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Numero do processo: 11080.001911/91-66
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon May 07 00:00:00 UTC 2001
Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO (II. E IPI.) — TMP.
O recurso apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional não apresenta razões de direito suficientes a ensejar a modificação do julgado, por não atacar o acórdão recorrido quanto ao mérito, e apenas fazer menção aos argumentos já apreciados.
NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO
Numero da decisão: CSRF/03-03.148
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente
julgado. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Edison Pereira
Rodrigues.
Nome do relator: Moacyr Eloy de Medeiros
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Sessão de : 07 DE MAIO DE 2001 Acórdão n° : CSRF/03-03.148 DRAWBACK SUSPENSÃO (I.I. E I.P.I.) — TMP. O recurso apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional não apresenta razões de direito suficientes a ensejar a modificação do julgado, por não atacar o acórdão recorrido quanto ao mérito, e apenas fazer menção aos argumentos já apreciados. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Edison Pereira Rodrigues. c' ON PEREIRA RO! 1 GUES PRESIDENTE MOACYR ELOY DE MEDEIROS RELATOR Formalizado em: 3 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARE, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, HENRIQUE PRADO MEGDA, JOÃO HOLANDA COSTA e NILTON LUIZ BARTOLI. MMM/TMC MINISTÉRIO DA FAZENDA \^e•stI" CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° : 11080.001911/91-66 Acórdão n° : CSRF/03-03.148 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : 2' CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUNTES Sujeito Passivo : LUNKO METALÚRGICA LTDA RELATÓRIO A empresa LUNKO METALÚRGICA LTDA. importou matéria- prima através de regime aduaneiro especial de Drawback — Suspensão, no período de 1986 a 1990, concedido pela Cacex. Em ato de auditoria fiscal, foi detectada a falta de implemento da condição essencial à utilização do regime suspensivo, ou seja, constatou-se a existência de destinação diversa daquela prevista em GIs para as matérias-primas importadas com suspensão de tributos, onde as quantidades declaradas nas guias não correspondiam exatamente àquelas utilizadas na fabricação de produtos a serem exportados. Além do mais, a mesma matéria-prima importada com suspensão também era utilizada na fabricação de produtos a serem comercializados no mercado interno, resultando na lavratura do Auto de Infração e, concomitantemente, na exigibilidade da TMP sobre a parte dos insumos importados não utilizados nas exportações comprobatórias da concessão do regime. A autuada, tempestivamente impugnou a ação fiscal constante do Auto de Infração, por entender que a condição essencial à obtenção do benefício do drawback é o cumptimento do compromisso de exportação, que resulta na entrada de divisas para o País. Por outro lado, os referidos atos foram comprovados pela Cacex, órgão competente no controle e administração do regime, que oficiou à Receita Federal afirmando terem sido cumpridos os compromissos de exportação assumidos por ocasião da concessão. Foi, então, prolatada a Decisão IRF/PAE n° 012/93, indeferindo a preliminar por incabível e, no mérito, mantendo a exigência do crédito tributário, inclusive, da Taxa de Melhoramento dos Portos e acréscimos legais. Insurgindo-se contra a decisão monocrática, tempestivamente a autuada intetpõe recurso ao Egrégio Conselho de Contribuintes, ratificando os argumentos utilizados por ocasião da impugnação, requerendo a insubsistência do Auto de Infração e pleiteando a reforma da decisão de primeira instância. 2 ,15 MINISTÉRIO DA FAZENDA te!' CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° : 11080.001911/91-66 Acórdão n° : CSRF/03-03.148 A Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dá provimento ao recurso, adiante ementado, in verbis: "Taxa de Melhoramento dos Portos. Drawback-suspensão. Julgamento anterior, em processo vinculado, que reconheceu o adimplemento do importador e o consequente cumprimento do regime (Acórdão n° 301-27.451), leva ao descabimento da pretensão aqui arguida. Recurso provido." A Fazenda nacional interpõe Recurso Especial à Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 299, de decisão não unânime, arguindo sucintamente que a Segunda Câmara, ao proferir o Acórdão n° 302-32.764, adotou linha intetptetativa não aplicável ao caso em comento, cuja apreciação mais acertada encontra-se no ato decisório proferido pela autoridade de Primeiro Grau, e que então adota aqui as razões arguidas no processo vinculado inclusas por cópia. Requer, por fim, o provimento do referido recurso, para que seja restabelecida a decisão monocrática. Ouvida, a interessada, contrapondo-se ao entendimento fiscal, ora ratificado pela Douta Procuradoria, provou que nos períodos dos Atos Concessórios exportou quantidades a maior, tanto em unidades quanto em peso ou valor e que foram incorporados aos produtos exportados insumos estrangeiros em quantidade e qualidade equivalente às importações e que se o órgão (CACEX) a que estava afeta a verificação do adimplemento ou não do compromisso assumido houvesse, à época, desconsiderado algumas das Guias de Exportação apresentadas, poderia, tempestivamente a empresa substituí-las por outras disponíveis e não utilizadas na comprovação de nenhum dos Atos Concessórios, já que no período houve exportações a maior. Enfatiza a empresa que, mesmo sendo desprezada a GE utilizada na comprovação, por discrepâncias formais de que o ingresso na empresa de matéria-prima importada teria ocorrido após ou concomitantemente com a exportação compromissada, teria ela outras GEs no período, passíveis de serem utilizadas na comprovação que simplesmente não foram apresentadas pelo fato de a CACEX ter dado como adimplido o compromisso assumido nos respectivos Atos Concessó rios. Que laborou equivocadamente a autoridade fiscal ao tomar emprestado as provas apresentadas ao julgador competente, a CACEX, por ela consideradas suficientes. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° : 11080.001911/91-66 Acórdão n° : CSRF/03-03.148 Nessa linha, menciona o Acórdão 301-27.451, já anexado aos autos por ocasião da impugnação, bem como apresenta quadro demonstrativo das exportações em relação aos compromissos assumidos, superavitário, proporcionando um ganho de divisas no montante de US$ 42.333.363,34, acima do compromisso assumido. Por outro lado, a decisão recorrida não contraria a lei ou a evidência de provas, pelo contrário, se coaduna com a comprovação do preenchimento das condições para o adimplemento dos Atos Concessórios. Solicita, ao final, seja negado provimento ao RESP interposto pela Ilustre Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° : 11080.001911/91-66 Acórdão n° : CSRF/03-03.148 VOTO Nos termos do Regimento Interno da CSRF entre os pressupostos para a admissibilidade do RESP é necessário a ocorrência das condições previstas na Subseção I, da Seção IV, verbis: Do Recurso Especial Art. 32. Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais: I — de decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II — de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara do Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 1°. No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. § 4°. Somente poderá ser objeto de apreciação e seguimento matéria prequestionada, cabendo ao recorrente demonstrá-la, com precisa indicação das peças processuais. Art. 33. O recurso especial deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser apresentado por Procurador da Fazenda Nacional, no prazo de quinze dias, contado da vista oficial do acórdão, ou pelo sujeito passivo, em igual prazo, contado da data da ciência da decisão. 1°. Na hipótese de que trata o inciso I, do artigo 32, deste Regimento, o recurso deverá demonstrar. fundamentadamente. a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias , MINISTÉRIO DA FAZENDA -;" CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° : 11080.001911/91-66 Acórdão n° : CSRF/03-03.148 autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime. (grifei) O sucinto recurso apresentado pela Procuradoria fls. 299 não apresenta razões de direito suficientes a ensejar a modificação do julgado, não ataca o acórdão recorrido quanto ao mérito, e apenas faz menção aos argumentos já apreciados, conforme o abaixo descrito: "A Colenda Câmara recorrida, por maioria de votos, houve por bem dar provimento ao recurso da interessada, em acórdão do seguinte teor: 'TAXA DE MELHORAMENTO DOS PORTOS. Drawback- suspensão — Julgamento anterior, em processo vinculado, que reconheceu o adimplemento do importador e o consequente cumprimento do regime (Acórdão n° 301-27.451), leva ao descabimento da pretensão aqui arguida. Recurso provido.' O acórdão recorrido merece reforma, porquanto adota linha interpretativa não aplicável ao caso em comento, cuja apreciação mais acertada encontra-se no lúcido ato decisório proferido pela autoridade de primeiro grau. Com efeito, o processo de que fala o Acórdão acima encontra-se em fase de recurso. Portanto, ainda não definitivamente julgado. Dessa forma adotamos aqui as razões arguidas no processo vinculado, inclusas por cópia. Dado o exposto, e o mais que dos autos consta, espera a Fazenda Nacional o provimento do presente recurso especial, pata que seja restabelecida a decisão monocrática. Assim julgando, esta Egrégia Câmara Superior, com o costumeiro brilho e habitual acerto, estará saciando os mais autênticos anseios de JUSTIÇA." O Recurso n° 301.471 mencionado no RESP já foi julgado por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais em 07/07/93, com a ementa abaixo transcrita cujo acórdão recebeu o n° 03-03.071. 6 15-A' MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° : 11080.001911/91-66 Acórdão n° : CSRF/03-03.148 ADUANEIRO. DRAWBACK SUSPENSÃO. Não descaracterizada a comprovação do cumprimento do compromisso de exportar, perante a CACEX. RECURSO IMPROVIDO. A decisão recorrida não contraria a lei ou a evidência de provas, pelo contrário, se coaduna com a comprovação do preenchimento das condições para o adimplemento dos atos concessórios, já que a CACEX atesta como adimplido o compromisso assumido nos respectivos atos. Finalmente, considerando os elementos de prova constantes dos autos, bem como os julgados da CSRF, nego provimento ao RP, preservando a decisão prolatada através do Acórdão n° 302-32.764. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2001 MOACYR ELOY DE MEDEIROS - Relator 7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000014/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
RECURSO ESPECIAL. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS "NT". CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO. EXCLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial, quando a matéria do acórdão apresentado como paradigma assenta-se em normas diferentes para fatos geradores ocorridos em períodos diferentes.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Cabe a constituição de crédito presumido de IPI na hipótese em que os produtos intermediários integram ao produto final, ou, embora a ele não se integrando, sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas.
No caso vertente, não há nos autos elementos que comprovem que tais produtos são utilizados diretamente sobre os produtos industrializados, tampouco que integram ao produto final.
Numero da decisão: 9303-005.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram integralmente do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RECURSO ESPECIAL. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS "NT". CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO. EXCLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial, quando a matéria do acórdão apresentado como paradigma assenta-se em normas diferentes para fatos geradores ocorridos em períodos diferentes. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Cabe a constituição de crédito presumido de IPI na hipótese em que os produtos intermediários integram ao produto final, ou, embora a ele não se integrando, sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. No caso vertente, não há nos autos elementos que comprovem que tais produtos são utilizados diretamente sobre os produtos industrializados, tampouco que integram ao produto final.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram integralmente do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1914; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15586.000014/200911 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.885 – 3ª Turma Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria IPI Recorrente ADM DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RECURSO ESPECIAL. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS "NT". CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO. EXCLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial, quando a matéria do acórdão apresentado como paradigma assentase em normas diferentes para fatos geradores ocorridos em períodos diferentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Cabe a constituição de crédito presumido de IPI na hipótese em que os produtos intermediários integram ao produto final, ou, embora a ele não se integrando, sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. No caso vertente, não há nos autos elementos que comprovem que tais produtos são utilizados diretamente sobre os produtos industrializados, tampouco que integram ao produto final. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram integralmente do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 14 /2 00 9- 11 Fl. 484DF CARF MF Processo nº 15586.000014/200911 Acórdão n.º 9303005.885 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3403002.664, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3º Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para reverter a glosa do crédito presumido tomado com base no valor das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. O valor das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido. Súmula nº 494 do STJ. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS N/T. Para fins de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação de produtos N/T deve ser excluída tanto da receita operacional bruta, quanto da receita de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 15586.000014/200911 Acórdão n.º 9303005.885 CSRFT3 Fl. 4 3 Só estão aptos a gerarem crédito presumido de IPI os produtos intermediários que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Recurso voluntário provido em parte. ” Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, ressurgindo com a discussão acerca: · Dos insumos não admitidos como matériaprima ou produtos intermediários; · Da exclusão das receitas de exportação das vendas de mercadorias. Traz, entre outros, que: · Não há restrição legal para a inclusão das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, nas quais não houve incidência de PIS e Cofins na última aquisição no cálculo do benefício da Lei 9.363/96; · Excluindo as receitas de exportação de venda de mercadoria e mantendo os mesmos valores na receita operacional bruta, o percentual depreciado não reflete a realidade do quantum representa as RE e ROB na empresa. Em Despacho às fls. 455 a 458, foi dado seguimento parcial quanto à exclusão de produtos NT das receitas de exportação e em relação aos insumos não admitidos como produtos intermediários – fl. 153 dos autos, eis que no que tange aos bens especificados na Súmula Carf 19 – foi negado seguimento ao recurso especial. Em Despacho às fls. 459 a 460, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais negou seguimento ao recurso especial quanto à inclusão dos bens citados no enunciado da Súmula CARF 19 como produtos intermediários na apuração do crédito presumido do IPI. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional, expondo, entre outros, que: · A Lei 9.363/96 ao criar mecanismos do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o Fl. 486DF CARF MF Processo nº 15586.000014/200911 Acórdão n.º 9303005.885 CSRFT3 Fl. 5 4 PIS e Cofins no valor agregado dos produtos exportados, o fez na seara do IPI, de tal sorte que apenas os estabelecimentos industriais, contribuinte do IPI na forma da legislação pertinente, podem usufruir o incentivo fiscal; · Para fins de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação de produtos NT deve ser excluída tanto da receita operacional bruta quanto da receita de exportação. O que, por conseguinte, não deve prevalecer a tese da contribuinte de não incluir a receita de exportação de produto NT na receita operacional bruta; É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, na parte admitida em Despacho, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Em vista do exposto, entendo que devo conhecer o recurso especial em relação às matérias admitidas em Despacho de Exame de Admissibilidade – ou seja, sobre as seguintes matérias: · Os insumos não admitidos como produtos intermediários – fl. 153 dos autos; · Exclusão de produtos NT das receitas de exportação. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas. No que tange aos insumos não admitidos como produtos intermediários: Fl. 487DF CARF MF Processo nº 15586.000014/200911 Acórdão n.º 9303005.885 CSRFT3 Fl. 6 5 Depreendendose da análise dos autos do processo, manifesto minha concordância com o voto do relator do acórdão recorrido – o que peço vênia para transcrever: “Entretanto, nenhum dos produtos cujas aquisições foram glosadas pela fiscalização (fl. 153) desgastamse ou perdem suas propriedades físicas ou químicas em virtude de ação exercida diretamente sobre os produtos industrializados pela recorrente. Não se olvide que muitos dos produtos tidos pela recorrente como produtos intermediários, são na verdade combustíveis, em relação aos quais a Súmula CARF nº 19 veda o direito ao crédito, in verbis: " Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não Fl. 488DF CARF MF Processo nº 15586.000014/200911 Acórdão n.º 9303005.885 CSRFT3 Fl. 7 6 são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário." O que resta negar provimento ao recurso nessa parte, eis que pela descrição de utilização de cada produto, não se comprova que são utilizados diretamente sobre os produtos industrializados. É de se recordar, para tanto, que o conceito de produtos intermediários para o IPI é bem mais restritivo, não bastando ser essencial ao processo produtivo, devendo integrar ao produto final, ou, embora a ele não se integrando, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre este, no processo de fabricação. O que, por conseguinte, entendo que não estão aptos a gerarem o crédito presumido de IPI. Quanto ao cálculo do crédito presumido, considerando a decisão recorrida que entendeu que a receita de exportação de produtos NT deve ser excluída tanto da receita operacional bruta quanto da receita de exportação e o pedido do sujeito passivo de não incluir a receita de exportação de produto NT na receita operacional bruta. Em que pese meu entendimento quanto ao conhecimento do recurso nesta matéria, certo é que a maioria do colegiado votou pelo não conhecimento do recurso nesta parte. Em vista de todo o exposto, na parte conhecida, nego provimento ao recurso especial. É o meu voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, discordo de seu entendimento de se conhecer do recurso especial do contribuinte, quanto à inclusão das receitas de exportação de produtos "NT" no cálculo do índice utilizado para apuração do crédito presumido IPI. O paradigma apresentado foi o acórdão de nº 20175.486, de 18 de outubro de 2001, da 1ª Câmara do antigo Segundo Conselho de contribuintes, assim ementado: Fl. 489DF CARF MF Processo nº 15586.000014/200911 Acórdão n.º 9303005.885 CSRFT3 Fl. 8 7 "IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO — PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS O art. 10 da Lei n° 9.363/96 prevê crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS em favor de empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Referindose a lei a "mercadorias", foi dado o incentivo fiscal ao gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos "produtos industrializados", que são uma espécie do gênero "mercadorias". AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1' da Lei n° 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2° da Lei n° 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas n's 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às Contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS (IN SRF n° 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN SRF n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante lei ou medida provisória, visto que as instruções normativos são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. Recurso provido." Já a ementa do acórdão recorrido, na parte que interessa ao presente caso, assim dispõe: "CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS N/T. Para fins de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação de produtos N/T deve ser excluída tanto da receita operacional bruta, quanto da receita de exportação." No entanto, embora as ementas tratem da mesma matéria, com interpretação diferente, a do acórdão paradigma não serve para comprovar a suscitada divergência suscitada pelo contribuinte, pelo fato de ambos os acórdãos tratarem de períodos de competência diferentes, quando vigiam norma legais específicas para cada um deles. O acórdão paradigma se refere a fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 1998, quando vigia a Portaria MF nº 38/1997, que estipulava, para o cálculo do índice de apuração do crédito presumido do IPI, a relação entre o numerador, assim entendido, Fl. 490DF CARF MF Processo nº 15586.000014/200911 Acórdão n.º 9303005.885 CSRFT3 Fl. 9 8 o total das receitas de exportação de mercadorias nacionais, sem restrição a produtos industrializados, e o denominador, assim entendido, o total da receita operacional bruta. Já o acórdão recorrido se refere aos fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2004, quando vigia a Portaria MF nº 64/2003, que determinava o cálculo do índice pela relação entre o numerador, receita total de exportações de produtos industrializados nacionais, portanto, excluídas as receitas de exportação de produtos "NT", e o denominador, receita bruta operacional de produtos industrializados nos mercados interno e externo, o que implica exclusão das receitas de produtos "NT", conforme decidiu o acórdão recorrido. Portanto, demonstrado que a ementa do acórdão paradigma trata de período de competência diferente daquele tratado no acórdão recorrido, quando vigia outra norma legal, entendo que o paradigma apresentado não serve para comprovar a suscitada divergência. Assim, ao contrário do despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls. 455/458, entendo que a suscitada divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma não foi comprovada para esta matéria. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 491DF CARF MF
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Numero do processo: 16045.000371/2007-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2007
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Comprovado o pagamento do tributo lançado pela modalidade homologação, sobre a folha de pagamentos, o prazo decadencial é aquele previsto no artigo 150, §4º, do CTN. Não se pode entender que qualquer fato que não tenha sido computado pelo sujeito passivo no cálculo de seu tributo é fato gerador tributário novo. O fato gerador tributário é composto por uma gama complexa de vários fatos.
Numero da decisão: 9202-006.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Heitor de Souza Lima Júnior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Comprovado o pagamento do tributo lançado pela modalidade homologação, sobre a folha de pagamentos, o prazo decadencial é aquele previsto no artigo 150, §4º, do CTN. Não se pode entender que qualquer fato que não tenha sido computado pelo sujeito passivo no cálculo de seu tributo é fato gerador tributário novo. O fato gerador tributário é composto por uma gama complexa de vários fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Heitor de Souza Lima Júnior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 03 71 /2 00 7- 90 Fl. 407DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Como se trata de retorno à diligência constante da Resolução 9202000.049, de 27 de outubro de 2016, reapresento o Relatório da lavra do ilustre conselheiro Gerson Guerra: Na origem tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.037.2743, lavrada contra o contribuinte acima identificado, correspondentes a contribuição da Empresa, dos segurados contribuintes individuais (não retidas), SAT/RAT, as destinadas aos Terceiros: Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, do adicional para aposentadoria especial; da retenção de 11%, instituída pela Lei n. 9.711/98, incidentes sobre as remunerações pagas. Vale aqui a transcrição do relatório da decisão a quo em relação aos lançamentos: A apuração foi edificada em cinco lançamentos, quais sejam: a) FPG – FOLHA DE PAGAMENTO COM GFIP (12/2003 a 03/2007): correspondente a fatos geradores constantes nas folhas de pagamento e GFIP, cujas contribuições devidas não foram integralmente recolhidas; b) CIS – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL CONTABILIDADE (03/2002 a 12/2006): fatos geradores correspondentes à remunerações pagas a contribuintes individuais com apresentação dos recibos de pagamento; c) CIN – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL CONTABILIDADE NÃO COMPROVAÇÃO (03/2002 a 12/2006): fatos geradores correspondentes à remunerações pagas a contribuintes individuais sem apresentação dos recibos de pagamento; d) ADR – ADICIONAL DE RISCO GFIP (08/2005 a 03/2007): fatos geradores correspondentes à remuneração paga a segurados empregados que laboraram com efetiva exposição a agentes nocivos, conforme declarado em GFIP; e) RME – 11% (05/2004 a 02/2005): fatos geradores correspondentes à prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, cuja retenção das faturas não foi efetuada pela notificada. No julgamento deste Recurso, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, reconheceu a decadência do direito de constituição do crédito tributário, com base no § 4º, do artigo 150, do CTN, para fatos geradores ocorridos até a competência 06/2002, exarando a seguinte decisão: Fl. 408DF CARF MF Processo nº 16045.000371/200790 Acórdão n.º 9202006.296 CSRFT2 Fl. 408 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2007 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 06/2002; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Cientificada da decisão, a União, tempestivamente, apresentou Recurso Especial, trazendo como paradigma o acórdão 2301 01.960, onde restou decidido que o pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. A União alega divergência jurisprudencial na medida em que o acórdão recorrido aplica o art. 150, parágrafo 4º, do CTN para o período compreendido entre 03/2002 e 06/2002, por considerar configurada a antecipação de pagamento em levantamentos de contribuições não declaradas em GFIP (fls. 07/09), o acórdão paradigma, em tal hipótese de não reconhecimento do fato gerador pelo contribuinte, entende pela aplicação do art. 173, I do CTN por considerar inexistente qualquer recolhimento antecipado. Em suas razões alega a União que para fins de aplicação da norma contida no parágrafo 4 º, art. 150, do CTN, o recolhimento deve se referir a fato gerador reconhecido, pois o fisco não teria como homologar pagamento em relação a fato não admitido pelo contribuinte no campo de incidência da contribuição. Fl. 409DF CARF MF 4 No exame de admissibilidade o Presidente da 4ª Câmara da 2ª seção acolheu o alegado pela União, dando seguimento ao Recurso. Regularmente intimado, o contribuinte não apresentou contrarrazões. Tendo sido entendido por este colegiado a necessidade de esclarecimentos com relação à decadência das ditas contribuições no período de 12/2001 a 07/2002, a Unidade de Origem presta informações ratificando o constante dos autos, com destaque para: ... 7. Inserção parcial do Relatório de Documentos Apresentados RDA ( doc. de fls. 58), em que se constata a existência de pagamentos no período relativo às competências de 12/2001 a 06/2002 para a Filial 2, todavia inexiste levantamento de débito na filial para essas competências O contribuinte foi intimado por Edital e quedouse silente. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora. O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Considerando que a ciência do lançamento em questão ocorreu em 07/2007, pela contagem do prazo decadencial com base no artigo 150, §4º, do CTN os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até a competência 07/2002 encontramse decaídos e que pela contagem do prazo decadencial pelo artigo 173, I, do CTN os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até 11/2001, inclusive, estão decaídos, apenas se encontram em litígio a decadência dos débitos cujos fatos geradores ocorreram entre 12/2001 a 07/2002, inclusive. Vejo que, de fato, no RDA constam pagamentos de GPS no período de 03/2002 a 06/2002 (Fl. 58). que vem ao encontro da afirmativa da Unidade de Origem: ... 7. Inserção parcial do Relatório de Documentos Apresentados RDA ( doc. de fls. 58), em que se constata a existência de pagamentos no período relativo às competências de 12/2001 a 06/2002 para a Filial 2, todavia inexiste levantamento de débito na filial para essas competências O lançamento por homologação, regulado pelo artigo 150 do CTN, tem como principal característica a atribuição ao contribuinte do dever de antecipar o pagamento do tributo, ficando a autoridade administrativa com o dever de posteriormente chancelar ou não o valor do recolhimento efetuado e, sendo o caso, efetuar cobrança de diferença, verbis: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 410DF CARF MF Processo nº 16045.000371/200790 Acórdão n.º 9202006.296 CSRFT2 Fl. 409 5 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. A regra da decadência do direito do fisco de lançar o tributo por homologação é regra especial, contida no §4º, do artigo 150 em questão, que estabelece o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, caso não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, verbis: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento em relação a questão em debate: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Ao se posicionar sobre o tema a 1ª Turma da CSRF, por maioria, se manifestou que a aplicação do artigo 173, I, do CTN na constituição de crédito relativo a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, apenas pode ocorrer na hipótese de não haver pagamento, nem declaração do tributo, conforme trecho do voto vencedor do Acórdão 9101002.021, abaixo transcrito: A interpretação do texto transcrito nos leva à conclusão de que devemos nos dirigir ao artigo 173, I, do CTN quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo Fl. 411DF CARF MF 6 inocorre e inexiste declaração prévia do débito que constitua o crédito tributário. Assim, encontraríamos duas condições para sairmos do artigo 150, §4º: 1) não haver o pagamento e 2) não haver declaração prévia constitutiva do crédito. Assim, mesmo não existindo o pagamento, a declaração prévia constitutiva do crédito bastaria para mantermos a contagem do prazo a partir do fato gerador. Entendo pertinente essa última colocação, no sentido de que a declaração prévia, constitutiva do crédito tributário basta para manutenção da contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Isso porque, não pago o tributo a União já possui título passível de execução direta, não demandando qualquer procedimento administrativo para se efetuar a cobrança. Nesse contexto o próprio STJ, no fim do ano de 2015, editou a Súmula 555, que possui a seguinte redação: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Entretanto de outros recolhimentos sobre folha Segurados Empregados e guia de retenção de segurados de terceiros são suficientes para atirai a aplicação do § 4.º do art. 150 do CTN. O que a mim importa é a natureza e não fato gerador. Ressalto que esse entendimento pessoal e a maioria do colegiado restringe o recolhimento apto a atrair a regra decadencial do arti 140 a situações em que o fato gerador seja equivalente, nos termos da Diligência veificouse que os redcohiwnroa weM pros a atrair Assim, para a aplicação do §4º, do artigo 150, do CTN exigese a ocorrência dos seguintes situações: 1. A lei deve estabelecer que o lançamento do tributo é realizado na modalidade homologação; 2. Não ocorra a comprovação de dolo, fraude ou simulação pelo ente tributante; 3. Haja pagamento e/ou declaração do tributo. Passo, então, a verificar a aplicação da decisão representativa de controvérsia do Recurso Especial nº 973.733 ao caso ora sob análise. Percebese, da leitura do próprio Relatório Fiscal (Fl. 109, item 12), que o lançamento foi realizado considerando as guias de recolhimento constantes no Sistema da Previdência Social, que foram considerados como crédito do contribuinte. Vejo que os tributos ora cobrado são exatamente da mesma natureza daqueles que foram pagos pelo contribuinte original, quais sejam: contribuições incidentes sobre a folha de pagamentos, tanto que os valores pagos foram considerados como crédito do contribuinte e foram abatidos na apuração do débito ora cobrado. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 16045.000371/200790 Acórdão n.º 9202006.296 CSRFT2 Fl. 410 7 Logo, não assiste razão à alegação de que se tratam de recolhimentos genéricos. Assim sendo, considerando que o pagamento foi comprovado no presente caso, entendo que o prazo decadencial deve ser contado com base no artigo 150, §4º do CTN. Mas ainda que genéricos fossem, entendo que havendo pagamento de contribuições sobre folha de pagamento, está cumprido o requisito para aplicação do § 4º, do artigo 150, do CTN. Nesse sentido, a súmula CARF 99, que assim dispõe: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (grifei) Termos em que voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.007467/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração/ 01/01/2005 a 30/06/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração/ 01/01/2005 a 30/06/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 74 67 /2 00 7- 98 Fl. 110DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 19647.007467/200798 Acórdão n.º 2202004.280 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004877/2002-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 1997
COFINS - PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - INOCORRÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL BRASILEIRO
O argumento da Prescrição Intercorrente esbarra na aplicação da Súmula 11 do CARF.
Numero da decisão: 3001-000.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cassio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 1997 COFINS - PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - INOCORRÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL BRASILEIRO O argumento da Prescrição Intercorrente esbarra na aplicação da Súmula 11 do CARF.
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PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Recorrente CONTAL EMPREITEIRA DE REFORMAS E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 1997 COFINS PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE INOCORRÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL BRASILEIRO O argumento da Prescrição Intercorrente esbarra na aplicação da Súmula 11 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cassio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 48 77 /2 00 2- 37 Fl. 83DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls 62) interposto em face de decisão da Delegacia Regional de Julgamento/DF cujo teor declarou improcedente as razões da recorrente sobre o cancelamento do auto de infração referente ao pagamento de Cofins, cujo crédito tributário fora constituído através de Auto e Infração n. 0001915, período de apuração Agosto de 1997, no Valor de R$ 3.884,40, sendo R$ 1.437,71 de principal, acrescidos de multa (R$ 1.078,28) e juros (R$ 1.368,41). Do Lançamento (efls 03 e ss) A fiscalização, mediante procedimento de auditoria eletrônica interna na DCTF, relativa ao terceiro trimestre de 1997, apurou crédito tributário, acima quantificado, em cuja descrição denotase a falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, conforme previsto pela Medida Provisória 2.158/2001. Da Impugnação (efls 02) A Impugnação, sob a égide de Requerimento, requereu a extinção do crédito tributário relativo à Cofins – Agosto / 1997, informando a ocorrência de “cancelamento de vendas de serviços”. A autoridade fazendária, mediante o termo de Comunicação n. 278/2007 (e fls. 42) , informou ao contribuinte que, “ao impugnar o auto de infração supra citado, (...) não foram juntados elementos comprobatórios de suas alegações. Com o intuito de instruir o referido processo para fins de julgamento, é importante que apresente cópias autenticadas do Livro Diário, inclusive termo de abertura e encerramento, onde constem os registros contábeis comprobatórios de que efetivamente foi realizada tal compensação.". Ainda, no Despacho de Encaminhamento (e fls 45), fora anotado que, “em pesquisas aos sistemas da RFB, constatouse que a interessada não preencheu o item destinado às vendas canceladas na DIPJ/98 (efls.42)". Decisão DRJ/DF Regularmente impulsionado o feito, fora recebida a impugnação, tempestivamente, pela DRJ/DF, a qual prolatou Acórdão 0326.395 – 4a. Turma, sob a seguinte ementa: Assunto: Normas da Administração Tributária Ano Calendário: 1997 Falta de pagamento e/ou compensação – Não extinção do crédito Tributário Se na fase impugnatória a contribuinte não comprova a improcedência do lançamento, por conta de recolhimentos já efetuados, ou por qualquer outra forma, há que se manter a importância da exigência fiscal correspondente. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10120.004877/200237 Acórdão n.º 3001000.001 S3C0T1 Fl. 84 3 Lançamento procedente Em trecho do voto, aduz a autoridade julgadora: Analisandose os autos certificase que não procede a defesa apresentada pela interessada, tendo em vista que, intimada a apresentar escrituração e documentos onde constem os registros contábeis comprobatórios da operação, não trouxe aos autos os documentos mencionados. Observese também que a contribuinte não preencheu o item destinado às vendas canceladas na DIPJ/98 A contribuinte fora devidamente cientificada do teor do acórdão Acórdão 03 26.395 – 4a. Turma através de Aviso de Recebimento – AR em data de 13 de outubro de 2008, tomando vista em 05 de novembro de 2008. Recurso Voluntário O recurso voluntário foi protocolizado em 12 de novembro de 2008, no qual, em breve síntese, alegou a prescrição intercorrente. “O auto de infração ora recorrido esteve mais de seis anos parado na SACAT/DRF/GO (de 02/07/02 a 31/07/07), sem que o contribuinte tivesse notícias do mesmo, até que um dia, decorrido mais de 05 anos do início do procedimento fiscal, sobrevemlhe decisão desfavorável. Ainda, traz ao seu elenco de argumentos, o princípio da moralidade, esculpido no artigo 37 da Constituição Federal de 1988. Por fim, requereu em Pedidos a nulidade do Auto de Infração, sob os seguintes fundamentos legais: a) art. 618, II do CPC, c/c 214, 215 223 parágrafo único e 247 do CPC; e b) art. 59 do Dec 70.235/72; e c) art. 156, IV do CTN. Sobre a alegação de venda cancelada, nada argumentou. É o Relatório. Fl. 85DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tempestividade A recorrente foi devidamente cientificada do teor do Acórdão 0326.395 – 4a. Turma, através de Aviso de Recebimento – AR em data de 13 de outubro de 2008. O recurso voluntário foi protocolizado em 12 de novembro de 2008. Portanto, tempestivo o Recurso. Mérito Não assiste razão à recorrente. Quanto ao argumento da Prescrição Intercorrente, obrigatória, por este Conselheiro, a aplicação da Súmula 11 do CARF. Seguese: Súmula 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no Processo Administrativo Fiscal. Ainda, quanto ao argumento sustentado no princípio da moralidade, também se faz necessária a aplicação de Súmula deste Conselho Administrativo, agora, a de número 02: Súmula 02 O CARF não é competente para se pronuncia sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nestes termos, conheço do Recurso Voluntário para Negarlhe Provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10120.004877/200237 Acórdão n.º 3001000.001 S3C0T1 Fl. 85 5 Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.001772/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2003
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-004.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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V. HOLDING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2003 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 17 72 /2 00 6- 13 Fl. 289DF CARF MF 2 Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto (acórdão n. 1444.834 fls. 130/136) nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2003 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2003 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando a legitimidade do seu crédito, bem como a submissão do Poder Executivo ao precedente vinculante do STF veiculado no âmbito do julgamento do RE n. 390.840/MG. 5. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10850.001772/200613 Acórdão n.º 3402004.790 S3C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. O mérito da compensação realizada 7. A juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a sua origem decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214 215) Fl. 291DF CARF MF 4 8. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 9. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tãosomente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 10. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. 11. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000269/95-01
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Aug 24 00:00:00 UTC 1998
Ementa: Não demonstrado inquestionavelmente a divergência prevista
no art. 32, inciso I e § 4º do Regimento Interno dos Conselhos
de Contribuintes.
RECURSO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: CSRF/03-03.149
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por falta dos pressupostos de admissibilidade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moacyr Eloy de Medeiros
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ementa_s : Não demonstrado inquestionavelmente a divergência prevista no art. 32, inciso I e § 4º do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. RECURSO NÃO CONHECIDO
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RECURSO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ S/A. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por falta dos pressupostos de admissibilidade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. SON PEREiR19PRUES ----PRESIDENTE MOACYR ELOY DE MEDEIROS RELATOR Formalizado em: O 1 FEV 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, HENRIQUE PRADO MEGDA, JOÃO HOLANDA COSTA e NILTON LUIZ BARTOLI. MMM 20, MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° : 10209.000269/95-01 Acórdão n° : CSRF/03-03.149 Recorrente : CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ S/A Recorrida : 2' CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO A autuada solicita seja admitido o seu Recurso Especial de Divergência pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais contra a decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que por unanimidade de votos, proferiu o Acórdão n° 302-33.551, consoante ementa, in verbis. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA – RETORNO DE MERCADORIA DESNACIONALIZADA. Inaplicável o benefício previsto no Decreto-lei n° 1.418/91 e na IN/SRF n° 48/78, quando não comprovada a situação prevista no caput do art. 10 do referido Decreto-lei. Mantidos os juros moratórios incluídos no lançamento. Incabível a penalidade prevista no art. 364, inciso II, do RIPI. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO Preliminarmente, argúi que os produtos brasileiros foram exportados pela Recorrente através da utilização de empresas especializadas em comércio exterior, trading company; que os mesmos, depois de vários anos sendo utilizados na prestação de serviços em diversos países sul-americanos, gerando divisas que ajudaram a reduzir o deficit nas transações internacionais, retornaram ao País; que não houve dolo, fraude ou má-fé nos procedimentos por parte da recorrente. Quanto ao cabimento do recurso, esposa-se no § 2° do artigo 3 0 e no inciso II, do artigo 30 do Regimento Interno do Terceiro Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MEFP 539/92, atuais art. 32, inciso I e § 40 do mesmo mandamento, sob o argumento de que a Colenda Corte, deu interpretação divergente ao aresto da que lhe tenha dado outra Câmara. Foram préquestionados os temas referentes: à possibilidade de retornar, com valor depreciado, produto produzido no Brasil, mesmo exportado — através de trading company a impossibilidade de ser taxado na importação, bem 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° : 10209.000269/95-01 Acórdão n° : CSRF/03-03 .149 produzido no Brasil e à impropriedade da multa aplicada em relação Imposto de Importação. Observa a autuada que a decisão recorrida deixou de apreciar, em desacordo com as normas processuais pertinentes, os questionamentos a respeito de se tributar com o Imposto de Importação mercadoria produzida no Brasil, exportada e que retorna ao País. Constata-se que a decisão de que se recorre não apreciou o meritum causae. A recorrente argúi, ainda, que os produtos brasileiros foram por ela exportados, através da utilização de empresas especializadas em comércio exterior, trading company e posteriormente pela mesma importada com o usufruto do benefício da isenção, amparada pelo Decreto lei 1.418/75 e IN/SRF 048/78. Quanto ao direito, ratifica que houve o retorno ao Brasil de produtos aqui produzidos, exportados com isenção; e que o produto brasileiro não pode ser tido como importado, de acordo com a CF/88 e decisão do STF. Apresenta como paradigma os Acórdãos 303-26.733, 303-26.734 303-26.882 (fls. 159). Finalmente, pleiteia a desoneração da imposição fiscal, como também, insurge-se contra a aplicação da penalidade prevista no art. 4°, inciso I, da Lei 8.218/91 e legislação subseqüente. É o relatório. - 3 .h5:4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° : 10209.000269/95-01 Acórdão n° : CSRF/03-03.149 VOTO Preliminarmente, cabe apreciar a admissibilidade do Recurso Especial interposto junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Dispõe o Regimento Interno que o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência arguida indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia autenticada de seu inteiro teor ou de cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara recorrida. No entanto, o pleito prescinde de elementos necessários à satisfação dos pressupostos para a sua admissibilidade, ou seja, os elementos colacionados aos autos não estabelecem o paradigma, elemento indispensável à avaliação pela autoridade competente, para fim de admissibilidade do RESP, senão vejamos: • Os Acórdãos n° 303-26.733, 303-26.734 e 303-26.882, respectivamente, fls. 169, 175 e 184, concernentes à AISA Importações e Exportações Ltda., integrante do sistema FUNDAP, encontram amparo legal nas normas emanadas pela CACEX e pelo Banco Central, não caracterizando interpretações divergentes entre Câmaras distintas sobre a mesma matéria. (grifei) • Quanto ao Acórdão n° 303-26.219, (fls. 219) de interesse da TV Globo Ltda. consta do relatório que a mesma teve autorizada a exportação temporária de seus produtos, havendo conflito, posteriormente esclarecido, quando do retorno dos bens, diferentemente da situação constante do processo em epígrafe. (grifei) Depreende-se, pelo exposto, que a recorrente não preencheu os requisitos para a admissibilidade do Recurso Especial de Divergência, por si interposto. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA <fitil';4kj CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° : 10209.000269/95-01 Acórdão n° : CSRF/03-03.149 Por conseguinte, não conheço do mesmo. Sala das Sessões, em 24 de agosto de 1998 MOA ELOY DE MEDEIROS - Relato' 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10680.006347/2008-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS. ISENÇÃO. COFINS.
Considerando que os serviços sociais autônomos - SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEST, SENAT, SENAR - entidades paraestatais instituídas por lei específica, exercem atividades e prestam serviços em caráter complementar às atividades do Estado, deve-se considerar como rendas relacionadas às suas finalidades essenciais, não sujeitas a cobrança da Cofins, nos termos do art. 14, inciso X, da MP 2.158-35/01, aquelas destinadas ao atendimento e à manutenção de seus objetivos institucionais, independentemente de sua natureza e origem.
Numero da decisão: 9303-005.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ISENÇÃO. COFINS. Considerando que os serviços sociais autônomos SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEST, SENAT, SENAR entidades paraestatais instituídas por lei específica, exercem atividades e prestam serviços em caráter complementar às atividades do Estado, devese considerar como rendas relacionadas às suas finalidades essenciais, não sujeitas a cobrança da Cofins, nos termos do art. 14, inciso X, da MP 2.15835/01, aquelas destinadas ao atendimento e à manutenção de seus objetivos institucionais, independentemente de sua natureza e origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 63 47 /2 00 8- 73 Fl. 398DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402002.621, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO. Consoante o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática de recursos repetitivos devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA AMPLIADO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONAL PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. OBRIGATORIEDADE. O STF, em decisão plenária definitiva, no julgamento do RE 585.235/RG, processado no regime de repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das Contribuições Sociais, para incluir na definição de receita bruta, além da receita da Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10680.006347/200873 Acórdão n.º 9303005.782 CSRFT3 Fl. 649 3 venda de mercadorias, serviços ou de mercadorias e serviços, as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente da atividade por ela desenvolvida e da classificação contábil adotada. ISENÇÃO. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. Incluemse nas “receitas relativas às atividades próprias”, para fins de aplicação da regra de isenção da Cofins prevista no art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, aquelas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades. Recurso Voluntário Provido” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, trazendo, entre outros, que: · A análise dos arts. 13, III, c/c 14, inciso X, da MP 2.1583/01 não leva a outra interpretação senão a explicitada no §2º do art. 47 da IN SRF 247/2002, qual seja, a de que as receitas derivadas das atividades próprias das entidades isentas referemse apenas às “contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores com caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.”; · Dessa maneira, não se pode conceber como “receitas próprias” aquelas decorrentes de contraprestação de serviços oferecidos; · A decisão recorrida, portanto, além de negar aplicação ao § 2º do art. 47 da IN SRF 247/2002, busca dar interpretação extensiva aos arts. 13, III, c/c 14, X, da MP nº 2.15835/2001 (editada inicialmente sob o nº 1.858/99), para abarcar na isenção da COFINS receitas da entidade autuada que nada têm de “próprias”, contrariando, dessa forma, a diretriz do art. 111, II, do CTN Em Despacho às fls. 362 a 364, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 400DF CARF MF 4 Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, que pugnou pelo não provimento do recurso especial da fazenda, trazendo, entre outros, que: · Considerase receita própria da entidade de assistência social toda a receita que é aplicada no desenvolvimento das atividades essenciais da entidade que não tem fim lucrativo, como não existe divisão dos lucros não há que se falar em atividade não própria da entidade; · As entidades de assistência social são desprovidas do objetivo de auferir lucro, além disso, a cobrança de algumas contraprestações de serviços, são meramente simbólicas e prestamse ao objetivo específico de possibilitar a expansão e a manutenção das atividades dessas entidades; · A Lei 2.613/55 está em pleno vigor e a ampla isenção fiscal por ela concedida aos bens e serviços dos serviços sociais autônomos, como se fossem da própria União, alcança as contribuições sociais, tal qual a Cofins, aplicandose indubitavelmente ao Serviço Social do Comércio – SESC. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, é de se conhecêlo, considerando ser tempestivo e por atender aos requisitos de admissibilidade, eis que a divergência apontada foi descrita adequadamente no Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Recordando que a Fazenda se insurgiu em face da decisão recorrida, aduzindo discordar do entendimento de que as receitas diversas, de prestação de serviços, de venda de produtos, arrendamentos, aluguel, comodato, locação de máquinas e equipamentos, rendas sobre aplicações financeiras e outras poderiam se incluir, para fins de isenção da COFINS, no conceito de “atividades próprias” de serviço social autônomo, no sentido do art. 14, inc. X, da MP 2.158 35/01. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10680.006347/200873 Acórdão n.º 9303005.782 CSRFT3 Fl. 650 5 Pela leitura do voto vencedor, é de se trazer que o Colegiado recorrido julgou pela improcedência do lançamento, por entender que no art. 14, X, da MP 2.15835/01, a expressão “atividades próprias” incluiria todas as receitas: "...em consonância ao seu objeto social, considerandose que todos os ingressos delas decorrentes, inclusive das receitas financeiras, são aplicados no desenvolvimento das suas próprias atividades." Enquanto no acórdão paradigma foi expressado o entendimento de que somente estão isentas da Cofins as receitas decorrentes das atividades próprias da entidade, por estas entendidas as “contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”, tal qual definição fixada no §2º do inciso II, do art.47 da IN SRF 247/02. Ademais, cabe trazer que esses foram os efetivos fundamentos utilizados no voto vencedor para a procedência do recurso voluntário, eis que a redatora designada quando trouxe menção a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições sociais pelo STF quando do julgamento do RE 585.235/RG, apenas reforçou que a receita financeira, por conta dessa decisão, também nem poderia ser tributada. Em vista de todo o exposto, a meu sentir, resta comprovada a divergência de que trata o art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que, por conseguinte, conheço o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, a priori, que o SESC é uma entidade de assistência social, sem fins lucrativos. Passando a discorrer sobre o cerne da lide, importante trazer que, considerando as caraterísticas da entidade e dos autos do processo, cabe trazer ainda que entendo que a referida entidade já observa os requisitos da lei para que seja Fl. 402DF CARF MF 6 destinatária da imunidade tributária constitucional. Ou seja, que já observa as exigências para o gozo da imunidade tributária conferida pela Constituição Federal em seu art. 150, inciso VI, alínea "c" e nos requisitos enumerados no art. 14 do Código Tributário Nacional – dispositivos transcritos abaixo (Grifos Meus): Constituição Federal “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...)” Código Tributário Nacional “Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.” Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10680.006347/200873 Acórdão n.º 9303005.782 CSRFT3 Fl. 651 7 A MP 2.15835/01, prevê a mencionada isenção para a Cofins em seu art. 13, inciso III e IV c/c art. 14, inciso X (Grifos meus): "Art. 13. A contribuição para o PIS/Pasep será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: [..] III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; [..]” “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: [...] X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art 13. [...]” É de se considerar que, nos termos do art. 14, inciso X, da MP 2.15835/01, ficam isentas da Cofins as receitas “relativas” às atividades próprias das entidades de educação e assistência social. É de se trazer ainda o art. 195 da CF/88: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Fl. 404DF CARF MF 8 Ressurgindo ao art. 14, inciso X, da MP 2.15835/01, cabe discorrer sobre o significado e alcance do termo “relativas” contemplado no referido dispositivo, pois, não obstante eu entender de forma extensiva para fins de aplicação da isenção da Cofins às receitas auferidas pelas entidades, a Fazenda Nacional entende que se deve observar – para fins de isenção da referida contribuição, o disposto no art. 47, § 2º, da IN SRF 247/02, in verbis (Grifos Meus): “Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: [...] II São isentas da COFINS em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. [...] §2º. Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.” Notase que, de acordo com a norma infralegal, somente se caracterizam como receitas de atividades próprias para fins de fruição da isenção da Cofins as receitas auferidas pela entidade em caráter gratuito, isto é, receitas cujo recebimento não se dá por contraprestação diretamente oferecida pela associação. Vê se, assim, que se trata de interpretação bastante restritiva. Não obstante à interpretação restritiva dada pela autoridade fazendária desse termo “relativas” constante do mencionado dispositivo, entendo que o referido termo deve ser interpretado de forma harmônica com a finalidade da entidade, com o intuito de não obstaculizar ou interferir na finalidade dessa entidade junto à sociedade. Eis que tais entidades de educação e assistência social possuem um propósito social importante, capaz de empreender e motivar a sociedade para um bem comum, suportando o Estado no cumprimento de sua responsabilidade social. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10680.006347/200873 Acórdão n.º 9303005.782 CSRFT3 Fl. 652 9 O que se torna importante não restringir a interpretação do termo “relativas” que, por sua vez, poderá direcionar a um entendimento mais condizente à sociedade – qual seja, de que haverá isenção da Cofins sobre todas as receitas auferidas pelas entidades, desde que os recursos registrados como receitas venham a ser aplicadas em suas atividades próprias para as quais foram constituídas. Sendo assim, é de se notar que há duas vertentes interpretativas: · A interpretação excessivamente restritiva trazida pelo art. 47, § 2º, da IN SRF 247/02; e · A interpretação extensiva que traz que toda e qualquer receita da entidade, desde que os recursos tenham sidos aplicados na consecução de seus objetivos estatutários, são isentas da Cofins. A meu sentir, considerando o fim social da entidade ora em debate, direcionome à interpretação mais extensiva, pois independentemente de a entidade exercer as atividades já descritas, não vejo aí nenhuma óbice de se aplicar a isenção da Cofins sobre as receitas auferidas por ela, independentemente de serem provenientes de doações ou de contraprestações de serviços, desde que os recursos provenientes dessas atividades não sejam aplicadas em finalidade destoante da que foi instituída para essa entidade e desde que ainda a entidade observe os requisitos descritos no art. 14 do CTN – quais sejam: · Não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; · Aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; · Manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Sendo assim, importante constar que o sujeito passivo não é sociedade empresária, pois não explora, tampouco presta serviço de caráter empresarial, isto é, com objetivo de auferir lucros para serem distribuídos a seus Fl. 406DF CARF MF 10 associados ou administradores – não interferindo de per si na concorrência de mercado. O que entendo que seria nesse sentido que deveríamos ainda interpretar o art. 14, inciso I, do CTN. Eis que tal enunciado deixa claro que tais entidades não devem distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas a seus associados – devendo aplicar inteiramente no cumprimento de suas atividades sociais – diferentemente de uma sociedade empresária que, por sua vez, tem intuito lucrativo e concorrencial de mercado. A atual legislação concorrencial dispõe sobre a prevenção e repressão às infrações de ordem econômica, sendo orientada pelos ditames constitucionais de liberdade de iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade, defesa aos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico, com o objetivo de preservar os mecanismos do mercado. De acordo com o Dicionário Michaelis, concorrência é a “pretensão de mais de uma pessoa à mesma coisa”, é a “competição”, é a “rivalidade entre os produtores ou entre negociantes, fabricantes ou empresários”. Portanto, a expressão contém a ideia de disputa entre agentes econômicos num espaço ou lugar – esse seria o mercado. Ensina Isabel Vaz (Apud: PEREIRA, Marco Antônio Marcondes. Concorrência desleal por meio da publicidade. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2001.p. 5): “A concorrência é um fenômeno complexo e um dos seus pressupostos essenciais é a liberdade, para que os agentes econômicos façam o melhor uso de sua capacidade intelectual e organizem da melhor maneira possível os fatores de produção de bens ou de prestação de serviços, de modo a obter produtos de boa qualidade e a oferecêlos no mercado a preços atraentes”. Sendo assim, para que haja concorrência é preciso que empreendedores disputem uma mesma clientela de um mercado. Por isso, há trâmites regulamentares que devem ser observados quando há pretensão de alterações Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10680.006347/200873 Acórdão n.º 9303005.782 CSRFT3 Fl. 653 11 societárias entre empresas que atuam na mesma atipicidade e já possuem clientelas preferenciais e segmentadas no mercado. Proveitoso, assim, trazer que há várias regras a serem observadas na constituição de sociedades, para fins de se reprimir a concorrência desleal, por exemplo: · Proteção ao fundo de comércio; · Aviamento; · Proteção da atividade empresarial; · Tutela da clientela; · Defesa do patrimônio alheio; · Tutela do direito de da personalidade, respeito à moral profissional, usos e costumes do comércio. O legislador, por conseguinte, delimitou que o fundamento da repressão à concorrência desleal é o respeito ao uso honesto na atividade empresária, ou seja, a observância das regras aceitas no mercado como próprias da concorrência, sujeitas ao conceito aberto de correção profissional, isto é, de boafé que deve nortear os competidores entre si, e frente aos consumidores. Concorrência desleal, portanto, é aquele em que são usados meios ou métodos desleais, que mesmo não sendo delituosos, possibilitam aos prejudicados por seu emprego a reparação civil. Ressurgindome às instituições de assistência social e entidades de educação, constatase que tais entidades não podem desviar suas rendas para distribuir aos seus associados e ser um participante do mercado – com o intuito de concorrer com outras sociedades, pois não interfere na concorrência do mercado ao prestar serviços e aplicar as rendas dessa contraprestação em sua atividade própria. É de se considerar ainda que a instituição de assistência social e entidade de educação não está proibida de obter rendimentos que, por sua vez, podem ser aplicados, e são, normalmente, para a realização dos seus fins sociais o que elas Fl. 408DF CARF MF 12 não podem é distribuir os seus lucros e rendimentos aos associados e ser concorrente com sociedades do mercado que efetivamente prestam serviços equivalente com o intuito de se auferir lucro e distribuílos a seus sócios. A entidade não deve ter como intuito a busca de lucro, mas o cumprimento de sua finalidade a qual foi instituída; para tanto, devese gerir de forma responsável, buscando resultados positivos superávit. Assegurando a aplicação desse superávit em suas finalidades, dado sua ausência de capacidade contributiva, em função do múnus público assumido. Frisese que a realização de atividade remunerada voltada para a manutenção das finalidades estatutárias da entidade beneficente de assistência social não se confunde com a hipótese de incidência definida para o fato imponível da Cofins. Para melhor elucidar meu entendimento, transcrevo o voto vista do Ministro Dr. Moreira Alves emitido no âmbito do julgamento do RE 636.941/RS: “Do exame dos autos verifico que, entre os objetivos institucionais do recorrente, se encontram o da execução de medidas que contribuam para o aperfeiçoamento moral e cívico da coletividade através de uma ação educativa, bem como o de realizações educativas e culturais que visem à valorização do homem. Nesses objetivos, enquadrase, a meu ver, a atividade em causa, que não se limita aos comerciários e às suas famílias. Por outro, lado, observo que essa atividade não tem intuito lucrativo, uma vez que se destina à manutenção da entidade, e não à sua distribuição para os diretores dela. Ademais, no regulamento dessa entidade figura, entre as rendas que constituem seus recursos, as oriundas de prestação de serviços. Tenho, assim, que estão preenchidos os requisitos exigidos pelo art. 14 do CTN para que a imunidade de que goza o recorrente abarque a atividade em causa. ” Nesse sentido, também, importante lembrar o Acórdão do STF referente ao julgamento do RE 237718/SP, assim ementado: Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10680.006347/200873 Acórdão n.º 9303005.782 CSRFT3 Fl. 654 13 “Imunidade tributária do patrimônio das instituições de assistência social (CF, art. 150, VI, c): sua aplicabilidade de modo a preexcluir a incidência do IPTU sobre imóvel de propriedade da entidade imune, ainda quando alugado a terceiro, sempre que a renda dos aluguéis seja aplicada em suas finalidades institucionais. ” O Ministrorelator, Dr. Sepúlveda Pertence, em seu voto, assim delimita o conflito: “Tudo está em saber se a circunstância de o terreno estar locado a terceiro, que o explora como estacionamento de automóveis, elide a imunidade tributária do patrimônio da entidade de benemerência social (no caso, Província dos Capuchinhos de São Paulo). “ Depreendeu o nobre Ministro que renda relacionada às finalidades essenciais da pessoa jurídica seria não necessariamente aquela oriunda da prática de suas atividades essenciais, mas a que, qualquer que fosse a sua origem, a entidade destinasse à consecução e ao desenvolvimento de suas finalidades estatutárias. Sob esta leitura, abstraise completamente da procedência da receita para focalizar tãosomente a sua aplicação que, de acordo com o STF, há de ser na perseguição dos objetivos estatutários da entidade. Continuando, é de citar também o art. 12, §3º, da própria Lei nº 9.532/97 (Grifos Meus): “Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Fl. 410DF CARF MF 14 Refletese a interpretação teleológica das normas, de modo a maximizarlhes o potencial de efetividade, como garantia ou estimulo à concretização dos valores sociais que inspiram limitações ao poder de tributar. O que me resta entender que o termo “relativas” do enunciado em questão atémse à destinação das rendas da entidade, e não à natureza destas independentemente da natureza da renda, sendo esta destinada ao atendimento da finalidade essencial da entidade. Nessa senda, cabe trazer ainda que o STJ, recentemente, na apreciação do REsp 1.353.111 – RS, em sede de repetitivo, apreciou e definiu o conceito de receitas relativas às atividades próprias das entidades sem fins lucrativos para fins de gozo da isenção prevista no art. 14, inciso X, da MP 2.15835/01 – sendo publicada a a seguinte ementa (Grifos Meus): “EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10680.006347/200873 Acórdão n.º 9303005.782 CSRFT3 Fl. 655 15 cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. [...] 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. ACÓRDÃO Fl. 412DF CARF MF 16 Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." As Sras. Ministras Assusete Magalhães (votovista) e Regina Helena Costa e os Srs. Ministros Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Herman Benjamin, Napoleão Nunes Maia Filho e Og Fernandes votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. Brasília (DF), 23 de setembro de 2015. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES , Relator” Portanto, nos termos da referida decisão, temse que as receitas das atividades próprias são todas as receitas que têm como titular (recebedor) a entidade e que se destinem à manutenção de suas atividades. Assim, desinteressa discutir a denominação ou a classificação contábil das receitas, mas sim considerar que todos os recursos recebidos propiciariam ao custeio das suas atividades essenciais. Ante todo o exposto, conheço os motivos do sujeito passivo, uma vez entender que tais atividades encontram respaldo em suas finalidades essenciais – ora, não vejo necessidade que o sujeito passivo exaurisse, de forma clausulada, todas as formas pelas quais devesse o ente desenvolver suas atividades de forma a atender seus fins gerais, desde que não atuem diretamente no mercado com conotação específica no direito econômico, desta forma, finalisticamente, buscando o lucro. Pode até resultar em lucro determinada operação, mas este não é seu fim, e, caso haja lucro, este não pode ser distribuído. Frisese tal entendimento a inteligência da Súmula CARF nº 107: Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10680.006347/200873 Acórdão n.º 9303005.782 CSRFT3 Fl. 656 17 “A receita da atividade própria objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997.” Em vista de todo o exposto, reforço o meu voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000072/2010-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 00 72 /2 01 0- 85 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 14120.000072/201085 Acórdão n.º 9202005.881 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 14120.000072/201085 Acórdão n.º 9202005.881 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 230DF CARF MF Processo nº 14120.000072/201085 Acórdão n.º 9202005.881 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 14120.000072/201085 Acórdão n.º 9202005.881 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 232DF CARF MF Processo nº 14120.000072/201085 Acórdão n.º 9202005.881 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 233DF CARF MF Processo nº 14120.000072/201085 Acórdão n.º 9202005.881 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 234DF CARF MF Processo nº 14120.000072/201085 Acórdão n.º 9202005.881 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 235DF CARF MF Processo nº 14120.000072/201085 Acórdão n.º 9202005.881 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 236DF CARF MF Processo nº 14120.000072/201085 Acórdão n.º 9202005.881 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 237DF CARF MF Processo nº 14120.000072/201085 Acórdão n.º 9202005.881 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000142/2010-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
ÁGIO PAGO POR EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA SUPORTADO POR TERCEIRO. INCORPORAÇÃO. AMORTIZAÇÃO INDEDUTÍVEL.
Não se sustenta a imaginada legalidade da influência de despesa com amortização de ágio, na redução do lucro tributável pelo IRPJ, se esse mesmo ágio, fundado na expectativa de rentabilidade futura, for obtido, pela incorporadora ou pela incorporada, mediante transferência, para aumento ou integralização de capital, de investimento adquirido por terceiro com a citada mais valia. Vale dizer, de outra forma, que a influência no resultado tributável pelo IRPJ só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.
O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário. Diante disso, em caso de apuração de lucro real anual, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, decorrente da redução indevida do resultado do exercício, só se inicia após a amortização anual, e não com o registro original do ágio.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC.
Numero da decisão: 9101-003.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, (i) quanto à legitimidade de amortização do ágio, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; (ii) quanto à decadência, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento e (iii) quanto à ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Lui´s Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente em exerci´cio). Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 ÁGIO PAGO POR EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA SUPORTADO POR TERCEIRO. INCORPORAÇÃO. AMORTIZAÇÃO INDEDUTÍVEL. Não se sustenta a imaginada legalidade da influência de despesa com amortização de ágio, na redução do lucro tributável pelo IRPJ, se esse mesmo ágio, fundado na expectativa de rentabilidade futura, for obtido, pela incorporadora ou pela incorporada, mediante transferência, para aumento ou integralização de capital, de investimento adquirido por terceiro com a citada mais valia. Vale dizer, de outra forma, que a influência no resultado tributável pelo IRPJ só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário. Diante disso, em caso de apuração de lucro real anual, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, decorrente da redução indevida do resultado do exercício, só se inicia após a amortização anual, e não com o registro original do ágio. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC.
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INCORPORAÇÃO. AMORTIZAÇÃO INDEDUTÍVEL. Não se sustenta a imaginada legalidade da influência de despesa com amortização de ágio, na redução do lucro tributável pelo IRPJ, se esse mesmo ágio, fundado na expectativa de rentabilidade futura, for obtido, pela incorporadora ou pela incorporada, mediante transferência, para aumento ou integralização de capital, de investimento adquirido por terceiro com a citada mais valia. Vale dizer, de outra forma, que a influência no resultado tributável pelo IRPJ só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário. Diante disso, em caso de apuração de lucro real anual, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, decorrente da redução indevida do resultado do exercício, só se inicia após a amortização anual, e não com o registro original do ágio. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 42 /2 01 0- 21 Fl. 3217DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.218 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, (i) quanto à legitimidade de amortização do ágio, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; (ii) quanto à decadência, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento e (iii) quanto à ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre ́ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correâ, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em face do acórdão nº 1101000.961, de 08/10/2013, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), lavrado nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento; 3) por voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de conexão suscitada pela Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, que restou vencida, acompanhada pelos Conselheiros José Sérgio Gomes e Benedicto Celso Benício Júnior, este votando pelas conclusões, e sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Ricardo da Silva; 4) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de decadência, divergindo os Conselheiros José Ricardo da Silva e Marcelo de Assis Guerra; 5) por voto de qualidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às glosas de amortização de ágio, divergindo os Conselheiros José Ricardo da Silva, Marcelo de Assis Guerra e Benedicto Celso Benício Júnior; 6) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às compensações de prejuízos fiscais e bases negativas; 7) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à imputação de multa de ofício à sucessora; 8) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Fl. 3218DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.219 3 José Ricardo da Silva e Benedicto Celso Benício Júnior, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O acórdão recorrido está assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 NULIDADE. INOVAÇÃO EM DECISÃO DE 1ª INSTANCIA. INOCORRÊNCIA. A autoridade julgadora pode expressar livremente sua percepção dos fatos reunidos nos autos, inclusive acrescendo análises não cogitadas pela Fiscalização, em resposta à defesa do impugnante. Somente não lhe é permitido manter a exigência do crédito tributário com fundamento, exclusivamente, em argumentos novos, por ela adicionados à motivação do lançamento. LANÇAMENTO. AUTORIDADE INCOMPETENTE. INOCORRÊNCIA. COMPETÊNCIA CONCORRENTE. DEMAC (ANTERIOR DEAIN). INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. As competências da Delegacia Especial de Maiores Contribuintes (anterior Delegacia Especial de Assuntos Internacionais) e da Delegacia Especial de Instituições Financeiras são concorrentes para efetuar o lançamento em contribuinte do tipo instituição financeira. Ademais, são válidos os lançamentos lavrados por servidor competente (Auditor Fiscal) de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN). PROCESSOS DISTINTOS. ÓRGÃOS JULGADORES COMPETENTES. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. DECISÕES ADMINISTRATIVAS DIVERGENTES. POSSIBILIDADE. Não vinculam as decisões administrativas proferidas por órgãos julgadores distintos, exaradas no exercício de suas respectivas competências. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 3219DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.220 4 Anocalendário: 2005, 2006 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. REFLEXO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Deve ser anulada contabilmente a amortização de ágio que, após transferência mediante a utilização de empresa veículo, surge sem substância econômica no patrimônio da investida. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. Deve ser afastada a glosa de compensação de base negativa oriunda de período de apuração não revisado no procedimento fiscal. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. INOCORRÊNCIA. Existindo ágio pago em processo licitatório, a interpretação equivocada do sujeito passivo acerca da possibilidade de sua amortização não é suficiente para a qualificação da penalidade aplicável aos tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da amortização daquele valor. SUCESSÃO. EMPRESAS PERTENCENTES AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula CARF n° 47). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Ciência da decisão recorrida em 30/09/2014, à fl. 1.995. A recorrente opôs Embargos de Declaração tempestivos, que foram rejeitados conforme despacho do qual fora cientificada em 19/12/2014, à fl. 2.182. Recurso Especial interposto no dia 02/01/2015, às. fls. 2.184/2.217, que foi admitido apenas para os itens abaixo: a) legitimidade de amortização do ágio; b) decadência do direito de o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio; c) ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Fl. 3220DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.221 5 Decisão de fls. 3.019/3.035 rejeitou o Agravo da decisão que não admitiu o Recurso Especial em relação aos itens: necessidade de aplicação do Julgado proferido no processo nº 16561.000222/200872 (conexo); inexistência de duplo ágio; impossibilidade de inovação do critério jurídico pela autoridade julgadora; inexistência de previsão legal para adição à base de cálculo da CSLL de despesa com amortização de ágio considerada indedutível, e necessidade de consideração dos prejuízos fiscais e das bases negativas apuradas em sua integralidade. Para o tema “legitimidade de amortização do ágio”, a recorrente trouxe ao confronto o acórdão n° 140200.802, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, de 21/11/2011, que trata dos mesmos fatos em julgamento, praticados pelo Grupo Santander, embora referente a períodos de apuração distintos daqueles que constam da autuação em exame. Este acórdão está assim ementado, na parte que interessa: “INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7° E 8° DA LEI N° 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL. INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA. No contexto do programa de privatização das empresas de telecomunicações, regrado pelas Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto n°2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. “ Para o tema “decadência do direito de o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio”, a recorrente apresenta como paradigma o acórdão n° 10197.084, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de 17/12/2008, assim ementado: “IRPJ — DECADÊNCIA — Uma vez expirado o prazo previsto no art. 150 § 4°, a Fiscalização não está autorizada a promover revisão dos fatos ocorridos e registrados anteriormente, pois que alcançados pelo instituto da decadência. Não prevalece a exigência em relação aos valores submetidos à tributação como consequência da inobservância da regra que tornara imutáveis os fatos espelhados nos registros contábeis mantidos.” Para o tema “ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa”, por sua vez, a recorrente elege o acórdão n° 910100.722, da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 08/11/2010, trazido como paradigma, assim ementado, na parte que diz respeito à matéria em julgamento: “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada.” Para os temas admitidos ao debate, no Recurso Especial, a recorrente aduz o seguinte: A) quanto à legitimidade do ágio: Fl. 3221DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.222 6 1) o presente processo administrativo é mera continuidade do processo administrativo n° 16561.000222/200872, no qual se apurou a dedução do ágio gerado quando da aquisição das ações do Banco Banespa S/A. Naqueles autos, a Fiscalização reverteu os efeitos, na apuração do IRPJ e da CSLL, da amortização do ágio promovida pelo Banco Banespa S/A, de 2002 a 2004, ao passo, que no presente, a glosa alcança as deduções dessa mesma natureza promovidas em 2005 e de 01/01/2006 a 31/08/2006, após a incorporação do Banespa pela recorrente. 2) A decisão recorrida interpretou os artigos 7o e 8o da Lei n° 9.532/97 de forma diametralmente oposta ao acórdão paradigma. Isso porque, enquanto o acórdão recorrido entende que a legitimidade da dedução da amortização do ágio deve ocorrer apenas nas situações em que o "investidor original" (Santander Hispano) incorpora a "investida" (Banespa) ou o "investidor original" é incorporado pela "investida" (operação reversa), rejeitando qualquer possibilidade de transferência do investimento detido com ágio para outras pessoas jurídicas do grupo da investidora, o acórdão paradigma concluiu em sentido totalmente contrário. 3) De fato, na interpretação dos artigos em referência, o acórdão paradigma reconheceu a legitimidade da dedução do ágio transferido para outra pessoa jurídica do mesmo grupo da investidora original, desde que cumpridos certos requisitos, quais sejam: (i) efetivo pagamento do custo total da aquisição, inclusive o ágio; (ii) a realização das operações entre partes não ligadas; (iii) lisura da avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura; (iv) propósito negocial, os quais foram devidamente atendidos pelo recorrente. B) quanto à decadência do direito de o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio: 1) refutando os argumentos defendidos no Recurso Voluntário (fls. 21/27), a relatora do acórdão recorrido afastou a preliminar de decadência/preclusão, sob mesmos fundamentos expostos no processo n° 16561.000222/200872 (acórdão n° 140200.802)., concluindo no sentido de que "nenhum impedimento havia para a Fiscalização, em 29/03/2010/ formalizar exigência relativa aos períodos de apuração de 2005 e 2006, alcançando a repercussão tributária do fato aqui em discussão, ocorrido em 2001. "(fl. 1928). Fl. 3222DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.223 7 2) Ocorre que, em posição diametralmente oposta, o antigo Conselho de Contribuintes, ao julgar o processo administrativo n° 16327.002113/200510, proferiu o acórdão paradigma n° 10197084, reconhecendo a impossibilidade de o Fisco questionar a legalidade de fatos pretéritos (ocorridos e registrados contabilmente) após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos, que tenham gerado efeitos em anos subsequentes, como ocorre no presente caso. 3) Diversamente do entendimento exposto pela Conselheira Relatora no acórdão recorrido, defendese, com base na tese erigida no acórdão paradigma, que o Fisco não poderia efetuar os lançamentos de ofício em 2010, sobre fatos pretéritos, já consumados no tempo em razão do decurso do prazo decadencial (fato societário que gerou o direito à utilização do ágio, que ocorreu em 2001), para alcançar os efeitos decorrentes desses fatos, em períodos subsequentes (amortização do ágio realizado em 2005 e 2006) C) quanto à ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa: 1) É certo que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal, merecendo reforma a decisão recorrida também com relação a esse ponto. 2) O entendimento exarado no acórdão recorrido conflita frontalmente com posição adotada pelo Plenário desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em julgamento ocorrido nos autos do processo administrativo n° 10680.002472/200723 (acórdão paradigma n° 910100.722 Doc. 09), negou provimento a recurso especial da PGFN, reconhecendo a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, em razão do disposto no artigo 161, do Código Tributário Nacional. Diante do exposto, a recorrente salienta que demonstrou a divergência de interpretação da legislação aplicável ao caso entre o acórdão recorrido e os diversos paradigmas citados no decorrer do presente recurso, ao mesmo tempo em que requer a reforma da decisão recorrida, com o consequente cancelamento dos autos de infração. É o relatório. Voto Fl. 3223DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.224 8 Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. A recorrente opôs Embargos de Declaração tempestivos, que foram rejeitados conforme despacho do qual fora cientificado em 19/12/2014, à fl. 2.182. Recurso Especial tempestivo, porquanto interposto no dia 02/01/2015, às. fls. 2.184/2.217. Uma vez reunidos os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Em primeiro lugar, trazse ao debate a legitimidade do ágio. Segundo a recorrente, o presente processo administrativo é mera continuidade do processo administrativo n° 16561.000222/200872, no qual a Fiscalização glosou a despesa de amortização do ágio, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo negativa de CSLL referentes aos anoscalendário de 2002 a 2004, contabilizada pelo Banespa S/A, ao passo que, nos presentes autos, a glosa alcançou a amortização do ágio ocorrida no anocalendário de 2005 e entre janeiro e agosto de 2006, também contabilizada pelo Banespa S/A, antes da incorporação pela instituição financeira recorrida. Com efeito, a decisão recorrida interpretou os artigos 7o e 8o da Lei n° 9.532/97 em divergência com o acórdão paradigma. Isso porque, enquanto o acórdão recorrido entende que a legitimidade da dedução da amortização do ágio só é cabível nas situações em que o "investidor original" (SANTANDER HISPANO) incorpora a "investida" (BANESPA) ou o "investidor original" é incorporado pela "investida" (operação reversa), o acórdão paradigma concluiu em sentido diametralmente oposto, assentando que é possível haver ágio legítimo nas transferências do investimento detido com ágio para outras pessoas jurídicas do grupo da investidora, como traduz sua ementa, verbis: “INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO – ARTIGOS 7° E 8° DA LEI N° 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA. No contexto do programa de privatização das empresas de telecomunicações, regrado pelas Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto n° 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/97, mediante a utilização de empresa veiculo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veiculo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponivel ao fisco.” Tais são as pessoas jurídicas relevantes ao cenário fático revelado nos presentes autos: 1. Banco Santander (Brasil) S/A (denominações anteriores: Banco Santander S/A, Banco Santander Banespa S/A, Banco Meridional S/A e Banco Meridional do Brasil S/A) (SANTANDER S/A), CNPJ no 90.400.888/000142; 2. Banco do Estado de São Paulo S/A (BANESPA), CNPJ n° 61.411.633/000187; 3. Banco Santander Brasil S/A (SANTANDER BRASIL), CNPJ n° 61.472.676/000172; Fl. 3224DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.225 9 4. Banco Santander S/A (BANCO SANTANDER), CNPJ n° 33.517.640/0001 72; 5. Banco Santander Central Hispano S/A (SANTANDER HISPANO), instituição financeira constituída de acordo com as leis da Espanha, com sede em Santander, Espanha; 6. Santander Holding Ltda (SANTANDER HOLDING), CNPJ n° 04.154.302/000175; 7. Meridional Holding Ltda (MERIDIONAL HOLDING), CNPJ n° 03.116.561/000149. O relatório da DRJ destaca o seguinte, no que diz respeito ao intrincado das operações societárias que importam ao julgamento deste apelo, verbis: “Em 04/10/2000, foi publicado o edital do Programa Nacional de Desestatização PND nº 03/2000, do Banco Central do Brasil Bacen, com a finalidade de alienar as ações do Banespa por leilão em 20/11/2000 (f1s.4655). Em 25/10/2000, foi constituída a SANTANDER HOLDING, COM capital de R$1.000,00, dividido em 1000 quotas, sendo os quotistas: (i) SANTANDER BRASIL, com 999 quotas e (ii) Aurélio Velo Vallejo, espanhol, CPF no 215.139.65840, com uma quota. A referida sociedade tinha como objeto social a participação e administração de bens próprios ou de terceiros, e participação em outras sociedades, qualquer que fosse o respectivo objeto social, na qualidade de sócia minoritária ou controladora (fls.6671). Em 20/11/2000, o SANTANDER HISPANO, instituição financeira constituída de acordo com as Leis da Espanha, com sede em Santander, Espanha, adquiriu, no leilão previsto no citado edital PND – nº 03/2000, o controle acionário do BANESEPA por R$ 7.050.000.000,00, conforme Contrato de Compra e Venda de Ações do Banco do Estado de São Paulo Banespa, celebrado entre a UNIÃO e o SANTANDER HISPANO (fls 5763). Com a publicação de Fato Relevante em 28/12/2000 (f1s. 65), tornouse pública a pretensão do SANTANDER HISPANO de realizar uma oferta pública de compra da totalidade das ações ordinárias preferenciais do BANESPA em circulação no mercado, representativas de aproximadamente 67% de seu capital social. Em 29/05/2001, foi efetuada a Primeira Alteração do Contrato Social da SANTANDER HOLDING (fls.728731), tendo sido aumentado seu capital social de R$1.000,00 para R$ 9.574.901.000,00, criandose 9.574.900.000 novas quotas, todas subscritas e integralizadas pelo quotista então admitido, SANTANDER HISPANO, mediante a conferencia sociedade de 36.394.636.404 ações representativas do capital social do BANESPA, cujo valor atribuído foi de R$9.574.900.000,00, equivalente ao montante investido pelo subscritor na aquisição das ações de emissão do BANESPA então contribuídas. O valor atribuído às ações de emissão do BANESPA para fins de sua contribuição ao capital social foi fundamentado em laudo de avaliação elaborado pela empresa KPMG CORPORATE FINANCE, CNPJ n° 48.883.938/000123 (fls.7485). O quotista Aurélio VELO VALLEJO transferiu sua única quota da SANTANDER HOLDING para o SANTANDER BRASIL pelo valor de R$1,00, retirandose, assim, da sociedade. Em 30/05/2001, o SANTANDER HISPANO transferiu, conforme a Segunda Alteração do Contrato Social da SANTANDER HOLDING (fls.8692), as quotas de Fl. 3225DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.226 10 sua propriedade na SANTANDER HOLDING, representadas pelas ações do BANESPA, no valor de R$ 9.574.900.000,00, para a MERIDIONAL HOLDING. Conforme o Instrumento Particular da Terceira Alteração do Contrato Social da SANTANDER HOLDING (fls.9397), em 29/06/2001 o BANCO SANTANDER (hoje incorporado pelo SANTANDER S/A), incorporou a MERIDIONAL HOLDING, além de receber as 1.000 quotas da SANTANDER HOLDING pertencentes ao SANTANDER BRASIL, passando a deter a totalidade das quotas da SANTANDER HOLDING. Cabe salientar que no referido instrumento há menção à observância de dispositivos das Instruções CVM n° 319/99 e 349/2001. Assim, o BANCO SANTANDER assumiu todos os direitos e obrigações da MERIDIONAL HOLDING, inclusive as quotas de titularidade desta última, no valor de R$ 9.574.900.000,00. Por meio do oficio Deorf/GTSP22002/1065, de 23/08/2002, o Banco Central do Brasil comunicou a aprovação da incorporação pelo BANESPA de sua então controladora, SANTANDER HOLDING, segundo deliberado em AGE de 30/07/2001, mediante versão da totalidade de seu patrimônio e consequente extinção (fls.110111). A partir da incorporação da SANTANDER HOLDING, o BANESPA iniciou a amortização do ágio antes nela contabilizado, diminuindo as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Salientese, por fim, que o BANCO SANTANDER, hoje incorporado pelo SANTANDER S/A, fazia parte do conglomerado financeiro espanhol." Por sua vez, o Termo de Verificação Fiscal assinala que a Fiscalização não põe em dúvida a existência do ágio pago pelo SANTANDER HISPANO, na aquisição das ações do BANESPA. O mesmo Termo ainda aponta outros fatos que assumem invulgar importância, no contexto da acusação. São eles: a) as operações societárias engendradas pelo grupo econômico tiveram como objeto internalizar, para o Brasil, um ágio pago pela sociedade estrangeira domiciliada na Espanha (SANTANDER HISPANO) e gerado quando da aquisição do BANESPA. O ponto de partida desta internalização está no aumento de capital do SANTANDER HOLDING com as ações do BANESPA, detidas pela sociedade espanhola; b) SANTANDER HOLDING teve efêmera existência legal (constituída em outubro/2000 e incorporada em julho/2001), sendo que, para o breve período em que era dotada de personalidade jurídica, suas declarações de rendimentos evidenciam o aumento de seu capital social, de R$ 1.000,00 para R$ 9.574.901.000,00, e as consequências de sua participação no BANESPA. Assim, no ativo do ano de sua incorporação (2001), só há o registro de R$ 1.000,00, em seu caixa (valor do capital social integralizado, em sua constituição), e a participação no Banespa com o correspondente ágio; c) as declarações de rendimentos também retratam que a SANTANDER HOLDING sequer manteve quadro de funcionários durante o tempo de sua existência; d) SANTANDER HOLDING é um caso típico de empresa veículo, criada com o único fim de internalizar o ágio e posteriormente amortizálo; e) a subsequente incorporação do SANTANDER HOLDING pelo BANESPA, a denotar que o único intuito era o de poder deduzir o ágio amortizado, na apuração do lucro real e da base de cálculo CSLL. Tal conclusão está amparada nas razões Fl. 3226DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.227 11 expostas no Protocolo de Incorporação e Instrumento de Justificação, datado de 12/07/2001, in litteris: "1.1 Tendo em vista que a SH é detentora de ações do Banespa, que inclui o ágio pago na aquisição dessa participação acionária, as administrações das partes entendem que a incorporação, pelo Banespa, da SH, com sua consequente extinção, se justifica na medida em que permitirá a melhoria do fluxo de caixa do Banespa, resultante do benefício fiscal gerado pela amortização do ágio pago quando da aquisição de ações de emissão do Banespa registrado na SH, sendo que a operação de incorporação da SH, objeto deste Protocolo, será estruturada de modo a não acarretar a transferência de endividamento da SH ao Banespa. Ainda, os dividendos atribuídos às ações detidas pelos acionistas não controladores não serão diminuídos pelo montante do ágio amortizável em cada exercício, conforme disposto na Cláusula 4.3 deste Protocolo" (grifei) Uma vez conhecidos os fatos acima narrados, decido. A situação fática em exame deve ser apreciada sob a perspectiva dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, e do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977, este último com a redação anterior à Lei nº 12.973/2013: a) artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997: "Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: Fl. 3227DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.228 12 a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária." b) artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977: "Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; Fl. 3228DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.229 13 c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. § 4º As normas deste Decretolei sobre investimentos em coligada ou controlada avaliados pelo valor de patrimônio líquido aplicamse às sociedades que, de acordo com a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, tenham o dever legal de adotar esse critério de avaliação, inclusive as sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada" Diante de tais dispositivos normativos, depreendese que a dedutibilidade do ágio amortizado, na apuração do lucro real, carece de amparo legal, no caso concreto, já que o ágio não foi suportado, com sacrifício patrimonial, pela pessoa jurídica incorporada ou pela pessoa jurídica incorporadora. Percebase a esse respeito que o caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 remete a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à exigência de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Como se pode ver, este artigo se refere ao ágio previsto no artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977, e este dispositivo trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor de patrimônio líquido na época da aquisição. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com a referida mais valia. Sobrelevase dos preceitos normativos supracitados como já adiantado que o verbo adquirir implica sacrifício patrimonial da incorporada ou da incorporadora. Por conseguinte, não se sustenta a imaginada legalidade da influência de despesa com amortização de ágio, na redução do lucro tributável pelo IRPJ, se esse mesmo ágio for obtido, pela incorporadora ou pela incorporada, mediante transferência, para aumento ou integralização de capital, de investimento adquirido por terceiro com a citada mais valia. Vale dizer, de outra forma, que a influência no resultado tributável pelo IRPJ, ora em foco, só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida. No mais, ainda no tocante à acusação de prática de infração à legislação do IRPJ, manifesto adesão às razões de decidir colacionados pela Ilustre Conselheira Adriana Gomes Rêgo, na relatoria do julgamento de Recurso Especial da PGFN, na oportunidade em que restou reformado o acórdão ofertado como paradigma, na sessão de 11 de maio de 2017, verbis: "No entanto, tudo o que foi dito até agora tornase irrelevante para o deslinde dessa questão porque o argumento principal e exclusivamente determinante para a glosa da despesa de amortização do ágio diz respeito ao fato de que o ágio foi efetivamente pago pela empresa espanhola, de onde se conclui que a dedução não tem amparo legal à luz do que dispõem os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, cuja letra pressupõe que quem adquire efetivamente o investimento e tenha arcado com esse ônus, possa deduzir, senão vejamos: Fl. 3229DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.230 14 [...] Ora, qual o custo do investimento para a Santander Holding? Certamente, nenhum! Como se pode permitir que alguém que não tenha arcado com um investimento possa gerar uma despesa dessa natureza? Certamente essa não foi a intenção do legislador. A contribuinte justifica que a transferência das ações da Santander Hispano S.A para uma holding não financeira deveuse ao fato de que não seria possível integralizar capital de instituição financeira em razão da própria legislação brasileira das instituições financeiras; contudo, essa justificativa não tem o condão de alterar os contornos dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997. Ou seja, ela poderia transferir, mas não amortizar aqui no Brasil. Da mesma forma, não é o fato de terem sido adquiridas as ações do Banespa, em um processo de desestatização, por meio de um leilão público, que irá permitir tal dedutibilidade. Aliás, a exposição de motivos do projeto de lei convertido na Lei nº 9.532, de 1997, quando cita que com as normas, a prática de algumas empresas de adquirir outras para gerar ganhos de natureza tributária com incorporações não deixará de existir, mas será mitigada, de modo a se deixar as aquisições restritas a casos reais, deve levar à interpretação, justamente, de que o legislador quis alcançar os casos reais, quais sejam, aqueles em que uma pessoa jurídica absorve patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual esta que absorveu detenha participação societária adquirida com ágio. Aqui não estamos diante de um caso de uma empresa que detinha participação societária adquirida com ágio. Houve todo um planejamento, reconhecido pela empresa fiscalizada, realizado com o duplo intuito: adquirir o Banespa e aproveitar o benefício fiscal da amortização do ágio. O fato de ter sido necessário ao grupo Santander ter realizado suas operações do modo que o fez, porque de outra forma a aquisição das ações não seria viável do ponto de vista econômico, porque não poderia dar conhecimento ao mercado do seu lance, porque não teria isonomia com as empresas brasileiras, porque não tinha patrimônio no Brasil para fazer face a essa aquisição, enfim, esses esclarecimentos estão demonstrados, mas não servem para enquadrar a hipótese aos artigos da lei de forma a permitir tal dedução. A dedução deve ter sido feita, como sugeriu a Fiscalização e afirmou a Procuradoria, pela pessoa jurídica estrangeira, que foi quem de fato arcou com o ônus do ágio. No Brasil, essa transferência para amortizar novamente o ágio pago no exterior não encontra amparo legal. Isso porque as normas de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, combinadas com as do DecretoLei nº 1.598, de 1977 pressupõem dois eventos. O primeiro evento é o de alienação ou liquidação do investimento na investida pela investidora. O ágio contabilizado se soma ao valor de patrimônio líquido do investimento para compor o valor contábil a ser considerado na apuração do ganho de capital, reduzindoo (art. 33 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, na redação da época dos fatos, e art. 426 do RIR/1999). E o investimento deixa de existir na investidora, com a baixa do investimento alienado, ocorrendo uma "separação" entre investidora e investida. Fl. 3230DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.231 15 O segundo evento é o de incorporação, fusão ou cisão em que investidora e investida passem a constituir uma mesma empresa. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.607, de 1997, convertida na Lei nº 9.532, de 1997, tal situação passou a ser regrada pelos dispositivos ali existentes (arts. 7º e 8º na Lei nº 9.532, de 1997). Com a absorção da investida pela investidora (ou viceversa) ali prevista, ocorre o "encontro" entre investida e investidora (confusão patrimonial) e a consequente extinção do investimento. Nessa situação, os dispositivos em questão estabelecem permissivo legal de o ágio contabilizado ser amortizado (e deduzido) à razão de no máximo um sessenta avos por mês. Os referidos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, foram integralmente incorporados ao RIR/1999 por meio de seu art. 386. Esse dispositivo do RIR/1999 guarda forte relação com o artigo que lhe antecede, o qual, reproduzindo as disposições do art. 20 do já citado DecretoLei nº 1.598, de 1977, estabelece as regras de contabilização do ágio. Transcrevemse, pois, os arts. 385 e 386 do RIR/1999: [...] Portanto, das disposições dos artigos transcritos temse que a confusão patrimonial entre investidora e investida se revela como fato condicionante para que a amortização do ágio pago na aquisição do investimento se torne possível por ocasião de incorporação, cisão ou fusão. A lógica que permeia esta condição reside no fato de que é a extinção do investimento que enseja o aproveitamento do ágio, e nos casos de incorporação, cisão ou fusão, a extinção do investimento somente ocorre quando os patrimônios da investidora e da investida se encontram (ou se confundem). Assim, caso a empresa investidora cujo patrimônio se encontrou com a empresa investida em decorrência de evento de incorporação, cisão ou fusão não foi aquela que efetivamente suportou a aquisição do investimento, a despesa com amortização do ágio não poderá ser deduzida na apuração do IRPJ e da CSLL. Nessa linha tem sido a jurisprudência desta 1ª Turma da CSRF, conforme acórdãos 9101002.213, 9101002.312, 9101002.419, 9101002.428, 9101002.470, 9101002.480." Diante do exposto, nego provimento ao pedido de reconhecimento da legitimidade do ágio. Em conseqüência, não há como acolher a legalidade da influência da amortização desse ágio na apuração do IRPJ. No tocante à acusação de prática de infração à legislação da CSLL, impõese ressaltar, antes de tudo, que o ágio pago com lastro em rentabilidade futura deve ser contabilmente amortizado ao longo do tempo, conforme orienta o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI1: "11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Deságio [. . .] c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA 1 Sérgio de Iudicibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke. São Paulo: Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FEA/USP), 7a Edição. Fl. 3231DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.232 16 Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. [...] 11.7.5 Amortização do Ágio ou Deságio a) CONTABILIZAÇÃO V Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio liquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente). (...)" (grifei) Portanto, o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura, na aquisição de investimento, é despesa amortizável; como tal, está sujeita à norma veiculada pelo artigo 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995: "Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: [...] III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; Isso porque, como é cediço, as ações são bens móveis, conforme previsão do artigo 82 do vigente Código Civil. Nesses termos, o ágio pago sob a justificativa de rentabilidade futura, na aquisição de ações, constitui gasto que deve ser amortizado, como despesa, dentro do período pelo qual se pagou por lucros futuros. Nessas circunstâncias, tal despesa de amortização não pode afetar a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a teor do já mencionado artigo 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995. Ademais, os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que Fl. 3232DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.233 17 as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL. Diante do exposto, negase provimento ao pedido de reconhecimento da legalidade da influência da amortização desse ágio na apuração da CSLL. Na questão subsequente, examinase a decadência do direito de o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio. Em primeiro lugar, é preciso destacar que o IRPJ e a CSLL exigidos nos autos de infração contestados nestes autos são tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação. Isso porque, nos termos do artigo 150 do CTN, a lei atribui ao sujeito passivo da obrigação tributária o dever de antecipar o pagamento de tais exações, sem o prévio exame da autoridade administrativa. Desse modo, já considerando que o IRPJ e a CSLL são submetidos à disciplina do lançamento por homologação, discutese se estariam sujeitos ao prazo decadencial refletido no § 4º do artigo 150 do CTN ou no artigo 173, inciso I, do mesmo Código. Consoante o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consagrado na decisão proferida no julgamento do REsp nº 973.733, submetido ao procedimento dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Vale dizer que, havendo previsão legal que obrigue a antecipação do tributo sem a anterior anuência da autoridade tributária, deverseá aplicar a regra que dimana do artigo 173, inciso I, do CTN, caso inexista pagamento antecipado. Por outro lado, incidirá a regra que ressai do § 4º do artigo 150 do CTN, verificandose o adiantamento de tributo cuja antecipação, sem a anterior anuência da autoridade fiscal, decorrer de previsão legal. Todavia, se restar caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN (Súmula CARF nº 72) Seja como for, tanto o artigo 173, inciso I, do CTN quanto o § 4º do artigo 150 do referido Código não podem ser aplicados antes da ocorrência do fato gerador do tributo, afinal o lançamento reportase à data em que este fato ocorreu (artigo 144 do CTN). Em outras palavras, enquanto não ocorrido o fato gerador do tributo não há o que se lançar, motivo por que não se pode pretender que se inicie a contagem do lapso decadencial enquanto o Fisco estiver impossibilitado de constituir o crédito tributário. Por essa razão, não há como acolher o pleito da recorrente, formulado no pedido de que se considere o anocalendário de 2001 como o começo da contagem do período decadencial. Para suportar tal pedido, a Recorrente alega que as operações societárias reportadas no lançamento tributário datam do anocalendário de 2001. Essa alegação em nada socorre à Recorrente, diante do fato de que o ágio constituído só surtiu efeitos tributários, mediante a dedução de despesas com a amortização desse ágio, a partir do anocalendário de 2002. Está claro, pois, que, em 2001, o Fisco não podia constituir o crédito tributário decorrente de infrações apuradas neste procedimento, ocorridas em 31/12/2005 e 31/08/2006, consoante a descrição nos autos de infração de IRPJ e CSLL. Além Fl. 3233DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.234 18 disso, tendo em conta que o lançamento tributário foi efetuado em 29/06/2010, não há mesmo que se falar em decadência. Portanto, nego provimento ao pedido de reconhecimento da decadência do direito de o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio. Na questão derradeira, examinase a alegada ilegalidade da cobrança de juros calculada com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício. O ponto crucial da dúvida está na redação do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. De início, devese aludir à previsão legal que veda a incidência de juros de mora sobre a multa de mora, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 16 do Decretolei nº 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei nº 2.331/1987, verbis: “Art. 6º. Os arts. 15 e 16 do Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, para com o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e para com o Fundo de Participação PISPasep, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora. Parágrafo único. A multa de mora será de vinte por cento sobre o valor monetariamente atualizado do tributo ou contribuição, sendo reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado até o último dia útil do terceiro mês subseqüente àquele em que tiver ocorrido o vencimento do débito. Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Fl. 3234DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.235 19 Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior." Percebase que o Decretolei nº 2.323/1987, ao ressalvar a multa de mora, não vedou a incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício. Por outro lado, o § 3º do artigo 950 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) estabelece que a multa de mora não deve aplicada se o tributo suprimido ao Erário já tiver servido de base de cálculo para a multa proporcional decorrente de lançamento de ofício, verbis: “Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.” (grifei) Assim, sou da opinião de que a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A teor dos artigos suprarreferidos: Fl. 3235DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.236 20 a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estadocredor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. Em apoio à interpretação aqui defendida, trazse à colação o Resp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): Fl. 3236DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.237 21 "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Fl. 3237DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.238 22 Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(grifos no original) Essa é a diretriz a ser seguida, para se descortinar o alcance do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto. Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, manifesto que as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Alfim, saliento que a Câmara Superior já decidiu segundo a linha exegética aqui anunciada: “JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic”. (Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, processo nº 16327.002231/200285, Relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, processo nº 16327.002243/9971, Relator Conselheiro Valmir Sandri, Redatora Designada Conselheira. Viviane Vidal Wagner) À luz dos argumentos expostos, nego provimento ao pleito referente ao reconhecimento da ilegalidade da incidência dos juros de mora calculado com base na taxa SELIC sobre a multa aplicada. Conclusão: conheço do Recurso Especial do contribuinte para, no mériro, negarlhe provimento. Fl. 3238DF CARF MF Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 9101003.210 CSRFT1 Fl. 3.239 23 (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 3239DF CARF MF
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