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Numero do processo: 10850.000700/87-81
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 1989
Ementa: TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Omissão de receita caracterizada na pessoa jurídica no exercício de 1983 enseja a tributação reflexa como lucro automaticamente
distribuído ao sócio supridor.
Numero da decisão: 103-09.424
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Franscisco Xavier da Silva Guimarães
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Numero do processo: 16542.000443/2007-98
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/08/2006
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
No caso de lançamento de ofício, como é o caso de Auto de Infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN.
APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS .
Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
MULTA APLICADA
Nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequá-la ao artigo 32-A, da Lei n. 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 01/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator; Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 30/08/2006 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. No caso de lançamento de ofício, como é o caso de Auto de Infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. MULTA APLICADA Nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequá-la ao artigo 32-A, da Lei n. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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FATOS GERADORES Recorrente MATRIX INTERNET S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/08/2006 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. No caso de lançamento de ofício, como é o caso de Auto de Infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. MULTA APLICADA Nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A, da Lei n. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 54 2. 00 04 43 /2 00 7- 98 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 01/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator; Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 262DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16542.000443/200798 Acórdão n.º 2301003.425 S2C3T1 Fl. 262 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 30/10/2006, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração(fls.06), a empresa deixou de informar, nas GFIPs de 01/1999 a 08/2006, os valores pagos às pessoas físicas que lhe prestaram serviços na condição de contribuintes individuais. A recorrente impugnou o débito, afirmando apenas que estão sendolhe imputados débitos cujas competências foram adimplidas na sua totalidade, ou seja, em valor excedentes à real dívida da recorrente, e requerendo que lhe seja concedido prazo de 30 dias para a apresentação dos cálculos corretos. Por meio da Decisão Notificação nº 20.401.4/092/2007 (fls. 85), a Secretaria da Receita Previdenciária julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo(fls. 160), alegando, em apertada síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega impossibilidade de exigência do depósito recursal. No mérito, inova em relação à defesa asseverando que não incidem contribuições sobre os pagamentos eventuais realizados a terceiros, discorrendo sobre vínculo trabalhista e transcrevendo os arts. 458 da CLT, e 28, da Lei 8.212/91 para demonstrar que a habitualidade é condição sine qua non.para que os pagamentos efetuados aos empregados e aos terceiros sejam integrados ao salário de contribuição. Cita o § 9o, do art. 28 citado acima para reforçar o entendimento de que os pagamentos eventuais não integram o salário de contribuição, trazendo julgados do STJ para comprovar suas alegações e discorre sobre auxílioalimentação pago em pecúnia, concluindo que somente o pagamento habitual é passível de incidência de contribuição previdenciária, de terceiros e de segurados, o que não ocorreu no presente caso. Requer, por fim, que o recurso voluntário seja julgado conjuntamente ao Recurso relativo à NFLD 37.001.3417, haja vista tratarse de matérias correras. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente alega inexigibilidade do depósito prévio. De fato, o plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários ns. 390.513 e 389383, declarou a inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do artigo 126 da Lei n. 8213/91, cujos acórdãos possuem a seguinte ementa: “RECURSO ADMINISTRATIVO – DEPÓSITO §§ 1º E 2º DO ARTIGO 126 DA LEI Nº 8.213/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo.” A situação acima aplicase ao caso concreto e o efeito erga omnes somente se daria após a publicação de Resolução do Senado Federal conforme dispõe o inciso X do artigo 52 da Constituição Federal. Ocorre que o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, prevê, em seu artigo 62, parágrafo único, inciso I, o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Portanto, com amparo no dispositivo acima, acato a preliminar de inexigibilidade do depósito prévio. Antes de adentrar no mérito, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não trazida pela contribuinte no recurso tempestivo, mas que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. Observase que a fiscalização lavrou o presente AI com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16542.000443/200798 Acórdão n.º 2301003.425 S2C3T1 Fl. 263 5 No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” O art. 62, da Portaria 256/2009, transcrito acima, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, conforme já exposto, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Entretanto, o caso em tela se trata de Auto de Infração, ou seja, de lançamento de ofício, para o qual se a aplica o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O Auto de Infração foi lavrado em 20/11/2006, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu na mesma data. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito apenas para as competências compreendidas entre 01/1999 a 11/2000, inclusive. Para a competência 12/2000, a GFIP poderia ter sido apresentada em 01/2001, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2002, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Assim, reconheço a decadência parcial do débito, nos termos expostos acima. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16542.000443/200798 Acórdão n.º 2301003.425 S2C3T1 Fl. 264 7 No mérito, verificase que a recorrente inovou, em relação à defesa apresentada, alegando eventualidade dos pagamentos e discorrendo sobre o auxílio alimentação. Todavia, além de esses argumentos não terem sido trazidos em sede de defesa, o que, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, se consubstancia em matéria não impugnada, para a qual ocorreu a preclusão do direito de discussão, eles são estranhos ao processo sob análise e totalmente impertinentes ao objeto da NFLD em discussão. Porém, ainda que não se considerasse ocorrida a preclusão, verificase, no caso presente, que o débito se refere a pagamento de remuneração de contribuintes individuais, para os quais não há que se falar em habitualidade ou em vínculo empregatício, uma vez que o art. 28, inciso III, da Lei 8.212/91, estabelece que: Art. 28. “Entendese por salário de contribuição: (...) III – para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º”. O art. 201, do Decreto 3.048/99, estabelece que: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: I (...) II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) (...) A própria CF/88 estabelece, na letra "a", I do art. 195, que a contribuição a cargo das empresas incide sobre "a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício" (grifei). Portanto, não há que se falar que não incidem contribuições sobre os pagamentos eventuais realizados a contribuintes individuais. Dessa forma, sendo o pagamento de remuneração dos contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada fato gerador da contribuição previdenciária, a sua não inclusão em GFIP constitui infração à legislação, consoante determinação expressa no art. 32, inciso IV, e § 1o, da Lei 8.212/91, transcrito a seguir, na redação vigente à época: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) § 1° O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações especificas. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) No entanto, não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos dos normativos vigentes à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/08, que revogou o art. 32, § 6o, da Lei 8.212/91. E, conforme disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”: Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, tratandose o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, concluise que os critérios por ela estabelecidos, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam ao AI em tela,. Dessa forma, caso se constate, no recálculo da multa com a observância do disposto no artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer a decadência da parte da multa aplicada anterior à 11/2000, inclusive, e para que se aplique, caso seja mais benéfico para o contribuinte, o artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16542.000443/200798 Acórdão n.º 2301003.425 S2C3T1 Fl. 265 9 Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. No que tange ao valor da multa aplicada, não posso concordar com o posicionamento adotado pela nobre relatora, tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. 2. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 3. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 4. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 5. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 6. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 7. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16542.000443/200798 Acórdão n.º 2301003.425 S2C3T1 Fl. 266 11 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 8. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 9. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 10. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 11. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 12. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; Fl. 272DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16542.000443/200798 Acórdão n.º 2301003.425 S2C3T1 Fl. 267 13 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 13. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 14. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 15. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 16. Aplicase, portanto, a regra inovadora da legislação previdenciária, haja vista que os autos informam que a espécie é de declaração de GFIP, conforme colho do voto da douta relatora: “Tratase de Auto de Infração, lavrado em 30/10/2006, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei Fl. 273DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração(fls.06), a empresa deixou de informar, nas GFIPs de 01/1999 a 08/2006, os valores pagos às pessoas físicas que lhe prestaram serviços na condição de contribuintes individuais.” 17. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. 18. Neste ponto, dou provimento parcial ao recurso. CONCLUSAO 19. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, neste ponto específico, DARLHE PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, da Lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator Fl. 274DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.007406/91-95
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 1995
Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO - E definitiva a decisão
quando não interposto recurso voluntário no prazo
legal, dele não se toma conhecimento face a sua
intempestividade.
Numero da decisão: 102-29.819
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Maria Clelia de Andrade Figueiredo
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FIRMINO ALVES (FIRMA INDIVIDUAL). ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recur- so, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala g . e 26 abril de 1995 OS , Fmt, ..-1,77- SANTOS PAIVA - PRESIDENTE MA :t --;.A DE ANDRADE FIGUEIREDO - RELATORA VISTO EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES ROCHA - PROCURADOR DA FA SESSA0 DE: 1 9 MAI 1995 ZENDA NACIONAL. Participaram, ainda! do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: Waldevan Alves de Oliveira, Ursula Hansen, Júlio César Gomes da Silva, José Carlos Passuello e José Clóvis Alves. 2. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No. 10580/007.406/91-95 RECURSO No.: 80.436 ACORDO No.: 102-29.819 RECORRENTE : FIRMINO ALVES (FIRMA INDIVIDUAL) RELATORIO FIRMINO ALVES (FIRMA INDIVIDUAL) jurisdicionado pela DRF em SALVADOR - BA, foi notificado fls. 01/12, do Auto de Infração e seus anexos, em decorrência da desclassificação da firma como microem- presa, par não atender a legislação de regência, e nos exercícios de 1987 a 1991, não efetuou nenhum recolhimento para o PIS, optando pelo Lucro Real e Presumido, constituindo-se um crédito tributário no mon- tante de Cr$ 660.979,30, referente a contribuição para o PIS/FATURA- I MENTO. I , Conforme demonstrativo de fls. 03/12, relacionam as I contribui4bes— devidas, de acordo com a legislação vigente, apuradas I I através dó Livro de Apuração do ICM. 1 I Inconformado, o contribuinte apresentou sua impugnação, I I 1tempestiva, fls. 17119. 1 1 I I Em sua impugnação, o contribuinte não concorda com a i 1 1 existência dos fatos que caracterizam as infraçbes que lhes são atri- buídas e ressalta que com base na desclassificação como microempresa está obrigada ao recolhimento para o FINSOCIAL/PIS/FATURAMENTO e I I PIS/DEDUÇAO, para o exercício de 1986, para os dois primeiros e exer- 1 I cicio 1987 e 1988 para o último. Para os demais exercicios em que a empresa declarou pe- lo Lucro Presumido e pelo Lucro Real, também viu-se autuada para o FINSOCIAL e PIS/FATURAMENTO, por não ter efetuado nenhum recolhimento i segundo alegação do Fisco, aplicando-lhe multa fiscal :it Átniir 3. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No. 10580/007.406/91-95 ACORDA° No 102-29.819 Ainda em auto de infração de 27/06/91, em lançamentos decorrentes do IRPJ, também, lhe foi •exigido FINSOCIAL, PIS/FATURAMEN- TO e PIS/DEDUÇAO, em duplicidade nos presentes autos de Infração, vez que não restou comprovada a suposta offass%0 de receita no processo principal, sendo vitima de total cerceamento de defesa, além da deca- dÊncia do período fiscalizado, já que o fiscal autuante baseava-se em prova emprestada do fisco estadual, motivos suficientes para a NULIDA- DE dos respectivos autos de infração. Face a apresentação da escrituração fiscal e contábil ao fisco federal demonstrando os recolhimentos em atraso, inexiste qualquer infração fiscal, restando apenas um débito. Requer a improce- dOncia dos lançamentos. As fls. 34/40, consta a decisão da autoridade de pri- meiro grau, composta de relatório, emquadramento legal, análise da questão preliminar, apreciamento do mérito e longa e minuciosa funda- mentação, destacando o termo de diligOncia, fls. 13, no qual foi inti- mado a apresentar DCTFs e DARFs comprobatórios dos recolhimentos das mencionadas contribuiçbes. Esclarece, que não existe duplicidade na cobrança das aludidas contribui0es vez que os valores relativos ao exercício de 1986 foi reflexo do auto principal . (IRPJ), que tiveram por base o faturamento mensal, registrado no livro de apuração do ICM. Concluiu por julgar procedente a ação fiscal._ / E o relatório. 4. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No. 10580/007.406/91-95 ACORDO No 102-29.819 VOTO Conselheira Maria Clélia de Andrade Figueiredo, Relatara: Após análise dos documentos apensos aos autos, tendo em vista que o recurso foi apresentado fora do prazo regulamentar, à luz do artigo 33 do Decreto No 70.235/72, que estatui: "Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." O contribuinte foi notificado em 02/06/92, conforme "AR" de fls. 51, e o recurso somente foi interposto em 07/07/92, de acordo com o carimbo aposto às fls. 53. No recurso voluntário apresentado a destempo, a contri- buinte reconhece tratar-se de lançamento decorrente de auto de infra- ção lavrado contra a Pessoa jurídica no Processo de No. 10.580/007.406/91-95, e invoca os argumentos contidos na peça impugna- tória, sem apresentar qualquer razão ou fato novo. Em face do exposto, voto no sentido de não tomar conhe- cimento do recurso, por intempestivo. Brasília, 26 de abri de 1995. /P5 Maria Clélia de Andrade Figueiredo - Relatora. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10580.720391/2009-07
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº
10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da
incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-002.663
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido.
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 91 /2 00 9- 07 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.720391/200907 Acórdão n.º 2102002.663 S2C1T2 Fl. 193 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atílio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1525.104, proferido pela 3ª Turma da DRJ Salvador (fl. 137), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mas manteve parcialmente o crédito lançado, excluindo da exigência tributária o valor de R$11.442,74, tendo em vista o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 e o demonstrativo à fl. 87. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 152.160,99, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela Fl. 193DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.720391/200907 Acórdão n.º 2102002.663 S2C1T2 Fl. 194 3 inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. Em 13 de maio de 2009, foi publicado o Despacho do Ministério da Fazenda S/N, de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Diante do exposto, foi determinada diligência fiscal para que o processo retornasse ao órgão de origem para que este adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal em questão ao disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009. Em resposta, foi elaborado o demonstrativo e relatório, às fls. 87. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência fiscal e manifestou se contrário ao referido procedimento, alegando, em síntese, que o lançamento fiscal não poderia ser revisto sem que antes fosse declarado nulo. Teria havido uma clara mudança Fl. 194DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.720391/200907 Acórdão n.º 2102002.663 S2C1T2 Fl. 195 4 de critério jurídico na apuração da base de cálculo, bem como, a utilização de outras tabelas e alíquotas, violando o 146 do CTN. Ao menos, deveria ser declarada a decadência parcial do lançamento referido ao ano de 2004, nos termo do art. 150, § 4º, do CTN, pois o novo lançamento somente foi realizado em 2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu apelo ao CARF, às fls. 147/184, a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo. Efetuado sobrestamento do julgamento deste recurso, consoante Resolução de nº 2101000.053, de 09/02/2012. É o Relatório. Voto Conselheira José Raimundo Tosta Santos, relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Consoante descrição dos fatos no auto de infração, este lançamento decorre da classificação indevida de rendimentos tributáveis, na Declaração de Ajuste Anual, como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Inicialmente, cumpre esclarecer que a matéria foi colocada em pauta de julgamento nesta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção do CARF, tendo em vista a transferência deste Relator para compor o Colegiado. Constatei, então, que esta Turma não Fl. 195DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.720391/200907 Acórdão n.º 2102002.663 S2C1T2 Fl. 196 5 sobrestava o julgamento dos recursos que tratam da tributação de valores auferidos acumuladamente, a título de “Indenização URV”, por considerar, no mérito, em votação unânime, indevida a exigência tributária em exame. Após analisar os fundamentos para cancelamento da exigência tributária, firmei convencimento do seu acerto, razão pela qual peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102 001.337, de 08/06/2011, quando se apreciou a tributação da diferença de URV paga a um membro do ministério público da Bahia, em caso juridicamente similar ao aqui em discussão (somente se deve alterar a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 pela Lei do Estado da Bahia nº 8.670/2003), que em tudo se aplica ao presente caso e que ora se toma como razões de decidir: Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Fl. 196DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.720391/200907 Acórdão n.º 2102002.663 S2C1T2 Fl. 197 6 Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.720391/200907 Acórdão n.º 2102002.663 S2C1T2 Fl. 198 7 Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela Fl. 198DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.720391/200907 Acórdão n.º 2102002.663 S2C1T2 Fl. 199 8 leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Considerando as razões exaradas no voto acima transcrito, devese cancelar o lançamento em exame, de modo que se torna desnecessária a análise das demais questões suscitadas pela defesa. Registrese, por oportuno, que o Superior Tribunal de Justiça se manifestou no mesmo sentido, no julgamento do Recurso Especial nº 1.187.109 MA (2010/00570259), sessão realizada em 17/08/2010, cuja ementa se transcreve: EMENTA TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.720391/200907 Acórdão n.º 2102002.663 S2C1T2 Fl. 200 9 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, conheceu em parte do recurso e, nessa parte, negoulhe provimento, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins (Presidente), Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora. BrasíliaDF, 17 de agosto de 2010(Data do Julgamento) MINISTRA ELIANA CALMON Relatora Por fim, este Colegiado já se manifestou em diversos julgados (Acórdãos nºs 2102001.931, 2102001.690, 210201.565, 210201.565, dentre outros), sempre em votação unânime, que os valores das diferenças de URV percebidos pelos magistrados do Estado da Bahia não são rendimentos tributáveis. Do Acórdão nº 2102002.614, sessão de 20/08/2013, transcrevo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da Fl. 200DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.720391/200907 Acórdão n.º 2102002.663 S2C1T2 Fl. 201 10 incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Fl. 201DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 37307.001377/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2006
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
A relação apresentada no anexo Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Sendo declarada a procedência do crédito relativo a exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP.
FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E DECLARAÇÃO INCORRETA EM GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. AFERIÇÃO CONSIDERANDO TODOS AS LAVRATURAS EFETUADAS NA AÇÃO FISCAL.
Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, deve-se cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) com a atual multa de ofício (art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte.
Numero da decisão: 2401-003.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, ) por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 11/2000. II) pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, de modo que se efetue o recálculo da multa, que terá como limite o valor previsto no art. 44, I, da Lei n.. 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na(s) NLFD correlata(s). Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2006 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A relação apresentada no anexo Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Sendo declarada a procedência do crédito relativo a exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E DECLARAÇÃO INCORRETA EM GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. AFERIÇÃO CONSIDERANDO TODOS AS LAVRATURAS EFETUADAS NA AÇÃO FISCAL. Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, deve-se cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) com a atual multa de ofício (art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte.
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DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA PENALIDADE APLICADA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE DECLARAR OS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo a exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E DECLARAÇÃO INCORRETA EM GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. AFERIÇÃO CONSIDERANDO TODOS AS LAVRATURAS EFETUADAS NA AÇÃO FISCAL. Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, devese cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) com a atual multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2006 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 30 7. 00 13 77 /2 00 7- 26 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não tenham sido suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2006 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A relação apresentada no anexo “Relatório de Vínculos” não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, ) por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 11/2000. II) pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, de modo que se efetue o recálculo da multa, que terá como limite o valor previsto no art. 44, I, da Lei n.. 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na(s) NLFD correlata(s). Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37307.001377/200726 Acórdão n.º 2401003.157 S2C4T1 Fl. 405 3 Relatório Tratase de retorno da Diligência 240100.062 — 4.ª Câmara 1.ª Turma Ordinária, mediante a qual foi solicitada informação acerca da fase dos processos para exigência de contribuições conexos ao processo que ora tratado, o qual diz respeito ao Auto de Infração n. 37.017.1381, lavrado para aplicação de multa em razão da empresa haver deixado de declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP as remunerações pagas a contribuintes individuais a seu serviço, bem como valores decorrentes de serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativas de trabalho. Cientificada da exigência em 30/11/2006, a empresa apresentou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de julgamento, que declarou procedente a autuação. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário no qual alegou, em síntese, que: a) estão decadentes as contribuições relativas ao período de 01/1999 a 11/2001; b) devem ser excluídos do polo passivo os sócios da empresa; c) devem ser excluídos os acréscimos moratórios, tendo em vista a insubsistência da obrigação principal; d) a autoridade fiscal não tem competência para reconhecer vínculo de emprego entre a recorrente e seus prestadores de serviço. Convertido o processo em diligência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André trouxe aos autos a situação dos processos NFLD n. 37.017.1306; 37.017.131.4 e 37.017.1322, conexos ao AI sob apreciação, e que tiveram o mérito julgado pelo CARF em desfavor do sujeito passivo. Cientificado do resultado da diligência, o sujeito passivo não se pronunciou. Consta informação, à fl. 402, que o sujeito passivo desistiu parcialmente do recurso para inclusão de parte do crédito no parcelamento da Lei n. 11.941/2009, tendo, desistido da discussão apenas em relação às competências 02/2004, 03/2004, 11/2204 e 12/2004. É o relatório. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento parcialmente, deixandose de conhecêlo para as competências em que o sujeito passivo apresentou a desistência. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37307.001377/200726 Acórdão n.º 2401003.157 S2C4T1 Fl. 406 5 Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verifico que, em se tratando de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, devese adotar, para a contagem da decadência, a norma do art. 173, I do CTN. Esse posicionamento leva à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências de 01/1999 a 11/2000, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 30/11/2006. Incompetência do fisco para reconhecer vínculo de emprego A alegação de incompetência do fisco para caracterizar prestadores de serviço autônomo como empregados é preliminar que não deve sequer ser conhecida, porquanto não suscitada na impugnação, deixando de fazer parte da presente lide, em face da ocorrência de preclusão. Nos termos do § 6.° do art. 9.° da Portaria MPS/GM n° 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n° 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. Ainda que se a matéria fosse conhecida não mereceria provimento, posto que, na espécie, não houve a caracterização de autônomos como empregados da recorrente. Exclusão de representantes legais O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de devedores. No presente caso, a responsabilização é das empresas arroladas, os sócios e gerentes, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada ao AI apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos sócios/gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Mérito Quanto ao mérito, essa turma de julgamento tem seguido o entendimento de que o destino do AI por falta de declaração dos fatos geradores na GFIP deve ser o mesmo dado àqueles decorrentes de exigência da obrigação principal relativos aos mesmos fatos geradores. Conforme apontado na informação da DRF, todos os processos de exigência de contribuições conexos ao presente AI foram, no mérito, julgados procedentes na segunda instância. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Assim, devese considerar procedente a multa pela falta de declaração dos correspondentes fatos geradores. A aplicação da multa mais benéfica Embora não alegado no recurso, devemos de ofício nos posicionar sobre a possibilidade de aplicação da legislação posterior aos fatos geradores, se mais benéfica ao sujeito passivo. Observase que com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Na sistemática anterior, quando havia falta de recolhimento do tributo acompanhada da infração de omitir fatos geradores em GFIP, aplicavase a multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991), cumulada com a penalidade decorrente do descumprimento da obrigação acessória, esta punida com a multa correspondente a 100% da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991). A multa aplicada sobre as contribuições lançadas variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Atualmente, de acordo com o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de ofício constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de pena administrativa com a multa pela falta de pagamento do tributo , condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante dessas considerações, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 409DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37307.001377/200726 Acórdão n.º 2401003.157 S2C4T1 Fl. 407 7 (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Devese, então, limitar a multa do presente AI ao valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias naS NLFD correlatas. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, e na parte conhecida afastar, em razão da decadência, a multa lançada para as competências até 11/2000, e, no mérito por dar provimento parcial ao recurso, de modo que se efetue o recálculo da multa, que terá como limite o valor previsto no art. 44, I, da Lei n.. 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na(s) NLFD correlata(s). Kleber Ferreira de Araújo Fl. 410DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10940.002738/2004-87
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SIMPLES. FÁBRICA DE MÓVEIS DE METAIS E PRESTADORA DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL PARA A ATIVIDADE.
Comprovado o não enquadramento da atividade como de profissão cujo
exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, afasta-se a exclusão determinada com base no art. 9º, III, da Lei n° 9.317/96.
Numero da decisão: 1102-000.240
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros João Otávio Oppennan Thome e José Sérgio Gomes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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ementa_s : SIMPLES. FÁBRICA DE MÓVEIS DE METAIS E PRESTADORA DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL PARA A ATIVIDADE. Comprovado o não enquadramento da atividade como de profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, afasta-se a exclusão determinada com base no art. 9º, III, da Lei n° 9.317/96.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:46:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:46:39Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:46:40Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:46:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:df4e036e-9510-4127-8307-d723e739141b; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:46:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:46:40Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:46:40Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:46:40Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:46:39Z; created: 2010-12-21T10:46:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-12-21T10:46:39Z; pdf:charsPerPage: 1388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:46:39Z | Conteúdo => SI-CIT2 Fl 146 MINISTERIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10940.002738/2004-87 Recurso n" 340.865 Voluntário Acórdão n" 1102-00.240 — 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2010 Matéria EXCLUSÃO DO SIMPLES — Ex(s): 2002 Recorrente SONIMAC INDÚSTRIA DE MÓVEIS E AÇO LIDA, Recorrida 2a. TURMA/DR.I-CURITIBA/PR EMENTA: SIMPLES. FÁBRICA DE MÓVEIS DE METAIS E PRESTADORA DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL PARA A ATIVIDADE, Comprovado o não enquadramento da atividade como de profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, afasta-se a exclusão determinada com base no art. 9 0, III, da Lei n,° 9.317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros João Otávio Oppennan Thome e José Sérgio Gomes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. I-W-TÉTP-ALAQ aj..2.,PESSOA MONTEIRO - Presidente SILVANA RES GNO GUERRA BARRETTO Relatora EDITADO EM: 1 o NOV 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), José Sergio Gomes, João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), João Otavio Opperman Thome, Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado) e Silvana Rescigno Guerra Barreto (Relatora). i) ii) iv) v) Relatório A Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa, Paraná, expediu o Ato Declaratório Executivo DRE/PIG n.° 529,917, de 03 de abril de 2004 (fl. 07), para determinar a exclusão da Recorrente do SIMPLES, a partir de 03 de maio de 2002, em razão da atividade por ela desempenhada, com fundamento no art. 9°, XIII, da Lei n,° 9.317/96. Inconformada, a Recorrente manifestou-se contrariamente ao procedimento de exclusão, apresentando Solicitação de Revisão de Exclusão do SIMPLES — SRS n,' 09104/523917 (ti. 05), e, em seguida, Impugnação com base nos seguintes argumentos: A Lei n.° 10,964/04 assegurou a permanência no SIMPLES das empresas de serviços de reparação de automóveis, caminhões, ônibus, veículos pesados, motocicletas, instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores e de máquinas de escritório e de informática; O engenheiro é profissional voltado para o conhecimento científico que o torna habilitado para realizar atividades mais especializadas do que aquelas desempenhadas em urna oficina mecânica ou na atividade de reparação e manutenção de máquinas e equipamentos de uso geral; iii) As atividades arroladas na Resolução n.° 218, de 28 de junho de 1973, como sendo aquelas sujeitas à fiscalização do exercício profissional de engenharia não correspondem às realidades e necessidades atuais, frente as modernizações tecnológicas, conforme já reconhecido pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia; Oficinas mecânicas não poderiam ser consideradas sociedades de profissionais, nem por semelhança, por lhes faltar a mesma qualificação profissional, responsabilidade técnica pessoal, desempenho pessoal do sócio, tanto que o art.. 647, do RIR não arrola tal categoria entre os serviços caracterizadamente de natureza profissional; A exclusão dos SIMPLES direcionada a oficinas mecânicas e reparação e fabricação de máquinas fere determinação constitucional que assegura tratamento favorecido para empresas de pequeno porte, conforme determina o inciso IX, do art. 170 e o inciso XXVI, do art. 5°, da Carta Magna Federal; vi) A Lei h° 9.317, na parte que exclui do SIMPLES as profissões regulamentadas é inconstitucional; 2 Processo n" 10940 002738/200 41-87 SI-C1I2 Acórdão o" 1102-00.240 H 147 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba indeferiu a solicitação da Recorrente, esclarecendo que não é competente para apreciar a constitucionalidade de dispositivos da Lei n.° 9.317/96 e que as atividades descritas em seu contrato social devem ser exercidas por engenheiros ou técnicos, profissões que dependem de habilitação profissional legalmente exigida, o que afastaria o direito à inclusão no SIMPLES, consoante Ato Declaratório Normativo n.° 04, de 22 de fevereiro de 2000. Diante do indeferimento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário aduzindo, em sínteses, que: i) a Recorrente não reconhece que presta serviços de montagem e manutenção de máquinas e equipamentos industriais, como consta na decisão recorrida, pois seu contrato social traz como objeto "indústria metalúrgica, fabricação de móveis de aço e comércio de móveis de aço, redutores-matrizes, fábrica de máquinas para madeira e serviços de conserto e reforma de peças de máquinas industriais; ii) a decisão recorrida seria contrária à interpretação teleológica e sistemática da Lei n.° 9317/96; iii) a atividade principal seria de fabricação e comércio de móveis de aço e a prestação de serviços de consertos e reformas de peças de máquinas industriais seria atividade secundária por representar 6,64% das receitas e não exigiria a figura do engenheiro; iv) a irrelevância desses serviços se confirmaria com a exclusão dessa e de outras atividades na "Quarta Alteração Contratual" que definiu como objeto social apenas a fabricação e comércio de móveis de aço; v) a sua situação fático-jurídica subsume-se perfeitamente ao atual posicionamento do Conselho de Contribuinte que entende que a vedação do inciso XIII, do art. 9°, da Lei it° 9.317/96 não alcança as mieroempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada; vi) a Receita Federal teria interpretado a Lei n.. 9.317/96 dissociada da finalidade para a qual o SIMPLES foi instituído, prevista nos arts,. 150, II e 179, da Constituição Federal; vii) a equiparação de todas as pessoas jurídicas que tem entre suas atividades a prestação de serviços em máquinas e equipamento aos serviços profissionais de engenheiro afronta os artigos 150, II e 179, da Constituição Federal e implica conferir à lei ordinária hierarquia superior à própria Constituição; viii) a vedação da Lei seria direcionada a atividades economicamente organizadas, caracterizadas pela prestação de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica, qualificados dentre as atividades elencadas no inciso XIII, do art. 90; ix) as cópias do RAIS e da GFIP, com a relação de 30 funcionários demonstra que o regime tributário do SIMPLES foi essencial para a geração desses empregos; 3 x) a decisão da DRJ seria contrária ao entendimento do Conselho de Contribuintes, conforme ementas transcritas no recurso; xi) o STF, quando do julgamento da ADI 1.643-1 conferiu interpretação ao ar,t 90 para restringir seus efeitos às sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativa ao exercício de profissão legalmente regulamentada; xii) a Lei n.° 10..964/04, em seu art. 4°, permitiu a opção retroativa a diversas atividades equivalentes a que exerce; xiii) os Tribunais Regionais Federais tem decidido no mesmo sentido do recurso interposto; xiv) o termo "assemelhados", constante no texto legal não deveria ser entendido como qualquer atividade, porquanto a interpretação da norma não pode ser extensiva, sob pena de violação ao princípio da estrita legalidade e ao comando do art. 108, §1°, do GIN que veda a tributação por meio de analogia; xiv) a Resolução n,° 218, do CONFEA não teria o condão de modificar ou impor situação diversa da prevista em lei para exclui-la do SIMPLES; xv) nem mesmo a lei poderia flexibilizar conceitos para delimitar competência tributária, conforme disciplina art. 110, do CTN; É o relatório, •-• 4 Processo n" 10940.002738/2004-87 S1-CIT2 Acórdão n° 1102-00.240 Fl 148 Voto Conselheira SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Preenchidos os pressupostos recursais, passo a apreciar o Recurso Voluntário. Trata-se de exclusão do SIMPLES determinada pelo Ato Declaratório Executivo 529.917, de 02 de agosto de 2004, em razão da atividade desempenhada pela Recorrente de fabricação e comércio de móveis de aço e de serviços de consertos e reformas de máquinas industriais. A motivação da exclusão decorre do enquadramento das atividades da Recorrente como de engenharia ou assemelhada, o que faria incidir a vedação do art. 9 0 , XIII, da Lei n.° 9.317/96, que elenca as atividades vedadas para fins de adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Pode — SIMPLES, verbis: "Art. 90 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, 112ÚSiCO, dançarino, médico, dentista, eirkrmeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor; consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; " Deflui-se da leitura do inciso XIII, do art. 90 acima transcrito que a vedação para adesão ao SIMPLES ali disciplinada está diretamente relacionada ao exercício de profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, hipótese diversa da submetida à apreciação do Colegiado, haja vista que se trata de fábrica de móveis de metal que tem como atividade secundária a prestação de serviços de manutenção de máquinas. Na descrição do objeto desempenhado pela Recorrente, constam atividades que não exigem ou tem o condão de enquadrá-la como de engenharia e afastam o impedimento legal utilizado no ato de exclusão, porquanto realizadas por técnicos, sem a necessidade de formação em nível superior. Corroborando as razões ora expostas, transcrevo a seguir ementas de decisões administrativas na mesma direção defendida pela Recorrente, verbis: "Ementa SIMPLES. EAri,USÃO. Não poderá ser confundida COM atividade similar a de engenharia mecânica, privativa de engenheiros ou assemelhados, ramo de oficina de prestação de serviços na área de lnanutenção e reparo de equipamentos hidráulicos e 5 pneumáticos Atividade exercida não se encontra enquadrada nas atividades incluídas nos dispositivos de vedação à opção pelo regime especial do sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das inicroempresas e das empresas de pequeno porte RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Recurso 136444, Rel. Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Acórdão 302-39217, Sessão do dia 06/12/07) "Simples Exclusão indevida Não poderá ser confimdida com atividade similar a de engenharia mecânica privativa de engenheiros ou assemelhados ramo de oficina de prestação de serviços na reli-mina de máquinas pesadas, tratores' e comércio de peças e equipamentos. Atividade exercida não se encontra enquadrada nas atividades incluídas nos dispositivos de vedação à opção pelo regime especial do sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO" (Recurso 133141, Rel, Sílvio Marcos Barcelo Fiúza, Acórdão 303-33212, Sessão do dia 25/0506) Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para determinar a manutenção da Recorrente no SIMPLES. É corno voto SILVANA RESCIG GUERRA BARRETTO 6
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Numero do processo: 15922.000023/2007-74
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/07/2003
CONTRIBUIÇOES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO.
Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial.
Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais, a fiscalização deverá arbitrar o débito com fulcro no art. 33, § 3º, da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-003.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade,: a) em negar provimento ao recurso, na questão de mérito, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
(assinado digitalmente)
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade,: a) em negar provimento ao recurso, na questão de mérito, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. (assinado digitalmente) BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
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Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial. Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais, a fiscalização deverá arbitrar o débito com fulcro no art. 33, § 3º, da Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade,: a) em negar provimento ao recurso, na questão de mérito, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 00 23 /2 00 7- 74 Fl. 13610DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. (assinado digitalmente) BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa THYSSENKRUPP METALÚRGICA CAMPO LIMPO LTDA contra decisão que julgou procedente o lançamento de créditos previdenciários destinados ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. 2. A decisão de primeira instância restou assim ementada (fl. 3.618): “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – CUSTEIO – AFERIÇÃO DA ALÍQUOTA ADICIONAL PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. 1 – A empresa que tiver trabalhador sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde deste, ou sua integridade física, estará sujeita ao pagamento de contribuição adicional, ao artigo 22, inciso II da Lei nº 8.212/91. 2 – A falta, incoerência ou incompatibilidade dos documentos da empresa relativos aos riscos ambientais do trabalho autoriza o lançamento, por aferição indireta, das alíquotas adicionais na forma da lei, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. 3 – A fiscalização do INSS tem competência legal e funcional para verificar os documentos relacionados à segurança do trabalho que tenham reflexo em termos de contribuições sociais, não estando adstrita à prévia verificação pelos fiscais do MTE. 4 – A fiscalização fará o lançamento de ofício da contribuição adicional sempre que se constatar a falta ou a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação relacionado às contribuições sociais. LANÇAMENTO PROCEDENTE.” 3. O contribuinte, inconformado com a decisão, interpôs recurso voluntário (fls. 3.632/3.656), aduzindo, em síntese os seguintes argumentos: a) preliminarmente, “compete a Justiça do trabalho apreciar e julgar toda e qualquer controvérsia decorrente da relação de trabalho, incluindose as contribuições previdenciárias decorrentes de suas decisões”; logo cabe ao magistrado trabalhista julgar e executar as contribuições devidas; b) pleiteia ainda a nulidade do lançamento fiscal tendo em vista a ausência de avaliações técnicaspericiais para avaliar o ambiente de trabalho no que tange a insalubridade e a periculosidade; a nulidade da decisão proferida por falta de Fl. 13611DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15922.000023/200774 Acórdão n.º 2301003.542 S2C3T1 Fl. 13.611 3 fundamentação, não indicando, por exemplo, o motivo pelo qual os programas de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) propostos pela recorrente estariam em desacordo com as normas aplicáveis, inclusive não houve indicação do artigo infringido, desrespeitando, assim, o princípio da ampla defesa e contraditório; c) assevera que os laudos judiciais relacionados ao período de fiscalização que atestaram a inexistência de insalubridade nos locais auditados, não foram discutidos nem examinados pela decisão vergastada. 4. As contrarazões do fisco pugnaram pela conservação da decisão recorrida, a qual manteve a integralidade do lançamento fiscal haja vista a ausência de elementos novos e suficientes para refutar tal decisão (fls. 3.661/3.662). 5. Em seguida, a 2ª Câmara de Julgamento (CAJ) converteu o julgamento em diligência para que o perito técnico bem como o fisco se manifestassem sobre os quesitos formulados a respeito da exposição dos segurados a agentes de risco (fls. 3.663/3.665). 6. Logo após, o fisco indicou o médico perito, o qual emitiu ofício a Delegacia da Receita Federal de Jundiaí esclarecendo que o fato de avaliar os agentes nocivos na data atual implicaria em uma análise que poderia não refletir a realidade encontrada durante o exercício de 1999 a 2003, prejudicando, assim, a conclusão do laudo pericial. E, ainda, solicita liberação de verbas para custear o procedimento, e orientações sobre como proceder com a realização da perícia determinada. (fls. 3.686/3.687). 7. Os autos foram encaminhados a esse Conselho para julgamento, sendo que na sessão de 09 de junho de 2010 essa Colenda Turma decidiu converter o julgamento em diligência para a verificação in locu das condições ambientais de trabalho que tange a nocividade (fls. 3.691/3.694). 8. No Relatório Inspeção no Posto de Trabalho (fls. 13.582/13.585), o perito aferiu que todos os trabalhadores efetivamente se encontravam utilizando os equipamentos de proteção fornecidos pela empresa e adequados ao risco, concluindo que a insalubridade por exposição ao agente está neutralizada, nos termos do item 15.4.1 da NR 15 da Portaria 3214/78. 9. O contribuinte manifestouse sobre a perícia realizada, reiterando a procedência de seu recurso, visto ter restado amplamente demonstrado que a empresa neutralizava o agente nocivo ( fls. 13.590/13.593). 10. Após o cumprimento da diligência com a devida intimação das partes e manifestação do contribuinte, os autos retornaram a esse Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Fl. 13612DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual CONHEÇO do recurso. DA NEUTRALIZAÇÃO DO AGENTE NOCIVO 2. A aposentadoria especial é um dos benefícios previdenciários mais complexos administrados pelo INSS, e esta característica é resultante principalmente de sua multiplicidade normativa e técnica. 3. A escolha do agente nocivo ruído foi conseqüência da sua maior incidência na cadeia produtiva em comparação a outros riscos físicos, químicos e biológicos. A análise da sua exposição leva em consideração um amplo conjunto de normas técnicas e legais. De um lado, a análise da concessão administrativa pelo INSS da aposentadoria especial decorrente da exposição ao risco ruído em limites superiores ao limite de tolerância, sem a neutralização por equipamento de proteção individual (EPI), de forma permanente e habitual, não ocasional, e as dificuldades encontradas pelos operadores do direito, e dos trabalhadores que não dispõe de ferramentas práticas para a interpretação documental exigida. 4. A análise dos comandos concessivos administrativos relacionado ao agente nocivo ruído necessita o estudo da descaracterização da utilização e neutralização do agente nocivo pela utilização de equipamento de proteção individual. 5. A aposentadoria especial é um benefício concedido ao segurado, que tenha trabalhado em funções laborais sujeitos a condições prejudiciais à saúde ou a integridade física. Tratase de uma contraprestação pelos riscos a que foi exposto durante o período em que exerceu a função laboral. A aposentadoria especial é um benefício que visa garantir ao segurado do Regime Geral da Previdência Social uma compensação pelo desgaste resultante do tempo de serviço prestado em condições prejudiciais à sua saúde ou integridade física. 6. A aposentadoria especial apresenta como uma de suas características, as reiteradas alterações normativas no tempo e em sua matéria, decorrentes em grande parte pela complexidade de ajuste técnico e legislativo envolvidos, “a lei nova deve respeitar os efeitos dos atos regularmente praticados sob a lei antiga, devese entender que, no processo a iniciar, produzirão efeitos os contratos processuais estipulados sob o império da lei abrogada.” (CHIOVENDA, 1998, p.118) 7. A atual concessão administrativa do benefício da aposentadoria especial é baseada na instrução normativa IN 45 INSS/PRES/10. Esta por sua vez é fundamentada na: Constituição Federal de 1988; Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998; Lei Complementar n. 123, de 14 de dezembro de 2006; lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991; lei n. 10.666, de 08 de maio de 2003; lei n. 9.784, de 29 de janeiro de 1999; decreto n. 3.048, de 6 de maio de 1999; e decreto n. 6.932, de 11 de agosto de 2009. 8. A exposição ao agente nocivo ruído acima dos limites de intensidade e sem a neutralização por equipamento de proteção individual (EPI), com o tempo mínimo de trabalho de 25 anos. O Anexo IV do RPS, no quadro 2.0.1 aponta o risco ruído, e tempo mínimo de 25 anos, com exposição a níveis de exposição normalizados (NEN) superiores a 85 dB(A), de modo permanente, não ocasional nem intermitente a condições especiais, de ruído, que prejudiquem a saúde ou a integridade física. 9. A análise técnica das condições ambientais do trabalho é baseada na metodologia e procedimentos dos agentes nocivos (ruído) estabelecidas pela FUNDACENTRO Fl. 13613DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15922.000023/200774 Acórdão n.º 2301003.542 S2C3T1 Fl. 13.612 5 (Fundação Jorge Duprat Figueiredo de segurança e medicina do trabalho), com os limites de tolerância estabelecidos na NR15 do MTE, conforme artigo 238 da IN 45/10 INSS/PRES. 10. A concessão de equipamentos de proteção individual (EPIs) tem importância para o caso em testilha, visto ser somente considerado a partir de 3.12.1998 (MP n. 1.729/98), convertida na lei n. 9.732/98, e desde que comprove que elimine ou neutralize a nocividade do agente ruído, e ainda a observância da caracterização do EPI (equipamento de proteção individual) somente quando há inviabilidade técnica, insuficiência ou interinidade à implementação do EPC (equipamento de proteção coletiva). Necessário a observação do certificado de aprovação do MTE (CA), periodicidade de troca comprovada por recibos, da correta utilização e higienização do aparelho, e da observação do período de sua validade. 11. A consideração da utilização do equipamento de proteção individual é utilizada após 03 de dezembro de 1998 (MP n. 1.789/98, convertida na lei 9.732, de 11.12.1998). A análise é administrativa pelo INSS, levandose em considerações as variáveis legais e técnicas, comopor exemplo, o NRR (nível de redução de ruído Norma ANSI S12.6 1984) ou NRRsf (Norma ANSI S12.61997), que correspondem a características de cada equipamento certificado de acordo com as normas específicas do Ministério do Trabalho. 12. As demonstrações ambientais são especificadas no laudo técnico de condições ambientais do trabalho (LTCAT), e a sua análise é feita nos moldes do artigo 247 da IN 45/10 INSS/PRES, sendo observadas a identificação do setor e da função, a descrição da atividade, a identificação de agente nocivo capaz de causar dano à saúde e integridade física, arrolado na Legislação Previdenciária, a localização das possíveis fontes geradoras, a via e periodicidade de exposição ao agente nocivo, a metodologia e procedimentos de avaliação do agente nocivo, e a descrição das medidas de controle existentes. Outros documentos podem trazer dados importantes, entre eles, o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), Programa deGerenciamento de Riscos (PGR); Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho naIndústria da Construção (PCMAT); e o Perfil Profissiográfico Previdenciário PPP. 13. Em síntese, a análise administrativa e técnica tem como principais parâmetros concessivos em relação à exposição ao agente nocivo ruído, o princípio do tempus regit actum, a comprovação da exposição, a característica de permanência e habitualidade, a característica de permanência e habitualidade , a intensidade de exposição ao ruído, a análise documentais já anotadas anteriormente, a existência ou não de equipamentos de proteção coletivas e individuais, os níveis de redução de ruído, verificáveis pela certificação do MTE (CA), as mudanças do layout, a competência dos autores das respectivas documentações, as normas da FUNDACENTRO (NHO01). 14. Não se pode, ainda, desconsiderar o resultado prático dos equipamentos de proteção individual (EPIs) para fins de contagem de tempo em atividade especial (aposentadoria especial), pois se assim não fizer o aplicador da lei haverá, diretamente, o alargamento da base de concessões do benefício previdenciário, em contraposição aos fundamentos decorrentes da IN 45/10 INSS /PRES fundamentada em série normativa. 15. Já a concessão administrativa pelo INSS faz a análise de itens como o princípio do tempus regit actum , a comprovação da exposição, a característica de permanência e habitualidade, a intensidade de exposição ao ruído, a nocividade, a análise documental laudo técnico de condições ambientais do trabalho (LTCAT, PPRA, PGR, PCMAT, PPP, a existência ou não de equipamentos de proteção coletivas (EPCs) e individuais (EPIs), os níveis de Fl. 13614DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 redução de ruído (NRR), verificáveis pela certificação do MTE (CA), as mudanças do layout, a competência dos autores das respectivas documentações, e as normas da FUNDACENTRO (NHO01), e ainda, a consideração da nocividade (riscos capazes de trazer ou ocasionar danos à saúde ou à integridade física), da permanência (trabalho não ocasional nem intermitente) e habitualidade que traz a idéia de que as exposições aos agentes nocivos ocorrem ao longo do tempo. 16. Concluise, assim, que o equipamento de proteção individual é considerado a partir de 3.12.1998 (MP n. 1.729/98), convertida na lei n. 9.732/98, e desde que comprove que elimine ou neutralize a nocividade do agente ruído, e ainda a observância da caracterização do EPI (equipamento de proteção individual). 17. Nessa esteira de raciocínio, observase, de forma hialina, que o contribuinte tomou todas as precauções para que seus trabalhadores não ficassem expostos a qualquer nível de insalubridade, conforme devidamente assentado no Relatório Inspeção no Posto de Trabalho (fls. 13.582/13.585), com as seguintes conclusões: “Após a análise da documentação apresentada pela empresa, comprovando que atende os dispositivos legais no que diz respeito às normas de segurança e saúde do trabalho, tais como o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA, o Programa de Controle Médico em Saúde Ocupacional – PCMSO, as fichas de entrega de EPI com respectivas CA´s, treinamentos e fiscalização para o uso dos mesmos, entre outros; após a vistoria nos locais de trabalho onde verificouse que os níveis de ruído nos setores se encontram acima do limite de tolerância previsto na NR15, da Portaria 3214/78 do MTE, porém comprovouse em que todos os trabalhadores efetivamente se encontram utilizando os equipamentos de proteção fornecidos pela empresa e adequados ao risco, do visto e exposto concluise que a insalubridade por exposição ao agente está neutralizada, conforme disposto no item 15.4.1 da NR 15, já mencionada.” 18. Ora, a conclusão da perícia técnica confirma a improcedência da decisão da instância a quo, eis que esta não verificou, in loco, as condições ambientais do trabalho. Se o tivesse feito, com certeza, os agentes fiscais teriam chegado à mesma conclusão do Relatório Inspeção no Posto de Trabalho, qual seja, que o agente insalubre (ruído) está neutralizado pela utilização de EPI. Ora, se o agente insalubre está neutralizado, não há de se falar em recolhimento do adicional ao Seguro de Acidente de Trabalho – SAT para financiamento da aposentadoria especial. 19. Insta ressaltar, outrossim, que conforme informações trazidas pelo contribuinte (fls. 13.592) o próprio INSS indeferiu todos os pedidos de aposentadoria especial apresentados pelos trabalhadores da recorrente sob o argumento de que estes não estavam sujeitos a agentes nocivos, eis que neutralizados pela utilização de EPI – protetor auricular. Ou seja, se a própria autarquia previdenciária inferiu os pedidos de aposentadoria especial, sob o argumento de que o agente nocivo fora neutralizado, e o Relatório Inspeção no Posto de Trabalho confirma esse fato, não vislumbro motivo a ensejar a contribuição adicional ao SAT para financiamento da aposentadoria especial. CONCLUSÃO 20. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, julgando improcedente o lançamento realizado pela fiscalização, Fl. 13615DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15922.000023/200774 Acórdão n.º 2301003.542 S2C3T1 Fl. 13.613 7 afastando a incidência da contribuição adicional ao SAT para financiamento da aposentadoria especial. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros Permitome divergir do entendimento do Conselheiro Relator, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota em dar provimento ao recurso, por entender que o contribuinte tomou todas as precauções para que seus trabalhadores não ficassem expostos a qualquer nível de insalubridade, conforme devidamente assentado no Relatório Inspeção no Posto de Trabalho. Contudo, observase que a empresa reconheceu, em suas demonstrações ambientais (PPRA e LTCAT), a presença agentes nocivos no meio ambiente de trabalho, nos anos de 1999 a 2003, em vários setores. Constatase, da análise dos autos, que não houve controle adequado dos riscos, ou seja, a recorrente não gerencia adequadamente os riscos ambientais do trabalho. O PPRA apresentado está em desacordo com as normas, uma vez que não havia plano anual, bem como não há o estabelecimento de prioridades e metas (alínea a do item 9.2.1 e alínea b do item 9.3.1), e,conseqüentemente, não há também fixação de estratégia e metodologia de ação (alínea b do item 9.2.1). A fiscalização constatou que, na elaboração do Laudo Técnico em complemento ao PPRA, a empresa desconsiderou efeitos combinados, que consiste na verificação se, durante a jornada de trabalho, ocorrerem dois ou mais períodos de exposição a ruído de diferentes níveis para a mesma função.. Da mesma forma, o LTCAT foi elaborado em desacordo com os normativos legais, pois a empresa apenas registrou a presença do agente ruído. Verificase, ainda, que a empresa teria aberto apenas 5 (cinco) CAT's por alterações audiométricas, sendo que esse número seria inferior ao número de exames alterados constantes do Relatório Anual. A recorrente alega que não efetuou a abertura do CAT, pelo fato de o problema audiométrico não evidenciar o nexo causal com o ambiente de trabalho, em vista da concessão de protetores auriculares, bem como em razão do próprio histórico médico do empregado. Entretanto, não é a empresa quem deve fazer esse nexo causal. Fl. 13616DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 Cabe à perícia médica do INSS reconhecer o nexo causal entre a doença e o trabalho e caracterizar o acidente como sendo de trabalho. A obrigatoriedade de emissão do CAT não se resume à ocorrência da inaptidão para o trabalho, devendo todos os acidentes ocorridos com os segurados serem comunicadas ao INSS, independentemente de tais alterações resultarem na inaptidão do empregado para o trabalho. Quanto ao PCMSO, constatase que não houve interpretação dos exames, bem como não foram registrados no relatório anual todos os exames audiométricos alterados, subestimandose, dessa forma, as perdas auditivas de fato ocorridas na empresa. Ao analisar os dados constantes dos sistemas informatizados do INSS, constatouse, conforme documentos relacionados no anexo XI, que vários empregados da empresa aposentaramse com a consideração, para efeito do benefício concedido, do tempo de exposição ao agente nocivo ruído. A própria empresa autuada reconhece que foram concedidas aposentadorias especiais a seus trabalhadores expostos, quando afirma, no item 7.2.12 de sua impugnação, que “Dessa maneira, se, mesmo com a observação em relação ao uso de equipamentos de proteção individual, as aposentadorias eram concedidas pelo INSS, essa responsabilidade não pode ser atribuída à Defendente”. Portanto, se foram concedidas aposentadorias especiais aos trabalhadores da recorrente, expostos a agentes nocivos, nada mais justo que o empregador recolha o adicional para custeio do referido benefício. Observase, também, que a conclusão nos Laudos emitidos pelo Engenheiro de Segurança do Trabalho é no sentido de que "O nível de ruído no ambiente de trabalho encontra se acima do limite de tolerância estabelecido na NR15 da Portaria Ministerial no. 3.214/78 do MTb, sendo prejudicial à saúde e à integridade física do trabalhador. Ademais, verificase que a empresa declarou em GFIP, nas competências 01/1999 a 03/1999, praticamente todo o setor produtivo da empresa com direito à aposentadoria especial. Cumpre ressaltar, ainda, que a recorrente pagou adicional de insalubridade durante todo o período objeto da fiscalização (01/1999 a 07/2003), ou seja, reconhecendo, dessa forma, que não houve a eliminação ou neutralização dos efeitos dos agentes nocivos a que os trabalhadores estão expostos. Observese que, no presente caso, o agente nocivo principal é o ruído e o único, acima do Limite de Tolerância, que abrange a maior parte da produção. Ora, conforme art. 194, da CLT: Art. 194. O direito do empregado ao adicional de insalubridade ou de periculosidade cessará com a eliminação do risco à sua saúde ou integridade física, nos termos desta Seção e das normas expedidas pelo Ministério do Trabalho. Nesse sentido, concluise que, se os empregados apontados no laudo fazem jus ao adicional de insalubridade, conforme afirmado pelos técnicos, é porque não havia, à época, a eliminação do risco à sua saúde. Fl. 13617DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15922.000023/200774 Acórdão n.º 2301003.542 S2C3T1 Fl. 13.614 9 A empresa pautou o gerenciamento da segurança do ambiente de trabalho, principalmente nos equipamentos de proteção individual EPIs, fornecidos aos empregados, assim como na realização de treinamentos para a sua utilização Entretanto, o gerenciamento do risco ambiental da empresa não pode se pautar apenas na utilização de EPI’s. O Conselho Pleno do Conselho de Recursos da Previdência SocialCRPS, no exercício de sua competência para julgar as questões relacionadas à concessão de benefícios aos segurados da Previdência Social, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a utilização do EPI, por meio do Enunciado 21, transcrito a seguir ENUNCIADO nº 21 Editado pela Resolução Nº 1/1999, de 11/11/1999, publicada no DOU de 18/11/1999. “O simples fornecimento de equipamento de proteção individual de trabalho pelo empregador não exclui a hipótese de exposição do trabalhador aos agentes nocivos à saúde, devendo ser considerado todo o ambiente de trabalho” Também é nesse sentido a Súmula 289 do TST: 289. Insalubridade.Adicional. Fornecimento de aparelho de proteção. Efeito. O simples fornecimento de aparelho de proteção pelo empregador não o exime do pagamento do adicional de insalubridade, cabendolhe tomar as medidas que conduzam à diminuição ou eliminação da nocividade, dentre as quais as relativas ao uso efetivo do equipamento pelo empregado. foram juntadas ações judiciais reconhecendo doença profissional (perda de audição), lesão de origem ocupacional, A recorrente alega que, se determinado empregado apresenta pequena redução em sua capacidade auditiva, isso não lhe impede de continuar exercendo suas atividades normais e levar sua vida social, o que não pode ser tomado como fundamento para a configuração de local nocivo, em virtude de exposição a ruído. Porém, isso evidencia que a recorrente não gerencia adequadamente os riscos ambientais do trabalho. A empresa afirma que, embora entregue a documentação solicitada pelo empregado para requerer a aposentadoria especial, a concessão desse benefício depende única e exclusivamente do INSS, não exercendo a recorrente nenhuma ingerência sobre esse procedimento. Ora, mas o INSS vai pautar sua decisão na documentação disponibilizada pela empresa e nas informações por ela prestadas. A conclusão constante do documento apresentado pela recorrente (item.2.9, fls 1.379) é no sentido de que "O nível de ruído no ambiente de trabalho encontrase acima do limite de tolerância estabelecido na NR15, da Portaria Ministerial 3.214/78, do Mtb, sendo prejudicial à saúde e integridade física do trabalhador. Obs. A empresa fornece gratuitamente, orienta, treina e Fl. 13618DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 exige o uso de protetor auricular e demais equipamentos de proteção individual necessários às atividades exercidas, Tal conclusão corrobora o entendimento de que havia agente nocivo prejudicial à saúde e integridade física do trabalhador, e que a empresa tenta neutralizar tal agente com fornecimento, orientação e treinamento para uso de EPI, o que por si só, conforme já exposto acima, não é suficiente para afastar a insalubridade. Os indeferimentos pelo INSS de algumas das aposentadoria vinham nos seguintes termos: “Informamos que,após análise da documentação apresentada, não foi reconhecido o direito ao benefício pleiteado, tendo em vista que as atividades exercidas nos períodos de 03/02/1986 a 22/08/2003 NÃO FORAM CONSIDERADOS PREJUDICIAIS À SAÚDE OU A INTEGRIDADE FÍSICA... Ou seja, o indeferimento do pedido de aposentadoria foi pautado na análise da documentação apresentada. Daí a importância de a empresa elaborar a documentação relacionada com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho em conformidade com a legislação previdenciária e trabalhista que trata da matéria. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial. Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais, a fiscalização deverá arbitrar o débito com fulcro no art. 33, § 3º, da Lei 8.212/91 A empresa notificada reconhece, conforme a documentação analisada, a presença do agente nocivo ruído no ambiente de trabalho, como também reconhece, por intermédio do PCMSO, a existência de um expressivo número de exames apresentando resultados anormais. As sentenças nas reclamatórias trabalhistas também reconhecem as doenças causadas pela exposição dos empregados ao agente nocivo ruído. Cumpre lembrar que, dos indeferimentos de aposentadoria, ainda cabia recurso ao CRPS. Constatase que o laudo apresentado não considerou os EPCS eficazes, mas sim os EPIs. Contudo, conforme visto acima, o CRPS na aceita apenas o EPI para excluir a hipótese de exposição do trabalhador ao agente nocivo. O eficaz gerenciamento dos riscos do ambiente de trabalho é demonstrado por meio dos documentos previstos nas normas legais, que devem ser elaborados no período ou antes do período que se pretende gerenciar os riscos. Fl. 13619DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15922.000023/200774 Acórdão n.º 2301003.542 S2C3T1 Fl. 13.615 11 O LTCAT Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho , por exemplo, é a declaração pericial emitida para evidenciação técnica das condições ambientais do trabalho e o PPRA visa à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, por meio da antecipação, do reconhecimento, da avaliação e do conseqüente controle da ocorrência de riscos ambientais. No caso presente, verificase que os relatórios relacionados ao gerenciamento do risco ambiental do trabalho apresentados pela empresa demonstram que a exposição aos agentes nocivos Assim, constatase que no período objeto do lançamento havia a exposição dos empregados apontados no Laudo Técnico a agentes nocivos Os documentos que a empresa é obrigada, por lei, a elaborar atestam se houve um gerenciamento adequado dos riscos, ou não. Os resultados dos exames, por exemplo, indicam se os equipamentos de proteção adotados pela empresa são eficazes e se eliminam ou reduzem os riscos existentes no ambiente. E, no caso da recorrente, os Laudos Técnicos apresentados não atestam a neutralização dos riscos a que os empregados da empresa estavam expostos. Por tudo que foi exposto, voto por negar provimento ao recurso Fl. 13620DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13826.000248/2006-11
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
São admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$15.000,00 (quinze mil reais) como dedução de despesas médicas, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 16/7/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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DESPESAS MÉDICAS. São admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$15.000,00 (quinze mil reais) como dedução de despesas médicas, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 16/7/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2003, por meio da qual se exigiu do contribuinte o credito tributário de R$ 13.867,17. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 02 48 /2 00 6- 11 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 O lançamento é decorrente da seguinte infração: dedução indevida a título de despesas médicas, no valor de R$ 21.929,18: Glosa de R$ 21.929,18, por irregularidades no preenchimento dos recibos, além dá não comprovação do desembolso dos recursos para satisfação dos pagamentos. Falta indicação nos recibos do objeto, nome do paciente, endereço do emitente, número do registro no conselho profissional, falta especificação dos serviços na magnitude dos valores, além da falta de comprovação do pagamento Em sua impugnação, o contribuinte, consoante o relatório da decisão de primeira instância, assim se manifestou: a peça fiscal apurou dedução indevida a título de despesas médicas, glosa no valor de R$ 21.929,18, por irregularidades no preenchimento dos recibos, além da nãocomprovação do desembolso dos recursos para satisfação dos pagamentos. Ainda a falta de indicação nos recibos do objeto, nome do paciente, endereço do emitente, número do registro no conselho profissional, falta especificação dos serviços na magnitude dos valores, além da falta de comprovação do pagamento a peça fiscal procedeu à alteração da Base de Cálculo, em razão da glosa de,despesas médicas no valor de R$ 21.929,18 da Declaração imposto Renda Pessoa Física exercício de 2.003, ano calendário 2002;\ o pagamento dos serviços médicos prestados ao declarante, pelos beneficiários, foram efetuados com valores recebidos de pessoa jurídica e da; atividade rural e também de valores de contas bancárias dos saldos existentes em 31/12/2001 e usados durante o ano de 2.002; o s rendimentos do declarante da atividade rural, onde no ano de 2.002 obteve uma receita bruta de R$ 272.401,14 da sua parte cabente e despesas no valor de R$ 104.532,05,rendimentos do cônjuge, no valor R$ 158.474,44, obtendo assim uma receita liquida no valor deR$326.343,53;\ da receita liquida rural e os rendimentos do cônjuge no valor de R$ 326.343,53 houve uma variação patrimonial no valor de R$ 174.420,07, restando um valor liquido para gasto no ano de R$ 151.923,46 (cento e cinqüenta um mil, novecentos e vinte três reais e quarenta e seis centavos) e declarante gastou no ano de 2.002, um valor total de R$ 28.895,07 portanto, tendo apresentado o contribuinte, documentação idônea e inexistindo por parte da peça fiscal imputação de inidoneidade e havendo efetividade do valor pago, diante dos valores percebidos pelo contribuinte durante o ano de 2.002, tem o contribuinte efetivamente comprovado as despesas com saúde ocorridas no referido ano base; o presente auto de infração, glosa os valores de R$ 6.000,00 (seis mil reais)referente aos serviços prestados por Antônio Roberto Bozola e de R$ 900,00 (novecentos reais)referente a Juliana Caroni Bozola, os presentes gastos, referese aos serviços prestados de cirurgia de correção do próprio Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13826.000248/200611 Acórdão n.º 2802002.399 S2TE02 Fl. 597 3 contribuinte, em razão de acidente sofrido pelo mesmo. Foram efetuados os pagamentos através dos Cheques n° 850217 e 850218 ag 17299 c/c 5.1803 Banco do Brasil no valor de R$ 1.310,00 cada um e cheque n° 850220 no valor de R$ 4.250,00, totalizando R$6.870,00 quanto à glosa de R$ 15.000,00 de Claudia Maria Pipolo, pela não comprovação do desembolso dos recursos para satisfação dos pagamentos, não há na legislação brasileira, a obrigatoriedade do contribuinte fiscal efetuar suas transações comerciais efetivamente através de documentos bancários, e os pagamentos, desde que comprovados pela sua viabilidade financeira, podem ser quitados em dinheiro. Independente de sua receita ser recebida em cheque ou dinheiro pode muito bem o contribuinte fazer o desconto do cheque, para o recebimento da quantia em dinheiro, ao invés de efetuar diretamente o deposito em conta corrente. Ou ainda efetuarsaque para custear suas despesas mensais; transcreve o art. 11 da Lei n° 8.383/91 para mostrar que todos os recibos apresentados encontramse em conformidade com os requisitos do diploma legal citado. E ainda, a beneficiária do serviço confirma a prestação dos mesmos, como também os seus devidos recebimentos; cita Acórdão n° 10613089 e n° 10615321 da 6a Câmara e Acórdão n° 10247484 e n° 10246356 da 2a Câmara do Conselho de Contribuintes para justificar a sua tese; •conclui que está caracterizado a idoneidade e veracidade dos serviços prestados 1 de psicologia è os efetivos recebimentos dos serviços prestados, firmando assim, como legal as referidas deduções;\ •são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Impugnação: a glosa dos valores R$ 6.900,00 referente a Antonio C. Bozola e Juliana C. Bozola, foram efetuados os pagamentos através dos Cheques n° 850217 e 850218 ag. 17299 c/c 5.1803 Banco do Brasil no valor de R$ 1.310,00 cada um e cheque n° 850220 no valor de R$ 4.250,00, totalizando R$ 6.870,00; a glosa do .valor R$ 15.000,00 referente a Claudia Maria Pipolo, não pode prosperar, pelo fato dos rendimentos recebido durante o ano de 2002, mais o saldo de 31/12/2001 fica comprovado pelo contribuinte os dispêndios com as despesas médicas. Além dos requisitos legais, os recibos e os serviços foram comprovados pela beneficiária pela declaração em anexo; provado pelo contribuinte a idoneidade e veracidades dos serviços de despesas médicas, referente ao de Antonio C Bozola e Juliana C Bozola, no valor de R$ 6.900,00 e como também, referente aos valores de Claudia Maria Pipolo, com a própria anuência da prestadora quanto a veracidade e idoneidade dos serviços e dos presentes recebimentos, demonstrada a insubsistência e improcedência total do lançamento, requer que seja acolhida a presente IMPUGNAÇÃO, para o só fim de anular o Auto de Infração, tomando insubsistente a exigência fiscal do crédito tributário. Restabelecendo as deduções no valor de R$ 21.900,00 O acórdão de primeira instância tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICAIRPF Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Exercício: 2003 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a título de dedução de despesas médicas, na Declaração do IRPF, importa o restabelecimento dás despesas até o valor comprovado. ÔNUS DA PROVA E lícito ao fisco exigir a comprovação e justificação das despesas médicas pleiteadas na declaração de ajuste, inclusive o efetivo pagamento das mesmas, cabendo o ônus da prova ao contribuinte. Lançamento Procedente em Parte Nas razões de Voluntário (fls.106/131), o recorrente contesta os fundamentos contidos no acórdão vergastado, alegando que passou por uma cirurgia de correção, em virtude de um acidente sofrido , sendo desta cirurgia os seguintes valores: R$1.750,00 (Hum mil e setecentos e cinquenta reais) serviços prestados por Antonio Roberto Bozola; R$900,00 (novecentos reais) Juliana Caroni Bozola. Foram efetuados os pagamentos através dos Cheques n° 850217 e 850218 ag. 17299 c/c 5.1803 Banco do Brasil no valor de R$1.310,00 cada um e cheque n° 850220 no valor de R$4.250,00, totalizando R$6.870,00. Observa que na legislação não há impedimento para o pagamento em espécie.Assegura que todos os recibos, apresentados, encontramse em conformidade com os requisitos do diploma legal (Art.80 parágrafo 2°, III, Lei 9.250/95). A prestadora do serviço firma, por termo declaração indicando os pacientes e ainda faz o detalhamento dos serviços prestados, como também, firma os seus devidos recebimentos. Era o essencial a ser relatado. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Em primeira instância foi acatado a título de despesas médicas o valor de R$4.250,00. Destarte, o litígio trata de comprovação de despesas médicas no valor de RS 17.679,18, em que a autoridade fiscal fundamenta a autuação na falta de comprovação do efetivo dispêndio. Em primeira instância o lançamento foi parcialmente mantido sob o fundamento de que: da análise dos documentos acostados aos autos, às folhas 12/42, verificase que apenas a cópia do cheque de R$ 4.250,00 de fls 12/13, emitido nominalmente para Antônio Roberto Bozola, atende à fiscalização, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 06/07. Passo ao cerne do litígio: a comprovação da efetividade do pagamento e da prestação dos serviços. Em casos desta natureza, importante ressaltar que extensa discussão se trava no âmbito deste CARF, com relação aos documentos necessários para se comprovar as despesas médicas. Enquanto alguns defendem que o simples recibo faz prova em favor do Fl. 99DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13826.000248/200611 Acórdão n.º 2802002.399 S2TE02 Fl. 598 5 contribuinte, outros entendem que, havendo dúvidas na efetividade da prestação do serviço, ou em seu pagamento, pode o Fisco exigir provas complementares. Entretanto, tenho me manifestado reiteradamente que a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimálo a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. No presente caso tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento, e nela não vejo apontamento algum de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente, logo não há nos autos elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. É certo que o artigo 73 do RIR/99 estabelece em seu caput que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Todavia, segundo entendo, não contém o RIR/99 ou outro diploma legal qualquer permissivo genérico para a exigência dos comprovantes de efetivo desembolso, independentemente de fundamentação. Não havendo prova em desfavor dos recibos, ainda que por meio de um conjunto forte de indícios e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Entretanto, para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. As despesas em litígio somam RS 17.679,18, e são assim discriminadas: 1. Claudia Maria Pipolo, no valor de R$15.000,00 (recibos de fls.18/41,c/c declaração de fls. 42) 2. Antonio C. Bozola, no valor de R$1.750,00 3. Juliana C. Bozola, no valor de R$ 900,00 4. Unimed no valor de R$29,18; Assim, cotejando a imputação constante da Notificação de Lançamento, a impugnação, a peça recursal e os documentos trazidos aos autos, especificamente o recibo de fls. 18/41,c/c declaração de fls. 42, referente aos serviços prestados por Claudia Maria Pipolo ,no valor total de RS 15.000,00, considerase que não há nos autos elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. Entretanto, quanto aos pagamentos relativos a 1) Antonio C. Bozola, no valor de R$1.750,00, 2) Juliana C. Bozola, no valor de R$ 900,00 conforme consta no acórdão de primeira instância as cópias dos cheques de fls. 14 e 16, cujo valor é de R$ 1.310,00 cada um, Fl. 100DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 além de tratarse do mesmo documento, cópia de cheque n° 8502188, foi emitido nominalmente a Sônia Maria C. Bozola, que não está relacionada como prestadora de serviços médicos. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO EM PARTE , ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de RS 15.000,00 (quinze mil, reais). (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 101DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.001745/2008-49
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE PAGAMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO IDÔNEA DE EFETIVO DESEMBOLSO.
Comprovada a condição de alimentandos em razão de sentença judicial, mas ausente a prova de efetivo desembolso dos valores correspondentes à pensão alimentícia, é de manter-se a glosa respectiva.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-001.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros quedavam provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 17/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros quedavam provimento. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 17/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández.
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DEDUÇÃO DE PAGAMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO IDÔNEA DE EFETIVO DESEMBOLSO. Comprovada a condição de alimentandos em razão de sentença judicial, mas ausente a prova de efetivo desembolso dos valores correspondentes à pensão alimentícia, é de manterse a glosa respectiva. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros quedavam provimento. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 17/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 17 45 /2 00 8- 49 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Relatório Contra o contribuinte foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 22/24), referente ao exercício 2005, anocalendário 2004, em razão da seguinte suposta infração: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Glosa de R$ 21.000,00, por falta de comprovação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu ‘a intimação. O contribuinte apresenta impugnação (fl 01), na qual em síntese expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: A decisão judicial que estabelece a pensão alimentícia de sua três filhas, residentes em Innsbruck, Áustria, foi proferida pela Justiça Austríaca e estabelece o valor de aproximadamente 800 Euros para as três. A petição de homologação da Sentença Estrangeira já está tramitando no STJ. É sabido que não há analise de mérito por aquela Corte, mas somente a verificação do cumprimento das formalidades legais. Em breve, o STJ fará expedir a Carta de Sentença para que produza efeito no Brasil a decisão judicial, com efeito ex tunc, portanto, torna caduco o fato descrito na notificação. Caso a Delegacia da Receita Federal não reconheça a legalidade da dedução, fato que o levaria a recorrer ao Judiciário, seria razoável que o imposto devido e o valor da multa aplicada fosse recalculados, mediante contabilização dos gastos com suas filhas menores, passiveis de dedução, que não foram incluídas nas Declarações apresentadas. Solicita à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que proceda à impugnação da Notificação ou que suspenda o julgamento e conceda um prazo para apresentação da decisão judicial reconhecida pela Justiça brasileira. Em julgamento, a 3ª Turma da DRJ/BSB, em sessão realizada no dia 30/03/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos fundamentos de que somente quando homologada pelo Poder Judiciário brasileiro pode a sentença proferida no estrangeiro produzir efeitos no Brasil. Embora já se encontre nos autos a sentença brasileira transitada em julgado, a mesma foi trazida aos autos intempestivamente, pois, nos termos da legislação em vigor, o oportunidade para apresentação do referido documento se deu no momento da impugnação, não se podendo por este motivo conhecerse do documento em questão; não apresenta provas de efetivo pagamento dos valores, nem apresentou prova de relação de dependência. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl.8283, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 84, atacando a decisão exarada pela DRJ,aos fundamentos de que não poderia ter apresentado a sentença homologatória da Justiça brasileira por ocasião da impugnação, pois naquele momento, tal sentença ainda não fora proferida; a sentença homologatória tem efeitos retroativos à data do proferimento da sentença estrangeira, alcançando o anocalendário de que trata a DIRPF ora em questionamento; invoca os princípios da verdade real e da boafé, em seu auxílio; apresenta documentos comprobatórios da emissão de ordens de pagamento para o exterior em favor das alimentandas. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10120.001745/200849 Acórdão n.º 2802001.707 S2TE02 Fl. 93 3 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, no particular em que impugna a exigência concernente às glosas de dedução de pagamentos de pensões alimentícias. Em homenagem ao princípio do formalismo moderado, conheço dos documentos apresentados em fase recursal, nos termos da jurisprudência reiterada desta Turma. Tratase de sentença estrangeira de divórcio, proferida na Áustria, e homologada pela Justiça brasileira, conforme prova de fls.2629, qual seja, a carta de sentença expedida pelo STJ, de que consta expressamente que a sentença estrangeira transitou em julgado em 11/02/2000. Da tradução juramentada da sentença se extrai o trecho em que fica convencionado o pagamento de pensão alimentícia a cada uma das três filhas do casal, ali indicadas (fl.14) bem como que sua guarda está entregue à mãe, Clarissa Rios. Os documentos de fls.86 e ss. comprovariam de forma idônea transferências no valor total de R$ 22.600,00 à exesposa e guardiã das filhas acima mencionadas, se dos mesmos constasse a autenticação mecânica do banco ou assinatura de pessoa autorizada, o que não ocorre, estando em branco ao pé do documento o campo respectivo. Seria facultado ao contribuinte a produção de outras provas complementares, como extratos bancários, que, em conjunto com os documentos apresentados, poderia demonstrar a efetiva transferência dos valores, mas não exibe o contribuinte quaisquer outros documentos. Isto posto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 19515.000307/2004-71
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CSLL — COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS — INCORPORAÇÃO Somente com a edição da MP 1.858- 6, de 1999, 6 que houve a vedação expressa para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão, compensasse a base de cálculo negativa da Contribuição Social gerada a partir de janeiro de 1992.
Numero da decisão: 1102-000.200
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Sergio Gomes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: João Carlos de Lima Junior
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Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Sergio Gomes, nos termos do relatório e voto que integram .o presente julgado, Editado em: 5 v 2 O il Puocesso n. 19515.000307/2004-71 SI-C112 Acórdão n. 1102-00.200 FL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), José Sérgio Gomes (Suplente convocado), João Otavio Opperman 'horrid, João Carlos de Lima Junior (Vice-Presidente), Manoel Mota Fonseca (Suplente convocado) e Silvana Rescigno Guerra Barreto, Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em razão de glosa de compensação de base de cálculo negativa de periodos anteriores, que constituiu crédito tributário referente Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls. 182/183), cujo montante é de R$ 1,200,934,20 (um milhão, duzentos mil, novecentos e trinta e quatro reais e vinte centavos), já incluidps os acréscimos legais . De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 179), a autuação decorreu de compensação feita pela autuada, que se utilizou de base negativa de CSLL originária de empresa incorporada em 30/11/1998, qual seja, Sita Brasil Ltda, CNPJ 01,959.500/0001-18, no valor de R$ 5,597,195,25 (cinco milhões, quinhentos e noventa e sete mil, cento e noventa e cinco reais e vinte e cinco centavos). Segundo entendimento da Receita Federal, tal procedimento é vedado de acordo com a combinação constante do artigo 33, caput, do Decreto-Lei n° 2341/87, que prevê que a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida, cominado com o artigo 57 da Lei 8.981/95, o qual determina ser aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração e pagamento aplicadas ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. Em complementação à autuação, a autoridade fiscal intimou a autuada a retificar a escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR para conciliar os valores escriturados no referido livro corn as alterações decorrentes da lavratura do auto de infração. Cientificada do lançamento em 03/03/2004 (fls. 185), a autuada apresentou impugnação (fls 188/195) requerendo o cancelamento do auto de infração, alegando que as disposições do artigo 33 do Decreto-Lei 2.341/87 e do art. 57 da Lei re 8.981/95 não se aplicam à compensação da base negativa da CSLL. Em seguida, alega que a vedação para utilização de base de cálculo negativa de empresa sucedia por empresa sucessora somente pode ser aplicada a partir de 01/10/1999, com o advento da Medida Provisória 1.858/99, art. 20, hoje reescrito na Medida Provisória 2,158-35/01, art. 22. Asseverou que, em 1998, ano da incorporação da empresa Sita Brasil Ltda., não havia impedimento legal para que a sucessora por incorporação, fusão ou cisão compensasse a base de cálculo negativa da CSLL de empresa sucedida. Por fim, diz que o LALUR não é o livro a ser utilizado para os registros de controle da base negativa da CSLL e sim para apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, conforme expressamente previsto no artigo 262 do RIR199. 2 Processo n 19515 000307/2004-71 S1-C1T2 Acórchlo n 1102-00.200 Fl. 3 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (DR,I/SPO 1) julgou o lançamento procedente sob o fundamento de que o mesmo raciocínio aplicado no caso do 1RPJ aplica-se à Contribuição Social, ou seja, há a aplicação do artigo 3.3 do Decreto-Lei 2.341/87, e o artigo 20 da Medida Provisória L858/99, reescrito no artigo 22 da Medida Provisória 2,158-35/01, veio tão somente para tornar expressa urna proibição que anteriormente era decorrente de urna interpretação sistemática da legislação tributária, ou seja, entendeu a DIU que a Medida Provisória tern caráter exclusivamente interpretativo. Corn relação A aplicação do artigo 57 da Lei 8.981/95, a DIU entende que na realidade o mesmo urge da interpretação sistemática do texto legal, urna vez que para a CSLL aplicam-se as mesmas normas de apuração do IRPJ, não vislumbrando ofensa ao principio da legalidade. Intimado da decisão proferida pela DIU em 22/04/2008 (fls. 240), o contribuinte apresentou tempestivamente, em 21/05/2008, recurso voluntário (fls. 241/250). No bojo do recurso, a Recorrente alega que à época da apuração da CSLL, ora objeto da infração, não havia qualquer restrição legal ao aproveitamento das bases negativas de empresas incorporadas e, que o entendimento da DRJ ao "tornar por empréstimo" norma referente ao imposto renda e, por conseguinte, aplicá-la a CSLL, é incompatível corn o princípio da legalidade bem corno o uso de analogia para exigência de tributo é proibido . Em seguida, alega que somente após a edição da Medida Provisória 1 .858/99 é que surgiu o impedimento legal A. compensação pela sucessora de bases de cálculos negativas da CSLL geradas pela sucedida. o relatório. 3 Processo rt° 19515.000307/2004-71 S1-C1T2 Acórrilio n* 1102-00.200 Fl 4 Voto Considerando a tempestividade do presente recurso, dele tomo conhecimento. Diante das alegações da Recorrente de que a época da compensação não havia impedimento legal para Recorrente aproveitar-se da base negativa de empresa incorporada e que o impedimento só veio com o advento da Medida Provisória 1,858/99, faço as seguintes considerações. 0 artigo 33 do Decreto-Lei 2341/87 dispõe que a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar, no lucro real de períodos de apuração posteriores ao evento, prejuízos fiscais da sucedida. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente a parcela remanescente do patrimônio liquido . Tal dispositivo legal faz referência tão somente à impossibilidade de compensação de prejuízos fiscais relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, A compensação da base de cálculo negativa da CSLL passou a ser permitida a partir de 01/01/1992, com a edição da Lei n° 8383/91, que ern seu artigo 44 parágrafo único dispunha: "Art 44. Aplicam-se à contribuição social sobre o lucro (Lei n,' 7689, de 1988) e ao imposto incidente na fonte sabre o lucro liquido (Lei n° 7.713, de 1988, art 35)as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Parágrafo único — Tratando-se da base de cálculo contribuição social (Lei n° 7 689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de més subseqüente, no caso de pessodjuridica tributada com base no lucro real." ('Revociado pela Lei no 8.981, de 20.1.95) Ou seja, o "caput" do artigo acima colacionado faz referencia à adoção de normas de pagamento estabelecidas para o IRPJ também para a CSLL, não se confundindo sr; 4 Processo nu 19515 000307/2004-71 SI-C1T2 Acórd'io n 1102-00.200 Fl 5 corn as normas de aplicabilidade de prejuízos fiscais, O parágrafo único, por sua vez, introduziu possibilidade de compensação da base negativa da CSLL. Doravante, corn o advento da Lei 8.981/95, por faro do artigo 57, as mesmas regras de apuração e pagamento do IRPJ passaram a ser aplicadas à CSLL. Ainda, a mesma lei em seu artigo 58 e, conforme o artigo 16 da Lei 9,065/95, estabeleceu limite de 30% para a compensação da base de cálculo negativa da CSLL acumulada de períodos anteriores . Como vemos, o artigo 57 da Lei 8,981/95 imputou à CSLL as mesmas regras de apuração e pagamento, não mencionando nada com relação à compensação da base negativa da CSLL. A disposição que vedou expressamente a compensação da base negativa da CSLL só se deu com o artigo 20 da Medida Provisória IV 1,858-6, de 29 de junho de 1999, atualmente regulada pelo art, 22 da MP n° 2.158-35/01, que estendeu A base de cálculo negativa da CSLL as disposições dos artigos 32 e .3.3 do Decreto-lei n° 2,341/87, conforme se constata dos trechos abaixo transcritos: "Art .20 Aplica -se á base de cálculo negativa da CAL o disposto nos arts, 32 e 33 do Decreto-Lei if 2.341, de 29 de junho de 1987." Decreto — lei ri° 2341/87: "Art_ 32_ A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificaçao de seu controle societário e do ramo de atividade. Art 33_ A pessoa jurídica .SUCCSSOrt7 por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio liquido. " Assim, constata-se que somente após o advento da MP 1.858-6/99 é que houve vedação expressa 5 possibilidade de compensação da base de cálculo negativa da CSLL da sucedida pela sucessora. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário da Recorrente para cancelar o lançamento em andlise, como voto. Processo 19515.00030'7/2004-71 Si-C112 Aenrdao n 1102-00,200 FL 6 No presente caso, como a incorporação se deu em 30/11/1998 e a compensação da base de cálculo negativa da CSLL da sucedida pela sucessora refere-se ao ano base de 1998, declarado na Declaração de Imposto de Renda do exercício de 1999, não merece prosperar a glosa efetuada . No mesmo sentido, as decisões prolatadas por este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais rezam: "CSLL COMPENSACAO DE BASES NEGATIVAS DE SOCIEDADE INCORPORADA — Até o advento da Medida Provisória n° 1 858-6, de 1999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora pot incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992, não procedendo a glosa da compensação efetuada naquele sentido" (Ac. n°101-95.661, de 27/07/2006). "CSLL COMPENSACJO DA BASE NEGATIVA. CISJO PARCIAL Até o advento do artigo 20 da Medida Provisória n° L858-6, de 1999, a legislação vigente não estabelecia qualquer limitação para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992.." (Ac. n° 101-93.912, de 21/08/2002). "CSLL - A proibição constante no art. 22 da MP n°2 158-35/01, que dispõe que se aplica 41. base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts 32 e 33 do Decreto-lei 11' 2.341/87, só tem inciddncia partir de 01-10-99 " (Ac, no CSFR/01-04 448, de 25/02/2003).
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