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Numero do processo: 10930.905869/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/10/2010
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.027
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 58 69 /2 01 2- 47 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.905869/201247 Acórdão n.º 3302005.027 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06040.905. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.905869/201247 Acórdão n.º 3302005.027 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.905869/201247 Acórdão n.º 3302005.027 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.905869/201247 Acórdão n.º 3302005.027 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.905869/201247 Acórdão n.º 3302005.027 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10930.905869/201247 Acórdão n.º 3302005.027 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10930.905869/201247 Acórdão n.º 3302005.027 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10930.905869/201247 Acórdão n.º 3302005.027 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.727254/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/05/2012 a 31/07/2012, 01/09/2012 a 31/10/2012
Ementa:
CLASSIFICAÇÃO FISCAL - COMPOSIÇÃO DO PRODUTO - NECESSIDADE DE PROVA.
Nos casos em que a reclassificação fiscal efetuada pelo fisco levar em consideração a composição de produto, esta deve estar irremediavelmente provada nos autos do processo, de modo a categorizar a situação de fato, sob pena da insubsistência da exigência fiscal.
INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO EM DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
Em observação às normas dispostas nos Art. 142 e 146 do Código Tributário Nacional, é vedada a inovação do lançamento de ofício original em julgamento de primeira instância administrativa fiscal.
Numero da decisão: 3201-003.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi substituída pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fez sustentação oral o patrono Dr. Gustavo Martini de Matos, OAB/SP 154355, escritório Advocacia Krakowiak.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Nos casos em que a reclassificação fiscal efetuada pelo fisco levar em consideração a composição de produto, esta deve estar irremediavelmente provada nos autos do processo, de modo a categorizar a situação de fato, sob pena da insubsistência da exigência fiscal. INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO EM DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Em observação às normas dispostas nos Art. 142 e 146 do Código Tributário Nacional, é vedada a inovação do lançamento de ofício original em julgamento de primeira instância administrativa fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi substituída pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fez sustentação oral o patrono Dr. Gustavo Martini de Matos, OAB/SP 154355, escritório Advocacia Krakowiak. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA – Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 72 54 /2 01 4- 10 Fl. 836DF CARF MF 2 (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 707 em face da decisão de primeira instância administrativa fiscal proferida pela DRJ/MG de fls 686, restando improcedente a Impugnação de fls. 465 apresentada em oposição ao Auto de Infração de IPI de fls. 258 e Relatório Fiscal de fls. 344. Como de costume desta Turma de Julgamento, transcrevese o mesmo relatório utilizado na decisão de primeira instância, in verbis: "Tratase de auto de infração de fls. 358 a 379, lavrado pela DRF – Rio de Janeiro II, no qual consta a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), cód. 2945, no valor de R$ 23.620.223,70, multa de ofício no percentual de 75% no valor de R$ 17.715.167,82, e juros moratórios, no valor de R$ 6.047.862,46. De acordo com o Termo de Constatação de Infração Fiscal de fls. 344 a 357, a autuação se deveu à saída de produtos sem recolhimento do IPI nos meses de janeiro de 2010, janeiro de 2012, maio a julho de 2012 e setembro a outubro de 2012, em razão da utilização de créditos indevidos do imposto no período de outubro de 2009 a setembro de 2010. Ainda segundo referido termo de Constatação: Fl. 837DF CARF MF Processo nº 18470.727254/201410 Acórdão n.º 3201003.472 S3C2T1 Fl. 837 3 A autoridade fiscal, após a análise da resposta oferecida pela Impugnante, conclui pela necessidade das glosas dos créditos “presumidos de IPI” pelo fato de que os produtos que supostamente haviam gerado tal direito (Concentrados de Mate) não se classificariam no código TIPI utilizado pela Impugnante (2106.90.10 Ex 01, alíquota de IPI de 27%) mas no código 2101.20.20, alíquota zero de IPI. E complementa a autoridade fiscal: Fl. 838DF CARF MF 4 A autuada apresenta Impugnação (Fls. 465 a 629), onde alega: a) Preliminarmente que: a responsabilidade pela correta classificação dos insumos adquiridos pela Impugnante é exclusivamente do produtor e não do adquirente; e o ônus da prova na hipótese de desclassificação fiscal da mercadoria seria da Fazenda, que deve necessariamente produzir prova pericial para amparar a classificação fiscal que entende correta; b) No mérito: que o insumo adquirido não contém mate, não sendo possível, por essa razão, a adoção do código de classificação 2101.20.20, devendo ser adotado o código 2106.90.10 Ex 01 da Tipi. que não cabe exigência de multa por suposta infração cometida pela incorporada antes de ser incorporada pela Impugnante; o não cabimento da exigência de juros sobre multa. Ainda quanto ao mérito, sustenta a irrelevância das demais objeções suscitadas pela autoridade fiscal (custos dos insumos adquiridos junto à Recofarma ser maior do que o extrato de mate; erro de classificação fiscal; o fato de a Recofarma possuir 50% das quotas da Impugnante). Fl. 839DF CARF MF Processo nº 18470.727254/201410 Acórdão n.º 3201003.472 S3C2T1 Fl. 838 5 A impugnante solicita a produção de prova pericial para que se confirme a classificação fiscal por ela adotada. Com base neste argumentos, pede que se reconheça a insubsistência do Auto de Infração. É o relatório." Esta decisão de primeira instância administrativa fiscal foi proferida com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/05/2012 a 31/07/2012, 01/09/2012 a 31/10/2012 UTILIZAÇÃO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL DISTINTA DAQUELA UTILIZADA PELA PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DOS ELEMENTOS NECESSÁRIOS PARA A CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível que a autoridade autuante utilize classificação fiscal do produto diversa daquela utilizada pela pessoa jurídica autuada se não constam dos autos do processo os elementos suficientes para tanto. CRÉDITOS DE IPI RELATIVO A INSUMOS ADQUIRIDOS COM ISENÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS. INAPLICABILIDADE. O fato de constar indicada nas notas fiscais do fornecedor a saída com a isenção de que trata o art. 82, III, do RIPI/2002 não é suficiente para garantir ao adquirente o direito à manutenção e utilização do crédito do IPI, como se devido fosse, na aquisição do referido produto. É imprescindível a subsunção à norma isentiva [produto elaborado com matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional, por estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA]. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA CUJO RESULTADO SERIA IRRELEVANTE PARA O JULGAMENTO. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de perícia na hipótese em que o seu resultado seria irrelevante para a conclusão do litígio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/05/2012 a 31/07/2012, 01/09/2012 a 31/10/2012. MULTA APLICADA NA INCORPORADORA. FATO ANTERIOR À INCORPORAÇÃO. POSSBILIDADE. Fl. 840DF CARF MF 6 Em seguida os autos foram distribuídos e pautados em acordo com as normas previstas no Regimento Interno deste Conselho. Na sucessão empresarial, a sucessora é responsável pelos créditos tributários devidos pela sucedida, não somente aqueles relativos a tributos, mas também os decorrentes de penalidades pecuniárias devidos pelo descumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, independentemente do lançamento de ofício ocorrer antes ou depois do evento sucessório. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Após, este processo administrativo fiscal digitalizado foi distribuído e pautado nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção de Julgamento e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Ainda que a Receita Federal do Brasil, representada pelo Auditores Fiscais da Receita, tenha competência para reclassificar os produtos de acordo com as posições das Nomenclaturas Comuns do Mercosul e com as regras gerais do sistema harmonizado de classificação, tal reclassificação deve ser acompanhada da verossimilhança e de alguma prova, que convença de forma suficiente os julgadores administrativos, seja de primeira ou de segunda instância. Neste caso, a fiscalização não juntou nenhuma prova que poderia dar reforço à reclassificação e, ao seu favor, o contribuinte apresentou provas e verossimilhança suficiente para comprovar que a reclassificação apresentada pela fiscalização não deveria prosperar. Este fato é incontroverso nos autos, inclusive reconhecido na decisão de primeira instância e exposto de forma clara na sua Ementa, transcrita parcialmente a seguir: "UTILIZAÇÃO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL DISTINTA DAQUELA UTILIZADA PELA PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DOS ELEMENTOS NECESSÁRIOS PARA A CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível que a autoridade autuante utilize classificação fiscal do produto diversa daquela utilizada pela pessoa jurídica autuada se não constam dos autos do processo os elementos suficientes para tanto." Fl. 841DF CARF MF Processo nº 18470.727254/201410 Acórdão n.º 3201003.472 S3C2T1 Fl. 839 7 Nos documentos anexos à impugnação o contribuinte juntou declaração do fornecedor do produto reclassificado com a afirmação de que não havia malte no produto, assim como juntou análise técnica do produto, que aponta somente substâncias químicas diversas, sendo que nenhuma era malte. No Acórdão 3201003.039, precedente desta turma, em caso conexo, ficou evidente o mesmo entendimento do presente voto, por unanimidade. Foi possível perceber que, apesar deste produto ter o nome de "Concentrado de Malte Natural", a nomenclatura é utilizada de acordo com a destinação que será dada ao produto adquirido, se para o "Concentrado de Malte Natural", se para o "Concentrado de Malte com Limão" ou para o "Concentrado de Malte Zero", por exemplo. Todas as alegações e provas favoráveis ao contribuinte fazem sentido e merecem provimento, ao mesmo tempo que o lançamento não comprovou a divergência na classificação do produto e, portanto, em razão da dúvida que paira sobre o lançamento, este não deve prosperar. O lançamento de ofício concluiu que, em razão da classificação utilizada pelo contribuinte (com alíquota de 27%) estar equivocada, este não teria direito ao crédito, porque a alíquota da classificação que seria a correta, no entendimento da classificação, teria alíquota zero. Em nenhum momento o lançamento de ofício fundamentou ou descreveu que o contribuinte não teria direito ao crédito em razão do disposto no art. 82, III, do RIPI/2002. Da mesma forma, não trouxe aos autos questões relativas à Suframa ou à Zona Franca de Manaus. Tais descrições e fundamentos legais foram trazidos somente na decisão de primeira instância, sem que o Art. 142 do Código Tributário Nacional tenha sido observado, uma vez que não há amparo legal para inovar na descrição e fundamento legal do lançamento de ofício, conforme solidificado no Art. 146 do mesmo código e na jurisprudência administrativa fiscal e judicial. Por fim, mesmo se o contribuinte não possuísse, na matéria de fundo, direito ao crédito, do qual se aproveitou, não seria por meio do presente lançamento de ofício que a União deveria recuperar o crédito indevido, uma vez que esse lançamento descreveu e fundamentou uma determinada forma pela qual o contribuinte não deveria ter aproveitado o crédito que difere da forma apresentada no julgamento de primeira instância. Portanto, mesmo se o malte não fosse produto elaborado com matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional, por estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, a fiscalização não lançou a cobrança desta forma e, portanto, se correto o entendimento exposto na decisão de primeira instância, seria possível concluir pela existência de erro no lançamento. A classificação utilizada pelo contribuinte não perdeu sua legitimidade e, portanto, em razão do Art. 112 do Código Tributário Nacional, não há como afirmar que não Fl. 842DF CARF MF 8 houve recolhimento ou aproveitamento indevido do crédito de IPI na operações de aquisição do malte, do fornecedor Recofarma. CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, com principal fundamento no Art. 112, 113, 142 e 146 do Código Tributário Nacional. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 843DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.694034/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2006
DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS.
A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.104
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2006 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros). Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros). Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 40 34 /2 00 9- 93 Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10880.694034/200993 Acórdão n.º 3401004.104 S3C4T1 Fl. 3 2 Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de COFINS. Tendo sido localizado o pagamento nos sistemas da RFB, mas utilizado para saldar débitos outros da empresa, não restando saldo, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, basicamente, que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime nãocumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) a empresa acabou por apurar valor a maior a titulo de COFINS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos. A empresa promoveu a retificação de DACON, alterando o valor devido, à época, a título de COFINS, ainda restando recolhimento a maior, em montante diverso do demandado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos; (b) a existência de erro no preenchimento das obrigações acessórias DACON e DCTF, não foi acompanhada de qualquer documento retificador até a data da ciência do Despacho Decisório, e nem de documentos de amparo, posteriormente; e (c) não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, argumentando que: (a) foi descumprindo o prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007, havendo perda de direito por parte da Fazenda; (b) houve mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, devendo prevalecer a verdade material, e serem os autos baixados em diligência; e (c) o artigo 147 do CTN se refere apenas a lançamento por declaração. Juntou, posteriormente, peça de defesa colacionando cópias de livros que se prestariam a demonstrar o valor declarado no DACON retificador. É o relatório. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10880.694034/200993 Acórdão n.º 3401004.104 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.084, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.676139/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.084): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Após a interposição de recurso voluntário, restam contenciosos no presente processo os seguintes temas: (a) descumprimento do prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007; (b) existência de mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, em face da verdade material, com demanda por diligência; e (c) aplicação do artigo 147 do CTN. Do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 Na peça recursal, alega a empresa que a decisão da DRJ foi proferida depois de mais de 360 dias da interposição da manifestação de inconformidade, havendo perda de direito por parte da Fazenda, com fulcro no artigo 24 da Lei no 11.457/2007. O citado artigo 24 (texto transcrito abaixo) se aplica ao processo administrativo tributário, conforme decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS): “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” É cediço que o comando legal indicado inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Contudo, é preciso reconhecer que não atribuiu o legislador consequência (v.g., reconhecimento tácito do crédito, como parece demandar a recorrente) ao processo em desacordo com o comando. E poderia têlo feito, se o desejasse, visto que a mesma Lei no 11.457/2007 promove alterações ao Decreto no 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10880.694034/200993 Acórdão n.º 3401004.104 S3C4T1 Fl. 5 4 Neste Decreto é que se arrolam, por exemplo, as causas de nulidade (art. 59). Também é sabido que no processo há prazos próprios e impróprios, e que estes não acarretam consequências processuais, embora possam ensejar discussões sobre responsabilização funcional, caso o retardo não seja justificável. Vejase, a título ilustrativo, o art. 226 do novo Código de Processo Civil – CPC (artigo 189 do antigo CPC), que também tem por escopo a celeridade nos julgados: “Art. 226. O juiz proferirá: I os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; II as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; III as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias.” Embora se possa entender o objetivo do artigo, afigurase irrazoável dele deduzir que um processo com decisão judicial proferida após trinta dias seria, por exemplo objeto de nulidade, ou subtração de custas ou atualizações, ou ainda reconhecimento de direitos de crédito. No mesmo sentido as observações em relação ao art. 24 da Lei no 11.457/2007. Ademais, o art. 24 da Lei no 11.457/2007 possuía dois parágrafos que foram vetados pelo Poder Executivo (veto mantido). Um deles exatamente porque atribuía efeitos ao processo no caso de descumprimento (o § 2o dispunha que “haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte”). Na mensagem no 140, de 16/3/2007, são esclarecidas as razões do veto presidencial, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: “Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10880.694034/200993 Acórdão n.º 3401004.104 S3C4T1 Fl. 6 5 obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das consequências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Derradeiramente, não devemos confundir a celeridade procedimental com a duração razoável do processo (ambas garantidas pelo Texto Constitucional): “Embora seja difícil conceituar precisamente a noção de razoável duração do processo, percebese que tal conceito não está relacionado única e exclusivamente ao “processo rápido” propriamente dito. O processo deve ser rápido o suficiente para dar a resposta apropriada à lide, porém adequadamente longo para garantir a segurança jurídica da demanda. Por tal motivo, o princípio da razoável duração do processo é dúplice, pois tanto a abreviação indevida como o alongamento excessivo são potencialmente danosos ao indivíduo.” 1 Improcedente, assim, o pleito no sentido de atribuição de efeitos à inobservância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007. Reparese que nem a norma e nem o julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS) objetivam as consequências da inobservância, como deseja a recorrente. Nesse sentido já me manifestei em processos julgados neste tribunal, sempre com acolhida unânime da turma, inclusive recentemente, com sete dos oito conselheiros que atualmente compõem o colegiado: DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário. (Acórdão no 3403 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 8.ed. São Paulo: Dialética, 2015, p.194195. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10880.694034/200993 Acórdão n.º 3401004.104 S3C4T1 Fl. 7 6 002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 fev. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30 jan. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.374, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24 jul. 2013) DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. (Acórdão no 3401003.517, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 abr. 2017) Portanto, não merecem prosperar as alegações de defesa no que se refere a prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento, ensejando consequências pelo descumprimento. Da existência de erro de preenchimento e da verdade material A recorrente alega que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime não cumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) acabou por apurar valor a maior a titulo de COFINS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos, e que promoveu a retificação de DACON, sendo o valor correto devido, à época, a título de COFINS, diverso do pleiteado. Apresentou a empresa, então, indiscutivelmente, demanda de crédito em montante incorreto (a maior do que o que ela mesma reconhece como devido). E como prova de que teria incorrido em erro, não acrescentou nenhuma justificativa pormenorizada, limitandose, inicialmente, a informar que os documentos pertinentes estavam à disposição do fisco, e, posteriormente, após dois anos do decurso de prazo para interposição de recurso voluntário, a juntar cópias de livros e demandar, em adição, diligência, em caso de dúvida, para “apuração dos documentos que lastrearam os créditos”. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10880.694034/200993 Acórdão n.º 3401004.104 S3C4T1 Fl. 8 7 Recordese que, nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de compensação e demanda de crédito, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante, e é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Assim vem decidindo unanimemente este CARF, inclusive na atual composição do colegiado (com sete dos oito componentes atuais): “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403 003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10880.694034/200993 Acórdão n.º 3401004.104 S3C4T1 Fl. 9 8 dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.” (Acórdãos n. 3401003.784 a 787, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unanimidade – no que se refere à matéria) (grifo nosso) A diligência, como bem parece ter compreendido a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, e também esta 1ª Turma Ordinária, nos julgados com ementa aqui transcrita, não se presta a suprir deficiência probatória, seja da Fazenda ou do contribuinte. Cabe destacar que no último julgado transcrito, seis dos atuais oito conselheiros que compõem a turma expressamente concordaram com tal observação, dela dissentindo, em tese, o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Temos que, nos processos do gênero, três cenários podem surgir: (a) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade comprova o direito de crédito, caso em que se deve reconhecer tal direito, no julgamento; (b) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade não comprova o direito de crédito, caso em que se deve negar tal direito, no julgamento; e (c) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade gera, no julgador, dúvida em relação ao direito de crédito, dúvida essa que não é de direito, mas de fato, ensejando a realização de diligência ou perícia. Entendemos que a situação em análise melhor se amolda ao segundo cenário (‘b”), visto que nada de substancial se agregou na manifestação de inconformidade, havendo juntada de cópias de documentos – que, digase, sempre estiveram em poder da empresa – apenas dois anos após a interposição da peça recursal, documentos esses que sequer são suficientes para suscitar dúvida neste julgador, visto que não apontam, objetivamente, como se chegou nem aos valores originalmente demandados, nem àqueles que durante o contencioso a empresa sustentou estarem corretos. A ausência de dúvida torna impertinente invocar a verdade material, que não se apresenta como uma salvaguarda de quem não se desincumbe de seu ônus probatório, mas como um mecanismo do processo administrativo que permite sanar dúvidas com elementos adicionais diretamente obtidos, ou demandados às partes. A verdade material, como ensina James MARINS, é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10880.694034/200993 Acórdão n.º 3401004.104 S3C4T1 Fl. 10 9 propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 No caso em análise, pouco contribuiu a recorrente para a identificação objetiva da incorreção que ela mesmo reconhece ter perpetrado, prejudicando a liquidez e a certeza do pedido. Não merece, assim, acolhida o pleito de diligência, nem a argumentação de defesa no sentido de que haveria sido comprovado o erro ou o direito de crédito. Do artigo 147 do CTN Alega a empresa, derradeiramente, em sede recursal, que o artigo 147 do CTN (abaixo transcrito) se refere apenas a lançamento por declaração. “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1o A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2o Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela.” (grifo nosso) É preciso esclarecer, inicialmente, que não se está aqui a tratar, propriamente, de lançamento, mas de demanda de crédito, de modo que o comando indicado não fundamenta exigência, mas é usado pela DRJ de modo acessório a seus argumentos pelo indeferimento do direito de crédito. No entanto, não se tem dúvidas da obviedade da parte inicial do comando do § 1o, que abstrai de considerações sobre eventual modalidade de lançamento: por certo que aquele que retifica sua declaração (qualquer que seja) ou as informações que presta ao fisco, deve justificar a retificação, fundandoa em elementos probatórios. Se a empresa deve, como qualquer postulante a crédito, provar a liquidez e a certeza de tais créditos, como aqui exposto, deve, ainda mais, provar eventuais retificações em seu pedido de crédito. Mas, no caso em análise, não prova a contento a empresa nem uma coisa nem outra, pelo que deve ser mantido o indeferimento do direito de crédito. 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10880.694034/200993 Acórdão n.º 3401004.104 S3C4T1 Fl. 11 10 Considerações Finais Diante do exposto, e restando ausentes a certeza e a liquidez do crédito postulado (requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação), voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 928DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.901047/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/05/2004
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza.
Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.151
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente IRMÃOS GONCALVES COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/05/2004 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 10 47 /2 01 2- 21 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13227.901047/201221 Acórdão n.º 3301004.151 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF JIPARANÁ emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: · vende mercadorias também para clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus, saídas estas sujeitas à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins por força da norma prescrita no artigo 2º da Lei 10.996, de 2004; · refez sua apuração de PIS e Cofins em face da tributação indevida de receita tributada à alíquota zero e apurou novos valores de débitos, todos demonstrado em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarado sua DCTF à época revelaramse maiores que os efetivamente devidos; · não efetuou a retificação das DCTFs para que ficasse também demonstrado nela o pagamento efetivamente efetuado. A DRJ em Juiz de Fora (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 09054.485. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, com o fito de comprovar o direito ao crédito, derivado de pagamento indevido de PIS e COFINS sobre receitas com vendas de mercadorias para a Zona franca de Manaus, carreia aos autos cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13227.901047/201221 Acórdão n.º 3301004.151 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.146, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.901042/201207, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.146): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A recorrente alega que o crédito objeto do Pedido de Restituição (PER) deriva de pagamentos indevidos de PIS sobre vendas para a Zona Franca de Manaus, cuja alíquota se encontrava reduzida a zero (art. 2° da Lei n° 10.996/04). Confessa que, realmente, não retificou a DCTF, para reduzir o valor do débito declarado a maior. Porém, informa que retificou o DACON, onde a apuração estaria demonstrada. Aduz que o DACON encontrase no banco de dados do Fisco, por onde pode ser consultado. E traz cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109 ("Venda de produção do estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio"). Em despacho Eletrônico (fl.05), a unidade de origem indeferiu o PER, sob a alegação de que está vinculado a débito devidamente declarado em DCTF. A DRJ ratificou este argumento e frizou que o DACON é um mero informativo, sendo a DCTF o instrumento de formalização do lançamento. Que o contribuinte, diante do erro em seu preenchimento, deveria têlo retificado. Conclui pela improcedência do PER, destacando que a peça de defesa não trouxe demonstração da apuração do crédito, lastreada em documentação hábil. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). O fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13227.901047/201221 Acórdão n.º 3301004.151 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração do PIS, devidamente conciliada com os livros contábeis, e, ao menos, significativa amostra das notas fiscais das vendas que alega terem sido realizadas sob o amparo do benefício de redução a zero da alíquota. Ainda que se encontrasse disponível nos autos o DACON, este informativo, combinado com as cópias do livro de Apuração do ICMS, não se me afigurariam como suficientes para comprovação do crédito. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.722693/2012-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se não elididos, no prazo limite, a pendência impeditiva de ingresso na sistemática do Simples Nacional, de atividade vedada, mantém-se o Termo de Indeferimento da Opção, ainda que se trate de atividade secundária ou não a exerça.
Numero da decisão: 1001-000.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se não elididos, no prazo limite, a pendência impeditiva de ingresso na sistemática do Simples Nacional, de atividade vedada, mantémse o Termo de Indeferimento da Opção, ainda que se trate de atividade secundária ou não a exerça. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 26 93 /2 01 2- 55 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10640.722693/201255 Acórdão n.º 1001000.282 S1C0T1 Fl. 46 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora (MG), mediante o Acórdão nº 0953.626, de 13/08/2014 (efls. 20/23), objetivando a reforma do referido julgado. Consta no CNPJ, à efl. 13, a data de abertura em 08/05/2012. Em 26/06/2012, na condição de empresa em início de atividade, a recorrente efetuou a opção ao ingresso na sistemática do Simples Nacional, opção esta que produz efeitos desde a respectiva data de abertura constante do CNPJ, em conformidade com o disposto na Resolução CGSN nº 94/2011 então em vigor. Em 10/07/2012, a opção foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional” (efl. 5), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na seguinte situação impeditiva: Atividade econômica vedada: 43991/01 Administração de obras. A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, argumentando que "tratouse de equívoco de preenchimento no cadastro da Receita Federal, qual, seja Coleta Web" pois "a referida atividade vedada, não integra o objeto social da empresa", tendo em vista que “Conforme Contrato Social anexado, o objeto social é prestação de serviços de execução de obras de edificações por empreitada ou subempreitada de construção civil" e que na "alteração do CNPJ [...], não consta mais a atividade vedada como atribuição da empresa de forma secundária...". A DRJ considerou procedente o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional, cujos excertos da sua fundamentação são transcritos a seguir: (grifos não constam do original) A seu turno, a contribuinte solicitou a opção ao ingresso no SN em 26/06/2012, dentro do prazo de 30 (trinta) dias após a data do deferimento da última inscrição, ocorrida em 22/06/2012. E o fez na condição de empresa em início de atividade, em conformidade com o disposto no § 5º do art. 6º da Resolução CGSN nº 94/2011 então em vigor. Na condição acima, portanto, a contribuinte deveria ter regularizado eventual pendência impeditiva ao ingresso no SN até 21/06/2012. Enfim, não houve tentativa de excluir aquela atividade vedada do objeto de seu contrato social tempestivamente, com as formalidades contidas na legislação de regência da matéria, além do que a atividade vedada encontravase no CNPJ até a data de 16/07/2014. Por fim, o relator do julgado de primeira instância, coloca a imagem tela de consulta ao sistema CNPJ, realizada em 16/07/2014, para comprovar que a empresa continuava com a CNAE FISCAL vedada até aquela data. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10640.722693/201255 Acórdão n.º 1001000.282 S1C0T1 Fl. 47 3 O acórdão foi proferido com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 26/06/2012 OPÇÃO. PENDÊNCIA CADASTRAL. NÃO REGULARIZAÇÃO. INDEFERIMENTO DA SOLICITAÇÃO. Não comprovada a regularização da pendência cadastral, há que se manter o indeferimento da solicitação da opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 25/08/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 24, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 11/09/2014 (efls. 26/42), conforme Termo de Solicitação de Juntada à efl. 26. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de possuir atividade econômica vedada em seu objetivo social. A base legal do indeferimento foi o inciso XI do art. 17 da Lei Complementar nº 123/2006, que assim dispôs: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] XI – que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; (Revogado pela Lei Complementar nº 147, de 7 de agosto de 2014) (efeitos: de 01/07/2007 a 31/12/2014) Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10640.722693/201255 Acórdão n.º 1001000.282 S1C0T1 Fl. 48 4 Por sua vez, mediante a Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial e a utilização do código CNAE para verificação quanto à atividade da contribuinte, nestes termos: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (grifei.) § 3º O disposto no § 2º não se aplica às empresas em início de atividade. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) (...) § 5º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 3º) I a ME ou EPP, após efetuar a inscrição no CNPJ, bem como obter a sua inscrição municipal e, caso exigível, a estadual, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; II após a formalização da opção, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios a relação dos contribuintes para verificação da regularidade da inscrição municipal ou, quando exigível, da estadual; III os entes federados deverão efetuar a comunicação à RFB sobre a regularidade na inscrição municipal ou, quando exigível, na estadual: (...) IV confirmada a regularidade na inscrição municipal ou, quando exigível, na estadual, ou ultrapassado o prazo a que se Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10640.722693/201255 Acórdão n.º 1001000.282 S1C0T1 Fl. 49 5 refere o inciso III, sem manifestação por parte do ente federado, a opção será deferida, observadas as demais disposições relativas à vedação para ingresso no Simples Nacional e o disposto no § 7º; V a opção produzirá efeitos desde a respectiva data de abertura constante do CNPJ, salvo se o ente federado considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP nos cadastros estadual e municipal, hipótese em que a opção será considerada indeferida. (...) § 7º A ME ou EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 3º) (...) Art. 8º Serão utilizados os códigos de atividades econômicas previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) informados pelos contribuintes no CNPJ, para verificar se a ME ou EPP atende aos requisitos pertinentes. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º O Anexo VI relaciona os códigos da CNAE impeditivos ao Simples Nacional. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 2º O Anexo VII relaciona os códigos ambíguos da CNAE, ou seja, os que abrangem concomitantemente atividade impeditiva e permitida ao Simples Nacional. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 3º A ME ou EPP que exerça atividade econômica cujo código da CNAE seja considerado ambíguo poderá efetuar a opção de acordo com o art. 6º, se: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I exercer tãosomente as atividades permitidas no Simples Nacional, e; II prestar a declaração que ateste o disposto no inciso I. § 4º Na hipótese de alteração da relação de códigos impeditivos ou ambíguos, serão observadas as seguintes regras: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I se determinada atividade econômica deixar de ser considerada como impeditiva ao Simples Nacional, a ME ou EPP que exerça essa atividade passará a poder optar por esse regime de tributação a partir do anocalendário seguinte ao da alteração desse código, desde que não incorra em nenhuma das vedações do art. 15; Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10640.722693/201255 Acórdão n.º 1001000.282 S1C0T1 Fl. 50 6 II se determinada atividade econômica passar a ser considerada impeditiva ao Simples Nacional, a ME ou EPP optante que exerça essa atividade deverá efetuar a sua exclusão obrigatória, porém com efeitos para o anocalendário subsequente. No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos apresentados na Câmara baixa, ou seja, em síntese, que tratouse de equívoco de preenchimento no cadastro da receita federal, que a referida atividade vedada não integra o objeto social da empresa e que "para a regularização da pendência não foi necessário alteração do contrato social, conforme documento juntado"... "documento este emitido em 08/08/2012". Alega que a fundamentação do acórdão recorrido é totalmente contraditória, pois "consta a informação de que o contribuinte solicitou a opção de ingresso no SN 26/06/2012 dentro do prazo de 30 (trinta) dias após o deferimento da última inscrição ocorrida em 22/06/2012" ... e "que o contribuinte deveria ter regularizado eventual pendência impeditiva ao ingresso no SN até 21/06/2012" Da análise dos documentos constantes dos autos e demais esclarecimentos e considerações feitas tanto pela própria recorrente quanto pelo julgador de primeira instância, extraise que a empresa efetuou a opção ao ingresso na sistemática do Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade. O julgador afirmou que a empresa encontravase dentro do prazo de 30 (trinta) dias após a data do deferimento da última inscrição, ocorrida em 22/06/2012, sendo esta mesma data como limite para regularização da pendência. Porém, de acordo com o disposto no inciso I, do § 5º, do art. 6º, da Resolução CGSN nº 94/2011, transcrito acima, o limite de 30 (trinta) dias para a recorrente promover a regularização, da última inscrição, seria na verdade no dia 21/07/2012. Quanto a informação da data limite de 21/06/2012, apontada pelo julgado de primeira instância, tudo indica que houve um erro material na grafia, mas em nada invalida a decisão. Quanto à informação do julgador de que "a atividade vedada encontravase no CNPJ até a data de 16/07/2014", a tela exposta no acórdão não serve para comprovar a afirmação, visto que a mesma somente mostra a atividade principal e a atividade vedada estava registrada no CNPJ como atividade secundária. Não obstante estas informações, questionadas pela recorrente, a mesma alega no recurso voluntário que efetuou a alteração do CNAE, anexando como prova o CNPJ, emitido pela internet, na data de 08/08/2012, no qual não mais consta a atividade vedada. Porém, por este documento, constatase que a recorrente não comprovou que a alteração foi realizada no prazo limite, assim como não foi trazido aos autos qualquer prova de preenchimento do CNAE por engano, conforme as alegações iniciais. É de suma importância observar que as presunções “juris tantum”, muito embora admitam prova em contrário, dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceram, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidilas. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10640.722693/201255 Acórdão n.º 1001000.282 S1C0T1 Fl. 51 7 A jurisprudência administrativa é mansa e pacífica no tocante à necessidade de provas concretas com o fito de se elidir a tributação erigida por lançamento. À Fazenda Pública cabe tornar evidente o fato constitutivo do seu direito. Cabe ao litigante provar os fatos modificativos ou extintivos desse direito. Cumpre reproduzir aqui o disposto no art. 16, III e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Não comprovada as alegações do sujeito passivo, tem a autoridade fiscal o poder/dever de efetuar o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância da legislação. A autoridade lançadora não deve nem pode fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º do CTN, é “atividade administrativa plenamente vinculada”. Conforme o art. 142 do CTN, ocorrido o fato gerador a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato, não tendo repercussão a atual situação econômicofinanceira do sujeito passivo. Quanto à alegação de que era uma atividade secundária, não disposta no contrato social e que não a exercia, está bem claro no Perguntas e Respostas do Simples Nacional, coletânea de diversas orientações do Comitê Gestor do Simples Nacional, que se a empresa estiver inscrita no CNPJ, com CNAE de alguma atividade vedada, constante do Anexo VI da Resolução nº 94, de 2011, mesmo que não a exerça, estará impedida de optar por esse sistema diferenciado de tributação: (grifos não constam do original) 2.5. SE CONSTAR DO CONTRATO SOCIAL ALGUMA ATIVIDADE IMPEDITIVA À OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL, AINDA QUE NÃO VENHA A EXERCÊLA, TAL FATO É MOTIVO DE IMPEDIMENTO À OPÇÃO? Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo VI da Resolução CGSN nº 94, de 2011, Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10640.722693/201255 Acórdão n.º 1001000.282 S1C0T1 Fl. 52 8 seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade. Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo VII da Resolução CGSN nº 94, de 2011, seu ingresso no Simples Nacional será permitido, desde que declare, no momento da opção, que exerce apenas atividades permitidas. De outra parte, também estará impedida de optar pelo Simples Nacional a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social (ver Pergunta 2.2). 2.6. A ME OU A EPP INSCRITA NO CNPJ COM CÓDIGO CNAE CORRESPONDENTE A UMA ATIVIDADE ECONÔMICA SECUNDÁRIA VEDADA PODE OPTAR PELO SIMPLES NACIONAL? Não. A Lei Complementar nº 123, de 2006, prevê que o exercício de algumas atividades impede a opção pelo Simples Nacional. Elas correspondem a códigos da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) estabelecidas por uma Comissão do IBGE. Os códigos CNAE impeditivos ao Simples Nacional estão listados no Anexo VI da Resolução CGSN nº 94, de 2011, e os códigos CNAE que abrangem concomitantemente atividades impeditivas e permitidas (CNAE ambíguas) constam do Anexo VII da mesma Resolução ver Pergunta 2.5. O exercício de qualquer dessas atividades pela ME ou EPP impede a opção pelo Simples Nacional, bem como a sua permanência no Regime, independentemente de essa atividade econômica ser considerada principal ou secundária. Por todo o exposto, face à comprovada existência de atividade econômica vedada na data limite para a opção, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.688796/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.215
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente de análise de PER/DCOMP não homologada pela unidade local da RFB face a inexistência do direito creditório pleiteado. O Despacho Decisório consignou que os pagamentos informados como suposta origem do PER/DCOMP encontravamse integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde defende a existência de seu direito creditório, alegando que o mesmo pode ser confirmado em vista de suas declarações retificadoras (DIPJ e DCTF). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 88 79 6/ 20 09 -5 1 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.688796/200951 Resolução nº 3402001.215 S3C4T2 Fl. 163 2 A decisão da DRJ julgou improcedente a aludida manifestação, o que motivou a recorrente a interpor, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em manifestação de inconformidade, bem como apresentou novos documentos fiscais no sentido de comprovar a existência do crédito vindicado. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.213, de 30 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.688794/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.213: 4. Em suma, a presente discussão gravita em torno de um único ponto: existir ou não prova suficiente do crédito do contribuinte. 5. Segundo o despacho decisório que denegou a compensação almejada, os créditos apontados pelo contribuinte já teriam sido consumidos para a quitação de outros débitos apontados em DCTF. 6. Por sua vez, em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte aventou que o comprovante de pagamento de fl. 21, aliado com a DIPJ e a DCTF (ambas retificadoras) acostadas, respectivamente, as fls. 22/56 e 57/123, atestariam a validade material do aludido crédito. 7. Não obstante, o acórdão recorrido pautou o indeferimento da compensação vindicada nos seguintes termos: (...). 8.2. O sucesso da empresa em ver homologada a compensação declarada, nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do crédito, devendo estar demonstrado que este tem apoio não só legal, como documental. A apresentação de DCTF retificadora, por suposto erro de preenchimento na anterior, não é suficiente, neste momento do rito processual, para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.688796/200951 Resolução nº 3402001.215 S3C4T2 Fl. 164 3 lhe dão sustentação. Transcrevese, a seguir, o art. 170 do CTN, onde está estipulado que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos: (...). 8. Ao interpor seu recurso e em resposta ao fundamento da DRJ, o contribuinte trouxe aos autos cópias dos seus livros razão (fls. 152/157) e diário (fls. 158/161) que, prima facie, comprovariam a existência do crédito aqui debatido. 9. Diante deste cenário fáticojurídico e, ainda, levando em consideração o princípio da verdade material1 que conforma o processo administrativo tributário, é salutar que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. 10. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda 1 Neste momento convém aqui abrir um parêntese para afirmar que quando se apregoa o sobredito princípio da verdade material não se faz no sentido de equiparar este importante valor normativo a uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em processos administrativos fiscais. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.688796/200951 Resolução nº 3402001.215 S3C4T2 Fl. 165 4 (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluídas estas providências, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908756/2012-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.114
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas sem saldo reconhecido para compensação dos débitos indicados no Per/Dcomp. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o pagamento indevido informado no Per/Dcomp decorrera da exclusão das receitas relativas à Conta de Consumo de Combustíveis – CCC e à Conta de Desenvolvimento Energético – CDE, destinadas, respectivamente, a reembolsar parte do custo total de geração para atendimento ao serviço público de energia elétrica nos Sistemas Isolados e à promoção de desenvolvimento energético dos estados, com projetos de universalização dos serviços de energia elétrica, programa de subvenção aos consumidores de baixa renda e expansão da malha de gás natural. Segundo o então Manifestante, esses ingressos não são considerados receitas do contribuinte, não podendo incidir sobre eles o PIS e a Cofins. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 08 75 6/ 20 12 -8 8 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10983.908756/201288 Resolução nº 3201001.114 S3C2T1 Fl. 71 2 Requereu, ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sobretudo a documental inclusa, a documental superveniente e a pericial, e que fosse julgada procedente a sua defesa, com a nulidade da incidência e a anulação do lançamento, com fundamento no art. 145, I, do CTN. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na devida incidência da contribuição não cumulativa sobre referidas receitas e na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado, tendo sido negada a realização de diligência, por se controverter nos autos tão somente sobre questão de direito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou a existência do crédito postulado, alegando o seguinte: 1. é agente gerador de energia participante do Sistema Interligado Nacional SIN, que funciona com mecanismo de rateio de custos de geração de energia com fins à segurança ao sistema; 2. a Conta de Consumo de Combustíveis CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE são fundos geridos pela Eletrobrás que viabiliza economicamente a geração de energia com base em matrizes elétricas, por intermédio da utilização de combustíveis fósseis; 3. os valores recebidos são utilizados nas aquisições de combustíveis fósseis carvão mineral e consumidos na geração de energia termoelétrica; 4. os agentes geradores procedem ao registro contábil para controle dos custos adquiridos com recursos da CCC e CDE; 5. os combustíveis fósseis não integram seus ativos e não se constituem custos em decorrência da aquisição de terceiros pela Eletrobrás; 6. Os custos dos combustíveis são cobrados dos consumidores finais da energia, através das distribuidoras e permissionárias; 7. a sistemática de contabilização dos custos com combustíveis como receita se alterou exsurgindo um crédito da recorrente com o Fisco em razão dos valores que foram oferecidos à tributação pelo PIS e Cofins não se constituírem receitas, mas sim simples ingressos; 8. Procedeu à retificação de suas DCTFs para excluir dos débitos as parcelas da CCC e CDE e transmitiu DCOMPs visando a compensação; 9. as compensações foram indeferidas, vez que o Fisco entende erroneamente tratarse de receitas passíveis de tributação; 10. o despacho decisório acusou falta de documentação comprobatória; 11. o procedimento deveria ser precedido de retificação de ofício das declarações DCTF e DACON. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10983.908756/201288 Resolução nº 3201001.114 S3C2T1 Fl. 72 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.095, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10983.908751/201255, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.095): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta resolução. Por conter matéria preventa desta Seção de Julgamento e estarem presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Contudo, é preciso esclarecer que esta lide administrativa fiscal não está em condições de julgamento, uma vez que existe situação que impossibilita a sua imediata solução. Como já mencionado no voto do Conselheiro Relator, durante a sessão de julgamento foi debatida a necessidade de conversão do processo em diligência, diante da existência de DCTF retificadora, apresentada e não apreciada. Conforme debatido, o Despacho Decisório reconheceu a retificadora, mas não homologou o pedido do contribuinte fundamentada na seguinte premissa: "retificação não esclarecida". Cumpre ressaltar que, a retificadora, quando anterior ao procedimento de ofício, substitui integralmente a DCTF original, sem necessidade de esclarecimento, conforme pode ser verificado na IN 1.599/2015, Art. 9.º (mesmo teor desde IN´s de 2002): "Art. 9ºA alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2ºA retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10983.908756/201288 Resolução nº 3201001.114 S3C2T1 Fl. 73 4 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3ºA retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4ºNa hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º. § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. § 6ºA pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador." Tais disposições normatizam, para a DCTF, o princípio da espontaneidade, conforme garantia prevista no Art. 138 do CTN. Assim, para que houvesse acusação de falta de esclarecimento da DCTF retificadora (que no caso, foi espontânea e tem a mesma natureza da original), deveria existir, nos autos, uma intimação anterior do Fisco, solicitando o esclarecimento e motivo da retificação. Assim, contribuiria para a solução desta lide fiscal que a fiscalização apresentasse essa intimação ou alguma tentativa, do Fisco, de esclarecer a retificação, ou seja, uma possível falha de instrução do processo. Esta Turma de julgamento não identificou a presença de tal intimação ao contribuinte, assim como a ausência de despacho decisório próprio ao caso, que considerasse esta situação exposta, que considerasse o caso concreto do contribuinte. Constatada esta irregularidade que poderia afrontar o devido processo legal, decidiuse por converter o julgamento em diligência e, para esta tarefa, fui designado para apresentar o voto vencedor. Diante desta breve exposição, em busca da verdade material e, com fundamento na legislação que concerne ao processo administrativo fiscal e ao Direito Tributário, votase para que o julgamento seja convertido em diligência, para que: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10983.908756/201288 Resolução nº 3201001.114 S3C2T1 Fl. 74 5 a autoridade de origem verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse o esclarecimento e motivo da retificação; a autoridade de origem verifique se há ou não Despacho Decisório que considerou a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos; cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. Esclareçase que, nos presentes autos, ocorreu a mesma situação fática identificada na resolução do processo paradigma quanto à ausência de comprovação da existência de intimação tendente a esclarecer a retificação espontânea da DCTF. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse esclarecimentos e o motivo da retificação da DCTF, bem como verifique se há ou não Despacho Decisório que tenha considerado a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos. Cumprida a diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões do trabalho fiscal. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.016230/2004-88
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº. 2
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
Numero da decisão: 1002-000.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº. 2 Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente GNG REPRESENTACOES COMERCIAIS SC LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº. 2 Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 62 30 /2 00 4- 88 Fl. 71DF CARF MF 2 Julio Lima Souza Martins Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 44 à 60) interposto contra o Acórdão n° 1612.824, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP (efls. 32 à 36), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declarações (DCTF) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Lançamento Procedente Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário. Por representar acurácia no resumo dos fatos apresentados em primeira instância, peço vênia para transcrever os termos do relatório da decisão da DRJ de origem, os quais estribaram os pleitos da Contribuinte: Por meio do Auto de Infração de fl. 17, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 2.000,00, a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao Io, 2o, 3o e 4o trimestre do ano calendário de 2000. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3o e 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN); artigo 4o combinado com o artigo 2o da Instrução Normativa SRF n° 73/98; artigo 2o e 5o da Instrução Normativa SRF n° 126/98 combinado com item I da Portaria MF n° 118/84; artigo 5o do DL 2124/84 e artigo 7o da MP n° 118/01 convertida na Lei n° 10.426/2002. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fl(s). 01 a 15, na qual alega, em síntese o seguinte: que o auto de infração em tela é nulo, posto que, a d. autoridade fiscal autuante desconsiderou o fato de que a administração publica é regida, dentre outros, pelo principio da busca pela verdade material, sendo creto que, apenas o conhecimento das Fl. 72DF CARF MF Processo nº 19679.016230/200488 Acórdão n.º 1002000.036 S1C0T2 Fl. 3 3 DCTF do período de 2000, não são suficientes para a lavratura do referido auto de infração; que a(s) DCTF(s) em tela foram apresentadas antes de qualquer procedimento da administração. Conclui, que está albergada pelo instituto da denuncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN.que a multa ora exigida tem caráter confiscatório. É o relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Quanto ao mérito, observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Os pleitos da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseiam na denúncia espontânea, haja vista ter entregue a declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Sustenta, ainda, ocorrência de inconstitucionalidade e ilegalidade, decorrentes da aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória (oriunda do atraso na entrega da DCTF). Esses argumentos foram fundamentadamente afastados no juízo a quo, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF: No mérito, é de se registrar que o atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si só e, enquanto tal, desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Ademais, tratase de procedimento sumário de revisão interna da declaração, permitido pela legislação. Ponderase, ainda, que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. E, por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, "obrigações acessórias", que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2o do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (art. 113, § 3o, do CTN). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. No caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazê Fl. 73DF CARF MF 4 lo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Portanto, havêla entregue e ter recolhido todos os impostos declarados nos prazos previstos em lei, não exime o contribuinte da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Qualquer entendimento em contrário implicaria tornar letra morta os dispositivos legais em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular o cumprimento da obrigação acessória no prazo legal. Em relação à figura da denúncia espontânea, contemplada no art. 138 do CTN, frisese a sua inaplicabilidade ao fato, porque, juridicamente, só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da declaração, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a sua entrega tempestiva. (...) Quanto ao caráter confiscatório da multa imposta, é de se registrar que os questionamentos relativos a leis e atos regularmente inseridos no ordenamento jurídico exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir as determinações da legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada. (...) Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. No que cinge às ilegalidades levantadas pela recorrente, tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. Nessa trilha, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Reforço, ainda, que não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade. Logo, não há que se arguir nessa instância o eventual efeito confiscatório da multa. Há, inclusive, enunciado sumular a reger o tema:: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 19679.016230/200488 Acórdão n.º 1002000.036 S1C0T2 Fl. 4 5 .Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.900223/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.028
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 02 23 /2 00 9- 11 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10120.900223/200911 Acórdão n.º 3401004.028 S3C4T1 Fl. 3 2 de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10120.900223/200911 Acórdão n.º 3401004.028 S3C4T1 Fl. 4 3 Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.723075/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. PROVA.
O Histórico do Objeto fornecido pelos Correios serve de início de prova da entrega da intimação, mas não pode ser admitido como prova final quando posta em dúvida a data da intimação e verificado o extravio do documento contendo a assinatura do recebedor exigido pela lei processual (art. 23 do Decreto nº 70.235/1972). Neste caso, é de se receber o recurso apresentado como tempestivo.
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE REPRODUZ LITERALMENTE A IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Em caso de recurso voluntário que não apresenta indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou não traz qualquer motivo pelos quais esta deva ser modificada, o Regimento Interno do CARF autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), não havendo que se falar em nulidade quando observados nos lançamentos formalizados os requisitos contidos no art. 142 do CTN, bem como no disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal.
OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária foge à competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Súmula CARF n. 2.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN.
O artigo 135, III, do CTN responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A conduta é necessariamente comissiva, não se podendo responsabilizar diretores simplesmente por eles terem determinadas atribuições conforme o estatuto social da empresa. Assim, é preciso verificar se, no caso concreto, os administradores efetivamente praticaram os atos que a Fiscalização indica serem ensejadores da responsabilidade.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN.
Deve ser excluída a responsabilidade do administrador não havendo comprovação nos autos de que ele tenha efetivamente praticado atos dos quais resultaram os lançamentos.
Numero da decisão: 1401-002.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário do sujeito passivo Zelepel Indústria e Comércio de Artefatos de Papel S/A para, no mérito, negar-lhe provimento. Quanto aos recursos voluntários apresentados pelos responsáveis solidários, por unanimidade de votos conhecer dos mesmos, considerando procedente o recurso apresentado pelo Sr. AGUINALDO MESSIAS JACOMINI para excluir sua responsabilidade pelos débitos exigidos e improcedente o recurso apresentado pelo Sr. PAULO EDUARDO BATISTA CAVALCANTI, mantendo sua responsabilização com base no artigo 135, III, do CTN.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Recorrente ZELEPEL INDUSTRIA E COMERCIO DE ARTEFATOS DE PAPEL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. PROVA. O Histórico do Objeto fornecido pelos Correios serve de início de prova da entrega da intimação, mas não pode ser admitido como prova final quando posta em dúvida a data da intimação e verificado o extravio do documento contendo a assinatura do recebedor exigido pela lei processual (art. 23 do Decreto nº 70.235/1972). Neste caso, é de se receber o recurso apresentado como tempestivo. RECURSO VOLUNTÁRIO QUE REPRODUZ LITERALMENTE A IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Em caso de recurso voluntário que não apresenta indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou não traz qualquer motivo pelos quais esta deva ser modificada, o Regimento Interno do CARF autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), não havendo que se falar em nulidade quando observados nos lançamentos formalizados os requisitos contidos no art. 142 do CTN, bem como no disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária foge à competência da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 30 75 /2 01 2- 19 Fl. 2995DF CARF MF 2 autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Súmula CARF n. 2. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. O artigo 135, III, do CTN responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A conduta é necessariamente comissiva, não se podendo responsabilizar diretores simplesmente por eles terem determinadas atribuições conforme o estatuto social da empresa. Assim, é preciso verificar se, no caso concreto, os administradores efetivamente praticaram os atos que a Fiscalização indica serem ensejadores da responsabilidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. Deve ser excluída a responsabilidade do administrador não havendo comprovação nos autos de que ele tenha efetivamente praticado atos dos quais resultaram os lançamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário do sujeito passivo Zelepel Indústria e Comércio de Artefatos de Papel S/A para, no mérito, negarlhe provimento. Quanto aos recursos voluntários apresentados pelos responsáveis solidários, por unanimidade de votos conhecer dos mesmos, considerando procedente o recurso apresentado pelo Sr. AGUINALDO MESSIAS JACOMINI para excluir sua responsabilidade pelos débitos exigidos e improcedente o recurso apresentado pelo Sr. PAULO EDUARDO BATISTA CAVALCANTI, mantendo sua responsabilização com base no artigo 135, III, do CTN. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Fl. 2996DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 2.996 3 Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância administrativa constante do acórdão nº 0540.788 proferido pela 4ª Turma da DRJ/CampinasSP, constante das fls. 2.716 e segs, até aquela fase: “Tratasse dos Autos de Infração lavrados em 19/12/2012 e cientificados na mesma data, abrangendo fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2008 e assim elencados às fls. 02 e 46: As irregularidades foram descritas nos autos de infração, como segue: a) do IRPJ: Fl. 2997DF CARF MF 4 b) da CSLL: c) Outras Multas Administradas pela RFB Fl. 2998DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 2.997 5 d) do IRRF A autoridade fiscal lavrou em 19/12/2012 o Termo de Verificação Fiscal de fls. 47/92, cientificado ao contribuinte na mesma data, abaixo sintetizado: 1.DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL Fl. 2999DF CARF MF 6 (...) Fl. 3000DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 2.998 7 Fl. 3001DF CARF MF 8 Fl. 3002DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 2.999 9 Fl. 3003DF CARF MF 10 Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.000 11 Fl. 3005DF CARF MF 12 Fl. 3006DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.001 13 Fl. 3007DF CARF MF 14 Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.002 15 Fl. 3009DF CARF MF 16 Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.003 17 Na sequência, descreve a Fiscalização a constatação de apuração de valores devidos sobre as bases de cálculo estimadas, como segue: Passa, então, a Fiscalização a discriminar as exigências formalizadas por meio dos Autos de IRPJ, CSLL, IRRF, multa isolada por falta de recolhimento de estimativa de IRPJ e CSLL e multa regulamentar por declaração inexata: Fl. 3011DF CARF MF 18 Imputa responsabilidade solidária e encerra a ação fiscal expondo: (...) Fl. 3012DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.004 19 De fls. 2.535/2.538 constam Termos de Sujeição Passiva Solidária. Conforme despacho de fls. 2.540 o procedimento fiscal foi encerrado com a ciência pessoal do sujeito passivo e do diretor Paulo Eduardo Batista Cavalcanti (sujeito passivo solidário) no Auto de Infração em 19/12/2012 e do diretor Aguinaldo Messias Jacomini (sujeito passivo solidário), por via postal, em 26/12/2012 (AR de fls. 2.539). Em oposição às exigências foram apresentadas as seguintes peças de defesa: Em 18/01/2013, impugnação de fls. 2.566/2.589 em nome de Paulo Eduardo Batista Cavalcanti, subscrita por sua advogada e acompanhada dos documentos de fls. 2.590/2.591; Em 18/01/2013, impugnação de fls. 2.592/2.605 em nome da pessoa jurídica Zelepel Indústria e Comércio de Artefatos de Papel S A, subscrita por sua advogada e acompanhada dos documentos de fls. 2.606/2.616; Fl. 3013DF CARF MF 20 Em 24/01/2013, impugnação de fls. 2.619/2.648, em nome de Aguinaldo Messias Jacomini, subscrita por sua advogada e acompanhada dos documentos de fls. 2.649/2.690. Em nome da pessoa jurídica foram apresentadas as razões de defesa a seguir sintetizadas: Após expor os fatos e ressaltar a tempestividade de sua defesa, a Impugnante argui a nulidade do Auto de Infração alegando que: os valores ditos devidos pela empresa dizem respeito a fatos geradores ocorridos entre os anos de 2008 e 2009; o auto não preenche os requisitos necessários para sua validade e eficácia; dentre os requisitos do Auto de Infração, o que mais enseja patente nulidade no auto de infração ora questionado é o requisito da “FIEL DESCRIÇÃO DO FATO INFRINGENTE”. Discorre acerca da nulidade e dos requisitos do Auto de Infração para expor que a falta de descrição da irregularidade supostamente cometida, como ocorre no presente caso, implica na conclusão de que a mera opinião do agente fiscalizador é que se constituiu no elemento imponível do ato tributário Reportase aos Princípios da Legalidade e da Tipicidade Cerrada e aduz que: a falta de tipicidade da operação acusada, o cálculo do montante tributável e, consequentemente, da penalidade cabível, afeta de forma absoluta, a liquidez e certeza do lançamento, elementos esses indispensáveis para que possa validamente prosperar. no caso em tela o Auto de Infração lavrado apresenta tais vícios no que tange a descrição fiel dos fatos infringentes, pois a Auditora Fiscal faz um trabalho extenso e cansativo no Mandado de Procedimento Fiscal e deixa a desejar no Auto propriamente dito, pois não especifica ao certo a que se refere cada valor cobrado e, menos ainda, o porquê dos juros moratórios. o Auto de Infração em questão não goza de todas as prerrogativas necessárias para que seja considerado válido, pois não havendo as especificações do que é cobrado exatamente, subentendese que o Auto foi baseado em meras presunções da Fiscal. E, por lógico, a lei não trata a presunção como uma característica prevista na idéia de tipicidade. Ressalta que as informações contidas no MPF servem para complementar o Auto de Infração, e não para substituílo, como parece ter sido a intenção da Auditora Fiscal. Cita excertos doutrinários no sentido de necessidade de prova no procedimento administrativo tributário e expõe ser impossível aceitar que mera presunção de uma Fiscal seja motivo suficiente para a lavratura de um Auto de Infração, quando este sequer preenche os requisitos mínimos necessários para ser considerado válido. Conclui que não merece prosperar o presente Auto de Infração, ante o vício que acaba, por fim, a macular sua presunção de legitimidade, devendose esta instância julgadora declarar a sua NULIDADE. Na sequência, defende a inexigibilidade da multa discorrendo acerca de seu entendimento de que apresenta nítido caráter confiscatório e requerendo que a mesma seja revista e diminuída para um valor razoável, em consonância com o princípio constitucional do nãoconfisco. Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.005 21 Aborda, então, o princípio da proporcionalidade, alegando que a par do não confisco, a imposição de sanção está igualmente condicionada aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, que entende desrespeitados na medida em que se pretende cobrar da empresa uma sanção extremamente pesada por suposta conduta, pois não provada pela I. Fiscal Autuante, a qual sequer trouxe risco de dano ao patrimônio público. E continua: no momento em que a sanção administrativa, resultado de um suposto (inexistente, de fato) não pagamento de tributo indevido, EQUIVALE A UMA VEZ E MEIA DO PRINCIPAL COBRADO, é óbvio que a pena é desproporcional e não pode ser aplicada. Reportase ao princípio da razoabilidade para alegar que apesar de serem vagos os conceitos de razoável e proporcional, doutrina e jurisprudência têm aplicado os princípios de forma reiterada, afastando os exageros da legislação e na aplicação desta. Invoca a previsão contida no art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, de necessária observância dos princípios constitucionais no processo administrativo e requer que sejam aplicados os princípios tanto da proporcionalidade quanto da razoabilidade no que tange à multa imposta pela Auditora Fiscal. Finaliza requerendo a declaração de nulidade da autuação ou subsidiariamente que a multa imputada seja cobrada com a observância dos Princípios do Não Confisco, Razoabilidade e Proporcionalidade. Na Impugnação em nome de Paulo Eduardo Batista Cavalcanti, são apresentadas as razões de defesa a seguir sintetizadas: De início expõe os fatos, argui a tempestividade da defesa e discorda do arrolamento de bens. Na sequência, a título de prejudicial ao mérito, considera indevida a inclusão do defendente no pólo passivo da presente demanda por não comprovação de comportamento fraudulento – item em que transcreve o art. 71 da Lei nº 4.502/64 e art. 135 do CTN e argumenta: de acordo com o art. 135, III, do CTN, a responsabilização do débito tributário às pessoas dos sócios somente pode ocorrer se houver comprovado que houve excesso de poder e/ou infração à lei ou aos estatutos societários [...] fatos esses que não se caracterizam pela simples inadimplência tributária; a Autoridade Fiscal está tentando, ainda que indiretamente, expandir a possibilidade de constrição patrimonial advinda da autuação fiscal ao patrimônio do DEFENDENTE, uma vez que, repitase, não há qualquer comprovação de irregularidade em seu agir; não merece prosperar o redirecionamento da presente demanda ao ora Defendente, pois não há nos autos elementos inequívocos que confirmem que este tenha agido de forma ilícita, sendo que meras alegações não podem servir de convencimento deste D. Julgador; Fl. 3015DF CARF MF 22 não se pode admitir presunções justamente porque a presunção jurídica só se opera em virtude de lei e não existe previsão legal que eleja o atraso no recolhimento do tributo como ato de infração à lei por parte do administrador; chamar o sócio para responder por débitos da pessoa jurídica sem que se prove ter havido excesso de mandato ou infração à norma representa afastar totalmente a figura da limitação da responsabilidade ínsita nas sociedades; o Código Civil traz a figura da desconsideração da personalidade jurídica em seu artigo 50, que prevê ser esta conseqüência possível quando há abuso da personalidade jurídica, caracterizada pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial; a coresponsabilidade não deve se processar automaticamente, ela tem que ser demonstrada através de processo cognitivo que permita ampla instrumentalização e ampla atividade de defesa. Cita a interessada excertos doutrinários e ementas de decisões judiciais para expor que: no caso presente somente seria possível fazer recair a cobrança dos tributos questionados na pessoa física do sócio se houvesse o devido processo que apurasse as condições previstas no art. 135, III, do CTN; a simples alegação de que o ora Defendente seria responsável tributário, o que, por obviedade, é inverídico, e ainda sem qualquer comprovação de impingida atitude fraudulenta por parte do sócio, não é suficiente para o redirecionamento do presente processo e conseqüente responsabilização questionada; não merece prosperar as alegações feitas pela Auditora Fiscal no que tange a suposta ocorrência de crime de sonegação, bem como não deve ser o DEFENDENTE responsabilizado pelo débito tributário dito existente. Na sequência, são apresentadas alegações de nulidade do Auto de Infração e questionada a penalidade imposta no mesmo sentido dos argumentos trazidos pela pessoa jurídica e já relatados. Na Impugnação em nome de Aguinaldo Messias Jacomini, são apresentadas as razões de defesa a seguir sintetizadas: De início expõe os fatos, argui a tempestividade da defesa, e discorda do arrolamento de bens. Na sequência, a título de prejudicial ao mérito, defende a impossibilidade de responsabilização tributária do diretor estatutário, ressaltando a existência de diferença entre Sócio e Administrador ou Diretor de empresa, alegando que: podemos definir sócio como sendo membro da sociedade empresária. Ou seja, a pessoa que se associa a uma empresa, se compromete a aportar um capital a uma sociedade, e normalmente com uma finalidade empresarial; já Administrador ou Diretor é o indivíduo responsável pela atuação da empresa, aquele que pratica os atos fundamentais para que ela se desenvolva e consiga realizar o objeto social. Seu campo de ação pode ser limitado por cláusulas específicas no instrumento de nomeação, ou pode ser limitada apenas pela atividade própria da empresa. Transcreve os artigos 1º e 158 da Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das S/A), para concluir que o administrador não dever ser considerado responsável pelas obrigações contraídas em nome das S/A quando o caso for de regular ato de gestão. Há Fl. 3016DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.006 23 exceção apenas quando houver culpa ou dolo, ou ainda violação à letra da lei ou ao próprio estatuto social da empresa, casos em que ele responde civilmente pelos eventuais prejuízos causados. Expõe, então, que em momento algum houve comprovação de que o ora defendente agiu com culpa ou dolo nos fatos geradores do presente Auto de Infração. Isto porque não existe nada a ser comprovado. Transcreve o art. 134 do CTN para alegar que: conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária (doc 02), de 12 de abril de 2007, o ora defendente, que até então desempenhava a função de secretário, foi eleito, por unanimidade de votos, Diretor estatutário da empresa Zelepel, para atuar juntamente com o Diretor Presidente, Sr. Paulo Eduardo Batista Cavalcanti; ocupou o cargo de Diretor até 12 de janeiro de 2009, quando, em nova Assembléia Geral Extraordinária (doc. 3), renunciou a função ocupada; na qualidade de Diretor, o defendente cuidava, apenas e tão somente, do setor comercial da empresa, onde era responsável: i) pelo desenvolvimento de produtos (...), ii) desenvolvimento de clientes e iii) comercialização de produtos (...), conforme se verifica no cartão de visita anexo (doc 04); como Diretor Comercial, o ora defendente não possuía acesso a nenhuma informação dos setores financeiro e contábil, pois toda a parte da gestão empresária era feito pelo Diretor Presidente, qual seja o Sr. Paulo Eduardo Batista Cavalcanti. Ainda, o Defendente não continha qualquer conotação societária na empresa; Frisa que: a sociedade anônima é uma pessoa jurídica de direito privado e de natureza mercantil, e o seu capital é dividido em ações, sendo que a responsabilidade dos sócios ou acionistas é limitada ao preço das ações subscritas ou adquiridas; conforme ata anexa (doc. 06), das 985.996 ações ordinárias nominativas da Zelepel, 985.995 pertencem a RSI Participações S/A e 01 ação pertence a RV Consultoria e Participação S/A, empresas com as quais o ora defendente não possui qualquer relação (doc. 05); o defendente não possuiu qualquer ação subscrita ou adquirida, mas apenas foi eleito diretor estatutário pela empresa Zelepel, recebendo remuneração global anual de R$ 15.000,00 (...), o diretor que é contratado por uma sociedade anônima não assume o risco do negócio, pois, não tendo ações subscritas ou adquiridas, não se beneficia dos lucros do empreendimento. Consequentemente não responde pelos prejuízos. Ao contrário, como dispõe o art. 137, inciso VII do CTN, a responsabilidade deverá recair sobre os sócios. Cita julgado do TRF da 4ª Região. Conclui este tópico expondo que: o defendente, por tratarse de Diretor comercial da empresa Zelepel, não possui responsabilidade por seus débitos fiscais, a uma porque sua função não continha conotação societária alguma bem como não possuía acesso a nenhuma informação dos setores financeiro e contábil, a duas porque durante toda a sua gestão não foi configurada qualquer das hipóteses dos artigos supra e a três porque, como trás o artigo 23 da Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 17 de dezembro de 2007, “a representação ativa e Fl. 3017DF CARF MF 24 passiva da sociedade ficará sob a responsabilidade do Diretor Presidente, ou seja, o Sr. Paulo Eduardo Batista Cavalcanti. Em conseqüência, requer sua exclusão do pólo passivo. Na sequência passa a defender que a mera inadimplência tributária também não enseja a responsabilização em questão, argui a nulidade do Auto de Infração e discorda da penalidade aplicada, apresentando as mesmas razões de defesa contidas nas impugnações da pessoa jurídica e da pessoa física do sócio Paulo Eduardo Batista Cavalcanti”. A 4ª Turma da DRJ/CampinasSP, em sessão de 28/05/2013, ao analisar as impugnações apresentadas, proferiu o Acórdão nº 0540.788 que decidiu “por unanimidade de votos, em considerar PROCEDENTES EM PARTE as impugnações para REJEITAR as arguições de nulidade, AFASTAR apenas a multa regulamentar no valor fixo de R$ 500,00, MANTER o restante do crédito tributário lançado e MANTER a imputação de sujeição passiva solidária a ambas as pessoas físicas indicadas pela Fiscalização, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), não havendo que se falar em nulidade quando observados nos lançamentos formalizados os requisitos contidos no art. 142 do CTN, bem como no disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Descritas pela fiscalização circunstâncias que justificam a imputação de sonegação, inclusive apresentação de declaração anual de ajuste zerada mesmo diante da existência de receitas sabidamente auferidas, mantémse a multa aplicada no percentual de 150%. MULTA ISOLADA. IRPJ. CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. Apuradas estimativas mensais devidas e não recolhidas por pessoa jurídica optante pela tributação pelo lucro real anual, cabível a multa aplicada no percentual de 50%, sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ e CSLL mensalmente devidos. MULTA REGULAMENTAR. DECLARAÇÃO APRESENTADA COM INCORREÇÕES E OMISSÕES. VALORES ZERADOS. Afastase a multa aplicada no valor fixo de R$ 500,00 por decorrer de mesmo fato já penalizado com a multa de ofício aplicada proporcionalmente ao valor do imposto e contribuição apurados. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETORES DA SOCIEDADE. São solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.007 25 os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. ARROLAMENTO DE BENS. Impertinente a apresentação, em sede de impugnação a lançamento, de questionamentos acerca de arrolamentos de bens, por se tratar de matéria que não se insere no âmbito de competência deste colegiado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. As pessoas físicas consideradas responsáveis apresentaram recurso voluntário em 01/08/2013, sendo que o recurso do Sr. Paulo Eduardo Batista Cavalcanti consta das fls. 2.808 e segs. e o recurso do Sr. Aguinaldo Messias Jacomini consta das fls. 2.338 e segs. Em sessão de 26/11/2014, esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência por não ter sido encontrada nos autos a ciência pessoal das pessoas físicas quanto à decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/CampinasSP (Resolução CARF 1401000.330). Em despacho de 14/04/2015, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira – SP (SECAT/DRF/LIMEIRA/SP) confirmou que as pessoas físicas indicadas como responsáveis de fato não foram intimadas, afirmando ainda que o recurso voluntário apresentado pela contribuinte seria intempestivo, conforme segue: Sr. Chefe, Conforme entendimento prévio, em atendimento a Resolução 141000.330, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, informarmos que foi postada correspondência para ciência do Acórdão de nº 0540.788 da DRJ/Campinas/SP, em 27/06/2013, apenas para a empresa ZELEPEL IND E COM DE ARTEFATOS DE PAPEL S/A, em seu endereço e que não tendo retornado o AR correspondente, efetuamos a pesquisa de rastreamento dessa postagem, tendo como resultado, a data de 01/07/2013, o quê, conforme citado em despacho de encaminhamento às fls. 2.940, apontava intempestividade à data de apresentação do Recurso Voluntário. Submeto o presente à sua consideração, para demais providências ou devolução ao CARF. Em 17 de maio de 2017 houve nova conversão do julgamento em diligência, dessa vez para atestar a tempestividade com relação ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte em 01/08/2013 (fls 2.808 e segs). Isso porque, em sua peça recursal, a contribuinte alegou, embora sem trazer provas, que foi intimada do acórdão nº 0540.788 em 02/07/2013. O Histórico do Objeto extraído da página na internet da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos constante da fl. 2.806 informa que a empresa teria sido cientificada do acórdão de impugnação 1/07/2013 (segundafeira), todavia, não havia nos autos prova de que a intimação tenha sido recebida no endereço cadastral da Recorrente Tendo em vista que a lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor (art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), a Resolução CARF 1401 000.462 solicitou diligência "a fim de que a unidade de origem anexe aos autos cópia do AR Fl. 3019DF CARF MF 26 assinado correspondente à intimação da Recorrente acerca do acórdão nº 0540.788, proferido pela 4ª Turma da DRJ/CampinasSP (Código de Rastreamento RA981723536BR)". Foi ressaltado, ainda, que "Se por qualquer motivo não houver possibilidade de tal documento ser juntado pela unidade de origem, diligenciar aos Correios para obter 2a via do AR assinado, ou documento equivalente, que comprove a data da entrega da correspondência à Recorrente. Não sendo possível obter a 2a via do AR ou documento equivalente, solicitar aos Correios que este informe a data da entrega da correspondência objeto do AR Código de Rastreamento RA981723536BR, conforme seus registros internos, fornecendo a documentação pertinente." Em 6 de julho de 2017, por meio do Ofício nº 10865/100/2017 (fl. 2.985) o Chefe da SECAT da DRF em LIMEIRASP afirmou que não houve o retorno do AR da correspondência objeto do Código de Rastreamento RA981723536BR e solicitou à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos "a 2ª via do AR assinado ou documento equivalente, que comprove a data da entrega e, caso não seja possível o fornecimento desses, que então nos informe a data da entrega de tal correspondência, conforme seus registros internos, fornecendo a documentação pertinente." Em 2 de agosto de 2017 a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos apresentou resposta com seguinte teor (fl. 2990): O processo então retornou a esta Relatora para prosseguimento do julgamento. Fl. 3020DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.008 27 Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Conforme relatado, a diligência objeto da Resolução 1401000.462, não foi capaz de esclarecer sobre a tempestividade do recurso voluntário apresentado pela contribuinte, já que embora o documento unilateral denominado Histórico do Objeto dos Correios afirme que a intimação ocorreu em 1/07/2013, a prova do recebimento, vale dizer, o documento contendo a assinatura do recebedor exigido pela lei processual (art. 23 do Decreto nº 70.235/1972) fora extraviado. Por tal motivo, assegurando o contraditório e a observância do princípio da verdade material, recebo o recurso voluntário apresentado pela contribuinte como tempestivo. Já a diligência realizada em virtude da Resolução CARF 1401000.330 confirmou que as pessoas físicas indicadas como responsáveis não foram intimadas do acórdão de impugnação, tendo esta sido dirigida exclusivamente à empresa contribuinte. Todavia, considerando que foram apresentados os respectivos recursos voluntários em 01/08/2013 o recurso do Sr. Paulo Eduardo Batista Cavalcanti consta das fls. 2.808 e segs. e o recurso do Sr. Aguinaldo Messias Jacomini consta das fls. 2.338 e segs e em homenagem aos princípios da economia e da celeridade processuais, também recebo tais recursos voluntários como tempestivos. Pela ordem, passo a analisálos. Recurso voluntário da contribuinte Em sua peça recursal, a contribuinte não apenas reproduz os argumentos trazidos na impugnação como os repete ipsis literis, alegando basicamente a nulidade do auto de infração e a inexigibilidade da multa em vista de seu caráter confiscatório e em razão dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Não é apresentada qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida nem se indicam especificamente os motivos pelos quais esta deveria ser modificada. Observo que, conforme discorreu o então Conselheiro Antonio Bezerra Neto em seu voto no acórdão 1401001.871, julgado em 17.05.2017, os princípios da ampla defesa e do contraditório garantem ao defendente o direito de tomar conhecimento de tudo o que consta nos autos e de se manifestar a respeito, trazendo para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. Apesar de tais princípios se caracterizarem como direitos dos contribuintes, neles estão implícitos também deveres, de forma a regulamentar o processo para que este chegue a um fim, conferindolhe assim a necessária instrumentalidade. Fl. 3021DF CARF MF 28 Nesse passo continua ilustre Conselheiro é inerente ao princípio do contraditório que o processo deva caminhar através de um caráter dialético que perpassa, se for o caso, as duas instâncias do processo administrativo fiscal. Dessa forma, é imperioso que, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância. Isso porque as contradições ou erros ainda porventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontados especificamente para que a instância ad quem tome conhecimento e, se for o caso, os corrija ou supere em sua atividade de órgão revisor. No mesmo sentido, leciona Nelson Nery Junior (Teoria Geral dos Recursos, 6a ed., p. 176): A doutrina costuma mencionar a existência de um princípio da dialeticidade dos recursos. De acordo com este princípio, exigese que todo recurso seja formulado por meio de petição pela qual a parte não apenas manifeste sua inconformidade com o ato judicial impugnado, mas, também e necessariamente, indique os motivos de fato e de direito pelos quais requer o novo julgamento da questão nele cogitada. Rigorosamente, não é um princípio: tratase de exigência que decorre do princípio do contraditório, pois a exposição das razões de recorrer é indispensável para que a parte recorrida possa defenderse. É verdade que a legislação acerca do processo administrativo fiscal apenas traz requisitos expressos quanto ao conteúdo da impugnação, determinando o artigo 16, III, do Decreto 70.235/1972 que tal peça mencionará "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Não obstante, a argumentação específica contra a decisão recorrida é exigência que, se não se extrai também desse dispositivo, advém do próprio princípio do contraditório e da necessidade de que o processo não seja um fim em si mesmo mas sirva de meio efetivo para a resolução de um conflito. Não por outra razão, o atual Código de Processo Civil aplicável supletiva e subsidiariamente ao processo administrativo nos termos do artigo 15 da Lei 13.105/2015 estabelece dentre os requisitos da apelação que esta conterá as razões do pedido de reforma, vejase: Art. 1.010. A apelação, interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro grau, conterá: I os nomes e a qualificação das partes; II a exposição do fato e do direito; III as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade; IV o pedido de nova decisão. Diante disso, tenho dúvidas se o recurso sequer preencheria os requisitos para a sua admissibilidade. De qualquer forma, ponderando com o princípio do informalismo procedimental que rege o processo administrativo, deixo de observar o estrito rigor procedimental para superar mais esta questão relativa ao conhecimento do recurso voluntário. Observo, porém, a faculdade trazida pelo artigo 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.009 29 Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. Considerando tal permissivo, e tendo em vista que a peça recursal não traz novas razões de defesa nem qualquer diálogo com a decisão que supostamente pretenderia contraditar, adoto como razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão recorrida, que reproduzo abaixo. Nulidade Acerca da arguição de nulidade, registrese que, sendo o lançamento formalizado mediante lavratura de auto de infração, sua constituição submetese às prescrições do Decreto nº 70.235, 06 de março de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF, o qual estabelece duas hipóteses de nulidade para o aludido ato, conforme artigo 59, adiante reproduzido: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Logo, não há que se falar de nulidade do lançamento uma vez que o ato foi realizado por servidor investido do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, cuja competência para fiscalização de tributos federais e lavratura de autos de infração é atribuída por lei, como também a oportunidade de defesa foi regularmente oferecida à autuada, viabilizando a instauração da fase litigiosa do processo, sendo plenamente exercida na impugnação apresentada e dando causa à presente análise no contencioso administrativo. Em todas as peças de defesa é argüida a nulidade do Auto de Infração, mediante questionamento da descrição dos fatos. Todavia, não há que se cogitar da alegada falta de descrição da irregularidade supostamente cometida. Pelo contrário, em seu Termo de Constatação de fls. 47/92, a Fiscalização, cumprindo os preceitos do art. 10 do citado Decreto nº 70.235, de 1972, descreve minuciosamente todo o procedimento fiscal, as intimações formalizadas, as respostas obtidas e correspondentes análises, as irregularidades constatadas e as Fl. 3023DF CARF MF 30 infrações imputadas ao contribuinte e responsáveis solidários, estruturando suas análises e conclusões nos seguintes tópicos: 1 Descrição do Procedimento Fiscal: 1.1 item em que relaciona os documentos (termos de intimação, ciência e constatação) emitidos durante o procedimento fiscal, os livros, arquivos e documentos apresentados pelo contribuinte, a constatação de apresentação de DIPJ com os campos zerados (fls. 470), a apresentação de DIPJ retificadora (não transmitida, fls. 498, na qual se verifica a indicação de lucro líquido e lucro real ambos negativos e iguais a R$ 12.841,190,68), a comparação das despesas operacionais informadas na DIPJ retificadora com os registros do Razão, as respostas dadas a Termos de Intimação (1.1.2), as explicações acerca de lançamentos contábeis questionados, a análise dos lançamentos na conta contábil “Ganhos e Perdas Operacionais” confrontandoos com as respostas do contribuinte (1.1.3.) e as conclusões obtidas (item 1.1.4); 1.2 a constatação de diversos pagamentos a pessoas físicas e jurídicas, inclusive diretores, sem comprovação de que estivessem vinculados às atividades da empresa ; 1.3 a apuração, por meio dos registros contábeis, de estimativas mensais sobre a receita bruta, sem que nada tivesse sido informado em DCTF nem na DIPJ transmitida; 2 – Auto de Infração 2.1 IRPJ: item em que aborda a necessidade de revisão dos expurgos de valores de despesas ou perdas operacionais registrados na contabilidade, não comprovados por documentação hábil, e a consideração de outras receitas operacionais, esclarecendo que: ... E, na sequência, recompõe o resultado do exercício como segue: Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.010 31 Sobre este valor principal apurado, foi lançada a multa de ofício proporcional de 150% e calculados os juros de mora. Lembrese que, na DIPJ retificadora apresentada (não transmitida), foi indicada apuração de lucro real (prejuízo) igual ao lucro líquido de – R$12.841.191,01 (mesmo valor indicado como Base de cálculo da CSLL), revertido, na autuação, para lucro de R$ 2.899.431,65. 2.2. CSLL: item em que discrimina a obtenção da CSLL a pagar de R$ 260.948,85, corresponde a 9% de R$ 2.899.431,65 (lançamento reflexo do IRPJ), conforme também indicado no Auto de CSLL de fls. 16/17. Sobre o valor apurado de CSLL a pagar foi lançada multa proporcional de 150% e calculados os juros de mora. 2.3. IRRF: item em que relaciona os pagamentos sem causa, discriminados na tabela 15 do Termo de Constatação Fiscal , exigência decorrente da constatação assim descrita: Fl. 3025DF CARF MF 32 2.4. item em que demonstra a apuração da multa isolada sobre o IRPJ e a CSLL devidos sobre a base de cálculo estimada, nos valores discriminados nas tabelas 16 e 17 do Termo de Constatação. 2.5. item em que justifica a multa por apresentação de DIPJ com valores inexatos, no valor de R$ 500,00 3. item em que imputa a ocorrência de sonegação fiscal e fundamenta e aplica a multa agravada de 150% 4. item em que atribui sujeição passiva solidária a diretores da sociedade durante o ano de 2008. Referido Termo de Constatação, distintamente do que alegam os Impugnantes, integra o Auto de Infração, assim como os demais demonstrativos de apuração, tanto que do Auto de IRPJ consta expressamente, conforme fls. 07: Ainda, cabível consignar que o valor apurado do IRPJ acima reproduzido (R$ 700.857,91) coincide com o valor principal indicado no Auto de IRPJ em decorrência de declaração inexata do Imposto de Renda devido detectada pelo confronto dos dados escriturados com os valores declarados, gerando insuficiência de recolhimento do imposto, conforme Termo de Verificação em anexo. E tal imposição é coerente com as constatações descritas pela Fiscalização em seu Termo de Constatação, da qual se extrai que a pessoa jurídica autuada transmitiu declaração anual de ajuste com valores de receitas zerados e, no curso do procedimento fiscal, em atendimento a intimações, apresentou escrituração, cujos dados foram refletidos em DIPJ retificadora, porém não transmitida. Analisados os lançamentos contábeis que ensejaram o resultado apontado pela contribuinte, a Fiscalização constatou irregularidades, conforme descrito acima, que ensejaram a reconstituição do resultado apontado pela contribuinte em face da inclusão de outras receitas e da glosa de despesas. E os motivos da redução dos valores das despesas admitidas e da inclusão das receitas, foram amplamente Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.011 33 explicitados pela Fiscalização, não se cogitando de vícios que ensejassem a nulidade. Não se trata, assim, de mera opinião do agente fiscalizador, como alegado pela defendente, mas de exigências cuja motivação fática foi expressamente demonstrada pela autoridade fiscal. E acerca destas constatações, repitase, foi a contribuinte regularmente intimada nada opondo especificamente às análises e reconstituição efetivadas pela Fiscalização. Reconstituído o resultado e apurada base de cálculo positiva, demonstrou a Fiscalização a ocorrência do fato gerador do IRPJ e reflexo de CSLL. Também deixou claro a Fiscalização a constatação dos registros contábeis de pagamentos, para os quais, a contribuinte, apesar de intimada, não logrou comprovar a causa, o que justificou a conclusão fiscal da ocorrência do fato gerador do IRRF (imposto de renda retido na fonte) incidente sobre tais pagamentos. Nesse contexto, injustificável a alegação de inobservância do princípio da tipicidade. De fato, demonstrada pela Fiscalização a apuração do lucro real, impôsse a formalização dos Autos de Infração para apuração do imposto (e CSLL reflexa), tendo em conta a previsão legal para tanto consolidada no Regulamento do Imposto de Renda, do qual, por pertinentes, são transcritos os seguintes dispositivos: REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA RIR/1999 [aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 29/03/1999] Título IV Determinação da Base de Cálculo Subtítulo I Disposições Gerais Art. 218. O imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, das sociedades civis em geral e das sociedades cooperativas em relação aos resultados obtidos nas operações ou atividades estranhas à sua finalidade, será devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos (Lei nº 8.981, de 1995, art. 25, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 55). Capítulo I – Base de Cálculo Art. 219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. (...) [Destaques acrescidos] E, tendo apresentado DIPJ (embora com valores zerados) com opção pela forma de tributação pelo lucro real anual, sujeitouse a contribuinte ao recolhimento do IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo estimadas, a teor do art. 222 do RIR/99, cuja falta de recolhimento enseja a multa isolada prevista no art. 44, II, b, da Lei 9.430/96: Fl. 3027DF CARF MF 34 Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). ... Lei nº 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: ... II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). ... b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007). No que concerne às obrigações tributárias acessórias, a legislação determina aos contribuintes a entrega das declarações a que se obrigam como pessoa jurídica, as quais devem refletir o real resultado aferido em sua escrituração, a manutenção em ordem dos livros e documentação contábil/fiscal com registro das operações realizadas no desenvolvimento de suas atividades econômicas e correspondentes resultados na situação patrimonial da sociedade. É o que se extrai dos dispositivos do RIR/1999 a seguir: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Seção IV CONSERVAÇÃO DE LIVROS E COMPROVANTES Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). §2º (...) §3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Capítulo IV Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.012 35 VERIFICAÇÃO PELA AUTORIDADE TRIBUTÁRIA Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º). FISCALIZAÇÃO DO IMPOSTO Da prova Art. 923 A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Portanto, não remanesce qualquer dúvida quanto à obrigatoriedade imposta aos contribuintes de tributos federais acerca da manutenção em boa ordem e guarda da escrituração exigida na legislação e da documentação que ampare os registros contábeis. No caso, tendo a Fiscalização verificado a apresentação de DIPJ com valores zerados, em dissonância com a escrituração e, ainda, verificando a não comprovação, por meio de documentos hábeis, de lançamentos contábeis questionados, reconstituiu o resultado e formalizou a presente exigência de IRPJ e reflexo de CSLL, bem como a exigência de multa isolada sobre as bases de cálculo estimadas mensalmente, como prevê a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 2º e 44, II, b. Também a exigência do IRRF em razão da constatação de pagamentos sem causa encontra respaldo legal, como se vê do art. 674 do mesmo Regulamento: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Ademais, distintamente do alegado, além de indicados os correspondentes valores tributáveis, em consonância com as descrições contidas no Termo de Constatação, foram também apresentados os demonstrativos de apuração das multas proporcionais e juros aplicados, como se vê, a título de exemplo, pelos excertos extraídos do Auto de IRPJ de fls. 15, como segue: Fl. 3029DF CARF MF 36 O fato de a Fiscalização ter sido concisa no Auto de Infração, fazendo remissão à descrição contida no Termo anexo, ao contrário do que defende a impugnante, em nada prejudicou o perfeito conhecimento pelos interessados dos fatos que lhes foram imputados, nem impediu o pleno exercício de defesa, sobretudo porque, como se viu pela transcrição contida no Relatório, no Termo de Constatação foram descritas, de forma minuciosa, todas as constatações, análises e conclusões efetuadas e que redundaram nas exigências formalizadas. A alegação do contribuinte de inobservância de requisitos fundamentais para formalização do lançamento não condiz com os elementos constantes dos autos que demonstram claramente que tais requisitos foram observados. Assim, não há que se cogitar de falta de descrição dos fatos, nem de iliquidez ou de incerteza do crédito tributário, pelo que resta afastada a argüição de nulidade. Penalidade Aplicada No tocante à penalidade aplicada sobre os valores principais lançados, no percentual de 150%, cumpre registrar que encontra amparo no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.013 37 mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ... Quanto à qualificação da multa de 75% para 150%, foi justificada pela Fiscalização mediante imputação da ocorrência da hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, que dispõe: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Nas defesas apresentadas, apenas as pessoas físicas dos sócio e diretor alegam falta de comprovação da fraude. Todavia, recordese que a penalidade aplicada foi assim justificada pela Fiscalização: Fl. 3031DF CARF MF 38 Neste aspecto, registrese que, tendo a Fiscalização justificado, por meio da descrição de um conjunto de circunstâncias, seu entendimento de configuração de sonegação para imputação da penalidade agravada, a exemplo de apresentação de DIPJ com valores zerados mesmo tendo a contribuinte apurado receitas – circunstâncias acerca das quais nada foi oposto nas impugnações, e existindo expressa previsão legal de aplicação da penalidade no percentual questionado, não há como afastar a multa. Com efeito, a conduta de declarar sistematicamente ao Fisco, em DIPJ, valores zerados, distintos daqueles que de fato seriam os verdadeiros, além de retardar o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade administrativa, ainda faz essa supor, pelo princípio da boafé, que aquele contribuinte está cumprindo com suas obrigações, desviando seu foco para aqueloutros que nem mesmo apresentaram as devidas declarações. Ora, ao escriturar receitas (em Livro Diário registrado somente após o início do procedimento fiscal, e nele incluir valores a título de perdas não confirmados de Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.014 39 modo a apurar prejuízo fiscal), deixando de informar as receitas ao Fisco Federal, não há como afastar o entendimento fiscal de que resta demonstrada a intenção da pessoa jurídica e das pessoas físicas que por ela respondem de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Juros de Mora Quanto aos juros de mora, injustificável qualquer questionamento acerca de sua aplicação, pois eles decorrem da legislação e sua incidência será inexorável se o débito for liquidado após o vencimento. Nesse aspecto, é expresso o art. 161 do CTN, que dispõe: Art. 161 – O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta , sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária E neste sentido também já se firmou o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, para os casos em que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não está vinculada à existência de depósito judicial: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Observese, ainda, que como visto, o art. 161 do Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, estabelecendo o parágrafo 1º. do referido artigo que os juros serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se não for fixada outra taxa. E a taxa SELIC tem previsão de aplicabilidade no referido artigo 61, §3º da Lei nº 9.430, de 1996, citado no demonstrativo de multa e juros integrante dos Autos de Infração, parcialmente reproduzido acima. No tocante às alegações de ofensa a princípios constitucionais, como o do não confisco, proporcionalidade e razoabilidade, importa observar que a apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da constitucionalidade ou da legalidade da legislação. Deveras, estando a penalidade aplicada expressamente prevista em lei, cumpre consignar apenas que o controle da constitucionalidade das normas é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, “a”, III da CF de 1988. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. Fl. 3033DF CARF MF 40 Registrese, também, o dever de ser observado, no julgamento administrativo, o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos a teor da Portaria do Ministro da Fazenda nº 58, de 17 de março de 2006 (vigente à época do lançamento), bem como da atual Portaria MF nº 341, de 12/07/2011: Portaria MF 58, de 2006: Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários e aduaneiros Portaria MF 341, de 2011: Art. 7º São deveres do julgador: ... V observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Salientese que atualmente se encontra em vigor o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, introduzido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que dispõe, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) ............................................................................................................................. § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Decorre daí que, no âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar a legislação posta, sob fundamento de inconstitucionalidade, somente sendo possível tal provimento aos casos de Lei ou ato normativo: que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, o que não se configura no presente caso. Confirmando este posicionamento, já foi editada Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispondo, in verbis: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.015 41 E se o órgão de julgamento administrativo de instância superior não detém competência para apreciar questionamentos relativos a constitucionalidade de lei, igual conclusão se impõe em relação ao julgamento em primeira instância. Não obstante, cumpre esclarecer que a referida vedação ao confisco estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. É de se presumir, portanto, que a lei aprovada nos moldes constitucionais tenha estabelecido multas dentro de limites aceitáveis. Importa esclarecer, ainda, que a possibilidade legal para abrandamento da multa de ofício, a esta instância, está contida no artigo 962 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999. Tratase da redução de trinta por cento que a impugnante terá direito caso venha a optar pelo pagamento do presente Auto de Infração dentro do prazo de trinta dias contados da ciência deste acórdão (Lei nº 8.218, de 1991, art. 6º, parágrafo único): Seção II – Redução da Penalidade Art. 962. Se houver impugnação tempestiva, a redução será de trinta por cento se o pagamento do débito for efetuado dentro de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância (Lei nº 8.218, de 1991, art. 6º, parágrafo único).” Não há como, portanto, afastar a penalidade no percentual aplicado. Acerca da multa de ofício isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo estimadas apuradas, foi aplicada no percentual de 50%, e acerca de tal penalidade nada opõem especificamente os Impugnantes. Desse modo, tendo amparo legal no art. 44, II, b, da nº Lei 9.430, de 1996, antes mencionado, sua aplicação deve ser mantida. (...) Recursos voluntários dos responsáveis Consoante relatado, a autoridade lançadora fundamentou a atribuição de responsabilidade no inciso III do art. 135 do CTN, cujo teor é a seguir reproduzido: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como se percebe, são premissas para a aplicação do artigo 135, III, do CTN, que, quando dos fatos geradores em questão, as pessoas físicas imputadas como responsáveis pelas obrigações tributárias da pessoa jurídica: (i) sejam investidas da qualidade de diretores, Fl. 3035DF CARF MF 42 gerentes ou representantes de tais pessoas jurídicas e, nessa qualidade, (ii) pratiquem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Nos recursos apresentados por Paulo Eduardo Batista Cavalcanti e Aguinaldo Messias Jacomini estes alegam que não se configuraram os pressupostos do art. 135, inciso III, do CTN. Vejamos. Os fatos geradores objeto da presente demanda reportamse ao ano calendário de 2008. Da Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 17/12/2007 e registrada na JUCESP em 07/01/2008 (fls. 102 a 108), verificase que, durante o ano calendário de 2008, foram eleitos como membros da diretoria da Zelepel Indústria e Comércio de Artefatos de Papel S/A: Sobre o Estatuto Social da Zelepel Indústria e Comércio de Artefatos de Papel S/A, vale destacar as seguintes cláusulas: Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.016 43 A análise de tais disposições permite concluir que ambas as pessoas físicas Recorrentes efetivamente ocupavam o cargo de diretores em 2008, época dos fatos geradores em questão. Vale notar que, em que pese o artigo 23 estabelecer que a representação ativa e passiva da sociedade ficaria sob responsabilidade do Diretor Presidente, o artigo 21 atribuiu poderes gerais a ambos os diretores e o artigo 20 prevê expressamente competir à Diretoria (formada pelos dois diretores eleitos) "assinar em conjunto com o contador da sociedade as demonstrações financeiras de cada exercício." (grifamos). A alegação de que o Recorrente Aguinaldo Messias Jacomini exercia funções apenas de diretor comercial, sem acesso a informações dos setores financeiro e contábil, não lhe retira a qualidade de integrante da Diretoria com os poderes e obrigações que lhe foram atribuídos nos artigos 20 e 21 do Estatuto Social, inclusive de assinar, em conjunto com o Fl. 3037DF CARF MF 44 contador, as demonstrações financeiras correspondentes a cada exercício, com as consequentes responsabilidades daí decorrentes. Também a alegação de que não era titular de ações da autuada nem participa de empresas que detêm ações da autuada não afasta a qualidade de diretor da pessoa jurídica, hipótese expressamente contemplada no art, 135, III, do CTN. Uma vez confirmado que os Recorrentes pessoas físicas eram os diretores da sociedade, cumpre verificar se, nesta qualidade, eles efetivamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, capazes de ensejar a sua responsabilização pelos débitos da pessoa jurídica. A Fiscalização descreve os fatos que ensejaram a responsabilidade dos diretores nos seguintes termos: 4. Da Sujeição Passiva Solidária Como ficou demonstrado nos itens 1 e 3 deste Termo de Verificação, a empresa informou como iguais a zero todos os campos da DIPJ/2009. Também não declarou em DCTF o IRPJ e a CSLL a pagar, assim como parte do IRRF. Ainda, fez constar de sua contabilidade e do LALUR um prejuízo inexistente de R$12.841.191,01. (...) Ora, a legislação determina que a escrituração de valores tenha suporte em documentação hábil a justificar os registros, assim como estabelece que a declaração de ajuste anual deve refletir os valores assim escriturados. Diante de um vasto universo de contribuintes, é razoável pensar que haverá menor atenção da fiscalização para com aqueles que realizam pouca ou nenhuma atividade financeira e operacional, e é isso que a informação contida em registros contábeis com valores reduzidos e declarações fiscais com valores “zerados” vai provocar. Daí porque a jurisprudência deste E. CARF tem considerado que a apresentação de declarações zeradas quando se sabia ter auferido receitas configura não apenas infração de lei mas sonegação fiscal, justificando, inclusive, a qualificação da penalidade, tal como aplicada no caso em tela: MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO OU APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES ZERADAS. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A conduta do contribuinte, consistente em apresentação de Declarações “zeradas” à administração tributária federal, quando provado que auferiu receitas, tanto que as declarou corretamente ao fisco estadual, subsumese perfeitamente à figura da sonegação fiscal (impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador), justificando a qualificação da penalidade. (acórdão 1402001.898, Relator Carlos Pelá, sessão de 3/02/2015) OMISSÃO DE RECEITA. DECLARAÇÕES “ZERADAS”. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Caracteriza sonegação, com a consequente imposição da multa qualificada, a constatação da apresentação de declarações “zeradas” combinada com a efetiva omissão de receita. Recurso Voluntário Negado. (acórdão 1102001.284, Relator Ricardo Marozzi Gregorio, sessão de 3/02/2015) No caso, a afirmação de que os diretores deveriam conhecer a realidade financeira da empresa não é mera presunção, mas tem fundamento no próprio estatuto social da Zelepel Indústria e Comércio de Artefatos de Papel S/A, o qual, especialmente nos artigos 20 e Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 13896.723075/201219 Acórdão n.º 1401002.174 S1C4T1 Fl. 3.017 45 21, estabelece as diversas atribuições dos diretores, dentre as quais destacase a de assinar, em conjunto com o contador, as demonstrações financeiras correspondentes a cada exercício. Ocorre que a conduta descrita no artigo 135, III, do CTN é necessariamente comissiva ("atos praticados"), não se podendo responsabilizar diretores simplesmente por eles terem determinadas atribuições. Assim, e vale repetir, é preciso verificar se, no caso concreto, os Recorrentes pessoas físicas efetivamente praticaram os atos que a Fiscalização indica serem ensejadores da responsabilidade. A análise dos documentos acostados aos autos confirma que a DIPJ 2009, relativa ao anocalendário de 2008, foi transmitida em 16/10/2009, época em os diretores da autuada eram os Sres. Paulo Eduardo Batista Cavalcanti e outro, já que o Sr. Aguinaldo Messias Jacomini renunciou ao cargo em 12/01/2009 (fls. 117 a 120). Além disso, verificase que o diretor que efetivamente assinou documentos da empresa relativos a 2008 em conjunto com o contador, exercendo a atribuição prevista no artigo 20 do Estatuto Social da Zelepel Indústria e Comércio de Artefatos de Papel S/A, foi o Sr. Paulo Eduardo Batista Cavalcanti (fls. 223 a 240, fls. 579 a 635). Nessas circunstâncias, entendo como indevida a responsabilização do diretor Aguinaldo Messias Jacomini, tendo em vista que não há comprovação nos autos de que ele tenha efetivamente praticado atos dos quais resultaram tais lançamentos. Por outro lado, quanto ao diretor Paulo Eduardo Batista Cavalcanti é possível afirmar que há obrigações tributárias resultantes de atos por ele praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Ressaltese que não se trata, aqui, de mero inadimplemento nem de atraso no recolhimento de tributo, muito menos de desconsideração da personalidade jurídica, como quer fazer crer o Recorrente. Há, como exaustivamente tratado, obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei ou estatutos, seja porque este diretor tinha pleno conhecimento da realidade financeira da empresa e, consequentemente, sabia que tanto a declaração apresentada ao fisco federal quanto os prejuízos reportados na contabilidade não representavam a realidade, seja quando ele autorizou que a empresa realizasse pagamentos sem causa a diversas pessoas físicas e jurídicas. Quanto à necessidade do devido processo legal para se atribuir responsabilidade aos diretores, reconhecese a pertinência de tal alegação, no entanto ressalta se que este foi observado no presente processo, na medida em que foram lavrados os devidos Termos de Sujeição Passiva Solidária e regularmente cientificados aos interessados, que deles receberam cópia assim como dos Autos de Infração e dos Termos que os instruem, sendolhes concedido prazo legal para impugnação, apreciada no rito do processo administrativo fiscal, bem como possibilidade de recurso como ocorre por meio do presente julgamento. Por fim, noto que as demais alegações dos Recorrentes não merecem acolhimento. Primeiramente, sustentam, repetindo ipsis literis o recurso voluntário apresentado pela contribuinte, a nulidade do auto de infração por ausência de fiel descrição do fato infringente. No entanto, analisando tal documento verifico que este descreve em detalhes que os lançamentos de IRPJ e CSLL foram efetuados com base em recomposição do lucro real Fl. 3039DF CARF MF 46 e do lucro líquido da empresa, em vista da apuração de despesas indedutíveis da base de cálculo desses tributos, bem como que o lançamento do IRRF ocorreu em virtude de pagamentos sem causa, ou seja, sem base documental e desvinculados da atividade da empresa. Os Recorrentes insurgemse, ainda, contra as multas aplicadas, em vista dos princípios constitucionais do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Quanto a este ponto, ressalto o teor da Súmula CARF nº 2, segundo a qual "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Finalmente, os Recorrentes argumentam, genericamente e ainda sem base documental: que a apresentação de DIPJ com valores zerados ocorreu em virtude de mudanças no quadro de funcionários; que, ao contrário do que apurou a fiscalização, os balancetes foram apresentados sem omissões; bem como que, quanto ao IRRF, os pagamentos "foram efetuados a pessoas físicas ligadas a parceiros para pagamento de despesas de empresas com as quais a Contribuinte possuía parceria". Sem embargo, tais alegações não são suficientes para infirmar o acórdão recorrido, que na análise de tais aspectos não merece reparos, conforme acima transcrito e adotado como razões de decidir deste voto. Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto para conhecer do recurso voluntário do sujeito passivo Zelepel Indústria e Comércio de Artefatos de Papel S/A para, no mérito negar lhe provimento. Quanto aos recursos voluntários apresentados pelas pessoas físicas, oriento meu voto por conhecêlos, considerando procedente o recurso apresentado pelo diretor Aguinaldo Messias Jacomini para excluir sua responsabilidade pelos débitos ora lançados, e improcedente o recurso apresentado pelo diretor Paulo Eduardo Batista Cavalcanti, mantendo sua responsabilização com base no artigo 135, III, do CTN. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 3040DF CARF MF
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