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Numero do processo: 13637.000884/2007-42
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
Multa Atraso Entrega DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
Numero da decisão: 1801-001.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
______________________________________
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 MULTA ATRASO ENTREGA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 08 84 /2 00 7- 42 Fl. 27DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13637.000884/200742 Acórdão n.º 1801001.275 S1TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento consubstanciado no presente processo. Histórico. Tratase de auto de infração (fl. 03) que exige multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, relativa ao mês de fevereiro do anocalendário 2006. Segundo o que consta dos autos, a DCTF relativa ao mês de fevereiro do ano calendário de 2006, cujo prazo de entrega teria exaurido em 7/4/2006 foi apresentada em 28/4/2006, ensejando a incidência de multa calculada em 2% (dois por cento) ao mês sobre o montante total declarado em cada respectiva DCTF, com redução de 50%, resultando num total exigido de R$ 2.793,87, em virtude da entrega espontânea da declaração. A interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 1/2) alegando que os tributos declarados na DCTF teriam sido recolhidos em seus respectivos vencimentos e que a MP n º 333, que deu nova redação ao artigo 44 da Lei n º 9.430, de 1996, teria abolido a multa por atraso na entrega da DCTF. A 2a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG julgou a exigência procedente. Notificada da decisão, em 21/7/2009 (AR fl. 21) e irresignada, apresentou a interessada, em 16/8/2009, recurso voluntário no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A recorrente não nega ter apresentado a DCTF do mês de fevereiro do ano calendário 2006 em atraso. Afirma, apenas, que os tributos nela declarados foram recolhidos Fl. 28DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13637.000884/200742 Acórdão n.º 1801001.275 S1TE01 Fl. 4 3 nos respectivos prazos de vencimento e que teria sido revogada a exigência de multa por atraso na entrega de DCTF, que é obrigação acessória. Nesse contexto cumpre observar que a obrigação tributária acessória decorre da legislação e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro de Estado da Fazenda pode instituir obrigações acessórias, cuja atribuição delegou à RFB, relativamente a tributos federais por ela administrados, que pode estabelecer, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O sujeito passivo que deixar de apresentar, dentre outras, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (c) de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo Simples; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos1. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: 1 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 29DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13637.000884/200742 Acórdão n.º 1801001.275 S1TE01 Fl. 5 4 (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores2. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 28/04/2006 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de fevereiro do anocalendário 2006, cujo prazo final para apresentação era 7/4/2006. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, inclusive quanto ao cálculo da multa que propõe seja adotado como razoável, não tem validade. O artigo 44 da Lei n º 9.430, de 1996, não tem aplicação ao caso. A base legal da multa imposta encontrase no art. 7º da Lei n º 10.426, de 2002 e alterações posteriores. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora 2 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13637.000884/200742 Acórdão n.º 1801001.275 S1TE01 Fl. 6 5 Fl. 31DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15983.000107/2009-55
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2004 a 12/2004, a ciência do AIOP ocorreu em 03.03.2009, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 02/2004, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - LOCAL DE LAVRATURA
Conforme a Súmula nº 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA.
O Relatório de Co-Responsáveis é parte integrante do processo de lançamento e autuação e se destina a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esse relatório não é suficiente para se atribuir responsabilidade pessoal.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência até a competência 02/2004, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN. E no mérito, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Ivacir Júlio de Souza - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Ausentes, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência até a competência 02/2004, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN. E no mérito, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ivacir Júlio de Souza - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Ausentes, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2004 a 12/2004, a ciência do AIOP ocorreu em 03.03.2009, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 02/2004, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - LOCAL DE LAVRATURA Conforme a Súmula nº 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. O Relatório de Co-Responsáveis é parte integrante do processo de lançamento e autuação e se destina a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esse relatório não é suficiente para se atribuir responsabilidade pessoal. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 01 07 /2 00 9- 55 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA 2 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2004 a 12/2004, a ciência do AIOP ocorreu em 03.03.2009, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 02/2004, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO LOCAL DE LAVRATURA Conforme a Súmula nº 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. O Relatório de CoResponsáveis é parte integrante do processo de lançamento e autuação e se destina a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esse relatório não é suficiente para se atribuir responsabilidade pessoal. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 2403001.660 S2C4T3 Fl. 109 3 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência até a competência 02/2004, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN. E no mérito, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ivacir Júlio de Souza Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Ausentes, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 87 a 98, interposto pela Recorrente – ALICERCE REF E PRES DE SER EM GERAL LTDA. contra Acórdão nº 1732.8158ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento De São Paulo II SP, fls. 72 a 83, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.202.3754, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 61.227,33. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social referente a outras entidades conveniadas denominadas de Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI E SEBRAE), no período de 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal, às fls. 27 a 31, informa: 5. Conforme contrato social e alterações a empresa tem por objeto social o ramo de atividade de prestação de serviços auxiliares da construção; manutenção; conservação e limpeza de prédios. 6. As contribuições destinadas As entidades denominadas "Terceiros" conforme item 1 deste relatório foram apuradas através do método de ARBITRAMENTO/ AFERIÇÃO INDIRETA fundamentado na legislação em vigor. Convém esclarecer que o procedimento do arbitramento foi adotado pela fiscalização em razão do sujeito passivo ter emitido mensalmente Notas Fiscais de Prestação de Serviços do período de 01 a 12/2004 contradizendo assim; os documentos apresentados: (a) Rais Negativa 2004 e GFIP's sem movimento/2004; (b) não ter apresentado folhas de pagamento de todo o período fiscalizado; (c) e nem mesmo ter comprovado que os serviços prestados constantes das referidas notas tenham sido executados através de subcontratação de mão de obra. 8. Para fins de arbitramento,foram devidamente observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade quando do lançamento do crédito tributário em questão. 9. Considerando as Notas Fiscais de serviços apresentadas; as contribuições destinadas aos TERCEIROS ( Salário Educação; INCRA; SENAI; SESI e SEBRAE ) devidas foram arbitradas da seguinte forma: * Somatória mensal dos valores constantes das Notas fiscais de Serviços de 01 a 12/2004 decorrentes da prestação de serviços denominados "Reparos/ Manutenção emitidas pelo sujeito Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 2403001.660 S2C4T3 Fl. 110 5 passivo apresentadas no curso desta ação fiscal referentes a fatos geradores de contribuições devidas 10. As bases de cálculo (salário de contribuição), relativas aos fatos geradores apurados, foram calculadas da seguinte forma: Aplicação da aliquota de 40% sobre os valores mensais constantes das Notas fiscais de Serviços para apuração do salário de contribuição devido em conformidade com o que dispõe a Lei 8.212 artigo 427 para as competências 01 a 12/2004 sendo que para a competência 13/2004 o montante aferido equivale ao valor igualmente lançado na competência 12/2004; As referidas bases de cálculo foram lançadas com códigos de levantamento, conforme esclarecemos a seguir: AFE — Valores constantes das Notas fiscais de Serviços Prestados ano 2004. Ainda segundo o Relatório Fiscal, foram examinados pela Fiscalização durante a ação fiscal: a) contrato social e alterações; b) GFIP's sem movimento; c) Notas Fiscais de Serviços de 01/2004 à 12/2004. A Recorrente teve ciência do TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, às fls. 18 a 20, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. A Recorrente teve ciência do AIOP em 03.03.2009. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 07, é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 46 a 21, resumidamente conforme o relatório da decisão de primeira instância: > o auto de infração foi lavrado sem estar consubstanciado em provas incontroversas de que a impugnante tenha realmente cometido as infrações elencadas pelo Fisco, somente em observância a uma presunção e alegações; > o auto de infração não demonstra entendimento certo, detalhado e explicito do Fisco a demonstrar de onde provém seu intento e a forma pela qual chegou a valor tão expressivo, onde não consta no demonstrativo anexo de onde originaram os números, sendo impossível chegar a uma conclusão lógica; > é legitimo a responder a demanda a pessoa física de Paulo Sérgio Cardoso, sendo totalmente infundada a intimação da impugnante na pessoa deste como seu sócio, sem que tenha sido declarado como responsável solidário; > a impugnante como pessoa jurídica não pratica nenhum ato a ensejar sua legitimidade para figurar no pólo passivo da demanda, vez que todos os atos que "pratica" são de inteira responsabilidade de seu responsável. Nesse passo, figurase Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA 6 como correto a lavratura da autuação na pessoa física do sócio, o Sr. Paulo Sérgio Cardoso. Apresenta como fundamento a embasar a sua assertiva ss artigos 121 e 134, VII, ambos do CTN; > deve ser declarada a nulidade da autuação, posto que a lavratura desta se deu em local diverso do domicilio da autuada, restando infringido o artigo 10 do Decreto n.° 70.235/72, sendo que não cabe ao Fisco inovar ou alterar a Lei, mas tão somente cumprila; > em nenhum momento o Fisco determinou o ilícito cometido pela empresa, vez que a prova que se utiliza para imputar a ela (aferição indireta) foi consubstanciada na falta de apresentação de alguns documentos, ou seja, são provas frágeis; > requer que o valor arbitrado seja minorado e recalculado por expert, ao passo que excessivo, por não haver a prática de qualquer irregularidade e ser medida de justiça. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1732.8158ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento De São Paulo II SP, fls. 72 a 83, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AIOP Debcad n.° 37.202.3754 de 27/02/2009. AFERIÇÃO INDIRETA. A aferição indireta é procedimento de exceção, e tem por escopo permitir à Fiscalização da Receita Federal do Brasil estimar o salário de contribuição das contribuições previdenciárias devidas. E aplicada quando constatase durante procedimento fiscalizatório que a escrituração contábil da empresa não registra o movimento real dos segurados a seu serviço. Inteligência do artigo 33, §§3° e 60 da Lei n.° 8.212/1991. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIZAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. Sujeito Passivo da obrigação principal é a pessoa que, vista da lei, tem o dever legal de efetuar o pagamento da obrigação tributária. Inteligência do artigo 121 CTN c/c art. 30 da Lei n.° 8.212/91. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não enseja nulidade do lançamento a lavratura do Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. 0 local da verificação da falta está vinculado A. jurisdição e A. competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico da lavratura do auto de infração. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 2403001.660 S2C4T3 Fl. 111 7 REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. Indeferese pedido de perícia para comprovar mesma matéria que já foi objeto de Auditoria pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil. DECISÕES JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS As decis6es judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo aquele objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explicito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988. Lançamento Procedente Acordam os membros da 8a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar o presente Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Principal Previdenciária integralmente procedente. Encaminhese o presente processo a DRF/STS/EQCOB para cientificar o contribuinte do teor do presente Acórdão, intimandoo para pagamento do crédito no prazo de 30 dias da ciência, ressalvandolhe o direito à interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da legislação vigente. Sala de Sessões, em 24/06/2009 Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 87 a 98, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: Em Sede Preliminar (i) Nulidade do AI; (ii) Ilegitimidade da parte (iii) Nulidade do local da lavratura Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA 8 No Mérito. (iv) Princípio da Legalidade Administrativa (v) Responsabilidade Tributária (vi) Inconstitucionalidade – princípio do nãoconfisco Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 106. É o Relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 2403001.660 S2C4T3 Fl. 112 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 106. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA 10 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da decadência Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 2403001.660 S2C4T3 Fl. 113 11 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA 12 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 2403001.660 S2C4T3 Fl. 114 13 Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA 14 “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese presente, verificase que o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, disposto às fls. 11 a 12, apresenta, dentre as competências objeto do presente AIOP, vários pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela Auditoria Fiscal de 01/2004 a 12/2004. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte, além de não se materializar as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do AIOP pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 03.03.2009 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no seguinte período: 01/2004 a 12/2004. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 2403001.660 S2C4T3 Fl. 115 15 Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 02/2004, inclusive. (i) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, fls. 87 a 98, interposto pela Recorrente – ALICERCE REF E PRES DE SER EM GERAL LTDA. contra Acórdão nº 1732.8158ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento De São Paulo II SP, fls. 72 a 83, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.202.3754, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 61.227,33. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social referente a outras entidades conveniadas denominadas de Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI E SEBRAE), no período de 01/2004 a 12/2004. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.202.3754 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.202.3754) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA 16 devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); f. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); g. REPLEG Relatório de Representantes Legais (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.); h. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); i. TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal; j. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 2403001.660 S2C4T3 Fl. 116 17 k. TEPF Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal; lk. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.202.3754, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (ii) Ilegitimidade da parte Tratase de tópico já debatido em sede de primeira instância, na qual a Recorrente alega a ilegitimidade da pessoa jurídica para constar no pólo passivo da obrigação tributária posto entender que neste pólo deveria constar o sóciogerente Sr. Paulo Sérgio Cardoso. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA 18 Não confiro razão à Recorrente posto que nos termos do art. 121, CTN c/c art. 122, CTN c/c art. 134, CTN c/c art. 30, I, b, Lei 8.212/1991, temse corretamente inserido no pólo passivo da obrigação tributária principal o sujeito passivo ALICERCE REF E PRES DE SER EM GERAL LTDA. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Ademais, também não prospera a argumentação da Recorrente no sentido de ter sido ilegítima a intimação do AIOP ter sido feita ao sóciogerente Sr. Paulo Sérgio Cardoso pois, neste ponto, me associando à argumentação da decisão de primeira instância, afasto tal pretensão de ilegitimidade: Quanto a "responsabilização solidária" do Sr. Paulo Sérgio Cardoso, vislumbrase as fls. 16/17 que este encontrase arrolado Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 2403001.660 S2C4T3 Fl. 117 19 no Relatório de Representantes Legais —"REPLEG" e de Vínculos — "ViNCULOS". Inferese da leitura de fls. 01 que o crédito previdenciário em questão foi lançado unicamente contra a pessoa jurídica de Alicerce e Reform. E Prest. de Serv. em Geral Ltda. Portanto, correta a intimação efetuada na pessoa jurídica por intermédio de seu representante. 0 representante legal do autuado não integra o pólo passivo deste auto de infração. Na verdade, os anexos "REPLEG" e "VÍNCULOS" servem apenas como subsídios Procuradoria Federal para o caso de haver, futuramente, a constatação de motivos que tornem necessário (e juridicamente possível) o redirecionamento de eventual execução judicial do crédito previdencidrio, nos exatos termos do previsto pelo artigo 134 do Código Tributário Nacional. Outrossim, a exclusão de pessoas do rol de coresponsáveis cabe esclarecer que esta relação, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir pessoas físicas e jurídicas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com a legislação, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, demais pessoas não sofrerão restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese de convocação dos listados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. (iii) Nulidade do local da lavratura Não assiste razão à Recorrente pois, conforme a Súmula nº 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. DO MÉRITO (iv) Princípio da Legalidade Administrativa Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA 20 Analisemos. A apreciação de inconstitucionalidade em sede de Recurso Voluntário já foi analisada no item (A). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (v) Responsabilidade Tributária A Recorrente argumenta: Aponta a recorrida que a recorrente teria,deixado de arrecadar contribuições destinadas a terceiros, como salário educação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE), sendo estas apuradas através de aferição indireta. (...) Em nenhum momento ,conseguiu a recorrida determinar o ilícito cometido pela recorrente, vez que a prova que se utiliza para imputar ela a malta arbitrada, foi consubstanciada na falta de apresentação de alguns documentos,ou seja são Provas absolutamente frágeis. Aceitar como verdadeiro, um Auto de Infração lavrado sem qualquer demonstração fiscal contábil sólida com a cobrança de valor expressivo é condenar a morte preceito constitucional da ampla defesa e,do contraditório, extrapolando inclusive os princípios que norteiam a Administração Pública na legitimidade de seus atos (...) Isto Porque, ao presente não há que se falar na prestação de. Serviço da recorrente relativo construção civil, passível de gerar algum contrato de empreitada, bem como não há que se falar em pro labore, conforme consta no Auto de Infração. Analisemos. Em relação à aferição indireta das contribuições lançadas, o Relatório Fiscal, às fls. 27 a 31, aponta os motivos determinantes para tal, qual seja: 5. Conforme contrato social e alterações a empresa tem por objeto social o ramo de atividade de prestação de serviços auxiliares da construção; manutenção; conservação e limpeza de prédios. 6. As contribuições destinadas As entidades denominadas "Terceiros" conforme item 1 deste relatório foram apuradas através do método de ARBITRAMENTO/ AFERIÇÃO INDIRETA fundamentado na legislação em vigor. Convém esclarecer que o procedimento do arbitramento foi adotado pela fiscalização em razão do sujeito passivo ter emitido mensalmente Notas Fiscais de Prestação de Serviços do Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 2403001.660 S2C4T3 Fl. 118 21 período de 01 a 12/2004 contradizendo assim; os documentos apresentados: (a) Rais Negativa 2004 e GFIP's sem movimento/2004; (b) não ter apresentado folhas de pagamento de todo o período fiscalizado; (c) e nem mesmo ter comprovado que os serviços prestados constantes das referidas notas tenham sido executados através de subcontratação de mão de obra. 8. Para fins de arbitramento,foram devidamente observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade quando do lançamento do crédito tributário em questão. 9. Considerando as Notas Fiscais de serviços apresentadas; as contribuições destinadas aos TERCEIROS ( Salário Educação; INCRA; SENAI; SESI e SEBRAE ) devidas foram arbitradas da seguinte forma: * Somatória mensal dos valores constantes das Notas fiscais de Serviços de 01 a 12/2004 decorrentes da prestação de serviços denominados "Reparos/ Manutenção emitidas pelo sujeito passivo apresentadas no curso desta ação fiscal referentes a fatos geradores de contribuições devidas 10. As bases de cálculo (salário de contribuição), relativas aos fatos geradores apurados, foram calculadas da seguinte forma: Aplicação da aliquota de 40% sobre os valores mensais constantes das Notas fiscais de Serviços para apuração do salário de contribuição devido em conformidade com o que dispõe a Lei 8.212 artigo 427 para as competências 01 a 12/2004 sendo que para a competência 13/2004 o montante aferido equivale ao valor igualmente lançado na competência 12/2004; As referidas bases de cálculo foram lançadas com códigos de levantamento, conforme esclarecemos a seguir: AFE — Valores constantes das Notas fiscais de Serviços Prestados ano 2004. Ainda segundo o Relatório Fiscal, foram examinados pela Fiscalização durante a ação fiscal: a) contrato social e alterações; b) GFIP's sem movimento; c) Notas Fiscais de Serviços de 01/2004 à 12/2004. O Relatório Fiscal Fundamentos legais do Débito, às fls. 13, informa que a legislação aplicável à aferição indireta realizada: 062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.04 Competências : 01/2004 a 10/2004 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.01), parágrafos 3. e 6.; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA 22 Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 233, 234 e 235. A PARTIR DE 28.10.2004 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, 1; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235. 062.05 Competências :11/2004 a 13/2004 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235. Outrossim, observemos as regras normativas a respeito do procedimento de aferição indireta, constantes da Lei 8.212/1991, do Decreto 3.048/1999 e da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005: Lei 8.212/1991 Art. 33.. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (gn) Decreto 3.048/1999 Art.225. A empresa é também obrigada a: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 2403001.660 S2C4T3 Fl. 119 23 (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;(gn) (...) §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: Iatender ao princípio contábil do regime de competência; e IIregistrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Decreto 3.048/1999 Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Considerase deficiente o documento ou informação Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (gn) Decreto 3.048/1999 Art. 235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (gn) Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA 24 Art. 60. A empresa e o equiparado, sem prejuízo do cumprimento de outras obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, estão obrigados a: (...) IV lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições sociais a cargo da empresa, as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as decorrentes de subrogação, as retenções e os totais recolhidos, observado o disposto nos § § 4º, 5º e 7º e ressalvado o previsto no § 6º, todos deste artigo; (...) § 4º Os lançamentos de que trata o inciso IV do caput, escriturados nos Livros Diário e Razão, são exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições sociais, devendo: I atender ao princípio contábil do regime de competência; II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições sociais de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e as nãointegrantes do salário de contribuição, bem como as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as contribuições sociais a cargo da empresa, os valores retidos de empresas prestadoras de serviços, os valores pagos a cooperativas de trabalho e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. § 5º As exigências previstas no inciso IV do caput e no § 4º não desobrigam a empresa do cumprimento das demais normas legais e regulamentares referentes à escrituração contábil. (...) § 7º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput, a empresa deve manter à disposição da fiscalização da SRP os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração das folhas de pagamento, bem como as utilizados na escrituração contábil. (gn) Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 Art. 429. A aferição indireta da remuneração dos segurados despendida em obra de construção civil sob responsabilidade de pessoa jurídica ou de pessoa física, com base na área construída e no padrão da obra, será efetuada de acordo com os procedimentos estabelecidos no Capítulo IV deste Título. Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 Art. 596. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a SRP para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Art. 597. A aferição indireta será utilizada, se: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 2403001.660 S2C4T3 Fl. 120 25 I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusar se a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente; III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Secretaria da Receita Federal ou junto a outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para o fim do inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme previsto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 60 desta IN. (gn) Conforme o amparo legal exposto, além do exposto no Relatório Fiscal, às fls. 27 a 31, no Relatório Fiscal Fundamentos legais do Débito, às fls. 13 e no Recurso Voluntário, às fls. 87 a 98, há que se concluir que não prosperam as alegações da Recorrente posto que a desconsideração da contabilidade e a aferição indireta, com fulcro no art. 33, Lei 8.212/1991, das contribuições previdenciárias em questão encontram respaldo na legislação vigente. Diante do exposto, não prosperam as alegações da Recorrente. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA 26 (vi) Inconstitucionalidade – princípio do nãoconfisco Analisemos. A apreciação de inconstitucionalidade em sede de Recurso Voluntário já foi analisada no item (A). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vii) Do cálculo da multa – retroação da lei mais benéfica Analisemos. Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 2403001.660 S2C4T3 Fl. 121 27 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para se reconhecer a decadência até a competência 02/2004, com base no art. 150, § 4º, CTN e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 137DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JU LIO DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.023288/99-86
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. FINOR. REGULARIDADE FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
Para o deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) é imprescindível que o contribuinte comprove regularidade fiscal, nos termos do art. 60 da Lei n° 9.069/95. O Processo Administrativo Fiscal, enquanto não definido, é o momento próprio para demonstração da regularidade, nos termos da Súmula CARF n° 37. Precedentes do CARF.
Numero da decisão: 1802-001.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1997 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. FINOR. REGULARIDADE FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Para o deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) é imprescindível que o contribuinte comprove regularidade fiscal, nos termos do art. 60 da Lei n° 9.069/95. O Processo Administrativo Fiscal, enquanto não definido, é o momento próprio para demonstração da regularidade, nos termos da Súmula CARF n° 37. Precedentes do CARF.
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FINOR. REGULARIDADE FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Para o deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) é imprescindível que o contribuinte comprove regularidade fiscal, nos termos do art. 60 da Lei n° 9.069/95. O Processo Administrativo Fiscal, enquanto não definido, é o momento próprio para demonstração da regularidade, nos termos da Súmula CARF n° 37. Precedentes do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 02 32 88 /9 9- 86 Fl. 988DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Relatório Tratam os presentes autos de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, no valor de R$ 172.543,22, no qual, defende a Fazenda Nacional não ter restado comprovada a regularidade fiscal do contribuinte, oportunidade em que indeferiu a concessão do referido incentivo fiscal. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do Recurso Voluntário interposto, transcrevo a seguir relatório proferido pela 5a Turma da DRJ/RJOI, através do Acórdão n° 1221.189, constante às fls. 1.051: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade (fl. 973/981), interposta pela interessada, em 10 de setembro de 2008, em face do indeferimento, conforme Despacho Decisório da DERAT/DIORT/RJ, de 16 de junho de 2008 (fls. 947/950), de seu Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC (fl. 01), no valor de R$ 172.543,22 (fls. 160, 161, 315, 316, 491, 492, 680 a 682). 2. A Quinta Turma/DRJ/RJ, conforme Acórdãos DRJ/RJOI n° 5.600, de 12 de agosto de 2004 (fl. 816/820) e n° 10.880, de 12 de julho de 2006 (fl. 925/928), declarou, por unanimidade de votos, nulos anteriores despachos decisórios, respectivamente, por cerceamento de direito de defesa da interessada e por incompetência de servidor, para que outro fosse proferido na boa e devida forma, considerandose toda a documentação constante do presente processo. 3. Da análise dos autos, a DERAT/DIORT/RJ, em seu novo despacho decisório, esclareceu, em síntese, que verificou que houve intimações à interessada que alegava dificuldades de conseguir documentos em tempo hábil, solicitando prorrogação de prazo (fl. 36, 378, 698) ou não apresentando resposta (fl. 784, 886). 4. A DERAT/DIORT/RJ, quanto à alegação de que a regularidade fiscal deveria ser aferida à época do pedido (fl. 907/910), esclareceu que à autoridade fiscal cabia aplicar a legislação tributária no estrito limite de seu conteúdo, por força do Art. 142, parágrafo único do CTN. No caso de PERC, deveria ser obedecido o Art. 60 da Lei n° 9.065, de 1995, bem como as IN/SRF n° 90, de 1998 e IN/SRF n° 93, de 2001; que a regularidade fiscal deveria Fl. 989DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.023288/9986 Acórdão n.º 1802001.390 S1TE02 Fl. 1.082 3 ser comprovada a qualquer tempo e que ainda existiam débitos (fl. 933/946). 5. Em sua nova manifestação de inconformidade (fls. 973/981), a interessada alegou, em síntese, que, à época do protocolo do PERC, apresentou documentos exigidos pela legislação, que estava em situação regular perante o FGTS, INSS, PGFN e RFB, conforme certidões emitidas pelos respectivos órgãos; que, intimada, em todas as oportunidades atendeu integralmente a documentação solicitada para comprovar sua regularidade fiscal. 6. A interessada alegou, em síntese, que o Art. 60 da Lei n° 9.065, de 1995 não indicou o momento ou prazo para comprovação da regularidade fiscal. Citou parte do Acórdão 101.95.962 de 25/01/2007 do Primeiro Conselho de Contribuintes (fl. 977), entendendo que o momento era o da data da opção na declaração. 7. Acrescentou que demonstrou, no curso da lide, sua regularidade fiscal e citou ementas de outros Acórdãos, acerca da possibilidade de comprovação da regularidade ao longo do processo (fl. 979/980). Requereu o deferimento do PERC. 8. Juntei pesquisas aos sistemas da RFB e PGFN (fl. 985/999 e 1002/1048) Em análise da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, selou entendimento a nobre turma julgadora (DRJ) no sentido de que o momento para comprovar a regularidade fiscal é a data de concessão do benefício e constatou que, não restou comprovada naquela oportunidade tal regularidade pelo contribuinte, citando o voto da Ilustre Julgadora Selene Ferreira de Moraes no Acórdão n° 1613.420 da 8a Turma da DRJ/SP/I, de 16 de maio de 2007. Por fim, eis a Ementa que decretou o indeferimento do pleito do contribuinte nos autos deste processo (fls. 1.050): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1997 A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Solicitação Indeferida Fl. 990DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Inconformada com o indeferimento, do qual tomou ciência em 17/12/2008, apresentou o contribuinte Recurso Voluntário em 08/01/2009 de fls. 1.058/1.066, reiterando seus argumentos no sentido de que comprovou sua regularidade fiscal quando do pedido de revisão protocolizado e que, portanto, merece deferimento seu Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais relativos ao anocalendário de 1996. É o relato do essencial. Voto Conselheiro Marciel Eder Costa Verifico que o presente recurso é tempestivo e preenche aos requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Os instrumentos de mandato estão às fls. 969/971. Sem preliminares suscitadas passo à análise de mérito. A recorrente argui possuir regularidade fiscal de seu benefício fiscal em opção ao FINOR (Fundo de Investimentos do Nordeste), instituído pelo Decretolei n° 1.376 de 12 de dezembro de 1974. Em extrato de fls. 3, percebese que a aplicação da recorrente no benefício de ordem supracitado, não gerou efeitos, dada a seguinte ocorrência: “11 – Contribuinte com débito de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95, art. 60)”. Neste sentido, é de colacionar o dispositivo em tela, constante da Lei n° 9.069/95: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Conforme se verifica, existe condição para que o benefício fiscal seja concedido em favor dos contribuintes, sendo esta, a comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, ou, demonstração de regularidade fiscal. A recorrente alega que na data de seu requerimento possuía regularidade fiscal, motivo pelo qual, merece ter reconhecido em seu favor o benefício fiscal em tela. Porém, não comprova por meio de certidões durante o deslinde do processo, através de indícios ou documentos que tal assertiva é verdadeira. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.023288/9986 Acórdão n.º 1802001.390 S1TE02 Fl. 1.083 5 O procedimento administrativo fiscal solicitou por diversas vezes à recorrente comprovar sua regularidade fiscal – fls. 36, 207, 379, 699, 784, 887. Dada a não comprovação de regularidade fiscal até o julgamento da manifestação de inconformidade, consolidou a DRJ o seguinte, conforme consta às fls. 1.054: 13. No presente processo, ainda que fosse aceita a tese da interessada, de que a data da regularidade fiscal era a da opção na declaração ou a sua comprovação no curso do processo de concessão do beneficio, verificase que a alegada regularidade fiscal não restou comprovada naquela data, existindo, inclusive, na data da análise da DERAT/DIORT/RJ, débitos impeditivos da concessão do PERC. Neste ínterim, é de se ressaltar que para a concessão dos benefícios fiscais em tela, é imprescindível a comprovação de regularidade fiscal, apresentando para isso todas as certidões correspondentes e necessárias para o pleno deferimento dos benefícios. E foi senão através de petição constante às fls. 1.068/1.080 datada de 05/09/2012, que a recorrente juntou as respectivas Certidões Positivas com Efeitos de Negativa de Débitos da esfera federal, comprovando ter regularizado as pendências, conforme constam às fls. 1.078/1.079. Assim, é de se validar o cumprimento do dispositivo legal do art. 60 da Lei n° 9.069/95 pela recorrente, de forma a validar o benefício fiscal do FINOR em seu favor. Sendo matéria de inúmeras discussões o momento de comprovação de regularidade fiscal, é de se ressaltar que este Conselho já possui Súmula, no sentido de que a comprovação de regularidade fiscal deve ocorrer no momento em que ocorreu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo fiscal, senão vejamos: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Para melhor elucidar o tema, colaciono a seguir julgado do CARF que aplica a Súmula descrita, com perfeito encaixe nesse caso concreto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ ANOCALENDÁRIO: 1999 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de negativa, válida na data de apresentação do recurso. Preliminar Afastada. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão n°19800080, Relator Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Oitava Turma Especial, Primeiro Conselho, julgado em 09/12/2008) Como se extrai desse julgado, enquanto não esgotado o processo administrativo fiscal, oportunidade em que o contribuinte pode demonstrar sua regularidade fiscal, podem os mesmos comprovar por meio de certidões que, embora tivessem pendências, as mesmas foram solucionadas dentro dos meios legais atinentes. Portanto, tendo a recorrente comprovado a regularização enquanto do processo administrativo é de se validar seu Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), ainda que realizada essa comprovação a destempo, (não colacionou como prova préconstituída) respeitando contudo, os limites do processo administrativo fiscal. Ressaltase que a Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União foi confirmada autenticidade, conforme Código de Controle da Certidão (B6DA.7B90.2AA5.BD03). Igualmente, a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos relativos às Contribuições Previdenciárias e às de Terceiros, restou comprovada autenticidade, através da Emissão de n° 00062201215001578. Por derradeiro, verifico que a recorrente White Martins Adm. Investimentos e Fomento Comercial Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 35.869.221/000185 foi incorporada a White Martins Gases Industriais do Nordeste S.A., inscrita no CNPJ sob o n° 24.380.578/0001 89, conforme constam às fls. 1.071/1.072, sendo tais atos devidamente chancelados pela Junta Comercial do Estado de Pernambuco, atestando validade ao procedimento. As Certidões foram emitidas em nome da Incorporadora, CNPJ n° 24.380.578/000189, o que, não prejudica a análise da matéria da forma em que procedida, tendo em vista as possíveis pendências da incorporada encontraremse integralizadas na incorporadora. Por todo o exposto, caracterizada a regularidade fiscal, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.023288/9986 Acórdão n.º 1802001.390 S1TE02 Fl. 1.084 7 É como voto. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator Fl. 994DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10675.907926/2009-95
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/04/2003
PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de
Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2003 PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2141; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 1 1 0 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.907926/200995 Recurso nº 912.957 Voluntário Acórdão nº 380101.101 – 1ª Turma Especial Sessão de 21 de março de 2012 Matéria PIS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida BANCO TRIÂNGULO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2003 PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Relator. EDITADO EM: 07/07/2012 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais, que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 4 4 recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. É o Relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 5 5 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A lide consiste em se determinar qual a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, a partir da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, da lavra do Ministro Cezar Peluso, no Recurso Extraordinário 401.348 7, de autoria da Recorrente, a seguir transcrita: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator O ponto fulcral, do presente processo, portanto, é determinar, conforme apontado no relatório e na decisão supra se, sobre os montantes recebidos pelas instituições financeiras a título de remuneração decorrente do pagamento de operações de empréstimos bancários, “spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 6 6 e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc. – as chamadas intermediações financeiras – incide ou não a contribuição para o PIS/Pasep. Isso decorre do entendimento esposado de que o significado de faturamento ao qual está obrigada a Recorrente é o de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Além desse entendimento, apontou o Ministro Relator, ainda, que seu entendimento se substancia no que foi decidido nos Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG. Lembremonos que o regime legal aplicável às instituições financeiras com relação ao PIS é o da Lei 9.718/1998 por expressa disposição do inciso I, do artigo 8º da Lei nº 10.637/20021. A norma assim define a base de incidência da contribuição: Artigo 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Artigo 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) O confronto da norma e da decisão do Min. Cezar Peluso supra citada serviram para a decisão da DRF de Juiz de Fora, ora atacada. Assim expressou a decisão da DRJ: Como se vê na decisão acima, o Ministro Cezar Peluso definiu que a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido como sendo a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação dc serviços de qualquer natureza. Logo à frente, o Exmo. Senhor Ministro esclarece que o faturamento é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 1 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983;... Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 7 7 Portanto, é necessário delimitar qual a composição do faturamento das instituições financeiras, ou para melhor se adequar à decisão transitada em julgado, qual é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais desse tipo de empresa. As instituições financeiras têm tratamento jurídico diferenciado em relação às empresas que exercem outras atividades. Seu objeto social é distinto e, por consequência, o conceito de faturamento em relação a elas deve ser examinado de forma diferenciada. No Recurso Extraordinário n° 346.0846PR, citado na Decisão em questão, o mesmo Ministro Cezar Peluso manifestou, em seu voto que o faturamento deve ser entendido resultado econômico das operações empresariais típicas, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado”. E continuou o julgador “a quo”: Então, quais seriam as receitas operacionais típicas das instituições financeiras e assemelhadas? São elas, evidentemente, as decorrentes da intermediação de operações a da prestação de serviços de natureza financeira: empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc... Configurase, assim, uma situação sui generis devido às especificidades e particularidades desta atividade econômica, totalmente diferente da atuação das pessoas jurídicas eminentemente comerciais ou das demais prestadoras de serviços. (...) Diferentemente do que afirma a manifestante, o faturamento das instituições financeiras vai muito além do que a simples receita proveniente da cobrança de tarifas (de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), abrangendo um outro universo de receitas típicas e características da atividade financeira. Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. Apesar do entendimento aparentemente conclusivo apresentado na decisão da DRJ, tenho que o exame da matéria merece maior cuidado especialmente para dar ampla segurança à relação fisco/contribuinte, quanto ao sentido dado pelo Ministro Peluso ao faturamento que abrange “as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 8 8 O PIS (Programa de Integração Social) teve sua concepção na Constituição de 1967, que, em seu artigo 158, V, previa: “Artigo 158. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos termos da lei, visem à melhoria, de sua condição social: (...) V – integração do trabalhador na vida e no desenvolvimento da empresa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, nos casos e condições que forem estabelecidos.” A Emenda Constitucional nº 1/69 repetiu a previsão em seu artigo 165, V, com redação quase homônima. Com esse fundamento, foi editada a Lei Complementar nº 7/70, que instituiu o Programa de Integração Social, “destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas”. Para alcançar esse objetivo, a Lei Complementar nº 7/70 instituiu um Fundo de Participação, a ser constituído por depósitos efetuados pelas empresas – conceituadas como pessoas jurídicas nos termos da legislação do Imposto de Renda – na Caixa Econômica Federal. Até então, a Constituição Federal não previa uma basedecálculo determinada para o PIS, limitandose a falar de “participação nos lucros” da empresa. A Lei Complementar nº 7/70 determinou que a basedecálculo seria o faturamento, mas não o definiu. Diante disso, o Banco Central editou a Resolução nº 174/71, que considerou faturamento, corretamente e conforme o sentido laico, a receita operacional das empresas. A legislação do PIS sofreu alterações nos anos seguintes, por meio das Leis Complementares nºs 17/73 – que instituiu um adicional de 0,125% à alíquota incidente sobre o faturamento em 1975 e 0,25% para os anos subsequentes – 19/73 – que determinou a aplicação unificada dos recursos do PIS e do Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, instituído pela Lei Complementar nº 8/70) – e 26/75 – que criou o Fundo Unificado PIS/Pasep. De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o PIS/PASEP tinha, até a edição da Emenda Constitucional nº 8/77, natureza tributária. Com a EC nº 8/77, contudo, perdeu essa natureza, pois a Emenda incluiu um novo inciso no artigo 43 da Carta de 1969 – que tratava das atribuições do Poder Legislativo –, separando a contribuição social ao PIS/PASEP dos tributos. Em 1988, o Decretolei nº 2.445, com algumas mudanças instituídas pelo Decretolei nº 2.449, alterou a alíquota e a base de cálculo do PIS/PASEP, que passaria a ser calculado à base de “sessenta e cinco centésimos por centro da receita operacional bruta”, conceituada, naquele instrumento como “o somatório das receitas que dão origem ao lucro operacional, na forma da legislação do imposto de renda”, admitidas algumas exclusões e deduções estabelecidas no próprio decretolei. Os dois decretoslei geraram grande polêmica e terminaram por ser repelidos pelo Supremo Tribunal Federal, sob o argumento de inconstitucionalidade perante a Carta de 1969, pois, embora esta outorgasse ao Presidente da República competência expressa para Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 9 9 baixar decretoslei referentes às finanças públicas, inclusive matéria tributária, entendiase que o PIS/PASEP não tinha mais natureza tributária, ou mesmo de finanças públicas, não podendo ser objeto de decretolei. A questão da alteração da definição basedecálculo foi meramente tangenciada por alguns ministros, não constituindo a razão da inconstitucionalidade dos dois decretoslei. Analisando essa questão, o MinistroRelator Carlos Velloso apenas lembrou que a Constituição então vigente não havia especificado a basedecálculo do PIS e que, consoante a Resolução Bacen nº 174/71, o “faturamento” da LC 7/70 era, na realidade, a receita operacional, ou seja, quando se usava o termo receita operacional, esse estava sendo usado como sinônimo de faturamento, de modo que “nada teria sido alterado, portanto”. A nova Constituição Federal entrou em vigor logo em seguida, recepcionando o PIS/PASEP expressamente em seu artigo 239. A Constituição de 1988, além disso, arrolou, em seu artigo 195, as bases de cálculo que poderiam ser utilizadas para financiamento da seguridade social, como segue: “Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; III sobre a receita de concursos de prognósticos.” Em 30 de outubro de 1998 foi publicada a Medida Provisória nº 1.724, posteriormente convertida na Lei nº 9.718/1998 estando as instituições Financeiras obrigadas a tributar o PIS (e a COFINS) sob a sua égide. A discussão que se travou circundou os conceitos de receita bruta e faturamento. O conceito de faturamento já havia sido examinado pelo Pleno do STF no Recurso Extraordinário nº 150.7551, gerando acirrado debate entre, de um lado, os Ministros Carlos Velloso e Marco Aurélio – que sustentavam a inconstitucionalidade do artigo 28 da Lei 7.738/89, argumentando que “faturamento” e “receita bruta” são termos distintos – e, de outro, o Ministro Sepúlveda Pertence – que alegava que, em uma interpretação conforme a Constituição, os dois termos poderiam ser considerados equivalentes. Segundo o Ministro Sepúlveda Pertence, “a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento – cuja procedência teórica não questiono –, não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei”. Mesmo porque, arguia o Ministro, “antes da Constituição, precisamente para a determinação de base de cálculo do Finsocial, o DecretoLei 2.397, 21.12.87, já restringira, para esse efeito, o conceito de receita bruta a parâmetros mais limitados que o de receita Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 10 10 líquida de vendas e serviços, do Decreto Lei 1.589/77, de modo, na verdade, a fazer artificioso, desde então, distinguilo da noção corrente de faturamento”. Diante disso, o Ministro Carlos Velloso retrucou, afirmando que “a autorização (da CF/88) é para que a incidência seja sobre faturamento e não sobre receita bruta – é o inciso I do artigo 195. Mas S. Exa. Parece que equiparou receita bruta a faturamento, o que também não me parece adequado fazer”. Ao seu auxílio, veio o Ministro Marco Aurélio, afirmando que “não posso atribuir ao legislador a inserção de expressões, a inserção de vocábulos em preceitos de lei sem o sentido vernacular, e, aqui, mais do que o sentido vernacular, temos o sentido técnico. (...) Senhor Presidente, não posso dizer que receita bruta consubstancia sinônimo de faturamento”. O Ministro Sepúlveda Pertence então reconheceu que “há um consenso: faturamento é menos que receita bruta”, mas reiterou que a lei tributária chamou “receita bruta o que é faturamento. E aí, ela se ajusta à Constituição”. Em outras palavras, que faturamento e receita bruta são diferentes, mas a legislação infraconstitucional restringiu tanto o conceito de receita bruta que terminou por equiparálo ao conceito de faturamento, não infringindo, portanto, a Constituição. A divergência persistiu, mas a maioria dos Ministros terminou optando pela posição do Ministro Sepúlveda Pertence. Assim, o acórdão foi tomado por maioria de votos, no sentido de “dar provimento ao recurso para declarar a constitucionalidade do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, considerada a expressão “receita bruta” como correspondente a “faturamento”. Mas, o que havia naquele momento era o entendimento que se restringiu de tal forma a receita bruta que, apesar de ser nominada desse modo, tratavase, na verdade, de faturamento. É como se houvesse a determinação de incidir um tributo sobre carros de passeio e se fizesse incidilo sobre automóveis, tendo um, por sinônimo de outro. Assim dispunha o artigo: “Artigo 28. Observado o disposto no artigo 195, § 6º, da Constituição, as empresas públicas ou privadas, que realizam exclusivamente venda de serviços, calcularão a contribuição para o FINSOCIAL à alíquota de meio por cento sobre a receita bruta.” O que entendeu o Supremo é que o termo “receita bruta” constante no artigo significava faturamento, nada mais, nunca disse, portanto, que receita bruta e faturamento são a mesma coisa. Esse é o primeiro cuidado que devemos tomar. Assim, tendo o STF acatado a equiparação entre “faturamento” e “receita bruta” para os fins do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, pretendeuse estender esse entendimento errôneo ao PIS/PASEP, por meio da edição da Lei nº 9.718/98, que alterou a base de cálculo do PIS/PASEP no seguinte sentido: “Art 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 11 11 calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Tentando evitar que a polêmica entre os conceitos de “receita bruta” e “faturamento” fosse reavivada – num ato de confissão de incapacidade de planejamento – o Congresso Nacional resolveu dar maior respaldo constitucional à Lei nº 9.718/98 e fêlo por meio da Emenda Constitucional nº 20/98, que alterou o artigo 195 da Carta Maior, incluindo a “receita” expressamente entre as possíveis bases de cálculo para as contribuições sociais, como segue: Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a partir da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, a Constituição Federal passou a autorizar a União a tributar a (totalidade da) receita dos contribuintes, ou seja, modificada a Constituição, não mais se discute que, a partir de 16/12/1998, o legislador federal passou a ter competência para editar uma nova lei instituindo contribuições sociais com base de cálculo composta por qualquer receita da pessoa jurídica. Após a EC 20/98, a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS não mais estão limitadas ao faturamento das empresas. Porém, considerando que a Lei nº 9.718/98 foi publicada antes da promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98, que modificou a redação do artigo 195 da Constituição Federal para outorgar competência à União Federal para instituição de contribuição social sobre receita, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional aquele § 1º do artigo 3º da referida Lei nº 9.718/98, valendo transcrever o seguinte excerto da ementa do acórdão proferido no RE nº 390.485: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 12 12 “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada.” (grifo nosso). Com base nesta decisão, os diversos processos pendentes de julgamento perante o Supremo Tribunal Federal passaram a ser julgados monocraticamente por seus Ministros, com fundamento no artigo 557, § 1ºA do CPC. Ocorre, porém, que nos processos de sua Relatoria, o ilustre Ministro Cezar Peluso tem proferido decisões do seguinte teor: “2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento das recorrentes, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas em proporção.” (grifos nossos). Do mesmo modo seguiu a decisão que baliza o presente processo, ante citada. A decisão tomou por referência o julgamento do RE nº 390.840MG com idêntico teor dos demais citados e tem por núcleo a noção de faturamento conforme a redação original do artigo 195, I, b, da Constituição Federal. No acórdão, o Supremo Tribunal Federal concluiu pela declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/1998: “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 13 13 por ela exercida e a classificação contábil adotada pelas receitas”, cujo caput prescreve: “O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. Em questão estava a constitucionalidade da correspondência estabelecida pela Lei entre faturamento e receita bruta, nos termos em que essa fora definida.” A análise daquele RE foi baseada exclusivamente na violação do princípio da supremacia da Constituição, conforme o voto do Ministro Cezar Peluso, as duas razões teriam ocorrido para a inconstitucionalidade. A uma: de ordem material, pelo conteúdo do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que ampliava o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”. O sentido dado ao conceito afrontaria a noção de faturamento pressuposta no artigo 195, I, b da Constituição Federal. A duas: de ordem formal, pois, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social, não agiu em conformidade com o artigo 154, I da Constituição Federal2. Quanto à inconstitucionalidade formal, diz o Ministro Peluso, em seu voto vista, que, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º, não houve usurpação de competência (incompetência orgânica), mas violação do disposto no artigo 154, I, c/c o disposto no artigo 195, § 4o (incompetência procedimental). Afinal, se, de um lado, à época, o artigo 195, I, da CF não previa a receita como fonte, o legislador ordinário, se quisesse prevê la, poderia terse valido do § 4º do artigo 195, mas desde que c/c o artigo 154, I, cujo preceito, porém, descumpriu. Quanto à inconstitucionalidade material, teria havido desconformidade entre a definição adotada na Lei para receita bruta, cujo sentido violava a significação adotada pela jurisprudência do STF como equivalente a de faturamento. Porém, ao final, o voto conferiu, mediante interpretação conforme a Constituição, ao termo receita bruta, (constante do caput do artigo 3º e nele equiparado a faturamento), o sentido de receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviços, de acordo com jurisprudência anterior do STF. A questão nuclear da inconstitucionalidade está, pois, localizada no sentido atribuído pelo legislador ao conceito de receita bruta, ao qual a expressão constitucional faturamento fora equiparada. Em seu voto, o Ministro Cezar Peluso examinou o sentido de receita bruta, primeiro, para distinguilo do de faturamento, e, assim, declarar inconstitucional o referido § 1º do artigo 3º e, ao depois, para equiparar um ao outro conforme o sentido atribuído a faturamento na jurisprudência anterior do STF, a fim de manter o caput do artigo 3º mediante interpretação conforme a Constituição. Ao fazêlo, no entanto, o Ministro Peluso estabeleceu a referida equiparação nos seguintes termos: “Quanto ao caput do artigo 3º, julgoo constitucional para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a 2 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 14 14 meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (grifei). O posicionamento mencionado parece conduzir ao entendimento de que receita bruta e faturamento não se confundem. Nem receita bruta, em termos de faturamento, se reduz a receita, pois nem toda receita é operacional. Mas, se, sob receita operacional, para efeito de significado estrito de receita bruta, entendese receita bruta de vendas e serviços, que significa: ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas. O problema suscita um prévio exame de questões referentes à determinação de um conceito. Primeiro, é preciso entender a congruência entre o sentido de receita bruta e de faturamento em termos de venda de mercadoria e de prestação de serviços, de modo a permitir a equivalência: “ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais típicas”. “Mas o acórdão rechaçou também o argumento que aceitava uma espécie de “constitucionalidade superveniente”, por força da EC nº 20/98, que alterara o artigo 195, I da Constituição Federal. Aqui aparece também um problema de determinação do conceito. Afinal, essa nova formulação constitucional (a receita e o faturamento) conduz à necessária distinção que se há de fazer, para o futuro, entre faturamento e receita. Essa atual distinção constitucional há de ser compatível com o sentido que foi atribuído pelo acórdão para conferir, mediante interpretação conforme, constitucionalidade à expressão receita bruta constante do caput do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.” Daí a seguinte questão: se, na formulação vigente (pós EC nº 20/98), a Constituição admite duas fontes distintas, a receita ou o faturamento, qual a diferença entre receita bruta, equiparada a faturamento pelo voto do Ministro Peluso, e a receita, conforme a nova expressão constitucional? Becker3 explica que “não existe um legislador tributário distinto e contraponível a um legislador cível ou comercial. Os vários ramos do direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único sistema jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre uma única regra (conceito ou categoria ou instituto jurídico) válida para a totalidade daquele único sistema jurídico. Essa interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Com toda razão, o Professor da Universidade de Roma, Emilio Betti, especialista em hermenêutica, roga atenção para o deplorável fato de grande parte dos juristas ainda não terem demonstrado o mínimo indício de conhecer e compreender esse fundamental cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Da fenomenologia jurídica acima indicada decorre o seguinte: uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão. Portanto, quando o legislador tributário fala de 3 Teoria Geral do Direito Tributário, p. 122/123, com itálicos do original. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 15 15 venda, de mútuo, de empreitada, de locação, de sociedade, de comunhão, e incorporação, de comerciante, de empréstimo, etc., devese aceitar que tais expressões têm dentro do direito tributário o mesmo significado que possuem no outro ramo do direito, onde, originariamente, entraram no mundo jurídico. Lá, por ocasião de sua entrada no mundo jurídico, é que houve uma deformação ou transfiguração de uma realidade préjurídica (exemplo: conceito de Economia Política; instituto da Ciência das Finanças públicas). Recomenda Luigi Vittorio Berliri o abandono, de uma vez para sempre, do arbitrário expediente de atribuir ao legislador tributário (como se fosse um outro legislador e, ainda por cúmulo, ignorante de direito) uma linguagem sua própria que atribuiria a palavra ou expressão que tem um bem preciso e conhecido significado jurídico, um esquisito significado novo de Direito Tributário. O “marido” de direito tributário – com razão adverte Luigi Vittorio Berliri – não pode ser outro que o marido do direito civil e canônico, isto é, aquele que é unido à mulher pelo vínculo do matrimônio. O “grau de oficial” ao qual se refere o artigo 7º da lei do imposto de renda, não pode ser outro que aquele decorrente dos regulamentos militares. Exatamente como a “maltose”, o “tártaro” e o “cróton” aos quais as normas tributárias fazem referência (a propósito do imposto de fabricação sobre glicose e sobre os óleos de sementes), não podem ser senão a maltose, o tártaro e o cróton da merceologia. Tanto não é possível pensar em um marido (“de direito tributário”), em uma enfiteuse, em uma servidão, em uma hipoteca (“de direito tributário”), em um oficial, em um domínio útil, em um débito quirografário (“de direito tributário”), quanto impossível seria pensar em uma maltose, um tártaro e um cróton (“de direito tributário”). As definições provocadas por Becker correspondem, conforme exemplifica, às significações diuturnas e técnicas do termo, dentro do sentido que lhe dá a norma. Entretanto, o genial doutrinador peca por entender que o legislador toma as normas realizando uma deformação ou transfiguração de seu sentido. Certamente não. Têm, na norma jurídica formalizada, o mesmo sentido que têm em cada um dos seus usos normais. Se o legislador viesse a criar um imposto incidente sobre o uso de cadeiras, apenas exemplificando para fins didáticos, “cadeira” seria tomada no sentido comum do termo, peça do mobiliário e nenhum outro sentido senão o comum. Quando a lei fala em comprar, vender, emprestar ou alugar não é necessário fazer qualquer outra definição senão a praticada ordinariamente, salvo se o termo por si só seja técnico. Essa prática, de se entender que todos os termos têm um significado jurídico ao serem empregados na norma, é uma prepotência da ciência, clara e compreensível, oriunda mais de uma necessidade de precisão científica do que da realidade, mas não é uma provável verdade da norma. Decerto o legislador oriundo de diversas formações não se preocupa em entender os termos técnicos empregados na norma antes de propôla. Se, por ex., o legislador tivesse que determinar o uso obrigatório de uma calça por uma categoria profissional em épocas diferentes seguramente se referiria ao termo de época, determinaria o uso de calça jeans ou blue jeans em um momento histórico, calça de brim azul em outro ou, como era conhecida antigamente, calça rancheira. Por isso, fizemos o pressuposto ligado à linguagem e ao tempo. Por outro lado, um termo técnico como enfiteuse, elisão ou evicção seria tomado no seu sentido técnico porque nenhum outro sentido poderia ser usado senão esse, mas atentemos que, em caso de existir um termo de significado corrente e um significado técnico, o termo pode ser tomado em qualquer significado – digamos que seja “transfusão”, referindose à Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 16 16 necessidade de que se usem equipamentos descartáveis para a coleta de sangue e transfusão do mesmo, por ex., mas é importante lembrar que ninguém precisa de um conhecimento técnico para saber o que significa “transfusão”. Assim, a linguagem do legislador é meramente comum, não técnica, não havendo, portanto, qualquer necessidade de se definir o termo “tributo” na lei porque o termo já é conhecido pela linguagem comum, ou seja, todos sabemos a que se refere quando a lei fala em tributo ou, em outro giro, qual é a acepção tomada pelo legislador no uso do termo. Entretanto, no caso do conceito dado ao elemento receita para fins de incidência do PIS (e da COFINS) a questão não é tão simples. Receita é um termo plurívoco mesmo na linguagem comum. Tem diversos significados e alcances. Pode referirse à culinária aonde corresponde a indicação minuciosa sobre a quantidade dos ingredientes e a maneira de preparar um prato salgado ou doce; pode se referir à farmácia aonde compreende uma fórmula para preparação de um medicamento; à medicina, que corresponde à própria prescrição; ou, àquilo que nos interessa, ao conceito contábil. A questão da definição de faturamento em termos de receita bruta gira, pois, em torno do sentido conotativo (qualificação do conceito: atributos que lhe são próprios) e do seu sentido denotativo (delimitação do conceito: extensão de objetos abrangidos). Sob esses dois aspectos é que se deve entender o sentido conferido à significação da expressão receita bruta como equivalente a faturamento. Sobre isso, voltarei ao que foi decidido no Recurso Extraordinário nº 150.7551 aonde ficou claro que receita e faturamento são distintos e que faturamento é menos que receita bruta. Portanto, tomoos como distintos. Pela nova dicção do artigo 195, por força da referida Emenda, passou a Constituição Federal a determinar como fonte das contribuições o faturamento ou a receita. A expressão “incidentes sobre a receita ou o faturamento” aponta, agora, para diferentes hipóteses de incidência ou fatos geradores distintos. Assim, ainda que, ad argumentandum, se admitisse que a intenção do constituinte derivado pudesse ter sido “espletiva”, objetivamente, a nova redação constitucional não equiparou os conceitos. Apenas estendeu a possibilidade da base de cálculo, antes restrita ao faturamento, também para a receita. Nesse sentido, observese, inicialmente, que, no caso em tela, pela nova redação, o “ou” tem função disjuntiva e não conjuntiva, como se observa pelo uso dos demonstrativos (“a receita ou o faturamento”). Destarte, o novo dispositivo, trazido pela Emenda Constitucional, ao contrário do que se possa pensar, reforça a tese de que, na Constituição Federal, mormente para efeitos fiscais, faturamento e receita são conceitos distintos, ainda que ou um ou outro possam configurar base de cálculo de contribuição social. Faturar, conforme diapasão do próprio Supremo é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 17 17 O conceito de faturamento advém além do conceito contábil, da Lei nº 5.474/68, segundo a qual a fatura tem a função de documentar a efetivação de vendas mercantis ou de prestações de serviços. Nesse sentido, o termo “faturamento” referese tanto ao ato de expedição do documento que representa a venda da mercadorias ou a prestação de serviços, como à própria receita proveniente dessas operações. Fora dessas duas atividades, não há que se falar em faturamento. Conforme ante examinado, o uso da expressão faturamento, antes da EC nº 20/98, tem seu sentido conotativo determinado por venda: “vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza”. Nesses termos, alcança o sentido estrito de receita bruta. Ou seja, receita bruta, desde que tomada em sentido estrito, pode ser equiparada à expressão constitucional faturamento. Já com a introdução da expressão “receita”, porém, o seu conceito deve ser devidamente separado do de faturamento. A receita há de se entender esta como as quantidades de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nesse sentido, a receita, constante da nova redação do art. 195, I, à diferença de o faturamento, passa a constituir um conceito “alargado”, qualquer valor auferido, que abrange a classe genérica da receita como base de cálculo. Como classe genérica, receita passa a referirse às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nessa classe genérica está o conceito lato de receita bruta, que, então sim, incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc. Mas não as incorpora no conceito estrito de receita bruta. E nisso se distingue de faturamento, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas. Pareceme, diante disso, que o entendimento da questão exige uma consideração mais detalhada do termo receita bruta, mormente quando referida a receita operacional, para adequála ao faturamento no sentido constitucional. Com efeito, o tratamento do termo faturamento como “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” generalizouse com o advento da LC nº 70/91, que assim o definiu em seu artigo 2º. Porém, como disse o Min. Carlos Britto (em seu voto no RE nº 346.084–6 PR): “Tudo estaria pacificado não fosse o advento da Lei Ordinária nº 9.718, de 1998 (...), que equiparou os termos ‘faturamento’ e ‘receita bruta’, não exclusivamente operacional”. Receita operacional, segundo o Ministro Carlos Britto, remete ao mencionado Decretolei nº 2.297/1987, artigo 22, § 1º, alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda”. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 18 18 E completa: “receita operacional é a receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc.”. Nesse passo, é inevitável o recurso ao sentido técnico dos temos. A expressão receita está diretamente vinculada ao resultado da empresa. A formação do resultado decorre dos processos de mutação patrimonial das diversas categorias que compõem os elementos do custo e da receita4. Receita definese, segundo o autor, como a “quantidade de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado” 5. Mais especificadamente esclarece Bulhões Pedreira que receita “é o valor financeiro cuja propriedade é adquirida por efeito do funcionamento da sociedade empresária. As quantidades de valor financeiro que entram no patrimônio da sociedade em razão do seu financiamento e capitalização não são receitas; na transferência de capital de terceiros a sociedade adquire apenas o poder de usar o capital; na de capital próprio adquire a propriedade de capital destinado a aumentar seu capital estabelecido” 6. Nesses termos, receita e resultado não se confundem: o segundo é mais extenso (conceito denotativo) que o primeiro. Ou seja, por força dessa distinção será possível dizer que receita tem a ver com valores cuja propriedade, sendo adquirida por força do funcionamento da empresa (atividade típica, receita operacional), excluiria a receita não operacional. Já a receita bruta designa a contraprestação da venda de bens e serviços, enquanto valor financeiro cuja disponibilidade a empresa adquire com a venda de bens ou a prestação de serviços. Nesse sentido, distinguese da receita líquida, que é aquele valor, “diminuído de deduções e abatimentos e dos tributos cujo fato gerador seja a venda dos bens ou o fornecimento dos serviços” 7. Só a receita bruta nesse sentido estrito é que equivale a faturamento. Já o conceito de receita, como a nova fonte instituída pela EC nº 20/98, é que significaria quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado: todas as receitas operacionais. Afinal, da receita operacional se excluem os valores que constituem a receita não operacional, os que entram no patrimônio da sociedade por força de financiamento e capitalização, o capital de terceiros do qual a empresa tem apenas o uso. Desse esclarecimento técnico decorre, então, que receita bruta e receita operacional não se identificam inteiramente. 4 cf. Bulhões Pedreira: Finanças e demonstrações financeiras da companhia – conceitos fundamentais, Rio de Janeiro, Forense, 1989, passim. 5 pág. 455, grifei. 6 pág. 456, grifei. 7 Bulhões Pedreira, p. 457. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 19 19 O próprio Ministro Peluso ao se referir às diversas espécies de receita no seu votovista no RE 390.840MG8 apontou que distinguemse, pelo menos, quatro modalidade de receita: i) Receita bruta das vendas e serviços; ii) receita líquida das vendas e serviços; iii) receitas gerais e administrativas (operacionais); iv) receitas não operacionais. A norma do artigo 187 da Lei nº 6.404/76 (referida pelo Ministro Peluso, no RE 390.840MG), ao disciplinar a “Demonstração do Resultado do Exercício” mostra, em sede legal, a diferença. Mais precisamente, no artigo 22, § 1º, do Decretolei nº 2.397/87, determina se a incidência do FINSOCIAL sobre: alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;”. Seguese, alínea “b”, “as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas”; alínea “c”, “as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas”. Assim, se a receita, constante da nova redação do art. 195, I, passa a constituir um conceito “alargado” correspondendo a qualquer valor auferido abrangendo a classe genérica da receita como base de cálculo e referindo às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado que incorporam outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc., conforme o tipo de atividade por ela exercida, mas, à diferença de o faturamento, nisso dele se distingue, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas, é correta interpretação do Ministro Carlos Britto, quando restringe a expressão receita operacional àquela obtida mediante a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza. Afinal, de outro modo ficaria obscura a distinção entre a receita ou o faturamento conforme a nova dicção constitucional, bem como o reconhecimento de que a nova redação não é expletiva. Como obscuro ficaria também o argumento, segundo o qual a inconstitucionalidade declarada do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98 também decorreria de uma questão de ordem formal, posto que, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social (receita), não teria agido em conformidade com o art. 154, I da Constituição Federal. Por óbvio, não há como se supor que em uma mesma operação a contrapartida do tomador do empréstimo fosse “despesa financeira”, sendo para o concessor “receita operacional” e não “receita financeira”, transmudandose a natureza da relação. Por todo o exposto, há de se concluir, em suma, que receitas oriundas da atividade típica da pessoa jurídica – receitas operacionais – não podem ser consideradas 8 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=261694 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 20 20 faturamento para efeito de incidência da contribuição para o PIS (e COFINS) sob a égide da Lei nº 9.718/98 (afastado por inconstitucional o § 1º do seu art. 3º). Esta resposta não se altera em função da empresa envolvida ser uma empresa comercial, uma prestadora de serviços, uma “holding” ou uma instituição financeira. Não é o fato de determinada receita resultar da exploração do objeto social da pessoa jurídica que, determina estarmos diante de faturamento. Receita é gênero do qual faturamento é espécie. Restaria examinar em que sentido se toma o conceito de serviço na definição de receita bruta como a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. Serviço, em sentido vulgar, é qualquer esforço humano que tenha por objetivo propiciar a outrem um proveito, uma utilidade, um benefício, uma vantagem, até um obséquio ou favor. Em termos econômicos, tratase de fornecimento de trabalho, de locação de bens móveis, de cessão de direitos, ou seja, atividades que constituem bens incorpóreos na circulação de mercadorias. Para efeitos constitucionais e tributários (CF, art. 150, I), o termo passa pelo uso jurídico, consistindo em atividade de fazer com vistas a um resultado útil a terceiro9. Não dispensa, assim, a ideia de trabalho e, nesses termos, de um facere destinado a outrem. Por consequência, não há serviço na atividade útil em favor do próprio prestador. Na linguagem jurídica em geral, anota Maria Helena Diniz, serviço quer dizer o “exercício de qualquer atividade intelectual ou material com finalidade lucrativa ou produtiva.” 10 Com sua costumeira precisão, registra De Plácido e Silva11: SERVIÇO. Do latim servitium (condição de escravo), exprime, gramaticalmente, o estado de que é servo, encontrandose no dever de servir; ou de trabalhar para o amo. Extensivamente, porém, e expressão designa hoje o próprio trabalho a ser executado, ou que se executou, definindo a obra, o exercício do ofício, o expediente, o mister, a tarefa, a ocupação ou a função. Por essa forma, constitui serviço não somente o desempenho de atividade ou de trabalho intelectual, como a execução de trabalho ou de obra material. Aires Fernandino Barreto, em excelente monografia sobre o ISS, parte da idéia do trabalho, como um fazer, um conceito mais amplo, e doutrina com inteira propriedade: É lícito afirmar, pois, que serviço é uma espécie de trabalho. É o esforço humano que se volta para outra pessoa; é fazer desenvolvido para outrem. O serviço é, assim, um tipo de trabalho que alguém desempenha para terceiro. Não é esforço desenvolvido em favor do próprio prestador, mas de terceiros. Conceitualmente parece que são rigorosamente procedentes 9 cf. Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Rio de Janeiro, 1964, tomo XVIII, p. 9 10 Maria Helena Diniz, Dicionário Jurídico, Saraiva, São Paulo, 1998, pág. 311 11 De Plácido e Silva, Vocabulário Jurídico, Forense, Rio de Janeiro, 1987, vol. IV, pág. 215. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 21 21 essas observações. O conceito de serviço supõem uma relação com outra pessoa, a quem se serve. Efetivamente, se é possível dizerse que se fez um trabalho “para si mesmo”, não o é afirmarse que se prestou serviço “a si próprio”. Em outras palavras, pode haver trabalho, sem que haja relação jurídica, mas só haverá serviço no bojo de uma relação jurídica. (Aires Fernandino Barreto, ISS na Constituição e na Lei, Dialética, São Paulo, 2003, pág. 29) Como se vê, há claramente em todas as definições de serviço a idéia de atividade destinada a atender diretamente necessidades humanas. No serviço há sempre uma atividade que consiste em servir a outrem, em atender necessidades de outrem. É o próprio agir, a própria atividade ou esforço humano, que serve, que atende a necessidade de outrem. É certo que a expressão de qualquer natureza pode ser vista como indicativa de ampliação do alcance da referida norma. Mas é certo também que o ser de qualquer natureza o serviço não nos autoriza a entender como tal uma atividade que serviço não seja. Como se sabe o STF julgou inconstitucional a inclusão de “locação de bens móveis” na lista de serviços anexa ao DL nº 406/68 (RE nº 116.121). A decisão se substanciou na distinção entre præstare ou facere e dare. Nessa mesma linha podese entender que instituições financeiras também prestem serviços, como o serviço de cobrança de duplicatas, o serviço de emissão de talões de cheque e outros do mesmo gênero. Mas isso não faz das atividades financeiras um serviço. Na verdade, independentemente da questão referente à definição constitucional de serviço, o problema relativo às contribuições para o PIS ou para COFINS, seja qual for o sentido atribuído a serviço de qualquer natureza, está antes na definição de faturamento. Ou seja, é o conceito constitucional de faturamento que autoriza a inclusão nele do conceito de receita bruta em sentido estrito, e não o contrário. É no tratamento dado à receita da venda de serviços como receita bruta em sentido estrito e, por força disso, equiparável a faturamento em seu sentido constitucional que está a questão. Ou em outro giro: não se trata de saber se o conceito de serviço financeiro integra a expressão serviços de qualquer natureza, conforme a definição legal de receita bruta, mas se faz parte da definição constitucional de faturamento. Recorro de novo ao Ministro Pertence, ao esclarecer que, quando a lei ordinária chama de receita bruta (em sentido estrito) o que é faturamento, é aí que ela se ajusta à Constituição. Nesses termos, ainda conforme o mesmo Ministro, “a partir da explícita vinculação genética da contribuição social de que cuida o artigo 28 da Lei 7.738/89 ao FINSOCIAL, é na legislação desta, e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam”. E nessa legislação (DecretoLei nº 2.397/87, art. 22, § 1º), como já exposto, está disposto que receita bruta é das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza (alínea a), dela distinguindose as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (alínea b), bem como as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas (alínea c). Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 22 22 Vale dizer, ainda que se entenda que o conceito constitucional de serviço possa admitir como tal os serviços efetivamente prestados pelas instituições financeiras, as demais receitas operacionais das instituições financeiras (receitas financeiras e outras) estão excluídas do conceito de receita bruta em sentido estrito para efeito de sua subsunção ao conceito constitucional de faturamento. Não há, pois, como subsumilas à expressão: serviços de qualquer natureza. Muito bem, além de todo exame supra realizado, é preciso examinar, no contexto a nós apresentado a quê corresponde a expressão receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, usada na decisão do Recurso Extraordinário 401.3487, evitandose a superficialidade com a qual o tema foi abordado no acórdão combatido. Tomo, somente para fins didáticos, a liberdade de repetir a decisão do Ministro Peluso no Recurso Extraordinário em foco, grifando alguns pontos para destacar: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator Obviamente, não estamos diante de um voto claro suficiente, mas estamos diante elementos suficientes para que se possa esclarecêlo. No voto do Ministro Peluso, falase, pois, de receita bruta de venda de mercadoria e da prestação de serviço, isto é, do sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza; falase, assim, de soma das Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 23 23 receitas; em alusão ao artigo 187 da Lei nº 6.604/197612, de receita como gênero abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial; por fim, dentro do gênero, das receitas operacionais; donde, receita bruta como produto do exercício de atividades empresariais típicas. Não me parece que o Ministro Peluso quis rever o conceito de faturamento, até então consagrado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, o conceito de “ faturamento” não mais seria a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza” mas “qualquer outra receita, desde que oriunda das atividades empresariais”. Primeiramente porque não foi objetivo do STF, ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, redefinir o conceito constitucional de faturamento, mas sim o de rechaçar a definição legal de receita bruta estabelecida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, por ser esta inadequada àquela expressão constitucional. Depois porque, a mais simples interpretação sistemática do voto em foco, nos leva a entender que o que se pretende é tributar o faturamento cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza. Veja que o voto em exame utilizase da fórmula sintática “ou seja”, se utiliza de uma paráfrase que faz o desenvolvimento de um texto sem alteração do seu sentido original, nesse rumo, não pode desempenhar outro papel na frase, senão de conector para convencer o interlocutor acerca de sua validade preliminar13 – o faturamento pressuposto na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais – equivalendo (1) faturamento, (2) receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza e (3) receita das atividades empresariais. A decisão faz equiparação do conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, através da locução “ou seja” ao termo soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Não substitui um pelo outro, como se fez fazer crer. 12 Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. § 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 13 FUCHS, C. La paraphrase. Paris: Presses universitaires de France, 1982, pág. 55. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 24 24 Repete, ainda, o voto a expressão faturamento – excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente – e quando fala em receita estranha ao faturamento não se refere a nenhuma outra, senão a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, reforçando a idéia da definição constitucional de faturamento, senão o voto se limitaria a apontar a receita, mas ao se referirse a faturamento informa que toma a “receita” no sentido de faturamento, conforme até aqui expus. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 25 25 Voto Vencedor Conselheiro Flávio de Castro Pontes Redator designado Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase de seu entendimento. Consignese, de imediato, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é o fórum adequado para se discutir a violação de coisa julgada. Ora, se a recorrente tivesse absoluta certeza dos efeitos da coisa julgada material, deveria pleitear ao órgão jurisdicional, que possui os meios necessários de tornar eficaz uma decisão judicial, o seu cumprimento. Assim sendo, não há contrariedade à coisa julgada, visto que a decisão transitada em julgado não definiu a composição da base de cálculo da contribuição PIS para as instituições financeiras. Incontestavelmente o cerne do litígio consiste em interpretar a coisa julgada na referida atividade jurisdicional. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre a coisa julgada in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 630: (...) a coisa julgada material corresponde à imutabilidade da declaração judicial sobre o direito da parte que requer alguma prestação jurisdicional. Portanto, para que possa ocorrer coisa julgada material, é necessário que a sentença seja capaz de declarar a existência ou não de um direito.(grifouse) Como bem relatado, o Excelso Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão monocrática do Relator, Ministro Cezar Peluso, recurso extraordinário 401.348, processo originário 2000.38.03.0007782/MG, decidiu não incluir na base de cálculo do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 26 26 excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(grifouse) Outrossim, sabese que o STF no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR declarou inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Neste julgamento, o Ministro César Peluso esclareceu o seu ponto de vista a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. A propósito, o art. 2º e o caput do art. 3º da Lei 9.718/98 mantiveramse incólumes pela decisão do STF: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". (grifouse) Necessário é lembrar que a decisão judicial declarou inconstitucional o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, garantindose o direito da recorrente de apurar a contribuição PIS com base no faturamento, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviço de qualquer natureza, isto é, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Destarte, resta definir o que seja a soma das receitas oriundas das atividades empresariais. Tenhase presente que o conflito de interesses referese a um ramo peculiar da atividade econômica, o do sistema financeiro. O conceito de instituição financeira está definido no art. 17 da Lei 4.595/1964: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.(grifouse) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 27 27 Configurase que as atividades de uma instituição financeira estão relacionadas com a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros, a exemplo de operações de créditos e aplicação em títulos e valores mobiliários. Percebese que as instituições financeiras transferem recursos para os diversos agentes econômicos. Como exemplo típico de uma receita de operação financeira, citase o spread, em regra, a diferença que as instituições financeiras pagam na captação de recursos e o que elas cobram dos clientes. É certo que a natureza dessa receita é operacional e está vinculada à atividade econômica da instituição financeira. A partir destes conceitos, podese inferir que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Neste contexto, as receitas oriundas das operações bancárias (receitas operacionais) compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições, nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98. Como bem assentado pelo Ministro Cezar Peluso, a inclusão ou não de eventuais receitas financeiras no conceito de receita bruta tem como variável a atividade empresarial. Assim, as receitas operacionais das instituições financeiras amoldamse ao conceito de faturamento estabelecido no art. 2º e no caput do art. 3º da Lei 9.718/98, de sorte que as aludidas operações caracterizam uma peculiar prestação de serviços de qualquer natureza. Nesta esteira, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, também adotou o entendimento de que as receitas decorrentes das atividades financeiras integram a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins como prestação de serviços. Por oportuno, colacionase alguns trechos do citado Parecer, inclusive a conclusão: “(...) 55. Assim, as operações bancárias consistem em prestação de serviços. Efetivamente, é possível considerar o conjunto da atividade exercida por um banco comercial, para fins tributários (definição da base de cálculo da COFINS) como prestação de serviços. (...) 60. (...) O resultado da atividade de intermediação financeira, apesar de não sujeita à ação de faturar, constituindo ato de comércio e decorrendo da própria atividade negocial da empresa, integra o seu faturamento para os efeitos fiscais de concretizar o fato gerador da COFINS/PIS. 61. O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 28 28 não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras.(...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) d) o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou o conceito de receita bruta para abarcar as receitas não operacionais foi considerado inconstitucional pelo STF nos RREE n. 346.084, 357.950, 358.273, 390.840;(...) h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); (...) 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” (grifouse) Convém ressaltar que nas demonstrações de resultado dessas instituições, as questionadas receitas são classificadas como receitas operacionais da atividade financeira, por conseguinte de prestação de serviços nos termos da tese acima esposada. E, mais, cabe acrescentar que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região também está consolidando esse entendimento, conforme recentes decisões judiciais, a exemplo do acórdão abaixo: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. LEI N. 9.718/1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DO EXERCÍCIO DO OBJETO SOCIAL. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. 1. (...)2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, n. 390.840/MG, n. 358.273/RS e n. 346.084/PR. 3. No caso concreto, a questão vai além da simples declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998. Tratase, também, de definir o alcance do termo "faturamento", base sobre a qual incide o tributo. 4. Quando do julgamento dos Recursos Extraordinários mencionados, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS . Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de Fl. 178DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 29 29 prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. 5. Os impetrantes são instituições financeiras, que obtém receitas mediante as atividades de "coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros" (art. 17, da Lei n. 4.595/1964). Neste caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços. 6. Deve ser reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, para que a impetrante possa apurar a COFINS tendo por base de cálculo o faturamento, correspondente à receita bruta decorrente do exercício do objeto social ao qual se dedica. (...)(grifouse) (Processo: 001092848.2005.4.03.6100, eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012) Com efeito, o voto vencedor do Desembargador Federal Márcio Moraes entendeu de forma explícita que compõe o faturamento das instituições financeiras todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, conforme excerto abaixo: É certo que, quando do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS. Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. (...) Nesse caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços.(grifouse) Não é outro o entendimento dos Tribunal Regional Federal 2ª Região, segundo se depreende do acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. PIS E COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPENSAÇÃO. I O § 1º do art. 3º da lei nº 9718/98, que Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 380101.101 S3TE01 Fl. 30 30 alterou a base de cálculo da COFINS e do PIS, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. II As instituições financeiras devem recolher o PIS e a Cofins incidentes sobre seu faturamento, este entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas nãooperacionais é que será indevida, ensejando a compensação dos valores que eventualmente tenham sido recolhidos a esse título. III – Embargos de declaração parcialmente providos. (Processo: 2005.51.01.0117643 , E DJF2R Data:04/04/2011) (grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. É indubitável a capacidade econômica das instituições financeiras, portanto devem suportar a incidência da contribuição PIS sobre suas receitas operacionais. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza a exclusão das aludidas receitas da tributação em referência. De modo que em face das razões acima, as receitas operacionais de instituições financeiras são para fins tributários consideradas como prestação de serviços e estão sujeitas a incidência da contribuição PIS. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.011622/2005-56
Data da sessão: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
LUCRO PRESUMIDO. RECEITA ESCRITURADA. Cabível o lançamento de oficio do imposto de renda apurado com base nas receitas escrituradas, observando o regimento de tributação adotado pelo contribuinte.
ALEGAÇÕES DE ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. Constatado que a fiscalização observou as normas de regências aplicáveis à matéria, ao há que se falar em cancelamento da exigência.
Numero da decisão: 1101-000.224
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 LUCRO PRESUMIDO. RECEITA ESCRITURADA. Cabível o lançamento de oficio do imposto de renda apurado com base nas receitas escrituradas, observando o regimento de tributação adotado pelo contribuinte. ALEGAÇÕES DE ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. Constatado que a fiscalização observou as normas de regências aplicáveis à matéria, ao há que se falar em cancelamento da exigência.
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TURMA - DRJ SALVADOR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 LUCRO PRESUMIDO. RECEITA ESCRITURADA. Cabível o lançamento de oficio do imposto de renda apurado com base nas receitas escrituradas, observando o regimento de tributação adotado pelo contribuinte. ALEGAÇÕES DE ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. Constatado que a fiscalização observou as normas de regências aplicáveis à matéria, ao há que se falar em cancelamento da exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Shr t ANT O/ GA Presidente e Relator EDITADO: 28/11/2009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Praga, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Aloysio José Percinio da Silva, Jose Ricardo da Silva, Wilson Fernandes Guimarães e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior. 4,c4"--./- 1 Relatório CBV CONS1RUTORA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 2 1 Turma da DRS SALVADOR (BA), pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972 (PAF). Autos de infração do IRPI, CSLL, PIS e Cotins, ano-calendário de 2001 e 202, fls. 3-38, cientificados em 9/12/2005 (fl. 3) sendo que a contribuinte apresentou declaração do IRPJ optando lucro presumido. A multa aplicada foi de 75%. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): [...We acordo com a descrição dos fatos às fls. 04/06, a empresa registrou regularmente as receitas auferidas nos Livros Diário relativos aos anos-calendário de 2001 e 2002, informou essas receitas nas DIPJ correspondentes, mas não informou os tributos em DCTF nem providenciou o seu recolhimento, o que motivou a 'amolara dos presentes autos de infração. • A interessada tomou ciência dos lançamentos em 0911212005 e apresentou, em 09/0112006, a impugnação de fls. 110/115, com as seguintes alegações, em' sintas e: as receitas auferidas pela empresa, como afirma o próprio autuante, foram devidamente contabilizadas e declaradas, o que demonstra que não houve omissão de receitas e, portanto, ê indevida e ilegal a cobrança dos tributos elencados nos autos de infração; quanto ao não recolhimento dos valores devidos, devem ser observados dois aspectos importantes: o primeiro que, embora não os tenha recolhido nas datas dos respectivos vencimentos, a requerente os fez posteriormente, inclusive com o pagamento dos juros e multa devidos, bastando procurar nos sistemas de controle da Receita Federal e da Procuradoria da Fazenda Nacional para verificar que os débitos existentes foram pagos e/ou parcelados; o segundo aspecto refere-se à forma de tributação das receitas auferidas, decorrentes da prestação de serviços com entes públicos, notadamente construção e recuperação de estradas e rodovias, através do DNIT — Departamento Nacional de Infra-estrutura em Transportes, tributadas na fonte, de forma integral, de acordo com o art. 64 da Lei n°9.430, de 1996, e o art. 1' da Instrução Normativa n°480, de 2004 (reproduz); o autuante, ao não observar a legislação transcrita, laborou em erro, cometendo o grave equivoco de tributar as receitas da peticionária de forma absolutamente errada, aumentando significativamente o valor dos tributos devidos nos anos fiscalizados; o autuante, corno demonstrado em planilhas anexas (fls. 116(123), levantadas com base nos Livros Diário e na; declarações apresentadas (DIP.1 e DCTF), ao não considerar os valores faturados ao DN1T, lançou os impostos e contribuições sobre valores já tributados na fonte pelo órgão público, o que é absolutamente ilegal, por ferir o principio da não bi-tributação; os valores reais apurados e constantes _da planilha denominada "RESUMO DAS DIFERENÇAS APURADAS A MAIOR PELA FISCALIZAÇÃO" foram 2 Processe ne 10580.011622/2005-56 Si-C1T1 Acilirddo n.° 2101-00.224 Fl. 2 devidamente declarados e pagos pela autuada, não restando nenhum débito tributário relativo aos anos fiscalizados; a impugnante, por fim, solicita a total improcedência do presente auto de infração." A DRJ proferiu em 25/01/2008 o Acórdão tf 15-14.987 (fls. 186-194), que traz as seguintes ementas: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA ESCRITURADA. Cabível o lançamento de oficio do imposto de renda apurado com base nas receitas escrituradas e informadas em DIPJ, em relação às parcelas não confessadas em DCTF nem recolhidas espontaneamente. IMPOSTO RETIDO NA FONTE POR ÓRGÃO PUBLICO. COMPENSAÇÃO. Do tributo devido, deve ser compensado o montante retido na fonte, da mesma espécie, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. Contribuição para a Seguridade Social - Cofins. Contribuição para o P15. LANÇAMENTOS DECORRENTES. -Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o matriz, no que couber. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE" Aludida decisão foi cientificada em 16/04/2008 (AR. de f1.199), sendo que o recurso voluntário, intmposto em 14/05/2008 (fls. 200-203), a recorrente repisa suas alegaçoes afirmando que a decisão de primeira instância também não observou o regime de caixa na tributação, que foi a opção da contribuinte, apurando a exigencia pelo regime de competência, sem observar o artigo 409 do Regulamento do Imposto de Renda. Assim o lançamento foi a maior nos dois anos, conforme demonstrativos de fls. 204 e 205. Por fim, requer seja cancelada a exigência. É sucinto relatório. • 3 Voto Conselheiro ANTONIO PRAGA, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve ser conhecido por esta Câmara. Pela analise dos autos, verifica-se de plano que não cabe razão à impugnante. Isso porque os valor tributados foram informados pela própria extraídos a própria DIN apresentada pelo contribuinte, confirmado em seus livros fiscais e comerciais, cópia às fls. 44- 107. De fato, o autuante deixou de subtrarir o imposto de renda retido na fonte, que já foi considerado pela decisão de primeira instância. Frise-se que as as retenções na fonte, as compensações foram efetuadas com o imposto e contribuições da mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção, em conformidade com o entendimento expresso no art. 5° da Instrução Normativa SRF/STN/SFC n° 23, de 2 de março de 2001, vigente á época. Conforme asseverado na decisão recorrida, os demonstrativos anexados pela impugnante ás fls. 116/123 e 204-205, segundo a própria interessada, consideram o faturamento pelo regime de caixa, não encontrando correspondência com as receitas escrituradas pela empresa nos Livros Diário (fls. 44151) e informadas nas IMPI correspondentes (tis. 52/107), devidamente utilizadas pelo autuante na apuração dos tributos lançados. Tanto foi observado o regime de tributaçao eleito pela contribuinte que as retençoes na fonte foram consideradas exatamente nos meses que ocorreram, da mesma forma que declarou a empresa. Em verdade, a empresa não adotou o regime de caixa, pois, não registrou o diferimento das receitas em sua DIPJ. Os fundamentos da decisão recorrida não merecem qualquer reparos, os quais peço vênia para adotar como razões adicionais de decidir. Observo que tanto a fiscalização quanto a decisao da DRS, observaram a opção do contribuinte. Registro, ainda, que os valores parcelados pelo contribuinte após o inicio da ação fiscal devem ser subtraídos do saldo remanescente a ser cobrado, porém, mantida a multa de oficio. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. ANT0IRA/Ill/VGA n 4
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Numero do processo: 35366.002160/2006-22
Data da sessão: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2005
AUTUAÇÃO, PROCESSO ADMINISTRATIVO, DOCUMENTO.
FUNDAMENTO PARA A ATUAÇÃO. NÃO CONSTA DOS AUTOS,
ANULAÇÃO.
A motivação da autuação da empresa em Nota Técnica emitida pelo próprio
INSS sem que fosse efetivamente disponibilizada nos autos, é causa
suficiente para gerar enorme prejuízo para a defesa do contribuinte,
notadamente porque o documento foi apontado como elemento notteador
infração.
Nos termos do que dispõe o art. 59, inciso II, são nulos os atos proferidos
com preterição do direito de defesa. De maneira que o auto de inflação deve
ser anulado, pois não assegura a plenitude do direito de defesa ao
contribuinte,
Auto de Infração Anulado.
Numero da decisão: 2301-000.808
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento, vencida a relatora. Apresentará voto divergente vencedor o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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OUTROS DADOS. Recorrente SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM COMERCIAL - SENAC Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁR1A ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2005 AUTUAÇÃO, PROCESSO ADMINISTRATIVO, DOCUMENTO. FUNDAMENTO PARA A ATUAÇÃO.. NÃO CONSTA DOS AUTOS, ANULAÇÃO. A motivação da autuação da empresa em Nota Técnica emitida pelo próprio INSS sem que fosse efetivamente disponibilizada nos autos, é causa suficiente para gerar enorme prejuízo para a defesa do contribuinte, notadamente porque o documento foi apontado como elemento notteador infração. Nos termos do que dispõe o art. 59, inciso II, são nulos os atos proferidos com preterição do direito de defesa. De maneira que o auto de inflação deve ser anulado, pois não assegura a plenitude do direito de defesa ao contribuinte, Auto de Infração Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n" 35366.002160/2006-22 S2-C3 T 1 ~ralo n " 2301-00.808 F1 140 • • • ACORDAM os membros da 3" câmara / 1" turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento, vencida a relatora. Apresentará voto P divergente vencedor. o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes., • ,Ó) JU LIO CE‘AR VI E IRA_ O . — Presidente DAM IÃO CORDEIR& ORAES — Redator Designado 3 • • BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS — Relatora Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (suplente), Maria Helena Lima dos Santos (suplente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Relatório Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 18/07/2006, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV e § 6, do art. 32, da Lei 8..212/91.. Segundo Relatório Fiscal da Infração (fls. 12), a empresa informou, em GFIP, o código de terceiros como sendo 002, quando o correto seria 003, além de informar, nas mesmas GFIPs, o código FPAS 574, quando o correto seria 523ocorrência 04 para os empregados que estão expostos a agentes nocivos e que receberam adicional insalubridade. A autuada impugnou o débito via peça de fls. 25 a 35, e, posteriormente, solicitou a juntada de documentos e a concessão de prazo suplementar para providenciar documentação apta a provar o manifesto equívoco do presente lançamento, A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da Decisão-Notificação n" 21,401,4/0547/2006 (fis, 74 a 77), julgou a autuação procedente. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fis. 83 a 95), alegando, inicialmente, que esse recurso é prejudicial aos recursos interpostos nas NFLDs 37..012.169-4, 37.012,170-8 e 37,012,171-6, uma vez que elas foram lançadas a partir do equivocado enquadramento levado a efeito pelo fisco previdenciário, que se valeu de uma nota técnica cujo teor não se sabe ao certo. Processo n° 35.366 002160/2006-22 S2-C3T1 Acórdão n 2301-00.808 F1 141 Em preliminar, sustenta que, ao contrário do sinalizado no item 11 da DN, é óbvio que a harmonia entre o FPAS e o CNAE deve existir, por uma questão de lógica e de bom senso e que, se o contribuinte é enquadrado no CNAE como se fosse uma entidade educacional, não poderia, para fins de FPAS, ser enquadrado como uma associação sindical. Ressalta que a contradição entre os enquadramentos de CNAE e FPAS efetuados pelo AFPS, questionada pelo contribuinte, não foi enfrentada em momento algum da DN, que trouxe um exemplo impertinente, cujo contexto não possui vinculação ao questionarnento apresentado na defesa. Entende que, sob o prisma da estrita legalidade, contexto no qual não se insere uma nota técnica, o FPAS 523, a redação existente no Anexo V, do Decreto .3048/99, não contempla a atividade desenvolvida pelo SENAC, e que cabe ao fisco previdenciário regularizar as relações de FPAS em seu sistema informatizado, e não orientar o contribuinte a agir de forma errada e se enquadrar em determinado código que não contempla sua específica atividade empresarial. Assevera que o RF/AI deixa muitas dúvidas, pois nenhuma menção é feita quanto à utilização do FPAS 523, salvo o contido na DN, o que ofende as diretrizes traçadas na IN 03/2005, já que o SENAC entende que o seu FPAS correto é o 574. Lista as atividades desenvolvidas pelo SENAC e defende que o fisco deveria ter instaurado contencioso específico para a definição de qual o correto FPAS, mas nunca ter enquadrado a recorrente ex-officio em outro FPAS e ressalta que a DN é omissa em relação à afirmação de que o SENAC é um estabelecimento de ensino por força de lei, No mérito, reitera que o próprio CNAE do SENAC, mantido pelo fisco em todos os lançamentos citados, revela a condição de estabelecimento educacional, pois o grupo 08 indicado pelo cartão e pelos lançamentos refere-se à educação, e que as atividades elencadas no FPAS 523 encontram-se inseridas no GRUPO 91, Atividades Associativas, o que não se confunde com o ensino profissionalizante oferecido pelo SENAC. Frisa que é de extrema incompatibilidade manter no mesmo lançamento o FPAS 523 com o CNAE Grupo 80, como ocorre in casu, e conclui que o FPAS correto do contribuinte é o 574, e o CNAE correto, inclusive mantido pelo fisco, está enquadrado no GRUPO 80, ou seja, de Educação. Lista os documentos que, segundo entende, demonstram que o SENAC é, por definição legal, entidade voltada para o aprendizado da atividade de natureza comerciaria, e que não mereceu qualquer comentário a respeito pela DN. Reafirma que ocorreu cerceamento de defesa, já que não consta dos autos a NT 01/04, da qual se valeu o fisco previdenciário para realizar ex-officio o novo enquadramento do SENAC, o que poda do contribuinte o exercício do contraditório, ressaltando que uma NT não possui força vinculante, pois apenas sinaliza um determinado entendimento, não criando nenhuma regra. É o relatório, „A\ 3 Processo n° 35366002160/2006-22 S2-C3 11 Acórdão n.° 2301-00.808 Fl. 142 Voto Vencido Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos. Da análise das razões recursajs trazidas pela notificada, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente alega que a Decisão Recorrida deixou de apreciar matérias trazidas na peça impugnatória e que deixou de se pronunciar acerca dos documentos apresentados em sede de defesa. De fato, observa-se que a recorrente alegou, preliminarmente, em sua defesa, que o recurso é prejudicial aos recursos interpostos nas NELDs 37,012.169-4, 37M12.170-8 e 37_012.171-6. Argumentou, também, ainda em preliminar, que houve cerceamento de defesa por não ter sido dado conhecimento, ao contribuinte, do inteiro teor da Nota Técnica na qual se baseou o agente autuante para efetuar o novo enquadramento do FPAS. No entanto, a autoridade julgadora de primeira instância deixou de apreciar tais matérias, conforme se verifica da leitura da decisão de fls, 75/76. Da mesma forma, a primeira instância não se pronunciou sobre os documentos juntados aos autos pela recorrente às fls. 44 a 73 que, segundo entende, demonstram que o SENAC é, por definição legal, entidade voltada para o aprendizado da atividade de natureza comerciaria. Entendo que as matérias impugnadas em preliminar e a documentação acostada aos autos antes da decisão de primeira instância deveriam ter sido objeto de análise na ( Decisão-Notificação, em respeito ao contraditório e à ampla defesa. Ao não se pronunciar sobre esses argumentos, a autoridade prolatora da decisão deixou de demonstrar, à recorrente, qual o entendimento da SRP sobre as preliminares alegadas e o motivo pelos quais elas foram afastadas. Tal conduta do julgador monocrático configura desrespeito ao contraditório e da ampla defesa, pois a empresa não pode se defender do entendimento da SRP em relação aos documentos apresentados, ou quanto à prejudicial aos recursos interpostos nas NFLDs, alegada pela recorrente, ou mesmo o motivo pelo qual não foi acolhida a preliminar de cerceamento de defesa pela não cientificação, ao contribuinte, do inteiro teor da NT 01/04, da qual se valeu o fisco previdenciário para realizar ex-officio o novo enquadramento do FPAS. E, o Decreto n° 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina, no inciso II, do art. 59, que são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. 4 Processo n° 35366 002160/2006-22 S2-C3T1 Acórdão a° 2301-00,808 Fl. 143 O presente auto foi lavrado por não ter sido informado, em GFIP, o código de FPAS que a fiscalização entendeu, com base na Nota Técnica citada no Relatório Fiscal da Infração, como correto. Assim, entendo que há uma relação entre o AI discutido por meio do presente processo administrativo fiscal e as NFLDs que lançaram a diferença de contribuição decorrente do enquadramento equivocado de FPAS, e que a referida NT, que embasou o reenquadramento, deveria ser encaminhada à recorrente, oportunizando-a de se manifestar a respeito antes mesmo de qualquer decisão administrativa sobre o AL Portanto, diante das irregularidades acima apontadas, entendo que a nulidade da DN merece ser decretada, para que as preliminares suscitadas em sede de impugnação sejam objeto de análise no julgamento de primeira instância administrativa e para que seja dada ciência, ao contribuinte, da NT que ensejou o reenquadramento do FPAS. E, considerando que o julgamento do auto em questão depende da procedência das Notificações que lançaram as diferenças de contribuições previdenciárias decorrentes do novo enquadramento no FPAS, faz-se necessário, ainda, que seja informado, nos autos, os resultados dos julgamentos de cada NFLD, contendo informações sobre as contribuições que foram mantidas em cada uma delas e os levantamentos excluídos nos casos de provimento parcial ou total dos recursos, caso já tenha havido o julgamento definitivo dos referidos lançamentos. Referida informação possibilita a este Conselho o conhecimento pleno de todos os fatos, facilitando a formação de convicção quanto à regularidade do feito. Nesse sentido e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER do recurso e ANULAR A DECISÃO- NOTIFICAÇÃO. Sala das Sessões, em I de dezembro de 2009, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS — Relatora Processo o° 35366.002160/2006-22 S2-C311 Acórdão n,° 2301-00..808 Fl, 144 Voto Vencedor Conselheiro, DAMIÂO CORDEIRO DE MORAES, Redator Designado. 1 Peço venia à nobre Conselheira relatora para divergir do seu posicionamento, por entender que o auto de infração é nulo por vício formal. 2. Apenas para pontuar o meu voto, colho do relatório fiscal a fundamentação trazida pela fiscalização para apontar o apontado equívoco cometido pela recorrente em relação ao seu enquadramento no código FPAS: "2 Foi informado o código de terceiros nas GFIPS como sendo 002, quando o correto seria 003, e informado nas mesmas GFIPS o código FPAS como sendo 574, quando o correto seria 523, conforme tabela a seguir, constante da NOTA TÉCNICA INSS/DIREP/DITER N° O1/2004()" o destaque é nossa 1 Com efeito, a motivação da autuação da empresa em Nota Técnica emitida pelo próprio INSS sem que fosse efetivamente disponibilizada nos autos, é causa suficiente para gerar enorme prejuízo para a defesa do contribuinte, notadamente porque o documento foi apontado como elemento norteador da infração. 4. O direito de defesa do contribuinte foi atingido mortalmente, pois sequer pôde ter conhecimento do inteiro teor da "NOTA TÉCNICA" indicada no documento fiscal como fundamento da infração. A informação fiscal deve conter os elementos necessários que conduzam a sua finalidade. No caso, possibilitar que o infrator tenha plena ciência do cometimento da infração, viabilizando a apresentação de defesa prévia. 5. Frise-se, porque importante, que nos termos do que dispõe o art. 59, inciso II, são nulos os atos proferidos com preterição do direito de defesa. De maneira que o auto de infração deve ser anulado, pois não assegura a plenitude do direito de defesa ao contribuinte. 6. E estando em discussão a ocorrência de cerceamento de defesa no processo administrativo, que culminou na imposição de multa por suposta infração à legislação previdenciária, mostra-se prudente a anulação do processo em seu nascedouro, qual seja a 6 Processo n°35366 002160/2006-22 S2-C3T1 Acórdão 2301-00,808 Fl 145 lavratura do auto. Até para que o fisco, caso entenda deva refazer a autuação, traga os elementos necessários ao julgamento regular da demanda. 7. Feitas estas considerações, voto pela ANULAÇÃO DO AUTO por VÍCIO FORMAL. É como voto. Sala das Sessões, em 1 • - dezembro de 2009, — MeV DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES — Redator Designado 7
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001924/2005-25
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO - EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O direito do sujeito passivo pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, sujeito a lançamento por homologação, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, nos termos dos arts. 150, §§ 1° e 4°, 156, I, 165,1 e 168, I, todos do CIN.
Numero da decisão: 1402-000.099
Decisão: Acordam os membro do Colegial, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO - EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O direito do sujeito passivo pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, sujeito a lançamento por homologação, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, nos termos dos arts. 150, §§ 1° e 4°, 156, I, 165,1 e 168, I, todos do CIN.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11543.001924/2005-25 Recurso n° 171.429 Voluntário Acórdão n° 1402-00.099 — 4° Câmara Ir Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ - ANO-CALENDÁRIO: 1999 Recorrente BRAZIL TRADING LTDA. Recorrida Sa TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO - EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O direito do sujeito passivo pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, sujeito a lançamento por homologação, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, nos termos dos arts. 150, §§ 1° e 4°, 156, I, 165,1 e 168, I, todos do CIN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membro do Colegial°, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ALBERTINA SI SANTO DE LIMA - Presidente e Relatora EDITADO EM: 09 MA 010 Participaram da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Antônio Bezerra Neto, Marcos Shigueo Takata, Carmen Ferreira da Silva, Carlos Pela e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. • Relatório Trata-se de recurso contra decisão da 8' Turma Julgadora da DRJ Rio de Janeiro I, que não reconheceu o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano- calendário de 1999 e que não homologou a compensação pleiteada. O pedido de restituição foi protocolizado em 19.08.2005. A razão para o indeferimento da solicitação está estampada na ementa seguinte: RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da extinção do crédito tributário, nos termos do art. 168, I, do CIN. Em casos de apuração de saldo negativo de IRPJ, a contagem inicial do prazo se dá no primeiro dia do ano-calendário seguinte ao do período de apuração. A ciência da decisão se deu em 11.04.2008 e o recurso voluntário foi apresentado em 09.05.2008. A recorrente argumenta que a DIPJ tem prazo de entrega até o último dia útil do mês e junho, assim, não se poderia considerar o prazo para restituição/compensação iniciado antes mesmo de haver um crédito constituído. Entende que a contagem do prazo para utilização do saldo negativo apurado na DIPJ deve ser no exercício seguinte ao da sua entrega. Também alega que no STJ é pacífico que o prazo decadencial de cinco anos para a restituição contar-se-ia apenas após cinco anos da homologação tácita, ou seja, de 10 anos a contar da data do pagamento indevido e não de cinco anos. Aduz que muito embora seja atribuída à LC 118/05 um caráter meramente inteipretativo não haveria dúvidas de que seu surgimento implicou em inovação° no âmbito normativo, pois ensejou a impossibilidade de sustentação do posicionamento defendido pelo ST.I. Conseqüentemente os fatos geradores anteriores à vigência da nova lei deveriam ter aplicação da legislação em vigor à época dos fatos. Cita doutrina. Salienta que este é o entendimento do próprio STJ, que em acórdão proferido pela Segunda Turma, de relatoria do Ministro João Otávio de Noronha, em julgamento de 06.02.2007, nos autos da Edcl Resp n° 587369/SC, se manifestou amparado pelo posicionamento da Primeira Seção do STJ, que ao analisar o art. 4° da LC n° 118/05, sedimentou entendimento de que o referido dispositivo legal deve ser aplicado apenas às ações propostas posteriormente à sua vigência. Destaca que, considerando a mudança do termo inicial do prazo prescricional, a nova disposição somente se aplica aos pedidos de restituição que venham a ser feitos após a sua vigência. É o relatório. 2 • Processo n°11543.001924/2005-25 • SI-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.099 Ft 204 Voto Conselheira ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Relatora O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1999, formulado em 19.08.2005, cumulado com pedido de compensação. A Turma Julgadora concluiu pelo indeferimento do pedido de — restituição/compensação por entender que-o prazo deve ser _contado a partir do primeiro dia seguinte à ocorrência do fato gerador (que se deu em 31.12.99). Em síntese, a recorrente apresenta os seguintes argumentos: a) A DIP3 tem prazo de entrega até o último dia útil do mês de junho e não se poderia considerar iniciado o prazo para restituição/compensação antes mesmo de haver um crédito constituído; o dies a quo para a contagem do prazo para utilização do saldo negativo apurado na DIPJ deve ser no exercício seguinte ao da sua entrega; b) Entendimento do STJ para a contagem de cinco anos se iniciar após cinco anos da homologação tácita; a LC 118/2005 não aplica-se a fatos geradores anteriores à sua vigência; a LC 118/05 somente se aplicaria aos pedidos de restituição que venham a ser feitos após a sua vigência. Os argumentos da recorrente não lhe são favoráveis. Conforme o caput do art. 38 e §1° da Lei n° 8.383/91, a partir do mês de janeiro de 1992, o imposto de rendadas pessoas jurídicas passou a ser devido mensalmente, na medida em que, os lucros forem auferidos, devendo as pessoas jurídicas apurar mensalmente, a base de cálculo do imposto e o imposto devido. Por esse diploma legal, houve alteração da modalidade de lançamento do IIt_PJ, de declaração, para homologação. 1 Inicialmente, transcrevo o art. 150 e parágrafos, do CTN, que trata do lançamento por homologação. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1" O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse • f't 3 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Da leitura do § 1° desse artigo, fica evidenciado que o pagamento antecipado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. O que nos impele a buscar entendimento sobre o significado da expressão "condição resolutória". Segundo o art. 119 do Código Civil vigente à época dos fatos, se houver condição resolutória, enquanto esta não se realizar, vigorará o negócio jurídico podendo exercer-se desde a conclusão deste, o direito por ele estabelecido. Portanto, em situação de condição resolutória, o direito do exercício estabelecido pelo negócio jurídico vale desde sua conclusão. Segundo o art. 156 do CTN, o pagamento (inciso I) e o pagamento antecipado (inciso II), são parte das modalidades de extinção do crédito tributário. Nestes termos, nos lançamentos por homologação, o pagamento da antecipação extingue o crédito tributário (seja pelas antecipações mensais ou pela retenção do imposto de renda na fonte), mesmo sob condição resolutória, uma vez que não há condição suspensiva. A homologação pode ser expressa, ou tácita. Se a lei não fixar prazo específico, a homologação tácita ocorre quando a Fazenda Pública não se manifesta dentro do prazo de cinco anos contados da data da oconencia do fato gerador. Assim, o direito de pleitear a restituição de valor antecipado, poderia ter sido exercido, independentemente da homologação tácita. Conforme o disposto no caput do art. 165, inciso I, do C'TN, o direito do sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo é possível nos casos de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. De acordo com o art. 168, inciso I, do CTN, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados, na hipótese dos incisos 1 e II, do artigo 165 do CTN, da data da extinção do crédito tributário. Concluo que o direito do sujeito passivo pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, sujeito a lançamento por homologação, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, nos termos dos arts 150, §§ 1° e 40, 156, I, 165, I e 168, I, todos do CTN. Esse entendimento está pacificado na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Cito como exemplo o acórdão CSRF 01-05.310, de 21.09.2005, que teve como relator o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes. RESTITUIÇÃO — IRPJ - O prazo extintivo do direito de pleitear a repetição de tributo indevido ou pago a maior, sujeito a lançamento por homologação, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, nos precisos termos dos arts. 156, I, 165, I, 168 e 150, §§ 1"e 4°, • do Código Tributário Nacional (CD!). 4 Processo n° / 1543.001924/2005-25 SI-C4T2 Acórdão n.°1402-00.099 R 205 Cito ainda o acórdão CSRF-02/02.522, de 17.10.2006, que teve como relatora a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopes: DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. PRAZO DE DEZ ANOS. lnexiste no ordenamento jurídico pátrio prazo de dez anos para formular pedido de restituição. No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário referida no art. 168, I do CTN ocorre na data do pagamento, pois a teor do art. 150, § 4° do CTN, o pagamento antecipado extingue o crédito tributário sob condição resolutiva e não suspensiva da ulterior homologação. Também cito da Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, o recurso 142157, acórdão 107-07861 de 11.11.2004, cuja ementa transcrevo: IANÇAMEIVTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADENCIA DO DIREITO DE PEITEAR RESTITUIÇÃO - EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - ANO-CALENDÁRIO DE 1992 - APURAÇÃO DO IRPJ PELO LUCRO REAL MENSAL. A extinção do crédito tributário se dá entre outras modalidades, pelo pagamento antecipado, nos termos do artigo 156, PH, do CTN. O prazo para que a contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário, de acordo com os artigos 165,1, e 168,1, do CTN. No lançamento por homologação a contagem de prazo decadencial encontra respaldo no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial, a data da ocorrência do fato gerador. Ressalta-se que mesmo antes da edição da Lei Complementar 118/2005, a jurisprudência administrativa não acatava a tese da contribuinte. Portanto, a tese dos "cinco mais cinco anos" não deve ser acolhida. No caso concreto, tendo o pedido sido formulado em 19.08.2005, o prazo para pleitear a restituição já havia se esgotado, uma vez que o prazo deve ser contado a partir 1 da ocorrência do fato gerador, que se deu em 31.12.99. Não há base legal para se considerar que o prazo para pleitear a restituição seja contado a partir do exercício seguinte ao prazo previsto para a entrega da DIPI. Ademais, a LC 118 de 09.02.2005, em seu art. 3 0, dispõe que para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150, do CTN. O art. 40 dessa Lei Complementar reza que a mesma entre em vigor 120 dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3 0, o disposto no art. 106, I, do CTN. Assim, seu pedido de que a LC 118/2005, somente se aplicasse aos pedidos de restituição formulados após sua vigência, ampara o indeferimento de seu pedido, uma vez que o mesmo foi formulado após a vigência desse ato legal. fie 5 Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso. (1/2 t.. ALBERTINA SIL A ANT-a DE LIMA 6
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Numero do processo: 10680.016784/00-86
Data da sessão: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2003
Ementa: CSL - DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldam-se à sistemática de lançamento por homologação, prevista no artigo 150 do CTN. Expirado o prazo de cinco anos sem que autoridade fazendária se tenha pronunciado, homologado está o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário.A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade não exercida pelo sujeito passivo, dôo qual pode resultar ou não o recolhimento do tributo.
Numero da decisão: CSRF/01-04.556
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber que considerava decadente tão somente os anos anteriores a 94, e os Conselheiros Antonio de Freitas Dutra, Verinaldo Henrique da Silva e Manoel Antonio Gadelha Dias que davam provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
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IMPORTAÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA Sessão de : 09 DE JUNHO DE 2003 Acórdão n° : CSRF/01-04.556 CSL - DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldam-se à sistemática de lançamento por homologação, prevista no artigo 150 do CTN. Expirado o prazo de cinco anos sem que autoridade fazendária se tenha pronunciado, homologado está o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário.A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade não exercida pelo sujeito passivo, dôo qual pode resultar ou não o recolhimento do tributo. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber que considerava decadente tão somente os anos anteriores a 94, e os Conselheiros Antonio de Freitas Dutra, Verinaldo Henrique da Silva e Manoel Antonio Gadelha Dias que davam provimento ao recurso. EDISON PÉREIRA RODRIGUES l'P'RESIDENTE Processo n° : 10680.016784/2000-86 Acórdão n° : CSRF/01-04.556 --- MARIA G• P ETTI DE BULHÕES CARVALHO RELATO?" FORMALIZADO EM: 18 AGO 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: RAUL PIMENTEL (Suplente convocado); VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE; NELSON MALLMANN (Suplente Convocado); REMIS ALMEIDA ESTOL; JOSÉ CARLOS PASSUELLO; DORIVAL PADOVAN; WILFRIDO AUGUSTO MARQUES; JOSÉ CLÓVIS ALVES; CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. Ausentes justificadamente os Conselheiros CELSO ALVES FEITOSA e LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO. 2 Processo n° : 10680.016784/2000-86 Acórdão n° : CSRF/01 -04. 556 Recurso n° : 108 -12 93 96 Recorrente : FA ZEND A NACIONAL Sujeito Passivo: MILA S.A. IMPORTAÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA RELATÓRIO A Fazenda Nacional inconformada com o Acórdão n° 108 - 06. 992, através do qual a Egrégia Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos acolheu a preliminar de decadência, urna vez que o lançamento atacado abrangeu fatos geradores ocorridos de dezembro de 1 991 até dezembro de 1994. Referidos fatos geradores somente foram formalizados em auto de infração, no dia 19 de dezembro de 2000. Com fundamento no artigo 5' , inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vem, a Fazenda Nacional, nos seguintes termos e fundamentados em seu Recurso Especial de fls 348/414, dizer: • Conforme reza o art. 150 do CTN o pra zo para o lançamento de oficio do tributo recolhido mediante o lançamento por homologação, iniciar -se -á apenas na data em que a Administração Tributária tiver ciência das providências tomadas pelo contribuinte, objetivando o pagamento do tributo, verbis: "Art. 150. O lançamento par ho mo lo ga ção , que ocorre quanto ao s tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da auto ri da de a dmi ni stra ti va , o pera -se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa '. • Assim, a legislação pode atribuir ao contribuinte o dever de identificando -se como sujeito passivo e à vista da ocorrência do fato gerador, efetuar o cálculo e pagamento do tributo, sem manifestação prévia da autoridade administrativa. • Já no parágrafo 4° do art. 150 do CTN, estipula à administração pra zo de cinco anos para a manifestação, contado a partir da ocorrência do fato gerador, verbis: 3 Processo n° : 10680.016784/2000-86 Acórdão n° : CSRF/01 -04. 556 " 4° - Sé a lei não fixar pra zo para a homologação , será ele de 5( cinco ) ano s, a contar da oco rrência do fato gerado r; expirado esse pra ,r) sem que a Fa zenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a oco rrência de dolo, fraude ou simulação ". • Portanto, se a homologação do pagamento decorre da análise da apuração do tributo devido pelo contribuinte, é evidente que o pra zo para a homologação somente pode ter início quando seja possível à administração pública apreciar as informações que fundamentaram esse pagamento. • Demonstra a Fazenda que o contribuinte foi cientificado do auto de infração de fl s 01, em 23/10/2000, enquanto que a contribuição questionada tratava -se dos fatos geradores ocorridos em 1995. Com isso não há o que se falar em decadência do direito de se constituir os créditos tributários correspondentes. Dessa forma, não ocorreu o decurso do pra zo decadencial para o lançamento ex o f fi cio dos tributos devidos pela recorrida. Nos casos em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante lançamento por homologação, a Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu que não haveria atividade do contribuinte a homologar. Não é possível realizar a homologação de atividade inexistente, ou efetuada de maneira errônea, mas caberia a autoridade administrativa unicamente proceder de ofício o lançamento dos valores devidos, sendo, porém, que o pra zo para o lançamento de ofício não está disposto no art 150, mas no art. 173 do CTN, verbi s: "Art 173 - O direito de a Fazenda Púbica constituir o crédito tributário extingue-se após 5( cinco ) ano s, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". • Por todo o exposto, requer o provimento do presente recurso para que afaste a decadência dos lançamentos ocorridos em dezembro de 1991, abril a junho de 1993, agosto, outubro, novembro e dezembro de 1994, vez que efetuados dentro dos pra zos legalmente fixados. / 4 Processo n° : 10680.016784/2000-86 Acórdão n° : CSRF/01 -04. 556 A decisão recorrida está assim ementada: " C SL - DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldam -se à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN. Expirado o pra zo de cinco anos sem que a autoridade fa zendária se tenha pronunciado, homoloaado está o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo suj eito passivo, da qual pode resultar ou não o recolhimento do tributo ". Preliminar de decadência acolhida. Despacho da Presidência n° 108 - 0.177/2002 às fls. 416/417, afirma que o recurso especial é tempestivo e revestido das formalidades legais. Sendo assim foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional determinando a remessa dos autos à DRF em Belo Horizonte para ciência do sujeito passivo para contra-arrazoar ou recorrer da parte que lhe foi desfavorável, no pra zo de 15 ( quinze) dias contados da ciência deste despacho. Certidão da Receita Federal encaminhando os autos do presente processo a DRF/EQPROF às fls 418. Extrato do processo /Prof isc às fls 419/420. Intimação às fls. 421 para o Contribuinte - Mila S.A Importação Comércio e Indústria tomar ciência do despacho da decisão do Conselho de Contribuintes e, querendo, recorrer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Aviso de Recebimento - AR às fls 422. Contra-razões apresentadas pelo Contribuinte Mila S/A Importação, Comércio e Indústria às fls. 423/442, demonstrando primeiramente a inapl icabil idade do art. 45 da Lei 8. 212/ 91 pois se tratar de Lei ordinária não podendo assim legislar sobre decadência mencionada, e por se tratar de apuração e constituição de créditos pela Seguridade Social, o que exclui, os créditos referentes à CSLL. Sendo assim, a CSLL está sujeita a lançamento por homologação, conforme dispõe o art. 150, § 4° do CTN, decaindo o direito da Fazenda de constituir o TI° 5 Processo n° : 10680.016784/2000-86 Acórdão n° : CSRF/01 -04. 556 crédito objeto do presente processo, em dezembro de 1999, posto que o período abrangido pela autuação foi de abril a julho de 1993, agosto, novembro e dezembro de 1994. ' Certidão da Receita Federal encaminhando o processo à DRJ/BH/Secoj às fls 443. Certidão da Receita Federal encaminhando o processo ao Primeiro Conselho de Contribuinte às fls 444. Certidão de ciência pelo Procurador da Fazenda Nacional às fls. 445. Certidão de remessa a Conselheira Maria Goretti de Bulhões Carvalho às fls. 446. É o relatório. tir 6 Processo n° : 10680.016784/2000-86 Acórdão n° : CSRF/01-04.556 VOTO Conselheira MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, Relatora: O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, merecendo ser conhecido. Não existem preliminares a serem analisadas. No mérito, a Fazenda em fase de recurso, insurge-se contra o prazo decadencial para a lavratura do auto de infração, com relação à decadência, por ser o lançamento no exercício fiscalizado eminentemente por homologação, sendo desta forma a contagem do prazo mês a mês e não anual. Peço Vênia para transcrever e adotar a bem elaborada tese do Ilustre Conselheiro Leonardo Mussi, sobre a matéria. "A questão é por demais tormentosa, e ganha na doutrina e na jurisprudência as mais diversas facetas. Sempre questionei os doutrinadores e julgadores que tratam da matéria de decadência e de prescrição em tese, fechando os olhos para as questões fáticas de cada caso. Não há como analisar esta questão em comento apenas interpretando em tese as regras do Código Tributário Nacional, sem buscar os detalhes do caso concreto à luz das normas legais instituidoras da exação e que definem a sistemática de lançamento a qual o tributo estará suj eita. Com efeito, segundo o art. 142 do Código Tributário Nacional, "compete privativamente à auto ridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, a ssim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerado r da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcula r o mo ntante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade ca ' . Já o parágrafo único do artigo em comento regra que "a atividade do lançamento é vinculada e o brigatória , sob pena de 7 Processo n° : 10680.016784/2000-86 Acórdão n° : CSRF/01 -04. 556 respo nsa bil idade funcional. Assim, o lançamento é o ato de proceder ( procedimento) , é a atividade vinculada e obrigatória das autoridades administrativas visando tornar liquida a obrigação tributária ( de dar) principal e, eventualmente, propor determinada penalidade. Sobre a liquidez das obrigações Washington de Barros Monteiro, nos ensina: "A obrigação líquida é aquela obrigação certa, quanto à sua existência, e determinada quanto ao seu objeto ( CC, art. 1. 533) . Seu objeto é certo e individualizado; logo, sua prestação é relativa a coisa determinada quanto à espécie, quantidade e qualidade. É expressa por um algarismo, que se traduz por uma cifra. A obrigação ilíquida é aquela incerta quanto à sua quantidade e que se tolha certa pela liquidação, que é o ato de fixar o valor da prestação momentaneamente indeterminada, para que esta se possa cumprir; logo, sem liquidação dessa obrigação, o credor não terá possibilidade de cobrar seu crédito. Depende, portanto, de prévia apuração, por ser incerto o montante de sua prestação, tendo a converter -se em obrigação líquida. Tal conversão se realiza, processualmente, mediante liquidação ( CPC, art. 586 e parágrafos) , que lhe fixará o valor, mas pode advir de transação. ( CC, art. 1. 025) , quando os transigentes acomodam seus interesses como julgarem conveniente, isto é, por força de ajuste entre as partes e de acordo com a lei ( CC, arts. 1.537 a 1. 552) . A liquidação judicial dá -se sempre que não houver a legal e convencional ( CC, art. 1. 535) . " A lição de Maria Helena Dini z é lapidar ao dizer: "Realmente, considera-se l íqui da a obrigação certa, quanto à sua existência e determinada, quanto ao seu objeto ( Cód. Civil, art. 1. 533). Nela, acham-se especificadas, de modo preciso, qualidade, quantidade e natureza do objeto devido. Obriga ção que não pode ser expressa por um alga ri smo , que não se traduza por uma cifra, que necessita, enfim, de prévia apuração, não merece f8 Processo n° : 10680. 016784/2000-86 Acórdão n° : CSRF/01 -04. 556 tal qualificativo. Ma s, não lhe prejudica esse caráter qualquer dúvida de natureza jurídica. Por outro lado, ilíquida é a obrigação que dependa de prévia apuração, vi sto ser incerto o mo ntante da prestação. Esse cálculo realiza-se, processualmente, através da liquidação, que lhe fixa o respectivo valo r, em mo eda corrente, a ser pago ao credo r, se o devedor não puder cumprir a prestação na espécie ajustada ( art. I. 534). A obrigação íquida tende a converter-se em obrigação 1íquida; essa, a sua inclinação natural , quase a sua vocação, se assim pudéssemos no s exprimir ". Ora, no caso do direito tributário, a obrigação tributária somente se torna líquida mediante aquela atividade obrigatória e vinculada das autoridades administrativas, denominada pelo artigo 142 do CTN de lançamento, atividade esta praticada com o fito de especificar, nas palavras da Professora Dini z, a "qualidade, quantidade e natureza do objeto devido " da obrigação: a qualidade, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinando a matéria tributável e identificando o sujeito passivo; a quantidade e natureza do objeto devido, calculando o montante do tributo e, sendo o caso, propondo a aplicação da penalidade cabível. Destarte, somente após a liquidação da obrigação tributária pelo lançamento é que exsurge efetivamente o crédito do ente tributant e contra o contribuinte, que fica obrigado a liquidar o débito nos pra zos determinados pelas autoridades administrativas, na maioria das vezes com supedâneo legal, ou na falta deste, trinta dias após a notificação do lançamento, artigo 160 do CTN. Antes do lançamento existe apenas a relação jurídica obrigacional, o vinculo jurídico que dá ao sujeito ativo ( ente tributante) o direito de liquidar a obrigação tributária por intermédio do lançamento, atividade esta exclusiva das autoridades administrativas, mas que poderá ter maior ou menor participação dos contribuintes, como será demonstrado abaixo.. Assim é que o CTN no artigo 147 define o lançamento por declaração como sendo aquele em que o contribuinte, na forma da legislação tributária, informa determinado fato para as autoridades administrativas e esta efetua a apuração do quantun debeatur da obrigação tributária (lançamento) . 9 Processo n° : 10680.016784/2000-86 Acórdão n° : CSRF/01 -04. 556 Exemplo do lançamento por declaração, é a taxa de prevenção e extinção de incêndio, onde as autoridades administrativas, com base nos dados fornecidos pelos contribuintes à Prefeitura Municipal, efetuam o lançamento e notificam o contribuinte dizendo o valor e quando pagar o tributo. O artigo 149 do CTN sobre o lançamento efetuado e revisto de oficio regra: "ART. 14 9 - O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela auto ridade administrativa no s seguintes casos: 1 - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no pra zo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embo ra tenha prestado decl aração no s ternos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária , a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse- se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela auto ridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou o mi s são qua nto a qualquer elemento definido na legisla ção tributária corro sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguint e; V/ - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária ; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação ; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado par ocasião do lançamento anterior; PL,r 10 Processo n° : 10680.016784/2000-86 Acórdão n° : CSRF/01 -04. 556 IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, oco rreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma auto ridade, de ato ou formalidade essencial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública ". ( grifo nosso) . Os incisos I, II e V do artigo acima transcrito são de suma importância ao deslinde da questão. O inciso 1 remete à lei a competência para definir quando se efetuará o lançamento de ofício e o inciso II assevera que se dará o lançamento quando o contribuinte não prestar declaração. Já o inciso V do artigo 149 do CTN, diz que o lançamento de ofício se dará quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo 150 do Código Tributário Nacional. O artigo 150 referido trata do denominado lançamento por homologação nos seguintes termos, verbis: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto ao s tributo s cuja 1 egi sl a ção a t ri bua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Nos termos do ca put do artigo 150 do CTN, o lançamento por homologação ocorre quando, por delegação da legislação fiscal, o contribuinte promove aquela atividade da autoridade administrativa de lançamento ( art. 142 do CTN) , qual seja, a de verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular o tributo devido e, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível. Além do lançamento, de acordo com o artigo 150 do CTN, para consumação deste tipo de lançamento é necessário o 11 ft)(i Processo n° : 10680.016784/2000-86 Acórdão n° : CSRF/01-04.556 recolhimento do débito apurado pelo contribuinte sem prévio exame das autoridades administrativas. Havendo o lançamento e pagamento antecipado pelo contribuinte, restará às autoridades administrativas a homologação expressa da atividade assim exercida pelo contribuinte, ato homologatório este que consuma a extinção do crédito tributário (art. 156, VII, do CTN). Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN), a chamada homologação tácita. Segundo o "Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa" homologar significa: "1. Jur. Confirmar ou aprovar pior autoridade judicial ou administrativa." No lançamento por homologação, desta forma, quem pratica a atividade de lançamento do artigo 142 do CTN, apuração do quantun deLeatur da incidência, é o contribuinte que tem a obrigação de recolher o valor do tributo apurado, restringindo-se a atividade das autoridades administrativas ao exercício da confirmação (homologação) expressa daquela atividade, que se inocorrer dá lugar a confirmação tácita após cinco anos do fato gerador, que tem o condão de extinguir o crédito tributário. Tais incisos estão refletidos no artigo 889 do RIR/94: "Art. 889. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (Decretos-lei n.'s 5.844/43, art. 77, 1.967/82, art. 16, 1.968/82, art. 7°, e 2.065/83, art. 7°, § 1°, e Leis n.°s 2.862/56, art. 28, 5.172/66, art. 149, e 8.541/92, arts. 40 e 43): I - não apresentar declaração de rendimentos; f\r/) 12 Processo n° : 10680. 016784/2000-86 Acórdão n° : CSRF/01 -04. 556 II - deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusar -se a prestá-los ou não os prestar satisfatoriamente; III - fizer declaração inexata, considerando -se como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; IV - não efetuar ou efetuar com inexatidão o recolhimento do imposto devido inclusive na fonte; V - estiver sujeito, por ação ou omissão, a aplicação de penalidade pecuniária; VI - omitir receitas ". Desta forma, sempre que a lei determinar, ou sempre que o contribuinte não apresentar declaração e dever o imposto, é claro, ou não promover de forma adequada aquela atividade de lançamento por homologação, as autoridades deverão promover o lançamento de oficio constituindo o crédito tributário. Já o artigo 173 do Código Tributário Nacional estabelece o pra zo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário mediante o lançamento, verbis: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 ( cinco ) ano s, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ; " Primeiramente cabe a seguinte indagação: tal dispositivo aplica -se ao chamado lançamento por homologação ? Entendo que não. Com efeito, como dito acima o lançamento por homologação só se consuma quando o contribuinte efetivamente promove corretamente a atividade de apuração do 13 ,, Processo n° : 10680.016784/2000-86 Acórdão n° : CSRF/01 -04. 556 montante do tributo devido e efetua o pagamento do valor apurado. Neste caso, por conseguinte, o lançamento que é de responsabilidade do contribuinte j á foi efetuado, cabendo à . fazenda Pública apenas homologar a atividade exercida pelo contribuinte. Assim, o lançamento por homologação efetuado de forma correta não há que se falar "primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sito efetuado. " Quando aquela atividade do contribuinte é exercida com omissão ou inexatidão, não há que se falar em lançamento por homologação mas sim em lançamento de ofício das autoridades administrativas, nos termos do artigo 149, V, do CTN. Assim, o disposto no artigo 173 do CTN aplica -se tão somente aos casos de lançamento por declaração ou do lançamento de ofício, posto que somente nestas situações há que se falar "em exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ", na medida em que no lançamento por homologação pressupõe a correta apuração do imposto devido ( lançamento) e o seu recolhimento pelo contribuinte. Diante de todo o exposto, comungo com a fundamentação acima exposta pelo Dr. Leonardo Muss i, entendendo ser o lançamento do presente processo por homologação, estando desta forma o crédito tributário em questão fulminado pelo instituto da decadência. , , , 7a` a das essões - DF, em 09 de , junho de 2003. ' -77 —C--ê,„,j I. MARIA/ ORETTI DE BULHÕES CARVALHO REL AT RA 14 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.001582/2002-40
Data da sessão: Mon May 05 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IOF. IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A VALORES MOBILIÁRIOS. OPERAÇÕES DE CONSÓRCIO ANTECIPADO.
Não incide o IOF sobre operações realizadas por instituições financeiras que se dedicam à operação de consórcio antecipado, antes do advento da Lei nº 9.532/97.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-03.036
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Henrique Pinheiro Torres e Antonio Praga que deram provimento ao recurso.
Matéria: IOF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Numero do processo: 10865.001856/99-07
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Data da publicação: Tue May 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/1990 a 30/09/1995
PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SFN° 49/1995.
A contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indevida incidência apenas se inicia a partir da data em que a norma foi declarada inconstitucional, vez que o sujeito passivo não poderia perder direito que não podia exercitar. Precedentes do STF.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-03.116
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho que deu provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
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