Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,988)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,536)
- Primeira Turma Ordinária (13,108)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,534)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,777)
- Terceira Câmara (68,236)
- Segunda Câmara (57,099)
- Primeira Câmara (21,379)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,096)
- Segunda Seção de Julgamen (115,765)
- Primeira Seção de Julgame (77,654)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,458)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,581)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,683)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,662)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,340)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16327.000873/2006-73
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES.
Ao preço da mercadoria importada deve-se acrescentar o valor dos royalties relacionados às mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar como condição de venda.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES.
Ao preço da mercadoria importada deve-se acrescentar o valor dos royalties relacionados às mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar como condição de venda.
Numero da decisão: 3803-001.349
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Rangel Perrucci Fiorin.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 05 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201103
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES. Ao preço da mercadoria importada deve-se acrescentar o valor dos royalties relacionados às mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar como condição de venda. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES. Ao preço da mercadoria importada deve-se acrescentar o valor dos royalties relacionados às mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar como condição de venda.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 16327.000873/2006-73
anomes_publicacao_s : 201103
conteudo_id_s : 4663795
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3803-001.349
nome_arquivo_s : 380301349_16327000873200673_201103.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 16327000873200673_4663795.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Rangel Perrucci Fiorin.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
id : 4816067
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:43:41 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810909794304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1527; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 206 1 205 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000873/200673 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 380301.349 – 3ª Turma Especial Sessão de 02 de março de 2011 Matéria II E IPI AUTOS DE INFRAÇÃO Recorrente DOW BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES. Ao preço da mercadoria importada devese acrescentar o valor dos royalties relacionados às mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar como condição de venda. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES. Ao preço da mercadoria importada devese acrescentar o valor dos royalties relacionados às mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar como condição de venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Rangel Perrucci Fiorin. Assinado digitalmente ALEXANDRE KERN Presidente. Assinado digitalmente HÉLCIO LAFETÁ REIS Relator. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS 2 EDITADO EM: 03/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carlos Henrique Martins de Lima, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ São Paulo II/SP que indeferiu a impugnação apresentada pelo contribuinte decorrente da lavratura de autos de infração relativos ao Imposto de Importação (II) e ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), tendo como base de cálculo o valor dos royalties enviados pelo contribuinte ao exterior como condição de venda das mercadorias ao importador (fls. 72 a 97). Não conformado com os lançamentos, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 113 a 128) e requereu a declaração de improcedência das autuações, alegando, em síntese, o seguinte: a) a inaplicabilidade do art. 18 do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA) ao presente caso, uma vez que, de acordo com a Nota do mesmo artigo, não integram a base de cálculo na importação os royalties sobre produtos produzidos no país; b) o contrato que embasara a autuação não tem por escopo a importação de produtos para revenda direta, mas apenas o licenciamento de tecnologia para que a impugnante possa produzir no Brasil produtos para revenda; c) não há vinculação entre os royalties remetidos ao exterior e as declarações de importação relacionadas nos autos de infração. A DRJ São Paulo II/SP julgou procedentes os autos de infração (fls. 148 a 152), cujo acórdão foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOli Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2004 VALOR ADUANEIRO. CONDIÇÃO DE VENDA. ROYALTIES. Método do valor de transação. Ao preço efetivamente pago ou a pagar deve ser acrescentado o valor dos royalties relacionados às mercadorias, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O relator a quo ressaltou que, diferentemente do alegado pelo então Recorrente, o contrato de royalties previa a hipótese de pagamento nos casos de produto fabricado no Brasil e de produtos importados destinados à revenda, sendo esse pagamento Fl. 235DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 16327.000873/200673 Acórdão n.º 380301.349 S3TE03 Fl. 207 3 condição de venda, e que a própria planilha apresentada pelo contribuinte relacionava os produtos importados sujeitos ao pagamento de royalties. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 160 a 175) e reitera seu pedido de declaração de insubsistência dos autos de infração, repisando os mesmo argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme já havia registrado a autoridade julgadora a quo, os fatos alegados pelo Recorrente para se contrapor aos lançamentos de ofício mostramse em deconexão com os elementos probatórios presentes nos autos. Diferentemente da alegação de que o contrato teria como escopo exclusivamente o “licenciamento de tecnologia” para produção no Brasil, consta do instrumento que seriam fornecidos à licenciada, no caso o Recorrente, “produtos, tecnologia de processo e suporte contínuo dos mesmos” (fl. 52). Além disso, conforme consta das mensagens reproduzidas às fls. 66 a 71, o Recorrente relaciona os royalties remetidos ao exterior com os itens importados para revenda (fl. 71), sendo realizado um comparativo entre as quantidades importadas líquidas das quantidades consumidas no processo produtivo. Portanto, constatandose que os argumentos trazidos pelo Recorrente afastamse da realidade dos fatos reproduzidos nos autos, concluise pelo escorreito procedimento da autoridade fiscal ao fazer incidir os impostos sobre os valores dos royalties pagos pelo importador ao fornecedor domiciliado no exterior. Esse fato se subsume ao previsto na norma, verbis: Acordo de Valoração Aduaneira AVA (Decreto nº 1.355/1994 Artigo 1 I. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: (...) Artigo 8 Fl. 236DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS 4 I. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (...) (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; (...) 3. Os acréscimos ao preço efetivamente pago ou a pagar, previstos neste Artigo, serão baseados exclusivamente em dados objetivos e quantificáveis." Portanto, uma vez configurado o fato imponível previsto na norma tributária de incidência, temse por configurada a ocorrência do fato gerador ensejadora da exigência do tributo devido, em razão do que voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 237DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 16327.000873/200673 Acórdão n.º 380301.349 S3TE03 Fl. 208 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 16327.000873/200673 Interessada: DOW BRASIL S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.349, de 02 de março de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 02 de março de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 238DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720176/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Exercício: 2009, 2010, 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDOS DE CONEXÃO E SOBRESTAMENTO
De acordo com o art. 6º, §2º, do RICARF, para que possa ser deferida a conexão, os processos devem ser de competência da mesma Seção o que não ocorre no caso dos autos.
Trata-se de tributação prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981/95 que independe da exigência ou não de IRPJ e CSLL, sendo assim, deve ser rejeitado o sobrestamento do presente processo.
NULIDADE EM RAZÃO DA AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO DESCRITO A NORMA PREVISTA NO ART. 61 DA LEI Nº 8.981/95
Os atos praticados no processo foram lavrados por pessoa competente (inciso I) e os despachos e decisões foram igualmente lavrados por autoridades competentes e sem preterição do direito de defesa (inciso II). Assim, sob o ponto de vista formal, não há que se falar em nulidade nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. A alegada ausência de subsunção do fato a norma que suporta o presente lançamento se confunde com o mérito e, por isso, será juntamente com ele analisada.
IR FONTE-PAGAMENTO SEM CAUSA - ART. 61 DA LEI Nº 8.981/95 - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO
Mostra-se contraditória a tributação, como pagamentos sem causa, de pagamentos inexistentes.
Não há como se defender a inexistência de uma pessoa jurídica e, ao mesmo tempo, tributar pagamentos feitos a ela.
Numero da decisão: 1401-006.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de conexão de processos e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Acompanharam pelas conclusões os Conselheiros Carlos André Soares Nogueira e Itamar Artur Magalhães Alves Ruga.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Andre Luis Ulrich Pinto e Lucas Issa Halah.
Nome do relator: Daniel Ribeiro Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 15 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202209
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Exercício: 2009, 2010, 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDOS DE CONEXÃO E SOBRESTAMENTO De acordo com o art. 6º, §2º, do RICARF, para que possa ser deferida a conexão, os processos devem ser de competência da mesma Seção o que não ocorre no caso dos autos. Trata-se de tributação prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981/95 que independe da exigência ou não de IRPJ e CSLL, sendo assim, deve ser rejeitado o sobrestamento do presente processo. NULIDADE EM RAZÃO DA AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO DESCRITO A NORMA PREVISTA NO ART. 61 DA LEI Nº 8.981/95 Os atos praticados no processo foram lavrados por pessoa competente (inciso I) e os despachos e decisões foram igualmente lavrados por autoridades competentes e sem preterição do direito de defesa (inciso II). Assim, sob o ponto de vista formal, não há que se falar em nulidade nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. A alegada ausência de subsunção do fato a norma que suporta o presente lançamento se confunde com o mérito e, por isso, será juntamente com ele analisada. IR FONTE-PAGAMENTO SEM CAUSA - ART. 61 DA LEI Nº 8.981/95 - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO Mostra-se contraditória a tributação, como pagamentos sem causa, de pagamentos inexistentes. Não há como se defender a inexistência de uma pessoa jurídica e, ao mesmo tempo, tributar pagamentos feitos a ela.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 16095.720176/2014-13
anomes_publicacao_s : 202210
conteudo_id_s : 6681667
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1401-006.211
nome_arquivo_s : Decisao_16095720176201413.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Daniel Ribeiro Silva
nome_arquivo_pdf_s : 16095720176201413_6681667.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de conexão de processos e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Acompanharam pelas conclusões os Conselheiros Carlos André Soares Nogueira e Itamar Artur Magalhães Alves Ruga. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Andre Luis Ulrich Pinto e Lucas Issa Halah.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2022
id : 9538226
ano_sessao_s : 2022
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:43:50 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810934960128
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-10-04T01:42:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-10-04T01:42:07Z; Last-Modified: 2022-10-04T01:42:07Z; dcterms:modified: 2022-10-04T01:42:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-10-04T01:42:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-10-04T01:42:07Z; meta:save-date: 2022-10-04T01:42:07Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-10-04T01:42:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-10-04T01:42:07Z; created: 2022-10-04T01:42:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2022-10-04T01:42:07Z; pdf:charsPerPage: 2109; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-10-04T01:42:07Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16095.720176/2014-13 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401-006.211 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de setembro de 2022 Recorrente PANDURATA ALIMENTOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Exercício: 2009, 2010, 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDOS DE CONEXÃO E SOBRESTAMENTO De acordo com o art. 6º, §2º, do RICARF, para que possa ser deferida a conexão, os processos devem ser de competência da mesma Seção o que não ocorre no caso dos autos. Trata-se de tributação prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981/95 que independe da exigência ou não de IRPJ e CSLL, sendo assim, deve ser rejeitado o sobrestamento do presente processo. NULIDADE EM RAZÃO DA AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO DESCRITO A NORMA PREVISTA NO ART. 61 DA LEI Nº 8.981/95 Os atos praticados no processo foram lavrados por pessoa competente (inciso I) e os despachos e decisões foram igualmente lavrados por autoridades competentes e sem preterição do direito de defesa (inciso II). Assim, sob o ponto de vista formal, não há que se falar em nulidade nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. A alegada ausência de subsunção do fato a norma que suporta o presente lançamento se confunde com o mérito e, por isso, será juntamente com ele analisada. IR FONTE-PAGAMENTO SEM CAUSA - ART. 61 DA LEI Nº 8.981/95 - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO Mostra-se contraditória a tributação, como pagamentos sem causa, de pagamentos inexistentes. Não há como se defender a inexistência de uma pessoa jurídica e, ao mesmo tempo, tributar pagamentos feitos a ela. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de conexão de processos e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Acompanharam pelas conclusões os Conselheiros Carlos André Soares Nogueira e Itamar Artur Magalhães Alves Ruga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 76 /2 01 4- 13 Fl. 4058DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Andre Luis Ulrich Pinto e Lucas Issa Halah. Relatório A Recorrente foi submetida à fiscalização relativa aos anos-calendários 2009, 2010 e 2011 a qual foi amparada pelos MPF´s 081100.2012-00018 e 0811100.2013-033391. Em conclusão ao referido trabalho fiscal, foram apontadas as seguintes irregularidades: a) despesas não comprovadas que deram origem ao lançamento por insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL (Processo Administrativo nº 16095.720175/2014-79) b) pagamentos sem causa que geraram o lançamento constante do presente processo administrativo. Na descrição dos fatos constante do referido Termo de Constatação é ressaltado pela fiscalização que "a irregularidade em questão, envolvendo as mesmas empresas e operações, fora objeto de autuação pela Secretaria da Receita Federal em 21/12/2010, através do processo administrativo nº 16095.000723/2010-17. Nesse processo, foram objeto do Auto de Infração as operações entre as partes envolvidas nos anos calendários 2005, 2006, 2007 e 2008. A Recorrente, até o ano de 2004, desenvolvia as atividades de fabricação e comercialização de seus produtos. Em 01/09/2004, foi firmado contrato de prestação de serviços entre a Recorrente e a Pandurata Assessoria Comercial segregando as atividades de fabricação e comercialização. A motivação do lançamento discutido no presente processo, bem como da glosa das deduções de despesas para o IRPJ e CSLL, decorreu do fato de que, para a fiscalização, a empresa Pandurata Assessoria Comercial tinha existência meramente formal. Para chegar a essa conclusão, a fiscalização apontou os seguintes fatos: Em análise da conta contábil 35414.000 (Comissões Pessoa Jurídica) constatou que os lançamentos nela efetuados foram decorrentes de prestação de serviço tomados da empresa PANDURATA ASSESSORIA COMERCIAL LTDA. (fls. 1314). Intimado a Fl. 4059DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 comprovar tais despesas, o contribuinte juntou as respectivas notas fiscais, os contratos de prestação de serviços datados de 01/09/2004 e 01/09/2008 relacionados as mencionadas notas, bem como os comprovantes dos respectivos pagamentos (fls 1315). Todavia, na descrição dos serviços prestados nas notas fiscais constavam serviços de "atividades de consultoria em gestão empresarial" e "serviços de assessoria comercial" considerados pela fiscalização muito genéricos. Diante disso, intimou a empresa, em 07/03/2014, a apresentar documentos que representassem a efetiva prestação de serviço. Em atendimento, a empresa apresentou relatório das vendas dos anos de 2009. 2010 e 2011 representados por planilhas eletrônicas denominadas "Estatísticas de metas/valores" emitidas pela própria Pandurata Alimentos Ltda. Não satisfeita, a fiscalização intimou novamente a empresa para apresentar documentos da efetiva prestação de serviço. Em atendimento a intimação, a empresa respondeu que os documentos fornecidos eram suficientes e conclusivos sobre a prestação dos serviços. Em relação aos contratos, a fiscalização apresentou as seguintes objeções: a) Com relação a listagem geral de funcionários, contata-se que o documento foi produzido em 14/01/2010 e a data de admissão dos funcionários é a data de admissão na empresa PANDURATA ALIMENTOS. b) "os relatórios apresentados para prestação de serviço, e ditos como se fossem produzidos pelos técnicos da contratada percebe-se que são, na verdade, relatórios eletrônicos de vendas extraídos do sistema, separados por região fiscal, e não guardam qualquer relação com os técnicos supostamente contratados. c) "A documentação apresentada como se fosse relatório de reembolso das despesas da contratante foi entregue de forma genérica sem vincular a empresa Pandurata Assessoria Comercial aos reembolsos efetuados aos empregados. d) os empregados foram transferidos da Pandurata Alimentos para a Pandurata Assessoria Comercial. e) Em 01/10/2010, a Pandurata Assessoria Comercial teve seu endereço alterado para o mesmo endereço da empresa contratante (Pandurata Alimentos) e que, de acordo com diligências efetuadas no endereço anterior (extraídas do processo 16095.000723/2010-17), concluiu que no local nunca houvera atividade da empresa contratada. Isso porque, a funcionária do consultório dentário que fica ao lado da sala onde funcionaria a empresa, teria informado que trabalha no local há 4 anos nunca teria visto ninguém na sala. Todavia, em diligência à imobiliária responsável pela locação do imóvel, foi informado que este teve sua locação iniciada em 29/04/2004 por Massimo Bauducco e teve como fiador Luigui Bauducco e que, em 04/08/2004, houve um adendo ao contrato original passando a figurar como locatária a empresa Pandurata Assessoria Comercial. f) que o quadro societário das empresas Pandurata Alimentos e Pandurata Assessoria Ltda, possuem os mesmos componentes com idênticas distribuição de cotas, tendo como controladora a empresa Pandurata Participações S/A Fl. 4060DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 Diante desses fatos, concluiu a fiscalização que "a empresa Pandurata Assessoria Comercial Ltda apresenta suas declarações de informações econômico-fiscais da pessoa jurídica (DIPJ) na forma de lucro presumido. Esta empresa, apesar de emitir notas fiscais, apresentar declarações e efetuar recolhimento de impostos, de fato não existe. Ela foi criada "no papel" para tributar parte do lucro da Pandurata Alimentos na forma de lucro presumido, esquivando-se da tributação do lucro real." (fls. 1319) Isso porque, segundo a fiscalização, "de acordo com a doutrina e jurisprudência administrativas, configura-se como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sobre a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dá-se pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade." Afirma ainda a fiscalização que "não houve nos negócios realizados pela fiscalizada o referido propósito negocial, haja vista que a contribuinte não logrou comprovar via documentos, relatório ou laudos o propósito negocial da contratação dos serviços de assessoramento comercial" . Em conclusão, diante da falta de comprovação da efetiva prestação de serviços contratados de Pandurata Assessoria, o contribuinte teria infringido o disposto no artigo 299 do RIR/99, devendo as despesas correspondentes serem glosadas. (fls. 1321) Entendeu também que, em face da ausência de comprovação da efetividade dos serviços prestados, a conduta do contribuinte infringiu o disposto no §1ºdo art. 61 da Lei 8981/95, devendo sobre tais pagamentos ser exigido Imposto de Renda Retido na Fonte. Em relação às penalidades, entendeu a fiscalização que "o conjunto de atos e negócios jurídicos praticados em conluio entre a Pandurata Alimentos Ltda, Pandurata Participações S/A e a Pandurata Assessoria Comercial demonstram a intenção da fiscalizada em esconder a realidade dos fatos utilizando-se de atos e negócios jurídicos" o que justificaria a aplicação da multa agravada de 150% prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Por fim, concluiu a fiscalização ser aplicável a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I e art. 135 inciso III do Código Tributário Nacional, sob o seguinte fundamento: "Considerando que a empresa PANDURATA PARTICIPAÇÕES S/A é controladora com 99,99% das cotas das empresas PANDURATA ALIMENTOS LTDA e PANDURATA ASSESSORIA COMERCIAL LTDA, fica evidente o seu interesse nas operações criadas entre elas, apenas no papel, com vistas a mitigar a tributação de IRPJ e CSLL, uma vez que, criando as despesas de assessoria desloca a totalidade desses valores da tributação pelo regime do lucro real para a sistemática de apuração de lucro pelo regime do lucro presumido. Assim, foi imputada a responsabilidade solidária ao sócio Pessoa Jurídica PANDURATA PARTICIPAÇÕES S/, CNPJ 02.199.409/0001-04 tendo em vista o disposto no artigo 124, inciso I e aos administradores de PANDURATA ALIMENTOS LTDA, LUIFI BAUDUCCO, CPF011.644.738-91. MARIA BONBIOANNI BAUDUCCO CPF 194.995.238-04 e MASSIMO BAUDUCCO CPF 010.042.418-01, tendo em vista o disposto no artigo 135, inciso III, da Lei nº 5.172/66. A Recorrente foi cientificada do auto de infração em 19/12/2014 (fls. 1.365) e apresentou a respectiva impugnação. Foram apresentadas impugnações de todos os responsáveis solidários, também devidamente cientes do procedimento (fls. 1.370/1.385): Pandurata Fl. 4061DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 Participações (fls. 1392/1.407); Luigi Bauducco (fls. 1.549/1574); Massimo Bauducco (fls. 1.707/1.732) e Carla Maria Bongioanni Bauducco (fls. 1.859/1.884). Em sua Impugnação, a Pandurata Alimentos alegou, preliminarmente, a existência de quatro nulidades que ensejariam o cancelamento integral das autuações, quais sejam: (i) vício de fundamentação, em razão da inexistência de referibilidade e coerência entre o fundamento do lançamento (inexistência da Pandurata Assessoria) e a infração apontada (despesas não comprovadas), uma vez que, se houve uma total desconsideração da existência da pessoa jurídica (Pandurata Assessoria) e das operações por ela praticada em razão da simulação, a fiscalização deveria ter considerado os pagamentos inexistentes, e não sem causa. (ii) ausência de "pagamento" decorrente da inexistência da Pandurata Assessoria, pois, considerando a premissa do agente fiscal de que só existiria uma única empresa, jamais se poderia cogitar a existência de pagamento, materialidade essencial a incidência do Imposto de Renda Fonte, nos termos do artigo 61 da Lei nº 8.981/95 (iii) mesmo que reconhecida a existência da Pandurata Assessoria não haveria a ocorrência do fato gerador previsto no artigo 61 da Lei nº 8.981/95, uma vez que em todas as transferências realizadas ocorreu a devida identificação do beneficiário e a causa dos pagamentos efetuados, qual seja, assessoramento comercial. (iv) impossibilidade de cumulação das Autuações de Glosa de despesas (IRPJ/CSLL) e pagamento sem causa (IR/Fonte), pois, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9202-00.686), para que se configure hipótese de pagamento sem causa é necessário que a pessoa jurídica efetue pagamento a beneficiário não identificado sem que haja redução do lucro líquido. Em relação ao mérito, alegou que a empresa Pandurata Assessoria era efetivamente existente e possuía propósito negocial, conforme reconhecido no lançamento anterior que deu origem ao processo administrativo nº 16095.000723/2010-17, relativo aos fatos geradores de 2005 a 2008, cujo Recurso Voluntário foi integralmente provido pelo CARF. Isso porque, em um cenário de reestruturação das atividades do Grupo Pandurata, a Pandurata Alimentos celebrou contrato de prestação de serviços de assessoria comercial com a Pandurata Assessoria visando obter assessoramento comercial, serviço essencial para potencializar a venda dos produtos comercializados pela impugnante em todo o território nacional. A Pandurata Assessoria foi legalmente constituída com observância das normas de regência; apresentava todas as declarações e demais obrigações acessórias; declarava e tributava devidamente as receitas por ela auferidas de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; arcava com todas as despesas atinentes ao seu negócio, incluindo a remuneração de seus empregados e prestava assessoramento comercial à Pandurata Alimentos. Por fim, alega que não existe vedação no ordenamento jurídico brasileiro que proíba a constituição de empresa apta a realizar a prestação de serviços de assessoria comercial a terceiros, nem tampouco há vedação à realização do negócio jurídico consubstanciado na Fl. 4062DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 celebração de contrato de assessoria comercial entre duas pessoas jurídicas, ainda que pertencentes a um mesmo grupo econômico Nas Impugnações dos responsáveis solidários foi alegado que: a) Não restou caracterizado o interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, uma vez que este se dirige as pessoas que participaram do fato descrito no antecedente da regra matriz de incidência tributária, não se confundindo, portanto, com interesse econômico; b) Não restou comprovado o dolo ou excesso de poder que autorizaria a aplicação na norma prevista no artigo 135 do CTN, uma vez que a constituição da empresa Pandurata Assessoria e a prestação de serviço à Pandurata Alimentos são atos lícitos e legais, para os quais se deu total publicidade, tendo sido efetivamente registrados no órgão competente. Subsidiariamente, alegou ainda; (a) a decadência do lançamento relativo aos períodos ocorridos entre 11/02/2009 e 18/12/2009, uma vez que a ciência da autuação ocorreu em 19/12/2014; (b) ilegalidade da cobrança de Juros sobre Multa; (c) Inaplicabilidade da multa agravada no percentual de 150%. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro julgou improcedente a Impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Deixa de se decretar a nulidade dos lançamentos quando se verifica que foram confeccionados nos moldes da legislação vigente, além do fato de não se verificar ter havido prejuízo a defesa da interessada. DELIMITAÇÃO DA LIDE. INDÉBITO TRIBUTÁRIO DE PIS E COFINS. NÃO CABIMENTO. O julgado limita-se à lide, ou seja, aos fatos perfeitamente descritos e identificados e devidamente enquadrados nos dispositivos legais que suportam a exação, não comportando a análise de matéria estranha à autuação. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Diante do evidente intuito de fraude, o marco para contagem do prazo decadencial passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I do CTN). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM CAUSA. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. A incidência aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, Fl. 4063DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Considera-se vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. O rendimento é considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Legítima a exigência do imposto quando verificado que os pagamentos realizados destinou-se à sociedade constituída apenas formalmente, com os mesmos sócios e representantes legais, que, sob a aparência de servir à prestação de serviços à autuada, tem o objetivo de evadir tributo, ao abrigo de regime de tributação mitigada (lucro presumido). MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. O Fisco não sofre qualquer restrição de investigação e, assim, quando sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizá-la através de todos os meios lícitos admitidos em Direito, inclusive com base em presunção simples, desde que firmada com indícios veementes. As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e má-fé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas da infração. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SIMULAÇÃO. Se as provas carreadas aos autos pelo Fisco evidenciam a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, pela prática simulada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. TAXA SELIC E MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício deve ser corrigida pela Taxa SELIC, eis que, inadimplida, assume natureza de obrigação principal. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. A Pandurata Alimentos (AR fls. 2339) e os responsáveis solidários (Massimo Bauducco , AR fls. 2333, Luigi Bauducco AR fls. 2336, Carla Bauducco AR. fls. 2342 e Pandurata Participações, AR fls. 2345) foram cientificados da referida decisão em 08/06/2015. Todos apresentaram recursos voluntários (Pandurata Alimentos fls. 2349 a 2444, Pandurata Participações fls. 2538 a 2565, Luigui Bauducco fls. 2621 a 2652 , Carla Bauducco fls. 2713 a 2744 e Massimo Bauducco fls. 2805 à 2836) nos quais reiteram os argumentos das impugnações. Em seu recurso, a Pandurata Alimentos, requer, em particular, a conexão entre o presente processo e o processo 16095.720175/2014-79 relativo às autuações de IRPJ e CSLL, em vista do disposto no artigo 6º do Regimento Interno do CARF, publicado em 10/06/2015. A Fazenda Nacional apresentou contra-razões aos recursos (fls. 2907 a 2947) na qual reitera os argumentos utilizados pela fiscalização e pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Fl. 4064DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 O Recurso foi originalmente julgado pela 2ª. Turma da 2ª. Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste CARF onde, por unanimidade de votos, deu provimento no mérito através do Acórdão de n. 2202-003.485 (fls. 2950 a 2962): PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDOS DE CONEXÃO E SOBRESTAMENTO De acordo com o art. 6º, §2º, do RICARF, para que possa ser deferida a conexão, os processos devem ser de competência da mesma Seção o que não ocorre no caso dos autos. Trata-se de tributação prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981/95 que independe da exigência ou não de IRPJ e CSLL, sendo assim, deve ser rejeitado o sobrestamento do presente processo. NULIDADE EM RAZÃO DA AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO DESCRITO A NORMA PREVISTA NO ART. 61 DA LEI Nº 8.981/95 Os atos praticados no processo foram lavrados por pessoa competente (inciso I) e os despachos e decisões foram igualmente lavrados por autoridades competentes e sem preterição do direito de defesa (inciso II). Assim, sob o ponto de vista formal, não há que se falar em nulidade nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. A alegada ausência de subsunção do fato a norma que suporta o presente lançamento se confunde com o mérito e, por isso, será juntamente com ele analisada. IR FONTE-PAGAMENTO SEM CAUSA - ART. 61 DA LEI Nº 8.981/95 - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO Mostra-se contraditória a tributação, como pagamentos sem causa, de pagamentos inexistentes. Isto porque entendeu a TO que para admitir a realização de pagamento, é fundamental que se reconheça a existência da empresa Pandurata Assessoria. No entanto, nesse caso, a subsunção do fato a norma prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981/95 fica igualmente comprometida, pois o destino dados aos pagamentos é perfeitamente identificado e a causa conhecida (prestação de serviços). Ora, para admitir a realização de pagamento, é fundamental que se reconheça a existência da empresa Pandurata Assessoria. No entanto, nesse caso, a subsunção do fato a norma prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981/95 fica igualmente comprometida, pois o destino dados aos pagamentos é perfeitamente identificado e a causa conhecida (prestação de serviços). Foram opostos embargos de declaração pela Contribuinte e pelos responsáveis solidários, sendo acolhido apenas recurso da Contribuinte para sanar a obscuridade formal apontada no Acórdão, uma vez que o argumento relativo à inexistência de materialidade para incidência do IRRF foi acolhido à unanimidade, nos termos da Relatora. Fl. 4065DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 No que se refere ao Recurso Especial referido anteriormente, fls. 3.597 a 3.617, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 3.593 a 3.596, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à delimitação da competência do CARF para julgar recursos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte, no caso de pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado com autuação concomitante no âmbito de IRPJ e CSLL. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) há violação do devido processo legal em razão das decisões contraditórias, uma da 2º Seção sobre o IRRF e outra da 1º seção sobre o IRPJ; b)não se observa qualquer desvantagem ou prejuízo que pudesse ser ocasionado com a reunião de processos para julgamento perante a 1ª Seção de Julgamento do CARF; c) não prospera o argumento da decisão recorrida de que o RICARF somente possibilita o reconhecimento da conexão quando os processos relacionados forem da competência da mesma Seção; d) evidenciada a conexão entre os presentes autos e o processo n.º 16095.720175/201479 é cediço que, nos termos das normas regimentais, a 2ª Seção de Julgamento do CARF não possui competência para julgar a demanda, sendo nulo o acórdão proferido em violação às normas que regem as regras de competência para remeter o presente feito para uma das Turmas que compõem a 1ª Seção de Julgamento do CARF, órgão julgador competente para julgar a matéria. Intimados, a Contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram Contrarrazões, fls. 3.213 e seguintes, nas quais sustentam que: a) conforme se infere do acórdão recorrido, não restaram caracterizadas as situações previstas no art. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, de modo que transitou em julgado a exclusão dos responsáveis solidários do pólo passivo, inclusive do ora recorrido; b) a inobservância da finalidade do Recurso Especial que é a discussão acerca da divergência sobre interpretação da legislação tributária e não de conflitos de competência; c) o conflito de competência entre seções é matéria disciplinada pelo RICARF e designada ao Presidente do CARF, não devendo ser conhecido o recurso interposto pela Procuradoria; d) da leitura dos paradigmas, observa-se que houve citação genérica da redação do inciso IV, do art. 2º, prevista no antigo RICARF, não restando demonstrada se a competência da Primeira Seção seria em razão dos processos administrativos serem conexos, reflexos, ou decorrentes. Já na declaração de voto constante do acórdão recorrido consta que a suposta competência seria em razão do presente caso ser reflexo, tendo em vista que a atual redação do art. 2º, inciso IV, do RICARF, prevê apenas tal hipótese; e) a suposta divergência de interpretação é entre dispositivos pertencentes a contextos diversos: enquanto a Recorrente e os acórdãos paradigmas pleiteiam a aplicação da redação do inciso IV, do art. 2º, prevista no antigo RICARF (exigências lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática da infração...), o voto vencido do acórdão recorrido defendeu a aplicação da redação do atual RICARF (formalizados com base nos mesmos elementos de prova); f) à luz do atual RICARF, o simples fato de ser conexo não remete a competência para a primeira seção de julgamento, de modo que o pedido da Recorrente se mostra inepto; g) ausência de similitude fática entre os paradigmas o acórdão recorrido; Fl. 4066DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 h) a segunda seção de julgamento é a competente para julgar a demanda dos presentes autos. O referido Recurso Especial foi provido à unanimidade pela CSRF para anular a decisão recorrida e determinar o encaminhamento do processo para julgamento pela Primeira Seção, o que fez através do Acórdão n. 9202-007.207 (fls. 3686 a 3694): RECURSO ESPECIAL. REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NA APLICAÇÃO DE NORMA CONSTANTE DO RICARF. POSSIBILIDADE. As regras constantes do Regimento Interno do CARF, quanto à competência das seções de julgamento, tratam do processo administrativo fiscal, pois funcionam como instrumento necessário à execução do Decreto regente da matéria, em caráter abstrato, consubstanciando-se, materialmente, em lei. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. INOCORRÊNCIA. No presente caso, a discussão sobre a competência ainda está adstrita ao âmbito da Segunda Seção, não se instaurando um conflito de competência, pois o conflito ocorre quando as duas ou mais seções se dão por competentes (conflito positivo) ou quando as duas ou mais seções se dão por incompetentes (conflito negativo). AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. DISPOSITIVOS REGIMENTAIS APLICADOS AO RECORRIDO DISTINTOS DO DISPOSITIVO APLICADO AOS PARADIGMAS. A ausência de prequestionamento do dispositivo regimental tratado no Recurso Especial e constante dos paradigmas afasta a possibilidade de identificação da divergência jurisprudencial. Além disso, caso tivesse sido devidamente aplicada ao recorrido à norma regimental vigente à época, os paradigmas restariam anacrônicos, pois tiveram como fundamento norma anterior à alteração promovida no Regimento. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA. CONHECIMENTO. Considerando a natureza da discussão suscitada, que trata da competência absoluta, faz-se necessária a apreciação do tema de oficio. Os embargos de declaração opostos contra a referida decisão não foram admitidos, conforme se verifica do Despacho de Admissibilidade de fls. 3997 a 4001. É o relatório. Fl. 4067DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Inicialmente cumpre reiterar que os presentes recursos já foram apreciados pelo CARF e, em que pese concorde com a decisão da CSRF a respeito da competência desta Primeira Seção para apreciação da matéria, do mesmo modo entendo que a apreciação de mérito já realizada foi absolutamente adequada. De fato, concordo plenamente com as razões de mérito aduzidas pela então Relatora Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio com os fundamentos expostos na declaração de voto do Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. Desta forma, a tarefa deste relator restou absolutamente facilitada na medida em que basicamente, reitero as razões de decidir da decisão anulada e as acolho como minhas razões de decidir, passo a repisá-las nas partes aplicáveis. 1) Do pedido de conexão com o processo nº 16095.720175/2014-79 Antes de analisarmos as nulidades suscitadas no Recurso Voluntário apresentado pela Pandurata Alimentos, é fundamental que se verifique a existência de conexão do presente processo com o de nº 16095.720175/2014-79, no qual foram glosadas as despesas de IRPJ e CSLL. Para dar maior celeridade e racionalidade aos processos que tramitam no CARF foi instituída, no Anexo II, art. 6º a 8º do Novo Regimento (Portaria MF nº 343, de 09/06/2015) a possibilidade de vinculação dos processos quando estes forem conexos, decorrentes ou reflexos, nestes termos: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II - decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III - reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Fl. 4068DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo,ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. (grifamos) Tem razão a Recorrente quando afirma que os processos tratam das mesmas questões fáticas, pois tanto a glosa das despesas operacionais que deram causa ao lançamento do IRPJ e da CSLL quanto a tributação na fonte decorrem da desconsideração da atividade da empresa Pandurata Assessoria. No entanto, conforme se verifica pela norma prevista no §2º do referido artigo, para que possa ser deferida a conexão, os processos devem ser de competência da mesma Seção o que não ocorre no caso dos autos. Finalmente, em relação ao pedido de sobrestamento do presente processo em razão de se configurar um processo reflexo ao processo relativo a glosa das despesas de IRPJ e CSLL, entendo que este não procede. Isso porque, o auto de infração, na parte que é objeto do presente recurso, tem como fundamentação legal a ocorrência de pagamento sem causa sobre a qual deveria incidir a exigência do imposto de renda na fonte. Trata-se de tributação prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981/95 que independe da exigência ou não de IRPJ e CSLL. Os próprios fundamentos do Recurso Voluntário interposto demonstram a independência entre os processos. Isso porque, ainda que se conclua pela inexistência da empresa Pandurata Assessoria e, portanto, pela legitimidade da glosa das despesas de IRPJ e CSLL, permanece a discussão sobre a correta subsunção do fato a norma relativa ao processo relativo à retenção na fonte. Tanto assim, que boa parte das razões do recurso se destina a demonstrar a ausência de suporte fático que legitime a incidência aqui questionada, utilizando, para tanto, das premissas adotadas no trabalho fiscal. Em face do exposto, indefiro os pedidos de conexão e sobrestamento formulados pela Recorrente. 2) Da Nulidade Em relação as nulidades apontadas pela Impugnante, ora Recorrente, a Delegacia de Julgamento se limitou a afirmar, com fundamento no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que não haveria que se falar em nulidade, uma vez que, sob o aspecto formal, os atos praticados no processo foram lavrados por pessoa competente (inciso I) e os despachos e decisões foram igualmente lavrados por autoridades competentes e sem preterição do direito de defesa (inciso II). Entendo que alegada ausência de subsunção do fato a norma que suporta o presente lançamento se confunde com o mérito e, por isso, será juntamente com ele analisada. 3) IRFonte-pagamento sem causa. - art.. 61 da Lei nº 8.981/95 Fl. 4069DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 Conforme exposto no relatório, a Recorrente alegou quatro nulidades relativas ao lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte. Todas elas, no entanto, giram em torno do mesmo objetivo, qual seja, demonstrar a ausência de subsunção dos fatos descritos pelo agente fiscal à norma prevista no artigo do artigo 61 da Lei nº 8981/95 que assim dispõe: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o§2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. (grifamos) O pressuposto do artigo é o de que não sendo possível identificar o beneficiário, a operação ou causa que deu origem ao pagamento este deveria ser objeto de retenção por parte da fonte pagadora, uma vez que não haveria como realizar a tributação no destinatário dos pagamentos. A premissa utilizada no trabalho fiscal foi a de que a empresa Pandurata Assessoria não existia de fato o que levou a concluir pela ausência de segregação das atividades da empresa Pandurata Alimentos e Pandurata Assessoria, conforme evidenciado pelo seguinte trecho da decisão da DRJ: Esta Turma entendera, por unanimidade (acórdão nº 12-076.081), que a interessada constituíra a empresa Pandurata Assessoria com o objetivo de reduzir o cômputo do Lucro Real, já que conforme salientado no julgamento do processo nº 10095.720175/2014-79, a fiscalização afastou os requisitos da usualidade, normalidade e necessidade das despesas efetuadas junto à Pandurata Assessoria Comercial Ltda por entender não terem sido efetivamente realizados os serviços contratados. Acusa a fiscalização ter existido abuso de forma, falta de propósito negocial e simulação, já que referida empresa (Pandurata Assessoria) teria sido criada dentro do Grupo apenas formalmente, unicamente com a finalidade de gerar tais despesas visando reduzir o lucro real da impugnante, de modo a tributar, por via indireta, parcela da receita da fiscalizada de maneira mais benéfica, mediante o lucro presumido, opção vedada à empresa objeto da auditoria. (grifamos) O trecho acima transcrito não deixa dúvida de que o fundamento utilizado pelo trabalho fiscal foi a suposta simulação da existência da empresa Pandurata Assessoria e, conseqüentemente, das operações por ela realizadas e suas respectivas conseqüências tributárias. O Código Civil, ao tratar dos efeitos dos negócios jurídicos simulados, assim dispõe: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Fl. 4070DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados (grifamos) Dessa forma, se considerarmos correta a premissa utilizada no trabalho fiscal (existência de simulação) deveria ter sido desconstituído o ato simulado (existência de duas empresas separadas) e considerado, para os efeitos da tributação, o que se quis dissimular (a existência de apenas uma empresa), tal como previsto no caput do artigo 167 acima transcrito. No entanto, ao desconsiderar as despesas para efeito de IRPJ e CSLL e, ao mesmo tempo, tributar os pagamentos realizados a empresa Pandurata Assessoria como pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, a fiscalização se limitou a desconsiderar o ato praticado previsto na primeira parte do artigo e não considerou a segunda parte do artigo que é o ato que se dissimulou. Como bem ressalta a Recorrente, se houve uma total desconsideração da existência da pessoa jurídica (Pandurata Assessoria) e das operações por ela praticadas, em razão da alegada simulação, os pagamentos realizados seriam, na verdade, inexistentes e não sem causa o que, conforme já decidido por este Conselho, inviabilizaria o lançamento do IRRF: IRPJ - GLOSA DE CUSTOS - É legítima a glosa de custos suportados por documentação inidônea. MULTA QUALIFICADA - Presente na conduta do contribuinte o dolo específico e determinado, resultante da intenção e da vontade de obter o resultado da ação delituosa, incide o disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. IRRF - PAGAMENTOS SEM CAUSA - Mostra-se contraditória a tributação, como pagamentos sem causa, de pagamentos inexistentes. (Acórdão 103.22287, Rel. Paulo Jacinto Nascimento, DJ 24.11.2006) (grifamos) Ao desconsiderar a existência da Pandurata Assessoria e a conseqüente segregação das atividades, a estrutura societária retorna ao seus status inicial, ou seja, a Recorrente passa a ser uma empresa única (fabricante e comercial). Tal unicidade traz, como conseqüência, a impossibilidade de se falar em qualquer tipo de realização de pagamento por assessoramento comercial, pois não há como se admitir que a empresa faça pagamento a si mesma. Nesse sentido, importante destacar a decisão proferida no Acórdão 104-19-994. da Quarta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF - TRABALHO SEM VÍNCULO DE EMPREGO - Ausente a prova de que os pagamentos se refiram a prestação de serviços Fl. 4071DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 sem vínculo empregatício, descabida é a exigência do IRFonte com essa motivação. IR FONTE - PAGAMENTOS EFETUADOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS - Estando perfeitamente identificados nos cheques o beneficiário, que é a própria emitente, sem que se possa sequer afirmar que houve algum pagamento, desaparece o suporte fático caracterizador da hipótese de incidência prevista no art. 61 da Lei nº. 8981, de 1995. Recurso de ofício negado. (grifamos) Nesse ponto, merece transcrição parte do voto do Conselheiro Relator Remis Almeida Estol pela clareza com que aborda a questão: Na parte relativa aos supostos pagamentos a beneficiários não identificados, também não deve ser alterada a decisão objeto do recurso, isto porque os dois cheques que ensejaram a tributação (fls. 186/187) tem como beneficiário a própria recorrente, o que induz a duas conclusões: a) O beneficiário esta perfeitamente identificado b) Inexiste a figura do pagamento, pela simples razão que ninguém pode pagar a si mesmo. Desta forma, sem aprofundamento na investigação, não pode prosperar a exigência eis que lhe falta o necessário suporte fático caracterizador da hipótese de incidência descrita na legislação pertinente (Art. 61 da Lei nº 8.981/95)(grifamos) Para admitir a realização de pagamento, é fundamental que se reconheça a existência da empresa Pandurata Assessoria. No entanto, nesse caso, a subsunção do fato a norma prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981/95 fica igualmente comprometida, pois o destino dado aos pagamentos é perfeitamente identificado e a causa conhecida (prestação de serviços). Além disso, nos autos restou comprovado que os valores supostamente pagos sequer saíram do patrimônio jurídico do grupo empresarial, vez que os recursos retornariam através de operações simuladas de mútuo, o que apenas reforça a não subsunção dos fatos à norma dita como infringida. Finalmente, é importante destacar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, concluiu, no Acórdão 9202-00.686, que só é possível a tributação na fonte quando a mesma hipótese não enseja tributação por redução do lucro líquido: IRFONTE-PAGAMENTO SEM CAUSA - ART. 61 DA LEI Nº 8.981/95 - LUCRO REAL- REDUÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO - MESMA BASE DE CÁLCULO - INCOMPATIBILIDADE A aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, esta reservada para aquelas situações em que o Fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do Fl. 4072DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação pelo lucro real. Precedente da CSRF/04.01.094, jul de 03/11/2008, Rel Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. No caso concreto, por presunção, foi considerado omissão de receita o dinheiro creditado em conta bancária da empresa no dia 18/02/97. Assim, se houve receita omitida aumentou-se o lucro e exigiu-se o IRPJ, CSLL, COFINS, PIS. Todavia, quando o dinheiro saiu do caixa da empresa para pagar, com juros, o valor que foi considerado receita omitida, tal importância não pode ser considerada pagamento em causa, sob pena de efetivamente confirmar que não se tratava de receita omitida, mas sim de empréstimo com obrigação de restituição de valores. Conforme esclarece, em seu voto, o Conselheiro Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva: "Assim, quando se glosa determinada despesa aumenta-se o lucro e, conseqüentemente, sobre este lucro majorado há incidência de IRPJ. Desta forma, em sendo glosada determinada despesa não se pode exigir imposto de renda da pessoa jurídica em face do lucro majorado e, ao mesmo tempo, tributar o pagamento de tal "despesa" com base do artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1985. Nestes casos, tributa-se única e exclusivamente o IRPJ incidente sobre o lucro decorrente da receita glosada. Exemplo de situação exposta no item anterior é caracterizada, com mais nitidez, nos casos em que se glosam despesas por "notas frias", que não correspondem a um serviço efetivamente prestado. Glosada a despesa por não caracterizar um serviço efetivamente prestado ou transação realizada, não será pelo registro formal lançado da contabilidade da empresa que irá se tributar pelo artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1985. Nos casos em que as empresas valem-se de "notas frias" para deduzir despesas elas, obrigatoriamente, em sua contabilidade, são obrigadas a registrar o respectivo pagamento. No entanto, sendo glosada a despesa por inexistência da transação ou falta de materialidade do pagamento, não se pode exigir imposto de renda com base na alegação de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, tributo este previsto no artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1985.(grifamos) Por fim, é importante observar que, no lançamento que deu origem ao processo nº 16095.000723/2010-17 relativo aos anos calendários de 2005, 2006, 2007 e 2008, não foi realizada a glosa do imposto de renda retido na fonte. Em face de todo o exposto, julgo improcedente o presente lançamento, pois, se adotada a premissa utilizada no trabalho fiscal (inexistência da empresa Pandurata Assessoria), a conclusão lógica é de que não haveria que se falar em pagamento, o que afastaria a aplicação da norma que lhe deu suporte. 3) Da análise da simulação e da ausência de propósito negocial Conforme demonstrado anteriormente, mesmo que se assuma como correto o pressuposto utilizado pela fiscalização no sentido de que a empresa Pandurata Alimentos não existia, não é possível o lançamento relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte tal como previsto no art. 61 da Lei nº 8.981/95. Fl. 4073DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 Entretanto, neste ponto, apesar de restar prejudicado, adoto as razões de decidir expostas pelo Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa na referida decisão anulada. Entendo que de fato ocorreu uma simulação por parte do Contribuinte fiscalizado, uma vez que as provas produzidas pelo Fisco são convincentes, conforme abaixo: a) A sede da prestadora de serviços, Pandurata Assessoria Comercial é de fachada, sem qualquer sinal de desenvolvimento de atividades empresariais, conforme depoimentos dos vizinhos; b) os empregados da Pandurata Assessoria Comercial eram anteriormente empregados da Pandurata Alimentos Ltda., sem que houvesse rescisão do contrato trabalhista e continuaram exercendo as mesmas atividades, no mesmo local de trabalho. Afirmaram, ainda, desconhecer a sede de sua suposta empregadora; c) o "balanço combinado”, elaborado pela auditoria Price Waterhouse Coopers, evidencia que, para o grupo empresarial, tudo funcionava como se uma única empresa existisse; d) o mecanismo engendrado para que os recursos da Pandurata Alimentos Ltda. supostamente devidos à Pandurata Assessoria pela prestação dos serviços, retornassem à primeira, envolvendo contratos de mútuo não remunerado e cessão de créditos pela segunda à controladora, com a extinção dos mútuos; e) os demais contratos de representação comercial firmados pela autuada não tiveram participação ou intermediação da Pandurata Assessoria, a despeito desta ter sido criada justamente com a finalidade de “prestar serviço de assessoramento comercial dos produtos comercializados pela Pandurata Alimentos”, demonstrando, assim, que a finalidade objetivada na criação da Pandurata Assessoria teria sido “cumprida” apenas na medida do limite de faturamento permitido para a opção do Lucro Presumido; f) o Fisco demonstrou ainda, com números, o benefício financeiro auferido pelo grupo econômico mediante o uso do expediente aqui descrito. Portanto, ante o conjunto probatório, entendo que a Pandurata Assessoria Comercial não possuía vida e atividade próprias ou que efetivamente houvesse prestado os serviços para os quais foi contratada, tendo sido utilizada apenas com o intuito de reduzir a carga tributária da empresa ora fiscalizada. Embora entenda que ocorreu uma simulação, concordo com os argumentos da Relatora no sentido de que não cabe o lançamento fiscal de IRRF no presente caso, pois se adotando a premissa utilizada no trabalho fiscal (inexistência da empresa Pandurata Assessoria Comercial), com a qual concordo, a conclusão lógica é de que não haveria que se falar em Fl. 4074DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1401-006.211 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720176/2014-13 pagamento, o que afastaria a aplicação da norma que lhe deu suporte. É que não ocorreu a materialidade para incidência do IRRF previsto no art. 61 da Lei nº 8.981/95, tendo em vista a inexistência da Pandurata Assessoria Comercial, suposta destinatária dos recursos. Ao considerar a existência de simulação, a autoridade fiscal deveria ter desconstituído o ato simulado (existência de duas empresas separadas) e considerado, para os efeitos da tributação, o que se quis dissimular (a existência de apenas uma empresa). O que se você, portanto, é que a confirmação da simulação apenas confirma a improcedência do lançamento, vez que se mantido estaria se tributando um pagamento feito “a si mesmo”! 4 - Da Responsabilidade Solidária Tal matéria resta prejudicada diante do provimento do recurso e insubsistência do lançamento. 5) Não incidência de juros sobre multa e redução da multa qualificada. Os pedidos relativos à não incidência de juros sobre multa e redução da multa qualificada também restam prejudicados diante do provimento do Recurso Voluntário 6) Conclusão Em face de todo o exposto, rejeito a preliminar a preliminar de conexão de processos. Em relação ao mérito, dou provimento ao Recurso Voluntário para afastar a incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF art. 61 da Lei nº 8.981) sobre os valores pagos pela Recorrente, restando prejudicadas as demais razões de mérito e os recursos dos responsáveis solidários. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 4075DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721808/2015-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador:24/10/2011
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CANCELAMENTO.
Uma vez declarada a nulidade do despacho decisório em que não se homologou a compensação declarada, tem-se por afastado o fundamento jurídico da multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 3201-009.797
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-009.748, de 27 de setembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 16682.721714/2015-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Carlos Delson Santiago (Suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Júnior, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente e Relator).
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 22 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202209
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador:24/10/2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CANCELAMENTO. Uma vez declarada a nulidade do despacho decisório em que não se homologou a compensação declarada, tem-se por afastado o fundamento jurídico da multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 16682.721808/2015-27
anomes_publicacao_s : 202210
conteudo_id_s : 6687205
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3201-009.797
nome_arquivo_s : Decisao_16682721808201527.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Hélcio Lafetá Reis
nome_arquivo_pdf_s : 16682721808201527_6687205.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-009.748, de 27 de setembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 16682.721714/2015-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Carlos Delson Santiago (Suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Júnior, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente e Relator).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2022
id : 9549061
ano_sessao_s : 2022
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:43:58 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810953834496
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-10-18T17:43:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-10-18T17:43:06Z; Last-Modified: 2022-10-18T17:43:06Z; dcterms:modified: 2022-10-18T17:43:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-10-18T17:43:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-10-18T17:43:06Z; meta:save-date: 2022-10-18T17:43:06Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-10-18T17:43:06Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-10-18T17:43:06Z; created: 2022-10-18T17:43:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2022-10-18T17:43:06Z; pdf:charsPerPage: 2127; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-10-18T17:43:06Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16682.721808/2015-27 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-009.797 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2022 Recorrente PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador:24/10/2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CANCELAMENTO. Uma vez declarada a nulidade do despacho decisório em que não se homologou a compensação declarada, tem-se por afastado o fundamento jurídico da multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-009.748, de 27 de setembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 16682.721714/2015-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Carlos Delson Santiago (Suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Júnior, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente e Relator). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em contraposição ao acórdão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou procedente em parte a Impugnação manejada pelo contribuinte acima identificado em decorrência do lançamento de multa isolada, exigida em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 18 08 /2 01 5- 27 Fl. 329DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-009.797 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721808/2015-27 razão da não homologação da compensação declarada no processo administrativo nº 16682.720030/2015-39, com base no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Na Impugnação, o contribuinte requereu (i) o reconhecimento da nulidade do auto de infração, aduzindo a falta de motivação válida, dada a inocorrência de conduta ilícita ou abusiva, (ii) a suspensão do processo até a prolação de decisão definitiva no julgamento do Recurso Extraordinário 796.939/RS, com repercussão geral reconhecida pelo STF, (iii) a suspensão do processo até a prolação de decisão definitiva no processo em que se discute a compensação não homologada e (iv) o reconhecimento da ocorrência de bis in idem em razão da exigência da multa de mora sobre o débito não compensado cumulativamente com a multa destes autos. A DRJ manteve a exigência da multa, afastando-se todos os argumentos de defesa do contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seus pedidos, repisando os argumentos de defesa, sendo ainda requerida a apensação destes autos ao processo da compensação. Por meio da Resolução, esta turma ordinária converteu o julgamento do recurso em diligência, para que estes autos fossem apensados ao processo nº 16682.720030/2015-39, em razão de conexão. O contribuinte peticionou junto à repartição de origem aduzindo que o presente processo devia ser imediatamente extinto por perda de objeto, ante o seu caráter acessório ao processo de crédito, dada a prolação, pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, declarando a nulidade do despacho decisório que dera origem aos presentes autos. O Presidente da 3ª Seção do CARF exarou despacho informando que, no julgamento do processo nº 16682.720030/2015-39, já havia sido prolatada decisão administrativa definitiva no sentido de se reconhecer a nulidade do despacho decisório, razão pela qual a resolução destes autos havia perdido o seu objeto. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conforme acima relatado, trata-se do lançamento de multa isolada, exigida em razão da não homologação da compensação declarada no processo administrativo nº 16682.720030/2015-39, com base no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 330DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-009.797 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721808/2015-27 Após a conversão do julgamento do Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem para que estes autos fossem apensados ao processo da compensação, em razão de conexão, o Presidente da 3ª Seção do CARF exarou despacho, no qual se destacam os seguintes trechos: O colegiado resolveu remeter os autos para a Unidade de Origem para que fosse realizada a apensação ao processo principal acima referido, a requerimento da parte, com posterior retorno para continuidade do julgamento. Ao que parece, o colegiado pretendeu que os autos fossem remetidos para julgamento em conjunto com o processo nº 16682.720030/2015-39, o que ocorreu na 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. Ocorre que o julgamento do processo principal ocorreu em 13/12/2018, antes do julgamento em que se prolatou a resolução, em 31/01/2019. No caso, a distribuição por decorrência poderia ocorrer antes do julgamento do processo principal, a teor do §2º do artigo 6º do Anexo II do RICARF, abaixo transcrito: (...) Destaca-se ainda que o processo principal já possui decisão definitiva no âmbito administrativo e não mais retornará para pauta. Ao contrário, deverá retornar à Unidade de Origem para dar seguimento na apuração do direito creditório. Em consulta aos seus autos, verifico que o Acórdão de Embargos nº 3302-006.418 teve a seguinte decisão: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade do despacho decisório ora atacado; efetivar a apuração das contribuições e do direito creditório através dos arquivos digitais no leiaute do ADE nº 15/2001, independentemente da apresentação do ADE nº 25/2010; e para que DCOMP sejam separadas por processo.” Tomando ciência da decisão, a PGFN interpôs recurso especial, o qual, entretanto, não foi admitido, conforme despacho, cujo dispositivo transcrevo abaixo: “3 Conclusão Em cumprimento ao disposto no art. 18, inc. III, do Anexo II do RI-CARF, NEGO SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contra este despacho cabe o recurso previsto no art. 71, do Anexo II, do RI-CARF. Encaminhe-se à PGFN, para ciência do presente despacho. Após, caso haja interposição do recurso previsto no art. 71 do RI-CARF, encaminhe- se ao CARF para apreciação. Caso não haja, encaminhe-se à Unidade Local da RFB, para cientificar o sujeito passivo do Acórdão nº 3302- 006.418, bem como para a adoção das demais providências de sua alçada.” Desse despacho a PGFN não interpôs agravo, tornando a decisão proferida no acórdão de embargos definitiva. Portanto, a resolução perdeu seu objeto. Fl. 331DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-009.797 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721808/2015-27 Destarte, devem os autos retornar para nova distribuição/sorteio no âmbito da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, uma vez que o relator original não mais pertence aos quadros de conselheiro do CARF. Salienta-se que o processo deve ser desapensado do processo principal nº 16682.720030/2015-39, que deve ser encaminhado à Unidade Preparadora para dar continuidade à apuração do direito creditório, não havendo mais litígio quanto ao despacho decisório que deu origem à não homologação das compensações. (g.n.) Considerando-se o acima exposto, conclui-se que, diante da declaração de nulidade do despacho decisório em que não se homologou a compensação declarada, tem-se por afastado o fundamento de exigência da multa destes autos, razão pela qual deve ela ser cancelada. Diante do exposto, vota-se por dar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 332DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10972.000096/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2006
JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA 4 DO CARF.
O STF, ao julgar o RE 582.461, com repercussão geral reconhecida, fixou a seguinte tese no Tema 214: (...) II - É legítima a utilização, por lei, da taxa SELIC como índice de atualização de débitos tributários; (...).
A matéria se encontra sedimentada pela Súmula CARF nº 04, que dispõe que A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, inclusive quanto ao caráter confiscatório de multa aplicada em conformidade com a legislação vigente, nos termos do art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972 e do disposto na Súmula CARF nº 2 e no art. 62, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Exercício: 2006
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. POSSIBILIDADE.
A constitucionalidade dos artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, foi reconhecida pelo STF ao julgar as ADIs 2.390, 2.397, 2.386 e 2.859.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITAS. CONFIGURAÇÃO.
Caracteriza-se como receita omitida a totalidade dos valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 1402-006.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, a ele negar provimento, mantendo os lançamentos.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Jandir José Dalle Lucca - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogerio Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Jandir José Dalle Lucca, Antônio Paulo Machado Gomes e Paulo Mateus Ciccone (presidente). Ausente o conselheiro Iagaro Jung Martins, substituído pela conselheira Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: Jandir José Dalle Lucca
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 15 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202209
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA 4 DO CARF. O STF, ao julgar o RE 582.461, com repercussão geral reconhecida, fixou a seguinte tese no Tema 214: (...) II - É legítima a utilização, por lei, da taxa SELIC como índice de atualização de débitos tributários; (...). A matéria se encontra sedimentada pela Súmula CARF nº 04, que dispõe que A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, inclusive quanto ao caráter confiscatório de multa aplicada em conformidade com a legislação vigente, nos termos do art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972 e do disposto na Súmula CARF nº 2 e no art. 62, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2006 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. POSSIBILIDADE. A constitucionalidade dos artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, foi reconhecida pelo STF ao julgar as ADIs 2.390, 2.397, 2.386 e 2.859. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITAS. CONFIGURAÇÃO. Caracteriza-se como receita omitida a totalidade dos valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 10972.000096/2008-38
anomes_publicacao_s : 202210
conteudo_id_s : 6682929
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1402-006.041
nome_arquivo_s : Decisao_10972000096200838.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Jandir José Dalle Lucca
nome_arquivo_pdf_s : 10972000096200838_6682929.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, a ele negar provimento, mantendo os lançamentos. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Jandir José Dalle Lucca - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogerio Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Jandir José Dalle Lucca, Antônio Paulo Machado Gomes e Paulo Mateus Ciccone (presidente). Ausente o conselheiro Iagaro Jung Martins, substituído pela conselheira Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2022
id : 9540466
ano_sessao_s : 2022
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:43:51 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810955931648
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-10-09T14:24:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; Last-Modified: 2022-10-09T14:24:34Z; dcterms:modified: 2022-10-09T14:24:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-10-09T14:24:34Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-10-09T14:24:34Z; meta:save-date: 2022-10-09T14:24:34Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-10-09T14:24:34Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; pdf:charsPerPage: 2190; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S1-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10972.000096/2008-38 Recurso Voluntário Acórdão nº 1402-006.041 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2022 Recorrente AGROS COMERCIAL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA 4 DO CARF. O STF, ao julgar o RE 582.461, com repercussão geral reconhecida, fixou a seguinte tese no Tema 214: “(...) II - É legítima a utilização, por lei, da taxa SELIC como índice de atualização de débitos tributários; (...)”. A matéria se encontra sedimentada pela Súmula CARF nº 04, que dispõe que “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, inclusive quanto ao caráter confiscatório de multa aplicada em conformidade com a legislação vigente, nos termos do art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972 e do disposto na Súmula CARF nº 2 e no art. 62, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2006 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. POSSIBILIDADE. A constitucionalidade dos artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, foi reconhecida pelo STF ao julgar as ADIs 2.390, 2.397, 2.386 e 2.859. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITAS. CONFIGURAÇÃO. Caracteriza-se como receita omitida a totalidade dos valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 00 96 /2 00 8- 38 Fl. 675DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-006.041 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10972.000096/2008-38 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, a ele negar provimento, mantendo os lançamentos. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Jandir José Dalle Lucca - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogerio Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Jandir José Dalle Lucca, Antônio Paulo Machado Gomes e Paulo Mateus Ciccone (presidente). Ausente o conselheiro Iagaro Jung Martins, substituído pela conselheira Carmen Ferreira Saraiva. Relatório 1.Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 278/288) interposto pela empresa contribuinte contra o v. acórdão proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora-MG (e-fls. 256/263), que negou provimento à impugnação de e-fls. 220/249 para o fim de manter as exigências constantes dos lançamentos relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), nos termos constituídos nos respectivos autos de infração de e-fls. 04/08 e 30/57. 2.Para melhor compreensão a respeito da matéria versada nos autos e por bem descrever os fatos, consulte-se o Relatório da r. decisão recorrida: Para a contribuinte retro identificada foram lavrados em 08/07/2008 os Autos de Infração, fls. 02 a 57, referentes ao IRPJ, PIS, CSLL e Cofins. O crédito tributário exigido é de R$ 1.004.595,84, compreendendo multa e juros de mora calculados até 30/06/2008, e está consolidado no Demonstrativo, fls. 02. Decorreram os citados lançamentos de fiscalização relativa à contribuinte, quando, segundo as correspondentes Descrições dos Fatos e Enquadramento Legal, foram constatadas as seguintes infrações: IRPJ Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Receitas Operacionais (Atividade não Imobiliária) • Vendas de Produtos de Fabricação Própria Receitas Operacionais (Atividade não Imobiliária) • Receita de Transporte Fl. 676DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-006.041 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10972.000096/2008-38 CSLL CSLL sobre o lucro arbitrado CSLL sobre omissão de receita PIS Falta/Insuficiência de Recolhimento do PIS PIS Sobre Omissão de Receita COFINS Falta/Insuficiência de Recolhimento do COFINS COFINS Sobre Omissão de Receita O Relatório, fls. 08 a 15, detalha a ação fiscal sob os seguintes tópicos: ... II - Dos Procedimentos III — Do arbitramento IV — Da Constituição do Crédito Tributário — Fundamentação Legal V — Da Apuração do Crédito Tributário V.1 Receita de Vendas de Produtos de Fabricação Própria e Receita de Transportes V.2 Omissão de Receitas Caracterizada por Depósito Bancário com Origem não Comprovada VI — Das penalidades VII — Conclusão. A interessada apresenta a Impugnação, 202 a 231, desenvolvendo os itens com os seguintes títulos: 1— Quanto aos Fatos • I.5 Imperioso ressaltar que no arbitramento realizado não foi observada a sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS II — Quanto ao Direito • II.1 Considerações Iniciais — Conceito Constitucional de Renda -Base de Cálculo do IRPF • II.2 Depósitos Bancários — Não Caracterização do Fato Gerador do IRPF • II.3 Impossibilidade de a Presunção Fundamentar Lançamento Tributário • II.4 Violação dos Princípios da Ampla Defesa do Contraditório e do Devido Processo Legal Ciente da existência de farto material que servia de base ao lançamento fiscal, a impugnante, por seu preposto, dirigiu-se ao setor competente solicitando a apresentação do material que estava sendo subtraído de seu conhecimento. Essa visita inicial se deu imediatamente a ciência do processo, porém não obteve todavia, acesso aos documentos fiscais necessários para melhor elaboração de sua defesa. • II.5 . Juros Moratórios — SELIC — Inconstitucionalidade III — Considerações Finais IV — Pedidos Outrossim, aproveita a oportunidade para, no entendimentos de V. Exas, seja promovida a competente perícia contábil para elucidação das questões pendentes de maior esclarecimento. Em cada item a contribuinte utiliza-se de farta jurisprudência e citações de doutrinadores. Fl. 677DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-006.041 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10972.000096/2008-38 3.A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora-MG houve por bem julgar improcedente a impugnação em decisão assim ementada (e-fls. 256/263): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006 FASE PROCEDIMENTAL. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. O procedimento preparatório do ato de lançamento é atividade meramente fiscalizatória durante a qual não se aplica o contraditório ou a ampla defesa, pois não há ainda qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, tampouco litígio entre as partes. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 PEDIDOS DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. Considera-se não formulado pedido de perícia e de diligência, quando não atendidos os requisitos exigidos em lei. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos litígios decorrentes, no caso PIS, CSLL e Cofins, quanto à mesma matéria fática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4.Inconformada, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de e-fls. 278/288, via do qual, em breve resumo, deduziu os seguintes argumentos: o que foi proposto na impugnação não foi o reconhecimento da inconstitucionalidade e ilegalidade da utilização da taxa SELIC para o cálculo de juros moratórios, mas apenas o reconhecimento pelo Fisco desta inconstitucionalidade; é clara a conclusão de que o que está sendo aqui proposto não [é] o reconhecimento da inconstitucionalidade de um dispositivo, mas sim a sua não aplicação em função de decisão judicial que já a reconheceu. Isso porque, a aplicação da taxa SELIC a juros moratórios já se encontra pacificada no Superior Tribunal de Justiça, pois para o cálculo da Taxa SELIC, a qual visa conter o consumo e controlar a inflação, há estipulação de índice futuro; o artigo 161, § 1° do CTN, preceitua que os juros serão de 1%, se a lei não dispuser em contrário. Destarte, a lei ordinária não instituiu a taxa SELIC, mas apenas estabeleceu seu uso, contrariando a lei complementar (CTN), Fl. 678DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-006.041 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10972.000096/2008-38 porquanto, esta somente autorizou juros diversos de 1%, se lei estatuir em contrário; Consectário lógico é que, para que lei estabeleça taxa de juros diversa, essa taxa deverá ser criada por lei, o que não é o caso da taxa SELIC. Assim sendo, somente seria possível sua aplicação se seus juros correspondessem a exato 1%, consoante preceitua esse dispositivo, ou percentual menor; a apuração do crédito tributário foi feita sobre meras presunções obtidas através da ilegal quebra do sigilo bancário para a obtenção do demonstrativo de movimentação bancária da ora Recorrente; deve-se entender sigilo bancário como a obrigação da instituição bancária de não revelar a terceiros, estranhos ao seu cliente, os dados referentes à conta bancária a este atrelada; é certo que este instituto se baseia em preceitos constitucionais, principalmente no princípio da pessoalidade e intimidade, legalmente previstos no artigo 50, X, da CF/88; resta inequívoco que a atuação da Fazenda Pública, ao violar o sigilo bancário da ora Recorrente, desrespeitou preceitos constitucionais, o que não deve ser em hipótese alguma admitido por este d. conselho; como se não bastasse, a quebra do sigilo bancário da empresa gerou incontestável cerceamento de defesa, atentando obviamente contra o Princípio de Ampla Defesa e do Contraditório, na medida em que em momento algum houve o comunicado acerca das medidas que seriam tomadas; diante disso, imperioso ressaltar que a apuração do crédito tributário foi feita sob meras presunções, a partir da análise numérica de simples dados de movimentação bancária, sem qualquer embasamento fático ou legal; a Constituição Federal de 1988 prevê a impossibilidade de utilizar o tributo e seus acessórios (multa) como confisco; e a aplicação das multas, nos patamares em que foram exigidas é ilegítima e inválida, não produzindo seus regulares efeitos, pelo que deve ser anulada face às violações aos "Princípios da Proporcionalidade, da Razoabilidade, do Não-Confisco". 5.É o relatório. Voto Conselheiro Jandir José Dalle Lucca, Relator. 6.O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais de admissibilidade. Fl. 679DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-006.041 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10972.000096/2008-38 I) DA TAXA SELIC 7.De proêmio, registre-se que, nos termos do art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, “No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, conforme, aliás, disposto na Súmula CARF nº 2 e no art. 62, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. 8.Não obstante, impende ressaltar que o Pretório Excelso, ao julgar o RE 582.461, com repercussão geral reconhecida, fixou a seguinte tese no Tema 214: “(...) II - É legítima a utilização, por lei, da taxa SELIC como índice de atualização de débitos tributários; (...)” (original sem grifo). 9.Outrossim, a matéria se encontra sedimentada pela Súmula CARF nº 04, in verbis: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. 10.Desse modo, não há como prover o apelo no ponto suscitado. II) DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO E DO ARBITRAMENTO DO LUCRO 11.Também sob essa rubrica cabe destacar que o art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972 veda “aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, em harmonia com o disposto na Súmula CARF nº 2 e no art. 62, caput, do Anexo II do RICARF. 12.Contudo, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar as ADIs 2.390, 2.397, 2.386 e 2.859, de relatoria do ministro Dias Toffoli, em decisão plenária de 24.02.2016, se pronunciou quanto à constitucionalidade dos dispositivos insculpidos na Lei Complementar nº 105, de 2001, em acórdão de cuja ementa se destacam os seguintes excertos: Ação direta de inconstitucionalidade. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859. Normas federais relativas ao sigilo das operações de instituições financeiras. Decreto nº 4.545/2002. Exaurimento da eficácia. Perda parcial do objeto da ação direta nº 2.859. Expressão “do inquérito ou”, constante no § 4º do art. 1º, da Lei Complementar nº 105/2001. Acesso ao sigilo bancário nos autos do inquérito policial. Possibilidade. Precedentes. Art. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentadores. Ausência de quebra de sigilo e de ofensa a direito fundamental. Confluência entre os deveres do contribuinte (o dever fundamental de pagar tributos) e os deveres do Fisco (o dever de bem tributar e fiscalizar). Compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em matéria de compartilhamento de informações bancárias. Art. 1º da Lei Complementar nº 104/2001. Ausência de quebra de sigilo. Art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. Informações necessárias à defesa judicial da atuação do Fisco. Constitucionalidade dos preceitos impugnados. ADI nº 2.859. Ação que se conhece em parte e, na parte conhecida, é julgada improcedente. ADI nº 2.390, 2.386, 2.397. Ações conhecidas e julgadas improcedentes. Fl. 680DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-006.041 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10972.000096/2008-38 (...) 4. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. 5. A ordem constitucional instaurada em 1988 estabeleceu, dentre os objetivos da República Federativa do Brasil, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais. Para tanto, a Carta foi generosa na previsão de direitos individuais, sociais, econômicos e culturais para o cidadão. Ocorre que, correlatos a esses direitos, existem também deveres, cujo atendimento é, também, condição sine qua non para a realização do projeto de sociedade esculpido na Carta Federal. Dentre esses deveres, consta o dever fundamental de pagar tributos, visto que são eles que, majoritariamente, financiam as ações estatais voltadas à concretização dos direitos do cidadão. Nesse quadro, é preciso que se adotem mecanismos efetivos de combate à sonegação fiscal, sendo o instrumento fiscalizatório instituído nos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 de extrema significância nessa tarefa. (...) 13.Considerando a existência de procedimento fiscal em curso (e-fls. 01) por ocasião em que as Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) foram operacionalizadas em 22.08.2007 (e-fls. 302/303, 377/378 e 508/509), nos exatos termos do Decreto nº 3.724, de 2001, não há qualquer injuridicidade a ser reconhecida nos presentes autos. 14.De mais a mais, confira-se o teor dos seguintes excertos do Termo de Verificação Fiscal de e-fls. 09/29: Fl. 681DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-006.041 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10972.000096/2008-38 Fl. 682DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-006.041 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10972.000096/2008-38 15.O procedimento administrativo de fiscalização possui natureza inquisitória, diferentemente do processo administrativo, que se instaura a partir da apresentação de impugnação e que detém natureza contenciosa. 16.No primeiro, a fiscalização envidará seus esforços para apurar a ocorrência do fato gerador com finalidade instrutória. Já na fase processual, ou seja, a partir da lavratura do auto de infração e havendo impugnação, será inaugurado o litigio fiscal, nascendo o direito ao contraditório e à ampla defesa, entre outras garantias processuais. Confira-se, a propósito, o enunciado da Súmula CARF nº 162, que soa: “O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento”. 17.Não obstante, mesmo durante a fase inquisitória a Recorrente foi intimada e reintimada em diversas oportunidades para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que originaram os depósitos bancários então relacionados, sem atendimento. Fl. 683DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-006.041 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10972.000096/2008-38 18.Posteriormente, após a lavratura dos autos de infração de e-fls. 04/08 e 30/57, a Recorrente apresentou a impugnação de e-fls. 220/249 e, mais adiante, o presente recurso voluntário, em pleno exercício do seu direito de defesa. 19.Nessa toada, o §1º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é de meridiana clareza ao dispor que a receita omitida será considerada auferida no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Confira-se: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (...) 20.Trata-se de presunção de omissão de receita: sendo identificada a existência de valores creditados em contas mantidas junto a instituições financeiras que o contribuinte, uma vez intimado, não logre êxito em comprovar a origem, será presumida a obtenção de receita. 21.Por conseguinte, foi preservado o direito de ampla defesa e do contraditório da Recorrente, que vem sendo exercido sem qualquer embaraço, nada havendo o que se prover nesse aspecto. III) DA MULTA 22.Neste ponto, a Recorrente alega, resumidamente, que a Constituição Federal de 1988 prevê a impossibilidade de utilizar o tributo e seus acessórios (multa) como confisco e que, a aplicação das multas, nos patamares em que foram exigidas, é ilegítima e inválida, não produzindo seus regulares efeitos, pelo que deve ser anulada face às violações aos "Princípios da Proporcionalidade, da Razoabilidade, do Não-Confisco". 23.Sucede, todavia, que a multa foi aplicada em conformidade com legislação vigente, válida e eficaz e, como já abordado nos tópicos anteriores, o art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972 veda “aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, em harmonia com o disposto na Súmula CARF nº 2 e no art. 62, caput, do Anexo II do RICARF, razão pela qual o pedido não merece ser conhecido. IV) DISPOSITIVO 24.Pelo exposto e por tudo mais que dos autos consta, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Jandir José Dalle Lucca Fl. 684DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10580.003370/2003-20
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR EDITAL. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA TEMPESTIVAMENTE. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Não resta configurado cerceamento de direito de defesa nas hipóteses em que o contribuinte, a despeito da intimação por edital acerca da lavratura de auto de infração, apresenta impugnação ao lançamento de forma tempestiva.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. ÔNUS DA RETENÇÃO SUPORTADO PELO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO.
Nos casos em que reste comprovado que o contribuinte efetivamente
suportou o ônus relativo à retenção do imposto de renda, deve ser
reconhecido o correspondente crédito ao sujeito passivo, ainda que a fonte pagadora não tenha efetuado o posterior recolhimento do imposto devido às Autoridades Fiscais.
Numero da decisão: 2802-000.474
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TURMA ESPECIAL DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CARLOS NOGUEIRA NICACIO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Sat Oct 29 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201009
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR EDITAL. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA TEMPESTIVAMENTE. NÃO CONFIGURAÇÃO. Não resta configurado cerceamento de direito de defesa nas hipóteses em que o contribuinte, a despeito da intimação por edital acerca da lavratura de auto de infração, apresenta impugnação ao lançamento de forma tempestiva. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. ÔNUS DA RETENÇÃO SUPORTADO PELO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO. Nos casos em que reste comprovado que o contribuinte efetivamente suportou o ônus relativo à retenção do imposto de renda, deve ser reconhecido o correspondente crédito ao sujeito passivo, ainda que a fonte pagadora não tenha efetuado o posterior recolhimento do imposto devido às Autoridades Fiscais.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 10580.003370/2003-20
anomes_publicacao_s : 201009
conteudo_id_s : 4679292
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2802-000.474
nome_arquivo_s : 280200474_10580003370200320_003.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : CARLOS NOGUEIRA NICACIO
nome_arquivo_pdf_s : 10580003370200320_4679292.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª TURMA ESPECIAL DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
id : 4736072
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:43:36 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810958028800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 2 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.003370/200320 Recurso nº 154.946 Voluntário Acórdão nº 280200.474 – 2ª Turma Especial Sessão de 22 de setembro de 2010 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ OLIVEIRA CASTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR EDITAL. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA TEMPESTIVAMENTE. NÃO CONFIGURAÇÃO. Não resta configurado cerceamento de direito de defesa nas hipóteses em que o contribuinte, a despeito da intimação por edital acerca da lavratura de auto de infração, apresenta impugnação ao lançamento de forma tempestiva. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. ÔNUS DA RETENÇÃO SUPORTADO PELO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO. Nos casos em que reste comprovado que o contribuinte efetivamente suportou o ônus relativo à retenção do imposto de renda, deve ser reconhecido o correspondente crédito ao sujeito passivo, ainda que a fonte pagadora não tenha efetuado o posterior recolhimento do imposto devido às Autoridades Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TURMA ESPECIAL DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Valéria Pestana Marques – Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO, 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQ UES 2 (Assinado digitalmente) Carlos Nogueira Nicacio – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: VALÉRIA PESTANA MARQUES, CARLOS NOGUEIRA NICACIO, ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN, JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO, E LÚCIA REIKO SAKAE. AUSENTE, JUSTIFICADAMENTE, O CONSELHEIRO SIDNEY FERRO BARROS. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA. Em procedimento de verificação do cumprimento de obrigações acessórias, foi lavrado Auto de Infração em face do Recorrente em razão da dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, reportado na Declaração de Ajuste Anual anocalendário 2000. Em sede de impugnação, o Recorrente alegou que a totalidade dos rendimentos tributáveis reportados em sua Declaração de Ajuste Anual são advindos de indenização recebida em razão de reclamação trabalhista interposta em face do Banco de Crédito Nacional S/A. De acordo com o Recorrente, em novembro de 2000 foi autorizado pelo Juízo da Sétima Vara do Trabalho da Comarca de Salvador o levantamento de parte do depósito judicial efetuado pelo Banco de Crédito Nacional S/A, na quantia líquida de impostos de R$95.948,09 (noventa e cinco mil novecentos e quarenta e oito reais e nove centavos). Conforme sentença proferida pelo supramencionado Juízo, o Banco de Crédito Nacional S/A seria o responsável pela retenção e o consequente recolhimento dos impostos e encargos sociais incidentes, permanecendo retido o montante de R$29.111,92 (vinte nove mil cento e onze reais e noventa e dois centavos). Por fim, conforme documentos de fls. 05 a 07, o Recorrente informou ter solicitado ao Juízo da Sétima Vara do Trabalho da Comarca de Salvador que intimasse o Banco de Crédito Nacional S/A a providenciar a juntada dos comprovantes de recolhimento do imposto de renda devido aos autos da ação trabalhista, tendo em vista a aproximação do prazo final para a entrega de sua Declaração de Ajuste Anual anocalendário 2000. O acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, declarou o lançamento fiscal procedente, na medida em que entendeu que a responsabilidade pela inexatidão das informações constantes da Declaração de Ajuste Anual é do declarante, não podendo o contribuinte ser exonerado em razão de eventuais equívocos cometidos pela fonte pagadora ou mesmo pela falta ou insuficiência de retenção do imposto de renda. Adicionalmente, afirmou a Delegacia que eventuais incorreções relativas à retenção e/ou recolhimento do imposto de renda somente seriam oponíveis à fonte pagadora até o momento da apresentação da Declaração de Ajuste Anual. Findo o prazo de entrega, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO, 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQ UES Processo nº 10580.003370/200320 Acórdão n.º 280200.474 S2TE02 Fl. 3 3 eventuais lançamentos decorrentes de informações incorretas prestadas na mencionada Declaração de Ajuste deverão ter como sujeito passivo o próprio contribuinte. Dada a decisão da Delegacia, houve a interposição de Recurso Voluntário, alegandose em síntese: a) Que houve cerceamento de direito à ampla defesa e ao contraditório na medida em que o Recorrente apenas foi intimado acerca da lavratura do auto de infração através de edital, a despeito da Receita Federal do Brasil possuir em seus cadastros o endereço atualizado do Recorrente; b) Que o imposto de renda incidente sobre a indenização trabalhista recebida em face do Banco de Crédito Nacional S/A foi retido por determinação do Juízo da Sétima Vara do Trabalho da Comarca de Salvador, apenas sendo facultado ao Recorrente o levantamento da quantia líquida de impostos, conforme certidão de fl. 4; c) Que ao Recorrente não pode ser imputada responsabilidade pelo não recolhimento do imposto de renda pela fonte pagadora, na medida em que o Recorrente já teria suportado o ônus financeiro equivalente ao pagamento do imposto de renda devido. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Nogueira Nicacio, Relator. O Recurso é tempestivo e preenche as formalidades legais, por isso dele conheço. Preliminarmente, no que compete à alegação de ocorrência de cerceamento de direito de defesa, supostamente caracterizado pela intimação do Recorrente acerca da lavratura de auto de infração através de edital, cumpre destacar que a impugnação ao lançamento foi apresentada de forma tempestiva, observando os ditames do procedimento administrativo fiscal. Desta feita, a intimação promovida por meio de edital não trouxe qualquer prejuízo ao Recorrente, o qual pôde apresentar impugnação de forma tempestiva, contestando todos os fundamentos de fato e de direito em que se baseou o auto de infração, não restando demonstrada, portanto, a ocorrência de cerceamento de direito de defesa. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO, 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQ UES 4 No que tange à parte do lançamento correspondente à dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, devem ser analisadas as disposições do artigo 46, da Lei n° 8.541/1992, abaixo transcrito: Art. 46. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário. § 1° Fica dispensada a soma dos rendimentos pagos no mês, para aplicação da alíquota correspondente, nos casos de: I juros e indenizações por lucros cessantes; II honorários advocatícios; III remuneração pela prestação de serviços de engenheiro, médico, contador, leiloeiro, perito, assistente técnico, avaliador, síndico, testamenteiro e liquidante. § 2° Quando se tratar de rendimento sujeito à aplicação da tabela progressiva, deverá ser utilizada a tabela vigente no mês de pagamento. (Omissis) Conforme farta documentação trazida aos autos às fls. 62 a 90, verificase que o Recorrente foi autorizado a levantar apenas parte do montante da indenização que lhe foi concedida em sede de reclamação trabalhista, ficando a diferença retida à disposição do Juízo, a fim de que a fonte pagadora viesse a efetuar o recolhimento do imposto de renda e contribuição social devidos em virtude do pagamento ao Recorrente. Ademais, conforme certidão de fl. 4 emitida pela Secretaria da Sétima Vara do Trabalho da Comarca de Salvador, fica demonstrado que o Banco de Crédito Nacional S/A ao reconhecer como débito trabalhista o valor de R$123.998,88, realizou o correspondente depósito judicial do montante integral. Nos termos do mencionado documento, o Juízo autorizou o Recorrente a levantar a quantia de R$94.886,96, ficando retida a diferença de R$29.111,92 para recolhimento dos tributos devidos. Logo, tendo sido realizado depósito judicial integral para cumprimento de litígio trabalhista, o qual compreendeu inclusive o montante correspondente ao imposto de renda devido, mostrase incabível negarse ao Recorrente o direito à utilização em sua Declaração de Ajuste Anual, da dedução correspondente ao imposto de renda retido. Uma vez demonstrado que o Recorrente suportou o ônus do imposto de renda incidente sobre a indenização recebida em sede de reclamação trabalhista, não pode o mesmo ser responsabilizado por eventual atraso ou ausência de recolhimento causados pela fonte pagadora. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO, 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQ UES Processo nº 10580.003370/200320 Acórdão n.º 280200.474 S2TE02 Fl. 4 5 Assim, nos casos em que resta comprovada a retenção do imposto de renda, mesmo que a fonte pagadora não venha a recolher o imposto devido às Autoridades Fiscais, deve ser reconhecido o direito ao crédito do imposto de renda retido ao beneficiário do rendimento, cabendo à Receita Federal do Brasil promover a persecução fiscal em face da fonte pagadora que o deixou de recolher. Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário apresentado na forma da lei e voto no sentido de darlhe provimento, para restabelecer o valor do imposto de renda retido na fonte deduzido em sua Declaração de Ajuste Anual anocalendário 2000. Sala das Sessões, em 22 de setembro de 2010. (Assinado digitalmente) CARLOS NOGUEIRA NICACIO Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/02/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO Assinado digitalmente em 09/02/2011 por CARLOS NOGUEIRA NICACIO, 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQ UES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011269/2007-63
Data da sessão: Mon Apr 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 200.3, 2004, 2005, 2006
IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES, SOGRA.
É permitida a inclusão de despesas com dependentes relacionadas à sogra na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, na medida em que o cônjuge figurar como dependente em tal declaração..
GLOSA DE. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O ônus probatório da efetiva prestação de serviços médicos é do contribuinte, cabendo-lhe apresentar documentos hábeis e suficientes para justificar a dedução de tais despesas. .
GLOSA DE. DESPESAS MÉDICAS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS.
Mantém-se a glosa de despesas médicas quando devidamente comprovado que não houve a efetiva prestação dos serviços médicos, o respectivo pagamento e que os documentos apresentados pelo contribuinte são inidôneos.
GLOSA DE DESPESAS, QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de evidente intuito de fraude, caracterizados pela redução deliberada do imposto de renda devido, através da dedução de despesas inexistentes quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, adequada a aplicação da multa de oficio qualificada prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96.
GLOSA DE. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO POR RECIBOS.
São dedutiveis as despesas médicas comprovadas por documentação hábil.
Não tendo sido questionada pela Autoridade Fiscal a idoneidade da
documentação trazida pelo Recorrente, deve esta ser considerada como suporte bastante das despesas médicas pleiteadas.
Numero da decisão: 2802-000.244
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução da sogra como dependente e de despesas médicas com odontólogos nos valores de R$4.800,00 (exercício 2002), R$6.750,00 (exercício 2003), e R$5.000,00 (exercício 2006), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso, que não admitia a dedução da sogra como dependente e a Conselheira Lúcia Reiko Sakae, que não admitia a dedução de despesas médicas com odontólogos
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS NOGUEIRA NICÁCIO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
dt_index_tdt : Sat Oct 15 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 200.3, 2004, 2005, 2006 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES, SOGRA. É permitida a inclusão de despesas com dependentes relacionadas à sogra na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, na medida em que o cônjuge figurar como dependente em tal declaração.. GLOSA DE. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O ônus probatório da efetiva prestação de serviços médicos é do contribuinte, cabendo-lhe apresentar documentos hábeis e suficientes para justificar a dedução de tais despesas. . GLOSA DE. DESPESAS MÉDICAS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. Mantém-se a glosa de despesas médicas quando devidamente comprovado que não houve a efetiva prestação dos serviços médicos, o respectivo pagamento e que os documentos apresentados pelo contribuinte são inidôneos. GLOSA DE DESPESAS, QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de evidente intuito de fraude, caracterizados pela redução deliberada do imposto de renda devido, através da dedução de despesas inexistentes quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, adequada a aplicação da multa de oficio qualificada prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. GLOSA DE. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO POR RECIBOS. São dedutiveis as despesas médicas comprovadas por documentação hábil. Não tendo sido questionada pela Autoridade Fiscal a idoneidade da documentação trazida pelo Recorrente, deve esta ser considerada como suporte bastante das despesas médicas pleiteadas.
numero_processo_s : 10980.011269/2007-63
conteudo_id_s : 6681048
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2802-000.244
nome_arquivo_s : Decisao_10980011269200763.pdf
nome_relator_s : CARLOS NOGUEIRA NICÁCIO
nome_arquivo_pdf_s : 10980011269200763_6681048.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução da sogra como dependente e de despesas médicas com odontólogos nos valores de R$4.800,00 (exercício 2002), R$6.750,00 (exercício 2003), e R$5.000,00 (exercício 2006), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso, que não admitia a dedução da sogra como dependente e a Conselheira Lúcia Reiko Sakae, que não admitia a dedução de despesas médicas com odontólogos
dt_sessao_tdt : Mon Apr 12 00:00:00 UTC 2010
id : 9538109
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:43:49 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810960125952
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-15T10:32:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-15T10:32:51Z; Last-Modified: 2010-12-15T10:32:51Z; dcterms:modified: 2010-12-15T10:32:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:f7a643a8-d48c-4488-9857-23ac5d72e207; Last-Save-Date: 2010-12-15T10:32:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-15T10:32:51Z; meta:save-date: 2010-12-15T10:32:51Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-15T10:32:51Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-15T10:32:51Z; created: 2010-12-15T10:32:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-12-15T10:32:51Z; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-15T10:32:51Z | Conteúdo => S2-TE02 Fi MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ".•:,-,N,,~ SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO zw,Tig.0` Processo n" 10980.011269/2007-63 Recurso n" 165.302 Voluntário Acórdão n" 2802-00.244 — 2" Turma Especial Sessão de 12 de abril de 2010 Matéria IRPF Ex(s).: 200.2 a 2006 Recorrente JOSÉ TARCIO DE CAMPOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 200.3, 2004, 2005, 2006 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES, SOGRA. É permitida a inclusão de despesas com dependentes relacionadas à sogra na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, na medida em que o cônjuge figurar como dependente em tal declaração.. GLOSA DE. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O ônus probatório da efetiva prestação de serviços médicos é do contribuinte, cabendo-lhe apresentar documentos hábeis e suficientes para justificar a dedução de tais despesas. . GLOSA DE. DESPESAS MÉDICAS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. Mantém-se a glosa de despesas médicas quando devidamente comprovado que não houve a efetiva prestação dos serviços médicos, o respectivo pagamento e que os documentos apresentados pelo contribuinte são inidôneos. GLOSA DE DESPESAS, QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de evidente intuito de fraude, caracterizados pela redução deliberada do imposto de renda devido, através da dedução de despesas inexistentes quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, adequada a aplicação da multa de oficio qualificada prevista no art. 44, II, da Lei if 9..430/96. GLOSA DE. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO POR RECIBOS. São dedutiveis as despesas médicas comprovadas por documentação hábil. Não tendo sido questionada pela Autoridade Fiscal a idoneidade da documentação trazida pelo Recorrente, deve esta ser considerada como suporte bastante das despesas médicas pleiteadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução da sogra como dependente e de despesas médicas com odontólogos nos valores de R$4.800,00 (exercício 2002), R$6.750,00 (exercício 2003), e R$5.000,00 (exercício 2006), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso, que não admitia a dedução da sogra como dependente e a Conselheira Lúcia Reiko Sakae, que não admitia a dedução de despesas médicas com odontólogos. cr_a, Carlos Nogueira Nicácio- Presidente em exercício e Relator EDITADO EM: 2 0 AGL, Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Ana Paula Locoselli Erichsen, Lúcia Reiko Sakae, Odmir Fernandes (Suplente convocado), José Evande Carvalho Araujo (Suplente convocado) e Carlos Nogueira Nicácio (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Sidney Ferro Barros e Valéria Pestana Marques (Presidente), n 2 .„ Processo n° 10980011269/2007-63 S2-"F Acórdão il." 2802-0(L244 Fi 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. Foi lavrado auto de infração em face do Recorrente em razão da dedução indevida de despesas com dependente, despesas médicas, despesas com tratamento fonoaudiológico, despesas com instrução e despesas com tratamento odontológico, todas pleiteadas nas Declarações de Ajuste Anual dos anos-calendário 2001 a 2005. As despesas com dependentes foram glosadas nos anos-calendário 2001 a 2005 pela inclusão da sogra do Recorrente, Helena Spindola Menezes, nas Declarações de Ajuste Anual, sob a justificativa de que embora a esposa do Recorrente, Joana de Lourdes Menezes Campos, também constasse como dependente nas mencionadas Declarações, a mesma não auferiu rendimentos tributáveis, o que impossibilitaria ao Recorrente considerar sua sogra como dependente em suas Declarações de Ajuste Anual. As despesas médicas incorridas em favor da Unimed, Clínica Médica CGW Ltda, e da beneficiária Heloísa Proman Nogueira foram glosadas pela falta de apresentação de documentação suporte. Quanto às despesas incorridas com tratamento fonoaudiológico em favor de Eris Luiza Felini, as mesmas foram glosadas pela Autoridade Fiscal uma vez que à época da prestação do serviço, o registro profissional da fonoaudióloga encontrava-se suspenso, o que acarretou, ainda, a qualificação da multa de oficio. As despesas com instrução incorridas no ano-calendário 2004, em favor do Colégio Bom Jesus foram glosadas pela falta de apresentação de documentação suporte hábil a comprovar sua efetividade. Por fim, as despesas odontológicas incorridas em favor de Edson Gabardo, Kátia Cristina da Silva e Gustavo Gaivão foram glosadas na medida em que o Recorrente não comprovou a efetividade das despesas declaradas, uma vez que não foram apresentadas as cópias dos cheques comprobatórios dos pagamentos efetuados. Em sede de impugnação, alegou o Recorrente, em síntese: a) Que as despesas incorridas em favor da Unimed, Kátia Cristina da Silva e Gustavo Gaivão foram comprovadas durante a fase de fiscalização pela apresentação de cópia dos extratos bancários referentes ao período da prestação dos serviços; b) Que não existe disposição legal que obrigue o Recorrente a efetuar o pagamento de suas despesas através de cheque, devendo a Autoridade Fiscal aceitar os recibos apresentados como comprovação das despesas pleiteadas em suas Declarações de Ajuste 3 c) Que não é cabível a glosa das despesas incorridas com tratamento fonoaudiológico em razão da profissional estar com seu registro profissional suspenso à época da prestação do serviço; d) Que as despesas incorridas com a sogra Helena Spindola Menezes constituem encargos de família a serem suportados pelo Recorrente em razão da sociedade conjugal, O acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, manteve o crédito tributário exigido, na medida em que afirma ser responsabilidade do Recorrente a comprovação da efetividade das despesas médicas e odontológicas pleiteadas. Relativamente à glosa de despesas com instrução pleiteadas no ano- calendário 2004, considerou a matéria não impugnada ante a falta de manifestação do Recorrente neste particular. No tocante às despesas incorridas com tratamento fbnoaudiológico, constatou a existência de evidências da prática de emissão de recibos graciosos, não somente pela falta de registro regular da profissional perante o órgão de Classe competente, bem como pelo fato da beneficiária ter emitido declaração afirmando não ter registro dos pacientes atendidos no período de 1999 a 2002, conforme fl. 04. Finalmente, manteve a glosa das despesas pertinentes à inclusão da sogra como dependente nas Declarações de Ajuste Anual, na medida em que tal dedução somente poderia ser aceita na hipótese do cônjuge do Recorrente auferir rendimentos tributáveis. Dada a decisão da Delegacia, houve a interposição de Recurso Voluntário reiterando-se as alegações apresentadas em sede de impugnação ao lançamento. É o - el atóri7V° 4 Processo n° 10980.011269/2007-63 S2-TE02 Acórdão n." 2802-00.244 Fl 3 Voto Conselheiro Carlos Nogueira Nicácio, Relator O Recurso é tempestivo e preenche as formalidades legais, por isso dele conheço, Relativamente à glosa da dedução de dependentes pela inclusão da sogra do Recorrente nas Declarações de Ajuste Anual dos anos-calendário 2001 a 2005, deve ser observada a disposição do inciso II, do artigo 35, da Lei n°9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 35. Para efeito do disposto nos artigos. 4", inciso III, e 8", inciso II, alínea "c", poderão ser considerados como dependentes 1 - o cóujuge; II - o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da 1111i170 resultou filho; - a filha, o . filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos-, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentahnente para o trabalho, IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; - o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda .judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI - os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII - o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. (Oinissis) A inclusão de sogra como encargo de família pressupõe a apresentação da Declaração de Ajuste Anual ou a inclusão do cônjuge como dependente. Sendo esta a hipótese dos autos, forçoso concluir-se pela desconstituição da glosa relativa à dedução indevida de despesas com dependentes. No que compete à glosa das despesas médicas incorridas em favor da Unimed, Clínica Médica CGW Ltda. e Heloísa Promon Nogueira, verifica-se que o Recorrente 5 não trouxe aos autos os recibos comprobatórios das despesas pleiteadas, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetuada pela Autoridade Fiscal. O extrato bancário acostado aos autos pelo Recorrente não individualiza os pagamentos feitos aos beneficiários supramencionados.. No que tange à glosa da dedução pertinente a tratamento fonoaudiológico, muito embora o Recorrente tenha acostado aos autos recibos comprobatórios das despesas incorridas, forçoso ressaltar que tal profissional encontra-se sob processo de fiscalização promovido pela Receita Federal do Brasil, em razão da fiandada suspeita de emissão reiterada de recibos sem a con espondente prestação de serviços. Ainda, conforme declaração prestada pela beneficiária à fl.. 04, a mesma alega não possuir controle dos pacientes atendidos no período de 1999 a 2002. Desta feita, da análise dos fatos expostos nos autos, demonstra-se razoável concluir pela necessidade de apresentação de documentação adicional por parte do Recorrente com vistas à comprovação da efetividade das despesas pleiteadas. Não tendo o Recorrente logrado êxito em apresentar elementos de prova adicionais, deve ser mantida a glosa das despesas incorridas em favor da fonoaudióloga Eris Luiza Felini. Ante a existência de diversos elementos que colocam em dúvida a veracidade dos recibos apresentados para a comprovação do pagamento de despesa com fonoaudióloga, mostra-se cabível a qualificação da multa de oficio, conforme disposto no art. 44, da Lei n° 9430/96: Art 44 — Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre. a totalidade ou diferença de imposto. 1 — de 7.5% (Setenta e cinco por cento) nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; — de 150% (cento e cinquenta por cento) nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72, e 73 da Lei n'4. 502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (0 in s is) Ar! 71 — Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parciahnente, o conhecimento por parte da autoridade lazendária: I) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II) das. condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação ir ibutá ria principal ou o crédito tributário correspondente; Ari 72 — Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parciahnente, a ocorrência de jato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou 6 Processo n" 10980 0 1269/2007-63 SI-TE02 Actird50 o " 2802-00,244 Fl. 4 modificar as _suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 — Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicos, visando qualquer dos efeitos requerido nos art.s. 71 e 72 (Ornissis) Por fim, foram glosadas as despesas com tratamento odontológico incorridas pelo Recorrente em favor de Edson Gabardo, Kátia Cristina da Silva e Gustavo Gaivão, uma vez que não foram apresentadas pelo Recorrente as cópias dos cheques comprobatórios dos pagamentos. A Lei n°. 9,250, de 26 de dezembro de 1995, com redação dada pela Lei n° 11.482/07, determina em seu artigo 8', inciso II, alínea a, que a base de cálculo do imposto de renda devido no ano-calendário será diminuída dos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Art. 8" A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas.• (Omissis) II - das deduções relativas: a pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, .fbnoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicas-, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. ,sç 1° - O disposto neste artigo: (Omissis) II — restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III— limita-se a pagamentos especificados- e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídica — CNP,' de quem os recebeu, podendo, na filha de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual fbi efetuado o pagamento. Em regra, a comprovação da efetividade da despesa médica reportada pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual é feita mediante a apresentação à Autoridade Fiscal dos recibos de pagamento emitidos pelo profissional ou instituição responsável peio serviço médico prestado. 7 Dessa forma, forçoso concluir que os recibos médicos, desde que atendam aos requisitos supramencionados, são documentos hábeis para comprovar os correspondentes dispêndios e embasar a sua dedutibil idade. Salvo em casos excepcionais, /ais como quando a autoria do recibo for atribuída a profissional ou instituição que tenha contra si Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente 'Ineficaz homologada, ou quando efetivamente existirem nos autos elementos plausíveis que possam afastar sua presunção de veracidade, pode-se recusar os regulares efeitos comprobatórios ao recibo de pagamento. Assim, somente diante de elementos que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados para a comprovação de pagamentos de despesas médicas justifica-se a exigência do Fisco por elementos adicionais para demonstração da efetividade da prestação de serviço, Do exame dos autos, verifica-se que o Recorrente não só providenciou a juntada do recibo de pagamento da despesa odontológica, bem corno de declaração corroborando o serviço prestado. Não tendo sido questionada a idoneidade da documentação apresentada, deve a mesma ser considerada para justificar a dedução correspondente às despesas odontológicas incorridas. Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário apresentado na forma da lei e voto no sentido de dar-lhe provimento pardal para restabelecer a dedução da sogra como dependente e a dedução das despesas odontológicas incorridas em favor de Edson Gabardo, Kátia Cristina cia Silva e Gustavo Gaivão, no valot total de R$9.800,00, (")o , Carlos Nogueira Nicácio 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2" CAMARA/2" SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n": 10980.011269/2007-63 Recurso n": 165.302 ,7 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3' do art, 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n" 2802-00.244. Brasília/DF, 2 ° AGO 2010 II EVELINE COÊLHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10735.901080/2013-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. MULTA DE MORA INAPLICÁVEL. DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. REGIMENTO INTERNO DO CARF.
À luz do definitivamente decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.149.022/SP, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, não prevalece a cobrança de multa de mora por atraso no pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação quando a denúncia espontânea, promovida mediante retificação de declaração antes de qualquer procedimento de ofício, é acompanhada do respectivo pagamento. Referida decisão é de reprodução obrigatória pelos Conselheiros, nos termos do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2008
SALDO NEGATIVO. PARCELAS CONFIRMADAS. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO
Reconhece-se o direito creditório postulado pelo contribuinte quando as parcelas que compõem o alegado crédito restam plenamente confirmadas.
Numero da decisão: 1001-002.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Beltcher da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Sidnei de Sousa Pereira.
Nome do relator: Fernando Beltcher da Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 29 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202210
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. MULTA DE MORA INAPLICÁVEL. DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. REGIMENTO INTERNO DO CARF. À luz do definitivamente decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.149.022/SP, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, não prevalece a cobrança de multa de mora por atraso no pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação quando a denúncia espontânea, promovida mediante retificação de declaração antes de qualquer procedimento de ofício, é acompanhada do respectivo pagamento. Referida decisão é de reprodução obrigatória pelos Conselheiros, nos termos do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2008 SALDO NEGATIVO. PARCELAS CONFIRMADAS. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO Reconhece-se o direito creditório postulado pelo contribuinte quando as parcelas que compõem o alegado crédito restam plenamente confirmadas.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 10735.901080/2013-12
anomes_publicacao_s : 202210
conteudo_id_s : 6689436
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1001-002.713
nome_arquivo_s : Decisao_10735901080201312.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Fernando Beltcher da Silva
nome_arquivo_pdf_s : 10735901080201312_6689436.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Sidnei de Sousa Pereira.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2022
id : 9553372
ano_sessao_s : 2022
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:44:04 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810969563136
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-10-14T19:23:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-10-14T19:23:35Z; Last-Modified: 2022-10-14T19:23:35Z; dcterms:modified: 2022-10-14T19:23:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-10-14T19:23:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-10-14T19:23:35Z; meta:save-date: 2022-10-14T19:23:35Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-10-14T19:23:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-10-14T19:23:35Z; created: 2022-10-14T19:23:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2022-10-14T19:23:35Z; pdf:charsPerPage: 1975; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-10-14T19:23:35Z | Conteúdo => S1-TE01 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10735.901080/2013-12 Recurso Voluntário Acórdão nº 1001-002.713 – 1ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 6 de outubro de 2022 Recorrente SFE SOCIEDADE FLUMINENSE DE ENERGIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. MULTA DE MORA INAPLICÁVEL. DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. REGIMENTO INTERNO DO CARF. À luz do definitivamente decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.149.022/SP, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, não prevalece a cobrança de multa de mora por atraso no pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação quando a denúncia espontânea, promovida mediante retificação de declaração antes de qualquer procedimento de ofício, é acompanhada do respectivo pagamento. Referida decisão é de reprodução obrigatória pelos Conselheiros, nos termos do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2008 SALDO NEGATIVO. PARCELAS CONFIRMADAS. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO Reconhece-se o direito creditório postulado pelo contribuinte quando as parcelas que compõem o alegado crédito restam plenamente confirmadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Sidnei de Sousa Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 10 80 /2 01 3- 12 Fl. 153DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.713 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.901080/2013-12 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário manejado contra o Acórdão n° 04-52.234, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que julgou sua Manifestação de Inconformidade improcedente. Na origem, o contribuinte apresentara a Declaração de Compensação (“Dcomp”) n° 25080.36806.271109.1.3.03-0916, por meio da qual ofertara crédito de saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”) do ano-calendário 2008 - no valor de R$ 21.690,10 - para liquidar débito de estimativa de CSLL de outubro de 2009. Ao processar a referida Dcomp, a Unidade que jurisdiciona o sujeito passivo decidiu por denegar o direito creditório postulado e por não homologar a compensação declarada, sob a justificativa de que alguns pagamentos de estimativas mensais da Contribuição, de fevereiro, março, abril e dezembro de 2008, não foram confirmados, fazendo com que não se configurasse o dito saldo negativo pleiteado. Em seu recurso inaugural, a pessoa jurídica indicou ter efetuado os pagamentos que a Unidade de origem negara confirmação. Argumentou ter, inicialmente, apresentado Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (“DCTF”) mensais e recolhido os valores nelas confessados. Posteriormente, veio a constatar que as estimativas de CSLL de fevereiro, março, abril e dezembro de 2008 foram confessadas e pagas a menor que os valores efetivamente devidos. Indicou, em sua Manifestação de Inconformidade, ter efetuado os recolhimentos complementares em atraso e, concomitantemente, apresentado DCTFs retificadoras, regularizando, em denúncia espontânea, sua situação fiscal. Percebe-se, nos documentos de arrecadação acostados aos autos, que a Recorrente quitou, complementarmente, as estimativas de CSLL em tela com adição apenas de juros de mora. O colegiado a quo, ao se debruçar sobre a peça recursal, rejeitando a preliminar de nulidade do Despacho Decisório suscitada, decidiu, no mérito, por negar razão ao contribuinte. A decisão recorrida se fundamenta, exclusivamente, na observação de que os valores dos recolhimentos complementares efetuados pela pessoa jurídica, realizados em atraso a título de principal, não foram, nos sistemas da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, integralmente apropriados às estimativas de CSLL em questão. Assim, a despeito da confirmação dos pagamentos outrora negada pela Unidade de origem, o resultado a que chegara a DRJ ainda seria pela insubsistência do crédito postulado. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte reforça a defesa da aplicação do instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional ao caso concreto, argumentando ser indevida a alocação dos valores principais de CSLL recolhidos às respectivas multas de mora. Sustenta que a decisão recorrida considerara fato impeditivo ao reconhecimento da denúncia espontânea, qual seja, que os valores complementares das estimativas dos meses referidos teriam sido liquidados mediante compensação, e que tal posicionamento daquele colegiado estaria amparado em normativo da RFB desprovido, no que interessa ao ponto, de fundamento legal. É o Relatório. Fl. 154DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.713 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.901080/2013-12 Voto Conselheiro Fernando Beltcher da Silva, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos necessários à sua admissibilidade. Logo, dele conheço. De plano, deve-se ressaltar que em momento algum a decisão recorrida invocou fato impeditivo ao reconhecimento da denúncia espontânea referida en passant na Manifestação de Inconformidade. Tampouco o colegiado a quo se valeu da Nota Técnica Cosit n° 19, de 12 de junho de 2012, para negar aplicação ao instituto de que cuida o art. 138 do CTN. Em verdade, o Acórdão atacado passou ao largo da matéria em referência. A Nota em questão busca uniformizar os procedimentos no âmbito da RFB, em face dos Atos Declaratórios da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional n os 4 e 8, de 20 de dezembro de 2011, padecendo de competência ao CARF o pronunciamento quanto à legalidade das orientações nela contidas. De qualquer modo, as estimativas liquidadas por compensação com outros tributos foram confirmadas pela Unidade de origem. Não há, portanto, pertinência dos trechos da Nota atacados pelo Recorrente com o presente caso, dado que os valores das estimativas recolhidas em complemento ao inicialmente confessado não foram objeto de declarações de compensação. Assim, a lide se resume ao tema da denúncia espontânea e a sua aplicação, ou não, ao caso concreto. Os autos estão carreados de todo o material necessário à apreciação e julgamento do Recurso: o contribuinte inicialmente confessou e recolheu as estimativas de CSLL que entendeu devidas; identificando, posteriormente, que algumas estimativas foram pagas e confessadas a menor, espontaneamente recolheu as diferenças e, inclusive, indicou os documentos de arrecadação (“DARF”) complementares nas respectivas DCTFs retificadoras; os pagamentos em atraso foram realizados com juros e sem multa de mora; e em processamento automatizado a RFB apropriou, proporcionalmente, os valores recolhidos em atraso ao principal, multa e juros. O Ato Declaratório PGFN n° 8, de 2011, citado alhures, amolda-se à perfeição ao Recurso sob análise, posto que aquele Órgão, com lastro na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e na aprovação de Parecer PGFN pelo então Ministro de Estado da Fazenda, pronunciou-se pela dispensa de interposição de recursos, e pela desistência dos já interpostos, que versem sobre a caracterização de denúncia espontânea em casos como o presente: PROCURADORA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2124/2011, desta Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: Fl. 155DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.713 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.901080/2013-12 "nas ações judiciais que discutam a caracterização de denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica- a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente". JURISPRUDÊNCIA: RESP 1.149.022/SP, REL. MINISTRO LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, JULGADO EM 9/6/2010, DJE 24/6/2010 Relevante ressaltar que o precedente do STJ referido no Ato da PGFN submeteu- se ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, tendo sido assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Observada, então, a decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, por força do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, os dados contidos nas tabelas a seguir são aptos a demonstrar que o Recorrente faz jus ao direito creditório pleiteado: Contribuinte (DARFs) RFB (alocação automatizada) Receita PA Vencimento Arrecadação Principal Multa Juros Total Principal Multa Juros Total 2484 29/02/2008 31/03/2008 31/07/2008 12.134,20 0,00 453,81 12.588,01 10.172,95 2.034,59 380,46 12.588,00 2484 31/03/2008 30/04/2008 29/08/2004 21.587,04 0,00 844,05 22.431,09 18.102,73 3.620,55 707,81 22.431,09 2484 31/03/2008 30/04/2008 30/05/2008 291.611,83 0,00 2.916,11 294.527,94 266.372,35 25.491,83 2.663,72 294.527,90 2484 30/04/2008 31/05/2008 30/06/2008 65.671,11 0,00 656,71 66.327,82 59.987,17 5.740,77 599,87 66.327,81 2484 31/12/2008 30/01/2009 30/04/2009 5.968,07 0,00 168,89 6.136,96 4.996,31 999,26 141,39 6.136,96 Parcelas que compõem o crédito Per/Dcomp Despacho Decisório Acórdão recorrido Acórdão de RV Retenções na fonte 1.866.574,67 1.866.574,67 1.866.574,67 1.866.574,67 Pagamentos 6.124.242,10 5.727.269,85 6.086.901,36 6.124.242,10 Demais estimativas compensadas 253.836,91 253.836,91 253.836,91 253.836,91 SOMA 8.244.653,68 7.847.681,43 8.207.312,94 8.244.653,68 CSLL devida 8.222.963,55 8.222.963,55 8.222.963,55 8.222.963,55 CSLL a pagar -21.690,13 375.282,12 15.650,61 -21.690,13 Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado e homologando a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Fl. 156DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.713 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.901080/2013-12 (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva Fl. 157DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10283.000333/94-62
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 1997
Numero da decisão: 303-00.682
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: SERGIO SILVEIRA MELO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 22 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 199709
turma_s : Terceira Câmara
numero_processo_s : 10283.000333/94-62
conteudo_id_s : 5788996
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 303-00.682
nome_arquivo_s : Decisao_102830003339462.pdf
nome_relator_s : SERGIO SILVEIRA MELO
nome_arquivo_pdf_s : 102830003339462_5788996.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 23 00:00:00 UTC 1997
id : 6985959
ano_sessao_s : 1997
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:43:44 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810993680384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 30300682_102830003339462_199709; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-05-31T17:25:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 30300682_102830003339462_199709; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 30300682_102830003339462_199709; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-05-31T17:25:33Z; created: 2017-05-31T17:25:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2017-05-31T17:25:33Z; pdf:charsPerPage: 714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-05-31T17:25:33Z | Conteúdo => / 't/' MlNIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONfRlBUJNTES TERCEIRA cÂMARA(. PROCESSO~ SESSÃO DE RECURSO N° RECORRENTE RECORRIDA 10283-000333/94-62 23 de setembro de 1997 117.104 TRIUNFO MÁQUINASE SISTEMASREPROGRÁFICOS SIA DRF - MANAUS/AM RESOLUÇÃO N°: 303-682 Vistos, relatados e discutidosos presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 23 de setembro de 1997 1 6 DEZ 1997 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, NILTON LUIZ BARTOLI, LEVI DAVET ALVES, GUINÊs ALVARES FERNANDES. Ausente o Conselheiro MANOEL D' ASSSUNÇÃO FERREIRA GOMES. '•. •\ . ! ReM 'F' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRlBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 117.104 303-682 TRIUNFO MÁQUINAS E SISTEMAS REPROGRÁFICOS S/A DRF - MANAUS/AM SERGIO SILVEIRA MELO RELATÓRIO E VOTO • '(~ '.• Trata o presente Recurso de devolução de Diligência, através da Resolução nO 303.612, onde, após análise detalhada do processo, conclui-se que não havia elementos suficientes para formar juízo e julgar corretamente. Do exame da Informação Fiscal(fls.276), podemos observar que, após cumprida a Diligência, foram encontrados novos índíces de nacionalização, o que pode ser observado no quadro demonstrativo abaixo: DRC IND.FIX. IND.RECALC PI IND.REALC PI SUFRAMA% FISCALIZ. DILIGENC N° DATA MODELO IND.ALC% 2292 07/04/89 TM-152Z 50,85 40 39,40 39,40 4668 30/10/89 TM-152Z 55,27 40 36,36 36,36 2291 07/04/89 TM-ll1C 62,84 60 44,15 57,88 4501 27/10/89 TM-ll1C 67,31 60 39,79 54,87 Considerando-se que a Recorrente apresentou diversas notas fiscais e que a diligência efetuada não analisou individualmente cada uma delas, assim como não foi possível identificar se os estoques ínventariados (fls.277 a 280) estão incluídos na determinação do índice de nacionalização e qual critério de correção monetária foi utilizado, voto no sentido de converter novamente o julgamento em diligência e para tanto apresento os seguintes quesitos: a) Quais as notas fiscais anexadas ao processo, que no entendimento do fisco, não servem para comprovação e quais os motivos? b) Qual a razão das notas fiscais expressas em CZ$ não terem soflido correção monetária mas tão somente conversão para NCZ$ na razão de NCZ$ 1,00 = CZ$ 1.000,00? c) Confirmar se algum dos msumos utilizados no processo de fabricação possuía estoques anteriores. d) Qual o critério de avaliação dos estoques em 31112/88 utilizado pela Empresa Recorrente? 2 "'.! MlNISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 117.104 303-682 • Concluída essa nova diligência, e considerando as alterações nos índices de nacionalização, já consignadas na Diligência anterior, seja intimada a Recorrente, para se manifestar sobre a mesma, se quiser, concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência. Sala das Sessões, em23 de setembro de 1997 LO-RELATOR 3 00000001 00000002 00000003
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725380/2009-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 9202-000.197
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para que o presente processo fique sobrestado, em atendimento à Petição STF nº 6.604/2017, nos autos do RE 566.622/RS, por se tratar da questão de imunidade de entidades filantrópicas.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 22 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 2ª SEÇÃO
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 10580.725380/2009-13
anomes_publicacao_s : 202210
conteudo_id_s : 6687278
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 9202-000.197
nome_arquivo_s : Decisao_10580725380200913.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10580725380200913_6687278.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para que o presente processo fique sobrestado, em atendimento à Petição STF nº 6.604/2017, nos autos do RE 566.622/RS, por se tratar da questão de imunidade de entidades filantrópicas. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
id : 9549502
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:43:59 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648811014651904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 502 1 501 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.725380/200913 Recurso nº Especial do Procurador Resolução nº 9202000.197 – 2ª Turma Data 22 de maio de 2018 Assunto IMUNIDADE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado REAL SOCIEDADE ESPANHOLA DE BENEFICENCIA Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para que o presente processo fique sobrestado, em atendimento à Petição STF nº 6.604/2017, nos autos do RE 566.622/RS, por se tratar da questão de imunidade de entidades filantrópicas. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório e Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora De plano, esclareçase que o presente processo, juntamente com os demais apensos, me foi distribuído por sorteio em 19/04/2018, com a recomendação de imediata inclusão em pauta, tendo em vista a decisão judicial de fls. 1.253 a 1.258, que assim determinou: "Ante o exposto, DEFIRO PARCIALMENTE o pedido liminar para determinar à autoridade coatora que proceda a inclusão dos processos 18050.000995/200844 e 10580.725380/200913 na próxima sessão do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 38 0/ 20 09 -1 3 Fl. 502DF CARF MF Original Processo nº 10580.725380/200913 Resolução nº 9202000.197 CSRFT2 Fl. 503 2 Colegiado, observandose os demais prazos processuais previstos no Regimento Interno em relação ao julgamento dos recursos pendentes." Tratase de Ato Cancelatório que determinou a suspensão da isenção de entidade beneficente por descumprimento dos requisitos legais para fruição do benefício constitucional. A ação fiscal que determinou o cancelamento da isenção também originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 10580.725380/200913 37.238.3858 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 10580.725379/200981 37.238.3840 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Voluntário 10580.725381/200950 37.238.3874 (AI23) Obrig. Acessória Recurso Voluntário 10580.725382/200902 37.238.3866 (AI68) Obrig. Acessória Recurso Voluntário No presente processo, encontrase em julgamento o Debcad 37.238.3858, referente às Contribuições Previdenciárias, parte patronal e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações de empregados e contribuintes individuais a serviço da autuada, no período de 01/2005 a 03/2007, conforme Relatório Fiscal de fls. 79 a 88. Em sessão plenária de 14/03/2017, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2201003.474 (fls. 430 a 436), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONEXÃO ENTRE PROCESSOS. COINCIDÊNCIA DE ARGUMENTOS RECURSAIS. DESNECESSIDADE DE ANÁLISE PONTUAL. INTELIGÊNCIA DO ART. 489, §1º, INCISO IV DO NOVO CPC. Havendo coincidência de argumentos recursais entre processo principal e processo apensado por conexão, e existindo decisão de mérito no processo principal que determine a conclusão do processo conexo, é despicienda a análise de todos os pontos do recurso do processo apensado quando as alegações recursais sejam incapazes de infirmar a decisão. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. REVOGAÇÃO DE ATO CANCELATÓRIO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Tendo sido reconhecido o direito à isenção das contribuições sociais previdenciárias devese reconhecer a improcedência do lançamento tributário decorrente do ato de cancelatório revogado." Fl. 503DF CARF MF Original Processo nº 10580.725380/200913 Resolução nº 9202000.197 CSRFT2 Fl. 504 3 A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário." O processo foi encaminhado à PGFN em 31/03/2017 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.195 do processo principal) e, em 02/05/2017, foi interposto o Recurso Especial de fls. 437 a 474 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.232 do processo principal), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a isenção das contribuições previdenciárias prevista no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, relativamente ao requisito cessão de mão de obra. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 09/06/2017 (fls. 475 a 487). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: a decisão recorrida colide com as disposições do art. 55, III, da Lei nº. 8.212, de 1991, e art. 2º da LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social (Lei nº. 8.472, de 1993), já que este diploma normativo não enquadra atividade de cessão remunerada de mão de obra no âmbito da assistência social; a LOAS, em verdade, deu formatação aos comandos constitucionais que tratam da assistência social e que foram igualmente aplicados fora de suas hipóteses de cabimento pelo acórdão recorrido; um rápido exame do art. 2º da LOAS (Lei nº. 8.274, de1993) revela que essa atividade realizada pela entidade não caracteriza assistência social; a leitura da LOAS não deixa dúvida no sentido de que nem serviço de saúde devidamente remunerado é assistência social, nem a cessão de mão de obra para prestação desses serviços tampouco, portanto, não há, no caso, imunidade ou qualquer outra benesse albergada pela Constituição Federal, ao contrário, a cessão onerosa de mão de obra é atividade econômica e, como qualquer outra, deve ser tributada para financiar a Seguridade Social; a saúde é tratada pela Constituição Federal em seção própria, não podendo se mesclar com a assistência social; se fosse intento do legislador conferir imunidade instituições hospitalares ou de saúde o teria o feito; a verdade é que o fez apenas para as entidades de assistência social, que, notadamente, não se confundem com as de saúde e muito menos com prestadoras de serviços de cessão de mão de obra; não bastasse isso, temse ainda que a atividade prestada pela entidade autuada de forma remunerada nem mesmo saúde é, mas sim a cessão de mão de obra para Prefeitura Municipal; caso se entendesse que a atividade de cessão de mão de obra está englobada no espectro do art. 195, § 7º da CF – o que, como visto, não está , exsurge que a entidade teria Fl. 504DF CARF MF Original Processo nº 10580.725380/200913 Resolução nº 9202000.197 CSRFT2 Fl. 505 4 que comprovar a observância dos requisitos do art. 55, da Lei nº. 8.212, de 1991, para fazer jus à imunidade, especialmente quanto ao inciso III do citado dispositivo; na ADI nº. 20805, o STF suspendeu a eficácia da Lei nº. 9.732, de 1998, inclusive da parte que alterou o inciso III, do art. 55 da Lei nº. 8.212, de 1991, porém, na petição inicial da ADI houve um defeito substancial e não foi questionada a redação originária do inciso III; com efeito, os argumentos da ADI eram de inconstitucionalidade de índole formal e material, sendo que a liminar deferida rejeitou a alegação formal, enfatizando que as duas teses eram relevantes e que de nada adiantaria acolher esse argumento, afinal não fora impugnada a redação originária do art. 55 da Lei nº. 8.212, de 1991, e por fim considerou a tese material relevante e deferiu a medida tãosomente para suspender a Lei nº. 9.732, de 1998. Leiase a fundamentação do Ministro Moreira Alves: “Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei", sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarseia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "periculum in mora". Referendou se o despacho que concedeu a liminar para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta”.( destaques da Recorrente) de acordo com a dicção originária do art. 55, III da Lei nº. 8.212, de 1991, exsurge que não era obrigatória a gratuidade e a exclusividade integrais, como passou a ser exigido a partir da Lei nº. 9.732, de 1998; assim, a entidade descumpriu o requisito da legislação pelo fato de a sua atividade ter passado a ser de forma habitual, contínua e reiterada a cessão onerosa de mão de obra; nos termos do Parecer da Consultoria Jurídica do MPAS de nº 3.272, de 2004, somente poderão realizar cessão de mão de obra, sem que ocorra a suspensão (outrora cancelamento) da “isenção previdenciária”, as entidades que atendam dois critérios: caráter acidental da cessão onerosa de mão de obra em face das atividades desenvolvidas pela entidade beneficente; e mínima representatividade quantitativa de empregados cedidos em relação ao número de empregados da entidade beneficente; o parecer é claro acertado: a realização de cessão de mão de obra pelas entidades assistenciais tem que ser eventual, não prejudicial, temporária, subsidiária, acidental; nada disso ocorreu no caso em tela, como já evidenciado pelo relato da fiscalização em diversas passagens transcritas neste recurso e, destaquese, em nenhum momento contestado pela Contribuinte ou mesmo pelo acórdão ora atacado; Fl. 505DF CARF MF Original Processo nº 10580.725380/200913 Resolução nº 9202000.197 CSRFT2 Fl. 506 5 examinadas as atividades efetivamente exercidas pela entidade autuada, a autoridade lançadora demonstra que durante todo o período fiscalizado a entidade cedeu habitualmente mão de obra para entidade municipal sem atender aos critérios de caráter acidental da cessão onerosa de mão de obra pela entidade beneficente e de mínima representatividade quantitativa de empregados; a norma do inciso III, do art. 55 da Lei nº. 8.212, de 1991, não autoriza que a beneficiária pratique atividades assistenciais de modo subsidiário e, ao revés, se dedique, de forma habitual e contínua, em percentuais relevantes, à prestação de serviços mediante cessão de mão de obra; o fato é que, diante de todo o contexto descrito pelo Fisco, é cediço que ocorreu desvio de finalidade institucional da entidade, motivo que leva à suspensão da imunidade/isenção. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, mantendose o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente. Assim, compulsandose os autos, constatase que a matéria diz respeito à imunidade de Contribuições Previdenciárias de entidades filantrópicas (artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991), sobre a qual existe decisão do STF determinando o seu sobrestamento (Petição STF nº 6.604/2017, nos autos do RE 566.622/RS). Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à Dipro/Cojul, para que o presente processo fique sobrestado até decisão do STF. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 506DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10715.729531/2013-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 15/12/2008, 26/12/2008
INACESSIBILIDADE AO SISTEMA MANTRA. PROVA
Não foram apresentadas provas de que a recorrente, qualificada nos autos como agente desconsolidadora de cargas tentou, porém não conseguiu inserir as informações no MANTRA, em razão de problemas relacionados à funcionalidade do sistema. Ademais, há que se registrar que a infração anotada foi a de atraso e não falta de prestação de informações, o que contradiz a alegação de defesa.
MULTA. ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA AÉREA. RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO. TRANSPORTADOR. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA (ART. 106, II, CTN). APLICABILIDADE.
A responsabilidade pela informação de desconsolidação de carga no Mantra é do transportador, enquanto não for implementada função específica para o desconsolidador. É o que dispõe atualmente a norma contida no § 2° do art. 8° da Instrução Normativa SRF Nº 102, de 20 de dezembro de 1994. Apesar de incluída apenas em 07 de julho de 2014 pela Instrução Normativa RFB nº 1479, tal disposição aplica-se a fatos pretéritos não definitivamente julgados, como é caso destes autos, ao passo que retira do desconsolidador a obrigação de prestar informações até que haja função no sistema própria para tanto, de modo que o atraso na prestação dessas informações deixa de ser um ato contrário uma exigência de ação por parte desse interveniente, restando afastada sua responsabilidade em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, II, b, do Código Tributário Nacional).
Numero da decisão: 3001-002.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques dOliveira, que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João José Schini Norbiato.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques dOliveira Relator
(documento assinado digitalmente)
João José Schini Norbiato - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques dOliveira e João José Schini Norbiato.
Nome do relator: Marcelo Costa Marques d'Oliveira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 22 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202209
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/12/2008, 26/12/2008 INACESSIBILIDADE AO SISTEMA MANTRA. PROVA Não foram apresentadas provas de que a recorrente, qualificada nos autos como agente desconsolidadora de cargas tentou, porém não conseguiu inserir as informações no MANTRA, em razão de problemas relacionados à funcionalidade do sistema. Ademais, há que se registrar que a infração anotada foi a de atraso e não falta de prestação de informações, o que contradiz a alegação de defesa. MULTA. ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA AÉREA. RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO. TRANSPORTADOR. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA (ART. 106, II, CTN). APLICABILIDADE. A responsabilidade pela informação de desconsolidação de carga no Mantra é do transportador, enquanto não for implementada função específica para o desconsolidador. É o que dispõe atualmente a norma contida no § 2° do art. 8° da Instrução Normativa SRF Nº 102, de 20 de dezembro de 1994. Apesar de incluída apenas em 07 de julho de 2014 pela Instrução Normativa RFB nº 1479, tal disposição aplica-se a fatos pretéritos não definitivamente julgados, como é caso destes autos, ao passo que retira do desconsolidador a obrigação de prestar informações até que haja função no sistema própria para tanto, de modo que o atraso na prestação dessas informações deixa de ser um ato contrário uma exigência de ação por parte desse interveniente, restando afastada sua responsabilidade em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, II, b, do Código Tributário Nacional).
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 10715.729531/2013-16
anomes_publicacao_s : 202210
conteudo_id_s : 6685487
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3001-002.159
nome_arquivo_s : Decisao_10715729531201316.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Marcelo Costa Marques d'Oliveira
nome_arquivo_pdf_s : 10715729531201316_6685487.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques dOliveira, que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João José Schini Norbiato. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques dOliveira Relator (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques dOliveira e João José Schini Norbiato.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2022
id : 9545057
ano_sessao_s : 2022
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:43:55 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648811016749056
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-10-14T13:13:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-10-14T13:13:49Z; Last-Modified: 2022-10-14T13:13:49Z; dcterms:modified: 2022-10-14T13:13:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-10-14T13:13:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-10-14T13:13:49Z; meta:save-date: 2022-10-14T13:13:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-10-14T13:13:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-10-14T13:13:49Z; created: 2022-10-14T13:13:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2022-10-14T13:13:49Z; pdf:charsPerPage: 2384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-10-14T13:13:49Z | Conteúdo => S3-TE01 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10715.729531/2013-16 Recurso Voluntário Acórdão nº 3001-002.159 – 3ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 21 de setembro de 2022 Recorrente DUTCH LOGISTICS - TRANSPORTES NACIONAIS E INTERNACIONAIS E COMISSARIA DE DESPACHOS LTDA - EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/12/2008, 26/12/2008 INACESSIBILIDADE AO SISTEMA MANTRA. PROVA Não foram apresentadas provas de que a recorrente, qualificada nos autos como agente desconsolidadora de cargas tentou, porém não conseguiu inserir as informações no MANTRA, em razão de problemas relacionados à funcionalidade do sistema. Ademais, há que se registrar que a infração anotada foi a de atraso e não falta de prestação de informações, o que contradiz a alegação de defesa. MULTA. ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA AÉREA. RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO. TRANSPORTADOR. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA (ART. 106, II, CTN). APLICABILIDADE. A responsabilidade pela informação de desconsolidação de carga no Mantra é do transportador, enquanto não for implementada função específica para o desconsolidador. É o que dispõe atualmente a norma contida no § 2° do art. 8° da Instrução Normativa SRF Nº 102, de 20 de dezembro de 1994. Apesar de incluída apenas em 07 de julho de 2014 pela Instrução Normativa RFB nº 1479, tal disposição aplica-se a fatos pretéritos não definitivamente julgados, como é caso destes autos, ao passo que retira do desconsolidador a obrigação de prestar informações até que haja função no sistema própria para tanto, de modo que o atraso na prestação dessas informações deixa de ser um ato contrário uma exigência de ação por parte desse interveniente, restando afastada sua responsabilidade em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, II, b, do Código Tributário Nacional). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira, que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João José Schini Norbiato. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 95 31 /2 01 3- 16 Fl. 90DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.159 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10715.729531/2013-16 Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira – Relator (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques d’Oliveira e João José Schini Norbiato. Relatório Transcrevo trecho do auto de infração: “001 - NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR Empresa agente de carga, deixou de prestar informação sobre operações que executou, na forma e prazo estabelecidos pela RFB. A carga objeto do(s) conhecimento(s) de transporte de carga descritos abaixo com suas respectivas datas de chegada, voos, Termos de Entrada e quantidades de volumes, foram transportadas por empresa transportadora nacional habilitada, autorizada, no Siscomex Trânsito, pelo importador ou pelo consignatário indicado no conhecimento, conforme previsão no art. 8, I, d da IN SRF nº 248/2002 para este aeroporto internacional do Galeão através das respectivas DTA-E. C. e foram informados no Sistema Siscomex-Mantra após 02 horas do registro da chegada do respectivo veículo transportador neste aeroporto internacional do Galeão, gerando a indisponibilidade 24-CARGA INCLUÍDA APÓS CHEGADA DO VEÍCULO, conforme telas do Siscomex-Mantra disponibilizadas ao autuado como anexos a este auto de infração. Em 12/12/2008 às 12:20 hs chegou neste aeroporto internacional do Galeão, em trânsito aduaneiro DTA EC Nº 805936009 carga contendo 07 (sete) volumes correspondente ao MAWB 52911504942 , cujo consignatário consta como a empresa DIJFO LOGISTICS - TRANSPORTES NAC E INT E COMISSARIA DE DESPACHOS LTDA. A carga foi objeto de Termo de entrada nº 08011297-8 . A empresa autuada, como agente consignatário da carga e responsável pelo documento HAWB 52911504942 67013855, não obstante a chegada do veículo transportador neste recinto ter sido registrada conforme acima descrito, somente forneceu a informação da carga em 15/12/2008 às 09:33 hs, portanto, além das duas horas do registro da chegada do veículo transportador neste recinto alfandegado, determinadas no art. 8 da IN SRF n° 102/94. Em 24/12/2008 às 08:40 hs chegou neste aeroporto internacional do Galeão, em transito aduaneiro DTA EC Nº 806162716 carga contendo 07 (sete) volumes correspondente ao MAWB 52911503634 , cujo consignatário consta como a empresa DIJFO LOGISTICS – TRANSPORTES NAC E INT E COMISSARIA DE DESPACHOS LTDA. A carga foi objeto de Termo de entrada nº 08011717-1. A empresa autuada, como agente consignatário da carga e responsável pelo documento HAWB 5291150363467013995, não obstante a chegada do veículo transportador neste recinto ter sido registrada conforme acima descrito, somente forneceu a Fl. 91DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.159 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10715.729531/2013-16 informação da carga em 26/12/2008 às 08:48 hs, portanto, além das duas horas do registro da chegada do veículo transportador neste recinto alfandegado, determinadas no art. 8 da IN SRF n° 102/94. O art. 8 da IN SRF n° 102/94 preceitua que as informações sobre carga consolidada procedente do exterior ou de trânsito aduaneiro serão prestadas pelo desconsolidador de carga até duas horas após o registro de chegada do veículo transportador e que, a partir da chegada efetiva de veículo transportador, os conhecimentos agregados (filhotes) informados no Sistema serão tratados como desmembrados do conhecimento genérico (máster) e a carga correspondente tratada como desconsolidada. O caput do art. 4° da IN SRF n° 102/94 determina que a carga procedente do exterior será informada, no MANTRA, pelo transportador ou desconsolidador de carga, previamente à chegada do veículo transportador, mediante registro: I - da identificação de cada carga e do veículo; II - do tratamento imediato a ser dado à carga no aeroporto de chegada; III - da localização da carga, quando for o caso, no aeroporto de com chegada; IV - do recinto alfandegado, no caso de armazenamento de carga; e. V - da indicação, quando for o caso, de que se trata de embarque total, parcial ou final. O § 3º do art. 4 da IN SRF 102/94 impõe que as informações sobre carga poderão ser complementadas através de terminal de computador ligado ao Sistema: I - até o registro de chegada do veículo transportador, nos casos em que tenham sido prestadas mediante transferência direta de arquivos de dados; e. II - até duas horas após o registro de chegada do veículo, nos casos em que tenham sido prestadas através de terminal de computador. Constata-se que houve descumprimento de norma administrativa por parte do Agente desconsolidador da carga, pois as informações relativas aos 'houses' já citados acima, foram inseridas no sistema Siscomex-Mantra, além das duas horas da chegada do veículo transportador, portanto, além do limite de 02 h. previsto no item II do § 3° da IN SRF n° 102/94, o que gerou a indisponibilidade 24-CARGA INCLUÍDA APÓS CHEGADA DO VEÍCULO, conforme extratos do Siscomex-Mantra Importação (documentos em anexo a este auto de infração) Desta forma, lavra-se o presente Auto de Infração exigindo a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-Lei nº 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, regulamentado pelo art. 728, inciso IV, alínea "e" do Decreto nº 6.759/09. Fato Gerador Valor 15/12/2008 R$ 5.000,00 26/12/2008 R$ 5.000,00” O contribuinte impugnou o auto de infração e pediu o cancelamento da multa, alegando ilegitimidade passiva, incidência do instituto da denúncia espontânea e falta de acesso ao Sistema Mantra, para inserção, exclusão ou modificação de informações. A DRJ julgou a impugnação improcedente e o Acórdão foi assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 Fl. 92DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.159 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10715.729531/2013-16 MULTA ADUANEIRA. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. Infração capitulada no Decreto-Lei nº 37/1966, artigo 107, IV, “e”. O autuado deixou de prestar informação sobre carga no prazo estipulado pelo artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 102/1994. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Importante registrar que um dos membros do colegiado da DRJ registrou declaração de voto, acatando o argumento da falta de acesso ao Mantra, com fundamento na Notícia Siscomex nº 47/08, que prorrogou o prazo para prestação de informação de duas para três horas, “(. . .) até que seja viabilizada funcionalidade no siscomex mantra que possibilite a informação dos HAWB exclusivamente pelos agentes desconsolidadores de carga.” O contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa a alegação de falta de acesso ao Mantra. Cita a IN RFB nº 1.47914 e a declaração de voto do julgador de primeira instância, mencionada no parágrafo anterior. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Relator. O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente não se insurge contra a constatação fiscal de que o prazo legal para prestação de informação sobre a carga foi descumprido, mas pede o cancelamento do auto de infração, sob a alegação de que não tinha acesso ao Sistema Mantra: “(. . .) Ocorre que, mesmo com a redação emprestada à IN-RFB nº 1.479/14, que em seu artigo 8º atribui ao desconsolidador a obrigação quanto a prestação de informes sobre a chegada do veículo transportador, nos parece não haver controvérsia de que especialmente ao tempo dos fatos (mês de dezembro de 2018) na forma do quanto argumentado em sede de impugnação e bem apreendido no bojo do d. voto divergente, a competente ferramenta de informação, atual SISCOMEX MANTRA não ofertava à recorrente a funcionalidade cujo uso inadequado lhe é imputado. 7. Ainda neste sentido, igualmente tendo por base de referência argumentativa o cenário prático do tempo da autuação, não haveria que se argumentar na atribuição a esta recorrente de demonstrar a responsabilidade de terceiro, tal como o transportador, justamente pelas peculiaridades de acesso ao sistema, que impedia a inserção de dados da natureza então exigida. (. . .)” E reproduziu o seguinte trecho da declaração de voto de julgador da DRJ: “(. . .) Com efeito, se à época dos fatos não havia funcionalidade no sistema MANTRA para que o agente de carga prestasse informação de forma exclusiva (uso e tempo), incorreta sua eleição para figurar no polo passivo deste auto de infração sem que a fiscalização tenha demonstrado que o ilícito decorreu da sua omissão, e não de terceiros (transportador / beneficiário), o que não se verifica nos autos. Fl. 93DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.159 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10715.729531/2013-16 (. . .)” Não assiste razão à recorrente. Inicio, destacando o erro cometido pela recorrente no registro do ano em que foram cometidas as infrações. No item 6 do recurso voluntário, informa que teriam se dado em dezembro de 2018, quando o correto é dezembro de 2008 (auto de infração, fl. 06). Prossigo. De acordo com o dispositivo legal em que as duas multas de R$ 5.000,00 (total de R$ 10.000,00) foram capituladas, constitui infração “(. . .) deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, (. . .) ou ao agente de carga (alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DL nº 37/66). O inciso II do art. 2º da IN SRF nº 102/94 dispõe que são usuários do Sistema Mantra os “(. . .) transportadores, desconsolidadores de carga, depositários, administradores de aeroportos e empresas operadoras de remessas expressas, através de seus representantes legais credenciados pela Secretaria da Receita Federal – SRF.” Não obstante, cumpre mencionar que a IN RFB nº 1.479/14, em vigor desde 08/07/14, inseriu § 2º no art. 8º da IN SRF nº 102/94: § 2° Enquanto não for implementada função específica para o desconsolidador, a responsabilidade pela informação de desconsolidação de carga no Mantra é do transportador. E o prazo para inserção de informações no Mantra era, a princípio, o do caput do art. 8º da IN SRF nº 102/94 “(. . .) duas horas após o registro da chegada do veículo transportador”. Entretanto, a partir de 01/12/08, a Notícia Siscomex nº 47/08 prorrogou-o para três horas após a chegada do veículo, até que “(. . .) até que seja viabilizada funcionalidade no siscomex mantra que possibilite a informação dos HAWB exclusivamente pelos agentes desconsolidadores de carga.” Consignadas as regras então vigentes, adentro na defesa. O argumento de que estava impossibilitada de incluir as informações no mantra, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, deve ser afastado, pois a recorrente não apresenta provas de que tentou, porém não conseguiu ter acesso ao Mantra (ex: cópia da telas geradas pelo Sistema, com registro da impossibilidade de acesso, ou petição tempestivamente encaminhada às autoridades aduaneiras, informando sobre a inexequibilidade do prazo legal, por falta da devida funcionalidade no Sistema). E não a socorre o acima transcrito § 2º do no art. 8º da IN SRF nº 102/94, inserido pela IN RFB nº 1.479/14, posto que este diploma legal não vigia nas datas das infrações (15 e 26/12/08) e não há ato normativo que dê conta de que já havia tal impossibilidade de acesso ao Mantra. Ademais, imprescindível consignar que a infração anotada é a de ATRASO na prestação de informação e não de FALTA de prestação de informação. Assim sendo, cai por terra, em definitivo, a alegação de que não conseguiu acesso ao Mantra. Portanto, a legislação aplicável dispunha que a recorrente, na qualidade de agente de carga, era a responsável pela prestação de informação sobre a carga, na forma e prazo legais. Fl. 94DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.159 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10715.729531/2013-16 Como restou incontroverso que o prazo legal foi descumprido, correta a aplicação da multa da alínea “e” do cinso IV do art. 107 do DL nº 37/66. Para robustecer meu posicionamento, transcrevo trechos do voto condutor da decisão de primeira instância, que enfrentou este argumento de defesa: “(. . .) A Instrução Normativa RFB nº 1.479/2014 veiculou nova redação ao artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 102/1994: “Art. 8° As informações sobre desconsolidação de carga procedente do exterior ou de trânsito aduaneiro serão prestadas pelo desconsolidador de carga até três horas após o registro de chegada do veículo transportador. § 1° A partir da chegada efetiva de veículo transportador, os conhecimentos agregados (filhotes) informados no Sistema serão tratados como desmembrados do conhecimento genérico (master) e a carga correspondente tratada como desconsolidada. § 2° Enquanto não for implementada função específica para o desconsolidador, a responsabilidade pela informação de desconsolidação de carga no Mantra é do transportador.” A fiscalização explicitamente aponta que, no caso concreto, a informação foi prestada pela interessada, na condição de desconsolidador. Portanto, falta prova para amparar a suposição de que, na operação do sistema, inexistia possibilidade de acesso do desconsolidador ao MANTRA. (. . .) A documentação apresentada pela interessada não comprova que os fatos constatados pela autoridade fiscal são inverídicos, ficando, dessa forma, mantido o crédito tributário lançado de acordo com o discriminado no presente Auto de Infração. (. . .) DO ACESSO AO SISTEMA MANTRA Os agentes de carga foram habilitados no Sistema Mantra, caso contrário, não teriam nenhuma forma de acesso, os quais possibilitassem desconsolidarem as cargas sob sua responsabilidade, conforme reproduzido a seguir: Os Houses, a cargo do agente de carga, somente podem ser informados após o registro do Máster pelo transportador no sistema Mantra. Dessa forma, não cabe a alegação de que o acesso é monousuário, pois após o registro do AWB, pode o agente de carga proceder à desconsolidação das cargas, ou seja, não há bloqueio que o impeça de informar os dados no Sistema. O registro dos dados das cargas deve ser efetuado antes da chegada da aeronave podendo o agente de carga prestar a informação dos houses até este evento, ou seja, não há restrição do Sistema Mantra quanto ao acesso. O Sistema apenas passa ao modo monousuário após o registro do termo de entrada da aeronave. Antes disso, o transportador ao informar os dados do Máster inclui o CNPJ do agente de carga de modo a possibilitar a este a desconsolidação das cargas por meio da inclusão dos dados dos houses. A verificação do CNPJ pelo Mantra apenas é possível até a desconsolidação do Máster, após o referido procedimento, apenas o administrador do Sistema pode fazê- lo. As operações de descarga e armazenagem de carga não constituem vedação à inclusão das informações de carga no Sistema Mantra. Fl. 95DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-002.159 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10715.729531/2013-16 (. . .)” Voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira Voto Vencedor Conselheiro João José Schini Norbiato, Redator designado. A nobre presidência desta turma incumbiu-me de formalizar voto que reflita o entendimento majoritário em relação à controvérsia posta nestes autos, entendimento tal que acabou por destoar da posição adotada pelo ilustre Conselheiro Relator em seu voto. Posto isso, sem mais delongas, passo a registrar os pontos de convergência e, principalmente, de divergência em relação à decisão tomada pelo nobre Relator. Pois bem. A princípio, parece-me incontroverso, a julgar pelo que consta dos autos, que houve a prestação intempestiva de informações de cargas chegadas ao país em trânsito aduaneiro por meio de transporte aéreo. Conforme consta no relatório deste acórdão, as cargas chegaram nos dias 12/12/2008 e 24/12/2008 e a informação acerca delas só veio a ser prestada no sistema MANTRA nos dias 15/12/2008 e 24/12/2008, respectivamente. Portanto, muito despois de ultrapassado o prazo previsto na norma de regência (duas horas do registro da chegada do veículo transportador no recinto alfandegado, nos termos do art. 8º da IN SRF n° 102/94, conforme redação vigente ao tempo dos fatos). Como bem salientado pelo ilustre Relator, a Recorrente nem mesmo se insurgiu contra tal constatação da fiscalização, o que reforça o entendimento de que não há controvérsia quantos aos fatos narrados no auto de infração. A recorrente concentrou, então, seus esforços argumentativos na tese de que, quando da chegada das cargas, estaria impossibilitada de acessar o sistema MANTRA. Todavia, como bem salientado pelo nobre Relator, não há nada nos autos a indicar tal impossibilidade. A Recorrente não apresentou qualquer prova que corroborasse tal argumento. Aliás, como argutamente salientado pelo Relator, a infração ocorreu devido ao atraso na prestação de informação e não pela sua ausência, o que denota que a Recorrente teve, sim, acesso ao sistema. Também não ignoro que à época das ocorrências havia norma a impor responsabilidade à Recorrente pela prestação das informações a que se refere o auto de infração, bem como para embasar a aplicação de penalidade pelo descumprimento dessa obrigação. As disposições dos arts. 37 e 107 do Decreto-Lei nº 37/1966 são claras quanto a isso. Eis o disposto nesses artigos: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1 o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou Fl. 96DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-002.159 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10715.729531/2013-16 desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga. (grifo nosso) Não se pode olvidar, no entanto, que de acordo com a alínea ‘e’ do inciso IV do art. 107 transcrito acima, restou reservada à Receita Federal do Brasil a função de estabelecer a forma e os prazos para a prestação de informações. Nesse sentido, a norma contida nesta disposição legal equivale ao que em direito penal se chamaria de uma norma penal em branco. Em se tratando de carga aérea procedente do exterior e de carga em trânsito pelo território aduaneiro, o estabelecimento de regras quanto à forma e prazos para prestação de informações foi feito pela RFB por meio da INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 102, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1994. Trata-se de um normativo que disciplinava o assunto à época dos fatos e que ainda hoje serve a essa função. Para fins do deslinde do litígio que ora se analisa, da referida IN cumpre destacar o que dispõe o seu art. 8º, tanto em sua redação original, que vigia quando houve o descumprimento de prazo, quanto em sua redação atual, decorrência da alteração promovida pela Instrução Normativa RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014, in verbis: Art. 8º As informações sobre carga consolidada procedente do exterior ou de trânsito aduaneiro serão prestadas pelo desconsolidador de carga até duas horas após o registro de chegada do veículo transportador. Art. 8° As informações sobre desconsolidação de carga procedente do exterior ou de trânsito aduaneiro serão prestadas pelo desconsolidador de carga até três horas após o registro de chegada do veículo transportador.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014) Parágrafo único. A partir da chegada efetiva de veículo transportador, os conhecimentos agregados (filhotes) informados no Sistema serão tratados como desmembrados do conhecimento genêrico (master) e a carga correspondente tratada como desconsolidada. § 1° A partir da chegada efetiva de veículo transportador, os conhecimentos agregados (filhotes) informados no Sistema serão tratados como desmembrados do conhecimento genérico (master) e a carga correspondente tratada como desconsolidada.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014) § 2° Enquanto não for implementada função específica para o desconsolidador, a responsabilidade pela informação de desconsolidação de carga no Mantra é do transportador.(Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014) (grifo nosso) Fl. 97DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-002.159 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10715.729531/2013-16 Das mudanças trazidas pela IN RFB nº 1479/2014, merecem destaque o aumento do prazo para prestações de informações sobre a desconsolidação de cargas, que passou de duas para três horas após a chegado do veículo (caput), e, principalmente, a atribuição de responsabilidade exclusiva ao transportador pela informação de desconsolidação de carga no Mantra, até que seja implementada função específica no sistema para o desconsolidador (§ 2°). E é justamente nesse aspecto que recai o ponto fulcral de minha discordância em relação ao, sem dúvidas, muito bem embasado voto vencido. Conforme se extrai das razões de decidir do nobre Relator, este não ignora tal alteração, mas entende que ela não socorre a Recorrente no caso concreto, pois se trata de regra superveniente e, assim, não se aplicaria a fatos pretéritos. Nesse sentido, é preciso enfatizar que os fatos remontam a 2008 e a alteração da IN só veio a ocorrer em 2014. Trate-se, portanto, de argumento deveras coerente, pois repousa na regra geral quanto à vigência das normas. Todavia, com a devida vênia, divirjo da interpretação do ilustre Relator. Entendo que o tipo de norma veiculada pelo § 2° do art. 8° da IN SRF nº 102/1994 é, sim, passível de aplicação retroativa e, por conseguinte, capaz de beneficiar a Recorrente no caso concreto. Ao meu ver, ao determinar que “enquanto não for implementada função específica para o desconsolidador, a responsabilidade pela informação de desconsolidação de carga no Mantra é do transportador”, o que o § 2° do art. 8° da IN SRF nº 102/1994 fez, na prática, foi deixar de tratar o atraso na prestação de informações pelo desconsolidador como um ato contrário a uma exigência de ação. Na esteira desse entendimento, tratando-se a infração imputada à Recorrente de um ato não definitivamente julgado, a referida modificação normativa é aplicável ao caso concreto, pois enquadra-se na hipótese prevista no art. 106, II, ‘b’, do Código Tributário Nacional, que, como se sabe, é uma expressão do princípio da retroatividade benigna da lei tributária. Vejamos o que dispõe esse artigo: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifo nosso) Portanto, muito embora a Recorrente tenha prestado informações fora do prazo, com o advento do § 2° do art. 8° da IN SRF nº 102/1994, tal ato deixou de ser tratado como contrário a uma exigência de ação, já que a responsabilidade pela informação de desconsolidação de carga no Mantra é uma incumbência do transportador, enquanto não for implementada função específica para o desconsolidador. Dadas essas razões, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para afastar a exigência da multa objeto do auto de infração. Fl. 98DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3001-002.159 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10715.729531/2013-16 (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato Fl. 99DF CARF MF Original
score : 1.0
