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Numero do processo: 11634.000660/2006-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. GRUPO DE EMPRESAS. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PEDIDO DE ESCLARECIMENTOS DA DRF. EMBARGOS INOMINADOS. ABRANGÊNCIA DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA DE TRIBUTOS PAGOS A SEREM APROVEITADOS
Verificado pela DRF, em cumprimento a acórdão do CARF, que não há tributo pago a ser considerado nas exigências relativas a omissões de receitas no período fiscalizado, cumpre acolher os embargos inominados para ratificar o entendimento da DRF, quanto ao correto cumprimento do Acórdão de Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 1302-003.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos inominados e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator, vencido o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que acolhia os embargos com efeitos infringentes.
(digitalmente assinado)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(digitalmente assinado)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. GRUPO DE EMPRESAS. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PEDIDO DE ESCLARECIMENTOS DA DRF. EMBARGOS INOMINADOS. ABRANGÊNCIA DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA DE TRIBUTOS PAGOS A SEREM APROVEITADOS Verificado pela DRF, em cumprimento a acórdão do CARF, que não há tributo pago a ser considerado nas exigências relativas a omissões de receitas no período fiscalizado, cumpre acolher os embargos inominados para ratificar o entendimento da DRF, quanto ao correto cumprimento do Acórdão de Recurso Voluntário.
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ALCANCE DO ACÓRDÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS Embargante DRF/LONDRINA/PR Interessado NIVEL A COMERCIAL DE VEICULOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. GRUPO DE EMPRESAS. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PEDIDO DE ESCLARECIMENTOS DA DRF. EMBARGOS INOMINADOS. ABRANGÊNCIA DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA DE TRIBUTOS PAGOS A SEREM APROVEITADOS Verificado pela DRF, em cumprimento a acórdão do CARF, que não há tributo pago a ser considerado nas exigências relativas a omissões de receitas no período fiscalizado, cumpre acolher os embargos inominados para ratificar o entendimento da DRF, quanto ao correto cumprimento do Acórdão de Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos inominados e acolhêlos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator, vencido o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que acolhia os embargos com efeitos infringentes. (digitalmente assinado) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (digitalmente assinado) Rogério Aparecido Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 06 60 /2 00 6- 54 Fl. 8512DF CARF MF Processo nº 11634.000660/200654 Acórdão n.º 1302003.167 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de retorno da Resolução nº 1302000.492, de 16/05/2017, desta 2ª Turma, 3ª Câmara, 1ª Seção de Julgamento que, à vista dos Embargos Inominados opostos pela DRF Londrina, converteu o julgamento em diligência diante dos fatos a seguir relembrados. Diante dos pontos específicos do acórdão da DRJ não teria sido possível verificar, com segurança, se teria havido pagamento de tributo que deveria ter sido considerado pela DRJ. Havia a necessidade de (i) esclarecer qual o exato alcance dos termos do acórdão; (ii) verificar se a fiscalização trouxe todas receitas das empresas relacionadas para a NÍVEL A, ou se trouxe somente as omissões. Pois, caso houvesse trazido todas as receitas (e não somente as omissões), e se essas teriam sido oferecidas à tributação, seria correto considerar os tributos pagos (localizados pela própria DRF, em resposta à diligência anteriormente realizada, fls. 8332/8457), como despesas dedutíveis, ao se apurar a nova base de cálculo, que englobou todas as empresas do mesmo proprietário. Nesse contexto, essa Turma concluiu pela conversão do julgamento em diligência para que a contribuinte fosse intimada a comprovar se, a VIA CAR e a DETROIT, teriam oferecido à tributação as receitas indicadas nas planilhas: fl. 6677 VIA CAR; e fl. 6687 DETROIT. Os tributos deveriam estar pagos no CNPJ da VIA CAR e da DETROIT. A diligência foi regularmente cumprida e as empresas manifestaramse, após receberem reintimação. Resumidamente, informaram que a VIA CAR e a NORTE CAR haviam sido consideradas inexistentes pela fiscalização e que, sendo assim, a NÍVEL A é que teria os meios hábeis para responder aos questionamentos. Registrou também que, somente existiam as receitas indicadas na planilha que acompanhou as reintimações. Portanto, a fiscalização teria levado para a NÍVEL A, todas as receitas e não somente as omissões. Afirmou, ainda, que todas essas receitas teriam sido oferecidas à tributação. Porém, como asseverou, a NÍVEL A é que estaria de posse dos documentos hábeis a demonstrar tal quitação. Os autos retornaram ao Carf para julgamento dos Embargos |Inominados da DRF, sem Relatório Fiscal de Diligência. Relembrando a decisão do Carf (Acórdão nº 10197.134, de 06/02/2009, Turma Extinta), objeto dos Embargos Inominados em questão, vemos a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 Fl. 8513DF CARF MF Processo nº 11634.000660/200654 Acórdão n.º 1302003.167 S1C3T2 Fl. 4 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N° 9430/96 Caracterizamse omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DESCONFORMIDADE DA HIPÓTESE DE APLICAÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. NULIDADE. Se a contribuinte recebeu recursos através de seus sócios e os declarou em sua escrituração, é improcedente o lançamento com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/96, sem a indicação dos extratos bancários correspondentes. O lançamento com base no referido dispositivo tem por base os valores efetivamente creditados em conta bancária de titularidade do contribuinte, e não os valores escriturados pelo contribuinte, ainda que sob a rubrica de movimentação bancária. Tal erro na construção do lançamento impõe sua nulidade. IRF. ERRO APURAÇÃO DO CRITÉRIO TEMPORAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Se a Fiscalização considerou como fato gerador do imposto critério temporal diverso daquele previsto na legislação, resta violado o art. 142 do CTN e caracterizado erro na construção do lançamento, que impõe a sua nulidade. IRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. A multa de oficio qualificada deve ser mantida se comprovada a fraude realizada pela contribuinte, constatados a divergência entre a verdade real e a verdade declarada pela contribuinte e seus motivos simulatórios. [...] ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes: 1) Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do auto de infração; no mérito: 2) Por unanimidade de votos, CANCELAR as exigências tributárias, relativas à matéria "ingressos de recursos através dos sócios da ,contribuinte", de que tratam os itens 6.3.4 a 6.3.6 do Termo de Verificação Fiscal; 3) Por maioria de votos, CANCELAR o lançamento do IRFonte, por erro na fixação do critério temporal da hipótese de incidência (data da ocorrência do fato gerador), [...]; 4) Por unanimidade de votos, DETERMINAR sejam considerados os pagamentos de tributos efetuados pelas empresas, em relação aos fatos geradores objeto do lançamento, realizados antes do inicio da ação fiscal; 5) Por maioria de votos, MANTER a exigência da multa qualificada de 150%, [...]; 6) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso quanto As demais matérias expressamente contestadas na peça recursal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Na forma destacada no Despacho de Admissibilidade, a DRF/Londrina/PR opôs embargos inominados suscitando, mediante Pedido de Esclarecimento CARF de fls. 8458/8468: Reside aqui uma questão que precisa ser clarificada: qual o sentido exato e o alcance que os julgadores quiseram dar a estes "pagamentos de tributos efetuados pelas empresas, em relação aos fatos geradores objeto do lançamento, realizados antes do início da ação fiscal"? Referemse a todo e qualquer Fl. 8514DF CARF MF Processo nº 11634.000660/200654 Acórdão n.º 1302003.167 S1C3T2 Fl. 5 4 pagamento? Ou a recolhimentos específicos vinculados aos fatos que motivaram a autuação? Ou seja, smj, não foi objeto da autuação os débitos anteriormente declarados por tais empresas. Desta forma, quer nos parecer que não é cabível "considerar" eventuais pagamentos que estão vinculados a débitos anteriormente declarados por tais estabelecimentos. Conforme pesquisa efetuada nos Sistemas "Via" e "Sief/Fiscel" da Receita Federal às fls.8332/8457 (data de arrecadação: de 01/01/2002 a 01/03/2004): não encontramos quaisquer valores recolhidos aos cofres públicos da União de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF referentes aos AnosCalendários 2002 e 2003, efetuados antes do início da ação fiscal, em relação à empresa "Via Car"; quanto à "Norte Car", verificase recolhimentos com o código 6106 (Simples); no tocante às empresas "Nivel A (exMetronorte)" e "Metronorte" (ex Detroit), constatamos que não há pagamentos específicos para IRPJ e CSLL; os pagamentos de Pis, Cofins e IRRF estão vinculados aos respectivos débitos declarados em DCTF, sendo que os eventuais pagamentos com "saldos disponíveis" não parecem condizer com os autos. Assim, smj, entendemos que não há quaisquer pagamentos a serem considerados e aproveitados. Está correto este entendimento? Diante do exposto, para que não paire dúvidas no tocante ao valor devido pelo Interessado, propomos o encaminhamento destes autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF a fim de que seja esclarecido: ao determinar que sejam considerados os pagamentos de tributos efetuados pelas empresas envolvidas na fiscalização, em relação aos fatos geradores objeto do lançamento, realizados antes do início da ação fiscal: qual o sentido exato e o alcance que os julgadores quiseram dar a estes "pagamentos de tributos efetuados pelas empresas, em relação aos fatos geradores objeto do lançamento, realizados antes do início da ação fiscal"? referemse a todo e qualquer pagamento, mesmo de valores declarados pelas empresas? ou a recolhimentos específicos vinculados aos fatos que motivaram a autuação (fatos como "omissão de receitas" e "glosa de custos e despesas"), recolhimentos estes que não foram localizados nos Sistemas da Receita Federal? Concluiuse, portanto, tratarse de embargos inominados opostos anteriormente à vigência da Portaria n° 343, de 09 de junho de 2015, e o conselheiro relator não mais pertence a 1a SEJUL/CARF/MF/DF, bem como o colegiado foi extinto (art. 4° e art. 8° da Portaria CARF n° 34, de 31 de agosto de 2015). Diante da situação de inexatidão material, objetivamente indicada, consideraramse necessários maiores esclarecimentos sobre a abrangência da determinação contida no dispositivo do acórdão embargado para que "sejam considerados os pagamentos de Fl. 8515DF CARF MF Processo nº 11634.000660/200654 Acórdão n.º 1302003.167 S1C3T2 Fl. 6 5 tributos efetuados pelas empresas, em relação aos fatos gerador objeto do lançamento, realizados antes do inicio da ação fiscal". É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma relatada, na primeira oportunidade, em que submetido ao Carf, o Recurso Voluntário foi conhecido e julgado, conforme Acórdão abaixo reproduzido: Acórdão nº 10197.134, de 06/02/2009, Turma Extinta, objeto dos Embargos Inominados em questão: Acordam os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes: 1) Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do auto de infração; No mérito: 2) Por unanimidade de votos, CANCELAR as exigências tributárias, relativas à matéria "ingressos de recursos através dos sócios da contribuinte", de que tratam os itens 6.3.4 a 6.3.6 do Termo de Verificação Fiscal; 3) Por maioria de votos, CANCELAR o lançamento do IRFonte, por erro na fixação do critério temporal da hipótese de incidência (data da ocorrência do fato gerador), [...]; 4) Por unanimidade de votos, DETERMINAR sejam considerados os pagamentos de tributos efetuados pelas empresas, em relação aos fatos geradores objeto do lançamento, realizados antes do inicio da ação fiscal; 5) Por maioria de votos, MANTER a exigência da multa qualificada de 150%, [...]; 6) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso quanto às demais matérias expressamente contestadas na peça recursal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Não obstante a determinação contida no item 4, retro, no sentido de que deveriam ser devidamente considerados os pagamentos de tributos efetuados pelas empresas, em relação aos fatos geradores objeto do lançamento, realizados antes do inicio da ação fiscal. A DRF Londrina (fls. 8458/8468), alertou para o fato de que não teria sido objeto da autuação os débitos anteriormente declarados por tais empresas e, sendo assim, não deveriam ser considerados eventuais pagamentos vinculados a débitos anteriormente declarados por tais estabelecimentos. Em relação à VIA CAR, não encontrou qualquer valor recolhido aos cofres públicos da União de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF referentes aos AnosCalendários 2002 e 2003, efetuados antes do início da ação fiscal. Fl. 8516DF CARF MF Processo nº 11634.000660/200654 Acórdão n.º 1302003.167 S1C3T2 Fl. 7 6 Quanto à NORTE CAR identificou recolhimentos relativos ao Simples (cód. rec. 6106). No que diz respeito à NÍVEL A (exMetronorte) e METRONORTE (ex Detroit), constatou que não havia pagamentos relativos a IRPJ e CSLL. Quanto ao Pis, Cofins e IRRF os pagamentos estariam vinculados aos respectivos débitos declarados em DCTF. Destacou que, eventuais pagamentos com "saldos disponíveis" não pareciam condizer com os autos. Concluiu, assim, que não haveria qualquer pagamento a ser considerado e aproveitado no cálculo das exigências objeto deste processo. As respostas da empresa DETROIT, em atendimento às reintimações, emitidas em cumprimento à referida Resolução nº 1302000.492, desta Turma, havida após o Acórdão recorrido, em respeito às indagações da DRF nos Embargos Inominados, também não apresentaram qualquer pagamento de tributo relativo às exigências em questão. Dentre as informações prestadas pelas intimadas, destacamse os seguintes pontos: As empresas envolvidas na fiscalização são: Nível A Comercial de Veículos Ltda. (ex Metronorte Comercial de Veículos Ltda) CNPJ n° 74.046.749/000106; Metronorte Comercial de Veículos Ltda (ex Detroit Comercial de Veículos Ltda) CNPJ n° 05.035.532/000188; Via Car Locadora de Veículos S/S Ltda CNPJ n° 05.830.445/000112; Norte Car Locadora de Veículos S/C Ltda CNPJ n° 03.629.658/000155. NORTE CAR (Metronorte Comercial de Veículos Ltda., anteriormente Detroit Comercial de Veículos Ltda. VIA CAR (Via Londrina Locadora de Veículos Ltda.) ...as empresas VIA CAR e NORTE CAR foram consideradas inexistentes de fato, conforme processos n° 11634.000099/200794 e 11634.000098/200740, respectivamente, desde 2003. ...portanto, como toda a tributação deste processo foi levada a efeito na empresa NÍVEL A COMERCIAL DE VEÍCULOS LTDA., a mesma é que tem condições de prestar os esclarecimentos solicitados através dessas intimações, porquanto extraídas do PROCESSO N° 11634.000660/200654, onde a mesma foi a autuada e onde se encontram os documentos e esclarecimentos necessários para atender ao "Pedido de Esclarecimento" da DRF/LONDRINA, de forma a cumprir o determinado pelo CARF, através da Resolução n° 1302000.492 3a Câmara /2a Turma Ordinária. ...não identificamos ...as exigências fiscais correspondentes aos valores indicados na planilha anexada à intimação... ...são os seguintes os itens e valores tributados como omissão de receita (fls. 71 do TVF): DEPÓSITOS BANCÁRIOS NORTE CAR ITEM 6.1 Fl. 8517DF CARF MF Processo nº 11634.000660/200654 Acórdão n.º 1302003.167 S1C3T2 Fl. 8 7 2002 R$214.245,28 2003 R$ 99.599,45 OPERAÇÕES DA VIA CAR ITEM 6.3 2003R$771.843,96 OUTRO ITEM TRIBUTADO COMO OMISSÃO DE RECEITA Item 6.3 2003 R$7.001.160,24 ... este item foi subdividido em quatorze subitens, dos quais 3 foram providos (6.3.4 a 6.3.6), mas não identificamos os valores do quadro anexado à intimação. ...desses valores autuados, os constantes dos itens 6.1 e 6.3, tributados como omissão de receita na empresa NÍVEL A, foram colhidos a partir dos registros contábeis das empresas NORTE CAR e VIA CAR, cujos montantes foram transferidos dessas empresas para inclusão como itens tributados na empresa NÍVEL A, porquanto aquelas (NORTE CAR e VIA CAR) foram consideradas inexistentes para fins fiscais. ...como o fisco entendeu que tratavamse de receitas da empresa NÍVEL A, contabilizadas indevidamente nas empresas NORTE CAR e VIA CAR, levou a tributação naquela, sob o titulo de "omissão de receita". ...a objeção da DRF/LONDRINA, que denominou o Pedido de Esclarecimento, tem a ver com a compensação de tributos pagos pelas empresas envolvidas na tributação, quando a fiscalização em um único auto de infração tributou os resultados de quatro empresas no auto de infração da NÍVEL A. ...o questionamento da DRF é se a compensação dos tributos recolhidos referemse aos valores declarados pelas empresas ou, a recolhimentos específicos vinculados aos fatos que motivaram o lançamento, como omissão de receitas, glosa de custos e despesas, etc. ...é evidente, que não há recolhimentos sobre os valores autuados como omissão de receita ou glosa de custos, mas há recolhimentos efetuados nas empresas NORTE CAR e VIA CAR, sobre receitas contabilizadas que, ao serem transferidas para a NÍVEL A, indevidamente foram intituladas como omissão de receita, ao invés de transferência de receitas. ...assim, os valores retirados da Contabilidade das empresas VIA CAR e NORTE CAR foram tributados na Empresa NÍVEL A, sob o título de "omissão de receita" porquanto não constavam da escrituração da empresa autuada. ...tais valores não foram omitidos na VIA CAR e NORTE CAR, apenas foram transferidos para tributação na empresa NÍVEL A, visto que aquelas empresas foram desconsideradas como empresas autônomas (desconsideração da personalidade jurídica). ...aos embargos foram anexados pela DRF os extratos dos efetivos recolhimentos realizados por essas empresas (VIA CAR e NORTE CAR). ...a escrituração da empresa VIA CAR e a correspondente DIPJ 2004 (ano calendário 2003) encontramse nos autos às fls. 1899 a 2051 (numeração do processo antes da digitalização), estando nessa última folha a Demonstração de Resultados. Fl. 8518DF CARF MF Processo nº 11634.000660/200654 Acórdão n.º 1302003.167 S1C3T2 Fl. 9 8 ...o Termo de Verificação Fiscal ao identificar os valores levados à tributação, descreve no Item 6.6 (fls. 68): "No tópico nº 2 acima abordamos a ação fiscal em face da empresa VIA CAR LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA., da qual constatouse que efetuou operações mercantis consistentes na compra e venda de veículos, o que não consta de seu objeto social. As vendas de veículos realizadas "em conjunto" com a empresa DETROIT COMERCIAL DE VEÍCULOS têm o custo de aquisição, o valor de venda e o lucro bruto auferido demonstrados no documento de fls. 3842/3861. Assim, os valores ali demonstrados compõem o presente lançamento de ofício, a título de receita omitida, no valor de R$771.843,96 (ano calendário de 2003)". ...mas, ao tributar o Lucro Bruto em detrimento do Resultado Contábil, por considerálo irregular, não considerou os valores recolhidos pela VIA CAR, cujo montante foi informado pela DRF/LONDRINA, juntamente com o Pedido de Esclarecimento. ...no tocante a NORTE CAR, temse no item 6.1 a identificação da forma de apuração dos valores que foram tributados na autuada NÍVEL A: TVF ITEM 6.1 FLS. 39 NORTE CAR "Os fatos abordados no item 4 são aptos a comprovar que os recursos movimentados nas contas bancárias da empresa NORTE CAR LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA. provem da atividade operacional da empresa METRONORTE, atual NÍVEL A, e, na forma do artigo 42 da Lei n9 9.430/96, caracterizadores de omissão de receitas." Item 4 do TVFfls. 21 "A divergência entre o volume de movimentação bancária da empresa e sua receita operacional conhecida é um permissivo legal que faculta o acesso a seus dados bancários, como estabelece o artigo 39 do Decreto nº 3.724/2001." Como as receitas operacionais contabilizadas pela NORTE CAR divergia da sua movimentação bancária, optou o fisco por tributar o maior valor, ou seja, a movimentação bancária. Mas ao tributar tais valores não consignou os impostos pagos pela NORTE CAR, cuja relação de pagamentos encontrase junto com o Pedido de Esclarecimento da DRF/LONDRINA. Pelo que se depreende dos textos do Termo de Verificação Fiscal, acima transcritos, não restam dúvidas de que toda a receita da NORTE CAR e da VIA CAR foram levadas à tributação na NÍVEL A e, em montante superior ao apurado por essas empresas, no entender do fisco que a contabilidade delas era inconfiável. Mas não houve a compensação dos recolhimentos efetuados pela VIA CAR e NORTE CAR, que é efetivamente o comando do acórdão do Conselho de Contribuintes, que ora novamente se transcreve: "4) Por unanimidade de votos, DETERMINAR sejam considerados os pagamentos de tributos efetuados pelas empresas, em relação aos fatos geradores objeto do lançamento, realizados antes do inicio da ação fiscal;" E, os pagamentos de tributos efetuados pelas empresas antes do início da ação fiscal foram exatamente aqueles realizados pelas empresas VIA CAR e NORTE CAR, sobre suas receitas contabilizadas. Fl. 8519DF CARF MF Processo nº 11634.000660/200654 Acórdão n.º 1302003.167 S1C3T2 Fl. 10 9 Assim, requer a empresa NÍVEL A COMERCIAL DE VEÍCULOS LTDA. a compensação dos tributos recolhidos pelas empresas NORTE CAR e VIA CAR, constantes da relação de pagamentos anexadas pela DRF/LONDRINA, junto com seu Pedido de Esclarecimento. Observase, portanto, que as empresas intimadas em diligência decorrente dos Embargos Inominados em questão, VIA CAR e DETROIT, não apresentaram qualquer informação ou documento que pudesse levar à conclusão de que haveria tributo pago pela VIA CAR e NORTE CAR, relativos às referidas omissões de receitas transferidas para a interessada Nível A, que devessem ser considerados/compensados na apuração final das exigências e valores devidos pela NÍVEL A. (fls. 8332/8457 Tributos pagos pelas empresas em 2002 e 2003; e fls. 8458/8468 Despacho da DRF Londrina indicando os valores devidos pela Nível A, retificando os cálculos inicialmente elaborados pela fiscalização, em conformidade com o Acórdão recorrido e pedido de esclarecimento ao Carf, por não identificar pagamento algum a ser considerado e aproveitado no cálculo da exigência deste processo). Assim, à vista do levantamento realizado pela DRF Londrina (fls. 8.332/8.457) e das respostas das intimadas em diligência, VIA CAR e DETROIT (fls. 8499/8506), verifico que tais procedimentos atendem às disposições do acórdão, eis que a DRF compreendeu o que o Voto visou assegurar ao contribuinte, que poderia ser traduzido nos seguintes termos: em relação ao período fiscalizado nestes autos, não deverá ser cobrado do contribuinte o que porventura ela já tenha sido pago, recolhido ou parcelado. Como nada foi encontrado, nada haverá de ser considerado. Concluo, assim, que está correto o entendimento expendido pela DRF no pedido de esclarecimento ao Carf, recebido como Embargos Inominados (fls. 8458/8468) Nesses termos, voto por acolher os embargos inominados para ratificar o entendimento e as conclusões da DRF, quanto ao regular cumprimento do Acórdão de Recurso voluntário nº 10197.134, de 06/02/2009, Turma Extinta. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 8520DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.723254/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
COFINS. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÃO DO CUSTO HOSPITALAR DA BASE DE CÁLCULO
As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da COFINS as despesas e custos assistenciais relacionados com os atendimentos médicos, hospitalares, entre outros, realizados com seus próprios beneficiários e beneficiários de outras operadoras, líquidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades.
Numero da decisão: 3301-005.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: Relator
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OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÃO DO CUSTO HOSPITALAR DA BASE DE CÁLCULO As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da COFINS as despesas e custos assistenciais relacionados com os atendimentos médicos, hospitalares, entre outros, realizados com seus próprios beneficiários e beneficiários de outras operadoras, líquidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 32 54 /2 01 3- 02 Fl. 3646DF CARF MF Processo nº 10920.723254/201302 Acórdão n.º 3301005.363 S3C3T1 Fl. 3.627 2 Relatório Adoto o relatório da decisão embargada: "'Versa o presente processo sobre Autos de Infração lavrados em nome do contribuinte Unimed do Estado de Santa Catarina Federação Estadual das Cooperativas Médicas, pertinente à falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Pis Programa de Integração Social e para a Cofins – Contribuição para o financiamento da Seguridade Social, nos períodos de janeiro de 2009 a dezembro de 2011, conforme elementos acostados no Termo de Verificação às fls. 2.799/2.820, respectivamente nos valores de R$ 12.271.827,52 (doze milhões, duzentos e setenta e um mil, oitocentos e vinte e sete reais e cinqüenta e dois) e R$ 52.613.324,70 (cinquenta e dois milhões, seiscentos e treze mil, trezentos e vinte e quatro reais e setenta centavos) incluindo principal e juros de mora calculados até 30/09/2013. O procedimento fiscal teve como escopo a verificação da apuração do Pis e da Cofins nos anoscalendário de 2009 a 2011. O Termo de Verificação fiscal às fls. 2.799/2.820, em síntese concluiu que: 1. O contribuinte apresentou os Balancetes às fls. 39/2.782, informando também não ser parte em ação judicial referente às contribuições fiscalizadas; 2. Após a análise das informações e documentos fornecidos pelo contribuinte, referentes às intimações efetuadas ao longo do procedimento fiscal, concluiuse pela insuficiência de recolhimentos, tendo em vista a grande diferença entre as bases de cálculo apresentadas pelo contribuinte e as apuradas pela fiscalização, que entendeu não estarem amparadas pela legislação, expressivas deduções efetuadas pelo contribuinte; 3. Das deduções previstas no §9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as dos incisos I e II foram ratificadas pela fiscalização. Entretanto, em relação ao inciso III, que trata das indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferências de responsabilidades, o valor deduzido foi considerado incorreto; 4. O autuante, baseado na jurisprudência administrativa, que através de julgados e Pareceres concluiu que o dispositivo em questão tratava apenas de operações com associados de outras operadoras, glosou as operações com os próprios associados da Unimed Santa Catarina; 5. Cita a Solução de Consulta SRRF/3º Região RF/Disit nº 20 de 23 de outubro de 2003, adotando seu entendimento. As planilhas de apuração elaboradas pela fiscalização constam às fls. 2.808/2.813. Cientificado dos lançamentos em 07/10/2013 (fls.2.822 e 2.832), o contribuinte apresentou a peça impugnatória de fls. 2.847 a 2.861, em 30/10/2013. Nesta alega em síntese, que a autuação fiscal não deve prosperar pelos seguintes fatos: 1. Preliminarmente assevera que Auto de Infração não é istrumento próprio para constituição do crédito tributário, tendo em vista que deve ser utilizado para Fl. 3647DF CARF MF Processo nº 10920.723254/201302 Acórdão n.º 3301005.363 S3C3T1 Fl. 3.628 3 aplicação de penalidades, conforme determinação dos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72; 2. Portanto, o meio correto seria a Notificação de Lançamento; 3. Havendo erro de forma, tendo em vista que a constituição do crédito tributário se dá por ato administrativo plenamente vinculado (arts. 3o e 142 do CTN), deve ser anulado o ato que descumpra a forma exigida em lei; 4. No mérito argumenta que a glosa feita pela fiscalização em relação à dedução prevista no inciso III, § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, não deve prosperar tendo em vista ter sido considerado, para fins de tributação, toda a receita bruta da cooperativa, porém, ter sido desconsiderada como dedutível da base de cálculo das aludidas contribuições, o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da própria operadora da cobertura oferecida pelos planos de saúde; 5. A interpretação literal do dispositivo permite concluir que é possível deduzir da base de cálculo do Pis e da Cofins, todas as importâncias referentes às indenizações dos eventos ocorridos. O dispositivo não menciona nem limita as exclusões, se são os valores despendidos com os beneficiários próprios ou de outras operadoras; 6. Denotase assim, que o art. 3o, parágrafo 9o, III, da Lei 9.718/1998 pretendeu excluir da tributação do Pis e da Cofins o valor referente a todas as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos; 7. A Agência Nacional de Saúde consolidou o entendimento acerca do parágrafo acima referido nos seguintes termos, consubstanciado no Ofício 152/2007/GGHAO/DIOPE/ANS/MS: '3 VALOR REFERENTE ÀS INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS, EFETIVAMENTE PAGOS, DEDUZIDOS DAS IMPORTÂNCIAS RECEBIDAS A TÍTULO DE TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADES. Eventos ocorridos: são os custos assistenciais decorrentes da utilização, pelos beneficiários, da cobertura oferecida pelo plano de saúde, ou seja, são os custos com os atendimentos feitos aos beneficiários do plano de saúde da operadora, tais como consultas médicas/odontológicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc. que estejam diretamente ligados ao ato assistencial, os quais a operadora reconhecerá contabilmente na data de apresentação da conta médica ou do aviso pelos prestadores, em atenção ao regime de competência. A classificação será nas contas 4111, 4112, 4113, 4114, 4115, 4116, 4117 e 4118 (capitulo V, Anexo I, da IN n. 08/2006; ou Capítulo IV do Anexo II da RN n. 27/2003); Esses eventos serão escriturados em "Controles Gerenciais" conforme definido no item 7, Capítulo I, Anexo I, da IN n. 08/2006, ou item 6, Capítulo I do Anexo II, da RN n. 27/2003; Valor dos Eventos Efetivamente Pagos: são os eventos conhecidos, ocorridos, líquidos das recuperações por glosas, Fl. 3648DF CARF MF Processo nº 10920.723254/201302 Acórdão n.º 3301005.363 S3C3T1 Fl. 3.629 4 ressarcimento ou outras deduções, como descontos obtidos, classificados nas contas 4121, 4122, 4128, 4129, 4131 e 4132, ou seja, é o que efetivamente a operadora saldou, pagou no mês. Podese dizer que serão consideradas as contas 4111, 4112, 4113, 4114, 4115, 4116, 4117, 4118 () 4121, () 4122, () 4128, () 4129, () 4131 3 () 4132, 4118 (Capítulo V, Anexo I, da IN n. 08/2006; ou Capítulo IV do Anexo I da RN n. 27/2003). Esses pagamentos serão escriturados em "Controles Gerenciais" conforme definido no item 7, Capítulo I, Anexo I, da IN n. 08/2006, ou item 6, Capítulo I do Anexo II, da RN n. 27/2003;” Importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades: são os valores de repasse recebidos a título de transferência de responsabilidades, ou seja, os valores recuperados de eventos em decorrência do compartilhamento de risco . classificados nas contas 4123 e 4124 ao Plano de Contas Padrão ANS (Capítulo V, Anexo I, da IN n. 08/2006, ou item 6, Capítulo I do Anexo II, da RNn. 27/2003.' 8. O TRF da 4ª Região Fiscal já se posicionou sobre o tema de forma contrária ao entendimento do Fisco, em Decisão prolatada nos autos do Processo nº 2006.71.02.0002021, em 14/04/2009, nos seguintes termos: 'Dentre as exclusões permitidas para as operadoras de planos de saúde, encontramse os custos que a impugnante pretendeu deduzir, pois se pode considerar como sendo indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, os valores correspondentes aos pagamentos registrados nas contas descritas, a despesas operacionais ou custos decorrentes do cumprimento dos contratos de prestação de serviços médicos contratados pela UNIMED com seus usuários.' 9. O CARF decidiu no mesmo sentido que os tribunais, nos autos do Processo n° 13982.001408/200981, através do Acórdão n° 3403001.989 da 4a Câmara / 3a Turma Ordinária, na Sessão de 20 de março de 2013: 'PIS/COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. DEDUÇÕES DAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. ART. 3o, § 9o, III, DA LEI 9.718/98. INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS. Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3o, § 9o, III, da Lei n° 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde, independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras, (destacamos)' 10. Cita outros julgados do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a mesma interpretação do item anterior; Fl. 3649DF CARF MF Processo nº 10920.723254/201302 Acórdão n.º 3301005.363 S3C3T1 Fl. 3.630 5 11. Conceitualmente os valores recebidos pelas operadoras de plano de saúde, quando destinados a cobrir as indenizações dos eventos ocorridos, não são tributáveis porque sequer compõem o conceito de receita base de cálculo das contribuições ao Pis e Cofins; 12. Assim, como visto, a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas do direito privado, sob pena de ferir o art. 110 do Código Tributário Nacional; 13. Ademais, para por uma pá de cal sobre o tema, sobreveio a Lei nº 12.783, em 24 de outubro de 2013 que acresceu o parágrafo 9° A ao art. 3o da Lei nº 9.718/1998 que, inclusive para fins interpretativos, ou seja, de acordo com o art. 106 do CTN, resolveu a presente celeuma esclarecendo que as deduções ora combatidas foram legais. Lei nº 12.783, em 24 de outubro de 2013: 'Art. 19. A Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: 'Art.3o. § 9°A Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9° entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.' 14. Portanto, se requer a improcedência do lançamento tributário no que diz respeito às exclusões dos eventos ocorridos com os usuários da própria operadora do plano de saúde, por estar amparado em premissa incorreta; 15. Ainda, caso permaneça a autuação, cabe esclarecer que não foram considerados para fins de apuração da base de cálculo os valores declarados em DACON, utilizados em compensações diretas cujos valores foram retidos na fonte pelos clientes. A planilha citada encontrase às fls. 2.859/2.860; 16. Houve ainda um erro por parte da fiscalização. No ano de 2010, os valores alocados na linha de contraprestações de coresponsabilidade, grupo 3117 do plano de contas, disposto nas páginas 12 e 13 do relatório fiscal, foram equivocadamente repetidos os mesmos valores dos balancetes de 2009. Porém, há valores distintos no ano de 2010 que devem ser considerados, para redução da base de cálculo. É o Relatório.' A DRJ no Rio de Janeiro (RJ) julgou a impugnação parcialmente procedente, o que motivou a interposição de recurso de ofício. O Acórdão n° 1264.678 foi assim ementado: 'ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO DE FORMA. INOCORRÊNCIA. Fl. 3650DF CARF MF Processo nº 10920.723254/201302 Acórdão n.º 3301005.363 S3C3T1 Fl. 3.631 6 Não se apresentando nos autos as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. Improcedente a arguição de nulidade do lançamento, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o ERRO cometido pelo autuante, há que ser corrigido o lançamento, ajustandoo à correta situação fática. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÃO DO CUSTO HOSPITALAR. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Cofins as despesas e custos assistenciais relacionados com os atendimentos médicos, hospitalares, entre outros, realizados com seus próprios beneficiários e beneficiários de outras operadoras, reduzido este valor das importâncias recebidas a título de transferências de responsabilidades. FONTE. DEDUÇÃO. CABIMENTO. A Cofins retida na Fonte por Pessoa Jurídica quando do pagamento por outra Pessoa Jurídica pode ser deduzida na apuração das Contribuições por expressa determinação legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÃO DO CUSTO HOSPITALAR. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Pis as despesas e custos assistenciais relacionados com os atendimentos médicos, hospitalares, entre outros realizados com seus beneficiários e beneficiários de outras operadoras, reduzido deste valor as importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. FONTE. DEDUÇÃO. CABIMENTO. O Pis retido na Fonte por Pessoa Jurídica quando do pagamento a outra pessoa jurídica pode ser deduzido na apuração das Contribuições por expressa determinação legal. Impugnação Procedente em Parte Fl. 3651DF CARF MF Processo nº 10920.723254/201302 Acórdão n.º 3301005.363 S3C3T1 Fl. 3.632 7 Crédito Tributário Mantido em Parte' A DRJ acatou os seguintes argumentos, que redundaram em redução dos créditos tributários lançados: dedução das bases de cálculo das despesas e custos assistenciais relacionados com os atendimentos médicos, hospitalares, entre outros, realizados com seus próprios beneficiários e beneficiários de outras operadoras, reduzido este valor das importâncias recebidas a título de transferências de responsabilidades; e dedução dos valores de PIS e COFINS a pagar dos descontos na fonte sofridos, quando do recebimento de pagamentos de outras pessoas jurídicas. Não obstante, a recorrente interpôs recurso voluntário, pois discordou dos valores das deduções de despesas e dos descontos de fonte. Adicionalmente, reiterou preliminar de nulidade, acerca de suposto uso indevido de auto de infração para cobrança de crédito tributário, quando, em seu entendimento, está reservado à aplicação de penalidades. E, por fim, trouxe contestação não: o Fisco teria feito incidir as contribuições sobre receitas financeiras, apesar de o STF já ter declarado a inconstitucionalidade de tal exação. Em 28/09/14, a recorrente juntos aos autos petição de desistência parcial do recurso voluntário (fl. 3.552). Declinou dos argumentos em que pleiteava a nulidade do auto de infração e contestava os valores das dedução das despesas e custos assistenciais. A petição foi examinada e objeto de Despacho do Presidente do CARF(fl. 3.596). O processo foi encaminhado à unidade de origem, que intimou o contribuinte a apresentar planilha contendo os valores de PIS e COFINS que deixara de contestar. Em 24/07/15, foi apresentada resposta (fls. 3.608 a 3.610). A unidade de origem emitiu Despacho (fl. 3.624), devolvendo o processo ao CARF, para julgamento das matérias não contempladas pela desistência. É o relatório." Em 20 de junho de 2018, o processo foi julgado e o Acórdão n° 3301 004.757 foi assim ementado: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 COFINS. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÃO DO CUSTO HOSPITALAR DA BASE DE CÁLCULO As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da COFINS as despesas e custos assistenciais relacionados com os atendimentos médicos, hospitalares, entre outros, realizados com seus próprios beneficiários e beneficiários de outras operadoras, líquidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. COFINS DESCONTADA NA FONTE. APROVEITAMENTO EM MESES SUBSEQUENTES Fl. 3652DF CARF MF Processo nº 10920.723254/201302 Acórdão n.º 3301005.363 S3C3T1 Fl. 3.633 8 De acordo com as instruções do DACON, o valor descontado em determinado mês somente pode ser transferido para o seguinte, caso não tenha sido possível sua utilização, ou seja, se o valor a pagar for menor do que o descontado na fonte. Como o contribuinte apurou valores a pagar em todos os meses anteriores àqueles em que efetuou as compensações, não se configurou a impossibilidade de deduzir o fonte no mesmo em que houve o desconto. Portanto, incabível sua dedução em períodos de apuração seguintes." E o dispositivo foi apresentado, como segue: "Conclusão Nego provimento ao recurso de ofício. Dou provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: não conheço dos argumentos contidos nos itens "2.1 Do agravamento em parte da exigência inicial pela decisão de primeira instância" e "2.5 Nulidade quanto ao instrumento utilizado para a constituição do crédito tributário" do recurso voluntário, em razão de a recorrente ter renunciado formalmente `a discussão na segunda instância administrativa; não conheço dos argumentos contidos no item "2.4 Da não incidência de PIS/COFINS sobre receitas financeiras" do recurso voluntário, pois não foi incluído na impugnação (artigos 14 ao 17 do Decreto n° 70.235/72) e não se trata de matéria de ordem pública; dou provimento aos argumentos contidos no item "2.2 Equívoco no cálculo apresentado erro material"; e nego provimento aos argumentos contidos no item "2.3 Valores utilizados em compensação PIS e COFINS cumulativos do ano". É como voto." Este relator identificou que, apesar de constar no corpo do voto condutor, a turma não julgou o recurso de ofício. Por este motivo, interpôs embargos de declaração, para sanear a omissão, os quais foram admitidos pelo Presidente desta turma. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Tratase de embargos de declaração interpostos para sanear omissão verificada no Acórdão n° 3301004.757: a turma não julgou o recurso de ofício. Fl. 3653DF CARF MF Processo nº 10920.723254/201302 Acórdão n.º 3301005.363 S3C3T1 Fl. 3.634 9 Os embargos foram admitidos pelo Presidente desta turma. Reproduzo os trechos do acórdão embargado, que dispõem sobre a demanda e o recurso de ofício: "Os recursos de ofício e voluntário preenchem os requisitos legais de admissibilidade e devem ser conhecidos. Tratase de auto de infração de PIS e COFINS, relativo aos períodos de apuração (PA) de janeiro de 2009 a dezembro de 2011, no montante total de R$ 68.885.152,22 (principal, juros de mora e multa de ofício proporcional de 75%). Antes de adentrarmos nos recursos, é necessário estabelecer o escopo deste julgamento: o recurso de ofício deverá ser apreciado, pois a exoneração concedida pela DRJ RJ/RJ é superior ao limite de alçada de R$ 2.500.000,00 (Portaria MF n° 63/17); e (. . .) Recurso de Ofício A DRJ acatou os seguintes argumentos do contribuinte: a) direito às deduções das bases de cálculo do PIS e da COFINS, concernentes às despesas com custos assistenciais relacionados com os atendimentos médicos e hospitalares, realizados com seus próprios beneficiários e beneficiários de outras operadoras, reduzidos das importâncias recebidas a título de transferências de responsabilidades; b) para apuração das bases de cálculo de 2010, a fiscalização teria deduzido os valores lançados na conta contábil "3.1.17 Contraprestações de co responsabilidade" em 2009 e não em 2010; e c) direito à dedução dos valores de PIS e COFINS descontados na fonte, cuja comprovação teria sido juntada aos autos. Não cabe nenhum reparo `a decisão da primeira instância. Em relação às letras "b" e "c", ratifico a conclusão da DRJ, que validou os argumentos do contribuinte, por meio de conferência com a documentação juntada aos autos. No caso específico da questão tratada na letra "c", cumpre mencionar que a DRJ reconheceu como passíveis de dedução dos valores a pagar os montantes descontados na fonte no mês da dedução e que conferiam com os informes de rendimentos carreados aos autos. Não obstante, quando do exame do recurso voluntário, discutiremos sobre os descontos de fonte não reconhecidos pela fiscalização e tampouco DRJ. Sobre o direito às deduções das bases de cálculo do PIS e da COFINS, relativas às despesas com custos assistenciais, adoto trecho da decisão de primeira instância como minha razão de decidir (§ 1° do art. 50 da Lei n° 9.894/99): Fl. 3654DF CARF MF Processo nº 10920.723254/201302 Acórdão n.º 3301005.363 S3C3T1 Fl. 3.635 10 'A contribuição para o PIS foi instituída pela Lei Complementar n° 07/70. A Cofins Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social foi instituída pela Lei Complementar n° 70/91. Posteriormente, a Lei n° 9.718/98 (modificada pelas sucessivas Medidas Provisórias de n° 1.807/99, 1.858/99, 1.991/99, 2.037/00, 2.113/00 e 2.158/01) passou a disciplinar a cobrança da Cofins e também da contribuição para o Pis, para fatos geradores ocorridos a partir de 01/02/99, tratando inclusive, das exclusões e deduções, gerais e específicas, na apuração da base de cálculo das supracitadas contribuições. A base de cálculo das contribuições do Pis e da Cofins é o faturamento, que corresponde à receita bruta, em conformidade com os art. 2°e 3o da Lei n° 9.718/1998. Em relação às deduções e exclusões permitidas, além das gerais, existem as específicas, especiais para alguns segmentos econômicos, como o de operadoras de saúde, categoria que se insere o impugnante. É o caso das deduções contidas no § 9º do art. 3º da Lei 9.718, direcionadas às operadoras de saúde. Verbis: “§ 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória n° 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades.” Essas deduções foram inseridas na Lei nº 9.718/98 somente em 2001 com a edição da Medida Provisória 2.15835. Em relação aos dois primeiros incisos não houve discussões ou discordâncias relevantes, entretanto, o mesmo não ocorreu com a interpretação do inciso III. Conforme já explicitado no Termo de Verificação Fiscal, a jurisprudência administrativa havia consagrado o entendimento de que a dedução em comento referiase apenas aos custos ocorridos com beneficiários de outras operadoras a título de transferência de responsabilidades. Foi respaldado neste entendimento que os Autos de Infração deste processo foram lavrados em 07/10/2013. Ocorre que em 24 de outubro de 2013, poucos dias depois da ciência da autuação pelo contribuinte, foi editada a Lei nº 12.783, que acresceu o parágrafo 9° A ao art. 3° da Lei nº 9.718/1998, que interpretou o inciso III do § 9º, concluindo que as indenizações nele referidas eram relativas além dos custos ocorridos com beneficiários de outra operadora também com seus próprios beneficiários. Assim resta razão ao contribuinte no mérito não devendo persistir a glosa ocorrida na autuação. Importante salientar alguns aspectos acerca do comando contido no inciso III, do §9º da Lei nº 9.718/98. Diz o texto do dispositivo: Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de Fl. 3655DF CARF MF Processo nº 10920.723254/201302 Acórdão n.º 3301005.363 S3C3T1 Fl. 3.636 11 assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. De acordo com a Agência Nacional de Saúde, que regulamenta e controla as atividades das operadoras de saúde, nos termos do Ofício 152/2007/GGHAO/DIOPE/ANS/MS, o significado das expressões contidas no inciso III, do art. 9º , da Lei nº 9.718/98 são os seguintes: '" Eventos ocorridos: são os custos assistenciais decorrentes da utilização, pelos beneficiários, da cobertura oferecida pelo plano de saúde, ou seja, são os custos com os atendimentos feitos aos beneficiários do plano de saúde da operadora, tais como consultas médicas/odontológicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc. que estejam diretamente ligados ao ato assistencial, os quais a operadora reconhecerá contabilmente na data de apresentação da conta médica ou do aviso pelos prestadores, em atenção ao regime de competência. A classificação será nas contas 4111, 4112, 4113, 4114, 4115, 4116, 4117 e 4118 (capitulo V, Anexo I, da IN n. 08/2006; ou Capítulo IV do Anexo II da RN n. 27/2003); Esses eventos serão escriturados em "Controles Gerenciais" conforme definido no item 7, Capítulo I, Anexo I, da IN n. 08/2006, ou item 6, Capítulo I do Anexo II, da RN n. 27/2003; Valor dos Eventos Efetivamente Pagos: são os eventos conhecidos, ocorridos, líquidos das recuperações por glosas, ressarcimento ou outras deduções, como descontos obtidos, classificados nas contas 4121, 4122, 4128, 4129, 4131 e 4132, ou seja, é o que efetivamente a operadora saldou, pagou no mês. Podese dizer que serão consideradas as contas 4111, 4112, 4113, 4114, 4115, 4116, 4117, 4118 ( ) 4121, () 4122, () 4128, () 4129, ( ) 4131 3 () 4132, 4118 (Capítulo V, Anexo I, da IN n. 08/2006; ou Capítulo IV do Anexo I da RN n. 27/2003). Esses pagamentos serão escriturados em "Controles Gerenciais" conforme definido no item 7, Capítulo I, Anexo I, da IN n. 08/2006, ou item 6, Capítulo I do Anexo II, da RN n. 27/2003; Importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades: são os valores de repasse recebidos a título de transferência de responsabilidades, ou seja, os valores recuperados de eventos em decorrência do compartilhamento de risco . classificados nas contas 4123 e 4124 ao Plano de Contas Padrão ANS (Capítulo V, Anexo I, da IN n. 08/2006, ou item 6, Capítulo I do Anexo II, da RNn. 27/2003."' Sendo os Termos acima bastante singulares, o Ofício 152/2007/GGHAO/DIOPE/ANS/MS, ao esclarecer o conteúdo de cada um deles, nos ajuda a compreender o objetivo do legislador. É claro que a definição de determinado instituto, ainda que feito por uma agência reguladora governamental, não possui o condão de mudar a legislação tributária e seus efeitos. Neste caso específico, combinando o esclarecimento da ANS acerca dos termos contidos no inciso III, com sua interpretação legal, dada pelo parágrafo 9º A, introduzido pela Lei nº 12.783, em 24 de outubro de 2013, chegamos à segura conclusão de que a pretensão do legislador com aplicação do inciso III do §9º era a dedução da totalidade dos custos assistenciais, independentemente de com quem fossem efetuados, seus beneficiários ou beneficiários de outras operadoras. Na parte final do inciso está previsto ainda que a despesa passível de dedução deverá ser reduzida dos valores recuperados, como glosa de despesas, ressarcimentos, descontos obtidos etc, ou seja, a despesa a ser deduzida é líquida. Fl. 3656DF CARF MF Processo nº 10920.723254/201302 Acórdão n.º 3301005.363 S3C3T1 Fl. 3.637 12 Somente para esclarecer, apesar de o Ofício acima citado exemplificar em qual grupo de contas encontramse os valores envolvidos na dedução prevista no inciso III, do §9º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, importante estar atento à inteligência do dispositivo, portanto, as contas trazidas pela ANS – Agência Nacional de Saúde devem ser consideradas como fios condutores, mas nada impede ou limita que o Fisco vá buscar os valores envolvidos em outras contas contábeis que aquelas apresentadas no Ofício 152/2007/GGHAO/DIOPE/ANS/MS.' Isto posto, nego provimento ao recurso de ofício." Isto posto, voto por acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, negando provimento ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 3657DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.013352/2005-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - IMPOSTO DE RENDA SOBRE ABONO VARIÁVEL - NATUREZA INDENIZATÓRIA.
A verba denominada abono variável e provisório foi declarada como de natureza indenizatória pelo Supremo Tribunal Federal, através da Resolução 245/2002, sendo, portanto, isenta do imposto de renda. Res. 245/2002: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 2001-000.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em DAR provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e José Alfredo Duarte Filho, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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A verba denominada “abono variável e provisório” foi declarada como de natureza indenizatória pelo Supremo Tribunal Federal, através da Resolução 245/2002, sendo, portanto, isenta do imposto de renda. Res. 245/2002: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em DAR provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e José Alfredo Duarte Filho, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 33 52 /2 00 5- 90 Fl. 99DF CARF MF 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte. Pleiteou a interessada, maior de 60 anos, à fl. l, restituição de imposto de renda decorrente da aplicação da Resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002, do Supremo Tribunal Federal. A Delegacia da Receita Federal proferiu despacho decisório indeferindo o pleito. Cientificada em 13/11/2008, fl. 33, o contribuinte apresenta, em 26/11/2008, por meio de representante (fl. 33), o recurso às fls. 27 a 32, no qual alega, em síntese, que o Supremo Tribunal Federal editou a Resolução n° 245, regulando o abono previsto na Lei n° 10.474, de 2002, objeto do lançamento. Aduz que o STF determinou, mediante norma legal e não decisão jurisdicional isolada, para todos os efeitos legais, que é de natureza jurídica indenizatória o abono precitado e autorizou a restituição ou compensação diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Acrescenta que os abonos recebidos correspondem exclusivamente a auxíliomoradia. A DRJ Belo Horizonte manifestou seu entendimento no sentido de que não cabe razão ao sujeito passivo eis que aos juízes classistas deve ser reservado tratamento normativo diferenciado daquele conferido aos magistrados togados. O juiz classista, em conseqüência, apenas faz jus aos benefícios e vantagens que lhe tenham sido expressamente outorgados em legislação específica”. Destarte, não se pode automaticamente concluir que a natureza jurídica indenizatória do abono variável e provisório concedido pelo art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com alteração do art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, estabelecida pelo an. 1° da Resolução n° 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal, seja também aplicável aos juízes classistas, que é o caso da contribuinte em apreço. Inconformado com a decisão, maneja Recurso Voluntário argüindo que a decisão alterou o entendimento obvio acerca da natureza jurídica da parcela recebida pela contribuinte,"negando" o seu enquadramento como abono variável, diante da função de Juiz Classista por ela exercida. Escapou, pois, a sua percepção, que a contribuinte recebeu, efetivamente, o abono variável previsto no art. 2 °, da Lei 10.474, que também foi pago aos Juízes Togados. Sendo assim, pleiteia o reconhecimento do seu direito para afastar a ordem de cobrança dos valores correspondentes o restituição do Imposto de Rendo de Pessoa Física dos exercícios de 2001, 2002 e 2003, pelos motivos expostos (essencialmente por ter o abono natureza jurídica de caráter indenizatório. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10680.013352/200590 Acórdão n.º 2001000.799 S2C0T1 Fl. 3 3 Conforme mencionado no relatório acima, a discussão administrativa decorreu da cobrança de restituições do Imposto de Renda consideradas indevidas pela Receita Federal, referentes ao exercício de 2001, 2002 e 2003. As restituições referemse ao Imposto de Renda que incidiu sobre o abono variável de que trata o art. 2 °, do Lei 10.474/2002, considerada parcela de natureza indenizatória, não sujeito a tributação, no v. Acórdão proferido no Egrégio Tribunal Regional do Trabalho do 3 ° Região, nos autos do Recurso Administrativo 01050200300003009. Como se verificou, o denominado abono variável e provisório foi instituído pela Lei nacional nº 9655/98 e seu valor foi fixado pela Lei 10.474/2002. O abono foi instituído como diferença estipendial para implantação da remuneração da Magistratura nacional através de subsídio. Neste ponto reside a pertinência do pagamento do abono variável a todos os Magistrados brasileiros, porque foi um instrumento utilizado para equalizar a remuneração dos integrantes da Magistratura nacional, permitindo a implantação de um sistema remuneratório único para todo o país, nos exatos termos da Constituição Federal. Nesta senda, merece frisar rapidamente que a própria norma constitucional federal estabeleceu um sistema remuneratório observando a ESTRUTURA JUDICIÁRIA NACIONAL, inexistindo violação ao pacto federativo. Não se trata de vinculação remuneratória entre as várias Magistraturas existentes no Brasil, nem de violação do teto remuneratório nacional. Não houve a alegada violação do princípio da legalidade. O abono variável foi pago com a finalidade de indenizar os Magistrados brasileiros pelas perdas sofridas ao longo do tempo de defasagem de suas remunerações e para adaptar o sistema remuneratório ao novo ordenamento que instituiu o subsídio. Não se trata de remuneração propriamente dita, mas de uma indenização, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal. Fundamental deixar claro que a verba denominada “abono variável e provisório” foi declarada como de natureza indenizatória pelo Supremo Tribunal Federal, através da Resolução 245/2002, sendo, portanto, isenta do imposto de renda. Res. 245/2002: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Não há nenhuma distinção entre juizes classistas ou togados na decisão do STF. Apenas discutese a natureza jurídica da verba. E, por óbvio, entendo que já que se trata da mesma verba, da mesma natureza jurídica e não há distinção pelo Supremo entre os juízes, não há que se falar em incidência do imposto de renda sobre esta verba. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário e acatar o pleito do contribuinte para afastar a ordem de cobrança dos valores correspondentes o restituição do Imposto de Rendo de Pessoa Física dos exercícios de 2001, 2002 e 2003 . Fl. 101DF CARF MF 4 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35464.000228/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/2002
DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITOS LEVANTADOS. PAGAMENTOS REALIZADOS MEDIANTE CDP E GPS A MENOR. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
Uma vez comprovada/constatada a diferença de contribuições previdenciárias pagas a menor nos autos de processo judicial, o qual, inicialmente, continha depósitos judiciais, posteriormente levantados e substituídos por pagamentos mediante CDP e GPS em valores inferiores, impõe-se manter a exigência fiscal consubstanciada na diferença dos tributos devidos e não pagos em sua totalidade, sobretudo quando a contribuinte, instada a se manifestar, não logrou demonstrou e/ou explicitar a razão de aludida distorção.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES. PAGAMENTOS PARCIAIS NOS AUTOS DE AÇÃO JUDICIAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de lançamento de diferenças de contribuições previdenciárias apuradas a partir de pagamentos parciais realizados nos autos de ação judicial.
Numero da decisão: 2401-005.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do período de 01/1995 a 11/2000. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Wilderson Botto (Suplente Convocado), Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/2002 DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITOS LEVANTADOS. PAGAMENTOS REALIZADOS MEDIANTE CDP E GPS A MENOR. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovada/constatada a diferença de contribuições previdenciárias pagas a menor nos autos de processo judicial, o qual, inicialmente, continha depósitos judiciais, posteriormente levantados e substituídos por pagamentos mediante CDP e GPS em valores inferiores, impõe-se manter a exigência fiscal consubstanciada na diferença dos tributos devidos e não pagos em sua totalidade, sobretudo quando a contribuinte, instada a se manifestar, não logrou demonstrou e/ou explicitar a razão de aludida distorção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES. PAGAMENTOS PARCIAIS NOS AUTOS DE AÇÃO JUDICIAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de lançamento de diferenças de contribuições previdenciárias apuradas a partir de pagamentos parciais realizados nos autos de ação judicial.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/2002 DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITOS LEVANTADOS. PAGAMENTOS REALIZADOS MEDIANTE CDP E GPS A MENOR. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovada/constatada a diferença de contribuições previdenciárias pagas a menor nos autos de processo judicial, o qual, inicialmente, continha depósitos judiciais, posteriormente levantados e substituídos por pagamentos mediante CDP e GPS em valores inferiores, impõese manter a exigência fiscal consubstanciada na diferença dos tributos devidos e não pagos em sua totalidade, sobretudo quando a contribuinte, instada a se manifestar, não logrou demonstrou e/ou explicitar a razão de aludida distorção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES. PAGAMENTOS PARCIAIS NOS AUTOS DE AÇÃO JUDICIAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de lançamento de diferenças de contribuições previdenciárias apuradas a partir de pagamentos parciais realizados nos autos de ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 02 28 /2 00 6- 21 Fl. 3596DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do período de 01/1995 a 11/2000. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Wilderson Botto (Suplente Convocado), Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Relatório SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRAS DE BEBIDAS S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1614.074/2007, às efls. 2.836/2.847, que julgou procedente o lançamento, referente às contribuições destinadas ao INCRA e FUNRURAL, em relação ao período de 01/1995 a 08/2002, conforme Relatório Fiscal, às efls. 2.026/2.032, consubstanciados na seguinte Notificação Fiscal de Lançamento de Débito: 1) NFLD n° 35.903.8085, relativa às contribuições devidas à Seguridade Social, parte da empresa e a terceiros — INCRA no período de 05/1996 a 04/1999. De conformidade com o Relatório Fiscal, A empresa, juntamente com a DIXER Distribuidora de Bebidas S/A e a Transportadora Momentum Ltda., impetrou a ação PT n° 1.319/90, atual 90.00.109299, 70 Vara da Justiça Federal de Brasília/DF, alegando a inconstitucionalidade e ilegalidade das contribuições ao INCRA e FUNRURAL. Fl. 3597DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 4 3 A partir da competência 01/1991 a SPAL passou a depositar em juízo as contribuições ao FUNRURAL (2,4% do salário de contribuição) e ao INCRA (0,2% do salário de contribuição). Em petição protocolada cm 09/04/2002, as impetrantes desistiram da ação c alegam que os valores devidos foram pagos através de CDP's Certificados da Divida Pública para os meses de 02/1991 e 04/1991 a 03/1999; e através de Guias da Previdência Social GPS's, para o período de 04/1999 a 03/2002, esclarecendo que para o mês de 03/1991 havia sido recolhido integralmente na época própria. Em 18/09/2002 as autoras requereram ajuntada de guias de depósito referentes aos honorários do INCRA e do INSS, e também solicitaram o Alvará de Levantamento dos depósitos judiciais efetuados, tendo em vista os pagamentos juntados relativos a este processo. Em 10/10/2002, o INSS manifestouse não se opondo em relação à liberação dos depósitos efetuados, tendo em vista que, naquele momento, as autoras não seriam devedoras de contribuições previdenciárias ou destinadas a terceiros. Em 16/10/2002 foram levantados os saldos das contas dos depósitos em • questão, por ordem da Justiça Federal. Em função da decadência do período de 1991 a 1994, somente foi analisado o período de 01/1995 a 08/2002, período em que a SPAL efetuou recolhimentos a menor. Pela comparação de valores dos depósitos judiciais (feitos em época própria e devolvidos para a SPAL) com os valores recolhidos em 03/04/2002, através de CDP's e GPS, verificase que os valores recolhidos em 03/04/2002 são bem inferiores aos valores depositados inicialmente e devolvidos à SPAL. A Planilha Demonstrativa de fls. 1453/1454 (Vol. 5) apresenta a comparação. Foi solicitado ao Contribuinte que justificasse a diferença de valores entre os valores depositados judicialmente c os valores recolhidos cm CDP/GPS. No entanto, apesar de devidamente intimada através dos TIAD's datados de 10/08/2005, 06/12/2005, e 12/12/2005 (copias as fls. 1000/1002, Vol. 4), não foram apresentados CDP/GPS além daqueles cujas copias foram juntadas as fls. 1170/1209 e 1289/1424 (Vol. 4, 5). Por todo o exposto, como não foram apresentados documentos que comprovassem a liquidação do Processo n°90.00.109299, 7° Vara de Brasília/DF, foi lavrada a presente NFLD. Cientificada em 20/12/2005 (TEAF às efls. 2.024), interpôs impugnação, contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a autoridade julgadora de primeira instância achou por bem converter o julgamento em diligência, nos termos do Despacho de 16/03/2006, às efls. 2.763/2.767, que assim diligencia: "(...) 13. Em que pese a informação contida no MPF, de que se trata de ação fiscal especifica, fazse necessário esclarecer alguns tópicos, a seguir relacionados: Fl. 3598DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 5 4 13.1. Ao consultar a Tabela anexa de fls. 1453/1454, comparandoa com o DSE, verificamse pequenas diferenças, listadas a seguir por amostragem: (...) 13.1.1. Estas diferenças ocorrem porque o salário de contribuição apurado pela fiscalização diferiu em algumas competências do salário de contribuição utilizado pela empresa quando efetuou os depósitos judiciais? O salário de contribuição utilizado pela fiscalização foi apurado em quais elementos? Folhas de pagamento?; 13.2. Da análise do RDA e do conta corrente da empresa constatouse que: 13.2.1. No RDA estão apenas os CDP's (até 03/1999) e as GPS's (a partir de 04/1999) recolhidos pela empresa em 03/04/2002, todos no estabelecimento matriz 000193; 13.2.2. No entanto, conforme conta corrente por amostragem juntado ás fls.1517/1533 existem outros recolhimentos da empresa. Estes recolhimentos referemse a outras contribuições que não FUNRURAL/INCRA, ou seja, contribuições se segurados, empresa, SAT, outros Terceiros? 13.2.3. Houve outra ação fiscal — Monitoramento — em janeiro, a qual resultou em novos recolhimentos promovidos em 31/01/2006. Estes recolhimentos também referemse a outras contribuições que não FUNRURAL/INCRA, ou seja, contribuições se segurados, empresa, SAT, outros Terceiros? 14. Muito embora o contribuinte apenas alegue que os valores objeto do Processo n° 90.00109299 foram quitados integralmente sem objeção do INSS/INCRA, sugerimos por todo o exposto que os autos sejam convertidos em diligência, a fim de que a fiscalização pronunciese a respeito do item 13 e subitens. (...)"A resposta a Resolução encimada veio por meio do Relatório de Diligência, às efls. 2769/2771, com a seguinte conclusão: "(...) A O salário de contribuição utilizado pela fiscalização na lavratura da presente NFLD foi, para todo o período em questão, obtido nas folhas de pagamento 111/ apresentadas pelo contribuinte, não existindo diferenças entre as bases de cálculo da NFLD e dos depósitos judiciais efetuados pela empresa. Para esclarecimento das diferenças apontadas pelo SECAP foi anexada a tabela 1 onde foi feita a comparação (por amostragem) entre a Tabela (valor depositado (CDP/GPS)) e os valores constantes do DSE (valor apurado (CDP/GPS)) como segue: (...) Fl. 3599DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 6 5 Nas competências listadas acima, por amostragem, temos: Nos casos dos meses novembro/1995, setembro/1998 e março/1999, não foi feito abatimento total dos valores recolhidos através de CDP, pois foi feita, para cada mês citado, apenas uma guia de recolhimento no montante integral devido em um CNPJ, o da matriz da empresa, e o valor devido para a matriz do contribuinte era inferior ao valor dos CDP. A diferença encontrada, neste caso, representam a parte dos CDP não abatida dos valores devidos pela empresa ; Nos casos das competências fevereiro/98 e junho/2.002, houve erro de cálculo no valor depositado pelo contribuinte, o que justifica as diferenças apontadas e No caso do mês de março/2002, a diferença apontada ocorreu, provavelmente, por erro de aproximação de valores. B Os outros recolhimentos que já existiam no conta corrente da empresa não se referem As contribuições apuradas nesta NFLD, isto 6, não se referem às contribuições devidas relativas ao FUNRURAL/INCRA apontadas neste processo e C Quanto aos recolhimento efetuados pela empresa em 31/01/2006, decorrentes da ação de monitoramento, eles se referem a diferenças de SAT/RAT, não guardando assim nenhuma relação com os valores apurados na presente NFLD." Após regular processamento, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo a integralidade do crédito previdenciário, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 1614.074, sintetizados na seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/2002 Documento: NFLD n." 35.903.808 5, de 16/11/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais seu serviço. LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITO ATRAVÉS DE CDP'S CERTIFICADOS DA DÍVIDA PÚBLICA E GPS GUIAS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. 0 valor de face do CDP Certificado da Divida Pública é o parâmetro para liquidação do crédito. Sendo o valor das contribuições a cargo da empresa, apuradas através das folhas de pagamento, superior aos valores recolhidos por meio de CDP's c GPS, as diferenças devem ser objeto de lançamento de crédito. Fl. 3600DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 7 6 Lançamento Procedente" Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 2.852/2.871, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls., procurando demonstrar a total improcedência do Auto, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, preliminarmente pugna pela decretação da decadência dos valores referentes aos fatos geradores até 31/12/1999, uma vez que a NFLD em comento foi lavrada em 20/12/2005. Em relação ao mérito, repisa as razões da impugnação, afirmando ser insubsistente o lançamento por quitação prévia dos valores cobrados, uma vez ter realizado o pagamento dos valores objeto da ação 90.00.109299 da 7a Vara Federal do Distrito Federal, tendo sido tal quitação devidamente homologada em Juízo, sendo qualquer cobrança de valor adicional uma afronta ao Principio da Segurança Jurídica do Estado Democrático de Direito. Afirma que os pagamentos realizados foram devidamente precedidos de questionamento formal perante o INSS, que expressamente aquiesceu quanto ao seu conteúdo, e foi submetido à análise das Procuradorias do INSS e do INCRA no processo, que não se opuseram em relação a quaisquer de seus aspectos, como por exemplo forma, tempo ou valor. Explicita que nada mais pode lhe ser cobrado em relação a tal processo, sob pena de violação a coisa julgada material e ao principio da segurança jurídica, sendo a presente cobrança, além de juridicamente insustentável, é moralmente condenável, eis que a empresa agiu com total boafé na realização dos pagamentos, e consultou o INSS antes de fazêlos, com o objetivo de fazêlos da forma e na quantia adequados, tendo confiado em suas orientações e assim procedido. Alega não ter a Procuradoria do INSS e a do INCRA discordado em juízo quer no que se referiu à desistência do processo, quer no que se referiu extinção da execução dos valores pelo pagamento realizado. Assim sendo, o procedimento que culminou no pagamento, pela empresa, dos valores discutidos na ação 90.00.109299 não se tratou de mera desistência do recurso interposto nos autos, mas sim de um pagamento de um valor de condenação, em sede de execução da sentença transitada em julgado, que restou judicialmente homologado. Não tendo nenhuma das partes recorrido da decisão que extinguiu o processo pelo pagamento integral realizado, conforme decisão de 18 de setembro de 2002. Concluise, portanto, que a divida representada pelos temas discutidos no processo 90.00.0109299 (INCRA e FUNRURAL) durante o período em que o processo tramitou foi integralmente paga, sendo surpreendente o questionamento constante da manifestação da procuradoria trazida a conhecimento da empresa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para preliminarmente decretar a decadência da Notificação, tornandoa sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Fl. 3601DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 8 7 Após, regular processamento do feito, em 03 de fevereiro de 2009, foi proposto despacho de diligência e saneamento pela Nobre Conselheira Relatora Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, às efls 2.894/2.989, in verbis: "(...) Entendo em principio que, em se tratando de decisão judicial acerca de questionamento de fatos geradores de contribuição previdenciária, e se há uma decisão judicial reconhecendo o direito de o contribuinte quitar dito crédito previdenciário com títulos da divida pública, tal lide deve ser encerrada e questionada ro 5mbito do poder judiciário. Porém, uma vez que não houve o adimplemento do autor nos autos do processo de conhecimento, caberia a parte adversa, no caso o INSS, à época, executar a decisão judicial, não sendo necessário o lançamento fiscal. Contudo, não foi colacionado ao processo a inicial da ação judicial, nem tão pouco as decisões e atos processuais relevantes a que se entenda todo o histórico que resultaram tanto na referida decisão, como no lançamento fiscal objeto deste recurso. Desse modo, entendo que cabe à Procuradoria da Fazenda trazer maiores informações acerca do processo judicial, além das aqui mencionadas, devendo trazer esclarecimentos não apenas do teor da ação judicial, bem como se já houve a execução da sentença judicial, e caso negativo, o motivo de não ter efetuado tal cobrança até a presente data. Deve também a autoridade previdenciária, manifestarse a respeito do feito e das informações prestadas pela procuradoria, inclusive identificando as ações fiscais realizadas na empresa em questão, e se em data anterior foi realizado lançamento e se o mesmo contemplava as contribuições objeto desta NFLD.(...)" O processo foi encaminhado pela Unidade da Receita Federal jurisdicionante à Procuradoria da Fazenda em São Paulo, que anexou o andamento do processo. Foi emitido despacho às fls. 1687/1688 destacando que a competência para diligenciar no caso em questão é da PGFN da 1° Região, já que a atribuição e a defesa da União na mencionada ação judicial foi realizada pela dita procuradoria, sendo que as diligências devem ser realizadas pelo órgão que atuou na causa, haja vista as indagações pertinentes a diligência. Uma vez ter o processo retornado a este Conselho sem o cumprimento dos termos da diligência, em 11 de fevereiro de 2011, foi proposta nova Resolução n° 2401 000.146 pela Nobre Conselheira Relatora Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, às efls 3.180/3.185, in verbis: "(...) Contudo, após o encaminhamento à procuradoria da Fazenda Nacional da 1° Região, o processo retornou a este Conselho sem o cumprimento dos termos da diligência, o que torna impossível dar continuidade ao julgamento. Fl. 3602DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 9 8 Assim, devem os autos retornar a PGFN 1° Região, para que sejam prestadas as informações nos termos da resolução 206.00.182, fls. 1668 a 1672, com o posterior encaminhamento a auditoria fiscal para manifestação após os esclarecimentos prestados pela Procuradoria. ressaltase, por fim, a necessária cientificação do recorrente do despacho da PGFN e da autoridade fiscal para, em entendendo cabível, manifestar se.(...)" Em resposta a diligência encimada, houve um despacho da procuradoria da fazenda às efls. 3.189/3.191 e juntada de documentos às efls. 3.192/3.438, o despacho aduz: Os autos mais uma vez retornaram a este Egrégio Conselho, e mais uma vez, a Nobre Relatora Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, observou não haver posicionamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil sobre o despacho da Procuradoria, como consta nos termos da Resolução e do próprio esclarecimento da PGFN. Dito isto, a Nobre Relatora elaborou Despacho n° 2401086, ordenando o encaminhamento dos autos a DRFB autuante, para com base nas informações e solicitações realizadas até o presente momento, emita informação fiscal conclusiva. Em resposta ao despacho retro mencionado, a autoridade fiscal elaborou termo de resposta às efls. 3.140/3.144, onde relata o seguinte: Fl. 3603DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 10 9 Posterior retorno ao Egrégio Conselho, o processo foi pautado e novamente convertido o julgamento em diligência nos termos da Resolução n° 2401000.586, in verbis: Em que pese a autoridade preparadora ter seguindo o tramite correto e encaminhado a intimação para a contribuinte (AR de e.fl. 3166), no entanto consta dos autos, efls. 3449, despacho informando não ter a contribuinte se manifestado acerca do resultado da diligência, propondo o então seguimento da demanda. Fl. 3604DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 11 10 Porém, em alegação suscitada em tribuna, a contribuinte informou ter protocolado na data de 19/12/2012, manifestação sobre o resultado da resolução, entretanto tal documento não consta do processo eletrônico. Ficando a recorrente responsável por os anexar, assim o fazendo às efls 3454 e os arquivos "não pagináveis". Portanto, diante desta alegação e dos documentos anexados, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade de a autoridade fazendária responda as seguintes indagações: 1) Manifestarse acerca da petição e documentos acostados aos autos às efls 3454 e os arquivos "não pagináveis", com a finalidade de confirmar se os documentos foram protocolados a época (tempestivo); 2) Explicitar o motivo que não consta dos autos a petição protocolada em 19/12/2012; Em resposta a diligência encimada, a autoridade administrativa elaborou informação fiscal às efls. 3.554/3.557, relatando e analisando toda a questão posta nos autos, já em relação aos quesitos, propriamente ditos, aduziu o seguinte: (...) 3. Quanto à questão da petição e documentos da empresa que não constam nos autos e os documentos juntados como arquivos “não pagináveis” em razão das conclusões da presente análise que demonstram a singeleza do presente lançamento (valores idênticos aos calculados pela própria empresa, corroborados pelos dados informados pela própria empresa através da RAIS) pedese à empresa contribuinte que apresente nova petição e os documentos que julgar necessários para o saneamento do processo porque não será possível neste momento determinar a causa e corrigir a eventual falha cometida em 2012 e 2013, e que apresente documentos em condições de fazer parte deste processo digital (o exame dos documentos “não pagináveis” mostra que documentos apresentados anteriormente estavam em mau estado e acabaram se tornando ilegíveis no processo digital). 3.1. Pedese ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais – CARF que considere apenas este novo prazo determinado para a manifestação da empresa contribuinte, não havendo que se cogitar de eventual intempestividade em relação à citada petição apresentada em 19/12/2012, providência essencial para garantir a mais ampla defesa no cumprimento dos princípios constitucionais do devido processo legal e do contraditório, devendo também ser levado em conta as disposições constantes nos artigos 201 a 203 do Código Tributário Nacional – CTN, numa visão mais ampla, segundo a qual erros que poderiam dar causa à nulidade num processo de cobrança para constituição do crédito tributário podem ser sanados em todo o percurso do processo desde que não tenha havido a decisão de primeira Fl. 3605DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 12 11 instância da fase de cobrança judicial, preenchida a condição de se propiciar ao respectivo sujeito passivo o direito ao exercício do contraditório (devolução do prazo de defesa ou do recurso cabível na respectiva fase da cobrança). 4. Cremos que a presente análise e manifestação e documentos juntados podem contribuir para a solução da questão e da postergação do julgamento do recurso da empresa, cujo regular prosseguimento do processo no contencioso administrativo fiscal deve ter a celeridade necessária para minimizar um pouco os perversos efeitos de decisões equivocadas que já implicaram enorme prejuízo para os cofres da Previdência Social e do INCRA com a imoral liberação indevida de depósitos judiciais cujos valores agora não podem ser recuperados na sua totalidade.(...) A contribuinte devidamente intimada do resultado da diligência, protocolou manifestação, efls. 3.563/3.572, rebatendo todos os pontos abordados na informação fiscal e repetindo às alegações do recurso voluntário. Logo após retorno ao Egrégio Conselho, os autos retornaram para minha relatoria e conseguinte inclusão em pauta É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. QUESTÃO PREAMBULAR Conforme relato acima, após, regular processamento do feito, em 05 de junho de 2017, foi proposta Resolução por esta Colenda Turma, requerendo o seguinte: 1) Manifestarse acerca da petição e documentos acostados aos autos às efls 3454 e os arquivos "não pagináveis", com a finalidade de confirmar se os documentos foram protocolados a época (tempestivo); 2) Explicitar o motivo que não consta dos autos a petição protocolada em 19/12/2012; Em resposta a diligência encimada, a autoridade administrativa elaborou informação fiscal às efls. 3.554/3.557, relatando e analisando toda a questão posta nos autos, já em relação aos quesitos, propriamente ditos, aduziu o seguinte: (...) 3. Quanto à questão da petição e documentos da empresa que não constam nos autos e os documentos juntados como arquivos Fl. 3606DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 13 12 “não pagináveis” em razão das conclusões da presente análise que demonstram a singeleza do presente lançamento (valores idênticos aos calculados pela própria empresa, corroborados pelos dados informados pela própria empresa através da RAIS) pedese à empresa contribuinte que apresente nova petição e os documentos que julgar necessários para o saneamento do processo porque não será possível neste momento determinar a causa e corrigir a eventual falha cometida em 2012 e 2013, e que apresente documentos em condições de fazer parte deste processo digital (o exame dos documentos “não pagináveis” mostra que documentos apresentados anteriormente estavam em mau estado e acabaram se tornando ilegíveis no processo digital). 3.1. Pedese ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais – CARF que considere apenas este novo prazo determinado para a manifestação da empresa contribuinte, não havendo que se cogitar de eventual intempestividade em relação à citada petição apresentada em 19/12/2012, providência essencial para garantir a mais ampla defesa no cumprimento dos princípios constitucionais do devido processo legal e do contraditório, devendo também ser levado em conta as disposições constantes nos artigos 201 a 203 do Código Tributário Nacional – CTN, numa visão mais ampla, segundo a qual erros que poderiam dar causa à nulidade num processo de cobrança para constituição do crédito tributário podem ser sanados em todo o percurso do processo desde que não tenha havido a decisão de primeira instância da fase de cobrança judicial, preenchida a condição de se propiciar ao respectivo sujeito passivo o direito ao exercício do contraditório (devolução do prazo de defesa ou do recurso cabível na respectiva fase da cobrança). 4. Cremos que a presente análise e manifestação e documentos juntados podem contribuir para a solução da questão e da postergação do julgamento do recurso da empresa, cujo regular prosseguimento do processo no contencioso administrativo fiscal deve ter a celeridade necessária para minimizar um pouco os perversos efeitos de decisões equivocadas que já implicaram enorme prejuízo para os cofres da Previdência Social e do INCRA com a imoral liberação indevida de depósitos judiciais cujos valores agora não podem ser recuperados na sua totalidade.(...) Depreendese da informação fiscal encimada que a autoridade fiscal não soube explicar o motivo da ausência nos autos da petição e documentação protocolada pela contribuinte em 19/12/2012. Por fim, requer que seja conhecido como tempestivo o protocolo de efls. 3.454 e seguintes. Dito isto, por não causar prejuízo e/ou cerceamento do direito de defesa, considero tempestiva e conheço das alegações trazidas pela contribuinte posteriormente. Esclarecido a controvérsia acerca da última resolução, passamos às questões postas nos autos. Fl. 3607DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 14 13 DECADÊNCIA Em suas alegações recursais, pretende o contribuinte seja acolhida a decadência para os fatos geradores ocorridos após o prazo qüinqüenal estabelecido no artigo 150, § 4º do CTN, sobretudo considerando que houve recolhimentos nos autos do processo judicial em que se discutira a inconstitucionalidade da exigência fiscal, fato incontroverso. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da contribuinte merece acolhimento. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido, inobstante as sempre bem fundamentadas razões de direito dos ilustres julgadores recorridos, apresentase em descompasso com o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, especialmente nos autos de Recurso Repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, como passaremos a demonstrar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...] Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, e inciso I, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, Fl. 3608DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 15 14 considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Fl. 3609DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 16 15 Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o Fl. 3610DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 17 16 contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida inicialmente pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 3611DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 18 17 que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratarse de lançamento de diferenças de contribuições previdenciárias apuradas a partir de recolhimentos parciais constatados nos autos de ação judicial em que a contribuinte discutia a inconstitucionalidade da exigência fiscal, fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 20/12/2005, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação fiscal, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/1995 a 11/2000, os quais se encontram fora do prazo Fl. 3612DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 19 18 decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. MÉRITO Consoante se infere dos autos, especialmente Relatório Fiscal, às efls. 2.026/2.032, a presente notificação exige da contribuinte as contribuições destinadas ao INCRA e FUNRURAL, em relação ao período de 01/1995 a 08/2002, apuradas a partir da ação declaratória PT n° 1.319/90, atual 90.00.109299, em trâmite perante a 7º Vara da Justiça Federal de Brasília/DF, impetrada pela notificada, juntamente com as empresas DIXER Distribuidora de Bebidas S/A e a Transportadora Momentum Ltda., requerendo a decretação da inconstitucionalidade das contribuições ora exigidas. Destarte, informa o fiscal autuante que, a partir da competência 01/1991, a SPAL passou a depositar em juízo as contribuições ao FUNRURAL (2,4% do salário de contribuição) e ao INCRA (0,2% do salário de contribuição). No entanto, em petição protocolada cm 09/04/2002, as impetrantes desistiram da ação e alegaram que os valores devidos foram pagos através de CDP's Certificados da Dívida Pública para os meses de 02/1991 e 04/1991 a 03/1999; e através de Guias da Previdência Social GPS's, para o período de 04/1999 a 03/2002, esclarecendo que para o mês de 03/1991 havia sido recolhido integralmente na época própria. Em 18/09/2002 as autoras requereram a juntada de guias de depósito referentes aos honorários do INCRA e do INSS, e também solicitaram o Alvará de Levantamento dos depósitos judiciais efetuados, tendo em vista os pagamentos juntados relativos a este processo. Em 10/10/2002, o INSS manifestouse não se opondo em relação à liberação dos depósitos efetuados, tendo em vista que, naquele momento, as autoras não seriam devedoras de contribuições previdenciárias ou destinadas a terceiros. Em 16/10/2002 foram levantados os saldos das contas dos depósitos em questão, por ordem da Justiça Federal. Em função da decadência do período de 1991 a 1994, somente foi analisado o período de 01/1995 a 08/2002, período em que a SPAL efetuou recolhimentos a menor. Pela comparação dos valores dos depósitos judiciais (feitos em época própria e devolvidos para a SPAL) com as importâncias recolhidas em 03/04/2002, através de CDP's e UPS, constatouse que os recolhimentos procedidos pela contribuinte são bem inferiores as quantias depositadas inicialmente e devolvidos à SPAL, conforme Planilha Demonstrativa de fls. 1453/1454 (Vol. 5). A partir de referida constatação, a contribuinte fora intimada, mediante TIAD's, datados de 10/08/2005, 06/12/2005, e 12/12/2005 (copias as fls. 1000/1002, Vol. 4), para justificar a diferença de aludidos valores (depositados judicialmente com aqueles recolhidos em CDP/GPS), não tendo à notificada apresentado qualquer justificativa e/ou documentos que esclarecesse referida distorção. Fl. 3613DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 20 19 Diante desse cenário, como não foram apresentados documentos que comprovassem o efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias ora exigidas, fora lavrada a pressente NFLD. Por sua vez, insurgese a contribuinte contra a decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, afirmando ser insubsistente o lançamento em face da quitação prévia dos valores cobrados, em razão dos pagamentos realizados nos autos da ação 90.00.109299, da 7a Vara Federal do Distrito Federal, tendo sido tal quitação devidamente homologada em Juízo, sem qualquer cobrança de valor adicional, impondo seja decretada a improcedência do feito, sob pena de afronta ao Princípio da Segurança Jurídica do Estado Democrático de Direito. Em defesa de sua pretensão, alega que os pagamentos realizados foram devidamente precedidos de questionamento formal perante o INSS, que expressamente aquiesceu quanto ao seu conteúdo, e foi submetido à análise das Procuradorias do INSS e do INCRA nos autos do processo judicial, os quais não se opuseram em relação a quaisquer de seus aspectos, como por exemplo forma, tempo ou valor. Assim, defende que nada mais pode lhe ser cobrado em relação a tal processo, sob pena de violação a coisa julgada material e ao princípio da segurança jurídica, sendo a presente exigência, além de juridicamente insustentável, moralmente condenável, eis que a empresa agiu com total boafé na realização dos pagamentos, e consultou o INSS antes de realizalos, com o objetivo de fazêlos da forma e na quantia adequados, tendo confiado em suas orientações e assim procedido. Sustenta que as Procuradorias do INSS e a do INCRA não apresentaram quaisquer discordâncias em juízo, seja em relação à desistência do processo, ou mesmo quanto a extinção da execução dos valores pelo pagamento realizado. Assim sendo, o procedimento que culminou no pagamento, pela empresa, das importâncias discutidas na ação nº 90.00.109299 não se tratou de mera desistência do recurso interposto nos autos, mas sim de pagamento de valor de condenação, em sede de execução da sentença transitada em julgado, que restou judicialmente homologado. Não tendo nenhuma das partes recorrido da decisão que extinguiu o processo pelo pagamento integral realizado, conforme decisão de 18 de setembro de 2002, se apresenta inviável o Fisco exigir as diferenças de contribuições objeto do presente lançamento. Concluise, portanto, que a dívida representada pelos temas discutidos nos autos da ação declaratória nº 90.00.0109299 (INCRA e FUNRURAL), durante o período em que o processo tramitou, foi integralmente paga, sendo surpreendente o questionamento constante da manifestação da Procuradoria trazida a conhecimento da empresa. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direitos suscitadas pela contribuinte em recurso, no mérito, seu insurgimento não merece acolhimento, impondo seja corroborada a decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua integralidade, pelos seus próprios fundamentos, como passaremos a demonstrar. Destarte, como restou circunstanciadamente demonstrado no relatório e parágrafos acima, o presente lançamento decorre de ação judicial movida pela própria empresa objetivando fosse decretada a inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições previdenciários sob análise. Fl. 3614DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 21 20 E, no decorrer de referida ação judicial, a contribuinte vinha depositando em juízo os tributos devidos, o que veio a ser alterado a partir da desistência das autoras formalizada nos autos do processo, requerendo, ainda, fossem os débitos quitados mediante CDP's Certificados da Dívida Pública para os meses de 02/1991 e 04/1991 a 03/1999; e através de Guias da Previdência Social GPS's, para o período de 04/1999 a 03/2002, esclarecendo que para o mês de 03/1991 havia sido recolhido integralmente na época própria. A partir do pedido acima, a contribuinte solicitou o levantamento dos depósitos judiciais realizados, o que fora deferido pelo competente juízo. Após inúmeras diligências determinadas pelo julgador de primeira instância, bem como por este Egrégio Colegiado, acostouse aos autos a esclarecedora manifestação da Procuradoria da Fazenda, de efls 3.189/3.191, com o seguinte teor (trecho): [...] Com o trânsito em julgado e a sucumbência das contribuintes, tiveram início as atos de cumprimento de julgado afetos ao adimplemento da verba honorária e não do crédito tributário. Às fls. 424/428, discutiuse apenas o adimplemento das verbas sucumbenciais, tendo o INSS dado quitação quanto a este ponto. Destaquese que por meio da petição de fls. 425 o INSS concordou com o levantamento do saldo remanescente relativo a honorários, explicitando no item 3 não ter localizado débitos correntes de contribuições previdenciárias ou destinadas a terceiros administradas à época por aquela Autarquia. [...] O processo judicial em análise foi proposto pelo sujeito passivo (contribuinte) contra o sujeito ativo (à época INSS) com o objetivo de desoneração tributária. Dessa feita, não se tratando de execução fiscal promovida pela própria Fazenda Pública, não poderia ser utilizado para cobrança de crédito tributário ali atacado. Execução judicial promovida pelo INSS nos autos, como ocorreu, apenas poderia dizer respeito à verba honorária. [...] Ato contínuo, em atendimento à recomendação da Procuradoria da Fazenda, corroborada pelo Despacho nº 2401086 deste Colegiado, a autoridade fazendária de origem apresentou manifestação com teor abaixo transcrito (parte): [...] II – Quanto à verificação em sistema próprio a contabilização das guias de 162/199 [...] e a ocorrência da quitação referida nos documentos de fls. 200/202 [...], informamos que foram verificados, nos sistemas de arrecadação da Previdência Social, tanto as GPS [...] como as CDP [...] recolhidas, constatando todos estes pagamentos dos sistemas citados. Foram anexadas a este processo cópias exemplificativas Fl. 3615DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 22 21 de tais recolhimentos. Foram verificados apenas os recolhimentos relativos às competências de Janeiro/1995 a Maio/2002 pelo fato de apenas estes recolhimentos efetuados, sema em CDP ou GPS, terem sido considerados na lavratura do presente Auto de Infração. [...] Da análise do quadro acima e do Cadastro de Fiscalizações de Empresas – CFE, verificase que na única ação fiscal (nº 01969854) com parte relativa ao período de lavratura da NFLD em questão o AFRFB encarregado do procedimento fiscal constatou que a empresa efetuava mensalmente Depósitos Judicial de 2,4% referente ao FUNRURAL e 0,2% ao INCRA, na conta [...] conforme o Processo n. 1319/90 da 7ª Varada Justiça Federal de Brasília. Foram verificados todos os comprovantes de depósito do período de 02/91 a 11/97. Tal constatação só reforça a tese de que os valores depositados mensalmente, mas com devolução posterior à empresa, estavam corretos. Portanto a substituição destes valores por recolhimentos bem menores que os valores depositados, sejam em CDP ou GPS, salvo melhor juízo, não pode estar correta. Além disso ficou bem claro no CFE (cópia anexa) que não foram realizados lançamentos fiscais que contemplassem o objeto da presente NFLD. IV – Quanto às informações prestadas pela Procuradoria, por solicitação do CARF DE 03/02/2008, temos: [...] Discordamos totalmente desta colocação por entendermos que não pode haver dúvidas sobre a quitação do crédito tributário. O contribuinte, conforme o anexo do levantamento fiscal lavrado em 16/12/2005: “Comparação de Valores Depositados Judicialmente X Valores Recolhidos através de CDP ou GPS”, com cópia anexada a este despacho, recolheu utilizando CDP ou GPS, para cada mês em questão, um valor MUITO MENOR que o valor que, esta mesma empresa, tinha depositado mensalmente como devido, e posteriormente recebeu em devolução, em relação à pendência em questão. [...] Com base nestes dois exemplos, e também pela comparação de valores de qualquer outra competência do levantamento fiscal, podese afirmar, sem qualquer sombra de dúvida, que não houve quitação total do crédito tributário em questão. [...] Fl. 3616DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 23 22 Em que pese toda celeuma que envolveu a questão, com inúmeras diligências e dúvidas suscitadas por todas as partes, a resolução da presente demanda não exige maiores esforços, senão vejamos. É incontroverso que a ação judicial fora movida pela contribuinte no intuito de ver declarada a inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias sob análise, inexistindo, portanto, crédito tributário constituído definitivamente a partir de lançamento fiscal, passível de execução fiscal por parte da Procuradoria. Aliás, extraise da manifestação da autoridade fazendária da origem, acima em parte transcrita, que a contribuinte somente fora fiscalizada no período de 06/1996, 01/1998 a 11/1997, o qual poderia conflitar com a presente exigência, mas, além de estar alcançada pela decadência, não contemplou as contribuições previdenciárias em debate nestes autos, reforçando a tese de que a pretensa quitação procedida nos autos do processo judicial não surti efeitos neste caso, tendo em vista partir de uma declaração unilateral, sem qualquer ato de constituição de débito ou mesmo ação fiscal. Neste ponto, é bom lembrar que, mesmo se a contribuinte tivesse sido objeto de fiscalização neste período, com constituição de crédito tributário e posterior quitação, não afastaria a possibilidade de ser refiscalizada, conquanto que observados os pressupostos legais para tanto, inscritos no artigo 149 do Código Tributário Nacional. E, se mesmo nesta hipótese poderia ser refiscalizada, quiçá quando sequer fora aberta ação fiscal e, por conseguinte, constituído crédito em face da contribuinte em relação ao período objeto da notificação, que remanesce em discussão, após a decadência acolhida. Mais a mais, com o fito de afastar qualquer dúvida quanto à regularidade do feito, a nobre Procuradoria deixou bem claro em sua manifestação supratranscrita, que “com o trânsito em julgado e a sucumbência das contribuintes, tiveram início os atos de cumprimento de julgado afetos ao adimplemento da verba honorária e não do crédito tributário”, ou seja, a “quitação” dada pelo INSS não se prestou às contribuições propriamente ditas. E nem poderia, porquanto sequer havia débito definitivamente constituído e inscrito em dívida ativa. Por fim, ressaltou, por óbvio, “não ter localizado débitos correntes de contribuições previdenciárias ou destinadas a terceiros administradas à época por aquela Autarquia”, constatação que se justifica facilmente pelo fato de a contribuinte não ter sido fiscalizada à época. Diante das constatações acima, andou bem o Fisco ao iniciar ação fiscal na contribuinte e chamála a comprovar as diferenças constatadas entre os depósitos originalmente efetuados, com os pagamentos substitutivos a menor procedidos mediante CDP’s e GPS. E, não tendo a contribuinte logrado êxito em demonstrar a quitação integral da exigência, mesmo adotando suas próprias informações constantes dos depósitos bancários, não há como prevalecer sua pretensão. A rigor, em momento algum a contribuinte buscou comprovar ou mesmo explicitar a razão das diferenças entre os depósitos originalmente realizados (e posteriormente levantados) e os pagamentos efetuados a partir de CDP e GPS. Partindo dessas premissas, restando claro que o insurgimento da contribuinte repousa basicamente na impossibilidade de constituição de crédito tributário pretensamente quitado nos autos de ação judicial, argumentos que foram devidamente rechaçados acima, não há como se acolher seu pleito, impondo seja mantida a exigência fiscal, no mérito, em sua plenitude. Fl. 3617DF CARF MF Processo nº 35464.000228/200621 Acórdão n.º 2401005.848 S2C4T1 Fl. 24 23 Ademais, a lavratura de notificação fiscal/autuação fiscal exigindo contribuições previdenciárias declaradas em GFIP e eventuais diferenças, nada mais é do que a desconsideração daquele primeiro autolançamento (GFIP), oportunizando, inclusive, ao contribuinte se insurgir contra a exigência fiscal. Como se vê, esse “novo” lançamento, além de objetivar conferir maior segurança aos créditos previdenciários, não representa qualquer prejuízo ao contribuinte, que terá a possibilidade de se manifestar contra o crédito tributário constituído a partir de NFLD/Auto de Infração. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, no mérito, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO, acolher a decadência para o período de 01/1995 a 11/2000 e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direitos acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 3618DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.953411/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.532
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2145; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 120 1 119 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.953411/200931 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.532 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de outubro de 2018 Assunto PER/DCOMP (DDE) COFINS Recorrente GINES SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA (atual denominação de GINES REPRESENTAÇÕES LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 53 41 1/ 20 09 -3 1 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.953411/200931 Resolução nº 3401001.532 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal da COFINS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.953411/200931 Resolução nº 3401001.532 S3C4T1 Fl. 122 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.953411/200931 Resolução nº 3401001.532 S3C4T1 Fl. 123 4 deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.953411/200931 Resolução nº 3401001.532 S3C4T1 Fl. 124 5 após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.953411/200931 Resolução nº 3401001.532 S3C4T1 Fl. 125 6 contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.721555/2015-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 15 55 /2 01 5- 11 Fl. 157DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0369.661 da 4ª Turma da DRJ/BSB, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos fiscais, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Trata o processo de manifestação de inconformidade com o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, expedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, o qual se funda na existência de débitos com exigibilidade não suspensa, segundo art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006 (fls. 5 e 6). Cientificada em 27/02/2015 (fl. 6), em sede de manifestação de inconformidade, protocolada em 02/03/2015 (fls. 2 a 4), a contribuinte alega, em síntese apertada, que regularizou os seus débitos tempestivamente. Traz documentos e requer inclusão no Simples Nacional. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator O presente processo tratase de retorno de diligência, conforme decisão deste egrégio Conselho, proferida em 08/03/2018 (fl 129) Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A DRJ proferiu o seguinte voto (reprodução parcial): A regularização de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser feita enquanto não vencido o prazo para a solicitação da opção. Pesquisas nos sistemas da RFB e PGFN (fls. 57 a 98) permitem verificar que os débitos remanesciam em situação de exigibilidade após o término do prazo para regularização. Sendo assim, em vista dos elementos contidos nos autos, não se comprovou a plena regularização das pendências que motivaram o indeferimento da opção pelo Simples Nacional para o ano de 2015 no prazo regulamentar (31/01/2015). Em face do exposto, voto no sentido de se conhecer da manifestação de inconformidade e, no mérito, julgála improcedente. Em seu Recurso, a Recorrente reitera que apresentou a comprovação dos pedidos e termos de parcelamentos bem como anexou cópia destes. A recorrente, em seu recurso voluntário, alegou, em síntese, o seguinte: · efetuou o pedido de parcelamento em 60 parcelas, deferido pela SRFB em 30/01/2012; Fl. 158DF CARF MF Processo nº 18470.721555/201511 Acórdão n.º 1001000.903 S1C0T1 Fl. 3 3 · pagou todas as parcelas e que, com a publicação da Lei 12.865/2013 reparcelou seus débitos, nos termos da Lei 11.941/09, em 25/10/2013, tendo efetuado o pagamento da primeira parcela em 30/10/2013 e que manteve o pagamento das parcelas mensais, ininterruptamente, até a presente data; · que desistiu dos parcelamentos anteriores, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB 7/2013, em 29/11/2013; · face à ação acima, os débitos deveriam estar com a exigibilidade suspensa; · em síntese, a recorrente nada mais fez que "migrar seus débitos, que estavam parcelados, nos termos da Lei 10.522/2012 para o parcelamento previsto na Lei 11.941/09, por ser mais vantajosa à Recorrente, devendo ser declarada a suspensão da exigibilidade do crédito, ora exigido, como se requer. Em suas razões de direito, em síntese, a Recorrente alega que: · com base nos fatos narrados, são indevidas as inscrições dos débitos na Dívida Ativa e que a exigibilidade dos créditos está suspensa (cita o artigo 151, inciso VI, do Código Tributário Nacional CTN; · em 22/01/2015, dentro do prazo estipulado pela Resolução CGSN 94/2011, apresentou o pedido de revisão dos débitos inscritos em dívida ativa, o que gerou os devidos protocolos; · os processos citados estão sem tramitação desde o dia em que foram distribuídos; · a Recorrente não pode ser penalizada e ter o seu direito à opção pelo Simples indeferido pelo fato da Fazenda não ter condições de analisar suas demandas, sob pena de desrespeito ao artigo 37 da Constituição Federal; · a 4a turma da DRJ/BSB, com base na farta documentação probatória juntada aos autos, deveria, mesmo que de ofício, determinar a suspensão do crédito tributário e manter a Recorrente no regime do Simples Nacional; · a única interpretação que cabe ao art. 6°, parágrafo 2°, I, da Resolução CGSN 94/2011, é que o contribuinte tem que promover, até o prazo estabelecido, todas as medidas necessárias à regularização de suas pendências e não ter todas as pendências resolvidas até o término do prazo estipulado, a menos que a pendência fosse a de efetuar o pagamento, o que não se aplica ao caso em tela; Analisando o processo, verificase que, de fato, houve a opção pelo parcelamento previsto na Lei 11.941/2009, conforme facultado pela Lei 12.865/2013. Além Fl. 159DF CARF MF 4 disso, a Recorrente apresentou a documentação correspondente à desistência dos parcelamentos anteriores. Assim, em sessão realizada em 08/03/2018, essa turma concluiu pela conversão em diligência (fl 129), como segue: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para confirmar a existência de parcelamentos de débitos, apontados no Termo de Indeferimento, em 31/01/2015. Em retorno de diligência, a Unidade de Origem concluiu (fl 144), em resposta ao questionamento da DIORT (fl 135), atendendo à solicitação do CARF: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO À EqSimples/DIORT/DRF/RJII, em resposta ao questionamento de fls. 135 informase que:a) os créditos tributários do paf 15374.909385/200867 estiveram parcelados na Lei 12865/2013, conforme despacho no edossiê 10010023356/011504; b) os créditos tributários do paf 15374.909386/200810 estiveram parcelados na Lei 12865/2013, conforme despacho no edossiê 10010023388/011500; c) os créditos tributários do paf 15374.909387/200856 estiveram parcelados na Lei 12865/2013, conforme despacho no edossiê 10010023301/011596; d) os créditos tributários do paf 15374.909388/200809 estiveram parcelados na Lei 12865/2013, conforme despacho no edossiê 10010023348/011550; e e) os créditos tributários do paf 15374.909389/200845 estiveram parcelados na Lei 12865/2013, conforme despacho no edossiê 10010023367/011586. Assim, é de concluirse que os débitos estavam com a exigibilidade suspensa, em 31/01/2013, nos termos do artigo 151, inciso , do Código Tributário Nacional CTN: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: VI – o parcelamento. Com efeito, o inciso V, ao artigo 17, da LC 123/2006, dispõe que a existência de débitos, com a exigibilidade não suspensa, para com as Fazendas Federal, Estadual ou Municipal e para com a Previdência Social, impede a opção pelo Simples Nacional, o que não se comprovou existir, no caso da Recorrente. Portanto, dou provimento ao Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 160DF CARF MF Processo nº 18470.721555/201511 Acórdão n.º 1001000.903 S1C0T1 Fl. 4 5 Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.002349/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.287
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão n.º 06049.858 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade mantendo o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 23 49 /2 00 8- 54 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10935.002349/200854 Acórdão n.º 3201004.287 S3C2T1 Fl. 3 2 Em seu pedido de restituição, a contribuinte alega que sofreu a retenção do PIS e da Cofins (no percentual de 3,65%) sobre as operações de comercialização de produtos rurais e prestações de serviço de armazenamento que realizou com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), e que não conseguiu realizar a dedução dos valores retidos na contribuição devida, uma vez que, estando submetida a apuração da contribuição na modalidade não cumulativa, não apurou valor a pagar da contribuição no período, em face de os créditos gerados terem sido superiores ao valor do débito da contribuição. Por sua vez, a SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após analisar o pleito constante do presente processo, emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de restituição formulado pela interessada. Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. Diante do indeferimento do pedido de restituição, as compensações declaradas com lastro no pedido de restituição em comento não foram homologadas. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06049.858 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado em Pedido de Restituição ou em Declaração de Compensação DCOMP, é de se indeferir o crédito solicitado e de considerar não homologada a compensação declarada. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Dos Fatos Inicialmente a Recorrente argui que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cascavel equivocouse ao analisar o pedido, fazendo confusão com isenções, não incidências e imunidades, e análises que não tem qualquer relação com o pedido formulado, como se o pedido de restituição tivesse sido realizado com base e fundamento no artigo 27 da Instrução Normativa 900 de 2008. A Recorrente argumenta que o pedido de restituição se refere a créditos retidos de COFINS, pela prestação de serviços da ora Recorrente à CONAB. Alega ainda que o pedido restituição não se encontra prescrito. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10935.002349/200854 Acórdão n.º 3201004.287 S3C2T1 Fl. 4 3 Do Direito A Recorrente sustenta ter havido pagamento a maior do que o valor devido de COFINS para o período em análise (retenção indevida). Fundamenta o pedido restituição no artigo 12, da Instrução Normativa SRF 900/2008. Informa não haver conseguido utilizar os valores retidos na fonte a título de COFINS para pagar débitos da mesma espécie no mesmo mês. Assim, adotou o procedimento constante do artigo 34 da IN RFB 900/2008, que trata da compensação de débitos próprios de tributos administrados pela RFB. Sustenta que a única prova necessária para fazer valer o seu direito ao crédito seria da existência da retenção e da quitação dos tributos quando for positiva a sua apuração, o que, segundo a mesma, ocorrera no presente processo. Argumenta quando a suspensão da exigibilidade do crédito nos termos do inciso III, do artigo 151, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966). Do Pedido Ao final do RV a Recorrente pede que seja dado provimento ao recurso a fim de reformar o acórdão da DRJ com a restituição/compensação das contribuições devidamente acrescida de juros pela taxa acumulada da Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.280, de 23/10/2018, proferido no julgamento do processo 10935.000340/200817, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.280): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. De forma objetiva, a lide cingese quanto a certeza e liquidez do crédito. No julgamento de primeira instância consta exatamente que a Recorrente não conseguiu comprovar tais créditos. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10935.002349/200854 Acórdão n.º 3201004.287 S3C2T1 Fl. 5 4 Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. (Acórdão DRJ, efl. 206) As manifestações de inconformidade da Recorrente não colaboraram para o esclarecimento da dúvida da autoridade administrativa. Ao contrário, parecem enveredar por caminhos diversos da comprovação fática de retenção nas Notas Fiscais emitidas pela Conab. Sobre a necessidade de comprovação, cito trecho do Acórdão de primeira instância. Entendeu a autoridade fiscal que para se usufruir do direito à restituição/compensação previsto na legislação acima, é necessário que se comprove: (i) a retenção realizada; e (ii) o valor da contribuição devida no mês, a qual deve ser realizada pela demonstração da respectiva base de cálculo, composta por todas as receitas tributáveis e as possíveis exclusões (receitas isentas, não tributáveis, suspensões, imunidades e, no caso, receitas decorrentes de atos cooperativos), bem como dos créditos da não cumulatividade. No entanto, conforme se observa pela leitura do despacho decisório, a auditoria realizada pela fiscalização não conseguiu firmar convicção sobre o direito creditório requerido, uma vez que os documentos apresentados (arquivos digitais) não espelham (ou confirmam) as receitas de bens e serviços declaradas no Dacon, não se podendo afirmar com certeza se os valores das Notas fiscais emitidas para a CONAB constam dentro das receitas tributadas que compõem a base de cálculo da contribuição, e, por conseqüência, se houve a configuração da hipótese de restituição/compensação acima tratada. Ou seja, a autoridade a quo concluiu que o direito à restituição/compensação restou prejudicado, posto que não houve a comprovação material do mesmo. (Acórdão DRJ, efl. 209) O juízo a quo entendeu que a Recorrente pouco colaborou para esclarecer a certeza e liquidez. Cito trecho e uso como razão de fundamentar como se meu fosse: Nesse ponto, é bom que se lembre, que a autoridade a quo não mediu esforços para seu intento, mas, infelizmente, a contribuinte pouco colaborou. Talvez, digase, em face de um entendimento equivocado. E assim dessa mesma forma, como se vê na manifestação de inconformidade, a interessada prossegue insistindo em sua tese. Inverte os papéis, age como se não precisasse provar nada e, também, como se autoridade tributária fosse obrigada a reconhecer o seu suposto direito creditório sem a necessidade de qualquer verificação documental (ou de arquivos eletrônicos). Ora, a interessada esquece, ou simplesmente ignora, que a administração pública tem a sua atividade vinculada à lei e que, no presente caso, a legislação é clara no sentido de que o direito creditório (com direito à restituição ou compensação) somente é devido quando se comprove a impossibilidade de dedução dos valores retidos dos valores a pagar da contribuição no período, consubstanciada, em síntese, na demonstração da base de cálculo e na inexistência da contribuição. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10935.002349/200854 Acórdão n.º 3201004.287 S3C2T1 Fl. 6 5 Com efeito, é de se dizer que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas pela contribuinte de acordo com a legislação pertinente, autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (Acórdão DRJ, efl. 209) Sobre a necessidade de certeza e liquidez, há farta jurisprudência deste órgão de julgamento. CARF Acórdão nº 3403001.477 do Processo 13882.000037/200271 – Data: 20/03/2012 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ORIGEM CERTEZA. LIQUIDEZ. Compensação de crédito independe de autorização, entretanto, deve ser certo e liquido, constatado por meio de diligência fiscal a certeza, a liquidez decorre do próprio procedimento fiscal, impõe reconhecer o crédito e homologar as compensações efetivadas até o limite dos créditos apurados. CARF Acórdão nº 3403002.579 do Processo 10983.902416/200867 – Data: 24/10/2013 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas na Dcomp nº 25265.65884.020408.1.3.046583." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000373/2003-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999, 2000
RAZÕES FUNDAMENTADAS DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS DEFICIENTE. FALTA OU ERRÔNEA MOTIVAÇÃO.
Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado pelo julgador, pois implicaria novo ato de lançamento o que é vedado. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal.
Se o ato de lançamento não contém ou contém a indicação da capitulação legal equivocada (pressuposto de direito) e/ou se a descrição dos fatos é omitida ou deficiente (pressuposto de fato) tem-se por configurado vício material por defeito de motivação.
A errônea indicação dos dispositivos legais infringidos conjugado com a deficiente descrição dos fatos acarreta ausência de subsunção dos fatos à norma jurídica, defeito grave que configura vício material do lançamento por falta de motivação. Se não constatada uma clara subsunção entre os fatos imputados ao sujeito passivo com a norma legal infringida, o auto de infração é nulo por vício material, por ferir requisito essencial na constituição do lançamento.
Numero da decisão: 1301-003.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Brasil- Presidente
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999, 2000 RAZÕES FUNDAMENTADAS DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS DEFICIENTE. FALTA OU ERRÔNEA MOTIVAÇÃO. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado pelo julgador, pois implicaria novo ato de lançamento o que é vedado. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Se o ato de lançamento não contém ou contém a indicação da capitulação legal equivocada (pressuposto de direito) e/ou se a descrição dos fatos é omitida ou deficiente (pressuposto de fato) tem-se por configurado vício material por defeito de motivação. A errônea indicação dos dispositivos legais infringidos conjugado com a deficiente descrição dos fatos acarreta ausência de subsunção dos fatos à norma jurídica, defeito grave que configura vício material do lançamento por falta de motivação. Se não constatada uma clara subsunção entre os fatos imputados ao sujeito passivo com a norma legal infringida, o auto de infração é nulo por vício material, por ferir requisito essencial na constituição do lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Brasil- Presidente (assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2073; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 282 1 281 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000373/200363 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.493 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO Recorrente COMETA INDÚSTRIA GRÁFICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999, 2000 RAZÕES FUNDAMENTADAS DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS DEFICIENTE. FALTA OU ERRÔNEA MOTIVAÇÃO. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado pelo julgador, pois implicaria novo ato de lançamento o que é vedado. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Se o ato de lançamento não contém ou contém a indicação da capitulação legal equivocada (pressuposto de direito) e/ou se a descrição dos fatos é omitida ou deficiente (pressuposto de fato) temse por configurado vício material por defeito de motivação. A errônea indicação dos dispositivos legais infringidos conjugado com a deficiente descrição dos fatos acarreta ausência de subsunção dos fatos à norma jurídica, defeito grave que configura vício material do lançamento por falta de motivação. Se não constatada uma clara subsunção entre os fatos imputados ao sujeito passivo com a norma legal infringida, o auto de infração é nulo por vício material, por ferir requisito essencial na constituição do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 03 73 /2 00 3- 63 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 283 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Brasil Presidente (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 284 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 266/276) em face do Acórdão da 5ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (efls. 250/257) que julgou a impugnação improcedente, ao manter os autos de infração do SIMPLES Federal dos anoscalendário 1999 e 2000. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 24/03/2003, a Fiscalização da DRF/Joaçaba lavrou Autos de Infração do SIMPLES Federal (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, IPI, e Contribuição Seguridade Social INSS), anoscalendário 1999 e 2000, apuração mensal (efls. 08/45) ao imputar a seguinte infração, in verbis: (...) 00l INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme TERMO DE CONSTATAÇÃO n° 002 (anexo fls. 42), face as compensações indevidamente efetuadas. (...) Enquadramento legal: Art. 889, inciso IV, 890, do RIR/94; Art. 5° da Lei n°9.3l7/96 c/c art. 3° da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186 e 188, do RIR/99. (...) que consta do TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL Nº 002, ainda, quanto aos fatos descrição detalhada (efls. 46/47), in verbis: (...) FALTA DE RECOLHIMEN'l'O DO SIMPLES (Lei 9.317/96) FACE A COMPENSAÇÕES INDEVIDAS Em análise dos processos administrativos de restituição n°s 13982.000218/200199 e 13982.000219/200133, a autoridade preparadora constatou que o contribuinte efetuou conpensações nas declarações do Simples, relativas aos anoscalendário de 1999 e 2000, deixando de recolher parcialmente os valores decorrentes dos fatos geradores de janeiro a novembro de 1999 e (março a julho de 2000). Instado a justificar tal procedimento, o contribuinte informou que se tratava de compensação de recolhimentos indevidos de Finsocial, reconhecidos judicialmente (processo número 97 60028840) . (...) Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 285 4 que a diferença mensal do SIMPLES Federal não recolhida, englobando IRPJ, PIS, Cofins, CSLL, IPI e Contrib. Seguridade Social INSS, em face da glosa das compensações informadas nas Declarações do Simples, consta do Demonstrativo de Apuração dos Valores não Recolhidos (efls. 10/15) e que, em síntese, apresento a seguir: DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS VALORES NÃO RECOLHIDOS Mês/Ano Receita Bruta Mensal Decl. (R$) (%) SIMPLES Valor Calculado (R$) Valor Pago (R$) Diferença Valor Devido Principal (R$) 01/1999 48.058.75 5,90 2.835,46 () 1.879,29 956,18 02/1999 49.665.75 5,90 2.930,27 () 1.941,95 988,32 03/1999 64.590,39 5,90 3.810,83 () 2.524,02 1.286,82 04/1999 56.640,05 5,90 3.341,76 () 2.213,95 1.127,82 05/1999 62.789,34 6,30 3.995,72 () 2.704,93 1.250,79 06/1999 55.571,17 6,30 3.500,98 () 2.394,57 1.106,42 07/1999 50.956,23 6,70 3.414,06 () 2.399,95 1.014,11 08/1999 57.236,09 6,70 3.834,81 () 2.715,23 1.119,58 09/1999 65.568,07 7,10 4.655,33 () 3.348,97 1.306,37 10/1999 77.054,06 7,10 5.470,83 () 3.934,75 1.536,08 11/1999 67.362,13 7,50 5.052,15 () 4.366,54 685,61 03/2000 65.708,64 5,90 3.876,80 () 2.475,64 1.401,16 04/2000 67.640,40 5,90 3.990,78 () 2.548,28 1.442,51 05/2000 55.646,91 6,30 3.505,75 () 2.242,00 1.263,76 06/2000 54.877,23 6,30 3.457,26 () 2.211,04 1.246,23 07/2000 57.672,92 6,70 3.864,08 () 3.303,45 560,64 Total 18.292,40 Obs: A diferença valor devido do principal corresponde a compensações informadas nas Declarações do Simples dos anoscalendário 1999 e 2000 (efls. 48/53 ) e que não foram aceitas pelo Fisco. que o crédito tributário lançado de ofício do SIMPLES Federal, na data de lavratura dos Autos de Infração, perfaz o montante de R$ 42.342,70 , assim discriminado: Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 286 5 Auto de Infração do SIMPLES Federal Principal (R$) Juros de Mora (calculados até 28/02/2003) (R$) Multa de 75% Total IRPJSimples 784,00 436,48 587,94 1.808,42 CSLL Simples 2.887,28 1.634,22 2.165,40 6.686,90 Cofins Simples 5.774,57 3.268,55 4.330,88 13.374,00 IPI Simples 1.443,62 817,07 1.082,66 3.343,35 Contrib. Seg. Social INSSSimples 6.618,86 3.738,68 4.964,07 15.321,61 PIS Simples 784,00 436,48 587,94 1.808,42 Total 18.292,33 42.342,70 Ciente do lançamento fiscal em 28/03/2003 por via postal Aviso de Recebimento AR (efl. 67), a contribuinte apresentou Impugnação (recepcionada) em 25/04/2003 (efls. 68/76), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que em face da conhecida inconstitucionalidade da majoração da alíquota do FINSOCIAL, efetuou a compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL com parcelas do Simples; que não bastasse a decisão do Supremo Tribunal Federal, que julgou inconstitucional a majoração do FINSOCIAL, ajuizou ação ordinária n. 97.60.028840, a qual foi julgada procedente garantindolhe o direito de compensar os valores pagos indevidamente, sendo que, na presente data, o referido processo encontrase no Superior Tribunal de Justiça pendente de julgamento apenas no tocante à fixação dos honorários advocatícios; que, ainda, ajuizou ação ordinária sob n. 99.60.003370, com o intuito de compensar os valores recolhidos indevidamente a titulo de PróLabore, sendo que referida ação foi julgada procedente e transitou em julgado em maio de 2001; que ajuizou, também, ação ordinária n. 98.60.026564, objetivando compensar os valores recolhidos indevidamente a título de PIS, a qual foi julgada procedente, encontrandose, atualmente, no Superior Tribunal de Justiça para apreciação da correção monetária na base de calculo; que, não obstante as decisões judiciais autorizando a compensação, bem como as declarações de inconstitucionalidade proferidas pelo STF, a Autoridade Fazendária lavrou os autos de infração ora impugnados e impôs a exigibilidade dos valores relativos ao Simples, supostamente inadimplidos nos meses de janeiro de 1999 a dezembro de 2000; que, no entanto, com base nos permissivos legais, esses valores referentes às parcelas do SIMPLES, ditos como inadimplidos, foram totalmente compensados com os créditos resultantes dos recolhimentos indevidos a titulo de FINSOCIAL, INSS e PIS; que as IN SRF n ° 31 e 32, de 1997, determinavam que as autoridades fiscais dispensassem a constituição de créditos tributários relativos a valores surgidos pela compensação de parcelas recolhidas indevidamente a título de tributos, com outras contribuições administradas pela RFB; Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 287 6 que, a partir de 1º de outubro/2002, o art. 74 da Lei 9.430/96, com as alterações do art. 49 da MP nº 66, de 29/08/2002, passou a permitir que o contribuinte compense seus créditos com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, bastando para tanto, a “declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”, sendo também, que “Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo; que certo é, então, que não mais se está exigindo a liquidez e certeza do crédito como requisito para a compensação, ou seja, basta ao contribuinte declarar as informações relativas ao créditos utilizados e aos respectivos débitos, cabendo a posterior conferência e homologação/lançamento de eventual diferença a autoridade administrativa; que o Decreto n. 2.138/1997, em seu art. 1°, caput, assegura ao contribuinte o direito à compensação de créditos decorrentes de recolhimentos indevidos ou a maior com quaisquer tributos ou contribuições sob administração da Receita Federal, independentemente de que tenham ou não a mesma espécie ou destinação; que, assim, tendo efetuado a compensação dos créditos decorrentes dos valores recolhidos a maior a titulo de FINSOCIAL, INSS e PIS com as parcelas do SIMPLES, no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2000, extinto encontrase o crédito tributário, fazendose imperiosa a anulação dos autos de infração ora impugnados. Pediu a contribuinte, por fim: a) o cancelamento dos autos de infração do Simples, uma vez que o referidos débitos do principal, muito antes do lançamento de ofício, já estariam extintos via compensação mediante utilização dos créditos das ações judiciais mencionadas (Art. 156, II, do CTN e Art. 66 da Lei nº 8.383/91; b) sua manutenção ou permanência no SIMPLES Federal, eis não estaria configurada a inadimplência a que se refere o Fisco; c) realização de diligência fiscal e outras verificações, caso sejam necessárias para resolução da presente lide. Na sessão de 22/08/2008, a 5ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I julgou o lançamento fiscal procedente, conforme Acórdão (efls. 250/257), cuja ementa, dispositivo e fundamentação do voto condutor, no que pertinente, transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAs EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO OBJETO DE CONTESTAÇÃO JUDICIAL. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 288 7 É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Lançamento Procedente (...) ACORDAM os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade, nos termos do voto da Relatora que passa a integrar o presente Acórdão, JULGAR PROCEDENTE o lançamento, mantendo o IRPJ, no valor de R$ 784,00, o IPI, no valor de R$ 1.443,62, o PIS, no valor de R$ 784,00, a Contribuição Social, no valor de R$ 2.887,28, a COFINS, no valor de R$ 5.774,57 e o INSS, no valor de R$ 6.618,86, todos com multa de oficio de 75 % e pertinentes acréscimos legais. (...) Voto (...) 19. De plano, verificase que não procedem as alegações da interessada de que não havia necessidade de o crédito ser líquido e certo, bastando o contribuinte declarar os créditos utilizados em relação aos respectivos débitos, cabendo à autoridade administrativa conferência e homologação ou lançamento de eventual diferença apurada (fl. 68). 20. Quanto à necessidade de liquidez e certeza do crédito tributário, verificase que em nenhum momento tais características essenciais foram dispensadas, estando vigente o Art. 170 do CTN, o qual expressamente, dispõe: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. 21. Desta forma, relativamente ao instituto da compensação, é imprescindível observar a existência da liquidez e certeza dos créditos objeto de compensação. Devese também enfatizar que a compensação deve ocorrer após o trânsito em julgado da sentença. vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 22. Da análise dos documentos referentes às ações judiciais e pesquisa que efetuei junto ao site da Justiça Federal da 4ª Região (fl. 220/232), verificase que os valores que a interessada compensou em suas declarações, se referiam a sentenças ainda não transitadas em julgado nos anoscalendário de 1999 e 2000. Tais valores não eram líquidos e certos, quando compensados, conforme determina o Art. 170 do CTN supra transcrito. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 289 8 23. A interessada, ainda, deixou de observar a IN SRF n° 21, de 10 de março de 1997, com as alterações procedidas pela IN SRF n° 73, de 15 de setembro de 1997, vigente à data do procedimento, que exigia a formalização junto à unidade da Receita Federal de pedido de compensação: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2° e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado.(...) § 3° A compensação a requerimento, formalizada no "Pedido de Compensação” de que trata o Anexo III, poderá ser efetuada inclusive com débitos vincendos, desde que não exista débitos vencidos, ainda que objeto de parcelamento, de obrigação do contribuinte. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) (...). Ari. 14. (...) § 6°A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. § 7º A compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de períodos anteriores ao do crédito, mesmo que de mesma espécie, deverá ser solicitada à DRF ou IRFA do domicílio do contribuinte, por meio de Pedido de Restituição, acompanhado do respectivo Pedido de Compensação. Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pela IN SRF na 73/97, de 15/09/1997) (...) 26. Quanto à MP n ° 66, de 2002, conforme bem mencionou a interessada, em sua impugnação, esta teve vigência a partir de outubro de 2002, não alcançando os fatos geradores de 1999 e 2000, aos quais se refere o presente processo. Quanto à alteração procedida pelo seu Art. 49 da mencionada MP no parágrafo 4° do Art. 74 da Lei n ° 9.430, de 1996, verificase que expressamente constou a menção a pedidos de compensação pendentes de apreciação. Em pesquisa ao sistema COMPROT, verifiquei que não houve formalização de nenhum processo de pedido de compensação, por parte da interessada. Conclusão Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 290 9 27. Concluo que nos anoscalendário de 1999 e 2000 não havia qualquer crédito da interessada, líquido e certo, a amparar a compensação efetuada em suas declarações. Por isso é correta a exigência formalizada nos Autos de Infração para exigência de tributos devidos a título de SIMPLES. A compensação somente poderia ser efetuada após o trânsito em julgado da sentença. Ante o exposto, tendo em vista a interessada não ter direito às compensações efetuadas para os anoscalendário de 1999 e 2000, concluo pela procedência do lançamento. (...) Ciente dessa decisão em 15/09/2008 por via postal Aviso de Recebimento AR (efl. 265), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 08/10/2008 (efls. 266/276), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) DA LEGALIDADE DA COMPENSAÇÃO: que os autos de infração do SIMPLES Federal referemse a supostos inadimplementos, débitos em aberto, dos anoscalendário 1999 e 2000, infração imputada pelo Fisco: (...) FALTA DE RECOLHIMENTO DO SIMPLES (Lei 9.317/96) FACE A COMPENSAÇÕES INDEVIDAS Em análise do processo administrativo de restituição n° 13982.000218/200199 e 13982.000219/200133, a autoridade preparadora constatou que o contribuinte efetuou compensações nas declarações do Simples, relativas aos anoscalendário de 1999 e 2000, deixando de recolher parcialmente os valores decorrentes dos fatos geradores de janeiro a novembro de 1999 e março a julho de 2000. lnstado a justificar tal procedimento, o contribuinte informou que se trate de compensação de recolhimento indevido de Finsocial, reconhecidos judicialmente (processo número 97 60028840). (...) que sobreveio, então, decisão da DRJ sustentando que os Processos Administrativos referidos pela autoridade fiscal (13982.000218/200199 e 13982000219/2001 33) não têm relação com o presente processo, eis que se relacionam ao direito creditório do anocalendário de 1998, que não é objeto do presente; que, ao invés de dar provimento à impugnação e anular o lançamento, eis que a fundamentação utilizada para o auto de infração não tem relação com a exigência, a Delegacia de Julgamento decidiu pela procedência do lançamento, com base em novo fundamento legal, qual seja, necessidade de transito em julgado das ações judiciais; não ê permitido ã Administração modificar a fundamentação legal de uma cobrança no curso do processo administrativo, trazendo argumentos novos a amparar a exigência do crédito tributário; Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 291 10 que, se o fundamento que amparava o auto de infração foi afastado, evidente que a autuação deve ser cancelada, sob pena de cerceamento de defesa; que, caso esse entendimento não prevaleça, apenas para argumentar, cabe demonstrar a legalidade das compensações realizadas pela recorrente; que a Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei n° 10.637/2002 e a Lei n° 10.833/2003, revogando disposições em contrário, autoriza a compensação dos valores recolhidos indevidamente com todo e qualquer tributo ou contribuição, desde que administrados pela mesma secretaria ou Órgão arrecadador, fazendo desaparecer, no caso, o requisito da identidade de espécie e destinação constitucional dos créditos compensáveis; que não restou prejudicada a compensação na forma prevista pela Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que em seu art. 74, modificado pela Lei n° 10.637/2002 e a Lei n° 10.833/2003, ampliou a possibilidade de compensação, e que passou a ser possível “... com todo e qualquer tributo ou contribuição ...” (sic); que, destarte, perfeitamente legal a compensação realizada pela recorrente dos créditos de PIS, FINSOCIAL e PróLabore, reconhecidos judicialmente (ações judiciais de n° 9860026564, .n° 9760028840 e n° 9960003370) com as parcelas do IRPJ, IPI, PIS, CSLL, COFINS e INSS incluídas no SIMPLES, no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2000; que descabida, ainda, a alegação de exigência de trnsito em julgado da ação para efetuar a compensação, eis que a referida exigência só foi introduzida no Código Tributário Nacional em 10 de janeiro de 2001, pela Lei Complementar n. 104, mediante o art. 170A; que, tendo a recorrente efetuado a compensação dos créditos decorrentes dos valores recolhidos a maior a titulo de FINSOCIAL, INSS e PIS com as parcelas do SIMPLES, no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2000, encontrase extinto o crédito tributário, fazendose imperiosa a anulação do auto de infração ora impugnado. que, caso se entenda pela nãohomologação da compensação realizada pela recorrente, deve ser reconhecida, ao menos, a ilegalidade da cobrança da multa de 75%; que o procedimento adotado pela recorrente não se enquadra em nenhuma das hipóteses que prevêem a aplicação da multa no percentual de 75%, constantes no art. 44, da Lei n° 9.430/96. Isso porque, o procedimento adotado pela recorrente foi o de noticiar uma compensação e pugnar sua homologação pelo fisco. “Ademais, de acordo com o art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional, as inovações legislativas que deixem de definir um ato como infração, devem ser aplicadas retroativamente; que, nesse contexto, deve ser aplicado, ao caso em tela, o artigo 18, da Lei 10.833/O3 que, com a redação dada pela Lei n° 11.051/04, dispõe que no lançamento de oficio, a imposição de multa em razão de compensação não homologada, será limitada às hipóteses em que ficar evidenciado o intuito de fraude por parte do contribuinte; Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 292 11 que o lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a pratica das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964; que, assim, evidente a ilegalidade da multa de oficio no percentual de 75%, eis que não há que se falar em intuito de fraude no procedimento adotado pela recorrente. Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso, para extinguir o crédito tributário pela ocorrência da decadência ou pela compensação e, subsidiariamente, a exoneração ou afastamento da multa de ofício. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 293 12 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. A lide versa acerca da exigência pelo Fisco de diferença de tributos do SIMPLES Federal (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, IPI, e Contribuição Seguridade Social INSS), anoscalendário 1999 e 2000, com aplicação de multa de ofício de 75%, conforme autos de infração já devidamente especificados no relatório. O sujeito passivo deixara de fazer o pagamento dessa diferença dos tributos do SIMPLES Federal, nesses anoscalendário, em face de compensações tributárias efetuadas e informadas diretamente nas respectivas declarações anuais do SIMPLES Federal com créditos de origem judicial. COMPENSAÇÕES EFETUADAS E INFORMADAS DIRETAMENTE NAS DECLARAÇÕES DO SIMPLES FEDERAL: ANOCALENDÁRIO 1999 Obs: Planilha extraída da Declaração Anual Simplificada do Simples 2000, anocalendário 1999. ANOCALENDÁRIO 2000 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 294 13 Obs: Planilha extraída da Declaração Anual Simplificada do Simples 2000, anocalendário 1999. Os valores do SIMPLES Federal informados nas duas Planilhas acima, Coluna "Compensações c/ Processo", são justamente objeto da exigência fiscal deste processo. Quanto aos fatos, consta descrição, narrativa pela Fiscalização, no TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL Nº 002 (efls. 46/47), parte integrante do lançamento fiscal, in verbis: (...) FALTA DE RECOLHIMENTO DO SIMPLES (Lei 9.317/96) FACE A COMPENSAÇÕES INDEVIDAS Em análise dos processos administrativos de restituição n°s 13982.000218/200199 e 13982.000219/200133, a autoridade preparadora constatou que o contribuinte efetuou conpensações nas declarações do Simples, relativas aos anoscalendário de 1999 e 2000, deixando de recolher parcialmente os valores decorrentes dos fatos geradores de janeiro a novembro de 1999 e (março a julho de 2000). Instado a justificar tal procedimento, o contribuinte informou que se tratava de compensação de recolhimentos indevidos de Finsocial, reconhecidos judicialmente (processo número 97 60028840) . Confome despachos decisórios n° 210/20022 e 211/2002 (fls. 50 57), proferido pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Joaçaba, foi determinado que, com base na informação fiscal da Agência da Receita Federal em Chapecó (ARF Chapecó) , fosse efetuado autos de representação fiscal para lançamento de ofício dos valores compensados indevidamente no Simples. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 295 14 Cientificado do despacho decisório, conforme cópia do AR anexa (fls.5859), o contribuinte quedouse inerte, tornando definitiva a decisão, nos termos do art. 42, I do Decreto 70.235/72. Consoante a representação formulada pelo digno agente da ARF Chapecó (anexo fls. 60),) efetuouse a constituição de ofício dos valores insuficientemente recolhidos pela empresa, em face do procedimento adotado. (...) Ocorre que os citados processos (13982.000218/200199 e 13982.000219/200133), que seriam o fundamento da glosa das compensações tributárias declaradas ou informadas nas Declarações Anuais Simplificadas do SIMPLES Federal dos anoscalendário 1999 e 2000 (Planilhas transcritas acima) , na verdade tratam de Pedidos de Restituição de saldo negativo do IRPJ e da CSLL do anocalendário 1998 e os créditos pleiteados e respectivas compensações foram deferidos naqueles processos pelos Despachos Decisórios nºs 211 e 212/2002 da DRF/Joaçaba, de acordo com as disposições constantes do artigo 13, § 2°, incisos I a VI e § 3° da IN SRF nº 21/73, redação dada pela IN SRF n° 73/97 (efls. 54/61). E, apenas, acidentalmente, de passagem, "en passant", consta na conclusão dos citados despachos decisórios: (...) Determino, ainda, que se extraiam cópia da informação fiscal prestada pela ARF/Chapecó para formalização de autos em separado de representação fiscal, destinandoos a Fiana para lançamento de oficio. (...) Por sua vez, a Representação, para Fins de Constituição Ex Officio de Crédito Tributário , da Agência da Receita Federal em Chapecó (Processo 13982000396/200209) trata de matéria diversa da enfrentada nos citados processos, ou seja: (...) 1 Introdução Tratase de REPRESENTAÇÃO a qual tem por escopo a constituição “ex officio" do crédito tributário referente a valores devidos ao SIMPLES, os quais foram indevidamente compensados com créditos de INSS. 2 Motivos A presente REPRESENTAÇÃO tem por gênese o teor do Despacho Decisório 210/2002 e 211/2002, (ANEXO I),f`que assevera: (...) Determino, ainda, que se extraiam (sic) cópia da Informação Fiscal prestada pela ARF/Chapecó para formalização de autos em separado de representação fiscal, destinandoos a (sic) FIANA para lançamento de oficio". Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 296 15 A informação fiscal a que se reporta o Despacho Decisório alhures citado, é a constante do ANEXO 2. (...) DOCUMENTOS JUNTADOS ANEXO I Cópia do Despacho Decisório 210/2002 e . 1/002 0 ANEXO II Cópia da Informação Fiscal (...) Como visto, a Representação Fiscal da Agência da RFB em Chapecó não elucida, não informa, não narra, não descreve, não apresenta a fundamentação fáticojurídica, pelo qual os débitos do SIMPLES Federal teriam sido indevidamente compensados. Há apenas acidentalmente alusão a compensação indevida com créditos de INSS. A narrativa dos fatos constante do lançamento fiscal (autos de infração do SIMPLES Federal), também, nada elucidou, pois simplesmente reportouse aos processos 13982.000218/200199 e 13982.000219/200133 que, por sua vez, como já demonstrado antes, trataram ou tinham como objeto matéria diversa, ou seja, compensações com saldo negativo do IRPJ e da CSLL do anocalendário 1998, cujos créditos foram deferidos e as compensações homologadas (Despachos Decisórios nºs 211 e 212/2002). Na verdade, em momento algum restou consignado na descrição ou na narrativa dos fatos nos autos de infração do SIMPLES Federal a razão ou a fundamentação fáticojurídica pela qual as compensações tributárias informadas nas Declarações do SIMPLES Federal dos anoscalendário 1999 e 2000 foram glosadas, consideradas indevidas. Apenas na peça de Impugnação, na primeira instância de julgamento, chegou aos autos a informação, a partir das razões de defesa, que a contribuinte utilizara crédito de origem judicial nas compensações tributárias dos débitos do SIMPLES Federal dos anos calendário 1999 e 2000. Nesse sentido, a impugnante aduziu, em síntese: que não bastasse a decisão do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional a majoração da alíquota do FINSOCIAL, ajuizou ação ordinária n. 97.60.028840, a qual foi julgada procedente garantindolhe o direito de compensar os valores pagos indevidamente, sendo que, na presente data, o referido processo encontra se no Superior Tribunal de Justiça pendente de julgamento apenas no tocante à fixação dos honorários advocatícios; que, ainda, ajuizou ação ordinária sob n. 99.60.003370, com o intuito de compensar os valores recolhidos indevidamente a titulo de PróLabore (INSS), sendo que referida ação foi julgada procedente e transitou em julgado em maio de 2001; que ajuizou, também, ação ordinária n. 98.60.026564, objetivando compensar os valores recolhidos indevidamente a título de PIS, a qual foi julgada procedente, encontrandose, atualmente, no Superior Tribunal de Justiça para apreciação da correção monetária na base de calculo; que, não obstante as decisões judiciais autorizando a compensação, bem como as declarações de inconstitucionalidade proferidas pelo STF, a Autoridade Fazendária Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 297 16 lavrou os autos de infração ora impugnados e impôs a exigibilidade dos valores relativos ao Simples Federal, supostamente inadimplidos para os períodos objeto dos autos; que, no entanto, com base nos permissivos legais, esses valores referentes às parcelas do SIMPLES Federal, ditos como inadimplidos, foram totalmente compensados com os créditos resultantes dos recolhimentos indevidos a titulo de FINSOCIAL, INSS e PIS; que, assim, tendo efetuado a compensação dos créditos decorrentes dos valores recolhidos a maior a titulo de FINSOCIAL, INSS e PIS com as parcelas de débitos do SIMPLES Federal, quanto aos períodos objeto do autuação, extinto encontrase o crédito tributário, fazendose imperiosa a anulação dos autos de infração ora impugnados. A decisão da DRJ (decisão recorrida), mesmo tendo constatado a errônea descrição dos fatos nos autos de infração do SIMPLES Federal, manteve o lançamento fiscal, cuja fundamentação do voto condutor do acórdão recorrido transcrevo (efls. 250/257), in verbis: (...) Do pedido de diligência 16. A interessada requereu diligência, que indefiro, com fulcro nos Art. 18 e 28 do Decreto n ° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo Art. 1° da Lei n° 8.748, 1993, por entendêla desnecessária e dispensável para o deslinde do presente julgamento. No caso, a própria interessada juntou os elementos necessários para o julgamento, em especial, documentação referente às ações judiciais. No caso, estando o processo em condições de ser julgado, resta prejudicado o pedido de diligência. Das ações judiciais e da compensação 17. Cumpre esclarecer, quanto aos Processos n° 13982.000218/200199 e 13982.000219/200133, mencionados no Termo de Constatação Fiscal (fl. 42), que estes se referem a deferimento de solicitação de reconhecimento de direito creditório (fl. 50/53 e 54/57), quanto ao anocalendário de 1998. Estes processos não se relacionam às compensações, consideradas indevidas no presente Auto de Infração,conforme fl. 199/201 e 233/241. 1 18. A interessada efetuou compensações de parte dos valores devidos ao SIMPLES com créditos de PIS, FINSOCIAL e INSS que teria obtido com base em ações judiciais distintas. Foi autuada, por insuficiência de recolhimento de valores de IRPJ, PIS, CSLL, COFINS, IPI e INSS, para o regime de tributação do SIMPLES, nos anoscalendário de 2000 e 2001, por terem sido consideradas indevidas as compensações com processo, a seguir: (...) 19. De plano, verificase que não procedem as alegações da interessada de que não havia necessidade de o crédito ser Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 298 17 líquido e certo, bastando o contribuinte declarar os créditos utilizados em relação aos respectivos débitos, cabendo à autoridade administrativa conferência e homologação ou lançamento de eventual diferença apurada (fl. 68). 20. Quanto à necessidade de liquidez e certeza do crédito tributário, verificase que em nenhum momento tais características essenciais foram dispensadas, estando vigente o Art. 170 do CTN, o qual expressamente, dispõe:(...). 21. Desta forma, relativamente ao instituto da compensação, é imprescindível observar a existência da liquidez e certeza dos créditos objeto de compensação. Devese também enfatizar que a compensação deve ocorrer após o trânsito em julgado da sentença. vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 22. Da análise dos documentos referentes às ações judiciais e pesquisa que efetuei junto ao site da Justiça Federal da 4ª Região (fl. 220/232), verificase que os valores que a interessada compensou em suas declarações, se referiam a sentenças ainda não transitadas em julgado nos anoscalendário de 1999 e 2000. Tais valores não eram líquidos e certos, quando compensados, conforme determina o Art. 170 do CTN supra transcrito. 23. A interessada, ainda, deixou de observar a IN SRF n° 21, de 10 de março de 1997, com as alterações procedidas pela IN SRF n ° 73, de 15 de setembro de 1997, vigente à data do procedimento, que exigia a formalização junto à unidade da Receita Federal de pedido de compensação: (...). Conclusão 27. Concluo que nos anoscalendário de 1999 e 2000 não havia qualquer crédito da interessada, líquido e certo, a amparar a compensação efetuada em suas declarações. Por isso é correta a exigência formalizada nos Autos de Infração para exigência de tributos devidos a título de SIMPLES. A compensação somente poderia ser efetuada após o trânsito em julgado da sentença. Ante o exposto, tendo em vista a interessada não ter direito às compensações efetuadas para os anoscalendário de 1999 e 2000, concluo pela procedência do lançamento. (...) Irresignada com esse decisum, a contribuinte, nas razões do recurso voluntário, suscitou, em síntese: a) legalidade das compensações efetuadas e nulidade do lançamento fiscal: Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 299 18 que os Processos Administrativos referidos pela autoridade fiscal (13982.000218/200199 e 13982000219/200133) não têm relação com o presente processo, eis que se relacionam ao direito creditório do anocalendário de 1998, que não é objeto do presente, conforme observou a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento; que, ao invés de dar provimento ao recurso e anular o lançamento fiscal, eis que a fundamentação utilizada para o auto de infração não tem relação com a exigência, a Delegacia de Julgamento decidiu pela procedência do lançamento, com base em novo fundamento legal, qual seja, necessidade de transito em julgado das ações judiciais; que não ê permitido à Administração Fiscal modificar a fundamentação legal de uma cobrança no curso do processo administrativo, trazendo argumentos novos a amparar a exigência do crédito tributário; que, se o fundamento que ampara o auto de infração foi afastado, evidente que a autuação deve ser cancelada, sob pena de cerceamento de defesa; que, neste caso, o entendimento é pacífico no sentido de que há um novo lançamento, devendo ser observado devido processo legal, os princípios do contraditório e da ampla defesa , bem como o prazo qüinqüenal para constituição do crédito tributário; que perfeitamente legal a compensação realizada pela recorrente dos créditos de PIS, FINSOCIAL e PróLabore, reconhecidos judicialmente (ações judiciais de n° 9860026564, .n° 9760028840 e n° 9960003370) com as parcelas do IRPJ, IPI, PIS, CSLL, COFINS e« INSS incluídas no SIMPLES, nos períodos objetos dos autos; que descabida, ainda, a alegação de exigência de trânsito em julgado da ação judicial para efetuar a compensação, eis que a referida exigência só foi introduzida no Código Tributário Nacional em 10 de janeiro de 2001, pela Lei Complementar n. 104, mediante o art. 170A; que, in casu, se trata de pagamentos indevidos realizados antes da vigência do art. 170A do Código Tributário Nacional, dispositivo incluído pela Lei Complementar n° 104, de ll de janeiro de 2001; que, destarte, tendo a recorrente efetuado a compensação dos créditos decorrentes dos valores recolhidos a maior a titulo de FINSOCIAL, INSS e PIS com as parcelas do SIMPLES, no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2000, encontrase extinto o crédito tributário, fazendose imperiosa a anulação do auto de infração ora impugnado; que em relação à multa de ofício de 75%, caso os Julgadores entendam pela nãohomologação da compensação realizada pela recorrente, deve ser reconhecida, ao menos, a ilegalidade da cobrança da multa de ofício; que a recorrente efetuou a compensação dos seus créditos de FINSOCIAL, PIS e INSS, reconhecidos nas ações judiciais ns. 97.60028840, 99.6000337 0 e 98.6002656 4, com parcelas do SIMPLES referentes ao IRPJ, IPI, PIS, CSLL, COFINS e INSS, nos meses de janeiro de 1999 a dezembro de 2000. A compensação simplesmente foram consideradas indevidas, e exigência da diferença de tributos do SIMPLES Federal, por insuficiência de pagamento; Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 300 19 que o contribuinte declarou compensações indevidas, o Fisco puniu a recorrente com a aplicação da multa prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, no percentual de 75%; que, de acordo com o art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional, as inovações legislativas que deixem de definir um ato como infração, devem ser aplicadas retroativamente. Nesse contexto, deve ser aplicado, ao caso em tela, o artigo 18, da Lei 10.833/03 que, com a redação dada pela Lei n° 11.051/04, dispõe que no lançamento de oficio, a imposição de multa em razão de compensação não homologada, será limitada às hipóteses em que ficar evidenciado o intuito de fraude por parte do contribuinte. Ou seja: O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá á imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a pratica das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. que os artigos mencionados no caput do artigo 18 da Lei 10.833/03, com redação da Lei 11.051/04, tratamse dos casos de evidente intuito de fraude, que não é o caso da recorrente; que evidente a ilegalidade da multa de oficio no percentual de 75%, eis que não há que se falar em intuito de fraude no procedimento adotado pela recorrente; que, ad argumentandum tantum, a recorrente poderia admitir, a título de multa, seria a cobrança da multa moratória até o percentual máximo de 20%, prevista no art. 61, da Lei n° 9.430/96. Entretanto, não tendo sido lançado seu valor na época oportuna, não mais pode sêlo feito, tendo em vista a ocorrência da decadência; Por fim, com base nesses argumentos, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida, extinguir o crédito tributário objeto dos autos pela ocorrência da decadência (mudança do fundamento da autuação) ou pela compensação realizada, quando não, excluir a multa de 75%, nos termos do art. 18, da Lei n. 10.833/2003, na redação que lhe deu a Lei n. 11.051/2004. Pois bem. Entendo que o lançamento fiscal não merece prosperar, deve ser declarado nulo pela descrição equivocada dos fatos (conforme já visto anteriormente) e pela inexistência de fundamentação fáticojurídica para a glosa das compensações que, simplesmente, constou a alusão a compensações indevidas, sem justificativa alguma, sem fundamentação, implicando cerceamento do direito defesa e do contraditório. Vale dizer, o ato administrativo de lançamento fiscal, no caso, não tem fundamentação fáticojurídica suficiente para a glosa das compensações (simplesmente a Fiscalização fez alusão casual, acidental, de que a compensações são indevidas e que implicaram falta de pagamento dos tributos do SIMPLES Federal). Qual foi a razão, a motivação, para não admissão das compensações? Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 301 20 Inexistência do crédito? Crédito utilizado de origem judicial (decisões judiciais não transitadas em julgado)? Não observância do rito para pleitear o aproveitamento do pretenso crédito? Pois é. A descrição dos fatos imputados é confusa, equivocada, e insuficiente. Por isso das questões suscitadas anteriormente. Qual foi a motivação da imputação da infração? Nessa situação, o lançamento fiscal apresenta vício insanável, pois a descrição dos fatos é incompleta; não restou descrita a razão ou motivação para justificar a glosa das compensações efetuadas. Os precedentes do CARF também são, nessa situação, pela nulidade do lançamento fiscal. Transcrevo, a título de exemplo, a ementa dos seguintes Acórdãos: ASSUNTO:OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2012 Ementa: AUSÊNCIA DE RAZÕES FUNDAMENTADAS NO AUTO DE INFRAÇÃO. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. (Acórdão nº 32010004.178, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, 3ª Seção de Julgamento, sessão de 28/08/2018, LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/11/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE.VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fato se a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado semo correr um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão CSRF nº 9303005.459–3ªTurma, sessão de 26/07/2017, Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração:01/01/2002a31/12/2004 QUALIFICAÇÃO DO VÍCIO DE NULIDADE. AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE FATO E DE DIREITO DO ATO DE Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10925.000373/200363 Acórdão n.º 1301003.493 S1C3T1 Fl. 302 21 LANÇAMENTO.VÍCIO MATERIAL.CABIMENTO. Se o ato de lançamento não contém ou contém a indicação da capitulação legal equivocada (pressuposto de direito) e/ou se a descrição dos fatos é omitida ou deficiente (pressuposto de fato) temse por configurado vício material por defeito de motivação. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO E DEFICIENTE DESCRIÇÃO DOS FATOS. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. 1.A errônea indicação dos dispositivos legais infringidos conjugado com a deficiente descrição dos fatos acarreta ausência de subsunção dos fatos à norma jurídica, defeito grave que configura vício material do lançamento por falta de motivação. 2.Se não constatada uma clara subsunção entre os fatos imputados ao sujeito passivo com a norma legal infringida, o auto de infração é nulo por vício material, por ferir requisito essencial na constituição do lançamento. Recurso de Ofício Negado. (Acórdão nº 3302 003.017–3ª Câmara/2ªTurma Ordinária, Sessão de 26/01/2016, José Fernandes do NascimentoRelator). Diante do exposto, sem delongas voto pela nulidade do lançamento fiscal por vício material insanável. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11522.000748/2007-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. RENDIMENTOS CORRESPONDENTES.
Existindo elementos que apontam equívoco no preenchimento da declaração de ajuste, cabe o ajuste dos rendimentos associados ao IRRF glosado.
Numero da decisão: 2002-000.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. RENDIMENTOS CORRESPONDENTES. Existindo elementos que apontam equívoco no preenchimento da declaração de ajuste, cabe o ajuste dos rendimentos associados ao IRRF glosado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1181; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 271 1 270 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11522.000748/200714 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.466 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria IRPF. AJUSTE RENDIMENTOS. Recorrente ANTONIO DE SOUSA BRITO FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. RENDIMENTOS CORRESPONDENTES. Existindo elementos que apontam equívoco no preenchimento da declaração de ajuste, cabe o ajuste dos rendimentos associados ao IRRF glosado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 07 48 /2 00 7- 14 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11522.000748/200714 Acórdão n.º 2002000.466 S2C0T2 Fl. 272 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de auto de infração – AI (fls. 8 a 18), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2003. A autuação implicou a alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$1.814,19 para saldo de imposto a pagar de R$7.170,94. O AI noticia a dedução indevida de IRRF, no valor de R$5.356,75, em decorrência do não atendimento ao pedido de esclarecimentos. Impugnação Cientificado ao contribuinte, o AI foi objeto de impugnação, em 15/5/2007, à fl. 2/54 dos autos, assim sintetizada na decisão de piso: 1) Que o lançamento decorreu de informação errônea na DIRPF exercício de 2003. No campo RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA PELO TITULAR, foi informado a fonte pagadora APEC COOP. DE SERVIÇOS ASSES. PROJ. EMPREEND. E CONSULTORIA, CNPJ N° 04.275.898/000161, com valor de R$ 35.000,00 e IRRF de R$ 5.356,75. Essa informação referese ao exercício de 2002, ano base de 2001 e já havia sido informada na DIRPF desse exercício, conforme comprovante; 2) Os rendimentos tributáveis recebidos da APEC foram informados em duplicidade, gerando imposto a pagar no valor de R$ 1.814,19 (hum mil, oitocentos e quatorze reais e dezenove centavos), parcelados em seis cotas e pagos, comprovantes anexados; 3) Solicita o cancelaqmento do auto de infração. A impugnação foi apreciada na 2ª Turma da DRJ/BEL que, por unanimidade, julgou o lançamento procedente em decisão assim ementada (fls. 97/103): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2003 Ementa: RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO PARA USUFRUIR BENEFÍCIOS FISCAIS. Não é possível a apresentação de nova declaração, retificando a anteriormente apresentada, objetivando cobrir omissão de Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11522.000748/200714 Acórdão n.º 2002000.466 S2C0T2 Fl. 273 3 manifestação a respeito de beneficio fiscal, que julga com direito, não pleiteado oportunamente. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 16/6/2009 (fl. 110), o contribuinte, em 14/7/2009 (fl. 111), apresentou recurso voluntário, às fls. 111/267, no qual alega, em apertado resumo, que: teria cometido um lapso no preenchimento de sua Declaração de Ajuste exercício 2003, ao informar rendimentos recebidos da APEC Cooperativa de Serviços Ass. Proj. Emprend e Consultoria. a empresa teria encerrado suas atividades no final de 2001, como demonstrariam os documentos anexados ao seu recurso. os rendimentos informados por ele na declaração do exercício 2003 teriam sido recebidos no exercício 2002 e teriam sido declarados por ele. sua única fonte pagadora no exercício 2003 teria sido a Prefeitura Municipal de Rio Branco. seu erro teria acarretado saldo de imposto a pagar, o qual foi devidamente recolhido. a prevalecer os valores que entende corretos, faria jus a uma restituição. a autoridade julgadora de primeira instância teria apontado a ausência de DIRF para o anocalendário 2002, sem se dar conta da prescrição do período. estariam sendo juntadas aos autos declarações dos períodos declarados de inatividade da pessoa jurídica. sua boafé e seu equívoco deveriam ser considerados para afastar a severa penalidade que está lhe sendo exigida. a decisão recorrida induziria ao pensamento de que ele teria praticado crime de sonegação fiscal, apontando supressão de valores e conduta dolosa ao Fisco. teria cometido um equívoco, sem qualquer intenção de lesar o Fisco. ao final, requer o cancelamento do auto de infração, sem prejuízo da restituição dos valores pagos indevidamente em face do erro cometido no preenchimento da declaração de ajuste. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11522.000748/200714 Acórdão n.º 2002000.466 S2C0T2 Fl. 274 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A autuação recai sobre a glosa de IRRF. O recorrente não contesta essa glosa, mas requer a exclusão dos rendimentos correspondentes, vinculados à fonte pagadora APEC Cooperativa de Serviços Ass. Proj. Emprend e Consultoria, os quais teriam sido declarados por equívoco, já que se refeririam ao anocalendário anterior. A decisão de piso não acatou o pleito do sujeito passivo, registrando: Ora o impugnante limitouse a argüir que equivocouse quanto aos valores lançados em sua DIRPF exercício de 2003, ano calendário de 2002, relativo aos rendimentos tributáveis pagos pela pessoa jurídica COOPERATIVA DE SERVIÇOS, ASSESSORIA, PROJETOS EMPREENDIMENTOS E CONSULTORIA, CNPJ n° 04.275.89/1000191, da qual consta como sócio até 30/10/2003, conforme fl. 48, dos autos. Além disso, efetuei pesquisas nos sistemas online da Receita Federal e constatei que a fonte pagadora retro não apresentou, até o momento, DIRF relativa no anocalendário de 2002, informando os valores efetivamente pagos ao sujeito passivo. O impugnante limitouse a anexar o comprovante de fl. 10, relativo ao ano calendário de 2001, o qual não se constitui em elemento de prova a favor do sujeito passivo. Explico. A apresentação da declaração de rendimentos é uma obrigação tributária acessória e como tal, nos termos dos artigos 113, § 2° e 115 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), decorre da legislação tributária. Digase mais, o preenchimento da Declaração de Ajuste Anual é de única e exclusiva responsabilidade do próprio declarante, que deve se certificar de que as informações foram transmitidas na sua boa forma. ... O litigante deveria ter sido zeloso em guardar a documentação fiscal pertinente tais como os contracheques, extratos bancários, etc e comparálos com os comprovantes de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora, até que ocorresse a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (conforme art. 195, parágrafo único do CTN). Poderia Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11522.000748/200714 Acórdão n.º 2002000.466 S2C0T2 Fl. 275 5 também solicitar da fonte pagadora retro, da qual era sócio, que encaminhasse à Receita Federal DIRF onde constassem as retenções de IRF relativas aos seus rendimentos tributáveis, anexar cópia dos livros fiscais e outros elementos capazes de sustentar seu pleito, o que in casu não aconteceu. Caso constatasse alguma divergência poderia, também, procurar a fonte pagadora para que a mesma encaminhasse DIRF retificadora ao Fisco. Cabe ao contribuinte confirmar os dados transmitidos e, caso verifique irregularidades, solicitar que a fonte pagadora retifique tempestivamente a DIRF, antes do inicio de qualquer procedimento fiscal, a fim de se eximir da aplicação de qualquer penalidade, como preceitua o art. 832 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999). Entendo que merece reparo a decisão proferida. Vejase que erros podem ser cometidos e não se pode conceber que não seja possível sua correção. O colegiado de primeira instância admite a possibilidade de retificação da declaração após a autuação desde que o contribuinte prove haver cometido erro de fato no preenchimento da declaração. No caso, o recorrente teria que comprovar que não recebeu os valores dos rendimentos informados em sua declaração. Como fazer essa prova? Tratase de exigência de prova negativa, de comprovar algo que não ocorreu. É a chamada probatio diabolica (prova diabólica), pela extrema dificuldade ou impossibilidade em obtêla. Os documentos atinentes à fonte pagadora dos rendimentos não socorrem o recorrente, uma vez que demonstram a inatividade da empresa somente a partir de 2003, quando aqui se analisa o anocalendário 2002 (fls. 223/249). A decisão ora recorrida aponta a ausência de DIRF como um dos elementos que enfraqueceriam a alegação do sujeito passivo. Ora, vejo a ausência de DIRF entregue pela fonte pagadora como indício de que a alegação do contribuinte procede, já que é obrigação das fontes pagadoras informarem à RFB o pagamento de rendimentos aos contribuintes. Se não atribuiu rendimentos em DIRF ao contribuinte, é porque possivelmente não teria efetuado pagamentos a ele. Registrese que foi a ausência de DIRF que levou a autoridade fiscal a efetuar o lançamento. Diante da ausência de informação pela fonte pagadora acerca de IRRF vinculado ao contribuinte, efetuouse a glosa do valor compensado na declaração. Outro indício que considero relevante em favor do recorrente é a juntada do comprovante de rendimentos relativo ao anocalendário 2001, ano anterior ao da autuação (fl.30). O documento consigna rendimentos de R$35.000,00 e IRRF de R$5.356,75, exatamente os valores informados por ele na DIRPF anocalendário 2002 (fl. 26), objeto destes autos. Ou seja, ele de fato pode ter se utilizado do documento do ano anterior na elaboração da declaração do ano seguinte, já que os valores coincidem. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 11522.000748/200714 Acórdão n.º 2002000.466 S2C0T2 Fl. 276 6 Diante desses elementos, tomo como plausível a alegação de erro do sujeito passivo na elaboração de sua Declaração de Ajuste, devendo ser ajustada a base de cálculo do IR com a exclusão dos rendimentos tributáveis no valor de R$35.000,00 associados ao IRRF glosado. No que tange ao pedido de restituição de valores de IR eventualmente recolhidos, cabe esclarecer que ultrapassa os limites da lide, circunscrita à exigência de imposto suplementar, devendo ser direcionado à Unidade da RFB de seu domicílio tributário, na forma prevista na legislação de regência. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo do IRPF os rendimentos no montante de R$35.000,00, associados ao IRRF objeto da autuação. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.907869/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
Numero da decisão: 1301-003.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10283.903399/200953, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 78 69 /2 00 9- 58 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10283.907869/200958 Acórdão n.º 1301003.584 S1C3T1 Fl. 3 2 Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de Declaração de Compensação DCOMP, no qual se pleiteia compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ Estimativa mensal (código 2362). O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A empresa apresentou manifestação de inconformidade onde afirma que as compensações foram realizadas em completa harmonia com a legislação vigente. Isto porque calculou e recolheu um determinado valor de IRPJ, com código de arrecadação de estimativa mensal e, posteriormente ao recolhimento, verificou que o valor de IRPJ efetivamente devido montava um valor inferior àquele originalmente pago através de DARF. Acrescenta que o valor recalculado está de acordo com os valores declarados em DCTF e que, uma vez confessada uma dívida efetiva em valor inferior àquele recolhido, teria nascido um crédito tributário. O sujeito passivo alega que por equívoco procedeu ao recolhimento num valor superior àquele efetivamente devido. Argumenta também que não se trata de pagamento por estimativa mensal, uma vez que foi realizado com base em balanço de suspensão ou redução. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que os valores apurados a partir da receita bruta em função de balancete redução correspondem a estimativa mensal e que não havia previsão legal para utilização em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal de IRPJ. Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual reafirma a existência de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, declara que a decisão da DRJ vai de encontro a jurisprudência do CARF e, ao final, requer o reconhecimento da homologação das compensações em litígio. É o relatório. Voto Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10283.907869/200958 Acórdão n.º 1301003.584 S1C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.563, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10283.903399/2009 53, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.563): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme se depreende do relatório, o cerne da discussão no presente processo é a possibilidade ou não de se compensar pagamento indevido ou a maior recolhido a título de estimativa mensal para aquelas pessoas jurídicas sujeitas à apuração do IRPJ pelo lucro real. O pedido de compensação foi indeferido liminarmente, através de Despacho Decisório Eletrônico, a partir do momento em que o sistema constatou tratarse de recolhimento efetivado sob o código de arrecadação 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL). A Unidade de Origem não se adentrou no mérito do direito creditório, e por conseguinte, não deu oportunidade para o contribuinte produzir provas. O Despacho Eletrônico, bem como o acórdão da DRJ, fundamentaram o indeferimento do pedido de compensação no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, em concomitância com o art. 10 da IN SRF nº 600/2005. O §14º do art.74 da citada lei atribuiu competência a Secretaria da Receita Federal para disciplinar a compensação e, o órgão emitiu instrução normativa que disciplinou a matéria. O art. 10 da IN SRF nº 600/2005, vigente à época, determinava: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Contudo o art.74, §3º, da Lei nº 9.430/96 que tratou das vedações à compensação através de DCOMP, dispôs em seu Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10283.907869/200958 Acórdão n.º 1301003.584 S1C3T1 Fl. 5 4 inciso IX dos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ ou da CSLL, mas nada dispondo acerca de créditos oriundos de pagamento indevido de estimativa mensal, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ......... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ........ IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. (grifei) É de se observar que a Instrução Normativa fez uma interpretação restritiva de Lei nº 9.430/96, a qual não encontrou guarida na jurisprudência do CARF, que acerca da matéria proferiu a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Transcrevese ainda a redação anterior da súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Para melhor esclarecer a aplicação da súmula, trago à baila trecho do acórdão da CSRF nº 910100.406, de 02/10/2009, utilizado como precedente para elaboração da jurisprudência: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10283.907869/200958 Acórdão n.º 1301003.584 S1C3T1 Fl. 6 5 social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição corno pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, (...) De acordo com o acórdão recorrido, não seria possível caracterizar como indevido o recolhimento da antecipação mensal por estimativa de CSLL efetuado a maior, apenas confrontando referido pagamento com as regras para apuração do valor devido a titulo de antecipação mensal. (...) É o relatório. (...) Nos termos da lei, a pessoa jurídica que opta pelo lucro real anual está obrigada a antecipar, mensalmente, o IRPJ calculado por estimativa. Referida obrigação de antecipar a cada mês uma parcela do IRPJ que será devido ao fim do ano calendário é apurada sobre a base de cálculo estimada, calculada conforme percentuais definidos em lei aplicados sobre a receita bruta do Contribuinte até o mês em que a antecipação é realizada. Ainda nos termos da lei, a obrigação de antecipar o imposto pode ser reduzida ou suspensa, conforme o Contribuinte comprove, mediante levantamento de balanços ou balancetes, que o IRPJ, se calculado sobre o lucro real verificado até o momento da apuração da antecipação, é menor do que o valor devido de acordo com o cálculo sobre a base estimada. Em apertada síntese, esse é o regime legal da obrigação de antecipar, mensalmente, o IRPJ, em caso de opção pela apuração do lucro real em base anual. Diferentemente do acórdão recorrido, entendo que o Contribuinte está obrigado ao recolhimento das antecipações mensais nos termos estabelecidos na legislação, seja sobre as bases estimadas, seja sobre a base de cálculo apurada em balanço ou balancete de suspensão ou redução. A meu ver, havendo recolhimento superior àquele imposto por lei, ainda que sob a alcunha de "estimativa", resta caracterizado o recolhimento a maior passível de restituição ou compensação. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10283.907869/200958 Acórdão n.º 1301003.584 S1C3T1 Fl. 7 6 Como bem observou o acórdão paradigma, a legislação não estabelece que recolhimentos a maior que os estabelecidos pelas regras da apuração da antecipação mensal por estimativa também devem ser considerados como antecipação do imposto. Em outros termos, o recolhimento que exceda o valor apurado de acordo com as regras para o cálculo das antecipações mensais por estimativa não tem natureza de antecipação do imposto, mas de pagamento indevido, restituível nos termos do art. 165 do CTN.(grifei) Nesse diapasão, em observância à Súmula CARF nº 84, reconhecese que é possível a caracterização de indébito a partir de recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte da existência de pagamento indevido, ou seja, que o valor recolhido a título de estimativa mensal, ainda que através de balanço ou balancete suspensão/redução, foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Logo, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindo se assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10283.907869/200958 Acórdão n.º 1301003.584 S1C3T1 Fl. 8 7 de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 118DF CARF MF
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