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7599020 #
Numero do processo: 35320.004966/2006-81
Data da sessão: Wed Mar 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/05/1999 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.319
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência. do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 corresponde ao décimo terceiro salário 1i s lá
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes

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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/05/1999 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.

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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a (-\ )competência de ocorrência &1 fat gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12. . corresponde ao décimo terc iro 1 i s lá o, À JULIO CE AR VI IRA GOMES — Presidente e Relator Participarà do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). 1 Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa fon-na, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: Relator(a): Julio Cesar Vieira Gomes No julgamento dos itens 58 (recurso-padrão) e 59 a 107 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008, 58 - Recurso: 241679 Tipo: RV Processo: 35564.001890/2006- 70 Recorrente: DROGARIA SÃO PAULO S/A Recorrida: SRP- SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). O julgamento do recurso-padrão acima resultou o Acórdão n°2301-01.309. É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. • Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 06/07/2006, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §4 0 do C'TN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Sala das .Sessi zs, em 24 de março de 2010. JULIO CESA' 1 EIRA GOMES - Relator 2

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7995294 #
Numero do processo: 10925.002484/2007-38
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR, Provada a entrega a destempo da Declaração do Imposto Territorial Rural, há que ser mantido o lançamento da multa correspondente.. Recurso negado,
Numero da decisão: 2201-000.735
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatar. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Rayana Alves de Oliveira França.
Matéria: ITR - Multa por atraso na entrega da Declaração
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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Recurso negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatar. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Rayana Alves de Oliveira França. Participaram do presente julgarfiento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Fatah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira júnior (Presidente), Processo n" 10925.002484/2007-38 S2-C211 Acórdilio n." 2201-00735 1'1 2 Relatório Contra a interessada acima identificada foi lavrado o Auto de Infração relativa à multa por atraso na entrega da EMIR, referente ao imóvel rural localizado no município de Água Doce/SC, Em sua impugnação alega a autuada, em síntese, que: i - não se pode admitir que o município de Água Doce/SC sofra mais baixa na sua arrecadação; já regularizou a situação do imóvel; iii - requer a relevação da multa. A 1" Turma da URI de Campo Grande/MS manteve integralmente a exigência, consubstanciada na ementa abaixo transcrita: MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO A entrega da declaração de ITR fbra do prazo .fixado na legislação tributária enseja a cobrança da multa por atraso, prevista no art. 9", da Lei n° 9.393/96, não havendo previsão de seu afastamento em razão da situação financeira do contribuinte Intimada da decisão de primeira instância, a autuada apresenta Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação, sobretudo o cancelamento do lançamento face à denúncia espontânea configurada na forma do art. 138 do CTI\1. É o relatório. Pmeesso n" 10925 002484/2007-38 Acóalão n " 2201-00.735 S2-C2TI Fl. 3 Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relatar O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos, houve a entrega a destempo da DITR, razão pela qual foi lavrada a infração. Os arts. 8' e 9' da Lei n" 9393, de 1996, determinam a condição para a cobrança de multa pelo atraso na entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR): Ar! 7" No caro de apresentação espontânea do DIAC (Documento de Infbrmação e Atualização Cadastral do ITR) fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fiação sobre o importo devido não inferior a R$ .50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Art. 8" O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de hOrmação e Apuração do ITR - D14 7', correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal ) Art. 9"A entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art. 7", .Yeln prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. ) Em que pese alegue a recorrente que o município de Água Doce possua baixa arrecadação, não há nenhuma lei tributária que preveja a hipótese de isenção ou benefício fiscal em razão da condição financeira do contribuinte nos casos de entrega a destempo da DITR, sob pena de contrariar frontalmente o princípio da reserva legal, Outrossim, não se pode perder de vista as prescrições constantes no art. 115 do CTN: Ari 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. (grifei) Eduar,46 Tadeu Fa Processo d 10925 002484/2007-38 S2-C211 Acórdilo n " 2201-00.735 El 4 Pelo que se observa do excerto legal reproduzido a obrigação acessória decorre da legislação, não se configurando, no presente caso, em obrigação principal. Neste sentido, cumprida a ordem legal poderá o sujeito ativo exigir a multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, em que pese à condição de imunidade tributária (em relação ao imposto) da recorrente.. Ademais, a exigência visa, entre outros, a regularidade e controle das informações nos cadastros oficiais.. Assim, a entrega da declaração fora do prazo previsto na lei constitui infração formal (obrigação acessória autônoma), não podendo ser tida como pura infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional. (Precedentes - STJ: AGREsp n° 262..295/GO, Rel. Min. Francisco Falcão, j. 07,121000, v..u„, DJU 16,042001; REsp n° 396„698/PR, Rel., Mia Luiz Fux, j.. 12,03,2002, v.u,, DJU 08.04,2002) Restando provada a apresentação a destempo da DITR, há que ser mantido o lançamento da multa por atraso na entrega. Ante ao exposto, voto no sentido_çle negar provimento ao recurso, 4

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7384522 #
Numero do processo: 13116.720038/2007-21
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 2004 Ementa: ÁREAS ALAGADAS PARA FINS DE GERAÇÃO DE ENERGIA HIDRELÉTRICA. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas (Súmula 45 do CARF) Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 2202-000.501
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Helenilson Cunha Pontes

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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13116.720038/2007-21 . Recurso n° 342.598 Voluntário Acórdão n° 2202-00.501 — 2" Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2010 Matéria ITR Recorrente FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS S/A Recorrida ia TURMA/DRI-BRASiLIA/DE Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 2004 Ementa: ÁREAS ALAGADAS PARA FINS DE GERAÇÃO DE ENERGIA HIDRELÉTRICA. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas (Súmula 45 do CARF) Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. LS n ' A ' residen Hele ) .All /1 • ontes/ ) Re,: ): ,./. Ail EDITADO EM: e ,,,,,,, ali; Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Rimor, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). .. : Relatório Trata-se de Auto de Infração no qual se exige crédito tributário a titulo de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício de 2004, relativo ao imóvel denominado "Furnas 968 — Usina Hidrelétrica Sena da Mesa", localizado no Município de Minaçu — GO, acrescido de multa de oficio e de juros de mora. O lançamento decorre de suposta falta de recolhimento do ITR, em razão de não comprovação do Valor da Terra Nua declarado, tendo sido arbitrado valor para sua cobrança. Cientificado, em suas razões impugnatórias apresentadas em 06.07.2007, o contribuinte sustenta que: a) O contribuinte é empresa concessionária de serviço publico de produção, distribuição e transmissão de energia elétrica, razão pela qual é incabível a cobrança de ITR sobre as áreas por ela utilizadas como reservatórios de potenciais hidráulicos; b) Os reservatórios são lagos alimentados por correntes públicas, o que reforça sua qualidade de bem público e impossibilita a incidência de ITR, bem como as áreas destinadas às suas margens também o são, na condição de área de preservação permanente; c) A porção de terra coberta por lago artificial, bem como a área ao seu redor, estão afetadas a um serviço público pelo uso especial da União, tendo esta o domínio útil da propriedade, o que afasta mais uma vez a incidência de ITR; d) Não há que se falar em valor de mercado para a apuração do Valor da Terra Nua no presente caso, porquanto se trata de bem fora do comércio; e) A propriedade alagada não pode ser equiparada a latifúndios improdutivos, uma vez que a atividade realizada é altamente produtiva, ao gerar o fornecimento de energia elétrica e possibilitar a exploração de recursos hídricos para fins de geração dessa energia f) A atividade desenvolvida pelas usinas hidrelétricas está fora do campo de abrangência da legislação que trata acerca do ITR; A Delegacia Regional de Julgamento, na apreciação da Impugnação apresentada, considerou procedente o lançamento, por unanimidade de votos, através do acórdão DRJ/BSA n° 03- 23.631, de 12 de dezembro de 2007 (fls. 104/115), consubstanciado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO - ÁREAS SUBMERSAS / RESERVATÓRIOS. Áreas rurais de empresa concessionária de serviços públicos de eletricidade, destinadas a reservatórios de usina hidrelétrica, integram o patrim6 dessa empresa e submetem-se às regras tributárias aplicadas aos demais i 1 • s rurais, fir 2 Processo IP 13116.720038/2007-21 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.501 Fl. 2 Reservatórios de água de barragem não se confundem com potenciais de energia hidráulica, bens da União previstos na Constituição Federal. DO VALOR DA TERRA NUA - VIN. Caracterizada a subavaliação do Valor da Terra Nua - VLN declarado ou a prestação de informações inexatas na 131TR/2004, o respectivo VTN/ha poderá ser arbitrado pela autoridade fiscal, nos termos da Lei n°9.393/1996. Para a possível revisão desse VIN, seria necessário laudo técnico de avaliação com ART/CREA, emitido por profissional habilitado ou empresa de reconhecida capacitação técnica, atendidos os requisitos da norma NBR n°14.653-3 da ABNT. DA MULTA PROPORCIONAL LANÇADA. Apurado imposto suplementar em procedimento fiscal, no caso de informação incorreta na declaração do ITR12004, cabe exigi-lo juntamente com a multa proporcional aplicada aos demais tributos. Lançamento procedente. Irresignado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, com os seguintes dizeres, em resumo: a) A produção, transmissão e distribuição de energia elétrica são serviços essencialmente públicos, não podendo, por conseqüência, as empresas prestadoras desses serviços receberem o mesmo tratamento jurídico das sociedades anônimas em geral; b) As áreas destinadas ao reservatório de água não podem sofrer a incidência de ITR, uma vez que as águas são de domínio publico, sendo impenhoráveis, inalienáveis e imprescritíveis; c) A área em questão está afetada pelo uso especial a um serviço público, de modo a ser a União a detentora do domínio titã dessa área; d) Não deve ser equiparada a área submersa a latifúndios improdutivos, já que a propriedade alagada está inserida em atividade altamente produtiva, ao fornecer energia elétrica; e) O grau de exploração, disposto na legislação do ITR, leva em conta a produtividade na exploração do setor da atividade exercida, e não a produtividade genérica; O As terras alagadas não têm valor de mercado, sendo ainda área indisponível, o que significa que seu valor é zero; g) Os reservatórios podem ser considerados bens da União em razão de poderem integrar o conceito de "rio"; h) Houve arbitramento do valor da terra nua do imóvel, sem mensurar a verdadeira base de cálculo; 3 i) Houve a desconsideração das margens e da área de preservação permanente, áreas de exclusão indiscutível; .. j) O Auto de Infração em comento utiliza o tributo com efeito de confisco, fato vedado pelo Texto Constitucional. É o relatório.i 4 Processo n° 13116.720038;2007-21 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.501 Fl. 3 ^ Voto Conselheiro Helenilson Cunha Pontes, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto ser conhecido. Trata-se de lançamento de I ER, exercício 2004, derivado de arbitramento do Valor da Terra Nua, tendo em vista a circunstancia de que o contribuinte considerou o imóvel rural como fora do campo da incidência daquele imposto. Ao contrário do declarado pelo contribuinte, a fiscalização entendeu que os imóveis rurais que abrigam usinas hidrelétricas, subestações e reservatórios, com finalidade de produção, transformação ou distribuição de energia elétrica, estão sujeitos à incidência de ITR, ainda que adquiridos por desapropriação para a realização dessas atividades. A DRJ considerou válido o arbitramento do Valor da Terra Nua, porquanto caracterizada a subavaliação desse valor; entendeu, ainda, que incide ITR no caso em comento, pois "áreas rurais de empresa concessionária de serviços públicos de eletricidade, destinadas a reservatórios de usina hidrelétrica, integram o patrimônio dessa empresa e submetem-se às regras tributárias aplicadas aos demais imóveis rurais". Penso que este entendimento da DRJ merece ser revisto. A incidência de ITR sobre áreas alagadas a fim de serem utilizadas como reservatórios para geração de energia hidrelétrica já foi objeto de longo debate no âmbito deste Tribunal Administrativo, sendo, inclusive, objeto de entendimento assim sumulado: Súmula 45: O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Este entendimento sumular é fruto de uma série de decisões administrativas sufragando a invalidade da pretensão fiscal quanto à exigência de ITR sobre imóveis rurais utilizados para fins de geração de potencial hidroenergético, verbis: Ementa: ITR - IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. NÃO INCIDÊNCIA. TERRAS SUBMERSAS. Não há incidência do ITR sobre as terras submersas por águas que formam reservatórios artificiais com fins de geração e distribuição de energia elétrica (usinas hidroelétricas) bem como as áreas de seu entorno. A posse e o domínio Mil das terras submersas pertencem à União Federal, pois a água é bem público que forma o seu patrimônio nos termos da Constituição Federal, não podendo haver a incidência do ITR sobre tais áreas. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENIL. Não incide o ITR sobre as áreas que ladeiam o reservatório artificial nos termos da legislação aplicável — Código Florestal. ERRO DA ATRIBUIÇÃO DO VTN ` O VTN atribuído pela fiscalização não respeita os termos da legislação de regência porque não descontou a área de construção, não excluiu a área de preservação permanente e porque tomou como base o valor da terra com destinação agrícola quando notoriamente as terras submersos não tem tal destinação. Falta previsão legal para atribuição do VTN de terras submersas, o que também causa impossibilidade da incidência do ITR ainda que a sujeição passiva pudesse ser atribuída a pessoa diversa da União Federal. RECURSO PROVIDO (Recurso Voluntário n°329119, Relator: José Luiz Novo Rossari, l a Câmara, julgado em 20.10.2005) XXX Ementa: 1TR - IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. NÃO INCIDÊNCIA. TERRAS SUBMERSAS. Não há incidência do ITR sobre as terras submersos por águas que formam reservatórios artificiais com fins de geração e distribuição de energia elétrica (usinas hidroelétricas) bem corno as áreas de seu entorno. A posse e o domínio útil das terras submersas pertencem à União Federal, pois a água é bem publico que forma o seu património nos termos da Constituição Federal, não podendo haver a incidência do ITR sobre tais áreas. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Não incide o ITR sobre as áreas que ladeiam o reservatório artificial nos termos da legislação aplicável — Código Florestal. ERRO DA ATRIBUIÇÃO DO VTN O VTN atribuído pela fiscalização não respeita os termos da legislação de regência porque não descontou a área de construção, não excluiu a área de preservação permanente e porque tornou como base o valor da terra com destinação agrícola quando notoriamente as terras submersas não tem tal destinação. Falta previsão legal para atribuição do VTN de terras submersas, o que também causa impossibilidade da incidência do ITR ainda que a sujeição passiva pudesse ser atribuída a pessoa diversa da União Federal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Recurso Voluntário n° 334895, Relator: Valmar Fonseca de Menezes, E Câmara, julgado em 23.08.2006) , XXX Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 Ementa: ITR. TERRAS SUBMERSAS. Não incide 1TR sobre as terras submersas utilizadas como reservatórios para usinas hidrelétricas. ITR. ÁREAS CIRCUNDANTES DOS RESERVATÓRIOS PARA USINAS HIDRELÉTRICAS. As áreas que circundam os reservatórios e suas ilhas são áreas de preservação permanente, isentas de 1TR. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Recurso Voluntário n° 332166, Relatora: Irene Souza da Trindade Torres, E Câmara, julgado em 10.11.2006) XXX Ementa:Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 ITR - IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. NÃO z‘ • \ Processo n° 13116.720038/2007-21 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.501 Fl. 4 INCIDÊNCIA. TERRAS SUBMERSAS. Não há incidência do 1TR sobre as terras submersas por águas que formam reservatórios artificiais com fins de geração e distribuição de energia elétrica (usinas hidroelétricas) bem como as áreas de seu entorno: A posse e o domínio útil das terras submersas pertencem à União Federal, pois a água é bem público que forma o seu património nos termos da Constituição Federal, não podendo haver a incidência do ITR sobre tais áreas. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Não incide o 1TR sobre as áreas que ladeiam o reservatório artificial nos termos da legislação aplicável - Código Florestal. ERRO DA ATRIBUIÇÃO DO i'7'N O V779 atribuído pela fiscalização não respeita os termos da legislação de regência porque não descontou a área de construção, não excluiu a área de preservação permanente e porque tomou como base o valor da terra com destinação agrícola quando notoriamente as terras submersas não tem tal destinação. Falta previsão legal para atribuição do V7N de terras submersas, o que também causa impossibilidade da incidência do 1TR ainda que a sujeição passiva pudesse ser atribuída a pessoa diversa da União Federal RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Recurso Voluntário n° 335745, Acórdão n° 301-34286, Relatora: Susy Gomes Hoffmann, I Câmara. Julgado em 30.01.2008) XXX Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR EXERCÍCIO: 2003 ITR - TERRAS ALAGADAS - LAGOS DE USINAS HIDROELÉTRICA - NÃO INCIDÊNCIA. A alteração das condições no mundo fenoménico de um determinado fato jurisdicizado, passando a fornecer novos elementos da realidade factual, como é o caso das terras alagadas, altera irremediavelmente a natureza jurídica da coisa. De modo que terras alagadas perdem a natureza jurídica de terra para assumir a de água, não se subsumindo à norma de incidência do 1TR que preconiza a existência de "área continua de terras". RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Recurso Voluntário n° 341287, Acórdão n° 301-34732, Relator: Luiz Roberto Domingo, 1"a:finara. Julgado em 11.09.2008) XXX Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR - IMPOSTO TERRITORL4L RURAL. NÃO INCIDÊNCIA. TERRAS SUBMERSAS. Não há incidência do ITR sobre as terras submersas por águas que formam reservatórios artificiais com fins de geração e distribuição de -energia elétrica (usinas hidroelétricas) bem como as áreas de seu entorno. A posse e o domínio útil das terras submersas pertencem à União Federal, pois a água é bem público que forma o seu património nos termos da Constituição Federal, não podendo haver _a incidência do 1TR sobre tais áreas. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Não incide o ITR sobre as áreas que ladeiam o reservatório artificial nos termos da legislação aplicável - Código Florestal ERRO D ATRIBUIÇÃO DO MV O VTN atribuído pela fiscalização não respeit o ti )1, termos da legislação de regência porque não descontou a área de construção, não excluiu a área de preservação permanente e porque tomou como base o valor da terra com destinação agrícola quando notoriamente as terras submersas não tem tal destinacào. Falta previsão legal para atribuição do VIN de terras submersas, o que também causa impossibilidade da incidência do ITR ainda que a sujeição passiva pudesse ser atribuída a pessoa diversa da União Federal. RECURSO VOLIWTÁRIO PROVIDO. (Recurso Voluntário n° 340653, Acórdão n° 302-39932, Relator: Corintho Oliveira Machado, 2"Cámara. Julgado em 12.11.2008) . XXX Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1172 Exercício: 2002 ITR - TERRAS SUBMERSAS/RESERV.4TÓRIOS - IMÓVEL DE USO ESPECIAL DA UNIÃO. Não são passíveis de incidência do 177? as terras submersas de uso especial da União, utilizadas cotno reservatórios para usinas hidrelétricas. A posse e o domínio das terras submersos pertencem à União Federal, pois a água é bem público que forma o seu património, consoante a Constituição Federal. BASE DE CALCULO. A base de cálculo do 1TR e o valor da terra nua, conforme os arts. 10 e 11 da Lei 9.363/96. No caso sob exame, os comandos legais não foram observados. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Recurso Voluntário n°339560, Acórdão n°303-35729, Relator: Nilton Luiz Bartoli, 3' Câmara. Julgado em 16.10.2008) XXX Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR - TERRAS SUBMERSAS. NÃO 1NCIDÊNCL4. Não há incidência do ITR sobre as ‘erras submersos por águas que formam reservatórios artificiais com fins de geração e distribuição de energia elétrica (usinas hidroelétricas) bem como as áreas de seu entorno. A posse e o domínio útil das terras submersas pertencem à União Federal, pois a água é bem público que forma o seu patrimônio nos termos da Constituição Federal, não podendo haver a incidência do ITR sobre tais áreas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Recurso Voluntário n° 341490, Acórdão n" 303-35854, Relatora: Vanessa Albuquerque Valente, 3' Câmara. Julgado em 10.12.2008). Com efeito, as águas, após o advento da Constituição Federal de 1988, revelam juridicamente a natureza de bens públicos, sendo vedada a sua propriedade pelos particulares, como doutrina JOSÉ RIBEIRO: ...tem-se hoje, em face dos arts. 20, III e VIII, e 26, I, da CF/88, a clominialidade das águas está diluída apenas entre a União e os Estados- Membros. Assim, excluídas as águas de propriedade da União, conforme acima já mencionadas, as demais são do domínio dos Estados. 10, 8 Processo n° 13116.720038/2007-21 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.501 Fl. 5 Tem-se assim que, com o novo disciplinamento dado às águas pela vigente Constituição Federal e pela mencionada Lei 9.433, o Código de Aguas (Decreto 24.643, de 10.07.1934) ficou superado, por incompatibilidade, em vários aspectos, mas, sobretudo, na parte que conceituava e classificava as águas em águas públicas, águas comuns e águas particulares. Pela nova ordem constitucional as águas serão sempre públicas e isso vem ratificado, expressamente, no art. 1°, inc. Ida Lei 9.433, ao preceituar que a água é um bem de domínio público. Já não há, portanto, águas particulares. (Águas — aspectos jurídicos e ambie)jtais. 3 a E6 Juruá : Curitiba, 2008, pp. 45/46). Importante ressaltar, ainda, que o represamento das águas públicas não denota sua privatização, corno relata CID TOMANIK POMPEU: Em consulta formulada pela Prefeitura Municipal de São Paulo sobre a represa Guarapiranga, o CNAEE (1955) decidiu no sentido de que as águas armazenadas na represa Guarapiranga eram as do rio de mesmo nome, as quais eram públicas de uso comum; que tais águas não podiam perder o caráter de públicas só porque seu represamento havia sido realizado por entidade privada; que, de acordo com o Código de Águas, a concessão para aproveitamento da energia hidráulica não importava nunca em alienação das águas públicas, que não eram inalienáveis, mas no simples direito de uso dessas; que o reservatório em causa encontrava-se afeto ao serviço público de que era concessionária a The São Paulo Light & Power Co. Ltda., não podendo esta arrogar-se a propriedade das águas do mesmo reservatório, e declarou que "a represa de Guarapiranga era um bem público". Em 1959, entendendo que a expressão represa, adotada no Acórdão 708/55, podia suscitar dúvidas, o CNAEE declarou serem públicas de uso comum as águas da represa Guarapiranga... (Direitos de Água no Brasil. Editora Revista dos Tribunais: São Paulo, 2006, p. 100) No Direito Comparado, a natureza jurídica da água como bem público também é reconhecida, como se pode verificar na doutrina de EMILIO PÉREZ PÉREZ acerca do Direito espanhol: Se considera la principal innovación de la Ley de Aguas de 1985 hasta el punia de que se centró en ella buena parte dei interés despertado por el nuevo texto, siendo varias las cuestiones que se suscitaron, sobre todo en relación con Ias aguas subterráneas, ya que las superficiales, en su mayor parte, tenian ya la condición de bienes de dominio público. El número 2 del artículo I° de la Ley estableció que das aguas continentales superficiales, así como ias subterráneas renovables, integradas todas atlas en el ciclo hidrológico, contituyen un recurso unitario, subordinado ai • interés general, que forma parte dei dominio público estatal corno dominio público hidráulico». (Breve exposición de la Ley de Aguas de 1985, in Derecho de Aguas. 1" . Instituto Euromediterráneo Del Ag-ua: Murcia, 2006, p. 64) 9 1 Alicerçado na solidez do entendimento jurisprudencial, inclusive já sumulado, e considerando os termos do enunciado contido no artigo 72, caput, da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, dou prov . - o ao recurso para cancelar o lançamento fiscal. 7,"( Helenily 6 antes o MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 041.1 .cfrdt* 2' CAMARA/2' SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo 110: 13116.72003812007-21 Recurso n°: 342.598 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de Junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-00.501 Brasília/DF, j 8 NJ2.0 EVELINE COÊLHO DE ME O HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência' Procurador(a) da Fazenda Nacional

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Numero do processo: 10650.000282/97-12
Data da sessão: Mon Jan 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1992 a 10/12/1994 Ementa: A determinação do termo inicial para contagem do prazo decadencial depende da existência de pagamento ou de alguma atividade que o substitua ou que autorize o não pagamento. Caso não seja identificada a antecipação do pagamento, sem que haja qualquer atividade de autorize o não pagamento, o termo inicial será o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, conforme determina o art. 173, I, do CTN. Caso contrário, o termo inicial será a data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN.
Numero da decisão: 9303-001.318
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª turma do câmara SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho

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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1992 a 10/12/1994  Ementa:  A  determinação  do  termo  inicial  para  contagem  do  prazo  decadencial  depende da existência de pagamento ou de alguma atividade que o substitua  ou que autorize o não pagamento. Caso não seja identificada a antecipação do  pagamento, sem que haja qualquer atividade de autorize o não pagamento, o  termo  inicial  será o primeiro dia do  exercício  seguinte  ao da ocorrência do  fato  gerador,  conforme  determina  o  art.  173,  I,  do CTN. Caso  contrário,  o  termo inicial será a data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros  da 3ª  turma  do  câmara   SSUUPPEERRIIOORR   DDEE   RREECCUURRSSOOSS   FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos  termos do  relatorio e votos que integram o presente julgado.      CAIO MARCOS CÂNDIDO ­ Presidente    GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO ­ Relator       Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, 16/02/2011 por CAIO MARCOS CA NDIDO Processo nº 10650.000282/97­12  Acórdão n.º 9303­01.318  CSRF­T3  Fl. 354          2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUSY GOMES  HOFFMANN,  JUDITH  DO AMARAL MARCONDES  ARMANDO,  LEONARDO  SIADE  MANZAN,  HENRIQUE  PINHEIRO  TORRES,  RODRIGO  CARDOZO  MIRANDA,  RODRIGO DA COSTA PÔSSAS, NANCI GAMA e MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ  Relatório  Trata­se de recurso especial interposto pelo sujeito passivo, fls. 286/290, contra decisão  do Acórdão  nº  201­79378  da  Primeira  Câmara  do  Segundo Conselho  de Contribuintes,  que  negou provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo.  Em  sua  petição  recursal,  o  contribuinte  requer  a  reforma  do  decisum,  alegando,  em  apertada  síntese,  que  ocorreu  a  prescrição/decadência  do  direito  do  Fisco  de  efetuar  o  lançamento da exação, uma vez que se trata de tributo sujeito ao lançamento por homologação,  tendo seu prazo contado nos moldes da regra prevista no art. 150, § 4º do CTN e que houve um  equívoco no enquadramento do produto na nota fiscal.  Por  intermédio  do  despacho  de  fls.  314/319,  o  recurso  foi  admitido  apenas  quanto  a  questão da decadência.  Insatisfeito com a decisão, o  recorrente apresentou agravo, o qual  foi  denegado nos termos dos despachos de fls. 344/345  A Fazenda Pública não apresentou contra­razões.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator  O  recurso  foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais  requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar.  A controvérsia se instaurou por entendimentos divergentes quanto ao prazo decadencial  para  a  constituição  do  crédito  tributário  referente  a  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação.   A recorrente defende que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve ter  seu prazo decadencial regulado pelo art. 150, § 4º, do CTN, independentemente da existência  da antecipação de pagamento.  Para a solução da presente lide, merece ser colacionado a título de doutrina os Acórdãos  do STJ vazados nos seguintes termos:  No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1ª Turma do STJ assim se pronunciou:  "PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL.  ACÓRDÃO  RECORRIDO  ASSENTADO  SOBRE  FUNDAMENTAÇÃO  DE  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, 16/02/2011 por CAIO MARCOS CA NDIDO Processo nº 10650.000282/97­12  Acórdão n.º 9303­01.318  CSRF­T3  Fl. 355          3 NATUREZA  CONSTITUCIONAL.  OMISSÃO  NÃO  CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  PRAZO DECADENCIAL  DE CONSTITUIÇÃO DO  CRÉDITO.  TERMO  INICIAL:  (A)  PRIMEIRO  DIA  DO  EXERCÍCIO  SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR,  SE  NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO  (CTN, ART.  173,  I);  (B)  FATO  GERADOR,  CASO  TENHA  OCORRIDO  RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL  (CTN, ART.  150,  §  4º).PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO.  1. omissis   2. omissis   3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é,  em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual  'direito de a  Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue­se após  5  (cinco)  anos,  contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '.  4.  Todavia,  para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa'  e  'opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando conhecimento da atividade assim exercida  pelo  obrigado,  expressamente  a  homologa'  —,  há  regra  específica.  Relativamente  a  eles,  ocorrendo  o  pagamento  antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para  o  lançamento de  eventuais diferenças  é de  cinco anos a  contar  do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN.  Precedentes  da  1ª  Seção:  ERESP  101.407/SP,  Min.  Ari  Pargendler,  DJ  de  08.05.2000;  ERESP  278.727/DF,  Min.Franciulli  Netto,  DJ  de  28.10.2003;  ERESP  279.473/SP,  Min.  Teori  Zavascki,  DJ  de  11.10.2004;  AgRg  nos  ERESP  216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006.  5. No caso concreto,  todavia, não houve pagamento. Aplicável,  portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art.  173, I, do CTN.  6. Recurso especial a que se nega provimento."  Mais uma vez a 1ª Turma do STJ pronunciou­se sobre o tema:   “EMENTA  CONSTITUCIONAL,  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA  CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR  HOMOLOGAÇÃO.  PRAZO  DECADENCIAL  DE  CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.  Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, 16/02/2011 por CAIO MARCOS CA NDIDO Processo nº 10650.000282/97­12  Acórdão n.º 9303­01.318  CSRF­T3  Fl. 356          4 TERMO  INICIAL:  (A)  PRIMEIRO  DIA  DO  EXERCÍCIO  SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR,  SE  NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO  (CTN, ART.  173,  I);  (B)  FATO  GERADOR,  CASO  TENHA  OCORRIDO  RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL  (CTN, ART.  150,  §  4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO.  1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a  seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição  de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica­se também  a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o  qual  cabe  à  lei  complementar  dispor  sobre  normas  gerais  em  matéria  de  prescrição  e  decadência  tributárias,  compreendida  nessa  cláusula  inclusive  a  fixação  dos  respectivos  prazos.  Conseqüentemente,  padece  de  inconstitucionalidade  formal  o  artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo  de  decadência  para  o  lançamento  das  contribuições  sociais  devidas  à  Previdência  Social"  (Corte  Especial,  Argüição  de  Inconstitucionalidade  no  REsp  nº  616348/MG)  2.  O  prazo  decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o  do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda  Pública constituir o crédito tributário extingue­se após 5 (cinco)  anos, contados: I ­ do primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o lançamento poderia ter sido efetuado ".  3.  Todavia,  para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa”  e  "opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando conhecimento da atividade assim exercida  pelo  obrigado,  expressamente  a  homologa”  —,  há  regra  específica.  Relativamente  a  eles,  ocorrendo  o  pagamento  antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para  o  lançamento de  eventuais diferenças  é de  cinco anos a  contar  do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN.  Precedentes jurisprudenciais.  4.  No  caso,  trata­se  de  contribuição  previdenciária,  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  e  não  houve  qualquer  antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art.  173, I, do CTN.  5. Recurso especial a que se nega provimento.  Por derradeiro,  no Resp nº 973733, o Superior Tribunal de  Justiça  já decidiu  sobre  a  matéria,  sob  sistemática prevista pelo  art.  543­C. Como  sabemos, o  art.  62­A do Regimento  Interno do CARF determina a aplicação das decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, na  sistemática prevista nos artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869/73.  Após breve passeio pela jurisprudência, retornando ao caso em epígrafe, após exaustiva  análise  dos  autos,  verifica­se  que  o  contribuinte  não  antecipou  o  pagamento,  não  efetuou  compensação e não tinha autorização judicial para não efetuar o recolhimento, de sorte que o  prazo decadencial deverá começar a fluir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que  o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN.  Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, 16/02/2011 por CAIO MARCOS CA NDIDO Processo nº 10650.000282/97­12  Acórdão n.º 9303­01.318  CSRF­T3  Fl. 357          5 O lançamento refere­se aos períodos de apuração compreendidos entre 01/92 e 12/94, e  a  ciência  do  contribuinte  foi  dada  em  11/03/1997,  o  que me  permite  a  concluir  que  não  se  operou a decadência de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referentes aos períodos  acima mencionados.   Do exposto, nego provimento ao recurso do sujeito passivo.  É como voto.    Sala das Sessões, 31 de janeiro de 2011.    Gilson Macedo Rosenburg Filho                                Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, 16/02/2011 por CAIO MARCOS CA NDIDO

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Numero do processo: 13974.000242/2008-01
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Exercícios: 2004 a 2006 Ementa: ARBITRAMENTO DOS LUCROS. DETERIORAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. CASO FORTUITO. FORÇA MAIOR. A alegação de deterioração dos livros e documentos, devido a caso fortuito ou força maior, não afasta a tributação com base em arbitramento do lucro, uma vez que, nessa situação, quando não efetivamente comprovado o extravio ou tentada a reconstituição da escrita, esta é a forma legal que permite, ao fisco, aferir o montante tributável. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF. ALEGADA INTERMEDIAÇÃO DE FINANCIAMENTOS. INCOMPROVAÇÃO. Tributam-se os rendimentos omitidos pelo contribuinte, comprovados mediante DIRF’s da fonte pagadora. Não surte efeito a incomprovada alegação de que apenas parte dos rendimentos teria sido recebida pela peticionária, a título de comissão de intermediação de financiamentos, com o consequente repasse dos demais valores a terceiros financiados/tomadores. SUPOSTO ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. ARTIGO 44, II, DA LEI Nº 9.430/96. A imposição da multa de ofício se rege pela lei vigente ao tempo da autuação, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Correto, portanto, o enquadramento legal adotado, na forma original do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
Numero da decisão: 1803-000.688
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para reduzir a multa de ofício para 75%. Vencido o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. Declarouse impedido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior

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CONSIGNAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros  Exercícios: 2004 a 2006  Ementa:  ARBITRAMENTO  DOS  LUCROS.  DETERIORAÇÃO  DE  LIVROS E DOCUMENTOS. CASO FORTUITO. FORÇA MAIOR.  A alegação de deterioração dos  livros e documentos, devido a caso  fortuito  ou força maior, não afasta a  tributação com base em arbitramento do  lucro,  uma  vez  que,  nessa  situação,  quando  não  efetivamente  comprovado  o  extravio  ou  tentada  a  reconstituição  da  escrita,  esta  é  a  forma  legal  que  permite, ao fisco, aferir o montante tributável.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA.  DIRF.  ALEGADA  INTERMEDIAÇÃO  DE  FINANCIAMENTOS.  INCOMPROVAÇÃO.  Tributam­se  os  rendimentos  omitidos  pelo  contribuinte,  comprovados  mediante  DIRF’s  da  fonte  pagadora.  Não  surte  efeito  a  incomprovada  alegação  de  que  apenas  parte  dos  rendimentos  teria  sido  recebida  pela  peticionária, a título de comissão de intermediação de financiamentos, com o  consequente repasse dos demais valores a terceiros financiados/tomadores.  SUPOSTO  ERRO  NA  FUNDAMENTAÇÃO  LEGAL  DA  MULTA  DE  OFÍCIO.  LEGISLAÇÃO  APLICÁVEL  À  ÉPOCA  DA  AUTUAÇÃO.  ARTIGO 44, II, DA LEI Nº 9.430/96.  A imposição da multa de ofício se rege pela lei vigente ao tempo da autuação,  ainda  que  posteriormente  modificada  ou  revogada.  Correto,  portanto,  o  enquadramento legal adotado, na forma original do artigo 44, inciso II, da Lei  nº 9.430/96.     Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES     2 MULTA  QUALIFICADA.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 14.  A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não  autoriza a qualificação da multa de ofício,  sendo necessária a comprovação  do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  3ª  Turma  Especial  da  Primeira  Seção  de  Julgamento, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para reduzir a  multa  de  ofício  para  75%.  Vencido  o  Conselheiro  Walter  Adolfo  Maresch.  Declarou­se  impedido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.    (assinado digitalmente)  Selene Ferreira de Moraes  Presidente    (assinado digitalmente)  Benedicto Celso Benício Júnior  Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Selene  Ferreira  de  Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini, Walter Adolfo Maresch,  Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos.     Relatório    Trata­se de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ),  de Contribuição para o Programa de  Integração Social  (PIS), de Contribuição Social  sobre o  Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins),  referente a fatos geradores ocorridos nos anos de 2003, 2004 e 2005, no valor consolidado de  R$449.951,46, com imposição de multa de oficio de 150%.  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 13974.000242/2008­01  Acórdão n.º 1803­000.688  S1­TE03  Fl. 2          3 A  empresa,  regularmente  intimada  a  apresentar  seus  livros  e  documentos  fiscais,  informou não possuí­los, pois o  seu contador deixara de  fazer a  escrituração à época  dos  fatos  (declaração  de  fl.  90).  A  fiscalização  procedeu  ao  arbitramento  dos  lucros  dos  períodos,  com base  na  receita  bruta  conhecida,  verificada  a  partir  das  informações  prestadas  pelas  fontes  pagadoras  constantes  em  Dirf.  Os  valores  de  receita  omitidos  deram  base  à  exigência de PIS e Cofins.  Em 16/07/2008, o sujeito passivo foi cientificado do lançamento (fl. 484) e,  em 11/08/2008, apresentou impugnação de fls. 189 a 198, pela qual aduziu, em síntese, que:  ­ os livros fiscais foram extraviados, devido a um alagamento, haja vista que  nos fundos da empresa fiscalizada passa um rio;  ­  embora  o  seu  objeto  social  seja  o  comércio  de  veículos,  a  princípio  a  atividade exercida era o refinanciamento de automóveis, modalidade de empréstimo financeiro  em que o veículo do tomador é dado como garantia;  ­  assim,  os  valores  de  receita  informados  em  Dirf  pela  BV  Financeira  se  referiam  aos  repasses  de  financiamentos,  sendo  que  a  autuada  fazia  jus  somente  a  uma  porcentagem, a título de comissão;  ­  a  RFB  deve  rever  o  seu  conceito  de  renda,  pois  os  repasses  da  BV  Financeira não podem servir como base de arbitramento do lucro;  ­  a  autoridade  lançadora  aplicou  a  multa  de  oficio  qualificada,  com  fundamentação equivocada, pois se baseou na antiga redação do art. 44, II , da Lei n° 9.430/96;  a redação em vigor do citado dispositivo, dada pela Lei n° 11.488/07, refere­se à multa isolada  de  50%  sobre  as  antecipações mensais  de  IRPJ  e CSLL  não  recolhidas;  logo,  o  lançamento  dessa multa qualificada está afrontando o princípio da legalidade;  ­  a  empresa  não  incorreu  nos  casos  previstos  pelos  arts.  71  a  73  da Lei  nº  4.502/64, motivo pelo qual deve ser afastada a qualificação da multa de oficio.  A  1ª  TURMA  –  DRJ  EM  CURITIBA  –  PR,  ao  julgar  a  impugnação  formulada,  manteve  integralmente  o  lançamento  debatido,  ementando  sua  decisão  nos  seguintes termos:    “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003, 2004, 2005  PRELIMINAR  DE  NULIDADE.  SUPOSTO  ERRO  NA  FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL  AO LANÇAMENTO.  Segundo  o  art.  144  do  CTN,  o  lançamento  reporta­se  à  data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege­se  pela  lei  então  vigente,  ainda  que  posteriormente  Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES     4 modificada  ou  revogada.  Correto,  portanto,  o  enquadramento  legal  na  forma  original  do  artigo  de  lei  modificado,  se  esta  era  a  redação  vigente  à  época  da  ocorrência dos fatos geradores.  ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO ATENDIMENTO ÀS  INTIMAÇÕES.  Sujeita­se  ao  arbitramento  o  contribuinte  que  deixar  de  apresentar à autoridade  tributária os  livros  e documentos  da  escrituração  comercial  e  fiscal,  ou  o  livro  Caixa,  quando optante pela apuração do lucro presumido.  OMISSÃO DE RECEITAS.  A constatação de omissão de receitas pela pessoa jurídica,  devidamente  comprovada  pela  fiscalização,  justifica  a  exigência fiscal. Para infirmar o lançamento, deve o sujeito  passivo apresentar prova convincente da não utilização do  ilícito tributário.  MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.  A  conduta  do  contribuinte  de  não  informar  a  maioria  de  suas  receitas  na  declaração  de  rendimento  entregue  ao  Fisco,  praticando  omissão  de  receitas  durante  anos  consecutivos,  denota  o  elemento  subjetivo  da  prática  dolosa  e  enseja  a  aplicação  de  multa  qualificada  pela  ocorrência  de  sonegação  prevista  no­  art.  71  da  Lei  n°  4.502/1964.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL.  Tratando­se  de  lançamentos  reflexos,  a  decisão  prolatada  no  lançamento  matriz  é  aplicável,  no  que  couber,  aos  decorrentes, por força da relação de causa e efeito que os  vincula.”    Cientificado  da  decisão  em  12/12/2008,  interpôs  o  contribuinte,  em  09/01/2009,  recurso  a  este  conselho,  erigindo  arguições  idênticas  às  produzidas  no  grau  inferior.  É o relatório do essencial.    Voto             Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Relator    Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 13974.000242/2008­01  Acórdão n.º 1803­000.688  S1­TE03  Fl. 3          5 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento.  Dele conheço.  Para uma mais detalhada perscrutação do remédio recursal em foco, vejamos,  separadamente, cada um dos tópicos centrais versados.    (1) Da destruição dos livros e dos documentos contábil­fiscais da autuada    A ação fiscal em estudo se iniciou com a constatação de divergências entre as  receitas informadas pelo contribuinte, insertas em DIPJ’s, e os repasses noticiados pelas fontes  pagadoras da pleiteante, relatados em Dirf’s.  Com  o  fim  de  levar  a  cabo  investigação  do  cumprimento  das  obrigações  fiscais  da  peticionária,  o  Fisco  intimou  a  última  a  apresentar  livros  e  documentos  contábil­ fiscais obrigatórios, na forma da legislação de regência.  Em  resposta  ao  agente  notificante,  por  via  telefônica  (fl.  179),  aduziu  a  empresa, em primeiro lugar, que sua escrituração não teria sido produzida, por conta de lapso  cometido pelo contabilista responsável. Ulteriormente, contudo, em sede tanto de impugnação  quanto de  recurso,  apresentou a postulante outra versão  fática,  desta  feita  tocante  a  eventual  destruição  dos  livros  e  dos  documentos  fiscais  devidos,  por  força  de  alagamento  de  canal  fluvial situado proximamente a seu estabelecimento comercial.  Pois  bem.  Ao  que  parece,  o  escopo  da  interessada,  ao  elencar  tal  sorte  de  considerações,  é  o  de  infirmar  o  arbitramento,  tentando  justificar  sua  omissão  em  circunstâncias de caso fortuito ou de força maior.  Ocorre,  todavia,  que  esta  alegação  não  está  imbuída  de  nenhuma  comprovação. Não há nada, nos autos, que confirme a história apresentada pelo contribuinte. A  adução de destruição de livros e documentos fiscais, por conta de alagamento, não labora em  favor da peticionária, uma vez se  tratar de  simples argumentação  retórica,  incapaz de operar  não­responsabilização da empresa, de um lado, ou a impossibilidade de arbitramento do lucro  tributável, de outro.  Pise­se,  pois,  que  o  enquadramento  da  situação  ao  comando do  artigo  530,  inciso III, do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) é irretocável. Na falta de escritos e documentos que  possibilitem a apuração dos efetivos resultados da pessoa jurídica, deve ser aplicada a medida  extrema  arbitral,  sob  pena  de  não  poder  o  Fisco  fiscalizar  o  cumprimento  dos  deveres  tributários prescritos em lei.    (2) Das receitas brutas empregadas para o arbitramento    Ato contínuo, assevera a empresa recorrente que, ao contrário do interpretado  pela Fiscalização, sua efetiva receita bruta seria aquela informada em DIPJ, e não a noticiada  Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES     6 pelas  fontes  pagadoras. Nesse  sentido,  afirmou  a  pleiteante  que  os  repasses  efetivados  pelas  instituições  financeiras  retentoras  comporiam  mútuos  concedidos  em  favor  de  terceiros,  clientes da autuada, e não pagamentos tributáveis. Só o que configuraria receita da fiscalizada  seria  o  montante  de  comissão  por  ela  cobrado,  fruto  da  intermediação  do  refinanciamento  contratado entre instituição financeira e tomador.  A  despeito  do  alegado,  também  não  vejo,  aqui,  razões  para  se  agasalhar  o  pleito recursal.  O cenário que se avizinha, a partir das investigações fazendárias, indica que a  interessada declarou, em DIPJ, apenas parcela das  receitas efetivamente  recebidas das  fontes  pagadoras.  Salvo  prova  em  contrário  –  inexistente  nos  autos  –  não  há  nada  que  ratifique  o  entendimento  de  que  parte  dos  recebimentos  fora  repassado  a  clientes/tomadores,  sob  condições negociais típicas de intermediação de financiamentos.  Não basta que o contribuinte alegue, retoricamente, a não internalização dos  rendimentos  apurados.  Salvo  cabal  demonstração  reversa,  nada  leva  a  crer  que  as  receitas  brutas  da  pessoa  jurídica  não  sejam  exatamente  aquelas  repassadas  pelas  fontes  pagadoras,  informadas em Dirf.  Não  bastasse  isso,  é  ainda  relevante  observar  que  a  versão  recursal  não  guarda lógica. Acerca do tópico, transcreva­se excerto do aresto recorrido, que bem descortina  a matéria:    “A  receita  bruta  utilizada  como  base  do  arbitramento  do  lucro,  também  utilizada  para  a  determinação  da  receita  omitida, foi conhecida pelas informações prestadas em Dirf  pelas fontes pagadoras da autuada (fls. 114 a 117). Dessas  fontes, a mais expressiva  foi a BV Financeira S. A., o que  levou  o  impugnante  a  tentar  descaracterizar  os  rendimentos  dela  recebidos.  Afirma  que  se  referiam,  em  verdade,  a  valores  repassados  pela  instituição  financeira  para  terceiros  tomadores  de  empréstimos,  sendo  que  somente unia porcentagem era rendimento, pago a título de  comissão.  Tal  justificativa  não  possui  a  mínima  verossimilhança.  Primeiro,  que  a  autuada  não  apresenta  qualquer  documento  que  possa  lastrear  sua  alegação;  segundo,  e  mais  importante,  é  que  a  instituição  financeira  não  iria  reter  o  IR  sobre  os  valores  de  empréstimos  tomados  por  seus clientes. Empréstimo não se confunde com renda, daí  a  inexistência  de  qualquer  fundamento  nessa  alegação.  Os  valores  informados  pela  BV  Financeira  representam  sim  os  rendimentos  da  autuada,  tanto  é  que  sobre  eles  incidiu o IRRF, regularmente informado e recolhido pela  fonte pagadora. Correta a determinação da  receita bruta  utilizada para o lançamento.” (grifos nossos)    Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 13974.000242/2008­01  Acórdão n.º 1803­000.688  S1­TE03  Fl. 4          7 Não  há  como  se  admitir,  destarte,  qualquer  ressalva  aos  lançamentos  em  debate, no que respeita aos valores principais cobrados. Remanesce em aberto, pois, apenas a  análise dos consectários legais, nos termos controvertidos pela peça recursal.    (3) Da aplicação da multa de ofício qualificada    Em  derradeiro,  impugna  a  peticionária,  ainda,  a  multa  oficiosa  impingida,  computada no importe de 150%.  Primeiramente,  afirma  o  contribuinte  que  a  penalidade  tratada  teria  sido  capitulada de  forma  incorreta, vez que o artigo 44,  inciso  II, da Lei nº 9.430/96 não mais se  reportaria  à multa  qualificada, mas,  sim,  à  sanção  isolada  derivada  do  não  recolhimento  de  pagamentos mensais estimados.  Acontece,  contudo,  que  o  auto  de  infração  deve  indicar  o  dispositivo  legal  vigente  à  época.  Ainda  que  ulterior  modificação  legislativa  tenha  alterado  o  teor  da  norma  citada, certo é que, no momento do lançamento, prescrevia citado comando, sim, a imputação  da multa qualificada de 150%. Não há que se falar, por óbvio, em desrespeito ao princípio da  legalidade, vez que escorreita a conduta do fiscal.  Em  todo  caso,  e  sem  prejuízo  do  ora  exposto,  acredito  ser  desarrazoada  a  manutenção da pena qualificada, sendo essencial sua redução, até o importe de 75%.  A  análise  das  circunstâncias  do  caso  concreto  não  permite deduzir  nenhum  indício  de  fraude,  dolo  ou  conluio  –  condutas  típicas,  suficientes  e  necessárias  para  a  qualificação  da multa  de  ofício.    Embora  reprovável,  o  comportamento  do  contribuinte  não  restou  provado  como  especificamente  criminoso,  informado  de  elementos  volitivos  que  indicassem  o  escopo  sonegador.  A  qualificação  da  multa  de  ofício  pressupõe  provas  inquestionáveis  a  respeito  do  dolo  (lato  sensu)  evasivo,  não  sendo  possível  a  mera  pressuposição desta agravante, a partir da constatação da omissão de receitas.  Custa  sublinhar,  então,  que  esta  exegese  já  se  encontra  sedimentada  neste  conselho,  conforme  se  depreende  da  Súmula  CARF  nº  14,  vicejante  com  a  feição  abaixo  enunciada:    “Súmula CARF nº  14: A  simples  apuração de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito  passivo.”    Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para reduzir a multa  de ofício cominada, até o importe de 75%.  Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES     8   Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2010    (assinado digitalmente)  Benedicto Celso Benício Júnior                                  Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES

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Numero do processo: 13830.000994/2002-11
Data da sessão: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1998 DEPOSITO EM CONTA BANCÁRIA. TITULARIDADE. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A omissão de rendimentos, apurada em procedimento de oficio, enseja a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento para formalização da exigência da diferença de imposto, acrescida de multa de oficio. MULTA ISOLADA DO CARNE-LEÃO E MULTA DE OFICIO - CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n°. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-000.614
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, excluir a multa isolada e, por maioria de votos, manter os demais pontos da exigência tributária, vencido o Conselheiro Moisés Giacomel i Nune a Silva que ava integral provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:41:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:41:44Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:41:44Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:41:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:1027d52d-4ac9-4153-bdf9-dd9c3946f32d; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:41:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:41:44Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:41:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:41:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:41:44Z; created: 2010-07-13T13:41:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-07-13T13:41:44Z; pdf:charsPerPage: 1568; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:41:44Z | Conteúdo => S2-C2T1 Fl. 1 3nat\' , MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13830.000994/2002-11 Recurso n° 164.496 Voluntário - Acórdão n° 2201-00.614 — 2 Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2010 Matéria IRPF - Ex(s).: 1998 Recorrente FRANCISCO EROIDES QUAGLIATO FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1998 DEPOSITO EM CONTA BANCÁRIA. TITULARIDADE. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A omissão de rendimentos, apurada em procedimento de oficio, enseja a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento para formalização da exigência da diferença de imposto, acrescida de multa de oficio. MULTA ISOLADA DO CARNE-LEÃO E MULTA DE OFICIO - CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n°. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, excluir a multa isolada e, por maioria de votos, manter os demais pontos da exigência tributária, vencido o Conselheiro Moisés Giacomel i Nune a Silva que ava integral provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fran co A . sis de Oliveira Júnior — Presidente Lit7 't,k)\n_ au o Pereira' arbos -/2?„ Relator EDITADO EM: Z 1 JUN 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. 2 Processo n° 13830.000994(2002-11 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.614 Fl. 2 Relatório FRANCISCO EROIDES QUAGLIATO FILHO interpôs recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente lançamento formalizado por meio do auto de infração de fls. 04/10. Trata-se de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, no valor de R$ 102.750,00, acrescido de multa de oficio de 75% e de juros de mora. Foi exigido também multa isolada de 75%, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 419.507,77. A infração que ensejou o lançamento e que está detalhadamente descrita no auto de infração foi a omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física, em novembro de 2007. Sobre o mesmo valor recebido foi exigida multa isolada pela falta de recolhimento do camê-leão. Segundo o relatório fiscal o lançamento refere-se a valores (R$ 411.000,00) depositados por Mauri Bueno na conta do autuado e posteriormente enviados ao exterior em favor de terceiros. Na impugnação de fls. 100/112 o Contribuinte alegou, em síntese, que depósitos bancários, por si só, não caracterizam disponibilidade de renda, sendo necessária a comprovação do nexo causal entre o depósitos e aquisição da disponibilidade. Cita súmula 182 do TFR; que foi explicada a razão pela qual os valores foram depositados, o que foi confirmado pelo depositante; que prestou um favor pessoal ao Sr. Mauri, emprestando sua conta para que nela fossem depositados tais valores para posterior transferência a terceiros; que a fiscalização não se prestou ao trabalho de verificar a veracidade de tal informação. O Contribuinte insurgiu-se também contra a multa isolada, aduzindo que se trata de dupla penalização sobre o mesmo fato, o que seria contrário à lei. A Delegacia de Julgamento — DRJ julgou procedente em parte o lançamento, para reduzir o percentual da multa isolada para 50%, com base nas considerações a seguir resumidas. Após sustentar a validade do lançamento com base em depósitos bancários, ressalta que o Contribuinte não logrou comprovar que os depósitos pertenceriam ao terceiro Mauri Bueno, estaria caracterizado o recebimento de rendimentos. Sobre a multa isolada, a DRJ rejeitou a alegação do Contribuinte de que se trata de dupla penalidade sobre o mesmo fato, ressaltando que a multa isolada incide em razão da falta de recolhimento do carnê-leão enquanto a multa de oficio vinculada é pela omissão de rendimentos apurada na declaração e que, portanto, as duas penalidades poderiam ser aplicadas simultaneamente. Ponderou, todavia, que legislação superveniente, reduziu o percentual da multa para 50%, devendo ser aplicado este novo percentual em face do principio da retroatividade benigna. O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 28/09/2007 (fls. 143) e, em 29/10/2007, interpôs o recurso de fls. 144/155, que ora se examina e no qual reproduz, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. 4 Processo n° 13830.000994/2002-11 52-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.614 Fl. 3 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa — Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Cuida-se aqui de lançamento para a exigência de imposto sobre rendimentos recebidos de pessoa fisica. Note-se que não se trata de lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tendo por fundamento o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Embora o Fisco tenha partido de um depósito bancário feito na conta do Recorrente, identificou-se o depositante e, portanto, a origem do depósito que o Fisco considerou como rendimentos recebidos de pessoa fisica. NOte-se, inclusive que o depositante foi intimado e confirmou a operação, mas sobre a operação que deu origem ao depósito, limitou-se a firmar que se tratava de um favor pessoal e não apresentou nenhuma prova. (fls. 86 e 88) Assim, a alegação de que depósitos bancários não se confundem com renda em nada aproveita à defesa. Não se trata de um simples depósito bancários, mas de um depósito feito por um terceiro e cuja operação não foi comprovada. Este conselho já consolidou o entendimento de que, salvo prova em contrário, os recursos depositados em conta bancária é de titularidade daquele cujo nome figura no cadastro da conta. Trata-se da súmula CARF n° 32, a saber: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. É legitimo, portanto, o Fisco concluir que valores depositados em conta bancária por terceiro caracteriza aquisição da disponibilidade dos recursos depositados, e se não restou comprovada que essa disponibilidade teve origem em operação não sujeita a tributação, é licito considerar-se como aquisição de renda e, portanto, fato gerador do imposto. A alegação do Contribuinte de que cedeu a conta a terceiro para fazer um favor pessoal não pode ser acolhida sem uma comprovação de que os recursos depositados efetivamente pertenciam a terceiros, o que não se tem neste caso. Correto, portanto, o lançamento e a decisão de primeira instância, neste aspecto. Divirjo, todavia, da decisão recorrida quanto à abordagem sobre a multa isolada. A possibilidade da exigência simultânea da multa isolada com a multa de oficio, tendo ambas a mesma base, já foi rejeitada por este Conselho. Como exemplo veja-se a seguinte decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO — CONCOMITÂNCIA — MESMA BASE DE CA' LCULO — A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do ssç 1°, do art. 44, da Lei n°9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/01-04.987, de 15/06/2004) É como penso. Entendo que a questão se resolve na natureza da multa isolada. E, para tanto, é conveniente examinarmos o que dispõe a Lei n° 9.430, de 1996, que previu a hipótese de sua incidência (na redação anterior à mudança introduzida pela medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007), a saber: Lei n°9.430, de 1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. (..) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. I —de 75% (setenta e cinco por cento), nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa de mora, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 11— 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito defraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 2°. As multa de que trata este artigo serão exigidas: I — juntamente com o tributo ou a contribuição quando não houverem sido anteriormente pagos; III — isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art. 8" da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê- lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; É dizer, o § 1° do art. 44, acima transcrito, não institui uma penalidade nova, mas apenas a foinia de sua incidência, juntamente com o tributo, na hipótese do inciso I, e isoladamente, nas hipóteses dos demais incisos. O dispositivo que institui a penalidade é o caput do artigo e seus incisos. É ai que a lei especifica o fato típico, ensejador da penalidade: a falta de pagamento ou recolhimento etc. Pelo simples fato de não ter havido o pagamento do imposto devido a titulo de carnê-leão não há previsão de incidência de outra penalidade senão a dos incisos I e II do capuz' art. 44, conforme o caso. 6 Processo n° 13830.000994/2002-11 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.614 Fl. 4 Sendo assim, não se pode conferir ao art. 43 e aos incisos do parágrafo 1°, inovações da Lei n° 9.430, interpretação que implique em incidência de gravame inexistente antes da vigência dos referidos dispositivos. É o que ocorre quando se aplica a penalidade duplamente, sobre a mesma base, na exigência da multa isolada, pelo não pagamento da antecipação, e na exigência do imposto quando do ajuste anual. Ora, a incidência da multa isolada, como no caso especifico tratado neste processo, por falta de recolhimento do camê-leão, não tem outro objetivo senão o de evitar a founalização de exigência de imposto devido como antecipação do ajuste anual e que, logo em seguida, seria compensado quando do lançamento do imposto apurado no ajuste. Com a multa isolada, essa dificuldade foi superada, exigindo-se apenas a multa pelo não pagamento da antecipação, deixando-se para formalizar a exigência do tributo apenas na apuração do imposto devido no ajuste anual. Nesse segundo momento, contudo, a base de cálculo da multa isolada não deveria compor a base de cálculo da multa de oficio exigida conjuntamente com o imposto. Em nenhum momento os contribuintes deviam o imposto duas vezes, antecipadamente e quando do ajuste anual. É que, ao pagar o primeiro, - necessariamente teria direito a compensar o que pagou quando do ajuste anual. Assim, não há falar em dupla hipótese de incidência das multas, pelo não pagamento da antecipação e pelo não pagamento do imposto devido quando do ajuste anual. No presente caso, a DRJ entendeu aplicável a multa isolada, porém, no percentual de 50% em face do principio da retroatividade benigna, ante a existência de legislação que, segundo seu entendimento, prevê penalidade menos severa. Ora, é certo que a Lei n° 11.488, de 2007, que, entre outros pontos, alterou a redação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, instituiu a hipótese de incidência da multa isolada no caso de falta de pagamento do carnê-leão. Porém, este dispositivo aplica-se apenas aos fatos geradores ocorridos após sua vigência. É que, como ressaltado acima, se antes não havia a possibilidade de incidência simultânea da penalidade pelo não recolhimento do camê-leão, em concomitância com a multa de oficio sobre os rendimentos omitidos apurados no ajuste anual, sobre a mesma base, a nova legislação, que introduziu esta possibilidade, não é mais benéfica ao contribuinte e, portanto, não poderia ser aplicada em relação aos fatos pretéritos. Concluo, pois, pela exclusão da multa isolada. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para excluir da exigência a multa isolada. WoliK;u2 ifieir -a?3arbsa 7 - ,,y.g.. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS r CAMARA/2 a SEÇÃO DE JULGAMENTO''.. ç•ro - Processo n°: 13830.000994/2002-11 --- Recurso n°: 164.496,,, TERMO DE INTIMAÇÃO , Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2201-00.614. ..----- Brasília/DF, =` 1 J U N 2010,-, --1 (') (..) P, ; A k.A, \. EVELINE COELHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador(a) da Fazenda Nacional .

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Numero do processo: 10814.008208/97-61
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IMUNIDADE - FUNDAÇÃO PÚBLICA - A imunidade do artigo 150, inciso VI, alínea "a" e § 2° da Constituição Federal, alcança os Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, vez que a significação do termo "patrimônio", não é o contido na classificação dos impostos adotada pelo CTN, mas sim a do art. 57 da Código Civil, que congrega o conjunto de todos os bens e direitos, a guisa do comando normativo do art. 110 do próprio CTN.
Numero da decisão: CSRF/03-03.147
Decisão: Acordam os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli

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MINISTÉRIO DA FAZENDA CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo : 10814.008208/97-61 Recurso : RD1302-0.376 Matéria IMUNIDADE Recorrente : FUND, PADRE ANCHIETA C. PAUL. DE RAD. E TV EDUCATIVA Recorrida : 2a CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada FAZENDA NACIONAL Sessão :15 DE AGOSTO DE 2000 Acórdão : CSRF/03-03.147 IMUNIDADE - FUNDAÇÃO PÚBLICA - A imunidade do artigo 150, inciso VI, alínea "a" e § 2° da Constituição Federal, alcança os Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, vez que a significação do termo "patrimônio", não é o contido na classificação dos impostos adotada pelo CTN, mas sim a do art. 57 da Código Civil, que congrega o conjunto de todos os bens e direitos, a guisa do comando normativo do art. 110 do próprio CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FUNDAÇÃO PADRE ANCHIETA Acordam os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda. ON PERE,y1 r •DRIGUES PRESIDENT,- NgON BAR9LI R LATO- FORMALIZADO EM: 1 4V.1 2000 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros-. CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e JOÃO HOLANDA COSTA. Processo : 10814.008208/97-61 Acórdão CSRF/03-03„ 147 Recorrente : FUNDAÇÃO PADRE ANCH1ETA - CENTRO PAULISTA DE RÁDIO E TV EDUCATIVAS Recorrida : 2a. CÂMARA DO 3° C. CONTRIBUINTES RELATÓRIO Trata-se de exigência tributária constituída pelo auto de infração contra a Recorrente, fundação pública Estadual, que realizou importação de mercadorias destinadas à operação de suas emissoras de radiodifusão educativa, Rádio e Televisão Cultura, ou seja, para a consecução de seus objetivos institucionais legais, pleiteando a exoneração da aplicação da legislação tributária com fundamento na imunidade recíproca com fundamento no artigo 150, item VI, alínea "a", § 2a da Constituição Federal e Lei n° 9.849/67, que a institui como fundação. Entendendo que não era caso de imunidade, e buscando subsídios de fundamento no Código Tributária Nacional, que classifica o Imposto sobre Produtos Industrializados na categoria de imposto sobre a produção e não imposto sobre o patrimônio, a fiscalização lavrou o auto de infração, cobrando da autuada o crédito tributário no montante de R$ 875,86 conforme artigo 499 do Decreto n.° 91030/85, artigo 23 e 44 do Decreto Lei n.° 37/66 combinado com o artigo 113 §§ 1° e 30 do Código Tributário Nacional A Recorrente instrumentalizou tempestiva Impugnação, desenvolvendo a tese de que, corno fundação pública, está imune de incidência normativa constitutiva da obrigação tributária, corroborando por jurisprudência e a doutrina que entendem que não há razão jurídica para dela (imunidade) se excluírem o Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrial' ados, como tributos incidentes sobre o patrimônio. Processo 10814.008208/97-61 Acórdão CSRF/03-03.147 Desta forma e conforme a Constituição Federal de 1988, a imunidade tributária foi estendida as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, gozando portanto da imunidade constitucional na importação de bens para o exercício de sua finalidade, estando exonerada do recolhimento dos Impostos de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado. A decisão de primeira instância manteve o lançamento tributário, por entender que a impugnação fundamentou-se em pareceres doutrinários e jurisprudência que se remetem à Constituição Federal de 1967 e não na atual ordem tributária, e que o conceito de patrimônio contido na atual constituição não engloba os "Impostos sobre o Comércio Exterior", conforme a separação dada pelo Código Tributário Nacional, que classifica como impostos sobre patrimônio os que dizem respeito à propriedade imobiliária e sua transmissão, e sobre automóveis Ressalta ainda, não ter a impugnante direito a isenção em razão de Lei n° 8032/90, que rege a concessão de isenções, pois não coloca as Fundações Públicas no rol de entidades beneficiadas por isenção subjetiva, e não haver qualquer outra isenção aplicável ao produto importado. Tendo tomado ciência da decisão singular, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, tempestivo, alegando basicamente a mesma tese da Impugnação, inovando no que se refere à interpretação da imunidade na Constituição Federal de 1967 em comparação ao da Constituição de 1988, afirmando que ambas abordam a imunidade sob o mesmo contexto, e, salientando que a imunidade de fundação difere da do Poder Público, vez que o requisito encontra-se na parte final do § 2° do art. 150, da Constituição Federal ressalva "ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes" e postulando pela exclusão do crédito tributário e =sectários legais. \, Processo : 10814.008208/97-61 Acórdão CSRF/03-03.147 O acórdão da Colenda Câmara recorrida decidiu, por maioria de voto, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento do crédito tributário. Assim, o presente feito alçou a esta Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais, para julgamento, em decorrência de Recurso de Divergência, interposto pela Fundação Padre Anchieta, com fundamento no art. 4°„ inciso do Regimento Interno aprovado pela Portaria do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento n.° 540/92, vigente na época do protocolo. Consubstanciado no Acórdão n.° 302-33..982, a Procuradoria da Fazenda Nacional, ofereceu suas contra razões ao Recurso Especial requerendo seja mantida a decisão recorrida, negando-se provimento ao recurso especial de divergência. É o Relatório. 1 Processo 10814.008208/97-61 Acórdão CSRF/03-03„147 VOTO CONSELHEIRO NILTON LUIZ BARTOLI — RELATOR O Recurso Especial foi devidamente aparelhado por decisões que tratam de mesma matéria e que são de Câmara distinta da qual provem este feito, justificando a procedência da admissibilidade. Como vimos, trata-se de exigência tributária constituída por Auto de Infração que entendeu devido o Imposto sobre Produtos Industrializados pela Recorrente, fundação pública Estadual, que realizou importação de mercadorias destinadas à operação de suas emissoras de radiodifusão educativa, Rádio e Televisão Cultura, ou seja, para a consecução de seus objetivos institucionais legais, pleiteando a exoneração de aplicação da legislação tributária com fundamento na imunidade recíproca com fundamento no artigo 150, item VI, alínea "a" e § 2a da Constituição Federal. Antes de adentrarmos ao mérito, entendo conveniente ressaltar que o presente recurso proporcionou-me oportunidade ímpar para analisar a questão com maior profundidade e refletir a respeito da correta interpretação do artigo 150, item VI, alínea "a" e § 2a da Constituição Federal, que será demonstrado, para que seja analisado cada termo relevante a deslinde da questão, ainda, muito polêmica dentre nossas Casas Julgadoras. Imprescindível firmar-se uma posição definitiva, que, para minha surpresa, é contrária ao meu entendimento anterior. Preliminarmente, necessário localizar a norma imunizante dentro do sistema jurídico brasileiro, vez que sem esse juízo espacial e do alcance da conteúdo da imunidade, seremos incapazes de por fim à celeuma criada neste Processo : 10814.008208/97-61 Acórdão : CSRF/03-03 147 processo e às diversas posições antagônicas que reinam nas diversas Câmaras deste Egrégio Conselho de Contribuintes. A imunidade pleiteada é assim colocada na Constituição Federal, art. 150, inciso \A, alínea "a", cio o parágrafo 20 do mesmo artigo: "Art.. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; Parágrafo 2"1 - A vedação do inciso Vi, a, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes." Inicialmente, é necessário deixar claro que, a Imunidade tratada pela Constituição Federal de 1988, tem o mesmo conteúdo e abrangência de imunidade disposta na Constituição Federal de 1967, alterada substancialmente pela Emenda Constitucional n.° 1 de 1969. Assim, quando se falar em Imunidade Constitucional, entenda-se a abrangida pelas duas constituições. Em seqüência, salienta-se que a hermenêutica jurídica admite vários métodos de interpretação da norma legal, sendo certo que o bom intérprete de norma constitucional não pode olvidar que a Lei Magna tem supremacia sobre as demais e que não tem por escopo regular a conduta humana. Na verdade, a Constituição de um estado democrático "contém em seu bojo uma filosofia, ou melt)or uma orientação ética e moral, baseada no princípio de que os homens não são meios, mas fins em si mesmo..." e "sem dúvida, a Constituição não é mera estrutura normativa, mas um texto que alberga no seu todo -- conteúdos sociológicos, jurídicos, políticos, culturais, sendo o seu campo ilimit do, , , Processo .: 10814..008208/97-61 Acórdão : CSRF/03-03.147 do qual a imunidade tributária faz parte desse todo". (BERNARDO RIBEIRO DE MORAES, doutrina publicada da Rev. Dialética de Direito Tributário n. c1 34, pg. 20 e 21). Cônscio que a Carta Maior tem apoio ético e ideológico, onde o homem é um fim em si mesmo, assegurando-lhe os meios para atingir este fim, verifico que a imunidade tributária é instituída em função de considerações de interesse geral, políticos, religiosos, sociais ou econômicos e que deve ser interpretada segundo essa orientação. Com efeito, A.A. Contreiras de Carvalho afirma que a imunidade tributária baseia-se "em razões políticas, senão também, religiosas, morais e culturais" (ir; "Doutrina e Aplicação do Direito tributário", Ed. Freitas Bastos, p, 153). Ives Gandra, citado por Bernardo Ribeiro de Moraes, na doutrina citada, foi feliz em sua síntese sobre a matéria "As imunidades tributárias foram criadas, estribadas em considerações extrajudiciais, atendendo à orientação do Poder Constituinte em função das idéias políticas vigentes, preservando determinados valores políticos, religiosos, educacionais, sociais, culturais e econômicos, todos eles fundamentais à sociedade brasileira", ( "Comentários à Constituição do Brasil", vol. VI, pags. 170/171, nota 1) Assim é que o intérprete da Constituição tem que buscar a origem e o escopo maior da norma imunizadora, as exigências sociais que originaram a imunidade tributária. É o método teleológico, hoje, sabidamente, mais relevante que o gramatical. O PRINCÍPIO DA IMUNIDADE RECÍPROCA A Constituição Federal promulgada em 1988 consagrou como — ,.um dos pilares de sociedade brasileira o princípio do Federalismo, autor - ndo , i Processo : 10814.008208/97-61 Acórdão CSRF/03-03.147 independência política e econômica aos Estados Membros e Distrito Federal, bem corno aos municípios brasileiros, pela autonomia municipal. Essa independência e autonomia econômica, financeira e política estão diretamente relacionadas à desvinculação com o Poder da União, que até então era controlador das finanças públicas e dos direcionamentos políticos dos outros entes públicos, face à centralização do poder autoritário das décadas de 60 a meados da década de 80, inspirados no regime de controle do Estado e do cidadão. Note-se que, a dependência econômica traz, inexoravelmente, a dependência política, e, assim, e Constituição Federal outorga a cede ente político da Federação a Competência Tributária, ou seja, o poder de instituir tributos destinados à sua manutenção, na forma do art. 145 in verbis: "Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos:" O tratamento reservado pela Constituição Federal ao Sistema Tributário Nacional é um dos mais completos e detalhistas dentre todas as constituições do mundo contemporâneo. Ora, indubitavelmente há, no mundo capitalista, relevante importância o Poder exercido pelos Entes Políticos, face a carga de recursos que arrecada pela tributação, o que reforça o requisito da autonomia contido no princípio do federalismo. Dentre os tributos que estão sujeitos às respectivas competências tributárias, está o "imposto", espécie do gênero "tributo", que é mais especificamente tratado pela Constituição, para cada ente, nos artigos 153, para a União, 155, para os Estados e o Distrito Federal, e 156, para os Municípios. o ))$' Processo :10814.008208/97-61 Acórdão : CSRF/03-03.147 Percebe-se que o detalhe do regramento constitucional para o Sistema Tributário Nacional, visa, principalmente delinear os contornos das competências tributárias dos entes políticos, com o fim de evitar-se, de um lado, invasões de competências e, de outro, abuso do poder de tributar, que já fora preocupação de grandes juristas como Rubens Gomes de Souza, Aliomar Baleeiro, Rui Barbosa Nogueira e tantos outros. Pautada nos princípios do federalismo e da autonomia, com vistas também no controle da Competência Tributária, a Constituição Federal contemplou ó art. 150, na Seção II - Das Limitações ao Poder de Tributar, que açambarcou, dentre os limites, o princípio da imunidade recíproca, ou seja, a vedação de os entes políticos instituírem impostos uns dos outros. Note-se que o limite do poder de tributar está adstrito à espécie "Imposto" do gênero "Tributo", vez que os recursos arrecadados desse tributação é não vinculado à atividade estatal, conforme a classificação dos tributos consagrada pelo Prof. Geraldo Ataliba. CLASSIFICAÇÃO DOS TRIBUTOS SEGUNDO GERALDO ATALIBA Segundo o Mestre de Direito Tributário, Prof Geraldo Ataliba, os tributos classificam-se em "vinculados" e "não vinculados", ou seja: 1 - Vinculados são os tributos cuja hipótese de incidência consiste numa atuação estatal (ou numa repercussão desta), incluem-se aí as TAXAS e as CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA. II - Não Vinculados são os tributos cuja hipótese de incidência consiste num fato ou ato qualquer que não uma atuação estatal, ou seja, um ato praticado no exercício dos direitos civis, incluem-se aí tão somente os IMPOSTOS. Há inquestionável correlação entre o fato de a imunidade - alcançar os limites da competência tributária tão somente dos imposto, , 'ma Processo : 10814.008208/97-61 Acórdão : CSRF/03-03.147 vez que independem do ato do estado, ou seja, o estado não necessitaria lançar mão do imposto para ressarcir a prestação de urna atividade estatal ou propagar a equidade corno ocorre no caso da contribuição de melhoria. Como visto, o ente político pode ser, sim, sujeito passivo de uma relação jurídica tributária, desde que há, para o ente tributante, competência para instituir determinado tributo. O CONCEITO CONSTITUCIONAL DE "PATRIMÔNIO" Como vimos, o art. 150, VI, alínea "a" estabelece a imunidade recíproca e define, para tanto, seu alcance tão somente aos impostos, da seguinte forma: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;" Mas o que significa o termo impostos sobre o Patrimônio", dentre os impostos previstos na Constituição sob a tuteia da Competência Tributária outorgada aos Entes Políticos? Pode efectivamente o conceito de patrimônio - um tanto deturpado no art. 150 da Lei Maior - ser reduzido ao bel prazer das conveniências da arrecadação? Eis o cerne central da questão, saber se os Impostos incidentes sobre e importação de bens estão ou não sob o termo "impostos sobre o Patrimônio" a que se refere o art. 150, VI, alínea "a"; da Constituição Federal de 1988. Primeiramente necessário conceituar, dentro do direito o termo "patrimônio", vez que o termo "imposto", prescinde, no caso de conceito. , ,,,, Processo : 10814.008208/97-61 Acórdão : CSRF/03-03.147 O Código Civil, em seu art. 57, trata "patrimônio" como o coletivo de coisas: "Art. 57. O patrimônio e a herança constituem coisas universais, ou universalidades, e como tais subsistem, embora não constem de objetos materiais." Considerando que as coisas coletivas, ou universais, são verificadas quando se encaram agregadas em todo, temos que, o patrimônio é um coletivo de coisas é uma universalidade dentro do mundo das coisas. Em verdade o Código Civil, ao tratar das diferentes classes de bens, ora atribui a denominação de coisa, ora atribui a denominação de bem, sendo que se entende por coisa, o conceito mais abrangente dentre ambos. Mas para adequar o vocabulário aos Impostos em discussão, adotaremos o termo "bens". O dicionário "Vocabulário Jurídico" de De Plácido e Silva (3a Edição, 1973, Editora Forense, Rio de Janeiro) define assim patrimônio: "PATRIMÔNIO - Derivado do latim patrimonium, de pater, originariamente quer o vocábulo significar os bens da família ou os bens herdados dos pais. Nesse restrito sentido, tinham-no, primitivamente, os romanos, que chegavam, mesmo, a distingui-lo sob a denominação de família, simplesmente, ou de família pecúnia, conforme se registra nos fragmentos da XII Tábuas, a respeito do Direito das Sucessões. Aliás, aludindo ao patrimônio, primitivamente, os romanos chamavam-no de res. Foi esta a denominação mais antiga. Patrimônio. No sentido jurídico, seja civil ou comercial, ou mesmo no sentido do Direito Público, patrimônio entende- se o conjunto de bens, de direitos e obrigações, apreciáveis economicamente, isto é, em dinheiro, pertencentes a uma pessoa, natural ou jurídica, e constituindo uma universalidade. O patrimônio, assim, integra o sentido de um complexo de direitos e de relações jurídicas, apreciáveis em dinheiro ou só um valor econômico, em qualquer aspecto em que seja a, Processo : 10814.008208/97-61 Acórdão : CSRF/03-03.147 tido, isto é, como valor de troca, valor de uso ou como um interesse, de que possa resultar um fato econômico. Nessa acepção, o patrimônio é considerado uma universalidade de direito, constituindo, assim, uma unidade jurídica, abstrata e distinta dos elementos materiais que o compõem, de modo que podem estes ser alterados, pela diminuição ou aumento, ou mesmo desaparecerem, sem que seja afetada sua existência, que se apresenta juridicamente a mesma durante a vida do titular dos direitos ou relações jurídicas que o formam. A idéia de patrimônio está intimamente ligada à de pessoa, de modo que chegam a considerá-lo como "prolongamento da personalidade" (RAOUL DE LA GRASSERIE). Nesta razão é que PLANIOL assentou que: I As pessoas somente podem ter um patrimônio. II. Toda pessoa tem necessariamente um patrimônio. III.Cada pessoa pode ter, unicamente, um patrimônio. IV.0 patrimônio é inseparável da pessoa. Destas regras se infere que o patrimônio: a) Assenta na própria natureza da pessoa, considerada como capaz de ser sujeito, ativo ou passivo, de direitos e obrigações, somente tendo aptidão para possuir bens ou assumir obrigações. b) Que o patrimônio não significa simplesmente riqueza, pois que pode ser constituído por direitos, que não se mostrem de valor positivo, embora apreciáveis economicamente, ou possam resultar num valor econômico positivo. c) Que o patrimônio, desde que se apresenta como uma universalidade, tem que ser único, embora, por uma ficção jurídica, se permita seu fracionamento, como nos casos dos benefícios de inventário e na sucessão dos bens do ausente. d) Somente, assim, excepcionalmente, poderá o patrimônio ser dividido em massas distintas. e) Quer então significar que a totalidade do patrimônio somente se separa da pessoa quando esta morre, porque nas alienações de bens que formam seu conteúdo não há transferência de patrimônio, mas de parcelas dele. (Nota: que são substituídas pelo dinheiro que também constitui patrimônio)." (grifos e nota acrescidos ao original) Observa-se, portanto, que o patrimônio é uma universalidade composta de bens e direitos, e que, independentemente da natureza dos elementos, forma um todo abstrato, indivisível e inseparável da pessoa.* 1,, Processo : 10814.008208/97-61 Acórdão : CSRF/03-03 147 Patrimônio, quanto à sua essência ("conjunto de determinações que fazem que uma coisa seja o que é e se distinga de outra qualquer", Vocabulário de Filosofia, de R. Jolivet, 1975, Agir, Rio, pág. 83), é, segundo, os juristas, "um conjunto de direitos e obrigações" ou, como o definem os contabilistas, "o patrimônio compreende tanto os valores que se possui ou tenha a receber como os que se tem de dar ou restituir." (Conta~ Superior, de FREDERICO HERRMANN JR., 53 edição, Editora Atlas S.A., SP, páginas 114 e 116, respectivamente.). Não é por outra razão, aliás, que o saldo patrimonial tanto pode ser positivo como negativo, sendo negativo naturalmente o "valor dos empenhos que sobram depois de exaurido o ativo." (Obra de FREDERICO HERRMANN JR. citada, pág. 124). Outro aspecto a considerar pertinente à matéria é que a palavra "patrimônio", no art. 150, VI, de vigente Constit~, sucedâneo do art. 19, III, de Emenda Constitucional n.° 1/69, palavra essa que foi reproduzida nos arts. 29 e 32 do Código Tributário Nacional, tem mais conotação de ativo ou de bens do que propriamente de patrimônio. Explicando claramente o sentido desta última palavra, dizem DOMINGOS DAMORE e ADAUCTO DE SOUZA CASTRO, no seu "Curso de Contabilidade", 10 volume, Edição Saraiva, SP, 1964: "Seguindo a técnica jurídica, patrimônio é o conjunto de direitos e obrigações, suscetíveis de apreciação econômica, pertencentes a uma pessoa natural ou jurídica. (Pág. 58)." (grifei). "No sentido econômico, é o "complexo de elementos materiais e imateriais, ativos e passivos, submetidos a uma administração. (Pág. 59)." (grifei). "O patrimônio pode ser estudado sob o tríplice aspecto: jurídico, econômico e específico. Qualquer que seja, contudo, o aspecto que se tenha em vista, evidencia-se a dúplice natureza dos elementos ue o 12 Processo : 10814.008208/97-61 Acórdão CSRF/03-03.147 compõem: de uma parte, apresentam-se os valores positivos e, de outra, os valores negativos, que correspondem, sob o ponto de vista contábil, ao ativo e ao passivo do patrimônio (Pág 67)." (grifei). Na mesma linha, o FREDERICO HERRMANN JR. na obra, edição e editora acima mencionadas, págs. 110/111: "Os bens atuais e os que tem a receber de terceiros representam os elementos positivos, e os que devem ser restituídos em espécie ou em moeda são negativos na equação patrimonial. Os primeiros constituem o ativo e os outros formam o passivo." Em seguida, refere-se às considerações de FABIO BESTA: "Sob o aspecto econômico, o ativo é um conjunto de bens que a pessoa de fato possui, sozinha ou em conjunto com terceiros. O passivo representa os bens que devem ser deduzidos para ser entregues aos terceiros que haviam cedido temporariamente bens equivalentes. Sob o aspecto jurídico, o ativo é a soma dos bens sobre os quais a pessoa tem direito de posse ou domínio." E ainda: "ATIVO (s.m.). Diz-se do conjunto de bens e de créditos que constituem patrimônio de uma pessoa jurídica." (IÊDO BATISTA NEVES, "Vocabulário Enciclopédico de Tecnologia Jurídica", vol. I. Forense,. pág. 257). Nenhuma referência a qualquer elemento negativo. Do exposto, não é difícil concluir que ativo é a totalidade dos bens e direitos de uma pessoa física ou jurídica ou, como o definem ainda mais rigorosamente DOMINGOS D'AMORE e ADAUCTO DE SOUZA CASTRO, in obra, volume, edição, editora, e ano supra referidos, pág. 68: "Dessa forma, o ativo apresenta-se como um conjunto de direitos reais e pessoais (bens e créditos)," ao passo que "o passivo representa o conjunto de obrigações a favor de terceiros." IA Processo : 10814,008208197-61 Acórdão : CSRF/03-03 147 E, por fim, à pág. 105, os mesmos autores incluem, no ativo, justamente os "imóveis, móveis e utensílios, mercadorias, matéria-prima, títulos de renda, bancos, caixa, títulos a receber, clientes, devedores, etc." (Nossos os grifos). Ainda aqui, nenhum elemento negativo. A propósito não percamos de vista a lição de CARLOS MAXIMILIANO : "Embora seja verdadeira a máxima atribuída ao apóstolo São Paulo - a letra mata, o espírito vivifica -, nem por isso é menos certo caber ao juiz afastar-se das expressões claras da lei, somente quando ficar evidenciado ser isso indispensável para atingir a verdade em sua plenitude. O abandono da fórmula explícita constitui um perigo para a certeza do Direito, a segurança jurídica; por isso é só justificável em face de mal maior, comprovado: o de urna solução contrária ao espírito dos dispositivos, examinados em conjunto. As audácias do hermeneuta não podem ir a ponto de substituir, de fato, a norma por outra. k) Entretanto, o maior perigo, fonte perene de erros, acha-se no extremo oposto, no apego às palavras. Atenda-se à letra do dispositivo; porém com a maior cautela e justo receio de sacrificar as realidades morais, econômicas, sociais, que constituem o fundo material e corno o conteúdo efetivo da vida jurídica, a sinais, puramente lógicos, que da mesma não revelam senão um aspecto, de todo formal. Cumpre tirar da fórmula tudo o que na mesma se contém, implícita e explicitamente, o que, em regra, só é possível alcançar com experimentar os vários recursos da Hermenêutica." ( in "Hermenêutica e Aplicação do Direito", 9 a edição/ 3a tiragem, Forense, Rio, 1984, pág. 111) Aproveitando o conceito ora detalhadamente estudado e o Código Civil, verifica-se que, no caso, e Recorrente é pessoa jurídica, fundação pública, cuja constituição é, primordialmente, a destinação de um patrimônio à consecução de certos objetivos. Ao transportarmos o conceito de "patrimônio" do Código Civil para a regra imunizante do art. 150, VI, alínea "a", da Constituição Federal, verificamos que os "Impostos sobre o Patrimônio" alcançam a univers *dade /G Processo :10814.008208197-61 Acórdão : CSRF/03-03.147 de coisas (móveis, imóveis, fungíveis, infungíveis, consumíveis, divisíveis e indivisíveis) sujeitas às mais diversas ações da pessoa segundo as atividades lícitas que venha a praticar. Ou, no caso, é a universalidade de coisas que ingressam ou saem da esfera da propriedade da fundação pública, segundo os ditames da lei que a instituiu ou segundo os seus objetivos estatutários. O CONCEITO CONSTITUCIONAIS E A ESTRUTURA DE CLASSIFICAÇÃO DOS IMPOSTOS DO CTN. A contrariedade surgida a partir da diferença entre o conceito de patrimônio desenvolvido segundo as regras basilares do Código Civil Brasileiro e o conceito dado ao termo patrimônio pela classificação dos Impostos adotada pelo Código Tributário Nacional tem sua razão. O Cientista do Direito Paulo de Barros Carvalho, em parecer publicado na Reviste DiaiWtica de Direito Tributária, n.° 33, pág. 147, ensina: "As coisas não mudam de nome, nós é que mudamos o modo de nomear as coisas. Portanto, não existem nomes verdadeiros ou falsos das coisas. Apenas existem nomes aceitos, nomes rejeitados e nomes menos aceitos que outros, como nos ensina Ricardo Guibourg. Esta possibilidade de inventar nomes para as coisas chama-se liberdade de estipulação. Ao inventar nomes (ou ao aceitar os já inventados) traçamos limites na realidade, como se a cortássemos idealmente em pedaços e, ao assinalar cada nome, identificássemos o pedaço que, segundo nossa decisão, corresponderia a esse nome. Um nome geral denota uma classe de objetos que apresentam o mesmo atributo. Nesse sentido, atributo significa a propriedade que manifesta dado objeto. Todo nome cuja significação está constituída de atributos é, em potencial, o nome de um número indefinido de objetos. Desse modo, todo nome geral cria uma classe de objetos. 14 Processo : 10814.008208/97-61 Acórdão CSRF/03-03 147 Ordinariamente, um nome geral é introduzido porque temos a necessidade de uma palavra que denote determinada classe de objetos e seus atributos peculiares. Entretanto, menos freqüentemente, introduz-se um nome para designar uma classe por mera questão de utilidade: é imprescindível para o direcionamento de certas operações mentais que alguns sejam agrupados segundo critérios específicos." Assim, segundo a origem do nome "patrimônio" do Código Civil, outros objetos receberam esse nome com o fim de atribuir-lhe o conceito de coletividade de coisas, mas, nem sempre o coletivo universal que trata o Código Civil. O Código Comercial atribui ao nome "patrimônio" o conjunto de bens de propriedade do comércio e dos sócios, para distingui-los. A Lei de Sociedades Anônimas, antes da recente alteração, dava ao patrimônio o conceito de conjunto de bens, direito e deveres que deveriam ser dimensionados no balanço patrimonial, ou seja, incluía no conjunto do "patrimônio" deveres ou dividas, criando a figura do patrimônio negativo, ou até, abusando da lógica formal, do patrimônio inexistente ou o não patrimônio, A Lei das Sociedades Anônimas adotou do nome "patrimônio" a nomenclatura do "patrimônio líquido", como se pudesse imaginar um patrimônio bruto cujo conjunto, em si mesmo contém coisas que não são patrimônio, mas e ele não pertencem. No Código Tributário Nacional o nome "patrimônio" teve uma ligação direta com o conceito "propriedade imobiliária", única e exclusivamente. Como poderia o CTN distinguir ou interpretar o conteúdo e alcance do conceito de "patrimônio", se a Constituição atual, e mesmo a vigente à época da edição da Lei n.° 5.172, de 25.10.66, não distinguia. Processo :10814.008208/97-61 Acórdão CSRF/03-03.147 Ora, comparando-se a significação do termo "patrimônio" dada pelo art. 57 do Código Civil e a estrutura de classificação adotada pelo Código Tributário Nacional, do Título III, verifica-se que o conteúdo e alcances dos termos são distintos, apesar de serem expressos pela mesma nomenclatura, razão indiscutível da contrariedade. Contudo, se adotarmos o conceito da classificação dos impostos do Código Tributário Nacional, fatalmente estaremos limitando o alcance da significação do conceito. Aliás, deveremos rediscutir a significação do termo "patrimônio", contido no art. 178, da Lei n.° 6.404/76: "Art. 178. (Grupo de Contas) - No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise financeira da companhia. § 1° (Ativo) - No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de graus de liquidez dos elementos (do patrimônio) nele registrados, nos seguintes grupos; a) ativo circulante; b) ativo realizável a longo prazo; c) ativo permanente, dividido em investimentos, ativo imobilizado e ativo diferido." Verifica-se que essa norma jurídica congrega sob a mesma sigla de patrimônio as mercadorias em estoques, as matérias-primas, as máquinas, os móveis, os veículos, os imóveis, ou seja, o conjunto de coisas de valor positivo que sejam na data do balanço de propriedade da sociedade. Aliás, o conceito de patrimônio, até esse ponto do art. 178, da Lei n° 6.404176, está correto, pois não discrimina os bens segundo sua destinação final se para vender se para usar ou qualquer que seja. IQ Processo : 10814.008208/97-61 Acórdão CSRF/03-03.147 Desta forma, não é cabível atribuir ao conceito constitucional de "patrimônio" restrição de abrangência que ele não tem, ex vi mera classificação, inadequada contida no Código Tributário Nacional, corno se dele fosse a origem do conceito de patrimônio. Aliás, o Código Tributário Nacional não estabelece conceito de patrimônio, o que é plenamente preenchido pelo Código Civil. A propósito, o art. 110 do CTN assim dispõe, no mesmo sentido, conforme abaixo descrito: "A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pela Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias: DA IMUNIDADE CONSTITUCIONAL SOBRE O PATRIMÔNIO Diante da fixação de conceito, retomemos a questão da imunidade Constitucional sobre o Património instituída peia norma contida no art. 150, inciso IV, alínea "a", abordando o conceito de imunidade e de sua aplicação no caso em tela. O Professor Paulo de Barros Carvalho, que já foi membro deste Egrégio Conselho, ensina em seu livro "Curso de Direito Tributário", Ed. Saraiva, 7a Edição, 1995, pág. 113, que o termo impostos, tributos não vinculados, na verdade deve ter interpretação mais abrangente, contemplando, inclusive as taxas de poder de polícia e afirma "a proposição de que a imunidade é instituto que só se refere aos impostos carece de consistência veritativa." Ou seja, se para o mestre, o conceito de imposto do art. 150, VI, analisado segundo urna interpretação sistêmica da Constituição Federal é - deveras limitando, devendo contemplar dentro da nomenclatura "imposto" taxas 441:11d!b 1„ Processo : 10814.008208/97-61 Acórdão CSRF/03-03.147 e contribuições de melhoria (que afeta diretamente a propriedade), o que diria, então quanto à' cobrança de impostos sobre a importação? O conceito delineado em seu livro (cit. retro) deixa a questão clara: "Ao coordenar as ponderações que até aqui expusemos, começa a aparecer o vulto jurídico da entidade. E mister, agora, demarcá-lo, delimitá-lo, defini-lo, atento, porém, às próprias críticas que aduzimos páginas atrás, a fim de que não venhamos, por um tropeço metodológico, nelas nos enredar. Recortamos o conceito com auxílio de elementos jurídicos substanciais à natureza, pelo que podemos exibi-Ia como A CLASSE FINITA E IMEDIATAMENTE DETERMINÁVEL DE NORMA JURÍDICA, CONTIDAS NO TEXTO CONSTITUCIONAL FEDERAL, E QUE ESTABELECEM, DE MODO EXPRESSO, A INCOMPETÊNCIA DAS PESSOAS POLÍTICAS DE DIREITO CONSTITUCIONAL INTERNO PARA EXPEDIR REGRAS INSTITUIDORAS DE TRIBUTOS QUE ALCANCEM SITUAÇÕES ESPECÍFICAS E SUFICIENTEMENTE CARACTERIZADAS." ••• "O impedimento se refere apenas à instituição de tributos, com o que se evita sejam aquelas situações oneradas por via desse instrumento jurídico- impositivo." (grifos nossos) As situações de que fala o mestre são: a tributação recíproca em prol da manutenção da autonomia das pessoas políticas e garantia do princípio do federalismo, e da própria competência constitucional tributária. Deve-se lembrar que a Primeira Constituição da República, em 1891, previa que "É proibido aos Estados tributar bens e rendas federais ou serviços a cargo da União, e reciprocamente.", o que confirma a tese do Prof. Paulo e dá maior abrangência ao conceito de patrimônio, a partir da constatação de sua origem. Processo : 10814.008208/97-61 Acórdão : CSRF/03-03.147 A tese de doutorado do Professor e Desembargador do Tribunal Regional Federal da 3? Região, Américo Masset Lacombe, ao tratar do terna "Normas lmunizantes e Isentivas" - Capítulo 5 da Tese - salienta: "A imunidade constitui, um bloqueio a uma das previsões abstratas futuras que poderão figurar na composição da norma tributária. O que distingue a imunidade da isenção é o veículo normativo. Enquanto a isenção é veiculada por lei, a imunidade é veiculada pela Constituição, e, assim sendo, só poderá ser um bloqueio a uma previsão futura. O art. 19, III, da Carta vigente, institui a imunidade em relação aos diversos impostos, inclusive, é óbvio, ao imposto de importação." Não bastassem estes argumentos jurídicos esboçados nesta peça, conveniente ressaltar as julgados da Suprema Tribunal Federal que, em síntese, sustenta serem imunes do imposto de importação e do imposto sobre produtos industrializados as instituições de assistência social, desde que não se restrinja, como de modo algum se deve restringir, o conceito da palavra "patrimônio"; e, de fato, é praticamente unânime o entendimento do E. Supremo Tribunal Federal no sentido de não se limitar tal conceito. Eis alguns dos acórdãos que interpretam impecavelmente a acepção da palavra em causa: (a) IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DAS INSTITUIÇÕES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CONSTITUIÇÃO, ART. 19, LETRA C). Não há razão jurídica para dela se excluírem o imposto de importação e o imposto sobre produtos industrializados, pois a tanto não leva o significado da palavra "patráikkrio", empregada peia norma cocistituctonal. Segurança restabelecida. Recurso Extraordinário conhecido e provido, por decisão unânime. - Relatar: Min.Xavier de Albuquerque (RE 88.671 - RJ, R T.J. 90, ps. 263/5). (b) INSTITUIÇÃO EDUCACIONAL DE FINS FILANTRÕPICOS. IMPORTAÇÃO DE BENS DESTINADOS A OBJETIVOS INSTITUCIONAIS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA (C.F., ART. 19, In, C). Recurso Extraordinário conhecido e provido, por decisão unânime. Relatar: Min. Oscar Corrêa (RE 93729- SP , R.T.J. 104, ps. 2481250). Processo : 10814.008208/97-61 Acórdão CSRF/03-03 147 (c) IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMUNIDADE. A imunidade a que se refere a letra c do inciso III do artigo 19 da Emenda Constitucional n. 1/69 abrange o imposto de importação, quando o bem importado pertencer a entidade de assistência social que faça jus ao benefício por observar os requisitos do art. 14 do CTN. Precedente do STF. Recurso Extraordinário conhecido e provido, por maioria Relator Mim Moreira Alves. (RE. 89.173 - SP, R.T.J. 92, ps. 321/6). PARTE DO VOTO DO EXMO. SENHOR MINISTRO MOREIRA ALVES: "Pela finalidade a que alude o artigo 19, III, c, da Constituição Federal, como bem salienta Baleeiro, em passagem transcrita no voto acima referido, "deve abranger os impostos que, por seus efeitos econômicos, segundo as circunstâncias, desfaícariam o patrimônio, diminuiriam a eficácia dos serviços ou a integral aplicação das rendas aos objetivos específicos daquelas entidades presumidamente desinteressadas, por sua própria natureza". Entre esses impostos está o imposto de importação, que incide sobre bem da recorrente a ser aplicado em objetivo específico da entidade, onerando-a, consequentemente, em razão de seu patrimônio. Não há, pois, que aplicar critérios de classificação de impostos adotados por leis inferiores à Constituição, para restringir a finalidade a que esta visa com a concessão da imunidade. Nem se pretenda que a cláusula final - "observados os requisitos da lei"- da letra c do inciso III do artigo 19 da Constituição permita à legislação complementar ou ordinária estabelecer, direta ou indiretamente, quais os impostos abarcados pela imunidade, e quais os que estão fora de seu âmbito. Essa cláusula diz respeito, não a isso, mas, apenas, aos requisitos que as instituições de educação ou de assistência social devem preencher para que mereçam o benefício constitucional . Por isso mesmo, o artigo 14 do CTN, ao se referir a tais requisitos, se limita a determiná-los em relação ao que deve observar a instituição para gozar da vantagem constitucional." (d) IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. Bem pertencente a patrimônio de entidade de assistência social beneficiada pela imunidade prevista na Constituição Federal. Não incidência do tributo. Recurso Extraordinário não conhecido. Retator. Min. Rodrigues Alckmin (STF, Processo: 87.913 - SP). (e) Irmandade da Santa Casa da Misericórdia. Importação de equipamento hospitalar destinado ao uso dessa instituição de assistência social. Processo : 10814.008208/97-61 Acórdão CSRF/03-03.147 Imunidade tributária. Recurso Extraordinário conhecido e provido, para deferir o mandado de segurança. - Relator Min, Soarez Munoz (STF, n. do processo: 92.423, DJ de 16.05.80, p. 03488). (f) IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. SESI: - Imunidade tributária das instituições de assistência social (Constituição Federal, art. 19, III, letra c). A palavra "patrimônio" empregada na norma constitucional não leva ao entendimento de excetuar o imposto de importação e o imposto sobre produtos industrializados. - Recurso Extraordinário conhecido e provido. (Nossos os grifos). (RE 89.590 - RJ - Rel. Min. Rafael Mayer). Decisão: Conhecido e provido, decisão unânime. (g) IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMUNIDADE. O artigo 19, III, "c", da Constituição Federal não trata de isenção mas de imunidade. A configuração desta está na Lei Maior. Os requisitos da lei ordinária, que o mencionado dispositivo manda observar, não dizem respeito aos lindes da imunidade, mas àquelas normas reguladoras de constituição e funcionamento da entidade imune. Inaplicação do art. 17 do Decreto-Lei n.° 37/66. Recurso Extraordinário conhecido e provido. PARTE DO VOTO DO EXMO. SENHOR MINISTRO SOARES MUNOZ: "Nenhuma dúvida foi suscitada quanto a ser o recorrente instituição de assistência social e fazer jus, nessa qualidade e em princípio, à imunidade prevista no art. 19, III, c, da Constituição Federai, (RE 93.770 - RJ - Rei. Mia Soares Mufíoz. Recte.: SESI. Recdo.: União Federal)". Decisão:. Conheceu-se do recurso e a ele se deu provimento, nos termos do voto do Ministro Relator. Votação uniforme. (R. T.J. 102, ps. 3047). (h) RECORRENTE: UNIÃO FEDERAL. - RECORRIDO: SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA (SESI). Importação de aparelhos médicos, para equipar o Serviço Médico de sua Delegacia Regional de Amapá. Incidência do art. 19, IV, "c", da Constituição da República. Recurso Extraordinário não conhecido, (RE 93.543-6 - RJ - Rel. Min. Soares Murioz, Recte. : União Federal. Recdo.: Serviço Social da Indústria (SESI) - LEX, JSTF, vol. 30, pág. 268). Pelas decisões da nossa Suprema Corte à vedação ao poder de tributar patrimônio, vê-se que o referido Tribunal deu à palavra "patrimônio" sentido _ mais amplo do que o que lhe emprestaram as nossas instâncias administrativas. A - Processo 10814.008208/97-61 Acórdão CSRF/03-03 147 este respeito, vale a pena destacar o trecho seguinte do voto proferido no Ac. 301- 26 663 do então Conselheiro Wlademir Clóvis Moreira. "Em nenhum lugar, a atual Constituição ou a anterior deixou sequer implícito que o termo "Patrimônio" tem a limitação que lhe dá o CTN para alcançar exclusivamente a propriedade imobiliária urbana ou rural. Se a Constituição não distingue, não pode a lei ou o intérprete desta distinguir. Patrimônio público, segundo Pedro Nunes (in Dicionário de tecnologia Jurídica) "é o conjunto de bens próprios de uma entidade pública que os organiza e disciplina para atender a sua função e produzir utilidades públicas que satisfaçam às necessidades coletivas". Em se tratando pois, do poder público, cuja função essencial é prestar serviços à coletividade, em nome e por conta desta mesma coletividade, é inconcebível que o seu patrimônio, no sentido mais amplo, possa vir a ser onerado por encargo tributário imposto pelo próprio poder público. E indubitavelmente, o Imposto de Importação afeta o patrimônio do importador. Não há justificativa de natureza lógica, econômica, jurídica ou mesmo filosófica que sancione esta vinculação do conceito de patrimônio à forma como estão distribuídos os impostos no Código Tributário Nacional. Ademais, os julgados do Egrégio Supremo Tribunal Federal, citados pela recorrente, enfaticamente confirmam que os impostos de importação e sobre produtos industrializados, este último quando vinculado ao primeiro, não estão excluídos do conceito de patrimônio para efeito da imunidade tributária. É importante ressaltar que as fundações aqui mencionadas passaram, com o advento da nova Constituição (art. 37), a integrar a administração pública. É de se somar ao presente voto, o prolatado pelo Eminente Conselheiro Wlademir Clóvis Moreira (Acórdãos ri c's 302-32.485, 301-26.667), cujo teor corrobora com a posição atual. Como se não bastassem os argumentos retro expostos, é de se pensar, ainda, o critério temporal da ocorrência dos fatos, para verificarmos que, ainda que não estivesse alcançado pela imunidade, o Imposto de Importação não poderia incidir sobre a mercadoria importada pela Recorrente. Processo 10814008208/97-61 Acórdão : CSRF/03-03.147 Note-se que, no caso de importação, a mercadoria importada ao chegar ao País, já é de propriedade da pessoa que a importou e já compõe o seu "patrimônio". Tanto que o Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° 91.030/85, em seu art. 514, prevê as situações em que a mercadoria importada, ainda que antes do despacho aduaneiro, são retiradas da esfera da propriedade do importador, ou àquele que se assemelhe a figura de importador, pela pena de perdimento. Se assim, indiscutível que a mercadoria, mesmo antes de desembaraçada já pertença ao importador, fazendo parte de seu patrimônio, sendo que, no caso em que se discute, amparado pela imunidade constitucional. A matéria não é nova nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao contrário, sobre ela muito se pesquisou, discutiu e decidiu, ensejando a formação de copiosa jurisprudência. Apenas para mencionar, relembro a Decisão estampada no Acórdão n° CSRF/03-02.898 de 24 de agosto de 1998 de minha lavra, cuja Ementa transcrevo: "IMUNIDADE — FUNDAÇÃO PÚBLICA — A imunidade do artigo 150, inciso VI, letra "a" e § 2° da Constituição Federal, alcança os Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, vez que a significação dos impostos adotada pelo CTN, mas sim a do art.. 57 do Código Civil, que congrega o conjunto de todos os bens e direitos, a guisa do comando normativo do art. 110 do próprio CTN." Igual decisões é encontrada em diversos outros julgados desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, assim, estando perfeitamente evidenciada a improcedência da ação fiscal, considerando que o termo patrimônio contido no art. 150, inciso VI, alínea "a" e, no respectivo § 2°, da Constituição Federal e, considerando que a norma imunizante tem por objetivo Processo 10814.008208/97-61 Acórdão CSRF/03-03 147 preservar o princípio da imunidade recíproca e o princípio do federalismo, conheço do Recurso Especial de Divergência para dar-lhe provimento. Sala das Sessões, Brasília, 15 de agosto de 2000 nAN77-L BART LI ')4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1

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Numero do processo: 11080.004040/2007-89
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: MPF, NULIDADE, O mandado de procedimento fiscal é instrumento interno de controle da Receita Federal na condução do procedimento administrativo de fiscalização, sendo que eventuais irregularidades na sua expedição não implicam em nulidade do lançamento realizado, VALE PEDÁGIO. RECEITA OPERACIONAL. NÃO INCIDÊNCIA, ATENDIMENTO AOS REQUISITOS DA LEI 10.209/01_ Atendidos os requisitos constantes do § 5° do art. 2' da lei n° 10.209/01, o valor recebido a título de vale pedágio não é parte do frete, não se considerando como receita operacional da empresa. No caso, apesar de reconhecer de que o valor do vale pedágio não integra a receita operacional da Contribuinte, verifico que ela não comprova quais são os valores recebidos efetivamente a título de valepedágio. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL. A exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS é questão que enfrenta a constitucionalidade da lei, pelo que a instância administrativa está impedida de analisar. Segundo a súmula CARF n° 2, "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitueionalidade de lei", SIMPLES, EXCLUSÃO. APROVEITAMENTO DOS TRIBUTOS JÁ PAGOS, Os tributos pagos na sistemática do SIMPLES são passíveis de aproveitamento para pagamento dos tributos de mesma natureza apurados após a exclusão do sistema simplificado, MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA„ A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts, 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9_430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007, Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1401-000.209
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Allcrnin Teixeira (Relator), Maurício Pereira Faro e Alexei Mareoni Vivan que votavam pela desqualificação da multa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezena Neto
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto

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Recorrida 18 TURMA/DRJ-PORTO ALEGRE/RS MPF, NULIDADE, O mandado de procedimento fiscal é instrumento interno de controle da Receita Federal na condução do procedimento administrativo de fiscalização, sendo que eventuais irregularidades na sua expedição não implicam em nulidade do lançamento realizado, VALE PEDÁGIO. RECEITA OPERACIONAL. NÃO INCIDÊNCIA, ATENDIMENTO AOS REQUISITOS DA LEI 10.209/01_ Atendidos os requisitos constantes do § 5° do art. 2' da lei n° 10.209/01, o valor recebido a título de vale pedágio não é parte do frete, não se considerando como receita operacional da empresa. No caso, apesar de reconhecer de que o valor do vale pedágio não integra a receita operacional da Contribuinte, verifico que ela não comprova quais são os valores recebidos efetivamente a título de vale- pedágio. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL. A exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS é questão que enfrenta a constitucionalidade da lei, pelo que a instância administrativa está impedida de analisar. Segundo a súmula CARF n° 2, "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitueionalidade de lei", SIMPLES, EXCLUSÃO. APROVEITAMENTO DOS TRIBUTOS JÁ PAGOS, Os tributos pagos na sistemática do SIMPLES são passíveis de aproveitamento para pagamento dos tributos de mesma natureza apurados após a exclusão do sistema simplificado, MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA„ A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts, 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9_430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007, Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Allcrnin Teixeira (Relator), Maurício Pereira Faro e Alexei Mareoni Vivan que votavam pela desqualificação da multa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezena Neto. ii1~,4 11 I I 0, VIVIANE VIDAL WAGNER - Presidente - - ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA - Relator NTONI ' EZERRA NETO - Redator-Designado EDITADO EM: O g J U L 20 10 Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio "min Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Fernando Luis Gomes de Mattos e Alexei Mareorin Vivan 2 Processo n° 11080.004040/2007-89 S1-C4T1 Acórdão n.' 1401-00209 F1. 2 Relatório Trata o presente feito de auto de infração lavrado em desfavor de Ativa Transportes Logística Ltda., relativo ao ano calendário de 2003, para exigência de IRP.J, CSLL, PIS E COFINS. O relatório da MU é bastante minucioso e explicativo quanto aos fatos, pelo que passo a transcrevê-lo, in verbis: Trata-se de apreciar impugnação ao lançamento consusbstanciado mediante os autos de infrações relativos aos seguintes tributos e contribuições, apurados no ano-calendário de 2003 (incluindo juros e multas Tributo ou contribuição-Valor- R$ Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ-435...397,13 Contribuição para o Pis/Pasep - P1S-160..861,03 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cotins-74.2.435,88 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL-267.276,85 Total-1 .605. 970,89 De acordo com o relatório da atividade .fiscal que integra os autos de infração (fls. 181 a 209) o lançamento decorreu do fato de o contribuinte ter declarado, tanto na Declaração de Créditos e Débitos de Tributos Federal - DCTF quanto na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, valores inferiores às receitas e aos tributos escriturados na contabilidade da empresa. O lançamento foi efetuado com aplicação da multa qualificada (150%), tendo em vista ter sido caracterizado evidente intuito de fraude, dele resultando a lavratura de representação fiscal para fins penais protocolada sob n ú 11080.004042/2007-78, apensada ao presente processo. Cientificado do lançamento em 06/09/2007, o contribuinte apresenta, em 08/10/2007, impugnação ao lançamento na qual alinhava, em síntese, os seguintes argumentos para demonstrar a improcedência do/eito fiscal (fl. 214 a 232): a) preliminarmente, argúi a nulidade do procedimento tendo em vista que o Mandado de Procedimento Fiscal teria limitado a verificação do IRPJ no ano-calendário de 2003, porém a autoridade administrativa teria extrapolado sua atribuição ao autuar a impugnante em relação ao PIS, Cofins e CUL; b) chama atenção para o .fato de ter optado pela tributação com base no lucro presumido e argumenta que o agente fiscal teria 3 utilizado como base de cálculo a totalidade da receita decorrente dos conhecimentos de frete (receita bruta), deixando de excluir valores recebidos a título de Vale-Pedágio; c) relativamente ao PIS e à Coibis, alega, genericamente, que parte da legislação que rege os tributos é inconstitucional, o que revela ser possível discussão .judicial sobre as exigências inconstitucionais, Cita, especificamente, a indevida inclusão do ICA/IS na base de cálculo da Colins, em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF), cujo fundamento para exclusão da base de cálculo entende ser aplicável também ao ISS; d) ataca, ainda, a inclusão do ICMS na exigência do Pis e da Co fins pagos importação, registrando que a inclusão indevida de outras receitas na base de cálculo do Pis e da Cofins, disciplinada pelo V" do art. 3", da Lei n" 9 718/98 foi declarada inconstitucional pelo STF em sede de julgamento do Recurso Extraordinário n" 346,084, trazendo hjulgado do STJ sobre a não incidência do ICMS substituição tributária à base de cálculo das contribuições em exame; e) ainda em relação ao Pis e à Cofins, repiza ser incabível a inclusão do valor do chamado "Vale-Pedágio" na base de cálculo, o que corresponderia a cerca de 8% da base de cálculo,. j) alega que o agente fiscal desconsiderou os valores que já Leriam sido pagos pelo Simples, no montante de .R$35.573,70, cujos Dar/ anexa à impugnação.. Cita neste ponto jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda autorizando a compensação dos valores assim pagos; g) ataca a aplicação da multa qualificada ante a inexistência de dolo, cuja prova não foi apresentada pela autoridade, sendo suportada por meras alegações.. Escuda-se em boa-fé pois estaria pagando as parcelas devidas. Menciona que a DIPJ é, a teor da Instrução Normativa SRF n" 127/98, meramente informativa, não constituindo confissão de divida,. h) ainda em relação à penalidade aplicada aduz a vedação constitucional de utilização de tributo com efeito de confisco, extensivo à aplicação das multas segundo doutrina transcrita, asseverando não ter sido demonstrado o dolo especifico referido pelo art. 137 do Código Tributário Nacional, pois, ao contrário do afirmado pela autoridade, não pretendeu burlar a legislação em prejuízo do hfisco, atendendo sempre com presteza as' intimações emanadas, Entende, ainda, que a multa aplicada violou os princípios da capacidade contributiva, da razoabilidade e da proporcionalidade; g) afirma que há que se aplicar a multa menos severa quando houver modificação que agrave a penalidade, aplicando-se a mais antiga, sendo que a mais gravosa não pode retroagir; quanto à eventual representação fiscal para .fins penais entende não caber a comunicação do auto de infração ao Ministério Público, consoante o art, 83 a Lei n" 9.430, de 27/12/96, ;o, 4 Processo n" 1 080,004040/2007-89 S1 -011- 1 Acórdão n 0 1401-00,209 Fl 3 1) fazendo considerações acerca do fato gerador da obrigação tributária, protesta pela interpretação do fato gerador de forma mais . favorável ao contribuinte, à luz do art. 11.2 do CTN, pleiteando também a aplicação da lei mais benigna com fidcro no art. 106, inciso II, cio mesmo código; .j) requer ainda a realização de perícia considerando que "as deduções, apuração da base de cálculo, dedução dos valores informados anterior a fiscalização, dedução dos valores pagos, necessita de comprovação de ordem legal-técnica". Formula, para isto, sete quesitos (11, 232). k) por fim, registra que o contador que realizou os demonstrativos contábeis da empresa demonstrou desconhecimento das normas legais e critérios contábeis de apuração da base de cálculo, causando prejuízo à impugnante. Com isto, requer, além da determinação de perícia contábil, o acolhimento da preliminar de nulidade suscitada, bem assim a exclusão da base de cálculo dos valores do Vale-Pedágio e do ICMS, além de ser deduzido o valor recolhido pelo Simples, que se declare a impossibilidade da multa aplicada pelo percentual de 150%, reduzindo-se ao percentual moratória de 20%; e a suspensão de qualquer procedimento de representação .fiscal para fins penais até o julgamento desta impugnação A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre considerou procedente o lançamento, conforme acórdão DRJ/P0A n° 10-14.583, exijas ementas seguem transcritas abaixo: Assunto.' Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário.- 2003 NULIDADE, MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF, O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da .fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento„ Ademais, consideram-se contidos no MPF, ainda que não mencionados expressamente, os tributos e contribuições exigidos com base nos mesmos elementos de prova, inexistindo a irregularidade apontada. PEDIDO DE PERÍCIA CONTÁSIL, DESNECESSIDADE, INDEFERIMENTO. Quando presentes nos autos os elementos que permitam ao julgador formar sua convicção torna-se desnecessária a realização de perícia, especialmente quando o pedido carece dos requisitos indispensáveis para o seu deferimento. IRPJ, LUCRO PRESUMIDO, VALE-PEDÁGIO. A exclusão do valor do Vale-Pedágio na base de cálculo do lucro presumido e das contribuições sociais está condicionada ao cumprimento das condições previstas na legislação e da comprovação da sua inclusão na receita bruta que embasou o lançamento. 5 SIMPLES COMPENSAÇÃO DAS PARCELAS PAGAS. Descabe a dedução, do imposto exigido de oficio, dos valores recolhidos pelo Simples já utilizados para extinção dos impostos e contribuições declarados pelo contribuinte, MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de ,fraude, correta a aplicação da multa majorada para 150%, não cabendo analisar, administrativamente, a constitucionalidade do percentual. Se lei posterior não reduziu o percentual aplicável, incabível também a argüição de retroatividade benigna. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ALEGAÇÕES DE INCONST1TUCIONALIDADE DE LEI O órgão administrativo não detém competência para apreciação da inconstitucionalidade de lei. Inconformada, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário, alegando, em suma, os mesmos argumentos deduzidos na sede impugnatória. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA - Relator O recurso é tempestivo e, atendidos os requisitos exigidos pela legislação de regência, dele conheço. PRELIMINAR — Limitação e abrangência do MPF. Como preliminar, aduz, a Recorrente, que o presente auto de infração seria nulo de pleno direito posto ter extrapolado sua atribuição inicial - a fiscalização de IRPJ - e, contudo, o auto de infração fora lavrado para exigência de IRRI, CSLL, PIS e COFINS. Entende a Recorrente que a autoridade fiscal estaria limitada à fiscalização do IRPJ e que tal fato é essencial para a validade do auto de infração. Sem razão a Recorrente. O mandado de procedimento fiscal é instrumento interno de controle da Receita Federal na condução do procedimento administrativo de fiscalização, sendo que eventuais irregularidades na sua expedição não implicam em nulidade do lançamento realizado Pelo exposto, que desde logo afasta a alegação de nulidade, no caso em análise sequer houve a irregularidade administrativa apontada, urna vez que a Portaria SRF n° 6,087, de 21/11/2005, que orientou a emissão do MPF em questão, assim dispunha em seu art.: 9°: Art. 92 Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no It/IPF-F ou no MPF-E, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, Processo n° 11080 .004040/2007-89 S1-C4T1 Acórdão n ° 1401-00.2M Fl 4 estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. (Sem destaques no original) O texto foi mantido na Portaria RFB n° 4,066, de 02/05/2007, em vigor por ocasião do lançamento. Rejeito assim, a preliminar, MÉRITO Da não inclusão do vale-pedágio na receita bruta Tem razão a Recorrente em afirmar que o vale pedágio não será considerado na receita tributável, portanto, não deveria ser base do lucro presumido e sequer das contribuições do PIS e da COFINS. Tais fundamentos estão dispostos na Lei n° 10,209/2001, art. 2", bem corno na Instrução Normativa SRF IV 390/2004, art. 88: Lei n" 10.209/2001 Art. 2" O valor do Vale-Pedágio não integra o valor do ,frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Instrução Normativa SRFn"390/2004 Ar!, 88. A base de cálculo da CSLL em cada trimestre, apurada com base no resultado presumido ou arbitrado, corresponderá à soma dos seguintes valores: [ § 7" O valor do Vale-Pedágio obrigatório, pago pelo embarcado,- ao transportador não integra o .frete e não será considerado receita operacional ou rendimento tributável. Apesar de reconhecer de que o valor do vale pedágio não integra a receita operacional da Recorrente, verifico que ela não comprova quais são os valores recebidos efetivamente a título de vale-pedágio, o que me faz concordar com a DRI quando afirma (fl. .349): Conclui-se daí que o valor do Vale-Pedágio não deve ser escriturado à conta de receitas de fretes, não se podendo presumir que tais valores estejam registrados indevidamente nessas contas, integrando a base de cálculo da dos tributos lançados. A mera argüição de que o "custo do pedágio .1 está em torno de 8% (oito por cento) do valor do recebimento" ("destaquei.), sem que se traga qualquer elemento que demonstre o enquadramento no §.5° do art, 2" da Lei e que os valores . . 7 efetivos do vale-pedágio foram de fato incluídos na receita bruta escriturada é inócua. Assim, não assiste razão à Recorrente. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS De forma genérica, a Recorrente alega a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COHNS. Tal questão não será passível de análise em instância administrativa, tendo em vista que não possui competência para o exame de tal matéria, conforme súmula abaixo: Súmula CARF n" 2: o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei Afasto, assim, a argüição de inconstitucionalidade. Das deduções dos valores pagos a titulo de Simples A Recorrente requer que os valores recolhidos pelo Simples, tendo em vista que recolhia nesta modalidade até ser excluída do regime pelo Ato Declaratório Executivo DR.F/P0A n° 544.401, sejam deduzidos do presente lançamento. Ocorre que tal dedução já fora efetuada, conforme se verifica nas folhas 328 a 339. Incabível, assim, a pretensão da Recorrente. Da multa qualificada Com relação à qualificação da multa, tenho, a princípio, entendimento de que a mera omissão de rendimento, não acompanhada de outras condutas gravosas que denotem o evidente intuito de fraude, deva ser apenada com a multa de 75%, somente vindo a ser qualificada quando identificada aquela situação específica. É que a multa de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei no . 9.430/96, já tem corno pressuposto lógico a omissão de rendimento por parte do contribuinte que não o entrega à tributação. Em verdade, se não houvesse a referida omissão, não haveria a lavratura do auto de infração. A sua postura, nesta situação, é meramente °missiva — e não pró-ativa. Situação diversa, no meu entendimento, é a daquele contribuinte que, dolosamente, pratica atos com o objetivo de fraudar a incidência do tributo, ou seja, que porta- se ativamente na ocultação da ocorrência do fato imponível. Nesta hipótese, quando o contribuinte agrega à sua omissão (pressuposto), uma ação dolosa para dissimular referida omissão, aí sim estaria o mesmo sujeito a qualificação da penalidade. Tal divergência fica clara na contraposição do disposto nos art. 44, inciso 1, da lei n° 9.430/96, com o disposto nos arts.. 71 a 73 da lei n° 4.502/64, ambas com a redação dada pela lei n° 11.488/2007. Dispõe, o art.. 44 da Lei n" 9.430/96, o seguinte: "Art 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas.. 1 - de 75% (setenta e cinco por cento,) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de 8 Processo n° 11080 004040/2007-89 S1-C4T1 Acórdão n " 1401-00209 El 5 pagamento ou recolhimento, de falta de declaracão e nos de declaração inexata,' § 1 P- O percentual de multa de que trata o inciso Ido caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei IP 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis„" (sem grifos no original). Já os arts. 71 a 7.3 da lei ri." 4.502/64, tomados corno base da qualificação da multa pelo indigitado parágrafo primeiro, dispõe o seguinte: "Art 71, Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade .fazendá I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do .fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou nodificar as suas características essenciais, de inodo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.. Da contraposição da "falta de declaração ou declaração inexata" constante do inciso 1 do art. 44 da Lei no 9,430/96, com a "omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente", o conhecimento do fato gerador, constante do art. 71 da lei n° 4.502/64, entendo que, para a segunda hipótese, a lei demanda a presença de dolo específico, mediante "ação ou omissão dolosa", que deve ser especificamente provada na investigação administrativa, com fito à aplicação da multa majorada. -Assim, a omissão desqualificada de uma ação tendente à dissimular referida omissão, deve ser enquadrada no disposto no art. 44, 1, da lei n 9.430/96. Referido entendimento vem corroborado por julgamentos deste 1° Conselho de Contribuintes, quando entende que "a mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação" (aceitação da 6" Câmara do 1° CC, relatora Conselheira Thaísa Jansen Pereira, no recurso n° 134.875, acórdão n° 106-13722). Assim, "deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação de fraude Incabível a aplicação de penalidade por presunção defraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento" (aceitação unânime da 2" Câmara 9 do 1° CC, relatar Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 141280, acórdão 102-47397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que "a majoração da multa de oficio deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que decorre de casos de evidente má-fé" (aceitação da 6" Câmara do 1° CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 106-15545). Ressalta-se que o Relatório de Atividade Fiscal informa que "somente houve omissão de receitas nas declarações prestadas pela ATIVA TRANSPORTES à Receita Federal do Brasil e não em sua escrituração contábil e fiscal" (fl. 207), Ou seja, resta clara que não houvera fraude, mas a mera omissão de rendimentos. Pelo exposto, afasto a qualificação da multa, reduzindo-a para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento), ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM 113 Processo o 11080.004040/2007-89 S1-C4T1 Acórdão o.' 1401-00.209 Fl 6 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO - Redator-Designado Ouso divergir da posição abraçada pelo nobre relator em relação a sua tentativa de desqualificação da multa (150% para 75%) Desqualificação da Multa de 150% Assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximir-se do devido recolhimento dos tributos, o que caracteriza ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, adiante reproduzido: "Art , 71, Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fa.zendária: 1 - da ocorrência do .fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente," Nestes termos, corno nos autos está devidamente evidenciado que o contribuinte, ao longo inúmeros períodos mensais, ocultou do Fisco Federal o efetivo valor dos tributos e contribuições a recolher, declarando fração diminuta da receita de vendas, bem assim , conforme muito bem apontou a decisão DRJ, cujo trecho transcrevo abaixo, em oportunidades e em documentos diferentes, o contribuinte reiteradamente prestou informações falsas à Administração Tributária Federal: "Irrelevante a alegação de a DIPJ ter caráter meramente informativo: nem por isto os contribuintes estão autorizados a nelas inserirem informações falsas. Destaco, porém, que a conduta de reduzir as receitas informadas não se restringe apenas à DIPJ. Nos DARF apresentados pelo contribuinte (/1. 291 a 294), preenchidos por ocasião do recolhimento pelo Simples, a receita informada no campo próprio também em muito inferior aquelas efetivas apuradas (aproximadamente 93% a menos). Ainda que naquela ocasião tivesse se equivocado no preenchimento das guias, é certo que por ocasião da sua exclusão do regime e da entrega da DIPJ pelo lucro presumido poderia ter retificado as informações para declarar os valores corretos. POl'éln, não .foi assim. Manteve a declaração dos valores reduzidos, muito embora a própria contabilidade da empresa revele, em amostragem, que as provisões dos tributos .foram feitas proporcionalmente às receitas efetivas.. Ademais, tratou de preencher também as DCTF co,?? valores inferiores aos devidos, ou seja, em oportunidades e em documentos (gerentes, o contribuinte reiteradamente prestou informações .falsas à Administração Tributária Federal, e sempre no sentido de Miar-se ao pagamento dos tributos devidos." Tenho pautado os meus votos no sentido de que a "prática reiterada" de omissão de receitas constitui condição suficiente para a caracterização do evidente intuito de fraude, não porque o intuito de fraude apenas se concretize com a repetição, mas porque com a repetição é que se exterioriza objetivamente o evidente intuito de fraude. Dessa forma, a prática de omitir receitas em valores significativamente inferiores de forma reiterada (elemento objetiva) denota concretamente o "evidente intuito de fraude" Não se pode aqui imaginar que o agente que pratica "erros" de forma contínua por uni longo tempo não possua a intenção de retardar/impedir ou afetar as características essenciais da ocorrência do fato gerador. Diante desse contexto, deve ser mantida a multa qualificada de 150%. AN ON e .• EZER, NETO 12

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8040941 #
Numero do processo: 10314.005158/2002-66
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/02/2001 Classificação de mercadorias. Luvas de PVC. As luvas constituídas de cloreto de polivinila (PVC), comercialmente conhecidas como luvas de vinil, são classificadas na posição 3926.20.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). RGI 1, RGI 6. Normas gerais de direito tributário. Multa de oficio (75%). Tem fundamento no ordenamento jurídico a multa de oficio de setenta e cinco por cento incidente sobre o montante do tributo lançado. 0 principio constitucional da vedação ao uso do tributo com efeito de confisco não alcança as penalidades do direito tributário. A vedação ao confisco por meio da tributação visa coibir os excessos da administração tributária perante o contribuinte. A penalidade tem por fim reprimir os excessos do administrados em face da administração, inclusive com ações eminentemente confiscatórias. Normas gerais de direito tributário. Juros moratórios. Selic. Exceto no mês do pagamento, na vigência da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os juros moratórios são equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.123
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Tarasio Campelo Borges

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Numero do processo: 10675.001714/96-81
Data da sessão: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR - Recurso Especial Nulidade declarada de oficio. Notificação de lançamento que não preenche os requisitos legais contidos no artigo 11 do Decreto if 70.235172. A falta de indicação, na notificação de lançamento, do cargo ou função e o número de matrícula do AFTN acarreta a nulidade- do lançamento, por vício formal
Numero da decisão: CSRF/03-03.219
Decisão: ACORDAM OS Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votost DECLARAR a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiro Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. O Conselheira Henrique Prado 111legda fará Declaração de Voto.
Nome do relator: Marcia Regina Machado Melare

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Notificação de lançamento que não preenche os requisitos legais contidos no artigo 11 do Decreto if 70.235172. A falta de indicação, na notificação de lançamento, do cargo ou função e o número de matrícula do AFTN acarreta a nulidade- do lançamento, por vício formal Vistos, relatados e discutidos os -presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM OS Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais,. por maioria de votost DECLARAR a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiro Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. O Conselheira Henrique Prado 111legda fará Declaração de Vota. - -ON p P w-, ROD:- PRESIDENTE MARCIA REGINA MACHADO MELARÉ RELATORA "1"1-1ZAM EM: 1 2 NOV 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELO'! DE MEDEIROS, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e NitTON LUIZ BARTOLL Processo n° : 10675.001714196-81 Recurso n° : R01201-0.373 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessado : GERALDO RODR1GUES DA CUNHA Acórdão n° : CSRF/03. 03. 219 RELAT-ÓR10 Contra o Acórdão proferido pela C. Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que, por unanimidade, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo recorrente, reduzindo o valor do VTN do imóvel para R$ 729.789,00 com base em Laudo Técnico apresentado pelo EMATER-MG, foi apresentado o presente Recurso Especial de Divergência pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, corn-fundamento no artigo 32, incisoll, da -Portaria -MF 55198. Aduz a douta PGFN que o Laudo de Avaliação apresentado pelo contribuinte não pode ser aceito, por não obedecer aos requisitos constantes das Normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABTN, e especialmente porque não se fez acompanhar da Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, exigido pela Lei 6.496/77. O V. Acórdão guerreado entendeu de modo diverso, conforme sua ementa, ora transcrita, aceitando a prova apresentada como válida e eficaz para autorizar a redução do VTN do imóvel: utTR - vrrst Há de ser revisto, conforme autoriza o § 4° do art. 30 da Lei n° 8.847194, o VTN que tiver seu questionamento fundamentado em laudo técnico convenientemente elaborado por profissional habilitado - Recurso provido:* Preenchidos os requisitos legais , foi determinado o processamento dorecurso. Processo n° : 10675.001714/96-81 Recurso n° : RD/201-0.373 VOTO Conselheira MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, Relatora: Preliminarmente, verifico que na notificação de lançamento de fit., emitida por sistema eletrônico, não consta -a indicação do cargo ou função, nome ou número de matrícula do agente fiscal do tesouro nacional autuante. Desta fome, considerando o disposto no artigo 6°, inciso 1 e 11 da Instrução Normativa SRF n° 094, de- 24 de dezembro de 1997, que , determina seía declarada a nulidade do lançamento que houver sido constituído em desacordo com o disposto no artigo 50 da mesma instrução Normativa; Considerando- que- o- aitigo- 5° da Instrução Normativa da SRF n. 94/97, em seu inciso VI, determina que no lançamento deve constar, obrigatoriamente, o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; Considerando que o parágrafo -único do artigo 11 do Decreto n. 70.235/72 somente dispensa a assinatura do AFTN autuante quando o lançamento se der por processo eletrônico, exigindo, porém, a indicação do cargo ou função e o número de sua matrícula; Considerando, ainda, que o 1° Conselho de Contribuintes, através de decisões publicadas, já houve por bem decretar a nulidade do lançamento que não observe as regras do Decreto 70.235/72, conforme ementa transcrita: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - NULIDADE DE -LANÇAMENTO - É nulo o lançamento cuja notificação não contém todos os pressupostos legais contidos no artigo 11 do Decreto 7023511972 ( Aplicação do disposto no artigo 6° da IN SRF 5411997). Acórdão n° 108.06.420, de 21.02.2001) 3 Processo n° : 10675.001714/96-81 Recurso n° : RD/201-0.373 E tendo em vista que a notificação de lançamento do ITR apresentada nos autos não preenche os requisitos legais, especialmente por faltar na mesma a indicação do cargo ou função e o número de matricula do AFTN autuante, VOTO no sentido de ser declarada, de. oficio, a NULIDADE DO LANÇAMENTO DE FLS., relativo ao ITR impugnado, com base nos dispositivos constantes da legislação tributária lá referidos. Sala das Sessões-DF, 20 de agosto de 2.001. /- MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ 4 Processo n° : 10675.001714/96-81 Recurso n° : RD/201-0.373 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessado : GERALDO RODRIGUES -DA CUNHA Acórdão n° : CSRF/03-03.219 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro HENRIQUE PRADO MEGDA Data vênia, sinto-me na obrigação de discordar do ilustre Conselheiro Relator no que toca a declaração da nulidade da Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR e contribuições acessórias, com base nos artigos 5°, inciso VI, e 6°, da IN SRF no 94/97, e par. único, do art. 11, do Decreto tf 70.235172, com fulcro nos fundamentos que tem dado suporte às decisões da Colenda Segunda Câmara do E Terceiro Conselho de Contribuintes, como segue: Os dispositivos legais da IN SRF citada estabelecem, verbis: "1° A revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, far-se-á mediante a utilização de malhas: I - nacionais ... II- locais ... Art. 2° As declarações retidas em malhas deverão ser distribuídas, para exame, a Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional - AFTN, pelo titular da unidade de fiscalização da DRF ou IRF-A do domicílio do declarante. Art. 3° O AFTN responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre qualquer falha nela detectada, fixando prazo para atendimento da solicitação. 5 Processo n° :10675.001714/96-81 Recurso n° : RD/201-0.373 Art. 40 Se da revisão de que trata o art. 1° for constatada infração a dispositivos da legislação tributária proceder-se-á ao lançamento de ofício, mediante tavratura de auto de infração. Art. 50 Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: VI - o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; A análise da legislação retro mostra, sem sombra de dúvida, que se trata de declarações retidas em malhas, cujo procedimento fiscal de revisão, efetuado manualmente por AFTN, pode resultar em lançamento de ofício, consubstanciado em Auto de Infração. A própria ementa do ato evidencia a sua natureza - "Dispõe sobre o lançamento suplementar de tributos e contribuições". Não obstante, o documento cuja nulidade foi declarada pelo voto aqui contestado, nada tem a ver com o procedimento acima, posto que se trata de Notificação de Lançamento, emitida em função do lançamento normal, efetuado por processamento eletrônico de dados, com base nas informações cadastrais fornecidas pelo próprio contribuinte. Assim, fica evidenciada a inadequação da aplicação da IN SRF no 94197 ao lançamento normal do ITR e czintilbuiçõ es. Claro está que referido tributo também pode vir a ser objeto de malhas fiscais, de revisão manual de declarações por AFTN, e de lavratura de Auto de Infração, porém não foi este o procedimento adotado no caso em questão, nem na maciça maioria dos processos de 1TR que aportam a este Conselho de Contribuintes. Demonstrada a inaplicabilidade do citado ato legal ao caso em tela, resta perquirir sobre as formalidades necessárias às Notificações de Lançamento, documento este aplicado à exigência do 1TR e contribuições. 6 Processo n° : 10675.001714/96-81 Recurso n° : RD/201-0.373 O art. 11, do Decreto no 70.235172, determina, verbis: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: 1- a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; 111- a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Par. único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico." A exigência contida no inciso 1, acima, não pode ser afastada, sob pena de estabelecer-se dúvida sobre o pólo passivo da relação tributária, dada a multiplicidade de contribuintes do 1TR. A ausência da informação prescrita no inciso R, por sua vez, impediria o próprio recalimento do tiibuto, já que a sistemática de lançamento da Lei n° 8.847/94 prevê a apuração do montante pela própria autoridade administrativa, sem a intervenção do contribuinte, a não ser pelo fornecimento dos dados cadastrais. No que tange ao requisito do inciso UI, este possibilita o estabelecimento do contraditório e a ampla defesa, razão peia qual não pode ser olvidado. Quanto à informações exigidas no inciso IV, note-se que elas dizem respeito ao "chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado", e não -ao "agente fiscal do tesouro nacional autuante", até porque Notificação de Lançamento não se confunde com Auto de Infração. Taís informações, na prática, são imprescindíveis apenas naqueles lançamentos individualizados, efetuados 7 Processo no :10675.001714196-81 Recurso n° : RD/201-0.373 pessoalmente pelo chefe da repartição ou por outro servidor por ele autorizado. O cumprimento deste requisito, por certo, evita que o lançamento seja efetuado por pessoa incompetente. Já o lançamento do ITR é um procedimento massificado, processado eletronicamente, tendo em vista o grande universo de contribuintes. Assim, torna-se difícil a personalização do procedimento, a ponto de individualizar-se o pólo ativo da relação tributária. Dir-se-ia que a Notificação de Lançamento do ITR é um documento institucional, cujas características - o tipo de papel e de impressão, o símbolo das Armas Nacionais e a expressão "Ministério da Fazenda - Secretaria da Receita Federal" - não deixam dúvidas sobre a autoria do lançamento. Aliás, muitas vezes estas características identificam com mais eficiência a repartição lançadora, perante o contribuinte, que o nome do administrador focal, seu cargo ou matrícula. O que se quer mostrar é que não são apenas estes dados que conferem credibilidade e autenticidade ao documento, em face de seu destinatário. Além disso, nas Notificações do 1TR está registrada como remetente (órgão expedidor) a repartição do domicílio fiscal do contribuinte, assim entendida a Delegacia ou Agência da Receita Federal, com o respectivo endereço. Ainda que algum destinatário tivesse dúvidas sobre a Notificação recebida, haveria plenas condições de dirigir-se à repartição, para quaisquer esclarecimentos, inclusive com acesso ao próprio chefe do órgão. Conclui-se, portanto, que em termos práticos, em nada prejudica o contribuinte, o fato de não constar da Notificação de Lançamento do ITR a personalização da autoridade expedidora. Vejamos, agora, as demais implicações, à luz do Decreto n° 70.235172, com as alterações da Lei n° 8348193, O art. 59 do citado diploma legal estabelece, verbis: "Art. 59. São nulos: 8 Processo-n°- : 'W675.001714/96-81 Recurso n° : RD/201-0.373 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. Q. As irregularidades, incorr "eçóes e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Por tudo o que foi exposto, conclui-se que o vido formal que aqui se analisa não caracterizou ato lavrado por pessoa incompetente, nem tampouco ocasionou o cerceamento do direito de defesa dos contribuintes. A maior prova disso consiste nas milhares de impugnações apresentadas aos órgãos preparadores. Tanto assim que os respectivos processos chegaram a este Conselho, em grau de recurso. Assim, o vício em questão não importa em nulidade, e poderia ter sido sanado, caso houvesse resultado em prejuízo para o sujeito passivo. Cabe ainda analisar a questão sob o ponto de vista da economia processual. A nulidade que aqui se discute foi declarada de ofício peta Douta Conselheira Relatora, conforme a parte dispositiva ao final do voto. Ainda que a nulidade houvesse sido arguida pelo recorrente, caberia a análise do mérito, em face do par. 30, do mesmo art. 59, do Decreto n° 70.235/72, que aqui se transcreve: "Par. 30 Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." Tal declaração de ofício traz outras consequências que podem ser prejudiciais ao contribuinte, principalmente em função do art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172/66, a saber: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 9 Processo no : 10675.001714196-81 Recurso n° : RD/201-0.373 li - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado." É entendimento pacífico no âmbito da Receita Federal que, embora o inciso acima contenha a expressão "que houver anulado", trata-se efetivamente de nulidade, posto que o dispositivo se refere a vício formal. Assim, a autoridade lançadora disporá de cinco anos para repetir o ato inquinado, desta vez certamente adotando todos os procedimentos elencados no art. 11 do Decreto n° 70.235/72. Para muitos conbibuintes, dependendo do caso, é preferível o Julgamento do mérito, à declaração de nulidade, o que conduziria certamente a um novo lançamento, com a repetição de todo um ritual que, na maioria dos casos, onera o sujeito passivo com despesas de Laudo Técnico de Avaliação, honorários advocatícios, etc. Principalmente para aqueles que já foram vitoriosos em primeira instância, e vêm discutir no Conselho de Contribuintes apenas os acréscimos e penalidades pecuniárias. Para estes, certamente, não seria agradável submeter-se a um novo julgamento de primeira instância, dado o princípio da eventualidade. Ademais, assim se expressa o ilustre Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR, no voto condutor do Acórdão que negou acolhimento à preliminar de Nulidade do Lancamento referente ao recurso 121.519 do Terceiro Conselho de Contribuintes: O art. 9 do Decreto n° 70.235172, com a redação que a ele foi dada pelo art. 10 da Lei 8.748193, estabelece: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." 10 Processo n° :10675.001714196-81 Recurso n° : RD/201-0.373 No artigo 142 do CTN são indicados os procedimentos para constituição do crédito tributário, que é, sempre, decorrente do surgimento de urna obrigação tributária, descrevendo o lançamento como: 1. a verificação da ocorrência do kat) gerador 2. a determinação da matéria tributável: 3. o cálculo do montante do tributo: 4. a identificação do sujeito passivo: 5. proposição da penalidade cabível, sendo o caso, Como já se viu, a penalização da exigência do crédito tributário far- se-á através de auto de infração ou de notificação de lançamento, lavrando-se autos e notificações distintos para cada tributo, a fim de não tumultuar sua apreciação, em face da diversidade das legislações de regência. A legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal estabelece, no art. 11, do Decreto 70.235/72 o que a notificação de lançamento, expedida peio órgão que administra o tributo conterá obrigatoriamente, entre outros requisitos, "a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula", prescindindo dessa assinatura a notificação emitida por processo eletrônico. Já o artigo 59 do Decreto 70.235172 diz serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O dispositivo subseqüente, artigo 60, reza que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 11 Processo n° : 10675.001714/96-81 Recurso n° : RD/201-0.373 Assim, a Notificação de Lançamento que não contiver a assinatura, quando for o caso, com indicação do chefe do órgão expedidor, ou de servidor autorizado, com a menção de seu cargo ou função e seu número de matrícula, não se enquadra entre as situações de irregularidades, incorreções e omissões, um dos requisitos obrigatórios desse documento, não podendo ser sanados e não deixam de implicar em nulidade. Isso porque constituem cerceamento do direito de defesa, porque não se fica sabendo se se trata de ato praticado por servidor incompetente, os dois casos de nulidades absolutas insanáveis, pois está fundada em princípios de ordem pública a obrigatoriedade de os atos serem praticados por quem possuir a necessária competência legal. Todavia, todas essas considerações não se aplicam à questão em tela, "Notificação de Lançamento do 1TR", até 31112/96, por se tratar de uma notificação atípica, pois, ao contrário do que estatui o artigo 90 do Decreto 70.235/72, ela não se refere a um só imposto. Ela abarca, além do ITR, as Contribuições Sindicais destinadas às entidades, patronais e profissionais, relacionadas com a atividade agropecuária. Essas contribuições, segundo a legislação de regência, tem a seguinte destinação: 60% para os Sindicatos da categoria, 15% para as Federações estaduais que os abarcam, 5% para as Confederações Nacionais (CNA e CONTAG) e os 20% restantes vão para o Ministério do Trabalho (conta Emprego e Salário, que se destina a ações desse Ministério que visam ao apoio à manutenção e geração de empregos e melhoria da remuneração dos trabalhadores). Além dessas Contribuições Sindicais, a chamada Notificação de Lançamento do ITR promove a arrecadação destinada ao SENAR que é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que objetiva o aprendizado, treinamento e reciclagem do trabalhador rural. 12 Processo n° :10675.001714/96-81 Recurso n° : RD/201-0.373 Por se tratar de cobrança de valores com objetivos e destinações amplamente diversos, -tal fato tumultua a apreciação do lançamento, face a diversidade, das legislações de regência, com diversas conseqüências danosas às arrecadações, quando apenas uma delas apresentar irregularidade ou sofrer outras contestações, podendo impedir o prosseguimento do recolhimento das demais. Essa dita Notificação de Lançamento também contraria o disposto no art. 142 do CTN, que lista os procedimentos para constituição do crédito tributário, como tratado anteriormente neste Voto. Dessa forma, a chamada Notificação de Lançamento do 1TR, não é, propriamente, uma das formas de exigência de crédito tributário, uma vez que, inclusive, não segue os ditames do CTN e do Processo Administrativo Fiscal. É um instrumento de cobrança do 1TR e das demais Contribuições. Assim sendo, não está essa dita Notificação de Lançamento sujeita às normas legais que cuidam de nulidade, a qual, argüida, não deve ser acolhida. Por todo o exposto, REJEITO A PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Sara das Sessões-DF, em 20 de agosto de 2001. FlEfnIRI - PRADO MEGDA 13 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1

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