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Numero do processo: 15885.000232/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1999 a 28/02/2000
NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO FISCAL EFETUADO CONTRA A TOMADORA DOS SERVIÇOS QUANDO HAVIA DECISÃO JUDICIAL QUE VEDAVA A APLICAÇÃO DA RETENÇÃO DO ARTIGO 31 DA LEI 8.212/91.
Caso haja decisão judicial que vede a aplicação da retenção, prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91 e a decisão judicial se referir a empresa contratada mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada, não sujeita a aplicação do instituto da responsabilidade solidária, as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração da mão-de-obra utilizada na prestação de serviços serão exigidas da contratada.
Numero da decisão: 2301-005.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar-lhe provimento, pela insubsistência da autuação.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 14/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1999 a 28/02/2000 NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO FISCAL EFETUADO CONTRA A TOMADORA DOS SERVIÇOS QUANDO HAVIA DECISÃO JUDICIAL QUE VEDAVA A APLICAÇÃO DA RETENÇÃO DO ARTIGO 31 DA LEI 8.212/91. Caso haja decisão judicial que vede a aplicação da retenção, prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91 e a decisão judicial se referir a empresa contratada mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada, não sujeita a aplicação do instituto da responsabilidade solidária, as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração da mão-de-obra utilizada na prestação de serviços serão exigidas da contratada.
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Caso haja decisão judicial que vede a aplicação da retenção, prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91 e a decisão judicial se referir a empresa contratada mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, não sujeita a aplicação do instituto da responsabilidade solidária, as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços serão exigidas da contratada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, darlhe provimento, pela insubsistência da autuação. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 14/07/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 5. 00 02 32 /2 00 7- 10 Fl. 281DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.594.3050 (fls. 4 a 17), lavrada em 14/10/2005, em face de CADBURY ADAMS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA., no valor de R$ 193.789,34, sob o fundamento de que esta teria deixado de reter e recolher o montante correspondente a 11% do valor da nota fiscal de serviços tomados da Promocoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Vendas, Promoção e Marketing. Conforme se infere do Relatório Fiscal, foram prestados serviços à ora Recorrente, no período de julho/1999 a fevereiro/2000, através de cessão de mão de obra, enquadrandoos nas hipóteses previstas no art. 219, §2º, XXII, do Decreto nº 3.048/99, razão pela qual deveria ter ocorrido a retenção e recolhimento do valor correspondente aos 11% do valor da nota fiscal. Apresentada impugnação pela empresa (fls. 69 a 77), foi mantido o lançamento pela decisão recorrida (fls. 100 a 104), cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: "CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CUSTEIO. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra,deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida ate o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra, conforme inteligência do artigo 31, da Lei n.° 8.212191 (na redação dada pela Lei n.° 9.711/98). LANÇAMENTO PROCEDENTE." Diante de tal decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo (fls. 108 a 120), alegando, em síntese que: (i) que a autuação afronta decisão judicial proferida em sede de Mandado de Segurança que garantia, à época, à empresa prestadora de serviços a não sujeição à retenção dos 11%; (ii) que a decisão recorrida é nula, uma vez que proferida por DRP incompetente (Guarulhos/SP), posto que, desde novembro de 2005, o domicílio fiscal da Recorrente passou a ser Bauru/SP; (iii) que não houve qualquer diligência administrativa no sentido de verificar se os créditos tributários em questão foram recolhidos pela empresa prestadora de serviços, dando ensejo a possível lançamento em duplicidade. Foram apresentadas contrarazões (fls. 156 a 158) defendendo a manutenção do lançamento. Subidos os autos ao Conselho de Recursos da Previdência Social, fora proferida decisão (fls. 170 a 178) convertendo o feito em diligência, para que o feito fosse remetido à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, a fim de que fosse apresentada cópia da decisão judicial a que se refere a Recorrente, bem como para informar o estado do processo. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 15885.000232/200710 Acórdão n.º 2301005.048 S2C3T1 Fl. 3 3 Em atendimento à diligência acima especificada, a PGFN informou acerca da impossibilidade de obter vistas dos autos da Ação Civil Pública nº 1999.61.08.0029770, por encontrarse esta, desde abril de 2001, no TRF da 3ª Região. A Recorrente protocolou petição (fls. 196 a 200) requerendo a decadência dos créditos tributários em exame, com fundamento na Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. Em 17/07/2013, foi aprovada a Resolução nº 2302000.240 (fls. 203 a 206) da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF para converter o julgamento em diligência, uma vez que não foi possível identificar o completo alcance da segurança concedida no âmbito do mandado de segurança, de forma que foi entendido que o presente caso deveria ser novamente remetido à PGFN, para que sejam prestados os esclarecimentos necessários no que diz respeito ao Mandado de Segurança relacionado ao presente caso, mais precisamente, para especificar se a decisão assegurava à Impetrante (a) a abstenção de efetuar a retenção na qualidade de tomadora de serviços; (b) a não submissão à retenção das notas por ela emitidas, na qualidade de prestadora de serviços ou (c) ambos os casos. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Com relação à alegada incompetência da Delegacia da Receita Previdenciária de Guarulhos para proferir a DecisãoNotificação (fls. 100 a 104), a recorrente aduz que pela alteração de seu endereço fiscal junto a Receita Federal para Bauru ter ocorrido em 03/11/2005, a Delegacia da Receita Previdenciária Guarulhos não tinha mais competência em 28/12/2005 para proferir a Decisão Notificação. Ocorre que nos termos do § 2° do artigo 22 da Instrução Normativa INSS/DC 03/2005, não basta a mudança do endereço fiscal na Junta Comercial ou Receita Federal para regularizar o endereço da empresa perante a Delegacia da Receita Previdenciária, sendo necessário requerimento especifico de alteração de estabelecimento centralizador contendo as justificativas e a indicação do número do novo CNPJ ou CEI centralizador. Vale lembrar que tal requerimento só foi realizado pela recorrente em 10/03/2006 (fl. 151), o que demonstra a competência da Delegacia da Receita Previdenciária Guarulhos para proferir a Decisão Notificação. No tocante à nulidade da NFLD devido a decisão judicial proferida nos autos de mandado de segurança n° 1999.61.00.0298708, que reconheceu ser indevida a retenção dos 11% pela contratante, razão assiste à recorrente. Fl. 283DF CARF MF 4 A partir da leitura da cópia do mandado de segurança juntada ao presente processo (fls. 218 a 234), é possível observar que o impetrante requereu que fosse "devidamente processado e conhecido o pedido, concedendose a segurança impetrada e expedindose em favor da Impetrante a liminar ora pleiteada exonerando os seus tomadores de serviços da obrigação da retenção e recolhimento da contribuição de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal para o Instituto Nacional do Seguro Social INSS", assim como que a própria Impetrante fosse "desobrigada de efetuar quaisquer recolhimentos resultante da aplicação da Lei Complementar 84/96 e Lei 9.711/98, suspendendo assim, de imediato, todos os efeitos dos atos ora impugnados e mantendose unicamente a sistemática de recolhimento do INSS prevista no artigo 21 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Medida Provisória 1.66312, de 27.7.98, a qual veio ser convertida na Lei 9.711/98, de 20.11.98, no que tange ao recolhimento cabível como trabalhador autônomo para cada cooperado da Impetrante, da forma como está inscrito na previdência social, obedecendose unicamente o seu saláriobase". Ademais, é possível observar na sentença do referido processo (fls. 236 a 258) que o juiz julgou procedente o pedido da Impetrante, concedendo a segurança no referido mandado de segurança, a fim e resguardar o direito líquido e certo da impetrante em não se sujeitar às alterações introduzidas por força da Lei nº 9.711/98 e Ordem de Serviço nº 203/00, e sem a retenção dos 11% incidente sobre o valor das notas fiscais, faturas ou recibos de emissão imposta às empresas tomadoras de serviços, por entender que a legislação padece de irremissível vício de inconstitucionalidade. Diante do exposto, resta incontroverso que a citada decisão judicial desobrigou a cooperativa contratada de se submeter a retenção de 11% sobre o valor das notas fiscais, conforme instituído pelo artigo 31 da Lei 8.212/91 com redação dada pela Lei 9.711/98. Vale ressaltar que há entendimento jurisprudencial pacifico do Supremo Tribunal Federal no sentido de que os efeitos da sentença proferida em sede de mandado de segurança retroagem a data da impetração, in verbis: "RE 107335 / PB PARAIBA RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. SYDNEY SANCHES Julgamento: 22/04/1988 Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA MANDADO DE SEGURANÇA. EFEITOS PATRIMONIAIS. PRESTAÇÕES VENCIDAS ANTES E DEPOIS DA IMPETRAÇÃO. SUMULAS 271 E 267. LEI N. 5.021, DE 9.6.1966, ART. 1, PARAGRAFO 3. 1. DIZ A SÚMULA 267 QUE O MANDADO DE SEGURANÇA NÃO E SUBSTITUTIVO DA AÇÃO DE COBRANÇA. 2. E A SÚMULA 271 QUE A CONCESSÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA NÃO PRODUZ EFEITOS PATRIMONIAIS, EM RELAÇÃO A PERIODO PRETERITO, OS QUAIS DEVEM SER RECLAMADOS ADMINISTRATIVAMENTE OU PELA VIA JUDICIAL PROPRIA. 3. TAIS ORIENTAÇÕES CONTINUAM EM VIGOR, MESMO APÓS O ADVENTO DA LEI N. 5.021, DE 9.6.1966, POIS OS ATRASADOS, A QUE SE REFERE O PARAGRAFO 3 DE SEU ART. 1, SOBRE A LIQUIDAÇÃO, POR CALCULO, DA SENTENÇA, NÃO COMPREENDEM PRESTAÇÕES VENCIDAS ANTERIORMENTE AO AJUIZAMENTO DO PEDIDO, SENAO, UNICAMENTE, AS VENCIDAS ENTRE A IMPETRAÇÃO E A CONCESSÃO DO Fl. 284DF CARF MF Processo nº 15885.000232/200710 Acórdão n.º 2301005.048 S2C3T1 Fl. 4 5 MANDADO DE SEGURANÇA. RECONHECIDO E PROVIDO PARA QUE SE EXCLUAM DA LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA AS PRESTAÇÕES VENCIDAS ANTES DA IMPETRAÇÃO." Tendo em vista que o mandado de segurança foi impetrado dia 29/06/1999 e que as competências lançadas na presente NFLD se referem ao período de 07/1999 a 02/2000, não possui validade o presente lançamento sob pena de afronta à decisão judicial. Tratase de vicio procedimental, uma vez que a própria Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/05 estabelece em seu artigo 177 que na existência de decisão judicial que vede a aplicação da retenção, a fiscalização deve exigir da contratante pelo instituto da responsabilidade solidária ou da contratada as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços: "Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/05 Art. 177. Caso haja decisão judicial que vede a aplicação da retenção, prevista no art. 31 da Lei 8212/91, observarse6 o seguinte: I na hipótese de a decisão judicial se referir a empresa contratada mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, não sujeita a aplicação do instituto da responsabilidade solidária, as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços serão exigidas da contratada;" Ante o exposto, considerando a existência de decisão judicial desobrigando a retenção de 11% prevista pelo artigo 31 da Lei 8.212/91, não merece prosperar o presente lançamento. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento no tocante à nulidade da NFLD devido a decisão judicial proferida nos autos de mandado de segurança n° 1999.61.00.0298708, que reconheceu ser indevida a retenção dos 11%. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 285DF CARF MF 6 Fl. 286DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.720491/2008-31
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA (DIPJ). O atraso na entrega da DIPJ após o prazo fixado pela legislação ocasiona o pagamento de multa. A dispensa de penalidades legalmente constituídas só pode se dar nas condições previstas no CTN, art. 97, VI, situação em que não se encontra a contribuinte.
Numero da decisão: 1802-001.130
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Gustavo Junqueira Carneiro Leão
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O atraso na entrega da DIPJ após o prazo fixado pela legislação ocasiona o pagamento de multa. A dispensa de penalidades legalmente constituídas só pode se dar nas condições previstas no CTN, art. 97, VI, situação em que não se encontra a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 29DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.720491/200831 Acórdão n.º 1802001.130 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), que considerou procedente o lançamento no valor de R$ 500,00, a título de multa por atraso na entrega das DIPJ do exercício de 2008. O auto de infração de multa (fl. 05), fundamenta a exigência na Lei nº 10.426/2002, art. 7º, com alterações dadas pela Lei nº 11.051/2004, art. 19. Regularmente intimada, com ciência do lançamento por meio eletrônico, a ora Recorrente apresentou, em 24/11/2008, impugnação de fl. 02, argüindo: a) ser entidade sem fins lucrativos e que concentra suas atividades em programa de alfabetização; b) sempre ter enviado as declarações de isento à Receita Federal, contudo ao proceder com o preenchimento no ano de 2008 das declarações de imposto de renda das pessoas físicas da diretoria, o sistema ainda não dispunha de formulário para o envio da declaração de pessoa jurídica isenta do IRPJ; c) que, como não há qualquer informação sobre imposto de renda na DIPJ da interessada, não há que se aplicar qualquer multa, pois a mesma deve corresponder a 2% do imposto devido, o que seria zero, de modo que solicita o cancelamento da multa em questão. A DRJ de Curitiba considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 DIPJ. MULTA POR ATRASO. A apresentação da DIPJ 2008 após o prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa por atraso na sua entrega. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 13/07/2011, a Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 28, em 02/08/2011, reiterando as alegações da inicial e informando que a ausência de receitas impossibilita que qualquer dos seus Fl. 30DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.720491/200831 Acórdão n.º 1802001.130 S1TE02 Fl. 38 3 membros pague a multa imposta, haja vista que os sócios não respondem solidaria ou subsidiariamente pelas suas obrigações. Este é o Relatório. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.720491/200831 Acórdão n.º 1802001.130 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a ora Recorrente questiona a exigência da multa por atraso na entrega da DIPJ do exercício de 2008. O prazo final para o cumprimento das obrigações acessórias terminava em 30 de junho de 2008, contudo a Recorrente, de acordo com a notificação de lançamento constante da fl. 5, somente enviou sua declarações no dia 29 de outubro de 2008. Em sua impugnação a Contribuinte alegou que a multa era descabida, eis que a multa deve ser calculada aplicando o percentual de 2% ao mês ou fração sobre o imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, sendo que, no seu caso, esse montante seria 2% sobre zero. A multa por atraso na entrega da DIPJ encontrase disciplinada na Lei nº 10.426/2002, art. 7º, in verbis: “Art. 7º. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) Fl. 32DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.720491/200831 Acórdão n.º 1802001.130 S1TE02 Fl. 40 5 § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” A IN RFB nº 849/2008, art. 4º, determina que as declarações geradas pelo programa DIPJ 2008 devem ser apresentadas até o último dia útil do mês de junho de 2008, sendo que o parágrafo 1º inclui nesse prazo as pessoas jurídicas imunes e isentas. “Art. 4º As declarações geradas pelo programa DIPJ 2008 devem ser apresentadas até o último dia útil do mês de junho de 2008. § 1º As pessoas jurídicas imunes ou isentas do Imposto de Renda devem apresentar a declaração no mesmo prazo fixado pelo caput.” Desse modo, a entrega da DIPJ após o prazo previsto configura infração à legislação tributária, cuja caracterização independe de haver ou não tributo informado. De Fl. 33DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.720491/200831 Acórdão n.º 1802001.130 S1TE02 Fl. 41 6 acordo com o CTN, art. 113, § 2º, a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Dispõe o § 3º do mesmo artigo que a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A Lei nº 10.426/2002, art. 7º se coaduna com a regra geral do CTN, art. 136, pois vincula a incidência da multa exclusivamente à falta de entrega da DIPJ ou à sua entrega fora do prazo. Se a DIPJ foi apresentada depois do prazo regulamentar, independente de qualquer circunstância, a contribuinte está sujeita à multa por atraso na sua entrega. O pedido da contribuinte para dispensa da multa também não pode lograr êxito. De acordo com o CTN, art. 97, VI, abaixo transcrito, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.” Ocorre que não há qualquer dispositivo em lei que preveja dispensa de multa por atraso na entrega da DIPJ, como ocorre no presente caso. Os demais argumentos da contribuinte são frágeis, por vezes descabidos e em nada a ajudam. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso, mantendo integralmente o lançamento efetuado pela autoridade administrativa. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 34DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10425.002192/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA.
O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3401-003.899
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça intempestivamente apresentada a título de recurso voluntário.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça intempestivamente apresentada a título de recurso voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 21 92 /2 00 7- 36 Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10425.002192/200736 Acórdão n.º 3401003.899 S3C4T1 Fl. 1.091 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls.1 592/595), o qual passo a transcrever: "Relatório 1. O presente processo reúne Autos de Infração da Cofins e da Contribuição para o PIS, decorrentes de revisão de DIPJ Exercício 2003, AnoCalendário 2002, que consiste na comparação entre os valores informados como devidos na referida declaração com os confessados nas DCTF (Ativas, quando do início do procedimento fiscal) e os pagos (DARF). 1.1. A Fiscalização da DRF/Campina Grande encontrou as seguintes diferenças: [tabelas] 1.2. Somado às multas de ofício (75 %) e aos juros de mora (calculados até 31/08/2007), os Autos de Infração montaram em R$ 30.204,02, para a Contribuição para o PIS, e em R$ 207.118,92 para a Cofins. 2. Durante a Fiscalização (fls. 0421), o contribuinte foi intimado a justificar estas diferenças e disse, como repisou nas Impugnações (fls. 378 a 388, para a Cofins, e fls. 435 a 445, para a Contribuição para o PIS), que eram decorrentes de compensações autorizadas judicialmente, no Mandado de Segurança nº 2002.82.01.0037129, 6ª Vara/PB, com base na inconstitucionalidade dos Decretosleis nos 2.445/88 e 2.449/88, que alteraram a apuração da Contribuição para o PIS. 3. Segundo as planilhas de cálculo elaboradas pelo contribuinte (fls. 047 e 048), o suposto crédito atualizado até junho de 2002, seria de R$ 89.963,90 e, na planilha às fls. 049, de R$ 85.074,31 (não identifiquei a razão da diferença), que, com os juros de mora até 15/12/2003, daria exatamente para fazer frente às compensações alegadas. 4. A Fiscalização tomou por base a DCTF Ativa do 4º trimestre de 2002 existente no início do procedimento fiscal (fls. 036) e na tela Extraída do Sistema Gerencial da DCTF não se vêem, nos Créditos Vinculados, as referidas compensações, mas tão somente os valores pagos, que coincidem com o constantes na tela extraída do Sistema SINAL 04 (fls. 037). 5. Nas impugnações apresentadas, centra a autuada sua defesa no argumento de que não foi observada, nos cálculos levados a efeito pela autoridade fiscal, a chamada “semestralidade” da Contribuição para o PIS – sobejamente conhecida, pois é um dos pilares das batalhas judiciais travadas no tocante à inconstitucionalidade dos Decretosleis nos 2.445/88 e 2.449/88 – e efetivamente se verifica, na descrição dos fatos de ambas as exigências, o expresso afastamento da aludida sistemática na apuração dos alegados indébitos supostamente utilizados para fins de compensação. 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10425.002192/200736 Acórdão n.º 3401003.899 S3C4T1 Fl. 1.092 3 6. Ocorre que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CRJ nº 2.143/2006 (fls. 503 a 509), aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho exarado em 06/11/2006 (fls. 510), cristalizou, por força de jurisprudência consolidada do STJ e em caráter mandatório, que não mais fosse contestada judicialmente e fosse acatada pela RFB a tese de que o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 7/70 trata da base de cálculo e não do prazo de recolhimento da Contribuição para o PIS, o que implica a não incidência da correção monetária no interregno legal. 6.1. Considerando este posicionamento da PGFN e o disposto no § 5º do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, com as alterações trazidas pela Lei nº 11.033/2004, o processo foi baixado em diligência, via Despacho nº 3.036, de 11/12/2012 (fls. 511 e 512), para que a Unidade de Origem: 1) Observando o citado Parecer, refizesse os cálculos que levaram à autuação; 2) A impugnante fosse intimada do resultado, para que, no prazo de trinta dias, se desejasse, se manifestasse a respeito, em observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa. 6.2. A diligência foi levada a efeito pela DRF/Campina Grande, estando o resultado consignado na Informação Fiscal DRF/CGD/SARAC nº 57/2013 (fls. 562) e nas planilhas de cálculo às fls. 519 a 559, concluindo a autoridade diligenciante que, considerada a “semestralidade”, o direito creditório seria de R$ 33.971,32 em 1º de janeiro de 1996 e, com a Selic acumulada até junho de 2002 (mês em que o contribuinte consolidou as suas planilhas) o montante seria de R$ 82.809,61, um pouco inferior, portanto, aos valores alegados pelo contribuinte. 6.3 A empresa foi cientificada em 21/05/2013, por via postal, (AR às fls. 564) do resultado da diligência, e não se manifestou a respeito, tendo sido o processo devolvido para esta DRJ em 04/07/2013. 7. Estranhando o fato das alegadas compensações não constarem da DCTF Ativa tomada como base para o lançamento pela Fiscalização (fls. 036), em pesquisas realizadas no Sistema DCTFGER (fls. 566 a 581), verifiquei que as compensações foram informadas na declaração Original do 4º trimestre de 2002, citando o processo judicial, mas foram simplesmente retiradas nas duas Retificadoras, a primeira entregue em 17/06/2005 e a segunda em 27/10/2005 (antes, portanto, do início do procedimento fiscal), permanecendo confessados somente os valores pagos. 7.1. Nas descrições dos fatos dos Autos de Infração ainda consta que “o contribuinte deixou de apresentar à Secretaria da Receita Federal Declaração de Compensação e pedido de parcelamento, conforme documentos de fls. 35 a 38”. 7.2. Ocorre que a consulta às fls. 035 (nº 038, após a digitalização do processo) foi feita no Sistema CPERDCOMP, cuja base de dados só contém as declarações feitas com a utilização do Sistema PER/DCOMP que foi disponibilizado somente em maio de 2003, ou seja, em 2002 as Declarações de Compensação eram entregues em papel. Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10425.002192/200736 Acórdão n.º 3401003.899 S3C4T1 Fl. 1.093 4 7.3. Ainda, analisando o teor das decisões judiciais, vi que só autorizam a compensação de créditos da Contribuição para o PIS com débitos da mesma contribuição. Senão vejamos: Decisão da Justiça Federal de Primeira Instância no Processo nº 2002.82.01.0037129 (fls. 067) Ante o exposto, julgo procedente em parte o pedido para assegurar o direito à compensação dos valores não prescritos ... com parcelas vincendas de tributos da mesma espécie e destinação constitucional, de modo a resultar em exatidão no acertamento da obrigação tributária. Decisão do TRF da 5º Região na AMS nº 84.681/PB (fls. 121) EMENTA................... 3. Os valores recolhidos indevidamente a título de PIS só podem ser objeto de compensação com débitos vincendos ... da mesma contribuição, em face de sua natureza constitucional específica. 7.4. No Superior Tribunal de Justiça (AgRg no Resp nº 639.917, fls. 431 e 432) a discussão cingiuse ao prazo prescricional, aos expurgos inflacionários e aos juros de mora. 7.5. Considerando as novas informações trazidas à tona, propus que o presente processo fosse novamente encaminhado à Unidade de Origem a fim de que o contribuinte fosse intimado a: 1) Informar se detém e, sendo o caso, apresentar o inteiro teor de provimento judicial que autorize a compensação de créditos da Contribuição para o PIS com débitos da Cofins; 2) Apresentar cópia(s) de processo(s) envolvendo eventuais Declarações de Compensação que tenha entregue, relativas aos débitos exigidos nos Autos de Infração; 3) Justificar a retirada das compensações das DCTF retificadoras do 4º trimestre de 2002; 4) Informar e, sendo o caso, comprovar com os documentos hábeis, se fez o registro das compensações em sua contabilidade; 5) Se desejasse, no prazo de 30 dias da intimação, se pronunciasse a respeito do que já foi levantado no presente processo, em observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa. 7.6. A empresa foi informada do solicitado na diligência, nos seus exatos termos, através da Intimação/DRF/CGD/PB/SARC nº 167/2013 (fls. 585 e 586), da qual tomou ciência por via postal, em 02/09/2013 (AR às fls. 588). 7.7. Não tendo o contribuinte se pronunciado a respeito, o processo nos foi devolvido, em 14/10/2013 (fls. 590), para julgamento. É o que importa relatar." Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10425.002192/200736 Acórdão n.º 3401003.899 S3C4T1 Fl. 1.094 5 A decisão de primeira instância, proferida em 18/12/2013 (fls. 591/597), foi pelo não provimento da impugnação, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. COISA JULGADA MATERIAL. ESTRITA OBSERVÂNCIA PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Decisão judicial definitiva faz coisa julgada material, com força de lei nos limites da lide e das questões decididas, devendo as autoridades administrativas darlhe cumprimento nos exatos termos em que foi proferida. Se o Judiciário admitiu as compensações de créditos da Contribuição para o PIS apenas com débitos da mesma contribuição, não pode a Administração Tributária homologar compensações com outros tributos, ainda que a lei vigente o permita. DIREITO CREDITÓRIO. UTILIZAÇÃO. REQUISITOS. Ainda que o contribuinte detenha direito creditório reconhecido, por decisão judicial ou por qualquer outra razão, sua utilização terá que dar nos termos da legislação pertinente. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. DESCONSIDERAÇÃO. Não tendo o contribuinte declarado e comprovado que realizou as compensações, seja na sua contabilidade, através de Pedido de Compensação ou através de Declaração de Compensação, e ainda nada tendo sido informado na DCTF que o próprio retificou antes do início do procedimento fiscal, não há que se reconhecê las. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. UTILIZAÇÃO. REQUISITOS. Ainda que o contribuinte detenha direito creditório reconhecido, por decisão judicial ou por qualquer outra razão, sua utilização terá que dar nos termos da legislação pertinente. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. DESCONSIDERAÇÃO. Não tendo o contribuinte declarado e comprovado que realizou as compensações, seja na sua contabilidade, através de Pedido de Compensação ou através de Declaração de Compensação, e ainda nada tendo sido informado na DCTF que o próprio retificou antes do início do procedimento fiscal, não há que se reconhecê las. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 614), em 21/03/2014, apresentou o recurso voluntário de fls. 615/630, em 29/04/2014, como preliminar, pugnando pela obediência ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, no que concerne à tempestividade e, no mérito, em essência, reprisando a impugnação. É o relatório. Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10425.002192/200736 Acórdão n.º 3401003.899 S3C4T1 Fl. 1.095 6 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Examinando os elementos componentes dos autos, constato que a ciência da decisão recorrida efetuouse por via postal em 21/03/2014, sextafeira, com o Aviso de Recebimento AR de fl. 614. O recurso voluntário, por seu turno, foi protocolado em 29/04/2014 (fl. 615), terçafeira. Procedendo à contagem do prazo recursal na forma dos arts. 5º e 23 do Decreto nº 70.235/72, verifico que o prazo legal de 30 (trinta) dias esgotouse em 22/04/2014, na terçafeira da semana anterior, ao do protocolo recursal, em 29/04/2014. Nesta senda, inobservado o prazo estipulado pelo art. 33 do já referido Decreto nº 70.235/72, resta indiscutível a intempestividade da peça interposta. Ressalta o recorrente que a intimação da decisão recorrida foi entregue pelos Correios à uma simples funcionária da empresa, pessoa que não é o representante legal do sujeito passivo, a qual teria esquecido de entregar a intimação, dentro do prazo recursal, à representante legal, constante do contrato social. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação que, mesmo perempta, a peça deva ser conhecida e examinada, em homenagem ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, como sugere o recorrente, haja vista a definição dos prazos recursais impostos pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazêlo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, considerando que a peça não atende a requisito essencial de admissibilidade, a tempestividade, voto por não conhecêla. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 1095DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721216/2010-20
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 9101-003.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificar o Acórdão nº 9101-002.434, de 20/09/2016, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificar o Acórdão nº 9101002.434, de 20/09/2016, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 12 16 /2 01 0- 20 Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 9101003.090 CSRFT1 Fl. 2.084 2 Relatório São embargos de declaração (efl. 2050/2057) interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) em face do Acórdão nº 9101002.434, de 20 de setembro de 2016, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que deu provimento parcial ao recurso especial da PGFN. O acórdão embargado apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES ANTERIORES A 2007. Não deve ser conhecido recurso especial em relação a matéria já sumulada no âmbito do CARF. Incidência da Súmula n. 105 do CARF em relação aos períodos anteriores a 2007. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Especial da Fazenda Nacional, somente, em relação aos anoscalendário de 2007 a 2009, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto (relator), que não o conheceu e, no mérito da parte conhecida, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Declarouse impedido de participar do Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 9101003.090 CSRFT1 Fl. 2.085 3 julgamento o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado). Reclama a embargante que o acórdão recorrido encontrarseia eivado de vícios de omissão e contradição, apontando dois pontos: (1) a atuação fiscal tratou dos anoscalendário de 2005 a 2009, e no voto vencedor só há referência aos anos calendário até 2008; e (2) o resultado do julgamento foi consignado de moto inexato, ao registrar que o recurso foi conhecido parcialmente (correto), e que no mérito a parte conhecida foi provida parcialmente (quando na realidade foi provida integralmente). O despacho de admissibilidade de embargos de declaração (efls. 2061/2063) deu seguimento parcial ao recurso, apenas para o ponto 2. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Tendo sido cumpridos os requisitos formais para oposição dos embargos (tempestividade, legitimidade) previstos no art. 65, Anexo II do RICARF, passo ao exame da contradição apontada. O recurso teve seguimento parcial, para apreciar o ponto 2, conforme relatório. Aduz a embargante que teria havido contradição entre a decisão e o dispositivo do acórdão. A decisão entendeu que o conhecimento do recurso seria parcial (partindose da análise dos anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, conheceuse apenas a matéria relativa aos anos calendário de 2007 e 2008), e, na parte conhecida (anoscalendário 2007 e 2008), deulhe provimento integral. Por sua vez, consta no acórdão que o provimento da parte conhecida teria sido parcial. Assiste razão à recorrente. De fato, consta, expressamente, no voto embargado: Conforme auto de infração (efl. 906), os lançamentos de multa isolada foram efetuados para os anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008. (...) Portanto, diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso da PGFN, para os anoscalendário de 2007 e 2008. Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 9101003.090 CSRFT1 Fl. 2.086 4 Passo ao exame do mérito. (...) Portanto, em relação à matéria devolvida para exame de mérito, atinente aos anoscalendário de 2007 e 2008, não há reparos ao procedimento adotado pela autoridade fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso da PGFN para os anoscalendário de 2007 e 2008 e, no mérito, darlhe provimento na parte conhecida. (Grifei) Por outro lado, consta no acórdão: (...) por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Especial da Fazenda Nacional, somente, em relação aos anos calendário de 2007 a 2009, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto (relator), que não o conheceu e, no mérito da parte conhecida, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial (...) Diante da contradição apontada, cabe a correção da redação do dispositivo do acórdão, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Especial da Fazenda Nacional, somente, em relação aos anoscalendário de 2007 a 2009, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto (relator), que não o conheceu e, no mérito da parte conhecida, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Diante do exposto, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos de declaração em relação ao ponto 2, para efetuar a correção no acórdão embargado nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 9101003.090 CSRFT1 Fl. 2.087 5 Fl. 2087DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720523/2014-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA).
QUANTIDADE DE MESES.
O Imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. O décimo-terceiro salário corresponde a um mês.
Numero da decisão: 2201-003.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA). QUANTIDADE DE MESES. O Imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. O décimo-terceiro salário corresponde a um mês.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 109 1 108 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.720523/201468 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.850 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente MARCIO SILVA SALES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA). QUANTIDADE DE MESES. O Imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. O décimoterceiro salário corresponde a um mês. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 05 23 /2 01 4- 68 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10725.720523/201468 Acórdão n.º 2201003.850 S2C2T1 Fl. 110 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, que é objeto do presente processo. A Notificação de Lançamento, fls. 10 a 19, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2011, consubstanciando imposto a restituir no valor de R$ 3.173,46, acrescido de juros de mora. O lançamento reportase aos dados informados na Declaração de Ajuste Anual apresentada de fls. 21 a 25, sendo decorrente de glosa do número de meses relativo a rendimentos recebidos acumuladamente de 154 para 1 por falta de comprovação. Na mencionada declaração, foi apurado imposto a restituir no valor de R$ 27.513,38. Cientificado do lançamento em 23/05/2014, fl.39, o sujeito passivo apresenta impugnação em 11/06/2014 (fl. 2), alegando, em síntese, que: Em 30 de agosto de 1999, o impugnante se desligou do Banco do Brasil; o processo de equiparação ao Banco Central teve seu curso junto à Justiça Especializada, vindo a termo em dezembro de 2010; para obter a sua restituição do IRPF, o único documento provável e possível para que o impugnante manejasse em seu favor fora apensado junto à Declaração do IRPF, ou seja, o protocolo de demissão junto à CTPS, que ora anexa; diante do quadro constante em sua impugnação, vêse indistintamente que a contagem de meses para a aplicação da tabela é incontestável, até porque há comprovação documental; Ao final, requer que seja acolhida a presente impugnação, sendo restituído o imposto declarado. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação (fls. 72/73), nos termos da seguinte ementa: PROVAS. Cabe ao contribuinte comprovar suas alegações de que preencheu corretamente a Declaração de Ajuste Anual, com base em documentação. Cientificado do acórdão da DRJ por via postal em 22/01/2016, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 22/02/2016 (fls. 47/61), em reitera os termos da peça impugnatória, anexando os seguintes documentos: petição inicial da ação Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10725.720523/201468 Acórdão n.º 2201003.850 S2C2T1 Fl. 111 3 judicial, planilha de cálculo com individualização dos valores e ata de audiência conciliatória do TRT/RJ. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Do Mérito Sustenta o recorrente que foi funcionário do Banco do Brasil, consoante comprova a sua Carteira de Trabalho (CTPS), à fl. 08, de 27 de junho de 1977 a 30 de agosto de 1999, data do seu desligamento. Em dezembro de 2010, o recorrente auferiu rendimentos decorrentes de ação trabalhista (processo nº 477/1989), relativa à equiparação salarial com funcionários do Banco Central do Brasil, tendo como termo inicial a data de outubro/1987. Ao apresentar a Declaração de Ajuste Anual (DIRPF2011), o recorrente declarou o rendimento decorrente da ação trabalhista como Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA) e inseriu a quantidade de meses como sendo 154 (cento e cinqüenta e quatro), correspondendo ao período de outubro de 1987 a agosto de 1999. A decisão de piso não acatou a quantidade de meses declarada pelo recorrente sob a alegação de que o contribuinte não trouxe aos autos cópias de documentos extraídos do processo judicial, como planilhas de cálculo, que permitissem ao julgador verificar se o contribuinte recebeu rendimentos acumulados referentes a 154 meses, como alegado. Nesses termos, a decisão recorrida asseverou que não há como restabelecer o valor glosado pela Fiscalização. Compulsandose os autos, depreendese de maneira inequívoca, que o recorrente recebeu RRA em dezembro de 2010, relativa à equiparação salarial que tem como termo a quo o mês de outubro de 1987. Resta comprovado, também, o desligamento do recorrente da instituição financeira Banco do Brasil S/A no mês de agosto de 1999. Estabelece o art. 37 da Instrução Normativa RFB nº 1.500/2014: Art. 37. O imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. § 1º O décimo terceiro salário, quando houver, representará em relação ao disposto no caput a 1 (um) mês. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10725.720523/201468 Acórdão n.º 2201003.850 S2C2T1 Fl. 112 4 Os documentos carreados aos autos: CTPS do recorrente, petição inicial da ação de equiparação salarial e acordo homologado judicialmente são provas cabais de que o RRA corresponde ao período de 154 meses. Destarte, diante do cotejo dos elementos probatórios constantes dos autos é forçoso reconhecer que o RRA auferido pelo recorrente corresponde a 154 meses (outubro de 1987 a agosto de 1999). Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13709.001795/2005-61
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2000
DIPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA
A mera indicação na “Ficha 01 Dados Inicias” do lucro presumido como sendo a forma de tributação adotada pelo Contribuinte não é suficiente para se considerar que houve mudança no regime de tributação, ensejando a aplicação da IN SRF 166/99. Com efeito, a empresa permaneceu na mesma condição de inatividade, mesmo depois da DIPJ retificadora. Como a declaração de empresa inativa havia sido apresentada no prazo legal, tem-se como indevida a exigência de multa por atraso na entrega da declaração.
Numero da decisão: 1802-000.837
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Com efeito, a empresa permaneceu na mesma condição de inatividade, mesmo depois da DIPJ retificadora. Como a declaração de empresa inativa havia sido apresentada no prazo legal, temse como indevida a exigência de multa por atraso na entrega da declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gilberto Baptista, André Almeida Blanco, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13709.001795/200561 Acórdão n.º 180200.837 S1TE02 Fl. 69 2 Fl. 73DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13709.001795/200561 Acórdão n.º 180200.837 S1TE02 Fl. 70 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I, que considerou procedente o lançamento no valor de R$ 414,35, a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações – DIPJ/Lucro Presumido do exercício 2000, anocalendário 1999. Conforme o auto de infração de fl. 2, o prazo final para a entrega da referida declaração era 30/06/2000, e ela só foi entregue em 03/07/2000. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fl. 1, a Contribuinte alegou que desconhecia a DIPJ/Lucro Presumido que deu origem à autuação. Informou também que estava anexando cópia da declaração de imposto de renda de empresa inativa, que havia sido entregue via internet em 30/05/2000, e solicitou o cancelamento da multa exigida. Como mencionado, a DRJ Rio de Janeiro Porto/RJ I, por meio do Acórdão nº 1218.670 (fls. 19 a 21), considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ LUCRO PRESUMIDO. A apresentação da Declaração de Informações fora do prazo fixado na legislação sujeita a pessoa jurídica à multa pecuniária. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 21/07/2008, a Contribuinte apresentou em 30/07/2008 o recurso voluntário de fls. 26 e 27, com os seguintes argumentos: 1º A empresa encontrase inativa desde 1995, cf. cópia NF 052 e 053 (anexo 1); 2º Foi apresentada a DIPJ inativa (conforme anexo 2) dentro do prazo 30/05/2000; 3º Fiquei surpresa quando recebi o auto de infração I (anexo 3) cobrando multa por atraso na entrega da DIPJ lucro presumido, pois já havia entregue a DIPJ inativa; (...) Cumpre esclarecer, talvez por tratarse da mesma situação, que fui intimada pela Secretaria da Receita Federal a apresentar ou justificar a falta de apresentação da DCTF Lucro Presumido relativa ao anocalendário de 2002 – trimestres 1, 2, 3 e 4. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13709.001795/200561 Acórdão n.º 180200.837 S1TE02 Fl. 71 4 Apresentei a DIPJ inativa (anexo 4) entregue através da internet em 25/03/2003. Fui informada que no sistema havia uma DIPJ lucro presumido, e não a que havia passado. Fiquei sem entender o que estava ocorrendo e solicitei cópia desta DIPJ. Constatei que a pessoa que emitiu este documento (Sr. Humberto Vieira de Abreu – CRC 001340, CPF 702.960.49700, tel. 25872331), conforme anexo 5, o fez sem minha autorização e a entregou em data posterior à que eu havia feito, o que cancelou no sistema a minha declaração de inativa. Verifiquei na declaração feita por ele que alguns dados haviam sido alterados como: forma de tributação do lucro, qualificação da pessoa jurídica e nº do logradouro. Quando consegui localizálo através do telefone constante na DIPJ, informoume que foi erro de um funcionário. Esclareço que o contador responsável pela empresa havia falecido e que este senhor assumiu o escritório onde constava os documentos da empresa, e justifiquei junto à Secretaria da Receita Federal o ocorrido (anexo 6), e estou aguardando. Informo que estou querendo dar baixa nesta empresa já há alguns anos e devido a estas pendências estou impossibilitada. No aguardo de seu pronunciamento, subscrevome. Este é o Relatório. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13709.001795/200561 Acórdão n.º 180200.837 S1TE02 Fl. 72 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações – DIPJ/Lucro Presumido do exercício 2000, ano calendário 1999, que foi aplicada em seu valor mínimo de R$ 414,35. Ao fundamentar sua decisão, a Delegacia de Julgamento fez as seguintes considerações: (...) 9. A alegação do contribuinte é de que por desconhecimento da legislação a empresa apresentou, a declaração como INATIVA quando o correto era LUCRO PRESUMIDO. (...) 11. Finalmente, não afastado o fato de que a DIPJ Lucro Presumido foi entregue após o prazo fixado pela legislação e, considerando que ninguém pode alegar o desconhecimento da lei para justificar o seu descumprimento, em conformidade com a inteligência do artigo 3º do Decretolei nº 4.657/1942 (LICC), é devida a multa por atraso em sua entrega, razão por que a autuação deve ser julgada PROCEDENTE. (...) Entretanto, não foram essas as alegações da Contribuinte. Compulsando os autos, vêse que em nenhum momento ela alegou desconhecimento da legislação, e que o correto seria a apresentação da DIPJ pelo lucro presumido. Ao contrário, desde o início da fase litigiosa ela afirmou que desconhecia a DIPJ/Lucro Presumido que deu origem à autuação, e informou que havia apresentado dentro do prazo legal, em 30/05/2000, uma DIPJ inativa, conforme cópia que anexou à impugnação. Em sede de recurso voluntário, e para melhor esclarecer os fatos, a Contribuinte trouxe informações referentes à DIPJ apresentada no exercício de 2003, quando ocorreram problemas semelhantes aos que estão sendo aqui examinados. De acordo com a Instrução Normativa SRF nº 004, de 17 de janeiro de 2000, a declaração simplificada referente ao anocalendário de 1999, apresentada por pessoa jurídica inativa, deveria ser entregue até último dia útil do mês de maio de 2000. Portanto, a DIPJ inativa realmente foi entregue dentro do prazo legal. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13709.001795/200561 Acórdão n.º 180200.837 S1TE02 Fl. 73 6 Este fato, embora não tenha sido expressamente mencionado no auto de infração, não era desconhecido pela Receita Federal, tanto o é que na relação dos dispositivos legais que fundamentaram a aplicação da multa consta a indicação da IN SRF 166/99, que impede a retificação de DIPJ quando ela visa promover a mudança no regime de tributação: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. § 1o Aplicase o disposto neste artigo às Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIRPJ relativas a anos calendário anteriores a 1998. § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; (...) Art. 4º No caso de DIPJ ou DIRPJ, não será admitida retificação que tenha por objetivo mudança do regime tributação, salvo, nos casos determinados pela legislação, para fins de adoção do lucro arbitrado. (grifos acrescidos) No caso concreto, não estaria sendo admitida a retificação para a mudança no regime de tributação (de inativa para lucro presumido). Este, portanto, é o contexto que levou à aplicação da multa. Mas de nada adianta questionar se a segunda declaração foi ou não admitida pela Administração Tributária, pois está bastante evidente que o foi. Tanto é assim, que a multa pelo atraso incidiu sobre ela, e não sobre a primeira declaração. Já manifestei neste colegiado o entendimento de que o escopo da referida Instrução Normativa, a meu ver, abrange situações diversas da ora examinada. Cabe ressaltar que a partir da Medida Provisória nº 1.99026/99 (atualmente MP nº 2.18949/2001), a retificação de declarações deixou de depender de autorização da Autoridade Administrativa. Por outro lado, também é importante lembrar que desde as leis 9.430/96 (art. 3º) e 9.718/98 (art. 13), a opção pelo Lucro Real Anual ou pelo Lucro Presumido, respectivamente, passou a ser feita logo no início do ano em curso, e em caráter definitivo. Nestes termos, o impedimento trazido pela IN SRF 166/99 encontra sua justificativa na medida em que a opção por um dos regimes se dá num momento bastante anterior à entrega da declaração, em caráter definitivo, e a liberdade para a retificação de Declaração, embora ampla, não poderia servir como meio de burlar a regra da definitividade da Fl. 77DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13709.001795/200561 Acórdão n.º 180200.837 S1TE02 Fl. 74 7 opção pelo regime tributário. Portanto, o que é vedado realmente é a mudança no regime de tributação. Mas uma coisa é a apresentação de uma nova DIPJ (retificadora) para a mudança do regime, o que é vedado, “salvo nos casos determinados pela legislação, para fins de adoção do lucro arbitrado”. Nesse caso, a primeira declaração continua válida, e simplesmente não se aceita a segunda. Situação distinta é a apresentação de uma nova Declaração não para modificar o regime de tributação, mas justamente para que a DIPJ corresponda a ele (lucro presumido), nos casos em que a primeira Declaração adotou regime diferente do que deveria (empresa inativa), exatamente como entendeu a DRJ (transcrição acima). Nesse caso o que está em pauta não é uma retificação que tenha por objetivo a mudança no regime de tributação, cuja opção, aliás, já estava consolidada anteriormente, mas sim a correção de um erro cometido na primeira declaração, o que, na ótica da Receita Federal, a Contribuinte não só poderia, como deveria fazêlo, e, assim, a mencionada IN não encontra uma base fática adequada para a sua aplicação. De todo modo, mesmo que a IN SRF 166/99 pudesse ser aplicada para impedir a retificação e, ao mesmo tempo, convalidar a segunda declaração, o que me parece contraditório, e ainda abstraindo dos fatos detalhadamente narrados pela Recorrente, relativamente ao erro cometido pelo escritório de contabilidade, entendo que não seria o caso de se aplicar a multa por atraso na entrega da DIPJ fundada no fato de a segunda declaração ter promovido uma mudança no regime de tributação. Isto porque a DIPJ referente ao anocalendário de 2002 (ex. 2003), apresentada pela Contribuinte para comprovar as explicações trazidas no recurso, embora indique na “Ficha 01 – Dados Inicias” o lucro presumido como forma de tributação, contém todos os campos zerados, o que apenas confirma a sua condição de inatividade. E as informações constantes do auto de infração sob exame (fl. 2) indicam que o mesmo aconteceu com a DIPJ/lucro presumido referente ao anocalendário 2000, porque o campo destinado à discriminação do imposto devido na declaração, que seria apurado na forma presumida, também aparece com valor zero. Nesse contexto, penso que a mera indicação na “Ficha 01 – Dados Inicias” do lucro presumido como sendo a forma de tributação adotada pelo Contribuinte não é suficiente para se considerar que houve mudança no regime de tributação, ensejando a aplicação da IN SRF 166/99. Com efeito, a empresa permaneceu na mesma condição de inatividade, mesmo depois da DIPJ retificadora. E como a declaração de empresa inativa havia sido apresentada no prazo legal, considero indevida a exigência da multa por atraso na declaração. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 78DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13709.001795/200561 Acórdão n.º 180200.837 S1TE02 Fl. 75 8 Fl. 79DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000349/2004-25
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Ano-calendário: 2002 OPÇÃO PELO SIMPLES. Não poderão optar pelo simples empresas que exerçam atividade vedada pela legislação em vigor.
Numero da decisão: 1802-001.111
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Gustavo Junqueira Carneiro Leão
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Ano-calendário: 2002 OPÇÃO PELO SIMPLES. Não poderão optar pelo simples empresas que exerçam atividade vedada pela legislação em vigor.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1524; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 36 1 35 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.000349/200425 Recurso nº 866.864 Voluntário Acórdão nº 1802001.111 – 2ª Turma Especial Sessão de 31 de janeiro de 2012 Matéria SIMPLES INCLUSÃO Recorrente ALEXANDRE MAGNO LEAL EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2002 OPÇÃO PELO SIMPLES. Não poderão optar pelo simples empresas que exerçam atividade vedada pela legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.000349/200425 Acórdão n.º 1802001.111 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) que considerou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte (fl. 1), mantendo o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 427.385/2003 (fl. 2). De acordo com o ato, a Recorrente foi excluída do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2002, sob a fundamentação de que a empresa pratica atividade legalmente vedada, conforme transcrição: "Situação excludente: (evento 306) Descrição: atividade econômica vedada: 51136/00 Representantes comerciais e agentes do comércio de madeira, material de construção e ferragens. Data da ocorrência: 25/06/1999 Fundamentação legal: Lei n° 9.317, de 05/12/1996, art. 9º, XIII; art. 12: art. 14, I; art. 15, II. Medida Provisória nº 215834, de 27/07/2001 art. 73. Instrução Normativa SRF n° 250, de 26/11/2002: art. 20, XII, art. 21; art. 23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único" A Recorrente manifestouse contrariamente ao procedimento de exclusão, apresentando a impugnação (fl. 1), afirmando que procedeu com a alteração do CNAE e que não tem como atividade a representação comercial, mas o comércio por atacado e a distribuição de conexões em pvc e materiais de construção em geral. Em 10/05/2007 o julgamento foi convertido em diligência, de acordo com a Resolução 02782 (fls. 15/16), para que se verificar os serviços efetivamente prestados pela empresa. A diligência foi encerrada em 03/10/2009, com a juntada dos documentos pertinentes (fls. 17 a 138) e relatório (fls. 139/140). O Termo de Constatação Fiscal (fl. 138) confirma que a empresa exerce a atividade de representação comercial. Em 22/10/2009, o interessado toma ciência do referido relatório, sendo cientificado da reabertura de prazo para manifestação, conforme documento de fls. 141. Transcorrido o prazo sem que houvesse manifestação, o presente processo foi encaminhado à DRJ de Belo Horizonte. A DRJ de Belo Horizonte considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.000349/200425 Acórdão n.º 1802001.111 S1TE02 Fl. 38 3 “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES Não poderão optar pelo simples empresas que exerçam atividade vedada. Impugnação Improcedente. Sem Crédito em Litígio” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 04/03/2010, a Contribuinte apresentou o presente recurso em 31/03/2010, alegando em preliminar que durante o tempo em que estava excluída do SIMPLES não causou prejuízo aos cofres públicos com o recolhimento por àquela sistemática e, no mérito, que a apresentação das declarações por regime divergente das que foram entregues lhe causaria prejuízo, inclusive com o pedido de solicitação de isenção das multas. Este é o Relatório. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.000349/200425 Acórdão n.º 1802001.111 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que procedeu com a alteração do CNAE, conforme cópia da documentação enviada pelo correio, bem como da juntada da cópia do contrato social, com alterações posteriores para comprovar que não tem como atividade a representação comercial, mas somente o comércio por atacado e distribuição de conexões em PVC, além de materiais de construção em geral. De acordo com a verificação feita pela diligência, a argumentação da Recorrente não prospera, eis que apesar da alteração procedida nos documentos e cadastros citados, a mesma continua exercendo atividade vedada à manutenção da sistemática de apuração de tributos pelo SIMPLES. Através da diligência não restou qualquer dúvida que a Recorrente exerce atividade vedada pela sistemática do SIMPLES, pois: a) os contratos de fls. 36/44, 48/56, firmados em 01 de julho de 2001 e rescindidos em 23 setembro de 2008 (fls. 33/34 e 45/46) são bastante esclarecedores, pois assim rezam: “A REPRESENTANTE mediará, sem vínculo empregatício e sem exclusividade (ressalvada a restrição expressa na Cláusula Quarta), a realização de negócios mercantis da REPRESENTADA destinados à comercialização dos produtos de sua linha de produção, conforme produtos especificados na tabela presente na Cláusula Terceira do presente contrato. Parágrafo 1º Os produtos mencionados na Cláusula Terceira poderão ser excluídos ou substituídos, mediante expressa comunicação da REPRESENTADA á REPRESENTANTE, que fará parte do presente contrato como termo aditivo.” b) as notas fiscais, de fls. 57/63, 64/69, 70/74, 75/76, 77/87, 88/95, 96/103 e 104/112, emitidas, respectivamente, nos anos calendário 2002 a 2009, registram na sua esmagadora maioria "Serviços de Representação Comercial", sendo que algumas registram a prestação de serviços, venda de mercadorias e cessão de mãodeobra. Vale lembrar que o mero registro no CNAE e a descrição do objeto no contrato social não servem como elementos probatórios, seja para proceder a exclusão por parte da autoridade administrativa, seja para demonstrar a improcedência por parte do interessado. O termo de constatação fiscal (fls. 138), com a ciência da pessoa física Alexandre Magno Leal, informa que o termo de encerramento fiscal (fls. 113/114), fica sem efeito, além de consignar que foi constatado o exercício de comércio de material para saneamento e representação comercial com a empresa Sensus Metering System do Brasil Ltda”. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.000349/200425 Acórdão n.º 1802001.111 S1TE02 Fl. 40 5 O Relatório Fiscal (fls. 139/140), do qual o contribuinte tomou ciência em 22/10/2009, sem que apresentasse manifestação, conclui: “Dessa forma, após análise de documentos contábeis e fiscais, informo que o serviço profissional prestado é de representação comercial, o comércio de material para saneamento (hidrômetros e cavaletes) e revenda de mercadoria e/ou serviços decorrentes de licitações.” Na visão deste julgador não resta qualquer dúvida quanto ao acerto da fiscalização, bem como do julgamento feito pela DRJ. A preliminar da Recorrente de que pelos seus cálculos os recolhimentos pelo SIMPLES não causaram ônus aos cofres públicos, tendo em vista a baixa margem de lucro apresentada pela atividade são impertinentes ao processo, eis que estamos analisando procedimentos e não efeitos concretos. As alegações de mérito também são absurdas. Assiste direito ao contribuinte de compensar os recolhimentos efetuados indevidamente com o que for apurado pela sistemática correta, contudo não há qualquer previsão legal para afastar as multas que deverão ser recolhidas. A solicitação de isenção de multa alegada pelo contribuinte será uma medida meramente protelatória, que não merece prosperar. Por todo o exposto, considerando os fatos apresentados, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 157DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001029/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 05/02/2009
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA.
Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.
Numero da decisão: 3301-003.989
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros
José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 05/02/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1648; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 228 1 227 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.001029/200935 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.989 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de agosto de 2016 Matéria MULTA REGULAMENTARAUTO DE INFRACAO ADUANEIRO OUTROS IMPOSTOS Recorrente WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/02/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 10 29 /2 00 9- 35 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11128.001029/200935 Acórdão n.º 3301003.989 S3C3T1 Fl. 229 2 da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/FOR, (fls. 63/73): O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização. Da Autuação De acordo com as informações contidas no campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, o Auto de Infração foi lavrado com base nos fundamentos a seguir sintetizados. 1) A empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, a retificação de dados já incluídos no sistema informatizado de controle de cargas. Na documentação que acobertou a carga objeto da mencionada correção consta como agência de navegação responsável a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA., sujeito passivo da autuação. 2) A Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007, estabelece as regras que disciplinam o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga, o qual é feito por meio do sistema Siscomex Carga, que deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no Comércio Exterior, na forma e no prazo ali estabelecidos. 3) Os prazos para prestar informações sobre as cargas transportadas estão fixados no art. 22 da IN RFB 800/2007, o qual passou a vigorar apenas em 1/4/2009. Até essa data, tais dados deveriam ser fornecidos até a atracação do veículo transportador, consoante determina o art. 50, II, da referida IN. 4) Nos termos do art. 45 da IN RFB nº 800/2007, a alteração em manifesto ou conhecimento eletrônico (CE) após o prazo para fornecimento do dado alterado também configura prestação extemporânea de informação, que dessa forma abrange a retificação, a inclusão, a exclusão, a vinculação, a associação e a desassociação de dados. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11128.001029/200935 Acórdão n.º 3301003.989 S3C3T1 Fl. 230 3 5) No presente caso, não ocorreu nenhuma das situações excludentes da penalidade definidas no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008. 6) As obrigações acessórias instituídas no âmbito do Siscomex Carga se prestam para assegurar o adequado controle sobre as operações no âmbito do comércio internacional, e são necessárias, sobretudo, para possibilitar a atuação preventiva da Aduana na coibição de ilícitos e para imprimir maior agilidade aos despachos aduaneiros de importação e de exportação. Para estimular o cumprimento dessas obrigações é que foi editada a Lei nº 10.833/2003, estabelecendo penalidades aos intervenientes que descumprem os ditames aduaneiros. 7) A Lei nº 10.833/2003 alterou a redação do art. 37 do DecretoLei nº 37/1966, que impõe ao transportador a obrigação de prestar informações sobre a carga transportada, e também a do art. 107 desse mesmo Diploma Legal, definindo o descumprimento dessa obrigação como infração autônoma, sujeita à multa, nos termos do inciso IV, alínea “e”, desse artigo. 8) A autuação foi realizada em conformidade com o entendimento formalizado na Solução de Consulta Interna nº 08, de 14/2/2008, por meio da qual a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) se posicionou pela aplicação da penalidade em foco levando em consideração a carga cujos dados exigidos não foram informados tempestivamente, e não a quantidade de informações sobre essa carga prestadas a destempo. 9) O lançamento também considerou as disposições contidas no art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, materializada a infração, a aplicação da multa é cabível, independentemente da apuração de dolo ou culpa do interveniente, bem como da efetividade e extensão dos efeitos do ato infracionário. No caso, não há dúvidas que as informações foram prestadas pela autuada após o prazo estabelecido para esse fim. 10) Em relação aos intervenientes no comércio exterior, assim são consideradas todas aquelas pessoas indicadas pela legislação, como é o caso das citadas no § 2º do art. 76 da Lei nº 10.833/2003 e nos artigos 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. O lançamento foi formalizado em nome da autuada porque ela figurava como agência de navegação responsável no conhecimento eletrônico referente à carga, razão pela qual era obrigação dela prestar as informações exigidas no prazo fixado. Diante dos fatos apurados, a autoridade lançadora lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Da Impugnação Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11128.001029/200935 Acórdão n.º 3301003.989 S3C3T1 Fl. 231 4 O sujeito passivo foi cientificado da exação em 5/3/2009 e apresentou impugnação (fls. 4346) em 24/3/2009, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) O atraso na prestação da informação se deu por razões alheias à vontade da impugnante, pois os dados que deveriam ter sido disponibilizados pelos exportadores no porto de origem não foram apresentados a tempo. b) A conduta da impugnante (atraso no pedido de retificação) não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação nem causou embaraço ou impedimento à fiscalização, e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. c) Mesmo que essa conduta pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. d) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente. Por meio do Acórdão no 0826.780 7ª Turma da DRJ/FOR (fls. 63/73), julgouse improcedente a impugnação com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/02/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/02/2009 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11128.001029/200935 Acórdão n.º 3301003.989 S3C3T1 Fl. 232 5 infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre carga transportada na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 81/91), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.269– 1ª Turma Especial (fls.122/130), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/02/2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 133/140 ), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho 3100415 – 1ª Câmara (fls 152/153), e o Recorrente apresentou contrarrazões (fls 160/168). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.612– 3ª Turma (fls. 209/217) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/02/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11128.001029/200935 Acórdão n.º 3301003.989 S3C3T1 Fl. 233 6 Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 217): Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a mim distribuídos, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário que não foram objeto de deliberação. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário (fls. 81/91) o Recorrente, além da denúncia espontânea, que não constitui matéria da presente decisão, alega falta de fundamento legal para o lançamento da multa e ilegitimidade passiva. A Instrução Normativa Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, determinava que a retificação de CE fora do prazo configurava prestação de informação fora do prazo, nos seguintes termos: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei nº 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1º Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (grifouse) Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11128.001029/200935 Acórdão n.º 3301003.989 S3C3T1 Fl. 234 7 No entanto, o artigo transcrito foi revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 02 de junho de 2014. Ademais, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Solução de Consulta Interna nº 2Cosit, de 4 de fevereiro de 2016, consolidou entendimento que a multa em pauta não se e aplica ao caso de retificação de informação já prestada pelo interveniente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. (grifouse) Dessarte, com supedâneo no art. 106, II, do CTN, na Instrução Normativa RFB nº 1473, de 2014, e na Solução de Consulta Interna nº 2 Cosit, de 2016, voto por afastar a penalidade e dar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 13887.000080/2003-78
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2002 SALDO NEGATIVO DE CSLL. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento de direito creditório relacionado a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil está condicionado à comprovação de certeza e liquidez.
Numero da decisão: 1802-000.868
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Nelso Kichel
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DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento de direito creditório relacionado a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil está condicionado à comprovação de certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), André Almeida Blanco, José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Marco Antonio Castilho e Marcelo Assis Guerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 264/276 interposto contra decisão da 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (fls. 254/261) que julgou improcente a manifestação de inconformidade, mantendo inalterado o despacho decisório que homologara compensação até o limite do crédito reconhecido. A decisão recorrida tem a seguinte ementa (fl. 254): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento de direito creditório relacionado a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil está condicionado à comprovação de certeza e liquidez dos alegados indébitos suplementares, sob pena de negativa do pleito. Solicitação Indeferida Quanto aos fatos: Compensações declaradas: Tributo PA Valor do débito Data da Declaração/DComp (Fl.) 2484 (CSLL) 31/01/2003 2.452,05 26/02/2003 01 5993 (IRPJ) 31/01/2003 2.725,69 26/02/2003 01 2484 28/02/2003 2.673,90 26/03/2003 15 5993 28/0202003 3.041,98 26/03/2003 15 2484 31/03/2003 2.981,06 24/04/2003 28 5993 31/03/2003 3.578,40 24/04/2003 28 5993 30/04/2003 3.271,88 22/05/2003 81/84 5993 31/05/2003 3.649,88 18/06/2003 85/88 5993 30/06/2003 2.796,78 23/07/2003 89/92 5993 31/07/2003 2.059,77 21/08/2003 93/96 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13887.000080/200378 Acórdão n.º 180200.868 S1TE02 Fl. 2 3 2484 30/04/2003 2.814,41 22/05/2003 97/100 2484 31/05/2003 2.976,22 18/06/2003 101/104 2484 30/06/2003 2.500,73 23/07/2003 105/108 2484 31/07/2003 3.071,64 21/08/2003 109/112 2484 31/08/2003 2.649,30 17/09/2003 113/116 2484 30/09/2003 379,99 16/10/2003 117/120 Obs: origem dos créditos: a) saldo negativo do IRPJ, anocalendário 2002, de R$ 19.884,01 – DIPJ 2003 – fl. 45; b) saldo negativo da CSLL, anocalendário 2002, de R$ 20.913,96 – DIPJ 2003 fl. 61(fl. 02). A primeira decisão constante dos autos – despacho decisório – reconheceu, integralmente, o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2002 de R$ 19.884,01; porém, não reconheceu o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002, revertendo o saldo negativo de R$ 20.913,96 para saldo positivo (a pagar) de R$ 1.662,38. Por isso, houve homologação parcial da compensação, até o limite do crédito reconhecido. Nesse sentido, transcrevo o relatório da decisão recorrida que, resumidamente, expõe a lide e as razões da manifestação de inconformidade (fls.255/256), in verbis: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório, em que foram apreciadas as declarações de compensação de fls. 01, 15, 28 e 81 a 120), apresentadas/registradas em 2003, por intermédio das quais a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (IRPJ e CSLL) com créditos decorrentes de saldos negativos de IRPJ e CSLL, apurados no anocalendário de 2002. Os processos administrativos 13887.000132/200314 e 13887.000184/200382 foram anexados ao presente por versarem sobre pedido de compensação com indicação de idêntico crédito. Na data de 01/02/2008 sobreveio o despacho decisório de fls. 168/171 pelo qual a DRF/LimeiraSP deferiu em parte o pedido do contribuinte, declarando a homologação parcial das compensações pleiteadas. A autoridade local relata ter apurado o seguinte: a) o saldo negativo de IRPJ apurado no a/c 2002 foi de R$ 19.884,01, decorrente da dedução do imposto de renda retido na fonte e de recolhimentos por estimativa; b) a retenção do imposto na fonte, no valor de R$ 1.565,13, foi confirmada em DIRF; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 c) foi apurado IRPJ devido por estimativa em todos os meses do a/c de 2002, exceto no mês de dezembro, sendo os respectivos débitos quitados por pagamento ou compensados com saldo negativo de IRPJ apurado no a/c de 2001; d) os pagamentos indicados pelo contribuinte foram confirmados; e) o saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2001 foi analisado no processo administrativo 13887.000582/200218, tendo sido reconhecido crédito (...) suficiente à compensação do imposto devido por estimativas mensais em 2002; f) em relação ao saldo negativo de CSLL, o valor declarado para o a/c 2002 foi de R$ 20.913,96; g) a CSLL devida por estimativa nesse período foi recolhida ou compensada com o saldo negativo de CSLL apurado no a/c 2001; h) os pagamentos indicados pelo contribuinte foram confirmados, mas o saldo negativo de CSLL confirmado para o a/c 2001 foi de R$ 1.592,77, conforme despacho decisório proferido no processo 13887.000582/200218, suficiente para compensar apenas parte da CSLL devida por estimativa em janeiro de 2002. Como conseqüência, não há saldo negativo de CSLL no a/c 2002, mas CSLL a pagar no valor de R$ 1.662,38. Assim, foi reconhecido, em favor da interessada, crédito no valor de R$ 19.884,01, referente ao saldo negativo de IRPJ (a/c 2002) e homologadas as compensações declaradas até o limite desse valor. Cientificada em 14/02/2008 (fl. 180), o contribuinte ingressou, em 10/03/2008, com a manifestação de inconformidade de fls. 183/189, alegando, em síntese, de acordo com seu próprio entendimento: que seria indispensável a análise do presente processo em conjunto com o processo 13887.000582/200218, cujo apensamento ao presente processo se requer; que naquela ocasião o Fisco procedeu a glosa de compensações de créditos calculados à fração de um terço da Cofins recolhida (art. 12 IN SRF n.° 06/99) com débitos de CSLL estimativa (a/c 2001) por considerar que os valores assim compensados não poderiam ser considerados despesa na apuração do lucro real. A interessada, em manifestação de inconformidade, teria apresentado razões de fato e de direito demonstrando o acerto no procedimento por si adotado; (...) Ao final, requer provimento à manifestação de inconformidade, com reforma da decisão recorrida, homologação das compensações pleiteadas e declaração da nulidade da intimação para recolhimento de débitos pendentes de quitação. (...) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13887.000080/200378 Acórdão n.º 180200.868 S1TE02 Fl. 3 5 Não obstante as razões apresentadas na manifestação de inconformidade, a decisão a quo, da qual tomou ciência em 13/07/2009 (fl. 263), indeferiu a solicitação de revisão da decisão anterior. Inconformada com esse decisum, a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 07/08/2009 de fls. 264/276, juntando, ainda, os documentos de fls. 277/416, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, relativamente à CSLL, apurou saldo negativo de CSLL na DIPJ/2003, de R$ 20.913,96; porém, o fisco, diversamente, apurou saldo a pagar de CSLL de R$ 1.662,38; que a reversão foi indevida, pelo seguinte: • no anocalendário 2002 compensou débitos de CSLL estimativa com saldo negativo de CSLL do anocalendário 2001; • o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2001 foi reduzido pelo fisco, indevidamente, para R$ 1.592,77; • isso tudo é impacto, indevido, do não acatamento da compensação de CSLL (débitos de estimativa) do anocalendário 1999 com 1/3 da Cofins paga nesse ano, conforme consta do processo 13887.00582/200218; que, por conseguinte, tornase necessário julgar a presente lide em conjunto com a lide do processo administrativo fiscal nº 13887.00582/200218, no qual apresentou defesa, demonstrando nas razões o equívoco da glosa do crédito pleiteado. Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais. Portanto, dele conheço. A questão versa acerca do saldo negativo da CSLL, apurado na DIPJ 2003 (anocalendário 2002), de R$ 20.913,96, utilizado nos pedidos de compensação objeto destes autos. No processo conexo nº 13887.00582/200218, onde a recorrente apresentou Pedido de Compensação houve reversão do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002 para saldo positivo (a pagar) de R$ 1.662,38 pelo despacho decisório, em face da revisão da declaração e do saldo negativo de CSLL desde o anocalendário 1999. Sendo assim, as compensações – objeto destes autos – que informam utilização de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002 – restaram não homologadas pela decisão recorrida, pela inexistência desse crédito, atingido pela reconstituição ocorrida naquele processo. Irresignada, a recorrente pediu a reunião dos processos para julgamento conjunto, em face da conexão da máteria e das provas, pedindo a reforma da decisão recorrida. Não é possível a reunião dos processos para julgamento conjunto, pois a lide daquele processo já foi julgada por esta 2ª Turma Especial, na sessão de 22 de fevereiro de 2011. Não obstante, a recorrente tem razão no mérito. Naqueles autos restou decidido por esta Turma Especial que, abandonada pela própria contribuinte a compensação dos débitos da CSLL estimativa do anocalendário 1999 com 1/3 da Cofins paga, não poderia o fisco efetuar a compensação de ofício desses débitos em aberto com saldo negativo de CSLL de períodos anteriores, após expirado esse ano calendário (seria caso para cobrança de multa isolada por fala de pagamento do débito de estimativa, e não compensação de ofício); que os débitos em aberto da CSLL estimativa de 1999 (pelo afastamento da compensação de ofício), de qualquer forma, não afetaram o saldo negativo da CSLL do anocalendário 1999 e anos seguintes, pois não compuseram a apuração do saldo de CSLL desse anocalendário 1999, conforme DIPJ 2000, anocalendário 1999. A propósito, transcrevo o voto condutor do Acórdão nº 1802000.803, de 22/02/2011, de minha relatoria, in verbis: (...) Alegou a recorrente que autoridade fiscal, indevidamente, desfez o saldo negativo de CSLL que havia sido transportado do ano calendário 1999 para 2000 e para 2001; que, nesse sentido, o fisco utilizou, de ofício, o saldo negativo da CSLL, que aliás vinha sendo transportado desde 1996, para compensar débitos de CSLL estimativa de 1999, em aberto; que, entretanto, esses Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13887.000080/200378 Acórdão n.º 180200.868 S1TE02 Fl. 4 7 débitos já haviam sido quitados pela utilização de 1/3 da Cofins efetivamente paga naquele ano; que em relação a tais estimativas de CSLL teria ocorrido duplicidade de quitação. Por isso, da inexistência, nessa parte, de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1999 para ser transportado para os anos seguintes. Quanto ao mérito, compulsando autos, observase que o fisco, consoante Despacho Decisório de 23/10/2007 (fls. 408/423), realmente efetuou a análise do saldo negativo da CSLL do ano calendário 2001, retroagindo até o ano de 1996 (ano em que começou a ser gerado o saldo negativo de CSLL). Entretanto, informa o Despacho Decisório que houve ajustes, de ofício, tãosomente partir do anocalendário 1999, os quais consumiram todo o saldo negativo de CSLL de anoscalendários anteriores, impactando, por conseguinte, os anoscalendários posteriores. A decadência suscitada não restou configurada, pois o controle do crédito (saldo negativo de CSLL), que vinha sendo transportado de um anocalendário para outro, de forma suscessiva por diversos anos, configura espécie de conta corrente e, nesse caso, incabível objetar data limite para análise da certeza e liquidez do crédito pleiteado contra o fisco. O tempo, em suma, não tem o condão de converter falta pagamento em recolhimento, para efeito de repetição do indébito. De modo que, para resolução da lide, tornase necessário enfrentar a questão dos débitos da CSLL estimativa do ano calendário 1999 e suas implicações. A recorrente alega que débitos de CSLL estimativa, parte deles, foram adimplidos, mediante aproveitamento de crédito, em valor equivalente a 1/3 da Cofins efetivamente recolhida no ano calendário 1999. Por sua vez, a autoridade fiscal entendeu que os débitos de CSLL estimativa compensados com créditos da Cofins não foram adimplidos validamente, uma vez que a contribuinte não poderia ter utilizado 1/3 da Cofins, e que tais débitos, por conseguinte, estariam em aberto. Nesse sentido, a autoridade fiscal utilizou, de ofício, do saldo negativo de CSLL disponível de períodos anteriores a 1999 para extinção dos débitos em aberto da CSLL estimativa de 1999 (compensação de ofício). Nessa parte, transcrevo as contatatações narradas no Despacho Decisório (fls. 417/419): (...) Para o anocalendário de 1998, houve a apuração de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 23.537,23 após a dedução dos valores devidos por estimativa (fls. 242 e 243): (...) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 (...) O saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 1997 corrobora as compensações informadas pelo contribuinte (fls. 381 a 384), mas em relação à compensação com pagamento indevido/a maior o recolhimento de R$ 28,04 não foi indevido, tanto que foi deduzido na apuração anual do anocalendário de 1997. Assim, o saldo negativo de CSLL confirmado será inferior ao apurado pelo contribuinte na DIPJ/1999 exatamente em R$ 28,04: (...) No anocalendário de 1999, houve a apuração de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 11.273,98 (fls. 262 e 263): (...) O valor da estimativa apurada foi paga ou compensada com saldo negativo de períodos anteriores, de acordo com a informação declarada em DCTF (fls. 275 a 286), sendo que os pagamentos foram todos confirmados (fl. 286): (...) Tanto na apuração anual como no cálculo do valor devido mensalmente por estimativa, foi deduzido um terço da Cofins, conforme disposto na Lei n.° 9.718/98 (fl 274). Considerando que o valor total de Cofins recolhido referente ao ano calendário é de R$ 74.603,40 (fl. 385) e que na DIPJ/2000 foram deduzidos R$ 73.509,79 na apuração do lucro líquido do período (fl. 107), somente R$ 1.093,61 poderiam ser deduzidos dentro da permissão contida na Lei n.° 9.718/98. Assim, todo o saldo negativo de períodos anteriores foi utilizado para a compensação dos valores devidos por estimativa neste ano (fls. 386 a 392), sendo que o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1999 também já foi totalmente consumido para compensação no processo administrativo n.° 13887.000100/0060 (fls. 393 a 398). No anocalendário de 2000, o saldo negativo de CSLL apurado foi de R$ 19.882,57 (fls. 288 a 290): (...) Do valor da CSLL mensal devida por estimativa apurada na DIPJ/2001 (fls.292 a 303) foi declarado na DCTF que uma parcela foi compensada com saldo negativo de períodos anteriores (fls. 291 e 304 a 314) quando não há mais crédito remanescente, conforme demonstrado anteriormente. Em relação à parcela indicada como tendo sido quitada por pagamento, todos eles foram confirmados (fl. 315): (...) Como não há crédito que corrobore as compensações informadas pelo contribuinte, já que os saldos negativos remanescentes dos anoscalendário de 1996, 1997 e todo o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998 foram utilizados para a compensação das estimativas efetivamente devidas no anocalendário de 1999 e o saldo negativo de CSLL desse último período foi totalmente consumido no processo administrativo n.° 13887.000100/0060 a única parcela que o contribuinte poderia ter deduzido seria a referente aos recolhimentos, que totalizaram R$ 15.280,06. Como o valor da Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13887.000080/200378 Acórdão n.º 180200.868 S1TE02 Fl. 5 9 CSLL devida no ano é superior aos recolhimentos, não há saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 2000: (...) Por sua vez, a contribuinte reitera que a CSLL devida por estimativa do anocalendário 1999 foi extinta, em parte, pela compensação com 1/3 (um terço) da Cofins, e que, nessa parte, o fisco no Despacho Decisório não acatou tal compensação, objetando que os débitos da CSLL estimativa estariam em aberto, utilizando, por conseguinte, de ofício, todo o saldo negativo de CSLL de períodos anteriores para quitação desses débitos de CSLL estimativa do anocalendário 1999; que, no caso, tal procedimento do fisco teria gerado duplicidade de quitação desses débitos. Fato que impactou, indevidamente, o anocalendário 1999 e os anoscalendário seguintes, no que concerne ao saldo negativo de CSLL A decisão recorrida, também, não reconheceu o direito creditório pleiteado, porém por outra razão; reconheceu que a autoridade fiscal não poderia olvidar ou obliterar a compensação com 1/3 da Cofins; entretanto, não concedeu o crédito pleiteado por inexistir prova nos autos de liquidez e certeza dos saldos negativos de 1999 a 2001. Nesse sentido, trancrevo excerto do voto condutor da decisão recorrida, in verbis (fl. 455/456): (...) A recorrente sustenta que, na apuração do saldo negativo da CSLL do anocalendário de 1999, a autoridade fiscal teria se equivocado ao glosar as compensações efetuadas pelo contribuinte, que se utilizou de créditos decorrentes do disposto nos arts. 7º e 9° da Lei n° 9.718, de 1998 (um terço da Cofins recolhida), para compensação com débitos de CSLL calculada por estimativa (a/c 1999). No despacho decisório recorrido, à fl. 411, a autoridade fiscal assim informa: "Tanto na apuração anual como no cálculo do valor devido mensalmente por estimativa, foi deduzido um terço da Cofins, conforme disposto na Lei n° 9.718/98 (fls. 264 a 274). Considerando que o valor total de Cofins recolhido referente ao anocalendário de 1999 é de R$ 74.603,40 (fl. 385) e que na DIPJ/2000 foram deduzidos R$ 73.509,79 na apuração do lucro líquido do período (fl. 107), somente R$ 1.093,61 poderiam ser deduzidos dentro da permissão contida na Lei n° 9.718/98. Assim, todo o saldo negativo de períodos anteriores foi utilizado para a compensação dos valores devidos por estimativa neste ano (fls. 386 a 392), sendo que o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1999 também já foi totalmente consumido para compensação no processo administrativo n° 13887.000100/0060 (fih. 393 a 398)." Nesse particular, parcial razão assiste ao contribuinte. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 A legislação de regência referenciada contempla um permissivo (compensação de 1/3 da Cofins recolhida com débitos de CSLL) e uma vedação (utilização de valores assim compensados para dedução na determinação do lucro real). No caso, a interessada fez uso dessa faculdade legal ao longo do ano de 1999, em aparente regularidade, tendo posteriormente deduzido valores indevidos na determinação do lucro real. E que, tendo recolhido R$ 74.603,40 (fl. 385) a título de Cofins, poderia utilizar até R$ 24.867,80 para compensação com a CSLL devida, nos termos dos arts. 7º e 9° da Lei n° 9.718, de 1998. Tendo efetivamente utilizado R$ 20.936,55, de fevereiro a novembro de 1999, e R$ 206,71 no encerramento do balanço, como constatado pela autoridade fiscal (fl. 419), poderia deduzir até R$ 53.460,14 na apuração do lucro real, conforme cálculo abaixo, tendo, entretanto, declarado valor superior, de R$ 73.509,79 (fl. 106). Cofins recolhida R$ 74.603,40 ( ) Cofins compensada (1/3) R$ 21.143,26 (=) Cofins dedutivel (lucro real) R$ 53.460,14 Cofins deduzida (DIPJ/2000) R$ 73.509,79 Resta assim evidenciada inconsistência quanto ao valor da Cofins apropriado na determinação do lucro real (DIPJ/2000, Ficha 07A, Linha 13), mas não quanto à compensação das estimativas mensais de CSLL, como apontado pela autoridade fiscal. Tal constatação, entretanto, não favorece a impugnante, já que, como demonstrado, persiste a ausência de provas quanto à efetividade dos alegados saldos negativos de CSLL, nos anos calendário de 1999 a 2001, o que compromete a demonstração de liquidez e certeza dos supostos indébitos. Por fim, a interessada sustenta que, mesmo prevalecendo o entendimento da autoridade fiscal, os valores compensados a título de estimativas de CSLL aumentariam o saldo negativo da CSLL (a/c 1999) em R$ 19.842,94, resultando em total de R$ 31.116,92. Tal alegação não prospera, já que as estimativas de CSLL declaradas em DIPJ e DCTF foram consideradas pela autoridade fiscal na apuração do saldo negativo da contribuição, no a/c 1999, como evidencia a apuração de fl. 419. (...) No caso, como demonstrado, a recorrente somente poderia deduzir como despesa de Cofins na apuração do Lucro Real a diferença entre a Cofins efetivamente recolhida e a Cofins utilizada na compensação da CSLL devida por estimativa, ou seja, R$ 53.460,14 (R$ 74.603,40 – R$ 21.143,26). Entretanto, a recorrente deduziu, praticamente, toda a COFINS paga, ou seja, R$ 73.509,79, fato que implicou, por parte da autoridade fiscal, a não aceitação dessa pretensa compensação, na parte relativa à utilização de 1/3 da Cofins para quitação de débitos da CSLL devida por estimativa. A glosa do crédito de 1/3 da Cofins foi para evitar utilização em duplicidade pelo contribuinte do mesmo crédito nos âmbitos da CSLL e do IRPJ. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13887.000080/200378 Acórdão n.º 180200.868 S1TE02 Fl. 6 11 A propósito, no anocalendário 1999 a contribuinte informou débitos da CSLL estimativa no valor de R$ 32.210,53; houve pagamento por DARF de apenas R$ 110,00; houve compensação R$ 20.936,55 (aproveitamento de 1/3 da Cofins), e a diferença de R$ 11.163,98 foi compensada com saldo negativo de CSLL de períodos anteriores (fls. 419/420). Porém, a contribuinte abandonou a compensação com 1/3 da Cofins, fazendo a dedução, na base de cálculo do IRPJ (Lucro Real), de toda a Cofins paga, inclusive, da que utilizara para compensar débitos da CSLL estimativa, descumprindo a legislação de regência. Em face disso, a autoridade fiscal não considerou válida a pretensa compensação de débitos da CSLL estimativa de 1999 no valor de R$ 20.936,55 com 1/3 da Cofins. De modo que – para não permanecer em aberto o débito da CSLL estimativa de 1999 – a fiscalização, de ofício, utilizou – para tal quitação – o saldo negativo da CSLL de períodos anteriores, fato que impactou, por conseguinte, os anos calendários seguintes, culminando na redução do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2001 de R$ 22.807,33 para R$ 1.592,77. Como demonstrado, diversamente do alegado pela recorrente, não houve quitação em duplicidade da CSLL estimativa do ano calendário 1999. Muito pelo contrário, o débito persiste em aberto, pois a indigitada compensação – utilização de 1/3 da Cofins foi abandonada pela própria recorrente antes do procedimento da fiscalização. Nesse sentido, a contribuinte no final do anocalendário 1999, ao abandonar a compensação dos débitos da CSLL estimativa com 1/3 da Cofins, deduziu, integralmente, tal crédito ou despesa de Cofins na base de cálculo do IRPJ (Lucro Real). Para ser mais preciso, a contribuinte só não apropriou como despesa do IRPJ o valor da Cofins de R$ 1.093,61. É vedado utilizar, em duplicidade, o mésmo crédito da COFINS. Por conseguinte, os débitos da CSLL estimativa, relativos à malograda compensação com 1/3 da Cofins, ficaram em aberto. Menos mal, não foi gerado saldo negativo de CSLL nessa parte, pois, apenas para argumentar, mesmo que tal compensação fosse aceita não poderia gerar saldo negativo de CSLL, por vedação legal. Aliás, a própria contribuinte, ciente disso tudo, sequer levou tal malograda compensação à declaração de ajuste anual. Na verdade, a contribuinte no final do anocalendário 1999, quando constatou que o valor apurado da CSLL (ajuste anual) foi irrisório, muito inferior ao valor da CSLL apurado por estimativa, e que tal compensação com 1/3 da Cofins geraria, integralmente, saldo negativo, o qual – nessa parte relativa a 1/3 da Cofins – é vedado o seu aproveitamento nos períodos de Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 apuração posteriores, caso fosse levado à declaração de ajuste, decidiu, então, deduzir integralmente o valor correspondente a 1/3 da Cofins como despesa na apuração da base de cálculo do IRPJ reduzindo o imposto a pagar, e evitando a geração de saldo negativo da CSLL que seria inaproveitável, nessa parte relativa à Cofins (abandono da compensação). A propósito, estatuem os §§ 3º e 4º do art. 8º da Lei nº 9.718/98: Art. 8º Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. § 1ºA pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINSefetivamentepaga, calculada de conformidade com este artigo. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 2º A compensação referida no § 1º: (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I somente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 3º Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüente. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 4º A parcela da COFINS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (grifo meu) Então, não foi só a fiscalização que não acatou a alegada compensação que teria utilizado 1/3 da Cofins para pagamento da CSLL devida por estimativa de 1999, pois a própria contribuinte, muito antes, já havia abandonado a compensação, se subtraído ou se desvinculado do disposto nos §§ 3º e 4º do art. 8º da Lei nº 9718/98 e deduzido o respectivo valor da Cofins – que teria sido utilizado para compensação com a CSLL devida por estimativa como despesa na apuração do Lucro Real. Logo, essa situação implicou existência de débitos em aberto da CSLL estimativa do anocalendário 1999. No caso, poderia ser questionado se foi legal, ou não, a conduta da contribuinte de abandonar a compensação de 1/3 da Cofins, ao subtrairse do disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 8º da Lei nº 9.718/98, uma vez que optara pela dedução de 1/3 da Cofins na quitação de débitos de CSLL devida por estimativa, porém, no final do exercício, desistiu dessa compensação que efetuara, Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13887.000080/200378 Acórdão n.º 180200.868 S1TE02 Fl. 7 13 promovendo a dedução desse valor como despesa na apuração do IRPJ. Entendo que, sem delongas, essa questão restou superada, na medida em que o próprio fisco aceitou a dedução da respectiva Cofins como despesa no IRPJ, objetando, em contrapartida, a existência de débitos em aberto do período, a título de CSLL estimativa. Apropósito, a própria autoridade fiscal compensou, de ofício, tais débitos em aberto de CSLL estimativa de 1999 com créditos da contribuinte, utilizando o saldo negativo de CSLL de anos calendário anteriores. Porém, o procedimento da autoridade fiscal merece reparo. Após encerrado o anocalendário de 1999, não há como exigir débito em aberto de CSLL estimativa desse anocalendário; deve prevalecer a CSLL apurada na declaração de ajuste do ano calendário 1999. Assim, o fisco já não poderia exigir os débitos de CSLL devidos por estimativa em aberto. No caso, seria cabível, apenas, a exigência de multa isolada por descumprimento do dever legal de antecipar CSLL devida por estimativa. Porém, tal multa não foi aplicada. Por conseguinte, não tem efeito a compensação de ofício efetuada pela autoridade fiscal. O crédito utilizado pela recorrente, objeto da Declaração de Compensação, suficiente para quitação do débito da CSLL, é R$ 2.428,68. Logo, o direito creditório objeto da lide é R$ 2.428,68, quanto ao anocalendário 2001. Discordo da decisão recorrida que inexiste nos autos documentos contábeis, de suporte, que pudessem comprovar esse direito creditório utilizado, atinente ao saldo negativo da CSLL que vinha sendo transportado dos anoscalendário 1999 a 2001 nas DIPJ respectivas. Desnecessária tal exigência comprobatória. Entendo que não há que se objetar falta de certeza e liquidez do crédito da CSLL utilizado na Declaração de Compensação objeto dos autos, pois o próprio fisco, pelo menos nessa parte, atestou a certeza e liquidez do crédito, quando procedeu a compensação de ofício do débito de CSLL estimativa que, como demonstrado nos autos, já era inexigível naquela momento, pois já havia transcorrido o anocalendário de 1999 quando da indigitada compensação de ofício, prevalecendo a CSLL apurada na declaração de ajuste de 1999. Na verdade, como a malograda compensação de débitos de CSLL estimativa com 1/3 da Cofins sequer foi levada à DIPJ 2000, anocalendário 1999, não gerou saldo negativo de CSLL nessa parte (vedação legal). Logo, os débitos de CSLL estimativa, em aberto, não foram utilizados como crédito, nem geram saldo negativo na DIPJ. Ademais, como a compensação Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 de ofício, utilizando crédito de saldo negativo de CSLL de períodos anteriores, restou indevida, sem efeito, então, toda essa situação é completamente neutra, não afetou o saldo negativo de CSLL dos anoscalendário 1999 (consumido para compensação no processo administrativo nº 13887.000100/0060 – fls. 393 a 398) e os resultados nas DIPJ dos anos seguintes (o saldo negativo da CSLL de anos anteriores ao anocalendário 1999 restou restabelecido pelo cancelamento da compensação de ofício dos débitos em aberto da CSLL estimativa mensal de 1999, ficando, por conseguinte, não afetado o saldo negativo da CSLL dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002 que haviam incorporado tal saldo pelas compensações, em parte, da CSLL estimativa desses respectivos anos, conforme informado nas DIPJ respectivas). Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso, reconhecendo o direito creditório da CSLL de R$ 2.428,68 do anocalendário 2001, utilizado pela recorrente na compensação de débito dessa exação fiscal na Declaração de Compensação objeto dos autos. (...) Como demonstrado, o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002, por conseguinte, também não foi afetado, pois toda essa situação exposta anteriormente restou completamente neutra, não afetando o saldo negativo de CSLL dos anoscalendário 1999 a 2002, apurados nas respectivas DIPJ. Vale dizer: a malograda compensação de débitos de CSLL estimativa com 1/3 da Cofins não se completou e sequer foi levada à DIPJ 2000, anocalendário 1999, não gerando saldo negativo de CSLL nessa parte (inexistindo ajustes a serem feitos, nessa parte). Em outras palavras: os débitos de CSLL estimativa, em aberto, não foram utilizados como crédito, nem geraram saldo negativo na DIPJ, conforme demonstrativo de fl. 419. Ademais, como a compensação de ofício, utilizando crédito de saldo negativo de CSLL de períodos anteriores, restou indevida, sem efeito, então, toda essa situação restou completamente neutra, não afetando o saldo negativo de CSLL do anocalendário 1999 (consumido para compensação no processo administrativo n.° 13887.000100/0060) e os resultados nas DIPJ dos anos seguintes (saldo negativo das CSLL dos anoscalendário 2001 e 2002). Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório da CSLL do anocalendário 2002 (saldo negativo original da CSLL de R$ R$ 20.913,96), utilizado nas compensações objeto dos autos. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 14DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13887.000080/200378 Acórdão n.º 180200.868 S1TE02 Fl. 8 15 Fl. 15DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001075/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO.
A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2402-005.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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