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Numero do processo: 10580.009780/2001-12
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 303-00.884
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: PAULO DE ASSIS
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DRJIFORTALEZAlCE R E S O L U ç Ã O N° 303-00.884 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • • RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 11 de junho de 2003 JOÃO H~ COSTA' P= idenl ' '" • k/ PA~óDiASSIS Relator 16 OUT 2003 • Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, NILTON LUIZ BARTOLI e FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE. Ausente o Conselheiro CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS. tIne • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA • RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 125.141 303-00.884 EDN - POLIESTIRENO DO SUL LTDA. DRJ/FORTALEZA/CE PAULO DE ASSIS RELATÓRIO • '. • • A,.' A Recorrente dirige-se a este Conselho (fls. 256 a 276), pleiteando a total reforma do Acórdão recorrido (fls. 230 a 248), que julgou procedente o crédito tributário apurado no Auto de Infração de fls. 02 a 04, conseqüente de supostas irregularidades em operação de drawback. O Acórdão DRJIFOR n° 53.877.627/0001-91, que conclui pela procedência do Auto de Infração diz: 1. Em procedimento de auditoria fiscal, conforme relatório de fls. 15/23, apurou, apuraram o agente fiscal as seguintes infrações relativas ao Ato Concessório 12/06/96 (fl.232): a) em todos os REs correspondentes à infração 3.1.1, constantes dos Anexos 3.01 a 3.09 do estabelecimento cujo CNPJ é 53.877.627/0002-72 (Santos/SP), constatou-se que os mesmos não podem fazer prova do compromisso de exportação, pois todos estes embarques foram realizados por local e estabelecimentos diferentes daquele que constam no Ato Concessório, cujo CNPJ é 53.877.627/0001-91 Camaçari/BA); b) o Contribuinte solicitou a inclusão de novo estabelecimento, através do Aditivo de 30/10/97, no entanto as REs são anteriores à sua emissão, não podendo surtir efeitos sobre elas; c) para todos os REs elencados, correspondentes à infração 3.2.2, as exportações foram realizadas fora do prazo. Conforme aditivo 6-97/000249-0, de 24/11/97, o prazo máximo para exportação que era 12/07/97, foi prorrogado para 07/06/98 e, portanto qualquer embarque efetuado fora desta data não pode ser considerado. 2. Inconformado com o lançamento, o contribuinte o impugnou, nos seguintes termos, em síntese: 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 125.141 303-00.884 • • • • • • 2.1- As importações em tela, efetuadas através do regime de drawback-suspensão estão amparadas pela decadência, em face do que dispõe o art. 150, ~ 4° do CTN, tendo em vista que os tributos cobrados são sujeitos ao lançamento por homologação. Na hipótese de a autoridade administrativa não se manifestar no prazo de 5 (cinco) anos, os fatos geradores ocorridos serão homologados tacitamente, e extintos pela decadência; 2.2- somente a partir da data da homologação é que, se existisse o lançamento (auto de infração), iniciar-se-ia a contagem do prazo prescricional, estando garantido ao Poder Público o prazo de mais 5 (cinco) anos para a cobrança do crédito tributário; 2.3- cotejando-se os artigos 1° c/c o art. 23 do Decreto-Lei 37, de 18/11/66, conclui-se que ocorre o fato gerador dos impostos no momento do registro da DI, os quais ocorreram em junho e outubro de 1996. Portanto, decaiu a Fazenda do direito de constituir crédito tributário em junho e outubro de 2001 . 2.4- considerar o início da contagem do prazo no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que foi emitido o Relatório de Comprovação, conforme consta do A.I., é, na verdade, criar uma hipótese de suspensão à margem da legislação, o que não é permitido. Somente o prazo prescricional admite ser suspenso ou interrompido; 2.5- selando os vícios do presente auto de infração, também houve ofensa à competência exclusiva da CACEX/SECEX para verificação do cumprimento dos compromissos de exportação que a impugnante assumiu pelo regime de drawback; 2.6- essa regra fica mais clara com a leitura do item 20 da Portaria 36/92, onde se estabelece que: O compromisso de exportação será liquidado pela CACEX, mediante: a) comprovação de exportação da quantidade total de mercadorias previstas no Ato Concessório; 2.7- no caso presente, a impugnante cumpriu todas as exigências da CACEX, sendo que o Ato Concessório foi devidamente baixado junto à SECEX (Banco do Brasil), conforme documento 04, e esta, no âmbito de sua competência deu por atendido a tudo que foi exigido do exportador; 2.8- Todos os REs citados, foram embarcados, no máximo, após 1 (um) mês e, em alguns casos, dias após o registro do RE, conforme consta dos documentos 01 aOS; 2.9- A Autoridade Autuante não questionou não questionou a falta de exportação do produto industrializado, corroborado pelo relatório expedido pela 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 125.141 303-00.884 • • • CACEXlSECEX, mas demonstrando espírito fiscalista, se ateve a fatos irrelevantes nas obrigações acessórias, para a lavratura do Auto de Infração; 2.10- diante do exposto, não se pode alegar o descumprimento do regime de drawback, pelo simples fato de erros formais, uma vez que o objetivo primordial, a exportação, foi cumprido. 2.11- Nessas condições, pleiteia: a) acolhimento da preliminar de decadência, extinguindo o crédito tributário, nos termos do art. 156 do CTN, com o arquivamento de AIlM; b) caso o item "a" não seja acolhido, requer que seja declarada a incompetência da SRF para lavrar o respectivo Auto de Infração, extinguindo o crédito tributário, nos termos do artigo 156,IX do CTN, com o arquivamento do auto de infração; c) caso os pedidos anteriores não sejam acolhidos, requer o reconhecimento do descabimento da multa de 75% aplicada no presente auto de infração. No voto que completa o Acórdão em tela, destaca-se: a) a exegese do art.173, I, do CTN, permite a inferência de que a contagem do prazo decadencial, no regime de drawback suspensão, deve ser considerada o término do regime, pela real impossibilidade de serem exigidos os tributos não recolhidos por ocasião do despacho aduaneiro, em face da habilitação da empresa, no regime que ora se analisa, e a efetiva possibilidade do adimplemento do compromisso de exportação nos termos acordados; b) a Questão Tributária- É de Natureza Jurídica, pois sendo a obrigação tributária de natureza "ex-lege", tem como primado a legalidade, que tem como corolário a segurança jurídica. Logo, ao ser habilitada no regime de drawback suspensão, as condições foram previamente acordadas e .materializadas no Ato Concessório que ampara o dito regime, de sorte que somente após o vencimento do prazo para a exportação das mercadoria, após ser informada pela SECEX, através do Relatório Final de Comprovação de 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA • • • RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 125.141 303-00.884 Drawback, poderá a SRF, se constatado o inadimplemento do compromisso estipulado, exigir os tributos não recolhidos; c) no caso em comento, não se pode falar de suspensão de um prazo que não começou a fluir, haja vista que estando em curso o regime, não se pode concluir pelo seu inadimplemento, já que durante a vigência do mesmo poderá a empresa alterá-lo através aditivos adequados; d) tratando-se de incentivo que envolve dois órgãos, somente após a emissão do Relatório Final de Comprovação de Drawback, emitido pela SECEX, poderá a SRF verificar se houve descumprimento dos requisitos estabelecidos no Ato Concessório; e) o Relatório de Comprovação de Drawback foi emitido em 23/02/99 (fl. 36) e o Auto de Infração foi lavrado em 17/02/01 e aperfeiçoado em 19/12/01, afastada a hipótese de decadência; f) a incidência dos juros de mora está prevista no art. 161 do CTN: "Art. 161- O Crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. S 10 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês"; g) foram, portanto, aplicados aos débitos objeto da presente lide, o percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia-SELIC, com escopo na legislação específica citada às fls. 12; h) aclare-se que, em que pese a respeitável jurisprudência administrativa citada, esta não tem o condão de vincular as decisões na primeira instância administrativa, pois o julgador é livre para formar sua convicção ante as provas dos autos e à luz das normas de regência da matéria, ademais há ementas de acórdãos citados que não se coadunam com a espécie tratada nos autos. 5 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 125.141 303-00.884 '. ,. • • Nas razões de recurso, o Contribuinte mantém a mesma linha de argumentação apresentada na peça impugnatória. É o relatório. 6 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 125.141 303-00.884 VOTO • • • O recurso apresenta os requisitos de admissibilidade. Dele tomo conhecimento e passo a decidir. PRELIMINAR DE NULIDADE: DECADÊNCIA Que a fazenda não poderia constituir o crédito tributário durante o período de suspensão, que se estende até o Relatório de Comprovação de Drawback, o qual foi emitido em 23/02/99 (fl. 36), é fato inconteste. A construção intelectual elaborada pelo Fisco, com base nesse fato, para que somente a partir daí se possa iniciar a contagem do período de decadência, é lógica e intuitiva. Encontra abrigo no art. 173 do CTN "O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I- do primeiro dia do exerCÍcio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado." Também encontra amparo no Parecer 53, de 22 de julho de 1999, da COSIT (fl. 238). Entretanto, as penalidades aplicadas ao Contribuinte, no Auto de Infração lavrado em 17/02/01 e aperfeiçoado em 19/12/01, com a cientificação, reportam-se ao registro das DI (07/10/96; 16/11/96; 4/12/96; e 7/06/96), e assinalam estas datas como as do fato gerador, e não a de 23/02/99, data da emissão do Relatório de comprovação de Drawback. Nem poderia ser diferente, pois a data do fato gerador do imposto de importação sobre mercadoria estrangeira é a do registro da D.I. na repartição aduaneira (Decreto-lei 37/19, artigos 10e 23). Estamos, pois, diante de um paradoxo de causalidade. A decisão de Primeira Instância, ao manter o Auto de Infração, validou a data do fato gerador como a do registro das Dls, portanto, a partir daí iniciou a contagem do prazo para decadência, determinada pela modalidade do lançamento. A conclusão do Acórdão recorrido difere, por isso, de seu fundamento. Acato as razões expostas pelo Contribuinte, e VOTO favoravelmente à preliminar de decadência por ele sustentada . MÉRITO Não há qualquer dúvida de que as exportações referentes ao Ato Concessório em questão foram cumpridas. As causas que levaram o Fisco a emitir o Auto de Infração, foram duas. A primeira, decorrente do fato de ter o exportador se utilizado de sua filial de Cubatão para remeter parte das mercadorias para o exterior, 7 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 125.141 303-00.884 • • • • ao invés do Porto de Aratu, próximo ao estabelecimento da Matriz, em Camaçari, ou mesmo o de Salvador; e a segunda porque uma parte das mercadorias foi embarcada após a data de 07/06/98, que constava do Ato Concessório. A exportação pelo porto de Santos, com auxílio da filial da empresa detentora do Ato Concessório, regularizado administrativamente pelo aditivo 6- 97/000233-4, e a exportação com alguns dias de atraso em relação à data de 07/06/98, são condições acessórias plenamente justificáveis e regularizáveis, insuficientes para invalidar o requisito essencial do drawback, ou seja a exportação. Resultam de obstáculos que o produtor enfrenta no seu dia a dia, seja com as condições de tempo, disponibilidade de navios e de praças, problemas diversos com armadores e clientes e com seu próprio sistema produtivo. É claro que cuidados administrativos não podem ser negligenciados, mas eles existem e deve o poder público e o empresariado agir com moderação, bom senso e união de propósitos para superá-los . Agindo todos assim, poderá o Brasil cumprir o objetivo declarado mas nunca concretizado de ocupar um lugar importante no mercado mundial, ao invés de ser um pífio participante, na casa de 1% (um por cento) do total mundial. O "site" da Organização Mundial do Comércio, disponível na internet oferece informações à respeito. VOTO no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 11 de junho de 2003 ~ / ,:4 / PA' O DE ASSIS - Relator 8 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
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Numero do processo: 14485.000269/2007-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 08 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2005 a 28/02/2007
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA PESSOA JURÍDICA.
Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao segurado empregado incide contribuição previdenciária a cargo da pessoa jurídica.
CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO.
São devidas as contribuições destinadas a terceiros (FNDE, INCRA, SESC. SENA e SEBRAE) a cargo das empresas em geral sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços.
PROCESSUAIS NULIDADE
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LEIS PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judicias, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquela objeto da decisão.
MULTA. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. SÚMULA CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 2202-007.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 28/02/2007 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA PESSOA JURÍDICA. Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao segurado empregado incide contribuição previdenciária a cargo da pessoa jurídica. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO. São devidas as contribuições destinadas a terceiros (FNDE, INCRA, SESC. SENA e SEBRAE) a cargo das empresas em geral sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços. PROCESSUAIS NULIDADE Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LEIS PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judicias, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquela objeto da decisão. MULTA. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. SÚMULA CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 4.
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CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA PESSOA JURÍDICA. Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao segurado empregado incide contribuição previdenciária a cargo da pessoa jurídica. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO. São devidas as contribuições destinadas a terceiros (FNDE, INCRA, SESC. SENA e SEBRAE) a cargo das empresas em geral sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços. PROCESSUAIS NULIDADE Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LEIS PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judicias, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquela objeto da decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 02 69 /2 00 7- 80 Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-007.412 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14485.000269/2007-80 MULTA. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. SÚMULA CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 16-15.308 (fls. 91/) – 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), em sessão de 30 de outubro de 2007, que julgou procedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD 37.099.962-2. Consoante o “Relatório da Notificação de Lançamento de Débito” elaborado pela autoridade fiscal lançadora (fls. 20/21), trata-se de crédito tributário lançado contra a pessoa jurídica acima identificada, em valor original de R$ 776.903,84, correspondente a valores apurados sobre as remunerações pagas aos segurados empregados referentes à contribuição previdenciária devida pela empresa; a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), e aquelas arrecadadas pela Previdência para terceiros, conforme Convênio, a saber: Salário Educação, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI, Serviço Social da Indústria - SESI e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas — SEBRAE. O lançamento refere-se ao período de 07/2005 a 02/2007 e serviram de base para o levantamento do débito as informações prestadas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempos de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), cujos recolhimentos não foram comprovados em sua integralidade, como dispõe o inciso IV do artigo 225 do Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-007.412 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14485.000269/2007-80 Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. A ação fiscal de fato teve como objetivo analisar e regularizar divergências apontadas no batimento GFIP x GPS de fato gerador específico (GFIP), atendo-se a tal procedimento. Inconformada com o lançamento fiscal a autuada apresentou impugnação, documento de fls. 27/52, onde alega a existência de “inúmeras ilegalidades” na legislação de regência e cobrança das contribuições ora objeto de lançamento, posto que a norma infraconstitucional ampliou as hipóteses de incidência, tendo em vista que o conceito de "salário" não se confunde com o de remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título. Entende assim que . que “a Lei n° 8.212/91 inexiste para o mundo jurídico, sendo que, até a edição de nova lei dispondo sobre o artigo 195 da Carta Magna, não há norma válida que lhe obrigue ao recolhimento da contribuição previdenciária nos moldes irregulares que vinham sendo cobrada.”. Pelo mesmo motivo, é apontada a ilegalidade da cobrança do adicional para o GILRAT, complementando que ademais, o legislador deixou de especificar quais são as atividades de risco de acidente de trabalho configuradas como leve, médio ou grave, não preenchendo na íntegra o critério da norma matriz de tributação, abrindo espaço para o Executivo preencher a lacuna contida na lei em comento. Por tal motivo, afirma que não há norma válida que lhe obrigue ao recolhimento da contribuição para o seguro de acidentes do trabalho nos moldes irregulares que vinha sendo cobrada. No que se refere às contribuições devidas a terceiros: - entende descabida a cobrança do Salário-Educação uma vez, mesmo que instituído de forma irregular por meio de Decreto-Lei, tal exação não teria sido recepcionada pela Constituição da República de 1988, citando jurisprudência que entende dar guarida a tal tese; - quanto à contribuição para o INCRA, advoga que o artigo 15 da Lei- Complementar n° 11, de 25 de maio de 1974, a qual instituiu o Programa de Assistência ao Trabalhador Rural, considerada como sujeito passivo de referida contribuição as empresas ou empregadores que atuam na área rural. Afirma que mantém atividades exclusivamente no âmbito urbano, sendo, portanto, indevida tal exigência, uma vez que comprovada “a ilegalidade da respectiva cobrança, tendo em vista que não é exigível o pagamento da contribuição relativa ao INCRA de empresa vinculada exclusivamente à previdência urbana.”; - afirma que segundo as normas que introduziram a cobrança da contribuição destinada ao SESC, os contribuintes seriam os estabelecimentos comerciais que estejam enquadrados pela Confederação Nacional do Comércio. Situação diversa de sua qualificação, por se tratar de pessoa jurídica de direito privado, que mantém atividades de prestação de serviços na área educacional. Complementa que a norma é ainda mais restritiva, no que se refere à sujeição passiva da contribuição para o SESC, uma vez que não bastaria ser estabelecimento comercial, mas ainda deve estar devidamente catalogada no mapa de enquadramento sindical. Sendo assim, “ tendo em vista que há brutal diferença entre a atividade do comerciante e do prestador de serviço, não poderia os agentes do INSS ampliar o rol das empresas sujeitas à imposição tributária, por conta própria.” Conclui que não exercendo atividades comerciais, sendo enquadrada como empresa de prestação de serviços, tal cobrança feriria o princípio da estrita legalidade tributária, expresso no artigo 50, inc. II da Constituição e artigo 150, I e 97 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966). - nesse mesmo sentido, considera que a contribuição para o SEBRAE foi instituída como um adicional das contribuições para o SESC e SENAC., por consequência, pelas Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-007.412 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14485.000269/2007-80 mesma razões acima expostas, afirma que não estaria sujeita a tal pagamento, por também se tratar de cobrança ilegal. Ao final, alega a ilegalidade da cobrança dos juros de mora com base na Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custodia (SELIC), citando jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e também contesta a imposição da multa, requerendo sua relevação. Sob o argumento de que “não haverá cobrança de multa se a obrigação principal deixar de existir por vício no vínculo obrigacional”. Assim como, pelo fato de que: “não pode haver distorção entre a medida estabelecida em lei e o fim por ela objetivado, determinando que o modo de combater e punir os ilícitos fiscais deve se disposto com penalidades que guardem adequação dos meios e dos fins, sob pena de violação ao princípio da razoabilidade e a proporcionalidade.” A impugnação foi considerada pela autoridade julgadora de piso tempestiva e de acordo com os demais requisitos de admissibilidade, não obstante, foi mantido o lançamento por aquela autoridade. A decisão exarada apresenta a seguinte ementa: DIREITO PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. FATO GERADOR DECLARADO EM GFIP. OBRIGAÇÃO DE RECOLHER NO PRAZO LEGAL: As informações prestadas pela empresa através da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP possuem caráter eminentemente declaratório, sendo hábeis para constituição do crédito previdenciário nos termos da Lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO: A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE PAGAMENTOS A SEGURADOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS: Nos termos do art. 22, incisos I, II, III e § 10 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, incide contribuição social sobre o valor pago aos segurados empregados e contribuintes individuais por serviços prestados no decorrer do mês. TERCEIROS. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. A contribuição do Salário-Educação é constitucional, sendo devida pelas empresas vinculadas à Seguridade Social, ressalvadas as exceções legais. TERCEIROS. INCRA: A contribuição destinada ao INCRA é devida tanto pela empresa urbana como pela empresa rural. TERCEIROS. SESC. SEBRAE. São devidas contribuições ao SESC pelos estabelecimentos de ensino, prestadores de serviços que utilizam empregados outrora segurados do antigo Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários, na forma do Decreto-Lei n.° 2.381, de 1940, e adicionalmente, contribuições ao SEBRAE, por força do artigo 8°, § 3°, da Lei 8.029/90, com redação dada pela Lei 8.154/90. SAT/RAT. A contribuição da empresa, para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, varia de 1% a 3%, de acordo com o risco de acidentes do trabalho de sua atividade preponderante. A cobrança do SAT reveste-se de legalidade –os elementos necessários à sua exigência foram definidos em lei, sendo que os decretos regulamentadores em nada a excederam. MULTA. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem, a partir de 01.04.1997, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Fl. 198DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-007.412 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14485.000269/2007-80 O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no § 1° do art. 161. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE: A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente Irresignada com a decisão de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 120/115), onde pugna pela necessidade de anulação da decisão de piso e volta aos mesmos argumentos articulados na impugnação: - ratifica a argumentação quanto à existência de “inúmeras ilegalidades” na legislação de regência e cobrança das contribuições ora objeto de lançamento, posto que a norma infraconstitucional ampliou as hipóteses de incidência, tendo em vista que o conceito de "salário" não se confunde com o de remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título. Reafirma a alegação de que “a Lei n° 8.212/91 inexiste para o mundo jurídico, sendo que, até a edição de nova lei dispondo sobre o artigo 195 da Carta Magna, não há norma válida que lhe obrigue ao recolhimento da contribuição previdenciária nos moldes irregulares que vinham sendo cobrada.”. - pelos mesmos motivos, voltar a arguir a ilegalidade da cobrança do adicional para o GILRAT, além de afirmar que o legislador teria deixado de especificar quais são as atividades de risco de acidente de trabalho configuradas como leve, médio ou grave, não preenchendo dessa forma, na íntegra, o critério da norma matriz de tributação. Dessa forma, no mesmo sentido das conclusões relativas à contribuição de 20% incidente sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, entende que não há norma válida que lhe obrigue ao recolhimento da contribuição para o seguro de acidentes do trabalho nos moldes irregulares que vem sendo cobrada; - contesta novamente o lançamento relativo às contribuições devidas a terceiros (Salário-Educação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE), pelos mesmos motivos apontados na impugnação, acima relatados; - da mesma forma, volta a suscitar a ilegalidade da cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC, citando jurisprudência do STF, assim como, contesta a imposição da multa, requerendo sua relevação, sob os mesmos argumentos constantes da impugnação. Ao final, requer o total cancelamento da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. A recorrente foi intimada da decisão de primeira instância, por via postal, em 13/02/2008, conforme atesta o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 117. Tendo sido o recurso ora objeto de análise protocolizado em 03/03/2008, conforme atesta o carimbo aposto pelo Centro de Atendimento ao Contribuinte – CAC Santo Antônio, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo/SP (fl. 120), considera-se tempestivo, assim como, atende aos demais requisitos de admissibilidade, deve portanto ser conhecido. Fl. 199DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-007.412 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14485.000269/2007-80 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADES DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA OU CREDITADA AOS SEGURADOS A SEU SERVIÇO Advoga a recorrente a existência de “inúmeras ilegalidades” na legislação de regência e cobrança das contribuições objeto do presente lançamento Argumenta que a norma infraconstitucional ampliou as hipóteses de incidência, tendo em vista que o conceito de "salário" não se confunde com o de remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título. Assim, conclui que a nº 8.212, de 1991: “inexiste para o mundo jurídico, sendo que, até a edição de nova lei dispondo sobre o artigo 195 da Carta Magna, não há norma válida que lhe obrigue ao recolhimento da contribuição previdenciária nos moldes irregulares que vinham sendo cobrada.”. De início há que se destacar que a presente notificação foi lavrada em face da constatação do não recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados. Serviram de base para o levantamento do débito as informações prestadas nas GFIP’s, cujos recolhimentos não foram comprovados em sua integralidade, em estrita obediência ao que dispõe o art. 37 da Lei nº 8.212, 24 de junho de 1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Conforme apontado no anexo “FLD - Fundamentos Legais do Débito” (fls. 15/16), a contribuição da pessoa jurídica incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, tem como fundamento o art. 22, inc. I da Lei nº 8.212 de 24 de junho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876, de 26, de novembro de 1999) e arts. 12, I e paragrafo único; 201, I, paragrafo 1º e art. 216, I, ..b. do Regulamento da Previdência Social. Dessa forma, os procedimentos adotados pela autoridade fiscal lançadora estão definidos em atos normativos de observância obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, segundo prevê o art. 142, parágrafo único do CTN. Além do que, nos termos da Súmula CARF nº 2, que é de observância obrigatória pelos Conselheiros, não cabe a este Conselho se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Confira-se: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, os procedimentos fiscais adotados no presente lançamento decorrem de expressa previsão legal. Sendo a atividade administrativa vinculada e obrigatória, uma vez detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, cabe à autoridade tributária proceder ao lançamento, com os devidos acréscimos legais, conforme previsão normativa, não havendo permissivo legal que autorize a dispensa do lançamento por alegações de supostas inconstitucionalidades da norma, uma vez presente a hipótese caracterizadora de sua cobrança. Cumpre também pontuar, que as decisões administrativas e judiciais que a recorrente trouxe ao recurso são desprovidas da natureza de normas complementares e não vinculam decisões deste Conselho, sendo opostas somente às partes e de acordo com as Fl. 200DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-007.412 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14485.000269/2007-80 características específicas e contextuais dos casos julgados e procedimentos de onde se originaram. Embora o Código Tributário Nacional considere as decisões de órgãos colegiados como normas complementares à legislação tributária, tal inclusão se subordina à existência de lei que confira a essas decisões eficácia normativa. Como inexiste, até o presente momento, lei que atribua a efetividade de regra geral a essas decisões, tais acórdãos têm sua eficácia restrita às partes do processo, não produzindo efeitos em outras lides, ainda que de natureza similar à hipótese julgada. Destaque-se o fato de que a autuada não apresentou quaisquer questionamentos atinentes aos valores lançados propriamente ditos, limitando-se a alegações de inconstitucionalidade da norma. Sem razão assim a recorrente, devendo ser mantidos o lançamento por seus próprios fundamentos. SEGURO ACIDENTE DE TRABALHO - SAT Defende a autuada a tese de que a contribuição para o Seguro Acidente de Trabalho – SAT - encontra-se eivada de manifesta inconstitucionalidade, não havendo assim norma válida que a obrigue ao recolhimento da contribuição nos moldes irregulares como cobrada. A contribuição para o SAT encontra previsão na Lei n° 8.212, de 1991, que fixou as alíquotas distintas para a sua incidência. A seu turno, ao regulamento coube a tarefa de definir a atividade preponderante, para o enquadramento legal nos correspondentes graus de riscos das atividades desenvolvidas pelas empresas. Nos termos assentados já no início do presente voto, é vedado ao órgão julgador administrativo negar a vigência a normas jurídicas por motivo de alegada ilegalidade de lei ou inconstitucionalidade. Não obstante, cumpre esclarecer que o Supremo Tribunal Federal já se manifestou a respeito do SAT, por meio RE 343.4462/SC, aduzindo, inclusive, a desnecessidade de Lei Complementar para instituição da sobredita contribuição, bem como que não há ofensa aos art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal, consoante a ementa a seguir transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, I; art. 5º, II ; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido”. (RE 343.4462/ SC, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2003 Fl. 201DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-007.412 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14485.000269/2007-80 Também ficou assentado em tal julgamento que, as Leis 7.787, de 1989, art. 3º, II, e 8.212, de 1991, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. E o fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I Por outro lado, conforme já esposado, este Conselho é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, correta assim a autuação quanto ao lançamento do SAT. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA Advoga a recorrente a tese de que, para submissão à contribuição para o deve ser o sujeito passivo empresa ou empregador que atuem na área rural. Sendo assim ilegal a presente cobrança, tendo em vista que não é exigível o pagamento da contribuição relativa ao INCRA de empresa vinculada exclusivamente à previdência urbana, situação na qual se encaixa, posto que mantém atividades exclusivamente no âmbito urbano. Diferentemente do entendimento da contribuinte, a contribuição destinada ao INCRA, possui clara previsão legal, que continua vigente, e é devida pelas pessoas jurídicas em geral, ressalvadas expressas exceções, independente de se localizarem em áreas urbanas ou rurais, ou do desenvolvimento de atividades tipicamente rurais ou não. Tal contribuição tem sua base legal expressa no auto de infração, com especial destaque para a Lei nº 2.613, de 26 de setembro de 1965. O tema também já objeto de expressas manifestações dos tribunais superiores, quanto à legalidade da exação incidente sobre atividades urbanas ou rurais, vez que de interesse de toda a coletividade dos trabalhadores (RE’s nºs 225.368, Rel. Min. Ilmar Galvão, 263.208, Rel. Min. Néri da Silveira, 254.634, Rel. Min. Sydney Sanches). Confira-se nas seguintes ementas: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitando-se a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratando-se de agravo interno manifestamente infundado, impõe-se a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento Fl. 202DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-007.412 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14485.000269/2007-80 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS 7.789/89 E 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. I - Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando el conclusão de que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei n° 7.787/89, nem pela Lei n° 8.212/91, ainda estando em vigor. II - Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp n° 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, sessão de 27/09/2006. Naquele julgado restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei n° 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei n° 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. III - Agravo regimental improvido. (STF - AgRg no Resp - AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 841598/RS. Processo 2006/0084114-0. Decisão 19/04/2007. Primeira Turma Rel. Min. Na existência de previsão na legislação para o lançamento de créditos tributários, como no caso concreto, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (CTN, art. 142, parágrafo único). Não sendo possível a este colegiado deixar de aplicar a legislação citada por suposta inconstitucionalidade ou não recepção da legislação pela EC 33, de 2001. Nesse sentido, temos a Súmula CARF nº 2, que determina não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÕES PARA O SEBRAE / SESC / SENAC Também quanto à contribuição devida ao SEBRAE, o entendimento pacífico do STF é no sentido de que tal contribuição, prevista no art. 8°., § 3°., da Lei n. 8.029, de 1990, é constitucional e que prescinde de vinculação direta entre o contribuinte e o benefício decorrente da aplicação dos valores arrecadados (tese defendida pela recorrente). Confira-se: CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS – SEBRAE. INSTITUIÇÃO POR MEIO DE LEI ORDINÁRIA. CONSTITUCIONALIDADE. A decisão agravada está em perfeita consonância com o entendimento firmado pelo Plenário desta Corte, ao julgar o RE 396.266, rel. Ministro Carlos Velloso, DJ 27.02.2004. Entendeu-se, nesse julgamento, que a cobrança da contribuição destinada ao SEBRAE é constitucional, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Enfatizou-se, ainda, não ser necessária a vinculação direta entre o contribuinte e o benefício decorrente da aplicação dos valores arrecadados. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF, 2ª T. RE-AgR 367.973/PR. Rel. Min. Joaquim Barbosa. DJ 10/06/2005, p. 57. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. C.F., art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. - As contribuições do art. 149, C.F. - contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas - posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, C.F., isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, C.F., decorrente de "outras Fl. 203DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-007.412 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14485.000269/2007-80 fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: C.F., art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: C.F., art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. II. - A contribuição do SEBRAE - Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 - é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do D.L. 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, C.F. III. - Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º, do art. 8º, da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. IV. - R.E. conhecido, mas improvido. (STF, Tribunal Pleno. RE 396.266/SC. Rel. Min. Carlos Velloso. DJ 27.02.2004, p. 22). CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO As MICRO E PEQUENAS EMPRESAS - SEBRAE. INSTITUIÇÃO POR MEIO DE LEI ORDINÁRIA. CONSTITUCIONALIDADE. A decisão agravada está em perfeita consonância com o entendimento firmado pelo Plenário desta Corte, ao julgar o RE 396.266, rel. Ministro Carlos Velloso, DJ 27.02.2004. Entendeu-se, nesse julgamento, que a cobrança da contribuição destinada ao SEBRAE é constitucional, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Enfatizou-se, ainda, não ser necessária a vinculação direta entre o contribuinte e o beneficio decorrente da aplicação dos valores arrecadados. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF, 2ª T. RE-AgR 367.973/PR. Rel. Min. Joaquim Barbosa. DJ 10/06/2005, p. 57) Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Contribuição em favor do SEBRAE. Lei complementar. Desnecessidade. 3. Ausência de vinculação do contribuinte e beneficio direto. 4. Agravo regimental a que se nega provimento." (STF, 2' T. REAgR 399.649/PR. Rel. Min. Gilmar Mendes. DJ 19.11.2004, p. 34). O mesmo entendimento aplica-se à contribuição para o SEST/SENAC, cumprindo registrar que, sob a sistemática dos recursos representativos de controvérsia, Superior Tribunal de Justiça firmou o seguinte entendimento: (...) os empregados das empresas prestadoras de serviços não podem ser excluídos dos benefícios sociais das entidades em questão (SESC e SENAC) quando inexistente entidade específica a amparar a categoria profissional a que pertencem. Na falta de entidade específica que forneça os mesmos benefícios sociais e para a qual sejam vertidas contribuições de mesma natureza e, em se tratando de empresa prestadora de serviços, há que se fazer o enquadramento correspondente à Confederação Nacional do Comércio - CNC, ainda que submetida a atividade respectiva a outra Confederação, incidindo as contribuições ao SESC e SENAC que se encarregarão de fornecer os benefícios sociais correspondentes. (...). (STJ. REsp nº 1255433/SE, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/05/2012, DJe 29/05/2012) Assim, no mesmo sentido da contribuição para o INCRA, havendo expressa previsão legislativa para a cobrança das contribuições para o SEBRAE/SESC/SENAC, não é possível a este colegiado deixar de aplicar a legislação citada por supostas inconstitucionalidade ou ilegalidades, Nesse sentido a já reportada Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” CONTRIBUIÇÕES PARA O FNDE – SALÁRIO-EDUCAÇÃO Na mesma linha das contribuições destinadas a terceiros analisadas nos tópicos acima, também no que se refere ao salário-educação o Supremo Tribunal Federal assentou Fl. 204DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-007.412 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14485.000269/2007-80 entendimento, conforme julgamento ocorrido 02/02/2012, sob o rito de repercussão geral (art. 543-B do CPC/73), no RE nº 660.933/SP, que a cobrança do salário-educação é constitucional e compatível com o regime da Lei nº 9.424 de 24 de dezembro de 1996. Tal conclusão foi objeto da Súmula 732 daquele tribunal, verbis: Súmula STF nº 732 É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/1996. De se rejeitar, portanto, também a irresignação da recorrente quanto à cobrança do salário-educação. MULTA E JUROS DE MORA – TAXA SELIC A multa aplicada no presente lançamento, nos termos explicitados no anexo “FLD - Fundamentos Legais do Débito” (fls. 15/16), tem como fundamento o art. 35 da Lei nº 8.212 de 1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876, de 26, de novembro de 1999), que apresenta a seguinte redação: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) II - para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (...) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere Fl. 205DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-007.412 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14485.000269/2007-80 o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999 Portanto, tal multa, aplicada no presente lançamento, decorre de expressa previsão legal, cabe à autoridade tributária proceder ao devido lançamento, não havendo permissivo legal que autorize a dispensa do lançamento da respectiva multa, uma vez presente a hipótese caracterizadora de sua cobrança. Cumpri repisar o fato de que este Conselho não possui competência para pronunciamento sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à cobrança dos juros moratórios mediante aplicação da taxa SELIC, também há orientação expressa deste Conselho quanto ao tema, consolidada na Súmula CARF nº 4, que possui efeito vinculante, conforme a Portaria nº 277, de 7 de junho de 2018, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Portanto, mais uma vez sem razão a recorrente quanto a tal tópico. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso e no mérito negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Fl. 206DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19647.008373/2004-93
Turma: Primeira Turma Especial
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES
ANO-CALENDÁRIO: 2000
Simples. Exclusão. Sociedades cujo sócio ou titular participe com
mais de 10% do capital de outra pessoa jurídica não pode optar
pelo regime tributário do Simples se a receita bruta global
ultrapassar o limite legal.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 391-00.015
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VINICIUS BRANCO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA N, • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA TURMA ESPECIAL Processo n° 19647.008373/2004-93 Recurso n° 138.453 Voluntário Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO Acórdão n° 391-00.015 Sessão de 23 de setembro de 2008 Recorrente COMÉRCIO E INDÚSTRIA BRAEL LTDA. Recorrida DRJ/RECIFE/PE • ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES ANO-CALENDÁRIO: 2000 Simples. Exclusão. Sociedades cujo sócio ou titular participe com mais de 10% do capital de outra pessoa jurídica não pode optar pelo regime tributário do Simples se a receita bruta global ultrapassar o limite legal. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Terceiro Conselho de • Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. ..„/111/11111111r~".4" VINÍCIUS B • I CO — Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e José Fernandes do Nascimento (Suplente). Ausente a Conselheira Priscila Taveira Crisóstomo. Processo n° 19647.008373/2004-93 CCO3/T91 Acórdão n.° 391-00.015 Fls. 65 Relatório O contribuinte foi excluído do SIMPLES através do ADE DRF/REC n° 520.804, de 2/8/2004, uma vez que um de seus sócios participa do capital de outras pessoas jurídicas, e a receita bruta global ultrapassou o limite legal. O Recorrente contestou o ato de exclusão, alegando, em sua defesa, que o ato declaratório excludente seria retroativo, e como tal, não poderia produzir efeitos para alcançá- lo em 01/02/2002, por falta de previsão no ordenamento jurídico. Acrescentou ainda que não teria sido observado pela autoridade fiscal o art. 23, parágrafos 2°. e 3 0. da Lei n°9.317/96. • Por fim, informa ter regularizado a situação mediante exclusão do sócio cuja participação em outras sociedades deu ensejo à exclusão, razão pela qual não poderia ela prevalecer. Junta cópias de alterações no contrato social da sociedade cuja participação de um dos sócios teria provocado a exclusão, e reitera o pedido de cancelamento desse ato. O r. acórdão recorrido manteve a decisão de excluir o Recorrente do sistema Simples, entendendo que este teria produzido efeitos a partir da data prevista no art. 24, inciso II, parágrafo único da Instrução Normativa SRF n° 355/2003, ou seja, 1°/1/2002. É o relatório. 2 Processo n° 19647.008373/2004-93 CCO3/T91 Acórdão n.° 391-00.015 Fls. 66 Voto Conselheiro Vinícius Branco, Relator O recurso deve ser conhecido, porquanto tempestivo e interposto segundo as formalidades legais. No mérito, o referido recurso não merece provimento. É que pelo que consta dos autos, as participações societárias que deram margem à exclusão da empresa do sistema SIMPLES eram mantidas em data anterior à do ato excludente, razão pela qual não há que se falar em retroação. Pelo contrário, a aplicação ao • caso dos autos do art. 24, inciso II, parágrafo único da Instrução Normativa SRF no. 355/2003 somente vem beneficiar o contribuinte, na medida em que fixou como marco para efeito de exclusão o dia 1/1/2002, e não a data de início de suas atividades. Quanto à pretensa regularização de sua situação fiscal mediante alteração do contrato social da Recorrente e demais empresas, indicando a retirada ou redução do investimento de um dos sócios, vejo que esses atos somente foram registrados no órgão competente em 2004, ou seja, muito após a irregularidade confirmada pelo ato excludente. Recorde-se que eventuais modificações feitas após a ocorrência dos fatos que motivaram a exclusão no contrato social da empresa investida não têm o condão de retroagir para afastar os efeitos ato excludente. Equivocado também o entendimento manifestado pelo Recorrente em relação à não observação do art. 23, parágrafos 2°. e 3°. da Lei no. 9.317/96, pois a norma aplicável ao caso dos autos é aquela prevista no art. 9 0, inc. IX da referida lei. Por essas razões, conheço do recurso voluntário de fls. e no mérito, nego-lhe provimento. Sala das Sessões, em de setembro de 2008 .0101011rÁg I I I I I I 11/~ I i-(-"fln- • e Relator 3
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Numero do processo: 11543.000759/2001-61
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 303-00.877
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
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':JO t.". ... • l MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA •• PROCESSO N° SESSÃO DE RECURSO N° RECORRENTE RECORRIDA 11543.000759/2001-61 13 de maio de 2003 126.735 ARACRUZ CELULOSE S.A. DRJIRECIFE/PE R E S O L U ç Ã O N° 303-00.877 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • • • RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 13 de maio de 2003 1:5 JUN 20m Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, PAULO DE ASSIS, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS, NILTON LUIZ BARTOLI e NANCI GAMA (Suplente). tmc • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA • RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 126.735 303-00.877 ARACRUZ CELULOSE S.A. DRJ/RECIFE/PE JOÃO HOLANDA COSTA RELATÓRIO • • • Em Auto de Infração, lavrado em 13/06/2001, foi exigido do contribuinte o pagamento do Imposto Territorial Rural, exercício 1997, incidente sobre o imóvel rural denominado Bloco 13 - AR, pertencente à empresa Aracruz Celulose S.A, Município de Aracruz/ES, registrado na SRF sob o número 4612072.6, com área total de 3.315,5 ha. O Auto de Infração objetivou a glosa de uma área de 652,7 hectares declarados como de reserva legal, pelo fato de que: a) conquanto o Ato Declaratório Ambiental seja emitido em data de 21 de setembro de 1998, e assim dentro do prazo previsto no art. 3° da IN-SRF nO56/98 comprovando a regularização da área de preservação permanente de 584,4 ha, no entanto, a área de reserva legal de 652,7 ha não está regularizada. Consta que o IDAF do ES deram um prazo mínimo de um ano para a averbação e o IBAMA que é o órgão competente para adiar tal averbação da área, não existindo convênio firmado com o IDAF neste sentido. Finalmente foi verificado que os documentos apresentados haviam sido emitidos em fev/99 quando a IN-SRF dispõe que o prazo da empresa é de seis meses, contados da entrega da declaração do ITR, para protocolizar o requerimento do ADA junto ao mAMA, sendo pré-requisito da obtenção do ADA a averbação da reserva legal no registro de imóveis (inciso I, do parágrafo 4° do art. 10 da IN-SRF 43/97) e a averbação deve ser anterior à data do fato gerador do ITR (inciso 11do parágrafo 4° do art. 10 da IN-SRF 43/97). Na impugnação, a empresa faz as seguintes considerações: a) Pelo Pacto Federativo de Gestão Descentralizada da Política Ambiental e Florestal, celebrado em 24/02/2000, entre IBAMA, o Estado do Espírito Santo, Secretaria de Estado para Assuntos de Meio Ambiente, Secretaria de Estado da Agricultura e Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo - IDAF, este último órgão tem competência concorrente para legislar sobre atividades florestais e portanto pode através de condicionantes inseridas nas Licenças de Operação, analisando caso a caso, influir no prazo de averbação de áreas excluídas da tributação do ITR; b) De acordo com o Provimento nO019/99 do Exmo. Sr. Desembargador Corregedor-Geral da Justiça do Espírito Santo e ainda .tendo em vista que o Presidente do IDAF informou que os cartórios de registro de imóveis têm feito exigências sem amparo legal para que processassem os pedidos de averbação de Reserva Legal e tendo em conta outros aspectos relacionados à averbação, o Sr. Corregedor determinou que para esse efeito serão exigidos entre outros o Termo de Responsabilidade de Preservação de floresta, emitido pelo IDAF do Espírito Santo. Assim, o Estado do Espírito Santo 2 • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 126.735 303-00.877 • • • tem dificuldades cartoriais para que se efetue o registro de reserva legal; c) o que se questiona com relação ao presente caso, é a fixação do prazo de seis meses para que a impugnante faça a averbação, ao passo que a Lei n° 4.771/65 (art. 16 parágrafo 2°), com a redação dada pela Lei n° 7.803/89, não fixou nenhum prazo para essa averbação, o que só veio a acontecer em legislação posterior, o item 11do art. 17 da Instrução Normativa SRF-073/ de 18/07/2000 que revogou a de nO43. Além disso, a IN criou a exigência da averbação como pré-requisito da obtenção do ADA, o que não existia na IN anterior; d) requer seja declarado improcedente o lançamento. A autoridade de Primeira Instância julgou procedente o lançamento em decisão que tem a seguinte ementa: "RESERVA LEGAL (UTILIZAÇÃO LIMITADA) A exclusão do ITR de área de reserva legal (utilização limitada) só será reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental - ADA, requerido dentro do prazo estipulado acompanhado da comprovação da averbação da área à margem da inscrição na matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Caso contrário, a pretensa área é tributável, como área aproveitável, não utilizada. ITR DEVIDO. O valor do imposto sobre a propriedade territorial rural é apurado aplicando-se sobre o Valor da Terra Nua tributável - VTNt a alíquota correspondente, considerando-se a área total do imóvel e o Grau de Utilização - GU, conforme o art. 11, caput e parágrafo 1° da Lei 9.393/ de 19 de dezembro de 1.996. MULTA. A apuração e pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, e, no caso de informação incorreta, a Secretaria da Receita Federal procederá ao lançamento de oficio, apurados em procedimento de fiscalização, sendo as multas aquelas aplicáveis aos demais tributos federais, conforme os preceitos contido nos artigos 10 e 14 da Lei nO9.393, de 19 de dezembro de 1.996. Lançamento Procedente" . Inconformada, a empresa dirige-se a este Terceiro Conselho de Contribuintes, apresentando as seguintes razões: 1. Ao acatar a área de 584,4 ha como de preservação permanente e reconhecer que o ADA foi apresentado, está ratificada a aceitação do documento por parte da administração tributária; 3 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 126.735 303-00.877 • • '. • • 2. Ao alegar que a legislação não contempla prazo para se averbar a reserva legal, a empresa estava a se referir exatamente à IN-SRF 43/97 que veio a fixar prazo de seis meses como o tempo necessário para se protocolizar o requerimento do AD junto ao IBAA; 3. A prova de que a reserva legal existe é inequívoca e incontestável como se infere do Ato Declaratório, sendo inegável a obrigação de averbação no registro de imóveis; 4. A empresa tem envidado esforços junto aos órgãos florestais do Estado para que a averbação se faça o mais breve possível e para este fim solicitou em 13/06/2001 ao IDAF o Termo de Responsabilidade de Preservação de floresta para atender ao Provimento 019/99 da Corregedoria-Geral de Justiça do Estado do Espírito Santo; 5. Portanto, a definição da área de Reserva Legal e a sua averbação no registro de imóveis será processada imediatamente tão logo o IDAF emita o parecer conclusivo; 6. Pede seja julgado improcedente o lançamento. É o relatório. 4 • 9 , MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 126.735 303-00.877 VOTO • Não obstante o despacho de fi. 80 haja remetido o processo ao DRJ- II/DISOPIRJ, para análise e um posterior envio ao respectivo Conselho, e a funcionária Chefe SECOJ/DRJ-RIOJO lI, determinasse o encaminhamento à Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (fIs. 80/81), ali chegando o processo foi simplesmente mandado ao Conselho, sem que fosse examinado se fora cumprida a exigência relacionada à prestação de garantia de instância (verso de fi. 81), condição para que o recurso seja conhecido. Voto para converter o julgamento do recurso em diligência à DRJ em Recife/PE para as providências de sua alçada. Sala das sessões, em 13 de maio de 2003 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 35540.000878/2005-35
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/0.3/2005 a 01/04/2005
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA AVISO DE REGULARIZAÇÃO DE OBRA. NFLD. INEXISTENTE NOS AUTOS
EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. CONSTRUÇÃO CONCLUÍDA EM
PERÍODO DECADENTE. INEXIGIBILIDADE. O Supremo Tribunal
Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-000.070
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por maioria de votos, em conhecer do recurso e dar provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, vencidos os conselheiros OSEAS COIMBRA JUNIOR, que não conhecia do recurso por entender que a matéria não é de
competência deste conselho e que deveria ser determinado o retorno dos autos à Delegacia de origem para processamento e decisão do que requerido, e o conselheiro Heitor! Carlos Praia de Lima que entendia por baixar em diligência para análise dos autos na DRF de origem.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/0.3/2005 a 01/04/2005 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA AVISO DE REGULARIZAÇÃO DE OBRA. NFLD. INEXISTENTE NOS AUTOS EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. CONSTRUÇÃO CONCLUÍDA EM PERÍODO DECADENTE. INEXIGIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrente EUGÊNIO MEDEIROS RODRIGUES. Recorrida SECRETARIA DA RECEITA FEDRAL DO BRASIL - PREVIDENCIARIA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/0.3/2005 a 01/04/2005 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA AVISO DE REGULARIZAÇÃO DE OBRA. NFLD. INEXISTENTE NOS AUTOS EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. CONSTRUÇÃO CONCLUÍDA EM PERÍODO DECADENTE. INEXIGIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vineulante de n " 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n " 8.212 de 1991.. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em conhecer do recurso e dar provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, vencidos os conselheiros OSEAS COIMBRA JUNIOR, que não conhecia do recurso por entender que a matéria não é de coinpetência deste conselho e que deveria ser determinado o retorno dos autos à Delegacia de origem para processamento e decisão do que requerido, e o conselheiro Heitor! Carlos Praia de Lima que entendia por baixar em diligência para análise dos autos na DRF de origem. „ HELTO 'IA DE LIMA — Presidente ---•-•----• g RDO DE OLIVEIRA - Relator- 10 1 Participaram do presente julgamento os conselheiros Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Vera Kempers de Moraes Abreu (Suplente), Gustavo Vettorato (Vice-Presidente), Helton Carlos Praia de Lima (Presidente)., Relatório Trata-se no presente processo de Aviso de Regularização de Obra ARO, tis. 22, expedido com base em Declaração de Informações sobre Obra — DISO, fls. 02, em face da pessoa fisica de Eugênio Medeiros Rodrigues decorrente de arbitramento de contribuições previdenciárias para regularização de obra de construção civil. Tal arbitramento na área de construção civil iniciou-se em função do DISO, acima citado, com recepção em 03/2005, onde consta área 487,20 m 2 em dois pavimentos (rasurado) em uma unidade, não há informação de início e término da obra. Às tls, 03, consta Certidão Detalhada da Prefeitura Municipal de IPIAU n0 L551/2004, onde consta terreno — 385,00 m 2 ; construção — 487,20 m 2 divididos em três pavimentos, assim identificados: a) térreo — dois salões e dois banheiros — área 243,60 m 2 ; b) I' andar — 02 quartos; 04 suítes; 02 banheiros; 02 cozinhas; 02 hall's; 01 dep empregada; 02 varadas e 02 dispensas — área 243,60 m 2 ; c) 2° andar — sem descrição — área construída 243,60 m2., Consta, ainda, da referida certidão que não foi possível fornecer a data de início e término da construção, bem como consta urna observação de que no térreo há dois salões individuais com escada de acesso aos pavimentos superiores.. Que o primeiro andar é composto por duas residências e um corredor e o segundo andar contém duas residências e um corredor ., em fase de acabamento e que a área clo terreno é composta por duas escrituras, Instrui os presentes autos a declaração, de fls. 05, datada de 29/12/2004, onde o Engenheiro Carlos Alberto Barreto Costa — CREA 15„569-D, diz que o imóvel está construído em conformidade com a Certidão Detalhada emitida pela municipalidade, declarando área de 487,20 111 2 . Tal declaração é repetida, as fls.. 32, mas desta feita corno o nome Laudo Técnico, porém agora a área declarada é de 730,80 m2. O contribuinte, ainda, juntou os documentos, de fls.06 a 21, dentre os quais a fatura de energia da COELBA, fls. 08, notas fiscais, fls.. 13 a 17, bem como a Anotação de Responsabilidade Técnica — ART n° 178.266, datada, de 10/08/96 ou 10/09/96, quitação, fls, 21, onde na descrição da obra consta construção unidomiciliar 480,00 m'. O SEARP,. em 24/08/2005, lis, 24, emitiu despacho, onde informa que os . documentos acostados aos autos só permitem comprovar decadência parcial e não total como alega o contribuinte, devolvendo estes a unidade local para prosseguimento. A unidade local por sua vez remeteu ao contribuinte o Oficio n° 051/MF/DRFB-ITAB/UAR-P fls. 25, remetendo, em anexo, cópia do despacho e uma via do ARO, recebidos, em 29/09/2005, fls. 26. Desta forma, o contribuinte, em 20/10/2005, protocolizou o presente recurso ao processo 35540,000189/2005-21, fls.. 29, onde pede a revisão do processo 35540,000189/2005-21. Este é o relatório, 2 Processo if 35540 000878/2005-35 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00..070 Fl. 2 Voto Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme lis,. 26 e 29, pois o AR está datado de 29/09/2005, e o recurso voluntário foi interposto em 20/10/2005, ou seja, a impetração se deu dentro do prazo legal. Não havendo preliminar passo ao mérito. A situação aqui é bastante peculiar, pois a meu ver há uma completa irregularidade na formalização e tramitação do feito. Vejamos, segundo consta do artigo 126, da Lei 8,213/91, das decisões do INSS nos processos de interesse de beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso ao CRPS, conforme dispuser o regulamento. O regulamento, no artigo .305, traz disposição idêntica apenas acrescentando que o Regimento Interno do CRPS pode cuidar da matéria. Ao analisarmos a legislação previdenciária que cuida da questão - regularização de obras, temos: na IN/INSS/N° 100 de 18/121.200.3, em seu Título V — DAS NORMAS E PROCEDIMENTOS APLICÁVEIS À ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL, sendo que o artigo 444 prescrevia que a regularização iniciar-se-ia com a DISO que seria base para o ARO. A 1N/SRP/N° 03/2005 de 14/07/2005, que substituíra a de N° 100 traz prescrição semelhante: TÍTULO V - NORMAS E PROCEDIMENTOS APLICÁVEIS À ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL, sendo que no artigo 430 diz que as informações seriam prestadas na DISO e esta seria a base do ARO. As duas normas prescreviam que o ARO emitido em duas vias, teria uma delas entregue ao contribuinte e caso este não pagasse ou não parcelasse o valor constante do ARO, este deveria ser remetido ao Serviço ou Seção de Fiscalização para constituição do crédito. Tal constituição só pode ser aquela prevista no artigo 142 do CTN, isto é, realizar o lançamento. Aliás, a IN 100 e a IN 03 já diziam, respectivamente, nos artigo 651, IV e 633, V — são documentos de constituição do crédito tributário a NFLD.. Desta maneira, temos duas situações: a) o valor devido apurado no ARO não virou crédito tributário, pois não há notícia nos autos de que este fora lançado, assim não houve constituição do crédito; b) o presente recurso é recurso a que, haja vista que apenas decisões em processo geram recurso e no caso da DISO/ARO temos apenas procedimento de apuração do quanto debeatur, mas não propriamente processo, tendo em vista que nenhuma obrigação pode ser imposta ao contribuinte pelo ARO, uma vez que este precisa ser remetido à fiscalização para constituição do crédito, aí sim quando cientificado do lançamento o contribuinte poderia primeiro impugnar e depois caso necessário recorrer ., note-se que nos autos não há notícia de lançamento e impugnação, mas há recurso. Entretanto, o erro da administração não deve a esta beneficiar, pois ela é responsável pelos atos de seus servidores, Embora o momento processual não fosse para o de apresentação de recurso o reclamo do contribuinte foi assim recebido e processado pel, Administração e assim como recurso deve ser tratado e conhecido, 3 No que tange a alegação de decadência, ainda, que na data da recepção da DISO — 03/2005, esta só tenha ocorrido de forma parcial, como reconheceu a SEARP, fis. 24. Na atualidade a situação é outra, na DISO, de fis. 02, o contribuinte informa data do alvará/habite-se em 22/11/2004. No ARO, de fls. 22, o Término da Obra é 22/11/2004, ora se para cobrar a previdência considera esta como a data final, para reconhecer a decadência esta data, também, deve ser- o marco inicial da extinção da obrigação. Concluída a obra em 22/11/2004 a partir de 01/01/2005 o crédito poderia ser constituído nos termos do artigo 173,1, do CTN, tendo em vista que não houve antecipação do pagamento. Desta forma, aplicando-se a Súmula Vinculante N° 08 do STF temos que a decadência das contribuições apuradas no ARO se deu em 01/01/2010, pois não há notícia de que o crédito tenha sido constituído via lançamento em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFID ou, ainda, Lançamento de Débito Confessado - LDC, hipótese remotíssima. Destarte, com os argumentos coligidos CONHEÇO DO RECURSO para no mérito DAR-LHE provimento reconhecendo a decadência das contribuições apuradas no ARO, ante a inexistência de crédito tributário, tendo em vista que não há nos autos informação de que o crédito tenha sido lançamento em NEW ou LDC, não incluindo no reconhecimento da decadência a área referente ao segundo andar, que segundo consta na data da apresentação do D1SO, bem como do pedido de reconsideração do contribuinte (recurso), fis 30, datado de 04/10/2005, encontrava-se este em fase de acabamento, o que não permite reconhecer a decadência em relação a este (segundo andar). É c{. ui voto. 0.0 E) ARDO ir. - O EIRA---Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001178/96-81
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2001
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Desistência do Recurso.
Perda de objeto.
RECURSO DE QUE NÃO SE TOMA CONHECIMENTO.
Numero da decisão: 303-29.744
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do
recurso, em vista da desistência do contribuinte.
Nome do relator: PAULO DE ASSIS
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Numero do processo: 36968.005543/2005-55
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 31/12/2004
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 33, § 2º, DA LEI Nº 8.212/91. Constitui infração deixar a empresa de exibir à Fiscalização qualquer documento ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, nos termos do art. 33, § 2º, da Lei nº 8.212/91.
RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. CORREÇÃO PARCIAL INFRAÇÃO. Com fulcro no art. 291, § 1º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (redação original), somente será relevada a multa aplicada quando corrigida a infração, com pedido dentro do prazo de defesa, sendo o contribuinte primário e inexistindo circunstância agravante. Tratando-se de auto de infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, o fato de o contribuinte ter corrigido parcialmente a infração não tem o condão de afastar a penalidade aplicada.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o art. 49, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, c/c a Súmula nº 2, do 2º CC, às instância administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso negado.
Numero da decisão: 206-00093
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar suscitada; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 31/12/2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 33, § 2º, DA LEI Nº 8.212/91. Constitui infração deixar a empresa de exibir à Fiscalização qualquer documento ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, nos termos do art. 33, § 2º, da Lei nº 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. CORREÇÃO PARCIAL INFRAÇÃO. Com fulcro no art. 291, § 1º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (redação original), somente será relevada a multa aplicada quando corrigida a infração, com pedido dentro do prazo de defesa, sendo o contribuinte primário e inexistindo circunstância agravante. Tratando-se de auto de infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, o fato de o contribuinte ter corrigido parcialmente a infração não tem o condão de afastar a penalidade aplicada. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o art. 49, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, c/c a Súmula nº 2, do 2º CC, às instância administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso negado.
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CCO2/C06 / 11__/ o ; Fls. 286 4 Maria de F t N.. Ferreira de e ' IS'llERIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES )tag'5°.:, SEXTA CÂMARA Processo n° 36968.005543/2005-55 Recurso n° 141.921 Voluntário Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Acórdão n° 206-00.093 Sessão de 10 de outubro de 2007 Recorrente PEDRO QUEIROZ BRAGA SECRETARIA DA RECEITA PPREVIDENRecorrida t:Feritti_SeVn. do _ noColonisa nedutbdosh000ficia dnodna:4n71,tates CIÁRIA - GOVERNADOR VALADARES/MG Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 31/12/2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE . OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 33, § 2°, DA LEI N° 8.212/91. Constitui infração deixar a empresa de exibir à Fiscalização qualquer documento ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, nos termos do art. 33, § 2°, da Lei n°8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. CORREÇÃO PARCIAL INFRAÇÃO. Com fulcro no art. 291, § 1°, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 (redação original), somente será relevada a multa aplicada quando corrigida a infração, com pedido dentro do prazo de defesa, sendo o contribuinte primário e inexistindo circunstância agravante. Tratando-se de auto de infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, o fato de o contribuinte ter corrigido parcialmente a infração não tem o condão de afastar a penalidade aplicada. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.°36968.005543/2005-55 CCO2/C06 • Acórdão n.° 206 -00.093 # Brasília, 42,3 o - Fls. 287 Maria de Fátí Irma de Carvalho Mat. Siape 751683 , • • f• AS RE - 5 StrFUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o art. 49, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, c/c a Súmula n° 2, do 2° CC, às instância administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso negado. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar suscitada; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente sø,( .r1; RYCA DO RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Relato 1\ Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Deusa Vieira de Souza. MF - SEGUNDO CONSF ,1_110 DE CONTRIB. —v Processo n.°36968.005543/2005-55 , CONFERE C O riMINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.093Fls. 288 BnuiQ'' I / catQ Maria de Fét . :a erreira de Carvalho Mat. Siape 751683 Relatório PEDRO QUEIROZ BRAGA, contribuinte, pessoa fisica, já qualificado nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em Governador Valadares/MG, DN n° 11.424.4/0277/2005, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra o contribuinte, na condição de Dirigente Responsável (Prefeito do Município de São João Evangelista/MG), com arrimo no art. 33, § 2°, da Lei n°8.212/91, c/c art. 232, do RPS, por ter deixado de apresentar à fiscalização documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, mais precisamente Laudo Técnico, Perfil Profissiográfico Previdenciário - PPP, PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais), PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), muito embora devidamente intimado para tanto, mediante TIAD, datado de 10/08/2004, conforme Relatórios Fiscal da Infração e Complementar, às fls. 16 e 77, e demais documentos constantes dos autos. Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 31/12/2004, nos termos do art. 293 do RPS, contra o contribuinte acima identificado, constituindo-se multa no valor de R$ 10.359,20 (Dez mil, trezentos e cinqüenta e nove reais e vinte centavos), com base nos art. 283, inciso II, alínea "j", e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n°3.048/99. Informa, ainda, o fiscal autuante que, não obstante intimar o contribuinte, mediante TIAD específico, para indicar a pessoa responsável para o cumprimento da obrigação acessória objeto da presente autuação, ou apresentar ato de delegação de referida competência, aquele assim não o fez. Dessa forma, nos termos do art. 41, da Lei n° 8.212/91 c/c art. 283, § 1° e 289, do RPS, a responsabilidade pela infração constante da presente autuação recaiu na pessoa do Prefeito do Município de São João Evangelista/MG à época, ora recorrente. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 116/133, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, argüi sua ilegitimidade passiva para figurar no pólo passivo da presente autuação, aduzindo para tanto que o município é quem deve responder por infrações dessa natureza (inobservância de obrigação acessória burocrática), não obstante o recorrente ter exercido a função de prefeito municipal no período objeto da autuação, sobretudo quando a ação fiscal fora desenvolvida naquele Município. Alega não ter sido intimado pessoalmente em momento algum para prestar os esclarecimentos ou apresentar os documentos exigidos pela fiscalização, ao contrário do que consta do Relatório Fiscal, impondo sua exclusão do pólo passivo da autuação, mormente quando não incumbe ao prefeito o cumprimento de referidas obrigações de natureza burocrática, bem como inexistir a tipicidade penal e/ou o dolo. Traz à colação jurisprudência do STJ e STF, procurando corroborar seu entendimento. Suscita que os Órgãos Julgadores da esfera administrativa têm competência para analisar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos, devendo serj conhecidas e apreciadas as razões do contribuinte nesse sentido. MF - SE CONFERE ireLOUn. \ Processo n.°36968.005543/2005-55 • / R— CCO21C06• Acórdão n.° 206-00.093 Brunia, 9 3 Fls. 289 Sb Maria de .e Feira e Cari, Mat. Siape 751683 al Insurge-se contr • s ancia a na peça vestibular do procedimento, por entender que em maio de 2005, colacionou aos autos os LTCAT's e PPP relativos ao ano de 2004, suprindo a falta imputada ao contribuinte, impondo seja relavada a multa aplicada, na forma do art. 112, do CTN, c/c art. 291, do RPS. Contrapõe-se à multa aplicada, por considerá-la confiscatório, sendo por conseguinte, ilegal e/ou inconstitucional, devendo ser excluída do crédito em questão. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, julgando insubsistente a presente autuação, tornando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contra-razões, às fls. 135/136, em defesa da manutenção do crédito previdenciário constituído através do presente AI. Incluído na pauta do dia 29/05/2006, o julgamento fora convertido em diligência nos termos do voto do ilustre relator da 2. Caj do CRPS, Conselheiro Jorge Luís Moran, às fls. 138/140, objetivando fossem trazidos à colação Lei Orgânica Municipal, o Estatuto dos Servidores Municipais e eventual ato (lei, decreto, portaria, etc), com o fito de comprovar a legitimidade passiva do autuado. Em atendimento a diligência requerida, a ilustre autoridade lançadora elaborou Informação Fiscal, às fls. 279, corroborada pelos anexos (Lei Orgânica do Município de São João Evangelista, Lei n° 1.182/2005, que dispõe sobre a estrutura organizacional daquela Prefeitura, e Lei n° 1.162/2003, que contempla o Estatuto dos Servidos Públicos), ratificando o procedimento utilizado por ocasião da lavratura do Auto de Infração, pugnando pela manutenção do feito. Instado a se manifestar a propósito do resultado da diligência determinada pela egrégia 2° Caj do CRPS, conforme se extrai do Aviso de Recebimento-AR, às fls. 281, o contribuinte assim não o fez. É o Relatório. Processo n.°36968.005543/2005-55 CCO21C06 Acórdão n.° 206-00.093 MF - SEGUNDO C' 'a DE CONTEM • CONFERT. . :` n!GINAL Fls. 290 ArÁll (.21 Voto Ateia de il.' n-a Ferreira de C à), o Snlie 751683 - Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Relator Pressentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e dispensado do depósito recursal, por tratar-se de pessoa fisica, conheço do recurso voluntário do contribuinte e passo à análise das alegações recursais. Pretende o contribuinte a reforma da decisão de primeira instância, a qual manteve a exigência na forma constituída, argüindo sua ilegitimidade passiva, inferindo que a responsabilidade pelo descumprimento da obrigação acessória objeto da autuação é do Município, onde fora desenvolvida a ação fiscal, não podendo pessoa estranha ao fato gerador do tributo ser responsabilizado por tais infrações. Alega, ainda, que não pode ser responsabilizado pela falta de cumprimento de obrigações acessórias de natureza burocrática, as quais eram de competência dos servidores municipais, sobretudo quando inexiste tipicidade penal, não tendo o contribuinte agido com dolo ou má-fé. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pelo contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Com efeito, a legitimidade passiva do Prefeito Municipal, ora recorrente, no caso de inobservância de obrigações acessórias, decorre do art. 341, inciso II, §§ 2° e 3°, da Instrução Normativa IN INSS/DC n° 100, de 18 de dezembro de 2003, que por sua vez encontra respaldo no art. 289, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, e no art. 41 da Lei n° 8.212/91, bem como torrencial jurisprudência, senão vejamos: "Art. 341. Os órgãos públicos da administração direta, as autarquias e as fundações de direito público são considerados empresa, para fins de: H — cumprimento das obrigações previdenciá rias acessórias, ficando o dirigente do órgão ou da entidade da administração pública federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal pessoalmente responsável pela multa aplicada por infração a dispositivos da legislação previdenciária, nos termos do artigo 41, da Lei n°8.212/91. 14. § 2" Havendo infração a dispositivo da legislação previdenciária, o Auto de Infração será lavrado em nome do dirigente, em relação as respectivo período de gestão; § 3° Considera-se dirigente aquele que, à época da infração praticada, tem a competência funcional, prevista em ato administrativo emitido por autoridade competente, para decidir a prática ou não do ato que constitui infração à legislação previdenciá ria. Processo n.° 36968.005543/2005-55CCOVC06.1:0 DE COtJb • Acórdão n." 206-00.093 Fls. 291 MF - SEGUNDO ç'' A. % a . di23:z.t:.1.1t. t. ternara e_ "RPS. Art. 189. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal responde pessoalmente pela multa aplicada por infração a dispositivos deste Regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição." "LEI 8.212/91: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal responde pessoalmente pela multa aplicada por infração a dispositivos desta lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguirá requisição." Da simples leitura dos dispositivos legais supracitados, conclui-se que a fiscalização agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação previdenciária, não havendo que se falar na ilegitimidade passiva do recorrente. Conforme restou circunstanciadamente demonstrado pela autoridade lançadora, a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude de o contribuinte ter deixado de apresentar documentos relacionados com as contribuições previdenciárias elencados no TIAD constante do processo, infringindo o disposto no art. 33, § 2°, da Lei n° 8.212/91, constituindo- se crédito previdenciário decorrente de multa aplicada nos termos do art. 283, inciso II, alínea "j", do RPS, nos seguintes termos: "Lei n°8.212/91. Art. 33. [..j. § 2" - A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o sindico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei;" "Regulamento da Previdência Social — Aprovado pelo Decreto 3.048/99. Art. 183. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominado neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável conforme gravidade da infração, aplicando-se-lhe o disposto nos arts. 290 a 192, e de acordo Cki/ com os seguintes valores: 11 — a partir de R$ 6.361,73 nas seguintes infrações: _ _ ME - SEGUNDO COMEI HO IrNTRE3 CONFERE CO` 1 O nttIGINAL Processo n.° 36968.005543/2005-55 CCO2/C06 • Acórdão n.° 206-00.093 Bramai 04 Fls. 292 'Pie Latc-à Maria de . tua erreira de Carvalho j) deixar a empresa, o servid • - • 4 't s II SI ás, • • relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresenta-los sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira." Verifica-se, que o recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, o fiscal autuante, não se cogitando na improcedência do lançamento. Mais a mais, o contribuinte em seu recurso voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo, não trouxe à colação qualquer documento hábil ou idôneo capaz de comprovar sua ilegitimidade passiva, não obstante as diversas oportunidades apresentadas, inclusive posteriormente à diligência determinante pela colenda r Caj do CRPS. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/IL EGALIDA DES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente aos argumentos do contribuinte de que os julgadores administrativos têm competência para apreciar questões de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de leis ou atos normativos, cumpre esclarecer, novamente, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Note-se, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF n° 147/2007, que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [..] " Observe-se, que somente na hipótese contempladas no § único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Sumula n° 02, do 2° Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." ME - Processo n.°36968.005543/2005-55 I g CCO2/C06 • Acórdão n.° 206-00.093 Fls. 293 it. • Maria de Fátínia Ferreira de Carvalho , M Siape 751683 SEGUNDO U . E, segundo o art. 53, do o os onselhos de Contribuintes, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória pelo respectivo Conselho. Finalmente, o art. 102, I, "a" da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: "Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I — processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratária de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [..1.•• Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. DA RELEVAÇÂO DA MULTA. Insurge-se a cOntribuinte contra a manutenção do feito, na forma da decisão recorrida, aduzindo para tanto ter apresentado em maio de 2005, os LTCAT's e PPP relativos ao ano de 2004, impondo seja relevada a multa, nos termos do art. 291, §1 , do RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99. Não obstante o esforço da contribuinte, sua pretensão não merece acolhimento. Destarte, a relevação da multa, ocorrendo efetivamente a correção da falta, dar-se-á nos precisos termos do art. 291, § 1°, do RPS, na sua redação original, vigente à época da infração, que assim estabelece: "Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. 1 2 A multa será relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante." Na hipótese dos autos, constata-se que o contribuinte não corrigiu a falta em sua plenitude. Com efeito, a multa fora aplicada em virtude do autuado ter deixado de apresentar o Laudo Técnico, Perfil Profissiográfico Previdenciário-PPP, PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais), PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional). Por sua vez, o contribuinte somente trouxe à colação o LTCAT, datado de 30 de agosto de 2004, bem como o PPP, deixando, porém, de apresentar os demais documentos exigidos pela fiscalização, acima elencados. - MF-8E0U1D777;REMWEISNOCI CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 36968.005543/2005-55CCO2/C06 Acórdão n.°206-00.093 Braa____93 • / 02- Fls. 294 Maria de Fieura Ferreira de Carvalho Ademais, tratando-se • - .6 • • Ni?1, rrleaal.La...existência de uma Única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, o fato de o contribuinte corrigir a falta parcialmente não tem o condão de afastar a penalidade aplicada, como se vislumbra no caso vertente. No que tange às demais alegações do contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de macular a exigência fiscal em comento, especialmente por estarem desprovidas de qualquer embasamento legal ou lógico, bem como por já terem sido devidamente rechaçadas na decisão de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantida a autuação, e bem assim a multa imposta, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base à aplicação da penalidade, sobretudo quando a contribuinte não fez uso nem mesmo do beneficio inscrito no art. 291, § I°, do RPS. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos. Sala das Sessi es, em 10 de outubro de 2007. RYCARDO RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Page 1 _0061300.PDF Page 1 _0061400.PDF Page 1 _0061500.PDF Page 1 _0061600.PDF Page 1 _0061700.PDF Page 1 _0061800.PDF Page 1 _0061900.PDF Page 1 _0062000.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13887.000496/2002-13
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999
CRÉDITO PRESUMIDO. SUSPENSÃO.
O incentivo à exportação representado pelo crédito presumido de IPI ficou suspenso de 01/04/1999 a 31112/1999.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2803-000.001
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial do SEGUNDA SEÇÃO DE
JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida DAI - RIBEIRÃO PRETO / SP Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Periodo de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 CRÉDITO PRESUMIDO. SUSPENSÃO. O incentivo à exportação representado pelo crédito presumido de IPI ficou suspenso de 01/04/1999 a 31112/1999. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3° Turma Especial do SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Jia GIL ON MACET . 0..NBIJ G FILHO /TC C- ate • 11, • • ALE 4ANDRE ICE N Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luis Guilherme Queiroz Vivacqua e Andréia Dantas Lacerda Moneta. Relatório Cuida-se de recurso (fls. 147 a 149) interposto pelo recorrente acima qualificado, contra o Acórdão M' 14-14.282, de 17 de novembro de 2006, da DRJ/RPO, fls. 142 a 144, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IP! Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. SUSPENSÃO. O incentivo à exportação representado pelo crédito presumido de1131 ficou suspenso entre 01/04/1999 a 31/12/1999. Solicitação Indeferida Após sintetizar os fatos relacionados com o julgamento, em primeira instância administrativa, de seu pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, nos moldes do beneficio instituído pela Lei ne 9.363, de 13 de dezembro de 1996, o Recorrente insiste no seu direito ao crédito, argumentando que a lei instituidora continuou vigente durante os períodos de apuração objeto de seu pedido. Aduz que a Medida Provisória if 2.158-35, de 24 de agosto de 2001 não foi convertida em lei e por isso teve sua eficácia e aplicabilidade coarctadas. Articula o princípio da hierarquia das normas. Pede reforma da decisão de piso, para que se lhe defira o pedido de ressarcimento em tela. É o Relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE KERN, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 147 a 149 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ-RPO n2 14-14.282, de 17 de novembro de 2006. O Recorrente insurge-se contra o indeferimento de seu pedido de ressarcimento do CP-IPI, referente ao 2° trimestre de 1999, por conta da Medida Provisória n° 1.807-2/99 e reedições, transformada posteriormente na MP n° 2.158-35, de 2001, que suspenderam a concessão do beneficio em tela, no período de abril a dezembro de 1999. Não há reparos a fazer na decisão recorrida, conforme se demonstrará. Assim dispõe o art. 12 da MP n° 1.807/99: "Art. 12. Fica suspensa, a partir de 1° de abril até 31 de dezembro de 1999, a aplicação da Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que instituiu o crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das -- contribuições para os Programas de Integração Social e de 0Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e ott C.12- 2 Processo n0 13887.00049612002-13 S2-TE03 Acórdão n." 2803-00.001- Fl. 93 para a Seguridade Social - COF1NS, incidentes sobre o valor das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação." Estando a autoridade administrativa adstrita, inarredavelmente, à legalidade, e havendo dispositivo normativo emanado de órgão competente, suspendendo o beneficio, fiào há como se deferir o pedido. Em face do exposto, meu voto é por que ne 1 e provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 10 de março de 2009 • ALI XANDRE KERN 3
score : 1.0
Numero do processo: 14479.000054/2007-48
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. LANÇAMENTO. PARTE DECADENTE. MULTA CONFISCATÓRIA. INOCORRÊNCIA. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX-OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35-A, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009.
1. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. A partir da data de publicação da referida Súmula, observados os casos concretos, aplicar-se-á
aos lançamentos, as regras do Código Tributário Nacional CTN.
2. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplica-se o art. 35 da Lei nº 8.212 com a nova redação. No que se refere à aplicabilidade
da Taxa Selic, o julgador deve observar a Súmula CARF nº 4.
3. Não possui natureza de confisco a exigência da multa pelo atraso, tendo previsão expressa no art. 35 da Lei n° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele
que cumprira em dia com suas obrigações fiscais.
4. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, para as multas de ofício aplicadas aos contribuintes relativamente a fatos geradores não declarados em GFIP, deve se aplicado o art. 35-A, da Lei n. 8.212/1991,
incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao sujeito passivo, comparando-se
a aplicação da multa do art.35-A,com o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1998, com a multa escalonada do art. 35, da Lei nº 8.212/1991, na redação anterior à MP nº 449/2008.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.674
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento quanto à multa. A multa a ser aplicada é a do art. 35-A da Lei n.
8.212/1992 (na redação dada pela Lei nº 11.941/2009), desde que mais benéfica ao sujeito passivo, comparando-se a aplicação da multa do referido art. 35-A c/c o inciso I do art. 44 da
Lei nº 9.430/1998, com a multa escalonada do art. 35 da Lei n. 8.212/1992, na redação anterior à MP nº 449/2008. Conheço de ofício a decadência pleiteada pelo recorrente, observada a regra
disposta no inciso I do art. 173 do CTN, em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a maio de 2002, inclusive.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. LANÇAMENTO. PARTE DECADENTE. MULTA CONFISCATÓRIA. INOCORRÊNCIA. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EXOFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35A, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. 1. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. A partir da data de publicação da referida Súmula, observados os casos concretos, aplicarseá aos lançamentos, as regras do Código Tributário Nacional CTN. 2. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No que se refere à aplicabilidade da Taxa Selic, o julgador deve observar a Súmula CARF nº 4. 3. Não possui natureza de confisco a exigência da multa pelo atraso, tendo previsão expressa no art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. 4. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, para as multas de ofício aplicadas aos contribuintes relativamente a fatos geradores não declarados em GFIP, deve se aplicado o art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que Fl. 653DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 14479.000054/200748 Acórdão n.º 280300.674 S2TE03 Fl. 651 2 mais favorável ao sujeito passivo, comparandose a aplicação da multa do art.35A, com o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1998, com a multa escalonada do art. 35, da Lei nº 8.212/1991, na redação anterior à MP nº 449/2008. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento quanto à multa. A multa a ser aplicada é a do art. 35A da Lei n. 8.212/1992 (na redação dada pela Lei nº 11.941/2009), desde que mais benéfica ao sujeito passivo, comparandose a aplicação da multa do referido art. 35A c/c o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1998, com a multa escalonada do art. 35 da Lei n. 8.212/1992, na redação anterior à MP nº 449/2008. Conheço de ofício a decadência pleiteada pelo recorrente, observada a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN, em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a maio de 2002, inclusive. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Wilson Antônio de Souza Corrêa. Fl. 654DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 14479.000054/200748 Acórdão n.º 280300.674 S2TE03 Fl. 652 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em desfavor do contribuinte acima referenciado, em virtude de o contribuinte não ter recolhido as contribuições correspondentes à parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas aos terceiros. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 251 a 253, o levantamento teve por base as informações prestadas pela empresa através das GFIP`s, sendo que na falta da sua apresentação ou de outros documentos solicitados pela fiscalização, foram considerados os montantes constantes do Sistema PLENUS do MF/RFB/DATAPREV, obtido segundo os dados inseridos naquele documento elaborado pela empresa e entregue á entidade financeira autorizada. O contribuinte foi notificado em 20 de junho de 2007 e apresentou defesa tempestiva, em 13 de julho de 2007. A impugnação foi julgada em 08 de novembro de 2007, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 NFLD DEBCAD n° 37.096.8034, de 20/06/2007. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. DECADÊNCIA DECENAL. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. JUROS. É lícita a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS. Art. 34 da Lei 8.212/91. MULTA MORATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE – CARÁTER CONFISCATÓRIO Os órgãos de julgamento administrativos não têm competência para negar vigência à lei, sob mera alegação de sua inconstitucionalidade. A vedação do confisco pela Fl. 655DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 14479.000054/200748 Acórdão n.º 280300.674 S2TE03 Fl. 653 4 Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA. Sobre as contribuições previdenciárias em atraso incide multa de caráter irrelevável. Art. 35 da Lei 8.212/91. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Contribuinte em mora com tributo por ele mesmo declarado não pode invocar o Art. 138 do CTN, para se livrar da multa relativa ao atraso. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento de primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, repetindo os argumentos da impugnação, o seguinte: Em preliminar, em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/1999 a 06/2002, encontrase o Fisco impedido de efetuar novos lançamentos, inclusive a NFLD lavrada, em vista da decadência de seu direito de constituir novos créditos tributários. No que pertine a taxa SELIC, utilizada pela Autoridade Administrativa para a composição do débito e correção da dívida, a mesma é ilegal e inconstitucional, devendo ser melhor avaliada a premissa adotada no R. Acórdão ora combatido: "Não compete à autoridade administrativa declarar, reconhecer ou apreciar a argüição de inconstitucionalidade, pois, essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário...". A autoridade administrativa agrava ainda mais a sua ilícita conduta, haja vista que desanda na reiterada prática da capitalização de juros. Quanto ao assunto, apesar de provocados em sede da Impugnação apresentada, os Julgadores "a quo" quedaramse inerte, provavelmente porque ao partir da premissa de que a taxa SELIC é legal, também tem por legal a possibilidade da pratica de anatocismo. O percentual da multa aplicada tenha sido reduzida, a mesma não pode prevalecer no caso vertente, seja em vista de ter ocorrido na espécie a denúncia espontânea, através de GFIP's, conforme preceitua o art. 138 do CTN, seja pelo seu caráter confiscatório. Ao final, o contribuinte requer o reconhecimento do presente Recurso, de modo que, demonstrada a improcedência total da decisão de primeira instância, requer seja dado provimento integral ao presente Recurso, declarandose a decadência do direito de constituição de parte do presente crédito tributário, conforme acima apontado e, no que diz respeito ao restante do débito tributário, cuja constituição ainda não decaiu, a desconstituição Fl. 656DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 14479.000054/200748 Acórdão n.º 280300.674 S2TE03 Fl. 654 5 do lançamento decorrente da NFLD, haja vista que o mesmo não preenche os requisitos indispensáveis à sua lavratura, como restou demonstrado nos itens anteriores. Requer, outrossim, enquanto perdure a discussão administrativa do débito questionado, que o Recorrido, ou quem lhe faça as vezes, se abstenha de quaisquer procedimentos de cobrança, em decorrência da suspensão da exigibilidade do mesmo por força do quanto disposto no artigo 151, inciso III, do CTN. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 657DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 14479.000054/200748 Acórdão n.º 280300.674 S2TE03 Fl. 655 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Tendo em vista tratarse de matéria de ordem pública, conheço de ofício a ocorrência da decadência de parte do lançamento. O Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária datada de 12 de junho de 2008, decidiu que o art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991 é inconstitucional. A referida Súmula recebeu a seguinte redação: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212 há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação. Assim, a regra a se observar é a disposta no § 4º do art. 150 do CTN. Se houver pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no inciso VII do art. 156 do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento. Caso esse não exista, não há o que ser homologado devendo, dessa forma, ser observado o disposto no inciso I do art. 173 do CTN. Nesta hipótese, o crédito tributário será extinto em função da previsão contida no inciso V do art. 156 do CTN. Contudo, caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no § 4º do art. 150 do CTN, devendo aplicarse, in casu, necessariamente, as disposições contidas no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Na hipótese destes autos, observase que o contribuinte descontou as contribuições dos segurados a seu serviço e não as repassou à Previdência Social, situação irregular que, para efeito da aplicação do instituto da decadência, deve ser enquadrada de plano na hipótese prevista no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 658DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 14479.000054/200748 Acórdão n.º 280300.674 S2TE03 Fl. 656 7 Assim sendo, tendo em vista que o contribuinte foi notificado em 20 de junho de 2007, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores anteriores a maio de 2002, inclusive. Ultrapassada a questão relativa de decadência, passo a verificar o recurso interposto pelo contribuinte. In casu, o contribuinte deixando de atacar os pontos controversos contidos no lançamento levado a efeito pela fiscalização, esqueceu de contestar o seu mérito, bem como a ocorrência dos fatos geradores, ficando restrito a discutir tão somente a composição do débito tributário. Com efeito, deixando de discutir o principal e cuidando apenas de questões periféricas, o contribuinte aduz que a multa aplicada é confiscatória e inconstitucional. Neste ponto, o julgador de segunda instância administrativa está impedido de se pronunciar, tendo em vista o comando contido na Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, em respeito ao comando da súmula acima descrita, deixo de pronunciar sobre o tema. Além do inconformismo do contribuinte em relação à multa aplicada, ele também discorda da utilização, pelo fisco, da Taxa SELIC. Na mesma direção apontada para a questão da inconstitucionalidade, o julgador também está obrigado a cumprir as determinações constantes da Súmula CARF nº 4, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Vêse, portanto, que os pontos defendidos pelo contribuinte não podem ser considerados nos termos em que foram aviados. Entretanto, tendo em vista que a multa aplicada foi àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, há que ser observada, in casu, as novas regras trazidas no bojo da Medida Provisória nº 449/09, convertida na Lei 11.941/99. Em relação às multas originalmente previstas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, a partir da entrada em vigor da MP 449/08, convertida na Lei nº 11.941/99, deve ser observado os comandos do novel art. 35A Considerando tratarse de situação mais favorável a trazida pelo art. 35A da Lei nº 8.212/91, o operador do Direito deverá observar as disposições do inciso IV do art. 112 do Código Tributário Nacional – CTN, tendo em conta que a legislação tributária que define as Fl. 659DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 14479.000054/200748 Acórdão n.º 280300.674 S2TE03 Fl. 657 8 infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Na situação vertente, a interpretação deve ser conjugada com a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena mais branda ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável, essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, como o entendimento que a aplicação da multa do art. 44 da Lei nº 9.430/1998 não pode ser cumulada com outra qualquer, entendo que deve ser aplicado, neste processo, o art. 35A da Lei nº 8.212/1992, desde que mais favorável ao sujeito passivo. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso interposto pelo contribuinte, para no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento quanto à multa. A multa a ser aplicada é a do art. 35A da Lei n. 8.212/1992 (na redação dada pela Lei nº 11.941/2009), desde que mais benéfica ao sujeito passivo, comparandose a aplicação da multa do referido art. 35A c/c o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1998, com a multa escalonada do art. 35 da Lei n. 8.212/1992, na redação anterior à MP nº 449/2008. Conheço de ofício a decadência pleiteada pelo recorrente, observada a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN, em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a maio de 2002, inclusive. É como voto. (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Fl. 660DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 13/05/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10675.905262/2008-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/09/2003
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DILAÇÃO DO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. O prazo de 30 dias para apresentação da manifestação de
inconformidade é prazo estabelecido por lei, não podendo a autoridade administrativa dele se desvincular, sob pena de responsabilidade funcional, vez que não há previsão legal para a sua dilação.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do § 6º do art. 74 da Lei nº. 9.430/1996, a Declaração de Compensação equivale a confissão de dívida constitui-se em instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.
EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. PROVA. Não há como se reconhecer o direito creditório em valor superior àquele acrescido pela autoridade julgadora de primeira instância, quando, em sede de recurso, a contribuinte deixa de trazer elementos convincentes para comprovação da existência de tal crédito.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS DE MORA. SÚMULA CARF nº 3. São devidos os juros moratórios calculados à taxa SELIC,
nos termos da Súmula CARF nº. 3
Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância rejeitada.
No mérito, recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3202-000.383
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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DILAÇÃO DO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. O prazo de 30 dias para apresentação da manifestação de inconformidade é prazo estabelecido por lei, não podendo a autoridade administrativa dele se desvincular, sob pena de responsabilidade funcional, vez que não há previsão legal para a sua dilação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do § 6º do art. 74 da Lei nº. 9.430/1996, a Declaração de Compensação equivale a confissão de dívida constituise em instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. PROVA. Não há como se reconhecer o direito creditório em valor superior àquele acrescido pela autoridade julgadora de primeira instância, quando, em sede de recurso, a contribuinte deixa de trazer elementos convincentes para comprovação da existência de tal crédito. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS DE MORA. . SÚMULA CARF nº 3. São devidos os juros moratórios calculados à taxa SELIC, nos termos da Súmula CARF nº. 3 Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância rejeitada. No mérito, recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Presidente Fl. 352DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0320.14144.T3SH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Irene Souza da Trindade Torres Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luiz Eduardo Garrossino Barbieri e Octavio Carneiro Silva Correa. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “O contribuinte acima, à época denominado "Braspelco Indústria e Comércio Ltda.", transmitiu pedidos de ressarcimento de saldo credor do IPI, cumulado com declarações de compensação, que foram analisados conjuntamente pela Seção de Orientação e Análise Tributária Saort da DRF em Santa Maria. O objeto deste processo é o pedido de ressarcimento (PER/DCOMP n° 24618.09847.140504.1.1.017811) relativo ao 3º trimestre de 2003, no valor de R$ 149.617,18, transmitido em 14/05/2004, e que se refere a créditos de insumos tributados utilizados na industrialização de produtos imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, com amparo no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, apurados pelo estabelecimento detentor do CNPJ 22.312.045/001297. Vinculadas ao referido crédito, foram transmitidas declarações de compensação que totalizaram R$143.741,40. Aludido pedido foi analisado mediante tratamento manual, tendo a fiscalização constatado divergências com respeito ao valor dos créditos e dos débitos de IPI nas operações ocorridas no período em questão, conforme exposto no item 5 do Relatório de Verificações Fiscais (fls. 147/149), o que resultou na redução do valor a ser ressarcido. Com base nisso, foi exarado o Despacho Decisório DRF/STM de 02 de abril de 2009 (fl.150), no qual foi reconhecido o direito creditório no valor de R$ 134.0543,03, e homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Irresignado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade tempestiva de fls. 177 a 189, na qual alega, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório, pelas seguintes razões: a) não entrega da documentação necessária para compreensão da discussão no momento da intimação quanto ao teor do Despacho Decisório. apesar de o valor dos créditos ter superado o montante dos débitos, a decisão veio acompanhada apenas dos DARF's cobrando o débito de R$ 18.078,71. Por isso, deveria ser aberto prazo de 30 dias para que possa verificar junto à DRF Santa Maria os documentos apontados na referida decisão e apurar se existem erros nas glosas dos créditos e nos débitos; b) inexistência do lançamento tributário deve ser declarada nulo o débito de R$ 51.279,54 representado pelos mencionados DARF's e demais débitos apontados no Relatório de Verificações Fiscais, pois tal exação não foi objeto de lançamento, o que implica violação aos arts. 142, 149 e 150 do Código Tributário Nacional, além de desconsiderar que sendo o lançamento ato privativo da autoridade administrativa, a declaração do contribuinte não constitui nem substitui o lançamento. Por Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0320.14144.T3SH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.905262/200849 Acórdão n.º 3202000.383 S3C2T2 Fl. 353 3 decorrência, a cobrança sem a formalização de exigência evidenciaria coação e cerceamento de direito por parte da Fazenda Pública, em afronta ao art. 5°, incisos LV, XXXIII e XXXIV da Constituição Federal, que transcreve; c) deficiência na instrução o ônus da prova compete a quem alega, todavia o Relatório e o Despacho Decisório não estão acompanhados dos documentos que fundam as glosas e débitos apontados pela Fazenda Pública. Quanto ao mérito, alega que, além de não se justificar o valor dos débitos apontados no Relatório de Verificações Fiscais, verificase que, do confronto entre o crédito reconhecido e o total dos débitos indicados para compensação resulta um saldo devedor de R$ 9.698,36, mas a intimação do teor do Despacho Decisório veio acompanhada de Darfs para pagamento do montante de R$ 18.078,71, com o qual não concorda. Contesta a glosa do valor de R$ 8.440,98, pois seria de bem utilizado na industrialziação, e não de aquisição de bem destinado ao ativo imobilizado Contesta, ainda, ainda a legalidade da cobrança de juros calculados pela Taxa Selic. Por fim, solicita a concessão do prazo de 30 dias para juntada de novas provas e razões e a declaração de nulidade do débito de R$ 18.078,71 e demais débitos apontados no relatório da fiscalização.” A DRJPorto Alegre/RS julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade (fls. 265/271), nos termos da ementa adiante transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Incabível a decretação de nulidade do despacho decisório, quando nele contidas as informações necessárias e suficientes para justificar a decisão. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI. I Não há direito ao crédito do IPI na aquisição de bens do ativo permanente. II Em decorrência do princípio da nãocumulatividade do IPI, os créditos não ressarcíveis são utilizados antes dos créditos passíveis de ressarcimento para fins de compensação com os débitos do período, sendo que o eventual ressarcimento/compensação fica limitado ao montante dos créditos ressarcíveis do trimestre, após esse ajuste. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls. 310/325), alegando, em síntese: nulidade da decisão recorrida, para que lhe seja conferido o prazo de 30 dias para complementação de sua defesa. Alega que a decisão de reconhecimento do crédito e homologação das compensações a qual tomou ciência veio desacompanhada de documentos Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0320.14144.T3SH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 que lhe possibilitassem compreender os critérios adotados pela fiscalização para a glosa dos créditos; que a mera declaração de compensação apresentada pela contribuinte não substitui o ato do lançamento tributário, sem o qual a obrigação tributária não é exigível. O Fisco não pode exigir um crédito tributário que não se encontra constituído por meio do lançamento, razão pela qual deve ser declarado nulo o débito de R$ 45.061,77, representado pelo DARF que acompanhou a decisão da DRF, bem como os demais débitos referidos no Relatório de Verificações Fiscais; que deve ser declarado nulo o débito constante do DARF que acompanha a decisão e demais débitos, pois a decisão que reconheceu o crédito está deficientemente instruída, porquanto desacompanhada de documentos comprobatórios que fundamentem as glosas; e que é inaplicável a taxa SELIC no cálculo dos juros de mora. Ao final, requereu o provimento do recurso voluntário para que fosse anulada a decisão recorrida e concedido o prazo de 30 dias que a recorrente possa complementar sua defesa através da juntada de provas pertinentes, tendo em vista a impossibilidade de acessar o processo na época própria. Assim não o sendo, fosse declarada a nulidade do débito em razão dos motivos ali expostos.Caso assim não se entendesse, fosse homologada integralmente as compensações efetuadas, afasta a utilização da taxa SELIC. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Tratam os autos de alegado crédito decorrente de ressarcimento de IPI, referente ao 3º trimestre de 2003, objeto da PERDCOMP nº.24618.09847.140504.1.1.017811, enviada em 14/05/2004, no valor total de R$149.617,189. Vinculadas ao referido crédito, foram apresentadas Declarações de Compensação no valor total de R$ 143.741,40 A DRFSanta Maria/RS, com base no Relatório de Verificações Fiscais constante às fls. 194/198, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, para fins de ressarcimento e compensação, no valor de R$ 134.043,03, homologando as compensações declaradas por iniciativa da contribuinte, referente a créditos de ressarcimento do IPI relativos ao 3º trimestre de 2003, até o limite do direito creditório reconhecido A DRJPorto Alegre/RS, entretanto, julgando parcialmente procedente a manifestação de inconformidade oferecida pela interessada, reconheceu o direito creditório pleiteado no valor total de R$ 145.579,34, acrescendo, portanto, R$ 11.536,31 ao crédito anteriormente reconhecido pela DRF. Preliminarmente, aduz a recorrente a nulidade da decisão de primeira instância, por não lhe ter sido deferido prazo suplementar de 30 dias para que complementasse Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0320.14144.T3SH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.905262/200849 Acórdão n.º 3202000.383 S3C2T2 Fl. 354 5 a impugnação. Alega que, quando de sua intimação do Despacho Decisório da DRF, a cópia da decisão veio acompanhada somente dos DARF para cobrança do crédito, sem que viesse acompanhada de outros documentos que lhe permitissem uma análise detalhada do processo, razão pela qual solicitou a dilação do prazo. O prazo para manifestação de inconformidade, nos casos de não homologação de compensação, encontrase estabelecido no art. 74 da Lei nº. 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizalo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7º. Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (...) §9º. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no §7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. Assim, o prazo de 30 dias para apresentação da manifestação de inconformidade, concedido quando da intimação do Despacho Decisório, é prazo estabelecido por lei, não podendo a autoridade administrativa dele se desvincular, sob pena de responsabilidade funcional, vez que não há previsão legal para a sua dilação. Por outro lado, também não cabe à contribuinte alegar desconhecimento dos autos, vez que a ela foi dado ciência do Relatório de Verificações Fiscais de fls. 230/235, o qual indica todos os fundamentos da decisão proferida. Demais disso, se alguma dúvida houvesse, poderia a recorrente ter solicitado vista dos autos e cópia dos documentos ali acostados, nos termos do inciso II do art 3º da Lei nº. 9.784/1999, que assim dispõe: Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: I ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0320.14144.T3SH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; IV fazerse assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei. (grifo não constante do original) Alega, ainda, a querelante, que a mera declaração de compensação por ela apresentada não substitui o ato do lançamento, sem o qual a obrigação tributária não seria exigível, razão pela qual o Fisco não poderia exigirlhe o crédito tributário ora sob apreço. Também neste ponto falece razão à recorrente. A Declaração de Compensação equivale a confissão de dívida, ou seja, na oportunidade em que o sujeito passivo entrega a DCOMP à Secretaria da Receita Federal, ele faz a discriminação dos créditos e também dos débitos objeto da compensação, de tal modo que estes débitos são confessados por meio daquele documento. É o que dispõe o §6º do já citado art. 74 da Lei nº. 9.430/1996: §6º.A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Na hipótese de não reconhecimento do pleito creditório, aplicamse as disposições do art. 22 da IN 210/2002, qual seja, a SRF efetua a comunicação do sujeito passivo da nãohomologação da compensação e o intima a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, a saber: Art. 22. Constatada pela SRF a compensação indevida de tributo ou contribuição já confessado ou lançado de ofício, o sujeito passivo será comunicado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, contado da ciência do procedimento. Parágrafo único. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para inscrição em Dívida Ativa da União, independentemente da apresentação, pelo sujeito passivo, de manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento de seu direito creditório. Assim, diante da apresentação das DCOMP, em que a contribuinte elenca ali seus débitos, não há que se falar em inexigibilidade do crédito tributário em razão de ausência de lançamento. Quanto à alegada nulidade do débito representado pelos DARF que acompanharam a intimação da recorrente, juntados quando da intimação do Despacho Decisório da DRF, e que tornaram a acompanhar a intimação da decisão da DRJ, temse que tal matéria não é objeto desta lide, visto tratarse de saldo devedor em cobrança no processo n° 10675.902325/200996, como informado no Ofício nº. 416/2009/SAORT/DRF/UBEMG, à fl. 227, o qual assim informou: Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0320.14144.T3SH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.905262/200849 Acórdão n.º 3202000.383 S3C2T2 Fl. 355 7 “Estamos encaminhando cópias do Relatório de Verificações Fiscais e do Despacho Decisório DRF/STM, de 02 de abril de 2009, proferidos no processo acima. O crédito reconhecido no referido despacho foi utilizado para compensar os débitos listados nas DCOMP’s 03341.99307.190504.1.3.011090, 21171.29269.260504.1.3.01 6096, 19782.21966.091105.1.7018237 e 23268.11106.090604.1.3.014925 (parte), remanescendo saldo devedor em cobrança no processo 10675.902325/200996 (DARF anexo). (...)” No que diz respeito ao montante do direito creditório pleiteado, temse que a contribuinte requereu o ressarcimento de IPI, referente ao 3º trimestre de 2003, no valor total de R$149.617,18, tendo sido reconhecido pela autoridade julgadora de primeira instância o direito ao crédito no valor total de R$ 145.579,34. Conforme salientou a instância julgadora a quo, foi verificado que a requerente solicitou o ressarcimento em valor maior que o somatório dos créditos ressarcíveis no trimestre de apuração. Isto porque, nos termos do art. 11 da Lei nº. 9.779/99, somente são ressarcíveis os créditos de IPI acumulados em cada trimestrecalendário decorrentes de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização, de tal forma que créditos oriundos de outros ingressos, isto é, que não digam respeito à aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização, são considerados não ressarcíveis. Além disso, a contribuinte não havia escriturado seus débitos, os quais também deveriam ser objeto de compensação. Neste ponto, suficiente a transcrição do voto condutor do Acórdão: “Conforme informado no item 5 do Relatório, o montante dos créditos no 3º trimestre de 2003, devidamente confirmados pela fiscalização, foi de R$154.020,32, dos quais R$ 145.579,34 se tratam de créditos ressarcíveis e R$ 8.440,98 foram considerados pela fiscalização como créditos não ressarcíveis. Ao solicitar o ressarcimento o contribuinte não se restringiu a esse limite, tendo solicitado valor maior que o do somatório dos créditos ressarcíveis no trimestre. Com relação à operação documentada pela Nota Fiscal nº. 129201 (fl. 143), cumpre referir que não gera direito a crédito de IPI, pois se trata de aquisição de equipamentos utilizados para comando elétrico ou distribuição de energia, ou seja, bens do ativo imobilizado da empresa, não preenchendo os requisitos antes mencionados. Assim, o valor de R$3.698,68 relativo ao IPI nela destacado não integra o montante dos créditos do trimestre, e, por isso, também não faz parte dos créditos não ressarcíveis, que devem ser reduzidos para R$4.742,30. Quanto aos débitos, foi apontado que totalizaram R$19.977,29, de acordo com o demonstrativo de fl. 29, enquanto que a apuração que consta no item 5 (fl. 148) dá conta que o contribuinte não escriturou referidos débitos. Tal valor deve ser compensado com créditos do imposto, à vista do exposto anteriormente. De acordo com o demonstrativo de fl. 148verso a fiscalização utilizou todo o valor dos créditos não ressarcíveis para compensar com o valor correto do débito, e Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0320.14144.T3SH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 o restante R$11.536,31 foi subtraído dos créditos ressarcíveis do trimestre, reduzindo o valor do ressarcimento para R$ 134.043,03. Todavia, tal dedução foi equivocada, pois existia saldo credor na escrita suficiente para compensar o débito, como se verifica no demonstrativo elaborado com base no livro Registro de Apuração do IPI RAIPI (fl. 148), onde consta saldo credor acumulado de R$ 665.617,33 no início do 3º trimestre de 2003. Ao final do trimestre esse saldo perfazia R$ 819.637,65. Assim, o mencionado débito deve ser preferencialmente deduzido desse saldo credor considerado não ressarcível no 3º trimestre de 2003, conforme já exposto nos itens precedentes o que resulta no reconhecimento do crédito pleiteado, até o limite dos créditos ressarcíveis do trimestre em questão, ou seja R$ 145.579,34. Em contraposição às planilhas trazidas pela Fiscalização, nada trouxe a contribuinte aos autos além de meras alegações de que o crédito que possui seria suficiente para cobrir as compensações efetuadas. Não há nos autos qualquer elemento comprobatório, nem mesmo planilha de cálculos ou indicação de onde os cálculos efetuados pela autoridade administrativa tivessem sido formulados erroneamente, limitandose a recorrente a afirmar que desconhece a origem dos débitos e que não concorda com os valores, olvidandose de que todos os dados foram extraídos de informações prestadas pela própria contribuinte, conforme assinalado pela fiscalização no “Termo de Verificações Fiscais” Por último, em relação à aplicação da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora, temse que tal matéria encontrase sumulada por este CARF, a saber: Súmula nº. 3. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Pelo exposto, REJEITO A PRELIMINAR de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0320.14144.T3SH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA em 18/10/2011 20:50:09. Documento autenticado digitalmente por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA em 18/10/2011. Documento assinado digitalmente por: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI em 26/10/2011 e IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA em 18/10/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 19/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP19.0320.14144.T3SH Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: FA0849B21D600AE4467F803E66DD2AFAA1CF1883 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10675.905262/2008-49. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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