Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13971.721404/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010
ASSINATURA DA AUTORIDADE FISCAL AUTUANTE. INDICAÇÃO DO LOCAL, DATA E HORA DA AUTUAÇÃO. FALTA. REQUISITOS FORMAIS OBRIGATÓRIOS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL.
Revela-se o Direito Processual Administrativo Fiscal refratário à formalização de lançamento tributário que não seja realizada pela Autoridade Fiscal Competente, o qual já nasce sob o estigma da nulidade.
É nulo, por vício formal, o lançamento tributário que não contenha a assinatura da Autoridade Fiscal Autuante, nem a indicação do local, data e hora da autuação.
Processo anulado
Numero da decisão: 2302-003.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em anular os Autos de Infração nº 37.280.760-7, 37.280.761-5 e 37.280.762-3, por vício formal, em razão da carência de requisitos formais obrigatórios para a formalização do ato, previstos nos incisos II e VI do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, com fulcro no inciso I, in fine, do art. 59 desse mesmo Decreto.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 ASSINATURA DA AUTORIDADE FISCAL AUTUANTE. INDICAÇÃO DO LOCAL, DATA E HORA DA AUTUAÇÃO. FALTA. REQUISITOS FORMAIS OBRIGATÓRIOS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Revela-se o Direito Processual Administrativo Fiscal refratário à formalização de lançamento tributário que não seja realizada pela Autoridade Fiscal Competente, o qual já nasce sob o estigma da nulidade. É nulo, por vício formal, o lançamento tributário que não contenha a assinatura da Autoridade Fiscal Autuante, nem a indicação do local, data e hora da autuação. Processo anulado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13971.721404/2011-66
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352510
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2302-003.152
nome_arquivo_s : Decisao_13971721404201166.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13971721404201166_5352510.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em anular os Autos de Infração nº 37.280.760-7, 37.280.761-5 e 37.280.762-3, por vício formal, em razão da carência de requisitos formais obrigatórios para a formalização do ato, previstos nos incisos II e VI do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, com fulcro no inciso I, in fine, do art. 59 desse mesmo Decreto. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5485104
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814855266304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2004; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 760 1 759 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.721404/201166 Recurso nº 003.152 Voluntário Acórdão nº 2302003.152 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AIOP + AIOA CFL 68 Recorrente INDUSTRIAL DE MALHAS CARAVELA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 ASSINATURA DA AUTORIDADE FISCAL AUTUANTE. INDICAÇÃO DO LOCAL, DATA E HORA DA AUTUAÇÃO. FALTA. REQUISITOS FORMAIS OBRIGATÓRIOS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Revelase o Direito Processual Administrativo Fiscal refratário à formalização de lançamento tributário que não seja realizada pela Autoridade Fiscal Competente, o qual já nasce sob o estigma da nulidade. É nulo, por vício formal, o lançamento tributário que não contenha a assinatura da Autoridade Fiscal Autuante, nem a indicação do local, data e hora da autuação. Processo anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em anular os Autos de Infração nº 37.280.7607, 37.280.7615 e 37.280.7623, por vício formal, em razão da carência de requisitos formais obrigatórios para a formalização do ato, previstos nos incisos II e VI do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, com fulcro no inciso I, in fine, do art. 59 desse mesmo Decreto. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 14 04 /2 01 1- 66 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.721404/201166 Acórdão n.º 2302003.152 S2C3T2 Fl. 761 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 Data da lavratura dos AIOP: Não informado. Data da lavratura do AIOA: 28/07/2011. Data da ciência dos Autos de Infração: 04/08/2011. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.280.7607 e 37.280.7615, consistentes em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre a remuneração de segurados obrigatórios do RGPS, caracterizados pela Fiscalização como segurados empregados da Autuada, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 02/25. Relata a Autoridade Lançadora que durante os procedimentos de Fiscalização na empresa Industrial de Malhas Caravela ltda, doravante Caravela, apurouse, por meio dos procedimentos de auditoria fiscal e com supedâneo nas provas e constatações relacionados no relatório fiscal, que a Autuada, visando usufruir indevidamente do tratamento tributário favorecido oportunizado pelo Simples Federal (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte) e, posteriormente, pelo Simples Nacional (Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), utilizouse da mãodeobra de trabalhadores que foram formalmente registrados como empregados e sócios da sociedade empresária Confecções Figueiredo Ghisleri Ltda. EPP, doravante Ghisleri, que é empresa existente apenas no plano formal. Dessarte, a Fiscalização considerou, com fundamento no princípio da primazia da realidade, que os empregados formalmente contratados pela Ghisleri são, sob a ótica do Direito Previdenciário, segurados empregados da empresa Autuada, para fins de cálculo das contribuições sociais devidas. A apuração das bases de cálculo, consistentes nas remunerações pagas, devidas ou creditadas, aos segurados empregados contratados pela Autuada por intermédio de interposta pessoa jurídica existente apenas no plano formal foi feita com base nos registros assentados nas folhas de pagamento da Ghisleri. Integra ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.280.7623, Código de Fundamentação Legal nº 68, lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec. 4.729, de 09/06/2003. O contribuinte deixou de informar nas GFIP referentes às competências de 01/2006 a 12/2010, os fatos geradores decorrentes da remuneração dos segurados empregados que lhe prestaram serviços, tendo em vista a caracterização de vínculo de segurado empregado formalizada pela Fiscalização, infringindo, assim, o disposto no artigo 32, IV da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 242/431. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0731.091 – 5ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 573/624, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/06/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 626. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Autuado interpôs recurso voluntário a fls. 628/756, requerendo, ao fim, a declaração de nulidade dos Autos de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.721404/201166 Acórdão n.º 2302003.152 S2C3T2 Fl. 762 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/06/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 17 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO SANEAMENTO DO PROCESSO. Antes de adentrarmos a cognição meritória urge ser sanada uma irregularidade de cunho eminentemente processual. O art. 10 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal, estatui expressamente que o Auto de Infração deve ser lavrado por servidor competente, in casu, o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tem que conter OBRIGATORIAMENTE, a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, bem como a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Deflui das tintas dos incisos II e VI do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 que a assinatura do Servidor que efetuou o lançamento, bem como a indicação do local, da data e da hora da lavratura do Auto de Infração são requisitos formais indispensáveis na formalização do lançamento. Compulsando os autos, todavia, constatamos que os Autos de Infração objeto do vertente Processo Administrativo Fiscal negligenciaram na observância de tais formalidades obrigatórias exigidas pela Lei que rege o Contencioso Administrativo Fiscal. Com efeito, os Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.280.7607 e 37.280.7615, a fls. 164 e 232, respectivamente, não portam a assinatura do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil autuante, Sr. Everaldo Back, matrícula 6.148.752, tampouco informam o local, a data e a hora da lavratura do Auto de Infração. De maneira quase similar, o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.280.7623, Código de Fundamentação Legal nº 68, a fl. 230, também se mostra carente da assinatura do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil autuante, Sr. Everaldo Back, matrícula 6.148.752. Revelase o Direito Processual Administrativo Fiscal refratário à formalização de lançamento tributário que não seja realizada pela Autoridade Fiscal Competente, o qual já nasce sob o estigma da nulidade. A situação fática retratada no presente caso, consistente na lavratura de Auto de Infração sem a assinatura da Autoridade Fiscal Lançadora e sem a indicação do local, da data e da hora da autuação, atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no inciso I, in fine, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, sob cuja égide se desenvolveram os fatos processuais aqui narrados. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Nesse contexto, pautamos pela declaração de nulidade dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.280.7607 e 37.280.7615, bem como do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.280.7623, com fulcro no art. 59, I, in fine, do Decreto nº 70.235/72, por vício formal, em razão da omissão de requisitos formais de validade do ato, previstos nos incisos II e VI do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, consistente na assinatura da Autoridade Fiscal Autuante e da indicação do local, data e hora da autuação, dispondo a Fl. 765DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.721404/201166 Acórdão n.º 2302003.152 S2C3T2 Fl. 763 7 Administração Fazendária do prazo de cinco anos, contados a partir da data em que se tornar definitiva a decisão proferida no presente Acórdão, para formalizar o lançamento substituto, com a sanatória dos vícios ora apontados, nos termos do inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (grifos nossos) (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (grifos nossos) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto por DECLARAR A NULIDADE dos Autos de Infração nº 37.280.7607, 37.280.7615 e 37.280.7623, por vício formal, em razão da carência de requisitos formais obrigatórios para a formalização do ato, previsto nos incisos II e VI do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, com fulcro no inciso I, in fine, do art. 59 desse mesmo Decreto. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, relator. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13819.910060/2011-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/07/2001
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 13/07/2001 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13819.910060/2011-21
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5362143
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.426
nome_arquivo_s : Decisao_13819910060201121.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 13819910060201121_5362143.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
dt_sessao_tdt : Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5533700
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814858412032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 112 1 111 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.910060/201121 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.426 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria Receitas Financeiras Recorrente MAKITA DO BRASIL FERRAMENTAS ELÉTRICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/07/2001 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 60 /2 01 1- 21 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910060/201121 Acórdão n.º 3801003.426 S3TE01 Fl. 113 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910060/201121 Acórdão n.º 3801003.426 S3TE01 Fl. 114 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910060/201121 Acórdão n.º 3801003.426 S3TE01 Fl. 115 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910060/201121 Acórdão n.º 3801003.426 S3TE01 Fl. 116 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910060/201121 Acórdão n.º 3801003.426 S3TE01 Fl. 117 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910060/201121 Acórdão n.º 3801003.426 S3TE01 Fl. 118 7 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 19679.005081/2003-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1803-000.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19679.005081/2003-41
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5353010
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-000.092
nome_arquivo_s : Decisao_19679005081200341.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 19679005081200341_5353010.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5490382
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814870994944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1837; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 114 1 113 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.005081/200341 Recurso nº Resolução nº 1803000.092 – Turma Especial / 3ª Turma Especial Data 03 de junho de 2014 Assunto LUCRO REAL DILIGÊNCIA Recorrente INVESTPAR PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 06 15, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$12.790,66, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido no segundo trimestre no valor de R$5.950,44 e no quarto trimestre no valor de R$6.840,14, ambos do ano calendário de 1998. Consta na Descrição dos Fatos: O presente Auto de Infração originouse da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminada(s) no quadro 3 (três), conforme INSRF n° 045 e 077/98. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 79 .0 05 08 1/ 20 03 -4 1 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19679.005081/200341 Resolução nº 1803000.092 S1TE03 Fl. 115 2 Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF" (Anexos Ia ou Ib), e/ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos IIa ou IIb), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo III) e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor" (Anexo IV) . Para efetuar o pagamento da(s) diferença(s) apurada(s) em Auditoria Interna, objeto deste Auto de Infração, o contribuinte deve consultar as "Instruções de Pagamento" (Anexo V). [...] ANEXO III DEMONSTRATIVO DO CREDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR CÓDIGO DA RECEITA NÚMERO DO DÉBITO (1) NÚMERO DA DECLARAÇÃO (2) INFORMADO NA DCTF (3) PARA PAGTO DO AI (4) PERÍODO DE VENCIMENT O 6) DATA DE APURAÇÃO (5) VALOR DO PRINCIPAL LANÇAMENTO (8) 6901028 0000100199800025730 2372 2972 31/07/1998 0104/1998 2.201,37 10549748 0000100200118013844 2372 2972 31/07/1998 0110/1998 2.669,95 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 27 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, art. 25 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 1º e art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 4º, art. 5º, art. 19, art. 25, art. 51, art. 53, art. 54, art. 55, art. 60 e art. 70 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e art. 69 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. O lançamento fundamentase na insuficiência de recolhimento de tributos apurados pelo cotejo entre os recolhimentos não localizados nos sistemas interno da RFB e aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), fls. 3739. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0105, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos suscitando: O auto de infração em epigrafe, esta cobrando o recolhimento da CSLL, conforme segue: Débitos constantes da PAG. 003 do AI. CÓDIGO PER. AP. VENCTO Nº DÉBITO VL DÉBITO DT PAGTO SIT DARF 2372 0104/1998 31/07/98 69001028 2.201,37 30/04/98 DARF OK Obs: Foi declarado na DCTF o período de apuração errado. O correto é: CÓDIGO PER. AP. VENCTO VL DÉBITO DT PAGTO 2372 30/03/1998 30/04/98 2.201,37 30/04/98 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19679.005081/200341 Resolução nº 1803000.092 S1TE03 Fl. 116 3 Débitos constantes do PG 004 do AI CÓDIGO PER. AP. VENCTO VL DÉBITO DT PAGTO 2372 0110/1998 29/01/1999 2.669,95 29/01/99 O débito acima foi recolhido da seguinte forma: Matriz: R$1.133,65 vencto: 29/01/99; Filial: R$1.536,30 vencto: 29/01/99; Total: R$2.669,95 0 darf no valor de R$1.536,30 foi recolhido com o CNPJ da matriz. Será solicitado o REDARF. Portanto conforme a demonstração acima, a COBRANÇA E INDEVIDA E ILEGÍTIMA. A vista de todo exposto, em face da apresentação do darf quitado, as justificativas apresentadas, demonstra a insubsistência e improcedência da ação fiscal. Espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado.o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. A autoridade fiscal que jurisdiciona a Recorrente promoveu a revisão de ofício do lançamento, nos termos do inciso VIII do art. 149 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido foi excluído de ofício o crédito tributário no valor de R$6.840,14 do quarto trimestre do anocalendário de 1998, fls. 4145. Está registrado como resultado do Acórdão da 7ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 16 34.041, de 29.09.2011, fls. 5867: “Impugnação Procedente em Parte”, uma vez que em relação ao segundo trimestre do anocalendário de 1998, impõe promover a redução da respectiva multa de ofício ao percentual de 20% (vinte por cento), proporção equivalente à multa moratória incidente sobre o valor principal remanescente, objeto da autuação sob litígio. Restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO POR FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. REVISÃO INTERNA. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA HÁBIL E IDÔNEA DA EXISTÊNCIA DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. A carência de prova inequívoca hábil e idônea que comprove a ocorrência de erro de fato no preenchimento de débito regularmente declarado por intermédio da DCTF, torna imperativa a manutenção dos efeitos da autuação associada ao saldo devedor remanescente, aferido após conclusão de procedimento de revisão de ofício executada pela autoridade preparadora. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19679.005081/200341 Resolução nº 1803000.092 S1TE03 Fl. 117 4 MULTA VINCULADA. RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Comprovado o recolhimento fora do prazo do tributo confessado em DCTF, é de manterse o lançamento da multa vinculada, observado o princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, II, c, do CTN, segundo o qual se aplica penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Notificada em 12.12.2011, fl. 71, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.01.2012, fls. 7377, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta que: Pois bem, a empresa ora Recorrente demonstrou que foi feito o recolhimento do tributo no valor de R$ 2.201,37 (Dois mil, duzentos e um real e trinta e sete centavos), sendo que foi declarado na DCTF o período de apuração errado, segundo demonstrado na Defesa Administrativa à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, interposta com fundamento no artigo 16, inciso I, do Decreto 70.235/72, em 03/09/2003. Vejamos: 1) Débito n° 6901028 2° Trimestre/1998: CÓDIGO PER. AP. VENCTO Nº DÉBITO VL DÉBITO DT PAGTO SIT DARF 2372 0104/1998 31/07/98 69001028 2.201,37 30/04/98 DARF OK Para este débito foi declarado na DCTF o período de apuração errado, sendo que o correto seria: Portanto, houve o recolhimento da CSLL referente ao 2° trimestre de 1998, o que torna esta cobrança injusta e ilegal. Para tanto, a ora Recorrente anexa a DARF no valor de R$2.201,37 (Dois mil, duzentos e um real e trinta e sete centavos), devidamente recolhida em 30/04/98 . Conclui que: Por força do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a ora Recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19679.005081/200341 Resolução nº 1803000.092 S1TE03 Fl. 118 5 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente alega que incorreu em erro no preenchimento da DCTF. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, o Auto de Infração pode ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. O Auto de Infração foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A lançamento de ofício formalizado a partir da DCTF, tem como fundamento a competência legal no sentido de que o Ministro da Fazenda, podendo eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, delegou esta competência ao Secretário da Receita Federal. O documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência da referida exigência2. A Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) foi instituída pela Instrução Normativa SRF nº 129, de 19 de novembro de 1986, e na época foi utilizada pelo sujeito passivo para prestar as informar as informações relativas à obrigação principal de 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação Legal: DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de 1984. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19679.005081/200341 Resolução nº 1803000.092 S1TE03 Fl. 119 6 tributos federais, cujos fatos geradores vieram a ocorrer a partir de 01.01.1987. A DCTF com a natureza jurídica informativa tãosomente foi extinta pela Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998. Posteriormente foi instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) a partir de 01.01.1999, disciplinada por atos normativos supervenientes, em que o saldo a pagar relativo ao tributo ali informado, bem como o valor da diferença apurada em procedimento de auditoria interna atinente às informações indevidas ou não comprovadas sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, deve ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidado, enviado para inscrição em Dívida Ativa da União. Logo, a partir dessa data a DCTF é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício3. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. No presente caso, o pressuposto é de que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Assim o sujeito passivo pode demonstrar o erro incorrido no preenchimento da DCTF apresentando os assentos contábeis e os documentos que o comprova. Consta no processo o Darf, fl. 86, referente ao suposto pagamento do débito tributário objeto do lançamento e consequente extinção do crédito tributário. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente intime a Recorrente a apresentar os registros fiscais e contábeis dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais que corroborem a alegação de defesa de forma inequívoca, explícita clara e congruente com os valores e as respectivas descrições conjugadamente com as memórias detalhadas de cálculos devidamente escrituradas que demonstrem o erro na DCTF e que de fato o correto é: CÓDIGO PER. AP. VENCTO VL DÉBITO DT PAGTO 2372 30/03/1998 30/04/98 2.201,37 30/04/98 3 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 5 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19679.005081/200341 Resolução nº 1803000.092 S1TE03 Fl. 120 7 A Recorrente alega: Portanto, houve o recolhimento da CSLL referente ao 2° trimestre de 1998, o que torna esta cobrança injusta e ilegal. Para tanto, a ora Recorrente anexa a DARF no valor de R$2.201,37 (Dois mil, duzentos e um real e trinta e sete centavos), devidamente recolhida em 30/04/98. Ainda deve ser verificado se o Darf, fl. 86, referente ao suposto pagamento do débito tributário objeto do lançamento extingue o crédito tributário. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial se houve erro na DCTF e que se o Darf, fl. 86, referente ao suposto pagamento do débito tributário objeto do lançamento extingue o crédito tributário. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes6 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13656.001073/2004-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
IMUNIDADE
É aplicável a imunidade tributária recíproca às autarquias e empresas públicas, desde que, entre outros requisitos constitucionais e legais: (i) Não distribuam lucros ou resultados direta ou indiretamente a particulares, ou tenham por objetivo principal conceder acréscimo patrimonial ao poder público (ausência de capacidade contributiva); (ii) Não desempenhem atividade econômica, de modo a conferir vantagem não extensível às empresas privadas (livre iniciativa e concorrência).
Numero da decisão: 9101-001.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, acolher os embargos em parte para rerratificar o acórdão embargado. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Plínio Rodrigues Lima.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Plínio Rodrigues Lima (Suplente Convocado) Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente)
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 IMUNIDADE É aplicável a imunidade tributária recíproca às autarquias e empresas públicas, desde que, entre outros requisitos constitucionais e legais: (i) Não distribuam lucros ou resultados direta ou indiretamente a particulares, ou tenham por objetivo principal conceder acréscimo patrimonial ao poder público (ausência de capacidade contributiva); (ii) Não desempenhem atividade econômica, de modo a conferir vantagem não extensível às empresas privadas (livre iniciativa e concorrência).
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13656.001073/2004-98
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352405
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9101-001.883
nome_arquivo_s : Decisao_13656001073200498.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : KAREM JUREIDINI DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 13656001073200498_5352405.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, acolher os embargos em parte para rerratificar o acórdão embargado. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Plínio Rodrigues Lima. (ASSINADO DIGITALMENTE) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Plínio Rodrigues Lima (Suplente Convocado) Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5483772
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814873092096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1982; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T1 Fl. 6 1 5 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13656.001073/200498 Recurso nº 10.714.6551 Embargos Acórdão nº 9101001.883 – 1ª Turma Sessão de 19 de março de 2014 Matéria IRPJ E OUTROS Embargante DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE ELETRICIDADE DE POÇOS DE CALDAS DME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 IMUNIDADE É aplicável a imunidade tributária recíproca às autarquias e empresas públicas, desde que, entre outros requisitos constitucionais e legais: (i) Não distribuam lucros ou resultados direta ou indiretamente a particulares, ou tenham por objetivo principal conceder acréscimo patrimonial ao poder público (ausência de capacidade contributiva); (ii) Não desempenhem atividade econômica, de modo a conferir vantagem não extensível às empresas privadas (livre iniciativa e concorrência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, acolher os embargos em parte para rerratificar o acórdão embargado. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Plínio Rodrigues Lima. (ASSINADO DIGITALMENTE) Henrique Pinheiro Torres – Presidente Substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 10 73 /2 00 4- 98 Fl. 3373DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 9101001.883 CSRF‐T1 Fl. 7 2 Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Plínio Rodrigues Lima (Suplente Convocado) Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) Relatório Cuidase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte em face do acórdão de n° 910100.985, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 24 de maio de 2011. Por bem esclarecer a questão, utilizome de parte do relatório do acórdão ora embargado. “Tratase de Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte, em face do Acórdão nº 10708.768, da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige IRPJ (janeiro de 1999 a agosto de 2004), CSLL (janeiro de 1999 a setembro de 2004), COFINS (janeiro de 1999 a setembro de 2004) e PIS (janeiro de 1999 a setembro de 2004). Conforme relatado pela fiscalização, a empresa deixou de cumprir suas obrigações relativas a tais tributos, por entender que é autarquia municipal e, portanto, imune nos termos do artigo 150, VI, “a” e § 2º da Constituição Federal. Houve aplicação de multa de ofício de 75% e a ciência do Auto de Infração se deu em 15/12/2004 (fls. 2.697, conforme citado pela DRJ). Impugnado o lançamento, sobreveio o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou o lançamento procedente em parte, tendo sido deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores apurados à título de PIS e COFINS. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o acórdão da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual acolheu a preliminar de decadência em relação ao primeiro, segundo e terceiro trimestres de 1999 para o IRPJ, e até 15 de dezembro para o PIS, e, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para excluir o valor de PASEP recolhido do valor exigido a título de PIS/PASEP no lançamento. Foi rejeitada, por voto de qualidade, a preliminar de decadência em relação a COFINS e a CSLL, bem como foram rejeitados, por unanimidade, o pedido de diligência e as nulidades suscitadas. No mérito, foi negado provimento ao Recurso Voluntário. Ainda, por unanimidade de votos, negouse provimento ao Recurso de Ofício. A decisão restou assim ementada: Fl. 3374DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 9101001.883 CSRF‐T1 Fl. 8 3 PERÍCIA/DILIGÊNCIA – PRESCINDIBILIDADE A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. (Acórdão nº 10705.820 no Recurso nº 111.354) IRPJ/CSLL/PIS E COFINS – PESSOA JURÍDICA CRIADA COMO AUTARQUIA MUNICIPAL PARA EXECUTAR, POR CONCESSÃO, SERVIÇO PÚBLICO DE COMPETÊNCIA DA UNIÃO – NATUREZA JURÍDICA DE FATO – SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA – O exercício pelo município, mediante concessão, de serviço público de competência da União, com cobrança de tarifas e nas mesmas condições aplicáveis a empreendimentos privados não está abrigado pela imunidade constitucional. A Fazenda Nacional não apresentou Recurso Especial. O Contribuinte apresentou Recurso Especial, no qual alega que: (i) quanto à decadência da COFINS e da CSLL, deve ser aplicado o prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (foi dado seguimento nesta parte ao Recurso Especial de Divergência); (ii) não deve incidir a CSLL, uma vez que a empresa não aufere saldo tributável (nesta parte negado seguimento ao Recurso Especial de Divergência); (iii) por ser entidade de natureza autárquica e, portanto, imune, não está sujeita à incidência de IRPJ, COFINS e CSLL (nesta parte foi dado seguimento ao Recurso Especial de Divergência); e (iv) as autarquias não são contribuintes do PIS, nos termos da Lei Complementar nº 07/70, mas apenas após a entrada em vigor da Lei nº 9.715/98, devem contribuir nos termos do inciso III, e não do inciso II, do artigo 2º da referida Lei (item não tratado no Despacho de Admissibilidade Recursal). Quanto à matéria não conhecida, o contribuinte interpôs agravo, o qual foi rejeitado.” Sobreveio o acórdão de n° 910100.985, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, afastou a preliminar de decadência e, quanto ao mérito, por maioria de votos, negou provimento ao recurso. A decisão restou assim ementada: REGIMENTO INTERNO CARF – DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ – ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF – Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. IRPJ E OUTROS – DECADÊNCIA – O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, Fl. 3375DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 9101001.883 CSRF‐T1 Fl. 9 4 deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. O Superior Tribunal de Justiça assevera que o dies a quo, neste caso, é o primeiro dia do exercício à ocorrência do fato imponível. IRPJ — AUTARQUIA MUNICIPAL — CONCESSÃO FEDERAL — DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA — IMUNIDADE — ART. 150, § 3º DA CF. – A exploração, por autarquia municipal, da atividade de distribuição de energia elétrica, realizada em face de concessão outorgada pela União Federal, embora possa se configurar como serviço público de caráter essencial vinculado a atividades próprias do Estado, deve ser qualificada como atividade econômica, mormente quando a prestadora aufere receitas não relacionadas à atividade principal ou participa do capital social de empreendimentos privados, inexistindo, por outro lado, previsão contratual específica e esperada nos contratos de concessão em que se verifica típica situação de desenvolvimento de atividade como “longa manus” do Estado. Conforme ementa colacionada, o deslinde da questão quanto à imunidade pleiteada pela recorrente se deu em razão da mesma auferir receitas na locação de sua infra estrutura de rede de distribuição, bem como em razão de ter participação em capital social de outros empreendimentos privados de geração de energia, situação que configuraria desenvolvimento de atividade de cunho econômico. Neste passo, concluiuse que a matéria fática dos presentes autos configurou hipótese de exceção da aplicação da imunidade tributária recíproca, tendo sido aplicável o artigo 150, §3° da Constituição Federal, consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal (Resp. 589507/MG). Às fls. 3.231/3.237, o contribuinte, com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, opôs os presentes Embargos de Declaração, alegando a ocorrência de omissão no acórdão recorrido. Aduz a embargante que o acórdão embargado foi omisso por tratar a questão apenas sob a ótica da imunidade recíproca, omitindose da análise do problema sob a ótica da impossibilidade de tributarse o que não pode ser considerado lucro. Sustenta que a diferença de natureza e de função que se reveste afeta diretamente a natureza e o tratamento dos resultados positivos obtidos no desempenho de suas atividades. Nas palavras da embargante: “Enquanto nas empresas comerciais o resultado positivo tem a natureza de lucro que pode ter a destinação que lhe é própria (inclusive e especialmente distribuição aos acionistas); no Embargante, autarquia municipal, o resultado positivo nunca é distribuído como tal. É fundamental ter bem presente o regime definido pelo artigo 4° da Lei n° 2.547 de 1977, que dispõe sobre o Embargante , o qual reza que o lucro líquido apurado na exploração do serviço de eletricidade será TOTALMENTE reinvestido nas obras ou serviço de eletricidade.” É o relatório. Fl. 3376DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 9101001.883 CSRF‐T1 Fl. 10 5 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Os embargos são tempestivos e de fato identifico, no mínimo, contradição entre a premissa e a conclusão adotada no acórdão recorrido, pelo que dos embargos tomo conhecimento. Conforme relatado, aduz a embargante a ocorrência de omissão no acórdão da 1ª Turma da CSRF, o qual cuidou da análise da questão sob a ótica da imunidade recíproca, como inclusive foi a matéria objeto de conhecimento daquele Recurso Especial. Quanto à inexistência de finalidade lucrativa e da não incidência do IRPJ e da CSLL, alega o embargante que, a despeito de tais pontos terem sido tratados não só em sede de Recurso Especial de Divergência (fls. 2.924/2.998), como também no acórdão paradigma acatado pelo Presidente da 7ª Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais limitouse a analisar o caso sob a ótica da imunidade tributária, aduzindo que parte da atividade desenvolvida pelo embargante poderia ser qualificada como atividade econômica, sem sequer adentrar, mesmo para efeito da imunidade, na impossibilidade de distribuição de lucros pela DME. Alega, ainda, que o deslinde da controvérsia envolve a análise conjunta dos pontos suscitados, sendo, portanto, necessário averiguar a questão da destinação dos resultados obtidos, se integralmente reinvestidos para prover melhorias nos serviços prestados aos cidadãos ou se distribuídos na forma de uma empresa comercial com finalidades lucrativas. A despeito de o acórdão embargado ter suscitado o fato da impossibilidade da distribuição de lucros, o fez tão somente para constatação sem atribuição de efeito. Isto porque, ao analisar a imunidade, o acórdão vinculou tal matéria à premissa de outra, esta sim constatada – não distribuição de lucros ou resultados direta ou indiretamente à particulares. Contudo, ignorou o efeito da própria premissa adotada no acórdão embargado e, neste ponto, tem razão a embargante. Distribuir lucros é premissa do desenvolvimento de atividade econômica em vantagem não extensível às empresas privadas. Se se trata de atividade econômica, então se tem disponibilidade dos rendimentos auferidos. A contradição resta expressa quando o voto condutor do acórdão recorrido reconhece que não constam nos autos indícios de que a embargante obtinha acréscimo patrimonial com a cobrança das tarifas, conforme transcrevo: “Pela análise dos autos, não vislumbro que a cobrança de tarifa visa propiciar o acréscimo patrimonial, mas faz parte da própria prestação do serviço de energia elétrica, assim como ocorre com o serviço de água e esgoto, analisado no julgado transcrito.” (sem grifos no original). De se reconhecer que, apesar da omissão ser identificada como decorrência do efeito da premissa adotada no acórdão embargado, fato é que tal acórdão acaba, no mínimo, por apresentar contradição entre a premissa e a conclusão, vez que foi reconhecido naquele acórdão que a autarquia, prestadora de serviço público na condição de longa manus do Estado, não obteve lucro, mas, por outro lado, não segregou esta daquela atividade econômica (que pode em tese ser existente) participar do capital social de outros empreendimentos privados Fl. 3377DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 9101001.883 CSRF‐T1 Fl. 11 6 de geração de energia, incorrendo nesta última parte em vantagem não extensível às empresas privadas. Desta feita, necessário se faz a seguinte distinção: Quaisquer ingressos auferidos na condição de longa manus do Estado, que são totalmente reinvestidos nas obras ou serviços de eletricidade por força do artigo 4° da Lei n° 2.547/77 do Município de Poços de Caldas, são protegidos pela imunidade, além de não representarem qualquer acréscimo patrimonial. Significa dizer que tais recursos não são disponíveis à Embargante, não se caracterizando atividade econômica ou disponibilidade. Por outro lado, aos resultados positivos obtidos em outras atividades econômicas desenvolvidas pela embargante que podem ser a ela disponibilizados, porquanto se revestem em tese da mesma natureza e função que as receitas auferidas por uma empresa privada, é aplicável a regra do artigo 150, §3° da Constituição Federal. Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos e doulhes PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a contradição e consequente omissão incorrida no acórdão embargado, ratificando e retificando o acórdão recorrido para votar no sentido de que os ingressos auferidos na condição de longa manus do Estado, por não serem disponíveis e não se tratar de atividade econômica, estão abrangidos pela imunidade tributária, devendo submeterse à tributação as receitas relacionadas às participações em outras empresas, auferidas pela embargante. Sala das sessões em, 19 de março de 2014 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 3378DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003982/2008-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1996 a 31/12/1998
AFERIÇÃO INDIRETA
A constatação de que a contabilidade não registra o movimento real do faturamento, do lucro e de remuneração dos segurados a serviço da empresa, enseja a aferição indireta das contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
O valor da remuneração da mão-de-obra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo.
ERROS CONTABILIDADE POSTERIOR AO LANÇAMENTO.
Não pode a autuação ser baseada em ofício do Ministério Público do Trabalho de uma localidade, extensivo a demais filiais, mormente em sendo erro pontual e, sobretudo, em data posterior ao lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-003.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido aos equívocos na contabilidade terem ocorrido em período posterior ao da aferição, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso..
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Correa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1996 a 31/12/1998 AFERIÇÃO INDIRETA A constatação de que a contabilidade não registra o movimento real do faturamento, do lucro e de remuneração dos segurados a serviço da empresa, enseja a aferição indireta das contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O valor da remuneração da mão-de-obra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo. ERROS CONTABILIDADE POSTERIOR AO LANÇAMENTO. Não pode a autuação ser baseada em ofício do Ministério Público do Trabalho de uma localidade, extensivo a demais filiais, mormente em sendo erro pontual e, sobretudo, em data posterior ao lançamento. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 18050.003982/2008-27
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5358610
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.950
nome_arquivo_s : Decisao_18050003982200827.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 18050003982200827_5358610.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido aos equívocos na contabilidade terem ocorrido em período posterior ao da aferição, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso.. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros - Relator. (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5515888
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814894063616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2151; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 548 1 547 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.003982/200827 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.950 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2014 Matéria AFERIÇÃO INDIRETA Recorrente TELENGE TELECOMUNICAÇÕES E ENGENHARIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1996 a 31/12/1998 AFERIÇÃO INDIRETA A constatação de que a contabilidade não registra o movimento real do faturamento, do lucro e de remuneração dos segurados a serviço da empresa, enseja a aferição indireta das contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo. ERROS CONTABILIDADE POSTERIOR AO LANÇAMENTO. Não pode a autuação ser baseada em ofício do Ministério Público do Trabalho de uma localidade, extensivo a demais filiais, mormente em sendo erro pontual e, sobretudo, em data posterior ao lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido aos equívocos na contabilidade terem ocorrido em período posterior ao da aferição, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso.. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 39 82 /2 00 8- 27 Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18050.003982/200827 Acórdão n.º 2301003.950 S2C3T1 Fl. 549 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls. 139), o crédito constante do lançamento foi obtido com base no valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, por aferição indireta, de acordo com os percentuais mínimos estabelecidos no item VII, 51, da OS 209/99, c/c artigos 53, 54 e 55, da IN 18/2000. A autoridade notificante informa que a empresa paga horas extras a seus empregados “por fora” da folha de pagamento, e não registra tais pagamentos em sua contabilidade, deixando de lançar, por tanto, em títulos próprios de sua contabilidade, o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, infringindo, dessa forma, o art. 32, II, da Lei 8.212/91 e o art. 225, II, parágrafo 13, do Decreto 3.048/99. A notificada apresentou defesa e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, nos termos do Despacho de fls. 290, resultando na emissão do Relatório Fiscal Complementar de fls. 334, por meio do qual a autoridade fiscal discute cada argumento trazido na impugnação, e conclui por acatar parte das razões trazidas pela notificada e por retificar o débito. Por meio DecisãoNotificação nº 04401.4/817/2002 (fls. 351), o INSS julgou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD procedente em parte, acatando o parecer retificador da fiscalização e a recorrente, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fls.368), alegando, em síntese, o que se segue. Insurgese contra o procedimento de aferição indireta adotado na apuração do débito, alegando que a fiscalização preferiu desconsiderar todos os livros e documentos disponibilizados e simplesmente somar todas as notas fiscais de serviço, abatendo as guias pagas, tendo sido apenas este o trabalho da fiscalização, que culminou na lavratura de 13 notificações, em diversos Estados da Federação. Questiona que fato tão grave teria acontecido para que as autoridades autuantes desprezassem a contabilidade da notificada e preferissem o extremo caminho do arbitramento e aponta como motivo para tanto o ofício remetido pelo Ministério Público do Trabalho do Paraná, de onde os autuantes retiraram alguns fatos que foram decisivos para que ao final optassem pelo arbitramento, quais sejam, a existência de recibos paralelos do pagamento de horas extras e cartões de ponto sem o registro das horas extras realizadas. Estranha o fato de que tenha sido apenas essa motivação, envolvendo apenas o período de 04/1999 e 01/2000, que levou a fiscalização a optar por um arbitramento de todos os empregados da notificada, incluindo mais outros 05 municípios, e abrangendo um período muito superior ao das apontadas irregularidades, ao invés de simplesmente cobrar da notificada as eventuais contribuições que não teriam sido pagas. Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Entende que notificação não pode subsistir, visto que é totalmente ilegal e injusta, entestando inclusive com a orientação solidificada do próprio INSS, conforme se verifica da IN no 70/2002, art. 58, § 2°, refletida em reiteradas decisões de primeira e segunda instâncias, sem falar da copiosa jurisprudência dos Tribunais a respeito do Tema. Transcreve afirmação feita pelos agentes autuantes nos autos do AI 35.159.1087, no sentido de que a autuada recolheu e declarou em GFIP, antes do início da ação fiscal em curso, os valores referentes às horas extras pagas e informa que junta aos autos, para que se possa avaliar a injustiça do arbitramento, cópias de várias inspeções do Ministério do Trabalho em seu estabelecimento matriz, em Salvador, onde nenhuma irregularidade foi encontrada. Registra que o próprio Procurador do Trabalho, que liderou a inspeção de Curitiba, informou que o procedimento investigatório limitase àquela filial, o que torna flagrante o excesso cometido pelos autuantes, que resolveram estender as conclusões da fiscalização em Curitiba para os outros estabelecimentos, mesmo sabendo que em nenhum deles foi constatada qualquer irregularidade. Sustenta que não ocorrera nenhuma das hipóteses que autorizam o arbitramento, contidas no art. 148 do CTN e que, de acordo com a ON 02/95, que uniformizou o conteúdo do Relatório Fiscal integrante das NFLD, em seu item 4.4.8, quando se refere à aferição indireta (arbitramento), determina que o FCP "deverá apresentar, de forma pormenorizada, a justificativa da aferição, com caracterização da ausência dos elementos solicitados, da insuficiência ou da não aceitação dos apresentados". Ressalta que, no caso sob exame, não houve "ausência dos elementos solicitados" ou mesmo "insuficiência" ou "não aceitação dos apresentados", pois tudo foi apresentado à fiscalização do INSS e, mesmo as apontadas irregularidades encontradas pela inspeção da Procuradoria do Trabalho, no Paraná, já estavam regularizadas quando da fiscalização do INSS. Aponta alguns equívocos materiais que, segundo entende, foram cometidos na apuração do débito, discordando da forma utilizada para a aferição, argumentando que a IN 18/2000 citada no relatório fiscal é aplicável exclusivamente para obra de construção civil, o que não é o caso dos serviços prestados pela recorrente, que é uma "fornecedora de serviços de implantação, instalação, montagem e reparos no sistema de telecomunicações”, conforme comprova o próprio CNPJ da notificada, que faz constar o código da atividade econômica principal como sendo o de n° 64.203/06, correspondente a "Serviço de Manutenção de Redes de Telecomunicações”. Assevera que houve inúmeros equívocos nos lançamentos das NFLDs, com valores equivocados das notas fiscais e guias de recolhimentos, e a notificada, para comprovar, elencou, um a um, os apontados equívocos do lançamento, separandoos por NFLD, sendo que neste ponto teve a sua defesa acolhida pela instancia anterior, que reduziu o débito em algumas das NFLDs, mantendo, no entanto, o vergonhoso arbitramento, injustificadamente. Reitera que não se justificaria a adoção do temerário arbitramento, que é uma medida extrema, a ser utilizada em último caso, quando forem "omissos ou não mereçam fé as declarações ou esclarecimentos prestados, ou os documentos expendidos pelo sujeito passivo" , nos exatos termos do art. 148 do CTN. Colaciona alguns julgados administrativos e judiciais sobre o tema, afirmando ser importante essa avaliação pois, se a notificada não obtiver êxito na instância Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18050.003982/200827 Acórdão n.º 2301003.950 S2C3T1 Fl. 550 5 administrativa, recorrerá ao judiciário, onde é certa sua vitória, o que acarretará a condenação do INSS a pagar os honorários de sucumbência, sendo que os julgadores deverão levar em conta este fato, uma vez que poderão serem responsabilizados no futuro. Cita a IN 70/2002 que, em seu art. 58, § 2o, dispõe que "somente será aferida indiretamente a base de cálculo de contribuição referente ao período no qual ocorreu qualquer das hipóteses previstas nos incisos I a II e IV", sendo, portanto, ilegal a ampliação do tempo, como acabou ocorrendo. Finaliza requerendo que seja acolhida a irresignação, para afastar o ilegal, injusto e temerário arbitramento, por violar os mais básicos direitos da defendente. O INSS, por meio do ContraRazões, manteve a decisão recorrida e a 2a CAJ do CRPS, por meio do Acórdão 399 (fls. 429), decidiu, por unanimidade, anular a decisão de primeira instância, para que fosse dada ciência, ao contribuinte, do resultado da diligência realizada após a impugnação. Devidamente cientificada do Acórdão do CRPS e do pronunciamento da fiscalização, a recorrente se manifestou às fls. 441 e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio DecisãoNotificação nº 04401.4/0330/2006 (fls. 474), julgou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD procedente em parte, mantendo a retificação feita anteriormente. Inconformada com a nova decisão, a notificada apresentou recurso (fls.502), repetindo basicamente as alegações já trazidas em suas manifestações anteriores. Em relação às alegações trazidas pela autoridade julgadora de primeira instância, anota que, no caso dos autos, ao contrário do alegado, não houve, "em tese", sonegação de contribuição previdenciária., uma vez que, como foi consignado pelos próprios autuantes, a recorrente, antes do inicio da ação fiscal, declarou em GFIP os valores referentes às horas extras pagas, recolhendo em GPS os valores devidos à Previdência Social. Observa que o eventual equívoco cometido pela recorrente não ensejou prejuízo ao erário, na medida em que o tributo devido foi declarado, confessado e recolhido, com a devida atualização monetária, antes mesmo do início da ação fiscal. Argumenta que os princípios da contabilidade citados na decisão recorrida, previstos na Resolução CFC n° 750/93, não são suficientes para fundamentar a medida extrema do arbitramento, pois, de uma leitura atenta dos artigos 6°, 7° e 9° da predita Resolução, que correspondem aos princípios da oportunidade, do lançamento pelo valor original e da competência, respectivamente, permite concluir que eles sequer tratam da matéria específica em discussão nos autos, exatamente porque, sendo gerais e abstratos, servem para conduzir e orientar o profissional da contabilidade. Qualifica de falsa e contraditória à própria normatização do INSS a premissa do julgador monocrático de que a contabilidade é uma entidade integral, não sendo possível uma limitação temporal ou especial da desconsideração da escrita contábil, uma vez que a IN 70/02 do próprio INSS estabelece que somente será aferida a base de cálculo de contribuição referente ao período no qual ocorreu qualquer das hipóteses previstas nos incisos I, II e IV. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Sobre a alegação de que tal normativo é inaplicável ao caso, argumenta que o art. 106, do CTN, permite a retroatividade benigna quando se trata de uma norma meramente interpretativa, e insiste na ilegalidade do arbitramento e, após reiterar alegações trazidas nas manifestações anteriores, finaliza solicitando que seja acolhido o recurso e afastada a notificação formalizada. Na tentativa de comprovar a ilegalidade do lançamento, destaca que a NFLD 35.159.1060, lavrada na mesma ação fiscal, foi julgada nula pelo então CRPS, que entendeu, na ocasião, que a aferição indireta realizada feriu frontalmente o art. 148, do CTN, e os arts 33 e 37, da Lei 8.212/91. Requer que seja aplicado o mesmo entendimento ao presente caso, no qual se verifica situação idêntica àquela julgada anteriormente, e que seja julgada nula a NFLD 35.159.0951, para afastar o ilegal arbitramento. É o relatório. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18050.003982/200827 Acórdão n.º 2301003.950 S2C3T1 Fl. 551 7 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, verificase que a recorrente tenta demonstrar que o procedimento de aferição indireta realizado pela fiscalização é descabido, e que a notificação é ilegal e injusta, não podendo subsistir. Porém, a fiscalização constatou que a empresa remunerava segurados empregados com o pagamento de horas extras e não registrava, em sua contabilidade, tais pagamentos. Portanto, foi constatado, do exame da Escrituração Contábil da empresa, que a notificada não registrou o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço e da receita, nos Livros Contábeis de 1999 e 2000, ensejando, dessa forma, o arbitramento do débito, com base nas notas fiscais de serviço, e a aferição indireta em conformidade com o artigo 33, §§ 3o , 4o, e 6o, da Lei 8.212/91. A notificada alega que recolheu e declarou em GFIP, antes do início da ação fiscal em curso, os valores referentes às horas extras pagas e informa que junta aos autos, para que se possa avaliar a injustiça do arbitramento, cópias de várias inspeções do Ministério do Trabalho em seu estabelecimento matriz, em Salvador, onde nenhuma irregularidade foi encontrada. Ocorre que o débito não foi arbitrado pelo fato de a empresa não ter pago ou informado as contribuições devidas incidentes sobre as horas extras em GFIP, mas sim por não terem esses pagamentos sido registrados nos Livros Contábeis da recorrente, o que prova que a contabilidade não espelha a realidade econômicofinanceira ou o valor real da mão de obra a serviço da notificada. A recorrente estranha o fato de que, apesar de as irregularidades constatadas envolverem apenas o período de 04/1999 e 01/2000 e apenas a filial de Curitiba, a fiscalização optou por um arbitramento de todos os empregados da notificada, incluindo mais outros 05 municípios, e abrangendo um período muito superior ao das apontadas irregularidades, ao invés de simplesmente cobrar da notificada as eventuais contribuições que não teriam sido pagas. Todavia, conforme esclarecido na decisão recorrida, a contabilidade da empresa é centralizada, não estando segregada por CNPJ, e a existência de pagamentos de remuneração realizados nos exercícios fiscais de 1999 e 2000 e não contabilizados nos Livros Diários dos respectivos exercícios demonstra que a contabilidade da empresa não merece fé, já que os lançamentos não atendem aos princípios contábeis, não havendo que se falar em limitação temporal ou espacial, o que justifica a utilização do lançamento arbitrado, nos termos do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 A recorrente sustenta que não ocorrera nenhuma das hipóteses que autorizam o arbitramento, contidas no art. 148 do CTN e que não foi observado o disposto na ON 02/95, que determina que o FCP "deverá apresentar, de forma pormenorizada, a justificativa da aferição, com caracterização da ausência dos elementos solicitados, da insuficiência ou da não aceitação dos apresentados", ressaltando que, no caso sob exame, não houve "ausência dos elementos solicitados" ou mesmo "insuficiência" ou "não aceitação dos apresentados", pois tudo foi apresentado à fiscalização do INSS e, mesmo as apontadas irregularidades encontradas pela inspeção da Procuradoria do Trabalho, no Paraná, já estavam regularizadas quando da fiscalização do INSS. Contudo, no caso das contribuições previdenciárias, a base de cálculo é a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, ou seja, é o valor da mão de obra. O art. 148, do CTN, tantas vezes utilizados na argumentação da recorrente, estabelece que “Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tem em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” No caso dos autos, o fato de a empresa não declarar, em sua contabilidade, todo o valor da mão de obra utilizada na prestação dos serviços, demonstra que não merecem fé os seus Livros contábeis, que são documentos expedidos pelo sujeito passivo. E o AFPS, cuja atividade é vinculada aos ditames legais, ao constatar que a contabilidade da recorrente não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa, por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, agiu em conformidade com os ditames legais e apurou corretamente o débito por aferição indireta, mediante a aplicação dos percentuais previstos na legislação, sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviços. Portanto, ao contrário do que afirma a recorrente, observase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Assim, ao apresentar documentos que não registram o movimento real de remuneração, a recorrente não deu outra alternativa à auditoria fiscal a não ser arbitrar o débito, conforme determina o § 3º, art. 33, da Lei 8.212/91, aplicando os percentuais previstos na legislação vigente à época. Cumpre observar que os percentuais utilizados pela fiscalização para apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária são aqueles estabelecidos nos Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18050.003982/200827 Acórdão n.º 2301003.950 S2C3T1 Fl. 552 9 normativos vigentes à época, quais sejam, OS 51/92, OS 83/93, confirmados posteriormente pelas OS 203/99 e 209/99, qual seja, 40% sobre o valor total da nota fiscal de serviços. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, o agente fiscal, ao constatar tal situação, agiu corretamente arbitrando o débito e lavrando a presente NFLD, em estrita observância aos ditames legais. Ademais, segundo nos ensina Hely Lopes Meirelles: “Na Administração Pública, não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular, significa ‘pode fazer assim’; para o administrador público significa ‘deve fazer assim’.” (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991. 16ª ed. Atual. Pela Constituição de 1988, 2ª tiragem, p. 78). Assim, o Fiscal notificante aferiu o débito, consoante normativos legais vigentes à época do lançamento. Quanto ao argumento de que deveria ser aplicado o critério estabelecido pela IN 70/2002, ou seja, em normativo posterior à ocorrência do fato gerador, e que o art. 106, do CTN, permite a retroatividade benigna quando se trata de uma norma meramente interpretativa, cumpre observar que as Instruções Normativas não é uma lei. A expressão "legislação tributária", segundo art. 96 do CTN, compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. O CTN dispõe sobre a aplicação da legislação tributária no art. 105: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do art. 116. E, conforme art. 106, é a lei que se aplica a ato ou fato pretérito, e não a legislação. No CTN, o legislador utiliza, em várias oportunidades, a expressão legislação tributária. Porém, no que tange à retroatividade expressa no art. 106, o legislador expressamente utilizou a palavra lei. Segundo lição de Hugo de Brito Machado: “No Código Tributário Nacional, a palavra lei é utilizada em seu sentido restrito, significando regra jurídica de caráter geral e abstrato, emanada do Poder ao qual a Constituição atribuiu competência legislativa, com observância das regras constitucionais pertinentes à elaboração das leis. Só é lei, portanto, no sentido em que a palavra é empregada no Código Tributário Nacional, a norma jurídica elaborada pelo Poder competente para legislar, nos termos da Constituição, observado o processo nela estabelecido” (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário – Ed. Malheiros – São Paulo – 19ª Edição – 2001 – pág. 6566) Portanto, entendo que não cabe retroação da IN, como quer a Notificada. Em relação ao entendimento de que o eventual equívoco cometido pela recorrente não ensejou prejuízo ao erário, na medida em que o tributo devido foi declarado, confessado e recolhido, com a devida atualização monetária, antes mesmo do início da ação Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 fiscal, mister lembrar que o descumprimento de obrigações legais, sejam elas acessórias ou principais, sempre prejudica o erário, e é com o objetivo do melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta. VOTO por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18050.003982/200827 Acórdão n.º 2301003.950 S2C3T1 Fl. 553 11 Voto Vencedor Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, Redator Designado Peço vênia à perfulgente Relatora, em que pese sua notória sapiência, mas dela divirjo no presente voto, conforme exposto abaixo. ERROS NA CONTABILIDADE POSTERIOR À AFERIÇÃO O lançamento foi apurado e realizado por meio de aferição indireta, com base no valor bruto das notas fiscais de serviço, implicando em desconsiderar todos os livros e documentos disponibilizados pela Recorrente. O arbitramento foi realizado, segundo informa a fiscalização em razão de que durante a ação fiscal na empresa foi examinado um ofício exarado e emitido pelo Ministério Público do Paraná, onde constatou a fiscalização a existência de recibos paralelos de pagamento de horas extraordinárias, e cartões de ponto sem o registro de horas extras realizadas, bem como cópias de recibos de horas extras sem a incidência de encargos sociais, mas apenas na filial do Paraná, no período de abril de 1999 e janeiro de 2000. Vejo como incorreto está o procedimento fiscal, eis que a autoridade fiscal motivou o lançamento extensivo as demais filiais, com fulcro num ofício do MPT do Paraná, onde houve a averiguação de um erro contábil pontual, dito como excepcional, em período posterior ao do lançamento. CONCLUSÃO Concluo, portanto, que estando regular o Remédio Recursivo, dele conheço para no mérito DARLHE PROVIMENTO, eis que os equívocos na contabilidade cometidos pela Recorrente não podem fulcrar o lançamento em razão de os mesmos serem posteriores ao lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa – Redator Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904411/2012-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10930.904411/2012-71
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350491
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-004.761
nome_arquivo_s : Decisao_10930904411201271.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10930904411201271_5350491.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5465952
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814903500800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904411/201271 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803004.761 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 11 /2 01 2- 71 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904411/201271 Acórdão n.º 3803004.761 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904411/201271 Acórdão n.º 3803004.761 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904411/201271 Acórdão n.º 3803004.761 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918358/2012-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.918358/2012-14
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5358570
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.505
nome_arquivo_s : Decisao_11080918358201214.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080918358201214_5358570.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5515410
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814908743680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.918358/201214 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.505 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente ELIPSE SOFTWARE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 58 /2 01 2- 14 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918358/201214 Acórdão n.º 3801003.505 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918358/201214 Acórdão n.º 3801003.505 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918358/201214 Acórdão n.º 3801003.505 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918358/201214 Acórdão n.º 3801003.505 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da COFINS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918358/201214 Acórdão n.º 3801003.505 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.721030/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2009
MULTA - INFRAÇÃO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA - PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E TIPICIDADE FECHADA - ATIPICIDADE DA CONDUTA.
Em obediência aos princípios da legalidade e tipicidade fechada, inerentes ao ramo do Direito Tributário, a Administração somente pode impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência da multa, ou seja, sua descrição típica, justificando-se a aplicação de sanção administrativa quando tipificada a conduta prevista em lei como infração. Precedentes do STJ.
Numero da decisão: 3402-002.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
Presidente
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Monica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Luiz Carlos Simoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2009 MULTA - INFRAÇÃO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA - PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E TIPICIDADE FECHADA - ATIPICIDADE DA CONDUTA. Em obediência aos princípios da legalidade e tipicidade fechada, inerentes ao ramo do Direito Tributário, a Administração somente pode impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência da multa, ou seja, sua descrição típica, justificando-se a aplicação de sanção administrativa quando tipificada a conduta prevista em lei como infração. Precedentes do STJ.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10380.721030/2010-60
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352164
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3402-002.347
nome_arquivo_s : Decisao_10380721030201060.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
nome_arquivo_pdf_s : 10380721030201060_5352164.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator. SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Monica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Luiz Carlos Simoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5483233
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814933909504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2308; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.721030/201060 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.347 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2014 Matéria IPI OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SISTEMA MEDIDOR DE VAZÃO MULTA REGULAMENTAR Recorrente FREVO BRASIL INDÚSTRIA DE BEBIDAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2009 IPI INDÚSTRIA DE BEBIDAS SISTEMA DE CONTROLE DE PRODUÇÃO DE. BEBIDAS (SICOBE) MULTA REGULAMENTAR FALTA OU RETARDAMENTO CULPOSO NA INSTALAÇÃO DE EQUIPAMENTOS TIPICIDADE DA CONDUTA. A lei somente autoriza a aplicação da severa multa de 50% sobre valor comercial da mercadoria produzida, prevista para a infração à obrigação de instalação de equipamentos contadores de produção de bebidas (MP nº 2.158 35/01), na comprovada ocorrência das hipóteses de retardamento culposo ou falta definitiva na instalação dos equipamentos imputáveis ao fabricante de bebidas, ocorrentes no caso, assim configurandose a tipicidade da conduta da Recorrente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2009 MULTA INFRAÇÃO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E TIPICIDADE FECHADA ATIPICIDADE DA CONDUTA. Em obediência aos princípios da legalidade e tipicidade fechada, inerentes ao ramo do Direito Tributário, a Administração somente pode impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência da multa, ou seja, sua descrição típica, justificandose a aplicação de sanção administrativa quando tipificada a conduta prevista em lei como infração. Precedentes do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 10 30 /2 01 0- 60 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso nos termos do voto do relator. SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Monica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Luiz Carlos Simoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 495/ 509) contra o Acórdão DRJ/BEL nº 0122.489 de 02/08/11 constante de fls. 483/489 exarado pela 3ª Turma da DRJ de Belém PA que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente a impugnação” mantendo integralmente o lançamento” original de Multa consubstanciado no Auto de Infração (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico MPF nº 0310100/00900/09), notificado em 30/02/10 (fls. 04), no valor total de R$ 15.466.410,07, que acusou o ora Recorrente de “não instalação do Sistema de Controle de Bebidas (SICOBE), no período de 10/10/06 a 30/06/09, razão pela qual se lhe aplicou a multa de 100% do valor das mercadorias capitulada no art. 36 a 38 da MP n° 2.15835/01 e art. 5° da Lei nº 11.051/04 nos seguintes termos: “001 MULTAS PROPORCIONAIS AO VALOR DA MERCADORIA NAO INSTALAÇÃO/FUNCIONAMENTO INADEQUADO DE MEDIDORES DE VAZÃO E CONDUTIVIMETROS O estabelecimento industrial é envasador de refrigerantes, bebida classificada na posição 2202 da Tabela de Produtos Industrializados TIPI. Possui 01 (uma) linha de produção instalada, com capacidade nominal de enchimento de 25.344.000 litros por ano, dado informado pelo contribuinte em atendimento ao nosso Termo de Início de Ação Fiscal. Além disso, a matriz da empresa, localizada em RecifePE, dispõe de outras 04 (quatro) enchedoras de cerveja e/ou refrigerante em situação normal de operação, com capacidade instalada aproximada de 230.000.000 de litros por ano, conforme Termo de Constatação Fiscal relativo à ação fiscal objeto do MPF n.° 0410100/00034/2009 (em anexo). Fl. 519DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10380.721030/201060 Acórdão n.º 3402002.347 S3C4T2 Fl. 3 3 A Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dispõe, em seu art. 36, que os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI ficam sujeitos à instalação de equipamentos medidores de Vazão e de condutividade, bem como de aparelhos para controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A mesma MP, em seu art. 38, estabelece que, a cada período de apuração do imposto, poderá ser aplicada multa de cinquenta por cento do valor comercial das mercadorias produzidas, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), se, a partir do décimo dia subsequente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 36 não tiverem sido instalados em razão de impedimento criado pelo contribuinte. Em 20 de dezembro de 2002 foi publicada a Instrução Normativa SRF n° 265 (posteriormente revogada pela IN SRF n° 587/2005), que determinava, em seu art. 2°, parágrafo 2°, que os estabelecimentos industriais dos produtos classificados Nas posições 2202 e 2203 da TIPI estão obrigados, ao uso dos equipamentos acima referidos, que compõem o sistema de Medição de Vazão (SMV), no prazo de 06 (seis) meses contados a partir da primeira homologação e credenciamento dos equipamentos e respectivos fabricantes, efetuada pela CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis), por intermédio de Ato Declaratório Executivo (ADE) publicado no Diário Oficial da União (DOU). O Ato Declaratório Executivo Cofis n° 7, de 20 de maio de 2004, em seu art. 18, dispôs que os estabelecimentos industriais envasadores sujeitos à instalação e operação do Sistema de Medição de Vazão (SMV) deverão apresentar, para cada enchedora, o pedido de homologação do sistema, indicando a empresa integradora credenciada pela SRF. Em 13 de março de 2006 foi publicado o Ato declaratório Executivo Cofis n° 13, que revogou o ADE Cofis n° 7/2004 e estabeleceu prazos para a instalação do SMV nas indústrias envasadoras de refrigerantes, prazos esses alterados posteriormente pelo ADE Cofis n° 23, de 23 de setembro de 2007. Registrese que os prazos foram fixados em função da capacidade instalada de produção anual da pessoa jurídica e tal capacidade foi definida como o somatório das capacidades nominais de envasamento de todas as enchedoras de cervejas e refrigerantes dos estabelecimento industriais envasadores da pessoa jurídica. Sendo o contribuinte fiscalizado estabelecimento industrial envasador de refrigerantes e sendo a capacidade instalada de produção anual da pessoa jurídica superior a 200.000.000 de litros, de acordo com a forma de cálculo estabelecida pelo ADE Cofis n° 13, estava o mesmo obrigado à instalação do SMV em sua enchedora até 30 de setembro de 2006, por força do ADE Cofis n° 13/2004. Ocorre que o sujeito passivo, até a presente data, ainda não formalizou o pedido de homologação do Sistema de Medição de Vazão. Dessa forma, lavramos o presente Auto de Infração Fl. 520DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 4 para aplicação da multa regulamentar prevista no art. 38, inciso I, da MP 2.15835/2001, que corresponde a 50% do valor comercial das mercadorias produzidas no período compreendido entre 1° de outubro de 2006 e 30 de junho de 2009 (final do período determinado para esta fiscalização), conforme planilha em anexo. Os dados que serviram de base para apuração da multa foram obtidos dos relatórios de Registro da Produção Diária e de planilhas, todos disponibilizados pelo contribuinte. Data Ocorrência Valor Multa Regulamentar 10/10/2006 R$164.032,32 (...) 30/06/2009 R$483.244,84 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 36 a 38 da Medida Provisória n° 2.15835/01; Art. 5° da Lei n° 11.051/04”. Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 483/489 da 3ª Turma da DRJ de Belém PA houve por bem “julgar improcedente a impugnação”, mantendo integralmente o lançamento” original de Multa consubstanciado no Auto de Infração fls. 167/186 exarado pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP, houve por bem “julgar improcedente a impugnação” mantendo integralmente o lançamento” original de Multa aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2009 SISTEMA MEDIDOR DE VAZÃO. Os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI ficam sujeitos à instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivímetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos estabelecidos pela Receita Federal. Para fins de definição dos prazos para instalação dos SMV, considerase, para determinação da capacidade instalada de produção anual, o somatório das capacidades nominais de envasamento de todas as enchedoras de cervejas e refrigerantes, classificados nas posições 2203 e 2202 da Tipi, dos estabelecimentos industriais envasadores da pessoa jurídica e das coligadas, controladas e controladoras, em litros por hora, multiplicado por 5.694 (cinco mil e seiscentos e noventa e quatro) horas por ano. FALTA DE INSTALAÇÃO DO SMV EM FUNÇÃO DE Fl. 521DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10380.721030/201060 Acórdão n.º 3402002.347 S3C4T2 Fl. 4 5 IMPEDIMENTOCRIADOPELAEMPRESA. O impedimento que desoneraria o contribuinte da aplicação da multa poderia ser, p. ex., de ordem técnica, ou decorrente de caso fortuito ou força maior, mas jamais atribuído exclusivamente ao próprio contribuinte, como seria o caso em que foi demonstrada a sua inércia diante da obrigação acessória instituída em favor do Fisco federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em suas razões de Recurso Voluntário (fls. 495/ 509) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1ª instância que a manteve, tendo em vista: a) preliminarmente a nulidade do lançamento por nulidade por cerceamento ao direito de defesa, vez que não lhe teria sido notificada do MPF n°. 0310100/00900/09 nem da conclusão do levantamento fiscal, além de suposta ausência de provas da acusação fiscal; b) no mérito, que muito embora a Recorrente “não deixou de cumprir com seus deveres fiscais, recolhendo todos os tributos devidos. Ou seja, a possível não homologação (ou a não instalação do SMV) não gerou prejuízos ao erário, nem mesmo serviu para o Contribuinte deixar de recolher devidamente seus impostos, uma vez que a não instalação do SMV somente ocorrera por impossibilidade temporária da empresa Autuada” em face “dos elevados custos inerentes a instalação de tais equipamentos impossíveis de serem custeados pela empresa Autuada”; c) a inconstitucionalidade da multa em face dos princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade; d) reitera a necessidade de perícia rejeitada pela r. decisão recorrida eis que “a Autuada adéquase ao disposto no art. 1°, II do ADE n°. 23, de setembro de 2007, pelo qual o Contribuinte cuja capacidade instalada de produção anual seja superior a 30 (trinta) milhões e igual ou inferior a 200 (duzentos) milhões de litros, teria o prazo de até 30 de junho de 2008 para efetuar a instalação; d) finalmente reitera a inocorrência de qualquer dano ao erário e que a impossibilidade da instalação do Sistema de Medição de Vazão – SMV, não foi causa de nenhum descumprimento de obrigação principal, não podendo ser entendida como responsabilidade objetiva desta empresa ora autuada. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário reúne as condições de admissibilidade e, no mérito não merece ser provido. Inicialmente rejeito as preliminares de cerceamento de defesa bem repelidaas pela r. decisão recorrida cujos fundamentos adoto como razões de decidir. A par da discussão sobre a constitucionalidade da multa, que não pode ser editada em sede administrativa restrita ao exame da legalidade, releva notar que cumprindo sua Fl. 522DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 6 vocação constitucional de estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação tributária (art. 146, inc. III, alínea “b” da CF/88), a Lei Complementar faz clara distinção entre a obrigação tributária principal ou substancial (de dar), que tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art. 113, §1º do CTN), e as obrigações tributárias acessórias (de fazer e não fazer), que são instituídas por lei “no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos” (arts. 113, §§ 2º e 3º e 115 do CTN) com a finalidade exclusiva de tutelar o cumprimento da obrigação principal. Da mesma forma, conforme o tipo de obrigação tributária violada e a gravidade do dano dela decorrente, distinguemse claramente as infrações tributárias substanciais das infrações tributárias formais, configurandose as primeiras (infrações substanciais), quando um dos sujeitos da relação jurídicotributária (contribuinte ou responsáveis) violar ou deixar de cumprir a obrigação tributária principal, resultando em falta ou insuficiência do pagamento do tributo, e as segundas (infrações formais), quando o sujeito da relação jurídicotributária violar ou deixar de cumprir uma das obrigações tributárias acessórias instituídas para tutelar o cumprimento da obrigação tributária principal, geralmente consubstanciadas no cumprimento de requisitos e formalidades na emissão de declarações, livros e documentos fiscais, que possibilitam a fiscalização e controles de arrecadação do tributo. No caso cogitase de multa prevista para a infração à obrigação acessória, sem falta de recolhimento do tributo. Como é curial, consectário lógico do Princípio da Legalidade Penal, o Princípio da Tipicidade exige, não só que as condutas puníveis e as respectivas sanções delas decorrentes, sejam prévia e exaustivamente tipificadas pela lei, mas que a punibilidade de uma conduta somente se dê quando ocorra sua adequação exata ao tipo legal, sendo vedada a invocação de analogias, presunções, deduções e outras circunstâncias análogas mencionadas em outras leis distintas, não previstas expressamente na descrição da lei penal especifica que define a infração e a sanção. Em decorrência do aludido princípio incorporado ao Direito Tributário sancionatório, a obrigação tributária que tem por objeto penalidade pecuniária, somente surge com a ocorrência do fato gerador previsto em lei, e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente (arts. 97, inc. V, 113, § 1º e 114 do CTN), sendo incabível o emprego de analogia ou interpretação extensiva, para a instituição ou imputação de obrigação tributária (arts. 108, § 1º e 111, inc. III do CTN). Na aplicação do aludido princípio a Jurisprudência Administrativa já assentou que “a tipicidade cerrada do fato gerador e a estrita legalidade são impeditivas a interpretações da legislação para a efetivação ou sustentação de lançamento tributário em condições ou circunstâncias legais e expressamente não autorizadas, sendo, neste contexto, incabível o emprego de analogia (C.T.N., artigo 108, § 1º)” (cf. Ac. nº 10415653 da 4ª Câm. do 1º CC, rec. nº 113010, Proc. nº 10980.007402/9617, em sessão de 09/12/1997, Rel. Cons. Roberto William Gonçalves), assim como “incabível a aplicação de multa por analogia ou extensão” (cf. Ac. nº 30130351 da 1ª Câm. do 3º CC, Rec. nº 124733, Proc. nº 11128.001023/0068, em sessão de 17/09/2002, Rel. Cons. CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO) “visto que o agente fiscal não pode ter o arbítrio de subsumir o fatoespécie de infração a um gênero legal de tal amplitude” já que “a apenação não pode ser imputada por via analógica” (cf. Ac. 30128.458, de 23/07/97, do 3º CC DOU de 26/03/98). No mesmo sentido a Jurisprudência do E. STJ já assentou que “a utilização de analogias ou de interpretações ampliativas, em matéria de punição (...), longe de conferir ao administrado uma acusação transparente, pública, e legalmente justa, afronta o princípio da tipicidade, corolário do princípio da legalidade, segundo as máximas: nullum crimen nulla Fl. 523DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10380.721030/201060 Acórdão n.º 3402002.347 S3C4T2 Fl. 5 7 poena sine lege stricta e nullum crimen nulla poena sine lege certa, postura incompatível com o Estado Democrático de Direito.” (cf. Ac. da 5ª Turma do STJ no RMS 16264GO, Reg. nº 2003/00601654, em sessão de 21/03/06, Rel. Min. LAURITA VAZ, publ. in DJU de 02/05/06 p. 339) No caso concreto, consoante esclarece a r. decisão recorrida com base na legislação de regência: “5. A Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, determina, no que diz respeito ao medidores de vazão: “Art. 36. Os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI ficam sujeitos à instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivímetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro gravação dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. ........... Art.38. A cada período de apuração do imposto, poderão ser aplicadas as seguintes multas: I de cinqüenta por cento do valor comercial da mercadoria produzida, não inferior a R$10.000,00(dez mil reais): a) se, a partir do décimo dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 36 não tiverem sido instalados em razão de impedimento criado pelo contribuinte; e b) se o contribuinte não cumprir qualquer das condições a que se refere o §2º do art. 36; II no valor de R$10.000,00(dez mil reais), na hipótese de descumprimento do disposto no art. 37.”(grifouse) 6. Conforme delegação prevista no art. 36, a Receita Federal expediu ato normativo dispondo sobre a instalação dos equipamentos de vazão. No período objeto do lançamento encontravase em vigor a Instrução Normativa SRF n° 587, de 21 de dezembro de 2005, que prescrevia: “Art. 2º A CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis), por intermédio de Ato Declaratório Executivo (ADE), publicado no Diário Oficial da União(DOU), deverá estabelecer: I as condições de funcionamento e as características técnicas e de segurança do SMV; II os procedimentos relativos à instalação, verificação de conformidade, homologação e intervenção no SMV; Fl. 524DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 8 III os limites mínimos de produção ou faturamento, a partir do qual os estabelecimentos ficarão obrigados à instalação do SMV; IV os prazos nos quais os estabelecimentos industriais envasadores dos produtos classificados nas posições 2201 e 2202 da Tipi estarão obrigados instalação do SMV. §1º A homologação de que trata o inciso II do caput será efetuada pela Cofis, por intermédio de ADE publicado no DOU. .............”(grifouse) 7. Por sua vez, vigente no período em discussão, o ADE Cofis nº 13, de 13 de março de 2006, com alterações promovidas pelos ADE Cofis nº 23, de 12 de setembro de 2007, e nº 14, de 14 de abril de 2009, dispunha: “Art. 4º Os prazos para instalação do SMV pelas pessoas jurídicas fabricantes de refrigerantes obedecerão aos seguintes critérios: I – até 30 de setembro de 2006, para pessoas jurídicas cuja capacidade instalada de produção anual seja superior a 200 (duzentos) milhões de litros; II – até 30 de junho de 2008, para pessoas jurídicas cuja capacidade instalada de produção anual seja superior a 30 (trinta) milhões e igual ou inferior a 200 (duzentos) milhões de litros; (Redação dada pelo ADE Cofis n° 23, de 12 de setembro de 2007) III até 30 de junho de 2010, para as demais pessoas jurídicas obrigadas à instalação do SMV (Redação dada pelo Ato Declaratório COFIS nº 14, de 14 de abril de 2009.) §1º Para fins do disposto neste ADE, considerase, para determinação da capacidade instalada de produção anual, o somatório das capacidades nominais de envasamento de todas as enchedoras de cervejas e refrigerantes, classificados nas posições 2203 e 2202 da Tipi, dos estabelecimentos industriais envasadores da pessoa jurídica e das coligadas, controladas e controladoras, em litros por hora, multiplicado por 5.694 (cinco mil e seiscentos e noventa e quatro) horas por ano. §2º As pessoas jurídicas fabricantes de refrigerantes que deixaram de atender tempestivamente à exigência do art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 587, de 2005, deverão instalar o SMV no prazo de seis meses, contado da publicação deste ADE. Art. 5º Fica dispensada da instalação do SMV a pessoa jurídica cuja capacidade instalada de produção anual seja igual ou inferior a 5(cinco) milhões de litros, e que tenha auferido, no anocalendário de 2004, receita bruta igual ou inferior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais), considerados todos os seus estabelecimentos e os das pessoas jurídicas coligadas, controladas e controladoras. .......”(grifouse) Fl. 525DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10380.721030/201060 Acórdão n.º 3402002.347 S3C4T2 Fl. 6 9 8. Temse então que, na forma prevista pelo ADE acima transcrito, os prazos para a instalação do SMV foram definidos levandose em conta a “capacidade instalada de produção anual” das pessoas jurídicas, sendo que o §1º do art. 4º define expressamente que deverá ser considerado, para a determinação da referida capacidade instalada, o somatório das capacidades nominais de envasamento de todas as enchedoras, em litros por hora, multiplicado por 5.694 horas por ano. 9. Afastase, assim, a necessidade da perícia requerida, uma vez que o prazo definido na norma independia da real produção do estabelecimento. Extinção do Auto por erro na descrição e pela falta de provas. 10. Na contestada descrição dos fatos do Auto, o Fiscal responsável descreveu: “Sendo o contribuinte fiscalizado estabelecimento industrial envasador de refrigerantes e sendo a capacidade instalada de produção anual da pessoa jurídica superior a 200.000.000 de litros, de acordo com a forma de cálculo estabelecida pelo ADE Cofis n° 13, estava o mesmo obrigado à instalação do SMV em sua enchedora até 30 de setembro de 2006, por força do ADE Cofis n° 13/2004. Ocorre que o sujeito passivo, até a presente data, ainda não formalizou o pedido de homologação do Sistema de Medição de Vazão. Dessa forma, lavramos o presente Auto de Infração para aplicação da multa regulamentar prevista no art. 38, inciso I, da MP 2.15835/2001, que corresponde a 50% do valor comercial das mercadorias produzidas no período compreendido entre 1º de outubro de 2006 em 30 de junho de 2009 (final do período determinado para esta fiscalização), conforme planilha em anexo.”(grifouse) 10. Ora, vêse claramente que a autoridade fiscal lançou a multa em função do descumprimento do prazo para instalação do sistema, tal qual previsto na legislação, sendo a homologação um passo seguinte previsto no ADE/Cofis, não tendo razão a impugnante em sua contestação. 11. Relativamente ao argumento de que não teria ficado caracterizado o impedimento criado pela empresa, cumpre esclarecer que o próprio legislador já definiu, na norma instituidora da obrigação, a sua dispensa, a juízo exclusivo da Receita Federal, em função de limites de produção ou faturamento (art. 36, §1º, II), de modo a desonerar da obrigação aqueles contribuintes que os apresentassem abaixo desses limites, conforme art.5º do ADE acima transcrito. 12. Percebase que, enquanto a intenção do legislador foi controlar a produção, com claro desejo de combater a sonegação fiscal e, por via de conseqüência, obstar o desequilíbrio concorrencial no mercado de bebidas, a limitação referida, em função da produção ou do faturamento, pondo à margem da obrigação uma parcela de indústrias do setor, visou tornar efetivos os princípios da proporcionalidade e da Fl. 526DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 10 onerosidade excessiva, de forma, inclusive, a promover a observância do princípio da isonomia em matéria tributária, tratando desigualmente os contribuintes que se encontram em situação também desigual. 13. Assim, o impedimento que desoneraria o contribuinte da aplicação da multa poderia ser, p. ex., de ordem técnica, ou decorrente de caso fortuito ou força maior, mas jamais atribuído exclusivamente ao próprio contribuinte, como seria o caso em que foi demonstrada a sua inércia diante da obrigação acessória instituída em favor do Fisco federal.” Dos preceitos retro transcritos verificase que para a infração à obrigação de “instalação de equipamentos contadores de produção”, a lei somente autoriza a aplicação da severa multa de 50% sobre valor comercial da mercadoria produzida, na comprovada ocorrência de uma das duas condutas tipificadas e consubstanciadas, seja na hipótese de “impedimento criado pelo fabricante” na instalação dos equipamentos, assim considerado “qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento”, seja na hipótese de o fabricante definitivamente “não efetuar o controle de volume de produção”. No caso concreto desde logo verificase que ocorreu a hipótese de o fabricante definitivamente “não efetuar o controle de volume de produção”, pois cmo comprovou a d. Fiscalização “o sujeito passivo, até a presente data, ainda não formalizou o pedido de homologação do Sistema de Medição de Vazão”, sem indicar qualquer motivo que justificasse retardamento ou a omissão culposa que lhe foi imputado. Inserindose nas condutas tipificadas na norma capitulada na peça acusatória, não há como deixar de manter a exigência fiscal, ou justificar conduta diversa da estabelecida na lei pois como já assentou a Jurisprudência deste E. Conselho “a aplicação de penalidade depende da verificação suficiente e necessária do fato descrito como infracional, para que o ato a ele afrontoso permita a aplicação da penalidade cominada, em respeito ao princípio da tipicidade cerrada” (cf. Ac. nº CSRF/0201.845 da 2ª Turma da CSRF, Rec. nº 202099209, Proc. nº 10907.000178/9562, em sessão de 11/04/2005, rel. Cons. Rogério Gustavo Dreyer). Portanto, considerando que Recorrente praticou as condutas típicas (retardamento culposo e não instalação definitiva dos equipamentos de controle de produção) que justifica a aplicação da penalidade imposta, por tipicidade da conduta da Recorrente. Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para manter a r. decisão recorrida e as multas aplicadas no Auto de Infração vestibular, porque aplicadas na presença dos pressupostos legais. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de março de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 527DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10380.721030/201060 Acórdão n.º 3402002.347 S3C4T2 Fl. 7 11 Fl. 528DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001118/2001-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
Ementa:
DECISÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO EM JULGADO - O pedido de ressarcimento cujo objeto seja uma sentença judicial sem o trânsito em julgado, deverá ser indeferido, tendo em vista a carência do direito líquido e certo previsto na legislação. Por consequência, as compensações a ele vinculadas não poderão ser homologadas.
Numero da decisão: 3402-002.403
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso. Vencidos conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que votaram pelo sobrestamento do julgamento até o final da decisão judicial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça e Fenelon Moscoso de Almeida. Apresentará declaração de voto conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça.
Participaram, ainda, do presente julgamento, , os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça; Pedro Sousa Bispo (Suplente); Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 Ementa: DECISÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO EM JULGADO - O pedido de ressarcimento cujo objeto seja uma sentença judicial sem o trânsito em julgado, deverá ser indeferido, tendo em vista a carência do direito líquido e certo previsto na legislação. Por consequência, as compensações a ele vinculadas não poderão ser homologadas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13603.001118/2001-05
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366760
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3402-002.403
nome_arquivo_s : Decisao_13603001118200105.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13603001118200105_5366760.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso. Vencidos conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que votaram pelo sobrestamento do julgamento até o final da decisão judicial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça e Fenelon Moscoso de Almeida. Apresentará declaração de voto conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça. Participaram, ainda, do presente julgamento, , os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça; Pedro Sousa Bispo (Suplente); Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5560863
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814992629760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2021; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 204 1 203 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.001118/200105 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.403 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria Processo Administrativo Fiscal Recorrente EDITORA ALTEROSA LTDA Recorrida DRJ JUIS DE FORA (MG) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 Ementa: DECISÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO EM JULGADO O pedido de ressarcimento cujo objeto seja uma sentença judicial sem o trânsito em julgado, deverá ser indeferido, tendo em vista a carência do direito líquido e certo previsto na legislação. Por consequência, as compensações a ele vinculadas não poderão ser homologadas. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negouse provimento ao recurso. Vencidos conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que votaram pelo sobrestamento do julgamento até o final da decisão judicial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça e Fenelon Moscoso de Almeida. Apresentará declaração de voto conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça. Participaram, ainda, do presente julgamento, , os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça; Pedro Sousa Bispo (Suplente); Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 11 18 /2 00 1- 05 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 205 2 Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Versa o presente processo sobre Pedido de Ressarcimento do Saldo Credor do IPI acumulado ao final do trimestre 2º/2001, no valor de R$ 84.709,06, formalizado em 11/07/2001, com fulcro no art 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF nº 33/1999, cf. fls. 3/4. Vinculada ao pedido de ressarcimento formalizado por intermédio do presente processo administrativo foi(ram) transmitida(s), em 31/08/2004, 31/08/2004, a(s) DCOMP(s) nº 2058.71975.310804.1.3.010398 [fls. 66/69], 7464.67023.310804.1.3.010475 [fls. 70/73]. A solicitação foi inicialmente deferida [Despacho Decisório de fls. 74/76 de 05/12/2005, tomando por base o Termo de Verificação Fiscal lavrado pela Seção de Fiscalização [fls. 65] que propôs o deferimento integral do valor solicitado e a homologação da(s) DCOMP(s) 2058.71975.310804.1.3.010398, 7464.67023.310804.1.3.010475. Realizada a compensação e extinto o débito compensado foi o presente processo arquivado, conforme Extrato de Encerramento/Termo de Arquivamento de fls. 82/83, tendo sido depois desarquivado [fl. 84]. Posteriormente, em 22/09/2010, em face da informação contida no Despacho nº 09, da Presidência da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA/MG, inserido no processo nº 13603.000572/200815 [também de interesse da Editora Alterosa, versando sobre a mesma matéria, ou seja, pedido de ressarcimento do IPI], no sentido de realização de nova análise sobre o direito da pessoa jurídica em questão apurar saldo credor passível de ressarcimento [haja vista a decisão judicial que estabelece não ser a mesma contribuinte do IPI], foi o presente processo [juntamente com diversos outros que tratam da mesma matéria] encaminhados por meio do despacho de fls. 85 à Seção de Fiscalização para análise. Resultou daí o Despacho de Instrução de fls. 86/92, que, depois de circunstanciar todos os fatos atinentes à ação judicial e à decisão do Segundo Conselho de Contribuintes relativamente ao Fl. 382DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 206 3 auto de infração consubstanciado no processo nº 13603.001578/200125, em síntese, concluiu que “De tudo o que foi aqui relatado, fica claro para o servidor que esta subscreve, que como conseqüência do afastamento do campo de incidência decorre a impossibilidade de que a pessoa jurídica possa aproveitar os créditos de IPI decorrentes de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, um vez que tais aquisições não foram e nem serão, por força do comando judicial, utilizadas em processo que possa ser considerado industrialização, em descompasso, portanto com o fixado pelos artigos 164, inciso I e 165 do Decreto n° 4.544/2002 e artigos 226, inciso I e 227 do Decreto n° 7.212/2010”. Assim, foram os autos encaminhados à Saort para prosseguimento. Em seguida foram juntados, conforme Termo de fl. 139, os elementos de fls. 93/138 relativas a cópias do processo 13603.002737/200702, a seguir discriminados: • Fl. 93– Capa do processo 13603.002737/200702, gerado para tratamento manual do PER Residual nº06920.71130.180507.1.1.011190, transmitido para utilizar o saldo de R$ 24.934,36; • Fls. 94/95 – PER Residual nº 06920.71130.180507.1.1.011190; • Fls. 96/109 – DCOMPs nº 19685.81493.180507.1.3.014417, 15769.14359.310507.1.3.010916 e 42292.49986.080607.1.3.018088, vinculadas ao PER Residual; • Fls. 111/113 – Despacho Decisório DRF/CON nº 1.055 de 31/08/2007, que homologou as DCOMPs acima, vinculadas ao PER Residual; • Fls. 119/121 – Extrato de Encerramento/Arquivamento do Processo; • Fl. 122 – Desarquivamento do Processo; • Fl. 123 – Encaminhamento do processo à Seção de Fiscalização para análise, em face da informação contida no Despacho nº 09, da Presidência da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA/MG, inserido no processo nº 13603.000572/200815; • Fls. 124/130 – Despacho de Instrução Safis; • Fls. 131/132 – – Despacho Decisório DRF/CON nº 1.510, de 26/11/2010, que anulou o Despacho Decisório DRF/CON nº 1.055; Em seguida foi juntado ao presente processo o Despacho Decisório nº 1.376/DRF/CON, de 26/11/2010, fls. 140/149 proferido nos autos do processo nº 13603.000572/200815 [processo tomado como paradigma para análise da situação da pessoa jurídica], que conclui, dentre outros pontos, pela Fl. 383DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 207 4 ANULAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO DRF/CON de 05/12/2005 [fls. 74/76] que havia reconhecido o direito creditório e homologado as DCOMPs 2058.71975.310804.1.3.010398, 7464.67023.310804.1.3.010475; pelo indeferimento do pedido eletrônico de ressarcimento residual – PER 06920.71130.180507.1.1.011190 e pela não homologação das declarações de compensação – 19685.81493.180507.1.3.014417, 15769.14359.310507.1.3.010916 e 42292.49986.080607.1.3.018088, sob os seguintes fundamentos, em síntese: • tendo demonstrado os efeitos da decisão judicial transitada em julgado dentro da esfera administrativa, notadamente em relação aos processos n.° 13603.001578/200125 e n.° 13603.000708/9837, a Seção de Fiscalização se manifesta novamente pela impossibilidade da pessoa jurídica aproveitar créditos de IPI decorrentes de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, pois, inexistindo a relação jurídicotributária entre a União e o sujeito passivo por força da decisão judicial, este não pode se beneficiar apenas dos benefícios desta relação; • a constatação da existência da decisão judicial transitada em julgado declarando que a atividade exercida pela sociedade empresarial não se sujeita ao IPI, implica na Revisão de Oficio dos Despachos Decisórios que reconheceram créditos de ressarcimento de IPI em favor da Editora Alterosa Ltda; • o fato de o sujeito passivo possuir decisão judicial declarando a inexistência da relação jurídico tributária entre as atividades desenvolvidas pelo mesmo e o campo de incidência do IPI o desqualifica da condição de contribuinte deste tributo. Portanto, o interessado não se sujeita a nenhuma norma atinente ao IPI; • o sistema de crédito consiste em atribuir ao contribuinte do IPI o imposto relativo aos produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período. Portanto, não sendo o interessado contribuinte do IPI por força de decisão judicial e inexistindo a relação jurídico tributária entre ele e a Unido Federal, não há, nestas circunstâncias, previsão legal para utilização de créditos de IPI pelo sujeito passivo; • a opção pela compensação de débitos se restringe àqueles contribuintes que apurem crédito do imposto passível de restituição ou de ressarcimento. No presente caso, não foi apurado crédito passível de restituição, tampouco de ressarcimento; sequer existe a possibilidade da apuração de qualquer tipo de crédito, haja vista que o interessado é possuidor de decisão judicial transitada em julgado que o desqualifica da condição de contribuinte do IPI; • quanto à Solução de Consulta 288, citada pelo interessado em sua manifestação de inconformidade, temse que a mesma foi obtida pelo fato de o consulente de ter omitido a informação Fl. 384DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 208 5 sobre a existência de decisão judicial anterior declarando a inexistência de relação jurídico tributária relativa ao IPI entre a União Federal e a Editora Alterosa Ltda; • reafirmando este entendimento, fazse necessário citar o Despacho Decisório 199/2010, de 29 de outubro de 2010, contido no processo 13603.721576/201047, motivado por Representação formalizada pela DRF/CONTAGEM dirigida ao chefe da DISIT/SRRF 06 para que fosse analisada a anulação da citada Solução de Consulta. Após análise, a DISIT/SRRF 06 assim concluiu: “A vista do exposto, entendese que a consulta formulada (fls. 10/13) deve ser declarada ineficaz, considerando que o fato nela exposto foi objeto de decisão judicial anterior proferida em litígio em que foi parte a consulente, conforme art. 52, inc. IV, do Decreto n.º 70.235/1972 (PAF) e art. 15, inc. VI, da IN RFB n.°230/2002". "Em consequência e com base nos fundamentos acima, entende se que deve ser declarada nula a Solução de Consulta SRRF/6° RF/Disit n.° 288, de 17 de agosto de 2004 (fls. 14/16), com efeitos retroativos (ex tunc), tendo em vista ferir frontalmente a legislação da espécie, uma vez que prolatada em resposta a consulta ineficaz, em que a consulente, proferindo declaração inverídica, omitiu o fato de que possuía decisão judicial transitada em julgado em seu favor cujo objeto tem relação direta com o fato exposto na consulta, na data de sua apresentação". • no intuito de atender ao principio da economia processual e dar celeridade às demais decisões relacionadas a processos distintos do mesmo interessado que, pela matéria, vinculamse à presente análise, o cancelamento dos atos administrativos que reconheceram créditos de IPI relativos a outros períodos de apuração em favor da Editora Alterosa Ltda será efetivado pelo presente Despacho Decisório, juntamente com o indeferimento dos mesmos, bem como as decisões referentes a pedidos de ressarcimento e declarações de compensação ainda pendentes de decisão administrativa. • por todo o exposto, e com base nas informações trazidas pelo Termo de Informação Fiscal da SAFIS da DRF/CONTAGEM, proponho: • que sejam anulados os Despachos Decisórios ... • que sejam indeferidos os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (PER)... • que sejam consideradas não homologadas as compensações apresentadas pelas seguintes Declarações de Compensação (DCOMPs)... Cientificado do referido despacho decisório [nº 1.376/DRF/CON] em 29/11/2010 [fl. 149] manifestou a interessada a sua inconformidade em 20/12/2010 por intermédio do arrazoado de fls. 150/160, no qual: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 209 6 inicialmente historia os fatos atinentes à ação judicial [processo nº 32.1710] desde a petição inicial até decisão final favorável transitada em julgado, mencionando, ainda, os autos de infração lavrados, formalizados sob os números 13603.000708/9837 e 13603.001578/200125, cujo desfecho, no julgamento pelo Segundo Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais foi pela improcedência dos lançamentos em face da existência de coisa julgada afastando a incidência do IPI sobre os serviços de impressão prestados por ela e da caracterização da atividade da empresa como mera composição gráfica sujeita apenas ao ISS. . alega que a mudança de entendimento manifestada no despacho decisório que anulou o despacho anterior só ocorreu depois que ela obteve êxito nos processos 13603.000708/9837 e 13603.001578/200125, denotando retaliação pela vitória; questiona o por quê da exigência do IPI da empresa em 1998 e 2001 e do deferimento dos ressarcimentos se a decisão judicial transitada em julgado existe desde 1984 e conclui que o Fisco alterou sua visão somente quando se viu impedido de cobrar o IPI da defendente; . argumenta, mencionando o art. 146 do CTN [a modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução] e o art. 2ºXIII da Lei nº 9.784/99 [que veda a aplicação retroativa de nova interpretação], que a nova opinião só pode valer para o futuro; . reproduz excertos de doutrina, jurisprudência do Conselho de Contribuintes e dos Tribunais que entende favoráveis à sua tese; . pondera que “como a mudança de entendimento da DRF/Contagem acerca da caracterização da contribuinte como mera prestadora de serviços só foi externada em 29/11/2010, todos os pedidos de ressarcimento e de compensação formalizados até essa data estão albergadas pelo entendimento anterior, razão pela qual ela faz jus ao aproveitamento dos créditos de IPI previstos no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 pelo menos até 29/11/2010”; . acrescenta, ainda, que “por ter classificado a contribuinte como indústria e ter conferido a ela os ônus e os bônus dessa categorização (autuações por suposta fabricação de cartões de crédito com tarja magnética e, na outra ponta, deferimento do aproveitamento dos créditos de IPI descritos no artigo 11 da Lei nº 9.779/99), a revisão desse enquadramento e o deslocamento da contribuinte para um status diferente caracteriza um erro de direito (erro na caracterização jurídica dos fatos), o qual, como demonstrado, não enseja o revolvimento de situações passadas e já definitivamente constituídas, motivo pelo qual todos os ressarcimentos, compensações e atos praticados pela empresa Fl. 386DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 210 7 até 29/11/2010 permanecem regidos pelo entendimento (critério jurídico) anterior”; . requer, ao final, que esta DRJ cancele o Despacho Decisório DRF/CON nº 1.376/2010 e, com isso, (i) restabeleça os despachos decisórios que reconheceram créditos de IPI, (ii) valide todos os ressarcimentos de IPI pedidos (inclusive os eletrônicos) e (iii) homologue as compensações feitas. Nestes termos vieram os autos, em 29/11/2011, a esta Terceira Turma da DRJ/JUIZ DE FORA/MG para julgamento. Em vista da informação recebida da Saort/DRF/CON/MG, por telefone, acerca da obtenção, pela pessoa jurídica, de sentença favorável em mandado de segurança [processo nº 89641.31.2010.4.01.3800] impetrado em 15/12/2010, anexada às fls. 264/270 do processo nº 13603.721576/201047 [no qual foi formalizada a Representação para Cancelamento da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT Nº 288/2004] esta Relatora entendeu por bem anexar dito documento ao presente processo [fls. 178/184]. Este, em apertada síntese, o relato dos fatos que antecederam o presente julgamento. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 0939682, de 30 de março de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO. PROCESSO JUDICIAL EM ANDAMENTO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido, cabendo, nessa situação, ser indeferido o pleito. COMPENSAÇÃO.DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado cabe a não homologação das compensações sob exame. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da entrega da declaração de compensação (DCOMP) a que se refere. Se transcorridos cinco anos da entrega da DCOMP sem que o Fisco manifeste seu juízo homologatório, ou se tal manifestação Fl. 387DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 211 8 tiver sido posteriormente anulada por decisão proferida depois de transcorrido o referido prazo quinquenal, a homologação tácita, por decurso de prazo, operase sobre a compensação declarada. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, repisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Termina sua petição recursal pedindo a reforma da decisão combatida para fins de desconsiderar o disposto no Despacho Decisório nº 199, da DISIT/DRRF06, por força de decisão judicial de efeitos imediatos e reconhecer o direito de crédito da recorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade, de sorte que fico autorizado a enfrentar o mérito da lide. Conforme já relatado, a questão posta nos autos diz respeito exclusivamente a nulidade do despacho decisório que cancelou a Solução de Consulta SRRF/6º RF/DISIT nº 288, de 17 de agosto de 2004. O recorrente alega que possui o direito ao ressarcimento pleiteado por força da sentença em sede de Mandado de Segurança que restabeleceu a Solução de Consulta SRRF/6º RF/DISIT nº 288/2004 e, por consequência, assegurou o direito ao ressarcimento dos créditos do IPI destacados nas notas fiscais de compra de insumos utilizados na prestação de serviços gráficos. A Turma da DRJ Juiz de Fora entendeu que sem o trânsito em julgado da sentença não há direito líquido e certo, inviabilizando o deferimento do ressarcimento requerido. Delimitado o litígio, passo à análise. O ponto fulcral a ser enfrentado é a possibilidade de uma decisão sem trânsito em julgado ser objeto de um pedido administrativo de ressarcimento. O recorrente possui uma sentença apelada com efeito apenas devolutivo e busca executar administrativamente a decisão. Assim sendo, estamos diante de uma pretensa execução provisória contra a Fazenda Pública. Entendo não ser possível execução provisória contra Fazenda Pública, em vista de que a fórmula da execução contra a Fazenda Pública não se coaduna com os princípios norteadores da execução provisória. Outro fato importante é que diante do caráter definitivo da expedição do precatóriorequisitório, verdadeiro pagamento da obrigação executada, não há de Fl. 388DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 212 9 se falar em provisoriedade da execução. E, por derradeiro, não se pode sobrepujar o interesse público em face de um pretenso direito do particular, ainda sujeito a alterações. Noutro giro, importante ressaltar que a Lei nº 9.430/96 coíbe o ressarcimento de valores reconhecidos judicialmente antes do trânsito em julgado da ação. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Essa regra se baseia na necessidade de liquidez e certeza do crédito para que possa ser ressarcido valores do cofre do Estado. A liquidez caracterizada pela quantificação em moeda corrente do País e a certeza identificada pela incontestável existência e natureza tributária deste mesmo crédito. A sentença sem o trânsito em julgado, ou seja, enquanto sujeita a recurso, não passa de uma situação jurídica. Os efeitos próprios da sentença só ocorrerão no momento em que não mais será mais suscetível de reforma por meio de recursos. Neste instante, fará coisa julgada material, tornandoa imutável e indiscutível. Quanto a compensação de créditos tributários com créditos oriundos de decisão judicial sem trânsito em julgado, entendo necessárias breves linhas acerca da compensação tributária. No direito tributário nacional, a compensação está prevista na espécie denominada de “compensação legal”, e assim sendo constitui um direito subjetivo que pode ser exercitado por quem se encontre em situação hábil a pleiteála exigindo que sua obrigação tributária seja extinta em procedimento de compensação, conquanto que sejam preenchidos os seguintes requisitos legais: · Especificidade, isto é, a existência de lei autorizativa específica; · A estipulação de condições e garantias na lei autorizativa específica; · Reciprocidade, ou seja, o sujeito passivo deve ser portador de créditos próprios oponíveis a outros créditos da Fazenda Pública; · Liquidez, que se caracteriza pelos créditos devidamente quantificados e expressos em unidades monetárias; · Certeza, diz respeito a sua constituição fundada na existência de uma relação jurídico tributária completamente definida; · Exigibilidade irrestrita relativamente aos créditos vencidos e também vincendos de compensação. Cumpre observar que o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no art. 170 da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), que diz: Fl. 389DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 213 10 “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” Com essas considerações, é lícito concluir que uma sentença sem o trânsito em julgado não poderia ser objeto de um eventual processo de compensação por vedação expressa do art. 170 do CTN, por lhe faltar a condição de liquidez e certeza. Desta forma, o contribuinte não poderá utilizar o crédito de tributo judicialmente contestado antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Logo, uma vez em trâmite a ação que lhe garantiria o crédito pleiteado, segundo a imperatividade das regras calcadas nos art. 170 do CTN, não se torna possível o incidental aproveitamento do crédito objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado. Diante desses fundamentos jurídicos e legais, nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, 22 de julho de 2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Declaração de Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA A par das judiciosas razões expendidas pelo ínclito relator, impetro vênia para expor as razões que sustentam minhas conclusões pelo improvimento do recurso, face à pela inocorrência dos pressupostos legais ao direito de crédito pleiteado. Tratandose de questão afeta a direito de crédito, inicialmente impõese delimitar o campo de incidência do IPI e do conseqüente campo de aplicação do princípio da não cumulatividade (art.153, Inc.IV e § 3º, alínea "b"; art. 49 do CTN), que obviamente não se aplica quando as operações são praticadas no âmbito do campo de incidência de outros impostos não sujeitos ao referido princípio. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 214 11 Como é elementarmente sabido, coerente com os princípios que informam a estrutura do Estado Federal, a Constituição brasileira estabeleceu um sistema de discriminação de competências tributárias, presidido pelos princípios da “privatividade”, “rigidez”, “segregação” e “incomunicabilidade das diferentes áreas” em que estão distribuídas tais competências, através do qual se enumeram taxativamente quais os tributos cuja instituição é autorizada a cada ente federado, definindoos em função de campos de imposição delimitados pela referência aos fatos econômicos que os caracterizam, de tal forma que a competência tributária dos entes federados só pode ser exercida em relação aos tributos autorizados, nos estritos limites (materiais e territoriais) dos respectivos campos de imposição, na forma e nas condições autorizadas pela Constituição, vigorando a parêmia de que é proibido o que não é expressamente autorizado (“prohibita intelliguntur quo non permissum”). Como também é curial e esclarece Amílcar de Araújo Falcão, da atribuição da competência tributária privativa, necessariamente provém uma “dúplice decorrência”. “Em primeiro lugar, a atribuição de competência privativa tem um sentido positivo ou afirmativo: importa em reconhecer a uma determinada unidade federada a competência para decretar certo e determinado imposto. Em segundo lugar, da atribuição de competência privativa decorre um efeito negativo ou inibitório, pois importa em recusar competência idêntica às unidades outras não indicadas no dispositivo constitucional de habilitação: tanto equivale a dizer, se pudermos usar tais expressões, que a competência privativa é oponível erga omnes, no sentido de que o é por seu titular ou por terceiros contra quaisquer outras unidades federadas não contempladas na outorga.” (cf. Amílcar de Araújo FALCÃO, in “Sistema Tributário Brasileiro Discriminação de Rendas”, Edições Financeiras S/A, 1ª Ed., 1965, pág. 38). Fixadas estas elementares premissas decorrentes do sistema tributário adotado, já de início verificase que ao interpretar a discriminação constitucional de competências tributárias, tanto a Suprema Corte como o Superior Tribunal de Justiça, há muito já assentaram unissonamente que a atividade de composição gráfica, fotocomposição, clicheria, zincografia, litografia e fotolitografia se insere na competência tributária privativa dos Municípios (CF/88, art. 156, inc. III) para tributar os serviços composição gráfica, expressamente previstos na lista de serviços definidos em Lei Complementar (cf. item 77 da lista anexa ao DL nº 406/68; item 77 da lista anexa à LC nº 56/87; item 13.05 da lista anexa à LC nº 116/03), que “é taxativa, ou limitativa, e não simplesmente exemplificativa, (...), embora comportem interpretação ampla os seus tópicos”. (cf. Ac. da 2ª Turma do STF no RE nº 361.829RJ, em sessão de 13/12/05, Rel. Min. CARLOS VELLOSO, publ. in DJU de 24/02/06, pág. 51, EMENT VOL0222203 PP00593 e in LEXSTF v. 28, n. 327, 2006, p. 240257). Na mesma ordem de idéias, já na vigência da Constituição de 1988, a Súmula 156 do STJ sedimentou o entendimento no sentido de que “a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS” (cf. Súmula 156 da 1ª SEÇÃO do STJ, em sessão de 22/03/96, DJU de 15/04/96 p. 11631, in RSTJ vol. 86/135 e in RT vol. 726/168). Corroborando esse entendimento, verificase que ao definir o campo de incidência do IPI, o próprio RIPI/02, no § único do art. 2º (art. 2º, § único do RIPI/98) explicita que: “Art. 2º(..) Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas Fl. 391DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 215 12 complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação “NT” (nãotributado) (Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002, art. 6º).” Por seu turno, verificase que na aplicação destes preceitos de inegável juridicidade e sob invocação do mesmo fundamento (competência privativa Municipal para tributar os serviços composição gráfica), é torrencial e indiscrepante a Jurisprudência Judicial da Suprema Corte e do STJ, proclamando a não incidência ou exclusão da tributação do ICMS e do IPI sobre a referida atividade, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “ISS. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO. Utilização em produtos vendidos a terceiros. a feitura de rótulos, fitas, etiquetas adesivas e de identificação de produtos mercadorias, sob encomenda e personalizadamente, e atividade de empresa gráfica sujeita ao ISS, o que não se desfigura por utilizálos o cliente e encomendante na embalagem de produtos por ele fabricados e vendidos a terceiro. Recurso extraordinário conhecido e provido.” (cf. AC da 1ª Turma do STF no RE 111566SP, em sessão de 25/11/86, Rel. Min. RAFAEL MAYER Publicação, publ. in DJU de 12/12/86, pág. 24667 EMENT VOL0144503, pág. 383) “TRABALHOS GRÁFICOS PERSONALIZADOS E REALIZADOS MEDIANTE ENCOMENDA. A circunstancia de serem utilizados, pelo cliente, na embalagem de produtos de sua fabricação, vendidos a terceiros, não desfigura a sujeição da atividade da empresa gráfica ao imposto sobre serviços. precedente do Supremo Tribunal: RE106.069, (RTJ115/1.419). Recurso Extraordinário provido para restaurar a sentença que acolheu os embargos a execução fiscal.” (cf. AC. da 1ª Turma do STF no RE nº 110.944SP, em sessão de 30/09/86, REl. Min. Octavio Gallotti, publ. in DJU de 24/10/86, pág 20326, EMENT VOL0143805, pág. 1001) RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA PRELIMINAR DE PERDA DE OBJETO DA IMPETRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DE OFÍCIO DA QUESTÃO CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA SUJEITO UNICAMENTE AO ISS VIOLAÇÃO AO DISPOSTO NO § 1º DO ARTIGO 8º DO DECRETOLEI N. 406/68 SÚMULA N. 156 DO STJ. (...) A elaboração dos cartões com as características requeridas pelo destinatário, que é aquele que encomenda o serviço, tais como a logomarca, a cor, eventuais dados e símbolos, indica de pronto a prestação de um serviço de composição gráfica, enquadrado no item 77 da Lista de Serviços anexa ao Decretolei n. 406/68. Há, portanto, nítida violação ao disposto no § 1º do artigo 8º do DecretoLei n. 406/68, uma vez que a hipótese dos autos Fl. 392DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 216 13 configura prestação de serviços de composição gráfica personalizados, sujeitos apenas à incidência do ISS (Súmulas ns. 156/STJ e 143 do extinto TFR). Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, concluise que a atividade não é fato gerador do IPI. Tanto isso é exato que, se forem embaralhadas as entregas, com a troca de destinatários, um estabelecimento não poderá servir se da encomenda de outro, que veio ter a suas mãos por mero acaso ou acidente de percurso. Dissídio jurisprudencial configurado quanto ao mérito. Recurso especial provido. (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no REsp nº 437.324RS, REg. nº 2002/00548208, em sessão de 19/08/03, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, publ. in DJU de 22/09/03 p. 295RT vol. 821 p. 191) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ARTIGO 544 DO CPC. RECURSO ESPECIAL. ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. SERVIÇO GRÁFICO PERSONALIZADO E POR ENCOMENDA. INCIDÊNCIA DO ISS. SÚMULA 156/STJ. 1. O ICMS não incide sobre serviços de composição gráfica, a teor da Súmula 156 do Superior Tribunal de Justiça, que preceitua: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Outrossim, é cediço no STJ que a incidência do ISS ocorre ainda que os serviços de composição gráfica não sejam personalizados ou não sejam exclusivamente para uso de encomendas (REsp 788.235/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 15.12.2005, DJ 20.02.2006; AgRg no REsp 621.191/MG, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 04.11.2004, DJ 06.12.2004; e REsp 327.504/SP, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 06.11.2001, DJ 25.02.2002). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 1.092.206/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que não incide ICMS sobre os serviços de composição gráfica. Isto porque: "As operações de composição gráfica, como no caso de impressos personalizados e sob encomenda, são de natureza mista, sendo que os serviços a elas agregados estão incluídos na Lista Anexa ao DecretoLei 406/68 (item 77) e à LC 116/03 (item 13.05). Conseqüentemente, tais operações estão sujeitas à incidência de ISSQN (e não de ICMS), Confirmase o entendimento da Súmula 156/STJ: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de Fl. 393DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 217 14 mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes de ambas as Turmas da 1ª Seção." 4. Agravo regimental desprovido. (cf.Ac. da 1ª Turma do STJ no AgRg no Ag nº 1071523SP Reg. nº 2008/01441541, em sessão de 18/08/09, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 14/09/09) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 156/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que em casos como o dos autos, de empresa que produz cartões magnéticos personalizados, não há incidência de IPI. Aplicação, in casu, da Súmula 156/STJ: "a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Agravo Regimental não provido.” (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no AgRg nº REsp 966184RJ, Reg. nº 2007/01571231, em sessão de 03/04/08, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, publ. in DJU de 19/12/08 “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO E IMPRESSÃO GRÁFICAS. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO INCIDÊNCIA EXCLUSIVA DO ISS. NÃOINCIDÊNCIA DO IPI. CONCEITO DE PRODUTO INDUSTRIALIZADO. MATÉRIA DE ÍNDOLE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL VIOLAÇÃO DOS ARTS. 96 E 100 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. O conceito de produto industrializado é pressuposto pela Constituição Federal que, como de sabença, utiliza os conceitos de direito no seu sentido próprio, pelo que implícita a norma do art. 110 do CTN, que interdita a alteração da categorização dos institutos. 2. Consectariamente, qualificar como produto industrializado aquele que não ostenta essa categoria jurídica implica em violação bifronte ao preceito constitucional, porquanto o texto maior a utiliza não só no sentido próprio, como também o faz para o fim de repartição tributáriaconstitucional. 3. Sob esse enfoque, é impositiva a regra do artigo 153, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, verbis: "Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I Importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; (...)." 4. Deveras, a conceituação de produto industrializado encarta se na mesma competência que restou exercida pela Corte Fl. 394DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 218 15 Suprema na análise prejudicial dos conceitos de faturamento e administradores e autônomos para os fins de aferir hipóteses de incidência, mercê de a discussão travarse em torno da legislação infraconstitucional que contemplava essas categorizações, reproduzindo as que constavam do texto maior. 5. Sobressai, desta sorte, imprescindível a manifestação da Corte Suprema sobre o thema iudicandum, suscitado de forma explícita ou implícita em todas as causas que versam sobre a competência tributária da União, essência manifesta das decisões que tem acudido ao E. STJ. 6. Ademais, a circunstância de o fato gerador vir estabelecido em legislação tributária que não Lei Formal e concluirse pela inaplicabilidade da mesma, não significa violar os arts. 96 e 110 do CTN, tanto mais que aos mesmos não se referiu o aresto recorrido e por isso ausente o prequestionamento. 7. Recurso especial não conhecido. (cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 817182RJ, Reg. nº 2006/00252577, em sessão de 28/11/06, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 08/03/07 p. 170) Dos preceitos expostos resulta claro que por força de expressas disposições da discriminação de competências constitucionais (art. 156, inc. III, § 3º; art. 155, inc. II, § 2º, incs.VII, X, alínea “d” e XI; e art. 153, inc. IV, § 2º) e dos princípios dela decorrentes (princípios da “privatividade”, “rigidez”, “segregação” e “incomunicabilidade das diferentes áreas” em que estão distribuídas tais competências), estes últimos regularmente estabelecidos pela Lei Complementar (LC 116/03, item 13.05) nos expressos termos do art. 146 da CF/88, o produto industrializado pela da Recorrente ("Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem") está fora do campo de incidência do IPI e do ICMS, posto que expressa e privativamente inserido no campo de incidência do ISS, tal como já proclamado pela Jurisprudência cristalizada nas Súmulas nº143 do extinto TFR e nº 156 do E. STJ, esta última editada já na vigência da atual Constituição e portanto aplicável também ao IPI, conforme proclamado nos arestos retro citados. Encontrandose a saída do produto confeccionado pela Recorrente fora do campo de incidência do IPI, já de início não há como se cogitar da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI, cujo pressuposto é exatamente a efetiva incidência do tributo na saída do estabelecimento industrializador, vez que o RIPI/02 expressamente veda a escrituração de créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, dispondo em seu art. 190, § 1º e art. 193, inc. I alínea “a” (arts. 171 e 174 do RIPI/98) que: “Art. 190. Os créditos serão escriturados, pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 219 16 (...) “Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I – relativo a MP, PI e ME, que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos não tributados”. No mesmo sentido, a Instrução Normativa SRF nº 33/99, de 4/03/99, expressamente dispôs que : “Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (...). § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). (...).” Assim, achandose expressamente excluída do campo de incidência do IPI, data vênia, verificase que ao realizar as operações com produto NT a Recorrente não só não detém qualquer direito a créditos de IPI relativos às aquisições de insumos (MP, PI e ME ainda que isentas ou tributadas à alíquota zero), nem só se acha legalmente impedida de escrituralos, como está legalmente obrigada a estornalos (art. 190, § 1º e art. 193, inc. I alínea “a” do atual RIPI/02 arts. 171 e 174 do RIPI/98). Pelas mesmas razões e, diante da impossibilidade legal e fática sequer de efetuar o suposto “crédito”, quanto mais de acumular “saldos credores” de IPI sobre o produto excogitado, verificase que os hipotéticos “saldos credores” vislumbrados pela ora Recorrente, não poderiam ser passíveis de restituição ou ressarcimento por absoluta ausência dos pressupostos legais à sua concessão (Lei n. 9.779/99, art. 11; Lei 9.430/96, art. 74, § 3º na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02, art. 190, § 1º e art. 193, inc. I alínea “a” do RIPI/02 e art. 2º § 3º da IN/SRF nº 33/99) e, muito menos poderseia cogitar de sua “utilização” para a compensação ou quitação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela SRF, tal como açodadamente supôs a ora Recorrente. Nesse sentido a Jurisprudência do antigo 2ª CC, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. O princípio da nãocumulatividade garante apenas o direito ao crédito do imposto que for pago nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. SAÍDA DO PRODUTO FINAL NÃO TRIBUTADO. ESTORNO DO IMPOSTO.Mesmo com o advento da Lei nº 9.779/99, o crédito do imposto relativo a matériasprimas, produtos Fl. 396DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001118/200105 Acórdão n.º 3402002.403 S3C4T2 Fl. 220 17 intermediários e material de embalagem, empregados na industrialização de produtos que não sejam tributados, deve ser anulado mediante estorno (IN SRF nº 33/99, art. 2º, § 3º). (...) .Recurso negado. (cf. ACÓRDÃO 20178890 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 129471, Proc. nº 13682.000026/0088, em sessão de 07/12/2005, Rel.Cons. Maurício Taveira e Silva, publ. in D.O.U. de 15/02/2007, Seção 1, pág. 54.) Releva, finalmente, notar que a atividade tratada nestes autos (serviços de confecção de “Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem” sob encomenda e para uso exclusivo do encomendante), não se confunde com a atividade gráfica em escala industrial de artefatos não personalizados (tais como blocos, cadernos, formulários, livros fiscais, baralhos etc.), cujas saídas do estabelecimento industrializador estão inseridas no campo de incidência do IPI. Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, os débitos eventual e indevidamente compensados, devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº 10.833, de 2003). Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao do presente Recurso Voluntário para manter a r. decisão recorrida, que se conforma com a lei e com a jurisprudência judicial e desde E. Conselho. É o meu voto. Sala das Sessões, em 22 de julho de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 397DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000122/2007-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15521.000122/2007-79
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363098
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1103-000.132
nome_arquivo_s : Decisao_15521000122200779.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS SHIGUEO TAKATA
nome_arquivo_pdf_s : 15521000122200779_5363098.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5540573
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814998921216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1349; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 5.995 1 5.994 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15521.000122/200779 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 1103000.132 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 12 de fevereiro de 2014 Assunto IRPJ, CSLL, PIS, Cofins Recorrente TRANSOCEAN BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 21 .0 00 12 2/ 20 07 -7 9 Fl. 5994DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000122/200779 Resolução nº 1103000.132 S1C1T3 Fl. 5.996 2 Relatório DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Tratase de autos de infração de IRPJ, CSL, PIS e Cofins, referente aos anos calendários de 2002 e 2003, no montante de R$ 25.933.134,24, acrescido de multa de 75% e encargos moratórios. Primeiramente, ressaltou que a recorrente está inserida no pólo passivo do presente processo, pois ela é sucessora da Transocean Sedco Forex Brasil Ltda., que é a empresa controlada/sucedida do caso em questão. A autuação ocorreu, segundo a fiscalização, por omissão de receitas de reembolsos pela controlada, mediante um fluxo triangular do rendimento, realizado entre a empresa contratante (Petrobras), a empresa controladora no exterior e a controlada sediada no Brasil, com o intuito de reduzir os tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento da empresa controlada com sede no território nacional. Este fluxo triangular foi realizado por meio da elaboração de dois contratos distintos, nos quais a Petrobras é a contratante. Em um, específico para afretamento de embarcações, há uma empresa estrangeira figurando como controladora da recorrente, contrato esse que envolve cerca de 90% do valor de soma dos dois contratos firmados. No outro, que realiza efetivamente a prestação de serviços à contratante (Petrobras), há a empresa sediada no Brasil, como controlada daquela empresa estrangeira, e envolve cerca de 10% daquele valor total. Desse modo, o que ocorreu foi a celebração de dois contratos com o objetivo de escoar para o exterior a maior parte do valor obtido, de modo a enquadrar quase a totalidade do valor dos dois contratos sob a alíquota zero, o que de acordo com o artigo 1°, I, da Lei 9.481/97, é permitido no caso de afretamento de embarcações. Afirmou que a empresa controladora realiza transferências bancárias para a empresa controlada sediada no Brasil, a fim de fazer com que a controlada no Brasil receba os valores dos serviços que ela efetivamente prestou à contratante – Petrobras que estão previstos, indevidamente, no contrato de afretamento firmado entre a Petrobras e a empresa estrangeira. Ressaltou também que estão inseridos, nos valores objeto da transferência, os custos e despesas de manutenção da embarcação afretada, que pertence à controladora, pois, na realidade, é a controlada quem arca com esses custos. Sendo assim, em suma, o que motivou o auto de infração foi a omissão de receita nas DIPJs 2003 e 2004, pois a controlada não contabilizou como receita os valores recebidos como pagamento da prestação de serviço realizado pela autuada, os quais deveriam ter sido acrescentados ao resultado do lucro real e da base de cálculo da CSL. Fl. 5995DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000122/200779 Resolução nº 1103000.132 S1C1T3 Fl. 5.997 3 Com relação aos resultados desse fluxo triangular, a fiscalização constatou que houve a redução de tributos incidentes sobre o lucro e faturamento da empresa com sede no território nacional, conforme trecho do relatório de ação fiscal, de fl. 2007, infratranscrito: “Concluindo, da presente fiscalizada, vultosos valores (cerca de U$ 128 milhões de dólares por ano), saem do Pais para pagamento de afretamentos de embarcações sem imposto retido na fonte, por força de alíquota zero legalmente aplicável aos afretamentos, enquanto valores contratuais com menor relevo ficam no Pais consignados na escrita contábil e fiscal de empresas que sempre dão prejuízo, da mesma forma implicando em nenhum recolhimento a titulo de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, e em recolhimento reduzido de PIS e COFINS, incidentes sobre o faturamento. Isso é realizado mediante fluxo triangular do rendimento (empresa contratante, PETROBRAS, empresa controladora, no exterior, e empresa sediada no Brasil, controlada) que visa ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições incidentes sobre o lucro e faturamento da empresa com sede no território nacional. Registrese que faz relevante diferença para a(s) contratada(s) evitar a tributação no Brasil, vez que pode(m) buscar tributação mais favorecida no Pais sede da controladora. A propósito, conforme se constata na última alteração contratual (12a) às fls. 1955 a 1964 do Volume X, a ONICA sócia cotista da TRANSOCEAN SEDCO FOREX BRASIL LTDA, é a empresa estrangeira SEDCOFOREX INTERNACIONAL INC, com sede no PANAMA.” Neste sentido, colacionou quadro demonstrativo. Asseverou que, de acordo com o que consta nos Livros Diário e Razão, a fiscalizada contabiliza os lançamentos de reembolsos/aumento de capital como forma de fazer frente aos custos e despesas pertinentes à empresa sediada no exterior. Afirmou que a recorrente e a Petrobras apresentaram todos os documentos que foram requeridos pela fiscalização, o que possibilitou que esta extraísse algumas conclusões, conforme trecho do relatório de ação fiscal, de fl. 2007, infratranscrito: “1) Lançamentos contábeis dos reembolsos nas contas denominadas "Caixa em trânsito Houston", conta "75", registrados nos Livros Razão da controlada, fls. 999 (Volume V), fls. 1009 (Volume VI), fls. 1013 (Volume VI), fls. 1018 (Volume VI), fls. 1023/1024 (Volume VI), fls. 1029 (Volume VI), fls. 1034 (Volume VI), fls. 1039 (Volume VI). Em contrapartida, nos Livros Razão, foram identificadas transferências de numerário do exterior, para a conta "Banco Boston S/A", conta "13497", em conta de titularidade da empresa fiscalizada, fls.996 a 999 (Volume V), fls.1003 a 1008 (Volume VI), fls.1011 a 1012 (Volume VI), fls.1015 a 1017 (Volume VI), fls.1020 a 1022 (Volume VI), fls.1026 a 1028 (Volume VI), fls.1031 a 1033 (volume VI), fls.1036 a 1038 (Volume VI). Fl. 5996DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000122/200779 Resolução nº 1103000.132 S1C1T3 Fl. 5.998 4 Em todos esses lançamentos participa ESPECIALMENTE a conta "15088" denominada "SEDCO FOREX INTERNATIONAL SERVICES S/A Matriz". (f1.1107 do Volume VI; fls.1201, 1286 e 1374 do Volume VII; fls. 1467 e 1562 do Volume VIII; fls.1662 do Volume IX e fls. 1786 e 1883 do Volume X), denotando a constante presença da única sócia da fiscalizada na injeção/recuperação/reembolsos de recursos para fazer frente aos custos e despesas da SEDCO 707 e SEDCO 710 que se encontram lançados na contabilidade da fiscalizada, conforme, exaustivamente, demonstrados no Livro Razão, às fls. 1102 a 1197 do Volume VI; às fls. 1200 a 1398 do Volume VII; às fls. 1401 a 1599 do Volume VIII; às fls. 1602 a 1784 do Volume IX e às fls. 1787 a 1939 do Volume X. 2) Lançamentos contábeis dos reembolsos nas contas denominadas "Caixa em trânsito Houston", conta "75", registrados nos Livros Diário da controlada, fls. 1043, 1044, 1048, 1050, 1052, 1054, 1059, 1060,1061,1065, 1067, 1070, 1071, 1076, 1078, 1079, 1080, 1085, 1086, 1087,1091, 1093, 1094, 1098, 1099 e 1100 todas do Volume VI. Em contrapartida, nos Livros Diário, foram identificadas transferências de numerário do exterior, para a conta "Banco Boston S/A", conta "13497", em conta de titularidade da empresa fiscalizada, fls. 1042, 1043, 1044, 1048, 1052, 1054, 1058, 1059, 1060, 1061, 1065, 1066, 1070, 1076, 1077, 1079, 1080, 1085, 1086, 1087, 1091, 1092, 1093, 1094, 1098 e 1099 todas do Volume VI. Em todos esses lançamentos participa ESPECIALMENTE a conta "15088" denominada "SEDCO FOREX INTERNATIONAL SERVICES S/A — Matriz". (f1.1107 do Volume VI; fls.1201, 1286 e 1374 do Volume VII; fls. 1467 e 1562 do Volume VIII; fls.1662 do Volume IX e fls. 1786 e 1883 do Volume X), denotando a constante presença da única sócia da fiscalizada na injeção/recuperação/reembolsos de recursos para fazer frente aos custos e despesas da SEDCO 707 e SEDCO 710 que se encontram lançados na contabilidade da fiscalizada, conforme, exaustivamente, demonstrados no Livro Razão, às fls. 1102 a 1197 do Volume VI; às fls. 1200 a 1398 do Volume VII; às fls. 1401 a 1599 do Volume VIII; às fls. 1602 a 1784 do Volume IX e às fls. 1787 a 1939 do Volume X. 3) Extratos bancários do Banco Boston e HSBC — apresentados pelo fiscalizado em resposta ao termo de inicio de ação fiscal e outros termos, fls. 377 a 393 (Volume II); 396 a 491 (Volume III). Especificamente demonstrados no Anexo II do Auto de Infração as fls. 1995 a 1999 do volume XI, cada crédito vindo do exterior para reembolso de custos e despesas. 4) Contratos de Câmbio realizados pela fiscalizada nos anos calendário de 2002 e 2003, e apresentados pela mesma em resposta à intimação, fls. 492 a 595 (volume III); fls. 598 a 668 (Volume IV). Especificamente demonstrados nos Anexos I e II do Auto de Infração as fls. 1995 a 2004 do volume XI, cada crédito Fl. 5997DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000122/200779 Resolução nº 1103000.132 S1C1T3 Fl. 5.999 5 vindo do exterior para reembolso de custos e despesas. Registre se, a exemplo da Carta de edição de contrato de 1 1.539 (Volume III), a manifesta destinação dos recursos: "Os recursos no valor de US$ 700.000,00 enviados do exterior pela Sedco Forex National Services S/A para a Transocean Sedco Forex Brasil Ltda são para uso exclusivo do pagamento das despesas originadas dos Contratos de afretamento das Plataformas Sedco 710 e Sedco 707 entre a Petrobras e a Sedco Forex International Services S/A" Registrese que na iminência de ser incorporada, as duas últimas remessas ocorridas em agosto de 2003, a remetente modificou a nomenclatura de reembolso para aumento de Capital, entretanto, a destinação desses recursos foi para recuperar os custos e despesas incorridos pela empresa remetente, os quais foram demonstrados As fls. 1787 a 1939 do Volume X. 5) Receitas, custos, despesas e lucro real — Valores declarados nas DIPJs de 2003 e 2004, as fls.698 a 782 (volume IV).” Afirmou que, uma vez que a empresa controlada prestou serviços para a controladora e recebeu remuneração por tal prestação, não há como negar que houve a percepção de receitas que devem ser acrescentadas ao resultado do lucro real e da base de cálculo de CSL. Observou que não houve compromisso formal assumido entre a controlada e a controladora, mas que os pagamentos se concretizaram a vista das prestações dos serviços realizados pela controlada, em benefício da controladora. Dessa forma, afirmou que, tanto aqueles que entendem que as transferências realizadas entre elas possuem caráter de pagamento, quanto àqueles que entendem que estas possuem efeito de custeio, devem reconhecer as receitas e faturamentos nas datas das efetivas transferências. Neste sentido, colacionou as Resolução CFC 750/93 e Deliberação CVM 29/86. Consignou que houve preponderância dos interesses da controladora nas atividades econômicas da controlada, de modo a fazer com que a firmação dos dois contratos trouxesse prejuízos para a controlada, dissimulasse o seu resultado operacional e trouxesse a fugacidade tributária em questão. Aduziu que, apesar de não ser possível exigir da empresa estrangeira a sujeição à Deliberação CVM 26/86, que visa anular as disparidades decorrentes das transações feitas entre as partes relacionadas, as operações feitas entre as empresas mencionadas, com o intuito de reduzir o pagamento de tributos, foram observadas e são inegáveis. Com relação à tributação dos reembolsos, colacionou entendimentos das DRJs e do Conselho de Contribuintes, os artigos 117 e 245, da Lei 6.404/76, o artigo 9° da Convenção entre o Brasil e o Reino dos Países Baixos, o Decreto 3.000/99, a Lei 4.506/64 e o Parecer Normativo CST 112/78. Afirmou que a falta ou insuficiência de recolhimento do CSL, do PIS e Cofins, nos anoscalendário 2002 e 2003, fundamentase nas mesmas razões expostas para o lançamento do IRPJ retro mencionado. Quanto a isso, transcreveu os artigos 2° e 3°, da Lei 9.718/98. Fl. 5998DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000122/200779 Resolução nº 1103000.132 S1C1T3 Fl. 6.000 6 Sobre a tempestividade do lançamento de ofício, disse que não recai sobre ele a decadência, nos termos dos artigos 150 e 173, do CTN. Por fim, colacionou quadro que demonstra o crédito tributário que é devido pela recorrente a titulo de IRPJ, CSL, PIS e Cofins, incluídos os juros de mora e multa, e intimou esta a realizar os ajustes necessários em seu Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 2062 a 2099, em que aduz, em síntese, o que segue. Primeiramente, asseverou que a fiscalização realizou o lançamento dos tributos em questão com base em supostas omissões de receitas realizadas pela recorrente, o que não é correto, pois ela só poderia realizar tal lançamento se comprovasse a existência de uma grave inadequação no equilíbrio contratual através da análise do valor da embarcação afretada, do valor médio de mercado e do valor de mercado dos serviços que a recorrente realizou. Aduziu que a fiscalização está, na realidade, fazendo com que incidam tributos onde a lei os afastou, desconsiderando o caso concreto e tudo que o instrui. Afirmou que as despesas incorridas em seu próprio benefício, as em benefício de terceiro, a desvalorização do real frente ao dólar e os gastos com a exigência de nacionalização de mão de obra, foram fatores responsáveis pelo incremento dos custos incorridos. Isto fez também com que a lucratividade não fosse alcançada de imediato, o que acontece com muitas empresas que precisam realizar grandes investimentos. Acerca das demais questões preliminares e do mérito, aproveitase da síntese feita pela recorrente em sua impugnação de fls. 2066, 2067 e 2068, infratranscrita: “(a) manifesta decadência dos valores lançados, em relação a todos os tributos exigidos na autuação fiscal ora impugnada, cujo fato gerador tenha ocorrido entre o período de 1° de janeiro de 2002 até setembro do mesmo ano, em razão da decadência prevista no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), face à observância obrigatória do que reza o art. 146,III, "b", da Constituição Federal de 1988 (CF/88); (b) a empresa estrangeira (SEDCO FOREX INTERNATIONAL SERVICES S.A) não é controladora da Impugnante (o que fulmina a premissa, que está na raiz da autuação fiscal, de que a lmpugnante aceitou figurar em contrato com a PETROBRAS que lhe seria financeiramente desvantajoso apenas para assegurar ganhos adicionais à empresa estrangeira); (c) a lmpugnante e a empresa estrangeira, ao contrário do que afirma o Sr. Fiscal, não tiveram liberdade para definir o percentual do valor total do contrato que corresponderia ao afretamento de embarcação (que coube A empresa estrangeira, proprietária do bem) e aos serviços prestados (que coube A lmpugnante), pois a estrutura do contrato foi previamente definida em edital de licitação da PETROBRAS, contratante, ora anexados (docs. nos 04 e 05), Fl. 5999DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000122/200779 Resolução nº 1103000.132 S1C1T3 Fl. 6.001 7 (d) os recursos que foram remetidos pela empresa estrangeira Impugnante não representam remuneração por serviços — até porque não se prestou serviços remunerados à sociedade estrangeira, mas tão somente à PETROBRAS pois refletiram (tais recursos) mera antecipação/reembolso de despesas incorridas pela Impugnante em favor da própria empresa estrangeira, como a ora peticionaria demonstrará em perícia pela qual desde logo protesta, a ser produzida sobre a documentação a ser acostada ao processo administrativo, documentação esta capaz de atestar que efetivamente os recursos recebidos do exterior foram integralmente gastos em beneficio da empresa estrangeira (pois custearam despesas realizadas em favor do pessoal desta ou na conservação e armação da própria embarcação); (e) sendo mera antecipação/reembolso de despesas em que a Impugnante incorreu em favor da empresa estrangeira, os recursos provenientes do exterior não representam receita (pois tais valores jamais se incorporaram ao patrimônio da ora peticionária) e, por isso, não se sujeitam à incidência de IRPJ/CSL/PIS/COFINS, o que justifica o fato de que nem tais valores, nem as despesas incorridas em nome de terceiros, foram levadas à resultado. De todo modo, se tais recursos pudessem ser contabilizados como receita da Impugnante (do que se cogita por reverência ao principio da eventualidade), seria obrigatória a conclusão de que também as despesas realizadas deveriam ser contabilizadas, as quais caracterizariam despesas operacionais que, como tais, necessariamente seriam oponíveis às "receitas" vislumbradas pela autoridade fiscal, anulandose, qualquer valor eventualmente tributável, levando à constatação de que, como antecipado, a lmpugnante não apresentou lucro/renda suscetível de tributação pelo IRPJ/CSLL no período fiscalizado; (f) caso as razões já expostas não fossem, por si mesmas, suficientes para demonstrar a inconsistência da autuação fiscal, seria preciso notar que não existe, no contrato celebrado entre as partes, qualquer simulação, sendo certo que as partes envolvidas na contratação têm liberdade para estruturar o negócio jurídico pelo meio que lhes pareça menos gravoso do ponto de vista fiscal, não sendo possível (ao contrário do que fez o Sr. Fiscal) cogitarse de fraude ou de simulação no presente caso; (g) já no que diz respeito a algumas remessas, conforme apontado pela própria Fiscalização, referemse estas a aumento de capital social realizado por pessoa jurídica estrangeira diversa (Sedco Forex International Inc.), que não se confunde com a pessoa jurídica estrangeira que arrendou embarcação para a PETROBRAS (Sedco Forex International Services S.A), que remeteu recursos à Impugnante para o exclusivo propósito de antecipar despesas a serem por esta custeadas em beneficio daquela (Sedco Forex International Services S.A.). E a remessa de recursos para aumento de capital social não constitui receita tributável; Fl. 6000DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000122/200779 Resolução nº 1103000.132 S1C1T3 Fl. 6.002 8 (h) por fim, ainda que pudessem ser superados todos os argumentos supra (do que mais uma vez se cogita em observância ao principio da eventualidade), não se afigura correto, e nem mesmo razoável, supor que do universo de todas as remessas realizadas todo o montante seria receita proveniente de remuneração por serviços prestados à sociedade estrangeira, mormente quando comprovadas as despesas realizadas em seu nome. Seria tolerável, no extremo, a ilação de que uma ínfima parcela do total recebido da empresa estrangeira seria destinada remuneração por serviços a ela prestados, sendo de qualquer modo forçoso reconhecer que toda a enorme diferença estaria mesmo infensa a tributação (porque, reiterese, integralmente voltada antecipação/ressarcimento de gastos em favor de terceiros);” De acordo com o que foi exposto, alegou ser inexistente a omissão de receitas, de modo a fazer com que o auto de infração deva ser considerado improcedente e, consequentemente, as cobranças referente à CSL, PIS e Cofins, também. Quanto a isso, colacionou entendimentos do Conselho de Contribuintes. Por fim, requereu o acolhimento preliminar da decadência em relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 2002, a improcedência do auto de infração e o deferimento da perícia. Requereu também que, se os pedidos anteriores não forem acolhidos, seja realizado um arbitramento módico percentual, a ser aplicado ao total dos recursos recebidos a titulo de antecipação das despesas em favor da controladora. DA DECISÃO DA DRJ Em 4/6/2008, acordaram os membros da 7ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, rejeitar a decadência e julgar procedente em parte os lançamentos efetuados, conforme o entendimento que se segue. Primeiramente, rejeitou a preliminar de decadência. Com relação à DIPJ/2003 e a DIPJ/2004, alegou ser o lançamento tempestivo, tendo em vista que ocorreu a ciência em 21/9/2007 e, como a recorrente optou pelo lucro real e apuração anual, a data do fato gerador é o final do período, ou seja, 31/12/2002 e 31/12/2003. Sobre os lançamentos de CSL, PIS e Cofins, afirmou que esses também são tempestivos, pois se deve observar o artigo 45 da Lei 8.212/1991, que estabelece o prazo decadência de 10 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Por conseguinte, rejeitou o requerimento de juntada posterior de documentos alegando que a inviabilidade de realizar o desarquivamento e o exame dos documentos não configura motivo de força maior que, segundo o artigo 16, § 4°, “a”, do Decreto n° 70.235/72, é essencial para que ocorra a apresentação intempestiva destes. Afastou a realização de diligências para a produção de prova pericial nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72, afirmando que esta é desnecessária, tendo em vista que os documentos presentes nos autos são suficientes para formar a convicção do julgador. Fl. 6001DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000122/200779 Resolução nº 1103000.132 S1C1T3 Fl. 6.003 9 Aduziu que, diferentemente do que foi informado pela recorrente, as partes contratantes tiveram liberdade para definir o percentual do valor total do contrato que corresponderia ao afretamento de embarcação e ao de serviços prestados, de acordo com o seu interesse e sua conveniência. Isso porque a Petrobras não impôs nenhuma forma de pactuação e se considerando que o Edital de Concorrência Internacional n° 101.0.015.966, itens 1.71, 1.7.1.1, 1.7.2 e 1.7.2.1 (Volume XII, fl. 2.457) estabelece que o contrato pode ser firmado entre empresas brasileiras, empresas estrangeiras ou entre ambas, não determinando qual o percentual de responsabilidade cada uma deve ter. Com relação à interdependência entre a empresa estrangeira (controladora) e a recorrente (controlada), afirmou que esta não decorre do contrato social, mas sim do contrato firmado com a Petrobras, pois o Edital de Concorrência Internacional retro mencionado determina que se o contrato for celebrado entre uma empresa brasileira e uma estrangeira, estas serão solidariamente responsáveis pelo cumprimento do acordo. Ainda acerca da interdependência mencionada, ressaltou que, mesmo que as sociedades fossem independentes, o fato de a recorrente quitar as despesas da empresa estrangeira a título gratuito e utilizando recursos recebidos do exterior, não resta justificado. Afirmou que o não oferecimento à tributação dos recursos recebidos pela recorrente da controladora caracteriza a omissão de receita, estando correto o lançamento. Neste sentido, aduziu que não pode prosperar a afirmação da recorrente no sentido de que estes valores não constituíam receita por ela ser apenas gestora dos recursos, não prestando serviços para a controladora, pois é de se estranhar que aquela realize essa gestão, a titulo gratuito, somente por ser uma comodidade operacional, e por não haver nenhuma prova de que as partes firmaram este acordo de gestão. Ponderou que, tendo em vista que há vários lançamentos em conta de despesas fazendo referência às embarcações, é possível concluir que tais despesas não são de responsabilidade da controladora, o que faz com que elas e outras despesas devessem ser computadas na apuração do prejuízo no final do período de 2002 e 2003. Ressaltou que, através da análise dos documentos apresentados pela recorrente, é possível concluir que a controladora é destinatária dos serviços prestados, cabendo à controlada o recebimento do pagamento, e que não há nenhuma prova de que as despesas foram contratadas pela empresa estrangeira. Com relação ao laudo técnico feito pela empresa Ernst & Young, afirmou que este não avaliou as despesas da empresa estrangeira em questão, pois se limitou a verificar os lançamentos referentes às despesas das empresas ligadas. Aduziu que a recorrente não comprovou que as despesas não foram contabilizadas na apuração do prejuízo fiscal do período. Enfatizou que, uma vez que as despesas são alocadas na apuração do resultado, as remessas do estrangeiro, mesmo que a título de custeio ou reembolso, devem ser computadas na apuração do lucro operacional. Quanto a isso, transcreveu o artigo 392 do RIR/99, que confere embasamento legal para o presente lançamento. Fl. 6002DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000122/200779 Resolução nº 1103000.132 S1C1T3 Fl. 6.004 10 Afirmou que todas as despesas, inclusive aquelas que, segundo a recorrente, pertencem à empresa estrangeira, estão computadas no resultado do período. Neste sentido, aduziu que mesmo sendo a contabilização das despesas uma opção do contribuinte, se a recorrente tivesse comprovado que as supostas despesas não foram contabilizadas na apuração do prejuízo fiscal do período, o lançamento não iria prosperar. Com relação à alegação da recorrente acerca da inexistência de simulação, afirmou que a fiscalização não a alegou em nenhum momento, não tendo assim, agravado a multa imposta. Acentuou que, pelos documentos apresentados pela recorrente, é possível concluir que ela tem razão quanto à alegação de as remessas dos dias 18/8/2003 e 29/8/2003 terem sido efetuadas pela sua sócia, Sedco Forex International, com o intuito de aumentar o capital. Quanto a isso, colacionou quadros demonstrativos de fls. 5.862 (eprocesso): Nesse sentido, afirmou que o lançamento de CSL deve ser alterado, devendo estes valores serem exonerados. Com relação ao PIS e Cofins, alegou que, por ser o fato gerador mensal, devem ser também exonerados os lançamentos referentes ao mês de agosto. Por fim, apontou a presença do recurso de ofício, em conformidade com o art. 34 do Decreto 70.235/72, devido ao fato de a recorrente ter sido exonerada do pagamento dos Fl. 6003DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000122/200779 Resolução nº 1103000.132 S1C1T3 Fl. 6.005 11 valores retro mencionados, e estabeleceu que deve ser mantida a cobrança dos seguintes valores, de acordo com quadro demonstrativo de fls. 5.477: Tributo Crédito tributário lançado R$ Crédito tributário exonerado R$ Crédito tributário mantido R$ IRPJ 25.933.134,25 8.351.948,00 17.581.186,24 CSLL 12.184.110,25 5.839.763,20 6.344.347,05 PIS 879.963,48 217.150,64 662.812,84 COFINS 4.061.370,08 1.002.233,76 3.059.136,32 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 5498 e 5538, reiterando o alegado em sede de impugnação. Inicialmente, afirmou que a decisão recorrida baseiase em meras suposições e que ela, ao considerar que a empresa estrangeira não é controladora da recorrente, combateu a premissa básica na qual se sustentava a fiscalização, que era a existência de uma estrutura triangular com o intuito de reduzir tributos. Nesse sentido, reiterou que a existência dos dois contratos, nos moldes em que eles foram firmados, decorreu apenas da determinação prevista no edital de licitação da Petrobras. Com relação ao indeferimento dos pedidos de produção de provas, alegou que isso acarretou o cerceamento de defesa, devendo ser nulo o processo, pois estas provas comprovariam exatamente o que os julgadores alegam que não foi provado. Alegou que a decisão recorrida estabeleceu, de forma incorreta, a data de inicio da contagem do prazo decadencial, tendo em vista que, de acordo com o artigo 150, § 4°, do CTN, o prazo para lançamento de IRPJ, CSL, PIS e Cofins é de cinco anos contados da data do fato gerador, pois este é apurado mês a mês. Assim, afirmou que se opera a decadência com relação aos tributos retromencionados no período de 1º de janeiro a 20 de setembro de 2002. Sobre as demais questões de mérito, aproveitase da síntese feita pela recorrente em seu recurso voluntário de fls 5.504 a 5.506, infratranscrita: “a) a empresa estrangeira (SEDCO FOREX INTERNATIONAL SERVICES S.A) não é controladora da Recorrente (o que fulmina a premissa, que está na raiz da autuação fiscal, de que a Recorrente aceitou figurar em contrato com a PETROBRAS que lhe seria financeiramente desvantajoso apenas para assegurar ganhos à empresa estrangeira), existindo apenas uma administração comum, o que não significa em absoluto relação Fl. 6004DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000122/200779 Resolução nº 1103000.132 S1C1T3 Fl. 6.006 12 de controladoracontrolada, muito embora, apesar de a r. decisão recorrida ter compreendido a inexistência de relação de controle, formulou nova denominação, segundo a qual, as empresas estariam interligadas, por meio do contrato firmado com a Petrobrás, e tal vinculo já seria suficiente para criar uma ligação tal, apta a admitir essa suposta "conveniência" na contratação tal como se deu; b) a Recorrente e a empresa estrangeira, ao contrário do que afirma o Sr. Fiscal e a decisão recorrida, não tiveram liberdade para definir o percentual do valor total do contrato que corresponderia ao afretamento de embarcação (que coube à empresa estrangeira, proprietária do bem) e aos serviços prestados (que coube à Recorrente), pois a estrutura do contrato foi previamente definida em edital de licitação da PETROBRÃS, contratante, já anexados nas Impugnações apresentadas e do qual acima se transcreveu trecho esclarecedor!!!; c) os recursos que foram remetidos pela empresa estrangeira à Recorrente não representam remuneração pelos serviços que esta prestou à PETROBRAS, pois foram mera ANTECIPAÇÃO/REEMBOLSO DE DESPESAS incorridas pela Recorrente em favor da própria empresa estrangeira, como se demonstrou à saciedade, através da vasta documentação anexada ás Impugnações, que apesar de desconsiderados na decisão recorrida, são capazes de atestar que efetivamente os recursos recebidos do exterior foram integralmente gastos em beneficio da empresa estrangeira (pois custearam despesas realizadas em favor do pessoal desta ou na conservação e armação da própria embarcação); d) sendo mera antecipação/reembolso de despesas em que a Recorrente incorreu em favor da empresa estrangeira, os recursos provenientes do exterior não representam receita (pois tais valores jamais se incorporaram ao patrimônio da ora Recorrente) e, por isso, não se sujeitam A incidência de IRPJ/CSLUPIS/COFINS. De todo modo, se tais recursos pudessem ser contabilizados como receita (do que se cogita apenas por reverência ao principio da eventualidade, muito embora tenham sido assim considerados pela r. decisão recorrida), seria obrigatória a conclusão de que também as despesas realizadas deveriam ser contabilizadas, as quais caracterizariam despesas operacionais que, como tais, necessariamente seriam oponíveis às "receitas" vislumbradas pela autoridade fiscal, levando à constatação de que, como antecipado, a Recorrente não apresentou lucro/renda suscetível de tributação pelo IRPJ/CSLL no período fiscalizado; d.1) O indeferimento da perícia requerida, bem como de diligência fiscal, impediu, em absoluto, a constatação da totalidade das despesas incorridas. Como a r. decisão considerou as transferências realizadas como receitas da Recorrente, haveria, por pura lógica, que considerar as despesas incorridas, também como despesas da Recorrente. Ao contrário, e de forma muito conveniente, considerou apenas as receitas e Fl. 6005DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000122/200779 Resolução nº 1103000.132 S1C1T3 Fl. 6.007 13 não as despesas, agravado pelo fato de indeferir a produção de provas requeridas, exatamente com esse condão, caracterizando nítido cerceamento de defesa;” Por fim, a recorrente requereu a chancela da decadência do lançamento referente aos períodos anteriores a 6/9/2002, a nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa, a realização de diligências antes do julgamento, e que seja julgada improcedente a autuação fiscal. Requereu também que, se tais pedidos não forem acolhidos, seja concedido o direito de se deduzirem os valores das despesas realizadas da suposta receita auferida. DAS CONTRARAZÕES Tratase de contrarazões ao recurso voluntário interposto pela recorrente contra a decisão da DRJ/RJ, que julgou parcialmente procedente o lançamento presente no Auto de Infração, em que aduz, em síntese, o que segue. Primeiramente, afirma ser improcedente a alegação da recorrente no sentido de que recai a decadência sob os fatos geradores ocorridos entre 1° de janeiro e 20 de setembro de 2002, tendo em vista que o artigo 149, V, do CTN estabelece que a fiscalização pode realizar o lançamento de ofício, e que o artigo 173, I, do CTN prevê que o prazo decadencial dos lançamentos de ofício deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ainda neste sentido, afirmou que outro aspecto que torna improcedente essa alegação do recorrente, referese ao fato de o IRPJ e a CSL, por serem apurados pelo lucro real, apresentarem saldo de imposto a pagar e de CSL a pagar no término do anocalendário, sendo esse o termo inicial do prazo decadencial. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Alegou que a presença ou ausência da relação de controle entre a recorrente e a empresa estrangeira Sedco Forex International Services S.A., não foi fator determinante para a realização do lançamento em questão. Aduziu que mesmo que não exista relação de controle entre as empresas, estas estão vinculadas por pertencerem ao mesmo grupo. Portanto, não é possível reconhecer a alegação da recorrente de que não havia vinculação entre ela e a controladora, mas sim uma aliança devido à comodidade operacional, em que a recorrente atuava de forma gratuita como staff para “cumprir as exigências que o contrato lhe impõe”, não se importando com o grande prejuízo que ela vinha sofrendo. Afirmou que a realização dos dois contratos, nos moldes que eles foram elaborados, decorreu de um acordo entre as contratantes e não de uma imposição pela Petrobras, como foi alegado pela recorrente. Enfatizou que o que motivou o auto de infração foi à omissão de receitas e não o intuito de fraudar, como foi afirmado pela recorrente. Deste modo, alegou que a presente discussão baseiase na análise da natureza jurídica dos valores recebidos pela recorrente: se for comprovado que foi a título de reembolso, ela estará com a razão, mas se for comprovado que foi a título de recuperação de custos é o que indica a análise dos documentos quem estará com a razão será o fisco. Fl. 6006DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000122/200779 Resolução nº 1103000.132 S1C1T3 Fl. 6.008 14 Sendo assim, afirmou que como as notas fiscais e faturas juntadas pela recorrente foram faturadas em nome desta, não pode ser deduzido que os valores recebidos por esta da empresa sediada no exterior foi a título de reembolso, devendo ser o lançamento mantido neste sentido. Com relação à violação da verdade material alegada pela recorrente, afirmou que esta não ocorreu, pois a recorrente não comprovou que os custos não foram contabilizados em seu nome nos resultados apurados nos anoscalendários de 2002 e 2003. Alegou que não houve o cerceamento de defesa, não devendo o indeferimento da perícia acarretar a nulidade da decisão, pois, nos temos do Decreto 70.235/72, o julgador pode indeferir a perícia quando entendêla desnecessária. Neste sentido, alegou que a perícia requerida pela recorrente apenas retardaria o julgamento da lide, não trazendo nenhum aspecto relevante para este. Por fim, requereu que fosse negado provimento ao recurso voluntário interposto e, por conseguinte, mantido o lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 6007DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000122/200779 Resolução nº 1103000.132 S1C1T3 Fl. 6.009 15 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 5881 e 5882 – numeração, somente esta, é a do eprocesso neste voto). Dele, pois, conheço. Sobre a aplicabilidade do prazo decadencial do CTN à CSL, ao PIS e à Cofins, em detrimento do prazo estabelecido no art. 45 da Lei 8.212/911, esse entendimento foi pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, e foi objetivado na Súmula Vinculante nº 8 do STF, nos termos do art. 103A da Constituição Federal2: Súmula Vinculante n° 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O art. 2º da Lei 11.417/06 é impositivo quanto à sua observância3. A ciência dos autos de infração se deu em 21/9/07 – fl. 2058. De plano, é de se afastar a decadência para os lançamentos de IRPJ e de CSL, que tiveram sua apuração anual, conforme a DIPJ/03 (fls. 698 a 743). Só não foram pagas as estimativas de IRPJ e de CSL, por se as terem determinado com base em balanço de suspensão em todos os meses, apuradose prejuízo e base negativa, como se vê da ficha 11 – fls. 704 a 707 e da ficha 16 – fls. 709 a 712 – da DIPJ/03. Resta ver quanto aos lançamentos de PIS e de Cofins. Fazse necessário reconhecer o entendimento veiculado pelo STJ, em sede de procedimento repetitivo. Sucede que, em face do art. 62A, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF 256/09, com a alteração da Portaria MF 586/10), o julgamento no CARF se subordina ao proferido pelo STJ, em procedimento repetitivo, 1 Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. 2 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. 3 Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Fl. 6008DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000122/200779 Resolução nº 1103000.132 S1C1T3 Fl. 6.010 16 conforme o art. 543C do CPC – bem como ao emanado pelo STF, em julgamento de RE sob repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Em matéria de decadência de lançamento, o julgamento do REsp 973.733/SC foi afetado ao procedimento repetitivo, tendo como relator o Ministro Luiz Fux. No acórdão a esse REsp, o STJ consagrou a exegese de que o art. 150, § 4º, do CTN só é aplicável caso haja algum pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação; do contrário, o prazo decadencial é o do art. 173, I, do CTN. Entretanto, o mesmo acórdão do STJ, em seu dispositivo, embora faça remissão ao art. 173, I, do CTN, proclama que o termo a quo do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador! Ora, este prazo não condiz com o do art. 173, I, do CTN, pelo qual o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nem com o do art. 150, § 4º, do CTN. Em que pese o dislate redacional, diante da expressa referência ao art. 173, I, do CTN, inclusive com citações doutrinárias, pareceme que a melhor interpretação do dispositivo do acórdão é o de reconhecer a aplicabilidade do art. 173, I, nos termos do CTN, pois a literalidade redacional do contido no mesmo dispositivo não tem ponto com nenhum termo inicial algum previsto no CTN. Na sessão de julgamento deste recurso, a recorrente apresentou à Turma julgadora, petição protocolada em 7/2/14, com juntada de Darfs de PIS e de Cofins correspondentes a meses anteriores a setembro de 2002. Os lançamentos de PIS e de Cofins compreendem os fatos geradores dos meses de janeiro de 2002 a agosto de 2003 – fls. 2037, 2038, 2044 e 2045. Em face do que havia sido exposto e da circunstância ora descrita, proponho a conversão do julgamento do feito em diligência, com o seguinte quesito para o órgão de origem: verificação se constam pagamentos de PIS e de Cofins da recorrente, em relação a fatos geradores de janeiro a agosto de 2002, no Sistema SINAL07 ou em outro sistema de controle de pagamentos de tributos federais. Após, reabrir o prazo de 30 (trinta) dias para a recorrente, se quiser, manifestar se sobre o relatório de diligência, conforme o art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/11. É o meu voto. Sala das Sessões, em 12 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 6009DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
