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Numero do processo: 36392.002016/2007-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/08/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 39 2. 00 20 16 /2 00 7- 12 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 36392.002016/200712 Acórdão n.º 9202005.962 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 36392.002016/200712 Acórdão n.º 9202005.962 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 241DF CARF MF Processo nº 36392.002016/200712 Acórdão n.º 9202005.962 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 36392.002016/200712 Acórdão n.º 9202005.962 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 243DF CARF MF Processo nº 36392.002016/200712 Acórdão n.º 9202005.962 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 244DF CARF MF Processo nº 36392.002016/200712 Acórdão n.º 9202005.962 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 245DF CARF MF Processo nº 36392.002016/200712 Acórdão n.º 9202005.962 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 246DF CARF MF Processo nº 36392.002016/200712 Acórdão n.º 9202005.962 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 247DF CARF MF Processo nº 36392.002016/200712 Acórdão n.º 9202005.962 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 248DF CARF MF Processo nº 36392.002016/200712 Acórdão n.º 9202005.962 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 249DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.720069/2013-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. ACÓRDÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
FISCALIZAÇÃO. AUTUAÇÃO. JURISDIÇÃO DIVERSA.
O início do procedimento de fiscalização é válido mesmo se efetuados por servidor competente de jurisdição diversa do domicilio tributário do sujeito passivo e a formalização da exigência por meio de auto de infração previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer.
DRJ. JURISDIÇÃO.
Os processos administrativos fiscais passaram a ser distribuídos segundo competências de cada DRJ e não jurisdição regional, não havendo o que se falar em incompetência de a DRJ/RJI julgar contraditório relativo a autuação lavrada pela DRF em Araçatuba/SP.
MPF-F. JURISDIÇÃO. LIMITAÇÃO.
O Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização e respectivas prorrogações emitidos por autoridade competente, que identificam a Recorrente como o sujeito passivo a ser fiscalizado, os tributos objetos do procedimento, o período de execução, os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil que o realizarão e o prazo de realização, não limitam a ação fiscal a determinada jurisdição.
TERMO DE INICIO DE FISCALIZAÇÃO. PRAZO DE VALIDADE.
O procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto, que vale pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INTIMAÇÕES PRÉVIAS.
A Recorrente teve preservado o direito ao contraditório e à ampla defesa se, durante o processo de fiscalização foi regularmente intimada e reintimada, se os seus pedidos de prorrogação somaram 130 (centro e trinta) dias, além dos prazos concedidos, se foi previamente intimada a se manifestar no encerramento da fase de instrução e alertada que seria lavrado Auto de Embaraço à Fiscalização, no caso de novo não atendimento, e que as multas que viessem a ser aplicadas poderiam ser agravadas.
DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIA.
Deve ser negado novo pedido de diligência, no qual a Recorrente busca transferir para a Administração a tarefa que lhe compete de provar que suas alegações tem bases concretas, mesmo depois que diligência definida pelo CARF desmentiu alegações que apresentou.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.
A decadência dos lançamentos por homologação somente ocorre 5 (cinco) anos após os fatos geradores.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA.
Compete, privativamente, à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento e a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL PUBLICIDADE. VERDADE MATERIAL.
Restaram preservados, pela correta descrição e comunicação das conclusões fiscais e falta de base das contestações da Recorrente.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009
DESPESAS NÃO COMPROVADAS. EXCLUSÕES INDEVIDAS.
Procedem as exigências fiscais de IRPJ e CSLL regularmente apuradas, demonstradas e capituladas, decorrentes de glosa de despesas não comprovadas e de exclusões indevidas.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL.
Numero da decisão: 1201-001.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Rafael Gasparello Lima, que lhe dava parcial provimento apenas para afastar a incidência de juros sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado); ausentes justificadamente Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ACÓRDÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. FISCALIZAÇÃO. AUTUAÇÃO. JURISDIÇÃO DIVERSA. O início do procedimento de fiscalização é válido mesmo se efetuados por servidor competente de jurisdição diversa do domicilio tributário do sujeito passivo e a formalização da exigência por meio de auto de infração previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. DRJ. JURISDIÇÃO. Os processos administrativos fiscais passaram a ser distribuídos segundo competências de cada DRJ e não jurisdição regional, não havendo o que se falar em incompetência de a DRJ/RJI julgar contraditório relativo a autuação lavrada pela DRF em Araçatuba/SP. MPFF. JURISDIÇÃO. LIMITAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização e respectivas prorrogações emitidos por autoridade competente, que identificam a Recorrente como o sujeito passivo a ser fiscalizado, os tributos objetos do procedimento, o período de execução, os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil que o realizarão e o prazo de realização, não limitam a ação fiscal a determinada jurisdição. TERMO DE INICIO DE FISCALIZAÇÃO. PRAZO DE VALIDADE. O procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 69 /2 01 3- 53 Fl. 12560DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 3 2 obrigação tributária ou seu preposto, que vale pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. CERCEAMENTO DE DEFESA. INTIMAÇÕES PRÉVIAS. A Recorrente teve preservado o direito ao contraditório e à ampla defesa se, durante o processo de fiscalização foi regularmente intimada e reintimada, se os seus pedidos de prorrogação somaram 130 (centro e trinta) dias, além dos prazos concedidos, se foi previamente intimada a se manifestar no encerramento da fase de instrução e alertada que seria lavrado Auto de Embaraço à Fiscalização, no caso de novo não atendimento, e que as multas que viessem a ser aplicadas poderiam ser agravadas. DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIA. Deve ser negado novo pedido de diligência, no qual a Recorrente busca transferir para a Administração a tarefa que lhe compete de provar que suas alegações tem bases concretas, mesmo depois que diligência definida pelo CARF desmentiu alegações que apresentou. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência dos lançamentos por homologação somente ocorre 5 (cinco) anos após os fatos geradores. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. Compete, privativamente, à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento e a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL PUBLICIDADE. VERDADE MATERIAL. Restaram preservados, pela correta descrição e comunicação das conclusões fiscais e falta de base das contestações da Recorrente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. EXCLUSÕES INDEVIDAS. Procedem as exigências fiscais de IRPJ e CSLL regularmente apuradas, demonstradas e capituladas, decorrentes de glosa de despesas não comprovadas e de exclusões indevidas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009 Fl. 12561DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 4 3 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Rafael Gasparello Lima, que lhe dava parcial provimento apenas para afastar a incidência de juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado); ausentes justificadamente Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa. Relatório Trata o processo dos autos de infração que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$12.832.307,26, devido à infração 001 Despesas não comprovadas (planilhas 42, 43 e 44), fato geradores em 31/03/2009, 30/06/2009 e 30/09/2009, apenadas com multa de ofício de 75%; infração 002 Exclusões indevidas na apuração do Lucro Real(também planilhas 42, 43 e 44), fatos geradores em 31/03/2009, 30/06/2009 e 30/09/2009, multa de 75%; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$5.790.936,48, relativa às mesmas infrações, multa de 75%, págs. 11.952/11.984 Termo de Verificação de Infração Fiscal de págs. 11.985/12.015. 2. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, que foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I DRJ/RJI no Acórdão nº 1264.532, de 07 de abril de 2014, págs. 12.177/12.187, que considerou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário in totum. 3. Cientificado em 09/06/2014, pág. 12.193, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de págs. 12.196/12.217, em 16/06/2014, tempestivo, resumido a seguir. 4. Advoga que Acórdão da DRJ/RJ é nulo, com base no art. 59, I do Decreto n° 70.235, de 1972, porque quem possui competência para apreciar impugnações envolvendo Fl. 12562DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 5 4 IRPJ e CSLL de contribuinte localizado no Município de São Paulo, Capital, é a DRJ de São Paulo, conforme estabelecido no Anexo I da Portaria SUTRI n° 658, de 21 de março de 2012. 5. Que o Acórdão da DRJ/RJI deve ser cancelado por ter indeferido, indevidamente, pedidos de diligência e perícia formulados; rechaça o argumento da DRJ de que competia à Recorrente trazer os documentos comprobatórios, dado que, como demonstrado na impugnação, pelo volume de documentos envolvidos não seria possível trazêlos na defesa, tendo até sido apresentados documentos exemplificativos visando demonstrar estar a empresa na posse de tais materiais, visando com isto a realização dos procedimentos solicitados. 6. Reitera a nulidade, com base no art. 31 e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, por omissão em analisar os 12 (doze) itens que relaciona às págs. 12.200/12.201: 1. Tópico 11.1.1 A Ofensa a Portaria SRRF08/GAB n° 21/2011; 2. Tópico 11.1.4 A Inexistência de Fundamentação Jurídica; 3. Tópico 11.1.5 O Cerceamento do Direito de Defesa; 4. Tópico 11.1.6 O Ônus da Prova da Fiscalização; 5. Tópico 11.1.7 — A Acusação sem relação com a Infração Real Erro de Direito e Erro de Fato; 6. Tópico l1.1.9 O Termo de Início Perda de Eficácia; 7. Tópico 11.1.10 A Falta da Intimação para a Impugnante se manifestar sobre o fim da Instrução Artigo 44 da Lei 9.784/99; 8. Tópico 11.1.11 A apresentação dos documentos pela Recorrente, reconhecida; 9. Tópico 11.1.12 Os Deveres e Direitos Previstos na Lei n° 9.784/99; 10. Tópico 11.1.13 O Levantamento Fiscal Precário 11. Tópico 11.1.14 O Princípio da Verdade Material: 12. Tópico 11.1.15 O Arbitramento Irregular e Levantamento por Amostragem. 7. Advoga ainda que a decisão deve ser reformada pois os Auto não poderiam ter sido lavrado uma vez que todos os trabalhos fiscais que lhe deram origem foram realizados sem a observância dos limites previstos na Portaria SRRF08/GAB n° 21/2011, que criou um grupo especial de trabalho para fiscalização da Recorrente e da empresa JBS S/A, porém sem outorgar poderes de fiscalização e nem de lavratura de autos de infração; que o art. 13, III da Lei nº 9.784, de 1999, não autoriza a delegação de matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade; por isso, os autos são nulos. 8. Aduz ainda que os autos são nulos, por falta de competência, seja da DRF/Araçatuba, seja respectivos Auditores Fiscais para lavrarem os autos de infração, pois tal competência é privativa da DRF/São Paulo, que jurisdiciona o domicílio fiscal da Recorrente; que o art. 142 do CTN não autoriza a autuação dos servidores a ela vinculados fora dos limites de sua respectiva jurisdição e repartição. 9. Advoga a nulidade porque entende haver irregularidades do MPF, que demonstram que a fiscalização deveria ser realizada no Município de São Paulo, Capital e pela DRF/São Paulo com jurisdição em São Paulo, ou seja, nenhum procedimento poderia ser realizado no Município de Araçatuba e pela DRF/Araçatuba, como ocorreu, e essas circunstâncias ocasionam nulidade dos trabalhos fiscais por terem sido realizados sem a observância dos termos contidos no MPFF, os quais traduzem os poderes de atuação e limitações a serem respeitadas pelos AFRFBs que atuaram nos trabalhos fiscais, como demonstra o artigo 7º da Portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011. 10. No mérito, aponta inexistência de fundamentação jurídica aos lançamentos do IRPJ e da CSLL; Fl. 12563DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 6 5 a. que não foram apontados nos autos de infração os dispositivos que estabelecessem que a recorrente é o sujeito passivo, assim como os relativos a base de cálculo e alíquotas utilizadas na apuração; que os dispositivos legais utilizados na fundamentação dos lançamentos não demonstram os elementos constitutivos da regramatriz, conforme exige o Princípio da Legalidade; b. que nas Planilhas 42, 43 e 44, a apuração do crédito tributário foi realizada em razão de uma reversão do prejuízo declarado e da base de cálculo negativa da CSLL, ou seja, a fundamentação dos Autos de Infração deveria estar baseada na indevida compensação de prejuízos e dedução da base de cálculo negativa algo inexistente conforme se depreende do texto do lançamento tributário; c. desobediência ao Princípio da Publicidade, "(...) pois os administradores devem realizar os seus atos de forma que os administrados compreendam, de forma clara e precisa, a fundamentação legal utilizada, no caso a que garante a validade dos lançamentos do IRPJ e da CSLL exigidos da RECORRENTE sujeitopassivo, alíquota e base de cálculo sob pena de restar inexistente a publicidade do ato, ou seja, o seu conhecimento."; assim como o art. 5º, LV da CF de 1988, direito ao contraditório e à ampla defesa; arts. 3º, 142 e 144 do CRN; art. 10, IV do Decerto nº 70.235, de 1972; o que também acarreta a nulidade; d. ressalta que sofreu cerceamento no direito de defesa por parte da fiscalização, que não lhe permitiu apresentar os documentos fiscais relacionados aos 2 (dois) itens da acusação fiscal, "(...), porque conforme se depreende das petições e demais atos realizados pela empresa a mesma sempre buscou atender à fiscalização e somente não entregou documentos em razão do curto tempo dado pela fiscalização e pelo volume de documentos disponíveis."; aduz que também sofreu cerceamento porque faltou a apresentação de cópia integral do Auto de Infração e seus Anexos, prejudicandoa na elaboração da impugnação (o que também implica em nulidade). 11. Afirma que o ônus da prova é da fiscalização; que os fiscais não provaram ter ocorrido o fato gerador do crédito tributário exigido; não provaram que os lançamentos contábeis são inexistentes ou irregulares, mas apenas se basearam em alegada falta de apresentação e glosaram e desconsideraram custos e despesas legítimos. 12. Diz que a acusação não tem relação com a infração, que houve erro de direito e erro de fato, porque "(...) considerando o conteúdo dos documentos nos Autos de Infração e suas fundamentações, a verdadeira e real infração que poderia ser imputada a IMPUGNANTE, caso existente, seria somente o registro irregular de custos e despesas e dedução do lucro liquido, nada mais do que isto, ocasionando uma acusação sem relação com a infração real e Erros de Direito e de Fato motivadores da improcedência da autuação."; reitera que a verdadeira infração estaria relacionada à indevida compensação de prejuízos e dedução da base de cálculo negativa da CSLL. 13. Argumenta que os autos devem ser cancelados, porque ocorreu a perda da eficácia do Termo de Início de Ação Fiscal, pois este, conforme art. 7º, § 2º do Decreto nº 70.235, de 1972, teve validade de apenas 60 (sessenta) dias, e que o art. 196, caput do CTN, determina a fixação do prazo máximo para conclusão dos trabalhos fiscais, que no caso foram os 60 dias, que a fiscalização extrapolou. Fl. 12564DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 7 6 14. Também devem ser cancelados, porque "(...) a RECORRENTE não foi intimada previamente para se manifestar sobre o encerramento da fase instrutória os trabalhos fiscais que ao final culminaram na glosa de custos e não aceitação da dedução do lucro líquido como fundamentos do presente Auto de Infração, direito este previsto no art. 44 da Lei n° 9.784, de 1999, que exige a intimação do interessado do fim da fase instrutória do processo fiscal para fins de exercer o seu direito de se manifestar sobre o mesmo, no prazo de 10 (dez) dias (...)" 15. Sobre a alegada não apresentação de documentos pela Recorrente, afirma que buscou apresentar para a fiscalização todos os documentos solicitados e justificativas de suas operações conforme se depreende dos autos; tanto que os próprios AFRFs reconheceram a entrega de vários documentos e arquivos digitais e, ao invés de analisálos e solicitar novos esclarecimentos se fosse necessário, simplesmente lavraram o Auto de Infração baseados em omissões realizadas pela empresa, em procedimento irregular, porque considerando os termos do RIR (art. 928) e da legislação aplicável a fiscalização deveria ter intimado a Recorrente para apresentar seus esclarecimentos e eventualmente novos documentos; e tal intimação para apresentação de documentos e a concessão de prazos para o seu fornecimento deve realizada pela fiscalização sob pena de nulidade dos procedimentos fiscais; conclui reiterando sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais (que se encontram à disposição no seu estabelecimento) e esclarecimentos necessários, para o que aguarda a aquiescência deste juízo. 16. Acusa de precário o levantamento fiscal, porque deveriam ter sido requisitados esclarecimentos e eventualmente novos documentos. 17. Invoca o Princípio da Verdade Material, dada a intenção da Recorrente de fornecer todos os documentos fiscais relacionados aos itens 001 e 002 do Auto de Infração, em caso contrário, aplicase a nulidade. 18. Afirma que, na realidade, existiu um arbitramento irregular do tributo lançado, ofendendo o art. 148 do CTN, pois a fiscalização desconsiderou a necessária recomposição dos elementos necessários na apuração, simplesmente considerando como base de cálculo os custos, despesas e valores desconsiderados na dedução do lucro líquido. 19. Pleiteia a decadência porque, "conforme comprovam documentos juntados nestes autos, vários registros foram realizados antes de 5 (cinco) anos da data da intimação da RECORRENTE não podendo mais serem objeto de fiscalização e consideração para fins de constituição de crédito tributário por força do Artigo 150, §4° do CTN." 20. Que inexistiu infração e caso a fiscalização tivesse verificado os documentos fiscais, teria apurado serem legítimos os valores dos custos e despesas deduzidos. 21. Reclama serem improcedentes os Juros de Mora sobre a Multa, porque isto ofende o caput do artigo 161 do CTN , que somente permite a exigibilidade dos juros de mora sobre o valor do tributo devido, ou seja IRPJ e CSLL constituídos no lançamento, devendo ser observado o art. 146, III "a" da CF de 1988. 22. Reitera o requerimento de realização de perícia e diligências em seu estabelecimento porque, pelo volume de documentos existentes relacionados aos itens 0001 e 0002 do Auto de Infração não seria possível apresentálos na presente Impugnação; indica o perito e relaciona os quesitos às págs. 12.216/12.217. Fl. 12565DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 8 7 23. Requer o retorno dos autos à DRJ/SP, para a realização de um novo julgamento de 1ª instância. 24. E caso, admitida a competência da DRJ/RJ1 para julgamento em 1ª instância, retorno dos autos à mesma, a fim de sanar os vícios apontados, devido ao fato de "ter a Delegacia indeferido indevidamente os pedidos de realização de diligência e perícia, bem como deixado de apreciar importantes argumentos de defesa apresentados nas Impugnações interpostas contra os Autos de Infração conforme indicado no Tópico 11.1.2 deste Recurso." 25. Requer sustentação oral perante o CARF. 26. Na sessão de julgamento em 22/03/2017, da 1ª Turma Ordinária, da 2ªCâmara, da Primeira Seção do CARF, foi emitida a Resolução nº 1201000.244, convertendo o julgamento em diligência, para: a. averiguar e confirmar os valores considerados como despesas, mas que teriam sido estornados na contabilidade; b. rever os cálculos de apuração do IRPJ e CSLL, excluindo os valores das despesas estornadas na contabilidade do contribuinte. c. cientificar a Recorrente das conclusões da Diligência, concedendolhe prazo para contestação, após o que, devolver os autos ao CARF para julgamento. 27. A diligência realizada resultou no Termo de Encerramento de Diligência e de Intimação Fiscal de págs. 12.300/12.306, que foi cientificado à Recorrente em 05/06/2017, pág. 12.307, que se manifestou tempestivamente, mediante a Petição de págs. 12.312/12.333, na qual relata autuação e a impugnação que apresentou; qualifica de sucinta q decisão da DRJ/RJ1, que não se teria pronunciado sobre diversos argumentos da defesa; descreve o recursos voluntário, a diligência e apresenta a manifestação resumida a seguir: a. reitera os argumentos de nulidade da decisão de primeira instância; aduz que a mesma turma da DRJ/RJ1 julgou, além do presente processo, um outro de interesse da Recorrente de nº 15868.720153/201377,e recusou seus argumentos da mesma forma genérica, no entanto 2ª TO da 3ª Câmara, da 1ª Seção do CARF, anulou a decisão por unanimidade, por cerceamento do direito de defesa, o que também se deve aplicar ao presente feito; também restou configurado cerceamento no direito de defesa pelo indeferimento do pedido de diligência fiscal; b. que os autos de infração são insubsistentes, pois a fiscalização juntou aos autos documentos absolutamente impertinentes a que não têm qualquer relação com as matérias autuadas, o que prejudica a defesa e a compreensão pelos órgãos de julgamento; afrontam o art. 142 do CTN e devem ser cancelados; c. acusa ausência de aprofundamento do trabalho fiscal e falta de prova das acusações fiscais; que a fiscalização deveria ter auditado a integralidade dos valores registrados nas contas de despesa glosadas sem aprofundar a investigação e sem auditar a integralidade dos valores registrados, encerrou a fiscalização por mera amostragem documental, presumido que simplesmente Fl. 12566DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 9 8 não haveria prova de nada; por isso deve ser reconhecida a insubsistência dos autos; d. fala sobre a impossibilidade da glosa da totalidade das despesas sem prévia auditoria e análise individualizada, pois a fiscalização apenas selecionou por amostragem alguns valores que intimou a Recorrente a comprovar e glosou a totalidade das contas de despesas com devedores duvidosos, leasing, fretes sobre vendas, marketing, importações, festas e confraternizações, contribuições e doações; que foi fiscalizado um total de R$9.685.755,21, e foi glosado o montante de R$14.378.262,23 e diz que os valores não auditados e intimados, não podem ser glosados; e. sobre despesas de leasing, anexa cópia de Contrato de Arrendamento de aeronave e aditivos (doc 02), sendo a aeronave despesa necessária ao desenvolvimento das atividades nas unidades espalhadas pelo país; que também mantinha na folha de pagamento, dois pilotos permanentes (doc 02); rechaça alegação de que estaria preclusa a apresentação de documentos, pois além de estar contida na diligência, o processo deve ser regido pela verdade material e formalismo moderado, e requer o cancelamento da glosa das despesas de leasing. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 28. A leitura do recurso voluntário evidencia que seu teor é o mesmo da impugnação, exceto no que tange à competência para o julgamento de 1ª instância. 29. Cabe também esclarecer que a Tinto Holding Ltda, anteriormente se denominou Bracol Holding Ltda, e antes disso Bertin Ltda; e a Bertin S/A foi incorporada por JBS S/A. 1 Preliminares. 1.1 NULIDADE. 30. A Recorrente argui a nulidade dos autos, da ação fiscal e do Acórdão DRJ/RJI recorrido, com vasta argumentação: incompetência da DRJ/RJI para tanto, bem como por terse omitido na análise da impugnação (cujo teor reitera no recurso voluntário); incompetência da DRF em Araçatuba/SP e respectivos Auditores Fiscais para autuála; desobediência ao MPFF e irregularidades no mesmo; desobediências aos princípios constitucionais da Publicidade, da Verdade Material e do Contraditório e Ampla Defesa; cerceamento do seu direito de defesa, durante a fiscalização, porque a impediram de apresentar os documentos, e após a autuação, por falta da cópia integral dos autos. Estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 12567DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 10 9 (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifouse) 31. Como se vê, de acordo com o art. 59, I, supra, cabe a nulidade de auto de infração e de Acórdão de DRJ que se inserem na categoria de ato ou termo , quando tais peças forem lavradas por pessoa incompetente (art. 59, I) ou com preterição do direito de defesa. 32. Assim, cabe o exame de cada uma das alegações. 1.1.1 Autos de Infração lavrados pela DRF em Araçatuba/SP e respectivos Auditores Fiscais. 33. O fato de a Recorrente ser domiciliada no município de São Paulo/SP não a impede de ser fiscalizada por Auditores Fiscais lotados em delegacia da Receita Federal do Brasil de outro município; eis que o Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, prevê especificamente a possibilidade: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (...) Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração (...) (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (Grifouse.) 34. Ao contrário do que acusa a Recorrente, nenhuma restrição é feita pelo art. 142, do CTN. 1.1.2 Incompetência dos AFRF de lavrar auto de infração. 35. A Recorrente afirma que a Portaria SRRF08/GAB n° 21/2011, que criou um grupo especial de trabalho para fiscalização da Recorrente e da empresa JBS S/A, não outorgou aos Auditores Fiscais poderes de fiscalização e nem de lavratura de autos de infração; que o art. 13, III da Lei nº 9.784, de 1999, não autoriza a delegação de matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade. Fl. 12568DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 11 10 36. Enganase. 37. A competência para o lançamento fiscal tributário é exclusiva dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (autoridade administrativa); e mais, tratase de obrigação funcional a ser cumprida, conforme estatui o art. 142, do CTN, ao qual se referiu a Recorrente, sem aparentemente, atentar para seu significado: Art. 142. Compete, privativamente, à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A Atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional 1.1.3 Eficácia do Termo de Início de Fiscalização. 38. Argumenta que ocorreu a perda da eficácia do Termo de Início de Ação Fiscal, cuja validade é de apenas 60 (sessenta) dias, e que o art. 196, caput do CTN, determina a fixação do prazo máximo para conclusão dos trabalhos fiscais, que no caso foram os 60 dias, que a fiscalização extrapolou. 39. A leitura do art. 7º, I e § 2º que se transcreveu em item anterior, evidencia que o dispositivo especifica também que: (...) os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (Grifouse.) 40. E basta repassar os autos para verificar que o Termo de Início de Ação Fiscal cientificado à Recorrente em 11/05/2011 foi seguido de numerosos Termos de Intimação Fiscal, cada um deles com validade de 60 (sessenta) dias e, se por acaso ocorresse um hiato entre esses prazos, a fiscalizada simplesmente readquiriria a espontaneidade para recolher os tributos com multa de mora, escapando da autuação de ofício. 41. Evidenciase que o prazo para conclusão dos trabalhos fiscais não se esgotou em 60 dias, como alegado; destaquese que o MPFF, págs. 9/10, foi prorrogado até 20/09/2013 e a ciência dos autos de infração foi dada ao contribuinte em 05/07/2013, antes do encerramento do prazo. 1.1.4 MPFF. 42. O autuante relata no TVF: (...) dando cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência n° 08.1.02.002011005013 transformado em Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização Regional n° 08.1.90.002012024367 que determinaram a realização dos procedimento necessários para a auditoria da escrituração do Fl. 12569DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 12 11 contribuinte Tinto Holding Ltda. (antigas Bracol Holding Ltda. e Bertin Ltda.), CNPJ n° 01.597.168/000199, (...) Também devemos registrar que antes do procedimento fiscal de fiscalização havia um procedimento fiscal de diligência em andamento (MPF n° 08.1.02.002011005013), que deu suporte a diversas intimações e reintimações encaminhadas aos sujeitos passivos Tinto Holding Ltda. e JBS S/A para apuração de irregularidades. Desta forma, o procedimento fiscal de diligência teve continuidade por meio do procedimento fiscal de fiscalização (MPFF n° 08.1.90.002012024367), e as constatações da fiscalização,quanto ao Imposto de renda da pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no ano 2009(...) 43. Às págs. 9/10, o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização, emitido pelo Superintendente Adjunto da 8ª Região Fiscal, portanto autoridade competente, referente à fiscalização de IRPJ e CSLL dos períodos de 01/2008 a 12/2009, da Recorrente, pelos Auditores Fiscais que efetivamente lavraram os autos; também constam as alterações e sucessivas prorrogações. 44. Não se vislumbra as irregularidades do MPF que demonstrariam que a fiscalização deveria ser realizada no Município de São Paulo, Capital e pela DRF/São Paulo com jurisdição em São Paulo e não pela DRF em Araçatuba/SP. 45. A Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011, citada no MPFF, tampouco se refere a qualquer restrição como as mencionada pela Recorrente. 46. Improcede a reclamação e muito menos poderia ser motivo de nulidade. 1.1.5 Julgamento de 1ª Instância. DRJ/RJI 47. A distribuição dos processos à DRJ passou a ser centralizada, sendo os processos distribuídos segundo competências de cada DRJ e não jurisdição regional, desde a edição da Portaria MF nº 571, de 04 de dezembro de 2013, que alterou a Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que disciplina a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Art. 1º Os arts. 4º, 9º e 11 da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) “Art. 9º A identificação dos processos a serem distribuídos às DRJ será realizada pela CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial (Cocaj) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), observadas as prioridades estabelecidas na legislação, a semelhança e conexão de matérias, a capacidade de julgamento e a competência material de cada DRJ.” 48. Portaria RFB nº 1006, de 24 de julho de 2013, disciplina a competência por matéria das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), relaciona as matérias de Fl. 12570DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 13 12 julgamento por Turma e define atribuição para a identificação dos processos a serem distribuídos às DRJ. Anexo II: (...) XII Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ): Turma Matéria Primeira, Segunda, Terceira, Quarta, Quinta, Sexta, Sétima, Oitava, Nona, Décima, Décimaprimeira, Décimasegunda, Décimaterceira, Décimaquarta e Décimaquinta, Décima sexta, Décimasétima, Décimaoitava, Décima nova, Vigésima e Vigésimaprimeira Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e lançamentos decorrentes ou conexos; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF); Contribuição para o PIS/Pasep; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); Contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial); e penalidades; Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional); Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF); Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF); Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF); Contribuições previdenciárias, contribuições devidas a outras entidades e fundos; e penalidades. 49. Como se vê, foi perfeitamente em conformidade com a legislação que rege o processo administrativo fiscal, o Acórdão proferido pela DRJ/RJI, não havendo o que se falar em falta de competência desta para o julgamento. 50. À visto disso, indeferese o requerimento do retorno dos autos à DRJ/SP, para a realização de um novo julgamento de 1ª instância. 51. Citese ainda, por pertinente a Súmula do CARF: Súmula CARF nº 102 É válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo. 1.1.6 Cerceamento do direito de defesa. 52. Alega que a fiscalização não lhe foi permitiu apresentar os documentos fiscais relacionados aos 2 (dois) itens da acusação fiscal, isso devido ao pouco tempo que lhe concedeu para tanto e grande volume desses documentos, mas que os coloca à disposição no seu estabelecimento, para serem examinados na diligência que requer. 53. Ambas alegações foram examinadas neste voto, no ítem no Mérito e, conforme lá se concluiu, são improcedentes. 54. Alega também que faltou a apresentação de cópia integral do Auto de Infração e seus Anexos, prejudicandoa na elaboração da impugnação; no entanto, verificase que o foi cientificada, págs. 12.054: NATUREZA DO OBJETO: AUTO DE INFRAÇÃO AI 1°, 2° E 3° TRIMESTRE/2009. TERMO DE VERIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO DE FISCAL DE 31/05/2013 E PLANILHAS ANEXAS 42, 43 E 44. DEMONSTRATIVO DE PLANILHAS ELABORADAS E DEMONSTRATIVO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO DRE 1º, 2º E 3º TRIMESTRE/2009 Fl. 12571DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 14 13 DATA DO REGISTRO(OU EMISSÃO): 31/05/2013 RESPONSÁVEL: RAC 55. A descrição do objeto do Aviso de Recebimento AR, que a Recorrente recebeu em 03/06/2013, evidencia que descabe razão à alegação. 56. Cabe destacar que a legislação do processo administrativofiscal faculta ao sujeito passivo a obtenção de cópia ou ter vistas do processo como um todo; e às págs. 12.059/12.070 dos autos, verificase que a Recorrente se utilizou dessa prerrogativa em 06/06/2013, antes de apresentar sua impugnação em 20/06/2013, págs. 12.071/12.072. 57. Concluise que não ocorreu qualquer cerceamento no direito de defesa da Recorrente. 1.1.6.1 Intimação prévia, para se manifestar sobre o encerramento da fase de instrução. 58. Reclama não ter sido intimada previamente para se manifestar sobre o encerramento da fase de instrução, direito este previsto no art. 44 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999: Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1o O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2o Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. (...) Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. (...) Art. 46. Os interessados têm direito à vista do processo e a obter certidões ou cópias reprográficas dos dados e documentos que o integram, ressalvados os dados e documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à honra e à imagem. 59. Verificase que a recorrente foi regularmente intimada, para apresentação no prazo de 10 (dez) dias, em relação a todos documentos que instruem os autos, sendo o último de págs. 11.856/11.858, cientificado em 18/05/2013. 60. Além disso, foi cientificada de diversos Termos de Constatação ao longo do processo de instrução dos autos, sendo os últimos: a. págs. 11.657/11.755, extenso Termo de Constatação e Intimação Fiscal, que descreve todas as informações de que foi intimada a Recorrente e o que não foi respondido e que infrações são identificadas em função disso; cientificado em 01/10/2012, com prazo de resposta de 10 (dez) dias; Fl. 12572DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 15 14 b. págs. 11.760/11.862, Reintimação do Termo de Constatação e Intimação Fiscal supra, em 09/11/2012 e resposta da Recorrente em 27/11/2012, págs. 11.766/11.769, de que: Em resposta ao Termo de Reintimação Fiscal, referente MPF n° 08.1.90.002012024367, seguem abaixo considerações: Informamos que não dispomos dos documentos e informações solicitadas referente a Bertin SA, haja vista que todos os livros fiscais, contábeis e auxiliares ficaram em poder da empresa incorporadora. c. págs. 11.770/11.773, Termo de Informação Fiscal que historia as intimações e respostas incompletas e pedidos de prorrogação que totalizaram 130 dias e alertando que na resposta supra transcrita, respondeu apenas em relação à Bertin S/A (resposta incompleta), concede novo prazo e alerta que será lavrado Auto de Embaraço à Fiscalização e que as multas que venham a ser aplicadas serão agravadas em 50%, e concede um último prazo; cientificado em 28/12/2012; d. Às págs. 11.774/11.779, Auto de Embaraço à Fiscalização, cientificado em 10/01/2013. 61. Concluise ser improcedente a reclamação da Recorrente. 1.1.7 Princípios da Publicidade, da Verdade Material. 62. Acusa desobediência ao Princípio da Publicidade, porque não teriam sido explicados, de forma clara e precisa, a fundamentação legal utilizada, alíquota e base de cálculo, prejudicando a Recorrente quanto ao contraditório e à ampla defesa.; 63. O princípio constitucional da publicidade visa a que os atos administrativos possam ser controlados pela sociedade; no caso, o princípio não foi ferido, sendo que todos os atos efetuados pela fiscalização foram regularmente cientificados à Recorrente, assim com os autos de infração e acórdão de primeira instância, dos quais pode se defender, tendo apresentados correspondentes impugnação e recurso voluntário. 64. No item.2.1 deste voto, correspondente ao julgamento do mérito, analisaramse as descrições das infrações, as planilhas e apurações demonstradas, alíquotas aplicadas e capitulação legal e se concluiu não existirem as falhas e omissões que a Recorrente aponta. 65. A Recorrente também apela pelo Princípio da Verdade Material, dada a intenção de fornecer todos os documentos fiscais relacionados aos itens 001 e 002 do Auto de Infração, e que em caso contrário, aplicase a nulidade aos autos. 66. Também em relação aos alegados documentos, a análise do mérito, neste voto, aponta que a Recorrente nada apresentou que alterasse o lançamento fiscal, concluindose que a verdade material foi preservada. 1.2 DECADÊNCIA. 67. Pleiteia a decadência, com base no art. 150, § 4º do CTN. Fl. 12573DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 16 15 68. Os fatos geradores ocorreram em 31/03/2009, 30/06/2009 e 30/09/2009 e a ciência dos autos ocorreu em 04/07/2013. 69. A decadência dos lançamentos por homologação ocorre 5 (cinco) anos após os fatos geradores, portanto, neste caso, em relação ao fato gerador mais antigo, ocorreria a partir de 31/03/2014. 70. Evidenciase que a pretensão da Recorrente é improcedente. 2 Mérito. 2.1 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA 71. Aponta inexistência de fundamentação jurídica aos lançamentos de IRPJ e CSLL; que não constam os dispositivos que estabelecessem que a Recorrente é o sujeito passivo, assim como os relativos à base de cálculo e alíquotas utilizadas na apuração; que os dispositivos legais da fundamentação dos lançamentos não demonstram os elementos constitutivos da regramatriz, conforme exige o Princípio da Legalidade; que o ônus da prova é da fiscalização; que os fiscais não provaram ter ocorrido o fato gerador do crédito tributário exigido; não provaram que os lançamentos contábeis são inexistentes ou irregulares, mas apenas se basearam em alegada falta de apresentação e glosaram e desconsideraram custos e despesas legítimos. 72. Contudo, da leitura do Termo de Verificação Fiscal TVF, verificase que a autuação foi extremamente minuciosa: Ao final, apuraramse as seguintes infrações (tópicos): . PARA O IRPJ: . INFRAÇÃO 0001.001, 0001.002 e 0001.003 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO COMPROVADAS: R$ 7.170.994,56, R$ 3.088.297,74 e R$ 3.084.861,52 para os 1o, 2o e 3o trimestres de 2009, respectivamente. Contabilização de despesas não comprovadas constantes das planilhas de números 32 a 38, e conforme Planilhas 42, 43 e 44 referentes aos 1o, 2o e 3o trimestres de 2009, respectivamente. A Bracol Holding Ltda. (atual Tinto Holding Ltda.) foi intimada a apresentar uma amostragem documental que comprovassem algumas despesas operacionais constantes das planilhas de números 32 a 38, sob pena de serem glosadas. Em que pese intimado e reintimado a pessoa jurídica até a presente data nada apresentou. Lavramos inclusive Auto de Embaraço à Fiscalização quanto ao não atendimento às intimações. Tais despesas glosadas foram excluídas do resultado para sua correção. Na planilha 15 existem despesas do 1o trimestre de 2009 (R$ 11.614,59) que foram "criadas" em contrapartida a contas patrimoniais na Bertin S/A, que também não foram comprovadas documentalmente e que estão sendo glosadas na Tinto, que acrescidas aos R$ 7.159.379,97, perfazem um total de R$ 7.170.994,56 de despesas não Fl. 12574DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 17 16 comprovadas. Já para o 3o trimestre de 2009 na planilha 14 relacionamos despesas (R$ 1.045.723,00) que foram transferidas para Bertin S/A, e que estão sendo revertidas em prol da Tinto, ou seja, efetuamos sua compensação com os valores das despesas não comprovadas R$ 4.130.584,52 do 3o trimestre, restando ainda um saldo de despesas não comprovadas de R$ 3.084.861,52 (R$ 4.130.584,52 R$ 1.045.723,00) para esse trimestre. 73. As infrações estão minuciosamente descritas no TVF, págs. 11.992/12.006 e o autuante explica que as planilhas 42, 43 e 44 demonstram as alterações no IRPJ e CSLL. . INFRAÇÃO 0002.001, 0002.002 e 0002.003 EXCLUSÕES / COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS: R$ 5.120.000,00, R$ 13.650.000,00 e R$ 32.438.906,26 para os 1o, 2o e 3o trimestres de 2009, respectivamente. A Bracol Holding Ltda. (atual Tinto Holding Ltda.) foi intimada a comprovar documentalmente a composição e a dedutibilidade dos valores lançados em outras exclusões do Lucro Real, sob pena de serem glosadas. Em que pese intimado e reintimado a pessoa jurídica até a presente data nada apresentou. Lavramos inclusive Auto de Embaraço à Fiscalização quanto ao não atendimento às intimações. Tais valores foram excluídos do resultado para sua correção. 74. E estas infrações também estão minuciosamente descritas no TVF, págs. 12.007/12.011 e o autuante explica que as planilhas 42, 43 e 44 também demonstram as alterações no IRPJ e CSLL resultantes destas infrações. 75. E, em seguida descreve os lançamento reflexos de CSLL, referentes às mesmas infrações e valores. 76. Esclarece ainda o autuante, no TVF, págs. 12.012/12.013: 33) Elaboramos as PLANILHAS DENOMINADAS "PLANILHA 42 = COMPARATIVOS DREs (DECLARADA E AJUSTADA) E LALURs (DECLARADO E AJUSTADO) AJUSTES DO 1o TRIMESTRE DE 2009 REALIZADOS PELA FISCALIZAÇÃO QUE DEMONSTRAM A COMPOSIÇÃO CORRETA DOS LANÇAMENTOS E DA APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL TINTO HOLDING LTDA. (ANTIGA BRACOL).; PLANILHA 43 = COMPARATIVOS DREs (DECLARADA E AJUSTADA) E LALURs (DECLARADO E AJUSTADO) AJUSTES DO 2o TRIMESTRE DE 2009 REALIZADOS PELA FISCALIZAÇÃO QUE DEMONSTRAM A COMPOSIÇÃO CORRETA DOS LANÇAMENTOS E DA APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL TINTO HOLDING LTDA. (ANTIGA BRACOL).; E PLANILHA 44 = COMPARATIVOS DREs (DECLARADA E AJUSTADA) E LALURs (DECLARADO E AJUSTADO) AJUSTES DO 3o TRIMESTRE DE 2009 REALIZADOS PELA FISCALIZAÇÃO QUE DEMONSTRAM A COMPOSIÇÃO CORRETA DOS LANÇAMENTOS E DA APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL TINTO HOLDING LTDA. (ANTIGA BRACOL)." que contém Fl. 12575DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 18 17 matematicamente e de forma bem clara todos os lançamentos realizados, em que se demonstram os valores das infrações de IRPJ e CSLL de n°s 0001.001, 0001.002, 0001.003, 0002.001, 0002.002 e 0002.003. 34) Para uma melhor compreensão das planilhas criadas pela fiscalização também elaboramos o "Demonstrativo das Planilhas Elaboradas Tinto Holding Ltda.", que se encontra anexa a este Termo atualizado com as planilhas de n°s 42, 43 e 44 anexas a este Termo. (...) 36) Além disso se encontram anexos a este Termo as Demonstrações de Resultado do Exercício (DREs) dos 1o, 2° e 3o trimestres de 2009 elaborados pela fiscalização utilizandose programa computacional da RFB. Todas as planilhas elaboradas pela fiscalização também farão parte dos autos do processo 15868.720069/201353. (...) 38) Ainda esclarecemos que com os lançamentos ora realizados foram revertidos todos os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas declarados pelo contribuinte fiscalizado nos 1o, 2o e 3o trimestres de 2009. 39) Registramos que o procedimento fiscal continuará em andamento para a realização das verificações relativas ao IRPJ (e reflexos) dos demais períodos de apuração (4o trim. de 2009) objeto desta fiscalização. 77. A capitulação legal: a. Infração 001: art. 3° da Lei n° 9.249/95; Arts. 247 (que define a apuração do lucro real), 248 (que define a apuração do lucro líquido), 249, I (que determina a adição dos custo/ despesas não dedutíveis), 251 (determina manter escrituração de acordo com as leis comerciais e fiscais e que abranja todas as operações), 277 (trata do lucro operacional, lucro operacional e demais resultados), 278 (lucro bruto), 299 e 300 (define, despesas operacionais dedutíveis) do RIR/99 b. Infração 002: art. 3° da Lei n° 9.249/95; Arts. 247 (que define a apuração do lucro real) e 250 (que especifica as exclusões permitidas, na apuração do lucro real) do RIR/99. 78. Como se evidencia a capitulação legal é pertinente às infrações autuadas, descabendo a acusação da Recorrente. 2.2 APURAÇÃO IRREGULAR (ARBITRAMENTO) 79. Afirma que, nas Planilhas 42, 43 e 44, a apuração do crédito tributário foi realizada em razão de uma reversão do prejuízo declarado e da base de cálculo negativa da CSLL, ou seja, a fundamentação dos Autos de Infração deveria estar baseada na indevida compensação de prejuízos e dedução da base de cálculo negativa, o que não consta dos autos; que a acusação Fl. 12576DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 19 18 fiscal não tem relação com a infração, que houve erro de direito e erro de fato, porque "(...) considerando o conteúdo dos documentos nos Autos de Infração e suas fundamentações, a verdadeira e real infração que poderia ser imputada a IMPUGNANTE, caso existente, seria somente o registro irregular de custos e despesas e dedução do lucro liquido, nada mais do que isto, ocasionando uma acusação sem relação com a infração real e Erros de Direito e de Fato motivadores da improcedência da autuação". 80. Ao contrário da insinuação da Recorrente, as autuações resultam de glosa de deduções de custos/despesas não comprovadas e de exclusões indevidas do lucro real e da base de cálculo da CSLL, conforme descrito no TVF e consta dos autos de infração e da capitulação legal; nada tem a ver com as insinuadas compensações indevidas de prejuízos ou base de cálculo negativa, pelo contrário, os demonstrativos fiscais evidenciam que não foram apurados prejuízos nem base de cálculo negativa, mas lucro real e base de cálculo, que ensejaram a apuração de IRPJ e CSLL devidos e devidamente demonstrados que são exigidos nos presentes autos. a. Na Planilhas 42 (1º tr/2009), 43 (2º tr/2009) e 44 (3º tr/2009), está demonstrado que: OBS. 07: Nas tabelas 06 e 07 demonstrouse que não houve prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL conforme declarou a Bracol Holding Ltda. na DIPJ, e após a correção das irregularidades apurados acima pela fiscalização reverteuse o prejuízo declarado e a base de cálculo negativa da CSLL (comparação com as tabelas 04 e 05). 81. A afirmação da Recorrente que existiu um arbitramento irregular do tributo lançado, pois a fiscalização não teria recomposto a apuração, simplesmente considerando como base de cálculo os custos, despesas e valores desconsiderados na dedução do lucro líquido é errada; verificase que, nas Planilhas 42 (referente ao 1º trimestre/2009; 43 (2º trimestre/2009) e 44 (3º trimestre/2009): a. foram recompostas as Demonstrações de Resultados do Exercício, nas Tabelas 01 e 02; b. recomposta a apuração do lucro líquido na continuação da Tabela 01 e na Tabela 03: i. pág. 2.084 (ref 1º trim/2006): Novo lucro líquido antes do IRPJ, R$283.120.184,60 () 64.Lucro Líquido antes do IRPJ, R$275.949.190,04=R$7.170.994,56 (Infração 0001); ii. pág. 12.021 (ref 2º trim/2006): Novo lucro líquido antes do IRPJ, R$51.220.027,82 () 64.Lucro Líquido antes do IRPJ, R$48.131.730,08=R$3.088.297,74 (Infração 0001); iii. pág. 12.025 (ref 3º trim/2006): Novo lucro líquido antes do IRPJ, R$63.899.835,80 () 64.Lucro Líquido antes do IRPJ, R$60.814.974,28=R$3.084.861,52 (Infração 0001); c. recomposta a apuração do lucro real, nas Tabelas 04 (e 05 referente à CSLL) e Tabela 06 ( e 07 relativa à CSLL): Fl. 12577DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 20 19 i. págs. 12.018/12.019 (ref 1º trim/2009): 69.() Outras Exclusões, R$() 162.120.000,00 () R$() 157.000.000,00=R$() 5.120.000,00 (Infração 0002) ii. págs. 12.022/12.023 (ref 2º trim/2009): 69.() Outras Exclusões, R$() 48.457.325,41 () R$() 34.807.325,41=R$() 13.650.000,00 (Infração 0002) iii. págs. 12.026/12.027 (ref 3º trim/2009): 69.() Outras Exclusões, R$() 32.438.906,26 () R$() 0,00=R$() 32.438.806,26 (Infração 0002) d. recomposta a apuração do IRPJ e CSLL nas Tabelas 10 e 11, evidenciando as alíquotas aplicadas: i. pág. 12.019: (ref 1º trim 2009) R$684.012,76 de IRPJ e R$1.098.392,50 de CSLL; ii. pág. 12.023: (ref 2º trim/2009) R$3.610.070,96 de IRPJ e R$1.496.994,13 de CSLL; iii. pág. 12.027: (ref 3º trim/2009) R$8.538.223,53 de IRPJ e R$3.195.549,85 de CSLL. 2.3 INTENÇÃO DE APRESENTAÇÃO E COLOCAÇÃO À DISPOSIÇÃO DE DOCUMENTOS NO ESTABELECIMENTO DA RECORRENTE 82. Tendo a fiscalização se iniciado como diligência em 11/05/2011, pág. 240/242, posteriormente transformada em fiscalização, e tendo sido cientificada a Recorrente dos autos de infração em 05/07/2013, pág. 12.054, verificase que decorreram 750 dias, a maior parte dos quais constituídos de prazos concedidos à litigante para responder intimações e conforme Termo de Informação Fiscal 130 dias de prorrogações de prazos concedidas; mesmo assim, a Recorrente insiste que: a. foi cerceada no direito de defesa porque a fiscalização não lhe concedeu prazo suficiente para apresentar os documentos comprobatórios dos custos/despesas e das exclusões; b. que disponibiliza tal documentação no seu estabelecimento; c. e requer que se determine diligência para que a fiscalização se desloque até lá e verifique a alegada documentação. 83. Por todo o analisado, verificase que o recurso voluntário é composto de alegações superficiais e sem substância e que buscam desviar a atenção do cerne da questão que foram as despesas não comprovadas e as exclusões indevidas; nenhuma alegação concreta, apontando objetivamente onde estariam incorreções e deficiências foi apresentada e tampouco qualquer documentação nesse sentido. 84. Cabe dar razão à DRJ/RJI de que compete à Recorrente trazer a documentação comprobatória que alega possuir oportunidade não lhe faltou, seja durante o procedimento de fiscalização, seja, na impugnação, seja no recurso voluntário. Fl. 12578DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 21 20 85. A postura da Recorrente é transferir, à administração tributária, o ônus de comprovar que a autuação estaria errada e que a Recorrente possui documentos que o comprovam enganase, cabe à autuada provar que as deduções e exclusões são apoiadas por documentos hábeis e idôneos na falta desta, a autuação deve ser mantida no todo e qualquer diligência é desnecessária, à vista do teor do recurso voluntário apresentado. 2.4 RESOLUÇÃO/DILIGÊNCIA DETERMINADA PELO CARF. 86. Em sustentação oral, nas sessão de julgamento, no dia 22/03/2017, o Dr. Daniel Maya, OAB 163.223/SP, patrono da Recorrente, apontou que constavam registros de estornos das despesas glosadas, o que não havia sido apontado no recurso voluntário, mas consta dos documentos do processo fiscal, citese: "... Conta Contábil n° 911040000010304 Despesas com Importações Data Conta Contábil Descrição D/C Valor Histórico do Lançamento Número 31/01/2009 n°911040000010304 DESPESAS COM IMPORTAÇÕES D 941.367,49 Não informado 131056676 31/01/2009 n°911020000020505 DESP. DE IMPORTAÇÃO C 941.367,49 Não informado 131056676 31/01/2009 n°911040000010304 DESPESAS COM IMPORTAÇÕES D 2.121 762,78 VR. DESPESAS COM IMPORTAÇÕES 131056679 31/01/2009 n°911020000020855 DESPESA COM IMPORTAÇÕES C 2.121.762,78 VR. DESPESAS COM IMPORTAÇÕES 131056679 Fl. 11746 dos autos (Anexo 1) Registro: As despesas de importações glosadas pela fiscalização nos valores de R$ 941.367,49 e RS 2.121.762,78 foram devidamente estornadas através de lançamentos a crédito nas contas de resultado (contas contábeis n°s 911020000020505 e 911020000020855) e, portanto, não impactaram no resultado do 1o trimestre/2009, ou seja, não são representativas de bases tributáveis no período." 87. Os registros reproduzidos supra constam da Planilha 36 = Razão Parcial da Conta Despesas com Importações (2009), págs. 11.746/11.749, e compõem os valores objetos da autuação no 1º trim/2009. 88. À pág. 12.275, consta Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável que, uma vez efetuado o download, apresenta a partir da página seguinte à de nº 14, os valores de despesas que constam como estornadas e que integraram a autuação, e os efeitos sobre os valores apurados na autuação. 89. A vista desta deste fato, esta Turma, converteu o julgamento em diligência, nos termos já descritos. 90. O Termo de Encerramento de Diligência e de Intimação Fiscal informa: 3. A glosa realizada pela fiscalização corresponde aos valores de R$ 941.367,49 e de R$ 2.121.762,78 escriturados em 31/01/2009 a débito na conta "911040000010304 Despesas com Importações". A glosa realizouse em razão de o sujeito passivo ter sido intimado para fazer a comprovação e NÃO ter Fl. 12579DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 22 21 apresentado nenhum elemento comprobatório durante a realização do procedimento fiscal. Aqui importante destacar que o sujeito passivo não informou "histórico" para o primeiro lançamento na sua ECD. Se limitou a informar como histórico "." Por que será? Porque não houve estorno algum. 4. O que houve foi a transferência dos valores de R$ 2.121.762,78 da conta "911020000020855 Despesa com Importações" e de R$ 941.367,49 da conta "911020000020505 Desp. de Importação" para a conta "911040000010304 Despesas com Importações". Todos os valores escriturados nesta última conta (911040000010304 Despesas com Importações) foram levados para o resultado, conforme comprovado nos autos. 5. Na tela abaixo consta o razão da conta "911020000020855 Despesa com Importações". Veja que se trata de uma conta de despesa que teve parte do seu saldo (R$ 2.121.762,78) transferido para a conta "911040000010304 Despesas com Importações". Concluise de forma clara que não se tratou de estorno, mas de simples transferência de despesas de uma conta para outra, conforme demonstra a tela abaixo e a do item 7. 6. Da mesma forma, na tela abaixo consta o razão da conta "911020000020505 Desp. de Importação". Veja que também se trata de uma conta de despesa que teve parte do seu saldo (R$ Fl. 12580DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 23 22 941.367,49) transferido para a conta "911040000010304 Despesas com Importações". Concluise de forma clara que não se tratou de estorno, mas de simples transferência de despesas de uma conta para outra, conforme demonstra a tela abaixo e a do item 7. 7. Na tela abaixo consta parte do razão da conta "911040000010304 Despesas com Importações", demonstrando a transferência dos valores das outras duas contas ("911020000020505 Desp. de Importação" e "911020000020855 Despesa com Importações"), bem como o encerramento da mesma (saldo devedor transferido para a conta de resultado). Fl. 12581DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 24 23 8. Diante do exposto nos itens anteriores, resta claro que os valores de R$ 941.367,49 e R$ 2.121.762,78, que foram escriturados a débito na conta "911040000010304 Despesas com Importações", foram levados para o resultado sim, o que ensejou a ilegal redução da base de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do 1° trimestre de 2009. Fl. 12582DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 25 24 2.5 DOC 1. PROCESSO Nº 15868.720153/201377. 91. Argumenta que a mesma turma da DRJ/RJ1 julgou, além do presente processo, um outro de interesse da Recorrente de nº 15868.720153/201377, e recusou seus argumentos da mesma forma genérica, no entanto 2ª TO da 3ª Câmara, da 1ª Seção do CARF, anulou a decisão por unanimidade, por cerceamento do direito de defesa. 92. Consta deste processo, às págs. 11.859/11.950, Auto de Infração e Termo de Verificação de Infração Fiscal objeto do processo citado, relativo às infrações no anocalendário 2008: 0001.001 Custos, Despesas Operacionais e Encargos inidôneos, referentes a contrapartida às receitas referentes à escrituração de créditos presumidos do IPI em duplicidade, vendido à Basf S/A; 0001.002 Custos, Despesas Operacionais e Encargos inidôneos, referentes à contrapartida às receitas referentes a escrituração de créditos de ICMS indevidamente vendidos à BASF S/A; 0002 Falta de Adição ao Lucro Real de Valor de Reserva de Reavaliação; 0003 despesas não dedutíveis, escrituradas a partir de contas de ativos bancários da Bertin S/A (outra empresa do grupo). 93. A Recorrente pretende que se "copie" a conclusão de outra Turma de julgamento, relativa a outro processo da mesma Recorrente. 94. Ocorre que cada processo, neste caso, é uma peça individual e cabe aos julgadores considerar e decidir de acordo especificamente com os respectivos elementos contidos no processo em julgamento; inexiste conexão que justifique que as conclusões relativas àquele processo, se apliquem ao presente. 2.6 GLOSA DO TODO, BASEADA EM AMOSTRAGEM. 95. Pleiteia impossibilidade da glosa da totalidade das despesas sem prévia auditoria e análise individualizada; que foi fiscalizado um total de R$9.685.755,21, e foi glosado o montante de R$14.378.262,23 e diz que os valores não auditados e intimados, não podem ser glosados. 96. Cabe destacar que intimada e reitimada de todas despesas glosadas a Recorrente foi: a. págs. 11.327/11.473, em 10/08/2012; b. págs. 11493/11/495, reintimação em 09/11/2012; c. págs. 11.657/11.755, reintimação em 01/10/2012 (item 3). 97. As intimações foram claras: pág. 11.658: 3 PERÍODOS: 1°, 2°, 3° e 4° TRIMESTRES DE 2009: A Bracol Holding Ltda. declarou na "Demonstração do Lucro Real" da DIPJ (fichas Ò9A linhas 68 de cada trimestre) como exclusão da base de cálculo do IRPJ a título de outras exclusões os seguintes valores: R$ 162.120,000,00 (1° Trimestre), lR$ 48.457.325,11 (2° Trimestre), R$ 32.438.906,26 (3° Trimestre) e R$ 1.019.200.896,26 (4° Trimestre). Já para a CSLL no "Cálculo da CSLL" da DIPJ (fichas 17 linhas 53 de cada trimestre) Fl. 12583DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 26 25 como exclusão da sua base de cálculo a título de outras exclusões os seguintes valores: R$ 162.120.000,00 (1° Trimestre), R$ 48.457.325,11 (2° Trimestre), R$ 32,438.906,26 (3° Trimestre) e R$ 1,020.168.189,76 (4° Trimestre). págs. 11.668/11.669: 3) Na resposta datada de 21/08/2012, recebida por nós em 29/08/2012, constatamos que fazem parte desse grupo de despesas operacionais os lançamentos nas seguintes contas: I i) despesas com devedores duvidosos (R$ 7.057.480,02), parcialmente constantes da "PLANILHA 32 = RAZÃO PARCIAL DA CONTA DESPESAS COM DEVEDORES DUVIDOSOS (ANO 2009)"; ii) despesas com leasing (R$ 4.787.156,56), parcialmente constantes da "PLANILHA 33 = RAZÃO PARCIAL DA CONTA LEASING (2009)"; (...) Nas planilhas citadas acima, ou há amostragem substancial ou total dos lançamentos realizados pelo contribuinte, e em cada uma há lançamentos selecionados "destacados" em negrito e sublinhados, para os quais o contribuinte deverá comproválos documentalmente. (...) Desta forma, fica o contribuinte INTIMADO, no prazo de 10 (dez) dias, a apresentar a documentação que deu suporte aos lançamentos selecionados "destacados" constantes das planilhas de n° 32 a 38. pág. 11.669/11.670: 5) Até a presente data o contribuinte não apresentou comprovação dos seguintes itens do Termo de Início de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TIPFR. motivo desta REINTIMACÃO: (...) 5.2) 3 PERÍODOS: 1°, 2°, 3° e 4° TRIMESTRES DE 2009 (outras exclusões): (Obs. ref infração 0002 Exclusões indevidas do lucro real)) a) diferença de R$ 5.120.000,00 do 1o trimestre; b) diferença de R$ 13.649.999,70 do 2o trimestre (essas duas diferenças nos tratamos no item 1 acima); c) total de R$ 32.438.906,26 do 3o Trimestre (a é aqui valores iguais tanto para IRPJ quanto para CSLL); d) diferença de R$ 75.935.038,54 (R$ 1.019.200.896,26 R$ 943.265.857,72) do 4o Trimestre para IRPJ e; Fl. 12584DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 27 26 e) diferença de R$ 76.902.332,04 (R$ 1.020.168.189,76 R$ 943.265.857,72) do 4o Trimestre para CSLL. Caso o contribuinte não apresente documentação probatória desses valores do qual está sendo reintimado, tais valores serão glosados. Caso o contribuinte apresente planilhas ou demonstrativos equivalentes, deverá também apresentar esclarecimentos pormenorizados informações deles constantes, de forma que seja inteligível. Anexas a este Termo, do qual são parte integrante, as Planilhas citadas acima, de n°s 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37 e 38. 98. Às págs. 11.770/11.773, a fiscalização lavrou o Termo de Informação Fiscal, cientificado em 28/12/2012, historiando as intimações, prazos e sucessivo pedidos de prorrogação e alertando que após determinado prazo, sem que resposta tenha sido apresentada, seria lavrado Auto de Embaraço à Fiscalização; o Auto de Embaraço à Fiscalização está ás págs. 11.774/11.779, cientificado em 11/01/2013. 99. No que tange às despesas, verificase que a fiscalização destacou em negrito e sublinhou os maiores valores, para apresentação de comprovantes; comparandose os valores destacados com as listagens, temse, tomando como exemplo o 1º trim/2009: 1º trim/2009 pág Planilha Valor destacado Total 1º trim/2009 Auto de Infração Infração 0001 11.731 32 4.362,68 26.335,21 11.738 33 933.908,76 1.605.661,71 11.742 34 736.459,39 739.672,79 11.744 35 427.727,07 667.617,78 11.746 36 3.659.217,93 4.099.026,69 11.750 37 0,00 65,79 11.752 38 14.000,00 21.000,00 Total 5.775.675,83 7.159.379,97 7.170.994,56 100. Observase que, por exemplo, na planilha 32, estão listados: a. 27/02/2009 691,10, duplicata 10764 b. 27/02/2009 4.362,68, duplicata 11134 (destacado) c. 27/02/2009 4.234,38, duplicata 11134 d. 27/02/2009 4.234,38, duplicata 11134 e. ou seja, b, c, d, se referem à mesma duplicata, não comprovada. 101. A Recorrente não documentou os valores destacados e alega que os demais não poderiam ser glosados porque não foi especificamente intimada no entanto, teve várias oportunidade para documentar, mesmo que fosse por amostragem que os demais lançamentos Fl. 12585DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 28 27 eram baseados em documentação hábil e idônea: ao ser cientificada da autuação que se referia às despesas (destacadas ou não) listadas nas intimações e reintimações recebidas, e sendo a ciência dos autos, intimação, em relação à qual apresentou impugnação, mas nenhum comprovante; e ao ser cientificada do Acórdão de 1ª instância, apresentou o recurso voluntário no entanto, não apresentou um comprovante sequer, seja de valores destacados ou não destacados. 102. Tanto a impugnação como o recurso voluntário versam sobre supostos motivos de nulidade, e alegações de falta de provas pela fiscalização, sem substância. 103. Pelo exposto, cabe manter as glosas, por falta de comprovação das despesas, das quais foi cientificada. 2.7 DOC 2. DESPESAS DE LEASING. 104. Sobre despesas de leasing, anexa cópia de Contrato de Arrendamento de aeronave e aditivos e alega sera despesa necessária ao desenvolvimento das atividades nas unidades espalhadas pelo país; que também mantinha na folha de pagamento, dois pilotos permanentes (doc 02); rechaça alegação de que estaria preclusa a apresentação de documentos, pois além de estar contida na diligência, o processo deve ser regido pela verdade material e formalismo moderado, e requer o cancelamento da glosa das despesas de leasing. 105. Sobre as comprovações de despesas de Leasing, de que foi intimada por meio da "Planilha 33 = Razão Parcial da Conta Leasing (2009), págs. 11.738/11.741, desde 12/01/2009 até 30/12/2009, no total de R$4.787.156,56", o Doc. 2 apresentado consiste na tradução juramentada de Contrato de Arrendamento Operacional de Aeronave Learjet Modelo 45, págs. 12.373/12.418, datado de 13/04/2005, entre Bertin Ltda CNPJ 01.597.168/000199 (a Autuada), como Arrendatária, e AVN AIR, em Connecticut, pelo Prazo básico 120 meses, aluguel pago em Dólares dos Estados Unidos, aluguel variável; e págs. 12.459/12.465, Aditivo e Revigoramento de Contrato de Arrendamento Operacional de Aeronave, em 24/05/2012, relativo a contrato de arrendamento rescindido em 11/04/2012. Não acompanha planilha explicando os valores pagos, conversão em Dólares, comprovação das remessas dos pagamentos ao exterior. 106. Não há elementos que permitam considerar que o doc. 2 seja comprovação das despesas com leasing glosadas. 2.8 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. 107. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN. 108. Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa na ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012) seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Fl. 12586DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 29 28 Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, /DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. 109. A jurisprudência do CARF vem convergindo no sentido de considerar procedente a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, depois de vencido o prazo para pagamento, uma vez que passa a integrar o crédito tributário. Acórdão nº 1401001.578 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2016 Ementa: (...) JUROS SOBRE MULTA Sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. Acórdão nº 9303003.476 – 3ª Turma Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Ano calendário:2007 Ementa: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Selic exigida nos termos da lei. Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.573– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2016 Matéria IRPJ. Glosa de participação nos lucros e resultados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. 110. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 12587DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 30 29 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 111. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos para todas as situações. 112. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 113. E o CTN determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 114. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. 2.9 RETORNO DOS AUTOS À DRJ/RJI. 115. Requer, se admitida a competência da DRJ/RJ1 para julgamento em 1ª instância, retorno dos autos à mesma, a fim de sanar os vícios apontados. 116. O processo administrativo fiscal prevê que o contribuinte apresente recurso voluntário ao CARF, para contestar a decisão de 1ª instância. 117. E, no caso, não se identificaram quaisquer vícios no Acórdão DRJ/RJI. 2.10 SUSTENTAÇÃO ORAL. 118. Finalmente, requereu sustentação oral. 119. A sustentação oral está prevista no Regimento Interno do CARF, art. 58, II, e o contribuinte pode exercer o direito. 3 Sintese. 120. A conclusão é de não acolher as preliminares de nulidade e de decadência, indeferir o requerimento de retorno dos autos à DRJ/SPO para nova decisão de primeira instância, indeferir o requerimento de retorno dos autos à DRJ/RJI, indeferir o novo pedido de perícia/diligência, e manter a exigência. Fl. 12588DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 31 30 4 Conclusão. Voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 12589DF CARF MF Processo nº 15868.720069/201353 Acórdão n.º 1201001.906 S1C2T1 Fl. 32 31 Fl. 12590DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001748/2008-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2006
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN, APENAS QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o., do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No caso, pode-se concluir não ter havido recolhimento do imposto referente às competências objeto de lançamento. Assim, aplicável a tais períodos a regra do art. 173, I do CTN. Tendo a ciência do lançamento ocorrido em 12/2008, abrangendo somente competências a partir de 05/2003 (inclusive), não há que se falar em decadência.
Numero da decisão: 9202-006.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2006 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN, APENAS QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o., do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No caso, pode-se concluir não ter havido recolhimento do imposto referente às competências objeto de lançamento. Assim, aplicável a tais períodos a regra do art. 173, I do CTN. Tendo a ciência do lançamento ocorrido em 12/2008, abrangendo somente competências a partir de 05/2003 (inclusive), não há que se falar em decadência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN, APENAS QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o., do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No caso, podese concluir não ter havido recolhimento do imposto referente às competências objeto de lançamento. Assim, aplicável a tais períodos a regra do art. 173, I do CTN. Tendo a ciência do lançamento ocorrido em 12/2008, abrangendo somente competências a partir de 05/2003 (inclusive), não há que se falar em decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 48 /2 00 8- 42 Fl. 295DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 240102.021, fls. 173/187 do eprocesso, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para aplicação do art. 150, §4º do CTN, como regra de contagem do prazo decadencial, para declarar a decadência até a competência 11/2003. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2006 MPF. EXPIRAÇÃO DO PRAZO DE VIGÊNCIA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não se verifica na espécie a lavratura do Auto de Infração em período não coberto por MPF, por isso, incabível a alegação de nulidade do procedimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. RETENÇÃO DE 11%. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 16327.001748/200842 Acórdão n.º 9202006.027 CSRFT2 Fl. 296 3 A regra geral do prazo decadencial para os tributos submetidos à modalidade do lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do CTN, afora nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou ausência de antecipação de pagamento, os quais deverão estar devidamente comprovados pela autoridade lançadora com o fito de deslocar aludido prazo para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. A inocorrência dessa comprovação enseja a manutenção do lapso temporal contemplado pela regra geral do artigo retromencionado. DÚVIDA QUANTO À CAPITULAÇÃO DO FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Não se verifica nos autos qualquer dúvida quando aos fatos narrados e ao direito aplicado, portanto, incabível a interpretação favorável ao contribuinte preconizada no art. 112 do CTN. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO, APRECIA AS PROVAS ACOSTADAS E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO. PARCIALIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra parcialidade do órgão de julgamento, quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas pela contribuinte, analisa as provas colacionadas e traz a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado. Tratase de Auto de Infração referente à contribuição previdenciária no percentual de 11% que não foi retida das notas fiscais sobre serviços de construção civil, apurados com base no Livro Razão. O lançamento apresenta como período de apuração 01/05/2003 a 30/09/2006, consolidado em 12/12/2008. A 07ª Turma da DRJ em Campinas/SP julgou procedente o lançamento fiscal, conforme Acórdão nº 0525.892 de fls. 128/135 do eprocesso. O Contribuinte, inconformado com tal decisão, interpôs Recurso Voluntário de fls. 144/161 do eprocesso, o qual foi julgado procedente em parte pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, no dia 23 de agosto de 2011, conforme Acórdão nº 240102.021 de fls. 173/187 do eprocesso. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial com fundamento no art. 67, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009 (vigente a época dos fatos), alegando que o referido acórdão merece reforma, entendendo pela aplicação do art. 173, I do CTN, citando como paradigma os Acórdãos ns. 230200.359 e 240200.362, cujas ementas transcrevo: ACÓRDÃO nº 230200359 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 297DF CARF MF 4 Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Sumula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4° do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 ASSISTÊNCIA MÉDICA BENEFÍCIO NÃO OFERECIDO À TOTALIDADE DE EMPREGADOS E DIRIGENTES INCIDÊNCIA Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de assistência à saúde, a qual não é oferecida à totalidade de empregados e dirigente. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (2402 00.362) Conforme despacho de admissibilidade de fls. 212/214, foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, sendo o Contribuinte intimado via correspondência, conforme AR de fls. 221. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16327.001748/200842 Acórdão n.º 9202006.027 CSRFT2 Fl. 297 5 Não houve a interposição de Recurso Especial e Contrarrazões, por parte do Contribuinte, conforme despacho de fls. 222. Em sessão no mês de setembro de 2016, este colegiado, resolveu converter o presente julgamento em diligência, nos seguintes termos: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o débitos declarados e recolhimentos efetuados com código correspondente ao mesmo fato gerador (retenção de 11% sobre o valor da nota fiscal), nos períodos em litígio, de 12/2002 a 11/2003; e elabore relatório conclusivo. Após, que seja intimado o contribuinte para manifestação, no prazo de trinta dias, retornandose os autos à relatora, para prosseguimento. Vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes, que entenderam não ser necessária a conversão em diligência. Seguem, as informações prestadas no RELATÓRIO FISCAL, de fls 1. O presente relatório tem por finalidade atender a Resolução nº 9202000.056 – 2ª Turma, de 27 de outubro de 2016, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Câmara Superior de Recursos Fiscais e ao Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal n° 08114002017000391. 2. A empresa recebeu Auto de Infração nº 37.079.9372 por ter deixado de reter e recolher 11% dos valores das notas fiscais dos serviços que lhes foram prestados, motivo pelo qual tornou se responsável pelos valores nos termos do Art. 31, “caput” e Art. 33, §5º, ambos da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, DOU 25/07/1991. Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (texto vigente à época dos fatos) Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11; e ao Departamento da Receita FederalDRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (texto vigente à época dos fatos) Fl. 299DF CARF MF 6 § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. 3. Ressalto que não há qualquer relação entre os valores que a empresa deveria reter e recolher e os valores que ela deve recolher em razão dos pagamentos que faz a seus empregados e contribuintes individuais, ou seja, ou a empresa fez a retenção e recolheu os valores em nome da empresa cedente de mãode obra e apresenta os comprovantes, ou fez a retenção e não recolheu, ou, ainda, não fez a retenção em não recolheu os valores. 4. Tendo em vista que, após reiteradas intimações e durante a impugnação do Auto de Infração e Recursos seguintes, a empresa não apresentou quaisquer recolhimentos, nem sequer os documentos que deram origem aos lançamentos contábeis, podemos concluir que não houve recolhimento de valores que deveriam ter sido retidos, ou, em outras palavras, podemos afirmar que a empresa não recolheu o que deveria, mas não podemos comprovar que ela efetivamente descontou por falta de documentação. 5. Outra questão importante é separar os recolhimentos que a empresa deveria ter feito relativos às retenções que tinha a obrigação de fazer das retenções que ela sofreu e que seus tomadores de serviço recolheram em seu CNPJ. 6. Faço essa ressalva, pois, como será demonstrado adiante, a empresa creditouse de valores a título de retenção, valores esses que foram recolhidos por seus tomadores em Guias da Previdência Social – GPS com código 2631 Contribuição Retida sobre a NF/Fatura da Empresa Prestadora de Serviço – CNPJ. 7. No referido Auto de Infração a fiscalização criou o levantamento “PS – Prestador de Serviço”, onde foram lançados os valores que a empresa deveria ter retido e recolhido em nome dos respectivos prestadores em GPS código 2631, nas seguintes competências: 05/2003, 06/2003, 07/2003, 10/2003, 11/2003, 12/2003 e 09/2006. 8. Como dito anteriormente, a empresa não fez a retenção e não recolheu os valores que deveria, motivo pelo qual recebeu o Auto de Infração que se tornou a única maneira de recolher os valores em questão, no entanto, a partir daí, constando seus dados em guia específica. 9. Para os demais valores devidos, utilizaremos os valores que a própria empresa declarou em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência – GFIP, nas mesmas competências indicadas no Auto de Infração, quais sejam: 05/2003, 06/2003, 07/2003, 10/2003, 11/2003, 12/2003 e 09/2006. 10. Conforme podemos verificar no Anexo – Valores Declarados X Recolhidos, a empresa recolheu a título de INSS, nas GPS, Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16327.001748/200842 Acórdão n.º 9202006.027 CSRFT2 Fl. 298 7 somente o valor descontado de seus empregados e contribuintes individuais, creditouse de valores que supostamente foram retidos nas notas fiscais por ela emitidas, quando da cessão de mãodeobra, e, ainda assim, não recolheu a totalidade dos valores devidos. 11. Podemos observar ainda que a empresa declarou indevidamente em GFIP ser optante do “SIMPLES” na competência 05/2003, o que fez com que o sistema não calculasse a parte patronal, motivo pelo qual aparece somente o valor descontado de seus empregados e contribuintes individuais. 12. Os valores inseridos no Anexo – Valores Declarados X Recolhidos em relação às contribuições da empresa e dos segurados foram retirados das declarações que a empresa fez em GFIP, conforme páginas extraídas do sistema DATAPREV – GFIPWEB denominadas GFIP ÚNICA – Empresa – Contribuições por rubrica, anexas. 13. Os valores inseridos no Anexo – Valores Declarados X Recolhidos em relação aos valores compensados a título de retenção foram retirados das declarações que a empresa fez em GFIP, conforme páginas extraídas do sistema DATAPREV – GFIPWEB denominadas GFIP ÚNICA – Empresa – Dados e valores informados na GFIP, anexas 14. Os valores inseridos no Anexo – Valores Declarados X Recolhidos em relação aos valores recolhidos a título de INSS foram retirados das Guias da Previdência Social, anexas. 15. Dessa forma, podemos separar os valores devidos nas seguintes rubricas: • Rubrica Segurados – Valores descontados dos segurados empregados e contribuintes individuais – Recolhido • Rubrica Empresa – Valor devido pela empresa sobre a remuneração paga a empregados, contribuintes individuais e Riscos Ambientais do Trabalho – RAT – Recolhido parcialmente. • Rubrica Compensação de retenção – Valores que a empresa creditouse em razão de sofrer retenção nas notas fiscais por ela emitidas. Valores compensados através da GFIP. • Rubrica Retenção – Valores que a empresa deveria ter retido e recolhido em nome das empresas que lhe prestaram serviço mediante cessão de mãodeobra – VALOR NÃO RECOLHIDO. 16. Por todo exposto, posso afirmar que, em relação aos valores lançados no Auto de Infração nº 37.0799372, referente aos valores que a empresa deveria ter retido e recolhido, NÃO HÁ QUALQUER RECOLHIMENTO, prévio ou posterior. 17. As cópias das páginas com dados das GFIP, assim como as cópias das GPS, que foram utilizadas no Anexo – Valores Fl. 301DF CARF MF 8 Declarados X Recolhidos foram juntadas somente na 1ª via, tendo em vista que o contribuinte possui os originais. Intimado do REFISC supra, o contribuinte quedouse silente. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, assim, o conheço. O presente caso tratase de Auto de Infração referente à contribuição previdenciária no percentual de 11% que não foi retida das notas fiscais sobre serviços de construção civil, apurados com base no Livro Razão. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, aplicando o art. 150, §4º do CTN para fixar o marco inicial na ocorrência do fato gerador, conforme voto transcrito abaixo: No caso vertente, inexistem nos autos comprovantes e/ou informações de recolhimentos relativos aos fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas. No entanto, tratandose de Retenção de 11% incidente sobre a Nota Fiscal ou Fatura de prestação de serviços mediante cessão de mãode obra, inscrita no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, onde os tributos exigidos dizem respeito a empregados de outro contribuinte (empresa prestadora de serviços), a jurisprudência administrativa vem entendendo pela existência de antecipação de pagamentos, em face da folha normal da pessoa jurídica executora dos serviços, mormente quando a autoridade lançadora nada diz a respeito. (Grifei – fls. 184 deste processo) (...) Na hipótese dos autos, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 17/12/2008, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos até a competência 11/2003, os quais encontramse fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. (Fls. 187 deste processo) Em relação a este prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça tem o entendimento pacífico no sentido de que havendo pagamento, correto é aplicação do art. 150, §4º do CTN, conforme julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime do art. 543C do CPC/73: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16327.001748/200842 Acórdão n.º 9202006.027 CSRFT2 Fl. 299 9 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex legede pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos Fl. 303DF CARF MF 10 fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Cumpre salientar que, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do CTN. Por sua vez, o art. 103A da Constituição Federal de 1988 dispões que as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na impressa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Esse é o entendimento deste E. CARF, conforme se verifica no acórdão transcrito abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2006 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado(artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 16327.001748/200842 Acórdão n.º 9202006.027 CSRFT2 Fl. 300 11 Recurso Especial do Procurador negado (Acórdão nº 9202 003.668, referente ao processo administrativo nº 13005.001864/200725). Referente a essa matéria, utilizo o voto proferido pela Ilma. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo no processo administrativo nº 18108.002386/200736, referente ao Acórdão nº 9202002.964, que foi acompanhado à unanimidade pela E. CSRF, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL E PRAZO. É de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir crédito tributário relativo a contribuição previdenciária. Confirmado o pagamento antecipado, ainda que se trate de recolhimento genérico, relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo, o prazo se inicia na data do fato gerador, na forma definida pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. (Grifei) Em seu voto ela destaca: Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Fl. 305DF CARF MF 12 Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento e, mais especificamente, que tipo de recolhimento poderia ser considerado, já que se trata de substituição tributária. No presente caso, a autuação teve por base o artigo 31 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 9.711, de 1998, que assim estabelecia: (...) Destarte, com base nos fundamentos acima, que adoto, e tendo em vista que foram efetuados pagamentos, conforme o TEAF – Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 59/60 (61/62 do eprocesso), deve ser aplicado o art. 150, § 4º, do CTN. Como a ciência ao sujeito passivo foi levada a cabo em 03/12/2007; e os fatos geradores encontramse entre as competências 01/2002 a 11/2002, constatase a ocorrência da decadência.(Fls. 07 e 09 do Acórdão nº 9202002.964) Assim, adoto o entendimento de que tratandose de retenção de 11% incidente sobre a Nota Fiscal ou Fatura de prestação de serviços mediante cessão de mãode obra, inscrita no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, onde os tributos exigidos dizem respeito a empregados de outro contribuinte (empresa prestadora de serviços), entendendo pela existência de antecipação de pagamentos, em face da folha normal da pessoa jurídica executora dos serviços, mormente quando a autoridade lançadora nada diz a respeito. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 306DF CARF MF Processo nº 16327.001748/200842 Acórdão n.º 9202006.027 CSRFT2 Fl. 301 13 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, Redator designado Com a devida vênia ao entendimento esposado pela relatora quanto ao mérito do pleito fazendário, ouso discordar. Inicialmente, de se ressaltar o teor conclusivo do relatório de diligência de e fls. 284 a 287, em especial em seu item 16, verbis: "(...) 16. Por todo exposto, posso afirmar que, em relação aos valores lançados no Auto de Infração nº 37.0799372, referente aos valores que a empresa deveria ter retido e recolhido, NÃO HÁ QUALQUER RECOLHIMENTO, prévio ou posterior. (...)" De se notar, a propósito, ter sido a autuada devidamente cientificada não só do teor do referido Relatório (ciência pessoal à efl. 288), bem como também do teor do Recurso Especial da Fazenda Nacional e de seu seguimento quando do exame de admissibilidade (ciência à efl. 221), não tendo produzido, porém, qualquer manifestação a respeito, nem mesmo em sede de contrarrazões. Ainda, adicionese aqui o contexto em que se deu a autuação dos valores não retidos e não recolhidos sob análise (resumidos à efl. 77), caracterizado pela completa falta de apresentação pela empresa da documentação suporte referente às atividades desempenhadas pelos prestadores de serviço que deveriam sofrer a retenção, conforme se nota, por menção expressa pela autoridade fiscal, constante dos itens 6 e 7 do Relatório Fiscal, de efls. 79 a 81, expressis verbis: (...) 6) Nas folhas 3 a 5, há reiteradas intimações para que a Empresa apresentasse as notas fiscais, as faturas, os recibos, enfim, qualquer documento que pudesse determinar o serviço que realmente foi prestado. Como a Phoenix não apresentou tais documentos, foi autuada através do AIOA — Auto de Infração de Obrigações Acessórias 37.079.9356. 7) Ainda como reflexo da nãoapresentação dos documentos contábeis, a Fiscalização partiu do pressuposto que os serviços prestados são alcançáveis no todo pela retenção de 11%, isto é, no próprio valor do lançamento contábil registrado no razão. (...) Fl. 307DF CARF MF 14 Entendo, a partir da menção acima. ter se desincumbido a Fiscalização a contento de sua atividade no que diz respeito à verificação da existência de recolhimentos relacionados aos débitos objeto do lançamento, débitos estes extraídos, assim, com base tão somente no Livro razão, único elemento apresentado pela autuada. Destarte, considerado todo o contexto acima exposto, posicionome no sentido de que, com base nos elementos constantes dos autos, não há qualquer evidência de recolhimento antecipado para qualquer das competências objetos de lançamento e, assim, adotando o entendimento vinculante emanado do STJ no âmbito do REsp 973.733/SC (já sufcientemente explanado pela nobre Relatora), entendo ser de se aplicar, in casu, a contagem do prazo decadencial estabelecida pelo art. 173, I do CTN. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, aplicando o art. 173, I do CTN na contagem do prazo decadencial, afastar a decadência para todas as competências objeto de lançamento, visto que cientificado o autuado em 17/12/2008 (efl. 02). É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 308DF CARF MF
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Numero do processo: 16151.720104/2016-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008,2009,2010
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-003.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008,2009,2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em Exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 72 01 04 /2 01 6- 16 Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 16151.720104/201616 Acórdão n.º 9101003.177 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial pretendendo o reconhecimento da inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade, em que se compreendeu que a análise dos paradigmas evidenciou que a recorrente logrou demonstrar o dissídio jurisprudencial, apresentando julgados nos quais, ao contrário do acórdão recorrido, afastouse a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Passase, assim, à apreciação do recurso. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.172, de 07.11.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10980.726251/201146. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.172): Por meio do acórdão 9101002.349, de 14/06/2016, proferi meu voto no sentido de afirmar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdão), o qual foi ratificado pela maioria dos Conselheiros da 1ª Turma da CSRF, conforme razões que reafirmo a seguir. A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu artigo 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa Selic. Vejase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (Grifei) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase: Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 16151.720104/201616 Acórdão n.º 9101003.177 CSRFT1 Fl. 4 3 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Grifei) Ora, dos artigos 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (Grifei) Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no artigo 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1996. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do artigo 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, como sustenta a recorrente, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, no voto condutor do Acórdão nº 1401001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Além disso, o CTN claramente permite a aplicação de juros sobre "crédito", conceito no qual se insere a multa de ofício. O artigo 161, caput, do Código, estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 16151.720104/201616 Acórdão n.º 9101003.177 CSRFT1 Fl. 5 4 Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do artigo 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os artigos 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária, que evidentemente inclui a multa de ofício proporcional, é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Adotando estas premissas, o exConselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa também concluiu, no voto condutor do Acórdão nº 220101.630, que, se o artigo 113 do CTN incorpora à obrigação principal o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e o artigo 139 do CTN estipula que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, é evidente que a penalidade pecuniária integra o conceito de crédito tributário. Em acréscimo, o Conselheiro expõe que: Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 16151.720104/201616 Acórdão n.º 9101003.177 CSRFT1 Fl. 6 5 obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. [...] Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Corroborando o entendimento de que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis, em 1/9/2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº 1.129.990/PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o artigo 161 do Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 16151.720104/201616 Acórdão n.º 9101003.177 CSRFT1 Fl. 7 6 CTN em conjunto com os artigos 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o artigo 161 do CTN, ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Este foi, aliás, o entendimento da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, de 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (Grifei) Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento." (Grifei) Em julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Portanto, como se vê, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício decorre da lei. Conforme o antes transcrito § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável aos débitos de que aqui se trata, aí Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 16151.720104/201616 Acórdão n.º 9101003.177 CSRFT1 Fl. 8 7 incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Concluise, portanto, que a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora calculado com base na taxa SELIC por força do disposto no art. 61, caput e §3º da Lei nº 9.430, de 1996. Pelo exposto, NEGASE PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, mantendose a aplicação dos juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de ofício. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, em negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 3087DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.011529/2006-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO - RECURSO DE OFÍCIO - SUMULA 103
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
LAVRATURA DE DIVERSOS AUTOS DE INFRAÇÃO NO CURSO DE UMA MESMA AÇÃO FISCAL
A autorização prevista no art. 906 do RIR, de 1999, diz respeito aos casos em que se pretende reexaminar exercício que já foi objeto de ação fiscal anterior. Sendo o reexame efetuado sob os auspícios de uma mesma ação, não há a necessidade de solicitá-la, de modo que a sua falta, nesse caso, não caracteriza vicio formal a ensejar a nulidade do lançamento.
DECADÊNCIA DO IRPJ E CSLL. PRAZO. RESP 973.733 - ART. 65, § 2ºM DO RICARF
Restando comprovada a ocorrência de fraude, o prazo decadencial para o lançamento do lRPJ rege-se pelo disposto no art. 173, I, do CTN a luz do entendimento firmado por ocasião do julgamento do REsp de nº 973.733/SC pelo STJ, em regime de recursos repetitivos.
DECADÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO - SUMULA 08 DO STF
Com a edição da Súmula 08/STF, afasta-se a aplicação dos preceitos dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212 para contagem de prazos decadencial e prescricional em relação às contribuições sociais.
DECADÊNCIA - MULTA ISOLADA - art. 173, I, DO CTN - TERMO A QUO - PRIMEIRO DIA DO ANO SUBSEQUENTE
A multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL sujeita-se à regra de lançamento preconizada pelo art. 173, I, dado se trata de exigência submetida à modalidade de lançamento de ofício. Todavia, diferentemente do IRPJ e da CSLL exigidos anualmente, o início da contagem do prazo decadencial se dá no primeiro dia útil do ano subsequente aos meses em que as estimativas deveria ser recolhidas, excetuando-se as devidas no mês de dezembro.
OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - CONTAS CORRENTES MANTIDAS À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL - NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO
Omissão de receita decorrente da identificação de depósitos de origem não comprovada, realizados em contas-bancárias à margem da escrituração contábil do contribuinte impõe à adoção do método de arbitramento do lucro preconizado pelo art. 530, II, "a", do RIR/99
PIS/COFINS - RECEITA OMITIDA - BITRIBUTAÇÃO - INOCORRÊNCIA
A identificação de depósitos realizados em contas-bancárias à margem da escrituração não permite assumir a conclusão de que o contribuinte declarou tais receitas à fiscalização, sendo descabido alegar-se a ocorrência de bitributação.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. TERCEIROS ARROLADOS.
Caracterizada fraude pela prática recorrente e dolosa de sonegação fiscal, tal qual definida na Lei .4509, é imputável a responsabilidade aos sócios gerentes a luz dos preceitos do art. 135, III, do CTN, c/c com art. 1011 do Código Civil Brasileiro.
Numero da decisão: 1302-002.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relator, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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LAVRATURA DE DIVERSOS AUTOS DE INFRAÇÃO NO CURSO DE UMA MESMA AÇÃO FISCAL A autorização prevista no art. 906 do RIR, de 1999, diz respeito aos casos em que se pretende reexaminar exercício que já foi objeto de ação fiscal anterior. Sendo o reexame efetuado sob os auspícios de uma mesma ação, não há a necessidade de solicitála, de modo que a sua falta, nesse caso, não caracteriza vicio formal a ensejar a nulidade do lançamento. DECADÊNCIA DO IRPJ E CSLL. PRAZO. RESP 973.733 ART. 65, § 2ºM DO RICARF Restando comprovada a ocorrência de fraude, o prazo decadencial para o lançamento do lRPJ regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN a luz do entendimento firmado por ocasião do julgamento do REsp de nº 973.733/SC pelo STJ, em regime de recursos repetitivos. DECADÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO SUMULA 08 DO STF Com a edição da Súmula 08/STF, afastase a aplicação dos preceitos dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212 para contagem de prazos decadencial e prescricional em relação às contribuições sociais. DECADÊNCIA MULTA ISOLADA art. 173, I, DO CTN TERMO A QUO PRIMEIRO DIA DO ANO SUBSEQUENTE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 15 29 /2 00 6- 85 Fl. 4714DF CARF MF Processo nº 19647.011529/200685 Acórdão n.º 1302002.399 S1C3T2 Fl. 4.715 2 A multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL sujeitase à regra de lançamento preconizada pelo art. 173, I, dado se trata de exigência submetida à modalidade de lançamento de ofício. Todavia, diferentemente do IRPJ e da CSLL exigidos anualmente, o início da contagem do prazo decadencial se dá no primeiro dia útil do ano subsequente aos meses em que as estimativas deveria ser recolhidas, excetuandose as devidas no mês de dezembro. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA CONTAS CORRENTES MANTIDAS À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO Omissão de receita decorrente da identificação de depósitos de origem não comprovada, realizados em contasbancárias à margem da escrituração contábil do contribuinte impõe à adoção do método de arbitramento do lucro preconizado pelo art. 530, II, "a", do RIR/99 PIS/COFINS RECEITA OMITIDA BITRIBUTAÇÃO INOCORRÊNCIA A identificação de depósitos realizados em contasbancárias à margem da escrituração não permite assumir a conclusão de que o contribuinte declarou tais receitas à fiscalização, sendo descabido alegarse a ocorrência de bitributação. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. TERCEIROS ARROLADOS. Caracterizada fraude pela prática recorrente e dolosa de sonegação fiscal, tal qual definida na Lei .4509, é imputável a responsabilidade aos sócios gerentes a luz dos preceitos do art. 135, III, do CTN, c/c com art. 1011 do Código Civil Brasileiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relator, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Fl. 4715DF CARF MF Processo nº 19647.011529/200685 Acórdão n.º 1302002.399 S1C3T2 Fl. 4.716 3 Relatório Cuida o processo de autos de infração lavrados em 11/12/2006, dos quais o contribuinte teve ciência em 14/12/2006, para, em razão da constatação de movimentações bancárias (créditos) de origem desconhecida, tipificando, neste passo, a luz do art. 42 da Lei 9.430/96, omissão de receitas, exigir créditos tributários relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Neste autos de infração, a Fiscalização exigiu, ainda, multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais do IR e da CSLL, no percentual de 75%, e multa ofício qualificada (150%) à alegação de ter incorrido, o ora recorrente, em fraude. Demais disso, foi feita "Representação Fiscal para Fins Penais", autuada sob o nº19647.011648/200638 (anexa à este feito) e, ainda, foram lavrados "Termos de Sujeição Passiva Solidária" contra os Srs. Alberto Brandão Teixeira da Silva, Walter da Silva Vieira Filho e Marcia D'Assunção Vieira, sóciosadministradores da empresa. É importante destacar (até porque aventado na impugnação) que a ação fiscal que deu origem a este PA se iniciou sob a responsabilidade de um agente fiscal (Geraldo Correia Filho) e foi concluída por outro (Josafá de Sousa Santos); tendo sido este último o responsável pela lavratura de termo de encerramento. Tendo em vista a mudança em testilha, o AFRF Josafá reanalisou período que já havia sido objeto, inclusive, de outros autos de infração . Pois bem. Cientificado da autuação o contribuinte apresentou a sua impugnação administrativa à fl. 1959 a 1999 (os solidários não se manifestaram nos autos), cujos argumentos foram muito bem resumidos no acórdão da DRJ e que, data venia, tomo a liberdade de reproduzir: Preliminarmente 4.1 o lançamento seria nulo por não existir autorização do Delegado da Receita Federal no Recife para reexame dos anos calendário de 2000 e 2001; 4.2 teria ocorrido a perda do direito de lançar o IRPJ e a CSLL, relativamente ao fato gerador ocorrido em 31 de dezembro de 2000, bem assim a perda do direito de lançar o PIS, a Cofins e a multa isolada por falta de pagamento de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, relativamente ao período de fevereiro de 2000 a novembro de 2001; No Mérito 4.3 o autuante teria "preservado", indevidamente, o Lucro Real na apuração do IRPJ e da CSLL. No seu entender, o lucro deveria ter sido arbitrado; Fl. 4716DF CARF MF Processo nº 19647.011529/200685 Acórdão n.º 1302002.399 S1C3T2 Fl. 4.717 4 4.4 teria ocorrido bitributação, (sic) "em virtude de a origem dos valores depositados em contacorrente corresponderem ao montante declarado pela empresa como receita na sua DIPJ"; 4.5 deveriam ter sido deduzidos os valores do PIS e da Cofins, e os respectivos juros de mora, lançados de oficio, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL relativa ao mesmo período; 4.6 não seria possível a exigência da multa de oficio adstrita à falta de pagamento do imposto, com o percentual de 75%, concomitantemente corn a multa isolada por falta de pagamento de estimativas, "sobre a mesma base de cálculo, qual seja a receita considerada omitida"; 4.7 não caberia a aplicação da multa isolada por falta de pagamentos mensais de estimativas após o encerramento do ano calendário, mormente quando se apura imposto e se entrega tempestivamente a Declaração de Rendimentos; 4.8 não teria sido provado que tivera a intenção de fraudar o fisco, de modo que seria incabível a aplicação da multa qualificada com o percentual de 150%; 4.9 as multas aplicadas teriam caráter confiscatório; 4.10 a responsabilização dos sócios, efetuada nos Termos das fls. 1.941 a 1.943, não poderia prosperar, haja vista, no seu entender, não teria praticado nenhum ato fraudulento. A DRJ de Recife, ao apreciar a impugnação do contribuinte, houve por bem darlhe parcial provimento apenas para, aplicando o princípio da retroatividade benigna (art. 106 do CTN), reduzir o percentual da multa isolada de 75% para 50% (o que culminou com a exclusão de parte do crédito tributário no montante de R$ 845.950,48), tendo mantido todo restante. Em razão da exclusão de parte do valor lançado que, à época, e sob a égide da Portaria/MF 375/01, atingia o montante de alçada preconizado pelo Decreto 70.235/72, a DRJ recorreu de ofício. Cientificado da resultado do julgamento em 02 de março de 2009 (AR juntado a fl. 4483), o contribuinte interpôs seu recurso voluntário no dia 27 daquele mesmo mês (conforme carimbo de protocolo constante de fl. 4484), reiterando os argumentos contidos em sua impugnação (acrescentando, todavia, em relação à decadência, a informação sobre a declaração de inconstitucionalidade da Lei 8.212 na parte que trata do prazo para lançamento das contribuições). Os autos vieram ao CARF, distribuídos à 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara que, de ofício, e por resolução, decidiu sobrestar o feito tendo em conta o julgamento, em curso, do Recurso Extraordinário de nº 389.808/PR, em que foi reconhecida repercussão geral da matéria afeita à quebra do sigilo bancário e suscitada a inconstitucionalidade da Lei Complementar de nº 106/01. Mais tarde, e ante a revogação do art. 62A do RICARF, o processo foi novamente distribuído, desta vez, para este Colegiado. Fl. 4717DF CARF MF Processo nº 19647.011529/200685 Acórdão n.º 1302002.399 S1C3T2 Fl. 4.718 5 É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Recurso de ofício. Consoante mencionado no relatório acima, o valor total do crédito exonerado pela DRJ alçou a monta de R$ 845.950,48, valor que, à época comportava a interposição do recurso de ofício, nos termos da Portaria de nº 375/2001 e do art. 34, I, do Decreto 70.235/72. Todavia, com a publicação da Portaria de nº 63/17, o valor de alçada pré fixado para os fins do citado art. 34, I, do Decreto 70.235/75, foi majorado para R$ 2.500.000,00. Neste particular, e ressalvado o entendimento, pessoal, deste Relator acerca da aplicação da lei processual no tempo, é de se obedecer, aqui, aos preceitos da Súmula 103 do CARF, de observância obrigatória por este Colegiado, cujo teor reproduzo abaixo: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Por tais razões, voto por negar seguimento recurso de ofício. Do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e, portanto, dele conheço. I. Primeiro adminículo. Antes de se analisar o caso, cabe, aqui, um observação que, a despeito de não ser objeto da decisão recorrida ou mesmo do recurso voluntário, foi aventada, de ofício, pelo CARF, tendo, inclusive, resultado no sobrestamento deste processo. É que, como tratado no relatório, a 2ª Turma da 2ª Câmara havida decidido por paralisar o curso desta demanda tendo em conta o fato de que o objeto da autuação perpassou pela quebra do sigilo bancário do contribuinte e, quando estes autos chegaram para a análise desta Corte Administrativa, estava, ainda, em análise a constitucionalidade da Lei Complementar de nº 105/01, mormente na parte em que autorizava, sem decisão judicial, a requisição pela autoridade fiscal das informações financeiras das empresas realizadas em contas geridas por instituições bancárias. Se é fato que este PA voltou ao trâmite normal apenas por conta da revogação do art. 62A, do RICARF, em fevereiro do ano passado o Supremo Tribunal Federal pôs um ponto final no assunto ao julgar, sob regime de repercussão geral, o Recurso Extraordinário de nº 601.314/SP, relatado pelo Min. Edson Fachin, entendendo, então, pela plena constitucionalidade da Lei Complementar supra. E aqui, inclusive para atender ao comando inserto no art. 62, §2º, do RICARF, transcrevo a seguir a respectiva ementa: Fl. 4718DF CARF MF Processo nº 19647.011529/200685 Acórdão n.º 1302002.399 S1C3T2 Fl. 4.719 6 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento (RE 601.314/SP, Relator Min. Edson Fachin, sessão de 24/02/2016, Tribunal Pleno, publicado no DJe198, divulgado em 1509 2016 e Publicado em 16092016). Fl. 4719DF CARF MF Processo nº 19647.011529/200685 Acórdão n.º 1302002.399 S1C3T2 Fl. 4.720 7 Roma locuta questio finita. Não há mais o que se discutir acerca das disposições da Lei Complementar em análise, muito menos neste Conselho, em especial a vista dos preceitos do já citado art. 62, § 1º, II, "b", do RICARF. Até entendo que esta questão não poderia ser objeto de análise de ofício por parte deste Colegiado (dado que não suscitada nem na impugnação, nem tampouco do Recurso Voluntário). Ainda assim, a decisão acima reproduzida põe um ponto final no assunto que abordo aqui, insisto, apenas porque aventada por meus pares da 2ª Turma. Não há mais, portanto, que se cogitar de nulidade de procedimentos que se utilizem das regras encartadas na LC 105/01, uma vez que definitivamente validadas pelo Supremo Tribunal Federal. II. Um segundo adminículo. A atividade do julgador não é, nem de longe, fácil. Por vezes nos deparamos com processos e discussões em que os conceitos de licitude e justiça se confundem; ou seja, casos, há, em que o intento da lei induz consequências justas, moral e eticamente. Lado outro, quando se verifica em determinado feito que as consequências da lei (nos seus estritos) culminam com consequências avessas ao senso comum de justiça, o julgador se vê tentado a flexibilizar o conteúdo legal ou interpretálo contra os seus desígnios; não só pela noção, latu sensu, de justiça mas, até mesmo, em prol de um respeito ao princípio da igualdade. Infelizmente não é dado ao julgador, mesmo sob o pálio da razoabilidade, decidir contra legem, notadamente porque o princípio da razoabilidade, não obstante autorizar interpretações que impeçam consequências absurdas, ainda é uma decorrência do próprio princípio da legalidade. Pelas razões que adotarei para decidir esta lide administrativa, não terei outra oportunidade para me pronunciar sobre a conduta do contribuinte em momento posterior, razão pela qual, peço vênia, para, correndo o risco de antecipar boa parte de minhas conclusões. Com efeito me parece inegável e inafastável na hipótese em testilha, a adoção, pelo recorrente, de conduta evasiva hodierna e dolosa, assertiva que teria reflexos diretos tanto sobre os argumentos pertinentes à decadência, quanto aqueles afeitos à qualificação da multa de ofício e, ainda, à imposição de responsabilidade solidária dos sócios gerentes à luz do art. 135 do CTN. Neste passo, me permitam reproduzir aqui, o seguinte trecho do TVF: As análises preliminares procedidas nas contas bancárias, em cotejo com a escrita do contribuinte, permitiram constatar a ausência de registro contábil de vinte e oito das contas bancárias examinadas. Depois de efetuadas conci1iaç6es nas contas não levadas a registro na contabilidade, das quais resultaram expurgos de créditos decorrentes de transferència de outra conta do mesmo titular, foi lavrado em 10/10/2005, e cientificado ao contribuinte na mesma data, Termo de Constatação e Intimação Fiscal em que foram relacionadas as contas bancárias de titularidade da empresa com movimentação nos anos de 2000 e 2001, inserindo se também os números do banco e agência correspondentes. Nesse termo foi consignada a constatação de que não existem Fl. 4720DF CARF MF Processo nº 19647.011529/200685 Acórdão n.º 1302002.399 S1C3T2 Fl. 4.721 8 na contabilidade contas contábeis destinadas i escrituração da movimentação financeira relativa As vinte e oito contas bancárias ali relacionadas (relação por ano). Foi também informado que os dados das movimentações financeiras foram obtidos diretamente das instituições financeiras através de Requisição de Movimentação Financeira RMF. Foram, ainda, relacionados, para maior clareza, os códigos e respectivos nomes dos bancos envolvidos. Pelo mesmo termo foi a empresa, por fim, intimada a comprovar, em vinte dias, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados/depositados nas contascorrentes constantes de relação anexa, elaborada em 428 folhas, contendo a movimentação financeira das vinte e oito contas não reconhecidas na contabilidade. No mesmo termo o contribuinte foi advertido de que a falta de comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de créditos discriminadas na relação, no prazo e forma estabelecidos, ensejaria o lançamento de oficio, a titulo de omissão de receita ou de rendimento, nos termos do art. 849 do RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais cabíveis (fl. 2082). Notem que, até aqui, em resposta à termos de intimação anteriores o contribuinte tinha afirmado possuir apenas quatro contas: Cumpre desde já ressaltar que, não obstante o recebimento de extratos correspondentes As quarenta e três contas bancárias relacionadas precedentemente, as análises realizadas limitaram se a apenas vinte e quatro dentre as vinte e oito contas para as quais não haviam sido identificadas, no ativo, contas contábeis correspondentes, e cuja movimentação a crédito, constante da relação constituída de quatrocentos e vinte e oito folhas, foi entregue ao contribuinte, em10/10/2005, para comprovação da origem dos recursos movimentados. A eliminação de quatro dessas contas bancárias decorreu de o contribuinte ter comprovado que as ditas contas estavam controladas no passivo, conforme cópias do Razão por ele encaminhadas junto com a informação datada de 27/10/2005 (fl. 2084 grifos nossos). Nada obstante, em outro momento, reconhece a existência destas 28 contas, descreve, ainda que sem provas, os motivos das movimentações constatadas e tenta justificar a sua não escrituração na contabilidade a partir do fato de possuir diversas filiais, cada uma com contas bancárias próprias abertas por exigência das próprias instituições financeiras. Mas reconhece que sempre utilizou estas contas, sempre as movimentou e nunca cuidou de informálas em seus livros contábeis: Em 31/10/2005, mediante documento datado de 27/10/2005, o contribuinte apresentouresposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 10/10/2005, com as seguintes informações, planilhas anexadas e solicitações, referentes a várias contas bancárias: 1) os valores creditados nas contas correntes decorrem de sua operacionalidade, sendo as receitas auferidas nos anos de 2000 e 2001, já declaradas, origem de depósitos ocorridos no período; 2) explicou que o grande número de Fl. 4721DF CARF MF Processo nº 19647.011529/200685 Acórdão n.º 1302002.399 S1C3T2 Fl. 4.722 9 contas bancárias se deve à existência de filiais e à exigência dos próprios bancos quanto As contas garantidas e contas empréstimo; 3) relacionou quatro contas correntes, em relação As quais asseverou que, ao contrário do que foi afirmado no último termo fiscal, estas constariam na contabilidade. Para essas contas, anexou as respectivas cópias do Razão; 4) apresentou planilhas com as devoluções de cheques depositados, identificadas nos extratos bancários e solicitou a exclusão desses valores do montante dos depósitos a comprovar; 5) apresentou também planilhas relacionando estornos praticados pelos bancos e defendeu que esses estornos não podem ser considerados recursos da empresa, servindo o próprio extrato como comprovante de sua ocorrência; 6) apresento planilhas referentes a liberações de contas garantidas mantidas no Banco Real, cujos valorei, teriam sido creditados na conta corrente 37026150; a origem dos recursos estaria, assim, comprovada pelos próprios extratos; 7) apresentou planilhas elaboradas a partir dos extratos da conta acima referida que demonstrariam os recebimentos provenientes de vendas feitas através do Cartão Hipercard; pretendeu que a origem dessas receitas estaria, assim, comprovada, e afirmou que estas se encontram devidamente contabilizadas; 8) noticiou a ocorrência, no período, de operações de desconto de títulos e cheques,explicou como ocorrem essas operações, que teriam a característica de antecipações bancárias por conta de vendas efetuadas, e apresentou planilha onde estio relacionados esses descontos; afirmou que os créditos bancários decorrentes desses descontos correspondem a receitas operacionais devidamente escrituradas; apresentou também planilhas com débitos relativos aos mesmos descontos, que estariam duplicados nos créditos a comprovar, já que seriam objeto de depósito bancário, quando de seu efetivo recebimento pela empresa, conforme explicações inicialmente apresentadas; 9) afirmou que nas listagens de algumas contas a fiscalização incluiu saldos iniciais como créditos, por isso solicitou que estes fossem excluídos do total de créditos a comprovar; 10) asseverou que não foi possível averiguar todas as contas devido ao prazo exíguo, e que as observações acima valeriam para as demais contas bancárias da empresa; 11) por conseguinte, solicitou prazo adicional a fim de que pudesse identificar saídas de um estabelecimento bancário que tivessem gerado depósitos em outro, bem como demais fatos que comprovassem a origem dos créditos nas contas correntes (fl. 2083). Vejam bem, o ato infracionário apurado pela Fiscalização não se restringiu a omissão de receitas constatada a partir da falta de escrituração de depósitos bancários; abarcou, isto sim, a conduta omissiva do contribuinte consistente em não informar, nos documentos contábeis e, consequentemente, fiscais, a própria existência de contas correntes de sua titularidade. O recorrente, volitivamente, e de forma reiterada, ocultou a existência de contas bancárias hodiernamente movimentadas; e esta omissão, especificamente, à toda evidência, criou obstáculos à constatação fiscal concernente à própria movimentação financeira da empresa (isto é, por meio desta conduta, o contribuinte criou dificuldades para se identificar Fl. 4722DF CARF MF Processo nº 19647.011529/200685 Acórdão n.º 1302002.399 S1C3T2 Fl. 4.723 10 os próprios depósitos de origem não comprovada). E, neste passo, invoco os preceitos da Lei 4.502/64, também suscitada pela fiscalização: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (...). A hipótese de sonegação descrita no artigo acima reproduzido é hialina, palpável. E a tipificação da situação acima transcrita não se deu, insistase, pela simples verificação da existência de depósitos bancários sem origem comprovada, mas, isto sim, pela manutenção de contas bancárias "à margem de sua contabilidade" (como bem apontado pela D. Auditoria). Daí a qualificação da multa de ofício; daí o afastamento da decadência em relação ao IR e à CSLL; daí a imposição da responsabilidade solidária aos sócios gerentes e daí, também, a inaplicabilidade ao caso em testilha dos preceitos da Súmula CARF de nº 14 já que sonegação, in casu, decorre da ocultação das próprias contas; vai, pois, além, da simples omissão de receitas. E, até aqui, a meu ver, as conclusões fiscais são inatacáveis. A questão, contudo, que realmente provoca o dilema que este julgador deverá enfrentar, agora, é o caminho adotado pela Auditoria para, efetivamente, lançar o crédito tributário quanto ao IR e CSLL, cuja descrição se extrai do trecho do TVF que transcrevo a seguir: Pelo exposto acima, para efeito do lançamento tributário em apreço, extraimos os valores do imposto de renda da pessoa jurídica dos a. C. de 2001 e 2003 diretamente dos demonstrativos de apuração do imposto contidos nas próprias DIPJ (DIPJ retificadora, no caso do a. C. 2001), enquanto para os a. c. de 2000 e 2002 recompusemos a Demonstração do Resultado do Exercício retratada na respectiva DIP), alterando os valores das receitas da revenda de mercadorias, das receitas da prestação de serviços e das exclusões de vendas para os apurados por nós a par da escrita contábil e fiscal disponibilizada à fiscalização, seguindose o cálculo do IRPJ dai resultante (fls. 2096). O fisco adicionou os valores das receitas omitidas aos resultados declinados pelo contribuinte em suas DRE e nas DIPJ, justificando a adoção deste critério a partir dos preceitos dos arts. 287, § 2º, e 288 do RIR, desconsiderando, todavia, as disposições do art. 530, inciso II, do mesmo diploma normativo; e aqui, vale destacar, os conceitos de legalidade e justiça se separam. III. Dos argumentos do recurso. III.1 Preliminares III.1.1 Nulidade por violação ao art. 906 do RIR. Fl. 4723DF CARF MF Processo nº 19647.011529/200685 Acórdão n.º 1302002.399 S1C3T2 Fl. 4.724 11 Tal qual alertado no próprio relatório, a revisão dos anos de 1999, 2000 e 2001 (estes últimos objetos deste feito), não se deu após encerrada a ação fiscal; ela se deu dentro do mesmo procedimento e se encerrou, apenas, quando da lavratura destes autos de infração. Neste particular, suficientes, são, parte dos argumentos da DRJ que, por economia, encampo e reproduzo a seguir: 7. Consoante peça de defesa, por os anoscalendário, objeto da autuação, já terem sido examinados, inclusive com a lavratura de autos de infração, haveria a necessidade de autorização do Delegado da Receita Federal para seu reexame, "ex vi" do art. 906 do RIR, de 1999, sob pena de nulidade, a qual, com efeito, foi suscitada. 8. Realmente, os sobreditos anoscalendário foram objeto de exame anterior. Nada obstante, verificase o lançamento ora sob análise não decorreu de um "reexame do exercício", nos termos do mencionado artigo. Tal reexame, entendo, diz respeito aos casos em que levada a cabo ação fiscal anterior, o que, como se vê dos autos, não aconteceu. Os autos de infração foram lavrados sob a mesma ação, iniciada em 23/01/2004 (Termo de Inicio, As fls. 302 e 303) e encerrada em 11/12/2006 (Termo de Encerramento, As fls. 335 e 336). 9. Aditese, não existe nenhuma disposição legal proibitiva da lavratura de vários autos de infração sob os auspícios de uma mesma ação fiscal. De modo que no caso em questão não havia a necessidade da mencionada autorização. Não há, pois, reparos a fazer na decisão recorrida neste ponto; enquanto não encerrada a ação fiscal, não há, de fato, impedimentos a que a fiscalização reveja os próprios atos sendo, neste particular, desnecessária a autorização a que alude o citado art. 906 do RIR. Voto, portanto, por afastar esta preliminar. III.2 Mérito III.2.1 Erro na determinação da exigência tributária do Imposto Sobre a Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido A fiscalização e a DRJ sustentaram a apuração do crédito tributário relativo ao IRPJ e à CSLL anual com base no lucro real por entenderem não haver máculas na escrita contábil do contribuinte suficiente a tipificar a hipótese do inciso II do art. 530 do RIR, prevalecendo, neste particular, a regra inserta nos arts. 287, § 2º, e 288. Neste particular, transcrevese, abaixo, as considerações da DRJ sobre o tema: 34. Como se depreende, o arbitramento do lucro é medida extrema, que deve ser adotada quando não houver subsídios, ou os dados da escrituração não se mostrarem confiáveis para apurarse o lucro real, o que, no caso em questão, não restou concluído pelo autuante. Fl. 4724DF CARF MF Processo nº 19647.011529/200685 Acórdão n.º 1302002.399 S1C3T2 Fl. 4.725 12 35. Por outro lado, a sobredita alínea "a" do inciso II do art. 530 do RIR, de 1999, diferentemente do que se tentou incutir, não diz respeito A falta de escrituração de depósitos bancários. As mazelas ali descritas referemse a defeitos dos próprios dados escriturados. No caso em questão, de certo, isso não foi verificado, haja vista o autuante ter concluído a falta de comprovação da origem de depósitos bancários com base nestes. De modo que não havia motivo para o arbitramento do lucro. Na minha opinião, a DRJ incorreu em dois erros de interpretação: i) um primeiro sobre os fatos da autuação propriamente e; ii) um segundo sobre a correta interpretação do art. 530, II, "a", do RIR. Quanto a assertiva de que a escrituração contábil do contribuinte seria suficiente para apuração lucro real, peço especial atenção ao seguinte trecho extraído do TVF (fl. 2.088): De acordo com o § 3° do art. 63 da Instrução Normativa SRF no 11/96, para apuração do imposto de renda devido mensalmente (IRPJ sobre a base de cálculo estimada), no caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. Em face da norma acima referida, e tendo em vista que a empresa aufere receitas de revenda de mercadorias como também de prestação de serviços em geral, conforme indicam o objeto social expresso nos seus atos constitutivos e as próprias receitas informadas nas DIPJs, e, ainda, considerando que se desconhece a atividade a que se referem as receitas omitidas, foi adotado, para obtenção da base de acute estimada do imposto de renda mensal, com vistas a aplicação da multa correspondente, o percentual de 32%, correspondente is atividades de serviços em geral, conforme previsto no art. 15, § 1°, inciso III da Lei n° 9.249/95 (grifos nossos). Ora, a Fiscalização, para calcular o valor das multas isoladas, afirma e atesta, explicitamente, a impossibilidade absoluta de, sequer, identificar a natureza das atividades em relação as quais terseia omitido receitas. Isto, per se, atesta que as demonstrações contábeis do contribuinte são imprestáveis para, primeiramente, identificar as movimentações financeiras, e, num segundo momento, para permitir o computo do lucro real. Notem que não só não se sabe a natureza atividades, e, portanto, se impede verificar que tipos de despesas teria a empresa incorrido, para produzir as receitas omitidas, como a própria movimentação financeira foi identificada, apenas, por meio dos extratos e informações prestadas pelas instituições bancárias, mormente porque, como dito e repisado ao longo deste voto, o contribuinte não se limitou a omitir as receitas, tendo, outrossim, omitido a existência das próprias contascorrentes. Vale destacar, outrossim, que os valores omitidos superam em mais de 50% do valor efetivamente declarado... Fl. 4725DF CARF MF Processo nº 19647.011529/200685 Acórdão n.º 1302002.399 S1C3T2 Fl. 4.726 13 Já, quanto ao erro de interpretação jurídica, é preciso lembrar que o art. 530 impõe a adoção do lucro arbitrado; não é uma faculdade; não se trata de norma que comporte discricionariedade. Não havendo, na escrita contábil do contribuinte, dados suficientes para identificar a movimentação financeira ou para se apurar o lucro (e não a receita) dos contribuintes, a forma de apuração a ser (e não poder) adotada é o arbitramento: Art. 530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; E é, exatamente neste ponto, que este julgador se viu penalizado e, até, diga se, desconfortável, ao assumir as conclusões que ora se propõe... é que, em virtude de uma conduta evasiva, dolosa e reiterada, somada a um erro, venia concessa, de interpretação da Fiscalização e também da DRJ, o contribuinte se verá livre da imposição decorrente desta própria conduta ilícita... deveras, reconhecerse, neste particular, o erro in judicando incorrido pela fiscalização e pela DRJ é medida que se impõe pela legislação de regência; mas não é, nem de longe, medida que atenda a um senso mínimo de justiça (na acepção laica e comum que esta expressão encerra). De fato, vale destacar que este dilema já foi enfrentado por este Colegiado em outra oportunidade; e lá, a despeito de decidido por maioria de votos, atevese à lei (Acórdão de nº 1302002.008 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária ). Do voto vencedor, brilhantemente elaborado pelo Conselheiro Marcos Nepomuceno Feitosa, extraise o fundamento primervo daquele julgado que se perfilha ao que venho expondo até aqui: Ao se deparar com glosa de custos e despesas que representavam parte significativa da receita da contribuinte, que implicavam em elevar o Lucro Real de forma significativa, o único procedimento aplicável que coaduna com a legislação tributária em vigor seria o arbitramento dos lucros. Isso porque: i) no lançamento de ofício, se presentes as condições , o arbitramento é impositivo e não facultativo, inexistindo meio termo; ii) Tal qual o lançamento de tributos de oficio, o Arbitramento não é penalidade. É a modalidade alternativa, legal é viável, para apuração dos tributos devidos em face da ocorrência do fato gerador. iii) O Arbitramento de lucros é uma modalidade de tributação que deve ser levada a efeito exatamente pela impossibilidade do Fl. 4726DF CARF MF Processo nº 19647.011529/200685 Acórdão n.º 1302002.399 S1C3T2 Fl. 4.727 14 lucro real ou do lucro presumido (cuja natureza não estamos tratando aqui). No caso dos autos, verificase, de forma inquestionável, que a contabilidade apresentada pela recorrente não atendia aos requisitos especificados nos incisos I e II do artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1997 e artigos 529 e 530, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), que nestas situações determinam que o lucro deve ser arbitrado. Portanto, em face da legislação em vigor, provada a imprestabilidade da escrituração para apuração do lucro real, a imputação fiscal só se sustentaria sob as regras do lucro arbitrado, devendo ser canceladas as exigências por ter sido indevidamente mantida a opção da contribuinte pelo lucro real. Como dito e repisado, a autuação não apurou apenas a omissão de receitas decorrentes de depósitos não identificados; apurou a própria inexistência de escrituração das contas bancárias do contribuinte. Não bastasse isso, não há como, a partir da escrita fiscal do contribuinte, sequer identificar os custos, despesas, fatos ou atos que permitam, efetivamente, apurar o lucro real do contribuinte (lembrando que, como dito até mesmo pelo recorrente, o art. 42 da Lei 9.430 fixa como consequência da falta de escrituração de depósitos bancários a presunção de omissão de receitas e não de lucros ou rendimentos); receita não representa, per se, acréscimo patrimonial, razão pela qual a própria interpretação da DRJ sobre, particularmente, o inciso II do 530, é falha (com todo o respeito devido àquele órgão julgador). Permitir, no caso, a interpretação de que a ausência de escrituração de receitas não impõe a adoção do arbitramento, premendo, outrossim, pela simples adição desta ao lucro real até então apurado, representa, não só contrariedade aos preceitos do já citado art. 530, mas, inclusive, tributar grandeza não ínsita à materialidade da exação: disponibilidade jurídica e econômica de renda (art. 43 do CTN). Frisese que, há um só tempo, a situação tal qual posta no feito tipifica tanto a hipótese do inciso I, como do inciso II, ambos do art. 530 do RIR e, nesta esteira, e como muito bem pontuado no voto vencedor do aresto transcrito linhas acima, o arbitramento se impunha... De outra sorte, vale lembrar o conceito de tributo contido no art. 3º do CTN: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Por mais que a conduta comprovada do contribuinte revele o intento doloso deste em fugir à exigência fiscal; por mais que os impulsos naturais do cidadão comum o levem a clamar pela punição; por mais que se verifique o desconforto causado pela situação tratada nos autos, a consequência da concretização, no mundo fenomênico, do fatotipo da norma de incidência é a constituição da obrigação tributária; não é a sanção (pena), esta sim, decorrente de pratica de ato contrário a lei. Fl. 4727DF CARF MF Processo nº 19647.011529/200685 Acórdão n.º 1302002.399 S1C3T2 Fl. 4.728 15 Por isso mesmo, não se pode pretender interpretar a lei de forma a tornar mais gravosa a exigência exclusivamente porque o contribuinte, pelas provas e fatos trazidos ao processo, sonegou dolosamente os tributos que deveria suportar; se a culpa e o dolo são irrelevantes para afastar o dever de pagar o tributo (porque este dever decorre de ato lícito), também o são quanto o ato de lançamento que, num Estado de Direito em que prevalece a rule of law, decorre e somente pode ocorrer partir da verificação, in conretu, dos elementos da norma jurídica tributária. Vale destacar que, reconhecido o erro de apuração do tributo, não há como se tentar, apenas, adequar o lançamento ao regramento próprio; o regime de apuração é afeito ao aspecto quantitativo da norma jurídica e, neste passo, as conclusões aqui exaradas importarão na necessidade de realização de um novo lançamento, sendo imperioso o cancelamento da autuação propriamente. A luz do exposto, voto por dar provimento, neste ponto, ao recurso voluntário a fim de cancelar as exigências relativas ao IRPJ e à CSLL anuais, apuradas neste PA. III.2.2 Dos reflexos dos fundamentos anteriormente adotados. A imposição do regime de apuração pelo lucro arbitrado, conforme decidi acima, culmina com a impossibilidade da exigência de estimativas mensais (dado que inexigíveis nesta hipótese) e, lado outro, importa na mudança de regime de recolhimento também das contribuições para o PIS/COFINS. A consequência, pois, no caso, é mesma tratada quanto ao IR e a CSLL; não há bases para se definir o valor da contribuições e não há, pura simples, previsão legal para exigência das estimativas (caindose, por conseguinte, por terra a aplicação das multas isoladas). III.2.3 Da decadência. Esta questão, por fim, fica prejudicada por tudo o mais que o que expus acima. IV. Conclusão. Por todo o exposto, voto por negar seguimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, para lhe dar provimento integral. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 4728DF CARF MF Processo nº 19647.011529/200685 Acórdão n.º 1302002.399 S1C3T2 Fl. 4.729 16 Fl. 4729DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000280/2006-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 9202-005.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em face da concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em face da concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 02 80 /2 00 6- 51 Fl. 371DF CARF MF 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 210101.750, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 10 de julho de 2012 (efls. 269 a 280). Ali, por maioria de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. Não obstante, o CARF tem admitido que a apresentação do ADA antes do início da fiscalização supre a exigência legal. Hipótese em que o fundamento do auto de infração é, única e exclusivamente, a falta de apresentação tempestiva do ADA, que, no caso, foi protocolado antes do início da fiscalização. Adicionalmente, as informações contidas nesse ADA foram corroboradas por laudo técnico de data anterior. Recurso provido. Decisão: por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos. Encaminharamse, então, os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência da decisão, em 02/10/2012 (efl. 294). Insurgindose contra o Acórdão, a PGFN apresentou, em 04/10/12 (efl. 295), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 296 a 308 e anexos). O recurso alega a existência de divergência interpretativa quanto à necessidade de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de Preservação Permanente e Utilização Limitada em litígio. Mais especificamente, alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela Turma Especial e pela 2a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, respectivamente através do Acórdão 39100.037, prolatado em 21/10/2008 e do Acórdão 30236.783, prolatado em 14 de abril de 2005, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 39100.037 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 15563.000280/200651 Acórdão n.º 9202005.771 CSRFT2 Fl. 372 3 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITRExercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que restam não comprovadas as áreas declaradas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada para fins de exclusão da área tributável, nos termos da legislação aplicável.A averbação à margem da matrícula do imóvel não supre a exigência legal de apresentação tempestiva do ADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Não caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Decisão: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso Acórdão 30239.144 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – ADA. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao IBAMA, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO PARA A PROTEÇÃO DOS ECOSSISTEMAS. Para efeito de exclusão do ITR não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em Fl. 373DF CARF MF 4 caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE OU ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA COMPROVAÇÃO Para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental – ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete às instâncias administrativas de julgamento apreciar ou se manifestar sobre matéria referente à inconstitucionalidade de leis ou ilegalidade de atos normativos regularmente editados, uma vez que esta competência é exclusiva do Poder Judiciário, conforme constitucionalmente previsto. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Somente produzem efeitos, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham efeitos erga omnes. Demais decisões judiciais apenas se aplicam às partes envolvidas nos litígios para os quais são proferidas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Decisão: Por maioria de votos, negouse provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda: a) Cita a recorrente o estabelecido no art. 10 da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN. Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração, consoante INs SRF 43/97, com redação dada pela IN SRF 67/97, Fl. 374DF CARF MF Processo nº 15563.000280/200651 Acórdão n.º 9202005.771 CSRFT2 Fl. 373 5 73/2000 e 60/2001, pelo Manual de Perguntas do ITR/2002 e art. 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002, bem como Solução de Consulta COSIT no. 12, de 21 de maio de 2003; b) Ressalta que a exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que a sua exigência não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, §§ 2°. e 3o., da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Ou seja: a ausência do ADA não enseja multa regulamentar o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória , mas sim incidência do imposto; c) Entende, como inteiramente equivocado o entendimento, no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA, em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, uma vez que: "(...). O que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas. Assim, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo." d) Ressalta que tal obrigatoriedade para a não incidência tributária foi instituída através de dispositivo legal (art. 17O da Lei 6.983, de 31 de agosto de 1981, com redação dada pelo art. 1o. da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000). De fato, esse diploma reitera os termos da Instrução Normativa n° 43/97 e atos posteriores, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR; e) Registra que a obrigatoriedade da apresentação do ADA não representa qualquer violação de direito ou do princípio da legalidade. Antes pelo contrário, a exigência alinhase com a norma que consagrou o benefício tributário (art. 10, § 1o, II, da Lei n° 9.393, de 1996), apontando os meios para a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, estando o exercício do direito do contribuinte atrelado a uma simples declaração dirigida ao órgão ambiental competente. Tratase, por evidente, de norma amplamente favorável ao contribuinte do ITR, que, na hipótese de sua ausência, estaria sujeito a meios de prova notadamente mais complexos e dispendiosos, como, por exemplo, os laudos técnicos elaborados por peritos; f) Ressalta, ainda, que o que não se pode conceber é que o contribuinte queira se valer da exclusão das áreas tributáveis da incidência do ITR sem cumprir as exigências previstas na legislação. Não é juridicamente sustentável a tese segundo a qual, diante da declaração do contribuinte de que sua propriedade está inserida em área de preservação permanente ou de utilização limitada, não possa a autoridade pública exigir a comprovação do alegado através da documentação competente. No caso concreto, o recorrente, desejando fazer jus à isenção do ITR relativo ao exercício de 2002, não comprovou protocolização tempestiva do requerimento de reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada pelo órgão competente, não atendendo, por essa razão, às exigências da Fl. 375DF CARF MF 6 legislação para isenção do ITR, pelo que deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização quanto às áreas em questão. Requer, assim, o conhecimento e o provimento do recurso para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja mantido o lançamento em sua integralidade. O recurso foi regularmente admitido, consoante exame de admissibilidade de efls. 312 a 314. Encaminhados os autos à Unidade Preparadora, esta anexou ao presente elementos de efl. 321 a 342 e despacho de efls. 343 a 345, onde ressalta a existência de acão judicial com mesmo objeto do presente feito (Ação 2007.51.11.0000655), retornando o feito a seguir a este CARF. Colocado o feito em pauta na sessão de novembro de 2016, verificouse a necessidade de conversão do julgamento em diligência, para que fosse dada ciência ao contribuinte do acórdão recorrido, do Recurso Especial da Fazenda Nacional, do respectivo despacho de admissibilidade e dos documentos acostados aos autos pela autoridade preparadora, com abertura de prazo para apresentação de contrarrazões, o que não havia sido feito até então (Resolução 9202000.062 de efls. 349 a 354). Cientificado o contribuinte em 21/03/2017 (efl. 361), este quedou inerte quanto à qualquer manifestação de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, bem como a caracterização de divergência interpretativa, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço. Preliminarmente, quanto à existência da ação ordinária de anulação de débito 2007.51.11.0000655, entendo restar claro que aquela lide abrange a discussão dos débitos aqui objeto de lançamento, uma vez que se tratase de procedimento ordinário específico, visando a anulação do presente débito, conforme relatado pela decisão oriunda do TRF da 2a. Região prolatada no âmbito daquele feito, de efls. 332 a 341, verbis: "(...) Tratase de recurso de apelação, interposto por INDUSTRIAL AGRÍCOLA FAZENDAS BARRA GRANDE S.A., contra r. sentença, que julgou improcedente o pedido veiculado em ação ordinária, por meio da qual a citada autora pretendia a anulação de lançamento fiscal de ITR, exercício financeiro de 2002, referente a imóvel de sua propriedade, por estar localizado em área de preservação ambiental permanente e de utilização limitada (grifei); (...) Fl. 376DF CARF MF Processo nº 15563.000280/200651 Acórdão n.º 9202005.771 CSRFT2 Fl. 374 7 Com fulcro no art. 557, § 1ºA, CPC, conheço e dou provimento ao recurso de apelação de INDUSTRIAL AGRÍCOLA FAZENDAS BARRA GRANDE S.A. para, reformando a r. sentença a quo, julgar procedente o pedido, determinando a anulação do lançamento de ITR, exercício de 2002, e invertendo os ônus da sucumbência." A questão da concomitância entre ação judicial e processo administrativo, versando sobre o mesmo objeto, já se encontra regrada na Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, caracterizada a renúncia do contribuinte a esta instância administrativa, a partir da impetração da ação ordinária anulatória citada. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, declarando a definitividade do crédito tributário em litígio, em face da concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, sem prejuízo do cumprimento, por parte da RFB, da determinação judicial definitiva emanada no âmbito do processo judicial em curso. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 377DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910577/2011-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 18/09/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.482
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 18/09/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 18/09/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 05 77 /2 01 1- 40 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910577/201140 Acórdão n.º 3402004.482 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.726, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 18/09/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910577/201140 Acórdão n.º 3402004.482 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910577/201140 Acórdão n.º 3402004.482 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910577/201140 Acórdão n.º 3402004.482 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003164/2008-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 31 64 /2 00 8- 68 Fl. 160DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Acórdão de Impugnação encontrase na fl. 92, e o Recurso Voluntário na fl. 106. Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os de que os gastos seriam elevados e que não teria sido comprovada a efetividade do pagamento, assim expresso: No Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, em apertada síntese, se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Voto Conselheiro Relator, Jorge Henrique Backes Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13888.003164/200868 Acórdão n.º 2001000.038 S2C0T1 Fl. 3 3 O contribuinte trouxe várias descrições dos serviços médicos ocorridos, com declarações de vários profissionais. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e como fundamento para lançar apenas foi afirmado que recibos são de valores elevados e que não comprovam a efetividade do pagamento de despesas médicas. No entanto, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] Fl. 162DF CARF MF 4 E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” Passagem do francês Jèze, trazida por Hely Lopes Meirelles: descreve com clareza a necessidade da motivação do ato administrativo: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional. E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13888.003164/200868 Acórdão n.º 2001000.038 S2C0T1 Fl. 4 5 incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. Em relação a preliminar suscitada não encontramos cerceamento ao direito de defesa, e concordamos com o entendimento do acórdão de impugnação. Conclusão Em razão do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e no mérito por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 164DF CARF MF 6 Jorge Henrique Backes Relator Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902172/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 21 72 /2 00 9- 97 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13851.902172/200997 Acórdão n.º 1302002.486 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13851.902172/200997 Acórdão n.º 1302002.486 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13851.902172/200997 Acórdão n.º 1302002.486 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13851.902172/200997 Acórdão n.º 1302002.486 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13851.902172/200997 Acórdão n.º 1302002.486 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720273/2008-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
Numero da decisão: 9101-003.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes Moura - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
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nome_relator_s : GERSON MACEDO GUERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator (assinado digitalmente) André Mendes Moura - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 848 1 847 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.720273/200864 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.095 – 1ª Turma Sessão de 14 de setembro de 2017 Matéria CSLL ILEGALIDADE IN SRF Nº 243/2002 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SANYO DA AMAZÔNIA SA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 02 73 /2 00 8- 64 Fl. 848DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 849 2 (assinado digitalmente) André Mendes Moura Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, admitido para discussão da matéria legitimidade do cálculo do Preço Parâmetro, no método PRL 60, nos termos do disposto na Instrução Normativa nº 243/2002. Na origem, conforme descrição dos fatos do auto de infração, para aplicação das regras de preços de transferência nas importações de insumos de pessoas ligadas, utilizados na fabricação de produto final, o contribuinte ao utilizar o método preço de revenda menos lucro (PRL) não o fez de acordo com o que determinava a instrução normativa SRF n ° 243/2002. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, alegando, dentre outros argumentos que a IN SRF n° 243/2002 prevê um procedimento diverso daquele previsto pela Lei n° 9.430/96 para a determinação do preço parâmetro segundo o método PRL60, quando deveria limitarse a regular tais dispositivos. Em face dessa ilegalidade da IN SRF n° 243/2002, os cálculos que fundamentaram o Auto de Infração devem ser desconsiderados. No julgamento da impugnação a DRJ, sobre o assunto em questão decidiuse que as Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não possuem competência para apreciar a legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. Novamente inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF, repisando os argumentos da impugnação. No julgamento do Recurso, a 1ª Turma da 2ª Câmara, da 1ª Seção de julgamento, a ele deu provimento, assim se manifestando: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 CALCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. Fl. 849DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 850 3 A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF n° 243, de 2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60%, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner e Marcos Antonio Pires. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno.. Ciente dessa decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando discutir legalidade da IN 243/02. Conforme despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara, o Recurso foi integralmente admitido. Em suas razões alega a Fazenda: ü Que a metodologia de cálculo exposta na IN SRF nº 243/2002 simplesmente regulamenta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, em estrita conformidade à intenção do legislador: evitar a transferência indireta de lucros para o exterior nas operações praticadas entre partes vinculadas, através do controle dos preços dos bens importados; ü A sistemática delineada pelo art. 18 da Lei nº 9.430/96 é voltada para a quantificação de um preçoparâmetro para o bem importado, e não para o bem produzido localmente, razão pela qual não há coerência em se apurar a margem de lucro de 60% sobre o preço líquido de revenda do produto final; ü A interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, constatação esta que se agrava pela impropriedade de redação da Lei, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, e dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa, de acordo com a finalidade da Lei; ü O legislador brasileiro optou, no caso da importação de bens, por adotar três métodos previstos pela OCDE, com as adaptações que Fl. 850DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 851 4 julgou pertinentes, dentre os quais o conhecido como Preço de Revenda menos Lucro (PRL), estipulando uma margem de lucro presumida de 60%, sujeita a alterações conforme o artigo 21 da Lei 9.430/96; ü Desta arte, o preço parâmetro obtido por qualquer dos métodos legalmente previstos reflete o preço arm’s lenght, não havendo que se falar que “a fiscalização não comprovou que as transações da recorrente estariam em desacordo com o princípio arm’s lenght”. A partir do momento em que os preços praticados excedem em mais de 5% o preço parâmetro calculado conforme sua escolha, está caracterizada a ofensa ao princípio, autorizando os ajustes devidos, sem que isso implique em violação do tratado, que, repitase, não impõe um método específico de apuração do preço parâmetro. Ciente dessa decisão o Contribuinte, tempestivamente, apresentou contrarrazões ao Recurso da Fazenda e Recurso Especial. Em suas contrarrazões alega o Contribuinte: ü São distintas as regras de apuração do preço parâmetro baseado no PRL60, previstas na Lei 9.430/96 e na IN 243/2002. As regras da instrução normativa implicam em ônus muito mais elevado para o contribuinte; ü Concluise claramente, do exposto, que a IN SRF 243/02 prevê um procedimento diverso daquele previsto pela Lei 9.430/96, para determinação do preço parâmetro segundo o método PRL60, quando deveria limitarse a regular os dispositivos da lei que o estabeleceu; ü Tendo restado claro que a IN 243/02 inovou o ordenamento jurídico, frente aos preceitos estabelecidos pelas Leis 9.430/96 e 9.959/00 para o cálculo do método PRL60, importante repisar que o sistema tributário brasileiro tem como seu principal alicerce o principio da estrita legalidade, previsto no artigo 150, I da Constituição Federal; ü Todo ato normativo infralegal deve restringirse a regulamentar dispositivos legais, dispondo sobre aspectos formais, procedimentais ou esclarecendo seu conteúdo, nada mais. Daí concluirse que não é dado a uma Instrução Normativa extrapolar os limites que foram delimitados através de Lei, nem mesmo estabelecer procedimento diverso a ser seguido pelo contribuinte que possa ter efeito mais oneroso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 852 5 Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo não haver há reparos a se fazer na análise realizada pelo então Presidente da Câmara. De acordo com o contribuinte, a Instrução Normativa n. 243/2002 seria ilegal por carrear fórmula para a mensuração do Preço Parâmetro pelo método PRL 60% que destoa daquela fórmula que decorreria do art. 18 da Lei n. 9.430/96, na redação dada pela Lei n. 9.959/2000. Diversamente, o Fisco e a Fazenda Nacional entendem que a Instrução Normativa n. 243/2002 jamais contrariou a Lei n. 9.430/96 – na redação dada pela Lei n. 9.959/00 –, mas apenas deu à Lei a sua melhor interpretação. Vejamos, pois, os textos desses atos normativos. Frisese que o período objeto dos vertentes Autos de Infração é anterior ao advento da Lei n. 12.715/2012, razão pela qual não serão transcritas as alterações que essa lei impôs ao texto da Lei n. 9.430/96. Lei n. 9.430/96 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado, observadas as condições previstas no presente dispositivo, por um dos seguintes métodos: (...) II – Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: dos descontos incondicionais concedidos; dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; das comissões e corretagens pagas; de margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Instrução Normativa n. 243/2002 Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 853 6 II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Como se percebe na regra da Lei, o valor do prego liquido de revenda (PLV) é alcançado quando se descontam os valores relativos ás alíneas "a", "b" e "c". Assim, para se obter o prego parâmetro (PP), deste PLV deve ser deduzida a margem de lucro de 60%, calculada com base no PLV, deduzido o valor agregado (VA) no pais. Valor agregado (VA) é o montante relacionado ás demais matérias primas e custos inerentes à produção do produto acabado, excluindose o valor relativo ao item importado sob análise. Em outras palavras, é o custo de produção do produto acabado vendido (CPV) menos o custo da matéria prima importada de pessoa vinculada (CMP). Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 854 7 Feitas as observações acima, o cálculo do PRL na margem de 60% segundo a Lei 9.430/96 resumese à seguinte fórmula: PP = PLV {[PLV — (CPV — CMP)] x 60%) Já o artigo 12 §11 da IN 243/02 prevê uma metodologia de apuração do PRL60 diferente, na qual a margem de lucro é obtida por meio da aplicação do percentual de 60% sobre a "participação do bem importado no prego de venda do bem produzido". Esta participação deve ser calculada com o "percentual correspondente ao custo do bem importado em relação ao custo total do produto". Apesar de a IN SRF 243/02 mencionar o termo valor agregado, ela desconsidera este conceito e se utiliza de um critério de rateio para obter a participação da matéria prima dentro do produto acabado. Este rateio consiste numa divisão do custo do produto acabado vendido (CPV) pelo custo da matériaprima importada. de pessoa vinculada (CMP). Desta divisão se obtém um fator que deverá ser multiplicado pelo preço liquido de venda (PLV) o que gera a seguinte fórmula matemática para este cálculo: PP = [(CPV / CMP) x PLV] — {[(CPV / CMP) x PLV] x 60%) Concluise claramente, do exposto, que a IN SRF 243/02 prevê um procedimento diverso daquele previsto pela Lei 9.430/96, para determinação do preço parâmetro segundo o método PRL60, quando deveria limitarse a regular os dispositivos da lei que o estabeleceu. Com efeito, à instrução normativa caberia somente dar efetividade lei, jamais alternandoa ou criando inovações inexistentes no diploma de hierarquia superior, especialmente se tais inovações, na esfera do direito tributário, implicam em ofensa a direitos do contribuinte, como resulta do cálculo de um preço parâmetro muito mais baixo que aquele calculado nos termos da lei, implicando adições excessivas às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Desse modo, claramente ilegal a referida instrução normativa, de modo que o lançamento efetuado não pode prevalecer. Mas não só por essa razão o lançamento não pode prevalecer. A interpretação do artigo 18, da Lei 9.430/96 pode gerar diferentes fórmulas de cálculo, conforme bem expressou o Conselheiro BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, relator do Acórdão n.º 1101001.080, em seu voto vencido proferido no processo, cujos trechos nesse sentido abaixo transcrevo: Retornando à tese que pretendo demonstrar, percebese que a dupla possibilidade de formulação aritmética da equação prevista no citado art. 18 da Lei n. 9.430/96 decorre do fato de que, em termos aritméticos, a estatuída supressão do valor agregado pode operarse de duas formas distintas. Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 855 8 A primeira delas é justamente aquela vislumbrada pelo sujeito passivo, fórmula essa que concebe o Valor Agregado como um dado nominal, que basicamente emerge da diferença entre o custo total do bem produzido e o custo do item importado que se agrega ao bem produzido. Ocorre que, em termos aritméticos, também é possível proceder à referida supressão do Valor Agregado concebendoo (leiase, concebendo o Valor Agregado) como um quociente, como um número maior do que zero e menor do que um a ser multiplicado pela variável (Preço Líquido de Revenda) da qual deve ser subtraída a referida parcela (Valor Agregado). É que a Lei n. 9.959/00 jamais determinou se o Valor Agregado se exprimiria por uma cifra nominal – que é a interpretação do sujeito passivo – ou por um percentual, sendo que ambas as formulações podem ser vislumbradas em se tratando de uma grandeza como essa. Alega a Fazenda Nacional, inclusive, que a fórmula descrita na IN 243/02 é uma das interpretações possíveis do texto da lei (argumento com o qual não concordo). Nesse contexto, ao realizar o trabalho fiscal a autoridade tributária deveria ter invalidado o cálculo elaborado pelo contribuinte, ao argumento de que não se enquadrava nem nas fórmulas passíveis de serem extraídas da Lei, nem da fórmula descrita na IN 243/02. Vale frisar, ainda, que não há dúvidas de que a Lei é lei de eficácia plena, que não depende de regulamentação para surtir efeitos. Logo, não poderia a fiscalização ter desconsiderado seus comandos e se pautado exclusivamente no texto na instrução normativa para efetuar o lançamento. Logo, também por esse motivo entendo que o lançamento em questão não merece prosperar. Faltou à fiscalização refutar o cálculo elaborado pelo Contribuinte. Nesse contexto, voto por negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante a substanciosa exposição do I. Relator, muito bem fundamentada, peço vênia para divergir no exame do mérito, a legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 856 9 consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries 1. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: 1 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 857 10 (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN 2, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri 3 : 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 2 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) 3 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759 Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 858 11 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96 4 Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção 4 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 859 12 estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...) 5. Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, 5 GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 860 13 eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total6. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; 6 Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 861 14 V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: CII PPart = CTBP ou, ainda, por: CII PPart = CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 862 15 presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: CII PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries 7, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and 7 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http:www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 863 16 GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". Fl. 863DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 864 17 A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 865 18 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 866 19 exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 867 20 bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. E não há que falar que a Lei nº 12.715, de 2012 (convertida pela MP nº 563, de 2012), ao reproduzir dispositivos da IN SRF nº 243, de 2002, em tese teria o condão de "confirmar" a ilegalidade da instrução normativa. Tal assertiva não resiste a uma análise mais precisa da exposição de motivos da medida provisória: 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: a) substituição dos atuais métodos do Preço de Revenda menos Lucro PRL20 e PRL60, aplicáveis, respectivamente, a hipóteses nas quais os bens importados sejam exclusivamente revendidos ou sejam submetidos a processos produtivos no Brasil, a um único método de cálculo de preço parâmetro, o que fará com que os controles em questão não mais sejam relevantes na tomada de decisões quanto à forma de atuação das entidades sujeitas aos controles de preços de transferência no Brasil, bem Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 868 21 como eliminará inúmeros litígios concernentes à conceituação do que venha a ser “submissão a processo produtivo no País”, fator este de enorme insegurança jurídica no que toca à matéria; b) aplicação, para fins de cálculo do PRL, de margens de lucro diferenciadas por setores da atividade econômica;(grifei) c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira; No que concerne ao PRL 20 e PRL 60, deixa clara a exposição de motivos que o cerne da alteração em relação à lei anterior é o estabelecimento de um único método de cálculo de preço parâmetro, entendendo ser uma melhoria em relação à situação pretérita, no qual havia diferença de tratamento entre (i) os bens importados exclusivamente revendidos e (ii) aqueles submetidos a processos produtivos no Brasil. Discorre, de maneira expressa, sobre a preocupação com litígio que provocava a "conceituação" da expressão “submissão a processo produtivo no País”, o que, de acordo com o legislador, tratavase de "fator este de enorme insegurança jurídica". Ora, não se fala, em nenhum momento, em se dissipar qualquer eventual dúvida sobre a legalidade do art. 18 da IN SRF nº 243, de 2002. Tanto que, na sequência, discorre a exposição de motivos sobre a aplicação de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica, e sobre nova sistemática na apuração do preço de transferência para os valores a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação. Observase que a exposição de motivos expressamente se manifestou quando entendeu que a lei alterou a norma tributária relativa aos preços de transferência, ou seja, na adoção de um único método de cálculo de preço parâmetro para o PRL, na definição de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica e na sistemática para a inclusão de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação no preço praticado. Por outro lado, na medida em que não discorreu sobre o método adotado pelo 18 da IN SRF nº 243, de 2002, confirmou a interpretação dada pela norma complementar, tanto que positivou o entendimento na nova redação da lei. E se o legislador aproveitou a oportunidade para positivar, em texto legal, interpretação dada pela IN SRF nº 243, de 2002, tratase de procedimento que em nada altera a norma tributária em análise (método de cálculo do preço parâmetro pelo PRL 60), sob uma perspectiva substancial (material). A alteração é apenas no campo formal, tomandose como referência a data de vigência da Lei nº 12.715, de 2012: antes, a norma tinha previsão em lei e em norma complementar (instrução normativa autorizada pelo art. 100 do CTN 8); após, a previsão apenas em lei. Portanto, entendo não haver reparos ao procedimento da Fiscalização na utilização da IN SRF nº 243, de 2002. 8 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10283.720273/200864 Acórdão n.º 9101003.095 CSRFT1 Fl. 869 22 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 869DF CARF MF
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