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Numero do processo: 10435.001296/2006-23
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. Ano-calendário: 2001.
ERRO NA IDENTIFICAÇÂO DO SUJEITO PASSIVO. — A empresa que
regularmente intimada deixa de apresentar os livros comerciais e fiscais e respectivos comprovantes de escrituração submete-se ao arbitramento dos lucros, sendo legitimo inserir na base de cálculo do arbitramento o montante das receitas omitidas, caracterizadas pela existência de depósitos bancários de
origem não comprovada, entretanto o lançamento tributário deve ser efetuado em nome da pessoa jurídica, mesmo que já extinta, arrolando-se como responsáveis solidários pelo crédito tributário as pessoas físicas que, comprovadamente, administraram a sociedade, tidas como titulares de fato, caracterizando-se erro na identificação do sujeito de passivo a lavratura do auto de infração em nome de uma dentre as várias pessoas físicas arroladas como responsáveis tributárias.
Numero da decisão: 1202-000.138
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e excluir a responsabilidade tributária solidária das pessoas físicas Antonio Fernando Bezerra, Gustavo Fernando Cordeiro Bezerra, Jose Ricardo Cordeiro Bezerra e Juliano Antonio Penasso e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade dos autos de infração, por erro de identificação do sujeito passivo, nos termos do relatório e voto integ-ram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Nelson Lósso
Filho, que negava provimento ae recurso quanto ao erro de identificação do sujeito passivo.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Cândido Rodrigues Neuber
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ementa_s : NORMAS PROCESSUAIS. Ano-calendário: 2001. ERRO NA IDENTIFICAÇÂO DO SUJEITO PASSIVO. — A empresa que regularmente intimada deixa de apresentar os livros comerciais e fiscais e respectivos comprovantes de escrituração submete-se ao arbitramento dos lucros, sendo legitimo inserir na base de cálculo do arbitramento o montante das receitas omitidas, caracterizadas pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada, entretanto o lançamento tributário deve ser efetuado em nome da pessoa jurídica, mesmo que já extinta, arrolando-se como responsáveis solidários pelo crédito tributário as pessoas físicas que, comprovadamente, administraram a sociedade, tidas como titulares de fato, caracterizando-se erro na identificação do sujeito de passivo a lavratura do auto de infração em nome de uma dentre as várias pessoas físicas arroladas como responsáveis tributárias.
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Ano-calendário: 2001. ERRO NA IDENTIFICAÇÂO DO SUJEITO PASSIVO. — A empresa que regularmente 'intimada deixa de apresentar os livros comerciais e fiscais e respectivos comprovantes de escrituração submete-se ao arbitramento dos lucros, sendo legitimo inserir na base de cálculo do arbitramento o montante das receitas omitidas, caracterizadas pela existência de depósitos bancários de origem não conprovada, entretanto o lançamento tributário deve ser efetuado em nome da pessoa jurídica, mesmo que já extinta, arrolando-se como responsáveis soliddrios pelo crédito tributário as pessoas fisicas que, comprovadamente, administraram a sociedade, tidas como titulares de fato, caracterizandoLse erro na identificação do sujeito de passivo a lavratura do auto de infração em nome de uma dentre as várias pessoas fisicas arroladas como responsveis tributárias. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e excluir a responsabilidade tributária solidária das pessoas fisicas Antonio Fernando Bezerra, Gustavo Fernando Cordeiro Bezerra, Jose Ricardo Cordeiro Bezerra e Juliano Antonio Penasso e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade dos autos de infração, por erro de identificação do sujeito passivo, nos termos do relatório e voto integ-ram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Nelson Lósso Filho, que negava provimento ae recurso quanto ao erro de identificação do sujeito passivo. Documonto assinado digitalmente o P n° 1200-2 do 2 108:261;1 Autenticado digitalmente oro i6/0H2011 por 8,"■ RBARA MONT F ‘RTUNATO Impresso em 19/1112012 por ANDREA FERNANDES GARCIA -VE R SO Ettl BRANCO EDITADO EM 3 O SET Participaram da sessão de julgamento os conselheiros : Cândido Rodrigues Neuber, Valér a Cnbral Géo Verçoza, Carmen Ferreira Saraiva(suplente Convocada), Silvana Rescigno Guerra Barreto(Suplente Convocada), Natanael Vieira dos Santos(suplente convocado) e Nelson Lásso Filho (Presidente). . 009 PE C:ARUARU DRF Processo n" 10435.00129612006-23 Acnrchlo n.° 1202-00.138 1 $98 S1-C2T2 Fl. 2 4 2 Documento assinado digitIlmente ccnformkt MR n" 2.2C0-2 de ,. 3/200I Autenticado digitalmente em 16 108/2011 pm BARBARA MONT FORTUNATO Impresso em 19;11/2012 por ANREA I E''<NANDLS GARCIA - VERSO EM t3RANCO pïr CARUARU DRF Fl. 1899 Proccsso n° 10435.001296/2006-23 Acórdão n.° 1202-00.138 S1-C2T2 Fl. 3 /or Relatório MARCELA FERNANDA CORDEIRO BEZERRA COSTA recorre da decisilo de primeira instância proferida pela 5' Turma de Julgamento da DRJ no Recife — PE, que julgou procedente, em parte, exigências de IRPJ, PIS, CSLL e COFINS, no total de R$ 6.968.8G7,35, inclusos os consectdrios legais, calculados até 03/10/2006, consubstanciadas nos autos de infração fls. 1.311 a 1.337. A contribuinte teve os lucros arbitrados no ano-calendário de 2001, em virtude de não ter apresentado s livros e documentos de sua escrituração. A base de cálculo do arbitratnento dos lucros foi o montante de depósitos bancários de origem não comprovada, com enquadramento legal nos arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96; arts. 532 e 537, do RIR/99, segundo descrito auto de infração de fls. 1.314 e "Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal" — TVF, fls. 1.223 a 1.234. A multa de lançamento de oficio foi qualificada para 150% e majorada para 225%, por falta de atendimento as intimações fiscais. A ação fiscal foi desenvolvida contra a empresa IMPÉRIO DA CARNE LTDA, CNPJ n° 03.017.751/0001-09, extinta em 02/04/2001 e CNPJ baixado em 18/12/2001, fls. 1.717, ano ern apresentou declaração como inativa, mas manteve intensa movimentação financeira em seu nome, no montante de R$ 23.704.945,96, fls. 1.746. No TVF, os autuantes descrevem a sucessão ocorrida na empresa ao longo de sua existência, fls, 1.226; informa que todos os sócios, à exceção de Josildo Euzébio Ferreira, eram pessoas humildes, de pouca ou nenhuma capacidade econômico-financeira; na Terceira Alteração do Contrato Social o Cotista, Josildo Euzébio Ferreira se retirou da sociedade e cedeu suas cotas para Luiz Conceição dos Santos e José Graciano Junior; em 06/06/2000 os sócios Luiz Conceição dos Santos e Jose Graciano Junior outorgaram procuração a Juliano Antônio Penasso, Marcela Fernando Cordeiro Bezerra e Josildo Euzébio Ferreira, para administrarem a empresa com amplos poderes e isentos de prestação de contas, fls. 80 e 1.226; na Quarta Alteração do Contrato Social, .tri 18/10/2000, Luiz Conceição dos Santos e José Graciano Junior cederam suas cotas aos novos sócios Cadimo Rodrigues da Silva e Jacinto Martins da Silva e se retiraram da sociedade; durante o ano-calendário de 2001, alvo da ação fiscal, a empresa foi administrada pelos l procuradores Marcela Fernando Cordeiro Bezerra e Josildo Euzébio Ferreira. 0 auto de infração foi lavrado em nome da pessoa fisica de MARCELA FERNANDA CORDEIRO BEERRA COSTA, CPF n° 036.079.324-09, considerada pelo fisco como uma dos "administradores/titulares de fato da pessoa jurídica", por se configurar como uma dos responsáveis tribinarios solidários. Em razão do interrelacionamento entre empresas e membros da família de Antônio Fernando Bezerra, que Ostetam o alcunha de "Guega", conforme descrito as fls. 1.230, no item "VI-) RESPONSABILIDADE SOCIETARIA/TRIBUTÁRIA (Art. 124 c/c art. 135 do Código Tributário Nacional)", que ora leio para integral conhecimento dos membros deste Colegiado, os autuantes consideram haver evidencia de que as pessoas físicas: JOSILDO EUZÉBIO FERREIRA; JUL/ANO ANTÔNIO PENASSO; GUSTAVO FERNANDO CORDEIRO BEZERRA; JCIE RICARDO CORDEIR BEZERRA; e ANTÔNIO Documento as?,inado digitalmente conformo MP r;' 2.200-2 do 2 1002001 Autenticado digitalmente em •G/0812011 por BARBARA MONTE FORTUNATO Impress° em 19/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM DRANCO 3 FERNANDO BEZERRA, figuraram como "administradores/titulares de fato" da empresa Império da Carne Ltda., incluindo-as nos "Termo se Sujeição Passiva Solidária", fls. 1.340 a 1.349, como responsáveis solidários pelo credito tributário. Todas as pessoas físicas arroladas como responsáveis pelo crédito tributário apresentaram impunações, fls. i 1.369 a 1.717, requerendo a improcedência do lançamento e a aplicação do previsto no art. 112 do CTN, além de protestarem por todos os meios de provas admitidos. Decisão de primeira instância, fls. 1.724 a 1.749, julgou parcialmente procedentes os lançamentos tributários. Na parte em que acolheu a impugnação excluiu a majoração da multa por falta de atendimento As intimações fiscais, reduzindo-a para 150%. Votaram pela desoneração da exasperadora para 150% os julgadores Charles Mayer de Castro Souza (Relator), Nelson Barbosa Caldas e Silvia Diniz. Restaram vencidos os julgadores Manoel de Barros de Andrade Lima Júnior, Presidente da Turma julgadora, e Eduardo Martins Neiva Monteiro que apresentou declaração de voto, fls. 1.747 a 1.749, no entido de declarar a nulidade do auto de infração por erro na identificação do sujeito passivo sob os fundamentos, em síntese: na sistemática adotada no CTN, em uma mesma relação, Ulna pessoa é considerada contribuinte ou responsável; no caso a Se. Marcela foi autuada come contribuinte (sujeito passivo direto) e não como responsável (sujeito passivo indireto); os lailçamentos, quanto A identificação do sujeito passivo, foram realizados em desacordo com o próprio CTN e o Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, em face das disposições de seus arts. 146 e 147; o §5°, do art. 42, da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei no 10.637/02, autoriza a efetivação da determinação dos rendimentos ou receitas em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, quando provado que os valores ci-editados na conta de depósito ou de investimento lhe pertence evidenciando interposição de pessoa; o auto de infração deveria ter sido lavrado contra a pessoa jurídica Império da Carrie Ltda., arrolando-se as pessoas fisicas responsáveis, com a indicação de todas as provas, indícios e menção de outros atos, devidamente comprovados, de envolvimento na administração da empresa. Cientificadas ea decisão de primeira instância, via postal e por edital, segundo detalhado no despaclui de fls. 1.803, as 6 (seis) pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários solidários apresentaram recurso voluntário único, fls. 1.771 a 1.800, via postal, postado em 11/06/2007, segundo envelope de fls. 1.801. Em síntese, pedem, em preliminar, a decretação da nulidade do auto de infração, sob a alegação de que os agentes fiscais efetuaram o lançamento de oficio indevidamente; e, caso não acolhida a preliminar, seja provido o recurso a fim de se reconhecer a inexistência de qualquer responsabilidade ou solidariedade dos recorrentes quanto As obrigações tributárias imputadas à empresa Império da Carne Ltda., excluindo os recorrentes do polo passivo tributário da relação jurídico-tributária sob exame, tornando sem efeito os Termos de Sujeição Passiva Solidária. É o relatório. 4 PE CARLTA RU DR F" Processo ri ° 10435.001296/2006-23 AcOrddo n.° 1202-00.138 FL 1900 ". SI-C2T2 Fl. 4 4 Documento assinzttio diTtatmente. conforme MR 11" 2.200-2 Jo 2 Actlenticrido ritgitalmente ern 16%00)201: pa: BARKARA MON Impresso em 19/11)2012 por ANDREA FERNANDE5 GARCIA 2001 CkMNATO -- nso EM BRANCO CARUARU DRI." A H. 1901 Processo n° 10435.001296/2006-23 Acerd5o n.° 1202-00.138 SI-C2T2 Fl. 5 fe,‘' Voto Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator 0 recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais e regimentais de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Como relatado as 6 (seis) pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários solidários pelo crédito tributário apresentaram o recurso voluntário em conjunto. PRELIMINAR Foi suscitada preliminar de nulidade do auto de infração, sob a alegação de que foram exigidas contribuições PIS, COFINS, CSLL, alem do IRPJ, no mesmo auto de infração, em afronta as disposições do art. 9 0 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, que dispõe sobre a formalização de autos de infração distintos para cada espécie tributária ou penalidade. A razão não assiste à recorrente, pois foram lavrados autos de infração distintos para cada espécie tributária: auto de infração do IRPJ, fls. 1.308 a 1.314; auto de infração do PIS, fls. 1.315 a 1.322; auto de infração da COFINS, fls. 1.323 a 1.330; e auto de infração da CSLL, fls. 1.331 a 1.337, em consonância a legislação mencionada. Rejeito a preliminar de nulidade dos autos de infração e passo a enfrentar o mérito. MÉRITO iS A questão de rnérito do presente litígio diz respeito à propriedade ou não da sujeição passiva das pessoas físicas arroladas como "responsáveis solidários pelo crédito tributário", corn fulcro nas disposições dos art. 124 e 135 do Código Tributário Nacional — CTN, segundo "Termo de Sujeição Passiva Solidaria", fls. 1.340 a 1.349. Primeiramente, de plano, devem ser excluídas como "responsáveis solidários pelo crédito tributário" as pessoas físicas ANTONIO FERNANDO BEZERRA, GUSTAVO FERNANDO CORDEIRO BEZERRA, JOSÉ RICARDO CORDEIRO BEZERRA e JULIANO ANTONIO PENASSO, visto que não eram e nunca foram sócios da empresa Império da Carne Ltda.; o fisco iião indicou e nem comprovou nos autos qualquer participação, minima que fosse na gestão da referida empresa; não indicou nenhum ato que tivessem praticado que os pudessem vincUlar à empresa; não comprovou nenhum beneficio que tivessem auferido da referida empresa em razão do grau de parentesco e do fato de • que todos os membros da família Guega, citados nos autos, se dedicarem ao ramo de comercio de carnes e a proximidade física das empresas em que foram ou eram sócios naquela quadra. Corno a autuação fiscal teve por base apenas presunção legal de omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, considerando que o fisco teve acesso aos extratos bancários, bem como a procuração das pessoas que movimentaram as contas bancárias, não houve aprofundamento das investigações no sentido de se proceder a análise individual de depósitos ou operaçãoes registr as nos extratos das contas Documento assinadu digitalmente col ¡forme MO Ç 2.203-2 de 2410812001 Autenticado thgitthiente em 16 10012011 por BARBARA MOIO 3D CORTUNIVIO Impresso ern 19/1112012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO PE CARUARU DRF Processo n° 10435.001296/2006-23 Acórcigo n.° 1202-00.138 Fl. 1902 SI -C2T2 FL 6 correntes bancárias da empres Impérios da Came Ltda. carreados aos autos, mesmo que por amostragem, se eram utilizadas por membros da família Guega, para depósitos ou saques ou em seus proveitos pessoais, se houve destinação de recursos As referidas pessoas fisicas. Também não há prova de que as contas correntes bancárias tivessem sido utilizadas em prol das empresas de titularidade das referidas pessoas fisicas, por exemplo, empréstimos, pagamentos do dospe.sas, compras ou dividas, pesquisas possíveis a partir da análise individual de cópias do cheques emitidos, seus beneficiários, em quais contas foram depósitados, análise de fiches de depósitos, ordens de pagamento, dc transfrencias bancárias, quem depositou, cópias de cheque depositados, dentre outras verificações possíveis de modo que se pudesse d'zmonsirar eventual vinculação das pessoas fisicas e de suas empresas A movimentação bancária da empresa Império da Carne Ltda. e comprovar o "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigaçdo principal" no sentido de imputar As referidas pessoas fisicas a solidariedade e a responsabilidade pelo crédito tributário referida no art. 124 do CTN, e prevista no art. 135 do CTN, utilizados no enquadramento legal no TVF. O Senhor ANTÔNIO FERNANDO BEZERRA, o "Guega da carne", foi arrolado por ser pai de MARCELA FERNANDA CORDEIRO BEZERRA COSTA, a autuada, de GUSTAVO FERNANDO CORDEIRO BEZERRA e de JOSE RICARDO CORDEIRO BEZERRA e sogro de JULIANO ANTÔNIO PENASSO, casado com sua filha ERIKA JANAINA CORDEIRO BEZERRA; junto com seus filhos Gustavo Guega e Ricardo Guega, foi sócio da empresa Distribuidora de Alimentos Paz e Amor Ltda. que até à época de sua baixa funcionava no mesmo endereço em que veio a funcionar a empresa Império da Carne Ltda. O Senhor GUSTAVO FERNANDO CORDEIRO BEZERRA, o Gustavo Guega, foi arrolado por ser filho de ANTONIO FERNANDO BEZERRA; por ter participado como sócio da empresa Distribuidora de Alimentos Paz e Amor Ltda. juntamente com seu pai e seu irmão Ricardo Guega; pelo fato de a empresa Maquiplast Platicos Especiais Ltda., fornecedora de embalagens para a empresa império da Carne Ltda., ter informado que o seu contato na referida empresa era o Sr. Gustavo; e por ter figurado, junto com seu irmão Ricardo Guega, como sócio da empresa GR Distribuidora de Alimentos Ltda. O Senhor JOSE RICARDO CORDEIRO BEZERRA, o Ricardo Guega, foi et arrolado por ser filho de ANTONIO FERNANDO BEZERRA; por ter participado corno sócio da empresa Distribuidora de Alimentos Paz e Amor Ltda. juntamente com seu pai e seu irmão Gustavo Guega; pelo fato de a empresa Klabin Ponsa S/A., fornecedora de embalagens para a empresa Império da Carne Ltda., ter informado que o seu contato na referida empresa era o Sr. Ricardo Guega; por ter figurado, junto com seu irmão Gustavo Guega, como sócio da empresa GR Distribuidora de Alimentos Ltda.; por ter sido procurador, por substabelecimento de sua irmã Erika, do Frigorifico Sol Nascente Ltda. com sede em São Paulo — SP e filial em Caruaru — PE, empresa que à época se eneontrava inapata no CNPJ, por práticas irregulares no comécio exterior. O Senhor JULIANO ANTÔNIO PENASSO, por ser genro de ANTÔNIO FERNANDO BEZERRA, casado com a sua filha Erika Guega; e por ter figurado como procurador com amplos poderes na procuração que lhe foi outorgada pela empresa Império da Carrie Ltda., fls. 80. Afora esss dois fatos não há nos autos nenhuma indicação de sua participação na gestão da referida empresa, como proc ador, ou em qualquer outra empresa do grupo familiar Guega. Document(' assinado 4.1Va1mente me MP n" 2.700-2 tio 0 Autenticado digitalmente em 16/0812011 pm BARBARA MONTE FORT UNATO Impresso em 19/11/2012 por ANDREA FERNANDES GAF2C1A -VERSO EM BRANCO It 6 PE' CARUARU DRF Fl. 1903 Processo n" 10435.001296/2006-23 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.138 Fl. 7 fe-?, Segundo descrito no TVF, fls. 1.228, foi o fato de as empresas aqui citadas funcionarem ou terem funcionado no endereço ou nas proximidades da empresa Império da Carne Ltda., e os vínculos familiares que justificaram o arrolamento dessas pessoas fisicas como "responsáveis solidários pelo crédito tributário". Entretanto, além de não demonstrada nos autos a participação dessas pessoas na empresa Império da Carne Ltda., seja no quadro societário, seja na gestão da empresa, ou como sócio:; ocultos, elas jamais foram chamadas a esclarecer qualquer dos fatos que as envolvessem com a referida e41presa, a exemplo do que ocorreu com Marcela Guega e com Josildo Euzébio, que foram intimados, prestaram esclarecimentos. Josildo Euzébio também prestou declaração a termo. Desse modo, neste passo, voto pela exclusão das pessoas fisicas ANTÔNIO FERNANDO BEZERRA, GUSTAVO FERNANDO CORDEIRO BEZERRA, JOSÉ RICARDO CORDEIRO BEZERRA e JULIANO ANTONIO PENASSO, como "responsáveis solidários pelo crédito tributário". Como dito anterionnente a empresa Império da Carne Ltda., A época abrangida pela ação fiscal, era administrada por seus procuradores MARCELA FERNANDA CORDEIRO BEZERRA COSTA e JOSILDO EUZÉBIO FERREIRA, segundo procuração de fls.80. Marcela, nos esclarecir inentos de fls. 763, informou que foi contratada pelo sócio Jacinto, para vistar e assinar cheques, na sua ausência. Josildo, nos esclarecimentos de fls.783, informou que após se desligar d a empresa, ficou prestando assessoria para os novos sócios, por indicação do sócio Luiz Conceição, apenas na Area administrativa, já que estes viajavam muito. Aqui, acredito que houve erro na identificação do sujeito passivo. Toda a ação fiscal foi desenvolvida contra a empresa Império da Carne Ltda., principalmente pesquisas de movimentação bancária e negócios com fornecedores, entretanto, alfim, foi autuada como contribuinte "responsáveis solidários pelo crédito tributário"a pessoa física de MARCELA FERNANDA CORDEIRO BEZERRA COSTA, com o seu número de inscrição no CPF. Penso que o fisco haveria de ter restabelecido, de oficio, o CNPJ da empresa Império da Carne Ltda., se fosse necessário, e contra ela lavrado os autos de infração, para em seguida arrolar as pessoas físicas As quais, comprovadamente, se pudessem imputar a condição de responsáveis pelo credito tributário, face As disposições do art. 135 do CTN, ou, eventualmente, providenciado inscrição de oficio no CNPJ de uma firma individual ou de urna sociedade de fato, seguida da indicação dos responsáveis pelo crédito tributário. Comungo do entendimento expresso no voto vencido da decisão recorrida de que a pessoa física de MARCELA FERNANDA CORDEIRO BEZERRA COSTA, não pode se revestir da condição de contiibuinte pessoa jurídica e, simultaneamente, responsável pelo crédito tributário da empresa Império da Carne Ltda. Pesa, ainda, o fato de que a base de cálculo do arbitramento foi o montante de receitas omitidas, caracterizadas por depósitos bancários de origem não comprovada, com fulcro na presunção legal definida no art. 42, da Lei n° 9.430/96, cuja movimentação bancária era em nome da empresa Império da Came Ltda., titular das contas correntes bancárias alcançadas pelo guante fiscal, não se apresentando a figura de interposta pessoa, evidenciando- se, também por este motivo, a irnpropriedade da autuação da Se ora Marcela, além. de que nas Documento ass1nado dig;tafrnonte conforme M1 1 1)0 2.2M-2 d 24 ,1)e12101 Autenticado civjitalnK;nte em 1510512011 por f3AIE3ARA MONTE FORTUNATO Imptesso em 19 1 1 I/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA VERSO EM 2RANCO a. PE CARUARU DRF Processo n° 10435.001296/2006-23 Acórdão n.° 1202-00.138 FL 1904 SI-C2T2 Fl. 8 autuações com base exclusiva em presunção legal, no caso a do art. 42, da Lei n° 9.430/96, não suporta a exigência da multa de lançamento de oficio qualificada, de 150%, mas apenas a multa normal de 75%. A jurisprudência administrativa, em situações quejandas, predomina no sentido de que o auto de infraçãO deve ser lavrado em nome da pessoa jurídica, mesmo que já extinda à época da fiscalização, e providenciado o arrolamento das pessoas fisicas responsáveis, a exemplo dos segUintes julgados, encimados pelas ementas, a saber: Acórdão no 105-14.257, de 05/11/2003. "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — RECURSO DE OFICIO — NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO — RESPONSABILIDADE DO SÓCIO Não configura erro na eleição do sujeito passivo da obrigação principal a hipótese em que, embora formalizado em' nome da empresa, o instrumento de constituição do crédito tributário mencione a pessoa física do sócio como responsável, nos termos do artigo 135, do CTN. RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO." (Destaquei) Acórdão n° 107— 06.453, de 071 11/2001. "NORMAS PROCESSUAIS — IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A regra contida no Código Tributário Nacional ê preservar o direito do Estado de reaver seu crédito. A empresa dissolvida, representada pelo sócio responsável, deve continuar para responder pelo crédito tributário enquanto não decair o direito da Fazenda Nacional de proceder o lançamento. Responsabilidade prevista nos arts.128 a 138 do Código Tributário Nacional. A autoridade administrativa tributária corretamente agiu, ao cientificar, na pessoa do sócio responsável pela guarda dos livros obrigatórios da escrituração comercial/fiscal da empresa dissolvida e comprovantes do S lançamentos neles efetuados, o lançamento do crédito tributário, em nome da empresa e devido por ela, no período em que exerceu suas operações comerciais e dei ou de recolher os tributos aos cofres públicos." (Destaquei) A respeito desta questão HIROMI HIGUCHI, na obra "IMPOSTO DE RENDA DAS EMPRESAS — interpretação e Prática", 30' edição, ano de 2005, página 610/611, assim preleciona, in verbis: "ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Tratando-se de sociedade extinta por dissolução, o auto de infração deve ser lavrado em nome dessa sociedade. 0 I° C. C. decidiu, pelo acórdão n°105-13.233/2003 (DOU de 01-04-04), que não configura erro na eleição do sujeito passivO da obrigação principal, a formalizagdo da exigência em nome da sociedade extinta, ainda que a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributaria, principal, seja atribuida ao sócio, nos termos do inciso VII, do art. 134 do CTN. O provimento do do recurso voluntário foi negado pelo voto de qualidade. Isso significa que o Presi te votou pelo desempate. 0 acerto está com Documento assinadc ovtalme7nto col i foi me Ni P n*2.200-2 de Arliedticado digitalmente em 16/08/2011 por BARBARA MONTE FORTUNA 1 '0 Impresso em 19/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA FM BRAND 8 Pi 7 CARUARU DRF Fl. 1905 Processo n° 10435.001296/2006-23 Acórcljo n.° 1202-00.138 Sl-C2T2 Fl. 9 os votos vencedores porque na extinção da pessoa jurídica por dissolução não há sucessor. Os sócios são responsáveis tributários nas hipóteses previstas nos arts. 134 e 135 do tTN mas não são sucessores. Os sócios da pessoa jurídica extinta regularniente na forma da lei não respondem pelos tributos apurados posteriormente se não praticaram atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social Ou estatuto, conforme pacifica jurisprudência do STJ. Dessarte, voto identificação do sujeito passivo. pela decretação da nulidade dos autos de infração por erro na CONCLUSÃO Na esteira destas considerações oriento o meu voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada; excluir a responsabilidade tributária solidária das pessoas fisicas Antônio Fernando Bezerra, Gustavo Fernando Cordeiro Bezerra, José Ricardo Cordeiro Bezerra e Juliano Antônio Penasso e, no mérito, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade dos autos de infração por erro na identificação do sujeito passivo. e- - DO-RODR EJJBER Document.° assinado O jitairnene conforme. UP n' 2.202 de 2 Auto -AK:ado chgitalmente ern 1610812011 poi BARBARA NION ii Iriipresso em 1911 112(.112 por ANDREA FERNANDES GARCIA - 1/08/2001 '0812001 FOR) UNA 10 Vr:PSO EM BRANCO
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Numero do processo: 10314.003819/98-07
Data da sessão: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO —II
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN.
INAPLICABILIDADE_ O Imposto de Importação não se
constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro_ O sujeito passivo do Imposto de
Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita
Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa
para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou
um valor maior que o devido. PRECEDENTE: Acórdão n° 301-
32.780.
O pedido de restituição de Imposto de Importação fundamentado
em cancelamento de Declaração de Importação não comporta a
discussão de transferência do encargo financeiro prevista no
artigo 166 do CTN-.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/03-06.195
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE_ O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro_ O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou um valor maior que o devido_ PRECEDENTE: Acórdão n° 301- 32.780. O pedido de restituição de Imposto de Importação fundamentado em cancelamento de Declaração de Importação não comporta a discussão de transferência do encargo financeiro prevista no artigo 166 do CTN-. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 'Terceira. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ONIO° - A - PresidenteP41'0 "Neelk. SUSY GO 1-10F ANN Relatora FORMALIZADO EM: O 5 CUT 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral 1Marcondes Armando, Nilton Luiz Bartoli (Substituto convocado), Maria Cristina Roza da Costa., Luciano Lopes de Almeida Moraes .//:ff Processo n°10314.003819/98-07 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.195 Fls. 2 (Substituto convocado), Antonio Carlos Guidoni Filho (Substituto do vice-presidente convocado) e Antonio Praga(Presidente)_ Ausentes justifi c adamente as Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Nanci Gama e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho(Vice-Presidente). Relatório Trata o presente de Recurso Especial por maioria interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional às fls. 263/272, alegando contrariedade à legislação tributária, e requerendo a cassação do v. Acórdão de fls. 251/260 que deu provimento ao Recurso Voluntário ao decidir que o artigo 166 do CTN não se aplica ao Imposto de Importação. No processo em questão, o contribuinte requereu em 30.10.1998 o cancelamento da DI n° 98/0861649-6, posto que paga em duplicidade. "Uai requerimento fora deferido em 22.01.1999 conforme se denota da decisão da Inspetoria da Receita Federal de São Paulo (fls. 56/57) que verificou a correção dos valores que se pretende restituir e remeteu o processo à DRF de São José dos Campos para verificação junto ao importador quanto ao atendimento do disposto no art. 166 do CTInI. Após diligência, a li)RF/SJCampos entendeu que não houve atendimento ao artigo, indeferindo o pedido de restituição, pois "a importância pleiteada foi contabilizada a débito de uma conta de estoque — A-2400-TLA que, pela sua natureza, implica em transferência de encargo financeiro para o custo das mercadorias." Irresignado, o contribuinte apresentou_ Manifestação de Inconformidade (fls. 269/281), fazendo uma breve narração dos fatos e alegando em síntese que: 1. A IN 34/98 dispõe sobre o cancelamento de declaração de importação objeto de multiplicidade de registros, bern corno sobre restituição ou compensação dos valores pagos a maior"; 2. Para tanto, basta que o contribuinte faça o pedido de cancelamento que será efetivada a restituição, caso não haja débitos em nome do solicitante; 3. A Receita Federal se equivocou mesclando a aplicação das IN's 21/97 e 34/98, quando na verdade dispõe sobre restituições em situações diversas, sendo a primeira relativa às restituições genéricas e a segunda, referente às restituições oriundas de cancelamentos de declarações de importação; 4. A administração publica não pode modificar direito concedido através de IN sem base legal para tanto, conforme estabelece o princípio da legalidade; 5. Requer ao final, a reforma da decisão e prosseguimento da restituição dos valores recolhidos em duplicidade 2 Processo n° 10314.003819/98-07 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.195 Fls. 3 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo proferiu acórdão indeferindo a solicitação, sob o argumento de que "ainda que cancelada a Declaração de Importação, a restituição do tributo somente será feita a quem prove haver assumido seu encargo financeiro, conforme preceitua a Lei 5.172/66 — Código Tributário Nacional." O contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 276/282, reiterando os argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade, acrescentando que: 6. Por mero erro de sua contabilidade o crédito tributário pleiteado permaneceu em "conta de resultado" quando deveria ter sido deslocado para "contas a receber pendências alfandegárias"; 7. Desistiu do Processo n° 10314.006114/99-51, tendo recolhido os valores referentes ao crédito, utilizando-se do regime especial de tributação previsto na MP 66/02; 8. Caberia ao Fisco uma análise exaustiva de todas as ocorrências relativas ao crédito, em obediência ao princípio da verdade real e da segurança jurídica; 9. Mesmo que tivesse compensado o crédito recolhido em dobro, quando da desistência requerida, houve novo pagamento, o que ensejaria a restituição; Em sessão realizada no dia 15 de agosto de 2006, os membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deram provimento ao recurso voluntário por maioria, deferindo a restituição do imposto de importação indevidamente pago. Referida decisão, teve a ementa abaixo transcrita: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A União interpôs Recurso Especial por Maioria, alegando que a r. decisão do Conselho de Contribuinte contraria o disposto no art. 166 do Código Tributário Nacional, alegando que para haver a restituição, o contribuinte deveria provar a assunção do encargo financeiro do imposto. Despacho de admissibilidade às fls. 274/275. Contra-razões do contribuinte às fls. 286/292. Em síntese é o relatório. 3 Processo na 10314.003819/98-07 CSRF/T03 Acórdão n." 03-06.195 Fls. 4 Voto Conselheira SUSY GGIV4E.S HOFFMANN, Relatora_ O presente recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão porque dele torno conhecimento_ Da análise dos presentes autos verifica-se que o contribuinte solicitou o cancelamento de DI e conseqüente restituição do Imposto de Importação pago em duplicidade. Deve ser preliminarmente esclarecido que já foi verificado pela autoridade de origem que os valores a serem restituídos estão corretos e que caberia a repetição, ficando apenas a discussão acerca do cabimento da previsão do disposto no artigo 166 do CTN. De acordo com o entendimento da 13R.J/São Paulo, não haveria que se falar em restituição, posto que o contribuinte não teria, provado ter assumido o encargo financeiro do tributo. Ocorre que o Imposto de Importação tem natureza de tributo direto, ou seja, cujo ônus é suportado pela pessoa legalmente obrigada ao seu pagamento. Assim, não há que se falar no presente caso em comprovação de quem teria assumido o encargo financeiro do imposto de importação, posto que não é passível de transferência desta obrigação. Tal matéria já fora apreciada pelo Conselho de Contribuintes e da análise de suas decisões verifica-se o entendimento rnaj oritário no sentido do quanto decidido no v. acórdão ora combatido. Desta feita, adoto corno fundamentos do presente voto, a decisão abaixo transcrita, proferida pelo Ilustre Conselheiro IDr. Otacílio Dantas Cartaxo, no recurso n° 131967, provido por unanimidade de -votos e tendo corno base, o voto condutor proferido pelo Conselheiro José Luiz Novo R_ossairi: O art. 166 do Código Tributário Nacional estabelece que "a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la." O dispositivo re-trotranscrito trata especificamente de tributo cuja natureza jurídica implica transferência do encargo financeiro, do sujeito passivo da obrigação tributária - contribuinte de direito — ao contribuinte de fato, vale dizer, àquele que adquire a mercadoria ou o serviço prestado. Essa situação ocorre com os impostos classificados no próprio CTN como Impostos sobre a Produção e a Circulação, v.g. IPI, ICMS, I0F, os quais são comumente classificados corno impostos indiretos por grande parte dos estudiosos em direito tributário.. No Imposto de Importação não se tipificam as figuras de contribuinte de direito e contribuinte de fato, visto que a lei básica aduaneira (art. lo, inciso I, do Decreto-lei no 37/66, com a redação que Lhe deu o art. 1 o do Decreto-lei no 2.472/88) estabelece que a responsabilidade tributária_ pela introdução de mercadoria estrangeira no Pais é do 4 Processo n° 10314.003819/98-07 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.195 Fls. 5 importador e o imposto pago no despacho aduaneiro não é destacado em notas fiscais para repasse aos consumidores subseqüentes. Destarte, não se caracteriza o Imposto de Importação como um imposto indireto. •E em decorrência, tal imposto não se classifica entre os que comportam transferência do encargo financeiro de que trata o art. 166 do CTN. Importante ressaltar que, já por ocasião da instituição da Instrução Normativa SRF no 21, de 10/3/1997, houve a preocupação da SRF em disciplinar a matéria ora sob exame. Para isso foi estabelecido no art. 18 da referida IN que, verbis: 'Art. 18. Nenhum contribuinte poderá solicitar restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outrem (IOF e IPI) A norma retrotranscrita deixou claro serem os ali indicados (IOF e IPI) os tributos federais sujeitos à prova de assunção do encargo financeiro para os fins previstos no art. 166 do CTN." O julgamento de Primeira Instância fundou-se no entendimento contido no Parecer CST/DAA n° 1965, de 18/07/1980, abaixo transcrito: "O imposto de importação se insere na determinação prevista no artigo 166 do CTN, devendo a sua restituição ser condicionada à prova de assunção do respectivo encargo financeiro ou, no caso de transferência do ônus a terceiro, à expressa autorização deste". Retomando o raciocínio do voto proferido no acórdão n° 301-32.780, vê-se: "No entanto, a matéria voltou a ter a preocupação da SRF, tendo sido editado o Parecer Cosit no 47, de 17/11/2003, que, analisando as particularidades do Imposto de Importação com vistas à aplicabilidade do disposto no art. 166 do CTN, deu disciplina final à matéria no sentido de que descabe tal requisito no caso de pedido de restituição desse tributo. Tal Parecer recebeu a seguinte ementa, verbis: "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Reforma do Parecer CST/DAA no 1.965, de 18 de julho de 1980." A nova orientação trazida pela Cosit, órgão responsável pela interpretação da legislação tributária federal, ficou claramente explicitada no Parecer Cosit no 47/2003, que reformou o Parecer CST/DAA n° 1965, de 18/07/80, adotado no julgamento de primeira instância, e dispensou o sujeito passivo de comprovar a assunção do encargo financeiro. Tratando-se de norma de caráter interpretativo, é inteiramente aplicável à hipótese o disposto nos art. 106, I, do CTN, que permite a interpretação retroativa nos casos da espécie, razão pela qual entendo estar assegurado o direito de restituição à recorrente. Diante do exposto e considerando que ficou confirmado no processo o cancelamento da DI e o pagamento do imposto reclamado, matéria de fato que nem foi r< Processo n° 10314.003819/98-07 CS RF/T03 Acórdão n.° 03-06.195 Fls. 6 suscitada na decisão recorrida, voto por que seja dado provimento ao recurso voluntário. Ex positis, conheço do recurso por atender aos requisitos necessários à sua admissibilidade para, não havendo preliminar a ser apreciada, no mérito dar-lhe provimento. Ademais, no presente caso, está-se frente a um pedido de restituição de Imposto de Importação que decorre de cancelamento de Declaração de Importação, o que, por si só, impede qualquer discussão acerca de repasse pela empresa interessada do encargo financeiro a terceiros. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR, mantendo-se na íntegra a r. decisão ora combatida que reconheceu o direito à restituição do Imposto de Importação no presente caso. Brasília, 30 de Outubro de 2008. • n-` SUSY GO n OF ANN - Relatora 6 • Processo n° 10314.003819/98-07 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.195 Fls. 7 INTIMAÇÃO Intime-se o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do § 3° do artigo 81, Anexo II, c/c inciso VI do art. 8°, Anexo I do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília-DF, em ROSEMARI CORRÊA E SILVA Chefe do Serviço de Secretaria da ? Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ciente em Procurador da Fazenda Nacional , 7 -
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Numero do processo: 13119.000368/2008-58
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
Associação sem Fins Lucrativos. Multa Atraso DCTF.
O benefício da redução da multa por atraso na entrega da DCTF previsto no artigo 30 da Lei n º 11.727, de 23/06/2008, se aplica unicamente à multa mínima, de R$ 200,00 ou R$ 500,00, conforme o caso, prevista no § 3º do art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002.
Denuncia Espontânea. Atraso na Entrega de DCTF. Inaplicabilidade
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF nº 49).
Numero da decisão: 1801-001.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
______________________________________
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 Associação sem Fins Lucrativos. Multa Atraso DCTF. O benefício da redução da multa por atraso na entrega da DCTF previsto no artigo 30 da Lei n º 11.727, de 23/06/2008, se aplica unicamente à multa mínima, de R$ 200,00 ou R$ 500,00, conforme o caso, prevista no § 3º do art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. Denuncia Espontânea. Atraso na Entrega de DCTF. Inaplicabilidade A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF nº 49).
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MULTA ATRASO DCTF. O benefício da redução da multa por atraso na entrega da DCTF previsto no artigo 30 da Lei n º 11.727, de 23/06/2008, se aplica unicamente à multa mínima, de R$ 200,00 ou R$ 500,00, conforme o caso, prevista no § 3º do art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. DENUNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. INAPLICABILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF nº 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 9. 00 03 68 /2 00 8- 58 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a. Turma da DRJ em Brasília que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada contra as exigências de multa por atraso na entrega de DCTF do anocalendário 2007. Histórico. Tratase de notificação de lançamento que exige multa por atraso na entrega das Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTFs, relativa ao: 1o. semestre de 2007 (fl. 04), no valor de R$ 2.886,88. Segundo o que consta dos autos, a DCTF foi entregue nas seguintes condições: Período da DCTF Prazo de Entrega Data de Apresentação Valor da Multa Exigida 1o. Sem/2007 05/10/2007 24/10/2008 2.886,88 Consta da descrição dos fatos e enquadramento legal das notificações de lançamento: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração; ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% (cinquenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. Enquadramento Legal Art. 7o. da Lei n° 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004. A interessada apresentou impugnação tempestiva solicitando a aplicação do benefício da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) ou, alternativamente, a redução da multa nos termos do artigo 30 da Lei n º 11.727, de 2008 (fls. 01/02) e a 4a. Turma da DRJ em Brasília/DF manteve a exigência ao fundamento de que a entidade não teria apresentado provas de que se enquadrava em algumas das condições o art. 3º da IN/SRF 126/98, que trata de dispensa de apresentação de DCTF (fls. 47/49). Notificada da decisão, em 17/08/2009 (AR fl. 56) e irresignada, apresentou a interessada, em 01/09/2009, recurso voluntário (fls. 57/58), no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13119.000368/200858 Acórdão n.º 1801001.200 S1TE01 Fl. 67 3 É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Nas peças de defesa apresentadas contra as exigências consubstanciadas nos autos – impugnação e recurso voluntário – a recorrente não nega ter apresentado a DCTF do 1o. semestre de 2007 fora do prazo estipulado pela legislação de regência. No recurso voluntário apresentado pede, apenas, pela aplicação, ao caso, do que dispõe o artigo 30 da Lei n º 11.727, de 2008. Nesse contexto observo que junto da impugnação a recorrente apresentou à fl. 07 cópia de página do Diário Oficial nº. 17.475 do Estado de Goiás, datado de 11/07/1996, no qual consta que pela Lei nº. 12.905, de 8 de julho de 1996 bem como pelo Decreto nº 70.904/96, a instituição Hospital São Pio X foi declarada de utilidade pública.. Há ainda cópia da Lei nº. 1.212, de 1992 da Prefeitura Municipal de Ceres também declarando de utilidade pública a instituição recorrente (fl. 09), assim como a cópia do Estatuto da associação (fls. 13 e ss) no qual consta, no Art. 1º, que a instituição é uma sociedade civil sem fins lucrativos e de caráter filantrópico. Também nos documentos intitulados “Atestado de Funcionamento” emitidos pela Superintendência de Polícia Judiciária do Estado de Goiás (fl. 05) e pela Prefeitura Municipal de Ceres/GO (fl. 06) consta, ao final de cada um deles, a seguinte observação: Atesto, outrossim que a referida entidade não remunera os membros de sua diretoria pelo exercício especifico de suas funções, não distribui lucros, vantagens ou bonificação aos seus dirigentes, associados ou mantenedores, sob nenhuma forma, destinado a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito da sociedade. Demonstra, assim, a recorrente, ser uma associação sem fins lucrativos, um dos requisitos do mencionado artigo 30 acima reproduzido. Entretanto, o benefício da redução da multa previsto no referido dispositivo legal não pode ser aplicado ao caso da recorrente. Isto porque o referido artigo 30 se refere exclusivamente à redução da multa referida no § 3º do art. 7º, que trata da multa mínima de R$ 200,00 ou R$ 500,00, conforme o caso. A multa aplicada à entidade não foi a multa mínima prevista no § 3º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002. Vejamos, pois, o que estabelecem os mencionados dispositivos legais: Lei n º 11.727, de 2008: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Art. 30. Até 31 de dezembro de 2008, a multa a que se refere o § 3º do art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, quando aplicada a associação sem fins lucrativos que tenha observado o disposto em um dos incisos do § 2º do mesmo artigo, será reduzida a 10% (dez por cento). Lei n º 10.426, de 2002. Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; e IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13119.000368/200858 Acórdão n.º 1801001.200 S1TE01 Fl. 68 5 I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. Observese que o valor da multa por atraso na entrega da DCTF aplicada ao caso já foi reduzido à metade em observação ao quanto disposto no inciso I do § 2º do artigo 7º da Lei n º 10.426, de 2002, acima transcrito. Quanto ao pleito para aplicação, in casu, do benefício da denúncia espontânea, limitome a transcrever a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10830.010423/2007-01
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/1998
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-003.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/1998 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira- Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1663; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 41 1 40 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.010423/200701 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.295 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente ESCOLA AMERICANA DE CAMPINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/1998 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ART 173, I, CTN De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 04 23 /2 00 7- 01 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.010423/200701 Acórdão n.º 2402003.295 S2C4T2 Fl. 42 3 Relatório Tratase de autuação por descumprimento de obrigação acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 49, § 1º, “b” e § 3º, cominado com o art. 256, § 1º, II e § 3º do Decreto nº 3.048/1999 que consiste em deixar a empresa .de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social INSS obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de 30 (trinta) dias do inicio de suas atividades. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 6), a autuada edificou obra de sua propriedade, conforme atestam lançamentos contábeis realizados na conta 1.3.2.15.07 – Salas Novas Elementary School, do Livro Diário nº 17, autenticado sob nº 5.090, de 07/10/1998. É informado que o primeiro lançamento ocorreu em 10/01/1997, na folha nº 280. A autuada tomou ciência do lançamento em 03/12/2007 e apresentou defesa (fls. 13/17) onde alega que já teria decaído o direito de efetuar o lançamento da multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Pelo Acórdão nº 0521.497 (fls. 29/30) a 7ª Turma da DRJ/Campinas julgou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 33/37), onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar de decadência que merece acolhida. A decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.010423/200701 Acórdão n.º 2402003.295 S2C4T2 Fl. 43 5 Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” No presente caso, a autuação se deu em 03/12/2007, assim, somente fatos geradores ocorridos após a competência 11/2001 poderiam ensejar a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Entretanto, observase que a obra não matriculada teve o início de sua execução em janeiro de 1997, conforme lançamentos contábeis, levando a concluir que há muito decaíra o direito de aplicação da multa, nos termos do art. 173, Inciso I, do CTN. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO em face da decadência verificada. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 35366.001448/2005-07
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/10/2004
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN.
SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS
Ocorre a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados quando a empresa observa a legislação específica sobre a matéria.
As parcelas de PLR pagas em desacordo com a Lei 10.101/2000 integra o salário de contribuição.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva e Wilson Antônio de Souza Corrêa, que votaram em negar provimento ao recurso. Redator designado: Marcelo Oliveira. Declaração de voto: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relatora.
(assinado digitalmente)
Mauro Jose Silva e Damião Cordeiro de Moraes Declaração de voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Ocorre a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados quando a empresa observa a legislação específica sobre a matéria. As parcelas de PLR pagas em desacordo com a Lei 10.101/2000 integra o salário de contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 6. 00 14 48 /2 00 5- 07 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva e Wilson Antônio de Souza Corrêa, que votaram em negar provimento ao recurso. Redator designado: Marcelo Oliveira. Declaração de voto: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora. (assinado digitalmente) Mauro Jose Silva e Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.496 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Consta do Relatório Fiscal da NFLD (fls. 447, vol. II) que o fato gerador das contribuições lançadas foi o pagamento, aos empregados e diretores, de “Participação nos Lucros e Resultados – PLR”, em desacordo com a legislação específica. O agente notificante informa que os PLRs apresentados pela recorrente não atendem ao disposto na Lei 10.101/2000, pois não estabelecem critérios ou metas a serem cumpridas, sendo os valores previamente estabelecidos e que, em um mesmo exercício, ocorrem pagamentos em 03 ou mais parcelas. Segundo a autoridade lançadora, os acordos prevêem um valor ajustado em uma parcela única e fixa, acrescentado de outra parcela única e variável, proporcional ao valor do salário vigente à época e, para os anos de 2000 e 2004, o acordo foi celebrado após o pagamento da 1a parcela, e para os anos de 2001, 2002 e 2003, alguns dias antes de realizar o Acordo, demonstrando ausência de pactuação prévia de metas, resultados e prazos. Relata, ainda, que a empresa pagou em 03 parcelas, descaracterizandose assim o pagamento efetuado a título de participação nos lucros/resultados, e que, para os empregados da Divisão de Vendas e do Grupo Executivo da Goodyear (diretores locais e gerentes), excluídos de receber o pagamento da Cláusula 2a do Acordo Coletivo, ou seja, as 1a e 3a parcelas, nos anos de 2000, 2001 e 2002, há Plano próprio de Participação nos Resultados. Esclarece que o mesmo se aplica aos empregados da Divisão de Vendas para o ano de 2003 e que, em 2004, tanto esses empregados como os do Grupo Executivo estão sujeitos ao Plano próprio que, segundo consta, não foram celebrados por Acordos ou Convenções Coletivas como prevê a Lei Específica, tendo sido os mesmos pactuados entre os Diretores, Gerentes e os funcionários da Divisão de Vendas. A fiscalização expõe, em seguida, os motivos pelos quais entende que o Plano de Participação nos Resultados da empresa é, na verdade, mero Plano de Bonificação e possui natureza salarial, observando que, em alguns casos, houve mais de dois pagamentos no mesmo ano civil, não sendo observada a periodicidade mínima exigida pela Lei n°. 10.101/00. A notificada impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN nº 21.401.4/0436/2005, fls. 1.396, julgou o lançamento procedente, indeferindo a perícia requerida pela recorrente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 1.008 e seguintes), alegando, em síntese, o que se segue. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 4 Preliminarmente, alega nulidade da NFLD por não terem sido apontados quais seriam os empregados que receberam a PLR em desconformidade com a lei, já que nem todos os empregados da ora recorrente receberam antecipadamente valores relativos a PLR, sendo impossível à empresa notificada separar os valores relativos a cada uma das "classes" de empregados indicados, o que impõe, portanto, a elaboração de um relatório mencionando o nome de cada um dos empregados que recebeu antecipações em contrariedade com a legislação em vigor, número de parcelas recebidas e datas nas quais essas antecipações foram pagas. Entende que, se a empresa pagou para alguns empregados a PLR em três parcelas no ano, havendo o lapso de tempo de um semestre entre duas delas, somente sobre a terceira poderia incidir a contribuição previdenciária, isto se verdadeira a tese sustentada pela fiscalização do INSS. Rechaça a alegação feita na decisão recorrida de que a empresa teria acesso aos documentos utilizados pela fiscalização para apurar os débitos e, portanto, teria condições de apurar os valores que foram incluídos na NFLD relativamente a cada empregado, argumentando, em primeiro lugar, ser o lançamento um ato administrativo vinculado, nos termos do artigo 142 do CTN, cabendo à fiscalização apontar, na AUTUAÇÃO, todos os elementos que definem com clareza a base de cálculo, alíquota e fatos geradores dos débitos e, em segundo, que a falha verificada na autuação quanto à falta de discriminação do débito por empregado envolvido, não implica somente em cerceamento de defesa, mas também implica em enriquecimento ilícito do INSS. Questiona que, se a finalidade da Previdência é garantir aos trabalhadores os benefícios assistenciais e de aposentadoria, como pode, então, o INSS cobrar contribuições sem identificar aqueles que serão seus beneficiário, e infere que, se não há a identificação do salário de contribuição individualizado dos trabalhadores, há de ser declarada nula a NFLD por impedir que tais trabalhadores possam se beneficiar das contribuições ora exigidas. No mérito, discorre sobre a natureza da participação nos lucros e resultados, tentando demonstrar que não incide contribuição previdenciária sobre o seu pagamento e que somente nos casos de comprovada fraude da lei é que o PLR pode ser descaracterizado. Assevera que a lei não exige que exista um lapso temporal mínimo entre a assinatura do acordo coletivo e o pagamento da 1a parcela da PLR, esclarecendo que o processo de negociação coletiva entre empresa e sindicato é longo e muita vez desgastante, no qual a assinatura do acordo depende invariavelmente de concessões mútuas que somente ocorrem após a discussão completa de todos os pontos objeto da negociação. Frisa, que em razão dos aspectos práticos e da complexidade de uma negociação coletiva, especialmente para uma empresa de grande porte como a recorrente, a doutrina trabalhista é unânime em permitir até mesmo que o acordo coletivo de trabalho tenha efeitos retroativos, exatamente para que não haja hiato temporal e para que os empregados não sejam prejudicados por eventual demora na negociação dos direitos. Salienta que a previsão de impossibilidade de aditamento da PLR prevista no art. 3o, §2° da Lei n° 10.101/00 pode ser perfeitamente alterada ou flexibilizada por acordo ou convenção coletiva, nos termos da CF/88, que consagra a flexibilização das regras trabalhistas por meio desses instrumentos de negociação coletiva. Em relação ao argumento da fiscalização de que o PLR substitui "Complemento do 13° Salário" e ao "Bônus de Fim de Ano", alega que é evidente e prática Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.497 5 comum na seara da negociação coletiva que a concessão de um benefício certamente implica na cessação de outro ou outros que tenha(m) a mesma finalidade. Afirma que a convenção coletiva e o acordo coletivo têm força de lei, conforme previsão na CF/88, e, dessa forma, pode perfeitamente extinguir benefícios e criar outros. No que se refere à suposta violação da periodicidade mínima prevista na legislação, alega que tal requisito não é essencial à caracterização da natureza jurídica da PLR e, por isso, pode ser flexibilizada por acordo ou convenção coletiva, e o fato de a empresa ter pago a PLR em periodicidade diferente daquela preconizada na Lei 10.101/2000 não teria o condão de transformar a PLR em parcela de natureza salarial. Sustenta que o fato de a PLR paga aos empregados da Divisão de Vendas e do Grupo Executivo não ter sido celebrada por meio dos instrumentos previstos no art. 2°, incs. I e II da Lei n° 10.101/00 não faz com que deva ela ser incluída no salário de contribuição, tendo em vista que não existe na citada legislação qualquer penalidade específica para o eventual descumprimento das formalidades ali estabelecidas e ainda porque, se houvesse necessidade imperiosa da existência de um dos instrumentos previstos no citado dispositivo legal, o STJ não teria decidido que a PLR paga anteriormente ao período de 1994 não tem natureza salarial, uma vez que, nesse período, as PLR eram pagas mediante acordos individuais entre empregadores e empregados. Argumenta que, como a Fiscalização, para os pagamentos feitos nos anos de 2000, 2001 e 2002, somente aduziu como "ilegalidade" o fato de que a 2a parcela teria natureza de gratificação, e não de PLR, então os demais pagamentos feitos a tais empregados a título de PLR são legítimos e não poderiam ter sido incluídos em lançamento, como fez a Fiscalização. Requer a realização de perícia para demonstrar que os valores pagos aos mencionados empregados foram apurados de maneira fidedigna ao quanto com eles pactuado, considerando as metas e resultados alcançados, e que não houve pagamento disfarçado de salário, formulando os quesitos e nomeando o perito para tanto. Em contrarazões (fls. 1.438) a então Receita Federal do Brasil manteve a decisão recorrida e a 4ª CAJ do CRPS, por meio do Decisório 124 (fl. 1.439), decidiu converter o julgamento em diligência para que fosse oportunizado, ao contribuinte, a realização do depósito recursal, uma vez que a liminar que assegurava o seguimento do recurso voluntário sem o depósito prévio de 30% do débito em tela foi cassada. Cientificada do Decisório da 4a CAJ, a recorrente se manifestou às fls. 1.454. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 6 Voto Vencido Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a notificada alega nulidade da NFLD por não terem sido apontados quais seriam os empregados que receberam a PLR em desconformidade com a lei. Entende que a fiscalização deveria elaborar um relatório mencionando o nome de cada um dos empregados que recebeu antecipações em contrariedade com a legislação em vigor, número de parcelas recebidas e datas nas quais essas antecipações foram pagas. Porém, não se verifica a nulidade alegada pela recorrente. Constatase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. A fiscalização apenas constatou que a empresa remunerava seus empregados, gerentes e executivos pagando verbas intituladas PLR em desacordo com a legislação que rege a matéria. Diante de tal constatação, lavrou a competente NFLD, já que sobre toda a remuneração paga pela empresa incide contribuição previdenciária. Agora, se a recorrente alega que sobre as verbas pagas a esse título não incide contribuição, ela deve provar, demonstrando, por meio dos documentos pertinentes, que o PLR implementado pela empresa observou os critérios estabelecidos na Lei. E mais, se ela entende que apenas descumpriu a legislação no pagamento de PLR de alguns de seus funcionários, cabe a ela dizer quais seriam esses empregados, e não à fiscalização, que considerou todo o valor pago a título de PLR como sendo salário de contribuição. A recorrente alega, ainda, que se a empresa pagou para alguns empregados a PLR em três parcelas no ano, havendo o lapso de tempo de um semestre entre duas delas, somente sobre a terceira poderia incidir a contribuição previdenciária. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.498 7 Ora, ao desrespeitar o critério estabelecido na Lei 10.101/00, todo o valor pago a título de PLR integra o salário de contribuição, já que a Lei 8.212/91 isenta apenas a participação nos lucros ou resultados quando pagas de acordo com lei específica. Assim, a pretensão da recorrente de fazer incidir a contribuição apenas sobre a terceira parcela não encontra amparo legal, pois o PLR da empresa não atendeu aos requisitos legais, uma vez que a lei veda o seu pagamento em mais de duas parcelas. Dessa forma, ao contrário do que afirma a recorrente, constatase que estão presentes, nos relatórios que integram a NFLD, todos os elementos que definem a base de cálculo, alíquota e fatos geradores dos débitos, permitindo a ampla defesa da notificada Da mesma forma, não procede o entendimento de que a alegada falha da autuação implica enriquecimento ilícito do INSS, sob o argumento de que, como a finalidade da Previdência é garantir aos trabalhadores os benefícios assistenciais e de aposentadoria, não pode, então, o INSS cobrar contribuições sem identificar aqueles que serão seus beneficiário, e como não há a identificação do salário de contribuição individualizado dos trabalhadores, há de ser declarada nula a NFLD por impedir que tais trabalhadores possam se beneficiar das contribuições ora exigidas. Os art. 10, da Lei de Custeio estabelece que a Seguridade Social será financiada por toda sociedade, de forma direta e indireta, e o parágrafo único do art. 11, da mesma Lei 8.212/91, dispõe que: Art. 11 (...) Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; d) as das empresas, incidentes sobre faturamento e lucro; e) as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos. Assim, toda empresa que remunera seus empregados possui obrigação legalmente imposta de participar do financiamento da Seguridade Social, mediante contribuição incidente sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços. A fiscalização deixou claro que é objeto da NFLD em comento apenas as contribuições da empresa, já que os segurados empregados já contribuem pelo teto, conforme item 7.1 do Relatório Fiscal (fl. 454), transcrito a seguir: 7.1. Não foram incluídas neste levantamento, as contribuições referentes aos segurados, pois estas, já foram descontadas em seu valor máximo. Dessa forma o que está sendo cobrado na NFLD em tela é a participação da empresa no custeio da Seguridade Social, e não a do empregado. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 8 Portanto, a não individualização, no caso presente, dos segurados “beneficiados” pelo PLR em nada contribui para o enriquecimento ilícito do INSS. Conforme a Lei de Benefício, Lei 8.213/99, são beneficiários da Previdência Social todos os segurados obrigatórios do RGPS. Portanto, o fato de não haver a identificação do salário de contribuição individualizado dos trabalhadores não acarreta a nulidade da NFLD, pois não impede que tais trabalhadores se beneficiem das contribuições ora exigidas, como entendeu de forma equivocada a recorrente, uma vez que, como visto acima, todos os segurados da empresa são beneficiários do INSS. Ademais, é uma das obrigações da empresa, prevista no inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, informar, por meio de instrumento próprio, qual seja, a GFIP, todas as remunerações individualizadas dos segurados que lhe prestam serviços. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade da NFLD. No mérito, verificase um esforço da recorrente em tentar demonstrar que a participação dos trabalhadores nos lucros e resultados é desvinculada da remuneração, não podendo ser alcançada por encargos incidentes sobre salários, conforme o disposto no art. 7o, XI, da CF. Contudo, não incide contribuição social apenas sobre a Participação de Lucros e Resultados concedida nos moldes preconizados pela Constituição. Cumpre esclarecer que, ao contrário do que entende a recorrente, a não vinculação da participação nos lucros à remuneração não é auto aplicável, já que a Constituição Federal remeteu à lei a função de estabelecer critérios e regras para desvincular a participação nos lucros da remuneração, o que, entendo, foi feito com muita propriedade pelo legislador, ao editar a Lei 10.101/00. Esse é também o entendimento da Consultoria Jurídica do MPS, conforme Parecer 1748/99 cujo trecho transcrevo a seguir: 6. A parcela denominada participação nos lucros é uma garantia constitucional nos termos do inciso XI do art. 7º, in verbis: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (grifei) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.499 9 participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. Assim, não é a simples previsão em acordo coletivo ou o pagamento de parcelas intituladas pelo empregador de PRL é que vai retirar a natureza salarial da verba em comento. A condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar a verba paga a título de Participação nos Lucros e Resultados da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. A Lei 10.101/00 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/91 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Nesse sentido, não procede o argumento de que a previsão de impossibilidade de aditamento da PLR prevista no art. 3o, §2° da Lei n° 10.101/00 pode ser alterada ou flexibilizada por acordo ou convenção coletiva, nos termos da CF/88, que consagra a flexibilização das regras trabalhistas por meio desses instrumentos de negociação coletiva. Vale ressaltar que a observância ao ordenamento jurídico infraconstitucional, em especial as disposições legais inseridas na Lei 8.212/91, não agride as garantias constitucionais previstas no art. 7º, da Constituição Federal, vez que se encontra insculpida, em toda a Constituição, o respeito ao princípio da legalidade. Assim a verificação da observância das disposições legais, em especial, no caso concreto, as inseridas na Lei 10.101/00 e na Lei 8.212/91, não implica afronta ao art. 7o da CF. Da mesma forma, o pactuado em convenções coletivas somente repercute na esfera da relação de emprego, não atingindo terceiros estranhos à relação laboral, entre os quais, a Previdência Social. Nesse sentido, nos ensina Adriana Hilgenberg de Araújo (Direito do trabalho e direito processual do trabalho: temas atuais, Editoria Juruá, p 55 e 56) : “ Como visto, as convenções e acordos coletivos são fontes do Direito do Trabalho, cujas cláusulas serão aplicadas a todos os pertencentes a uma determinada categoria ou empresa (no caso dos acordos). As cláusulas, tanto as obrigatórias (CLT artigo 616), facultativas, obrigatórias ou normativas, devem respeitar o ordenamento legal, não podendo ferir preceitos, sejam eles constitucionais ou infraconstitucionais, salvo expressa autorização .” (grifei). Portanto, para não integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, o pagamento a título de PLR deve seguir o que determina a Lei 10.101/00: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 10 No caso presente impõe verificar se, no pagamento das parcelas a título de Participação nos Resultados pela empresa notificada, foram observados os critérios e regras estabelecidos pela Lei 10.101/00. A fiscalização entendeu que os PLR apresentados pela recorrente não atendem o disposto na Lei 10.101/00. O referido dispositivo legal estabelece que: Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente . (grifei) Art.3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Assim, para que seja isenta de contribuições previdenciárias, o programa de PLR da empresa deveria estabelecer regras claras e objetivas, impondo critérios e condições para que o segurado empregado faça jus ao recebimento do pagamento. Ao contrário do entendimento esposado pela recorrente, não há a necessidade de comprovar fraude da lei para se cobrar as contribuições incidentes sobre o PLR, pois diante da constatação de que o pagamento a esse título se deu em desconformidade com a lei 10,101/00, a fiscalização, a quem compete o lançamento, não só pode como deve lançar as contribuições incidentes devidas, tendo em vista a sua atividade vinculada. Segundo a autoridade lançadora, os acordos prevêem a distribuição de verbas préfixadas, sendo uma parte distribuída de forma linear e outra proporcional ao salário base de Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.500 11 cada empregado, além de outra verba extraordinária, esta também de forma proporcional aos salários base dos empregados, independente de qualquer meta ou resultado, configurandose verdadeira gratificação ajustada, sem nenhum caráter de "participação nos resultados". De fato, da leitura dos documentos juntados aos autos, tanto pela recorrente como pela fiscalização, observase que os Acordos Coletivos firmados pela empresa não estabelecem metas ou critérios de aferição. Portanto, as Convenções Coletivas apresentadas demonstram que o programa de PLR da empresa não estabelece regras claras e objetivas, contrariando o disposto no artigo 2o, da Lei 10.101/00. Verificase que, para os anos de 2000 e 2004, o acordo foi celebrado após o pagamento da 1a parcela, e para os anos de 2001, 2002 e 2003, alguns dias antes de realizar o Acordo, demonstrando ausência de pactuação prévia de metas, resultados e prazos. A recorrente se justifica alegando que o processo de negociação coletiva entre empresa e sindicato é longo e muita vez desgastante, no qual a assinatura do acordo depende invariavelmente de concessões mútuas que somente ocorrem após a discussão completa de todos os pontos objeto da negociação, e afirma que a lei não exige que exista um lapso temporal mínimo entre a assinatura do acordo coletivo e o pagamento da 1a parcela da PLR, informando. Contudo, o que a fiscalização constatou não foi “um lapso temporal mínimo entre a assinatura do acordo coletivo e o pagamento da 1a parcela da PLR”, como quer fazer crer a recorrente, e sim o pagamento do PLR antes mesmo da celebração do Acordo. A notificada tenta justificar o pagamento do PLR antes da celebração do acordo obserbando que a doutrina trabalhista é unânime em permitir até mesmo que o acordo coletivo de trabalho tenha efeitos retroativos, exatamente para que não haja hiato temporal e para que os empregados não sejam prejudicados por eventual demora na negociação dos direitos. Porém,. entendo que para fazerse cumprir o estabelecido no § 1º do art. 2º da Lei nº 10/101/2000, que determina a existência de regras claras e objetivas, mecanismos de aferição etc, é imprescindível que tais questões sejam decididas antes do início do exercício, findo o qual a empresa pretende dividir os lucros ou resultados com seus empregados. Em relação à afirmação da autoridade lançadora de que o PLR substitui "Complemento do 13° Salário" e ao "Bônus de Fim de Ano", a recorrente alega que é evidente e prática comum na seara da negociação coletiva que a concessão de um benefício certamente implica na cessação de outro ou outros que tenha(m) a mesma finalidade. Ou seja, a própria recorrente admite que o PLR da empresa possui a mesma finalidade do Complemento do 13° Salário" e do "Bônus de Fim de Ano". E não resta dúvidas que essas verbas substituídas pela PLR possuem natureza salarial, pois têm como finalidade a remuneração do empregado. A recorrente afirma que a fiscalização faz "jogo de palavras" que é contrário à própria lei, notadamente o §3°, do art. 3°, que expressamente autoriza "a compensação dos Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 12 valores pagos a título de participação nos lucros e resultados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas." Porém, quem faz “jogo de palavras” é a própria recorrente, pois o citado §3°, do art. 3°, da Lei 10.101/99, na verdade, estabelece que: § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados.(grifei) Ou seja, a recorrente, por conveniência, omitiu que a compensação se refere à obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas atinentes à participação nos lucros ou resultados, o que não ocorreu no caso presente, em que o PLR substituiu o “Complemento do 13° Salário" e o "Bônus de Fim de Ano. A fiscalização constatou, ainda, que não foi observada a periodicidade mínima prevista na Lei, uma vez que, em alguns casos, foram pagos PLR três vezes em um só ano. A recorrente não nega tal fato, mas apenas alega que tal requisito não é essencial à caracterização da natureza jurídica da PLR e, por isso, pode ser flexibilizada por acordo ou convenção coletiva. Contudo, reiterase, para não sofrer incidência de contribuição previdenciária o PLR da empresa deve, sim, observar todos os requisitos inseridos na Lei 10.101/00, e os acordos ou convenção coletiva não têm o condão de flexibilizar preceitos, sejam eles constitucionais ou infraconstitucionais, devendo respeitar o ordenamento legal vigente. Outra irregularidade constatada é o fato de o pagamento de PLR de 2004 aos empregados da Divisão de Vendas e os do Grupo Executivo não ter sido objeto de Acordos ou Convenções Coletivas como prevê a Lei Específica, e sim pactuado entre os Diretores, Gerentes e os funcionários da Divisão de Vendas. A notificada não nega tal fato mas se defende alegando que não há necessidade de Acordos ou Convenções Coletivas. Afirma que o STJ decidiu que a PLR paga anteriormente ao período de 1994 não tem natureza salarial, e nesse período as PLR eram pagas mediante acordos individuais entre empregadores e empregados. Ocorre que, antes de 1994, a necessidade de a PLR ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou por convenção ou acordo coletivo, não era um requisito legal, ao contrário do que ocorre nas competências abrangidas pelo débito lançado por meio da NFLD em tela. Assim, ao descumprir o mandamento inserido na Lei 10.101/00, a recorrente deixou de fazer jus ao benefício fiscal de isenção de contribuições previdenciárias sobre o pagamento realizado a título de PLR. Esse também é o entendimento da ministra Eliana Calmon, do STJ, que se manifestou no sentido de que, para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos Fl. 12DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.501 13 trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a questão. Para a ministra, ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. E sendo a atividade administrativa vinculada, ao constatar o pagamento de PLR em desacordo com o que estabelece a Lei, a fiscalização lavrou a competente NFLD, em observância aos dispositivos legais que regem a matéria. A recorrente protesta pela realização de perícia. Todavia, da análise dos autos, verificase que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e a NFLD muito bem fundamentada O art. 18, da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Dec. 70.235/72), estabelece: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Portanto, a autoridade julgadora monocrática, ao entender ser prescindível a produção de novas provas, indeferiu, com muita propriedade, o pedido de realização de perícia. Assim, indeferese a perícia, por considerála prescindível e meramente protelatória. Nesse sentido, Considerando tudo o mais que dos autos consta. VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS – Relatora Fl. 13DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 14 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.502 15 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira Com todo respeito ao trabalho da nobre Relatora, divirjo de seu entendimento. Primeiramente, nas preliminares, devemos verificar a questão sobre a decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. No período do lançamento foram considerados recolhimentos a homologar, a partir das fls. 004. O lançamento por homologação implica pagamento pelo sujeito passivo antes de qualquer atividade ou notificação por parte da fazenda (pagamento antecipado), como ocorreu no presente caso. Feito esse pagamento, compete à Administração homologálo ou Fl. 15DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 16 recusar a homologação. No caso de recusa da homologação, o Fisco deverá lançar, de ofício, como no presente processo, a diferença correspondente ao tributo que deixou de ser pago antecipadamente e os juros e penalidades cabíveis. Esse lançamento de ofício está expressamente determinado no Código Tributário Nacional (CTN): CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I. quando a lei assim o determine; Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Existe a possibilidade da Fazenda não se manifestar prontamente quanto ao pagamento efetuado antecipadamente pelo sujeito passivo. Este, evidentemente, não poderia permanecer indefinidamente à mercê da potencial manifestação do Fisco. Por isso, o CTN estabelece que, salvo prazo diverso previsto em lei, considerase feita a homologação e definitivamente extinto o crédito em cinco anos, contados do fato gerador. Esta extinção do crédito pela inércia da fazenda é denominada homologação tácita e sua principal conseqüência é impossibilitar a fazenda de rever de ofício o pagamento feito pelo sujeito passivo. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Essa definição, sobre a aplicação da regra decadencial acima, possui amparo em decisões do Poder Judiciário. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) Fl. 16DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.503 17 ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Vemos, portanto, que, no caso do lançamento por homologação, não ocorre exatamente decadência do direito de realizar essa modalidade de lançamento. O que ocorre é a extinção definitiva do crédito pelo instituto da homologação tácita a qual tem como conseqüência indireta a extinção do direito de rever de ofício o lançamento. Em síntese, a homologação tácita acarreta a decadência do direito da Fazenda realizar o lançamento de ofício relativo à diferença de eventual tributo que tenha deixado de ser pago e aos acréscimos legais a essa diferença. No presente processo, há apuração de contribuições no período compreendido entre as competências 01/2000 a 10/2004, e o lançamento foi efetuado em 20/04/2005, data da ciência, fls. 001. Portanto, devem ser excluídas do lançamento as contribuições apuradas até a competência 03/2000, anteriores a 04/2000, pois os recolhimentos que ocorreram nessas competências já estão homologados, segundo a legislação citada acima. Por todo o exposto, acato, parcialmente, a preliminar, para, devido a regra decadencial aplicada, excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 03/2000, anteriores a 04/2000, na forma do voto, e passo ao exame de mérito. Quanto ao mérito, devemos verificar, basicamente, a ocorrência, ou não, do fato gerador, oriundo de pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Portanto, devemos analisar o lançamento, principalmente o que consta no Relatório Fiscal (RF), a documentação e as alegações apresentadas pela recorrente e confrontá los com a legislação vigente sobre o tema. No RF, a partir das fls. 0447, encontramse os motivos descritos pela fiscalização para que os pagamentos de PLR sejam considerados como fatos geradores de contribuição previdenciária. Devido a esses motivos, a fiscalização concluiu que os valores concedidos aos funcionários a título de PLR constituem parcelas remuneratórias, fornecidas em desacordo com a Lei 10.101/2000, devendo, portanto, integrar o SC. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 18 Quanto a Legislação, a Lei 10.101/2000 surgiu para regular a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos determinados pelo art. 7o, inciso XI, da Constituição. A Lei prevê que a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos dois seguintes procedimentos, escolhidos pelas partes de comum acordo: 1) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e 2) convenção ou acordo coletivo. Dos acordos surgidos na negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, onde deverá constar mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo. A legislação exemplifica (“podendo”) critérios e condições, como índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Ponto importante da Lei é que a PLR não tem natureza remuneratória e que não substitui ou complementa o salário. Ou seja, a empresa não pode reduzir a remuneração do empregado, substituindo a parte reduzida por PLR, no que desvirtuaria o propósito buscado pela Constituição Federal (CF/88). A legislação ainda afirma que a PLR não constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Outro ponto de extrema relevância presente na Lei é a determinação de que quando surgirem impasses as ferramentas para sua solução são a mediação e a arbitragem de ofertas finais. Confrontando a legislação, os motivos elencados pela fiscalização que foram determinantes para a conclusão de que os pagamentos a título de PLR são fatos geradores de contribuições previdenciárias (item 5 do RF) e os documentos anexados, chegamos a conclusões. Em síntese, para o Fisco as verbas oriundas de PLR devem integrar o SC pelos seguintes motivos (item 5, RF, fls. 0449: 1. Em alguns anos o pagamento foi feito antes do acordo (2000 e 2004); 2. Em outros anos (2001, 2002 e 2003) o primeiro pagamento foi feito alguns dias após o acordo; 3. Não há como “adiantar” algo imprevisível (alcance das metas); 4. O Art. 3°, parágrafo 2°. da Lei no. 10.101/2000 veda expressamente qualquer tipo de adiantamento; 5. Há pagamentos de parcelas em substituição – expressamente prevista nos acordos – de parcelas salariais; Fl. 18DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.504 19 6. O pagamento de PLR foi feito em mais de duas vezes ao ano, em desacordo com a Lei; 7. Dos empregados da Divisão de Vendas e do Grupo Executivo da Goodyear (diretores locais e gerentes) temse que: 7.1 Há pagamentos de parcelas em substituição – expressamente prevista nos acordos – de parcelas salariais; 7.2 Os Planos Próprios de Participação não foram celebrados por Acordos ou Convenções Coletivas como prevê a Lei Específica, foram pactuados entre os Diretores, Gerentes e os funcionários da Divisão de Vendas, vide anexo dos planos; 7.3 O Plano de Participação nos Resultados, apresentados a esta fiscalização, é mero Plano de Bonificação para os funcionários e diretores baseados nos índice de desempenho e resultados obtidos; 7.4 As bonificações pagas em decorrência de produtividade ou de assiduidade têm natureza salarial, porque são pagas pelo empregador ao trabalhador em razão da continuidade do contrato empregado, quer para incentiválo, quer para premiálo por algum motivo, não importando o titulo que receba, é verba que integra o salário para todos os efeitos; 7.5 O Plano de Participação nos Resultados dos empregados da Divisão de Vendas e do Grupo Executivo da Goodyear não se isenta dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, pois não atende às normas da Lei especifica; 7.6 Houve mais de dois pagamentos no mesmo ano civil, em alguns casos, não sendo observada a periodicidade mínima exigida pela Lei 10.101/00; Com essas informações, analisaremos, ano a ano, cada PLR, pois são três (empregados em geral, diretores e vendas) e chegaremos à conclusão. ANO 2000 EMPREGADOS EM GERAL: Para ao ano de 2000, verificamos que o pagamento da primeira parcela (19/05/2000) ocorreu antes do fechamento do acordo (23/05/2000). Como já ressaltamos, a legislação exige que a PLR esteja prevista em acordo, portanto a primeira parcela deve ser mantida no lançamento, pois foi paga em desacordo com a legislação. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 20 Ressaltamos que não há impedimento de que as empresas paguem adiantamentos, como afirma o Fisco. Lei 10.101/2000: Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Notase que a legislação veda, somente, o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição na periodicidade citada. Portanto, não está correta a informação do Fisco de que qualquer antecipação é vedada pela Lei. Por esse motivo é que o pagamento da segunda parcela deve ser mantida no lançamento, pois seu pagamento caracteriza pagamento (11/2000) em periodicidade inferior a um semestre civil, em relação a terceira parcela (01/2001). Além do mais, essa parcela (segunda) foi paga em substituição a parcelas integrantes da remuneração (complemento do 13° salário e Bônus de Fim do Ano) e a legislação veda essa substituição. Lei 10.101/2000: Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. Portanto, essa parcela, por ser paga em desacordo com a legislação, deve ser mantida no lançamento. Quanto à terceira parcela desse ano, não há motivo para exigência de contribuições, pois foi paga após apurado o exercício, conforme acordo, não substitui salário, decorrente de metas. Portanto, no ano de 2000, dou parcial provimento à recorrente, para excluir do lançamento, pelos motivos citados, somente a terceira parcela, paga em 01/2001. fls. 0449. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.505 21 ANO 2001 EMPREGADOS EM GERAL: Para ao ano de 2001, verificamos que o pagamento da primeira parcela ocorreu após o fechamento do acordo, conforme consta do RF. Como já ressaltamos, a legislação exige que a PLR esteja prevista em acordo, portanto a primeira parcela deve ser excluída do lançamento, pois foi paga de acordo com a legislação. Ressaltamos que: a) não há impedimento de que as empresas paguem adiantamentos, como afirma o Fisco e esclarecido acima e. b) a Lei não fixa prazo que deva existir entre o acordo e o pagamento, portanto, criar um prazo, um período, seria criar regra onde não há, o que, ao nosso ver, não é possível na análise do Fisco e em nossa análise. Conseqüentemente, os pagamentos feitos “alguns dias” após o acordo, estão amparados pela legislação. Já a segunda parcela, conforme consta dos autos, no ano de 2001, foi paga em substituição a parcelas integrantes da remuneração (Bônus de Fim do Ano) e a legislação veda essa substituição. Lei 10.101/2000: Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. Portanto, essa parcela, por ser paga em desacordo com a legislação, deve ser mantida no lançamento. Portanto, no ano de 2001, dou parcial provimento à recorrente, para excluir do lançamento, pelos motivos citados, somente a primeira parcela. ANO 2002 EMPREGADOS EM GERAL: Para ao ano de 2002, verificamos que o pagamento da primeira parcela ocorreu após o fechamento do acordo. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 22 Como já ressaltamos, a legislação exige que a PLR esteja prevista em acordo, portanto a primeira parcela deve ser excluída do lançamento, pois foi paga em de acordo com a legislação. Ressaltamos que não há impedimento de que as empresas paguem adiantamentos, como afirma o Fisco. A legislação veda, somente, o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição na periodicidade citada. Portanto, não está correta a informação do Fisco de que qualquer antecipação é vedada pela Lei. Por esse motivo é que o pagamento da segunda parcela deve ser mantida no lançamento, pois seu pagamento caracteriza pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil, em relação a terceira parcela. Além do mais, essa parcela (segunda) foi paga em substituição a parcelas integrantes da remuneração (Bônus de Fim do Ano) e a legislação veda essa substituição. Lei 10.101/2000: Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. Portanto, essa parcela, por ser paga em desacordo com a legislação, deve ser mantida no lançamento. Quanto à terceira parcela desse ano, não há motivo para exigência de contribuições, pois foi paga após apurado o exercício, conforme acordo, não substitui salário, decorrente de metas. Portanto, no ano de 2002, dou parcial provimento à recorrente, para excluir do lançamento, pelos motivos citados, a primeira e a terceira parcela. ANO 2003 EMPREGADOS EM GERAL: Para ao ano de 2003, verificamos, também, que o pagamento da primeira parcela ocorreu após o fechamento do acordo. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.506 23 Como já ressaltamos, a legislação exige que a PLR esteja prevista em acordo, portanto a primeira parcela deve ser excluída do lançamento, pois foi paga em de acordo com a legislação. Ressaltamos que não há impedimento de que as empresas paguem adiantamentos, como afirma o Fisco. A legislação veda, somente, o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição na periodicidade citada. Portanto, não está correta a informação do Fisco de que qualquer antecipação é vedada pela Lei. Por esse motivo é que o pagamento da segunda parcela deve ser mantida no lançamento, pois seu pagamento caracteriza pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil, em relação a terceira parcela. Além do mais, essa parcela (segunda) foi paga em substituição a parcelas integrantes da remuneração (Bônus de Fim do Ano) e a legislação veda essa substituição. Lei 10.101/2000: Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. Portanto, essa parcela, por ser paga em desacordo com a legislação, deve ser mantida no lançamento. Quanto à terceira parcela desse ano, não há motivo para exigência de contribuições, pois foi paga após apurado o exercício, conforme acordo, não substitui salário, decorre de metas. Portanto, no ano de 2003, dou parcial provimento à recorrente, para excluir do lançamento, pelos motivos citados, a primeira e a terceira parcela. ANO 2004 EMPREGADOS EM GERAL: Para ao ano de 2004, verificamos que o pagamento da primeira parcela (16/06/2004) ocorreu após o fechamento (08/06/2004) do acordo, fls. 0450. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 24 Como já ressaltamos, a legislação exige que a PLR esteja prevista em acordo, portanto a primeira parcela deve ser excluída do lançamento, pois foi paga de acordo com a legislação. Ressaltamos que não há impedimento de que as empresas paguem adiantamentos, como afirma o Fisco. A legislação veda, somente, o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição na periodicidade citada. Portanto, não está correta a informação do Fisco de que qualquer antecipação é vedada pela Lei. Já a segunda parcela foi paga em desacordo com a legislação específica, pois foi paga em substituição a parcelas integrantes da remuneração (Bônus de Fim do Ano) e a legislação veda essa substituição. Lei 10.101/2000: Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. Portanto, essa parcela, por ser paga em desacordo com a legislação, deve ser mantida no lançamento. Portanto, no ano de 2004, dou parcial provimento à recorrente, para excluir do lançamento, pelos motivos citados, a primeira parcela. SEGURADOS QUE ATUAM NA ÁREA DE VENDAS: Para esses segurados, nos anos de 2000 a 2003, na análise dos autos, verificamos que todas as segundas parcelas devem ser mantidas no lançamento, pois substituem remuneração, medida vedada pela Lei, conforme consta em análise acima. Já no ano de 2004, verificamos que ambas as parcelas devem ser excluídas do lançamento, pois foram pagam de acordo com a legislação. Ressaltamos que não concordamos com a alegação do Fisco de que essas parcelas integram o SC por estarem regradas em documentos elaborados a parte do acordo coletivo. Fl. 24DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.507 25 Há a previsão expressa desses acordos complementares no acordo coletivo, portanto eles estão previstos no acordo e os segurados e o sindicato tinham total conhecimento de sua existência. Portanto, pelo exposto, para a área de vendas, voto pelo provimento parcial do recurso, a fim de excluir do lançamento, nos anos de 2000 a 2003, a primeira e a terceira parcelas pagas e no ano de 2004 excluir as duas parcelas pagas, conforme voto. SEGURADOS DO GRUPO EXECUTIVO: Para esses segurados, nos anos de 2000 a 2002, na análise dos autos, verificamos que todas as segundas parcelas devem ser mantidas no lançamento, pois substituem remuneração, medida vedada pela Lei, conforme consta acima. No ano de 2003, a segunda parcela também deve ser mantida, pois foi paga em desacordo com a periodicidade permitida pela Lei, conforme já esclarecido acima no voto. Já no ano de 2004, verificamos que ambas as parcelas devem ser excluídas do lançamento, pois foram pagam de acordo com a legislação. Ressaltamos que, como já afirmamos, não concordamos com a alegação do Fisco de que essas parcelas integram o SC por estarem regradas em documentos elaborados a parte do acordo coletivo. Há a previsão expressa desses acordos complementares no acordo coletivo, portanto eles constam do acordo e os segurados e o sindicato tinham total conhecimento de sua existência. Portanto, pelo exposto, para a área de vendas, voto pelo provimento parcial do recurso, a fim de excluir do lançamento, nos anos de 2000 a 2003, a primeira e a terceira parcelas pagas e no ano de 2004 excluir as duas parcelas, conforme voto. CONCLUSÃO: Por todo exposto voto pelo provimento parcial do recurso para excluir do lançamento: 1) Devido aos efeitos da decadência: as contribuições apuradas até a competência 03/2000, anteriores a 04/2000, nos termos do voto; 2) Segurados em geral: excluir do lançamento as contribuições referentes a pagamentos descritos no Relatório Fiscal, da seguinte forma: a) em 2000, excluir do lançamento somente as contribuições referentes aos pagamentos correspondentes a terceira parcela; b) em 2001 e 2004, excluir do lançamento as contribuições referentes aos pagamentos Fl. 25DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 26 correspondentes a primeira parcela; c) em 2002 e 2003, excluir do lançamento as contribuições referentes aos pagamentos correspondentes a primeira e terceira parcelas; 1) Segurados que atuam na área de vendas e no Grupo executivo: voto pelo provimento parcial do recurso, a fim de excluir do lançamento, nos anos de 2000 a 2003, as contribuições referentes aos pagamentos correspondentes a primeira e a terceira parcelas pagas e no ano de 2004 excluir as contribuições referentes aos pagamentos correspondentes as duas parcelas, conforme voto. É como Voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 26DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.508 27 Declaração de Voto Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. Cingese a controvérsia principal dos presentes autos, à incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados pela empresa recorrente a seus empregados sob a rubrica de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). 2. A PLR visa a disposição das estratégias organizacionais com a participação dos empregados no ambiente de trabalho, pois só será feita a distribuição dos lucros aos funcionários segundo o cumprimento de metas. O programa PLR é uma ferramenta de gestão que permite a motivação dos empregados na produtividade da empresa, proporciona a atração de melhores resultados, regulada pela lei 10.101/2000. 3. O voto do ilustre Conselheiro Redator foi, na verdade, muito elucidativo sobre o tema. Todavia, por amor ao debate, trago, ainda que de forma resumida, meu posicionamento sobre a questão vinculada no presente processo. 4. Ora, o fato da empresa ter pago a PLR em 03 (três) parcelas não descaracteriza a natureza da PLR, não servindo tal argumento para dar caráter remuneratório à parcela. Como é cediço, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do referido benefício, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” Fl. 27DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 28 5. Posta a norma resta saber se o procedimento adotado pela empresa afrontou ou não tal regulamentação. 6. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração”. (RE 398284, Relator Min. Menezes Direito, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei 10.101/00. (RE 393764 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, julgado em 25/11/2008) 7. É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância de requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. Destarte, o pagamento em 03 (três) parcelas não possui o condão de descaracterizar o benefício, e, por consectário, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados não ostentam a natureza de remuneração, não sendo passíveis, pois, de serem tributadas. CONCLUSÃO 8. Assim sendo, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, acompanhando o Ilustre Conselheiro Redator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva: Apresentamos nossas considerações em relação à Participação nos Lucros e Resultados. Inicio a análise do litígio posicionandome sobre a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR. Definir a natureza jurídica do benefício fiscal será crucial para adotarmos a metodologia jurídica de interpretação, pois , como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Por Fl. 28DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.509 29 outro lado, para a imunidade o processo interpretativo é livre para percorrer todos os métodos – literal, histórico, sistemático e teleológico. É nesse sentido a lição de Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. São Paulo: Revista dos tribunais, 1977, p. 120 121): “A distinção [entre não incidência, imunidade e isenção], além da importância que possui sob o ponto de vista doutrinário ou teórico, tem conseqüências práticas importantes, no que se refere à interpretação. É que, sendo a isenção uma exceção à regra de que, havendo incidência, deve ser exigido o tributo, a interpretação dos preceitos que estabeleçam isenção deve ser estrita, restritiva. Inversamente, a interpretação, quer nos casos de incidência, quer nos de nãoincidência, que, portanto, nos de imunidade, é ampla, no sentido de que todos os métodos, inclusive o sistemático, o teleológico etc., são admitidos”. Adotamos, para a interpretação das imunidades, a sistematização de suas características e limites fornecida por Ricardo Lobo Torres (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. III; os direitos humanos e a tributação: imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 97): “Nessa perspectiva podemos dizer que a interpretação das imunidades fiscais: a) adota o pluralismo metodológico, com o equilíbrio entre os métodos literal, histórico, lógico e sistemático, todos eles iluminados pela dimensão teleológica[das finalidades]; b) modera os resultados da interpretação, admitindo assim a interpretação extensiva que a restritiva, tanto a objetiva quanto a subjetiva, todas em equilíbrio e a depender do texto a ser interpretado; c) apóiase no pluralismo teórico, com o princípio respectivo da nãoidentificação com ideologias triviais; d) recusa, da mesma forma que a interpretação das isenções, a analogia, que implica a extensão da imunidade a direitos nãofundamentais; e) busca o pluralismo dos valores, com o equilíbrio entre liberdade, justiça e segurança jurídica”. Tendo tomado tais lições, passemos à busca da natureza jurídica do benefício fiscal concedido os pagamentos a título de PLR. Encontramos duas posições a respeito da natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR: os que o consideram uma imunidade e os que o consideram uma isenção. Haveria imunidade na medida em que o art. 7º, inciso XI da CF desvincula a PLR da remuneração, o que equivaleria a afastar a natureza de remuneração e, em conseqüência, afastar a possível incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea “a” e inciso II. Dessa forma, estaria configurada uma supressão da competência constitucional impositiva atendendo ao conceito clássico de imunidade. Na jurisprudência, encontramos o anterior presidente desta Câmara, Júlio César Vieira Gomes que, em declaração de voto no Acórdão 20500.563, asseverou: Fl. 29DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 30 “Outra importante constatação é que a participação nos lucros e resultados goza de imunidade tributária. Não é caso de isenção, como a maioria das rubricas excluídas da incidência de contribuições previdenciárias por força do artigo 28, 9º' da Lei 8.212 de 24/07/91. Isto porque cuidou a própria Constituição Federal de desvincular o beneficio da remuneração dos trabalhadores(...)” Entre doutrinadores, Kyoshi Harada e Sydnei Sanches assumiram a natureza jurídica de imunidade no texto a seguir: “O legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a repartirem seus lucros ou resultados com os seus empregados, promovendo a ‘socialização dos lucros’ como meio de alcançar o justo equilíbrio entre o capital e o trabalho, prescreveu no inciso XI do art. 7º da Carta Política, que a PLR fica desvinculada da remuneração. Em outras palavras, retirou do campo do exercício da competência impositiva prevista no art. 195, I, a da CF tudo o que for pago pela empresa a título de participação nos lucros, ou resultados. (...)A PLR, uma vez imunizada pela Constituição, jamais poderia integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, sem gravíssima ofensa ao texto constitucional.” (HARADA, Kiyoshi; SANCHES, Sydney. Participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa: incidência de contribuições previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 962, 20 fev. 2006. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/16671>. Acesso em: 13 jan. 2011) A princípio, não entendemos que houve a total supressão da competência constitucional impositiva, pois não podemos deixar de considerar que a competência constitucional impositiva da União para a contribuição previdenciária inclui não só o que está inserto no art. 195, mas também o que está previsto no §11º do art. 201 (ganhos habituais a qualquer título). Nesse sentido o Ministro Marco Aurélio anotou em seu voto no RE 398.284: “não vejo cláusula a abolir a incidência de tributos, cláusula a limitar a regra específica do artigo 201,§11º, da Constituição Federal”. Portanto, houve supressão constitucional apenas da competência da União instituir contribuição previdenciária sobre a PLR na forma de remuneração, mas não na forma de ganho habitual. Ocorre que, a despeito de possuir competência constitucional para criar contribuição previdenciária sobre ganhos habituais a qualquer título, a União somente o fez em relação aos ganhos habituais sob a forma de utilidades, conforme consta da segunda parte do inciso I do art. 22(contribuição da empresa sobre pagamentos a empregados) e da segunda parte do inciso I do art. 28 (definição de salário decontribuição). Logo, a PLR só estará no campo de incidência da contribuição previdenciária se tomar a forma de remuneração. E isso só poderá ocorrer se houver desobediência à lei reguladora da imunidade. Curioso notar que a natureza jurídica de imunidade que o benefício fiscal concedido ao pagamento de PLR alcança colocanos diante da ausência de uma norma reguladora constitucionalmente válida, pois, como limitação constitucional ao poder de tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser regulada por lei complementar, status que a Lei 10.101/200 não possui. Se confirmada pelo STF a tese de que o inciso XI do art. 7º é norma de eficácia limitada, teríamos, em conseqüência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade. Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a Fl. 30DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.510 31 proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma reguladora da imunidade. Não ignoramos que o STJ já se manifestou no sentido de considerar como isenção o benefício fiscal concedido aos valores pagos a título de PLR, conforme ementas que transcrevemos: RE 865.489 – Relator Ministro Luis Fux PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. RE 856.160 – Relatora Ministra Eliana Calmon PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. (...) 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. Com o respeito devido aos Ministros do STJ que assumiram tal posição, reiteramos que nossa conclusão é a de que existe imunidade para os pagamentos a título de PLR na forma de remuneração. Estabelecida a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR no tocante às contribuições previdenciárias como imunidade, passemos a investigação de quais finalidades devem ser atendidas pela norma reguladora exigida no texto constitucional. Iniciamos a investigação sobre as finalidades da norma reguladora da imunidade com a lição de Luís Eduardo Schoueri. Para o autor, não existem tributos que tenham uma função estritamente fiscal (arrecadatória) sem que possuam qualquer efeito indutor a atuar no Domínio Econômico. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas tributárias indutoras e intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 16). Porém, prossegue afirmando que há normas que possuem o caráter indutor em destaque. Assim, as normas Fl. 31DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 32 indutoras são normas por meio das quais “o legislador vincula a determinado comportamento um conseqüente, que poderá consistir em vantagem (estímulo) ou agravamento da natureza tributária”.( op.cit., p. 30). Em outras palavras, uma norma indutora é o que a doutrina clássica chamaria de norma extrafiscal stricto sensu. Parecenos que a norma do art. 7º, inciso XI da Constituição, bem como as normas que criaram requisitos para a fruição da imunidade possuem nítido caráter indutor de comportamento. Ao desvincular da remuneração o pagamento de PLR, conforme requisitos a serem estabelecidos pela lei, quis o legislador constituinte, de um lado, conforme interpretação do Ministro Marco Aurélio no RE 398.284, proteger o trabalhador de fraude que poderia ser perpetrada pelos empregadores que poderiam compensar o direito constitucional com o salário do trabalhador. Nas palavras do Ministro: “É uma cláusula pedagógica para evitar o drible pelos empregadores, a compensação, o esvaziamento do direito constitucional” A fraude que pode estar relacionada à PLR não está relacionada apenas à compensação do salário com o direito de índole constitucional. A solidariedade no financiamento da seguridade social, prevista no caput do art. 195 da CF, pode ser violada na medida em que for revestida de PLR parcela verdadeiramente salarial, na tentativa de evasão da contribuição previdenciária. Esse é outro aspecto da fraude que a regulamentação tenta evitar e que já foi assinalado pelo antigo presidente desta Câmara, Júlio César Viera Gomes, em trecho da Declaração de Voto no Acórdão 20500.563 ao afirmar que: “é possível que esse importante direito trabalhista [a participação nos lucros e resultados] seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o . Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo , das contribuições previdenciárias”. Por outro lado, o próprio direito em si à participação nos lucros pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1º, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o atingimento de, pelo menos, dois dos objetivos da Republica: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional( art. 3º, incisos I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo social”(Ministro Ricardo Lewandowiski, RE 398.284) que contribuiria para a “humanização do capitalismo”(Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da empresa com seus atores sociais, com os seus protagonistas” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284). Como se vê, os Ministros do STF capturaram as duas preocupações que devem nos nortear na interpretação dos reflexos tributários da norma que estatui os requisitos exigidos pelo Texto Magno: evitar a fraude e levar as relações entre capital e trabalho a um patamar mais harmônico. Assim agindo, o intérprete estará garantindo que a finalidade Fl. 32DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.511 33 indutora ou o caráter extrafiscal stricto sensu da norma regulamentadora da imunidade seja atingido. Portanto, no transcorrer do processo hermenêutico não perderemos de vista que os requisitos da lei reguladora da imunidade devem contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Passamos a analisar algumas questões específicas que interessam no presente caso. Data da assinatura dos acordos Questão recorrente nas discussões sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos a título de PLR é aquela que versa sobre a data de assinatura dos acordos. Em suma, o que se questiona é se deve existir alguma relação entre três datas: (i) data da assinatura do acordo coletivo ou data da assinatura do acordo entre as partes; (ii) data do fim do período a que se referem os lucros ou resultados; e (iii) data do recebimento, pelo empregado dos pagamentos de PLR. Para tal análise tomamos o conteúdo do art. 2º da Lei 10.101/200, in verbis: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 34 Faremos a interpretação de tal dispositivo considerando as finalidades dos requisitos para fruição da imunidade, conforme anteriormente esclarecemos: contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Inicialmente, extraímos do dispositivo legal que é necessário que haja uma negociação entre empresa e empregados. Tal requisito está em harmonia, principalmente, com o objetivo de contribuir para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Certamente, a norma se refere a uma negociação concluída e não a uma negociação em curso, o que nos coloca diante de um primeiro requisito temporal: a negociação entre empresa e empregados deve estar concluída antes do pagamento da PLR. Justificamos tal posição com a constatação de que, antes de assinado, antes de se tornar um ato jurídico perfeito, a proposta da empresa pode ser retirada ou alterada, bem como o pleito dos trabalhadores pode ser alterado. Em adição, devemos considerar que, em tese, a demora na conclusão de uma negociação em andamento pode servir para ganhar tempo para que os lucros ou resultados a serem pactuados sejam estabelecidos em patamares já sabidamente atingidos, de forma a garantir que uma verba salarial possa ser revestida de PLR sem que os trabalhadores tenham motivos para obstaculizar o acordo. É uma porta aberta para a fraude. Como somente com a assinatura do termo de acordo entre as partes ou do acordo coletivo é que teremos a formalização do término da negociação e estaremos diante de um ato jurídico perfeito apto a exarar efeitos jurídicos, concluímos que o termo de acordo entre as partes ou o acordo coletivo deve estar assinado antes do pagamento da PLR. Além de assinado, o instrumento de acordo deve estar arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Tal exigência, constante do §2º pretende dar transparência ao instrumento de acordo e permitir que sejam evitadas fraudes com a lavratura pósdatada de um acordo entre as partes. Restanos desvendar se a data de encerramento do período a que se referem os lucros ou resultados deve se considerada. Tomando o conteúdo do inciso II do §1º do dispositivo acima transcrito, poderíamos concluir que há a exigência de uma pactuação prévia dos programas de metas, resultados e prazos. Mas não podemos deixar de considerar que os incisos do §1º não são taxativos, o que poderia nos levar a concluir que a necessidade de pactuação prévia não é extensível, por exemplo, aos casos enquadrados no inciso I. Esse argumento isolado, portanto, é frágil. Tomamos outro caminho. É certo que o dispositivo do art. 2º da Lei 10.101/200 exige regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Tratase de exigência que está em harmonia tanto com a finalidade de combater a fraude quanto com a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Se não houver a estipulação das regras quanto ao atingimento dos lucros ou resultados antes do término do período a que se referem, não haverá meios para evitarmos as fraudes. Ou seja, não haverá meios para evitarmos que, diante de um lucro ou resultado já conhecido, sejam revestidos de pagamento de PLR determinados valores entregues aos empregados e que a eles já seriam ou serão devidos pela contraprestação dos serviços. Conhecidos os lucros ou resultados, seria possível instituir objetivos para os empregados que, de antemão, a empresa saberia que seriam atingidos. Diante da certeza do pagamento, o empregado, ou mesmo seus representantes, aceitaria assinar um acordo que, na sua visão, só estaria mudando a nomenclatura da verba devida por seu trabalho. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.512 35 A impossibilidade de haver certeza de que o acordado seja cumprido é uma determinação legal que extraímos do trecho da lei que determina que existam”mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Se deve haver aferição do que foi acordado é porque não deve o lucro ou resultado estar totalmente configurado no momento da assinatura do instrumento de acordo. Portanto, harmonizando o texto da norma com suas finalidades, concluímos que o instrumento do acordo deve estar assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados. Tendo concluído que o instrumento de acordo deve ser assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados, podemos indagar se cumpriria a exigência da norma se, por exemplo, a assinatura e arquivamento ocorresse um dia antes do encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Evidentemente que não, pois estaríamos em situação em tudo similar à assinatura posterior. Os lucros e resultados já estariam, com um alto grau de previsibilidade, consolidados. É preciso que entre a data de assinatura e arquivamento dos acordos e a data de término do período a que se refiram os lucros ou resultados haja um intervalo temporal que tanto permita ao empregado direcionar seus melhores esforços para alcançar o que foi acordado como afaste a possibilidade de ser uma alternativa para a empresa fraudar a solidariedade no financiamento da seguridade social. Como a lei – ou qualquer norma infralegal não esclarece qual seria o prazo necessário entre tais datas, mas a finalidade da norma exige que o intérprete adote uma posição, utilizaremos como data limite para a assinatura e arquivamento dos instrumentos de acordo o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. É certo que encontramos respeitosas posições mais conservadoras em relação à data de assinatura dos acordos. A Conselheira Ana Maria Bandeira concluiu que os Acordos devem estar assinados antes do início do período a que se refiram os lucros ou resultados, tendo se manifestado no voto condutor do Acórdão 240100.276 nos seguintes termos “Entendo que para fazer valer o que dispõe o § 1º do art. 2º da Lei n° 10/101/2000 que determina a existência de regras claras e objetivas, mecanismos de aferição etc, é imprescindível que tais questões sejam decididas a priori, ou seja, antes do início do exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com seus empregados. Os acordos firmados pela recorrente foram todos posteriores ao início do exercício para o qual deveria ser aferida a participação dos empregados na obtenção do lucro ou resultado.” No mesmo sentido temos o Acórdão 240100.545 cuja redatora designada foi a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 36 A despeito dos méritos dos argumentos acima, entendemos que os limites que adotamos passam pelo teste da razoabilidade, pois asseguram que após os três primeiros meses do ano – normalmente um período difícil para que as partes se reúnam os interessados tenham três meses para iniciar e avançar nas negociações e três meses adicionais para sua total conclusão. Além de razoáveis, os limites adotados atendem à finalidade de que haja tempo hábil para negociações de modo contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Exigir a assinatura do acordo antes de iniciado o período atenderia apenas a uma das finalidades da norma regulamentadora – combater a fraude , mas acabaria por criar um significativo obstáculo para a concessão da PLR, o que impediria que o acesso dos trabalhadores a uma direito social previsto no art. 7º, inciso XI da Constituição Federal. Em resumo, concluímos que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de PLR a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Regras claras e objetivas A Lei 10.101/2000 determinou que a PLR seja objeto de negociação entre empresas e empregados, seja por meio de comissão escolhida entre as partes ou por acordo coletivo, devendo o instrumento de acordo conter regras claras e objetivas. De plano, portanto, podemos afastar possibilidade de as regras para o recebimento da PLR serem estabelecidas unilateralmente. Todo o contorno das regras deve ser objeto de negociação entre as partes. É uma exigência legal que contribui para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Mas o que seriam regras claras e objetivas? Entre os sentidos possíveis para a expressão “regras claras”, segundo o dicionário Michaelis, temos: regras fáceis de entender, evidentes, explícitas, inequívocas, manifestas. Regras objetivas, segundo a mesma fonte, seriam regras que se referem ao mundo exterior; regras que existem fora do espírito e independentemente do conhecimento que dele possua o sujeito pensante; ou regras que não se relacionam com os sentimentos pessoais do sujeito pensante. Em síntese, regras claras e objetivas são regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se referem ao mundo dos objetos, não podendo estar relacionadas com sentimentos pessoais. Como já vimos, as regras impostas pela Lei 10.101/2000 tem como objetivo tanto evitar a fraude que pode ser cometida pelo empregador ao pagar salário sob o manto de parcela de PLR como melhorar a s relações entre capital e trabalho. Nessa toada, não podemos deixar de considerar que a fixação da PLR por meio de regras subjetivas pode ensejar o assédio moral e todo o tipo de discriminação no ambiente do trabalho, o que não contribui para a melhoria da relação entre capital e trabalho e, sobretudo, atenta contra a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inciso III da CF). Fl. 36DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.513 37 Com relação a esse aspecto, no julgamento do Recurso 144.015, o Conselheiro Júlio Cesar Vieira Gomes, assim se manifestou: “Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros.” (o negrito é nosso) Além de serem claras e objetivas, as regras devem estar presentes no Acordo e devem ter sido estipuladas conforme negociação entre as partes, conforme podemos extrair dos arts. 1º e 2º da Lei 10.101/200. Nesse sentido o voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, no Acórdão 230200.256 “As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido ou do resultado obtido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. “ Questiono se, a despeito de a Lei exigir regras claras e objetivas, deveremos aceitar o conteúdo de acordo coletivo que, nitidamente, convencionou uma avaliação individual baseada em critérios subjetivos. A autonomia privada pode prevalecer ainda que ultrapasse os limites estabelecidos pela Lei? O caso não suscita a aplicação do art 123 do CTN? Vejamos o comando da norma complementar in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Com efeito, já assentamos que a lei tributária estabelece que a empresa que paga parcela a título de PLR que foi regida por regras subjetivas não pode beneficiarse da imunidade da contribuição previdenciária respectiva. Se a parte paga com base em critérios subjetivos não for atingida pela tributação, por conta do conteúdo de acordo coletivo, estaremos diante de uma situação na qual uma convenção entre particulares alterou a definição do sujeito passivo da obrigação tributária – a empresa , configurando ofensa frontal ao estabelecido no art. 123 do CTN. Nesse sentido, em sua manifestação no RE 398.2842 que Fl. 37DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES 38 discutiu o aspecto temporal da PLR(possibilidade de cobrança da contribuição sobre tais verbas antes da MP 794), o Ministro Marco Aurélio expressou sua compreensão de que “no campo da tributação, não há espaço para a autonomia da vontade”. Parecenos que o posicionamento do ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire no Acórdão 920200.503, quanto à possibilidade de as partes poderem definir soberanamente as regras a que se submeterão para tornar devido o pagamento da PLR, não diz respeito àqueles casos nos quais as regras convencionadas estão em afronta à lei, mas, ao contrário, diz respeito àquela situação na qual as regras estão em consonância com a lei, mas são questionadas pela fiscalização. Alguns trechos do voto daquele julgado evidenciam a posição do mencionado relator: Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas. (..) Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir dos fundamentos adotados pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, ao concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo,... Além de representar ofensa ao art. 123 do CTN, o conteúdo de Acordo Coletivo que viola a lei não pode prevalecer com força normativa, pois, mesmo no âmbito da Justiça do Trabalho, o TST já reconheceu que o conteúdo do Acordo não pode derrogar norma cogente que protege ou beneficia o trabalhador, conforme consta do OJ 31 da SDC daquele Tribunal: OJ 31 SEÇÃO DE DISSÍDIOS COLETIVOS Nº31 ESTABILIDADE DO ACIDENTADO. ACORDO HOMOLOGADO. PREVALÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 118 DA LEI Nº 8.213/91 (inserida em 19.08.1998) Não é possível a prevalência de acordo sobre legislação vigente, quando ele é menos benéfico do que a própria lei, porquanto o caráter imperativo dessa última restringe o campo de atuação da vontade das partes. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 2301002.056 S2C3T1 Fl. 1.514 39 Assim considerado, nossa conclusão é de que o Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. Ou seja, as regras estipuladas no Acordo não podem conter critérios subjetivos para a concessão da PLR de modo a contrariar o que determina a Lei, conclusão que está em consonância com a jurisprudência da Justiça do Trabalho e respeita os preceitos do art. 123 do CTN. A par das digressões jurídicas genéricas já apresentadas, passamos a analisar o caso concreto. O pagamento da PR em todos os anos foi feito após o encerramento do exercício do qual referiam, descumprindo, portanto, o requisito sobre o qual explanamos alhures quanto a data de assinatura dos acordos. A Relatora muito bem assinalou esse ponto: “Verificase que, para os anos de 2000 e 2004, o acordo foi celebrado após o pagamento da 1a parcela, e para os anos de 2001, 2002 e 2003, alguns dias antes de realizar o Acordo, demonstrando ausência de pactuação prévia de metas, resultados e prazos.” Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário quanto a essa questão. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 39DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por DAMIAO CORDEI RO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10700.000028/2007-98
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 27/06/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. PENALIDADE ISOLADA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991.
No caso de aplicação de multa isolada por descumprimento de obrigação acessória há que se observar o prazo para se efetuar o lançamento de oficio previsto no art. 173, inciso I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-000.157
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior acompanha o relator somente nas conclusões, entendendo que se aplicava o artigo 150, § 4º do CTN.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrida DRP/RIO DE JANEIRO/RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 27/06/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. PENALIDADE ISOLADA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991. No caso de aplicação de multa isolada por descumprimento de obrigação acessória há que se observar o prazo para se efetuar o lançamento de oficio previsto no art. 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • • Processo n° 10700.000028/2007-98 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.157 Fl. 256 ACORDAM os membros da 3a Câmara / 2 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior acompanha o relator somente nas conclusões, entendendo que se aplicava o artigo 150, § 40 do CTN. 1.4eiect.• • LIÉGE LACROIX THOMASI Presidente 4 . '; á 40P- e a or Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieir Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Liége Lacroix Thomasi (Presidente). Processo n° 10700.000028/2007-98 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.157 Fl. 257 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, I da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, I e § 9° do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de elaborar folha de pagamento com todas as remunerações dos segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS, fls. 14 a 16. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 60 a 94. A unidade descentralizada da SRP emitiu a Decisão-Notificação (DN), fls. 108 a 115, mantendo a autuação em sua integralidade. O recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário interpôs recurso, fls. 118 a 141. Contra-razões apresentadas pelo órgão previdenciário, fls. 228 a 231, sugerindo a manutenção do crédito. Decisão proferida pela 2a Câmara de Julgamento do CRPS, fls. 232 a 233, converteu o julgamento em diligência. Prestadas as informações à fl. 246, o autuado manifestou-se às fls. 250 a 252. É o relatório. Processo n° 10700.000028/2007-98 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.157 • Fl. 258 Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso é tempestivo, conforme informação à fl. 232; pressuposto de admissibilidade superado passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n c' 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Contudo, em se tratando de lançamento de oficio para aplicar penalidade pecuniária (multa isolada por descumprimento de obrigação acessória), previsto no art. 149, inciso VI do CTN, há que se observar sempre a regra do art. 173 do CTN, incluindo o parágrafo único desse artigo. No presente caso o lançamento foi efetuado em 27 de junho de 2005, fl. 01. A documentação que embasou a autuação foi referente ao período de 1995 a 1998, conforme itens 2 a 6 do relatório fiscal às fls. 15 e 16; portanto já atingido pela fluência do prazo decadencial para se realizar a autuação. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONCEDER PROVIMENTO ao recurso interposto. É como voto. Sala das Sessões em 20 de agosto 2009 n - • •lEIRA - 'e ator
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Numero do processo: 13804.002012/00-48
Data da sessão: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente ou em valor maior que o devido extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Recurso negado
Numero da decisão: 1103-000.040
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Eric Moraes de Castro e Silva
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Numero do processo: 13971.002983/2003-34
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
Ofende o Principio da Legalidade a imposição de condição que modifique a base de cálculo, com majoração do tributo, por ato infra-legal, no caso Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL.
Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser
anterior ao fato gerador da obrigação tributária.
Recurso especial provido em parte
Numero da decisão: 9202-000.016
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada),
Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Ofende o Principio da Legalidade a imposição de condição que modifique a base de cálculo, com majoração do tributo, por ato infra-legal, no caso Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido em parte
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decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso.
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Ofende o Principio da Legalidade a imposição de condição que modifique a base de cálculo, com majoração do tributo, por ato infra-legal, no caso Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. . e ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso. CARLOS ALB 1 41 FREITAS r. ARRETO - Presidente 1 7 41• O 'COS IANDIUO reator EDITADO EM: 01 8 SEI 2 1. 19 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão n° 303-34.084, exarado na sessão de julgamento de 27 de fevereiro de 2007. A interposição do recurso de deu com supedâneo no inciso II do art. 5° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF no 55, de 16 de março de 1998, vigente à época de sua interposição: Art. 5° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: (.) II. decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Hodiernamente tal recurso tem supedâneo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Despacho em que se admite o recurso às fls. 192/195. Recurso da Fazenda Nacional às fls. 154/173. O contribuinte apresentou contra-razões às fls. 200/209. É o relatório. Passo ao voto. 2 • Processo n° 13971.002983/2003-34 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.016 Fl. 2 Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator '4 .4 Recurso Especial de Divergência temp. estiv94; Passo a verificar o outro requisito de admissibilidade: a comprovação da divergência na interpretação de lei tributária entre duas câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou de turma da CSRF. A 3' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes no acórdão recorrido decidiu: Ementa: ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) E DE RESERVA LEGAL (ARL). A teor do artigo 10, §7° da Lei n ° 9.393/9ó: modificado pela Medida Provisória 2 1 66-6 7/200 basta a simples declaração do contribuinte para fins de isenção do ITR. respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. NOS TERMOS DO ARTIGO 10, INCISO II. ALÍNEA "A", DA LEI N° 9 393/96, NÃO SÃO TRIBUTÁVEIS AS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. A Fazenda Nacional recorre à instância especial sob a alegação de que deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de preservação permanente, pois o contribuinte apresentou o ADA fora do prazo previsto na legislação de regência, reportando-se, como paradigma de divergência, ao acórdão n° 302-36.278, de 09 de julho de 2004, exarada pela 2' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, com o qual pretende comprovar a divergência suscitada, in verbis: ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE ->fUTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de área de preservaçãopermanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio. As áreas de reserva devem ser averbadas à margem da inscrição da ". matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Argumentou ainda que a glosa das áreas de reserva legal também devem ser mantida, tendo em vista a ausência de averbação da área declarada no Registro de Imóveis. Junta para provar a divergência cópia do acórdão n° 302-36.585: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matrícula do referido imóvel , junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente Nos casos de 'posse", o Termo 3 de Compromisso de Averbação e Preservação de Florestas, celebrado com órgão ambiental estadual, substitui a averbação daquela área, nos termos supra-indicados, sujeitando-se, contudo, ao mesmo limite temporal da referida averbação. Conforme visto, restou estabelecida as divergências de interpretação de lei tributária entre a 2' e 3' Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes, pelo quê o recurso especial deve ser admitido. No mérito. A primeira discussão que se trava nestes autos cinge-se em saber se a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, para fins de exclusão das mesmas da base de incidência do ITR, depende, ou não, do cumprimento da exigência da protocolização tempestiva do ADA, a ser emitido pelo IBAMA ou órgão conveniado. Vejamos a legislação de regência da matéria. A legislação aplicável estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Conforme visto, as áreas de preservação permanente são aquelas descritas nos § 2° e § 3° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: (.) § 2 0 A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. § 3° Aplica-se às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais. 4 Processo n° 13971.002983/2003-34 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.016 Fl. 3 A exigência do ADA como requisito para a exclusão das áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR encontra-se estabelecida no 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 43, de 1997, com redação da IN SRF n° 67, de 1997: Art 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. (.) § 4° As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declarató rio do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: I - as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declarató rio do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei n° 4.771, de 1965; II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declarató rio junto ao IBAMA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. A exigência da apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente, estabelecida em legislação infra-legal, contrapõe-se ao princípio da reserva legal, posto que a desconsideração das áreas de preservação permanente e de reserva legal, como tal, representam sua inclusão na área tributável pelo ITR. Assim, qualquer restrição à exclusão de áreas da tributação do ITR, por corresponder a aumento de tributo, deve ser instituída por lei, ex vi do inciso II combinado com o § 1° do art. 97 do Código Tributário Nacional: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (.) - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21,26, 39, 57 e 65; (.) § 1° Equipara-se à majoração do tributo a modcação da sua base de cálculo, que importe em torná-lo mais oneroso. Tanto é assim que o art. 1° da Lei n° 10.165, de 2000 estabeleceu aquela condição ao incluir o art. 17-0 na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: 5 Art. 17-0 Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declarató rio Ambiental - ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n2 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (.) § 1' A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Portanto, se a obrigação de apresentação do ADA foi instituída posteriormente por lei, não poderia o órgão de administração tributária antecipar tal exigência, que resulta majoração de tributo, por meio de instrução normativa. Assim, a área de preservação permanente deve ser excluída da tributação do ITR, salvo no tocante à área de reserva legal que passaremos a analisar. Em relação à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador (condição prevista no Código Florestal Brasileiro (Lei n° 4.771, de 1965), incluída pelo § 2° do art. 16 da lei n° 7.803, de 1989. A 3' Turma da CSRF vinha decidindo no sentido de que a comprovação da área declarada como de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, poderia dar- se por outros meios de prova, independendo da averbação de tal área à margem da matricula do imóvel rural no registro de imóveis competente ou mesmo de sua averbação posterior. Neste sentido reproduzo a ementa do acórdão CSRF/03-05.505, de 12 de novembro de 2007: Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. - A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR não depende exclusivamente de sua prévia averbação no cartório competente, e seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas, inclusive a sua averbaç à' o procedida posteriormente à data do fato gerador. ?f, Peço vênia para discordar do posicionamento, então adotado, pelas razões a seguir apresentadas. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393/1996, supra transcrito. Conforme visto, a definição do que seja "área de reserva legal" encontra-se estabelecida no § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n°7.803, de 1989: § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. 6 Processo n° 13971.002983/2003-34 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.016 Fl. 4 A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22.6881PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Veja-se o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Septilveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. #-- Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. . Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.156/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393, de 1996 e do § 2° do art. 16 da lei n°4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n°7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. 7 Quando a Lei n° 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2° do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (.) 2° A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considera-se constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Tendo em vista que a averbação de parte da área de reserva legal (52,4 ha) foi realizada antes da ocorrência do fato gerador, conforme informação às fls. 37, entendo que esta área deve ser excluída da tributação do ITR. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para manter a tributação do ITR sobre a parcela da área de reserva ler . e •• averbação antecedeu à ocorrência do fato • - • ir. •1 (80% aio Mar is Candido - Relator 8
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Numero do processo: 10920.002513/2007-10
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 25 13 /2 00 7- 10 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002513/200710 Acórdão n.º 2403001.370 S2C4T3 Fl. 366 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 0710.656 – 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 35.764.5332, com ciência da Recorrente em 13.12.2006, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 684.967,37, retificado para R$ 73.445,90. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente a parte da empresa, dos segurados empregados, do financiamento dos benefícios concedidos em decorrência do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros (FNDE, INCRA, SESI, SENAI). Informa o Relatório Fiscal, às fls. 32 a 35 que: 2.1 Foi procedida a verificação física, ou seja a contagem dos trabalhadores que prestam serviços á NOTIFICADA em seu estabelecimento, no endereço acima, constatandose a existência de 27 (vinte e sete) trabalhadores sem a formalização dos respectivos contratos de trabalho – portanto não inscritos pela empregadora no Regime Geral da Previdência Social não havendo as devidas anotações no Livro de Registro de Empregados No. 01, o qual encontrase preenchido até ás (Is 15, estando em branco as de No. 16 e subseqüentes. Tal situação infringe o artigo 17 da Lei 8.213/91, c/c o artigo 18, I, § 1°. do Decreto 3.048/99 (RPS). 2.2 Caracterizamos tais trabalhadores, para fins previdenciários, na categoria de segurados empregados – em obediência à disposição do artigo 12, I, "a" da Lei 8.212/91 considerando que exercem suas funções no estabelecimento da Autuada, mediante remuneração, sob sua subordinação cumprindo as ordens e horários determinados e exercendo funções típicas da atividade fim da empresa (confecções de peças do vestuário) das quais destacamos: costureiras, dobradeiras, revisoras, talhadeiras, revisoras, auxiliar de produção, encarregada, motorista. 2.3 Esclarecemos que a empresa NOTIFICADA tem como únicos sócios os Srs. Osmar de MirandaCPF: 379.815.529 15 e Rafael de MirandaCPF: 006.682.99924. 2.4 Fomos informados pelo sóciogerente, Sr. Osmar de Miranda, que os citados trabalhadores, realmente, não estavam Fl. 382DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 registrados na empresa M. J. Miranda Confecções Ltda., mas constavam dos registros, das folhas de pagamentos e das GFIP de uma outra empresa denominada CONFECÇÕES WILETRUP LTDA. CNP): 81.580.714/0001 18, situação essa confirmada através da análise desses documentos. 2.5 A empresa CONFECÇÕES WILETRUP LTDA. encontra se estabelecida à Rua Papa João XXIII, 973, JoinvilleSC, atuando, também, no ramo de confecções de peças de vestuário, tendo produção e estabelecimento próprios e suas únicas sócias são as Sras. Maria José de MirandaCPF: 486.605.07991 e Ana Carla de MirandaCPF: 054.721.47905, respectivamente esposa e filha do Sr. Osmar Miranda e mãe e irmã do Sr. Rafael de Miranda, residindo, inclusive, todos no mesmo endereço à Rua Osvaldo Cruz, 69, Boa Vista em JoinvilleSC. 2.6 A formalização dos registros dos empregados da empresa M. J. MIRANDA CONFECÇÕES LTDA. na empresa CONFECÇÕES WILETRUP LTDA. tem como objetivo deixar de recolher as contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre as remunerações dos empregados, tendo em vista que a empresa Confecções Wiletrup Ltda. é optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microem presas e da Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES (Lei. 9.317 de 05/12/1996), e está sujeita somente ao recolhimento das contribuições descontadas dos segurados, enquanto a NOTIFICADA não se enquadra nessa situação e está sujeita ao recolhimento integral das contribuições. 2.7 Houve recolhimento, pela empresa CONFECÇÕES WILETRUP LTDA., das contribuições previdenciárias arrecadadas dos empregados, decorrentes das verbas normais da folha de pagamento com as deduções legais das cotas de salário família. Informa ainda o Relatório Fiscal, às fls. 32 a 35, que foram analisados os seguintes documentos, relativos ao período do débito: a) Contrato social e Alterações Contratuais, Livro de Registro de Empregados, Folhas de Pagamento, GFIP, Livros Diário (até 12/2005) da NOTIFICADA; b) Contrato Social e Alterações Contratuais, Fichas de Registro de Empregados, Folhas de Pagamento e GFIP da empresa CONFECÇÕES WILETRUP LTDA. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09300739F00 foi cientificado pelo sujeito passivo, fls. 27. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 12, é de 02/2004 a 04/2006. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 03.08.2006, conforme Aviso de recebimento – AR às fls. 50. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 53 a 59, conforme a síntese do relatório da decisão de primeira instância: Fl. 383DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002513/200710 Acórdão n.º 2403001.370 S2C4T3 Fl. 367 5 que os empregados estão cadastrados na Previdência Social pela empresa Confecções Wiletrup Ltda., estabelecido na rua Papa João XXIII, n'. 973, bairro Iririú, Joinville/SC, aonde constam como sócias a Srta. Ana Carolina de Miranda e a Sra. Maria José de Miranda, casada em comunhão de bens com o Sr. Osmar Miranda, sóciogerente da empresa autuada, cujo objetivo social também é a exploração no ramo de comercio e confecções de roupas; que esta constituiuse há muito mais tempo que a empresa notificada, tendo aquela recolhido o INSS dos empregados, e que esta foi criada para prestação de serviços à primeira no ramo de confecção têxtil; que houve uma acomodação do representante legal da empresa autuada em deixar os funcionários que passaram a trabalhar na empresa como ainda registrados na Empresa Confecções Wiletrup Ltda. e que a íntima relação entre as duas empresas configura um grupo empresarial; que a empresa era optante do SIMPLES (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte) no período de 18/07/2003 a 21/01/2005; que as funcionárias Erica Clarice Moser e Karel) Lucy de Lima são registradas na empresa notificada, conforme os documentos em anexo; Houve solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 237, nestes termos: Em vista da impugnação às fls. 53159 e demais documentos acostados aos autos (fls. 61/233), tornase necessário a baixa do processo em diligência ao Auditor Fiscal notificante para manifestação, sobretudo, a respeito das seguintes questões: 2.1. Exclusão do SIMPLES: a empresa apresenta os documentos de fls. 82/83, aonde constam, respectivamente, a inclusão no SIMPLES e a exclusão do referido sistema de tributação em 21/01/2005, por ultrapassar os Emites da receita bruta. Considerando que a Lei n°. 9.317/1996 estabelece que a exclusão ocorre a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite, há que rever, salvo engano, os lançamentos fiscais relativos às competências 02/2004 a 12/2004. 2.2. Empregadas registradas: consta dos argumentos da defesa (fls. 58), corroborado por alguns dos documentos acostados (fls. 84, 101/102, 105, 109, 111, 114), que as empregadas Erica Clarice Moser e Karen Lucy de Lima, consideradas no lançamento, encontravamse regularmente registradas na empresa em tela. Em resposta, a Informação Fiscal, às fls. 238 a 239: Fl. 384DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 1. A Notificada comprova, através de documentos juntados ao processo, que foi excluída do SIMPLES em 21/01/2005, por ter ultrapassado, no anocalendário imediatamente anterior, o limite de receita bruta estabelecido no inciso II do artigo 9° da Lei 9.317/1996. Sendo assim os efeitos da exclusão ocorreram a partir de 01/01/2005. 2. Comprova também o registro da segurada empregada Erica Clarice Moser, desde 14/02/2006, portanto dentro do período fiscalizado. 3. Diante disso, foram efetuadas as seguintes retificações, em relação à notificação original, conforme planilha anexa: a) Exclusão de todas as contribuições patronais, relativas ao período de 02 a 12/2004, em função da comprovação da condição de optante pelo SIMPLES, durante esse período; b) Exclusão das contribuições retidas da segurada Érica Clarice Moser, do período de 07/2004 a 12/2004. c) Exclusão da totalidade das contribuições, incidentes sobre as remunerações da segurada Érica Clarice Moser, durante o período de 01/2005 a 04/2006. 4. Em relação à segurada Karen Lucy de Lima informamos que não cabe retificação, tendo em vista que o seu registro ocorreu em 23/06/2006, portanto em período posterior ao inicio da ação fiscal e em competência não abrangida pela mesma. Esclarecemos, ainda, que essa segurada esteve registrada, irregularmente(na empresa Confecções Wiletrup Ltda. até 22/06/2006, data em que houve a rescisão contratual. A seguir, a Recorrente impetrou Manifestação, às fls. 255 a 260, reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, conforme a em síntese do relatório da decisão de primeira instância: (i) Alega, ainda, que, devido à intima relação existente entre as empresas, o que configura um grupo empresarial e, tendo em vista a ligação existente entre os sócios destas, o objeto social por estas explorado, além das relações comerciais mantidas entre as mesmas, não há que falar em irregularidade no que tange ao recolhimento das contribuições previdenciarias, uma vez que o recolhimento efetuado por urna das empresas coli gadas aproveita às demais, nos termos do artigo 125, 1, do Código Tributário Nacional (CTN). (ii) Reitera que, corroborado pela informação fiscal, é fato incontroverso que a funcionária Érica Clarice Moser encontravase registrada na empresa notificada, devendo ser excluídos os valores relativos ao período 07/2004 a 04/2006 e, da mesma forma, que a funcionária Karen Lucy de Lima possui a devida anotação em sua carteira de trabalho, conforme documentação anexa. (iii) Por fim, caso não seja anulado o débito, conforme já requerido na impugnação, que os valores sejam reduzidos, tendo Fl. 385DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002513/200710 Acórdão n.º 2403001.370 S2C4T3 Fl. 368 7 em vista a opção da empresa pelo SIMPLES (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos c Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte).entre 18/07/2003 a 21101/2005 e que se proceda à atenuação ou remissão da multa aplicada, visto a empresa preencher os requisitos necessários, nos termos do ai. 656 da Instrução Normativa IN MPS/SRP n°. 03/2005. Após análise, a primeira instância emitiu o Acórdão nº 0710.656 – 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, fls. 400 a 408, julgando procedente em parte a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2006 NFLD DEBCAD 35.764.5332, de 31/07/2006 SEGURADOS SEM REGISTRO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos empregados, uma vez caracterizados os pressupostos da relação empregatícia dos trabalhadores que prestavam serviços à empresa sem o devido registro. MULTA. Contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS não recolhidas no prazo legal ficam sujeitas à multa e juros de mora, de caráter irrelevável. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da ó" Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, mantendo o crédito tributário no valor de RS 73.445,90 (setenta c três mil, quatrocentos e quarenta e cinco reais e noventa centavos), nos termos do relatório e voto vencedor. Vencidos os julgadores Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Mansa Soares Mondadori. Dêse ciência ao contribuinte do inteiro teor deste acórdão, bem como dos anexos juntados às fls. 276/285 e do DADR — Discriminativo Analítico de Débito Retificado que o integram. Observase do Voto Vencedor da decisão de primeira instância: Isto posto, voto no sentido de também considerar o lançamento procedente em parte, porém para excluir as contribuições dos segurados empregados — rubrica "11Segurados constante do relatório DAD — Discriminativo Analítico de Débito, de todo o período, além das contribuições patronais objeto da retificação Fl. 386DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 mencionada anteriormente — competências 02 a 12/2004, em que a notificada era regularmente optante pelo SIMPLES e às relativas à remuneração da segurada Érica Clarice Moser, período 01/2005 a 04/2006 (patronais), já inclusas no meu voto, as contribuições desta segurada do período de 07/2004 a 1212004, conforme Informação Fiscal e planilhas às fls. 238/249 e, nesta parte, de acordo com o voto da relatora anterior, remanescendo o valor consolidado de R$ 73.445,90 (setenta c três mil, quatrocentos e quarenta e cinco reais e noventa centavos), conforme DADR anexado. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 306 a 311, com Anexo às fls. 312 a 358, na qual alega em síntese que: (i) Do pagamento das contribuições previdenciárias a cargo da empresa no período 01/2005 a 04/2006. De se destacar que nesse período a empresa Recorrente não fazia mais parte do'Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, o que redundou na exigência das contribuições aludidas no parágrafo pretérito. Contudo, não há substrato fático tampouco jurídico, que de arrimo a tal pretensão haja vista que a empresa Recorrente já realizou o pagamento de tais rubricas, estando extinto, desta feita, o crédito tributário a estas relativo nos termos do artigo 156, Ido Código Tributário Nacional, que expressamente dispõe: Art. 156— Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; Com efeito, depreende,se das guias de pagamento anexadas ao presente Recurso Voluntário que a empresa Recorrente já pagou todas as rubricas relativas as contribuições previdenciárias a seu cargo no período compreendido entre 01/2005 a 04/2006, restando comprovado portanto, que o crédito tributário foi extinto pelo pagamento. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 363. É o Relatório. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002513/200710 Acórdão n.º 2403001.370 S2C4T3 Fl. 369 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 363. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS PRELIMINARES (a) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a Terceiros. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.764.5332que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 35.764.5332) Lei n° 8.212/91 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); Fl. 389DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002513/200710 Acórdão n.º 2403001.370 S2C4T3 Fl. 370 11 d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. CORESP Relatório de Coresponsáveis do Débito; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 35.764.5332, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Fl. 390DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DO MÉRITO. (i) Do pagamento das contribuições previdenciárias a cargo da empresa no período 01/2005 a 04/2006. De se destacar que nesse período a empresa Recorrente não fazia mais parte do'Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, o que redundou na exigência das contribuições aludidas no parágrafo pretérito. Contudo, não há substrato fático tampouco jurídico, que de arrimo a tal pretensão haja vista que a empresa Recorrente já realizou o pagamento de tais rubricas, estando extinto, desta feita, o crédito tributário a estas relativo nos termos do artigo 156, Ido Código Tributário Nacional, que expressamente dispõe: Art. 156— Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; Com efeito, depreende,se das guias de pagamento anexadas ao presente Recurso Voluntário que a empresa Recorrente já pagou todas as rubricas relativas as contribuições previdenciárias a seu cargo no período compreendido entre 01/2005 a 04/2006, restando comprovado portanto, que o crédito tributário foi extinto pelo pagamento. Analisemos. Observase que o argumento da Recorrente está inteiramente centrado no alegado recolhimento total do valor devido nas competências 01/2005 a 04/2006 que são as competências remanescentes do débito após a decisão de primeira instância. Outrossim, o posicionamento reiterado desta Colenda Turma é no sentido de que tal competência, para verificação e apropriação dos valores porventura recolhidos pela Recorrente, ocorre na fase de execução administrativa do presente julgado pela Unidade Administrativa da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002513/200710 Acórdão n.º 2403001.370 S2C4T3 Fl. 371 13 DO RECÁLCULO DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 393DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10925.001882/2003-11
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR.
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.199
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento ao recurso. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento I parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento ao recurso. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Processo n° 10925.001882/2003-11 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.199 Fl. 2 CARLO • O FREITAS B RRETO — Presidente • À\eo JULIO ela' IEIRA GOMES — Relator EDITADO EM: 18 SE ' 2019 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão, no qual decidiu-se pela exclusão da base de cálculo do ITR da área do imóvel de correspondente à reserva legal, ainda que à época dos fato gerador não houvesse sua averbação do registro de imóveis e que não incide ITR sobre a área do imóvel destinada à preservação ambiental permanente, ainda que não informada em ato declaratório ambiental ou informadal intempestivamente. Alega o ilustre representante da Fazenda Nacional que o acórdão diverge da tese prevalente em outra turma deste Conselho que reconheceu a contrariedade à legislação tributária. Ao prover o recurso voluntário, o acórdão recorrido acabou por malferir o art. 10, § 4°, inciso I, da IN/SRF N° 43/1997, que disciplinou a Lei 9.393/96, com a redação dada pela IN/SRF N° 67/97 e ofender o artigo 111 e 114, ambos do CTN. E continua: a) A exigência existe desde a Lei n° 6.938, de 31/08/1981 com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000, reiterando-se os termos da supracitada instrução normativa; b) A exigência alinha-se com a norma que consagrou o beneficio, servindo como meio para comprovação da área alcançada; c) A declaração evita que o direito seja comprovado por meios mais gravosos e dispendiosos, como a nomeação de peritos; e d) Não se discute a materialidade, isto é, ser ou não a área de preservação permanente ou reserva legal, mas apenas o descumprimento de exigência essencial para que se valha do direito legal ao beneficio tributário, sempre interpretado literalmente. Em contra-razões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. É o relatório. 2 Processo n° 10925.001882/2003-11 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.199 Fl. 3 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Uma vez atendidos os pressupostos para admissibilidade conheço do recurso e passo ao seu exame. Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n° 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2°, com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16. 1° \èr)/ § 2°. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro 3 Processo n° 10925.001882/2003-11 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.199 Fl. 4 no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303- 34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fwc e o RMS 18301 / MG, Min. João Otávio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa à propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbá-la junto ao órgão competente). Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo. São Paulo. Atlas. 2003. 15' ed., p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas com fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social. (destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as áreas submetidas à restrição do pagamento do ITR. I Com as devidas vênias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e só: Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal) (.) De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero ato de averbação, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade específica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado 4 Processo n° 10925.001882/2003-11 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.199 Fl. 5 pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declarató rio do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive à administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário no 127.562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman) É uma peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. É a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a área de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da área eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição firmou-se a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: (.) IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas caiares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. 5 Processo n° 10925.001882/2003-11 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.199 Fl. 6 A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23.370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA: 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legal: li A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf. L. 8.629/93, art. 10, IrO,sem que esteja identificada na sua averbação (v.g MS 22.688) Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186 / DF, Tribunal Pleno, de relatoria do Ministro Carlos Brito, publicado no DJ de 02/03/2007: Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Precedente: MS 22.688. Peço licença para transcrever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado: Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. 6 Processo n° 10925.001882/2003-11 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.199 Fl. 7 Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger, apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção. Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007). Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CAIU, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Quanto às exigências relacionadas à reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do ITR da área ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo. A outra divergência é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental - ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) — área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; 7 Processo n° 10925.001882/2003-11 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.199 Fl. 8 Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. § 1 0 A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIA T, e a distribuição das áreas, à situação existente em 1° de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. (.) ,f 3° São áreas de utilização limitada; 35' 4 0 As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declarató rio junto ao IBAIVIA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará 4‘1 lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (.) Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama. Sendo que para o exercício de 1998, o prazo se expirou em 31/05/1999, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/1998, que foi 30/11/1998, conforme Instrução Normativa SRF n° 136, de 20/11/1998. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; 8 Processo n° 10925.001882/2003-11 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.199 Fl. 9 Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a' homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 150 (..) § 6. 0 Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.°, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; 9 Processo n° 10925.001882/2003-11 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.199 Fl. 10 Reitero que a delegação através da expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o IBAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela especifica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. - • Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impedido para o gozo da isenção; caso distinto da exigência de averbação, que é requisito para constituição da área de reserva legal. Em razão do exposto, entendo que deve ser incluído na base de cálculo do ITR o valor corresponde te à reserva legal e excluído o valor correspondente à área de preservação permanente. ili Julio C Ir e, ira Gomes -Relator \k, 1 , , , .4 io ,
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