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Numero do processo: 10880.972726/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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REMESSAS PARA O EXTERIOR. IRRF. DIRF Recorrente VIVO PARTICIPAÇÕES S.A. (SUCESSORA DA TELESP CELULAR PARTICPAÇÕES S.A. ) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 1259.563 de 12 de setembro de 2007 da 15ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro que, por unanimidade de voto, não reconhecer o direito creditório pleiteado pela Recorrente e, consequentemente, Manter Integralmente os termos do Despacho Decisório n° 952491429, de 09/09/2011 (fl. 06), registrandose a seguinte ementa: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 72 72 6/ 20 10 -1 1 Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10880.972726/201011 Resolução nº 1302000.507 S1C3T2 Fl. 3 2 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. INDEDUTIBILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RESPECTIVOS RENDIMENTOS. Para efeito de determinação do saldo negativo de IRPJ a ser restituído ou compensado, a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. No caso de receitas oriundas de aplicações financeiras que abranjam mais de um exercício, o oferecimento destas receitas à tributação ocorre em conformidade com o ano em que tais rendimentos foram auferidos, de acordo com o regime de competência. Cabe ao contribuinte a comprovação do oferecimento destas receitas à tributação, justificandose a glosa do respectivo IRRF quando não realizada a devida comprovação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Fiscalização registrou os seguintes fatos, os quais também foram destacados no Acórdão recorrido: Tratase de DCOMP Eletrônica n° 18930.88100.301209.1.2.026480, fls. 02/05, apresentada em 30/12/2009 onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito Saldo Negativo de IRPJ Forma de Apuração: Anual Exercício: 2005 Valor do Saldo Negativo : R$ 101.054.248,39 Valor Original do Crédito Inicial : R$ 101.054.248,39 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 101.054.248,39 Valor do Pedido de Restituição : R$ 101.054.248,39 O contribuinte pleiteou ainda a utilização do saldo negativo em questão para compensar os débitos relacionados às seguintes PERDCOMP: PER/DCOMPs Relacionadas 24290.57212.240511.1.3.025808 33811.80328.210611.1.3.025906 17182.20499.220611.1.3.021615 40033.60144.300611.1.3.026040 40630.27357.300611.1.3.020984 17168.31867.210711.1.7.025891 34727.15796.210711.1.7.021297 30392.52668.220711.1.3.022923 19081.39375.260711.1.3.022578 27500.98559.130711.1.3.020988 13411.27143.070611.1.3.025911 14564.01858.300511.1.3.020742 40872.23754.310511.1.3.021862 36618.61338.310511.1.3.025744 26229.59579.310511.1.3.026705 25594.24337.260511.1.3.025002 17594.44694.290711.1.3.021636 10904.82400.150711.1.3.023628 01254.69371.150711.1.3.027275 27006.63245.200611.1.7.022595 34966.13019.200611.1.7.023380 36025.53553.200611.1.3.029770 13162.73138.150611.1.3.021315 07270.14121.170611.1.3.028340 28699.05797.140611.1.3.025114 03706.49559.110811.1.3.020690 33741.75801.150811.1.3.024050 02803.04423.170811.1.3.020390 Anotouse que, as PERDCOMP foram analisadas em procedimentos informatizados, resultando em HOMOLOGAÇÃO PARCIAL e NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações declaradas e inexistência de valor a ser restituído/ressarcido para os PER/DCOMP listados a seguir. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10880.972726/201011 Resolução nº 1302000.507 S1C3T2 Fl. 4 3 Declaração Compensação Homologada Parcialmente 24290.57212.240511.1.3.025808 Declarações de Compensação Não Homologadas 33811.80328.210611.1.3.025906 17182.20499.220611.1.3.021615 40033.60144.300611.1.3.026040 40630.27357.300611.1.3.020984 17168.31867.210711.1.7.025891 34727.15796.210711.1.7.021297 30392.52668.220711.1.3.022923 19081.39375.260711.1.3.022578 27500.98559.130711.1.3.020988 13411.27143.070611.1.3.025911 14564.01858.300511.1.3.020742 40872.23754.310511.1.3.021862 36618.61338.310511.1.3.025744 26229.59579.310511.1.3.026705 25594.24337.260511.1.3.025002 17594.44694.290711.1.3.021636 10904.82400.150711.1.3.023628 01254.69371.150711.1.3.027275 27006.63245.200611.1.7.022595 34966.13019.200611.1.7.023380 36025.53553.200611.1.3.029770 13162.73138.150611.1.3.021315 07270.14121.170611.1.3.028340 28699.05797.140611.1.3.025114 03706.49559.110811.1.3.020690 33741.75801.150811.1.3.024050 02803.04423.170811.1.3.020390 De acordo com o Despacho Decisório n° 952491429, de 09/09/2011 (fl. 06), o julgamento teve a seguinte fundamentação: "Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 101.054.248,39 Valor na DIPJ: R$ 101.054.248,39 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 101.054.248,39 IRPJ devido: R$ 0,00 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 56.633.352,77" Instruindo o despacho decisório veio o Demonstrativo de Análise do Crédito (fls. 08/21), onde foram detalhadas as parcelas confirmadas e as parcelas não confirmadas integrantes do direito creditório pleiteado, que reproduzimos a seguir: CNPJ da Fonte pagadora código de Receita Valor confirmado 02.319.126/000159 5706 41.110.200,00 02.449.992/000164 3426 8.806.486,00 30.306.294/000145 3426 16.238,83 59.588.111/000103 3426 104.801,47 ,60.770.336/000165 3426 1.921,45 61.472.676/000172 3426 269.426,62 02.558.132/00016 5706 6.324.278,40 Total 56.633.352,77 Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas CNPJ da Fonte código de Valor Valor Valor não Justificativa pagadora Receita PERDCOMP confirmado confirmado 33.479.023/000180 5273 44.417.474,96 0,00 44.417.474,96 Rec. cor. não ofer.à trib. 58.160.789/000128 5273 3.420,66 0,00 3.420,66 Rec. cor. não ofer.à trib. total 44.420.895,62 0,00 44.420.895,62 58.160.789/000128 5273 3.420,66 0,00 3.420,66 Rec. cor. não ofer.à trib. total 44.420.895,62 0,00 44.420.895,62 A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 22/09/2011, fl. 07. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10880.972726/201011 Resolução nº 1302000.507 S1C3T2 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (21/10/2011, fls. 23/39), instruída com os documentos de fls. 40/462, em que alega: No anocalendário de 2004, a Requerente sofreu retenções de imposto de renda no valor total de R$ 101.054.248,39 (vide Ficha 53, da DIPJ, doc. n° 05 fls.233/308), conforme abaixo: (...) Tendo em vista que, ao final do anocalendário, a Requerente não apurou imposto a recolher, o imposto retido na fonte, no montante de R$ 101.054.248,39, compôs o saldo negativo de IRPJ relativo ao período em questão. No entanto, a Receita Federal do Brasil não reconheceu as retenções decorrentes de operações de swap realizadas junto ao Citibank S/A, CNPJ n° 33.479.023/000180 e ao Banco Safra S/A, CNPJ n° 58.160.789/000128, nos valores de R$ 44.417.474,962 e R$ 3.420,66, respectivamente (cf. informes de rendimento, doc. n° 06309/311). O argumento adotado pelo Fisco para não reconhecer tais retenções foi a não tributação da receita de swap correspondente. (...) Ora, as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, como a Requerente, devem registrar as receitas decorrentes de aplicações financeiras com base no regime de competência. É o que determina o artigo 17 do Decreto Lei n° 1.598/773 e artigo n° 373 do RIR/99 Decreto n° 3.000/994. Mesmo entendimento é aquele exarado pela Receita Federal em diversas decisões e soluções de consulta. O mesmo raciocínio aplicase às operações de swap. Nesse sentido, em atendimento ao princípio da competência, o reconhecimento das receitas ocorre no momento em que nasce o direito ao rendimento e é rateada ao longo do tempo em que produz efeitos. Em suma, se uma aplicação financeira de longo prazo é realizada em 2004 com vencimento em 2006, nos anoscalendários 2004, 2005 e 2006 os rendimentos decorrentes dessa aplicação em cada um dos períodos serão reconhecidos como receita pelas empresas em sua conta de resultados, bem como escriturados nos livros razão dos respectivos anos e oferecidos à tributação do IRPJ. Já o imposto de renda retido na fonte (IRRF) é devido no momento da alienação, que compreende a liquidação (vencimento) e o resgate. Isso é o que dispõem o artigo 65 § 3º da Lei n° 8.981/19956 c/c Artigo 5°da Lei 9.779/997 e artigo 1° da Lei n° 11.033/20048, corroborada pela Instrução Normativa da Receita Federal n° 1.022/20109 e soluções de consulta da Receita Federal do Brasil. Ou seja, o IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras em operações de swap somente é devido quando do resgate ou alienação da referida aplicação, isto é, quando efetivamente é colocado à disposição o investidor as receitas dela decorrentes. Ante o exposto é comum haver um descasamento entre o momento em que o rendimento decorrente de aplicações financeiras é reconhecido como receita e tributado pelo IRPJ e aquele em que ocorre a retenção do IRRF que, frisese, ocorre no momento do vencimento da aplicação. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10880.972726/201011 Resolução nº 1302000.507 S1C3T2 Fl. 6 5 A DRJ anotou que, a Requerente auferiu receita de swap, nos anos de 1999 a 2004, no valor total de R$473.491.464,20. É o que demonstram a "Composição das Receitas Financeiras por lançamentos contábeis" e a "Composição Analítica da DIPJ", relativas aos anoscalendário em questão (doc. n° 07 fls. 312/334). Tais rendimentos, entretanto, foram oferecidos à tributação na medida que auferidos e informados nas DIPJ correspondentes (doc. n° 08 fls. 335/350 ). De seu lado, a Recorrente sustentou que, apesar do descasamento entre as receitas de swap no total de R$ 473.491.464,20 frisou, oferecidas a tributação na medida que auferidas, de acordo com a legislação aplicável e com o princípio da competência e a retenção do imposto correspondente, no montante de R$101.054.248,39, devido apenas quando do resgate das aplicações, não haveria se falar em não tributação de tais receitas. Considerou, assim, que havia demonstrado as retenções sofridas e a tributação dos rendimentos correlatos, a lógica seria o cômputo do imposto retido pelos Citibank e Banco Safra S/A, nos valores de R$44.417.474,96 e R$ 3.420,66 respectivamente, na apuração do saldo negativo de imposto de renda relativo ao anocalendário 2004, que totaliza R$101.054.248,39. Não obstante, as razões da Recorrente não foram acolhidas, conforme Acórdão recorrido, cujo resultado e ementa foram inicialmente transcritos. A Recorrente foi intimada do Acórdão em questão, em 04/10/2013 (fl. 483) e interpôs Recurso Voluntário, em 17/10/2007 (fl. 485). Representação processual formalizada às fls. 496/603. Razões da Recorrente Em suas razões a Recorrente reafirma os fatos e fundamentos expendidos na Manifestação de Inconformidade e destaca os pontos a seguir resumidos: A Lei n° 9.430/96 prevê, em seu art. 1º, três formas distintas de apuração do imposto de renda: real, presumido ou arbitrado. A tributação com base no lucro real, por sua vez, admite duas formas diferentes de tributação: real anual com antecipações mensais e real trimestral. Na apuração do imposto com base no lucro real anual, com antecipações mensais (regime adotado pela Recorrente), fica o contribuinte obrigado a fazer recolhimentos mensais com base na receita bruta ou mediante balanços ou balancetes de suspensão e redução. Os pagamentos mensais são considerados antecipação do imposto devido e, ao final do exercício, é realizado o ajuste anual, em que se apura lucro ou prejuízo, com o consequente saldo de imposto a pagar ou a ser restituído ou compensado. Para calcular tal saldo, a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá deduzir do montante devido, dentre outros, o valor do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, conforme expressamente autorizado pelo art. 231 do RIR/994. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10880.972726/201011 Resolução nº 1302000.507 S1C3T2 Fl. 7 6 No anocalendário de 2004, a Recorrente sofreu retenções de imposto de renda no valor total de R$101.054.248,39 (vide Ficha 53, da DIPJ, doc. 05 da manifestação de inconformidade). Sendo certo que, ao fim do anocalendário, a Recorrente não apurou imposto a recolher, o imposto retido na fonte, no montante de R$ 101.054.248,39, compôs o saldo negativo de IRPJ relativo ao período em questão. Contudo, a Receita Federal do Brasil não reconheceu as retenções decorrentes de operações de swap realizadas junto ao Citibank S/A, CNPJ n° 33.479.023/000180, e ao Banco Safra S/A, CNPJ n° 58.160.789/000128, nos valores de R$ 44.417.474,965 e R$ 3.420,66, respectivamente (cf. informes de rendimento, doe. n° 06 da manifestação de inconformidade). (...) Como reconhecido pelo julgador, as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, como a Recorrente, devem registrar as receitas decorrentes de aplicações financeiras com base no regime de competência. É o que determinam os arts. 17 do Decretolei n° 1.598/776 e 373 do RIR/99 Decreto n° 3.0007997. O mesmo raciocínio aplicase às operações de swap. Nesse sentido, em atenção ao princípio da competência, o reconhecimento das receitas ocorre no momento em que nasce o direito ao rendimento e é rateado ao longo do tempo em que produz efeitos. Ou seja, o IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras em operações de swap somente é devido quando do resgate ou alienação da referida aplicação, isto é, quando efetivamente são colocadas à disposição do investidor as receitas delas decorrentes. Ante o exposto, é comum haver um descasamento entre o momento em que o rendimento decorrente de aplicações financeiras é reconhecido como receita e tributado pelo IRPJ e aquele em que ocorre a retenção do IRRF que, frisese, ocorre no vencimento da aplicação. No presente caso, a Recorrente auferiu receita de swap, nos anos de 1999 até 2004, no valor total de R$ 473.491.464,20. É o que demonstram a "Composição das Receitas Financeiras por lançamentos contábeis" e a "Composição Analítica da DIPJ" relativas aos anos calendário em questão (doe. n° 07 da manifestação de inconformidade). Tais rendimentos, entretanto, foram oferecidos à tributação na medida em que auferidos e informados nas DIPJ correspondentes (doe. n° 08 da manifestação de inconformidade), conforme abaixo: Já o imposto de renda retido na fonte (IRRF) é devido no momento da alienação, que compreende a liquidação (vencimento) e o resgate. Isso é o que dispõem o art. 65 § 3o da Lei n° 8.981 /958 c/c art. 5o da Lei 9J79/999 e o art. (...) Destarte, a análise dos livros contábeis do período de vigência dos contratos celebrados pela Recorrente Livro Razão, DIPJ e registros deles extraídos (composição das receitas financeiras por lançamentos contábeis; composição analítica da DIPJ) demonstra que as receitas de swap, no total de R$ 473.491.464,20, foram oferecidas à tributação na medida em que auferidas, o que condiz com os valores retidos pela Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10880.972726/201011 Resolução nº 1302000.507 S1C3T2 Fl. 8 7 instituição financeira, no montante de R$ 101.054.248,39, devidamente comprovados pelos informes de rendimentos. Ora, a exigência dos contratos de swap firmados em 2001 como única forma para a consideração do direito creditório oponível à Fazenda Pública afigurase atentatória aos princípios da legalidade, da verdade material, da boafé na instrução do procedimento fiscal e da proibição de enriquecimento ilícito do Estado. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e a Recorrente está devidamente representada. Conheço do Recurso. Na forma relatada, não obstante a conclusão da DRJ, há fortes indícios com relação à existência das operações de swap. Nesse sentido, verificase que para a regular apreciação das razões da recorrente há a necessidade de informações complementares específicas que não constam dos autos. Nesse sentido, voto no sentido de converter o julgamento em diligência na qual deverão ser atendidas as seguintes requisições: Unidade Preparadora a) juntar todas as DIRFs de 1999 a 2004; b) elaborar Relatório Final; e c) analisar os rendimentos que restarem oferecidos à tributação e os referidos montantes, observadas as regras de proporcionalidade, relativamente às informações e documentos a seguir requisitados à Recorrente. Contribuinte a) intimar para apresentar os extratos bancários de 1999 a 2004, com os créditos dos rendimentos de operações de swap referentes as fontes pagadores Citibank e Safra indicar os respectivos CNPJ; b) vincular e trazer o Razão dos lançamentos de fls. 313/334, indicando quais os lançamentos se referem a receitas de swap; c) explicar a divergência entre os valores contido no informe de rendimentos do Citibank e Banco Safra (fls. 311/315) e os valores informados como retidos; d) demonstrar/individualizar a que se referem os rendimentos de receitas financeiras de 1999 a 2004 – como swap, CDB etc. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10880.972726/201011 Resolução nº 1302000.507 S1C3T2 Fl. 9 8 Fl. 745DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.723117/2014-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO DA CONTA CAIXA. POSSIBILIDADE.
Quando constatada pela Fiscalização a ocorrência de saldo credor de caixa, é adequada e cabível a recomposição da conta caixa, desde que os livros e a sistemática de registro e escrituração eleita pelo contribuinte permitam a obtenção de valores que, fielmente, representem a movimentação de numerário ocorrida.
O arbitramento não é modalidade de sanção fiscal e tampouco uma prerrogativa ou uma faculdade do contribuinte quando autuado. Trata-se de modalidade de apuração do lucro tributável, aplicável quando verificadas, concretamente, suas hipóteses legais de adoção.
A legítima constatação de omissão de receitas tributáveis constitui presunção relativa, cabendo ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração, em contraposição direta aos fundamentos trazidos pela Fiscalização.
EXCLUSÃO DOS VALORES DE PIS E COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXIGIDOS NO LANÇAMENTO.
Ainda que, via de regra, os valores apurados de Contribuição para o PIS e COFINS sejam dedutíveis das bases tributáveis da IRPJ e da CSLL, após a lavratura da autuação, havendo contencioso administrativo, sua exigibilidade resta suspensa, não sendo autorizada tal dedução, nos termos do § 1º do art. 344 do RIR/99.
OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
No que tange à acusação de omissão de receitas, quando ausentes fundamentos distintos, aquilo decidido em relação ao IRPJ também motiva a manutenção ou a exoneração das exigências de Contribuição para o PIS e de COFINS.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011, 2012
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. VALOR NÃO INCLUÍDO NO LANÇAMENTO.
A apreciação da alegação de necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS depende da constatação da inclusão pela Fiscalização de tais valores na base de cálculo utilizada para o lançamento de ofício.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2011, 2012
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. VALOR NÃO INCLUÍDO NO LANÇAMENTO.
A apreciação da alegação de necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS depende da constatação da inclusão pela Fiscalização de tais valores na base de cálculo utilizada para o lançamento de ofício.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO.
Se a decisão administrativa que promove a revisão do lançamento de ofício utiliza-se, expressamente, de outros fundamentos, diversos daqueles trazidos pela Fiscalização para sustentar a exigência fiscal, resta configurada a modificação dos critérios jurídicos, vedada pela norma extraída das disposições dos arts. 142, 146 e 149 do CTN, devendo ser cancelado o crédito tributário.
MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS.
O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário.
RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 124 INCISO I CTN. INADEQUAÇÃO.
A norma contida no art. 124, inciso I, do CTN não é própria e adequada para a responsabilização de sócios administradores, devidamente constantes do contrato ou do estatuto social das pessoas jurídicas autuadas.
O interesse comum a que se refere o dispositivo não é aquele econômico, finalístico e consequencial, que os titulares naturalmente têm na exploração dos negócios mercantis pela pessoa jurídica.
Para a ocorrência da responsabilidade solidária prevista na norma é necessária a demonstração comprovada da participação direta e conjunta das pessoas apontadas como responsáveis na realização do fato gerador, revestindo-se de copartícipes da infração apurada.
RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 CTN. IMPROCEDÊNCIA.
A responsabilização do sócio administrador é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da personalidade jurídica do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular.
A mera constatação da função de administração em instrumento societário e a simples argumentação, genérica e abstrata, de que as práticas das empresas dependem de atos de gestão de pessoas naturais, não é capaz de atribuir responsabilidade a sócio administrador.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011, 2012
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-002.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do cálculo da recomposição da Conta Caixa os valores dos expurgos discriminados na tabela contida na parte final do voto condutor; e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Por voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário quanto à exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar a exigência dessa penalidade. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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EXCLUSÃO DOS VALORES DE PIS E COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXIGIDOS NO LANÇAMENTO. Ainda que, via de regra, os valores apurados de Contribuição para o PIS e COFINS sejam dedutíveis das bases tributáveis da IRPJ e da CSLL, após a lavratura da autuação, havendo contencioso administrativo, sua exigibilidade resta suspensa, não sendo autorizada tal dedução, nos termos do § 1º do art. 344 do RIR/99. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTOS REFLEXOS. No que tange à acusação de omissão de receitas, quando ausentes fundamentos distintos, aquilo decidido em relação ao IRPJ também motiva a manutenção ou a exoneração das exigências de Contribuição para o PIS e de COFINS. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011, 2012 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. VALOR NÃO INCLUÍDO NO LANÇAMENTO. A apreciação da alegação de necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS depende da constatação da inclusão pela Fiscalização de tais valores na base de cálculo utilizada para o lançamento de ofício. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2011, 2012 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. VALOR NÃO INCLUÍDO NO LANÇAMENTO. A apreciação da alegação de necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS depende da constatação da inclusão pela Fiscalização de tais valores na base de cálculo utilizada para o lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. Se a decisão administrativa que promove a revisão do lançamento de ofício utiliza-se, expressamente, de outros fundamentos, diversos daqueles trazidos pela Fiscalização para sustentar a exigência fiscal, resta configurada a modificação dos critérios jurídicos, vedada pela norma extraída das disposições dos arts. 142, 146 e 149 do CTN, devendo ser cancelado o crédito tributário. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário. RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 124 INCISO I CTN. INADEQUAÇÃO. A norma contida no art. 124, inciso I, do CTN não é própria e adequada para a responsabilização de sócios administradores, devidamente constantes do contrato ou do estatuto social das pessoas jurídicas autuadas. O interesse comum a que se refere o dispositivo não é aquele econômico, finalístico e consequencial, que os titulares naturalmente têm na exploração dos negócios mercantis pela pessoa jurídica. Para a ocorrência da responsabilidade solidária prevista na norma é necessária a demonstração comprovada da participação direta e conjunta das pessoas apontadas como responsáveis na realização do fato gerador, revestindo-se de copartícipes da infração apurada. RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 CTN. IMPROCEDÊNCIA. A responsabilização do sócio administrador é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da personalidade jurídica do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. A mera constatação da função de administração em instrumento societário e a simples argumentação, genérica e abstrata, de que as práticas das empresas dependem de atos de gestão de pessoas naturais, não é capaz de atribuir responsabilidade a sócio administrador. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011, 2012 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
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OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO DA CONTA CAIXA. POSSIBILIDADE. Quando constatada pela Fiscalização a ocorrência de saldo credor de caixa, é adequada e cabível a recomposição da conta caixa, desde que os livros e a sistemática de registro e escrituração eleita pelo contribuinte permitam a obtenção de valores que, fielmente, representem a movimentação de numerário ocorrida. O arbitramento não é modalidade de sanção fiscal e tampouco uma prerrogativa ou uma faculdade do contribuinte quando autuado. Tratase de modalidade de apuração do lucro tributável, aplicável quando verificadas, concretamente, suas hipóteses legais de adoção. A legítima constatação de omissão de receitas tributáveis constitui presunção relativa, cabendo ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração, em contraposição direta aos fundamentos trazidos pela Fiscalização. EXCLUSÃO DOS VALORES DE PIS E COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXIGIDOS NO LANÇAMENTO. Ainda que, via de regra, os valores apurados de Contribuição para o PIS e COFINS sejam dedutíveis das bases tributáveis da IRPJ e da CSLL, após a lavratura da autuação, havendo contencioso administrativo, sua exigibilidade resta suspensa, não sendo autorizada tal dedução, nos termos do § 1º do art. 344 do RIR/99. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTOS REFLEXOS. No que tange à acusação de omissão de receitas, quando ausentes fundamentos distintos, aquilo decidido em relação ao IRPJ também motiva a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 31 17 /2 01 4- 33 Fl. 2822DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.823 2 manutenção ou a exoneração das exigências de Contribuição para o PIS e de COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011, 2012 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. VALOR NÃO INCLUÍDO NO LANÇAMENTO. A apreciação da alegação de necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS depende da constatação da inclusão pela Fiscalização de tais valores na base de cálculo utilizada para o lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011, 2012 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. VALOR NÃO INCLUÍDO NO LANÇAMENTO. A apreciação da alegação de necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS depende da constatação da inclusão pela Fiscalização de tais valores na base de cálculo utilizada para o lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. Se a decisão administrativa que promove a revisão do lançamento de ofício utilizase, expressamente, de outros fundamentos, diversos daqueles trazidos pela Fiscalização para sustentar a exigência fiscal, resta configurada a modificação dos critérios jurídicos, vedada pela norma extraída das disposições dos arts. 142, 146 e 149 do CTN, devendo ser cancelado o crédito tributário. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 124 INCISO I CTN. INADEQUAÇÃO. A norma contida no art. 124, inciso I, do CTN não é própria e adequada para a responsabilização de sócios administradores, devidamente constantes do contrato ou do estatuto social das pessoas jurídicas autuadas. O interesse comum a que se refere o dispositivo não é aquele econômico, finalístico e consequencial, que os titulares naturalmente têm na exploração dos negócios mercantis pela pessoa jurídica. Fl. 2823DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.824 3 Para a ocorrência da responsabilidade solidária prevista na norma é necessária a demonstração comprovada da participação direta e conjunta das pessoas apontadas como responsáveis na realização do fato gerador, revestindose de copartícipes da infração apurada. RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 CTN. IMPROCEDÊNCIA. A responsabilização do sócio administrador é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da personalidade jurídica do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. A mera constatação da função de administração em instrumento societário e a simples argumentação, genérica e abstrata, de que as práticas das empresas dependem de atos de gestão de pessoas naturais, não é capaz de atribuir responsabilidade a sócio administrador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do cálculo da recomposição da Conta Caixa os valores dos expurgos discriminados na tabela contida na parte final do voto condutor; e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Por voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário quanto à exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar a exigência dessa penalidade. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. Fl. 2824DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.825 4 (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 2825DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.826 5 Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário (fls. 2763 a 2800), interpostos contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo/SP (fls. 2564 a 2608) que manteve integralmente as Autuações sofridas pelo Contribuinte (fls. 04 a 522), mas excluiu a responsabilidade dos sócios administradores, rejeitando parcialmente a Impugnação apresentada pela Empresa (fls. 1901 a 2121) e provendo as Defesas dos titulares (fls. 1869 a 1900). O processo versa sobre exações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (inclusive aproveitamento de crédito de ofício de períodos anteriores), referentes aos anoscalendário de 2011 e 2012, acompanhado de multa de qualificada (150%), multas isoladas referente às estimativas de IRPJ e CSLL do período, lançadas em face da empresa FACIL INDUSTRIA COMERCIO E EXPORTAÇÕES LTDA, tendo sido responsabilizados seus Sócios administradores, Sr. GILMAR ANTONIO SCHMITZ e Sra. MARILEIA RAASCH. A acusação fiscal que sustenta as Autuações se resume à constatação de omissão de receitas, com base em verificação de saldo credor de caixa, vez que inúmeros valores referentes a pagamentos, por diversos meios (cheques, TEDs, etc), não possuíam prova de lançamento a crédito correspondente ou identificação do beneficiário e motivação, inflando o saldo desta conta. A Fiscalização procedeu à recomposição do "Caixa" para efetuar o lançamento. Por bem resumir a contenda, passase a reproduzir trechos do preciso e completo relatório da DRJ a quo: Os fatos que ensejaram a autuação de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e os respectivos enquadramentos legais encontramse descritos a fls. 7/8: (...) Conforme Relatório Fiscal de fls. 120/133, integrado pelos documentos de fls. 134/523: • a ação fiscal decorre do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 09.2.04.002014001137, inicialmente expedido para verificação da regularidade na apuração do IRPJ relativo aos anoscalendário 2011 e 2012 e, posteriormente, com inclusão do IRF no escopo da auditoria, o que gerou outro processo fiscal, o de nº 13971.723118/201488; Fl. 2826DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.827 6 • Em 25/03/2014, deuse início ao procedimento fiscal, conforme TIPF (Termo de Início de Procedimento Fiscal) a fls. 525/7 e resposta a fls. 532/6; • Este processo trata exclusivamente do IRPJ e seus reflexos, enquanto o IRRF é objeto do processo 13971.723118/201488; • Ciência em 22/04/2014 do Termo de Intimação Fiscal nº 1, por meio do qual o contribuinte foi intimado para apresentação de novos documentos e esclarecimentos adicionais. A resposta veio em 09/05/2014, após um pedido de prorrogação de prazo ocorrido em 29/04/2014; • Em 29/04/2014 foram expedidos os Termos de Intimação Fiscal de nº 02 a 09, cujo objetivo foi o de coletar informações perante diversos fornecedores de mercadorias/serviços com os quais a Fiscalizada teve relações comerciais nos anos de 2011 e 2012; • Lavrado contra a Fiscalizada o Termo de Intimação nº 10 (ciência pessoal em 23/05/2014), por meio do qual foi intimada para apresentar documentos bem como esclarecimentos acerca de sua movimentação bancária e contabilização de diversas operações. Após novo pedido de prorrogação de prazo datado de 13/06/2014, em 30/06/2014 foram apresentados, de forma parcial, alguns dos documentos e esclarecimentos solicitados; • em 28/07/2014, mediante ciência do Termo de Intimação nº 11, o contribuinte foi reintimado a apresentar documentos já solicitados mediante o Termo de Intimação nº 10, bem como para esclarecimentos de questões surgidas com a análise da documentação apresentada. A resposta ocorreu em 18/08/2014; • Por fim, foram lavrados os Termos de Intimação Fiscal nº 12 e 13, cuja ciência foi efetivada via postal em 20/08/2014 e pessoal em 15/09/2014. Os respectivos termos foram respondidos em 28/08/2014 e 22/09/2014. Dos Valores Informados na DIPJ e no DACON • Conforme DIPJ analisadas, verificouse que não foram apurados valores devidos para o IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, chamando atenção para os expressivos valores de Custos dos Bens e Serviços Vendidos que representaram, nos anoscalendários de 2011 e 2012, os percentuais de 94,82% e 96,38, respectivamente, sobre a Receita Líquida das Atividades, conforme Tabela 1 elaborada: (...) Considerando ainda que foram informados saldos anteriores provenientes do ano de 2010 nos montantes de R$ 232.235,30 para a COFINS e, R$ 64.650,38 para o PIS/PASEP, em todos os meses o contribuinte apurou saldo credor destas contribuições, sendo este fato também reflexo dos expressivos valores dos custos mencionados no item 10. Portanto, levandose em conta Fl. 2827DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.828 7 os valores das DIPJ e dos DACON não foram apurados valores devidos para o IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS nos períodos em questão; Contabilização de Pagamentos – Utilização da Conta Caixa para Pagamentos Realizados via Bancos • Conforme informado pela contribuinte, os pagamentos efetuados mediante cheques ou transferências bancárias, bem como os “pagamentos de títulos” identificados nos extratos bancários, foram debitados na contabilidade da empresa na conta “Caixa”; Transferências bancárias: O contribuinte foi intimado e reintimado a apresentar, para cada transferência bancária, qual a motivação do pagamento e em qual conta contábil foi registrada; • Somente com a amostragem dos lançamentos com valores superiores a R$ 10 mil reais com os históricos nos extratos bancários de “TED – Transferência Eletrônica Disponível”, “Transferência Agendada” e “Transferência online” foram debitados na conta “Caixa” nos anos de 2011 e 2012 a quantia de R$ 9.217.148,58. No caso destas transferências, de fato, tais recursos nunca transitaram pelo caixa, são créditos efetivados diretamente na conta do beneficiário; • O contribuinte teve nova oportunidade para identificar os respectivos lançamentos a crédito na conta “Caixa”, os favorecidos e o motivo dos pagamentos, conforme item 4 da Intimação Fiscal nº 11; • Segundo a fiscalização, considerando que referidos valores não ingressaram efetivamente no caixa da empresa, as entradas na conta caixa (débito) deveriam ter o respectivo lançamento de saída (crédito) no mesmo dia; • Em 18/08/2014, a fiscalizada apresentou boletim de ocorrência noticiando recente invasão da sede da contabilidade da empresa, o que teria impossibilitado apresentar justificativas das operações bancárias e dos cheques emitidos que foram objeto de questionamento. A fiscalizada também esclareceu que os pagamentos eram parcelados e a prazo, o que dificultava a identificação dos respectivos lançamentos; • Das 258 transferências solicitadas, o contribuinte apresentou comprovantes e justificativas em relação a apenas 83. A análise dos documentos apresentados está discriminada no Anexo I do relatório fiscal e pode ser resumido da seguinte forma: Fl. 2828DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.829 8 • Cheques emitidos: dos 75 cheques selecionados, todos maiores do que R$ 10 mil reais, foram comprovados apenas 11; • O contribuinte teve nova oportunidade para identificar os lançamentos a crédito na conta “Caixa”, relativamente aos 64 cheques restantes, informando o beneficiário; motivação do pagamento e em qual conta contábil foi registrado, conforme item 3 da Intimação Fiscal nº 11; • Foi reiterada a escusa da não apresentação de justificativa das operações bancárias e dos cheques emitidos, mediante apresentação de boletim de ocorrência relativo a invasão da sede da contabilidade, em 18/08/2014; • Dos 75 cheques emitidos selecionados, o contribuinte apresentou comprovantes e justificativas em relação a apenas 11. A análise dos documentos apresentados está discriminada no Anexo II do relatório fiscal e pode ser resumido da seguinte forma: • Esclareceu a fiscalização que, caso a saída do caixa tivesse ocorrido em dia diverso do lançamento da entrada no caixa, o que se admitiu apenas para os cheques não compensados, deveria ser indicado o dia em que tal lançamento a crédito da conta caixa foi efetuado. • Pagamento de Títulos: Foram identificados nos extratos bancários diversos pagamentos denominados “Pagamento de Título”, que eram realizados com recursos existentes na conta corrente bancária da empresa; Fl. 2829DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.830 9 • O contribuinte foi intimado (item 5 da Intimação Fiscal nº 11) a comprovar referidos pagamentos acompanhados das respectivas notas fiscais; • a exemplo dos pagamentos efetuados com cheques ou mediante transferências, referidos pagamentos eram debitados na contabilidade da empresa na conta “Caixa” e deveriam ter o lançamento a crédito no mesmo dia. Entretanto, não constam saídas nos mesmos dias, nem mesmo até 31/12/2012; • O contribuinte esclareceu que as operações cujas notas notas fiscais haviam sido apresentadas eram acordadas para pagamento parcelado e a prazo, não tendo a empresa condições para identificar os respectivos lançamentos; • Neste caso, houve identificação do beneficiário do pagamento e a motivação do pagamento, porém, novamente, o saldo da conta “Caixa” foi indevidamente inflado e os saldos das contas representativas dos fornecedores pagos também são irreais. Tais lançamentos correspondem ao montante de R$ 1.405.994,79 (um milhão quatrocentos e cinco mil novecentos e noventa e quatro reais e setenta e nove centavos) e estão discriminados no Anexo III deste Relatório Fiscal; • Recomposição do Saldo da Conta “Caixa”. • Segundo a fiscalização, considerando que referidos valores apenas transitaram pela conta “Caixa”, ou seja, não ingressaram efetivamente no caixa da empresa, as entradas na conta caixa (débito) deveriam ter o respectivo lançamento de saída (crédito) no mesmo dia; • Foram efetuados os expurgos dos lançamentos indevidos, com os históricos no extrato bancário, relativos aos suprimentos para os quais não houve a comprovação dos lançamentos a crédito na escrita contábil da conta “Caixa”: • Com o necessário expurgo dos lançamentos indevidos relativos aos suprimentos representados pelos lançamentos com históricos nos extratos bancários de “Cheques”, “Cheques Compensados”, “TED”, “Transferência online”, “Transferências Agendadas” e “Pagamentos de Título”, para os quais não houve a comprovação dos lançamentos a crédito na escrita contábil na Fl. 2830DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.831 10 conta “Caixa”, seu saldo se torna credor em vários períodos, conforme se verifica no Anexo IV deste Relatório fiscal; • Na tabela 10 abaixo, cujos valores foram demonstrados no Anexo IV do relatório, os valores de omissão considerados no mês correspondem ao maior saldo credor verificado naquele período mensal, subtraído da omissão acumulada no período sob análise. Outro critério adotado foi o de se considerar, no início de cada período anual, o saldo da conta caixa contabilizado pela contribuinte; • Com a inclusão das omissões verificadas, foram recalculadas as bases de cálculo do IRPJ e adicional, considerando o lucro real anual, tendo sido compensado na autuação o Prejuízo do próprio período apurado pelo contribuinte; • Não foram compensados os prejuízos de períodos anteriores, visto que não houve a confirmação dos valores nas DIPJ apresentadas relativas aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, período em que escriturados no LALUR; • A base de cálculo da CSLL também foi recalculada com inclusão das referidas omissões; • As receitas omitidas foram tributadas pelo PIS e pela COFINS, com aproveitamento de ofício dos saldos de créditos apurados pelo contribuinte em seu DACON, tendo remanescido saldo de crédito igual a zero em 01/01/2013; Fl. 2831DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.832 11 • Em relação ao PIS e a COFINS, além das omissões verificadas, foram lançadas insuficiências em outubro de 2012, identificadas no Auto de Infração como “Créditos Descontados Indevidamente na Apuração das Contribuições”, resultantes de utilização de créditos inexistentes relativos a junho de 2012. • Das multas aplicadas. • diante da magnitude dos valores financeiros movimentados, da frequência com que tais atos foram praticados, não há como se classificar como não intencional ou fruto de erro a postura adotada, ainda mais se considerando o resultado obtido pela contribuinte, qual seja, a economia tributária por ela alcançada; • as multas de ofício foram aplicadas neste procedimento no percentual de 150% para as ocorrências vinculadas às omissões de receitas, em virtude da caracterização da sonegação tributária, nos termos da legislação retrocitada, inclusive na apuração reflexa das contribuições; • foram apuradas multas isoladas, visto que a apuração dos resultados consolidados mensais teve que ser refeita, considerandose o valor das infrações apuradas; • Da Responsabilidade Solidária No caso, os atos com infração de lei praticados devem ser atribuídos aos sócios administradores da empresa, visto que são estes que, por disposição do Contrato Social, têm a atribuição e poder de decisão acerca dos assuntos da empresa, sendo responsáveis solidários pelo crédito tributário, nos termos dos artigos 124, I, e 135, III, do CTN; Foi providenciada, ainda, a Representação Fiscal para Fins Penais (Processo nº 13971.723380/201422) cabível nos termos dos artigos 1º e 4º da Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010. Impugnação apresentada por GILMAR ANTONIO SHMITZ: Na impugnação à responsabilidade solidária atribuída ao Sr. Gilmar Antonio Shmitz, apresentada em 29/10/2014 (fls. 1.869/1.884), foram levantadas as alegações abaixo sintetizadas: • a simples condição de sócio não acarreta a responsabilidade tributária, mas sim os atos praticados por este com excesso de poder, infração de lei ou estatuto; • não houve nenhuma demonstração de atos dolosos dos sócios; • a mesma lógica que norteia o Enunciado nº 14, do CARF, que desautoriza a qualificação da multa de ofício no caso de simples apuração de omissão de receitas, exigindo a comprovação do evidente intuito de fraude, infirma a manobra extrema de responsabilização solidária dos sócios; • requer, por fim, o cancelamento da responsabilidade solidária atribuída aos sócios. Fl. 2832DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.833 12 Impugnação apresentada por MARILEIA RAASH EBSEN: Na impugnação à responsabilidade solidária atribuída à Sra. Mariléia Raash Ebsern, apresentada em 29/10/2014 (fls. 1.885/1.900), foram apresentadas as mesmas alegações presentes na defesa do sócio Sr. Gilmar Antonio Shmitz. Impugnação apresentada pela empresa FACIL: Na impugnação apresentada em 29/10/2014 (fls. 1.901/1.930 e documentos a fls. 1.931/2.121), a autuada Fácil, Indústria, Comércio e Exportações Ltda., CNPJ nº 05.589.639/000178, sustenta as alegações abaixo sintetizadas: • a autuação é nula; o fisco deveria ter procedido ao arbitramento, diante da impossibilidade de reconstituição dos fatos contábeis ocorridos; • configura excesso de formalismo e rigor exacerbado a exigência de coincidência exata de datas e valores, pois o importante é a identificação da realidade dos fatos e a efetiva comprovação da origem dos recursos; • a despeito da impossibilidade de apontar todos os créditos que correspondem aos débitos glosados pela fiscalização, considerando o volume das operações da empresa, a impugnante identificou alguns casos, discriminados nos itens 12, 13, 14 e 15 da peça de defesa; • todas as vendas da empresa foram levadas à tributação, mas a dinâmica assumida por ela acabou impedindo de identificar, a posteriori, a vinculação das entradas com as saídas correspondentes; • a presunção de omissão de receitas, com base na recomposição da conta caixa, não se sustenta, levando a uma tributação excessiva, contrária até mesmo ao direito de propriedade, o que exige o arbitramento de valores; • na hipótese concreta a fiscalização desprezou os princípios da verdade material e do dever de investigação; • em atenção ao princípio da eventualidade, argumenta que os valores lançados a título de PIS e de COFINS, inclusive juros, deveriam ter sido abatidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme disposto no artigo 344 do RIR, sendo irrelevante o fato de não ter havido o recolhimento dos referidos tributos; • o pretenso ICMS correspondente também deveria ter sido abatido da base de cálculo do PIS e da COFINS; • a simples constatação de omissão de receitas através de presunção legal, ainda que reiteradamente, não enseja a imposição de multa qualificada, para a qual exigese a prova do dolo; Fl. 2833DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.834 13 • em face dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, bem como do critério da consunção, a multa isolada não pode prosperar, visto que o IRPJ e a CSLL apurados no encerramento dos anosbase superaram, em muito, os montantes estimados inicialmente; • é incabível a incidência de juros sobre a multa de ofício; • por ausência de liquidez e certeza, os débitos lançados não podem ser simplesmente corrigidos, impondose o seu cancelamento; • requer, por fim, o recebimento da impugnação; a suspensão da exigibilidade do crédito tributário impugnado; a declaração de procedência da defesa e conseqüente cancelamento integral dos autos de infração combatidos, inclusive em razão da iliquidez/incerteza ou, quando menos, seu cancelamento parcial, mediante expurgo das parcelas indevidas. Ato contínuo, o processo foi encaminhado à 5ª Turma de Julgamento da DRJ/SP, que julgou parcialmente procedente o lançamento, excluindo de ofício pequena duplicidade na recomposição da conta caixa, calculando seu reflexo nas demais exigências, bem como afastou totalmente a responsabilidade de ambos os Sócios administradores incluídos no lançamento. Confirase a ementa daquele julgado a quo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITAS. A constatação de saldo credor na contabilidade da conta caixa caracteriza presunção legal de omissão de receitas tributáveis. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES DE TRIBUTOS. Não podem ser descontados da base de cálculo do Imposto de Renda valores relativos a tributos não pagos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011, 2012 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. O ICMS compõe o faturamento da empresa, e não pode ser excluído da base de cálculo da COFINS, por falta de dispositivo legal que assim determine. Fl. 2834DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.835 14 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011, 2012 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. O ICMS compõe o faturamento da empresa, e não pode ser excluído da base de cálculo do PIS, por falta de dispositivo legal que assim determine. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Caracterizada a ação dolosa do contribuinte visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO. Por determinação legal, constatada a falta de pagamento do imposto por estimativa, devem ser exigidas as multas sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos, bem como o imposto apurado pelo ajuste anual, acrescido da MULTA de ofício pelo seu não recolhimento. RESPONSABILIDADE PESSOAL/ SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS /ADMINISTRADORES. Não caracterizada a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nem o interesse comum com a contribuinte autuada, exclui se a responsabilização (tanto a pessoal, quanto a solidária) de todas as pessoas físicas elencadas nos Termos de Sujeição Passiva Solidária. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida no lançamento principal é aplicável aos demais lançamentos reflexivos, face à relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 2835DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.836 15 Diante de tal revés, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 2763 a 2800), afirmando, preliminarmente que, diferente daquilo entendido no v. Acórdão, todos valores foram impugnados, inclusive aqueles referentes aos créditos glosados de PIS e COFINS. Além disso, alega 1) nulidade da autuação, pois o Fisco deveria ter procedido ao arbitramento; 2) que PIS e a COFINS deveriam ter sido abatidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; 3) que o ICMS deveria ter sido excluído da base de cálculo do PIS/COFINS; 4) a inexigibilidade da multa qualificada e 5) a extinção das multas isoladas. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2836DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.837 16 Voto Vencido Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. O Recurso de Ofício não foi expressamente interposto no v. Acórdão recorrido, mas verificase, de ofício, a ocorrência de hipótese de cabimento trazida na Portaria MF nº 63/20171. Recurso Voluntário Preliminarmente, alega a Recorrente que, diferentemente daquilo que consta no v. Acórdão, a parcela das exações referente à glosa do aproveitamentos de créditos de PIS e COFINS, do regime não cumulativo, não restou incontroversa e teria sido atacada em sua Impugnação. Afirma a Recorrente que a sua alegação sobre a necessária exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, diretamente afeta os valores em referência. 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Fl. 2837DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.838 17 Assim, para o Contribuinte, o argumento dessa matéria aproveitaria a defesa da outra. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. Observe as constatações do TVF que justificaram tal parte do lançamento: 42. Neste particular, deve ser ressaltado que todos os saldos créditos informados pela Fiscalizada como existentes no final do ano de 2012 foram utilizados de ofício para dedução das contribuições calculadas em razão das infrações apuradas, devendo ser considerado que seu saldo inicial de créditos em 01/01/2013 é igual a 0 (zero), para ambas as contribuições. 43. Ainda, houve desconto a maior na apuração destas contribuições no mês de outubro de 2012. Neste mês, a Fiscalizada descontou créditos da COFINS apurados em junho de 2012 no montante de R$ 43.735,22, conforme DACON. Ocorre que levando em conta os descontos efetuados até setembro de 2012, relativamente aos créditos apurados em junho de 2012, restavam apenas R$ 39.618,13 para desconto em outubro de 2012. Desta forma, foi descontado indevidamente no mês de outubro, relativamente ao crédito apurado em junho de 2012, o montante de R$ 4.117,09. Mesmo procedimento em relação ao PIS/PASEP, onde no mês de outubro de 2012 descontou créditos apurados em junho de 2012 no montante de R$ 23.726,01, conforme DACON. Ocorre que levando em conta os descontos efetuados até setembro de 2012, relativamente aos créditos apurados em junho de 2012, restavam apenas R$ 22.832,17 para desconto em outubro de 2012. Desta forma, foi descontado indevidamente no mês de outubro, relativamente ao crédito apurado em junho de 2012, o montante de R$ 893,84. Estas insuficiências foram lançadas nos respectivos Autos de Infração e estão identificadas pela infração “Créditos Descontados Indevidamente na Apuração das Contribuições”. Como se observa, no cômputo feito pela Fiscalização do montante de PIS e COFINS devidos pela constatação de omissão de receitas, considerando os créditos percebidos e utilizados pela Recorrente no período colhido, verificouse um aproveitamento indevido, a maior. Posto isso, a alegação jurídica, sobre a composição da base de cálculo das Contribuições Sociais em referencia, na linha que o valor do ICMS incidente nas suas Fl. 2838DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.839 18 operações não lhe compõe, é alheio à constatação específica e individual do aproveitamentos indevido de créditos destes tributos. Até porque tal acusação fiscal e sua correspondente exação se relacionam ao à quitação das obrigações de Contribuição para o PIS e COFINS, conforme concretamente calculado e declarado pelo Contribuinte, e não à formação de sua base de cálculo e apuração. Claramente, a defesa da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS não aproveita a defesa sobre a utilização de créditos indevidos (em montante maior do o verificado) dessas mesmas contribuições, confirmando ter restado, de fato, tal matéria como incontroversa nos autos. Na sequência a Recorrente passa a alegar que o lançamento de foi nulo, pois deveria ter a Fiscalização procedido ao arbitramento e não à recomposição de seu Caixa. Sustenta tal arguição afirmando que, considerando o volume das operações da pessoa jurídica, é simplesmente impossível apontar, clara e especificamente, todos os créditos que correspondem aos débitos glosados pela fiscalização, bem como a dinâmica assumida por ela [a Empresa autuada] acaba impedindo de identificar, a posteriori, a vinculação das entradas com as saídas correspondentes. Também invoca o princípio da verdade material, afirmando que a recomposição da conta caixa afastase da realidade e a apuração do lucro por arbitramento seria mais fidedigna. Tais colocações são improcedentes. Primeiro porque a Recorrente deixa de apontar qual hipótese do art. 530 do RIR/99 não teria sido observada, apenas trazendo argumentos abstratos e relacionados à suposta dificuldade forense de se combater a Autuação. Também não foi demonstrado que esta sua Conta se valia de manobras excepcionais ou de métodos diferentes de registros e contabilização que poderiam conflitar com a técnica utilizada pelo Fisco na sua recomposição. Fl. 2839DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.840 19 Mais importante, a escrituração contábil do Contribuinte não apresentou falhas ou qualquer outra manifestação de imprestabilidade que justificasse a opção pelo arbitramento. A Autoridade Fiscal dispunha de todos os elementos para proceder à precisa recomposição da conta caixa e, tanto assim é, que elaborou robusto TVF munido de planilhas com centenas de folhas que claramente apontam datas, valores, histórico, motivo dos expurgos efetuados e o resultado final da recomposição (fls. 4 a 522). Ainda, é contraditória a invocação da verdade material para suportar a necessidade de arbitramento, vez que a recomposição dessa conta, apenas excluindo os expurgos fundamentados, é a técnica que mais aproximase da realidade (repitase: quando ausentes manobras excepcionais de registro contábil ou metodologia discrepante daquela adotada pelo Fisco). Frisese que o arbitramento não é uma garantia ou uma prerrogativa do contribuinte e nem uma forma de penalizálo. Nada mais é do que uma modalidade de determinação do lucro tributável, aplicável quando verificadas, concretamente, suas hipóteses legais de adoção. Assim, diante da improcedência das alegações da Recorrente, deve ser mantida a recomposição da conta caixa. Ainda que não exista no Recurso Voluntário tópico específico sobre a prova de correspondência entre débitos (entradas) e créditos (saídas) do Caixa, o Contribuinte, quando alega a necessidade do arbitramento, já superada, demonstra o suposto encontro de alguns valores, ainda que em datas e montantes distintos, mas muito próximos em algumas hipóteses, tendo acostado em sua Impugnação dezenas de cópias de seus Livros Razão e Diário, bem como Notas Fiscais, cheques e boletos (fls. 1945 a 2120). Tais documentos, fornecidos após a lavratura das Autuações, visam suprir as deficiências de comprovação apontas nos lançamentos, quais sejam: "Identificação de Beneficiários", "Comprovação de Saída" e "Motivação de Pagamento". Confirase a esquematização das acusações fiscais elaboradas em tabela do Anexo I do Relatório Fiscal: Fl. 2840DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.841 20 Ao seu turno, da posição adotada no v. Acórdão sobre tais alegações e documentos observase que não houve uma verificação analítica de tal documentação, rejeitandoos de maneira geral e expressamente fundamentando a manutenção dos expurgos apenas em desencontros de datas e valores. Confirase: A planilha abaixo elaborada apresenta o resultado da análise dos documentos e alegações em relação a cada um dos expurgos de débitos contestados: Em relação aos expurgos de débitos efetuados em 12/09/2011 e 10/05/2012, o Anexo IV, que reproduz a escrituração auditada, evidencia que a contribuinte, por equívoco, realizou dois Fl. 2841DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.842 21 lançamentos a débito e um a crédito, todos no mesmo valor e data, tendo a autoridade fiscal expurgado os dois lançamentos a débito. Nesses casos, não há dúvida de que apenas um dos lançamentos a débito teria que ser expurgado; o outro lançamento a débito, que corresponde ao crédito de igual valor, deve ser considerado na escrituração da conta Caixa. Os demais expurgos efetuados pela fiscalização não merecem reparos, em razão dos motivos indicados na planilha acima, alinhados aos critérios utilizados pela autoridade fiscal na apuração das receitas omitidas. (fls. 2584 destacamos) Posto isso, temos que a fundamentação de manutenção de vários itens (expurgos) das Autuações e a continuidade do processo administrativo em tela fundouse na constatação de data distinta do crédito ou crédito em valor distinto. Frisese, pontualmente, aqui que, para este Conselheiro, o mero desencontro, por diferenças e distanciamento mínimos, de datas e valores de débito e crédito da conta caixa, per si, fora do contexto probatório da acusação fiscal, não bastariam para a manutenção dessa exigência. Expressamente consignouse no v. Acórdão (como acima destacado) ser esta a conclusão alcançada da análise de alegações e documentos trazidos pelo Contribuinte, tornandose a sua motivação decisória. Ocorre que, no lançamento de ofício, o desencontro de datas e valores da conta caixa colhida não foi utilizado foi como justifica dos expurgos. Adotando um exemplo, observe o seguinte débito (item) referente a uma transferência bancária: Autuação: Impugnação: Fl. 2842DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.843 22 12/01/2011 – débito no caixa de R$ 69.482,45, desconsiderado pela fiscalização – em 13/01/2011 houve crédito no caixa de R$ 69.482,45, para pagamento da NF 18269, do fornecedor Guabifios Produtos Têxteis Ltda.; (Docs. fls. 1945 a 1947) DRJ: Transparece que houve pela DRJ o câmbio do critério para a constatação da ocorrência de omissão de receitas em relação a algumas ocorrências, como listadas na tabela elaborada, não podendo prevalecer a exigência em relação a tais ocorrências, ao arrepio do conteúdo e da sistemática normativa instituída pelos arts. 142, 146 e 149 do CTN. Como já relatado e apontado, a fundamentação da constatação de omissão de receitas cingese a 1) ausência de comprovação do lançamento a crédito na conta "Caixa" e/ou 2) falta de indicação/comprovação de beneficiário de pagamentos e/ou 3) carência da motivação/causa dos pagamentos (vide fls. 120 a 133). E para combater tais acusações, a defesa da Recorrente fundouse em outros elementos, dentro da acusação inicialmente feita, visando à demonstração concreta e material da oferta de tais valores a tributação, elucidando tais ocorrências questionadas. Em momento algum a Autoridade Fiscal invocou a discrepância de valores e, em relação a divergência de data, apenas é feito breve comentário, hipotético, abstrato e de cunho interpretativo diverso, até mais flexível do que aquele adotado pela DRJ. Confirase: 23.Cheques Emitidos: em relação aos cheques, foi selecionada uma amostragem contendo todos os cheques emitidos com valor superior a R$ 20 mil (vinte mil reais). No total foram debitados na conta “Caixa” nos anos de 2011 e 2012 a quantia de R$ 3.415.359,71 (três milhões quatrocentos e quinze mil trezentos e cinquenta e nove reais e setenta e um centavos). Ora, no caso dos cheques, se estes efetivamente circularam pelo caixa da empresa, posteriormente, preferencialmente na mesma data, deveria haver um lançamento que indicasse a efetiva motivação do pagamento, mormente no caso de cheques compensados. (fls. 124) Fl. 2843DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.844 23 O art. 146 do CTN2 (que deve ser considerado em interpretação conjunta e sistemática com os arts. 142 e 149 do CTN) expressamente veda a modificação dos critérios jurídicos de uma exigência fiscal, não podendo haver inovação, por meio de decisão administrativa, no fundamento e na continuidade de exigência de crédito tributário. Desse modo, fica clara a alteração do critério jurídico promovida pelo v. Acórdão a quo em relação aos itens (expurgos) da infração acima mencionados (ao final deste listados), merecendo ser canceladas. No que tange aos demais itens combatidos, que no v. Acórdão recorrido foram mantidos pela justificativa genérica de não comprovado(s) o(s) crédito(s) correspondentes, analisando agora as provas juntadas pela Recorrente aos autos, verificase que o Contribuinte ou não trouxe qualquer documento com conteúdo probante ou apenas acostou cópia dos cheques (de difícil leitura), com o campo do beneficiário em branco ou indicando o Banco do Brasil (própria instituição Financeira fornecedora dos cheques fls. 2104 a 2121). Também não há indicações específicas nas peças de defesa sobre tal documentação e sua função de prova em relação às alegações aduzidas. Isoladamente, sem qualquer outro elemento de prova (inclusive sobre o desconto, saque ou depósito de tais valores) tais provam não bastam para elidir a presunção criada pela devida constatação fundamentada de omissão de receitas. Em face da prevalência parcial do lançamento, cabe agora enfrentar as demais alegações do Recurso Voluntário. Alega a Recorrente, apenas por meio de argumentação abstrata e genérica, que a Contribuição para o PIS e a COFINS contra ela exigidos neste mesmo lançamento de ofício deveriam ser excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, vez que são valores dedutíveis. Não procede tal alegação, na medida que desde a lavratura das Autuações havendo o presente contencioso administrativo a exigibilidade de tais Contribuições está suspensa, nunca ganhando exigibilidade e, assim, não revestindose de dedutíveis, mesmo que atinentes ao mesmo período. 2 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Fl. 2844DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.845 24 O art. 344 do RIR/99 é claríssimo ao efetuar tal ressalva à dedução lá permitida: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial Também alega o Contribuinte, por meio de arguição meramente teórica, que o ICMS deveria ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS, dele agora exigidos. Tal tese poderia até inaugurar aqui um debate sobre a necessidade ou não de sobrestamento deste processo, vez que o E. Supremo Tribunal Federal recentemente julgou a matéria favoravelmente aos contribuintes, mas não esclareceu a dinâmica temporal de seus efeitos. Todavia, o que de verifica das Autuações e do TVF (fls. 04 a 133) é que a Autoridade Fiscal não incluiu expressamente este Imposto estadual na base de cálculo do lançamento. Não há qualquer menção a tal manobra ou mesmo a indicação de que, nos valores colhidos, está incluído o ICMS inclusive por parte da Recorrente. Inclusive, as Notas Fiscais acostadas referemse a valores de expurgos já cancelados neste Voto. O que se depreende, então, é que o PIS e a COFINS foram simples e devidamente calculados sobre os valores exigidos sob a rubrica de omissão de receitas, diretamente extraídos da recomposição de conta caixa, sem considerar ou adicionar a suposta oneração tributária estadual. Desse modo, sem a demonstração e comprovação da presença do ICMS na composição dos valores colhidos pelo Fisco, o argumento se esvazia por completo, devendo ser rejeitado. Fl. 2845DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.846 25 Quanto à alegação de improcedência da multa qualificada, verificase do TVF (fls. 120 a 133) que não houve qualquer demonstração específica e individual de ocorrência de manobra dolosa, simulada ou fraudulenta (e muito menos conjunto probatório correspondente). Posto isso, é certamente incidente ao caso o disposto na Súmula CARF nº 14, devendo ser afastada a qualificação da penalidade: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Em relação à cumulação da multa de ofício com as multas isoladas, entende este Conselheiro que não podem coexistir no mesmo lançamento, independentemente da alteração legislativa que se procedeu no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96, que teria invalidado a aplicação da Súmula CARF nº 1053. Isso pois, a alteração promovida pela Lei nº 11.488/2007 não modificou o teor jurídico da prescrição das penalidades do art. 44 da Lei nº 9.430/96, apenas vindo para cambiar algumas de suas características, como a percentagem da multa isolada e afastar a sua possibilidade de agravamento ou qualificação. A dinâmica de aplicação e a coexistência de ambas penalidades não foi alterada e, por sua vez, o cenário de possibilidade de dupla penalização do contribuinte prevaleceu. Frisese que, tal ocorrência é tema que vem sendo abordado já há alguns anos por este E. CARF, havendo forte corrente que rechaça a aplicação concomitante de tais multas. Comprovando tal afirmativa, inicialmente, confirase a clara e didática redação da ementa do Acórdão nº 180301.263, proferido pela 3ª Turma Especial dessa mesma 1ª Seção, em julgamento de 10/04/2012: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. 3 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Fl. 2846DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.847 26 A garantia constitucional de ampla defesa, no processo administrativo fiscal, está assegurada pelo direito de o contribuinte ter vista dos autos, apresentar impugnação, interpor recursos administrativos, apresentar todas as provas admitidas em direito e solicitar diligência ou perícia. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento de perícia, eis que a sua realização é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora, ex vi do disposto no art. 18, do Decreto 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS DE SAÍDA E CUPONS FISCAIS. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO. Não comprovado que as notas fiscais de saída e cupons fiscais correspondem a uma mesma operação, resta configurada a omissão de receitas. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (destacamos) Como se observa, o cerne decisório foi a dupla penalização do contribuinte pelo mesmo ilícito tributário. Ao passo que as estimativas representam o simples adiantamento de tributo que tem seu fato gerador ocorrido apenas uma vez, no término do período de apuração anual, a falta dessa antecipação mensal é elemento apenas concorrente para a efetiva infração de não recolhêlo, ou recolhêlo a menor, após o vencimento da obrigação tributária, efetivamente aperfeiçoada a qual já é objeto penalização com a multa de ofício. E tratandose de ferramentas punitivas do Estado, compondo o ius puniendi (ainda que formalmente contidas no sistema jurídico tributário), estão sujeitas aos mecanismos, princípios e institutos próprios que regulam essa prerrogativa do Poder Público. Fl. 2847DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.848 27 Assim, um único ilícito tributário e seu correspondente singular dano ao Erário (do ponto de vista material), não pode ensejar duas punições distintas, devendo ser aplicado o princípio da absorção ou da consunção, visando repelir esse bis in idem, como explica Fabio Brun Goldschmitd em sua obra4. Frisese que, per si, a coexistência jurídica das multas não implica em qualquer ilegalidade, abuso ou violação de garantia. Na verdade, cada uma prestase a punir uma conduta diferente. A patologia surge na sua cumulação, em autuações que sancionam tanto a falta de pagamento dos tributos apurados no anocalendário como também, por suposta e equivocada consequência, a situação de pagamento a menor (ou não recolhimento) de estimativas daquele mesmo período de apuração, já encerrado. Tal bis in idem, caracterizado pelo duplo sancionamento administrativo do contribuinte, não deve ser tolerado. O mesmo entendimento estampa o Acórdão nº 1401001.886, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária dessa mesma 4ª Câmara, com voto vencedor sobre o tema da I. Conselheira Livia de Carli Germano, publicado muito recentemente, em 09/06/2017: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 (...) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratandose de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. 4 Teoria da Proibição de Bis in Idem no Direito Tributário e Sancionador Tributário. São Paulo: Noeses, 2014, p. 462. Fl. 2848DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.849 28 Posto isso, devem ser canceladas as multas isoladas, lançadas em referência e proporção às exigências tributárias mantidas. Recurso de Ofício Após a edição da Portaria MF nº 63/2017, a exclusão de responsáveis das demandas processuais administrativas é causa ensejadora de Recurso de Ofício, mesmo que não expressamente interposto pela DRJ. É a hipótese que se verifica no presente caso. Como se observa do relatório, o v. Acórdão recorrido afastou a responsabilidade dos sócios GILMAR ANTONIO SCHMITZ e MARILEIA RAASCH, que haviam inicialmente sido incluídos no lançamento, nos termos dos art. 124, inciso I e 135, inciso III do CTN, pela Autoridade Fiscal. Nesse sentido, o TVF (fls. 131 a 132) brevemente afirma que o ilícito colhido (omissão de receitas) implica em ocorrência de sonegação fiscal. Confirase os termos da responsabilização dos sócios: 59. Como se vê, se restar caracterizado que o crédito tributário é resultante de atos praticados com infração de lei, temos a responsabilidade solidária dos administradores. E, de fato, como restou fartamente comprovado, temse caracterizada a sonegação fiscal na conduta da contribuinte, com infração, portanto, à lei tributária e penal. 60. No caso, os atos com infração de lei praticados devem ser atribuídos aos sócios administradores da empresa, visto que são estes que, por disposição do Contrato Social, têm a atribuição e poder de decisão acerca dos assuntos da empresa: GILMAR ANTONIO SCHMITZ: designado sócio administrador da Fiscalizada, conforme consta da 6a Alteração Contratual da sociedade. MARILEIA RAASCH: designada sócia administradora da Fiscalizada, também conforme consta da 6a Alteração Contratual da sociedade. 61. Tal informação ainda foi corroborada pela resposta ao item 4 do Termo de Intimação Fiscal nº 13 protocolizada em 22/09/2014, onde foi informado que “Gilmar Antonio Schmitz e Mariléia Raasch Ebsen – funções societárias: responsabilidade igualitária por todas as decisões inerentes às questões financeiras, estratégicas, fiscais, produção, comercial, administrativa e Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.850 29 investimentos da empresa. Nenhuma decisão nestas áreas, que pudessem impactar o resultado, eram tomadas sem o conhecimento, aprovação e consenso dos sócios.” 62. De todo o exposto, concluise que os sócios citados são responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído através deste processo, nos termos dos artigos 124, I, e 135, III, do Código Tributário Nacional. 63. É fato que a pessoa jurídica é entidade diferente da dos sócios e que possui personalidade jurídica, sendo, portanto, sujeita de deveres e obrigações. Mas é fato também que a pessoa jurídica não possui, em sentido estrito, vontade própria, mas antes exterioriza a vontade das pessoas naturais que estão por detrás dela, os seus sócios e/ou dirigentes. Em primeiro lugar, devese esclarecer que a infração de omissão de receitas, da forma como apontada pela Fiscalização, de forma alguma, implica em sonegação fiscal. É mero ilícito tributário, ordinário, não podendo dele se presumir ocorrência de fraude, dolo ou simulação. O próprio teor da Súmula CARF nº 14, já citada neste voto, ainda que expressamente apenas afaste a qualificação automática da multa de ofício quando da constatação de omissão de receitas tributáveis, bastaria para denotar a incorreção dessa outra manobra perpetrada no lançamento de ofício. Ao seu turno, o art. 124, inciso I, do CTN não contém norma adequada para possibilitar a responsabilização dos sócios administradores das pessoas jurídicas, devidamente constantes dos contratos e estatutos sociais que lhes constituem. É cediço que, para ocorrer a responsabilização solidária lá prevista é necessária a constatação e a prova da participação conjunta de pessoas, como referido na sua redação, quando da ocorrência do fato gerador, devendo ser estas copartícipes das infrações percebidas pelo Fisco. O interesse comum que se refere o inciso I do art. 124 do CTN não é aquele econômico, consequencial, que os titulares, naturalmente, têm na exploração dos negócios mercantis pela pessoa jurídica, como apontado pela Fiscalização. A utilização de tal dispositivo para atribuir responsabilidade aos sócios administradores, sob a simples conjectura de haver interesse dos sócios gestores, acaba por desconsiderar, indevida e ilegalmente, a personalidade jurídica. Fl. 2850DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.851 30 E mesmo o art. 135 do CTN dispositivo este adequado à responsabilização dos sócios administradores traz consigo uma prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da personalidade jurídica do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. Confirase a lição de Aliomar Baleeiro5 (em obra atualizada por Misabel Abreu Machado Derzi) sobre o tema: A aplicação do art.135 supõe assim: 1. a prática de ato ilícito, dolosamente, pelas pessoas mencionadas no dispositivo; 2. ato ilícito, como infração de lei, contrato social ou estatuto, normas que regem as relações entre contribuinte e terceiro responsável, externamente à norma tributária básica ou matriz, da qual se origina o tributo; 3. a autuação tanto da norma básica (que disciplina a obrigação tributária em sentido restrito) quanto da norma secundária (constante no art. 135 e que determina a responsabilidade do terceiro, pela prática do ilícito). Observe que, no presente caso, a Fiscalização se ateve a rotular omissão de receitas de sonegação, apontando para a menção em contrato social dos Sócios responsabilizados como administradores do Contribuinte e fazendo simples ilação, abstrata, genérica e primária, de que a pessoa jurídica não possui, em sentido estrito, vontade própria. Como antes mencionado, um tema tão sensível, com consequências patrimoniais tão severas, demanda materialidade probatória das práticas e circunstâncias elencadas pelo Legislador no dispositivo sob análise (dolo, infração à lei que não se confunda com inadimplemento fiscal, excesso de poderes/violação de estatuo e efetiva participação na conduta ilícita), não podendo ser invocado quando da ocorrência de simples infração tributária. Dessa forma, o v. Acórdão não merece reforma, devendo ser mantida a exclusão da responsabilidade dos sócios GILMAR ANTONIO SCHMITZ e MARILEIA RAASCH. 5 Direito Tributário Brasileiro. 11ª Ed., rev. e ampl. por Misabel Machado Derzi. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 757. Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.852 31 Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, excluindo do cálculo da recomposição da conta caixa os expurgos que foram objeto de alteração de critério jurídico pela DRJ a quo, afastando a multa qualificada, para reduzir a penalidade para o montante de 75%, cancelando as multas isoladas, e negar provimento ao Recurso de Ofício. Em relação específica ao cálculo da recomposição da conta caixa do Contribuinte, os seguintes valores (expurgos), inicialmente computados pela Fiscalização, devem ser excluídos para obtenção da devida base de cálculo do lançamento de ofício parcialmente mantido: (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 2852DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.853 32 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Embora respeitando os argumentos com que o ilustre relator sustentou seu voto em relação às imposições das chamadas “multas isoladas”, faço outra leitura acerca do tema, tendo sempre perfilado com os que entendem estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, ou seja, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, inferese que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada. Se, além disso, tiver ocorrido falta de recolhimento do imposto devido com base no lucro real anual, o lançamento abrangerá também o valor do imposto, acompanhado de multa de ofício proporcional e juros, pois a determinação legal de imposição da multa de ofício, aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no final do período anual, inexistindo, portanto, a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, apontada pelo recorrente. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, não haveria nada que pudesse impedir a imposição concomitante da multa isolada com a multa de ofício devida pela apuração e recolhimento a menor do imposto e contribuição devidos na apuração anual. Todavia, quaisquer interpretações em outro sentido pudessem existir não mais se justificam a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destaquei) Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registrese que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente tornou mais clara a intenção do legislador. Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.854 33 Faço minha as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES que de forma precisa analisou o tema no Acórdão nº 10323.370, Sessão de 24/01/2008: “Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a Fl. 2854DF CARF MF Processo nº 13971.723117/201433 Acórdão n.º 1402002.603 S1C4T2 Fl. 2.855 34 garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”. Ainda acerca da concomitância na aplicação de multa de ofício e multa isolada, mesmo que abstraídas questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, o fato é que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou. Registrese, por fim, ser inaplicável, no caso, a Súmula nº 105 do CARF, posto que ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007. Assim, entendo devam ser mantidas integralmente as multas isoladas aplicadas. É como voto. Brasília (DF), em 20 de junho de 2017. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Redator Designado. Fl. 2855DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.720882/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
IMUNIDADE. ENTIDADE ASSISTENCIAL. ATIVIDADE ACESSÓRIA.
A imunidade tributária possui nítido caráter teleológico, de sorte que a entidade assistencial não pode praticar, reiteradamente, atividade econômica em regime empresarial. Ofensa ao § 4º, do artigo 150, VI, da Constituição, que expressamente determina que a imunidade alcança somente o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais de cada entidade.
SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL.
As instituições que gozam de imunidade tributária, na forma do art. 150, VI, c são obrigadas a manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades que assegurem a respectiva exatidão. Constatada a não apresentação dos livros e documentos contábeis, é lícito ao Fisco proceder à suspensão da imunidade, no período em que ocorreram tais irregularidades.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos viciados, ainda mais quando comprovado que as autoridades observaram os procedimentos previstos na legislação tributária.
Numero da decisão: 1201-001.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Luis Fabiano e Luis Toselli acompanharam o Relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: Roberto Caparroz de Almeida
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ENTIDADE ASSISTENCIAL. ATIVIDADE ACESSÓRIA. A imunidade tributária possui nítido caráter teleológico, de sorte que a entidade assistencial não pode praticar, reiteradamente, atividade econômica em regime empresarial. Ofensa ao § 4º, do artigo 150, VI, da Constituição, que expressamente determina que a imunidade alcança somente o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais de cada entidade. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. As instituições que gozam de imunidade tributária, na forma do art. 150, VI, “c” são obrigadas a manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades que assegurem a respectiva exatidão. Constatada a não apresentação dos livros e documentos contábeis, é lícito ao Fisco proceder à suspensão da imunidade, no período em que ocorreram tais irregularidades. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos viciados, ainda mais quando comprovado que as autoridades observaram os procedimentos previstos na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 08 82 /2 01 0- 83 Fl. 3273DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Luis Fabiano e Luis Toselli acompanharam o Relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados por decisão anterior deste Conselho, peço vênia para reproduzir o relatório já efetuado: Tratase de recurso voluntário interposto pelo Contribuinte acima identificado, com o fito de ver reformada a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA, a qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta visando à anulação do Ato Declaratório n° 11/2010, que decretou a suspensão da imunidade tributária da entidade em relação ao imposto de renda IRPJ e contribuições sociais, nos seguintes termos: INSTITUIÇÕES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. A imunidade prevista no art. 150, VI, "c", da Constituição Federal alcança somente as entidades que atendam aos requisitos previstos no art. 14 da Lei n° 5.172/1966, o não cumprimento de tais requisitos implica a suspensão, pela autoridade competente, da aplicação daquele "benefício". SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. As instituições que gozam de imunidade tributária, na forma do art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal de 1988, são obrigadas a manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades que assegurem a respectiva exatidão. Constatada a não apresentação dos livros e documentos contábeis, é lícito ao Fisco proceder à suspensão da imunidade, no período em que ocorreram tais irregularidades. Fl. 3274DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 4 3 ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESVIO DE FINALIDADE. A prática de atos de natureza econômicofinanceira por entidade beneficente de assistência social caracteriza desvio de seus objetivos essenciais, uma vez que estabelece concorrência com organizações que não gozam do mesmo tipo de favor, acarretando perda do direito de tratamento privilegiado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Para melhor entendimento da questão e por economia processual, transcrevo abaixo o resumo dos fatos contido no acórdão exarado na primeira instância administrativa: Trata o presente processo, de Manifestação de Inconformidade protocolada contra decisão da Delegada da Receita Federal do Brasil de Salvador, que através do Ato Declaratório Executivo n° 11, de 29 de março de 2010, publicado no Diário Oficial da União de 30 de março de 2010, suspendeu a imunidade tributária da entidade em epígrafe. O procedimento fiscal decorreu de representação do Ministério Público Federal (MPF) através do ofício 058/2009/PR/BA/AR, onde a citada instituição encaminha relatório à Receita Federal do Brasil, mencionando a movimentação financeira atípica da Organização do Auxílio Fraterno (OAF) no período de 01/01/2006 a 26/03/2008, além de mencionar seu relacionamento financeiro com a EBAL Empresa Baiana de Alimentos S/A, alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Cesta do Povo) da Assembléia Legislativa do Estado da Bahia. A movimentação de recursos no período citado pela OAF fora classificada, pelo Banco Central do Brasil (Carta Circular n° 2826), como incompatível com o patrimônio, atividade econômica ou com a ocupação profissional e a capacidade financeira presumida do cliente. 1 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA CASSAÇÃO DA IMUNIDADE E ISENÇÕES Através do Termo de fls. 02 a 15, a autoridade encarregada do procedimento fiscal propõe a suspensão da imunidade tributária da impugnante, com base nos seguintes argumentos: "O contribuinte fiscalizado é uma organização não governamental (ONG), imune para fins tributários, filantrópica, cadastrada na Receita Federal sob o CNAE n° 9430800 (atividades de associações de defesa de direitos sociais), cadastrada no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), com autorização para efetuar operações no comércio exterior, estando, inclusive, habilitada no sistema SISCOMEX para tanto”; "No site da mencionada ONG (www.oaf.org.br) se informa sua fundação em outubro de 1958, quando a advogada católica Dalva Matos fundou um abrigo para crianças abandonadas e Fl. 3275DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 5 4 mães solteiras, quando o serviço oferecido pela instituição restringiase ao internato, onde crianças e mulheres conviviam e eram assistidas. Com o ingresso na instituição do padre jesuíta Clodoveo Piazza, em 1986, fora implantada uma pequena oficina que servia tanto como instrumento de aprendizagem para os jovens acolhidos pela entidade, quanto para o custeio da mesma. O objetivo apresentado no site é a educação de crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social (Instituição de Educação e de Assistência Social)”; "A entidade atualmente conta apenas com a matriz, instalada no município de Salvador, mas já contou com quatro filiais, todas extintas por encerramento voluntário. A última ata de assembléia ocorreu em 30 de junho de 2008, quando foram eleitos como Diretor Presidente Francisco Javier Barturen López (CPF 040.230.56553), Maria Miguel Mendes como Diretora Secretária (CPF 674.550.26749), Maria Conceição Vieira Gonçalves para Diretora Social e de Educação (CPF 019.689.20587), todos com mandatos até 30/06/2012. No ano calendário 2006 eram os dirigentes da entidade a sra. Vanda Raymunda Pereira (CPF n° 050.379.80534), sra. Margarida Neves de Almeida (CPF n° 094.125.14549); sr. Marcos Paiva Silva (CPF n° 441.812.99449) e sra. Célia Pereira dos Santos (CPF n° 205.958.97894). No anocalendário 2007 os dirigentes informados à Receita Federal na DIPJ 2008 eram os mesmos que no ano anterior”. "No que se refere à entrega da DIPJ 2007 (anocalendário 2006), o contribuinte se declarou como Entidade de Assistência Social, imune do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e desobrigada de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e equiparado a industrial por opção, com saldo devedor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos meses de agosto (RS 231.755,75) e dezembro de 2006 (R$ 195.440,90). A entidade declarou ter adquirido, no ano de 2006, diversos insumos/mercadorias (ficha 24 da DIPJ 2007) no valor total de R$ 840.696,99, e as destinou, conforme informou na ficha 26 da mesma declaração, à fabricação de móveis com predominância em madeira (classificação fiscal 9403.90.90), com saídas de produtos no valor de R$ 4.710.554.80. O ativo total declarado da entidade em 2006 era de R$ 19.848.980,42. Do ponto de vista da origem e aplicação de recursos, a entidade declarou à RFB origens ("outros recursos") que somaram R$ 29.619.774,00 e aplicações ("impostos, taxas, contribuições e despesas de manutenção") de R$ 31.918.134,00, resultando no déficit anual de R$ 2.298.360,00”; "No que se refere à entrega da DIPJ 2008 (anocalendário 2007), o contribuinte se declarou como Entidade de Assistência Social, imune do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e desobrigada de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), porém SEM INFORMAÇÕES DE IPI NO PERÍODO. A contradição registrada com as informações Fl. 3276DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 6 5 prestadas em DIPJ decorrem da entrega, pelo próprio contribuinte, de livro de registro de saídas e de IPI, contendo vendas de produtos industrializados para diversos estados, em 2007, conforme detalhado adiante. O ativo total declarado da entidade em 2007 foi de R$ 14.166.384,00. Do ponto de vista da origem e aplicação de recursos, a entidade declarou à RFB origens ("outros recursos") que somaram R$ 4.201.823,00 e aplicações ("despesas de manutenção e outras despesas") de R$ 9.567.448,00, resultando no déficit anual de R$ 5.365.625,00”; "Os livros contábeis do contribuinte, objeto do Termo de Início do Procedimento Fiscal (05/06/2009) e do Termo de Reintimação Fiscal n° 002 (22/09/2009) não foram entregues até a conclusão da fiscalização, registrandose apenas a entrega, em 01/10/2009 dos mesmos, impressas em folhas soltas, sem registro na Junta Comercial (JUCEB), sem assinatura de responsáveis legais e de contador, imprestável portanto à auditoria”. Quanto aos livros fiscais, de registro de entrada e de saída de mercadorias, também foram entregues em folhas soltas, sem assinatura e sem numeração de folhas. Porém, informações curiosas foram obtidas dos mencionados livros”; 1) Embora se tratando de entidade não governamental de educação e assistência social, o "livro de registro de saídas”(folhas soltas), denominado de livro 012, evidenciou vendas de mercadorias para a Bahia, São Paulo, Pernambuco, Alagoas, Minas Gerais, Goiás, nos meses de janeiro a outubro de 2007. 2) No "livro de apuração do ICMS" (folhas soltas), para o mesmo período de janeiro a outubro de 2007 a entidade registrou operações de saída com CFOP (código fiscal de operações e de prestações) variado, listados a seguir: 5.101 (Venda de produção do estabelecimento), 5.102 (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros), 5.949 (Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado), 6.101 (Venda de produção do estabelecimento), 6.124 (Industrialização efetuada para outra empresa), 6.949 (Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado), 6.551 (Venda de bem do ativo imobilizado), 5.556 (Devolução de compra de material de uso ou consumo), 6.915 (Remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo), 5.917 (Remessa de mercadoria em consignação mercantil ou industrial), 6.902 (Retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda), 5.910 (Remessa em bonificação, doação ou brinde), 5.916 (Retorno de mercadoria ou bem recebido para conserto ou reparo). Embora nem todas as operações constituam vendas, todas elas refletem a plena atividade comercial da entidade, incluindo operações de bens industrializados pela entidade, inclusive por encomenda”; "O início da ação fiscal se deu com a ciência (em 05/06/2009), via postal, com aviso de recebimento, do Termo de Início do Procedimento Fiscal, anexo ao processo. Neste, o contribuinte é Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 7 6 intimado a apresentar, em 20 (vinte) dias, para os anos de 2006 e 2007, seu estatuto social com respectivas alterações, livros contábeis e fiscais, atas de eleição do conselho diretor ou equivalente, comprovante de reconhecimento da condição de utilidade pública federal e estadual ou municipal; certificado como entidade beneficente de assistência social ou registro como entidade para fins filantrópicos; comprovante de isenção fornecido pelo INSS; comprovação de inscrição da entidade no Conselho Municipal de Assistência Social; extratos bancários de todas as contas correntes; contratos com fornecedores; folha de pagamento de todos os funcionários e informação quanto ao tipo de relação comercial mantida com a empresa EBAL Empresa Baiana de Alimentos S/A”; "Em 09/07/2009 o contribuinte se manifesta, apresentando apenas parte da documentação solicitada, sem fornecer ao fisco os livros fiscais e contábeis e os extratos bancários de todas as suas contas, esquivandose de fornecer aqueles das contas movimentadas no banco Unibanco, objeto de citação explícita no Termo de Início de Procedimento Fiscal. Nesta data informou que o "episódio EBAL" os conduziu a dificuldades em localizar os documentos exigidos”. "Dentre os documentos fornecidos pela OAF a este fisco citam se o contrato de prestação de serviços de manutenção predial e de reparos gerais celebrado com a EBAL Empresa Baiana de Alimentos S/A. Referente ao processo n° 918/03 e seus anexos o objeto do contrato é a realização dos serviços citados, a serem realizados pela OAF na rede de lojas e mercados da EBAL. Os serviços incluíam a revisão e execução de instalações elétricas, hidrosanitárias, telefônicas, incêndio, ar condicionado, conservação de pisos, paredes, estruturas e fachadas; execução de pinturas em geral; paisagismo; revisão de cobertura; impermeabilizações, execução de esquadrias, pavimentação, dentre inúmeros outros serviços da área de engenharia. Através da cláusula 1.3 fica estabelecida a vedação à subcontratação, total ou parcial do objeto do contrato, condição esta que a OAF também parece ter desrespeitado, haja vista o grande número de empresas de construção civil contratadas no mesmo período, que possuía como escopo exatamente o mesmo de seu contrato com a EBAL. Tal fato está detalhado no item IV (Suspensão de Isenção ou Imunidade) deste relatório. O custo estimado mensal do contrato firmado era de R$ 100.323,04 (cem mil, trezentos e vinte e três reais e quatro centavos) por mês. Segundo o item 4.1 do contrato, a EBAL pagaria pelo execução dos serviços o valor correspondentes à soma dos custos arcados pela OAF com a aquisição de insumos, mão de obra, encargos sociais, materiais, veículos, equipamentos, transportes e despesas indiretas, acrescidos de 5% a título de "taxa de programa educacional”; "Da diligência efetuada na EBAL obtevese as notas fiscais emitidas pela OAF contra aquela, nos anoscalendário 2006 e 2007, todas se referindo, na descrição do serviço, a contratos de manutenção firmados. O conteúdo de todas as notas obtidas foi digitado numa planilha denominada "Notas Fiscais Emitidas Fl. 3278DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 8 7 contra a EBAL". Embora as notas obtidas não sejam conclusivas quanto ao faturamento da OAF nos anos de 2006 e 2007, são provas objetivas da fuga do objeto social desta ONG quando do estabelecimento de relações comerciais com terceiros”; "Em virtude da falta de cumprimento pela fiscalizada do objeto do Termo de Reintimação Fiscal n° 002, pela não entrega dos livros contábeis e fiscais, este fisco lavrou Termo de Constatação Fiscal n° 003, no qual dá ciência ao contribuinte de que a falta do cumprimento do art. 14 do CTN poderia acarretar a suspensão da imunidade tributária concedida ao contribuinte, através de ATO DECLARATÓRIO expedido pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil”; "Finalmente, dada à falta de dados para se apropriar as receitas auferidas pela entidade nos anos de 2006 e 2007, vez que o contribuinte não entregara seus livros contábeis e fiscais, nem forneceu a totalidade de suas contas bancárias, autorizado está o fisco federal de efetuar o afastamento do sigilo bancário do mesmo, conforme hipóteses previstas no art. 33 da lei n° 9.430/96 (embaraço à fiscalização caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, quando intimado)”; "Analisando a documentação apresentada pela OAF no curso da ação fiscal, constatouse que, no ano de 2006, a mesma era detentora de registro no Conselho Nacional de Assistência Social, conforme processo 14.089/6300, deferido em 14/05/63; possuía certificado de entidade beneficente de assistência social junto ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (Conselho Nacional de Assistência Social CNAS); certidão de utilidade pública federal decretada pelo Ministério da justiça; comprovante de Inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social de Salvador (CMASS), com validade de 02/06/2006 a 30/05/2011, e atestado de funcionamento pelo Juízo da 1a Vara da Infância e da Juventude; registro no conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente e certidão negativa de débitos mobiliários da Prefeitura de Salvador, de débitos tributários com o fisco do estado da Bahia e certidão positiva com efeitos de negativa com a União e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Apresentou ainda certidão negativa de débito, válida em 2006, junto à Previdência Social e Ato Declaratório de reconhecimento de isenção de contribuições sociais, datada de 30/04/2007”; "No ato constitutivo da OAF consta a fundação de uma sociedade de amparo à mulher e à criança, representando a ação privada para amparo às mães solteiras, mulheres e crianças abandonadas. O art. 3° do capítulo II do estatuto social de 22/11/2004 exibe como finalidade da OAF o planejamento e execução de programas de amparo, proteção sócioeducativas destinados a crianças, adolescentes e jovens em situação de Fl. 3279DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 9 8 grave dificuldade, desamparo, abandono e em risco pessoal e social, além de ministrar educação infantil e ensino fundamental: conceber programas de educação profissional, capacitando jovens e adultos para o exercício de atividades produtivas”; "O primeiro ato de desrespeito às condições estabelecidas pela legislação para o usufruto da imunidade constitucional do Imposto de Renda e da isenção para as contribuições sociais fora a não apresentação ao fisco dos livros contábeis (Diário e Razão), conforme determina o inciso III do art. 14 do Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pela Lei Complementar n° 104/2001”; "Intimado através do Termo de Início do Procedimento Fiscal e reintimado através do Termo de Reintimação Fiscal n° 002, este específico para o tema, a apresentar os livros fiscais e contábeis, o contribuinte se limitou a entregar folhas soltas de uma pretensa contabilidade, sem assinatura de contador e responsável legal e sem registro na Junta Comercial. Da mesma forma entregou os livros de registro de entradas e saídas de mercadorias e de apuração do IPI: também em folhas soltas, não contendo todos os meses dos anos de 2006 e 2007, portanto imprestáveis para a auditoria, em desrespeito ao art. 12 da Lei n° 9.532/97, que determina a manutenção da escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão”; "O segundo ato de desrespeito às condições impostas pela legislação para usufruto de seu benefício fiscal consistiu no pagamento, no anocalendário 2004, de rendimentos à Diretora Célia Pereira dos Santos (CPF n° 205.958.97894), em mandato na entidade no período de 30/12/2003 a 30/12/2007. Consulta à Dirf (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) entregue pela OAF, cuja síntese abaixo, revelou que essa entidade pagou à diretora rendimentos tributáveis (código de receita 0561) de R$ 557,19 naquele ano. Tal ato, independente de sua quantia, afronta o determinado pelo art. 12 da Lei n° 9.532/97, que veda a remuneração, por qualquer forma, dos dirigentes da entidade pelos serviços prestados, conforme art. 12 da Lei n° 9.532/97 e art 34 da Lei n° 10.637/2002”; "Finalmente, o terceiro ato de transgressão detectado por este fisco foi a prática reiterada de atividades completamente alheias ao seu objeto social. Através da diligência efetuada à EBAL Empresa Baiana de Alimentos S/A foram obtidas as notas fiscais emitidas pela OAF contra aquela, todas elas fazendo menção a serviços de manutenção predial, conforme contratos firmados, as quais estão anexas a este processo”; "Consulta aos contratos em questão revelaram que os serviços prestados pela OAF à EBAL incluíam a revisão e execução de instalações elétricas, hidrosanitárias, telefônicas, incêndio, ar condicionado, conservação de pisos, paredes, estruturas e fachadas; execução de pinturas em geral; paisagismo; revisão Fl. 3280DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 10 9 de cobertura; impermeabilizações, execução de esquadrias, pavimentação, dentre inúmeros outros serviços da área de engenharia, conforme exposto anteriormente. Do total das notas emitidas em 2006, somente contra a EBAL, constatase um faturamento de R$ 13.320.177,03; em 2007 este total fora de R$ 1.234.741,44”; "Pesquisa às declarações prestadas pela OAF quanto à retenção de imposto de renda e de contribuição social na fonte de pessoas jurídicas prestadoras de serviço, nos anos de 2006 e 2007, revelou a contratação de inúmeras empresas da área de construção civil, o que reforça a tese da atuação da entidade fora de seu objetivo social. Dentre as inúmeras contratadas podem ser citadas: SIPLAR SERVIÇOS DE RECUPERAÇÃO (CNPJ n° 00.972.960/000113, no valor de R$ 13.022,41, em 2006); a UBC INSTALAÇÕES ELÉTRICAS HIDRÁULICAS (CNPJ n° 02.062.220/000175, de R$ 137.209,34, em 2006); a ÊXITO PINTURAS (CNPJ n° 04.380.878/000150, de R$ 7.118,82, em 2006); DOS ANJOS SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA (CNPJ n° 05.913.720/000161, de R$ 19.534,00, em 2006); QUALITY ENGENHARIA E CONSULTORIA (CNPJ n° 34.306.019/000182, de R$ 15.004,64 em 2006); COMASA CONSTRUÇÕES LTDA (CNPJ n° 03.642.500/000115, de R$ 5.684.440,00 em 2006); PAULUS CONSTRUÇÕES e SERVIÇOS (CNPJ n° 02.702.285/000138, em 2006); TREVO ENGENHARIA (CNPJ n° 06.131.637/000101, de R$ 2.230.178,99, em 2006), e novamente, em 2007, a UBC INSTALAÇÕES ELÉTRICAS HIDRÁULICAS, de R$ 45.703,12. Estes dados comprovam, de forma cabal e indiscutível, que a OAF estava contratada para executar obras de construção civil, conforme atestam os contratos firmados coma EBAL, assim como deles se depreende o "modus operandi" da entidade, que subcontratava os serviços de diversas empresas da área da construção civil”; "Outro convênio (n° 061/2006) estranho ao objeto da OAF fora aquele por ela firmado com a Prefeitura Municipal de Salvador, através da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social (SEDES), tendo como objeto social a capacitação de 400 servidores desta secretaria e de 200 "parceiros de sua rede sócio assistencial", tendo como contrapartida a captação de recursos. O período do convênio foi de outubro a dezembro/2006, num valor total de R$ 259.193,99. Não ficou evidente, em nenhum documento obtido, como a receita auferida pela entidade se reverteria em benefícios dos jovens em situação de risco”; "Diante do anteriormente disposto, foi expedido TERMO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL, encaminhado ao contribuinte via postal, com aviso de recebimento, contendo o relato dos fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando a data da ocorrência da infração e a informação sobre o prazo de 30 dias para a entidade apresentar provas e alegações em contrário, se assim desejar”; Fl. 3281DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 11 10 Por fim, o processo foi encaminhado ao "SEORT para manifestação quanto às eventuais alegações apresentadas pelo contribuinte, com propositura de expedição de ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE DE IMPOSTOS E DA ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, para posterior lavratura do auto de infração dos tributos devidos, para os anoscalendário 2006 e 2007 e Representação Fiscal para Fins Penais". 2 DA NOTIFICAÇÃO AO CONTRIBUINTE DOS MOTIVOS QUE ESTARIAM DANDO CAUSA AO PEDIDO DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE Em decorrência da constatação de que o contribuinte não estaria observando os requisitos legais para o gozo da imunidade prevista no art. 150 da Constituição Federal, em cumprimento ao § 1° do art. 32 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a Impugnante foi notificada dos fatos que estariam dando causa ao pedido de suspensão do citado benefício fiscal (fls. 16 a 25). Cientificado pessoalmente da notificação fiscal em 04/02/2010 (fl. 19), na data de 08/03/2010 (fls. 2.393 a 2.400) o contribuinte apresenta suas alegação sobre os fatos, informando resumidamente o seguinte: "Instituição de assistência social, como a define a Constituição Federal (Art. 150, VI, in fine), a oponente é pessoa jurídica (Cód. Civil, arts. 40/52), associação, a união de pessoas que se organizem para fins não econômicos (Cód. Civ., arts. 53 definição usque 61). Pessoa jurídica sem fins econômicos, a associação, sobretudo nos moldes da oponente, dispensa capital social. Aos titulares dos órgãos de sua estrutura, é vedado estatutariamente auferir benefício ou vantagem patrimonial, qualquer o pretexto, modo ou forma. O que acaso foi auferido, à socapa e ao arrepio do estatuto, da lei e da Constituição, foi reprimido incontinente, de sorte que não pode ser imputado à oponente”. "Responsabilidade não se presume. Resulta de lei ou de negócio jurídico. No caso, de lei. O autor, por ação ou omissão, de infração constitucional ou legal é que é o responsável por ela, recaindo sobre ele, autor, as cominações constitucionais e legais cabíveis, respondendo ele, outrossim, pelas demais seqüelas da ilicitude cometida”. "O responsável pela infração é sempre e necessariamente, a pessoa física ou jurídica que descumpriu a obrigação. A responsabilidade é incontroversa, em se tratando de pessoa física, uma vez comprovados a autoria e a infração. Não por outra razão o Código Civil dispõe que quem, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito (Cód. Civ. art. 186), ficando sujeitos às sanções e conseqüências corolários legais do ilícito cometido. O Código Tributário Nacional, lei complementar de cunho constitucional, Fl. 3282DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 12 11 proíbe a Legislação Tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas do direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições do Estado, ou pelas Leis Orgânica do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competência tributárias (Art. 110). Quando todavia imputase a autoria de infração à Pessoa Jurídica, as coisas já não são tão simples assim. O responsável pela infração legalmente, é sempre e necessariamente quem o cometeu no mundo real, disciplinado juridicamente pelo Direito, mesmo que ele tente ocultála sob o simulacro da titularidade do órgão d'uma pessoa jurídica”. "Apesar de ainda não lhe haver a comprovação judicial, não obstante já esteja em curso o processo penal instaurado, a requerimento do Ministério Público do Estado da Bahia, sem nele figurar como o DiretorPresidente da oponente, o que lhe comprova a inexistência de responsabilidade, e pessoa jurídica não é ré em processo penal, é fato notório, dispensando prova, havendo sido objeto anteriormente de Comissão Parlamentar de Inquérito amplamente divulgada pela imprensa, que a oponente foi envolvida por um titular de órgão de sua estrutura (que não o DiretorPresidente, como dito neste parágrafo), num pacto sceleris, com um órgão público estadual, engendrado para lesar o Estado da Bahia, dele advindo a este prejuízo de monta, à revelia dela, que reagiu tão logo lhe teve ciência, assim como de outra infração, implicando locupletamento do respectivo autor, lesões repelidas tão logo a oponente teve ciência delas”. "É igualmente notório, dispensando prova, outrossim, que Secretario de Combate à Pobreza do Estado da Bahia, Diretor Presidente da oponente, assoberbado pelos afazeres da Pasta, teve de deixar a administração da oponente com Marcos de Paiva Silva, também titular do órgão da estrutura da oponente, o verdadeiro e único responsável por sua administração, desde então, o que lhe propiciou envolvêla no pactum sceleris e em outras infrações, inclusive para beneficiar patrimonialmente outro titular de órgão de estrutura da oponente, que, ao saber dessas ocorrências, adotou prontamente as medidas legais cabíveis, tanto que eles há muito perderam a titularidade dos órgãos da estrutura dela”. "Induvidoso, pois, que, as haver ocorrido, a autoria da infração é imputável, tão só e exclusivamente, a Marcos de Paiva Silva, e ao titular de órgão da estrutura da oponente que compactuou com ele, qualquer a infração, pretexto, modo ou forma, tanto que ele é réu na ação penal promovida pelo Ministério Público do Estado da Bahia”. As alegações do contribuinte, juntamente com a Representação Fiscal do fisco propondo a suspensão da isenção e imunidade foram submetidas ao SEORT/DRF/SDR, unidade da Receita Federal do Brasil encarregada da análise e emissão do parecer, que subsidiará a decisão da autoridade competente para decidir sobre a suspensão de benefícios fiscais, no caso a Delegada da Receita Federal do Brasil em Salvador. Fl. 3283DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 13 12 3 DO DESPACHO DECISÓRIO DO SEORT/DRF/SDR Analisando a matéria, o SEORT/DRF/SDR emite o Despacho Decisório 0252/2010 (fls. 2.401 a 2.407), onde, em síntese afirma que: "Cumpre salientar que a defesa apresentada pelo procurador não refutou as irregularidades identificadas pela fiscalização. Apenas atribuiu a responsabilidade pelas infrações ao administrador que figurava no período fiscalizado”; "De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte é uma entidade imune para fins tributários, cadastrada na Receita Federal sob o CNAE n° 9.430800 (atividades de associações de defesa de direitos sociais), em cujo site consta informação de que a entidade havia sido fundada em outubro de 1958, com o objetivo de abrigar crianças abandonadas e mães solteiras, tendo como seu atual objeto a educação de crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social (Instituição de Educação e Assistência Social)”; "A fiscalização identificou atos de desrespeito às condições estabelecidas pela legislação para fruição da imunidade constitucional do Imposto de Renda e da isenção para as contribuições sociais, quais sejam”: "Não apresentação ao fisco dos livros contábeis (Diário e Razão), conforme determina o inciso III, do art. 14, do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/66)”; "Realização de pagamento a uma Diretora, no valor de R$ 557,19, no anocalendário 2004, em mandato na entidade, no período de 30/12/2003 a 30/12/2007, conforme consulta à DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte). Ato que afronta o determinado pelo art. 12, da Lei n° 9.532/97 e art. 34, da Lei 10.637/2002, que vedam a remuneração, por qualquer forma, dos dirigentes da entidade, pelos serviços prestados”; "Prática reiterada de atividades completamente alheias ao seu objeto social, identificadas por meio de uma diligência à Empresa Baiana de Alimentos S/A (EBAL), na qual foram obtidas notas fiscais emitidas pela OAF contra a EBAL, todas referentes a serviços de manutenção predial, conforme contratos firmados, as quais se encontram anexadas ao presente processo. Além disso, por meio de pesquisas às declarações prestadas pela OAF, quanto à retenção de imposto de renda e de contribuição social na fonte de pessoas jurídicas prestadoras de serviço, nos anos de 2006 e 2007, revelouse contratações de inúmeras empresas da área de construção civil, o que reforçaria a atuação da entidade fora do seu objeto social. Por fim, foi identificado um convênio com a Prefeitura Municipal de Salvador, que teria como objeto a capacitação de servidores de uma Secretaria Municipal e parceiros da rede sócio assistencial, com captação de recursos, sem documentação que comprove o benefício a jovens em situação de risco”; Fl. 3284DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 14 13 Citando ou transcrevendo toda a legislação aplicável aos tributos envolvidos na fiscalização, conclui o SEORT que "a defesa não refutou o cometimento das infrações, o que nos leva a aceitar os fatos como verdadeiros, uma vez que são verossímeis. A não apresentação dos livros fiscais solicitados nas intimações demonstram violação à alínea "c", do § 2°, do art. 12, da Lei n° 9.532/97 e ao inciso III do art. 14 do CTN; Realização de pagamento a uma Diretora, no valor de R$ 557,19, no anocalendário de 2004, em mandato na entidade, no período de 30/12/2003 a 30/12/2007; As práticas reiteradas de atividades alheias ao objeto social da entidade, elencadas pela fiscalização, principalmente no contrato de manutenção predial, firmado com a EBAL, e nas subcontratações de empresas de engenharia, que nada possuem de cunho social, fato este que, inclusive, motivou rescisão unilateral do contrato, por parte da EBAL (fls.220/227), demonstram violação à alínea “b”, do art. 12, § 2o, da Lei n° 9.532/97 e ao inciso II do art. 14 do CTN, que determina a exigência da aplicação dos recursos na manutenção dos objetivos institucionais; Sobre as alegações da defesa, que buscou transferir da Pessoa Jurídica para Pessoa Física a responsabilidade pelos atos que ocasionaram a Representação Fiscal pela cassação da imunidade da Impugnante, conclui a Autoridade Fiscal que "a legislação regulamentadora da responsabilidade tributária prevista no Capítulo V, do CTN, que leciona, de forma induvidosa, que a responsabilidade de terceiros somente se aplica às hipóteses previstas no art. 134. Este rol não prevê a hipótese da ação do administrador da empresa supracitada, uma vez que ali estabelece a responsabilidade de bens de terceiros, somente pelos tributos devidos por estes, circunstância que não ocorre nos presentes autos. Aqui não se discute insuficiência de recolhimento ou seu não recolhimento. O que se discute aqui é a configuração de irregularidades capazes de suspender o gozo da imunidade tributária”. "Devese destacar ainda a disciplina contida no art. 137, do CTN, quando estabelece, taxativamente, que a responsabilidade não é pessoal do agente quando praticado no exercício regular da administração, mandato, função, cargo ou emprego, que é a hipótese desses autos”. "Após análise dos papéis que formalizam o presente processo, penso ser inequívoco que o contribuinte transgrediu requisitos estabelecidos para a fruição do benefício da imunidade. Ele transgrediu o disposto nas alíneas "b" e "c" do § 2° do art. 12 da Lei 9.532/97 e nos incisos II e III do art. 14 do CTN (Lei n° 5.172/66), conforme antes especificado”. "Do exposto, submeto à apreciação da chefia do SEORT, com a recomendação de que a autoridade competente, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Salvador, determine a suspensão da imunidade a que alude o art. 150 VI alínea "c", Constituição Fl. 3285DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 15 14 Federal, relativamente aos anoscalendário 2006 e 2007, na forma da competente e regular Representação Fiscal”. 4 DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 11/2010 Com base no Despacho Decisório 0252/2010 do SEORT, o Delegado Adjunto da Receita Federal do Brasil de Salvador, emitiu em 29 de março de 2010, o Ato Declaratório Executivo n° 11, suspendendo a imunidade da impugnante na forma do art. 32 da Lei 9.430/96 (fl. 2.408/2.410), cuja ciência ao contribuinte ocorreu através de 02 AR dos Correios, sendo o 1° em 30/03/2010 (fl. 2.411) e o 2° em 01/04/2010 (fl. 2.412). Cabe esclarecer, que na mesma data da intimação do Ato Declaratório que suspendeu a sua imunidade, o contribuinte foi também intimado dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, matéria tratada em processo específico de n° 10580.722802/201024 que tramita apensado ao presente PAF, cujo mérito será analisado em momento subseqüente à análise do processo de suspensão da imunidade e das isenções. 5 DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE AO ATO DECLARATÓRIO Regularmente intimada da suspensão da sua imunidade através do Ato Declaratório Executivo n° 11, em 29/04/2010 a interessada apresenta tempestivamente sua Manifestação de Inconformidade através de 02 petições (fls. 2.416/2.431 e 2.433/2.443), sendo a primeira relacionada aos lançamentos decorrentes da suspensão da imunidade (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) cujo mérito será analisado no processo n° 10580.722802/201024 que tramita apensado ao processo ora em análise, e a segunda vinculada ao Ato Declaratório n° 11, cuja matéria será a seguir analisada. Integra, ainda, o presente PAF, 04 pedidos de afastamento de responsabilização solidária e impugnações aos lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 2.446 a 2.553), protocolados por Vanda Raymunda Pereira, Margarida Neves de Almeida, Marcos de Paiva Silva e Célia Pereira dos Santos, matéria cujo mérito, será tratado no processo referente aos lançamentos (Processo n° 10580.722802/201024). Em sua defesa de fls. 2.433 a 2.444, a Impugnante apresenta as seguintes alegações: "O primeiro passo é delimitar a defesa ao Ato Declaratório Executivo que suspendeu, ou pretendeu suspender a imunidade da Recorrente, qual seja, ao imposto de renda da pessoa jurídica a que se refere, à Constituição Federal de 1988, no art. 150, VI, alínea "c" e a norma adjetiva esculpida o art. 32, da Lei 9.430, de 1996”; "Fixado os limites da lide, a alegação inicial e preliminar é de nulidade do ato declaratório executivo, nos termos seguintes. A Lei 9.430 de 1996, na parte de que trata da suspensão do Fl. 3286DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 16 15 benefício da imunidade, artigo 32, parágrafo 3°, traz a seguinte dicção”: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. (...) O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do beneficio, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. "O texto identifica a autoridade com competência legal para assinar e mandar publicar a decisão sobre o caso de suspensão de imunidade, que na espécie é uma Delegada, conforme indicação que consta do site da Receita Federal, cujo cargo é privativo de Auditor Fiscal”; "No entanto, a assinatura que consta do Ato Declaratório é de Servidor que não identifica o cargo, não diz a matrícula e nem informa se sua assinatura decorre de delegação de competência. Enfim, o ato é nulo pela falta de competência legal, sua identificação, ou seja, não possui os requisitos essências de validade do ato administrativo”; "A segunda preliminar é em razão da ADIN.18023, cujo teor é o seguinte”: O Tribunal por unanimidade deferiu, em parte, o pedido de medida cautelar, para suspender, até a decisão final da ação, a vigência do § 1° e a alínea f do § 2 °, ambos do art. 12, do art. 13, caput e do art. 14, todos da Lei n° 9532, de 10/12/97, e indeferindoo com relação aos demais. Votou o Presidente. Ausentes, justificadamente, os Srs. Ministros Marco Aurélio, Sidney Sanches e Celso de Mello, Presidente. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Velloso, Vice Presidente. Plenário, 21/08/1998. "Como se verifica, a Suprema Corte, em sede de ação declaratória de inconstitucionalidade, mediante antecipação cautelar, suspendeu a vigência dos artigos de lei que menciona. Ao suspender a vigência do art. 14, a decisão antecipatória cautelar por questão de causa e efeito, suspendeu também todo o artigo 32, da Lei 9.430, que abaixo se reproduz parcialmente”; "Da representação fiscal e do despacho anexo ao ato declaratório expedido constam, expressamente os enunciados acima descritos, cuja vigência está suspensa por força de cautelar em sede de ação de inconstitucionalidade, Adin 18023” ; "Suspensa a vigência do enunciado da lei, o efeito, sobretudo em matéria tributária, é sobrestar os lançamentos de constituição de créditos tributários já efetuados em data anterior à publicação Fl. 3287DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 17 16 da sentença e proibir qualquer procedimento preparatório ao lançamento, como o efetuado aqui, indevidamente. Tal proibição não decorre de mera interpretação da Recorrente. Ao invés, é por determinação da Lei 9.868, de 1999”. "Não é necessário ser expert para compreender que a medida cautelar deferida guarda efeito erga omnes, a partir da publicação da sentença (ex tunc). Sendo assim, não é difícil concluir que o crédito lançado e os pendentes de aperfeiçoamento em tramite no ambiente administrativo ficarão paralisados no aguardo da decisão judicial final”; "Quanto aos eventos que subsumem a hipótese de incidência não podem ser lançados uma vez que a lei autorizadora encontrase com sua vigência suspensa no aguardo de decisão final, sob pena de tornar letra morta a lei acima transcrita e a decisão da Suprema Corte”; "Por oportuno, vale ressaltar que a Delegacia de Salvador não apenas desobedeceu a Corte Suprema e lançou o crédito a partir de norma suspensa, como também avançou indevidamente, ao lançar multa de ofício, omitindo o sobrestamento do lançamento.Três ilegalidades, em um só ato”; "Com efeito, a autuação fiscal invocou a norma suspensa pela Suprema Corte como lançou multa de ofício, apesar de proibida por lei e incluiu no auto de infração as contribuições sociais, sem autorização, uma vez que não estas exações não constam do ato executivo”; "Por fim, quer a Recorrente que sejam considerados todos os termos e argumentos trazidos na manifestação inicial, datada de 05 de março de 2010, como se aqui estivessem escritos em razão da Delegacia de Salvador não ter considerado nem debatido qualquer dos pontos controvertidos nela (impugnação inicial da suspensão da imunidade), atentando contra os direitos e garantias fundamentais do devido processo legal, da ampla defesa, da prestação jurisdicional completa (também aplicável ao foro administrativo) e ninguém ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei Const. Fed., art. 5°, LIV, LV, XXXV e II)”; Em suas considerações finais alega que "a diretora Célia Pereira dos Santos jamais foi remunerada pela Impugnante no decorrer de seu mandato de diretora. Como ela era empregada, antes de ser eleita diretora pela Assembléia Geral, seu contrato de trabalho foi regularmente extinto, como prova a xerox do TERMO DE RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO devidamente homologado cuja juntada ao processo administrativo é requerida, sendo que a expressão pecuniária de seus direitos trabalhistas pecuniários decorrentes só lhe foram pagos quando ela, Célia Pereira dos Santos, já era diretora da Impugnante. Assim, não houve pagamento ilícito da Impugnante a Célia Pereira dos Santos, como supõe a autuação fiscal, em mais um equívoco, a ser corrigido ao ser provido o recurso”; Fl. 3288DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 18 17 "Uma instituição de assistência social obter renda ou receita, aplicada integralmente na assistência social, sua fina1idade social, como é o caso concreto mediante a prestação de serviços ou produção de bens que seriam mercantis, se prestados por empresa, não constitui infração das disposições constitucionais e legais às quais a instituição de assistência social está subordinada"; "Se o entendimento da autuação fiscal prevalecesse, não haveria instituição de assistência social que não tivesse a imunidade suspensa. Ao contrário, exatamente, o Supremo Tribunal Federal, a Corte Constitucional do país, na configuração constitucional do Poder Judiciário, há mais de década assentou a imunidade dos alugueis recebidos por Santa Casa de Misericórdia, pela locação de seus inúmeros imóveis, porque renda ou receita destinada a lhe prover a existência, assegurandolhe, destarte, o cumprimento de sua finalidade de assistência social. O caso, mutatis mutandi, da Impugnante, em seu contrato com uma entidade da administração estadual descentralizada. Se esta se houve mal, é matéria de economia interna do Estado da Bahia. A ingerência do fisco federal nessa questão atenta contra a autonomia federativa (Const: Fed., arts. 1° e 18). É irrelevante a instituição de assistência social prestar serviços ou produzir bens próprios da atividade empresarial, obtendo renda ou receita que seria empresarial, não fosse prestada por ela, desde que a renda ou receita obtida com esses serviços ou produtos seja totalmente aplicada em sua finalidade social. Como é o caso concreto. Tanto que a autuação fiscal não suspendeu a imunidade porque a renda ou receita obtida com os serviços prestados e os bens produzidos pela Impugnante não teriam sido integralmente aplicados em sua finalidade social”; "Ante o exposto, a Recorrente requer o provimento do recurso, sendo o ato declaratório executivo anulado, ou cancelado vez que afronta as razões de fato e os fundamentos de direito apontados no recurso, assim resumidos: nulidade do ato devido à falta da assinatura da Delegada, ou, ainda, pela falta de identificação funcional do Servidor que o assinou e a não indicação da delegação; pela invocação, como se fundamentos, de normas com vigência suspensa em sede de medida cautelar com efeito contra todos ex nunc”. Conforme mencionado no início deste relatório, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório n° 11/2010, mantendo a suspensão da imunidade tributária da entidade em relação ao imposto de renda IRPJ e contribuições sociais. Em 11/04/2012, a pessoa jurídica apresentou o recurso voluntário de fls. 2853 a 2866, objetivando novamente reverter o ato de suspensão de imunidade. Em 04/12/2012, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF exarou o Acórdão nº 1802001.465, Fl. 3289DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 19 18 decidindo não tomar conhecimento do recurso voluntário por considerálo intempestivo (...). O processo foi enviado à Delegacia de origem para seguir o seu curso normal (para que fosse dada ciência da decisão do CARF à interessada, etc.), mas na seqüência os autos foram devolvidos ao CARF com o Despacho de fls. 3244: Tendo em vista que o recurso voluntário interposto no processo n° 10580.722802/201024, ora apensado a este, encontrase pendente de apreciação, retornamos os processos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise, observado o despacho de encaminhamento Secat n° 0701/2013 juntado àquele processo. O processo nº 10580.722802/201024, que está apensado ao presente, trata do lançamento realizado para a constituição de créditos tributários que surgiram em decorrência da suspensão da imunidade. A primeira observação feita pela Delegacia de origem foi no sentido de que o processo apensado, que trata das exigências fiscais decorrentes da suspensão da imunidade, também deveria ter sido julgado pelo CARF. Além disso, a Delegacia de origem chama a atenção para “o despacho de encaminhamento Secat n° 0701/2013 juntado àquele processo”, com o seguinte conteúdo: PROCESSO N°: 10580.722802/201024 INTERESSADO: ORGANIZAÇÃO DE AUXÍLIO FRATERNO DESPACHO SECAT N.° 0701/2013 Tendo em vista o aviso de recebimento AR, de fl. 3353, referente à ciência do Acórdão DRJ/SDR n° 1526.318, estar com a data de recebimento omitida e considerando o art. 23, §2°, inciso II do Decreto n° 70.235/72, consideramos feita a intimação, s.m.j., em 23/03/2012, considerando a data de expedição em 08/03/2012. Tendo em vista, ainda, o recurso voluntário interposto pelo contribuinte às fls. 2953/2997, encaminhamos o processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em sessão de 21 de outubro de 2014, a 2a Turma Especial desta 1a Seção do CARF, decidiu ANULAR a decisão anteriormente proferida pelo Colegiado, Acórdão nº 1802 001.465, de 04/12/2012, e DECLINAR da competência para o julgamento dos processos 10580.720882/201083 e 10580.722802/201024, por força do limite de alçada das turmas especiais. Naquela oportunidade, o Colegiado acatou a argumentação da delegacia de origem, no sentido de que o recurso voluntário apresentado pela interessada seria tempestivo, nos seguintes termos: Fl. 3290DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 20 19 Aos presentes autos está apensado o processo nº 10580.722802/201024, que trata do lançamento realizado para a constituição de créditos tributários que surgiram em decorrência da suspensão da imunidade. O recurso voluntário apresentado nestes autos foi objeto de uma decisão anterior exarada por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, Acórdão nº 1802001.465, de 04/12/2012, ocasião em que o referido recurso foi considerado intempestivo. Não houve decisão para o processo apensado, e os autos foram encaminhados à Delegacia de origem. Na seqüência, a Delegacia de origem devolveu os autos ao CARF, chamando a atenção para a falta de julgamento do processo apensado, e também destacando informação que descaracteriza a intempestividade declarada por este colegiado. O “despacho de encaminhamento Secat n° 0701/2013” contido no processo nº 10580.722802/201024 (apensado ao presente) evidencia que a ciência das decisões de primeira instância administrativa (nos dois processos) ocorreu em 23/03/2012, e não em 08/03/2012, que seria a data de expedição das correspondências que comunicavam tais decisões. Importante destacar que o AR mencionado no despacho de encaminhamento do processo 10580.722802/201024 ao CARF possui exatamente as mesmas características do AR que embasou a decisão de intempestividade proferida por este colegiado no processo sob exame. É que as ciências das decisões de primeira instância administrativa exaradas tanto no processo que trata da suspensão de imunidade (agora sob exame), quanto no processo que trata dos créditos tributários decorrentes dessa suspensão (processo apensado), foram dadas conjuntamente, encaminhadas pelo mesmo emissário e recebidas pela mesma pessoa do mesmo modo, ou seja, sem aposição da data de recebimento da correspondência. Considerado o dia 23/03/2012 como sendo a data de ciência das decisões de primeira instância administrativa, nos termos da regra contida no art. 23, § 2°, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, fica afastada a intempestividade do recurso voluntário objeto dos presentes autos. Nesses termos, a decisão anterior proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, Acórdão nº 1802001.465, de 04/12/2012, padece do vício de nulidade, eis que ao não tomar conhecimento do recurso voluntário, por uma errônea constatação de intempestividade, incorreu em cerceamento de direito de defesa, e, por isso, deve ser anulada. Depois de passar por outros Conselheiros, os autos foram devolvidos e sorteados a este Relator. Fl. 3291DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 21 20 É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso foi considerado tempestivo pela Delegacia de origem e por decisão anterior deste CARF; como atende aos pressupostos legais, dele conheço. A questão em discussão nos autos diz respeito à suspensão da imunidade da Recorrente, enquanto que no processo n. 10580.722802/201024, que será julgado em conjunto com o presente, questionase os créditos tributários decorrentes do Ato Declaratório que ensejou a suspensão. Faremos a análise tópica dos pontos controversos trazidos pela Recorrente, conforme segue. a) Base legal da suspensão da imunidade Aduz a Recorrente que a base legal para a suspensão da imunidade não poderia utilizar dispositivos da Lei n. 9.532/97, pois o STF teria suspendido, em ação cautelar, os efeitos de alguns desses dispositivos quando do julgamento da ADI 18023. O tema foi enfrentado pela decisão de piso, que apresentou os seguintes argumentos, que acolhemos integralmente: A controvérsia resultou em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) impetrada pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais, Estabelecimentos e Serviços (CNS) cuja liminar foi deferida parcialmente em 27/08/1998, nos seguintes termos: ADIn 18023 O Tribunal, por unanimidade, deferiu, em parte, o pedido de medida cautelar, para suspender, até a decisão final da ação, a vigência do §1º e a alínea f do §2º, ambos do art. 12, do art. 13, caput e do art. 14, todos da Lei nº 9.532, de 10/12/97, e indeferindoo com relação aos demais. Votou o Presidente. Ausentes, justificadamente, os Srs. Ministros Marco Aurélio, Sydney Sanches e Celso de Mello, Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Velloso, VicePresidente. Plenário, 27.08.1998. Assim, até o julgamento da referida ADIn, está suspensa a vigência dos dispositivos da Lei nº 9.532, de 1997, abaixo destacados: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais Fl. 3292DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 22 21 houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio à outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos calendário em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, Fl. 3293DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 23 22 omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32. da Lei nº 9.430, de 1996. Entende a Impugnante, que “ao suspender a vigência do art. 14, a decisão antecipatória cautelar por questão de causa e efeito, suspendeu também todo o artigo 32, da Lei 9.430/1996” e que, suspensa a vigência do enunciado da lei, o efeito, sobretudo em matéria tributária, é sobrestar os lançamentos de constituição de créditos tributários já efetuados em data anterior à publicação da sentença e proibir qualquer procedimento preparatório ao lançamento, como o efetuado aqui, indevidamente. Não nos parece correta tal interpretação. A norma inserida no art. 32 da Lei 9.430/1996 é eminentemente procedimental e apenas regula a forma pela qual o fisco poderá exercitar o seu direito material de suspender a imunidade concedida a qualquer contribuinte, desde que este descumpra os requisitos e condições exigidos pelo art. 14 do CTN e pelos dispositivos da Lei nº 9.532, de 1997, que não foram objeto de suspensão na Adin 1.8023. A cautelar concedida nos autos da referida ADIn, afetou parcialmente os artigos 12 e 13 da Lei nº 9.532/1997, em especial no que diz respeito ao parágrafo primeiro e parágrafo segundo, alínea “f” do art. 12 e caput do artigo 13, que se refere à prática de ato que constitua infração à dispositivo da legislação tributária ou, de qualquer forma, a cooperação para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Todos os dispositivos restantes daqueles comandos legais permanecem hígidos e aptos a produzirem seus efeitos. Quanto ao artigo 14, este apenas remete ao artigo 32 da Lei 9.430/1996 os casos advindos da Lei 9.532/1997. O artigo 32 permanece válido como norma de caráter procedimental para os demais casos, tanto para os artigos da Lei 9.532/97 não afetados pela decisão do STF, como para os casos advindos dos requisitos constantes do Código Tributário Nacional. Constatase que a norma prevista no artigo 32 da Lei n. 9.430/96 cuida apenas dos procedimentos de fiscalização para o exercício do direito de suspender a imunidade quando descumpridos os requisitos do artigo 14 do CTN e dos dispositivos da Lei n. 9.532/97 não afetados pela decisão cautelar do STF. Fl. 3294DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 24 23 Como visto, os motivos que ensejaram a suspensão da imunidade da Recorrente foram diversos e bem definidos pela autoridade fiscal: a) O primeiro ato de desrespeito às condições estabelecidas pela legislação para o usufruto da imunidade constitucional do Imposto de Renda e da isenção para as contribuições sociais fora a não apresentação ao fisco dos livros contábeis (...) portanto imprestáveis para a auditoria, em desrespeito ao art. 12 da Lei n° 9.532/97, que determina a manutenção da escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão”; b) O segundo ato de desrespeito às condições impostas pela legislação para usufruto de seu benefício fiscal consistiu no pagamento, no anocalendário 2004, de rendimentos à Diretora Célia Pereira dos Santos; c) O terceiro ato de transgressão detectado por este fisco foi a prática reiterada de atividades completamente alheias ao seu objeto social. Através da diligência efetuada à EBAL Empresa Baiana de Alimentos S/A foram obtidas as notas fiscais emitidas pela OAF contra aquela, todas elas fazendo menção a serviços de manutenção predial, conforme contratos firmados, as quais estão anexas a este processo. Constatase, s.m.j., que as irregularidades detectadas pela autoridade fiscal baseiamse em dispositivos que não foram alcançados pela decisão do STF, restando incólume a possibilidade de suspensão da imunidade da Recorrente. Destacamos, por oportuno, que o Despacho Decisório que fundamentou o Ato Declaratório de suspensão da imunidade expressamente consignou os fundamentos jurídicos da medida: Após análise dos papéis que formalizam o presente processo, penso ser inequívoco que o contribuinte transgrediu requisitos estabelecidos para a fruição do benefício da imunidade. Ele transgrediu o disposto nas alíneas "b" e "c" do § 2° do art. 12 da Lei 9.532/97 e nos incisos II e III do art. 14 do CTN (Lei n° 5.172/66), conforme antes especificado. Assim, verificase que os dispositivos que embasaram o ato administrativo aqui questionado não foram atingidos pela decisão cautelar do STF. Consulta ao sítio do Pretório Excelso, formulada na data de elaboração deste voto, informa que ainda não ocorreu o trânsito em julgado da ADI 18023. No atual estado jurídico em que se encontra o presente processo, parecenos que não há obstáculo para o reconhecimento da validade do Ato Declaratório exarado pela Receita Federal. b) Sobre a competência para assinatura do Ato Declaratório A Recorrente questiona a validade do ato combatido sob o argumento de que a competência para assinatura é privativa do Delegado ou Inspetor da Receita Federal e que no caso dos autos o instrumento foi assinado pela auditora fiscal Elen Cristina Britto de Souza Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 25 24 Mat. 718.482, que não possuiria competência para tanto, nos termos do artigo 32, §3º, da Lei n. 9.430/96: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. (...) §3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. Este ponto também foi enfrentado pela decisão recorrida: Quanto à primeira alegação de nulidade (Ato Declaratório assinado por servidor não identificado ou incompetente), consta às fls. 2.408 do PAF, o original do Ato Declaratório nº 11/2010, devidamente assinado pelo Auditor Fiscal Pedro Wenceslau Cardoso Rodrigues, Delegado Adjunto da DRF/Salvador. O citado documento indica em seu texto, que este teria sido emitido pelo “Delegado Adjunto da Receita Federal do Brasil em Salvador, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 280, inc. VII, da Portaria MF 125, de 04/03/2009, publicada no D. O. U. de 06/03/2009”, cujo teor é o seguinte: Art. 280. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: I a VI (...) VII decidir sobre o reconhecimento de imunidades e isenções; VIII a XIII (...) XIII negar o seguimento de impugnação, manifestação de inconformidade e recurso voluntário, quando não atendidos os requisitos legais. Como sabido, os DelegadosAdjuntos substituem os titulares nos casos de eventuais ausências ou impedimentos, conforme normas internas do Ministério da Fazenda. Nesse contexto, a Ato Declaratório em questão integra o Despacho Decisório n. 0252/2010, cuja ciência à Recorrente (além da publicação no Diário Oficial), ocorreu em 30/03/2010, conforme AR dos Correios, recepcionado por Ailton M. da Conceição. Afastase, pois, o argumento de nulidade, pois não se verifica qualquer vício formal ou material no citado ato, especialmente no que diz respeito à assinatura por servidor incompetente. Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 26 25 A simples leitura do documento de fls. 2.416 nos leva a concluir pela pertinência e validade do ato, nos termos da legislação de regência. Afastadas as preliminares de nulidade, no que respeita ao mérito melhor sorte não alcança a Recorrente. Restou sobejamente comprovado nos autos a ocorrência de práticas que desbordam os requisitos e condições para o reconhecimento e manutenção da imunidade tributária. Com efeito, a redação do artigo 14 do Código Tributário Nacional, que regulamenta a imunidade das entidades beneficentes e de assistência social, nos leva a concluir pelo desrespeito às condições estabelecidas: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título;(Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Já nos manifestamos, em outros julgados, pela impossibilidade de as entidades do chamado terceiro setor notadamente no caso de ONG´s, como a interessada exerceram atividade comercial e empresarial, como comprovado nos autos. A fiscalização demonstrou que a entidade praticava reiteradamente atividades alheias ao seu objeto social, notadamente relacionadas à construção civil, como no caso do contrato de manutenção predial firmado com a EBAL. Neste ponto não podem prevalecer os argumentos da entidade, no sentido de que tais atividades tinham por objeto o treinamento de pessoas, até porque apurouse que houve várias subcontratações de terceiros, empresas de engenharia, sem qualquer cunho social, fato que motivou, inclusive, a rescisão unilateral do contrato pela EBAL. Como as atividades desempenhadas pelas entidades merecedoras de imunidade devem se relacionar com o seu objeto social, entendo que houve ofensa expressa aos requisitos necessários para o benefício. Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1201001.804 S1C2T1 Fl. 27 26 Ademais, também ficou comprovado que a interessada, embora devidamente intimada e reintimada, não apresentou os livros ou documentos fiscais, ou o fez de forma incompleta, sem respeito aos requisitos formais, como destacou a fiscalização: Intimado através do Termo de Início do Procedimento Fiscal e reintimado através do Termo de Reintimação Fiscal n° 002, este específico para o tema, a apresentar os livros fiscais e contábeis, o contribuinte se limitou a entregar folhas soltas de uma pretensa contabilidade, sem assinatura de contador e responsável legal e sem registro na Junta Comercial. Da mesma forma entregou os livros de registro de entradas e saídas de mercadorias e de apuração do IPI: também em folhas soltas, não contendo todos os meses dos anos de 2006 e 2007, portanto imprestáveis para a auditoria, em desrespeito ao art. 12 da Lei n° 9.532/97, que determina a manutenção da escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão. Por fim, no que tange à remuneração da diretora Célia Pereira dos Santos, a decisão de piso acatou os argumentos da interessada e entendeu pela licitude do pagamento de pequena quantia em seu favor, decorrente de rescisão de contrato de trabalho. Em síntese, concluise que a não apresentação dos livros e documentos exigidos pela legislação, aliada à prática reiterada de atividades de natureza econômica e empresarial estranhas ao objeto social da entidade, em claro desvio de finalidade e em desobediência aos requisitos para o gozo da imunidade, são fatos suficientes para a suspensão do benefício. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 3298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.911712/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.543
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 17 12 /2 01 1- 84 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10980.911712/201184 Acórdão n.º 3302004.543 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06043.111. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.911712/201184 Acórdão n.º 3302004.543 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.911712/201184 Acórdão n.º 3302004.543 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.911712/201184 Acórdão n.º 3302004.543 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.911712/201184 Acórdão n.º 3302004.543 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.911712/201184 Acórdão n.º 3302004.543 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.735838/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado.
MULTA QUALIFICADA
A existência de correntes doutrinárias divergentes, bem como de precedentes jurisprudências favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstram, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2301-005.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos inominados para correção do número do Acórdão de 2202-002.569 para 2201-002.569.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 08/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA A existência de correntes doutrinárias divergentes, bem como de precedentes jurisprudências favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstram, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Recurso parcialmente provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos inominados para correção do número do Acórdão de 2202-002.569 para 2201-002.569. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator EDITADO EM: 08/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
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Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA A existência de correntes doutrinárias divergentes, bem como de precedentes jurisprudências favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstram, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Recurso parcialmente provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 58 38 /2 01 1- 17 Fl. 1319DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos inominados para correção do número do Acórdão de 2202002.569 para 2201002.569. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 08/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Relatório Tratamse de Embargos Inominados do Presidente da 2ª Câmara/1ª Turma Odinária opostos contra o Acórdão nº 2202002.569 (fls. 1286 a 1308), proferido em 04/11/2014, pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2º Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2006, 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA A existência de correntes doutrinárias divergentes, bem como de precedentes jurisprudências favoráveis ao negócio jurídico Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 12448.735838/201117 Acórdão n.º 2301005.110 S2C3T1 Fl. 3 3 praticado pelo contribuinte, demonstram, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Recurso parcialmente provido". Em 06/07/15, a Presidente da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária apresentou Embargos Inominados, uma vez que foi identificado erro no número do acórdão, conforme pode ser observado a seguir: Em sessão plenária de 04/11/2014, foi julgado o Recurso Voluntário em epígrafe, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2201002.569. Formalizado o acórdão em 03/03/2015, a SECAM/2ª CAM/2ª SEJUL detectou erro no respectivo número – 2202002.569 ao invés de 2201002.569 – lapso este que acarreta inclusive a existência de dois julgados com a mesma numeração, um na Primeira Turma Ordinária e outro na Segunda Turma Ordinária, ambos da 2ª CAM/2ª SEJUL. Identificado o lapso, os autos foram devolvidos ao Relator, especificandose a necessidade de correção por meio de nota no sistema eprocesso. Entretanto, tendo em vista o tempo decorrido sem qualquer providência por parte do Relator no sentido de resolver a pendência, só resta a esta Presidência opor os presentes Embargos Inominados, previstos no art. 66, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, que assim estabelece: “Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.” Diante do exposto, encaminho ao Relator, para reinclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 1321DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Os embargos de declaração são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Em 06/07/15, a Presidente da 2ª Câmara/1ª Turma Odinária apresentou Embargos Inominados, uma vez que foi identificado erro no número do acórdão, uma vez que há erro no número do acórdão 2202002.569 ao invés de 2201002.569 – lapso este que acarreta inclusive a existência de dois julgados com a mesma numeração, um na Primeira Turma Ordinária e outro na Segunda Turma Ordinária, ambos da 2ª CAM/2ª SEJUL. Não resta dúvida de que há um erro material passível de correção por meio de embargos, de modo que o número do Acórdão deve ser corrigido. Com base no exposto, voto por acolher dos embargos inominados para correção do número do Acórdão de . 2202002.569 para 2201002.569, de modo que o Acórdão nº 2201002.569 terá a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2006, 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA A existência de correntes doutrinárias divergentes, bem como de precedentes jurisprudências favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstram, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 12448.735838/201117 Acórdão n.º 2301005.110 S2C3T1 Fl. 4 5 autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Recurso parcialmente provido". É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 1323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.001106/2006-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 01/01/2001
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 01/01/2001 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo.
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score : 1.0
Numero do processo: 11543.000025/2011-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Atendidos os pressupostos de admissibilidade relativamente a um dos paradigmas indicados, o Recurso Especial deve ser conhecido.
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. MATÉRIA SUMULADA.
Incabível a incidência do Imposto de Renda sobres rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão recebidos por portador de moléstia grave prevista em lei, devidamente comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
Numero da decisão: 9202-005.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos de admissibilidade relativamente a um dos paradigmas indicados, o Recurso Especial deve ser conhecido. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. MATÉRIA SUMULADA. Incabível a incidência do Imposto de Renda sobres rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão recebidos por portador de moléstia grave prevista em lei, devidamente comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos de admissibilidade relativamente a um dos paradigmas indicados, o Recurso Especial deve ser conhecido. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. MATÉRIA SUMULADA. Incabível a incidência do Imposto de Renda sobres rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão recebidos por portador de moléstia grave prevista em lei, devidamente comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 00 25 /2 01 1- 53 Fl. 136DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 17/07/2013, foi dado provimento ao Recurso Voluntário s/n, exarandose o Acórdão nº 2802002.430 (efls. 79 a 82), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. MAL DE ALZHEIMER. DEMÊNCIA COMPROVADA. ALIENAÇÃO MENTAL. ISENÇÃO RECONHECIDA. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria e pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A presença nos autos de laudo médico que comprova que o contribuinte, portador do chamado Mal de Alzheimer, sofre de demência, é de se concluir que o mesmo tem direito ao gozo da isenção aplicável à alienação mental. Recurso voluntário provido." O processo foi encaminhado à PGFN em 29/07/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 83) e, em 1º/08/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 94), a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de efls. 84 a 93. O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a isenção por moléstia grave, relativamente a portador do Mal de Alzheimer. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/n de 03/06/2016 (efls. 96 a 99). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: a isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, nos termos abaixo: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11543.000025/201153 Acórdão n.º 9202005.540 CSRFT2 Fl. 137 3 profissional, tuberculose ativa, alienação mental, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estado avançados da doença de Paget (osteíte deformante), síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei n° 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004)" a partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei nº 9.250, de 26/12/1995, in verbis: "Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 dedezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido porserviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dosMunicípios.”(g.n.) o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, incisos XXXI e XXXIII, bem como no §4º também trata da matéria: CAPÍTULO II RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS Seção I Fl. 138DF CARF MF 4 Rendimentos Diversos Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Pensionistas com Doença Grave XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) Proventos de Aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao normatizar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, e alterações posteriores, assim esclarece: "Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia (...) 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(g.n.) Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11543.000025/201153 Acórdão n.º 9202005.540 CSRFT2 Fl. 138 5 § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial." (g.n.) de acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção: um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro relaciona se com a existência da moléstia tipificada no texto legal; quanto requisito indispensável à concessão da isenção objeto da controvérsia neste feito, frisese que a doença discriminada nos documentos apresentados trata se de demência senil do tipo Alzheimer, ou doença de Alzheimer, moléstia esta que não se encontra discriminada na Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004; sabese que, de acordo com o estabelecido na Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal, portanto não há como interpretar de modo diferente o assunto; concluise, então, que a interessada não faz jus à isenção regulamentada pela Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004; ademais, esclareceu a decisão administrativa de primeira instância que não foram cumpridos os requisitos cumulativos, pois no laudo médico da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Vitória não logrou a contribuinte comprovar que possuiu uma das doenças especificadas na legislação: "Do dispositivo legal acima transcrito, inferese que duas condições básicas devem ser comprovadas, concomitantemente: que os rendimentos percebidos pelo portador da moléstia grave prevista em lei sejam oriundos de aposentadoria ou reforma; que a moléstia grave, contraída antes ou após a aposentadoria ou reforma, seja comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O motivo da glosa foi a falta de apresentação de laudo médico emitido por serviço médico oficial, especificando a moléstia grave e quando ela se manifestou. Fl. 140DF CARF MF 6 Constam dos autos dois laudos médicos emitidos pela Secretaria de Saúde da Prefeitura de Vitória, um apresentado em atendimento ao termo de intimação fiscal (fl. 39) e o segundo apresentado junto com a impugnação (fl. 08), ambos informando que a impugnante é portadora de mal de Alzheimer. Somente faz jus a isenção do imposto de renda da pessoa física, se a doença contraída pelo sujeito passivo estiver descrita no art. 39, inciso XXXIII, acima transcrito e mal de Alzheimer não consta naquela relação. No laudo médico deve ser mencionada uma das doenças constantes do art. 39, inciso XXXIII e a data de início da doença. Portanto, não logrou êxito a contribuinte em comprovar que possui uma das doenças especificadas em lei para fins de isenção do imposto de renda da pessoa física." desse modo, concluise que acórdão hostilizado merece reforma. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja conhecido e provido o recurso, reformandose o acórdão recorrido e restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Cientificada em 13/07/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 122), a Contribuinte ofereceu, em 28/07/2016 (carimbo aposto às efls. 125), as Contrarrazões de efls. 125 a 130, contendo os seguintes argumentos: o recurso não observou o art.67, §1° do Regimento Interno do CARF, já que em momento algum demonstrouse qual foi a legislação supostamente interpretada de forma divergente, já que os paradigmas indicados na verdade abordavam caso diverso, sendo que o primeiro deles deixou bem claro que quando do Mal de Alzheimer decorrer outra moléstia, haverá a isenção do IRPF, que é exatamente o caso em questão; indiscutível que a Contribuinte demonstrou ser portadora de Mal de Alzheimer, com capacidades mentais alteradas, considerada como moléstia grave, visto não ter cura; o próprio laudo médico especifica que a Contribuinte sofre declínio cognitivo, sendo que a doença é progressiva e irreversível; além disso, foi juntada aos autos prova de Ação de Interdição, demonstrando que a Contribuinte é pessoa incapacitada definitivamente para os atos da vida civil; não se pode olvidar que quem sofre do Mal de Alzheimer, sofre de demência, que está inserida no contexto de alienação mental, consoante tópico 2.1 da Portaria Normativa n° 1174/MD. Ao final, a Contribuinte requer o não conhecimento do Recurso Especial ou, caso assim não se entenda, o seu não provimento. Voto Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11543.000025/201153 Acórdão n.º 9202005.540 CSRFT2 Fl. 139 7 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do cumprimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, argumentando, em síntese, a falta de demonstração da legislação interpretada de forma divergente. Tratase de isenção de rendimentos recebidos por portador de moléstia grave prevista em lei, mais especificamente, de Mal de Alzheimer. Esclareçase, de plano, que a demonstração da legislação que está sendo interpretada de forma divergente não tem de estar necessariamente expressa no apelo, desde que nele se demonstre qual o arcabouço jurídico que está sendo tratado, evitandose assim a apresentação de decisões divergentes em face de arcabouços normativos estranhos à lide objeto do recurso. No mais, este CARF tem dado seguimento a apelos que, a despeito de não demonstrarem de forma expressa a legislação que está sendo tratada, essa informação é facilmente deduzida da própria demonstração dos pontos de divergência indicados nos paradigmas, portanto considerase que atendem aos comandos do RICARF. No caso do recurso em análise, fica claro que todo o litígio versa sobre a interpretação da legislação que rege a isenção de rendimentos de pessoas físicas portadoras de moléstia grave, mormente o art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988. Aliás, tal dispositivo legal está expresso logo na primeira linha do item "Dos Fundamentos para a Reforma do Acórdão Recorrido", às fls. 6 do Recurso Especial. A Contribuinte também argumenta que o primeiro paradigma não se prestaria a demonstrar a alegada divergência, o que efetivamente coincide com a conclusão do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, relativamente a este julgado. Entretanto, o segundo paradigma Acórdão 10616.392 foi analisado e considerado apto a demonstrar a alegada divergência, o que não foi objeto de questionamento pela Contribuinte, de sorte que conheço do Recurso Especial e passo a examinarlhe o mérito. O art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina Fl. 142DF CARF MF 8 especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma." (grifei) A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No presente caso, tratase de rendimentos de aposentadoria e pensão, referentes ao exercício de 2009, recebidos por portadora de Mal de Alzheimer desde 2002, conforme laudo médico emitido pela Secretaria de Saúde do Município de Vitória, que atesta tratarse de demência, de caráter progressivo e irreversível. Nesse passo, convém trazer à colação os fundamentos do acórdão recorrido, com os quais concordo e ora reitero: "Em termos de laudo expedido por serviço médico oficial, como exige o art. 30 da Lei 9.250/1995, há o Laudo Médico (fls. 39 ratificado com o de fls. 69) expedido pela Secretaria de Saúde de Vitória que atesta o Mal de Alzheimer seguido da expressão “demência” além do CID G 30.9 (Doença de Alzheimer não especificada). Anotese que o referido laudo descreve que desde 09/09/2002 a paciente vem sofrendo declínio cognitivo e que a doença é progressiva e irreversível. (...) Embora esses documentos não empreguem a expressão alienação mental, comprovam que a recorrente é portadora de 'demência'. Os dois termos não são sinônimos, porém é legítimo enquadrar a demência como espécie de alienação mental. Nesse sentido, Manuais de Perícias Médicas no âmbito do Poder Executivo Federal estabelecem que são necessariamente casos de alienação mental os estados de demência (Portaria Normativa Nº 1174/MD, de 06 de Setembro de 2006 e http://www.servidor.gov.br/seg_social/arq_down/manual_perici a_30012007.pdf)." (grifei) Assim, comprovado que a Contribuinte, no exercício em tela, era portadora de Mal de Alzheimer, incluindo demência/alienação mental, que figura no dispositivo legal que prevê a isenção, é de se concluir pelo direito ao benefício. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11543.000025/201153 Acórdão n.º 9202005.540 CSRFT2 Fl. 140 9 Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720614/2007-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. CTN, ART. 173, I. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. CPC/1973, ART. 543-C, REPETITIVO. RICARF/2015, ART. 62, §2º.
Da falta de comprovação de pagamento do tributo decorre a aplicação do artigo 173, I, do CTN, rejeitando-se a alegação de decadência. Reprodução do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543-C, do Código de Processo Civil/1973, nos termos do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015, artigo 62, §2º).
Numero da decisão: 9101-002.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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CTN, ART. 173, I. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. CPC/1973, ART. 543C, REPETITIVO. RICARF/2015, ART. 62, §2º. Da falta de comprovação de pagamento do tributo decorre a aplicação do artigo 173, I, do CTN, rejeitandose a alegação de decadência. Reprodução do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543C, do Código de Processo Civil/1973, nos termos do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015, artigo 62, §2º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 06 14 /2 00 7- 11 Fl. 1131DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase o presente de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão no 120100.001, por meio do qual os membros do Colegiado acordaram, por maioria de votos, em acolher a preliminar de decadência, com fulcro no art. 150 §4º, do CTN, e, por unanimidade negar provimento ao Recurso Voluntário. Logo, a Fazenda objetiva discutir apenas a regra aplicável ao caso quanto ao prazo decadencial para o Fisco lançar tributos. Na origem, tratase de Auto de Infração lavrado para cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, e consectários legais, aí incluída multa agravada, pela apuração de omissão de receitas caracterizada pela configuração de depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte, relativamente aos anoscalendário de 2002 a 2004. A ciência do lançamento ocorreu em 11/12/2007. Após recebimento do Auto de Infração o Contribuinte regularmente apresentou impugnação. A DRJ, por seu turno, julgou parcialmente procedente a impugnação, afastando o agravamento da multa aplicada, determinando a aplicação exclusiva da multa de 75%. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF, arguindo, dentre outros fundamentos, a decadência (fl. 608). No julgamento do Recurso a 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento acolheu a preliminar de decadência, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: “A s s u n t o : I m p o s t o s o b r e a R e n d a d e P e s s o a J u r í d i c a IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Independentemente de haver ou não pagamento, excetuandose os casos de dolo, fraude ou simulação, a Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade de lançamento por homologação. (grifei) Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10283.720614/200711 Acórdão n.º 9101002.852 CSRFT1 Fl. 1.131 3 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro, com fundamento no art. 47, inciso III, da Lei n° 8.981/95, na situação em que a contribuinte regularmente intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixa de apresentálos. RECEITA OMITIDA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO APLICÁVEL A receita omitida será computada para a determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, ser for o caso, de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIO Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula I o CC n° 2) TRIBUTAÇÃO REFLEXA . Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por W.P. CONSTRUÇÕES E TERRAPLANAGEM LTDA. ACORDAM os Membros da 2A câmara / I a turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, INDEFERIR os pedidos de perícia e diligência e REJEITAR a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência, para considerar decaídos os fatos geradores ocorridos até o 3º trimestre/2002, inclusive, para o IRPJ, e até nov/2002, inclusive, para as demais contribuições, vencida a Conselheira Adriana Gomes Rêgo, que não acolheu a decadência, e por unanimidade de votos, NEGAR provimento quanto às demais matérias, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Fl. 1133DF CARF MF 4 Cientificada dessa decisão a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, visando sanar omissão quanto ao resultado do julgamento do Recurso de Ofício. No julgamento dos embargos de declaração foi sanada a omissão, sem efeitos infringentes, esclarecendose o não provimento do Recurso de Ofício. Cientificada da decisão do embargos a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir a decadência. Para demonstração da divergência a Fazenda apresenta os Acórdãos 102 46273 e 10420.839, como paradigmas, argumentando que o entendimento foi totalmente oposto àquele contido no recorrido, no sentido de que configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Nesse contexto, a Fazenda Nacional requer o conhecimento de seu Recurso Especial. Em suas razões, alega, em suma: ü Na hipótese dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a contagem do prazo decadencial deverá se dar com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN, conforme majoritário entendimento jurisprudencial e doutrinário sobre o tema; ü Esse posicionamento já está pacificado no âmbito do STJ A Autoridade competente deu seguimento ao Recurso Especial, nos seguintes termos: “Conforme visto, no acórdão recorrido não se perquiriu sobre a existência de recolhimentos nos períodos com relação aos quais se reconheceu a decadência, tendo prevalecido a interpretação de que, na hipótese de lançamentos por homologação, o prazo deve ser regulado pelo art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação. A seu turno, nos acórdãos paradigmas considerouse a aplicação do art. 173, I, do CTN, quando inexiste pagamento antecipado (n° 10420.839) ou por estarse diante de lançamento de ofício (n° 10246.273). Caracterizada, portanto, a divergência de interpretação suscitada.” Regularmente intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, alegando e requerendo, em suma: ü A ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido; ü Nesse sentido foi decisão da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão n° 910100029 em 09/03/2009; Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10283.720614/200711 Acórdão n.º 9101002.852 CSRFT1 Fl. 1.132 5 ü Como o objeto da homologação não é o pagamento, mas a atividade que em face de determinada situação de fato afirma existir um tributo e lhe apura o montante, ou afirma não existir tributo a ser apurado, não é razoável afirmarse que a ausência do pagamento impede a homologação; ü Nesse contexto, pugna o contribuinte pelo não provimento do Recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Não há reparos a se fazer na análise da admissibilidade do presente Recurso, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade. Assim, passo à análise do mérito da questão. O lançamento por homologação, regulado pelo artigo 150 do CTN, tem como principal característica a atribuição ao contribuinte do dever de antecipar o pagamento do tributo, ficando a autoridade administrativa com o dever de posteriormente chancelar ou não o valor do recolhimento efetuado e, sendo o caso, efetuar cobrança de diferença, verbis: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. A regra da decadência do direito do fisco de lançar o tributo por homologação é regra especial, contida no §4º, do artigo 150 em questão, que estabelece o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, caso não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, verbis: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento em relação a questão em debate: Fl. 1135DF CARF MF 6 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Ao se posicionar sobre o tema a 1ª Turma da CSRF, por maioria, se manifestou que a aplicação do artigo 173, I, do CTN na constituição de crédito relativo a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, apenas pode ocorrer na hipótese de não haver pagamento, nem declaração do tributo, conforme trecho do voto vencedor do Acórdão 9101002.021, abaixo transcrito: A interpretação do texto transcrito nos leva à conclusão de que devemos nos dirigir ao artigo 173, I, do CTN quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito que constitua o crédito tributário. Assim, encontraríamos duas condições para sairmos do artigo 150, §4º: 1) não haver o pagamento e 2) não haver declaração prévia constitutiva do crédito. Assim, mesmo não existindo o pagamento, a declaração prévia constitutiva do crédito bastaria para mantermos a contagem do prazo a partir do fato gerador. Entendo pertinente essa última colocação, no sentido de que a declaração prévia basta para manutenção da contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Isso porque, não pago o tributo a União já possui informação suficiente para a averiguação da apuração do crédito tributário. Nesse contexto o próprio STJ, no fim do ano de 2015, editou a Súmula 555, que possui a seguinte redação: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10283.720614/200711 Acórdão n.º 9101002.852 CSRFT1 Fl. 1.133 7 A meu ver, para fins de contagem do prazo decadencial a declaração do débito na competente obrigação acessória se equivale ao pagamento. Assim, para a aplicação do §4º, do artigo 150, do CTN exigese a ocorrência dos seguintes situações: 1. A lei deve estabelecer que o lançamento do tributo é realizado na modalidade homologação; 2. Não ocorra a comprovação de dolo, fraude ou simulação pelo ente tributante; 3. Haja pagamento e/ou declaração do tributo. Passo, então, a verificar a aplicação da decisão representativa de controvérsia do Recurso Especial nº 973.733 ao caso ora sob análise. A Turma a quo decidiu que, ainda que ausentes pagamentos, a homologação tácita do procedimento do contribuinte se concretiza em cinco anos a contar do fato gerador, ao teor do disposto no art. 150, § .4°, do CTN. Para elucidar as razões da Turma, vale a transcrição da seguinte passagem do voto: Em que pese a alegação de que o art. 150, § 4° do CTN somente se aplicaria quando houver antecipação do imposto devido, esclareçase que a obrigação tributária decorre diretamente da lei. Conforme indicado no caput do art. 150 do CTN, o que se homologa é a própria atividade do contribuinte, independentemente de qualquer ato, informação ou pagamento realizado por este. Ocorrido o fato gerador do tributo, nasce a obrigação tributária, não dependendo, a constituição do crédito tributário, via lançamento, da manifestação posterior do contribuinte ou de outro responsável tributário. Ou seja: o crédito tributário é constituído, pelo lançamento, em razão e a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, resultante da atividade do contribuinte, e não da antecipação ou não do pagamento. Se o tributo foi apurado e pago, será homologado o lançamento. Se não foi nem apurado nem pago, será igualmente realizado o lançamento, considerando as características do fato gerador, ocorrido em razão da atividade do contribuinte. Não concordo com tais razões, conforme já exposto acima. A par disso, compulsando os autos foi possível verificar a existência de declaração (DIPJ), donde se pode detectar que o contribuinte apurou prejuízo fiscal (fl. 29) e base negativa da CSLL (fl. 40) no período do lançamento (3º trimestre de 1999), bem como apurou e declarou PIS (fl. 43) e COFINS (fl. 49) a pagar em todo o exercício. Logo, vislumbro o cumprimento dos requisitos constantes da decisão do STJ anteriormente citada, qual seja, a declaração dos tributos. Fl. 1137DF CARF MF 8 Nesse contexto, voto NEGAR provimento ao recurso da União, para manter o quanto decidido pela Turma a quo. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora Com a devida vênia, divirjo do entendimento do Ilustre Relator com relação à decadência alegada nos autos. Com efeito, ausente comprovação de pagamento dos tributos em análise, há que se aplicar o prazo decadencial estabelecido pelo artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; A divergência com o voto do Ilustre Relator é a respeito da interpretação dos artigos 150, §4º e 173, alinhandose ao acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543C, do Código de Processo Civil/1973 e, portanto, de aplicação obrigatória por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Regimento Interno vigente (Portaria nº 343/2015, em seu artigo 62, §2º). Destaco trechos da ementa do acórdão em julgamento daquele Recurso Especial nº 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...) Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10283.720614/200711 Acórdão n.º 9101002.852 CSRFT1 Fl. 1.134 9 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 12/08/2009) A falta de pagamento comprovado nos autos impõe a aplicação do artigo 173, I, do CTN, em observância ao repetitivo acima citado. Nesse sentido, a mera declaração de rendimentos (DIPJ) não é suficiente para aplicação do artigo 150, §4º, do CTN, conforme entendimento da maioria deste Colegiado. Por tais razões, dou provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 1139DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1140DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.001282/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO.
O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços.
Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvê-los a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota-parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria.
Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quota-parte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregá-los em "produtos" em relação à sua quota-parte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cota-parte.
CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR.
Aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.030
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO. O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços. Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvê-los a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota-parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria. Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quota-parte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregá-los em "produtos" em relação à sua quota-parte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cota-parte. CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR. Aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1971; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.001282/201136 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.030 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de agosto de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO. O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços. Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria. Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quotaparte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregálos em "produtos" em relação à sua quotaparte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cotaparte. CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR. Aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 12 82 /2 01 1- 36 Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 10935.001282/201136 Acórdão n.º 3301004.030 S3C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de Cofins nãocumulativo(a) Exportação, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, que possui o direito ao ressarcimento/compensação do crédito presumido acima (apurado nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 2004) em face da introdução do art. 56A na Lei 12.350, de 2010, realizada pelo art. 9º da Medida Provisória nº 517, de 2010. Por sua vez, a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após a realização de uma auditoria fiscal, emitiu Despacho Decisório reconhecendo parcialmente o direito creditório solicitado, sem a incidência de atualização monetária ou de juros de mora. A contribuinte foi cientificada do mencionado despacho decisório, apresentando manifestação de inconformidade, cujo teor é resumido a seguir. Incialmente, após um breve relato dos fatos, no item “Do Indeferimento/Glosa dos Créditos Presumidos”, subitem “1) Do direito a apuração do crédito presumido sobre a aquisição da produção dos produtores rurais nos contratos de parceira avícola/suinícola”, a interessada sustenta que os contratos de parceria caracterizam juridicamente as operações realizadas como produção de bens e não como prestação de serviços. Diz que, como não existe (ainda) lei específica, os contratos de parceria rural estão sob a égide do art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504, de 1964, e do Decreto nº 59.566, de 1966. Sustenta que o produtor, ao final da realização do objeto do contrato, recebe uma parte da produção, e que “Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quotaparte da produção com a agroindústria (parceiro outorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência.” Alega que referido entendimento, de que, nos contratos de parceira rural, a parte da produção do produtor rural é considerada como sendo produção Fl. 2362DF CARF MF Processo nº 10935.001282/201136 Acórdão n.º 3301004.030 S3C3T1 Fl. 4 3 própria, é corroborado pela legislação do Funrural (art. 168 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009) e confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ. Argumenta, também, que a administração tributária, em face do que dispõe o art. 110 do Código Tributário Nacional – CTN, não pode alterar a definição de institutos privados, qualificando as operações como prestação de serviços para efeito da apuração do crédito presumido e como produção própria para efeito da incidência da contribuição para o Funrural. No subitem a seguir, denominado “2) Da alíquota para apuração do crédito presumido da produção de carnes”, a contribuinte defende a aplicação do percentual de 60% sobre a alíquota básica da contribuição (PIS 60% sobre alíquota de 1,65%, com alíquota efetiva de 0,99 % e Cofins 60% sobre a alíquota de 7,60%, com alíquota efetiva de 4,56%) para a apuração do crédito presumido relativo à produção de carnes. Alega que a legislação (art. 8º da Lei 10.925, de 2004) é clara ao definir que a alíquota é aplicada de acordo com os produtos fabricados e não conforme os insumos adquiridos. Diz que apurou o crédito presumido sobre os insumos adquiridos (aves/suínos e milho/ração) aplicando o percentual de 60%, mas que a autoridade fiscal, de forma diversa, apurou o crédito utilizando o percentual de 35% (sobre a alíquota básica da contribuição). Acrescenta que a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF corrobora o seu entendimento e que os seus produtos constam compreendidos no capítulo 2 da NCM, devendo ser aplicado, portanto, o percentual de 60 % (previsto no inciso I, § 3º, do mencionado art. 8º). Na sequencia, no subitem “3) Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido”, a interessada defende a aplicação do método de rateio proporcional de forma setorial, de modo que sejam aplicados percentuais específicos para os setores de carne (receita de exportação carnes/receita bruta total carnes) e de óleo (receita de exportação óleo/receita bruta total óleo). Diz que o método aplicado pela fiscalização, de apuração de um índice único (receita de exportação/receita bruta total), com a inclusão de todas as receitas auferidas pela cooperativa no computo da receita bruta total, demonstrase ilegal e afronta os artigos 56A e 56B da Lei 10.350, de 2010, uma vez que o objetivo da inclusão do citados artigos foi o de permitir a conversão dos créditos acumulados em moeda (ativo financeiro). Argumenta que o método do rateio proporcional, previsto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, deve ser interpretado de modo que “o crédito presumido a ressarcir deve corresponder ao apurado sobre os bens adquiridos e utilizados na produção dos bens exportados com direito ao crédito presumido.” Sustenta que a interpretação da autoridade tributária ao diminuir o indíce do percentual de exportação, e consequentemente o valor do crédito presumido apurado, viola o princípio constitucional da isonomia, uma vez que diferencia empresas que mantém uma única atividade das que exercem diversas atividades econômicas. Logo a seguir, no item “Da Atualização Monetária dos Créditos Obstados Ilegalmente”, a contribuinte defende a atualização monetária dos créditos, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos. Alega que a correção monetária Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 10935.001282/201136 Acórdão n.º 3301004.030 S3C3T1 Fl. 5 4 deve ser aplicada para manter a integralidade dos créditos e não para punir a mora da administração pública em ressarcilos e que a devolução dos créditos em valores originais representa um enriquecimento sem causa da União. Diz, também, que a aplicação da atualização aos pedidos de ressarcimento vem sendo reconhecida, conforme a jurisprudência administrativa (Conselho Administrivo de Recursos Fiscais – CARF) e judicial (Superior Tribunal de Justiça – STJ) que colaciona na manifestação. Em outro item, denominado “Da Suspensão da Exigibilidade da Multa Isolada Lançada de Ofício”, a interessada pugna pela suspensão da exigibilidade da multa isolada, lançada no percentual de 50% sobre o valor do crédito indeferido, por meio do auto de infração constante do processo administrativo nº 10935.722746/201311. Sustenta que a exigibilidade da referida multa deve restar suspensa com a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido de ressarcimento a ela relativo, conforme prevê o § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, inserido pelo art. 20 da Lei nº 12.844, de 2013. Por último, no item “Do Pedido”, a contribuinte solicita: (i) a suspensão da exigibilidade da multa isolada lançada no auto de infração constante do processo administrativo nº 10935.722746/201311; (ii) o acolhimento da manifestação apresentada para o fim de reformar o despacho decisório e acolher as razões e argumentos apresentados; (iii) proceder à devolução do crédito presumido solicitado com a atualização monetária, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos até a data do efetivo pagamento. Registrese, quanto ao pedido de suspensão da multa de ofício isolada (de 50%), que a contribuinte foi orientada pela autoridade a quo a apresentar impugnação específica para o processo administrativo nº 10935.722746/201311. Anotese, também, que a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade complementar, por meio da qual acrescenta argumentos a respeito do percentual a ser aplicado sobre as alíquotas básicas (de PIS e Cofins) para a apuração do crédito presumido sobre os insumos adquiridos, relativamente à produção de carnes. No caso, a interessada repisa o seu entendimento de que deve ser aplicado o percentual (de 60%), levandose em conta, portanto, a origem dos insumos adquiridos e não a dos produtos fabricados. Acrescenta, também, que a polêmica na aplicação do referido percentual foi resolvida com a edição do art. 33 da Lei nº 10.865, de 2013, que inseriu o § 10 ao art. 8º da Lei 10.925, de 2004, o qual dispôs nos seguintes termos: “Para efeito de interpretação do inciso I do 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” Por fim, é de se ressaltar a existência do mandado de segurança nº 5005004.61.2013.404.7005/PR, o qual tem como objetivo, entre outros, o reconhecimento do direito à correção monetária pela taxa Selic do crédito reconhecido no presente processo (assim como em outros 23 processos de Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 10935.001282/201136 Acórdão n.º 3301004.030 S3C3T1 Fl. 6 5 ressarcimento), acumulada a partir do protocolo dos pedidos de ressarcimento até o seu efetivo pagamento. A DRJ decidiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06050.201. Inconformada com os indeferimentos e glosas mantidos na decisão recorrida, a COOPAVEL defende a ilegalidade destas. Ao final, pugna pela inclusão das aquisições de produtos da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria avícola/suinícola na base de cálculo para a apuração do crédito presumido; e que, na apuração do crédito a ser ressarcido seja utilizado o índice de exportação aferido da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos do setor carnes e óleo de soja degomado com a receita bruta total destes produtos (índice setorial). É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.013, de 31 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.000742/201117, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.013):Relator "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido da Cofins da recorrente lastreiase no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, c/c os artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, incluídos pela Lei nº 12.431/2011: Da Lei nº 10.925/2004: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 10935.001282/201136 Acórdão n.º 3301004.030 S3C3T1 Fl. 7 6 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Da Lei nº 12.350/2010: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Direito à apuração do crédito presumido sobre a alegada aquisição da produção dos criadores nos contratos de parceria avícola/suinícola Conforme relatado, a Delegacia de origem efetuou glosa relativa às entradas de frangos e suínos provenientes dos contratos de parceria, tendo em vista o entendimento de que essas operações não se qualificam como compra efetiva mas sim como pagamento de serviços prestados (mão de obra) para seus associados. Esta argumentou ter havido "uma simulação de compra de bens (aves/suínos) a qual representa o pagamento dos serviços prestados pelos produtores rurais com os cuidados no trato e criação dos lotes de aves ou suínos". Por consequencia, considerou não haver direito à apuração do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, entendendo Fl. 2366DF CARF MF Processo nº 10935.001282/201136 Acórdão n.º 3301004.030 S3C3T1 Fl. 8 7 que "referido crédito somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços". De fato, o dito art. 8º fala em " calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003", estas que delimitam o creditamento da insumos no desenho da Pis/Pasep e da Cofins não cumulativas,"bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda"; restingindo o crédito presumido aos bens, excluindo os serviços. Se são bens e tratase de prestação de serviços, reproduzo a argumento da fiscalização: “Nestes contratos de parceria, fica evidente que as aves e animais já são de propriedade da cooperativa, apenas são remetidos às propriedades rurais dos associados para a contra prestação de serviços na sua criação e posterior devolução, devendo o parceiro, em resumo, seguir rígido sistema de manejo pré estabelecido, adotar na alimentação exclusivamente a ração e medicamentos fornecidos pela contratante e ao final do prazo estabelecido, devolver o lote completo de animais ou aves, recebendo como pagamento por seus serviços o resultado de um índice que mede o êxito do seu trabalhão (IEP – Índice de Eficiência Produtiva). Para subsidiar esta conclusão destacamos alguns fatos que traduzem por si o entendimento de que não há compra de mercadoria, mas pagamento de prestação de serviços: • A cooperativa não paga diretamente em espécie o resultado do trabalho do associado medido pelo IEP, usa o artifício de entregar simbolicamente seu equivalente valor em produto (aves/suínos), mas com uma cláusula de fidelidade nos contratos, obriga o parceiro a vender exclusivamente para a própria cooperativa tal parte, ou seja, faz um operação triangular, para ocultar o pagamento a título de serviços prestados, substituindo pelo imediato pagamento de uma suposta compra de produtos (que documentalmente já é de sua propriedade, ou seja, como pode comprar aquilo que já é seu?); • Sem entrar na seara tributária com o reflexo de tal procedimento equivocado, o fato é que representa uma distorção da realidade, onde o parceiro é investido na qualidade de proprietário das aves/suínos de forma virtual e apenas por alguns segundos, tempo suficiente para a emissão da nota fiscal de compra, instrumento que na pratica retrata o pagamento por seus serviços; • Ao término da criação, o transporte integral do lote de aves/suínos, da propriedade rural até o frigorífico é realizado pela Coopavel, para garantir que não haja desvio da produção. Somente no abate o parceiro/produtor rural tomará conhecimento do valor de seus serviços prestados, ocasião em que para recebelo aceita a emissão de uma nota fiscal simulando a venda de parte do lote, que não é seu, pois apenas detém a posse precária e não a propriedade; • Os contratos de parceria caracterizam o criador como fiel depositário das aves ou suínos; Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 10935.001282/201136 Acórdão n.º 3301004.030 S3C3T1 Fl. 9 8 • Se os próprios contratos de parcerias definem que o criador receberá pelas suas tarefas/trabalhos para cada lote que concluir a criação, um valor pecuniário, logo, considerando não pertencer ao criador a propriedade dos animais e aves, ração e medicamentos utilizados no trato, é impróprio que este possa vender à cooperativa parte do lote (que não é seu), para mascarar o pagamento dos serviços prestados, dandolhe a versão de ‘aquisição de mercadorias’;” (Grifos deste relator). A recorrente defendo o contrário: "a operação realizada tem natureza jurídica de produção de bens da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria e não de prestação de serviços como se pretendeu na decisão recorrida"(Grifos deste relator). Traz o art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/1964) que trata dos contratos de parceria rural. Diz que seu § 5º prevê que as regras dos contratos de parceria rural não se aplicam aos contratos de parceria agroindustrial para a criação de aves e suínos que possuirão legislação específica; mas que, como até então não foi publicada a lei específica, tem se mantido a aplicação das regras da parceria rural. Observa que esse artigo fora regulamentado pelo Decreto nº 59.566/1966, destacandose, para o presente caso, partes do seu art. 4º: Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa [...] lhe entrega (a outra pessoa) animais para cria, recria, invernagem, engorda [...] mediante partilha de riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei. (Grifos do original. Explicação entre parênteses, deste relator). E prossegue: Nos contratos de parceria avícola/suinícola o objeto do contrato é a criação de frangos/suínos para o abate. A agroindústria (parceiraoutorgante) se obriga ao fornecimento de pintos e suínos para cria, recria, medicamentos, ração, assistência técnica e transporte e o produtor rural (parceirooutorgado) se obriga ao alojamento em estrutura própria (aviário) e ao desenvolvimento desses animais até chegarem ao ponto ideal de abate, arcando com as despesas trabalhistas e previdenciárias da contratação de funcionários, energia elétrica, manutenção, etc. [...] A parte do produtor é caracterizada como produção rural própria e não prestação de serviços. Ao final da realização do objeto do contrato, o produtor recebe parte da produção e não por haver prestado serviços. Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quota parte da produção com a agroindústria (parceirooutorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência. Fl. 2368DF CARF MF Processo nº 10935.001282/201136 Acórdão n.º 3301004.030 S3C3T1 Fl. 10 9 O Código Civil estabelece o conceito de proprietário/ direito de propriedade como um conjunto de direitos: Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Se o criador não tem o direito de usar, gozar, dispor da coisa; posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou; inclusive a sua, assimchamada, quotaparte; por força do contrato de parceria; não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria; mas sim em prestação de serviço por parte do criador; não sendo portanto cabível o pretendido direito ao crédito presumido. O animal, que se representa sua quotaparte é apenas um parâmetro, uma referência para sua remuneração. E mais, não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador com relação a sua quotaparte dos demais animais, como dizer que com relação a um animal produz e aos outros presta serviço. Traz a recorrente em seu favor, a Instrução Normativa RFB nº 971/2009: [...] no capítulo I do título III ao dispor das normas e procedimentos das atividades rural e agroindustrial, menciona nos incisos XI e XIV do artigo 165 sobre o contrato de parceria rural. Expressamente, o § único do artigo 168 da referida instrução normativa prescreve que a quotaparte do parceiro é considerada produção rural própria do produtor rural e base de incidência da contribuição previdenciária sobre a receita da comercialização da produção rural. [...] Parágrafo único. A parte da produção que na partilha couber ao parceiro outorgante é considerada produção própria." (Grifos do original). Este entendimento também é confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça, que instado a se manifestar sobre a incidência da contribuição previdenciária (funrural) nos contratos de parceria avícola, concluiu pela incidência da contribuição sobre a receita auferida pelo produtor rural quando da comercialização da sua quotaparte na produção a empresa agroindustrial (parceiro outorgante). [...] O artigo 110 do Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172/1966) veda a possibilidade do ente competente de alterar a definição de institutos de direito privado [...] De fato, tal Instrução Normativa ´considera a quotaparte do parceiro produção rural própria, mas para fins específicos de incidência da contribuição previdenciária. Não pode ela alterar o instituto da propriedade esculpido no Código Civil, por força do referido art. 110 do Código Tributário. Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 10935.001282/201136 Acórdão n.º 3301004.030 S3C3T1 Fl. 11 10 Traz a recorrente jurisprudência deste CARF em seu socorro. Importante examinar os termos dos contratos de parceria que regulam as relações em pauta: “A retenção de frangos pelo CRIADOR em índice superior ao permitido, [...]caracterizará o furto, respondendo o mesmo penal e civilmente pelo ato praticado. “O CRIADOR. por cada lote criado, receberá pecuniariamente o valor apurado através da tabela referente ao Índice de Eficiência Produtiva IEP, observandose o seguinte: Peso Médio (X) Sobrevivência (X) 100 % (:) Conversão Alimentar (X) Idade dos Frangos.” “Facultase ao CRIADOR utilizar 0,15% (zero vírgula quinze por cento) do total de aves do lote em formação, para o seu próprio sustento. Não consumindo o total permitido, obrigase o CRIADOR a entregar todo o saldo de aves viáves e remanescentes não consumidas.” “O CRIADOR se obriga ainda: [...] “O CRIADOR por este instrumento constituise fiel depositário das aves postas em seu poder pela COOPAVEL, para que efetue a criação obejto deste instrumento, devendo respeitar orientações técnicas, zelando pela sua guarda e conservação, sendo que não o fazendo por ato de sua responsabilidade, responderá pelas penas de depositário infiel, nos termos da lei, especialmente se der causa ao desaparecimento de frangos não autorizados por este instrumento. As penas do depositário infiel serão de ordem civil e criminal.” (Grifos do original) O fato de ser constituído fiel depositários das aves (entendo, de todas elas) postas em seu poder pela COOPAVEL demonstra que, como já examinado, não são suas as aves, apenas presta serviço com relação a elas. Sua remuneração é pelo Índice de Eficiência Produtiva e não pela venda de animais. Se pode reter parte dos animais é para o seu sustento, não sendo estas devolvidas ao produtor, apenas se houver saldo. Situação semelhante ocorre com os contratos relativos aos suínos. Assim, nesse tema, nego provimento ao recurso voluntário. Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido Consta do acórdão recorrido que a Delegacia de origem recalculou o crédito presumido (relativamente às aquisições comprovadas e não glosadas) aplicando um novo critério de rateio proporcional; desconsiderando a aplicação do índice setorial de exportação utilizado pela recorrente. Empregou a unidade índice de exportação calculado mediante a comparação das exportações realizadas (de carne e de óleo de soja degomado) com a receita bruta total da empresa no período: Fl. 2370DF CARF MF Processo nº 10935.001282/201136 Acórdão n.º 3301004.030 S3C3T1 Fl. 12 11 Em síntese, a autoridade fiscal, após determinar as aquisições de milho, soja, e animais realizadas de pessoas físicas que poderiam conceder o direito ao crédito presumido, aplicou: (i) o índice de exportação de carnes (frango e suíno), calculado por meio da divisão do total de exportações de carne pela receita bruta total, sobre as aquisições de animais (frango e suínos) e de milho com direito à crédito; e (ii) o índice de exportação de óleo degomado, calculado por meio da divisão do total das exportaçoes de óleo pela receita bruta total, sobre as aquisições de soja in natura com direito à crédito. No caso, a fiscalização partiu da premissa de que o milho foi empregado exclusivamente na fabricação da ração e a soja somente na industrialização do óleo de soja degomado, caracterizandose, portanto, a existência de consumo direto nos respectivos processos produtivos e de exportações de carne e de óleo de soja degomado. A contribuinte, por outro lado, aplicou e defende a aplicação das seguintes fórmulas: A recorrente alega ilegalidades na forma de apuração utilizada pelo Fisco, tendo em vista o disposto nos já citados artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, os quais autorizam a compensação com débitos próprios ou o ressarcimento em dinheiro, respectivamente: a) de saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes à data de publicação da lei; e b) para a pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004; remetendo o cálculo aos §s 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §s 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Argumenta que, quanto à primeiro situação, a exposição de motivos da Medida Provisória nº 517/2010, na qual fora convertida a dita lei, traz que a finalidade da medida é monetizar o estoque de créditos presumidos vinculados às receitas de exportação, permitindo que as pessoas jurídicas consigam realizar estes ativos de modo a reduzir os custos de produção (grifos do original). Reproduzo, para análise mais detalhada, os disposições em pauta: Art. 3º. [...] § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 10935.001282/201136 Acórdão n.º 3301004.030 S3C3T1 Fl. 13 12 § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (Grifos deste relator). A recorrente, optante pelo rateito proporcional, assim interpretou o respectivo dispositivo: [...] o crédito presumido a ressarcir vinculado a receita de exportação será apurado pela aplicação sobre os custos (bens adquiridos) da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos com direito ao crédito presumido em relação a receita bruta total dos produtos com direito ao crédito presumido, ou seja, obtido conforme a seguinte fórmula. Entendo pelo acerto da Delegacia de origem e da Delegacia de Julgamento: a disposição do 3o, § 8o , II, da Lei n. 10.833/2003 não deixa margem à interpretação da recorrente, posto que baseia o rateio na "relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total". Se é "receita bruta total" não é receita bruta total por produto (ou setor) carne e óleo de soja degomado como quer fazer crer a recorrente. A exposição de motivos que traz em seu favor não tem o poder de alterar o significado da lei, no máximo direcionar a seu interpretação quando houver margem para tanto. Ainda assim, também não ampara a fórmula defendida pela recorrente, por não discriminar produtos/ setores. Aduz a recorrente que o Receita Federal estaria a violar o princípio constitucional da isonomia, "diferenciado para empresas que investem e produzem através de diversas atividades em unidade filiais, das empresas que mantém uma única atividade e assim não tem que computar para Fl. 2372DF CARF MF Processo nº 10935.001282/201136 Acórdão n.º 3301004.030 S3C3T1 Fl. 14 13 cálculo de seu crédito receita de outras atividades. De plano, não compete a este Conselho se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Ainda assim, entendo que o legislador, ao estatuir a opção pelo método da apropriação direta, permite que a empresa compute operação a operação o seu crédito. Já na opção pelo rateio proporcional, o legislador elegeu um método mais geral e simplificado, para empresas com incidência nãocumulativa da COFINS, para apenas parte de suas receitas, sem o detalhamento por produto/ setor. Assim, nessa questão, nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento os recurso voluntário da COOPAVEL." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, o Crédito Presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, c/c os artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, incluídos pela Lei nº 12.431/2011, e o cálculo de rateio proporcional no regime da não cumulatividade se aplica tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 2373DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.000567/2005-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.353
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RITZEL COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 05 67 /2 00 5- 61 Fl. 431DF CARF MF Processo nº 11065.000567/200561 Acórdão n.º 9303005.353 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380302.434. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 11065.000567/200561 Acórdão n.º 9303005.353 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 11065.000567/200561 Acórdão n.º 9303005.353 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 434DF CARF MF Processo nº 11065.000567/200561 Acórdão n.º 9303005.353 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 435DF CARF MF
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