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Numero do processo: 10980.914209/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.850
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 09 /2 01 2- 61 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914209/201261 Acórdão n.º 3201003.850 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 077.917, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914209/201261 Acórdão n.º 3201003.850 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914209/201261 Acórdão n.º 3201003.850 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914209/201261 Acórdão n.º 3201003.850 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000083/2010-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 CUSTOS/DESPESAS. RATEIO. REQUISITOS. DETUBILIDADE A possibilidade de deduzir despesas, quando adotado o critério de rateá-las entre diversas empresas a partir da centralização dos pagamentos em apenas uma delas exige, dentre outros requisitos, que comprovadamente correspondam a bens e serviços recebidos e efetivamente pagos, sejam necessárias, usuais e normais às atividades das pessoas jurídicas participantes do pool, a fixação de rateio mediante critérios razoáveis e objetivos, previamente ajustados e devidamente formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes e que a centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços, assim como as empresas descentralizadas, mantenham escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Insatisfeitas essas imposições, parcial ou integralmente, a glosa das despesas é medida que se impõe. Comprovado, porém, o atendimento parcial a estes pressupostos, deve-se prover parcialmente o recurso voluntário de forma a excluir parte dos lançamentos.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
CSLL. CRITÉRIOS DE DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS EM SUA APURAÇÃO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA A CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período, com os ajustes determinados na legislação de regência. Neste sentido, os artigos 248 e 277, ambos do RIR/99. O lucro operacional traduz-se no resultado do confronto entre as receitas operacionais e as despesas operacionais (artigo 299 do RIR/99). Da interpretação sistemática destes dispositivos, deduz-se que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, quais sejam, as despesas necessárias e devidamente comprovadas. Os dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício e, consequentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei 8.034, de 1990. Além disso, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Portanto, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mantém-se parcialmente a glosa realizada pela Fiscalização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF REMUNERAÇÃO INDIRETA. As remunerações indiretas a administradores ou terceiros, que deixaram de ser incorporadas aos respectivos rendimentos tributáveis dos beneficiários. estão sujeitas à tributação exclusiva na fonte.
Numero da decisão: 1402-003.123
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) excluir da tributação do IRPJ o montante de R$ 11.690.611,20, mantendo R$ 13.913.628,42; ii) manter integralmente os lançamentos de IRRF; iii) por qualidade, excluir da tributação da CSLL o montante de R$ 11.690.611,20, mantendo R$ 13.913.628,42, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca e Demetrius Nichele Macei que davam provimento ao recurso voluntário para excluir integralmente a tributação da CSLL em razão do alcance da coisa julgada em mandado de segurança sobre a matéria, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 CUSTOS/DESPESAS. RATEIO. REQUISITOS. DETUBILIDADE A possibilidade de deduzir despesas, quando adotado o critério de rateá-las entre diversas empresas a partir da centralização dos pagamentos em apenas uma delas exige, dentre outros requisitos, que comprovadamente correspondam a bens e serviços recebidos e efetivamente pagos, sejam necessárias, usuais e normais às atividades das pessoas jurídicas participantes do pool, a fixação de rateio mediante critérios razoáveis e objetivos, previamente ajustados e devidamente formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes e que a centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços, assim como as empresas descentralizadas, mantenham escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Insatisfeitas essas imposições, parcial ou integralmente, a glosa das despesas é medida que se impõe. Comprovado, porém, o atendimento parcial a estes pressupostos, deve-se prover parcialmente o recurso voluntário de forma a excluir parte dos lançamentos. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL CSLL. CRITÉRIOS DE DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS EM SUA APURAÇÃO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA A CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período, com os ajustes determinados na legislação de regência. Neste sentido, os artigos 248 e 277, ambos do RIR/99. O lucro operacional traduz-se no resultado do confronto entre as receitas operacionais e as despesas operacionais (artigo 299 do RIR/99). Da interpretação sistemática destes dispositivos, deduz-se que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, quais sejam, as despesas necessárias e devidamente comprovadas. Os dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício e, consequentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei 8.034, de 1990. Além disso, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Portanto, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mantém-se parcialmente a glosa realizada pela Fiscalização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF REMUNERAÇÃO INDIRETA. As remunerações indiretas a administradores ou terceiros, que deixaram de ser incorporadas aos respectivos rendimentos tributáveis dos beneficiários. estão sujeitas à tributação exclusiva na fonte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) excluir da tributação do IRPJ o montante de R$ 11.690.611,20, mantendo R$ 13.913.628,42; ii) manter integralmente os lançamentos de IRRF; iii) por qualidade, excluir da tributação da CSLL o montante de R$ 11.690.611,20, mantendo R$ 13.913.628,42, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca e Demetrius Nichele Macei que davam provimento ao recurso voluntário para excluir integralmente a tributação da CSLL em razão do alcance da coisa julgada em mandado de segurança sobre a matéria, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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RATEIO. REQUISITOS. DETUBILIDADE A possibilidade de deduzir despesas, quando adotado o critério de rateá-las entre diversas empresas a partir da centralização dos pagamentos em apenas uma delas exige, dentre outros requisitos, que comprovadamente correspondam a bens e serviços recebidos e efetivamente pagos, sejam necessárias, usuais e normais às atividades das pessoas jurídicas participantes do pool, a fixação de rateio mediante critérios razoáveis e objetivos, previamente ajustados e devidamente formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes e que a centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços, assim como as empresas descentralizadas, mantenham escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Insatisfeitas essas imposições, parcial ou integralmente, a glosa das despesas é medida que se impõe. Comprovado, porém, o atendimento parcial a estes pressupostos, deve-se prover parcialmente o recurso voluntário de forma a excluir parte dos lançamentos. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL CSLL. CRITÉRIOS DE DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS EM SUA APURAÇÃO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA A CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período, com os ajustes determinados na legislação de regência. Neste sentido, os artigos 248 e 277, ambos do RIR/99. O lucro operacional traduz-se no resultado do confronto entre as receitas operacionais e as despesas operacionais (artigo 299 do RIR/99). Da interpretação sistemática destes dispositivos, deduz-se que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, quais sejam, as despesas necessárias e devidamente comprovadas. Os dispêndios glosados afetam o Fl. 20620DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.621 2 próprio resultado do exercício e, consequentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei 8.034, de 1990. Além disso, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Portanto, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mantém-se parcialmente a glosa realizada pela Fiscalização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF REMUNERAÇÃO INDIRETA. As remunerações indiretas a administradores ou terceiros, que deixaram de ser incorporadas aos respectivos rendimentos tributáveis dos beneficiários. estão sujeitas à tributação exclusiva na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) excluir da tributação do IRPJ o montante de R$ 11.690.611,20, mantendo R$ 13.913.628,42; ii) manter integralmente os lançamentos de IRRF; iii) por qualidade, excluir da tributação da CSLL o montante de R$ 11.690.611,20, mantendo R$ 13.913.628,42, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca e Demetrius Nichele Macei que davam provimento ao recurso voluntário para excluir integralmente a tributação da CSLL em razão do alcance da coisa julgada em mandado de segurança sobre a matéria, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 20621DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.622 3 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/RJ1 em sessão de 09 de fevereiro de 2012 (fls. 14517/14545) 1 , que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário:2006 REVOGAÇÃO DE ACÓRDÃO. Revoga-se a acórdão anterior, diante da constatação de que nem toda a documentação apresentada na impugnação havia sido remetida ao órgão julgador para exame. NULIDADE DO LANÇAMENTO Afasta-se a nulidade arguida, ante a comprovação de que o auto de infração foi formalizado com obediência a todos os requisitos previstos em lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário:2006 CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custos e de despesas requer a prova documental e hábil das respectivas operações. DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO DE ADMINISTRADORES. Nos termos do inciso IV do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, para efeito de apuração do lucro real, são indedutíveis as despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores. BENEFÍCIOS INDIRETOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS. Ex-vi do art. 358, I, “a” do RIR/1999, integram a remuneração dos beneficiários os encargos de depreciação de veículos utilizados no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica. Ante a falta de comprovação de que as despesas glosadas referem-se a veículos utilizados pelos empregados que integram as categorias funcionais expressamente referidas no dispositivo legal, cancela-se a exigência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário:2006 REMUNERAÇÃO INDIRETA. As remunerações indiretas a administradores ou terceiros, que deixaram de ser incorporadas aos respectivos rendimentos tributáveis, estão sujeitas à tributação exclusiva na fonte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 20622DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.623 4 Ano-calendário:2006 MANDADO DE SEGURANÇA. EXTENSÃO DOS EFEITOS. A sentença proferida em mandado de segurança não faz coisa julgada quanto à ilegitimidade, em tese, da cobrança de certo tributo, visto que a concessão do “writ” diz respeito estrito à cobrança tópica do tributo ou contribuição em exercício determinado. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Pela relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento decorrente a decisão prolatada em relação à exigência principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Os autos de infração de IRPJ/CSLL e IRRF estão juntados (fls. 250/286). DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o relatório da decisão recorrida, "Trata o presente processo de autos de infração lavrados no âmbito da Delegacia de Fiscalização no Rio de Janeiro DEFIC/ RJ, relativos ao ano calendário de 2006, por meio dos quais são exigidos do interessado acima identificado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica/IRPJ no valor de R$ 6.269.391,26 (fls. 250/259); a contribuição social sobre o lucro líquido/CSLL no valor de R$ 2.304.382,46 (fls.260/267); o imposto sobre a renda retido na fonte/IRRF nos valores de R$ 140.134,09 (fls. 268/277) e R$ 2.118.885,72 (fls.278/286), todos acrescidos de multa de ofício de 75% e de juros de mora". DA IMPUGNAÇÃO OFERTADA Ainda lançando mão do relatório da DRJ, apontam-se os itens principais da impugnação acostada (fls. 298/310): Diz a contribuinte em sua peça inaugural de defesa que: Para consecução de seu objeto social, integra o Consórcio de Alumínio do Maranhão/ALUMAR, juntamente com as empresas Rio Tinto/Alcan e Alcoa; Toda a documentação fiscal atinente ao empreendimento fica em poder da Consorciada Líder, razão pela qual não pôde dispor da totalidade dos documentos solicitados no curso do procedimento da fiscalização; As despesas incorridas contabilizadas são dedutíveis como despesas operacionais, por atenderem aos pressupostos legais; A vasta documentação que ora se anexa pode comprovar a dedutibilidade das despesas contabilizadas nas seguintes contas: 700000, 716100, 600160, 630010 e 716000; Não obstante os reiterados pedidos de prorrogação do prazo estipulado para comprovação das despesas supracitadas, o auto de infração foi Fl. 20623DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.624 5 lavrado antes da conclusão do levantamento da documentação requerida, o que por si só caracteriza nítido e inafastável cerceamento de direito de defesa; Na medida em que o presente auto de infração foi lavrado sem a devida instrução, o mesmo deve ser anulado; Por outro lado, o processo administrativo fiscal permite ao contribuinte a produção da prova documental em seu curso, portanto, requer a análise detalhada de todas as notas fiscais anexas à presente impugnação; Todos os gastos efetuados com cartões de crédito foram regularmente identificados e podem ser facilmente classificados como verbas de representação; Se a fiscalização considerou as referidas despesas como remuneração indireta, deveria ter verificado a possibilidade de sua dedução na apuração do lucro real, a teor do disposto no art. 358, §3º, I do RIR/1999; As mesmas conclusões aplicam-se às contribuições feitas pelo interessado a planos de previdência de seus funcionários, na modalidade “PGBL”, que, se consideradas como remunerações indiretas, devem ensejar a dedução de que trata o art. 358 do RIR/1999; Relativamente aos veículos, a fiscalização não observou o disposto no parágrafo único do art. 25, da Instrução Normativa nº 11, de 1996; Nem ao menos se faz necessária perícia técnica para verificar que os veículos são de fundamental importância para os deslocamentos realizados até a sua planta industrial, localizada no Estado do Maranhão, bem como nas suas atividades operacionais; No que diz respeito a pagamento a beneficiário não identificado, pelas mesmas razões já expostas, não pôde dispor dos documentos solicitados no curso da fiscalização; para que se assegure o seu pleno direito de defesa, requer a realização de diligência; houve violação à coisa julgada, haja vista não se submeter à incidência da CSLL em razão de decisão judicial. DA DECISÃO RECORRIDA Analisando o litígio, a 2ª Turma da DRJ/RJ1 inicialmente converteu o julgamento em diligência e em seguida prolatou substanciosa e detalhada decisão na qual, depois de analisar profundamente todos os itens de custos/despesas incomprovado apontados na acusação e as justificativas da contribuinte, deu parcial provimento à impugnação para afastar parte dos lançamentos, restando em litígio os valores abaixo discriminados (Ac. DRJ – fls. 14543/14545): Fl. 20624DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.625 6 Detalhados da seguinte forma: Fl. 20625DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.626 7 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do R. decisum em 23/07/2012 (fls. 14557/14558), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 23/082012 (fls. 14569/14588) no qual repele as conclusões da decisão recorrida e, no mérito, basicamente repisa os argumentos já expendidos na defesa de 1º Grau. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Subindo os autos à apreciação do Colegiado, a então 3ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul, decidiu, mediante a Resolução nº 1103.000.099, sessão de 6 de agosto de 2013 (fls. 14655/14665), pela conversão do julgamento em diligência, na forma das razões expostas no voto condutor e abaixo reproduzidas: “Para fins de comprovação de considerável parte dos custos/despesas escriturados, relacionados pela fiscalização, acostaram-se ao recurso voluntário análises realizadas pela consultoria Ernst & Young Terco que refutariam, no entender da defesa, as conclusões do acórdão da DRJ quanto ao rateio dos custos relacionados ao documento fiscal AR 61.329 e a respeito da escrituração do AR 35.163. Por amostragem, o Recorrente buscou identificar o registro contábil de mais 6 (seis) AR (nºs 64538, 66885, 68861, 76115, 16893 e 17325), tudo conforme fls.14.589/14.614. Considerando que o sujeito passivo compunha o Consórcio ALUMAR, cabe ressaltar que a Instrução Normativa RFB nº 834, de 26/03/08, vigente à época das autuações, dispunha que, por exemplo, os custos e despesas decorrentes das operações relativas às atividades dos consórcios deveriam ser apropriados, por cada pessoa jurídica, proporcionalmente à sua participação no empreendimento, conforme documento arquivado no órgão de registro, devendo a escrituração das operações das quais participou ser efetuada em seus próprios livros contábeis, fiscais e auxiliares (artigos 2º e 3º, §4º). De acordo com os acontecimentos, nota-se que desde o procedimento fiscal o contribuinte passou a disponibilizar paulatinamente a documentação quanto à comprovação dos custos/despesas. Vejamos. O procedimento fiscal iniciou-se em abril de 2009, sendo que ao final de julho daquele ano o contribuinte apresentou uma amostra de notas fiscais considerada insignificante pela fiscalização, até mesmo porque sequer se referiria a todas as contas contábeis auditadas. Em 08/02/10, lavrou-se Termo de Constatação e Intimação Fiscal em que, uma vez mais, requereu-se a comprovação, com documentação hábil, dos lançamentos escriturados. Em 01/03/10, o contribuinte informou que estaria com dificuldades para atender a algumas solicitações. Porém, em sede de impugnação, o contribuinte apresentou vasta documentação, que formaram 15 (quinze) anexos distribuídos em 53 Fl. 20626DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.627 8 (cinquenta e três) volumes, o que motivou a DRJ a determinar a realização da diligência mencionada no relatório. Em mais de uma oportunidade, já expressei o entendimento de que, em determinadas situações, o exercício do direito constitucional de defesa não pode ser elastecido a ponto de, no processo administrativo tributário federal, impor-se à fiscalização um ônus que essencialmente cabe ao contribuinte. Estamos diante de um desses casos, em que a defesa tenta transferir a análise de documentos que, repita-se, compuseram 53 (cinqüenta e três) volumes, às instâncias de julgamento, sem a mínima preocupação inicial de vinculá-los, detalhadamente, aos registros contábeis apontados pela fiscalização. Daí a razão, por determinação da DRJ, de a autoridade fazendária responsável pela diligência ter intimado o contribuinte a: “1) Relacionar, por escrito e em meio magnético (planilha eletrônica), de forma organizada, com totalização mensal e por conta, as cópias das notas fiscais/serviços apresentadas na impugnação do referido auto de infração; 2) Com base no relatório de despesas do item anterior, comprovar que as despesas referentes às notas fiscais/serviços apresentadas foram devidamente contabilizadas através de cópia dos livros contábeis onde constarem o registro de sua contabilização; 3) Apresentar a comprovação, através de documentação hábil e idônea, do efetivo pagamento das despesas das notas fiscais/serviços relacionadas no item 1.” Durante a diligência, o contribuinte, com base em análise da Ernst & Young Terco, sustentou que a documentação disponibilizada atestaria a comprovação das despesas nos seguintes termos: Isto posto, em que pese se reconhecer que, da data de ocorrência dos fatos geradores (2006) até a interposição do recurso voluntário (23/08/12), transcorreu tempo razoável para o contribuinte ter apresentado a comprovação pormenorizada dos custos/despesas, entendo, como medida de cautela a fornecer elementos seguros de convencimento, tendo em vista que as conclusões da DRJ foram contestadas, inclusive quanto aos percentuais de rateio empregados, que o pedido por nova diligência deve ser excepcionalmente acolhido. Sendo assim, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil intime o contribuinte para, em 30 (trinta) dias: Fl. 20627DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.628 9 a) apresentar cópia integral do contrato de constituição e funcionamento do Consórcio ALUMAR, bem como da suposta deliberação societária sobre a definição dos percentuais de rateio das despesas em 2006; b) indicar, pormenorizadamente, para as despesas em discussão, por conta contábil e mês, os percentuais de rateio, vinculando-os às respectivas fundamentações no contrato de constituição do Consórcio ALUMAR ou em deliberação societária; devendo as despesas ser necessariamente correlacionadas com as notas fiscais, registros contábeis e respectivos pagamentos, tudo com a devida identificação/localização nos autos. Após o recebimento da resposta do sujeito passivo, deve a fiscalização emitir parecer conclusivo acerca da comprovação ou não das despesas, podendo, ainda, se entender cabível, adotar providências adicionais para a solução da controvérsia, como requerer nova documentação ou esclarecimentos adicionais. Por fim, o contribuinte deve ter ciência do inteiro teor das considerações fiscais, facultando-lhe aditar o recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento”. Cumprido o determinado, com o Relatório Fiscal - Diligência (RFD - fls. 20486/20507), anexos elaborados pela autoridade que presidiu o feito e demais documentos juntados e manifestação da recorrente (fls. 20539), os autos voltaram para prosseguimento do julgamento. Tendo em vista a extinção da Turma que determinou a diligência, os autos foram redistribuídos a este Relator. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 20628DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.629 10 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone - Relator Já foi atestada anteriormente a tempestividade do Recurso Voluntário e confirmado seu recebimento e conhecimento. Não havendo preliminares a enfrentar, passo ao mérito. Como relatado, a discussão tem apenas um ponto nevrálgico a enfrentar: se os custos e despesas utilizados como dedução das bases imponíveis do IRPJ e da CSLL teriam cumprido os requisitos exigidos pela legislação para que a dedutibilidade se confirmasse e – subsidiariamente – lançamentos de IRRF sobre algumas destas rubricas por terem sido consideradas como pagamento sem causa (artigo 61, da Lei nº 8981/1995). Adicionalmente, acresça-se que a contabilização e registro destes custos e despesas fez-se na forma conhecida como “rateio”, na qual uma empresa “líder” centraliza toda a logística de contratação dos serviços e bens e efetua os pagamentos correspondentes, procedendo – posteriormente – à divisão proporcional dos valores a cada uma das participantes do pool, de acordo com critérios previamente fixados. Pois bem, que o chamado rateio de despesas entre empresas (de diferentes ou mesmo grupo acionário) já é realidade há vários anos no Brasil, fruto da necessidade de maximização de resultados e redução de gastos é indesmentível. Deste modo, os “Contratos de Compartilhamento de Custos e Despesas” ou “Cost Sharing Agreements” refletem operação em que empresas de um mesmo grupo econômico indicam, entre elas, aquela que ficará encarregada de prestar serviços (denominada “centro de custos”) em proveito das demais, centralizando os custos e despesas com o escopo de minimizar encargos e maximizar resultados. Não há controvérsias neste aspecto. Também incontroversa a necessidade de se fixar um parâmetro, um critério, um modo de mensurar, de forma proporcional (rateio), as despesas que serão distribuídas e alocadas a cada um dos participantes do grupo. De outro lado, imperioso destacar inexistir na legislação tributária federal um disciplinamento específico que trate do chamado “rateio de despesas”, realidade surgida no mundo empresarial pela globalização dos negócios e necessidade de se maximizar receitas e minimizar custos. Mais ainda, pela inconteste fusão de empresas gerando conglomerados de maior ou menor porte. A partir daí, a consequência foi inevitável: concentração das atividades meio em um único centro de custos, dividindo as despesas por todos os participantes do pool. De outra parte, esta realidade, como acontece com as evoluções sociais, financeiras, políticas, empresariais que quebram regras enraizadas ao longo do tempo, acabou por exigir resposta do legislador civil, penal, comercial, tributário, etc., de modo a ditar normas que acolham e racionalizem este novel procedimento. Fl. 20629DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.630 11 No que interessa, na seara tributária, inexistindo, como afirmado atrás, legislação específica tratando do tema “rateio de despesas”, o princípio de tudo deve ser tomado a partir da Lei nº 4.506/1964 (geral) e na sua esteira, a Lei nº 9.249/1996, a primeira por seu artigo 47 e a segunda no art. 13, ambos abaixo reproduzidos: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. § 3º Sòmente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita, furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos têrmos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial. § 4º No caso de emprêsa individual, a administração do impôsto poderá impugnar as despesas pessoais do titular da emprêsa que não forem expressamente previstas na lei como deduções admitidas se êsse não puder provar a relação da despesa com a atividade da emprêsa. § 5º Os pagamentos de qualquer natureza a titular, sócio ou dirigente da emprêsa, ou a parente dos mesmos, poderão ser impugnados pela administração do impôsto, se o contribuinte não provar: a) no caso de compensação por trabalho assalariado, autônomo ou profissional, a prestação efetiva dos serviços; b) no caso de outros rendimentos ou pagamentos, a origem e a efetividade da operação ou transação. § 6º Poderão ainda ser deduzidas como despesas operacionais as perdas extraordinárias de bens objeto da inversão, quando decorrerem de condições excepcionais de obsolescência de casos fortuitos ou de fôrça maior, cujos riscos não estejam cobertos por seguros, desde que não compensadas por indenizações de terceiros. § 7º Incluem-se, entre os pagamentos de que trata o § 5º, as despesas feitas, direta ou indiretamente, pelas emprêsas, com viagens para o exterior, equipando-se os gerentes a dirigentes de firma ou sociedade. (...) Fl. 20630DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.631 12 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I - de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo-terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) II - das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III - de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV - das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V - das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI - das doações, exceto as referidas no § 2º; VII - das despesas com brindes. VIII - de despesas de depreciação, amortização e exaustão geradas por bem objeto de arrendamento mercantil pela arrendatária, na hipótese em que esta reconheça contabilmente o encargo. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Admitir-se-ão como dedutíveis as despesas com alimentação fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados. § 2º Poderão ser deduzidas as seguintes doações: I - as de que trata a Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; II - as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição Federal, até o limite de um e meio por cento do lucro Fl. 20631DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L4506.htm#art47 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8981.htm#art43 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8981.htm#art43 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9065.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9065.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9430.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12973.htm#art9 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12973.htm#art119 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8313cons.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#art213i http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#art213i Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.632 13 operacional, antes de computada a sua dedução e a de que trata o inciso seguinte; III - as doações, até o limite de dois por cento do lucro operacional da pessoa jurídica, antes de computada a sua dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas no Brasil, sem fins lucrativos, que prestem serviços gratuitos em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora, e respectivos dependentes, ou em benefício da comunidade onde atuem, observadas as seguintes regras: a) as doações, quando em dinheiro, serão feitas mediante crédito em conta corrente bancária diretamente em nome da entidade beneficiária; b) a pessoa jurídica doadora manterá em arquivo, à disposição da fiscalização, declaração, segundo modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal, fornecida pela entidade beneficiária, em que esta se compromete a aplicar integralmente os recursos recebidos na realização de seus objetivos sociais, com identificação da pessoa física responsável pelo seu cumprimento, e a não distribuir lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretexto; c) a entidade beneficiária deverá ser organização da sociedade civil, conforme a Lei n o 13.019, de 31 de julho de 2014, desde que cumpridos os requisitos previstos nos arts. 3 o e 16 da Lei n o 9.790, de 23 de março de 1999, independentemente de certificação. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015) A leitura dos referidos dispositivos (assim como do artigo 299, do RIR/1999) leva à inevitável conclusão de que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar que - EFETIVAMENTE - incorreu na despesa e - tão importante quanto - que tais dispêndios eram usuais, necessários e normais à consecução de seus objetivos sociais. Nesse cenário, não tendo a legislação contemplado tal experiência, o mundo negocial e os operadores do direito estruturaram, a partir da jurisprudência, doutrina e atos normativos, o que seria indispensável para consumar o rateio e atender as normas tributárias. Naquilo que importa, o painel exige que: a) as despesas (custos) comprovadamente correspondam a bens e serviços recebidos e efetivamente pagos; b) sejam necessárias, usuais e normais nas atividades das empresas; c) o rateio ocorra através de critérios razoáveis e objetivos, previamente ajustados e devidamente formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; Fl. 20632DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13204.htm#art3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13204.htm#art3 Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.633 14 d) o critério de rateio esteja de acordo com o efetivo gasto de cada empresa e com o preço global pago pelos bens e serviços, em observância aos princípios técnicos ditados pela Contabilidade; e) a empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços aproprie como despesa tão-somente a parcela que lhe couber de acordo com o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, contabilizando as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar, sempre orientando a operação conforme os princípios regidos pela ciência contábil; f) a empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços, assim como as empresas descentralizadas, mantenham escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Neste eito, fica claro que não basta apenas comprovar que a despesa incorreu (a vista ou a prazo), que o serviço foi prestado ou o bem foi entregue (isto é elementar e óbvio). É preciso que este gasto, este custo, esta despesa tenha relação (direta ou indireta) com a produção da riqueza a que se propõe a sociedade, vale exprimir, seja partícipe do processo de auferição de receita, por isso, como reza a lei, usuais, normais e necessárias. Em dizer diverso, não basta que, i) haja uma despesa; que, ii) tenha sido paga pela centralizadora do centro de custos; que, iii) pela aplicação do percentual de rateio caberia às empresas participantes do pool os valores “a”, “b” ou “c”. MUITO MAIS QUE ISSO, é preciso que se comprove que o serviço ou o bem fornecido tenha alguma relação com as empresas, caso contrário estar-se-á permitindo que, mediante “rateio”, possa se dividir para todas as empresas, uma despesa que, efetiva e comprovadamente, pertença a apenas uma ou duas delas. Foi exatamente este o motivo que levou à decisão prudente da então 3ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de converter o julgamento em diligência, NÃO SEM ANTES O RELATOR ALERTAR SOBRE O DESCASO DA RECORRENTE EM JUNTAR ALEATORIAMENTE CENTENAS DE DOCUMENTOS. Veja-se novamente, em destaque, a manifestação do voto condutor da Resolução (fls. 14664): De todo modo, este prudente procedimento permitiu uma nova leitura dos autos, com informações e documentos que, com a conclusão da diligência, vieram em retorno para julgamento. Fl. 20633DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.634 15 Feitas estas colocações, passo a apreciar o Relatório Fiscal – Diligência (fls. 20486/20507) elaborado pela Autoridade Fiscal que presidiu o feito e que – louve-se – de forma profunda, técnica, detalhada e parcimoniosa, realizou trabalho exemplar, permitindo depurar todos os valores que foram glosados pelo Fisco e os que restaram posteriormente comprovados (parcialmente). Assim, depois de relatar todo o procedimento (fls. 20486/20505), concluiu a diligência (fls. 20505/20507): “Outrossim, cumpre informar que os lançamentos registrados no razão da BHP compatíveis com os lançamentos registrados no razão do Consórcio Alumar fazem parte do arquivo “Tudo Igual – Lançamentos Comprovados.xlsx” (pastas 0384L, 0384G e 0384P) (fls. 20485). 3- CONCLUSÃO Inicialmente cumpre esclarecer que o contribuinte foi instado a apresentar documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar despesas/custos no montante de R$ 25.604.239,62, todavia o contribuinte apresentou relação de despesas/custos - arquivo EXCEL “Glosa de despesas - Validação rateio (com % variavel) Novas infos (0104)” -, acompanhada de documentos de prova, que totalizava R$ 13.263.585,30. Portanto, despesas/custos, no montante de R$ 12.340.654,32, não foram comprovados pelo contribuinte. Pelo fato, o tópico “2.1- Da análise dos documentos e esclarecimentos prestados pelo contribuinte” deste Relatório tratou de analisar apenas as despesas/custos registrados nas contas 700000, 715000 e 716100 no montante de R$ 13.263.585,30. A análise se deu de acordo com o descrito no tópico 2.1, chegando-se a conclusão da manutenção da glosa das despesas/custos conforme tabela consolidada a seguir: Fl. 20634DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.635 16 Assim, o contribuinte deixou de comprovar despesas e custos no montante de R$ 13.913.628,42. Outrossim, cumpre informar que os lançamentos registrados no razão da BHP compatíveis com os lançamentos registrados no razão do Consórcio Alumar fazem parte do arquivo “Tudo Igual – Lançamentos Comprovados.xlsx” (pastas 0384L, 0384G e 0384P) (fls. 20485)”. Sintetizando, restou INCOMPROVADO, por isso mantido, o montante de R$ 13.913.628,42 e COMPROVADOS, ou seja, exonerados os lançamentos em R$ 11.690.611,20. Posição que a própria recorrente – literalmente – reconheceu como correta, conforme petição juntada (fls. 20539): Fl. 20635DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.636 17 Pelo exposto, neste tópico, encaminho meu voto para ratificar a diligência e dar provimento parcial ao recurso voluntário, conforme explicitado ao final. DOS LANÇAMENTOS DE CSLL Acerca das alegações da recorrente de que estaria ao largo da tributação da CSLL por força de decisão judicial que lhe aproveitaria, sirvo-me dos bens lançados argumentos expostos pelo voto condutor da decisão recorrida, com os quais concordo e aqui adotados como razões de decidir (fls. 14540/ “94. O lançamento da CSLL decorreu de falta de comprovação de custos e despesas discriminados nos parágrafos 2.1 e 2.2 do relatório. Mesmo na fase impugnatória, o interessado não logrou fazê-lo a contento como já mencionado no voto. 95. Entretanto alegou que exigir a CSLL viola a coisa julgada material, posto que nos termos do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos autos da apelação em mandado de segurança nº 90.02.072481, a 2ª Turma daquele Tribunal, por maioria de votos, deu provimento à apelação para reconhecer a inexigibilidade da CSLL instituída pela Lei nº 7.689/1988. 96. Assim, para a elucidação do presente litígio, cabe analisar o alcance da apelação em mandado de segurança transitada em julgado. Fl. 20636DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.637 18 97. O mandado de segurança, na forma como previsto no art. 5º, LXIX, da atual Carta Magna, é cabível para proteger direito líquido e certo não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. 98. Pelo texto constitucional infere-se que, no mandado de segurança, o direito é inquestionável, porquanto líquido e certo. Direito esse já ferido pelo coator ou quando há possibilidade real de ferimento. 99. O mandado de segurança pode ser repressivo de uma ilegalidade já cometida, ou preventivo quando o impetrante demonstrar justo receio de sofrer uma violação de direito líquido e certo por parte da autoridade impetrada. Nesse caso, porém, sempre haverá a necessidade de comprovação de um ato ou uma omissão concreta que esteja pondo em risco o direito do impetrante, ou no dizer de Caio Tácito, “atos preparatórios ou indícios razoáveis, a tendência de praticar atos, ou omitir-se a fazê-los, de tal forma que, a conservar-se esse propósito, a lesão de direito se torne efetiva” (Alexandre de Moraes, Curso de Direito Constitucional). 100. Em apelação em mandado de segurança nº 96216, o Tribunal Federal de Recursos entendeu que“(...) receio justo de violação de direito, capaz de autorizar a impetração do mandado de segurança preventivo, é aquele que tem por pressuposto uma ameaça objetiva e atual a direito, apoiada em fatos e atos e não em meras suposições, fatos e atos atuais”. 101. De acordo com a lição de Sérgio Ferraz, em “Mandado de Segurança (Individual e Coletivo)”, a sentença poderá ser condenatória, constitutiva, na maior parte das vezes, e mesmo executória. Em todos esses casos, ela ainda será, em maior ou menor grau, mas nunca com exclusividade, à vista da própria dicção da previsão constitucional, declaratória. 102. Contudo, não se trata de uma carga declaratória aberta, de cunho normativo, invocável como regra para situações administrativas análogas: de acordo com o citado autor, a força declaratória dirige-se unicamente ao ato coator já praticado, atingindo, no máximo, outros idênticos, já em vias de consumação. Nesses limites, a segurança poderá ter, a um só tempo, feição corretiva e preventiva. Mas, em face de uma praxe administrativa coercitiva, que se pratica em periodicidade previsível, se o interessado quiser afastar, de uma vez, a renovação de constrições, deve-se utilizar de outros instrumentos jurídicos (cautelares, ação de inconstitucionalidade, etc.), que não o mandado de segurança. 103 Assim, o mandado de segurança só serve de remédio jurídico para a proteção de direito líquido e certo ferido por ato concreto da autoridade administrativa ou na hipótese de existência de elementos plausíveis que ensejam o justo receio de lesão a esse direito, uma vez que não cabe mandado de segurança contra lei latu sensu em tese, conforme verbete da Súmula nº 266 do Supremo Tribunal Federal. 104. Consequentemente, na área tributária, não se concebe a existência de sentença concessiva in genere e para todos os casos futuros, com cunho de normatividade, como a mera declaração de desobrigação do impetrante de pagar não só os atuais créditos tributários, mas também os que sejam decorrentes de fatos geradores futuros. 105. Admitir-se a extensão do pedido objeto do mandado de segurança para períodos base subsequentes implicaria impetração contra fatos geradores hipotéticos, ou seja, contra lei em tese, porquanto ninguém pode adivinhar se a pessoa jurídica irá ou não praticar atos que correspondam à concretização da hipótese prevista num comando legal inquinado. 106. A extensão e os efeitos da decisão judicial transitada em julgado relativa a mandado de segurança também já foi objeto de análise por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 20637DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.638 19 107. De acordo com as conclusões do Parecer PGFN/CRJN/nº 182/1993, a decisão, em mandado de segurança, não cabe ser estendida a atos futuros em decorrência de fatos imponíveis futuros, isto porque estes não representam violação ou ameaça a direito líquido e certo, restringindo-se os efeitos da coisa julgada apenas em relação aos atos da autoridade Fiscal que tenham violado ou ameaçado direito do impetrante, visto que o mandado de segurança não é meio processual adequado para atacar lei em tese, nem substitui ação, meramente, declaratória. A declaração de inconstitucionalidade, no mandado de segurança, representa mero motivo de ordem, que, nos termos dos art. 649, I, do C.P.C, não faz coisa julgada. A res judicata só atinge o ato atacado já praticado, ou, no máximo, outros idênticos, em vias de consumação. 108. Ainda de acordo com o referido Parecer, o decisum somente faz coisa julgada, afastando a possibilidade de novos lançamentos referentes a eventos futuros, quando for oriundo de ação declaratória referente a questões situadas no plano do direito fiscal material e, mesmo nesse caso, a res judicata não impede que lei nova passe a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência (art. 471, I, CPC). 109. Cabe ainda destacar que tanto o entendimento da doutrina citada quanto da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional estão em consonância com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, verbis: “Processo Civil – Mandado de Segurança. Não se presta à obtenção de sentença preventiva genérica, aplicável a todos os casos futuros da mesma espécie.” (2ª Turma do STF, Ag. 91060). “Sentença proferida em mandado de segurança não faz coisa julgada quanto à ilegitimidade, em tese, da cobrança de certo tributo, visto que a concessão do writ diz respeito estrito à cobrança tópica do tributo em exercício determinado.” (Recurso Extraordinário nº 100.125PR, Relator Ministro Francisco Rezek). “Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores.” (Súmula 239) 110. No caso em apreço, considerando que o trânsito julgado do acórdão proferido no mandado de segurança ocorreu em 18/02/1992 e, conforme entendimento acima exarado, o alcance da decisão está limitado à exigência fiscal em época precisa, apoiada em lei certa e em fato gerador específico, não há como considerar que tal decisão abarque o presente lançamento, dado que o auto de infração de CSLL (fls. 250/257) foi lavrado em 15/03/2010 e diz respeito a fato gerador ocorrido no ano calendário de 2006, isto é, posterior ao trânsito em julgado da ação judicial. 111. Neste mesmo sentido, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes e, mais claramente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme seguintes ementas: COISA JULGADA – LIMITES OBJETIVOS – CSLL – A matéria submetida aos efeitos da coisa julgada suscitada pelo sujeito passivo diz respeito ao período de vigência da Lei nº. 7.689, de 1988, anterior aos fatos, objetos do lançamento de ofício, que compreenderam exercícios posteriores, à luz de novel legislação da CSLL. Limite temporal da coisa julgada. Lançamento procedente, na esteira de entendimento do STJ e da CSRF. (1º CC Acórdão 10195200, data da Sessão: 13/09/2005, Relator: Orlando José Gonçalves Bueno) "COISA JULGADA" EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA – ALCANCE – Em matéria tributária a chamada "coisa julgada" tem limites: 1) Tratando-se de Mandado de Segurança, a eficácia da coisa julgada deve ficar restrita ao período de incidência que fundamentou a busca Fl. 20638DF CARF MF Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.639 20 da tutela jurisdicional, não se aplicando, portanto, às relações futuras, relações continuativas; 2) Tratando-se de Ação Declaratória de Inexistência da Relação Jurídica pesam contra a perenidade da decisão: a) a alteração superveniente da legislação (art. 471, I, do Código de Processo Civil); e b) a superveniência da Declaração de Constitucionalidade, exarada pela Suprema Corte. (1º CC Acórdão 10707048, data da Sessão: 19/03/2003, relator: Octávio Campos Fischer). 112. Em sendo assim, rejeitam-se as alegações do interessado e mantém-se a exigência da CSLL”. DOS LANÇAMENTOS DE IRRF São duas as estampas que envolvem estes lançamentos e em ambas a razão não está com a recorrente. Explico, no primeiro caso, tributação na fonte de pagamentos a beneficiários não identificados, os valores tributados na fonte, escriturados em 18/10/2006 a título de despesa antecipadas, já reajustados nos termos do art. 674, do RIR/1999, foram de R$ 1.197.064,98 e R$ 2.223.120,74.] Em sua defesa, a recorrente tão somente relata não ter tido condições de apresentar documentação comprobatória. Ou seja, não houve qualquer prova contrária ao trabalho do Fisco que pudesse dar sustento à tese da recorrida. Ausente prova documental, os argumentos se perdem e se transformam em meras alegações, por isso, sem robustez probatória. Desse modo, mantêm-se os lançamentos. O segundo tópico cuida de tributação na fonte da remuneração indireta, dizendo respeito a valores contabilizados na conta contábil nº 600267 (Salários/Custos/Contribuição/Definida PE). A decisão a quo já procedeu à exoneração dos valores indevidamente incluídos pelo Fisco (Ac. DRJ – fls. 14540), restando em litígio o Sabidamente, por se referirem a vantagens concedidas individualmente a dirigentes, deveriam integrar a remuneração dos beneficiários, na forma do art. 358 do RIR/1999 2 . Inobservado este procedimento, a regra prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do referido dispositivo do RIR/1999 é incisiva: 2 Art. 358. Integrarão a remuneração dos beneficiários (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74): I - a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; Fl. 20639DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art74 Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.640 21 § 1º A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes, observado o disposto no art. 622 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 1º). § 2º A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, observado o disposto no art. 675 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 3º Os dispêndios de que trata este artigo terão o seguinte tratamento tributário na pessoa jurídica: I - quando pagos a beneficiários identificados e individualizados, poderão ser dedutíveis na apuração do lucro real; II - quando pagos a beneficiários não identificados ou beneficiários identificados e não individualizados (art. 304), são indedutíveis na apuração do lucro real, inclusive o imposto incidente na fonte de que trata o parágrafo anterior. Normatização de pleno conhecimento da recorrente, tanto que em seus registros, na apuração do lucro real, adicionou tais valores ao lucro líquido. Nessa linha, descumprido o comando legal, a imputação fiscal torna-se irrepreensível e demanda não só a indedutibilidade dos valores pagos como do imposto de II - as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagas diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no inciso I. § 1º A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes, observado o disposto no art. 622 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 1º). § 2º A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, observado o disposto no art. 675 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 3º Os dispêndios de que trata este artigo terão o seguinte tratamento tributário na pessoa jurídica: I - quando pagos a beneficiários identificados e individualizados, poderão ser dedutíveis na apuração do lucro real; II - quando pagos a beneficiários não identificados ou beneficiários identificados e não individualizados (art. 304), são indedutíveis na apuração do lucro real, inclusive o imposto incidente na fonte de que trata o parágrafo anterior. Fl. 20640DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#art622 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art74%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art74%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#art675 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art74%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art74%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8981.htm#art41%C2%A761 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#art304 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#art622 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art74%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#art675 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art74%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8981.htm#art41%C2%A761 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8981.htm#art41%C2%A761 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#art304 Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.641 22 renda retido na fonte, apurado este com a base de cálculo devidamente reajustada, a teor do artigo 675, do RIR/1999: Art. 675. A falta de identificação do beneficiário das despesas e vantagens a que se refere o art. 622 e a sua não incorporação ao salário dos beneficiários, implicará a tributação exclusiva na fonte dos respectivos valores, à alíquota de trinta e cinco por cento (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 1º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas integralmente os lançamentos de IRRF. Neste cenário, por tudo o que consta nos autos e com suporte na conclusão da diligência, fonte que, mesmo não vinculante, deve servir de subsídio ao julgador (conforme pacificado no CARF) 3 e nos documentos com ela juntados, impende reconhecer, NESTA FASE RECURSAL, a comprovação de R$ 11.690.611,20 e restarem não comprovados, por isso mantidos, os valores tributáveis de IRPJ e de CSLL no total de R$ 13.913.628,42. Concluindo, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para: i) excluir da tributação do IRPJ e da CSLL o montante de R$ 11.690.611,20; ii) manter os lançamentos de IRPJ e de CSLL no importe de R$ 13.913.628,42; e, iii) manter integralmente os lançamentos de IRRF. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone 3 Processo nº 10580.011166/2002-00 Acórdão nº 1101-00008 – Sessão de 11/03/2009 – Relator Valmir Sandri Decisão – Provimento parcial ao recurso para reduzir a matéria tributável para (...) valor apurado na diligência fiscal. RECOMPOSIÇÃO DE BASES - A diligência fiscal resultou em recomposição das bases tributáveis objeto do lançamento. O julgamento administrativo é norteado pelo Princípio da Verdade Material, constituindo-se em dever do Julgador Administrativo a sua busca incessante. Adequação do lançamento de acordo com ajustes reconhecidos pela própria autoridade fiscal em diligência realizada. Fl. 20641DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#art622 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art74%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8981.htm#art61%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8981.htm#art61%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8981.htm#art61%C2%A73 Processo nº 12897.000083/2010-59 Acórdão n.º 1402-003.123 S1-C4T2 Fl. 20.642 23 Fl. 20642DF CARF MF Relatório Voto
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Numero do processo: 10183.000724/2005-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL.
A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.
Numero da decisão: 9303-006.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para determinar a incidência da Taxa Selic a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento posteriores ao Despacho Decisório, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para determinar a incidência da Taxa Selic a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento posteriores ao Despacho Decisório, AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 07 24 /2 00 5- 29 Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 9303006.964 CSRFT3 Fl. 3 2 vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no acórdão nº 3201000.658, de 06 de abril de 2011 (efolhas 591 e segs), integrado pelo acórdão nº 3201001.161, de 22 de agosto de 2012 (efolhas 619 e segs), que receberam, respectivamente, as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NO INCENTIVO. Na base de cálculo do crédito presumido de IPI, concebido como ressarcimento das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as aquisições efetuadas no mercado interno, devem ser incluídas as aquisições do produtorexportador que não sofreram a incidência das referidas exações, inclusive aquelas efetuadas de pessoas físicas, na forma já decidida pelo STJ na sistemática de recurso repetitivos. CORREÇÃO MONETÁRIA DO CRÉDITO. SELIC. Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 9303006.964 CSRFT3 Fl. 4 3 Na forma da jurisprudência do STJ, a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. (...) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA PerÍodo de apuraçÃo: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO0. AUSÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO. Não se dá provimento a embargos de declaração quando do fundamento do voto e possível extrair todos os argumentos lógicos que levam a conclusão do mesmo, inexistindo contradição, obscuridade ou omissão. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 626 e segs) referese à correção, pela Taxa Selic, do Crédito Presumido do IPI em pedidos de ressarcimento (Repetitivos nºs 1.035.847 e 993.164). O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 1.422 e segs. Contrarrazões do contribuinte às efolhas 1.431 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 9303006.964 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que, no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, nos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorre de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhece expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispuseram referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 9303006.964 CSRFT3 Fl. 6 5 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp nº 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 9303006.964 CSRFT3 Fl. 7 6 inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém, da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 9303006.964 CSRFT3 Fl. 8 7 Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidênca da Taxa Selic. No CARF, a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção darseia somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 9303006.964 CSRFT3 Fl. 9 8 ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.º 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 9303006.964 CSRFT3 Fl. 10 9 prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 9303006.964 CSRFT3 Fl. 11 10 forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Parece me um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Neste sentido, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para determinar a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento posteriores ao Despacho Decisório. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 1471DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.721351/2015-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE DADOS PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ACESSO E UTILIZAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que possibilita o acesso a dados da movimentação bancária do contribuinte obtidos junto à instituição financeira sem prévia autorização do Poder Judiciário.
(Súmula Carf nº 2)
REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. EFEITOS SOBRE OS ATOS PRATICADOS. SÚMULA CARF Nº 75.
Uma vez decorrido o prazo de sessenta dias sem nenhum ato de ofício que indique o prosseguimento dos trabalhos de fiscalização, com ciência do sujeito passivo, está configurada a reaquisição da espontaneidade, a qual aplica-se retroativamente, alcançando os atos praticados no período em que estava com sua espontaneidade excluída.
(Súmula Carf nº 75)
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. ENTREGA DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA VÁLIDA.
Afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao patamar básico no percentual de 75%, quando a retificação da declaração de rendimentos, entregue no período em que houve a reaquisição da espontaneidade, faz desaparecer os motivos justificados pelo agente lançador para a duplicação do percentual da penalidade.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CÔNJUGES. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS.
A declaração de rendimentos apresentada em conjunto pelo casal autoriza o vínculo de solidariedade atribuído ao cônjuge, na condição de declarante subsidiário, quanto aos créditos tributários decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, assim como de dedução indevida de despesas médicas.
Numero da decisão: 2401-005.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos voluntários e rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria, dar provimento parcial aos recursos para, relativamente ao ano-calendário de 2013: a) reduzir a glosa de despesas médicas para R$ 13.124,16; b) considerar como base de cálculo declarada e imposto declarado os valores constantes da declaração de rendimentos retificadora, entregue em 10/06/2014; e c) afastar a qualificadora da multa de ofício, reduzindo-a para 75%, no que tange à infração dedução indevida de despesas médicas. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite, que excluíam a solidariedade do cônjuge, em relação aos depósitos bancários.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE DADOS PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ACESSO E UTILIZAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que possibilita o acesso a dados da movimentação bancária do contribuinte obtidos junto à instituição financeira sem prévia autorização do Poder Judiciário. (Súmula Carf nº 2) REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. EFEITOS SOBRE OS ATOS PRATICADOS. SÚMULA CARF Nº 75. Uma vez decorrido o prazo de sessenta dias sem nenhum ato de ofício que indique o prosseguimento dos trabalhos de fiscalização, com ciência do sujeito passivo, está configurada a reaquisição da espontaneidade, a qual aplica-se retroativamente, alcançando os atos praticados no período em que estava com sua espontaneidade excluída. (Súmula Carf nº 75) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. ENTREGA DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA VÁLIDA. Afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao patamar básico no percentual de 75%, quando a retificação da declaração de rendimentos, entregue no período em que houve a reaquisição da espontaneidade, faz desaparecer os motivos justificados pelo agente lançador para a duplicação do percentual da penalidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CÔNJUGES. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. A declaração de rendimentos apresentada em conjunto pelo casal autoriza o vínculo de solidariedade atribuído ao cônjuge, na condição de declarante subsidiário, quanto aos créditos tributários decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, assim como de dedução indevida de despesas médicas.
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FORNECIMENTO DE DADOS PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ACESSO E UTILIZAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que possibilita o acesso a dados da movimentação bancária do contribuinte obtidos junto à instituição financeira sem prévia autorização do Poder Judiciário. (Súmula Carf nº 2) REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. EFEITOS SOBRE OS ATOS PRATICADOS. SÚMULA CARF Nº 75. Uma vez decorrido o prazo de sessenta dias sem nenhum ato de ofício que indique o prosseguimento dos trabalhos de fiscalização, com ciência do sujeito passivo, está configurada a reaquisição da espontaneidade, a qual aplicase retroativamente, alcançando os atos praticados no período em que estava com sua espontaneidade excluída. (Súmula Carf nº 75) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. ENTREGA DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA VÁLIDA. Afastase a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao patamar básico no percentual de 75%, quando a retificação da declaração de rendimentos, entregue no período em que houve a reaquisição da espontaneidade, faz desaparecer os motivos justificados pelo agente lançador para a duplicação do percentual da penalidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 13 51 /2 01 5- 15 Fl. 558DF CARF MF Processo nº 13971.721351/201515 Acórdão n.º 2401005.552 S2C4T1 Fl. 559 2 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CÔNJUGES. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. A declaração de rendimentos apresentada em conjunto pelo casal autoriza o vínculo de solidariedade atribuído ao cônjuge, na condição de declarante subsidiário, quanto aos créditos tributários decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, assim como de dedução indevida de despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos voluntários e rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria, dar provimento parcial aos recursos para, relativamente ao anocalendário de 2013: a) reduzir a glosa de despesas médicas para R$ 13.124,16; b) considerar como base de cálculo declarada e imposto declarado os valores constantes da declaração de rendimentos retificadora, entregue em 10/06/2014; e c) afastar a qualificadora da multa de ofício, reduzindoa para 75%, no que tange à infração dedução indevida de despesas médicas. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite, que excluíam a solidariedade do cônjuge, em relação aos depósitos bancários. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), através do Acórdão nº 0441.272, de 06/07/2016, cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado pela fiscalização (fls. 419/431): Fl. 559DF CARF MF Processo nº 13971.721351/201515 Acórdão n.º 2401005.552 S2C4T1 Fl. 560 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012, 2013, 2014 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe a apreciação sobre inconstitucionalidade arguida na esfera administrativa DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA. SIGILO BANCÁRIO. SIGILO FISCAL Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. ESPONTANEIDADE O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. DA PROPORCIONALIDADE E DA VEDAÇÃO AO CONFISCO As multas aplicadas são as previstas na legislação e não ocorreu a ofensa ao princípio da proporcionalidade nem à vedação ao confisco. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE EM PARTE A multa qualificada está prevista no §1º do artigo 44 da lei 9.430/96 e diz que o percentual de multa de ofício será duplicado nos casos de sonegação, fraude e conluio previstos na Lei nº. 4.502, de 30 de novembro de 1964. Para se configurar a sonegação a Autoridade Fiscal deve caracterizar o elemento dolo. Somente deve ser mantida a multa qualificada em relação à parte do crédito tributário que a Autoridade Fiscal comprovou e descreveu o elemento dolo para caracterizar a multa qualificada. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 13971.721351/201515 Acórdão n.º 2401005.552 S2C4T1 Fl. 561 4 SOLIDARIEDADE PASSIVA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS No caso de contas mantidas em conjunto e declaração em conjunto, os dois titulares são pessoas com interesse comum na situação que constitui o fato gerador e, portanto, está correto o lançamento tributário de depósitos bancários de origem não comprovada em nome de ambos os cônjuges. DO PEDIDO DE PERÍCIA Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos na legislação. Impugnação Procedente em Parte 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 19/38, que o processo administrativo é composto, na origem, da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%, em virtude das seguintes infrações: (i) omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013; e (ii) dedução indevida a título de despesas médicas, no valor de R$ 50.615,88, relativo ao anocalendário de 2013. 2.1 Sobre o crédito tributário lançado foi aplicada a multa qualificada no importe de 150%, nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2.2 A fiscalização arrolou a cônjuge do contribuinte, Érica Becker de Araújo, como responsável solidária relativamente aos créditos tributários constituídos, considerando a opção do casal pela apuração na declaração de rendimentos em conjunto, suficiente para caracterizar o interesse comum (art. 124, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional CTN). 3. O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 03/17, enquanto a relação de depósitos bancários não comprovados, por data e valor, faz parte dos Anexos 01 e 05 do Termo de Intimação nº 2014.00331803 (fls. 279/307). 4. A ciência da autuação ao devedor principal se deu por via postal em 07/05/2015, tendo o contribuinte apresentado impugnação no dia 08/06/2015 (fls. 365/366 e 385/401). 4.1 Por sua vez, após frustrada a intimação via postal, o devedor solidário foi cientificado por meio de edital, na data de 26/05/2015, com protocolo da impugnação também em 08/06/2015 (fls. 371/372 e 375/385). 5. Ambos os sujeitos passivos foram intimados da decisão de piso, por via postal, em 19/07/2016, com apresentação, em separado, de recurso voluntário, no dia 18/08/2016, contendo, porém, os mesmos argumentos de fato e direito, a seguir resumidos (fls. 467/468, 470/510 e 512/552). Fl. 561DF CARF MF Processo nº 13971.721351/201515 Acórdão n.º 2401005.552 S2C4T1 Fl. 562 5 (i) o auto de infração é nulo, porque a quebra do sigilo bancário se deu sem prévia ordem judicial, tampouco foi autorizado o acesso aos dados pelos titulares das contas correntes, constituindose em prova nula; (ii) houve cerceamento de defesa, visto que os recorrentes não tiveram acesso ao conteúdo das diligências realizadas pela fiscalização; (iii) o lançamento também está eivado de nulidade por desrespeito às regras de emissão do Mandado de Procedimento Fiscal; (iv) O § 4º do art. 5º do art. 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou tacitamente o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que trata da presunção legal de omissão de rendimentos com base na falta de comprovação da origem dos depósitos bancários; (v) a quebra do sigilo bancário é inconstitucional e ilegal; (vi) nos últimos anos, Vicente Rogério de Araújo, enfrentou grave problema de saúde, já que acometido de um câncer, não se podendo presumir máfé na declaração das despesas médicas, o qual possui os comprovantes de tais despesas; (vii) cabe aceitar a retificação da declaração de imposto de renda, até porque houve a reaquisição da espontaneidade quando do decurso de mais de 60 (sessenta) dias entre duas intimações do agente fiscal; (viii) não há razão para a aplicação de multa qualificada, a qual revelase inconstitucional e ilegal; e (ix) a atribuição da solidariedade passiva ao cônjuge em razão do regime de casamento está em desacordo com os preceitos legais vigentes, haja vista a falta de qualquer participação daquele na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. É o relatório. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 13971.721351/201515 Acórdão n.º 2401005.552 S2C4T1 Fl. 563 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade dos recursos voluntários e, por conseguinte, deles tomo conhecimento. Preliminares 7. Logo de início, no que tange à infração de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, os recorrentes defendem a nulidade das provas obtidas, porque coletadas sem obedecer aos critérios de constitucionais e/ou legais. 8. Não lhes assiste razão. Nessa matéria, o procedimento fiscal encontrase amparado pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) 8.1 O trabalho fiscal respeitou também o Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, o qual regulamentou o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras, com preservação rigorosa do sigilo dos dados obtidos pela administração tributária. 9. No caso, o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações ou dados acerca da movimentação financeira do contribuinte nas instituições financeiras, desde que instaurado previamente o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 13971.721351/201515 Acórdão n.º 2401005.552 S2C4T1 Fl. 564 7 10. Uma vez cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001, a requisição de dados bancários pelo Fisco, sem prévia intervenção judicial, estará respaldada pela lei, quando justificada pela autoridade administrativa a indispensabilidade do respectivo exame. 11. Afastar a presunção de constitucionalidade de lei, aprovada pelo Poder Legislativo, demanda apreciação e decisão por parte do Poder Judiciário. 11.1 Escapa à competência dos órgãos julgadores administrativos a declaração de inconstitucionalidade de lei tributária, por violação ao sigilo bancário previsto na Constituição da República de 1988, em decorrência do repasse de dados e/ou informações à Administração Tributária pelas instituições financeiras, sem prévia autorização judicial. Argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. 12. Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 13. Ainda a respeito do sigilo bancário, faz dois anos que o Supremo Tribunal Federal (STF) analisou o tema, na sessão do dia 24/02/2016, por meio do Recurso Extraordinário (RE) nº 603.314/SP, de relatoria do Ministro Edson Fachin, julgado sob a sistemática da repercussão geral. 13.1 O Tribunal Constitucional concluiu, em síntese, que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, na sua atividade fiscalizatória, pode acessar dados bancários fornecidos diretamente pelas instituições financeiras sem necessidade de prévia ordem judicial, com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, não havendo, nas hipóteses previstas em lei, ofensa ao direito ao sigilo bancário protegido pela Constituição da República de 1988. 13.2 Para melhor visualização do decidido pelo STF, reproduzo, na sequência, parte da ementa do RE nº 603.314/SP: (...) 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 13971.721351/201515 Acórdão n.º 2401005.552 S2C4T1 Fl. 565 8 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. (...) 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (DESTAQUES DO ORIGINAL) 14. Prosseguem os recorrentes que não foi juntada a íntegra das diligências e respostas fornecidas pelas instituições financeiras diligenciadas, o que prejudicou o exercício do direito de defesa. 15. Contudo, o Relatório Fiscal, parte indissociável do auto de infração, contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, com indicação dos dispositivos legais que amparam o lançamento e o detalhamento, por meio de anexos, dos depósitos bancários em conta corrente, por data e valor, permitindo ao contribuinte expor os motivos de fato e de direito pelos quais discorda da constituição do crédito tributário e apresentar as provas que lhe aprouver para fazer prevalecer a sua versão dos fatos. 16. O procedimento fiscal, que ocorre anteriormente à lavratura do auto de infração ou da notificação de débito, é uma fase meramente investigativa e inquisitória, onde colhemse elementos, analisamse documentos e informações e reúnemse provas para motivar um eventual ato de lançamento ou aplicação de penalidade. É uma etapa prélitigiosa, preparatória para a constituição do crédito tributário, em que não há litigante nem acusado, tão somente investigado. 17. O conflito de interesses só aparece posteriormente ao lançamento fiscal, caracterizandose pela resistência do contribuinte à pretensão do Fisco. É com a impugnação que se tem início à situação conflituosa. Em outras palavras, presente o caráter litigioso, estabelecese o processo administrativo em sentido estrito. 18. Na fase procedimental, a fiscalização não está obrigada a disponibilizar a íntegra do material colhido acerca das investigações em curso, tampouco precisa oferecer ampla oportunidade de manifestação e de apresentar justificativas sobre os fatos investigados, ou mesmo realizar as diligências requeridas pelo fiscalizado. 19. Após o lançamento, mediante a ciência da exigência fiscal, o sujeito passivo tem direito, propriamente, ao contraditório e à ampla defesa, nos termos estabelecidos no processo administrativo tributário. O direito ao contraditório e à ampla defesa é garantido pelo inciso LV do art. 5º da Carta da República de 1988 apenas aos litigantes em processo administrativo e judicial, bem como aos acusados em geral. 20. Melhor sorte também não se verifica quanto à alegação nos recursos voluntários de nulidade do lançamento pela infrigência às normas de emissão do Mandado de Procedimento Fiscal. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 13971.721351/201515 Acórdão n.º 2401005.552 S2C4T1 Fl. 566 9 20.1 Num primeiro momento, a auditoria foi determinada em nível de diligência pelo Mandado de Procedimento Fiscal Diligência nº 09204.00.2014.002648. Posteriormente, a partir de 01/08/2014, o procedimento teve respaldo no Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 09204.00.2014.003318. Da mesma forma, a fiscalização da cônjuge do contribuinte, Érica Becker de Araújo, foi amparada no Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 09202.00.2015.000754. 20.2 De mais a mais, as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira, direcionadas às instituições financeiras, estão alicerçadas em Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (fls. 61/74). 20.3 Acrescento, por fim, que o Mandado de Procedimento Fiscal constituía à época da execução do procedimento de auditoria um mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória, não tendo o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do agente tributário para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento de ofício. 21. Dessa feita, rejeito todas as preliminares. Mérito 22. A título de delimitação da matéria devolvida a julgamento em segunda instância, cabe assinalar que o acórdão recorrido afastou a qualificação da multa em relação aos lançamentos de depósitos bancários de origem não comprovada, com redução da penalidade ao patamar básico de 75%. 23. Pois bem. Desde a impugnação, os sujeitos passivos defendem a aceitação da entrega de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF) retificadora, mesmo após o início do procedimento de fiscalização. 23.1 Quando da apresentação do recurso voluntário, os recorrentes adicionaram a sua linha de defesa que a fiscalização deixou de observar o prazo máximo de 60 (sessenta) dias para a emissão dos atos de prorrogação dos trabalhos, com efeitos sobre a exclusão da espontaneidade. 24. É certo que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação às matérias mencionadas no respectivo ato administrativo que lhe dá ciência da atividade fiscal. Nesse sentido, confirase o que dispõe o Regulamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF), veiculado pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: Art. 33. O procedimento fiscal tem início com (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 7º): I o primeiro ato de ofício, por escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 13971.721351/201515 Acórdão n.º 2401005.552 S2C4T1 Fl. 567 10 § 2º O ato que determinar o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos. § 3º Para os efeitos do disposto nos §§ 1º e 2º, os atos referidos nos incisos I, II e III do caput valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período contado a partir do término, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, desde que lavrado e cientificado ao sujeito passivo dentro do prazo anterior. (...) 25. Segundo os autos, o início do procedimento fiscal efetivouse em 05/06/2014 (fls. 41/42). Em 10/06/2014, Vicente Rogério de Araújo retificou a declaração de ajuste em conjunto do anocalendário de 2013, cuja única alteração, segundo comunica o agente fiscal, consistiu na redução do valor informado como pago a título de despesas médicas, em seu nome e da sua cônjuge, de R$ 25.307,94 para R$ 6.562,08, cada um. Tal retificação não foi admitida pela fiscalização considerando a perda da espontaneidade (item 18 a 20 do Relatório Fiscal, às fls. 21/22). 26. Quanto aos termos de prosseguimento dos trabalhos em curso, verificase a emissão deles com ciência do sujeito passivo principal em 01/08/2014, 26/09/2014, 19/11/2014, 10/12/2014 e 24/03/2015, com a intimação do auto de infração ocorrida em 07/05/2015 (fls. 54/57, 58/60, 273, 275/309, 364 e 365/366). O responsável solidário, Érica Becker de Araújo, foi intimada do procedimento fiscal em 18/03/2015, com ciência do auto de infração em 26/05/2015 (fls. 330/335 e 371/372). 27. Como se observa do histórico de datas, no período de dezembro/2014 e março/2015, o lapso de tempo ultrapassou o prazo máximo de 60 dias, recuperando a espontaneidade o contribuinte, assim como os demais envolvidos nas infrações. 28. É verdade que os trabalhos fiscais não ficaram paralisados, visto que o agente fazendário providenciou a intimação das instituições financeiras com a propósito de obter informações adicionais sobre a existência de contas bancárias conjuntas mantidas pelo casal (fls. 310/322). 28.1 Nada obstante, nesse interregno de tempo, a autoridade tributária, ao menos não há prova em contrário nos autos, deixou de dar ciência da continuidade da investigação em curso ao sujeito passivo, conforme determina, expressamente, a parte final do § 3º do art. 33 do Regulamento do PAF. 29. Entre outras consequências, a reaquisição da espontaneidade traz de volta a oportunidade de retificar declarações e, conforme o enunciado sumulado nº 75 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a inoperância da autoridade fiscal, com relação ao sujeito passivo, por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos praticados no período em que estava com sua espontaneidade excluída: Súmula CARF nº 75: A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por Fl. 567DF CARF MF Processo nº 13971.721351/201515 Acórdão n.º 2401005.552 S2C4T1 Fl. 568 11 prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. 30. Os efeitos retroativos da recuperação da espontaneidade afetam o montante original da glosa das despesas médicas efetuada pelo agente fiscal, que, levando em consideração as despesas médicas declaradas na retificadora, representam a importância de R$ 13.124,16 (2 x R$ 6.562,08). 31. Em que pese a intimação para demonstrar a regularidade da dedução para fins do imposto de renda, o declarante deixou de comprovar qualquer valor relacionado a tais dispêndios com saúde (item 3 do Relatório Fiscal, às fls. 22/23). 31.1 A alegação de que foi acometido de doença grave em nada modifica a situação do declarante em relação às despesas médicas, pois deveria comproválas à fiscalização, mediante documentação hábil e idônea, ou mesmo juntar os demonstrativos por ocasião da impugnação e/ou recurso voluntário. 31.2 Em um e outro momento a comprovação das despesas médicas não ocorreu, descabendo a concessão de prazo adicional para que apresente documentos que detém, ou deveria possuir, sob sua guarda, haja vista a falta de justificativa plausível (art. 57, inciso III, do Regulamento do PAF). 32. Por outro lado, a reaquisição da espontaneidade produz efeitos sobre o lançamento da multa qualificada, justificada pelo agente fiscal em razão da conduta reiterada do contribuinte em informar valores altos a título de despesas médicas e depois retificálos, diminuindoos significativamente, nos casos em que a declaração de ajuste ficava retida em malha fiscal (item 3.1 do Relatório Fiscal, às fls. 22/26). 32.1 De fato, com a entrega da declaração retificadora, em 10/06/2014, considerada válida pela reaquisição da espontaneidade, cujo documento reduziu o montante das despesas médicas na DIRPF 2014, anocalendário de 2013, para valores compatíveis com exercícios anteriores, os motivos do agente lançador para a duplicação do percentual da multa de ofício ficaram prejudicados. 33. A espontaneidade da declaração retificadora também influencia na própria base de cálculo declarada, relativamente ao anocalendário de 2013, além do imposto de renda declarado, que deverão corresponder aos valores constantes dessa declaração de rendimentos, entregue em 10/06/2014. 34. Ressalto que a perda da espontaneidade aconteceu novamente com as intimações dos dias 18/03/2015 e 24/03/2015, quando da lavratura de termos e ciência dos recorrentes. 35. Ao não se utilizar o sujeito passivo dos benefícios da espontaneidade readquirida no que diz respeito aos créditos bancários de origem não comprovada, o lançamento fiscal foi efetuado corretamente pelo agente fiscal com incidência de multa de ofício. 36. Em síntese, são cabíveis as seguintes retificações no lançamento, relativamente ao anocalendário de 2013: Fl. 568DF CARF MF Processo nº 13971.721351/201515 Acórdão n.º 2401005.552 S2C4T1 Fl. 569 12 (i) reduzir a glosa de despesas médicas para R$ 13.124,16; (ii) considerar como base de cálculo declarada e imposto declarado os valores constantes da declaração de rendimentos retificadora, entregue em 10/06/2014; e (iii) afastar a qualificadora da multa, reduzindo a penalidade ao patamar básico de 75%, no que tange à infração dedução indevida de despesas médicas. 37. Quanto ao vínculo de solidariedade em nome da cônjuge, Érica Becker de Araújo, reproduzo abaixo o inciso I do art. 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. 38. Segundo apurado pela fiscalização, as contas do Banco Itaú Unibanco S/A e Banco do Brasil S/A são mantidas em conjunto, tendo como cotitular Érica Becker de Araújo, e houve declaração conjunta dos rendimentos nos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013 (itens 77 e 78 do Relatório Fiscal, às fls. 31). 39. No caso de contas mantidas em conjunto, os dois titulares são pessoas com interesse comum na situação que constitui o fato gerador. Tal circunstância, aliada à declaração conjunta de rendimentos, são mais que suficientes para imputar a responsabilidade solidária pelo crédito tributário, prevista no art. 124 do CTN. 40 Em relação às demais contas bancárias, não há provas que são conjuntas. Todavia, a conclusão não é diferente. 40.1 Com efeito, ao optar pela entrega de declaração em conjunto, conforme noticia o agente lançador, o casal deve oferecer à tributação todos os rendimentos auferidos pelos cônjuges no anocalendário. 40.2 A obtenção de renda por um dos cônjuges interessa ao outro, aproveitando ambos, o que sinaliza para a existência de interesse comum na situação que constitui o fato jurídico tributário. 41. Por sua vez, não há dúvida no interesse comum na dedução de despesas médicas, que igualmente beneficia ambos os contribuintes, por tratarse de declaração de rendimentos em conjunto. 42. Logo, cabe manter o vínculo de responsabilidade tributária de Érica Becker de Araújo, com fulcro no inciso I do art. 124 do CTN . Fl. 569DF CARF MF Processo nº 13971.721351/201515 Acórdão n.º 2401005.552 S2C4T1 Fl. 570 13 43. Por fim, cabe dizer que, ao contrário do defendido na peça recursal, o § 4º do art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 2001, ao tratar de procedimentos de investigação, não produz efeitos sobre a presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) § 4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. (...) 43.1 Ao dispor da movimentação bancária do contribuinte, a autoridade tributária poderá solicitarlhe as informações e os documentos necessários para a verificação do cumprimento das obrigações tributárias. 43.2 Caso o titular da conta bancária não comprove, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações financeiras, o agente fazendário estará autorizado a caracterizálos como omissão de rendimentos tributáveis (art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996). Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos recursos voluntários, REJEITO as preliminares e, no mérito, DOULHES PROVIMENTO PARCIAL para, relativamente ao anocalendário de 2013: (i) reduzir a glosa de despesas médicas para R$ 13.124,16; (ii) considerar como base de cálculo declarada e imposto declarado os valores constantes da declaração de rendimentos retificadora, entregue em 10/06/2014; e (iii) afastar a qualificadora da multa, reduzindo a penalidade ao patamar básico de 75%, no que tange à infração dedução indevida de despesas médicas. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 570DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.000262/2005-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO
DE MÃO-DE-OBRA.
Veda a opção pelo Simples e implica a exclusão desse sistema a atividade de locação de mão-de-obra, caracterizada por trabalhos de mão-de-obra intensiva, sem a produção de um resultado determinado, nos quais a contratada (locadora) assume a obrigação de contratar trabalhadores sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico, sendo que os trabalhadores ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços.
Numero da decisão: 1001-000.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. Veda a opção pelo Simples e implica a exclusão desse sistema a atividade de locação de mão-de-obra, caracterizada por trabalhos de mão-de-obra intensiva, sem a produção de um resultado determinado, nos quais a contratada (locadora) assume a obrigação de contratar trabalhadores sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico, sendo que os trabalhadores ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. Veda a opção pelo Simples e implica a exclusão desse sistema a atividade de locação de mãodeobra, caracterizada por trabalhos de mãodeobra intensiva, sem a produção de um resultado determinado, nos quais a contratada (locadora) assume a obrigação de contratar trabalhadores sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico, sendo que os trabalhadores ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 02 62 /2 00 5- 24 Fl. 139DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Ato Declaratório 08/2005 (efl. 55), da Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares, através do qual o contribuinte referenciado foi excluído do SIMPLES FEDERAL "em razão de constatação de situação incluída nas hipóteses de vedação à opção pela sistemática tributária em questão, no caso, locação de mãodeobra, por força do artigo 9°, inciso XII, alínea f da Lei 9.317/96.". A contribuinte apresentou sua inconformidade (efls. 72/79) argumentando: em preliminar, que não foi observado o devido processo legal, uma vez que não foi regularmente intimada no processo 10630000262/200524; no mérito, que, “uma vez presentes todos os requisitos da prestação de serviço pela requerente (I direção e fiscalização do empregado pela própria empresa; 2 subordinação jurídica e econômica do empregado à empresa; 3 vínculo de trabalho por prazo indeterminado dos trabalhadores com a empresa), não pode a autoridade fiscal pretender transformar esta relação obrigacional de fazer numa relação obrigacional de dar (ou disponibilizar mãodeobra)”. Ao final, a contribuinte requereu provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial através da prova documental e testemunhal. A decisão de primeira instância (efls. 106/111) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contrato de prestação de serviço que deu azo à exclusão do Simples referese a serviços de utilização de mãodeobra intensiva, quais sejam: “administração almoxarifado, transportes, vendas, crediário, caixa, serviços gerais e manipulações de medicamentos”. Completou o Acórdão, referindose às cláusulas do contrato (efls. 45/48): O Valor pago pela contratante é "equivalente ao número de prestadores de serviços disponibilizados em cada período” (Cláusula Quarta), ou seja, não há pagamento pela produção de um resultado determinado. Conforme a Cláusula Segunda, a responsabilidade pelas obrigações legais para com os empregados é da contribuinte (contratada), mas a própria contratante pode determinar a substituição do prestador de serviço, o que denota que esta detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços (Cláusula Quarta Parágrafo Primeiro). A continuidade do serviço está caracterizada pelo prazo indeterminado do contrato em comento (Cláusula Quinta). Em face das características do contrato de prestação de serviço e do constatado em curso de procedimento fiscal, entendo que a prestação de serviços oferecida pela contribuinte se caracteriza, de fato, como locação de mãodeobra, o que nos termos da legislação regente da matéria afasta~a do SIMPLES. No que tange ao pedido da contribuinte para produção de provas, o momento para mencionar “os motivos de fato e de Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10630.000262/200524 Acórdão n.º 1001000.733 S1C0T1 Fl. 140 3 direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir" é na manifestação de inconformidade (art. 16, III, do Decreto n.° 70.235/72). Cientificada da decisão de primeira instância em 14/05/2009 (efl. 122) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 10/06/2009 (efl. 128), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Complementa a Recorrente que o ADE emitido em 2005 é declaradamente e inconstitucionalmente retroativo. Seus efeitos seriam a partir de 11/2002. Aduz: Daí porque o princípio constitucional da segurança jurídica deve ser invocado e prevalecido, porque ninguém pode ser atingido por fatos passados ou situações já consolidadas, ainda mais para prejudicála, nem mesmo por força de lei, pois senão, afrontarão ato jurídico perfeito e acabado (art. 5°, XXXVl, CF. 88). A empresa optante pelo Simples enquanto não excluída é uma participante de um regime legal, que lhe foi regularmente autorizado pela repartição fiscal. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo. Dele conheço. Conforme já destacado pela decisão de primeira instância, haveria nulidade se o servidor fosse incompetente para o ato (art. 59, I do Decreto 70235/72), ou se tivesse havido preterição do direito de defesa na fase processual, ou seja, após instaurado o litígio (fase posterior à lavratura do ato pela autoridade fazendária (art. 59, inciso II)). Quanto a competência, tratavase de Auditora Fiscal legalmente habilitada para atos de exclusão do benefício fiscal e regimentalmente autorizada para a execução do ato (artigo 250 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 030, de 25 de fevereiro de 2005). No que se refere à segunda hipótese de nulidade, por alegada falta de ciência do ADE, ou das provas que compõe os autos, há que se ressaltar que não vislumbramos caracterizada a preterição do direito de defesa (art. 59, II, do Decreto 70.235/72). Isto porque as fases do contencioso foram todas cumpridas, razão pela qual o próprio contribuinte trouxe à discussão todos os argumentos de defesa. Quanto ao mérito do recurso, alega a recorrente que o contrato em questão referese a prestação de serviço em que mantém a direção e fiscalização de seus empregados, a subordinação jurídica e econômica do empregado e o vínculo de trabalho por prazo indeterminado dos trabalhadores. Não poderia a autoridade fiscal pretender transformar esta relação obrigacional de fazer numa relação obrigacional de dar (ou disponibilizar mãodeobra) e excluíla do Simples. A respeito, o artigo 9°, inciso XII, alínea “t”, da Lei n.° 9.317/96, prescreve: Fl. 141DF CARF MF 4 “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (..) XI que realize operações relativas a (...) j) prestação de serviços de vigilância, limpeza, conservação e locução de mãodeobra; " Para melhor entender o conceito de locação de mão de obra que ensejou a referida exclusão, necessário transcrevermos o art. 31 da Lei n.° 8.212/91: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § .5° do artigo 33. § 1°. O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. § 2°. Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3o. Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4°. Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; O que se verifica é que, para que seja caracterizada a cessão ou locação de mão de obra, necessária a presença de dois requisitos, quais sejam, colocação de funcionários à disposição da contratante e prestação de serviços contínuos (CARF, Ac 1301000.805 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária), o que me parece estar configurado neste caso. Após análise dos contratos e das notas fiscais, restou caracterizada a cessão/locação de mãodeobra, nos termos definidos pelo art. 31, § 3°, da Lei n.° 8.212/91, isto porque pelo "Contrato de Prestação de Serviços" realizado entre a contribuinte (contratada) e a contratante houve a colocação de funcionários da contratada à disposição da contratante nas dependências que esta determinar e a prestação de serviços contínuos (efls. 45/49). Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10630.000262/200524 Acórdão n.º 1001000.733 S1C0T1 Fl. 141 5 Os efeitos da exclusão foram fixados a partir de 1° de janeiro de 2002 e obedecem ao disposto no art. 15, II, da Lei 9.317/96, regulamentada pelo parágrafo único do artigo 24 da Instrução Normativa SRF n° 355/2003, considerandose a vigência do contrato (a partir de 1°/08/2001, efl. 48). Ressaltese que alegações de excesso inconstitucional do legislador ordinário deve ser levado a apreciação do Poder Judiciário, a quem cabe a verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Estes argumentos são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Pelo exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722844/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos da proposta apresentada pela redatora designada conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, objetivando especificar a natureza das parcelas glosadas e verificar a situação atualizada dos processos judiciais referenciados nos autos, vencidos os conselheiros Waldir Navarro Bezerra (relator) e Maria Aparecida Martins de Paula.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos da proposta apresentada pela redatora designada conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, objetivando especificar a natureza das parcelas glosadas e verificar a situação atualizada dos processos judiciais referenciados nos autos, vencidos os conselheiros Waldir Navarro Bezerra (relator) e Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes.
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DILIGÊNCIA Recorrente FEDEX BRASIL LOGISTICA E TRANSPORTE S.A. (Atual denominação de RAPIDÃO COMETA LOGÍSTICA E TRANSPORTE S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos da proposta apresentada pela redatora designada conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, objetivando especificar a natureza das parcelas glosadas e verificar a situação atualizada dos processos judiciais referenciados nos autos, vencidos os conselheiros Waldir Navarro Bezerra (relator) e Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 22 84 4/ 20 12 -5 5 Fl. 616DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 617 ___________ Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração, lavrado contra a empresa FEDEX BRASIL LOGÍSTICA E TRANSPORTE S.A. (denominação atual da empresa RAPIDÃO COMETA LOGÍSTICA E TRANSPORTE S/A), CNPJ nº 10.970.887/000102, doravante chamada de FEDEX, proveniente de auditoria fiscal levada a efeito em face de ter sido constatado inconsistências na apuração da COFINS nãocumulativa devida nos períodos de apuração 01/2008 a 12/2008 (fls. 23 a 42), com multa de ofício de 75% e com juros de mora calculados até 03/2012, totalizando um crédito tributário de R$ 3.849.039,70, sendo R$ 1.818.261,43 relativos à contribuição. No mesmo procedimento foi também lavrado Auto de Infração para o PIS nãocumulativo, devido nos mesmos períodos, com os mesmos acréscimos legais (fls. 03 a 22), totalizando um crédito tributário de R$ 835.646,80, sendo R$ 394.754,13 correspondentes à contribuição. A análise do PIS e da COFINS devidos pela fiscalizada no ano de 2008 foi feita com base na contabilidade da empresa no formato digital (ECD), nos DACON e nos demonstrativos de apuração por ela apresentados. Por bem narrar os fatos e com a devida clareza, valhome do relatório da decisão recorrida, vazada nos seguintes termos (fls. 544/562): "(...) No Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 43 a 50), a autoridade fiscal informa, relativamente aos lançamentos em análise, em resumo, que: · A análise do PIS e da Cofins devidos pela fiscalizada no ano de 2008 foi feita com base na contabilidade da empresa no formato digital (ECD), nos DACON e nos demonstrativos de apuração por ela apresentados; · A empresa creditouse indevidamente dos valores registrados a título e custos/despesas nas contas “Mat. de Cons e Limpeza”, “Pedágios – Terceiros”, “Refeitório/Refeições Externas”, “Viagens e Hospedagem”, “Passagens Aéreas”, “Custo com Acidentes”, “Combustível Empregados” e “Perdas c/ Dupl. Incobráveis”, tendo em vista que para estes não existe embasamento legal que os autorize; · O conceito de insumo passível de creditamento na apuração das contribuições nãocumulativas está fixado no art. 8º, § 4º, II da IN/SRF nº 404/2004. O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 09/03/2012 (fls. 04 e 24) e apresentou impugnação tempestiva em 04/04/2012 (fls. 315 a 354), alegando, em resumo, que: · Considerando que o PIS e a Cofins incidem sobre a totalidade das receitas, o conceito de insumo contido na lei não pode se limitar àquele que se integra fisicamente ao processo produtivo, visto que a lei expressamente autoriza créditos que não guardam qualquer correlação com os créditos do ICMS e do IPI; Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10480.722844/201255 Resolução nº 3402001.359 S3C4T2 Fl. 618 3 · No caso do IPI, o insumo tem um sentido técnico, conexo a cada produto industrializado; · No caso das contribuições, este conceito se relaciona com a totalidade das receitas auferidas, as quais exigem que o contribuinte incorra em despesas e custos, devendo ser entendido de forma abrangente, abarcando todo o fato econômico de produção que integre o processo que resulta na prestação de serviços ou na produção de bens e produtos; · Não tendo as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 conceituado insumo e sendo a base de cálculo das contribuições muito mais ampla do que a do IPI e do ICMS, concluise que o conceito restritivo exposto nas IN/SRF 247/02 e 404/04 não deve ser aplicado ao PIS e à Cofins, pois não encontra amparo na lei, nem na sistemática das normas de regência; · Tais normas são inaplicáveis, pois o conteúdo e o alcance dos decretos, ou de qualquer outro ato normativo infralegal, restringemse aos das leis em função dos quais foram expedidos (art. 99 do CTN); · As citadas Leis distinguem o conceito de “insumos” e o de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, demonstrando que se trata de coisas distintas. Assim, o conceito de insumo no presente caso não tem a mesma conotação atribuída pela legislação do IPI; · O conceito de insumo para fins de creditamento no regime nãocumulativo das contribuições não deve partir de conceito definido para o creditamento do IPI ou do ICMS, por se tratar de tributos de materialidades distintas; · As Leis em questão não consignaram a possibilidade da utilização subsidiária/alternativa de legislação já existente para se extrair tal conceito, mas autorizaram o desconto de bens e serviços, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens; · A RFB extrapolou os limites de sua competência ao fixar uma interpretação restritiva do termo, adotando o mesmo conceito estabelecido para o aproveitamento de crédito presumido do IPI; · O alcance do vocábulo “insumo” deve ser visto com rigor técnico, mas preservada a particularidade de cada atividade para se evitar que se desnature o espírito da lei, que é tornar nãocumulativas as contribuições, não podendo o aplicador da lei criar norma restritiva que subtraia da empresa itens que emprega diretamente; · A vinculação dos custos de produção e despesas operacionais às receitas tributáveis é reconhecida nos §§ 7º e 8º do art. 3º das referidas Leis; · As despesas que foram objeto da autuação são em verdade dispêndios com a própria atividade empresarial, realizados para que esta possa se desenvolver e auferir as receitas da exploração de sua atividade, conforme definição de cada conta contábil; Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10480.722844/201255 Resolução nº 3402001.359 S3C4T2 Fl. 619 4 · Citase doutrina e vasta jurisprudência administrativa e judicial sobre a questão; · A Lei nº 11.898/2009, arts. 24 e 25, explica que para os serviços de limpeza, conservação e manutenção são considerados insumos o vale transporte, o valerefeição ou alimentação e o fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados; · Diante de tal norma, concluise que, de forma equivocada, utilizou se técnica declaratória para afirmar que são insumos os itens relacionados também para os serviços especificados, afastando a restrição ilegal para essas empresas específicas, em vista do índice de cessão de mãodeobra, confirmando a possibilidade de utilização destes insumos para as demais empresas na mesma situação; · Ou, ainda, podese concluir que, de forma inconstitucional, em vista do princípio da igualdade, restringiu o creditamento desses insumos para os serviços especificados, afastando as demais empresas prestadoras de serviço com alto índice de cessão de mãodeobra; · Ciente do entendimento que vinha sendo aplicado ao tema, a impugnante contestou judicialmente as restrições ao creditamento sobre os insumos decorrentes da prestação de serviços na área de logística, tendo como objeto do pedido o direito de aproveitamento dos insumos sob o conceito dos artigos 290 e 299 do RIR, suspendendo a eficácia do disposto nas IN citadas, exemplificando alguns insumos com impedimento à utilização pela RFB, tais como valetransporte, valerefeição ou alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados, assistência médica, combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de empregados, despesas com viagens e hospedagem dos empregados, além de treinamento; · Foi proferido acórdão pelo TRF5 com o seguinte teor: “considerandose como insumo, para fins da apuração dos descontos na sistemática da nãocumulatividade das contribuições ao PIS e Cofins, os dispêndios ou despesas com a própria atividade empresarial, realizados para que esta possa se desenvolver e auferir as receitas da exploração de sua atividade”, deferindo o aproveitamento dos gastos relacionados no pedido, conforme ementa transcrita; · A impugnante embargou a referida decisão, visando elucidar o conceito de insumos, conforme ementa transcrita; · A lavratura dos presentes autos de infração afronta as decisões judiciais mencionadas, destacandose que, para concretizar a conceituação e visando facilitar a observância do certificado por meio do comando judicial citado, o órgão julgador fez questão de indicar expressamente exemplos de bens adquiridos pela empresa que deveriam ser classificados como insumos, dentre os quais aqueles objeto da autuação, entre eles: viagens, hospedagens, passagens aéreas e combustível; · O processo judicial citado caminha para o trânsito em julgado, sendo inconteste que, seja pela ausência de efeito suspensivo dos recursos interpostos pela Fazenda ou pela inadmissão destes, a Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10480.722844/201255 Resolução nº 3402001.359 S3C4T2 Fl. 620 5 impugnante faz jus ao aproveitamento dos créditos glosados, diante da eficácia do comando judicial que lhe favorece; · Considerando as decisões judiciais obtidas pela impugnante, o crédito objeto dos lançamentos deve ser extinto em sua plenitude, sob pena de afronta à garantia de efetividade da decisão proferida pelo TRF; · Citase decisões judiciais sobre a questão; · No caso em exame, está obstado o exercício, pelo Fisco, de constituir o crédito tributário enquanto vigorar o acórdão, deferido em sede de mandado de segurança, pois do contrário haverá desobediência a tal ordem judicial, além da inexistência de efeito suspensivo do RE ou Resp interposto pela Fazenda; · A decisão judicial, no caso, se constitui em impedimento ao exercício do direito de constituir o crédito tributário, restando, antes, impedida a instauração da sua exigibilidade; · Se o contribuinte intenta medida judicial e obtém provimento provisório, mostrarseia ilógico que a Fazenda ficasse constrita a um prazo fixo de decadência; · Poderseia argumentar que caberia à Fazenda promover o ato de lançamento, como autoriza a Lei nº 9.430/96, mas há de se reconhecer que esta medida, em muitos casos, corresponderia a ato de desobediência contra a decisão judicial; · Ademais, a questão deve ser tratada em lei complementar, devendo a solução ser buscada no CTN, e não na legislação ordinária; · Se a decisão final desprover o pedido do contribuinte, a conseqüência é de que não houve inércia da Administração, pois o tributo não era exigível, ou seja, o referido lançamento não subsiste e não produz efeitos no mundo jurídico, razão pela qual o prazo decadencial começaria a correr do trânsito em julgado da ação, aplicandose o art. 173II do CTN, não se podendo falar em decadência; · Frisese que existe a possibilidade de imputação de multa por descumprimento de decisão judicial; · A multa de ofício apenas pode incidir caso sejam descumpridas as obrigações acessórias ou se, após procedimento fiscalizatório, seja constatado que o contribuinte deixou de recolher o tributo principal; · No caso dos autos, houve o lançamento de multa isolada, tendo em vista a glosa de crédito de insumos aproveitado pela empresa, os quais foram expressamente certificados por decisão judicial, não se podendo cogitar a existência de ato ilícito que autorize a aplicação da penalidade; · Oportuna a observância por analogia da inteligência do art. 18 da Lei 10.833/2003, que exige que esteja presente a intenção dolosa de evitar, protelar ou reduzir o valor do montante do tributo a ser pago; Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10480.722844/201255 Resolução nº 3402001.359 S3C4T2 Fl. 621 6 · O aproveitamento do crédito no presente caso decorre do princípio constitucional da nãocumulatividade, nos termos certificados pela decisão judicial, não podendo o contribuinte ser penalizado pelo exercício regular de tal direito; · A aplicação literal dos dispositivos combatidos ofenderia o princípio da proporcionalidade, visto que não haveria prejuízo ao Fisco quando do indeferimento dos créditos utilizados, sendo desnecessária e inadequada a imposição de multa isolada pelo simples indeferimento dos créditos; · Alem disso, a aplicação da multa revela uma inadmissível sanção política em detrimento do contribuinte que, de boafé, legitimamente defendeu direito que acredita ter; · Da forma como aplicada a norma, caracterizase ofensa aos princípios da segurança jurídica, razoabilidade e proporcionalidade, o que é condenado pelo STF, conforme julgado citado; · A aplicação das multas deve obedecer o critério da razoabilidade, deixando de ser razoável a multa que conduza o contribuinte a uma situação de indevida perda patrimonial; · Deve haver proporcionalidade entre o fato que deu causa à multa e os efeitos alcançados pelo contribuinte. Se a própria multa inviabiliza o pagamento da obrigação principal pelo contribuinte, isso aponta para um efeito confiscatório; · Não faz sentido a aplicação da multa no percentual máximo, quando o contribuinte se enquadre em classe menos severa de punição, especialmente quando a própria multa seria descabida por ter havido reconhecimento judicial quanto ao expediente adotado pelo contribuinte; · A jurisprudência do STF aponta para o caráter confiscatório da multa superior a 60% do débito fiscal, permitido em casos de extrema gravidade, devido a seu caráter punitivo; · Tem sido aplicadas multas em ofensa aos princípios da razoabilidade e do nãoconfisco, em caso de descumprimento de obrigação acessória, que não resulta em prejuízo para o Fisco, sendo calculadas sobre o valor da mercadoria ou tributo que não é devido; · Citase jurisprudência judicial sobre a questão. É o relatório. No entanto, a Delegacia da RFB de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou a Impugnação procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 1263.384, de 19 de fevereiro de 2014, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos (fls. 544): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância apreciar argüições de Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10480.722844/201255 Resolução nº 3402001.359 S3C4T2 Fl. 622 7 inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Aplicase a multa de ofício no percentual de 75% por expressa previsão legal, quando a autoridade fiscal apure tributo não declarado e/ou recolhido. AÇÃO JUDICIAL PROVIMENTO A decisão judicial favorável ao contribuinte deve ser aplicada ao lançamento nos exatos termos em que proferida. AÇÃO JUDICIAL PROVIMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL MULTA DE OFÍCIO NÃO EXIGÊNCIA Não cabe a constituição da multa de ofício no lançamento, quando a exigibilidade do crédito tenha sido suspensa por decisão judicial proferida anteriormente ao início da ação fiscal. AÇÃO JUDICIAL ALEGAÇÕES NA IMPUGNAÇÃO CONCOMITÂNCIA Não cabe a apreciação, pela autoridade administrativa, de questões já submetidas ao Poder Judiciário, devendo ser aplicada ao lançamento a decisão judicial transitada em julgado. AÇÃO JUDICIAL PROVIMENTO LANÇAMENTO POSSIBILIDADE A existência de decisão judicial favorável ao contribuinte, ainda não transitada em julgado, não impede o ato de lançamento do crédito tributário, a fim de resguardálo dos efeitos da decadência, considerando tratarse de atividade vinculada e obrigatória. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Recorrente foi intimada da decisão da DRJ em 31/07/2014 (fl. 571). Descontente com a decisão de primeira instância, em 27/08/2014 (fl. 573), protocolou o Recurso Voluntário de fls. 573/592, que, em síntese, reproduzo abaixo suas razões recursais: em confronto com o comando Judicial de CUMPRIMENTO DE SENTENÇA ocorrido no processo nº 000800544.2012.4.05.8300 e do próprio despacho da DRF em Recife no cumprimento da referida decisão, onde se determinou a suspensão da exigibilidade do crédito, a decisão recorrida utilizandose de interpretação equivocada e parcial, determinou o afastamento da multa de ofício proporcional ao aproveitamento dos insumos referentes às despesas com viagens e hospedagens e o combustível gasto com empregados, em razão do provimento Judicial, mantendo todo o lançamento e as multas imputadas referentes aos insumos de material de consumo e limpeza, pedágios terceiros, refeitório/refeições externas, custo com acidentes e das perdas c/ duplicatas incobráveis; na tentativa de burlar o comando expresso da Sentença, a decisão recorrida indica que o crédito que se encontra suspenso é tãosomente o decorrente das despesas com viagens e hospedagens e o combustível gasto com empregados, sendo que o restante do crédito não estaria albergado no comando Judicial; a Recorrente informa o atual estágio do processo (inicial) nº 0009718 25.2010.4.05.8300 AC (Apelação Cível) 517.892PE, uma vez que se encontra com o seu Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10480.722844/201255 Resolução nº 3402001.359 S3C4T2 Fl. 623 8 trânsito em julgado iminente; assim, afirma que há, na verdade, uma impugnação administrativa de um auto de infração que viola o comando judicial (histórico às folhas 576/580 do RV); informa que quanto ao débito fiscal decorrente do aproveitamento de créditos de pedágio em duplicidade, uma vez comprovada a ocorrência desse equívoco na contabilização desse insumo, não há o que se contrapor ao entendimento do Juízo Administrativo Singular; apesar de identificar os gastos com viagens e hospedagens como inclusos expressamente no comando judicial, a decisão singular exclui os gastos com passagens aéreas, apenas justificando que não são necessárias a atividade da empresa, sendo somente custos da atividade; por outro lado, a decisão determina que deve ser| exigido o débito fiscal relativo a refeitório e refeições externas, em vista da abrangência da decisão e do comando expresso do acórdão, sendo, mais uma vez, equivocado tal entendimento, haja vista que não se confunde o benefício de natureza salarial do valealimentação e/ou valerefeição, excluídos expressamente pelo comando judicial do processo nº 000971825.2010.4.05.8300 AC 517.892PE, com o auxílioalimentação (ou similares) ou, ainda, com refeições oferecidas em um refeitório disponibilizado pelo empregador no ambiente de trabalho; a questão das refeições fornecidas aos empregados nos refeitórios para viabilizar a prestação de serviços, não é uma liberal idade ou um benefício em forma de salário, é, na verdade, uma exigência normativa do trabalho (Norma Regulamentar 24 NR24 do Ministério do Trabalho e Emprego), sendo expressamente excluída do conceito de salário in natura quando a empresa está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) (Decreto nº 05/91). Dessa forma, o referido insumo REFEITÓRIO E REFEIÇÕES EXTERNASnão pode ser incluído nas restrições contidas no parágrafo segundo, inciso I, do art.3º da Lei nº 10.833/2003, que restringe o creditamento de espéciesremuneratórias; no que toca aos custos que compõem os materiais adquiridos e aplicados aos serviços de manuseio e armazenagem das mercadorias, inerentes a atividade de logística e transporte, os materiais de limpeza e conservação são ainda mais regulamentados e fazem parte do sistema de trabalho do operador logístico de transporte; as faltas, avarias, indenização por erro operacional e custo com acidentes são os custos inerentes aos contratos de prestação de serviços de transporte rodoviário de cargas e de logística (armazenagem e transporte), incorridos no manuseio, armazenamento e transporte das mercadorias; em suma, a decisão recorrida afastou, porém, da órbita de alcance da decisão judicial as despesas com material de conservação e limpeza, passagens aéreas, custo com acidentes e perdas com duplicatas incobráveis por entender que não se incluem na definição de insumo estabelecida em Juízo, uma vez que não são necessárias ao exercício da atividade empresarial do contribuinte, apesar de integrarem o custo do serviço; por outro lado, a Recorrente reconhece equívoco cometido no tocante as perdas com duplicatas incobráveis, uma vez que representam apropriações com títulos de cobrança de dívidas de clientes devedores duvidosos. Dessa forma, a empresa reconhece o débito relativo às PERDAS COM DUPLICATAS INCOBRÁVEIS, assim como o valor do PEDÁGIO, que, Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10480.722844/201255 Resolução nº 3402001.359 S3C4T2 Fl. 624 9 apesar de ter sido reconhecido como insumo da empresa, teria sido creditado em duplicidade. Portanto, caso confirmada a duplicidade, deve haver o pagamento do tributo indevidamente creditado; no demais insumos: passagens aéreas, material de consumo e limpeza, refeitório/refeições externas e custo com acidentes, é preciso aguardar a execução do julgado após o trânsito em julgado do acórdão, uma vez que há clara discordância de interpretação entre as partes, em face do comando transitado em julgado. PEDIDO: demonstrada a improcedência parcial da ação fiscal, espera e requer a recorrente que mantenhase suspenso todo o crédito disposto no PAF nº 10480722.844/2012 55, até a solução judicial da controvérsia, no caso acolhido pelo Juízo Federal do cumprimento do comando Judicial no processo nº 000800544.2012.4.05.8300. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Por entender que o processo se encontrava integralmente instruído, apresentei meu voto em sessão adentrando no mérito das glosas, sendo vencido pela maioria do Colegiado, que entendeu pela conversão do processo em diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Voto Vencedor Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, em sessão, divergi do I. Conselheiro Relator por entender que o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual propus sua conversão em diligência. Identifico a seguir os termos da diligência no sentido em que fui acompanhada pela maioria do Colegiado em sessão. Como relatado pelo I. Conselheiro Relator, o presente Auto de Infração de PIS e COFINS foi lavrado pela fiscalização considerando um conceito mais restritivo de insumos previsto nas Instruções Normativas n.º 237/2002 e 404/2004. Diante disso, a fiscalização justificou genericamente grande parte das glosas autuadas, com fulcro apenas na ausência de fundamento legal para tanto. Com efeito, as contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas foram instituídas por diplomas legais ordinários, quais sejam, a Lei n.º 10.637/2002 (conversão da MP 66/2002 que instituiu o PIS não cumulativo vigência a partir de 01/12/2002) e a Lei n.º 10.833/2003 (conversão da MP 135/2003 que instituiu a COFINS não cumulativa vigência a partir de 01/02/2004). No art. 3º das referidas leis o legislador identificou a forma como seria operacionalizada a não cumulatividade dessas contribuições, identificando os créditos Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10480.722844/201255 Resolução nº 3402001.359 S3C4T2 Fl. 625 10 suscetíveis de serem deduzidos do valor do tributo apurado na forma do art. 2º. Esses créditos são calculados pela aplicação da alíquota do tributo sobre determinadas despesas, dentre as quais os "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes" (inciso II), ora sob análise. Este Conselho Administrativo, de forma majoritária e à luz de uma interpretação histórica e teleológica dos referidos diplomas legais, tem adotado a interpretação do conceito de insumos considerando a sua essencialidade/necessidade para o processo produtivo da empresa1 ou para a prestação de serviço, em uma aproximação intermediária2 que não é tão ampla como da legislação do Imposto de Renda, nem tão restritiva como aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e adotada pelo I. Fiscal no caso em tela. Cumpre mencionar que uma corrente de interpretação intermediária do aproveitamento do crédito, admitindo que a legislação identificou apenas um rol exemplificativo de créditos de insumos, foi adotada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento em curso na sistemática dos recursos repetitivos do Recurso Especial nº 1.221.170, entendendo que o "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte" (grifei). Referido julgado foi ementado nos seguintes termos: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À 1 Como bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final." (grifei) 2 A título de exemplo, vejamse manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendendo pela corrente intermediária que prevalecia neste Conselho antes do julgamento do processo pelo Superior Tribunal de Justiça, exigindo a necessidade de relação com a atividade desenvolvida pela empresa e a relação com as receitas tributadas: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS. Considerase como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS. Considerase como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos." (Número do Processo 10983.721444/201181 Data da Sessão 12/12/2017 Relator Andrada Márcio Canuto Natal Nº Acórdão 9303006.108 grifei) Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10480.722844/201255 Resolução nº 3402001.359 S3C4T2 Fl. 626 11 LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte." (STJ, REsp 1221170/PR, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018 grifei) Sem prejuízo da possível extensão do conceito de insumo até então adotado por este Conselho após o trânsito em julgado do referido julgado em sede de recurso repetitivo3, observase que o presente processo não se encontra devidamente instruído face a inicial restrição de entendimento nele trazida, sendo necessária a diligência para uma melhor compreensão da atividade desenvolvida pela empresa e de documentos que comprovem a forma de utilização das despesas glosadas na prestação de serviço (logística e transporte). Como visto, a fiscalização não admitiu como válida a tomada de crédito de despesas informadas como incorridas pela Recorrente na prestação de serviço ("viagens e hospedagens, passagens aéreas, combustível empregado, material de consumo e limpeza, pedágios, refeitório/refeições externas; custo com acidentes e perdas c/ duplicatas incobráveis") com base em uma justificativa geral da ausência de previsão legal. Por outro lado, a empresa, com base no conceito amplo de insumo com base no IRPJ entende que parte destas despesas devem ser admitidas como insumos. Contudo, face a corrente intermediária elucidada acima, crucial uma vinculação entre a despesa e a atividade realizada pela Recorrente. E atentandose pelos documentos e informações constantes dos autos, não é possível fazer uma imediata vinculação. Com efeito, a Recorrente, desde a fiscalização, informa que os custos incorridos com os serviços seriam ou inerentes a atividade de logística e transporte ou tomados com base 3 Uma vez que o referido julgado do Superior Tribunal de Justiça vinculou a validade dos créditos de insumos utilizados no desenvolvimento da atividade desempenhada,sem vincular com as receitas afeiras no exercício da atividade. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10480.722844/201255 Resolução nº 3402001.359 S3C4T2 Fl. 627 12 nos centros de custo vinculados a operação. Entretanto, observase que não constam dos autos notas fiscais relacionados a esses insumos ou mesmo um laudo técnico que identifique como os serviços seriam efetivamente relacionados aos serviços prestados pela Recorrente. Identificamos abaixo as informações constantes destes autos que foram objeto de defesa pela Recorrente e merecem uma complementação de informações e de documentos para melhor compreensão de sua natureza e de sua utilização pela Recorrente em sua atividade: (i) Materiais de conservação e limpeza Em sua informação prestada nos autos à época da fiscalização (efl. 181), informa a Recorrente que os valores identificados na conta contábil 410104010807 se referem aos serviços inerentes à atividade de logística e transporte: Entretanto, atentandose aos autos observase que não constam quaisquer documentos ou informações que respaldam essa informação. Como é possível confirmar que esses materiais somente foram usados nos serviços de logística e transporte? A que se referem esses materiais? Eles poderiam ser igualmente utilizados nas áreas administrativas/não operacionais da empresa? Para melhor elucidação da natureza da parcela, crucial que sejam acostados notas fiscais exemplificativas dos bens identificados nessa conta contábil, evidenciando os documentos e informações que confirmem que esses materiais foram efetivamente utilizados na atividade de logística e transporte. (ii) Passagens aéreas Em sua informação prestada nos autos à época da fiscalização (efl. 182), informa a Recorrente que a conta contábil 410101030310 somente se refere a aquisição de passagens aéreas para funcionários da operação relacionada aos problemas no transporte: Contudo, semelhante ao apontado no item anterior, atentandose aos autos observase que não constam quaisquer documentos ou informações que respaldam essa informação. Como é possível confirmar que as passagens aéreas foram adquiridas somente para funcionários para resolver problemas de transporte? Outros setores da empresa não emitem passagens aéreas para realizar atividades administrativas ou não relacionadas a atividade de transporte e logística realizada pela empresa? Essas passagens poderiam ser igualmente emitidas para as áreas administrativas/não operacionais da empresa? Para melhor elucidação da natureza da parcela, crucial que sejam acostados notas fiscais exemplificativas das passagens emitidas identificadas nessa conta contábil, evidenciando os documentos e informações que confirmem que esse serviço foi efetivamente utilizado na atividade de logística e transporte. (iii) Custo com acidentes Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10480.722844/201255 Resolução nº 3402001.359 S3C4T2 Fl. 628 13 Conforme informado pela empresa à época da fiscalização (efls. 182/183), as despesas de custo com acidentes seriam inerentes aos contratos de prestação de serviços de transporte rodoviário de cargas e de logística: Contudo, não constam dos autos informações quanto a esses custos e como eles estão atrelados aos contratos de prestação de serviço, especialmente se decorrem de contratos de seguro firmados pela empresa para o transporte das mercadorias. Nesse sentido, crucial que sejam acostados aos autos documentos que demonstrem a que essas despesas se referem, trazendo aos autos, exemplificativamente, os contratos de seguro eventualmente firmados e os comprovantes de pagamento das despesas e a forma pelas quais elas estão ligadas ao serviço prestado pela empresa. Cumpre mencionar que foi anexado pela empresa à época da fiscalização apenas fatura e conhecimento de transporte que não evidencia como esses custos com acidentes são despendidos e qual a sua essencialidade para a prestação de serviço. (iv) Viagens e hospedagens e combustível gasto com empregados. Como informado pelo I. Relator no relatório desta Resolução, a Recorrente informou em seu Recurso o ajuizamento do Mandado de Segurança nº 0009718 25.2010.4.05.8300, por meio do qual alega ter contestado as restrições ao creditamento sobre insumos decorrentes da prestação de serviços na área logística, pretendendo o aproveitamento dos insumos sob o conceito dos artigos 290 e 299 do RIR, suspendendo a eficácia das Instruções Normativas editadas pela RFB, exemplificando alguns insumos cuja utilização é impedida por este órgão, tais como valetransporte, valerefeição ou alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados, assistência médica, combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de empregados, despesas com viagens e hospedagem dos empregados, além de treinamento. Contudo, não foi possível identificar nos autos qual é o status desse Mandado de Segurança e seu eventual trânsito em julgado, razão pela qual entendemos ser importante anexar aos autos a cópia da certidão de objeto e pé desse processo e eventuais decisões que tenham sido proferidas e não acostadas aos autos. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/724, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem: (i) oportunize à empresa Recorrente: (i.1) a apresentação de laudo técnico e/ou documentação complementar para esclarecer como as despesas ainda em litígio são essenciais para a prestação de serviço, bem como esclarecer como é feita a vinculação das despesas à operação 4 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10480.722844/201255 Resolução nº 3402001.359 S3C4T2 Fl. 629 14 da pessoa jurídica, elucidando como a contabilidade procede com a diferenciação dos valores das despesas correspondentes ao custo de operação e aquelas que não seriam operacionais. (i.2) anexar, exemplificativamente (i.2.1) quanto às despesas de materiais de conservação e limpeza, cópias de notas fiscais dos bens identificados na conta contábil 410104010807, evidenciando os documentos e informações que confirmem que esses materiais foram utilizados na atividade de logística e transporte. (i.2.2) quanto às despesas com passagens aéreas, cópias de notas fiscais das passagens emitidas identificadas na conta contábil 410101030310, evidenciando os documentos e informações que confirmem que esse serviço foi utilizado na atividade de logística e transporte. (i.2.3) quanto às despesas com custo com acidentes, documentos que demonstrem a que essas despesas se referem, trazendo aos autos, exemplificativamente, os contratos de seguro eventualmente firmados e os comprovantes de pagamento das despesas e a forma pelas quais elas estão ligadas ao serviço prestado pela empresa. (i.3) certidão de objeto e pé do Mandado de Segurança nº 0009718 25.2010.4.05.8300, anexando aos autos cópias de eventuais decisões já proferidas naquele processo que não constem dos autos. (ii) elabore relatório fiscal enfrentando a documentação apresentada pela empresa. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. É como proponho a presente Resolução. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 629DF CARF MF
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Numero do processo: 17546.000553/2007-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/09/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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EPP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/09/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 05 53 /2 00 7- 82 Fl. 225DF CARF MF Processo nº 17546.000553/200782 Acórdão n.º 9202006.801 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 226DF CARF MF Processo nº 17546.000553/200782 Acórdão n.º 9202006.801 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 227DF CARF MF Processo nº 17546.000553/200782 Acórdão n.º 9202006.801 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 228DF CARF MF Processo nº 17546.000553/200782 Acórdão n.º 9202006.801 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 229DF CARF MF Processo nº 17546.000553/200782 Acórdão n.º 9202006.801 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 230DF CARF MF Processo nº 17546.000553/200782 Acórdão n.º 9202006.801 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 231DF CARF MF Processo nº 17546.000553/200782 Acórdão n.º 9202006.801 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 232DF CARF MF Processo nº 17546.000553/200782 Acórdão n.º 9202006.801 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.904923/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-005.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 49 23 /2 01 2- 93 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10730.904923/201293 Acórdão n.º 3302005.657 S3C3T2 Fl. 185 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela DRJ/BHE, em sessão de 10 de novembro de 2014, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AnoCalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem o contribuinte apresentou, em 22.03.2012, DCOMP objetivando compensar suposto crédito de PIS relativo ao mês de julho de 2011, com débito de COFINS do mês de fevereiro de 2012. (fls. 22 a 27) Sobreveio, em 05.12.2012, despacho decisório noticiando que foi localizado o pagamento indicado na declaração de compensação, mas que este fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Cientificada do conteúdo do despacho decisório em 17.12.2012, a contribuinte protocolou, em 16.01.2013, requerimento para que fosse "reconsiderada a retificação de DCTF referente ao mês de julho de 2011" com número de recibo nº 13.85.13.14.2464, transmitida em 14.01.2013. Tal requerimento foi recepcionado como manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ/BHE, sob o fundamento de que caberia ao contribuinte demonstrar qual o erro no valor por ele declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB, sob pena de se manter o indeferimento. Aduziu ainda a DRJ/BHE que a DACON transmitida antes da ciência do Despacho Decisório não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior, bem como que a retificação de DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte de outros elementos de prova, não se presta para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em 03.07.2014 o contribuinte tomou conhecimento do acórdão recorrido, por meio de correspondência com AR, protocolando recurso voluntário em 01.08.2014, onde alega, em síntese: a) embora tenha cometido erro no preenchimento da DACON e apresentado DCTF retificadora após a intimação da RFB, apurou e registrou contabilmente, créditos de PIS sobre insumos, no valor de R$11.884,49; Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10730.904923/201293 Acórdão n.º 3302005.657 S3C3T2 Fl. 186 3 b) na apuração da PIS não cumulativa referente ao mês de julho de 2011, por erro material, os créditos contabilizados não foram aproveitados, incorrendo em pagamento a maior equivalente a R$11.884,49 (fl. 70); c) que em diversos julgados, uma vez comprovada a existência do crédito, a verdade material prevalece sobre o formalismo, reconhecendose o direito ao crédito pleiteado. Anexou cópias: I) da DCTF retificadora; II) Razão Contábil da Conta 1.1.2.02.00034 CREDITO PIS S/INSUMOS do período de julho de 2011; III) da PER/DCOMP; IV) do acórdão recorrido; V) da 12ª alteração contratual; VI) dos documentos do representante legal; VII) do DARF recolhido. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a analisálo. 1 Das Etapas de Verificação do PER/DCOMP e do ônus probatório. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10730.904923/201293 Acórdão n.º 3302005.657 S3C3T2 Fl. 187 4 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. Importante destacar ainda que o início da etapa de verificação documental faz com que as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte, nas declarações eletrônicas transmitidas ao fisco, precisem ser comprovadas por outros meios no processo administrativo fiscal. Ou seja, uma vez que as declarações anteriormente apresentadas pelo contribuinte ao fisco não foram suficientes para a homologação da compensação na etapa de verificação eletrônica, não terão elas, quando desacompanhadas de outros documentos que as ratifiquem, força probatória suficiente para atestar a certeza e liquidez do crédito na etapa de verificação documental. No caso em estudo, até a interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte não apresentou qualquer documento que ao menos indicasse que o valor do PIS relativo mês de julho de 2011 era inferior ao que fora efetivamente recolhido, o que ocasionou o não reconhecimento de seu direito creditório pela DRJ. O art. 373 do CPC/2015 dispõe, com efeito, que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. No mesmo sentido dispõe o §4º do art. 16 do Decreto Lei nº 70.235/1972, ao estabelecer que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, ou, neste caso, junto a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Excepcionalmente, em homenagem ao princípio da verdade material, tem se admitido a juntada de provas documentais em momentos posteriores à manifestação de inconformidade. Ocorre que o único documento distinto das declarações transmitidas ao fisco e dos documentos de identificação e qualificação trazido aos autos foi a cópia do livro razão da conta 1.1.2.02.00034 CREDITO PIS S/INSUMOS, não sendo possível atestar, com base no razão anexado, que os valores registrados foram calculados sobre gastos que satisfazem a condição de insumos dos serviços prestados pela recorrente. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10730.904923/201293 Acórdão n.º 3302005.657 S3C3T2 Fl. 188 5 Não foi apresentado qualquer documento que comprove qual a receita auferida no mês de julho de 2011 com cada atividade da empresa, e nem mesmo que os supostos créditos registrados na conta contábil 1.1.2.02.00034 CREDITO PIS S/INSUMOS são provenientes de insumos dos serviços prestados do mesmo período. Para tanto, poderiam ter sido apresentados, por exemplo, cópias das folhas do livro razão que confirmem o valor das receitas auferidas com cada atividade desenvolvida pela empresa, bem como das contas relativas aos insumos de cada atividade. Ademais, dado o diminuto volume de registros, poderiam ter sido juntadas cópias das notas fiscais/faturas e contratos relativos aos custos sobre os quais se registrou contabilmente o crédito pretendido. Assim, tendo em vista que os documentos trazidos aos autos não se mostram suficientes para comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar, não há como reconhecer o direito creditório declarado. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.721276/2011-99
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
ABONO DE ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA EM FÉRIAS.
O abono de assiduidade, pagos na incidência das férias, tem caráter indenizatório.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço.
Numero da decisão: 2002-000.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para expungir da condenação os valores pagos a título de abono de assiduidade, incidente nas férias, no mais mantendo a r. decisão revisanda.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 ABONO DE ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA EM FÉRIAS. O abono de assiduidade, pagos na incidência das férias, tem caráter indenizatório. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1337; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.721276/201199 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.247 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IRPF Recorrente VANDER MORAES GALVAO PACHECO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 ABONO DE ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA EM FÉRIAS. O abono de assiduidade, pagos na incidência das férias, tem caráter indenizatório. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para expungir da condenação os valores pagos a título de abono de assiduidade, incidente nas férias, no mais mantendo a r. decisão revisanda. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 12 76 /2 01 1- 99 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10855.721276/201199 Acórdão n.º 2002000.247 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl.114/132) contra decisão de primeira instância (fls.87/97), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 49/54), referente ao exercício 2008, ano calendário 2007. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar 8.123,61 (Sujeito à Multa de Ofício) Multa de Ofício (passível de redução) 6.092,70 Juros de Mora (calculado até 29/04/2011) 2.505,32 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de 0,00 Mora) Multa de Mora (não passível de redução) 0,00 Juros e Mora (calculado até 29/04/2011) 0,00 Total do Crédito Tributário 16.721,63 O lançamento acima foi decorrente das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos do Trabalho com/sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica – omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho com/sem vínculo empregatício, relativos ao exercício 2008, anocalendário 2007. Fonte Pagadora: Schimar Propaganda e Publicidade Ltda. (CNPJ: 01.026.909/000181). Valor: R$ 554,97. IRRF: 0,00. Fonte Pagadora: Primo Schincariol Ind de Cerv e R efrig do Nordeste S/A (CNPJ: 01.278.018/000112). Valor: R$ 2.035,08. IRRF: 0,00 Fonte Pagadora: Primo Schincariol Ind de Cerv e R efrig do Nordeste (CNPJ: 04.430.717/000124). Valor: R$ 568,80. IRRF: 0,00 Fonte Pagadora: Companhia de Bebidas Primo rimo Schincariol (CNPJ: 02.864.417/000128). Valor: R$ 977,23. IRRF: 0,00 Fonte Pagadora: Primo Schincariol Ind de bebidas de Alagoas (CNPJ: 04.944.353/000109). Valor: R$ 514,08. IRRF: 0,00 Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10855.721276/201199 Acórdão n.º 2002000.247 S2C0T2 Fl. 4 3 Fonte Pagadora: Primo Schincariol Ind de Cerv e R efrig S/A (CNPJ: 50.221.019/000136). Valor: R$ 1.765,23. IRRF: 0,00 Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007. Valor: R$ 23.125,00. Motivo da glosa: Não restou comprovado o efetivo pagamento aos profissionais Noeli Lobo Costa Marcolino, Anselmo Jose Escodoro Amstalden, Carlo Coiro, Alexandre Vianna Marvulo, Silvia Coiro e Solange de Fatima Sonsin Navarro Xavier da Silveira A ciência do lançamento ocorreu em 11/04/2011 (fls. 57) e, em 10/05/2011, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 02/25, acompanhada de documentos, alegando que os rendimentos considerados omitidos não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, não se encaixando na base de cálculo do imposto de renda, assim definida no art. 43 do CTN. Transcreve artigo e decisões do STj sobre o tema. Ressalta que o valor de R$ 6.415,39 corresponde ao montante recebido no ano de 2007 a titulo de abono de férias e do adicional de 1/3 sobre o abono de férias. Acrescenta que também esta incluído nesse valor os prêmios pagos sobre os referidos abonos, que afirma serem os abono assiduidade incorporados às suas férias. Entende que o abono assiduidade pago sobre o abono de férias e sobre o abono de férias 1/3 tem a mesma natureza que os referidos abonos. Cita ato interpretativo publicado pela Receita Federal (nº 05/2005) sobre a revisão do credito tributário relativo ao imposto sobre a renda incidente sobre os valores em pecúnia pagos a titulo de férias não gozadas por necessidade de serviço , bem como a Instrução Normativa RFB 936/2009. Quanto à glosa de despesas médica, transcreve o art. 8, inciso II, aliena a, da lei 9250/1995, afirmando que tem direito de deduzir da base de calculo do IRPF os valores correspondentes ao pagamento das despesas médicas. Transcreve doutrina sobre o tema. Discorre que a própria Lei nº 9.250 dispõe sobre os elementos de prova exigíveis do contribuinte para constituir o fato jurídico da despesa médica. Entende que enquanto o art. 73 do RIR estabelece a obrigação de prova, o inciso III, do § 2 do art. 8 da Lei 9.250/96 estabelece o meio de fazer a prova. Alega que apresentou a Autoridade Fiscal os elementos exigidos pela legislação (Comprovante indicando nome, endereço e CPF dos beneficiários dos pagamento) para dedução das despesa médicas. Afira que a Autoridade Fiscal não cumpriu com o ônus da prova que lhe cabe, uma vez que tendo apresando documentos que atendem aos requisitos exigidos pela legislação a Autoridade fiscal deveria apresentar algum elemento de prova apto a afastar o valor da prova produzida pelo contribuinte. Entende que, constituído regularmente o fato jurídico das despesas médica com estrita observação do art. 8 da lei 9.250/96, a sua desconstituição compete a Autoridade Fiscal incumbindolhe ônus da prova do fato desconstitutivo. Cita decisão do, à época Conselho de Contribuinte. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10855.721276/201199 Acórdão n.º 2002000.247 S2C0T2 Fl. 5 4 Aduz que não há qualquer mínimo elemento de prova trazido aos autos que ponha em dúvida idoneidade dos comprovantes apresentados. Requer o cancelamento do débito fiscal reclamado e que seja intimado em seu endereço. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS. NÃOINCIDÊNCIA. Os valores recebidos a título de abono pecuniário de férias de que trata o art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT e respectivo adicional de um terço previsto no art. 7º, inciso XVII, da Constituição de 1988, correspondente à parcela das férias convertidas em pecúnia, não estão sujeitos à incidência de imposto de renda. RENDIMENTO BRUTO. TRIBUTAÇÃO. Todos os rendimentos, abstraindose sua denominação, acordos ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não englobados no rol das isenções de que tratam os incisos que compõem o art. 6º, da Lei n.º 7.713/88 c/c com o art. 39 do RIR/99. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES. Na fase do contencioso administrativo, as intimações são feitas no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10855.721276/201199 Acórdão n.º 2002000.247 S2C0T2 Fl. 6 5 O contribuinte foi notificado em 04/04/2014 (fl.103); Recurso Voluntário protocolado em 06/05/2014 (fl.328), assinado por procurador legalmente constituído (fls.107/108). Diz o recorrente que: "Como é de conhecimento, os prêmios pagos mensalmente, configuram habitualidade, motivo pelo qual refletem nas férias, conforme entendimento do TST", diz o referido acórdão: "A gratificação de assiduidade paga mensalmente de modo habitual, pela incorrência de ausências ao serviço tem natureza salarial, e assim integra a remuneração do trabalhador..." (grifo nosso) Reconhece a r. decisão primeira, que "portanto devese afastar também a tributação sobre os valores recebidos a título de abonoassiduidade". Porém diz a r. decisão que no presente caso o contribuinte não traz aos autos provas de que os valores recebidos sobre a rubrica prêmios referemse a abono assiduidade pagos sobre o abono férias e o respectivo adicional, também não comprovando estarem os valores elencados entre as exclusões dos incisos que compõem o art. 6º da Lei 7713/88 c/c com o art. 39 do Decreto 3000/99. Entende este relator, que assiste razão ao recorrente, eis que os documentos juntados aos autos às fls.135/264, provam que o recorrente recebia o prêmio praticamente todos os meses, e que as verbas denominadas prêmio s/abono de férias e prêmio s/abono de férias 1/3, se referem à incorporação de prêmio assiduidade, que por possuir natureza indenizatória não está no campo da incidência do Imposto de Renda. Para melhor esclarecer o prêmio assiduidade tem natureza salarial, quando pago sob o título de férias, ou seja 1/3, tem natureza indenizatória. No que pertine a glosa de despesas médicas, verificase à fl.52 dos autos que o recorrente foi intimado a apresentar os comprovantes de despesas médicas declaradas em sua DIRF. Pois bem, dos documentos apresentados, verificouse que uma das profissionais de quem o recorrente juntou recibo, foi submetida a procedimento de fiscalização, que declarou inidôneos para todos os efeitos tributários os recibos por ela emitidos, do qual o recorrente também utilizou. Neste sentido, o contribuinte foi novamente notificado a apresentar documentação comprobatória do efetivo pagamento, não só desta profissional como os demais, no entanto o recorrente declarou que fez os pagamentos em dinheiro. Em sede de recurso o recorrente juntou novamente os recibos e uma jurisprudência, não aplicável ao caso ora analisado. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento parcial para expungir da condenação os valores pagos a título de abono de assiduidade, incidente nas férias, no mais mantenho a r. decisão revisanda. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10855.721276/201199 Acórdão n.º 2002000.247 S2C0T2 Fl. 7 6 Fl. 334DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.724180/2011-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com o recurso, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
PROVA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias.
GANHO DE CAPITAL. VALOR DA ALIENAÇÃO. PARCELA DESTINADA A PAGAMENTO DE PASSIVO
A parcela do valor do negócio destinada a pagamento de passivo da pessoa jurídica, e não foi recebida pelos sócios alienantes, não compõe o valor da alienação, se comprovada a efetiva destinação da parcela para liquidação de passivo, e não for demonstrado pela auditoria fiscal que o contrato não teve propósito negocial.
INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO ADVOGADO.
O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, ou o eletrônico por ele autorizado. Inexiste previsão legal para encaminhamento das intimações ao endereço dos procuradores.
Numero da decisão: 2202-004.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito. em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com o recurso, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PROVA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias. GANHO DE CAPITAL. VALOR DA ALIENAÇÃO. PARCELA DESTINADA A PAGAMENTO DE PASSIVO A parcela do valor do negócio destinada a pagamento de passivo da pessoa jurídica, e não foi recebida pelos sócios alienantes, não compõe o valor da alienação, se comprovada a efetiva destinação da parcela para liquidação de passivo, e não for demonstrado pela auditoria fiscal que o contrato não teve propósito negocial. INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, ou o eletrônico por ele autorizado. Inexiste previsão legal para encaminhamento das intimações ao endereço dos procuradores.
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com o recurso, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PROVA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias. GANHO DE CAPITAL. VALOR DA ALIENAÇÃO. PARCELA DESTINADA A PAGAMENTO DE PASSIVO A parcela do valor do negócio destinada a pagamento de passivo da pessoa jurídica, e não foi recebida pelos sócios alienantes, não compõe o valor da alienação, se comprovada a efetiva destinação da parcela para liquidação de passivo, e não for demonstrado pela auditoria fiscal que o contrato não teve propósito negocial. INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, ou o eletrônico por ele autorizado. Inexiste previsão legal para encaminhamento das intimações ao endereço dos procuradores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 41 80 /2 01 1- 86 Fl. 474DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito. em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0955.569, proferido pela 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Do Lançamento Fiscal Foi lançado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, decorrente de omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, relativo aos anos calendário 2007 e 2008, no montante de R$ 105.232,85 (cento e cinco mil duzentos e trinta e dois reais e oitenta e cinco centavos), incluídos multa de ofício e juros de mora. A auditoria fiscal relata que a Brumafer Mineração Ltda (BRUMAFER) alienou 100% das quotas para a empresa MSA Mineração Serra Azul (MSA), em 31/08/2007. Os titulares das quotas eram as pessoas físicas, que detinham os seguintes percentuais: ESPÓLIO DE JOSÉ EVANDRO DE CASTRO TOLEDO (22%); EVANDRO TOLEDO (15,5%), PETRÔNIO TOLEDO (15,5%); ANTONIO CARLOS CASTRO TOLEDO (21%), JOSÉ RODOLFO CASTRO TOLEDO (21%); JOSÉ MARIA CASTRO TOLEDO (5%). Transcreve trechos do Contrato Promissório de Cessão e Transferência de Quotas Sociais, que contém a cessão de 36.000 quotas (100%), no valor de US$ 33.000.000,00, ajustado em moeda nacional (convertido pela taxa de compra PTAX 800, opção 5, divulgada pelo SISBACEN, vigente à data anterior ao pagamento), a ser pagos da seguinte forma: Parcelas Valor em US$ Data pagto Valor em R$ Sinal do negócio (cláusula "a") 1.598.295,15 01/08/2007 (depositada em conta de titularidade da BRUMAFER) 3.000.000 2ª (cláusula "b") 6.000.000,00 10/04/2008 (depositada em conta indicada pelos promitentes cedentes) 3ª (cláusula "c") 6.000.000,00 10/10/2008 (depositada em conta indicada pelos Fl. 475DF CARF MF Processo nº 15504.724180/201186 Acórdão n.º 2202004.741 S2C2T2 Fl. 475 3 promitentes cedentes) 4ª (cláusula "d") 4.401.704,85 10/04/2009 (depositada em conta indicada pelos promitentes cedentes) 5ª (cláusula "e") 12.000.000,00 data da renovação das licenças para o funcionamento (depositada em conta indicada pelos promitentes cedentes) 6ª (cláusula "f") 3.000.000,00 utilizada para liquidação de passivos (apurados por due diligence) Entre os trechos transcritos desse Contrato, consta que: 1) a due diligence para apuração de ativo e passivo total da cedente seria realizada na data da assinatura contratual até o vencimento da 2ª parcela; 2) todas as obrigações de qualquer natureza que recaíssem sobre a BRUMAFER até a data do registro de alteração contratual para a realização do objeto do contrato, seriam de responsabilidade dos promitentes cedentes; 3) se o valor do passivo apurado na due diligence fosse superior aos US$ 3.000.000,00, a promitente cessionária poderia descontar o valor excedente da parcela equivalente aos US$ 12.000.000,00, e se ultrapasse esse valor poderia descontar das demais parcelas vincendas, na ordem inversa das datas de pagamento. A auditoria fiscal informa que em 26/06/2008 foi assinado o 1o Termo Aditivo ao Contrato Promissório de Cessão e Transferência de Quotas Sociais (Contrato Promissório), que estabelecia: 1) o valor de US$ 1.325.190,70 que foi antecipado para pagamento dos passivos da BRUMAFER, seriam descontados da 3ª parcela (US$ 6.000.000,00) e da 5ª parcela (US$ 12.000.000,00); 2) o valor integral do passivo a ser descontado do valor total do negócio seria o consolidado no prazo de 60 dias após o registro de cessão das cotas na JUCEMG (ocorrido em 13/11/2008); 3) o valor de US$ 3.000.000,00 (cláusula "f") e os demais valores liquidados ou a serem liquidados relativos aos passivos da BRUMAFER seriam considerados como custo para efeito da determinação do valor total atribuído ao contrato. O autuante comunica que realizou diligência na empresa MSA, cujos documentos por ela apresentados, demonstram que já tinham sido realizados os seguintes pagamentos: DATA R$ US$ FINALIDADE 27/08/2007 250.000,00 133.191,26 Pagto passivo Brumafer 03/09/2007 1.250.000,00 665.956,31 Pagto passivo Brumafer 19/09/2007 500.000,00 266.382,53 Pagto passivo Brumafer 24/09/2007 1.000.000,00 532.765,05 Pagto passivo Brumafer TOTAL Parcela Sinal 3.000.000,00 1.598.295,15 21/11 /2007 41.582,00 23.573,90 Pagto passivo Brumafer 11/04/2008 9.790.138,08 5.737.411,58 Pagto aos sócios e passivo Brumafer 11/04/2008 390.000,00 239.014,52 Pagto passivo Brumafer TOTAL 2ª Parcela (10/04/2008) 10.180.138,08 6.000.000,00 03/10/2007 1.837.820,96 1.006.143,09 Pagto passivo Brumafer 05/10/2007 136.500,00 75.000,00 Pagto passivo Brumafer 15/10/2007 134.340,00 75.000,00 Pagto passivo Brumafer 30/04/2008 283.057,63 169.047,62 Pagto passivo Brumafer 21/11/2008 3.293.218,20 1.374.809,30 Pagto aos sócios 21/11/2008 3.300.000,00 Multa Contratual Aplicada (em juízo) TOTAL 3ª Parcela (10/10/2008) 5.684.218,20 6.000.000,00 13/04/2009 9.577.229,41 4.401.704,85 Pagto aos sócios Fl. 476DF CARF MF 4 TOTAL 4ª Parcela (10/04/2009) 9.577.229,41 4.401.704,85 30/06/2008 4.820.700,00 3.000.000,00 Pagto passivo Brumafer TOTAL 5ª Parcela (06/2008) 4.820.700,00 3.000.000,00 Noticia que o recorrente era titular de cotas representativas de 5% do capital social da BRUMAFER, que era de R$ 36.000,00, conforme Declaração de Informações Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano calendário de 2007. Entretanto, 50% de suas cotas foram transferidas para sua exesposa nos autos do processo judicial de divórcio consensual nº 0024.00.126.8044 (10a Vara de Família de Belo Horizonte/MG). Quando do processo de execução da sentença, o adquirente foi intimado a depositar em juízo o equivalente a 2,5% do valor total do negócio (US$ 33.000.000,00), o que foi efetuado em 11/04/2008, por meio de cheque, no valor de R$ 1.405.635,00. Desse montante, a exesposa do recorrente (Raquel Leite Rangel) levantou R$ 1.177.922,45, dando quitação plena do valor executado, o restante foi levantado pelos demais cotistas. Como já havia sido pago aos vendedores o valor de R$ 33.287.929,62, coube ao recorrente o valor de R$ 785.706,04, recebido parte por meio de liquidação do passivo da BRUMAFER, conforme tabela abaixo (fls. 24): VRS. RECEBIDOS PROPORCIONALMENTE À PARTICIPAÇÃO DE CADA SÓCIOQUOTISTA MÊS DO RECEBIMENTO VR. DO DESEMBOLSO R$ JOSÉ MARIA DE CASTRO TOLEDO 2,50% R$ 31/08/2007 250.000,00 6.400,00 30/09/2007 2.750.000,00 70.400,00 31/10/2007 2.092.004,30 53.555,31 30/11/2007 41.582,00 1.064,50 30/04/2008 6.966.138,23 178.333,14 30/04/2008 673.057,63 17.230,28 30/04/2008 1.177.922,45 0,00 30/04/2008 227.712,55 5.829,44 30/06/2008 1.418.364,85 0,00 30/06/2008 4.820.700,00 123.409,92 30/11/2008 3.293.218,20 84.306,39 30/04/2009 9.577.229,41 245.177,07 TOTAL 33.287.929,62 785.706,04 O Auditor Fiscal explica a composição da tabela, nos seguintes termos: 2.9.1 O valor de R$6.966.138,23 referese ao cheque de R$8.384.503,08 recebido pelos alienantes menos o valor de R$1.418.364,85 desembolsado para pagamento dos 22% de participação societária do espólio de José Evandro de Castro Toledo, dividido entre a meeira Maria Olga dos Santos e as herdeiras Maria Inez Toledo Detoni e Maria Saturnina de Castro Toledo. Sobre este valor já foi recolhido o Imposto de Renda Sobre Ganho de Capital no valor de R$211.566,73 em nome do espólio. 2.9.2 O valor de R$1.177.922,45 referese ao valor levantado por Raquel Leite Rangel, exesposa do sócio José Maria de Castro Toledo, referente aos 2,50% de participação societária da mesma, havidos mediante partilha de bens em acordo judicial no processo de divórcio do casal, processo n° 0024.00.126.804 4. 2.9.3 O valor de R$227.712,55 referese à diferença entre o valor depositado judicialmente pela MSA Mineração Serra Azul Fl. 477DF CARF MF Processo nº 15504.724180/201186 Acórdão n.º 2202004.741 S2C2T2 Fl. 476 5 Ltda, R$1.405.635,00 e o valor levantado por Raquel Leite Rangel. O valor de R$1.405.635,00 é equivalente a 2,50% (participação da exesposa) de US$33.000.000,00 (preço de venda das participações societárias). Este valor foi repassado para os sócios remanescentes. Informa que o recorrente não considerou na apuração do ganho de capital os valores repassados pela adquirente para pagamento do passivo da BRUMAFER, e por isso calculou a diferença, conforme abaixo: QUOTAS SOCIAIS VENDIDAS VALOR DE VENDA CUSTO GANHO DE CAPITAL BRUMAFER MINERAÇÃO 785.706,04 900,00 784.806,04 Acrescenta que o percentual entre o ganho de capital total e o valor total da alienação foi de 99,90%, o qual deve ser aplicado aos valores de cada parcela recebida nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, cujo efetivo recebimento foi comprovado pela documentação bancária juntada pelo recorrente e pela MSA. Sobre esses valores apurou o imposto devido à alíquota de 15%, e aplicou a multa de ofício no percentual de 75%. Cientificado do Auto de Infração (fls. 248), o recorrente apresentou impugnação (fls. 250/261), que foi julgada improcedente pela DRJ/JFA, tendo a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Data do fato gerador: 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 30/04/2008 OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. ALIENAÇÃO DE QUOTAS SOCIETÁRIAS. ALEGAÇÃO DE CLÁUSULA CONTRATUAL. A alegação de existência de cláusula contratual prevendo que uma parte dos valores recebidos decorrentes da alienação da participação societária seria utilizado para pagamento do passivo da empresa alienada não cabe para refutar a infração de omissão de ganhos de capital, quando esta houver sido claramente demonstrada nos autos pela fiscalização, sem que tenham sido trazidas quaisquer provas em contrário pelo impugnante. Salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes, nos termos do art. 123 do CTN. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 30/04/2008 PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o impugnante apresentála em outro Fl. 478DF CARF MF 6 momento a menos que demonstre motivo de força maior, refira se a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Indeferese a solicitação de perícia quando a prova do fato não depende de conhecimento especial de técnico e sua demonstração pode ser efetuada pela juntada de documentos. INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. Na fase do contencioso administrativo, as intimações são feitas no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão da DRJ/JFA em 08/12/2014 (fls. 456/457), o recorrente apresentou recurso voluntário em 05/01/2015, com os mesmos argumentos da impugnação, que em síntese são os seguintes: · A data efetiva do negócio ocorreu em 28/06/2008, porque não houve pagamento integral da 1ª parcela constante no contrato original, por parte do adquirente; · O adquirente MSA Mineração Serra Azul Ltda assumiria todo o passivo (pagamento de credores) da Brumafer Mineração Ltda, cujo valor apurado seria descontado do valor do negócio; · Foi acordado que os sócios da Brumafer Mineração Ltda receberiam o resultado da diferença entre o valor global do negócio e o valor total do passivo, apurado por meio de uma due diligence; · Do valor global do negócio foi destinado o equivalente a US$ 3.000.000,00 para liquidação do passivo da Brumafer Mineração Ltda, e se o passivo ultrapassasse esse valor, a adquirente estaria autorizada a descontar o excesso, do valor global do negócio; · Os valores recebidos para liquidação do passivo, antes da assinatura do 1º termo de aditamento ao contrato de alienação das quotas, seriam descontados das parcelas futuras; · O valor antecipado pela adquirente para pagamento desse passivo não pode entrar na base de cálculo do ganho de capital, porque está expresso que ele será descontado do valor global do negócio; · O Auditor Fiscal considerou como fato gerador do ganho de capital simplesmente a alienação do bem; e não apontou a realidade factual da análise da materialidade do evento econômico, do qual o recorrente foi partícipe; · Não houve acréscimo ao patrimônio do recorrente, porque o montante foi utilizado para quitação de débitos da Brumafer Mineração Ltda.; · Ao efetuar o cálculo do imposto sobre ganho de capital levou em consideração o rendimento bruto, nos termos da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 15504.724180/201186 Acórdão n.º 2202004.741 S2C2T2 Fl. 477 7 · Os valores adiantados pela adquirente para pagamento do passivo da Brumafer Mineração Ltda. não podem ser considerados rendimento bruto; · A exigência de imposto de renda sobre os valores utilizados para liquidação do passivo da Brumafer é ilegal, porque se está tributando o próprio negócio de compra e venda, que não é competência da União; · Isso levaria ao entendimento de ser possível a tributação quando da cessão de quotas dos sócios proprietários para seus credores, a fim de liquidação de dívidas préexistentes, sem que eles recebessem valor algum; · Nas alienações a prazo, para a ocorrência do fato gerador, deve estar efetivamente comprovado o recebimento dos valores pelo contribuinte, e não apenas baseado em valores estabelecido em instrumento particular; · Comprovado que não houve omissão de ganho de capital a multa deve ser anulada juntamente com o Auto de Infração; · O Auto não foi instruído da fundamentação correspondente para validálo; · O art. 123 do CTN não se aplica aos autos, que não dizem respeito à determinação do sujeito passivo da obrigação tributária; · A perícia contábil é relevante para detalhar que os valores foram efetivamente utilizados para pagamento do passivo. Dos pedidos: O recorrente requer: · Conhecimento do recurso, improcedência do lançamento, e extinção do crédito; · Produção de provas e juntada posterior de documentos, assim como, realização de prova pericial contábil; · Intimação no endereço de seus advogados e procuradores. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora Fl. 480DF CARF MF 8 O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço Produção de provas. Perícia. Em relação à solicitação de produção de provas, importante lembrar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo Fiscal, no art. 16 e parágrafos, e art. 18, aborda a questão nos seguintes termos: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). Fl. 481DF CARF MF Processo nº 15504.724180/201186 Acórdão n.º 2202004.741 S2C2T2 Fl. 478 9 Os dispositivos acima transcritos demonstram que a juntada de documentos após o recurso somente é permitida nas situações expressamente previstas, devendo ser indeferidos eventuais pedidos em desacordo com o estatuído. A prova documental deve ser apresentada no momento do recurso e não em outro. Por fim, registrese que é justamente nesta fase do processo administrativo que a interessada deve exercer o seu direito de ampla defesa, ocasião em que deve comprovar suas alegações. A realização de diligência, ou perícia, pressupõe que a prova não pode, ou não cabe, ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. O Relatório Fiscal e seus anexos detalham de forma clara os critérios utilizados pelo Auditor Fiscal, a forma de apuração da base de cálculo, informando os valores e diferenças apuradas. Portanto, a empresa teve todas as condições para contestar o lançamento, sem a realização de diligências ou perícia. Por isso, não vejo necessidade desses procedimentos, uma vez que o Auto de Infração apresenta todos os elementos necessários para formar a convicção do julgador. Ademais, entendese que não estão presentes os requisitos necessários ao pedido, ao teor do inciso IV e § 1º do art. 16 do Processo Administrativo Fiscal PAF, assim, indeferese o pedido por entendêlo prescindível à solução do litígio. Do mérito A controvérsia reside no fato de parte do valor total do negócio ter sido utilizada para pagamento de passivos da BRUMAFER. Alega o recorrente que a auditoria não poderia acrescentar ao ganho de capital o valor utilizado para pagar passivos da BRUMAFER. Para a solução de controvérsia, importante trazer ao debate o art. 4o da Resolução CFC nº 750, de 29/12/1993, publicado no DOU de 31/12/1993, verbis: SEÇÃO I O PRINCÍPIO DA ENTIDADE Art. 4°. O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único — O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova Fl. 482DF CARF MF 10 ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômico contábil." A análise desse princípio, leva à conclusão que o passivo de uma sociedade é diferente do passivo pessoal de seus sócios. As dívidas da sociedade são diferentes das dos seus sócios. Isso está estipulado nos arts. 1024 e 1052 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil): Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. [...] Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. Tal autonomia patrimonial também está disposta no art. 795 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Novo Código de Processo Civil NCPC), cuja previsão já estava contida do antigo CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973): Art. 795. Os bens particulares dos sócios não respondem pelas dívidas da sociedade, senão nos casos previstos em lei. § 1oO sócio réu, quando responsável pelo pagamento da dívida da sociedade, tem o direito de exigir que primeiro sejam excutidos os bens da sociedade. Assim, a pessoa jurídica é um ente distinto das pessoas físicas que a constituem, tem nome próprio, domicílio próprio, nacionalidade própria, e patrimônio próprio. Diante das transcrições anteriores, voltemos ao negócio efetuado entre os sócios da BRUMAFER e a MSA. Com base nas cláusulas do Contrato Promissório de Transferência de Quotas Sociais da empresa BRUMAFER, verificase que o valor do negócio não foi definido em sua assinatura, pois dependia de algumas ocorrências para se chegar ao valor final da alienação, pois as parcelas dependiam do valor do passivo apurado no due diligence, e ao longo do período até que se chegasse ao pagamento da última parcela, e da renovação das licenças ambientais. Com isso temse que o valor da alienação, apesar de ser estipulado em US$ 33.000.000,00, poderia ser reduzido a depender do valor do passivo e da liberação de licença ambiental, não sendo um valor definido. Então, para se determinar o ganho de capital dessa alienação, devese primeiramente, saber qual o valor real da alienação, e segundo qual o valor do custo de aquisição das quotas que foram alienadas. Entendo não haver controvérsia quanto ao segundo elemento. O debate gira em torno do valor da alienação: devese incluir ou não a parcela destacada do valor estipulado em contrato para pagamento do passivo da BRUMAFER? Para isso vamos ver o que diz a Lei nº 7.713/88: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 15504.724180/201186 Acórdão n.º 2202004.741 S2C2T2 Fl. 479 11 Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (grifei) Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. Pelos trechos legais acima transcritos, percebese que o imposto recairá sobre o que for recebido, e na medida em que for recebido. Assim, no caso hipotético de uma alienação de participação societária ao valor contratual de R$ 1.000,00, com pagamento diferido, da seguinte forma: 1ª parcela: 100,00 deduzidas as dívidas da empresa; 2ª parcela: 200,00 reais deduzidas de possíveis dívidas encontradas na empresa; 3ª parcela: R$ 700,00 quando liberada a licença ambiental, deduzidas dívidas remanescentes da sociedade. Vamos dizer, que à época do pagamento da 1ª parcela, foi apurado de passivo na empresa o valor de R$ 40,00, em vista disso a alienante paga ao sócio R$ 60,00; ao tempo da 2ª parcela, foram encontradas mais dívidas da empresa no valor de R$ 100,00, em função disso, são pagos ao alienante R$ 100,00; e depois de 5 anos finalmente o órgão público libera a licença ambiental da sociedade, ocasião em que a adquirente paga ao sócio alienante os R$ 700,00 relativo à última parcela, mas deduz desse valor, dívidas remanescentes da sociedade no valor de R$ 100,00. Pergunto: qual será o valor considerado para apuração do ganho de capital? Entendo que, apenas o valor efetivamente recebido pelo sócio: 60 + 100 + 600 = 760,00, porque não se tributa o que não foi recebido, e aqui não se inclui o passivo porque não é obrigação do sócio, mas da sociedade, enquanto detentora de autonomia patrimonial. O exemplo é similar ao ocorrido no presente caso, o valor da alienação das participações societárias correspondeu aos valores efetivamente recebidos pelos sócios, e o valor do passivo não foi recebido por eles. Ao que tudo se lê do contrato, a MSA fez uma apuração de haveres, com encontro de contas entre ativo e passivo, para determinar qual seria o valor do negócio, e partindo disso, estipulou um preço que levaria em conta o valor de dívidas da empresa. Isso é o que se conclui dos seguintes trechos do Contrato Promissório transcrito no TVF: Parágrafo Primeiro A due diligence para apuração do ativo e passivo total da Brumafer Mineração Ltda, deverá ser realizada da data de assinatura do presente contrato até o vencimento da parcela prevista na letra "b" da cláusula segunda, e verificará, além dos passivos contábeis, a situação dos ativos de minério de Fl. 484DF CARF MF 12 ferro, relacionados diretamente com as operações de lavra, beneficiamento, comercialização e transporte de minério a eles relacionados, incluindo a avaliação de recursos e reservas minerais, bem como os direitos, deveres e obrigações decorrentes de Termos de Ajustamento e Conduta TAC"s.. Parágrafo Segundo Todas as obrigações, de qualquer espécie, de qualquer natureza, seja a nível tributário, fiscal, trabalhista, previdenciário, reparação civil, que recaírem sobre a Brumafer Mineração Ltda, até a data do registro da alteração contratual necessária à realização do objeto do presente instrumento de cessão e transferência de quotas sociais, serão de responsabilidade dos PROMITENTES CEDENTES, passando a ser, de responsabilidade da PROMITENTE CESSIONÁRIA, a partir daquela mesma data, ou seja, do registro da alteração contratual. Parágrafo Terceiro Finda a due diligence, se o valor do passivo apurado, definitivo e consolidado, for superior em dólares, aos US$3.000.000,00 (três milhões de dólares norte americanos), referidos na letra "f da cláusula segunda, a PROMITENTE CESSIONÁRIA ficará autorizada a descontar o valor a maior eventualmente encontrado e efetivamente pago, da parcela em reais, equivalente a US$ 12.000.000,00 (doze milhões de dólares norteamericanos), referida na letra "e" também da cláusula segunda, observandose, invariavelmente, o estabelecido no Parágrafo Segundo da Cláusula Quinta. Parágrafo Quarto Caso o valor total do passivo apurado e efetivamente pago for superior ao valor da parcela referida na letra "e" da cláusula segunda, poderá a PROMITENTE CESSIONÁRIA, descontar das parcelas vincendas, sempre na ordem inversa das datas de pagamento, o valor que exceder." Vejo que a due diligence teve por objetivo estipular qual seria o valor real das participações societárias, em função da situação patrimonial da sociedade, o que por consequência excluía desse valor o passivo, que ia se acumulando, em função da situação da empresa, que estava com as atividades paradas por decisão judicial. Isto porque, consta no Contrato Promissório, que a cada verificação do passivo que ultrapassasse os US$ 3.000.000,00, o excesso seria descontado do valor das parcelas subsequentes. Se houve destaque do preço de aquisição para pagamento do passivo, o preço de aquisição real foi o preço de venda menos esse passivo. Da mesma forma, a empresa adquirente poderia ter estipulado um valor líquido (excluído o passivo) para as participações societárias, e reservado o valor que correspondesse ao passivo, para liquidar quando do registro da alteração contratual de realização do objeto do Contrato Compromissário. Nesse caso, o passivo teria efeito sobre o valor líquido que seria recebido pelos alienantes? Entendo que não, caso não houvesse cláusula contratual estipulando dedução de valor em função de diferença de passivos apurados; mas se tal cláusula estivesse presente, os valores das parcelas a serem pagas seriam reduzidas. Ou seja, se as parcelas estivessem estipuladas contratualmente, no momento do pagamento a adquirente iria descontar o passivo apurado, então esse líquido corresponderia ao efetivo valor de alienação. Em realidade, houve uma retenção de parcela do valor da alienação, para pagamento do passivo. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 15504.724180/201186 Acórdão n.º 2202004.741 S2C2T2 Fl. 480 13 A questão é que, o sócio não recebeu o valor destinado ao passivo, que foi diretamente depositado na conta de outros dois sócios para pagamento de dívidas da BRUMAFER. Se o valor destacado era para o passivo, então não era para os sócios, visto que o sócio não é responsável pelas dívidas da empresa, no caso de o capital social estar todo integralizado, e não houver a desconsideração da personalidade jurídica, ou outro fato determinado em lei, que responsabilize os sócios por aquelas dívidas. Diferente seria se, o sócio fosse responsabilizado pelas dívidas da sociedade, em função de situações comprovadamente provocadas por ele, então, o valor destinado ao passivo comporia o valor da alienação, visto que foi destinado ao pagamento do passivo que é de responsabilidade do sócio, assim, uma parte seria utilizada para quitar dívidas dele. Nesse momento, oportuno citar a solução de Consulta Cost nº 3/2016, que sana dúvidas em relação a ágio na alienação de ações, mas que aborda matéria pertinente ao presente processo: [...] Com efeito, a aquisição acionária pode ser feita através de outras formas de integralização, como o oferecimento de bens ou ações, a assunção de passivos e emissão e entrega de instrumentos de capital ou o conjunto combinado de mais de um dos tipos de contraprestação3 . Entretanto, deve haver efetiva contribuição do investidor em qualquer espécie de bem suscetível de avaliação em dinheiro, já que só pode haver o registro do valor pago na escrituração contábil se houver segurança em sua mensuração. Nesse sentido é a exegese dos arts. 1.052 e 1.055 do Código Civil: (destacouse) Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. (...) Art. 1.055. O capital social dividese em quotas, iguais ou desiguais, cabendo uma ou diversas a cada sócio. [...] Importante destacar que os valores depositados na conta caução, apesar de essa ter sido aberta em nome dos Vendedores, ainda não podem ser considerados como custo de aquisição, pois esses valores se destinam a cobrir as garantias impostas pelo Comprador, e só estarão à disposição dos Vendedores na forma e nos prazos estipulados em contrato. 41. Em síntese, o preço de aquisição da participação societária não restou determinado no contrato apresentado pela Consulente, pois, em razão das diversas condições estipuladas no texto, é possível que o montante total a ser pago pelo Comprador seja ajustado para mais ou para menos, a depender de eventos futuros e incertos. Contudo, os valores já transferidos aos Vendedores correspondem a pagamento do preço acordado entre as partes, caracterizandose, desta forma, como custo de aquisição da participação societária para fins de apuração do ágio verificado no negócio celebrado pela Consulente. E, Fl. 486DF CARF MF 14 contrario sensu, os valores devolvidos pelos Vendedores representam redução desse custo de aquisição. Por óbvio, essas alterações influenciarão a apuração do ágio na transação, o que será melhor visto a seguir. [...] As obrigações acessórias estipuladas no contrato devem ser analisadas em face dos requisitos da existência jurídica e da ausência de autonomia frente a obrigação principal. Desta forma, essas obrigações, que no caso em tela determinam a devolução de valores para o Comprador, fazem parte do contrato de compra e venda, e não podem ser analisadas de forma isolada do objeto principal do negócio celebrado entre as partes. [...] 47. Considerando que gravar a coisa é impor a ela limitações ou gravames, também não se aplica ao caso em tela o art. 502 do Código Civil, acima apontado pela Consulente, já que a existência de eventuais débitos anteriores à data de sua alienação não “grava” a participação societária objeto do negócio celebrado entre as partes. Ademais, esses débitos são da sociedade, não do sócio vendedor. Cabe ainda ressalvar que nas sociedades limitadas a responsabilidade do sócio se restringe ao valor de suas quotas, desde que já integralizadas. Quanto à responsabilidade acerca de débitos passados após a incorporação, assim determina o art. 1.116 do Código Civil: (destacouse) Art. 1.116. Na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo todas aprovála, na forma estabelecida para os respectivos tipos. [...] 51. De fato, o regime de competência determina que o valor das transações e de outros eventos seja reconhecido nos períodos a que se refere, independentemente do recebimento ou pagamento. Entretanto, para seu reconhecimento fiscal é necessário também que esse valor represente com fidedignidade aquilo que consubstancia, no caso em tela o efetivo preço da aquisição da participação societária, uma vez que, conforme sobejamente demonstrado acima, o preço consignado em contrato não é determinado, já que o valor final está condicionado a eventos futuros e incertos. Somente a efetiva e definitiva entrega de numerário aos Vendedores, nas condições estabelecidas no contrato, é que permite reconhecer que determinado valor integra o custo de aquisição da participação societária. [...]53. Em síntese, o custo de aquisição da participação societária é o valor total efetivamente pago pelo Comprador ao Vendedor. Em regra, é aquele estipulado no contrato, mas, deve se sempre observar o que foi acordado entre as partes, a fim de verificar se o preço consignado em contrato equivale àquele que será efetivamente pago aos Vendedores ao final da transação. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 15504.724180/201186 Acórdão n.º 2202004.741 S2C2T2 Fl. 481 15 Pois bem, a solução de consulta entende que o preço estipulado no contrato, pode não ser o definitivo, e isso vale tanto do lado do comprador quanto do lado do vendedor, o qual será determinado ao final da transação. Além disso, é bem clara ao afirmar que no preço da participação societária não deve ser considerado o passivo da sociedade, por ser dívida da empresa e não do sócio. Verificase ainda, no TVF que o fundamento do Auditor Fiscal para efetuar o lançamento se limitou ao fato de que as parcelas destacadas para pagamento do passivo deveriam compor o valor da base para apuração do ganho de capital. Entendendo que esse valor não deveria entrar na base de cálculo, pelas razões expostas ao longo deste voto, acrescento que, a auditoria em nenhum momento demonstrou que o valor ao qual se insurge teve outros fins que não o pagamento de dívidas, ou que tais recursos tiveram como beneficiários finais os próprios sócios da empresa, e que as tratativas contratuais foram apenas artifício para evitar o pagamento de imposto, situações essas, que poderiam descaracterizar o negócio e atrair a incidência do imposto. Ao contrário, o que vejo nos autos são documentos apresentados pelo recorrente durante a ação fiscal e com a peça impugnatória, demonstrando o pagamento pela MSA de dívidas da Brumafer, conforme fls. 146/227 e fls. 268/404. Portanto, entendo que não há motivo para manter o lançamento, referente às diferenças apontadas. Diante do exposto, devem ser excluídas da base de cálculo do ganho de capital do recorrente, os valores do passivo da sociedade que foram acrescentados pela Auditoria Fiscal no preço de alienação. Intimação ao advogado Por fim, o recorrente requereu que todas as intimações atinentes ao presente recurso fossem realizadas em nome de seu advogado no endereço lá constante. O artigo 23 do Decreto n° 70.235/72 disciplina integralmente a matéria. Seus incisos I, II e III configuram as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência. O inciso II considera que a intimação via postal deve acontecer no domicílio tributário apenas do sujeito passivo. Já o § 4º dispõe que, para fins de intimação, o domicílio tributário do contribuinte pode ser apenas em dois locais: no endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; ou no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. De tais regras, concluise pela inexistência de intimação postal na figura do procurador do sujeito passivo. Assim, a intimação via postal, no endereço dos procuradores, não acarretaria qualquer efeito jurídico de intimação, pois estaria em desconformidade com o artigo 23, inciso II e §§ 3° e 4°, do Decreto n° 70.235/72. Sendo assim, é de indeferir o pleito do recorrente. Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares, e, no mérito, em dar provimento ao recurso. Fl. 488DF CARF MF 16 (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 489DF CARF MF
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