois paradigmas trazidos pelo sujeito passivo foram já foram reformados – com tese divergente ao que serviriam – os requisitos para a admissibilidade do recurso especial não foram cumpridos. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em não conhecer do recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 543DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000890/2007-10
Data da sessão: Wed Mar 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/04/1998
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.329
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/04/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 17460.000890/2007-10 Recurso n° 271.591 Voluntário Acórdão n° 2301-01.329 — 3" Câmara / i a Turma Ordinária Sessão de 24 de março de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente MUNICIPIO DE BOTUCATU PREFEITURA MUNICIPAL E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/04/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3 a Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do raio gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 corresponde ao décimo terceir&salário. AM JULIO CESAR VIEIRA GOMES — Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damão Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: Relator(a): Julio Cesar Vieira Gomes No julgamento dos itens 58 (recurso-padrão) e 59 a 107 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo corno idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. 58 - Recurso: 241679 Tipo: RV Processo: 35564.001890/2006- 70 Recorrente: DROGARIA SÃO PAULO S/A Recorrida: SRP- SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). O julgamento do recurso-padrão acima resultou o Acórdão n° 2301-01.309. É o relatório. ' Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator • Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 24/10/2006, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §4° do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. n Sala das Sesões,/ei 24 de março de 2010. i i'l ,•.v .5i' U; : N l‘s\inÀ Ç--11 SU y JULIO CE AR . EIRA GOMES - Relator 1\ i : 2
score : 1.0
Numero do processo: 36540.000875/2005-64
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de.apuração: 01/05/1995 a 30/04/1997
PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL.
A teor da Súmula Vinculante n.° 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.290
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade do lançamento
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO
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NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.° 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade do lançamento. C\ ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente krf\ j\(j)tv tilA—AA1/ r KL BER FERREIRA ARA O - Relator 1 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, 1\1-aia Moreira Barros Mazza (Suplente) e Thiago Davila Melo Femandes (Convocado). Ausentes os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. • 2 •^.0.) Processo n° 36540.000875/2005-64 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.290 Fl. 139 Relatório Trata o presente processo administrativo fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, DEBCAD no 35.857.611-3, lavrada em nome da contribuinte já qualificada nos autos, na qual são exigidas contribuições patronais e dos segurados. O crédito em questão reporta-se às competências de 05/1995 a 04/2007 e assume o montante, consolidado em 30/08/2005 de R$ 41.259,70 (quarenta e um mil, duzentos e cinquenta e nove reais e setenta centavos). Nos termos do relatório de trabalho da auditoria, as contribuições foram lançadas por arbitramento e decorreram da responsabilidade solidária do tomador de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra pelas contribuições não adimplidas pelo prestador. O crédito em destaque vincula-se aos serviços prestados à notificada pela empresa CONSTRUTORA OMEGA LTDA. O ente público apresentou impugnação, a qual não foi acatada pelo órgão de julgamento da SRP, que declarou procedente o lançamento. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual alega, em síntese, que o Município de Pedreiras não pode ser responsabilizado pelos encargos previdenciários não cumpridos pela empresa construtora. Advoga que, ainda que se entenda pela responsabilidade do órgão público, essa deve ser subsidiária. Depois afirma que o procedimento de aferição indireta não obedeceu ao princípio jurídico da proporcionalidade, devendo o valor lançado ser reduzido, caso se entenda que existe alguma dívida. Pede ao final: a)sua exclusão do pólo passivo; b)a fiscalização prévia na empresa contratada; e c)redução do valor crédito a um patamar razoável. É o relatório. 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Embora não suscitada, deve-se verificar a possível ocorrência da decadência do direito de lançar as contribuições em questão. Na data da lavratura, o fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.° 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.° 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5 0 do decreto- lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (-) Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.° 8.212/1991, aplica-se às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional — C'TN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4.°, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL n9- 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, 1, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543-C DO CPC (RECURSOS REPETITIVOS).0MISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. CARÁTER PROTELATORIO. MULTA. I. O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito 4 • • Processo n°36540.000875/2005-64 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.290 Fl. 140 tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, sç 4°, do CTIV)". 2. Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida. 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. No caso vertente, a ciência do lançamento deu-se em 28/09/2005 e o período do crédito é de 05/1995 a 04/1997. Vê-se, então que, por quaisquer dos critérios adotados estariam decadentes as contribuições lançadas na data da ciência pelo sujeito passivo. Diante do reconhecimento da decadência, deixo de analisar as demais questões. Voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições lançadas. Sala das Sessões, em 6 de julho de 2010 \fkr\j„ Aki KLEBER FERREIRA DE ARA O - Relator 5 f» .. MINISTÉRIO DA FAZENDA '444 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 36540.000875/2005-64 Recurso n°: 159.193. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.290 Brasília, ,(2194le julho de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 13855.000666/2006-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. FRETES.
Quando não vinculados à nota fiscal dos insumos, os fretes não compõem a base de cálculo do crédito presumido do IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LUBRIFICANTES.
Nos termos da Súmula nº 19 do CARF, e da jurisprudência administrativa, afasta-se a possibilidade de ressarcimento em relação ao crédito presumido do IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. ENERGIA ELÉTRICA.IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula nº 19 do CARF, e da jurisprudência administrativa, afasta-se a possibilidade de ressarcimento em relação ao crédito presumido do IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA ORIUNDA DE PESSOA FÍSICA. POSSIBILIDADE.
Nos termos do REsp 993.164, afastou-se a restrição do aproveitamento do crédito presumido do IPI apenas às pessoas jurídicas, possibilitando estender- se às pessoas físicas não contribuintes do PIS e da COFINS. Considerando o art. 62-A do RICARF, tem-se que tal entendimento é de reprodução obrigatória por este Conselho.
Numero da decisão: 3401-002.578
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. FRETES. Quando não vinculados à nota fiscal dos insumos, os fretes não compõem a base de cálculo do crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LUBRIFICANTES. Nos termos da Súmula nº 19 do CARF, e da jurisprudência administrativa, afasta-se a possibilidade de ressarcimento em relação ao crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. ENERGIA ELÉTRICA.IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula nº 19 do CARF, e da jurisprudência administrativa, afasta-se a possibilidade de ressarcimento em relação ao crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA ORIUNDA DE PESSOA FÍSICA. POSSIBILIDADE. Nos termos do REsp 993.164, afastou-se a restrição do aproveitamento do crédito presumido do IPI apenas às pessoas jurídicas, possibilitando estender- se às pessoas físicas não contribuintes do PIS e da COFINS. Considerando o art. 62-A do RICARF, tem-se que tal entendimento é de reprodução obrigatória por este Conselho.
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FRETES. Quando não vinculados à nota fiscal dos insumos, os fretes não compõem a base de cálculo do crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LUBRIFICANTES. Nos termos da Súmula nº 19 do CARF, e da jurisprudência administrativa, afastase a possibilidade de ressarcimento em relação ao crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. ENERGIA ELÉTRICA.IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula nº 19 do CARF, e da jurisprudência administrativa, afastase a possibilidade de ressarcimento em relação ao crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA ORIUNDA DE PESSOA FÍSICA. POSSIBILIDADE. Nos termos do REsp 993.164, afastouse a restrição do aproveitamento do crédito presumido do IPI apenas às pessoas jurídicas, possibilitando estender se às pessoas físicas não contribuintes do PIS e da COFINS. Considerando o art. 62A do RICARF, temse que tal entendimento é de reprodução obrigatória por este Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 06 66 /2 00 6- 52 Fl. 602DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1021.09570.292O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira. Relatório A interessada transmitiu, em 20/05/2004, a PER/DCOMP eletrônica principal de fls. 03/46, tendo como direito creditório o crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no montante de R$ 1.301.740,81, respeitante ao 3 trimestre calendário de 2001. O processo em exame tem protocolo de 20/02/2006. Em 15/03/2006, foi exarado, no âmbito da Delegacia da Receita Federal em Franca, SP, o Despacho Decisório de fl. 70 com o indeferimento do pedido de ressarcimento à vista da informação fiscal de fls. 62/68. Nos termos da sobredita informação fiscal, o pedido do trimestre em questão teria sido formulado com esteio na Lei n° 10.276, de 10 de setembro de 2001, com apuração baseada em custo integrado. Contudo, consoante "quadro demonstrativo de apuração do crédito presumido do IPI, com custo integrado", de fls. 52/55, elaborado pela Recorrente não teria sido apurado saldo passível de ressarcimento de crédito presumido no trimestre em tela, a despeito de que o PER/DCOMP, de número final 2991, indique o montante de R$ 1.301.740,81. O DCP inserto em DCTF, de fls. 59/61, referese ao 3 trimestre de 2001. Ainda, conforme o relatório fiscal: "(.) o contribuinte não logrou êxito em comprovar os valores das MP, PI e ME e demais custos utilizados na industrialização nos meses em que houve apuração de crédito presumido de IPI com custo integrado, pois, conforme carta de 08/02/2006 notificou a esta fiscalização que a escrituração contábil não está de acordo com o sistema de custo integrado como foi declarado e que em razão disso vai Fl. 603DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1021.09570.292O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13855.000666/200652 Acórdão n.º 3401002.578 S3C4T1 Fl. 6 3 retificar as DCTF e as DCP apresentadas e que fará as novas apurações dos créditos presumidos de IPI de 2000 a 2003, sem custo integrado, (..)". A aludida carta está à fl. 48. Foi proposto, então, o indeferimento integral do crédito presumido do trimestre em causa em virtude de a contribuinte não ter apresentado um sistema fidedigno de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial apto a evidenciar ao fim de cada mês as quantidades de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, energia elétrica, combustíveis e prestação de serviços para a industrialização por encomenda. Insatisfeita com a decisão administrativa de cujo teor teve ciência em 06/12/2006, conforme aviso de recebimento nos autos, a interessada ofereceu, em 03/01/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 74/80 subscrita pelo procurador da pessoa jurídica, qualificado no instrumento legal de fl. 81, em que aduz, em síntese, que cabe ao representante do Fisco Federal a auditoria completa dos fatos objeto da demanda e, referindose à Lei n° 9.363/1996, e ao 3° trimestre de 2001, que a apuração foi refeita pela interessada segundo a contabilidade não integrada e gerado o PER/DCOMP retificador n° 01172.05897.070306.1.5.013729, no qual o valor do crédito presumido seria de R$ 1.292.963,08 em oposição ao valor original de R$ 1.301.740,81, o que implica uma diferença irrisória de R$ 8.777,73; colaciona jurisprudência administrativa e, por fim, requer que seja reformado o Despacho Decisório, com o reconhecimento do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/1996 quanto ao 3° trimestre de 2001, e protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, notadamente a juntada de documentos complementares, a apresentação de memoriais e a sustentação oral do pleito. A DRJ decidiu em síntese: RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. “A falta de apresentação de dados ou documentos solicitados ao interessado, indispensáveis para a escorreita apreciação de pedido formulado, implica o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito”. No Recurso Voluntário o Recorrente procurou demonstrar os valores pleiteados, as diferenças apuradas, juntando as retificações do Perd/Comp, Acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes, além de reiterar os argumentos da manifestação de inconformidade disposto acima requerendo com isto o deferimento do pleito de ressarcimento do IPI. Fl. 604DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1021.09570.292O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 A 1 Turma da 4 Camara da 3 Seção do CARF decidiu baixar o referido processo em diligencia. Abaixo o teor da Resolução: “Voto no sentido de converter o presente julgamento em diligencia para que a Delegacia de origem analise a contabilidade apresentada antes do despacho decisório juntamente com a PERD/COMP.” O Processo baixou em diligência, houve a análise da contabilidade e o contribuinte se manifestou como lhe faculta a lei. Ciente da informação fiscal supra, o contribuinte apresentou Manifestação à diligência realizada, voltandose contra as glosas efetuadas, alegando, em síntese: 1. Os créditos relativos a fretes sobre compra de insumos são oriundos da aquisição de insumos (canadeaçúcar) de um dos seus estabelecimentos para posteriormente serem industrializados, a fim de se chegar ao produto final (açúcar ou álcool), tornando, pois, o frete, despesa necessária ao processo produtivo; 2. Indica o REsp 933.164, julgado na sistemática do art. 543C do CPC, na qual estabelece a possibilidade de compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições oriundas de pessoas físicas, não contribuintes do PIS e da COFINS; 3. Quanto às despesas com energia elétrica e lubrificantes, temse que os créditos aproveitados referemse a despesas imprescindíveis para obtenção do produto final, caracterizados como produtos intermediários. É em síntese o relatório. Voto Conselheiro Angela Sartori O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. FRETES E CARRETOS Inicialmente, a autoridade fiscal voltase contra os créditos provenientes de Fretes, eis que, de acordo com a amostragem de alguns Conhecimentos de Transporte relativos Fl. 605DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1021.09570.292O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13855.000666/200652 Acórdão n.º 3401002.578 S3C4T1 Fl. 7 5 a estes serviços, foi verificado que tais fretes se referem ao transporte das matériasprimas compradas do estabelecimento comprador até o contribuinte. Tal fato foi corroborado por declaração do contribuinte, fl. o qual informou que todos os valores utilizados para o cálculo dos créditos provenientes de “fretes” subsumiam se ao que fora acima descrito, informando que se tratava de transporte de OUTRAS matérias primas e insumos. Por outro lado, a empresa, em sua Manifestação à Diligência, alega que o contribuinte adquire insumos (canasdeaçúcar) de um dos seus estabelecimentos, que posteriormente são industrializados para se chegar ao produto final, açúcar ou álcool, tornando o frete despesa necessária ao processo produtivo. Os Conhecimentos de Transporte acostados aos autos, fls. demonstram que os fretes eram realizados de outras empresas para o estabelecimento do contribuinte, que, em verdade, cuidase de outros insumos e matériasprimas distintas da canadeaçúcar, em contradição ao que fora alegado, razão pela qual não prosperam os argumentos elencados nas razões do contribuinte. Os fretes, quando não vinculados às notas fiscais, ou não cobrados ao adquirente diretamente pelo fornecedor, não integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, conforme vasta jurisprudência deste Conselho, conforme se vê: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 (...) CRÉDITO PRESUMIDO. FRETES. Os fretes não cobrados ou debitados nas notas fiscais de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem estão expressamente excluídos da apuração do crédito presumido por força do disposto no art. 3º da Lei nº 9.363/96. (CARF. 3ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária. Processo nº 10920.002262/200170. Acórdão nº 3403001.577. Sessão de 26 de abril de 2012. Conselheiro Presidente e Relator Antônio Carlos Atulim) ____________________________________________________ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 (...) DESPESAS COM FRETES. Fl. 606DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1021.09570.292O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Não compõem a base de cálculo do crédito presumido do IPI as despesas com fretes que caracterizam mera prestação de serviços. (...) (CARF. 3ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Processo nº 13971.000930/200389. Acórdão nº 3202000.804. Sessão de 26 de junho de 2013. Conselheiro Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri) ____________________________________________________ Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de Apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 (...) CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES. TRANSPORTE DE I NSUMOS ADQUIRIDOS. Compõe a base de cálculo do crédito presumido de IPI o frete utilizado no fornecimento/aquisição de insumos utilizados na industrialização dos produtos, quando cobrado ao adquirente (CARF. 3ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Processo nº 10940.900419/201087. Acórdão nº 310101.190. Sessão de 18 de julho de 2012 . Conselheiro Relator Luiz Roberto Domingo) Portanto, não há que se falar no aproveitamento de créditos oriundos de fretes não realizados nos termos do art. 3º da Lei nº 9.363/96. AQUISIÇÃO DE CANADEAÇÚCAR POR PESSOAS FÍSICAS A autoridade fiscal entendeu pela manutenção da glosa do crédito presumido do IPI em relação à aquisição de canadeaçúcar por pessoas físicas por não serem elas contribuintes do PIS/COFINS, com base no art. 5º, § 2º, da IN SRF nº 420/2004. A este respeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu pela ilegalidade do dispositivo supracitado por exorbitar da sua competência regulamentar e inovar na ordem jurídica ao restringir a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. Tal entendimento foi submetido à sistemática do art. 543C, nos autos do REsp 993.164. É o que se vê: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS Fl. 607DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1021.09570.292O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13855.000666/200652 Acórdão n.º 3401002.578 S3C4T1 Fl. 8 7 INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que “o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador”. 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: Fl. 608DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1021.09570.292O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 “Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I – Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II – nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.” 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Consequentemente, sobressai a “ilegalidade” da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS , Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES , Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR , Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE , Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE , Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp Fl. 609DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1021.09570.292O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13855.000666/200652 Acórdão n.º 3401002.578 S3C4T1 Fl. 9 9 586392/RN , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) “a COFINS e o PIS oneram em cascara o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto fiscal adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição”; (ii) “o Decreto 2.367/98 – Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais”; e (iii) “a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes” (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: “Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta a sua incidência, no todo ou em parte.” 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS , Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. Fl. 610DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1021.09570.292O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (fls. 617/620) A decisão supra mencionada foi proferida em sede de Recurso Repetitivo, sob a sistemática do art. 543C do CPC, o que enseja, nos termos do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho, a sua reprodução obrigatória. Afastase, pois, o impedimento contido na IN SRF nº 420/2004, admitindo se, desta forma, a composição na base de cálculo crédito presumido do IPI as aquisições da matériaprima canadeaçúcar de pessoas físicas. LUBRIFICANTES E ENERGIA ELÉTRICA É pacífica a jurisprudência administrativa no sentido de que lubrificantes e energia elétrica utilizados no processo de industrialização, por não serem consumidos em contato direto com o produto final, não se caracteriza, legalmente, como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, e nem se enquadra dentre as exceções dispostas no art. 1º, ª 1º, I, da Lei nº 10.276, conforme acima fora transcrito. À este respeito, inclusive, já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 31/10/1996 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Para enquadramento no benefício, somente se caracterizam como matériaprima e produto intermediário os insumos que se integram ao produto final, ou que, embora a ele não se integrando, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre ele, no processo de fabricação. Os lubrificantes e os combustíveis utilizados em máquinas e caldeiras não atuam diretamente sobre o produto final, e, por isso, não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Recurso Especial Negado. (CARF. Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma. Processo nº 13963.000136/200253. Acórdão nº 0203.583. Sessão de 25 de novembro de 2008. Conselheiro Relator Henrique Pinheiro Torres) Vêse também, que sobre esta matéria, qual seja creditamento de energia elétrica e lubrificantes há súmula deste Conselho neste sentido, in verbis: Fl. 611DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1021.09570.292O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13855.000666/200652 Acórdão n.º 3401002.578 S3C4T1 Fl. 10 11 Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Importante destacar que, a súmula consigna a impossibilidade de creditamento quanto às despesas de energia elétrica e combustíveis pois não estão em contato direto com a produção impossibilitando assim a sua composição na base de cálculo do crédito presumido do IPI, por força da Súmula CARF 19. Portanto, devem ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores atinentes as despesas com lubrificantes/combustíveis e energia elétrica. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer os créditos presumidos do IPI oriundos da aquisição de canadeaçúcar por pessoas físicas, mantendose a glosa no que concerne às despesas com fretes, lubrificantes e energia elétrica. Angela Sartori Relator Fl. 612DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1021.09570.292O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANGELA SARTORI em 30/04/2014 13:31:00. Documento autenticado digitalmente por ANGELA SARTORI em 30/04/2014. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR ALVES RAMOS em 06/05/2014 e ANGELA SARTORI em 30/04/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 07/10/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.1021.09570.292O Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: A2BAF19BABA1831AEACE3C59250E66703E30B985 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13855.000666/2006-52. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11042.000266/95-44
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2001
Ementa: CERTIFICADO DE ORIGEM - Não há como considerá-lo nulo, sem prova convincente de falso conteúdo ideológico e antes que se proceda à consulta ao órgão emitente do país exportador prevista no artigo 10 da Resolução 8 - ALADI, que disciplina o Regime Geral de Origem implementada pelo Decreto n.° 98 847/90.
Numero da decisão: CSRF/03-03.245
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos
termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e Paulo Roberto Cuco Antunes.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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Processo n° ' 11042 . 000266/95-44 Acórdão n° : CSRF/03-03,245 Recurso n° . RD/302-0.413 Recorrente , FLABESA IMPORTAÇÃO LTDA. RELATÓRIO Trata-se de Recurso de Divergência interposto pela Contribuinte, contra o r. Acórdão de n.° 302-33.819, proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, cuja decisão consubstanciou-se na seguinte ementa. "REDUÇÃO TARIFÁRIA, ACE N°2, CELEBRADO ENTRE O BRASIL E O URUGUAI. 1 O tratamento tributário beneficiado pelos termos do acordo internacional está condicionado à observância de todos os requisitos estabelecidos no acordo, inclusive no que respeita à tempestividade da emissão do certificado de origem. 2. Recurso a que se nega provimento." Segundo o relatório, elaborado pela Relatora Elizabeth Maria Violatto, a contribuinte foi autuada por ter sido verificado, em ato de revisão aduaneira, que a mesma realizou importação de 320 pneus novos para ônibus e caminhões, "submetidos a despacho de importação com redução do Imposto de Importação à aliquota zero, com base no Decreto n„° 94..297/87, que homologou o Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n.° 2 (PEC) — firmado entre o Brasil e o Uruguai, instruindo o referido despacho aduaneiro com Certificado de Origem emitido posteriormente ao seu embarque. O certificado de origem apresentado foi emitido pela Câmara de Indústria de Montevidéo em 28/01/94 e o conhecimento de carga teve sua emissão datada de 27/01/94, o que conduziu à desconstituição do Certificado de acordo com o estabelecido no art,10, do Décimo Oitavo Protocolo Adicional ao ACE n..° 2, homologado pelo Dec.. n° 1.024/93, e consequentemente à ,, Processo n° 11042 000266/95-44 Acórdão n° CSRF/03-03 245 lavratura do Auto de Infração para exigir-se da autuada o Imposto de Importação, com base na alíquota normal, acrescido da multa capitulada no art 4°, I, da Lei 8.218/91 e dos juros moratórios." A contribuinte impugna a ação fiscal, informando que o certificado de origem foi emitido anteriormente ao embarque da mercadoria, uma vez que sua apresentação à Câmara de Indústria em Montevidéo ocorreu em 26/01/94, data em que foi emitido pelo exportador, e somente em 28/01/94 foi homologado por aquela entidade Acrescenta que na data da emissão do citado documento, a mercadoria encontrava-se em território Uruguaio e que a fronteira entre os países só veio a ser cruzada em 28/01/94, conforme manifesto de carga Alega que na época da autuação já se encontrava vigente o Decreto 1 568/95, pelo qual se admite a emissão dos certificados de origem até 10 dias após o embarque das mercadorias, e ainda que o fato do documento ter sido homologado um dia após a sua emissão, não conduz à presunção de sua falsidade, uma vez que trata-se de erro involuntário praticado no país exportador, o que merece ser tratado como previsto no art.24 do Décimo Oitavo Protocolo Adicional ao ACE n.° 2 Por fim, pleiteia a aplicação do Decreto 1.024/93, que recomenda a investigação junto ao país exportador, quanto a dúvidas relacionadas com os Certificados de Origem, sendo aplicável o princípio estatuído pelo CTN de que a lei tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado A autoridade julgadora de Primeira Instância, julgou Parcialmente Procedente a Ação Fiscal, consubstanciando sua decisão na - seguinte ementa Processo n° 11042.000266/95-44 Acórdão n° CSRF/03-03 245 "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO ACORDOS ALADI CERTIFICADO DE ORIGEM A inobservância do prazo para emissão do certificado de origem, previsto no ACE n.° 2, firmado entre o Brasil e Uruguai — no máximo até a data do embarque da mercadoria — implica na desqualificação desse documento para a finalidade a que se destina, PENALIDADES De acordo com os precisos termos do AD(N) COSIT n.° 36/95, a mera solicitação de benefício fiscal incabível, estando o produto corretamente descrito com todos os elementos necessários à sua identificação, e não se tendo constatado intuito doloso ou má-fé por parte do declarante, não se configura declaração inexata para efeito de aplicação da multa prevista no art 4° da Lei n.° 8.218/91, sendo exigíveis, tão somente, os tributos devidos em razão da falta de pagamento, acrescidos de juros e multa de mora, na forma da legislação em vigor, incidentes a partir da data do registro da Declaração de Importação. AÇÃO FISCAL PARCIALMENTE PROCEDENTE, COM AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA INICIAL." Recorreu a contribuinte, reiterando o alegado em sua Impugnação. Em seu voto, a ilustre Relatora entende que para fins tributários, considera-se embarcada a mercadoria na data de emissão do conhecimento de transporte (art.528 do R AI pelo que o Certificado de Origem em questão não poderia ter sido emitido após 27/01/98, por ter decorrido o prazo indicado no art. 10 do Decreto 1.024/93 Quanto ao agravamento da ação fiscal, para exigência da diferença do I P I, devido à inclusão em sua base de cálculo do Imposto de Importação exigido, deixou de apreciá-lo, por ser este objeto do Processo 11042-000125/97-11 Seu voto se deu no sentido de negar provimento do Recurso Voluntário, para que fosse mantida a decisão singular Processo n° 11042000266/95-44 Acórdão n° CSRF/03-03.245 Devidamente intimada, a Contribuinte, recorre à esta Câmara Superior, instruindo seu Recurso com o Acórdão 303-28.990, proferido pela Terceira Câmara de Contribuintes, citando ainda como fundamento de suas razões, os Processos 11042,000244/95-10, 11042.000249/95-25, 11042 000243/95-49, 11042 000247/95-08, 11042 000250/95-12, 11042.000242/95-86, 11042.000248/95-62 e 11042 000294/95-80 Transcrevo a ementa do Acórdão Paradigma, 303-28.990, prolatado pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. "CERTIFICADO DE ORIGEM — Não há como considerá-lo nulo, sem prova convincente de falso conteúdo ideológico e antes que se proceda à consulta ao órgão emitente do país exportador prevista no artigo 10 da Resolução 8 — ALADI, que disciplina o Regime Geral de Origem implementada pelo Decreto n.° 98.847/90. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO " Cópia do mencionado recurso encontra-se às fls. 83/87 Em contra-razões, a Fazenda Nacional vem alegar que o Certificado de Origem deve obedecer requisitos formais de preenchimento, conforme previsto no Acordo de Cooperação Econômica n..° 2, celebrado entre o Brasil e o Uruguai, na vigência do 15° Protocolo Adicional, conjugado com as disposições constantes no 18° Protocolo Adicional, recepcionados, respectivamente, pelos Decretos 41/91 e 1 024/93 Continua pela descrição do art 12 do Decreto 41/92, que estabelece que o produtor final ou exportador da mercadoria apresentará declaração de sua origem à entidade responsável por sua certificação, que se ocupará da emissão do referido documento e ainda pelo exposto no art 10 do Decreto 1 024/93, que estabelece que o Certificado de Origem deverá ser emitido no mais tardar até a data do embarque da mercadoria Desta forma, "é fato incontroverso que a empresa-recorrente Processo n° 11042.000266/95-44 Acórdão n° CSRF/03-03.245 não adimpliu com os prazos preconizados. Isto porque, restou devidamente evidenciado que o Certificado de Origem n.° 301.314 (fls.7), referente à mercadoria que importou, só foi emitido em 28 de janeiro de 1994, data posterior ao seu embarque, que ocorreu em 27 de janeiro de 1994, de acordo com o Conhecimento de Transporte n.° BR.0221000869, emitido pela Transportadora Pérola Ltda. (fls.8)." Entende por correto o Procedimento Fiscal que, desqualificando o certificado de origem, exigiu o crédito fiscal dispensado por ocasião do desembaraço aduaneiro, já que em virtude da desqualificação do Certificado, ocorreu a perda do benefício fiscal. Por fim, aduz que, "vale ser mencionado o fato de que só seria a hipótese de se diligenciar junto ao país exportador, quando houvesse dúvida quanto à legitimidade do documento, o que inocorreu no caso em tela " Requer pela improcedência do Recurso Especial, por este encontrar-se destituído de plausibilidade jurídica É o relatório Processo n° 11042.000266/95-44 Acórdão n° . CSRF/03-03 245 VOTO CONSELHEIRO RELATOR NILTON LUIZ BARTOLI A discussão lavrada no presente feito gira em torno da importação de mercadoria submetida a despacho de importação com redução do Imposto de Importação à alíquota zero, com base no Decreto n.° 94.297/87, que homologou o Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 2 (PEC) — firmado entre o Brasil e o Uruguai, instruindo o referido despacho aduaneiro com Certificado de Origem emitido posteriormente ao seu embarque. O certificado de origem apresentado foi emitido pela Câmara de Indústria de Montevidéo em 28/01/94 e o conhecimento de carga teve sua emissão datada de 27/01/94, o que conduziu à desconstituição do Certificado de acordo com o estabelecido no art.10, do Décimo Oitavo Protocolo Adicional ao ACE n.° 2, homologado pelo Dec. n° 1024/93, e consequentemente à lavratura do Auto de Infração para exigir-se da autuada o Imposto de Importação, com base na alíquota normal, acrescido da multa capitulada no art 4°, I, da Lei 8.218/91 e dos juros moratórios Contudo, tal ocorrência não descaracteriza a regularidade dos fatos concernentes à importação Idêntica matéria, tendo como parte a mesma recorrente, foi recentemente apreciada pela C Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, da qual este Relator faz parte. Por aquiescer totalmente com as razões deduzidas pela então Relatora, a Conselheira Anelise Daudt Prieto, peço vênia para transcrevê-las como se minhas fossem "Discute-se, no presente litígio, a validade do certificado Processo n° 11042 000266/95-44 Acórdão n° CSRF/03-03 245 emitido para comprovação da origem uruguaia de pneus importados daquele País, beneficiando-se da redução de 100% do Imposto de Importação prevista no 18° Protocolo Adicional ao ACE entre Brasil e Uruguai, recepcionado pelo Decreto n.° 1.024/93 A recorrente baseia seus argumentos no fato de que a data de emissão não é considerada pela fiscalização, que não há lei que tipifique que o certificado emitido com data posterior à do Conhecimento de Transporte conduza à sua nulidade, que o fato deveria ter sido comunicado ao outro País signatário de acordo, e que os prazos foram posteriormente dilatados Com efeito, os recentes julgados sobre a matéria que esta Câmara vem emitindo estão formando jurisprudência com decisões diferentes daqueles citados pela douta autoridade julgadora de primeira instância, E estes têm levado também em consideração o fato de que o tratamento da matéria vem sendo elastecido no que diz respeito aos prazos para emissão do certificado de origem. O 8° Protocolo Adicional ao Acordo de Cooperação Econômica entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai foi recepcionado pelo Decreto n.° 1.568, de 21 de julho de 1995 que, em seu anexo I, capítulo V, artigo 17, estabeleceu que "Os Certificados de Origem deverão ser emitidos o mais tardar 10 (dez) dias úteis depois do embarque definitivo das mercadorias amparadas pelos mesmos Entretanto, considero que o mais importante, no que diz respeito ao assunto, está muito bem colocado no voto do ilustre Conselheiro Guinês Alvares Fernandes, proferido no acórdão n.° 303-28.768, de 11/12/97, em trecho que transcrevo a seguir "Adicione-se que o Certificado de Origem, como é de sua essência, constitui documento destinado a atestar de onde é originária a mercadoria nele expressamente individualizada, inexistindo no feito qualquer impugnação à sua autenticidade Anote-se por derradeiro, que em todas as avenças internacionais sobre a matéria, e em especial na que rege a matéria objeto do feito, em seu art 17, se estabeleceu que em nenhuma hipótese se cortaria o fluxo entre as partes interessadas, inexistindo fixação de qualquer Processo n° 11042.000266/95-44 Acórdão n° CSRF/03-03 245 penalidade previamente aplicável, notadamente a desproporcional aplicada neste litígio, que baseada em mera presunção, concluiu pela nulidade daquele documento" Naquele caso tratava-se de acordo entre Brasil e Peru No presente, que o acordo é com o Uruguai Também não existe fixação de qualquer penalidade previamente aplicável, não existindo também nada que autorize a declaração da nulidade do Certificado em decorrência do fato de não ter sido emitido antes do embarque da mercadoria Acrescente-se que nada autorizava a conclusão do autuante de que os Certificados de Origem eram ineptos para produzirem efeitos, sem que se procedesse a consulta ao artigo 10 da Resolução 78, que assinada pelo Brasil e ALADI, disciplina o Regime Geral de Origem, cuja execução foi determinada pelo Decreto 98.874/90. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, que é tempestivo, para, no mérito, dar-lhe provimento" Do assunto não mais há o que acrescer Diante dessas considerações, e tendo o convencimento de que o simples lapsos de datas não autorizam a desqualificação do Certificado de Origem, JULGO PROCEDENTE o Recurso Especial de Divergência, concluindo que deve-se manter o benefício de redução de alíquota do Imposto de Importação Sala das Sessões, Brasília, 25 de outubro de 2001 NP-ON L Z BIOLI Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10314.007342/2004-11
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/07/2004
AÇÃO JUDICIAL E CONSTITUIÇÃO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Como a constituição do crédito tributário é de competência privativa da autoridade adminstrativa sua discussão em juízo não substituía, à época do fato gerador, o lançamento, que deveria ser efetuado como medida preventiva da decadência.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.581
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, em negar provimento pelo voto de qualidade. Vencidos Marcelo Ribeiro Nogueira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
Conselheira Mércia Heleno Trajano D'Amorim Designada para redigir o voto vencedor.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/07/2004 AÇÃO JUDICIAL E CONSTITUIÇÃO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Como a constituição do crédito tributário é de competência privativa da autoridade adminstrativa sua discussão em juízo não substituía, à época do fato gerador, o lançamento, que deveria ser efetuado como medida preventiva da decadência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Como a constituição do crédito tributário é de competência privativa da autoridade administrativa sua discussão em juizo não substituia, a. época do fato gerador, o lançamento, que deveria ser efetuado como medida preventiva da decadência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em negar provimento pelo voto de qualidade. Vencidos Marcelo Ribeiro Nogueira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino. Conselheira Mércia Heleno Trajano D'Amorim Designada para redigir o voto vencedor. JuditVÇio X rVgieon es Armando- residente k,cR. Lt‘J9LD . Marcelo Ribeiro Nogueira - Reláto jl .-■1> I 4.. M Vat-flel na Trajan D 'Amorim - Redator Designado. Editado Em: 03 de janeiro de 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Do Amaral Marcondes Armando, Mércia Helena Traj ano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Gan-ossino Barbieri, Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes De Almeida Moraes. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados para cobrança de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e juros de mora A autoridade autuante relata ás fls, 03 do Auto de Infração que por meio das DIs de es 04/0746985-5 e 04/0747003-9, registradas em 30/07/2004, submeteu a despacho de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTÁRIA (com base no art. 150. VI, "c", visto tratar-se de entidade beneficente de Assistência social na área de saúde), para o Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, vinculado a importação (IPI), incidentes sobre as mercadorias descritas na adição 01 das Declarações de Importação 04/0746985-5 (um ventilador vela comprehensive, com tecnologia de turbina (fonte própria de ar comprimido) e 04/0747003-9 (um aparelho de raio-x móvel, destinado ao apoio a procedimentos angiográficos, cirúrgicos e intervenções minimamente invasivas), A mercadoria foi desembaraçada em 19/08/2004, sem o recolhimento dos tributos, em cumprimento a Medida Liminar de 29/07/2004, nos Autos do processo de Ação Cautelar 2004.61.00.020273-9, da 7" Vara Federal de Silo Paulo. Visando resguardar os interesses da Fazenda Nacional e prevenir o instituto da decadência, foi lavrado o Auto de Infração ora tratado, estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário lançado, conforme o disposto no art. 151, inciso IV do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66) estando a cobrança condicionada a decisão final do Poder Judiciário. Ciente do Auto de Infração a interessada apresentou a Impugnação de fls. 104/148, onde alegou: - muito embora os referidos créditos tributários estivessem com sua exigibilidade suspensa em decorrência da medida liminar deferida na ação cautelar de caução, processo n" 2004.61.00.020273-9 a impugnada efetuou o presente lançamento tendo em vista a suposta incidência de imposto de importação (LI) sob o argumento de que este não é abrangido pela regra constitucional da imunidade, prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "c" sob a qual a impugnante faz jus; - não obstante a tentativa do despachante aduaneiro em promover o desembaraço dos referidos equipamentos de acordo 2 Processo n° 10314.007342/2004-11 S3-C2T1 Acórddo n.° 3201-00.581 Fl. 540 com a legislação vigente a respeito da imunidade, tal regime de tributação não pode ser aplicado, tendo em vista que o sistema não emitiu a licença com imunidade tributaria, conforme tabela de fundamentação legal do SISCOMEX; - para não prejudicar o andamento da importação em face da necessidade e urgência dos equipamentos, as licenças foram registradas nos moldes do regime de "tributação integral", ou seja, que enseja o recolhimento de todos os tributos incidentes para a liberação daqueles,. - a impugnante se antecipou e impetrou mandado de segurança preventivo, contra futuro e possível ato coator, já que não conseguiria a liberação dos equipamentos médico-hospitalares sem adimplir os tributos, eis que sem outra escolha, mediante o pagamento dos impostos e contribuições o que in casu, não poderia acontecer já que a impugnante é entidade imune a ambos; - o ilustre Juizo da 7" Vara da Seção Judiciária e Sao Paulo, diante da situação de urgência e da relevância do pedido assentado no mandado e segurança, processo n° 2004.61.00.014491-0, verificou presentes os requisitos para a concessão da medida liminar, quais sejam fumus boni iuris e o periculum in mora. Entretanto, deferiu a medida liminar apenas em relação a imunidade relativa as contribuições sociais; - diante da situação, qual seja, a não obtenção da media liminar em relação ao II e IPI, e devido a urgência e necessidade da liberação dos equipamentos, a impugnante ingressou perante o Juizo da 7" Vara Federal da Seção Judiciária de Sao Paulo com a ação cautelar de caução, com base nos artigos 826 e seguintes, processo 2004.61.00.020273-9, para assegurar seu direito, depositando em juizo os valores supostamente devidos a título de Imposto de Importação e IPI, visando o imediato desembaraço aduaneiro dos equipamentos médico-hospitalares; - em 29/07/2004 foi concedida medida liminar autorizando o depósito judicial do valor supostamente devido, devidamente atualizado, bem como deferiu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário com fulcro no artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional (CT1V) para que desta maneira fossem liberados os equipamentos hospitalares importados, afastada a exigência do recolhimento dos Imposto de Importação e de IPI; - o Auto de Infração se encontra eivado de nulidade, face ao depósito realizado pela Impugnante, como forma de garantia do crédito tributário; - com a concessão da medida liminar determinou-se a realização do depósito judicial com vistas a garantir judicialmente a discussão da constituição destes em face da impugnante, vez que esta é entidade beneficente de assistência social, imune aos impostos; 3 - em face de sua natureza assistencial e do preenchimento de todos os requisitos exigidos pelo ordenamento jurídico para o reconhecimento do direito a imunidade, a impugnante possui títulos (doc. 8) que comprovam ser entidade imune devidamente reconhecida pelos órgãos competentes; - tais títulos deflagram e comprovam de plano, sua natureza beneficente de assistência social, cumpridora de todos os requisitos necessários para usufruir a imunidade prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "c" da Constituição da República,. - o artigo 9" do CTN, estabelecendo normas gerais sobre a legislação tributária e em absoluta consonância com o texto constitucional, veda a instituição de impostos sobre o patrimônio, rendas e serviços das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos; - a imunidade tributdria das instituições de educação e assistência social, prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "c" da Constituição abrange também os imposto de importação, se o bem importado pela instituição tiver relação com sua finalidade essencial e, ainda, se preenchidos os requisitos do artigo 14, incisos I a III, do CIN; - a jurisprudência, bem como a doutrina, proclamam que a imunidade ali constante do artigo 150 se refere a todos os impostos, a interpretação deste artigo deve ser ampliativa, abrangendo inclusive o imposto de importação; - requer a improcedência do Auto de Infra cão. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 30/07/2004 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA. Para que tenha sentido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mencionada no art. 62 do Decreto 70.235/72, faz-se necessária sua prévia constituição. Assim, o provimento judicial suspensivo da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia as instâncias administrativas. Lançamento procedente. 0 contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado 4 Processo n° 10314.007342/2004-11 S3-C2T1 Acórdão n. ° 3201 -00.581 Fl. 541 o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. E o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira - Relator 0 recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Durante anos houve debate sobre a necessidade e dever do Poder Público lançar valores depositados para prevenir a decadência. Naqueles tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando o contribuinte efetua o depósito integral do débito, restou pacificada no Superior Tribunal de Justiça a desnecessidade de constituição do crédito por meio do lançamento, uma vez que o contribuinte já teria feito a apuração e o recolhimento/depósito do valor devido. Este entendimento surgiu com o precedente da Primeira Seção (EREsp 898.992/PR, relator Ministro Castro Meira, DJU de 27/08/07), cuja ementa é a seguinte: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ART. 151, IL DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO EM RENDA. DECADÊNCIA Com o depósito do montante integral tem-se verdadeiro lançamento por homologação, O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4°, do CTN. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontra-se constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de oficio das importâncias depositadas. "No lançamento por homologação, o contribuinte, ocorrido o fato gerador, deve calcular e recolher o montante devido, independentemente de provocação. Se, em vez de efetuar o recolhimento simplesmente, resolve questionar judicialmente a obrigação tributária, efetuando o depósito, este faz as vezes do recolhimento, sujeito, porém, à decisão final transitada em julgado. Não há que se dizer que o decurso do prazo decadencial, durante a demanda extinga o crédito tributário, implicando a perda superveniente do objeto da demanda e o 5 direito ao levantamento do depósito. Tal conclusão seria equivocada, pois o depósito, que é predestinado legalmente conversão em caso de improcedência da demanda, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, equipara-se ao pagamento no que diz respeito ao cumprimento das obrigações do contribuinte, sendo que o decurso do tempo sem lançamento de oficio pela autoridade implica lançamento tácito no montante exato do depósito" (Leandro Paulsen, "Direito Tributário", Livraria do Advogado, 7", ed. P. 1277). Embargos de divergência não providos. Assim, o depósito integral do montante do tributo, efetuado pelo contribuinte, alem de suspender a exigibilidade do crédito tributário, torna desnecessária a constituição do crédito pelo lançamento. Isto porque aquela Corte Superior entendeu que o depósito corresponde a um lançamento tácito, porque o sujeito passivo procede ao cálculo do tributo e coloca o montante correspondente em dinheiro A. disposição do Fisco. Desta forma, o lançamento só será necessário quando o depósito não for integral. Este entendimento permanece inalterado, conforme se verifica das ementas abaixo: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO ART. 544 E 545, DO CPC. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. MANDANDO DE SEGURANÇA QUESTIONANDO A LEGALIDADE DO IRPJ. DEPÓSITOS EFETUADOS A FIM DE SUSPENDER A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUPERVENIENTE IMPROCEDÊNCIA DA DEMANDA. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA QUANTO AO DIREITO DE LANÇAR 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO QUE EQUIVALE AO PAGAMENTO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. I. 0 depósito efetuado por ocasião do questionamento judicial do tributo suspende a exigibilidade do mesmo, enquanto perdurar contenda, ex vi do art. 151, II, do CTN e, por força do seu desígnio, implica lançamento Mato no montante exato do quantum depositado, conjurando eventual alegação de decadência do direito de constituir o crédito tributário. 2. Julgado improcedente o pedido da empresa e em havendo deposito, torna-se desnecessária a constituição do crédito tributário no quinquênio legal, não restando consumada a prescrição ou a decadência. 3. A sucumbencia no mandado de segurança acarreta, consectariamente, a conversão dos depósitos outrora efetivados, em renda da UNLIO, extinguindo o crédito tributário consoante o dictamem do art. 156, VI, do CTN, restando desnecessário o lançamento por conta do próprio provimento judicial. (Precedentes: AgRg no Ag 1163962/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 06/10/2009, DJe 15/10/2009; AgRg nos EREsp 1037202/PR, Rel. Ministro 6 Processo n° 10314.007342/2004-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.581 Fl. 542 Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 27/05/2009, Dje 21/08/2009; REsp 1037202/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 09/09/2008, RIe 24/09/2008; REsp 757,311/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13/05/2008, Dje 18/06/2008.) 4. Nesse sentido, a doutrina clássica do tema, verbis: No lançamento por homologação, o contribuinte, ocorrido o fato gerador, deve calcular e recolher o montante devido, independente de provocação. Se, em vez de efetuar o recolhimento simplesmente, resolve questionar judicialmente a obrigação tributária, efetuando o depósito, este faz as vezes do recolhimento, sujeito, porém, à decisão final transitada em julgado. Não há que se dizer que o decurso do prazo decadencial, durante a demanda, extinga o crédito tributário, implicando a perda superveniente do objeto da demanda e o direito ao levantamento do depósito. Tal conclusão seria equivocada, pois o depósito, que é predestinado legalmente a conversão em caso de improcedência da demanda, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, equipara-se ao pagamento no que diz respeito ao cumprimento das obrigações do contribuinte, sendo que o decurso do tempo sem lançamento de oficio pela autoridade implica lançamento tácito no montante exato do depósito. (PAULSE1V, Leandro, Direito Tributário, São Paulo, Livraria do Advogado, 7" ed, p. 1227). 4. Inexiste ofensa do artigo 535 do CPC, quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos, mercê de o magistrado não estar obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1211443 / RJ, la. Turma do STJ, relator Ministro Luiz Fux, Dje 20/04/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO REGIMENTAL. DEPÓSITO JUDICIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO FORMAL PELO FISCO. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Não cabe a esta Corte analisar afronta a dispositivo constitucional, nem mesmo para fins de prequestionamento, sob pena de usurpar-se da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. A Primeira Seção desta Corte possui entendimento pacifico no sentido de que "no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial corn vistas à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, 7 promove a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN. Isso porque verifica a ocorrência do fato gerador, calcula o montante devido e, em vez de efetuar o pagamento, deposita a quantia aferida, a fim de impugnar a cobrança da exacdo. Assim, o crédito tributário é constituído por meio da declaração do sujeito passivo, não havendo falar em decadência do direito do Fisco de lançar, caracterizando-se, com a inércia da autoridade fazendária apenas a homologação tácita da apuração anteriormente realizada. Não há, portanto, necessidade de ato formal de lançamento por parte da autoridade administrativa quanto aos valores depositados." (EREsp 686.479/RJ, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Seção, DJ 22.9.2008). 3. Nesse sentido, destaco, também, os seguintes julgados: AgRg nos EREsp 1.037.202/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJ 21.8.2009, EDcl nos EREsp 464.343/DF, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, DJ 3.3.2008, EREsp 615.303/PR, Rel. Ministro Castro Meira, Rel. p/ Acórdão Ministra Denise Arruda, Primeira Seção, DJ 15.10.2007. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1163962 / SP, 2'• Turma do STJ, relator Min. Mauro Campbell Marques, Dje 15/10/2009). Desta forma, adotando a jurisprudência acima como fundamento para meu decidir, VOTO por conhecer do recurso para dar-lhe provimento para declarar nulo o lançamento para prevenir a decadência. 1RA,C,L. C tukt/GLY rcelo Ribeiro Nogueira Voto Vencedor Conselheira Mercia Helena Trajano D'Amorim, Redator Designado A interessada contesta a autuação alegando que a mesma deve ser desconstituida, pois a exigibilidade está suspensa por força de depósito judicial, logo a constituição do crédito se torna indevida. Analisemos, portanto, quanto a possibilidade e necessidade de efetuar o lançamento de crédito tributário discutido em Juizo. A constituição do crédito tributário, destinada a prevenir a decadência está prevista no art. 63 da Lei n° 9.430/96 que dispõe: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da Unido, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. 1 0 0 disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do inicio de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. 8 Processo n° 10314.007342/2004-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.581 Fl. 543 2 0 A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (grifei) Esclareça-se, por oportuno, que referido questionamento já se encontrava pacificado na jurisprudência do STJ, no sentido de que instrumentos jurídicos de eficácia equivalente (mandado de segurança) não tinham o condão de impedir a constituição do crédito tributário preventivo da decadência. Nesse sentido, transcrevo trecho de um dos numerosos acórdãos que trata do tema: Acórdão RESP 75075/RJ; RECURSO ESPECIAL1995/0048411- O. Fonte: DJ DATA:14/04/2003 PG:00206 Relator: Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS (1094) Ementa: TRIBUTA RIO — MANDADO DE SEGURANÇA — MEDIDA LIMINAR — RECURSO ADMINISTRATIVO — LANÇAMENTO — EFETIVAÇÃO DE NOVOS LANÇAMENTOS — POSSIBILIDADE — CT1V, ARTS, 151, I E III, E 173 — PRECEDENTES. - A concessão da segurança requerida suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas não tem o condão de impedir a formação do titulo executivo pelo lançamento, paralisando apenas a execução do crédito controvertido. - Recurso especial conhecido e provido. Data da Decisão: 25/02/2003 órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Ademais, não existia, h. época da referida constituição de credito tributário qualquer norma instituindo o chamado "lançamento judicial", nem legislação afirmando que a discussão judicial substituia o lançamento ou interrompia os efeitos da decadência, ao contrário, ocorreram inúmeros casos que mesmo diante de decisão judicial transitada em julgado a favor da Fazenda Nacional o crédito tributário já estava decaído por ausência do seu lançamento. Dai a orientação interna da RFB no sentido de que a autoridade fiscal sempre efetue o lançamento preventivo da decadência nos casos que o contribuinte resolva discuti-lo judicialmente. Exceção a essa regra somente surgiu muito recentemente, com a edição da Medida Provisória n° 449, publicada no DOU em 04.12.2008, que em seu art. 49, dispõe que prescinde do lançamento de oficio destinado a prevenir a decadência (art. 63 da Lei n° 9.430/96), o crédito tributário relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação, cuj a exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso II do art. 151 do CTN, ou seja, no caso de existência de depósito judicial. Em suma, a autoridade fiscal estava obrigada a efetuar o presente lançamento devido ao fato de a constituição do crédito tributário, além de ser de sua competência privativa, figura atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. Portanto, nenhuma violação A. lei ou desobediência ao Poder Judiciário ocorreu no caso em tela porque a constituição do crédito tributário pelo lançamento, isoladamente, não é definitiva, ou seja, não se pode extrair dele o titulo executivo extrajudicial (art. 585, VII do CPC c/c art. 2°, § 3°, da Lei n° 6.830/80). Nos casos em que a matéria está 9 sendo discutida em sede de Poder Judiciário, sua constituição somente é definitiva acaso a decisão seja favorável à Fazenda Pública (União). Dos atos legais acima transcritos temos que o crédito tributário em apreço deveria, A. época, obrigatoriamente ser constituído. Constituído o credito tributário através do competente auto de infração, a sua exigibilidade é que poderia ser suspensa de acordo corn o art. 151 do CTN (Lei n° 5.172/1966), como inclusive mencionou a autuada em sua defesa: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário; I - moratória; II - o depósito do seu montante integral; III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V - a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI - o parcelamento. Parágrafo único. 0 disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. (grifei) Portanto, preenchidos os requisitos eleneados no art. 151 do CTN (Lei n° 5.172/1966), a exigibilidade do crédito tributário constituído através do presente auto de infração estará suspensa enquanto perdurar sua condição suspensiva, como é o caso do depósito judicial e da concessão de medida liminar ou de tutela antecipada. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. M ' cia 'Helena TrajatiltQrim 10
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001767/2002-45
Data da sessão: Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Fato Gerador: 30/03/1999, 30/09/1999, 30/09/2000
Ementa: EXTINÇÃO DE DÉBITO COM CRÉDITO DA MESMA
ESPÉCIE. COMPENSAÇÃO ANTES DA LEI 1\1° 10.637/2002,
Nos casos de pagamento indevido ou a maior, as normas vigentes em 1999 e 2000, antes da Lei IV 10,637/2002, permitiam ao contribuinte efetuar a extinção do débito correspondente a período subseqüente mediante a compensação de tributos da mesma espécie, no presente caso, crédito antecedente do !RN com débito subseqüente do IRPJ, nos moldes do artigo 66 da Lei n° 8.383/91 e da Instrução Normativa n° 021 de 10 de março de 1997.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC
Súmula CARF N 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
JUROS SELIC
Súmula CARF N.. 4 A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema
Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Numero da decisão: 1802-000.570
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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materia_s : IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Fato Gerador: 30/03/1999, 30/09/1999, 30/09/2000 Ementa: EXTINÇÃO DE DÉBITO COM CRÉDITO DA MESMA ESPÉCIE. COMPENSAÇÃO ANTES DA LEI 1\1° 10.637/2002, Nos casos de pagamento indevido ou a maior, as normas vigentes em 1999 e 2000, antes da Lei IV 10,637/2002, permitiam ao contribuinte efetuar a extinção do débito correspondente a período subseqüente mediante a compensação de tributos da mesma espécie, no presente caso, crédito antecedente do !RN com débito subseqüente do IRPJ, nos moldes do artigo 66 da Lei n° 8.383/91 e da Instrução Normativa n° 021 de 10 de março de 1997. MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC Súmula CARF N 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária JUROS SELIC Súmula CARF N.. 4 A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
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PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 18471,001767/2002-45 Recurso n" 156.542 Voluntário Acórdão IV 1802-00.570 — 2' Turma Especial Sessão de 02 de agosto de 2010 Matéria IRPJ Recorrente Nabhan Consultoria e Planejamento S/C Ltda. Recorrida .3" /Turma/DRJ/Rio de Janeiro/RJOI Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Fato Gerador: 30/03/1999, 30/09/1999, 30/09/2000 Ementa: EXTINÇÃO DE DÉBITO COM CRÉDITO DA MESMA ESPÉCIE. COMPENSAÇÃO ANTES DA LEI 1\1° 10.637/2002, Nos casos de pagamento indevido ou a maior, as normas vigentes em 1999 e 2000, antes da Lei IV 10,637/2002, permitiam ao contribuinte efetuar a extinção do débito correspondente a período subseqüente mediante a compensação de tributos da mesma espécie, no presente caso, crédito antecedente do !RN com débito subseqüente do IRPJ, nos moldes do artigo 66 da Lei n° 8.383/91 e da Instrução Normativa n° 021 de 10 de março de 1997. MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC Súmula CARF N 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária JUROS SELIC Súmula CARF N.. 4 A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso nos termos do relatório-e voto que integram o lif_es_entejulgado, er arques Lins de Sous res i Relatara. 1 EDITADO EM: 0 2 SET 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente de Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel, Alfredo Henrique Rebello Brandão, João Francisco Bianco (Vice Presidente de Turma). Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida (f1s,73/74) que transcrevo a seguir: Versa o presente processo sobre o Auto de Infração de fls. 15/19, lavrado pela DRE Rio de Janeiro, sendo exigido do interes•sado o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de RS163.761,04, com multa de oficio de 75% e . juros de mora. O crédito total monta a R$ 357.784,69. O lançamento foi efetuado em virtude de, em ação . fiscal, terem sido apuradas as seguintes infrações: DIMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA — RECEITAS DA ATIVIDADE DIFERENÇA APURADA .ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRL4S): "Durante o procedimento de verificações obrigatórias lbrain constatadas divergências entre o valores declarados e/ou pagos e os valores apurados pela .fiscalização conforme detalhamento do termo de verificação em anexo." Enquadramento legal: artigos 224, 518, 5 ,19 e 841, inciso Hl, do RIR 99. 2)IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA — DEMAIS RECEITAS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS): "Durante o procedimento de verificações obrigatórias .foram constatadas divergências entre os so valores declarados e/ou pagos e os valores apurados pela . fiscalização conforme detalhamento do termo de verificação em anexo." Enquadramento legal: artigos 521 e 841, do RIR 99. Enquadramento legal da multa e juros de mora: fl 19, O interessado apresentou a impugnação de . 11s. 30/39. Na referida peça de defesa alega, em síntese, que.• - "A entrega da DCTF impede o lançamento de oficio"; 2 Processo n 18471 001767/2002-45 SI-TE02 Acórdão o.° 1802-00,570 Fl .300 - "o lançamento impugnado propõe nova exigência de tributos já declarados pela impugnante, constituindo unia verdadeira dupla tributação sobre os mesmos fatos e valores,", - não se aplica a multa de oficio; - "na remota hipótese de algo ser devido - é tão somente a multa de mora, pelo simples fato de que não se pode inserir na mesma situação os contribuintes que se apresentam ao Fisco e prestam informações e aqueles que se omitem"; - "Também é inaceitável a inclusão de notas .fiscais canceladas na determinação da base de calculo do 1RRJ, a exemplo do que .fez o fiscal autuante em relação aos períodos objetos da autuação ", - impugnante também não pode se conformar com o fato do lançamento ter ignorado as diversas compensações que fez durante os períodos objeto da fiscalização,", -"Ainda que ultrapassadas todas as questões acima deduzidas, o fato é que o lançamento é totalmente descabido por uma só razão: a impugnante nada deve ao Fisco Federal..", - contesta a aplicação da taxa SELIC; - solicita perícia ou até mesmo uma diligência indicando quesitos e Assistente Técnico; - encerra solicitando o cancelamento da exigência contida no auto de infração impugnado. A autuada foi cientificada da decisão proferida no Acórdão if 8.936, de 24 de novembro de 2005, que julgou procedente o lançamento tributário, conforme o Aviso de Recebimento fi.79-v, em 2:3/12/2005, e, inconformada, interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, (fis.82/90), em 18/01/2006, que no essencial, repete as mesmas alegações expendidas na impugnação. O Recorrente alega à fi,86 que, no tocante à primeira cobrança, RS.2.214,11, a mesma é devida, vez que é um resíduo do imposto devido (RS,8.661,28 R$.6.447,17 pagos), conforme cálculos do Anexo A. Quanto à segunda cobrança (do 3 0 Trimestre de 1999), R$A43.738,32 (vide Anexo C), o valor devido foi compensado com o saldo credor do 2° Trimestre de 1999, R$.140.421,09 (vide Anexo B), originado do pagamento a maior efetuado no período (imposto devido R$A54,711,14, menos imposto pago R$ 295,132,23 — Doc. n° 2.16, mais IRFonte atestado pela fiscalização)„ Após a compensação, existe um resíduo de R$.3.317„23, que, desde já, reconhece como devido. No que concerne à terceira cobrança, no valor de R$A 7.808,61, o Recorrente destaca que é importante observar que existem três pagamentos anteriores a maior (R$ 37, 168,41 – 4" T/99; R$ 549,63 – 1" T/00 e R$11 119,20 – 2" T/00) que, somados, ultrapassam o valor exigido e, por isso, foram corretamente compensados. Afirma que somados, os valores a compensar perfazem o montante de R$ 48.8.37,24, enquanto que a terceira exigência é de apenas R$ 17.808,61, subsistindo, ainda, um crédito de R$ 31.028,62 (vide anexo "H"), 3 Novamente requer diligência para se refazer a base de cálculo do imposto lançado, com a inclusão das compensações efetuadas e exclusão das notas canceladas. Por fim insurge-se contra a Taxa Selic na cobrança dos juros de mora. É o relatório, 4 Processo ri' 18471.001767/200245 Si-TE02 Acórdão ri.' 1802-00370 Fl 301 Voto Conselheira ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Relatara O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Assim, dele conheço. O lançamento tributário do IRR1 deu-se em razão de divergências constatadas entre os valores declarados e/ou pagos e os valores apurados pela fiscalização. Consta do Termo de Verificação Fiscal (f1.12) que o contribuinte declarou a menor (DCTF) e recolheu a menor IRP.1 referente ao I', e 3°, trimestre de 1999 e 3°, trimestre de 2000. A questão gira em torno da extinção da obrigação tributária. Alega o contribuinte que o débito foi extinto pela compensação com crédito de IRPJ em 1999 e 2000 que se deu de acordo com o previsto no art. 66 da Lei 8383/91. Vale lembrar que a Lei n o 8383/91, em seu artigo 66, até a edição da Lei tf 10,637, de 2002, previa a compensação de tributos da mesma espécie, efetivada pelo contribuinte, sem que fosse necessária a entrega da declaração de compensação à Secretaria da Receita Federal, vejamos: Art. 66 Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei n" 9.069, de 29 6199) § I" A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei n°9.069, de 29,6, 1995) § 2" É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição (Redação dada pela Lei n" 9,069, de 29,6,1995) (.,) Nesse passo, no caso de pagamento indevido ou a maior, as normas vigentes em 1999 e 2000, permitiam ao contribuinte efetuar a extinção do débito correspondente a período subseqüente mediante a compensação de tributos da mesma espécie, no presente caso, débito do IRPJ com crédito do IRPJ, nos moldes do artigo 66 da Lei n° 8383/91 e da Instrução Normativa n° 021 de 10 de março de 1997. A compensação de que se trata, entre tributos da mesma espécie, com respaldo no artigo 66 da Lei 8.383/91, como se disse antes, dispensava o pedido de restituição/compensação, bastaria fazer a compensaçã ediante..a contabilidade do interessado ou quando dispensada a contabilidade, como no caso presente em que a apuração do IRPJ se deu com base no lucro presumido, a compensação como meio de extinção da obrigação tributária se perfaz mediante o confronto dos créditos recíprocos entre as partes (Fisco e contribuinte) com documentação hábil e idônea. Compulsando-se os autos, constata-se às fis26/27 o seguinte comunicado do autuante ao seu Supervisor, vejamos: No curso das ver?ficações obrigatórias mencionadas no item 2 acima constatamos diversos créditos ( pagamentos feitos a maior que o devido), em favor da fiscalizada que não foram consideradas pela fiscalização pelo simples fato de os mesmos não estarem inchddos nas respectivas DCTF (compensações) Estes direitos se encontram evidenciados nos respectivos "demonstrativo de situação fiscal apurada ", o qual . faz parte integrante e indestacável dos autos mencionados nos subitens 2.1; 22; 2 3 e 2 4 respectivamente, cujos valores passamos a discriminar a seguir, A- 1RP, - 2° tri/99 - R$ 140.421,09 , 4° tri/99 R$ 37 168,01 ; 1° tri/00 R$ 549,64 ; 2° tri/00 — R$ 8,725,41, Estas compensações estão sendo pleiteadas pelo contribuinte através de requerimento encaminhada a DRF, como prevê o artigo 891 do Decreto ri ° 3,000 de 26103/99 c/c a IN 21/97, artigo 16. Com a utilização destas compensações, as quais, o contribuinte tem pleno direito, as autuações mencionadas nos subitens acima referendados serão reduzidas de maneira substancial, de tal forma que o montante total da autuação ficará muito abaixo do valor mínimo exigido para a solicitação do arrolamento dos bens e/ou direitos. (Grifei) Não é crível que a fiscalização no exercício de sua atividade administrativa ao constituir o crédito tributário pelo lançamento (art, 142 do CTN), mesmo constatando a existência dos créditos em favor da fiscalizada indicados no "demonstrativo de situação fiscal apurada", e, com evidências de compensação efetuada pelo contribuinte, desconsiderar mencionados créditos "pelo simples fato de os mesmos não estarem incluídos nas respectivas DCTF (compensações). A conclusão acima é que houve erro de fato na apresentação das DCTFs com débitos declarados sem a correspondente informação da compensação efetuada pelo contribuinte, pois as bases de cálculo apuradas nos demonstrativos da "situação fiscal apurada" são as mesmas constantes das INFORMAÇÕES PRESTADAS À SRF (f1,1 4 Registre-se que havendo o contribuinte exercido a opção do IRPJ com base no lucro presumido, portanto com dispensa legal da escrituração completa, não se pode na presente análise exigir documentação contábil para comprovar a baixa do ativo a recuperar em contrapartida do 1RPJ a recolher em 1999 e 2000 e, por conseqüência a comprovação da efetividade da compensação antes da ação fiscal,. 6 Processo n" 18471 001767/2002-45 SI-TE02 Acórdão n 1802-00.570 Fl. 302 De sorte que, os referidos "demonstrativos de situação fiscal apurada" que fazem parte integrante do auto de infração, bem corno o "comunicado" acima fazem prova a favor do autuado, na medida em que demonstram os créditos que o contribuinte no exercício de sua faculdade legal alega haver compensado com os débitos de períodos subseqüentes, ou seja, com os débitos que também constam do auto de infração. Assim, confrontando os débitos com os créditos verificados nos "demonstrativos de situação fiscal apurada", e "comunicado" do autuante, constata-se o seguinte: 1" Trimestre/99 (.30/03/99) ..„.IRPJ devido: R$ 2.214J1 (C/Auto de Infração) 2° Trimestre/99 (30/06/99)„.„.IRPI devido: R$ 154,711,14 (S/Auto de Infração) (-) IRRF R$ 56 454,80 (-)Créditos apurados R$ 238.677,43 Pagamento a maior R$ 140 421,09 * 3° Trimestre/99 (30/09/99) IRPJ devido: R$ 519.152,58 (-) 1RRF R$ 112.77.3,89 (-)Créditos apurados R$ 262.640,36 IRPJ a pagar R$ 143.738,33 (-) Compensação R$ 140,421,09* IRPJ a ;lagar R$ 3.317 24 4° Trimestre/99 (31/12/99), sem auto de infração e crédito apurado no valor de R$ 37.168,01; I' Trimestre/00 (30/03/00), sem auto de infração e crédito apurado no valor de R$ 549,64; 2° Trimestre/00 (30/06/00), sem auto de infração e crédito apurado no valor de R$ 8.725,41; 3 0 Trimestre/00 (30/09/00) &RJ devido: R$ 112.517,78 (-) iltR.F R$ 39,114,55 (-)Créditos apurados R$ 55.594,61 IRPJ a pagar R$ 17.808,62 (-) Compensação com os créditos anteriores acima IRPJ a pagar: -O - O Recorrente, conforme relatado, considera como devidos os valores de R$ 2.214,11 e R$ 3.317,24, referentes ao 1° e 3' trimestres de 1999, portanto não há litígio, em relação aos mencionados valores. Assim, passo a análise da aplicação da multa de 75% e juros selic, contra os quais se insurge o Recorrente, 7 Em relação aos mencionados assuntos não merece reparo à decisão recorrida. A multa de oficio lançada, no percentual de 75%, escora-se no art. 44, inciso I, da Lei n" 9.430/96, verbis: Art.44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte, O mencionado dispositivo legal encontra-se indicado no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, f1.19, parte integrante do auto de infração, em face do IRPJ lançado de oficio. O descumprimento da obrigação tributária impõe a aplicação da multa de oficio no percentual de 75%, conforme prevista no inciso I do dispositivo legal acima transcrito. No que tange aos juros de mora, o artigo 161 do CTN, não deixa margem a serem afastados, seja qual for o motivo determinante da falta, vejamos, verbis.: Art. 161, O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer' medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária ) Com efeito, tanto a multa de oficio quantos os juros de mora decorrem de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicá-la, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas n° 2 e 4 deste E. Conselho Administrativo, consolidadas no Anexo III da Portaria n° 106 de 21/12/2009, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 22/12/2009: Súmula CARF N. 2 O GARE não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, Súmula CARF N. 4 A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórias- incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso considerando como devidos apenas os valores de R$ 2,214,11 e R$ 3,317,24, e seus consectários, referentes ao I' e 3' trimestres de 1999, respectivamente. 8 Processo n" 18471 001767/2002-45 S1-TE02 Acórdão n 1802-00,570 Fl 303 _ E ér 9 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 18471.001767/2002-45 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art 81, ;,5 3°, do anexo II, do Regimento Inteino do CAIU, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 03 de agosto de 2010. Maria Con . Sousa Rodrigues Secretária da Câmara.-e., Ciência Data: / / Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração,
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909836/2006-61
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência. No mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli (Suplente convocado), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (Relator) e Solon Sehn.
Fez sustentação oral: Dr. Phelippe Falbo Di Cavalcanti Mello, OAB/PE n. 24.635.
RÉGIS XAVIER HOLANDA - Presidente
CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA Relator
[assinado digitalmente]
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Redator ad hoc
EDITADO EM: 31/03/2019
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes (Suplente convocada), Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli (Suplente convocado), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn e Regis Xavier Holanda (Presidente à época). Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Francisco José Barroso Rios e, momentaneamente, o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência. No mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli (Suplente convocado), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (Relator) e Solon Sehn. Fez sustentação oral: Dr. Phelippe Falbo Di Cavalcanti Mello, OAB/PE n. 24.635. RÉGIS XAVIER HOLANDA - Presidente CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA Relator [assinado digitalmente] RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Redator ad hoc EDITADO EM: 31/03/2019 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes (Suplente convocada), Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli (Suplente convocado), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn e Regis Xavier Holanda (Presidente à época). Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Francisco José Barroso Rios e, momentaneamente, o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 137 1 136 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.909836/200661 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.746 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de abril de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BONIFICAÇÃO EM MERCADORIAS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente MICROLITE SOCIEDADE ANÔNIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência. No mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli (Suplente convocado), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (Relator) e Solon Sehn. Fez sustentação oral: Dr. Phelippe Falbo Di Cavalcanti Mello, OAB/PE n. 24.635. RÉGIS XAVIER HOLANDA Presidente CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA – Relator [assinado digitalmente] RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Redator ad hoc EDITADO EM: 31/03/2019 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes (Suplente convocada), Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli (Suplente convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 36 /2 00 6- 61 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.909836/200661 Acórdão n.º 3802001.746 S3TE02 Fl. 138 2 Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn e Regis Xavier Holanda (Presidente à época). Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Francisco José Barroso Rios e, momentaneamente, o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Na condição de Presidente da Terceira Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, inciso III1, c/c art. 19, inciso VII2, do Anexo II do RICARF, designome Redator para formalizar o presente acórdão, relativo a este processo, tendo em vista que o Relator originário, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, deixou de integrar o Colegiado antes de formalizálo. Assim, reproduzo, na íntegra, o relatório disponibilizado em meio magnético pelo referido Conselheiro, no repositório oficial do CARF, conforme a seguir: Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, não homologando a compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP, fundamentandose em crédito pelo recolhimento indevido de PIS sobre o valor de Notas Fiscais de Bonificação por ele emitidas no período de apuração de 31.10.1998, em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; 2 Art. 19. Aos presidentes das Seções incumbe, ainda: (...) VII praticar atos inerentes à presidência de Câmara vinculada à Seção nas ausências simultâneas do Presidente da Câmara e de seu substituto (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018). (...) Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.909836/200661 Acórdão n.º 3802001.746 S3TE02 Fl. 139 3 alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório Não Reconhecido. Inconformado, o recorrente apresenta os mesmos argumentos trazidos em primeira instância e reitera a legalidade de seu procedimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator ad hoc A teor do relatório acima reproduzido, também adoto aqui o voto disponibilizado pelo Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, porém com ajustes, conforme a seguir: Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, relator Estando presentes os requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, e não havendo qualquer nulidade, o recurso deve ser conhecido. A compensação não foi homologada, consoante conclusão do Acórdão 16 29.702, de 17/02/2011, da 9ª Turma da DRJ/SP1: Conclusão Ao declarar que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, a Contribuinte assumiu a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza. Relativamente a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo, o CTN, assim estabelece em seu art. 170: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. [negrejouse] Compete à declarante o ônus de formar a prova do alegado direito creditório, para fins de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, consoante determina o disposto no art. 170 do CTN. A comprovação do indébito é requisito indispensável e é incumbência do suposto credor. Como visto, a defesa não logrou êxito ao pretender fazêlo. Desta forma, com o pagamento em Darf integralmente utilizado e não sendo possível reconhecer o indébito (crédito) alegado e cabe manter a decisão contestada que não homologa a Declaração de Compensação. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.909836/200661 Acórdão n.º 3802001.746 S3TE02 Fl. 140 4 Tendo em vista o que dos autos consta, a lide administrativa limitase a definir se é possível ou não a exclusão dos descontos incondicionais da base de cálculo do PIS. Nos termos do artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, as Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) têm como base de cálculo o faturamento mensal das empresas, assim entendido como a receita bruta resultante das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Para fins de determinação da base de cálculo das referidas contribuições, entretanto, estabelece a legislação de regência (Lei nº 10.833, de 2003, artigo 1º, par. 3º) que serão excluídas da receita bruta (i) as vendas canceladas, (ii) os descontos incondicionais concedidos, (iii) IPI, e (iv) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituição tributário. Consideramse descontos incondicionais concedidos, os descontos que não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Vale dizer, podem ser excluídos do cômputo da receita bruta para efeitos de apuração da base de cálculo da COFINS e do PIS, os descontos que não estiverem associados a uma condição ou evento futuro posterior à emissão dos respectivos documentos fiscais, constituindose em mera liberalidade do vendedor. Sabese, nesse contexto, que a concessão de descontos financeiros é prática bastante comum no mercado das empresas importadoras, onde uma parcela do benefício fiscal usufruído pelas trandings companies não raramente é repassado aos clientes como atrativo para a realização de operações em patamares de competitividade. Ocorre que, nos casos em que o desconto concedido e repassado ao cliente não é mencionado no documento fiscal de venda, a base de cálculo das contribuições para PIS e COFINS acaba sendo formada pela integralidade do valor faturado, tendo em vista uma equivocada interpretação imprimida pela Receita Federal do Brasil, ainda que, na prática, a receita de venda seja menor. Nestas condições, atentandose para o disposto na legislação aplicável e para o entendimento jurisprudencial firmado pelo Supremo Tribunal Federal em casos análogos, onde a receita bruta tributável, para fins de PIS e COFINS, deve ser aquela efetivamente ingressada no caixa da empresa em contrapartida pela venda de mercadoria e/ou pela prestação de serviços, temse que os valores concernentes a descontos financeiros incondicionais que porventura tenham servido de base de cálculo para as referidas contribuições, mostramse passiveis de ressarcimento, ainda que não tenham sido destacados nos documentos fiscais, por se tratar de exigência meramente formal e desprovida de previsão legal e constitucional. Neste sentido, conforme noticiado pelo recorrente, o entendimento consolidado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF) é o de que a “a concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita” (SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 136 de 21 de Agosto de 2012). Desta forma, tendo o Recorrente demonstrado que o valor das mercadorias por ela entregues gratuitamente em bonificação, no intervalo correspondente ao período de apuração de out/1998, efetivamente compuseram a base de cálculo da PIS que recolheu, conforme as cópias de seus demonstrativos contábeis, das respectivas apurações mensais de créditos e débitos e da planilha de tributos apurados no período, dúvidas não restaram quanto ao necessário provimento do Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.909836/200661 Acórdão n.º 3802001.746 S3TE02 Fl. 141 5 presente Recurso Voluntário, para que se reconheça o crédito da Recorrente e se homologue a compensação por ela realizada por meio da PER/DCOMP nº 36804.85283.150903.1.3.047663. Votase, assim, pelo conhecimento e pelo provimento do recurso. Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator Nestes termos, o relator original votou pelo provimento do recurso. Esclareçase que os ajustes feitos no voto consistiram basicamente na exclusão da reprodução (imagem), na íntegra, do voto do acórdão da DRJ/SP1, tendo sido mantida apenas a sua conclusão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator ad hoc De igual modo, também adoto aqui o voto vencedor do então Conselheiro Regis Xavier Holanda, disponibilizado em meio magnético, conforme a seguir: Conselheiro Régis Xavier Holanda, redator designado No caso presente, deseja a recorrente ver reconhecido direito creditório por ter recolhido indevidamente PIS e COFINS de setembro de 1998 a julho de 2003 sobre remessas de produtos em bonificação ao entendimento de que tais operações não geram obrigação fiscal pois não são consideradas vendas aptas à geração de receita. A DRJ São Paulo I, ao analisar a matéria, julgou improcedente a manifestação de inconformidade pelos seguintes fundamentos de fato e de direito: a) que enquanto existente a confissão, o débito temse como legítimo e apto a ser extinto pelo correspondente DARF pago. Esgotado o valor do DARF pela sua vinculação ao débito que foi lançado ou confessado por qualquer meio previsto (como, por exemplo, a DCTF), não remanesce valor a ser eventualmente restituído ou compensado; b) que os valores referentes às bonificações concedidas em mercadorias serão excluídos da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, somente quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos; c) os documentos apensados não possuem o teor comprobatório suficiente. A decisão restou assim ementada: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.909836/200661 Acórdão n.º 3802001.746 S3TE02 Fl. 142 6 IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Negritos apostos. A solução da lide em casos dessa natureza perpassa pelo enfrentamento de duas questões: as de direito e a probatória. Em outras palavras, reconhecido, em tese, os fundamentos jurídicos base do indébito tributário – in casu, a exclusão da base de cálculo das contribuições em tela dos valores referentes à bonificação de mercadorias, há que se passar a uma segunda etapa da análise referente à prova do direito alegado. Inicialmente, ante a ausência de determinação legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, por si só, não constitui motivo suficiente para o indeferimento do direito creditório pleiteado ou, se for o caso, da não homologação da compensação declarada. Assim, embora adequada e oportuna, a retificação prévia da DCTF não é requisito obrigatório para fim de formalização do pedido de restituição ou da declaração de compensação. Dessa forma, apresentada prova inequívoca quanto ao erro do valor do débito declarado e atendido o prazo quinquenal de decadência, é possível a retificação de ofício da correspondente Declaração e o reconhecimento do indébito tributário. Em relação à questão seguinte, debruçandome sobre o voto apresentado pelo i. relator Conselheiro Cláudio Pereira, filiome à tese apresentada, tendo como referência a Solução de Consulta nº 136, de 21 de Agosto de 2012, de que “a concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita”. Vencidas, pois, as questões de direito, restanos a análise do conjunto probatório acostado aos autos para aferirmos, atento à dicção legal do artigo 170 do CTN, a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Para comprovação do direito alegado juntou a recorrente, essencialmente, cópias de notas fiscais de bonificações (e.g. fl 41), apurações mensais (e.g. fl 39); demonstrativos contábeis (e.g. fl 40) e planilhas de tributos apurados (e.g. fl 80, Cofins). Entretanto, após análise dessa documentação, entendo, data maxima venia, que a mesma não se apresenta hábil à demonstração da existência do direito creditório. Da decisão recorrida, colhemse as seguintes anotações de relevo: As apurações mensais de créditos e débitos Pis e Cofins (e.g. fl 39) parecem agrupar distintos estabelecimentos (001, 067, 106 107) e as parcelas devidas por tipos de operação: “Mercado Interno”; “Diversos”; “Freegoods” bem como mostrar que Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.909836/200661 Acórdão n.º 3802001.746 S3TE02 Fl. 143 7 houve um recolhimento de Pis e um de Cofins (não trouxe cópias dos Darf’s). Há demonstrativos contábeis praticamente ilegíveis (e.g. fls 40 e 355) ou que não indicam quaisquer datas ou períodos de referência dos dados apresentados (e.g. fl 174). Os dados contábeis também não permitem concluir pela verossimilhança das alegações, pois não são trazidos registros específicos das operações. A planilha de tributos apurados por nota fiscal é mensal e cita Cofins nas duas colunas, mas uma delas deve ser de Pis (fl 80). As demais planilhas não têm os títulos nas colunas, mas com base na primeira, podese inferir o que os dados representam (e.g. fl 156). Não foram trazidos elementos comprobatórios oriundos de outros livros (Diário ou Razão, regularmente formalizados). Portanto, os demais documentos apensados não possuem o teor comprobatório suficiente. Destaques apostos. Com efeito, a documentação juntada não nos permite aferir questões basilares para a definição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. É certo que foram apresentadas diversas notas fiscais de bonificações de mercadorias, porém a documentação acostada não nos permite atestar, por exemplo, se as mesmas realmente compuseram a base de cálculo das contribuições. Como assinalado, os demonstrativos contábeis apresentados não trazem registros específicos das operações, nem sequer foram trazidos elementos comprobatórios oriundos de outros livros (Diário ou Razão, regularmente formalizados). Por fim, entendo também descabida uma possível sugestão de realização de diligência. Com efeito, o Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, em seção dedicada ao respectivo procedimento fiscal, assim dispôs sobre o pedido e processamento de diligências ou perícias: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.909836/200661 Acórdão n.º 3802001.746 S3TE02 Fl. 144 8 indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1o da Lei no 8.748/93) Negrito aposto. Dessa forma, com base nesses dispositivos, as diligências ou perícias determinadas pela autoridade julgadora objetivam elucidar questão imprescindível ao julgamento da lide, nunca suprir deficiência probatória imputada ao recorrente que, em diversas oportunidades, poderia ter carreado aos autos os elementos necessários e suficientes à comprovação da certeza e liquidez do direito creditório alegado. Portanto, competindo à declarante o ônus de formar a prova do alegado direito creditório, para fins de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, consoante determina o disposto no art. 170 do CTN, e não logrando êxito em fazêlo, há que se manter o indeferimento do pleito do recorrente. Assim, pelo exposto, voto pelo integral desprovimento do recurso. Régis Xavier Holanda, Redator designado Com base nos fundamentos expostos o colegiado, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000113/99-45
Data da sessão: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 202-00.586
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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Processo nO Recurso n° Recorrente Recorrida Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13982.000113/99-45 122.465 COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE LTDA. DRJ em Porto Alegre - RS RESOLUÇÃO N° 202-00.586 I "CCM' IFI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE LTDA. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em OI de dezembro de 2003 ~'~~~h.'~~~que l'mheiro r~7 ..... Presidente ,, cl/opr I 2 Solicitação Indeferida ". ~ld COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE LTDA. RELATÓRIO 13982.000113/99-45 122.465 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Exclui-se da base de cálculo do benefício as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de cooperativas de produtores e de pessoas físicas, por não terem sofrido a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins sobre o faturamento. Período de Apuração: OI/Ol/I995 a 31/12/1995 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Os insumos admitidos no cálculo do benefício são, apenas, as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, como tal conceituados na legislação do IPI. condição que não preenchem os insumos combustível para caldeiras, produtos para tratamento de água, graxa, óleos e lubrificantes. "Assunto: Imposto sobre Produtos industrializados - IPI A fabricação e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da Cofins. : Recorrente Inconformado, apresenta o Contribuinte o Recurso que ora se julga. É o relatÓrio.) { Processo nO, Recurso n° Irresignado apresenta o Contribuinte manifestação de inconfom'lidade às fls. 682/704, relativamente à parcela do crédito glosado. Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI relativo ao ano- base de 1995, decorrente de aproveitamento de créditos presumidos do IPI como ressarcimento da contribuição PISIPASEP e COFINS incidentes sobre matérias-primas adquiridas no mercado interno, utilizadas no processo produtivo de bens destinados à exportação. Remetidos os autos à Delegacia da Receita Federal em JoaçabalSC, é o pleito do contribuinte parcialmente deferido, sendo excluídas as parcelas relatiyas à exportação de Produtos NT, produtos intermediários que não se enquadram no conceito de MP ou PI, bem como as parcelas relativas à aquisição de insumos de pessoas fisicas e cooperativas associadas. Remetido o processo à DRJ em Porto AlegrelRS, é a glosa mantida in totum, através da decisão de fls. 723/730, assim ementada: ., Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13982.000113/99-45 122.465 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR GUSTAVOKELLY ALENCAR Rld O recurso obedece aos requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Tem-se que o objeto da presente controvérsia são pedidos de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, originado por créditos presumidos deste imposto, referentes à contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, incidentes sobre as aquisições no mercado intemo, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo, no ano-base de 1995. Analisando os autos, verifica-se a necessidade, a meu ver e a despeito do excelente trabalho realizado pela Fiscalização e consubstancÍado na Informação Fiscal, de maiores esclarecimentos sobre qual o real emprego dos insumos em análise no 'processo de industrialização dos produtos exportados pela recorrente - apesar da vasta documentação por ela juntada a estes autos-, sendo que a forma de utilização desses insumos é de curial importância para o julgamento, na hipótese de o Colegiado admitir, como o fez em decisões recentes, a inclusão dos produtos adquiridos de não contribuintes no cálculo do crédito presumido. E tal informação sobre a efetiva utilização dos insumos, em foco, toma-se ainda mais relevante quando se sabe que boa parte do produto final exportado refere-se a alimentos derivados de animais, que tem processo produtivo peculiar. Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime a recorrente a esclarecer, detalhadamente, e dos insumos que efetivamente integram o demonstrativo das aquisições: a) como são eles efetivamente utilizados no processo produtivo da recorrente; b) se eles integram fisicamente o produto final e, em caso negativo, como são consumidos na elaboração do produto acabado; e c) apresente laudo técnico, emitido pela Companhia de Energia competente, definindo a real utilização de energia elétrica no processo produtivo da recorrente, por meio de levantamento, medições e análises de cargas elétricas produtivas e não produtivas. Após receber as respostas dos quesitos acima, em prazo hábil que deverá ser concedido à interessada, deve a Fiscalização elaborar relatório de diligência consigÍlando eventUais discrepâncias entre as informações prestadas pela recorrente e o efetivamente verificado no processo produtivo da empresa, sem prejuízo dos esclarecimentos que entender útil ao deslinde da presente contenda. I I I J1ltboi ' j I ; i Li G em OI de dezembro de 2003 LY ALENCAR !f i _ 3 00000001 00000002 00000003
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Numero do processo: 10283.006537/2005-21
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
OMISSÃO DE RECEITAS, PAGAMENTOS. FALTA DE
ESCRITURAÇÃO.
Caracteriza-se como omissão de receitas a falta de escrituração de pagamentos efetuados.
O acervo probatório que lastreou os lançamentos compõe-se de informações obtidas a partir de quebra de sigilo bancário no exterior e remetidas licitamente por autoridades norte-americanas. O sujeito passivo consta como
ordenador de pagamentos realizados à revelia da legislação tributária, com
identificação de sua denominação, domicílio e diretor beneficiário.
LANÇAMENTOS REFLEXOS, CSLL, PIS E COFINS
O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é
aplicável aos autos de infração reflexos, em face da íntima relação de causa e
efeito entre eles existente,
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE. PRAZO.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art,173, 1, do Código Tributário Nacional), na hipótese de comprovada a ocorrência de dolo e fraude.
Numero da decisão: 1401-000.283
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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FALTA DE ESCRITURAÇÃO. Caracteriza-se como omissão de receitas a falta de escrituração de pagamentos efetuados. O acervo probatório que lastreou os lançamentos compõe-se de informações obtidas a partir de quebra de sigilo bancário no exterior e remetidas licitamente por autoridades norte-americanas. O sujeito passivo consta como ordenador de pagamentos realizados à revelia da legislação tributária, com identificação de sua denominação, domicílio e diretor beneficiário. LANÇAMENTOS REFLEXOS, CSLL, PIS E COFINS O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexos, em face da íntima relação de causa e efeito entre eles existente, ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art,173, 1, do Código Tributário Nacional), na hipótese de comprovada a ocorrência de dolo e fraude. Vistos, relatados e discutidoAs autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. —7 — Viviane Vida! Wagner - Presidente •f • ,, Eduardo Ma ' ins4pb IN a nteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. Relatório Trata-se de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e CUPINS, anos- calendário 2000, 2001 e 2002, no valor originário total de R$ 535.718,83, sobre o qual incidem multa de oficio e juros de mora, decorrentes da constatação de omissão de receitas. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls.139/140): "Trata-se de fiscalização motivada por- determinação interna da COORDENAÇÃO-GERAL DE FISCALIZAÇÃO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, por Intermédio de REPRESENTAÇÃO FISCAL EEF No. 138/05, na qual se verificou a existência de valores remetidos do Brasil para os Estadas Unidos da América. Tais informações foram obtidas no ClitS0 das investigações oriundas do IPL/DPF 207/98, processo No 2003,7000030333-4 da JUSTIÇA FEDERAL NO ESTADO DO PARANÁ a partir do trabalho de "Força Tarefa" criada por diversos órgãos do Estado para apurar, em tese, movimentação de divisas à margem da legislação vigente. Em 09/11/2005 foi distribuído o referido Dossiê, juntamente com o Mandado de Procedimento fiscal no. 00666/200.5, o qual apresentava, além de outras informações cadastrais, um total de Remessa de US$ 6.56 400,89 na condição de ORDENANTE para os anos de 2000, 2001 e 2002, conforme tabela abaixo.' ANO 2000 2001 2002 Valores Remetidos em 29,158,00 555,486,79 71. 756,10 US$ Valores Remetidos em 52„325,09 1.280,245,74 191,122,93 R$ ' • '" 2 Processo ri 10283 006537/2005-21 S1-C4T1 Acórdão n.' 1401-00.283 Fl. 336 -44-- A partir de uma análise pontual sobre o objeto da operação, qual seja o de envio de remessas por parte do contribuinte ao exterior à margem da legislação, apesar da negativa por parte do contribuinte do envio dos referidos valores, observamos que esses constam explicitamente da documentação anexa à Representação Fiscal Na 200/05, mais precisamente nas Transcrições das Operações efetuadas onde o contribuinte figura como Ordenante desses depósitos durante os anos objetos deste procedimento („)". A autuação por omissão de receitas decorreu da falta de escrituração de pagamentos, realizados por meio de remessas ao exterior (art.281, II, do RIR/99). A ciência foi efetivada em 23/12/2005, tendo o contribuinte apresentado impugnação de fis.318/319. A Primeira Turma da DRJ – Belém (PA), ao considerar improcedentes os lançamentos, firmou que a exigência fiscal estaria "ao desamparo de provas que apontem a impugnante – de maneira inequívoca – como a efetiva ordenadora dos pagamentos em tela". Tendo em conta o valor do crédito tributário exonerado, recorreu-se de oficio. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator Inicialmente, vale fixar que o que for decidido com relação ao lançamento do IRRI estender-se-á aos lançamentos reflexos, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os vincula. De acordo com o impugnante, o fisco não estaria na posse de qualquer prova documental que pudesse qualificá-lo como remetente de valores ao exterior, vez que nas informações decorrentes das investigações policiais (IPL/DPF 207/98 – processo n° 200.330000.3033.33-4 da Justiça Federal no Estado do Paraná) apareceria apenas a palavra "oriente", desvinculada de seus sócios. Prossegue afirmando que em momento algum a fiscalização constatou faturamento compatível com as remessas ao exterior. Além disso, estaria impedido, por determinação do Banco Central do Brasil, de realizar qualquer operação com o exterior, não podendo portanto ter ordenado o envio de tais quantias, pois apenas seria possível mediante contratos de câmbio. Considerando-se a hipótese de incidência tributária que levou à autuação por omissão de receitas, a solução da controvérsia passa basicamente pela análise das provas carreadas aos autos, para fins de saber se é possível atribuir ao contribuinte a realização de pagamentos no exterior, vez que a não escrituração das transações é incontroversa. Consta dos autos os seguintes documentos obtidos a partir de decisão judicial proferida em 29/04/04 pela 2' Vara Criminal Federal de Curitiba: (a) relação/transcrição das operações em que o contribuinte aparece como "ordenante" de divisas através das contas/subcontas mantidas/administradas em Nova Iorque por BHSC — Beacon Hill Service ' I1 3 Corporation; (b) laudo pericial federal elaborado para cada conta/subconta em que foram localizadas as transações, com a identificação dos beneficiários/ordenadores das movimentações financeiras; e (c) cópias das ordens de pagamentos. Com relação às operações realizadas através das subcontas BCF Internacional (n° 310920) e CS Financial (n° 530767007) (fls.43/49), percebe-se que consta como "ordenante" ("Order Customer") não apenas a pessoa denominada "Oriente", corno alega a recorrente, mas também "Oriente Importação e Exportação Ltda" (remessas de 20/12/00, 27/06/01, 28/06/01, 13/08/01, 05/11/01, 20/12/01, 21/12/2001). Além disso, em todos os 82 (oitenta e dois) registros, o endereço do "ordenante" é a "1?, Dr. Moreira, Centro, Manaus", que coincide, ao menos nome da rua, bairro e cidade, com o de uma das filiais do autuado ("R. Dr. Moreira, 238 — Centro, Manaus- AM"), havendo, inclusive, a consignação em alguns registros do número do imóvel, que coincide com o que traz a "40" Alteração de Contrato Social" (f1.149) e o "Contrato Social" (f1.151) Ainda de acordo com a relação denominada pela fiscalização como "Operações da Representação Fiscal n" 200/05", o beneficiário final de algumas transações ("Ult Bene") foi "ORIENTE USA" (3 registros) e "Antonio Chung Yin Pi" (12 registros), sendo este um dos Diretores Delegados do sujeito passivo, nomeados no mencionado contrato social: "CLÁUSULA QUINTA. DA ADMINISTRAÇÃO A Direção e a Administração da Sociedade, isenta de caução, será exercida, pelos sócios PI PRI KUO, como Diretor Presidente, e BI IVONG FUN, como Diretora Vice-Presidente e, como Diretores Delegados, nomeados neste ato, os Sl'S ANIONIO CHUNG FIN P1 ( ) e JOÃO PI CHUNG YEE" Tais informações, consolidadas pela Receita Federal do Brasil, estão respaldadas por. Laudos Periciais de Exame Econômico-Financeiro confeccionados pelo Departamento de Polícia Federal, decorrentes de exames realizados em mídias eletrônicas e documentos de transações financeiras, disponibilizadas pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque (EUA), relativamente às contas acima mencionadas. O material, objeto de inquérito policial, foi compartilhado com a Receita Federal do Brasil em obediência a determinações da Justiça Federal, estando tudo devidamente documentado nos autos. Apesar de tais pagamentos terem sido assinados pelo Sr. Manuel M. Cortez Filho, que aparentemente não tem qualquer relação com o contribuinte, na documentação enviada pelas autoridades norte-americanas é inegável que o autuado aparece como a pessoa que tenha ordenado-os. Na decisão de primeira instância, em mais de uma oportunidade, o acervo probatório foi qualificado como "fortes indícios". No entanto, com as conclusões a que chegou o colegiado da DRJ — Belém (PA) não se pode concordar. Tão importante quanto o nome completo do sujeito passivo em alguns dos registros, e do respectivo endereço de uma de suas filiais, são as informações atinentes aos beneficiários das ordens de pagamento, que não podem simplesmente ser relegadas a um plano secundário. Corno visto, nesta posição constam urna pessoa jurídica com identificação semelhante, porém resumida (Oriente USA), e um dos Diretores nomeados do sujeito passivo, o que confere credibilidade não apenas à informação de que a Oriente Importação e Exportação Ltda de fato foi quem determinou as remessas a seu diretor, mas também, a todas as demais ordens de pagamento em que é possível se identificar com segurança, pelo nome ou endereço, ainda que parciais, o ordena r . dos pagamentos, 4 Processo n' 1 0283 006537/2005-21 S1-C4T1 Acórdão n ° 1401-00r283 Ft 337 i -44L-- Na decisão recorrida afirma-se inclusive que a dúvida levantada na impugnação seria plausível, "pois os titulares das contas `GB Financial' e 'BCF Inteniational' poderiam identificar da maneira que quisessem os remetentes e beneficiários dos valores movimentados pelo JP Morgan Chase Bank, especialmente porque os recursos movimentados teriam origem ilícita, via remessas efetuadas pelo Banestado S.Af'. Considerando que as provas que embasam os lançamentos advieram de uma fonte externa, mais precisamente da "quebra" de sigilo bancário no exterior, da qual resultaram informações extraídas oficialmente pelo Instituto Nacional de Criminalistica do Departamento de Polícia Federal, não há razão para se contestar a autenticidade e veracidade dos dados coligidos pelas autoridades norte-americanas e brasileiras. Não se pode confundir a suposta origem ilícita dos recursos, bem como a respectiva remessa à margem dos procedimentos legais, com os verdadeiros beneficiários e remetentes de tais valores. Na verdade, não apenas o autuado, mas todas as demais pessoas que constam como beneficiários e remetentes/ordenadores foram surpreendidos por aquela quebra de sigilo bancário que permitiu conhecer as operações financeiras intemiediadas pela Beacon Hill Service Corporation de que participaram. Sendo a Beacon Hill a administradora das contas bancárias não há de se esperar que, nas ordens de pagamento, exista a assinatura ou timbre dos reais ordenadores e beneficiários. Sobre as contas/subcontas em nome da Beacon Hill, requerimento policial encaminhado ao Promotor-Chefe do Condado de Nova Iorque/EUA (11.105), por meio do qual se solicitou a documentação já coligida por aquele órgão relativamente a tal pessoa jurídica, indica que receberam recursos de contas mantidas no BANESTADO/NY, que por sua vez " .. foram abastecidas por valores originários de contas mantidas por pessoas jurídicas fictícias ou "laranjas" com rendas incompatíveis com a movimentaçã o financeira, que em alguns casos atingiu valores superiores a US$100.000,000,00 (cem milhões de dólares norte- americanos)". Frise-se que as informações sobre a identificação dos reais beneficiários e ordenantes estavam sob a guarda das autoridades norte-americanas, responsáveis por investigações que lhe cabem, ou seja, houve um encontro fortuito de provas, cabendo às autoridades brasileiras (v.g., Polícia Federal, Ministério Público Federal, Banco Central do Brasil, Receita Federal do Brasil e COAF), diante de tal documentação, simplesmente adotar as providências na esfera de suas respectivas atribuições. Quanto às alegações postas na impugnação, acerca da incompatibilidade dos valores das transações com o faturamento do sujeito passivo e de as remessas não constarem de contrato de câmbio, em nada o auxiliam, pois a hipótese fática é a realização/ordenação de pagamentos à revelia da legislação tributária e cambiária. Guardando imenso respeito à decisão de primeira instância, mostra-se incongruente a valoração das provas no sentido de se consubstanciarem em "fortes indícios" e, posteriormente, concluir-se que não seriam suficientes a comprovar de forma inequívoca a autoria dos pagamentos. O aumento de práticas cada vez mais engenhosas e criativas por parte das empresas, com vistas a se esquivarem de seus compromissos tributários, faz com que as autuações baseadas nas chamadas "fraturas expostas" reduzam com o passar dos tempos. É neste cenário que a prova indireta ganha relevo. Na apuraç9 e comprovação de um fato não se poder relevar, no bojo de um procedimento administrativ , a importância que assumem as provas indiciárias. O recurso 5 àquelas possibilita o desencadeamento de um mecanismo investigativo que preza pelo florescimento da verdade material, sendo para este fim um instituto de grande relevância. Indício é o fâo conhecido ( factum probatum") do qual se parte para o desconhecido ("factum probadum") e que assim é definido por Moacyr Amaral Santos: "Assim, indício, sob o aspecto jurídico, consiste no fato conhecido que, por via do raciocínio, sugere o .fato probando, do qual é causa ou efeito" (BONILHA, Paulo César B., Da prova no processo administrativo tributário. 2 ed. São Paulo: Dialética, 1997, p,.92). Sobre as provas indiretas, também se pronuncia Antônio da Silva Cabral (in Processo administrativo fiscal. São Paulo.. Saraiva, 1993, pp. .305, 311 e 312): "Valor da prova indireta. Em direito ,fiscal conta muito a chamada prova indireta.. Conforme consta do Ac, CSRF/01- 0,004, de 26/10/79, 'A prova indireta é feita a parti" de indícios que se transformam em presunções. Constitui o resultado de um processo lógico, em cuja base está um fato conhecido (indício), prova que provoca atividade inclua!, em persecução do fato conhecido, o qual será causa ou efeito daquele, O resultado desse raciocínio, quando positivo, constitui a presunção („). O fisco se utiliza da prova indireta, mediante indícios e presunções (..) O julgador de uma causa não esteve em contato com os fatos, não conheceu as circunstâncias e as pessoas que atuaram Tudo isso é dado no processo e ele procura, manipulando as provas, chegar ao verdadeiro conhecimento dos fatos para, depois, aplicar a norma. Como todo ser humano que se debruça sobre os fatos, tem ele de valer-se por vezes, da experiência adquirida com o trato da coisa pública, As presunções e os indícios servem, pois, para o julgador chegar à verdade dos fatos," Na busca da verdade material, princípio este informador do processo administrativo fiscal, forma o julgador seu convencimento, como já repisado, por vezes a partir de urna prova única, concludente por si só, outras a partir de um conjunto de elementos que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o poder de estabelecer de forma inequívoca uma dada situação de fato,. No sistema jurídico nacional, o julgador administrativo não está adstrito a uma hierarquização dos meios de prova previamente estabelecida, podendo estabelecer sua convicção cotejando elementos de variada ordem. A propósito, o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, v.g., já destacava a importância e validade dos indícios nos processos administrativos tributários: PAF — PROVA INDICIARIA - A . prova • indiciária é . meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes (...). (1" CC,r Câmara, Acórdãos n" 107- 07525, de 18/02/04, 107-07544 e 107-07545, de 19/02/04)." Da Decadência As normas que tratam da decadência, postas no CTN são as seguintes: Art, 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade ,, administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento ) da atividade assim exercida pelo obrigado, expressament )homologa, 6 Processo n° 10283.006537/2005-21 S1-C4T1 Acórdão a 1401-00.283 F1. 338 § I" O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.. § 2" Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.. § 3" Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4" Se a lei não ,fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio forma!, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (destaquei) Na espécie, para fins de contagem do prazo decadencial, aplica-se a regra estatuída no art,173, I, do CTN. O art.150, §4 0, do mesmo código, é afastado por força do disposto em sua parte final, sendo desnecessário, inclusive, perquirir sobre a existência de antecipação de recolhimento por parte do contribuinte. Cabe ainda dizer que quanto às contribuições sociais (CSLL, PIS e COFINS), aplicam-se também as normas do CTN, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante n° 8). É possível inferir das provas que alicerçaram a ação fiscal que o contribuinte livre e conscientemente direcionou seu agir para impedir ou retardar o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, da ocorrência do fato gerador. Como entender diferente se deixou de escriturar os valores apontados pela fiscalização, mormente quando se utilizou de conta/subconta no exterior administrada por outra pessoa jurídica, deixando de informá-los à Receita Federal? Não fossem informações obtidas licitamente de autoridades norte-americanas, objeto de inquérito policial e compartilhadas ao fisco federal, muito provavelmente jamais se saberia sobre tais transações financeiras. Seja em razão do dolo ou mesmo do evidente intuito de fraude, que poderia inclusive ter justificado a aplicação da multa de oficio no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), a contagem do prazo decadencial não pode ser iniciada a partir do seu fato gerador (art.150, §4°, parte fMal, do CTN). 7 Sendo assim, de acordo com o art,173, 1, do CTN, quanto ao período de apuração mais remoto (31/03/2000), o prazo para o fisco federal constituir os créditos tributários encerrar-se-ia apenas ao final de 2005, Considerando-se a ciência em 23/12/2005 não há se falar em decadência. Pelo exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso de oficio para restabelecer os lançamentos tributários. - 11 Eduardo al New ,: Monteiro 8 Pi °cesso n" 10283.006537/2005-21 S1-C4T1 Acórdão n." 1401-00,283 EL 339 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3', do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, f,-", A GO 20 10' P 'G;*.fS-*''''érutu-)ans c a e ousa o rigu - Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; []com Recurso Especial; f com Embargos de Declaração, 9 ; \t-:-"I'K MINISTÉRIO DA FAZENDA 4:4:-W7 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Processo n° 10283.006537/2005-21 Interessado(a) : ORIENTE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. TERMO DE JUNTADA i a Seção Declaro que juntei aos autos original do acórdão n° 1401-00.283, (fls. / ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para ciência do acórdão. Em ASSINATURA
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