Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16561.000059/2009-29
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA.
A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondo-se a glosa da despesa e a recomposição da apuração dos tributos devidos.
ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA.
Carece de consistência econômica ou contábil o ágio surgido no bojo de entidades sob o mesmo controle, o que obsta que se admitam suas consequências tributárias.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA.
A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondo-se a glosa da despesa e a recomposição da apuração dos tributos devidos.
ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA.
Carece de consistência econômica ou contábil o ágio surgido no bojo de entidades sob o mesmo controle, o que obsta que se admitam suas consequências tributárias.
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EFEITOS NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. VEDAÇÃO.
Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decreto-lei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
ATO SOCIETÁRIO SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. ÁGIO DESPROVIDO DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. PROCEDÊNCIA DA MULTA QUALIFICADA.
Se os fatos retratados nos autos deixam fora de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de ato societário desprovido de propósito negocial, gerar ágio artificial, despido de substância econômica e, com isso, reduzir a base de incidência de tributos, deve-se resguardar a qualificação da multa aplicada pela Fiscalização.
Numero da decisão: 9101-003.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, na parte conhecida, (i) quanto ao ágio interno, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que lhe deram provimento e (ii) quanto à CSLL, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Fabiano Alves Penteado e Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões, quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, o conselheiro Caio César Nader Quintella (suplente convocado). Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Caio César Nader Quintella (suplente convocado). No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Caio César Nader Quintella (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondo-se a glosa da despesa e a recomposição da apuração dos tributos devidos. ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA. Carece de consistência econômica ou contábil o ágio surgido no bojo de entidades sob o mesmo controle, o que obsta que se admitam suas consequências tributárias. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondo-se a glosa da despesa e a recomposição da apuração dos tributos devidos. ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA. Carece de consistência econômica ou contábil o ágio surgido no bojo de entidades sob o mesmo controle, o que obsta que se admitam suas consequências tributárias. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EFEITOS NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. VEDAÇÃO. Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decreto-lei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 ATO SOCIETÁRIO SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. ÁGIO DESPROVIDO DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. PROCEDÊNCIA DA MULTA QUALIFICADA. Se os fatos retratados nos autos deixam fora de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de ato societário desprovido de propósito negocial, gerar ágio artificial, despido de substância econômica e, com isso, reduzir a base de incidência de tributos, deve-se resguardar a qualificação da multa aplicada pela Fiscalização.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16561.000059/2009-29
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5944466
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9101-003.885
nome_arquivo_s : Decisao_16561000059200929.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FLAVIO FRANCO CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 16561000059200929_5944466.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, na parte conhecida, (i) quanto ao ágio interno, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que lhe deram provimento e (ii) quanto à CSLL, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Fabiano Alves Penteado e Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões, quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, o conselheiro Caio César Nader Quintella (suplente convocado). Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Caio César Nader Quintella (suplente convocado). No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Caio César Nader Quintella (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Re^go - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7560278
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148887261184
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-12-11T17:18:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-12-11T17:18:33Z; Last-Modified: 2018-12-11T17:18:33Z; dcterms:modified: 2018-12-11T17:18:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:fd957970-4a97-4717-b734-962f23e118ed; Last-Save-Date: 2018-12-11T17:18:33Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-12-11T17:18:33Z; meta:save-date: 2018-12-11T17:18:33Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-12-11T17:18:33Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-12-11T17:18:33Z; created: 2018-12-11T17:18:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; Creation-Date: 2018-12-11T17:18:33Z; pdf:charsPerPage: 1847; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-12-11T17:18:33Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 3.693 1 3.692 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16561.000059/200929 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9101003.885 – 1ª Turma Sessão de 7 de novembro de 2018 Matéria ÁGIO INTERNO Recorrentes NATURA COSMÉTICOS S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondose a glosa da despesa e a recomposição da apuração dos tributos devidos. ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA. Carece de consistência econômica ou contábil o ágio surgido no bojo de entidades sob o mesmo controle, o que obsta que se admitam suas consequências tributárias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondose a glosa da despesa e a recomposição da apuração dos tributos devidos. ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 59 /2 00 9- 29 Fl. 3693DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.694 2 Carece de consistência econômica ou contábil o ágio surgido no bojo de entidades sob o mesmo controle, o que obsta que se admitam suas consequências tributárias. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EFEITOS NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. VEDAÇÃO. Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 ATO SOCIETÁRIO SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. ÁGIO DESPROVIDO DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. PROCEDÊNCIA DA MULTA QUALIFICADA. Se os fatos retratados nos autos deixam fora de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de ato societário desprovido de propósito negocial, gerar ágio artificial, despido de substância econômica e, com isso, reduzir a base de incidência de tributos, devese resguardar a qualificação da multa aplicada pela Fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, na parte conhecida, (i) quanto ao ágio interno, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que lhe deram provimento e (ii) quanto à CSLL, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Fabiano Alves Penteado e Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões, quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, o conselheiro Caio César Nader Quintella (suplente convocado). Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Caio César Nader Quintella (suplente convocado). No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Caio César Nader Quintella (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. Fl. 3694DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.695 3 (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência em face do acórdão nº 1402 001.278, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização.Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. ÁGIO INTERNO.MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Descabe a imputação da multa qualificada quando não demonstrada cabalmente a ocorrência da fraude. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96.” No tocante à dedutibilidade do ágio, eis o teor do voto condutor do acórdão recorrido: “No mérito, a interessada apresentou extensa peça de defesa contestando o posicionamento da Fiscalização nos mínimos detalhes. Farseá neste julgamento uma análise tendo como base os argumentos principais das questões levantadas. A primeira delas referese à necessidade do pagamento para caracterização da aquisição da participação societária que gerou o ágio. Nesse ponto, a recorrente exemplifica vários negócios jurídicos que, sustenta, representariam aquisição sem que houvesse a figura do pagamento. Fl. 3695DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.696 4 Penso que o cerne da questão não é o meio de pagamento utilizado, mas sim a ocorrência de dispêndio para obter algo de terceiros, que não pertença ao adquirente, de forma a definir a aquisição. Os exemplos apontados no recurso também podem ser caracterizados como aquisição, mas no contexto de uma empresa que obtém lucros e os apropria de forma a beneficiar os sócios. Não se trata, como ocorre no presente caso, do estabelecimento do valor patrimonial do investimento pelos próprios sócios. É inquestionável que o termo aquisição pode ter uma extensa gama de significados. Existem várias formas através das quais um bem ou direito muda de propriedade, com utilização de diferentes mecanismos voltados ao cumprimento das condições necessárias ao aperfeiçoamento do negócio jurídico. Entretanto, nessas situações sempre ocorre a presença do terceiro como contraparte, circunstância essa inexistente no caso sob exame. As empresas Natura Empreendimentos S/A e Natura Participações S/A pertenciam ao mesmo grupo econômico e eram controladas pelas mesmas pessoas. Como aceitar que uma operação societária entre elas possa gerar os mesmos efeitos que aquela efetuada entre terceiros não relacionados? No que se refere ao propósito negocial e aos fundamentos econômicos da operação, devese salientar que não foram contestados em relação às razões finalísticas apresentadas para a formalização do negócio, mas sim nos aspectos intermediários que implicaram na criação do ágio interno concretizado exclusivamente pela presença, como sujeitos, de sociedades sob controle comum, direto ou indireto. Em outras palavras, o que se rejeita é a utilização de um artifício contábil que propicia a constituição de um suposto ágio, posteriormente amortizado com efeitos no resultado tributável da pessoa jurídica. A avaliação “feita por empresa especializada”, nos termos argüidos pela recorrente, é hábil para atestar a rentabilidade que a participação societária poderia apresentar no futuro mas não se presta a qualificar a diferença entre essa avaliação e o valor patrimonial como ágio. Ou seja, o laudo elaborado exclusivamente no interesse de empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico pode embasar a reavaliação da participação societária mas não a formação do ágio. Quanto à alegação de que seriam inaplicáveis ao caso a regra geral de dedutibilidade das despesas, a interessada reitera os argumentos e reclama que a decisão recorrida não os enfrentou. Penso diferente. O acórdão hostilizado não apenas enfrentou o tema como o fez com precisão. Reiterando os argumentos lá expostos, não se questiona a aplicabilidade do art. 386, inc. III, do RIR/99 — art. 7°, inc. III, da Lei 9.532, de 1997 como regra específica de regulamentação da dedutibilidade do ágio.nas situações em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada, situação em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Fl. 3696DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.697 5 Ocorre que, de acordo com a análise dos autos, o reconhecimento dessa dedução de despesa de amortização de ágio para fins tributários somente é possível, caso a mais valia tenha sido efetivamente paga por terceiros independentes. Assim, a norma específica deixa de ser aplicável e a dedução passa a ser analisada sob as regras gerais previstas no art. 299, do RIR/99. Inaceitável, portanto, a argumentação da defesa nessa questão.” No tocante à multa qualificada, o voto condutor do acórdão recorrido está assentado nos seguintes termos: “No que se refere à qualificação da multa de ofício, penso que assiste razão à recorrente. A partir do voto vencedor da decisão recorrida – pois o relator entendeu pelo descabimento da qualificação e ficou vencido nessa parte – já se constata a falta de contundência dos motivos que levaram à exasperadora. O redator designado transcreve trecho do Termo de Verificação Fiscal no qual a autoridade lançadora tece comentários sobre o laudo de avaliação nos seguintes termos: 19. O laudo de avaliação, no item 7.4 (fl. 140), "Sinergias de Eventuais Compradores", observa que: ( ...) pela legislação atual todos os compradores eventuais teriam o beneficio de, através de um planejamento fiscal, obter a dedutibilidade, para fins de Imposto de Renda e Contribuição Social, do ágio pago numa eventual transação. Este beneficio, por ser de relativamente fácil quantificação, foi considerado em nossas análises. .... Notese que o próprio laudo utilizado na avaliação das ações da Natura Empreendimentos aponta que a dedutibilidade da amortização seria admissível numa transação em que o ágio fosse pago, o que claramente não ocorreu Com base nesse comentário da Fiscalização a decisão recorrida manifesta entendimento no sentido de a interessada, através do laudo, já tinha conhecimento de que a dedutibilidade da amortização somente ocorreria se houvesse o pagamento do ágio. Nesse ponto caberia definir a acepção do termo pagamento. A interessada tentou darlhe um conceito mais amplo, aplicável em diversas outras situações mas que não foi aceito no presente caso. Entretanto, ainda que o entendimento da recorrente tenha sido objeto de controvérsia dirimida em sentido contrário à defesa, não consegui vislumbrar nenhuma circunstância que tipificasse a fraude suscitada. Mais além, a decisão menciona:“....Tal fato somado às contundentes conclusões a que chegou o procedimento fiscal reforçam a necessidade da qualificação da multa..”, sem qualquer comentário adicional. Aqui a decisão recorrida manifestase de forma genérica sem esclarecer quais seriam as “contundentes conclusões”. No Termo de Verificação Fiscal a autoridade lançadora justifica a multa qualificada pelo descumprimento de regras e normas no âmbito da Contabilidade, da CVM e tributárias ou ainda, ausência de propósito negocial. Ora, o descumprimento da norma por si só gera a infração passível de desconsideração dos efeitos tributários que beneficiariam o infrator. Fl. 3697DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.698 6 Entretanto, não é fundamento para caracterizar a fraude, ainda mais quando a operação não foi simulada, Nesses termos, voto por reduzir a multa de ofício ao percentual da 75%.” A PGFN tomou ciência do acórdão recorrido no dia 27/02/2013, à efl. 2.768. Recurso Especial interposto pela PGFN no dia 12/03/2013, à efl. 2.771. Nessa oportunidade, alega divergência em relação aos acórdãos nº 120200.753 e 10196.668. No mérito, sustenta o que segue: 1) o contribuinte agiu de forma fraudulenta, criando uma despesa fictícia, malgrado a aparência de legalidade do negócio que deu origem ao ágio; 2) não houve a aquisição de investimento que justificasse o pagamento de ágio; 3) não houve propósito negocial nem substrato econômico na incorporação de ações da Natura Empreendimentos S/A pela Natura Participações S/A; 4) ao serem analisadas em conjunto, vêse que o aumento de capital da Natura Participações S/A, mediante incorporação de ações de Natura Empreendimentos S/A, configurou uma operação societária com finalidade única de gerar o ágio que veio a ser aproveitada pela Natura Cosméticos S/A, nos anoscalendário de 2004 a 2007; 5) o contribuinte sabia, desde o início, que Natura Empreendimentos S/A e Natura Participações S/A seriam incorporadas; 6) o evidente intuito de fraude se torna mais claro quando se verifica que a aprovação dos atos societários e laudo ocorreu por atos coincidentes do Grupo Natura. Nesse cenário, o ágio foi acertado sem negociação livre e aberta, mas no âmbito interno ao Grupo; 7) Natura Participações S/A e Natura Empreendimentos S/A foram empregadas pelo contribuinte como autênticas empresas veículos, ou seja, o aumento do capital daquela, decorrente da aquisição das ações da segunda, visou apenas e tão somente à criação do ágio; 8) a fraude está caracterizada nos autos, porquanto o contribuinte, por meio de reorganização societária, retardou parcialmente o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador. Ante o exposto, requer que seu recurso seja conhecido e, no mérito, provido. O contribuinte foi cientificado da interposição do Recurso Especial fazendário no dia 30/04/2015, à efl. 2800. Contrarrazões apresentadas no dia 18/05/2015, conforme efl. 2.944. Nessa oportunidade, alega: 1) intempestividade do apelo fazendário; Fl. 3698DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.699 7 2) impossibilidade do reexame de fatos e provas, na instância especial, o que inviabiliza a rediscussão sobre a questão relacionada à aplicação da multa qualificada, decidida pela Turma a quo; 3) no mérito, não se pode afirmar o evidente intuito de fraude, que floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, ou quando não se escrituram as operações em seus registros comerciais e fiscais, ou não quando não são declaradas nos formulários de entrega obrigatória; 4) os atos negociais que deram origem ao ágio tinham propósito negocial e eram preparatórios a uma futura abertura de capital da recorrida, além de terem sido comunicados aos órgãos competentes e amplamente divulgadas, analisados por empresa de auditoria e juristas de renome; 5) não omitiu dados, informações ou procedimentos visando a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais; 6) antes de realizar as aludidas operações, que culminaram com o aproveitamento do ágio, contratou pareceres de renomados juristas, tais como Bulhões Pedreira e Ricardo Mariz de Oliveira, para analisar a reestruturação societária pretendida, o que denota que atuara como prudência, cautela e boa fé; 7) o procedimento adotado decorreu de interpretação de lei, o que não se pode confundir com atuação dolosa; 8) está claro que se precaveu de todas as formas possíveis para realizar as operações, tendo buscado a opinião de assessores externos para se conformar no campo da licitude. Ao final, suplica que não se dê provimento ao Recurso Especial da União (Fazenda Nacional). O contribuinte opôs Embargos de Declaração, que foram rejeitados. Ciência da rejeição dos Embargos de Declaração no dia 17/08/2015, à efl. 3.092. Recurso Especial do contribuinte interposto no dia 01/09/2015, conforme efl. 3.094 Por meio de Despacho, deuse seguimento ao Recurso Especial do contribuinte apenas quanto às matérias: 1) decadência; 2) glosa do ágio efeito no IRPJ; 3) glosa do ágio efeito na CSLL; 4) juros sobre a multa de ofício. O contribuinte interpôs Agravo, rejeitado, ao final. No Recurso Especial, o contribuinte alega: 1) quanto à decadência do lançamento do crédito tributário oriundo de negócio jurídico ou ato praticado há mais de cinco anos, contados da data do lançamento de ofício, ainda que esses negócios ou atos tenham gerado repercussão em períodosbase subsequentes: com efeito, o acórdão recorrido entendeu pela inocorrência da decadência no caso concreto, fundamentalmente sob a alegação de que a contagem do prazo deveria ter por referência a data do fato gerador da obrigação. No entanto, tal entendimento diverge daquele Fl. 3699DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.700 8 que prevaleceu no acórdão nº 10197.084, que reconheceu expressamente a decadência do lançamento do crédito tributário decorrente de negócio jurídico de assunção de dívida, que resultou em variações cambiais passivas em exercícios futuros. De acordo com o voto condutor do acórdão ofertado como paradigma, como as variações cambiais passivas são mera decorrência de operações realizadas há mais de cinco anos, o decurso do prazo decadencial impediu que tais operações fossem inquinadas de irregulares, porque inatingíveis pela revisão de oficio de que trata o artigo 149 do CTN, dai resultando que a Fiscalização não podia também inquinar de irregulares os efeitos da referida assunção de dívida; 2) quanto à dedutibilidade das despesas com amortização de ágio na apuração do lucro real: no acórdão n° 1301001.224, deuse provimento a Recurso Voluntário para reconhecer a dedutibilidade das despesas com amortização de ágio, gerado entre operações societárias envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico. Segundo o acórdão ofertado como paradigma, pela leitura dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997,resta indubitável que não há na legislação de regência qualquer óbice ao ágio interno; 3) quanto à dedutibilidade das despesas com amortização de ágio na apuração da base de cálculo da CSLL: o acórdão recorrido concluiu em direção diametralmente oposta ao entendimento firmado nos acórdãos nº 1301001.394 e 10322.749, segundo as quais inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial, sendo inaplicável ao presente caso o artigo 57 da Lei n° 8.981/1995. Em outras palavras, não se admite, como fez o acórdão recorrido, que as regras de dedutibilidade para o IRPJ sejam aplicadas para a CSLL, pois inexiste previsão legal para tanto; 4) quanto à incidência de juros de mora sobre a multa proporcional: o acórdão ora refutado divergiu de diversos precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, os quais entenderam pela ausência de previsão legal nesse sentido. Nessa linha, alude se aos acórdãos nº 910100.722 e 0203.133. No mérito, a recorrente assinala que, no presente caso, não se está tratando de um ágio gerado artificialmente, por meio da constituição de uma "sociedade veículo" (que é uma mera "casca"), mas, sim, de sociedades que existiam anteriormente e que eram plenamente operacionais, com atividades efetivamente exercidas durante sua existência (não eram sociedades efêmeras). Tanto não é a hipótese dos autos (situação fática distinta) que a própria decisão da DRJ não adotou tais argumentos para justificar a manutenção das autuações fiscais, o que implicou, por consequência, a superação dessa questão também pelo acórdão recorrido. Por sua vez, tal fato também ocorreu com relação ao equivocado entendimento dado pela autoridade fiscal para manutenção das autuações fiscais com suposto fundamento em orientações emitidas pela Comissão de Valores Mobiliários CVM. Sobre o assunto, a decisão da DRJ reconheceu que a CVM entende terem sido observadas as formalidades jurídicas para fins societários nos casos de ágio gerado internamente, embora admita que este ágio interno exija outros requisitos materiais (como uma transação entre agentes independentes). No entanto, não se baseando estritamente nas normas da CVM para justificar as autuações fiscais, tais questões acabaram sendo superadas quando do julgamento do Recurso Voluntário interposto pela recorrente, conforme se depreende da decisão que rejeitou os embargos de declaração apresentados. A recorre aduz, de mais a mais, que não seria possível deixar de reconhecer que, do ponto de vista normativo, nada impedia, à época, a apuração do ágio interno e seu Fl. 3700DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.701 9 respectivo reconhecimento, desde que alicerçado em efetiva substancia econômica. Ocorre que, ao analisar o caso concreto, a Fiscalização concluiu, equivocadamente, que o ágio gerado seria inválido do ponto de vista societário, pois teria sido gerado (i) em uma operação na qual não houve pagamento; e (ii) realizada entre partes vinculadas. Como restou amplamente demonstrado nos presentes autos, tal não se sustenta frente ao que dispunha a legislação de regência. No tocante à necessidade de pagamento, a recorrente menciona que cada negócio jurídico possui uma causa objetiva própria, que corresponde àquele intento prático econômico pretendido pelas partes, com previsão em lei. Nesse rumo, expõe certos negócios jurídicos que, em tese, poderiam ter sido utilizados para a realização do intento prático pretendido pelas partes no presente caso (causa objetiva), qual seja: a aquisição de participação societária, a valor de mercado, para posterior redução da complexidade da estrutura societária do grupo com o objetivo final de abertura de capital. A intenção, aqui, é explicar que cada um desses negócios jurídicos resulta de uma contraprestação distinta para a aquisição de participação societária que, nem sempre, referese a um efetivo pagamento (moeda corrente), como, por exemplo, o negócio jurídico de permuta; o negócio jurídico de subscrição de ações mediante a conferência de bens em integralização de capital; e, ainda, o negócio jurídico de incorporação de ações (análise da aquisição das ações no caso concreto). Seguindo o raciocínio sustentado pela recorrente, o acórdão recorrido, ao analisar a questão da suposta necessidade de pagamento na operação de aquisição de participação societária, teria assentado o entendimento de que este, diferentemente do que consignado pela autoridade lançadora, não seria o cerne da questão, pois reconhece a existência de várias formas de aquisição de participação societária cujo custo não envolve necessariamente um pagamento em dinheiro. No entanto, conclui que os efeitos dessa decisão só seriam aceitos dentro de um contexto que não envolveria o valor patrimonial do investimento pelos próprios sócios. Nesses casos, seria indispensável a presença de um terceiro independente para fins de aproveitamento dos efeitos decorrentes dessa operação societária. A recorrente salienta, entretanto, que o entendimento acima consignado não tem amparo na legislação vigente à época dos fatos, seja perante o Direito Contábil Societário, seja perante o Direito Contábil Fiscal/Tributário. Por essa perspectiva, as operações societárias no caso concreto foram realizadas de forma legítima, sem abuso ou vícios que pudessem desnaturar os efeitos dela decorrentes. Portanto, em conformidade com a legislação vigente, o ágio gerado em razão do desdobramento do custo da aquisição dessa participação societária deverá ser aceito, ainda que não tenha havido a figura de um terceiro independente, como equivocadamente sugerido pelo acórdão recorrido. Segundo a recorrente, a natureza jurídica da incorporação de ações aproxima se muito do aumento de capital social cuja integralização é feita com a conferência das ações da sociedade que se torna uma subsidiária integral. Ou seja, a incorporação de ações é uma operação que não corresponde a uma incorporação de sociedade, mais se assemelhando a um aumento de capital com bens (no caso, ações), apesar de resguardar algumas diferenças em relação a este instituto. Nesse seguir, podese definir a causa objetiva do negócio jurídico de incorporação de ações como sendo a incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral. A incorporadora terá, como contraprestação, a entrega de ações que couberem aos titulares das ações incorporadas. Contudo, deve estar claro que, na incorporação de ações, de fato, não há pagamento, como já reconhecido pelo próprio acórdão recorrido, posto que se refere a uma contraprestação do negócio jurídico de venda e compra. Nesse caso, o custo de aquisição das Fl. 3701DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.702 10 ações incorporadas corresponde ao valor das ações da incorporadora que serão recebidas pelos titulares das ações incorporadas, desde que tal valor esteja suportado por laudo de avaliação, conforme se depreende dos §§ 1° e 3° do artigo 252 da Lei das S/A. Por conseguinte, no presente caso, o custo de aquisição das ações adquiridas pela sociedade incorporadora (Natura Participações) corresponde ao valor do seu capital aumentado e entregue aos antigos acionistas da sociedade cujas ações foram incorporadas (Natura Empreendimentos). A recorrente ressalta que a existência de partes relacionadas não altera em nada a natureza jurídica das operações realizadas, no presente caso, como equivocadamente entendeu o acórdão recorrido. Na verdade, a vinculação entre as partes é pressuposto para a ocorrência das operações, situação esta não vedada pela legislação de regência. A recorrente também destaca que a legislação tributária não trazia, e nem traz, qualquer restrição à apuração de um ágio e sua correspondente amortização, por consequência de uma operação de incorporação de ações. Aliás, nesse sentido, enfatiza que a Medida Provisória n° 627/2013 (editada após as operações realizadas no caso concreto) por meio de seu artigo 21, § 1o, inciso III, buscou, de fato, vedar o aproveitamento de ágio apurado com fundamento em rentabilidade futura, decorrente de participação societária extinta em decorrência da incorporação, fusão ou cisão, quando o ágio fosse apurado em operação de substituição de ações ou quotas de participação societária. Todavia, ao ser convertida na Lei n° 12.973/2014, essa vedação não foi levada a efeito por meio do artigo 22, sendo suprimida referida menção do texto da lei. Tal situação só confirma que o ágio apurado em decorrência de incorporação de ações nunca foi vedado perante o ordenamento jurídico, seja à época dos fatos, seja na legislação vigente. Alfim, requer se conheça do presente Recurso Especial, provendoo, ao cabo. Despacho de Encaminhamento à PGFN no dia 09/08/2016, à efl. 3.618. Contrarrazões apresentadas no dia 17/08/2016, conforme efl. 3.646. Nessa oportunidade, alega o seguinte: 1) em relação à decadência do lançamento do crédito tributário oriundo de negócio jurídico ou ato praticado há mais de cinco anos, contados da data do lançamento de ofício, ainda que esses negócios ou atos tenham gerado repercussão em períodosbase subsequentes: o que se examinou no presente caso foram as deduções de despesas da amortização de ágio (que foram glosadas, porquanto desnecessárias) e não. propriamente, a operação que gerou o ágio no ano 2000 (Natura Participações S/A incorporando ações da Natura Empreendimentos S/A, com a posterior dedução do respectivo ágio pela recorrente, imediatamente após incorporá las). Em julgado proferido em 06/07/2010, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF julgou processo referente à mesma contribuinte (acórdão 120200.335), ora recorrente, no qual se debateu assunto muito semelhante ao dos autos. Naquela ocasião, a recorrente alegou que a Fiscalização não poderia examinar os atos societários que originaram o ágio cujas amortizações ocorreram em momento subsequente. Todavia, a Turma, por unanimidade de votos, rejeitou a alegação de decadência, no particular. De acordo com a PGFN, a autoridade fiscal pode, sim, emitir juízo de valor em relação ao negócio jurídico pretérito, interpretando os atos que formaram o ágio, consequentes da incorporação das ações da Natura Empreendimentos S/A pela Natura Participações S/A. Além disso, ela pode também se debruçar sobre o efeito fiscal das operações Fl. 3702DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.703 11 societárias adotadas pelo sujeito passivo, sem qualquer óbice pela decadência, avaliando a dedução (indevida) do ágio como despesa (desnecessária). Nesse quadrante, considerandose o fato gerador mais remoto, ocorrido em 31/12/2004, e a ciência dos autos de infrações de IRPJ e CSLL em 30/06/2009, não há que se cogitar de fluência do lapso decadencial, visto que realizados os lançamentos dentro do interregno de 5 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte (01/01/2006) àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (01/01/2005); 2) quanto à dedutibilidade das despesas com amortização de ágio na apuração do lucro real: não obstante as ações da contribuinte visarem à reorganização societária das empresas em busca de futura abertura de capital no ano 2004, a criação de ágio artificial para posterior redução da base de cálculo de IRPJ e CSLL pela empresa resultante da reorganização exorbitou desse propósito negocial. Ou seja, a criação de um ágio fictício, que não apresenta qualquer propósitpo negocial e substrato econômico a justificar a sua existência, obsta a dedução da despesa com sua amortização, nos termos previstos pela legislação tributária. Em que pese o valor de aquisição ter se pautado na rentabilidade futura da Natura Empreendimentos S/A, o intuito da Natura Participações S/A não era auferir essa rentabilidade, mas sim aguardar a superveniente incorporação pela recorrente e deduzir a sua amortização na apuração do lucro real. Se não fosse a vantagem tributária gerada pela operação, bastaria a Natura Cosméticos S/A incorporar diretamente a Natura Participações S/A antes desta ter incorporado as ações da Natura Empreendimentos S/A (e a gerado o dissimulado ágio). Com a incorporação das ações da Natura Empreendimentos S/A pela Natura Participações S/A, o investimento que deu origem ao ágio não refletiu nenhum gasto efetuado por esta (adquirente do investimento) e nenhum ganho auferido por aquela (cedente das ações). Mesmo tendo havido no papel a aquisição do investimento que deu origem ao ágio, não houve circulação de nenhuma espécie de riqueza que justificasse a sua existência. Tanto a Natura Empreendimentos S/A como a Natura Participações S/A eram comandadas por cinco sócios com quase que a totalidade do capital votante: 100% dos sócios com capital votante na Natura Participações S/A tinham também 96,53% do capital votante da Natura Empreendimentos S/A. Representando ambas, assim, o interesse dos mesmos sujeitos, a incorporação das ações da Natura Empreendimentos S/A pela Natura Participações S/A com a cobrança de ágio se revestiu em verdadeiro negócio consigo mesmo. Ora, tendo os mesmos sujeitos ocupado indiretamente as posições de adquirente e cedente, sem a intervenção de qualquer terceiro, não há que se cogitar que essa operação proporcionou alguma variação patrimonial aos seus participantes. Não houve dispêndio de qualquer espécie de recurso e tampouco racionalidade econômica na operação, a não ser engendrar uma economia fiscal decorrente da minoração da base de cálculo dos tributos ora lançados. Nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, somente é amortizável na apuração da conta de resultado de uma empresa o ágio efetivamente decorrente da aquisição de uma pessoa jurídica por outra, por incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio. O caso dos presentes autos não se submete a essa norma, uma vez que o ágio absorvido pela incorporadora não existia, pois fora criado somente de forma artificial. Materialmente, ele nunca existiu. Ora, se nunca houve ágio decorrente da aquisição de investimento (segundo o artigo 385 do RIR/99), não há que se falar em sua amortização no resultado da empresa que o absorveu por incorporação; Fl. 3703DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.704 12 3) quanto à dedutibilidade das despesas com amortização de ágio na apuração da base de cálculo da CSL: a operação entabulada pela recorrente, com pessoas jurídicas do Grupo Natura, gerou ágio não dedutível do lucro, à luz da Lei 9.532/1997. Entretanto, o fundamento legal por ela invocado para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, com esteio nas despesas com ágio, não pode ser acolhido, por todos os motivos acima expostos, de tal modo que o lucro foi recalculado sem a referida dedução. Assim, na ausência de norma que excepcione a incidência da CSLL (tributo reflexo do IPRJ), aplicase a disposição constante do artigo 57 da Lei n.º 8.981/1995. Dessa maneira, não há como prosperar alegação de ausência de fundamento para exigência da contribuição, tendo em vista a existência de previsão normativa, no que tange à apuração da CSLL, de idênticas hipóteses e requisitos de dedutibilidade de ágio, em relação aos previstos para o IRPJ. 4) juros de mora sobre a multa de ofício proporcional: o artigo 161 do CTN não é autorizativo, mas de feição impositiva. O dispositivo não autoriza a cobrança de juros de mora, mas a impõe, sempre que o crédito for pago após o vencimento. Seu § 1º, inclusive, para não possibilitar a falta de juros de mora por ausência de lei específica, tem regra para suprir eventual omissão, determinando que os juros serão de 1%, salvo se a lei dispuser de forma diferente. Ademais, também em função do disposto nos artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430/1996, não há dúvida acerca da obrigatoriedade da atualização monetária dos créditos tributários devidos pelos sujeitos passivos, entre eles, a multa de lançamento de ofício. Ante o exposto, requer a União seja negado provimento ao Recurso Especial manejado pelo contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela Turma a quo, nos quesitos objeto da presente insurgência. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O Recurso Especial do contribuinte é tempestivo. Todavia, impõese apreciar a admissibilidade do apelo também por outras perspectivas, dentre as quais a inexistência de vedação ao conhecimento, à luz da disciplina instituída pelo Regimento Interno do CARF (RICARF). O apelo do contribuinte a esta instância especial foi interposto no dia 01/09/2015, já na vigência do RICARF ora em vigor, aprovado pelo Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Assim, nos termos do § 3º do artigo 67 do RICARF, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Por esse prisma, não se pode admitir o Recurso Especial quanto ao tema "decadência do lançamento do crédito tributário oriundo de negócio jurídico ou ato praticado há mais de cinco anos, contados da data do lançamento de ofício, ainda que esses negócios ou atos tenham gerado repercussão em períodosbase subsequentes", por contrariar a Súmula CARF nº 116, verbis: Fl. 3704DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.705 13 Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. A partir da ementa do acórdão recorrido, abaixo reproduzida, podese constatar que o aresto está alinhado com o entendimento que se consolidou na jurisprudência administrativa, no seio da citada Súmula CARF nº 116: DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização.Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. Por outra vertente, também não se pode conhecer do apelo do contribuinte em relação à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, por conflitar com a Súmula CARF nº 108, assim redigida: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Quantos aos temas restantes, adotando as razões consignadas no Despacho de Admissibilidade, conheço do Recurso Especial do contribuinte. De início, a questão alusiva à dedutibilidade do ágio na apuração do lucro real. Reproduzo o seguinte trecho do relatório da autoridade julgadora de primeira instância, que bem reflete os fatos: "As Autoridades Fiscais consideraram indedutíveis despesas de amortização de ágio, uma vez que elas não seriam necessárias ou incorridas, com fundamento nos fatos descritos no "Termo de Verificação Fiscal" de fls. 1404/1442, reproduzidos, em síntese, a seguir: a. Em 27 de dezembro de 2000, a Natura Empreendimentos S.A. (CNPJ n° 00.231.819/000160) tornouse subsidiária integral da Natura Participações S.A. (CNPJ n° 02.356.283/000134), que incorporou as ações daquela, avaliadas economicamente, segundo um potencial de lucratividade futura (metodologia de fluxo de caixa futuro descontado), de forma que passou a figurar no ativo da Natura Participações S.A., no final de 2000, um ágio de R$ 1.019.041.518,79; b. Na data da incorporação das ações, os cinco sócios detentores de 100% do capital votante da Natura Participações S/A detinham também 96,53% do capital votante da Natura Empreendimentos S/A, sendo que o ágio originado daquela avaliação foi, do ponto de vista econômico, um ágio gerado por meio de uma transação dos acionistas com eles próprios; Fl. 3705DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.706 14 c. Na Natura Participações, o lançamento contábil da operação de incorporação das ações, realizado em 31/12/2000, foi a débito de uma conta de investimentos (R$ 58.166.481,21), referente ao patrimônio líquido da Natura Empreendimentos, a débito de uma conta de ágio (R$ 1.019.041.518,79) e a crédito de capital social (R$ 1.077.208.000,00) que saltou de R$ 10.000,00 para RS 1.077.218.000,00, não ocorrendo qualquer saída de caixa (pagamento) nessa operação da qual se originou o ágio das ações incorporadas; d. Em 29 de março de 2004, a fiscalizada Natura Cosméticos S.A. incorporou sucessivamente a Natura Empreendimentos S.A. e a Natura Participações S.A., passando a amortizar tributariamente o ágio gerado internamente ao grupo Natura, sendo que, para esta operação, o ágio foi avaliado e reconhecido contabilmente por R$ 1.028.040.605,94 diferentemente daquele momento inicial em que o ágio fora avaliado por R$ 1.019.041.518,79; e. Antes da incorporação de suas ações pela Natura Cosméticos S.A., a Natura Participações S/A, em 31/01/2004, constituiu uma provisão de valor igual ao do ágio de R$ 1.028.040.605,94, para preservação do fluxo de dividendos futuros, contabilizada a débito de uma despesa não operacional, o que contribuiu com a quase totalidade do prejuízo contábil apresentado pela empresa naquele período; a Natura Participações S/A adicionou essa provisão nas apurações das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, demonstradas na DIPJ (evento especial) entregue em 2004 em razão da sua incorporação pela Natura Cosméticos S/A. f. Assim, a Natura Cosméticos S/A incorporou o ágio (conta devedora) e a provisão (conta credora), ambos de igual montante, que estavam contabilizados na Natura Participações S/A, sendo que no correspondente documento de protocolo e justificação de incorporação mencionava que o ágio gerado internamente seria amortizado, o que efetivamente sucedeu já no anocalendário de 2004; g. O ágio interno, sem a validação de terceiros independentes, já foi condenado pela CVM, mediante o OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007, de 14 de fevereiro de 2007 e, nos termos do Pronunciamento Técnico CPC04 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis e da Resolução n° 1.110/07, do Conselho Federal de Contabilidade, o ágio gerado internamente com base em rentabilidade futura não se qualifica como um ativo. Neste sentido, também já opinou o Prof. Eliseu Martins, em artigo apresentado e publicado em congresso realizado em 2004 na USP; h. Ainda que a fiscalizada tenha afirmado ter adotado as Instruções CVM n° 319/99 e CVM n° 349/2001, o tratamento contábil determinado pela autarquia nos casos de ágio interno é de que ele seja totalmente baixado do ativo da incorporadora, não por uma prerrogativa da empresa que poderia julgar que o ativo fiscal diferido não apresentaria os pressupostos para ser reconhecido, caso em que poderia realizar um provisionamento integralmente redutor do ágio , mas porque a CVM não admite o reconhecimento de ágio Fl. 3706DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.707 15 interno, como expressamente consignado no OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007; i. A partir de março de 2004, a Natura Cosméticos inicia a amortização extracontábil do ágio gerado internamente: a despesa de amortização do ágio é neutralizada pela receita de reversão da provisão para preservação do fluxo de dividendos, mas essa reversão (receita) é excluída no Lalur, de forma que, ao final, temse que a despesa de amortização é integralmente deduzida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos seguintes montantes: Anocalendário Despesa anual de amortização Folha do processo 2004 122.385.786,40 248 2005 146.862.943,68 249 2006 146.862.943,68 250 2007 146.862.943,68 251 562.974.617,44 j. Tendose que, de 2004 a 2007, a despesa de amortização total do ágio interno foi de R$ 562.974.617,44, o fluxo de caixa da Natura Cosméticos S/A seria o seguinte: Fluxo de Caixa (anos: 2004 a 2007): Pagamento do ágio: ......................R$ O Benefício fiscal da amortização do ágio: (34% X $562.974.617,44) R$191.411.369,91 RECEBIMENTO líquido: .................R$ 191.411.369,91 k. A fiscalizada recebe um subsídio tributário por fazer uma operação sem propósito negocial que, levandose em conta os anos de 2004 a 2007, foi de R$ 191.411.369,91 (34% do total de amortizações deduzidas), constituindose em um prêmio pago por toda a sociedade brasileira, que abriria mão de tributos em favor de sócios que criaram artificialmente um ativo, com o objetivo puro e simples de reduzir indevidamente tributos; 1. Diferentemente do registrado em sua contabilidade, a fiscalizada optou por não declarar nas Dipj's as despesas de amortização do ágio nem as reversões da provisão para preservar o fluxo de dividendos, tendo efetuado, contudo, a exclusão da reversão da provisão no Lalur, causando, ao final, uma redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, provocada pela despesa de amortização do ágio interno; m. A despesa de amortização de ágio interno não se enquadra no conceito de despesa necessária, por três razões: primeiramente, ela não foi paga ou incorrida; em segundo lugar, se o ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura é o reconhecimento contábil, hoje, no ativo da investidora, dos lucros futuros da investida, a boa técnica contábil permite Fl. 3707DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.708 16 duas possibilidades, mutuamente excludentes, para registro desses lucros: (a) ou por equivalência patrimonial, por meio da qual a investidora traz para o seu ativo os lucros da investida à medida que eles ocorram, sem nada pagar por eles; ou (b) a investidora paga, numa operação entre partes independentes, pelos lucros futuros da investida e começa a amortizálos à medida que eles ocorrerem. No entanto, a Natura Participações juntou indevidamente as duas alternativas: não pagou pelos lucros futuros da Natura Empreendimentos, mas registrou o ágio interno, transferido para a fiscalizada, que passou a amortizálo; como terceira razão, nenhuma das motivações apresentadas no documento "Justificação e Protocolo de Incorporação de Ações da Natura Empreendimentos S.A. pela Natura Participações S.A." necessitaria da reavaliação das ações da Natura Empreendimentos para ser implementada; n. Em essência, a exclusão da reversão da provisão para preservação do fluxo futuro de dividendos no Lalur gerou uma redução imprópria da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, provocando o mesmo efeito que a dedutibilidade da despesa de amortização do ágio que, neste caso, é indevida; o. Não houve aplicação de capital e nem custo de aquisição do ágio interno, não se incluindo na hipótese descrita na norma autorizadora da dedutibilidade de sua amortização para fins tributários; Assim apresentadas as circunstâncias relevantes ao julgamento, importa considerar que a legislação tributária não admite a dedutibilidade do ágio amortizado, a não ser quando da alienação de investimento avaliado pela equivalência patrimonial (artigo 426 do RIR/99), ou nos termos estipulados pelos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Fl. 3708DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.709 17 § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” Depreendese dos aludidos dispositivos que a dedutibilidade do ágio amortizado, no cômputo do lucro real, fundado em expectativa de rentabilidade futura, requer que se confirme a confusão patrimonial entre investida e investidora. E mais: os dispositivos precedentemente indicados formulam que a dedutibilidade do ágio amortizado deve decorrer de sacrifício patrimonial da pessoa jurídica incorporada ou da pessoa jurídica incorporadora. Tal conclusão provém do caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997, ao endereçar a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à reivindicação de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Impende observar que tal artigo se refere ao ágio previsto no artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977, e este dispositivo trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor de patrimônio líquido na época da aquisição. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa Fl. 3709DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.710 18 jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com o antedito sobrepreço. No caso concreto, como já ressaltado, Natura Empreendimentos S/A tornou se subsidiária integral de Natura Participações S/A, que incorporou as ações daquela, avaliadas economicamente, segundo um potencial de lucratividade futura (metodologia de fluxo de caixa futuro descontado), de forma que passou a figurar no ativo da Natura Participações S/A, no final de 2000, um ágio de R$ 1.019.041.518,79. Na data da incorporação das ações, os cinco sócios detentores de 100% do capital votante de Natura Participações S/A detinham também 96,53% do capital votante de Natura Empreendimentos S/A. Assim, é indubitável que o ágio originado daquela avaliação foi gerado por meio de uma transação dos acionistas com eles próprios. Em 29 de março de 2004, a fiscalizada Natura Cosméticos S/A incorporou sucessivamente Natura Empreendimentos S/A e Natura Participações S/A, passando a amortizar o ágio gerado internamente ao grupo Natura, sendo que, para esta operação, o ágio foi avaliado e reconhecido contabilmente por R$ 1.028.040.605,94, diferentemente daquele momento inicial em que o ágio fora avaliado por R$ 1.019.041.518,79. Conforme a diretriz emanada do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, ainda que “as operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”.” Na verdade, esse ágio não tem fundamento em qualquer fato econômico. Como se afiançou em linhas precedentes, o ágio amortizado que restou deduzido na apuração do lucro real, contabilizado por Natura Participações S/A ao incorporar as ações de Natura Empreendimentos, é um ágio intragrupo, sem substância econômica. Com razão a recorrente, quando menciona que o ágio deve sempre decorrer da efetiva aquisição de um investimento oriundo de um negócio comutativo, em que as partes contratantes sejam interdependentes entre si e ocupem posições opostas. Nessas circunstâncias, se, em um negócio, o alienante pede pelo seu bem ou direito determinado sobrepreço, essa mais valia a ser paga pelo adquirente deve estar justificada pela expectativa de algum ganho. Não se pode admitir que um grupo de capitalistas atribuam uma mais valia na casa dos bilhões de reais a seus próprios ativos, sem investir um centavo para tanto, e, em seguida, deduzam essa mesma mais valia artificializada, como se custo efetivo fosse, na apuração do imposto de renda. Fl. 3710DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.711 19 O que se verifica no caso sub examine é a completa ausência de propósito negocial, assim entendido como carência de razão negocial justificadora da aquisição do investimento por valor superior àquele que fora anteriormente pago pelo alienante. Nesse cenário, cumpre negar provimento ao apelo do contribuinte. No tópico seguinte, a questão relativa à dedutibilidade do ágio na apuração da CSLL. No tocante à acusação de infração à legislação da CSLL, cabe salientar, antes de tudo, que o ágio pago com lastro em rentabilidade futura deve ser contabilmente amortizado ao longo do tempo, conforme orienta o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI1: "11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Deságio [. . .] c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. [...] 11.7.5 Amortização do Ágio ou Deságio a) CONTABILIZAÇÃO V Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio liquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente). (...)" (grifei) Portanto, o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura, na aquisição de investimento, é despesa amortizável; como tal, está sujeita à norma veiculada pelo artigo 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995: 1 Sérgio de Iudicibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke. São Paulo: Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FEA/USP), 7a Edição. Fl. 3711DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.712 20 "Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: [...] III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; Isso porque, como é cediço, as ações são bens móveis, conforme previsão do artigo 82 do vigente Código Civil. Nesses termos, o ágio pago sob a justificativa de rentabilidade futura, na aquisição de ações, constitui gasto que deve ser amortizado, como despesa, dentro do período pelo qual se pagou por lucros futuros. Nesse cenário, tal despesa de amortização não pode afetar a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a teor do já mencionado artigo 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995. Ademais, os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL. Seja como for, o ágio interno, formado de um acordo dos sócios com eles mesmos, não pode gerar qualquer efeito tributário. Seria um absurdo admitir o contrário. Em face do exposto, nego provimento ao apelo do contribuinte, quanto à dedutibilidade do ágio na apuração da CSLL. No próximo passo, o Recurso Especial da PGFN. De início, a tempestividade, questionada pelo contribuinte. Segundo a PGFN, seu apelo a esta instância foi interposto no dia 12/03/2013, conforme efls. 3.656/3.658. Já a contribuinte defende que o Recurso Especial fazendário deu entrada na repartição no dia 25/03/2013, fora do prazo, por conseguinte, a teor do que sustenta à efl. "De acordo com a petição apresentada pela União, o seu Recurso Especial seria tempestivo, na medida em que, a contar da data em que a d. Procuradoria foi pessoalmente intimada, em 27 de fevereiro de 2013, o termo final para interposição do recurso seria o dia 14 de março de 2013, sendo que o mesmo teria sido recebido pelo E. CARF em 12 de março de 2013 (dois dias antes do prazo fatal). Assim, segundo a União: [...] Ocorre que, tal como a contribuinte demonstrou em suas contrarrazões ao Recurso Especial da União, esse argumento trazido pela petição de fls. 3.656/3/657 não merece prosperar. Isso porque, o presente processo administrativo, no tempo em que o Recurso Especial foi apresentado, tramitava de forma física, sendo que a Fl. 3712DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.713 21 sua digitalização somente ocorreu em janeiro de 2015 (o recurso foi apresentado em 2013). Neste período os processos físicos tramitavam entre o E. CARF e a PGFN por meio de Relações de Movimentação “RM”, cujo registro era feito pelo sistema digital do COMPROT e eprocesso. À época, as telas do referido sistema (RM) eram impressas e anexadas aos autos, sendo devidamente carimbadas e assinadas pelos respectivos servidores quando do envio e recebimento dos autos, em cada um dos órgãos em que tramitavam (CARF e PGFN). Assim, no caso específico dos presentes autos, para que fosse dada ciência do acórdão recorrido para PGFN, bem como para que a d. Procuradora pudesse assinar o Termo de Intimação às fls. 2.565 diretamente nos autos físicos, ou seja, na remessa dos autos deste E. CARF para a PGFN, foi emitida a “RM” (RM nº 11270) indicando detalhadamente o órgão de origem (CARF), bem como o órgão de destino (PGFN). Referida “RM”, constante às fls. 2.567 dos autos, teve como data de movimentação registrada no sistema pelo CARF (emitente da RM) a data de 25 de janeiro de 2013, porém o efetivo recebimento do processo físico pela PGFN somente ocorreu em 29 de janeiro de 2013, quando a “RM” foi efetivamente confirmada, carimbada e assinada pelo servidor da PGFN (Emerson Ovidio de Sousa). Vejamos: Fl. 3713DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.714 22 Destaquese, por oportuno, que o correto procedimento de remessa dos autos do CARF para a PGFN, cuja respectiva RM foi devidamente assinada e carimbada naquele órgão (fls. 2.567), comprova que a d. Procuradoria reconhece e concorda com a necessidade desse procedimento, tanto que sua ciência pessoal, nos termos da lei, só ocorreu nos presentes autos, depois de devidamente ser registrada a referida entrada do processo físico naquele órgão. Ora, tanto esse procedimento deve ser rigorosamente respeitado que, caso não houvesse a ciência pessoal (como de fato houve no caso concreto), o prazo estabelecido no § 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 (ciência presumida), teria início justamente quando do recebimento da RM pela PGFN. Assim, seja para comprovação da entrega dos autos na PGFN, seja para comprovação do retorno dos autos ao CARF (tempestividade do recurso), a “RM” devidamente assinada e carimbada é prova indispensável para fins de contagem do termo inicial e final das manifestações da PGFN, conforme, inclusive, reconhecido no caso Santander, o qual mais adiante será abordado. E, seguindo esse correto procedimento, reconhecido, inclusive pela própria PGFN, no caso concreto, após recebido os autos em 29/01/2013, os mesmos autos físicos foram remetidos internamente para o d. Procurador da Fazenda Nacional, para que lhe fosse dada ciência pessoal do julgamento e iniciasse o seu prazo para recurso, nos termos do que determinava o artigo 68, do Anexo II, do então vigente Regimento Interno desse E. CARF. Neste sentido, anexo aos autos está o Termo de Intimação de fls. 2.565, que foi carimbado e assinado pela d. Procuradora Leila Barreiros Prado, em 27 de fevereiro de 2013, data em que se iniciou a contagem do prazo para interposição de Recurso Especial da União. Apenas para ênfase, segue abaixo a reprodução do referido termo de intimação: Após a intimação da União, uma vez elaborado o seu Recurso Especial, o processo foi novamente remetido para este E. CARF para processamento da insurgência fiscal. Tal como na remessa, no retorno dos autos da PGFN para este Fl. 3714DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.715 23 E. CARF foi emitida uma nova “RM” (RM nº 11470) indicando detalhadamente o órgão de origem (PGFN), bem como o órgão de destino (CARF). Essa nova “RM”, constante às fls. 2.568 dos autos, teve como data de movimentação registrada no sistema pela PGFN (emitente da RM) a data de 12 de março de 2013, porém o efetivo recebimento do processo físico neste E. CARF somente ocorreu em 25 de março de 2013, quando a “RM” foi confirmada, carimbada e assinada pela servidora do CARF (Maristela de Souza Rodrigues): Não obstante, após o efetivo recebimento físico do processo pelo CARF, assinatura e carimbo da “RM” pela servidora responsável (Maristela de Souza Rodrigues), essa mesma servidora efetivamente recebeu o Recurso Especial da União para consequente processamento. No caso, a mesma servidora que recebeu os autos físicos no CARF, assinou e carimbou a “RM”, também assinou o recebimento Fl. 3715DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.716 24 do recurso na Câmara, fato que somente ocorreu em 25 de março de 2013. Assim, o recebimento do processo físico no CARF somente ocorreu com a efetiva assinatura da “RM” e posterior recebimento do Recurso Especial pela 4ª Câmara da 1ª Seção deste CARF, o que, repitase, aconteceu em 25 de março de 2013, como se pode verificar: Ora i. Conselheiros, considerando as formalidades necessárias acima e a prova irrefutável constante nos autos acerca do efetivo recebimento do processo físico pelo CARF em 25 de março de 2013 (RM assinada e carimbada por servidora do CARF), é que a contribuinte sustenta a intempestividade do Recurso Especial da União, considerando que o termo final para apresentação deste recurso já havia se esgotado em 14 de março de 2013. Em outras palavras, perante o Órgão do CARF, a servidora devidamente identificada registrou a devolução dos autos pela PGFN através do correto procedimento previsto à época, qual seja, através da RM assinada e carimbada, cuja data ocorreu 11 (onze) dias depois do prazo fatal. Destaquese i. Conselheiros que não há nos autos, antes da assinatura da “RM”, qualquer evidência de que o processo físico tenha sido recebido pelo CARF, por qualquer outro servidor, dentro do prazo fatal para protocolo do Recurso Especial da Fazenda. Mas, por meio da petição de fls. 3.656/3.657, a d. Procuradoria apresenta cópia da contrafé de seu recurso, com a mera identificação de um nome (sem carimbo do órgão receptor (CARF), número (matrícula) de identificação funcional ou qualquer outra formalidade) de uma servidora chamada “Fátima”. Ou seja, aduz a d. Procuradoria que a contrafé apresentada com a informação em manuscrito “Recebi em 12/03/13” e “Fátima”, demonstraria a tempestividade do seu recurso, já que supostamente recebido dois dias antes do prazo fatal. Senão para ênfase, segue abaixo reprodução da contrafé trazida pela União: Fl. 3716DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.717 25 Entretanto, diferentemente do que afirma a petição de fls. 3.656/3.657 da d. Procuradoria, referido documento não comprova nada!! A simples identificação de um nome qualquer, no caso, “Fátima” (mas poderia ser Maria, Ana etc.), desprovido de qualquer outra informação que ateste que essa pessoa seja uma efetiva servidora do CARF, não tem o condão de atestar a tempestividade de qualquer petição apresentada nos autos, tampouco de um Recurso Especial, i. Conselheiros. Por se tratar de processo físico, a tempestividade sempre deve ser atestada pelo efetivo recebimento dos autos no CARF, a qual é comprovada pela confirmação, impressão, carimbo e assinatura do servidor do CARF na respectiva “RM”, exatamente como há nos presentes autos, às fls. 2.568. [...] Fl. 3717DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.718 26 Apenas para ênfase, nos autos do Processo Administrativo nº 16561.000.222/200872 (caso “Santander”) foi requerida uma nota técnica da Coordenação de Gestão do Acervo de Processo (CEGAP) Nota Técnica nº 01/CEGAP/CARF/MF, a qual descreveu de forma pormenorizada como as movimentações deveriam ocorrer por meio de “RM” para os processos físicos. Essa nota técnica mostrase muito esclarecedora e serve para reforçar a lisura no registro da movimentação do processo entre o CARF e a PGFN no caso concreto. Vejamos os principais trechos desse documento (fls. 15 do Acórdão nº 9101002.814): [...] Como se pode verificar, tal como descreveu a própria CEGAP, o mesmo os processos em papel tinham sua movimentação registrada no sistema do eprocesso e no COMPROT. Contudo, mesmo que controlado pelo sistema eletrônico, o processo físico sempre era acompanhado por uma “RM”, onde constava data de envio, o órgão de origem e de destino e indicação dos processos. Além disso, a “RM” era emitida pelo órgão de origem, em duas vias. Ao ser recepcionado o processo em papel, o setor que o recebia conferia os autos, confirmava a “RM” no sistema do e processo por meio de certificado eletrônico, carimbava e assinava uma das vias e anexava aos autos físicos. Por outro lado, a outra via ficava com o órgão de origem, que atualizava os seus controles de saída e utilizava a “RM” que recebia como efetiva prova de recebimento do processo pelo órgão de destino." Assim postos os fatos e os argumentos da recorrida, curvome à disciplina dos §§ 8º e 9º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972, incluídos pela Lei nº 11.357/2007, verbis: "Art. 23 ......... § 8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) § 9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007)" De acordo com o § 8º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972, considerando que o acórdão recorrido foi formalizado em 15/01/2013, os autos deveriam ser remetidos à Procuradoria da Fazenda Nacional (PGFN) se até o dia 24/02/2013 (prazo de 40 dias desde a formalização do acórdão recorrido) não houvesse ciência de intimação pessoal de Procurador da Fazenda Nacional. Efetivamente, não houve ciência pessoal de Procurador da Fazenda Nacional nesse interregno, motivo por que os autos foram remetidos à PGFN para intimação. Por sua vez, em atenção ao § 9º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972, devese ter em conta que a intimação ficta do Procurador da Fazenda Nacional se opera no prazo de 30 dias contados da entrega dos autos na PGFN. Acontece que a entrada dos autos na PGFN data de 29/01/2013. Portanto, a intimação ficta ocorreria em 28/02/2013. Entretanto, Fl. 3718DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.719 27 verificase nos autos que a intimação pessoal efetivouse em 27/02/2013. Portanto, não há que se falar em intimação ficta. Um vez intimado, o Procurador da Fazenda Nacional dispõe do prazo de 15 dias para interpor o Recurso Especial. Logo, no caso em exame, o prazo do Recurso Especial se esgotaria em 14/03/2013. A Fazenda Nacional expõe que interpôs o Recurso Especial no dia 12/03/2012. Já o contribuinte defende que o Recurso Especial fazendário teria sido interposto no dia 25/03/2013, data da entrada dos autos no CARF. O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial do CARF, de observância obrigatória pelos Conselheiros, na forma do artigo 1º, § 1º, da Portaria CARF nº 56, de 31 de março de 2016, estabelece que "a data considerada como de manifestação da PGFN é a data do registro da RM no Sistema Comprot, independentemente da data efetiva em que o processo tenha retornado ao CARF." Ao seu turno, o § 1º do artigo 3º da Portaria Conjunta dos Conselhos de Contribuintes nº 1, de 27/04/2007, prescreve que a data de manifestação do Procurador da Fazenda Nacional é a "data do registro no sistema Comprot da RM de envio do processo para os Conselhos de Contribuintes, independentemente da data efetiva em que o processo seja recebido no destino." À vista do exposto, devese compreender que o apelo da PGFN foi interposto em 12/03/2013, à efl. 2.771. Nessa linha, assentase a tempestividade do Recurso Especial Fazendário. Ressaltese que o Colegiado, por unanimidade, deliberou, na sessão, no sentido de considerar tempestivo o Recurso Especial da Fazenda Nacional. No entanto, impende registrar que os demais membros da Turma, com exceção da Conselheira Adriana Gomes Rêgo, acompanharam este Relator apenas pelas conclusões, no que diz respeito à tempestividade do apelo fazendário. Em face do Despacho de Admissibilidade, cujas razões adoto, conheço do apelo, que se restringe à questão relacionada à multa qualificada. Vislumbramse no caso concreto consciência e vontade de iludir a Administração Tributária para a obtenção de uma vantagem fiscal com a amortização de um ágio artificial, criado internamente ao Grupo. Como já se realçou no julgamento do apelo do contribuinte, os idealizadores do planejamento tributário conceberam uma mais valia no investimento do Grupo sem o dispêndio de um centavo sequer. Em seguida, esse custo adicionado sem sacrifício patrimonial foi amortizado ao longo de um determinado período, reduzindo os resultados tributáveis do IRPJ e da CSLL ao longo desse interregno. O ágio engendrado resultou do único propósito de excluir ou modificar a base tributável do IRPJ e da CSLL, concretizandose tal empreitada ilícita com a criação e aproveitamento fiscal de uma despesa fictícia, isto é, a despesa de amortização de um ágio desprovido de substância econômica, cuja amortização influenciou indevidamente os resultados tributáveis. Este ágio, como salientado, não passou de uma inventividade do grupo empresarial, o qual, em operação interna, entendeu conveniente estabelecer um sobrepreço ao valor do investimento. Nessa toada, podese assegurar a ocorrência da prática de FRAUDE, estando visível o dolo, uma vez constatada, como de fato se constata, a vontade livre de realizar a conduta típica, bem com a demonstração de que os responsáveis agiram com consciência da ação típica e do resultado juridicamente desvalorado, consistente na redução ilícita da base tributável do IRPJ e da CSLL, consoante a previsão legal do artigo 72 da Lei nº Fl. 3719DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.720 28 4.502/1964, o que atrai a multa qualificada do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, para fatos geradores ocorridos até o anocalendário de 2006, ou do artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, para fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2007. Em suma, diante dos fatos e à luz do direito, conheço do Recurso Especial da PGFN para darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 3720DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.721 29 Declaração de Voto Conselheiro André Mendes de Moura. A declaração de voto diz respeito exclusivamente à contagem do prazo relativo à tempestividade do recurso especial. Acompanhei o I. relator pelas conclusões, por entender também que o recurso especial é tempestivo, mas tomando como referência critério de contagem diferente. Passo ao exame. Tratase de processo submetido a movimentação controlada pelo sistema de informação Comprot, mediante extração de relatórios de Relação de Movimentação ("RM"), regulamentada pela Portaria Conjunta dos Conselhos de Contribuintes nº 1, de 27/04/2007: OS PRESIDENTES DO PRIMEIRO, DO SEGUNDO E DO TERCEIRO CONSELHOS DE CONTRIBUINTES, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos artigos 37 inciso VIII, e 46 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria Ministerial nº 55, de 16 de março de 1998, e nos §§ 7º e 8º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, acrescentados pelo art. 44 da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, resolvem: Art. 1º. Os Chefes das Secretarias das Câmaras intimarão pessoalmente o Procurador da Fazenda Nacional credenciado, no primeiro dia do período das sessões mensais, dos acórdãos contrários aos interesses da Fazenda Nacional formalizados em data anterior. Parágrafo único. Por solicitação do Procurador da Fazenda Nacional, a intimação poderá ser feita até o último dia das sessões mensais. Art. 2º. Caso o Procurador da Fazenda Nacional não seja intimado pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão, as Secretarias das Câmaras remeterão os autos à CoordenaçãoGeral de Assuntos Tributários da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (CAT/PGFN), para fins da intimação referida no art. 1º . §1º. Atendendo a solicitação da PGFN os Presidentes dos Conselhos de Contribuintes poderão autorizar que os autos sejam remetidos às unidades descentralizadas daquele órgão. §2º As Secretarias das Câmaras deverão efetuar apenas uma remessa de processos por semana, com utilização do sistema de Comunicação e Protocolo Comprot. §3º. A confirmação de recebimento dos processos ocorrerá mediante a assinatura do servidor da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional na Relação de Movimentação RM emitida Fl. 3721DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.722 30 pelo sistema Comprot, na data de sua entrega naquela repartição, a qual será juntada aos autos. Art. 3º A remessa de processos da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional aos Conselhos de Contribuintes será realizada mediante movimentação no sistema Comprot. §1º. Será considerada como data da manifestação do Procurador da Fazenda Nacional a data do registro no sistema Comprot da RM de envio do processo para os Conselhos de Contribuintes, independentemente da data efetiva em que o processo seja recebido no destino. §2º. Compete às Secretarias das Câmaras juntar aos autos cópia da RM emitida pelo Comprot, após o retorno dos respectivos processos. O acórdão recorrido foi julgado na sessão de 04/12/2012, e formalizado em 15/01/2013 (consulta ao eprocesso). A partir desta data, passou a fluir o prazo de quarenta dias previsto para a ciência pessoal da PGFN (art. 23, § 8 do PAF): Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. Encerrouse o prazo no dia 24/02/2013. Nos presentes autos, tendo a ciência à PGFN não realizada no prazo de quarenta dias, restou irrelevante o Termo de Intimação de efls. 2768, no qual consta assinatura do Procurador em 27/02/2013, já fora do prazo previsto para a intimação pessoal. Assim, passa a correr o prazo para a intimação ficta. Vale transcrever a orientação do art. 2º, § 3º da mencionada Portaria Conjunta dos Conselhos de Contribuintes nº 1, de 2007: Art. 2º. Caso o Procurador da Fazenda Nacional não seja intimado pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão, as Secretarias das Câmaras remeterão os autos à CoordenaçãoGeral de Assuntos Tributários da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (CAT/PGFN), para fins da intimação referida no art. 1º . (GRIFO DO ORIGINAL) §3º. A confirmação de recebimento dos processos ocorrerá mediante a assinatura do servidor da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional na Relação de Movimentação RM emitida pelo sistema Comprot, na data de sua entrega naquela repartição, a qual será juntada aos autos. (Grifei) No caso, consta RM registrando movimentação dos autos do CARF para a PGFN, no qual a data do carimbo de recebimento com assinatura do servidor da PGFN sendo de 29/01/2013 (efl. 2770). Fl. 3722DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.723 31 A partir do dia 29/01/2013, contase o prazo de trinta dias, § 9º do art. 23 do PAF, para se consumar a intimação presumida dos Procuradores da Fazenda Nacional. Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. Dessa maneira, consumouse a intimação presumida em 28/02/2013. Tratase do termo inicial para a contagem de interposição do recurso especial. Efetuandose a contagem de 15 dias prevista no RICARF, temse que o prazo fatal para interposição do recurso especial é dia 15/03/2013. Resta, portanto, verificar a data em que a PGFN interpôs do recurso. Transcrevo art. 3º, § 1º da Portaria Conjunta dos Conselhos de Contribuintes nº 1, de 2007: Será considerada como data da manifestação do Procurador da Fazenda Nacional a data do registro no sistema Comprot da RM de envio do processo para os Conselhos de Contribuintes, independentemente da data efetiva em que o processo seja recebido no destino. (Grifei) Consta nos autos que a data de movimentação da RM, da PGFN para o CARF é do dia 12/03/2013 (efl. 2771). Nesse sentido, nos termos da legislação tributária aplicada ao caso, tendo o recurso especial da PGFN sido interposto em 12/03/2013, e o prazo final para interposição do recurso previsto para 15/03/2013, observase que a peça processual é tempestiva. Cabe ainda registrar que as regras previstas para contagem do prazo de interposição do recurso especial, no caso em tela, seguem uma sistemática similar àquela adotada caso os processos tivessem sido movimentados por meio dos Correios (o que não foi o caso, tendo a PGFN se valido do serviço de "malote" disponibilizado para os órgãos da administração federal). Assim, a data de ciência para a PGFN é aquela em que o recurso foi efetivamente recebido pelo órgão (supondose que o CARF tivesse encaminhado, via Correios, o recurso para a PGFN, o Procurador da Fazenda Nacional seria notificado apenas no momento em que o processo tivesse entrada na PGFN (art. 2º, § 3º, da Portaria Conjunta dos Conselhos de Contribuintes nº 1, de 2007). Por sua vez, a data em que se considera a interposição do recurso especial é aquela em que a PGFN tivesse encaminhado o processo via Correios da volta para o CARF (art. 3º, § 1º da Portaria Conjunta dos Conselhos de Contribuintes nº 1, de 2007), tanto que a norma estabelece, expressamente, que a data da manifestação do Procurador da Fazenda Nacional é a data do registro no sistema Comprot da RM de envio do processo para os Conselhos de Contribuintes, independentemente da data efetiva em que o processo seja recebido no destino (CARF). São minhas considerações, para votar no sentido de que o recurso especial é tempestivo. Fl. 3723DF CARF MF Processo nº 16561.000059/200929 Acórdão n.º 9101003.885 CSRFT1 Fl. 3.724 32 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 3724DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.726137/2016-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MAIOR DE 65 ANOS. LIMITE.
A isenção de imposto de renda para maiores de 65 anos sujeita-se a limite legal, devendo o excesso ser declarado como rendimento tributável.
Numero da decisão: 2001-000.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MAIOR DE 65 ANOS. LIMITE. A isenção de imposto de renda para maiores de 65 anos sujeita-se a limite legal, devendo o excesso ser declarado como rendimento tributável.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10166.726137/2016-24
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5927314
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.781
nome_arquivo_s : Decisao_10166726137201624.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE RICARDO MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10166726137201624_5927314.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7513431
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148908232704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.726137/201624 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.781 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente MARTHA MARGARETTA KARIN ENGEL DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MAIOR DE 65 ANOS. LIMITE. A isenção de imposto de renda para maiores de 65 anos sujeitase a limite legal, devendo o excesso ser declarado como rendimento tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e redator designado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2012, anocalendário de 2011, em que foi apurada omissão de rendimentos, decorrente da declaração como rendimentos isentos de valor superior ao limite anual estipulado por lei para pessoas com mais de 65 anos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 61 37 /2 01 6- 24 Fl. 74DF CARF MF 2 O contribuinte apresentou impugnação parcial (questiona apenas a multa), que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Belo Horizonte. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 54/55. Não questiona o valor do principal, mas solicita ser anistiada da multa, por não possuir condições financeiras de arcála. Em síntese, informa não omitiu rendimentos. Afirma que não informou os valores como rendimentos tributáveis, por não saber em que campo da declaração devia declarar. Argumenta que as instruções da DIRPF não orientam como proceder no caso. É o relatório. Voto José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O benefício da isenção a maiores de 65 anos está sujeita a limite legal. A recorrente não discute a procedência deste limite. Solicita seja anistiada da multa, pois alega não ter condições financeiras para arcar com a exigência. Conforme já mencionado na decisão de primeira instância, a orientação de lançar o excesso das parcelas de isenção consta do item "Ajuda" da DIRPF. Desta forma, não procede a alegação de que não havia orientação de como declarar referidas parcelas. A multa de ofício e os juros, devidos no lançamento, decorrem da legislação tributária, não havendo previsão legal para conceder anistia ou reduzir o percentual. Em face do exposto, ratifico as razões expostas na Decisão da DRJ, concluindo por não acolher o recurso voluntário. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10166.726137/201624 Acórdão n.º 2001000.781 S2C0T1 Fl. 3 3 Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679821/2011-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 13/10/2006
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-005.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 13/10/2006 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.679821/2011-20
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5930250
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.972
nome_arquivo_s : Decisao_10880679821201120.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10880679821201120_5930250.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7529649
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148909281280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1465; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.679821/201120 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.972 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente DOW BRASIL SUDESTE INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/10/2006 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 21 /2 01 1- 20 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.679821/201120 Acórdão n.º 3302005.972 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) da contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o direito creditório decorria do pagamento a maior da contribuição, dada a inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09061.729, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, especialmente o novel posicionamento do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade da manutenção do ICMS na base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.679821/201120 Acórdão n.º 3302005.972 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.969, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.679818/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.969): O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência e a matéria é de competência deste Colegiado. A presente discussão jurídica gravita exclusivamente em torno da possibilidade jurídica de se computar, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICMS incidente sobre as mercadorias vendidas ou dos serviços prestados. A recorrente insurgese contra a inclusão do ICMS no faturamento, base de cálculo das contribuições exigidas, no caso específico Cofins e PIS, argüindo ser inconstitucional sua cobrança. Ressalta que o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecida como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim concluindo ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, mais precisamente do ICMS. Argumenta que o valor do ICMS não revela medida de riqueza. Em razão da similitude com o presente caso concreto, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158), que também foi adotado pelo I. Conselheiro Walker Araújo, processo administrativo nº 13609.000892/200998 (acórdão 3302005.708), que peço venia para transcrever: "II Mérito II.3 ICMS/ISSQN na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS/ISSQN na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação do RE 240.7852/MS. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS/ISSQN na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.679821/201120 Acórdão n.º 3302005.972 S3C3T2 Fl. 5 4 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.679821/201120 Acórdão n.º 3302005.972 S3C3T2 Fl. 6 5 empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.679821/201120 Acórdão n.º 3302005.972 S3C3T2 Fl. 7 6 Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.679821/201120 Acórdão n.º 3302005.972 S3C3T2 Fl. 8 7 julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Aplicase ao ISSQN, os mesmos fundamentos explicitados pelo Superior Tribunal de Justiça para manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, considerando, inclusive, que o RESP 1.144.469/PR tratou dos referidos impostos. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Assim, pelas já esposadas razões, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.907248/2009-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
Numero da decisão: 1301-003.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10283.907248/2009-74
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5940540
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.577
nome_arquivo_s : Decisao_10283907248200974.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10283907248200974_5940540.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7552284
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148922912768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2045; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.907248/200974 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.577 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2018 Matéria DCOMP DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente LOCOMOTIVA DA AMAZONIA INDUSTRIA E COMERCIO DE TEXTEIS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2005 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10283.903399/200953, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 72 48 /2 00 9- 74 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10283.907248/200974 Acórdão n.º 1301003.577 S1C3T1 Fl. 3 2 Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de Declaração de Compensação DCOMP, no qual se pleiteia compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ Estimativa mensal (código 2362). O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A empresa apresentou manifestação de inconformidade onde afirma que as compensações foram realizadas em completa harmonia com a legislação vigente. Isto porque calculou e recolheu um determinado valor de IRPJ, com código de arrecadação de estimativa mensal e, posteriormente ao recolhimento, verificou que o valor de IRPJ efetivamente devido montava um valor inferior àquele originalmente pago através de DARF. Acrescenta que o valor recalculado está de acordo com os valores declarados em DCTF e que, uma vez confessada uma dívida efetiva em valor inferior àquele recolhido, teria nascido um crédito tributário. O sujeito passivo alega que por equívoco procedeu ao recolhimento num valor superior àquele efetivamente devido. Argumenta também que não se trata de pagamento por estimativa mensal, uma vez que foi realizado com base em balanço de suspensão ou redução. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que os valores apurados a partir da receita bruta em função de balancete redução correspondem a estimativa mensal e que não havia previsão legal para utilização em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal de IRPJ. Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual reafirma a existência de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, declara que a decisão da DRJ vai de encontro a jurisprudência do CARF e, ao final, requer o reconhecimento da homologação das compensações em litígio. É o relatório. Voto Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10283.907248/200974 Acórdão n.º 1301003.577 S1C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.563, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10283.903399/2009 53, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.563): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme se depreende do relatório, o cerne da discussão no presente processo é a possibilidade ou não de se compensar pagamento indevido ou a maior recolhido a título de estimativa mensal para aquelas pessoas jurídicas sujeitas à apuração do IRPJ pelo lucro real. O pedido de compensação foi indeferido liminarmente, através de Despacho Decisório Eletrônico, a partir do momento em que o sistema constatou tratarse de recolhimento efetivado sob o código de arrecadação 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL). A Unidade de Origem não se adentrou no mérito do direito creditório, e por conseguinte, não deu oportunidade para o contribuinte produzir provas. O Despacho Eletrônico, bem como o acórdão da DRJ, fundamentaram o indeferimento do pedido de compensação no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, em concomitância com o art. 10 da IN SRF nº 600/2005. O §14º do art.74 da citada lei atribuiu competência a Secretaria da Receita Federal para disciplinar a compensação e, o órgão emitiu instrução normativa que disciplinou a matéria. O art. 10 da IN SRF nº 600/2005, vigente à época, determinava: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Contudo o art.74, §3º, da Lei nº 9.430/96 que tratou das vedações à compensação através de DCOMP, dispôs em seu Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10283.907248/200974 Acórdão n.º 1301003.577 S1C3T1 Fl. 5 4 inciso IX dos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ ou da CSLL, mas nada dispondo acerca de créditos oriundos de pagamento indevido de estimativa mensal, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ......... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ........ IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. (grifei) É de se observar que a Instrução Normativa fez uma interpretação restritiva de Lei nº 9.430/96, a qual não encontrou guarida na jurisprudência do CARF, que acerca da matéria proferiu a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Transcrevese ainda a redação anterior da súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Para melhor esclarecer a aplicação da súmula, trago à baila trecho do acórdão da CSRF nº 910100.406, de 02/10/2009, utilizado como precedente para elaboração da jurisprudência: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10283.907248/200974 Acórdão n.º 1301003.577 S1C3T1 Fl. 6 5 social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição corno pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, (...) De acordo com o acórdão recorrido, não seria possível caracterizar como indevido o recolhimento da antecipação mensal por estimativa de CSLL efetuado a maior, apenas confrontando referido pagamento com as regras para apuração do valor devido a titulo de antecipação mensal. (...) É o relatório. (...) Nos termos da lei, a pessoa jurídica que opta pelo lucro real anual está obrigada a antecipar, mensalmente, o IRPJ calculado por estimativa. Referida obrigação de antecipar a cada mês uma parcela do IRPJ que será devido ao fim do ano calendário é apurada sobre a base de cálculo estimada, calculada conforme percentuais definidos em lei aplicados sobre a receita bruta do Contribuinte até o mês em que a antecipação é realizada. Ainda nos termos da lei, a obrigação de antecipar o imposto pode ser reduzida ou suspensa, conforme o Contribuinte comprove, mediante levantamento de balanços ou balancetes, que o IRPJ, se calculado sobre o lucro real verificado até o momento da apuração da antecipação, é menor do que o valor devido de acordo com o cálculo sobre a base estimada. Em apertada síntese, esse é o regime legal da obrigação de antecipar, mensalmente, o IRPJ, em caso de opção pela apuração do lucro real em base anual. Diferentemente do acórdão recorrido, entendo que o Contribuinte está obrigado ao recolhimento das antecipações mensais nos termos estabelecidos na legislação, seja sobre as bases estimadas, seja sobre a base de cálculo apurada em balanço ou balancete de suspensão ou redução. A meu ver, havendo recolhimento superior àquele imposto por lei, ainda que sob a alcunha de "estimativa", resta caracterizado o recolhimento a maior passível de restituição ou compensação. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10283.907248/200974 Acórdão n.º 1301003.577 S1C3T1 Fl. 7 6 Como bem observou o acórdão paradigma, a legislação não estabelece que recolhimentos a maior que os estabelecidos pelas regras da apuração da antecipação mensal por estimativa também devem ser considerados como antecipação do imposto. Em outros termos, o recolhimento que exceda o valor apurado de acordo com as regras para o cálculo das antecipações mensais por estimativa não tem natureza de antecipação do imposto, mas de pagamento indevido, restituível nos termos do art. 165 do CTN.(grifei) Nesse diapasão, em observância à Súmula CARF nº 84, reconhecese que é possível a caracterização de indébito a partir de recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte da existência de pagamento indevido, ou seja, que o valor recolhido a título de estimativa mensal, ainda que através de balanço ou balancete suspensão/redução, foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Logo, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindo se assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10283.907248/200974 Acórdão n.º 1301003.577 S1C3T1 Fl. 8 7 de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.722202/2013-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/07/2009
NULIDADE POR VÍCIO FORMAL
A ausência da descrição clara dos fatos do auto de infração sem identificação precisa do objeto da autuação acarreta a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 3001-000.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada pelo sujeito passivo, para declarar a nulidade do auto de infração por vício formal em virtude da ausência de descrição clara e precisa dos fatos imponíveis da autuação.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 08/07/2009 NULIDADE POR VÍCIO FORMAL A ausência da descrição clara dos fatos do auto de infração sem identificação precisa do objeto da autuação acarreta a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10907.722202/2013-89
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5945993
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3001-000.668
nome_arquivo_s : Decisao_10907722202201389.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCOS ROBERTO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10907722202201389_5945993.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada pelo sujeito passivo, para declarar a nulidade do auto de infração por vício formal em virtude da ausência de descrição clara e precisa dos fatos imponíveis da autuação. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7561909
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148929204224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1363; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 137 1 136 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10907.722202/201389 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.668 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente BRASIL CARGO SERVICE LOGISTICA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/07/2009 NULIDADE POR VÍCIO FORMAL A ausência da descrição clara dos fatos do auto de infração sem identificação precisa do objeto da autuação acarreta a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada pelo sujeito passivo, para declarar a nulidade do auto de infração por vício formal em virtude da ausência de descrição clara e precisa dos fatos imponíveis da autuação. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 22 02 /2 01 3- 89 Fl. 137DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário impetrado contra Acórdão de Impugnação emitido pela DRJ do Rio de Janeiro que decidiu pela improcedência da impugnação mantendo o crédito tributário lançado. O presente processo versa sobre auto de infração lavrado para exigência da multa aduaneira prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/66, com redação dada pela Lei no 10.833/03. Afirma a fiscalização que “a INTERESSADA deixou de prestar informações sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre operações executada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. O detalhamento das infrações encontrase em tabele anexa a este auto de infração”. Na tabela 1 anexa encontrase as seguintes informações: Conhecimento Eletrônico Ocorrência Escala Atracação Manifesto Master House Motivo Data Hora Valor por CE Master 9000189301 08/07/2009 1609501213772 160905078910540 160905079664373 HBL INFORMADO APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO 08/07/2009 11:44:43 R$ 5 .000,00 A Recorrente apresentou Impugnação em face do auto de infração alegando, em síntese, o seguinte: (i) nulidade do auto de infração em face da inadequada descrição dos fatos; (ii) a inexistência da penalidade tendo em vista que as informações foram prestadas, apesar de fora do prazo; (iii) a desproporcionalidade da multa imposta tendo em vista o atraso na prestação das informações; (iv) requer a relevação da pena com base no art. 736 do Decreto no 6.759/2009. A DRJ do Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento do auto de infração conforme Acórdão no 1294.871 a seguir transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 DISPENSA DE EMENTA Estão dispensados de ementa os acórdãos resultantes de julgamento de processos fiscais de valor inferior a R$ 100.000,00 (cem mil reais), na forma da Portaria RFB nº 2724/2017. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Reproduzo ainda, para melhor elucidar, trechos do acórdão que destacam o entendimento adotado na decisão de primeira instância sobre a matéria. “Deixo de acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo. Além disso, sequer se pode imaginar a ocorrência de denúncia espontânea, que justamente é regulada no artigo 138 do CTN e Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10907.722202/201389 Acórdão n.º 3001000.668 S3C0T1 Fl. 138 3 tem seu escopo na infração que enseja o pagamento de tributo, não se aplicando esse instituto ao caso concreto. (...) Nesse sentido, o lançamento extemporâneo do conhecimento eletrônico, fora do prazo estabelecido na IN SRF nº 800/2007, por causar transtornos ao controle aduaneiro, deve ser mantido na presente autuação. Assim, DEIXO DE ACOLHER A IMPUGNAÇÃO e considero devido o crédito tributário lançado” Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os argumentos apresentados em sede de Impugnação e alegando o seguinte: (A) Preliminarmente – (i) a prescrição intercorrente em virtude da paralisação do prazo por período superior a 3 anos; (ii) impossibilidade da lavratura do auto de infração tendo em vista a revogação dos artigos 45 a 48 da IN SRF no 800/2007; (iii) a inadequada descrição dos fatos e nulidade absoluta do auto de infração; (iv) ilegitimidade da Recorrente para figurar no polo passivo da autuação; (B) No Mérito – (v) inocorrência da penalidade pela utilização da rota de exceção; (vi) a ocorrência do instituto da denúncia espontânea. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário, em sede de preliminares, os seguintes motivos para cancelamento da penalidade: Fl. 139DF CARF MF 4 (i) A prescrição intercorrente em virtude da paralisação do prazo por período superior a 3 anos; (ii) Impossibilidade da lavratura do auto de infração tendo em vista a revogação dos artigos 45 a 48 da IN SRF no 800/2007; (iii) A inadequada descrição dos fatos e nulidade absoluta do auto de infração; (iv) Ilegitimidade da Recorrente para figurar no polo passivo da autuação. 1) A prescrição intercorrente em virtude da paralisação do prazo por período superior a 3 anos A Recorrente alega a prescrição intercorrente em relação ao exercício da ação punitiva do Estado tendo por base o §1º do art. 1º da Lei no 9.873/99 no qual estabelece que ocorre a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho. A duração razoável dos processos encontrase assentada no art. 5°, LXXVIII da Constituição Federal com redação dada pela Emenda Constitucional 45/2004, que assim dispôs: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." Os prazos decadenciais e prescricionais em matéria tributária, conforme descrito no artigo 146, inciso III, alínea "b", da Carta da República, devem ser regulados por meio de Lei Complementar. "Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários". O Código Tributário Nacional, recepcionado pela ordem constitucional vigente com status de lei complementar, dispôs sobre os prazos decadencial de constituição do crédito tributário e prescricional de cobrança do crédito tributário após a sua regular constituição nos artigos 173 e 174. Estabeleceu ainda que a apresentação de reclamações e recursos suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Com isso, o processo administrativo tributário, regulado pelo Decreto nº 70.235/1972, prevê os institutos da Impugnação e do Recurso Voluntário produzem os efeitos previstos no artigo 151, inciso III, do CTN, quando da sua apresentação. Portanto, enquanto o processo administrativo estiver um fase de julgamento, não há que se falar em exigibilidade do crédito tributário com base no art. 151, inciso III, do CTN. Essa exigibilidade somente poderá ocorrer após decisão final proferida em sede administrativa. Portanto, o prazo prescricional só se inicia quando o Fisco está apto a cobrar o crédito tributário definitivamente constituído, não podendo se falar em prescrição intercorrente conforme alegado pela recorrente. Nesta mesma linha de entendimento, foi editada a Súmula CARF no 11 que assim estabelece: "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal". Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10907.722202/201389 Acórdão n.º 3001000.668 S3C0T1 Fl. 139 5 Esse também é o entendimento da Primeira Seção do e. STJ, que, no julgamento do Recurso Especial nº 1.113.959/RJ, submetido ao rito dos recursos repetitivos, na relatoria do Ministro Luiz Fux, assim decidiu: "o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastandose a incidência da prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica" (REsp 1.113.959/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe de 11/03/2010). Portanto, improcedentes as alegações de prescrição intercorrente. 2) Impossibilidade da lavratura do auto de infração tendo em vista a revogação dos artigos 45 a 48 da IN SRF no 800/2007 Neste item a recorrente alega que cabe a aplicação do instituto da retroatividade benigna tendo em vista que no ano de 2014 a IN SRFB no 1.473 revogou os artigos 45 e seguintes da IN SRF no 800/2007. Com isso, segundo a recorrente, a multa aplicada possuía como fundamento apenas a IN SRF no 800/2007 e que, antes da revogação, seria tida como ilegal. Este relator entende que, apesar de ter havido a revogação dos citados artigos da IN SRF no 800/2007, as regras de controle aduaneiro previstas antes da edição da IN SRFB no 1.473 em 2014 eram válidas no período em que a Recorrente incluiu as informações do conhecimento eletrônico house fora do prazo estabelecido no art. 22 da IN SRF no 800/2007. A recorrente afirma que se deve aplicar ao presente caso o estabelecido no art. 106, II, a do CTN, contudo, não há que se falar em extinção da penalidade. O que ocorreu com a edição da IN SRF no 1.473 foi a flexibilização dos controles aduaneiros legalmente estabelecidos e delegados à Secretaria da Receita Federal conforme determinado na própria alínea “e” do inciso IV do art. 107, in verbis: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (grifos da reprodução)” Fl. 141DF CARF MF 6 Portanto, válida a norma consubstanciada na IN SRF no 800/07 vigente a época da aplicação da penalidade. 3) A inadequada descrição dos fatos e nulidade absoluta do auto de infração A recorrente afirma que o auto de infração foco do presente recurso não descreve de forma clara os fatos que teriam levado ao cometimento da infração, tendo em vista que na descrição dos fatos teriam sido lançadas informações genéricas, dificultando sobremaneira a defesa da recorrente. De fato, conforme determina o art. 10 do Decreto 70.235/72, o auto de infração deve conter os seguintes itens: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; (grifo da reprodução) IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O auto de infração, em seu campo “DESCRIÇÃO DOS FATOS E EQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS)”, nas suas 10 (dez) páginas, contém basicamente a reprodução da legislação pertinente a matéria objeto da presente penalidade “001 – NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES A EXECUTAR”, sem descrever com precisão qual a efetiva infração cometida pela recorrente. Os tópicos da legislação listados pela fiscalização foram bem descritos e abordaram o comércio internacional e suas partes, a agência de navegação ou agência marítima e sua responsabilidade, sobre o agente de carga como representante do consolidador/desconsolidador, da obrigatoriedade de prestação de informações pelo transportador, da definição e características do conhecimento de carga, do funcionamento do controle aduaneiro informatizado, dos sistemas mercante e SICOMEXCARGA, quais as informações a serem prestadas conforme determinado pela IN SRF no 800/07 e seus respectivos prazos, sobre a exclusão da espontaneidade do sujeito passivo, dos danos causados à fiscalização e da infração pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidas. Contudo, reproduzindo o trecho do auto de infração, percebese que não foi possível identificar qual a infração cometida nem qual o prazo descumprido pela fiscalizada, ora Recorrente. “Partindo dos dados registrados nos sistemas em comento, após auditoria interna relativa ao período de 01/04/2009 a 31/12/2012, constatouse que a INTERESSADA deixou de prestar informações sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre operações executada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. O detalhamento das infrações encontrase em tabele anexa a este auto de infração. (...) Ressaltese que as sanções para os casos aqui tratados são aplicadas para cada Conhecimento Eletrônico (CE) em que haja ocorrido irregularidade. Caso se trate de conhecimento Master (Pai), ainda que haja mais de um House (Filhote) e a infração se Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10907.722202/201389 Acórdão n.º 3001000.668 S3C0T1 Fl. 140 7 refira ao procedimento de desconsolidação, haverá apenas uma infração referente ao CE Master” Por fim, aposta uma planilha na qual não descreve com objetividade e precisão a infração cometida, conforme reprodução a seguir: Conhecimento Eletrônico Ocorrência Escala Atracação Manifesto Master House Motivo Data Hora Valor por CE Master 9000189301 08/07/2009 1609501213772 160905078910540 160905079664373 HBL INFORMADO APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO 08/07/2009 11:44:43 R$ 5 .000,00 Portanto, entendo assistir razão à recorrente em relação a alegação de que na descrição dos fatos não há precisa identificação do objeto da autuação, infringindo o seu direito de ampla defesa e, por conseguinte, gerando a nulidade do lançamento por vício formal. 4) Ilegitimidade da Recorrente para figurar no polo passivo da autuação Afirma a recorrente que a figura do agente de carga não se confunde com o transportador e que não poderia ser responsabilizada por infrações atribuídas ao transportador. Improcedentes suas alegações. A norma de regência estabelece que o agente de carga se equipara a transportador nos fins a que se destinam a IN SRF no 800/07, veja como dispõe o art. 2º, §1º, IV, “e” da citada IN: "Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: ... §1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: ... IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela desconsolidação da carga no destino; e e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional;" Portanto, improcedentes os argumentos da recorrente neste particular. Diante do exposto, voto por acatar a preliminar de nulidade do auto de infração por vício formal em virtude da ausência de descrição clara e precisa dos fatos. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 143DF CARF MF 8 Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.730014/2014-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-003.359
Decisão:
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s :
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.730014/2014-91
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5927290
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.359
nome_arquivo_s : Decisao_10380730014201491.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CAIO CESAR NADER QUINTELLA
nome_arquivo_pdf_s : 10380730014201491_5927290.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt :
dt_sessao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7513240
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148937592832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1534; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2.648 1 2.647 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.730014/201491 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.722 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de agosto de 2018 Assunto SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO Recorrente M DIAS BRANCO S A INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à Unidade Local a fim de que o sujeito passivo seja intimado a demonstrar a adoção, pelos Estados da Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, das providências estabelecidas nas cláusulas do Convênio ICMS 190/17, ficando o julgamento sobrestado até que seja demonstrado tal fato ou até que sejam esgotados os prazos lá fixados, considerando as alterações do Convênio ICSM nº 51/2018 e eventuais novas prorrogações, o que ocorrer em primeiro lugar. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 30 01 4/ 20 14 -9 1 Fl. 2648DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.649 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 2618 a 2636), interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ (fls. 2572 a 2609) que manteve integralmente as Autuações sofridas pela Contribuinte (fls. 874 a 941), rejeitando a Impugnação apresentada (fls. 03 a 118). O processo versa sobre exações de IRPJ e CSLL, referentes aos anoscalendário de 2009 a 2010, acompanhadas de multa ofício (75%) e juros de mora, lavradas em face da empresa M DIAS BRANCO S A INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS. A acusação fiscal que sustenta as Autuações é exclusivamente de exclusões indevidas do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, referentes aos Programas FDI/PROVIN (Estado do Ceará), FAIN/PB (Estado da Paraíba), PROADI (Rio Grande do Norte) e DESENVOLVE (Estado da Bahia), todas tratadas como subvenção de investimento pela Contribuinte. Por bem resumir o início da lide, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Trata o presente processo de autos de infração lavrados em 12/12/2014 no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE, relativo aos anoscalendário de 2009 e 2010, por meio dos quais são exigidos da interessada acima identificada, o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 38.223.161,42 (fls. 03/11), a contribuição social sobre o lucro líquidoCSLL, no valor de R$ 13.760.338,10 (fls. 12/20), todos acrescidos de multa de ofício e de encargos moratórios. 2. Fundamentouse em exclusões indevidas, para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, apropriadas como Subvenções para Investimentos, nos anoscalendário de 2009 e 2010 e decorrentes dos incentivos fiscais estaduais denominados FDI/PROVIN, FAIN/PB, PROADI e DESENVOLVE, concedidos pelos Governos dos estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia, respectivamente. 3. Dos Fatos Fl. 2649DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.650 3 4. Os fatos verificados pela fiscalização no curso dos trabalhos de auditoria foram registrados no Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 21/34, a seguir sintetizados: 5. I Dos Procedimentos Fiscais 6. Durante os procedimentos de auditoria, a fiscalização intimou, por meio dos termos às fls. 120/122, 128/129 e 133/136, a contribuinte a apresentar, entre outros, os elementos comprobatórios que originaram o benefício fiscal das EXCLUSÕES do Lucro Líquido quando da apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, tituladas de Doações e Subvenções para Investimentos, apropriadas nos anoscalendário de 2009 e 2010. 7. A contribuinte, em resposta aos termos acima, apresentou a documentação acostada aos autos às fls. 142/2.428. 8. II Da Análise e Conclusão 9. A fiscalização, analisando a documentação apresentada pelo sujeito passivo e pelo Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico CEDE, em cotejo com os registros contábeis e fiscais da autuada e suas DIPJ's, constatou que: 10. 1 Incentivos Fiscais Vinculados ao PROVIN/FDI. Concedidos Pelo Governo do Estado do Ceará aos Estabelecimentos Filiais da M. DIAS BRANCO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS CNPJ 07.206.816/0001 15. 11. 1.1 – A filial "GME". 12. A filial "GME", CNPJ 07.206.816/0028 35, é detentora, no âmbito do FDI/PROVIN (Programa de Incentivo ao Financiamento de Empresas no Estado do Ceará), do benefício fiscal de operação de financiamento de seu ICMS devido, para formação de seu capital de giro, conforme consta do Protocolo de Intenções firmado com o Governo do Estado do Ceará (fls. 813/818) e aditivos (fls. 819/827), bem como na Cláusula Primeira do Contrato de Mútuo de Execução Periódica, em Dinheiro, com Garantia Fidejussória, celebrado com o Banco do Estado do Ceará S/A BEC (Operação N° 33.0321), e o Governo do Estado do Ceará, na condição de interveniente. 13. O valor do financiamento equivale a 75% do ICMS devido, em cada um dos períodos ocorridos entre os meses de abril de 2002 a março de 2017 e seu recolhimento garantido por Nota Promissória emitida pela mutuária, sob condição única e essencial, de que a parte não financiada do ICMS, equivalente ao complemento dos 25% (vinte e cinco por cento) restante do ICMS, seja pago dentro do prazo legal. 14. A renúncia fiscal corresponde a 75% do valor do ICMS mensal financiado pelo BEC, sob a única condição de que 25% (vinte e cinco por cento) do valor financiado e 15% (quinze por cento) das entradas mensais de trigo em grãos no estabelecimento beneficiado referentes ao ICMS diferido, sejam pagos nas datas aprazadas de seus vencimentos e, se posteriormente, com os encargos financeiros acordados. 15. Incentivo aprovado pela Resolução nº 16/2002 (fls. 828/829). 16. 1.2 – A filial "Moinho Dias Branco". Fl. 2650DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.651 4 17. A filial "Moinho Dias Branco", CNPJ 07.206.816/002401, no âmbito do FDI/PROVIN, possui o mesmo benefício fiscal da filial GME, conforme Protocolo de Intenções às fls. 832/835 e aditivos às fls. 836/837, bem como na Cláusula Primeira do Contrato de Mútuo de Execução Periódica, em Dinheiro, com Garantia Fidejussória, celebrado com o Banco do Estado do Ceará S/A BEC (Operação N° 44.0070/4). 18. O valor do financiamento equivalia inicialmente a 60% (sessenta por cento) e atualmente encontrase em 75% do ICMS devido, incidente sobre as entradas mensais de trigo em grão no estabelecimento, no transcorrer de sua vigência e seu recolhimento garantido por Nota Promissória emitida pela mutuária, sob condição única e essencial, de que à parte não financiada do ICMS, equivalente ao complemento dos 25% (vinte e cinco por cento) restante do ICMS, seja pago dentro do prazo legal. 19. A renúncia fiscal corresponde atualmente a 85% (oitenta e cinco por cento) do valor do ICMS mensal financiado pelo BEC, sob a única condição, também, de que os 15% (quinze e cinco por cento) do valor financiado, seja pago nas datas aprazadas de seus vencimentos, e se posteriormente, com os encargos financeiros acordados. 20. Incentivo aprovado pelas Resoluções nº 72/2006 (fls. 838/839) e nº 213/2006 (fls. 840/841). 21. 2 Incentivos Fiscais Vinculados ao Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Industrial da Paraíba FAIN. Concedido pelo Governo do Estado da Paraíba ao Estabelecimento Filial Da M. Observase ainda que a TOYOTA lança na conta 612199 Gastos Diversos com Funcionários (fls. 36/37), as notas fiscais da SULRING ASSESSORIA. DIAS BRANCO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS. CNPJ 07.206.816/0001 15. 22. 2.1 – Filial Grande Moinho Tambaú. 23. A filial Grande Moinho Tambaú GMT, CNPJ 07.206.816/0036 45, é detentora no âmbito do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Industrial da Paraíba FAIN, do benefício fiscal de operação de financiamento de seu ICMS devido, para formação de seu capital de giro, conforme consta no item II da Resolução N° 049/2002, de 23/11/2002 (fls. 858), que da suporte ao Protocolo de Intenções firmado com o Governo do Estado da Paraíba, que estipula em seu item III, que a operação de empréstimo será liquidada no período de 01 (um) ano, contado de cada liberação e os juros financeiros calculados pela TJLP, limitamse a 12% (doze por cento) ao ano. 24. Por sua vez, conforme estipulado na aludida Resolução e no Protocolo de Intenções, o objeto do contrato é a concessão de uma operação de empréstimo mensal, com recursos do FAIN, destinado a subsidiar integralmente o valor do ICMS devido pela sociedade empresária (mutuária) e renúncia fiscal de parte do financiamento, que deverá ser destinado a compor o CAPITAL DE GIRO da unidade industrial beneficiária do incentivo fiscal. Fl. 2651DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.652 5 25. O valor do financiamento equivale a 100% (cem por cento) do ICMS mensalmente recolhido. A renúncia fiscal corresponde a 99% (noventa e nove por cento) do valor do ICMS mensal financiado pelo FAIN, sob a única condição, também, de que os 1% (um por cento) do valor financiado seja pago nas datas aprazadas de seus vencimentos, e se posteriormente, com os encargos financeiros acordados; 26. 3 Incentivos Fiscais Vinculados ao Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE. Concedido pelo Governo do Estado Da Bahia ao Estabelecimento Filial da M. DIAS BRANCO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS. CNPJ 07.206.816/0001 15. 27. 3.1 – Filial Grande Moinho Aratu 28. A filial Grande Moinho AratuGMA, CNPJ 07.206.816/003050, é detentora no âmbito do Programa DESENVOLVE, do benefício fiscal de operação de financiamento de seu ICMS devido, conforme consta no Protocolo de Intenções firmado com o Governo do Estado da Bahia e seus Termos de Retificação e Ratificação (fls. 859/873), bem como no determinado na Resolução N° 144/2003 (fl. 874), emanada do Programa DESENVOLVE, de 04/12/2003. 29. Por sua vez, o objeto do contrato é a concessão de uma operação de empréstimo mensal de valor equivalente ao ICMS mensal diferido e renúncia fiscal de 90% (noventa por cento) da parte do financiamento. Em complemento, encontrase determinado no Decreto n° 8.205/2002 e seus anexos: prazos; condições de descontos da parte incentivada/renúncia fiscal, que para o sujeito passivo é de 90% (noventa por cento); e os descontos da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que variam de 15% a 20% incidente sobre os 10% do ICMS postergado e pago na data acordada. 30. Tais situações conforme determinado no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 22, de 29/10/2003, caracterizam empréstimos subsidiados ou regimes especiais de pagamentos de impostos (ICMS), em que os juros e a atualização monetária, previstos contratualmente, incidem sob condição suspensiva e, por conseguinte, o incentivo fiscal do DESENVOLVE, não se configura como subvenção para investimento ou custeio e sim, reduções de custos ou despesas. 31. 4 Incentivos Fiscais Vinculados ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte PROADI. Concedido pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte ao Estabelecimento Filial Da M. DIAS BRANCO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS. CNPJ 07.206.816/0001 15. 32. 4.1 – Filial Grande Moinho Potiguar 33. A filial Grande Moinho potiguarGMP, CNPJ 07.206.816/002673, é detentora no âmbito do Programa PROADI (Programa do Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte), do benefício fiscal de operação de empréstimo vinculado ao seu ICMS devido, conforme consta no Protocolo de Intenções firmado com o Governo do Estado do Rio Grande do Norte e seus aditivos (fls. 842/845) e no Contrato Particular de Mutuo de Execução Periódica em Dinheiro, firmado entre a Agência de Fomento do Rio Grande do Norte s/a AGN e o contribuinte. Fl. 2652DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.653 6 34. Por sua vez, conforme estipulado nos referenciados documentos, o objeto da operação é a concessão de uma operação de empréstimo mensal de valor equivalente ao ICMS mensal diferido e renúncia fiscal de 99% (noventa e nove por cento) da parte do financiamento. Em complemento, o Contrato Particular de Mutuo de Execução Periódica em Dinheiro, firmado entre a Agência de Fomento do Rio Grande do Norte s/a AGN, determina entre outras coisas, nas Cláusulas Sexta, Sétima e Oitava as condições de garantia; amortização e encargos financeiros do benefício fiscal, incidente sobre o incentivo fiscal e sua renúncia fiscal e a parte não incentivada ou rebote 1% (um por cento) do valor do ICMS incentivado. 35. Tais situações conforme determinado no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 22, de 29/10/2003, caracterizam empréstimos subsidiados ou regimes especiais de pagamentos de impostos (ICMS), em que os juros e a atualização monetária, previstos contratualmente, incidem sob condição suspensiva e por conseguinte, o incentivo fiscal do PROADI, não se configura como subvenção para investimento ou custeio e sim, reduções de custos ou despesas. 36. 5 CONTABILIZAÇÃO DOS BENEFÍCIOS FISCAIS DO PROVIN, FAIN, DESENVOLVE E PROADI PELO SUJEITO PASSIVO. 37. Os incentivos fiscais do PROVIN, FAIN, DESENVOLVE e PROADI, foram registrados na contabilidade do sujeito passivo às contas: No reconhecimento do incentivo fiscal: No passivo circulante no grupo de contas de Subvenções para Investimentos (211901): contas 2119010001 PROVIN, 2119010002 PROADI, 2119010003 FAIN e 2119010004 DESENVOLVE e suas correspondentes contrapartidas, cujos DEMONSTRATIVOS encontramse em anexo (fls.45/118). Na apropriação no resultado: Em contas redutoras do grupo de Custos dos Produtos Vendidos, vinculado aos Incentivos Fiscais (613106): contas 6131060001 PROVIN, 6131060002 PROADI, 6131060003 FAIN e 6131060004 DESENVOLVE e suas correspondentes contrapartidas, cujos DEMONSTRATIVOS encontramse em anexo (fls.45/118). Na constituição das reservas de lucros: Em contas de reservas de Incentivos Fiscais (312305): contas 3123050010 PROVIN, 31230011 PROADI, 31230012 FAIN e 31230013 DESENVOLVE e suas correspondentes contrapartidas, cujos DEMONSTRATIVOS encontramse em anexo (fls.45/118). 38. Considerando que os programas FDI/PROVIN, FAIN/PB, PROADI/RN e DESENVOLVE/BA subsidiam parte do ICMS devido pela sociedade empresária, através de renúncia fiscal, e seus valores destinamse a formação de seu Capital de Giro e que, apesar do sujeito passivo ter contabilizado os valores do incentivo fiscal como parcela redutora de Custo dos Produtos Vendidos, e posteriormente excluídos de seu lucro líquido na apuração de seu lucro real e da base de cálculo da CSLL (fls.45/118), é de se GLOSAR as EXCLUSÕES de seu LUCRO REAL e da apuração da CSLL, conforme discriminadas nos DEMONSTRATIVOS I e II (fls. 35/38), III (fls. 39/40), IV (fls. 41/42) e Fl. 2653DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.654 7 V (fls. 43/44) respectivamente, anexos ao presente Termo, por onerarem indevidamente sua apuração, haja vista que referenciados valores caracterizamse como Recuperação de Custos/Despesas, conforme determinado nos artigos 247, 248, 249, 250, 251, 262, 275, 276, 277, 278, 279, 280 e 392, do Decreto Nº. 3.000/99 (RIR/99), combinado com o disposto no Parecer Normativo CST Nº. 112/1978 e Ato Declaratório Interpretativo SRF Nº. 22, de 29/10/2003. 39. Diante do exposto, foi efetuado o lançamento de ofício relativo à glosa de valores excluídos indevidamente do Lucro Líquido nos anos calendário de 2009 e 2010, na determinação do Lucro Real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, vinculados aos beneficios fiscais do PROVIN/FDI (CE), FAIN (PB), PROADI (RN) e DESENVOLVE (BA), como apresentado nos Demonstrativos I a XXIX (fls. 35/118) e demais documentos em anexo, contabilizados nas contas 6131060001 ()PROVIN (estabelecimentos Moinho Dias Branco e Gorduras e Margarinas Vegetais GME), 6131060002 ()PROADI (estabelecimento Grande Moinho Tambaú), 6131060003 ()FAIN (estabelecimento Grande Moinho Potiguar) e 6131060004 ( )DESENVOLVE (estabelecimento Grande Moinho Aratu). 40. A interessada foi cientificada dos autos de infração no dia 17/12/2014, conforme Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal às fls. 2.429/2.430. No dia 14/01/2015, foi apresentada impugnação (fls. 2.434/2.566), cujo teor, em síntese, transcrevese a seguir: 40.1 – PRELIMINARMENTE DA NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO PARA AS EXIGÊNCIAS DO IRPJ E CSLL SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS 40.2 (i) Da fundamentação genérica e dos erros verificados nos enquadramentos legais. 40.3 – A impugnante alega nulidade do lançamento, pois a conduta narrada pela fiscalização não se subsume ao fundamento legal invocado para embasar o lançamento, citando, como fundamento, voto vencedor do Conselheiro Marcelo Oliveira do CARF (inseriu trecho do voto do Acórdão 920201.723 Processo Administrativo 35395.001009/200719). 40.4 – No Auto de Infração lavrado para a exigência do IRPJ, há indicação de violação ao art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247 a 251, 262, 275 a 280 e 392 do RIR/99, para fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2010. 40.5 – No entanto, a fiscalização não elencou nenhum dispositivo aplicado à subvenção para investimento, nem aos seus tratamentos contábeis ou fiscais, dentre eles: o art. 18 da MP 449/08 (convertida na Lei n° 11.941/09), o art. 38, § 2º, do DecretoLei n° 1.598/77 (com redação dada pelo DecretoLei n° 1.730/79) e o art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR/99). Restringiuse a apresentar vários artigos sobre apuração do Lucro Real sem mencionar quais foram as violações cometidas pela Recorrente em sua contabilidade e escrituração, e mais, única e exclusivamente limitouse a transcrever a modalidade em que a impugnante promoveu sua escrituração no item 5 do Termo de Fl. 2654DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.655 8 Verificação e Constatação Fiscal (fl. 32), sem sequer apontar onde haveriam cometido quaisquer violações. 40.6 – Seguiu da mesma forma quanto à exigência da CSLL, uma vez que o enquadramento legal apresentase por demais genérico e errôneo, não dispondo como a Contribuinte infringiu tais dispositivos legais, quais sejam: art. 2º da Lei n° 7.689/88, com alterações introduzidas pelo art. 2o da Lei n° 8.034/90; art. 57 da Lei 8.981/95, com alterações do art. 1º da Lei n° 9.065/95; art. 2º da Lei n° 9.249/95; art. 1º da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96; e, art. 3o da Lei n° 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 11.727/08. 40.7 – A impugnante acrescenta que o CARF estabeleceu os requisitos da subvenção para investimento para fins de enquadramento na hipótese de não incidência veiculada no § 2º do artigo 38 do Decreto Lei n° 1.598/77, além de definir que uma investigação superficial, calcada somente em desqualificar a natureza do incentivo com base na configuração legal, proporciona uma fiscalização deficiente a configurar o objeto da acusação fiscal (inseriu trechos dos acórdãos n° 1302001.380 e n° 1102001.203). 40.8 – Conclui, alegando que, como visto, a fiscalização limitouse a, de forma superficial, apontar os supostos dispositivos violados que, conforme visto, nem mesmo seriam aqueles corretos a embasar os Autos de Infração, deixando de aprofundar seus argumentos o suficiente para descaracterizar os requisitos exigidos pela jurisprudência do CARF. 40.9 – Assim, requer a nulidade dos Autos de Infração, pois estão eivados de vícios pelo cometimento de erros nos enquadramentos legais e pela fundamentação genérica. 40.10 – (ii) Da fundamentação e motivação equivocada para as exigências de IRPJ e CSLL referente aos Programas de Subvenção para Investimento FDI/PROVIN e FAIN/PB 40.11 – Alega que a autoridade fiscal equivocase, ao fundamentar o lançamento citando que os programas FDI/PROVIN e FAIN/PB subsidiam parte do ICMS devido pela sociedade empresária, através de renúncia fiscal e que seus valores destinamse a formação de seu Capital de Giro. 40.12 – Os únicos instrumentos compulsados pela fiscalização que fazem menção à expressão "capital de giro" são aqueles celebrados entre a contribuinte e os Governos dos Estados do Ceará e da Paraíba, no âmbito da sistemática dos programas FDI/PROVIN e FAIN/PB. Excluindose, portanto, os casos do Ceará e da Paraíba, os demais instrumentos formalizadores dos compromissos de investimento e de concessão das subvenções respectivas relativo aos programas estaduais de fomento PROADI/RN e DESENVOLVE/BA em momento algum se referem a "capital de giro". 40.13 – Alega, assim, que é falsa a afirmação de que os programas FDI/PROVIN e FAIN/PB fariam a suposta renúncia fiscal destinada à formação de capital de giro. 40.14 – No caso do Ceará, a expressão "capital de giro" em momento algum tem o condão de desqualificar a subvenção para investimento que o Estado do Ceará, com recursos de seu FDI e PROVIN, concedeu Fl. 2655DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.656 9 à contribuinte, conforme previsto na Resolução n° 072/2006 entregue à fiscalização (fls. 838/839). 40.15 – Os Protocolos de Intenções celebrados com os Estados do Ceará e da Paraíba igualmente apresentados à fiscalização são expressos em qualificar que os mesmos estão sendo celebrados porque a beneficiária se compromete a instalar, modernizar e diversificar unidade industrial de beneficiamento do trigo, ou a de implantar uma unidade industrial destinada à fabricação de gorduras hidrogenadas, margarinas especiais, biscoitos e massas, com compromissos adicionais de instalar determinados volumes de produção, investir determinado volume de recursos etc. (fls. 813/837 e 846/850). Enfim, os Estados se comprometem a liberar recursos do FDI/PROVIN e do FAIN/PB com o claro e específico propósito de subvencionar investimentos em empreendimentos econômicos que são exigidos em contrapartida. 40.16 – Conclui, alegando que a autoridade fiscal lastreou suas autuações nos equivocados fundamento e motivação de que o percebimento de valores se deu a título de "capital de giro" e não subvenção para investimento, contaminados estão os Autos de Infração ora impugnados; a uma porque os instrumentos concessivos que lastreiam o conjunto de provas dos autos tratam unicamente de valores percebidos a título de subvenção para investimento; e a duas porque não é verdade que todos os instrumentos pertinentes a todos os programas se referem à expressão "capital de giro", como pretende fazer crer a fiscalização. 40.17 – Assim, requer a nulidade parcial dos Autos de Infração por flagrante erro na fundamentação e motivação quanto ao critério adotado pela fiscalização relativo aos incentivos PROVIN/CE e o FAIN/PB. 40.18 – V. MÉRITO DA TOTAL IMPROCEDÊNCIA DAS AUTUAÇÕES LEVADAS A EFEITO CONTRA A IMPUGNANTE 40.19 – (i) IRPJ e CSLL Subvenções para investimentos 40.20 – (ii.1) Subvenções para investimentos Critérios da Legislação Financeira, Tributária e Contábil Não sujeição ao IRPJ e a CSLL 40.21 – A impugnante cita que, ao Estado, em regra, cabe o dever de subvencionar instituições que realizem serviços, ou obras de interesse público, o qual, para isso, dispõe em leis especiais as normas que devem ser atendidas para a concessão, ou obtenção, de semelhantes auxílios. 40.22 O conceito de subvenção está sempre associado à idéia de auxílio, ajuda como indica a sua origem etimológica (subventio) expressa normalmente em termos pecuniários. Entretanto, se bem que a subvenção, em Direito Civil, constitua uma forma de doação, caracterizandose, portanto, pelo seu caráter não compensatório, no Direito Público, particularmente no Direito Financeiro, embora também se revista de caráter não remuneratório e não compensatório, deve submeterse ao regime jurídico público relevante. A subvenção pressupõe sempre o concurso de dinheiro ou bens estatais. É categoria do Direito Financeiro e não de Direito Tributário. Fl. 2656DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.657 10 40.23 A classificação das despesas na esfera do. Direito Financeiro é a prevista na Lei n° 4.320/64, recepcionada que foi como Lei Complementar pelo artigo 165, § 9º, da Constituição Federal. O regramento das despesas públicas tem fundamento no inciso II do mencionado Diploma Legal. 40.24 Assim, a Lei n° 4.320/64, que regula Direito Financeiro, procedeu à classificação das despesas públicas em seus artigos 12 a 21, que devem obrigatoriamente ser observados por todos os entes da federação, por tratarse de normas gerais de direito financeiro, sendo que desses dispositivos extraímos o fato de que as despesas foram dividas em 02 (dois) grupos econômicos: despesas correntes e despesas de capital. E, dentre as despesas correntes, a subcategoria que se amolda à despesa sob análise é a de subvenção, disposta no inciso II, § 3o, do artigo 12, daquela Lei n° 4.320/64. 40.25 O conceito de subvenção enquanto transferência corrente é retirado dos ensinamentos de Geraldo Ataliba e Celso Antonio Bandeira de Mello. “A subvenção é expediente ordinário. Nada tem de invulgar ou inusitado. Tanto é assim que a lei n° 4.320 ao cuidar das despesas correntes, nelas inclui as subvenções, entre as 'transferências correntes” (art. 13). As subvenções são desdobradas em duas categorias, as sociais e as econômicas (arts. 16 e 18). (...)É verdade que não se deixou ao arbítrio da Administração a decisão quanto aos 'produtos ou materiais ' cujo incentivo pode ser promovido, pelas subvenções. Nem se poderia fazêlo. No nosso sistema, só a lei pode dispor sobre a destinação dos dinheiros públicos. No caso, porém, de 'ajuda financeira ' subvenção a empresa de fins lucrativos, foi peremptória a lei n° 4.320 ao vedála, com a ressalva de expressa disposição legal. Efetivamente, assim dispôs: Art. 19. A lei de orçamento não consignará ajuda financeira, a qualquer título, a empresa de fins lucrativos, salvo quando se tratar de subvenção cuja concessão tenha sido expressamente autorizada em lei especial.” ("Subvenções. Natureza Jurídica. Não se confundem com isenções. Irretroatividade da lei. Direito Adquirido. 'In' Revista de Direito Público, v. 20. Ed. Revista dos Tribunais, 1972, pp. 88/89) 40.26 – E, nessa linha de raciocínio, é de se concluir pela possibilidade de subvenções econômicas com respaldo no artigo 18, § único, alínea 'a', da Lei n° 4.320/64, considerando subvenção o valor pago a empresa privada desde que a mesma atue ou aplique 'valores' em empreendimentos que gerem desenvolvimento ao ente estatal patrocinador e, desde que haja previsão em lei específica nesse sentido. 40.27 – E, para fins de legislação tributária, citasenas lições de Bulhões Pedreira: Fl. 2657DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.658 11 “A legislação tributária denomina de subvenção as transferências de renda e capital recebidas pela pessoa jurídica porque (a) em regra elas têm origem no setor público (e assim são designadas na orçamentação e contabilidades públicas) e (b) a expressão é usada, com o sentido de transferência de renda, no direito privado” (Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas", v. II. Rio de Janeiro : JustecEditora, 1979, p. 185). 40.28 – Citase, também, análise feita por Reinaldo Pizolio sobre a subvenção percebida pela empresa privada: “No que tange à sua conceituação, a palavra subvenção encontra sua origem etimológica no latim, em subventio, de subvenire, que significa socorrer, ajudar, auxiliar. (...) a subvenção não apresenta nada de extraordinário, constituindose, antes, em relevante instrumento à disposição do Poder Público, para que este possa estimular atividades, operações e empreendimentos que encontram sua razão de ser na satisfação de determinados interesses públicos. Dessa forma, a subvenção, na qualidade de instrumento viabilizador de interesses públicos, submetese a regime jurídico próprio e pode comportar variados critérios de eleição para sua efetivação, sem que isto implique o desvirtuamento do instituto jurídico. Com efeito, a subvenção, que pode ser concedida pela União, pelos Estados e pelos Municípios, atende à necessidade de se fomentar o desenvolvimento de determinados setores econômicos ou regiões nos quais haja o interesse público especial”. As subvenções correntes, que a lei tributária trata como direcionadas para o custeio ou para a operação, são aquelas concedidas à pessoa jurídica para que esta possa fazer frente aos seus custos, por assim dizer, comuns ordinários, como, por exemplo, necessidades de caixa ou determinados déficits operacionais. As subvenções para investimentos, por sua vez, caracterizamse pela destinação dos recursos à empresa para que sejam aplicados em sua expansão, em alocação de valores para implementação de seu parque industrial, ou ainda, por exemplo, para que se desenvolva novas atividades econômicas.” (Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Subvenções para Investimento", 'in' Revista Dialética de Direito Tributário, v. 52. São Paulo : Dialética, 2002, p. 149) 40.29 – Nesse sentido, as subvenções para investimento diferem das subvenções para custeio, na medida em que as para investimento, não tributáveis, destinamse à expansão de atividades relevantes para o Estado; enquanto as para custeio e operações se destinam às despesas correntes da empresa beneficiária, tributadas, que não são as percebidas pela impugnante, como equivocadamente pretende fazer crer a fiscalização. 40.30 – E nos períodos autuados (2009 e 2010) estava em vigor a Medida Provisória n° 449/08 (convertida na Lei n° 11.941/09), a qual, ao criar o Regime Tributário de Transição RTT de apuração do lucro real (arts. 15 a 22), disciplinou em seu art. 18 o seguinte tratamento a ser dado às subvenções para investimento, assim definidas como Fl. 2658DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.659 12 aquelas concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos: “Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17, às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei n" 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: I reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3o do art. 177da Lei n" 6.404, de 1976, no caso de companhias abertas e outras que optem pela sua observância; II excluir, no Livro de Apuração do Lucro Real, o valor referente à parcela do lucro líquido do exercício decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, para fins de apuração do lucro real; III manter o valor referente à parcela do lucro líquido do exercício decorrente da doação ou subvenção na reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei n° 6.404, de 1976; e IV adicionar, no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III. Parágrafo único. As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos cinco anos anteriores à data da doação ou subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; ou, III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios.” 40.31 – E, segundo o item 11 da exposição de motivos da referida MP: “11. O art. 38 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, isenta do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ as importâncias relativas a subvenções para investimento e doações recebidas do Poder Público, bem como O prêmio na emissão de debêntures, desde que tais valores sejam mantidos em reserva de capital. O Estado abre mão da tributação para capitalizar a empresa, razão pela qual tal valor deve ser mantido em reserva e não distribuído Fl. 2659DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.660 13 sob qualquer forma. Ocorre, porém, que o art. 195A, inserido pela Lei n" 11.638, de 2007, na Lei n° 6.404, de 1976, criou um obstáculo ao gozo da isenção, ao determinar que tais valores transitem pelo resultado da empresa e que possam compor a base de cálculo dos dividendos obrigatórios. Assim, para que tais isenções sejam mantidas sem perder a finalidade para a qual foram criadas a capitalização das empresas são propostos os arts. 18 e 19 do Projeto, os quais excluem tais valores da base tributável do imposto de renda, desde que mantidos em reservas de lucros, ainda que tenham transitado pelo resultado da empresa.” 40.32 – As subvenções concedidas com o propósito de estimular que seus beneficiários implantem ou expandam empreendimentos econômicos são claramente definidas como subvenções para investimento, e admitidas como destinadas à capitalização das empresas, não devendo, por essa razão, mesmo transitando por resultados em função dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei n° 11.638/07, serem oferecidas à tributação, mas, antes, registradas (após o trânsito por resultados) em conta de reserva de lucros no Patrimônio Líquido (anteriormente em reserva de capital) e não serem distribuídas. 40.33 – A Ciência Contábil, aliás, oferecenos ferramentas capazes de compreender a extensão atribuída às subvenções pelo texto legal (art. 44 da Lei n° 4.506/64), sob o ângulo da modificação produzida no patrimônio da pessoa jurídica beneficiária, que terá seu patrimônio enriquecido com recursos vindos de fora sem que isto importe na assunção d'uma dívida; semelhante que é tal acontecimento aos recursos trazidos pelos sócios daquela pessoa jurídica com a condição de não serem exigidos ou cobrados porque injetados no capital da sociedade, contabilmente denominados "capital próprio", diferente que é do "alheio" ou de "terceiros", estes sim exigíveis e cobráveis. 40.34 Portanto, as subvenções de investimento feitas pelo Poder Público não se sujeitam à tributação: os recursos não se ajustam ao conceito de renda, daí serem registrados, após um mero trânsito por resultados, como reservas de lucros; no tocante à CSLL, nos termos do §3° do art. 15 da MP 449/08, a mesma disciplina prevista no art. 18 da MP 449/08 (convertida na Lei n° 11.941/09) deverá ser estendida a esta contribuição, do que se conclui por sua exclusão da respectiva base de cálculo. 40.35 – Assim, para fins de exigência do IRPJ e da CSLL, o acréscimo de patrimônio proporcionado pela subvenção não deve ser atingido pela incidência daqueles tributos, pois não se encontra na livre disponibilidade do seu beneficiário e tampouco satisfaz o seu interesse lucrativo do beneficiário, mas, sim, os fins públicos que motivaram o seu pagamento, ou seja, estimulálo a implantar ou a expandir empreendimentos econômicos. 40.36 – Consoante se extrai do exame da legislação em comento, base que foi para as equivocadas e ilegítimas autuações e consequente exigências de IRPJ e CSLL, temse que resta mantida a possibilidade de incorporação da subvenção (reserva de lucro) ao capital. Com efeito, destacamos que a disciplina das doações e subvenções para Fl. 2660DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.661 14 investimento não apresenta a transitoriedade característica do Regime Tributário de Transição RTT. 40.37 – É relevante destacar que a fiscalização, no caso destes autos, em instante algum sequer afirmou o desatendimento de qualquer dos requisitos disciplinados no art. 18 da MP 449/09 (posteriormente convertida na Lei n° 11.941/09), quanto ao tratamento Contábil e Fiscal das subvenções para investimento ali definido. O que ela fez foi, liminarmente e contrariando todo o rol de provas juntadas aos autos, descaracterizar os recursos recebidos como subvenção para investimento. 40.38 – É relevante destacar que a fiscalização, no caso destes autos, em instante algum sequer afirmou o desatendimento de qualquer dos requisitos disciplinados no art. 18 da MP 449/09 (posteriormente convertida na Lei n° 11.941/09), quanto ao tratamento Contábil e Fiscal das subvenções para investimento ali definido. O que ela fez foi, liminarmente e contrariando todo o rol de provas juntadas aos autos, descaracterizar os recursos recebidos como subvenção para investimento. 40.39 – Nesse sentido, citase Ricardo Mariz de Oliveira : “(...) também não é receita o direito novo que, por sua natureza e por definição legal, represente capital social ou seja contabilizado em reserva de capital da pessoa jurídica (tais como ágios de emissão de novos títulos de participação societária e o produto da alienação de partes beneficiárias ou bônus de subscrição), ou que, mesmo não representando capital social ou não sendo contabilizado em reserva de capital, por sua natureza corresponda a uma transferência patrimonial (tais como as doações, as subvenções para investimento, as subvenções para custeio de operações e os prêmios de emissões de debêntures); a definição legal para que aqueles primeiros ingressos ou entradas sejam creditados diretamente à conta de capital ou à reserva de capital permitenos apelidalos de "não receitas".” 40.40 – Por último, a impugnante, para reforçar seus argumentos, cita julgamento do CARF, com especial destaque para sua metodologia contábil, nos seguintes termos: “(...) sua forma de contabilizar as subvenções obedeceu às normas então vigentes, e que o objetivo do art. 443 (evitar a distribuição aos sócios) foi atingido. A contabilização foi objeto, inclusive, do art. 18 da Lei n° 11.941/2009(...)” (inseriu trecho do voto do Acórdão 1302001.380 Processo n° 10120.730439/201208). 40.41 – (ii.2) Subvenções para Investimentos PROVIN/CE, PROADI/RN, FAIN/PB e DESENVOLVE/BA Adesão e Cumprimento pela M. DIAS BRANCO Não sujeição ao IRPJ e a CSLL 40.42 – Os dispositivos legais que regulam a matéria são: art. 18 da MP 449/08 (convertida na Lei n° 11.941/09), art. 38, § 2º, do DecretoLei n° 1.598/77 e o artigo 443 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, (RIR/99); sendo que da análise desses dispositivos identificase a existência de três elementos essenciais para garantir a não tributação das subvenções: (i) a transferência de recursos do Poder Público para o contribuinte beneficiário, inclusive mediante isenção ou redução de impostos; (ii) o intuito de estímulo à implantação ou expansão de empreendimento Fl. 2661DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.662 15 econômico; e, (iii) a constituição da respectiva reserva de lucros (antes reserva de capital), não se permitindo sua distribuição. 40.43 – A seguir serão detalhados os motivos de cada programa para não integrar a base de cálculos dos tributos lançados. 40.44 – (ii.2.a) Do FDI/PROVIN 40.45 A partir da edição da lei estadual n° 10.637, de 07 de dezembro de 1979, o Governo do Estado do Ceará instituiu "o Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará FDI com o objetivo de promover o desenvolvimento das atividades industriais em todo o território do Estado do Ceará." (art. 1º), atualmente denominado PROVIN/CE, sendo que o mesmo tem por objetivo "a promoção industrial o FDI assegurará às empresas industriais consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento econômico do Estado e / ou seus acionistas, incentivos de implantação, funcionamento, relocalização, ampliação e modernização ou recuperação, sob a forma de subscrição de ações, participações societárias empréstimos, observada a legislação federal pertinente.'' (art. 2º). 40.46 – O PROVIN/CE concedeu incentivos à impugnante, conforme Resoluções n°s 016/2002, 072/2006 e 213/06, firmadas com o Governo do Estado do Ceará (fls. 2.503/2.509). Nessas Resoluções, inclusive, o Estado, expressamente afirma que o incentivo concedido no âmbito do PROVIN/CE é subvenção para investimento com recursos do Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará FDI (Res. 072/2006 às fls. 2.506/2.507). 40.47 – Em outro Protocolo, assinado em 21.11.1995, o Estado do Ceará se compromete a conceder uma subvenção para investimento como estímulo à "implantação de uma indústria destinada à fabricação de gordura hidrogenada e margarina", consignando, ainda, na Cláusula Segunda do Protocolo, que a beneficiária se compromete a investir determinado valor financeiro nesse novo empreendimento econômico, atingir uma capacidade de produção determinada e gerar um número mínimo de empregos diretos (fls. 2.510/2.533). 40.48 – A impugnante comprometeuse a modernizar e diversificar suas unidades industriais, quer a instalar uma unidade industrial nova, em município daquele estado, e, observase por relevante, até a presente data ainda assim está comprometida e realizando investimentos naquele Estado do Ceará, pois, a contrário senso, não mais contaria com o apoio da subvenção para investimento do PROVIN/CE, conforme aliás atestado pela própria fiscalização junto ao Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico CEDE e registrado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal. 40.49 – O Estado do Ceará firmou o compromisso de oferecer a subvenção com a explícita intenção de estimular a realização desses investimentos na implantação e ou modernização/expansão de empreendimentos econômicos em solo cearense. 40.50 – Verificase claramente, na documentação juntada, que na espécie e quanto ao PROVIN/CE há sim o efetivo cumprimento aos pressupostos legais concessivos à subvenção para investimento, aqueles previstos nos já citados artigos 38, § 2°, do DecretoLei n° Fl. 2662DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.663 16 1.598/77 (com redação dada pelo DecretoLei n° 1.730/79) e 443 do RIR/99, frisandose, como já explicado nesta impugnação, que a expressão "capital de giro" diz respeito ao mecanismo de empréstimo bancário, que objetiva suprir parte dos recursos necessários para que a empresa quite seu ICMS na data de seu vencimento e só venha a receber sua subvenção para investimento, liberada com recursos do FDI, tempos depois. 40.51 Uma leitura honesta e completa dos instrumentos firmados pela contribuinte com o Estado do Ceará sob o FDI/PROVIN revela que os recursos liberados pelo Governo cearense à contribuinte se destinam expressamente a estimulála a realizar investimentos na implantação ou expansão/modernização de empreendimentos econômicos, caracterizando inequivocamente subvenções para investimento, enquadrandose perfeitamente na regra legal definida no art. 18 da MP 449/08 (convertida na Lei n° 11.941/09), a revelar a insubsistência do Auto de Infração a este respeito. 40.52 – (ii.2.b) Do PROADI/RN 40.53 – Diferente não é, aliás, para o PROADI/RN, programa criado pelo Estado do Rio Grande do Norte que oferece incentivos econômicos a todas as empresas industriais que pretendam instalarse naquele estado; seja na realização de novos investimentos, na ampliação das unidades já existentes ou ainda como estímulo à reativação de empresas paralisadas, tudo, observamos, conforme regulamentado pela lei estadual 7.075, de 17 de novembro de 1997. 40.54 – Aludido projeto concede incentivos econômicos cujo montante é equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do ICMS mensal devido para as empresas instaladas em parques industriais ou no interior do estado, o que é a hipótese da interessada, que, em contrapartida, tem de implementar o projeto de investimento prometido ao Estado e estar adimplida com as obrigações tributárias e contratuais firmadas com o Governo do Estado do Rio Grande do Norte. 40.55 No ano de 1998, a impugnante pactuou com o Governo do Estado do Rio Grande do Norte (fls. 2.534/2.542) o compromisso de "instalar (...) uma Unidade Industrial, e tem por objetivo a moagem e industrialização do trigo em grão, para a fabricação de farinha de trigo e demais produtos derivados, como também a fabricação e comercialização de massas e produtos alimentícios em geral, especialmente biscoitos, bolachas e macarrão, podendo também, proceder a industrialização para terceiros dos produtos supracitados." Além disso se comprometeu a investir R$ 40 milhões nesse Projeto e a gerar 600 empregos diretos (cláusulas Ia e 2a). Sem realizar esses investimentos e gerar esses empregos o Estado não concederia o incentivo (Cláusula 10ª). 40.56 E do exame deste Protocolo de Intenções efetivamente cumprido pela M. DIAS BRANCO fica líquido e certo a observação aos artigos 38, § 2o, do DecretoLei n° 1.598/77 (com redação dada pelo DecretoLei n° 1.730/79) e 443 do RIR/99, o que desqualifica as autuações com exigências de IRPJ e CSLL, uma vez que estamos tratando de inequívoca subvenção para investimento, não sujeitas à tributação daquele imposto e contribuição, nos termos do artigo 18 da MP 449/08 (convertida na Lei n° Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.664 17 11.941/09), sendo evidentemente insubsistente o Auto de Infração a este respeito. 40.57 – (ii.2.c) Do FAIN/PB 40.58 – O cumprimento do projeto denominado FAIN/PB pela M. DIAS BRANCO não é e não foi diferente dos demais, pois também está em linha com os pressupostos reclamados pelos artigos 38, § 2º, do DecretoLei n° 1.598/77 (com redação dada pelo DecretoLei n° 1.730/79) e 443 do RIR/99; uma vez que criado pela lei estadual n° 4.856, de 29 de julho de 1986, "tem por finalidade a concessão de estímulos financeiros à implantação, à relocalização, à revitalização e à ampliação de empreendimentos industriais e turísticos que sejam declarados, por maioria absoluta de seu Conselho Deliberativo, de relevante interesse para o desenvolvimento do Estado." da Paraíba. 40.59 Do Protocolo de Intenções (fls. 2.543/2.550) firmado em 2002 entre o Governo do Estado da Paraíba e a interessada, temos que a mesma se comprometeu "a instalar uma unidade industrial (...), a ser localizada no Município de Cabedelo, neste Estado, e sua capacidade nominal instalada atingirá 150.000 (cento e cinquenta mil) t/ano de moagem de trigo, 18.000 (dezoito mil) t/ano de massas alimentícias e 22.800 (vinte e dois mil e oitocentos) t/ano de biscoito, gerando 450 (quatrocentos e cinquenta) empregos diretos, com investimento da ordem de (...), ao final de sua implantação.'' (cláusula primeira); sendo que o estado reconheceu "a unidade industrial como empreendimento novo, garantindo a concessão de apoio financeiro (...)." (cláusula segunda). 40.60 – Inequívoco que os recursos oferecidos pelo Estado da Paraíba estavam — e estão claramente vinculados a uma ação de governo para estimular a implantação do referido novo empreendimento econômico naquele estado, exigindose, para tanto, o cumprimento de uma série de compromissos de investimento por parte da empresa, que foram cumpridos. 40.61 – Mais uma vez, comprovado que estamos tratando da hipótese de subvenção para investimento não sujeita à incidência de IRPJ e CSLL, nos termos do art. 18 da MP 449/08 (convertida na Lei n° 11.941/09), como equivocadamente reclamam os Autos de Infração lavrados, cujas declarações de insubsistência M. DIAS BRANCO espera sejam proferidas. 40.62 – (ii.2.d) Do DESENVOLVE/BA 40.63 – A impugnante firmou Protocolo de Intenções (fls. 2.551/2.566) sob os comandos da lei estadual da Bahia n° 7.980, de 12 de dezembro de 2001, que instituiu "o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE, com o objetivo de fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial, com formação de adensamentos industriais nas regiões econômicas e integração das cadeias produtivas essenciais ao desenvolvimento econômico e social à geração de emprego e renda no Estado." 40.64 – Do mencionado Protocolo de Intenções além do fato de que o mesmo teve por objeto "a implantação de uma unidade industrial integrada, composta de um moinho de trigo, acoplado a uma fábrica de Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.665 18 massas e biscoitos no Estado da Bahia, mediante ações condicionadas." (cláusula primeira), incluindo a exigência de volume de investimento, instalação de determinado volume de capacidade instalada e de geração de empregos diretos (cláusula segunda): “(...)Considerando os benefícios que a instalação do empreendimento projetado pelo M DIAS BRANCO S/A COMÉRCIO & INDÚSTRIA deverá proporcionar para a economia e o desenvolvimento social do Estado da Bahia, em decorrência da elevação da oferta de emprego na região; Considerando que tal empreendimento deverá, igualmente, estimular o surgimento de novos empreendimentos no Estado em função da oferta dos produtos por ele oferecidos ao mercado; Considerando que os incentivos fiscais e financeiros a serem concedidos pelo Estado da Bahia e discriminados no corpo deste Protocolo de Intenções constituemse em elemento fundamental para a viabilização do referido empreendimento; (...)”40.65 – Resta cristalino que o projeto DESENVOLVE/BA trata efetivamente de valores disponibilizados a título de subvenção para investimento, perfeitamente enquadrado na regra disposta no art. 18 da MP 449/08 (convertida na Lei n° 11.941/09), o que por direito torna insubsistentes os Autos de Infração lavrados com exigências para o IRPJ e CSLL. 40.66 – (ii.3) Da decisão da DRJ/FOR no processo administrativo nº 10380.723251/201234 da M. DIAS BRANCO 40.67 – O processo administrativo n° 10380.723251/201234 da M. DIAS BRANCO foi julgado pela 4ª Turma da DRJ de Fortaleza em 25 de setembro de 2012, exonerando as exigências relativas às subvenções por unanimidade, decisão essa proferida para tema em tudo idêntico ao aqui enfrentado e para o anocalendário 2008. 40.68 – Naquela oportunidade, a Turma, analisando situação idêntica a ora aqui discutida, decidiu que "na espécie, a autoridade fiscal está entendendo o incentivo como recuperação de despesa no período em que a empresa recebeu o valor do mútuo, quando o correto seria reconhecêlo como receita operacional no momento da satisfação do mútuo, com a redução contratada, caso a condição préestipulada seja atendida." (Acórdão n° 08024.034). 40.69 – Portanto, claro é o equívoco praticado pela fiscalização ao entender como indevidas as exclusões realizadas pela Recorrente, uma vez que os valores são efetivamente referentes aos incentivos concedidos a título de subvenção para investimentos, não devendo ser computados no lucro real para cálculo do IRPJ e da CSLL. 40.70 – (ii.4) M. DIAS BRANCO e sua não sujeição ao IRPJ e CSLL Subvenções para Investimento Da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 40.71 – A impugnante, a colocar pádecal nos argumentos expendidos pela fiscalização e supostamente ratificadores da correção das autuações promovidas contra a interessada, que, ao contrário da fiscalização, entende e sustenta não se sujeitarem ao IRPJ e a CSLL as subvenções para investimento. Fl. 2665DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.666 19 40.72 – Como introdução, valemonos de trechos de voto da lavra do Ilustre conselheiro Odassi Guerzoni Filho, proferido no ano de 2008 e vazado nos seguintes termos que interessam a este processo administrativo: “Que se trata de uma subvenção concedida pelos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte à Recorrente não se tem dúvida A lide se restringe, portanto, em se definir qual o tipo dessa subvenção: para custeio ou para investimento, e, (...).Entendo que o deslinde dessa questão passa primeiramente pelos seus aspectos materiais, de prova, para, enfim, se definir qual o tipo de subvenção se nos apresenta. Os elementos de prova trazidos pelo Fisco ao processo e sobre os quais se fundamenta o seu lançamento relativo às subvenções se limitaram aos contratos de mútuo, dos quais pinçou algumas expressões contidas em suas cláusulas que revelariam a finalidade da subvenção Refirome à expressão "capital de giro", nas cláusulas "13" e "1.4" do Provin, e à expressão "visando a formação do ativo" (sic), na cláusula primeira do Proadi, todas elas acima reproduzidas. Ou seja, entendeu o Fisco que os recursos obtidos não se tratariam de investimentos, mas sim para serem aplicados no capital de giro da empresa. Da mesma forma, a DRJ, massima venia, analisou o caso levando em conta apenas o teor dos contratos e sob o ponto de vista teórico, já que sua decisão se baseia praticamente no entendimento firmado pela antiga Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal por meio do Parecer Normativo nº 112, de 1979, quanto ao tratamento fiscal a ser dado às subvenções, o qual aqui não se contesta. Para mim, entretanto, se mostraram extremamente relevantes os documentos trazidos pela autuada quando de sua impugnação, para os quais, s.m.j., a instância de piso não deitou olho, por meio dos quais é possível sim criar o liame entre os objetivos visados pelos Estados do Ceará e do Rio Grande do Nortefomento ao desenvolvimento industrial mediante a concessão de incentivos fiscais e a efetiva utilização dos recursos obtidos em tais projetos de desenvolvimento. Em relação ao Provin, notese na mesma cláusula "13" utilizada pelo Fisco para destacar a expressão "capital de giro", que logo mais adiante constou "para a produção de farinha, farelo margarina e óleos vegetais, de acordo com o projeto econômico e respectiva memória de análise elaborada por equipe técnica do BEC". O "doc. 9" (fls. 212/217) trazido pela autuada quando de sua impugnação trata de um “Protocolo de Intenções" firmado entre o Governo do Estado do Ceará e a ora Recorrente para a "implantação de uma unidade industrial, destinada a fabricação de gordura hidrogenada e margarina". E, na cláusula sexta desse documento, está expresso que o Governo do Estado providenciará os recursos destinados à formação de seu capital de giro nos termos do FDIProvin. Também trouxe à autuada ao processo um termo aditivo ao referido Protocolo, no qual, na cláusula segunda, consta expressamente que o Estado cederá à empresa uma gleba de terras para a instalação de seu conjunto industrial Mais adiante, às fls. 223/224, trouxe a Recorrente um novo aditivo ao Protocolo, no qual, na Sua cláusula primeira, consta a ampliação do projeto, qual seja, tratando da implantação de "uma indústria destinada à fabricação de gorduras Fl. 2666DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.667 20 hidrogenadas, margarinas especiais e demais produtos integrantes dessa cadeia produtiva ou decorrentes de materiais resultantes do seu processo produtivo, inclusive produtos de limpeza, observadas as seguintes características básicas: Investimento Total ( ) R$ 70.000.000,00 ( ) Programa de Produção ( ) anualmente, 60 000 toneladas de produtos com a ocupação direta de 400 pessoas. Outro Protocolo de Intenções (fls 225/230) versou sobre incentivos destinados à modernização e diversificação da unidade industrial destinada ao beneficiamento de trigo. Assim, não obstante tenha constado no contrato a expressão capital de giro, só posso atribuir isso a um deslize ou a uma falta de precisão de seus mentores, haja vista que, ao menos neste caso, indubitavelmente, tratase de recursos fornecidos com destinação especifica para investimentos e modernização do parque fabril. Em relação ao Proadi, notese, no "doc. 11" (fls. 231/233), um Protocolo de Intenções firmado entre o Governo do Estado do Rio Grande do Norte e a autuada, para a implantação de uma unidade industrial com o objetivo de moer e industrializar o trigo e demais derivados, como também a fabricação e comercialização de massas e produtos alimentícios em geral, com investimentos estimados em R$ 40.000,000,00 a serem providenciados pelo Estados com recursos do Proadi. Da mesma forma, portanto, a expressão da qual se valeu o Fisco para "glosar" os valores como subvenção para investimento, qual seja, "visando a formação de seu ativo", não pode ser compreendida de outra forma senão a de representar o suprimento de recursos para a efetiva implantação do parque industrial. A meu ver, não podem prevalecer meras argumentações da DRJ, de que não há qualquer exigência para que os recursos recebidos dos cofres dos Estados do Ceará e do Rio Grande do Norte sejam obrigatoriamente aplicados na aquisição de ativos necessários à implantação ou à expansão do parque fabril da autuada, muito ao contrário, já que a concessão de tais recursos apenas teria corno condição a implantação do empreendimento nos respectivos estados e, uma vez implantado, a sua continuidade dentro de padrões de desempenho vagamente definidos e acompanhados pelo governo do Estado Tais afirmações deveriam estar respaldadas em documentos e provas incontestes trazidos pela fiscalização durante a auditoria, de modo que restasse não ter havido a aplicação dos recursos obtidos do Provi e do Proadi em investimentos, mas sim para custeio. Assim, para mim, estamos lidando com subvenções para investimento, na linha do que propugna a Recorrente.” (destacamos e grifamos) 40.73 – A decisão do CARF em parte acima transcrita concluiu que os valores percebidos pela contribuinte e obtidos do PROVIN/CE e PRO ADI/RN são sim subvenções para investimento, independentemente da nomenclatura equivocada que lhes foram apostas, por óbvio então, não sujeitas a incidência do IRPJ e da CSLL. 40.74 – No ano de 2006, também quanto ao PROVINCE e em voto da lavra do Ilustre conselheiro Luiz Martins Valero, posicionouse o CARF no sentido de que "Os incentivos concedidos pelo estado do Ceará no âmbito do PROVIN visando à implantação de industrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Fl. 2667DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.668 21 estado e à interiorização do parque industrial, configura genuína subvenção para investimentos, pois presentes: a) a intenção do estado em transferir capital para a iniciativa privada; e b) o aumento do estoque de capital da pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos em seu patrimônio" (Acórdão n° 107 08.736). 40.75 – E a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por intermédio de sua Primeira Turma e no ano de 2013, ratificando voto da lavra do Ilustre conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, firmou o entendimento assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 IRPJ. BENEFÍCIO FISCAL. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS: OPERAÇÕES DE MÚTUO. FINANCIAMENTO DE PARTE DO ICMS DEVIDO. REDUÇÃO DO VALOR DA DIVIDA. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos â implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Ceará, dentre eles a realização de operações de mútuo em condições favorecidas, notadamente quando presentes: i) a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público em transferir capital para a iniciativa privada; e ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos em seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. As subvenções para investimentos devem se registradas diretamente em conta de reserva de capital, não transitando pela conta de resultados. (Acórdão 9101001.798) 40.76 – E são nestas circunstâncias que se enquadra Impugnante, conforme já demonstrado em capítulo próprio desta impugnação, o que comprova não se sujeitar a mesma as exigências de IRPJ e CSLL, pois que os valores recebidos o foram efetivamente para subvenção para investimentos. 40.77 – No ano de 2011, por conta da análise do projeto DESENVOLVE/BA aquele Tribunal Administrativo decidiu que: A concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado da Bahia consubstancia subvenção para investimento, uma vez que: (i) a concessão de dilação de prazo para pagamento do ICMS, bem como de desconto na antecipação da parcela do ICMS incentivado, por meio da Lei n° 7.980/2001 e do Decreto n" 8.205/2002, tem o intuito de incrementar o investimento na indústria do Estado; (ii) o Decreto n° 8.205/2002 instituiu obrigações acessórias, de maneira a garantir que os recursos estatais fossem transferidos apenas às pessoas jurídicas que investissem em seu parque industrial; (iii) consiste na contraprestação do contribuinte ao beneficio concedido, pois o próprio investimento deve ser efetuado pelos beneficiários, e sua exigência de comprovação pode ser identificada no artigo 16 do Decreto n° 8.205/2002; e diante (vi) da correta contabilização dos benefícios fiscais concedidos, não havendo qualquer menção ao descumprimento deste requisito pela própria Fiscalização. (Acórdão n° 1202000.616) Fl. 2668DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.669 22 40.78 – Vêse de forma cristalina que a jurisprudência administrativa, leiase CARF, está direcionada ao reconhecimento da não sujeição da Impugnante ao IRPJ e CSLL em razão do recebimento e contabilização de valores a título de subvenção para investimentos oriundos do PROVIN/CE, PROADI/RN, FAIN/PB e DESENVOLVE/BA; o que, ao entender da interessada deve ser reconhecido de imediato pela DRJ/Fortaleza, em linha com a atual jurisprudência de nossa Corte Suprema, no sentido de que devem os órgãos da Administração zelar para que, em futuro não distante, não seja o Estado condenado a indenizar o contribuinte por atos e posicionamentos contrários a uma ordem de entendimentos firmados por órgãos da própria Administração . 40.79 – Diante do todo quanto acima exposto, demonstrado e provado, conclui a Impugnante que: (i) São nulos os Autos de Infração exigindo o IRPJ e CSLL da interessada uma vez que se verificam flagrantes erros quanto ao enquadramento legal das autuações e fundamentação genérica; tomou se por empréstimo critério de dois projetos (FDI/PROVIN e FAIN/PB "capital de giro") a fundamentar e motivar a autuação para os demais projetos que não fazem menção alguma a tal critério ("capital de giro"); (ii)As disposições contidas nas legislações estaduais citadas (CE, RN, PB e BA), somadas aos Protocolos de Intenções e Contratos firmados (FDI/PROVIN, PRO ADERN, FAIN/PB e DESENVOLVE/BA) juntados física e eletronicamente , permitem concluir indene de dúvidas que os Governos do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Bahia tinham (e continuam tendo) a intenção de transferir capital a M. DIAS BRANCO e isto como forma de incentivar a realização de investimentos, geração de empregos, etc., para a instalação e desenvolvimento de suas Unidades industriais; (iii)Há perfeita observação aos artigos 38, § 2º, do DecretoLei n° 1.598/77 e 443 do RIR/99, sendo de rigor admitirse a aplicação do disposto na norma legal então vigente art. 18 da MP 449/08 (convertida na Lei n° 11.941/09) às subvenções para investimento de que tratam estes autos; (iv)Provado está que os projetos tinham e têm por objeto estimular investimentos nos respectivos estados, e neles continue a Impugnante a investir para que assim possa continuar ser beneficiada pelos incentivos concedidos, sob pena de suspensão e até exclusão do PROVIN/CE, PRO ADERN, FAIN/PB e DESENVOLVE/BA; (v)Não restam dúvidas quanto ao fato de que aqueles projetos foram criados e concedidos a empresas, como a interessada, com o objetivo máximo de fomentar as indústrias daqueles estados, de forma que as reduções e isenções de ICMS a eles relacionadas devem ser compreendidas como subvenções para investimento, não havendo que se falar em supostas violações aos artigos objetos dos Autos de Infração impugnados; e (vi) As subvenções para investimento percebidas pela Impugnante não estão sujeitas ao IRPJ e CSLL, pois que legalmente concedidas e cumpridas e, ainda mais, pois em linha com o reconhecimento deste direito pela doutrina e jurisprudência do CARF. Fl. 2669DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.670 23 40.80 Requer que sejam declarados nulos os Autos de Infrações lavrados e, a título de argumentação, assim não entenda em proceder, seja reconhecida a total improcedência do lançamento fiscal ora combatido. 41. Na impugnação, a contribuinte juntou aos autos a procuração e o contrato social às fls. 2.469/2.502 e documentos comprobatórios às fls. 2.503/2.566. Processada a Defesa, foi proferido pela 1ª Turma da DRJ/RJO o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o lançamento de ofício perpetrado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2014 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A decretação da nulidade do procedimento fiscal somente é admitida quando comprovadas as hipóteses previstas em lei relativas a cerceamento do direito de defesa e prática de atos por autoridade incompetente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 JURISPRUDÊNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO VINCULAÇÃO. AUSÊNCIA DE DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. As referências a entendimentos proferidos em outros julgados administrativos ou judiciais não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. ISENÇÕES OU REDUÇÕES DE ICMS. CARACTERIZAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Os valores correspondentes a benefício fiscal que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimento. EXCLUSÕES INDEVIDAS DO LUCRO LÍQUIDO. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Fl. 2670DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.671 24 A dedutibilidade, para fins de apuração do lucro real, dos valores recebidos a título de subvenção depende da compatibilidade entre as características do favor fiscal e as exigências da legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão de mérito prolatada no lançamento do IRPJ constitui prejulgado na da CSLL, pois se trata de exigência reflexa, apoiada nos mesmos fatos que ensejaram o lançamento daquele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 2402 a 2444), em suma, abandonando as alegações referentes a vícios do lançamento de ofício, mas reiterando suas alegações meritórias de defesa, especificamente quanto à caracterização dos Programas estaduais como subvenção de investimento, e apontando as razões de reforma do v. Acórdão recorrido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2671DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.672 25 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Assim como relatado, temos que a matéria sob análise resumese exclusivamente a glosa de exclusões, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de valores referentes ao Programas FDI/PROVIN (Estado do Ceará), FAIN/PB (Estado da Paraíba), PROADI (Rio Grande do Norte) e DESENVOLVE (Estado da Bahia), todas tratadas como subvenção de investimento pela Contribuinte. A fundamentação jurídica central, cerne do lançamento de ofício, é a suposta classificação diversa desses mesmos valores percebidos e excluídos das bases tributáveis pela Recorrente, rotulandoos de Recuperação de Custo/Despesa, tratandose, na verdade, de subvenções de custeio, como se ilustra a seguir em trecho conclusivo do TVF (fls. 32 a 34): Fl. 2672DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.673 26 Tal tema foi devidamente impugnado na primeira oportunidade de defesa da Contribuinte neste feito, sendo afastas tais razões pela DRJ a quo, que manteve o fundamento adotado pela Autoridade Fiscal nas Autuações, como devidamente relatado. Ofertado o Recurso Voluntário, a natureza de subvenção de investimento de todos os Programas de incentivo estadual foi novamente sustentada em suas razões, revelando se ainda ser matéria controversa no feito. Posto isso, dispensadas maiores elucubrações sobre a matéria, temos que tal tema foi tratado na recém editada Lei Complementar nº 160/2017, especificamente em seus arts. 3º, 9º e 10, fazendo expressa menção a demandas administrativas em curo como a presente. É inquestionável a incidência de tais normas ao presente feito. Confirase: Fl. 2673DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.674 27 Art. 3o O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1o O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2o A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às operações e Fl. 2674DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.675 28 prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3o Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2o deste artigo. § 4o A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5o O disposto no § 4o deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6o As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS e mantêlas atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7o As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais referidos no § 2o deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazoslimites de fruição. § 8o As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2o, enquanto vigentes. (...) Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: "Art. 30. .................................................................................. ................................................................................................. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados." Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.676 29 Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar. (destacamos) Como se verifica da leitura do art. 10 acima colacionado, a produção de efeitos do conteúdo do art. 9º (inserção dos §§ 4o e 5o no art. 30 da Lei no 12.973/14) ficou condicionada ao atendimento dos requisitos arrolados no art. 3º. E, em face de tal alteração legislativa e condicionamento legal, veio a edição do Convênio CONFAZ nº 190/2017, regulando as alterações promovidas no art. 30 da Lei no 12.973/14 pela novel Lei Complementar e os procedimentos a serem adotados pelas partes envolvidas. Assim dispõe tal normativo infralegal nacional nas suas Cláusulas Segunda, Terceira, Quarta e Quinta: Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. § 1º O disposto nos incisos I e II do caput estendemse aos atos que não se encontrem mais em vigor, observando quanto à reinstituição o disposto na cláusula nona. Fl. 2676DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.677 30 § 2º Na hipótese de um ato ser, cumulativamente, de natureza normativa e concessiva, devese atender ao disposto nos incisos I e II do caput desta cláusula. § 3º A Secretaria Executiva do CONFAZ responsabilizase pela guarda da relação e da documentação comprobatória de que trata o inciso III do § 2º da cláusula primeira e deve certificar o registro e o depósito. Cláusula terceira A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Cláusula quinta A publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda deve ser realizada pela Secretaria Executiva do CONFAZ até 30 (trinta) dias após o respectivo registro e depósito. Diante disso, apresentase cenário no qual os prazos que regulam a produção de efeitos dessa norma superveniente, que diretamente altera o tratamento legal da matéria a ser enfrentada em julgamento, ainda não se esgotaram. Fl. 2677DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.678 31 Nesse sentido, inclusive em homenagem à devida cautela jurisdicional, não se pode ou deve prosseguir com a apreciação do presente processo administrativo. A medida adequada é o sobrestamento do feito. Tal postura jurisdicional foi adota pela C. 1ª Turma da C. CSRF deste E. CARF na Resolução nº 9101000.039, de relatoria da I. Conselheira Cristiane Silva Costa, publicada em 23/02/2018. Confirase o trecho final de tal decisão, sobre a adoção do sobrestamento: Os citados prazos ainda não decorreram com relação ao benefício fiscal ora analisado (Desenvolve). Ademais, pondero que não há notícias de registro e disponibilização das normas relacionadas ao citado benefício fiscal no sítio do CONFAZ. Não obstante isso, há regras claras sobre a aplicação da Lei Complementar aos processos em curso e, ainda, definidora de prazos para publicação das normas (pelo Estado) e registro perante o CONFAZ até 28/12/2018. Nesse contexto, após debates entre os componentes do Colegiado, a maioria ponderou pelo sobrestamento do processo até 29/12/2018, dia seguinte ao prazo para registro referido. Com efeito, a providência revelase cautelosa, na medida em que a própria Lei Complementar nº 160/2017 prevê a sua aplicação aos processos em curso. Assim, é razoável aguardar as providências pelos Estados da Federação para, desta forma, assegurar a aplicação regular das disposições da Lei Complementar e Convênio ICMS acima citados, A despeito da falta de previsão expressa para suspensão do processo administrativo no Decreto nº 70.235/1972 e RICARF (Portaria MF 343/2015), o sobrestamento é autorizado pelo Código de Processo Civil, verbis: Art. 313. Suspendese o processo: (...) V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo; Diante disso, voto pelo sobrestamento do processo e remessa dos autos à unidade de origem, que deve intimar o contribuinte em 29/12/2018 para que comprove o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. Conclusão Por tais razões, voto pelo conhecimento do recurso e sobrestamento até 29/12/2018, intimandose o contribuinte para que Fl. 2678DF CARF MF Processo nº 10380.730014/201491 Resolução nº 1402000.722 S1C4T2 Fl. 2.679 32 comprove o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. A mesma medida também já foi adota diversas vezes por esta mesma C. 2ª Turma Ordinária, sob os mesmos fundamentos e premissas, como ilustra a Resolução nº 1402 000.570, de relatoria do I. Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, de votação unânime, publicado em 21/06/2018. Diante de todo o exposto, resolvese por encaminhar os autos à D. Unidade Local a fim de que o sujeito passivo seja intimado a demonstrar a adoção, pelos Estados da Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, das providências estabelecidas nas cláusulas do Convênio ICMS 190/17, ficando o julgamento sobrestado até que seja demonstrado tal fato ou até que sejam esgotados os prazos lá fixados, considerando as alterações do Convênio ICMS nº 51/2018 e eventuais novas prorrogações, o que ocorrer em primeiro lugar. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 2679DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903273/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2003
CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
Numero da decisão: 3301-005.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2003 CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13819.903273/2008-09
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5923880
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.154
nome_arquivo_s : Decisao_13819903273200809.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13819903273200809_5923880.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7499636
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148962758656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1630; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.903273/200809 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.154 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria CIDE Recorrente AUTONEUM BRASIL TÉXTEIS ACÚSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2003 CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159 70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.15970/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 32 73 /2 00 8- 09 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13819.903273/200809 Acórdão n.º 3301005.154 S3C3T1 Fl. 3 2 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13819.903273/200809 Acórdão n.º 3301005.154 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito para ser utilizado na compensação em questão. Com isso, decidiu pela não homologação da referida Declaração de Compensação. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva alegando, em suma, que seu direito creditório tem fundamento no artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, o qual afirma terlhe outorgado o direito de compensar tal crédito com débitos do mesmo tributo, conforme o fez através da Dcomp em tela. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 0533.181. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que discorre sobre sua atividade, o contrato de exploração de patente e uso de marca que firmou com empresa estrangeira, as remessas de royalties, o direito ao crédito de CIDE, sob o amparo da MP n° 2.15970/01, e a correção do procedimento adotado utilização do crédito da CIDE para liquidação de débitos vincendos, via PER/DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.136, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.136): Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13819.903273/200809 Acórdão n.º 3301005.154 S3C3T1 Fl. 5 4 "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, adoto como razão de decidir o voto condutor do Acórdão DRJ n° 1265.687, de 22/05/14, da lavra do i.julgador Bernardo Moraes Fiuza Pequeno: "(. . .) Verificase que o interessado fundamenta sua defesa no art. 4º da MP Nº 2.15970/2001, deste modo, transcrevo o referido dispositivo legal por ser de suma importância para a solução da lide (grifos de minha autoria). 'Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo. § 2o O Comitê Gestor definido no art. 5º da Lei nº 10.168, de 2000, será composto por representantes do Governo Federal, do setor industrial e do segmento acadêmicocientífico.' Percebese na leitura deste artigo, que a MP nº 2.15970/2001 concedeu crédito ao contribuinte nos casos de remessas ao exterior a título de róialties, o qual é calculado com base na contribuição devida. No entanto, o interessado informou na Declaração de Compensação crédito oriundo de pagamento indevido, ou seja, o crédito previsto na MP nº 2.15970/2001 não tem relação com o Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13819.903273/200809 Acórdão n.º 3301005.154 S3C3T1 Fl. 6 5 crédito de pagamento indevido, haja vista que o pagamento só é indevido se a CIDE não é devida. Por outro lado, o crédito da MP nº 2.15970/2001 só é gerado com base na CIDE que é devida. Portanto, percebese que a defesa sustenta um crédito distinto daquele informado na Declaração de Compensação. Ademais, ainda que o interessado obtivesse êxito em comprovar o suposto crédito previsto na MP nº 2.15970, este não poderia ser utilizado através de Declaração de Compensação, mas tão somente por meio de dedução da CIDE de períodos subseqüentes, em conformidade com o art. 4º, § 1º, inciso II, que diz (grifos meus): 'II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo.' Portanto, diante de todo exposto, voto por julgar a manifestação de inconformidade improcedente, mantendose integralmente o Despacho Decisório, a fim de não homologar a Declaração de Compensação." Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13746.001220/2002-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/10/2002 a 10/10/2002
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIAS NÃO APRECIADAS NO ACÓRDÃO EMBARGADO.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração sobre em matéria não apreciada na decisão embargada.
Numero da decisão: 3302-006.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tusboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 10/10/2002 a 10/10/2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIAS NÃO APRECIADAS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração sobre em matéria não apreciada na decisão embargada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13746.001220/2002-59
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5944503
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.241
nome_arquivo_s : Decisao_13746001220200259.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 13746001220200259_5944503.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tusboi (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7560587
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149030916096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1422; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 765 1 764 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13746.001220/200259 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302006.241 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria Processo Administrativo Fiscal Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado NITRIFLEX S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/10/2002 a 10/10/2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIAS NÃO APRECIADAS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração sobre em matéria não apreciada na decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tusboi (Suplente Convocado). Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3302002.819, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 12 20 /2 00 2- 59 Fl. 765DF CARF MF Processo nº 13746.001220/200259 Acórdão n.º 3302006.241 S3C3T2 Fl. 766 2 Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO CONEXO DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL APLICAÇÃO Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adotase integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão embargada aplicou o decidido no 10735.000001/9918. Os embargos alegaram obscuridade e contradição quanto à: 1) coisa julgada e 2) eficácia dos mandados de segurança nº 2001.51100010250 e 2005.51.10.0026900, repetindo as alegações efetuadas nos embargos opostos no processo nº 10735.000001/9918. O despacho de admissibilidade entendeu haver omissão quanto à não observância da Súmula CARF nº 1 (concomitância entre as esferas judicial e administrativa), havendo contradição entre os fundamentos do voto na medida que reconhece a existência de ações judiciais que discutem a matéria em litígio, mas, ainda assim, debateu e decidiu sobre tais matérias, não aplicando os efeitos decorrentes da concomitância. Na forma regimental,o processo foi distribuído a este relator por conexão com o processo nº 10735.000001/9918, já julgado por esta turma, de cuja decisão fui relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Os embargos opostos alegaram obscuridade e contradição quanto à: 1) coisa julgada e 2) eficácia dos mandados de segurança nº 2001.51100010250 e 2005.51.10.0026900 e, como afirmado pela embargante, reiteraramse as alegações aduzidas nos embargos opostos no processo nº 10735.000001/9918. Ocorre que o julgamento efetuado no processo nº 10735.000001/9918 abrangeu diversas matérias, nem todas aplicáveis a todos os processos, devendo ser analisado os efeitos daquela única decisão em cada processo. Assim, concernente a este processo, a recorrente alegou em recurso voluntário a preliminar de homologação tácita, que fora decidida favoravelmente à recorrente no Acórdão nº 3302002.816, proferido nos autos nº 10735.000001/9918, cujo resultado foi aqui aplicado. Transcrevemse a ementa e excertos do referido acórdão: Ementa: Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13746.001220/200259 Acórdão n.º 3302006.241 S3C3T2 Fl. 767 3 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. LEI 9.430/96, ART. 74, § 4º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI 9.430/96, ART. 74, § 5º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp) que não seja objeto de despacho decisório proferido ou que o sujeito passivo não tenha sido cientificado no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo Excertos: **DÉBITOS ** (i) Homologação Tácita das Compensações de Terceiros Apreciadas as matérias referentes à composição do crédito e às possibilidades de sua utilização, passo a analisar as alegações referentes aos débitos aplicáveis aos processos anexos bem como aqueles que estão sendo apreciados também neste julgamento, quais sejam: Processos nº 10283.002024/200117, 13746.000060/200310, 13746.001220/200259, 13746.001223/200292, 10735.000896/200347, 10930.003102/200391, 11516.001792/200488, 11610.001259/200367, 13746.000058/200332, 13746.000144/200345, 13746.000147/200389, 13746.000252/200318 e 11516.002703/200411. [...] Ou seja, as compensações da Recorrente com débitos próprios e de terceiros estão sujeitas ao regime de homologação, produzindo desde seu protocolo efeito extintivo sob condição resolutória de ulterior homologação, com prazo de 5 (cinco) anos para ocorrer contados da data do protocolo. Não pode agora a SRF alegar inaplicabilidade da homologação tácita “in casu”. Ante o exposto, para as compensações que citem os processos administrativos de crédito n°s 10735.000001/9918, 10736.000202/9970 e 13746.000533/200117 para as quais transcorreu o prazo de 5 (cinco) anos entre a data de protocolo do pedido de compensação e a data de cientificação do despacho decisório de nãohomologação, entendese que houve homologação tácita da declaração de compensação, razão pela qual entendese por definitiva a imputação da forma como foi realizada. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 13746.001220/200259 Acórdão n.º 3302006.241 S3C3T2 Fl. 768 4 [...] No processo nº 13746.001220/200259, as compensações foram protocoladas em 10/10/2002, ao passo que a Recorrente somente foi cientificada da decisão de nãohomologação das compensações em 20/10/2010 (fl. 26). [...] Nesse sentido, voto por: a) Homologar tacitamente as compensações para as quais decorreu o prazo de 5 (cinco) anos entre o seu protocolo e a cientificação da contribuinte constante dos processos nº 10283.002024/200117, 13746.000060/200310, 13746.001220/200259, 13746.001223/200292, 13746.000058/200332, 13746.000144/200345, 13746.000252/200318, 13746.000147/200389 e 10735.000896/200347, devendo as imputações realizadas serem consideradas definitivas;" Constatase, portanto, que, para este processo, a decisão única proferida no Acórdão nº 3302002.816 e aqui aplicada reconheceu a homologação tácita das compensações analisadas nestes autos, sendo que as demais matérias abordadas na decisão única tornamse aqui prejudicadas. Destarte, os embargos de declaração opostos, ao versarem sobre matérias não decididas neste processo, terminaram por abordar questões estranhas ao julgamento aplicado a este processo, não sendo passíveis de conhecimento. Diante do exposto, voto para rejeitar os embargos de declaração opostos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 768DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11050.001778/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 19/11/2004 a 26/11/2004
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF.
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (IN SRF 28, de 1994, IN SRF 510, de 2005 e IN SRF nº 1.096, de 2.010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. NOTÍCIA SISCOMEX.
A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, traduz subjetividade e não possui delimitação jurídica objetiva a determinar o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, inciso IV, alínea e do Decreto-lei nº 37, de 1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF nº 510, de 2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex.
Numero da decisão: 3302-006.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 19/11/2004 a 26/11/2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (IN SRF 28, de 1994, IN SRF 510, de 2005 e IN SRF nº 1.096, de 2.010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. NOTÍCIA SISCOMEX. A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, traduz subjetividade e não possui delimitação jurídica objetiva a determinar o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, inciso IV, alínea e do Decreto-lei nº 37, de 1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF nº 510, de 2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11050.001778/2009-11
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5926069
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-006.096
nome_arquivo_s : Decisao_11050001778200911.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 11050001778200911_5926069.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7508932
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149033013248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1993; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 183 1 182 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11050.001778/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.096 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2018 Matéria Multa Aduaneira Recorrente CTIL LOGISTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 19/11/2004 a 26/11/2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (IN SRF 28, de 1994, IN SRF 510, de 2005 e IN SRF nº 1.096, de 2.010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. NOTÍCIA SISCOMEX. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, traduz subjetividade e não possui delimitação jurídica objetiva a determinar o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37, de 1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF nº 510, de 2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 17 78 /2 00 9- 11 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11050.001778/200911 Acórdão n.º 3302006.096 S3C3T2 Fl. 184 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a cobrança da multa prevista no artigo 107, IV, "e" do Decretolei nº 37 de 18/11/1966, pela informação de embarque de mercadorias objeto de despacho de exportação, fora do prazo estabelecido pela RFB. Em impugnação, a recorrente deduziu: 1. Antes de o agente marítimo informar os dados de embarque, a autoridade fiscal aduaneira já possui conhecimento dos referidos dados e que o atraso no registro não implica em qualquer prejuízo ao controle de carga; 2. Ausência de responsabilidade direta da recorrente, em razão de não possuir dentro do prazo de sete dias, as informações necessárias ao registro no SISCOMEX; 3. A impossibilidade de aplicação da multa cominada por falta de tipificação legal e ilegitimidade passiva da recorrente; 4. A nulidade do Auto de Infração por aplicação de norma inexistente à data de ocorrência dos fatos (IN SRF nº 510/2005), com ofensa ao artigo 144 do CTN; 5. A impossibilidade de aplicação da multa por ofensa às limitações constitucionais ao poder de tributar e ao princípio da proporcionalidade e da razoabilidade; 6. A inexistência de prejuízo ao erário e a aplicação do artigo 112 do CTN; 7. A possibilidade de análise de inconstitucionalidade no âmbito administrativo. A Quarta Turma da DRJ no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão nº 1286.579, julgando a impugnação improcedente, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2009 INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11050.001778/200911 Acórdão n.º 3302006.096 S3C3T2 Fl. 185 3 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. O agente de carga submetese às regras da IN RFB nº 800/2007, pois é expressamente incluído entre as espécies de transportador ali definidas, devendo o significado do termo transportador ser compreendido levando em consideração o contexto em que ele foi empregado. Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2009 INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO, OPERAÇÃO OU CARGA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. Até a entrada em vigor dos prazos estabelecidos no art. 22 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007, as informações exigidas pela Aduana referentes ao transporte internacional de mercadorias, inclusive as de responsabilidade do agente de carga, deveriam ser prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. MULTA. DELIMITAÇÃO DA INCIDÊNCIA. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11050.001778/200911 Acórdão n.º 3302006.096 S3C3T2 Fl. 186 4 Em conformidade com o disposto no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008 (DOU 1/4/2008), a prestação intempestiva de dados sobre veículo, operação ou carga transportada é punida com multa específica que, em regra, é aplicável em relação a cada escala, manifesto, conhecimento ou item incluído ou retificado após o prazo para prestar a devida informação, independente da quantidade de campos alterados. NORMA EM PLENO VIGOR. INOBSERVÂNCIA POR CONTA DE SUPOSTO VÍCIO NAS OBRIGAÇÕES INSTITUÍDAS. VEDAÇÃO. A IN RFB nº 800/2007 está em pleno vigor, logo não pode ser afastada pelo julgador administrativo, cuja atuação é pautada pelo princípio da legalidade, nem descumprida pelos seus destinatários por conta de suposto vício nas obrigações estabelecidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas na impugnação, resumidas abaixo: 1. A impossibilidade de aplicação de multa cominada por falta de tipificação legal e ilegitimidade passiva; 2. A imprecisão contida no Auto de Infração sobre como a mesma agiu, se como transportador ou agente ou outra hipótese, ou seja, a comprovação da sujeição passiva; 3. O princípio da razoabilidade e as multas fiscais e sua violação no caso concreto limitações constitucionais ao poder de tributar; 4. A inexistência de prejuízo ao erário e aplicação do artigo 122 do CTN e ausência de dolo ou máfé; 5. A possibilidade de análise de inconstitucionalidade no âmbito administrativo. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. . Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso voluntário atende aos pressupostos processuais e dele tomo conhecimento. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11050.001778/200911 Acórdão n.º 3302006.096 S3C3T2 Fl. 187 5 Inicialmente, cabe ressalvar que as alegações de inconstitucionalidade não podem ser conhecidas por este colegiado, em razão da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Assim, as alegações concernentes à ilegalidade de dispositivos legais por ofensa ao princípio da razoabilidade, princípio de vedação ao confisco, à reserva de lei complementar, às limitações constitucionais ao poder de tributar e, por óbvio, concernentes à possibilidade de análise de inconstitucionalidade no âmbito administrativo não serão conhecidas. De forma complementar, adoto as razões da decisão recorrida quanto às alegações de violações de princípios efetuadas pela recorrente, conforme disposto no §1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999. A autoridade fiscal fundamentou a autuação no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, na IN SRF nº 510/2005 e no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37, de 1966 e nos artigos 15, 17, 24, 27, 30 a 32, 36 a 43, 52 a 55, 59, 60 do Decreto nº 4.543, de 2002. Dentre as alegações da recorrente, está a falta de tipificação legal para a cominação da penalidade. No caso, os fatos geradores reportam a 2004, período anterior à vigência da IN SRF nº 510/2005, que foi a primeira instrução a estabelecer um prazo determinado de dois ou sete dias para a prestação das informações, substituindo a expressão "imediatamente" que constava na redação original do artigo 37 da IN SRF nº 28/1994. A respeito da interpretação da expressão "imediatamente", este relator já proferiu voto no Acórdão nº 3302002.721, de 18/09/2014, no processo 10689.000010/2009 53, cujas ementa e razões reitero abaixo: Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 24/12/2004, 12/09/2008 a 21/09/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (IN SRF 28, de 1994, IN SRF 510, de 2005 e IN SRF nº 1.096, de 2.010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. NOTÍCIA SISCOMEX. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, traduz subjetividade e não possui delimitação jurídica objetiva a determinar o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37, de 1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF nº 510, de 2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11050.001778/200911 Acórdão n.º 3302006.096 S3C3T2 Fl. 188 6 Razões: DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA IN SRF nº 510, de 2005 E DA IN RFB Nº 1.096, DE 2010 A autoridade fiscal fundamentou a autuação no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, na IN SRF nº 510, de 2005 e no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37, de 1966 e nos artigos 15, 17, 24, 27, 30 a 32, 36 a 43, 52 a 55, 59, 60 do Decreto nº 4.543, de 2002. Durante o trâmite processual sobreveio a IN RFB nº 1.096, de 2010, alterando o artigo 37 da IN SRF 28, de 1994, aumentando o prazo de dois para sete dias, após o embarque, para registro das informações. A recorrente alega que a aplicação retroativa das referidas instruções normativas não a beneficia, em razão de que o termo “imediatamente” da redação original do artigo 37 não corresponde a prazo específico para cumprimento da obrigação e, portanto, seria inaplicável. Afirma que a interpretação deste termo como sendo vinte e quatro horas, dada pela Notícia SISCOMEX nº 105, de 1994, não é normativa, pois que tal nota não se insere no conceito de legislação interpretativa. O caput do artigo 37 da IN SRF nº 28, de 1994, teve sua redação alterada ao longo do tempo conforme abaixo: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11050.001778/200911 Acórdão n.º 3302006.096 S3C3T2 Fl. 189 7 Art. 37 . O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010 ) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e do Envio de Declaração para Despacho Aduaneiro. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.407, de 4 de novembro de 2013) § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 3º Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana).(Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010 ) Inicialmente, o artigo não trazia um prazo máximo determinado a partir do embarque para a prestação das informações pertinentes ao embarque, mas se referia à expressão “imediatamente após”. O entendimento sobre o termo “imediatamente” foi trazido pela Notícia SISCOMEX nº 105, de 1994, como informado no voto do acórdão recorrido: “E, o sentido do vocábulo “imediatamente” do artigo 37 foi esclarecido no item 2 da Notícia Siscomex no 105, de 27 de julho de 1994, conforme segue: “2) Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos”. Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a revisão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado.” Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11050.001778/200911 Acórdão n.º 3302006.096 S3C3T2 Fl. 190 8 Verificase, de plano, a inadequação do meio utilizado para interpretar a palavra “imediatamente”. A legislação tributária compreende, consoante o art. 96 do CTN, as leis, tratados e convenções internacionais, decretos e as normas complementares especificadas no art. 100 do mesmo diploma, dentre elas, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. A Portaria SRF nº 001, de 2001 (revogada pela Portaria nº 1.098, de 2013) relacionava os atos tributários e aduaneiros, não comportando a Nota SISCOMEX. Defluise que estas notas são orientações e entendimentos internos, sem eficácia normativa, e, portanto, não poderiam fundamentar o cumprimento de obrigação acessória, conforme disposto no artigo 94 do Decretolei nº 37, de 1966: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. Destarte, inferese que o termo “imediatamente” possui uma indefinição quanto ao prazo que a prestação da informação deveria ser prestada. Seria de vinte e quatro horas? Ou dois dias? Ou sete dias? Assim, é incabível a aplicação da penalidade, posto que a norma que a instituiu não trouxe delimitação jurídica objetiva a determinar o cumprimento da obrigação. Nesta matéria, citase precedente do CARF no Acórdão nº 3102 002.075, cuja parte da ementa transcrevese abaixo: REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INS SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro do prazo de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. O voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro adotou as razões expostas no Acórdão nº 3202000.241, Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11050.001778/200911 Acórdão n.º 3302006.096 S3C3T2 Fl. 191 9 em voto condutor do Conselheiro José Luiz Novo Rossari, que, com a devida vênia, transcrevese: “[...] Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, têmse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Com efeito, não se encontra, em quaisquer dos códigos pátrios, norma semelhante que tenha fixado prazo não revestido de certeza e não expresso em quantidade de dias, meses ou anos. A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que “imediatamente após” não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11050.001778/200911 Acórdão n.º 3302006.096 S3C3T2 Fl. 192 10 Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão “imediatamente após” não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria” não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. De outra parte, também cumpre acrescentar que o art. 37 da IN SRF no 28/1994 foi objeto de nova alteração pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, que aumentou o prazo para a apresentação de dados pertinentes ao embarque para 7 (sete) dias. Ressaltese que esse ato normativo continua fazendo em seu art. 44 remissão ao art. 37, de forma a tratar a infração como de embaraço, o que bem demonstra a falta de atenção à legislação vigente, que desde a Medida Provisória no 135/2003 tem tipificação legal distinta. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 14/2/2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Como os fatos que originaram este processo ocorreram entre 4/6 e 27/6/2004, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua argüição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Em face dos elementos constantes dos autos e da legislação aplicável à espécie, entendo que não se vislumbram os elementos básicos tendentes à caracterização de infração e julgo prejudicadas as diversas outras alegações da recorrente, por não influírem na solução da lide.” Portanto, concluise que a aplicação da multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei nº 37, de 1966, deveria ser aplicada Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11050.001778/200911 Acórdão n.º 3302006.096 S3C3T2 Fl. 193 11 na inobservância da obrigação contida no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, a partir de 15/02/2005, data em que produziu efeitos a IN SRF 510, de 2005, sendo, portanto, improcedentes os lançamentos relativos aos fatos geradores de 1º/02/2004 a 24/12/2004. Destarte, antes da vigência dos efeitos da IN SRF nº 510/2005, em 15/02/2005, não há elementos objetivos legais para a caracterização da infração, devendo o lançamento ser exonerado. Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.003029/2002-88
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA.
A falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. Uma vez decidido que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao ano-calendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido.
Numero da decisão: 9101-003.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10480.006261/2003-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araùjo Relator e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. Uma vez decidido que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao ano-calendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13971.003029/2002-88
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5928885
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.865
nome_arquivo_s : Decisao_13971003029200288.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 13971003029200288_5928885.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10480.006261/2003-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araùjo Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7520705
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149038256128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2072; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.003029/200288 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.865 – 1ª Turma Sessão de 04 de outubro de 2018 Matéria MULTA ISOLADA POR FALTA DE ESTIMATIVA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado METALURGICA FEY LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. Uma vez decidido que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao anocalendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase aqui o decidido no julgamento do processo 10480.006261/200392, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araùjo – Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 30 29 /2 00 2- 88 Fl. 637DF CARF MF Processo nº 13971.003029/200288 Acórdão n.º 9101003.865 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente ao afastamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ/CSLL, relativamente ao(s) ano(s)calendário(s) de 1999, 2000, 2001, 2002. É o breve relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para decisão, idênticas àquelas verificadas no processo 10480.006261/200392, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.858, exarado em 13 de setembro de 2018, no âmbito do referido processo 10480.006261/200392. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, trechos do voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.858: Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento de multa isolada, por falta de pagamento de IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada, apurada em fevereiro de 2000, calculada com base em balanços de suspensão ou redução, no valor de R$ 3.708,27. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 13971.003029/200288 Acórdão n.º 9101003.865 CSRFT1 Fl. 4 3 A multa isolada foi mantida na primeira instância, e afastada pela decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido). Em seu recurso especial, a PGFN procura restabelecer a multa isolada. A contribuinte suscita, em sede de contrarrazões, uma preliminar de não conhecimento do recurso especial, invocando o §10 do art. 67 do RICARF, com a alegação de que estaria superado o entendimento aplicado pelas decisões paradigmas. Quanto a essa preliminar, é importante registrar que a regra regimental que tratava dessa questão de superação de tese pela CSRF (art. 67, §10, do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009) não foi reproduzida no RICARF atual, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em razão da dificuldade de se fixar um critério objetivo para a sua aplicação. Uma decisão da CSRF bastaria para se considerar que determinada tese está superada? Quantas decisões seriam necessárias para isso? A decisão posterior teria que fazer menção expressa às decisões anteriores cuja tese foi superada? Atualmente, o RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com suas alterações posteriores, não mais fala que não servirá como paradigma o "acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF". O que o regimento atual diz é que "não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente" (Art. 67, §15, incluído no atual RICARF pela Portaria MF nº 39, de 2016). Verificar se o "próprio" acórdão paradigma foi ou não reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente é procedimento que não traz os mesmos problemas da regra regimental anterior. Nesse passo, cabe registrar que nenhum dos dois acórdãos paradigmas foi reformado, conforme indica a página eletrônica do CARF, na consulta ao andamento dos processos correspondentes aos referidos acórdãos (Acórdão nº 10806.004 Processo nº 13826.000384/9840; e Acórdão nº 10806.571 Processo nº 13409.000156/9962). Portanto, de acordo com as regras atuais, as referidas decisões não encontram óbice para servirem como paradigmas de divergência. Desse modo, rejeito a preliminar de não conhecimento do recurso especial da PGFN. Quanto ao mérito, vêse que a interpretação adotada pelo acórdão recorrido é no sentido de que se não há tributo a ser exigido no ajuste (no caso, porque a contribuinte apurou Fl. 639DF CARF MF Processo nº 13971.003029/200288 Acórdão n.º 9101003.865 CSRFT1 Fl. 5 4 prejuízo), também não há razão para exigir estimativas mensais, e nem para aplicar multa isolada pela falta de seu recolhimento. Esta 1ª Turma da CSRF já examinou esse tipo de situação, quando exarou o Acórdão nº 9101002.604, na sessão realizada em 15/03/2017. Aquele julgado também analisou exigência de multa isolada relativamente a períodos anteriores a 2007 (anteriores à vigência da Lei nº 11.488/2007), em que não houve a aplicação concomitante das multas isolada e de ofício. E tratou de anoscalendário em que o contribuinte ou não tinha apurado tributo a pagar no final do ano, ou tinha apurado prejuízo fiscal, ou tinha apurado tributo no ajuste em valor inferior ao montante das estimativas que seriam devidas ao longo do ano. Vale transcrever trechos do voto do Conselheiro André Mendes de Moura que orientou a referida decisão, e também declaração de voto por mim apresentada naquela ocasião: Acórdão nº 9101002.604 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1999, 2000, 2001 APLICABILIDADE DE SÚMULAS. IDENTIDADE ENTRE FATOS. A aplicação de entendimento sumular só pode se consumar caso os fatos da autuação fiscal guardem similitude com os fatos dos acórdãos paradigmas. Diante de suportes fáticos diferentes, não há que se falar em aplicação de súmula. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. PRAZO. A sanção imposta pelo descumprimento da apuração e pagamento da estimativa mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada incidente sobre percentual do imposto que deveria ter sido antecipado. O lançamento, sendo de ofício, submetese a limitador temporal estabelecido por regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, não havendo óbice que se seja efetuado após encerramento do anocalendário. [...] Voto Conselheiro André Mendes de Moura [...] Mérito. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 13971.003029/200288 Acórdão n.º 9101003.865 CSRFT1 Fl. 6 5 A matéria devolvida trata da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal, no decorrer dos anos calendário de 1997, 1999, 2000 e 2001, conforme relato da autoridade fiscal (efls. 57/58): [...] A multa isolada, após ter sido mantida na decisão de primeira instância, foi mantida parcialmente pela decisão recorrida. Para os anoscalendário de 1997, foi afastada integralmente, porque não se apurou tributo a pagar ao final do anocalendário. Para o anocalendário de 1999, também foi afastada a autuação porque se apurou prejuízo fiscal em 31 de dezembro. Para os anoscalendário de 2000 e 2001, a decisão recorrida manteve a autuação fiscal até o limite apurado de IRPJ a pagar, pautandose nas seguintes conclusões (efls. 3223/3225): [...] Tomandose por base todo o exposto até o momento, entendo que não há reparos a fazer na autuação fiscal, sendo necessário apenas tecer considerações complementares. O lucro real é um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Lei nº 9.430, de 1996 Fl. 641DF CARF MF Processo nº 13971.003029/200288 Acórdão n.º 9101003.865 CSRFT1 Fl. 7 6 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Contudo, a hipótese de não pagamento de estimativa deve atender aos comandos legais, no sentido de que os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para Fl. 642DF CARF MF Processo nº 13971.003029/200288 Acórdão n.º 9101003.865 CSRFT1 Fl. 8 7 o seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação à época dos fatos geradores): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; Registrese que o percentual da multa isolada sobre estimativa mensal não recolhida, foi alterado de 75% para 50%, com base na Lei nº 11.488, de 2007. A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do ano calendário. A sanção tem base legal. A sanção expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal. E se trata de multa, gênero, isolada, espécie, a ser lançada de ofício e cujo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I do CTN. Pode sim ser efetuado lançamento após o anocalendário, naturalmente dentro do período não atingido pela decadência. Nesse contexto, não obstante as substanciosas argumentações da decisão recorrida, entendo que, no caso concreto, não há base legal para se afastar a multa Fl. 643DF CARF MF Processo nº 13971.003029/200288 Acórdão n.º 9101003.865 CSRFT1 Fl. 9 8 isolada para o anocalendário de 1997 porque a contribuinte, ao final do anocalendário, não apurou lucro, e para o anocalendário de 1999 porque a contribuinte não apurou tributo a pagar. Tampouco carece de base legal limitar a aplicação de multa isolada ao valor de imposto apurado ao final do anocalendário, como ocorreu para os anoscalendário de 2000 e 2001. Consumarseia situação de exceção, e um prêmio para as pessoas jurídicas que descumprissem deliberadamente a lei tributária. Por qual razão a pessoa jurídica que descumpre conduta prevista em lei deve receber tratamento diferente (e vantajoso) daquela que cumpriu com suas obrigações, apurou mensalmente a estimativa mensal a pagar e efetuou os recolhimentos? Como acolher conduta de contribuinte que ignorou a legislação tributária vigente, e se considerou apto a receber um tratamento especial, diferente das demais pessoas jurídicas que cumpriram com suas obrigações? Não se trata de legalidade por legalidade. O sistema jurídicotributário deve ser respeitado, assim como os contribuintes que seguem suas determinações. Não se deve fomentar lacunas para se ignorar a lógica do sistema, para conceder tratamentos vantajosos para condutas lesivas, em afronta à proporcionalidade e razoabilidade. Correto, portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Diante do exposto, voto no sentido conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a aplicação da multa isolada no percentual de 50%. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Declaração de Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo. A presente declaração de voto se faz necessária tendo em vista que, em relação à matéria objeto do recurso especial ora sob exame, passo a adotar entendimento distinto daquele por mim acolhido no âmbito de alguns antigos acórdãos. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 13971.003029/200288 Acórdão n.º 9101003.865 CSRFT1 Fl. 10 9 A matéria trazida à apreciação desta 1ª Turma diz respeito à divergência interpretativa quanto à exigência de multa isolada imposta pela autoridade fiscal por falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ devidas. Inicialmente considero importante registrar que, conforme bem enfatizado pelo Relator, no presente caso a multa isolada foi imposta sobre os valores das estimativas já declaradas pelo sujeito passivo, não alcançando os valores referentes às provisões não autorizadas, objeto de lançamento de ofício para exigência de IRPJ e CSLL. Noutras palavras, não houve aqui exigência concomitante entre a multa isolada imposta por falta de pagamento de estimativas de IRPJ, e a multa de ofício imposta por falta de pagamento do IRPJ devido ao final dos respectivos anoscalendário, razão pela qual também não se aplica aqui o disposto na Súmula CARF nº 105. Pois bem, no caso a Turma recorrida afastou integralmente a multa isolada imposta pela falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ devidas ao longo dos anos de 1997 e 1999, e parcialmente a multa isolada imposta pela falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ devidas no decorrer dos anos de 2000 e 2001. Relativamente aos períodos objeto da presente autuação, acima mencionados, a referida multa isolada encontra previsão legal no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, o qual faz remissão ao art. 2º da mesma Lei, também na redação original, ambos a seguir transcritos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 645DF CARF MF Processo nº 13971.003029/200288 Acórdão n.º 9101003.865 CSRFT1 Fl. 11 10 II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; (g.n.) (...) Pelo exame do acórdão recorrido é possível resumir da seguinte maneira a interpretação que a Turma emprestou às normas acima reproduzidas: a) a multa isolada deve ser aplicada em caso de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e/ou CSLL devidas ao longo do anocalendário; b) todavia, encerrado o anocalendário, o valor total da multa isolada está limitado a 50% (percentual previsto na MP 351/2007, aplicado retroativamente) do valor do IRPJ e/ou da CSLL devidos ao final do mesmo ano; c) como corolário da afirmativa acima, encerrado o ano calendário com apuração de prejuízo fiscal e/ou base negativa da CSLL, incabível a imposição de multa isolada pois inexistentes IRPJ e/ou CSLL devidos ao final do ano; d) entretanto, a multa isolada poderá ser imposta sem observância do afirmado nos itens "b" e "c", desde que o lançamento seja realizado antes de encerrado o respectivo anocalendário. Bem, como se verá a seguir, das quatro afirmações acima apenas aquela contida no item "a" é correta. As outras três ("b", "c" e "d") são incorretas. Da fato, a construção interpretativa levada a efeito pela Turma recorrida para chegar às conclusões contidas nos itens "b" e "c" retro parte do disposto no caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 segundo o qual as multas ali previstas (isoladas ou não) só podem incidir sobre o valor do "tributo ou contribuição". E como a Turma recorrida entendeu que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL não são "tributo ou contribuição", concluiu que a multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, não poderia incidir sobre o valor daquelas Fl. 646DF CARF MF Processo nº 13971.003029/200288 Acórdão n.º 9101003.865 CSRFT1 Fl. 12 11 estimativas. A multa, assim, incidiria sobre um valor equivalente ao da estimativa mensal, desde que tal valor não ultrapassasse o valor do IRPJ e/ou da CSLL devidos ao final do anocalendário (afirmativa "b"). E acaso apurado prejuízo fiscal e/ou base negativa da CSLL, a multa isolada sequer poderia ser exigida, pois inexistentes IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário (afirmativa "c"). Ocorre que, embora sob o ponto de vista científico até seja possível considerarse correta a premissa de que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL não são "tributo ou contribuição" (e não estou afirmando aqui que são, ou que não são), o fato iniludível é que a própria Lei nº 9.430/96, ao se referir àquelas estimativas mensais, expressamente às denominou de "imposto" ou "contribuição" mensais, com vistas a distinguilas do imposto e da contribuição devidos ao final do ano calendário. Vejamos novamente o que estabelece o art. 2º: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (g.n.) (...) §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (g.n.) Como dito, a norma acima textualmente denomina as estimativas mensais de IRPJ como "imposto". E não é só. Outras normas da mesma Lei, ao se referirem às estimativas mensais de IRPJ previstas no art. 2º, expressamente às denominam de "imposto", senão vejamos: Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. (g.n.) Fl. 647DF CARF MF Processo nº 13971.003029/200288 Acórdão n.º 9101003.865 CSRFT1 Fl. 13 12 (...) Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. (g.n.) (...) Quanto às estimativas mensais de CSLL, o art. 30 da Lei nº 9.430/96 textualmente denomina as estimativas mensais de CSLL como "contribuição social sobre o lucro líquido". Vejamos: Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. (g.n.) (...) Ora, se a própria Lei nº 9.430/96, em diversos de seus artigos, expressamente conferiu às estimativas mensais de IRPJ e CSLL a denominação de "imposto" ou "contribuição", a Turma recorrida jamais poderia interpretar as expressões "imposto de renda", "contribuição social sobre o lucro líquido" e apurados "na forma do art. 2º", todas contidas no art. 44, § 1º, IV daquela Lei, como se tais expressões se referissem ao IRPJ e à CSLL devidos ao final do anocalendário, e não às próprias estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. Essa premissa inicial equivocada, de que ao empregar as expressões "imposto de renda" e "contribuição social sobre o lucro líquido" o art. 44, § 1º, IV não poderia estar se referindo às estimativas mensais, mas sim ao IRPJ e à CSLL devidos final do ano, causou grande dificuldade à Turma recorrida para interpretar a parte final daquela mesma norma, à qual estabelece que a multa isolada é exigida "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente". Foi a partir da dificuldade da Turma recorrida em compatibilizar essa (equivocada) premissa inicial com a parte final da norma que surgiu a "interpretação", descrita na afirmativa "d" retro, segundo à qual na hipótese de a autuação ser realizada no decorrer do próprio ano calendário (e só nessa hipótese) a multa isolada poderá incidir sobre o valor das estimativas mensais, sem qualquer limitação aos valores do IRPJ e da CSLL devidos ao final do ano, já que no decorrer do anocalendário a fiscalização não poderia saber qual o valor de IRPJ ou Fl. 648DF CARF MF Processo nº 13971.003029/200288 Acórdão n.º 9101003.865 CSRFT1 Fl. 14 13 CSLL seriam devidos ao final do ano, se é que algum valor seria devido. Ocorre que essa imaginativa "interpretação" do art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 levou à Turma recorrida a violar a sua própria premissa inicial, que tanto lhe era cara. De fato, veja que a premissa inicial da Turma (a multa isolada não pode incidir sobre o valor da estimativa mensal, pois esta não é tributo ou contribuição) colide frontalmente com a afirmativa "d" (a multa isolada incide sobre a estimativa mensal, desde que a autuação seja realizada ao longo do ano calendário respectivo). Ora, o fato de a autuação ser realizada no decorrer do anocalendário nada pode dizer sobre a natureza do valor sobre o qual incide a multa isolada (se sobre o valor das estimativas ou sobre o valor do IRPJ e da CSLL devidos ao final do ano). Em verdade, como sugerido antes, a correta interpretação do art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 deve levar em consideração o fato de que essa Lei, em diversos momentos, denominou as estimativas mensais de IRPJ e CSLL como "imposto" ou "contribuição". E ainda que seja possível afirmarse que essa denominação não seja cientificamente correta (e, novamente, não acolho nem afasto aqui essa proposição), o fato é que, como essa denominação foi empregada ao longo do texto legal, não haveria razão para o intérprete deixar de considerála justamente ao examinar a multa isolada de que trata o art. 44. Somese a isso o fato de que, ao empregarse a denominação legal (estimativa mensal como "imposto" ou "contribuição"), a interpretação do art. 44 tornase linguisticamente muito mais fluida (ao contrário do esforço interpretativo hercúleo empreendido pela Turma recorrida), além de consentânea com a finalidade da multa isolada, que é de reprimir a falta dos pagamentos mensais por estimativa. Tendo em vista o exposto, voto por manter integralmente as exigências das multas isoladas por falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ verificada ao longo dos anos de 1997, 1999, 2000 e 2001. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Adoto os mesmos fundamentos acima transcritos, para dizer que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao anocalendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, de não se estar exigindo débito de IRPJ em relação ao ajuste anual daquele período. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 13971.003029/200288 Acórdão n.º 9101003.865 CSRFT1 Fl. 15 14 (...) Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, voto por DAR provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 650DF CARF MF
score : 1.0
