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Numero do processo: 10166.730981/2014-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE IMPOSTO PELA PORTARIA MF N° 63/2017. SÚMULA N° 103 DO CARF. A Portaria MF n° 63, de 09 de fevereiro de 2017, dispõe que a decisão de primeira instância administrativa se encontra sujeita à confirmação pelo CARF quando exonerar o contribuinte do pagamento de valor superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Tal limite de alçada deve ser analisado na data do julgamento em segunda instância administrativa, nos termos da Súmula CARF n° 103.
Recurso de ofício não conhecido.
IOF. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. COLIGADAS. O art. 13 da Lei nº 9.779/99, amparado no art. 63, I e art. 66 do CTN, prescreve a incidência do IOF sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, conforme as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Não há óbice na tributação pelo IOF dos mútuos entre as pessoas jurídicas não financeiras, sendo de nenhum valor a afirmação de que o mútuo celebrado entre empresas coligadas/inter-relacionadas é para fins apenas empresariais e, portanto,sem caráter especulativo.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso de ofício, em razão de o valor exonerado encontrar-se abaixo do limite de alçada vigente, e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE IMPOSTO PELA PORTARIA MF N° 63/2017. SÚMULA N° 103 DO CARF. A Portaria MF n° 63, de 09 de fevereiro de 2017, dispõe que a decisão de primeira instância administrativa se encontra sujeita à confirmação pelo CARF quando exonerar o contribuinte do pagamento de valor superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Tal limite de alçada deve ser analisado na data do julgamento em segunda instância administrativa, nos termos da Súmula CARF n° 103. Recurso de ofício não conhecido. IOF. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. COLIGADAS. O art. 13 da Lei nº 9.779/99, amparado no art. 63, I e art. 66 do CTN, prescreve a incidência do IOF sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, conforme as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Não há óbice na tributação pelo IOF dos mútuos entre as pessoas jurídicas não financeiras, sendo de nenhum valor a afirmação de que o mútuo celebrado entre empresas coligadas/interrelacionadas é para fins apenas empresariais e, portanto,sem caráter especulativo. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso de ofício, em razão de o valor exonerado encontrarse abaixo do limite de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 09 81 /2 01 4- 98 Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 10166.730981/201498 Acórdão n.º 3301004.075 S3C3T1 Fl. 2.495 2 alçada vigente, e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de auto de infração constituído para a cobrança de IOF decorrente de operações de mútuo ‘de conta corrente’, acrescido de multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora, totalizando o crédito tributário de R$ 8.116.978,10. A Recorrente foi intimada a esclarecer as seguintes contas extraídas de sua escrituração, bem como apresentar contratos de mútuo celebrados e registrados em seu ativo/passivo, informar os dados da contraparte, a modalidade das operações de crédito, calendário e espécie de amortizações e taxas de juros pactuadas: Entendeu a fiscalização que houve a ocorrência do fato gerador do IOF nas operações com base em contrato de mútuo firmado entre empresas interrelacionadas, tais operações de crédito foram registradas como empréstimos na contabilidade da Recorrente, conforme se extraiu do SPED e dos livros contábeis. Diante disso, foram apuradas de ofício as quantias de IOF devidas. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária, atribuindo a responsabilidade sobre os créditos tributários de IOF à pessoa física de Matheus Ribeiro Lima Braga. Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 10166.730981/201498 Acórdão n.º 3301004.075 S3C3T1 Fl. 2.496 3 A motivação do lançamento está descrita no Relatório Fiscal (efls. 2212 2222), do qual se extrai os seguintes trechos: I.I INFRAÇÃO 001: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IOF SOBRE AS OPERAÇÕES DE CRÉDITO REALIZADAS À EMPRESA "EXPRESSA DISTRIBUIDORA DE MEDICAMENTOS LTDA.", CNPJ 05.598.984/000178. O fiscalizado registrou, em seus livros contábeis, a concessão de mútuos à empresa “Expressa Distribuidora de Medicamentos Ltda.”, CNPJ 05.598.984/000178, junto a conta contábil devedora "2270 Expressa Dist. de Medicamentos Ltda CE" (registro razão às fls. 131 a 455), sob a conta sintética "1381 Empréstimos Pessoas Coligadas". Da mesma forma, escriturou junto a rubrica contábil de passivo "2587 – Expressa Dist. de Medicamentos Ltda CE", fls. 456 a 1.026, ter recebido empréstimos de recursos financeiros dessa mesma pessoa jurídica. Segundo o contribuinte, os montantes escriturados nas duas contas analíticas referiamse a empréstimos não amparados pela celebração de contratos formais; mas concedidos à medida da necessidade do mutuário por recursos financeiros, sem a prévia definição de principal, prazo ou ainda calendário de amortizações, fls. 95 e 96; 101 e 102; e 106 a 111. Eram empréstimos estruturados em regime de contacorrente. Ou seja, realizados de maneira continua e aleatória, à medida da necessidade e disponibilidade do mutuário e mutuante. De início, apurouse a consolidação diária dos saldos contábeis dos mútuos concedidos, junto ao Anexo "I.A" desse relatório, fls 2.105 a 2.118. Para isto, dos saldos devedores da conta contábil de ativo "2270 Expressa Dist. de Medicamentos Ltda CE", foram subtraídos os montantes credores da conta de passivo "2587 Expressa Dist. De Medicamentos Ltda CE", vez que ambas rubricas se referiam a empréstimos financeiros trocados entre as mesmas pessoas jurídicas, estruturados em regime de conta corrente, perfazendo um conjunto único de mútuos dessa espécie. Na sequência, de posse dos valores calculados acima, foram apurados, ao "Anexo I.B", fl. 2.119, os créditos tributários de IOF incidentes sobre tais operações. I.II INFRAÇÃO 002: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IOF SOBRE AS OPERAÇÕES DE CRÉDITO REGISTRADAS SOB A CONTA CONTÁBIL "5006000036 PATRIMONIAL RB". Da mesma forma disposta na infração anterior, o fiscalizado registrou, em seus livros contábeis, a concessão de mútuos à empresa Patrimonial RB S.A, CNPJ 07.054.452/0001 03, junto a conta contábil de ativo " 5006000036 Patrimonial RB" (registro razão às fls. 1.027 a 1.079), sob a conta sintética "1381 Empréstimos Pessoas Coligadas". Em conduta semelhante, escriturou junto a rubrica contábil de passivo "5005000137 Patrimonial RB Ltda.", fls. 1.080 a 1.176, ter recebido empréstimos de recursos financeiros dessa mesma pessoa jurídica. De igual forma, informou que os montantes escriturados nas duas contas referiamse a empréstimos não amparados pela celebração de contratos formais; mas concedidos à medida da necessidade do mutuário por recursos financeiros, sem a prévia definição de principal, prazo ou ainda calendário de amortizações; e estruturados em regime de conta corrente, fls. 95 e 96; 101 e 102; e 106 a 111. Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 10166.730981/201498 Acórdão n.º 3301004.075 S3C3T1 Fl. 2.497 4 I.III INFRAÇÃO 003: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IOF SOBRE AS OPERAÇÕES DE CRÉDITO REGISTRADAS SOB A CONTA "5009000879 SPECIAL PHARMUS COM MED E PROD DE HIGIENE LTDA". Da mesma forma, escriturou valores de concessão de mútuos na conta contábil de ativo " 5009000879 Special Pharmus Com Med e Prod de Higiene Ltda", fls. 1.177 a 1.494; assim como recursos de empréstimos tomados da mesma sociedade junto à conta de passivo "5011000355 Special Pharmus Com. Med. e Prod. de Higiene Ltda", fls 1.495 a 1.496. Aqui observese que tal conta de passivo, apenas existiu durante os anos de 2011 e 2012. Nos demais anos, apresentou saldos iniciais e finais sem valores e não sofreu movimentações. Informou também o fiscalizado que os montantes referiamse a empréstimos estruturados sob o regime de contacorrente, fls. 95 e 96; 101 e 102; e 106 a 111. I.IV INFRAÇÃO 004: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IOF SOBRE AS OPERAÇÕES DE CRÉDITO REGISTRADAS SOB A CONTA "1421 MULTIMED DISTRIBUIDORA DE MEDICAMENTOS LTDA.". O contribuinte registrou a concessão de mútuos, na contábil de ativo "1421Multimed Distribuidora de Medicamentos Ltda", fls. 1497 a 1.506, assim como escriturou recursos de empréstimos tomados dessa mesma sociedade, junto a conta de passivo "1387 Multimed Expressa Distribuidora de Medicamentos Ltda", fl. 1.507. Aqui observese que tal conta de passivo, apenas existiu durante o ano de 2010. Nos demais anos, apresentou saldos iniciais e finais sem valores e não foi movimentada. Informou também o fiscalizado que os montantes referiamse a empréstimos estruturados em regime de contacorrente, fls. 95 e 96; 101 e 102; e 106 a 111. I.V INFRAÇÃO 005: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IOF SOBRE AS OPERAÇÕES DE CRÉDITO REGISTRADAS SOB A CONTA "2592 MULT EXPRESS MEDICAMENTOS ESPECIALIZADOS LTDBA". O contribuinte registrou a concessão de mútuos, na conta contábil de ativo "2592 Multi Express Medicamentos Especializados LtdBA", fls. 1508 a 1518. Dessa vez, não escriturou empréstimos tomados dessa mesma empresa em suas contas do passivo. Informou igualmente que os montantes referiamse a empréstimos estruturados sob o regime de contacorrente, fls. 95 e 96; 101 e 102; e 106 a 111. I.VI INFRAÇÃO 006: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IOF SOBRE AS OPERAÇÕES DE CRÉDITO REGISTRADAS SOB A CONTA "3015 EMPRESAS LIGADAS". O contribuinte registrou a concessão de mútuos, na conta contábil de ativo "3015 Empresas Ligadas", fls. 1519 a 1522; e, mesmo reintimado por três vezes, se negou a prestar informações sobre quais eram as empresas albergadas sob tal generalização, fls. 95 a 111. De qualquer forma, informou que os montantes referiamse a empréstimos estruturados sob o regime de contacorrente, fls. 95 e 96; 101 e 102; e 106 a 111. Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 10166.730981/201498 Acórdão n.º 3301004.075 S3C3T1 Fl. 2.498 5 I.VII INFRAÇÃO 007: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IOF SOBRE O AFAC (ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL) NÃO CONCRETIZADO JUNTO À EMPRESA "EXPRESSA DISTRIBUIDORA DE MEDICAMENTOS LTDA.", CNPJ 05.598.984/000178. O auditado contabilizou, em 31/12/2011, a disponibilização de recursos no monte de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) à empresa "Expressa Distribuidora de Medicamentos Ltda.”, CNPJ 05.598.984/000178, à título de adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC), fls. 1.523 a 1.525. Ocorre que o fiscalizado jamais foi cotista daquela empresa e tampouco referido aumento de capital se realizou. Segundo o próprio, tais valores não foram subscritos ou integralizados, mas foram a ele devolvidos após 2,5 (dois e meio) anos de sua concessão, em 30/05/2014. O contribuinte apresentou inclusive cópia do lançamento contábil de devolução do referido valor, fls. 107 a 111. Dessa forma, resta linear que a verdadeira natureza dessa operação foi a concessão de um simples empréstimo, sob a roupagem jurídica simulada de um adiantamento para aumento de capital; tornandose, dessa forma, exigível os valores de IOF aí incidentes. Entendeu a fiscalização que houve conduta dolosa de sonegação com o fim de impedir ou retardar o conhecimento pelo fisco federal dos débitos de IOF. Então, foi aplicada a multa qualificada de 150%, assim justificada no Termo de Verificação Fiscal (efl. 22192221): ü O contribuinte, mesmo realizando volumosas operações de crédito, ao longo dos anos de 2009 a 2014, em montantes médios anuais aproximados de R$ 55.000.000,00 (cinquenta e cinco milhões de reais), deixou − de maneira reiterada, sistemática e ordenada, ao longo dos 6 (seis) anos apontados −, de recolher os impostos aí incidentes aos cofres públicos federais; ü O fiscalizado, durante os anoscalendário de 2009 a 2014, nunca declarou à RFB, em DCTF ou outro meio legal de confissão de dívida, a existência de quaisquer débitos fazendários dessa espécie em seu nome; ü A empresa, mesmo após 3 (três) (re)intimações realizadas no bojo da presente ação de fiscalização e com prazo aproximado de 60 (sessenta) dias para respondêlas, fls. 92 a 111, se furtou a esclarecer o nome de todas as empresas beneficiárias dos mútuos realizados. Limitouse a informar de maneira parcial e genérica – sem a respectiva vinculação com os dados constantes em sua contabilidade –, o CNPJ de apenas 04 (quatro) empresas dentro de todo universo indagado. Por sua vez, foi atribuída a responsabilidade solidária ao sócio administrador Matheus Ribeiro Lima Braga, com espeque no seguinte: (...) adotou, como sócioadministrador, reiteradamente durante os anos de 2009 a 2014, conduta tipificada como crime contra a ordem tributária art. 1°, inciso I, da lei n° 8.137/91 − omitindo, de maneira ordenada, informações ao fiscal federal, com vistas a eximirse do pagamento dos tributos devidos incidentes sobre suas operações de crédito. Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 10166.730981/201498 Acórdão n.º 3301004.075 S3C3T1 Fl. 2.499 6 (...) Verificase dos dados cadastrais do fiscalizado, fls. 03 a 07, que aquele permaneceu como único cotista da empresa no período de 27/05/2005 a 24/03/2011. Nesse contexto, dispõe o art. 1.033 da lei n° 10.406/02 (Código Civil Brasileiro), que é considerada dissolvida a sociedade empresária quando a falta de pluralidade de sócios não for reconstituída no prazo de cento e oitenta dias de sua ocorrência. Dessa forma, a partir de 23/11/2005, operouse a dissolução da citada sociedade empresária, passando a existir – em consonância com os arts. 986 a 990 do mesmo código –, uma sociedade irregular, cujo regime equiparase ao de uma sociedade despersonificada comum. Neste esteio, aduzem os referidos dispositivos legais, que o sócio remanescente responde ilimitadamente pelas obrigações daquela surgidas de fatos ocorridos na duração da situação apontada, in casu, de 23/11/2005 a 24/03/11. Período este que coincide parcialmente com as datas das infrações apontadas neste auto de infração. A decisão de piso julgou parcialmente procedente a impugnação, para i) quanto ao auto de infração, julgar procedente em parte o lançamento para manter os lançamentos de IOF e reduzir a multa de ofício para 75% e ii) quanto ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, afastar as preliminares de nulidade, e, no mérito, julgar improcedente a atribuição de responsabilidade tributária contra Matheus Ribeiro Lima Braga, nos termos da ementa do acórdão nº 0653.329, a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. NULIDADE. LEGALIDADE. CTN. PORTARIA RFB N° 2284/2010. Não se acolhe nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária por motivo de falta de previsão legal, já que o CTN disciplina exaustivamente a matéria e a Portaria RFB nº 2284/2010 estipula a forma e o momento da lavratura do termo. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Não se acolhe nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária por motivo de cerceamento de defesa, pelo envio do termo ao contribuinte e ao responsável em datas diferentes, diante de apresentação de defesa desenvolvida com robustez, atacando todos os pontos da acusação, o que contraria o suposto prejuízo no exercício do direito de defesa. Fl. 2499DF CARF MF Processo nº 10166.730981/201498 Acórdão n.º 3301004.075 S3C3T1 Fl. 2.500 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 IOF. OPERAÇÃO DE CRÉDITO. CONTRATO DE CONTA CORRENTE. DISPONIBILIZAÇÃO DE RECURSOS. A disponibilização de recursos aos pactuantes de contrato de conta corrente configura operação de crédito para fins de incidência do IOF, a qual possui acepção ampla dada pela lei, alcançando a colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, como as decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 MULTA QUALIFICADA. INFORMAÇÕES REGISTRADAS NA CONTABILIDADE. AUSÊNCIA DE DOLO. REDUÇÃO PARA 75%. A multa de 150% exige a demonstração do dolo de impedir ou retardar o conhecimento, pela autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador, descabendo justificála pelo fato de o contribuinte deixar de recolher e de declarar em DCTF os tributos objeto do lançamento, sobretudo quando todas as exigências são apuradas através de informações que estavam regularmente registradas na contabilidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. ÚNICO SÓCIO COTISTA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. CANCELAMENTO DO TSPS. Cancelase o Termo de Sujeição Passiva Solidária, fundado em prática de conduta tipificada como crime contra a ordem tributária e permanência como único cotista da empresa, quando a multa qualificada é reduzida para 75% por ausência de demonstração do dolo, e o contrato social comprova inexistência de irregularidade na composição societária. Em decorrência da desqualificação da multa de 150% para 75%, houve a interposição de recurso de ofício. Em seguida, a empresa apresentou seu tempestivo recurso voluntário, requerendo a improcedência do lançamento, ratificando as mesmas razões de sua impugnação, assim sintetizadas: A Todas as empresas têm a mesma composição societária familiar entre pais e filhos, sendo empresas de um mesmo grupo, em essência uma sociedade única, que operam em associação comercial estratégica, de forma evoluída de interrelacionamento de sociedades, tendo praticamente a característica de: "sociedades de sociedades", visando Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 10166.730981/201498 Acórdão n.º 3301004.075 S3C3T1 Fl. 2.501 8 a formação de grupo empresarial único, figura prevista no Capítulo XXI "Grupo de Sociedades", da Lei n° 6.404/76, (lei das sociedades anônimas), não vedada a sua aplicação às sociedades limitadas, aí a essência sobrepondose a forma, tendo administração centralizada, caixa único, site único (www.expressa.com), combinando recursos e esforços para a realização dos seus objetivos, ainda que tenham patrimônios distintos. Não se tratando, como quer fazer crer o Sr. Fiscal, de concessão de crédito (mútuos) a terceiros e sim transações entre empresas do mesmo grupo. B A constituição de várias empresas, com os mesmos sócios, em mais de uma unidade federativa, devese à necessidade de uma logística que permita a presença dos estabelecimentos da empresa próxima aos centros produtores e consumidores buscando a redução de custos operacionais. C Quanto aos saldos acumulados das transações, os valores movimentados foram infinitamente inferiores ao indicado pela fiscalização. D O sócio administrador Matheus Ribeiro Lima Braga, em momento algum permaneceu como único cotista da empresa, conforme faz prova a composição societária, apoiada nas alterações contratuais, documentos de fls. 22852350 e 23522375. E Não houve cometimento de fraude que justificasse a imposição de multa qualificada. O dolo não pode ser presumido. E o ônus da prova da ocorrência do dolo do contribuinte, bem como a demonstração da materialidade de sua conduta supostamente fraudulenta, constitui incumbência da fiscalização. F Não realizou operação de mútuo entre as empresas do mesmo grupo e sim transferência de recursos em conta corrente para suprir necessidade operacional em cada sociedade, para financiar suas atividades, sem necessidade, de arcar com ônus dos juros bancários que são exorbitantes, não havendo assim, incidência de IOF, por não se tratar de mútuo. Este mecanismo de transferência de recursos, via conta corrente, prescinde da necessidade de aporte de capital em cada sociedade, que requer procedimentos burocráticos de coligação e controle, via registro no órgão do comércio. Os valores transitam pela conta corrente de cada empresa, tudo registrado na contabilidade e declarado no SPED, existindo pagamento e alteração do valor devido de forma rotineira. Existe um trânsito financeiro entre as partes, que alterna sistematicamente, a posição de credor e devedor, não existindo contrato, assim sendo, de logo verificase a ausência de previsão para denúncia do contrato por qualquer das partes e da possibilidade do credor exigir integralmente o valor quando quiser. G Defende o cancelamento do “Termo de Sujeição Passiva Solidária", imposto contra Matheus Ribeiro Lima Braga. O devedor solidário apresentou impugnação que foi acolhida pela 2ª Turma da DRJ/CTA que cancelou o “Termo de Sujeição Passiva Solidária”. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro RECURSO DE OFÍCIO Fl. 2501DF CARF MF Processo nº 10166.730981/201498 Acórdão n.º 3301004.075 S3C3T1 Fl. 2.502 9 Conforme relatado, a DRJ desqualificou a multa de 150% para 75%, fundamentada nos seguintes argumentos: 26. Em relação à multa qualificada, considero que os fatos explanados não caracterizam a figura da sonegação, fraude ou conluio. A fiscalização justificou que o contribuinte deixou de recolher e de declarar em DCTF qualquer valor de IOF decorrente dos empréstimos analisados. Ocorre que, em todo auto de infração, nunca há pagamento nem declaração dos valores que são objeto de lançamento de ofício. Dessa forma, caso prevalecesse o raciocínio do autuante, toda infração apurada em qualquer procedimento fiscal deveria ser exigida juntamente com multa qualificada, o que é incabível. A multa de 150% só pode ser exigida em caso ação dolosa visando ao impedimento ou retardo do conhecimento, pelo fisco, da ocorrência do fato gerador, circunstância esta que não se encontra presente nos autos. 27. Deve ser levado em conta que todas as exigências foram apuradas através de informações que estavam regularmente registradas na contabilidade da fiscalizada, circunstância esta que é incompatível com a conduta de esconder do fisco o conhecimento do fato gerador do imposto. Nesse ponto, não se sustenta a justificativa da fiscalização de que o contribuinte se furtou a esclarecer o nome de todas as empresas beneficiárias dos mútuos realizados, tendo informado de maneira parcial e genérica o CNPJ de apenas quatro empresas dentro de todo universo indagado. Conforme visto acima, o questionamento deuse somente para uma das cinco contas contábeis (“3015 – Empresas Ligadas”), já que nas demais a empresa mutuária já estava identificada pelo próprio nome da conta. E ademais, a identificação das beneficiárias dos mútuos da referida conta não era informação necessária para fins de autuação, já que a legislação não a exige; tanto assim que tais empréstimos foram igualmente objeto de lançamento do IOF. Visto assim, dado que as informações que serviram de base para a autuação estavam registradas na contabilidade da empresa, entendo que não restou tipificada a figura da sonegação, ou seja, a conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendária. Quanto ao afastamento da solidariedade passiva, a DRJ consignou: 41. Em síntese, a fiscalização fundamentou a lavratura do TSPS por dois fatos: i) prática de conduta tipificada como crime contra a ordem tributária; ii) permanência como único cotista da empresa no período de 27/05/2005 a 24/03/2011. Ocorre que nenhum desses motivos subsistem. Fl. 2502DF CARF MF Processo nº 10166.730981/201498 Acórdão n.º 3301004.075 S3C3T1 Fl. 2.503 10 42. A conduta tipificada como crime contra a ordem tributária teve como substrato a acusação de prática de sonegação, que foi afastada no presente acórdão, conforme acima fundamentado. 43. Quanto ao segundo fundamento, o autuante chegou à conclusão de que Matheus Ribeiro Lima Braga permaneceu como único sócio da Expressa Distribuidora de Medicamentos Ltda, entre 27/05/2005 a 24/03/2011, a partir de dados cadastrais do contribuinte perante a RFB, às fls. 03/07. Pelo cadastro, consta que Mariana Braga Aitken ingressou como sócia em 06/01/2014. No entanto, a 4ª Alteração Contratual, às fls. 2359/2360, revela que a referida sócia ingressou no quadro societário em 28/03/2005, e ali permaneceu até a 20ª Alteração Contratual, que ocorreu em 08/02/2011, conforme fls. 2361/2375. O contrato social é o documento idôneo, por excelência, que comprova a composição do quadro societário de uma empresa; já o cadastro do contribuinte registrado nos bancos de dados da RFB está sujeito a inconsistências, já que são alimentados por dados fornecidos pelos contribuintes ou por terceiros. Em caso de divergências de informação existentes entre o contrato social e o cadastro na RFB, prevalece a primeira fonte. 44. Em suma, diante da improcedência dos dois fundamentos apontados pela fiscalização para motivar a atribuição da responsabilidade tributária à pessoa de Matheus Ribeiro Lima Braga, entendo que o TSPS deve ser cancelado. O recurso de ofício foi interposto em 16 de setembro de 2015, data na qual o limite necessário para o apelo recursal era de R$ 1.000.000,00, com base na Portaria MF n° 3/2008. Ocorre que a Portaria MF n° 63, de 09 de fevereiro de 2017, dispõe que a decisão de primeira instância administrativa se encontra sujeita à confirmação pelo CARF quando exonerar o contribuinte do pagamento de valor superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Assim, o auto de infração de IOF (fls. 2223/2230) exige o recolhimento de R$ 2.958.275,78 de imposto e R$ 4.437.413,78 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Logo, a desqualificação da multa acarretou a exoneração do valor de R$ 2.218.706, 84, abaixo do atual limite de R$ 2.500.000,00. Impera a Súmula CARF n° 103: “Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância”. Por conseguinte, o presente recurso de ofício não pode ser conhecido. RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 2503DF CARF MF Processo nº 10166.730981/201498 Acórdão n.º 3301004.075 S3C3T1 Fl. 2.504 11 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. Incidência de IOF nas operações de mútuo entre as partes relacionadas (Contrato de conta corrente) O CTN definiu os fatos geradores e os contribuintes do IOF, nos seus art. 63 e 66, nos seguintes termos: Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; Art. 66. Contribuinte do imposto é qualquer das partes na operação tributada, como dispuser a lei. O art. 13 da Lei nº 9.779/99, amparado no art. 63, I e art. 66 do CTN, determinou a incidência do IOF sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, conforme as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras, verbis: Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. §1º. Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. §2º. Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. §3º. O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. O que decorre da leitura dos dispositivos supracitados é que as operações de mútuo celebradas por pessoas jurídicas, sejam instituições financeiras ou não, subsomemse ao fato gerador insculpido no inciso I do art. 63 do CTN. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADI nº 1.763 (DJ 26/9/2003), fixou o entendimento de que "o âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras". Fl. 2504DF CARF MF Processo nº 10166.730981/201498 Acórdão n.º 3301004.075 S3C3T1 Fl. 2.505 12 Dessa forma, não existe óbice à cobrança de IOF das pessoas jurídicas não financeiras, mútuo celebrado entre empresas coligadas, para fins apenas empresariais e, portanto, sem caráter especulativo. Nesse sentido: Acórdão nº 3403003.410, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, julg. 12/11/2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2004 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas coligadas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. E ainda, os acórdãos nº 3403003.112, 3401002.490, 3302002.264 e 3302 000.616. O art. 1º do Ato Declaratório Interpretativo nº 30/1999 dispõe que o IOF (art. 13, da Lei nº 9.779/1999), incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma, e quando o mutuante for pessoa jurídica. Então, para a incidência do IOF sobre as operações de mútuo de que trata o comando legal mencionado, importa apenas a entrega ou disponibilização do recurso financeiro pela pessoa jurídica mutuante, pouco importando a forma pela qual ela se dê. Com isso, o conta corrente é uma forma de disponibilização os valores objeto dos contratos entre as coligadas. Para a incidência do IOF, de acordo com o art. 13 da Lei nº 9.779/99, importa verificar tão somente se estão presentes, no caso concreto, as características essenciais do mútuo, sendo irrelevantes aspectos formais mediante os quais a operação se materializa (mútuo com “conta corrente”), bem como a natureza de vinculação entre as partes (coligadas, inter relacionadas, grupo econômico). Dessa forma, uma vez identificados os atributos inerentes ao mútuo (art. 586 do Código Civil), a operação deve sujeitarse à incidência do imposto. O STJ, no Recurso Especial nº 1.239.101 – RJ, DJ 19/09/2011, assenta a irrelevância da nomenclatura contratual adotada para se cogitar da incidência ou não do IOF, sendo determinante para isso que, essencialmente, se trate de operação de crédito correspondente a mútuo: IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. 1. O art. 13, da Lei n. 9.779/99 caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito Fl. 2505DF CARF MF Processo nº 10166.730981/201498 Acórdão n.º 3301004.075 S3C3T1 Fl. 2.506 13 correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas" e não a específica operação de mútuo. Sendo assim, no contexto do fato gerador do tributo devem ser compreendidas também as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas com a previsão de concessão de crédito. 2. Recurso especial não provido. Consta do voto do Min. Mauro Campbell: Sendo assim, o contrato de mútuo, longe de ser a única espécie contratual a ser tributada, é tido por um modelo cujas características essenciais devem ser buscadas em outras espécies de contrato que envolvam operações de crédito para que possam se alcançadas pela hipótese de incidência do IOF. É por esse motivo que o § 1º, do art. 13, da lei citada considera ocorrido o fato gerador do tributo na data da concessão do crédito. (...) Nesse sentido, não resta dúvida que as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas, com a previsão de concessão de crédito, são verdadeiras operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, na medida em que, em todos os casos, é disponibilizado numerário de forma imediata para pagamento futuro a depender do saldo existente. De acordo com o termo de verificação fiscal, foi constatado que a Recorrente disponibilizava recursos para as empresas interrelacionadas de forma sistemática, o que é disciplinado pelo art. 7º do Decreto nº 6.306/2007: Art. 7º. A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei no 8.894, de 1994, art. 1º, parágrafo único, e Lei no 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: Entendo que ficou demonstrada a existência de contratos de mútuo entre a Recorrente e as empresas Expressa Distribuidora de Medicamentos Ltda (CNPJ 05.598.984/000178), Patrimonial RB S.A (CNPJ 07.054.452/000103), Special Pharmus Com. Med. e Prod. de Higiene Ltda, Multimed Distribuidora de Medicamentos Ltda, Multi Express Medicamentos Especializados LtdaBA, bem como para as operações da conta contábil “3015 – Empresas Ligadas”. Fl. 2506DF CARF MF Processo nº 10166.730981/201498 Acórdão n.º 3301004.075 S3C3T1 Fl. 2.507 14 Ademais, como bem salientado pela DRJ, nos termos do art. 7°, §13 do Decreto nº 6.306/2007, também são considerados mutuários os participantes de operações de crédito que, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, como as decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica: Art. 7° A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei n° 8.894, de 1994, art. 1°, parágrafo único, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): § 13. Nas operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica, mas que, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, seja o mutuário pessoa física ou jurídica, as alíquotas serão aplicadas na forma dos incisos I a VI, conforme o caso. O quadro fático e a legislação aplicável supracitada não permitem dar validade ao argumento da Recorrente de que não fez operação de mútuo com as empresas do mesmo grupo e sim transferência de recursos em conta corrente para suprir necessidade operacional em cada sociedade, para financiar suas atividades, sem necessidade de arcar com ônus dos juros bancários. Isso porque a legislação não prescreve exceção para operação de crédito efetuada entre empresas de um mesmo grupo empresarial, de modo que o IOF incide sobre essas operações. Por fim, quanto ao valor dos saldos acumulados das transações, alega a Recorrente que os valores movimentados foram “infinitamente” inferiores ao indicado pela fiscalização, todavia não há contraprova feita pela autuada nesse sentido, além disso, a fiscalização utilizou as transações registradas na contabilidade e no SPED pela própria interessada. Adiantamento para futuro aumento de capital AFAC A Recorrente contabilizou, em 31/12/2011, a disponibilização de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) à empresa "Expressa Distribuidora de Medicamentos Ltda”, CNPJ 05.598.984/000178, a título de adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC), efls. 1.523 a 1.525. Confirase o teor do documento assinado entre as partes (efl. 2350): Fl. 2507DF CARF MF Processo nº 10166.730981/201498 Acórdão n.º 3301004.075 S3C3T1 Fl. 2.508 15 A fiscalização entendeu que não se trata de AFAC, mas sim de operação de crédito sujeita ao IOF, pois a Recorrente jamais foi cotista daquela empresa e não houve o alegado aumento de capital. A operação não se caracteriza como AFAC. Explico. Os adiantamentos para futuro aumento de capital são os recursos recebidos pela empresa, de seus acionistas ou quotistas, a serem utilizados com a finalidade de aumentar o capital social. No recebimento de tais recursos, a empresa deve registrar o recurso recebido, normalmente no Ativo Circulante, e a crédito dessa conta específica “Adiantamento para Futuro Aumento de Capital”. Entretanto, enquanto não for celebrada a alteração contratual e o respectivo registro perante os órgãos competentes, os valores devem permanecer em contas do Passivo Circulante e/ou Exigível a Longo Prazo. Para que as quantias a título de AFAC não sejam caracterizadas como mútuo, o recebimento dos recursos financeiros deve estar documentado e escriturado, demonstrando a clara intenção de capitalização pelos quotistas, o que não foi comprovado nos autos. O valor de R$ 10.000.000,00 foi devolvido após 2,5 (dois e meio) anos de sua concessão, em 30/05/2004, tendo a Recorrente, inclusive, efetuado o lançamento contábil da devolução do referido valor, fls. 107 a 111, relatório auxiliar do livro razão. Então, não estando demonstrado que os recursos repassados representavam realmente um pagamento antecipado para aquisição de ações ou quotas de capital, o aporte de recursos financeiros efetuados sistematicamente corresponde a uma operação de mútuo, nos exatos termos da configuração do fato gerador do IOF, previsto no art. 13 da Lei nº 9.779/99. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2508DF CARF MF Processo nº 10166.730981/201498 Acórdão n.º 3301004.075 S3C3T1 Fl. 2.509 16 Fl. 2509DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.906086/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/01/2011
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos.
Numero da decisão: 3401-004.182
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/01/2011 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP que pretendia obter o reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento a maior. Tal pleito restou indeferido através de Despacho Decisório que integra os autos, face a vinculação do pagamento com débitos devidamente declarados em DCTF, inexistindo saldo a favor da recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 60 86 /2 01 2- 16 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10660.906086/201216 Acórdão n.º 3401004.182 S3C4T1 Fl. 3 2 Intimada, a contribuinte manifestou sua irresignação, alegando que os créditos oriundos do pagamento indevido já se encontravam desvinculados das DCTFs respectivas. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade em razão da falta de liquidez e certeza do crédito vindicado. A recorrente ingressou então com recurso voluntário alegando que houve falha de seu departamento fiscal, que não promoveu as retificações que demonstrariam a desvinculação dos pagamentos e a conseqüente existência do crédito. Em 25/01/2017, esta turma proferiu a Resolução CARF nº 3401000.979, por unanimidade de votos, para a finalidade de: "tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações" (seleção nossa). Em atenção à resolução determinada, a unidade preparadora produziu relatório de diligência fiscal, no qual concluiu pela indisponibilidade do crédito alegado pela recorrente. Intimada do conteúdo da diligência em referência, a recorrente requereu prazo suplementar de mais 30 dias para se manifestar. A DRF proferiu despacho que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de previsão legal para a prorrogação requerida, devolvendo os autos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.167, de Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10660.906086/201216 Acórdão n.º 3401004.182 S3C4T1 Fl. 4 3 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.167): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Recortase, a seguir, a integralidade da manifestação de inconformidade da contribuinte: Transcrevese, ainda, a íntegra das razões do recurso voluntário interposto: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10660.906086/201216 Acórdão n.º 3401004.182 S3C4T1 Fl. 5 4 Inexiste, como se percebe, substantiva defesa realizada pela contribuinte, o que suscitaria debate a respeito do próprio conhecimento do recurso manejado, que se prestou unicamente a requerer prorrogação do prazo para o exercício do contraditório, curiosamente com base nos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, sob pena de "insolvência econômica" (sic). Tendo, no entanto, a Resolução em referência considerado tempestivo o recurso, bem como sido atendidos os demais requisitos de admissibilidade, e considerando que o processo foi baixado em diligência, retornando agora a este Conselho com relatório conclusivo, entendo que menor prejuízo será causado ao interesse público ao se adentrar o mérito do que ao não fazê lo. Assim, transcrevese abaixo o resultado da diligência efetuada: Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10660.906086/201216 Acórdão n.º 3401004.182 S3C4T1 Fl. 6 5 Desta forma, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, acolhendo integralmente o resultado da diligência." Registrese que a diligência efetuada em relação ao presente processo registrou a mesma conclusão quanto a indisponibilidade do crédito alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.900095/2012-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.051
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: (...) AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 00 09 5/ 20 12 -6 0 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10280.900095/201260 Resolução nº 3402001.051 S3C4T2 Fl. 186 2 A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10280.900095/201260 Resolução nº 3402001.051 S3C4T2 Fl. 187 3 Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.050, de 27 de setembro de 2017, proferida no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.050: Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10280.900095/201260 Resolução nº 3402001.051 S3C4T2 Fl. 188 4 "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido1. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/201126, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10280.900095/201260 Resolução nº 3402001.051 S3C4T2 Fl. 189 5 preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 238DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720879/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por maioria de votos, converteu-se o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira. Designado para o voto vencedor a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Eduardo Froehlich Zangerolami, OAB-SP 246414, escritório Barcellos Tucunduva advogados.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por maioria de votos, converteuse o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira. Designado para o voto vencedor a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Eduardo Froehlich Zangerolami, OABSP 246414, escritório Barcellos Tucunduva advogados. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Tratase de auto de infração para exigência de ofício da Contribuição para o PIS/PASEP, no total de R$ 5.376.943,98, incluídos principal, multa de ofício e juros de mora. Consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1954/1964: “(...) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 87 9/ 20 13 -6 1 Fl. 3939DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.940 2 3 DOS VALORES DO PIS/PASEP E DA COFINS NÃO CUMULATIVOS OMISSOS DE DECLARAÇÃO EM DCTF: Intimamos o sujeito passivo, através dos Termos de Intimação Fiscal de 12/08/2011, 20/01/2012, 11/05/2012 e 15/02/2013, para apresentação dos Memoriais de Cálculo da composição analítica das Bases de Cálculo paia efeito de apuração do PIS e da COFINS Não Cumulativos no período em análise. Tais Memoriais deveriam conter os valores especificados de acordo com as Fichas 06A (para créditos) e 07A (para débitos) do DACON. (...) 3.1 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO: As Memórias de Cálculo, com o detalhamento dos valores informados nas Fichas 07A do DACON, juntamente com os elementos de suporte foram apresentados em 25/02/2013. Os arquivos denominados: "Oxisa_Jan2008, (...) Oxi_Dez2008", foram devidamente identificados em conjunto com os outros arquivos apresentados pelo programa SVA, versão 3.10 com o seguinte "Hash Code", Código de Identificação Geral: 711D86ec692a036855e2c03cf87a1c8b". Tais arquivos detalharam as Receitas totais do período, contendo as Receitas sujeitas a Contribuição do PIS/COFINS e também os valores das exportações realizadas no período. Notese que o item 4 da Intimação de 15/02/2013 ressaltou que os Memoriais deveriam detalhar o conteúdo das linhas 01, 02, 04, 07 e 09 das Fichas 07A e 17A do DACON. DA SUSPENSÃO: Considerando que os DACON apresentados possuíam valores declarados na linha 09 das Fichas 07/17A, em 11/05/2012, intimamos a empresa a apresentar a relação das vendas efetuadas com suspensão, especificando o CNPJ das empresas compradoras e os ADE Atos Declaratórios de habilitação, se fosse o caso. Não foram apresentados quaisquer documentos, alegou não possuir controles que pudessem diferenciar as vendas com suspensão e as vendas sujeitas à aplicação da alíquota zero. Assim, os valores contidos na linha 09 conteriam os 02 tipos de vendas. A empresa foi reintimada a apresentar os mesmos documentos em 15/02/2013. DA ALÍQUOTA ZERO: Considerando que os DACON apresentados possuíam valores declarados na linha 04 das Fichas 07/17A, em 11/05/2012, intimamos a empresa a apresentar a relação das vendas sujeitas à aplicação da alíquota zero. Apresentou em 23/08/2012, o arquivo denominado "Cópias de Notas 2008 Trib Cofins Zero". Ocorre que as Notas Fiscais relacionadas não possuíam valores compatíveis com os declarados nas Fichas 07A/ 17A Linha 04 do DACON e não foram apresentados os CFOP das operações. Fl. 3940DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.941 3 Além disso, testes por amostragem demonstraram que as NF deveriam ter sido tributadas. Questionado, informou que a linha 04 das Fichas 07/17A conteriam apenas as receitas financeiras e os valores das vendas com alíquota zero estariam informadas na linha 09, conjuntamente com as vendas com suspensão. Em 04/10/2012 a Oxiteno nos apresentou nova Planilha contendo a relação das Vendas efetuadas com suspensão e alíquota zero conjuntamente. Esta planilha também apresentou diversas inconsistências, conforme descrito a seguir: A Planilha apresentou um total de Receitas de Vendas com Suspensão e Alíquota zero num montante de R$ 250.628.718,80. Ocorre que o DACON contém um total de R$ 65.774.755,18 na linha 09 das Fichas 07A e 17A; A Planilha apresentou diversas NF com números idênticos e valores distintos ou descrições distintas. A Planilha foi desconsiderada e, em 15/02/2013, reintimamos a empresa a apresentar estes mesmos dados, ressaltando, nos itens 2 e 3 da intimação, a necessidade da inclusão do CFOP, NCM e o CNPJ dos compradores para que pudéssemos identificar e validar os valores informados. Em 25/02/2013, o sujeito passivo apresentou o arquivo denominado "344_AGRO_ANUALIZADO_1". Tratase de uma planilha que incluiu parte das vendas informadas nos arquivos "Oxisa_Jan2008 a Oxisa_Dez2008". A Planilha não incluiu: O NCM e o CNPJ dos compradores. Também não apresentou a descrição da mercadoria vendida, ou seja, não foi possível identificar as mercadorias vendidas e quais seriam as suas classificações quanto à alíquota aplicável. A Planilha apresentou um total de Vendas de R$ 79.765.120,93 e R$ 72.338.231,51 (Valor total das Vendas sem IPI). Tal Receita não é compatível com os dados informados no DACON. Concluímos que a empresa não possui controles das vendas efetuadas com suspensão e alíquota zero, ou não os apresentou. (...) Assim, as Bases de cálculo de PIS/COFINS consideradas contêm as Vendas com Suspensão e alíquota zero, uma vez que, por falta de condições técnicas, não foi possível separálas e validálas. 3.2 BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS INFORMADOS: (...) (...) considerando a inconsistência entre os valores declarados pelo próprio sujeito passivo, optamos pela utilização dos valores declarados na Contabilidade apresentada, conforme o Anexo I do presente. 3.2.1 DOS VALORES APRESENTADOS NOS MEMORIAIS DE CÁLCULO: Em 02/02/2012, foram apresentados os Memoriais de Cálculo dos créditos das linhas 02 e 07 das Fichas 06/16A (...). Fl. 3941DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.942 4 Apesar de intimado, os arquivos não continham as descrições das mercadorias. Analisando os arquivos apresentados, verificamos que na composição destes créditos foram utilizadas despesas com CFOP Código Fiscal de Operações e Prestações que não geram créditos de PIS/COFINS. Segue alguns dos principais CFOP, cujas NF foram desconsideradas pela presente auditoria: (...) Considerando que o sujeito passivo não apresentou os Memoriais dos meses 09 a 12/2008, utilizamos nestes meses o último valor de glosa aplicável (do mês 08/2008). (...) Apesar da utilização dos créditos ser uma faculdade do sujeito passivo, a presente Auditoria utilizou todos os créditos disponíveis no período. (...) 3.4 VALORES TOTAIS DEVIDOS: A presente Auditoria reajustou os DACONs transmitidos pelo sujeito passivo, conforme o Anexo I e apurou os seguintes valores devidos de PIS/COFINS: (...) 4.2 OMISSÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO INEXATA OU INCOMPLETA NO DACON: 4.1 DACON 02/2008: O sujeito passivo transmitiu o DACON de 02/2008 com todos os valores das Contribuições e Créditos "zerados". Intimado, retificou o DACON em 13/06/2012, porém informou incorretamente o Saldo Inicial da Ficha 24 Crédito de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação. (...) Desta forma, o sujeito passivo apresentou DACON com as seguintes incorreções: (...) Fundamentação Legal da Multa: Artigo 19 da Lei 11.051, de 29/12/2004, que sumarizamos a seguir: Constatado que a Pessoa Jurídica apresentou o DACON com incorreções ou omissões quanto às informações prestadas, aplicamos a multa de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A multa mínima aplicável é de R$ 500,00. Fl. 3942DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.943 5 Para o caso concreto, aplicamos as multas mínimas, conforme a tabela acima. Este Termo passa a fazer parte integrante e indissociável dos Autos de Infração, juntamente com seus anexos e demonstrativos.” Cientificado em 26/04/2013, o interessado apresentou, em 28/05/2013, a impugnação de fls. 1.985/2.012, na qual alega: “DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Deveras. O auto de infração ora combatido foi lavrado sem a devida descrição dos fatos e instrução dos elementos de evidência (...). O "Termo de Verificação Fiscal" aponta que os supostos débitos decorreriam da glosa de créditos das contribuições (...) ao argumento genérico e apriorístico de que ‘na composição destes créditos foram utilizadas despesas com CFOP Código Fiscal de Operações e Prestações, que não geram créditos de PIS/COFINS’. (...) Como se vê, deparandose com códigos que comportam operações mais abrangentes, a auditoria inferiu ipso facto que as compras não gerariam direito a créditos, deixando, pois, de indicar, topicamente, quais notas fiscais foram desconsideradas e o motivo pelo qual os inúmeros produtos adquiridos pela impugnante foram desqualificados como insumos, ensejando a glosa dos créditos de PIS/COFINS no período. (...) Ou seja, a fiscalização não se deteve na análise dos bens e produtos cujos créditos foram glosados ou na sua qualificação como insumos, à vista de sua utilização no ciclo produtivo da empresa. Efetuou a glosa das notas fiscais de entrada, ceifando, de roldão, indiscriminadamente, grande parte das aquisições no período, por presumir, com base única e exclusivamente nos CFOP (refere decisão administrativa), que não se tratariam de insumos. Ora, se o CFOP fosse determinante para efeitos de creditamento do PIS e da COFINS, por certo, as leis que instituíram o regime não cumulativo (10.637/02 e 10.833/03) teriam eleito referido código como parâmetro para disciplinar os créditos! A glosa, promovida sem critério jurídico, por simples presunção, baseiase, ademais, na suposta insuficiência/divergência de informações que teriam sido prestadas pela impugnante em planilhas, memórias de cálculo, enfim, simples demonstrativos que não constituem documentos fiscais ou contábeis e, bem por isso, jamais poderiam substituílos e muito menos poderiam dispensar o exame, pelo auditor, dos registros e repositórios oficiais. (...) Como se vê, a Fiscalização pautouse, unicamente, em planilhas extraoficiais de compilação de dados, a despeito de a impugnante ter colocado à sua disposição toda documentação contábil/fiscal apta à comprovação dos créditos de PIS/COFINS apurados no período. (...) Em suma, para o controle do cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte, importam apenas as informações hauridas dos Fl. 3943DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.944 6 livros, registros e lançamentos contábeis e fiscais. Conforme já decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ‘não assiste ao Fisco a prerrogativa de substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável’. (...) Considerando, pois, que o crédito de PIS/COFINS apurado pela impugnante no ano de 2008 encontrase devidamente escriturado, com base em Notas Fiscais de Entrada registradas em sua contabilidade, a Fiscalização não poderia ter efetuado o lançamento por amostragem, com base na descrição imprecisa do CFOP, sem apontar quais operações foram desconsideradas e o motivo pelo qual não gerariam direito a creditamento, constituindo, assim, o crédito tributário por presunção. Com esse procedimento, a Fiscalização infringiu, a um só tempo, o disposto nos arts. 9º e 10, inc. III, do Decreto 70.235/72 (...): (...) Essa conduta ensejou grave preterição do direito de defesa da impugnante, na medida em que não é possível identificar, sequer, as notas fiscais de entrada que foram glosadas e os motivos pelos quais foram desconsideradas pela Fiscalização. Para os meses de setembro a dezembro de 2008 o prejuízo à defesa é ainda mais flagrante, porque a auditoria limitouse a reproduzir o mesmo valor glosado para o mês de 08/2008, sem qualquer esclarecimento acerca dos critérios adotados para aferição dos montantes. (...) Nesse sentido, já decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (...): (...) Em suma, diante da ausência de descrição clara e precisa dos fatos e instrução deficiente dos elementos de evidência que ensejaram a constituição do crédito tributário de PIS, de rigor o reconhecimento da nulidade do auto de infração ora combatido. (...) DA DECADÊNCIA Com efeito, o prazo para o Fisco constituir crédito tributário relativo ao PIS é de cinco anos contados dos respectivos fatos geradores, nos termos do art. 150, §4°, do CTN e da Súmula 08 do STF, como apontam os seguintes julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (...) Nesse sentido, a supor que fosse procedente, o débito de PIS relativo a março/2008, bem como as multas por supostos erros de preenchimento dos DACON's relativas aos períodos de jan/08 a mar/08, encontramse fulminados pela decadência. É que, quando lavrado o auto de infração, Fl. 3944DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.945 7 em 26/04/2013, já havia decorrido mais de cinco anos desde os correspondentes fatos geradores. Ademais, a teor do Termo de Verificação Fiscal, o apontado débito foi constituído em decorrência da glosa de créditos das contribuições, relativos aos meses de janeiro e fevereiro de 2008. Embora essas glosas (de jan/08 e fev/08) não tenham gerado saldo de PIS a pagar nos respectivos períodos, reduziram o saldo acumulado de créditos, acarretando cobrança indevida de PIS relativa a períodos subsequentes. Todavia, como adverte o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ‘a glosa de créditos indevidos deverá ser procedida dentro contados dos cinco anos da data do creditamento, decaindo o direito da Fazenda Pública após tal lapso temporal’. (...) DA GLOSA DE CRÉDITOS ATINENTES AO PERÍODO DE SET/08 A DEZ/08 (...) Ou seja, por conta da suposta falta de informação (sic!), sem se deter na receita de cada um dos períodos e nos correspondentes custos/despesas, para os meses de set/08 a dez/08 a auditoria "replicou a glosa" (sic!) dos créditos de PIS, relativa a ago/08, a saber: R$9.452.552,63 na linha 02 da Ficha 16A (bens utilizados como insumos) e R$29.835,79 na linha 07 da Ficha 16A (armazenagem e frete). Sem prejuízo da nulidade do presente auto de infração por força desse procedimento da fiscalização (cf. itens 02/12 supra), supondose ad argumentandum que a glosa fosse cabível, de acordo com os próprios critérios (equivocados) da auditoria, diversos seriam os valores que a ensejariam, em cada um dos períodos. Com efeito, a teor planilha anexa (doc. 06), no mês de set/08, o total de custos/despesas, relacionado aos CFOP's "glosados" indiscriminadamente pela auditoria, seria de R$2.747.287,25 (e não R$9.482.388,42 como constou no auto de infração). Já no período de out/08, esse total de custos/despesas corresponderia a R$2.675.626,47 (e não R$9.482.388,42 como constou no auto de infração (doc. 07). Por fim, em dez/08, o total de tais custos/despesas somaria R$4.412.112,04 (e não R$9.482.388,42 como constou no auto de infração (doc. 08). Ora, é inadmissível que, para efeitos de lançamento, a auditoria paute se em cifras correspondentes a determinado mês, estendendoas a seu alvitre para glosar créditos de outros períodos. Constatado o procedimento írrito da auditoria, bem como os corretos custos/despesas de cada período (docs. 06/08), de rigor a revisão das glosas. (...) Fl. 3945DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.946 8 DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS E DO DIREITO AOS CRÉDITOS (...) Ao invés de desconsiderar apenas as notas fiscais de entrada de produtos que, a seu ver, não se enquadrariam no conceito de "insumo", a auditoria glosou todas as NF's de entrada concernentes aos CFOP's n°s 1407, 1551, 1555, 1556, 1557, 1901, 1902, 1906, 1907, 1910, 1915, 1916, 1921, 1922, 1949, 2911, 2407, 1556, 2949, 3351, 3356 e 3949, indistintamente, sem se deter na Qualificação do produto. Com isso, impediu o creditamento de PIS sobre diversos insumos que se enquadram perfeitamente no conceito adotado pela própria Administração tributária (cf. IN/SRF 247/02) o que soa verdadeiramente teratológico. Diante da imensa quantidade de notas glosadas (mais de 30.000), referentes aos mais diversos insumos, e sem embargo da impossibilidade material de impugnar o auto à vista de suas graves deficiências acima apontadas, ad cautelam a impugnante procurará demonstrar a improcedência da glosa, sem prejuízo da necessária realização de perícia técnica para análise de todo o processo produtivo da impugnante e do emprego de cada um dos itens glosados. As planilhas apresentadas à auditoria no curso do procedimento de fiscalização (que pautaram a glosa) revelam que foram glosados créditos relativos à compra de insumos tais o álcool etílico anidro, a água clarificada, o fenol, dentre outros de suma relevância para a fabricação dos produtos da impugnante. (...) O álcool etílico anidro (também denominado etanol anidro) é utilizado como matéria prima no processo produtivo da impugnante. Na planta de Mauá/SP, o álcool etílico anidro é empregado na produção de éteres (monoéter, diéter e triéter), mediante reação química com óxido de etileno, conforme ilustra o diagrama abaixo: (...) A água clarificada é utilizada como insumo para produção de água desmineralizada (via processo de desmineralização), que, por sua vez, é empregada na geração de vapor. O calor gerado pelo vapor é utilizado para fornecimento de energia em algumas etapas da produção das unidades de óxido de etileno (...). (...) O vapor de que trata a espécie em nada difere da energia elétrica versada no precedente é produto intermediário que, embora não se integrando no produto final, é consumido no processo de industrialização; provê o aquecimento necessário para desatar as reações químicas com que se obtêm o óxido, os éteres, os glicóis e etoxilados. Ou seja, tal como a energia elétrica, a energia térmica (vapor) constitui produto intermediário consumido no processo produtivo, nada justificando a sua desconsideração como insumo. (...) Fl. 3946DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.947 9 O fenol também é utilizado como matéria prima no processo produtivo da impugnante (planta de Mauá/SP) na produção de nonilfenol e dinonilfenol que advêm da reação química entre o fenol e noneno, conforme diagrama abaixo: (...) Além da glosa dos insumos acima abordados, que constitui a parcela mais relevante dos créditos, o auto de infração impediu o creditamento sobre cerca de 4.000 outros itens, tais como DIETILENOGLICOL, ULTROL L 20, ACETATO DE SECBUTILA, ACIDO NÍTRICO, ÁLCOOL ISOTRIDECILICO, BITILGLICOL, DICROMATO DE POTÁSSIO ANIDRO PA, DIETILENOGLICOL, GÁS, HIDROXIETIL CELULOSE QP300, JUNTAS, ANÉIS, LÂMINAS, dentre outros. Mesmo sem se deter, item por item, no seu enquadramento como insumos, a simples análise das descrições constantes das planilhas que pautaram a lavratura do presente auto de infração evidencia que se trata de produtos não incluídos no ativo imobilizado que sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicoquímicas, em função da ação que exercem sobre o produto em fabricação e que, por isso, também ensejam o aproveitamento do crédito. Notese que parte desses produtos referese também a peças e partes de máquinas e equipamentos responsáveis pela produção, tema sobre o qual já se deteve a Administração tributária, que concluiu pela possibilidade do creditamento: (...) DO CONCEITO DE INSUMO Mesmo que se entenda que os insumos e as peças e partes de reposição não se enquadrariam no conceito estrito de insumo, tal como previsto na IN/SRF 247/02, o que se admite apenas para argumentar, ainda assim impõese o aproveitamento dos créditos, eis que, diversamente da norma infra legal, a Lei 10.833/03 permite o creditamento de insumos de forma ampla. (...) Vale dizer, mesmo que se admitissem como legítimas as disposições do art. 3º , inc. I e II da Lei 10.833/03 e o texto da Lei 10.637/02, inconcebível seria a pretensão do Fisco de restringir o creditamento por invocação do art. 66 da IN/SRF 247/2002, ou das IN/SRF 358/2003 e IN/SRF 404/04. É que, ao restringirem ainda mais a interpretação e aplicação do regime não cumulativo de PIS e COFINS, tais atos infra legais desbordaram manifestamente dos termos das Leis 10.833/03 e 10.637/02. (...) O conceito de insumo veiculado pelas IN/SRF 247/2002, IN/SRF 358/2003 e IN/SRF 404/04 é, pois, inoperante por estreitar a noção de "bens e serviços ... utilizados ...na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". (...) Fl. 3947DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.948 10 DAS VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO E SUSPENSÃO (...) Ou seja, a auditoria reconhece que autuou valores indevidos, concernentes às receitas não tributadas (isentas, sujeitas à alíquota zero e atinentes à vendas realizadas com suspensão), porque lhe teriam faltado "condições técnicas". Mirabile dictu! Essas receitas isentas e não tributadas (alíquota zero e suspensão), decorrem grosso modo de aplicações financeiras (...) , vendas sujeitas à suspensão do PIS e da COFINS (...) , exportações (...), venda de produtos destinados à utilização como matéria prima na produção de produtos classificados no Capítulo 31 ou indicados na posição 38.08 da TIPI (...), dentre outras. Por óbvio, não deveriam compor a base imponível eleita pela auditoria. À vista da insatisfação da auditoria com as planilhas elaboradas pela impugnante e considerando o elevado número de notas fiscais, informes de rendimento, atos declaratórios, declarações dos clientes e lançamentos contábeis (mais de 30.000 documentos), afigurase imprescindível a realização de perícia, a ser conduzida por profissional com conhecimentos técnicos específicos nas áreas contábil e fiscal, para corroborar a parcela de receita autuada que, por se referir a operações não tributadas, devem ser excluídas do lançamento. Nem se diga que essa prova poderia ser feita apenas por meio de documentos apresentados juntamente com a impugnação, a teor do art. 16, parágrafo 4º do Dec. 70.235/72. (...) DAS PERÍCIAS (...) é imprescindível a análise técnica do processo produtivo da impugnante e de volumosas peças de suporte das receitas não tributadas (...)indicandose como assistentes da impugnante: (i) para perícia técnica acerca do processo produtivo (...); e (ii) para perícia contábil (...)”."A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ao analisar a impugnação, decidiu por cancelar parte da exigência referente aos períodos de setembro de 2008 a dezembro de 2008, por entender que não foi evidenciado nos autos, os motivos e o montante para parte das glosas referentes aos créditos. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2008 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Fl. 3948DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.949 11 PAF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento de ofício que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993 e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. PAF. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS PROCESSUAL DA PROVA. Fazse incabível a realização de perícia ou diligência quando reputadas desnecessárias. A realização de diligência não se presta a suprir eventual inércia probatória do impugnante. PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO DECADENCIAL. Nos termos da Súmula Vinculante nº 08 do STF, a contagem do prazo decadencial das contribuições sociais regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Assim, na hipótese em que não há recolhimento parcial antecipado, o lustro decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na forma do artigo 173, I, do Estatuto Tributário. PENALIDADE PECUNIÁRIA. DECADÊNCIA. REGRA GERAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente de penalidade pecuniária é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos sobre valores que comprovadamente correspondam a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. O PIS incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Somente se faz autorizada a exclusão de receitas da respectiva base de cálculo submetida à alíquota positiva quando resulte demonstrado que foram satisfeitas as disposições normativas estabelecidas para a espécie. PIS NÃOCUMULATIVO. GLOSA PRESUMIDA DE CRÉDITOS. INADMISSIBILIDADE. Fl. 3949DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.950 12 O auto de infração deve estar instruído com as provas do fato jurídico tributário, nos termos do artigo 9°, caput, do Decreto n° 70.235/1972. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar e demonstrar as razões de fato e de direito da infração apurada, fazendose inadmissível a glosa presumida de créditos decorrentes da não cumulatividade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ao concluir o julgamento a DRJ, considerando que o valor exonerado superou o limite de alçada, fez constar no acórdão, a necessidade de submeter a decisão ao CARF, em sede de recurso de ofício, determinando o retorno dos autos a Unidade de origem para ciência do interessado. A Recorrente foi cientificada da decisão por meio de ciência eletrônica realizada por meio da Caixa Postal, do Módulo eCAC do site da Receita Federal. Constando no Termo de Ciência por Decurso de Prazo (fl. 2180) que o documento referente a ciência foi disponibilizado na Caixa Postal na data de 15/04/2014, sendo considerada a data da ciência por decurso de prazo no dia 30/04/2014. Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 2180 a 2204) protocolado em 15/05/2014, alegando em síntese: i) a tempestividade do recurso; ii) cerceamento do direito de defesa, em razão do indeferimento do pedido de realização de perícia técnica, tendo em vista que o acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação sob o argumento de ausência de prova; iii) a nulidade do auto de infração, em razão da Fiscalização em ter utilizado como critério de glosa de créditos, unicamente a análise dos CFOP dos bens adquiridos, sem ter analisado dos bens e produtos e sua efetiva qualificação como insumo e sua utilização no ciclo produtivo da empresa; iv) a decadência dos débitos do PIS relativos a março/2008, das glosas de janeiro a fevereiro de 2008 e das multas por supostos erros de preenchimento dos DACON´s, relativa aos períodos de janeiro de 2008 a março de 2008; v) Quanto ao mérito, alega que a Fiscalização utilizou critério genéricos para proceder as glosas das aquisições quanto ao crédito do PIS, segue afirmando que os itens glosados no lançamento são efetivamente utilizados no processo produtivo estando aptas a compro os créditos referente ao cálculo do PIS; vi) por fim, pede a exclusão na base de cálculo, das vendas com suspensão e alíquota zero, esclarecendo que o Termo de Verificação Fiscal, apesar de reconhecer que estas receitas não sofrem a incidência do PIS, decidiu por incluir tais valores na base de cálculo em razão da falta de condições técnicas de identificar e validar tais operações. A posição adotada pela Fiscalização, demonstra a existência de vendas com suspensão e alíquota zero e o seu não reconhecimento, demonstra a necessidade de revisão do acórdão recorrido para a exclusão das operações de vendas com suspensão e alíquota zero, que poderão ser aferidas em perícia técnica a ser realizada. Fl. 3950DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.951 13 Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intimasse a Recorrente, para no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços, que pretende aferir créditos para apuração do PIS e da COFINS não cumulativos; b) A Unidade Preparadora deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. A Unidade de Origem procedeu a diligência, consubstanciado no relatório fiscal (fls. 4375 a 4376). A Fiscalização procedeu a intimação da Recorrente para apresentação da sua documentação fiscal e realizou a auditoria identificando divergências no lançamento, que foram assim detalhados no relatório de diligência. 2 – DAS INTIMAÇÕES MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL – RFB Folha de Continuação 2 de 3 do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal Nome / Nome empresarial CPF / CNPJ RPF/MPF OXITENO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO 62.545.686/000153 19515.720879/201361 A empresa foi regularmente intimada a apresentar explicações acerca do seu processo produtivo e documentos que pudessem identificar de forma clara os bens e serviços que foram considerados insumos ou créditos na apuração do PIS devido. 3 DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS A Empresa apresentou diversos documentos que foram anexados ao presente processo. Ressaltese, a empresa não classificava corretamente os CFOP – Códigos Fiscais de Operações e Prestações dos bens e serviços adquiridos no período. Utilizou CFOPs que não tinham quaisquer correlações com os produtos adquiridos e suas destinações. Além disso, a época da fiscalização, não foram apresentadas as identificações ou as descrições dessas aquisições. Passados mais de 1.100 dias da autuação, lavratura do Auto em 04/2013, a empresa, novamente intimada não apresentou sequer 10% dos documentos intimados. Tomemos como exemplo o mês de 08/2008: Total de itens glosados = 527 lançamentos Total de Notas Fiscais apresentadas = 32 (6,07% do total) De qualquer forma, todos os documentos apresentados foram analisados e considerados na nova planilha de apuração apresentada. Fl. 3951DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.952 14 4 DAS ANÁLISES DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS 4.1 – DO PROCESSO PRODUTIVO Foram apresentadas os detalhamentos solicitados. 4.2 – DOS DOCUMENTOS FISCAIS: Foram apresentados arquivos contendo cópias das Notas Fiscais de aquisição dos insumos adquiridos no período. Verificamos que, de fato, as Notas Fiscais referiamse a aquisição de produtos químicos que são compatíveis com a destinação pretendida. Com base nesse cotejamento, elaboramos nova planilha de produtos considerados insumos no processo produtivo da empresa, denominada “Oxiteno – Insumos 01 a 082008”. E, por exclusão, os créditos não justificados e que possuem CFOP incompatíveis com os créditos admitidos, foram mantidos, conforme novas Planilhas mensais de Glosas, denominadas “Oxiteno – Glosas”. A Recorrente foi cientificada do Relatório fiscal de diligência e apresentou manifestação alegando a existência de equívocos no somatórios das Notas Fiscais constantes da Planilha mensais de glosas, elaborados pela Fiscalização e pede que sejam consideradas os créditos referentes as receitas com alíquota zero e suspensão do PIS. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF e a este Relator para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Voto Vencedor (Resolução) Conforme se constata dos fatos, houve no presente feito realização de diligência fiscal requerida por esta Turma nos seguintes termos: a) Intime a Recorrente, para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços, que pretende aferir créditos para apuração do PIS e da COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julga necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Em resposta, a Fiscalização apresentou a seguinte conclusão: Foram apresentados arquivos contendo cópias das Notas Fiscais de aquisição dos insumos adquiridos no período. Fl. 3952DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.953 15 Verificamos que, de fato, as Notas Fiscais referiamse a aquisição de produtos químicos que são compatíveis com a destinação pretendida. Com base nesse cotejamento, elaboramos nova planilha de produtos considerados insumos no processo produtivo da empresa, denominada “Oxiteno – Insumos 01 a 082008”. E, por exclusão, os créditos não justificados e que possuem CFOP incompatíveis com os créditos admitidos, foram mantidos, conforme novas Planilhas mensais de Glosas, denominadas “Oxiteno – Glosas”. Ou seja, em razão da diligência solicitada, a própria Fiscalização reconheceu que glosou indevidamente " aquisição de produtos químicos que são compatíveis com a destinação pretendida ", conforme Notas Fiscais apresentadas pelo contribuinte. Por conseguinte, foram elaboradas planilhas com a retificação das glosas e, conseqüentemente, reapuração do crédito admitido. O Contribuinte não foi intimado acerca do resultado da referida diligência. Não obstante, antes do julgamento do presente Recurso Voluntário, trouxe petição aos autos demonstrando que as referidas planilhas que apresentavam o somatório dos créditos decorrentes da aquisição dos produtos químicos considerados insumos apresentam erro de soma (planilhas apresentadas pela Fiscalização às fls. 3.746/3.749). . E, tal incorreção, acarreta substancial diferença no valor total do crédito apropriado pelo contribuinte. Tratase de erro de fato que, em razão do princípio da legalidade, deve ser saneado sob pena de cobrança indevida de tributos, sem a efetiva ocorrência de fato gerador de obrigação tributária. Diante dessa constatação, reputo imprescindível que tais cálculos sejam reavaliados pela Fiscalização de modo a revisar os valores somatórios constantes das planilhas de fls. 3.764/3.749. Considerando que a revisão dos somatórios poderá acarretar a própria perda de objeto da presente demanda (suficiência de crédito / inexistência de débito) que a Fiscalização ainda esclareça se, após a verificação dos somatórios, se remanescem débitos em aberto em desfavor do contribuinte, apontando seu valor. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias para que o contribuinte se manifeste, devendo, então, retornar os autos para julgamento. Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, Relatora Designada. Voto Vencido (Mérito) Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 3953DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.954 16 Inicialmente é necessário verificar o conhecimento do recurso de ofício, que esta previsto no art. 34, inciso I, do Decreto n" 70.235/72. Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. O valor a ser fixado para o recurso de oficio está previsto no art 1º da Portaria MF n° 63/2017. Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Apesar da Portaria MF 63/2017, ter sido editada em 10 de fevereiro de 2017. Por tratarse de matéria processual, entendo ser a regra aplicável a todos os casos ainda pendentes de .julgamento. No caso em tela, o valor exonerado pela autoridade a quo, atingiu a soma de R$ R$ 1.095.215,88, inferior ao limite previsto na Portaria MF 63/2017, destarte, não se conhece do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário por mostrarse tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece, por isto, ser conhecido. Preliminarmente a Recorrente alega a nulidade do lançamento. Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram à lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificadas da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância, irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, interpôs recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas pela primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Afastada as questões preliminares, passemos ao mérito. Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do Fl. 3954DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.955 17 contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras da IN 404/04, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo da empresa, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo de insumo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, a turma resolveu converter o julgamento em diligência oportunizando a Recorrente a apresentar a descrição do seu processo produtivo e indicar os insumos que deseja auferir créditos das contribuições. A Recorrente apresentou 32 (trinta e duas) notas fiscais referentes a insumos, que após análise, foram integralmente acatadas pela Autoridade Fiscal, sendo elaborado a Planilha "Oxiteno – Insumos 01 a 082008", com a relação das Notas Fiscais a serem consideradas no cálculo da contribuição. Quanto ao pedido para que sejam excluídas da base de cálculo as receitas referentes às vendas com alíquota zero e suspensão do tributo. O Relatório Fiscal demonstra que a glosa não ocorreu em razão de questões de direito, mas, pela ausência da comprovação documental dos valores constantes na DACON, conforme pode ser verificado nos trechos abaixo, extraídos do relatório fiscal. DA SUSPENSÃO: Considerando que os DACON apresentados possuíam valores declarados na linha 09 das Fichas 07/17A, em 11/05/2012, intimamos a empresa a apresentar a relação das vendas efetuadas com suspensão, especificando o CNPJ das empresas compradoras e os ADE Atos Declaratórios de habilitação, se fosse o caso. Não foram apresentados quaisquer documentos, alegou não possuir controles que pudessem Fl. 3955DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.956 18 diferenciar as vendas com suspensão e as vendas sujeitas à aplicação da alíquota zero. Assim, os valores contidos na linha 09 conteriam os 02 tipos de vendas. A empresa foi reintimada a apresentar os mesmos documentos em 15/02/2013. DA ALÍQUOTA ZERO: Considerando que os DACON apresentados possuíam valores declarados na linha 04 das Fichas 07/17A, em 11/05/2012, intimamos a empresa a apresentar a relação das vendas sujeitas à aplicação da alíquota zero. Apresentou, em 23/08/2012, o arquivo denominado "Cópias de Notas 2008 Trib Cofins Zero". Ocorre que as Notas Fiscais relacionadas não possuíam valores compatíveis com os declarados nas Fichas 07AI MA Linha 04 do DACON e não foram apresentados os CFOP das operações. Além disso, testes por amostragem demonstraram que as NF deveriam ter sido tributadas. Questionado, informou que a linha 04 das Fichas 07/17A conteriam apenas as receitas financeiras e os valores das vendas com alíquota zero estariam informadas na linha 09, conjuntamente com as vendas com suspensão. Em 04/10/2012 a Oxiteno nos apresentou nova Planilha contendo a relação das Vendas efetuadas com suspensão e alíquota zero conjuntamente. Esta planilha também apresentou diversas inconsistências, conforme descrito a seguir: A Planilha apresentou um total de Receitas de Vendas com Suspensão e Alíquota zero num montante de R$ 250.628.718,80. Ocorre que o DACON contém um total de R$ 65.774.755,18 na linha 09 das Fichas 07A e 17A; A Planilha apresentou diversas NF com números idênticos e valores distintos ou descrições distintas. A Planilha foi desconsiderada e, em 15/02/2013, reintimamos a empresa a apresentar estes mesmos dados, ressaltando, nos itens 2 e 3 da intimação, a necessidade da inclusão do CFOP, NCM e o CNPJ dos compradores para que pudéssemos identificar e validar os valores informados. Em 25/02/2013, o sujeito passivo apresentou o arquivo denominado "344_AGRO_ANUALIZADO_1". Tratase de uma planilha que incluiu parte das vendas informadas nos arquivos "Oxisa_Jan2008 a Oxisa_Dez2008". A Planilha não incluiu: O NCM e o CNPJ dos compradores. Também não apresentou a descrição da mercadoria vendida, ou seja, não foi possível identificar as mercadorias vendidas e quais seriam as suas classificações quanto à alíquota aplicável. A Planilha apresentou um total de Vendas de R$ 79.765.120,93 e R$ 72.338.231,51 (Valor total das Vendas sem IPI). Tal Receita não é compatível com os dados informados no DACON. Fl. 3956DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.957 19 Concluímos que a empresa não possui controles das vendas efetuadas com suspensão e alíquotazero, ou não os apresentou.(grifo nosso) Portanto, a Fiscalização manteve na base de cálculo as receitas informadas como com suspensão e alíquota zero por falta de comprovação documental. A diligência determinada pelo CARF oportunizou à Recorrente apresentar as comprovações documentais o que não ocorreu, pois, todas as Notas Fiscais foram consideradas pela Fiscalização e não foi apresentado documentação comprobatória referente as alegadas receitas com suspensão e alíquotas zero. Cabe ressaltar, que a comprovação do crédito é da Recorrente e não da Fiscalização. Na diligência realizada pela turma do CARF, a autoridade fiscal acatou todas as 32 (trinta e duas) Notas Fiscais apresentadas, portanto para as demais discussões do processo não pode prosperar o recurso em razão da ausência de apresentação da prova documental. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Por fim, alega a Recorrente na manifestação após a diligência, que existiriam divergências no somatório das Notas Fiscais constantes da Planilha " Oxiteno – Insumos 01 a 082008". A alegação consta nos seguintes termos: 6. Muito embora tenha acatado todas as notas fiscais apresentadas pela recorrente (por confirmar se tratar de insumo), o fiscal incorreu em erro material na somatória dos valores indicados nas planilhas de "Glosas Excluídas" juntada às fls. 3.746/3.749. Confirase: Valores das Notas Fiscais excluídas pela Fiscalização Soma apontada nas planilhas juntadas pela Fiscalização jan/08 3.513.542,27 3.513.542,11 fev/08 4.196.239,37 3.971.167,27 mar/08 4.183.044,87 4.183.044,87 abr/08 6.388.732,89 6.388.732,89 mai/08 6.796.230,39 6.276.857,24 jun/08 10.592.414,84 10.012.942,50 jul/08 9.890.768,48 8.807.941,21 ago/08 7.952.070,41 7.952.073,42 Em que pese, os argumento da Recorrente, apenas foi apresentado uma planilha apontando supostas divergências entre o que não é suficiente para comprovar os equívocos no somatório. Não foram apontadas em que Notas Fiscais consistiriam as divergências dos valores considerados pela Fiscalização ou as informações que existiriam divergência. A Recorrente apresenta um somatório diferente daquele constante da planilha elaborada pela Fiscalização, mas não apresenta nenhum demonstrativo ou cálculos para sustentar a alegada divergência. Portanto, não estando comprovados ás divergências alegadas, mantêmse os valores apurados pela Fiscalização na Planilha " Oxiteno – Insumos 01 a 082008". Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o lançamento nos termos apurados na 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 3957DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Resolução nº 3201001.044 S3C2T1 Fl. 3.958 20 diligência fiscal considerando os valores constantes da Planilha " Oxiteno – Insumos 01 a 082008", na apuração do PIS não cumulativo. Winderley Morais Pereira Fl. 3958DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720029/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 30/04/2004, 15/05/2004, 31/05/2004
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS E DE ALÍQUOTA ZERO, IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO
A aquisição de produtos e insumos isentos e de alíquota zero não geram crédito de IPI, por não existir a cobrança de tributos nesta operação
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS E DE ALÍQUOTA ZERO, IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO A aquisição de produtos e insumos isentos e de alíquota zero não geram crédito de IPI, por não existir a cobrança de tributos nesta operação INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 29 /2 00 8- 70 Fl. 207DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Versa o presente processo sobre auto de infração de fls. 0208, relativo a Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 440.199,95. Os fatos geradores autuados correspondem a 30/04/2004, 15/05/2004 e 31/05/2004. A contribuinte tomou ciência do lançamento em 09/06/2008 (fl. 72). A Delegacia de origem efetuou o lançamento pela falta de recolhimento dos saldos devedores de IPI registrados em seu Livro de Apuração do IPI, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 09/14. A contribuinte apresentou impugnação de fls. 73/96, em 01/07/2008, na qual alegou, em síntese, que: a) Analisando a descrição contida no Termo de Verificação Fiscal e os dispositivos contidos no auto d.e infração invocados como violados a justificar o lançamento percebese uma total incongruência entre os referidos dispositivos e o suporte fático descrito no relatório o que importa em nulidade do lançamento, consoante abalizada doutrina; b) Aduz a fiscalização autuante que a Impugnante efetuou a saída de ferro gusa com destaque de IPI e sem recolhimento do mesmo, o que foi verificado através do Livro de Registro e Apuração do IPI n° 03; c) Todavia, tal ausência decorre da existência de créditos acumulados do imposto, que foram compensados com os débitos do mesmo. Tal fato pode ser comprovado através das notas fiscais de entrada, que comprovam que a Impugnante adquiriu produtos sujeitos ao IPI e, que por direito, efetuou o creditamento do imposto; d) Importante ressaltar que o IPI tem como um dos pilares a observância ao principio da não cumulatividade, previsto no Texto Constitucional no seu artigo 153, § 3º, inciso II, verbis: "será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores"; e) E nessa seara que se insere o direito de compensação do imposto devido na etapa anterior, mesmo em se tratando de operações isentas, sujeitas A alíquota zero ou não tributada, como no caso da energia elétrica, eis que o abatimento é devido pelo simples fato de que o tributo possa, em tese, incidir sobre Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13609.720029/200870 Acórdão n.º 3201003.137 S3C2T1 Fl. 3 3 tais operações, sendo certo que o direito A compensação deve ser integral; f) Se a Carta Magna não impõe restrições A utilização desse direito subjetivo de crédito esclareçase do crédito integral da operação anterior, pago ou não não pode a legislação infra constitucional impor qualquer limite Ou condição de utilização para o referido crédito, sob pena de se ferir o principio da não cumulatividade previsto na Carta Magna; g) E sabido que no atual sistema jurídico a nãocumulatividade (principio que, por força de disposições constitucionais expressas, deve guiar a criação e a aplicação das normas do IPI e do ICMS, ex vi dos arts, 153, §3°, II e 155, §2°, 1, da CF/88) consiste em técnica adotada para promover, a cada etapa subseqüente do processo produtivo (de industrialização ou comercialização), a respectiva dedução do valor do tributo que incidiu nas etapas anteriores, de tal sorte que, ao final do ciclo, seja ,o CONSUMIDOR onerado em montante igual ao que resulte da aplicação da alíquota sobre,a base de cálculo na respectiva fase; h) Delimitando a matéria em debate, temse, neste ponto, as seguintes premissas: 1) que se trata a Impugnante de estabelecimento industrial e 2) que a legislação aplicável lhe garante o direito A proceder ao creditamento de IPI, ante a aplicação do disposto no art. 25 da Lei n° 4.502/6; i) Inadmitido o creditamento relativo ao . montante que seria devido, tal tributação, ainda que "isenta" ou "nãoincidente", permaneceria onerando a cadeia de circulação e, por conseguinte, o consumidor, eis que o IPI não é imposto suportado pelo contribuinte de jure (de direito); j) Deveras, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 212.484 /RS, no qual o STF decidiu que o contribuinte do IPI teria o direito de escriturar créditos sobre a entrada de matériaprima e demais insumos adquiridos sob o regime de isenção, o Ministro Nelson Jobim não poderia ter sido mais claro ao abordar a temática da não cumulatividade e do valor agregado; . 1) Clamase, pois, pelo reconhecimento do direito ao crédito do IPI nos insumos tributados A alíquota zero, isentos ou não tributados, .em respeito ao principio da não cumulatividade é a própria natureza da exação em comento, que sempre deve ser suportada pelo consumidor, o que foi desconsiderado pela fiscalização autuante; m) No que tange aos valores das multas aplicadas, oportuno lembrar que é principio de direito que a multa é uma imposição pecuniária a que se sujeita o administrado a titulo de compensação do dano decorrente da infração, mas que não pode exceder os justos limites, pois, deve ser graduada em função da gravidade da infração, do dolo na consecução do fato delituoso etc; o) A aplicação das multas, nos patamares em que foram exigidas é ilegítima e inválida, não produzindo seus regulares efeitos, pelo que deve ser anulada face as violações aos Princípios da Proporcionalidade, da Razoabilidade, do NãoConfisco e Moralidade; Fl. 209DF CARF MF 4 Prossegue a peça impugnatória requerendo provar o alegado pelos meios em direito admitidos, especialmente documentos e perícia, e para tanto apresenta os quesitos, indicando como assistente técnico o Sr. Antônio Carlos de Assis, contador, inscrito no CRC sob o ri° 38.922/MG, com escritório sito na João Dias Magalhães, 621, Bairro Campo Belo, Prudente de Morais MG. Requer, ainda; seja julgada procedente a presente impugnação para que seja anulado o lançamento determinandose o cancelamento do auto de infração, ou, quando muito, seja reduzido ao valor do crédito tributário, devido à abusividade nos valores das multas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/04/2004, 15/05/2004, 31/05/2004 IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. No direito tributário brasileiro, o principio da não cumulatividade é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto, excluindose, portanto, as aquisições isentas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004, 15/05/2004, 31/05/2004 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, no se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, no há que se cogitar em nulidade do lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar perícia, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferida a que seja considerada prescindível. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIO,NALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, os quais gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes faltar eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13609.720029/200870 Acórdão n.º 3201003.137 S3C2T1 Fl. 4 5 Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário onde repisa as alegações apresentadas na impugnação. Ao analisar o recurso a extinta Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara desta Terceira Seção converteu o julgamento em diligência para que fosse averiguado pela Unidade de Origem a competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA para o julgamento do presente processo. Em cumprimento a diligência a Unidade de Origem trouxe aos autos cópia da portaria SUTRI nº 1112, de 19 de maio de 2010 (fls. 197 a 199) que transfere julgamento de processos entre Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Com estas considerações o processo retornou ao CARF. O Relator original do processo não pertence mais a este conselho. Diante deste fato foi realizado um novo sorteio cabendo a este Relator o prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecidas. A teor do relatado, a diligência realizada esclareceu a competência da DRJ de Belém/PA para o julgamento em primeira instância. Nos termos da Portaria SUTRI nº 1112/2010, o julgamento em primeira instância do presente processo foi atribuído à DRJ de Belém/PA. Portanto, resta comprovada a competência da DRJ para realização do julgamento na primeira instância. Em sede preliminar a Recorrente alega ainda, a nulidade do lançamento. Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram à lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificadas da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância, irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, interpôs recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas pela primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi Fl. 211DF CARF MF 6 observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Afastada as questões preliminares, passemos ao mérito. Primeiramente, cabe manifestação sobre a alegação de que a legislação federal ou atos do Poder Executivo, não teriam legitimidade para estabelecer restrições ao direito de crédito do contribuinte, tendo em vista que a Constituição Federal não o fez. Estando as restrições previstas em lei e em plena vigência, como no caso em tela é obrigatória pelas autoridades fiscais a sua aplicação. Destarte estes esclarecimentos, as turmas do CARF estão impedidas de manifestação sobre inconstitucionalidade, diante da emissão da súmula n° 2, publicada no DOU de 22/12/2009. "Súmula CARF n",2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" Com relação ao aproveitamento de créditos para as entradas de produtos isentos ou de alíquota zero. A sistemática de aproveitamento de crédito está prevista no art. 164 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n" 4 544, de 26 de dezembro de 2002. Art. 164 Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n2 4.50.2, de 1964, art. .25) 1 do imposto relativo a MP, Pie ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que. embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidas entre os bens do ativo permanente, II do imposto relativo a MP. PI e ME , quando remetidos a terceiros para industrialização sob encomenda, sem transitar pelo estabelecimento adquirente: III do imposto relativo a MP, PI e ME, recebidos de terceiros para industrialização de produtos por encomenda, quando IV do imposto destacado em nota fiscal relatim a produtos industrializados por encomenda recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; V do imposto pago no desembaraço aduaneiro: VI do imposto mencionado na nota fiscal que acompanhar produtos de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador VII do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; VIII do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na salda destes, estejam sujeitos ao imposto, nos demais casos não compreendidos nos incisos V a VII; Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13609.720029/200870 Acórdão n.º 3201003.137 S3C2T1 Fl. 5 7 IX do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito ao crédito, e do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto . permitidas neste Regulamento Parágrafo único. Nas remessas de produtos para armazémgeral e depósito fechado, o direito ao crédito do imposto, quando admitido, é do estabelecimento depositante. Observando o artigo 164 do Regulamento do IPI, os créditos referemse a imposto, portanto, aquelas operações onde não existe a exigência do IPI, não podem ser utilizadas para gerar crédito. A situação de não cumulatividada do IPI esta presente também no Art. 49, do Código Tributário Nacional, que reafirma a exigência do pagamento do IPI na entrada dos produtos para fruição de créditos. Art. 49 O imposto é nãocumulativo : dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saldos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes." O impedimento de utilizar, para cálculo dos créditos do IPI, a entrada de produtos isentos esta coerente com a legislação. Posto, que nestes casos não existe o pagamento do tributo na entrada No caso em tela, visto que não existe no ordenamento jurídico, legislação que permita a utilização de créditos para entradas de mercadorias isentas não procedem as alegações da recorrente. Corroborando o entendimento da necessidade de pagamento do IP1 para utilização de crédito na entrada de produtos O CARF se manifestou especificamente tratando da entrada de produtos com alíquota zero na Súmula Carf nº 18 , publicada no DOU de 22/12/2009. "Súmula CARF nº 18 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributadas à alíquota zero não gera crédito de 1P1 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 213DF CARF MF 8 Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13607.000861/2009-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 14/07/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 14/07/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 7. 00 08 61 /2 00 9- 57 Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13607.000861/200957 Acórdão n.º 9202005.860 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13607.000861/200957 Acórdão n.º 9202005.860 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13607.000861/200957 Acórdão n.º 9202005.860 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13607.000861/200957 Acórdão n.º 9202005.860 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13607.000861/200957 Acórdão n.º 9202005.860 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13607.000861/200957 Acórdão n.º 9202005.860 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13607.000861/200957 Acórdão n.º 9202005.860 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13607.000861/200957 Acórdão n.º 9202005.860 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13607.000861/200957 Acórdão n.º 9202005.860 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13607.000861/200957 Acórdão n.º 9202005.860 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.987765/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 65 /2 01 2- 85 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987765/201285 Acórdão n.º 1401001.948 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987765/201285 Acórdão n.º 1401001.948 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.987765/201285 Acórdão n.º 1401001.948 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.001375/2005-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2000
Ementa:
TRIBUTOS SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PEDIDO DO CONTRIBUINTE ANTERIOR A 09 DE JUNHO DE 2005. INAPLICABILIDADE DO ART. 3o DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/05. PRESCRIÇÃO AFASTADA. PRECEDENTE VINCULANTE DO STF.
Segundo entendimento exarado pelo STF em precedente vinculante (RE n. 566.621/RS), o disposto no art. 3o da lei complementar n. 118/05 só tem eficácia para aqueles pedidos de repetição e/ou compensação posteriores a 09 de junho de 2015, o que não é o caso dos autos, motivo pelo qual a prescrição indevidamente reconhecida pela DRJ deve ser afastada.
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-004.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Diego Diniz Ribeiro
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V. HOLDING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2000 Ementa: TRIBUTOS SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PEDIDO DO CONTRIBUINTE ANTERIOR A 09 DE JUNHO DE 2005. INAPLICABILIDADE DO ART. 3o DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/05. PRESCRIÇÃO AFASTADA. PRECEDENTE VINCULANTE DO STF. Segundo entendimento exarado pelo STF em precedente vinculante (RE n. 566.621/RS), o disposto no art. 3o da lei complementar n. 118/05 só tem eficácia para aqueles pedidos de repetição e/ou compensação posteriores a 09 de junho de 2015, o que não é o caso dos autos, motivo pelo qual a prescrição indevidamente reconhecida pela DRJ deve ser afastada. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 13 75 /2 00 5- 52 Fl. 205DF CARF MF 2 I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de PIS e COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto (acórdão n. 1434.638 fls. 79/83) nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2000 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. O prazo para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da data do recolhimento. RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2000 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10850.001375/200552 Acórdão n.º 3402004.782 S3C4T2 Fl. 3 3 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. O prazo para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da data do recolhimento. RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando a legitimidade do seu crédito, bem como a submissão do Poder Executivo ao precedente vinculante do STF externado no âmbito do julgamento do RE n. 390.840/MG. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A suposta decadência do crédito 7. Conforme se observa dos autos, a decisão atacada, em preliminar de mérito, reconheceu a pretensa decadência do crédito vindicado pelo contribuinte e que foram indevidamente recolhidos em março e abril de 2000 e cujo pedido de restituição se deu em 08 de junho de 2005. Segundo a decisão recorrida, o prazo para tal restituição seria de 05 anos contados do pagamento considerado indevido, nos termos do 168, inciso I do CTN, c.c. o art. 3o da lei complementar n. 118/05. 8. De forma sucinta, o que se discute aqui é a conhecida tese de que no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação o contribuinte teria 10 (dez) anos para repetir o que pagou indevidamente, tese essa que, em certa medida, foi impactada pelo disposto no art. 3o da lei complementar n. 118/05. 9. Tal discussão foi travada no âmbito do Poder Judiciário, sendo julgada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial julgado sob o rito de recursos repetitivos, o qual restou assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. Fl. 207DF CARF MF 4 PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). (...). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10850.001375/200552 Acórdão n.º 3402004.782 S3C4T2 Fl. 4 5 crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 1.002.932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) (grifos nosso). 10. Tal questão também foi objeto de manifestação em sede de julgamento de recurso extraordinário afetado por repercussão geral (RE n. 566.621/RS), o qual restou assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Fl. 209DF CARF MF 6 Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF; RE 566.621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 RTJ VOL0022301 PP 00540) (g.n). 11. Diante deste quadro, inclusive, o STJ adequou o seu entendimento externado no citado REsp n. 1.002.932/SP para enquadrálo ao precedente vinculante exarado pelo STF (RE n. 566.621), o que redundou no julgamento, também sob o rito de repetitivos, do recurso especial n. 1.269.570MG, cuja ementa segue abaixo: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10850.001375/200552 Acórdão n.º 3402004.782 S3C4T2 Fl. 5 7 novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543 B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 1269570/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/05/2012, DJe 04/06/2012) (g.n.). 12. Dessa feita, segundo precedente vinculante do STF, o disposto no art. 3o da lei complementar n. 118/05 só teria efeito para aquelas ações judiciais ajuizadas após 09 de junho de 2005, ainda que os pagamentos indevidos tenham sido realizados antes deste marco temporal. 13. Em princípio, a primeira questão a ser aqui tratada seria verificar se a ratio decidendi do precedente do STF poderia ou não ser convocada para a resolução do caso decidendo, haja vista que o sobredito precedente vinculante analisou discussões travadas no âmbito judicial, mas não no âmbito administrativo. Todavia, tal debate é despiciendo no presente caso, haja vista que o pedido de compensação realizado pelo contribuinte foi protocolizado em 08 de junho de 2005, ou seja, um dia antes do marco temporal estabelecido pelo Pretório Excelso. Logo, aqui deve aplicarse o entendimento de que o prazo para que o contribuinte exija de volta o que pagou indevidamente é de 10 (dez) e não de 05 (cinco) anos, motivo pelo qual a preliminar de mérito desenvolvida pelo acórdão atacado deve ser afastada. II. O mérito do crédito e da compensação realizada 14. Superada a referida preliminar de mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a sua origem decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. Fl. 211DF CARF MF 8 O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214 215) 15. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 16. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tãosomente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10850.001375/200552 Acórdão n.º 3402004.782 S3C4T2 Fl. 6 9 17. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. 18. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 213DF CARF MF
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Numero do processo: 10325.000191/2007-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA AGRAVADA - NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS - CABIMENTO.
Cabível a aplicação da multa agravada sempre que o contribuinte deixar de, nos prazos estipulados, prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal.
Numero da decisão: 9202-005.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, a fim de que seja restabelecido o agravamento da multa lançada de 75% ao percentual de 112,5%, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Cabível a aplicação da multa agravada sempre que o contribuinte deixar de, nos prazos estipulados, prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, a fim de que seja restabelecido o agravamento da multa lançada de 75% ao percentual de 112,5%, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 01 91 /2 00 7- 85 Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10325.000191/200785 Acórdão n.º 9202005.752 CSRFT2 Fl. 545 2 Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2202002.685, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 14 de maio de 2014 (efls. 412 a 425). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA. As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10325.000191/200785 Acórdão n.º 9202005.752 CSRFT2 Fl. 546 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências específicas previstas na legislação. MULTA CONFISCATÓRIA INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso provido em parte Decisão: QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Jimir Doniak Junior que acolhiam a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Enviados os autos á Fazenda Nacional em 02/06/2014 (efl. 426) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra aquela, sua Procuradoria apresenta, em 03/06/2014 (e fl. 434), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 427 a 433). O recurso foi regularmente admitido pelos despachos de efls. 436 a 439, dizendo respeito exclusivamente à redução do agravamento da multa ao percentual de 75%. Quanto à matéria, alegase divergência em relação ao decidido, em 09/09/2003, no Acórdão 10613.502, de lavra da 6a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, bem como ao decidido pela 2a. Câmara do referido 1o. Conselho, agora no Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10325.000191/200785 Acórdão n.º 9202005.752 CSRFT2 Fl. 547 4 Acórdão 10248.549, prolatado em 24 de maio de 2007, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 10613.502 LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE Incabível falarse em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse princípio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a provada origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. MULTA AGRAVADA Cabível o agravamento de 112,5% no percentual da multa de lançamento de ofício quanto comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. Decisão: por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Edison Carlos Femandes (Relator), Orlando José Gonçalves Bueno e Romeu Buenode Camargo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Antonio de Paula. Acórdão 10248.549 NULIDADE DO LANÇAMENTO Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender às formalidades legais e for efetuado por servidor competente. APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, de 2001 Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001, ampliou os poderes de investigação do Fisco, sendo aplicável retroativamente essa nova legislação, por força do que dispõe o § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional. SIGILO BANCÁRIO Os agentes do Físico podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10325.000191/200785 Acórdão n.º 9202005.752 CSRFT2 Fl. 548 5 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. DECISÕES ADMINISTRATIVAS – NÃO VINCULAÇÃO As decisões administrativas citadas pela defesa não são normas complementares, na forma do art. 100 do CTN, e, por conseguinte, não vinculam as decisões desta instância julgadora, restringindose aos casos julgados e às partes inseridas no respectivo processo do qual resultou a decisão. JUROS DE MORA. TAXA SELIC – É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora superior a 1%. A partir de 01.01.1995, os juros de mora serão equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. MULTA AGRAVADA – Nos termos da legislação em vigor, o desatendimento às intimações fiscais dá ensejo ao agravamento de ofício para 112,50%, conforme os termos do art. 44, § 2º da Lei 9.430/1996. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Decisão: por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade da decisão de primeira instância e de quebra do sigilo bancário. Por maioria de votos, REJEITAR as preliminares: (1) de irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que a acolhe e apresenta declaração de voto, (2) de erro no critério temporal, suscitada pelo Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que fica vencido e apresenta declaração de voto. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda: a) o agravamento da multa prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 não é ato discricionário do agente administrativo, pelo contrário, é imperativo. No momento em que o sujeito passivo pratica alguma das condutas previstas, cabe o agravamento da penalidade, não competindo ao agente administrativo fazer juízo de legalidade ou proporcionalidade. Ora, se não há nenhuma dúvida de que o Recorrido não atendeu de modo completo às solicitações do fisco, não há que se falar em redução da penalidade, já que a lei não diminui o percentual da multa nesses casos; Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10325.000191/200785 Acórdão n.º 9202005.752 CSRFT2 Fl. 549 6 b) Sob a ótica do art. 97 do CTN, vêse que a Câmara a quo criou nova hipótese de redução de penalidade não prevista na legislação. Assim, deve ser restabelecido o percentual de 112,5% inicialmente aplicado pela fiscalização, já que a conduta praticada enquadrase na hipótese do art. 44, §2º da Lei nº 9.430, de 1996 e não há nenhuma exceção quando a autuação fiscal decorre da presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; Requer, assim que seja admitido o recurso e, no mérito lhe seja dado provimento, a fim de que seja reformado o r. acórdão nos termos da fundamentação supra. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida via Edital em 19/11/2014 (efl. 445), o contribuinte: a) Apresentou Recurso Especial de sua iniciativa, de efls. 446 a 458 e anexos, que teve seu seguimento negado, por intempestivo, consoante despachos de efls. 531 a 533; b) Apresentou contrarrazões de efls. 522 a 528, onde: b.1) Alega que não merece prosperar o recurso. Como consta dos autos, a Egrégia Câmara a quo, houve por bem julgar parcialmente procedente o Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, de modo a, de oficio, desagravar a multa imposta, reduzindoa de 112,5% para 75%, por entender que a falta de comparecimento do Contribuinte aos autos administrativos para prestar esclarecimentos não obstou o curso da fiscalização. Todavia, além do fato de que a suposta omissão do Contribuinte não obstou o curso da fiscalização, há de se salientar que, como amplamente comprovado nos autos do presente processo administrativo fiscal, o autuado não dificultou a ação fiscal, até porque sequer tinha conhecimento da mesma; b.2) Alega que o Autuado não recebeu qualquer notificação do Órgão Fiscalizador no sentido de apresentar documentos. Os autos demonstram, insofismavelmente, que as notificações foram enviadas para endereço diverso do Autuado. Como amplamente narrado nas razões da defesa administrativa e do recurso voluntário, o endereço do Autuado à época era na Avenida Industrial, s/n, Setor Industrial, Itinga do Maranhão/MA, conforme consta na própria DIRPF do Autuado, contemporânea aos fatos. No entanto as notificações encaminhadas para o Contribuinte o foram para endereço diverso do seu domicílio fiscal; b.3) Desse modo, temse que a intimação expedida para o Autuado não obedeceu às regras insculpidas no art. 23, do Decreto no. 70.235, de 1972. Temse, igualmente, que a inércia do Contribuinte em prestar os esclarecimentos exigidos decorreu justamente do desconhecimento de tal obrigação. Em outras palavras: uma vez não notificado, não teria o Contribuinte como desincumbirse da obrigação de prestar esclarecimentos. Repisese: o Contribuinte não dificultou a ação fiscal, até porque sequer tinha conhecimento da mesma, haja vista que, reiterese, não foi devidamente notificado acerca do procedimento fiscal. O suposto embaraço ao procedimento fiscal não restou devidamente comprovado pela autoridade tributária, vez que, não houve a notificação acerca do início da fiscalização. Nesse diapasão, a reforma do decisum para fins de incidência da multa em sua integralidade, como quer a Recorrente mostrase desarrazoada. Assim, requer sejam recebidas as contrarrazões, de modo a julgar improcedente o Recurso interposto pela União Federal Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10325.000191/200785 Acórdão n.º 9202005.752 CSRFT2 Fl. 550 7 É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Passo, assim, à análise de mérito. Em análise, o art. 44, § 2o., inciso I, da Lei no. 9.430, de 1996, em sua redação vigente à época do lançamento, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10325.000191/200785 Acórdão n.º 9202005.752 CSRFT2 Fl. 551 8 V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Como já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos no âmbito deste CARF, entendo, com a devida vênia a posicionamentos diversos (que vinculam a caracterização do agravamento à existência ou não de possibilidade de obtenção pela Fiscalização dos elementos de interesse objeto de intimação e/ou à existência de prejuízo à referida Fiscalização), que a correta aplicação do dispositivo acima é no sentido de que sempre que restar comprovado o nãoatendimento de intimações por parte do contribuinte, uma vez realizadas as citadas intimações consoante o permissivo legal para tal, de se aplicar a multa agravada de 112,5%. Entendo que a intenção do legislador, ao editar o referido dispositivo, foi o de reforçar o poder da autoridade fiscalizadora, no sentido de evitar que intimações sejam simplesmente "ignoradas", violandose, assim, o dever de colaboração do contribuinte para com o Fisco, sem que tal fato conduzisse a sanção. Em meu entendimento, independe a referida sanção do fato da Fiscalização, anteriormente ou posteriormente à prática da conduta expressamente descrita no dispositivo acima (no caso, em seu §2o., I , não prestar esclarecimentos no prazo marcado pela intimação), ter acesso aos elementos de interesse, seja por meios próprios, através de instrumentos alternativos instituídos pelo legislador tributário (tais como o RMF), seja por posterior entrega voluntária do contribuinte. Ou seja, entendo que uma vez caracterizada, no curso da ação fiscal, a conduta prevista pelo dispositivo, de não prestação de esclarecimentos no prazo hábil, de se aplicar a penalidade. Assim, portanto, alinhome à interpretação propugnada pela recorrente e pelos paradigmas colacionados aos autos. Enxergo mesmo, no dispositivo tributário em comento, semelhanças com a formulação comumente empregada pelo legislador penal para a definição de tipos omissivos próprios, onde a prática da conduta (por definição, necessariamente volitiva) leva imediatamente à cominação de sanção, de forma que também é de se admitir, in casu, o afastamento da aplicação da referida penalidade tributária, caso se vislumbre ocorrência de Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10325.000191/200785 Acórdão n.º 9202005.752 CSRFT2 Fl. 552 9 motivo de força maior (com o consequente afastamento da conduta), afastandose, nesta hipótese, a caracterização de omissão na prestação de esclarecimentos dentro do prazo. Feita tal digressão, verifico, através da correta descrição constante do Termo de Verificação Fiscal às efls. 341/342 e, ainda, ao compulsar os autos, que, no caso em questão, ficou devidamente caracterizada a não prestação de informações por parte do autuado, sem que se possa cogitar de força maior. É responsabilidade do contribuinte manter seu endereço de cadastro permanentemente atualizado junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, o qual, é expressamente definido na forma do art. 23, §4o. do Decreto no. 70.235, de 1972, verbis: § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) No caso em questão, verificase ter a autoridade tributária corretamente usado durante todo o curso do procedimento fiscal, para fins de intimações, o endereço cadastral mantido pelo contribuinte junto à RFB até 10/2008 (efl. 369), tendo restados inatendidos diversos termos recebidos, com AR, inclusive assinados por terceiros, sem recusa (vide efls. 08, 331 e 333). Assim, o autuado notadamente quedou inerte quanto ao fornecimento de quaisquer esclarecimentos ou justificativas para o não atendimento dos termos de efls. 06, 321 a 330 e 332, caracterizada, destarte, a prática da conduta determinada pelo art. 44, §2o., I, da Lei no. 9.430, de 1996, de se manter o agravamento da multa no patamar de 112,5%. Destarte, diante do exposto voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que seja restabelecido o agravamento da multa lançada de 75% ao percentual de 112,5%. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 552DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.903032/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 07/04/2006
PROCESSUAL - ART. 17 DO DECRETO 70.235/75 - INADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada.
Numero da decisão: 1302-002.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 30 32 /2 00 9- 70 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10875.903032/200970 Acórdão n.º 1302002.457 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuidam os autos de processo de compensação em que o recorrente pretendeu a quitação de obrigações afeitas à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido mediante pretenso crédito decorrente de pagamento indevido. A vista disto, transmitiu, em 06/10/2006, a Dcomp de nº 32244.92734.061006.1.3.047824, vinculando um DARF de recolhimento, sob o código CSLL (2484 Estimativa), pago em 07/04/2006, no valor de R$ 3.269,20, a fim de quitar débito do próprio CSLL, relativo à competência de agosto de 2002, no montante de R$ 2.986,28. Em março de 2009, foi proferido despacho decisório por meio do qual deixouse de homologar a predita compensação tendo em conta a seguinte fundamentação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. O contribuinte manejou manifestação de inconformidade abordando, genericamente o seu direito de compensar o valor declinado na DCOMP, destacando que o direito creditório em questão decorreria de erro de preenchimento da DCTF. Em sessão realizada em maio de 2014, a DRJ de Juiz de Fora houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme argumentos resumidos na ementa, O contribuinte teve ciência do resultado do julgamento acima em 27/06/2014, uma sextafeira (AR de fl. 39), tendo interposto o seu recurso administrativo em 29/07/2014 (doc. de fl. 41). O trecho a seguir transcrito resume suficientemente a tese central do apelo. Vejase: Sobre o assunto, a impugnante, absolutamente impossibilitada dado inexistir via legal de fazer frente à exigência de juntada de todos os documentos necessários e aptos a comprovação da regularidade de seu agir, antecipa a apresentação daqueles que instruem a presente 'Manifestação' (notas Fiscais e Extratos), cuja crítica cautelar e minudente já é suficiente ao desnude da conclusão, de que os valores dos serviços tomados e os valores destacados no recebimento líquido dos seus preço guardam identidade com os montantes declarados com retidos e que por consequência compuseram o meio formal da compensação ora discutida (PERDCOMP). Ao final, invoca o princípio da verdade material a fim de reforçar a sua tese quanto a consideração dos documentos, segundo ele, colacionados no feito. O processo foi, então, encaminhado à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10875.903032/200970 Acórdão n.º 1302002.457 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de CSLL (2484 Estimativa) pago em 07/04/2006. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.402, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10875.900328/200858, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.402): O recurso voluntário é tempestivo, e sobre isso não há dúvidas. O problema, todavia, é que há, no caso, uma confusão impar!!! A questão aventada na manifestação de inconformidade cingia se à "erro material" de preenchimento da DCTF, na qual foi informado o DARF para recolhimento de IRPJ (estimativa) e que, em razão deste erro, transmitiuse, após a prolação do despacho decisório, declaração retificadora. A DRJ não acolheu a manifestação porque, a despeito da transmissão de uma nova DCTF para demonstrar a existência do crédito, considerando que esta providência se deu no curso de ação fiscal, caberia ao contribuinte demonstrar, por meio de documentos idôneos, que o novo valor refletiria, de fato, a correção da realidade apresentada, valendo destacar, neste particular, que da relação que consta da citada manifestação, não foram descritos livros, balancetes ou documentos fiscais que pudessem dar suporte às informações retificadas. No recurso voluntário, como se dessume do relatório acima, o contribuinte lança discussão absolutamente desconectada das razões propostas na manifestação de inconformidade e do próprio acórdão! Discutese, no apelo, a comprovação de valores retidos por tomadores de serviços a título de IRRF (?!?) e que tais valores poderiam ser objeto de compensação com outros tributos ou com o próprio IRPJ relativo à competências subsequentes (?!?!?!), invocando, inclusive, o princípio da verdade material para justificar o conhecimento, pela autoridade julgadora, das notas fiscais juntadas ao processo (?!?!?!??!!?). Esta discussão, digase, é totalmente estranha ao processo; não se conecta com a manifestação de inconformidade, nem tampouco se opõe aos argumentos tratados no acórdão recorrido (cuja análise se cingiu à imprestabilidade da apresentação de DCTF após a prolação do despacho decisório, desacompanhada dos documentos que se prestariam para Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10875.903032/200970 Acórdão n.º 1302002.457 S1C3T2 Fl. 5 4 demonstrar, de fato, os motivos que levaram o contribuinte a retificar a sua declaração). No caso, pois, recurso voluntário é inadmissível, ante a inegável preclusão ocorrida quanto a fatos/argumentos não suscitados na manifestação de inconformidade, em especial à luz do que dispõe o art. 17 do Decreto 70.235/72, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Objetivamente, o contribuinte nem mesmo aventou os motivos pelos quais não trouxe a alegação, e respectivas provas, quando do oferecimento de sua manifestação de inconformidade. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta, de fato, pelo princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas e argumentos não contempladas pela instância interior, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno; pretender, neste ponto, analisar provas e argumentos que não foram sequer disponibilizadas à DRJ, representaria iniludível supressão de instância. Em vista do exposto, não conheço recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 88DF CARF MF
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