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Numero do processo: 16004.001345/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
Ementa:
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUIÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Ausente fundamentação robusta capaz de demonstrar que o ato decisório prolatado na instância a quo de alguma forma concorreu para o cerceamento do direito de defesa, descabe falar em decretação da sua nulidade.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUTORIZAÇÃO.
O ordenamento jurídico vigente autoriza à Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA.
Não é merecedora de credibilidade a escrituração que deixa de refletir vultosa movimentação bancária, apurada em contas bancárias de interposta pessoa. No caso vertente, os créditos bancários não contabilizados representam mais de setenta e cinco por cento da receita declarada, de modo que a autoridade fiscal, não dispondo de elementos confiáveis para adotar o regime de tributação adotado pela contribuinte fiscalizada, agiu bem ao promover o arbitramento do lucro.
DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
A alegação de que a tributação se deu de forma duplicada, haja vista a identidade entre a matéria declarada e a que foi apurada de ofício, exige que sejam aportados ao processo elementos capazes de tornar indubitável a conclusão, mormente na circunstância em que a receita omitida tributada de ofício teve por lastro a movimentação em contas bancárias de interposta pessoa.
MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. PROCEDÊNCIA.
Em conformidade com a Súmula CARF nº 34, nos lançamentos em que se apura omissão de receita, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ILEGITIMIDADE.
Cabe ao sócio indicado no Termo de Responsabilidade Tributária a apresentação, em seu nome, dos argumentos de defesa, revelando ilegitimidade passiva a insurgência da pessoa jurídica contra o referido feito.
PRECLUSÃO.
À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
Numero da decisão: 1301-001.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo realtor.
documento assinado digitalmente
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ARGUIÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Ausente fundamentação robusta capaz de demonstrar que o ato decisório prolatado na instância a quo de alguma forma concorreu para o cerceamento do direito de defesa, descabe falar em decretação da sua nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUTORIZAÇÃO. O ordenamento jurídico vigente autoriza à Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA. Não é merecedora de credibilidade a escrituração que deixa de refletir vultosa movimentação bancária, apurada em contas bancárias de interposta pessoa. No caso vertente, os créditos bancários não contabilizados representam mais de setenta e cinco por cento da receita declarada, de modo que a autoridade fiscal, não dispondo de elementos confiáveis para adotar o regime de tributação adotado pela contribuinte fiscalizada, agiu bem ao promover o arbitramento do lucro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 13 45 /2 01 0- 61 Fl. 5760DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.756 2 DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A alegação de que a tributação se deu de forma duplicada, haja vista a identidade entre a matéria declarada e a que foi apurada de ofício, exige que sejam aportados ao processo elementos capazes de tornar indubitável a conclusão, mormente na circunstância em que a receita omitida tributada de ofício teve por lastro a movimentação em contas bancárias de interposta pessoa. MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Em conformidade com a Súmula CARF nº 34, nos lançamentos em que se apura omissão de receita, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ILEGITIMIDADE. Cabe ao sócio indicado no Termo de Responsabilidade Tributária a apresentação, em seu nome, dos argumentos de defesa, revelando ilegitimidade passiva a insurgência da pessoa jurídica contra o referido feito. PRECLUSÃO. À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo realtor. “documento assinado digitalmente” Adriana Gomes Rêgo Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 5761DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.757 3 Relatório NOROESTE AUTO PEÇAS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas a partir da constatação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido foram determinados por meio do arbitramento do lucro, vez que a escrituração mantida pela contribuinte foi considerada pela Fiscalização como imprestável para apuração das bases de cálculo correspondentes. Transcrevo, a seguir, relato feito em primeira instância acerca dos fatos apurados e das razões de defesa apresentadas pela contribuinte em sede de impugnação. ... Consta no processo que a fiscalização teve início para verificar a movimentação financeira de Walter Nicoletti, que, sendo intimado, não apresentou os extratos bancários, motivo pelo qual foi expedida a Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF). Analisando os citados extratos bancários, verificouse a necessidade de circularizar alguns remetentes e destinatários de recursos movimentados nas contas bancárias de Walter Nicoletti (Banco do Brasil S/A e Nossa Caixa S/A), ficando evidente que elas eram utilizadas por Denilson César Marzocchi para movimentar recursos da Noroeste, da qual Denilson era proprietário. Novamente intimado, Walter Nicoletti confirmou ter dado procuração para o Sr. Denilson movimentar suas contas bancárias. Sendo intimado, Denilson César Marzocchi informou que "durante o ano de 2006 foram realizadas transações nas referidas contas correntes, podendo ser os recursos de minha responsabilidade nos negócios gerados". Tendo sido constatada, principalmente por meio da circularização entre débitos e créditos das contas de Walter Nicoletti, que a movimentação financeira é da Noroeste de propriedade de Denílson César Marzocchi, foi aberta fiscalização em nome da citada empresa, a qual foi intimada a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas bancárias, bem assim a apresentar os livros Diário, Razão, documentos que deram origem aos lançamentos e Lalur. Referidos livros foram apresentados, no entanto, não foi comprovada a origem dos valores depositados nas contas correntes de Walter Nicoletti, sendo a contribuinte novamente intimada a fazer essa comprovação e a apresentar nova Fl. 5762DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.758 4 escrituração contábil, juntamente com os documentos que dariam origem a ela. Em resposta, a contribuinte afirmou que "a origem da movimentação financeira, objeto da intimação, é dos negócios próprios da empresa". A fiscalização constatou que os recursos movimentados nas contas de Walter Nicoletti não foram escriturados pela Noroeste e representam 78,17% do total da movimentação financeira efetivamente escriturada, o que torna a escrita fiscal imprestável para determinar o lucro real, sendo arbitrado o lucro da empresa. Foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária contra o sócio Denílson César Marzocchi, conforme se vê às fls. 1727/1728. Notificada do lançamento, a contribuinte, representada pelo sócio Denílson César Marzocchi (fls. 1807 a 1811, 1836/1837), ingressou com a impugnação de fls.1815 a 1835, alegando: Nulidade do lançamento. A fiscalização cometeu falha grave ao identificar a matéria tributável e efetuar a tributação com base na movimentação bancária de origem não comprovada, quando ficou comprovado que a origem dos depósitos eram as operações normais da empresa, da comercialização de suas mercadorias. Não existe lugar, nesse caso, para a presunção fundada no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; Os créditos/depósitos extraídos dos extratos bancários e resumidos nas planilhas, identificados com a rubrica "cobrança", uma vez reconhecidos como operação comercial da empresa Noroeste, não podem e não devem ser taxados como "presunção" de omissão de receita. Vide, por exemplo, o valor de R$ 23.799,60 no extrato à fl. 372 e na planilha de fl. 1690; Ilegalidade da quebra do sigilo bancário. O auto de infração é nulo, pois houve quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, o que torna ilícita a prova daí decorrente; A fiscalização valeuse, para determinação da matéria tributável, da movimentação financeira da pessoa física de Walter Nicoletti, em total afronta ao Código Tributário Nacional (CTN), art. 43, e art. 153, III, da Constituição Federal (CF). A movimentação bancária não caracteriza rendimento auferido, sendo que um mesmo valor pode circular por meio de reiteradas operações de depósitos, transferências e saques sem que, necessariamente, tenha ocorrido o acréscimo patrimonial; O art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, deve ser interpretado de forma sistemática com a regra do art. 43 do CTN, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da hierarquia das leis. A única interpretação do citado art. 42 é no sentido de que o depósito bancário seja considerado indício de receita auferida, cabendo ao Fisco a tarefa de desenvolver a fiscalização, apurando outros elementos seguros (aquisição de bens, variação patrimonial em geral, etc.) com vistas à efetiva identificação do fato gerador do tributo. A presunção de renda estabelecida por uma lei ordinária não pode afetar o conceito de renda delimitado por outra norma que tem força de lei complementar; Não existe motivo suficiente para que a sua escrituração seja declarada imprestável. Todos os documentos fiscais e todos os livros fiscais e contábeis solicitados foram apresentados e a escrituração foi elaborada de acordo com as leis comerciais e fiscais, tendo sido elaboradas as demonstrações financeiras. A Fl. 5763DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.759 5 fiscalização conhecia a receita bruta, por meio das Gias de ICMS, tanto que se utilizou desses valores, não havendo razão para o arbitramento; Ocorreu duplicidade na apuração da matéria a tributar: os valores apurados pela fiscalização retratados no item 01 do auto de infração estão incluídos no item 02. Os autuantes concluíram que a receita bruta do período é a soma da receita declarada e da presunção de omissão de receitas oriundas dos depósitos bancários; Não consta no Termo de Constatação Fiscal e nem no Auto de Infração o motivo que levou a fiscalização ao agravamento da multa. Para a exigência da multa de 150% deve ficar comprovado o intuito de fraudar, o que não ocorreu no presente processo, pois atendeu às intimações da fiscalização e a alegada imprestabilidade de sua escrituração contábil ocasionou o arbitramento do lucro; Não há legitimidade para o enquadramento do sócio Denílson César Marzocchi como responsável pelo crédito tributário, com fundamento no art. 124 do CTN, uma vez que essa tipificação legal prestase tãosomente para atribuir responsabilidade a terceiros interessado no fato gerador e não aos seus sócios. Não há como imputar ao sócio da empresa o dever de recolher tributos da sociedade sem que haja comprovação de fraude ou outras práticas previstas nos arts. 135 e 137 do CTN; Os autuantes não apontam qualquer fato concreto que embasaria o redirecionamento da autuação fiscal ao sócio da empresa, aduzindo apenas que não resta dúvida do total envolvimento do sócio Denílson César Marzocchi nesse esquema para tirar proveito dos recursos financeiros correspondentes aos tributos sonegados; A simples falta de recolhimento de tributo não tem o condão de firmar a responsabilidade pessoal do administrador pelo crédito tributário, mas tãosomente a sua responsabilidade solidária pelo tributo, nos termos do art. 134 do CTN, ou seja, sobrevindo a liquidação da sociedade, se a falta de recolhimento do tributo constitui omissão imputável ao dirigente. A já citada 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1433.382, de 19 de abril de 2011, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em contas de depósito mantidas em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. Fl. 5764DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.760 6 A escrituração que contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real, implica arbitramento do lucro. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOA. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoa arrolada como responsável solidária pelos tributos exigidos da contribuinte. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual, afirmando que a decisão recorrida se ateve a repetir as conclusões trazidas aos autos pela Fiscalização, renovou parte dos argumentos expendidos na peça impugnatória e aditou outros. Nesse sentido, sustentou a Recorrente: que a real omissão de receita só pode ser apurada diretamente; que, se a Fiscalização concluiu que há omissão de receita, é imperioso que sejam levados ao processo todos os elementos e todas as provas que servem de suporte para o lançamento; que, pela ausência da busca da verdade material e falta de motivação, a decisão de primeira instância é nula; Fl. 5765DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.761 7 que, por disposição legal, o ônus da prova que embasou o lançamento é da autoridade lançadora, e não do contribuinte; que a Fiscalização sequer se empenhou no sentido do aproveitamento da escrituração contábil, simplesmente abandonou e partiu para o caminho mais fácil, que é o arbitramento de lucros; que não existe motivo suficiente para que a escrituração contábil seja declarada como imprestável; que a decisão da recorrida sequer se pronunciou sobre a duplicidade de tributação aplicada pelo Fisco; que os valores apurados pela fiscalização retratadas no item 001 do auto de infração estão incluídos no item 002, sendo um absurdo pensar que apesar dos Auditores estarem de posse de todos os documentos do ano de 2006, efetuaram o lançamento de tributos sobre a soma dos dois valores; que não consta no Termo de Constatação Fiscal e nem no Auto de Infração o motivo que levou a Fiscalização à qualificação da multa; que, da análise dos documentos constantes dos autos e das suposições da autoridade administrativa lançadora, não se pode dizer que houve o "evidente intuito de fraude" que a lei exige para a aplicação da penalidade qualificada; que é perfeitamente cabível a apreciação da solidariedade passiva do sócio na fase administrativa; que, ao dizer que o seu sócio não poderia discutir sua condição de solidariamente responsável nesta fase administrativa, porque isto seria matéria restrita à fase judicial de execução do crédito tributário, o acórdão recorrido, verdadeiramente, vedou o amplo direito de defesa. Em sessão realizada em 16 de março de 2012, a Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara prolatou o acórdão nº 130200.836, cuja ementa, abaixo transcrita, torna claro o motivo pelo qual foi decretada a nulidade da decisão de primeiro grau. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO. O responsável tributário que ingressa na relação jurídicotributária como sujeito passivo indireto, poderá dela ser excluído se assim entender as autoridades competentes para apreciar as suas razões. Não conhecer os argumentos expendidos pelos indicados nos autos para compor o pólo passivo da obrigação tributária constitui, à evidência, cerceamento do direito de defesa. Em novo pronunciamento, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1438.402, de 16 de agosto de 2012, considerar não impugnada a matéria por parte do indicado no Termo de Responsabilidade lavrado pela autoridade fiscal e manter, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados. O referido julgado restou assim ementado: Fl. 5766DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.762 8 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em contas de depósito mantidas em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. A escrituração que contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real, implica arbitramento do lucro. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo responsável indicado no Termo de Responsabilização. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. Cientificada da referida decisão, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 5.055/5.081, sustentando: Fl. 5767DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.763 9 o não acolhimento, por parte da decisão recorrida, da determinação no sentido de apreciar a imputação de responsabilidade solidária; a duplicidade na apuração da matéria tributada; a nulidade da decisão de primeira instância; que o ônus da prova que embasou o lançamento é da autoridade autuante; não ter havido autorização judicial para acesso às contas bancárias; a ausência de instauração de procedimento contra ela no ano de 2009, ano em que as requisições da movimentação financeira foram efetuadas; a contabilização das operações retratadas nos extratos bancários que serviram de suporte para os lançamentos; ausência de empenho da Fiscalização no sentido de aproveitar a sua escrituração contábil; ausência de motivo para que a escrituração fosse considerada imprestável; o total dos depósitos bancários é inferior ao montante das receitas declaradas; a inaplicabilidade da multa qualificada; a nulidade dos autos de infração do PIS e da COFINS. Em documento datado de 30 de janeiro de 2014, o Sr. Denilson César Marzocchi, indicado como sujeito passivo solidário, apresentou documento, por meio do qual requereu a extinção do processo, haja vista a adesão a parcelamento especial. É o Relatório. Fl. 5768DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.764 10 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso interposto por NOROESTE AUTOPEÇAS LTDA. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas a partir da constatação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Por entender que a escrituração mantida pela contribuinte era imprestável para apuração das bases de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a autoridade fiscal promoveu o arbitramento do lucro. Amparada nas disposições dos arts. 124, I, do Código Tributário Nacional, A fiscalização atribuiu responsabilidade solidária ao Sr. Denílson César Marzocchi, sócio da contribuinte. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após tecer considerações acerca dos fatos retratados nos autos e do pronunciamento da Turma Julgadora de primeiro grau, a Recorrente discorre sobre as seguintes matérias: forma de apuração de receitas omitidas; necessidade que sejam trazidos ao processo as provas que serviram de suporte para o lançamento tributário; a necessidade de a Fiscalização comprovar o nexo de causalidade entre a omissão de receitas e os depósitos bancários; o fato de, nos termos do art. 924 do RIR/99, o ônus da prova pertencer à autoridade lançadora; a possibilidade de o crédito tributário constituído revelarse nulo, haja vista o seu desconhecimento acerca das causas ou motivos que levaram o Fisco a promover o lançamento. Não merecem acolhimento os argumentos expendidos pela Recorrente. Em conformidade com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 1.743/1.756, a fiscalizada, ora Recorrente, movimentou recursos de sua titularidade em contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI, sendo que tal movimentação não foi objeto de escrituração. Intimada a prestar esclarecimentos acerca da origem dos depósitos e créditos efetuados nas contas bancárias em questão, a Recorrente nada comprovou, o que impulsionou a Fiscalização a considerar os referidos montantes como receita omitida, haja vista o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Os fatos apontados no Termo de Constatação Fiscal em referência podem assim ser sintetizados: i) primeiramente, foi instaurado procedimento fiscal no Sr. WALTER NICOLETTI, por meio do qual foi solicitado ao referido senhor esclarecimentos acerca da sua movimentação financeira; Fl. 5769DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.765 11 ii) em atendimento a pedido de informação formalizado pela Fiscalização, o Sr. WALTER NICOLETTI simplesmente respondeu, in verbis (fls. 162): O requerente conta hoje com 72 anos de idade e reside juntamente com sua esposa no endereço supra. Toda documentação que recebe referente a banco, após analisálas, as destrói, não possuindo, em seu poder, qualquer tipo de documentação solicitada; além de tudo, a solicitação referese ao ano de 2006. Nunca, em emissão de cheques, fotocopiouos para qualquer finalidade que seja, razão pela qual não possui nenhuma cópia dos mesmos. Diante das alegações supra não reúne condições de atender as solicitações constante da presente intimação. iii) novamente intimado, o Sr. WALTER NICOLETTI informou (fls. 166): WALTER NICOLETTI, já qualificado, vem mui respeitosamente à presença de V. Sa. dizer que em atenção ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, em 13 de abril p.p o peticionário protocolou junto a essa unidade a resposta das solicitações firmadas conforme se verifica da cópia anexa., não reunindo condições de atender as solicitações feitas iv) diante da incompatibilidade da movimentação bancária do Sr. WALTER NICOLETTI e da possibilidade de os recursos não pertencerem, de fato, a ele, a Fiscalização emitiu Requisições de Movimentação Financeira (RMF), relativamente às contas bancárias nºs 283344 (NOSSA CAIXA) e 85472 (BANCO DO BRASIL); v) tomando por base os documentos encaminhados pelas instituições financeiras, a Fiscalização realizou diligências, que resultaram na constatação de que as contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI eram utilizadas pelo, à época, seu genro, Sr. DENÍLSON CÉSAR MARZOCCHI, para movimentar recursos da Recorrente, da qual ele é sócio proprietário; vi) o Sr. WALTER NICOLETTI foi novamente intimado para justificar a movimentação financeira, sendo, na ocasião, indagado a respeito do fato de ter dado procuração para o Sr. DENÍLSON CÉSAR MARZOCCHI movimentar suas contas bancárias, e, após prorrogação do prazo para atendimento, informou, por escrito, que efetivamente deu procuração para que o referido senhor movimentasse suas contas bancárias; vii) a ação investigadora foi, então, direcionada para o Sr. DENÍLSON CÉSAR MARZOCCHI, que, após ser intimado e reintimado a se manifestar acerca da procuração recebida e da origem dos recursos movimentados nas contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI, admitiu a realização de transações, no ano de 2006, por meio das referidas contas bancárias; viii) evidenciado o fato de que os recursos movimentados nas contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI diziam respeito a negócios da Recorrente, a ação fiscal foi, mais uma vez, redirecionada, desta vez para ela, para a Recorrente; Fl. 5770DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.766 12 ix) intimada reiteradas vezes acerca da origem dos recursos movimentados nas contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI, a Recorrente limitouse a informar que referida movimentação dizia respeito a negócios próprios da empresa; x) a Recorrente também foi reiterada vezes intimada a promover nova escrituração, e, tanto em relação a essa questão, como em relação à movimentação bancária do. Sr. WALTER NICOLETTI, cingiuse a repisar informações anteriormente prestadas; xi) para a Fiscalização, o quadro extraído das verificações empreendidas é claramente revelador da INTERPOSIÇÃO DE PESSOA (Sr. WALTER NICOLETTI), tendo o Sr. DENÍLSON CÉSAR MARZOCCHI, como sócio proprietário da Recorrente, utilizado contas bancárias de terceiro para movimentar recursos financeiros da fiscalizada, recursos esses não escriturados e que representam 78,17% do total da movimentação financeira que foi efetivamente escriturada, tornando, assim, referida escrituração, imprestável para fins de determinação do lucro real; xii) embora comprovado que os recursos movimentados por meio das contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI efetivamente pertenciam à Recorrente, não houve por parte desta comprovação acerca da origem dos depósitos e créditos ali registrados, o que atraiu a aplicação das disposições do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; xiii) diante da imprestabilidade da escrituração, o lucro foi arbitrado com base na receita bruta conhecida, considerandose como tal o montante declarado ao Fisco estadual (R$ 6.771.877,21) acrescido da omissão de receita apurada a partir dos depósitos e créditos efetuados na conta do Sr. WALTER NICOLETTI (R$ 5.025.983,82). Conforme registro feito nas peças acusatórias, o Termo de Constatação Fiscal que, inclusive, serviu de base para apresentação do resumo acima, as integrou, de modo que a Recorrente dele tomou conhecimento. Quanto a esse aspecto, observo que a autuada requisitou, por meio do seu representante legal, cópia do processo, de modo que teve a oportunidade de conhecer, em detalhes, a natureza da infração que lhe foi imputada, os documentos que serviram de lastro para tal imputação e o enquadramento legal correspondente. Revelase, pois, descabido, o argumento de que não foram trazidos ao processo as provas que serviram de base para o lançamento tributário. Perscrutando os autos, identifico neles as intimações lavradas pela Fiscalização; as respostas apresentadas pelos intimados; os documentos que comprovam a natureza dos recursos movimentados nas contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI; e os extratos bancários que lastrearam a quantificação da receita tida como omitida, documentação que, acompanhada das informações trazidas pelo Termo de Constatação Fiscal, possibilitam a perfeita compreensão por parte fiscalizada da infração que lhe foi imputada pela autoridade fiscal. Como é cediço, a partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, créditos bancários para os quais o contribuinte não comprove, por meio de documentos hábeis e idôneos, a sua origem, também caracterizam a omissão de receitas. Equivocase a Recorrente quando afirma que caberia à Fiscalização comprovar o nexo de causalidade entre a omissão de receitas e os depósitos bancários, e de Fl. 5771DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.767 13 que, nos termos do art. 924 do RIR/99, o ônus da prova, no caso, pertence à autoridade lançadora. Quem deveria demonstrar o nexo de causalidade entre a omissão e os créditos bancários era a Recorrente, cabendo à Fiscalização, apenas, adotar o rito estabelecido na norma legal que introduziu a presunção, especialmente no que diz respeito à regular intimação ao contribuinte e à individualização dos referidos créditos. Tratandose de presunção prevista em lei, à autoridade fiscal cumpre, tão somente, provar o fato indiciário propulsor da aplicação da citada presunção. O caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, traz de forma expressa a inversão do ônus, senão vejamos: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] O dispositivo legal é claro no sentido de que, caso a pessoa física ou jurídica, regularmente intimadas, não comprovem, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento. Ausentes, pois, elementos capazes de justificar a invalidade do ato decisório recorrido, bem como o cerceamento do direito de defesa, rejeito a preliminar argüida. ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA Contestando o modo pelo qual a autoridade fiscal acessou a movimentação bancária que serviu de lastro para os lançamentos, a Recorrente consigna que “não houve autorização judicial” para tal. Esclarece que, no caso, “primeiramente houve acesso às contas bancárias e somente depois de um ano iniciouse a fiscalização na empresa”, o que afrontaria as disposições da Lei Complementar nº 105, de 2001. Adiante, afirma: É importante ressaltar que não há no processo outros extratos bancários. Só esses em nome do Walter e que as operações neles descritas foram contabilizadas. Não há movimentação bancária à margem da contabilidade. Não foi apurado (a) omissão de receita como alega o Sr. Auditor na página 4 do Termo de Constatação – fls. 1748. Relativamente ao acesso à movimentação bancária, é certo que o ordenamento jurídico vigente autoriza à Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), a utilizar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras, inexistindo, pois, violação a dispositivo de lei capaz de contaminar os feitos fiscais quanto a esse aspecto. Fl. 5772DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.768 14 A requisição às instituições financeiras revelouse regular, eis que presentes indícios de que o titular de direito das contas bancárias, Sr. Walter Nicoletti, era interposta pessoa do titular de fato (a fiscalizada, ora Recorrente). Resta evidente que, tratandose de movimentação de recursos por meio da interposição de pessoas, a confirmação de tal fato (a interposição) só pode se dar a partir da instauração do procedimento em nome do titular de direito das contas bancárias e do conseqüente acesso aos documentos utilizados na movimentação de referidas contas, eis que somente a partir de tal providência é possível identificar o titular de fato dos recursos movimentados. Portanto, absolutamente dissociada da realidade da investigação as considerações trazidas pela Recorrente, cabendo ressaltar, a título de mero esclarecimento, que a instauração do procedimento nela, depois de um ano do início das investigações, é simples resultado daquele que foi instaurado na pessoa que foi utilizada como meio para obstar o conhecimento do Fisco acerca do verdadeiro titular dos recursos movimentados. A Recorrente afirma que os recursos movimentados por meio das contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI foram contabilizados, porém, não comprova. Como é cediço, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Não são merecedoras de guarida, assim, as alegações da Recorrente. ARBITRAMENTO DO LUCRO Alega a Recorrente que a Fiscalização “sequer se empenhou no sentido do aproveitamento da escrituração contábil da contribuinte, simplesmente a abandonou e partiu para o cominho mais fácil, que é o arbitramento de lucros”. A realidade retratada no processo não é exatamente essa. Com efeito, a Fiscalização apurou e demonstrou que, por meio da utilização de contas bancárias de terceiro, a contribuinte fiscalizada movimentou recursos financeiros à margem da escrituração (a utilização de contas bancárias de terceiro constitui fato incontroverso nos autos, eis que admitido por ela própria). A partir de tal constatação e diante do volume dos recursos movimentados sem a devida contabilização, cuidou a autoridade fiscal de determinar o refazimento da escrituração de modo que a movimentação bancária fosse toda ela contemplada. Entretanto, nenhuma providência foi adotada pela autuada. Cabe destacar que estamos diante de créditos bancários no montante de R$ 5.025.983,82, que representam mais de setenta e cinco por cento daquilo que foi declarado à Receita Federal (R$ 6.644.464,33, conforme DIPJ de fls. 04/320). À evidência, uma escrituração que deixa de contabilizar operações desse vulto não é merecedora de credibilidade. Tenho por certo que, nas circunstâncias versadas nos autos, caso a Fiscalização simplesmente tivesse considerado o regime de tributação adotado pela Recorrente (lucro real), ela estaria sustentando a invalidade do lançamento, visto que em tal situação a receita omitida seria integralmente adicionada para fins de tributação, haja vista a apuração de resultados fiscais positivos em todos os trimestres submetidos a exame. Fl. 5773DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.769 15 Não custa lembrar que, ao arbitrar o lucro, apenas 9,6% e 12% da receita bruta conhecida constituiu base de cálculo do imposto e da contribuição social, respectivamente. A afirmação da Recorrente no sentido de que “o total dos depósitos bancários é inferior ao montante das receitas declaradas” só se mostraria relevante na situação em que os referidos depósitos, embora efetuados em contas bancárias de terceiro, tivessem sido efetivamente contabilizados, o que, entretanto, não restou comprovado nos autos. A Recorrente afirma que “o fiscal encontrou 11,7 milhões de receita. Os 6,7 milhões com documentos fiscais e declarados, mas que na visão do Auditor não transitaram pelo banco e os 5 milhões que transitaram pelos bancos, mas, também na visão do Auditor, a empresa omitiu”. A assertiva, com o devido respeito, é digna de reparos. É importante destacar que os BANCOS a que faz referência a Recorrente são aqueles em que o Sr. Walter Nicoletti mantinha as contas bancárias que, como restou demonstrado pela Fiscalização, movimentaram recursos dela, da Recorrente. Não se trata, portanto, de BANCOS, ao menos no que diz respeito à matéria tributável apontada no presente processo, nos quais a contribuinte detinha contas bancárias devidamente contabilizadas. Absolutamente imprópria, portanto, a comparação pretendida pela Recorrente, eis que não se pode confrontar receitas declaradas e que supostamente transitaram em contas bancárias de titularidade de fato e de direito do contribuinte fiscalizado com as omitidas, apuradas em contas bancárias de terceiro. Procedente, a meu ver, o arbitramento do lucro. DUPLICIDADE NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL A alegação básica da contribuinte, que deriva, até certo ponto, das ilações trazidas por ela em relação ao item anterior, é de que os valores apurados pela fiscalização e que constituem o objeto da infração 001 do auto de infração, estão incluídos no item 002. A infração 001 do auto de infração cuida da receita omitida apurada com base nos depósitos bancários, enquanto a 002 trata da receita declarada ao Fisco estadual. Obviamente, se acolhida a pretensão da Recorrente no sentido de que houve duplicidade de tributação, simplesmente desaparece o objeto da tributação de ofício, eis que os valores declarados superam os omitidos. Contudo, tenho por absolutamente equivocada a argumentação da Recorrente, e, em razão das lacunas que a permeia, até mesmo tendenciosa. Como já dito, a receita omitida apurada pela Fiscalização decorreu de investigação em contas bancárias de interposta pessoa, circunstância em nenhum momento ventilada pela contribuinte em sua peça recursal. A Recorrente trata a matéria como as receitas omitidas decorressem simplesmente de créditos apurados em contas bancárias de sua titularidade que foram Fl. 5774DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.770 16 devidamente contabilizados, o que, com a devida permissão, não guarda qualquer relação com os fatos retratados no processo. Além de não comprovar que os créditos registrados nas contas bancárias do Sr. Walter Nicolleti foram devidamente escriturados, a Recorrente também não reúne aos autos elementos capazes de comprovar que a totalidade de suas receitas transitaram pelas referidas contas bancárias, sendo elas, essas citadas contas, as únicas movimentadas por ela na exploração do seu negócio. Tenho, pois, por inexistente a duplicidade de tributação, por absoluta ausência de comprovação da alegação. MULTA QUALIFICADA Alega a Recorrente “que não consta no Termo de Constatação Fiscal e nem no Auto de Infração o motivo que levou a fiscalização ao agravamento da multa”. Em resumo, diz que não há razão para a qualificação da penalidade visto que: a) tratase de lançamento por presunção e não por omissão de receita; b) ainda que a presunção fosse verdadeira, ocorreu apenas em um ano calendário, não havendo reincidência; e c) não se trata de movimentação em nome de interposta pessoa e todos os valores movimentados foram escriturados. De início, rejeito peremptoriamente a alegação da Recorrente no sentido de que o Termo de Constatação Fiscal silenciou quanto ao motivo que serviu de suporte para a qualificação da multa de ofício. Os fragmentos abaixo reproduzidos, extraídos do referido Termo de Constatação, são suficientes para demonstrar a absoluta improcedência da alegação da Recorrente, senão vejamos: D . DA MULTA QUALIFICADA 23. Ficou devidamente comprovado o dolo com que agiu a Noroeste, através de seu sócioproprietário Sr. Denilson César Marzocchi, impedindo e retardando o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conforme dispõe o artigo 44, inciso I e § lº , da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, que diz: ... 24. Ficou evidentemente comprovado que o sócio Sr. Denilson César Marzocchi utilizouse de contas particulares para movimentar os recursos da Noroeste, ou seja, utilizouse de "interposta pessoa", com evidente intuito de fraudar os cofres públicos. Com essa conduta, o sócio escondeu esses recursos do fisco para não oferecêlos à tributação. Observamos que os referidos valores tratamse na realidade de faturamento da Noroeste, creditados com históricos de liquidação de cobrança de títulos, além de depósitos em cheques e dinheiro, que segundo a própria contribuinte (fls. 1685) , tratamse de "negócios próprios da empresa ", mas que em nenhum momento a Noroeste comprovou, com documentação hábil e idônea, a origem desses recursos. 25. Durante todo o ano de 2006 a Noroeste utilizou as contas bancárias do Sr. Walter Nicoletti para movimentar seus recursos, e conforme constatamos neste procedimento fiscal, o objetivo era esconder sua movimentação financeira do Fisco. Fl. 5775DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.771 17 26. Restou totalmente comprovada a intenção da Noroeste em esconder os valores movimentados nas contas bancárias em questão, bastando observar o seu comportamento quanto a forma dessa movimentação através de saques na boca do caixa, através de cheques nominais à contribuinte e por ela endossados, conforme cópias às fls. 498 a 992. 2 7 . A Noroeste agiu, através do seu sócioproprietário Sr. Denilson César Marzocchi, de forma ardilosa e dolosa, durante o anocalendário de 2006, tentando impedir e esconder as obrigações tributárias a que estava submetida e o respectivo fato gerador do imposto, tanto que movimentou seus recursos em nome do "laranja" Sr. Walter Nicoletti, e, quando devidamente intimada e reintimada, não comprovou a origem dos recursos creditados/depositados nessas contas bancárias, conforme exaustivamente aqui relatado. 28. Assim sendo, há de se considerar que os elementos previstos no inciso I e § lº do art. 44 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Medida Provisória n° 351 , de 22 de janeiro de 2007, se verificam e se aplicam na presente fiscalização. Insubsistente, como se vê, o argumento da Recorrente. Como reiteradamente referenciado, estamos diante de movimentação de recursos financeiros por meio da interposição de pessoa. Assim, na linha inclusive do assinalado no Termo de Constatação Fiscal, descabe maiores considerações acerca da procedência da multa qualificada, vez que a situação atrai a aplicação da súmula CARF nº 34, abaixo transcrita. Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Procedente, pois, a exasperação da penalidade. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Amparandose no pronunciamento da Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara acerca da necessidade de os argumentos relacionados à imputação de responsabilidade ao seu sócio serem objeto de apreciação, a Recorrente, tecendo considerações sobre o princípio da legalidade e a respeito de normas que regem o processo administrativo, sustenta, em apertada síntese, que não há razão para que os seus argumentos deixem de ser apreciados. A Turma Julgadora de primeiro grau, instada pela decisão exarada pela Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara, não conheceu a impugnação apresentada pela pessoa jurídica autuada no que tange à responsabilização do Sr. Denílson César Marzocchi, por entender, em apertada síntese, que a referida peça de defesa não pode aproveitálo, sob pena de violação às disposições do 48 do CPC. Por ter sido o Relator da decisão prolatada pela Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara (acórdão nº 130200.836), esclareço, com o intuito de afastar eventual argüição de contradição, que a referida decisão apenas não acolheu o entendimento esposado em primeira instância no sentido de que não competia às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoa apontada como responsável solidária. Exigia Fl. 5776DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.772 18 se, assim, pronunciamento acerca dos argumentos expendidos na peça impugnatória, ainda que fosse para não conhecêlos haja vista a ausência de legitimidade da pessoa jurídica autuada para, em nome do sócio apontado como devedor solidário, contestar a imputação feita pela Fiscalização, o que, no caso, acabou ocorrendo. Quanto a tal pronunciamento, qual seja, ilegitimidade da pessoa jurídica autuada para apresentar defesa em nome do sócio, renovo aqui posicionamento já adotado nos acórdãos nºs 1301001.292, 1301001.212 e 1301001.064, que alinhase ao entendimento esposado no ato decisório recorrido, isto é, no caso vertente, inexiste legitimidade da Recorrente para se insurgir contra o feito em nome do sócio indicado no Termo de Responsabilidade Tributária. Caberia, pois, ao Sr. Denílson César Marzocchi, em seu próprio nome, impugnar a exigência. Assim, ratificando o decidido em primeiro instância, deixo de conhecer os argumentos expendidos pela pessoa jurídica autuada, relativamente à imputação de sujeição passiva solidária promovida pela Fiscalização ao seu sócio, Sr. Denílson César Marzocchi. NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DO PIS E DA COFINS Tecendo considerações acerca da tributação monofásica do PIS e da COFINS a que se submetem os fabricantes e importadores de auto peças, sustenta a Recorrente que parte de sua mercadoria revendida foi anteriormente tributada pelas referidas contribuições, de modo que, relativamente a essas revendas, não cabe a incidência de tais exações. Quanto a essa questão, cabe considerar que a Recorrente a trouxe, apenas, em sede de recurso, ou seja, o mérito das exigências relativas ao PIS e à COFINS não foram objeto de impugnação, eis que na contestação inicial a contribuinte simplesmente assinalou: VI DOS AUTOS REFLEXOS DO PIS, DA COFINS E DA C. SOCIAL Considerando que os referidos Autos de Infração são decorrentes da autuação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a improcedência deste, conforme vigorosamente comprovada, comporta igual tratamento àqueles, isto é, aos lançamentos reflexos deve ser dado o mesmo destino do lançamento principal. É cediço que, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Ainda que assim não seja, a Recorrente, além de admitir que apenas parte de suas receitas derivaria de operações submetidas à tributação monofásica, não aporta ao processo documentos capazes de identificar as operações correspondentes, sendo certo que as planilhas juntadas ao recurso são imprestáveis para tal intento. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 5777DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.773 19 Destaco, contudo, que, em razão do pedido formalizado pelo Sr. Denílson César Marzocchi, a unidade administrativa responsável pela execução da presente decisão deverá observar as disposições do Código Tributário Nacional acerca do instituto da SOLIDARIEDADE, especialmente o estabelecido no inciso I do art. 125 do referido diploma legal. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 5778DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
score : 1.0
Numero do processo: 15940.720168/2012-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009, 01/12/2009 a 31/12/2009
01/02/2010 a 28/02/2010
PROVAS. A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade na formação da convicção da autoridade julgadora.
IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. A empresa é obrigada a descontar e recolher a contribuição do segurado empregado, respondendo por seu inadimplemento, independentemente de estar ou não gozando da imunidade que se limita às contribuições previdenciárias patronais.
MULTA DE OFÍCIO. Será aplicada a multa de ofício quando verificada a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração ou declaração inexata, constatando-se tais situações de forma objetiva, dispensando-se a verificação do elemento subjetivo da conduta do agente.
MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE. Aos fatos geradores anteriores à Medida Provisória 449/2008, aplica-se a multa de ofício quando esta mostrar-se menos severa ao sujeito passivo do que às multas previstas na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ewan Teles Aguiar - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: EWAN TELES AGUIAR
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A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade na formação da convicção da autoridade julgadora. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. A empresa é obrigada a descontar e recolher a contribuição do segurado empregado, respondendo por seu inadimplemento, independentemente de estar ou não gozando da imunidade que se limita às contribuições previdenciárias patronais. MULTA DE OFÍCIO. Será aplicada a multa de ofício quando verificada a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração ou declaração inexata, constatandose tais situações de forma objetiva, dispensandose a verificação do elemento subjetivo da conduta do agente. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE. Aos fatos geradores anteriores à Medida Provisória 449/2008, aplicase a multa de ofício quando esta mostrarse menos severa ao sujeito passivo do que às multas previstas na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 01 68 /2 01 2- 34 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ewan Teles Aguiar Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15940.720168/201234 Acórdão n.º 2403002.969 S2C4T3 Fl. 156 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – SANATÓRIO SÃO JOÃO LTDA contra Acórdão nº 1441.562 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto RPO , que julgou procedente a autuação. O que se discute nos autos em análise é o AI lavrados em 20/11/2012, sendo cientificado o contribuinte em 24/11/2012, assim descritos: ► DEBCAD 51.032.7834 decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal referente à contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados, descontada pela empresa das remunerações e não recolhida, no valor de R$ 33.249,42 (trinta e três mil, duzentos e quarenta e nove reais e quarenta e dois centavos), incluindo o principal, juros e multa de ofício. Nos termos do Relatório Fiscal, o lançamento lançada referese às seguintes verbas: salários, horasextras, adicionais, férias normais gozadas e outras vantagens, discriminadas em folhas de pagamento, termos de rescisão de contrato de trabalho e recibos de férias, inclusive décimo terceiro salário. Em atenção à regra exposta no artigo 106, II, “c” do CTN, que impõe – em caso de alteração legal superveniente à ocorrência do fato gerador e de lançamento ainda não definitivamente julgado a aplicação da penalidade menos gravosa ao sujeito passivo, foi aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44, I da Lei 9.430/96, em virtude da alteração promovida no artigo 35 da Lei 8.212/91, pela Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, conforme esclarecimentos detalhados no Relatório Fiscal. Irresignada, a autuada apresentou impugnação na qual alega que: Por decisão judicial, o fisco está impedido de constituir o crédito tributário, ainda que com o objetivo de prevenir a decadência, antes do julgamento definitivo da ADI 2028; A autuada goza de imunidade, inclusive reconhecida judicialmente. A suspensão da exigibilidade do crédito perdurou de 2000 a 2008, quando provido agravo de instrumento que reformou a liminar concedida em sede de ação cautelar. Foi proferida sentença julgando improcedentes os pedidos da autuada, contudo, referida decisão não encontra respaldo no ordenamento jurídico vigente, pois é equivocado o entendimento de que os requisitos para fruição da imunidade possam ser instituídos por lei ordinária. Discorre acerca da controvérsia do tema e afirma que o STF ainda não sedimentou entendimento quanto ao tema. A fiscalização baseouse em decisão proferida pelo STF em 1999, quando da análise de pedido de concessão de liminar em Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Ação Direta de Inconstitucionalidade. Referido entendimento já está ultrapassado, “sendo certo que o Supremo Tribunal Federal adotará medidas para proceder ao julgamento conforme determina a boa técnica, pugnando pela inconstitucionalidade de qualquer requisito para fruição de imunidades tributárias que esteja sendo veiculado por intermédio de lei ordinária”. Da referida sentença, foi interposta apelação em 22/08/2012, pendente de julgamento no TRF. Discorre a respeito da imunidade tributária, da importância dos serviços de saúde, dos princípios constitucionais aplicáveis. Aduz que o fisco está descumprindo a decisão judicial, ainda que não definitiva, que obsta o nascimento da obrigação tributária. Descreve as dificuldades enfrentadas na administração da instituição, inclusive com interdição judicial de uma das sócias. Aduz que os atos praticados por esta sócia não são válidos. Menciona a crise financeira enfrentada e informa que caso não sejam excluídos os créditos lançados não lhe restará outra alternativa além de recorrer ao Poder Judiciário. Resume seus argumentos concluindo que o crédito não poderia existir pois, conseqüência de uma administração desastrosa e contrário à decisão judicial. Impetrou mandado de segurança objetivando consolidar seus débitos no parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009 (Refis da Crise). Mesmo a ação mandamental ainda não tendo sido julgada, a fiscalização não poderia efetuar o lançamento. Esclarece que renunciou às discussões judiciais, pagando as parcelas no valor estipulado até o mês anterior ao da consolidação, mas ainda assim, o fisco lhe negou o direito à consolidação do parcelamento. Não pode subsistir a multa aplicada. Não houve pagamento parcial ou a menor, não houve preenchimento equivocado da GFIP e, não houve falta de declaração ou declarações inexatas. Para a qualificação da multa é necessário que haja a comprovação da intenção de fraude, o que não se verifica no caso concreto. Invoca o princípio da vedação ao confisco e alerta pela impossibilidade de pagamento dos valores excessivos. Ao final, pugna pela nulidade do processo ante a inobservância da decisão judicial, pela desconstituição dos AI que integram o feito, a exclusão da multa ou sua redução, bem como dos juros aplicados ao mínimo possível, além da realização das necessárias diligências, inclusive pericial, bem como a produção de todas as provas admitidas. A impugnação apreciada pela 9ª Turma da DRJ/São José do Rio Preto, manteve hígido o lançamento, tendo sido expressa a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007, 01/12/2008 a 31/12/2008 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15940.720168/201234 Acórdão n.º 2403002.969 S2C4T3 Fl. 157 5 PROVAS. A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade na formação da convicção da autoridade julgadora. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. A empresa é obrigada a descontar e recolher a contribuição do segurado empregado, respondendo por seu inadimplemento, independentemente de estar ou não gozando da imunidade que se limita às contribuições previdenciárias patronais. MULTA DE OFÍCIO. Será aplicada a multa de ofício quando verificada a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração ou declaração inexata, constatandose tais situações de forma objetiva, dispensandose a verificação do elemento subjetivo da conduta do agente. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE. Aos fatos geradores anteriores à Medida Provisória 449/2008, aplicase a multa de ofício quando esta mostrarse menos severa ao sujeito passivo do que às multas previstas na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Intimada da Decisão em 20/05/2013(fls. 131), persistindo inconformado o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos trazidos quando de sua impugnação. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ewan Teles Aguiar , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o Mérito. QUANTO AO MÉRITO Do Requerimento pela Produção de Provas: A autuada requereu a produção de todas as provas necessárias e admitidas, inclusive prova pericial e diligências. O ordenamento jurídico contempla regras garantidoras da celeridade processual e, nesse sentido, os elementos trazidos aos autos são suficientes à formação da convicção necessária ao seu julgamento, cabendo o indeferimento do pleito para a produção de outras provas, posto serem desnecessárias, o que se faz com fulcro na Portaria 10.875/2007, artigo 11, e Decreto 70.235/72, artigo 18. Da Contribuição Lançada: O lançamento referese à contribuição previdenciária dos segurados empregados, descontada pela empresa e não recolhida. A autuada alegou que o crédito tributário não poderia ter sido constituído pois contrário à decisão judicial, proferida em processo no qual pleiteia o reconhecimento de sua condição de entidade beneficente e, por conseguinte, beneficiária da imunidade das contribuições previdenciárias. No entanto, tal controvérsia não tem qualquer relação com as contribuições objeto do presente AI, pois, ainda para as empresas que gozam da imunidade em questão, persiste a obrigação de efetuar o recolhimento da contribuição dos segurados. O caso sob análise referese à contribuição dos segurados, não abrangida pela imunidade tratada no artigo 195, § 7o da Constituição Federal. Assim, independentemente de ser ou não beneficiária da imunidade em questão, tem a autuada a obrigação de descontar a contribuição do segurado que lhe presta serviços, e efetuar o recolhimento decorrente, respondendo em caso de inadimplemento. Quanto ao argumento de que houve a interdição judicial de uma das sócias da instituição e, por isso, os atos por ela praticados não são válidos, tal alegação não interfere na ocorrência do fato gerador, nos termos dos artigos 114 e 116 do CTN e na decorrente obrigação da autuada de efetuar o recolhimento da contribuição. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15940.720168/201234 Acórdão n.º 2403002.969 S2C4T3 Fl. 158 7 E por fim, no que se refere às dificuldades financeiras da instituição, é certo que a autoridade fiscal não pode por esse motivo, deixar de proceder ao lançamento atividade plenamente vinculada nos termos do artigo 142 do CTN. Da Multa e dos Juros: Não assiste razão à recorrente quando questiona a multa que, na forma aplicada, segundo entende, exigiria a comprovação de fraude do sujeito passivo. A multa imposta foi da ordem de 75%, como se vê à fl. 03, onde o tributo perfaz o montante de R$ 16.375,00, enquanto a multa corresponde a 75% dessa quantia, ou seja, R$ 12.281,26. Conforme os relatórios FLD – Fundamentos Legais do Débito que também integram o AI, a multa de ofício tem fundamento nos dispositivos legais a seguir transcritos: Lei n° 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A situação concreta sob análise se amolda perfeitamente ao tipo legal. A autuada não declarou em GFIP a contribuição devida nem efetuou seu recolhimento, dando azo à aplicação da multa de ofício de 75%, mas não da qualificadora prevista no artigo 44, § 1o da Lei 9.430/96, que resultaria em multa de 150%, esta sim, condicionada a existência de sonegação, fraude ou conluio. Portanto, a multa de ofício aplicada decorre da constatação de situações objetivas o não pagamento e a não declaração das contribuições em GFIP – dispensando a verificação do elemento subjetivo da conduta do agente, este sim necessário à qualificação da multa em 150% com base no § 1o do artigo 44 da Lei 9.430/96 (não aplicada ao caso presente), já que a qualificação está vinculada à constatação de sonegação, fraude ou conluio. Quanto à suscitada natureza confiscatória da multa, tal argumento trazido pela impugnante representa a argüição de inconstitucionalidade do dispositivo legal vigente e que estabelece a penalidade aplicável. A respeito, a atribuição dos julgadores da esfera administrativa está limitada a afastar a aplicação apenas de leis e atos normativos excluídos do ordenamento jurídico, nos termos dispostos na Portaria RFB 10.875, de 16 de agosto de 2007 (publicada no DOU 24/08/2007) em seu artigo 18 e no Decreto 70.235/72, artigo 26A, introduzido pela Medida Provisória 449/2008. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Assim, considerandose que a multa aplicada, bem como os juros incidentes sobre o crédito tributário lançado, encontramse respaldados na legislação vigente, a alteração ou afastamento desses acréscimos legais com base em suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade esbarra na impossibilidade deste órgão julgador administrativo apreciar questões desta índole. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, e no mérito NEGAR PROVIMENTO. É como voto. Ewan Teles Aguiar. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10680.013544/2006-87
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto, que dava provimento parcial ao recurso voluntário e Meigan Sack Rodrigues, que dava provimento ao recuso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada no percentual de 50% por falta de recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada que deixar de ser efetuado no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real optante pelo pagamento do tributo em cada mês. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2003 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada no percentual de 50% por falta de recolhimento de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada que deixar de ser efetuado no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real optante pelo pagamento do tributo em cada mês. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 35 44 /2 00 6- 87 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 228 2 tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto, que dava provimento parcial ao recurso voluntário e Meigan Sack Rodrigues, que dava provimento ao recuso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0305 com a exigência do crédito tributário no valor de R$451.588,97, a título de multa de ofício isolada por falta de recolhimento de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada com base no lucro real nos meses de fevereiro, março, maio e agosto do anocalendário de 2002. Consta na Descrição dos Fatos e no Enquadramento Legal: 001 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo cotejo entre dados declarados em DIPJ e os declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em anexo, que é parte integrante deste auto. [...] Arts. 222, 843, e 957, parágrafo único, inciso IV, do RIR/99. [...] Fl. 228DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 229 3 II Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0911, com a exigência do crédito tributário no valor de R$159.576,72, a título de multa de ofício isolada por falta de recolhimento de Contribuição obre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada com base no lucro real nos meses de fevereiro, março, maio e agosto do anocalendário de 2002. Consta na Descrição dos Fatos e no Enquadramento Legal: 001 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo cotejo entre dados declarados em DIPJ e os declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em anexo, que é parte integrante deste auto. [...] Art. 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. [...] Os lançamentos fundamentamse na falta de recolhimentos de IRPJ e de CSLL apurados pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e aqueles confessados na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF). Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 99107, com as alegações a seguir transcritas: III PRELIMINAR: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Antes do exame das questões de mérito a serem argüidas nesta defesa que certamente conduzirão à insubsistência da exigência contida neste auto de infração cumpre apontar, ab initio, os vícios de nulidade que maculam o lançamento fiscal em tela. O lançamento tributário é, nos termos do artigo 142 do CTN, o procedimento administrativo tendente, dentre outras finalidades, a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente (grifamos) Ou seja, pelo lançamento a autoridade competente busca constatar a ocorrência concreta do evento descrito na lei como necessário e suficiente ao nascimento da obrigação fiscal correspondente. Consentâneo com esta norma, o item III do artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 prevê que o auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, “a descrição do fato”. Disto decorre que a validade do ato administrativo do lançamento depende da existência em seu texto da exata descrição do fato gerador da exigência fiscal. Se assim é, sendo o lançamento um ato administrativo vinculado, a Administração ao praticálo deve indicar expressamente os motivos do ato para possibilitar a apreciação, em cada caso concreto, do efetivo cumprimento das normas legais respectivas. A essa exposição dos motivos que determinaram a prática do ato é que se denomina motivação, que deve consistir na indicação do texto de lei que autoriza a edição do ato, bem como do pressuposto de fato que permite a sua prática. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 230 4 E somente através desta indicação é que se torna possível o efetivo controle da legalidade do ato administrativo, no caso o lançamento tributário, bem como o exercício pelo acusado do amplo direito de defesa que lhe é assegurado constitucionalmente. Esta exigência nada mais é do que decorrência do princípio da legalidade da ação administrativa, que tem como base jurídica o art. 5°, II da Constituição Federal, dispositivo que figura há décadas em nosso ordenamento fundamental e estabelece que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;”. Após o advento da Constituição Federal de 1988 o principio da legalidade dos atos administrativos mereceu formulação explícita e clara, por força do art. 37 do Texto Constitucional, [...]. Assim, de um lado, o ato administrativo para ser válido deve apoiarse numa disposição legal que o preveja e, ao mesmo tempo, deverá ser praticado apenas e tão somente se a situação de fato concretamente verificada for aquela que a própria lei contempla como autorizadora da sua prática. Ocorre que a simples alegação de que a Impugnante não teria informado todos recolhimentos realizados à titulo de IRPJ e CSLL estimativas nas DCTF's entregues nos meses descrito no relato fiscal, aliada à menção a dispositivos legais genéricos, nem de longe atende à perfeita e precisa indicação não só do enquadramento legal mas também da motivação que embasam a exigência fiscal ora atacada e sua relação com as situações de fato que deram ensejo à autuação. O auto de infração ora impugnado deveria, portanto, conter a fundamentação fática, total e suficiente dos motivos que ensejaram a sua lavratura o que, porém não ocorreu na espécie. De fato, a fim de evidenciar a carência de motivação adequada da presente autuação, temse o fato de que, ao mesmo tempo em que o fiscal autuante relata a divergência dos valores constantes nas DCTF's e na DIPJ como sendo o motivo para a aplicação da multa isolada, verificase que os dispositivos legais por ele invocados são pertinentes à aplicação de multa por falta de recolhimento do imposto. [artigo 957, parágrafo único do RIR/99]. Da leitura do referido artigo [art. 957 do RIR, de 1999] verificase que a aplicação da multa isolada de 75% somente pode ocorrer quando houver falta ou insuficiência dos recolhimentos dos valores devidos à título de IRPJ e CSLL por estimativa este que não ocorreu na espécie. Não há, portanto, identidade entre a realidade fática (descrita no relato fiscal) e a descrição da suposta infração cometida pela Impugnante, carecendo a capitulação constante do auto de infração de motivação eficaz. Como conseqüência disso, tal ato administrativo padece de vício de ilegalidade que o torna nulo de pleno direito e insuscetível de produzir quaisquer efeitos jurídicos, sobretudo porque os vícios apontados impedem a plena defesa da Impugnante, a caracterizar o cerceamento do direito de seu exercício, assegurado pela Constituição Federal. IV DO DIREITO A despeito dos fundamentos acima, que conduzem à nulidade do auto de infração impugnado, é imperativo analisar também as razões de direito que o tornam Fl. 230DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 231 5 improcedente, em vista da absoluta inexistência do objeto da infração suscitada pela fiscalização. Inicialmente, cumpre ressaltar que a matéria tratada nestes autos versa unicamente sobre a possibilidade da fiscalização exigir da Impugnante multa isolada de 75% sobre as diferenças apuradas a título de IRPJ e CSLL estimativas resultantes do confronto das informações constantes das DCTF's e da DIPJ referentes ao ano calendário de 2002. Como já destacado acima a multa de 75%, prevista nos artigos 957, parágrafo único do RIR/99 e artigo 44, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, somente pode ser aplicada quando e se o fisco constatar recolhimento(s) de IRPJ e CSLL menor(es) do que a base de cálculo estimada para aquele período Ocorre que, a infração que poderia ensejar a aplicação da multa prevista nos artigos acima referidos não existiu. Ou seja, a Impugnante não deixou de recolher aos cofres públicos o valor devido mensalmente a título de IRPJ CSLL estimativas. O próprio fiscal autuante, reconhecendo a higidez com que a Impugnante realiza o pagamento de seus tributos, não a autuou por falta de recolhimento, mas sim por mero descumprimento de obrigação acessória, qual seja, deixar de declarar nas DCTF's referentes a alguns meses de 2002 a forma com que realizou os pagamentos mensais dos valores devidos a título de IRPJ e CSLL estimativas. Dessa maneira, revelase completamente improcedente a multa imposta pela autoridade fiscal à Impugnante, pois trata o contribuinte que recolheu devidamente os valores referentes ao IRPJ e CSLL estimativas de forma igual ao contribuinte que simplesmente deixou de recolher o tributo. Ademais, cumpre ressaltar que a suposta infração, que somente foi verificada quase 05 anos após o encerramento do anocalendário de 2002, não trouxe nenhum prejuízo ao erário, tendo em vista que os valores devidos a titulo de IRPJ e CSLL estimativas foram devidamente recolhidos aos cofres públicos, sendo esse mais um motivo para não prosperar a autuação que ora se pretende anular. O reconhecimento da improcedência da aplicação de multa isolada de 75% prevista nos artigos 957, parágrafo único do RIR/99 e artigo 44, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, quando a diferença do recolhimento mensal do tributo só for apurada após o fechamento do anocalendário, já foi objeto de inúmeras decisões das Câmaras do E. Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. [...] Dessa maneira, outro não poderia ser o entendimento da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais que, em julgamento realizado em 02.12.2002, reconheceu que a exigência da multa prevista no artigo 44, inciso IV, da Lei n° 9.430/96 (e repetida nos mesmos termos no artigo 957, parágrafo único do RIR/99) não tem cabimento se o descumprimento versar sobre desatendimento de mera obrigação acessória apurada após o encerramento do ano calendário, sem repercussão na órbita do tributo. [...] Foi exatamente isso o que aconteceu no presente caso: a Impugnante realizou mensalmente o recolhimento do tributo (obrigação principal), conforme se verifica das informações constantes da DIPJ, mas não declarou através das DCTF's apresentadas (obrigação acessória) a forma através da qual realizou o referido pagamento. Sendo assim, uma vez encerrado o anocalendário e constatado que do procedimento adotado pela Impugnante não adveio nenhum prejuízo ao fisco (tendo Fl. 231DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 232 6 em vista que o tributo devido foi totalmente recolhido aos cofres públicos), há que se concluir que o presente auto de infração é totalmente improcedente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto resta demonstrado de forma clara e inequívoca que o lançamento efetuado é totalmente improcedente, razão pela qual pede e espera a Impugnante seja julgada procedente a presente impugnação para o fim de tornar insubsistente o auto de infração impugnado. Por fim, requer a posterior juntada de instrumento de mandato. Está registrado como ementa e excerto do Voto condutor do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0219.113, de 16.09.2008, fls. 175182: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento, e O contribuinte, no exercício pleno de sua defesa, manifestou contestação de forma ampla e irrestrita, em consonância com O rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 MULTA ISOLADA ESTIMATIVA RETROATIVIDADE BENIGNA É legitima a exigência de multa isolada, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do Imposto de Renda determinado sob base de cálculo estimada, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no anocalendário correspondente, cujo percentual deve ser reduzido em face do advento de lei nova que impôs penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2003 M MULTA ISOLADA \ ESTIMATIVA RETROATIVIDADE BENIGNA É legítima a exigência de multa isolada, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento da Contribuição Social determinada sob base de cálculo estimada, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base negativa no anocalendário correspondente, cujo percentual deve ser reduzido em face do advento de lei nova que impôs penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. [...] Fl. 232DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 233 7 Nesse contexto, o percentual da multa isolada deve ser reduzido para 50%, em observância ao princípio da retroatividade benigna previsto na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, segundo o qual a lei se aplica a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Notificada em 15.10.2008, fl. 185, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.11.2008, fls. 186198, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que: III PRELIMINAR: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Como destacado na impugnação, o lançamento tributário é, nos termos do artigo 142 do CTN, o procedimento administrativo tendente, dentre outras finalidades, "... a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente ...” (grifamos) Ou seja, pelo lançamento a autoridade competente busca constatar a ocorrência concreta do evento descrito na lei como necessário e suficiente ao nascimento da obrigação fiscal correspondente. Consentâneo com esta norma, o item III do artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 prevê que o auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, “a descrição do fato”. Disto decorre que a validade do ato administrativo do lançamento depende da existência em seu texto da exata descrição do fato gerador da exigência fiscal. Se assim é, sendo o lançamento um ato administrativo vinculado, a Administração ao praticálo deve indicar expressamente os motivos do ato para possibilitar a apreciação, em cada caso concreto, do efetivo cumprimento das normas legais respectivas. A essa exposição dos motivos que determinaram a prática do ato é que se denomina motivação, que deve consistir na indicação do texto de lei que autoriza a edição do ato, bem como do pressuposto de fato que permite a sua prática. E somente através desta indicação é que se torna possível o efetivo controle da legalidade do ato administrativo, no caso o lançamento tributário, bem como o exercício pelo acusado do amplo direito de defesa que lhe é assegurado constitucionalmente. Esta exigência nada mais é do que decorrência do princípio da legalidade da ação administrativa, que tem como base jurídica o art. 5°, II da Constituição Federal. Após o advento da Constituição Federal de 1988 o princípio da legalidade dos atos administrativos mereceu formulação explicita e clara, por força do art. 37 do Texto Constitucional [...]. Assim, de um lado, o ato administrativo para ser válido deve apoiarse numa disposição legal que o preveja e ao mesmo tempo, deverá ser praticado apenas e tão somente se a situação de fato concretamente verificada for aquela que a própria lei contempla como autorizadora da sua prática. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 234 8 No presente caso, a simples alegação de que a Recorrente não teria informado todos os recolhimentos realizados a título de IRPJ e CSLL estimativas nas DCTF's entregues nos meses descritos no relato fiscal, aliada à menção a dispositivos legais genéricos, nem de longe atende à exigência da perfeita e precisa indicação da motivação e do enquadramento legal da conduta objeto da autuação. De fato, as informações contidas no relato da autuação em comento são tão incompletas e imprecisas que geraram a confusão da própria autoridade julgadora que rejeitou a preliminar de nulidade do auto de infração apresentada pela ora Recorrente em sua impugnação, sob o argumento de que “as normas apostas nos autos de infração e nos TVF se coadunam inteiramente com a infração capitulada (lançamento da multa isolada em razão da falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL)" [...]. Ocorre que, como se observa do próprio relato fiscal e como exaustivamente destacado na defesa apresentada, a multa imputada à ora Recorrente não está relacionada à falta do recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL (esse fato, aliás, sequer foi ventilado pelo fiscal autuante em seu relato fiscal), mas sim ao fato da ora Recorrente ter supostamente deixado de declarar nas DCTF's apresentadas os valores de IRPJ estimativa devidos nos meses de fevereiro, março, maio e agosto de 2002 e os valores de CSLL estimativa devidos para os meses de fevereiro, março, maio, agosto, outubro e novembro de 2002 [...]. Ou seja, ao mesmo tempo em que o fiscal autuante relata a divergência dos valores constantes nas DCTF's e na DIPJ como sendo o motivo para a aplicação da multa isolada, verificase que os dispositivos legais por ele invocados são pertinentes à aplicação de multa por falta de recolhimento do imposto, razão pela qual resta evidente a carência de motivação adequada da presente autuação. [...] Da leitura do referido artigo [art. 957 do RIR, de 1999] verificase que a aplicação da multa isolada de 75% somente pode ocorrer quando houver falta ou insuficiência dos recolhimentos dos valores devidos a titulo de IRPJ e CSLL por estimativa, fato este que, como será demonstrado a seguir, não ocorreu na espécie. Não há, portanto, identidade entre a realidade fática (descrita no relato fiscal) e a descrição da suposta infração cometida pela recorrente, carecendo a capitulação constante do auto de infração de motivação eficaz. Como consequência disso, tal ato administrativo padece de vício de ilegalidade que o torna nulo de pleno direito e insuscetível de produzir quaisquer efeitos jurídicos, sobretudo porque os vícios apontados impedem a plena defesa da Recorrente, a caracterizar o cerceamento do direito de seu exercício, assegurado pela Constituição Federal. Diante do acima exposto, espera e confia a Recorrente que esse Egrégio Conselho de Contribuintes irá reformar a decisão recorrida, para declarar nula a autuação fiscal. IV DO DIREITO A despeito dos fundamentos acima, que conduzem à nulidade do auto de infração ora combatido, é imperativo analisar também as razões de direito que o tornam improcedente, em vista da absoluta inexistência do objeto da infração suscitada pela fiscalização. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 235 9 Inicialmente, cumpre ressaltar que a matéria tratada nestes autos versa unicamente sobre a possibilidade da fiscalização exigir da Recorrente multa isolada sobre as diferenças apuradas a título de IRPJ e CSLL estimativas resultantes do confronto das informações constantes das DCTF's e da DIPJ referentes ao ano calendário de 2002. Como já destacado acima, a multa em comento somente pode ser aplicada quando e se o fisco constatar recolhimento(s) de IRPJ e CSLL menor(es) do que a base de cálculo estimada para aquele período. Ocorre que a infração que poderia ensejar a aplicação da multa prevista nos artigos acima referidos não existiu. Ou seja, a recorrente não deixou de recolher aos cofres públicos o valor devido a título de IRPJ e CSLL. O próprio fiscal autuante, reconhecendo a higidez com que a Recorrente realiza o pagamento de seus tributos, não a autuou por falta de recolhimento, mas sim por mero descumprimento de obrigação acessória, consistente em deixar de declarar nas DCTF's referentes a alguns meses de 2002 a forma com que realizou os pagamentos mensais dos valores devidos a titulo de IRPJ e CSLL estimativas. Entretanto, a referida informação parece ter sido ignorada pela r. decisão recorrida, pois esta mantém a autuação em tela sob o fundamento de que “constatada a falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, o contribuinte estava sujeito ao lançamento da multa isolada no percentual de 75% sobre o valor que deixou de ser pago no referido mês, ainda que tivesse apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente". [...] Ademais, cumpre ressaltar, mais uma vez, que a suposta infração não trouxe nenhum prejuízo ao Erário, tendo em vista que os valores devidos a titulo de IRPJ e CSLL estimativas foram devidamente recolhidos aos cofres públicos, sendo esse mais um motivo para não prosperar a autuação que ora se pretende anular. O reconhecimento da improcedência da aplicação de multa isolada prevista nos artigos 957, parágrafo único do RIR/99 e artigo 44, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, quando a diferença do recolhimento mensal do tributo só for apurada após o fechamento do anocalendário, já foi objeto de inúmeras decisões das Câmaras desse E. Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. [...] Sendo assim, uma vez encerrado o anocalendário e constatado que do procedimento adotado pela Recorrente não adveio nenhum prejuízo ao fisco (tendo em vista que o tributo devido foi totalmente recolhido aos cofres públicos), há que se concluir que o auto de infração é totalmente improcedente. Dessa maneira, revelase improcedente a multa imposta pela autoridade fiscal à Recorrente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto e por tudo o mais que dos autos consta, resta demonstrado de forma clara e inequívoca que o lançamento efetuado é totalmente improcedente, razão pela qual pede e espera a Recorrente seja totalmente provido o presente Fl. 235DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 236 10 Recurso por essa C. Câmara, reformandose assim a r. decisão recorrida, para o fim de tornar insubsistente o lançamento impugnado. O presente processo está instruído com a cópia da Resolução da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803000.123, de 22.10.2014, fls. 203225, proferida no processo nº 13603.901354/201014 da mesma pessoa jurídica, ex Ceva Logistics Ltda, CNPJ 43.854.116/000109, que na parte dispositiva está consignado: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, devolver o presente processo em razão da impossibilidade de julgamento tomando em conta a necessidade de que seja julgado em conjunto com processo nº 10680.013544/2006 87, que se encontra pendente de sorteio [...] Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, cujos autos devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 237 11 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por atos administrativos que, como uma espécie de ato jurídico, devem estar revestidos dos atributos que lhes conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produzam efeitos que vinculem o administrado deve ser emitidos (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratando se de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Tendo em vista que a atividade do lançamento é vinculada, a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados podem ser examinados pelo Erário e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos 3. Ademais, as exigências de ofício podem ser realizadas sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 46. A autoridade administrativa competente privativamente constituiu o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo em que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, identificou o sujeito passivo e, sendo caso, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Portanto, todos os aspectos do fato gerador da obrigação tributária estão precisamente expostos nos Autos de Infração, quais sejam: temporal, material, subjetivo, quantitativo e espacial. Além disso, consta nesse ato expressamente a descrição dos fatos e o enquadramento. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional4. Assim, os Autos de Infração, fls. 0305 e 0911 e o Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0219.113, de 16.09.2008, fls. 175182, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que 2 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 4 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 238 12 ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação das multas de ofício isoladas. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes de suspensão ou redução devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). Privilegiando o princípio da verdade material, consta no enunciado da Súmula CARF nº 93 que "a falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa". A aplicação das multas de ofício isoladas pressupõe falta dos recolhimentos de IRPJ e de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada, ainda que o sujeito passivo tenha sido apurado prejuízo fiscal para o IRPJ e base de cálculo negativa para a CSLL, no ano calendário correspondente5. A apuração das insuficiências de recolhimentos de IRPJ e de CSLL para fins de determinação da base de cálculo das multas de ofício isoladas foi levada a efeito a partir do cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e aqueles confessados na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF). Vale lembrar que esse critério foi utilizado corretamente levandose em conta que a partir de 01.01.1999 a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), tem natureza jurídica tão somente informativa, de modo que não é instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União do saldo a pagar relativo ao tributo ali informado6. Por seu turno, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício7. Esse é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 8, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF9. 5 Fundamentação Legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 6 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: Fl. 238DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 239 13 Por essa razão, os débitos de IRPJ e de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada confessados em DCTF não podem integrar a base de cálculo das multas de ofício isoladas por falta dos recolhimentos em referência. O valor tributável foi estabelecido corretamente pela diferença entre os dados informados na DIPJ e aqueles confessados em DCTF ou efetivamente recolhidos nos meses de meses de fevereiro, março, maio e agosto do anocalendário de 2002, conforme indicação minuciosa nos Termos de Verificação Fiscal, fls. 0608 e 1214, cujos motivos estão evidenciados de forma explícita, clara e congruente, nos termos da legislação de regência da matéria. O pressuposto é de que a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. Por esta razão, caso as obrigações tributárias mencionadas não sejam cumpridas a pessoa jurídica fica sujeita à multa de 50% (cinquenta por cento), aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos não recolhidos ou das insuficiências apuradas. Este percentual foi fixado a partir 15.06.2007, abrandando aquele originalmente previsto. Assim, para os atos não definitivamente julgados em que for imposta a penalidade em percentual mais severo previsto na lei vigente ao tempo da sua prática, a lei superveniente mais branda aplicase ao ato pretérito, tendo em vista a excepcionalidade prevista no princípio da retroatividade benigna10. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 0608, em relação ao IRPJ, cujos fundamentos de fato e de direito cabem ser adotados de plano por estarem comprovados nos autos: Em 02 de Outubro de 2006, foram iniciados os trabalhos com o envio do Termo de Intimação Fiscal nº 01, cuja ciência se deu em 05 de outubro de 2006 , para que o contribuinte cumprisse a prestação do contido naquele Termo. Apresentou o Contribuinte, atendendo ao Termo de Intimação, em 24 de outubro de 2006 , pedido de prorrogação do prazo para atendimento do termo de intimação n° 001 até 30 de outubro de 2006, prorrogação concedida em 25 de outubro de 2006. O Contribuinte, em 30 de outubro de 2006 apresentou os seguintes documentos: 1. Cópia parte A do LALUR, ano calendário 2002; 2. Cópia dos balancetes de Suspensão e do Balanço de 2002 e dos termos de abertura e encerramento; 3. Cópia dos comprovantes dos tributos federais cujos fatos geradores ocorreram em 2002; <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 9 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 10 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 240 14 A Fiscalização, com base nos documentos acima, dos sistemas informatizados da SRF, de relatórios internos e procedendo conforme determinado nos Anexos I e II a Norma de Execução Cofis n° 004, de 21 de julho de 2006, extraiu e compilou os seguintes dados relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ: IRPJ Ano Calendário 2002 IRPJ Estimativa DIPJ IRPJ Declarado DCTF Valor Pago IRPJ Sinal IRPJ a Pagar/Compensar IRPJ Estimativa DIPJ DCTF Multa Isolada 75% Janeiro 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 273.264,97 0,00 0,00 273.264,97 273.264,97 204.948,73 Março 107.653,34 0,00 0,00 107.653,34 107.653,34 80.890,01 Abril 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Maio 165.772,41 0,00 0,00 165.772,41 165.772,41 124.329,31 Junho 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Julho 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Agosto 235.353,59 0,00 180.125,70 55.221,59 55.221,59 41.420,92 Setembro 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Outubro 336.546,68 336.546,68 336.546,68 0,00 0,00 0,00 Novembro 417.210,68 417.210,68 417.210,68 0,00 0,00 0,00 Dezembro 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Total 1.536.001,67 753.757,36 933.883,06 602.118,61 602.118,61 451.588,97 Da análise das declarações, dos documentos e dos dados acima, verificase que o Contribuinte: Na DIPJ informou IRPJ estimativa devido para os meses de fevereiro, março, maio, agosto, outubro e novembro de 2002, no valor total de R$1.536.001,67. Na DCTF deixou de apresentar informações relativas ao IRPJ estimativa para os meses de fevereiro, março, maio e agosto do ano de 2002, não informando, também, os pagamentos ou compensações efetuadas, conforme determina a legislação em vigor, para os meses de fevereiro, março, maio e agosto. Nos sistemas internos de pagamento, da Receita Federal, foi apurado pagamento por DARF no valor total de R$933.883,06 (coluna 3, da tabela acima ) e não o valor informado pelo contribuinte na DCTF, coluna 2 da mesma tabela . Confrontando os valores informados em DIPJ , coluna 1, da tabela acima, com os pagamentos constantes nos sistemas internos da receita, coluna 3, verificase uma omissão de declaração de IRPJ estimativa no valor de R$602.118,61 Pela omissão dos dados acima, incorreu, o Contribuinte, na infração prevista nos arts. 222 e 843 e 957, parágrafo único, inciso IV do RIR/99. Ficando sujeito à multa isolada correspondente a 75% do valor do imposto omitido, ou seja: Fato Gerador Imposto Omitido Multa Isolada Janeiro 0,00 0,00 Fevereiro 273.264,97 204.948,73 Março 107.653,34 80.890,01 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 241 15 Abril 0,00 0,00 Maio 165.772,41 124.329,31 Junho 0,00 0,00 Julho 0,00 0,00 Agosto 55.221,59 41.420,92 Setembro 0,00 0,00 Outubro 0,00 0,00 Novembro 0,00 0,00 Dezembro 0,00 0,00 Total 602.118,61 451.588,97 Face ao exposto acima, lavrouse o Auto de Infração que apurou o crédito tributário referente à multa exigida isoladamente IRPJ estimativa no valor de R$451.588,97 [...]. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 1214, em relação a CSLL, cujos fundamentos de fato e de direito cabem ser adotados de plano por estarem comprovados nos autos: Em 02 de Outubro de 2006, foram iniciados os trabalhos com o envio do Termo de Intimação Fiscal nº 01, cuja ciência se deu em 05 de outubro de 2006 , para que o contribuinte cumprisse a prestação do contido naquele Termo. Apresentou o Contribuinte, atendendo ao Termo de Intimação, em 24 de outubro de 2006 , pedido de prorrogação do prazo para atendimento do termo de intimação n° 001 até 30 de outubro de 2006, prorrogação concedida em 25 de outubro de 2006. O Contribuinte, em 30 de outubro de 2006 apresentou os seguintes documentos: 1. Cópia parte A do LALUR, ano calendário 2002; 2. Cópia dos balancetes de Suspensão e do Balanço de 2002 e dos termos de abertura e encerramento; 3. Cópia dos comprovantes dos tributos federais cujos fatos geradores ocorreram em 2002; A Fiscalização com base nos documentos acima, dos sistemas informatizados da SRF, de relatórios internos e procedendo conforme determinado nos Anexos I e II a Norma de Execução nº 004, de 21 de julho de 2006, extraiu e compilou as seguintes dados relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL: CSLL Ano Calendário 2002 CSLL Estimativa DIPJ CSLL Declarada DCTF Valor Pago CSLL Sinal CSLL a Pagar/Compensar CSLL Estimativa DIPJ DCTF Multa Isolada 75% Janeiro 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 121.315,31 0,00 0,00 121.315,31 121.315,31 90.986,86 Março 41.347,40 0,00 0,00 41.347,40 41.347,40 31.010,55 Abril 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Maio 66.330,37 16.735,60 16.735,60 49.594,77 49.594,77 37.196,08 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 242 16 Junho 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Julho 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Agosto 94.914,23 0,00 94.914,23 510,98 510,98 383,23 Setembro 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Outubro 131 996,63 131 996,63 131 996,63 0,00 0,00 0,00 Novembro 159.234,32 159.234,32 159.234,32 0,00 0,00 0,00 Dezembro 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Total 615.140,96 307.968,75 402.372,00 212.768,96 212.768,96 159.576,72 Da análise das declarações, dos documentos e dos dados acima, verificase que o Contribuinte: Na DIPJ informou IRPJ estimativa devido para os meses de fevereiro, março, maio, agosto, outubro e novembro de 2002, no valor total de R$615.140,96. Na DCTF omitiu os valores mensais da CSLL estimativa para os meses de fevereiro, março e agosto do ano de 2002, e não declarou, também qualquer pagamento ou compensação, conforme determina a legislação em vigor, exceto para o mês de maio que declarou e informou pagamento parcial no valor de R$16.735,60. Nos sistemas internos de pagamento, da Receita Federal, foi apurado pagamento por DARF no valor total de R$402.372,00 (coluna 3, da tabela acima ) e não o valor informado pelo contribuinte na DCTF, coluna 2 da mesma tabela . Confrontando os valores informados em DIPJ, coluna 1, da tabela acima, com os pagamentos constantes nos sistemas internos da receita, coluna 3, verificase uma omissão de declaração de CSLL estimativa no valor de R$212.768,96. Pela omissão dos dados acima, incorreu, o Contribuinte, na infração prevista nos arts. 222 e 843 e 957, parágrafo único, inciso IV do RIR/99. Ficando sujeito à multa isolada correspondente a 75% do valor do imposto omitido, ou seja: Fato Gerador Imposto Omitido Multa Isolada Janeiro 0,00 0,00 Fevereiro 121.315,31 90.986,86 Março 41.347,40 31.010,55 Abril 0,00 0,00 Maio 49.594,77 37.196,08 Junho 0,00 0,00 Julho 0,00 0,00 Agosto 510,98 383,23 Setembro 0,00 0,00 Outubro 0,00 0,00 Novembro 0,00 0,00 Dezembro 0,00 0,00 Total 212.768,96 159.576,72 Face ao exposto acima, lavrouse o Auto de Infração que apurou o crédito tributário referente à multa exigida isoladamente CSLL estimativa no valor de R$159.576,72 [...]. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 243 17 Adotando o princípio da retroatividade benigna, está registrado no Voto condutor do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0219.113, de 16.09.2008, fls. 175182: Cumpre porém ressaltar que a matéria em questão sofreu alteração posterior, tendo o percentual da multa isolada sido reduzido, consoante redação dada ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, pela Lei n” 11.488, de 15 de junho de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei n° 9. 430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 22 nos incisos I, III e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento). exigida isoladamente. sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 89 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2” desta Lei,_que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido. no ano~calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [...]" (grifos acrescentados) Conforme se depreende do texto transcrito, a multa isolada decorrente da falta de recolhimento da estimativa mensal passou a ser de 50% (art. 44, inciso II, “b” da Lei n° 9.430, de 1996). Nesse contexto, o percentual da multa isolada deve ser reduzido para 50%, em observância ao princípio da retroatividade benigna previsto na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, segundo o qual a lei se aplica a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Feitas estas considerações, tomando por base os valores das estimativas mensais devidas do IRPJ e da CSLL apuradas nos meses de fevereiro, março, maio e agosto de 2002, consoante os autos de infração e os demonstrativos que compõem os TVF correspondentes, o cálculo das multas isoladas deve ser efetuado conforme se segue (valores expressos em R$): MULTA ISOLADA IRPJ ESTIMATIVA Data IRPJ Estimativa (TVF fl. 06) Multa Isolada AI 75% Multa Isolada AI 50% 28/02/2002 273.264,97 204.948,73 136.632,48 31/03/2002 107.853,34 80.890,01 53.926,67 31/05/2002 165.772,41 124.329,31 82.886,20 31/08/2002 55.227,89 41.420,92 27.613,94 Total 451.588,97 301.059,29 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 244 18 MULTA ISOLADA CSLL ESTIMATIVA Data CSLL Estimativa (TVF fl. 12) Multa Isolada AI 75% Multa Isolada AI 50% 28/02/2002 121.315,81 90.986,86 60.657,90 31/03/2002 41.347,40 31.010,55 20.673,70 31/05/2002 49.594,77 37.196,08 24.797,38 31/08/2002 510,98 383,23 255,49 Total 159.576,72 106.384,47 O ajuste dos valores das multas de ofício isoladas já foram regularmente procedidos pela autoridade julgadora de primeira instância na sua integralidade. A alegação de boafé por não ter causado qualquer prejuízo ao Erário, não tem qualquer influência no presente lançamento de ofício, uma vez que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso11. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade12. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 11 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 12 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013544/200687 Acórdão n.º 1803002.579 S1TE03 Fl. 245 19 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13896.910079/2012-35
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 07 9/ 20 12 -3 5 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910079/201235 Resolução nº 3801000.880 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 246DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910079/201235 Resolução nº 3801000.880 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910079/201235 Resolução nº 3801000.880 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 248DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910079/201235 Resolução nº 3801000.880 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 249DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910079/201235 Resolução nº 3801000.880 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 250DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10935.001963/2006-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/09/2005
INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO, CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. APLICAÇÃO DA MULTA. PROVA DA TRANSFERÊNCIA DA TITULARIDADE DO VEÍCULO.
Não havendo prova do arrendamento do veículo transportador da mercadoria desacompanhada de nota fiscal deve ser mantida a responsabilidade do proprietário do veículo pela multa prevista no art. 3°, parágrafo único, do Decreto-lei n° 399/1968, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 16/09/2005 INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO, CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. APLICAÇÃO DA MULTA. PROVA DA TRANSFERÊNCIA DA TITULARIDADE DO VEÍCULO. Não havendo prova do arrendamento do veículo transportador da mercadoria desacompanhada de nota fiscal deve ser mantida a responsabilidade do proprietário do veículo pela multa prevista no art. 3°, parágrafo único, do Decreto-lei n° 399/1968, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé - Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/09/2005 INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO, CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. APLICAÇÃO DA MULTA. PROVA DA TRANSFERÊNCIA DA TITULARIDADE DO VEÍCULO. Não havendo prova do arrendamento do veículo transportador da mercadoria desacompanhada de nota fiscal deve ser mantida a responsabilidade do proprietário do veículo pela multa prevista no art. 3°, parágrafo único, do Decretolei n° 399/1968, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 19 63 /2 00 6- 37 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Florianópolis que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, por entender que as provas apresentadas no autos não seriam suficientes para demonstrar o arrendamento do veículo e, consequentemente, afastar a responsabilidade solidária do transportador. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 498.000,00, referente a multa exigida por infração às medidas de controle fiscal relativas a cigarro de procedência estrangeira. Depreendese da descrição dos fatos da presente autuação bem como da descrição dos fatos do Auto de Infração com Apreensão de Mercadorias n° 10935002225/0526 (fl. 04 a 06), no qual se baseou o Auto de Infração do presente processo, que no dia 16/09/2005, no interior do veículo tipo ônibus, placas GVP 4942, foram encontrados 249.000 maços de cigarro, que foram apreendidos por estarem desacompanhados de documentação que comprovasse a regular importação. Regularmente cientificada (fl. 01), o interessado apresentou impugnação de folhas 17 e 18, anexando os documentos de folhas 19 a 24. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, a interessada locou o veículo ora apreendido para a Sr. FRANCISCO DAMAS DA SILVA, e que este era o responsável pelo transporte, bem como de eventuais multas de qualquer natureza; Requer seja eximida a autuada da esdrúxula imputação, absolvendoa, por ser de inteira justiça. Em 05/12/2006, o processo foi baixado em diligência para que fosse juntado aos autos o ato administrativo por meio do qual foi aplicada a pena de perdimento. Tendo a autoridade preparadora juntado o documento de folhas 31. A DRJ em Florianópolis julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/09/2005 MULTA REGULAMENTAR. CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. TRANSPORTE. Constitui infração às medidas de controle fiscal a posse ou transporte de cigarros de procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular importação, sujeitando se o infrator à multa legal, além da aplicação da pena de perdimento dos cigarros apreendidos. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário repetindo basicamente as mesmas alegações de sua impugnação. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10935.001963/200637 Acórdão n.º 3102002.373 S3C1T2 Fl. 11 3 Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, no interior do veículo ÔNIBUS MARCA/M. BENZ ANO (FABRICAÇÃO/MODELO): 1986/1987 PLACA: GVP4942 CHASSI: 9BM364298GCX56161 CÓDIGO, RENAVAN: 248449788,, foram encontrados 249.000 maços de cigarros de procedência estrangeira sem documentação de sua regular importação, de propriedade da ora Recorrente. Por conta disso, foi lavrado auto de infração com apreensão de mercadorias, assim como o auto de infração do presente processo, para constituição do crédito tributário referente à multa prevista no parágrafo único do artigo 3°, do DecretoLei n° 399/1968, com a redação dada pelo artigo 78 da Lei n° 10.833/2003, que, juntamente com o artigo 2° do mesmo diploma legal, dispõe o seguinte: Art. 2° O Ministro da Fazenda estabelecerá medidas especiais de controle fiscal para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira. Art 3° Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem qualquer dos produtos nele mencionados. Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. Sendo clara a responsabilidade do transportador, a presente controvérsia se restringe à definição da suficiência ou não dos documentos apresentados pela ora Recorrente para comprovar o arrendamento do veículo ÔNIBUS MARCA/M. BENZ ANO (FABRICAÇÃO/MODELO): 1986/1987 PLACA: GVP4942 CHASSI: 9BM364298GCX56161 CÓDIGO, RENAVAN: 248449788, que estava transportando os 249.000 maços de cigarros de procedência estrangeira, desacompanhados de documentação fiscal. Isso porque, é certo que se presume que a posse do veículo é do respectivo proprietário e que este é responsável pelas infrações decorrentes de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes, nos termos do inciso II do art. 95 do DecretoLei n° 37/66. Assim, resta evidente que a definição da legitimidade passiva da ora Recorrente pressupõe a certificação de se, à época da infração, tinha a posse ou não do veículo que estava transportando os 249.000 maços de cigarros de procedência estrangeira, desacompanhados de documentação fiscal. É o que passamos a analisar. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA 4 Alega a Recorrente que entre os dias 10/09/05 e 14/09/2005, teria arrendado o citado veículo ao Senhor Francisco Damas da Silva. Para demonstrar o alegado traz aos autos uma Ficha de viagem sem contrato de Frete Turístico, na qual há a indicação de que o responsável pela viagem de um ônibus de 48 lugares (sem qualquer outra informação sobre o veículo) é de responsabilidade Senhor Francisco Damas da Silva. Vale ressaltar que este documento não está datado, não está assinado pelo responsável. Além disso, traz uma declaração do suposto arrendador, na qual afirma que no dia 10.07.05 foi abordado pela policia federal no veiculo da empresa KEISSON de PLACA: GVP4942 com uma carga de cigarros de propriedade do Sr Sávio Domingues Mota e que na ocasião ele era responsável pela carga e descarga da mercadoria e que recebia R$ 200,00 pela viagem. Ora, tais documentos não servem de prova do arrendamento do veículo. Como bem pontuado pela decisão recorrida “para que sua alegação de desconhecimento dos fatos por motivo de locação, pudesse ter um mínimo de credibilidade, deveria o interessado ter apresentado todos os documentos idôneos que comprovam tal operação. Contratos, notas fiscais, autorização da ANTT para a viagem de turismo, lista de passageiros, e tantos outros documentos comuns e corriqueiros para este tipo de atividade, entretanto o interessado simplesmente não traz aos autos qualquer elemento que possa fazer prova do alegado”. Assim, não tendo o Recorrente comprovado o arrendamento do veículo à época da infração, tampouco trazido qualquer outro elemento de defesa além da sua suposta ilegitimidade passiva, deve ser mantida a presente autuação. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001651/2010-68
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO COMPROVAÇÃO
É devida a contribuição previdenciária patronal sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, a qualquer título, na forma da Lei n.° 8.212/91, pelas entidades que não comprovem o pleno atendimento aos requisitos necessários à isenção de contribuições para a seguridade social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.202
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO COMPROVAÇÃO É devida a contribuição previdenciária patronal sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, a qualquer título, na forma da Lei n.° 8.212/91, pelas entidades que não comprovem o pleno atendimento aos requisitos necessários à isenção de contribuições para a seguridade social. Recurso Voluntário Negado
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NÃO COMPROVAÇÃO É devida a contribuição previdenciária patronal sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, a qualquer título, na forma da Lei n.° 8.212/91, pelas entidades que não comprovem o pleno atendimento aos requisitos necessários à isenção de contribuições para a seguridade social. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 16 51 /2 01 0- 68 Fl. 725DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10670.001651/201068 Acórdão n.º 2803004.202 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10670.001651/201068 Acórdão n.º 2803004.202 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a segurados obrigatórios, uma vez que não foi comprovada a suposta isenção defendida pelo contribuinte – parte terceiros. O r. acórdão – fls 685 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Existe ação judicial que comprova o direito à isenção. · O processo de concessão do CEBAS esta em andamento · Foi apresentada documentação a respeito do salário maternidade e família. · Incompetência do agente autuante · Prescrição · Requer o cancelamento do auto lavrado. É o relatório. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10670.001651/201068 Acórdão n.º 2803004.202 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4 e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Trasncrevemos o artigo 173 : Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria nas hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial Fl. 728DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10670.001651/201068 Acórdão n.º 2803004.202 S2TE03 Fl. 6 5 para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. (...) 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos Do relatório DAD – Discriminativo Analítico do Débito, constatase a não ocorrência de pagamentos referentes as rubricas sub examine, justificando a aplicabilidade do art. 173. Como a presente notificação se refere às competências 01/2005 a 12/2007, tendo sido dado ciência ao contribuinte em 20/08/2010, aplicandose o art. 173 do CTN não há competência decadente a ser considerada. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10670.001651/201068 Acórdão n.º 2803004.202 S2TE03 Fl. 7 6 DA AUTUAÇÃO Esta turma já apreciou a matéria de fundo quando da apreciação do processo 10670.001649/201099, acórdão 2803003.760, de 04.11.2014, de lavra do i. Conselheiro Helton Praia. Os argumentos enfrentados foram os mesmos, razão pela qual adoto o voto proferido, que ora reproduzo. A autuação fiscal se deu em razão do contribuinte ter apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, pois se declarou como entidade beneficente de assistência social – FPAS 639, quando o correto seria 515, e deixou de incluir os segurados Contribuintes Individuais (médicos), cuja remuneração foi obtida por aferição indireta por falta de apresentação de documentos, período 01/2005 a 12/2007, infringindo o art. 32, inciso IV, e §5º, da Lei 8.212/91, conforme Relatório Fiscal, fls. 7/9. Por se referir a autuação fiscal por descumprimento de obrigação acessória deve ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN para a decadência. O contribuinte foi cientificado da autuação fiscal em 30/8/2010, fl. 33. A competência mais remota (01/2005), a contar de 01/01/2006 só estaria decadente em 01/01/2011. Destarte, não há que se falar em período decadente na autuação fiscal. São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei, nos termos do § 7º do art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. No período do auto de infração de 01/2005 a 12/2007 vigia o art. 55 da Lei 8.212/91 que exigia requisitos cumulativos para a concessão do benefício da isenção das contribuições patronais previdenciárias. Era necessário requerer o pedido ao órgão competente (INSS) para a verificação e controle dos requisitos (§ 1o) e verificação de débito ou não (§6o da Lei 8.212/91 e § 3o do art. 195 da CF/88). Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal;(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;(Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;(Redação dada pela Fl. 730DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10670.001651/201068 Acórdão n.º 2803004.202 S2TE03 Fl. 8 7 Medida Provisória nº 2.18713, de 2001).(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência;(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 2.0285)(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título;(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção.(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 3oPara os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar.(Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 2028 5)(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 4oO Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo.(Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 20285)(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 5oConsiderase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento.(Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 20285)(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3odo art. 195 da Constituição.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001).(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) Fl. 731DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10670.001651/201068 Acórdão n.º 2803004.202 S2TE03 Fl. 9 8 Como se pode notar, há necessidade do contribuinte comprovar o cumprimento de todos os requisitos legais, que são cumulativos, perante o órgão de controle do governo para a verificação (à época o INSS). A autoridade fiscal efetuou a autuação em razão do contribuinte não comprovar ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEAS e Ato Declaratório de Isenção emitido pelo INSS/RFB. Portanto, não atendeu os requisitos do art. 55, inciso II, e parágrafo 1º, da Lei 8.12/91. Assim, não podia se utilizar de benefício previdenciário indevidamente. Não há falsa alegação pela fiscalização de falta de comprovação de entidade beneficente, como menciona o contribuinte. O contribuinte assevera que todos os pressupostos do art. 55 da Lei 8.212/91 foram cumpridos, entretanto, não anexa aos autos a comprovação. Para se valer dos benefícios há necessidade de cumprimento de todos os requisitos legais exigidos. O lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos termos do art. 144 do CT. Argumentos sem comprovação não são suficientes para a desconstituição da autuação fiscal. No mesmo sentido, não se vê razão para o deferimento do pedido de perícia solicitado pelo contribuinte quando já houve diligência fiscal que examinou os argumentos e documentos apresentados. Todos os elementos de prova devem ser apresentados na impugnação. Considerarseá não formulado o pedido de perícia/diligência que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, inciso IV, c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Destarte, indeferese o pedido de perícia. Assevera o contribuinte que auferiu sentença procedente com tutela antecipada, na qual ficou evidenciado a sua condição de imunidade, conforme atesta a Ação Declaratória de Débito Fiscal c/c Pedido de Anulação de Débito Tributário e Pedido Liminar de Emissão de Certidão Positiva com Efeito Negativo, processo n° 0005752 27.2011.4.01.3807, que tramita pela 1a Vara da Justiça Federal da secção judiciária de Montes ClarosMG, que abarca as contribuições previdenciárias patronais devidas para os anos de 2004 a 2006. Todavia, referida ação judicial encontrase em andamento, com recurso de apelação pela União (PFN), com efeitos devolutivo e suspensivo, conforme consulta no site do Tribunal Regional Federal da 1a Região (https://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?proc=00057522720 114013807&secao=MCL&pg=1&trf1_captcha_id=5fec045f71b94212dcef2acd48 8f5b56&trf1_captcha=467r&enviar=Pesquisar, em 16/10/2014): 1. Recebo o recurso de apelação interposto pela União (PFN) às f. 148/170, nos seus efeitos devolutivo e suspensivo.2. Intimese a parte Fl. 732DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10670.001651/201068 Acórdão n.º 2803004.202 S2TE03 Fl. 10 9 autora para, no prazo de 15 dias, apresentar contrarrazões ao recurso. O contribuinte apresenta cópia da documentação do Sistema Integrado de Protocolo e Arquivo "SIPAR" no qual consta que o processo em andamento da concessão do certificado de entidade beneficente de assistência social; documento emitido pelo Ministério da Saúde de tramitação do processo para concessão; cópia da certidão de protocolo de pedido de registro e concessão do CEAS (processo n.° 7101.002411/200310), que se encontra em análise. Entretanto, tais documentos não são suficiente para a desconstituição da autuação fiscal. Menciona o contribuinte que a fonte pagadora dos médicos é o SUS, que não há comprovação de vínculo profissional médico do corpo clínico com o hospital, entretanto, não prova nos autos suas argumentações. Ademais, a autuação fiscal não se refere a remuneração de diretores como aduz o contribuinte. Os documentos apresentados quanto ao saláriofamília e salário maternidade foram analisados pela diligência fiscal e decisão recorrida que concluíram que são insuficientes para a retificação da autuação fiscal. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para o exame da contabilidade e constituição da autuação fiscal quando não cumpridos os requisitos legais pelo contribuinte para obtenção da isenção das contribuições sociais previstas no art. 55 da Lei 8.212/91, nos termos do art. 119 do CTN e art 6o da Lei 11.457/07. No mesmo sentido é a súmula nº 8 do CARF: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Diante dos fatos, não há vício do ato administrativo de lançamento por incompetência do agente fiscal. ... Retorna este Relator. Dessa feita, resta demonstrado que a recorrente não possuía os requisitos necessários à fruição do favor legal, não havendo reparo a ser efetivado na r. decisão. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10670.001651/201068 Acórdão n.º 2803004.202 S2TE03 Fl. 11 10 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13653.000042/2008-73
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE.
A exigência, pela autoridade lançadora, de que o contribuinte apresente prova adicional da efetividade dos pagamentos de despesas médicas deve ser devidamente fundamentada, mormente quando não são apontados vícios formais nos recibos apresentados.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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GLOSA. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. A exigência, pela autoridade lançadora, de que o contribuinte apresente prova adicional da efetividade dos pagamentos de despesas médicas deve ser devidamente fundamentada, mormente quando não são apontados vícios formais nos recibos apresentados. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 3. 00 00 42 /2 00 8- 73 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 2.88775 relativo ao anocalendário 2004. O lançamento se deu em virtude da glosa da dedução com a dependente Ana Lúcia Machado Pinheiro, e de despesas médicas no valor de R$ 27.051,67 pelo fundamento assim consignado na respectiva "Complementação da Descrição dos Fatos": Não houve comprovação do efetivo pagamento a: R$23.253,00 Kelly Christine Dias de Souza Aguiar Com relação a Fundação Cesp foi mantida a dedução de R$ 4.430,46, pois os demais valores são de beneficiários não dependentes do contribuinte.por falta de comprovação, pois a contribuinte não atendeu a intimação regularmente realizada, visando ao esclarecimento dos fatos. O contribuinte arguiu, em síntese, ter toda a documentação exigida, demandando o cancelamento da exigência. A instância de primeiro grau manteve parcialmente o lançamento, restabelecendo as deduções com dependente e as vinculadas à Fundação CESP glosadas, bem como R$ 13.553,00 de despesas médicas pagas à Kelly Christine Dias de Souza Aguiar. Inconformado, o notificado interpôs recurso voluntário em 31/5/2010, contestando os termos da decisão da DRJ/JFA. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, restou não exonerado pela instância recorrida somente o montante de R$ 9.700,00 (R$ 23.253,00 R$ 13.553,00) referentes a pagamentos efetuados à odontóloga Kelly Christine Dias de Souza Aguiar. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13653.000042/200873 Acórdão n.º 2802003.276 S2TE02 Fl. 145 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) Compete ao contribuinte comprovar ter realizado despesas médicas que justifiquem o direito a sua respectiva dedução da base de cálculo do imposto de renda nos termos supra enunciados, sob pena de não poder auferir esse benefício, pois o ônus de carrear a prova acerca de um fato é de quem alega a sua existência. Em harmonia com tal entendimento, vale lembrar, por exemplo, das prescrições do art. 73 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). Noutro giro, temse que é fato, conforme já assentado pela ciência processual, que recibos são instrumentos particulares que comprovam a quitação do negócio jurídico, mas não se consubstanciam em prova inequívoca da realização de um pagamento. Apesar disso, devese reconhecer que a própria legislação tributária conferiu a esse tipo de documento o valor de prova do pagamento, consoante disposto no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, supra transcrito anotese que um documento de transferência bancária, por exemplo, não possui todos os elementos discriminados na legislação, tais como o Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 endereço do profissional prestador do serviço, ao contrário do recibo, que possui campos de preenchimento adequados para esses fins. Desta sorte, a regra geral é a aceitação de recibos, caso atendidos os seus requisitos formais, motivo pelo qual a exigência de outros elementos para a comprovação das despesas médicas deve ser devidamente fundamentada, sob pena de violação do princípio da proteção da boafé e da legítima confiança que norteiam a relação fiscocontribuinte. O lançamento atacado não vislumbrou vícios de forma nos recibos trazidos, tampouco expôs os motivos que levaram a seu convencimento de que era necessária a apresentação de cheques, extratos de contacorrente, etc., para atestar a efetiva realização dos pagamentos efetuados à já mencionada odontóloga. Mesmo assim o contribuinte, em louvável esforço, buscou e obteve junto aos bancos e à prestadora de serviços cópias de cheques e extratos bancários que atestaram a maior parte dos pagamentos realizados. Anotese que quatro cheques apresentados, perfazendo um total de R$ 7.800,00, quase o total da glosa mantida, foram desconsiderados pela decisão vergastada por não serem fotocópias fornecidas pela instituição bancária, em zelo que não se configura razoável dentro do contexto fático presente nos autos. Destarte, ainda que seja perfeitamente possível que a autoridade lançadora busque, com respaldo nas normas mais acima mencionadas, elementos adicionais para formar sua convicção acerca da efetividade dos pagamentos de despesas médicas, deve ter o cuidado de justificar adequadamente tal necessidade probatória, forte no dever geral de motivação dos atos administrativos e da proteção à boafé do contribuinte. Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, cancelando a exigência no que restou mantida pela instância recorrida. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911709/2009-59
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003
NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 09 /2 00 9- 59 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso de embargos que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão lavrado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamentos do Carf, em que foi conhecido e negado provimento ao Recurso Voluntário interposto. Ao analisar a questão, a 2ª Turma Especial proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 Direito ao crédito não conhecido. Ausência de prova do crédito pleiteado. Em recurso que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão em epígrafe, argumentando que houve contradição, no que concerne ao reconhecimento do crédito pleiteado para possível compensação, e que houve, também, omissão quanto à negativa de acolhimento dos termos da sentença proferida no mandado de segurança nº 2009.34.00.031.4472, em andamento na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Voto Verificase que o presente Recurso de Embargos é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. Por intermédio de manobra diversionista, o recorrente pretende efeitos infringentes em sede de embargos, o que é vedado pela legislação de regência. Tal motivo já é suficiente para negar provimento. Contudo, para elucidar a questão, renovase aqui os termos da decisão proferida em sede de recurso voluntário. O recorrente tem, em tese, ao seu favor, uma decisão judicial precária apenas, pois o processo ainda está em andamento e, por via de conseqüência, não aconteceu o trânsito em julgado do mandado de segurança. Esta situação, portanto, s.m.j., não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários, nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 66 da lei nº 8.383/91. Ou seja, para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e da certeza, o que, de fato, não foram preenchidos. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911709/200959 Acórdão n.º 3802004.206 S3TE02 Fl. 112 3 Inclusive, aprofundando um pouco mais o debate, não há nos autos, qualquer prova que o contribuinte é beneficiário da noticiada decisão judicial, já que não há documentos que comprovam a condição de ser o ora recorrente integrante dos quadros associativos da associação que consta no polo ativo do mandado de segurança, muito menos os atos constitutivos dela para saber o funcionamento do regramento jurídico nos casos de representação coletiva em sede judicial. Portanto, pelas razões acima expostas, CONHEÇO dos presentes Embargos e, no mérito, Rejeitoos. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729722/2011-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA
Em ação fiscal, quando constatado falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata, é aplicada multa de ofício.
Numero da decisão: 2403-002.314
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, reconhecer devida a tributação. Vencidos os conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA Em ação fiscal, quando constatado falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata, é aplicada multa de ofício.
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REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA Em ação fiscal, quando constatado falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata, é aplicada multa de ofício. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 97 22 /2 01 1- 84 Fl. 986DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, reconhecer devida a tributação. Vencidos os conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729722/201184 Acórdão n.º 2403002.314 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, Acórdão 1042.335 da 7 ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Dos Lançamentos Em decorrência de ação fiscal levada a efeito na empresa em epígrafe, foi lavrado o Auto de Infração – AI Debcad nº 51.002.3452, no valor de R$ 2.883.033,82 (dois milhões, oitocentos e oitenta e três mil, trinta e três reais e oitenta e dois centavos), consolidado em 03/11/2011, relativo à contribuição previdenciária da empresa incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, não declaradas em GFIP, nas competências 01/2009 a 12/2009. Consigna a autoridade lançadora, em síntese, que a autuada opera, atualmente, sob a forma jurídica de sociedade simples com responsabilidade limitada. Sua origem, no entanto, está vinculada à Associação dos Médicos do Hospital Mãe de Deus AMEMD/RS, entidade sem fins lucrativos, constituída em 29/06/1998. Tal entidade, nos termos estatutários, tinha como principais finalidades congregar os associados, promovendo o convívio e o aprimoramento profissional, intermediar eventuais negociações entre seus associados e o Hospital Mãe de Deus, bem como representálos na celebração de contratos de prestação de serviços médicos. Conforme disposto no artigo 9°, inciso V do Estatuto da AMEMD/RS, os associados deveriam prestar atendimento aos beneficiários dos planos de saúde dentro do horário e disciplina de seus consultórios e/ou instalações, recebendo a remuneração pelos serviços prestados diretamente das empresas administradoras dos planos de saúde. Tal remuneração, efetivamente, constituiria base de cálculo para fins de incidência da contribuição previdenciária na condição de contribuinte individual, prevista no art. 22, inciso III, da Lei 8.212, de 24/07/1991, incluído pela Lei 9.876, de 26/11/1999. A partir de 11/10/2002, em decorrência de alteração no seu tipo jurídico, a associação passou a atuar como uma sociedade de médicos, com fins lucrativos e por cotas de responsabilidade limitada ao capital social integralizado, adotando a denominação social AMEMD SAÚDE LTDA., passando, Fl. 988DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 posteriormente, para AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA., em razão do disposto no Código Civil Brasileiro de 2002. Em 15/01/2003, a AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA. passou a atuar na condição de sócio ostensivo de uma sociedade em conta de participação denominada AMEMD SAÚDE HMD SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO (AMEMD SCP), comparecendo, na condição de sócios participantes, os mesmos médicos e pessoas jurídicas prestadoras de serviços médicos que, anteriormente, integravam o quadro de associados da ASSOCIAÇÃO DOS MÉDICOS DO HOSPITAL MÃE DE DEUS. Na condição de sócia ostensiva da AMEMD SAÚDE HMD SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO (AMEMD SCP), a AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA. passou a celebrar contratos para fins de prestação de serviços médicos com inúmeras instituições administradoras de planos de saúde, comprometendose, por meio de seu quadro social, médicos e pessoas jurídicas contratadas ou autorizadas, a prestar serviços médicos aos beneficiários dos respectivos planos de saúde, percebendo, em contrapartida, a remuneração acordada para cada modalidade de atendimento. Na Sociedade em Conta de Participação os sócios participantes são aqueles que não atuam, apenas fornecem fundos para a atuação do ostensivo, que executa a atividade econômica objeto do contrato e, ao final, presta contas aos investidores. E, mesmo sendo sócios da conta de participação onde a AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA. é sócia ostensiva, esses profissionais devem ser remunerados especificamente pela prestação de serviços médicos, devendo tal remuneração ser considerada como base de incidência de contribuição previdenciária. Entretanto, os serviços médicos prestados diretamente ao sócio ostensivo eram tratados como distribuição de lucros provenientes da sociedade em conta de participação, muito embora a remuneração se efetivasse na proporção da quantidade e modalidade dos serviços correspondentes a cada participante individualmente, e não em face do montante investido, como previsto nas sociedades em conta de participação. Mesmo considerandose que a conta de participação, dada as suas características próprias, envolve diretamente um contrato de investimento, no caso em tela, não houve intenção de investir, já que o recurso aportado foi de apenas R$ 40,00 (quarenta reais) por sócio, conforme demonstra a cláusula 5ª do Instrumento Particular de Constituição da AMEMD SAÚDE HMD SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. Embora o objetivo do negócio fosse ampliar a celebração de contratos de prestação de serviços médicos para lucro de seus integrantes, a partir de um acordo entre as partes, houve a criação de uma relação jurídica simulada para encobrir a mera Fl. 989DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729722/201184 Acórdão n.º 2403002.314 S2C4T3 Fl. 4 5 prestação de serviços médicos à AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA., conferindo às autoridades fiscais, a impressão de uma sociedade em conta de participação com efetiva distribuição de lucros. Pelos elementos constatados na ação fiscal, concluiu a autoridade lançadora que os valores repassados pela contribuinte autuada aos sócios da conta de participação AMEMD SAÚDE HMD não constituem distribuição de lucros e, sim, pagamentos por serviços prestados na condição de contribuintes individuais, integrando o salário de contribuição para todos os fins e efeitos, não havendo motivos que justifiquem a não incidência da contribuição previdenciária sobre os valores recebidos. Da Impugnação A ciência dos autos de infração ocorreu em 10 de novembro de 2011. A empresa apresentou impugnação, dentro do prazo legal, em 09 de dezembro de 2011. Inicialmente, descreve as principais conclusões do fisco que determinaram a lavratura dos autos de infração, concluindo que as divergências apontadas são contrárias à lei e procedidas por inadvertência do ente fiscalizador. Apresenta um histórico da Associação dos Médicos do Hospital Mãe de Deus (Associação), onde consta a finalidade, objetivos e atividades exercidas. Posteriormente, em decorrência de suas práticas empresariais, foi deliberada a sua transformação em sociedade simples de responsabilidade limitada, cuja denominação atual é AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda (AMEMD). Também descreve a criação da AMEMD SAÚDE HMD – Sociedade em Conta de Participação (SCP), seus sócios e objetivos. Acrescenta que o contrato estabelece que os sócios participantes podem assumir obrigações em nome individual e em seu próprio endereço, além de responderem individualmente por erro médico e qualquer responsabilidade civil ou criminal decorrente de seus atos profissionais. Registra também que, apesar de todos os sócios possuírem o mesmo número de quotas, o contrato da SCP prevê a distribuição desproporcional do resultado, calculado com base na receita proporcionada por cada sócio, independentemente de sua contribuição para o patrimônio especial da SCP, e que é creditado ao sócio como distribuição de lucros da SCP. Da Preliminar de nulidade Depois de transcrever os artigos 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, refere que a autuação não observou o disposto no artigo 10, inciso IV, c/c, inciso III do artigo 11 do citado decreto, porquanto a constituição da SCP e a distribuição de resultados aos seus participantes, não infringe qualquer Fl. 990DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 disposição de lei tributária ou civil, sendo ilação do fisco a ocorrência de simulação na constituição dessa SCP. Transcrevendo entendimentos da doutrina e jurisprudência sobre o tema, registra que o lançamento é um ato essencialmente formal, não admitindo erros, omissões e supressões de etapas, tornandose nulo ou anulável quando isso acontece. Dessa forma, aponta que não havendo fundamentação jurídica para embasar a descaracterização da SCP, constatase excessiva carga de discricionariedade do ente tributante, seguida de infundada atribuição de simulação, que não vieram acompanhadas de fundamento jurídico. Do direito Além da preliminar de nulidade do auto de infração, entende que por razões de direito a exação não merece prosperar, pelos seguintes argumentos: 1. Da sociedade em conta de participação SCP Com fundamento no artigo 981 do Código Civil (CC) e na organização e funcionamento da SCP, conclui que, se o sócio participante exercer o objeto social dessa sociedade, simplesmente assume o risco de ter sobre si os efeitos do artigo 993, parágrafo único, do CC, mas em nada contribui para a “suposta desconsideração” da sociedade. Em outras palavras, expõe apenas a si, não a sociedade. Em apoio a suas alegações, juntou parecer de juristas sobre o tema (doc. 06). 2. Desconsideração dos efeitos da SCP pelo Fisco Afirma que, na SCP em questão, era a AMEMD, na qualidade de sócia ostensiva, que contratava com os planos de saúde, emitia faturas e notas fiscais, recolhia os tributos devidos e assumia toda a parte negocial perante terceiros. Entretanto, o atendimento aos pacientes, simples beneficiários dos planos de saúde (contratantes), era realizado pelos sócios participantes da SCP. Dessa forma, não há razão para descaracterizar a SCP por tais práticas, na medida em que não é vedada a prestação de serviços pelos sócios participantes, sendo apenas estes responsáveis solidários pelo cumprimento das obrigações assumidas pela AMEMD com terceiros em nome da SCP quando exercerem, em nome próprio, a atividade objeto da SCP. Observa que os sócios participantes não realizavam o objeto da SCP pelo razoável entendimento de não ter o médico, que é técnico na área isolada que atua, nenhuma afinidade com os negócios a cargo da sócia ostensiva. A atividade praticada pelo sócio participante é unicamente o atendimento do beneficiário de plano de saúde. Por outro lado, o objeto da SCP não era o atendimento a pacientes, mas apenas congregar os interesses dos médicos associados em suas relações com hospitais e planos de saúde. Dessa forma, citando doutrina, reclama que a Receita Federal do Brasil não pode descaracterizar a SCP e tratar a operação como uma simulação. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729722/201184 Acórdão n.º 2403002.314 S2C4T3 Fl. 5 7 A impugnante também alega que não prospera o entendimento do fisco sobre a inexistência de affectio societatis entre os sócios ostensivo e participantes, pois o objeto da SCP está em sintonia com o exato conceito de SCP trazido pelo renomado jurista J. X. Carvalho de Mendonça (“trabalhando um, alguns ou todos os associados em seu nome individual para lucro comum”). Entende que os valores pagos a título de participação nos resultados ou lucros da empresa gozam da isenção prevista no artigo 28, parágrafo 9º , alínea “j", da Lei n° 8.212/91, tendo em vista a clara existência de affectio societatis, assim como a consecução do objeto social da SCP e, ainda, que a distribuição de resultado se deu nos termos do Contrato de Constituição da SCP, cláusula 20ª (“Os sócios da sociedade em conta de participação convencionam, expressamente, que os lucros serão distribuídos independente da contribuição para o patrimônio especial , de acordo com a receita proporcionada pelos negócios viabilizados por cada um dos sócios ou entre eles ajustados”). Ressalta que o fundamental para esta autuação fiscal é o fato de os médicos associados receberem, por meio da SCP, rendimentos decorrentes do atendimento aos beneficiários dos planos de saúde e hospitais (atividade do sócio participante, não da SCP), viabilizados pelos contratos firmados pelo sócio ostensivo em nome da SCP, e não rendimentos decorrentes de esforços próprios engendrados na ampliação dos negócios firmados pela SCP (atividade do sócio ostensivo e da SCP). Acrescenta, ainda, que não há fundamento fático para a alegação da fiscalização de que a SCP estaria desnaturada por violação ao artigo 991 do CC, vez que não há provas no Termo de Constatação Fiscal de que os sócios participantes teriam contribuído pessoalmente para ampliar a celebração de contratos de prestação de serviços médicos, quando agiriam, então, como sócios ostensivos no exercício da atividade social da SCP. Ademais, entende que, desconsiderar a forma de constituição de sociedade em conta de participação é afastar, em última análise, as leis, normas e princípios que a regem e que o STF não mais aceita o afastamento da aplicação da lei impositiva, nos termos enunciados na Súmula Vinculante n° 10. Transcreve ementa de julgado sobre o tema. Prossegue questionando o outro argumento utilizado pelo Fisco para descaracterizar a SCP que a distribuição dos resultados era feita de forma desproporcional à contribuição de cada sócio à formação do patrimônio da SCP. Alega que não pode ser aceito, pois há amparo no artigo 1007 do CC. Assim sendo, afirma que não havendo vedação em dispositivos próprios do capítulo das sociedades em conta de participação, e diante da previsão de distribuição desproporcional de lucros no contrato de constituição da SCP pelo uso de critério diverso, é certo que não há nenhuma ilegalidade ou irregularidade ao se efetuar os pagamentos aos sócios participantes tal como dispõe Fl. 992DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 o Contrato Social da SCP, em relação direta aos atendimentos realizados e não ao investimento na SCP. Não há fundamento suficiente, portanto, na utilização deste fato como mote para a desconsideração do negócio jurídico seja qual for a finalidade (tributária ou não). Inexistente relação causaefeito entre a distribuição desproporcional de resultados e a descaracterização de uma sociedade em conta de participação, como tentou impor o Fisco. Destaca que, no caso, a conta de receita bruta total amealhada por todos os sócios, ostensivo e participantes, é tributada pelo lucro presumido, e, após, abatidos tributos incidentes, as despesas administrativas, despesas operacionais, encargos, desembolsos necessários a manutenção da sociedade, o saldo positivo é distribuído aos sócios de acordo e proporcionalmente com a receita proporcionada pelos negócios viabilizados por cada sócio, independente da cota societária, tal como previsto do Contrato de Constituição da SCP. Destaca, nesse sentido, jurisprudência administrativa, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife, Acórdão n° 1129266 de 25 de Março de 2010. Refere que os lucros ou dividendos quando pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, estão isentos do imposto de renda na fonte e na declaração de rendimentos dos beneficiários, pessoa física ou jurídica, por força do artigo 10 da Lei 9.249, de 1995 c/c arts. 654, 662 e 666 do RIR/99. Assim, igualmente, os valores pagos a título de participação nos resultados ou lucros da empresa gozam da isenção prevista no artigo 28, parágrafo 9º , alínea " j " , da Lei n° 8.212/91. Destaca que o fato de os sócios participantes terem supostamente outorgado "procurações sem objeto definido" para o sócio ostensivo constituir a SCP revela nítida congruência de interesses entre estes, evidenciando a presença do affectio societatis. Acrescenta que as procurações outorgadas efetivamente tinham objeto definido e limitado, que era o de constituir a SCP, A atuação do sócio ostensivo, por ser dinâmica, não poderia, em sua totalidade, estar prevista em um instrumento de mandato, não havendo nesse particular nenhum indício de simulação de negócio jurídico, mas mera questão pragmática que não detém força jurídica alguma de descaracterizar a SCP regularmente constituída. Aduz, por fim, ainda que por um absurdo se mantivesse desconsiderada a SCP para fins tributários ou para quaisquer outros fins a par da eventual responsabilidade solidária dos sócios participantes, não se anula a existência clara da sociedade em si (fato incontornável) no mínimo sob a égide de uma "sociedade em comum", artigo 986 do CC, cuja tributação se daria como qualquer outra pessoa jurídica, que inclusive exerceu a opção pelo lucro presumido e assim cumpriu a tempo e modo sua obrigação tributária. Ao final desse tópico, conclui que está demonstrada nos autos a efetiva existência da sociedade. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729722/201184 Acórdão n.º 2403002.314 S2C4T3 Fl. 6 9 3. Da simulação Afirma que o Fisco presumiu que haveria uma subcontratação dos médicos pela AMEMD para que estes executassem o objeto dos contratos firmados em nome desta com os planos de saúde e o Hospital, razão pela qual os valores pagos aos sócios participantes da SCP constituirseiam em serviços individuais prestados e, portanto, passíveis de tributação. Refere que de acordo com o artigo 167 do CC e entendimentos doutrinários, negócio jurídico simulado é aquele praticado com o intuito de enganar terceiros através de uma relação jurídica que, na verdade, não existe, porque não representa a vontade real dos envolvidos. Destaca que com a constituição da SCP, não ocorreu a ocultação de nenhum traço da relação jurídica entre as partes: a SCP expande os negócios, com contratos, associações, parcerias, na qualidade de sócia ostensiva, e os médicos, então sócios participantes, prestam os serviços em nome próprio diretamente aos pacientes. Registra que o simples fato de os sócios da SCP prestarem serviços não descaracteriza a natureza da sociedade ou seja, não autoriza o Fisco afastar os seus efeitos para afirmar que haveria uma subcontratação, posto que não existe essa figura jurídica nem exposta nem oculta, ou seja, uma "vontade real" por parte dos profissionais de quererem possuir uma relação jurídica da subcontratação, mas sim deliberar e definir os rumos da própria sociedade então formada (SCP). Afirma que também não se pode alegar que a SCP foi criada unicamente para que os seus sócios participantes recebessem rendimentos isentos, ocultando a verdadeira natureza dos pagamentos. Na realidade, o motivo principal da transformação da ASSOCIAÇÃO na AMEMD e constituição da SCP foi a adaptação da sua estrutura societária à atividade então desenvolvida pela entidade, que, com o decorrer do tempo, acabou se tornando incompatível com a forma de associação sem fins lucrativos. Simulação alguma existiu. Ao contrário, simulação e mesmo intenção de lesar o fisco existiria se a autuada seguisse atuando como associação sem fins lucrativos, tributando pelo regime do lucro presumido, e distribuindo resultados aos seus associados. Acrescenta que perde força a imputação de simulação descrita nos autos, pois é possível verificar claramente a existência de motivação suficiente para a organização das atividades da AMEMD e dos médicos associados da forma em que “engendrada” (SCP) sem que o único objetivo fosse não tributar sobre os pagamentos efetuados. Assim, havendo motivo justo, não há simulação. O suposto dolo para evitar a lei tributária não está presente, pois a maioria dos pagamentos efetuados aos sócios Fl. 994DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 participantes, aproximadamente 80%, está abaixo do limite de isenção do IR. Consigna que não seria plausível que constituíssem uma SCP com o objetivo de simular uma situação jurídica para que 20% de todos os recebimentos não estivessem sujeitos à retenção do IR. Também se demonstrou nulo e abusivo o Auto de Infração que aplicou multa sobre valores que estão abaixo dos valores mínimos de isenção seja, como dito, da tabela de imposto de renda da pessoa física, seja em relação aos sócios participantes ou pessoas jurídicas (RIR/99). Salienta que nenhuma prova cabal de atuação lesiva aos interesses do fisco (conduta dolosa) como motivador principal da constituição da SCP se mostrou presente. Pelo contrário, todos os fatos apontados anteriormente justificam de forma inconteste a opção pela constituição de sociedade em conta de participação da qual os profissionais estão plenamente conscientes de que fazem parte de uma sociedade e para a qual firmaram contrato social. Ao final, destaca que todos os atos realizados pelas partes observam a legislação vigente, não havendo qualquer discordância entre a vontade e declaração. “Os efeitos jurídicos do negócio realizado correspondem ao pretendido e ao formalizado pelas partes”. Ressalta que por estas razões não estão presentes os elementos que caracterizam a simulação de um negócio jurídico e, por conseguinte, o seu afastamento para fins tributários. A boafé é presumida. A máfé deve ser demonstrada, tornando desaconselhável qualquer inversão do ônus probatório, impondo ao contribuinte a prova da escorreita atividade no desenvolvimento dos seus negócios. Entende, assim, que à falta de evidências concretas, 'dolus mains', fraude ou excesso de poderes não há que se falar, também por essa razão, em simulação. 4. Da Multa Afirma, quanto à multa aplicada, que não houve nenhuma conduta do contribuinte para reduzir a carga fiscal, pois toda a forma de exercício de suas atividades foi mantida tal qual antes da constituição da SCP. Salienta que o patamar quantitativo da multa aplicada foi de 75% sobre o valor do débito corrigido o que, além de inviabilizar qualquer tipo de pagamento, chega a um verdadeiro confisco. A aplicação da referida multa é característico ato de excessiva penalização, incidindo em confisco, que é vedado pela Constituição Federal em seu art. 150, IV. Ademais, tendo em vista a nova redação do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, dada pela Medida Provisória n° 449, de 03.12.2008, o novo percentual aplicável à multa de mora passou a ser aquele constante no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, que, sendo mais benéfico ao sujeito passivo, deve ser aplicado, com fulcro no artigo 106, inciso II, alínea 'c', do CTN, que estabelece a retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729722/201184 Acórdão n.º 2403002.314 S2C4T3 Fl. 7 11 Portanto, ainda que seja mantido o Auto de Infração, impõemse a redução da multa para uma natureza mais branda, uma vez que mais compatível com o caso em tela. 5. Conclusões Em razão do exposto, a impugnante conclui que: (a) os argumentos em que se fundou a RFB para desconsiderar os efeitos fiscais da SCP são totalmente improcedentes, na medida em que a única conseqüência da suposta prestação de serviços pelo sócio participante seria a sua responsabilidade solidária perante terceiros, assim como também não é vedada a distribuição desproporcional dos resultados obtidos pela SCP em relação ao capital investido; (b) não houve ato dissimulado praticado pelas partes, pois a vontade real correspondente perfeitamente à vontade formalizada nos atos de constituição da SCP; (c) desde a transformação da Associação em sociedade simples, com a criação da SCP, os sócios participantes e ostensivo sempre visaram ao objetivo comum da SCP; (d) há claro affectio societatis entre sócio ostensivo e participantes da SCP, sendo que tal medida conjunta, inclusive, permitiu a regularização da atuação da então Associação, que não poderia estar praticando atos negociais na qualidade de entidade sem fins lucrativos; (e) a demonstração de que 80% dos pagamentos sequer resultou em tributação (conforme demonstra tabela que cobre período de 5 anos) torna evidente que o intuito da SCP nunca foi o de obter vantagem indevida em detrimento do Fisco; e (f) ainda que prevaleça a simulação imputada à AMEMD, a multa deve ser reduzida para patamar mais brando, tendo em vista não ter restado caracterizado o evidente intuito de fraude ou qualquer das hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. Requer a realização de perícia, indica assistente técnico e formula quesitos, fl. 571/572, pois entende que há necessidade de produção de provas para aferição da regular existência da SCP e da natureza jurídica dos resultados distribuídos quando dos pagamentos feitos aos sócios participantes. Sendo a receita bruta a base de cálculo dos tributos exigidos, forçoso que, frente a demonstração preliminar de que existem divergências e equívocos no auto de infração, se proceda na perícia contábil para se cotejar as informações e se alcançar a imprescindível segurança jurídica. Dos Requerimentos A impugnante requer a) sejam acolhidas as preliminares suscitadas de nulidade dos procedimentos e do próprio auto de infração, desconstituindose o lançamento fiscal e cancelandose o débito reclamado; b) caso não acolhidas, no todo ou em parte, as preliminares suscitadas, no mérito, seja desconstituído o auto de infração, tornando inexigíveis as importâncias nele lançadas, por absoluta iliquidez e incerteza e, ainda, diante das conclusões acima apontadas. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Em caso de entendimento diverso, requer seja retificado o auto de infração, a fim de excluir ou reduzir de seu conteúdo os valores indevidos, decaídos referente a período superior a 5 anos anteriores ao auto de infração, também reduzindo a multa cobrada, além de recalcular os valores eventualmente devidos, de acordo com as respectiva natureza. Requer, ainda, a substituição da taxa SELIC como fator de correção, recalculando os valores eventualmente devidos com outro índice que venha a substituíla. Não sendo acatados os requerimentos anteriores, requer seja o processo convertido em diligência, a fim de que possa a fiscalização, com maior segurança, aferir a verdadeira natureza jurídica da SCP. Por fim, requer a prova pericial já solicitada em tópico específico da impugnação, em atendimento aos requisitos previstos no artigo 11, da Portaria RFB 10.875/07 e do artigo 16 do Decreto 70.235/72, e a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a “documental, declarações, testemunhas etc”. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · Os valores pagos correspondem a distribuição de lucros. · O lucro não é tributado pela previdência. · Nulidade. Ausência de fundamentos jurídicos para o lançamento. · Indeferimento da perícia. · Numa Sociedade em Conta de Participação SCP, quando o sócio participante toma parte nas relações com terceiros, a única conseqüência é a responsabilidade solidária pelas obrigações que intervier. · O Fisco está distante da verdade real. · Questiona o entendimento do Fisco de que houve simulação. · Não é vedada a prestação de serviço pelos sócios participantes diretamente aos clientes da SCP. · Os médicos não realizavam o objeto da SCP (celebrar contratos de prestação de serviços médicos) · Defende que todo procedimento, por meio da SCP, está correto. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729722/201184 Acórdão n.º 2403002.314 S2C4T3 Fl. 8 13 · A transformação de uma associação para uma Sociedade Simples Ltda, seguida de uma SCP, se deu de boa fé. · Questiona a multa aplicada. · Questiona SELIC. É o relatório Fl. 998DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE A recorrente pleiteia a nulidade do lançamento por entender que efetivamente distribuiu lucro, que não existe fundamentação para o lançamento e que é ilação do fisco a ocorrência de simulação na constituição dessa SCP. Não concordo com a recorrente. Entendo que os lançamentos fiscais preenchem todos os requisitos formais e materiais estabelecidos pela legislação. A questão da simulação, central para entender e julgar o processo, será tratada adiante. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO A sociedade em conta de participação(direito brasileiro) é uma sociedade empresária que vincula, internamente, os sócios. É composta por duas ou mais pessoas, sendo que uma delas necessariamente deve ser empresário ou sociedade empresária. Atualmente, os artigos de 991 a 996 do Código Civil brasileiro dispõem sobre essa modalidade societária. Da Sociedade em Conta de Participação Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Parágrafo único. Obrigase perante terceiro tãosomente o sócio ostensivo; e, exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729722/201184 Acórdão n.º 2403002.314 S2C4T3 Fl. 9 15 Art. 992. A constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provarse por todos os meios de direito. Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade. Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Art. 994. A contribuição do sócio participante constitui, com a do sócio ostensivo, patrimônio especial, objeto da conta de participação relativa aos negócios sociais. § 1oA especialização patrimonial somente produz efeitos em relação aos sócios. § 2oA falência do sócio ostensivo acarreta a dissolução da sociedade e a liquidação da respectiva conta, cujo saldo constituirá crédito quirografário. § 3oFalindo o sócio participante, o contrato social fica sujeito às normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido. Art. 995. Salvo estipulação em contrário, o sócio ostensivo não pode admitir novo sócio sem o consentimento expresso dos demais. Art. 996. Aplicase à sociedade em conta de participação, subsidiariamente e no que com ela for compatível, o disposto para a sociedade simples, e a sua liquidação regese pelas normas relativas à prestação de contas, na forma da lei processual. Parágrafo único. Havendo mais de um sócio ostensivo, as respectivas contas serão prestadas e julgadas no mesmo processo. A constituição da Sociedade em Conta de Participações (SCP) não está sujeita às formalidades legais prescritas para as demais sociedades, não sendo necessário o registro de seu contrato social na Junta Comercial. O empreendimento é realizado por dois tipos de sócios: o sócio ostensivo e o sócio participante (esta denominação surgiu com o CC/2002, antes esse sócio era conhecido como sócio oculto). Na Sociedade em Conta de Participação, o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiro; os outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações sociais empreendidas nos termos precisos do contrato. Unicamente o sócio ostensivo (necessariamente empresário ou sociedade empresária) realiza em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade os negócios jurídicos necessários para ultimar o objeto do empreendimento e responde pelas obrigações sociais não adimplidas. O sócio participante, Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 em contraposição, não tem qualquer responsabilidade jurídica relativa aos negócios realizados em nome do sócio ostensivo, participando dos resultados correspondentes. O sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Os resultados das SCP devem ser apurados pelo sócio ostensivo, que também é responsável pela declaração de rendimentos e pelo recolhimento dos tributos e contribuições devidos pela SCP. SIMULAÇÃO A recorrente argumenta que o Fisco está distante da verdade real, questiona o entendimento do Fisco de que houve simulação, afirma que não é vedada a prestação de serviço pelos sócios participantes diretamente aos clientes da SCP, que os médicos não realizavam o objeto da SCP (celebrar contratos de prestação de serviços médicos) e defende que todo procedimento, por meio da SCP, está correto. Iniciarei apresentando dados do Relatório Fiscal, na seqüência doa decisão recorrida e concluo com entendimento próprio. O fisco, conforme Relatório Fiscal, considerou que houve simulação. 9.10. Configurase, assim, uma situação que ultrapassa os limites da legislação, na medida em que resta evidente que a celebração do negócio jurídico sob a forma de sociedade em conta de participação, tinha por finalidade a reinserção dos médicos e pessoas jurídicas prestadoras de serviços integrantes da ASSOCIAÇÃO DOS MÉDICOS DO HOSPITAL MÃE DE DEUS, que buscavam evitar o risco de uma eventual responsabilidade civil decorrente de erro médico praticado por qualquer um dos demais integrantes do quadro social, conforme declaração prestada pela AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA. (doc. n.° 5662), abaixo transcrita: "Foi quando a SCP se mostrou como uma alternativa para manter os médicos congregados, sem que, no entanto, entre eles se estabelecesse uma sociedade limitada já que uma questão levantada na época a impedir tal associação regular foi de que os médicos não queriam responder por eventuais indenizações por erros médicos causados individualmente por seus colegas aos respectivos pacientes." Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729722/201184 Acórdão n.º 2403002.314 S2C4T3 Fl. 10 17 9.11. Ademais disso, buscavam tratar os serviços médicos prestados diretamente ao sócio ostensivo como distribuição de lucros provenientes da sociedade em conta de participação, muito embora a remuneração se efetivasse na proporção da quantidade e modalidade dos serviços correspondentes a cada participante individualmente, e não em face do montante investido, como previsto nas sociedades em conta de participação. Releva acentuar, sobretudo, que mesmo considerandose que a conta de participação, dada as suas características próprias, envolve diretamente um contrato de investimento, no caso em tela, não houve intenção de investir, já que o recurso aportado foi de apenas R$ 40,00 (quarenta reais) por sócio (...). 9.12. Por todo o exposto, resta evidente que, muito embora o objetivo do negócio fosse ampliar a celebração de contratos de prestação de serviços médicos para lucro de seus integrantes, a partir de um acordo entre as partes, houve a criação de uma relação jurídica simulada para encobrir a mera prestação de serviços médicos à AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA., conferindo às autoridades fiscais, a impressão de uma sociedade em conta de participação com efetiva distribuição de lucros. Comprovase, assim, a existência de um negócio jurídico contrário à realidade, destinado a produzir um efeito diverso do ostensivamente indicado, seja por não existir negócio de fato, seja por existir um negócio diferente daquele que se apresenta. 9.13. Nesses termos, fica caracterizada, portanto, a presença inequívoca dos requisitos essenciais à simulação: a divergência intencional entre a vontade e a declaração, emanada do acordo entre os contraentes, com o intuito de enganar ou iludir terceiros. Não há dúvida de que o motivo para o qual foi criado o negócio jurídico simulado mediante a constituição da AMEMD SAÚDE HMD SCP foi a supressão da incidência previdenciária sobre a remuneração de serviços prestados pelos supostos sócios participantes ao suposto sócio ostensivo, buscando, ainda, a preservação de seus patrimônios individuais. Em verdade, o interesse das partes era atuar de forma isolada e não em sociedade. 10. Cumpre destacar, sobretudo, que a Fiscalização não pretende contestar a existência ou a validade do negócio jurídico, mas somente os efeitos por ele produzido. Se o contribuinte, tendo praticado um ato ou negócio que configure a hipótese de incidência de uma norma tributária, pretender, de maneira dissimulada, ocultar sua realização, poderá o fisco desqualificar o ato ou negócio aparente para buscar a realidade subjacente, a fim de cobrar o tributo efetivamente devido. 10.1. Nesse sentido, é válido salientar o que dispõe o artigo 118 do Código Tributário Nacional CTN, in verbis: "Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos." 10.2.De feito, a obrigação tributária surge no momento em que é praticado o ato jurídico ou celebrado o negócio que a lei tributária erigiu como fato gerador do tributo. Para a lei tributária não importa que o verdadeiro ato jurídico ou negócio tenha sido ocultado pelas partes; o que interessa é apurar se ocorreu ou não a hipótese de incidência. Esta ocorrida, ainda que mascarada sua existência, incide o tributo correspondente. Se o negócio simulado encobrir um outro negócio jurídico, este último é que terá relevância para efeitos de tributação, já que, no direito tributário, não interessa a divergência entre vontade negocial simulada ou séria, mas sim entre o resultado econômico simulado e o efetivo. Atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária encaixamse perfeitamente em uma das hipóteses do artigo 102 do Código Civil Brasileiro. 11. Por todo o exposto, resta claro que os valores repassados pelo contribuinte autuado aos sócios da conta de participação AMEMD SAÚDE HMD não constituem distribuição de lucros e, sim, pagamentos por serviços prestados na condição de contribuintes individuais, integrando o salário de contribuição para todos os fins e efeitos, não havendo motivos que justifiquem a não incidência da contribuição previdenciária sobre o mesmo. 12. Os valores apurados neste lançamento fiscal destinamse à Previdência Social e referemse ao descumprimento das obrigações principais, conforme dispõe a Lei 8.212, de 24/07/1991, capítulo X – artigos 30, 31 e 32, regulamentados pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, Livro III, capítulo VIII, Seções I, II e III, com alterações feitas pela Lei 11.941, de 27/05/2009. Também o julgamento de primeira instância, por unanimidade de votos, entendeu que houve simulação. Da simulação O artigo 167 e seu parágrafo 1º, do Código Civil de 2002 (Lei nº 10.406, de 10/01/2002), assim estabelecem: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729722/201184 Acórdão n.º 2403002.314 S2C4T3 Fl. 11 19 I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira ; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados Além do texto legal, também é importante ter em vista a posição da doutrina a respeito do significado e do alcance desse ato. De Plácido e Silva, no livro Vocabulário Jurídico, Volume IV, pág. 235, Editora Forense, 1993, assim leciona: SIMULAÇÃO. Do latim simulatio, de simulare (usar fingimento, usar artifício), a simulação é o artifício ou o fingimento na prática ou na execução de um ato, ou contrato, com a intenção de enganar ou de mostrar o irreal como verdadeiro, ou lhe dando aparência que não possui. [...]Simulação. No sentido jurídico, sem fugir ao sentido normal, é o ato jurídico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade. Na simulação, pois, visam sempre os simuladores a fins ocultos para engano e prejuízo de terceiros. Praticamente, a simulação resulta da substituição de um ato jurídico por outro, ou da prática de um ato sob aparência de um outro, como com a alteração de seu conteúdo ou de sua data, para esconder a realidade do que se pretende. [...] A simulação poderá ser definida como a declaração de vontade irreal, emitida conscientemente, mediante acordo entre as partes, objetivando a aparência de um negócio jurídico que não existe ou que, se existe, é distinto daquele que efetivamente se realizou, com o objetivo de enganar terceiros. No ato simulado ocorre a divergência entre a declaração exteriorizada, pelo sujeito ou sujeitos, que pretendem seja visível em relação a terceiros, e a vontade ou declaração interna, que pretendem seja a vigente entre elas, declaração essa necessária para que tenha eficácia a real intenção das partes, escondida por trás da declaração aparente. No processo de simulação há uma deformação da declaração de vontade das partes, conscientemente desejada, com o objetivo de induzir terceiros (inclusive o Fisco) ao erro ou engano. No caso em apreço, mediante a situação verificada pela fiscalização, caracterizada no Relatório do Procedimento Fiscal, concluise, claramente, que ocorreu uma inadequação entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado. Conseqüentemente, tratandose da verificação dos fatos geradores das contribuições objeto da ação fiscal, ao contrário do que entende a Impugnante, o fato dos atos formais ostentarem legalidade não garante a legitimidade do conjunto de operações. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 O artigo 118 do CTN reforça a dicotomia entre os planos de validade e da eficácia, ressaltando que o direito tributário pode não se preocupar com a validade dos atos, mas tão somente com os efeitos dentro de seu espectro de incidência: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Portanto, comprovada a simulação, cabe à Fazenda Pública desconsiderar os efeitos dos atos viciados para que se operem conseqüências no plano da eficácia tributária, independentemente, inclusive, de prévia manifestação judicial a respeito da validade do ato viciado. Os elementos probatórios da simulação. O caso dos autos Dos autos, extraise, em síntese, o seguinte: A pessoa jurídica fiscalizada, atualmente, opera sob a forma jurídica de sociedade simples com responsabilidade limitada. Sua origem, entretanto, encontrase vinculada à Associação dos Médicos do Hospital Mãe de Deus, entidade sem fins econômicos, constituída em 29 de junho de 1998. Segundo consta no seu estatuto a associação tinha por finalidades congregar os associados, promovendo o convívio e o aprimoramento profissional, intermediar eventuais negociações de seus associados com o Hospital Mãe de Deus e, ainda, representar os associados na celebração de contratos de prestação de serviços médicos. Conforme dispõe o artigo 9°, inciso V do Estatuto da Associação dos Médicos do Hospital Mãe de Deus, os associados deveriam prestar atendimento aos beneficiários dos planos de saúde dentro do horário e disciplina de seus consultórios e/ou instalações, recebendo a remuneração pelos serviços prestados diretamente das empresas administradoras dos planos de saúde. Em 11 de outubro de 2002, foi aprovada uma modificação do tipo jurídico da associação, que passou a atuar como uma sociedade de médicos, com fins econômicos e responsabilidade limitada ao capital social, cuja razão social passou a ser AMEMD Saúde Ltda, a qual, posteriormente, em razão da disciplina de sociedades estabelecida no Código Civil Brasileiro de 2002, passou para AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda. Posteriormente, foi constituída a AMEMD Saúde HMD Sociedade em Conta de Participação (SCP), sendo que a conjuntura social da referida sociedade em conta de participação foi fixada de modo que a AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda (AMEMD) ocupou a posição de sócia ostensiva desta, passando a celebrar os contratos de prestação Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729722/201184 Acórdão n.º 2403002.314 S2C4T3 Fl. 12 21 de serviços médicos com as empresas administradoras de planos de saúde e através do seu quadro social ou de médicos e pessoas jurídicas autorizadas, passou a prestar serviços médicos aos beneficiários dos respectivos planos, destacandose o fato de que todos os médicos integrantes do quadro social da autuada que, antes, integravam o quadro de associados da Associação dos Médicos do Hospital Mãe de Deus AMEMD/ RS, são os sócios participantes. Observese que, as Cláusulas 2ª e 3ª do instrumento particular de constituição da SCP, estabelecem que os sócios participantes executam procedimentos médicos em seu nome individual e que também respondem individualmente por erros médicos e, ao final, como remuneração por esses serviços, devem receber “lucros”. Os valores repassados aos sócios participantes (pessoas físicas) da sociedade em conta de participação, a titulo de “lucros”, foram efetivados conforme planilhas de fls. 884/979, e estão registrados na contabilidade da autuada, conforme depreendese dos itens 14 e 15 do Relatório do Procedimento Fiscal. Os sócios da SCP convencionaram que os lucros são distribuídos independentemente da contribuição para o patrimônio especial ( R$ 40,00 por sócio), de acordo com a receita proporcionada pelos negócios viabilizados por cada um dos sócios ou entre eles ajustadas (Cláusula 20 do Instrumento de Constituição da SCP): Cláusula 20ª : Os sócios da sociedade em conta de participação convencionam, expressamente, que os lucros serão distribuídos independente da contribuição para o patrimônio especial, de acordo com a receita proporcionada pelos negócios viabilizados por cada um dos sócios ou entre eles ajustadas. Ademais, não se vislumbra como poderá ser obtido o lucro comum, previsto na Cláusula 2ª do instrumento de constituição da SCP, fl. 275, pois não há previsão de rateio entre os sócios. A SCP não é uma verdadeira sociedade, no sentido mais técnico da expressão, na medida em que não possui personalidade jurídica, não contraindo obrigações e direitos em nome próprio. Dessa forma, quando os sócios participantes da conta de participação designada AMEMD SAÚDE HMD prestam serviços de atendimento a pacientes beneficiários de planos de saúde, em virtude de contratos celebrados pela AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA., sócia ostensiva, eles, com efeito, não estão prestando serviços para a sociedade em conta de participação, já que, apesar do seu título, ela não tem personalidade jurídica e, portanto, não contrai obrigações e direitos em nome próprio, mas apenas o faz seu sócio ostensivo, a quem incumbe gerir o negócio como se a conta de participação não existisse aos olhos dos terceiros com quem contrata. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Notese, então, que mesmo sendo sócios da conta de participação onde a AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA. é sócia ostensiva, esses profissionais devem ser remunerados especificamente pela prestação de serviços médicos, devendo tal remuneração ser considerada como base de incidência de contribuição previdenciária. Nos termos do artigo 996 do Código Civil, as normas aplicáveis às sociedades simples também o são às sociedades em conta de participação, mas, como bem salientado no artigo em referência: “subsidiariamente e no que com ela for compatível”. Nesse contexto citase as razões expostas no item 9.9 do Relatório do Procedimento Fiscal, que justificam o entendimento ora exposto: Também é claro que os dispositivos que normatizam as sociedades simples podem ser aplicados às sociedades em conta de participação, mas o legislador é preciso ao complementar, "subsidiariamente e no que com ela for compatível". E justamente isso, de modo proposital, foi deixado de lado pelo fiscalizado; Assim, aplicase à sociedade em conta de participação, por exemplo, o sistema de deliberação por maioria, e suas exceções, a necessária participação nos lucros, as responsabilidades do sócio ostensivo por atos de gestão, o direito de retirada, etc., previstos para as sociedades simples. Por outro lado, a possibilidade de contribuição dos sócios participantes em serviços é algo completamente contrário à natureza jurídica da sociedade em conta de participação, e jamais poderá ser admitida; Ou seja, a inteligência do código civil é evidente ao intérprete de boafé: tomadas as regras previstas para as sociedades simples, podemos e devemos considerálas aplicáveis às SCP, desde que não sejam contrárias a própria natureza do instituto conta de participação; E sendo a natureza jurídica da SCP uma sociedade de investimento, onde os sócios participantes entregam recursos ao ostensivo a fim de que este, de forma exclusiva e isolada, empreenda e, posteriormente, retorne lucros aos investidores, admitir a aplicação do artigo 997, inciso V, do Código Civil à SCP é o mesmo que desfigurála irremediavelmente; imaginar que pessoas não integrantes do quadro de sócios ou empregados da AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA., que atendiam pacientes enviados pelos planos de saúde, poderiam ser tratadas como se fossem sócios participantes da AMEMD SAÚDE HMD, prestando serviços em nome da sociedade em conta de participação (que sequer é dotada de personalidade), e ainda remunerados diretamente pela distribuição de lucros, Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729722/201184 Acórdão n.º 2403002.314 S2C4T3 Fl. 13 23 contrasta as normas civis e tributárias que regulam essa forma de sociedade.’ Aceitase, assim, pelos elementos dos autos, a conclusão da autoridade lançadora acerca da situação verificada na ação fiscal, constante dos itens 9.10, 9.11 e 9.12, do Relatório do Procedimento Fiscal: 9.10. Configurase, assim, uma situação que ultrapassa os limites da legislação, na medida em que resta evidente que a celebração do negócio jurídico sob a forma de sociedade em conta de participação, tinha por finalidade a reinserção dos médicos e pessoas jurídicas prestadoras de serviços integrantes da ASSOCIAÇÃO DOS MÉDICOS DO HOSPITAL MÃE DE DEUS, que buscavam evitar o risco de uma eventual responsabilidade civil decorrente de erro médico praticado por qualquer um dos demais integrantes do quadro social, conforme declaração prestada pela AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA. (doc. n.° 5662), abaixo transcrita: "Foi quando a SCP se mostrou como uma alternativa para manter os médicos congregados, sem que, no entanto, entre eles se estabelecesse uma sociedade limitada já que uma questão levantada na época a impedir tal associação regular foi de que os médicos não queriam responder por eventuais indenizações por erros médicos causados individualmente por seus colegas aos respectivos pacientes." 9.11. Ademais disso, buscavam tratar os serviços médicos prestados diretamente ao sócio ostensivo como distribuição de lucros provenientes da sociedade em conta de participação, muito embora a remuneração se efetivasse na proporção da quantidade e modalidade dos serviços correspondentes a cada participante individualmente, e não em face do montante investido, como previsto nas sociedades em conta de participação. Releva acentuar, sobretudo, que mesmo considerandose que a conta de participação, dada as suas características próprias, envolve diretamente um contrato de investimento, no caso em tela, não houve intenção de investir, já que o recurso aportado foi de apenas R$ 40,00 (quarenta reais) por sócio(...). 9.12. Por todo o exposto, resta evidente que, muito embora o objetivo do negócio fosse ampliar a celebração de contratos de prestação de serviços médicos para lucro de seus integrantes, a partir de um acordo entre as partes, houve a criação de uma relação jurídica simulada para encobrir a mera prestação de serviços médicos à AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA., conferindo às autoridades fiscais, a impressão de uma sociedade em conta de participação com efetiva distribuição de lucros. Comprovase, assim, a existência de um negócio jurídico Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 contrário à realidade, destinado a produzir um efeito diverso do ostensivamente indicado, seja por não existir negócio de fato, seja por existir um negócio diferente daquele que se apresenta. Quanto à falta de execução material da vontade exteriorizada, é de se ver que esta circunstância é decisiva para caracterizar um negócio como simulado. Na execução apenas formal do negócio jurídico, este leva a mutações jurídicas que só se manifestam no campo do direito, comportandose os contraentes, de fato, de acordo com outro negócio jurídico ou como se não tivesse negócio algum. Assim, devese verificar se o contrato produziu mutação nas relações jurídicas apenas no campo do direito, ou se os contratantes continuam a agir como antes. No presente caso, evidenciase que as partes atuam de forma isolada, é o que está ajustado no Instrumento Particular de Constituição da SCP, cláusulas 2ª e 3ª, a seguir reproduzidas. Cláusula 2ª : Os sócios participantes devem sempre assumir obrigações em seu nome individual, em seu respectivo endereço, haja vista que a sociedade em conta de participação não possuirá razão social, nem sede. Cláusula 3ª :Os sócios respondem individualmente e exclusivamente por erro médico, responsabilidade ético, civil e criminal oriundas de seus atos profissionais. Ademais disso, a remuneração dos sócios é proporcional à quantidade e modalidade dos serviços prestados individualmente e não em face do montante investido, como previsto nas sociedades em conta de participação, conforme consignado no item 9.11 do Relatório do Procedimento Fiscal. 9.11. Ademais disso, buscavam tratar os serviços médicos prestados diretamente ao sócio ostensivo como distribuição de lucros provenientes da sociedade em conta de participação, muito embora a remuneração se efetivasse na proporção da quantidade e modalidade dos serviços correspondentes a cada participante individualmente, e não em face do montante investido, como previsto nas sociedades em conta de participação. Releva acentuar, sobretudo, que mesmo considerandose que a conta de participação, dada as suas características próprias, envolve diretamente um contrato de investimento, no caso em tela, não houve intenção de investir, já que o recurso aportado foi de apenas R$ 40,00 (quarenta reais) por sócio, conforme demonstra a cláusula 5ª do Instrumento Particular de Constituição da AMEMD SAÚDE HMD SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. Certamente, que tal valor não constitui um verdadeiro aporte para a formação de um fundo social. Tais elementos evidenciam que o interesse das partes é agir de forma isolada e não como uma sociedade. Na verdade, os contratantes continuam a agir como operavam quando estavam vinculados à Associação, que foi extinta, resultando, em Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729722/201184 Acórdão n.º 2403002.314 S2C4T3 Fl. 14 25 conseqüência, numa prestação de serviços dos sócios participantes à autuada. A impugnante, por sua vez, alega que a partir do Código Civil de 2002, a simulação passou a caracterizarse pela presença de um dos elementos objetivos do artigo 167: a) por interposta pessoa; b) quanto à natureza ou o conteúdo do negócio; e c) quanto à falsidade da data. Ainda, diz a impugnante, que na constituição da SCP não existe vontade de enganar terceiros e que o simples fato de os sócios participantes prestarem serviços não autoriza o fisco a interpretar que estaria ocorrendo a contratação desses sócios pela autuada, determinando, por conseqüência, a descaracterização da sociedade. Tais argumentos não prosperam, pois, reiterese, a ação do fisco é tão somente de busca da verdade material dos fatos e para tanto não precisam ser anulados os atos jurídicos simulados pelo contribuinte. No âmbito do Direito Tributário, a conseqüência atribuída ao ato simulado é diferente da anulabilidade – que opera efeitos no plano da validade; ela acontece no plano da eficácia: os atos simulados não tem eficácia contra o fisco. Observese, mais uma vez, que não ocorreu a alegada descaracterização da sociedade em conta de participação, mas a identificação da real natureza dos valores repassados aos sócios participantes desta sociedade. Quanto à discrepância entre os atos praticados e a conduta das partes, neste aspecto, evidenciase a ficção do negócio jurídico. No caso dos autos, para as autoridades fiscais, a sócia ostensiva e os sócios participantes simulavam e informavam a existência de uma sociedade em conta de participação, entretanto, o que realmente acontecia era a mera prestação de serviços médicos pelos sócios participantes diretamente à AMEMD, sócia ostensiva. A impugnante argumenta, também, que não há a simulação indicada nos autos, pois é possível verificar claramente a existência de motivação suficiente para a organização das atividades da AMEMD e dos médicos associados da forma em que “engendrada” (SCP) sem que o único objetivo fosse a não tributação sobre os pagamentos efetuados. Tal argumento não pode ser aceito, pois os elementos já expostos demonstram a celebração de negócio jurídico por meio do qual, perante as autoridades fiscais, os contratantes apresentam uma sociedade em conta de participação, que efetuava a distribuição de lucros, no entanto, restou evidenciada a prestação de serviços à AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda que, na verdade, remunerava a prestação de serviços médicos como se distribuição de lucros fosse. Isto porque a sociedade em conta de participação não é dotada de personalidade, assemelhandose a um mero contrato de investimentos. Em razão disso, ela não tem aptidão para exercer Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 direitos ou assumir obrigações na ordem jurídica. Tanto é assim que, conforme previsão contida no artigo 991 do Código Civil Brasileiro, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais sócios somente dos resultados correspondentes. Os sócios participantes, por terem confiado em habilidades empresariais do sócio ostensivo, simplesmente entregamlhe recursos. Este último, executa a atividade econômica objeto do contratado e presta contas aos investidores. Portanto quando os sócios participantes atendem pacientes enviados pelos planos de saúde em razão de contratos celebrados entre as empresas administradoras desses planos e a AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA (sócia ostensiva), eles, em verdade, estão prestando serviços para esta última, pois foi ela que, em nome individual, assumiu o compromisso contratual de atender aqueles pacientes. Observese, assim, que, muito embora sejam sócios da conta de participação onde a AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda é sócia ostensiva, essas pessoas devem ser remuneradas especificamente pelo fato da prestação de serviços médicos, que corresponde a rendimento sujeito à incidência da contribuição previdenciária. Nesse contexto importa aduzir, novamente, que as pessoas físicas autorizadas a atender os beneficiários dos planos de saúde eram sempre os sócios participantes da conta de participação onde a AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda aparecia como sócia ostensiva. Esta última, após receber a remuneração paga pelos tomadores de serviços, apurava e recolhia os tributos incidentes diretamente sobre suas receitas. Depois, efetuava a retenção de uma taxa administrativa e, então, pagava diretamente aos sócios participantes da SCP, de acordo com o volume e modalidade de serviços prestados. Este pagamento, entretanto, não era realizado a título de remuneração por serviços prestados para a própria AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda, mas sim, diretamente, como distribuição de lucros decorrentes da conta de participação. Diante de tais elementos, constatase que o negócio jurídico simulado de constituição da conta de participação (que era aparente para o fisco), seguido do pagamento de “lucros” que teriam sido aderidos naquele investimento, dissimulava (acobertava) a efetiva natureza dos pagamentos efetuados pela AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda às pessoas físicas, contribuintes individuais da Previdência Social, que lhe prestavam serviços médicos. Observese, ainda, que, em sendo verificado no procedimento fiscal que a efetiva natureza dos valores pagos pela AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda aos segurados contribuintes individuais era de remuneração pelos serviços prestados, não prosperam os argumentos de que os valores em questão estariam isentos da contribuição previdenciária com fundamento na previsão do artigo 28, parágrafo 9º , alínea " j ", da Lei n° 8.212/91, já que tal isenção trata da Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729722/201184 Acórdão n.º 2403002.314 S2C4T3 Fl. 15 27 participação do empregado nos lucros ou resultados das empresas. Minha conclusão é que houve simulação. Pesquisando nos autos, constatei que a recorrente tem como objeto social a prestação de serviços na área da saúde. AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA OBJETO SOCIAL Cláusula 3ª: O objetivo da sociedade é de prestação de serviços na área da saúde, tratamento de pacientes, conveniados ou não, podendo associarse, parcerizarse com outros médicos e clínicas para o bem estar pleno dos pacientes e clientes. Nome de fantasia: AMEMD (CLÁUSULA 2ª) 05/08/2003 A AMEMD SAÚDE SCP, foi constituída em 15/01/2003, com 368 sócios participantes, que evoluiu gradativamente até atingir 693 sócios participantes em 18/05/2008 e tinha como condição para participar da sociedade ser médico credenciado ou contratado para prestar serviço no Hospital Mãe de Deus. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 A recorrente alega que o objeto social da AMEMD SAÚDE SCP era somente celebração de contratos de prestação de serviços médicos. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729722/201184 Acórdão n.º 2403002.314 S2C4T3 Fl. 16 29 É evidente que ao contratar prestação de serviços, a prestação de serviço deve acontecer (objeto social da recorrente) e, conforme visto, essa prestação de serviço era efetuada pelos sócios participantes. Numa SCP legalmente constituída, conforme visto acima, unicamente o sócio ostensivo realiza em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade os negócios jurídicos necessários para ultimar o objeto do empreendimento e responde pelas obrigações sociais não adimplidas. O sócio participante, em contraposição, não tem qualquer responsabilidade jurídica relativa aos negócios realizados em nome do sócio ostensivo, participando dos resultados correspondentes. O sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Na Sociedade em Conta de Participação, o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiro; os outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações sociais empreendidas nos termos precisos do contrato. Resumindo os fatos: a recorrente firmou contratos de prestação de serviço médico, em seu nome, e os médicos prestaram o serviço contratado e pelo seu trabalho foram remunerados. Por meio da SCP, a sócia ostensiva (recorrente) e os sócios participantes simulavam e informavam a existência de uma sociedade em conta de participação. Entendo que efetivamente as bases de cálculo correspondem à remuneração pelos serviços prestados e não a lucro distribuído. PERÍCIA. A recorrente questiona o indeferimento da perícia requerida quando da impugnação. Está claro na decisão recorrida que a resposta aos quesitos formulados se daria pela juntada de documentos da própria recorrente ao processo. A recorrente não juntou provas à impugnação e pretendeu juntálas por meio de perícia. No presente caso, examinandose os quesitos propostos, observase que as informações desejadas pela impugnante poderiam ter sido por ela providenciadas no prazo que a legislação tributária lhe garante para a impugnação do lançamento, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto nº Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 70.235/1972 e alterações, sem exceção, pois estão nos documentos/registros contábeis/fiscais em poder da própria autuada ou dependem de simples cálculos ou demonstrativos. Não impõem a realização de perícia e elaboração de laudos; dependem, simplesmente, de providências da interessada. Senão, vejamos: Quesito a): Para identificar o regime tributário adotado pela AMEMD, é só juntar a cópia da declaração anual entregue à RFB, que está com a autuada. Quesitos b) e c): Quanto a indicação, mês a mês, dos resultados líquidos da sociedade e, em comparação, dos valores que foram efetivamente pagos, em cada mês, ao sócios participantes, discriminadamente, bem como a identificação de eventuais discrepâncias na apuração dos valores exigidos, a autuada poderia ter elaborado relações/demonstrativos já que dispõe de todas as informações e registros contábeis/fiscais. Observese que, segundo consta do item 13, do Relatório do Procedimento Fiscal: 13. Serviram de base para a apuração do crédito, consoante o disposto no item 3 supra, todos os elementos fornecidos pelo autuado quando da realização do MPF 10.1.01.002010000190, quais sejam:. (...) i) informação de que todos os valores pagos aos sócios da SCP AMEMD SAÚDE LTDA., a título de distribuição de lucros constam nos registros contábeis da AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA.; j) plano de contas contábeis; k) balancetes; l) livros contábeis Diário e Razão; m) arquivos magnéticos contendo a escrituração contábil; n )relação de valores repassados aos médicos sócios da sociedade em conta de participação AMEMD SAÚDE HMD correspondente ao período de 2006 a 2009. Ademais disso, acompanha o Relatório do Procedimento Fiscal, “Discriminativo de Rendimentos Pagos a Contribuintes Individuais”, identificando, por competência e contribuinte individual, os valores considerados como base de cálculo das contribuições lançadas. Quesitos d) e g): O registro sobre a que título estão contabilizados os pagamentos aos sócios participantes está na contabilidade e nos documentos da autuada; bem como informações sobre a existência da sociedade em conta de participação na contabilidade da AMEMD podem ser provadas com cópia da escrituração da autuada. As informações em questão são de fácil obtenção. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729722/201184 Acórdão n.º 2403002.314 S2C4T3 Fl. 17 31 Quesito e): “A distribuição de resultados efetivamente feita aos sócios, em regime de caixa, observou a proporcionalidade prevista nas Cláusulas 17ª e 20ª do Contrato de Constituição da SCP?” Segundo o item 14 do Relatório do Procedimento Fiscal, os valores constantes nos documentos/arquivos fornecidos pelo contribuinte, foram cotejados com os registros contábeis, não tendo sido constatadas distorções relevantes, razão pela qual foram considerados base razoável, segura e confiável para apuração da matéria tributável. Reiterese que os valores distribuídos aos sócios participantes, caracterizados pela autoridade lançadora como remuneração paga a contribuintes individuais e fatos geradores de contribuição previdenciária, estão elencados individualmente nos autos (“Discriminativo de Rendimentos Pagos a Contribuintes Individuais”, fls. 884/979). Portanto, não há porque ser produzida a prova pericial para a constatação de elementos claramente identificados nos documentos apresentados pela autuada à fiscalização e também demonstrados no Relatório do Procedimento Fiscal. Quesito f): “Existe relação de subordinação, emprego ou contratação entre os sócios participantes e a sócia ostensiva?” Quanto ao quesito em questão, vêse que as informações desejadas pela autuada não impõem a realização de perícia e elaboração de laudos; dependem, simplesmente, de providências da interessada, pois os fundamentos fáticos e jurídicos para as autuações foram suficientemente demonstrados nos autos, com a indicação dos elementos examinados e em poder da própria empresa. Assim sendo, constatase que, no caso, a demonstração pretendida pela empresa por meio da prova pericial poderia ter sido trazida aos autos mediante simples juntada de documentos em poder da própria empresa, vez que a perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado nos autos. Acrescentese que a pretendida prova pericial não pode substituir a produção de prova material/documental a cargo da autuada e que a adoção do procedimento de perícia objetiva, única e tão somente, dirimir dúvidas com relação às provas anteriormente carreadas ao processo, não se prestando, portanto, a suprimir o encargo que cabe ao sujeito passivo da relação tributária processual, quanto à formação da demonstração probatória que lhe compete. Indeferese, portanto, a prova pericial requerida. Concordo com o indeferimento. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 32 SELIC Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. MULTA A recorrente questiona a multa aplicada. Este lançamento referese ao ano 2009 e exclusivamente foi imputada multa de ofício no percentual de 75%. Entendo que a multa aplicada obedeceu o estabelecido na legislação. CONCLUSÃO Voto Por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002815/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RECEITA. DECLARAÇÕES ZERADAS. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA.
Caracteriza sonegação, com a consequente imposição da multa qualificada, a constatação da apresentação de declarações zeradas combinada com a efetiva omissão de receita.
Recurso Voluntário Negado
Caracteriza a confusão patrimonial de esferas pessoais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a consequente responsabilização solidária, beneficiar-se pela transferência direta de valores da conta corrente da empresa contribuinte para a conta corrente pessoal.
Numero da decisão: 1102-001.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jackson Mitsui, Marcelo Baeta Ippolito e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. DECLARAÇÕES ZERADAS. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Caracteriza sonegação, com a consequente imposição da multa qualificada, a constatação da apresentação de declarações zeradas combinada com a efetiva omissão de receita. Recurso Voluntário Negado Caracteriza a confusão patrimonial de esferas pessoais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a consequente responsabilização solidária, beneficiar-se pela transferência direta de valores da conta corrente da empresa contribuinte para a conta corrente pessoal.
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Omissão de receita com base em depósitos bancários não comprovados. Arbitramento. Multa qualificada. Responsabilidade tributária. Recorrente Responsáveis tributários de SULTÃO DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ADMINISTRADORES DE FATO. É cabível a responsabilização solidária de administradores de fato que praticam os atos ilícitos, ou seja, a conduta infratora prevista no artigo 135 do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Caracteriza a confusão patrimonial de esferas pessoais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a consequente responsabilização solidária, beneficiarse pela transferência direta de valores da conta corrente da empresa contribuinte para a conta corrente pessoal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. DECLARAÇÕES “ZERADAS”. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Caracteriza sonegação, com a consequente imposição da multa qualificada, a constatação da apresentação de declarações “zeradas” combinada com a efetiva omissão de receita. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 28 15 /2 00 9- 84 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 751 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jackson Mitsui, Marcelo Baeta Ippolito e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração do processo em papel que foi digitalizado para o sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto pelos responsáveis tributários de SULTÃO DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/Campinas que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados e das responsabilidades atribuídas. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/BarueriSP, referentes ao IRPJ e reflexos, devidos nos períodos de apuração correspondentes ao anocalendário de 2004, totalizaram o valor de R$ 9.223.100,96. A autuação promoveu o arbitramento do lucro considerando a omissão de receitas com base em depósitos bancários não comprovados e aplicou multas qualificadas. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o feito fiscal e a impugnação apresentada: A auditora fiscal, designada para o procedimento determinado no MPF acima mencionado, não obteve êxito em dar ciência à pessoa jurídica, em 19/03/2009, do TERMO DE INICIO DE PROCEDIMENTO FISCAL, fls. 04/05, por não ter sido a empresa localizada no domicílio fiscal constante do cadastro da RFB, fato devidamente contextualizado no TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL de fl. 06. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 752 3 Assim, foi afixado pelo SERVIÇO DE FISCALIZAÇÃO SEFIS DA DRF BARUERI/SP, em 20/03/2009 o EDITAL DE INTIMAÇÃO N° 24, fl. 09, intimando a contribuinte a tomar ciência do MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF n° 0812800/00047/2009, do TERMO DE INICIO DE AÇÃO FISCAL (fls. 04/05) e TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL (fl. 06), emitidos em seu nome, contendo a solicitação para apresentação de livros e documentos contábeis/fiscais/bancários. Não atendida a solicitação, e diante das justificativas elencadas pela auditora fiscal (fls. 10/13), O Delegado da DRF Barueri/SP emitiu a REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF) em 31/03/2009 (fls. 14/15), para que o BANCO BRADESCO S/A fornecesse a documentação bancária e extratos da conta corrente da empresa do anocalendário de 2004 (Aviso de Recebimento AR em 15/04/2009 fl. 16). A partir dos documentos apresentados pelo Banco BRADESCO, a auditoria fiscal elaborou o ANEXO DO TERMO DE INTIMAÇÃO às fls. 19/89, relacionando depósitos/créditos na conta bancária da pessoa jurídica no ano de 2004, e, no TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL de fl. 18, solicitando à contribuinte comprovar, através de documentação hábil e ídônea, coincidente em datas e valores, a origem dos valores creditados/depositados nas contas correntes bancárias de sua titularidade, conforme relação anexa, cuja ciência se fez por afixação em 27/08/2009 do EDITAL DE INTIMAÇÃO N° 76 de fl. 17. Foram ainda providenciados os TERMOS DE INTIMAÇÃO FISCAL às fls. 92/93 e 95/96, alertando para a necessária regularização cadastral da empresa perante a RFB, remetidos via postal ao domicílio fiscal dos sócios responsáveis pela pessoa jurídica, constante dos dados cadastrais (CNPJ e CPF), senhores Cleiton da Silva Santos e Willian Carlos Rocha, sendo que em 29/06/2009 retomaram os Avisos de Recebimento AR com as mensagens "recusado" (fl. 94).e "destinatário desconhecido" (fl. 98), respectivamente. Às fls. 99/ 100, a auditora fiscal responsável pelo procedimento registra a formalização, em 01/09/2009, de REPRESENTAÇÃO FISCAL, sob a seguinte fundamentação [destaques acrescido]: (...) fundamentado no inciso I, combinado com o parágrafo único do art. 41 da IN RFB n° 748, de 28/06/2007, está evidenciado, s.m.j., que se trata de Pessoa Jurídica inexistente de Fato. Assim, solicito que a presente Representação Fiscal seja encaminhada à SECAT/DRF/BRE, com proposta de que a inscrição no CNPJ 03.996.681/000188, da empresa Sultão Distribuidora de Combustíveis Ltda, seja declarada inapta, com efeitos a partir da Constatação Fiscal de 19/03/2009, pelo fato de a Pessoa Jurídica inexistir de fato. (...) Todo o trabalho fiscal em pauta encontrase sintetizado no TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL de fls. 356/365, cujo teor adiante é parcialmente reproduzido: (...) Conforme Termo de Constatação lavrado na ocasião, anexo ao presente processo, o contribuinte não foi localizado no local. A Rua Rio de Janeiro é composta por imóveis simples, sem construção que pudesse acolher uma distribuidora de combustíveis, não tendo sequer sido localizado o imóvel de n° 80. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 753 4 Foi emitido Edital n° 24, de 20 de março de 2009, intimando o contribuinte, através de seu representante legal, a tomar ciência do Mandado de Procedimento Fiscal e Termo de Início de Fiscalização (ciência em 07 de abril de 2009). Procedeuse também à intimação dos sócios responsáveis, conforme dados constantes no cadastro CNPJ, Sr. Cleiton da Silva Santos, CPF: 946.497.40100 e Sr. Willian Carlos Rocha, CPF: 877.201.24120, para que regularizassem a situação cadastral da empresa. A intimação encaminhada ao Sr. Cleiton da Silva Santos foi recusada. A intimação dirigida ao Sr. Willian Carlos Rocha retomou à DRF com a informação de "destinatário desconhecido". Diante do exposto, de acordo com o art. 41 da Instrução Normativa RFB n° 748, de 28/06/2007, procedeuse à Representação Fiscal para Declaração de lnaptidão da Pessoa Jurídica. Não atendida a intimação fiscal para apresentação de Livros Diário, Razão, extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras, e ainda verificada a hipótese prevista no art. 33, I, da Lei 9.430/96, com suposta interposição fraudulenta de pessoas, foi emitida Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF, conforme previsto no art. 6° da Lei Complementar 105/2001. Atendida a RMF de n° 0812002009000138, foram obtidos extratos de conta corrente, documentos cadastrais e instrumentos de procuração para movimentação de valores. Os valores creditados em conta corrente foram conciliados, de modo a excluir estornos e lançamentos de mesma titularidade, lançados a débito em uma das contas e a crédito em outra. Os créditos resultantes de tal conciliação, cujas origens não foram informadas, foram objeto de nova Intimação Fiscal ao contribuinte, que, através do Edital n° 76, de 27 de agosto de 2009, foi instado a esclarecer a origem de tais valores. Por oportuno, cabe destacar que a pessoa jurídica apresentou à Receita Federal do Brasil DIPJ do anocalendário 2004 sem apuração de receita e de tributos devidos. I Da natureza das receitas omitidas: Não obtida resposta às Intimações Fiscais, a fim de verificar a natureza da receita presumidamente omitida, diligenciamos junto a possíveis fornecedores, localizados através da análise das informações constantes nos documentos bancários, bem como através de informações fornecidas à RFB em DIPJ (anocalendário 2004) de terceiros. Compras informadas por terceiros A Destilaria Guaricanga, CNPJ 47.807.797/000105, informou venda de álcool etílico anidro carburante ao contribuinte fiscalizado no valor de R$ 359.545,25, durante o anocalendário de 2004. A empresa Mundial Açúcar e Álcool S/A., CNPJ 06.225.595/000160, sucedida pela Cosan S.A Indústria' e Comércio, CNPJ 50.746.577/000115, informou exclusivamente venda de álcool etílico anidro carburante, totalizando o valor de R$ 1.118.028,98. Regularmente intimadas, forneceram cópias das notas fiscais de vendas, anexas ao presente processo. Das transferências acima de R$ 10.000,00 Fl. 757DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 754 5 As cópias de cheques e transferências identificadas (valores acima de R$ 10.000,00) traziam como destinatários diversas empresas e pessoas físicas, entre as quais se destacam as seguintes: 1. Ideiitificado nos documentos apenas por "Boainain", foi localizado no cadastro RFB: CNPJ 48.593.487/000190, BOAINAIN DISTRIBUIDORA DE ÁLCOOL LIMITADA. Transferências identificadas R$ 13.735.451,66 Regularmente intimada a esclarecer supostas vendas ao fiscalizado, a empresa não atendeu à intimação fiscal. 2. "Benzeno" (sem identificação de CNPJ) Total 2004 R$ 693.927,50 3. Identificado nos documentos apenas por "Filati"; foi localizado no cadastro RFB: CNPJ 22.201.412/000122, FILATI COMÉRCIO E INDUSTRIA LTDA Transferências identificadas R$ 2.330.316,60 Segundo informações constantes no cadastro CNPJ, a empresa encontrase com o CNPJ baixado desde 1990, por extinção (encerramento por liquidação voluntária), com informação à RFB em 11/2002: DT ABERTURA: 22/07/1986 DT PRIM. ESTAB.: 22/07/1986 SIT.CAD.CNPJ: BAIXADA MOTIVO: EXTINÇÃO P/ ENC LIQ VOLUNTÁRIA DATA DA SITUAÇÃO: 16/10/1990(11/2002) PROC. INSCR. OFICIO: 4 e 5. Relativamente aos casos abaixo, identificamse os CNPJ 05.071.342/000116 (Four Auto Posto LTDA.) e 04.626.326/000180 (Four Fomento Mercantil LTDA.) “Four” Transferências identificadas R$ 199.604,50 "Four A. Posto" "Four Auto Posto" ou "For Auto Posto" Transferências identificadas RS 281.525,00 "Four F.", "Four F. Mercantil", "Four Fomento": Transferências identificadas R$ 222.060,00 6. Identificado nos documentos por "Masterseller", foi localizado o CNPJ: 67.308.338/000186, MASTERSELLER EMPREENDIMENTOS E COM. LTDA. Transferências identificadas R$ 1.028.275,00 A intimação para que documentasse vendas ao contribuinte fiscalizado retornou a esta fiscalização com a informação de que o local foi demolido. 7. "U. S. J. Açúcar e Álcool" Transferências identificadas R$ 1.958.930,72 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 755 6 8. "Usina Zanin Açúcar e Álcool" ou "Zanin", localizado no cadastro RFB: 43.960.335/000164 (Matriz), EMP: USINA ZANIN AÇÚCAR e ÁLCOOL LTDA. Transferências identificadas R$ 666.440,00 Intimada a documentar vendas ao contribuinte fiscalizado, a empresa declara não ter localizado qualquer transação comercial com o contribuinte Sultão Distribuidora de Combustíveis LTDA. Reintimada, informa que os valores de transferências bancárias teriam sido cheques fornecidos por terceiros para pagar compras diversas. 9. Açúcar e Álcool Oswaldo Mendonça Transferências identificadas R$ 251.259,89 Há ainda outros destinatários de recursos que transitaram pelas contas bancárias do contribuinte, como pessoas físicas, entre as quais um dos sócios à época dos fatos, Sr. Luiz Antonio de Arruda e o Sr. Ronald Rolland, pessoa que atualmente detém poderes de movimentação da conta bancária, conforme documento cadastral fornecido pelo banco. Valores recebidos, acima de RS 10.000,00 Dentre os valores recebidos de terceiros, destacamse como remetentes de recursos postos de combustíveis, que totalizam, somente entre os documentos analisados, o valor de R$ 3.054.229,30, conforme ralação anexa. Foram intimados os seguintes contribuintes: CENTRO AUTOMOTIVO ITAIM PAULISTA LTDA CNPJ: 03.414.395/000167 Transferências identificadas R$ 408.600,00 MEG UNION BRASIL PETRÓLEO LTDA CNPJ: 01.657.919/000115 Transferências identificadas R$ 221.409,80 AUTO POSTO DA PRAÇA LTDA CNPJ: 43.676.204/000150 Transferências identificadas R$ 138.600,00 L.A.M. ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. CNPJ: 74.505.306/000136 Transferências identificadas R$ 65.400,00 Nenhum dos intimados, até a presente data, atendeu à intimação fiscal II Apuração de tributos devidos sobre receitas omitidas Créditos de origem não comprovada Não atendidas as intimações fiscais, os valores creditados nas contas de titularidade do contribuinte, sem comprovação de origem, foram considerados como receitas omitidas, de acordo com os artigos 287 e 288 do Decreto 3.000/99 RIR. Tais valores foram lançados de ofício através de Auto de Infração IRPJ. Não sendo possível a apuração do Lucro Real ou da efetiva movimentação financeira a partir da escrituração do contribuinte, o mesmo incorreu na hipótese de arbitramento de seu Lucro, prevista no inciso III, art. 530 do Decreto 3.000/1999. Apuração de IRPJ devido Fl. 759DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 756 7 A análise dos documentos bancários com créditos e débitos acima de R$ 10.000,00 (conforme planilhas anexas) localizou transferências, em sua maioria, a usinas de álcool, indicando predominância de compras de álcool combustível. Com relação aos pagamentos, em maior parte, foram efetuados a postos de combustíveis. Tendo o contribuinte informado como atividade o comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, exceto lubrificantes, não realizado por transportador retalhista (CNAE 4681801), face à natureza das compras e vendas do contribuinte e de acordo com os documentos fiscais obtidos junto aos fornecedores (notas fiscais de venda de álcool etílico anidro carburante), considerouse como natureza da receita omitida a venda de álcool combustível, em conformidade com o §1°, artigo 24 da Lei 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. §1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. CSLL, PIS e COFINS apuração reflexa De acordo com o artigo 24, §2°, da Lei 9.249/95, foram apurados valores de CSLL, PIS e COFINS, reflexos do IRPJ apurado sobre receitas omitidas: §2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para 0 PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. (Redação dada pela Lei n” 11.941.de 2009) Dada a impossibilidade de verificar, individualmente, a natureza das receitas omitidas, procedeuse em conformidade com o §4°, artigo 24 da Lei 9.249/95: §4° Para a determinação do valor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep, na hipótese de a pessoa jurídica auferir receitas sujeitas a alíquotas diversas, não sendo possível identificar a alíquota aplicável à receita omitida, aplicarseá a esta a alíquota mais elevada entre aquelas previstas para as receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n° 11.941. de 2009) Assim, foram aplicados os percentuais, previstos no artigo 3° da Lei 9.990/00, de 1,46% e 6,74%, referentes a PIS e COFINS previstos para venda de álcool para fins carburantes para distribuidoras de combustível. III Qualificação dos Responsáveis Verificada a necessidade de apurar a responsabilidade pela infração tributária, foram analisados os documentos bancários, a fim de identificar os responsáveis pela movimentação de recursos, bem como a efetiva destinação dos mesmos. Nos documentos cadastrais fornecidos pelo banco, foram identificados como sócios atuais da fiscalizada Ronald Roland, CPF: 298.654.91877, e Robson Couto, CPF 863.213.58649, que constam no cadastro RFB como sócios da RN PETRÓLEO DO BRASIL LTDA., CNPJ 07.735.308/000124*. * A empresa RN Petróleo do Brasil encontrase cadastrada, perante a RFB, no mesmo endereço cadastral da contribuinte fiscalizada, local em que, conforme Termo de Constatação lavrado em 19/03/2009, não há funcionamento de distribuidoras de combustível. Cabe destacar que o terreno situado à Rua Rio de Janeiro, 80, em Santana de Parnaíba, foi alienado pela RN Petróleo do Brasil a um escritório de advocacia em 18/11/2008. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 757 8 Tais pessoas não se encontram cadastradas perante a RFB como sócios da empresa fiscalizada, em época presente ou em anos anteriores. O histórico da RFB traz como sócios da empresa fiscalizada, à época dos fatos, Eduardo Alves de Souza e Luiz Antonio de Arruda: RELAÇÃO DE SóCIOS EXCLUÍDOS: EDUARDO ALVES DE SOUZA CPF: 260.764.02881 SÓCIOGERENTE QSA INCLUÍDO: 01/08/2000 EXCLUÍDO: 13/04/2005 (informado em 07/2005) LUIZ ANTONIO ARRUDA CPF: 037.660.57820 SÓCIOGERENTE QSA INCLUÍDO: 01/08/2000 EXCLUÍDO: 13/04/2005 (informado em 07/2005) Eduardo Alves de Souza e Luiz Antonio Arruda eram as pessoas que assinavam os cheques da empresa, executando, de fato, a movimentação de recursos, como se pode observar nas cópias dos documentos bancários, anexas ao presente Processo. Assim, verificamos junto ao banco o motivo da divergência entre a ficha cadastral e as cópias de cheques apresentadas, vez que não foi apresentada nenhuma procuração para movimentar a conta corrente. O Banco Bradesco informou ter havido alteração no sistema de cadastro, no que se refere à identificação dos sócios, mas afirmou não conseguir recuperar os dados cadastrais antigos e demais documentos que deram suporte à abertura das contas. Entretanto, a fim de documentar a responsabilidade pela movimentação, o banco enviou cópias dos cartões de assinatura, datados de 08/09/2000 e 27/01/2003, em que constam os nomes de Eduardo Alves de Souza e Luiz Antonio Arruda, conferindolhes poderes para movimentar, isoladamente, as contas bancárias. Entre os documentos analisados, os seguintes traziam transferências efetuadas a Luiz Antônio Arruda: data nº do cheque destinatário valor 16/03/2004 2691 Luiz Antônio de Arruda 21.100,00 23/03/2004 2729 Luiz Antônio de Arruda 21 130,00 31/03/2004 2771 Luiz Antônio de Arruda 23.225,00 31/03/2004 2778 Luiz Antônio de Arruda 15.000,00 12/04/2004 2843 Luiz Antônio de Arruda 15.000,00 14/04/2004 2853 Luiz Antônio de Arruda 20.515,00 20/04/2004 2889 Luiz Antônio de Arruda 20.955,00 26/04/2004 2909 Luiz Antônio de Arruda 11.000,00 Fl. 761DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 758 9 26/04/2004 2912 Luiz Antônio de Arruda 10.229,50 04/05/2004 2948 Luiz Antônio de Arruda 41.000,52 06/05/2004 2970 Luiz Antônio de Arruda 15.002,11 25/05/2004 3043 Luiz Antônio de Arruda 31.090,00 30/05/2004 3065 Luiz Antônio de Arruda 10.500,00 31/05/2004 3067 Luiz Antônio de Arruda 15.075,00 08/06/2004 3098 Luiz Antônio de Arruda 10.950,00 05/07/2004 62 Luiz Antônio de Arruda 35.407,00 27/07/2004 46 Luiz Antônio de Arruda 12.796,66 TOTAL R$ 363.915,89 As transferências acima, verificadas somente entre os documentos acima de R$ 10.000,00, contrastam com a DIRPF/2005 do sócio, em que declara, como rendimentos tributáveis recebidos da Sultão Distribuidora de Combustíveis, apenas R$ 11.500,00. IV Da multa qualificada Esta fiscalização aplicou a multa de 150%, por ter o contribuinte praticado atos que se enquadram nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64, incorrendo na hipótese de qualificação das multas de ofício prevista no §1° do artigo 44 da Lei 11.488/07, que transcrevemos na seqüência: (...) Constatada a omissão de receitas, inexistência de fato da empresa, acompanhada de ausência de declarações à RFB desde 2006, DIPJ/2005 entregue zerada, ausência de atendimento às intimações (inclusive com recusa de recebimento por um dos sócios), conseqüente representação para inaptidão do CNPJ, verificase que, em realidade, a pessoa jurídica "empresa de fachada" foi constituída de maneira fraudulenta, com intuito evidente de evadirse da tributação devida. Corroboram tal constatação a própria ausência de atendimento dos sócios e de terceiros, as mudanças no quadro societário e as transferências efetuadas ao sócio Luiz Antônio de Arruda (como mencionado, da ordem de R$ 363.915,89, incoerentes com os rendimentos declarados à RFB para o anocalendário 2004). Tais condutas, atestadas ainda pela contundente disparidade entre a movimentação financeira (no montante de R§ 27.746.636,89), e os valores das receitas informadas à Receita Federal do Brasil (RS 0.00) estão caracterizadas na Lei 8.137, de 28/12/1990, em seus artigos 1° e 2°, abaixo transcritos: (...) V Da responsabilidade solidária Dada a caracterização da conduta prevista nos incisos I, II e V do artigo 1° e art 2° da Lei 8.137/90, que tipificam ilícitos contra a Ordem Tributária, comprovandose que foram omitidas informações e prestadas declarações inexatas às autoridades fazendárias, bem como caracterizandose as condutas descritas nos 71 e 72 da Lei 4.502/64, com infração evidente à lei em benefício próprio ou de terceiros, restou Fl. 762DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 759 10 caracterizada a sujeição passiva solidária, nos termos dos art. 124 e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), abaixo citados: (...) Responsáveis solidários: EDUARDO ALVES DE SOUZA CPF: 260.764.02881 LUIZ ANTONIO ARRUDA CPF: 037.660.57820 (...) Em 14/12/2009 foi afixado o EDITAL SEFIS DRF BARUERI 112/2009, fl. 343, cientificando a empresa fiscalizada da emissão, em 10/12/2009, dos Autos de Infração 13896.002815/200984 e do TERMO DE ENcERRAMENTO DO PROCEDIMENTO FISCAL 0812800.2009.00047. Em 08/01/2010, o escritório "Peucci & Barbosa Sociedade de Advogados" remeteu ao SEFIS da DRF Barueri/SP, via postal SEDEX à fl. 418, dirigindo a impugnação de fls. 419/439 ao delegado da 'DRF Barueri/SP, acompanhada de cópias de documentos de fls. 444/520, subscrita por Luis Antonio Arruda, Eduardo Alves Souza e pelo advogado e bastante procurador de ambos, Senhor Fábio Peucci Alves (Instrumento de Procuração à fl. 531), apresentando as razões de defesa a seguir sintetizadas. De início alega a impugnante ter sido o auto de infração formalizado de forma irregular, em desconformidade com a realidade dos fatos, os quais serão esclarecidos oportunamente. (...) a fiscalização recorreu a clientes e fornecedores do Autuado, de onde levantou documentos que lhe SUGERIRAM a presunção de que a empresa, através de seus sócios, teria omitido receita. Porém, essa não é a verdade dos fatos, o que precisa ser esclarecido desde já. Adiante é reproduzida parcialmente a introdução da defesa [destaques do original]: (...) Como se observa do documento de n° 02, anexado à presente defesa, o autuado vendeu a RONALD ROLAND E ROBSON COUTO a empresa SULTÃO Distribuidora de Combustíveis Ltda. Referida venda não se desfez jamais e persiste até a presente data, inclusive permanecendo inadimplentes os compradores, que estão sendo executados pelo Autuado através de processo judicial (cópia em anexo) em trâmite no Fórum de Barueri, 4” Vara Cível, processo 1149/2007. Quando a venda da empresa foi consolidada, os compradores (RONALD ROLAND e ROBSON COUTO) comprometeramse a fazer já a partir do mês de março de 2004, depósitos mensais na conta do Requerido, nunca inferiores a R$ 10.000,00, até que esses somassem o montante de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), valor do negócio realizado. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 760 11 É verdade que o Comprador Ronald Rolland atrasou algumas parcelas, o que o obrigou a arcar com juros e multa. O valor de R$ 363.915,89 (trezentos e sessenta e três mil novecentos e quinze reais e oitenta e nove centavos) que circulou na conta corrente do Autuado nada mais é do que o fruto da venda da empresa aos compradores (RONALD ROLAND e ROBSON COUTO). Esse valor JÁ NÃO ERA MAIS PRÓLABORE, POIS A EMPRESA JÁ HAVIA SIDO VENDIDA E JÁ TINHA SIDO SUA ADMINISTRAÇÃO TRANSFERIDA. Já no momento do acerto da venda da empresa (fevereiro de 2004), a administração da mesma foi CEDIDA integralmente e de imediato – aos compradores (RONALD ROLLAND e ROBSON COUTO), sem qualquer interferência fosse providenciada pelo Autuado. A partir do momento em que fosse confirmado o depósito do valor total da venda, far seia a formalização da transferência das cotas junto à JUCESP. Ora, se o Autuado não era mais sócio da SULTÃO, ao contrário do que indica o termo de constatação fiscal nas fls. O7, os valores descritos nessas folhas nada tem a haver com os haveres recebidos e declarados na DIRPF/2005. Enganouse o Sr. Fiscal quando passou a exigir do Autuado documentos e informações, essas que não poderiam jamais ser prestadas por eles, que não são mais sócios da empresa desde fevereiro de 2004. Tanto é verdade, que às fls. 04 do auto de infração verificamos que o próprio fiscal conseguiu obter junto aos bancos informações concretas que indicaram que quem detém poderes para movimentações bancárias é o novo sócio da empresa Autuada, SR. RONALD ROLLAND. ORA, ARBITRAMENTO DE LUCRO POR PRESUNÇÃO APENAS SERIA POSSÍVEL SE O FISCO TIVESSE, DE FATO EM MÃOS, ALGO PLAUSÍVEL, CONDIZENTE COM A REALIDADE. Deveria, para poder arbitrar por presunção, analisar todos os valores e quem, de fato, deu origem à movimentação, o que não foi feito pelo autuado Luis Arruda que, desde fevereiro de 2004, já não mais administrava a Sultão Distribuidora. Por esses motivos, não haveria fundamento à autuação do mesmo, o que acaba por tomar totalmente improcedente o AIIM, conforme se demonstrará ao transcorrer desta Impugnação. Em sede preliminar discorre a defesa sobre a (i) IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO DE CRIME FISCAL, afirmando que o tributo objeto do auto de infração não foi declarado porque não realizado ou manipulado pelo impugnante, bem como a (ii) EVIDENTE NULIDADE DO AUTO, DOS DOCUMENTOS QUE FUNDARAM SUA LAVRATURA e, no mérito, sobre incorreções no levantamento de valores e aplicação de acréscimos em percentuais absurdos. Para maior clareza do conteúdo da impugnação, adiante são reproduzidos trechos das argüições apresentadas pela defesa: PRELIMINAR l) DA IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO DE CRIME FISCAL (...) decai a possibilidade de imputar ao Autuado a tipicidade do crime apontado no decorrer do auto de infração. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 761 12 Não poderá o ilustre julgador dessa defesa apontar ou considerar praticada conduta delituosa pelo Impugnante, uma vez que não houve omissão por parte do contribuinte autuado, tampouco poderia ser considerado um agente criminoso. O doutrinador Marcelo Mazon Malaquias, em seu texto publicado na Revista de Estudos Tributários n° 14 (Edição de JulhoAgosto/2000), nas páginas 35 e seguintes já bem coloca a questão acima esclarecida, ressaltando a impossibilidade de imputar conduta de crime fiscal praticada pelo autuado: (...) Para que o crime fiscal possa se configurar, justificando uma justa punição para 0 infrator, uma série de requisitos e formalidades devem ser observadas assim como os direitos fundamentais dos contribuintes devem ser respeitados, sendo necessário que: a) haja um tributo que seja realmente devido, isto é, esteja previsto em lei quanto a todos os elementos da hipótese de incidência (fato gerador, alíquota, base de cálculo, contribuinte, etc.) e respeite os princípios constitucionais que norteiam o Sistema Tributário Nacional; b) o contribuinte devedor desse tributo faça uso de meio ilícito, livre e conscientemente, para deixar de pagálo e/ou impedir que o Fisco tome conhecimento do ato ilícito (...). Vejase que. em momento nenhum o impugnante esquivouse de colaborar com a fiscalização. até porque não detinha nenhum documento que pudesse acrescentar ou esclarecer algo já que a empresa fora vendida com a devida entrega de documentos aos compradores. esses sim, que deveriam ter colaborado de forma efetiva. Dessa forma, e até evitando que sejam causados danos à honra e imagem do Impugnante, é que desde já requer seja recebida essa defesa administrativa para serem excluídos os valores apontados como devidos e, depois de providenciada essa diligência, nenhuma forma de conduta ilícita seja apontada em desfavor do autuado, que não foi o autor de quaisquer fraudes, como equivocadamente vem relatado no MPF. PRELIMINAR 2) DA EVIDENTE NULIDADE DO AUTO: DOS DOCUMENTOS QUE FUNDARAM SUA LAVRATURA Primordialmente, insta salientar que a conduta forte e vorazmente combatida na presente defesa JAMAIS foi praticada pelo contribuinte ora Impugnante que, repita se, sempre esteve em dia com suas obrigações tributárias. Secundum, quanto ao mérito da nulidade, mister se faz ressaltar que o Auto de Infração impugnado deve ser julgado inepto e inexigível, vez que da clara leitura dele, impossível encontrar e delimitar quais suas razões e os direitos que são invocados. A alegação de inépcia deve ser relevada e considerada, pois, o fundamento que garante o regular prosseguimento do processo administrativo tem que ser fundamentado com as verdadeiras e reais transcrições de valores; bem como, de real e concreta coerência com os termos lavrados e a observância na legislação e jurisprudência atuais. Não há quaisquer outras razões que permitam perdurar a presente sanção, uma vez que há nulidades a serem observadas nos presentes autos de infração, ressaltese, desde já, aplicados indevidamente. Verificase nos autos do processo administrativo que nenhum documento ensejou o início da fiscalização ora combatida, tampouco houve a apresentação de qualquer documento que pudesse apontar, ao menos de forma concreta, qualquer das alegações do fisco. Vejase que fisco ignorou que na declaração de imposto de renda do Autuado (Luiz Antonio de Arruda) foi lançada a informação de que a empresa Sultão tinha sido vendida por pouco mais de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) documentos n° 03 e 04 acostados dos autos. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 762 13 Não há nenhum documento acostado dos autos que demonstre e comprove as alegações da fiscalização, motivo pelo qual a hostilizada infração jamais poderia ter sido imputada contra o Impugnante, dada a inelegibilidade e iliquidez que o cerca. Não foi juntado no processo documento hábil à demonstração de que são verdadeiras, as referidas informações. Que documentos são esses? Que presunção é essa que sempre age em desconformidade com o que é real? Como poderia ter sido feita a corelação entre o Impugnante e as operações informadas em outras empresas que não a da qual um dia foi sócio? Desta forma, podemos sabiamente concluir que as alegações prestadas pela autoridade fiscalizadora são frágeis e infundadas, pois não há qualquer prova hábil capaz de imputar ao Impugnante a conduta de omissão de receitas. NO MÉRITO: DA NULIDADE DO AUTO Ad cautelam, em atendimento ao princípio da eventualidade, CASO AS PRELIMINARES NÃO SEJAM ADMITIDAS, o que desde já protesta para que sejam, passa o Autuado a aduzir sua inconformidade quanto aos demais elementos do auto de infração. Primeiramente, mister se faz ressaltar que o Auto de Infração impugnado deve ser julgado inepto, vez que da clara leitura dele, impossível encontrar e delimitar quais suas razões e os direitos que são invocados. (...) Verificase no auto de infração ora lavrado que os valores destacados como devidos para o imediato recolhimento, por terem sido fruto de omissão de receita, acabaram por fundamentar a autuação ora discutida, o que deve ser considerado por ser incompatível com a realidade jurisprudencial atual. Há, portanto, uma relevante discrepância de valores sendo cobrados, quando, na verdade, apenas deveriam estar sendo conferidos, afim de, claramente, atestarmos a boafé do Impugnante. Aproveitase a liberdade de impugnar o presente auto para citarmos o julgado que segue para maior clareza do pedido: Quando erradas as posições apresentadas pela Fiscalização e pelo contribuinte, deve ser o processo anulado para que seja dada seqüência processo de exigência do crédito tributário, com a lavratura de novo A. I. sem a incorreção original. Sendo assim, e por todo o acima exposto requer, preliminarmente, e com fulcro no artigo 145 do Código de Processo Civil, seja julgado nulo o presente Auto de Infração, uma vez que está, além de eivado está de nulidades, em desconformidade com nossa atual e relevantíssima jurisprudência. Ad cautelam, caso assim não entenda V. Sas., passa o Impugnante a aduzir as razões de mérito, as quais serão demonstradas, cabalmente, as coerências de sua irresignação. DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA APURAÇÃO DO DÉBITO Os critérios utilizados para o cálculo dos débitos são irregulares, inexatos e arbitrários. O Autuado, não concordando com o cálculo efetuado, decidiu trazer à baila seus inconformismos, a fim de pagar exclusivamente o que é devido de acordo com as normas legais. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 763 14 Para levantamento do "quantum" devido foram utilizados critérios que não espelham o montante real a ser cobrado, uma vez que houve a consideração de alguns acréscimos descabidos, aumentando de forma substancial o débito. É inegável, portanto, que a cobrança pretendida pela Fiscalização é arbitrária, irregular e não reflete os valores reais envolvidos nas operações. É evidente, Excelência, que, quando se trata de tributos, os valores envolvidos são vultuosos, o que acarreta uma sobrecarga de despesas fiscais para o contribuinte e, assim sendo, qualquer diferença encontrada, pode ser um valor considerável, substancial para a empresa, dependendo de sua materialidade em relação aos resultados auferidos. Por isso, não restou à Autuada outra alternativa senão recorrer a Via Judicial, através da presente Ação, a fim de obter do Poder Judiciário a reformulação do presente débito, e a declaração do direito do Autuado de pagar apenas o que é legalmente devido, tendo em vista todas as ilegalidades ali contidas e a serem discutidas nesta exordial. DAS PENALIDADES E ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS Os débitos, objeto desta impugnação, são passíveis de questionamento pelas razões adiante elencadas. Primeiramente, é importante mencionar a surpresa do Autuado ao se deparar com os valores devidos apresentados pela autoridade fiscal, onde foram agregados valores relativos a: a) multa exorbitante ` b) juros moratórios Notase, assim, que sobre um mesmo débito estão incidindo três tipos diferentes de acréscimos, o que só serve para agravar a situação do Autuado que, só não recolheu o imposto nominal devido antes, além das razões anteriormente elencadas, pela situação econômica por que passava o País, com índices inflacionários galopantes, que produziam diariamente um efeito alarmante. DA COBRANÇA, DAS PENALIDADES E ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS Os débitos apontados pelo Fisco são claramente passíveis de questionamento pelas razões acima elencadas. Ainda mais agravante é a situação pela qual passa a questionar O Impugnante, vez que não procedendo à cobrança do referido tributo, não serão devidos os valores cobrados a título de acréscimo como, multa e juros, até porque, em estando correta a compensação efetuada, não há que se falar em aplicação de sanções ou multas. Primeiramente, é importante mencionar a surpresa do Impugnante ao se deparar com os valores devidos apresentados pela autoridade fiscal, onde foram agregados valores relativos à multa proporcional e juros de mora. Notase, assim que sobre um mesmo débito estão incidindo acréscimos que só servem para agravar a situação do Impugnante, que não tem quaisquer valores em débito para com o Fisco. DA LIMITAÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA Recentemente a Lei n° 9.298, de l°.08.96, que entrou em vigor na data da sua publicação oficial dia 02.08.96, acrescentou um parágrafo ao artigo 52, do Código de Defesa do Consumidor, que assim reza: Fl. 767DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 764 15 Atz. 52 (...) §I ° As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo não poderá ser superiores a dois por cento do valor da prestação. (...) Dessa forma, por analogia c em respeito ao princípio da isonomia, supondose que a incidência da multa fosse permitida, o percentual máximo para sua aplicação seria de 2% (dois por cento), uma vez que sua inflação mensal nos dias de hoje não chega a atingir a escala de 1% (um por cento). (...) Reforçando essa idéia e com o objetivo de demonstrar o espírito do legislador pátrio, o Senado Federal votará um projeto de lei complementar que limita em 2% as multas pelo atraso no pagamento dos tributos federais. como o Imposto de Renda e o Imposto sobre Produtos Industrializados. De acordo com o Autor desse projeto, Senador Francelino Pereira, a medida visa acabar com a injustiça de obrigar a todos a pagarem valores que não condizem com uma situação de economia equilibrada! Portanto, caso Vossa Senhoria entenda ser cabível a multa moratória por desconsiderar a denúncia espontânea (declaração retificadora), a mesma deverá ser aplicada num percentual máximo de 2%, de acordo com o §l° do artigo 52 do Código de Defesa do Consumidor. DA INAPLICABILIDADE DOS JUROS Por outro lado, vemos que, além da multa, estão sendo aplicados, também, juros desta natureza, 0 que é um absurdo, uma vez que, apenas um tipo deste acréscimo deveria compor o débito, ainda que fossem os juros que, por incidirem a cada período em atraso, trariam mais vantagens ao Fisco. Vejase que no presente auto de infração não poderá prevalecer o valor de juros calculados sobre o presente débito uma vez que se trata de verdadeiro ilícito a cobrança de valor que representa mais de 50 (cinqüenta) vezes o valor do débito principalllll Nesse contesto, qual seja, a sujeição do contribuinte ao pagamento da multa mais juros abusivos imputados ao débito, objeto de cobrança, tão apregoada pelo Fisco, pedimos vênia para transcrever algumas palavras do eminente Juiz Relator Andrade Martins, do Tribunal Regional Federal da 3” Região: (...) Por outro lado, esta cobrança está proporcionando um enriquecimento ilícito para a União, em detrimento do Impugnante, pois, tal cobrança, excessivamente onerosa, não se coaduna com a lei. (...) A cobrança dos juros exorbitantes mês a mês não está recepcionada no nosso ordenamento jurídico, que não aceita o fenômeno do ANATOCISMO que, corno já foi dito, é a capitalização de juros, repudiada por nosso ordenamento jurídico, Senão, vejamos. (...) Fl. 768DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 765 16 Por fim, pelas razões expostas, está evidenciado, portanto, que existe um efetivo aumento de tributo, sem qualquer base legal, tomando, dessa forma, ilegal a exigência tributária pretendida pela União. DOS ÍNDICES EXORBITANTES UTILIZADOS PELO FISCO No tocante aos índices de correção monetária utilizados pela D. Fiscalização, é necessário esclarecer que os mesmos foram calculados em total desobediência à legislação pertinente, gerando, como conseqüência, um aumento considerável do débito. Ademais, o único documento fornecido pela Fiscalização quanto ao cálculo efetuado é o próprio aviso de cobrança, onde não há um demonstrativo analítico do cálculo, que permita a verificação e conferência do montante cobrado pela Receita Federal. Notase, assim, que somente a menção de valores, não havendo, portanto, um quadro com a indicação da base sobre a qual incidiram os percentuais utilizados para a aplicação da multa e dos juros e nem dos índices para realizar a conversão de cada período visando obter o cálculo da atualização monetária. Resta claro que a forma de elaboração de tais cálculos, em nada contribui para o Impugnante que, querendo cumprir com todas as suas obrigações fiscais, se sente prejudicado no seu direito de pagar apenas o que é legalmente devido. Ora, Vossa Senhoria, dessa maneira o Fisco repele todos os seus contribuintes, pois como pagar um débito se o montante apurado está incorreto, uma vez que foi calculado de forma a acrescentar três diferentes acréscimos financeiros, quais sejam, correção monetária elevada, juros extorsivos e multa abusiva, que muitas vezes ultrapassam um percentual de 100% (cem por cento), duplicando o débito do contribuinte? Está patente, como já demonstrado na presente, que existe um locupletamento ilícito por parte da União, dificultando ainda mais as relações jurídicotributárias existentes no Brasil de hoje. Para concluir, é importante ressaltar que é inviável a base considerada para a aplicação dos percentuais utilizados, pois percebese claramente que tais acréscimos foram aplicados de forma composta, ou seja, uns incidindo sobre outros. Prosseguindo em suas razões de defesa, a Impugnante reclama a incidência de juros moratórios nos termos do artigo 161, parágrafo 1° do CTN, argüindo ilegalidade da taxa SELIC e a inaplicabílidade dos juros por ela calculados sobre indébitos tributários. Ao final, é trazida na impugnação a seguinte consolidação das razões dirigidas pela defesa às exigências formalizadas nos autos [destaques do original]: DOS PEDIDOS Diante de todo o acima exposto, restado ‘inconteste’ a comprovação de que o presente Auto de Infração é indevido por ser o autuado inocente às alegações trazidas à baila, requer: a) dignese V. Sas. a, preliminarmente, tornar insubsistente o auto de infração ora lavrado, por contemplar situação jurídica diversa daquela que realmente formalizada, no sentido de desconsiderar os autuados Luis Antonio Arruda e Eduardo Alves de Souza responsáveis solidários da autuada principal, Sultão, e passe a considerar de direito como responsáveis os sócios atuais, ora compradores da empresa, Srs. RONALD ROLAND e ROBSON COUTO; Fl. 769DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 766 17 b) por conseqüência do que se apontou nessa defesa; e pelos documentos juntados, que confronte o que foi declarado no IRPF2005 do Autuado com os valores descritos nas fls. 07 do termo de constatação, para o fim de concluir que o mesmo nada omitiu do Fisco; c) NÃO HAVER MÁFÉ OU ATO ILÍCITO QUALQUER QUE POSSA SER APONTADO EM DESFAVOR DOS 1MPUGNANTES, JULGAR NULO DE PLENO DIREITO O AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA ELES; d) Que seja afastada a possibilidade de que qualquer forma de conduta ilícita seja apontada em desfavor dos Autuados enquanto perdurar o presente processo administrativo em questão, esse que certamente provará que não foram os impugnantes agentes de quaisquer omissões, como equivocadamente vem relatado no MPF; e) ad cautelam, caso seja mantida a exigência tributária em comento, seja sobre o débito acrescido apenas os juros calculados em 1% (um por cento) ao mês, sem juros sobre juros, multa de até 20% (vinte por cento) e afastada a possibilidade que recaia sobre o cálculo a taxa SELIC; l) ao final, que essa Ilustre autoridade Julgadora, que declare IMPROCEDENTE 0 MPF n° 0812800200900047, em virtude das ilegalidades pugnadas na presente Defesa, como medida da mais lídima JUSTIÇA! A 5ª Turma da já mencionada DRJ/Campinas, ao apreciar a impugnação interposta, proferiu o Acórdão nº 0530.174, de 25 de agosto de 2010, por meio do qual decidiu pela total procedência do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 NULIDADE. 1NOCORRÊNcIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), não havendo que se falar em nulidade quando observados nos lançamentos formalizados os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como no disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais O contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 767 18 ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. Não atendendo a contribuinte às intimações para apresentação de sua escrituração contábil/fiscal, o arbitramento é o único método possível para determinação das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MULTA DE OFÍCIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. Caracteriza sonegação a informação, na DIPJ, de valores zerados, apesar de expressivo montante de créditos em conta bancária da pessoa jurídica, mantendose a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude comprovado em ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE DE REDUÇÃO. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. A relação jurídica entre a Fazenda Pública e o contribuinte tem origem na própria soberania do estado, não se aplicando a ela as regras de direito privado, tais como a multa prevista no Código de Defesa do Consumidor, que alcança apenas as relações de consumo, inexistentes entre sujeitos ativo e passivo de obrigação tributária. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INOCORRÊNCIA DE JUROS SOBRE JUROS. Nos termos da legislação em vigor, os juros são calculados pela taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, aplicada sobre o valor principal do tributo, não havendo incidência de juros sobre juros. SUJEIÇÃO PASSIVA. LEGITIMIDADE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, na qualidade de contribuinte ou responsável. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os sócios com poderes de gerência da pessoa jurídica autuada à época dos fatos. Inconformados, os responsáveis tributários, na mesma peça, apresentaram recurso voluntário que essencialmente repete as mesmas alegações contidas na impugnação. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 768 19 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Assim como consignado pela decisão recorrida, cumpre esclarecer que a empresa contribuinte não apresentou impugnação ao feito fiscal e que, apesar de ventilado pela defesa, não há no processo qualquer evidência de que de haja ação impetrada no Poder Judiciário que pudesse caracterizar a renúncia à instância administrativa. Outrossim, observase que o mérito da autuação, qual seja, a omissão de receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada, não foi efetivamente atacado pela defesa, a qual se limitou a alegar nulidade, ilegitimidade passiva das pessoas apontadas como responsáveis e a amplitude excessiva do crédito tributário lançado. Os recorrentes afirmam que acordaram a venda da contribuinte (a empresa SULTÃO DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA) para terceiros (as pessoas físicas denominadas RONALD ROLAND e ROBSON COUTO) em fevereiro de 2004. Isso estaria evidenciado na DIRPF/2005 do recorrente Luiz Antonio de Arruda com a informação de que a transação teria sido negociada por valor um pouco superior a R$ 300 mil. A administração da empresa teria sido cedida já naquele momento. Daí a explicação para o fato de os recorrentes não terem apresentado os documentos e informações solicitados pela fiscalização. Por tais razões, alegam impossibilidade de imputação do crime de natureza fiscal, bem como a evidente nulidade do auto de infração. Como se vê, os recorrentes tentam inserir a alegação da ilegitimidade passiva de suas pessoas nos contextos da nulidade do feito fiscal e da imputação do crime fiscal. Portanto, há que se verificar de imediato a correta atribuição das responsabilidades tributárias. Neste sentido, cumpre esclarecer que a autoridade fiscal fundamentou sua atuação nos artigos 124 e 135 do CTN. O artigo 135, III, do CTN dispõe: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 772DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 769 20 (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Assim, os diretores, gerentes ou representantes da empresa autuada, pelo fato de terem praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei que resultaram na obrigação tributária objeto da autuação, são considerados responsáveis pelos créditos tributários lançados. Devese, primeiro, averiguar se as pessoas apontadas como responsáveis mantinham essa condição de “diretores, gerentes ou representantes”. Os recorrentes alegam que não mantinham mais essa condição desde que acordaram a venda da empresa. No entanto, a fiscalização observou que as pessoas para as quais a contribuinte teria sido alienada (os Srs. RONALD ROLAND e ROBSON COUTO) nunca assumiram a condição de sócios da empresa perante o cadastro da Receita Federal. Por outro lado, os recorrentes (os Srs. EDUARDO ALVES DE SOUZA e LUIZ ANTONIO ARRUDA) mantiveram a condição de sóciosgerentes naquele cadastro até o mês de abril de 2005. Além disso, a fiscalização constatou que os recorrentes eram as pessoas que assinavam os cheques da empresa, executando, de fato, a movimentação de recursos no ano de 2004. Isso pode ser observado nas cópias dos documentos bancários anexadas aos autos. Ademais, a instituição bancária enviou cópias dos cartões de assinaturas, datados de 08/09/2000 e 27/01/2003, em que constam os nomes de EDUARDO ALVES DE SOUZA e LUIZ ANTONIO ARRUDA, conferindolhes poderes para movimentar, isoladamente, as contas bancárias. É possível constatar que as assinaturas daqueles cartões (fls. 245, 246, 250 e 251) conferem com as dos cheques emitidos durante todo o ano de 2004 (fls. 174 a 1368 do anexo – incluídas no processo digital de fls. 922 a 2123). Portanto, o que se verifica é que, apesar da alegada alienação da empresa, os recorrentes continuaram no exercício da sua administração financeira. A condição de “diretores, gerentes ou representantes” prevista na lei não é só de direito, mas, também, de fato. Diante disso, resta agora perceber que a fiscalização apurou a “infração de lei” reclamada pela norma atributiva de responsabilidade tributária acima citada. É o que se depreende do seguinte trecho do Termo de Constatação Fiscal (fls. 363): Constatada a omissão de receitas, inexistência de fato da empresa, acompanhada de ausência de declarações à RFB desde 2006, DIPJ/2005 entregue zerada, ausência de atendimento às intimações (inclusive com recusa de recebimento por um dos sócios), conseqüente representação para inaptidão do CNPJ, verificase que, em realidade, a pessoa jurídica "empresa de fachada" foi constituída de maneira fraudulenta, com intuito evidente de evadirse da tributação devida. Corroboram tal constatação a própria ausência de atendimento dos sócios e de terceiros, as mudanças no quadro societário e as transferências efetuadas ao sócio Fl. 773DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 770 21 Luiz Antônio de Arruda (como mencionado, da ordem de R$ 363.915,89, incoerentes com os rendimentos declarados à RFB para o anocalendário 2004). Tais condutas, atestadas ainda pela contundente disparidade entre a movimentação financeira (no montante de R§ 27.746.636,89), e os valores das receitas informadas à Receita Federal do Brasil (RS 0.00) estão caracterizadas na Lei 8.137, de 28/12/1990, em seus artigos 1° e 2°, abaixo transcritos: A necessidade de mera culpa para a caracterização do ato ilícito exigido pelo artigo 135 do CTN foi bem esclarecida no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, verbis: 59. A respeito da necessidade de presença de ato doloso por parte do administrador ou da suficiência da presença de culpa, devese observar que, ao contrário do que defende parte da doutrina, a jurisprudência maciça do STJ exige tãosó a presença de “infração de lei” (= ato ilícito), a qual, pela teoria geral do Direito, pode ser tanto decorrente de ato culposo como de ato doloso (não obstante alguns poucos acórdãos referirem expressamente à necessidade de prova do dolo, em contraposição à imensa maioria que exige somente a culpa). Logo, se a lei e a jurisprudência não separaram as hipóteses de culpa em sentido estrito e dolo, tanto um quanto outro elemento subjetivo satisfaz a hipótese do art. 135 do CTN. Em verdade, o Direito Tributário preocupase com a externalização de atos e fatos, não possuindo espaço para a persecução do dolo; basta a culpa. Destarte, atos ilícitos, ou seja, a conduta infratora prevista no artigo 135 do CTN, com efeito, foram praticados por esses administradores de fato. Portanto, é, sim, cabível a responsabilização tributária. E considero que é, de fato, solidária, à luz do que propõem o Parecer acima citado e a jurisprudência do STJ esposada no REsp nº 717.717/SP. Confirase: Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009: 89. Em verdade, a responsabilidade tributária imposta ao administrador em decorrência da prática de ato ilícito é, no que tange ao nascimento, à natureza e à cobrança, autônoma da responsabilidade (em sentido amplo) da pessoa jurídica contribuinte pelo pagamento do crédito tributário. O dever desta decorre de ato lícito: o fato jurídico tributário propriamente dito (evento econômico – produção, circulação ou detenção de riqueza). Já a responsabilidade daquele decorre de ato ilícito: a “infração de lei” prevista no caput do art. 135 do CTN. A hipótese normativa de nascimento duma obrigação é fato lícito; a doutra, fato ilícito. Em substância, as naturezas de ambas as obrigações são distintas. A obrigação do responsável é tributária tãosó mediatamente, pois a norma que a impõe remete seu prescritor à obrigação tributária stricto sensu. Em suma, tratase de obrigações distintas, autônomas (nesses termos), atadas entre si simplesmente pelo nexo de adimplemento: o pagamento duma extingue a outra. 90. Assim, surgindo a responsabilidade do administradorinfrator, não temos uma obrigação solidária propriamente dita, senão obrigações solidárias. Explicamos. Não temos uma obrigação unitária com pluralidade de sujeitos passivos Fl. 774DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 771 22 na relação jurídica. Temos, isto sim, duas ou mais obrigações, ligadas pelo vínculo da solidariedade. É o que a doutrina antiga chamava de solidariedade imprópria. REsp nº 717.717/SP: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. REDIRECIONAMENTO. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LTDA). SOLIDARIEDADE.PREVISÃO PELA LEI 8.620/93, ART. 13. NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR CF, ART. 146, III, B). INTERPRETAÇÕES SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. CTN, ARTS. 124, II, E 135, III. CÓDIGO CIVIL, ARTS. 1.016 E 1.052. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INOCORRÊNCIA. (...) 3. A solidariedade prevista no art. 124, II, do CTN, é denominada de direito. Ela só tem validade e eficácia quando a lei que a estabelece for interpretada de acordo com os propósitos da Constituição Federal e do próprio Código Tributário Nacional. 4. Inteiramente desprovidas de validade são as disposições da Lei nº 8.620/93, ou de qualquer outra lei ordinária, que indevidamente pretenderam alargar a responsabilidade dos sócios e dirigentes das pessoas jurídicas. O art. 146, inciso III, b, da Constituição Federal, estabelece que as normas sobre responsabilidade tributária deverão se revestir obrigatoriamente de lei complementar. 5. O CTN, art. 135, III, estabelece que os sócios só respondem por dívidas tributárias quando exercerem gerência da sociedade ou qualquer outro ato de gestão vinculado ao fato gerador. O art. 13 da Lei nº 8.620/93, portanto, só pode ser aplicado quando presentes as condições do art. 135, III, do CTN, não podendo ser interpretado, exclusivamente, em combinação com o art. 124, II, do CTN. 6. O teor do art. 1.016 do Código Civil de 2002 é extensivo às Sociedades Limitadas por força do prescrito no art. 1.053, expressando hipótese em que os administradores respondem solidariamente somente por culpa quando no desempenho de suas funções, o que reforça o consignado no art. 135, III, do CTN. 7. A Lei 8.620/93, art. 13, também não se aplica às Sociedades Limitadas por encontrarse esse tipo societário regulado pelo novo Código Civil, lei posterior, de igual hierarquia, que estabelece direito oposto ao nela estabelecido. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 772 23 Ademais, relativamente ao Sr. LUIZ ANTONIO ARRUDA, verifico que este também pode ser responsabilizado no âmbito do artigo 124, I, do CTN. Vejase o seu conteúdo: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; O interesse comum é um conceito indeterminado que exige construção jurisprudencial. De imediato, impõese a consagrada interpretação segundo a qual ocorre tal hipótese quando duas ou mais pessoas se instalam no mesmo lado da relação obrigacional escolhido pelo legislador para a configuração da sujeição passiva tributária (exemplo clássico dos coproprietários de um imóvel em relação ao IPTU). Além disso, o STJ cristalizou o entendimento de que o fato de haver empresas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária (AgRg no REsp nº 1.102.894, AgRg no Ag nº 1.055.860, REsp nº 834.044, REsp nº 1.001.450). Portanto, em situações semelhantes, há que se demonstrar algo mais do que a mera pertinência dentro do grupo econômico. Entendo que caracterizase também o interesse comum quando é constatada a existência de pessoas diretamente beneficiadas por recursos financeiros ou patrimoniais fornecidos pelo contribuinte. No caso de pessoas jurídicas, normalmente essa situação vem acompanhada de uma ligação umbilical entre atividades aparentemente independentes, marcada pela confusão patrimonial, vinculação gerencial e coincidência de sócios administradores. No caso de pessoas físicas, normalmente há a apropriação direta dos recursos da empresa contribuinte, marcada pela obtenção de empréstimos ou usufruto de bens desprovidos de maiores formalidades. Essas pessoas não possuem apenas o interesse mediato no resultado econômicofinanceiro das atividades da empresa contribuinte, como é o que ocorre, de regra, com qualquer pessoa que regularmente pertença ao quadro societário de uma empresa. Têm também o interesse imediato e comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (a receita, o lucro). Isso porque se beneficiam dessas situações jurídicas diretamente, dispensando a regular distribuição de lucros, por obra da confusão patrimonial estabelecida entre suas esferas pessoais e a da empresa contribuinte. É o que se sucedeu no presente caso na medida em que a fiscalização constatou a existência de transferências (considerandose apenas transações superiores a R$ 10 mil) diretas da conta corrente da empresa para a conta corrente pessoal do Sr. LUIZ ANTONIO ARRUDA, totalizando, no ano de 2004, um valor de R$ 363.915,89. Em sua defesa, o recorrente alega que essas transferências ocorreram por conta do pagamento da venda da empresa. Nada obstante, tal alegação carece de provas documentais e é contraditória com a informação inicial apresentada nas peças de defesa segundo a qual os compradores estariam inadimplentes e, inclusive, sendo executados através de processo judicial. Ora, se a empresa foi vendida por R$ 300 mil e os valores recebidos pelo referido Sr. LUIZ ANTONIO ARRUDA a título de prólabore da empresa no ano de 2004 foi de apenas R$ 11,5 mil (conforme declarado em sua DIRPF/2005), é de se concluir que a Fl. 776DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 773 24 diferença era mais do que suficiente para saldar a dívida. Além disso, nada se fala sobre a parte que deveria ser repassada ao outro sócio, o Sr. EDUARDO ALVES DE SOUZA. Sendo assim, correta a responsabilização de ambos os recorrentes. Por conseguinte, não há que se falar em nulidade, que se poderia pressupor, por erro de sujeição passiva. Isso porque tanto o contribuinte quanto os responsáveis foram adequadamente caracterizados. Quanto à alegação de que não se poderia acatar a imputação de crime fiscal, cumpre esclarecer que essa matéria é inerente ao eventual prosseguimento, no âmbito do poder judiciário, da competente ação penal decorrente da representação fiscal para fins penais elaborada pela fiscalização. Sobre isso, este Colegiado não tem competência para se pronunciar na esteira do que já foi até sumulado, confirase: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Por fim, no mérito, os recorrentes questionam os critérios do lançamento, o qual teria sido efetuado com a aplicação de acréscimos absurdos. Assim, suplicam contra as multas e os juros moratórios aplicados. Com relação às multas, elas foram aplicadas no percentual de 150% na conformidade do que está determinado no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/07. Isso porque constatouse a prática reiterada de no curso dos quatro trimestres do ano de 2004 terem sido apresentadas declarações “zeradas”. Com efeito, pelos fatos narrados, é possível verificar que a empresa auferiu receitas, de substantivo valor, mas não ofereceu qualquer centavo à tributação. Isso, por si só, já configura a conduta dolosa prevista no artigo 71, I, da Lei nº 4.502/64, qual seja, a sonegação, verbis: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Diante de um vasto universo de contribuintes, é razoável pensar que haverá menor atenção da fiscalização para com aqueles que realizam pouca ou nenhuma atividade financeira e operacional. E é isso que a informação contida numa declaração com valores reduzidos ou “zerados” vai provocar. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 774 25 Em acórdãos recentes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu de forma semelhante: MULTA QUALIFICADA. Restabelecese a multa qualificada quando constatado que o contribuinte, possuindo atividade comercial, por dois anos consecutivos, apresenta DIPJ "zeradas" e não efetua pagamentos, nem inclui os tributos devidos no parcelamento a que aderiu. Descabe falar em apresentação de declaração zerada com o intuito de evitar a multa da obrigação acessória quando, passados quase quatro anos do prazo de entrega, o sujeito passivo não promove qualquer retificação. (Acórdão nº 910100.124) MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracterizase a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. (Acórdão nº 910101.194) MULTA QUALIFICADA Não obstante a prestação de declaração inexata não seja suficiente para caracterizar o dolo ensejador da qualificação da multa, se tal conduta é adotada de forma consistente e sistemática, não há como entender que se tratou de equívoco do contribuinte, e que não houve intenção de impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. (Acórdão nº 910101.291) Por outro lado, não há que se dar guarida ao pleito dos recorrentes para redução da multa ao percentual de 2% com base nos limites impostos pelo Código de Defesa do Consumidor. Como bem lembrado pela instância a quo, as relações jurídicotributárias têm natureza distinta das relações de consumo. Neste sentido, inclusive, já existe a seguinte súmula: Súmula CARF nº 51: As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. Quanto aos juros moratórios aplicados, sua incidência tem respaldo no artigo 161 do CTN, verbis: Fl. 778DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13896.002815/200984 Acórdão n.º 1102001.284 S1C1T2 Fl. 775 26 Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Além disso, conforme entendimento já sedimentado no CARF, os juros moratórios são devidos à taxa SELIC aplicada sobre a totalidade do crédito tributário. Confira se: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (grifei) Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (grifei) Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 779DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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