Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,437)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,532)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,725)
- Terceira Câmara (68,203)
- Segunda Câmara (57,034)
- Primeira Câmara (21,275)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,959)
- Segunda Seção de Julgamen (115,716)
- Primeira Seção de Julgame (77,508)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,472)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,654)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,655)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,010)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10950.001887/2007-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO.
As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento.
CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA.
Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.820
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10950.001887/2007-52
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5810728
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.820
nome_arquivo_s : Decisao_10950001887200752.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10950001887200752_5810728.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
id : 7072066
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737168420864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1990; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10950.001887/200752 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.820 – 3ª Turma Sessão de 17 de outubro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO A CRÉDITOS. Recorrente FERTIMOURAO AGRICOLA EIRELI EM RECUPERACAO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantémse a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 18 87 /2 00 7- 52 Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3801004.382, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições sociais, excluise da proporção as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase somente aos custos, despesas e encargos que sejam vinculados às receitas de mercado interno e exportação. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis são utilizadas efetivamente no processo produtivo. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 4 3 CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Há vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido para as cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal. VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. DO ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. O art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 teve eficácia a partir de 4 de abril de 2006, data prevista na norma regulamentadora, in casu, a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. VEDAÇÃO EXPRESSA. É incabível, por expressa vedação legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Negado. ” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando que a decisão prolatada incorreu em contradição entre a decisão e seus fundamentos. Todavia, os embargos foram rejeitados. O sujeito passivo interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência em relação às seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Vendas efetuadas com suspensão; e · Atualização monetária. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento parcial ao recurso. Foram admitidas as matérias “rateio dos créditos apurados”, “glosa das aquisições de combustíveis”, “aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial”, “possibilidade de ressarcimento do crédito”, e “atualização monetária (SELIC)”. Apenas a matéria “vendas efetuadas com suspensão – eficácia do art. 9º da Lei 10.925/04” teve o seguimento negado. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.815, de 17/10/2017, proferido no julgamento do processo 10950.001882/200720, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.815): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, na parte admitida em Despacho, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Ora, em relação à discussão acerca: · Do rateio dos créditos apurados, foi comprovada a divergência, vez que a decisão recorrida entendeu pela exclusão das receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação do cálculo do rateio proporcional e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 concluiu pela não exclusão dos valores de receita que se originaram de operações com o fim específico de exportação; · Das aquisições de combustíveis, foi comprovada a divergência, eis que enquanto o aresto recorrido adotou um conceito restritivo de insumo e o indicado como paradigma de nº 203.12.896 reconheceu o direito de aproveitar créditos decorrentes de aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo e nas operações de vendas e entrega direta da produção; · Do crédito presumido da atividade agroindustrial, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu pela vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido por enquadrar o sujeito passivo como cerealista que exerce cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 divergiu da interpretação relativa ao processo produtivo de grão e o conceito de agroindústria, sem a restrição ao direito creditório; · Da possibilidade de ressarcimento do crédito presumido, também foi comprovada a divergência, eis que o aresto recorrido não conheceu das alegações em relação à forma de utilização do crédito presumido, divergindo, assim, da interpretação adotada no acórdão paradigma de nº 3803002.336 que, por sua vez não aplicou a restrição prevista na IN Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 6 5 SRF 660/06 quanto ao direito a compensação e/ou ressarcimento do Crédito Presumido de PIS e COFINS; · Da atualização monetária, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu não ser cabível a aplicação de correção monetária, com base na taxa Selic, nos casos de pedidos de ressarcimento de contribuição nãocumulativa, por expressa vedação legal, enquanto que o acórdão paradigma de nº 3802001.418 entendeu pela possibilidade de atualização do crédito pela taxa Selic. Em vista do exposto, entendo que devo conhecer o recurso especial em relação às matérias admitidas em Despacho de Exame de Admissibilidade – ou seja, sobre as seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Atualização monetária. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Antes de se adentrar a cada matéria, importante trazer breve histórico do caso vertente: · O sujeito passivo desenvolve atividades agroindustriais e produz as mercadorias de NCM dos capítulos 8 a 12 referidas no art. 8º da Lei 10.925/074, realizando operações no mercado interno e exportações diretas e indiretas; · Observa a sistemática não cumulativa das contribuições, nos termos da Lei 10.833/03 e da Lei 10.637/02, sendo que para a sua atividade, adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços – insumos – para a produção de mercadorias; · Tendo acumulado créditos por aquisições – custos, despesas e demais encargos, protocolou pedido de ressarcimento do saldo de crédito. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o critério de rateio dos créditos apurados e em seguida sobre as demais matérias conhecidas." (...)1 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno das seguintes matérias: i) rateio das receitas de exportação; ii) glosa de créditos sobre combustíveis; iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria; iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria; e, v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. 1 Deixouse de transcrever, do voto do paradigma, a parte na qual a relatora enfrentou as questões admitidas no recurso, pois todos os entendimentos foram vencidos na votação, não se aplicando, portanto, na solução do presente litígio (íntegra do voto no acórdão do processo paradigma). Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 7 6 i) rateio das receitas de exportação O contribuinte questionou o critério utilizado pela autoridade administrativa para o rateio das receitas, utilizado para apuração dos créditos da Cofins, passiveis de desconto e/ ou ressarcimento. Conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte, as receitas de exportação decorrem de vendas de mercadorias próprias e de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. A Lei nº 10.833, de 29/12/2003, assim dispõe sobre os créditos da Cofins não cumulativa, vinculados às exportações: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3o. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação."(destaque não original). Ora, nos termos deste dispositivo, é vedado o aproveitamento (desconto) de créditos vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por da parte da exportadora (comercial/trading). Assim, se tais receitas não geram créditos para a exportadora, obviamente, que não podem integrar as receitas de exportação, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado para a apuração dos créditos da contribuição a que o contribuinte faz jus. No mês de outubro de 2006, as receitas de exportação do contribuinte decorreram integralmente da exportação de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. Portanto, neste mês, o índice apurado foi de zero, caso contrário, estaria permitindo o aproveitamento com base num índice de 100,0%, em total desacordo com o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente. ii) glosa de créditos sobre combustíveis. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 8 7 A Lei nº 10.833, de 2003, prevê o aproveitamento de créditos sobre custos com combustíveis, desde que utilizados na produção ou fabricação dos bens vendidos, conforme estabelece o art. 3º, inciso II, literalmente: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; " (...)." No presente caso, conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte as glosas foram efetuadas sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados/consumidos no processo de produção ou fabricação dos produtos vendidos e sim em outros setores da empresa. Comprova esta afirmativa excertos transcritos do relatório produzido pela fiscalização, abaixo transcrito: iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria O contribuinte pleiteia créditos presumidos da Cofins sobre as aquisições de produtos agrícolas (soja e milho) adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, beneficiados e vendidos por ele. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 9 8 códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, do exame da Trigésima Quarta Alteração do Contrato Social às fls. 129/138, constatase que o contribuinte exerce, dentre outras, as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, bem como a atividade agrícola, o que o enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, que veda o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tais atividades. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo; as mercadorias devem ser destinadas à alimentação humana ou animal; e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir os insumos (conforme alusão ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003) de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que não é o caso em discussão. iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria. Embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar os créditos presumidos da Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 10 9 agroindústria, ora reclamados, demonstrase, a seguir, a falta de amparo para o ressarcimento/compensação de tais créditos. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 11 10 Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. A atualização monetária do ressarcimento de saldo credor da Cofins não cumulativa, calculados à taxa Selic, é expressamente vedado pela própria Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu o regime nãocumulativo, assim dispondo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a relatora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 687DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720764/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Wilson Antonio de Souza Corrêa (Suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
O presente Processo Administrativo Fiscal PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.350.518-3, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual cota patronal, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.350.517-5, CFL.68 - por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, com período de apuração 01/2006 a 12/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 03 e 04.
O sujeito passivo solidário foi cientificado por intermédio do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1, de fls. 113 e 114, recebido, em 24/08/2012, conforme AR, de fls. 117.
O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação petição com razões impugnatórias acostadas, as fls. 123 a 172, recebida, em 17/05/2012, acompanhada dos documentos, de fls. 173 a 181.
A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 182 e 183.
O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 01-28.024 - 4ª, Turma DRJ/BEL, em 11/12/2013, fls. 185 a 196.
A impugnação foi considerada improcedente.
Os contribuintes foram cientificados desse decisório, em 07/02/2014 e 28/02/2014, conforme AR de fls. 199 e 200.
Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário petição com razões recursais acostadas, de fls. 201 a 261, recebido, em 27/02/2014, desacompanhado de quaisquer documentos.
Mérito.
que é absurda a afirmação do julgador de primeiro grau de que as decisões de anulação de exclusão do SIMPLES em casos análogos, não podem ser aplicadas;
que o fisco busca resolver pendência por meios alternativos, mas isso é rechaçado pela jurisprudência, cita decisão em ADIN e súmulas citadas pela recorrente;
que no curso da decisão da exclusão do SIMPLES, não cabe cobrança do crédito tributário e muito menos que tal exclusão opere efeitos, ficando suspensa a exigibilidade do crédito;
que por força do princípio da legalidade não se pode tributar sob a presunção da existência do fato gerador, cita doutrina, devendo o fisco prova a existência do fato gerador, artigo 333, I, do CPC;
que o agente fiscal lançou mão do arbitramento, artigo 148, do CTN, sem justificativa para tal, pois teve acesso a todos os documentos, que solicitou, podendo examiná-los, estando o ato administrativo lastreado em motivos inidôneos, falsos ou inexistentes, representado exercício irregular do direito, sendo nulo, pois não se admite ato administrativo baseado em presunção;
que as leis ordinárias devem obedecer estritamente o que determinado nas leis complementares sob pena de inconstitucionalidade, sendo o CTN lei complementar;
Do pedido e do requerimento: a) que os créditos tributários sejam julgados improcedentes.
A autoridade preparadora reconheceu e a tempestividade do recurso, fls. 262.
Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 262.
Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 06/11/2014, Lote 05, fls. 263.
É o Relatório.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13971.720764/2012-21
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5796755
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 01 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-000.638
nome_arquivo_s : Decisao_13971720764201221.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : EDUARDO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13971720764201221_5796755.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
id : 7001487
ano_sessao_s : 2016
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Wilson Antonio de Souza Corrêa (Suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. O presente Processo Administrativo Fiscal PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.350.518-3, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual cota patronal, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.350.517-5, CFL.68 - por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, com período de apuração 01/2006 a 12/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 03 e 04. O sujeito passivo solidário foi cientificado por intermédio do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1, de fls. 113 e 114, recebido, em 24/08/2012, conforme AR, de fls. 117. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação petição com razões impugnatórias acostadas, as fls. 123 a 172, recebida, em 17/05/2012, acompanhada dos documentos, de fls. 173 a 181. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 182 e 183. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 01-28.024 - 4ª, Turma DRJ/BEL, em 11/12/2013, fls. 185 a 196. A impugnação foi considerada improcedente. Os contribuintes foram cientificados desse decisório, em 07/02/2014 e 28/02/2014, conforme AR de fls. 199 e 200. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário petição com razões recursais acostadas, de fls. 201 a 261, recebido, em 27/02/2014, desacompanhado de quaisquer documentos. Mérito. que é absurda a afirmação do julgador de primeiro grau de que as decisões de anulação de exclusão do SIMPLES em casos análogos, não podem ser aplicadas; que o fisco busca resolver pendência por meios alternativos, mas isso é rechaçado pela jurisprudência, cita decisão em ADIN e súmulas citadas pela recorrente; que no curso da decisão da exclusão do SIMPLES, não cabe cobrança do crédito tributário e muito menos que tal exclusão opere efeitos, ficando suspensa a exigibilidade do crédito; que por força do princípio da legalidade não se pode tributar sob a presunção da existência do fato gerador, cita doutrina, devendo o fisco prova a existência do fato gerador, artigo 333, I, do CPC; que o agente fiscal lançou mão do arbitramento, artigo 148, do CTN, sem justificativa para tal, pois teve acesso a todos os documentos, que solicitou, podendo examiná-los, estando o ato administrativo lastreado em motivos inidôneos, falsos ou inexistentes, representado exercício irregular do direito, sendo nulo, pois não se admite ato administrativo baseado em presunção; que as leis ordinárias devem obedecer estritamente o que determinado nas leis complementares sob pena de inconstitucionalidade, sendo o CTN lei complementar; Do pedido e do requerimento: a) que os créditos tributários sejam julgados improcedentes. A autoridade preparadora reconheceu e a tempestividade do recurso, fls. 262. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 262. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 06/11/2014, Lote 05, fls. 263. É o Relatório.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737173663744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1165; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 265 1 264 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720764/201221 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.638 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de janeiro de 2016 Assunto CP: TERCEIROS. Recorrente TRANSPORTES E LOGÍSTICA MANDALA LTDA E OUTROS. Recorrida FAZENDA NACIONAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Wilson Antonio de Souza Corrêa (Suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 20 76 4/ 20 12 -2 1 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13971.720764/201221 Resolução nº 2202000.638 S2C2T2 Fl. 266 2 O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 37.350.5183, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual – cota patronal, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 37.350.5175, CFL.68 por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, com período de apuração 01/2006 a 12/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 03 e 04. O sujeito passivo solidário foi cientificado por intermédio do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1, de fls. 113 e 114, recebido, em 24/08/2012, conforme AR, de fls. 117. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação petição com razões impugnatórias acostadas, as fls. 123 a 172, recebida, em 17/05/2012, acompanhada dos documentos, de fls. 173 a 181. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 182 e 183. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0128.024 4ª, Turma DRJ/BEL, em 11/12/2013, fls. 185 a 196. A impugnação foi considerada improcedente. Os contribuintes foram cientificados desse decisório, em 07/02/2014 e 28/02/2014, conforme AR de fls. 199 e 200. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário petição com razões recursais acostadas, de fls. 201 a 261, recebido, em 27/02/2014, desacompanhado de quaisquer documentos. Mérito. · que é absurda a afirmação do julgador de primeiro grau de que as decisões de anulação de exclusão do SIMPLES em casos análogos, não podem ser aplicadas; · que o fisco busca resolver pendência por meios alternativos, mas isso é rechaçado pela jurisprudência, cita decisão em ADIN e súmulas citadas pela recorrente; · que no curso da decisão da exclusão do SIMPLES, não cabe cobrança do crédito tributário e muito menos que tal exclusão opere efeitos, ficando suspensa a exigibilidade do crédito; Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13971.720764/201221 Resolução nº 2202000.638 S2C2T2 Fl. 267 3 · que por força do princípio da legalidade não se pode tributar sob a presunção da existência do fato gerador, cita doutrina, devendo o fisco prova a existência do fato gerador, artigo 333, I, do CPC; · que o agente fiscal lançou mão do arbitramento, artigo 148, do CTN, sem justificativa para tal, pois teve acesso a todos os documentos, que solicitou, podendo examinálos, estando o ato administrativo lastreado em motivos inidôneos, falsos ou inexistentes, representado exercício irregular do direito, sendo nulo, pois não se admite ato administrativo baseado em presunção; · que as leis ordinárias devem obedecer estritamente o que determinado nas leis complementares sob pena de inconstitucionalidade, sendo o CTN lei complementar; · Do pedido e do requerimento: a) que os créditos tributários sejam julgados improcedentes. A autoridade preparadora reconheceu e a tempestividade do recurso, fls. 262. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 262. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 06/11/2014, Lote 05, fls. 263. É o Relatório. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13971.720764/201221 Resolução nº 2202000.638 S2C2T2 Fl. 268 4 A empresa autuada foi excluída do SIMPLES FEDERAL ADE 16 e do SIMPLES NACIONAL ADE 17 e está recorrendo em processos próprios de ambas as exclusões, processos 13971.720762/201232 e 13971.720763/201287, estando, ambos, na Primeira Seção de Julgamento, assim aplicase o que abaixo cito. O atual Regimento Interno do CARF Portaria MF Nº 343/2015 em seu artigo 6º, parágrafo 5º, abaixo, transcrito determina que o processo principal e o decorrente estejam em Seções diferentes do CARF o decorrente deverá ser baixado em diligência para a Câmara ate que o principal seja julgado. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Assim sendo, converto o julgamento em diligência para que o presente processo que é decorrente seja vinculado ao principal e fique sobrestado até o julgamento dos processos principais 13971.720762/201232 e 13971.720763/201287, devendo este ser remetido para a Secretaria da Câmara, a fim de que as providências necessárias sejam adotadas. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13971.720764/201221 Resolução nº 2202000.638 S2C2T2 Fl. 269 5 Informações Processuais Detalhe do Processo :. Processo Principal :13971.720762/201232 Data Entrada : 29/03/2012 Contribuinte Principal : TRANSPORTES E LOGISTICA MANDALA LTDA EPP Tributo : Não informado Recursos Data de Entrada Tipo do Recurso 19/12/2013 RECURSO VOLUNTARIO 06/03/2015 RECURSO VOLUNTARIO 06/03/2015 RECURSO VOLUNTARIO 02/01/2016 RECURSO VOLUNTARIO Andamentos do Processo Data Ocorrência Anexos 22/01/2016 RETIRADO DE PAUTA POR DETERMINAÇÃO DO PRESIDENTEÓrgão Julgador: 2ª TO3ªCÂMARA1ªSEÇÃOCARFMFDFRelator: ROGERIO APARECIDO GILData da Sessão: 22/01/2016Hora da Sessão: 09:00Tipo da Pauta: OrdináriaTipo Sessão: Normal 07/01/2016 COLOCADO EM PAUTAUnidade: 2ª TO3ªCÂMARA1ªSEÇÃOCARFMF DFRelator: ROGERIO APARECIDO GILData da Sessão: 22/01/2016Hora da Sessão: 09:00Tipo da Pauta: OrdináriaTipo Sessão: Normal 02/01/2016 ENTRADA NO CARFTipo de Recurso: RECURSO VOLUNTARIOData de Entrada: 02/01/2016Unidade: 2ª TO3ªCÂMARA1ªSEÇÃOCARFMFDF Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.004413/2010-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento.
GLOSA DE DESPESA NÃO DEDUTÍVEL.
Mantida glosa de despesa não dedutível.
Numero da decisão: 2001-000.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. GLOSA DE DESPESA NÃO DEDUTÍVEL. Mantida glosa de despesa não dedutível.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18186.004413/2010-88
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5827848
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.142
nome_arquivo_s : Decisao_18186004413201088.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 18186004413201088_5827848.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
id : 7107002
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737177858048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 69 1 68 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18186.004413/201088 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.142 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de novembro de 2017 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente MARCOS FÁBIO LION Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. GLOSA DE DESPESA NÃO DEDUTÍVEL. Mantida glosa de despesa não dedutível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 44 13 /2 01 0- 88 Fl. 69DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. Contudo, o Recurso é intempestivo. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 805,75, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2006. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, através de outros documentos, como se aqueles acostados não estivessem à representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pelo Recorrente, como segue: (...) O Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 RIR/99 consolida a legislação pertinente, dispondo sobre os requisitos legais exigidos para dedução de despesas médicas (art. 80) e pensão alimentícia judicial (art. 78): Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;(grifei) III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Fl. 70DF CARF MF Processo nº 18186.004413/201088 Acórdão n.º 2001000.142 S2C0T1 Fl. 70 3 Pessoa JurídicaCNPJ e quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) O art. 73 do RIR/99 traz as seguintes disposições do Decretolei nº 5.844/43: “Art 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, ajuízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, §3'). " § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4 '). ” §2—As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei n 5.844, de 1943, art. 11, §5°). (grifei) (...) Em princípio, os recibos fornecidos por profissional legalmente habilitado constituem documentos hábeis a comprovar a despesa médica, desde que contenham o seu nome, endereço do local da prestação de serviços e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ (antigo Cadastro Geral de Contribuintes CGC), a especificação dos pagamentos efetuados, bem como a informação precisa dos serviços prestados e o beneficiário dos mesmos, pois o direito à dedução restringese às despesas com o próprio contribuinte e seus dependentes assim considerados na forma da legislação do imposto de renda. Entretanto, tal valor probatório é relativo, pois a comprovação de despesas por meio de recibos é frágil e a apresentação destes documentos, em muitos casos, deve servir apenas como ponto de partida para a comprovação das despesas declaradas, não podendo a autoridade fiscal se satisfazer apenas com eles. (...) Quanto ao pagamento em espécie, tratase de forma eficaz de quitação de um débito, mas de difícil comprovação perante terceiros, como se faz necessário no caso das deduções que reduzem a base de cálculo do imposto de renda. No presente caso, o contribuinte deixa de impugnar a glosa de R$30,00, relativa a despesa não dedutível. Da análise dos autos, verifico que dos recibos anexados à impugnação, aquele relativo a Lucio Lopes Daltro consiste no mesmo que fora apresentado à autoridade fiscal lançadora (fls. 20), Fl. 71DF CARF MF 4 complementado com novos dados identificação do contribuinte como beneficiário dos serviços e endereço do profissional. (...) Como ponto de partida, a legislação define os requisitos a serem observados para que os recibos constituam prova da despesa declarada, e devem ser observados quando da emissão dos mesmos, não cabendo complementação posterior, como pretendeu o impugnante no presente caso. Ao final, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, na integra, pela glosa do valor das despesas médicas. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) (...) Fl. 72DF CARF MF Processo nº 18186.004413/201088 Acórdão n.º 2001000.142 S2C0T1 Fl. 71 5 É o relatório. Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, o prazo legal e 30 (trinta) dias para interposição do recurso já havia transcorrido na data em que foi protocolada a entrega do Recurso Voluntário. Registrese que o prazo é contado de forma contínua, excluindose o dia de início e incluindose o do vencimento. Além disso, os prazos se iniciam e vencem em dia de expediente normal do órgão de trâmite regular do processo. De acordo com o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para a interposição de recurso voluntário é de trinta dias, nos seguintes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Observase dos autos a cronologia dos acontecimentos acerca do acórdão vergastado, como segue: Acórdão da DRJ: 13.04.2011 Emissão da Intimação do Resultado: 05.05.2011 AR – Aviso de Recebimento – ciência do contribuinte: 18.05.2011. Protocolo do Recurso Voluntário: 27.06.2011 Fl. 73DF CARF MF 6 Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestividade. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.002173/2001-16
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1995 a 31/08/1996
ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA DEMONSTRADA.
Demonstrada interpretação divergente da legislação tributária dos paradigmas em face da decisão recorrida, e preenchidos demais requisitos de admissibilidade, deve-se dar seguimento ao recurso.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1195 a 31/08/1996
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, § 4º, DO CTN.
O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em julgamento submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, de 1973 (Recurso Especial nº 973.733), estabeleceu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do ocorrência do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado, ainda que parcialmente (artigo 150, § 4º, do CTN), desde que não se trate de dolo, fraude ou simulação.
Numero da decisão: 9900-001.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa (relator), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Valcir Gassen (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para afastar a decadência do período 08/1996. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao conhecimento, o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1995 a 31/08/1996 ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA DEMONSTRADA. Demonstrada interpretação divergente da legislação tributária dos paradigmas em face da decisão recorrida, e preenchidos demais requisitos de admissibilidade, deve-se dar seguimento ao recurso. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1195 a 31/08/1996 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em julgamento submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, de 1973 (Recurso Especial nº 973.733), estabeleceu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do ocorrência do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado, ainda que parcialmente (artigo 150, § 4º, do CTN), desde que não se trate de dolo, fraude ou simulação.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10875.002173/2001-16
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5825323
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9900-001.014
nome_arquivo_s : Decisao_10875002173200116.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FLAVIO FRANCO CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 10875002173200116_5825323.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa (relator), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Valcir Gassen (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para afastar a decadência do período 08/1996. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao conhecimento, o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
id : 7099267
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737195683840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 839 1 838 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10875.002173/200116 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900001.014 – Pleno Sessão de 11 de dezembro de 2017 Matéria DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida C.B.S ADMINISTRAÇÃO DE BENS EIRELI ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1995 a 31/08/1996 ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA DEMONSTRADA. Demonstrada interpretação divergente da legislação tributária dos paradigmas em face da decisão recorrida, e preenchidos demais requisitos de admissibilidade, devese dar seguimento ao recurso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1195 a 31/08/1996 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em julgamento submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, de 1973 (Recurso Especial nº 973.733), estabeleceu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase do ocorrência do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado, ainda que parcialmente (artigo 150, § 4º, do CTN), desde que não se trate de dolo, fraude ou simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa (relator), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Valcir Gassen (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento parcial, para afastar a decadência do período 08/1996. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 21 73 /2 00 1- 16 Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 840 2 convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao conhecimento, o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão nº 201127348, da Segunda Turma desta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, proclamado em sessão de 24/04/2007 (fls. 685/688). Tal é a ementa do acórdão recorrido: “DECADÊNCIA — PIS — O direito à Fazenda Nacional constituir os créditos relativos para o PIS, decai no prazo de cinco anos fixado pelo Código Tributário Nacional (CTN), pois inaplicável na espécie o artigo 45 da Lei no 8212/91. Recurso especial da Fazenda Nacional negado. Recurso especial do contribuinte provido.” Este acórdão foi objeto de Embargos de Declaração opostos pela PGFN, os quais foram rejeitados em 26/05/2009 (fls. 695/698). Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 841 3 A PGFN foi cientificada do acórdão dos Embargos de Declaração em 04/08/2009 (fl. 699). Recurso Extraordinário da PGFN (fls. 700/715) com entrada no órgão julgador em 11/08/2009 (vide RM de 11/08/2009). Nessa oportunidade, a PGFN aduz o seguinte: “...A Segunda Turma desta Egrégia Câmara Superior aduziu que, por ser o PIS tributo sujeito a recolhimento mediante o sistema de "lançamento por homologação", o auto de infração somente poderia ser lavrado dentro do prazo de 05 anos, a partir do fato gerador, conforme o art. 150, §4º do CTN. Interpostos embargos de declaração para que houvesse manifestação quanto à aplicação do artigo 173, I do CTN, estes foram rejeitados pela decisão de fls. 692/695. Eis a ementa do r. acórdão ora recorrido: "DECADÊNCIA — PIS O direito à Fazenda Nacional constituir os créditos relativos para o PIS, decai no prazo de cinco anos fixado pelo Código Tributário Nacional (CTN), pois inaplicável à espécie o art. 45 da Lei n°8.212/91. Recurso especial da Fazenda Nacional negado. Recurso especial do contribuinte provido." Entretanto, o r. acórdão diverge da jurisprudência mantida pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos CSRF/0103.167 e 0103.215), sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver recolhimento antecipado do imposto, devendo, portanto, ser reformado, como restará demonstrado a seguir. Frisese que a decadência é matéria de ordem pública e fulmina o crédito tributário (artigo 156, V, CTN), podendo, portanto, ser reconhecida a qualquer momento, independentemente de alegação da parte. [...] A respeito do prazo para o lançamento dos tributos sujeitos a homologação, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e. Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ora recorrida, e está representado nos acórdãos paradigmas emanados pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujas ementas estão abaixo transcritas (cópia anexa): Acórdão CSRF/0103.215 "FINSOCIAL/FATURAMENTO — TRIBUTAÇÃO REFLEXA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO X LANÇAMENTO DE OFÍCIO — DECADÊNCIA — No lançamento por homologação o que se homologa é o pagamento. Constatada pelo Fisco falta de pagamento de tributo ou insuficiência do pagamento, objeto de auto de infração, a hipótese é de lançamento ex officio. Com relação ao FINSOCIAL/FATURAMENTO, decorrente da fiscalização do IRPJ, o instituto da decadência regese pelo disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso especial provido." Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 842 4 Acórdão CSRF/0103.167 "PIS/FATURAMENTO — TRIBUTAÇÃO REFLEXA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO X LANÇAMENTO DE OFÍCIO — DECADÊNCIA — No lançamento por homologação o que se homologa é o pagamento. Constatada pelo Fisco falta de pagamento de tributo ou insuficiência do pagamento, objeto de auto de infração, a hipótese é de lançamento ex officio. Com relação ao PIS/FATURAMENTO, decorrente da fiscalização do IRPJ, o instituto da decadência regese pelo disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso especial provido” Abstraindose o fato de que os acórdãos tratam de tributos diversos, o fato é que a similitude entre os casos reside na modalidade do lançamento. Ambos estão, em regra, sujeitos ao chamado lançamento por homologação. E, de forma diversa da que ocorreu no presente caso, nos paradigmas se entendeu que, na falta de pagamento do tributo, se está diante de lançamento de oficio, aplicandose a regra do artigo 173, 1 do CTN. No presente caso, assim corno nos paradigmas, verificase a falta de pagamento do tributo. Com efeito, conforme se vê do auto de infração, houve falta de recolhimento do PIS relativo às competências em questão, sendo que os recolhimentos eram devidos. Demonstrada a identidade fática entre o caso presente e os acórdãos paradigmas, bem como a solução divergente adotada, é de ser conhecido o presente recurso extraordinário. II DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO RECORRIDO O julgado recorrido entendeu aplicável à espécie o dies a quo do prazo decadencial corno sendo o constante do art. 150, § 4º, do CTN, qual seja, a data do fato gerador, independentemente do ter ou não havido recolhimento antecipado do tributo. O entendimento desta Procuradoria é que este dispositivo só se aplica no caso de ter havido efetivo pagamento adiantado do crédito tributário. Em não havendo recolhimento, não há o que se homologar, tratando a questão de simples lançamento ex officio a ser feito com espeque no artigo 149, V, do CTN, sendo o termo inicial do prazo decadencial aquele previsto no artigo 173, I, do CTN. Tal distinção é particularmente importante no presente caso porque, considerando o termo inicial previsto no artigo 173, a decadência do direito de lançar o PIS relativo aos períodos entre 31/12/1995 e 08/1996 (diferença entre o prazo do art. 150, §4° e o art. 173, do CTN) só se operaria em 01/01/2002, de modo que teria sido indevido o reconhecimento da decadência neste período por esta C. Turma (ciência do lançamento em 27/08/2001). E efetivamente o foi. Como se vê do auto de infração às fls. 469/472, o PIS lançado não foi recolhido parcialmente em nenhuma das competências. Não havendo pagamento antecipado, aplicase o dies a quo previsto no artigo 173, I, uma vez que não se trata mais de lançamento por homologação, mas simples lançamento ex officio. Logo, é indevida a aplicação do artigo 150, § 4°, na espécie. Merece reforma, portanto, a decisão ora recorrida, da colenda Segunda Turma, para que seja afastada a decadência do período em questão. Fl. 842DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 843 5 Dando ensejo ao presente recurso extraordinário, a douta Primeira Turma desta Câmara Superior, diverge do entendimento abraçado pela Segunda Turma, conforme se pode perceber dos paradigmas colacionados acima. Estes perfilham a mesma tese ora esposada, entendendo que na falta de pagamento a hipótese é de lançamento ex officio, regendose o instituto da decadência pelo disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Ademais, outro não é o entendimento recente firmado pelo STJ, no sentido de que não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN. É o que se depreende do Informativo n° 250 do STJ: "LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4 0, do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em divida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. A Seção, ao prosseguir o julgamento, conheceu dos embargos e deulhes provimento. Precedentes citados: EREsp 101.407SP, DJ 8/5/2000; EREsp 278.727DF, DJ 28/10/2003; REsp 75.075 RJ, DJ 14/4/2003, e REsp 106.593SP, DJ 31/8/1998. EREsp 572.603PR, Rel. Min. Castro Meira, julgados em 8/6/2005". Consoante essa linha de interpretação, o art. 150, §4° do CTN estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um pagamento antecipado. Não existindo tal pagamento, o lançamento se dá de oficio, com fulcro no art. 149, V, do CTN. Portanto, o lançamento de oficio de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I do CTN, e não o prazo do art. 150, §4°, aplicável na hipótese de efetiva antecipação de pagamento. [...] Acrescentese, ainda, as ponderações e conclusões jurídicas constantes do parecer PGFN/CAT n° 1617/2008, aprovado pelo Procurador Geral da Fazenda Nacional e pelo Ministro da Fazenda, que trata, inclusive, da forma de contagem dos prazos de decadência e prescrição tributários (art. 150, § 4° e art. 173, I, ambos do CTN): […] III CONCLUSÃO O art. 173, I do CTN dispõe que o prazo decadencial para o lançamento de ofício é de cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Logo, quanto aos fatos geradores ocorridos entre dezembro de 1995 (vencimento em 01/1996) e agosto de 1996, o lançamento poderia ter sido Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 844 6 efetuado até 01/01/2002. Como a notificação do sujeito passivo acerca do auto de infração deuse em 27/08/2001, não há que se cogitar de decadência no período mencionado. Frisese que, quanto aos períodos posteriores a setembro de 1996 não há qualquer discussão acerca de decadência. Em face do exposto, requer a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) seja conhecido e provido o presente Recurso Extraordinário, para afastar a decadência no período entre 12/1995 e 08/1996, apontada pela e. Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, uma vez que efetuado dentro do prazo legalmente fixado (art. 173, I, do CTN).” (grifos no original) O Recurso Extraordinário foi admitido por despacho de 14/01/2011 (fls. 717/718). O Contribuinte foi intimado a apresentar contrarrazões ao Recurso Extraordinário da PGFN em 09/06/2017 (efl. 819). Prazo transcorrido in albis. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente Recurso Extraordinário foi interposto no dia 11/08/2009 contra acórdão da Segunda Turma desta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, proclamado em sessão de 24/04/2007, formalizado em 25/02/2009. Deuse ciência em 17/04/2009 à PGFN, que opôs Embargos de Declaração às fls. 692/695, os quais foram rejeitados, cientificandose a PGFN dessa decisão em 11/08/2009. Portanto, o presente Recurso Extraordinário é tempestivo. Ainda em sede de preliminar, impõese destacar, no que diz respeito ao Recurso Extraordinário, a dicção do artigo 3º do vigente Regulamento do CARF, instituído pela Portaria MF nº 343/2015, verbis: “Art. 3º. Os recursos com base no inciso I do caput do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento.” Além disso, cabe chamar a atenção para o fato de que, na data da interposição deste Extraordinário, vigia o artigo 4º do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que tem redação idêntica à redação do artigo 3º do vigente Regimento Interno do CARF. Anotese que o artigo 9º do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, mencionado no artigo 3º do atual Regimento Interno do CARF e no artigo 4º do Regimento Interno anterior, estabeleceu a competência do Pleno para “julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 845 7 lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, o julgamento do Recurso Extraordinário previsto no artigo 9º do Regimento Interno da CSRF, de 2007, compete ao Pleno da CSRF, quer sob a dicção do Regimento Interno atual, quer sob a dicção do Regimento Interno vigente na data da interposição do aludido recurso. E mais: seja por determinação do Regimento Interno atual, seja por determinação do Regimento Interno de 2009, o processamento deste feito deve seguir o disposto nos artigos 43 e 44 do Regimento Interno da CSRF de 2007, assim redigidos: “Art. 43. O recurso extraordinário previsto no art. 9º deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Turma que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser interposto por Procurador da Fazenda Nacional ou pelo sujeito passivo, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1º O recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovandoa mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente. § 2º A cópia de publicação de ementa referida no § 2º, quando extraída da internet, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. § 3º O recurso extraordinário deverá ser protocolizado na unidade da administração tributária de jurisdição do recorrente, quando por este interposto e na secretaria da Turma quando interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional credenciado. § 4º Interposto o recurso extraordinário, compete ao Presidente, em despacho fundamentado, admitilo ou, caso não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade, negarlhe seguimento. § 5º Se a decisão contiver matérias autônomas, a admissão do recurso extraordinário poderá ser parcial. § 6º É definitivo o despacho do Presidente que negar seguimento ao recurso extraordinário. Art. 44. O despacho que admitir recurso extraordinário terá o seguinte trâmite: I quando se tratar de recurso interposto por Procurador da Fazenda Nacional, os autos serão encaminhados à unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo, para ciência, assegurandoselhe o prazo de quinze dias para oferecer contrarazões; e II quando se tratar de recurso extraordinário interposto pelo sujeito passivo, o Procurador da Fazenda Nacional será intimado pessoalmente para oferecimento de contrarazões, no prazo de quinze dias. “ Nos termos do artigo 43, § 1º, do Regimento Interno da CSRF, de 2007, em combinação com o artigo 3º do vigente Regimento Interno do CARF, a admissibilidade do Fl. 845DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 846 8 Recurso Extraordinário está subordinada à demonstração da divergência de interpretação de dispositivo normativo. Para a aferição da divergência suscitada nos presentes autos, é imprescindível observar o seguinte trecho da decisão recorrida: “A jurisprudência majoritária do Egrégio Conselho de Contribuintes, com relação à questão do prazo decadencial para a constituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação como é o caso do PIS , posicionase no sentido de que o prazo é de cinco anos. (grifei) O prazo decadencial para o PIS é de cinco anos, devendose subordinar a Fiscalização para fins de preservar seu direito de efetuar o lançamento (de oficio) ao disposto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, ou seja, aplicável independentemente de haver pagamento ou não do tributo em questão, conforme vasta jurisprudência deste Colegiado Superior. Ou seja, equivocada foi a aplicação do artigo 173, I, CTN, pelo acórdão recorrido (fatos geradores ocorridos até 31/12/1995). In casu, portanto, quanto aos créditos tributários objetos do Auto de Infração cientificado em 27/08/2001 (fatos geradores setembro de 1995 a dezembro de 1999), necessária é a revisão e reforma do acórdão recorrido; pois que em verdade restou decaído o direito da Fazenda.Nacional lançar os valores referentes aos fatos geradores anteriores a setembro de 1996, pois aplicável à espécie o artigo 150, parágrafo 4°, do CTN, conforme entendimento deste Colegiado Superior, ao qual estou me curvando, friso por relevante.” Ainda para a aferição da divergência suscitada, reproduzemse os excertos abaixo, colacionados, dessa feita, dos acórdãos ofertados como paradigmas, com vistas ao cotejo com o acórdão recorrido. Em primeiro lugar, trazse à colação o voto condutor do acórdão nº CSRF/01 03.215, redigido pelo exConselheiro Cândido Rodrigues Neuber: “Conforme consta dos autos, o lançamento decorre de ação fiscal desenvolvida na empresa interessada e, por tributação reflexa, exigese contribuição ao FINSOCIAL/FATURAMENTO, referente ao períodobase de 1984, exercício de 1985. Inicialmente, cumpre registrar que a Colenda Quarta Câmara, ora recorrida, por maioria de votos, acolheu a preliminar da decadência, cuja ementa é a seguinte: "FINSOCIAL FATURAMENTO DECADÊNCIA A Fazenda Nacional decai do direito de constituir o crédito tributário relativo a contribuição para o FINSOCIAL, após cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, na forma estabelecida nos artigos 150, § 4°. do Código Tributário Nacional (Lei n°. 5.172/66)" A forma de lançamento de diversos tributos, se por declaração ou homologação, tem sido objeto de amplo debate neste Colegiado. Porém, abstraindose dessa discussão, o certo é que, no caso presente, estamos diante do lançamento de ofício, portanto efetuado pela autoridade tributária, por constatação de omissão de receitas à tributação, por parte da contribuinte. (grifei) Neste caso, o entendimento reiterado deste Colegiado é no sentido de que o prazo decadencial é regido pela regra contida no artigo 173 do Código Tributário Fl. 846DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 847 9 Nacional CTN, conclusão a que se chega da interpretação integrada dos seus artigos 149, inciso V; 150, § 4° ; e 173, inciso I, a saber: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos [...] V quando se comprove omissão ou inexatidão, por falta da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte, [...] Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º. O pagamento antecipado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento [...] § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art.. 173. O direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." (Destaquei) No Acórdão n° CSRF/011.563, do qual fui relator, expressei esse entendimento e, por pertinente, transcrevo trecho do voto: "[...] Há tributos, como o imposto de renda na fonte (IRF), cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento antes que a autoridade o lance. O Fl. 847DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 848 10 pagamento se diz, então, antecipado e a autoridade o homologará expressamente (CTN art 150, caput) ou tacitamente, pelo decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador (art. 150 § 4º CTN). A homologação, quer expressa, quer tácita, na modalidade de lançamento de que se ocupa o artigo 150, não implica decadência do direito de lançar, mas, ao contrário, traduz o exercício mesmo desse direito. A homologação, sob qualquer de suas duas formas (expressa ou tácita), representa a afirmação administrativa de que o pagamento antecipado condiz com o tributo devido E que nada mais há para ser exigido. Vêse, pois, que a homologação é o exercício do direito de lançar e não sua preclusão. (grifei em negrito) Mas a homologação, expressa ou tácita, para que se dê, pressupõe uma atividade do contribuinte: o pagamento prévio determinado em lei. Sem ele não há fato homologável. (grifei) Dai estabelecer o art. 149, V, do CTN que 'quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o art. seguinte' o lançamento é efetivado de ofício. Nada mais lógico: se inexato o pagamento antecipado, negase a homologação e operase o lançamento de ofício (CTN 149, V): se omisso na antecipação do pagamento, nada há passível de homologação e a exigência se formalizará por ato de ofício da administração (CTN 149, V). Como se vê, não tendo havido pagamento antecipado, não há que se falar em homologação do artigo 150 do CTN prolatável no prazo de 5 anos contados do fato gerador. Ao contrário, sob o amparo do artigo 149, V, a Administração poderá exercer o direito de lançar de ofício, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública na forma do artigo 173 do CTN". (grifei) Naquela assentada demonstrei que esse entendimento também encontrou guarida no Poder Judiciário, como se pode ver do n° 2 da ementa do acórdão do extinto Tribunal Federal de Recursos — TFR, nos Embargos Infringentes na Apelação Cível n° 75 165SP, onde se lê: "2 Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, a exemplo das contribuições previdenciárias, é obrigação do sujeito passivo antecipar o pagamento. A falta deste que é a hipótese dos autos ou a sua realização em desacordo com os Fl. 848DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 849 11 critérios legais, no que concerne ao montante e a época do recolhimento, configura conduta omissiva, autorizando o lançamento ex officio; neste caso, o prazo de cinco anos para o fisco 'constituir o crédito' de ofício começa a contar 'do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado' (Código Tributário Nacional, art. 173, I)" (Destaquei). Embora o Acórdão n° CSRF/011.563 trate de imposto de renda na fonte e o Acórdão do T F.R. trate de contribuições previdenciárias, o entendimento exposto aplicase, em sua plenitude, ao caso dos autos, relativo ao FINSOCIAL/Faturamento, pois a tese levantada considera que a falta de pagamento antecipado, ou o pagamento em desacordo com a legislação aplicada, quanto ao montante e à época do recolhimento, autoriza o lançamento ex officio, sendo o direito de lançar regido pelo artigo 173 do CTN, já que, neste caso, não há fato passível de homologação. No caso presente, o período de apuração fiscalizado foi o do períodobase de 1984, exercício de 1985, cujo lançamento poderia ser realizado até o exercício 1990, inclusive. Logo, por força do artigo 173, I, do CTN, o direito de lançar extinguirseia com o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao em que o tributo poderia ter sido lançado (01/01/1986), com termo final em 31 de dezembro de 1990. Entretanto, considerando que a declaração de rendimentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica foi apresentada em 08/05/1985, segundo informação de fls 25, o termo final para que o Fisco pudesse efetuar o lançamento retroagiu a 08/05/1990, pela regra do artigo 173, parágrafo único, do CTN. Como a contribuinte foi cientificada da autuação em 31/01/1990, data consignada no Auto de Infração n°. 827/90, fls. 01, ainda não havia transcorrido o lustro decadencial. Como se pode ver, de acordo com o voto condutor do acórdão nº CSRF/01 03.215, a incidência do artigo 173, inciso I, do CTN impunhase ao caso então julgado, não porque a contribuição exigida no auto de infração é espécie de tributo sujeito a lançamento por homologação, mas por ter sido objeto de lançamento de ofício. Isso está mais claro na parte do voto onde se lê que "a homologação, expressa ou tácita, para que se dê, pressupõe uma atividade do contribuinte: o pagamento prévio determinado em lei. Sem ele não há fato homologável." Em seguida, o aresto destacado arremata com a assertiva de que, uma vez comprovada a "omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte, o lançamento é efetivado de ofício". Portanto, a tese jurídica que prevaleceu no voto nº CSRF/0103.215 não favorece a Fazenda Nacional, já que não é a mesma que almeja ver aplicada, por este colegiado, na solução do litígio em julgamento. Neste Recurso Extraordinário, a PGFN pleiteia a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN ao argumento de que o tributo cobrado nos presentes autos está sujeito à sistemática das antecipações obrigatórias, independentemente de prévio exame da autoridade administrativa, ou seja, exigência subjugada à disciplina normativa do lançamento por homologação. Porém, para o acórdão ofertado como paradigma, operase, em caso de descumprimento daquelas antecipações, um deslocamento do tributo para o regime do lançamento de ofício, ao qual estaria atrelado o artigo 173, inciso I, do CTN, no que diz Fl. 849DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 850 12 respeito ao prazo e o dies a quo relativos à decadência do direito estatal de constituir o crédito tributário. Assim, o aresto ofertado como paradigma em nada auxilia a pretensão da recorrente, pois a tese jurídica constitutiva da ratio decidendi do suposto paradigma é distinta da tese jurídica articulada no Recurso Extraordinário, razão pela qual devese rejeitar o acórdão trazido a lume com o objetivo de sustentar que o CARF, em algum momento, já acolhera a tese jurídica agora exposta na instância extraordinária. Desnecessário replicar o voto condutor do acórdão nº CSRF/0103.167, também redigido pelo exConselheiro Cândido Rodrigues Neuber, já que adota a mesma tese jurídica que orientou o acórdão nº CSRF/0103.215. A única diferença entre tais acórdãos reside no fato de que, neste último, debateuse sobre a decadência do lançamento de PIS/Faturamento, ao passo que, no primeiro, a discussão cingiuse à decadência do lançamento de Finsocial/Faturamento, embora sejam ambos referentes a períodos de apuração do ano calendário de 1984. No mais, os votos condutores dos citados arestos são absolutamente iguais. Por conseguinte, a tese jurídica consolidada no acórdão nº CSRF/0103.167 não é aquela que a PGFN quer ver adotada no caso em julgamento, motivo por que não se pode acolhêlo para fins de demonstração da divergência. Entendase que o Recurso Extraordinário previsto no artigo 43 do Regimento da CSRF, de 2007, sob os influxos do interesseutilidade, não se compatibiliza com a pretensão de se aplicar tese jurídica não confirmada em acórdão ofertado como paradigma. Isso porque, pela via do Recurso Extraordinário, admitiase, nos termos do Regimento da CSRF, de 2007, em caráter exclusivo, a dedução da pretensão de que o caso em julgamento viesse a ser decidido de acordo com a tese jurídica demonstrada em voto condutor do acórdão paradigma. Em face do exposto, não conheço do Recurso Extraordinário da PGFN. Caso vencido, prossigo no mérito. A questão a ser solucionada, no mérito, já está pacificada. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o REsp nº 973.733, na sistemática dos recursos repetitivos de que trata o artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973, assim decidiu: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 850DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 851 13 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." O Termo de Constatação e Verificação de Irregularidades, à fl. 465, remete a apuração das diferenças do PIS/PASEP lançadas de ofício, nos presentes autos, às planilhas de fls. 453/457. Nestas, é possível reparar que a Fiscalização efetuou o cotejo entre as bases de cálculo dos valores lançados em DCTF e as bases de cálculo deduzidas com base na escrituração do Livro de Registro de Saídas. Uma vez constatada a existência de diferenças não confessadas em DCTF, procedeuse ao lançamento de ofício para a cobrança dos valores não declarados, cobrindose, neste lançamento, fatos geradores ocorridos entre setembro/1995 a maio de 1999 e entre outubro e dezembro/1999. Em sede de Recurso Especial, a Segunda Câmara da CSRF proclamara decisão no sentido de que o lançamento de ofício já havia sido fulminado pela decadência, em relação aos fatos geradores anteriores a setembro/1996. Na instância extraordinária, a PGFN reclama o afastamento da decadência para os fatos geradores compreendidos no período entre dezembro/1995 e agosto/1996. Para a solução da controvérsia posta, impende sublinhar, antes de tudo, que o recorrido tomou ciência do lançamento de ofício no dia 27/08/2001, à fl. 487. Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 852 14 A contribuição para o PIS/PASEP exigida no auto de infração ora contestado é tributo que se conforma à sistemática do lançamento por homologação, porquanto, em consonância com o artigo 150 do CTN, a lei atribui ao sujeito passivo da obrigação tributária o dever de antecipar o pagamento da referida exação, sem o prévio exame da autoridade administrativa. Ademais, na instância ordinária, onde se exauriu a instrução probatória, restou comprovado, conforme relata o voto condutor do acórdão nº 20178.424, do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, à fl. 606, que, “no caso sob exame, houve pagamento antecipado ou parcelamento de débitos em todos os períodos de apuração levantados pela Fiscalização”. Com efeito, essa afirmação é ratificada pela planilha elaborada pelo autuante às fls. 458/459. Sendo assim, devese reconhecer a decadência do lançamento tributário somente para os fatos geradores ocorridos entre dezembro de 1995 e julho de 1996, já que, consoante a tese jurídica orientadora do mencionado acórdão proclamado no julgamento do Resp nº 973.733, devese aplicar ao caso em exame o artigo 150, § 4º, do CTN, porquanto, não se tratando de dolo, fraude ou simulação, o pagamento exigido em lei foi parcialmente efetuado ou o débito declarado em DCTF. Ressaltese, todavia, que a maioria dos Conselheiros deste Pleno entende que a tese jurídica adotada pelo STJ é consistente com a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN apenas aos casos em que a lei prevê o pagamento e este é realizado, ainda que parcialmente, desde que não se trate de dolo, fraude ou simulação. Diante disso, o fato gerador correspondente ao mês de agosto de 1996, que se considera consumado no último dia desse mês (dia 31/08/1996), não está abarcado pela decadência, pois o autuado tomou ciência do lançamento de ofício no dia 27/08/2001, isto é, anteriormente ao término do prazo de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador, em consonância com o já mencionado artigo 150, § 4º, do CTN. Portanto, uma vez vencido na preliminar, dou provimento parcial ao Recurso Extraordinário da PGFN para afastar a decadência do lançamento em relação ao mês de agosto de 1996. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 853 15 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Peço vênia para discordar o i. Relator em relação à admissibilidade do recurso especial da PGFN. Foi externada preocupação em relação ao fato de uma possível incongruência entre a tese defendida pela PGFN no mérito e no paradigma apresentado. Entendeu o i. Relator que no paradigma foi defendida tese no sentido de que, no lançamento por homologação, o que se homologa é o pagamento, e não havendo pagamento, cabe lançamento de ofício, razão pela qual se aplica o art. 173, inciso I do CTN. Por sua vez, ao adentrar no mérito aduz o i. Relator Neste Recurso Extraordinário, a PGFN pleiteia a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN ao argumento de que o tributo cobrado nos presentes autos está sujeito à sistemática das antecipações obrigatórias, independentemente de prévio exame da autoridade administrativa, ou seja, exigência subjugada à disciplina normativa do lançamento por homologação. Porém, para o acórdão ofertado como paradigma, operase, em caso de descumprimento daquelas antecipações, um deslocamento do tributo para o regime do lançamento de ofício, ao qual estaria atrelado o artigo 173, inciso I, do CTN, no que diz respeito ao prazo e o dies a quo relativos à decadência do direito estatal de constituir o crédito tributário. Assim, o aresto ofertado como paradigma em nada auxilia a pretensão da recorrente, pois a tese jurídica constitutiva da ratio decidendi do suposto paradigma é distinta da tese jurídica articulada no Recurso Extraordinário, razão pela qual devese rejeitar o acórdão trazido a lume com o objetivo de sustentar que o CARF, em algum momento, já acolhera a tese jurídica agora exposta na instância extraordinária. Passo ao exame, discorrendo sobre dois aspectos. Primeiro, sobre o que se caracteriza como divergência. No presente caso, entendo que o cerne da discussão consiste em, se ausente o pagamento, qual dispositivo se deve aplicar, o art. 150, §4º do CTN, ou o art. 173 do CTN. Outra coisa é discutir a tese que ampara cada uma das pretensões. Como se sabe, a matéria no decorrer do tempo sofreu inúmeras apreciações, com diferentes interpretações, consolidandose recentemente com o REsp nº 973.733, julgado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos de que trata o artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973. Para fins de admissibilidade, logrou a PGFN demonstrar um paradigma que apresentou interpretação divergente com a do acórdão recorrido. Ponto central é a existência ou não do pagamento, e isso foi debatido nas decisões recorrida e paradigma, cada qual externando um entendimento. Observase que no recorrido, discorre a decisão que o art. 150, §4º, é aplicável independentemente de haver pagamento ou não do tributo em questão. Por sua vez, no paradigma, entendese que a ocorrência de pagamento é fator crucial, porque, não ocorrendo o recolhimento, não há que se falar em homologação, e por isso o lançamento deve ser de ofício no qual se aplica o art. 173, inciso I do CTN. Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 854 16 Ora, tal confronto já é suficiente para caracterizar a divergência para fins de admissibilidade do recurso. Segundo, da leitura do recurso extraordinário da PGFN, compreendi que no mérito defendese a tese apresentada pelo paradigma. Transcrevo excerto do recurso, no mérito: O entendimento desta Procuradoria é que este dispositivo só se aplica no caso de ter havido pagamento adiantado do crédito tributário. em não havendo recolhimento, não há o que se homologar, tratando a questão de simples lançamento ex officio a ser feito com espenque no artigo 149, V, do CTN, sendo o termo inicial o prazo decadencial aquele previsto no artigo 173, I, do CTN. (...) Dando ensejo ao presente recurso extraordinário, a douta Primeira Turma desta Câmara Superior, diverge do entendimento abraçado pela Segunda Turma, conforme se pode perceber os paradigmas colacionados acima. Estes perfilham a mesma tese ora esposada, entendendo que na falta de pagamento a hipótese é de lançamento ex officio, regendose o instituto da decadência pelo disposto no art. 173, inciso I, do CTN. (...) Consoante essa linha de interpretação, o art. 150, § 4º do CTN estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um pagamento antecipado. Não existindo tal pagamento, o lançamento se dá de ofício, com fulcro no art. 149, V, do CTN. Portanto, o lançamento de ofício de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I do CTN, e não o prazo do art. 150, § 4º, aplicável na hipótese de efetiva antecipação de pagamento. (Grifei) Na sequência, a PGFN apresenta as conclusões do parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, mas num contexto de argumentação complementar. Diz a PGFN: Acrescentese, ainda, as ponderações e conclusões jurídicas do parecer(...). Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 855 17 Fl. 855DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.721113/2014-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011
DISPONIBILIZAÇÃO E/ OU TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS FINANCEIROS A OUTRA PESSOA JURÍDICA
A disponibilização e/ ou a transferência de recursos financeiros a outras pessoas jurídicas, ainda que realizadas, sem contratos escritos, mediante a escrituração contábil dos valores cedidos e/ ou transferidos, constitui operação de mútuo sujeita à incidência do IOF.
Numero da decisão: 9303-005.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 DISPONIBILIZAÇÃO E/ OU TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS FINANCEIROS A OUTRA PESSOA JURÍDICA A disponibilização e/ ou a transferência de recursos financeiros a outras pessoas jurídicas, ainda que realizadas, sem contratos escritos, mediante a escrituração contábil dos valores cedidos e/ ou transferidos, constitui operação de mútuo sujeita à incidência do IOF.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13603.721113/2014-17
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5796679
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.583
nome_arquivo_s : Decisao_13603721113201417.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : VANESSA MARINI CECCONELLO
nome_arquivo_pdf_s : 13603721113201417_5796679.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
id : 6999833
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737205121024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1822; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13603.721113/201417 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.583 – 3ª Turma Sessão de 17 de agosto de 2017 Matéria IOF MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS Recorrente ITAMINAS COMÉRCIO DE MINÉRIOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 DISPONIBILIZAÇÃO E/ OU TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS FINANCEIROS A OUTRA PESSOA JURÍDICA A disponibilização e/ ou a transferência de recursos financeiros a outras pessoas jurídicas, ainda que realizadas, sem contratos escritos, mediante a escrituração contábil dos valores cedidos e/ ou transferidos, constitui operação de mútuo sujeita à incidência do IOF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 11 13 /2 01 4- 17 Fl. 671DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte ITAMINAS COMÉRCIO DE MINÉRIOS S/A (fls. 633 a 643) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, buscando a reforma do Acórdão nº 3201002.138 (fls. 615 a 625) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 27/04/2016, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. IOF. FALTA DE RECOLHIMENTO. OPERAÇÕES DE MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS As operações de crédito correspondentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitamse à incidência do imposto Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 4 3 segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado O presente processo tem origem em Auto de Infração (fls. 433 a 442), e respectivo Termo de Verificação Fiscal (fls. 443 a 459), lavrado para exigência de IOF Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários acrescido de juros de mora e multa de ofício, em razão da falta de cobrança e recolhimento do imposto sobre operações de repasse de recursos em dinheiro, efetuado a pessoas ligadas, caracterizadas como operações de mútuo. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 443 a 459), a Fiscalização consigna que, na análise da escrituração contábil da empresa, verificou a existência de contas no Ativo (conta contábil nº 1.2.01.01) representativas de operações de mútuo, no período de 2010 e 2011, não tendo havido a entrega dos contratos de mútuo pela Contribuinte, a qual apresentou interpretações da legislação sobre a matéria. Na análise das operações, a Autoridade Fiscal acrescentou que: [...] Salientese que a empresa possui uma conta contábil específica para aumento de capital (nº 1.2.01.04), porém a mesma não teve movimentação no período fiscalizado. Constatase que os mútuos foram concedidos na forma de “principal não definido”, incidindo o IOF conforme o art. 7º, inciso I, alínea “a” do Decreto nº 6.306/2007. O IOF devido nesses casos deverá ser calculado relativamente a cada valor entregue ou colocado à disposição do mutuário durante o mês (ele é apurado e devido mensalmente), tomandose por base, consoante o disposto no art. 7º, inciso I, alínea “a”, do Decreto nº 6.306/2007, o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. Ou seja, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. Destacase, ainda, o disposto nos §§ 15 e 16 do art. 7º do Regulamento do IOF, incluídos pelo Decreto n° 6.339, de 2008, que trata da alíquota adicional de trinta e oito centésimos por cento, e produz efeitos em relação às operações contratadas a partir de 03.01.2008. Extraímos, a partir da contabilidade do contribuinte, os razões das contas contábeis de créditos com controladas e coligadas (CC 1.2.01.01) e adiantamentos a acionistas (CC 1.2.03.01). Fl. 673DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 5 4 Elaboramos as planilhas DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IOF AC 2010 E AC 2011 com o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês e somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores (anexos ao processo). Deve ser esclarecido que não houve qualquer retenção, recolhimento ou declaração de IOF no período fiscalizado. Diante disto foi lavrado Auto de Infração para constituição do crédito tributário devido referente ao IOF incidente nas Operações de Mútuo, conforme calculado nas planilhas anexas APURAÇÃO DO IOF AC 2010 E AC 2011, que apresenta o demonstrativo consolidado da base de cálculo do IOF e do adicional operações de mútuo principal não definido de todas as mutuárias nos anos de 2010 e 2011. Sobre os valores lançados foi aplicada multa de ofício de 75%, conforme artigo 44, inciso I da Lei 9.430/1996. Todos os cálculos, atualizações e base legal se encontram no Auto de Infração correspondente. [...] Após intimada da autuação, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 464 a 565), julgada improcedente e mantido o crédito tributário, consoante Acórdão nº 0649.709 da 2ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, de 23 de outubro de 2014 (fls. 570 a 591), cujos fundamentos foram sintetizados na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Data do fato gerador: 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 Ementa: NULIDADE Não se cogita acerca de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. IRREGULARIDADE. LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle da ação fiscal, que não faz parte do auto de infração ou do processo administrativo fiscal. Qualquer irregularidade porventura encontrada naquele documento não causa qualquer prejuízo ao sujeito passivo, pelo que não tem o condão de macular o lançamento. CONSTITUCIONALIDADE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para análise de Fl. 674DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 6 5 argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, de apreciação exclusiva do Poder Judiciário, restringindose o contencioso administrativo ao controle de legalidade dos atos praticados pelos agentes do fisco. CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. INCIDÊNCIA DO IOF. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre quaisquer pessoas jurídicas ou entre qualquer pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF, ainda que o concedente do crédito não seja instituição financeira nem entidade a ela equiparada. OPERAÇÃO DE MÚTUO. CONTACORRENTE CONTÁBIL. AUSÊNCIA DE PRAZO E DE VALOR PREVIAMENTE FIXADOS. BASE DE CÁLCULO. SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO. Os mútuos de recursos financeiros realizados entre pessoas jurídicas, seja o mutuante instituição financeira ou não, sujeitamse à incidência de IOF, ainda que os mútuos tenham sido operacionalizados por meio de contascorrentes registrados em conta do ativo realizável, sem formalização de contrato e sem prazo fixado para o pagamento. A base de cálculo do imposto é a somatória dos saldos devedores diários apurada no último dia de cada mês, quando não houver fixação prévia do valor do principal a ser utilizado pelo mutuário. O responsável pela retenção e recolhimento do imposto é a pessoa jurídica que concedeu o crédito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra referida decisão, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 598 a 612), ao qual foi negado provimento nos termos do Acórdão nº 3201002.138 (fls. 615 a 625) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 27/04/2016, ora recorrido, por ter entendido a maioria do Colegiado, no ponto objeto do presente recurso, que as operações de crédito referentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas estão sujeitas à incidência do IOF, sendolhes aplicáveis as mesmas normas relativas às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 633 a 643), alegando divergência jurisprudencial quanto à exigência de IOF sobre operações realizadas entre pessoas jurídicas não financeiras, caracterizadas como contratos de conta Fl. 675DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 7 6 corrente. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou o acórdão paradigma nº 3101 001.094. Nas razões recursais, a Contribuinte ITAMINAS sustenta, em síntese, que: (a) não houve nenhuma contratação de mútuo entre ela e suas controladas, mas apenas "Contra de contacorrente" pelo qual a recorrente administra o caixa do Grupo Econômico e efetua os pagamentos das despesas das empresas que não são operacionais; (b) no contrato de mútuo, o credor empresta coisa fungível ao devedor, o qual se obriga a restituir coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, tendo, entretanto, a prerrogativa de realizar as operações que melhor lhe aprouver com os valores emprestados; (c) de outro lado, no contrato de contacorrente as partes podem estar simultaneamente na posição de credor e devedor, conferindolhe a característica de contrato bilateral, com direitos e obrigações recíprocas. No entanto, aquele que estiver de posse do numerário tem a obrigação de o utilizar para o que for determinado pela controladora e/ou coligada, não podendo dispor livremente dos recursos; (d) frente às diferenças existentes entre as duas modalidades de contratação, não poderia o Fisco presumir o contrato que ali se opera, unicamente a partir de saldo contábil, para fazer incidir o IOF; (e) todos os saldos repassados às empresas controladas foram devidamente utilizados para a capitalização das respectivas sociedades, fato que atesta, por si só, a inexistência de operação sujeita à incidência do IOF, sendo imperioso o cancelamento do auto de infração; (f) requer seja provido o recurso especial e, por conseguinte, cancelado o auto de infração. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho s/nº, de 29 de julho de 2016 (fls. 657 a 659), proferido pelo ilustre Presidente da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação à incidência de IOF nas operações financeiras realizadas entre empresa controladora e sua controlada, sendo que o acórdão recorrido entendeu trataremse de operações de mútuo, e o paradigma consigna serem as operações contratos de contacorrente, afastando a incidência do imposto. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 661 a 669) postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 676DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte ITAMINAS COMÉRCIO DE MINÉRIOS S/A atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. No mérito, cingese a controvérsia a definirse se as operações realizadas entre a empresa autuada e sua controladora caracterizamse como contrato de mútuo ou como operações de contacorrente, e, por conseguinte, se há ou não incidência do IOF. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, no caso dos autos, a Contribuinte, nos anoscalendário de 2010 e 2011, efetuou o repasse de numerários para as suas empresas controladas. A Fiscalização interpretou referidas transações como operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, sujeitandoas à incidência do IOF nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779/1999, mesma norma aplicada às operações de financiamentos e empréstimos efetuadas pelas instituições financeiras, segundo a qual: Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1º Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2º Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3º O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. O ponto central da análise do recurso especial está, portanto, em definirse se as operações financeiras efetuadas entre a controladora e a controlada têm natureza jurídica de mútuo de recursos financeiros, atraindo a incidência do IOF consoante art. 13 da Lei nº 9.779/99, anteriormente citado, ou se constituem em remessas recíprocas de valores, a"crédito" e "débito", em uma só conta, caracterizando o contrato de contacorrente, este autônomo em relação ao mútuo, e não havendo a incidência do IOF. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 9 8 O art. 153, inciso V, da Constituição Federal outorgou à União a competência para instituir imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários. Temse, portanto, estabelecidas quatro bases econômicas para a incidência do tributo: operações de crédito; operações de câmbio; operações de seguro e operações relativas a títulos ou valores mobiliários. Assim, o IOF incidirá sobre os negócios jurídicos que tenham como objeto referidos bens ou valores crédito, câmbio, seguro ou títulos e valores mobiliários. A Lei nº 5.143/1966 instituiu o IOF sobre crédito e seguro, cabendo ao Banco Central do Brasil a competência para fiscalização e arrecadação. Posteriormente, foi sancionado o Código Tributário Nacional, a Lei nº 5.172/66, com status de lei complementar, a qual, ao tratar do Imposto sobre Operações Financeiras, Câmbio e Seguro e sobre Operações relativas a Títulos e Valores Mobiliários (arts. 63 a 67), estabeleceu o fato gerador e a base de cálculo do tributo, o contribuinte e sobre a competência do Poder Executivo para alterar a alíquota do imposto. O art. 1ª da Lei nº 5.143/66 estabeleceu a hipótese de incidência do IOF crédito, nos seguintes termos: "o imposto sobre operações financeiras incide nas operações de crédito e seguro, realizadas por instituições financeiras e seguradoras, e tem como fato gerador: I no caso de operações de crédito, a entrega do respectivo valor ou sua colocação à disposição do interessado; [...]". O art. 2º, inciso I, do referido diploma legal, por sua vez, definiu como base de cálculo do tributo, nas operações de crédito, "o valor global dos saldos das operações de empréstimos, de abertura de crédito e de desconto de títulos, apurados mensalmente; [...]". Foram determinados, ainda, como contribuintes do imposto os tomadores de crédito, e como responsáveis as instituições financeiras referidas no art. 17 da Lei nº 4.595/64, consoante o disposto nos artigos 4º e 5º, ambos da Lei nº 5.143/66. As referidas normas são compatíveis com o art. 153, inciso V, da Constituição Federal de 1988 e artigos 63, inciso I e 64, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. Nessa esteira, a Constituição Federal de 1988, em seu art. 153, inciso V, ao reestruturar o Sistema Tributário Nacional, manteve o IOF como imposto de competência da União. A legislação do IOF foi recepcionada pela Carta Magna, consoante art. 34, §5º do ADCT Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. O IOF foi regulamentado pelo Decreto nº 2.219/1997, revogado e substituído pelo Decreto nº 4.494/2002, o qual, por sua vez, foi revogado e substituído pelo Decreto nº 6.306/2007, atualmente em vigor, e que traz as quatro incidências do IOF no art. 2º1. 1 Decreto nº 6.306/07. Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras (Lei no 5.143, de 20 de outubro de 1966, art. 1o); b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring) (Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 15, § 1o, inciso III, alínea “d”, e Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 58); c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13); II operações de câmbio (Lei no 8.894, de 21 de junho de 1994, art. 5o); III operações de seguro realizadas por seguradoras (Lei no 5.143, de 1966, art. 1o); IV operações relativas a títulos ou valores mobiliários (Lei no 8.894, de 1994, art. 1o); V operações com ouro, ativo financeiro, ou instrumento cambial (Lei no 7.766, de 11 de maio de 1989, art. 4o). § 1º A incidência definida no inciso I exclui a definida no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 63, parágrafo único). Fl. 678DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 10 9 Com relação à incidência do IOF sobre operações de crédito, o art. 63, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN estabelece como fato gerador a entrega total ou parcial ou colocação do montante ou valor à disposição do tomador, in verbis: Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; II quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este; III quanto às operações de seguro, a sua efetivação pela emissão da apólice ou do documento equivalente, ou recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável; IV quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários, a emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da lei aplicável. Parágrafo único. A incidência definida no inciso I exclui a definida no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito. Com a superveniência do art. 13 da Lei nº 9.779/1999, houve o alargamento do campo de incidência do IOF, passando a abranger também operações de crédito, entendidas como mútuo de recursos financeiros, realizadas entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, ainda que não de natureza financeira. O IOFcrédito passou a abranger operações de mútuo fora do âmbito do mercado financeiro, limitandose, no entanto, o campo de incidência às operações de crédito correspondentes a "mútuo de recursos financeiros". Para regulamentar o IOFcrédito, está em vigor o Decreto nº 6.306/2007, com alterações posteriores à sua edição, que estabelece em seu art. 3º, §3º 2 as operações de crédito § 2º Excluise da incidência do IOF referido no inciso I a operação de crédito externo, sem prejuízo da incidência definida no inciso II. § 3º Não se submetem à incidência do imposto de que trata este Decreto as operações realizadas por órgãos da administração direta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e, desde que vinculadas às finalidades essenciais das respectivas entidades, as operações realizadas por: I autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; II templos de qualquer culto; III partidos políticos, inclusive suas fundações, entidades sindicais de trabalhadores e instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. 2 Decreto nº 6.306/2007. Art. 3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei no 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 1º Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; Fl. 679DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 11 10 que estariam sujeitas à incidência do referido imposto, consolidando o disposto na legislação vigente sobre a matéria Lei nº 5.143/66, Decretolei nº 1.783/80 e Lei nº 9.532/97. Nos termos do Decreto nº 6.306/07, portanto, são integrantes do conceito de operações de crédito: (a) as operações de empréstimos, abertura de crédito e desconto de títulos, todas realizadas por instituições financeiras; (b) as operações de factoring, e (c) as operações de mútuo de recursos financeiros, referidas no art. 13 da Lei nº 9.779/99. Para compreensão do campo de incidência do IOF sobre as operações de crédito, necessário delimitarse o conceito de "operações de crédito", adotado em sentido restrito pela legislação tributária. Elucidativa é a lição do saudoso jurista Alberto Xavier 3, nos seguintes termos: [...] Sucede que, no que concerne ao caso peculiar de operações realizadas por pessoas jurídicas não financeiras, a lei ordinária (Lei nº 9.779/1999) voltou de novo a autolimitarse, restringindo o âmbito de incidência ao conceito bem mais restritivo de "mútuo de recursos financeiros". Tivesse a lei ordinária adotado o conceito amplo de "operação de crédito", com raízes na lei constitucional e na lei complementar, poderseia sustentar, com alguma verossimilhança, que os fluxos financeiros realizados por uma parte poderiam subsumirse em tal conceito, na medida em que poderiam representar um diferimento no tempo de uma prestação, para usar o clássico conceito de "operação de crédito" de João Eunápio Borges. Com efeito, o conceito de "operação de crédito" foi entre nós objeto de clara lição pelo referido autor. "Em qualquer operação de crédito o que sempre se verifica é a troca de um valor presente e atual por um valor futuro. Numa venda a prazo, o vendedor troca a mercadoria o valor presente e atual pela promessa de pagamento a ser feito futuramente pelo comprador. No mútuo ou em qualquer II no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, contratualmente, a liberação parcelada; III na data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito; IV na data do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior; V na data em que se verificar excesso de limite, assim entendido o saldo a descoberto ocorrido em operação de empréstimo ou financiamento, inclusive sob a forma de abertura de crédito; VI na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios assemelhados, observado o disposto nos §§ 7o e 10 do art. 7o; VII na data do lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. § 2º O débito de encargos, exceto na hipótese do § 12 do art. 7o, não configura entrega ou colocação de recursos à disposição do interessado. § 3º A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (DecretoLei no 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1o, inciso I); II alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo (Lei no 9.532, de 1997, art. 58); III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 1999, art. 13). 3 XAVIER, Alberto. A Distinção entre Contrato de Contacorrente e Mútuo de Recursos Financeiros para Efeitos de IOF. Revista Dialética de Direito Tributário, nº 208, fls. 15 a 26. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 12 11 modalidade de empréstimo, à prestação atual do credor corresponde a prestação futura do devedor. O crédito é, pois, economicamente, a negociação de uma obrigação futura; é a utilização dessa obrigação futura para a realização de negócios atuais. [...] Na noção de crédito estão implícitos os seguintes elementos: a) a confiança: quem aceita, em troca de sua mercadoria ou de seu dinheiro, a promessa de pagamento futuro, confia no devedor. Confiança que pode não repousar exclusivamente no devedor, mas em garantias pessoais (aval, fiança) ou reais (penhor, hipoteca, etc.) que ele ofereça em segurança da oportuna realização da prestação futura a que se obrigou; mas, de qualquer forma, é sempre a confiança elemento essencial do crédito; b) o tempo, constituindo o prazo, o intervalo, o período que medeia entre a prestação presente e atual e a prestação futura. [...]" Mesmo, porém, em sentido amplo, o contrato da contacorrente apenas se pode subsumir no conceito de operação de crédito no momento e por ocasião do encerramento da conta, pois até esse momento é latente um estado de indeterminação absoluta da quantia a restituir e da pessoa a quem cabe a restituição [....]. (grifouse) As operações de crédito, em sentido amplo, portanto, são todos os negócios jurídicos em que uma das partes efetua prestação presente, confiando em uma contraprestação futura. Os elementos da confiança e do tempo estão presentes em todas as operações de IOF eleitas pelo legislador como operações de crédito: empréstimos, abertura de crédito, desconto de títulos realizadas por instituições financeiras, operações de factoring e mútuo de recursos financeiros. Assim, no que concerne às operações realizadas por pessoas jurídicas não financeiras, verificase ter a Lei nº 9.779/99 restringido o âmbito de incidência do IOF ao conceito restrito de "mútuo de recursos financeiros", cabendo averiguarse a hipótese de referida expressão contemplar os negócios jurídicos que, mesmo não se caracterizando como mútuo no sentido técnico e jurídico, possam ter efeitos econômicos semelhantes aos da operação de crédito, como no caso dos contratos de contacorrente. Analisandose a lei fiscal, à luz dos institutos de Direito Civil, conforme determina a regra geral de hermenêutica contida no art. 110 4 do Código Tributário Nacional, a interpretação conferida pela Receita Federal que inclui o contrato de conta corrente dentre essas operações não está em consonância com o objetivo da Lei nº 9.779/99. Persistir na 4 Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 13 12 indevida imposição de tributação pelo IOF sobre os fluxos financeiros decorrentes de contratos de conta corrente, sob o argumento do art. 13 da Lei nº 9.779/99, representaria emprego de analogia vedada expressamente no art. 108, §1º do Código Tributário Nacional. Nessa esteira, importa traçar os conceitos de contrato de mútuo financeiro e do contrato de contacorrente, os quais levarão à conclusão da não incidência do IOF sobre este último. O contrato de mútuo financeiro encontra sua definição no art. 586 do Código Civil5, sendo um negócio jurídico bilateral no qual o mutuário é obrigado a devolver ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. O mútuo caracterizase, portanto, como sendo o empréstimo de coisas fungíveis. Além disso, tem como função econômica permitir que o mutuário utilize temporariamente da coisa fungível com obrigação de a restituir. Há, no contrato de mútuo, uma predeterminação das posições de credor e devedor, e do valor a restituir. Por sua vez, o contrato de conta corrente, embora não regulamentado no ordenamento jurídico pátrio, encontrase referido em leis esparsas. Há um contrato de conta corrente quando duas partes reúnem os seus negócios, efetuando a remessa de valores e transformam os seus créditos em artigos de "deve" e de "haver" (crédito e débito), sendo que somente no seu encerramento é verificado o saldo a pagar pela parte que restar devedora. Assim, apenas na liquidação do contrato de conta corrente poderseá definir a figura do devedor e o montante a ser pago. O negócio jurídico tem por função primordial, assim, "a organização de uma relação econômica continuativa entre duas ou mais partes que realizam entre si uma pluralidade de operações dando origem a fluxos financeiros recíprocos, de tal modo que só no encerramento da conta se faça a sua liquidação financeira pela diferença".6 O contrato de conta corrente apresenta as seguintes características próprias: (a) as partes são designadas de correntistas ou correspondentes; (b) constituemse nos fluxos financeiros as remessas efetuadas por um remetente em favor de um recipiente; (c) a contabilização dos referidos fluxos financeiros é feita na forma de artigos ou partidas de "deve" e "haver"; e (d) encerrase a conta por meio de balanço provisório ou definitivo buscando apurar o saldo decorrente da soma aritmética dos artigos ou partidas de "deve" e "haver". Diversamente do contrato de mútuo, a contratação de conta corrente é irrevogável e indivisível, sendo que: a irrevogabilidade está no fato de o fluxo financeiro perder a sua autonomia como crédito isolado e independente, e só poder ser liquidado quando houver o balanço final; e a indivisibilidade significa serem os artigos de "deve" e "haver" um todo indivisível, não podendo ser reclamados individualmente. Nessa forma de contratação, ainda, não há predeterminação das figuras de "credor" e "devedor", nem mesmo do valor a ser liquidado por diferença, pois dependerá das remessas feitas pelas partes na vigência do contrato. Os contratos de contacorrente, portanto, distanciamse das operações de crédito, pois não resultam em obrigações creditícias entre as partes envolvidas, ou pelo menos até a sua conclusão. Na prática contratual em referência, verificase a escrituração contábil de 5 Código Civil de 2002. Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. 6 XAVIER, Alberto. A Distinção entre Contrato de Contacorrente e Mútuo de Recursos Financeiros para Efeitos de IOF. Revista Dialética de Direito Tributário, nº 208, fls. 15 a 26. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 14 13 créditos e débitos em razão de movimentações de recursos financeiros recíprocos, não havendo a obrigatoriedade de restituição de coisa da mesma espécie, qualidade e quantidade, o que ocorre nos contratos de mútuo ou em outras operações de crédito. Por meio do art. 13 da Lei nº 9.779/99, a extensão dada ao IOF pelo legislador, dentro das operações de crédito, foi tão somente para abarcar a espécie operações de mútuo, excluindose os contratos de contacorrente. Nessa linha relacional, o parágrafo 1º do dispositivo legal em referência não determina o fato gerador do IOF, mas sim o momento em que se considera como ocorrida a operação tributável, correspondente à realização do mútuo. Entendese não haver o alargamento da previsão de incidência de IOF para qualquer operação de crédito efetuada entre pessoas jurídicas não financeiras, como é o caso dos contratos de contacorrente entre empresas do mesmo grupo econômico. Ocorre que as operações financeiras efetuadas entre as empresas coligadas ora em análise caracterizamse como contratos de contacorrente, por meio dos quais são gerenciados os recursos financeiros do grupo econômico de forma consolidada, não se sujeitando, portanto, à incidência do IOF nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779/997. Devese ter em conta também que não ficou evidenciado no caso dos autos que a transferência de recursos deuse tão somente com propósito fiscal. Nos grupos econômicos, a empresa holding tem a função de, além de participar do capital das demais, oferecer recursos imprescindíveis à sobrevivência das controladas e coligadas. Não se trata de um empréstimo propriamente dito, mas sim de administrar e/ou gerenciar o caixa e os recursos bens, títulos ou dinheiro do mesmo grupo de empresas. A caracterização das operações negociais efetuadas entre pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico não pode ficar ao exclusivo critério da Receita Federal. Afastam a hipótese de incidência do IOF, ainda, as seguintes considerações: o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07, de 22 de junho de 1999, não espelha entendimento de estarem abrangidos no campo de incidência do IOF os contratos de conta correntes sob o fundamento de que albergariam mútuo de recursos financeiros. Dispõe o ato administrativo estarem sujeitos ao art. 13 da Lei nº 9.779/99, isto sim, os mútuos de recursos financeiros efetuados sob a forma contábil de uma conta corrente. Referido Ato Declaratório, ainda, foi revogado pela IN RFB nº 907, de 09 de janeiro de 2009; na hipótese de haver a estipulação de juros, não é elemento relevante para a caracterização do contrato como mútuo. Assim, não deve incidir o IOF sobre os contratos de contacorrente praticados entre empresas do mesmo grupo econômico, por não estarem enquadrados nas hipóteses previstas no art. 13 da Lei º 9.779/99. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. 7 A título de nota, a discussão relativa à constitucionalidade do art. 13 da Lei nº 9.779/99 está sendo travada perante o Supremo Tribunal Federal, em sede de repercuassão geral, no recurso extraordinário nº 590.186/RS, encontrandose os autos conclusos ao Relator desde 16/09/2016. Além disso, está pendente de julgamento, também no âmbito do Supremo Tribunal Federal, tratando do mesmo tema, a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1763, ajuizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo CNC em 19/01/1998. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 15 14 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno da incidência do IOF sobre operações de repasse de recursos em dinheiro pela autuada para empresas controladas e coligadas, contabilizadas em contas contábeis de créditos com essas empresas (CC 1.2.01.01) e adiantamento a acionistas (CC 1.2.03.01). A legislação tributária que regulamenta o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos e Valores Mobiliários – IOF sobre operações de mútuos entre pessoas jurídicas, assim dispõe: Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999: “Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1º Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2º Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3º O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador.” Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007: “Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: (...); c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13); (destaque não original) Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 16 15 (...). § 2o Excluise da incidência do IOF referido no inciso I a operação de crédito externo, sem prejuízo da incidência definida no inciso II. § 3o Não se submetem à incidência do imposto de que trata este Decreto as operações realizadas por órgãos da administração direta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e, desde que vinculadas às finalidades essenciais das respectivas entidades, as operações realizadas por: I autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; II templos de qualquer culto; III partidos políticos, inclusive suas fundações, entidades sindicais de trabalhadores e instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei." Art.7o A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei no8.894, de 1994, art. 1o, parágrafo único, e Lei no 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: (...). § 13. Nas operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica, mas que, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, seja o mutuário pessoa física ou jurídica, as alíquotas serão aplicadas na forma dos incisos I a VI, conforme o caso.” (destaque não original) Já IN RFB nº 907, de 2009, que trata do assunto, assim dispõe: Art. 7º O IOF incidente sobre operações de crédito concedido por pessoas jurídicas não financeiras, de que trata o art. 13 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 17 16 § 1ºO imposto de que trata o caput tem como: I contribuinte, o mutuário, pessoa física ou jurídica; II fato gerador, a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do mutuário; e III base de cálculo, o valor entregue ou colocado à disposição do mutuário. § 2º Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem definição do valor de principal, a base de cálculo será o somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês. (destaque não original) § 3º Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente em que fique definido o valor do principal, a base de cálculo será o valor de cada principal entregue ou colocado à disposição do mutuário. (destaque não original) (...). Ora, os dispositivos legais citados e transcritos determinam a cobrança do IOF sobre operações de créditos correspondentes a mútuos de recursos financeiros, como no presente caso. Ao contrário do entendimento da interessada, para caracterizar o mútuo não é necessário a realização de contrato escrito nem a cobrança de juros sobre a quantia cedida e/ ou disponibilizada, basta a transferência de recursos a outra pessoa jurídica. Configura mútuo financeiro qualquer operação que importe na transferência de recursos financeiros de uma pessoa jurídica para outra, sejam estes recursos transferidos diretamente (exemplo a transferência de dinheiro, em espécie e/ ou depósitos bancários e o mutuário saca) ou indiretamente (a mutuante transfere recebíveis e/ ou valores mobiliários e o mutuário efetiva seu resgate ou vende ficando com os valores à sua disposição). No presente caso, ficou demonstrado, mediante documentos contábeis e reconhecidos pela própria interessada que houve transferência de recursos financeiros para suas empresas coligadas. Todas as operações foram escrituradas em sua contabilidade. O Parecer Normativo CST nº 23, de 1983, já se manifestara sobre a caracterização de operações de mutuo assim dispondo: “2.1 – Não tem relevância a forma pela qual o empréstimo se exteriorize; contrato escrito ou verbal, adiantamento de numerário ou simples lançamento em conta corrente, qualquer feito que configurar capital posto à disposição de outra sociedade sem remuneração, ou com compensação financeira inferior àquela estipulada na lei, constitui fundamento para aplicação da norma legal.” Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 18 17 Corroborando esse entendimento, foi editado o Ato Declaratório nº 30, de 24/03/1999, que assim declara: “Art. 1º. O IOF previsto no art. 13 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma, e quando o mutuante for pessoa jurídica” Também o Ato Declaratório SRF nº 07, de 22/01/1999, esclareceu que se incluem na incidência do IOF sobre operações de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, prevista no art. 13 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, aquelas sem prazo de vencimento definido e realizadas por meio de conta corrente. A título de esclarecimento, cabe citar e transcrever o entendimento do antigo Segundo Conselho de Contribuintes sobre esta mesma matéria, nos termos da ementa do Acórdão nº 20402.386, de 26/04/2007, conforme segue: “IOF. MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. INCIDÊNCIA DO IOF. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre quaisquer pessoas jurídicas ou entre qualquer pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF, ainda que o concedente do crédito não seja instituição financeira nem entidade a ela equiparada. Recurso Negado.” Neste mesmo sentido assim decidiu o STJ no RESP nº 1.239.101/RJ, cuja ementa transcrevo abaixo: TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. 1. O art. 13, da Lei n. 9.779/99 caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas" e não a específica operação de mútuo. Sendo assim, no contexto do fato gerador do tributo devem ser compreendidas também as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas com a previsão de concessão de crédito. (Destaquei) 2. Recurso especial não provido. Dessa forma, demonstrado que a recorrente realizou operações de créditos que, para todos os efeitos, se enquadram como empréstimos efetuados a suas coligadas, tais operações sujeitamse ao IOF, nos termos diploma legais citados e transcritos anteriormente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 13603.721113/201417 Acórdão n.º 9303005.583 CSRFT3 Fl. 19 18 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 688DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003139/2008-99
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10640.003139/2008-99
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5827862
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.035
nome_arquivo_s : Decisao_10640003139200899.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE HENRIQUE BACKES
nome_arquivo_pdf_s : 10640003139200899_5827862.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
id : 7107024
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737229238272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1450; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.003139/200899 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.035 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de outubro de 2017 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente AECIO FLAVIO MEIRELLES DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 31 39 /2 00 8- 99 Fl. 161DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolida se administrativamente o lançamento relativo à matéria não impugnada (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 17), devendo, por conseguinte, ser procedida a cobrança imediata do crédito tributário correspondente. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Firmase plena convicção de que resta indevida a dedução de despesas médicas pleiteada pelo contribuinte, quando esse não demonstra os efetivos pagamentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os de que os gastos seriam elevados e que não teria sido comprovada a efetividade do pagamento, verbis: Intimado a comprovar a efetividade da prestação dos serviços informados em sua declaração a titulo de despesas médicas, mediante a apresentação de fichas ou laudos médicos, hospitalares, odontológicos ou assemelhados e/ou outro meio de prova disponível) bem como a efetividade da entrega dos recursos para esse mesmo fim despendidos, através de documentação bancária (cópia de cheques nominais microfilmados, extratos bancários em que constem saques com compatibilidade de datas e valores, ordens de pagamento ou transferências eletrônicas), declarados como pagos a: Christiano Sarmento Nunes (dentista), Liliana Fajardo Oliveira (fisioterapeuta), Cristiane Medina Fortes (dentista), Enedina Carla de Oliveira Siviero (fonoaudiologa) e Luciana Cetrim de Almeida Matos (psicóloga), o contribuinte limitouse a apresentar declarações lavradas pelos respectivos ' profissionais do tipo de tratamento realizado, embora tais documentos tenham o Ê mesmo valor probatório dos recibos por ele apresentados. constam das referidas declarações que todos os pagamentos foram efetuados em dinheiro. Não foram apresentados os extratos bancários que poderiam comprovar os saques. Sequer um único pagamento foi efetuado em cheque, embora a declarante receba seus rendimentos de pessoas jurídicas, depositados em conta bancaria. Diante do exposto, por falta de comprovação do efetivo pagamento, todas as despesas declaradas como pagas aos referidas profissionais, no valor total de R$ 32.262,00, foram glosadas. « Tal procedimento Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10640.003139/200899 Acórdão n.º 2001000.035 S2C0T1 Fl. 3 3 encontra guarida no §1° do art. 73 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do‹Ímposto de Renda), que determina que se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. O Acórdão 10244.Ê58, de 21/03/2001, da 2a Câmara do 1' Conselho de Contribuintes No Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, em apertada síntese, se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Trancrevemos uma passagem desse recurso: Em primeiro lugar fica claro até pela menção expressa na decisão , e tal como pode ser verificado nos autos, que o Contribuinte apresentou os comprovantes exigidos pela lei tributária nos ternos do art. 73 do RIR/99 e tais comprovantes, e todos eles. restringiamse aos pagamentos efetuados pelo Contribuinte. relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todos eles mencionam o nome do paciente, e o n° de CPF e qualificação de quem os recebeu. Nas declarações obtidas às pressas para o fim de comprovação dos valores pagos observase que de fato falta o CPF de alguns declarantes, mas que simples erro formal escusável não poderia obstar a aceitação de tais documentos como prova nos autos. E ainda, que tais pagamentos não originaram deduções exageradas por parte do Contribuinte porque estavam absolutamente dentro dos limites legais de dedução! Dai a menção à dedução exagerada é mera presunção da autoridade lançadora que não demonstra no que está exagerada ou acima dos limites legais ou mesmo dos limites razoáveis as deduções. limitandose a apontar o “exagero”; Voto Conselheiro Relator, Jorge Henrique Backes Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Fl. 163DF CARF MF 4 O contribuinte trouxe extratos bancários e várias descrições dos serviços médicos ocorridos, com declarações de vários profissionais. O lançamento descreveu detalhadamente as despesas médicas, mas a fundamentação para a recusa restringiuse a dois pontos: 1) que o total de despesas médicas foi considerado exagerado em relação aos rendimentos declarados: 2) a falta de comprovação do efetivo pagamento. No entanto, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras nos documentos apresentados pelo contribuinte. Não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10640.003139/200899 Acórdão n.º 2001000.035 S2C0T1 Fl. 4 5 E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” Passagem do francês Jèze, trazida por Hely Lopes Meirelles: descreve com clareza a necessidade da motivação do ato administrativo: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional. E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Fl. 165DF CARF MF 6 Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10640.003139/200899 Acórdão n.º 2001000.035 S2C0T1 Fl. 5 7 Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.006661/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2005, 2006 DCTF. ERRO DE FATO. DÉBITO PAGO. O erro na informação da DCTF não pode ensejar a exigência de crédito tributário extinto pelo pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-003.051
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para manter apenas a exigência do IRRF sobre o fato gerador ocorrido em 31/01/2005, no valor de R$ 21.102,43, com os acréscimos legais.
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2005, 2006 DCTF. ERRO DE FATO. DÉBITO PAGO. O erro na informação da DCTF não pode ensejar a exigência de crédito tributário extinto pelo pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10410.006661/2009-17
conteudo_id_s : 5795324
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2102-003.051
nome_arquivo_s : Decisao_10410006661200917.pdf
nome_relator_s : José Raimundo Tosta Santos
nome_arquivo_pdf_s : 10410006661200917_5795324.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para manter apenas a exigência do IRRF sobre o fato gerador ocorrido em 31/01/2005, no valor de R$ 21.102,43, com os acréscimos legais.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
id : 6997205
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737233432576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1778; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 2 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.006661/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.051 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de agosto de 2014 Matéria DCTF Recorrente MONTEC MONTAGEM TÉCNICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006 DCTF. ERRO DE FATO. DÉBITO PAGO. O erro na informação da DCTF não pode ensejar a exigência de crédito tributário extinto pelo pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para manter apenas a exigência do IRRF sobre o fato gerador ocorrido em 31/01/2005, no valor de R$ 21.102,43, com os acréscimos legais. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (02/09). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 66 61 /2 00 9- 17 Fl. 222DF CARF MF Documento de 4 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.1017.16107.JJPZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 08/09 e Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 69/71), após o cotejo dos valores escriturados (fls. 13/41) com os valores informados em DCTF (fls. 42/55), foram apuradas as diferenças constantes do demonstrativo à fl. 71. Em sua impugnação ao lançamento (fls. 84/93) a contribuinte, em síntese, alega que: · foram lançadas diferenças de IRRF, encontradas pela comparação entre valores escriturados e valores declarados em DCTF, sem considerar, contudo, os valores efetivamente recolhidos, comprovados conforme 'Consulta de Pagamento' (fls. 56/58); · referidos valores (fl. 70), foram recolhidos dentro do prazo de vencimento, apenas não foram declarados em DCTF; · os valores foram lançados com base no livro Razão e o IRRF foi corretamente apurado, escriturado e pago, conforme lançamentos contábeis a crédito e a débito da conta IRRFONTE S/FOLHA (2.1.3.02.000062128), o que faz prova em seu favor, nos termos do art. 923 do RIR11999; · tabela à fl. 88 demonstra a correspondência entre os valores de IRRF apurados pelo auditor, escriturados pela autuada e os pagamentos código 0561, conforme consulta pagamentos as fls. 56/58, demonstrada assim, a extinção do crédito tributário pelo pagamento; · sobre a matéria transcreve ementas de Acórdãos das DRJ e do CARF às fls. 89/91 e apela para o respeito ao principio da verdade material na esfera administrativa; · comprovado o recolhimento do tributo não é cabível a multa de oficio de 75%, bem como os juros de mora. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau (Acórdão nº 11 34.105 (fl. 194), em votação unânime, julgou improcedente em parte a impugnação, resumindo o seu entendimento na ementa abaixo transcrita, para manter o IRRF lançado e exonerar o valor de R$ 180.443,33 relativo à multa de oficio, determinando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maceió, quando da cobrança do crédito tributário mantido, observe o disposto na Solução de Consulta Interna n° 8, de 30 de abril de 2007. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005 IRRF. AUSÊNCIA DE VALORES EM DCTF. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS. A falta de registro em DCTF do imposto retido na fonte sobre rendimentos impõe a necessidade do lançamento, para constituição do crédito tributário correspondente, sem considerar os pagamentos efetuados. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. Fl. 223DF CARF MF Documento de 4 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.1017.16107.JJPZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10410.006661/200917 Acórdão n.º 2102003.051 S2C1T2 Fl. 3 3 Excluise a multa de oficio incidente sobre os valores de imposto exigidos, para os quais houve o recolhimento espontâneo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu recurso voluntário ao CARF (fls. 205/215 do PDF), a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cumpre observar que o contribuinte não questiona a divergência apurada pela fiscalização entre o IRRF escriturado (com base no livro razão às fls. 14/41) e o informado em DCTF (planilha às fls. 70/71). Admite que os valores não foram corretamente declarados em DCTF, mas que os impostos retidos foram efetivamente recolhidos, conforme “Consultas de Pagamento” de fls. 56/58. Em relação à decisão recorrida a contribuinte questiona o provimento parcial da impugnação, para excluir, tãosomente, o montante de R$ 180.443,33, correspondente à multa de ofício que incidiu sobre o IRRF lançado, referente aos meses de fevereiro/2005, março/2005, abril/2005, agosto/2005, agosto/2006, setembro/2006, outubro/2006, novembro/2006 e dezembro/2006. No seu entender, a exigência do próprio imposto deve ser excluída do Auto de Infração, tendo em vista que a exclusão da multa ocorreu devido à comprovação de que tais valores foram escriturados e pagos, apesar de não terem sido informados em DCTF o débito e o respectivo pagamento. Se o pagamento realizado não fosse suficiente para extinguila totalmente, caberia o lançamento de ofício para exigência da diferença. Neste ponto, forçoso dar razão à recorrente. Não é admissível manterse a exigência do IRRF lançado, que foi tempestivamente recolhido – fato reconhecido tanto pela fiscalização como pelo Órgão julgador de primeiro grau – sendo certo que o erro na informação da DCTF não pode ensejar a exigência de crédito tributário extinto pelo pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. Com efeito, o pagamento antecipado, conforme dispõe o § 1º do artigo 150 do CTN, extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Mesmo que não ocorra a homologação, o pagamento feito extingue a obrigação tributária. Entretanto, a mesma situação não ocorre em relação à exigência do IRRF referente ao mês de janeiro/2005, no valor de R$ 21.102,43, regularmente escriturado, mas que não foi pago nem informado o débito em DCTF, razão pela qual mantendo a cobrança do IRRF para este fato gerador, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora. Fl. 224DF CARF MF Documento de 4 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.1017.16107.JJPZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para manter apenas a exigência do IRRF sobre o fato gerador ocorrido em 31/01/2005, no valor de R$ 21.102,43, com os acréscimos legais. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 225DF CARF MF Documento de 4 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.1017.16107.JJPZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 03/09/2014 07:55:00. Documento autenticado digitalmente por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 03/09/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 27/10/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP27.1017.16107.JJPZ Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 40028F5E4135BFE12566D1D4B7EE16A841634716 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10410.006661/2009-17. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10850.720651/2014-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2014
SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal.
Numero da decisão: 1001-000.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2014 SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10850.720651/2014-76
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5824327
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.223
nome_arquivo_s : Decisao_10850720651201476.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10850720651201476_5824327.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
id : 7094860
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737235529728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1540; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 39 1 38 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.720651/201476 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.223 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 06 de dezembro de 2017 Matéria Simples Nacional Recorrente VICTOR ANDRÉ DOS SANTOS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 04) para o ano calendário 2014, tendose em vista a existência de débito (multa por atraso/falta de entrega de DIPJ, período de apuração 01/04/2011, código de receita 5338, no valor original de R$ 200,00) com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, de natureza não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 06 51 /2 01 4- 76 Fl. 39DF CARF MF 2 previdenciária, cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 25/27) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento efetuado em janeiro de 2014 não foi suficiente para a quitação do débito naquela data: O débito constante do termo de efl. 5 que motivara o indeferimento à opção pelo Simples Nacional foi objeto de recolhimento em 08/01/2014, em valor original, como comprova o extrato do SIEF/ARRECADAÇÃO/RFB às efls. 10. O contribuinte não recolheu os acréscimos legais, o que implicou em extinção parcial, pois amortizou somente parte do débito, remanescendo um saldo de R$ 23,30 (efl. 13) Cientificada da decisão de primeira instância através de intimação em 25/03/2015 (efl. 37) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 14/04/2015 (e fl. 36), em que aduz, em resumo, que pagou a multa sem os acréscimos legais porque o DARF foi preenchido sem acréscimos legais "por culpa do sistema". Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, portanto dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 03) para o ano calendário 2011. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10850.720651/201476 Acórdão n.º 1001000.223 S1C0T1 Fl. 40 3 § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) Está comprovado que o contribuinte recolheu em 18/01/2014 a multa sem os encargos legais, restando uma diferença de R$ 23,30 (efl. 13). Logo, em 31/01/2014 o débito não estava quitado nem estava com a exigibilidade suspensa. A alegação de que houve "falha no sistema" careceu de comprovação. Resta ainda ressaltar que o preenchimento de DARF pode ser feito de outras formas, como o preenchimento manual. Desta forma, concluo que havia impedimento para a adesão. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 41DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720634/2011-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE.
Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, de forma que, a decisão de não os adotar, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição, deve estar devidamente fundamentada, sob pena de o lançamento encontrar-se materialmente viciado.
Numero da decisão: 2201-003.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em determinar a nulidade, por vício material, do lançamento, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que dava provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 16/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, de forma que, a decisão de não os adotar, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição, deve estar devidamente fundamentada, sob pena de o lançamento encontrar-se materialmente viciado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10945.720634/2011-37
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5794933
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.949
nome_arquivo_s : Decisao_10945720634201137.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : DIONE JESABEL WASILEWSKI
nome_arquivo_pdf_s : 10945720634201137_5794933.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em determinar a nulidade, por vício material, do lançamento, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que dava provimento parcial. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 16/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
id : 6996656
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737246015488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1496; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 302 1 301 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.720634/201137 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.949 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de outubro de 2017 Matéria IRPF GANHO DE CAPITAL Recorrente JAIME RABELO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, de forma que, a decisão de não os adotar, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição, deve estar devidamente fundamentada, sob pena de o lançamento encontrar se materialmente viciado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em determinar a nulidade, por vício material, do lançamento, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que dava provimento parcial. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 16/10/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 06 34 /2 01 1- 37 Fl. 302DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 261/262) apresentado em face do Acórdão nº 0957.679, da 6ª Turma da DRJ/JFA (fls. 253/258), que negou provimento à impugnação do sujeito passivo (fls. 142/145) ao auto de infração (fls. 132/137) pelo qual se exige crédito tributário de R$ 196.200,76 relativo a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF e acréscimos legais, tendo por base de cálculo ganho de capital na alienação de bens e direitos. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 126/129), durante o curso da fiscalização, verificouse que a empresa Universal Leaf Tabacos Ltda. adquiriu do contribuinte folhas de fumo pelo valor de R$ 633.023,87. Intimado a apresentar a origem dos bens vendidos, o fiscalizado teria esclarecido que exerceu a atividade de compra e venda de fundo adquirido de produtores rurais. Diante desses esclarecimentos, e considerando ainda a impossibilidade material de que o contribuinte tivesse produzido 126 toneladas de fumo oriundas de uma só safra, a fiscalização entendeu não ser cabível a tributação como rendimento da atividade rural. Também não seria o caso de equiparação à pessoa jurídica de que trata o art. 150 do Regulamento de Imposto de Renda RIR/1999, uma vez que as notas emitidas pela empresa Universal Leaf Tabacos Ltda. evidenciariam a realização de apenas cinco operações de venda em um período de três meses. Portanto, não estaria caracterizada a habitualidade necessária para essa equiparação. Em razão disso, a autoridade fiscal entendeu por bem apurar o imposto sobre a renda devido tendo por base de cálculo o ganho de capital na alienação de bens e direitos. Para tanto, foi considerado como valor de alienação a quantia de R$ 633.023,87 e ao custo de aquisição foi atribuído o valor zero, medida que foi assim justificada no TVF: Conforme demonstrado na tabela de folhas 125, na apuração do ganho tributável, foi atribuído custo zero aos bens alienados em virtude da ausência do valor pago e da impossibilidade de se determinar o custo de outra forma, uma vez que o contribuinte não declarou a existência desses bens ao Fisco (o contribuinte estava omisso da entrega de declaração anual de ajuste) e mesmo intimado por duas vezes a apresentar a comprovação do custo de aquisição, mediante a apresentação nota fiscal, cópia de cheque, transferência bancária, DOC/TED, contrato ou documento equivalente, não apresentou documentos idôneos capazes de comprovar esse custo (fls 39/42). Em que pese o contribuinte tenha apresentado recibos e notas promissórias com os quais pretendia comprovar o custo de aquisição do fumo vendido, estes não foram aceitos pela fiscalização, pelas seguintes razões: Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10945.720634/201137 Acórdão n.º 2201003.949 S2C2T1 Fl. 303 3 No intuito de comprovar esse custo, o contribuinte apresentou os recibos que constam das folhas 50 a 80. No entanto, esses documentos foram desconsiderados por não comprovarem o efetivo pagamento. Não contêm sequer firmas reconhecidas dos signatários para pelo menos comprovar a contemporaneidade do recibo e a aquisição dos bens. A fiscalização lavrou o auto de infração sobre ganho de capital, apurando o imposto devido pela aplicação da alíquota de 15% e aplicou a multa de ofício de 75%. A exigência fiscal foi impugnada pelo sujeito passivo, o que deu origem ao Acórdão ora recorrido, que contém a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 NULIDADE. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. No lançamento não há que se cogitar quanto à preterição do direito de defesa, posto que esta, consoante o disposto no inciso II, do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, aplica se apenas a despachos e decisões. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. Está sujeita ao pagamento do imposto à alíquota de quinze por cento, a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. A ciência dessa decisão deuse em 26/05/2015 (fl. 260) e o recurso voluntário foi tempestivamente protocolado em 17/06/2015 (fls. 261/262). Ao recorrer, o sujeito passivo apresenta as seguintes razões de direito: II.1 Preliminar Fl. 304DF CARF MF 4 Não há que se cogitar ganho de capital, por falta de não haver custo por não comprovarem o efetivo pagamento na aquisição do fumo. Então o que seria os recibos de pagamentos de fumos aos agricultores? Sendo que os recibos são idôneos, muito embora não ostente firma reconhecida, foram firmados pelo emitente pessoas idôneas, agricultores, sendo assim houve custo sim, e o lucro não ultrapassa os 7% entre receita e despesa (custo da mercadoria aqui negociada, ou seja, o fumo.) firmados através dos recibos, II.2 Mérito Segue os recibos dos agricultores que será anexado ao processo, Neste Conselho, o processo em questão compôs lote sorteado em sessão pública a esta relatora. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O Recurso Voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Conforme evidenciado no relatório, a questão debatida neste processo diz respeito ao custo de aquisição utilizado pela autoridade fiscal para apuração da base de cálculo de IR incidente sobre ganho de capital na alienação de bens (fumo). A autoridade fiscal atribuiu ao custo de aquisição dos bens alienados o valor zero, com base em argumentos que devem ser rememorados: Conforme demonstrado na tabela de folhas 125, na apuração do ganho tributável, foi atribuído custo zero aos bens alienados em virtude da ausência do valor pago e da impossibilidade de se determinar o custo de outra forma, uma vez que o contribuinte não declarou a existência desses bens ao Fisco (o contribuinte estava omisso da entrega de declaração anual de ajuste) e mesmo intimado por duas vezes a apresentar a comprovação do custo de aquisição, mediante a apresentação nota fiscal, cópia de cheque, transferência bancária, DOC/TED, contrato ou documento equivalente, não apresentou documentos idôneos capazes de comprovar esse custo (fls 39/42). Portanto, a fundamentação da fiscalização pode ser assim resumida: ausência de valor pago e impossibilidade de se determinar o custo de outra forma; ausência de comprovação de efetivo pagamento e de documentos idôneos. O sujeito passivo, por sua vez, mostrase irresignado com o custo de aquisição atribuído aos bens alienados. Penso que lhe assiste razão. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10945.720634/201137 Acórdão n.º 2201003.949 S2C2T1 Fl. 304 5 De acordo com a Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, que dispõe sobre a apuração e tributação de ganhos de capital nas alienações de bens e direitos por pessoas físicas, na ausência do valor pago devem ser adotados os seguintes critérios: Custo na ausência do valor pago Art. 18. Na ausência do valor pago, o custo de aquisição é: I o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante anterior; III o valor corrente na data da aquisição; IV igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III. Esta previsão tem base no art. 16 da Lei nº 7.713, de 1988: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer Fl. 306DF CARF MF 6 bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Dentre esses critérios, entendo que deveria ter sido aplicado o valor corrente na data da aquisição. Segundo o termo de verificação fiscal, "Fica claro que a quantidade vendida, 126 toneladas de fumo oriundas de uma só safra, é flagrantemente incompatível com a área explorada pelo contribuinte". Com essa afirmação, está localizado no tempo o momento em que o fiscalizado adquiriu os produtos, bem como sua natureza e sua quantidade. A impossibilidade de apuração do custo de aquisição teria a seguinte motivação: (...) uma vez que o contribuinte não declarou a existência desses bens ao Fisco (o contribuinte estava omisso da entrega de declaração anual de ajuste) e mesmo intimado por duas vezes a apresentar a comprovação do custo de aquisição, mediante a apresentação nota fiscal, cópia de cheque, transferência bancária, DOC/TED, contrato ou documento equivalente, não apresentou documentos idôneos capazes de comprovar esse custo. A ausência de inclusão dos bens na declaração não é justificativa para a não apuração do custo de aquisição, até porque os bens podem ter sido comprados e vendidos no mesmo ano, o que tornaria inexigível essa declaração. Por outro lado, se os documentos apresentados fossem considerados idôneos, eles mesmos comprovariam o custo de aquisição, não havendo que se falar em ausência do valor pago. Portanto, nenhum dos argumentos apresentados pela fiscalização é apto a justificar o fato de ter atribuído valor zero ao custo de aquisição. Dessa forma, fica evidente que o critério utilizado pela autoridade fiscal contraria os atos normativos editados pelo próprio órgão a que pertence, que lhe são vinculantes e constituem também uma garantia ao contribuinte que não pode ser afastada sem uma adequada fundamentação. Com isso, resta caracterizada ofensa direta ao art. 142 do Código Tributário Nacional, quando estabelece a obrigatoriedade da autoridade fiscal de determinar a matéria tributável e apurar o tributo devido, operação que passa, necessariamente, pela perfeita identificação da base de cálculo. A ausência de mensuração dessa grandeza ofende a legalidade, constitui matéria de ordem pública que, reconhecida, conduz à declaração de nulidade do lançamento realizado. Ainda que assim não fosse, no que diz respeito à negativa em se aceitar os recibos apresentados pelo fiscalizado, a autoridade fiscal apresentou os seguintes argumentos: No intuito de comprovar esse custo, o contribuinte apresentou os recibos que constam das folhas 50 a 80. No entanto, esses documentos foram desconsiderados por não comprovarem o efetivo pagamento. Não contêm sequer firmas reconhecidas dos signatários para pelo menos comprovar a contemporaneidade do recibo e a aquisição dos bens. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10945.720634/201137 Acórdão n.º 2201003.949 S2C2T1 Fl. 305 7 Aqui, afirmase que os documentos não comprovam o efetivo pagamento porque "não contêm sequer firmas reconhecidas dos signatários para pelo menos comprovar a contemporaneidade do recibo e a aquisição dos bens". Desconheço legislação que estabeleça como critério para a validade de um recibo, que o emitente tenha sua firma reconhecida, e não é apresentado nenhum argumento adicional pelo qual poderia ter sua validade posta em dúvida, de modo a justificar a exigência feita. Assim, a autoridade fiscal poderia ter questionado a existência das pessoas que firmaram os recibos, ou a sua condição de produtores de fumo. Poderia também ter intimado parte dos emitentes a prestar informações sobre os produtos vendidos, mas nada fez. Portanto, embora os recibos apresentados pudessem ter sua validade questionada pela autoridade fiscal, os motivos levantados para tanto não se mostram razoáveis. Ademais, deve ser registrado que o processo contém cópia da movimentação financeira do sujeito passivo, o que evidencia que efetuou saques em dinheiro em datas contemporâneas às alegadas aquisições, do modo que poderiam lastrear parte dos recibos apresentados. Assim, temse um saque de R$ 90.000,00 em 28/03/2008, R$ 60.000,00 em 11/04/2008, R$ 100.000,00 em 16/04/2008, R$ 18.800,00 em 30/04/2008, R$ 92.000,00 em 05/05/2008, R$ 108.000,00 em 15/05/2008 e R$ 8.200,00 em 20/05/2008. Com isso, a movimentação financeira do período em que se deu a compra e venda das folhas de fumo revela que o contribuinte sacou R$ 477.000,00 de suas contas bancárias. Não havendo qualquer comprovação de que esse montante tenha tido outro destino, resta evidenciada capacidade financeira para suportar parte dos recibos apresentados. A despeito do que foi afirmado nos últimos parágrafos, entendo que o auto de infração em análise contém um vício de ordem material, uma vez que deixou de aplicar o critério estabelecido tanto pela Lei nº 7.713, de 1988, como pela IN SRF nº 84, de 2001, para apuração do valor do custo de aquisição, sem que tenha apresentado uma justificativa aceitável para esse procedimento. Nesse caso, houve ofensa ao art. 142 do CTN, uma vez que a quantificação do tributo devido não seguiu as normas determinadas pela legislação tributária. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, declarar nulo o lançamento realizado. Conselheira DIONE JESABEL WASILEWSKI Relatora Fl. 308DF CARF MF 8 Fl. 309DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.726772/2011-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. GANHO DE CAPITAL. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO
Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando não é possível identificar a omissão apontada, tendo em vista a apreciação, mesmo que de forma genérica, dos pontos descritos como omissos.
Numero da decisão: 9202-005.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IRPF. GANHO DE CAPITAL. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando não é possível identificar a omissão apontada, tendo em vista a apreciação, mesmo que de forma genérica, dos pontos descritos como omissos.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10680.726772/2011-88
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5789469
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.714
nome_arquivo_s : Decisao_10680726772201188.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10680726772201188_5789469.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
id : 6987646
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737258598400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1449; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 363 1 362 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.726772/201188 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202005.714 – 2ª Turma Sessão de 30 de agosto de 2017 Matéria IRPF GANHO DE CAPITAL Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado NEWTON CARDOSO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IRPF. GANHO DE CAPITAL. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando não é possível identificar a omissão apontada, tendo em vista a apreciação, mesmo que de forma genérica, dos pontos descritos como omissos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 67 72 /2 01 1- 88 Fl. 1400DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, fl. 1.353/1.361, opostos pela Fazenda Nacional, com fulcro no art. 65 e seguintes do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, contra o Acórdão nº 9202003.579 (fls. 1.291/1.348), este julgado na sessão plenária de 03/03/2015, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, devem, apenas, promover tal alteração em suas declarações de ajuste anual. Ademais, nos termos do artigo 38, § único, do RIR/99, a tributação do imposto sobre a renda para as pessoas físicas está sujeita ao regime de caixa, sendo que, no caso, o contribuinte não recebeu nenhum numerário em razão da operação autuada. Não se aplicam à incorporação de ações o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88, nem tampouco o artigo 23 da Lei n° 9.249/95. Inexistência de fundamento legal que autorize a exigência de imposto de renda pessoa física por ganho de capital na incorporação de ações em apreço. Recurso especial negado. O resultado encontrase assim espelhado: Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 9202005.714 CSRFT2 Fl. 364 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Suplente convocada) e Carlos Alberto Freitas Barreto, que votaram por dar provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Fez sustentação oral a Dra. Valéria Zotelli, OAB/SP nº 117.183, advogada do contribuinte. Defendeu a Fazenda Nacional o Procurador Dr. Paulo Riscado Junior. No intuito de contextualizar a apreciação dos presentes embargos por esse colegiado, transcrevo, os trechos pertinentes do relatório do acórdão embargado de relatoria da ilustre conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, e o voto vencedor do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Complemento o relatório com os Embargos da PGFN e uma Manifestação apresentada pelo contribuinte. Relatório da Dra. Maria Helena Cotta Cardozo: “Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de ganho de capital obtido na alienação de participação societária, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 10 a 66. A operação objeto da autuação é a incorporação das ações da empresa REFLA pela empresa BRATIL, da qual a primeira passou a ser subsidiária integral, conforme o artigo 252 da Lei nº 6.404, de 1976. As operações podem ser assim resumidas: em 02/01/2006, foi constituída a empresa REFLA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, que atuava como “holding” e tinha como sócios a empresa LEGUNA PARTICIPAÇÕES LTDA e Carlos Roberto Mendonça de Almeida Filho; o capital social inicial era de R$ 1.000,00, subscrito e integralizado em moeda corrente nacional, dividido em 1.000 quotas de valor nominal de R$ 1,00, assim dividido entre os sócios quotistas: em 15/01/2007, o Contribuinte Newton Cardoso adquiriu da empresa DORLON SECURITIES LTDA., a título de compra, pelo valor de R$ 45.000.000,00, o quantitativo de 4.965.440.097 ações da empresa PARTIMAG SA (termo de transferência nº 3, às fls. 16 do Termo de Verificação Fiscal); em 16/01/2007, os sócios da REFLA, acima referidos, retiraramse da empresa, sendo que o primeiro transferiu as suas 999 quotas para Newton Cardoso e o segundo transferiu sua única quota para Newton Cardoso Júnior; o sócio Newton Cardoso aumentou o capital social da empresa, mediante a criação de 45.000.000 de novas quotas, com valor nominal de R$ 1,00 cada uma, cuja integralização se fez mediante conferência das 4.965.440.097 ações representativas do capital social da PART1MAG SA; o tipo societário da REFLA foi transformado, passando a empresa a denominarse REFLA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A; a administração da sociedade passou a ser exercida exclusivamente pelo sócio Newton Cardoso (cláusula 2.2 do Instrumento Particular da 1ª Alteração Fl. 1402DF CARF MF 4 Contratual); o capital social da REFLA, que era de R$ 1.000,00, passou a ser de R$ 45.001.000,00, totalmente subscrito e integralizado (Termo de Transferência nº 4, às fls. 17 do Termo de Verificação Fiscal), dividido em 45.001.000 quotas de valor nominal de R$ 1,00, assim distribuídas: em 16/07/2007, foi constituída a empresa BRATIL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A.; os acionistas subscritores do capital social foram LEGUNA PARTICIPAÇÕES LTDA e REFLA PARTICIPAÇÕES LTDA; o capital social subscrito era de R$ 500,00, dividido em 500 ações ordinárias, no valor de R$ 1,00; do total subscrito, R$ 50,00 foram integralizados em moeda corrente nacional, em 16/07/2007; o restante deveria ser integralizado até 31/12/2007; o objeto da sociedade era o de participação em outras sociedades, como sócia, acionista ou cotista, atuando como “Holding”; em 20/07/2007, em AGE realizada na REFLA, Newton Cardoso e Newton Cardoso Júnior, únicos sócios dessa empresa, deliberaram e aprovaram todos os termos do “Protocolo e Justificativa de Incorporação de Ações”, firmado pelo Diretor Presidente da empresa BRATIL e da REFLA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, contendo a proposta de incorporação da totalidade das ações desta última pela BRATIL, transformandoa em subsidiária integral; conforme consta da Ata, as ações da REFLA foram incorporadas pelo valor de mercado, apurado por meio de Laudo de Avaliação; em 20/07/2007, em AGE realizada às 9h na BRATIL, foi deliberada e aprovada a destituição dos diretores anteriores e a eleição e posse de Newton Cardoso e Newton Cardoso Júnior como, respectivamente, Diretor Presidente e Diretor sem designação específica; às 10h, realizouse uma outra AGE, aprovandose o “Protocolo e Justificativa de Incorporação de Ações” da REFLA, do aumento do capital da companhia no montante de R$ 287.995.525,00, em virtude da incorporação da totalidade das ações da REFLA; o capital social da BRATIL passou a ser de R$ 287.996.025,00, totalmente integralizado, pertencendo 287.996.023 ações ordinárias de R$ 1,00 a Newton Cardoso e 2 ações no valor de R$ 1,00 a Newton Cardoso Júnior; o capital subscrito foi integralizado com as ações da REFLA, conforme o Termo de Transferência nº 1, às fls. 12 do Termo de Verificação Fiscal; em virtude da incorporação de todas as ações da REFLA, o capital social da BRATIL passou a ser de R$ 287.996.025,00, totalmente subscrito e integralizado, divido em 287.996.025 ações ordinárias nominativas, de valor nominal de R$ 1,00, assim distribuídas: em 31/07/2007 foi realizada AGE na REFLA, aprovandose Laudo de Avaliação do patrimônio da empresa, elaborado pela AVALLE e deliberandose pela incorporação total do patrimônio líquido da REFLA, bem como acerca dos termos constantes no “Protocolo e Justificação de Incorporação”, contendo proposta de incorporação da REFLA; em virtude da incorporação, extinguiuse a REFLA, sucedendoa a BRATIL em todos os seus direitos e obrigações, ativos e passivos; assim a REFLA inicialmente teve todas as suas ações incorporadas pela BRATIL e posteriormente foi incorporada por esta, extinguindose. Assim, na incorporação das ações da REFLA pela BRATIL, que se efetivou pelo valor de mercado, o Contribuinte deixou de ser detentor de 45.000.999 ações da REFLA, no valor de R$ 45.000.999,00, e passou a possuir 287.995.524 novas ações da BRATIL, no montante de R$ 287.995.524,00. Destarte, no entender da Fiscalização, a incorporação de ações teria resultado em um acréscimo do patrimônio do contribuinte no valor de R$ 242.994.525,00 (R$ 287.995.524,00 R$ 45.000.999,00). De acordo com a autuação, o contribuinte deveria ter informado, na DIRPF – Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física do exercício 2008, ano calendário 2007, no Quadro Declaração de Bens e Direitos, o bem representado pelas ações Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 9202005.714 CSRFT2 Fl. 365 5 da BRATIL, adquiridas em 2007. Assim, as 287.996.023 ações deveriam ter sido declaradas, no campo situação em 31/12/2007, pelo seu valor de aquisição, qual seja, R$ 287.996.023,00. Entretanto, assim informou, na DIRPF do exercício de 2009, anocalendário de 2008: Em face das operações descritas, a Fiscalização concluiu ter se configurado ganho de capital na alienação de participação societária, com base nos seguintes dispositivos legais (Auto de Infração de fls. 02 a 09): arts. 1º a 3º e §§, 16 e 19, da Lei nº 7.713, de 1988; arts. 1º e 2º, da Lei nº 8.134, de 1990; arts. 7º, 21 e 22, da Lei nº 8.981, de 1995; arts. 17, 23 e §§, da Lei nº 9.249, de 1995; arts. 37, 38 e par. único, 117, 123, 130, 131, 132, 138 e 142, do RIR/1999. Em sessão plenária de 20/02/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, tendo sido dado provimento ao recurso s/n, prolatandose o Acórdão nº 2202002.187 (fls. 1.144 a 1.195), assim ementado: “Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. Assim, o lançamento da multa qualificada de 150% deve ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. A falta de inclusão de algum bem ou direito na Declaração de Ajuste Anual (Declaração de Bens e Direitos), por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. AFASTAMENTO DA NÃO INCIDÊNCIA PELA AUTORIDADE FISCAL. LANÇAMENTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há base no sistema jurídico brasileiro para a autoridade fiscal afastar a não incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão legal para autoridade fiscal utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio. O lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTÂNCIA DOS ATOS. Fl. 1404DF CARF MF 6 O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizála. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. DELIBERAÇÃO POR CONTA DAS PESSOAS JURÍDICAS ENVOLVIDAS NA OPERAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR DE GANHO DE CAPITAL NA PESSOA FÍSICA DOS SÓCIOS. A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404, de 1976, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. LANÇAMENTO NA PESSOA FÍSICA DO SÓCIO. DATA DO FATO GERADOR CONSIDERADO PELA AUTORIDADE FISCAL LANÇADORA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. A Lei nº 7.713, de 1988, em seu art. 2º, determina que o Imposto de Renda da Pessoa Física é devido pelo regime de caixa, à medida que o ganho de capital for percebido. Se não houve nenhum pagamento, na data do fato gerador considerado pela autoridade fiscal lançadora, este não pode ser considerado como percebido pelo Contribuinte, em respeito ao Princípio da Entidade, pois não ingressou em sua disponibilidade jurídica ou econômica, não implicando em fato gerador do Imposto de Renda. A tributação desses rendimentos, quando for o caso, depende da efetiva entrega dos valores ao Contribuinte. Recurso provido.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, desqualificando a multa de ofício, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que provia o recurso parcialmente para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, acompanhando o voto do Relator pelas conclusões, bem como excluía a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício e Antonio Lopo Martinez, que provia o recurso parcialmente, tão somente, para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator.” Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 9202005.714 CSRFT2 Fl. 366 7 O processo foi encaminhado à PGFN em 26/02/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.196). Assim, conforme o art. 7º da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 12/04/2013, o que foi feito em 03/04/2013 (fls. 1.197 a 1.218), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 1.219. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, conforme o Despacho de Admissibilidade de 03/06/2013 (fls. 1.221 a 1.229), admitindose à rediscussão na CSRF apenas a questão da apuração de ganho de capital, tributado na pessoa física, na operação de incorporação de ações, vetandose a reapreciação da desqualificação da multa de ofício, o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 1.230/1.231. Os despachos de admissibilidade do apelo foram cientificados à Recorrente por meio do despacho de fls. 1.232. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese, relativos à parte do apelo que obteve seguimento: [...] Ao final, a Fazenda Nacional pede seja dado provimento ao recurso. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e dos despachos que lhe deram seguimento parcial em 18/07/2013 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 1.238), o Contribuinte ofereceu, em 1º/08/2013, as Contrarrazões de fls. 1.240 a 1.289, contendo os seguintes argumentos, em resumo: [...] Ao final, o Contribuinte pede que sejam recebidas suas ContraRazões, mantendose o acórdão recorrido. Alternativamente, caso as infrações sejam confirmadas, o que admite apenas para argumentar, requer seja reconhecido o erro na formação da base de cálculo, anulandose a autuação a fim de que a Autoridade Fiscal, respeitando o prazo decadencial, apure corretamente o IRPF devido.” Conforme transcrito no início desse relatório o acórdão ora embargado Acórdão nº 9202003.579 (fls. 1.291/1.348), julgado na sessão plenária de 03/03/2015, encontrase assim ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, Fl. 1406DF CARF MF 8 das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, devem, apenas, promover tal alteração em suas declarações de ajuste anual. Ademais, nos termos do artigo 38, § único, do RIR/99, a tributação do imposto sobre a renda para as pessoas físicas está sujeita ao regime de caixa, sendo que, no caso, o contribuinte não recebeu nenhum numerário em razão da operação autuada. Não se aplicam à incorporação de ações o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88, nem tampouco o artigo 23 da Lei n° 9.249/95. Inexistência de fundamento legal que autorize a exigência de imposto de renda pessoa física por ganho de capital na incorporação de ações em apreço. Recurso especial negado. O processo foi encaminhado à PGFN em 28/05/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.352). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 27/06/2015. Em 1º/07/2015, tempestivamente, foram opostos os Embargos de Declaração de fls. 1.353 a 1.361 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.362). No presente caso, a Embargante alega omissão na fundamentação do voto vencedor, que não teria apresentado razões de fato e de direito suficientes a refutar a conclusão do voto vencido. Nesse passo, esclarece não se tratar de inconformismo, mas sim de cerceamento de direito de defesa, uma vez que a premissa que sustenta o voto vencedor estaria equivocada, em face de relevantes documentos constantes dos autos, que não foram analisados. Para sustentar suas alegações, a Fazenda Nacional assim argumenta: “Da leitura do voto vencedor podese extrair o entendimento de que não haveria acréscimo patrimonial, pois se trataria de simples troca de posições, ou seja, o contribuinte era acionista da REFLA e passou a ser acionista da BRATIL, por idêntico valor. Tal conclusão está pautada no argumento central de que há passividade do acionista na operação, desconfigurando a possibilidade de se tratar de alienação. O entendimento do relator pode ser resumido no raciocínio extraído dos trechos a seguir transcritos: ‘A integralização do capital é o cumprimento da promessa, quando o sócio efetivamente entrega os valores ou bens para a empresa. O artigo 23 da Lei nº 9.249/95 trata de operações de transferência de bens e direitos a título de integralização de capital, sendo, pois, inaplicável ao caso, segundo penso, na Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 9202005.714 CSRFT2 Fl. 367 9 medida em que incorporação de ações não representa subscrição de capital em bens. (...) No caso, não ocorre uma integralização de capital pela pessoa física, tratandose de operação levada a efeitos pelas pessoas jurídicas envolvidas no processo de incorporação de ações. Outrossim, não se tem transferência, por ato de alienação, de bens da pessoa física para a pessoa jurídica. Ocorre apenas uma subrogação, no patrimônio do acionista, das ações de uma empresa pelas de outra, e isso por força de lei.’ Contudo, cumpre observar que a incorporação de ações implica em verdadeira alienação de ações do acionista à sociedade que incorpora as ações, mediante subscrição e integralização de capital pelo próprio detentor das ações, consoante se pode observar dos ignorados documentos constantes dos autos: BOLETIM DE SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES e TERMO DE TRANSFERÊNCIA DE AÇÕES NOMINATIVAS. (...) Tais documentos foram firmados pelo próprio contribuinte, na qualidade de acionista, o que demonstra claramente que a subscrição de capital na BRATIL e a transferência das ações da REFLA para a BRATIL foram realizadas pessoalmente, com respaldo no princípio da autonomia da vontade. A leitura dos referidos documentos permite refutar a fundamentação para a negativa de provimento ao Recurso Especial, atinente à passividade do acionista na operação perpetrada, o que desconstrói a premissa sobre qual repousa todo o voto vencedor. A vontade do acionista, ora autuado, foi determinante para a realização do negócio jurídico objeto dos autos, o que foi feito pessoalmente por Newton Cardoso argumento do qual não há como se esquivar diante do BOLETIM DE SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES e TERMO DE TRANSFERÊNCIA DE AÇÕES NOMINATIVAS assinados pelo sujeito passivo. Portanto, o argumento sustentado na premissa de que não houve integralização de capital pois os atos societários foram realizados pelas pessoas jurídicas, sem participação do acionista, não se sustenta. Tratandose de integralização de capital, hipótese de alienação, considerando a EFETIVA participação do contribuinte, cai por terra qualquer alegação de passividade. Neste contexto, descontróise toda a argumentação que afastaria a aplicação do art. 23 da Lei nº 9.249/95, mostrando se imprescindível que o colegiado se manifeste sobre a existência de algum outro fundamento para a não subsunção dos fatos à referida hipótese normativa. Fl. 1408DF CARF MF 10 Inclusive, o argumento concernente à não circulação de numerário tornase despiciendo, pois apenas poderia ser utilizado em alguns casos mera troca. Tratandose de alienação, independente da circulação de valores, há evidente ganho de capital. Não importa se houve fluxo financeiro, existindo alienação e acréscimo patrimonial desta decorrente, houve ganho de capital a sofrer incidência de imposto sobre a renda. Nesta esteira, a omissão na análise da documentação constante dos autos tornase de extrema relevância ao deslinde da controvérsia, pois altera a realidade dos fatos apresentada, ensejando distorção na conclusão do julgado. Repitase que os documentos ora analisados apontam claramente que o contribuinte em momento algum ficou alheio à operação. Muito pelo contrário, participou ativamente da incorporação de suas ações com a concordância expressa em documentos juntados aos autos, o que refuta o raciocínio do i. redator e demanda a devida análise pelo colegiado. Nesta esteira, a desconsideração de documentos que alteram totalmente a interpretação do litígio mostrase evidente omissão na fundamentação, acarretando grave cerceamento do direito de defesa. (...) Portanto, entendese que houve lacuna na fundamentação do acórdão, sendo omisso em relação à apreciação da matéria, nos termos do disposto no art. 93, inciso IX, da Constituição Federal, no art. 50 da Lei nº 9.784/99 e no art. 31 e da Lei nº 9.784/99, vício que acarreta a decretação de nulidade.” Os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional foram acatados pelo Despacho s/nº da 2ª Turma da CSRF, de 06/02/2017, que determinou a sua inclusão em pauta de julgamento, para que fosse sanada a omissão apontada. Tendo obtido ciência do despacho de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional por solicitação de cópia do processo (data em que recebeu cópia do processo – fls. 1.379), o contribuinte atravessou, por meio de solicitação de juntada, uma peça que denominou MANIFESTAÇÃO (1.382/1.399) em 21/02/2017. Nessa peça, o contribuinte traz todo um contexto fático do processo, onde destaca: · ressalta alguns argumentos da Fazenda Nacional nos Embargos de Declaração opostos; destaca o entendimento da Conselheira Relatora no seu voto vencido; traz pontos do despacho que acolheu os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional; como demonstra o posicionamento do Conselheiro Redator do Voto Vencedor, argumentando, inclusive, que o mesmo, diferentemente do afirmado nos embargos de declaração, adentrou nos pontos tidos como omissos pela Fazenda Nacional. Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 9202005.714 CSRFT2 Fl. 368 11 · Diz que o voto vencido está embasado no argumento de que a "incorporação de ações" (fls. 1319) é operação que se caracteriza como alienação, se subsumindo a incidência do art. 43 do CTN, bem como ao parágrafo quarto, do art. 2°, da Lei 7.713/88, estando, pois, contemplado na regra matriz de incidência do Imposto de Renda. · Acrescenta que houve o enfrentamento das questões postas em discussão pela Conselheira vencida, dado que não foram colocadas sob discussão as operações realizadas anteriormente à incorporação das ações da REFLA pela BRATIL; porém, ainda que assim não fosse, o Voto Vencedor enfrentou o argumento da Fazenda Nacional de que não haveria passividade do acionista na operação, estandose diante de alienação, especificamente com o questionamento de "sendo o contribuinte acionista com poder de decisão em assembléia geral e, por conseguinte, definido a incorporação, não seria a hipótese de se tributar pela existência de vício de elemento de vontade?", tendo, inclusive justificado estarse diante do princípio da entidade, dado que o próprio sistema jurídico nacional pregoa a ficção jurídica de separação das entidades das pessoas físicas e jurídicas. · Ressalta que, segundo constante do Voto Vencedor, pouco importa se a pessoa física detentora de ações de uma sociedade é, concomitantemente, diretor de outra sociedade; não podendo se confundir atos praticados pela Pessoa Física ou atos praticados pela Pessoa Jurídica, representada pela pessoa física; e que ignorarse esse argumento é passar por cima do princípio da entidade, especificamente enfrentado pelo Conselheiro designado para o Voto Vencedor. · Reafirma que nenhum ponto ventilado nos Embargos de Declaração e no despacho que os acolheu deixou de ser enfrentado, e que afastados todos os argumentos que poderiam ensejar o acolhimento dos Embargos de Declaração, cumpre deixar claro que todos as demais explanações realizadas em seu corpo visam à reanálise do mérito da questão, já definitivamente enfrentado pelos julgadores presentes. · Por fim, sob o título “Do necessário não acolhimento e não provimento dos Embargos de Declaração”, o contribuinte assinala: o “Conforme exposto: o A Procuradoria da Fazenda Nacional não aventou a questão da confusão entre a pessoa física e jurídica quando da interposição do Recurso Especial; o A Conselheira Relatora, responsável pelo voto vencido, deixou claro, às fls. 1318, qual a operação objeto de autuação, a saber, a incorporação de ações da empresa REFLA pela empresa BRATIL, esclarecendo não se estar sob Fl. 1410DF CARF MF 12 questionamento as operações realizadas anteriormente, diferentemente do que exposto no despacho que conheceu dos Embargos de Declaração, às fls. 1366 e 1367; o Apesar de a Conselheira Relatora, responsável pelo voto vencido, ter esclarecido às fls. 1322 e 1323 que, "a passividade do sócio da empresa cujas ações são incorporadas é bastante discutível", em nenhum momento esta questão foi utilizada como fundamento de seu convencimento, não sendo, pois, passível de ser atacado por Embargos de Declaração, como feito pela Embargante, como se tivesse havido omissão por parte do Relator Designado; o Apesar de não se tratar de tema objeto de fundamento da decisão da Conselheira Relatora, o Conselheiro designado para o Voto Vencedor enfrentou a questão de "sendo o contribuinte acionista com poder de decisão em assembléia geral e, por conseguinte. definido a incorporação, não seria a hipótese de se tributar pela existência de VICIO de elemento de vontade?", tendo, inclusive justificado estarse diante do princípio da entidade, dado que o próprio sistema jurídico nacional pregoa a ficção jurídica de separação das entidades das pessoas físicas e jurídicas; o Todos os pontos acima tratados foram amplamente discutidos pelos Conselheiros ao longo de 3 (três) sessões de julgamento, nas quais foram realizadas 3 (três) sustentações orais por ambos os procuradores das partes; e o Ao longo de todo o julgamento foi afirmado, quer na tribuna, quer pelos Conselheiros, que se estava diante de um embate sobre duas teses jurídicas, defendidas por dois conhecidíssimos doutrinadores do Direito Tributário no que tange ao Imposto sobre a Renda, de modo que, se acatada uma, a operação de incorporação de ações equivaleria a uma integralização de capital social, ensejando a ocorrência de ganho de capital. Se acatada outra, concluirseia pela existência de institutos distintos (conforme quadro comparativo anexo), sendo que, quando se está diante de "incorporação de ações", não ocorre o ganho de capital, sendo que, após exaustivo debate, a conclusão da maioria dos Conselheiros foi no sentido de não ocorrência do ganho de capital.” · Conclui que, diferentemente do quanto alegado pela Embargante e concluído no despacho que acolheu os Embargos de Declaração, não ocorreu qualquer omissão que enseje o seu acolhimento ou o seu provimento nos termos do art. 65, do Anexo lI, do RICARF, aprovado Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 9202005.714 CSRFT2 Fl. 369 13 pela Portaria MF 343/2015; e que, portanto, não se está diante de cerceamento de defesa e sim da tentativa de submeter a uma nova composição da Segunda Turma da CSRF o rejulgamento da matéria de direito, o que implica descumprimento das regras processuais. · Acrescenta que manter seu acolhimento e, principalmente, seu provimento, é acatarse a existência de novo recurso a enfrentar o mérito já integralmente votado pelos Conselheiros à época do julgamento. · Por fim, requer seja recebida a presente resposta aos embargos de declaração, não os conhecendo, uma vez que não se encontram presentes as omissões apontadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional; e alternativamente, caso se conheça dos embargos de declaração, requer seja mantido in totum o acórdão proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais por seus jurídicos fundamentos. É o relatório. Fl. 1412DF CARF MF 14 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade Os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional atendem, inicialmente, aos pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração às fls. 1363/1368. Assim, passo a apreciar a questão. Da Análise Dos Embargos Apenas para esclarecer, conforme já mencionado no relatório deste voto, tratase “de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de ganho de capital obtido na alienação de participação societária, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 10 a 66. A operação objeto da autuação é a incorporação das ações da empresa REFLA pela empresa BRATIL, da qual a primeira passou a ser subsidiária integral, conforme o artigo 252 da Lei nº 6.404, de 1976". O despacho que admitiu os embargos foi encaminhado nos seguintes termos: No presente caso, a Embargante alega omissão na fundamentação do voto vencedor, que não teria apresentado razões de fato e de direito suficientes a refutar a conclusão do voto vencido. Nesse passo, esclarece não se tratar de inconformismo, mas sim de cerceamento de direito de defesa, uma vez que a premissa que sustenta o voto vencedor estaria equivocada, em face de relevantes documentos constantes dos autos, que não foram analisados. Para sustentar suas alegações, a Fazenda Nacional assim argumenta para admitir os embargos: [...] Contudo, cumpre observar que a incorporação de ações implica em verdadeira alienação de ações do acionista à sociedade que incorpora as ações, mediante subscrição e integralização de capital pelo próprio detentor das ações, consoante se pode observar dos ignorados documentos constantes dos autos: BOLETIM DE SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES e TERMO DE TRANSFERÊNCIA DE AÇÕES NOMINATIVAS. (...) Tais documentos foram firmados pelo próprio contribuinte, na qualidade de acionista, o que demonstra claramente que a subscrição de capital na BRATIL e a transferência das ações da REFLA para a BRATIL foram realizadas pessoalmente, com respaldo no princípio da autonomia da vontade. Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 9202005.714 CSRFT2 Fl. 370 15 A leitura dos referidos documentos permite refutar a fundamentação para a negativa de provimento ao Recurso Especial, atinente à passividade do acionista na operação perpetrada, o que desconstrói a premissa sobre qual repousa todo o voto vencedor. [...] Portanto, entendese que houve lacuna na fundamentação do acórdão, sendo omisso em relação à apreciação da matéria, nos termos do disposto no art. 93, inciso IX, da Constituição Federal, no art. 50 da Lei nº 9.784/99 e no art. 31 e da Lei nº 9.784/99, vício que acarreta a decretação de nulidade.” (destaques da Embargante) Ao apreciar os argumentos dos embargos foi proferido despacho nos seguintes termos: Pois bem, analisando detidamente o voto vencedor, verificase que o Conselheiro Redator não teceu qualquer comentário sobre os fatos objeto da relação jurídica submetida à discussão por meio do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional às fls. 1197/1218, e delimitado pelo Exame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls. 1221/1229. A bem da verdade, constatase que o voto vencedor se limitou a conceituar “incorporação de ações”, ou seja, não traçou qualquer linha argumentativa das questões suscitas no voto vencido às fls. 1315/1328, nas razões de Recurso Especial às fls. 1197/1218, bem como nas próprias Contrarrazões oferecidas pelo Contribuinte às fls. 1240/1281, como se observa do extenso relatório do acórdão embargado. Transcrevese, outrossim, trecho do voto vencido, fl. 1315, que reproduz o contexto da operação constante dos autos, que sequer foi tangenciado pelo voto vencedor: [...] Portanto, verificase que o voto vencedor foi omisso quando não enfrentou as questões submetidas à apreciação da CSRF, consoante se observa do conjunto de fatos e elementos constantes dos autos. Diante do exposto, constatase que os argumentos trazidos pela Fazenda Nacional permitem concluir que efetivamente caracterizouse a suscitada omissão, conforme o art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Ao contrário do posicionamento adotado, não vislumbro a referida omissão, tendo em vista que algumas passagens do voto vencedor contemplam os pontos trazidos pelo embargante. Primeiramente, pelas razões expostas na sequência, discordo do seguinte ponto trazido nos embargos e acatado na admissibilidade: Fl. 1414DF CARF MF 16 "analisando detidamente o voto vencedor, verificase que o Conselheiro Redator não teceu qualquer comentário sobre os fatos objeto da relação jurídica submetida à discussão por meio do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional às fls. 1197/1218, e delimitado pelo Exame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls. 1221/1229. A bem da verdade, constata se que o voto vencedor se limitou a conceituar “incorporação de ações”, ou seja, não traçou qualquer linha argumentativa das questões suscitas no voto vencido às fls. 1315/1328, nas razões de Recurso Especial às fls. 1197/1218, bem como nas próprias Contrarrazões oferecidas pelo Contribuinte às fls. 1240/1281, como se observa do extenso relatório do acórdão embargado." Em que pese discordar frontalmente de toda a argumentação trazida pelo redator do voto vencedor para negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, tanto que acompanhei integralmente o voto vencido, não consigo identificar a omissão indicada. O voto formalizado pelo redator designado apresentou, ainda que genericamente, seus argumentos para sustentar a tese da inaplicabilidade de tributação sobre o ganho de capital decorrente da incorporação de ações. Nesse sentido, destacamse os seguintes trechos do voto: Segundo a fiscalização e de acordo com o entendimento das autoridades julgadoras de primeira instância, a transferência de ações da REFLA para a BRATIL, está sujeita a apuração do ganho de capital, com fundamento nos dispositivos acima transcritos, acrescidos de outros. Isso caracteriza alienação, com ganho de capital, da forma prevista no artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88 e no artigo 23, § 2°, da Lei n° 9.249/95? De acordo com o Novo Dicionário Eletrônico Aurélio, versão 5.11a, Alienar significa “Transferir para outrem o domínio de; tornar alheio; alhear;”. Sob minha ótica, “incorporação de ações” não se confunde com “incorporação de sociedades” nem tampouco com “subscrição de capital em bens” e, portanto, inexiste fundamento legal que dê sustentação ao lançamento. [...] A integralização do capital é o cumprimento da promessa, quando do sócio efetivamente entrega os valores ou bens para a empresa. O artigo 23 da Lei n° 9.249/95 trata de operações de transferência de bens e direitos a título de integralização de capital, sendo, pois, inaplicável ao caso, segundo penso, na medida em que incorporação de ações não representa subscrição de capital em bens. Pela não ocorrência de alienação, mas de mera substituição, de participação societária, entendo que não pode dar sustentação à exigência o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88. Já pela figura da incorporação de ações, transmitese a totalidade das ações (e não do patrimônio), sendo que a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 9202005.714 CSRFT2 Fl. 371 17 sem, obviamente, ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembleia de acionistas que a aprovou, deverão, apenas, promover a alteração acima referida em suas declarações de ajuste anual. [...] No mesmo sentido, leciona NELSON EIZIRIK [Incorporação de ações: aspectos polêmicos. São Paulo: Editora Quartier Latin do Brasil, 2009, p. 7899]: [...] Na incorporação de ações, por outro lado, é estabelecida uma relação entre duas sociedades – a incorporadora e aquela cujas ações serão incorporadas. Verificase, assim, a convergência de vontades entre as duas companhias, cujas assembleias aprovam a operação de incorporação de ações pode ser deliberada por maioria, não exigindo a unanimidade. [...] Uma outra diferença entre a subscrição e a incorporação de ações centrase no elemento vontade. Com efeito, na subscrição, o subscritor manifesta sua vontade de se tornar sócio da companhia. Tratase de ato unilateral e voluntário, pelo qual a pessoa que deseja se tornar acionista da sociedade manifesta a sua vontade de contribuir para o capital social, obrigandose por determinado número de ações. Na incorporação de ações, ao contrário, prescindese da vontade do acionista da companhia cujas ações serão incorporadas. A operação é aprovada por maioria e independentemente da vontade do acionista minoritário, cabendolhe, apenas no caso de dissidência, o exercício do direito de recesso. [...] [...] Na hipótese de incorporação de ações, a assembleia geral da sociedade cujas ações serão incorporadas delibera, por maioria, realizar a operação. Tratase de manifestação da vontade social, tendo em vista os interesses da sociedade e não os dos acionistas individualmente considerados. [...]Após a aprovação da operação de incorporação de ações pela maioria na assembleia geral, a diretoria da companhia que terá suas ações incorporadas, ao subscrever o aumento do capital da sociedade incorporadora com ações dos acionistas, está executando a vontade social.[...] Fl. 1416DF CARF MF 18 Como referido, o ato jurídico de subscrição não é praticado, portanto, pelos acionistas, mas pela diretoria da sociedade cujas ações serão incorporadas. No caso, não ocorre uma integralização de capital pela pessoa física, tratandose de operação levada a efeito pelas pessoas jurídicas envolvidas no processo de incorporação de ações. Outrossim, não se tem transferência, por ato de alienação, de bens da pessoa física para uma pessoa jurídica. Ocorre apenas uma subrogação, no patrimônio do acionista, das ações de uma empresa pelas de outra, e isso por força de lei. Conforme a lição de Maria Helena Diniz (in Curso de Direito Civil Brasileiro, 2º Volume, São Paulo, Editora Saraiva, 19ª ed., p. 264, 2004), o termo subrogação advém do latim subrogatio, designando substituição de uma coisa por outra, com mesmos ônus e atributos, caso em que se tem a subrogação real. Nesse sentido, entendo que não há como se comparar, para fins de justificar a tributação, integralização de capital social por pessoa física com incorporação de ações entre pessoas jurídicas. [...] Resta claro que os arts. 1º e 2º tratam da hipótese que define incidência da ocorrência do fato gerador, que só ocorre, como definido em Lei, quando os rendimentos são percebidos por pessoas físicas. Além disso, define claramente, que o imposto será devido, pelas pessoas físicas, à medida em que os rendimentos e ganho de capital foram percebidos. [...] Com essas palavras, queremos pontuar que só há renda– acréscimo patrimonial – após o confronto entre as receitas e as despesas, de modo a se tributar, efetivamente, riqueza disponível, e não um ônus, uma perda ou, enfim, qualquer decréscimo patrimonial. [...] Assim, inexiste qualquer ganho de capital tributável pelo imposto sobre a renda quando ocorre a denominada incorporação de ações. A situação descrita não se amolda ao critério material da norma tributária. Não há efetivo acréscimo patrimonial, mas mera possibilidade de acréscimo, a ser verificado quando da efetiva alienação destas ações. Por conseguinte, exigir o tributo da pessoa física, nestas situações, não só afronta o conceito constitucional de “renda e proventos de qualquer natureza” porquanto tributase patrimônio e não renda como também viola o princípio da capacidade contributiva (artigo 145, §1º, da Lei Constitucional de 1988, vez que o contribuinte não manifesta qualquer riqueza passível de tributável) e da legalidade (artigo 150, I, do mesmo Diploma, vez que se exige exação sem respaldo em lei ou na própria Carta Magna). Embora, conforme mencionado, entenda por equivocada a interpretação adotada pelo voto vencedor, não é possível afirmar que inexistiu fundamentação. Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 9202005.714 CSRFT2 Fl. 372 19 Relativamente ao segundo ponto identificado pela Fazenda Nacional para indicar omissão, conforme trecho abaixo transcrito, também não assiste razão ao embargante. "Contudo, cumpre observar que a incorporação de ações implica em verdadeira alienação de ações do acionista à sociedade que incorpora as ações, mediante subscrição e integralização de capital pelo próprio detentor das ações, consoante se pode observar dos ignorados documentos constantes dos autos: BOLETIM DE SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES e TERMO DE TRANSFERÊNCIA DE AÇÕES NOMINATIVAS. (...) Tais documentos foram firmados pelo próprio contribuinte, na qualidade de acionista, o que demonstra claramente que a subscrição de capital na BRATIL e a transferência das ações da REFLA para a BRATIL foram realizadas pessoalmente, com respaldo no princípio da autonomia da vontade." Os seguintes trechos do voto vencedor demonstram o enfrentamento e o posicionamento que prevaleceu no Colegiado: O artigo 23 da Lei n° 9.249/95 trata de operações de transferência de bens e direitos a título de integralização de capital, sendo, pois, inaplicável ao caso, segundo penso, na medida em que incorporação de ações não representa subscrição de capital em bens. Pela não ocorrência de alienação, mas de mera substituição, de participação societária, entendo que não pode dar sustentação à exigência o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88. Já pela figura da incorporação de ações, transmitese a totalidade das ações (e não do patrimônio), sendo que a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem, obviamente, ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. [...] Ora, se a incorporação de ações se fizesse pelo mecanismo da subscrição de capital em bens, isto é, pelo mecanismo de subscrição entre os sócios e a sociedade, o objetivo de constituição de subsidiária integral exigiria, necessariamente, a unanimidade dos sócios da sociedade cujas ações deverão ser incorporadas, de tal modo que bastaria a discordância de um para que a operação se tornasse inviável. [...] No caso, não ocorre uma integralização de capital pela pessoa física, tratandose de operação levada a efeito pelas pessoas jurídicas envolvidas no processo de incorporação de ações. Outrossim, não se tem transferência, por ato de alienação, de bens da pessoa física para uma pessoa jurídica. Ocorre apenas uma subrogação, no patrimônio do acionista, das ações de uma empresa pelas de outra, e isso por força de lei. [...] Fl. 1418DF CARF MF 20 Resta claro que os arts. 1º e 2º tratam da hipótese que define incidência da ocorrência do fato gerador, que só ocorre, como definido em Lei, quando os rendimentos são percebidos por pessoas físicas. Além disso, define claramente, que o imposto será devido, pelas pessoas físicas, à medida em que os rendimentos e ganho de capital foram percebidos. [...] A partir dessa conclusão, surgem algumas indagações: [...] b) Ocorreu integralização de capital por pessoa física, sujeita a tributação pela Lei 9.249? Entendo que não, pois houve incorporação de ações, entre pessoas jurídicas, instituto jurídico definido em lei, diverso da integraliação de ações; 56 c) Há hipótese de incidência do IRPF nessa operação, sobre a pessoa física? Entendo que haverá quando a pessoa física vender suas ações. Aliás, é bom destacar que a Declaração de Rendimentos da Pessoa Física do contribuinte, sujeito passivo da relação jurídicotributária, não foi alterada, persistindo com o mesmo valor, mesmo após a incorporação de ações, haja vista que não houve alteração do patrimônio. Não se deve esquecer as lições do Professor Alberto Xavier que leciona: "A tributação sobre eventual ganho de capital apenas ocorrerá caso de alienação futura das ações da companhia incorporadora, sendo então tal ganho a diferença entre o preço de alienação e o custo originário constante da declaração de bens"; d) Por derradeiro, questionase: sendo o contribuinte acionista com poder de decisão na assembleia geral e, por conseguinte, definido a incorporação, não seria a hipótese de se tributar pela existência de elemento de vontade? Entendo que não, pois, conforme lições do Professor NELSON EIZIRIK, na incorporação de ações é estabelecida uma relação entre duas sociedades – a incorporadora e aquela cujas ações serão incorporadas. Verificase, assim, a convergência de vontades entre as duas companhias, cujas assembleias aprovam a operação de incorporação de ações pode ser deliberada por maioria, não exigindo a unanimidade. Ademais, na incorporação de ações, ao contrário, prescindese da vontade do acionista da companhia cujas ações serão incorporadas. A operação é aprovada por maioria e independentemente da vontade do acionista minoritário, cabendolhe, apenas no caso de dissidência, o exercício do direito de recesso. Registro, por oportuno, que tal entendimento foi manifestado recentemente [19/05/2014] pela d. Procuradoria Federal que atua junto a Comissão de Valores MobiliárioCVM, em Parecer n /2014/GJU2/PFE/PGF/AG [doc. entregue com os memoriais] da lavra da Procuradora Federal Raquel Passarelli de Souza Toledo de Campos, conforme se observa: Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 9202005.714 CSRFT2 Fl. 373 21 Como o limite da análise dos embargos por este Colegiado é determinado, exclusivamente, pelos pontos suscitados pela Procuradoria da Fazenda, não foi possível identificar as supostas omissões em tais pontos e consequentemente acolher o recurso. Por isso, rejeito os embargos de declaração. Conclusão Face o exposto, voto por REJEITAR os embargos opostos pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1420DF CARF MF
score : 1.0
