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Numero do processo: 16095.000198/2006-53
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO.
ÔNUS DA PROVA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430, de 1996 impõe aos titulares das contas bancárias, regularmente intimados, o ônus da comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE
DE R$ 80.000,00.
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2801-001.513
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o montante de R$ 25.376,96, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430, de 1996 impõe aos titulares das contas bancárias, regularmente intimados, o ônus da comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. Recurso voluntário provido em parte.
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DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430, de 1996 impõe aos titulares das contas bancárias, regularmente intimados, o ônus da comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o montante de R$ 25.376,96, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Presidente Assinado digitalmente Fl. 265DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 2 Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tania Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Ewan Teles Aguiar. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 186.419,29, referente ao exercício de 2002, a título de imposto (R$ 74.687,22), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 56.015,41), além de juros de mora (R$ 55.716,66). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos, mantidas em instituição financeira, em relação às quais o titular (contribuinte), regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em sua impugnação, a contribuinte alegou que o depósito de maior vulto, R$ 260.263,64, em 07/03/2001, decorre dos seguintes fatos: A sua empresa, a FOUR UNION, celebrara contrato com a CIEN, Companhia de Interconexão Energética, em que constava como subcontratada a HEYNA Serviços de Comércio Ltda. Esta última recebia diretamente da CIEN os pagamentos pelos serviços, repassando 50% para a FOUR UNION. Surgiram diferenças nos repasses destes valores, que foram regularizadas pela HEYNA com o depósito, na conta pessoal da impugnante, dos R$ 260.263,64 em questão. A operação foi contabilizada pela FOUR UNION como distribuição de lucro para a sócia. Para comprovar, apresenta cópia de perícia realizada em processo judicial movido pela HEYNA contra a FOUR UNION, onde consta que "não restou apurado que os pagamentos da empresa CIEN à requerente – HEYNA tenham transitado pela conta bancária da empresa Requerida FOUR UNION. A diferença de crédito estaria relacionada, na maior parte, à nota fiscal de prestação de serviços n° 305, de 07/02/2001, no valor de R$ 482.867,51, mencionada pela perícia judicial às fls. 199. Argumentou, também, que o somatório dos demais depósitos não ultrapassa o limite de R$ 80.000,00, previsto no art. 849, § 2°, II, do Decreto 3.000/1999, razão pela qual não estaria autorizado o lançamento pela falta de comprovação da origem desses depósitos. A 3ª Turma da DRJ/Salvador/BA, conforme Acórdão de fls. 217/218, julgou procedente o lançamento sob os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. A origem dos depósitos bancários deve ser demonstrada com elementos de prova objetivos que permitam estabelecer correspondência individualizada entre os créditos e as origens alegadas. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 13/11/2008 (fl. 223), a interessada, representada por seu advogado (fls. 225/226), interpôs recurso voluntário de fls. 228/234, em 15/12/2008, cujas razões serão a seguir sintetizadas. • A razão primordial das diferenças apuradas entre a sua declaração de rendimento e os valores que efetivamente transitaram por suas contas bancárias devese a falhas na contabilidade da sociedade Four Union Assessoria De Comércio Exterior Ltda., da qual é sócia; Fl. 266DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 16095.000198/200653 Acórdão n.º 280101.513 S2TE01 Fl. 240 3 • As falhas na contabilidade foram objeto de outro auto de infração lavrado contra a empresa (processo n° 16095.000210/200620, também da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Guarulhos). Para os efeitos destes autos, basta salientar que durante os anos de 1998, 1999 e 2000, foram contabilizadas distribuições de lucros aos sócios que, efetivamente, não ocorreram; • Naqueles autos, foi requerida a produção de prova pericial para, entre outras finalidades, demonstrar que o montante de lucros distribuídos para os sócios tem correspondência na contabilidade, embora as datas de pagamentos não sejam coincidentes, sendo que essa prova pericial ainda não foi realizada. • Seria o caso, a rigor, de suspensão do presente processo por prejudicialidade, até que comprovadas as alegações da sociedade FOUR UNION no processo de que é parte o que terá repercussões nos presentes autos; • O principal depósito não identificado é o efetuado em 07.03.2001, no valor de R$ 260.263,64. Esse valor corresponde a crédito realizado pela FOUR UNION como distribuição de lucro, mas cujo pagamento foi efetuado diretamente pela empresa HEYNA, por conta de acertos na repartição dos valores recebidos da CIEN, representados principalmente pela nota fiscal de prestação de serviços no 305, de 07.02.2001; • Os depósitos restantes serão automaticamente excluídos do auto inaugural, uma vez que não atendido o limite de R$ 80.000,00 do art. 849, §2°, II, do Regulamento do Imposto de Renda instituído pelo Decreto n° 3.000/99. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O auto de infração tem origem em omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 267DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 4 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Mister esclarecer que não é ônus do Fisco comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários a descoberto. Tal entendimento encontrase consolidado no CARF, conforme enunciado da Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Essa presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Em sede de recurso o contribuinte reitera o argumento da impugnação no sentido de que o principal depósito não identificado, efetuado em 07.03.2001, no valor de R$ 260.263,64, referese a crédito realizado pela FOUR UNION como distribuição de lucro, mas que foi efetuado diretamente pela empresa HEYNA, por conta de acertos na repartição dos valores recebidos da CIEN. Observese que a fiscalização registrou, no “Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades” (fls. 176/181), os seguintes fatos: • Todos os valores escriturados a título de distribuição de lucro pela empresa Four Union (CNPJ nº 00.583.184/000160 divergem em datas e valores daqueles tidos como depósitos não justificados; • Não se verificam, nos extratos das contas da referida empresa, débitos dos valores em litígio nas mesmas datas em que foram creditados nas contas da fiscalizada; • A empresa Four Union não realizava, a época, a escrituração de sua Movimentação Bancária. A decisão recorrida, analisando a referida argumentação, assim se pronunciou: “Os documentos apresentados pela interessada não comprovam a origem do depósito de R$ 260.263,64, em 07/03/2001. A perícia judicial indica apenas a existência de relação contratual entre a FOUR UNION e a HEYNA. Não demonstra que o depósito em questão tenha sido efetuado por esta última. Não há coincidência entre a parcela de 50% da nota fiscal n° 305, de 07/02/2001, no valor de R$ 482.867,51, mencionada pela perícia judicial às fls. 199, e o depósito. Não foi demonstrada também a composição das diferenças de crédito que existiriam entre as duas empresas, nem há registro contábil da alegada distribuição de lucros.” Nesse ponto, como não foi aditado nenhum elemento de prova pela recorrente, há de se confirmar a decisão de primeira instância. Quanto à pretensa suspensão do presente processo até que sejam comprovadas as alegações da sociedade FOUR UNION no Processo nº16095.000210/200620, importa esclarecer que não há previsão legal que lhe dê guarida. Fl. 268DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 16095.000198/200653 Acórdão n.º 280101.513 S2TE01 Fl. 241 5 Já, em relação aos demais depósitos, assiste razão ao sujeito passivo, eis que todos são inferiores a R$ 12.000,00 e o somatório (R$ 25.376,96) é inferior ao limite de R$ 80.000,00. Portanto, não deverão ser considerados para efeito de determinação da receita omitida, conforme expressa determinação do § 3º, inciso II, do artigo 42 da Lei º 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” (Redação inserida pela Lei nº 9.481, de 1997.) Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o montante de R$ 25.376,96. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 269DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10073.001258/00-15
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.721
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-09-10T16:59:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-09-10T16:59:37Z; Last-Modified: 2013-09-10T16:59:37Z; dcterms:modified: 2013-09-10T16:59:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:100c85a4-8655-4cce-a435-03e43f3a94fb; Last-Save-Date: 2013-09-10T16:59:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-09-10T16:59:37Z; meta:save-date: 2013-09-10T16:59:37Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-09-10T16:59:37Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-09-10T16:59:37Z; created: 2013-09-10T16:59:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2013-09-10T16:59:37Z; pdf:charsPerPage: 999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-09-10T16:59:37Z | Conteúdo => • OTACiLIO DA Presidente MINISTÉRIO DA FAZENDA ,fe TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° Recurso n° Sessão de Recorrente Recorrida : 10073.001258/00-15 : 132.186 : 17 de outubro de 2006 : CYANAMID QUÍMICA DO BRASIL LTDA. : DRJ/FLORIANOPOLIS/SC RESOLUÇÃO V- 3 0 1- 1 .7 2 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. V MAR F,ONSE A ØE MENEZES Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Atalina Rodrigues Alves, Susy Gomes Hoffmann, Irene Souza da Trindade Torres e Carlos Henrique Klaser Filho. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Dourado Maciel. Fez sustentação oral o advogado Dr. Claus Nogueira Aragdo, OAB/DF n° 13.173. CCS • Processo n° : 10073.001258/00-15 Resolução n° : 301-1.721 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. • "Trata-se da exigência do Imposto de Importação (R$ 524.077,64, fl. 9), acrescida de multa de oficio e juros de mora, em virtude de inadimplemento do regime aduaneiro especial de drawback na modalidade suspensão. I — Do Auto de Infração Conforme descrito no Relatório de Auditoria de fls. 15 a 36, a interessada obteve o Ato Concessório de Drawback n° 0001- 96/000017-6, emitido em 27/02/1996, autorizando a importação, com suspensão de tributos, de 149.000 kg do insumo 5-EPDC (5-etil 2,3 piridina ácido dicarboxilico), para posterior exportação de 156.842 kg do produto "Imazethapyr Técnico" (v. fl. 42). Posteriormente, o compromisso de exportação foi alterado para 114.962 kg de "Imazethapyr Técnico" e 389.100 litros de "Pivot 10 %" (v. Aditivo de fl. 46). Os Laudos Técnicos de fls. 311 a 315 indicam a proporção de 5- EPDC utilizada na produção do "Imazethapyr Técnico". Atestam, também a quantidade de 5-EPDC empregada na produção do "Pivot • 10 %", o qual é obtido mediante dissolução do "Imazethapyr Técnico". O Relatório de Comprovação de Drawback apresentado pela contribuinte a Secex indica que foram importados 149.000 kg de insumos, por meio de cinco Declarações de Importação (v. fls. 47 e 48). Aponta, também, que foram exportados 114.962 kg de "Imazethapyr Técnico" e 389.100 litros de "Pivot 10 %", mediante a utilização de trinta e sete Registros de Exportação (v. fls. 49 e 50). Entretanto, a fiscalização relata as seguintes irregularidades: 1) Descumprimento do disposto no art. 325 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985. Falta de averbação do número do Ato Concessório no documento de exportação (Registro de Exportação — RE, fls. 20 e 21). A averbação do número do Ato Concessório no documento de exportação (RE), visa o controle fiscal do beneficio concedido, pois 2 Processo n° Resolução n° : 10073.001258/00-15 : 301-1.721 se assim não fosse, o beneficiário do regime poderia utilizar um único RE para comprovar as exportações de dois ou mais Atos Concessórios (emitidos, por exemplo, em cidades jurisdicionadas a diferentes unidades da Receita Federal), com os mesmos documentos de exportação. Dai a necessidade de controle através da averbação, em cada RE, do número do Ato Concessório correspondente, conforme determina o art. 37 da Portaria SECEX n° 4/1997, entendimento expresso, também, pela Administração Tributária, por meio do Parecer COSIT n° 53, de 22/07/1999. importante destacar que o Registro de Exportação possui dois campos específicos para esse fim, denominados "Número do Ato Concessório" e "Dados do Fabricante, [...] Ato Concessório, Quantidade e Valor". A irregularidade foi detectada em relação a trinta e três Registros de Exportação, mencionados à fl. 21. Fundamentação legal: artigos 78, inciso II e 94 do Decreto-lei n° 37/66 e artigo 325 do RA/85. 2) Não enquadramento das operações de exportação no código próprio. Descumprimento do disposto na Portaria SECEX n° 2, de 22/12/1992 (fls. 21 e 22). Considerando que determinadas operações foram declaradas nos RE's sob código 80000 (exportações comuns), e não no código 81101 (drawback suspensão comum), em desacordo com o que determina a Portaria Secex n° 2/1992, a fiscalização aduaneira viu- se impossibilitada de direcionar o despacho de exportação para um canal que permitisse o exame documental e a verificação fisica das mercadorias exportadas, para que fossem confrontadas com aquelas autorizadas no Ato Concessório. Essa irregularidade foi detectada em relação a trinta e dois Registros de Exportação listados a fl. 22. Desse modo, não pode o contribuinte, depois de concluídos todos os procedimentos do despacho de exportação, utilizar uma exportação efetuada no "regime comum" para comprovar o adimplemento de um Ato Concessório de Drawback Suspensão. Fundamentação legal: arts. 78, II e 94 do DL n° 37/66, arts. 1° e 6° do Decreto n° 660/92, art. 440 do RA185 e art. 10 e Anexo I da Portaria SECEX n°2/1992. 3) Irregularidades relativas a escrituração do controle substitutivo do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque (fls. 22 a 25). Relata a fiscalização que o estabelecimento da contribuinte beneficiário do drawback, registrado no CNPJ sob n° 00.950.859/0003-23, adotou sistema de controle da produção e do estoque mediante processamento eletrônico de dados (inventário 3 Processo n° Resolução n° : 10073.001258/00-15 : 301-1.721 permanente), estando dispensado da escrituração do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque (art. 283 do RIPI/82). No entanto, a escrituração realizada pela contribuinte não observou as características do modelo aprovado pelo Convênio ICMS n° 95/89, nem foi efetuada a comunicação devida à Secretaria da Receita Federal, razão pela qual a fiscalização determinou a regularização do controle alternativo à escrituração do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, sob pena de restar materializada a circunstância agravante prevista no art. 449, inciso III do RIPI/98. Destaca a fiscalização que os controles adotados pela empresa não permitem a perfeita identificação dos insumos importados com os produtos finais exportados. Nos levantamentos de fls. 23 e 24, os autuantes verificaram "a impossibilidade de se apurar o atendimento ao principio da vinculação fisica, quanto h. utilização do 5-EPDC importado ao amparo do Ato Concessório". Desse modo, relatam os autuantes, "fica comprometida a verificação da quantidade real de 5- EPDC utilizada na produção de Imazethapyr e, por conseguinte, de Pivot 10 %" (fl. 25). 4) Exportação por estabelecimento diverso do indicado no Ato Concessório Citando a Decisão DRJ/SDR n° 1.476/2000, a fiscalização assevera que não é permitida a importação ou exportação ao amparo do regime de drawback por outro estabelecimento da empresa que não seja aquele indicado no Ato Concessório (art. 13 da Portaria SECEX n° 4/97 e item 8.4 do Anexo ao Comunicado DECEX n° 21/97). Antes da edição dessas normas, s6 era permitida a exportação por estabelecimento diverso mediante a emissão de Aditivo ao Ato Concess6rio. Segundo a referida Decisão, tais controles visam garantir o principio da vinculação flsica que deve existir entre os insumos importados e os produtos exportados ao amparo do drawback, bem como permitir . o controle fiscal. Por conseguinte, foi glosada a utilização dos vinte e cinco Registros de Exportação citados à fl. 25, que foram efetivados em nome do estabelecimento matriz da interessada (CNPJ n° 00.950.859/0001- 61). Fundamentação legal: item 13 da Portaria DECEX n° 24/92, art. 51 e parágrafo único da Lei n° 5.172/66, art. 22, parágrafo único e art. 392, inciso IV do RIPI/82. 4 Processo n° Resolução n° • : 10073.001258/00-15 : 301-1.721 5) Utilização de Registros de Exportação vencidos 0 Registro de Exportação tem prazo de validade de sessenta dias, contados a partir da data de emissão, para ser utilizado no despacho de exportação. Esgotado esse prazo, se o RE não for vinculado a nenhum DDE, será cancelado automaticamente pelo sistema. Os RE's n° 96/0677899-003 e 96/1015550-001, utilizados pela empresa na comprovação do Ato Concessório de Drawback, encontram-se com o status de "vencidos", razão pela qual não poderiam ter sido utilizados em nenhuma operação de exportação. 6) Registro de Exportação informado no Relatório de Comprovação que não consta do sistema 0 Registro de Exportação n° 96/0923833-001 não consta do Siscomex para nenhum dos CNPJ's da empresa, matriz e filiais. 7) Uso de mercadoria importada ao amparo do Ato Concessório, com suspensão de tributos, em fim diverso da exportação nele prevista A empresa informou, através de Laudo Técnico, a utilização de 0,862419 kg de insumo (5-EPDC) para cada kg de Imazethapyr, e de 0,0956232 kg de insumo (5-EPDC) para cada litro de Pivot 10 %. Pelo principio da vinculação fisica, os insumos importados devem ser aplicados na produção das mercadorias exportadas, para que o exportador faça jus à isenção de tributos decorrente do adimplemento do Ato Concessório de Drawback. No caso em análise, a interessada exportou 114.962 kg de Imazethapyr (correspondentes a 99.137 kg de insumos) e 389.100 litros de Pivot 10 % (37.206 kg de insumos), revelando uma sobra de 12.657 kg de insumos, mercadoria importada sem o recolhimento de tributos. Do mesmo modo, relata a fiscalização, a planilha de fls. 30 a 34, denominada "Demonstrativo Movimentação Estoque para Apuração Débito 5-EPDC", demonstra a efetiva sobra de 12.620 kg de insumos. Nos Livros apresentados pela interessada, utilizados para controle do estoque de mercadorias, não há separação das contas dos produtos Imazethapyr Técnico e Pivot 10 %, circunstância que compromete a apuração da real quantidade de insumo efetivamente utilizada nos produtos exportados. Também existem diversas saídas dos referidos produtos para o mercado interno, bem como para 5 :- Processo n° : 10073.001258/00-15 Resolução no : 301-1.721 exportações não relacionadas ao Ato Concessório de Drawback em foco, além da constatação de que o Imazethapyr Técnico é igualmente utilizado na fabricação de outros produtos que não o Pivot 10 %. . Conclusão Considerando todo o exposto, foi elaborada a Tabela C (fl. 29), onde constam todos os RE's utilizados na comprovação das exportações, e o motivo que levou à glosa de cada um deles, com exceção do RE n° 97/0224692-001, que foi aceito como exportação efetuada ao amparo do Ato Concessório de Drawback. 0 valor do Imposto de Importação exigido foi apurado conforme cálculos discriminados A fl. 27. II — Da Impugnação Cientificada da autuação, a interessada protocolizou a defesa de fls. 461 a 478, argumentando, em resumo, que: - A exigência fiscal não merece prosperar, uma vez que as exportações objeto do Ato Concessório n° 0001-96/000117-6 foram integralmente cumpridas pela impugnante, ainda que tenham ocorrido pequenas e escusáveis irregularidades formais, o que se admite apenas para argumentar; - 0 regime de drawback suspensão é um negócio jurídico bilateral, realizado entre o Estado e o particular (empresa), que gera direitos e obrigações para ambas as partes, com a finalidade de incrementar as exportações nacionais; - Pela legislação atual, compete A SECEX (antiga CACEX) a concessão do regime, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar (Portaria SECEX n° 4/1997, art. 2°); - Considerando que a CACEX em nenhum momento desconsiderou o Relatório de Comprovação de Drawback apresentado pela interessada, não pode a fiscalização julgar descumprida a condição suspensiva. Não compete h. Secretaria da Receita Federal verificar o cumprimento das obrigações do regime, atribuição que cabia, na época à CACEX; - Se o órgão responsável (CACEX) analisou e aprovou as operações de importação e exportação da impugnante, não pode a SRF • desconsiderar o trabalho já realizado e glosar a suspensão do imposto de importação relativo à aquisição de matéria-prima, salvo 6 Processo n° Resolução n° : 10073.001258/00-15 : 301-1.721 na hipótese de fraude, que não ocorreu no caso presente (v. Acórdão do 3° CC, fl. 467); 1) Descumprimento do disposto no art. 325 do Regulamento Aduaneiro. Falta de averbação do número do Ato Concessório no documento de exportação (RE - Registro de Exportação); - A fiscalização desconsiderou diversos RE's, apenas porque lhes faltaria a indicação do número do Ato Concessório de Drawback, sendo que se trata, na verdade de simples irregularidade formal; - A glosa se baseia no argumento de que a interessada poderia ter utilizado o mesmo RE no cumprimento de mais de um Ato Concessório de Drawback. Mas, em nenhum momento, a fiscalização acusa a impugnante de ter praticado tal infração, nem poderia fazê-lo; - Quando muito, seria cabível a aplicação de uma multa por inobservância de aspectos formais da legislação tributária, mas nunca a desconsideração das exportações efetuadas a titulo de drawback, implicando na exigência do imposto de importação e acréscimos de duvidosa legalidade; - Não se pode considerar que o art. 325 do RA185 permitiria a glosa • das exportações praticadas pelo contribuinte, nos casos em que este, por um lapso qualquer, deixa de consignar o número do Ato Concessório no Registro de Exportação, sob pena de violar os princípios da legalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade e do não-confisco, motivo pelo qual a impugnante requer seja julgado improcedente o lançamento; - Mesmo porque as operações ora discutidas remontam aos anos de 1996 e 1997, época em que o Siscomex sofria constantes alterações, para seu aperfeiçoamento. Se hoje é indispensável a informação do número do Ato Concessório de Drawback, outrora essa informação era desnecessária; 2) Não enquadramento da operação de exportação em código próprio - Trata-se de outra pequena, irrelevante e escusável irregularidade formal relativa ao preenchimento do Registro de Exportação, que igualmente resultou na glosa das exportações para fins de adimplemento do regime de drawback suspensão. A interessada teria preenchido alguns RE's com o código de exportação normal (80000), quando•deveria ter consignado o código correspondente operação de drawback suspensão comum (81101); 7 Processo n° Resolução n° : 10073.001258/00-15 : 301-1.721 - Ora, se o Conselho de Contribuintes já reconheceu que até mesmo a falta de Guia de Importação não tem o condão de afastar o regime aduaneiro especial de drawback suspensão, não há como prevalecer a desconsideração de vários RE's, apenas por ter sido informado o ' código de operação de forma equivocada (v. citação de fl. 470); - Ademais, os dispositivos legais tidos por infringidos são genéricos, sendo que nenhum deles menciona, expressamente, que a utilização equivocada de código no Registro de Exportação tornaria tal documento inidôneo para fins de comprovar a operação de drawback, como pretende a fiscalização. Também com relação a esse item deve ser julgada improcedente a exigência fiscal; 3) Irregularidades relativas A. escrituração do controle substitutivo ao "Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque" - Neste item, a fiscalização limita-se a alegar que a escrituração alternativa do "Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque" teria prejudicado a fácil visualização do uso da matéria- prima importada na fabricação dos produtos destinados aos mercados interno e externo. Ocorre que a interessada simplesmente exerceu a faculdade expressa no art. 283 do RIPI/82 e Convênio ICMS n° 95/89, passando a utilizar sistema eletrônico de processamento de dados, em substituição àquele Livro; - Ainda nesse sentido, cumpre esclarecer que, apesar de não ter sido formalmente comunicada a adoção do "Livro Controle Quantitativo de Mercadorias", em substituição ao "Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque", a SRF teve ciência de tal procedimento, em fevereiro de 1996, quando este livro foi exibido ã fiscalização, conforme consta da página 50 do "Livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termo de Ocorrências — Modelo 6"; 4) Exportação por estabelecimento diverso do indicado no Ato Concess6rio - Vários RE's foram glosados por terem sido efetivados em nome do estabelecimento matriz, e não em nome da filial localizada em Resende/RJ (fábrica). Mais uma vez, um simples, irrelevante e escusável equivoco no preenchimento dos documentos resultou na descaracterização da operação de drawback — embora o regime tenha sido cumprido na sua essência pela impugnante; - Em outras palavras, a mera e equivocada alteração dos seis dígitos finais do CNPJ por ocasião do preenchimento dos RE's seria, no entendimento da SRF, condição suficiente para declarar tais documentos inidôneos na comprovação do cumprimento do regime aduaneiro especial de drawback; 8 Processo n° Resolução n° : 10073.001258/00-15 : 301-1.721 - Além da total falta de razoabilidade e proporcionalidade entre a infração supostamente praticada e a exigência fiscal imposta, também merece ser esclarecido que ambos os estabelecimentos indicados nos RE's são da mesma empresa, matriz e filial, igualmente localizados no Estado do Rio de Janeiro; - A empresa é uma só, e assim deve ser tratada, inclusive para fins de concessão de beneficios fiscais e do cumprimento de suas condições. Não é justo, nem legal, que as operações de drawback realizadas pela interessada sejam descaracterizadas apenas porque consta dos documentos de importação o CNPJ da unidade fabril, e nos documentos de exportação, o CNPJ da matriz. Tal equivoco é mínimo e totalmente irrelevante, não podendo gerar a glosa das operações, tampouco a cobrança do imposto de importação suspenso (v. citação de fls. 472 e 473); - Não procede, portanto, a assertiva da fiscalização, de que os produtos finais teriam sido exportados por outra empresa. Frise-se, aliás, que o estabelecimento exportador foi sua unidade fabril situada em Resende, apesar de, por um lapso, constar do RE o CNPJ do estabelecimento sede. Como visto, trata-se de mero erro formal, que não pode acarretar a descaracterização completa da operação; 5) Utilização de Registros de Exportação vencidos - Segundo o Fisco, dois RE's estariam com o prazo de validade vencido, "o que implica dizer que nenhuma operação de exportação poderia ter sido concretizada utilizando-se dos mesmos". Novamente, a fiscalização se prende a meros requisitos formais para invalidar as operações de drawback efetuadas pela impugnante, esquecendo-se da essência desse regime especial, criado com a finalidade de incrementar as exportações nacionais; - Note-se que, em momento algum, o Fisco alega que as operações mencionadas nos RE's — ainda que com prazo de validade vencido — não teriam sido praticadas. E nem poderia, pois como sobejamente comprovado perante a CACEX, foram cumpridos todos os requisitos do referido regime aduaneiro; - Não é crivei que o único argumento da fiscalização para a glosa das operações de drawback realizadas diga respeito A. utilização de dois RE's que, mesmo com o prazo de validade supostamente vencido, foram aceitos pelo Siscomex, analisados e aprovados pela CACEX; - Considerando que as exportações foram efetivamente praticadas dentro do prazo estabelecido no Ato Concessório, a impugnante não Processo n° Resolução n° : 10073.001258/00-15 : 301-1.721 merece ser penalizada, razão pela qual o auto de infração não deve prevalecer; 6) Registro de Exportação informado no Relatório de Comprovação não consta do sistema - Alega a SRF que o RE n° 96/0923833-001 não consta do Siscomex, em nenhum dos estabelecimentos da impugnante. A esse respeito, a impugnante informa que, provavelmente, um dos dígitos do número do documento indicado está errado, o que já está sendo verificado, e será objeto de manifestação posterior; 7) Uso da mercadoria importada ao amparo do Ato Concess6rio, com suspensão de tributos, diverso da exportação para atendimento do referido Ato - Por Ultimo, cabe à impugnante esclarecer que, como se dá em outras atividades, no processo de industrialização ocorrem perdas de matéria-prima, seja por quebra, evaporação, ou outro fenômeno qualquer. Assim, quando da importação do produto 5-EPDC, diversos cálculos e fórmulas foram feitos, o que possibilitou a produção da exata quantidade de Imazethapyr Técnico e Pivot 10 % encomendada no exterior, o que de fato ocorreu; - Dessa forma, a impugnante não pode concordar com a alegação de que haveria relevante sobra de insumo, mesmo após a exportação dos produtos mencionados; - Por essas razões, e sem tempo hábil para levantar os documentos e refazer os cálculos necessários para elaboração da defesa, a impugnante requer a realização de perícia técnica, na qual deverá ser comprovada a utilização integral da matéria-prima importada sob o regime de drawback na fabricação dos produtos exportados; - Para acompanhamento do trabalho de perícia, a interessada indica seu assistente técnico e apresenta os quesitos que deverão ser respondidos (fls. 475, 477 e 478); Conclusão - Por todo o exposto, a impugnante requer o cancelamento do auto de infração, uma vez que o regime aduaneiro especial de drawback foi cumprido em todos os seus requisitos essenciais, o que foi confirmado mediante a análise e aprovação de todas as operações pertinentes pela CACEX; - Tendo sido as operações examinadas e aprovadas pela CACEX, resta patente a falta de competência da SRF para desconstituir os 10 Processo n° : 10073.001258/00-15 Resolução n° : 301-1.721 atos administrativos anteriormente praticados por aquele órgão técnico, com exceção da prática de fraude, hipótese que sequer é cogitada no presente auto de infração, - Ainda que assim não fosse, o que se admite apenas para argumentar, as exigências constantes do auto de infração não merecem prosperar, pois são baseadas em pequenas, insignificantes e escusáveis infrações formais supostamente cometidas pela impugnante, e que não causaram qualquer prejuízo aos cofres públicos. Assim, a glosa do regime especial de drawback e a cobrança de cerca de R$ 1,5 milhões em imposto de importação, multa e juros de mora, revela-se totalmente desarrazoada e desproporcional; - No que tange à alegagdo de que haveria relevante sobra de matéria-prima importada com suspensão de impostos, mesmo após a fabricação e exportação dos produtos correspondentes, a impugnante protesta, mais uma vez, pela realização de perícia técnica, ocasião em que será comprovada a insubsistência de tais alegações e o fiel cumprimento do regime aduaneiro especial. Tal perícia também será determinante para comprovar a efetividade das exportações, mesmo nos casos em que a fiscalização alega o descumprimento de pequenas irregularidades formais; - Por fim, a impugnante protesta pela posterior produção de todos os tipos de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada de documentos, pela realização de perícia técnica e pela inclusão de outros quesitos pertinentes ao caso." A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: 11/ "Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 07/03/1996 a 29/05/1996 • Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente serão aceitos para comprovação do regime Drawback, Registros de Exportação devidamente vinculados ao Ato Concess6rio, e que contenham a informação de que se referem a uma operação de Drawback. REGISTROS DE EXPORTAÇÃO VENCIDOS. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIA NA() RELACIONADA NO ATO CONCESSÓRIO. 11 Processo n° : 10073.001258/00-15 Resolução n° : 301-1.721 • Registros de Exportação não encontrados no Siscomex, e que constam do Sisbacen na situação de "vencidos", ou que amparam a exportação de mercadoria não relacionada com o Ato Concessório, não constituem documentação hábil para comprovar o adimplemento do Drawback. DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR. Compete A Secretaria da Receita Federal a aplicação do Regime Drawback e a fiscalização dos tributos, compreendendo o lançamento do crédito tributário e a verificação do regular cumprimento, pelo importador, dos requisitos e condições fixados pela legislação de regência. Lançamento Procedente" Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fl. 537, inclusive repisando argumentos, nos termos a seguir dispostos, alegando que: COMO PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA: • A decisão recorrida é nula haja vista que o indeferimento da produção da prova pericial contábil violou os consagrados princípios do contraditório e da ampla defesa e o artigo 18 do Decreto 70.235/72; o objetivo da perícia seria determinar se as matérias primas importadas foram, de fato, utilizadas na fabricação ou beneficiamento de um produto posteriormente exportado nos moldes do Ato Concessário no. 0001-696/000117-6, bem como demonstrar a inexistência de qualquer prejuízo ao Erário nas importações referidas. Requer, assim, a nulidade da decisão recorrida e que seja determinado o retorno dos autos á. DRJ , a fim de que a perícia seja realizada, conforme solicitado COMO RAZÕES DE MÉRITO: Repisa as argumentações apresentadas na impugnação, inclusive quanto a competência da CACEX para verificar o cumprimento e • condições do programa. Ê o relatório. 12 Processo n° : 10073.001258/00-15 Resolução n° : 301-1.721 VOTO Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, Relator 0 recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. 0 recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. ' O Código Tributário Nacional paira soberbo sobre toda a Legislação Tributária que lhe complementa. Da seguinte forma define a atividade administrativa do Lançamento: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o credito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Não se pode admitir que seja exigido tributo sem a absoluta certeza de que este seja devido. Neste sentido, entendo que determinadas falhas de cunho formal — por si só — não podem ensejar a conclusão de que determinado tributo seria devido. As exigências formais presentes no Regime Drawback são estabelecidas pela Legislação complementar ao Código Tributário Nacional e não podem ser interpretadas passando-se ao largo das suas disposições. Entendo que as regras formais presentes no Regulamento Aduaneiro, lá estão para serem cumpridas e por que são necessárias ao controle do comércio exterior e aos beneficios fiscais. Isto, no entanto, não me permite concluir que, em se constatando a existência de falha no preeenchimento de determinados documentos, eu possa concluir que os fatos — do mundo real — cuja não ocorrência implicaria na exigência tributária — não tenham ocorrido. Não é o caso, por exemplo, da ocorrência da presunção legal presente no Regulamento do Imposto de Renda, em rein -do ao depósitos bancários, 13 Processo n° : 10073.001258/00-15 Resolução n° • : 301-1.721 que estabelece que, constatada a não comprovação da sua origem, implica em se concluir que houve a omissão de escrituração da saída destas mercadorias. Este é um caso em que a Legislação estabelece a presunção de que — ocorrido um antecedente — deve-se concluir pela ocorrência do fato conseqüente. No entanto, mesmo neste caso, que se constitui em uma presunção furls tantum é aceito por todos que — sendo relativa — por ser ilidida por prova hábil apresentada pelo contribuinte. Voltemos ao drawback, nossa seara. A Legislação estabelece certas regras formais, no caso do drawback. Não há, na Legislação, dispositivo expresso no sentido de que este descumprimento implique na exigência dos tributos suspensos. Ou seja, não há uma presunção legal que estabeleça que — em se constatando falhas formais — deva-se concluir que o compromisso assumido não tenha sido efetivamente cumprido. Por outro lado, se não há presunção legal para tal, podemos presumir — pelo senso racional comum — que haveria indícios de que o compromisso não teria sido honrado e envidar esforços nesta verificação; entendo que desta forma deveria a autoridade fiscal ter procedido, e entendo que, precipitadamente, concluiu pela ocorrência desta hipótese. No entanto, se por um lado entendo que pode admitir a possibilidade de precipitação da autoridade fiscal, por outro lado não posso afirmar que o compromisso assumido pela recorrente tenha sido, de fato, cumprido, eximindo-a do crédito lançado. Diante do exposto, voto no sentido de que seja presente julgamento convertido em diligencia para que seja a SECEX, à vista do Termo de Verificação Fiscal constante do auto de infração, se pronuncie sobre o adimplemento do regime. Sala das Sessões, em 17 de outubro de 2006 C7- 7-1-VALMARSF ON E MENEZES - Relator 14
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001934/2007-75
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
ORIGEM DE RECURSOS. DINHEIRO EM ESPÉCIE.
Havendo questionamento por parte da autoridade fiscalizadora acerca dos valores informados na Declaração de Bens e Direitos a título de dinheiro em espécie, mormente quando o valor é expressivo e o contribuinte mantinha contas remuneradas no período fiscalizado, é necessário que o contribuinte
apresente elementos de prova aptos a permitirem a convicção de que o dado declarado corresponde à realidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.507
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Evande Carvalho Araujo.
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ORIGEM DE RECURSOS. DINHEIRO EM ESPÉCIE. Havendo questionamento por parte da autoridade fiscalizadora acerca dos valores informados na Declaração de Bens e Direitos a título de dinheiro em espécie, mormente quando o valor é expressivo e o contribuinte mantinha contas remuneradas no período fiscalizado, é necessário que o contribuinte apresente elementos de prova aptos a permitirem a convicção de que o dado declarado corresponde à realidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Evande Carvalho Araujo. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Presidente em Exercício e Relatora. Fl. 388DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo e Ewan Teles Aguiar. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 05 a 16, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$14.171,49, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de omissão de rendimentos caracterizada por apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto (APD), consoante demonstrativo de fls. 286. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 301 a 312), acatada como tempestiva. Alegou, ser necessário computar como origem de recursos, em janeiro de 2003, o valor declarado como moeda em seu poder em 31/12/2002 (R$94.562,00). Em relação à efetiva existência do numerário, o contribuinte pondera que é sócio da empresa Transportes Merigo Ltda. e, em 20/06/2002, efetuou empréstimo à referida empresa (R$ 55.000,00, conforme contrato que anexa), tendo recebido, 06/11/2002, a quantia de R$ 55.632,00, mediante cheque n° 11.062, Agência 0711, Banco Real. Além disso, como sócio da empresa Auto Posto Jassa Ltda., recebeu lucros distribuídos (em 20/06/2002, R$ 55.000,00 e, em 20/09/2002, R$ 20.000,00). O contribuinte invoca jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda para robustecer seus argumentos. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 4ª Turma DRJ Florianópolis/SC, conforme Acórdão de fls. 338 a 342, julgou procedente o lançamento. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 10/03/2008 (fls. 347), o contribuinte, por intermédio de representante (Procuração às fls. 313) apresentou, em 07/04/2008, o Recurso de fls. 348 a 359, repisando, em síntese, que o valor declarado em moeda corrente no final do exercício anterior (R$94.562,00) não foi aproveitado. Asseverou que tal disponibilidade advém de recebimento de valores emprestados às Pessoas Jurídicas de que é sócio, bem como de lucros distribuídos recebidos. Cita julgados do Conselho de Contribuintes para solicitar que as informações tempestivamente declaradas sejam consideradas na apuração do APD. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 361, que também trata do envio dos autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Fl. 389DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Processo nº 10925.001934/200775 Acórdão n.º 280101.507 S2TE01 Fl. 363 3 Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, o lançamento contempla omissão de rendimentos caracterizada por apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto (APD). Essencialmente, o interessado protesta pelo cômputo a título de origem de recursos, em janeiro de 2003, do valor tempestivamente informado na Declaração de Bens, parte integrante da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2004, a título de “MOEDA CORRENTE NACIONAL E BANCOS – BRASIL”, em 31/12/2002 (R$94.562,00, fls. 20). Ocorre que tal origem já havia sido pleiteada por ocasião da fiscalização e, com propriedade, a autoridade lançadora solicitou que o interessado carreasse aos autos elementos de prova da efetividade desse numerário. Conforme se pode ver no TERMO DE VERIFICAÇÃO E ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL de fls. 11 a 16, com propriedade ponderou que o contribuinte mantinha aplicações em vários fundos de investimentos do Banco Real S/A, assim, seria necessário que justificasse a permanência em caixa sem remuneração. Os recursos invocados pelo contribuinte foram percebidos em meses anteriores (junho, setembro e novembro de 2003), portanto em datas distantes de 31/12/2003, e continuam sem justificativas os motivo pelos quais teriam permanecido em seu poder e não em contas de aplicações financeiras remuneradas das quais o contribuinte era titular à época dos fatos em análise, integrando, dessa forma, a relação de bens e direitos sob identificação passível de ser comprovada, quando intimado. Quanto aos julgados invocados, destaquese que não foram trazidas à colação posições que vinculariam as decisões prolatadas por este Colegiado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 390DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000943/2003-38
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.708
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. OTACILIO DAN S ARTAXO Presidente VALMAR Ççn . FONSpCA E MENEZES Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Jose Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Atalina Rodrigues Alves, Susy Gomes Hoffinann, Irene Souza da Trindade Torres e Carlos Henrique Klaser Filho. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Dourado Maciel. • Processo n" : 13116.000943/2003-38 Resolução n° : 301-1.708 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. "Contra o contribuinte identificado no preâmbulo foi lavrado, em 11/08/2003, o Auto de Infração/anexos que passaram a constituir as fls. 01/08 do presente processo, consubstanciando o lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício de 1999, referente ao imóvel denominado "Fazenda Santa Frutuosa", cadastrado na SRF sob o n° 4.350.546-5, com área de 7.919,0ha, localizado no Município de Nova Roma/GO. 0 crédito tributário apurado pela fiscalização compõe-se de diferença no valor do ITR de R$343.543,29 que, acrescida dos juros de mora, calculados até 31/07/2003 (R$227.700,49) e da multa proporcional (RS257.657,46), perfaz o montante de R$828.901,24. A descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração, da multa de oficio e dos juros de mora constam as fls. 06 e 03. A ação fiscal iniciou-se com as intimações ao contribuinte, datadas de 15/04/2003 (fls. 13 e 14) para, relativamente a DITR/1999, apresentar: 1 — Certidão ou matricula atualizada do Registro Imobiliário; 2 — Laudo técnico, fornecido por engenheiro agrônomo ou florestal, com comprovante de anotação junto ao CREAA, contendo: a — área de preservação permanente (informando-se a área e a descrição sucinta de cada tipo de terreno conforme classificado no Código Florestal); b — área ocupada e descrição de cada benfeitoria; e, Nota Fiscal de aquisição de vacinas ou documento da Secretaria Estadual de Agricultura constando a quantidade de animais existentes durante 1998. 3 — Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel confonne NBR 8799. A não apresentação deste ensejará a alteração do VTN declarado pelo constante no Sistema de Preços de Terras da SRF; 0 Contribuinte atendeu a intimação apresentando os seguintes documentos: Processo IV Resolução n" : 13116.000943/2003-38 : 301-1.708 a — carta datada de 06/06/2003, encaminhando Laudo Técnico (fls. 15); b — Laudo de Avaliação, datado de 05/06/2003 (folhas 16 a 45), contendo cinco anexos. No procedimento de analise e verificação das informações declaradas e da documentação apresentada pelo Contribuinte, a fiscalização lavrou Auto de Infração glosando totalmente as áreas informadas corno de Preservação Permanente (1.583,8ha), corno de Utilização Limitada (3.959,5ha), como de pastagens (2.375,7ha), além rejeitar o VTN Declarado (R$ 104.712,94), arbitrando o valor de R$ 1.718.423,00. Desta forma, foi aumentada a área aproveitável e tributada do imóvel, e reduzido o Grau de Utilização da sua área aproveitável. Conseqüentemente, foi aumentado o VTN tributado — devido glosa das áreas de utilização limitada/preservação permanente declaradas e ao novo valor atribuído pela fiscalização -, bem corno a respectiva aliquota de cálculo, alterada de 0,45% para 20,0% para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração, conforme demonstrativo de fls. 02. Cientificado do lançamento em 29/08/2003 ("AR"de II. 48), ingressou o contribuinte, em 26/09/2003, com a impugnação de folhas 52 a 57, anexando os documentos de folhas 58 a 96. Comentou, alegou e solicitou o seguinte, em síntese: - teceu comentários acerca da lavratura do Auto de Infração e da fundamentação legal utilizada pelo Fiscal Autuante; - que o Auto de Infração foi lavrado com total cerceamento de defesa e corn fundamentos e alegações impróprias e ou meramente desprovidas de lógica e sem exame do laudo, por ele apresentado, em atendimento a intimação; - quanto a área de utilização limitada, não foi até a presente data averbado o memorial descritivo, aprovado pelo órgão ambiental, tendo em vista que a propriedade rural encontra-se invadida por integrantes do MST, fato este impeditivo para obtenção de aprovação de qualquer projeto ambiental; - quanto a area de preservação permanente, o laudo inicial realmente deixava dúvidas quanto a área avaliada e a área declarada, pois abrangia duas fazendas. 0 novo Laudo de Avaliação, que ora apresenta, esclarece o equivoco levantado. A propriedade contem, de fato, 7.919,00ha, ou seja, a mesma correspondente as glebas 01, 02 e 03, de acordo com o Laudo e planta anexa. Resta esclarecer que 3 Processo n" Resolução if : 13116.000943/2003-38 : 301-1.708 a área de preservação permanente equivale a 1.466,86ha (conforme Laudo), pois existem três rios que cortam a propriedade; - quanto a ficha de controle de vacinação de gado, esta não existe, pois na propriedade não existia rebanho. A anexa cópia da DITR/99 demonstra que a ficha da atividade pecuária foi preenchida, corn relação as informações sobre rebanho, com a quantidade "0" (zero) de aniMais; - quanto ao valor da terra nua notoriamente inferior ao de mercado: a) - na DITR/99 foi consignado o valor real da terra, ou seja, RS104.712,94, fato este comprovado pelo Laudo de Avaliação apresentado em atendimento a intimação; b) - o Laudo inicialmente apresentado, foi recusado pela Autoridade Fiscal, que não informou no Auto de Infração qual a inconsistência encontrada, bem corno não informou ou intimou o impugnante para prestar esclarecimentos; c) — o cerceamento de defesa efetuado pela Autoridade Fiscal é saneada nesta peça, na qual encontra-se anexado Laudo de Avaliação, completo e exaustivo, que atende todas as disposições da NBR 8799 e que obtém como valor real da propriedade a quantia de RS104.727,04, ou seja, com apenas R$15,00 de diferença com relação ao valor declarado; d) — o Sistema de Preços de Terras da SRF, que segundo o Fiscal Autuante, atribui o valor de RS1.718.423,00, não pode ser levado em conta, pois não leva em consideração a própria NBR 8799, ou seja, não é analisado o solo, elementos de pesquisas e valor do comercio em cada regido, fatores estes que alteram os valores em grandes proporções, conforme comprova o Laudo anexo. Que apesar de ter sido atribuído o valor com base em Portaria da SRF, o impugnante deveria ter sido informado, antes do lançamento, da divergência entre o valor declarado e o apurado segundo as normas da SRF, fato este que evitaria dispêndios ao contribuinte e a administração publica, pois teriam sido apresentadas as razões constantes desta peça, o que evitaria a existência do processo administrativo; e) — o UNIBANCO recusou a propriedade rural como garantia de empréstimo ao impugnante, tendo em vista que o Laudo de Avaliação (em anexo) solicitado pela Instituição Financeira, concluiu não existir valor de mercado para a mesma; - apresenta as razões finais da impugnação, com os seguintes tópicos: 4 Processo n° : 13116.000943/2003-38 Resolução n° : 301-1.708 a — o impugnante não tem a posse do imóvel, fato gerador do 1TR, tendo em vista que o mesmo encontra-se invadido pelo MSST; b — a área de preservação permanente encontra-se devidamente comprovada pelo Laudo de Avaliação, em anexo; c- não existe a possibilidade de ser elaborado projeto ambiental para ser aprovado e averbado, devido a invasão supracitada e comprovada pelos Laudos de Avaliação em anexo; d- foi esclarecida a divergência da área apontada como de Preservação Permanente, pois o primeiro Laudo incluiu as três propriedades, cujos registros na SRF são os de números 4.350.546-5 (área referida neste processo - fazenda santa frutuosa), 4.350.547-3 (fazenda santa frutuosa) e, 5.667.455-4 (fazenda forquilha); • e — não possui rebanho na gleba rural, pois a mesma encontra-se invadida; f- o Valor da Terra Nua — VTN - é de R$104.727,04, conforme comprova o Laudo de Avaliação em anexo. Requer, finalmente, seja cancelada a exigência tributaria constante do auto de infração." A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1999 • Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não ocorre cerceamento do direito de defesa se constam nos autos a descrição dos fatos e enquadramento legal, bem como se revela o contribuinte conhecer as acusações imputadas. DA AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Cabe ser excluída da tributação a área de preservação permanente comprovada através de •documentação hábil e idôneo - "Laudo Técnico de Avaliação ". DA AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). A área de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do 1TR, deve estar averbada à margem do registro imobiliário do imóvel, época do respectivo fato gerador da obrigação tributária. Processo IV : 13116.000943/2003-38 Resolução IV : 301-1.708 DA AREA DE PASTAGENS. — Considera-se não impugnada matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DO VALOR DA TERRA NUA - SUBAVALIAÇÃO. Na verificação de subavaliação do VTN declarado, compete A fiscalização a determinação e lançamento do imposto com base em levantamentos de preços de terras realizados pela Secretaria de Agricultura do Estado ou Município de localização do imóvel. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE" Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição nos autos (fl. 189), pleiteando o cancelamento da exigência alegando que a propriedade em questão possui registro no Cartório de Imóveis também em nome de terceiros, embora o tenha registrado em seu nome, não tendo, até a data do recurso, a posse do imóvel. Anexa cópias de certidões de cartório e aduz que não pode haver tributação em duplicidade, ou seja, uma mesma área tributada para dois contribuintes diferentes. Alega também que teriam ocorrido problemas cadastrais junto ã Receita Federal. É o relatório. • • Processo n" : 13116.000943/2003-38 Resolução : 301-1.708 VOTO Conselheiro, Valmar Fonsêca de Menezes Relator 0 recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Analisando-se, por partes, as argumentações trazidas pela recorrente, verifico que se faz necessário que o presente julgamento seja convertido em diligência para que o oficial do Cartório de Imóveis se pronuncie sobre os fatos alegados - e as certidões constantes dos autos - bem como para que a repartição de origem verifique se há incoerências no cadastro do imóvel junto a Receita Federal. Sala das Sessões, em 20 de setembro de 2006 VALMAR-r0 E A D MENEZES - Relator
score : 1.0
Numero do processo: 13736.001108/2008-22
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF
Nº 68. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.672
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF Nº 68. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Eivanice Canário da Silva. Relatório Fl. 45DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13736.001108/200822 Acórdão n.º 280101.672 S2TE01 Fl. 43 2 Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 05/07, decorrente do resultado da revisão efetuada na declaração de rendimentos retificadora apresentada pelo contribuinte, referente ao exercício 2005, anocalendário 2004, em que foi apurado pela fiscalização a omissão de rendimentos no valor de R$ 8.366,40. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou sua impugnação argumentando, em síntese, que efetuou alteração de valores anteriormente declarados como rendimentos tributáveis (Adicional por Tempo de Serviço e Compensação Orgânica), uma vez que, no Informe de Rendimentos, sua fonte pagadora não os havia excluído da tributação. Esclarece que assim o fez ao amparo do artigo 1º, inciso III, alíneas “d” e “n”, da Lei nº 8.852/94. Ao apreciar a questão, o Órgão Colegiado de primeira instância decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento, mantendo, portanto, a exigência fiscal, nos termos do Acórdão DRJ/RJO II nº 1321.051, de 22/08/2008, às fls. 29/33. Intimado da decisão a quo, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário às fls. 38/39. Em suas razões, o recorrente reitera os argumentos postos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, razão pela qual dele tomo conhecimento. Do exame das peças processuais, constatase que o litígio mira discussão acerca da interpretação da Lei nº 8.852, de 04/02/1994, especialmente no tocante à tributação dos rendimentos recebidos pelo interessado a título de “adicional por tempo de serviço” e “compensação orgânica”, sobre os quais sustenta em sua peça recursal que não deve incidir o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF). Ocorre que, da análise da referida legislação, inferese claramente que as alíneas “a” até “r” do inciso III, do art. 1°, da Lei n° 8.852/94, tratam de exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, ou seja, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Assim, as verbas recebidas pelo recorrente a título de “adicional por tempo de serviço” e “compensação orgânica” encontramse incluídas no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, § 1°, da Lei n° 7.713, de 1988. Tal entendimento já é pacífico no âmbito deste Egrégio Conselho, diante da edição da Súmula CARF n° 68, aprovada pela 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, em sessão realizada em 29/11/2010, com registro no Anexo II da Portaria nº Fl. 46DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13736.001108/200822 Acórdão n.º 280101.672 S2TE01 Fl. 44 3 49, de 01/12/2010, publicada no D.O.U. de 07/12/2010, de aplicação cogente, cujo enunciado a seguir se transcreve: A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Hígido, portanto, o lançamento formalizado na Notificação às 05/07, que tomou por base os rendimentos tributáveis informados na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentada pela fonte pagadora. Isto posto, VOTO por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 47DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 19404.000243/2007-16
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1998,1999,2000,2001
Ementa: IMPOSTO DE RENDA - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO -
DECADÊNCIA- O direito de pleitear restituição de imposto retido
indevidamente na fonte extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3804-000.037
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial da Quarta Câmara da
Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998,1999,2000,2001 Ementa: IMPOSTO DE RENDA - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA- O direito de pleitear restituição de imposto retido indevidamente na fonte extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. Recurso negado.
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Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. NE .ON V,.//// A - Presidente 4 I / 117/MARCELO MA(' "er e O — Relator FORMALIZADO EM: 28 SET 2009 kid() Processo n° 19404.000243/2007-16 83-TE04 Acórdão n.° 3804-00.037 Fl. 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Marcelo Magalhães Peixoto, Júlio Cezar da Fonseca Furtado e Nelson Mallmann (Presidente). MI \-i' 2 Processo n° 19404.000243/2007-16 83-T E04 Acórdão n.° 3804-00.037 Fl. 3 Relatório Adoto o relatório da DRJ, por bem descrever os fatos e fundamentos: "Em 09/05/2007, o interessado ingressou com a solicitação de f1.01, requerendo os valores de imposto de renda retido na fonte s/13° salário referente aos períodos de 1998 a 2006 por se tratarem de rendimentos isentos e não tributáveis. Por meio do despacho decisório de fl. 37 a ARF/Macaé/RJ foi deferida em parte a solicitação, tendo sido reconhecida a restituição referente aos anos-calendário de 2002 a 2006. Conforme despacho de fl.43 a parte não questionada da impugnação referente aos exercícios "2002 a 2006"(sic) foi transferida para o processo 19404000431/2007-36 que foi encaminhado para Saort/DRF/CGZ. Cientificado o procurador do contribuinte insurge-se contra a decisão alegando em síntese que não concorda com o decidido em primeira instância no tocante à decadência. Faz menção à jurisprudência do STJ quanto ao prazo inicial que deve ser considerado para a contagem decadencial e que no presente caso só se operaria em primeiro de janeiro de 2007. Por fim, faz menção à restituição relativa aos descontos sofridos no mês de janeiro e fevereiro de 2007. Foi solicitada prioridade na tramitação do processo com base no estatuto do Idoso." A DRJ, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE o lançamento. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, pugnando pela improcedência do lançamento. É o relatório. c/(})( 3 Processo n° 19404.000243/2007-16 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.037 Fl. 4 Voto Conselheiro MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidades. Dele conheço. Analisando os autos, bem como tudo o que mais consta deste, verifico que não cabe qualquer razão a Recorrente, pois está devidamente evidenciado que o mesmo solicitou a restituição em 09 de maio de 2007, referente aos anos-calendários de 1998 e 2006. O direito de pleitear restituição de imposto retido na fonte perece no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do credito tributário. Assim, quanto ao credito tributário cujo lapso de tempo entre a data da extinção e a do pedido de restituição é superior a cinco anos, considera-se que ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo. Ante ao exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-lhe provimento. Sala das Sessões — DF ' de .. ço de 2009 w r- MARCEL fe 1 L AES PEIXOTO - Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007483/2007-39
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUÇÃO.
Na declaração de ajuste anual poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. ALIMENTANDOS. DEDUÇÃO.
As despesas médicas realizadas com alimentandos, quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na declaração de ajuste anual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-001.616
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUÇÃO. Na declaração de ajuste anual poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. ALIMENTANDOS. DEDUÇÃO. As despesas médicas realizadas com alimentandos, quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Provido.
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DEDUÇÃO. Na declaração de ajuste anual poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. ALIMENTANDOS. DEDUÇÃO. As despesas médicas realizadas com alimentandos, quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Assinado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10830.007483/200739 Acórdão n.º 280101.616 S2TE01 Fl. 65 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, às fls. 23/28, formalizada para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 10.778,45, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (suplementar), multa de oficio e juros de mora, estes calculados até 31/07/2007. A autuação decorreu da revisão efetuada na declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte, relativa ao exercício 2005, anocalendário 2004, onde foram glosados, por falta de comprovação das despesas, os seguintes valores de deduções pleiteadas: (i) contribuição previdenciária/FAPI (valor glosado R$ 2.834,14); (ii) despesas médicas (valor glosado R$ 256,14); e (iii) pensão alimentícia judicial (valor glosado R$ 20.389,02). Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, à fl. 02, argumentando, em síntese, que: o próprio comprovante de rendimentos, no valor de R$ 10.194,51 comprova o pagamento da pensão judicial, bem como a contribuição previdenciária no importe de R$ 2.834,14; está também comprovado o valor de R$ 256,14 a título de despesas médicas, e que Guilherme Pereira de Andrade era meu dependente, retificando a informação de que existia uma pensão em relação a este; para fazer prova de suas alegações junta cópia da declaração de 2005, que foi refeita e teve como imposto devido a importância de R$ 1.178,09. Após apreciar o litígio, a 2a Turma de Julgamento da DRJ/Recife (PE), ao exarar sua decisão, julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/REC nº 1129.929, de 25/05/2010, às fls. 41/50, concluindo que: a) não se instalou o litígio em relação a uma parcela do valor glosado pela fiscalização a título de pensão alimentícia judicial, uma vez que o contribuinte reconheceu ter indevidamente deduzido o valor de R$ 10.194,51 a título de pensão ao filho Guilherme Pereira de Andrade; b) o contribuinte faz jus à dedução pleiteada a título de contribuição à previdência privada, no valor de R$ 2.834,14, comprovada nos autos, conforme pleiteada em sua declaração; c) cabe ser restabelecida parte da dedução pleiteada com despesas médicas, face à comprovação que o valor de R$ 62,81 referese a dispêndio efetuado com o próprio contribuinte; d) embora o autuado tenha comprovado o pagamento do valor de R$ 10.194,51 em favor de Cláudia Scorzato Pereira de Andrade, não trouxe provas de que tal Fl. 70DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Assinado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10830.007483/200739 Acórdão n.º 280101.616 S2TE01 Fl. 66 3 dispêndio se trata de pensão alimentícia estipulada por decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou, então, estabelecida mediante escritura pública, nos termos do art. 1.124A do CPC. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 30/09/2010, conforme faz prova o Aviso de Recebimento – AR à fl. 54. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 06/10/2010, à fl. 55, anexando a documentação à 56/61. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Diante da ausência de questão preliminar, passo à análise do mérito, que, como se observa do relatório, nesta instância de julgamento, restringese à discussão em torno de parte do montante pleiteado pelo recorrente em sua declaração de rendimentos como dedução a título de pensão alimentícia judicial, além de despesa médica inerente a gastos com plano de saúde de alimentandos, deduções estas não consideradas pela decisão recorrida. Primeiramente, no que diz respeito à pensão alimentícia judicial, entendo que a documentação colacionada pelo contribuinte por ocasião do recurso em apreço, ou seja, a petição em Ação de Separação Conjugal Consensual às fls. 56/60, e o Termo de Ratificação de Declarações de Separação Consensual exarado pelo MM. Juiz de Direito da 2a Vara de Família do Poder Judiciário do Estado de Santa Catarina, à fl. 61, são suficientes a comprovar a dedução a título de pensão alimentícia judicial paga a Cláudia Scorzato (excônjuge). Deve ser restabelecido, portanto, o valor de R$ 10.194,51, conforme indicado no Comprovante de Rendimentos emitido pela Caixa Econômica Federal, à fl. 13, relativo ao anocalendário em exame. Quanto ao valor pleiteado pelo declarante como dedução referente a despesas efetuadas com plano de saúde de alimentandos Guilherme Pereira de Andrade (filho) e Cláudia Scorzato (excônjuge), não vejo como desconsiderar tais dispêndios que totalizam R$ 193,33, uma vez que estes mesmos documentos judiciais retrocitados convalidam situação que alberga a obrigação do recorrente de garantir assistência médica (pagamento do plano de saúde), tanto ao filho, como a separanda, conforme se observa do teor das disposições estabelecidas na referida ação de separação consensual (fl. 59 dos autos). (...), fica garantido a assistencia médicoprevidenciária, tanto ao filho, como a separanda, pelas entidades medicas mantidas pelo conjugevarão; (...) Isto posto, VOTO em dar provimento ao recurso para restabelecer deduções a título de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 10.194,51 e com despesas médicas no valor de R$ 193,33. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Assinado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10830.007483/200739 Acórdão n.º 280101.616 S2TE01 Fl. 67 4 Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 72DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Assinado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003826/2004-97
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.667
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 10882.000716/2003-33
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/1011999 a 31/12/1999
CERCEAMENTO DA AMPLA DEFESA
Deve ser anulado o processo quando decisão que se encaminhe para não reconhecer direito de contribuinte não lhe permite o exercício de sua defesa de forma ampla, mesmo tendo a Administração servido-se de regra legal para amparar o ato.
Numero da decisão: 3803-000.584
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo desde a decisão de primeira instância, inclusive, para que uma nova decisão seja proferida, conhecendo da documentação que instrui a Manifestação de Inconformidade.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo desde a decisão de primeira instância, inclusive, para que uma nova decisão seja proferida, conhecendo da documentação que instrui a Manifestação de Inconformidade. Pattie saram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente da Turma), Belchior Melo de Sousa (Relator), Daniel Mauricio Fedato, Carlos Henrique Martins de Li a, Hack) Lafetd Reis e Rangel Perrucci Morin, Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de n" 14-20.569, de 24 de setembro de 2008, da DRJ-Ribeirão Preto/SP, fls. 83 a 86, que indeferiu a solicitação de ressarcimento de credito de IN apurado no 4 0 trimestre de 1999, fls. 02, no montante de R$ 7,652,64. O indeferimento do seu direito creditório, que seria utilizado na compensação dos débitos declarados, deve-se ao fato de não ter atendido h intimação para apresentar os respectivos documentos comprobatórios do crédito alegado . Em sua manifestação de inconformidade alegou, preliminarmente, que desconhecia a intimação, em razão de extravio, aduzindo que tal fato não tern o condão de subtrair o seu legitimo direito ao crédito, que, para comprová-lo atesta ter estornado o valor correspondente ao solicitado, no somatório com outros pedidos, e declara estar anexando toda documentação solicitada. A DRI-Ribeirão Preto contesta o desconhecimento da intimação pela impugnante, demonstrando ter sido esta enviada e recebida no mesmo endereço do despacho decisório denegatório do pedido. Visto assim, considera intempestiva a entrega da documentação que pretende justificar o crédito, evoca sua incompetência para apreciá-la, sob pena de suprimir a instancia administrativa e, dessa maneira, estar avocando a competência para conceder direitos creditórios e homologar as compensações declaradas . Desse modo, inclina-se para apreciar apenas a legalidade ou nulidade do despacho denegatório, bem como se houve cerceamento de direitos do contribuinte. E indefere a solicitação. E o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Pode-se conceder razão à Delegacia de Julgamento ao entender, em suma, que não há ilegalidade no ato da Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa, substanciado no despacho decisório que não reconheceu o direito creditório, face ao não-atendimento da intimação para apresentação dos documentos comprobatórios da existência do crédito. Também, propriamente, não se pode eivar com esta mesma mancha (de ilegalidade) a decisão recorrida, eis que fundou-se em regramentos específicos bem definidos . Todavia, o caso concreto reclama a ponderação de valores sopesando-se o ato do não-atendimento de uma única intimação e sua resultante: o não-reconhecimento de um direito creditório passive] de ser legítimo. Com efeito, não há nas disposições legais que regem o Processo Administrativo determinação para que a Administração Tributária promova a intimação do contribuinte mais de uma vez, para atendimento de providencias que, ao final, atendem o seu interesse, Contudo, de igual maneira, não há óbice para que a Administração o faça, como sói 2 Processo n" 10882.000716/2003-33 S3-1E03 AcOrdo n ° 3803-00384 Fl 2 acontecer quando o interesse é da Administração Fazenddria, tendo em vista a coleta de dados para a apuração de crédito tributário, Sem prejuízo nem menoscabo das regras que deram supedâneo ao despacho decisório e, de resto, no que ora importa, à decisão recorrida, a leitura da norma que lhe subjaz, vista, como deve ser, sob o olhar panorâmico do ordenamento jurídico, não prescinde dos princípios, que, irradiando-se sobre o texto que lhe compõe, dão-lhe o verdadeiro conteúdo, bem como a dosagem de sua graduação . Malgrado a Delegacia em Ponta Glossa ter aplicado a regra do artigo 40 da Lei IV 9.784/98, segundo a qual "quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido . formulado, o zõo atendimento no prazo fix -ado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo,", dada' a possibilidade de intercarrências, bem assim de variações no curso esperado dos acontecimentos, entre a ordem (intimação) e o seu cumprimento, 6 meu ver que foi impedido ao contribuinte o exercício, não da sua defesa, porque não foi, mas, da sua ampla defesa que é o seu estrito direito - ao não ser intimado ao menos uma segunda vez para que viesse a sustentar o seu direito, conforme peticionado, apresentando documentos para o cotejo da fiscalização . Não é a solução mais razoável para o problema jurídico concreto, na circunstância que envolve a questão, vale dizer, a Administração não submeter-se ao custo ínfimo de reintimar o contribuinte quando o valor em jogo é a subtração de um direito reivindicado, E, registre-se que, se curvar a esse ato de cautela, embora procedimento não obrigatório, não implica em se afastar dos parâmetros legais . Avaliando-se por este prisma, a negação do direito pretendido, por decorrência, fere o princípio da razoabilidade, Ambos, a informarem o processo administrativo e aquele a consistir em garantia constitucional, 0 arrazoado acima ancora-se, sobretudo, no fato de o conjunto da documentação, anexado desde a impugnação e continente de cópias do livro fiscal e as respostas do contribuinte, darem a forte aparência de estarem consentâneas com o solicitado na intimação, atendendo o requisito do art. 16, § zr.do Decreto n" 70..235/72. Pelo exposto, voto por anular o processo desde a decisão de primeira instancia, inclusive, para que uma nova decisão seja proferida, conhecendo da documentação que instrui a Manifestação de inconformidade. B liar Melo de Sousa 3
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004003/2010-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. INSCRIÇÃO EM CONGRESSO.
AQUISIÇÃO DE LIVROS. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidos os pagamentos
efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual estipulado, não se enquadrando nesse conceito as despesas com o pagamento de inscrição em congressos e com a aquisição de livros.
DEDUÇÕES. DESPESAS. ESCRITURAÇÃO EM LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência.
DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. DEDUÇÃO. PAGAMENTOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos por serviços médicos e odontológicos enseja a manutenção dos valores glosados, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício deverá ser minuciosamente justificada e, principalmente, comprovada nos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.634
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 DESPESAS COM INSTRUÇÃO. INSCRIÇÃO EM CONGRESSO. AQUISIÇÃO DE LIVROS. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual estipulado, não se enquadrando nesse conceito as despesas com o pagamento de inscrição em congressos e com a aquisição de livros. DEDUÇÕES. DESPESAS. ESCRITURAÇÃO EM LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. DEDUÇÃO. PAGAMENTOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos por serviços médicos e odontológicos enseja a manutenção dos valores glosados, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício deverá ser minuciosamente justificada e, principalmente, comprovada nos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INSCRIÇÃO EM CONGRESSO. AQUISIÇÃO DE LIVROS. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual estipulado, não se enquadrando nesse conceito as despesas com o pagamento de inscrição em congressos e com a aquisição de livros. DEDUÇÕES. DESPESAS. ESCRITURAÇÃO EM LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. DEDUÇÃO. PAGAMENTOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos por serviços médicos e odontológicos enseja a manutenção dos valores glosados, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício deverá ser minuciosamente justificada e, principalmente, comprovada nos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10935.004003/201013 Acórdão n.º 2801002.634 S2TE01 Fl. 225 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Mediante Auto de Infração, às fls. 87/97, formalizouse exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendários 2005, 2006, e 2007, no valor total de R$ 47.434,95, sendo o valor de R$ 16.897,53 correspondente ao imposto, R$ 24.708,17 referente a multas de ofício de 75% e 150%, e R$ 5.829,25 a título de juros de mora (calculados até 31/05/2010). Por bem descrever os fatos, transcrevese a seguir o Relatório constante da decisão recorrida. “(...) Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 8086, o lançamento é resultado da glosa de despesas médicas e despesas com instrução consideradas não comprovadas ou sem previsão legal nos anos calendário de 2005 a 2007. Intimado, o contribuinte apresentou impugnação alegando em síntese que: O impugnante não se conforma com a autuação porque os procedimentos médicos e odontológicos foram efetivamente prestados e foram absolutamente necessários A saúde do impugnante e de seus familiares. Alega que a glosa das despesas com instrução também não procede porque foram custos para a atualização de sua atividade médica. A despesa glosada de R$ 600,00 relativa A inscrição no VII Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica corresponde à especialidade médica do impugnante e é comprovada pelo recibo de fl.46 (DOC. 01). Complementa citando a pergunta no 398 do “Perguntas e Respostas do Imposto de Renda Pessoa Física de 2004” Fl. 225DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10935.004003/201013 Acórdão n.º 2801002.634 S2TE01 Fl. 226 3 que esclarece que as despesas com Congressos e Seminários podem ser deduzidas pelos profissionais autônomos. Alega que mesmo que a despesa não tenha sido deduzida no livro caixa, o resultado para o fisco é o mesmo caso se aceite a dedução da despesa como instrução. Assim, requer o restabelecimento da dedução. Afirma que o valor de R$ 7.500,00 pago ao Dr.Vinícios Julio de Camargo encontrase comprovado pela declaração do médico (DOC. n°02). Aduz em complemento que não compete ao autuado conferir os dados dos rendimentos do referido profissional. Informa que o pagamento foi feito em dinheiro cuja origem é o recebimento, em 01/2005, de lucros da empresa CADIMP Centro do Ap. Dig. E Prev. S/C Ltda., CNPJ 01.856.571/000195, no valor de R$17.000,00 (DOC. 05). Alega ainda que possuía em 01/01/2005, R$ 60.000,00 em moeda corrente nacional, valor declarado na DIRPF. Argumenta que não há lei que proíba o pagamento em dinheiro e questiona a lei que autoriza o fisco a não aceitar a dedutibilidade de pagamentos em espécie. Aduz que o valor de R$10.000,00 pago ao Dr.Fernando Fanchin Rosa está confirmado pela declaração do referido médico (DOC. 03). Reafirma que não cabe ao impugnante conferir os rendimentos declarados do referido profissional. Da mesma forma, informa que o pagamento foi feito em dinheiro cuja origem é o recebimento, em 01/2005, de lucros da empresa CADIMP Centro do Ap. Dig. E Prev.S/C Ltda., CNPJ 01.856.571/000195, no valor de R$17.000,00 (DOC. 05). Alega novamente que possuía em 01/01/2005, R$60.000,00 em moeda corrente nacional, valor declarado na DIRPF e reapresenta seus questionamentos sobre a possibilidade de pagamento em espécie. Declara que o valor de R$1.000,00 pago à Dra. Mima Ferri Camargo está confirmado pela declaração da referida médica (DOC. 04). Reafirma que não cabe ao impugnante conferir os rendimentos declarados do referido profissional. Alega novamente que possuía em 01/01/2005, R$60.000,00 em moeda corrente nacional, valor declarado na DIRPF e reapresenta seus questionamentos sobre a possibilidade de pagamento em espécie. Declara que o valor de R$4.000,00 pago à empresa Neo Odontologia está confirmada pela Nota Fiscal (DOC. 05). Argumenta que o fato de o contribuinte residir em Pato Branco e a empresa ser em Curitiba, o fato do irmão do contribuinte ser sócio da empresa e o caso do pagamento ter sido feito em dinheiro, não são elementos capazes de justificar a glosa. Aduz que o contribuinte tem o direito de escolher o profissional de saúde, independentemente do endereço. Informa que escolheu a clinica de seu irmão por confiar nos serviços prestados. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10935.004003/201013 Acórdão n.º 2801002.634 S2TE01 Fl. 227 4 Alega novamente que possuía em 01/01/2005, R$ 60.000,00 em moeda corrente nacional, valor declarado na DIRPF e reapresenta seus questionamentos sobre a possibilidade de pagamento em espécie. Informa que a Nota Fiscal apresentada foi devidamente contabilizada com os devidos encargos fiscais. Afirma que a despesa de R$ 2.378,84 foi referente à aquisição de livros técnicos relacionados à atividade profissional. A comprovação encontrase As fls. 51 (DOC. 06) com o recibo emitido pela Distribuidora de Livros Riosul Ltda. ME. Reapresenta a pergunta n° 398 do “Perguntas e Respostas do Imposto de Renda Pessoa Física de 2004” que esclarece que as despesas com aquisição de livros relacionados A atividade desempenhada podem ser deduzidas pelos profissionais autônomos. Alega novamente que mesmo que a despesa não tenha sido deduzida no livro caixa, o resultado para o fisco é o mesmo caso se aceite a dedução da despesa como instrução. Assim, requer o restabelecimento da dedução. Declara que o valor de R$3.3000,00 pago ao odontólogo Hassan Isber está confirmado pelos recibos de fls. 5354. Aduz que o fato do profissional residir em Curitiba, ser irmão do autuado e o pagamento ter sido feito em dinheiro não são elementos para justificar a glosa. Argumenta que não há Lei que proíba que se faça tratamento dentário com o irmão em outra cidade. Em complemento relembra que a atividade fiscal deve respeito A Lei. Reafirma que não cabe ao impugnante conferir os rendimentos declarados do referido profissional. Reafirma que o pagamento foi feito em dinheiro cuja origem é o recebimento de lucros da empresa CADIMP Centro do Ap. Dig. E Prev.S/C Ltda., CNPJ 01.856.571/000195, no valor de R$40.000,00 (DOC. 15) e informa novamente que possuía em 01/01/2005, R$60.000,00 em moeda corrente nacional, valor declarado na DIRPF. Reapresenta seus questionamentos sobre a possibilidade de pagamento em espécie. Afirma quanto ao recibo de R$1.300,00 referente aos serviços prestados a Vanessa P. Esber, esposa do contribuinte, que não há nada na legislação que impeça que o contribuinte deduza o valor tendo a cônjuge declarado separadamente sem a referida dedução. Por analogia à pergunta 352 do Perguntas e Respostas, tal despesa pode ser deduzida na DIRPF do contribuinte. Como comprovação segue declaração do profissional (DOC. 07). Desta forma, pede o restabelecimento da dedução com o tratamento odontológico. Declara que o valor de R$6.000,00 pago à Dra. Mima Ferri Camargo não pode ser glosado sob o argumento de que são recibos Fl. 227DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10935.004003/201013 Acórdão n.º 2801002.634 S2TE01 Fl. 228 5 sem seqüência numérica e por terem sido emitidos em dias não úteis. Alega que não é proibido para um autônomo trabalhar em dia não útil e informa que, quanto à seqüência numérica dos recibos, caberia ao fisco e não ao autuado questionar o profissional que emitiu os referidos recibos. Alega que as diferenças na escrita das assinaturas e das datas decorrem do fato de que são as secretárias que preenchem os recibos tomando apenas as assinaturas dos profissionais. Reafirma que caberia ao fisco e não ao autuado questionar o profissional que emitiu os referidos recibos. Informa que o referido pagamento está confirmado pela declaração da médica (DOC. 04). Reafirma que não cabe ao impugnante conferir os rendimentos declarados do referido profissional. Alega novamente que a origem do dinheiro foi a distribuição de lucros de sua empresa (R$40.000,00) e que possuía em 01/01/2006, R$35.000,00 em moeda corrente nacional, valor declarado na DIRPF e reapresenta seus questionamentos sobre a possibilidade de pagamento em espécie. Aduz que o valor de R$4.632,85 pago ao Dr.Marco Aurélio Andreoni está confirmado pela declaração do referido médico (DOC. 08). Novamente informa que o pagamento foi feito em dinheiro cuja origem é o recebimento de lucros da empresa CADIMP Centro do Ap. Dig. E Prev.S/C Ltda., CNPJ 01.856.571/000195, no valor de R$ 40.000,00 (DOC. 15). Alega novamente que possuía em 01/01/2006, R$ 35.000,00 em moeda corrente nacional, valor declarado na DIRPF e reapresenta seus questionamentos sobre a possibilidade de pagamento em espécie. Informa, quanto à despesa de R$ 5.700,00 referente à empresa Vinicios Julio de Camargo & Cia. Ltda., que as Notas Fiscais de fls. 63/66 comprovam as despesas e relembra suas disponibilidades em espécie e recebimento de lucros. Afirma que a diferença de canetas verificada no preenchimento das notas é responsabilidade da empresa e não do contribuinte. Anexa como comprovação cópia do livro diário daquela empresa com os lançamentos das referidas Notas Fiscais (DOC. 09). Questiona ainda as causas da glosa, como a ausência de marca carbonada e reafirma que não há lei que impeça o pagamento em dinheiro. Afirma que a glosa do plano de saúde no valor de R$ 2.393,88 deve ser cancelada por analogia à pergunta 346 do Perguntas e Respostas. Quanto ao valor de R$ 3.750,00 pago à clinica de saúde mental de Pato Branco, alega que a Nota Fiscal de R$ 1.200,00 está em nome de sua esposa porque esta efetuou o pagamento mas informa que o valor se refere ao tratamento do próprio impugnante. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10935.004003/201013 Acórdão n.º 2801002.634 S2TE01 Fl. 229 6 Reapresenta seus argumentos para contestar as glosas referentes aos pagamentos efetuados em 2007 para os profissionais: Dra. Mima Ferri Camargo (R$4.500,00), Dra.Tatiana Pizzatto (R$1.360,00) e Dra.Renata Isam Isa (R$ 1.730,00). Argumenta que a despesa de R$ 100,00 referente à esposa do contribuinte, Nota Fiscal de fl.76 da Clinica de Diagnóstico por Imagem Ltda., pode ser deduzida na DIRPF do contribuinte porque não foi utilizada a referida dedução na DIRPF da cônjuge do impugnante. Aduz que não apresentou oportunamente o comprovante para a despesa de R$ 2.500,00 por um lapso e que apresenta para comprovação o DOC. 14. Protesta contra a aplicação da multa qualificada de 150% alegando que dolo não se presume e que não há nos autos qualquer prova sobre a pretensa conduta dolosa do impugnante. Complementa com jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Por fim, pede que sejam restabelecidas as deduções glosadas e que, remanescendo alguma exigência, que a multa seja reduzida de 150% para 75% por inexistência de dolo.” Após apreciar o litígio, a 7a Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba/PR decidiu, por unanimidade de votos, pela improcedência da impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/CTA nº 0633.344, de 26/08/2011, às fls. 158/163, que apresenta o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DEDUÇÕES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para dedução de despesas médicas e com instrução é necessária previsão legal e comprovação idônea. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1°, da Lei no 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas nos arts. 71 e 72 da Lei no 4.502/64. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 11/01/2012, conforme AR Aviso de Recebimento colacionado aos autos. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 31/01/2012, ocasião em que, após um breve resumo da lide, reitera todos os argumentos postos quando da impugnação ao lançamento, solicitando a reforma do acórdão recorrido, com o conseqüente restabelecimento das deduções destacadas em sua peça de defesa e com a desqualificação da multa de ofício lançada no auto de infração. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10935.004003/201013 Acórdão n.º 2801002.634 S2TE01 Fl. 230 7 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Não há na peça recursal qualquer alegação preliminar. Passo, portanto, à análise do mérito que se refere à discussão quanto às glosas de deduções pleiteadas pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual analisadas, a título de despesas com instrução (anoscalendários 2005 e 2006) e despesas médicas (anoscalendários 2005, 2006 e 2007). Da Glosa de Despesas com Instrução Sobre essa matéria, nesta instância, a controvérsia cingese ao deferimento da dedução, ou não, a título de despesas com instrução, de despesas declaradas pelo recorrente como tendo sido efetuadas com inscrição em congresso médico e com a aquisição de livros técnicos. Ocorre que, diante da simples leitura do art. 8º, inciso II, “b”, “1” a “5”, da Lei nº 9.250/95, vêse que somente há autorização para despesas incorridas com pagamentos a estabelecimentos de ensino (da préescola ao 3º grau, passando por cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e seus dependentes), não havendo previsão para dedução de despesas realizadas com inscrições em congressos, tampouco com a aquisição de livros. Quanto à argumentação da defesa, salientese que, de fato, tais dispêndios poderiam ser considerados como deduções a título de Livro Caixa na base de cálculo do IRPF apurado na DIRPF. Todavia, para tal desiderato, além da comprovação mediante documentação idônea da realização destas despesas, caberia ao contribuinte demonstrar que estão relacionadas à manutenção da respectiva fonte produtora dos rendimentos sujeitos à incidência de imposto, e mais, que foram devidamente escrituradas no Livro Caixa. Tais exigências normativas visam vedar a utilização de critérios subjetivos para o cálculo do tributo devido e, em conseqüência, afastar qualquer possibilidade de liberalidade ou poder discricionário na dedução. Ademais, sem embargo ao acima exposto, no presente caso, como bem destacou a decisão recorrida, “não há como se saber, sem a análise completa do livro caixa, se a referida despesa já não se encontra incluída no campo de dedução de “livro caixa” declarado pelo autuado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física”. Deste modo, deve ser mantida a glosa perpetrada pela fiscalização. Da Glosa de Despesas Médicas Na peça recursal o contribuinte reitera os argumentos apresentados na impugnação, ou seja, sustenta que a legislação do Imposto de Renda não veda que o pagamento destas despesas possa ser efetuado em moeda corrente, e mais, discorda das inconsistências Fl. 230DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10935.004003/201013 Acórdão n.º 2801002.634 S2TE01 Fl. 231 8 apontadas pela autoridade lançadora em relação à documentação que colacionou como prova de que faria jus à dedução de tais valores, como também questiona a decisão proferida pela DRJ/Curitiba/PR. Deveras, a legislação não veda o pagamento em espécie, como bem ressalvou o recorrente. Ocorre que também não são suficientes simples recibos e declarações particulares para comprovar despesas médicas elevadas, que necessitam, para seu diagnóstico e tratamento, de realização de exames, radiografias, consultas, etc. Sobre o assunto, destaquese o disposto no artigo 368 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Este tem sido o entendimento desta Turma Colegiada, em situações similares, acompanhando, deste modo, diversas decisões proferidas por este Egrégio Conselho. Citese como exemplos, os seguintes julgados: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF DESPESAS MÉDICAS APRESENTAÇÃO DE RECIBOS SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Recurso negado. (Acórdão nº 2101000675, 1a Câmara – 2a SJ, Sessão de 18/08/2010)” IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO. A dedução relativa às despesas médicas limitase aos pagamentos especificados em recibos e notas fiscais comprovados com os efetivos desembolsos. Recurso negado. (Acórdão nº 10249110, 2a Câmara 1o CC, Sessão de 30/05/2008)” (grifei) A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o sujeito passivo o ônus de comprovação e justificação das deduções, o que implica o contribuinte trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado, e que, no caso em pauta, está relacionado à comprovação da efetiva prestação dos serviços, bem como dos correspondentes pagamentos (a título de despesas médicas) no montante declarado. Portanto, em se tratando de deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual, o ônus da prova é do interessado. Nesse sentido, verifico que não cabe reparo à decisão recorrida, que bem analisou a matéria. Por relevante, transcrevo o seguinte excerto daquele julgado, cujo entendimento ali expresso adoto in totum, neste voto, como razões de decidir: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10935.004003/201013 Acórdão n.º 2801002.634 S2TE01 Fl. 232 9 fls. 162/163 dos autos “(...) No caso, (...) o contribuinte não comprovou a efetividade dos serviços prestados e tampouco o efetivo pagamento. A comprovação da efetividade da prestação dos serviços carece de elementos que indiquem que os tratamentos foram de fato prestados, como laudos, exames, RaioX, etc.. Resta óbvio que tantos tratamentos, que supostamente custaram valores consideráveis ao contribuinte, deveriam deixar vários elementos de prova da efetividade dos serviços prestados que deveriam ter sido acostados aos autos. Por outro lado, os pagamentos poderiam ser comprovados através de cheques nominais ou transferências bancárias para aos prestadores os serviços. No caso de pagamento em espécie, tornase imprescindível a apresentação de extratos bancários com saques compatíveis em datas e valores com os recibos ou, alternativamente, cabe ao contribuinte demonstrar a posse de dinheiro em espécie com origem comprovada ou o recebimento de rendimentos em espécie devidamente declarados. Cabe esclarecer que, diferente do que alega a defesa, entendo que os documentos de fls. 145156 não são capazes de comprovar a disponibilidade de dinheiro em espécie para o autuado. Isso porque não consta nos autos os documentos que lastrearam os lançamentos indicados no Razão acostado. Por outro lado, necessário informar que a mera declaração em DIRPF de que possui dinheiro em espécie no final do ano calendário não tem o condão de tornar verdade inquestionável a posse de moeda corrente. É certo que não basta simplesmente declarar, é necessário comprovar a origem e a natureza do numerário, o que não ocorreu no caso em tela. Assim, sem a comprovação do efetivo pagamento/desembolso e da efetiva realização dos tratamentos, não há como restabelecer as deduções pleiteadas. Obviamente elementos como diferenças nos tipos de caneta que preencheram os recibos, as diferenças de endereços entre o contribuinte e os prestadores de serviços e os graus de parentesco entre o contribuinte e os profissionais emissores dos recibos verificados pela autoridade lançadora, por si sós, não justificariam a glosa. Entretanto, tais constatações aliadas aos valores vultosos durante todos os anos, definitivamente justificam o pedido de maior comprovação, em especial a prova do efetivo desembolso. Não se trata no caso de estabelecer que o contribuinte não pode realizar tratamento com um irmão odontólogo, mas é certo que o caso requer maior atenção na comprovação por conta da relação estreita entre prestador e paciente. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10935.004003/201013 Acórdão n.º 2801002.634 S2TE01 Fl. 233 10 Quanto às Notas Fiscais apresentadas como comprovação das despesas com a empresa Vinícius Julio Camargo & Cia. Ltda. (DOC. 09), verifico que às fls.136139 consta a contabilização das Notas nºs 510F, 511F e 529F nos valores de R$150,00, R$1.600,00 e R$3.800,00 pela referida empresa. Entretanto, as referidas Notas Fiscais (fls.6366) definitivamente não se prestam para comprovar a requerida dedução. Ocorre que as citadas Notas descrevem simplesmente “Procedimento médico” ou “consulta médica” genericamente, sem sequer identificar o paciente, impossibilitando assim a verificação da observância do inciso II do §2° do art. 8° da Lei 9.250/95. A mesma lógica se aplica às Notas de fls. 6869 da clínica de saúde mental que também não indicam o nome do paciente e, em conseqüência impedem a verificação da observância do inciso II do §2° do art. 8° da Lei 9.250/95. Quanto ao pedido para aplicação de analogia da pergunta 346 do Perguntas e Respostas do Imposto de Renda de 2004 para que se acate a despesa glosada de R$ 2.393,88, cabe esclarecer, como já informado no relatório fiscal, que o documento de fl. 67 apresentado como comprovante é uma apólice de seguro de responsabilidade funcional que não encontra qualquer amparo legal para sua dedução. Já a citada questão trata da dedução de segurosaúde e não tem qualquer relação com seguro de responsabilidade civil profissional. Assim, resta completamente descabido o pedido do impugnante. Quanto à despesa de R$100,00 (fl.76), referente ao exame de mamografia da cônjuge do contribuinte, é necessário esclarecer que somente a esposa do contribuinte, que não é dependente do autuado em 2007, que poderia ter deduzido a referida despesa, ainda que não tenha arcando com o ônus. A pergunta 352 do Perguntas e Respostas citada na defesa abrange apenas a dedução com plano de saúde. Desta forma, devese manter a glosa da referida dedução. (...)” Como se observa nos autos, a documentação apresentada pelo contribuinte não se revela como elemento de prova hábil e suficiente a estabelecer a necessária convicção para a validação da dedução em comento. Diante destas considerações, tomo por consistente a manutenção da glosa a título de despesas médicas conforme efetuada no lançamento. Da Multa de Ofício Qualificada Com relação à multa de ofício qualificada de 150% aplicada sobre o imposto apurado decorrente das glosas de despesas médicas e despesas com instrução, encontrase fundamentada no art. 44, parágrafo 1°, da Lei n° 9.430/96, c/c os arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/1964. Ocorre que, para qualificação da multa de ofício, mister a ocorrência de uma conduta delituosa que exceda a simples “não comprovação de despesas médicas e/ou com Fl. 233DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10935.004003/201013 Acórdão n.º 2801002.634 S2TE01 Fl. 234 11 instrução declaradas a título de dedução do imposto”, ainda que esta ausência de comprovação tenha se verificado em anoscalendários consecutivos. A teor da previsão legal acima citada, para que a multa de lançamento de oficio de 75% seja qualificada e elevada para 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude, demonstrado inequivocadamente nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela autoridade fiscal. Essa posição é amplamente reconhecida pela jurisprudência deste Egrégio Conselho, restando incontroverso que a fraude não se presume, sendo necessário que sejam produzidas provas do evidente intuito a que se refere a norma legal. A experiência indica que o evidente intuito de fraude se configura nas situações em que demonstrado o emprego de meios ardis, tais como a utilização de notas fiscais calçadas, recibos falsificados, etc. A meu ver, na espécie em exame, inexistem pressupostos agravantes que possam imputar ao contribuinte uma ação ou omissão ilícita, pelo simples fato de o mesmo não ter logrado êxito em juntar elementos de provas suficientes para convencimento da autoridade lançadora quanto à comprovação de despesas médicas e com instrução declaradas, mas não pela utilização de meios fraudulentos por parte do recorrente. Idêntica linha de entendimento se verifica em recente decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. Conselho (2a Turma – Acordão n° 920201.872, de 29/11/2011 – processo n° 10580.002418/200714 Relator: Cons. Gonçalo Bonet Allage – Resultado: Recurso Especial do Procurador negado por unanimidade), cuja ementa transcrevo abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTE. CONDUTA REITERADA. MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. A dedução indevida de despesas, ainda que por três exercícios consecutivos ou a mera omissão de rendimentos de dependente, por dois exercícios, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. Recurso especial negado.” Fl. 234DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10935.004003/201013 Acórdão n.º 2801002.634 S2TE01 Fl. 235 12 (grifei) Assim, no presente caso, concluise que não restou caracterizado o dolo e/ou o evidente intuito de fraude a justificar a qualificação da multa de ofício. Diante do acima exposto, VOTO no sentido de dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 235DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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