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Numero do processo: 11080.910867/2012-91
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 08 67 /2 01 2- 91 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), retificando exclusivamente a Dacon, sem, portanto, retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), Fl. 107DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.910867/201291 Acórdão n.º 3802003.799 S3TE02 Fl. 107 3 o que só veio a ocorrer após o despacho decisório. Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 49 e ss., alega a falta de retificação da Dctf seria um mero equívoco, que poderia ser constatado pela análise da Dacon, já retificada quando da apresentação do pedido de PER/Dcomp. Afirma que, pelo princípio da verdade material, deveria o órgão julgador verificar quais dos dois documentos (Dctf ou Dacon) continha os valores corretos, bem como que a Dacon e a Darf são os únicos meios de provas capazes de demonstrar o valor efetivamente devido à título de Cofins, bem como a existência de pagamento a maior. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 06/03/2014 (fls. 47), interpondo recurso tempestivo em 02/04/2014 (fls. 49). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.910867/201291 Acórdão n.º 3802003.799 S3TE02 Fl. 108 5 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, entretanto, entendese que a documentação apresentada é insuficiente para a demonstração da certeza e da liquidez do direito de crédito. A Dipj e o Dacon, diversamente do que sustenta o Recorrente, somente têm valor probatório quando acompanhados da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente em face das divergências encontradas no curso do processo. Além disso, também deveria ter sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001889/2007-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO.
No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade das contribuições sociais, exclui-se da proporção as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação.
VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL.
A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplica-se somente aos custos, despesas e encargos que sejam vinculados às receitas de mercado interno e exportação.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. COMPROVAÇÃO.
Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não-cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis são utilizadas efetivamente no processo produtivo.
CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. VEDAÇÃO.
Há vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido para as cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal.
VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. DO ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004.
O art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 teve eficácia a partir de 4 de abril de 2006, data prevista na norma regulamentadora, in casu, a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006.
RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. VEDAÇÃO EXPRESSA.
É incabível, por expressa vedação legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos de contribuição não-cumulativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. O Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente o Contador Everdon Schlindwein - SC 018557/0 - PR.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade das contribuições sociais, exclui-se da proporção as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplica-se somente aos custos, despesas e encargos que sejam vinculados às receitas de mercado interno e exportação. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não-cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis são utilizadas efetivamente no processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Há vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido para as cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal. VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. DO ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. O art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 teve eficácia a partir de 4 de abril de 2006, data prevista na norma regulamentadora, in casu, a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. VEDAÇÃO EXPRESSA. É incabível, por expressa vedação legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos de contribuição não-cumulativa. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. O Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente o Contador Everdon Schlindwein - SC 018557/0 - PR. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
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MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade das contribuições sociais, excluise da proporção as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase somente aos custos, despesas e encargos que sejam vinculados às receitas de mercado interno e exportação. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis são utilizadas efetivamente no processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Há vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido para as cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 18 89 /2 00 7- 41 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 11 2 VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. DO ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. O art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 teve eficácia a partir de 4 de abril de 2006, data prevista na norma regulamentadora, in casu, a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO NÃOCUMULATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. VEDAÇÃO EXPRESSA. É incabível, por expressa vedação legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos de contribuição nãocumulativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. O Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente o Contador Everdon Schlindwein SC 018557/0 PR. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimentos (PER) de créditos de Cofins não cumulativa exportação e mercado interno não tributado, decorrente de saldo credor apurado pela contribuinte no 1o trimestre de 2005, resultante da não incidência desta contribuição sobre as receitas das operações de exportação e sobre as receitas de vendas no mercado interno sujeitas à alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência. Os pedidos de ressarcimento são os seguintes: N° PER Tipo de crédito Valor pleiteado 38844.25357.041106.1.5.09 4771 Cofins não cumulativa – exportação R$ 194.911,76 07592.36762.041106.1.1.11 7480 Cofins não cumulativa – mercado interno R$ 52.808,28 TOTAL R$ 247.720,04 Segundo o Despacho Decisório recorrido (fls. 148/181), da Seção de Fiscalização da DRF em Maringá, após discorrer sobre os procedimentos realizados e sobre a legislação pertinente aos créditos vinculados às operações de exportação, a contribuinte elegeu como método de determinação dos créditos o rateio proporcional, ou seja, a relação percentual entre a receita bruta de exportação e a receita bruta total auferidas no mês. No item “Das receitas de exportação”, a autoridade fiscal relata que a interessada declarou no Dacon como receitas de exportação do período os valores advindos de vendas de produtos para o exterior (exportação direta) e de vendas à empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação (exportação indireta) os seguintes valores: Jan/2005 Fev/2005 Mar/2006 Receita de exportação 178.666,65 764.257,27 20.965.375,72 Aduz a autoridade fiscal que nos montantes acima a empresa incluiu saídas que não podem ser acatadas como operações de exportação. Segundo informa, existem vendas que compõem essa receita de exportação cujas notas fiscais indicam vendas no Fl. 399DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 13 4 CFOP 5102 (venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiro), que indicam destinação ao mercado interno e sem informação da quantidade vendida. Não bastasse o CFOP impróprio, relata o Auditor Fiscal que a empresa não apresentou os respectivos memorandos de exportação ou informações relativas ao Despacho e Registro da Exportação, não provando, assim, a efetiva destinação da mercadoria para o exterior. Em decorrência, os valores de exportação acatados foram os seguintes: Explica que o §4o do art. 6o e art. 15, inc. III da Lei n° 10.833/2003, determinam que as aquisições de mercadorias realizadas por empresa comercial exportadora com fim específico de exportação não geram os mesmos benefícios de aproveitamento de créditos afetos às demais exportações, não se autorizando apuração de créditos, básicos e presumidos, vinculados a tais exportações. A autoridade fiscal aduz que não há porque obstar ao produtor remetente de mercadorias à Fertimourão, ainda que “alegando se não se tratar esta de uma trading company todos os efeitos possíveis às operações de exportação de mercadorias recebidas de terceiros, com o fim específico de exportação, já que a documentação apresentada assim caracteriza as operações realizadas”. Porém, à Fertimourão exportadora é vedado o aproveitamento dos créditos das contribuições relacionados a tais receitas e, consequentemente, o ressarcimento ou compensação desses créditos com outros tributos. Explica que como receita de exportação sem direito a crédito têmse parte das saídas contabilizadas no CFOP 5502 e 6502 (remessa de mercadoria adquirida ou recebida de terceiro com o fim específico de exportação) e CFOP 7102 (venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiro). Para tais saídas diz que a requerente emitiu Memorandos de Exportação a seus fornecedores de mercadorias, elaborando quadro demonstrativo, no qual relaciona as notas fiscais de exportação e os memorandos de exportação emitidos. Diz ainda que as quantidades consolidadas em cada um desses memorandos são em geral inferiores às quantidades exportadas informadas na nota fiscal correspondente. Por conta das diferenças verificadas, a autoridade fiscal determinou qual o valor exportado corresponde aos volumes recebidos com o fim específico de exportação, adotando o “critério de proporcionalizar o volume (quantidade) verificado como recebido com o fim específico de exportação sobre o volume total exportado na nota fiscal correspondente e aplicar tal índice ao valor total exportado consignado na nota fiscal”. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 14 5 Concluiu que os valores obtidos foram acatados como de exportação, mas sem direito aos créditos da não cumulatividade, posto que as mercadorias exportadas foram recebidas com fim específico de exportação. Em consequência, a receita de exportação considerada para fins de rateio sobre a receita bruta total, cujo coeficiente foi aplicado aos custos, despesas e encargos comuns ao mercado interno e à exportação para determinação dos créditos da não cumulatividade vinculados às receitas de exportação, são os seguintes: Na sequência, no item “Da receita bruta total” demonstra, a partir do Dacon da contribuinte, que as receitas da interessada foram assim informadas: Explica que verificou que a contribuinte auferiu receitas com vendas de bens do ativo permanente, as quais foram excluídas, para fins de cálculo do percentual de rateio, por se tratar de receita não operacional e, portanto, afastada da base de cálculo das contribuições, conforme disposto no art. 1o, §3o, II, da Lei n° 10.833/2003 e art. 1o, §3o, VI, da Lei n° 10.637/2002. Demonstra, no item “Das relações percentuais”, os índices calculados para se determinar os créditos vinculados à receita de exportação e ao mercado interno, em relação aos insumos, custos, despesas e encargos comuns: A autoridade fiscal afirma ainda que a determinação do crédito pelo método do rateio proporcional somente é aplicável se os custos, as despesas e os encargos forem comuns a ambas as receitas (mercado interno e exportação). Isso significa dizer que quando for possível identificar que custos, despesas e encargos Fl. 401DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 15 6 estão vinculados a uma receita, os créditos correspondentes devem ser vinculados diretamente a esta receita, sem rateio. A seguir, no item “Da análise dos créditos”, o Auditor Fiscal passa a analisar, especificamente, cada uma das rubricas de crédito informadas no Dacon. Relativamente à linha “bens utilizados como insumos”, a autoridade fiscal relata que os valores informados pela contribuinte no Dacon são relativos à aquisição dos seguintes produtos, adquiridos de pessoas jurídicas estabelecidas no país: Informa que as aquisições de soja foram feitas de pessoas jurídicas estabelecidas no país e estão registradas no Livro Fiscal de Entrada nos CFOP 1102 (compra para comercialização), razão pela qual tais valores deveriam ter sido informados na linha 1 do Dacon (bens para revenda) e não na linha 2 (bens utilizados como insumos). De todo o modo, informa que como isto não alterou o resultado do crédito analisado, tais valores foram aceitos na forma declarada. Explica ainda que a legislação permite calcular créditos relativamente a combustíveis e lubrificantes, quando utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (art. 3o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003). Com base no art. 8o da Instrução Normativa SRF n° 440/2004 e art. 66 da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, dispõe a autoridade fiscal que o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem utilizado no processo produtivo da empresa e não incorporado ao ativo imobilizado, mas tão somente aquele que sofra alterações em função da sua ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou aquele que seja efetivamente aplicado ou consumido na prestação de serviços. A partir desse entendimento, a autoridade fiscal analisou o modo como esses combustíveis foram utilizados pela empresa. Em função das informações prestadas, concluiu que “os combustíveis adquiridos foram utilizados exclusivamente na frota própria de caminhões, servindo de insumos na prestação de serviços de transporte e no transporte das mercadorias comercializadas até o destino da mercadoria”. Entende, todavia, que apenas a parcela dos combustíveis aplicada diretamente na prestação de serviços de transporte gera direito ao crédito, uma vez que os combustíveis utilizados para transporte de mercadorias vendidas não se enquadram como insumos. Diz que a contribuinte informou que por não conseguir determinar com exatidão os custos integrados, os custos relativos aos combustíveis foram apropriados com base no método da proporção da receita bruta. Estão demonstrados na tabela Fl. 402DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 16 7 abaixo os valores que foram rateados entre a receita com prestação de serviços de transporte e o ônus suportado pela contribuinte no transporte das mercadorias: A linha “bens utilizados como insumos” passou, assim, a apresentar os seguintes valores: Informa, também, que como a soja é destinado aos mercados interno e externo, a vinculação do crédito será feita conforme o novo índice de rateio calculado. Porém, uma vez que as aquisições de combustíveis tratamse de custos vinculados às receitas de prestação de serviços com fretes, destinados ao mercado interno, não se aplica o método de rateio proporcional, sendo a totalidade dos dispêndios vinculada às receitas de vendas no mercado interno. Informa, também, que como a soja é destinado aos mercados interno e externo, a vinculação do crédito será feita conforme o novo índice de rateio calculado. Porém, uma vez que as aquisições de combustíveis tratamse de custos vinculados às receitas de prestação de serviços com fretes, destinados ao mercado interno, não se aplica o método de rateio proporcional, sendo a totalidade dos dispêndios vinculada às receitas de vendas no mercado interno. Relativamente às linhas “4 – Despesas de Energia Elétrica”, “5 Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoas Jurídicas”, “7 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda” e “8 Despesas de Contraprestação de Arrendamento Mercantil”, os créditos foram totalmente deferidos. Entretanto, a vinculação desses valores às receitas no mercado externo, no mercado interno não tributado e no mercado interno tributado foi refeita com a aplicação do índice de rateio demonstrado no item “Das Relações Percentuais”. No tocante à linha “18 – Crédito presumido das atividades agroindustriais”, a autoridade fiscal explica que o pleito da contribuinte é disciplinado pelo art. 8o, da Lei n° 10.925/2004, que impõe, como requisito ao creditamento que a contribuinte exerça atividade econômica de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal e classificadas nos códigos da NCM listados no caput do artigo. A autoridade fiscal Fl. 403DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 17 8 analisou o processo produtivo, informado em memorial descritivo disponibilizado pela interessada, constatando que ele “consiste na aquisição de produtos agrícolas in natura (soja, milho, trigo) de produtores rurais (pessoas físicas) e, posterior, classificação, limpeza, secagem, armazenagem e venda desses produtos”. Na sequência, a autoridade fiscal explica o conceito legal de cerealista (art. 3o, §1o, inc. I da IN n° 660/2006 e art. 8o, §1o, inc. I da Lei n. 10.925/2004). Informa que “as operações de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura lá elencados configuram atividade de cerealista, não gerando crédito presumido para a empresa cerealista em si, mas para a empresa agroindustrial que vier a adquirir esses produtos dessas cerealistas, e empregálos como insumos”. Ademais, informa que a empresa “não dispõe de parque industrial para exercer atividades industriais”, além do que as vendas registradas no livro fiscal de saída somente há registros de saídas contabilizadas em CFOP típicos de revenda de mercadorias (5102, 6102, 7102, 5502 e 6502). Em função disso, entende que não há como a empresa assumir a condição de empresa agroindustrial em desfavor da de cerealista. Afirma ainda que não há como se entender que as operações executadas pela requerente nos produtos vegetais in natura (secar, classificar e padronizar) tornem esses produtos adequados ao consumo humano e animal, sendo necessários “processamentos posteriores para permitir tal destinação, além de fracionamentos para quantidades adequadas”. O relato fiscal dispõe ainda que em relativamente à lenha, mercadoria que compôs também a relação de produtos (milho, soja e trigo) adquiridos de pessoas físicas sobre os quais a interessada calculou seu crédito presumido, também não é possível permitir o creditamento. Isso porque, a lenha não está listada entre as mercadorias do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 que dão direito a este tipo de crédito. Diz que a lenha não é um produto objeto de mercancia da interessada, mas, sim, combustível utilizado para geração de calor no processo de secagem. Porém, sendo combustível adquirido de pessoa física, não há base legal para admitir que os dispêndios realizados possam dar direito ao crédito presumido ou básico. Enfim, entende a autoridade fiscal que a contribuinte não faz jus a nenhum crédito presumido relativo às atividades agroindustriais. Em relação à linha “19 – Crédito presumido do estoque de abertura”, explica a autoridade fiscal que a pessoa jurídica tem direito de efetuar desconto de crédito sobre o estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II do art. 3o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no país e existentes na data de início da incidência não cumulativa da contribuição. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 18 9 Afirma que conforme análise realizada para o 1o trimestre de 2004 (processo n° 10950.001893/200718), o valor acatado do crédito relativo ao crédito presumido do estoque de abertura existente em 31/01/2004 é de R$ 117.114,67, a ser utilizado em 12 parcelas mensais de R$ 9.759,56, entre fevereiro de 2004 e janeiro de 2005. Afirma, ainda, que verificou que houve devolução de vendas de produtos vendidos antes do início da incidência não cumulativa da contribuição em epigrafe (valores estão apontados nos processos relativos à analise dos dois primeiros trimestres de 2004). Devem, por isso, serem considerados como integrantes do estoque de abertura, de modo que a serem creditados em doze parcelas mensais, iguais e sucessivas a partir da data da devolução. Acatou, em consequência, os seguintes valores: Explica, porém, que as devoluções cujas vendas ocorreram ainda no regime cumulativo, por se tratarem de operações no mercado interno, não estão sujeitas a rateio para vinculação a exportações, razão pela qual o crédito acima apontado foi todo considerado como vinculado ao mercado interno. Diferentemente, o crédito de R$ 9.759,56, do mês de jan/2005 foi rateado entre o mercado externo e o mercado interno de acordo com os novos percentuais apontados. Desse modo, ficou assim a demonstração deste crédito: Em função das glosas apresentadas, a autoridade fiscal demonstrou que em relação aos créditos de Cofins não cumulativa vinculados ao mercado externo, passiveis de ressarcimento, a contribuinte faz jus aos seguintes montantes: Fl. 405DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 19 10 R$ 459,52 em 01/2005, R$ 171,21 em 02/2005 e R$ 20.931,23 em 03/2005. Na sequência, a autoridade passa a analisar os créditos da Cofins não cumulativa vinculados ao mercado interno. Detalha, pormenorizadamente, os critérios jurídicos para apropriação deste tipo de crédito. Após, explica que para se determinar o coeficiente de rateio devese buscar as receitas de vendas da empresa no mercado interno realizadas com alíquota zero, suspensão, isenção ou sem incidência da contribuição. detalhamento extraído dos arquivos digitais apresentados, pertinente aos dados informados no Dacon, é o seguinte: Segundo o relato fiscal, as receitas financeiras, embora tributadas à alíquota zero das contribuições, não se configuram como receitas de vendas, de modo que não permitem a manutenção do crédito relacionado, segundo o que estabelece o art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Além disso, a autoridade fiscal também não considerou os créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão, posto que no período analisado não era aplicável o instituto da suspensão, conforme demonstrou no item “Da análise dos débitos”. Foi calculado, então, o coeficiente de rateio, conforme o seguinte demonstrativo: Na sequência, no item “Da análise dos créditos”, a autoridade fiscal deferiu os seguintes créditos da contribuição em análise vinculados às receitas não tributadas no mercado interno: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 20 11 Enfim, os créditos no mercado interno foram assim proporcionalizados: No item “Da análise dos débitos”, relata a autoridade fiscal que a empresa excluiu da base de cálculo da contribuição a pagar receitas referentes a vendas com suspensão. Demonstra, a partir do Dacon, que este são os valores excluídos da base de cálculo: Alerta o Auditor Fiscal, contudo, que tais receitas não podem ser excluídas, haja vista que a legislação de regência não permitia tal exclusão no período em referência. Diz que a suspensão da exigibilidade do PIS/Pasep e da Cofins, prevista no §2o, do art. 9o, da Lei n° 10.925/2004, estava condicionada ao estabelecimento de suas condições pela Receita Federal, que foi feita com a edição da Instrução Normativa SRF n° 636, de 24/03/2006, revogada pela Instrução Normativa SRF n° 660/2006. Esta estabeleceu que a suspensão da exigibilidade das contribuições entrou em vigor a partir de 04/04/2006. Isso posto, a autoridade fiscal recompôs a base de cálculo das contribuições: Em função de se ter apurado contribuição a pagar, foram realizadas compensações de ofício da contribuição calculada com os créditos deferidos. A recomposição do tributo devido e da utilização dos créditos ficou assim: Fl. 407DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 21 12 Enfim, os créditos apurados, relativos ao mercado externo, interno não tributado e interno tributado foram totalmente utilizados para deduzir os débitos da contribuição apurada no trimestre analisado, não restando saldo credor a ser ressarcido. Cientificada em 20/04/2012, a contribuinte apresentou em 17/05/2012, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 185/247. Inicialmente, no item “I Dos fatos”, a manifestante diz que é empresa que desenvolve atividades agroindustriais e produz as mercadorias classificadas na NCM dos Capítulos 10 e 12, relacionadas no caput do art. 8o da Lei n° 10.925/2004. Afirma que efetua operações no mercado interno e realiza exportações diretas e indiretas. Explica os objetivos e a mecânica da não cumulatividade instituída para o PIS/Pasep e Cofins. Diz que para o exercício regular de suas atividades adquire de fornecedores bens e serviços utilizados como insumos para a elaboração de seus produtos. Afirma que os insumos utilizados decorrem de uma complexa cadeia produtiva, de modo a apurar créditos para abater da contribuição devida e se ressarcir do saldo remanescente, nos termos da legislação em vigor. No tópico “II – Das razões da reforma”, explica os critérios que nortearam a instituição do sistema não cumulativo para o PIS e a Cofins. Diz que no caso específico do setor agroindustrial o legislador optou, com vistas a minorar o desequilíbrio entre débitos e créditos, em conceder um crédito presumido sobre o valor das aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, atribuindo à RFB competência para estabelecer os seus contornos. Descreve os objetivos da instituição dos créditos vinculados às receitas de exportação. Conclui que a sistemática prevista “assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o princípio constitucional da nãocumulatividade e também, evitar a incidência das contribuições quando da realização de exportações, ainda que indiretamente”. Explica os créditos vinculados às receitas de vendas no mercado interno, concluindo que não há “dúvidas quanto à possibilidade de manutenção dos créditos, bem como da recuperação dos mesmos, mediante dedução, compensação ou ressarcimento do saldo de créditos decorrentes de saídas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições para o PIS e Cofins acumulados a partir de 09 de agosto de 2004”. No item “III – Análise do relatório/despacho decisório da RFB” apresenta, propriamente, sua defesa. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 22 13 No subtópico “3.1 – Do critério de rateio para apropriação dos créditos vinculados à exportação”, diz que optou pelo critério de rateio de seus custos, despesas e encargos na proporcionalidade da receita bruta de exportação em relação à receita bruta total auferida. Aduz que no período analisado efetuou algumas aquisições de mercadorias com o fim específico de exportação, expedindo a seus fornecedores os memorandos da respectiva exportação. Esclarece que em relação às mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não apurou crédito de PIS e Cofins, observando o disposto no §4o do art. 6o da Leis n° 10.833/2004 e 10.637/2002. Afirma, contudo, que tal norma não restringe a apuração de créditos sobre os demais custos, despesas e encargos elencados no art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Argumenta que o Auditor Fiscal adotou critério de rateio não previsto na legislação, excluindo da receita de exportação os valores relativos às mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. Diz que o agente fiscal, todavia, manteve estes valores computados na receita bruta total, distorcendo a apuração dos índices da proporcionalidade da receita de exportação em relação à receita bruta total. Diz que não há previsão legal para efetuar ajustes nos valores das receitas para fins de rateio, devendo todos os custos, despesas e encargos do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 serem rateados de acordo com a proporcionalidade da receita bruta auferida. Traz acórdão do CARF que em sua ementa aduz que “não existe previsão legal para excluir, no cálculo do rateio proporcional, o valor da exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação”. Alega que é equivocado também o entendimento do agente fiscal de que o cálculo proporcional somente é aplicável se os custos, as despesas e os encargos forem comuns às receitas de vendas no mercado interno e de exportação. Argumenta que a lei só permite a adoção de um único critério de apuração de créditos, facultando à contribuinte escolher entre a apropriação direta dos custos, despesas e encargos ou o método de rateio proporcional. Sustenta, com base em acórdão do CARF, que a metodologia híbrida elaborada pelo agente fiscal não possuiu embasamento legal. Requer que o critério de rateio para apropriação dos créditos vinculados à exportação e às vendas no mercado interno tributado e não tributado seja o demonstrado no Dacon. No item “3.2 – Das aquisições de combustíveis”, a interessada argumenta que “os combustíveis adquiridos pela contribuinte são insumos utilizados na frota de veículos que tem vinculo direto nas atividades da empresa servindo para o transporte de mercadorias e insumos entre os estabelecimentos do contribuinte, e na prestação de serviços de transportes a terceiros”. Argumenta que o conceito de insumo para o PIS e Fl. 409DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 23 14 Cofins deve abranger “todo custo necessário, usual e normal na atividade da empresa”. Traz aos autos Acórdão do CARF segundo o qual combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículo ligados à atividade industrial geram direito ao crédito da contribuição. No tópico “3.3 – Crédito presumido – atividade agroindustrial – produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM”, a interessada argumenta que apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão e que foram utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, de acordo com o inc II do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o caput do art. 8o da Lei 10.925/2004. Alega que, de acordo com o inc. I do art. 6o da IN SRF 660, exerce atividade econômica de produção de mercadorias relacionadas no art. 5o, desempenhando atividades agroindustriais e, portanto, tem o direito ao crédito presumido calculado sobre as aquisições efetuadas de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão das contribuições. Afirma que como a IN SRF n° 660 (art. 6o) reconhece que o crédito presumido não é para quem planta e colhe, pois excetua as atividades rurais, questiona: “quem é que além do produtor rural poderá produzir grãos beneficiados classificados nos capítulos 8 a 12 da NCMl? Lógico, claro, sistêmico e preciso, é a Agroindústria, é a Recorrente!” Preconiza que adquire produtos agropecuários (soja, trigo e milho não beneficiados), que são utilizados como principal insumo em seu processo produtivo, além de também utilizar outros, tais como lenha e energia elétrica, de onde resultarão os grão beneficiados. Aduz que, em conformidade com a Lei n° 9.972/2000, Decreto n° 6.268/2007 e instruções normativas do Ministério da Agricultura, desenvolve processo produtivo de beneficiamento, no qual se alteram as características originais, aperfeiçoando as mercadorias e resultando os grãos exportados. Conclui que as mercadorias produzidas e o beneficiamento adotado enquadram se nas disposições legais em questão (caput do art. 8o da Lei 10.925/2004), fazendo jus ao crédito presumido. Diz que não pode sofrer restrições em face de interpretações ou atos normativos internos da RFB, que lhe restrinja o benefício, sob pena de violação de seu direito líquido e certo e afronta ao princípio constitucional da estrita legalidade. Argumenta que o beneficiamento é caracterizado como processo de industrialização, nos termos do Decreto nº 87.981/82 (RIPI), uma vez que promove o aperfeiçoamento dos grãos. A seguir, define o conceito de processo produtivo, para concluir que o fato de as mercadorias serem exportadas a granel significa apenas que são comercializadas fora da embalagem, o que não quer dizer que não passa pelo processo de beneficiamento. Reafirma que “a contribuinte realiza o processo produtivo das Fl. 410DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 24 15 mercadorias comercializadas / exportadas”. Alega que o Auditor fiscal, contrariando as próprias normas da RFB, desconsiderou o processo produtivo desempenhado pela contribuinte relativo às mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 elencados no caput do art. 8o da Lei 10.925/2004. Na sequência, a manifestante passa a dissertar sobre o conceito de cerealista. Diz que o relatório fiscal, visando desenquadrar a contribuinte como produtora de mercadorias descritas no caput do art. 8o da Lei 10.925/2004, alega que ela somente desempenharia atividades de cerealista, indeferindo o aproveitamento do crédito pleiteado. Aduz, porém, que o legislador ao editar a Lei n° 11.196/2005, alterou o inc. I do § 1o do art. 8o da Lei n° 10.925/2004, suprimindo a palavra “secar” da redação original, por perceber que “secar” mercadorias faz parte do processo de beneficiamento realizado pelo produtor e não condiz com a atividade meramente comercial. Porém, alega que o agente fiscal interpretou ao seu modo que a contribuinte desempenharia somente atividades de cerealista, interpretação esta efetuada através da análise isolada do inc. I do § 1o do art. 8o da Lei n° 10.925/2004, e, desta forma, não faria jus ao crédito. Diz que o mais grave na transcrição da legislação pertinente é que o Auditor Fiscal, embora citando a Lei n° 11.196, transcreveu no Despacho Decisório o inciso I sem as modificações promovidas pela citada lei, querendo fazer crer que a interessada é, na verdade, uma empresa cerealista. Afirma que com base numa interpretação sistêmica dos arts. 8o e 9o da Lei n° 10.925/2004, podese concluir que: Com base do caput do art. 8o da lei a contribuinte é produtora das mercadorias milho, trigo e soja beneficiados e classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM, e faz jus ao crédito presumido sobre aquisição de pessoas físicas de bens utilizados como insumos; Com base no art. 9o e inc. I do § 1o do art. 8o da Lei n° 10.925/2004, a contribuinte poderá efetuar vendas das mercadorias classificas nos códigos 10.01 a 10.08 (trigo e milho) e código 12.01 (soja) para empresas no lucro real com suspensão de PIS e Cofins, no mercado interno. Em vista disso, requer que sejam consideradas, para a mensuração do crédito presumido, o valor total das aquisições efetuadas pela contribuinte. Na sequência, sustenta a interessada que é ilegítima a restrição aos créditos com base na utilização de CFOP de venda de mercadorias. Explica que a autoridade alegou que a manifestante utilizou na escrituração das aquisições de seus insumos CFOP 1.102 e 2.102, e em suas notas fiscais de saída utilizouse de CFOP 5.102, 6.102, 7.102, 5.502, 6.502, os quais indicariam que a contribuinte somente teria efetuado a revenda de mercadorias. Defendese, no entanto, relatando que atende plenamente os requisitos da lei, consoante já relatado. Afirma que o fato de a empresa ter utilizado equivocadamente os CFOP Fl. 411DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 25 16 em suas entradas e saídas não pode ser determinante para que tenha seu crédito indeferido, vez que tal fato somente ocorreu por erro formal de contabilização. Afirma, outrossim, que caso a autoridade julgadora não esteja satisfeita com a descrição do processo produtivo caberia ao agente fiscal a realização de diligências in loco para conhecêlo, com base no art. 65 da IN RFB n° 900/2008 e art. 18 do Decreto n° 70.235/1972. Diz que no curso do presente processo administrativo não houve nenhuma atividade de diligência fiscal em sua sede, de modo que a autoridade fiscal não pode ignorar o processo produtivo desempenhado, devendo observar disposições do art. 2o da Lei n° 9.784/99. A seguir, a manifestante disserta sobre a destinação das mercadorias que beneficia. Argumenta que o entendimento de que não ficou evidenciado que as mercadorias produzidas pela interessada seriam destinadas ao consumo humano ou animal é equivocado, pois o art. 8o da Lei n° 10.925/2004 impõe que “o crédito não está vinculado à atividade ‘Produzir’ e sim para as ‘Pessoas Jurídicas’ que produzam tais mercadorias”, de modo que “considerando que a escrituração dáse nas aquisições, realizase o creditamento neste momento”. Afirma ainda que “a expressão ‘destinarse’ não é sinônima de ‘seja próprio’ para a alimentação humana ou animal. É fato que a soja e milho beneficiados serão destinados em larga escala para alimentação humana ou animal, pois depois de beneficiadas seguirão para indústria de óleo, farelo, alimentos, etc. No entanto não foi a intenção do Legislador condicionar o crédito ao destino final do produto”. Sustenta, também, que raciocinar no sentido da decisão recorrida lhe obrigaria a “provar a destinação concreta que seu cliente/adquirente, no Brasil e no exterior, dará à mercadoria comercializada”, o que “definitivamente não é o sentido da lei e condiciona o crédito a requisito não previsto em lei e que, por difícil desincumbirse, o inviabiliza”. Relativamente à lenha adquirida de pessoas físicas, diz que a utiliza no seu processo produtivo como insumo na produção das mercadorias descritas no caput do art. 8o da Lei n° 10.925/2004. Afirma que existe direito ao crédito presumido para as empresas que produzam as mercadorias elencadas no referido artigo e “não para os bens utilizados como insumos classificados nas posições dos referidos dispositivos”. Aduz que o próprio fiscal a reconhece como insumo, de modo a ter direito ao crédito presumido sobre sua aquisição. Na sequência, a manifestante aduz que RFB pretende também restringir a forma de aproveitamento do respectivo crédito, impedindo o ressarcimento em dinheiro ou a compensação do crédito presumido com demais débitos do contribuinte, alegando, equivocadamente, que os referidos créditos somente poderiam ser utilizados para a dedução das contribuições devidas para o PIS e Cofins. Aduz que o Ato Declaratório Interpretativo n° 15/2005 e o inciso II do §3o do artigo 8o da IN 660 interpretam, erradamente, que o crédito previsto no art. 8o da Lei n° 10.925/2004 somente podem ser utilizados para Fl. 412DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 26 17 dedução dos débitos das contribuições e não podem ser ressarcidos. Alega que mesmo que seja mantida a interpretação equivocada adotada pelo referido ADI, esta só valeria para fatos geradores futuros à sua edição, ou seja, a partir de 26/12/2005. No item “3.4 – Dos créditos vinculados às receitas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência”, alega a impetrante que “o agente fiscal entendeu que somente os créditos vinculados às vendas de mercadorias com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de PIS e Cofins poderiam ser ressarcidos, não permitindo o ressarcimento dos créditos apurados na proporção das receitas financeiras que também são tributadas a alíquota zero de PIS e Cofins”. A manifestante discorda desse entendimento, afirmando que o agente fiscal não observou “que a base de cálculo para o PIS e Cofins de acordo com o art. 1o das leis 10.637/02 e 10.833/03 respectivamente, corresponde à totalidade de suas receitas independente de sua classificação contábil, desta forma a receitas financeiras fazem parte da base de cálculo”. Aduz, porém, que o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 foi editado justamente para esclarecer dúvidas na interpretação da legislação, contemplando as receitas financeiras, uma vez que estas fazem parte da base de cálculo da contribuição. Alega, ainda, que o agente fiscal, equivocadamente, para encontrar a proporcionalidade das receitas no mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de PIS e Cofins, ajustou a receita bruta total, deduzindo do total da receita, a receita de exportação. Requer que, para fins de apuração da proporcionalidade e rateio, seja considerado o total das receitas no mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência em relação com a receita bruta total sem os ajustes efetuados pela fiscalização. No item “3.5 – Base de cálculo tributável das contribuições para o PIS e Cofins”, diz que a melhor interpretação da legislação sobre o assunto permite concluir que a contribuinte está autorizada a efetuar operações com suspensão das contribuições desde 01/08/2004. Diz que esta é a data a partir do qual a suspensão deve produzir efeitos, de acordo com o art. 17 da Lei n° 10.925/2004. Não bastasse isso, diz que a própria Instrução Normativa n° 636/2006 já reconhecia que os efeitos do art. 9o da Lei n° 10.925/2004 deviam vigorar, nos termos do art. 5o, a partir de 01/08/2004. Alega que a Instrução Normativa n° 660/2006 fixou outro marco inicial (04/04/2006) simplesmente porque até então a matéria era disciplinada pela IN SRF n° 636/2006. Argumenta que desconsiderar a determinação da lei e da própria regulamentação emitida pela Receita Federal é violar a legalidade e criar insegurança jurídica. Relativamente às exportações não comprovadas, aduz a manifestante que as receitas advindas destas operações devem ser consideradas como vendas com suspensão das contribuições, em virtude de se tratarem de vendas classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM, realizadas para empresas enquadradas no Fl. 413DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 27 18 lucro real, de modo que não podem compor a base de cálculo da contribuição no período. No item “IV – Dos princípios a serem observados pela administração pública” aduz que o art. 2o do Lei n° 9.784/1999 elenca um rol de princípios que devem ser observados pela Administração pública, entre eles, o da objetividade, adequação de meios e fins, simplicidade, interpretação da norma administrativa da forma que melhora garanta o atendimento do fim público, entre diversos outros. No item “V – Previsão legal para incidência da Selic”, diz que “os créditos da recorrente merecem ser corrigidos e pela SELIC, nos termos do § 4o, do art. 39 da Lei 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado”. Lembra os preceitos fixados pelo Decreto 2.138/97, os quais, segundo aduz, equipara os institutos da restituição ao do ressarcimento e autoriza, para ambos, a aplicação da Selic. Traz jurisprudência sobre o assunto e invoca o princípio da isonomia. No item “VI – Do requerimento”, requer a reforma total da decisão ora combatida e, especificamente, pede: manutenção do método de rateio proporcional adotado; manutenção do crédito de PIS e Cofins sobre o total das aquisições de combustíveis; reconhecimento do processo produtivo desempenhado pela recorrente e, caso a autoridade julgadora entender necessário, a realização de diligências no sentido de confirmar o processo produtivo descrito; manutenção do crédito presumido e remanescendo saldo credor, que se permita sua compensação com demais débitos do contribuinte e/ou ressarcimento em dinheiro; ressarcimento integral dos créditos vinculados à receita no mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições, inclusive na proporção das receitas financeiras tributadas à alíquota zero; exclusão da base de calculo das contribuições a totalidade das vendas efetuadas com suspensão das contribuições em conformidade com art. 9o da lei 10.925/2004; não havendo comprovação da exportação das mercadorias, pleiteia a reclassificação dessas operações para vendas efetuadas com suspensão das contribuições, de modo a manter a exclusão destas vendas da base de cálculo do PIS e da Cofins; solicita, por fim, correção dos valores pleiteados com a incidência da taxa Selic a partir de cada período de apuração. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 28 19 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. É vedada à empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. RATEIO. As receitas de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não podem compor as receitas de exportação para fins de cálculo dos índices de rateio, uma vez que elas não geram direito ao crédito da contribuição ao PIS/Pasep e à Cofins. RECEITA DE VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. RECEITA NÃO OPERACIONAL. Para fins de cálculo dos índices de rateio, as receitas de vendas de bens do ativo permanente devem ser excluídas da receita bruta total, por se tratar de receita não operacional. MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. Os índices de rateio proporcional entre receitas de exportação e do mercado interno aplicamse aos custos, despesas e encargos que sejam comuns. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. COMBUSTÍVEIS. Somente podem ser considerados insumos os bens ou serviços, combustíveis inclusive, quando aplicados ou consumidos diretamente no seu processo produtivo, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas, mas apenas os que efetivamente se relacionem com a atividade fim da empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. CEREALISTA. CRÉDITO PRESUMIDO. VEDAÇÃO. Para fins de apuração do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos relacionados no seu inciso I é considerada cerealista, sendolhe vedado apurar o referido crédito. VENDAS COM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. VIGÊNCIA. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 29 20 Somente a partir de 04/04/2006, com a edição da IN SRF nº 660, de 2006, é que entraram em vigor as regras para a suspensão da exigibilidade do PIS/Cofins em relação às vendas efetuadas, nos moldes do previsto no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. RESSARCIMENTO. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não cumulativa. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É incabível a incidência de correção monetária e juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos, por expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: o legislador percebeu que, embora os produtores rurais pessoas físicas não sejam contribuintes de PIS e COFINS, os produtos agrícolas não são gerados espontaneamente no estabelecimento do produtor rural. Para tanto, o produtor rural, tem que adquirir insumos (sementes, defensivos, combustíveis, máquinas agrícolas, etc.) que foram onerados pelas contribuições do PIS e COFINS, nas etapas anteriores da produção; ainda cabe destacar que a nãocumulatividade do PIS e COFINS, possui sistemática de apuração própria, diferente da sistemática adotada em outros tributos como o IPI; no caso, não estamos tratando de apuração de créditos, estamos diante de créditos de PIS e COFINS, cuja materialidade é diversa, sendo que o conceito de insumos e produção para PIS e COFINS é mais amplo que o conceito adotado para o IPI, não guardando nenhuma relação a apuração de crédito de PIS e Cofins com a incidência ou não de IPI no produto produzido. Por último, reafirmou os pedidos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 30 21 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Destacase inicialmente que as matérias em discussão nesse litígio administrativo são objeto de inúmeras controvérsias entre a Fazenda Nacional e os contribuintes. Assim, as matérias serão enfrentadas por tópicos específicos, em consonância com as alegações da requerente no recurso voluntário. 1 Rateio Proporcional – Mercado externo A interessada insurgiuse contra o critério de apropriação dos créditos vinculados à receita de exportação. Discorda da exclusão da receita bruta de exportação auferida, dos valores correspondentes ao volume de mercadoria adquirida com o fim específico de exportação, impedindo o ressarcimento do saldo de créditos nesta proporção. É incontroverso que o critério adotado tanto pela fiscalização como pela recorrente é o de rateio proporcional, assim não há litígio neste aspecto. Não se pode perder de vista que a recorrente somente tem direito ao ressarcimento de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência nãocumulativa, observados os critérios previstos no § 8º do art. 3º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita Fl. 417DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 31 22 bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifouse) Resta evidente que o dispositivo legal acima estabelece uma proporção entre receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total. Destacase que não existe uma norma específica regulamentando essa matéria. O conceito de receita bruta total está estabelecido no art. 1º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, abaixo transcrito: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.(Lei 10.637/02). (...) Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.(Lei 10.833/03) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Assim, no conceito de bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as de exportação, receitas com suspensão e as tributadas à alíquota zero, salientando que a fiscalização excluiu do montante da receita bruta, os valores das receitas de vendas de bens do ativo permanente. Registrese, de imediato, que a recorrente confundiu no exame do rateio os itens correspondentes ao numerador e ao denominador. A receita bruta total corresponde ao denominador e as receitas de exportação a serem consideradas para fins de rateio ao numerador. Como visto acima, o conceito de receita bruta (denominador) engloba todas as receitas, inclusive as com fim específico de exportação. Deste modo, no denominador do rateio não há alterações a serem feitas. Quanto a receita de exportação a ser considerada para fins de rateio (numerador), a principal controvérsia desse tópico cingese a interpretar o disposto no parágrafo 4º do artigo 6º da Lei 10.833/2003, “in verbis”: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando Fl. 418DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 32 23 vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.( grifouse) De acordo com a inteligência deste dispositivo, a natureza desta receita é cumulativa porque não se admite a apuração de quaisquer créditos. Não há na norma uma limitação em relação as mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. Pelo contrário, vedase a apuração de todos os demais créditos relacionados no art. 3º da Lei 10.833/2003. Desta forma, no item receita de exportação a ser considerada para fins de rateio (numerador), como acertadamente procedeu a autoridade fiscal, excluemse as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. A interpretação é literal, afastandose assim a tese da recorrente de que como suas receitas não estão relacionadas no art. 10 da Lei 10.833/2003, faz jus a apuração e o ressarcimento na proporção total da receita de exportação de créditos apurados em conformidade com o art. 3º da Lei 10.833/2003 sobre os custos, despesas e encargos que foram onerados de PIS e Cofins na etapa anterior. Em conclusão, não há reparos a fazer no procedimento fiscal que no cálculo do rateio proporcional excluiu no numerador as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com o fim específico de exportação. 2 Da apropriação dos custos despesas e encargos pelo método do rateio proporcional A recorrente discorda da posição a autoridade fiscal em relação ao critério de apropriação de créditos vinculados a uma determinada receita. Transcrevo excerto da posição da autoridade fiscal para fundamentar a decisão: "Convém destacar que a determinação do crédito por esse método do rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas no mercado interno, somente é aplicável se os custos, as despesas e os encargos forem comuns a ambas as receitas (mercado interno e exportação). Ou seja, quando possível identificar que os custos, despesas e encargos estão vinculados a uma determinada receita, os créditos decorrentes desses custos, despesas e encargos devem ser vinculados diretamente a esta receita, sem rateio". (grifouse) A recorrente defende a tese de que a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, é a receita bruta total, e que todos os custos, despesas e encargos são comuns e necessários para o desempenho da sua atividade, assim sendo, estes custos, despesas e encargos devem ser apropriados pelo método de rateio proporcional da receita bruta de exportação, receita no mercado interno com suspensão em relação da receita bruta total. Mais uma vez não assiste razão à recorrente. Como visto, os critérios estão estabelecidos nos parágrafos 7º e 8º do art. 3º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003. Assim, somente se aplica o rateio proporcional aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de mercado interno e exportação. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 33 24 O critério adotado pela Fazenda Nacional é correto porque os parágrafo 2º e 3º do art. 6º da Lei 10.833/03 e o art. 17 da Lei 11.033/2004, abaixo transcritos, estabelecem que a pessoa jurídica somente poderá solicitar o ressarcimento em dinheiro em face dos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação e as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição . Lei 10.833/03 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o.(grifouse) Lei 11.033/2004 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Destarte, não se admite o ressarcimento em relação a créditos que não estejam vinculados as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição. A mudança deste critério resultaria no ressarcimento indevido de créditos. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 34 25 De sorte que os créditos não vinculados as operações citadas podem ser utilizados apenas para descontar do valor apurado da contribuição a recolher, como determinado pela fiscalização fazendária. Por essas razões, nesta matéria negase provimento ao recurso da interessada. 3 Aquisições de Combustíveis A recorrente insurgiuse contra a glosa parcial dos créditos sobre despesas com combustíveis e lubrificantes. Como visto, a recorrente defende uma interpretação extensiva do conceito de insumo. Sustenta que os combustíveis adquiridos pela contribuinte são insumos utilizados na frota de veículos que tem vínculo direto nas atividades da empresa, em especial para o transporte de mercadorias e insumos entre os estabelecimentos do contribuinte e na prestação de serviços de transportes a terceiros. Com efeito, a solução deste tópico envolve o conceito de insumo. Segundo o art. 3º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) (grifouse) Destarte, o ponto central da questão é compreender o conceito de insumo estabelecido nos diplomas legais citados. Há diversas exegeses a respeito desse dispositivo, tais como: definição de insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método indireto subtrativo que, em regra, foi adotado para o exercício da nãocumulatividade da contribuição PIS. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 35 26 A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina: Por mais opulenta que seja a língua e mais hábil quem a maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir do exame exclusivo das palavras ou frases interpretáveis; ora sucede o inverso, vai mais longe do que parece indicar o invólucro visível da regra em apreço. A relação lógica entre a expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de mais ou de menos do que a letra parece exprimir: as circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia fundamental mais ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou restringir o alcance do preceito. Mais do que regras fixas influem no modo de aplicar uma norma, se ampla, se estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe presidiram à elaboração e lhe condicionaram a aplicabilidade. (grifouse) A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Instrução Normativa (IN) nº 404/2004 (Cofins) e Instrução Normativa (IN) nº 247/2002 (PIS redação dada pela IN SRF nº 358/03), regulamentou o assunto a partir da concepção tradicional da legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e adotou uma interpretação restritiva para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito: (IN) nº 404/2004 Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (..). § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou Fl. 422DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 36 27 químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação da nãocumulatividade da Cofins. Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolados os limites traçados na respectiva lei. Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a especificação dos serviços que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição. Caso o legislador tivesse outra intenção, de tal forma que os direitos de descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei uma referência explícita ao direito de descontar créditos em conformidade com custos e as despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos. Além disso, a lei que instituiu a nãocumulatividade da Cofins especificou outros custos de produção e despesas operacionais que geram direto ao crédito, tais como: aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo segundo o disposto na IN 404/2004. Ademais, o conceito de insumo no âmbito do direto tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) Fl. 423DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 37 28 §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumos corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Deste modo, nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os combustíveis adquiridos sejam aplicados diretamente na prestação de serviços, o que não ocorreu nas situações descritas. Confirase a posição da fiscalização: (...) concluise que os combustíveis adquiridos foram utilizados exclusivamente na frota própria de caminhões, servindo de insumos na prestação de serviços de transporte e no transporte das mercadorias comercializadas até o destino da mercadoria. (...) Dessa forma, somente a parcela dos combustíveis aplicada diretamente na prestação de serviços gera direito ao crédito, uma vez que os combustíveis utilizados para transporte de mercadorias vendidas não podem ser considerados insumos, não havendo assim, para tais valores, direito ao crédito aqui analisado. (..) Em assim sendo, acatamos como valores com direito ao crédito, os dispêndios com combustíveis utilizados como insumos na prestação de serviços de transporte com sua frota própria de caminhões, apurados pelo próprio contribuinte, mediante apropriação com base na proporção da sua Receita Bruta auferida com a prestação de serviços (receitas com fretes) (...)(grifouse) Deste modo, para descontar créditos, é necessário que os insumos adquiridos pela pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que a recorrente não logrou êxito em comprovar que, de fato, as despesas glosadas com os combustíveis e lubrificantes foram aplicadas no processo produtivo. Insistase que este voto adota um conceito restritivo do conceito de insumo, de sorte que combustíveis utilizados no transporte de mercadorias vendidas não geram direito de descontar créditos da contribuição. Em remate, mantémse a glosa da fiscalização porque a recorrente não comprovou de forma adequada que as aquisições de combustíveis são utilizadas efetivamente no processo produtivo. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 38 29 4 Crédito Presumido – Atividades agroindustriais Esta controvérsia tem por objeto o crédito presumido decorrente de, em tese, atividades agroindustriais. A interessada alega que diante da mecânica do PIS e da Cofins não cumulativa, para o período, apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, conforme fundamentos da legislação contidos, no inciso II do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 combinado com o § 10 do art. 3° da Lei 10.637/2002, §5º, do art. 3º da Lei 10.833/2003 e a partir de agosto de 2004 no artigo 8º da Lei 10.925/2004. A solução deste conflito de interesses passa necessariamente pelo exame do disposto na Lei n° 10.925/2004, art. 8°, e alterações posteriores: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o Fl. 425DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 39 30 do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (...) A questão central é identificar se a interessada exerce a atividade econômica de produção das mercadorias. De um lado, a recorrente em longo arrazoado insiste que exerce atividade econômica de produção das mercadorias nos termos estabelecidos no art. 5º da Instrução Normativa 660, de 17 de julho de 2006. Aduz que realiza o beneficiamento das mercadorias, (soja, milho e trigo, classificados nos capítulo 10 e 12 da NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul) através de procedimentos próprios e necessários, no qual se alteram as características originais para obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal e, requisito necessário para a posterior comercialização e/ou exportação. De outro giro, a autoridade fiscal sustenta que a recorrente não exerce a atividade econômica de produção das mercadorias. A propósito, confirase o teor da informação fiscal: Segundo o memorial descritivo de folhas (...) a (...), o processo produtivo da empresa consiste na aquisição de produtos agrícolas "in natura" (soja, milho, trigo) de produtores rurais (pessoas físicas) e, posterior, classificação, limpeza, secagem, armazenagem e venda desses produtos. No corpo desse memorial descritivo, a requerente também consigna suas argumentações, explicações e embasamento para justificar seu pleito de creditamento presumido no período', na condição de empresa de atividade agroindustrial. (...) Ressaltese ainda, por oportuno, que, em visita às instalações da empresa, constatamos que ela não dispõe de parque industrial para exercer atividades industriais. É importante ressaltar, também, que dentre as operações de vendas registradas no Livro Fiscal de Saída do contribuinte somente há registros de saídas contabilizadas em CFOP típicos de revenda de mercadorias (CFOP 5.102, 6.102, 7.102, 5.502, 6.502), diversos de CFOP de saídas de produtos industrializados. Se a própria escrita fiscal da requerente informa atividade de revenda, como se assumir condição de empresa agroindustrial em desfavor de cerealista? Fl. 426DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 40 31 Ainda há a questão dá destinação das mercadorias vendidas. Não há como se entender que as operações executadas pela requerente nos produtos vegetais “in natura” (como secar, classificar e padronizar) tornem esses, produtos adequados e próprios para consumo humano ou animal. Há necessidade de processamentos posteriores para permitir tal destinação, além de fracionamentos para quantidades adequadas. (grifouse) Concordase com a posição da autoridade fiscal. O inciso I do parágrafo 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004 veda expressamente as cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal o aproveitamento do crédito presumido em referência. Não se pode perder de vista a conceituação de cerealista estabelecida na Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho de 2006: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; Os elementos probatórios indicam que a atividade da interessada amoldase ao conceito de cerealista nos termos da norma citada. Assim sendo, temse, no caso vertente, que deve prevalecer a interpretação literal acima mencionada. Ademais, no presente caso não se pode adotar a linha de raciocínio estabelecida na legislação do IPI, porque trigo, milho e soja são produtos não tributados pelo IPI (NT). De sorte que a interessada não atende ao conceito estabelecido no art. 8º do RIPI, aprovado pelo Decreto 7.212/2010: Art. 8º. Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Insistase que a interpretação é literal, portanto afastase uma eventual interpretação sistêmica com o art. 9º da Lei 10.925/2004. Não se de trata de excesso de formalismo com quer fazer crer a interessada, mas sim de adequação dos fatos à norma legal. No sentido de que a recorrente não exerce a atividade econômica de produção das mercadorias, mencionase a citada visita da autoridade fiscal as instalações, os CFOP de revenda de mercadorias constante do Livro Fiscal de Saída de Mercadorias e a destinação das mercadorias vendidas. Por evidente, o não reconhecimento do crédito presumido decorrentes de atividades agroindustriais, ficam prejudicadas as alegações em relação as aquisições de lenha e da forma de utilização do crédito presumido, em especial o disposto no Ato Declaratório Interpretativo nº 15 de 22.12.2005. Oportuno esclarecer que não se toma conhecimento desta matéria uma vez que ela foi objeto de discussão judicial, Mandado de Segurança nº 2007.70.03.0013807, conforme consta do despacho decisório e das decisões judiciais constantes deste processo. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 41 32 Confirase excerto da sentença, matéria mantida em segunda instância pelo TRF DA 4ª Região : Tenho que a Instrução Normativa SRF n° 660/2006 e o ADI SRF n° 15/2005 apenas reafirmaram o contido no art. 8o da Lei n° 10.925/2004, ou seja, que o crédito presumido somente poderia ser aproveitado por meio de dedução ou desconto dos tributos a pagar, na medida em que tal lei não previu a aplicação dos dispositivos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, que autorizaram, para os casos nelas dispostos, a compensação de créditos com outros tributos e/ou o ressarcimento.(grifouse) De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão está decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Registrese, ainda, que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Em remate, a recorrente não tem direito ao crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais e não se conhece das alegações em relação à forma de utilização do crédito presumido (ressarcimento em dinheiro). 5 Rateio Proporcional – Mercado interno – Créditos vinculados as receitas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência A interessada insurgiuse contra o critério de cálculo dos créditos que podem ser objeto de ressarcimento em dinheiro relacionados às vendas no mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. da contribuição. Não se conforma com o entendimento da autoridade fiscal de que somente os créditos vinculados as vendas de mercadorias com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de PIS e Cofins poderiam ser ressarcidos, não sendo permitido o ressarcimento dos créditos apurados na proporção das receitas financeiras que também são tributadas à alíquota zero de PIS e Cofins. Para melhor compreensão da controvérsia, transcrevese a posição da fiscalização federal: Para determinação do coeficiente de rateio, buscamse inicialmente as receitas da empresa no mercado interno, realizadas com alíquota zero, com isenção ou sem incidência da contribuição, e com suspensão (...); Fl. 428DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 42 33 As receitas financeiras, embora tributadas à alíquota zero da COFINS, não se configuram como receitas de vendas, entende se "saídas de mercadorias, produtos, ou serviços, condição essa essencial segundo a legislação de regência, especialmente art. 17 da Lei n. 10.033, de 2004, que destacouse: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (...) Em outras palavras, os insumos e outros dispêndios que gerariam direito à manutenção do crédito, no caso em exame, são somente aqueles vinculados às vendas, nada cabendo relativamente àqueles créditos vinculados às demais receitas, como as receitas financeiras. Não tem razão à interessada. Conforme se verifica, a autoridade fiscal acertadamente excluiu do rateio proporcional as receitas financeiras. É de se ver, portanto, que receitas financeiras não podem gerar créditos a serem ressarcidos em dinheiro. De outro giro, a recorrente também discorda da alteração do critério de rateio proporcional sobre receita bruta de exportação em relação a receita bruta total para a vinculação dos créditos no mercado interno. Argumenta que o agente fiscal para encontrar a proporcionalidade das receitas no mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de PIS e Cofins, ajustou a Receita Bruta Total, deduzindo do total da receita, a receita de exportação. Essas alegações são genéricas e não merecem serem apreciadas pela autoridade julgadora. A recorrente não demonstrou o efetivo prejuízo decorrente deste rateio. Deveria apresentar juntamente com suas razões o seu cálculo. Como visto, a Fazenda Nacional de forma acertada estabeleceu uma proporção entre as receitas alíquota zero e suspensão e a receita bruta total do mercado interno, excluindose nesta as receitas de venda de bens do ativo permanente. Reafirmase que não existe uma norma específica regulamentando essa matéria. Em um exame superficial, verificase que a exclusão das receitas de exportação da receita bruta total (denominador) beneficia a recorrente. Mais uma vez, negase provimento à matéria em discussão. 6 Vendas efetuadas com suspensão – Vigência Como relatado, neste tópico a discussão concentrase em definir o início dos efeitos do art. 9º da Lei 10.925/2004. Sustenta a recorrente que no período analisado efetuou diversas vendas com suspensão das contribuições, porém entendeu o agente fiscal que a suspensão somente passou a vigorar a partir de 4 de abril de 2006, lastreando este entendimento com base no artigo 11 da Instrução Normativa SRF 660, de 17 de julho de 2006. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 43 34 Aduz que a razão da IN 660 fixar outro marco, qual seja, 04 de abril de 2006, é pelo simples fato de que os períodos até então, 03/04/2006, estavam regulamentados pelas disposições da IN 636, combinados com as disposições do inc. III do art. 17 da Lei 10.925/04. Para a solução deste tópico é preciso interpretar a legislação de regência, art. 9º da Lei 10.925/04: Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Como visto, a Lei estabelecia a regulamentação por parte da Secretaria da Receita Federal. Tratase de uma norma de eficácia contida, portanto exigese uma regulamentação para se tornar aplicável. A regulamentação ocorreu inicialmente com a Instrução Normativa 636/2006, que foi revogada pela Instrução Normativa 660/2006. A Instrução Normativa 660/2006 dispôs: Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004; e II em relação aos arts. 5º a 8º, a partir de 1º de agosto de 2004. Art. 12. Fica revogada a Instrução Normativa SRF nº 636, de 2006.(Grifouse) Desta forma, a efetiva regulamentação prevista na Lei 10.925/04 com a redação dada pela Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004, somente ocorreu a partir de 4 de abril de 2006. Essa interpretação apresentase coerente uma vez que antes da referida data não haviam sido estabelecidas as condições para a suspensão da exigibilidade da contribuição em referência. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 44 35 Assim sendo, embora vigente, a norma não teve eficácia antes de 4 de abril de 2006, data da expedição da norma regulamentadora prevista em Lei. Em remate, mantémse a posição da autoridade fiscal em relação ao início dos efeitos do art. 9º da Lei 10.925/2004. 7 Exportações não comprovadas Nesta matéria, a recorrente postula que as vendas com o fim específico de exportação em que não houve comprovação da exportação, em conformidade com o artigo 9º da Lei 10.925/2004, devem ser consideradas como vendas com suspensão das contribuições em virtude de se tratarem de vendas de mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM, que por seu turno, são vendidas para empresas enquadradas no lucro real. Não tem razão à interessada. A propósito, confirase o entendimento da fiscalização: Consta na relação de vendas que compõe essa receita de exportação, saídas de mercadorias registrada em CFOP 5502, mas sem informação no campo quantidade. (...) Não bastasse ausência de informação de quantidade, a empresa não apresentou os respectivos Memorandos de Exportação, ou informações relativas a Despacho e Registro de Exportação. Não há, portanto, como se atestar a efetiva e correta destinação das mercadorias para o exterior. Não se pode, assim, acatar tais saídas nos montantes das exportações pleiteadas pela requerente. Como consta do despacho decisório, essas saídas ocorreram antes do início dos efeitos do art. 9º da Lei 10.925/2004, enquanto, nos termos da posição adotada anteriormente, as saídas com suspensão somente são viáveis a partir de 4 de abril de 2006. Assim sendo, a reclassificação fica prejudicada, pois neste período de apuração não eram admitidas as saídas com suspensão da contribuição. 8 Incidência da taxa Selic Nesta matéria, a recorrente postula a correção dos créditos pela SELIC, nos termos do § 4º, do art. 39 da Lei 9.250/1995 a partir do fato gerador. Argumenta que os créditos pleiteados nesta via não se tratam de créditos escriturais ou créditos efetivos cujo ressarcimento está em atraso, mas de créditos onde o Fisco através de ilegítimas restrições, impediu qualquer modalidade de aproveitamento (dedução/desconto de débitos das contribuições, compensação com demais tributos, e o ressarcimento em dinheiro). Um dos princípios basilares do direito público é o princípio da legalidade, segundo o qual, a Administração Pública e os seus agentes somente podem fazer o que a lei autoriza. Esse princípio encontrase positivado no art. 37 da Constituição Federal. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 45 36 É de verificarse que o § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 estabeleceu a aplicação da taxa Selic somente na compensação e restituição de indébitos tributários, in verbis: Art. 39. (...) §4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.(grifouse) Indubitável que esse dispositivo legal referese apenas a compensação e a restituição, não fazendo menção ao ressarcimento de tributos e contribuições. A Administração Pública está vinculada ao texto da lei e tem a obrigação de aplicála, sem questionar a sua constitucionalidade. Além disso, o art. 13 da Lei 10.883/03 veda expressamente a atualização monetária em processos de ressarcimento de contribuição nãocumulativa: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Desta forma, por expressa vedação legal não é cabível a aplicação de correção monetária, com base na taxa Selic, nos casos de pedidos de ressarcimento de contribuição nãocumulativa. A autoridade julgadora não pode inovar em matéria reservada à lei. Em casos análogos, a não incidência da correção monetária também foi acolhida em outros julgados administrativos do CARF: RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS APURADAS PELO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. Especificamente no caso da contribuição ao PIS e da COFINS apuradas pelo regime nãocumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1º e §2º e 6º, §§1º e 2º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida nos artigos 13 e 15, da Lei nº 10.833/03. (CARF. 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3301002.088, de 23/10/2013, Rel. Bernardo Motta Moreira , Processo nº 11065.000406/200658) Por fim, é de se ressaltar que todas as alterações pela autoridade fiscal foram legítimas e de acordo com a legislação de regência, portanto não há que se falar em restrições indevidas do fisco. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 46 37 Quanto à aplicação do decidido no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 1.035.847, é importante esclarecer que estes fatos são completamente distintos daqueles, afastandose, assim a aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Em conclusão, a solicitação da interessada, que tem como suporte a tese de que a Fazenda Nacional impôs restrições ilegítimas, não pode prosperar por falta de amparo legal. 9 Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Relator Fl. 433DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 47 38 Declaração de Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Apresento Declaração de Voto ao presente processo com o objetivo de aprofundar a minha análise apresentada nos debates orais da Sessão de Julgamento. Após apreciação dos elementos que levaram a fiscalização à lavratura dos autos de infração objeto do presente processo, assim como dos argumentos levantados pela Recorrente com o objetivo de desconstituir o lançamento contra si efetuado formei convencimento diverso do eminente Conselheiro Relator. O objeto deste processo já foi devidamente esmiuçado no voto do eminente Conselheiro Relator, que narrou com fidedignidade tanto a motivação da autuação, exposta no Relatório Fiscal, como também os argumentos de defesa apresentados pela Recorrente e decisão de primeira instância administrativa, proferida pela DRJ. Seguem abaixo as razões de minha Declaração de Voto. Rateio Proporcional – Mercado externo A fiscalização determinou que fosse excluída a receita de venda de produtos destinados ao exterior da receita bruta. Ocorre que a receita bruta é composta de todas as receitas auferidas pela empresa, compondo estas a base para o cálculo do crédito presumido. Nestes termos, é coerente citar a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que trata da instituição de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, que em seus arts. 2º e 3º da Lei nº 9.363/96 estabelecem o seguinte: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 48 39 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo e material de embalagem único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação de Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários. Conforme se verifica nos dispositivos da legislação supra, os valores das operações relativas a exportação não podem ser excluídos do cálculo do valor da receita operacional bruta, haja vista que o art. 3º da Lei nº 9.363/96 determina que esses conceitos devem ser buscados na legislação que rege a exigência das contribuições ao PIS/Cofins e na legislação do Imposto de Renda. Assim, considerando a inexistência de previsão na legislação do PIS/Cofins e do Imposto de Renda no sentido de excluir da receita de exportação ou da receita operacional bruta as vendas para o exterior do coeficiente de exportação. É esta a mesma conclusão que se extrai do texto do art. 3º, § 15, II, da Portaria MF nº39/97, ao dispor que “Para os efeitos deste artigo, considerase: receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais”. De outro ponto, o creditamento de produto adquirido para revenda no que se refere a Cofins, mesmo que exclusivamente para o exterior, desde que estes produtos não tenham isenção, ou suspensão da contribuição, é possível nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) Fl. 435DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 49 40 b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Diante do exposto, compreendese a possibilidade de creditamento na aquisição de bens exclusivos para a revenda, no caso para a exportação, independentemente de ser produto não tributado, isento ou alíquota zero, posto que compreendem a receita de exportação. Nesse ponto procede o recurso do Contribuinte. Da apropriação dos custos despesas e encargos pelo método do rateio proporcional No que se refere ao creditamento da Cofins sobre a os encargos e custos da produção, quando utilizado o método de rateio, o entendimento colacionado pela fiscalização é pela necessidade do custo estar presente tanto nas receitas provenientes do mercado interno quanto do mercado externo, excluindose as despesas cujas vendas tenham a isenção, suspensão ou alíquota zero da Cofins. Ocorre que assim como exposto pela recorrente, a base de cálculo da Cofins é a receita bruta, devendo levarse em consideração o custo e encargos sofridos independentemente da origem se do mercado interno ou externo. Aos parágrafos 7º e 8º do art. 3º das Lei 10.637/2002, verificase que não há distinção de receita vinda do mercado externo ou interno, posto que o método do rateio deverá observar o custo e os encargos sofridos, independentemente de onde provem a receita e que afetam a produção. § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita Fl. 436DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 50 41 bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Nestes termos, temse que o creditamento pelos encargos e custos da produção devem ser computados independentemente da conta a que e destinada se a receitas do mercado interno ou mercado externo, já que a base da contribuição é calculada pela receita bruta que compreenderia ambas receitas. Neste ponto, igualmente, é procedente o pedido do Recorrente. Aquisições de Combustíveis Compreendo que é possível creditamento de Cofins decorrente de aquisição combustíveis, no caso dos autos, para fins de transporte da matériaprima da produção, isto porque este custo compreende parte do processo produtivo, uma vez que não se encerra na atividade de transformação da matériaprima,mas também em todos os procedimentos necessários para que a matéria prima se transforme no produto final, incluindose assim, os custos operacionais com o transporte da matériaprima. Essa compreensão extraise o art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, que repete a redação do art.3º da Lei nº 10.637, de 2002, que ampliou o rol de dispêndios referidos aos insumos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Importa, todavia que este combustível utilizado no transporte do insumo tenha efetivamente esta destinação, compondo ele a base de creditamento apenas o quantum utilizado pela operação de transformação da matériaprima em produto final, ou seja, dever ser permitido o creditamento da aquisição de combustível para fins específicos transporte do insumo, mas não para o que for utilizado, por exemplo, em automóveis destinados ao transporte dos sócios ou funcionários da empresa, privilegiandose assim a essencialidade do referido custo. Neste ponto, igualmente, é procedente o pedido do Recorrente. Crédito Presumido – Atividades agroindustriais Verifico que nos autos há menção que a contribuinte adquiria produtos agrícolas, após os padronizava, classificava, limpava, secava, armazenava e ao final os vendia. Estas atividades, sob o olhar da fiscalização, não compreenderiam a atividade agroindustrial, todavia o beneficiamento dos grãos, tal como a contribuinte explora deve ser considerado como Fl. 437DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 51 42 atividade industrial, posto que se nos aspectos da industrialização ao transformar a matéria prima, como ocorre a secagem de grãos, por exemplo. Nestes termos, conferindose a característica de industrialização o procedimento de produção realizado pela contribuinte, esta tem direito a creditamento de Cofins, com base na lei nº 10.925/2004, através da forma de crédito presumido, assegurou o aproveitamento de créditos sobre as aquisições, efetuadas por pessoas físicas ou cooperados pessoas físicas, de insumos aplicados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal destinados a alimentação humana ou animal. Não obstante, este Conselho não utilize como embasamento o julgado dos Tribunais Federais, diversos são os acórdãos que qualificam a atividades de secagem como sendo compreendida no conceito de transformação do insumo e, portanto, geradora de crédito. Algumas, inclusive apontam que a atividade de cerealista também poderia ensejar direito a credito de PIS/Cofins. Citase a exemplo a ementa dos seguintes arestos: TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS PRESUMIDOS. PIS. COFINS. LEI 10.925/04. INSUMOS. PRODUTOS PRIMÁRIOS (COOPERATIVA), ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. INDUSTRIALIZAÇÃO. 1. O sistema de apuração não cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS, criado pelas Leis nº 10.637/02 e n° 10.833/03, admite, em regra, a apuração de crédito nas aquisições (que a lei elenca) de bens para revenda e insumos para posterior processo industrial, mas desde que adquiridos de pessoas jurídicas. 2. A Lei nº 10.925/04 ampliou a extensão da Lei nº 10.637/02, passando, então, a permitir que o crédito presumido fosse também apurado por cerealistas que vendem os grãos in natura valendose de processo de beneficiamento (limpeza, padronização e armazenagem dos grãos). 3. Caso em que a demandante é uma cooperativa que atua no comércio atacadista de grãos e que tem como atividade preponderante a de armazém geral, não se enquadrando, portanto, suas atividades em nenhum dos incisos do art. 8º, § 1º, da Lei nº 10.925/04. (TRF4, AC 500230058.2012.404.7119, Primeira Turma, Relator p/ Acórdão Jorge Antonio Maurique, juntado aos autos em 13/11/2014) TRIBUTÁRIO. RESSARCIMENTO CRÉDITO PRESUMIDO PIS/COFINS, NA PROPORÇÃO DA EXPORTAÇÃO. LEI 12.431/2011. PERÍODO DE 2006 A 2010. PRODUÇÃO DE GRÃOS COM SECAGEM E CLASSIFICAÇÃO. AGROINDÚSTRIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. MULTA. DIREITO DE PETIÇÃO DO CONTRIBUINTE. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. 1. As atividades desenvolvidas pela impetrante de limpeza, secagem, classificação e armazenagem de produtos in natura de origem vegetal enquadramse no conceito de empresa agroindustrial ao beneficiar os grãos que exporta, fazendo jus, por consequência, ao ressarcimento do crédito presumido, apurado na forma do artigo 8º da Lei 10.925/2004. 2. A multa prevista no artigo 74 da Lei n. 9.430/96, parágrafos 15 e 17, conflita com o disposto no Fl. 438DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 52 43 artigo 5º, inciso XXXIV, da Constituição Federal, pois, ainda que não obste totalmente a realização do pedido de compensação, cria obstáculos consideráveis ao direito de petição do contribuinte. 3. Além disso, a aplicação da multa com base apenas no indeferimento do pedido ou na não homologação da declaração de compensação afronta o princípio da proporcionalidade. 4. A Corte Especial deste Tribunal, na sessão do dia 28 de junho de 2012, manifestouse no sentido de declarar a inconstitucionalidade dos parágrafos 15 e 17 do artigo 74 da Lei nº. 9.430/96, por violação ao artigo 5º, inciso XXXIV, alínea "a", da Constituição Federal (Argüição de Inconstitucionalidade 500741662.2012.404.0000, Rel. Des. Fed. Luciane Amaral Corrêa Münch, juntado aos autos em 03/07/2012). (TRF4, APELREEX 500780019.2013.404.7104, Segunda Turma, Relatora p/ Acórdão Carla Evelise Justino Hendges, juntado aos autos em 29/10/2014) Nestes termos, entendese pela possibilidade de creditamento da Cofins quando da realização de atividade agro industrial, nos termos no art. 8º da Lei 10.925/2004. Neste ponto, igualmente, é procedente o pedido do Recorrente. Rateio Proporcional – Mercado interno – Créditos vinculados as receitas com suspensão, isenção e alíquota zero As receitas provenientes das vendas dos produtos adquiridos com alíquota zero, isenção e suspensão, poderão gerar crédito de PIS/Cofins, quando, após a industrialização, o produto final sofrer a incidência das mesmas contribuições, como por exemplo, nas vendas para mercado interno. Isto porque não se tratam de operação que não estão sujeitas a tributação, mas possuem o benefício de que a alíquota seja zero, que a contribuição esteja suspensa passando a incidir caso não ocorre o motivo da suspensão e a partir do momento que em que a isenção não ocorra, dessa forma estas operações não sofrem o óbice previsto no artigo 3°, parágrafo 2° da Lei 10.833/03, sendo autorizado pela Lei n° 11.033/04, em seu artigo 17, a manutenção dos créditos em situações corno a presente. Vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo correto o argumento de que a aquisição dos produtos acima gera sim o direito ao creditamento glosado, na medida em que, a despeito de terem sido realizadas mediante alíquota zero de Cofins, pois é fato incontestável que foram previamente sujeitos a incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação. Nesse sentido, faz jus ao creditamento mesmo que o contribuinte adquira insumos tributados com alíquota zero, eis que paga, ainda que embutido no preço, o tributo (PIS/Cofins) indiretamente em outros insumos ou produtos, a exemplo de adubos, fertilizantes, Fl. 439DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.001889/200741 Acórdão n.º 3801004.384 S3TE01 Fl. 53 44 ferramentas, maquinários, dentre outros, adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo. Nestes termos, havendo a aquisição de produtos com alíquota zero, suspensão ou isenção, é possível a manutenção dos créditos, bem como o seu aproveitamento. Neste ponto, igualmente, é procedente o pedido do Recorrente. Incidência da taxa Selic A Lei nº 10.883/03 apresenta expressamente a vedação da atualização monetária em processos de ressarcimento pelo princípio constitucional da nãocumulatividade. Essa regra geral é aplicada sobre os créditos de Cofins, por ausência de previsão legal. Não obstante, o STJ e o STF veem relativizando a sua aplicação no que se refere ao aproveitamento pelo contribuinte quando este decorre da demora em virtude resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. Nestes casos, admitese a correção no intuito de evitar o enriquecimento sem causa e de dar integral cumprimento ao princípio da nãocumulatividade. Citase a exemplo um trecho ao acórdão de lavra do Ministro Mauro Campbell do STJ: “Desse modo, a lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada “resistência ilegítima” exigida pela Súmula n. 411/STJ. Sendo assim, realinhei a minha opinião no sentido de reconhecer o direito à correção monetária dos créditos por ressarcimento desde o protocolo dos pedidos administrativos, devendo ser aplicados os índices que constam do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02.07.2007, do Conselho da Justiça Federal, inclusive a taxa Selic” (Embargos de Divergência – EAg 1220942/SP, Mauro Campbell Marques Primeira Seção de Julagamento do STJ, DJE18/04/2013) Nesses termos, devese priorizar o entendimento da possibilidade de atualização monetária dos créditos em que tenha resistência da fiscalização em suas homologações. Considerando que a negativa do aproveitamento de créditos pela Administração Fiscal se considera uma forma de resistência sem base legal, cremos aplicável a atualização monetária pela taxa SELIC, nos termos do Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/01/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10680.725684/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006, 2007
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Desde que expostas pelo órgão julgador de primeiro grau as razões pelas quais entendeu ser prescindível a realização da perícia requerida pelo sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa da parte.
PRESUNÇÃO LEGAL.ÔNUS DA PROVA.
Nos lançamentos fiscais fundados em presunção legal de omissão de receitas inverte-se o ônus da prova, daí porque caberá ao sujeito passivo, mediante a juntada de documentação hábil e idônea, afastar a presunção.
MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Para que a multa de ofício seja qualificada, a fiscalização deverá comprovar de forma inequívoca que o contribuinte agiu dolosamente na execução de alguma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4502/64. Não prospera a qualificação da multa fundada em elementos indiretos de prova.
Numero da decisão: 1201-000.841
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida. O Conselheiro João Carlos de Lima Junior votou pelas conclusões. Por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, vencidos o relator e o Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, que davam provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006, 2007 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Desde que expostas pelo órgão julgador de primeiro grau as razões pelas quais entendeu ser prescindível a realização da perícia requerida pelo sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa da parte. PRESUNÇÃO LEGAL.ÔNUS DA PROVA. Nos lançamentos fiscais fundados em presunção legal de omissão de receitas inverte-se o ônus da prova, daí porque caberá ao sujeito passivo, mediante a juntada de documentação hábil e idônea, afastar a presunção. MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Para que a multa de ofício seja qualificada, a fiscalização deverá comprovar de forma inequívoca que o contribuinte agiu dolosamente na execução de alguma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4502/64. Não prospera a qualificação da multa fundada em elementos indiretos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida. O Conselheiro João Carlos de Lima Junior votou pelas conclusões. Por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, vencidos o relator e o Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, que davam provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. (documento assinado digitalmente) Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10680.725684/2011-69 Acórdão n.º 1201-000.841 S1-C2T1 Fl. 1.161 2 Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Relator (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior - Redator Designado Participaram do presente julgado os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente convocado), Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Junior (Vice- Presidente). Relatório Trata-se de recursos voluntário e de ofício interpostos nos termos dos arts. 33 e 34, I, do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 02-36.710, exarado pela 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte – MG. Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 1139 e ss.): I - Do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal Mediante o processo em epigrafe foram lavrados os autos de infração Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e demais tributos relativos aos anos-calendário de 2006 e 2007, fls. 03 a 40, para exigência de crédito tributário no montante de R$33.667.583,74, sob a fundamentação de omissão de receitas, pela constatação de depósitos bancários não contabilizados. O Termo de Verificação Fiscal, de fls. 45 a 57, apresenta histórico dos procedimentos fiscais, tabelas e demonstrativos para cada ano-calendário fiscalizado, apresentando no item 4 – Resultado da análise da movimentação financeira – anos- calendário 2006 e 2007, exercícios 2007 e 2008, a seguinte explanação: “4.1 – Das análises dos extratos bancários realizadas para efetuar as exclusões de lançamentos a título de transferências de mesma titularidade, resgates de aplicações financeiras, estornos de créditos, cheques devolvidos, lançamentos de CPMF e a retirada de todos os valores inferiores a R$ 50,00 (cinqüenta reais) etc, resultou nas Relações anexas ao Termo de Intimação Fiscal nº 06 – TIF – 06 entregues ao representante/preposto da fiscalizada em 06/05/2011, em que se solicitava a comprovação da origem dos valores creditados em suas contascorrentes, com lançamentos individualizados, em suas contas-correntes, comprovação esta baseada em documentação hábil e idônea e pertinente, inclusive determinado os respectivos titulares/depositantes de tais valores. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10680.725684/2011-69 Acórdão n.º 1201-000.841 S1-C2T1 Fl. 1.162 3 4.2 – Também baseado nos arquivos desta SRF, constatou- se que a fiscalizada movimentou vultosas quantias (cerca de R$45.000.000,00) em contas bancárias nos Anos- Calendário de 2006 e 2007 de sua titularidade, que revelaram uma absoluta incompatibilidade com as receitas declaradas pela fiscalizada em suas Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica-DIPJs, referentes aos anos-calendário citados.” 4.5 – Cabe aqui salientar que, os valores apurados mensalmente e anualmente por esta fiscalização, cujas características se tratam de omissão de receitas, serão somadas às receitas declaradas pela fiscalizada anualmente nas DIPJs dos períodos sob fiscalização, para apuração das demonstrações dos resultados dos exercícios em pauta, uma vez que, as receitas que foram escrituradas pelo contribuinte nos livros contábeis e fiscais, foram devidamente excluídas quando das formações das respectivas planilhas, havendo pois a necessidade da inclusão dos valore correspondentes às diferenças de receitas omitidas para a determinação do Lucro Real correto nos períodos auditados. Cabe registrar que, conforme se comprova pela planilha de nº 16 retro citada, o valor da omissão de receita no ano-calendário de 2006 montou R$ 14.992.317,57 e no ano de 2007 foi da ordem de R$ 13.058.265,03.” Por entender caracterizada prática de crime contra a ordem tributária, aplicou-se a multa qualificada. São trazidos aos autos os documentos de fls. 58 a 1009. II – Da Impugnação A empresa apresenta sua impugnação de fls. 1019 a 1045, acompanhada dos documentos de fls. 1046 a 1.111, relatando, no tópico I – DOS FATOS, o procedimento fiscal, afirmando que os lançamentos derivam de verificação por amostragem e que, partindo de presunção simples, o auditor fiscal está a exigir tributos. No tópico II – DO DIREITO afirma que o entendimento do auditor fiscal “não se encontra em consonância com os conceitos trazidos pela legislação pátria.”. Passando ao sub-tópico II.I – DAS INCORREÇÕES DO PROCEDIMENTO FISCAL entende que na fase dos levantamentos fiscais houve ofensa aos princípios da legalidade estrita, razoabilidade, ampla defesa/contraditório, segurança jurídica, dentre outros, concluindo pela nulidade dos autos de infração. No sub-tópico II.II – DOS FLAGRANTES EQUÍVOCOS NA QUANTIFICAÇÃO DO QUANTUM DEBEATUR, argumenta que a conclusão da fiscalização não reflete a realidade demonstrando “a completa imprecisão do trabalho fiscal, da sua falta de critérios técnicos e da forma indiligente com que foi elaborado, de tal forma que o mesmo se mostra completamente Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10680.725684/2011-69 Acórdão n.º 1201-000.841 S1-C2T1 Fl. 1.163 4 imprestável a suportar configuração de crédito tributário.” Postula novamente pela nulidade e pela realização de perícia. No tópico DA ILEGITIMIDADE DA COBRANÇA DE MULTA, defende o afastamento da multa qualificada. No tópico seguinte, DA ILEGITIMIDADE DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC questiona a utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros. No penúltimo tópico DA TEMERÁRIA SUGESTÃO DA PRÁTICA DE CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA, argumenta que não existe qualquer indício fático para “apontamento tão gravoso”. Finalmente, no tópico III – DOS PEDIDOS, resume as demandas expressas nos tópicos precedentes, acrescentando solicitação para que a intimação de todos os atos processuais sejam cientificados à autuada na pessoa de seus procuradores. Nas fls 1046 a 1.111 apresenta documentos, a saber: Anexo I: Instrumento particular de mandato. Anexo II: alterações contratuais Anexo III: termo de apreensão e depósito, termo de intimação, termo de devolução de equipamentos, auto de copiagem e autenticação de documentos digitais, termo de deslacração, todos emitidos pela SEF/MG, protocolo – entrega de documentos, emitido pela Colchonobre, ação judicial (mandado de segurança com pedido de liminar), contra a SEF/MG, decisão judicial, termo de devolução de documentos apreendidos, emitido pela SEF/MG. Anexo IV: cédula de crédito bancário nº 9903550, do Banco Semear, no valor de 1.388.219,66, de 01/11/2006 e respectivo termo de constituição de garantia; primeiro, segundo e terceiro termo de aditamento e re-ratificação da cédula de crédito bancário. Ao apreciar as razões de defesa a DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, para: a) afastar da base de cálculo dos tributos lançados o depósito bancário no valor de R$ 1.184.616,91, por considerar comprovada a sua origem, e; b) afastar a qualificação da multa de ofício, haja vista o disposto na súmula CARF nº 25, combinado com o previsto na Portaria MF nº 383/2010. Havendo eximido a contribuinte do pagamento de tributos e encargos de multa em montante superior ao limite de alçada, o órgão a quo recorreu de ofício de sua decisão. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10680.725684/2011-69 Acórdão n.º 1201-000.841 S1-C2T1 Fl. 1.164 5 Por sua vez, a contribuinte, irresignada, interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as seguintes alegações, em síntese (fl. 1178 e ss.): a) tendo em vista a enorme quantidade de documentos que haveria que ser levantada para fins de comprovar a origem dos depósitos realizados nas diversas contas correntes de sua titularidade, a ora recorrente pediu à fiscalização que o prazo de vinte dias fosse prorrogado por mais 20 dias. Depois, haja vista a dificuldade de apresentá-los neste prazo, pediu prorrogação por mais sessenta dias. O primeiro pedido foi atendido, mas o segundo não; b) ocorre que, apesar de o sujeito passivo estar obrigado a apresentar os documentos e informações solicitados pelo Fisco, a obrigação de demonstrar o crédito tributário é deste. Ou seja, a fiscalizada não está obrigada a demonstrar ser devedora de crédito tributário, e sim o Fisco; c) a contribuinte forneceu à auditoria todos os elementos de que dispunha na época, e envidou todos os esforços para obter aqueles não disponíveis. Havendo demonstrado cooperação frente a situações que a impediram de cumprir integralmente a intimação fiscal (apreensão, pelo Fisco estadual, de milhares de informações de seu banco de dados e greve dos bancários do Banco do Brasil), o lançamento não pode prevalecer, mesmo porque os valores não representam omissão de receitas; d) o auditor incorreu em erro ao elaborar o demonstrativo de depósitos de origem não comprovada, pois deixou de excluir transferências entre contas da mesma titularidade e demais ocorrências que não representam receita; e) referidos erros evidenciam a completa imprecisão do trabalho fiscal, da sua falta de critérios técnicos e a forma não diligente com que foi realizado, daí porque revela-se ele imprestável para sustentar a exigência por violação ao princípio da legalidade e ao art. 142 do CTN; f) é nula a decisão de primeiro grau, por cerceamento do direito de defesa, haja vista o indeferimento do pedido de perícia formulado na impugnação. Ao final, pede seja realizada a perícia indeferida pela DRJ de origem. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade dos Recursos Os recursos atendem aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, deles deve-se tomar conhecimento. 2) Preliminares de Nulidade Alega a recorrente ser nula a exigência já que, em face das evidentes e numerosas imprecisões nele contidas, o lançamento viola o disposto no art. 142 do CTN. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10680.725684/2011-69 Acórdão n.º 1201-000.841 S1-C2T1 Fl. 1.165 6 Pois bem, sobre o assunto os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72 assim estabelecem: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. De acordo com as normas acima transcritas as irregularidades, incorreções e omissões eventualmente contidas no lançamento não dão causa a sua nulidade. Tais vícios, acaso comprovados nos presentes autos, devem ser sanados quando do exame do mérito. Argumenta ainda a recorrente ser nula a decisão a quo, haja vista o indeferimento do pedido de perícia formulado pela defesa. Também aqui não assiste razão à interessada. É que o indeferimento do pedido de perícia somente daria causa à nulidade da decisão acaso o órgão julgador não houvesse observado o disposto no art. 18 do já aludido Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Ora, como é possível observar-se no trecho a seguir transcrito, a DRJ considerou prescindível a perícia solicitada, daí porque não há que se falar em sua nulidade: Assim, somente é justificável diligência ou perícia quanto a elementos cuja comprovação não pode ser feita no corpo dos autos, revelando-se prescindível quando o resultado da verificação pode ser trazido à colação com o auto de infração ou a peça impugnatória, por depender apenas de análise de documentos já acostados aos autos e/ou em poder da autuada. 3) Pedido de Perícia A recorrente reitera, no voluntário, o seu pedido de perícia, nos seguintes termos: B – Alternativamente, não se acolhendo o requerido acima, seja determinada a realização de perícia técnica contábil, para apuração da existência, e, se for o caso, do correto montante das receitas não tributadas. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10680.725684/2011-69 Acórdão n.º 1201-000.841 S1-C2T1 Fl. 1.166 7 Pois bem, as razões arroladas pela DRJ de origem para indeferir o pedido de perícia já seriam suficientes para indeferirmos, também aqui, a providência. Mas há mais. Como visto acima, o pedido de perícia revela-se genérico, não contendo a precisa indicação dos quesitos que a interessada pretendia ver respondidos. Ademais, também não foram informados o nome, o endereço e a qualificação do perito, conforme exigido pelo art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. 4) Do Procedimento Fiscal Em sua defesa a interessada alega que, em vista da enorme quantidade de depósitos bancários cuja comprovação da respectiva origem foi exigida pela fiscalização, o prazo inicial de 20 dias concedido à contribuinte, mesmo tendo sido posteriormente prorrogado pelo mesmo prazo, revelou-se insuficiente ao atendimento à intimação. Afirma também que ficou impossibilitada de comprovar a origem dos citados depósitos, seja em razão da greve no Banco do Brasil seja em virtude da apreensão de milhares de informações de seu banco de dados pelo Fisco estadual. Conclui dizendo caberia ao Fisco, e não à contribuinte, o ônus de demonstrar a existência do crédito tributário. Pois bem, quanto a essa argumentação há que se dizer, primeiramente, que o ônus de demonstrar a origem dos recursos que ingressaram em suas contas correntes bancárias é da contribuinte, a teor do disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não havendo a contribuinte se desincumbindo desse ônus, a norma autoriza ao Fisco presumir que tais recursos são originários de receitas omitidas. No que concerne à alegada greve dos funcionários do Banco do Brasil deve- se ressaltar que, àquela altura da auditoria a fiscalizada não mais necessitava dos extratos de suas contas, haja vista que estes já haviam sido entregues à fiscalização pelas instituições financeiras. Então, sobre a contribuinte pesava o ônus de apresentar os documentos de sua contabilidade que justificassem a origem dos depósitos relacionados pela autoridade tributária no termo de intimação fiscal nº 6 (fl. 338 e ss.). Resta então examinar a alegação segundo a qual estaria impossibilitada de cumprir o exigido, pois, em virtude de apreensão levada a efeito pelo Fisco estadual, os documentos necessários à comprovação da origem dos depósitos não mais estavam em sua posse. De fato, a ninguém pode ser exigido fazer coisa impossível. No entanto, verifica-se nos autos o seguinte: a) no dia 06/05/2011 a contribuinte tomou ciência pessoal do acima referido termo fiscal nº 6, por meio do qual foi intimada a comprovar, em 20 dias úteis, depois prorrogados até o dia 22/06/2011, a origem dos depósitos ali relacionados (fl. 560); b) no dia 07/06/2011 o Fisco estadual apreendeu no estabelecimento da contribuinte três CPUs, uma caixa contendo o movimento de caixa relativo ao período de 04/01/2010 a 03/05/2011, e cinco caixas com “pedidos de vendas” (fl. 1056 e ss.); Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10680.725684/2011-69 Acórdão n.º 1201-000.841 S1-C2T1 Fl. 1.167 8 c) no dia seguinte, 08/06/2011, o Fisco estadual, após haver copiado digitalmente seu conteúdo, devolveu as CPUs à contribuinte (fl. 1061 e ss.); d) nos dias 14 e 21/06/2011 o Fisco estadual, na presença de representante da contribuinte, “deslacrou” as cinco caixas contendo os pedidos de vendas e a caixa contendo o movimento do caixa no período de 04/01/2010 a 03/05/2011 (fl. 1065 e ss.); e) no dia 17/06/2011 a contribuinte apresentou ao Fisco estadual, em atendimento à intimação a ela dirigida, notas fiscais do período de 2006 a 2009, livros de saída do período de 2006 a 2010 e DVD contendo arquivos XML de notas fiscais eletrônicas (fl. 1073). Ora, as CPUs apreendidas pelo Fisco estadual, que em tese poderiam conter informações sobre os depósitos bancários ocorridos nos anos de 2006 e 2007, objeto do presente auto de infração, foram devolvidas à contribuinte no dia seguinte a sua apreensão. Já os pedidos de vendas e movimentos do caixa referiam-se aos anos de 2010 e 2011, ou seja, sua apreensão em nada prejudicou a ora recorrente no cumprimento do termo de intimação nº 6; Por fim, quanto aos livros e documentos referentes ao período de 2006 a 2010, deve-se dizer que foram eles apresentados pela contribuinte ao Fisco estadual mais de um mês após haver sido cientificada do termo de intimação fiscal nº 6, e sem que fosse atendido o que fora ali solicitado. Em assim sendo, deveria a contribuinte haver extraído cópia daqueles livros e documentos com vistas ao atendimento do termo nº 6. Como não o fez, também não pode alegar que estava impossibilitada de cumprir a exigência fiscal. 5) Dos Depósitos de Origem não Comprovada Afirma a recorrente que o auditor incorreu em erro ao elaborar o demonstrativo de depósitos de origem não comprovada, pois deixou de excluir as transferências entre contas da mesma titularidade e demais ingressos que não representam receita. Todavia, haja vista a falta de indicação precisa dos depósitos constantes do termo nº 6 que, em seu entendimento, representariam transferência entre contas de titularidade da empresa, ou que não corresponderiam a receitas, a interessada incorreu em negativa geral, daí porque o argumento não pode ser aqui acolhido. 6) Do Recurso de Ofício O órgão de primeiro grau afastou a exigência de tributos e multa em valor superior ao limite de sua alçada, daí porque remeteu os autos a este Conselho para que fosse reexaminada a sua decisão. No que concerne ao depósito no montante de R$ 1.184.616,91, reconheceu a DRJ estar provada a sua origem. De fato, compulsando-se os autos é possível constatar que se trata de transferência entre contas de titularidade da autuada, não amparando assim a presunção de legal de omissão de receitas. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10680.725684/2011-69 Acórdão n.º 1201-000.841 S1-C2T1 Fl. 1.168 9 Quanto ao afastamento da qualificadora da multa de ofício, a DRJ fundamentou sua decisão na súmula 25 do CARF, que assim estabelece: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A meu juízo, todavia, restou sobejamente demonstrado a vontade livre e consciente da contribuinte em sua conduta omissiva tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, que o Fisco tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal. Mas antes de arrolar as razões pelas quais entendo haver sido comprovado o dolo, desejo refutar a idéia segundo a qual não seria possível qualificar-se a multa de ofício em casos de presunção de omissão de receita. Como a prova do dolo é sempre indireta, os defensores dessa idéia afirmam que haveria “presunção da presunção”. Pois bem, quanto a isso bastaria apontarmos o texto da aludida súmula 25 do CARF, que expressamente admite a qualificação da multa em infrações apuradas por presunção legal, desde que comprovada a ocorrência do dolo em qualquer das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Mas não é só. Como já afirmei em outras oportunidades, os elementos de prova juntados em qualquer processo não são propriamente “prova” dos fatos alegados pelas partes enquanto o órgão julgador não disser estar convencido de que aqueles elementos “provam” o fato alegado. É preciso ressaltar, entretanto, que o direito (qualquer ramo do direito) não exige que o julgador esteja “absolutamente” convencido de que os elementos de prova juntados ao processo “provam” o fato alegado. Ao contrário, o direito apenas exige que o julgador esteja convencido (e não “absolutamente” convencido), e exponha as razões pelas quais formou o seu convencimento (livre convencimento motivado). A questão, portanto, recai sobre o “grau” de convencimento do julgador a fim de que ele possa afirmar que os elementos de prova juntados aos autos “provam” o fato alegado. As afirmações acima são particularmente importantes quando o fato a ser provado é o dolo do agente. Isso porque, o dolo, por definição, é a “vontade” livre e consciente do agente em violar a norma jurídica. E como a “vontade” é um estado psíquico, não pode ser ela provada senão por meios indiretos (presunções), os quais são incompatíveis com a idéia de convencimento absoluto do julgador. Meios indiretos de prova proporcionam convencimento meramente relativo. Nesse sentido, o julgador dirá que está convencido de que os elementos indiretos de prova juntados aos autos “provam” o fato alegado quando atingido determinado grau de convencimento. Dito isso, adoto aqui o critério de grau de convencimento que me permita afirmar, para além de qualquer dúvida razoável, que os elementos de prova juntados aos autos “provam” o dolo do agente. Em outras palavras, segundo esse critério, os elementos de prova “provarão” o dolo se, e somente se, me proporcionarem o convencimento, para além de qualquer dúvida razoável, de que o agente agiu dolosamente. É de se dizer que esse é um Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10680.725684/2011-69 Acórdão n.º 1201-000.841 S1-C2T1 Fl. 1.169 10 parâmetro rigoroso de grau de convencimento, via de regra adotado no âmbito do processo penal. Pois bem, em seu termo de verificação fiscal a autoridade tributária informa o seguinte: 5.2 - Todos os fatos aqui descritos evidenciam a prática, por parte dos mandatários da empresa fiscalizada, de crime contra a ordem tributária, previsto nos artigos 1º, incisos I, II e III e 2º, inciso I da Lei n° 8.137 de 27 de dezembro de 1990 e no art. 2º. da Portaria RFB n°. 2.439/2010, pela prestação de informações falsas à autoridade fazendária e por fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos e omitindo operações em documentos e livros exigidos pela lei fiscal, em virtude da prática de se deixar à margem da escrituração, valores referentes as várias contas-correntes mantidas em diversas instituições financeiras (Depósitos Bancários de origens não comprovadas) e ainda de valores vultosos (R$ 45.000.000,00), que caracterizam sonegação e a fraude, previstos nos artigos 71 e 72 da Lei n°. 4.502 de 30 de novembro de 1964, s.m.j., tendo sido emitida concomitantemente a competente Representação Fiscal para Fins Penais, que encontra-se anexa ao presente Auto de Infração, processo de n°. (Grifamos) Os elementos indiretos de prova do dolo elencados pelo auditor são as contas correntes bancárias deixadas à margem da contabilidade e o vultoso montante dos depósitos nessas contas não escrituradas. Poderia acrescentrar, ainda, a grande quantidade de depósitos realizada nessas contas ao longo dos anos de 2006 e 2007. No que concerne às contas correntes bancárias deixadas à margem da contabilidade, a meu juízo, esse fato, tomado isoladamente, não seria capaz de me convencer, para além de qualquer dúvida razoável, que a contribuinte agiu dolosamente. Não seria tão improvável a hipótese de a contribuinte haver se “esquecido” de registrá-las em sua contabilidade (negligência) e, se assim fosse, o prejuízo aos Cofres Públicos teria sido causado por conduta culposa, e não dolosa. No entanto, o fato acima descrito, quando tomado em conjunto com o fato de que nessas contas foram realizados depósitos em montante aproximado de R$ 45.000.000,00 cuja origem a contribuinte não logrou êxito em comprovar, torna a hipótese do “esquecimento” pouquíssimo provável. Dito de outro modo, não é razoável supor que alguém se esqueça de contabilizar tamanha quantia. Nessa hipótese, entendo, para além de qualquer dúvida razoável, que o prejuízo aos Cofres Públicos adveio de conduta dolosa da contribuinte, e não de conduta meramente culposa. Aliado aos dois fatos acima descritos, há ainda o fato de que foram mais de 1700 depósitos não escriturados ao longo de dois anos, algo que aumenta ainda mais o meu grau de convencimento acerca do dolo da contribuinte, já que seria bastante improvável que uma pessoa se “esquecesse” de registrar em sua contabilidade diversas contas correntes bancárias de sua titularidade, nas quais foram realizados mais de 1700 depósitos ao longo de dois anos e cujo somatório atingiu a expressiva cifra de R$ 45.000.000,00. 7) Conclusão Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10680.725684/2011-69 Acórdão n.º 1201-000.841 S1-C2T1 Fl. 1.170 11 Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida e, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário e por dar parcial provimento à remessa oficial para restabelecer a exigência da multa de ofício qualificada. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Voto Vencedor Conselheiro João Carlos de Lima Junior, redator designado. Primeiramente cumpre delimitar a matéria a ser abordada neste voto. A divergência levantada no julgamento se deu relativamente ao Recurso de Ofício, por meio do qual a Procuradoria da Fazenda Nacional pretendia o restabelecimento do agravamento da multa de ofício. E, neste ponto, peço vênia para discordar do entendimento sustentado pelo ilustre Conselheiro Relator deste acórdão, o qual entendeu que merece ser restabelecido o agravamento da multa, sob o fundamento de que, no caso, o dolo foi demonstrado a partir dos elementos indiretos elencados pela fiscalização (contas bancárias deixadas à margem da contabilidade e o vultuoso montante dos depósitos nessas contas não escrituradas e a grande quantidade de depósitos realizados nessas contas). No presente caso, o contribuinte foi autuado, com fundamento no artigo 42 da Lei 9.430/96, pois a fiscalização constatou a existência de omissão de receita por depósitos bancários não contabilizados. Além disso, foi imposta multa de ofício qualificada prevista no então artigo 44, II, da Lei 9430/96. Ocorre que, para que seja aplicada a multa qualificada de 150% deve restar evidenciada nos autos alguma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e/ou 73 da Lei nº 4.502/64, senão vejamos: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10680.725684/2011-69 Acórdão n.º 1201-000.841 S1-C2T1 Fl. 1.171 12 montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72.” Como se vê, para a qualificação da multa é necessário que a fiscalização comprove, de forma inequívoca, que o contribuinte agiu dolosamente na execução do ato fraudulento, não bastando meros indícios de sua conduta ilícita. Inexiste nos autos comprovação de que o contribuinte agiu dolosamente alterando ou ocultando informações com o intuito de impedir ou retardar a tributação e, ressalte-se, o evidente intuito de fraude não deve ser presumido e sim provado. Ora, se o Fisco presumiu a existência da omissão de receitas, pois autuou o contribuinte com base no artigo 42 da lei 9.430/96, por ter constatado a existência de depósitos bancários não contabilizados, é porque não tinha prova de sua real existência, vez que o significado da palavra presumir é justamente “Entender, baseando-se em certas probabilidades” (Dicionário Aurélio). Uma coisa é oposta a outra, ou tem-se prova da omissão de receita e então a fraude também está provada, ou tem-se indício da omissão com a consequente inversão do ônus da prova e, ante a ausência de prova do contribuinte, não se tem prova da omissão (o que se tem é a presunção) e então a fraude também não está provada. Outrossim, diferentemente da omissão de receita, a legislação não autoriza a presunção de fraude, que deve ser provada e não presumida. Neste sentido, vale transcrever entendimento manifestado por este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 103-11.865: “(...), para começo de abordagem, é sabido que indícios, data vênia, apenas, não são suficientes para demonstrar a ocorrência concreta de figuras como a simulação, a fraude, a sonegação. Indícios, autorizam, quando muito, a presunção, assim mesmo, não para os tipos supra referidos. Admitem-se as presunções, assim mesmo, quando expressamente previstas em lei, para se concluir no sentido de que a lei a acolhe como base suficiente para o lançamento. (...) Em direito, à guisa de princípio maior, tem-se assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc., não se presumem. (....)” E, ainda, a súmula CARF nº 25 dispõe: Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10680.725684/2011-69 Acórdão n.º 1201-000.841 S1-C2T1 Fl. 1.172 13 “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” Do texto da súmula transcrita extrai-se que não é possível na própria presunção legal de omissão de receita, apontar elementos que remetam ao dolo necessário à qualificação da multa. Exige-se a existência de razão extrínseca àquela que deu causa à autuação pela omissão de receita diante da constatação da existência de depósitos bancários não identificados ou de origem não comprovada e que se sustenta por indícios contra os quais o contribuinte não produziu prova em contrário. A existência de contas bancárias deixadas à margem da contabilidade e a grande quantidade de depósitos realizados nessas contas são meros indícios que autorizaram a presunção de omissão de receita, já que o contribuinte não apresentou prova em contrário. Veja-se que não existem elementos outros que demonstrem a intenção dolosa do contribuinte, uma vez que a multa foi agravada pelas seguintes razões, conforme Termo de Verificação Fiscal: “5.2 - Todos os fatos aqui descritos evidenciam a prática, por parte dos mandatários da empresa fiscalizada, de crime contra a ordem tributária, previsto nos artigos 1º, incisos I, II e III e 2º, inciso I da Lei n° 8.137 de 27 de dezembro de 1990 e no art. 2º. da Portaria RFB n°. 2.439/2010, pela prestação de informações falsas à autoridade fazendária e por fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos e omitindo operações em documentos e livros exigidos pela lei fiscal, em virtude da prática de se deixar à margem da escrituração, valores referentes as várias contas-correntes mantidas em diversas instituições financeiras (Depósitos Bancários de origens não comprovadas) e ainda de valores vultosos (R$ 45.000.000,00), que caracterizam sonegação e a fraude, previstos nos artigos 71 e 72 da Lei n°. 4.502 de 30 de novembro de 1964, s.m.j., tendo sido emitida concomitantemente a competente Representação Fiscal para Fins Penais, que encontra-se anexa ao presente Auto de Infração, processo de n°” Nesse mesmo sentido é o entendimento deste Conselho: “SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco, divergentes de dados levantados pela fiscalização, a movimentação bancária desproporcional aos rendimentos declarados, mesmo de forma continuada, bem como a Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10680.725684/2011-69 Acórdão n.º 1201-000.841 S1-C2T1 Fl. 1.173 14 apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. Recurso provido.” (Processo 13851.000904/2006-60. Acórdão 104-23.659) Diante do exposto, entendo que o Fisco não logrou êxito em demonstrar que o contribuinte agiu com o intuito de dolo, fraude ou simulação, para retardar ou obstar que o Fisco tomasse ciência do fato gerador tributável, nos termos dos artigos 71, 72 e/ou 73 da Lei nº 4.502/64, única hipótese capaz de autorizar a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%, razão pela qual voto pela desqualificação da multa aplicada. (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior – Redator designado. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10980.014631/2007-58
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ.
O atraso na entrega da DSPJ pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ. O atraso na entrega da DSPJ pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 46 31 /2 00 7- 58 Fl. 32DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.014631/200758 Acórdão n.º 1803002.413 S1TE03 Fl. 33 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fl. 05, com a exigência do crédito tributário no valor de total de R$1.422,99 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 07.03.2007 da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ) do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 31.03.2005. Consta na Descrição dos Fatos: A entrega da Declaração Simplificada da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317/96, fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração de 2% (dois por cento) ao mas ou fração sobre o valor do Simples devido, ainda que tenha sido integralmente pago, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e valor mínimo de R$200,00 (duzentos reais). A multa cabível foi reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, exceto no caso da multa aplicada ter sido a multa mínima. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 88 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 27 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204, com as alegações a seguir transcritas: Sr.(a) Delegado(a) O contribuinte acima identificado, não concordando com o (a) (x) Multa por Atraso de Declaração Simplificada n.° Rastreamento 70229844 0 Notificação de Lançamento Em anexo, vem respeitosamente, no prazo legal, com amparo no que dispõem o art. 15 do Decreto 70.235/72, apresentar sua impugnação, pelos motivos de fato e do direito que se seguem (art. 16, incisão II do Decreto 70.235/72): a) A sua instituição se deu através de uma Instrução Normativa, o que vai de pleno encontro ao principio da legalidade previsto no art. 5º, II da Constituição Federal, do art. 97, inciso V do Código Tributário Nacional — CTN; b) A delegação concedida pelo Ministro da Fazenda para o Secretario da Receita Federal é completamente inconstitucional e ilegal por violar o principio da separação dos poderes previstos no art. 2.° da Carta Magna, o principio da legalidade (art. 5º da Constituição Federal de 1988), bem como ,o princípio da indelegalidade tributaria previsto no art. 7º do Código Tributário Nacional. Por fim, as penalidades pecuniárias, advindas da não apresentação da mencionada obrigação acessória, não encontram validade perante o ordenamento jurídicotributário, ante o fato de que qualquer tipo de sanção pecuniária (multa) concernente a não entrega da Declaração Simplificada, ou ainda, atraso na entrega, Fl. 33DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.014631/200758 Acórdão n.º 1803002.413 S1TE03 Fl. 34 3 erro no preenchimento, incorreção, só pode ser prevista em Lei, conforme estabelece o art. 113, § 3.° C/C o art.97, inciso V do CTN. À vista de todo exposto, demonstra a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o debito fiscal reclamado. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 06 17.587, de 10.04.2008, fls. 1316: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. EXIGÊNCIA LEGAL. Correta a aplicação de multa, aplicada por atraso na entrega da Declaração Simplificada, que tem por natureza a conversão da obrigação acessória, que foi descumprida, em principal, exigência esta que tem fundamento legal. Lançamento Procedente Notificada mediante o AR que na contém qualquer data juntado em 29.05.2008, fl. 19, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 12.08.2008, fls. 2021, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que: Sr.(a) Responsável pela Comissão de Contribuintes O contribuinte acima identificado, não concordando com o (a) (x) Multa por Atraso de Declaração Simplificada Processo n° 10980 014631/200758. Em anexo, vem respeitosamente, no prazo legal, com amparo no que dispõem o art. 15 do Decreto 70.235/72, apresentar sua impugnação, pelos motivos de fato e do direito que se seguem (art. 16, incisão II do Decreto 70.235/72): a) A sua instituição se deu através de uma Instrução Normativa, o que vai de pleno encontro ao principio da legalidade previsto no art. 5º, II da Constituição Federal, do art. 97, inciso V do Código Tributário Nacional —CTN; b) A delegação concedida pelo Ministro da Fazenda para o Secretario da Receita Federal é completamente inconstitucional e ilegal por violar o principio da separação dos poderes previstos no art. 2.° da Carta Magna, o principio da legalidade (art. 5.° da Constituição Federal de 1988), bem como o principio da indelegalidade tributaria previsto no art. 7.° do Código Tributário Nacional. Por fim, as penalidades pecuniárias, advindas da não apresentação da mencionada obrigação acessória, não encontram validade perante o ordenamento jurídicotributário, ante o fato de que qualquer tipo de sanção pecuniária (multa) concernente a não entrega da Declaração SIMPLIFICADA, ou ainda, atraso na Fl. 34DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.014631/200758 Acórdão n.º 1803002.413 S1TE03 Fl. 35 4 entrega, erro no preenchimento, incorreção, só pode ser prevista em UI Lei, conforme estabelece o art. 113, § 3.0 C/C o art. 97, inciso V do CTN. "Art. 5° (...) II— ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de Lei." Nesse sentido, qualquer pretensão ao cumprimento. de obrigações acessórias deverá estar submetida à regência legal, e não de atos infralegais do Executivo, como os decretos regulamentares. E compreendese que assim o seja, porque não é só pela via da exigência de prestações pecuniárias compulsórias que o Estado se insinua nas relações entre os particulares, a demandarlhes, com voracidade insaciável, uma crescente ordem de obrigações (deveres administrativos) instituídas por simples comodidade burocrática. Porque é muito mais fácil a administração do que assumilas, subrogar os particulares no exercício de funções que lhe são — a ela, administração — constitucionalmente atribuídas. Mas, há assim um argumento final para confirmar a afirmação de que as obrigações acessórias devem ser instituídas por Lei, e não mediante atos infralegais. E acertado afirmarse que as expressões "legalidade tributaria" e "legalidade tributaria" não são, no CTN, empregadas como sinônimos. Por a Lei, nos termos estipulados pelo CTN, art. 96, apenas integra a "legislação tributaria", ao lado dos tratados e convenções internacionais, decretos e normas complementares. À vista de todo exposto, demonstra a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o debito fiscal reclamado. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de Fl. 35DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.014631/200758 Acórdão n.º 1803002.413 S1TE03 Fl. 36 5 jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador1. A Notificação de Lançamento foi lavrada com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei, nos termos da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que determina: Da Declaração Anual Simplificada, da Escrituração e dos Documentos 1 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.014631/200758 Acórdão n.º 1803002.413 S1TE03 Fl. 37 6 Art. 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4° . A Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, prevê: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; (Vide Lei nº 9.532, de 1997) II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1º O valor mínimo a ser aplicado será: [...] b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. Por seu turno, a Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, fixa: Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Parágrafo único. A multa a que se refere o art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, será: a) deduzida do imposto a ser restituído ao contribuinte, se este tiver direito à restituição; b) exigida por meio de lançamento efetuado pela Secretaria da Receita Federal, notificado ao contribuinte. Ainda a Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, ordena: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica Fl. 37DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.014631/200758 Acórdão n.º 1803002.413 S1TE03 Fl. 38 7 informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. §4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. §5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.014631/200758 Acórdão n.º 1803002.413 S1TE03 Fl. 39 8 Por seu turno, a Instrução Normativa SRF n° 483, de 29 de dezembro de 2004: Art. 2° A Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples deverá ser entregue até o último dia útil do mês de maio de 2005. § 1° A Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas — Simples, relativa a evento de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação deverá ser entregue pela pessoa jurídica extinta, cindida, fusionada, incorporada ou incorporadora até o último dia útil: 1 do mês de março de 2005, quando o evento tiver ocorrido no mês de janeiro desse ano; II do mês subseqüente ao do evento, na hipótese de o mesmo ocorrer no período de 1º de fevereiro a 31 de dezembro de 2005. § 2º A obrigatoriedade de entrega, na forma prevista no § 1°, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento A transmissão da DSPJ é obrigatória. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva da DSPJ. A entrega da DSPJ fora do prazo fixado pela norma tributária é considerado como sendo o descumprimento de uma obrigação acessória por parte do sujeito passivo. Como regra, é conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem tampouco com as multas decorrentes por tal procedimento. A DSPJ somente pode ser considerada entregue, de fato, após a completa transmissão dos dados à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio de programa específico, onde é gerado automaticamente o recibo de entrega. Vale esclarecer que a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ), tem natureza jurídica constitutiva, de modo que é instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União do saldo a pagar relativo ao tributo ali informado2. Sobre o aspecto temporal da possibilidade jurídica da sua entrega, temse que não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício quando apresentada após o início do procedimento fiscal, ou seja, o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária. Neste momento, a sua espontaneidade é excluída em relação aos atos anteriores, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas3. 2 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998. 3 Fundamentação legal: art. 147 do Código Tributário Nacional, art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF n° 33. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.014631/200758 Acórdão n.º 1803002.413 S1TE03 Fl. 40 9 A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, tampouco alterar a penalidade pecuniária sem que haja previsão legal. A obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária4. As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 5 Por essa razão o pagamento dos tributos devidos não têm força normativa de afastar a multa de ofício isolada aplicada em função da falta ou atraso na entrega da DSPJ. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. No anocalendário de 2004 a Recorrente apurou os tributos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) mediante a utilização de programa gerador da declaração e a entregou fora do prazo legal. O lançamento de ofício fundamentase na exigência do crédito tributário no valor de R$1.422,99 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 07.03.2007 da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ) do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 31.03.2005. O valor da multa de ofício isolada foi calculado corretamente, em conformidade com a legislação de regência, ou seja, a alíquota de 50%, aplicada sobre a base correspondente a 2% do imposto devido, para cada mês de atraso, limitado ao máximo de 20%. A inferência apresentada pela defendente, apesar de tudo, não é coerente. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso6. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de 4 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. 5 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. 6 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.014631/200758 Acórdão n.º 1803002.413 S1TE03 Fl. 41 10 observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade7. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10680.912629/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS REGIMENTAIS. COMPETÊNCIA. A competência para
julgamento de recursos versando compensação de direito creditório relativo à CSLL é da Primeira Seção do CARF.
Numero da decisão: 3401-001.466
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso em razão de a competência ser da Primeira Seção do CARF
Nome do relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
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COMPETÊNCIA. A competência para julgamento de recursos versando compensação de direito creditório relativo à CSLL é da Primeira Seção do CARF.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso em razão de a competência ser da Primeira Seção do CARF JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ewan Teles Aguiar (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori (Suplente) e Jean Cleuter Simões Mendonça. Relatório Tratase de recurso versando compensação de direito creditório decorrente do recolhimento, por estimativa, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/09/2 011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi incorretamente encaminhado a esta Seção do CARF, pois ele decorre de não homologação de compensação cujo direito creditório decorre de recolhimento de IRRF. Dispõe o Regimento Interno do CARF, baixado pela Portaria MF 256, de 22/7/2009: Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. § 2º Os recursos interpostos em processos administrativos de cancelamento ou de suspensão de isenção ou de imunidade tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, incluemse na competência da Segunda Seção. Assim, a competência para julgar compensação envolvendo CSLL será da Seção competente para o julgamento de processos envolvendo aquele tributo. Sobre tal competência, estabelece o regimento: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/09/2 011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.912629/200992 Acórdão n.º 3401001.466 S3C4T1 Fl. 2 3 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Desse modo, voto pelo não conhecimento do recurso, que deve ser encaminhado à Primeira Seção de Julgamento do CARF. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/09/2 011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000478/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2005
VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Por possuir natureza de indenização, o vale-transporte, mesmo quando pago em pecúnia, não sofre incidência de contribuições sociais.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2005 VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Por possuir natureza de indenização, o vale-transporte, mesmo quando pago em pecúnia, não sofre incidência de contribuições sociais. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Por possuir natureza de indenização, o valetransporte, mesmo quando pago em pecúnia, não sofre incidência de contribuições sociais. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 04 78 /2 00 9- 18 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 27.282 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI n.º 37.234.4500. A lavratura referese a exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, incidentes sobre as quantias pagas aos empregados da autuada a título de vale transporte, mediante depósito bancário. Apresentada a defesa, a DRJ negoulhe provimento, o que motivou a interposição de recurso, no qual a autuada requer a declaração de improcedência do AI, pelo fato da jurisprudência dos Tribunais Superiores considerar que o pagamento da verba, mesmo que em pecúnia, não lhe dá caráter salarial, posto que representa indenização ao empregado. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12897.000478/200918 Acórdão n.º 2401003.778 S2C4T1 Fl. 282 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Vale Transporte O motivo que levou o fisco a incluir na base de cálculo dos lançamentos os valores relativos ao vale transporte, foi o fato dos pagamentos terem sido efetuados em pecúnia (depósito em conta corrente). Acerca dessa exação, já não há mais celeumas entre o fisco e os contribuintes. É que se curvando a jurisprudência da Corte Máxima, que em decisão plenária, no bojo do RE n.º 478.410, afastou a incidência de contribuições sociais sobre o valetransporte pago em pecúnia, a Advocacia Geral da União editou a Súmula n.º 60, em 08/12/2011, assim redigida: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Assim, devem ser afastadas, por improcedência, as contribuições incidentes sobre o valetransporte pago em dinheiro. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10283.008845/00-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PIS/COFINS. PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO.
Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Rodrigo Cardozo Miranda e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PIS/COFINS. PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO. Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Rodrigo Cardozo Miranda e Paulo Roberto Stocco Portes.
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RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO Recorrente IGB ELETRÔNICA S/A (denominação atual da GRADIENTE ELETRÔNICA S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PIS/COFINS. PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO. Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 88 45 /0 0- 88 Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Rodrigo Cardozo Miranda e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Restituição e Compensação (fls. 01/ss), protocolado em 19/09/2000, em decorrência de valores supostamente compensados indevidamente a título de PIS, para o período de apuração de julho/1999. Com o intuito de elucidar os fatos transcrevese parcialmente o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa (efls. 976/ss), verbis: Trata o presente de pedido de restituição/compensação efetuado em 19/09/2000, consoante fls. 01/02, de suposto crédito do PIS/Pasep, compensado indevidamente em junho/1999, no valor de R$1.838.228,17. O Pedido de Compensação de fl. 01 não apresenta valores de "débitos a serem compensados". 2. Posteriormente, em 28/09/2000, o contribuinte apresentou os Pedidos de Compensação com Débitos de Terceiros de fls. 152/155. 3. A Delegacia de origem indeferiu o pleito ' em 08/04/2005, consoante Despacho Decisório de fls. 209/213, com a prévia transferência dos Pedidos de Compensação com Débitos de Terceiros de fls. 152 e 155 para o processo n° 10283.008844/0015. 4. Cientificado da referida decisão em 12/04/2005, o contribuinte atravessou manifestação de inconformidade (fls. 220/229) em 09/05/2005, aduzindo as seguintes alegações: (...) Em 26/12/2005, este Presidente da Terceira Turma da DRJ/BEL converteu o julgamento em diligencia (fls. 324/326), para as seguintes providencias da Delegacia de origem: (...) 6. Em resposta, a Unidade de origem anexou os documentos de fls. 327/469. 7. Anexei as fls. 470/485. 8. É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém indeferiu o pedido do contribuinte, nos termos do Acórdão nº 0113.222, de 17 de março de 2009 (efls. 486/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1999 Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.008845/0088 Acórdão n.º 3202001.329 S3C2T2 Fl. 1.024 3 CONFISSÃO DE DÍVIDA. DCTF. De janeiro/1999 até dezembro/2003, somente por meio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) é que os débitos tributários federais eram confessados. Não há como acolher pleito de retificação de compensação sem que o débito original tenha sido retificado tempestivamente na DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. A declaração de compensação depende da existência de um crédito. Em caso de indeferimento do direito creditório, as declarações de compensação não devem homologadas. Solicitação Indeferida A interessada regularmente cientificada do Acórdão em 16/04/2009 (efolha 991) interpôs Recurso Voluntário em 18/05/2009 (efls. 993/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém denegou o pedido de restituição e compensação da Recorrente com base no argumento de que já havia transcorrido mais de cinco anos entre a data do pedido (que segundo entendeu o relator do voto, deveria ser considerada na data em que apresentou a DCTF retificadora, ou seja, o dia 28/09/2004) e período de apuração de julho/1999. Transcrevo abaixo trechos do voto constante da decisão recorrida: 21. Na espécie, para corrigir o débito apurado de COFINS, relativo a 06/1999, de R$3.100.776,85 para R$1.635.297,15, o contribuinte apresentou DCTF retificadora apenas em 28/09/2004 (consoante fls. 476, 479 e 480)2 . Ora, a exatidão do débito de COFINS alusivo a 06/1999 era pressuposto para o "pedido de retificação da compensação". Como somente o fez em 28/09/2004, essa data deve ser considerada como o momento em que se aperfeiçoou seu pleito de restituição. Ocorre que nesse dia (28/09/2004), já havia se esgotado o prazo quinquenal para fins de restituição, na forma estipulada nos artigos 165 e 168 (inciso I) do CTN. Isso porque a extinção do débito tributário se deu na data da entrega do pedido original de compensação, ou seja, em 17/08/1999 (fl. 296), nos termos do artigo 74, §§ 1 0, 2° e 4º, da Lei n° 9.430/19963. 22. Resumindo, em 28/09/2004, já havia transcorrido mais de cinco anos em relação a 17/08/1999 (data da extinção da COFINS de 06/1999). 23. O contribuinte apresentou outras DCTF's retificadoras após 28/09/2004. A última declaração foi entregue em 01/08/2008 (fls. 482/485), nove depois do fato gerador. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 4 24. As retificações da DCTF efetuadas a partir de 28/09/2004 são indevidas, pois foram apresentadas após o prazo de cinco anos para cobrança dos respectivos tributos, pelo que tais declarações devem ser canceladas. Inicialmente, portanto, devemos analisar a questão relativa ao prazo prescricional para que o contribuinte possa efetuar o pedido de restituição/compensação de créditos De PIS/Cofins advindos de recolhimentos supostamente compensados indevidamente. Entendo que assiste razão à Recorrente no tocante aos prazos para pedir a restituição de tributos recolhidos indevidamente. Vejamos. Este conselheiro sempre vinha exarando seus votos no sentido de que o prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores recolhidos a maior ou indevidamente era aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, ambos do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Esclareçase, ainda, que o prazo previsto no art. 168, I, do CTN, representa prazo prescricional, mas que se aplica, também, ao pedido administrativo, de forma que, esgotado o prazo para apresentação da ação de repetição de indébito, também se esgota o prazo do pedido administrativo. Neste diapasão, com o intuito de dirimir as controvérsias existentes quanto ao momento em que ocorreria a extinção do crédito tributário, o próprio legislador, na tentativa de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. Entretanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatado pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC nº 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso do vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN”. Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos relativos a esta matéria. Em consequência da decisão proferida no RE 566.621, resta obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.008845/0088 Acórdão n.º 3202001.329 S3C2T2 Fl. 1.025 5 sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. No caso em tela, o Pedido de Restituição/Compensação foi protocolado em 19/09/2000 (e mesmo considerandose a tese da decisão recorrida de que deveria ser considerada a data em que apresentou a DCTF retificadora, ou seja, o dia 28/09/2004), para o período de apuração de julho/1999, portanto, temos que quando foi formulado o pedido não havia ocorrido a prescrição do direito do contribuinte para solicitar a restituição dos tributos, considerandose o prazo de 10 anos estipulado pelo STF para os pedidos formulados antes 09/06/2005. Consequentemente, deve ser revista a decisão recorrida, para que análise o mérito do pedido. Neste sentido, citase a decisão proferida pela CSRF – Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9303002.127, em 13/09/2012, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1991 a 28/02/1995 PIS/PASEP. RESTITUIÇÃO. DECRETOSLEIS Nºs 2.445/88 e 2.449/88. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 9 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar nº. 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Art. 62A do RICARF. Recurso Especial do Contribuinte provido. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a prescrição dos indébitos, determinando o retorno dos autos à DRJ – Belém para análise do mérito do pedido. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 10510.003509/2009-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Sat Dec 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. COTEJO ANALÍTICO ENTRE ACÓRDÃO RECORRIDO E PARADIGMA. NECESSIDADE.
De acordo com o §6o do art. 67 do RICARF, o Recorrente deve demonstrar, analiticamente, a divergência jurisprudencial, com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Ou seja, deve fazer o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e o paradigma.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Otacilio Dantas Cartaxo.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka - Relator
EDITADO EM: 17/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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RECURSO ESPECIAL. COTEJO ANALÍTICO ENTRE ACÓRDÃO RECORRIDO E PARADIGMA. NECESSIDADE. De acordo com o §6o do art. 67 do RICARF, o Recorrente deve demonstrar, analiticamente, a divergência jurisprudencial, “com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”. Ou seja, deve fazer o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e o paradigma. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Otacilio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 35 09 /2 00 9- 54 Fl. 562DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10510.003509/200954 Acórdão n.º 9202003.402 CSRFT2 Fl. 563 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Relator EDITADO EM: 17/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em 27 de fevereiro de 2012 (efls. 514/520), em face do Acórdão n° 210201.600 (efls. 504/510), do qual a Recorrente teve ciência em 27 de fevereiro de 2012 (efl. 511), que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do Recorrido. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2007 COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a fazer a prova detalhadamente, quando este assevera a impossibilidade do mister. Conhecendo a origem dos depósitos, quedandose inerte a fiscalização, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10510.003509/200954 Acórdão n.º 9202003.402 CSRFT2 Fl. 564 3 A ausência nos autos de documentação apresentada pelo interessado e de fundamental importância na resolução lide colide com o Princípio da Ampla Defesa e implica em Cerceamento do Direito de Defesa. Recurso Voluntário Provido.” (efl. 504) Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso especial, apontando divergência com o Acórdão 10421.400, que restou assim ementado: “[...] OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] Recurso parcialmente provido” O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 521/522, tendo apresentado o Recorrido as contrarrazões de efls. 533/542. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O Regimento Interno do CARF traz, em seu artigo 67, a hipótese de cabimento e os requisitos de admissibilidade do recurso especial, nos seguintes termos: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10510.003509/200954 Acórdão n.º 9202003.402 CSRFT2 Fl. 565 4 § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício.” De acordo com o §6o. do art. 67 do RICARF, a Recorrente deveria ter demonstrado, analiticamente, a divergência jurisprudencial, “com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”. Ou seja, deveria ter feito o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma. Muito embora haja transcrição da ementa e de trecho do acórdão paradigma, não há no recurso qualquer transcrição do acórdão recorrido, o que seria fundamental para aferir eventual divergência entre ambos, a partir do confronto entre as circunstâncias fáticas e jurídicas que teriam justificado a conclusão dos referidos acórdãos. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NÃO conhecer do recurso especial da Fazenda. (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Fl. 565DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10510.003509/200954 Acórdão n.º 9202003.402 CSRFT2 Fl. 566 5 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910139/2006-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREGO DE MATERIAIS. APLICAÇÃO DO COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO DE 8%. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES.
É legítima a alteração do coeficiente de presunção do lucro, de 32% para 8%, sempre que o contribuinte demonstrar que forneceu materiais em conjunto com a prestação dos serviços de engenharia. Quando da retificação das declarações sobrevier crédito em favor do interessado é possível sua utilização mediante compensação, desde que observados os requisitos legais.
Numero da decisão: 1201-001.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Sergio Luiz Bezerra Presta e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREGO DE MATERIAIS. APLICAÇÃO DO COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO DE 8%. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. É legítima a alteração do coeficiente de presunção do lucro, de 32% para 8%, sempre que o contribuinte demonstrar que forneceu materiais em conjunto com a prestação dos serviços de engenharia. Quando da retificação das declarações sobrevier crédito em favor do interessado é possível sua utilização mediante compensação, desde que observados os requisitos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO – Presidente (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 01 39 /2 00 6- 52 Fl. 3517DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/11 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10880.910139/200652 Acórdão n.º 1201001.060 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Sergio Luiz Bezerra Presta e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por Meng Engenharia Comércio e Indústria Ltda. contra acórdão proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo. A questão debatida nos autos referese a pedidos de compensação efetuados pela interessada, cujo histórico pode ser assim reproduzido: Em 26/09/2003, a empresa transmitiu DComp (fls. 05 a 09), para o aproveitamento de IRPJ pago a maior (cód. 2089), referente ao recolhimento efetuado em 31/08/1999, no valor de R$ 38.312,77, para a compensação de débitos diversos (protocolo formador do processo de 05/10/2006). Em 18/07/2008, a DERAT/SPO elaborou o Despacho Decisório de n. 775589148, que não homologou as compensações declaradas, de tal sorte que os créditos ora discutidos se referem a: O fundamento para a não homologação foi a inexistência de saldo credor para a compensação em DCOMP, tendo em vista que os créditos informados na declaração já foram integralmente consumidos para a quitação de débitos da contribuinte. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório e apresentou Manifestação de Inconformidade, em agosto de 2008, na qual alegou, em síntese, que: 1. Aplicou erroneamente a alíquota de 32% sobre a base tributável do lucro presumido quando, na verdade, o percentual correto seria de 8%, conforme entendimento da Solução de Consulta nº 186/2003, a qual entende que a prestação de serviços da construção civil com o emprego de materiais submetese ao percentual defendido pela requerente; 2. Os efeitos da Solução de Consulta retroagem à data da Lei; 3. Defende que pelo § 12 do art. 48 da Lei nº 9.430/96, a Administração deverá alterar o entendimento a respeito da Fl. 3518DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/11 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10880.910139/200652 Acórdão n.º 1201001.060 S1C2T1 Fl. 4 3 matéria, ora questionada, a partir da ciência da interessada ou após a publicação pela imprensa oficial; 4. Providenciou DIPJ retificadoras dos anoscalendário de 1998/2000; 5. A RFB não alterou seu entendimento a respeito da aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta. Em sessão realizada em 07 de janeiro de 2010, a 7a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo decidiu, por unanimidade, não homologar a compensação, sob o argumento de que a interessada não teria comprovado a existência do direito creditório. Com a ciência da decisão de 1a instância, a empresa interpôs Recurso Voluntário, no qual reiterou os argumentos expendidos na impugnação e, ainda, destacou que: 1. Presta serviços com emprego de materiais, tendo calculado incorretamente seu IRPJ pela alíquota de presunção de 32%, enquanto o correto seria 8%, conforme resposta à consulta por ela formulada. 2. Retificou suas DIPJ, gerando o crédito que foi objeto da DCOMP. 3. Ademais, caso a RFB necessitasse de informações para aferir a realidade dos fatos, deveria, dentro do princípio da verdade material, terlhe intimado a prestar esclarecimentos e não simplesmente indeferir o pedido liminarmente. 4. Ao contrário do informado na decisão recorrida, retificou suas DCTF, sendo a última apresentada em 07/01/2009 e regularmente noticiada à RFB em 13/01/2009. Salienta que mesmo se não houvesse retificado a DCTF, tal erro de fato não poderia macular seu direito de restituição. 5. Tendo em vista o prazo de 5 anos entre a retificação da DIPJ e o Despacho Decisório, ocorreu a homologação tácita (decadência) do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ. 6. Requer perícia contábil ou diligências necessárias para confirmação do alegado, apresentando quesitos e indicando assistente técnico para acompanhamento. No intuito de comprovar seus argumentos, a interessada juntou aos autos os seguintes documentos: Documentos de Representação (societários, procuração e substabelecimento); DIPJ originária; DIPJ retificadora; Contratos e notas fiscais; Fl. 3519DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/11 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10880.910139/200652 Acórdão n.º 1201001.060 S1C2T1 Fl. 5 4 Notas fiscais de serviços (construção civil + fornecimento de materiais) prestados a particulares, sem os contratos respectivos; Notas fiscais de aquisição dos materiais fornecidos; Notas fiscais de remessa (ao canteiro de obra) dos materiais fornecidos; Livro de Registro de Inventário; Demonstrações Financeiras; Três DCTF. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. Em sessão realizada de 21 de fevereiro de 2011, a 2a Turma da 2a Câmara deste Conselho aprovou a Resolução n. 1202000.071, que converteu o julgamento em diligência, pois, segundo o Ilustre Relator: 1. O contribuinte não foi intimado para demonstrar e explicar a origem do pagamento indevido ou a maior. Na fase de instrução, teve sumariamente seu pleito negado via Despacho Decisório eletrônico sem prévia intimação. Apresentou Manifestação de Inconformidade na qual juntou cópias das DIPJ e DCTF retificadoras e Solução de Consulta em seu favor, entendendo suficientes para demonstrar seu direito creditório. 2. Somente com a ciência dos fundamentos da não homologação da compensação pelo decisão de piso, passou a conhecer da necessidade de juntar documentação contábil e fiscal hábil a demonstrar seu direito creditório, além das DIPJ´s e DCTF retificadoras previamente apresentadas. 3. Destarte, entendo que ficou caracterizada a alínea “c” do § 4º do art. 16 do PAF, pois em nenhum momento a recorrente foi intimada para prestar esclarecimentos, bem como o Despacho Decisório não detalhou o motivo do indeferimento do pleito e somente com a fundamentação da decisão na DRJ passou a estar ciente da necessidade de juntada de novos documentos para fins de comprovação da existência, liquidez e certeza do crédito utilizado para a compensação dos débitos informados em DCOMP, motivo que voto por conhecer dos documentos juntados pela recorrente em seu recurso voluntário. Em razão de tais argumentos, o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade preparadora da Delegacia de jurisdição da Recorrente se manifestasse sobre as alegações e os documentos apresentados e produzisse relatório com as seguintes informações: a) se o contribuinte realiza a prestação de serviços da construção civil com o emprego de materiais, nos termos da solução de consulta SRRF/8ª RF/DISIT Nº 186/2003, fls. 108/111; Fl. 3520DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/11 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10880.910139/200652 Acórdão n.º 1201001.060 S1C2T1 Fl. 6 5 b) se o contribuinte realiza exclusivamente a prestação de serviços da construção civil com o emprego de materiais, ou se parte dos serviços são unicamente com emprego de mão de obra, discriminando os respectivos valores no período de apuração sob análise. c) se as DIPJ retificadoras apresentadas pelo contribuinte retratam a realidade dos fatos, bem como se diante de tais retificadoras houve pagamento indevido de IRPJ não aproveitado em outros débitos. Os trabalhos de diligência foram iniciados, com a intimação do Contribuinte, para que este apresentasse documentos e se manifestasse quanto à procedência dos créditos pleiteados. De se notar que durante a diligência foram apensados a este processo os autos de n. 10880.910134/200620, 10880.910135/200674, 10880.910136/200619 e 10880.910144/200665, que se referem a outras declarações de compensação apresentadas pela interessada e cujos créditos possuem o mesmo fundamento aqui discutido. A diligência foi concluída com a apresentação do Relatório de fls. 3.505. Os autos retornaram a este Conselho para apreciação e foram a mim redistribuídos. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A questão discutida nos autos tem como fulcro a possibilidade de se reconhecer os créditos da Recorrente, originados de retificação de suas DIPJ, nas quais foi alterado o coeficiente de presunção do lucro, de 32% para 8%, conforme entendimento exarado em consulta formulada à Receita Federal do Brasil. O fundamento para a alteração seria o fornecimento de materiais junto com os serviços de engenharia, com o respectivo enquadramento na hipótese prevista pelo art. 3º, § 1º, da Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, nos termos da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 186/2003. Segundo o relatório de diligência, a Recorrente, devidamente intimada, logrou êxito em comprovar, por meio de notas fiscais e contratos relativos ao anocalendário de 1999, que efetivamente fornecia e entregava materiais nas obras que realizava para terceiros. Fl. 3521DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/11 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10880.910139/200652 Acórdão n.º 1201001.060 S1C2T1 Fl. 7 6 Com efeito, a análise dos documentos de fls. 1.668 a 3.504 nos leva a concluir que a interessada realmente faz jus ao percentual de 8% para a determinação do lucro presumido, o que, por decorrência lógica, permitiria o aproveitamento dos créditos recolhidos a maior. Essa circunstância foi reconhecida pelo Relatório de Diligência (fls. 3.505 a 3.508), que apurou um direito creditório em favor da Recorrente, contra a Fazenda Nacional, no montante de R$ 409.147,40 (quatrocentos e nove mil, cento e quarenta e sete reais e quarenta centavos), referente a Saldo Negativo de IRPJ do 1º ao 4º trimestres de 1999, conforme delimitado na tabela abaixo, sobre o qual ainda deve incidir o acréscimo de juros da taxa referencial SELIC, conforme preceitua o art. 83 da IN RFB nº 1.300/2012: Período 1o Trimestre/99 2o Trimestre/99 3o Trimestre/99 4o Trimestre/99 TOTAL Saldo Negativo Calculado (R$) 51.590,19 79.500,70 103.938,59 174.117,92 409.147,40 Diante da constatação do direito creditório da Recorrente, conforme atestado pela autoridade diligenciante, tornase imperativo reconhecer a sua pretensão, de tal sorte que voto por homologar as compensações declaradas neste processo, bem como aquelas constantes dos autos a ele apensados, de n. 10880.910134/200620, 10880.910135/200674, 10880.910136/200619 e 10880.910144/200665, até o limite original de R$ 409.147,40 (quatrocentos e nove mil, cento e quarenta e sete reais e quarenta centavos). Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO, para homologar a compensação dos créditos pleiteados, até o limite original reconhecido de R$ 409.147,40, cabendo à Delegacia de jurisdição da Recorrente as providências para o cumprimento desta decisão. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 3522DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/11 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001470/2005-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
MÉTODO PRL. METODOLOGIA CORRETA. ERRO DE FATO.
Demonstrando a ocorrência de erro de fato, exonera-se parcialmente a exigência. A parcela da autuação exonerada na decisão objetada e desafiada, portanto, por Recurso de Ofício refere-se a ajustes decorrentes de parcela excluída pela própria Fiscalização em sede de Diligência Fiscal, de sorte que não pairam dúvidas sobre a sua impertinência, ainda que subsistente os motivos da autuação. Sendo assim, ante a aquiescência da própria Fiscalização, de rigor negar-se provimento ao Recurso de Ofício.
PREÇOS DE TRANSFERENCIA. MÉTODO CPL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DESQUALIFICAÇÃO.
Não logrando a contribuinte êxito em comprovar materialmente os cálculos de ajustes segundo o métodcr CPL (Custo de Produção mais Lucro),correta a sua desqualificação pela fiscalização.
DESPESAS COM BONIFICAÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
As despesas contabilizadas pela empresa devem estar comprovadas com documentos hábeis e idôneos.
CSLL. DECORRENCIA.
0 decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1301-001.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos temos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 MÉTODO PRL. METODOLOGIA CORRETA. ERRO DE FATO. Demonstrando a ocorrência de erro de fato, exonera-se parcialmente a exigência. A parcela da autuação exonerada na decisão objetada e desafiada, portanto, por Recurso de Ofício refere-se a ajustes decorrentes de parcela excluída pela própria Fiscalização em sede de Diligência Fiscal, de sorte que não pairam dúvidas sobre a sua impertinência, ainda que subsistente os motivos da autuação. Sendo assim, ante a aquiescência da própria Fiscalização, de rigor negar-se provimento ao Recurso de Ofício. PREÇOS DE TRANSFERENCIA. MÉTODO CPL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DESQUALIFICAÇÃO. Não logrando a contribuinte êxito em comprovar materialmente os cálculos de ajustes segundo o métodcr CPL (Custo de Produção mais Lucro),correta a sua desqualificação pela fiscalização. DESPESAS COM BONIFICAÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As despesas contabilizadas pela empresa devem estar comprovadas com documentos hábeis e idôneos. CSLL. DECORRENCIA. 0 decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos temos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Recorrente STARAUTO COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 MÉTODO PRL. METODOLOGIA CORRETA. ERRO DE FATO. Demonstrando a ocorrência de erro de fato, exonerase parcialmente a exigência. A parcela da autuação exonerada na decisão objetada e desafiada, portanto, por Recurso de Ofício referese a ajustes decorrentes de parcela excluída pela própria Fiscalização em sede de Diligência Fiscal, de sorte que não pairam dúvidas sobre a sua impertinência, ainda que subsistente os motivos da autuação. Sendo assim, ante a aquiescência da própria Fiscalização, de rigor negarse provimento ao Recurso de Ofício. PREÇOS DE TRANSFERENCIA. MÉTODO CPL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DESQUALIFICAÇÃO. Não logrando a contribuinte êxito em comprovar materialmente os cálculos de ajustes segundo o métodcr CPL (Custo de Produção mais Lucro),correta a sua desqualificação pela fiscalização. DESPESAS COM BONIFICAÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As despesas contabilizadas pela empresa devem estar comprovadas com documentos hábeis e idôneos. CSLL. DECORRENCIA. 0 decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos temos do relatório e voto proferidos pelo relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 70 /2 00 5- 61 Fl. 6623DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário e de Ofício interpostos contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. De acordo com o disposto no Termo de Verificação Fiscal (fls. 934 – 945), em fiscalização empreendida perante contribuinte acima identificada, constatouse que se trata de uma empresa comercial atacadista vinculada à montadora de veículos DaimlerChrysler do Brasil Ltda. (localizada em Juiz de Fora — MG), e foi criada em função do Regime Aduaneiro Especial de Importação — RECOM, conforme artigo 5°, inciso II, da IN SRF no 17/2000. Retratou a Fiscalização que o regime especial concedido ao setor automobilístico através da referida instrução normativa possibilitou a importação de chassis, carrocerias, partes e peças, inclusive motores, componentes e acessórios, sem cobertura cambial, insumos estes destinados à industrialização por encomenda dos produtos classificados nas posições 8701 e 8705 da TIPI, por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior, sendo facultado às montadoras que após a montagem dos veículos estes poderiam ser exportados ou vendidos no mercado interno, e na hipótese de venda no mercado interno, ficou estabelecida a necessidade de criação de uma empresa comercial atacadista, que faria a comercialização. Registrouse assim, que no caso da recorrente a montadora DaimlerChrysler do Brasil Ltda. recebeu os insumos importados de sua matriz na Alemanha, montou os veículos de passeio Classe A160 e Classe A190 e remeteu à contribuinte (empresa atacadista), para comercialização no mercado interno, por conta e ordem da encomendante. Assim sendo, destacou a Fiscalização que a contribuinte adotou o método de cálculo de custos previsto no artigo 13 da IN 38/97 — CPL (Custo de Produção mais o Lucro) na determinação do preçoparâmetro das importações dos veículos Classe A160 e Classe A 190 oriundos da matriz localizada na Alemanha. De acordo com a Fiscalização, este método foi rejeitado em razão de a contribuinte não ter observado o § 2° do referido artigo 13 da IN 38/97, que estabelece que "os custos de produção deverão ser demonstrados discriminadamente, por componente, valores e respectivos fornecedores", tendo o contribuinte se limitado a apresentar os valores em reais, de Fl. 6624DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001470/200561 Acórdão n.º 1301001.263 S1C3T1 Fl. 3 3 forma resumida, por código de item e de chassi, do custo do material direto e custo do serviço prestado. Frisouse que a informação do custo do serviço prestado referese aos serviços de montagem do veículo, cobrado pela unidade fabril DaimlerChrysler, localizada em Juiz de Fora — MG, por conta e ordem da proprietária (DaimlerChrysler da Alemanha) em virtude do Regime Automotivo — RECOM, estabelecido pela IN SRF n° 17/2000 e que a discriminação exigida na legislação demanda a apresentação de mapa de produção, com codificação e quantitativo de todos os itens que foram produzidos, das linhas de produção, número de unidades produtivas, custos de materiais diretos aplicados em cada item, além de quantificar a mão de obra direta aplicada e total de horas gastas e custo por hora/homem. Concluiuse dessa forma, que não tendo a contribuinte comprovado efetivamente os cálculos do custo médio de produção, na forma prevista no artigo 13 da IN SRF n° 38/97, a fiscalização rejeitou o método CPL adotado pela contribuinte e, considerando que ela importou veículos prontos para revenda, além do método CPL, poderia comprovar os seus preçosparâmetro utilizandose dos métodos PIC (Preços Independentes Comparados) e PRL20 (Prego de Revenda menos Lucro de 20%), previstos nos artigos 6° e 12° da IN SRF 38/97, respectivamente. Dito isso, asseverouse que a Fiscalização aplicou então, na determinação do preçoparâmetro, o método PRL20, previsto no artigo 12 da IN SRF 38/97, compatível com a atividade exercida pela contribuinte, voltada à importação e a revenda de veículos prontos, sem qualquer modificação ou transformação, obtendo um ajuste de R$ 15.551.040,34, relativo ao anocalendário 2000, conforme demonstrado à folha 946. Ainda de acordo com a Fiscalização, impunhase a glosa de despesas operacionais, porquanto a contribuinte lançou em sua DIPJ/2001 (anocalendário 2000) despesa no valor de R$ 22.931.674,50, a título de "prestação de serviços por pessoa jurídica", tendo esclarecido tratarse de bonificações pagas a seus concessionários, as quais não geram notas fiscais e não têm qualquer vinculação com os preços dos veículos. No entanto, de acordo com a Fiscalização, intimada a apresentar cópia do contrato de prestação de serviços estabelecido entre a empresa Starauto e seus concessionários e documentos comprobatórios dos pagamentos das ditas bonificações, a contribuinte não logrou comprovar as operações informadas, de sorte que tais despesas foram glosadas, entendendose que a contribuinte, além de não comprovar que os serviços foram contratados, assumidos e pagos, não conseguiu comprovar, de forma satisfatória, que aquelas despesas escrituradas correspondem efetivamente aos bens e serviços recebidos (o demonstrativo de bonificações não identificou os beneficiários/concessionários, não informou os percentuais das bonificações concedidas por operação, além de não estarem comprovados os referidos pagamentos). Em razão das constatações relatadas acima, foram lavrados autos de infração (fls. 924 em diante). Devidamente notificada das exigências fiscais (fls. 924 e 928), a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1175 – 1214), alegando em síntese que em 23/06/2005 a autoridade fiscal aceitou e validou os dados contábeis e fiscais apresentados, satisfazendose quanto às informações e documentações apresentadas e durante toda a fiscalização, o Auditor Fiscal autuante demonstrou estar compreendendo as operações praticadas pela impugnante, já Fl. 6625DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 que esta se apresentou a todo tempo disposta a prestar novos esclarecimentos, novos documentos, etc., todavia, em 23/09/2005, o Auditor Fiscal autuou a contribuinte em valor de extrema relevância, sem, contudo, ter obtido nova e mais completar informações, necessárias ao bom entendimento das operações. Feito este cotejo, aduziu a contribuinte em sede preliminar que a autuação relativa à glosa das despesas operacionais com bonificações pagas às concessionários não poderia subsistir porquanto não fora emitido MPF complementar que ampliasse a fiscalização para alcançar tal procedimento assim como previsto na Portaria RFB nº 4.328/2005, assinalando que essa parcela extrapola o objeto limitado pelo MPF, relativo à "apuração de Preço de Transferência nas operações de importação". Seguiu argumentando que não só o procedimento fiscal encontrase eivado de vicio, por ter ido além do determinado no MPF, mas também o Auto de Infração, visto que a autoridade fiscal não demonstrou a metodologia e a base de cálculo utilizados na obtenção do valor de ajuste do preço de transferência pelo método PRL20, o que configura cerceamento de direito de defesa. Além disso, o valor do ajuste apurado pela Fiscalização não condiz com o alcançado pela impugnante, utilizandose a mesma metodologia de cálculo, o PRL20. Observou que os demonstrativos do cálculo efetuados pela Fiscalização não foram apresentados, o que demonstraria cerceamento de seu direito de defesa e por esses motivos, deveria ser declarada de plano a nulidade do Auto de Infração. No tocante à glosa de despesas com bonificações, registrou a recorrente ser controlada pela montadora DaimlerChrysler do Brasil Ltda. (DCBR), e que fora criada apenas para viabilizar as operações no âmbito do RECOM — Regime Aduaneiro Especial de Importação, regido pela IN SRF n° 17/2000 (artigo 5°, inciso I), aduzindo que não pode vender seus produtos diretamente ao consumidor final e, portanto as bonificações concedidas ás concessionárias com vistas a incrementar as vendas são plenamente dedutíveis, porque necessárias, usuais e decorrentes do objeto social da impugnante, nos termos dos artigos 299 e 300 do RIR/99. Colaciona precedentes que entende favoráveis e cita o Parecer Normativo CST n°32/1981, relativo a caso análogo. Alegou ainda, que lançou na DIPJ/2001 (anocalendário 2000) as despesas em tela como prestação de serviços por pessoa jurídica, e o Auditor Fiscal autuante presumiu que as elas decorriam de prestações de serviço (apesar de exaustivamente esclarecido tratarse de bonificações) e, por isso, considerou que apenas notas fiscais poderiam comprovar essas despesas, ocorrendo que, para se comprovar uma determinada despesa, não existe apenas um tipo de documento hábil, de sorte que à falta das notas fiscais solicitadas pela fiscalização, a impugnante apresentou documentação hábil a comprovar a efetividade e necessidade das bonificações, tais como: (i) circulares à rede de concessionárias, disponibilizando as bonificações dos períodos do ano de 2000, (ii) lista da totalidade dos Avisos de Lançamentos, (iii) cópias de Avisos de Lançamento, (iv) ficha razão evidenciando as despesas, etc. Sustentou a contribuinte que a despeito de autoridade fiscal terse demonstrado satisfeita com a documentação apresentada, glosou as despesas e efetuou o correspondente lançamento, motivo pelo qual a impugnante juntou à sua defesa: (a) lista de suas concessionárias em 2000 (doc. 05); (b) quadro resumo dos avisos de lançamentos do ano de 2000 (doc. 06); (c) o total dos avisos de lançamento (doc. 07); (d) todas as circulares do ano de 2000 enviadas à rede, divulgando os termos e condições das bonificações (doc. 08); (e) cópia de parte do livro diário geral n° 101, do período de dezembro de 2000 (doc. 09); e (f) a ficha razão (conta 94013) comprovando a despesa total de bonificação no valor de R$ 22.641.551,28 (doc. 10). Fl. 6626DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001470/200561 Acórdão n.º 1301001.263 S1C3T1 Fl. 4 5 Defendeu que no preenchimento da DIPJ/2001, anocalendário 2000, cometeu um erro formal que não causou prejuízo ao erário — lançou as despesas decorrentes de bonificações às concessionárias como "prestação de serviços" (ficha 05A, linha 4), ao invés de lançálas como "outras despesas operacionais" (ficha 05A, linha 30), reputando, no entanto que a autoridade fiscal foi extremamente formalista ao considerar tais despesas não como bonificações mas como prestação de serviços, eis que o equívoco cometido pela declarante não desconstitui a natureza de despesa operacional necessária, usual e, portanto, dedutível. Tratandose da razoabilidade das bonificações, sustentou a contribuinte que os valores não representam gastos excessivos ou ilógicos, respeitando o critério da razoabilidade, eis que correspondem a aproximadamente 6% do preço médio de venda do veículo Classe A comercializado pela recorrente. Em relação à apuração dos preços de transferência, sustentou a recorrente que suas em suas operações os veículos por ela adquiridos são montados e disponibilizados no próprio país, portanto, a importação que ocorre é apenas ficta. Salientou que as operações de industrialização e montagem combinam a estrutura do "Contract Manufacturing" e o RECOM — Regime Aduaneiro Especial de Importação, regido pela IN SRF nº 17/2000 (artigo 5º, inciso II), que possibilitam à montadora DaimlerChrysler do Brasil Ltda., (DCBR) importar, sem cobertura cambial (suspensão do IPI), insumos destinados à industrialização por conta e ordem da DaimlerChrysler AG (DCAG), encomendante domiciliada no exterior, mencionando que nessa estrutura não se vislumbra a aplicação de preço de transferência, pois quem arca com os custos de produção é a própria DCAG, que é a verdadeira encomendante dos veículos montados pela DCBR. Afirmou que a DCBR monta os veículo Classe A por conta e ordem da DCAG, de quem cobra o valor dos custos gerais de fabricação e da mãodeobra. Ao final, os veículos destinados ao mercado nacional são remetidos à recorrente, que os importa fictamente da DCAG, com a finalidade de atuar como atacadista adquirente de produtos resultantes da industrialização por encomenda, tal como exigido pela IN SRF n° 17/2000 (vide quadro esquemático de fls. 1195/1196). Defendeu ainda, que nas operações em foco, não se vislumbra a possibilidade de preço de transferência entre a encomendante DCAG e a recorrente, pela própria natureza do RECOM e do "Contract Manufacturing". Como a propriedade das partes e peças, assim, como do veículo é da DCAG, a DCBR é mera industrializadora e a impugnante é a empresa que efetivamente comercializa tais veículos no mercado nacional. Assim, se o mercado estiver propício a vendas em volumes e preços altos, a impugnante deterá a margem, por outro lado, se, por falta de volume, as operações de venda forem deficitárias, o prejuízo é arcado pela DCAG, porque é a encomendante do veículo e, por isso, é quem arca com os custos de produção do veículo, os quais, por sua vez, foram gerados pela DCBR, a industrializadora no Brasil. Diante disso, aduziu que no caso em tela, no curso do anocalendário 2000, o custo do veículo Classe A mostrouse muito superior ao preço efetivamente aceito pelo mercado, mas quem arcou com o prejuízo foi a DCAG, por ser ela a responsável por todo o custo de produção, de sorte que os preçosparâmetro calculados pelo método CPL (doc. 14, fl. 2.265) equivaleram a quase o dobro dos preços praticados unitários (segundo os cálculos do Auditor Fiscal autuante, fl. 946) na importação dos veículos Classe A 190 e Classe A 160, o Fl. 6627DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 que demonstra que quem efetivamente arcou com os custos e, portanto, com os prejuízos, foi a empresa alemã DCAG. Em relação ao método CPL aplicado pela recorrente, aduziu que em se admitindo a aplicação da legislação sobre preços de transferência, a desconsideração do método CPL, pela Fiscalização, não deve prosperar, porquanto teria exercido a contribuinte a faculdade de aplicar o método de preço de transferência que lhe apresentou melhor resultado, nos termos do § 4° do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, sendo escolhido o método CPL pelo fato de a impugnante ter acesso ao custo de produção, composto pelos custos das partes e peças remetidas sem cobertura cambial pela DCAG à DCBR, das partes e peças adquiridas no mercado interno e refaturadas à DCAG e do serviço de industrialização cobrado pela DCBR à DCAG. Alegou que o preço parâmetro calculado pelo método CPL não resultou em ajuste de preço de transferência, eis que o custo incorrido pela DCAG com a industrialização pela DCBR foi significativamente maior que o preço efetivamente praticado na importação ficta do Classe A pela recorrente, sendo que as informações apresentadas à Fiscalização e a aplicação do método CPL estão em consonância com a legislação, pois os veículos Classe A, objeto da fiscalização, não são industrializados na Alemanha, como descrito no Auto de Infração, mas sim no Brasil, por conta e ordem de empresa sediada na Alemanha, a DCAG, de modo que os custos de produção a serem apresentados são os custos de produção da fábrica de Juiz de Fora, além do material importado e nacional, que representam exatamente o custo de produção da DCAG, sendo esta a orientação contida no website da Receita Federal, no item 701 do "Perguntas e Respostas". Alegou ser infundada a alegação da autoridade fiscal de que não comprovou efetivamente os cálculos do custo médio de produção na forma prevista pela IN SRF no 38/97 afirmando que as informações foram apresentadas sem maior detalhamento porque a Fiscalização solicitou somente os valores de mãodeobra e material utilizados e, sobretudo, porque esses itens de fato representam a parcela mais relevante do custo, porém, bastaria a solicitação de mais informações e de maior detalhamento, no entanto, ao contrário do que alegou a autoridade fiscal, a documentação encontrase em total atendimento às requisições legais (artigo 13, § 4°, da IN SRF n° 38/97), tanto que se junta, com a impugnação, um demonstrativo comprobatório (doc. 15, fls. 2.266 2.293). Seguiu arrazoando que, além disso, a documentação apresentada, ainda que insuficiente, bastaria para comprovar que o custo de produção apresentado pela recorrente era muito superior ao preço praticado no mercado, de forma a atender à finalidade das normas de preço de transferência relativas ao método CPL, qual seja a de que o preço praticado não pode ser superior ao custo de produção acrescido de 20%, concluindo assim, não haver falar em desconsideração do método CPL (Custo de Produção mais o Lucro). Quanto ao método PIC, aduziu que ainda que a desconsideração do método CPL persista, deve ser admitida a aplicação do método PIC, pelo qual também é possível demonstrar a inexistência de ajuste de preço de transferência nas operações fiscalizadas, eis que os preços de venda da DCAG a pessoas jurídicas não vinculadas é significativamente maior que os preços praticados entre a DCAG e a recorrente, conforme exemplificado às folhas 1.208 1209. Afirmou existirem erros materiais na aplicação do método PRL20 pela autoridade fiscal, porquanto o fato de a impugnante ter importado e revendido os veículos sem qualquer modificação ou transformação não justifica a aplicação do método PRL20, tal como Fl. 6628DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001470/200561 Acórdão n.º 1301001.263 S1C3T1 Fl. 5 7 entendeu a autoridade fiscal, pois também para a aplicação dos métodos CPL ou PIC não é necessário que tenha havido modificação/transformação no Brasil do bem importado. Insistiu que o agente fiscal não apresentou o descritivo dos cálculos que teriam resultado no valor de ajuste, o que afronta o direito de ampla defesa e que para calcular o custo de aquisição, o agente fiscal deve ter utilizado o valor disponibilizado no SISCOMEX, que corresponde ao CIF+II, mas que é inferior ao custo contábil efetivo, ressaltando que de acordo com a orientação contida no MAJUR DIPJ 2001 para o preenchimento da ficha 31, o valor das importações deve corresponder ao custo contábil ou de aquisição, que compreende "os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação" e "os gastos com desembaraço aduaneiro" (artigo 289 do RIR/99), sendo que para o cálculo do ajuste do preço de transferência através do método PRL20 devese considerar o custo contábil efetivamente ocorrido. Mencionou ainda, que o valor relativo ao ICMS decorrente de substituição tributária deveria ter sido excluído do cálculo da margem de lucro no PRL20, e também do cálculo do preço praticado, porque não configura ônus a ser suportado pela contribuinte, porém, aparentemente, o agente fiscal retira do valor de venda bruto o ICMS decorrente de substituição tributária, mas não o retira da margem de lucro de 20%, o que denota absoluta falta de critério e contraria a orientação dada na seção "Perguntas e Respostas" disponível no website da própria Receita Federal, questão n° 708. Ainda quanto ao custo de aquisição calculado pela fiscalização, reputou que a apuração afigurase incorreta, pois o agente fiscal considerou a totalidade dos veículos adquiridos pela impugnante, independentemente do fato de estes terem sido comercializados ou não e a IN SRF no 38/97, no inciso I do artigo 5°, determina que eventual ajuste de excesso de custo deverá ser efetuado nos resultados da empresa, alcançando, evidentemente, apenas os itens comercializados no exercício. Assim, postulou que caso se entendesse pela adequação do método PRL20, devem ser considerados os cálculos e valores apurados, afastandose os valores apresentados no Auto de Infração, porque eivados de erro material. Considerando as alegações e documentos trazidos pela contribuinte em sua defesa, o julgamento foi convertido em diligência e os autos do presente processo foram encaminhados à DEAIN/SÃO PAULO para a realização de diligência, conforme despacho de fls. 2424 a 2427, a seguir reproduzido (em parte): (...) Tratase de Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fl. 924/925) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 928/929) relativos ao exercício de 2001, anocalendário 2000 (fls. 03/04), decorrentes de ajustes determinados pela legislação de pregos de transferência, e de glosa de dispêndios indedutiveis. (...) 6. Com base nas considerações reproduzidas nos itens 4 e 5 acima, a autoridade fiscal concluiu ser insuficiente a documentação apresentada pela contribuinte referente a Fl. 6629DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 cálculos pelo método CPL, consignando que a contribuinte limitouse a apresentar os valores em reais, de forma resumida, por código de item e de chassi, do custo do material direto e custo do serviço prestado (fls. 938/939). 7. Não obstante, é forçoso constatar que o detalhamento de informações esperado pela autoridade fiscal veio ser efetivamente esclarecido à contribuinte somente com a lavratura do Auto de Infração. (...) 9. Justamente em face do tardio esclarecimento é que a impugnante se opõe. Dentre outras alegações, a impugnante esclarece que as informações foram apresentadas sem maior detalhamento porque no curso das investigações lhe foram solicitados somente os valores de mãodeobra e material utilizados e, sobretudo, porque esses itens de fato representariam parcela mais relevante do custo. Sustenta que os valores discriminados por itens que compõem o custo médio poderiam ser confirmados no curso da fiscalização, eis que "os documentos de aquisição das peças e partes adquiridas de terceiros, o custo de fabricação de peças pela unidade da DCBR de São Bernardo e das partes e peças produzidas/adquiridas' pela DCAG, bem como a da mãodeobra (direta e indireta), demais gastos com pessoal e dos gastos gerais de fabricação encontrase a disposição da Autoridade Fiscalizadora, na sede da IMPUGNANTE, para análise e confirmação e, somente não foram incluídos na presente impugnação dado ao volume excessivo de documentos" (sic, fl. 1206). (...) 13. Outro aspecto a ser esclarecido sobre o lançamento diz respeito ao cálculo do ajuste realizado pela fiscalização. A autoridade fiscal apurou ajuste de R$ 15.551.300,66, resultado da diferença entre o preço de transferência pelo método PRL20 no montante de R$ 164.209.191,97 e o "custo praticado" pelo contribuinte no total R$ 179.760.492,63, cujos valores foram apurados com base na documentação fiscal de entrada e saída de bens. Ocorre que na apuração do IR a pagar da DIPJ 2001, a contribuinte deduziu de sua receita de venda o valor de R$ 174.653.748,79 a titulo de custo de mercadorias, de modo que o ajuste apurado pela fiscalização alcança parcela de custo não deduzida pela contribuinte. 14. Por fim, destaquese que o valor do adicional da CSLL relativo a 1999, no montante de R$ 155.510,40 (fl. 930), teria sido apurado na planilha "Demonstrativo de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro", que não se encontra juntada aos autos. Fl. 6630DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001470/200561 Acórdão n.º 1301001.263 S1C3T1 Fl. 6 9 15. Diante do exposto, proponho o encaminhamento do presente processo à DEAIN/SÃO PAULO (Divisão de Fiscalização — Preços de Transferência), para que o Auditor Fiscal autuante: 15.1. verifique, junto ao contribuinte, se os demonstrativos de fls. 2.268/2.294 estão suportados em documentação hábil a validar os itens e valores discriminados, conforme citado pela impugnante a fl. 1206 (item 9); 15.2. esclareça a incongruência relatada no item 13 ou identifique as correções cabíveis no resultado tributável da declaração ou no lançamento efetuado; 15.3. junte aos autos o "Demonstrativo de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro" utilizado na autuação, com a apuração do valor do adicional da CSLL, corrigindo, se for o caso, eventuais equívocos. (...) Considerando a solicitação da Delegacia de Julgamento, o Auditor Fiscal autuante elaborou o Relatório Conclusivo de folhas 3.152 a 3.156 (frente e verso), elaborando alguns esclarecimentos sobre a fiscalização realizada (fls. 3152 e 3153), asseverando que na aplicação do método CPL, a contribuinte não comprovou efetivamente o custo de produção do veículo Classe A, mediante demonstrativos, memórias de cálculo e demais documentos de suporte, conforme previsto no artigo 39 da IN SRF n° 38/97 e que o custo de produção deveria ter sido demonstrado e comprovado mediante o detalhamento do custo de produção de partes e peças fabricadas pela matriz na Alemanha, das partes e peças fabricadas e adquiridas da unidade de São Bernardo do Campo — SP, do custo dos materiais diretos adquiridos de terceiros e do custo dos serviços prestados pela montagem dos veículos no Brasil. Esclareceu ainda, que a descaracterização do método CPL foi tomada em função da insuficiência de informações prestadas pela contribuinte, reafirmando o entendimento de que caso fosse possível prorrogar os prazos de Fiscalização, a empresa teria (talvez) tempo hábil para montar o custo pelo método CPL e que a elaboração do custo pelo método CPL demanda tempo, definições e validação de dados de demonstrativos, sendo que, no caso em tela, houve a produção de materiais diretos na sede da matriz na Alemanha, produção na fábrica de São Bernardo do Campo — SP e aquisições de materiais de terceiros (Argentina e mercado interno). Assegurou que um dos principais problemas enfrentados pelas empresas que adotam o método CPL é a falta de planejamento e organização dos papéis de trabalho, na comprovação do preço de transferência e que o procedimento correto seria, quando da opção e declaração na DIPJ do método adotado (no caso, o CPL), a empresa tenha em mãos um dossiê com os demonstrativos, memória de cálculo e demais documentos de suporte, que deverá ficar guardado na empresa para disponibilização ao Fisco. E não ao contrário, após iniciada a fiscalização, ir atrás de demonstrativos e documentos no exterior e no Brasil para a devida comprovação. Quanto às indagações feitas pela DRJ, esclareceu a autoridade lançadora que a verificação se os demonstrativos de folhas 2.268 – 2.294 estão suportados em documentação Fl. 6631DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 hábil a validar os itens e valores discriminados, conforme citado pela impugnante à folhas 1.206 (item 9) foi realizada, por amostragem, dos documentos relacionados na impugnação, tendo a Fiscalização concluído pela procedência dos documentos, validando, dessa forma, os itens e valores ali discriminados, com as seguintes ressalvas: 1. Contabilização do custo de aquisição de materiais diretos: os valores validados pela fiscalização foram aqueles considerados como "custo da efetiva aquisição", constante das notas fiscais, sem qualquer acréscimo de margem de lucro de 15%, como fez a contribuinte (nas aquisições de materiais diretos adquiridos de terceiros — Argentina e mercado nacional — e da fabrica em São Bernardo do Campo — SP, a contribuinte acrescentou, no custo de aquisição desses materiais, uma margem de lucro adicional de 15%, tendo como justificativa a refatura para a empresa matriz, na Alemanha, que por sua conta e ordem foi efetivada a aquisição). Os valores dos custos dos materiais diretos a serem considerados no custo de produção dos veículos Classe A são os custos da efetiva aquisição, constantes das notas fiscais, líquido dos tributos recuperáveis, sem qualquer acréscimo de margem de lucro. 2. Notas fiscais de transferência de materiais da fábrica de São Bernardo do Campo — SP para a fábrica de Juiz de Fora – MG: Em relação à documentação dos materiais diretos adquiridos da fábrica de São Bernardo do Campo — SP, a fiscalização faz ressalvas quanto aos valores escriturados nas notas fiscais de transferência para a fábrica de Juiz de Fora — MG. Por amostragem, a fiscalização constatou que nas notas fiscais de saída (transferência da fábrica de São Bernardo do Campo — SP para a fábrica de Juiz de Fora — MG) sob os números 060080, 058558, 067055, 059182, 067152, 060927, 058140, 061450, 056687, 057524, 057000, 065825, 055655, 000082 (Anexo A), especificamente na coluna de valor total, os valores de alguns itens estão divididos por 100. Ou seja, o produto da quantidade pelo preço unitário é diferente do valor total. Ainda, foram constatadas 'várias notas fiscais de entrada na fábrica de Juiz de Fora — MG onde não consta, na coluna do valor unitário, o valor do custo unitário de aquisição. Todas as constatações foram realizadas por amostragem. Quanto aos esclarecimentos da incongruência relatada no item 13 ou identificação das correções cabíveis no resultado tributável da declaração ou no lançamento efetuado, esclareceu o autuante que haveria confusão nos conceitos de preço praticado e de Custo da Mercadoria Vendida (CMV), sendo que o cálculo do preço praticado, quando utilizado o método PRL20 como parâmetro de comparação, resultará da divisão do valor total de importação (CIF + II, em reais) pela quantidade importada, ponderado com os saldos iniciais de estoque e, por outro lado, o CMV não se confunde com o preço praticado na importação, pois incorpora tão somente os custos internacionais incorridos do local de embarque no exterior até o local de desembaraço no pais de destino, sem a inclusão do custo incorrido internamente no pais, como despesas de capatazias, armazenagem, fretes, seguros, demais taxas e outras despesas. Sustentou ainda que o preço praticado na importação, mais o custo interno incorrido até a fábrica, corresponde a uma das variáveis da ficha de controle e movimentação de estoques, que será considerada no cálculo do Custo da Mercadoria Vendida e, ademais, no cálculo do CMV os custos irão depender da metodologia adotada pela contribuinte e permitida Fl. 6632DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001470/200561 Acórdão n.º 1301001.263 S1C3T1 Fl. 7 11 pela legislação do imposto de renda, mas, de qualquer forma, independentemente das diferenças de metodologia que possa existir, fato é que a contribuinte declarou em sua DIPJ, como CMV, o valor de R$ 174.653.748,79 e que revisando os cálculos dos preços de transferência, a fiscalização constatou, conforme demonstrativo de fl. 3.156, que o valor máximo de dedução permitida seria R$ 164.209.452,29 e como a contribuinte escriturou e declarou em sua DIPJ/2001 (anocalendário 2000), a título de CMV, o valor de R$ 174.653.748,79, concluise que o valor do excesso de custo na importação foi de R$ 10.444.296,50 (em vez de R$ 15.551.040,34). O Auditor Fiscal autuante anexou (fl. 3157, o "Demonstrativo de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro", com a apuração do valor do adicional da CSLL, utilizado na autuação. Intimada a se manifestar acerca do resultado da diligência, a contribuinte o faz às fls. 3197 a 3208, alegando, em síntese que apresentou todas as informações solicitadas, tendo o Auditor Fiscal, após o decurso de quase 1 ano de fiscalização, manifestado estar satisfeito com a documentação apresentada e com as explicações prestadas, não tendo a contribuinte deixado de apresentar qualquer informação por ele solicitada, aduzindo novamente que o Auditor Fiscal em momento algum solicitou informações relativas ao custo de produção das partes e peças produzidas na Alemanha pela empresa DCAG, tampouco das partes e peças produzidas por terceiros no exterior. Concluiu estar claro, da leitura do Relatório em foco, que faltou ao Auditor Fiscal tempo hábil para solicitar e analisar a documentação alegada por ele necessária, considerando que a comprovação do método CPL demandaria muito tempo, ressaltando que não deixou de esclarecer toda e qualquer relação/negócio jurídico que mantivesse com sua matriz, não merecendo guarida a alegação do Auditor Fiscal (item 18 das preliminares do Relatório) de que não restara claro o contrato de serviço ("Contract Manufacturing") celebrado entre a contribuinte e sua matriz. Ademais, o "Contract Manufacturing" nada mais é do que um reflexo da admissão ao RECOM, regime aduaneiro criado pela própria Receita Federal do Brasil. Em relação às respostas apresentadas pela Fiscalização às indagações da DRJ manifestouse a contribuinte no sentido de que não teve livre acesso às questões levantadas pela DRJSP, o que dificulta bastante a resposta e manifestação ora apresentada. Além disso, como o Auditor Fiscal teve meses para respondêlas, deveria a contribuinte ter o mesmo prazo para preparar sua manifestação. Aduziu que com relação à contabilização do custo de aquisição de materiais diretos, a contribuinte, de fato, incluiu no custo de aquisição de materiais diretos do veiculo Classe A uma margem de 15%. Isso decorre da aplicação do método CAP (Custo de Aquisição + margem 15%) na exportação de partes e peças para a DCAG, proprietária do veiculo. Como a DCBR exportava tanto as partes e pegas adquiridas no mercado interno, como as por ela produzidas, para pessoa vinculada, adicionava ao seu custo de aquisição/produção uma margem de 15%, conforme estabelecido pela Lei n° 9.430/96 e IN SRF no 38/97. Para fins de apuração de preço de transferência com base no método CPL, o custo de partes e peças do Classe A é composto pelo custo de aquisição no Brasil, ou seu custo de produção mais 15%, já que a DCAG os adquiria da DCBR por esse preço. Fl. 6633DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 Com relação às notas fiscais de transferência de materiais da fábrica de São Bernardo do Campo — SP para a fábrica de Juiz de Fora — MG, ressaltou que mesmo que existisse qualquer irregularidade, esta deveria ter sido constatada durante a fiscalização, e não a posteriori. Além disso, deveria guardar um mínimo de nexo com o objetivo da fiscalização, que era a apuração de preços de transferência. Quanto ao mérito, observou que de fato as referidas notas fiscais apresentam valores divididos por 100 na coluna Valor unitário. Isso decorre de uma norma fiscal que estabelece que o contribuinte pode escriturar os bens transferidos em UV (Unidade de Valor Unitário), em 1, em 100 ou em 1000, desde que informado no devido campo (lado direito, parte inferior da nota) o critério adotado. Quanto aos "esclarecimentos da incongruência relatada no item 13 ou identificação das correções cabíveis no resultado tributável da declaração ou no lançamento efetuado", a explicação dada pelo Auditor Fiscal seria intempestiva, pois, mesmo que a contribuinte tivesse optado pelo método PRL20, os esclarecimentos que deram base autuação deveriam ter sido feitos no momento da aplicação da mesma, e não no presente momento. Salientou ainda, que o método escolhido pela contribuinte foi o CPL, portanto, qualquer esclarecimento sobre outro método, como o PRL, afigurase incabível e totalmente arbitrário por parte da autoridade fiscal e, finalmente, nas operações em foco, não se vislumbra a possibilidade de preço de transferência entre a encomendante DCAG e a impugnante, pela própria natureza do RECOM e do "Contract Manufacturing". Como a propriedade das partes e peças, assim, como do veículo é da DCAG, a DCBR é mera industrializadora e a recorrente a empresa que efetivamente comercializa tais veículos no mercado nacional, de sorte que se o mercado estiver propício a vendas em volumes e preços altos, a impugnante deteria a margem. Por outro lado, se, por falta de volume, as operações de venda forem deficitárias, o prejuízo é arcado pela DCAG, porque é a encomendante e proprietária do veículo e, por isso, é quem arca com os custos de produção do veículo, os quais, por sua vez, foram gerados pela DCBR, a industrializadora no Brasil. No mais, reitera a impugnante todos os fatos e argumentos elencados na impugnação. A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 3.213 a 3.238, julgou o lançamento parcialmente procedente, assinalando que a contribuinte foi autuada (IRPJ e CSLL) por: i) falta de adição de ajustes de preços de transferência relacionados à importação de mercadorias (a contribuinte adotou o método CPL (Custo de Produção mais o Lucro), que, por falta de comprovação foi rejeitado pela fiscalização que, então, adotou o método PRL20); e ii) glosa de despesas operacionais (lançadas na DIPJ/2001 a título de "prestação de serviços por pessoa jurídica"). Feito este cotejo, passou à análise do caso em tela, destacando que, pela intima relação de causa e efeito entre a autuação do IRPJ e da CSLL, e por dependerem dos mesmos elementos de prova, a presente decisão se estende a ambos os tributos. Rejeitouse a preliminar de nulidade, ausentes as hipóteses do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Quanto à glosa relacionada ao ajuste dos preços de transferência, entendeu a decisão recorrida que a contribuinte alega que legislação sobre preços de transferência não se aplica às operações por ela realizadas, pois a importação dos veículos comercializados é ficta, uma vez que são montados e disponibilizados no próprio país, contudo, tal fato não Fl. 6634DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001470/200561 Acórdão n.º 1301001.263 S1C3T1 Fl. 8 13 descaracterizaria a sujeição à legislação dos preços de transferência, que visa ajustar as apropriações de custos de importação suportados por contribuintes do Imposto de Renda em pagamento a empresas estrangeiras ligadas e mesmo tendo havido uma importação ficta, para efeitos tributários ela é considerada efetiva, indeferindo, portanto, a pretensão de afastar a aplicação de qualquer um dos métodos de apuração de preçoparâmetro, vez que as operações realizadas estão sujeitas às regras do preço de transferência. Em relação à desconsideração do método CPL, registrou a decisão recorrida, inicialmente, ser irrelevante a alegação da impugnante de que quem arca com os custos de produção é a própria DCAG, que é a verdadeira encomendante dos veículos montados pela DCBR, pois esse aspecto não está sendo questionado, na medida em que a recusa do método CPL não se fundou na impossibilidade de o custo efetivamente suportado pela exportadora ser superior ao preço dos bens do mercado interno, mas na falta de comprovação do referido custo. Afirmouse ainda, que em sua impugnação a contribuinte alega que durante a ação fiscal as informações foram apresentadas sem maior detalhamento porque a fiscalização solicitou somente os valores de mãodeobra e material utilizados e junta aos autos um demonstrativo comprobatório (doc. 15, fls. 2.266/2.293), relembrando então, que os autos do presente processo foram então encaminhados à DEAIN/SÃO PAULO, para que o Auditor Fiscal verificasse se o referido demonstrativo estava suportado em documentação hábil a validar os itens e valores ali discriminados, sendo que após efetuar a verificação, por amostragem, a fiscalização validou os itens e valores ali discriminados, mas fez ressalvas de suma importância. Seguindo sua fundamentação, assentou a decisão recorrida que com relação à contabilização do custo de aquisição de materiais diretos (primeira ressalva), observa a fiscalização que a contribuinte acrescentou, nas aquisições de materiais diretos adquiridos de terceiros — Argentina e mercado nacional — e da fábrica em São Bernardo do Campo — SP, uma margem de lucro adicional de 15%, sendo que em sua defesa, a impugnante alega esse procedimento decorre da aplicação do método CAP (Custo de Aquisição + margem 15%) na exportação de partes e peças para a DCAG, proprietária do veículo e que o custo de partes e peças do Classe A é composto pelo custo de aquisição no Brasil, ou seu custo de produção mais 15%, já que a DCAG os adquiria da DCBR por esse preço. Concluiuse não proceder tal alegação, pois, como bem observa o Auditor Fiscal, os valores dos custos dos materiais diretos a serem considerados no custo de produção dos veículos Classe A são os custos da efetiva aquisição, constantes das notas fiscais, líquido dos tributos recuperáveis, sem qualquer acréscimo de margem de lucro. Consignouse que a segunda ressalva referese à documentação dos materiais diretos adquiridos pela DCBR da fabrica de São Bernardo do Campo — SP, no sentido de que as notas fiscais de saída sob os números 060080, 058558, 067055, 059182, 067152, 060927, 058140, 061450, 056687, 057524, 057000, 065825, 055655, 000082 (Anexo A, fls. 3160 a 3177), especificamente na coluna de valor total, os valores de alguns itens estão divididos por 100 (o produto da quantidade pelo preço unitário é diferente do valor total), constatandose, ainda, que em várias notas fiscais não consta, na coluna do valor unitário, o valor do custo unitário de aquisição (fls. 3179 a 3193), sendo que em sua defesa, a impugnante esclarece que isso decorre de uma norma fiscal que estabelece que o contribuinte pode escriturar os bens transferidos em UV (Unidade de Valor Unitário), em 1, em 100 ou em 1000, desde que Fl. 6635DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 informado no devido campo (lado direito, parte inferior da nota) o critério adotado. De fato, essa informação resta comprovada pela análise das notas fiscais supracitadas. Sendo assim, considerouse que quanto ao fato de que em várias notas fiscais não consta, na coluna do valor unitário, o valor do custo unitário de aquisição, a recorrente não teria se manifestado e, além das constatações relatadas pelo Auditor Fiscal, que invalidam em parte os cálculos do preçoparâmetro, sintetizados à fl. 2266, há que se observar que os custos relacionados no demonstrativo de fls. 2267 a 2293 não estão discriminados por modelo, mas englobando tanto os veículos Classe A160, quanto os Classe A190. Como os preços parâmetro (assim como os preços praticados e os ajustes) devem ser calculados produto a produto, os cálculos apresentados à fl. 2266 não se encontram respaldados no citado demonstrativo. Esclareceuse, por fim, que não mereceria acolhida a alegação de que a documentação apresentada pela recorrente seria suficiente para comprovar que o custo de produção apresentado é muito superior ao preço praticado no mercado, porquanto se a documentação é inábil para discriminar os valores dos componentes do custo real de cada produto, é igualmente inábil para demonstrar o valor total deles resultante. Assim, não logrando a contribuinte êxito em comprovar materialmente os cálculos de ajustes segundo o método CPL, de acordo com a decisão recorrida, seria correta a sua desqualificação pela fiscalização. No tocante à aplicação do método PIC, assentou a decisão recorrida que alega a recorrente que deve ser admitida a aplicação do método PIC, assinalandose, todavia, que diante da desqualificação dos cálculos efetuados pela contribuinte (método CPL), pode a fiscalização escolher outro método e apurar os ajustes correspondentes (no caso, a opção foi pelo método PRL, com margem de lucro de 20%), possuindo o Auditor Fiscal autuante o direito e o dever de apurar os preços de transferência, aplicando um dos métodos previsto na legislação de regência, nos termos do artigo 39, § único, da IN SRF n° 38/97. Destacouse que a citada norma não impõe à fiscalização a apuração dos preços de transferência por mais de um método (e a escolha do mais favorável ao contribuinte), sendo essa uma prerrogativa do contribuinte (artigo 4°, §2°, da IN SRF n° 38/97), mas não uma imposição à fiscalização, de sorte que tendo optado por um método válido, são irrelevantes os cálculos apresentados pela contribuinte após a autuação (mesmo porque a impugnante não apresentou qualquer demonstração ou cálculo válido de apuração do preçoparâmetro apurado segundo o método PIC, com base em valores obtidos em transações de terceiros efetivamente realizadas, sendo insuficientes as cópias de encartes comerciais juntadas às fls. 2295/2296 e a tabela de fl. 2297). Com relação ao método PRL, utilizado pela fiscalização, registrou a decisão recorrida que a contribuinte alega que não foram demonstradas a metodologia e a base de cálculo utilizados na obtenção do valor de ajuste e a ocorrência de erros materiais, contudo, em relação à primeira alegação, observou que as tabelas de cálculo utilizadas pela autoridade fiscal para alcançar o ajuste tributável integram o lançamento (fls. 946/1171), a despeito de a impugnante alegar ausência de descritivo de cálculos e, ademais, a impugnante rebate cada critério de cálculo utilizado pela fiscalização no cálculo do custo praticado e do preço parâmetro pelo método PRL20, demonstrando ter compreendido a metodologia e as bases consideradas pela autoridade autuante. Constatouse ainda, que integraram o Auto de Infração cálculos pormenorizados, tanto de aferição dos valores de custo praticado dos veículos modelo Classe Fl. 6636DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001470/200561 Acórdão n.º 1301001.263 S1C3T1 Fl. 9 15 A160 e Classe A190 adquiridos em 2000, quanto de aferição do preçoparâmetro com base nas notas fiscais de saída apresentadas pela contribuinte no curso da fiscalização, sendo que às fls. 947/950, a autoridade fiscal somou e apurou a média de aquisição para o modelo Classe A 190, detalhando cada DI (declaração de importação) considerada por n°, data de registro e de desembaraço, quantidade e modelo, CNPJ e nome do importador, país de origem e de destino, nomes do importador e do fornecedor, código Incoterm, taxa de câmbio, valores FOB e CIF e que o mesmo foi feito em relação às importações do veículo modelo Classe A160 ás fls. 951/952. Concluiuse ainda, que a metodologia de cálculo dos preçosparâmetro também encontrase detalhada nas planilhas de fls. 953/1018 (modelo Classe A190) e fls. 1019/1171 (modelo Classe A 160), sendo identificada cada uma das notas fiscais de saída da contribuinte por número, CNPJ do emitente e do adquirente, data de saída, valor, quantidade, descontos incondicionais, ICMS, PIS e COFINS, o cálculo da margem de lucro de vinte por cento e o resultado liquido correspondente ao preço parâmetro, a revelar que não se vislumbra o vício apontado pela recorrente no tocante aos cálculos e à metodologia utilizada pela autoridade fiscal. Quanto aos alegados "erros materiais", registrou a decisão recorrida que em relação à escolha do método de apuração de preço de transferência pela fiscalização, cumpre reiterar que diante da desqualificação dos cálculos efetuados pela contribuinte (método CPL), pode a fiscalização escolher outro método e apurar os ajustes correspondentes (no caso, o método PRL20), não se obrigando à escolha do mais favorável ao contribuinte. No tocante ao ICMS de substituição tributária, registrou a decisão recorrida que a impugnante sequer discrimina os valores correspondentes ao referido tributo, o que, por si só, levou à rejeição da alegação. Ademais, considerouse equivocado entender que esses valores devam ser excluídos dos cálculos e que a resposta dada no site da Receita Federal (pergunta/resposta 708), reproduzida pela recorrente (fl. 1211), trata de tributo diverso (IPI), sendo o entendimento da impugnante fruto de interpretação equivocada. Quanto ao custo médio de aquisição — preço. praticado – reputouse correta a fiscalização em considerar a totalidade dos veículos importados pela contribuinte, além do estoque inicial do período. Esse valor de preço praticado, se superior ao preçoparâmetro, resultará em um ajuste unitário, que, multiplicado pela quantidade efetivamente vendida, resultará no ajuste total relativo ao cada um dos tipos de produto. Ou seja, no cálculo do preço praticado consideramse todas as importações, no entanto, na apuração do ajuste total, apenas o que for efetivamente comercializado. Por fim, observouse que a fiscalização, conforme demonstrativo de fl. 946, apurou ajuste total de R$ 15.551.040,34, considerando os ajustes unitários multiplicados pelas quantidades vendidas, sem, no entanto, verificar qual o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) lançado pela contribuinte em sua DIPJ/2001 (anocalendário 2000) e que a tabela elaborada (valores em reais) a partir do supracitado demonstrativo de fl. 946, permitiria visualizar qual teria sido o CMV considerado pela fiscalização (R$ 179.760.492,63, obtido pela multiplicação dos preços praticados pelas quantidades vendidas) e o custo máximo permitido (R$ 164.209.452,29, obtido pela multiplicação dos preçosparâmetro pelas quantidades vendidas), depreendendose que a contribuinte lançou em sua DIPJ/2001, a título de CMV (linha 18 da Ficha 06A, fl. 20), apenas o valor de R$ 174.653.748,79 (e não o montante de R$ Fl. 6637DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 179.760.492,63, indiretamente considerado pela fiscalização), havendo que se refazer o cálculo do ajuste total. Quanto à glosa de despesas levada a efeito, entendeu a decisão recorrida que o MPF autorizava a ação fiscal, rejeitando assim, a preliminar da recorrente. Em relação ao mérito desta autuação, registrouse que o que dispõe a legislação de regência acerca dos permissivos autorizadores da dedutibilidade, assentando que para conformarse ao conceito técnico de despesa, no especial sentido que lhe da a legislação do Imposto de Renda, deverá o dispêndio, simultânea e inequivocamente, ser lícito, necessário, usual ou normal, efetivo e documentado. Deve ainda, a teor do artigo 187 da Lei n° 6.404/76, §1°, letra b, ter relação direta com as receitas e rendimentos da empresa, sendo que a ausência ou falha em qualquer dos requisitos retro elencados impossibilita o incurso do ato ou fato econômico à categoria de despesa, permanecendo mero dispêndio, aquém da possibilidade de dedução no sistema jurídicotributário de determinação do lucro tributável. Destacouse que o ato ou fato deve estar acompanhado de documentação hábil e idônea, sempre que possível de emissão de terceiros, de forma que permita a identificação precisa da natureza, competência contábil e demais circunstâncias materiais do serviço contraprestado, e que, portanto, faculte o escrutínio de seus demais requisitos: licitude, necessidade, materialidade, etc. Sendo assim, e considerando que as despesas têm o condão de reduzir o lucro líquido e, consequentemente, o crédito tributário, referiuse que seria ônus da contribuinte comproválas. Com este cenário aludido, relembrou a decisão recorrida que a impugnante sustenta que a autoridade fiscal considerou tais despesas não como bonificações, mas como prestação de serviços, em virtude de mero erro de preenchimento da DIPJ/2001 (ano calendário 2000), o qual não causou prejuízo ao erário, porquanto teria lançado as despesas decorrentes de bonificações às concessionárias como "prestação de serviços" (linha 05A/4), ao invés de lançálas como "outras despesas" (linha 05A/30). Concluiuse, contudo, que tal alegação, mostravase irrelevante, na medida em que a glosa efetuada pela fiscalização não se deveu ao equívoco cometido pelo contribuinte no preenchimento de sua declaração, mas sim à falta de comprovação da contratação, da assunção e dos pagamentos dos serviços relativos às bonificações, bem como da correspondência das despesas escrituradas com as bonificações. Ou seja, a fiscalização considerou que o contribuinte não logrou comprovar mediante documentação hábil que tais bonificações seriam dedutíveis do lucro tributável. Registouse ainda, que em 08/04/2005, com relação à despesa lançada como "prestação de serviços por pessoa jurídica" na DIPJ/2001, no valor de R$ 22.931.674,50, a autoridade fiscal intimou a contribuinte a apresentar planilha com todos os dados constantes das notas fiscais relativas aos aduzidos serviços e cópias das notas fiscais dos valores mais representativos (fl. 79, item 7), ocorrendo que não constam das notas fiscais de venda dos veículos às concessionárias os valores das referidas bonificações, ou seja, não há vinculação formal desse dispêndio com o valor das mercadorias vendidas. Citouse que em atenção aos esclarecimentos e documentação solicitados pela fiscalização em relação às bonificações concedidas, a impugnante alegou que "Os valores decorrentes de tais promoções, repassados pela DaimlerChrysler aos concessionários, são transferidos por meio de depósito em conta corrente. Ocorre que mais de 90% dos R$ Fl. 6638DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001470/200561 Acórdão n.º 1301001.263 S1C3T1 Fl. 10 17 22.931.674,50 são correspondentes as mencionadas bonificações de concessionários, portanto, tais valores não geram nota fiscal, somente avisos de lançamento. No caso são milhares, já que cada venda, muitas vezes gera um aviso de lançamento, uma bonificação" (fl. 81). E que esclareceu que "As bonificações, embora façam parte da política de comercialização da empresa, não têm qualquer vinculação com o prego do veiculo. As bonificações não são previstas nos contratos de concessão, mas sim por meio de comunicação/circular à Rede de Concessionários, na qual a Starauto explica o mecanismo l de atribuição e pagamento da bonificação em questão" (fl. 405). Aduziuse ainda que a fim de comprovar as operações de bonificações sobre vendas, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 604/804 e que tais documentos são cópias simples de circulares enviadas às concessionárias dos veículos Classe A informando os percentuais calculados sobre o valor da NFF (Nota Fiscal Fatura) ao concessionário que seriam pagos a título de bonificação sobre vendas (fls. 604/608) e de lançamentos na contabilidade das aduzidas bonificações (fls. 609/804), sendo que novamente, em 20/05/2005 (fl. 80i)3, a autoridade fiscal teria intimado a contribuinte a apresentar "3.a) cópias dos contratos de prestação de serviços; b) cópias das notas fiscais de prestação de serviços; c) cópias de documentos (cheques) que comprovem o efetivo pagamento da prestação de serviços, coincidentes em data e valor; d) demonstrativo dos valores de prestação de serviços por código do produto, n° do chassis, CNPJ/CPF dos Dealers, data, n° da Nota Fiscal, n° da Fatura Comercial e data do efetivo pagamento da prestação de serviços; e) Esclarecimentos sobre a rubrica denominada de "bonificação de vendas" lançadas como prestação de serviços", sendo que em resposta à intimação de 20/05/2005, a contribuinte reafirma o entendimento de que os avisos de lançamento contábil das bonificações efetuadas são suficientes a comprovar as operações correspondentes, tendo em vista a inexistência de notas fiscais e faturas comerciais, e aduz já ter entregue os contratos solicitados, mas faz referência às circulares que haviam sido entregues às concessionárias, juntando, às fls. 899/920, cópias dos mencionados avisos de lançamento. Relatouse que com a impugnação, a contribuinte também não apresentou comprovantes de efetivo pagamento das bonificações e os contratos que lhe teriam dado suporte, limitandose a reiterar a juntada da DIPJ e das circulares às concessionárias e juntar mais lançamentos contábeis (razão e diário — fls. 2246 e 2261) sobre as mesmas alegadas operações e que o critério da razoabilidade invocado pela impugnante não tem relevância no caso, eis que a glosa não se deveu a esse aspecto. Por fim, reputouse que face à documentação apresentada, concluíase que a impugnante não comprova a efetividade dos pagamentos lançados, estando ausente a documentação que pudesse lastrear os lançamentos apresentados e assim também demonstrar a necessidade do dispêndio. Logo, é irreparável a glosa de dispêndio efetuado pela autoridade fiscal, julgandose o lançamento parcialmente procedente. A parcela exonerada do crédito tributário foi submetida a Recurso de Ofício, a contribuinte foi devidamente notificada da decisão, com a juntada do AR à folha 3.244. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 3.245 em diante), reproduzindo os fatos já relatados, insistindo na nulidade dos autos de infração, porquanto o MPF não autorizaria a autuação relativa à glosa de despesas, bem como o auto de infração, em seu conteúdo material não permitiria identificar a base de cálculo e a metodologia na obtenção do ajuste dos preços de transferência pelo método PRL20. Fl. 6639DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 18 Teceu comentários acerca da diligência realizada, que teria servido apenas para a Fiscalização consertar seus erros. Quanto ao ajuste dos preços de transferência, defendeu a contribuinte que o acórdão ora recorrido por simples falta de valor unitário em documento fiscal descaracteriza todo um processo de comprovação, constituído de documentos fiscais e contábeis, livros, planilhas, memórias e métodos, mas curiosamente, válida os cálculos confusos da fiscalização que resultou em erro de mais de 5 (cinco) milhões de reais à época da atuação. Ressaltou que desde a abertura da fiscalização tenta provar a regularidade de seus procedimentos. Enfrentou primeiro a falta de critério por parte do Agente, depois, a corrida contra o tempo daquele Agente em concluir, dentro do prazo decadencial, o seu procedimento de fiscalização, culminando em sérios prejuízos a recorrente e quando finalmente, já em sede de impugnação, conseguiu juntar toda a documentação que não havia sido requerida (fls. 2266/2293), embora se dissesse o contrário, se viu diante de uma diligência "corretiva" de fiscalização, novamente o Autuante "encontrou" motivos para macular as provas da recorrente, pois, apesar de ter validado os itens e valores discriminados nos documentos de fls. 2266/2293, fez ressalvas de menor importância como falta de valor unitário em notas fiscais de aquisição. Insistiu que outra ressalva da fiscalização foi que á contribuinte acrescentou, nas aquisições de materiais diretos adquiridos de terceiros e da fábrica de São Bernardo do Campo, margem de lucro adicional de 15%, em decorrência da aplicação, pela MercedesBenz do Brasil do método CAP (Custo de aquisição acrescido de margem de 15%), e que não se pode negar que a empresa exportadora, no caso a atual MercedesBenz do Brasil Ltda, que exportava tanto o veículo Classe A, modelo 160, quanto o 190, deveria, por imposição legal, imputar margem no produto que exportara e essa margem era de 15%, dai, forçoso concluir que o preço de aquisição da atual Daimler AG (Alemanha), que importava os veículos de forma fictícia era o custo de fabricação do veículo pela MercedesBenz acrescido da margem imputada, portanto o método CPL. Afirma que o cerne da questão então gira em torno de se considerar ou não a margem no cômputo como preço de aquisição pela Daimler AG, na aplicação, pela Autuada do método CPL. Reputa que ficou superada a falta de comprovação, pois, julgou o próprio Agente Fiscal que a documentação juntada aos autos e que instruiu a Impugnação Fiscal (fls. 2266/2293), em suas próprias palavras, foi validada. Na sequência estratificou os motivos pelos quais a decisão recorrida deixou de considerar os cálculos apresentados pela recorrente, da seguinte forma: a) a imputação de margem de 15% de lucro adicional nas aquisições de materiais diretos adquiridos de terceiros e da fábrica de São Bernardo do Campo (conforme 8° parágrafo da fl. 18 do Acórdão n° 1621.987); b) a ausência do valor unitário, no campo próprio, em algumas das notas fiscais de saídas dos produtos adquiridos da fábrica de São Bernardo do Campo (conforme 1° parágrafo da fl. 19 do mesmo Acórdão); c) da falta de discriminação por modelo de veículo, nos demonstrativos apresentados pela RECORRENTE (conforme 4° parágrafo da fl. 19 do Acórdão). Fl. 6640DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001470/200561 Acórdão n.º 1301001.263 S1C3T1 Fl. 11 19 Após este destaque, cuidou a recorrente de apresentar seus argumentos em cada um dos motivos apresentados pela decisão recorrida, relatando antes disso, a operação que desenvolve, relatando que a MercedesBenz adquire materiais diretos do mercado interno e externo e com outros custos, já deduzidos os tributos recuperáveis, compondo o seu custo de produção onde acresce sua margem de 15% (CAP), enviados veículos à Daimler AG (A) que tem nesse preço o preço de aquisição, sendo que a Daimler AG, por questões comerciais, envia o veículo para o Brasil (B) de forma ficta, por preço menor do que pago na aquisição da MercedesBenz (A). Alegou que superado o entendimento sobre como se opera a industrialização por encomenda, restavalhe atacar o ponto central, porquanto as autoridades autuantes e Julgadoras entenderam, que no preço de aquisição do produto pela Daimler AG não comporta a margem de 15% incluída pela MercedesBenz quando da elaboração do preço de exportação para a Daimler AG, defendendo que ainda que se aceite a tese da decisão recorrida o referido custo de produção ainda é maior do que o preço de venda do veículo pela Daimler AG à recorrente (CIF+Imposto de Importação = CPR), concluindo que cai por terra toda discussão de inclusão ou não da margem de lucro no preço de aquisição do veículo pela Daimler AG, porquanto mesmo sem a referida margem, o preço de aquisição é ainda maior. No mais, em relação à ausência de indicação de valor unitário nas Notas Fiscais, arrazoou que além de representar um número insignificante comparado com a quantidade de notas fiscais juntadas como comprovação a ausência de valor unitário em campo próprio quando muito caracteriza um desatendimento a uma obrigação acessória e não pode ser motivo para descaracterização de um método complexo como o utilizado para apuração do preço de transferência. Defendeu que o valor unitário pode muito bem ser apurado com uma simples operação matemática de dividir o preço total pela quantidade do produto, demonstrando assim, a total falta de razoabilidade entre a suposta infração (ausência de valor unitário) e a pena aplicada (desconsideração dos cálculos e do método), sendo que ao analisar cópias das notas fiscais, o Agente Fiscal deixou de considerar as cartas de correção anexadas as vias fiscais das notas fiscais números 060080, 058558, 067055, 059182, 067152, 060927, 058140, 061450, 056687, 057524, 057000, 065825, 055655 e 000082, observado o que dispõe o artigo 37 da Lei 9.794/99. Quanto à alegada falta de discriminação do modelo do veículo nos demonstrativos apresentados pela recorrente, defendeu que embora a falta de discriminação por modelo de veículo nos demonstrativos apresentados não figure dentre aqueles que compõe o auto de infração, portanto, não fazendo parte da necessária justificativa do lançamento tributário, sendo considerado apenas em sede de julgamento pela DRJ/SPOI, entendia a recorrente que esse motivo poderia ser facilmente superado se tal demonstrativo individualizado por modelo fosse assim solicitado. Ou seja, segundo a recorrente ficou demonstrada sua total cooperação com apuração da verdade real, se compromete nesse Recurso, a apresentar antes do julgamento final da presente demanda administrativa, demonstrativo individualizados por veículo importado por ela, pugnando, assim, pelo disposto nos artigos 3°, inciso III e 38 da Lei n° 9.794/99. Ressaltou que a legislação que disciplina o preço de transferência não elenca os documentos e nem julga as formas pelas quais o contribuinte demonstrará a lisura de seu Fl. 6641DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 20 método ou operação, assim, não cabe à fiscalização fazêlo, devendo sempre se pautar pelos princípios regentes do ato administrativo, em especial o da razoabilidade. Defendeu o cabimento do método PIC como alternativa ao método CPL por ela utilizado. Quanto à aplicação do método PRL, sustentou que na medida que se justifica a aplicação do método (CPL) utilizado efetivamente, bem como o atendimento também do método PIC, tornase irrelevante se aplicação do método PRL implica em ajustes, porquanto se teria provado que os cálculos utilizados pelo Agente Autuante apresentou falhas e erros grosseiros, quando os confrontamos com as técnicas contábeis, o que resultou na correção do valor do ajuste proposto em mais de 5 milhões de reais. Por fim, em relação ao tópico relação ao tópico atinente à glosa das despesas, reiterou os argumentos contido em sede de impugnação, defendendo que as despesas em questão foram bonificações e que se revestem dos atributos da dedutibilidade e estariam suficientemente comprovadas. É o relatório. Fl. 6642DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001470/200561 Acórdão n.º 1301001.263 S1C3T1 Fl. 12 21 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade, bem assim o Recurso de Ofício atende aos pressupostos regimentais. Admito os para julgamento. A parcela da autuação exonerada na decisão objetada e desafiada, portanto, por Recurso de Ofício referese a ajustes decorrentes de parcela excluída pela própria Fiscalização em sede de Diligência Fiscal, de sorte que não pairam dúvidas sobre a sua impertinência, ainda que subsistente os motivos da autuação. Sendo assim, ante a aquiescência da própria Fiscalização, de rigor negarse provimento ao Recurso de Ofício. No tocante às questões alusivas ao Recurso Voluntário manuseado pela contribuinte, versando, neste caso, inconformismo com a parte da decisão que julgou subsistente glosa implementada para impor ajuste dos preços de transferência pelo método PRL20, bem como considerar indedutíveis despesas tidas pela contribuinte como operacionais, devese registar, em resumo, que a contribuinte foi autuada por: i) falta de adição de ajustes de preços de transferência relacionados à importação de mercadorias, porquanto adotou o método CPL, que por falta de comprovação foi rejeitado pela fiscalização, tendo esta adotado o método PRL20; ii) glosa de despesas operacionais (lançadas na DIPJ/2001 a título de "prestação de serviços por pessoa jurídica"). Em sede preliminar, a contribuinte sustenta que os autos de infração seriam nulos na medida em que careceriam, enquanto atos administrativos, dos atributos que o qualificam como tal, defendendo que as nulidades não podem ser restritas àquelas descritas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e após tecer bem articuladas considerações acerca da validade dos atos administrativos, reputou que o MPF transcendeu os limites da autorização, porquanto não ventilava hipótese de auditarse as despesas deduzidas, tornado assim, nulo o auto de infração. Reputou ainda, que tornaria o auto de infração igualmente nulo o fato de a Fiscalização não ter demonstrado a metodologia utilizada na obtenção do ajuste dos preços de transferência pelo método PRL20. Recapituladas as preliminares, assento que não assiste razão à contribuinte quanto a nulidade dos autos de infração. Em relação aos alegados vícios do MPF, importa registrar que há muito se consolidou o entendimento de que se constitui em instrumento de controle interno do Fisco, incapaz, por si só de gerar, qualquer prejuízo ao contribuinte. Igualmente pacificado, a despeito da insurgência da recorrente, é o entendimento de que as hipóteses de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal federal são mesmo aquelas descritas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, consistentes na preterição ao direito de defesa ou incompetência da autoridade administrativa, hipóteses seguramente não caracterizadas na espécie. Fl. 6643DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 22 Aliás, o conjunto de peças e argumentos lançados pela contribuinte permitem aferir sua plena compreensão das imputações, não havendo nada que justifique a decretação de nulidade nesta sede recursal. Diante disso, correto o entendimento da decisão recorrida ao afastar a nulidade, decisão que mantenho ao rejeitar as preliminares. Superadas a questões formais, impende analisar a glosa relativa à falta de adição de ajustes de preços de transferência relacionados à importação de mercadorias em vista da rejeição do método CPL, adotado pela contribuinte, e a consequente utilização, pela fiscalização, do método PRL20. Nesta ordem de intenções convém relembrar suscintamente o que dispôs a Fiscalização, pois tais imputações, sabidamente, marcam o limite objetivo da glosa fiscal. Com efeito, no Termo de Verificação Fiscal encartado às folhas 934 em diante, temos as seguintes constatações dignas de reprodução: (...) II DA CONSTATAÇÃO FISCAL A) PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA A.1 – Introdução STARAUTO Comércio de Veículos Ltda é uma empresa comercial atacadista e vinculada à Montadora de veículos DAIMLERCHRYSLER DO BRASIL LTDA, criada em função do Regime Aduaneiro Especial de Importação RECOM, conforme inciso II, do art. 5° da IN SRF n° 017, de 16.02.2000, conforme cópia anexa, no Volume I do presente processo. O regime especial concedido ao setor automotivo através dessa instrução normativa, possibilitou a importação de chassis, carrocerias, as partes e peças, inclusive motores, componentes e acessórios, sem cobertura cambial, de insumos destinados à industrialização por encomenda dos produtos classificados nas posições 8701 e 8705 da tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior. Foi, facultada às Montadoras, que após a montagem dos veículos, os mesmos poderiam ser exportados ou vendidos no mercado interno. Na hipótese de venda no mercado interno, ficou estabelecida na instrução normativa a necessidade da criação de uma empresa comercial atacadista. Dessa forma, por conta e ordem da empresa matriz, no exterior, o veículo montado no Brasil poderia ser remetido, a uma empresa comercial atacadista, criada em virtude de força normativa, para viabilizar a sua comercialização no mercado interno. No caso específico da fiscalizada, observase que a montadora DaimlerChrysler do Brasil, localizada no município de Juiz de Fora, Minas Gerais, recebeu os insumos importados de sua matriz na Alemanha, montou os veículos de passeio Classe A 160 e Classe A190 e remeteu a empresa Starauto (empresa Fl. 6644DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001470/200561 Acórdão n.º 1301001.263 S1C3T1 Fl. 13 23 atacadista) para comercialização no mercado interno, por conta ordem da encomendante. A.2 Do Método adotado para apuração do preço parâmetro pelo contribuinte O contribuinte em epígrafe adotou o método previsto no art. 13 da IN SRF n° 38/97, "Método do Custo de Produção mais Lucro CPL" para efeitos da determinação do preço parâmetro para comparação aos preços praticados nas importações dos veículos Classe A 160 e Classe A 190 oriundos da Alemanha. O método previsto pelo art.13 da referida instrução normativa define que nas importações de bens, serviços ou direitos, o contribuinte deverá prestar as informações do custo médio de produção apurado no exterior acrescidos dos impostos e taxas cobrado pelo referido país, na exportação, e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. O custo de produção é composto do somatório de três elementos, quais sejam: material direto + mão de obra direta + gasto gerais de fabricação. No caso da montadora de veículos os custos mais representativos são aquelas oriundas dos materiais diretos aplicados no processo de fabricação, representando entre 60 e 80% do custo total, cujo índice varia para cada montadora. Na fabricação de um veículo de passeio a quantidade de materiais diretos aplicados varia na faixa de 3.000 a 3.500 itens. Entre os principais materiais diretos encontramse: motores, carcaça do veiculo, chassis, direção hidráulica, caixa de cambio, sistema de freio, painel frontal do veiculo, pneus, baterias, sistema de segurança, airbag, rodas, retrovisor, trava elétrica, vidros, som, pintura, bancos, etc. Estabelece o § 2º do art.13 da IN/SRF nº 38/97 que: os custos de produção deverão ser demonstrados discriminadamente, por componente, valores e respectivos fornecedores. Observandose os dados dos custos de produção apresentados pelo contribuinte, constante do volume III do presente processo, verificase que as informações estão em desacordo com a determinação das normas legais dos Preços de Transferência. O contribuinte limitouse a apresentar os valores em reais, de forma resumida, por código de item e de chassi, do custo do material direto e custo do serviço prestado. Quanto à informação do custo do serviço prestado, cumpre esclarecer que se refere aos serviços de montagem do veículo cobrado pela unidade fabril DaimlerChrysler, no município de Juiz de ForaMG, por conta e ordem da proprietária (DaimlerChrysler), localizada na Alemanha, em virtude do Regime Automotivo RECOM, estabelecida pela IN SRF no 17, de 16/02/2000. Fl. 6645DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 24 Entendo que no caso específico, da empresa Starauto Comércio de Veículos Ltda, ela importou o veículo pronto para revenda, assim, além do método do CPL, poderia comprovar os seus preços parâmetros para efeitos de comparação com os preços praticados na importação, utilizandose dos Métodos dos Preços Independentes Comparados PIC e Preço de Revenda menos Lucro de 20% PRL20, conforme previstos nos art. 6° e 12° da IN SRF N° 38/97. Ao optar pelo Método do Custo de Produção mais Lucro CPL, ficou obrigada a comprovar os custos de produção do produto fabricado na Alemanha. O art. 13 da In SRF N° 38/97 estabelece que: (in verbis) (...) Ficou cristalino pelo dispositivo do art. 13 da IN SRF n 38/97, a obrigatoriedade do contribuinte em apresentar todos os dados relativos a determinação do custo médio de produção incorridos pela Matriz, localizada na Alemanha. Assim, por exemplo, no aspecto fabril, o contribuinte deveria apresentar um mapa de produção, com a codificação e quantitativo de todos os itens que foram produzidos, quantidade de linhas de produção, número de unidades produtivas, custos dos materiais diretos aplicados em cada item. Além disso, deveria ser informada a quantidade de mão de obra direta aplicada e total de horas gastas e o custo por hora/homem. Posteriormente, a devida apropriação para cada linha de produção e determinação do custo da mão obra direta para cada item fabricado. Por último, deveriam ser apresentados os custos indiretos incorridos, por centro de custo, e definição dos critérios de rateios e apropriação para cada item fabricado. No aspecto comercial, o contribuinte deveria ter apresentado um mapa contendo as vendas de todos os itens fabricados e comercializados por segmento de mercado, mercado local e exportação. No caso, das exportações, as vendas realizadas deveriam ser informadas por país. Essa informação tornase relevante na medida que o § 5° da IN SRF N° 38/97, estabelece que na determinação dos custos do bem produzido, exportados para o Brasil, os referidos custos incorridos pela unidade produtora no exterior, serão considerados proporcionalmente as quantidades destinadas à empresa no Brasil. Por tudo exposto, concluise que o contribuinte não comprovou efetivamente os cálculos do custo médio de produção CPL na forma prevista pelo art.13 e seus parágrafos da IN SRF 38/97. Fl. 6646DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001470/200561 Acórdão n.º 1301001.263 S1C3T1 Fl. 14 25 Assim, essa fiscalização rejeita o método do CPL adotado pelo contribuinte e passa a adotar um dos dois outros métodos previstos nos arts. 6° e 12° da IN SRF N° 38/97. (...) Estes foram os motivos pelos quais a Fiscalização, de início, refutou a utilização do método CPL pela contribuinte, constatando, em resumo, que não foram apresentados os requisitos formais para validar a apuração dos ajustes pelo indicado método. Ocorreu, que sobrevindo a Impugnação da contribuinte com os argumentos que já fiz ver no relatório elaborado acima, superando em boa parte as imputações da Fiscalização, a zelosa Turma Julgadora converteu o julgamento em diligência (fls. 2424 – 2427), com as seguintes ponderações (em parte): (...) 15. Diante do exposto, proponho o encaminhamento do presente processo à DEAIN/SÃO PAULO (Divisão de Fiscalização — Preços de Transferência), para que o Auditor Fiscal autuante: 15.1. verifique, junto ao contribuinte, se os demonstrativos de fls. 2.268/2.294 estão suportados em documentação hábil a validar os itens e valores discriminados, conforme citado pela impugnante a fl. 1206 (item 9); 15.2. esclareça a incongruência relatada no item 13 ou identifique as correções cabíveis no resultado tributável da declaração ou no lançamento efetuado; 15.3. junte aos autos o "Demonstrativo de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro" utilizado na autuação, com a apuração do valor do adicional da CSLL, corrigindo, se for o caso, eventuais equívocos. (...) Em vista da solicitação da decisão recorrida foi que o Auditor Fiscal autuante elaborou o Relatório Conclusivo de folhas 3.152 a 3.156 (frente e verso), visando esclarecer que na aplicação do método CPL, a contribuinte não comprovou efetivamente o custo de produção do veículo Classe A, mediante demonstrativos, memórias de cálculo e demais documentos de suporte, conforme previsto no artigo 39 da IN SRF n° 38/97 e que o custo de produção deveria ter sido demonstrado e comprovado mediante o detalhamento do custo de produção de partes e peças fabricadas pela matriz na Alemanha, das partes e peças fabricadas e adquiridas da unidade de São Bernardo do Campo — SP, do custo dos materiais diretos adquiridos de terceiros e do custo dos serviços prestados pela montagem dos veículos no Brasil, tornou a afirmar que a descaracterização do método CPL foi tomada em função da insuficiência de informações prestadas pela contribuinte e, conclusivamente, em relação às indagações feitas pela DRJ, esclareceu se realizou uma avaliação por amostragem dos documentos relacionados na impugnação, concluindo pela validade dos documentos e valores ali discriminados, fazendo, no entanto, as seguintes ressalvas: Fl. 6647DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 26 1. Contabilização do custo de aquisição de materiais diretos: os valores validados pela fiscalização foram aqueles considerados como "custo da efetiva aquisição", constante das notas fiscais, sem qualquer acréscimo de margem de lucro de 15%, como fez a contribuinte (nas aquisições de materiais diretos adquiridos de terceiros — Argentina e mercado nacional — e da fábrica em São Bernardo do Campo — SP, a contribuinte acrescentou, no custo de aquisição desses materiais, uma margem de lucro adicional de 15%, tendo como justificativa a refatura para a empresa matriz, na Alemanha, que por sua conta e ordem foi efetivada a aquisição) e os valores dos custos dos materiais diretos a serem considerados no custo de produção dos veículos Classe A são os custos da efetiva aquisição, constantes das notas fiscais, líquido dos tributos recuperáveis, sem qualquer acréscimo de margem de lucro. 2. Notas fiscais de transferência de materiais da fábrica de São Bernardo do Campo — SP para a fábrica de Juiz de Fora – MG: Em relação à documentação dos materiais diretos adquiridos da fábrica de São Bernardo do Campo — SP, a fiscalização faz ressalvas quanto aos valores escriturados nas notas fiscais de transferência para a fábrica de Juiz de Fora — MG e por amostragem, constatou que nas notas fiscais de saída (transferência da fábrica de São Bernardo do Campo — SP para a fábrica de Juiz de Fora — MG) sob os números 060080, 058558, 067055, 059182, 067152, 060927, 058140, 061450, 056687, 057524, 057000, 065825, 055655, 000082 (Anexo A), especificamente na coluna de valor total, os valores de alguns itens estão divididos por 100. Ou seja, o produto da quantidade pelo preço unitário é diferente do valor total, tendo 'várias notas fiscais de entrada na fábrica de Juiz de Fora — MG onde não consta, na coluna do valor unitário, o valor do custo unitário de aquisição. Prestados estes e outros esclarecimentos foi que a decisão recorrida julgou o lançamento parcialmente procedente e fez o para assentar a desconsideração do método CPL justamente baseada nas duas ressalvas da Fiscalização no relatório da Diligência, confirase o oportuno trecho da decisão recorrida (fls. 3.230 em diante): (...) Em sua impugnação, a contribuinte alega que durante a ação fiscal as informações foram apresentadas sem maior detalhamento porque a fiscalização solicitou somente os valores de mãodeobra e material utilizados, e junta aos autos um demonstrativo comprobatório (doc. 15, fls. 2266/2293). Os autos do presente processo foram então encaminhados à DEAIN/SÃO PAULO, para que o Auditor Fiscal Autuante verificasse junto à contribuinte se o referido demonstrativo estava suportado em documentação hábil a validar os itens e valores ali discriminados. Após efetuar a verificação, por amostragem, a fiscalização validou os itens e valores ali discriminados, mas fez 2 ressalvas de suma importância. Com relação à contabilização do custo de aquisição de materiais diretos (primeira ressalva), observa a fiscalização que a contribuinte acrescentou, nas aquisições de materiais diretos adquiridos de terceiros — Argentina e mercado nacional — e da fábrica em São Bernardo do Campo — SP, uma margem de lucro adicional de 15%. Fl. 6648DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001470/200561 Acórdão n.º 1301001.263 S1C3T1 Fl. 15 27 Em sua defesa, a impugnante alega esse procedimento decorre da aplicação do método CAP (Custo de Aquisição + margem 15%) na exportação de partes e peças para a DCAG, proprietária do veículo e que o custo de partes e peças do Classe A é composto pelo custo de aquisição no Brasil, ou seu custo de produção mais 15%, já que a DCAG os adquiria da DCBR por esse preço. Não procede a alegação da impugnante, pois, como bem observa o Auditor Fiscal autuante, os valores dos custos dos materiais diretos a serem considerados no custo de produção dos veículos Classe A são os custos da efetiva aquisição, constantes das notas fiscais, líquido dos tributos recuperáveis, sem qualquer acréscimo de margem de lucro. A segunda ressalva referese à documentação dos materiais diretos adquiridos pela DCBR da fabrica de São Bernardo do Campo — SP, no sentido de que as notas fiscais de saída sob os números 060080, 058558, 067055, 059182, 067152, 060927, 058140, 061450, 056687, 057524, 057000, 065825, 055655, 000082 (Anexo A, fls. 3160 a 3177), especificamente na coluna de valor total, os valores de alguns itens estão divididos por 100 (o produto da quantidade pelo preço unitário é diferente do valor total), constatandose, ainda, que em várias notas fiscais não consta, na coluna do valor unitário, o valor do custo unitário de aquisição (fls. 3179 a 3193). Em sua defesa, a impugnante esclarece que isso decorre de uma norma fiscal que estabelece que o contribuinte pode escriturar os bens transferidos em UV (Unidade de Valor Unitário), em 1, em 100 ou em 1000, desde que informado no devido campo (lado direito, parte inferior da nota) o critério adotado. De fato, essa informação resta comprovada pela análise das notas fiscais supracitadas. Quanto ao fato de que em várias notas fiscais não consta, na coluna do valor unitário, o valor do custo unitário de aquisição, a impugnante não se manifesta. Além das constatações relatadas pelo Auditor Fiscal, que invalidam em parte os cálculos do preçoparâmetro, sintetizados à fl. 2.266, há que se observar que os custos relacionados no demonstrativo de fls. 2.267 a 2.293 não estão discriminados por modelo, mas englobando tanto os veículos Classe A160, quanto os Classe A190. Como os preços parâmetro (assim como os preços praticados e os ajustes) devem ser calculados produto a produto, os cálculos apresentados à fl. 2.266 não se encontram respaldados no citado demonstrativo. Fl. 6649DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 28 Tratandose da autuação relativa à desconsideração do método CPL utilizado pela contribuinte na apuração dos preços de transferência, temos um cenário segundo o qual a Fiscalização reputou que a contribuinte não logrou cumprir as regras do aventado método, sobrevindo a impugnação e a juntada de documentos que tendiam a validar os cálculos da contribuinte o feito foi convertido em diligência que apesar de validar os documentos fez duas ressalvas que levaram a decisão recorrida a manter os motivos da autuação, fazendo ajustes apenas numéricos. Marcados estes limites fáticos no caso concreto, cumpre registrar que assiste razão à decisão recorrida ao concluir que de fato a contribuinte, em suas demonstrações, não satisfez os requisitos do método primitivamente escolhido (CPL). Com efeito, ao verificar a elucidativa diligência elaborada pela Fiscalização (fls. 3.152 em diante), que ao contrário do que alega a recorrente não serviu para nulificar os procedimentos de fiscalização, mas sim para dar subsídios à autoridade julgadora, podese depreender que muito embora se tenha validado as informações da recorrente, estas o foram para aquelas efetivamente consideradas como Custo da efetiva Aquisição constante das notas fiscais sem qualquer acréscimo de margem de lucro de 15% como fez o contribuinte, residindo aí, preponderantemente, o levou a decisão recorrida a não aceitar seu método de apuração de eventuais ajustes. Bem salientouse que às folhas 2.266 a recorrente apresentou demonstrativo do custo de aquisição de materiais e esclareceu que a eles estão incluídas uma margem de lucro de 15% (exceção feita aos materiais diretos importados da empresa matriz), situação que foi confirmada em diligência fiscal. Reafirmo o acerto da decisão recorrida ao desconsiderar a apuração da contribuinte pelo método CPL, de fato os valores dos custos dos materiais diretos a serem considerados no custo de produção dos veículos Classe A eram os custos da efetiva aquisição, constantes das notas fiscais, líquido dos tributos recuperáveis, sem acréscimo de margem de lucro adicional. Aliás, apenas para evidenciar que a recorrente descumpriu o que dispunha o regramento de regência, confirase o artigo 13 da IN SRF nº 38/1997, vigente à época: Art. 13. A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real, poderá, ainda, ser efetuada pelo método do Custo de Produção mais Lucro CPL, definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país, na exportação, e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1º Na apuração de preço por esse método serão considerados exclusivamente os custos a que se refere o § 4º, incorridos na produção do bem, serviço ou direito, excluídos quaisquer outros, ainda que se refira a margem de lucro de distribuidor atacadista. Os fatores que podem compor a determinação do custo, no citado método eram exatamente aqueles listados, não havendo como considerar a margem adicional a que aludiu a recorrente, abrindose a hipótese para a glosa do Fisco. Fl. 6650DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001470/200561 Acórdão n.º 1301001.263 S1C3T1 Fl. 16 29 No mais, igualmente correta está a decisão recorrida ao reconhecer que nas apurações feitas pela contribuinte, presente as ressalvas feitas pela Fiscalização na aventada diligência, que os custos relacionados no demonstrativo de fls. 2267 a 2293 não estão discriminados por modelo, mas englobando tanto os veículos Classe A160, quanto os Classe A190, de sorte que os preçosparâmetro de fato deveriam ser calculados produto a produto. Igualmente correta a decisão recorrida ao dispor que diante da desqualificação dos cálculos efetuados pela contribuinte (método CPL), pode a fiscalização escolher outro método e apurar os ajustes correspondentes, que para a espécie foi o método PRL, com margem de lucro de 20%, sendo a tal possibilidade, como fez ver a decisão recorrida, depreendida do disposto no artigo 39, § único, da IN SRF n° 38/97. No que toca à utilização do método PRL20, utilizado pela Fiscalização na autuação, fez ver a decisão recorrida, com acerto a meu ver, que integraram o Auto de Infração cálculos pormenorizados, tanto de aferição dos valores de custo praticado dos veículos modelo Classe A160 e Classe A190 adquiridos em 2000, quanto de aferição do preçoparâmetro com base nas notas fiscais de saída apresentadas pela contribuinte no curso da fiscalização, sendo que às fls. 947/950, a autoridade fiscal somou e apurou a média de aquisição para o modelo Classe A190, detalhando cada DI (declaração de importação) considerada por número, data de registro e de desembaraço, quantidade e modelo, CNPJ e nome do importador, país de origem e de destino, nomes do importador e do fornecedor, código Incoterm, taxa de câmbio, valores FOB e CIF. Sendo igual procedimento adotado em relação às importações do veículo modelo Classe A160 ás fls. 951/952, estando a metodologia de cálculo dos preçosparâmetro também encontrase detalhada nas planilhas de fls. 953/1018 (modelo Classe A190) e fls. 1019/1171 (modelo Classe A 160), sendo identificada cada uma das notas fiscais de saída da contribuinte por número, CNPJ do emitente e do adquirente, data de saída, valor, quantidade, descontos incondicionais, ICMS, PIS e COFINS, o cálculo da margem de lucro de vinte por cento e o resultado liquido correspondente ao preço parâmetro. Quanto às eventuais divergências numéricas surgidas, como já delineei acima, as incorreções da Fiscalização já foram sanadas e a parcela excluída. Diante do exposto, considero correta a decisão recorrida ao manter a descaracterização da apuração dos ajustes dos preços de transferência pelo método CPL e a consequente glosa. Outro ponto que reclama pronunciamento respeita à glosa de despesas consideradas pela recorrente como operacionais e glosadas pela Fiscalização. A recorrente tem sustentado, em relação às tais despesas, que em razão de ser controlada pela montadora DaimlerChrysler do Brasil Ltda. (DCBR), tendo sido criada apenas para viabilizar as operações no âmbito do RECOM — Regime Aduaneiro Especial de Importação, regido pela IN SRF n° 17/2000 (artigo 5°, inciso I), não pode vender seus produtos diretamente ao consumidor final e que as despesas em questão foram bonificações concedidas às concessionárias com vistas a incrementar as vendas e são, portanto, plenamente dedutíveis, porque necessárias, usuais e decorrentes do seu objeto social nos termos dos artigos 299 e 300 do RIR/99. Para além destas considerações, ela ainda tem alegado que lançou na DIPJ/2001 (anocalendário 2000) as despesas em tela como prestação de serviços por pessoa jurídica, e o Auditor Fiscal autuante, a partir deste equívoco, presumiu que elas decorriam de Fl. 6651DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 30 prestações de serviço, apesar da justificativa de tratarse de bonificações e, por isso, considerou que apenas notas fiscais poderiam comprovar essas despesas, ocorrendo que, para se comprovar uma determinada despesa, segundo insiste a recorrente, não existe apenas um tipo de documento hábil, de sorte que à falta das notas fiscais solicitadas pela fiscalização, a contribuinte apresentou documentação: (i) circulares à rede de concessionárias, disponibilizando as bonificações dos períodos do ano de 2000, (ii) lista da totalidade dos Avisos de Lançamentos, (iii) cópias de Avisos de Lançamento, (iv) ficha razão evidenciando as despesas, etc. Temse um quadro segundo o qual a Fiscalização refutou a comprovação das aludidas despesas, e o fez sob uma matriz que não levou em conta apenas o erro formal cometido pela contribuinte ao lançar tais despesas como “prestação de serviços”, mas sim a efetividade das despesas em questão. Diante disso, quer me parecer que a decisão recorrida acertou ao manter a glosa, pois não se pode dar feição probatória da efetividade das despesas com os documentos de fls. 604/804, consistentes em meras circulares enviadas às concessionárias dos veículos Classe A informando os percentuais calculados sobre o valor da NFF (Nota Fiscal Fatura) ao concessionário que seriam pagos a título de bonificação sobre vendas (fls. 604/608) e de lançamentos na contabilidade das aduzidas bonificações (fls. 609/804), pois o demonstrativo de bonificações não identificou os beneficiários/concessionários, não informou os percentuais das bonificações concedidas por operação, além de não estarem comprovados os referidos pagamentos. Continua ausente qualquer elemento que indique com a certeza necessária que as despesas em questão foram de fato suportadas pela contribuinte. Sendo assim, entendo que subsiste esta parte da decisão recorrida, não estando todos os atributos da dedutibilidade comprovados nos autos. Diante disso encaminho meu voto no sentido de afastar a preliminar alegada e NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO e AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Sala das Sessões, em 07 de agosto de 2013 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 6652DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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