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Numero do processo: 10480.907245/2009-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 72 45 /2 00 9- 12 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita abaixo: SOCIEDADE CIVIL. COFINS. ISENÇÃO RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SUBSEQÜENTE POSICIONAMENTO DIVERSO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TITULO JUDICIAL. INEXIGIBILIDADE. É inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado que reconhece direito à isenção do pagamento da COFINS a sociedades civis prestadoras de serviços relacionados a profissão legalmente regulamentada, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal, especialmente quando a eficácia da decisão judicial transitada em julgado haja sido desconstituída em ação rescisória. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO FUNDADO EM TÍTULO JUDICIAL INEXIGÍVEL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. É procedente o Despacho Decisório que não homologa compensações em que é utilizado suposto direito creditório Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 5 4 fundado em titulo judicial inexigível, por inexistir crédito líquido e certo a ser compensado.Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 6 5 compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 8 7 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 9 8 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 10 9 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 11 10 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 12 11 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 13 12 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15374.724217/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1202-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto vencedor, vencidos os Conselheiros Geraldo Valentim Neto (relator) e Viviane Vidal Wagner. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente Substituto.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Andrada Márcio Canuto Natal, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto vencedor, vencidos os Conselheiros Geraldo Valentim Neto (relator) e Viviane Vidal Wagner. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Andrada Márcio Canuto Natal, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase o presente processo de DCOMP nº 13765.29060.140205.1.3.030021 (fl. 04/08), na qual a Recorrente pleiteia crédito de saldo negativo de CSLL do ano calendário de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 24 21 7/ 20 09 -8 4 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 263 2 2003, no valor de R$ 891.430.58, compensandoo com débitos de IRPJ e CSLL (Exercício jan/2005), cadastrados sob o processo nº 15374.724219/200973. Segundo declarado pela Recorrente na DIPJ 2004 (fls. 25), o saldo negativo foi calculado na seguinte conformidade: CSLL devida R$ 7.788.444,89 () CSLL Mensal paga por estimativa R$ 8.679.875,47 Saldo Negativo de CSLL R$ 891.430.58 As estimativas apuradas mensalmente e informadas na DIPJ 2004 (fls. 21/24) seguem discriminadas: Estimativas mensais Janeiro R$ 898.663,91 Fevereiro R$ 82.309,13 Março R$ 2.054.781,19 Abril R$ 3.670.660,09 Maio R$ Junho R$ Julho R$ Agosto R$ Setembro R$ 903.838,53 Outubro R$ 1.069.622,61 Novembro R$ Dezembro R$ TOTAL CSLL a pagar R$ 8.679.875,46 A Delegacia da Receita Federal, em despacho decisório (fl. 55), acolheu a íntegra do Parecer Conclusivo nº 545/2009 (fls. 50/52), não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação nela declarada, pelas seguintes razões: a) Os débitos de estimativa mensal de CSLL referentes aos meses de setembro e outubro de 2003, os únicos declarados em DCTF, têm sua extinção discutida em sede administrativa (processo nº 15374.000669/200896) por meio de Recurso Voluntário no CARF, carecendo, por esse motivo, da liquidez e certeza requeridas pelo art. 170 do CTN; b) A dedução da parcela de estimativa de CSLL referente ao mês de abril de 2003, no valor de R$3.670.660,33 está incorreta, pois o valor extinto por compensação na PER/DCOMP de nº 14150.37760.390503.1.3.024806 é de R$3.184.776,33; c) Levando em consideração que a única comprovação de extinção de débitos de CSLL Mensal por estimativa foi referente ao mês de abril de 2003, no valor de R$3.184.776, o saldo a pagar no ano calendário de 2003, depois de ajustado, tem o valor positivo de R$4.603.668,56, conforme tabela constante no parecer: Apuração anual ajustada da CSLL AC 2003 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 264 3 CSLL TOTAL R$7.788.444,89 CSLL Mensal paga por estimativa R$3.184.776,33 CSLL a pagar R$4.603.668,56 Intimada da decisão em 10/12/2009, a Recorrente apresentou, em 04/01/2010, Manifestação de Inconformidade (fls. 64/70), encaminhandose os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, a qual houve por bem julgar improcedente a defesa ofertada, nos termos da ementa descrita (fls. 135/138): Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. A estimativa cuja compensação não foi homologada em outro processo não possui a certeza e liquidez exigida pelo art. 170 CTN. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Extraemse do teor do Acórdão nº 1243.067 os seguintes fundamentos que, para melhor compreensão da lide, devem aqui ser colacionados: Quanto à estimativa de abril/2003 A interessada pleiteou compensação do valor de R$3.184.776,33. Tal compensação foi homologada por meio do processo nº 10768.906570/200691 e já confirmada no despacho decisório; Quanto às estimativas de setembro e outubro/2003 A interessada informou em DCTF compensações das estimativas de setembro e outubro, sendo que a estimativa de outubro foi informada por valor menor do que aquele informado em DIPJ. Tais DCOMP´s foram tratadas no processo nº 15374.000669/200896 e não foram homologadas pela DRJ (Acórdão nº 1320.613 de fls. 126/131) e pelo CARF (Acórdão nº 310100.401 – fls. 121/125), aguardandose o julgamento dos embargos de declaração; O crédito de FINSOCIAL pleiteado, oriundo de decisão judicial, foi negado administrativamente e as compensações não foram homologadas, pois todo o crédito já fora integralmente utilizado em compensações anteriores, sendo que qualquer discussão a respeito do crédito reconhecido judicialmente deve ser efetuada no âmbito do processo nº15374.000669/200896; Quanto às estimativas de janeiro a março de 2003: Fl. 265DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 265 4 A interessada alega que as compensações foram efetuadas por meio de formulário em papel. Contudo, as cópias de formulários apresentadas na Impugnação (fls. 103/106) não possuem nenhum carimbo de recepção da RFB e estão datadas de 20/09/2006, período em que a compensação já era efetuada por meio de PER/DCOMP eletrônico; Não consta declaração dos débitos em DCTF; Quando a compensação era efetuada por meio de formulário em papel, os formulários comporiam um processo administrativo e o débito deveria ser informado na DCTF, vinculando a compensação ao processo. Contudo, não consta processo de compensação em nome da interessada relativo à compensação alegada; Conclusão Não há saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2003, uma vez que somente foi confirmada parte da estimativa de abril/2003 no valor de R$3.184.776,33, que não é suficiente para quitar o débito de CSLL apurada no valor de R$7.788.444,89. Tendo sido intimada em 11/06/2012, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 154/161), em 05/07/2012, colacionando argumentos da Manifestação de Inconformidade, merecendo destaque as seguintes alegações: i. A homologação deferida para o mês de abril/03 referese à compensação da CSLL apurada naquele mês com créditos de saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores (PER/DCOMP nº 14150.37760290503.1.3024806 de fls. 95/102); ii. O mesmo procedimento adotado para o mês de abril/03 foi o adotado para os meses de janeiro a março/03, época em que a compensação se dava via formulário e não por meio eletrônico, compensandose débitos de CSLL com crédito de IRPJ e CSLL pagos por estimativa em anos anteriores (DCOMP de fls. 103/104), conforme abaixo sintetizado: Declaração de Compensação (fls. 103/104) Período Valor compensado (R$) Jan/03 898.663,91 Fev/03 82.309,13 Mar/03 2.021.005,05 Declaração de Compensação (fls. 105/106) Período Valor compensado (R$) Mar/03 34.839,41 iii. Em relação aos meses de setembro e outubro/03, a compensação de CSLL com débitos de FINSOCIAL foi efetuada com base em decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 93.00157469, que tramitou perante a 20ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro/RJ; iv. As PER/DOMP´s nºs 15932.96759.311003.1.3.577358 (fls. 108/112) e 07516.81766.251103.1.03.579066 (fls. 113/117), respectivamente, de setembro e outubro de 2003, tornam idôneas as compensações mencionadas. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 266 5 Ao final, requer sejam integralmente reconhecidos os créditos referentes ao saldo negativo de CSLL, pleiteado no valor de R$891.430,58, por meio da PER/DCOMP nº 13765.29060.140205.1.3.03.0021. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. Conforme exposto acima, por meio da PER/DCOMP nº 13765.29060.140205.1.3.03.0021, pretende a Recorrente compensar saldo negativo de CSLL no valor de R$891.430,58, decorrente de CSLL mensal paga por estimativa nos meses de jan/03 (R$898.663,91), fev/03 (R$82.309,13), mar/03 (R$2.054.781,19), abr/03 (R$3.670.660,09), set/03 (R$903.838,53) e out/03 (R$1.063.622,61), segundo informado na Ficha 16 da DIPJ 2004 (fls. 21/24). A fim de aferir a certeza e a liquidez do crédito de saldo negativo de CSLL declarado pela Recorrente, fazse necessário examinar a extinção dos débitos tributários relativosao pagamento de CSLL por estimativa nos meses supra mencionados. Examinando os autos, as informações prestadas, bem como a documentação acostada, constatouse o seguinte relativamente às estimativas mensais: I) CSLL paga por estimativa nos meses de janeiro a março/2003 Alega a Recorrente que, relativamente às estimativas dos meses de janeiro a março/03, época em que a compensação de se dava via formulário e não por meio eletrônico, compensouse, via formulário em papel,referidos débitos de CSLLcom crédito de IRPJ e CSLL pagos por estimativa em anos anteriores. Cumpre observar que as Declarações de Compensação (fls. 94/97)apresentadas pela Recorrente estão datadas de 20/09/2006, período em que já se exigia o procedimento por meio eletrônico, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 625, de 20.02.2006. Embora prevista essa exigência, este E. Conselho já se pronunciou no sentido de admitir o processamento de compensação por meio de formulário em papel, consoante precedentes: [...] PROCESSO TRIBUTÁRIO. OBRIGATORIEDADE DO PEDIDO ELETRÔNICO (PERDCOMP). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM PAPEL. A Lei n° 9.430/96, que disciplina o procedimento dos pedidos de restituição e compensação, não obriga que tais pretensões sejam obrigatoriamente formuladas pelo meio eletrônico, não podendo a Instrução Normativa Fl. 267DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 267 6 regulamentadora impor tal exigência, sob pena de declarar o pedido como "não declarado". (CARF, Acórdão n° 20312.999 . 3ª Câmara / 2º CC, Sessão de 05/06/2008 ) [...] PROCESSO TRIBUTÁRIO. OBRIGATORIEDADE DO PEDIDO ELETRÔNICO (PERDCOMP). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM PAPEL. A Lei n° 9.430/96, que disciplina o procedimento dos pedidos derestituição e compensação, não obriga que tais pretensões sejamobrigatoriamente formuladas pelo meio eletrônico, não podendo aInstrução Normativa regulamentadora impor tal exigência, sobpena declarar o pedido como "não declarado". (CARF, Acórdão nº 330100.648. 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 25/08/2010) Ainda que admitida a compensação mediante formulário e, acolhendo aqui as razões aduzidas no acórdão recorrido, a Recorrente não demonstrou no decorrer do presente processo a extinção dos débitosrelativos à CSLL por estimativa nos exercícios de janeiro, fevereiro e março/03, uma vez que: (i) não consta, nas declarações de compensações apresentadas (fls. 94/97), qualquer prova da respectiva recepção e recebimento pela Receita Federal do Brasil; (ii) na DCTF não foram informados os débitos em comento (fls. 27/28); (iii) não consta processo administrativo de compensação em nome da Recorrente relativo à compensação alegada; e (iv) não consta registro de pagamento de CSLL mensal por estimativa no período de 01/01/2003 a 14/02/2005, conforme faz prova o extrato de consulta ao sistema SINAL07 (fl. 32). II) CSLL paga por estimativa relativaao mês de abril/03 A estimativa de CSLL apurada no mês de abril, conforme cadastrado no sistema SIEF (fls. 36/35), foi objeto de lavratura de Auto de Infração sob o processo nº 15374.001537/200881 “pelo fato de a fiscalização ter constatado que esta estimativa não foi declarada em DCTF, nem ter encontrado recolhimento no mesmo valor” (informações prestadas pela Fiscalização – fl. 04). Nestes autos administrativos, em sessão de 30/06/2011, foi provido em parte o Recurso Voluntário, aguardandose desde 07/07/2011 a formalização da respectiva decisão. Não obstante estar em curso o processo administrativo supra, a estimativa de CSLL de abril/03 foi extinta no valor de R$3.184.776,33 por meio da PER/DCOMP nº 14150.37760.290503.1.3.024806, a qualfoi homologada pelo Despacho Decisório nº 236/08 (fl. 37/45) e cadastrada no SIEF (fl. 49), conforme também se afere pelo extrato do processo administrativo nº 10768.720.779/200740, acostado à fl. 134. Ademais, apesar de a Recorrente ter informado, na DIPJ 2004, CSLL paga por estimativa em abril/03 no montante de R$3.670.660,09 (fl. 22) e na PER/DCOMP nº 14150.37760.290503.1.3.024806 terdeclarado débito de R$3.184.776,33 (fl. 92), a extinção de parte da estimativa de abril/03, no valor de R$3.184.776,33 foi confirmada pelo despacho Fl. 268DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 268 7 decisório (fl.53) e também pelo próprio acórdão ora recorrido (fls.135/138), em decorrência das compensações homologadas. III) CSLL paga por estimativarelativa aos meses de set/03 e out/03 Em DCTF do ano calendário de 2003 (fl.27/28), a Recorrente informou débitos de CSLL relativos apenas aos meses de setembro, no valor de R$903.838,53, e de outubro, no valor de R$1.068.559,35, declarado este último em valor menor do que o declarado na DIPJ 2004. Na própria DCTF, constatase que referidos débitos de set/03 e out/03 foram compensados, respectivamente, por meio das PER/DCOMP´s nºs 15932.96759.311003.1.3.57 7358 (fl. 99/103) e 07516.81766.251103.1.3.579066 (fl. 104/108), com crédito de FINSOCIAL oriundo de ação judicial (Mandado de Segurança nº 9300157469). Porém, as PER/DCOMP´scitadas sob o processo administrativo nº 15374.000669/200896 não foram homologadas pelo CARF no Acórdão nº 310100.401 (fls. 122/125), que acolhendo decisão da 5ª Turma da DRJ/RJII entendeu que o crédito de FINSOCIAL já havia sido integralmente utilizado em compensações anteriores. Dessa decisão foram opostos embargos de declaração que, rejeitados por unanimidade em sessão de 10/11/2011 (Acordão nº 310100.921), deram ensejo à interposição de recurso especial, o qual, por ora, aguarda julgamento. IV) Conclusão Expostas as assertivas acima, temse em síntese o seguinte: Exercícios Valor de CSLL por estimativa declarado em DIPJ 2004 Situação do débito de CSLL pago por estimativa Valor do crédito confirmado Jan/2003 898.663,91 Não comprovada, pela Recorrente, a extinção do débito por meio de compensação R$0,00 Fev/2003 82.309,13 Não comprovada, pela Recorrente, a extinção do débito por meio de compensação R$0,00 Mar/2003 2.054.781,19 Não comprovada, pela Recorrente, a extinção do débito por meio de compensação R$0,00 Abr/2003 3.670.660,09 Extinção do débito no valor de R$3.184.776,33 com a homologação da PER/DCOMP nº 14150.37760.290503.1.3.02 R$3.184.776,33 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 269 8 4806 set/2003 903.383,53 Não homologada a compensação pelo CARF, no proc. adm. nº 15374.000669/200896, aguardando decisão definitiva Pendente de confirmação Out/2003 1.069.622,61 Não homologada a compensação pelo CARF, no proc. adm. nº 15374.000669/200896, aguardando decisão definitiva Pendente de confirmação Aferese da tabela acima que, ainda que eventualmente confirmado o crédito relativo à CSLL por estimativa nos meses de set/03 e out/03 nos autos do processo administrativo nº 15374.000669/200896, que, se somado com a estimativa confirmada de abr/03, totaliza o montante deR$5.157.782,47, referido crédito é insuficiente para quitar o débito de CSLL apurado no ajuste anual, conforme abaixo demonstrado: CSLL apurado no ajuste anual – AC 2003 R$7.788.444,89 () CSLL mensal paga por estimativa no AC 2003 R$5.157.782,47 Saldode CSLL a pagar R$2.630.662,42 Por todo o exposto, demonstrada a inexistência de Saldo Negativo de CSLL para o exercício de 2004, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Voto Vencedor Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Redator Designado Em face a indicada existência de um processo conexo 15374.000669/200896 com a devida vênia do relator, que pode, ou não, uma vez que não cabe a essa turma julgadora, conhecer e apreciar o mérito do indigitado processo, influenciar a decisão a ser tomada no presente processo, por medida de maior segurança, prudência e não conflito de decisões conexas, é recomendável que se aguarde a decisão do citado processo. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 270 9 Assim, ante ao exposto, propõese que o órgão de origem junte ao presente a decisão administrativa definitiva, na íntegra, quando proferida no processo conexo – 15374.000669/200896. Após a juntada em referência, os autos deste processo devem retornar à Turma para julgamento do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 271DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Numero do processo: 12466.722972/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 19/10/2006 a 13/02/2007
Ementa:
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE.
Caracterizadas como por conta e ordem as operações de comércio exterior declaradas pela importadora como sendo por encomenda, o que implicou ocultação da real adquirente das mercadorias, resta tipificada a figura da interposição fraudulenta, sujeitando tanto a importadora como a suposta encomendante e a real adquirente, estas duas na condição de responsáveis solidárias, à penalidade de perdimento das mercadorias, a ser convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA.
Tratando-se da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração.
Numero da decisão: 3401-002.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento aos recursos. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça. Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Julio Cesar Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
EDITADO EM: 23/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 19/10/2006 a 13/02/2007 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. Caracterizadas como por conta e ordem as operações de comércio exterior declaradas pela importadora como sendo por encomenda, o que implicou ocultação da real adquirente das mercadorias, resta tipificada a figura da interposição fraudulenta, sujeitando tanto a importadora como a suposta encomendante e a real adquirente, estas duas na condição de responsáveis solidárias, à penalidade de perdimento das mercadorias, a ser convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA. Tratando-se da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração.
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Recorrente GEMAX TRADING COMPANY SA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 19/10/2006 a 13/02/2007 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. Caracterizadas como por conta e ordem as operações de comércio exterior declaradas pela importadora como sendo por encomenda, o que implicou ocultação da real adquirente das mercadorias, resta tipificada a figura da interposição fraudulenta, sujeitando tanto a importadora como a suposta encomendante e a real adquirente, estas duas na condição de responsáveis solidárias, à penalidade de perdimento das mercadorias, a ser convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do Decreto Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento aos recursos. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça. Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 29 72 /2 01 1- 21 Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Julio Cesar Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. EDITADO EM: 23/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Este processo cuida de Auto de Infração lavrado pela constatação da prática da interposição fraudulenta de terceiros na importação, quanto às Declarações de Importação (DI) relacionadas no relatório fiscal registradas no período entre 19/10/2006 e 13/02/2007 pela empresa GEMAX TRADING COMPANY S/A, CNPJ n° 04.508.006/000125, doravante denominada GEMAX). Segundo a autoridade fiscal, ela registrou as referidas DI na qualidade de importadora por encomenda, para revenda à encomendante predeterminada, a empresa EASY SERVIÇOS E COMÉRCIO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA, CNPJ 07.717.814/000190 (doravante denominada EASY). E que, de fato, essas operações acorbertavam “importações por conta e ordem” da real adquirente das mercadorias, a empresa RAVLIN DISTRIBUIDORA DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS E SOFTWARES LTDA, CNPJ 05.085.607/000135 (doravante denominada RAVLIN). Para essas conclusões, a fiscalização se apoiou na auditoria realizada nas operações comerciais e financeiras das empresas citadas: Este processo administrativo trata especificamente de penalidade relacionada a essa constatação de interposição fraudulenta, a resultante para aplicar a pena de perdimento das mercadorias importadas nos termos do art. 23, V, § 1° do Decretolei n° 1.455/76 (art. 618, XXII, § 1° do Regulamento Aduaneiro de 2002). Tendo em vista o consumo dos bens importados, o perdimento foi convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias nos termos do § 3° do mesmo art. 23 (§ 1° do art. 618 do RA de 2002). As empresas EASY e RAVLIN foram autuadas como responsáveis solidárias pelos créditos lançados. Informo ainda que foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais formalizada pelo processo administrativo n° 12466.723200/201298. O Auto de Infração totalizou o valor de R$ 2.735.577,63. As empresas autuadas entraram cada uma com impugnação. A R. 24ª Turma da 1ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ SP1) analisou as razões apresentadas e teceu as seguinte ponderações e conclusões: · refutaram as alegações de nulidade por cerceamento ao direito de defesa por não acesso aos autos "As empresas GEMAX e RAVLIN alegaram violação às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa, haja vista que a repartição alfandegária não permitiu o acesso ao auto de infração e obtenção de cópia integral de seu teor. Sobre essa questão, cumpre esclarecer que durante o prazo para a apresentação da impugnação, o auto de Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 3401002.807 S3C4T1 Fl. 3 3 infração fica à disposição para “vistas” ao contribuinte na repartição fiscal que jurisdiciona seu domicílio." · refutaram as alegações de nulidade por cerceamento ao direito de defesa por não reaver os livros fiscais apresentados à fiscalização os Julgadores apontam que os "livros apresentados são impressões gráficas de escrituração feita por sistemas de processamentos de dados e os documentos apresentados são cópias reprográficas apresentadas pela própria impugnante. Logo, a impugnante conhece e detêm todas as informações constantes nos documentos retidos." · refutaram as alegações de todas as impugnantes de nulidade da autuação por violação de normas relativas ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. O MPF é mero instrumento de controle administrativo. Os problemas com o MPF não invalidariam os trabalhos da fiscalização, pois o lançamento é atividade obrigatória e vinculada e a irregularidade do MPF não poderia se opor a essa obrigação com fundamento em Lei Complementar. E os impugnantes não sofreram prejuizo em seu direito de defesa. · refutaram as alegações das impugnantes de nulidade por cerceamento ao direito de contraditório e de produção de provas no procedimento de fiscalização "Na fase do procedimento até a lavratura do auto de infração não há litígio e, portanto, inexistem litigantes. Muito menos acusado, situação que não se aplica ao procedimento administrativo fiscal. O litígio só se estabelece, se aperfeiçoa, com a apresentação da impugnação, consoante o art. 14, do Decreto nº 70.235/72". E explicam ainda: "É importante esclarecer que o procedimento fiscal sob discussão teve como sujeito passivo apenas a empresa GEMAX, para a qual foi emitido o correspondente MPF. Em decorrência das evidências coletadas pelo fisco, as empresas EASY e RAVLIN foram incluídas no polo passivo como responsáveis solidárias. Esse fato, em primeiro lugar, não tem o condão de causar qualquer prejuízo à defesa dessas empresas, posto que, como já dito acima, na fase procedimental inexiste litígio, o qual somente se aperfeiçoa com a apresentação da impugnação, momento em que a interessada pode apresentar todos os elementos de prova que entender cabíveis. Em segundo lugar, a par das considerações que já tecemos acerca do MPF, inexiste previsão legal determinando a emissão de MPF relativamente aos sujeitos passivos solidários, nos termos da Portaria SRF nº 11.371/2007." · refutaram as alegações de nulidade feita pela a impugnante GEMAX que a fiscalização não demonstrou a prática da interposição para cada declaração de importação autuada, em violação ao art. 10, III, do PAF. "Em relação ao tema percebese que, apesar da fiscalização exemplificar a prática de transferências de recursos da empresa EASY para a empresa GEMAX em relação à DI nº 06/13539863, a demonstração foi feita para a totalidade das importações autuadas nas fls. 157/240, notadamente nas planilhas MODELO – 4, onde estão discriminados cada pagamento efetuado em relação a cada nota fiscal de saída da empresa GEMAX. Já pelas planilhas MODELO – 3 é feita a associação de cada nota fiscal com a respectiva declaração de importação DI. Assim percebese que, ao contrário do alegado pela impugnante, foi feita demonstração dos pagamentos realizados pela EASY para cada importação lançada, os quais estão igualmente refletidos nos registros contábeis da empresa juntados aos autos." · refutaram as alegações de nulidade feita pela GEMAX pela utilização de provas (conclusões) emprestadas de outros processos administrativos (processos das IN SRF n° 206/02, n° 650/06 e n° 228/02), além de impressões obtidas de outros autos de infração instaurados em face da impugnante e das empresas EASY e RAVLIN, os quais foram devidamente impugnados e se encontram pendentes de julgamento. Justificam que não há proibição a respeito; e que os processos citados pela impugnante são relativos à própria impugnante; e que as informações neles contidas são de conhecimento da impugnante; e elas foram integralmente reproduzidas. · refutaram as alegações de todas as impugnantes de decadência "Alegam todas as impugnantes a ocorrência de decadência das infrações ocorridas há mais de cinco anos da data de lavratura do auto de infração, nos termos do art. 753 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (art. 139 do Decretolei n° 37/66). Ocorre que no caso concreto, como veremos mais adiante, ocorreu a tipificação da interposição fraudulenta na importação, fato que impede a utilização dos prazos previstos no art. 150, caput do CTN e no art. 139 do Decretolei n° 37/66. (....) Logo, a leitura combinada do § 4° do art. 150 do CTN com o art. 173 do CTN nos leva a conclusão de que a fiscalização tinha o dia 31/12/2011 como prazo limite para lançamento dos créditos relativos às Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 importações de 2006. Como a ciência do auto de infração em relação às empresas autuadas ocorreu ainda outubro de 2011, não há que se falar em decadência no caso concreto." · Rejeitaram as alegações que trataram do mérito, por entenderem que o auto de infração não mereceria reparos "No caso concreto entendo que a tipificação ocorreu por mais de uma via, vejamos: a GEMAX e a EASY não conseguiram comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em suas operações; restou demonstrada a ocultação da real adquirente nas importações realizadas, a RAVLIN, visto que foram indicadas importações por encomenda quando, em verdade, estas importações destinavamse à empresa oculta; demonstrouse que a empresa GEMAX utilizouse de repasses de recursos financeiros da empresa EASY para realizar operação de importação de mercadorias, os quais só poderiam advir da adquirente oculta, haja vista a demonstração da incapacidade econômica e financeira da EASY para arcar com os custos das operações praticadas. Além disso, a produção de documentos que não traduzem a realidade comercial implica na realização de fraude documental. Logo, sob qualquer ponto de vista, foi corretamente tipificada a infração imputada às autuadas." · Refutaram a tese da GEMAX de que a multa a ser aplicada ao caso concreto seria a do art. 33 da Lei n º 11.488/07, ao invés a prevista pelos §§ do artigo 23 do Decretolei n. 1.455, de 1976. "O Conselho de Contribuintes há muito firmou entendimento no sentido de que o perdimento das mercadorias e a multa de 10% do art. 33 da Lei n º 11.488/07 são infrações autônomas." · refutaram o questionamento sobre a caracterização da solidariedade das impugnantes e da contradição aparente entre a responsabilidade objetiva (regra geral no Direito Tributário) e a responsabilidade subjetiva (decorrente de ação dolosa) do presente processo. Pois, "o fato de a empresa EASY figurar como encomendante de fachada na importação promovida pela GEMAX quando, na verdade, a real adquirente era a RAVLIN implica que todas tinham ciência da interposição, sendo inequívoco que as três concorreram para sua prática. Logo, perfeitamente aplicado o instituto da responsabilidade solidária às empresas EASY e RAVLIN. Ressaltese que no caso concreto ocorre a ressalva do §2º do art. 94 do Decretolei nº 37/66 por expressa determinação legal. Ademais, não há incongruência quando a fiscalização cita os incisos I e II, do art. 124 do CTN, posto que no caso a responsabilidade solidária das empresas EASY e RAVLIN materializase em ambas as hipóteses, já que tinham interesse em comum com a GEMAX na importação das mercadorias por se tratar da encomendante de fachada e da real adquirente, respectivamente, cuja responsabilidade solidária está expressamente prevista no art. 32, parágrafo único, alíneas “c” e “d” do DL 37/66 (imposto) e art. 95, V e VI, do mesmo normativo (multa). · refutaram as alegações de que imprecisão da determinação do fato imputado "No mérito, como já amplamente demonstrado nessa peça, a verdade material das operações revela situação diferente daquela que os documentos comerciais utilizados pelas interessadas pretenderam demonstrar, visto que RAVLIN é a real adquirente dos produtos importados, não merecendo fé a documentação citada. Observese que, para demonstrar esse contexto, a fiscalização não lançou mão do disposto no art. 116, parágrafo único, do CTN, mas tão somente procedeu à caracterização da interposição fraudulenta nos termos da legislação já comentada. O argumento de que os supostos benefícios auferidos por EASY e RAVLIN seriam irrelevantes quando se analisa o faturamento das impugnantes não altera em nada a tipificação do caso, visto que a interposição é uma infração de mera conduta, ou seja, basta a prática prevista na norma para a ocorrência da infração, independentemente de volumes transacionados ou de outras consequências fiscais. Quanto à alegação de que a aplicação da penalidade ofende aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, não merece melhor sorte. Isto porque, uma vez materializada a hipótese de incidência prevista na norma sancionadora, é defeso à autoridade aduaneira, à luz dos mencionados princípios, mitigar a aplicação da penalidade imposta pela legislação, eis que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a fiscalização aplicar a sanção em sua inteireza conforme determina a norma legal, em atendimento ao preceito contido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional. Sobre não haver sido comprovado o consumo das mercadorias, considerando ser a impugnante RAVLIN sua adquirente, caberia a ela, por óbvio, trazer aos autos os elementos que demonstrassem ainda estar na posse dos bens adquiridos, o que não foi feito. Logo, é procedente a exigência da multa." Votaram pela improcedência total das impugnações e a manutenção integral do crédito tributário lançado. O Acórdão n.º 1654.114, de 15/01/2014, ficou assim ementado: Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 3401002.807 S3C4T1 Fl. 4 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 19/10/2006 a 13/02/2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. Caracterizadas como por conta e ordem as operações de comércio exterior declaradas pela importadora como sendo por encomenda, o que implicou ocultação da real adquirente das mercadorias, resta tipificada a figura da interposição fraudulenta, sujeitando tanto a importadora como a suposta encomendante e a real adquirente, estas duas na condição de responsáveis solidárias, à penalidade de perdimento das mercadorias, a ser convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte RAVLIN deixou de se manifestar, apesar de cientificada da decisão de 1ª instância. Inconformados, GEMAX e EASY ingressaram cada um com Recurso Voluntário, por meio dos quais argumentaram: A recorrente GEMAX expôs: 1. requer a nulidade do auto de infração por violação às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa, haja vista que a repartição alfandegária não permitiu o acesso ao auto de infração e obtenção de cópia integral de seu teor. Afirma que tal fato foi levado ao conhecimento do InspetorChefe por meio de petição 2. necessidade de reforma quanto à nulidade da autuação por norma que impedia o fiscal de proceder nova autuação e violação ao art. 59, I e II, do Decreto n. 70.235, de 1972 e art. 15 parágrafo único da Portaria RFB n. 11.371/2007. 3. alega preliminarmente a decadência das infrações ocorridas há mais de cinco anos da data de lavratura do auto de infração, nos termos do art. 753 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (art. 139 do Decretolei n° 37/66). Cita jurisprudência administrativa sobre o tema; 4. necessidade de reforma do acórdão por não ter declarado nulidade por ausência de descrição específica das irregularidades supostamente praticadas nos processos de importação. 5. alega preliminarmente a nulidade da autuação por utilização de prova emprestada (conclusões) de outros processos administrativos relativos à impugnante, 6. no mérito, alega que o capital social de uma empresa não atesta sua capacidade financeira. Alega que a fiscalização confundiu os conceitos de capital social e faturamento. e que se consideradas as suas fontes de recursos (ex.: benefício FUNDAP, receita financeira, reavaliação patrimonial, etc) seria afastada a presunção de infração. e que a estratégia da empresa justifica que ela tenha margem de retorno pequena. 7. e que não há que se falar em antecipações de valores entre terceiros e a GEMAX para caracterizar a infração, pois os valores depositados eram posteriores à nacionalização do produto, momento de sua revenda. 8. a multa de 100% tem caráter confiscatório. é desproporcional e irrazoável. 9. que a multa prevista no art. 33 da Lei n. 11.488/2007 é mais benéfica e deveria ser aplicada ao invés da prevista nos §§ do artigo 23 do DL 1.455, de 1976. A recorrente Easy expôs: 1. necessidade de reforma quanto à nulidade da autuação por norma que impedia o fiscal de proceder nova autuação e violação ao art. 59, I, do Decreto n. 70.235, de 1972 e art. 15 parágrafo único da Portaria RFB n. 11.371/2007. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 2. nulidade do auto de infração em razão da ausência de MPF dirigido em face da EASY. que ela não pode acompanhar a execução da fiscalização. faltou isonomia se comparada à GEMAX. 3. nulidade por falta de intimação para acompanhar e se manifestar no procedimento de fiscalização. implicou em impossibilidade de comprovar origem e disponibilidade dos recursos. 4. a recorrente deve ser excluída do pólo passivo por falta de fundamentação legal (a motivação é incongruente: incisos I e II doa rt. 124 do CTN são excludentes; art. 32 do DL 37/1966 so se aplica a imposto e não a multa; os incisos IV e V do artigo 95 do DL 37/1966 definem responsabilidade para situações diversas do presente caso). 5. alega preliminarmente a decadência das infrações ocorridas há mais de cinco anos da data de lavratura do auto de infração, nos termos do art. 753 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (art. 139 do Decretolei n° 37/66). Cita jurisprudência administrativa sobre o tema; 6. a fundamentação do auto de infração esta viciada, pois há ausência de análise pormenorizada das importações. e adoção ilegítima de conclusões lançadas em outros processos. e ausência de documentação essencial. 7. e que há a necessidade de se limitar a atuação às declarações de importação referenciadas no quadro 09 do auto de infração pois apenas essas demonstrariam a tese fiscal do repasse entre GEMAX, EASY e RAVLIN, o que não se deu com as outras DIs listadas no auto de infração. 8. d) no mérito, alega afronta ao princípio da verdade material, visto que a qualificação dos fatos não corresponde à realidade. A GEMAX tratase de empresa com localização certa que cumpre regularmente com suas obrigações tributárias e, quanto à sua relação com a EASY, efetuou operações de importação e revenda de mercadorias durante anos, sempre emitindo a documentação idônea para suportá las; 9. e) a importadora, além de prestar os serviços mencionados pela fiscalização, especializouse em localizar excelentes oportunidades de negócios para a EASY, conhecendo vários fornecedores no exterior. Como a EASY possui enorme capacidade de distribuição de tais produtos no mercado interno, a GEMAX revende a mercadoria importada, geralmente por intermédio de uma negociação bastante rápida, ainda durante o curso do procedimento de importação, procedendo à entrega dos mesmos logo após o desembaraço aduaneiro; 10. f) com o passar do tempo, outro tipo de operação passou a ser realizado com a GEMAX, uma vez que a EASY passou a conhecer o mercado internacional e a se relacionar com os fornecedores, não havendo mais motivos para a GEMAX intermediar os negócios. Obviamente, a realização direta das operações de compra de mercadorias melhorava a dinâmica da empresa, aumentando a margem de lucro dos negócios realizados. Se esse fatos merecem qualificação jurídica diversa, não pode a fiscalização acusála de fraude desincumbindose de provar o dolo; 11. g) alega que a autoridade fiscal tem uma ideia preconcebida sobre a GEMAX, pois quando esta importava diretamente e depois revendia seus produtos, o fisco afirmava que ela não possuía capacidade financeira; e agora, quando a GEMAX realiza importação por encomenda da impugnante, a autoridade fiscal passa a dizer que é a EASY que não tem capacidade financeira. Não tem dúvidas de que, quando for interesse da fiscalização, passará a ser defendido que a RAVLIN não tem capacidade financeira até que se responsabilize solidariamente o consumidor final das mercadorias importadas; 12. h) em nenhum momento o fisco comprovou que houve falta de recolhimento de tributos em função das DI relacionadas, ou que houve vício na forma dos atos praticados. Em verdade, a fiscalização deseja aplicar o artigo 116, § único, do CTN, o que não é cabível, posto que o dispositivo ainda não foi regulamentado; 13. a tese da responsabilidade objetiva defendida pela fiscalização não se aplica ao caso em tela, posto que a legislação de regência impõe a necessidade e se comprovar o dolo do agente. Salienta que a EASY não participou do procedimento fiscal e, portanto, a fiscalização não foi capaz de formar convicção sobre sua verdadeira intenção. Observa que os supostos benefícios auferidos pela EASY são irrelevantes quando se analisa o faturamento da impugnante; 14. j) não tem ciência de qualquer elemento de prova a dar suporte aos ilícitos que lhe foram imputados, sendo que a multa aplicada afronta os princípios da razoabilidade e proporcionalidade; Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 3401002.807 S3C4T1 Fl. 5 7 15. k) os critérios de avaliação da capacidade financeira da GEMAX utilizados pela fiscalização são equivocados. Tratase de um erro crasso avaliar a capacidade da empresa de financiar as atividades operacionais exclusivamente com suporte no aporte inicial dos sócios. Afinal, uma empresa pode ter um alto valor de capital social, e não ter capital de giro. Podese dizer o mesmo com relação ao lucro, porque este é apurado com base no regime de competência, o que inviabiliza seu uso para avaliação da capacidade financeira, pois uma empresa pode ser altamente lucrativa e ter problemas com capital de giro. Tivesse a fiscalização feito as análises corretamente, a autuação não teria ocorrido. O mesmo raciocínio se aplica à impugnante. O crescimento da empresa e a adequação do fluxo de caixa, permitiramlhe crescer e aumentar o volume e o giro das operações de importação e revenda de mercadorias; 16. l) a fiscalização laborou em erro ao alegar que a EASY efetuou a cada operação da importadora um adiantamento correspondente de recursos financeiros. De plano, registra que tal prova não lhe foi disponibilizada. Ademais, não há impedimento legal na formação de capital de giro por meio de adequação do prazo de recebimento e pagamento de duplicatas, sendo provável que as operações mais antigas financiaram as operações mais recentes. Observa que não pode ser penalizada por erro na escrituração comercial de terceiros; 17. m) alega que a conversão da pena de perdimento é improcedente, pois não foi comprovado o consumo das mercadorias; 18. n) o fato de a GEMAX prestar serviços relacionados à importação de mercadorias não é capaz de comprovar que outras operações de importação efetuadas com recursos próprios, ou por encomenda de terceiros, necessariamente caracterizem, por si só, interposição fraudulenta; 19. o) a fiscalização não prova que as operações efetuadas com a EASY não trouxeram lucro à GEMAX. O fato de uma empresa usufruir benefícios fiscais, criados por lei, não é indício de interposição fraudulenta; 20. p) quanto ao contrato reproduzido parcialmente, nada prova em relação à suposta interposição fraudulenta, posto que suas cláusulas estão de acordo com a modalidade denominada “importação por encomenda”; É o relatório. Voto Conselheiro Relator Eloy Eros da Silva Nogueira. Os recursos são tempestivos e foram atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminares Nulidade por cerceamento de defesa por não acesso aos autos: Entendo que não procede a argumentação de nulidade do auto de infração, conforme expõe a recorrente, afirmando que a repartição alfandegária não teria permitido o acesso ao auto de infração e a obtenção de cópia integral de seu teor. É do conhecimento comum que o processo administrativo fica à disposição dos contribuintes, principalmente depois de intimados de ato fiscal ou administrativo. O acesso aos autos e a obtenção de cópias são procedimentos cotidianos dos setores de atendimento ao contribuinte. O contribuinte afirma que tal dificuldade foi levado ao conhecimento do InspetorChefe por meio de petição, Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 mas nessa petição ou em outra parte do processo não há prova de que realmente a repartição tenha obstado o acesso aos autos. Ademais, o contribuinte apresentou sua impugnação e recurso e conseguiu contestar a autuação sem prejuízo ao seu direito de defesa, como se constata com a leitura dessas peças. Nulidade do auto de infração por incompetência da autoridade fiscal: Alegam as recorrentes a necessidade de reforma do decisum atacado quanto ao fato de não terem declarado a nulidade da autuação. Entendem que havia norma que impedia o fiscal de permanecer na autuação conduzida por novo MPF; que houve violação ao art. 59, I e II, do Decreto n. 70.235, de 1972 e art. 15 parágrafo único da Portaria RFB n. 11.371/2007. Segundo as recorrentes, teria o MPF sido renovado e mantido o mesmo Auditor Fiscal, contrariando a citada Portaria RFB, o que implicaria no disposto no artigo 59, I, do Decreto n. 70.235, de 1972. Data vênia, essa alegação a meu ver não tem amparo legal. Entendo que a competência para lavrar auto de infração apreciada à luz do que disciplina o Decreto n. 70.235, de 1972, não tem sua origem em uma Portaria administrativa. O MPF cumpre as seguintes funções: a) dá corpo e materialidade à decisão da administração, e informa a fundamentação requerida para a ação fiscal; b) atende os princípios constitucionais do conhecimento (ciência) e da transparência e define o escopo da ação fiscal; e, c) traduz a iniciativa institucional na identificação dos agentes públicos, louvando o princípio da pessoalidade. As limitações e irregularidades na aplicação desse recurso administrativo (ex.: prazo e prorrogações) precisam ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar. Mas essas irregularidades não têm o poder de tomar nulo o lançamento tributário que atendeu aos requisitos do CTN, art. 142, e do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 10. Afinal, o instrumento de controle administrativo, como o MPF, criado por portaria, não pode prevalecer sobre o Código Tributário Nacional, fundamento que determina a realização do lançamento, que é vinculado e obrigatório. Nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido por insuficiência na demonstração dos fatos imputados: Entendo que não pode prosperar a argumentação para se reformar o acórdão por não ter declarado nulidade do auto de infração por ausência de descrição específica das irregularidades supostamente praticadas nos processos de importação. E também não pode prosperar a argumentação para declarar a nulidade do auto de infração pelo mesmo motivo. Consultei os documentos que instruem o auto de infração e há demonstração (relacionando declaração de importação, notas fiscais e pagamentos e registros contábeis) para as importações objeto da autuação deste processo. Pareceme desnecessário trazer ao texto do relatório fiscal cada um e todos esses cruzamentos de dados, bastando que estejam nos demonstrativos que instruem o auto de infração. Nulidade por provas emprestadas Também entendo que não tem fundamento declarar a nulidade da autuação por utilização de prova emprestada (conclusões) de outros processos administrativos relativos à impugnante. A prova emprestada é instituto que pode servir aos propósitos do processo Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 3401002.807 S3C4T1 Fl. 6 9 administrativo. As partes podem manifestarse sobre esses conteúdos e suas implicações, e sobre sua pertinência; mas não há impedimento legal para sua aplicação. Nulidade por falta de MPF e acompanhamento da fiscalização: Não pode prosperar as alegações da EASY de nulidade do auto de infração em razão da ausência de MPF a ela dirigida e pelo fato que ela não teria podido acompanhar a execução da fiscalização. Também não pode prosperar o pedido de nulidade por falta de intimação para acompanhar e se manifestar no procedimento de fiscalização. Consultando os autos podemos ver às fls. 532 a 539 o MPF emitido em nome da empresa EASY, e as Intimações e os Termos de Constatação. Ou seja, não corresponde aos documentos juntados a afirmação da recorrente de que não teria sido intimada e teria merecido MPF próprio. No relatório fiscal encontramos informação de que as intimações à empresa não lograram receber atendimento satisfatório, demonstrando que houve o esforço de participála do procedimento de fiscalização. Nulidade de declaração da solidariedade tributária por incongruência de motivação. Ao contrário do que pede a recorrente EASY, pareceme correta a declaração de solidariedade com relação à GEMAX à luz das informações e dos argumentos que constituem o auto de infração. Não interpreto que haja incongruência entre os dispositivos legais indicados pela fiscalização. Eles concorrem para a sustentação da atribuição das responsabilidades tendo em vista a complexidade dos fatos e das atividades objeto da fiscalização. Reproduzo a analise dos Julgadores a quo a este respeito por dela concordar e considerála apropriada para justificar minha posição: O fato de a empresa EASY figurar como encomendante de fachada na importação promovida pela GEMAX quando, na verdade, a real adquirente era a RAVLIN implica que todas tinham ciência da interposição, sendo inequívoco que as três concorreram para sua prática. Logo, perfeitamente aplicado o instituto da responsabilidade solidária às empresas EASY e RAVLIN. Ressaltese que no caso concreto ocorre a ressalva do §2º do art. 94 do Decretolei nº 37/66 por expressa determinação legal. Logo, não há a citada contradição entre a responsabilidade objetiva (regra geral no Direito Tributário) e a responsabilidade subjetiva (decorrente de ação dolosa) do presente processo. Ademais, não há incongruência quando a fiscalização cita os incisos I e II, do art. 124 do CTN, posto que no caso a responsabilidade solidária das empresas EASY e RAVLIN materializase em ambas as hipóteses, já que tinham interesse em comum com a GEMAX na importação das mercadorias por se tratar da encomendante de fachada e da real adquirente, respectivamente, cuja responsabilidade solidária está expressamente prevista no art. 32, parágrafo único, alíneas “c” e “d” do DL 37/66 (imposto) e art. 95, V e VI, do mesmo normativo (multa). Preliminar de decadência Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 Entendo que razão assiste às recorrentes quando alegam preliminarmente a decadência das infrações ocorridas há mais de cinco anos da data de lavratura do auto de infração, nos termos do art. 753 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (art. 139 do Decretolei n° 37/66). A meu ver, a regra decadencial para os casos de aplicação de penalidade aduaneira é diferente das regras decadenciais para os casos de lançamento tributário. Há decisões proferidas no Conselho reiterando que o prazo decadencial, nos casos de aplicação de penalidade aduaneira, deve ser regido pelos arts. 138 e 139 do DecretoLei nº 37/1966, que toma o prazo qüinqüenal contado a partir da data da infração. A título de exemplo, reproduzo a Ementa de uma delas: Acórdão 3202000.548 Assunto: Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador: 02/01/2004, 05/03/2004 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Recurso voluntário provido. Para a finalidade de se determinar a decadência, o termo inicial desse prazo é a data da infração, e nesse caso ela é a data do registro de cada declaração de importação, pois ela é atividade central da prática objeto da fiscalização e do objeto dessa autuação. Sendo assim, tendo a ciência do auto de infração se dado em 27/10/2011 (fls. 579), necessário se excluir da base que determina a multa tratada neste auto de infração as declarações de importação anteriores a 27/10/2006. Preliminar para redefinição do conjunto de declarações de importação base para a multa por falta de provas: Entendo que não há razão favorável à argumentação da EASY, de que há a necessidade de se limitar a atuação às declarações de importação referenciadas no quadro 09 do auto de infração pois apenas essas demonstrariam a tese fiscal do repasse entre GEMAX, EASY e RAVLIN, o que não se deu com as outras DIs listadas no auto de infração. A descrição dos fatos e a identificação da prática considerados infracionais se baseiam em dados e informações que, no conjunto, pretendem demonstrar e provar sua ocorrência e as pessoas a quem se deve atribuir a autoria e a responsabilidade. A autoridade fiscal e os Julgadores não tiveram dúvida de quais foram as declarações de importação registradas pela GEMAX, cujos bens importados foram destinados à EASY para posterior revenda. Essas empresas não contestam esses dados. A fiscalização demonstrou um terceiro interessado, o real adquirente, cuja conduta e participação completava o cenário com o qual se caracterizaria a prática Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 3401002.807 S3C4T1 Fl. 7 11 suspeita. As informações sobre os bens importados adquiridos pela RAVLIN são apenas parte desse conjunto de provas, e não podem ser consideradas como as únicas. Portanto, a base de calculo da multa em questão deve considerar todas as operações de importação cujos bens foram destinados à EASY e que atendem à prática considerada infração pela fiscalização nesse caso. Quanto à alegação de que a multa não poderia ser aplicada por existir outra mais favorável ou ser abusiva: A recorrente EASY alega que a multa de 100% tem caráter confiscatório; é desproporcional e irrazoável; e que a multa prevista no art. 33 da Lei n. 11.488/2007 é mais benéfica e deveria ser aplicada ao invés da prevista nos §§ do artigo 23 do DL 1.455, de 1976. Esses dois argumentos não possuem fundamento legal. A multa aplicada através deste auto de infração obedece exatamente o que dispõe a sua base legal, e não tem a autoridade fiscal poder para decidir alterála. Ademais, para justificar sua aplicação ela tem fundamento distinto da multa prevista no artigo 33 da Lei n. 11.488, de 2007. Uma se refere à multa decorrente da conversão da pena de perdimento aos bens importados em operações que haja ocultação do interessado ou interposição fraudulenta, inclusive por presunção a partir da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Enquanto a outra se refere à cessão de nome para ocultar os reais interessado e beneficiários da operação. São penalidades relacionadas a condutas distintas. Ou seja, elas são penalidades autônomas, não tendo cabimento a suposição da recorrente que uma possa ser substituída pela outra Não merecem prosperar as demais argumentações feitas pelas recorrentes que pretendem desqualificar as conclusões que sustentam o auto de infração. As informações reunidas e produzidas com a fiscalização põem em evidência que as recorrentes não demonstraram com sua documentação a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados suficientes para explicar os montantes das importações realizadas. E assim é mesmo considerando o proporcionado pelo FUNDAP. Nem havia capacidade econômica e financeira ao longo do período fiscalizado; e elas amargavam sucessivos prejuízos operacionais. Além disso, a GEMAX não conseguiu demonstrar que efetivamente negociava com os seus fornecedores. E há suficiente elementos que provam a participação da RAVLIN como a real adquirente dos bens importados pela GEMAX nas operações fiscalizadas. Adoto as considerações desenvolvidas pelos Julgadores a quo por nelas ver a argumentação que articula as evidências favoráveis à manutenção das conclusões contidas no auto de infração: À fl. 60, a fiscalização apresenta na forma de uma planilha (QUADRO 04) a evolução do volume de importações nos anos de 2005 a 2007 e os respectivos capitais sociais e patrimônios líquidos registrados no período. Percebese que, partindose de um capital social de R$ 50.000,00, em apenas três anos a empresa GEMAX importou um volume de da ordem de R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais). ... Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 12 A partir da fl. 65, a fiscalização apresentou um resumo das intimações realizadas e seus respectivos tratamentos pela impugnante. Percebese claramente que, por diversas vezes, a GEMAX deixou de apresentar de forma completa a documentação e os esclarecimentos solicitados pela fiscalização. Dessa forma, tendo sido oportunizada à empresa a possibilidade de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados em suas operações de comércio exterior, não logrou apresentar documentação que suportasse esse volume de importações. Lógica a conclusão da fiscalização, de fl. 62, de que o lucro registrado contabilmente pela GEMAX entre 2005 e 2007, em torno de R$ 980 mil, não seria suficiente para aumentar sua disponibilidade a ponto de justificar a desproporcionalidade entre sua capacidade econômica e financeira e o montante aplicado em suas operações de importação, mais de R$ 30 milhões. Corretamente desconsiderada pela fiscalização a reavaliação de terreno da empresa de R$ 45.000,00 para R$ 2,374 milhões, pouco tempo após a aquisição. Além de inflar artificialmente o patrimônio da empresa tal reavaliação não aumenta a capacidade financeira da mesma a ponto de justificar o quadro de evolução das importações descrito acima. Esses fatos relatados somados à ausência de empréstimos e financiamentos permite chegarmos à conclusão de que a GEMAX não possuía capacidade própria de financiar as importações realizadas. No presente processo, as importações objeto de autuação foram declaradas como por encomenda. Nessa modalidade, a GEMAX, na qualidade de importadora por encomenda, deveria providenciar as operações com recursos próprios para posterior revenda ao encomendante predeterminado, no caso, a empresa EASY. Ocorre, porém, que o resultado dos trabalhos de auditoria acabou por demonstrar que a empresa EASY não apresentava igualmente capacidade econômica e financeira para adquirir as mercadorias encomendadas junto à GEMAX. Vejamos. À fl. 96, a fiscalização apresenta na forma de uma planilha (QUADRO 06) a evolução do volume de importações da EASY nos anos de 2005 a 2007 e os respectivos capitais sociais e patrimônios líquidos registrados no período. Percebese que, partindose de um capital social de R$ 5.000,00, em menos de três anos a empresa EASY importou um volume de importações da ordem de R$ 7.000.000,00 (sete milhões de reais). Submetida igualmente aos procedimentos fiscais previstos pelas IN SRF 650/2006 e 228/2002, a EASY não atendeu às intimações, deixando de apresentar os livros de escrituração contábil e fiscal e demais documentos e esclarecimentos que pudessem demonstrar a origem, disponibilidade e aplicação dos recursos nas operações de comércio exterior praticadas. Consultas realizadas pelo fisco à base de dados dos sistemas da Receita Federal, em especial às Demonstrações de Resultado dos anos de 2006 e 2007 apresentadas pela empresa, revelaram que a EASY não obtinha resultado operacional positivo (vide QUADRO 07, fl. 99). Não foram identificados, também, quaisquer registros de empréstimos ou financiamentos tomados junto a instituições bancárias ou creditícias. Diante desse quadro, a incapacidade econômica e financeira da empresa EASY para adquirir as mercadorias encomendadas exsurge evidente, corroborando o entendimento adotado pelo fisco, qual seja: as operações só puderam ser viabilizadas porque a EASY, a partir de outubro de 2006, passou a agir em uma espécie de segunda camada de interposição entre a GEMAX e os reais adquirentes, os quais efetivamente arcavam com os custos das operações. Nessa formatação, denominada pelo fisco como “segunda fase de interposição”, cabia à EASY repassar os recursos das reais adquirentes à Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 3401002.807 S3C4T1 Fl. 8 13 GEMAX. Em sua defesa, a impugnante GEMAX afirma que o quadro de ausência de lucro nas operações de importação pode ser mantido pelos resultados financeiros positivos decorrentes do deságio na quitação do ICMS do Estado do Espírito Santo (FUNDAP). Ocorre que mesmo considerando esses recursos financeiros, o lucro do exercício revelase totalmente incompatível com o volume de importações praticado. Dessa forma, a viabilidade financeira e operacional da impugnante só se justifica com o fluxo de recursos das reais adquirentes. Em nenhum momento logrou a impugnante comprovar que ela negociava diretamente as condições de compra com os exportadores estrangeiros. As correspondências apresentadas às fls. 808/809 não comprovam que ela respondia pela negociação das mercadorias importadas, no máximo, que ela respondia pelo fechamento dos respectivos contratos de câmbio. Cumpre observar que tais correspondências são relativas a um único exportador, são representativas de um processo de cobrança por inadimplemento do pagamento de uma exportação específica, não tendo a capacidade de comprovar a negociação de compra das mercadorias com a exportadora. Aliás, é natural que a empresa exportadora cobre a remessa de divisas da empresa responsável pelo fechamento do câmbio, no caso, a GEMAX. Também não há que se falar que a empresa EASY efetuava encomendas dos produtos importados à impugnante. O contrato de prestação de serviços celebrado entre GEMAX e EASY, juntado às fls. 517/521, é expresso ao dispor que todas as despesas da encomenda das mercadorias, bem como dos demais encargos, inclusive tributários, serão pagos pela encomendante, no caso, a EASY. Ora, esse modelo se afasta daquele previsto pela Lei 11.281/06 e IN SRF 634/2006, na medida em que é requisito para a caracterização da importação por encomenda que a operação seja realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora. No caso dos autos, porém, restou sobejamente demonstrado que tanto GEMAX como EASY não apresentavam capacidade econômica e financeira para suportar as operações praticadas. ..... Também alegam as impugnantes GEMAX e EASY que a fiscalização não poderia considerar o capital social como parâmetro de capacidade financeira. De fato, se fizermos uma análise estática de um balanço específico podemos encontrar uma empresa com capital social ínfimo e alta disponibilidade financeira. Ocorre que a análise feita pela fiscalização não foi esta. A fiscalização verificou a evolução dinâmica do volume de importações (este um parâmetro dependente da capacidade financeira da empresa) a partir de um relativamente pequeno capital social. Essa discrepância, associada ao constante prejuízo operacional, inviabiliza por completo o surgimento de recursos próprios para suportar o volume de importações demonstrado por ambas as impugnantes. No caso concreto entendo que a tipificação ocorreu por mais de uma via, vejamos: 1. a GEMAX e a EASY não conseguiram comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em suas operações; 2. restou demonstrada a ocultação da real adquirente nas importações realizadas, a RAVLIN, visto que foram indicadas importações por encomenda quando, em verdade, estas importações destinavamse à empresa oculta; Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 14 3. demonstrouse que a empresa GEMAX utilizouse de repasses de recursos financeiros da empresa EASY para realizar operação de importação de mercadorias, os quais só poderiam advir da adquirente oculta, haja vista a demonstração da incapacidade econômica e financeira da EASY para arcar com os custos das operações praticadas. 4. Além disso, a produção de documentos que não traduzem a realidade comercial implica na realização de fraude documental. Logo, sob qualquer ponto de vista, foi corretamente tipificada a infração imputada às autuadas. Por todas essas considerações é que concluo que os recursos voluntários devem ser considerados procedentes em parte, apenas para reconhecer a decadência para as declarações de importação com registros anteriores a 27/10/2006. Credito tributário mantido em parte. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 10480.731825/2012-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1801-000.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório. Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra ato de exclusão do Simples Nacional. Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da DRJ em Florianópolis/SC: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 31 82 5/ 20 12 -1 0 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.731825/201210 Resolução nº 1801000.380 S1TE01 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório DRF/REC/PESSOA JURÍDICA/2012, de 01/02/2013 (fls. 43 a 45), que indeferiu o pedido de inclusão retroativa do contribuinte no Simples Nacional. Consta do Despacho Decisório que em 12/07/2012 a empresa alterou os dados do CNPJ com inclusão de atividade econômica vedada – CNAE 46.133/00 (REPRESENTANTES COMERCIAIS E AGENTES DO COMÉRCIO DE MADEIRA, MATERIAL DE CONSTRUÇÃO E FERRAGENS), que equivale à comunicação obrigatória de exclusão, com efeitos a partir de 01/08/2012, conforme dispõe o art. 74 da Resolução CGSN nº 94, de 2011. Inconformada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando (fls. 50/51): [...]A requerente incluiu INDEVIDAMENTE em seu contrato social a atividade de "representação por conta própria ou de terceiros e correspondentes de serviços de instalação e manutenção", essa alteração contratual foi registrada na JUCEPE e na RFB em 12/07/2012. A requerente jamais exerceu essa atividade, e após constatar o erro efetuou a retificação do contrato social excluído à referida atividade, e registrou JUCEPE e na RFB, em 11/10/2012. II O DIREITO Conforme previsão nos incisos II a XV e XVII a XXVI do art.15 da Resolução CGSN n° 94/2011, a exclusão produzirá efeitos a partir do mês seguinte ao da ocorrência da situação impeditiva, no caso de início de exercício de atividades impeditiva ao ingresso no Simples Nacional. Ocorre que a requerente nunca exerceu a atividade impeditiva, o que houve foi um erro formal, o que pode ser comprovado através da alteração do contrato social, registrada ainda dentro do 2º semestre de 2012, que segue em anexo. [...]Finalmente requer seja reformulada a decisão proferida para manter a empresa como Optante pelo Simples Nacional. A Turma Julgadora de 1a. Instância, apoiandose nas disposições da Lei Complementar n º 123, de 2006 (arts. 17,28,30 e 31) manteve a exclusão. Justificou que a mera previsão de atividade vedada, no contrato social, seria suficiente para obstar o ingresso ou a permanência no sistema, sendo irrelevante o fato de a pessoa jurídica exercer, ou não, a atividade vedada, como determinaria o Anexo VI da Resolução CGSN n º 94, de 2011. Cientificada da decisão, em 03/07/2014 (AR efl. 80), apresentou a interessada, em 15/07/2014, recurso voluntário. Em sua defesa afirma que nunca exerceu a atividade vedada, prevista, indevidamente, na alteração contratual. Salienta que seria necessário que o Fisco fizesse prova de que a empresa exerceria a atividade vedada para justificar a manutenção da exclusão da sistemática e que não seria permitida a exigência de prova negativa. Ao final pede pelo provimento do recurso e sua conseqüente reinclusão no Simples Nacional. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.731825/201210 Resolução nº 1801000.380 S1TE01 Fl. 4 3 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Pelo que se verifica do relato, a recorrente formalizou a alteração de dados no CNPJ – porque teria alterado o objeto social previsto em seu contrato social e, conseqüentemente, no CNAE Fiscal. Entendeu a administração tributária, no despacho decisório de exclusão, que a partir da alteração contratual promovida em 12/07/2012, a recorrente passou a dispor da possibilidade de exercer a atividade de “representação por conta própria ou de terceiros”, que é considerada atividade vedada para ingresso e permanência na sistemática do Simples Nacional, pela Lei Complementar n º 123, de 2006. Assinalou que, nesse mesmo sentido, o CGSN, pela Resolução n º 94, de 2011, determinou, no art. 74, que a alteração de dados no CNPJ, informada pela ME ou EPP à RFB, equivalerá à comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional na hipótese de inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional. A recorrente, ao seu turno, informa que apesar de sempre ter constato de seu contrato social, desde a constituição, em 1998, nunca teria exercido a atividade de “representação por conta própria ou de terceiros”, e que já teria providenciado a exclusão da previsão dessa atividade de seu objeto social. Observo que nos autos se encontram anexadas, apenas, cópias do contrato social e alterações contratuais apresentadas pela empresa recorrente. Não há nenhum outro documento ou elemento inserido no presente processo. Esta Turma de Julgamento vem decidido no sentido de que, para manutenção da exclusão de pessoa jurídica do Simples por exercício de atividade vedada, é necessário que fique comprovado que a pessoa jurídica de fato exerceu a atividade proibida. Em face do exposto, voto pela conversão do julgamento na realização de diligências, para que a unidade de jurisdição da recorrente a intime a apresentar (i) as notas fiscais emitidas no período objeto dos autos, devidamente acompanhadas dos respectivos registros contábeis; (ii) contratos porventura celebrados no período; (iii) registros e anotações de empregados, dentre outros necessários a comprovar a real atividade praticada pela interessada. Ao final dos trabalhos deverá ser elaborado relatório circunstanciado e conclusivo das verificações efetuadas, do qual deverá ser cientificado a interessada, com prova de seu recebimento nos autos para, no prazo de trinta dias, a contar da ciência, manifestarse sobre as conclusões da diligência, se assim o desejar, retornandose, posteriormente, os presentes autos a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.731825/201210 Resolução nº 1801000.380 S1TE01 Fl. 5 4 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10850.907779/2011-08
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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(Incorporadora de GREEN VEÍCULOS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 77 79 /2 01 1- 08 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907779/201108 Acórdão n.º 3803006.531 S3TE03 Fl. 144 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do pedido de restituição formulado pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 15 de abril de 2004, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, período de apuração junho de 1999, no valor de R$ 65,20. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do comprovante de arrecadação, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 30/06/1999 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907779/201108 Acórdão n.º 3803006.531 S3TE03 Fl. 145 3 Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 30/06/1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 19 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 21 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias do livro Diário, com seus termos de abertura e fechamento, bem como do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. Contestou também o argumento do julgador de piso que, segundo ele, pretendera anteceder qualquer ato processual futuro, relativamente à preclusão processual, pois que novos fatos e razões foram trazidos aos autos, reclamando pela aplicação do contido na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907779/201108 Acórdão n.º 3803006.531 S3TE03 Fl. 146 4 Em 13/01/2014, a repartição de origem juntou a este processo, por apensação, o processo administrativo nº 10850.909903/201161, contendo a declaração de compensação do crédito controvertido nestes autos. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que o despacho decisório fora prolatado em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Veículos Comércio e Importação Ltda., incorporada por Pará Automóveis Ltda., foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição de valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907779/201108 Acórdão n.º 3803006.531 S3TE03 Fl. 147 5 hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto à Manifestação de Inconformidade, havia trazido aos autos, além de cópia do balancete, cópia do livro Diário, sendo que, compulsando os autos, se verifica que tal afirmativa não se confirma, pois somente a cópia do balancete foi juntada à peça recursal interposta em primeira instância. A par da decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, o contribuinte traz aos autos cópia de parte do livro Razão, porém, conforme se dera em relação ao balancete, restrito às informações relativas às receitas financeiras, não se identificando o faturamento, dado esse imprescindível à apuração da contribuição efetivamente devida no período. De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907779/201108 Acórdão n.º 3803006.531 S3TE03 Fl. 148 6 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte no momento da Manifestação de Inconformidade não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. A mesma falha ocorreu em sede de recurso, pois a parte do livro Razão apresentada também se restringiu às receitas financeiras, inviabilizandose a comprovação pretendida. A meu ver, essa constatação, por si só, já impede que se acate o pedido do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999), à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Fl. 148DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907779/201108 Acórdão n.º 3803006.531 S3TE03 Fl. 149 7 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que o documento então acrescentado não foi apto a suprir a falha de instrução do processo que já havia sido detectada na primeira instância. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 16327.720708/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/05/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PERIODICIDADE. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. SUBSTITUIÇÃO DE PARCELA SALARIAL.
Uma vez descumprida a regra da periodicidade expressamente prevista na Lei nº 10.101/00 os valores devem ser considerados parcela de natureza remuneratória, sem prejuízo dos pagamentos realizados nos ditames da lei. A ausência de regras claras e objetivas não permite ser presumida, devendo o Agente Fiscal proceder a análise das disposições expressamente consignadas nos instrumentos de negociação. A imposição de requisitos diversos daqueles expressamente descritos na legislação aplicável não justifica a descaracterização da natureza dos pagamentos de PLR realizados.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão do lançamento dos valores pagos de acordo com a periodicidade exigida pela Lei nº 10.101/2001. Quanto às regras claras e objetivas, o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo acompanhou o relator pelas conclusões. Com relação a autuação por descumprimento de obrigação acessória, por maioria de votos, para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PERIODICIDADE. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. SUBSTITUIÇÃO DE PARCELA SALARIAL. Uma vez descumprida a regra da periodicidade expressamente prevista na Lei nº 10.101/00 os valores devem ser considerados parcela de natureza remuneratória, sem prejuízo dos pagamentos realizados nos ditames da lei. A ausência de regras claras e objetivas não permite ser presumida, devendo o Agente Fiscal proceder a análise das disposições expressamente consignadas nos instrumentos de negociação. A imposição de requisitos diversos daqueles expressamente descritos na legislação aplicável não justifica a descaracterização da natureza dos pagamentos de PLR realizados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 08 /2 01 2- 80 Fl. 741DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão do lançamento dos valores pagos de acordo com a periodicidade exigida pela Lei nº 10.101/2001. Quanto às regras claras e objetivas, o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo acompanhou o relator pelas conclusões. Com relação a autuação por descumprimento de obrigação acessória, por maioria de votos, para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720708/201280 Acórdão n.º 2402004.322 S2C4T2 Fl. 681 3 Relatório Tratase de autuação decorrente do descumprimento de obrigações principais, referentes às contribuições incidentes sobre as verbas creditadas aos funcionários à título de PLR Participação nos Lucros e Resultados. Foram lavrados os seguintes Autos de Infração: · AI DEBCAD nº 51.025.6244 parte da empresa e àquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT, abrangendo as competências 02/2009, 03/2009 e 05/2009; · AI DEBCAD n° 51.025.6252 parte destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE (Salário Educação) e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, abrangendo as competências 02/2009, 03/2009 e 05/2009; Relatório Fiscal às fls. 346/366. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 384/422, que restou improcedente às fls. 543/558, sob os seguintes fundamentos: 1. O legislador constituinte, apesar de desvincular expressamente a PLR das verbas salariais, não é autoaplicável como alegam as Impugnantes, tendo em vista que a norma veiculada no seu artigo 7º, inciso XI, não tem aplicabilidade imediata, dada a sua eficácia limitada, necessitando de regulamentação; 2. A Lei de Custeio, com observância a Constituição Federal, exclui as verbas que não fazem parte da remuneração, dentre estas a Participação nos Lucros ou Resultados, desde que paga de acordo com a lei especifica, conforme dispõe o art. 28, §9º, ‘j”; 3. A Participação nos Lucros ou Resultados, somente não integrará a base de cálculo do salário de contribuição (art. 28, I da Lei nº 8.212/91), quando paga conforme a legislação especifica, no caso a Lei nº 10.101/00, do contrário, comporá a remuneração do empregado, com incidência de contribuição previdenciária e das contribuições destinadas as outras Entidades e Fundos (Terceiros), como aconteceu no caso em tela; 4. Os pagamentos (PLR) foram realizados com base em dois instrumentos distintos de negociação: Convenção Coletiva de Trabalho, referente a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa de seguros privados e de capitalização; e Acordo Coletivo – no que toca planos de participação em lucros ou resultados; 5. O §2º do art.3º da Lei nº 10.101/00) veda qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou então, mais de duas vezes no mesmo ano civil, entretanto, a disposição legal não foi obedecida pela empresa, conforme se verifica no demonstrativo da periodicidade dos pagamentos (PLR), fls. 140/168; 6. O descumprimento do §2º do art.3º da lei nº 10.101/00 pela empresa, tem o condão de descaracterizar não somente os pagamentos que ultrapassam a periodicidade, mas sim a Fl. 743DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 totalidade dos pagamentos efetuados (Convenção Coletiva de Trabalho e Acordos Coletivos); 7. Os valores pagos a titulo de PLR foram apurados a partir da análise das folhas de pagamento, que por sua vez foram confirmados na contabilidade da empresa, todas entregues em arquivo magnético pela empresa, com demonstração nos campos próprios dos Discriminativos dos Débitos, fls. 335 (Debcad nº 51.025.6244), fls.342 (Debcad nº 51.025.6252); 8. Como no caso em tela (acordos 2008/2009) a negociação e assinatura não aconteceram em momento anterior ao inicio da vigência dos citados acordos, os valores pagos a título de PLR enquadramse no conceito de salário de contribuição; 9. Os critérios utilizados nos acordo coletivos são subjetivos (Cláusula Sexta), o que compromete a aferição de forma objetiva, conforme determina o §1º do art.2º da Lei nº 10.101/01; 10. Os documentos acostados pela empresa (03,04,05 e 06), fls. 511/537, não tem o condão de alterar os lançamento, pois na sua grande maioria são os mesmos já apresentadas a Fiscalização, logo, o descumprimento a legislação persiste (§1º do art.2º da Lei nº 10.101/00); 11. Os valores pagos (PLR) a vários empregados contraria a disposição prevista no art.3º da Lei nº 10.101/00, que por sua vez determina que os valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultado, não podem substituir ou complementar o salário; 12. A legislação aplicada ao caso em tela foi observada, inexistindo cobrança de juros sobre a multa de oficio, bem como sobre a multa de mora, deixandose claro que os juros e a multa serão sempre exigidos individualmente sobre o valor principal atualizado; 13. Com relação ao pedido de produção de provas, verificase que o momento adequado de produzilas e solicitálas (perícia, diligência e documentos), é no momento da apresentação da impugnação, com observância dos requisitos previsto nos dispositivos legais do Decreto nº 70.235/72 Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 608/622 alegando, em síntese: 1. A autoridade fiscal incluiu na base de cálculo autuada os pagamentos feitos a todos os funcionários, sem distinguir quais seriam aqueles que efetivamente foram contemplados com pagamentos em desrespeito à periodicidade imposta pela lei; 2. Em observância aos arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade fiscal deveria ter segregado a base de cálculo autuada, a fim de que fosse possível identificar os funcionários que recebem, supostamente, mais de dois pagamentos à título de PLR. Por tais motivos, o auto padece de nulidade; 3. A parcela de pagamentos apontada pela fiscalização, supostamente efetuada acima da periodicidade fixada em lei, decorre de mero ajuste dos primeiros pagamentos realizados. Esse ajuste não altera a natureza dos valores, tampouco traduz ofensa ao art. 3º, §2º, da Lei nº 10.101/0, entendimento este corroborado pelo TST; Fl. 744DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720708/201280 Acórdão n.º 2402004.322 S2C4T2 Fl. 682 5 4. Os requisitos legais relativos à PLR restam atendidos quando os termos da participação forem pactuados, como no caso em tela, antes do fim do período a que se refere o acordo. Não é simplesmente a data da assinatura do acordo que demonstra seu caráter retroativo. Cabe ao julgador verificar as particularidades do caso concreto, à luz do princípio da verdade material; 5. A DRJ desconsiderou por completo que as regras dos programas próprios foram estabelecidas de forma clara e objetiva, fixando os direitos substantivos da participação e as regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição de cumprimento do acordado, tal como determina a legislação pertinente; 6. É possível verificar a compatibilidade entre o salário e o valor da participação nos lucros, eis que os salários nada têm de irrelevantes, ao contrário, são bastante elevados e absolutamente compatíveis com os praticados pelo mercado; 7. O art. 3º da Lei nº 10.101/00 não determina limitações quanto ao valor que pode ser pago ao empregado; 8. Os débitos de tributos e contribuições é que se sujeitam aos juros de mora, e não o valor da multa de mora. Portanto não cabem juros sobre a multa; Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator O recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Preliminar Sustentam as Recorrentes, em sede de preliminar, que o não atendimento da regra da periodicidade para alguns pagamentos de PLR não teria o condão de macular a totalidade dos pagamentos por ela realizados. Por consequência lógica, entende que a base de cálculo adotada pela autoridade fiscal (a totalidade dos pagamentos) afronta o disposto no art. 142, do Código Tributário Nacional. A preliminar não merece ser acolhida, pois na visão do Fisco houve o desrespeito às regras estampadas na Lei nº 10.101/00 não só no que diz respeito à regra de periodicidade, mas também no fato de que os instrumentos de PLR deixaram de ser assinados antes de sua vigência; que não possuem regras claras e objetivas; e que os valores pagos denotam a sua natureza remuneratória. Assim considerando a fiscalização, isto é, que os valores pagos sob a rubrica participação nos lucros e resultados não estavam sob a guarida da Lei nº 10.101/00 tributou sua totalidade como salário. Por tal motivo, rejeito a preliminar. Mérito Participação nos lucros e resultados O art. 7º, XI da Constituição Federal, como já consolidado neste E. CARF, trata de norma com eficácia limitada, razão pela qual a Participação nos Lucros ou Resultados é regulada pelas disposições da Lei nº 10.101/2000: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 746DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720708/201280 Acórdão n.º 2402004.322 S2C4T2 Fl. 683 7 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...). Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...). §2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.” Assim, se atendidos os requisitos legais acima citados, não há que se falar na incidência das contribuições previdenciárias, a teor do que prescreve o art. 28, §9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91. Por outro lado, se descumpridos ou desvirtuados os preceitos legais, se estará diante do pagamento de remuneração disfarçada, com a consequente incidência dos encargos legais. Portanto, a análise do caso concreto estará adstrita aos limites da legislação específica, sendo vedado às partes (autoridade fiscal, contribuinte e o julgador) afastar os pressupostos legais existentes ou criar outros que não estejam expressamente regulamentados, sob pena de afronta ao Princípio da Legalidade. Periodicidade dos Pagamentos Prescreve o §2º, do art. 3º da Lei nº 10.101/00 (na redação que vigia na época dos fatos) que é vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou em mais de duas vezes no mesmo ano. O posicionamento dessa Turma de Julgamento (PAF 19740.000622/200868, Relator Julio Cesar Vieira Gomes, Sessão de 12/03/2012), acompanhado também por julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (PAF nº 35366.001448/200507, Relator Gustavo Lian Haddad, Sessão de 06/05/2014), é no sentido de que os pagamentos de PLR realizados em desconformidade com os limites legais acima estabelecidos devem ser desconsiderados, sem prejuízo, contudo, dos pagamentos adequados. Ao analisar as disposições contidas nos Acordos de PLR, mais especificamente os Anexos “II” e “III” do Plano de Participação nos Resultados anosbase 20082009 (fls. 127 e 129), consta a regra de “pagamento semestral, tendo como prazo Fl. 747DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 máximo para pagamento de cada semestre os meses de setembro do anobase e março do ano subsequente ao do exercício apurado.” No caso em tela, os pagamentos autuados referemse aos seguintes períodos: 02, 03 e 05/2009 (apuração de resultados da PLR 2º semestre de 2008). Assim, de antemão, é possível concluir que os pagamentos realizados no mês 05/2009 estão em desconformidade com as disposições acordadas e, consequentemente, não podem ser considerados como adequados à Lei nº 10.101/00. Para os demais pagamentos, a indicação dos períodos autuados, por si só, não possibilita averiguar se cada um dos beneficiários efetivamente recebeu mais de dois pagamentos de PLR no mesmo ano e/ou se tais pagamentos deixaram de observar o intervalo mínimo de seis meses. Porém, a fiscalização anexou aos autos uma relação dos pagamentos de PLR por beneficiário e período autuado (fls. 140/162), do qual é possível extrair quais são os pagamentos que não estão (ao lado dos pagamentos realizados em 05/2009) em conformidade com a regra da Lei nº 10.101/00: PLR 2º sem 2008 "Demonstrativo da PLR Paga por Beneficiário" (Fls. 140/162) fev/09 mar/09 mai/09 Giovana Alice Correia de Araujo OK Andre Lissker OK Andre Luiz da Rocha Dias OK Carlos Fernando Rossi Constantini OK D'Arthagnan Carlos Vasconcelos Junior OK x Fabio Mertz Focaccia OK Felipe Cyrne Beltrami OK Fernando Abdalla dos Santos OK Guido Prestes Lemos OK Irenio Ignacio da Silveira Neto OK Joseana Requejo do Amaral Marcicano OK Juliana Rozenbaum Munemori OK Julio Pimentel Algodoal Neto OK Marcos Moreira dos Santos Severine OK Maria Aparecida de Souza OK Natalia Maia Monaco OK Orlando Augusto Cardoso OK Patrick Campos de Mello OK Rafael Parga Nina OK Renata Vianna da Silva Pereira OK Rogerio de Lima Zarpão OK Sergio Ricardo Quintella OK Susana Russi Salaru OK Vladimir do Nascimento Pinto OK Rodrigo Murari Pace OK Caio Napoli Galvão OK Cassio Milan Lucin OK Gabriel Pires Valdivia Hartmann OK Fl. 748DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720708/201280 Acórdão n.º 2402004.322 S2C4T2 Fl. 684 9 Marcelo Gomes de Souza Lima OK Felipe Costa Carvalho de F. Rodrigues OK Alexandre Campanelli Spada OK Andrea Cassia Cypriano OK Bento Carvalhaes Pinheiro A. M. Mussnich OK Cecilia Tigre Viriato de Medeiros OK Flavio Luiz Guarino OK Francine Abdala Martins OK Maria Laura Araujo Pessoa OK Mariana Coelho de Oliveira OK Silvia Renata Santini Yoshida Zaupa OK Cai Alejandro Von Igel OK Caio Felipe Zanardo do Val OK Devanir Martin da Costa OK Fabio de Souza Silva OK Fernando Gonçalvez Lasalvia OK Gerson Barassal Panariello OK x Gerson Leonardo Morelli Junior OK Jefferson Germano Dias OK Julia Conceição Texeira Pereira Silv OK Leandro São Jose Aguiar OK Luiz Alvaro de Paiva Ferreira OK x x Marina Eleonora Toledo Barros OK Pedro Henrique Rocha Sauma OK Pedro Stal Gimenez OK Renato Nonato de Oliveira OK Rodrigo Otavio Ramo Bittencourt OK Sergio Ricardo Carvalho Cabral OK Thalita Rodrigues e Silva OK Viviane Cristine Lucchese OK Adriano Ortega Carvalho OK Gisele Ricelli Baldin OK x Hugo Cesar Smocking Rosa OK Jose Eduardo de Azevedo Antunes Junior OK Leonardo Cavarge Martins OK Lucas Mateus de Santana Gonçalves OK Michelle Lyra OK Vinicius Salgado Cobo OK Vladimir Joelsas Timerman OK Caroline Canapini Dalago OK Marcel Akio Shiomi OK Osvaldo Vilas Boas OK Fl. 749DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Assim, em linha com o disposto no §2º, do art. 3º da Lei nº 10.101/00, o crédito tributário relativo aos pagamentos de PLR realizados em periodicidade inferior a semestralidade ou em mais de duas vezes no mesmo ano (destacados com “x” nas tabelas acima) devem ser mantidos no lançamento, diferentemente do crédito relativo aos demais pagamentos de PLR realizados pelas Recorrentes (destacados com “OK” nas tabelas acima). Portanto, acolho o argumento das Recorrentes para que apenas o crédito tributário relativo aos pagamentos realizados em desconformidade com a legislação seja mantido no lançamento. Regras Claras e Objetivas Na autuação sob análise a fiscalização entendeu que os Acordos de PLR não possuem regras claras e objetivas, seja porque deixaram de ser assinados no período anterior ao de sua vigência, seja porque não foram apresentados documentos relativos às memórias de cálculo e contratos de metas individuais. Com a devida vênia, discordo da interpretação fiscal. Negociação Prévia dos Acordos de PLR O procedimento a ser adotado para formalização da PLR é optativo à discricionariedade das partes, entre a criação de comissão específica ou a elaboração de convenção ou acordo coletivo. Já os requisitos prescritos pelo § 1º são de observância obrigatória para que o contribuinte tenha a fruição da imunidade. Assim, a fixação de regras claras e objetivas condicionantes do merecimento, mecanismos de aferição dos fatos relevantes, periodicidade da distribuição e fixação de prazos de vigência e rescisão das obrigações das partes. De forma não taxativa, são previstos também critérios e condições determinantes ou não da distribuição do resultado, sendo índices de produtividade, qualidade ou lucratividade os critérios, e a existência de programas de metas, resultados e prazos, as condições, estas, uma vez pactuadas, devem cronologicamente preceder os fatos que visa regular. A não taxatividade do §1º importa assumir que a necessidade de prévia pactuação dos termos não é um comando, mas uma faculdade. Entender o contrário seria instituir novas obrigações para fruição do benefício ao arrepio da lei, o que vai de encontro ao princípio da estrita legalidade. Nada obsta, assim, que o acordo coletivo seja formalizado durante o próprio exercício que destina afetar, pois apenas institui a metodologia de apuração do quantum devido a cada empregado a título de participação nos lucros. Ao contrário, que a legislação não admite é que tal paga suceda o pagamento do mesmo. No caso em tela, os valores autuados nos períodos de 02, 03 e 05/2009 estão vinculados ao Acordo assinado em 18/08/2008 (fls. 124). Assim a formalização das condições e critérios que servem para instruir a distribuição do PLR ocorreu no decorrer do próprio exercício a que se referiam, prática que, à luz do entendimento dessa Turma de Julgamento (PAF nº 13896.002986/201047, Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Sessão de 15/08/2012 e PAF nº 19515.000524/200975, Conselheiro Thiago Taborda Simões, Sessão de 13/03/2013), entendimento também adotado Fl. 750DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720708/201280 Acórdão n.º 2402004.322 S2C4T2 Fl. 685 11 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (PAF nº 14485.000329/200764, Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Sessão de 29 de janeiro de 2013), atende à Lei 10.101/00. Ademais, os critérios válidos para a distribuição da PLR são os mesmos que já vigoravam em anos anteriores (anosbase 20062007), do que é possível extrair que a data de assinatura dos Acordos não era fator determinante para que os empregados tivessem conhecimento daquilo que deveriam perseguir para receber parcela dos resultados da empresa. Memórias de Cálculo e Contratos Individuais de Metas As memórias de cálculo relativas aos pagamentos de PLR e os contratos de metas individuais não constituem documentos de produção ou guarda obrigatória. Logo, a ausência de sua entrega não permite presumir, por si só, que o respectivo Acordo de PLR carece de regras claras e objetivas. Penso que a intenção do legislador, no tocante a obrigatória clareza e objetividade das regras que permeiam a negociação da PLR, foi a de afastar a adoção de discricionariedade por parte da empresa na distribuição de lucros ou resultados, bem como evitar que o objeto de negociação deixasse de ser fielmente cumprido. No caso concreto, a “Cláusula Sexta” do Acordo dos anosbase 20082009 (fls. 123) estabelece que os critérios para distribuição dos valores são (i) a performance individual, (ii) a performance da empresa, unidade de negócio ou área de trabalho, (iii) a PLR da Convenção Coletiva de Trabalho vigente da respectiva categoria e (iv) o contrato de metas firmado entre os gestores e seus respectivos subordinados. Tais critérios estão espelhados nos Anexos do Acordo de PLR (fls. 125/129), nos quais constam os critérios adotados na definição dos valores da PLR (resultado financeiro consolidado das empresas, resultados financeiro das áreas, unidades e negócios, resultados financeiros individuais e avaliação individual de desempenho). Desta forma, não há impossibilidade ou até mesmo dificuldade de compreensão, por parte dos empregados das Recorrentes, na dinâmica adotada na definição dos valores da PLR. Nesse sentido os Acordos de PLR das Recorrentes não carecem de clareza e objetividade, especialmente porque, ao que indica o Relatório Fiscal e a decisão recorrida, a autoridade fiscal não se debruçou sobre as disposições, regras e critérios contidos nos referidos Acordos para que o CARF se posicionasse de forma contrária. Ademais, a 1ª Turma, da 4ª Câmara de Julgamento do CARF, ao analisar autuação fiscal baseada na ausência de apresentação das memórias de cálculo, concluiu pela improcedência do lançamento (PAF nº 16327.720507/201100, Sessão de 13/08/2013): “(...) não foi possível verificar se a Recorrente cumpriu o Regulamento do Plano Próprio por ela instituído quando do pagamento da referida parcela, vez que não foi atendida intimação específica para apresentação de memória de cálculo e documentos que comprovam o atendimento de metas e condições no plano. (...). Fl. 751DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 A esse respeito, esta Turma já se manifestou pela improcedência da cobrança, quando o auditor fiscal não efetua o lançamento por arbitragem em razão da recusa do sujeito passivo em apresentar a documentação solicitada. Segue abaixo trecho do voto vencedor proferido pelo Dr. Kléber Ferreira de Araújo, no processo de n. 16682.720575/201111. ‘Diante dessa recusa, surgiu para a auditoria a possibilidade desconsiderar os pagamentos como participação nos lucros e exigir as contribuições previdenciárias sobre a totalidade dos valores apresentados sob a referida rubrica. Essa possibilidade tem por fundamento jurídico o § 3.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, assim redigido: (...). Ocorre que não foi esse o caminho trilhado pela Autoridade Lançadora para edificar os lançamentos. É que sequer foi lavrado auto de infração pela não exibição dos documentos solicitados (ver TEPF de fls. 295/296), tampouco, mencionouse na motivação do lançamento que as contribuições estariam sendo lançadas por arbitramento em razão da recusa do sujeito passivo em atender a intimações da auditoria. (...).” Notese que os fatos narrados na decisão acima transcrita subsumemse perfeitamente ao presente caso, eis que a autoridade fiscal deixou de lavrar autuação fiscal em virtude da ausência de entregas de documentos (memória de cálculo e contratos de metas) e deixou de efetuar o lançamento com base no arbitramento. Assim, em relação ao argumento de ausência de clareza e objetividade dos Acordos de PLR autuados, assiste razão às Recorrentes. Natureza dos Pagamentos Realizados Alega o Agente Fiscal que os pagamentos de PLR realizados pelas Recorrentes possuiriam natureza remuneratória porque, além da “Cláusula Sexta” dos Acordos de PLR indicar a adoção de critérios subjetivos, de impossível aferição objetiva, os valores pagos, em alguns casos, são mais relevantes do que o salário base do empregado. O primeiro aspecto apontado pelo Agente Fiscal, aos olhos deste julgador, carece de motivação. Da leitura do Relatório Fiscal que fundamenta o lançamento e da decisão recorrida não se vislumbra qual(is) foi(ram) o(s) critério(s) adotado(s) na definição dos valores da PLR que possuiriam aludido caráter subjetivo. Transcrevo abaixo o teor da Cláusula Sexta: “CLÁUSULA SEXTA INFORMAÇÕES 6. Todos os empregados terão acesso às informações relativas às premissas e aos resultados previstos neste acordo, através dos meios internos de comunicação das empresas. 6.1. São instrumento de aferição do presente acordo, dentre outros: (a) A Performance Individual; Fl. 752DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720708/201280 Acórdão n.º 2402004.322 S2C4T2 Fl. 686 13 (b) A Performance da empresa, unidade de negócio ou área de trabalho; (c) A PLR da Convenção Coletiva de Trabalho Vigente da respectiva categoria; (d) O Contrato de Metas firmado entre os Gestores e seus respectivos subordinados.” Ademais, reitero que, conforme entendimento apresentado no tópico anterior, os Acordos de PLR das Recorrentes gozam de clareza e objetividade. Quanto ao fato dos valores de PLR superarem o salário base dos empregados, recordo que a Lei 10.101/00 não impôs limites ou nos Acordos de PLR das Recorrentes, motivo pelo qual rechaço o argumento do Agente Fiscal. Nem poderia ser diverso já que se o espírito da norma é que seja feita a integração entre capital e trabalho, ou seja, que o segurado participe do lucro ou resultado que ajudou a ser alcançado, nos termos previstos nos respectivos instrumentos de negociação. As Recorrentes também acostaram aos seus memoriais estudo realizado por renomada empresa de consultoria, no qual indica que a remuneração de seus empregados encontravase nos patamares praticados pelo mercado. Diante de todo o exposto, se o intuito da fiscalização era o de apurar se os pagamentos de PLR realizados pelas Recorrentes tratavam de remuneração disfarçada, não foram apresentados provas capazes de demonstrar esse fato. Assim, entendo que assiste razão às Recorrentes. Juros sobre Multa As Recorrentes se insurgem quanto à incidência de juros sobre multa de ofício. No entanto, conforme se depreende da decisão recorrida no caso concreto não ocorre a citada incidência, conforme excerto abaixo destacado.: “INAPLICABILIDADE DE JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. No lançamento de ofício, não há previsão legal de aplicação, sobre a multa, de juros de mora, os quais incidem somente sobre o valor originário atualizado da contribuição. Lei 8.212/91, art. 34; Decreto 3.048/99, art. 239, II, e art. 242, § 2º. Diante da constatação factual, entendo que, nesse aspecto, não merece reforma a decisão recorrida. Da Multa aplicada Não obstante a ausência de alegação em sede de recurso voluntário, quanto à penalidade aplicada, passemos a análise: Em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os Fl. 753DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5o, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720708/201280 Acórdão n.º 2402004.322 S2C4T2 Fl. 687 15 Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. O art. 44 da Lei 9.430/1996 dispõe o seguinte: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas Fl. 755DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o art. 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no art. 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o art. 43 da mesma lei: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do art. 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. Conclusão Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o Recurso Voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, mantendose no lançamento fiscal os pagamentos de PLR que não observaram a regra da periodicidade, nos termos da fundamentação aqui exposta, bem como para que seja recalculada a multa aplicada na obrigação acessória, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32 A da Lei 8.212/1991, nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914294/2009-52
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.347
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110. RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 14 29 4/ 20 09 -5 2 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914294/200952 Resolução nº 3802000.347 S3TE02 Fl. 238 2 A interessada entregou via Internet a Declaração de Compensação de fls. 69 a 73 (PER/DCOMP nº04019.42029.060807.1.3.048842, na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (código de receita 7987) relativo ao período de apuração ocorrido em agosto de 2004 (31/08/2004). Pelo Despacho Decisório de fls. 38 e 77, a contribuinte foi cientificada, em 19/10/2009 (fl. 73), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP”. Sendo que a utilização do crédito se encontrava assim discriminada: Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR)/PERDCOMP (PD)/Débitos (DB) Valor Original Utilizado 4652006068 177.283,27 Db: cód 7987 PA 31/08/2004 177.283,27 Valor Total 177.283,27 Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido a interessada intimada a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$66.951,81). Irresignada, a contribuinte apresentou em 18/11/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 02/07. Na peça de defesa, a contribuinte argumenta que a Manifestante é Entidade Fechada de Previdência Complementar e tem como objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar e, por conseguinte, pagar aposentadorias complementares às pagas pela Previdência Social; tendo apurado crédito decorrente de pagamento a maior de tributos federais, apresentou, como lhe é facultado pela legislação de regência, a Declaração de Compensação de Tributos Federais n° 04019.42029.060807.1.3.048842; Nesta PER/DCOMP foi utilizado um crédito do código 7987 com período de apuração 31/08/2004, relativo à guia no montante total de R$ 177.283,27, com crédito histórico de R$ 46.662,82; A Manifestante apurou nesta competência o montante de R$ 191.445,27 que, quando confrontado com o valor recolhido na competência R$ 238.108,09 podese identificar como crédito exatamente o valor utilizado na PER/DCOMP conforme demonstrado à fl. 04; a Manifestante cometeu um equívoco formal, pois não demonstrou a existência do crédito no preenchimento da DCTF, sendo, contudo, o crédito, legítimo; Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914294/200952 Resolução nº 3802000.347 S3TE02 Fl. 239 3 o mero erro material na declaração não invalida a compensação efetuada, visto que o crédito tem origem licita, devendo ser julgada procedente a Compensação efetuada pela Manifestante, com a conseqüente extinção do débito tributário ora imputado; Uma vez demonstrada a origem dos pagamentos realizados a maior que a Manifestante pretendeu compensar, como restou comprovado acima, é claro o seu direito à restituição destas quantias, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa, tendo em vista que sua negativa configura enriquecimento ilícito por parte do Estado os equívocos nas declarações do contribuinte não criam tributos, não podendo, uma vez comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária, reportandose a ensinamentos de Ives Gandra da Silva Martins e Hugo de Brito Machado; A quantia recolhida a título de tributo a maior, que não. era devida, nem sequer pode ser considerada como receita do Estado, sob pena de afronta ao princípio da legalidade e da moralidade administrativa; Como mero ingresso de caixa e não verdadeira receita, não pode esta quantia a que se pretende compensar ser integrada ao patrimônio do Poder Público, o que implica no dever do Estado de restituir o indébito tributário ao seu legítimo proprietário; Tão logo apurado o recolhimento indevido, esta parcela foi compensada com outros tributos devidos, nos moldes da legislação federal, de maneira que não há razões a se negar tal compensação; vale ressaltar que se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário. O tributo ou é devido, ou não é, se incidência não houve. Assim, se aquele que confessou o fez em virtude de erro, a confissão pode ser revogada, conforme determina o Código de Processo Civil em seu artigo 352; Considerando que o valor confessado pela Manifestante não corresponde às hipóteses de incidência tributária, à confissão de dívida e conseqüente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária, prevalecendo os fatos verdadeiros sobre o confessado; Demonstrado que o fato confessado não correspondia à hipótese de incidência tributária, este não era capaz de gerar a obrigação tributária tornando a confissão de dívida absolutamente irrelevante, o que possibilita,deste modo, a compensação pretendida. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP 1 no 1649.267, de 08/08/2013, proferida pelos membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 15/09/2004 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914294/200952 Resolução nº 3802000.347 S3TE02 Fl. 240 4 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade e não homologar a compensação, por falta de certeza e liquidez. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer a reforma da decisão recorrida, com objetivo de homologar as compensações pleiteadas. Argumenta que é de se notar que os valores declarados não existiam de fato, uma vez que a recorrente incorreu em erro material ao preencher suas DCTF, pois incluiu na base de cálculo valores que não deveriam ser inseridos, de receitas na base de cálculo do PIS e da COFINS, cometendo apenas um equívoco formal, apesar de não ter efetuado a retificação das DCTF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Pois bem, como é cediço, a entrega de DCTF, sem qualquer tipo de comprovação que demonstre a divergência na apuração do débito, não é suficiente para comprovar o indébito indicado. No entanto, ciente disso e visando comprovar os fatos alegados e primando pelo princípio da verdade material, a Recorrente em fase de Manifestação de Inconformidade, apresentou uma planilha para demonstração da base real apurada para os cálculos do COFINS e cópia do Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração de agosto de 2004. Agora, no texto do seu Recurso Voluntário, repisa um Demonstrativo, visando demonstrar para a Administração Tributária a “base real” do COFINS apurada pelo Recorrente no referido mês, versando que tais documentos são satisfatórios para a comprovação do direito do crédito alegado nos autos, ressaltando que declarou e recolheu valor a maior de COFINS para esta competência. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914294/200952 Resolução nº 3802000.347 S3TE02 Fl. 241 5 Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste numa providência que resulta na melhor aplicação do direito e da justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Considerando que o Recorrente argumenta que o fato que gerou o despacho denegatório foi o erro de preenchimento na DCTF, em que constou valor maior que o apurado e que não apresentou DCTF retificadora, pois de acordo com a legislação, após a expedição de despacho decisório, a lei proíbe o contribuinte de retificar a declaração. Com base nessas considerações e o contido no recurso voluntário da recorrente bem como devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo os autos retornarem à DRF do domicílio tributário da recorrente, para proceder parecer sobre: a) diligenciar, com base nos dados registrados nos documentos contábeis apresentados (Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração do COFINS de agosto de 2004, e pronunciarse sobre a veracidade dos cálculos elaborados no demonstrativo do COFINS (recurso voluntário), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo Fisco, com isso emitindo informação sobre a comprovação do direito creditório alegado e bem como seu respectivo valor, e b) em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 241DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910855/2008-00
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-006.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observandose as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 08 55 /2 00 8- 00 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910855/200800 Acórdão n.º 3803006.675 S3TE03 Fl. 60 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação, em que pretendia compensar crédito da contribuição no valor atualizado de R$ 12.905,77, decorrente de alegado pagamento a maior. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 20/08/2008, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora, em 31/07/2008, declaração essa, segundo ele, apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório e da DCTF retificadora. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 25/11/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910855/200800 Acórdão n.º 3803006.675 S3TE03 Fl. 61 3 transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que, junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora transmitida em 31/07/2008, data essa anterior à emissão e à ciência do despacho decisório, eventos esses ocorridos, respectivamente, em 12/08/2008 e 20/08/2008, não tendo tal declaração sido objeto de apreciação por parte da repartição de origem ou da Delegacia de Julgamento. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. No momento da emissão do despacho decisório, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo. Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.”. Valendose do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910855/200800 Acórdão n.º 3803006.675 S3TE03 Fl. 62 4 Notese que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à emissão de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração por parte da Delegacia de Julgamento da retificação procedida nos termos ora apontados. Além disso, nos termos do disposto no inciso III, do § 2º, do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 786, de 20072, considerase ineficaz a retificação da DCTF promovida após a ciência do início do procedimento fiscal, sendo que, no presente caso, não consta dos autos a ocorrência de intimação anterior à data da transmissão da DCTF retificadora. Poderseia argumentar que, embora a retificação tivesse sido realizada anteriormente à emissão e à ciência do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da declaração de compensação, o que inviabilizaria, hipoteticamente, a sua consideração no momento da realização do encontro de contas (DCTF versus PER/DCOMP). Contudo, esse raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, não tem respaldo na legislação tributária, não podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração. Neste ponto, mostrase oportuno transcrever trecho do voto condutor do acórdão nº 330201.797, de 26 de setembro de 2012, da lavra do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora externado: No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 900/2008. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora (...) e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo lhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. (Processo nº 10166.911472/200905, fl. 208) No mesmo sentido, temse o acórdão nº 0821223, de 27 de junho de 2011, da DRJ Fortaleza/CE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: Normas de Administração Tributária Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA DE DÉBITO, ENTREGUE ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. EFEITO PROBANTE. A DCTF retificadora que reduz o valor de tributo ou contribuição, quando entregue antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação de débito do declarante com crédito cuja origem é 2 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910855/200800 Acórdão n.º 3803006.675 S3TE03 Fl. 63 5 justamente o pagamento a maior do tributo/contribuição retificado, deve ser aceita como prova do direito creditório pleiteado em declaração de compensação, nos casos em que o indeferimento de tal direito se dera tãosomente pela vinculação do mesmo pagamento ao débito informado na DCTF original. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DACON. EFEITO PROBANTE. O DACON é mera declaração informativa, não se constituindo em instrumento de confissão de dívidas tributárias nem em veículo de inscrição destas em Dívida Ativa da União. A informação prestada em DACON, desacompanhada de graves elementos de convicção, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. (grifei) Uma vez que, no presente caso, a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório. Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o despacho decisório, determinandose à autoridade administrativa a reapreciação do pleito do Recorrente, considerando as informações prestadas na DCTF retificadora, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe, no caso de decisão denegatória do direito, ainda que parcial, o prazo regulamentar para se pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 19740.000394/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermarm Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé – Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermarm Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 40 .0 00 39 4/ 20 08 -2 6 Fl. 778DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 779 2 Relatório PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos diversos com crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, no valor de R$ 1.488.485,39, por meio dos PER/DCOMPs de fls. 12 a 46. O despacho decisório de fls. 221 a 230 reconheceu parcialmente o direito creditório no montante de R$ 507.716,04. Entretanto, ao verificar que parte desse valor já havia sido utilizado em DCTFs para compensar estimativas de CSLL de março, abril e maio de 2002, concluiu que restou um saldo de crédito de R$ 125.039,79, único valor que foi considerado nas compensações pretendidas neste processo. A conclusão da autoridade fiscal decorreu de extensa análise das parcelas que compuseram esse saldo negativo, que envolveu compensações de períodos anteriores, retroagindo até o anocalendário de 1997. O relatório do acórdão de primeira instância assim resumiu os fundamentos dessa decisão (fls. 543 a 549): 1. A interessada informa em sua DIPJ (fls. 60) que adimplira, via estimativa, em 2001, o valor total de R$ 2.906.042,76, sendo que tal extinção se dera mediante compensação com créditos de CSLL dos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999. 2. Esclarece aquela autoridade que informações e documentos fornecidos pela interessada em diligências feitas no processo n° 19740.000446/200783 foram anexados a este processo (fls. 61/78). A análise da Deinf/RJO, então, retroagiu até o ano calendário de 1997, de modo a estudar os alegados saldos negativos pretéritos a 2001. Anocalendário de 1997 3. A DIRPJ do anocalendário de 1997 (fls. 80/94) aponta um saldo negativo de CSLL assim apurado: 1997 R$ CSLL devida 0,00 Dedução: CSLL mensal estimativa 264.212,81 CSLL a pagar 264.212,81 4. Esclarece a autoridade que houve apenas um débito de estimativa em março de 1997 no referido valor de R$ 264.212,81 (fls. 82), sendo que teria sido ele extinto da seguinte forma: R$ 117.427,91 por “compensação de pagamentos indevidos ou a maior” e R$ 146.784,90 com “exigibilidade suspensa”. 5. De sua vez, a DCTF do período (fls. 96) registra apenas o débito de R$ 146.784,90, cuja exigibilidade estaria suspensa por meio do processo judicial n° 97.00037606, que se refere a ação em mandado de segurança que não teria transitado em julgado (fls. 97/ 103). Em vista disso, e consoante o que dispõem os arts. 170 e 170 A do CTN, a autoridade da Deinf/RJO desconsiderou tal valor na apuração do saldo negativo do ano. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 780 3 6. O mesmo se deu quanto à parcela de estimativa de março no valor de R$ 117.427,91, pois não houve comprovação dessa compensação. 7. Dessa forma, entendeu a autoridade da Deinf/RJO que, uma vez não comprovada a antecipação estimada, inexiste o saldo negativo de CSLL declarado pela interessada em sua DIRPJ do anocalendário de 1997. Anocalendário de 1998 8. A DIRPJ do anocalendário de 1998 (fls. 104/110) indica saldo negativo de CSLL apurado da seguinte forma: 1998 R$ CSLL devida 347.439,79 Dedução: CSLL mensal estimativa 347.439,79 Dedução: CSLL retida fonte 447.365,32 CSLL a pagar 447.365,32 9. Segundo a DIRPJ (fls. 109), a estimativa seria referente apenas ao mês de dezembro de 1998, e teria sido extinta da seguinte forma: R$ 154.417,68 através de compensação com "saldo negativo de períodos anteriores"; e R$ 193.022,11 com exigibilidade suspensa. 10. O valor de R$ 154.417,68 teria sido objeto de compensação com saldo negativo de CSLL do anocalendário 1995, conforme a resposta do contribuinte ao Termo de Intimação n° 139/2008 (fls. 61 e ss) no processo administrativo n° 19740.000446/200783 (fls. 64). 11. Informa aquela autoridade que, em consulta aos sistemas da RFB, não se verificou confissão em DCTF de estimativas mensais de CSLL no anocalendário 1995 (fls. 111/ 144), bem como não há indicação em DIRPJ (AC 1995) (fls. 145/147) de saldo negativo de CSLL. Portanto, entende a autoridade da Deinf/RJO que esse valor de R$ 154.417.68 deve ser desconsiderado para fins de uso na formação do saldo negativo de CSLL do anocalendário 1998. 12. Segue a autoridade informando que o valor R$ 193.022,11 encontrase com exigibilidade suspensa, com base em liminar em mandado de segurança (processo nº 97.00037606), relativa à já mencionada ação judicial sem trânsito em julgado (fls. 99/103). Assim, esse valor deve ser desconsiderado para efeito de formação de saldo negativo de CSLL no anocalendário 1998, conforme estatuído pelos artigos 170 e 170 A, da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). 13. Informa a autoridade da Deinf/RJO que, conforme despacho constante no processo administrativo n° 19740.000446/200783, cuja cópia foi anexada às folhas 76/78, após análise feita naquele processo, verificouse que o montante de CSLL retida na fonte para o anocalendário 1998 é de R$ 368.320,68. 14. Em resumo, a referida análise acata a grande maioria das retenções alegadas, apontando apenas quatro retenções de CSLL que não considerou boas, descrevendo as razões para tal opinião. Vejamos resumidamente o que foi decidido: Fl. 780DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 781 4 Fonte pagadora CNPJ Rendimento CSLL 1% Razões de indeferimento Tribunal Reg. Fed. 5a R. 24.130.072/000111 7.237.006,05 72.370,06 Valor referese ao ano calendário de 1997, conforme comprovante fls. 47. Banco Central do Brasil 00.038.166/001250 30.037,24 300,37 Valor referese ao ano calendário de 1997, conforme comprovante fls. 55 e 121. Tribunal Reg. Do Trab. 3a R. 01.296.583/00014 197,14 1,97 O valor consta como beneficiário um outro CNPJ (01.685.053/0001 56), fls. 83. Diretoria de Eletr. e Proteção ao Voo 00.394.429/004874 637.227,47 6.372,27 O valor consta como beneficiário um outro CNPJ (01.685.053/0001 56), fls. 84. CSLL retida indeferida 79.044,64 CSLL alegada 447.365,32 CSLL retida aceita 368.320,68 15. Assim, foi refeito o quadro apresentado anteriormente de modo a identificar como saldo negativo de CSLL o montante de R$ 20.880,89: 1998 DIRPJ Deinf/RJO CSLL devida 347.439,79 347.439,79 Dedução: CSLL mensal estimativa 347.439,79 0,00 Dedução: CSLL retida fonte 447.365,32 368.320,68 CSLL a pagar 447.365,32 20.880,89 Anocalendário de 1999 16. A DIPJ do anocalendário de 1999 (fls. 154/156) indica um saldo negativo de CSLL no montante de R$ 246.979,89 (fls. 156), obtido da seguinte forma: 1999 DIPJ (R$) CSLL devida 0,00 Dedução: CSLL mensal estimativa 51.802,25 Dedução: CSLL retida fonte 195.177,64 CSLL a pagar 246.979,89 17. A CSLL estimativa referese ao somente ao mês de outubro/1999, e teria sido extinta mediante compensação com saldo negativo do anocalendário de 1998 (fls. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 782 5 157). Todavia, segue a autoridade fiscal, conforme visto antes, o saldo negativo a ser considerado para o anocalendário 1998 é de apenas R$ 20.880,89; logo, conforme se vê no demonstrativo de cálculo de fls. 159/161, verificou a autoridade da Deinf/RJO que houve o consumo total daquele crédito de 1998, que serviu para adimplir apenas R$ 24.983,38 da estimativa de R$ 51.802,25, deixando de compensar o montante de RS 26.818,27. 18. Do mesmo modo que antes, a autoridade a quo informa que, conforme despacho constante no processo administrativo n° 19740.000446/200783, cuja cópia foi anexada às folhas 76/78, após análise feita naquele processo, verificouse que o montante de CSLL retida na fonte para o anocalendário 1999 é de R$ 193.799,47, e não de R$ 195.177,64. 19. Aquele despacho também acata a grande maioria das retenções alegadas, apontando apenas cinco retenções de CSLL que não considerou boas, descrevendo as razoes para tal opinião. Vejamos resumidamente o que foi decidido: 1999 Fonte pagadora CNPJ Rendiment o CSLL 1% Razões de indeferimento 2° Auditoria da Justiça Militar 00.497.552/001390 746,38 7,46 Valor em duplicidade. Tribunal Reg. Do Trab. 8a R. 01.547.343/000133 2.937,35 29,37 O valor consta como beneficiário um outro CNPJ (01.685.053/000156), fls. 122 Fund. Univers. Fede. no Acre 04.071.106/000137 2.476,68 24,77 Valor não localizado nos sistemas da RFB, fls. 123. Procuradoria Regional da República 3” R. 26.989.715/005848 527,19 5,27 Valor referese ao ano calendário de 2000, conforme fls. 124/125. Caixa Financ. Imob. da Aeronáutica 30.496.004/000173 131.130,24 1.311,30 Valor não localizado nos sistemas da RFB, fls. 126. CSLL retida indeferida 1.378,18 CSLL alegada 195.177,64 CSLL retida aceita 193.799,46 20. Assim, observandose o exposto sobre o anocalendário 1999, refezse o quadro anteriormente apresentado, a fim de se identificar o saldo negativo a ser considerado como direito creditório: 1999 DIRPJ (R$) Deinf/RJO CSLL devida 0,00 0,00 Dedução: CSLL mensal estimativa 51.802,25 24.983,98 Dedução: CSLL retida fonte 195.177,64 193.799,47 CSLL a pagar 246.979,89 218.783,45 Fl. 782DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 783 6 Anocalendário 2000 21. A DIPJ desse anocalendário (fls. 162/166) indica um saldo negativo de CSLL no montante de R$ 1.648.980,68 (fls. 166), obtido da seguinte forma: 2000 DIRPJ (R$) CSLL devida 5.132.379,26 Dedução: CSLL mensal estimativa 6.781.359,94 CSLL a pagar 1.648.980,68 22. Aduz a autoridade da Deinf/RJO que o montante de R$ 6.781.359,94 de CSLL estimada informado na DIPJ encontrase confessado nas respectivas DCTFs (fls. 167/176); contudo, dadas as diferenças nas estimativas de agosto e novembro (fls. 164 e 173, 165 e 176), o total estimado ali declarado é de R$ 6.754.798,92, ou seja, R$ 26.570,02 a menor do que o considerado no cálculo do contribuinte para a identificação na DIRPJ de seu saldo negativo de CSLL. 23. Segue informando aquela autoridade que para adimplir essa CSLL estimada de 2000 no valor R$ 6.754.798,92 o contribuinte utilizouse, em compensação, de pretensos créditos referentes a saldos negativos dos anoscalendário 1997, 1998 e 1999, conforme o quadro: ESTIMATIVAS (fls. 167/176) COMPENSAÇÃO Mês total (R$) Pagto com DARF (*) C/DARF CSLL Ac 1999 CSLL Ac 1998 CSLL Ac 1997 jan00 457.778,57 0,00 0,00 0,00 0,00 457.778,57 fev00 73.499,78 0,00 0,00 0,00 0,00 73.499,78 mar00 1.313.057,32 699.239,29 0,00 236.273,57 216.139,57 161.404,89 abr00 1.262.843,60 1.259.423,55 0,00 3.420,05 0,00 0,00 mai00 399.237,59 399.112,83 0,00 124,76 0,00 0,00 jun00 529.503,43 529.503,43 0,00 0,00 0,00 0,00 ago00 674.685,55 674.685,55 0,00 0,00 0,00 0,00 set00 970.472,23 970.472,23 0,00 0,00 0,00 0,00 out00 459.731,51 457.785,53 1.945,98 0,00 0,00 0,00 nov00 613.980,34 532.618,74 81.361,60 0,00 0,00 0,00 TOTAL 6.754.789,92 5.522.841,15 83.307,58 239.818,38 216.139,57 692.683,24 (*) Pagamentos confirmados conforme fls. 199/205. 24. Conclui a autoridade que o montante de R$ 692.683,24 foi subtraído do total de "CSSL paga por estimativa" informado na DIPJ, visto que a sua extinção ocorreu Fl. 783DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 784 7 com base em compensação utilizando pretenso crédito referente a saldo negativo de CSLL do anocalendário 1997, o qual, como se viu anteriormente, não existiria. 25. Do mesmo modo, o montante de R$ 216.139,57 também foi subtraído do total de "CSSL paga por estimativa" informado na DIPJ, pois sua extinção ocorreu com base em compensação utilizando pretenso crédito referente a saldo negativo de CSLL do anocalendário 1998, que, como visto, já fora exaurido em compensação anterior. 26. Segue a autoridade observando que o valor de R$ 239.818,38 foi extinto através de compensação utilizando pretenso crédito referente a saldo negativo de CSLL do anocalendário 1999. Conforme visto antes, esse crédito corresponde a R$ 218.783,45, os quais, conforme demonstrativo de compensação de fls. 177/179, foram suficientes para compensar apenas parte dessas estimativas, remanescendo o montante de R$ 12.483,50 de débito não compensado por insuficiência de crédito. 27. Conclui então a autoridade que, com relação ao anocalendário 2000, o saldo negativo a ser considerado como direito creditório assim se apresenta: 2000 DIRPJ (R$) Deinf/RJO CSLL devida 5.132.379,26 5.132.379,26 Dedução: CSLL mensal estimativa 6.781.359,94 5.831.681,46(*) CSLL a pagar 1.648.980,68 699.302,20 (*) Tota1 após es reduções de: R$ 26.570,02 (item 19); R$ 692.683,24 (item 21); R$ 216.139,57 (item 22); e R$ 12.433,50 (item 23). Anocalendário 2001 (crédito pleiteado neste processo) 28. A DIPJ do anocalendário de 2001 (fls. 56/60) indica um saldo negativo de CSLL no montante de R$ 1.488.485,39 (fls. 60), obtido da seguinte forma: 2001 DIRPJ (R$) CSLL devida 1.421.677,59 Dedução: CSLL mensal estimativa 2.906.042,76 Dedução: CSLL retida fonte 4.120,22 CSLL a pagar 1.488.485,39 29. Aduz a autoridade que, na extinção do montante de R$ 2.906.042,76 de CSLL estimada informado na DIPJ, o Contribuinte utilizou pretensos créditos referentes a saldos negativos dos anoscalendário 1999 e 2000, conforme o quadro a seguir: ESTIMATIVAS (fls. 180/87) COMPENSAÇÃO Mês total (R$) Pagto com DARF C/DARF CSLL Ac 2000 CSLL Ac 1999 jan01 324.297,43 0,00 852,19 323.235,39 43,20 fev01 495.368,33 0,00 0,00 495.368,33 0,00 Fl. 784DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 785 8 mar01 462.563,68 0,00 0,00 462.563,68 0,00 mai01 699.770,94 289.269,02 0,00 410.501,92 0,00 jun01 108.164,60 108.164,60 0,00 0,00 0,00 jul01 602.623,27 600.972,82 1.650,45 0,00 0,00 ago01 3.346,18 0,00 3.346,18 0,00 0,00 set01 209.908,33 202.355,70 7.552,63 0,00 0,00 TOTAL 2.906.042,76 1.201.614,331 3.401,45 1.691.669,32 43,20 (*) Pagamentos confirmados conforme folhas 206/212. 30. Autoridade fiscal esclarece que o montante de R$ 43.20 foi subtraído do total de "CSSL paga por estimativa" informado na DIPJ, visto que a sua extinção ocorreu com base em compensação utilizando pretenso crédito referente a saldo negativo de CSLL do anocalendário 1999, o qual, conforme já dito, foi exaurido em compensação anterior. 31. No que toca à parcela de R$ 1.691.669,32, dado que fora objeto de compensação com crédito referente a saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000, cujo valor corresponde a R$ 699.302,20 (vide retro), a autoridade fiscal elaborou o demonstrativo de cálculo de fls. 213/215, no qual se constatou que, após o consumo total desse crédito, permaneceu o montante de R$ 980.726,15 de débito não compensado por insuficiência de crédito. 32. Dessa forma, conclui a autoridade que o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2001 assim se apresenta: 2001 R$ Deinf/RJO CSLL devida 1.421.677,59 1.421.677,59 Dedução: CSLL mensal estimativa 2.906.042,76 1.925.273,41 Dedução: CSLL retida fonte 4.120,22 4.120,22 CSLL a pagar 1.488.485,39 507.716,04 33. Segue a autoridade em sua análise afirmando que, conforme as DCTFs relativas ao anocalendário 2002 (fls. 188/190), o crédito pleiteado neste processo (saldo negativo CSLL do anocalendário de 2001) foi utilizado conforme descrito a seguir: ° Estimativa mensal de CSLL março/2002 RS 152.199,83; ° Estimativa mensal de CSLL abril/2002 R$ 27.312,89; ° Estimativa mensal de CSLL julho/2002 R$ 229.726,06. 34. A partir desses dados, a autoridade elaborou o demonstrativo de cálculo de fls. 191/193, levando em conta que, de acordo com o disposto acima, o saldo negativo de CSLL de 2001 é de apenas R$ 507.716,04. Como resultado desse cálculo, temse Fl. 785DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 786 9 que restou um saldo de crédito no total de R$ 125.039,79, único valor a ser considerado nas compensações pretendidas neste processo. 35. Em vista disso, foi reconhecido apenas parcialmente o crédito pretendido e homologadas também parcialmente as compensações correspondentes, conforme os demonstrativos de fls. 194/196. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 289 a 297), acompanhada dos documentos de fls. 298 a 436, acatada como tempestiva. Socorrome, mais uma vez, do relatório do acórdão de primeira instância, que assim descreveu os argumentos da defesa (fls. 549 a 551): Anocalendário 1997 a) que com relação ao saldo negativo do anocalendário de 1997, alega que à época, no caso em que o crédito e o débito compensado fossem de mesma espécie, a legislação permitia que se fizesse a compensação sem requerimento administrativo; b) que efetuou a compensação da estimativa da CSLL do mês de março de 1997, no valor de R$ 117.427,91, mediante saldos negativos de mesma contribuição dos anos calendário de 1994 e 1995, oriundos esses de empresa sua sucedida, Companhia de Seguros Sul Americana Industrial (docs. fls. 273/325); c) que, portanto, é irretocável a utilização do valor de R$ 117.427,91 na composição do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1997; d) que com relação à parcela de R$ 146.784,90 da mesma estimativa, relativo a depósito judicial, não considerou tal valor como crédito a compensar, sendo suficiente o reconhecimento do montante de R$ 117.427,91 na composição do saldo negativo de CSLL do ano de 1997; e que o mencionado valor sub judice somente poderia ser declarado na forma que fez; Anocalendário 1998 CSLL retida e) que quanto ao valor de CSLL retida de R$ 447.365,32 (valor também discutido no processo 19740.000446/200783), tal valor está totalmente comprovado, conforme os comprovantes de retenção que junta às fls. 326 e ss; CSLL antecipada por estimativa f) que com relação à,CSLL devida por estimativa em dezembro de 1998, para abater a parcela de R$ 154.417,68, utilizouse, como antes dito, dos saldos negativos de mesma contribuição dos anoscalendário de 1994 e 1995, oriundos de empresa sua sucedida, Companhia de Seguros Sul Americana Industrial (docs. fls. 273/325); g) que quanto a outra parcela da estimativa de dezembro no valor de R$ 193.022,11, valor também sub judice (depósito), igualmente não considerou tal valor como crédito a compensar, sendo suficiente o reconhecimento do montante de R$ Fl. 786DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 787 10 154.417,68 na composição do saldo negativo de CSLL do ano de 1998; e que o mencionado valor sub judice somente poderia ser declarado na forma que fez; h) que, portanto, é irretocável a utilização do valor de R$ 154.417,68 na composição do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998; Anocalendário 1999 CSLL retida i) que o valor de CSLL retida no anocalendário de 1999 (R$ 195.177,64) está plenamente justificado mediante os comprovantes de rendimento que acosta às fls. 364 e ss; CSLL antecipada por estimativa j) que o valor de estimativa de CSLL de outubro de 1999 de R$ 51.802,25, dado que foi adimplido por crédito de saldo negativo de 1998, e pela razões antes expostas, deve ser plenamente reconhecido na composição do saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1999; Anocalendário 2000 k) que dado que o litígio se refere ao uso nas compensações das estimativas do ano de créditos dos anos de 1997, 1998 e 1999, cujos valores devem ser recompostos pela razões antes expostas, há que se reconhecer a regularidade dessas antecipações de modo a restabelecer o saldo negativo passível de reconhecimento; Anocalendário 2001 l) que o mesmo se dará com relação ao saldo negativo de CSLL de 2001, quando forem verificadas que as estimativas foram integralmente compensadas com os saldos negativos dos anos anteriores. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, reconhecendo um crédito adicional de R$ 14.542,25, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 541 a 560): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 COMPENSAÇÃO. CISÃO PARCIAL. CRÉDITO DE TERCEIROS. REQUERIMENTO. A cisão parcial não implica extinção por incorporação da pessoa jurídica cindida; assim, o uso de crédito tributário de empresa parcialmente cindida em compensação com débitos de empresa para onde foram revertidos os bens e direitos cindidos dependia, para ser aceito, de requerimento da detentora do crédito (empresa cindida). RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 788 11 Aceitamse para fins de dedução da CSLL devida no ano as retenções na fonte que estejam respaldadas ou por informes de rendimentos e retenção ou por Dirf. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. REGISTRO CONTÁBIL. No período de vigência da IN SRF n° 21/1997, admitiase a compensação de saldos credores de CSLL com débitos posteriores a título de estimativa do mesmo tributo, quando ficasse comprovado que o crédito correspondente e as compensações alegadas estavam tempestivamente registrados na escrita contábil e fiscal do contribuinte. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) o contribuinte concorda que a compensação de R$ 146.784,90, do ano de 1997, e de R$ 193.022,11, de 1998, relativas a depósitos judiciais em ações não transitadas em julgado, não devem compor o saldo negativo dos respectivos períodos, estando essa matéria consolidada administrativamente; b) não é possível se utilizar do crédito oriundo de empresa sucedida por cisão parcial, por se tratar de crédito de terceiro, que, até abril de 2000, poderia ser cedido por requerimento próprio. Contudo, inexiste formalmente requerimento que autorize tal compensação, vale dizer, a interessada valeuse de suposto crédito de saldo negativo apurado por terceiros como se fosse crédito próprio, e efetuou o que se chama de “compensação sem processo”; c) além disso, o procedimento de compensação não só não foi registrado na DCTF, como também não foi devidamente registrado na contabilidade. Somente a correta e integral contabilização dos procedimentos de compensação levados a efeito pelo interessado dá azo a se conhecer que determinado débito resta adimplido por esta forma de extinção. Cabe ao contribuinte deixar estampados, em seus demonstrativos contábeis obrigatórios, os lançamentos que dão notícia individualizada da incorporação do crédito ao patrimônio do credor, bem como suas atualizações e baixas. Sem essa vinculação contábil clara e efetiva, os créditos tributários porventura existentes se configuram em mero direito a ser exercido, mera possibilidade de se compensar; d) nesse sentido, não se reconheceu a compensação de R$ 117.427,91, em 1997, e de R$ 154.417,68, em 1998; e) quanto à CSLL retida do ano de 1998, o contribuinte não contestou pontualmente os indeferimentos específicos do despacho decisório, limitandose a dizer que o valor declarado estava correto, remetendo a análise aos documentos que acosta. Uma vez que esses documentos nada inovavam em relação aos trazidos já antes da decisão da Deinf/RJO, e por se entender que as razões para esses indeferimentos eram boas, visto que fundadas em suporte probatório não contestado, mantevese a decisão nesse ponto; Fl. 788DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 789 12 f) quanto à CSLL retida do ano de 1998, repetiuse a decisão do item anterior, exceto para a retenção de R$ 1.311,30, para a qual havia comprovante do pagamento e da retenção. Foi essa quantia que, aproveitada nos anos seguintes, levou ao adicional de saldo negativo a reconhecer, no ano de 2001, no valor de R$ 14.542,25. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 16/4/2010 (fl. 577), o contribuinte apresentou, em 18/5/2010, o recurso voluntário de fls. 583 a 597, acompanhado dos documentos de fls. 598 a 680, onde afirma que: a) o direito de a Fazenda Pública modificar o saldo negativo apurado nas DIPJs dos anoscalendários de 1997 a 2000 estava extinto em agosto de 2008; b) incorporou todas as operações de seguro da SAI, e assim, por decorrência do § 1° do artigo 229 da Lei n° 6.404, de 1976, passou a suceder a sociedade cindida não apenas nas obrigações contraídas pela SAI relativas àquela atividade, como, também, nos direitos dela decorrentes, inclusive o direito creditório em testilha, que estava natural e nitidamente relacionado nos atos da cisão, além de destacado na da DIPJ apresentada em consequência desses atos; c) não há, portanto, como confundir a sucessão por incorporação de patrimônio cindido com cessão de créditos tributários apurados por terceiros, como fez o acórdão combatido; d) contra a alegação de não haver registro contábil adequado da compensação contestada, traz à colação seus Livro Razão Auxiliar e Balancete Contábil devidamente assinados pelo profissional responsável por sua escrituração contábil/fiscal, demonstrando a compensação desses valores; e) trouxe comprovantes de rendimentos das retenções de CSLL não admitidas pela decisão recorrida do ano de 1997, e de parte do ano de 1998 (R$ 72.370,06 e R$ 300,37), e de 1999 (R$ 29,37, R$ 24,76 e R$ 5,27). Ao final, pugna pelo reconhecimento integral do seu direito creditório, com a consequente homologação das compensações realizadas. O despacho de fl. 777 determinou a distribuição deste processo a este relator, pela conexão com os processos nºs. 19740.720127/200879 e 19740.000447/200728, que já haviam sido a mim distribuídos. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 790 13 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Nas declarações de compensação sob análise, o contribuinte indicou como crédito saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, no valor de R$ 1.488.485,39, mas teve seu direito reconhecido apenas no montante de R$ 507.716,04. Na análise da autoridade fiscal, foi necessário se verificar os saldos negativos de CSLL a partir do ano de 1997, que repercutiam no direito creditório em discussão por meio de compensações sucessivas. Como resultado, não foram admitidos no cálculo compensações e retenções na fonte não comprovadas, e pagamentos vinculados a ações judiciais não transitadas em julgado. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo afirmou que parte das compensações foi feita com saldos negativos dos anoscalendário de 1994 e 1995 da empresa Companhia de Seguros Sul Americana Industrial, CNPJ nº 60.831.427/000163, da qual é sucessor; que seu direito creditório não necessitava dos valores depositados judicialmente; e que trazia a comprovação das retenções na fonte não admitidas. A decisão recorrida somente admitiu a comprovação de uma das retenções na fonte, negando as demais rubricas por razões que serão analisadas mais a frente. No voluntário, o recorrente reforça seu direito ao uso dos saldos negativos de sua sucedida e das retenções na fonte, bem como defende a decadência do direito de o Fisco modificar o saldo negativo apurado nas DIPJs dos anoscalendários de 1997 a 2000. 1. PRAZO PARA ANÁLISE DE INDÉBITO DE SALDO NEGATIVO O recorrente defende que, em agosto de 2008, não era mais possível para o Fisco modificar o saldo negativo apurado nas declarações de imposto de renda dos anos calendários de 1997 a 2000, pois o direito outorgado à Fazenda Pública para rever os lançamentos desses anos já havia se exaurido, por efeito do disposto no parágrafo único do art. 149 e no art. 173 do Código Tributário Nacional – CTN. Contudo, penso não possuir razão a defesa. O prazo para análise das declarações de compensação está previsto no §5o do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, abaixo transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 791 14 (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, a regra é clara ao permitir que a Administração Tributária não homologue a compensação no prazo de 5 anos após o seu pleito. No caso, os PER/DCOMPs mais antigos sob análise foram apresentados em 29/8/2003 (fls. 12, 31, 35, 39 e 42), e a não homologação se deu em despacho decisório de 28/8/2008 (fls. 229 a 230), cientificado em 29/8/2008 (fl. 242), dentro do prazo legal. Esclareço que, nesta Turma Julgadora, ainda há dissenso sobre a possibilidade de o Fisco verificar a base de cálculo do tributo com o objetivo de reduzir o saldo negativo a restituir depois do prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador, sob o argumento de se tratar de lançamento por modo transverso, mas é consensual o direito de verificação dos pagamentos que reduziram o imposto devido (IRRF e estimativas mensais) que deram origem ao saldo negativo. Recordese que é ônus de quem pleiteia a prova do fato constitutivo do seu direito, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil – CPC, não podendo o contribuinte se furtar a demonstrar a existência do indébito que pretende repetir, quando intimado pelo Fisco dentro do prazo de cinco anos do pedido. Acrescentese que o art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 estabelece a obrigação de se conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade. Essa matéria já foi decidida por esta Turma no sentido aqui proposto no Acórdão nº 110200.438, julgado na sessão de 26/5/2011, tendo por relator o Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, cuja decisão restou assim ementada: SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL NA DIPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Os artigos 150 e 173 do CTN estabelecem o prazo decadencial aplicável às hipóteses de constituição do crédito tributário pelo lançamento, mas não implicam a homologação tácita dos saldos negativos de IRPJ e CSLL informados nas declarações apresentadas, os quais são passíveis de verificação, quanto à sua certeza e liquidez, no âmbito da análise dos pedidos de restituição ou das declarações de compensação apresentadas No mesmo sentido, o Acórdão nº 1102000.856, de 9/4/2013, com voto vencedor do Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, e o Acórdão nº 1102001.066, de 13/3/2014, de relatoria do Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. Dessa forma, afasto os argumentos de decadência do direito de contestação dos saldos negativos de 1997 a 2000. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 792 15 2 – CISÃO PARCIAL Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte buscou justificar que as compensações da estimativa da CSLL do mês de março de 1997, no valor de R$ 117.427,91, e da estimativa de dezembro de 1998, no montante de R$ 154.417,68, deramse com saldos negativos de CSLL dos anoscalendário de 1994 e 1995 da empresa Companhia de Seguros Sul Americana Industrial (SAI), CNPJ nº 60.831.427/000163, da qual é sucessora. A decisão recorrida entendeu não ser possível se utilizar do crédito oriundo de empresa sucedida por cisão parcial, por se tratar de crédito de terceiro, e porque as compensações não haviam sido registradas na contabilidade. No voluntário, o recorrente afirma que incorporou todas as operações de seguro da SAI, e assim, por decorrência do § 1° do artigo 229 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 Lei das S.A., passou a suceder a sociedade cindida não apenas nas obrigações contraídas pela SAI relativas àquela atividade, como, também, nos direitos dela decorrentes, inclusive o direito creditório em testilha, que estava natural e nitidamente relacionado nos atos da cisão, além de destacado na DIRPJ apresentada em consequência desses atos. Acrescentou que não há como confundir a sucessão por incorporação de patrimônio cindido com cessão de créditos tributários apurados por terceiros, além de afirmar trazer a comprovação do registro das compensações em sua escrituração contábil/fiscal. Nesse aspecto, penso possuir razão a defesa. A cisão está prevista no art. do artigo 229 da Lei n° 6.404, de 1976, abaixo transcrito na parte de interesse à discussão: Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. § 1º Sem prejuízo do disposto no artigo 233, a sociedade que absorver parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão; no caso de cisão com extinção, as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida sucederão a esta, na proporção dos patrimônios líquidos transferidos, nos direitos e obrigações não relacionados. (...) § 3º A cisão com versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente obedecerá às disposições sobre incorporação (artigo 227). (...) Desse modo, na cisão parcial, é possível a transferência de parte do patrimônio da empresa cindida, sendo que a empresa que absorver o patrimônio sucede a cindida nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 793 16 Conclusão semelhante foi tomada no Acórdão nº 130200.571, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1a Seção, prolatado na sessão de 25 de maio de 2011, tendo por relator o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que restou assim ementado, na parte de interesse à discussão: DIREITO CREDITÓRIO. CISÃO. TITULARIDADE. Comprovada a efetiva transferência dos direitos creditórios por meio de cisão, não há que se falar em utilização de créditos de terceiros, eis que “a sociedade que absorve parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão” (Lei nº. 6.404, de 1976, art. 229, parágrafo 1º). Assim, todos direitos e obrigações que estiverem relacionados no ato da cisão passam a ser da empresa sucessora. Se, no ato da cisão, estiver especificado que o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL dos anos de 1994 e 1995 passou para o contribuinte, ele poderá utilizálo em compensações como se fosse crédito próprio. De fato, nos documentos apresentados relativos à cisão (fls. 327 a 350), verifica se que o contribuinte incorporou todo o crédito tributário a compensar existente em setembro de 1995, no valor de R$ 1.009.091,04 (fl. 334). Nas fls. 599 a 600, consta a contabilização da compensação da estimativa da CSLL do mês de março de 1997, no valor de R$ 115.370,43, um pouco inferior ao valor informado na DIRPJ R$ 117.427,91 (fl. 83). Nas fls. 669 a 670, consta a contabilização da compensação da estimativa da CSLL do mês de dezembro de 1998, no montante de R$ 154.484,17, um pouco superior ao valor informado na DIRPJ R$ 154.417,68 (fl. 113). Apesar de esses documentos ainda não serem suficientes para comprovar o direito à compensação, haja vista ainda não ter se apurado o montante, a disponibilidade e a suficiência dos saldos negativos da empresa incorporada nos anos de 1994 e 1995, nem estar claro que esses valores estivessem dentro do crédito tributário transferido na cisão, os documentos trazidos constituem relevante início de prova, que, em nome do princípio da verdade material, merece ser aprofundada na diligência que será proposta. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 794 17 3 ANO DE 1997 Na DIRPJ do ano de 1997, o saldo negativo informado foi de R$ 264.212,81 (fl. 94), formado pela estimativa de março de 1997, que, por sua vez, tinha sido compensada com os valores de R$ 117.427,91 e R$ 146.784,90 (fl. 83). Na manifestação de inconformidade, informouse que a parcela de R$ 117.427,91 correspondia aos saldos negativos de CSLL de 1994 e 1995 da SAI, que, como visto na seção anterior, foi reduzido para R$ 115.370,43, ainda sujeita a comprovação (vide seção 2). Já a parcela de R$ 146.784,90, relativa a depósito judicial, não seria necessária para o direito creditório. Agora, no voluntário, o contribuinte afirma possuir retenções de CSLL no valor de R$ 477.590,78, que se esquecera de informar na DIRPJ, mas que estariam comprovadas nos documentos de fls. 638 a 664. Acrescenta que, não obstante tal equívoco, utilizou parte do saldo negativo decorrente das retenções (R$ 459.104,01) para compensar as estimativas devidas em janeiro, fevereiro e março de 2000, nos valores de R$ 457.778,57, R$ 73.499,78 e R$ 161.404,89, apresentando cópias da suposta contabilização dessas compensações (fls. 666 a 667). De fato, na análise do saldo negativo do ano de 2000, o despacho decisório citou compensações de CSLL do ano de 1997, que não foram admitidas por não ter se apurado saldo negativo de CSLL no período (fl. 547). Contudo, em nome do princípio da verdade material, os documentos trazidos no voluntário devem ser analisados e, caso confirmados, incluídos no saldo negativo de 1997, o que se fará em sede da diligência a seguir proposta. 4 ANO DE 1998 Para o ano de 1998, o recorrente busca comprovar, além da estimativa de dezembro de 1998 (vide seção 2), duas retenções na fonte que não haviam sido admitidas sob o argumento de pertencerem ao ano de 1997 (fl. 545): a) a feita pelo Tribunal Regional Federal da 5a Região, CNPJ nº 24.130.072/000111, relativa ao rendimento de R$ 7.237.006,05, com CSLL retida de R$ 72.370,06; b) a feita pelo Banco Central do Brasil, CNPJ nº 00.038.166/001250, relativa ao rendimento de R$ 30.037,24, com CSLL retida de R$ 300,37. No voluntário, o contribuinte traz os comprovantes de retenção de fls. 672 a 673, que indicam que os pagamentos se referem ao ano de 1998, o que demonstra possuir razão a defesa. Na diligência proposta, a autoridade fiscal terá a oportunidade de analisar esses documentos, devendo reconhecer o crédito correspondente caso os confirme e verifique não terem sido utilizados em outras compensações. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 795 18 5 ANO DE 1999 Para o ano de 1998, o recorrente busca apenas comprovar três retenções na fonte que não haviam sido admitidas (fl. 546): a) a feita pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8a Região, CNPJ nº 01.547.343/000133, relativa ao rendimento de R$ 2.937,35, com CSLL retida de R$ 29,37, por ter como beneficiário outro CNPJ; b) a feita pela Fundação Universidade Federal do Acre, CNPJ nº 04.071.106/000137, relativa ao rendimento de R$ 2.476,68, com CSLL retida de R$ 24,77, pelo valor não ter sido localizado nos sistemas da RFB; c) a feita pelo Procuradoria Regional da República da 3a Região, CNPJ nº 26.989.715/005848, relativa ao rendimento de R$ 527,19, com CSLL retida de R$ 5,27, por se referir ao ano de 2000. No voluntário, o contribuinte traz: i) o comprovante de retenção de fl. 675, para demonstrar que a retenção do item “a” foi feita pelo Tribunal Regional do Trabalho da 23a Região, CNPJ n° 33.115.425/000156, em seu CNPJ; ii) o comprovante de retenção de fl. 677, para demonstrar que a retenção do item “b” foi feita pela Secretaria de Controle Externo do Estado da Bahia TCU, CNPJ n° 00.414.607/000460; iii) o comprovante de retenção de fl. 679, para demonstrar que a retenção do item “c” foi feita no ano de 1999. Na diligência proposta, a autoridade fiscal terá a oportunidade de analisar esses documentos, devendo reconhecer o crédito correspondente caso os confirme e verifique não terem sido utilizados em outras compensações. 6 ANOS DE 2000 e 2001 Para os saldos negativos dos anos de 2000 e 2001, o recorrente afirma que os argumentos anteriores recomporão os saldos negativos de 1997, 1998 e 1999, e serão suficientes para confirmar o direito creditório em discussão, o que se verificará na diligência proposta. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 19740.000394/200826 Resolução nº 1102000.292 S1C1T2 Fl. 796 19 7 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal, baseado nas premissas adotadas neste voto: a) dê ciência desta resolução ao contribuinte; b) analise os documentos de fls. 299 a 327, bem como aqueles mencionados na seção 2, e verifique o que falta para que se possa admitir como comprovados (i) os montantes dos saldos negativos de CSLL dos anos de 1994 e 1995 da empresa Companhia de Seguros Sul Americana Industrial (SAI), CNPJ nº 60.831.427/000163; (ii) a transferência desse direito creditório para contribuinte por meio da cisão parcial; (iii) a devida contabilização das compensações da estimativa da CSLL do mês de março de 1997, no valor de R$ 115.370,43, e da estimativa de CSLL do mês de dezembro de 1998, no montante de R$ 154.417,68; c) intime o contribuinte a apresentar as provas necessárias para o reconhecimento do direito mencionado no item “b”, concedendo o prazo mínimo de 30 (trinta) dias para tanto; d) verifique a existência e disponibilidade das retenções na fonte mencionadas na seção 3, considerandoas, caso possível, no cálculo do saldo negativo de CSLL do ano de 1997; e) verifique se os documentos mencionados na seção 4 comprovam as retenções lá listadas, analisando sua disponibilidade, e as inclua, caso possível, no saldo negativo de CSLL do ano de 1998; f) verifique se os documentos mencionados na seção 5 comprovam as retenções lá listadas, analisando sua disponibilidade, e as inclua, caso possível, no saldo negativo do ano de 1999; g) caso quaisquer dos documentos listados nos itens “d” a “f” não sejam considerados suficientes para o fim proposto, intime o contribuinte a complementálos, indicando, de forma clara, quais as provas necessárias, concedendo o prazo mínimo de 30 (trinta) dias para tanto; h) com os valores admitidos, refaça o cálculo dos saldos negativos dos anos de 1997 a 2001, e elabore relatório de diligência circunstanciado, especificando qual o crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001 passível de ser reconhecido neste processo; i) dê ciência desse relatório ao contribuinte para sobre ele se manifestar, caso deseje, no prazo de 30 (trinta) dias, retornandose os autos a este Colegiado para ulterior julgamento. Recomendase realizar a diligência em conjunto com as propostas nos processos nºs. 19740.720127/200879 e 19740.000447/200728, que necessitam do resultado desta análise. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 796DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 10140.721707/2012-54
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria determinar realização de DILIGÊNCIA, nos termos do voto do redator designado, para que a Unidade da Receita Federal de origem intime a fonte pagadora Sec. Est. de Educação , CNPJ 10.306.292/0001-49 a informar se o comprovante de rendimentos de fls. 59 refere-se a rendimentos do trabalho de quando o servidor estava em atividade ou a proventos de aposentadoria. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jaci de Assis Júnior. Vencido o Conselheiro Ronnie Soares Anderson (relator) que negava provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
(Assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinicius Magni Verçosa, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria determinar realização de DILIGÊNCIA, nos termos do voto do redator designado, para que a Unidade da Receita Federal de origem intime a fonte pagadora Sec. Est. de Educação , CNPJ 10.306.292/000149 a informar se o comprovante de rendimentos de fls. 59 referese a rendimentos do trabalho de quando o servidor estava em atividade ou a proventos de aposentadoria. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jaci de Assis Júnior. Vencido o Conselheiro Ronnie Soares Anderson (relator) que negava provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. (Assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinicius Magni Verçosa, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .7 21 70 7/ 20 12 -5 4 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 25/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 68 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) DRJ/CGE, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 3.094,00 relativo ao anocalendário 2009. A autuação decorreu da apuração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos da fonte pagadora de CNPJ nº 10.306.292/000149 no montante de R$ 11.311,65, havendo sido compensado o imposto de renda retido na fonte na cifra de R$ 352,55. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que esses rendimentos são isentos por trataremse de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave. A decisão recorrida manteve o lançamento, sob o entendimento de que, apesar ter ficado esclarecido que o autuado era aposentado desde 27/5/2009, e de haver laudo médico pericial informando início de patologia em 18/4/2009, não houve comprovação de que os rendimentos em tela eram oriundos de aposentadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 27/11/2012, pedindo o cancelamento do débito e afirmando que "Conforme meu estado de saúde confirmado como moléstia grave e ser aposentado estou no direito de ter esse benefício conforme comprovante de rendimento recebido do MS PREV APOSENTADOS, em 2010 houve o mesmo caso no qual tive ganho conforme recurso". Junta, ao final, "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte" relativo aos valores em questão. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, abaixo transcritos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 25/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10140.721707/201254 Resolução nº 2802000.223 S2TE02 Fl. 69 3 maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Portanto, é necessário o cumprimento cumulativo de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção em foco, a saber: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão1. De acordo com o relatado, a instância recorrida entendeu que não restara comprovado serem os rendimentos de R$ 11.311,65 decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão, o que motivou a manutenção do lançamento. Em 27/11/2012, junto com o recurso ora analisado, o contribuinte entregou, “Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda” emitido pela fonte pagadora Sec. Est. de Educação, CNPJ nº 10.306.292/000149, no qual consta a informação de 1 O CARF vem admitindo, ainda, a referida isenção para os rendimentos oriundos de reserva remunerada, a teor do entendimento abaixo sumulado: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 25/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10140.721707/201254 Resolução nº 2802000.223 S2TE02 Fl. 70 4 que os rendimentos de R$ 11.311,65 percebidos no anocalendário 2009 possuem a natureza de “RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO”. Temse, por conseguinte, que o próprio contribuinte trouxe documento hábil e suficiente para a comprovação de que os referidos rendimentos não são oriundos de aposentadoria ou congênere, mas sim do trabalho assalariado, estando assim sujeitos ao imposto de renda. Havendo sido informados como isentos na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2010, escorreita a apuração de sua omissão pela fiscalização, não havendo reparos, portanto, a realizar no lançamento contestado. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Voto Vencedor Em que pese o bem fundamentado voto proferido pelo ilustre Conselheiro Relator, ouso divergir do seu entendimento quanto à existência de comprovação de que os rendimentos tributados não são oriundos de aposentadoria ou congênere, mas sim do trabalho assalariado. Conforme mencionado pela decisão recorrida, o contribuinte teria aposentado em 27/05/2009 e o início da patologia ocorrera em 18/04/2009. Por sua vez, entendo que o exame dos comprovantes de rendimentos que instruem os autos, por si só, não pode levar à conclusão de que os valores dos rendimentos neles destacados são exclusivamente de natureza salarial. Ademais, observese que nos dois comprovantes de rendimentos emitidos pela fonte pagadora Sec. Est. de Educação para esse mesmo anocalendário, fls. 5 e 59, se constata que se referem a um mesmo número de matrícula (“PRONTUÁRIO 2134552”), conforme se vê no canto superior desses dois comprovantes. Também dos autos se observa que se somados os rendimentos desses dois comprovantes, o valor obtido é quase idêntico ao rendimento anual do comprovante de rendimentos relativo à outra matrícula (“PRONTUÁRIO 2134541”), juntado às fls. 4. Assim, não há razão aparente para que a SEC. de Educação tenha emitido dois comprovantes de rendimentos para a matrícula em relação à qual houve aposentadoria no curso do ano, a não ser que um se refira a rendimentos da ativa e outro da aposentadoria. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento do processo em diligência para que a Unidade da Receita Federal de origem intime a fonte pagadora Sec. Est. de Educação , CNPJ 10.306.292/000149 a informar se o comprovante de rendimentos de fls. 59 referese a rendimentos do trabalho de quando o servidor estava em atividade ou a proventos de aposentadoria. (Assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 25/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON
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