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Numero do processo: 10680.907197/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Relatório
1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância:
O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 08774.65483.130804.1.3.04-8967[...].
A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 29/08/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...].
Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA.
Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que:
- detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP.
- o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior.
- de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de julho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito.
- quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social.
- no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50.
- a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior.
- o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário.
A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.
2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.170, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo:
ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2004
Retificação da Declaração de Compensação.
A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação.
Manifestação de inconformidade improcedente.
Direito creditório não reconhecido.
3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos:
3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa.
3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato.
3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável.
4. Cientificada da decisão (AR de 28/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática.
5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas.
É o relatório.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 08774.65483.130804.1.3.04-8967[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 29/08/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: - detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. - o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. - de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de julho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito. - quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. - no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. - a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. - o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada. 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.170, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 28/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 07 19 7/ 20 08 -1 7 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10680.907197/200817 Resolução nº 1201000.490 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 08774.65483.130804.1.3.048967[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 29/08/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de julho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do débito. quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10680.907197/200817 Resolução nº 1201000.490 S1C2T1 Fl. 4 3 o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.” 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0225.170, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido”. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 28/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10680.907197/200817 Resolução nº 1201000.490 S1C2T1 Fl. 5 4 resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.483, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.903455/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2003 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL recolhida em 29/08/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.483): "6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 8. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10680.907197/200817 Resolução nº 1201000.490 S1C2T1 Fl. 6 5 9. No mais, em homenagem ao princípio da verdade material, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 10. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 11. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) (grifos nossos). 12. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 13. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 14. Considero que não há, no presente caso, controvérsia acerca do preenchimento do requisito (i) constante do item 12, mas do (ii) e (iii). Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10680.907197/200817 Resolução nº 1201000.490 S1C2T1 Fl. 7 6 15. No mais, é incontroverso que entre maio de 2003 e novembro de 2003 a Recorrente recolheu o IRPJ por Estimativa relativo às competências de abril a outubro de 2003 no total de R$277.538,27, conforme demonstrado nas guias de fls. 18/20. 16. Em dezembro de 2003, apurouse prejuízo fiscal e constatouse que não era devido IRPJ para o ano de 2003, daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ no anocalendário de 2003. 17. Ocorre que, a DRJ (fls. 29/32) considerou que o despacho decisório (fl. 4) não merece reformas porque o erro cometido pelo contribuinte é material e, portanto, tratase de vício insanável. 18. Por outro lado, a Recorrente, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em seu Recurso Voluntário, afirma que, apesar de ter errado no preenchimento do formulário de compensação sobre a origem do crédito ao preencher como “pagamento indevido ou a maior” ao invés de “saldo negativo de IRPJ” o crédito decorrente do recolhimento de IRPJ estimativa não deixou de existir. 19. Para comprovar suas alegações, a Recorrente apresenta documentação probatória hábil, tais como: (i) seis DARFs de recolhimento de IRPJ referente ao segundo e terceiro trimestres de 2003 (fls.18/20); (ii) fichas 09A e 17 do ano calendário de 2003 da DIPJ original (fls.13/14); e (iii) a totalização por tributo e contribuição no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2003 da DCTF. 20. A priori, a documentação trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 21. Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 22. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) providencie a juntada aos autos cópia integral da DIPJ 2004, ano calendário de 2003; (iii) verifique as DCTFs apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses para fins de verificação de recolhimentos a maior de estimativa mensal, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (iii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas ao saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2003, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerando se, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10680.907197/200817 Resolução nº 1201000.490 S1C2T1 Fl. 8 7 23. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 24. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660420/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.821
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 20 /2 01 2- 87 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660420/201287 Acórdão n.º 3401004.821 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660420/201287 Acórdão n.º 3401004.821 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660420/201287 Acórdão n.º 3401004.821 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660420/201287 Acórdão n.º 3401004.821 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660420/201287 Acórdão n.º 3401004.821 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.660420/201287 Acórdão n.º 3401004.821 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004451/2010-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RECURSO ESPECIAL. ART. 5º C/C ART. 67, §12 DO RICARF APROVADO PELA PORTARIA 343/2015. DECISÃO VINCULANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. NÃO CONHECIMENTO.
Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral.
Numero da decisão: 9202-006.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 RECURSO ESPECIAL. ART. 5º C/C ART. 67, §12 DO RICARF APROVADO PELA PORTARIA 343/2015. DECISÃO VINCULANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. NÃO CONHECIMENTO. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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ART. 5º C/C ART. 67, §12 DO RICARF APROVADO PELA PORTARIA 343/2015. DECISÃO VINCULANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. NÃO CONHECIMENTO. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 44 51 /2 01 0- 87 Fl. 192DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para determinar o cancelamento do lançamento por meio do qual exigese IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente em razão de decisão proferida em ação judicial. Referido recurso foi interposto com base no art. 67 do RICARF, então aprovado pela Portaria nº 256/2009. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, decorrentes de revisão de benefícios previdenciários, deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Intimada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou o presente recurso. Indicando como paradigmas os acórdãos 2102002.806 e 380400.031 a recorrente defende a manutenção do lançamento cuja fundamentação legal era o art. 12 da Lei nº 7.713/88, oportunamente foi requerido ainda o sobrestamento do processo até o julgamento dos Recursos Extraordinários nº 614.406 e 614.232, recebidos pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática da repercussão geral. O contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do recurso por afronta ao §12, II do art. 67 do RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015. No mérito requer a manutenção do acórdão por seus próprios fundamentos. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.004451/201087 Acórdão n.º 9202006.847 CSRFT2 Fl. 193 3 É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do Conhecimento: Antes de analisarmos o mérito do recurso, e considerando a manifestação do contribuinte na peça de contrarrazões, pertinente tecer alguns comentários sobre o juízo de admissibilidade. Conforme exposto no relatório, por meio do Recurso Especial a Fazenda Nacional devolve a este Colegiado a discussão acerca do critério utilizado para o cálculo do IRPF incidente sobre rendimento recebidos acumuladamente. A Recorrente assim descreve a divergência: A divergência ocorre em relação à solução jurídica. Os acórdãos paradigmas aplicam integralmente o art. 12 da Lei n. 7.713/88, segundo o qual, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos. Com efeito, de acordo com os Colegiados prolatores dos paradigmas, a incidência do IRPF deve ocorrer de uma só vez e sobre a totalidade dos rendimentos. Por sua vez, o acórdão recorrido afirma que, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o IRPF deve ser recolhido de acordo com o regime de competência, considerandose os meses a que se referirem os rendimentos. Ou seja, para fins de aplicação da alíquota, devem ser considerados os valores mensais, e não o montante global auferido. Cabe observar, inclusive, que o paradigma nº 2102002.806 foi proferido em 2014 e não aplicou o entendimento sedimentado pelo STJ no julgamento do Resp nº 1.118.429/SP. Em termos mais claros, o paradigma não se valeu do disposto no artigo 62 A do RICARF para decidir a questão, nada obstante ter sido proferido em data recente. Comprovada, portanto, a divergência jurisprudencial quanto à aplicação do art. 12 da Lei n. 7.713/88. Considerando que o acórdão recorrido aplicou, por força do art. 62A do então regimento interno decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática dos recursos repetitivos, o despacho de admissibilidade recebeu o recurso apenas com base no acórdão paradigma de nº 2102002.806, desprezando o segundo que havia sido proferido em contexto fático distinto. Fl. 194DF CARF MF 4 Assim temos a seguinte situação: 1) decisão que entendendo que os rendimentos recebidos acumuladamente devem ser tributados pelo regime de competência obedecidas as alíquotas e tabelas vigentes à época do correto recebimento deu provimento ao recurso voluntário e cancelou o lançamento; e 2) recurso especial baseado em paradigma cuja fundamentação afasta a tese do recorrido e defende a incidência do imposto de renda pelo regime de caixa, com alíquota e tabela do mês do recebimento ou crédito e sobre o total dos rendimentos. Quando da interposição do recurso ainda não tínhamos decisão definitiva sobre a matéria no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Assim, considerando que o acórdão paradigma afastou expressamente a aplicação ao caso do Resp 1.118.429, a Fazenda Nacional apresentou, em 03.09.2014, recurso defendendo a constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88. Entretanto, quando da análise da admissibilidade o cenário era outro. Em 09.12.2014, transitou em julgado a decisão do STF no Recurso Extraordinário nº 614.406, decisão proferida sob a sistemática da repercussão geral e a qual declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88. O Tribunal Superior definiu, de forma definitiva, que o "Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez". Embora o recurso tenha sido interposto na vigência do antigo regimento interno, o respectivo exame de admissibilidade ocorreu em 30.06.2015, data em que já se encontrava vigente o RICARF aprovado pela Portaria nº 343/2015 publicado em 10.06.2015, razão pela qual, por força do respectivo art. 5º, deveria ter observado a nova regra do §12 do art. 67. Vejamos os dispositivos com a redação válida na época: Art. 5º Os despachos de exame e reexame de admissibilidade dos recursos especiais exarados depois da data de publicação desta Portaria observarão, no que couber, o nela disposto. .. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); e III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.004451/201087 Acórdão n.º 9202006.847 CSRFT2 Fl. 194 5 Assim, aplicando os art. 5º c/c art. 67, §12 do Regimento Interno aprovado pela Portaria 343/2015, entendo que o acórdão paradigma considerado pelo exame de admissibilidade também não é apto para fundamentar a divergência perseguida pela Recorrente, haja vista que seu entendimento foi superado por decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Diante do exposto, deixo de conhecer do recurso especial interposto. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.012253/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA
É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
Numero da decisão: 2201-004.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 22 53 /2 01 0- 11 Fl. 330DF CARF MF 2 Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão de admissibilidade dos embargos de declaração do contribuinte às fls. 263/267, por bem relatar os fatos ora questionados. "Tratase de crédito lançado contra o contribuinte acima identificado, na condição de responsável solidário e a empresa prestadora de serviços Serv Cat Locações de Serviços SC Ltda, no valor de R$ 40.499,27, consolidado em 20/12/02, relativo a contribuições incidentes sobre a remuneração paga à mãode obra incluída em notas fiscais de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, no período de janeiro a dezembro de 1996. Cientificado do lançamento, o contribuinte autuado apresentou impugnação tempestiva onde alegou, entre outros pontos, a ausência de vínculo entre a recorrente e os fatos geradores da contribuição previdenciária pretendida e ausência de previsão legal para lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito automaticamente junto à tomadora de serviço. Em 19/05/2003 o lançamento foi julgado procedente através da Decisão Notificação n° ll.401.4/0405/2003, da qual o contribuinte foi cientificado, conforme atestam os documentos de fls. 178/179. Inconformado com a Decisão Notificação prolatáda, o contribuinte apresentou recurso à Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da 'Previdência SocialCRPS , onde reiterou suas razões apresentadas anteriormente na impugnação e acrescentou a alegação de ocorrência de bi tributação. Através do Acórdão n° 0214, de 24/02/2005, a Segunda Câmara de Julgamento do CRPS decidiu por maioria (com o voto vencido do Relator Geraldo Magela Melo Representante do Govemo) anular a Decisão Notificação recorrida (1l.401.4/0405/2003), determinando a realização de procedimentos de auditoria fiscal na empresa prestadora de serviços com o objetivo de certificarse do não adimplemento das contribuições previdenciárias por parte do cedente de mão deobra. Em prosseguimento, o processo foi encaminhado para cumprimento do Acórdão supracitado, através do despacho de fls. 238. O Auditor Fiscal que cumpriu a diligência juntou os documentos de fls. 240/250 e pronunciouse às fls. 251/252, onde informou em síntese que : Fl. 331DF CARF MF Processo nº 15504.012253/201011 Acórdão n.º 2201004.598 S2C2T1 Fl. 331 3 não houve qualquer procedimento fiscal no sujeito passivo (Serv Cat Locações de Serviços SC Ltda, CNPJ. 00.701.091/000192). a empresa não foi localizada através de várias pesquisas, conforme descrito nos itens 2 a 7 do referido despacho. constatou através de consulta ao contacorrente da empresa a existência de recolhimentos nas competências 01/1996 a 10/1996 e 12/1996, entretanto, informa que não existe vinculação destes recolhimentos com as obrigações decorrentes dos fatos geradores que deram origem à NFLD 35.535.8867. Em seguida, foi encaminhada cópia do resultado da diligência ao contribuinte autuado e ao representante legal da prestadora Sr. Jaime Luiz Girio de Almeida Filho, conforme indicado no despacho de fls. 254, com prazo de dez dias para aditamento à defesa. O contribuinte autuado Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A Usiminas apresentou defesa às fls. 261/263, onde alega em síntese: Tendo em vista que a empresa contratada/prestadora de serviços não foi localizada restaram frustrados os procedimentos necessários à apuração e ao efetivo cumprimento do Acórdão da 2” Câmara de Julgamento do CRPS. O efetivo cumprimento do Acórdão proferido é de suma importância para a continuação do processo administrativo, evitando assim que a empresa tomadora seja penalizada por um débito eventualmente pago pela empresa prestadora/contratada. Ao INSS cabe o ônus de provar o inadimplemento da contribuição por parte da prestadora, para, a partir dai, declarar a Usiminas como responsável solidária. Não pode se presumir. Cumprelhe fazer prova positiva. Porém, os indícios constatados pelo INSS são em sentido contrário, pois o mesmo informa em consulta à contacorrente da prestadora Serv Cat Locações de Serviços Sociedade Comercial Ltda verificou recolhimentos nas competências objeto da presente NFLD, sendo incabível à fiscalização presumir que tais recolhimentos não foram vinculados com as obrigações decorrentes dos fatos geradores da referida Notificação Fiscal. Portanto, aguardase da fiscalização as medidas cabíveis no sentido de comprovar o não recolhimento das contribuições em questão por parte da empresa prestadora, acionando se necessário, sob as penas da lei , o sócio Jaime Luiz Gírio de Almeida Filho, para prestar os devidos esclarecimentos.” 2 – A DRJ julgou procedente em parte o lançamento em decisão assim ementada: Fl. 332DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. NAO ELISAO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. COBRANÇA DIRIGIDA A TODOS Os COOERIOADOS. O contratante de serviços executados mediante cessão de mão deobra, responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, conforme artigo 31, da Lei 8.212 de 1991, na redação dada pela Lei 9.528 de 1997. 3 – O Contribuinte recorreu às fls. 273/285 repisando os mesmos argumentos de defesa pedindo o provimento do recurso voluntário. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – Essa matéria não é nova nessa C. Turma sendo que nos AC. 2201.004.075, 2201.004.078, 2201.004.083, 2201.004.076, 2201.004.077, 2201.004.081, 2201.004.079, 2201.004.080, e 2201.004.0082 todos de minha relatoria e do AC. 2201003.412 voto vencedor da relatoria do I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, em que tratamos de casos similares a esses. 6 Deixo de me manifestar em relação às preliminares indicadas no recurso em vista do seu provimento quanto ao mérito aplicando o princípio da primazia da resolução de mérito de acordo com § 2º do art. 282 do CPC de 2015 e art. 59 § 3º do Decretolei 70.235/72 que se pode afirmar que, "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". Fl. 333DF CARF MF Processo nº 15504.012253/201011 Acórdão n.º 2201004.598 S2C2T1 Fl. 332 5 7 – No mérito entendo que o recurso merece provimento. Conforme dito alhures tomando como base os julgados acima indicados por esse Relator, esse lançamento iniciouse na época da antiga Secretaria da Receita Previdenciária. 8 – Tomandose por base os fundamentos utilizados na decisão notificação Nº 36378.002257/200316 de fls. 218/227 do CRPS reproduzidos pelo contribuinte em recurso, verificamos que consoante o que ocorreu nos julgados citados anteriormente, nesse caso houve o mesmo diagnóstico por parte do antigo Conselho de Recursos da Previdência Social que diz: EMENTA PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE DO ART. 31, DA LEI 8.212/91. Ocorrendo uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por parte do responsável pelo tributo, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo PARECER/ CJ/MPS nº 2.376/2000. Deve ser apurado o crédito tributário junto ao prestador. Certificandose da procedência ge sua imputação ao responsável solidário. Grifos do original ANULAR A DECISAO NOTIFICAÇAO A análise do processo em apreço e nos demais incluídos na mesma ação fiscal contra a USIMINAS demonstra que a Autarquia não teve o cuidado demonstrado no Parecer/CJ/MPS n° 2.376/2000, de se evitar a cobrança em duplicidade, pois não ficou evidenciada nenhuma ação tendente a verificar se a cedente de mãodeobra adimpliu suas obrigações previdenciárias. Assim sendo, determino que seja anulada a Decisão Notificação, para que sejam cumpridas as seguintes exigências: Verificar se a prestadora teve fiscalização total no período abrangido pela NFLD ou se aderiu ao REFIS, em período concomitante com o lançamento fiscal da NFLD em apreço. A existência de uma das situações, fiscalização total, ou da adesão ao REFIS por si só já leva à constatação da improcedência da NFLD, pela ocorrência do “bis in idem". No entanto, caso não se verifique nenhuma destas duas situações, deve ser analisada a contabilidade da prestadora dos serviços, para comprovar a regularidade de suas contribuições perante a Previdência Social, no período abrangido por esta Fl. 334DF CARF MF 6 NFLD, assegurando a existência do crédito imputado à Recorrente por solidariedade. Atentar para a verificação do prazo de vigência do contrato de prestação do serviço, e não somente do lançamento fiscal. CONCLUSÃO Face ao exposto, VOTO POR ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇAO, para que sejam realizados procedimentos mínimos de auditoria fiscal, objetivando certificarse do não adimplemento das contribuições previdenciárias, por parte do cedente de mãodeobra, certificandose da procedência de sua imputação ao responsável solidário. Sem grifos no original 9 – Em que pese a total falta de técnica jurídica dos membros do Conselho de Recursos da Previdência Social posto que não houve nenhum vício na decisão recorrida, ao dizer “VOTO POR ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO” e sim no lançamento tributário como sobejamente demonstrado pelos Conselheiros que se manifestaram restando claro que o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse se houve fiscalização total no prestador do serviço no período abrangido pela NFLD; se houve parcelamento por parte do prestador de serviço em relação às contribuições objeto da NFLD no solidário e em caso de negativa que providenciasse elementos mínimos de auditoria no prestador, no caso a análise de sua contabilidade, para levantar elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. 10 Forçoso reconhecer que tal decisão expressa, inequivocamente, a constatação de que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra inferência invalidaria o comando expresso, constante do decisum, do retorno do procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao passo inicial, ou seja, a busca pelo Fisco dos elementos comprobatórios e por isso constitutivos, da obrigação tributária decorrente da prática, pelo sujeito passivo, dos fatos eleitos pelo legislador como fato imponíveis. 11 Patente a inovação dos argumentos do Fisco na informação fiscal de fls. 246/247. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária no caso em tela, dependeria da análise de elementos mínimos de auditoria na contabilidade da prestadora de serviço na contribuinte SERV CAT LOCAÇOES DE SERVIÇOS SC LTDA. que não foi Fl. 335DF CARF MF Processo nº 15504.012253/201011 Acórdão n.º 2201004.598 S2C2T1 Fl. 333 7 encontrada no endereço em que consta na Receita Federal, e concluindo a autoridade fiscal da seguinte forma: 12 – A meu ver a autoridade lançadora tinha outros métodos legais para providenciar o lançamento para a constituição do crédito no sujeito passivo principal que é o prestador de serviço, contudo, não os utilizou. 13 – Além disso, verifico que às fls. 245 existe tela de recolhimentos por parte da prestadora de serviço de época correspondente ao ora lançado de 01/01/1996 a 31/12/1996, no caso os valores cuja fiscalização entende que há recolhimento contudo não consegue identificar se há correlação com os ora lançados em face da recorrente: 14 – Ora a manifestação da fiscalização às fls. 247 reconhece a falta de possibilidade de se apurar qualquer tributo por falta de documentos para apuração. Portanto, resta inegável o vício esculpido no lançamento original, sendo que a decisão da antiga CRPS Fl. 336DF CARF MF 8 na realidade anulou o lançamento por vício material, sendo que na época havia necessidade de produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. 15 De fato, a decisão do CRPS, atecnica como visto, embora propugnasse pela nulidade da DN, motivouse pela nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação, ou seja, falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, da verificação da ocorrência deste, fato que posteriormente foi validado pela fiscalização ao reconhecer a impossibilidade de constituição do crédito tributário por falta de documentos do prestador de serviço. 16 – Nesse ponto, também adoto como razões de decidir parte do voto do I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira no Ac. 2201003.412 j. 17/01/17, verbis: O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: ATOS IRREGULARES SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS IRRELEVANTES, RECONHECÍVEIS DE PLANO, OU INCURSOS EM FORMALIZAÇÃO DEFEITUOSA CONSISTENTE EM TRANSGRESSÃO DE NORMAS CUJO REAL ALCANCE É MERAMENTE O DE IMPOR A PADRONIZAÇÃO INTERNA DOS INSTRUMENTOS PELOS QUAIS SE VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da Fl. 337DF CARF MF Processo nº 15504.012253/201011 Acórdão n.º 2201004.598 S2C2T1 Fl. 334 9 autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que Fl. 338DF CARF MF 10 anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" 17 Nesse sentido, forçoso reconhecer que a informação fiscal de fls, 246/247 nada mais é que um novo relatório fiscal para constituição do crédito no prestador de serviço para fins de tentar corrigir o lançamento original que fora anulado por vício material pelo CRPS uma vez que inova no lançamento, ou seja, pelo fato de realizar novo lançamento, posto que veio ao mundo jurídico para reparar vício material, ou seja, vício insanável, deve Fl. 339DF CARF MF Processo nº 15504.012253/201011 Acórdão n.º 2201004.598 S2C2T1 Fl. 335 11 respeitar os prazos previstos em lei complementar para que o Estado possa constituir seu direito de crédito. 18 – Portanto, o lançamento representado pela NFLD constante de fls. 2/15, consubstanciada pelo Relatório Fiscal de fls 30/34, foi tacitamente reconhecido como nulo pelo CRPS que ao determinar a nulidade da DN e a elaboração na prática de novo lançamento que explicitasse novo relatório fiscal do qual constasse se houve fiscalização total no prestador do serviço no período abrangido pela NFLD; se houve parcelamento por parte do prestador de serviço em relação às contribuições objeto da NFLD no solidário e em caso de negativa, que providenciasse elementos mínimos de auditoria no prestador, no caso a análise de sua contabilidade, para levantar elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. 19 Ocorre que tal lançamento, repito consubstanciado no relatório fiscal de fls. 246/247 relativo às competências 01/01/1996 a 31/12/1996 se aperfeiçoou com a ciência do recorrente em 02/03/2007 às fls. 249/250, fora, portanto até do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I do CTN. 20 O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado e a conclusão exarada é no sentido da nulidade material do lançamento em razão da autoridade lançadora não ter verificado adequadamente o descumprimento da obrigação tributária principal pelo prestador de serviço e é nulo em razão da inovação consubstanciada no Relatório Fiscal que, ressaltese, corrobora o entendimento de que não houve, por ocasião do lançamento originário, a devida apuração do inadimplemento da obrigação principal pelo prestador de serviço. Conclusão Fl. 340DF CARF MF 12 21 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e no mérito DAR PROVIMENTO para anular o lançamento em decorrência do vício material, na forma da fundamentação acima. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721148/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. INÉPCIA RECURSAL. DECRETO Nº 70.235/72 E LEI Nº 9.784/99. NÃO CONHECIMENTO.
O Recurso Voluntário que trata de matéria alheia ao processo evidencia inépcia recursal, não devendo ser conhecido. Corolário do princípio da dialeticidade e inteligência dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72 e dos arts. 56 e 60 da Lei nº 9.784/99.
Numero da decisão: 1402-003.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por inépcia recursal.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. INÉPCIA RECURSAL. DECRETO Nº 70.235/72 E LEI Nº 9.784/99. NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Voluntário que trata de matéria alheia ao processo evidencia inépcia recursal, não devendo ser conhecido. Corolário do princípio da dialeticidade e inteligência dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72 e dos arts. 56 e 60 da Lei nº 9.784/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por inépcia recursal. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 11 48 /2 01 5- 11 Fl. 454DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10983.721148/201511 Acórdão n.º 1402003.253 S1C4T2 Fl. 455 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 451 a 452) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora/MG (fls. 441 a 444) que negou provimento à Impugnação apresentada (fls. 430 a 432), mantendo integralmente as Autuações sofridas pela Recorrente (fls. 356 a 424). A Contribuinte era optante pelo SIMPLES Nacional, exigindose no presente feito créditos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, Contribuição Patronal Previdenciária e ISS, referentes ao anocalendário de 2012, acrescidos de multa de ofício na monta de 75%, sob a acusação fiscal de omissão de receitas, em face da constatação da ausência de declaração (DASN de 2012 não informa nenhuma receita auferida) e não oferecimento a tributação de valores auferidos com prestação de serviços. Procedeuse à verificação do Livro Razão e Livro Diário da Recorrente, que atestou tal omissão, posteriormente também confirmada por documentos e informações prestadas pelo Fundo Estadual de Saúde de Santa Catarina. Por bem resumir a contenda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: A contribuinte acima identificada foi fiscalizada em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 09.2.01.00201400787 7, correspondente ao período de janeiro/2012 a dezembro/2012, e constituído o crédito tributário dos tributos apurados no Regime do Simples Nacional, no montante de R$ 304.684,37, sendo R$ 148.948,13 de tributos, R$ 44.025,08 de juros de mora calculados até 10/2015 e R$ 111.711,16 de multa de ofício de 75% (fls. 356/417). Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 420/424) foi apurada omissão de receitas do Simples Nacional, tendo em vista a contribuinte ter apresentado à RFB declarações na forma do SIMPLES NACIONAL, com receitas iguais a zero (DEFIS 2012; DASN 01/2012; DASN 02/2012;......; DASN 12/2012). As alíquotas utilizadas pela fiscalização foram as correspondentes a “Prestação de Serviços sujeitos ao Anexo III sem retenção/substituição tributária de ISS, com ISS devido ao próprio município do estabelecimento" e "Prestação de Serviços sujeitos ao Anexo III com retenção/substituição tributária de ISS". Com base nos valores de receita bruta auferida pelo sujeito passivo, receitas obtidas por meio da escrituração da fiscalizada (Livro Diário 2012; Livro Razão 2012; Resposta 02 fls. 53/77), Fl. 456DF CARF MF 4 as quais coincidiram com as receitas obtidas por meio dos documentos apresentados pelo Fundo Estadual de Saúde (Intimação 001 SC; Documentos SC) e a alíquota correspondente à respectiva atividade econômica, foi elaborado o “Demonstrativo de Valores de Impostos/Contribuições sobre diferenças apuradas" (fls. 373/417). A contribuinte tomou ciência pessoal do auto de infração em 10/11/2015, conforme Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento ás fls. 426/427, e apresentou sua impugnação em 10/12/2015 (fls. 430/432), argumentando, resumidamente, que: a) a impugnante é microempresa, cumpre suas obrigações trabalhistas e previdenciárias; b) a Constituição de 1988 ampara as microempresas e empresas de pequeno porte dando tratamento favorecido e simplificado, como dispõe seus artigos 170, inciso IX, e 179; c) excluir a impugnante do SIMPLES NACIONAL é tirála de mercado, pois assim não poderá competir com as demais empresas; d) afirma a autoridade fiscalizadora que a impugnante cometeu prática reiterada. Ocorre que tal afirmação não passa de inverdade, visto que a impugnante jamais agiu de má fé, pois acreditava estar no regime de caixa e não de competência; e) os lançamentos dos valores do IRPJ foram calculados na forma do lucro arbitrado, tendo como base as receitas totais escrituradas pela fiscalizada, incluindo as receitas declaradas n forma do Simples Nacional; f) portanto, caso mantenhase a imposição do pagamento do referido valor impugnado, devese excluir o valor já declarado na forma do simples nacional e recalcular o débito fiscal. Foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais em nome de ROSANA APARECIDA PIRES BARROSO EIRELI, titular da pessoa jurídica autuada, CPF nº CPF 521.886.80944, formalizada no processo nº 11516.722848/201594, que foi juntado por apensação a este processo. É o relatório. Processada a Defesa, foi proferido pela 2ª Turma da DRJ/JFA o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo integralmente o lançamento de ofício procedido: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10983.721148/201511 Acórdão n.º 1402003.253 S1C4T2 Fl. 456 5 Auto de Infração. Obrigação Principal. Omissão de Receitas. Insuficiência de Recolhimento. A verificação de diferença na base de cálculo ou insuficiência de recolhimento do imposto pelo regime do Simples Nacional constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, foi oposto o Recurso Voluntário, cambiando as alegações de Impugnação, afirmando que as autuações careciam de individualização adequada dos fatos colhidos pelo Fisco, violando determinação expressa veiculada pelo art. 42 da lei nº 9.430/96. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 458DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator No que tange ao conhecimento do Recurso Voluntário, não obstante sua patente tempestividade, o teor de suas razões merece pormenorizada análise prévia, em confronto com a matéria litigiosa do feito. Observase que as Autuações foram lavradas com base na constatação direta, comprovada documentalmente, de omissão de receita, vez que a Contribuinte declarou durante todo o anocalendário de 2012 não ter auferido qualquer rendimento tributável de suas atividades, mas registrou em seus Livros Razão e Diário receitas de prestação de serviços ao Fundo Estadual de Saúde de Santa Catarina, que, após a intimação desse outro contribuinte, foram confirmadas e inclusive sua quantificadas. Assim, o fundamento legal da infração de omissão de receitas adotado pela Autoridade Tributário foram as normas veiculadas nos seguintes dispositivos: art.13, inciso VI, e art.18, §§ 1º ao 4º, inciso III, 5ºB e 5ºF, da Lei Complementar nº 123/2006. Art. 4º, inciso VI, art. 20, parágrafo único, inciso I, art. 21, §§ 1º ao 4º e art.25, inciso III, alínea "d", da Resolução CGSN nº 94/2014. Fica claro que o lançamento de ofício não é arrimado em presunção (mas, sim, em provas) igualmente não se tratando de depósitos bancários de origem e natureza não comprovada e nem o Fisco se vale das previsões do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Porém, ao seu turno, em sede de Recurso Voluntário, inova a Contribuinte alegando, exclusivamente, que as Autuações não possuem a individualização dos depósitos bancários colhidos, violando a prescrição do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o que, consequentemente, implicaria no prejuízo da sua defesa e confronto com o art. 142 do CTN. Excepcionalmente, para mitigar quaisquer dúvidas sobre a medida processual a ser adota no presente julgamento, confirase na íntegra as breves razões da Recorrente: De acordo como o art 42 da lei 9.430/96, caracterizamse omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10983.721148/201511 Acórdão n.º 1402003.253 S1C4T2 Fl. 457 7 intimado, não comprove, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Referida norma criou uma presunção legal de renda omitida com suporte na existência de créditos bancários de origem não comprovada, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. No entanto, toda presunção legal necessita de parâmetros para ser contida e não levar a ações arbitrárias com exigências descabidas, tributando como renda aquilo que não é renda nem lucro. Por isso, o § 3° do artigo 42 da lei 9.430/96 determina que para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualmente. Vale dizer, a interpretação do "caput" do art. 42 da lei 9.430/96 deverá ser realizada de acordo com o preconizado no seu parágrafo terceiro, pois uma das finalidades do procedimento administrativo é a busca da verdade material. O legislador, sabendo que são diversas as possibilidades de valores movimentados nas contas correntes não se caracterizarem como rendimentos tributáveis e, com a finalidade de impedir a adoção, pelo Fisco, de critérios indiscriminados de apuração de valores de rendimento e/ou receita, estipulou que para a validade da presunção, a fiscalização deverá individualizar os créditos em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira tidos como não comprovados pelo seu titular. Tratase de determinação legal imperativa, que deve ser obrigatoriamente observada pela fiscalização. E nem poderia ser de outra forma, pois como poderá haver possibilidade de defesa de um contribuinte se não são apontados pela fiscalização os créditos suspeitos? Não há dúvidas que § 3° veio pôr aparas no emprego da presunção da lei 9.430/96, para evitar que se acabe por atingir o que não é renda nem lucro, e tributando valores intributáveis. Toda a presunção, ainda que estabelecida em lei, deve ter relação entre o fato adotado como indiciário e sua consequência lógica, a fim de que se realize o primado básico de se partir de um fato conhecido para se provar um fato desconhecido. Destarte, quando o Fisco recorre a uma presunção legal tem o dever de observar os ditames da lei. Desta forma, ainda que o artigo 42 da lei 9.430/96 admita um rito probatório especial para os depósitos bancários e aplicações financeiras, mesmo assim, como toda presunção legal, a nova regra também exige, de quem a emprega, o atendimento de requisitos, em rigorosa observação do princípio da proporcionalidade, da razoabilidade e da impossibilidade do cerceamento de defesa, albergados em nosso sistema jurídico. Por isso, certas restrições ao emprego da presunção já vieram destacadas na própria norma, em especial no § 3 do artigo 42 da lei 9.430/96, que diz respeito à análise individuada dos depósitos bancários. Fl. 460DF CARF MF 8 Quem se vale de presunção legal deve demonstrar, de forma analítica todos os motivos e dados detalhados que o levaram a presumir a omissão de rendimentos. A base de cálculo dos tributos, mesmo quando decorre de presunção, não pode prescindir de um grau de certeza, por se constituir na materialização do fato gerador de tributos. Exatamente por isso é imperativo que no levantamento da suposta "receita omitida" com base no artigo 42 da lei 9.430/96, a análise dos créditos seja realizada de forma individual (um por um). Se os créditos não forem analisados individualizadamente, haverá violação do princípio da legalidade, bem como o princípio da legalidade estrita ou de tipicidade fechada previsto no ordenamento jurídico e a que está obrigada à Administração Pública. Além disso, ocorrerá cerceamento de defesa do contribuinte, visto que este deve ter conhecimento do que está sendo acusado, ou seja, quais os depósitos que foram considerados omissão de receitas. Não se pode olvidar que nos termos do artigo 59, II, do decreto 70.235/72, são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade com preterição do direito de defesa. Ademais, o lançamento tributário é procedimento administrativo que tem por finalidade verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, nos termos do art. 142 do CTN. Vale dizer, pelo lançamento a autoridade competente busca constatar a ocorrência concreta do evento ou fato e descrever a lei violada, requisitos necessários ao nascimento da obrigação fiscal correspondente. Este fato deve ser certo e determinado e deve ser expressamente declinado e identificado pela autoridade fiscal que efetuou o lançamento. Em suma, o lançamento com base em depósito bancário de origem não comprovada tem validade apenas no caso se a fiscalização individualizar os depósitos que entende como não comprovados, para que com base nessa individualização o autuado se defenda e apresente provas. Como se observa, a matéria alegada é alheia ao feito, não combatendo o lançamento de ofício e tampouco o v. Acórdão recorrido (que também afastou a pretensão da Contribuinte em face da Impugnação tratar de outra matéria estranha ao objeto do processo e das Autuações). Temse aqui um claro exemplo de inépcia recursal, não havendo como se falar de procedência ou não das razões trazidas, vez que não relacionamse ao objeto do processo administrativo. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10983.721148/201511 Acórdão n.º 1402003.253 S1C4T2 Fl. 458 9 Assim, sob a luz do princípio da dialeticidade, considerando as prescrições do art. 171 do Decreto nº 70.235/72 e nos art. 562 e 603 da Lei nº 9.784/99, não deve ser conhecido tal apelo. E, posto que não existem nulidades evidentes no lançamento de ofício ou vícios atinentes a matérias passíveis de conhecimento de ofício pelo Julgador administrativo, devem ser mantidas as exações impostas à Contribuinte. Diante do exposto, voto não conhecer do Recurso Voluntário, mantendose integralmente o v. Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 Art. 56 Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. 3 Art. 60 O recurso interpõese por meio de requerimento no qual o recorrente deverá expor os fundamentos do pedido de reexame, podendo juntar os documentos que julgar convenientes. Fl. 462DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.722836/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
EMPREGADO. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSOS DE ENSINO SUPERIOR E TÉCNICO. NÃO INCIDÊNCIA.
O art. 28 § 9º, t da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.711/98, observados os critérios legais, excluiu da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional dos seus empregados, a qual, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), engloba o plano de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade.
EMPRÉSTIMO - REMUNERAÇÃO
Constatada a existência de valores utilizados para gastos da empresa, não há que se considerar como pagamento de pró-labore, já que não se reverteu em proveito do sócio, mas da empresa.
Numero da decisão: 2401-005.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a base de cálculo relativa às bolsas de estudo. Vencidos os conselheiros José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSOS DE ENSINO SUPERIOR E TÉCNICO. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28 § 9º, “t” da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.711/98, observados os critérios legais, excluiu da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional dos seus empregados, a qual, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), engloba o plano de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade. EMPRÉSTIMO REMUNERAÇÃO Constatada a existência de valores utilizados para gastos da empresa, não há que se considerar como pagamento de prólabore, já que não se reverteu em proveito do sócio, mas da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 28 36 /2 01 1- 13 Fl. 1700DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a base de cálculo relativa às bolsas de estudo. Vencidos os conselheiros José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado foram lavrados os seguintes Auto de Infração, a saber: DEBCAD 37.321.7684 – referente às contribuições sociais a cargo da empresa correspondente à contribuição incidente sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, incluindo a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além dos acréscimos legais sobre guias pagas em datas posteriores as fixadas para recolhimento, consolidado em 29/06/2011, no valor de R$ 394.498,79 (trezentos e noventa e quatro mil e quatrocentos e noventa e oito reais e setenta e nove centavos), no período de 01/2008 a 12/2008, lavrado em 30/06/2011; DEBCAD 37.321.7692 – referente às contribuições destinadas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), consolidado em 29/06/2011, no valor de R$ 9.845,00 (nove mil e oitocentos e quarenta e cinco reais), no período de 01/2008 a 12/2008; DEBCAD 37.321.7706 – AI 68 lavrado em 30/06/2011, no valor de R$ 30.471,40 (trinta mil e quatrocentos e setenta e um reais e quarenta centavos), por ter a empresa apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias; DEBCAD 37.321.7714 – AI 69 lavrado em 30/06/2011, no valor de R$ 304,72 (trezentos e quatro reais e setenta e dois centavos), por ter a empresa apresentado as GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação a dados não relacionados a fatos geradores de contribuição previdenciária; Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 3 3 DEBCAD 37.321.7722 – AI 78 lavrado em 30/06/2011, no valor de R$ 11.360,00 (onze mil e trezentos e sessenta reais), por ter a empresa apresentado as GFIP com informações incorretas ou omissas; DEBCAD 37.321.7730 – AI 91 lavrado em 30/06/2011, no valor de R$ 1.523,57 (um mil e quinhentos e vinte e três reais e cinquenta e sete centavos), por ter a empresa apresentado as GFIP em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação; DEBCAD 37.321.7749 – AI 38 lavrado em 30/06/2011, no valor de R$ 15.235,70 (quinze mil e duzentos e trinta e cinco reais e setenta centavos), por ter a empresa deixado de exibir documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 37/62) a parte Autuada foi excluída do SIMPLES por opção própria, na data de 31/01/2008, com efeitos a partir de 01/01/2008. Os dados correspondentes aos fatos geradores ocorridos foram apurados com base nas informações constantes dos Recibos de Pagamento a Autônomos RPA, das Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e na contabilidade apresentada pelo contribuinte. Das obrigações principais: AI DEBCAD 37.321.7684 – Os valores das contribuições constam dos levantamentos denominados "BE BEI BOLSA DE ESTUDO", "DAL DIFERENÇA DE AC LEGAIS","ES, ESI e ES2 EMPRÉSTIMO SÓCIOS", "FD1 FOLHA SIMPLES COM ARQ DIGITAL" "FP, FP1, FP2, FOLHA DE PAGAMENTO", do Relatório DD – Discriminativo do Débito que integra o AI. AI DEBCAD 37.321.7692 Os valores das contribuições constam dos levantamentos denominados "BE BEI BOLSA DE ESTUDO", "FD1 FOLHA SIMPLES COM ARQ DIGITAL" "FP, FP1, FP2, FOLHA DE PAGAMENTO", do Relatório "DD Discriminativo do Débito" que integra o AI. Dos Fatos Geradores. De acordo com a Fiscalização, “no cotejamento entre a Folha de Pagamento apresentada e a GFIP declarada pela empresa, verificouse que não foram incluídos na Base de Cálculo para o recolhimento de contribuições previdenciárias e nem declarado em GFIP, os valores pagos a Título de Bolsa Estudo.” A Autuada foi intimada a esclarecer sobre a verba Bolsa de Estudo paga às funcionárias Keila Lúcia da Silva, recepcionista, e Jeliane Camporez, ajudante de cozinha, ocasião em que a empresa justificou se tratar de ajuda de custo para que as mesmas pudessem se qualificar; sendo que a Keila referese a curso superior com graduação em administração e a Jeliane referese a curso de graduação em técnico de nutrição. De acordo com o art. 28 §9°, " t " , da Lei n° 8.212, de 1991, para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, os valores devem ser gastos apenas com educação básica e profissional (cursos de capacitação e qualificação profissionais), também Fl. 1702DF CARF MF 4 abordado na Lei 9.393/96, não englobando a educação superior, caso da funcionária Keila Lúcia da Silva. Assim pelo acima exposto e por não ter sido concedido a todos os segurados esta auditoria considerou os pagamentos como valor integrante da base de cálculo das contribuições em virtude de terem sido concedidos em desconformidade com a legislação previdenciária. Em seguida, a Fiscalização relatou que “Foram identificadas também diferenças de recolhimento referentes à Base de Cálculo encontrada nas Folhas de Pagamentos e não declarada em GFIP, constantes dos Levantamentos "FP FP1 FP2 Folha de Pagamentos", e Levantamento "FD1 Folha Simples com Arq Digital" (este último para o período de 01 a 03/2008 quando a empresa declarou a GFIP como participante do SIMPLES equivocadamente). Tais valores, levantados por esta fiscalização, encontramse discriminados no Relatório Discriminativo do Débito DD”. Assim, através do exame da contabilidade apresentada verificouse que no ano de 2008 através da conta "1.2.1.01.001 Empréstimos para sócios 100787" conta do Ativo Realizável a Longo Prazo, foram pagos aos sócios valores que totalizaram R$ 976.938,10 (novecentos e setenta e seis mil, novecentos e trinta e oito reais e dez centavos), a título de: pagamento despesas dos sócios, despesas pessoais dos sócios, transferência conta Ederson (sócio da empresa), empréstimo efetuado aos sócios. Foi solicitado à empresa através do Termo de Intimação Fiscal n° 03 que apresentasse os documentos comprobatórios dos lançamentos que originaram os lançamentos efetuados na sua contabilidade do ano de 2008, na conta 1.2.1.01.001 Empréstimos para sócios 100787. A empresa apresentou em resposta recibos intitulados "RECIBO MENSAL DE OPERAÇÕES DE MÚTUO", totalizando mensalmente os valores lançados em sua contabilidade na conta Empréstimos a Sócios, através do Livro Razão. Foi solicitado também que a empresa apresentasse os documentos comprobatórios dos lançamentos de despesas pessoais dos sócios nas contas 2.1.1.02.0001 FORNECEDORES NACIONAIS 200084 do Razão 2008. A empresa justificou por escrito que: "Pela conta 2.1.1.02.0001 – Fornecedores Nacionais, por questões contábeis, transitavam todos os pagamentos da empresa, portanto neste caso, a contrapartida destes lançamentos, tem como origem a conta 1.2.1.01.0001 Empréstimos para sócios 100787, cujos comprovantes são o contrato de mútuo e os recibos mensais". Foi solicitado também à empresa que justificasse e comprovasse através de documentos os lançamentos na conta 2.2.1.01.0003 EMPRÉSTIMOS PAGAR A REAL FOOD 200654 do Razão referente ao ano de 2008. A empresa através de correspondência, anexada ao presente Auto de Infração, justificou em relação aos lançamentos que: "Ao assumirmos a empresa, no início do ano de 1998, encontramos a empresa totalmente endividada e sem qualquer recurso financeiro disponível para o pagamento de todo ou qualquer tipo de encargo. Para solucionarmos o problema, existente, passamos a efetuar todos os pagamentos, pela empresa Maria Natália de Souza Alves (nome fantasia Real Food Alimentação), conforme contrato de mútuo, já apresentado em outro tópico, e os recibos de movimentações mensais das operações, desta conta, em anexo". E apresentou "Recibo Mensal de Operações de Mútuo", onde reproduziu os valores lançados na contabilidade da Viesa Alimentação Ltda ME, na conta EMPRÉSTIMOS PAGAR A REAL FOOD, através do Livro Razão do ano 2008. Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 4 5 O contribuinte apresentou recibos que não constituem os documentos comprobatórios dos lançamentos efetuados em sua contabilidade na tentativa de dificultar e não esclarecer a motivação dos lançamentos nas contas contábeis utilizadas. Quanto aos Contratos de Mútuo apresentados, observase que não trazem em seu corpo os juros a serem pagos pela utilização do valor acordado. Além disso, não definem o prazo em que a mutuária pagará o valor da "linha de crédito", comprometendose a reembolsar/devolver à mutuante, sempre que ocorrer sobra de recursos da mutuária. “Dessa forma os valores registrados na conta "1.2.1.01.001 Empréstimos para os sócios 100787" conta do Ativo Realizável a Longo Prazo, foram considerados como base de contribuição previdenciária, a título de pro labore remunerando o sócio administrador, qualificado como contribuinte individual, respeitandose os lançamentos contábeis efetuados a débito e a crédito da referida conta, levandose em consideração as devoluções efetuadas, lançadas como: "devolução empréstimo dos sócios", " vlr lucro presumido distribuído do 1º trimestre de 2008", "vlr lucro presumido distribuído do 2º trimestre de 2008" conforme se verifica na tabela abaixo e constam dos Levantamentos ES, ESI e ES2 do Relatório de Lançamentos RL, anexo ao AI 37.321.7684. Para o cálculo das contribuições da empresa foi utilizada alíquota de 20%, RAT 1% e Terceiros 5,8%. As Guias da Previdência Social GPS recolhidas, foram devidamente apropriadas sendo abatidas dos valores apurados primeiramente as contribuições declaradas em GFIP, a seguir as contribuições devidas pelos segurados apurados através das Folhas de Pagamento e o saldo restante quando existente, foi abatido nos levantamentos que compõem o presente débito. Em razão do exposto, foram aplicadas as Multas de Mora e de Ofício e da multa advinda de penalidade administrativa, além de emissão de Representação Fiscal para Fins Penais. Passado isso, a Contribuinte fora devidamente notificada do lançamento (fls. 114, 121, 129, 136, 140 e 142), pela qual apresentou Impugnação Administrativa (fls. 436/462) arguindo, em síntese, referente aos AIs DEBCAD 37.321.7684 e 37.321.7692, que: a) Os pagamentos realizados pela Contribuinte a título de bolsa de estudos, jamais possuirá a natureza jurídica de remuneração, na medida em que nao tem por objetivo remunerar o trabalho desenvolvido pelas empregadas, mas apenas incentiválas ao aperfeiçoamento profissional e pessoal. b) Que apenas deve compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de rmeuneração – retribuição por trabalho prestado à empresa e que, dessa forma, o pagamento de bolsa de studo às funcionárias se afigura desvinculado ao seu trabalho, afigurandose como prestação não salarial. c) Reconhece, expressamente, que com relação ao código de recolhimento informado na competência de janeiro de 2008, tanto na GFIP quanto na GPS, Fl. 1704DF CARF MF 6 houve equívoco, sendo este lançado como se a Contribuinte ainda fosse optante pelo SIMPLES, sendo, assim, devida a diferença apontada pela Auditoria Fiscal. d) No que se refere ao recolhimento de fevereiro de 2008, aduz não ser devido qualquer diferença, haja vista que o valor devido fora integralmente recolhido, visto que foram apropriados créditos ao INSS e a terceiros, sendo que a somatória das GPS recolhidas alcançam o crédito devido. Ademais, reconhece que houve equívoco no preenchimento da GPS, posto que o recolhimento se deu em favor do INSS e não de terceiros, como seria o correto, alegando que há existência de créditos da autuada, ao que devem ser redistribuídos. e) Com relação aos demais meses (agosto a dezembro de 2008), a Contribuinte nega a existência de validade para a autuação, posto em que todos os meses teria a Contribuinte efetuado dedução de valores referentes à retenção realizada em suas Notas Fiscais de prestação de serviços, calculadas à alíquota de 11%, passível de compensação com os valores devidos à Previdência Social na mesma competência em que retidos. f) No tocante aos empréstimos para os sócios, afirma que tais valores transitavam na conta fornecedores por questões contábeis e foram realizados mediante empréstimo aos sócios (a contrapartida da conta fornecedores). Que, também, a Contribuinte faz parte de um grupo de empresas, tendo sua aquisição ter sido parte da estratégia do negócio desenvolvido pelas demais empresas que o sr. Éderson é sócios, bem como que as outras empresas daquele realizavam empréstimos à Recorrente com o objetivo de regularizar a sua situação financeira. Aduz, ademais, que os valores emprestados não foram disponibilizados de uma só vez, conforme demonstraria o relatório entregue à fiscalização, e que os valores foram lançados na contabilidade da Recorrente. g) Que em relação ao mútuo, informa que o valor movimentado na conta “empréstimo aos sócios” serviu para pagamento de despesa da própria empresa Recorrente, e que a comprovação disto fora acostada à Impugnação, sendo que todos os valores movimentados tiveram destinação única e exclusiva de pagamento de despesas e fornecedores da Contribuinte. h) Que quanto ao valor de R$ 95.000,00, apurada pela fiscalização na competência 04/2008, referese a empréstimo tomado junto ao sócio pela Reocrrente e por ela devolvido, não podendo o mesmo ser computado na base de cálculo das contribuições apuradas. Com a Impugnação, a Recorrente juntou documentos às fls. 505/746. Da análise da citada Impugnação, entendeu por bem a DRJ/RJI em converter o julgamento em diligência (fls. 750/752), posto que entedeu ser necessário certos esclarecimentos a respeito das alegações lançadas em Impugnação, conforme fundamentos abaixo delineados: “[...] a fim de que a fiscalização se pronuncie quanto às alegações da empresa em sua impugnação, citadas nos itens anteriores (itens 3,4,5), demonstrando através de planilha, no caso de comprovação e concordância com as alegações, a retificação do lançamento a ser processada nos autos de obrigação principal, por competência, bem como se os autos de obrigação acessória também devem ser retificados, tanto os que sofrem reflexo direto da correção dos AIOP, Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 5 7 como os demais, devido à aplicação da multa benéfica e quais seriam essas retificações.” Assim, em resposta, a Fiscal autuante apresntou manifestação (fls. 846/848, em síntese, mantendo o lançamento em todos os seus termos, reiterando a convicção previamente formada. Após ser devidamente intimada a se manifestar (fls. 851), a Recorrente apresentou manifestação (fls. 852/856) reiterando, no tocante à discussão do mútuo de R$ 95.000,00, os argumentos já alivinhados em Impugnação, apenas os reiterando. Já quanto aos “comprovantes de pagamento de despesas da empresa acostados à defesa”, que a planilha elaborada “observou com rigor todos os lançamentos levados a efeito pela fiscalização, bem como, correlacionou a específico lançamento, cada documento que fora acostado”. Ato contínuo, sustenta que podese verificar que as despesas foram suportadas pela Recorrente, de forma diversa que o alegado pela Fiscalização. Por fim, aduz que os documentos já juntados evidenciam a fragilidade dos lançamentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1250.081 da 11ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 864/889, julgando improcedente a Impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido na sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NÃO INCIDÊNCIA REQUISITOS ESPECÍFICOS. Constitui base de cálculo da contribuição social da empresa, o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestam serviços, na forma do art. 22, inciso I e III da Lei nº 8.212/91 e alterações posteriores e art. 71, inciso II da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005. Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9o do artigo 28 da Lei nº 8212/91, e alterações posteriores, não integram a remuneração. BOLSA DE ESTUDOS. A inobservância das condições na concessão de bolsa de estudos, conforme previsto na legislação específica, atribui a esta verba o caráter remuneratório, para todos os efeitos, inclusive para fins de incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. CONTRATO DE MÚTUO. O MÚTUO. Fl. 1706DF CARF MF 8 Configura empréstimo de coisas fungíveis, sendo o mutuário obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, presumindose devidos juros, vez que se destina a fins econômicos. CONTRATO. EFEITOS PERANTE TERCEIROS. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. EMPRÉSTIMO REMUNERAÇÃO Empréstimo feito ao sócio, através de contrato de mútuo, cujas obrigações do contrato não foram cumpridas na forma da legislação própria, configura retirada de pro labore. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM A TOTALIDADE DOS FATOS GERADORES. Constitui infração apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. GFIP VÁLIDA. Somente considerase válida a última GFIP entregue, antes do início do procedimento fiscal, com a mesma chave em cada competência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração deixar a empresa de apresentar qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ASPECTO MATERIAL. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Impugnante. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento, haja vista que o procedimento adotado pela fiscalização obedeceu às formalidades essenciais à constituição do crédito tributário e todos os relatórios foram entregues ao contribuinte, onde consta a indicação de Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 6 9 onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento.” Devidamente intimada (fls. 892/893), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 894/924), sustentando, em síntese, que: (i) A falta de registro do contrato de mútuo não tem o condão de retirar a sua plena validade, haja vista que, conforme seu entendimento, foram observados todos os requisitos do art. 104 do Código Civil e que a exigência relevaria excesso de formalismo, além de que a necessidade de registro está vinculada às situações em que o terceiro tenha particular interessa na relação negocial, necessitando sua ciência, o que não teria ocorrido noc aso concreto, já que seria a obrigação tributári ex lege; (ii) No que diz respeito à inexistência de previsão de cobrança de juros, tal fator é irrelevante, na medida em que os mútuos realizados entre a empresa Recorrente e seus sócios tinha escopo único de viabilizar o início das atividades da empresa, não possuindo, a empresa, qualquer interesse em auferir rendimentos de natureza financeira a partir de seu capital; (iii) No tocante ao prazo firmado no citado mútuo, ou seja, por ser indeterminado, não existe qualquer vedação legal para tanto, especialmente se considerar que seu objetivo primordial seria fomentar as atividades empresariais da empresa Recorrente; (iv) Que houve insurgência contra sua postura em ampliar sua impugnação no tocante à sua defesa sobre o tema “empréstimo para os sócios”; (v) Que a Recorrente não esaria obrigada a realizar escrituração contábil das regras comerciais e contabéis no ano de 2008. Assim, não estaria sua contabilidade obrigada a obedecer os princípios que a informam, registrando despesas, empréstimos ativos e passivos em suas contas, nada prejudicando a compreensão das operações realizadas no período de ficalização; (vi) Que a autoridade lançadora e a julgadora (DRJ), deixaram de apreciar a documentação juntada pela Recorrente em sua totalidade, ao argumento de que eles não foram contabilizados nas rubricas Fornecedores e Despesas, o que, uma vez admitido, levaria, por consequência, à sobreposição das regras contábeis à verdade material; (vii) Que, ademais, seria incorreta a afirmação constante no Acórdão recorrido de que o lançamento se deu e foi confirmado considerandose o conjunto de informações e documentos apresentados pela Recorrente, ao passo em que deixaram de ser analisados aqueles acostados com a Impugnação, não tendo sido contabilizados; e Fl. 1708DF CARF MF 10 (viii) Que o valor tido a título de empréstimo (R$ 450.000,00) da empresa Viesa ao seu sócios não pode ser considerado como prolabore, vez que houve dupla classificação do negócio jurídico pela autoridade ficalizadora, ao passo que esta reconehcei a validade do mútuo quando os valores foram devolvidos pelo sócio no meso exercício fiscalizado, e não teria reconhecido em relação aos valores não devolvidos. Entende, assim, que adotouse critérios jurídicos distintos quando da realização do lançamento. Em seguida, o Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte foi apreciado por esta 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a qual manifestouse através da Resolução nº 2401000.454 de 10 de março de 2015, fls. 1.123/1.134 e converteu o julgamento em diligência com o objetivo de esclarecer alguns pontos, da seguinte forma: “Neste contexto, por não encontrar nos autos uma definição clara e precisa acerca dos elementos que embasaram a autuação fiscal, voto por converter o presente processo em diligência, para que sejam analisados os documentos acostados pela Recorrente em sua Impugnação, Recurso Voluntário e demais manifestações nos autos, com vistas a: a) Identificar se os comprovantes de despesas apresentados coincidem com os valores lançados na conta de ativo “Empréstimo a Sócio”; b) Identificar a natureza dos documentos apresentados, a fim de verificar se se trata de despesa da Recorrente ou pessoal do seu sócio. Elaborar planilha identificando os valores e natureza de cada despesa cujo comprovante foi apresentado, relacionada à conta de ativo “Empréstimo a Sócio”; c) Esclarecer todos os lançamentos contábeis que foram efetuados para registro do passivo relativo às despesas cujos comprovantes foram apresentados e sua subsequente baixa – se houve ou não contabilização da despesa em contrapartida a lançamento a crédito em conta de fornecedor; de que modo a conta de fornecedor que registrou a obrigação foi baixada (contra caixa, empréstimo a sócio, etc?), etc. Sendo necessário avaliar documentos contábeis não acostados aos autos, o contribuinte deverá ser intimado a apresentalos ou prestar os esclarecimentos necessários; d) Verificar a origem dos recursos financeiros utilizados para quitar as despesas cujos comprovantes foram apresentados pela Recorrente – as despesas foram pagas através de recursos financeiros da própria Recorrente (contra Caixa ou Bancos), de empresas a ela vinculadas, ou de seus sócios? e) Apresentar outros esclarecimentos que o auditor fiscal diligente entender pertinentes para julgamento da lide. Após a realização da referida diligência, dêse ciência ao contribuinte, facultandolhe a apresentação de manifestação quanto ao seu teor, e, Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 7 11 em seguida, retornem os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise do Recurso Voluntário interposto.” Na sequência, a empresa foi intimada (Termo de Intimação Fiscal nº 1 – fl. 1.156/1.159), com data de ciência postal em 18/08/2015, a apresentar documentos e prestar informações. Atendendo a intimação, a Recorrente apresentou os esclarecimentos acompanhados de documentos de fls. 1.161/1.671. Sobreveio a Informação Fiscal de fls. 1.672/1.688, da qual, devidamente intimada em 30/10/2015 (fl. 1.693), a Recorrente não se manifestou. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada do acórdão em 19/11/2012 (fls. 892) e interpôs o Recurso Voluntário, tempestivamente, em 18/12/2012, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO I – Dos valores pagos a título de bolsa de estudos. Aduz a Recorrente, às fls. 899, que os valores pagos à título de bolsa de estudos foram indevidamente computados na base de cálculo da contribuição previdenciária, já que não integram o saláriodecontribuição, citando, inclusive, decisão do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no Recurso Especial nº 1.079.978PR). Como se pode observar, em que pese o entendimento anterior, de que não teriam sido observados os critérios do § 9º e alínea “t” do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, já que os cursos a que se ativaram as duas funcionárias seriam de nível superior, com a devida vênia, de fato a jurisprudência do C. STJ sobre a matéria é unanime no sentido de que, independente da natureza do curso (inclusive para dependentes), não há incidência destes valores na base de cálculo do salário contribuição, desde que o curso realizado esteja vinculado aos fins da empresa. Vejase: Fl. 1710DF CARF MF 12 “PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. Recurso Especial provido.” (STJ, 2ª Turma, REsp 1666066/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 06/06/2017, DJe 30/06/2017) No presente caso, é incontroverso nos autos que os cursos ofertados às duas funcionárias eram de técnico de nutrição e superior em administração, sendo que as empregadas exerciam as funções de recepcionista e ajudante de cozinha, ou seja, os cursos estavam de acordo com as funções por elas exercidas na empresa, bem como com o ramo de atividade da empresa (alimentação e organização de eventos), se enquadrando, portanto, próprio conceito utilizado pela C. Superior. Inobstante não haver vinculação das decisões judiciais no âmbito administrativo, não se pode olvidar a necessidade homogeneidade das decisões em todas as esferas, a fim de que prevaleça o comando constitucional da segurança jurídica. Da mesma forma, cumpre destacar que este também tem sido as decisões adotadas nesta esfera, como se verifica abaixo: “[...] SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO DESTINADO AOS EMPREGADOS. NÍVEL SUPERIOR. CURSOS DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO. A descrição prevista no art. 28, § 9º, "t" da lei 8212/91, admite a interpretação de que a educação superior estaria abrangida nos cursos de capacitação ou mesmo qualificação profissional até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o dispositivo, devendo a autoridade fiscal, apresentar o descumprimento da extensão a todos ou da desvinculação das atividades na empresa para respaldar o lançamento. [...]” (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 2ª Turma, Acórdão nº 9202005.970, Relatora Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Data da Sessão 26/09/2017). “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2007 Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 8 13 EMPREGADO. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSOS DE PÓS GRADUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28 § 9º, “t” da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, observados os critérios legais, excluiu da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional dos seus empregados, a qual, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), engloba o plano de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade. TRABALHADOR AUTÔNOMO E EVENTUAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. INCIDÊNCIA. A isenção prevista no art. 28 § 9º, “t” da Lei 8.212/91 não se estende ao auxílio educação pago aos trabalhadores autônomos e eventuais que prestam serviço à empresa. Recurso Voluntário Provido em Parte” (CARF, Segunda Seção de Julgamento, 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2301004.391, Relatora Conselheira Luciana de Souza Espindola Reis, Data da Sessão 09/12/2015). Segundo os entendimentos acima consignados, data vênia ao quanto consignado anteriormente, desde que sejam respeitados os critérios legais, excluise da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional de seus empregados, estando englobados no conceito de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade. Da mesma forma, não restou verificado que era vedada a concessão da bolsa aos outros empregados, valendo destacar que a bolsa em questão tem fato gerador próprio (curso na área de atuação da empresa), não sendo o caso de concessão a todos os empregados sem análise prévia do preenchimento dos requisitos elencados pelo próprio art. 28 da Lei nº 8.212/91. Assim, não havendo demonstração pelo fisco de que os critérios foram desrespeitados, não há que se falar em incidência na base de cálculo do salário contribuição parcela indenizatória destinada ao aperfeiçoamento do profissional. Portanto, merece reforma a respeitável decisão a quo no ponto, a fim de que seja desconsiderada a infração no que tange à não inclusão na base de cálculo do salário contribuição dos valores pagos a título de bolsa de estudos. II – Das diferenças de recolhimentos apurados entre folha de pagamento e GFIP. No tocante ao ponto, a Recorrente afirma que a r. decisão a quo deve ser reformada em razão de excesso de formalidade, já que a diferença apontada no mês de fevereiro de 2008 seria proveniente de mero equívoco cometido pela própria recorrida, devendo ser realizada a retificação de ofício da GPS para serem adequadamente distribuídas as recitas do INSS e aos terceiros. Fl. 1712DF CARF MF 14 Ocorre que, como muito bem apontado pela decisão recorrida, a IN nº 1.265/12, em seu art. 4º, IX, é expresso ao vedar a retificação que versem sobre “alteração de campos de GPS referentes a competências incluídas em débito de lançamento de ofício, cujo pagamento tenha ocorrido em data anterior à constituição deste débito”, o que se verifica no presente caso. Além disso, a própria IN 900/08, em seu artigo 34, ressalva a compensação de contribuições previdenciárias e recolhidas para outras entidades de fundos. “Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos.” Assim, mantenho a condenação neste mês. Já no tocante aos meses de agosto a dezembro de 2008, melhor sorte não assiste à Recorrente, uma vez que não foi seguido o quanto determinado pelo manual da GFIP, a partir da versão 8.0, inclusive após a retificação realizada pela própria Recorrente, que deixou de declarar “todos os fatos geradores, inclusive os já informados, com as respectivas correções e confirmações”. “Retificação de informações As informações prestadas incorretamente devem ser corrigidas por meio do próprio SEFIP, conforme estabelecido no Capítulo V deste Manual. Os fatos geradores omitidos devem ser informados mediante a transmissão de novo arquivo SEFIPCR.SFP, contendo todos os fatos geradores, inclusive os já informados, com as respectivas correções e confirmações. (...) capitulo V– RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES As informações prestadas incorretamente ou indevidamente devem ser corrigidas por meio de nova GFIP/SEFIP, conforme estabelecido neste capítulo. Os fatos geradores omitidos também são declarados mediante a entrega de uma nova GFIP/SEFIP, contendo todos os fatos geradores já informados, incluindo, se for o caso, a indicação do recolhimento/declaração complementar ao FGTS. Sobre recolhimento/declaração complementar, observar as orientações do subitem 8.1 do Capítulo I. Os arquivos gerados pelo SEFIP devem, obrigatoriamente, ser transmitidos pela Internet, por meio do Conectividade Social, Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 9 15 conforme estabelecido na Circular CAIXA nº 321/2004 e Portaria Interministerial MTE/MPS nº 227/2005.” A forma como deve ser realizada a declaração também é obrigação do contribuinte, até mesmo para que haja ordem e a devida verificação pelo agente fiscal das informações lançadas, como no caso em questão. Importante relembrar que, a falta de atenção da Recorrente fez com que (fls. 871): “Nas competências de 02/2008 e 03/2008 efetuou nova GFIP com a mesma chave apagando as GFIP anteriormente declaradas provocando a omissão de segurados de toda a folha de pagamentos dessas competências com exceção de 1 segurado em cada uma dessas competências. Nas competências de 04/2008 a 12/2008 pela mesma sistemática apagou a GFIP anterior declarando nova GFIP apenas com um valor que não compõe a base de cálculo para contribuições previdenciárias encontrada na folha de pagamento desse período, provocando divergência na GFIP: no valor do salário de contribuição, no valor de contribuição de segurados devida e conseqüentemente no valor devido para a previdência.” (sem grifos no original) Além disso, conforme apontado no v. acórdão a quo, a fiscalização efetuou a ação fiscal levando em consideração, para as competências de 08/2008 e 12/2008 os valores declarados nas GFIP válidas, ou seja, as últimas apresentadas até aquela data. Dessa forma, deve ser mantida a r. decisão a quo no particular. III Empréstimos para sócios. III.a Dos valores não identificados (fls. 1.664 resposta – fls. 1133 acórdão) Conforme se observa da r. decisão anterior, entendeu a então relatora que não seria possível julgar o presente caso, sem que antes fossem esclarecidos alguns fatos. Isso porque, segundo aquela relatoria “[...] a fiscalização parte da premissa de que a Recorrente teria efetuado pagamentos de despesas em favor de seu sócio, despesas essas que, ao invés de serem tratadas com prólabore, foram indevidamente ativadas em conta de Empréstimos para sócio. Se, contudo, as despesas pagas foram da sociedade Recorrente, não há como as mesas serem consideradas, em qualquer hipótese, prólabore de sócio. Haveria, no caso, erro nos lançamentos contábeis, que não se sobrepõem à verdade dos fatos”. Assim, após a análise, de forma exaustiva, dos documentos anteriormente juntados e, ainda, daqueles juntados fora de tempo, se constatou diversas irregularidades nos documentos e teses lançadas pela Recorrente (fls. 1664 a 1688): “[...] A empresa apresentou também o extrato do razão analítico da conta 1.2.1.01.0001 – EMPRÉSTIMOS PARA SÓCIOS – 100787 com a indicação de números de documentos que demonstrariam cada lançamento na conta. Estes documentos indicados no extrato do razão analítico e que estão sendo anexados ao presente são extratos da conta corrente analítico da empresa e um outro extrato, cujo título é “obrigações por conta/data” da empresa e da Fl. 1714DF CARF MF 16 Real Food que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 38), é a empresa Maria Natália de Souza Alves. Fiz o cotejamento da planilha constante do Relatório Fiscal das dls. 47 a 50, onde estão discriminados os valores das bases de cálculo lançadas nos autos de infração, com as planilhas, extratos de contas corrente, extratos do razão analítico e demais documentos apresentados pela empresa. Deste cotejamento verifiquei alguns valores que constam da planilha do Relatório Fiscal e do razão analítico da conta 1.2.1.01.0001 – EMPRÉSTIMOS PARA SÓCIOS – 100787, mas não constam da planilha RELATÓRIO DE PAGAMENTOS DE FORNECEDORES LANÇADOS NA CONTA ‘EMPRÉSTIMO PARA SÓCIOS e nem dos documentos de despesas apresentados pela empresa. [...]. item b: a empresa apresentou a planilha RELATÓRIO DE PAGAMENTOS DE FORNECEDORES LANÇADOS NA CONTA ‘EMPRÉSTIMOS PARA SÓCIOS’. Nesta planilha estão relacionados as datas dos lançamentos, os valores lançados, os históricos dos lançamentos, as naturezas de cada despesa e os números de cada documento de despesa que foram apresentados e estão sendo anexados ao presente. Os documentos relacionados nesta planilha e cujas cópias foram apresentadas, referemse a despesas da empresa e não de seu sócio. Em relação aos valores indicados na planilha acima, como não foram apresentados os documentos de despesas referentes aos mesmos, não há como se afirmar se se trata de despesa da empresa ou de seu sócio; [...]” Dessa forma, forçoso admitir a inconsistência das informações apontadas pela Recorrente e aquelas identificadas na planilha do Relatório Fiscal e do razão analítico da conta questionada (1.2.1.01.0001 EMPRÉSTIMO PARA SÓCIOS – 100787) com a planilha utilizada pela Recorrente para justificar a origem dos valores RELATÓRIO DE PAGAMENTOS OFRNECERODS LANÇADOS NA CONTA “EMPRÉSTIMOS PARA SÓCIOS”, inclusive em relação aos documentos apresentados. Além disso, verificase que de diversos históricos não se identifica nenhum documento que comprove a movimentação, como por exemplo, o “Empréstimo efetuado a empresa aos sócios”, datado de 30/04/2008, cujo valor foi de R$ 460.000,00 (quatrocentos e sessenta mil reais), como concluído pelo Agente Fiscal “Em relação aos valores indicados na planilha acima, como não foram apresentados os documentos de despesas referentes aos mesmos, não como se afirmar se se trata de despesa da empresa ou de seu sócio”. Assim, na medida em que os valores apontados na PLANILHA DE PAGAMENTOS DE FORNECEDORES LANÇADOS NA CONTA “EMPRÉSTIMO PARA SÓCIOS”, como aponta o Agente Fiscal, referemse a despesas da empresa e não de seus sócios, mantenho o lançamento em relação aos valores cuja a identificação não foi possível, havendo presunção de que constituem base de cálculo como prólabore, tomandose como base a planilha apresentada pelo Agente Fiscal. Da mesma forma, as multas aplicadas deverão observar as faltas aqui apontadas, mantendose a v. decisão a quo quanto às demais penalidades não reformadas. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, DOU PARCIAL PROVIMENTO para afastar hipótese de incidência previdenciária em relação aos créditos a título de Bolsa de Estudos, uma vez que preenchidos os requisitos do Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 10 17 artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91, mantendose, entretanto, os demais valores lançados. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1716DF CARF MF
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Numero do processo: 13982.720004/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 03/11/2008
COFINS. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. TRIBUTAÇÃO.
As receitas decorrentes de serviços prestados, por cooperativas de trabalho, a terceiros não cooperados, compõem a base de cálculo da Cofins, nos termos do RE 599.362, com trâmite sob o rito de repercussão geral.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2008
PIS. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. TRIBUTAÇÃO.
As receitas decorrentes de serviços prestados, por cooperativas de trabalho, a terceiros não cooperados, compõem a base de cálculo do Pis, nos termos do RE 599.362, com trâmite sob o rito de repercussão geral.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O Auto de Infração é instrumento adequado para a constituição de ofício do crédito tributário com suspensão da exigibilidade. Aplicação da Súmula Carf nº 48.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. TRIBUTAÇÃO. As receitas decorrentes de serviços prestados, por cooperativas de trabalho, a terceiros não cooperados, compõem a base de cálculo da Cofins, nos termos do RE 599.362, com trâmite sob o rito de repercussão geral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2008 PIS. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. TRIBUTAÇÃO. As receitas decorrentes de serviços prestados, por cooperativas de trabalho, a terceiros não cooperados, compõem a base de cálculo do Pis, nos termos do RE 599.362, com trâmite sob o rito de repercussão geral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O Auto de Infração é instrumento adequado para a constituição de ofício do crédito tributário com suspensão da exigibilidade. Aplicação da Súmula Carf nº 48. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 00 04 /2 01 1- 12 Fl. 450DF CARF MF 2 Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Tratase de Auto de Infração relativo à falta/insuficiência de recolhimento das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e para o Programa de Integração Social – PIS, nos valores de R$ 308.093,32 e de R$ 66.101,61, respectivamente, acrescidos de juro de mora e multa, referente ao período 01/2007 a 12/2008. A empresa em epígrafe tratase de uma cooperativa de profissionais médicos, não operadora de plano de assistência à saúde, enquadrandose como sociedade cooperativa em geral. A base de cálculo das contribuições lançadas foi o faturamento, assim entendido a totalidade das receitas auferidas pelas sociedades cooperativas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, conforme disposto no art. 3º. da Lei nº. 9.718/98, §único do art. 2º. E art. 3º. Do Decreto nº. 4.524/02, IN SRF n º. 247/02, art. 10, e IN SRF nº. 635/06, art. 6º., caput. As adições constantes em planilha para apuração da Receita Bruta compreendem os “Atos Cooperativos”, os “Atos não Cooperativos”, os “Ganhos Financeiros” e os “Lucros e Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13982.720004/201112 Acórdão n.º 3201003.758 S3C2T1 Fl. 3 3 Dividendos Eventuais”, conforme contas relacionadas no relatório. Segundo o fisco, a contribuinte se valeu indevidamente das exclusões da base de cálculo previstas no artigo 17 da IN SRF nº. 635/2006 – Fundo de Reserva e Fates as quais não se aplicariam à pessoa jurídica em questão, visto que são atinentes às cooperativas de médicos que operam planos de assistência à saúde. Assim, as contas relativas a “Fates” e “Fundo de Reserva” não foram consideradas como excludentes da base de cálculo. As contribuições em questão foram apuradas na forma cumulativa. Nas razões da impugnação, preliminarmente, a contribuinte suscita a nulidade do auto de infração, alegando que este não é o meio próprio para a constituição do crédito tributário, mas sim para a aplicação de penalidades, nos termos do art. 10 do Decreto nº. 70.235/1972. Alega, ainda, que o referido decreto estabelece que o auto de infração deve conter o dispositivo legal infringido (art. 10, IV), suscitando a anulação pela suposta falta de dispositivo legal infringido no presente. No mérito, no tópico “2.3. da não incidência de PIS/ Cofins sobre o ato cooperativo”, alega que não recolheu PIS/Cofins sobre a rubrica “Ato Cooperativo”, posto que entende que não houve a revogação do inciso I do art. 6º. da LC 70/91. Discute a legalidade/constitucionalidade da revogação deste dispositivo legal por Medida Provisória, na medida em que somente Lei Complementar poderia revogar o benefício/adequado tratamento tributário concedido . Ressalva que a cooperativa, quando pratica atos que lhe são próprios, não aufere lucro, as despesas são rateadas entre os associados, assim como o resultado positivo do exercício é partilhado, proporcionalmente, entre aqueles que fazem parte da cooperativa. Nesse sentido, alega que a inexigibilidade do PIS e da Cofins relativamente aos atos cooperativos decorre não de regra de isenção e sim da não configuração de fato gerador da obrigação tributária, e que a LC 70/91 veio tãosomente explicitar, embora de forma tecnicamente inadequada, o que já se interpretava como imunidade, sob o nome de isenção. Cita jurisprudência do TRF4 e do STJ. Segundo a impugnante, independentemente da inconstitucionalidade da revogação da isenção das contribuições, a cooperativa não aufere receita ou faturamento quando pratica atos cooperativos. Remete ao art. 79, § único da Lei nº. 5.764/71. No tópico “2.4. da não incidência de PIS/Cofins sobre receitas financeiras”, alega que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do §1º. do artigo 3º. da Lei nº. 9.718/98, Fl. 452DF CARF MF 4 decidindo que as receitas financeiras e nãooperacionais não compõem a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins. Requer que estas receitas sejam retiradas da base de cálculo das contribuições. Por fim, requer que sejam julgados improcedentes os lançamentos, no todo ou em parte, conforme requerido e fundamentado nos itens da impugnação. A DRJ/Florianópolis/SC – 4ª Turma, por meio do Acórdão 073.061, de 26/10/2012, decidiu pela procedência parcial da Impugnação, afastando da base de cálculo do lançamento as receitas financeiras. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. FATURAMENTO. ATO COOPERATIVO. Em virtude da revogação do art. 6º da LC nº 70, de 1991, efetuada pela Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 e suas reedições, as Sociedades Cooperativas em geral passaram a recolher o PIS/Cofins sobre o seu faturamento, conforme a Lei 9.718/98, o qual deve ser entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, sendo irrelevante o fato desta receita ser ou não oriunda de ato cooperativo. CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras não se enquadram no conceito de faturamento da Lei nº. 9.718/98, visto que não se tratam de receitas oriundas do exercício das atividades empresariais da cooperativa de eletrificação rural. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. FATURAMENTO.ATO COOPERATIVO. Em virtude da revogação do art. 6º da LC nº 70, de 1991, efetuada pela Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 e suas reedições, as Sociedades Cooperativas em geral passaram a recolher o PIS/Cofins sobre o seu faturamento, conforme a Lei 9.718/98, o qual deve ser entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, sendo irrelevante o fato desta receita ser ou não oriunda de ato cooperativo. CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13982.720004/201112 Acórdão n.º 3201003.758 S3C2T1 Fl. 4 5 As receitas financeiras não se enquadram no conceito de faturamento da Lei nº. 9.718/98, visto que não se tratam de receitas oriundas do exercício das atividades empresariais da cooperativa de médicos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 LANÇAMENTO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. INSTRUMENTOS LEGAIS. Os artigos 10 e 11 do Decreto nº. 70.235/72 tratam, respectivamente, dos requisitos a serem observados no auto de infração e na notificação de lançamento, sendo ambos instrumentos legais para o lançamento de créditos tributários. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. A cooperativa então interpôs o Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos da Impugnação. Acrescenta pedido de sobrestamento do processo, em vista do RE 598.085, sob o rito da repercussão geral, que trata da constitucionalidade das alterações promovidas pela MP 1.858/99, posteriormente MP 2.15835/2001, acerca da tributação dos atos cooperativos. Deixa de arugmentar contra a tributação das receitas financeiras, já deferida pelo decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo, trata de matéria de competência desta turma, e, conforme Termo de Verificação Fiscal, a cooperativa não é parte de açãojudicial que discuta as matérias deste processo. Portanto, o recurso deve ser conhecido. Preliminar – Sobrestamento do processo em vista do RE 598.085 Fl. 454DF CARF MF 6 A matéria não foi veiculada em Impugnação, restando preclusa nos termos do art. 17 do PAF. Ademais, o sobrestamento previsto no regimento anterior do Carf, art. 62A, §1º, conforme solicitado, não mais subsiste no novo regimento, Portaria MF 343/2015. A matéria de fundo do RE 598.085 é de mérito, onde será analisada. Afasto a preliminar. Preliminar – Notificação de Lançamento X Auto de Infração. A preliminar em que a recorrente pede pelo cancelamento do Auto de Infração, alegando a inadequação da utilização de Auto de Infração, em vez de Notificação de Lançamento, deve ser rejeitada. A recorrente fundamenta sua defesa, nesta parte, pela redação dos artigos 10 e 11 do PAF, Decreto 70.235/72, em especial o incido IV do artigo 10 que diz: Art. 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável Então deduz daí que o Auto de Infração seria aplicável somente para autuação de penalidade, não de tributo. Ora, tratase de sofisma. O requisito de que a penalidade aplicável conste do Auto de Infração não exclui a presença de tributo. A diferença entre Auto de Infração e Notificação de Lançamento não está nesse aspecto, mas em outro. O Auto de infração, nos termos do art. 10 do PAF – Decreto 70.235/72, é mais completo e abrange todas as situações possíveis para efetivação do lançamento de ofício. A Notificação de Lançamento é que é mais restrita, aplicável em circunstâncias específicas em que não se exija a participação direta do Auditor Fiscal, tais como a formalização automática da exigência em casos de malha fiscal preparada em sistemas de computadores e assinada eletronicamente, emitida em lotes numerosos, e nesse modo, expedida em lotes por titular do órgão circunscricional. Confirase, nesse sentido, as disposições da Instrução Normativa da Receita Federal nº 958/2009: Art. 1º A revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) farseá mediante procedimentos internos decorrentes de parâmetros nacionais estabelecidos pelas CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis), CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança (Codac) e CoordenaçãoGeral de Tecnologia da Informação (Cotec), de acordo com suas competências regimentais. (...) Art. 2º Da revisão da declaração poderá resultar notificação de lançamento ou auto de infração. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 13982.720004/201112 Acórdão n.º 3201003.758 S3C2T1 Fl. 5 7 § 1º Quando for constatada infração à legislação tributária exclusivamente por meio de informações constantes das bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), será expedida notificação de lançamento, da qual será dada ciência ao contribuinte. § 2º Quando as infrações à legislação tributária forem constatadas após análise das informações apresentadas pelo sujeito passivo, nos termos previstos no art. 3º desta Instrução Normativa, será lavrado auto de infração pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) que presidir e executar o procedimento. As disposições legais acerca da nulidade do lançamento não distinguem quanto ao meio – Auto de Infração ou Notificação de Lançamento estabelecendo apenas os elementos imprescindíveis e a adequada descrição da motivação, nos termos dos artigos 10, 11 e 59 do Decreto 70.235/72. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não faltando os elementos do artigo 10, e não incidindo nas nulidades do art. 59, o Auto de Infração consubstanciase como lançamento válido para formalização da exigência. Portanto, não acato a preliminar arguida. Preliminar de ausência de fundamentação legal Alega a recorrente que o Auto de Infração não teria apontado o dispositivo legal infringido. O Termo de Verificação Fiscal, fl.34, refere à base de cálculo como o faturamento, art. 3º da Lei 9.718/98, e ao Decreto 4.524/2002, às instruções normativas da Receita Federal 247/2002 e 656/006, que, por sua vez, referem aos dispositivos legais pertinentes às cooperativas de trabalho médico. O Termo de Verificação Fiscal é parte integrante do lançamento. Além disso, de todo o contexto do lançamento, a recorrente pode obter informações plenas para a defesa de todas as teses relacionadas às matérias, e efetivamente o fez. Não havendo prejuízo à defesa, não há nulidade, nos termos do art. 59 do PAF. Portanto, afasto a preliminar. Mérito No mérito, a tributação das cooperativas de trabalho médico já foi objeto de apreciação pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos, e do Supremo Fl. 456DF CARF MF 8 Tribunal Federal, em repercussão geral, decisões que são vinculantes para o Carf, conforme art. 62, §2º, do regimento interno, Portaria MF 343/2015. O STJ, no âmbito do REsp 1.164.716, sob o rito dos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 22/06/2016, decidiu que a tributação de Pis e Cofins somente incide sobre atos nãocooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Todavia, resta ainda a questão de se definir, para cooperativas de trabalho médico, quais são os atos cooperativos típicos, uma vez que a receita advém de terceiros não cooperados, isto é, os clientes dos serviços prestados. Tal questão foi admitida como em repercussão geral nos RREE 599.362 e 598.085. O RE 599.362 decidiu que o Pis incide sobre receitas advindas de terceiros nãocooperados, em cooperativas de trabalho. Transcrevo a ementa: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional Fl. 457DF CARF MF Processo nº 13982.720004/201112 Acórdão n.º 3201003.758 S3C2T1 Fl. 6 9 concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada Fl. 458DF CARF MF 10 segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. Colaciono trechos do voto do relator, todos como fundamentação para a decisão, para melhor clarificar o que foi considerado ato cooperativo: “Este é o cerne da demanda: a partir da exegese do que seja o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, saber se as receitas auferidas pelas Cooperativas de Trabalho decorrentes dos negócios jurídicos praticados com terceiros – não cooperados – se inserem na materializada de contribuição ao PIS/PASEP, ou se, ao revés, não constituem receita da cooperativa e, sim, do cooperado, caracterizandose como hipótese de não incidência tributária. (…) “É certo que a atividade inerente às cooperativas, especialmente pelas assim chamadas 'cooperativas de trabalhos', é complexa por envolver funções de naturezas distintas. A priori, as sociedade cooperativas existem para servir aos cooperados, na medida em que a atividade por elas exercida visa atender aos objetivos estabelecidos democraticamente pelos seus associados, que buscam, por meio delas, criar e desenvolver formas de aumentar sua produtividade e seu rendimento. Esta é a atuação interna das cooperativas, é o chamado ato cooperativo pelo qual os seus dirigentes, trabalhando em prol das mesmas, atuam junto à sociedade captando possibilidades de trabalho para o cooperado” (…) “...atos cooperativos são assim definidos tendo em vista os agentes que deles participam, de forma que, em se tratando de pessoa estranha à relação cooperadocooperativa, inexiste a possibilidade de celebração de ato cooperativo”. (…) “Quando estamos diante de uma cooperativa de trabalho, caso dos autos, o tipo de serviço prestado precisa ficar bem evidenciado. Isso se vê claramente nas chamadas cooperativas de prestação de serviços profissionais, as quais respondem 'pela captação e pela contratação impessoal dos serviços, para ulterior distribuição entre os cooperados, que os executarão de forma individual e autônoma, de modo a garantir oportunidade trabalho e remunerabilidade a todos'” (…) Fl. 459DF CARF MF Processo nº 13982.720004/201112 Acórdão n.º 3201003.758 S3C2T1 Fl. 7 11 “Na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos – a cooperativa não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores que se associaram. Como dizia Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado – contratos de sociedade, sociedades de pessoas. 3. ed. São Paulo:RT, 1984.XLIX,p.507), '[a] sociedade cooperativa de trabalho, com a personalidade jurídica, aparece, lá fora, como empresa; e empresa, em largo sentido, ela o é.” (…) “Não se pode entender que o conceito de faturamento seja estranho às cooperativas no que diz com suas relações com terceiros.” “Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário da União para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas” Copio também a tese firmada, conforme a decisão em embargos de declaração: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 323 da repercussão geral, acolheu os embargos de declaração para prestar esclarecimentos, sem efeitos infringentes, fixando tese nos seguintes termos: “A receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao PIS/PASEP”. Ausentes, justificadamente, os Ministros Celso de Mello e Teori Zavascki. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.08.2016.” Esta decisão transitou em julgado em 25/11/2016, sendo, também, de aplicação vinculante aos colegiados do Carf, conforme artigo 62 do Regimento Interno. A mesma tese, certamente, se aplica à Cofins, posto que ambas as contribuições tem a mesma formatação legislativa, para o presente caso. Desse modo, a totalidade das receitas de serviços prestados pelos cooperados a terceiros não cooperados são tributáveis pelo Pis e pela Cofins. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 460DF CARF MF 12 Fl. 461DF CARF MF
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Numero do processo: 13639.000134/2007-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003,2004
OPÇÃO RETROATIVA SIMPLES. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA.
O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples.
São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf-Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada.
A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeita-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1003-000.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003,2004 OPÇÃO RETROATIVA SIMPLES. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf-Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeita-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003,2004 OPÇÃO RETROATIVA SIMPLES. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 00 01 34 /2 00 7- 51 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13639.000134/200751 Acórdão n.º 1003000.080 S1C0T3 Fl. 82 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Inclusão Retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) em 26.04.2007, fl. 01, a partir do início das atividades, ou seja, de 22.03.2001, ao argumento de que: Ocorre que, maior surpresa não poderia ocorrer quando, no ano de 2004 a Requerida recebeu uma correspondência desta Instituição onde relatava que a mesma não havia realizado a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições (SIMPLES) e que a situação deveria ser regularizada. Constatouse então, que por um lapso não foi efetuado, tempestivamente, a opção pelo SIMPLES. Diante disto, a Requerente, no intuito de regularizar a situação, transmitiu uma DIPJ referente ao anocalendário de 2004, o que, ao contrário do desejado, complicou ainda mais a sua situação, uma vez que realizou todos os pagamentos como se estivesse enquadrada no Simples. Conforme se observa nas copias das guias de recolhimentos e declarações ora anexadas, a Requerente não agiu de má fé, tão pouco lesionou o fisco, apenas, por uma falha de informação, cometeu erro, que, o não deferimento da retroação causará danos sim, as a este contribuinte que paga seus impostos em dia, pois coloca de forma irregular perante esta Instituição. Em conformidade com o Despacho Decisório da DRF/Juiz de Fora/MG, de 19.01.2009, fls. 2325: A intenção inequívoca de adesão ao Simples, pela interessada, nos exercícios 2002 e 2003, anos calendários 200l e 2003 e exercícios 2006 a 2008, anos calendário 2005 a 2007 encontrase demonstrada conforme se depreende da consulta aos sistemas CNPJ, IRPJ e Sinal 06, telas às fls. 16/21. O documento de fls. 22 comprova a admissibilidade da opção pelo Simples, conforme orientação da Nota Técnica CORAT/CODAC/DIPEJ n° 044, de l2/05/2004. Observamos às fls. 17 que a contribuinte entregou a declaração IRPJ no formulário de Lucro Presumido nos exercícios de 2004 e 2005, anoscalendário 2003 e 2004. Pelo exposto, propomos a inclusão da interessada no Simples, com efeitos retroativos aos períodos de 22/03/200l a 31/12/2002 e 01/01/2005 a 30/06/2007, mediante processamento dos eventos 319 (inclusão administrativa no Simples) e 321 (exclusão administrativa no Simples), previsto no AD/COTEC/001/2000. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/JFA/MG nº 0924.709, de 25.06.2009, fls. 6365: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13639.000134/200751 Acórdão n.º 1003000.080 S1C0T3 Fl. 83 3 INCLUSÃO RETROATIVA. É incabível a inclusão retroativa ao Simples quando não identificada a intenção inequívoca de aderir àquele sistema, por meio de pagamentos mensais efetuados por DarfSimples e da apresentação da Declaração Anual Simplificada. Solicitação Indeferida Notificada em 02.09.2009, fls. 67, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.10.2009, fls. 7071, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. No que diz respeito aos fundamentos do indeferimento da inclusão retroativa no Simples afirma que: Ocorre que, maior surpresa não poderia ocorrer quando, no ano de 2004 a Requerida recebeu uma correspondência desta Instituição onde relatava que a mesma não havia realizado a opção pelo Sistema integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições (SIMPLES) e que a situação deveria ser regularizada. Constatouse então, que por um lapso não foi efetuado, tempestivamente, a opção pelo SIMPLES. Diante disto, a Requerente, no intuito de regularizar a situação, em virtude da recusa do sistema em aceitar a PS, transmitiu uma DIPJ referente ao anocalendário de 2004, o que, ao contrário do desejado, complicou ainda mais a sua situação, uma vez que realizou todos os pagamentos como se estivesse enquadrada no Simples. Conforme se observa nas cópias das guias de recolhimentos e declarações ora anexadas, a Requerente não agiu de máfé, tão pouco lesionou o fisco, apenas, por uma falha de informação, cometeu um erro que ora pretende ver resolvido. Impende esclarecer ainda que o não deferimento da retroação causará danos sim, mas a este contribuinte que paga seus impostos em dia, pois o coloca de forma irregular perante esta instituição. Concernente ao pedido expõe que: Diante do exposto, requer a Vv. Sa. ,espontaneamente que regularize a situação cadastral da requerente para que conste do seu cadastro a opção pelo SIMPLES também nos períodos de 2003 e 2004, o que a isentaria assim das multas por atraso na entrega de DCTFs constante da presente intimação. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13639.000134/200751 Acórdão n.º 1003000.080 S1C0T3 Fl. 84 4 A Recorrente afirma que fez a opção nos termos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas.1. Em preliminar, no que se refere à identificação da intenção inequívoca de a Recorrente aderir ao Simples, vale mencionar o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 02 de outubro de 2002, que disciplinou a matéria no seguinte sentido: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Consta no Item 141 das Perguntas e Respostas da RFB de 20052: Pode o Delegado ou Inspetor da Receita Federal retificar de ofício a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no CGC/CNPJ? O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples (ADI SRF n º 16, de 2002). NOTA: 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 2 BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria da Receita Federal. Perguntas e Respostas 2005. Disponível em: < http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/dipjdeclaracaode informacoeseconomicofiscaisdapj/anosanteriores2009a1999>. Acesso em 15 jun. 2018. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13639.000134/200751 Acórdão n.º 1003000.080 S1C0T3 Fl. 85 5 Cabe, entretanto, a inclusão retroativa de ofício, para fatos ocorridos até o exercício de 2003 (anocalendário 2002), no caso de o contribuinte comprovar sua intenção de promover a alteração cadastral exigida pela Lei n º 9.317, de 1996. Essa comprovação pode ser feita, nos casos de não apresentação do TO e da não formalização da opção de adesão ao Simples mediante a FCPJ, pela comprovação de entrega das Declarações Anuais Simplificadas ou a apresentação dos comprovantes de pagamento (DarfSimples). Ressaltese que o pagamento efetuado por outro regime de tributação não caracteriza a intenção de opção pelo Simples ainda que o contribuinte tenha entregue a Declaração Anual Simplificada. Restando positivado que comprovada a ocorrência de erro de fato, a pessoa jurídica pode ser incluída de ofício no Simples quando for possível identificar sua intenção inequívoca de adesão devendo de maneira imprescindível serem evidenciadas as seguintes condições cumulativas de forma objetiva e com provas diretas: (a) efetivação dos pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples); e (b) apresentação da Declaração Anual Simplificada (DAS) Simples. A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 16 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1997). O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no voto condutor do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/JFA/MG nº 09 24.709, de 25.06.2009, fls. 6365: Independentemente da discussão do contribuinte acerca do fato âque transmitiu as declarações no formulário do lucro presumido apenas para não sobre penalidade, a manifestação inequívoca a que se refere o ADI supra, como se vê, caracterizase pelos pagamentos em DarfSimples “e” entrega da Declaração Anual Simplificada. Segundo o extrato, fl. 17, a contribuinte, apesar de efetuar recolhimentos por meio de DARF Simples de 2001 a 2007, não apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ: não se cumpriu assim as duas exigências para que se caracterize a manifestação inequívoca. Pelo contrário, constam declarações entregues pela interessada nos formulários de lucro real e lucro presumido para os exercício 2003 e 2004, respectivamente. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13639.000134/200751 Acórdão n.º 1003000.080 S1C0T3 Fl. 86 6 Diante do exposto, por não ter ficado demonstrado o erro de fato, o presente voto é pelo indeferimento do que se pleiteou na Manifestação de Inconformidade, devendo ser mantido o que se decidiu no despacho da DRF/Juiz de Fora/SACAT (fls. 23/25). Analisando as provas produzidas nos autos, verificase que a Recorrente: (a) recolheu por DarfSimples nos anoscalendário de 20012007, fls. 1821; (b) apresentou em 25.05.2001 a Declaração Anual Simplificada (DAS) Simples referente ao anocalendário de 2001, fl. 17; (c) apresentou 30.05.2003 a Declaração Anual Simplificada (DAS) Simples referente ao anocalendário de 2002, fl. 17; (d) apresentou 30.06.2004 a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) pelo Lucro Real referente ao anocalendário de 2003, fl. 17; (e) apresentou 30.06.2005 a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) pelo Lucro Presumido referente ao anocalendário de 2004, fl. 17; (f) apresentou 29.05.2006 a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples referente ao anocalendário de 2005, fl. 17; (g) apresentou 29.05.2007 a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples referente ao anocalendário de 2006, fl. 17; e (h) apresentou 31.10.2007 a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples referente ao período de 01.01 a 30.06 do anocalendário de 2007, fl. 17. Analisando os dados constantes nos registros da Secretaria da Receitas Federal, verificase que para os anoscalendário de 2003 e 2004 a Recorrente apresentou a Declarações de Informações EconômicoFiscais (DSPJ) pelo regime de tributação com base no lucro real e com base no lucro presumido, respectivamente, fl. 17. Houve efetivação de pagamentos mensais por intermédio do DarfSimples, fls. 1821. Logo, não é possível identificar a sua intenção inequívoca de aderir ao Simples pela falta de demonstração inequívoca do erro de fato no preenchimento do Termo de Opção (TO) e da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) nos anos calendário de 2003 e 2004, caso em que, no período, a Recorrente sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas inclusive no que se refere às obrigações tributárias principais e acessórias. Pertinente a alegação de boafé cabe ressaltar que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (art. 136 do Código Tributário Nacional). A afirmação suscitada na peça recursal, destarte, não é cabível. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13639.000134/200751 Acórdão n.º 1003000.080 S1C0T3 Fl. 87 7 Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.901826/2013-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/03/2013
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.012
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/03/2013 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 18 26 /2 01 3- 73 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06046.171. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 13854.000059/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COFINS NÃO-CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. AQUISIÇÃO DE EMBALAGENS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
Tratando-se de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo.
O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, por se enquadrar no conceito de insumo, quando pertinente e essencial ao processo produtivo, desde que não ativado.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-006.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. AQUISIÇÃO DE EMBALAGENS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Tratandose de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo. O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, por se enquadrar no conceito de insumo, quando pertinente e essencial ao processo produtivo, desde que não ativado. Recurso Especial do Procurador Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 59 /2 00 5- 11 Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 9303006.091 CSRFT3 Fl. 1.310 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do Acórdão nº 3402002.793, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. CREDITAMENTO. Insumos, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. Tratandose de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins quando pertinente e essencial ao processo produtivo. Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 9303006.091 CSRFT3 Fl. 1.311 3 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. O presente processo referese a pedido de Ressarcimento de Crédito da COFINS NãoCumulativa, relativo ao quarto trimestre de 2005. A Derat/SP reconheceu em parte o direito ao crédito pleiteado, conforme despacho decisório de fls. 1.064 a 1.085, confirmado pela DRJ/SP1 que, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, a julgou improcedente (Acórdão 1648.831, fls. 1.200/1.210). A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas ao gás nitrogênio e, sob a rubrica "material de embalagem", somente os tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho) e caixas de papelão. A Fazenda apresentou recurso especial (fls. 1.286 a 1.302), suscitando divergência quanto à inclusão, no cálculo do valor a ser descontado da contribuição social devida na forma da Lei n° 10.833/2003, das despesas com material de limpeza e desinfecção e embalagens utilizadas para o transporte. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento da COFINS, conforme despacho de admissibilidade (fls. 1.304 a 1.306). O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões (fls. 1.313 a 1.338). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Conforme relatado, o tempestivo recurso foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de COFINS. Visando comprovar a divergência, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os Acórdãos nº 3302002.027 e 310100.795, cujos inteiro teor das ementas foram transcritas no recurso. O confronto das decisões comprova a divergência. Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 9303006.091 CSRFT3 Fl. 1.312 4 Enquanto a turma a quo admitiu à inclusão das despesas com material de limpeza e desinfecção e com embalagens utilizadas para o transporte no cálculo do valor a ser descontado da contribuição social devida, as decisões paradigmas, em sentido contrário, firmaram entendimento quanto à não caracterização como insumos de gastos com material de limpeza e desinfecção, além de admitir crédito somente quanto às embalagens empregadas e incorporadas aos produtos fabricados durante o processo produtivo. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, em especial as despesas com material de limpeza e desinfecção e embalagens utilizadas para o transporte. Os arts. 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas nºs 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS; e 404/04, art. 8º, § 4º, para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. A jurisprudência do CARF caminhou no sentido a considerar que o conceito de insumos trazido pelas normas de regência se posiciona de forma intermediária entre o conceito restritivo do IPI e aquele mais extensivo (do IRPJ). Soluções que aplicam puramente a legislação do IPI ou do IRPJ estão ficando como posições isoladas e não mais tem prosperado, em termos de votação das inúmeras turmas que tratam da matéria. Entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos. Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 9303006.091 CSRFT3 Fl. 1.313 5 Em casos similares de minha relatoria (Acórdão 9303002.630 e 9303 003.195), este colegiado aplicou esse conceito intermediário, entendendo como “insumo” aquele elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. O STJ tem reconhecido o direito aos créditos de PIS e COFINS com base no critério da essencialidade, conforme extraise do excerto da ementa do REsp 1.246.317: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Com efeito, o conceito a ser utilizado nesse voto será a relação direta com o processo produtivo, dentro do critério da essencialidade (se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção, e se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços), além de outras permissivas contidas na lei, por óbvio. Feitos todos esses comentários, passemos à análise dos insumos, objeto do presente caso: material de limpeza e desinfecção e embalagens utilizadas para o transporte. A atividade principal da recorrida consiste na produção e exportação de suco de laranja. O item em questão, relativo à limpeza e desinfecção, é o gás nitrogênio, utilizado no processo de envase e armazenagem do suco de laranja produzido pela Recorrida. Transcrevo excerto das contrarrazões apresentadas pela Recorrida, com a referência do item em seu processo produtivo: “44. Com isso, com vistas a manter a qualidade do produto fabricado, bem como de forma a manter referida qualidade até seu destino final, a Recorrida promove intensa higienização e assepsia em seu processo produtivo. 45. Nesse sentido, a Recorrida utiliza de gás nitrogênio no processo de envase e de armazenagem do suco de laranja, cujo procedimento consiste em efetuar um sopro de nitrogênio no bocal das embalagens de suco a cada período determinado, o que elimina qualquer resíduo do local, deixandoo asséptico para fechamento. Ou seja, o nitrogênio é produto essencial ao processo produtivo da Recorrida uma vez que, ao higienizar e limpar os bocais de embalagem, elimina qualquer impureza e mantém a qualidade do suco de laranja produzido.” Analisando os fatos e as alegações da Recorrente, constatase que a decisão recorrida não merece reparos, neste ponto. Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 9303006.091 CSRFT3 Fl. 1.314 6 Pelo exposto, conforme decidido pela turma a quo, constatase que o “gás nitrogênio é essencial para a obtenção do suco de laranja nas condições desejadas para comercialização e consumo humano no período de validade, eis que a subtração desse insumo no seu processo produtivo acarretaria perda substancial de qualidade do produto”. Nenhuma ressalva há que ser feita na decisão recorrida, neste ponto, sendo mantida a reversão da glosa relativa à aquisição do gás nitrogênio já decidida pelo julgador a quo. Com relação ao material de embalagem, a decisão recorrida também reverteu a glosa da fiscalização, por entender que não caberia a distinção entre material de embalagem e material de transporte para fins de direito a crédito das contribuições, visto que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também seria um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, excetuando apenas as aquisições de bens ativáveis. Também não há qualquer reparo a ser feito na decisão recorrida. Bens que, pela sua própria natureza, não se consomem no processo produtivo, e que obrigatoriamente devem ser incorporados ao ativo permanente da contribuinte, geram crédito das contribuições apenas nas despesas de depreciação, conforme normas específicas. O ponto chave para a concessão do direito creditório é saber se as embalagens, ainda que destinadas a transporte, são bens do ativo permanente da empresa ou não. Caso positivo, o direito creditório seria apenas na depreciação do bem. Caso negativo, se configuradas como essenciais e pertinentes ao processo produtivo, os gastos com embalagens geram crédito. Constatase que, sob a rubrica "material de embalagem", os tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho) e caixas de papelão não são materiais ativáveis e são enviados juntamente com os produtos. Portanto, dão direito ao creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendo integralmente a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1361DF CARF MF
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