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Numero do processo: 10880.653326/2016-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL.
A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento.
SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR E ÁLCOOL.
O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de cana-de-açúcar e álcool.
NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.
Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não-cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.
Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Numero da decisão: 3201-004.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator, no ponto, pelas conclusões e ficou de apresentar declaração de voto. E, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I - Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (1) embalagens de transporte ("big-bag"); (2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (5) itens diversos não identificados na EFD - Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; b) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, II - Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMO Recorrente RAIZEN ENERGIA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de canadeaçúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA DEAÇÚCAR E ÁLCOOL. O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de canadeaçúcar e álcool. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 33 26 /2 01 6- 03 Fl. 594DF CARF MF 2 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator, no ponto, pelas conclusões e ficou de apresentar declaração de voto. E, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (1) embalagens de transporte ("bigbag"); (2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (5) itens diversos não identificados na EFD Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; b) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, II Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator (assinado digitalmente) Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10880.653326/201603 Acórdão n.º 3201004.220 S3C2T1 Fl. 3 3 Marcelo Giovani Vieira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de créditos oriundos do PIS, apurado no 4º trimestre de 2013. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente Processo Administrativo Fiscal da análise do crédito demonstrado no PER/DCOMP com Demonstrativo de Crédito nº 19688.14155.310114.1.1.101434 referente a PIS/PASEP Não Cumulativo Mercado Interno, 4º Trimestre de 2013, transmitido em 31/01/2014. Cabe observar que tal PER/DCOMP com Demonstrativo de Crédito possui Declarações de Compensação (DCOMP) a ele vinculadas. Anteriormente a essa ação em curso, foi realizada neste interessado a ação fiscal comandada pelo Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF n° 0816500.2015.01044, concluída em 04/11/2016 pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Carlos Alberto de Toledo da DRF/Jundiaí, com emissão de Autos de Infração lançando contribuições devidas de PIS e COFINS não cumulativos, gerando o Processo Administrativo Fiscal nº 19311.720238/201645, impugnado pelo interessado e já julgado por esta 16ª Turma de Julgamento na qual foi proferido o Acórdão nº 1293.315 em 30 de outubro de 2017 por esta Turma de Julgamento. Naquele processo, em procedimento de fiscalização, a DRF/Jundiaí não aceitou, na apuração da empresa, a tomada de crédito sobre diversos gastos que entende não serem passíveis de creditamento. O entendimento da DRF/Jundiaí resultou em glosas nos créditos, que resultaram menores que os calculados e informados pela empresa em seus DACON e EFD Contribuições. Então, ainda naquele procedimento de fiscalização executado pela DRF/Jundiaí, os créditos reapurados de ofício após as glosas sofridas foram rateados conforme as suas formas passíveis de utilização. As parcelas desses créditos passíveis de serem utilizados somente para deduções das contribuições, ou seja, os “Créditos Vinculados à Receita Tributada no Mercado Interno” e os “Créditos Presumidos da Agroindústria” foram utilizados para a dedução do valor das Contribuições Apuradas pelo interessado, resultando, para maioria dos meses, em Fl. 596DF CARF MF 4 Contribuições a Pagar lançadas em Autos de Infração de PIS e COFINS com multa e juros. Já as parcelas desses mesmos créditos, reapurados de ofício pela DRF/Jundiaí, que são passíveis de ressarcimento/compensação, ou seja, os “Créditos Vinculados à Receita de Exportação” e os “Créditos Vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno”, tiveram apenas os seus valores indicados para serem utilizados em procedimentos específicos de análise de PER/DCOMP por parte da DRF/Bauru. Está informado no item 10.1 do Termo de Verificação Fiscal dos Autos de Infração da DRF/Jundiaí, sob o TDPF n° 0816500.2015.01044 : "10.1 Os Pedidos de Ressarcimento do PIS e da Cofins e as Declarações de Compensação (PER/Dcomp) apresentados pelo contribuinte, relativos aos períodos fiscalizados, serão analisados em procedimento específico, a ser realizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru SP. " Neste presente processo é tratado o procedimento específico de análise do pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS/PASEP vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno do 2º Trimestre de 2013. No procedimento deste presente processo, e nos demais procedimentos conexos, a DRF/Bauru subtraiu do pedido de ressarcimento/compensação do interessado, os valores de glosa determinados pela DRF/Jundiaí. Os valores de glosa determinados pela DRF/Jundiaí são os valores das “Glosas de Créditos Vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno”, detalhadas mensalmente em linhas da planilha denominada “Demonstrativo Anexo ao Termo de Verifical Fiscal” às fls 906 a 925 do processo administrativo fiscal nº 19311.720238/201645, originado a partir da sua já citada ação fiscal comandada pelo TDPF n° 0816500.2015.01044. Assim, para esse período e tipo de crédito, do Valor de Crédito Pedido pelo interessado de R$ 894.706,30, a DRF/Bauru subtraiu o valor de glosa determinado pela DRF/Jundiaí no valor de R$ 587.456,11 e chegou ao Valor de Crédito Cofirmado no valor de R$ 307.250,19. O interessado se insurge através de Manifestação de Inconformidade, tempestiva, na qual pede o julgamento em conjunto desta Manifestação de Inconformidade com outras defesas apresentadas em Processos Administrativos conexos, oriundos do mesmo “TDPF” nº 0816500.2015.01044, manejado pela Fiscalização da DRF/Jundiaí, eis que conexos, uma vez que possuem idênticos: (i) quadro fático e discussão de direito (similitude de objetos creditórios / conceito de insumos para crédito de “PIS” e “COFINS” / depreciação de ativo imobilizado), e (ii) pedido e causa de pedir, apenas diferenciandose com relação aos trimestres dos anoscalendário de 2012 e 2013 e alternando as referidas Contribuições Sociais. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10880.653326/201603 Acórdão n.º 3201004.220 S3C2T1 Fl. 4 5 (omissis) Dessa forma, com base nos artigos 55, parágrafos 1º e 3º, 56 e 58, do Código de Processo Civil, e supedâneo no artigo 15, do mesmo Código e com o objetivo de evitar decisões conflitantes, bem como facilitar o trâmite processual e organização do julgamento desta “DRJ”, requer o processamento e julgamento da presente Manifestação de Inconformidade com as defesas dos demais Processos Administrativos acima indicados. O interessado, em sua Manifestação de Inconformidade, também apresenta síntese dos fatos. Reafirma que o presente processo que trata da negativa de reconhecimento integral do direito creditório que pleiteia decorre do resultado da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí. E que o próprio Termo de Verificação Fiscal – “TVF” do Despacho Decisório deste período, emitido pela DRF/Bauru, adota os termos e os montantes deferidos e indeferidos indicados no Termo de Verificação Fiscal da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí. Entretanto, o interessado, em sua Manifestação de Inconformidade, também alega que haveria diversas diferenças técnicas entre o procedimento de lançamento e constituição do crédito tributário por meio de Auto de Infração, como executado pela DRF/Jundiaí, e os procedimentos de cobrança de valores devidos decorrente das não homologações de Pedidos de Ressarcimento/Compensação, executados pela DRF/Bauru. E, mais adiante, em sua Manifestação de Inconformidade, o interessado repete as alegações de preliminar e de mérito que trouxe aos autos da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí, sob o processo administrativo fiscal nº 19311.720238/201645 e requer a homologação integral do direito creditório originalmente pleiteado. A 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RJO n.º 1293.798, de 22/11//2017 (fls. 399 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 JULGAMENTO EM CONJUNTO Devem ser julgados em conjunto processos conexos que possuem idênticos quadro fático e discussão de direito, e pedido e causa de pedir. APURAÇÃO DE CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. GLOSAS. MATÉRIA JÁ APRECIADA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO. Fl. 598DF CARF MF 6 Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo administrativo diverso, relativo aos mesmos fatos, ao mesmo período de apuração e ao mesmo tributo. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 413 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou vários pedidos de ressarcimento e, após analisálos, a unidade de origem promoveu lançamento do PIS/Cofins devidos nos períodos de apuração de 01/2012 a 12/2013 (processo administrativo nº 19311.720238/201645, ora também examinado), em face da escrituração de créditos indevidamente descontados na apuração. Deferido em parte o crédito e interposta manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua parcialmente procedente, daí a interposição do recurso voluntário. Em síntese, a Recorrente, grosso modo, repete, no recurso voluntário, os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa. E pede o julgamento conjunto do presente processo com outros de seu interesse em que se debatem as mesmas matérias. É o que se fará nesta assentada. Preliminarmente, a Recorrente sustenta a nulidade do Despacho Decisório, ao argumento de carência de motivação e de que não haveria a necessária individualização das glosas de créditos. Não é o que se vê dos autos. No próprio Despacho Decisório, consta a orientação de que maiores informações sobre a análise dos créditos poderiam ser obtidas no sítio eletrônico da RFB: Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Base Legal: Lei nº 10.637, de 2002, Lei nº 10.865, de 2004, art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 43 da IN RFB nº 1.300, de 2012. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10880.653326/201603 Acórdão n.º 3201004.220 S3C2T1 Fl. 5 7 Não fosse o bastante, como a própria Recorrente já indica, no bojo da mesma ação fiscal foram analisados vários outros processos de mesma natureza e efetuado um lançamento de PIS/Cofins integrado por Termo de Verificação Fiscal onde a mesma análise também foi depurada. Cabe ressaltar, ademais, que a eventual correção do Despacho Decisório (e também do lançamento) pelos órgãos que compõem o Contencioso Administrativa, mediante a reversão de créditos glosados pela fiscalização, não macula a decisão (ou mesmo o lançamento), senão que o conforma à legislação aplicável, considerada a jurisprudência administrativa e judicial. Rejeitada a preliminar de nulidade, passamos a reproduzir, pelos motivos já declinados, o nosso voto proferido no processo administrativo nº 19311.720238/201645, adotandoo, também aqui, como razão de decidir: Rejeitada a preliminar de nulidade, vemos que o litígio versa sobre o conceito de insumos para o efeito da apuração do PIS/Cofins não cumulativo, definição que, no entender do Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão proferida na sistemática dos recursos repetitivos (portanto, de observância aqui obrigatória, conforme art. 62 do RICARF/2015), deve atender aos critérios da essencialidade e da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço na atividade econômica realizada pelo contribuinte (Recurso Especial nº 1.221.170/PR): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para Fl. 600DF CARF MF 8 determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. No caso específico, a fiscalização aplicou o conceito mais restritivo ao conceito de insumos – aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB. E aí glosou os seguintes créditos (consoante Termo de Verificação Fiscal): a) Desconto de créditos sobre embalagens de transporte (“big bag”); b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; e) Desconto de créditos sobre serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, cabendo neste caso ser ressaltado que a legislação prevê o creditamento das contribuições apenas somente sobre os dispêndios com armazenagem e fretes sobre vendas; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; h) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido de máquinas, equipamentos, instalações, benfeitorias e edifícios, conforme registros contábeis nas contas 1030202002 – Máquinas e Equipamentos – Depreciação Acumulada, 1030214002 – Instalações – Depreciação Acumulada, 1030206002 – Benfeitorias – Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10880.653326/201603 Acórdão n.º 3201004.220 S3C2T1 Fl. 6 9 Depreciação Acumulada, 1030205002 – Edifícios – Depreciação Acumulada, e 3040699007 – Depreciações – Custo Corrigido, o que contraria a vedação expressa contida no artigo 2º, § 1º da IN SRF nº 457, de 2004; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag); j) Desconto de crédito presumido sobre aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica não agroindústria; k) Desconto de crédito presumido sobre o PIS e a Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar não destinado à alimentação humana, mas sim à fabricação de bebidas e refrigerantes; l) Desconto de crédito presumido sobre valor superior ao PIS e à Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar. Consideradas as razões que fundamentaram a impugnação, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de dirimir algumas dúvidas. Foram elas: I. Quanto ao item “H” – “NULIDADE PARCIAL– INEXISTÊNCIA DE REAVALIAÇÃO DOS ATIVOS” (fls. 981 a 988), considerando as alegações e documentos trazidos pela IMPUGNANTE, apresentar planilhas ou memórias de cálculo acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha reavaliado seus ativos e que tenha tomado crédito em relação a tais valores. Apresentar também a relação desses lançamentos com totalização, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “H”. II. Quanto ao item “I” – “DAS GLOSAS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO” (fls. 1041 a 1047), considerando as alegações e documentos trazidos pela IMPUGNANTE, apresentar planilhas ou memórias de cálculo, acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha se creditado sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado sobre os bens citados no referido item “I”, em desacordo com a legislação de regência. Também apresentar a totalização dos valores desses lançamentos, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “I”. III. Por fim, dar ciência do resultado da diligência acima solicitada ao interessado, para que esse, se assim desejar, se manifeste sobre esta documentação no prazo de trinta dias, retornando, então, os autos a esta DRJ/RJO para julgamento. E no Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade que a realizou prestou as seguintes informações: Quanto ao item I, esclarece a fiscalização que, muito embora os registros feitos pelo contribuinte de créditos do PIS e da Cofins Fl. 602DF CARF MF 10 sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, as novas informações apresentadas na impugnação comprovam que, de fato, não ocorreu reavaliação do valor dos ativos. No entanto, essas mesmas informações mostram que parte dos bens que serviram de base de cálculo do PIS e da Cofins e que foram classificados como máquinas e equipamentos, na verdade tratamse de outros veículos ou seus componentes, tais como tratores, dollys, transbordos, carregadeiras, carrocerias, reboques e semireboques. Sendo assim, não podem compor a base de cálculo dos créditos sobre depreciação, por falta de previsão legal. Quanto ao item II, segue anexo demonstrativo com planilha do recálculo das diferenças do PIS e da Cofins devidas, consideradas as exclusões das glosas sobre a reavaliação de ativos e levando em conta a memória de cálculo da depreciação apresentada pelo contribuinte às fls. 1453/1481 destes autos. A DRJ, então, julgou parcialmente procedente a impugnação, nos termos seguintes: Manter integralmente as glosas relacionadas ao conceito de insumo nos itens “A” a “G” do Termo de Verificação Fiscal. Afastar a glosa relacionada à reavaliação de ativos no item “H” do Termo de Verificação Fiscal. Manter parcialmente a glosa relacionada aos encargos de depreciação do ativo imobilizado no item “I” do Termo de Verificação Fiscal, de acordo com os novos valores de glosa apresentados após a diligência (desconsiderados os valores inovados na diligência). Afastar integralmente todas as glosas efetuadas em relação aos créditos presumidos apurados pelo contribuinte nos itens “J” a “L” do Termo de Verificação Fiscal. Manter o critério adotado de não considerar o saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo. O recurso de ofício, esclareçamos melhor, teve por fundamentos as seguintes matérias, que totalizaram a exoneração de crédito em limite superior ao de alçada: a) a reversão de créditos do PIS/Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, uma vez que as informações apresentadas na impugnação, e confirmadas na diligência, comprovam que não ocorreu a reavaliação do valor dos ativos; b) a manutenção parcial da glosa relacionada aos encargos de depreciação do ativo imobilizado no item “I” do Termo de Verificação Fiscal, de acordo com os novos valores de glosa apresentados após a diligência (foram desconsiderados os valores inovados na diligência, uma vez que a DRJ Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10880.653326/201603 Acórdão n.º 3201004.220 S3C2T1 Fl. 7 11 acertadamente entendeu que tal procedimento equivaleria a alterar o lançamento originário); c) a reversão da glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial"; d) a reversão da glosa sobre crédito presumido oriundo de receita de vendas de açúcar não destinado à alimentação humana, mas à fabricação de bebidas e refrigerantes; e) a reversão sobre o desconto de crédito presumido superior ao PIS/Cofins apurados sobre a receita de vendas de açúcar. Os motivos da exoneração de parte do crédito foram muito bem enfrentados no acórdão recorrido, razão pela qual passamos a adotálos, também aqui, como fundamento desta decisão, mas a respeito dos quais faremos, ao final de sua transcrição, importante consideração, que, como se verá, nos levarão a adotar, no ponto a ser suscitado, entendimento dele divergente (todavia, transcreveremos na íntegra o voto, apenas quanto às matérias que levaram à exoneração de parte do crédito lançado, para que aos demais integrantes da Turma seja dado pleno conhecimento das controvérsias): DAS GLOSAS SOBRE REAVALIAÇÃO DOS ATIVOS Ítem “H” do Termo de Verificação Fiscal: Sobre essa glosa que a AUTORIDADE FISCAL chamou no Termo de Verificação Fiscal de “Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido”, não haviam informações suficientes para afirmar que os valores glosados eram créditos apurados e descontados pela IMPUGNANTE sobre encargos de depreciação calculados sobre a reavaliação de seus ativos. A IMPUGNANTE contestou que não reavaliou seus ativos. Então, esta 16ª Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem apresentasse planilhas ou memórias de cálculo acompanhados de documentos que demonstrassem que a IMPUGNANTE tenha reavaliado seus ativos e que tenha tomado crédito em relação a tais valores e apresentar também a relação desses lançamentos com totalização, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “H”. A unidade de origem lavrou Termo de Intimação Fiscal (fls. 1371 a 1374), contra a IMPUGNANTE, que atendeu e apresentou os documentos solicitados. Então, a unidade de origem, a DRF/JundiaíSP, no Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1482 a 1484), conclui e esclarece que, muito embora os registros feitos pelo contribuinte de créditos do PIS e da Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, as novas informações apresentadas na impugnação Fl. 604DF CARF MF 12 comprovam que, de fato, não ocorreu reavaliação do valor dos ativos. Por esse motivo voto por afastar a glosa em relação a este item. (...) DAS GLOSAS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO Ítem “I” do Termo de Verificação Fiscal: Cabe analisar as glosas sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado nos valores recalculados após a diligência. A unidade de origem, glosou créditos sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag) por entender não que não estão listados nas hipóteses que a legislação permite o creditamento do PIS e da Cofins. A IMPUGNANTE contestou. Afirma que foram realizadas glosas sobre depreciação de ativos imobilizados que sequer se creditou. Como os documentos anexados aos autos não deixaram claro que essas glosas foram efetuadas apenas sobre os creditos de PIS e COFINS efetivamente apurados pela IMPUGNANTE sobre a depreciação dos seus ativos, foi determinado em resolução à unidade de origem, que essa apresentasse planilhas ou memórias de cálculo, acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha se creditado sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado em desacordo com a legislação de regência e também apresentasse a totalização dos valores desses lançamentos, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa. De modo a atender o que lhe fora exigido por meio de Resolução desta 16ª Turma de Julgamento, a DRF/Jundiaí intimou a IMPUGNANTE a apresentar demonstrativo das bases de cálculo dos descontos de créditos do PIS e Cofins sobre o Imobilizado Então, tendo a IMPUGNANTE atendido a intimação, a AUTORIDADE FISCAL da unidade de origem substituiu a base de glosas anteriormente efetuadas pelo demonstrativo apresentado pela IMPUGNANTE na intimação fiscal. Nesse demonstrativo em forma de planilha (fl.1485), foram glosados os créditos de depreciação tomado em relação aos ítens listados como: veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containers bigbag. A IMPUGNANTE afirma que em relação aos bens sobre os quais de fato tomou crédito relativos a sua depreciação, todos são essenciais ao desenvolvimento do seu processo produtivo diante da já demonstrada relevância da etapa agrícola no referido ciclo agroindustrial, e tendo em vista a disposição contida nos artigos 3º, parágrafo 1º, inciso III de ambas as Leis 10.637/02 e 10.833/03, imperativo o cancelamento dessas glosas . Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10880.653326/201603 Acórdão n.º 3201004.220 S3C2T1 Fl. 8 13 Art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) ... § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ... III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; A discriminação dos bens para os quais foram apurados encargos de depreciação, constante do Auto de Infração – veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containers bigbag, embora todos utilizados em algum processo da IMPUGNANTE, não são utilizados no processo industrial de fabricação de açúcar e álcool. Assim, por infringência ao dispositivo legal acima transcrito, corretas as glosas efetuadas. (...) DAS GLOSAS SOBRE CRÉDITOS PRESUMIDOS ORIUNDOS DE AQUISIÇÃO DE CANA DE AÇÚCAR DE PESSOA JURÍDICA ͞”NÃO AGROINDUSTRIAL” Item “J” do Termo de Verificação Fiscal. Conforme relatado, AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal, ítm “J” (fl.903) glosou o “Desconto de crédito presumido sobre aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica não agroindústria”, pois segundo seu entendimento, não poderiam ter sido apurados créditos de pessoas jurídicas não agroindustriais. Foram elaboradas pela AUTORIDADE FISCAL as planilhas, “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2012.xlsx” e “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2013.xlsx”, anexadas ao presente processo na forma de arquivos não pagináveis vinculados aos documentos nominados de “Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável Plan de cálculo das glosas de créd. presumido 2012” e “Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável Plan de cálculo das glosas créd. presumido 2013” (fls. 932 a 933). Fl. 606DF CARF MF 14 Nessas planilhas, a AUTORIDADE FISCAL apurou os totais mensais de PIS e Cofins apurados sobre os valores de compra de cana de açúcar da IMPUGNANTE, cujos fornecedores têm pelo menos um CNAE não relacionado à atividade agroindustrial. Esses totais mensais foram levados para os “Detalhamentos das diferenças de PIS e COFINS devidas apuradas pela fiscalização” no ‘Demonstrativo anexo ao Termo de Verificação Fiscal” (fls. 906 a 925), cujos valores servem de base para os lançamentos no Auto de Infração. Da forma como essa glosa foi sucintamente descrita no Termo de Verificação Fiscal e da forma como foi apurado o cálculo dessa glosa nas planilhas “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2012.xlsx” e “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2013.xlsx” bastou a presença de um CNAE não relacionado à atividade agroindustrial em um fornecedor de cana de açúcar para a AUTORIDADE FISCAL automaticamente considerar tal fornecedor “pessoa jurídica não agroindústria” e conseqüentemente glosar os créditos referentes às aquisições de cana de açúcar de fornecedores em tal situação. A IMPUGNANTE destaca que nada impede que as pessoas jurídicas que tenham as mais diversas atividades principais, exerçam, em caráter secundário, a atividade venda de canade açúcar caracterizandose como comercial agropecuária (ou agroindústria), permitindose tal creditamento. Conforme a Lei nº 10.925/2004, base legal citada pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e ..., destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos noinciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: ... III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) ... Cumpre ressaltar que em nenhum momento a AUTORIDADE FISCAL buscou afastar o direito ao crédito em razão de que tais operações não teriam sido relacionadas com a venda de canadeaçúcar, mas, sim, pelo simples fato de terem sido firmadas com pessoas jurídicas que não seriam agroindústrias. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10880.653326/201603 Acórdão n.º 3201004.220 S3C2T1 Fl. 9 15 Além de inexistente a restrição apontada pela AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí, cabe verificar o método que adotou para tal glosa. Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canadeaçúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. (...) DA GLOSA SOBRE CRÉDITO PRESUMIDO ORIUNDO DE RECEITA DE VENDAS DE AÇÚCAR NÃO DESTINADO À ALIMENTAÇÃO HUMANA, MAS À FABRICAÇÃO DE BEBIDAS E REFRIGERANTES Item “K” do Termo de Verificação Fiscal. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, pode ser descontado crédito presumido sobre as compras de cana de açúcar para a produção de açúcar destinado diretamente à alimentação humana e é glosado, conforme descrito no item “k)” desse termo, o desconto de crédito presumido sobre o PIS e a Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar não destinado à alimentação humana, mas sim à fabricação de bebidas e refrigerantes. O crédito presumido condicionado a venda de açúcar é calculado sobre a aquisição dos insumos, como a cana de açúcar, destinados a sua produção. No Termo de Verificação Fiscal, é citada pela AUTORIDADE FISCAL, a Lei 10.925/2004, que em seu artigo 8º, passou a permitir apuração desse crédito em relação a aquisição de insumos de pessoa física, cooperado pessoa física e de pessoas jurídicas exercendo algumas condições. A possibilidade de desconto desses créditos está de forma mais clara no artigo 5º da IN 660/2006, também citado pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal: Fl. 608DF CARF MF 16 Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Nas “Plan de cálc glosas cred. Presumido 2012” e “Plan de cálc glosas cred. Presumido 2013” arquivos não pagináveis correspondentes aos seu respectivos Termos de Anexação de Arquivo Não Paginável, anexados às folhas 934 a 935 desse processo, são apresentadas as planilhas “Raizen vendas açucar para ind bebidas 2012.xlsx” e “Raizen vendas açucar para ind bebidas 2013.xlsx”. Nessas planilhas, a AUTORIDADE FISCAL, ao invés de calcular crédito presumido sobre o valor da cana de açúcar utilizada como insumos na fabricação de açúcar destinado à alimentação humana ou animal, calculou crédito sobre o valor de venda do açúcar a produtores de bebidas destinadas ao consumo humano. Mas não é sobre a venda de açúcar que esse crédito é calculado, na verdade, essa operação de venda apenas condiciona a tomada do crédito sobre a operação anterior de aquisição da cana. Também foram efetuadas glosas sobre os períodos entre agosto de 2013 e dezembro de 2013, hiato no qual a IMPUGNANTE sequer registrou créditos referentes a esse crédito presumido. Conforme os já mencionados artigo 8º da Lei 10.925/2004 e artigo 5º da IN 660/2006, esse crédito presumido é decorrente das compras de cana de açúcar para a produção de açúcar destinado à alimentação humana ou animal. Da forma como foi sucintamente descrita a glosa desse crédito no Termo de Verificação Fiscal, ainda que fosse calculada corretamente sobre as compras e não sobre as vendas, como de fato aconteceu, o açúcar vendido para as indústrias de bebidas e refrigerantes é destinado à alimentação humana. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. (...) DO DESCONTO DE CRÉDITO PRESUMIDO SUPERIOR AO PIS E À COFINS APURADOS SOBRE A RECEITA DE VENDAS DE AÇÚCAR Ítem “L” do Termo de Verificação Fiscal: Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, o aproveitamento do crédito presumido sobre as compras de cana de açúcar para a produção de açúcar está limitado ao PIS e à Cofins apurados sobre as Receitas de Vendas de Açucar destinado à alimentação humana. Nesse item “L”, a AUTORIDADE FISCAL glosou a diferença entre o que ela entendeu ser os créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar menos o que ele entendeu ser a contribuição (Pis ou Cofins) apurada pela Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10880.653326/201603 Acórdão n.º 3201004.220 S3C2T1 Fl. 10 17 IMPUGNANTE sobre sua receita de venda de açúcar a partir das informações prestadas nos Dacon. O que a AUTORIDADE FISCAL entendeu ser a contribuição (Pis ou Cofins) apurada pela IMPUGNANTE sobre sua receita de venda de açúcar não foi especificamente contestada pela IMPUGNANTE. As somas mensais dessa contribuição sobre a receita de venda de açúcar com as somas mensais das contribuições sobre as demais receitas (como da receita de venda de álcool, de etanol, de melaço, etc.) estão de acordo com os totais mensais das contribuições apuradas conforme fichas 15B e 25B do Dacon. O que a AUTORIDADE FISCAL entendeu serem os créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar foram os valores da linha 29 da Ficha 06A (Pis) e 16A (Cofins) do Dacon. Essa linha corresponde ao somatório dos créditos presumidos de atividades agroindustriais, incluídos os calculados sobre os insumos de origem animal, origem vegetal e os ajustes positivos e negativos de créditos. Pelas informações prestadas nos Dacons e pelos cálculos no Termo de Verificação Fiscal, a AUTORIDADE FISCAL entende como créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar para a produção de açúcar os créditos presumidos calculados sobre os insumos de origem vegetal e os ajustes positivos de créditos. Entretanto, para a IMPUGNANTE os ajustes positivos de créditos correspondem aos créditos apurados sobre a venda de etanol no mercado interno, conforme expressa disposição contida no artigo 1º, da Lei n° 12.859/13, conversão da Medida Provisória n° 613/13. E, de fato, a IMPUGNANTE, coerentemente com sua impugnação, passou a apurar os créditos apurados sobre a venda de etanol e demonstrálos em seus Dacon somente a partir da publicação da referida medida provisória, em junho de 2013. No Termo de Verificação Fiscal, para fundamentar a glosa sobre o desconto de crédito presumido superior ao Pis e à Cofins apurados sobre a receita de vendas de açúcar, além de descrever os principais dispositivos legais em seu início, a AUTORIDADE FISCAL cita especificamente o trecho da ementa da Solução de Consulta nº 24, de 21 de janeiro de 2010, expedida pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9ª Região Fiscal, in verbis: (...) O crédito presumido antes mencionado somente pode ser utilizado para desconto dos valores devidos a título de Cofins resultantes da comercialização das mercadorias produzidas com os produtos in natura adquiridos, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de ressarcimento. A construção dessa Solução de Consulta nº 24/2010 da Disit da 9ª RF, foi feita a partir dos seguintes dispositivos legais: Lei nº 10.637/2002, art. 3o , Lei nº 10.833/2002, art. 3o; Lei nº 10.925/2004, art. 8o, caput, e §§ 1o e 4o; IN SRF nº 660/2006, Fl. 610DF CARF MF 18 art. 2o, I e IV, e § 1o; art. 3o, I, §§ 1o e 2o; art. 5o, I, “d”; e art. 6o, I. Quanto à utilização do crédito presumido pelas agroindústrias (item 16, fl.12, dessa SC), o caput do art. 8o da Lei nº 10.925, de 2004, citado tanto pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal, quanto pela citada Solução de Consulta referida acima, é claro em definir a utilização permitida para o crédito em questão: “deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração”. Tal imposição significa que do valor devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, pela comercialização das mercadorias industrializadas com os produtos in natura adquiridos, a agroindústria poderá descontar o crédito presumido apurado. E a IN SRF nº 660, de 2004, citada no Termo de Verificação Fiscal, deixa o assunto bem evidenciado: Art.8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. [...]§3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. §4º O crédito presumido deve ser apurado de forma segregada e seu saldo deve ser controlado durante todo o período de sua utilização. Assim, de acordo com a Lei nº 10.925/04 e com a IN 660/04, o crédito presumido da agroindústria não pode ser utilizado para compensação ou ressarcimento, pode apenas ser utilizado para dedução de cada contribuição. E caso não possa ser aproveitado para dedução de cada contribuição no período, seu saldo deve ser controlado segregadamente, até ser totalmente utilizado nos períodos seguintes. A AUTORIDADE FISCAL, diferentemente do disposto na Lei nº 10.925/04 na IN 660/04 e na Solução de Consulta nº 24/2010 da Disit da 9ª RF, para cada mês em que esse crédito presumido foi apurado em valor maior do que a contribuição apurada sobre a receita de venda de açúcar glosou a diferença a maior do valor do crédito. Esse crédito, apurado sobre a aquisição de cana de açúcar, não pode ser utilizado para compensação ou ressarcimento, mas pode ser utilizado para dedução da contribuição devida apurada em relação às mercadorias produzidas, não apenas sobre a contribuição devida sobre a receita de venda da mercadoria “açúcar”. E sobrando saldo, esse não deve ser glosado, esse saldo deve ser controlado e utilizado nos períodos seguintes. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10880.653326/201603 Acórdão n.º 3201004.220 S3C2T1 Fl. 11 19 Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Recentemente, nesta mesma Turma, assim também se decidiu: CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANADE AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. (Acórdão nº 3201004.161, de 28/08/2018) As matérias cuja apreciação remanesce no recurso voluntário são as seguintes: a) Desconto de créditos sobre embalagens de transporte (“big bag”); b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; e) Desconto de créditos sobre serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, cabendo neste caso ser ressaltado que a legislação prevê o creditamento das contribuições apenas somente sobre os dispêndios com armazenagem e fretes sobre vendas; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, Fl. 612DF CARF MF 20 parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag). E, finalmente, como se demonstrará ao final, também discordamos das glosas de despesas com o tratamento de água, resíduos e análises laboratoriais. Conforme já expusemos noutros votos, os bens e serviços utilizados na fase agrícola, assim como a depreciação de tais bens, não ensejam, a nosso juízo, o creditamento de PIS/Cofins. É que, segundo o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente geram o direito ao crédito, no regime não cumulativo, os bens e serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vejam: Art. 3oDo valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3odo art. 1odesta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1oe 1oA do art. 2odesta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata oart. 2oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 daTipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10880.653326/201603 Acórdão n.º 3201004.220 S3C2T1 Fl. 12 21 Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Notese que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Se se pretendesse abarcar todos as despesas realizadas para a obtenção da receita, não veríamos o elenco de hipóteses que vemos na norma. Ademais, consoante deixou cristalino o legislador na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, um dos principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. 1 Admitir que, no cálculo dos créditos, se incluam os dispêndios na aquisição daqueles bens ou serviços só remotamente empregados na produção do produto final ou no serviço prestado – os chamados "insumos dos insumos" – é não apenas permitir o que o legislador pretendeu desestimular, mas é também legislar. 1 Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 2003: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Fl. 614DF CARF MF 22 Afinal, os diplomas legais aqui referidos delimitaram os insumos àqueles bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, é dizer, aqueles insumos efetivamente empregados no produto final do processo de industrialização ou no serviço prestado ao tomador, não aqueles bens ou serviços consumidos, pela próprio contribuinte, em etapas anteriores, aqueles, enfim, só remotamente empregados. No caso em tela, como já antecipamos, os créditos pretendidos pela Recorrente têm origem nos gastos realizados na produção da canadeaçúcar, ou seja, na fase agrícola, não na industrial (é só nesta fase que se pode permitir o creditamento com fundamento no inciso II do art. 3º). Considerando que tais despesas não foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos vendidos (v.g., nem por hipótese o defensivo agrícola por entrar na fabricação do açúcar, do álcool ou de subprodutos da indústria sucralcooleira), não se faz possível o creditamento. É como vem entendendo a 3ª Turma da CSRF. Exemplificativamente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes para o maquinário agrícola e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar. (Redator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.541, de 16/08/2017) Esse, contudo, não é, como todos sabemos, o entendimento dos demais integrantes desta Turma2, de modo que, somente por economia processual e apreço ao princípio da colegialidade, também passamos a adotar aqui aquele plasmado nos fundamentos que vimos de reproduzir. Assim, os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar a ser utilizado na produção do açúcar e do álcool também podem ser levados em consideração para fins de apuração de créditos para o PIS/Cofins. No caso aqui julgado, referemse aos seguintes itens (consoante alíneas acima): 2 PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de pertinência, emprego e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. (Rel. Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Acórdão nº 3201003.411, 02/02/2018) Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10880.653326/201603 Acórdão n.º 3201004.220 S3C2T1 Fl. 13 23 b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containeres utilizados em transporte de açúcar (embora conste da alínea "i", na redação anteriormente transcrita, retiramos as aeronaves, porque, conforme ela própria assevera e consta de um dos demonstrativos que integram o acórdão recorrido, a Recorrente sobre elas nada se creditou). Há de se registrar, para melhor esclarecimento do que se trata, algumas observações a respeito dos itens relacionados na mesma alínea "i". Segundo a Recorrente, a) os veículos são aqueles utilizados na fase agrícola, como tratores e colheitadeiras, ônibus para transporte, dollys etc. (conta contábil 1030203002); b) os móveis e utensílios são materiais e equipamentos utilizados no processo produtivo da cana, bem como no seu acondicionamento, processamento e pesagens, tais como estufa, centrífuga, balança etc. (conta contábil 1030204002); c) as licenças e softwares são ativos tecnológicos aplicados no maquinário aplicados na lavoura (conta contábil 1030210002); d) as embarcações são utilizadas no transporte da cana entre a lavoura e a unidade produtora (conta contábil 1030212002). Tais informações, acompanhadas de registros fotográficos no recurso voluntário, em nenhum momento foram antes contraditadas pela fiscalização, quer por ocasião do lançamento, quer na diligência. Concordamos, todavia, com a glosa do crédito em relação aos serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, pois, com efeito, a legislação não prevê o creditamento das contribuições sobre os serviços de capatazia (alínea "e", supra). Comunga do mesmo entendimento a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF: PIS. SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVAS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 616DF CARF MF 24 Os serviços de capatazia e estivas por não serem utilizados no processo produtivo, não geram créditos de PIS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão nº 9303004.383, de 08/11/2016) Prosseguindo, agora sobre os crédito tomados em relação às embalagens de transporte ("bigbag"), como é de todos conhecido, temos entendido — e recentemente também assim fizemos noutro processo envolvendo a mesma empresa — que se deve considerálas insumo, no regime não cumulativo de PIS/Cofins, pois destinadas à proteção ou ao acondicionamento do produto final no seu transporte. Conforme Acórdão nº 3201 004.164, de 28/08/2018: NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. Finalmente, cumpre registrar que os créditos tomados em relação aos gastos com o tratamento de água, de resíduos e com análises laboratoriais não foram expressamente citados no texto que encerra o Termo de Verificação Fiscal, mas consta das planilhas a ele e ao acórdão recorrido anexadas. Contudo, mesmo que os considerássemos não originalmente apreciados, se é entendimento dos demais conselheiros que compõem esta Turma que os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar podem ser considerados na apuração de créditos para o PIS/Cofins, não há razão para afastar a possibilidade de craditamento quanto os gastos com o tratamento de água (fase agrícola e industrial) e de resíduos (fase industrial) e análises laboratoriais (fase agrícola e industrial). Aliás, é cediço, constitui importante requisito para a produção de açúcar e álcool o tratamento de seus resíduos industriais e o seu constante monitoramento. E, por último, quanto ao não reconhecimento dos saldos de créditos de períodos anteriores, cumpre observar que, com efeito, conforme destacado na decisão recorrida, a consequência é o não aproveitamento dos mesmos saldos para a dedução de valores devidos em períodos subsequentes. Todavia, tais saldos ficam subordinados ao que aqui decidido, já que o entendimento será replicado nos processos a este conexos. O pedido de realização de nova diligência (ou de perícia) afigurase absolutamente desnecessário em face de tudo o que expusemos aqui e das informações já carreadas aos autos (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10880.653326/201603 Acórdão n.º 3201004.220 S3C2T1 Fl. 14 25 Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. E DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para: (i) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (i.1) embalagens de transporte (“bigbag”); (i.2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (i.3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (i.4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (i.5) itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (i.6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (i.7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (i.8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; (ii) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, (iii) manter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para: (i) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (i.1) embalagens de transporte (“bigbag”); (i.2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (i.3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (i.4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; Fl. 618DF CARF MF 26 (i.5) itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (i.6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (i.7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (i.8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; (ii) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, (iii) manter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10880.653326/201603 Acórdão n.º 3201004.220 S3C2T1 Fl. 15 27 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado O presidente incumbiume de redigir o acórdão na parte pertinente aos gastos de capatazia e estiva. Os gastos com logística, na operação de aquisição de insumos, geram direito a crédito por comporem o conceito contábil de custo de aquisição de mercadoria3. Os gastos logísticos para movimentação de insumos, internamente ou entre estabelecimentos da mesma empresa, inseremse no contexto de produção do bem, porque inerentes e relevantes ao respectivo processo produtivo. Desse modo, devem gerar direito de crédito, na esteira do Resp 1.221.170/PR, que tramitou sob o regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), e que vincula o Carf (art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno). No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda. Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos da Lei, como, por exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado. 3 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.273/10) Fl. 620DF CARF MF 28 Declaração de Voto Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário. A presente declaração de voto tem por objetivo externar o posicionamento pelo qual acompanhei o Relator "pelas conclusões" relativamente à preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte demonstra que a Fiscalização, ao efetuar a lavratura do Auto de Infração, deixou de individualizar as glosas realizadas, deixando, inclusive, de lavrar Termo de Verificação Fiscal próprio, fazendo simples remissão a TVFs de períodos de apuração diversos. Além disso, deixou de indicar a espécie dos créditos glosados (crédito de insumos ou créditos presumidos). Ao assim proceder, a Fiscalização imputou à Recorrente excessivo ônus de defesa que, ainda que cumprido adequadamente pelo contribuinte, não afasta o excesso fiscal, passível de reconhecimento de nulidade do procedimento. Não obstante ao exposto, há que se considerar que, na hipótese dos autos, o mérito da demanda foi resolvido de modo favorável ao contribuinte, incorrendose em hipótese típica de aplicação do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Desse modo, externo meu posicionamento não pela improcedência da preliminar de mérito, mas, sim, pela possibilidade de sua superação, no presente julgamento, nos exatos termos do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 621DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.001649/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Desde que expostas pelo órgão julgador de primeiro grau as razões pelas quais entendeu ser prescindível a realização da diligência requerida pelo sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa da parte.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
Nos lançamentos fiscais fundados em presunção legal de omissão de receitas inverte-se o ônus da prova, daí porque caberá ao sujeito passivo, mediante a juntada de documentação hábil e idônea, desconstituir o raciocínio presuntivo.
Numero da decisão: 1201-000.853
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, tendo sido substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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CERCEAMENTO. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Desde que expostas pelo órgão julgador de primeiro grau as razões pelas quais entendeu ser prescindível a realização da diligência requerida pelo sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa da parte. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. Nos lançamentos fiscais fundados em presunção legal de omissão de receitas invertese o ônus da prova, daí porque caberá ao sujeito passivo, mediante a juntada de documentação hábil e idônea, desconstituir o raciocínio presuntivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, tendo sido substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 16 49 /2 00 7- 76 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.001649/200776 Acórdão n.º 1201000.853 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da presente Sessão de Julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente convocado), Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Junior (VicePresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1127.784, exarado pela 4ª Turma da DRJ em Recife PE. Em seu termo de verificação fiscal a autoridade tributária acusa o sujeito passivo de haver cometido as seguintes infrações relativamente ao anocalendário de 2004 (fl. 105 e ss.): a) omissão de receita caracterizada pela diferença entre o valor das receitas escrituradas no livro Caixa, e o valor das receitas informadas na declaração anual simplificada; b) omissão de receita legalmente presumida, haja vista que o contribuinte, regularmente intimado para tanto, não logrou êxito em comprovar a origem de depósitos realizados em sua conta corrente, conforme extratos bancários apresentados à fiscalização pelo próprio fiscalizado. Inconformado com a autuação o interessado propôs impugnação ao lançamento pedindo, ao final, seja afastada a exigência, sob as seguintes alegações, em síntese (fl. 156 e ss.): a) apresentou à fiscalização farta documentação que claramente comprova que os valores depositados em sua conta corrente pertenciam a pessoas jurídicas para as quais prestou serviços de fiscalização de obras, valores esses que circularam em sua conta apenas para que os repassasse a empresas e funcionários contratados por aquelas pessoas jurídicas; b) é ilegítima a exigência de imposto de renda apenas com base em depósitos bancários. Ademais, há deduções da base de cálculo do imposto, tais como, devoluções de vendas, vendas canceladas, custos incorridos etc., que não foram consideradas pelo auditor; Pede, ainda, a realização de diligência junto às pessoas físicas e jurídicas ali elencadas, a fim de corroborar a veracidade da documentação apresentada à fiscalização, a qual, como dito, comprova a origem dos depósitos questionados. Apreciadas as razões de defesa a DRJ de origem indeferiu o pedido de diligência, por considerálo prescindível, e, no mérito, julgou procedente o lançamento fiscal (fl. 266 e ss.). Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando as razões expostas na impugnação ao lançamento, acrescidas das seguintes (fl. 283 e ss): a) é nula a decisão recorrida, por cerceamento de seu direito de defesa, haja vista o indeferimento de seu pedido de diligência; b) a exigência encontrase extinta em virtude do decurso do prazo decadencial. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.001649/200776 Acórdão n.º 1201000.853 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Preliminar de Nulidade da Decisão Recorrida A recorrente fundamenta a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau em suposto cerceamento de seu direito de defesa, em razão do indeferimento do pedido de diligência por ela formulado, cujo objeto é o seguinte, in verbis (fl. 166): 1. Que seja "quebrado o sigilo bancário" das pessoas jurídicas Empreendimentos Gomes Cordeiro LTDA, inscrita no CNPJ sob n°. 03.496.708/000173, estabelecida a Rua Gervásio Sales n°. 76, linha do tiro, RecifePE, VALE DO PARNAIBA, inscrita no CNPJ/MF sob o n°. 06.094.913/0001.09, com sede a Avenida João XXIII, n°. 242/L, Noivos, TeresinaPI, bem como o da pessoa física JOSE CARLOS DE OLIVEIRA, inscrito no CPF/MF sob n°. 984.754.60453 e RG n°. 3.435.200/SSPPE; 2. Que sejam intimadas as mesmas pessoas no item anterior, para apresentarem suas declarações de IRPJ e IRPF, referentes ao exercício em que ocorreram os depósitos na conta corrente do impugnante, caso não seja atendido a determinação de Vossa Senhoria, que seja determinada a "quebra do sigilo fiscal" destes, para o alcance dos mesmos fins já mencionados. Não assiste razão à recorrente. O mero indeferimento do pedido de diligência não dá causa à nulidade da decisão, a teor do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. No caso dos autos, a DRJ de origem considerou prescindível a providência, uma vez que, conforme razões expostas no voto, entendeu que os elementos presentes nos autos eram suficientes à formação do convencimento. 3) Da Alegação de Decadência Alega a defesa que o prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN não comporta nem suspensão nem interrupção, daí porque, tendo os fatos geradores ocorrido no ano de 2004, a decadência teria se operado em 2010. Apesar de não usar essa expressão, o que a interessada defende é a chamada prescrição intercorrente. No caso, os fatos geradores ocorreram no ano de 2004 e o lançamento de ofício foi cientificado à contribuinte em 2007. Em assim sendo, é de se reconhecer que o Fisco exerceu, antes de esgotado o prazo decadencial estabelecido no art. 150 ou no art. 173, ambos do CTN, o seu direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.001649/200776 Acórdão n.º 1201000.853 S1C2T1 Fl. 5 4 A partir desse momento tem início o decurso do prazo prescricional, prazo esse que não corre enquanto estiver suspensa a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III, do CTN). O CARF, por meio de sua Súmula nº 11, assim pacificou a questão: Súmula CARF nº 11 (DOU de 09/12/2010) Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. 4) Da Omissão de Receitas São duas as acusações de omissão de receitas. A primeira referese à diferença entre a receita bruta mensal escriturada no livro Caixa e aquela informada na declaração anual simplificada. E a segunda corresponde a depósitos bancários de origem não comprovada. A recorrente não contestou a primeira infração. Quanto à segunda, afirma a recorrente que a documentação por ela apresentada comprova que os depósitos bancários questionados pela fiscalização pertencem a duas pessoas jurídicas para quem prestava serviços de fiscalização de obras. Explica que os valores depositados na sua conta eram repassados a empresas e funcionários contratados por aquelas pessoas jurídicas. Confrontandose, todavia, o montante dos recursos depositados na conta da contribuinte com o total dos recibos que apresentou com vistas a justificar os “repasses” (fl. 212 e ss.), é possível constatar que aquele é muito superior a este. Ademais, em alguns dos recibos sequer há assinatura do beneficiário dos recursos. Mas não é só. Não há nos autos qualquer prova da existência do alegado contrato de prestação de serviço de fiscalização de obras entre a contribuinte e as empresas Empreendimentos Gomes Cordeiro Ltda. e Parnaíba Engenharia Ltda. Os depósitos feitos por essas pessoas e empresas (fl. 170 e ss.), por si sós, não comprovam o alegado contrato de prestação de serviço. Como é cediço, uma das principais características da presunções legais de omissão de receitas, tal como a prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, é a inversão do ônus da prova. Nesse sentido, caberia à contribuinte, e não ao Fisco, provar, mediante documentação hábil e idônea, os “repasses” por ela alegados. Como não o fez, permanece intacta a presunção de que aqueles depósitos têm origem em receitas omitidas. No que concerne à dedução de custos incorridos, é de se dizer que a Lei nº 9.317/96, que regula a apuração dos tributos com base no Simples, não ampara tal dedução. Quanto às supostas devoluções de vendas e vendas canceladas, caberia a contribuinte comproválas. Por fim, é de se dizer que, com base no art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e na Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a alegada ilegitimidade da presunção de receita fundada em depósitos bancários de origem não comprovada, uma vez que tal presunção encontra expressa previsão no art. 42 da Lei nº 9.430/96. 5) Conclusão Fl. 346DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.001649/200776 Acórdão n.º 1201000.853 S1C2T1 Fl. 6 5 Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir as preliminares suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 347DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10983.912729/2009-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 19/12/2006
PER/DCOMP. PEDIDO COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Devido a inexistência de prova que demonstre a existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado por meio de PER/DCOMP, não há que se falar em homologação da compensação requerida.
Numero da decisão: 3001-000.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 19/12/2006 PER/DCOMP. PEDIDO COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Devido a inexistência de prova que demonstre a existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado por meio de PER/DCOMP, não há que se falar em homologação da compensação requerida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 19/12/2006 PER/DCOMP. PEDIDO COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Devido a inexistência de prova que demonstre a existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado por meio de PER/DCOMP, não há que se falar em homologação da compensação requerida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 27 29 /2 00 9- 12 Fl. 44DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário impetrado contra Acórdão de Manifestação de Inconformidade emitido pela DRJ de Ribeirão Preto que decidiu pela improcedência da manifestação. O despacho decisório, situado à fl. 20, não reconheceu o crédito pleiteado no PER/DCOMP nº 38769.86682.070807.1.3.045097, que pleiteava a restituição de pagamento indevido ou a maior efetuado em 19/12/2006, no montante de R$14.475,44, não homologando, por conseguinte, as compensações declaradas devido ao fato de os créditos terem sido totalmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Não satisfeita com a resposta do fisco, a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que retificou a DCTF de modo que sanaria a causa impeditiva da compensação. A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, convalidando integralmente o indeferimento consubstanciado no despacho decisório conforme Acórdão no 1445.054 a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 19/12/2006 ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância afirmando que a DCTF retificadora apresenta os valores efetivamente incorridos e que se encontra em consonância com a Ficha do Saldo do IPI da DIPJ competência 2006. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10983.912729/200912 Acórdão n.º 3001000.584 S3C0T1 Fl. 45 3 que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre o não reconhecimento do crédito pleiteado tendo em vista a não comprovação do pagamento indevido ou a maior. A decisão de piso entendeu que não cabe a alegação da manifestação de inconformidade tendo em vista que a retificação da DCTF efetuada pela recorrente após o Despacho Decisório não é suficiente para sanear a causa da negativa exarada na decisão, não atendendo ao disposto no art. 36 da Lei no 9.784/99. Afirma ainda que a recorrente não trouxe nenhuma prova ou indício que comprovasse o alegado recolhimento indevido. Entretanto, a recorrente reafirma em seu Recurso Voluntário que a DCTF retificadora apresenta os valores efetivamente incorridos e que se encontra em consonância com a DIPJ competência 2006 em sua Ficha do Saldo do IPI e que estas informações por si só seriam provas suficientes de que efetuou o pagamento a maior. Não procedem as alegações da recorrente e julgo correta a decisão de piso. Destaco a seguinte passagem da decisão de primeira instância, na qual reputa da maior relevância para o caso em questão: “não basta apenas harmonizar o pedido de restituição com uma DCTF retificadora sem demonstrar a efetiva existência de crédito líquido e certo, ou seja, é necessário provar que realmente ocorreu um pagamento indevido, ou maior que o devido, ao teor do já citado art. 36 da Lei nº 9.784/99”. Importante ressaltar que o presente Colegiado tem acompanhado a tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para acolher as provas apresentadas nesta instância recursal. Contudo, para sua aplicação é necessária a apresentação pormenorizada por parte da recorrente dos elementos necessários e indispensáveis para comprovação das suas alegações, em especial dos créditos efetivamente pretendidos. Destaquese que a apresentação de DIPJ possui a natureza informativa, não consubstanciando elemento de prova e, muito menos, a atribuição de confissão de dívida. Portanto, para comprovar as alegações apresentadas, a recorrente deveria juntar aos autos documentações hábeis e idôneas que corroborassem as informações de valor devido de IPI, qual seja, pelo menos, os livros contábeis e fiscais. Diante do exposto, devido a ausência de comprovação do recolhimento indevido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 46DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720015/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.518
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB verifique eventual existência de concomitância entre discussão administrativa e judicial do tema controverso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB verifique eventual existência de concomitância entre discussão administrativa e judicial do tema controverso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB verifique eventual existência de concomitância entre discussão administrativa e judicial do tema controverso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratase do despacho decisório, proferido em 18/08/2008, que não homologou Pedido de Ressarcimento transmitidas com o objetivo de restituir e compensar crédito decorrente de valores indevidamente recolhidos a no valor de R$ 259.078,10, referente a Cofins, relativo ao 2º trimestre de 2006, em virtude de não acatar apuração de créditos relacionados às seguintes operações: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 20 01 5/ 20 08 -1 8 Fl. 865DF CARF MF Processo nº 13971.720015/200818 Resolução nº 3401001.518 S3C4T1 Fl. 866 2 Referentes a bens utilizados como insumos: a.1) aquisição de bens com fim específico de exportação: a autoridade fiscal glosou os valores das aquisições de mercadorias com CFPO 6.501 (Remessa de Produção do Estabelecimento com fim específico), entendendo que tais mercadorias não eram produtos com fim específico de exportação, mas de insumo incorporado ao produto da contribuinte, cujas entradas foram escrituradas pela requerente como “Compras para Industrialização”. Alega a autoridade fiscal que “a intenção não era descaracterizar o qualidade de insumo para o produto ‘vidro’ no processo produtivo da empresa, e explica: “o problema é que a aquisição desse insumo se deu sem a devida tributação na saída do estabelecimento do fornecedor, já que o mesmo alcançou a imunidade constitucional, afeta às exportações para o exterior, por causa da emissão da nota de venda no CFPO 6.501”. O Fisco fundamenta a glosa realizada no art. 5º, III e art. 3º, §2º, ambos da Lei nº 10.833/2003. a.2) aquisição com adicional decorrente de venda a prazo: foi excluída da base de cálculo dos créditos as despesas financeiras decorrentes de financiamento, no caso, o adicional de 2,6% decorrente de vendas a prazo, incluindo os valores relativos à majoração do ICMS incidente sobre tal adicional. a.3) devolução e produtos que seriam utilizados como insumos: foi glosada da base de cálculo dos créditos a diferença entre os valores registrados no livro de registro de saídas e o valor informado na memória de cálculo; b) referentes a serviços utilizados como insumo: b.1) Serviços de transporte rodoviário de cargas na aquisição de insumos: o preenchimento de parcela relevante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) não foi efetuado de acordo com o exigido pela legislação do ICMS. São as principais irregularidades: a emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço, o valor da nota fiscal informada no CTRC inferior ao nele informado, notas fiscais apresentadas do CTRC não registradas no Livro de Registro de Entrada. A autoridade fiscal ainda destaca que os “serviços de transporte muitas vezes superam o valor da própria mercadoria transportada e que as distâncias percorridas entre a origem e o destino não são compatíveis com os valores médios praticados no mercado.” Conclui que “em função das deficiências encontradas, a aferição da idoneidade dos documentos fica completamente prejudicada”; b.2) serviços não especificados: foram glosados os serviços em relação os quais a interessada, intimada a apresentar a memória do cálculo para os créditos referentes à linha três (Serviço Utilizado com Insumo), informou o CFOP 1.949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada). Informa a autoridade fiscal que glosou todos os valores referentes às notas com esse CFOP, “considerando que a requerente não especificou – entre as notas fiscais com CFOP 1.949 que estão no LRE – quais estariam compondo os valores solicitados, já que todos os registros estão com campo de créditos de PIS/Pasep e Cofins zerados; considerando que esse CFOP, por referirse a ‘outras Fl. 866DF CARF MF Processo nº 13971.720015/200818 Resolução nº 3401001.518 S3C4T1 Fl. 867 3 entradas não previstas’ nos demais CFOP, a princípio, não corresponde a serviço utilizado como insumo”. c) energia elétrica: foram glosados os valores incluídos nas faturas, e no cálculo do crédito, que não são passíveis do desconto legalmente previsto, quais sejam os valores referentes às doações ao Hospital Annegret Neitzke e ao pagamento de juros e multa de mora e correção monetária decorrentes de pagamentos extratemporâneos; d) aluguéis de prédios: foi glosado o valor indicado no contrato de locação como despesa de energia elétrica, por não integrar tal despesa o valor do aluguel contratado; e) locação de máquinas e equipamentos: a autoridade fiscal glosou os valores relativos à despesa com locação de caminhões e carrocerias reboque, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeira Ltda., em razão de caminhão ser “espécie do gênero veículos e não do gênero máquina”, a teor da NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul. f) referentes a bens do ativo imobilizado: f.1) com base nos encargos de depreciação: a autoridade glosou os valores referentes à despesa que a contribuinte, em resposta a intimação fiscal, informou como sendo decorrente de exaustão de floresta, em razão de não haver previsão legal para tal crédito. Relata a autoridade que a contribuinte deixou de apresentar memórias de cálculo e a relação dos bens incorporados ao ativo imobilizado que serviram de base para os valores informados na linha 09 (bens do ativo imobilizado com base nos encargos de depreciação) e, ainda, quando a contribuinte foi indagada quanto ao não atendimento da intimação, informou que “tais valores referemse à exaustão de floresta que integram o ativo imobilizado pela aquisição – por meio de contrato, sem trânsito pela escrita fiscal – de madeira destinada a corte e à utilização futura e que foram derrubadas no trimestre em análise” f.2) bens do ativo imobilizado – com base no preço de aquisição: a autoridade fiscal glosou a diferença mensal no valor de R$ 5.522,04 verificada entre os valores relacionados no Anexo III, apresentado em resposta à intimação fiscal, e os declarados na DACON. g) bens utilizados como insumo – importação: foi glosado o valor de R$ 297,13, referente a um lançamento a maior no mês de maio. Em 17/07/2012, foi proferida a Resolução CARF nº 3401000.535, de relatoria do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, cujo relatório, por fidedigno, abaixo se transcreve: Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 23.07.2010, na qual alegam em síntese, que: a) Em relação a glosados valores referentes às aquisições de bens com fim específico de exportação, alega que “a própria nota fiscal, pelos dados lá postos, evidencia que não ocorreu uma venda com o fim específico para exportação”, mas de produto aplicado em seu processo produtivo, em relação ao qual “pagou PIS e Cofins que estavam embutidas no preço final”. Alega ainda que as notas fiscais que comprovam as aquisições do fornecedor Vidroforte Indústria e Fl. 867DF CARF MF Processo nº 13971.720015/200818 Resolução nº 3401001.518 S3C4T1 Fl. 868 4 Comércio de Vidros Ltda. Foram emitidas com CFOP 6.501, entretanto referemse ao insumo (vidro) incorporado ao produto final, tendo, tais entradas, sido escrituradas com CFOP 2.101 (Compras para Industrialização) e não CFOP 2.501 (Entrada de mercadoria recebida com fim específico de exportação). Acrescenta que “não solicitou ao fornecedor que as mercadorias fossem enviadas diretamente para embarque ao exterior, tampouco para recinto alfandegado (sic), mas sim para o próprio estabelecimento industrial.” Relata ainda que o CFOP 6.501 foi utilizado de forma equivocada pelo fornecedor, não lhes cabendo qualquer responsabilidade; que a empresa Vidroforte destacou o ICMS das operações, contudo, a venda com fim específico de exportação não tem destaque de ICMS nas operações; que pagou o ICMS, o PIS e a Cofins à empresa fornecedora, os dois últimos embutidos no preço final dos produtos adquiridos. Conclui, então, que não pode ser prejudicada caso o fornecedor não tenha recolhido o PIS e a Cofins, dado que referido recolhimento é de responsabilidade de terceiro, cabendo ao Fisco a cobrança da empresa responsável pelo pagamento. b) Quanto às glosas dos serviços de transporte rodoviário de cargas, alega que não existem os supostos “vícios formais” referentes aos fretes das aquisições de insumos, mas, quando muito, meras irregularidades. Explica que diariamente contratava fretes de terceiras pessoas, as quais transportavam madeira bruta das florestas até seu estabelecimento. Afirma que tais serviços eram feitos por pessoas muito humildes que, muitas vezes, ao invés de emitirem notas fiscais para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período. Argumenta que a referida falha não prejudicou o Fisco, pois não houve omissão de valores referentes aos fretes e não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e Cofins sobre esses valores. Acrescenta que nas operações de importação e aquisição de insumos de pessoa física, o transporte para ser escriturado consta em nota fiscal da própria empresa. Por fim, requer que “caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito.” c) Quanto às aquisições de serviços não especificados, argumenta que os valores de entrada com CFOP 1.949 foram incluídos corretamente na apuração do crédito, já que se tratam de importâncias relativas a serviço de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3º, II, da Lei 10.833/03. Quanto à ausência de escrituração fiscal, esclarece que os prestadores de serviço não possuem inscrição estadual, mas somente municipal, motivo pelo qual “tais notas não podem ser lançadas nos livros fiscais, sendo lançadas apenas nos livros contábeis. Assim, por mais que não estejam lançadas no Livro de Registro de Entrada, tais notas foram devidamente contabilizadas”. Reclama que a autoridade fiscal, antes de glosar todos os valores pleiteados, deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias; desta feita, anexa aos autos as notas fiscais que diz comprovarem o direito pleiteado. Ao final, requer que “caso Fl. 868DF CARF MF Processo nº 13971.720015/200818 Resolução nº 3401001.518 S3C4T1 Fl. 869 5 este órgão julgador entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos” que seja determinado o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito. d) No que tange aos bens do ativo imobilizado com custos apurados com base nos encargos de depreciação, a contribuinte manifestase contra a glosa dos valores relacionados a aquisição de florestas. Alega que o “revestimento florestal” foi adquirido por meio de contratos de compra e venda de árvores de pinus em pé, firmados com a empresa Udo Beltramini Indústria e Comércio de Madeira Ltda., no qual obrigouse a abater as árvores do máximo de 24 meses. Argumenta, ainda, que apesar de a Contabilista responsável ter informado que as despesas questionadas de exaustão, em verdade consistem de amortização, uma vez que a floresta foi adquirida por contrato de prazo determinado; nesse sentido, cita os artigos 324, 325 e 328 do RIR/99 e conclui que seu direito ao crédito encontra fundamentado no inciso III do §1º do art. 3º da Lei 10.833/2003. f) Quanto a divergência apurada de R$ 5.522,04 mensal, em relação aos encargos decorrentes de bens do ativo imobilizado apurados com base no valor de aquisição, explica a contribuinte que houve um equívoco nas informações prestadas por meio do Anexo III, no qual foi informado para a nota fiscal nº 015344 um valor inferior ao real. Esclarece que aplicando a razão de 1/48 ao valor da nota, no caso R$ 1.274.311,35, “obtémse uma base de cálculo para a depreciação de R$ 26.548,15”, tendo sido informado no anexo em questão, para esta nota, o valor de R$ 21.026,14, o que configura a diferença apurada. Em 23/10/2010 foi proferido Acórdão DRJ que julgou a manifestação de inconformidade improcedente: Em 23.07.2010 a 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente, apresentando os seguintes fundamentos: A interessada acatou as glosas dos valores referentes às despesas com devolução de produtos que seriam utilizados como insumo, energia elétrica, aluguéis de prédios, locação de máquinas e equipamentos, serviço de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, despesas financeiras decorrentes de financiamentos e à diferença de lançamento de bens utilizados como insumo – importação. a) Quanto às aquisições de bens com fim específico de exportação, os argumentos da recorrente são válidos. Assim sendo, a empresa Vidroforte está sujeita ao recolhimento das contribuições incidentes sobre a receita de tais vendas, cabendo à fiscalização promover a formalização e a exigência dos tributos porventura não apurados e/ou não recolhidos, mantendo na empresa adquirente os créditos calculados sobre os valores dos bens adquiridos utilizados como insumo em sua produção. b) Quanto aos serviços de transporte rodoviário de cargas, a glosa efetuada pela DRF deve ser mantida, pois cabe a pleiteante, antes de comprovar a natureza das operações em relação às quais requer o Fl. 869DF CARF MF Processo nº 13971.720015/200818 Resolução nº 3401001.518 S3C4T1 Fl. 870 6 crédito, deve comprovar sua efetiva realização, o que não ocorreu no presente caso. c) Quanto à aquisição de serviços não especificados, a contribuinte anexou aos autos as notas fiscais que diz comprovar direito ao crédito pleiteado, entretanto não há como identificar se estas se referem de fato a serviços aplicados no processo produtivo da empresa, ou mesmo se consiste de serviço aplicado na aquisição de insumos da empresa; d) Mesmo que não houvesse tal falha de comprovação, o serviço de extração de madeira não geraria crédito por não constituir um serviço utilizado como um insumo, por ter sido aplicado em uma fase anterior ao início do processo produtivo da empresa; e) Quanto aos bens do ativo imobilizado com base na depreciação, devido à falta de demonstração e comprovação dos valores incluídos na linha 9 da DACON, não há como reconhecer o direito ao crédito pleiteado. f) Em relação aos encargos decorrentes de bens do Ativo Imobilizado com base no valor de aquisição, a contribuinte não justificou por meios hábeis sua alegação, portanto deve ser mantida a glosa procedida pela DRF. Em 18/08/2010, a contribuinte interpôs recurso voluntário: Em 18.8.2010 a contribuinte foi cientificada da decisão, e em 17.9.2010, apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que: a) O ônus da prova na comprovação da existência do direito creditório não é absoluto da contribuinte, uma vez que esta situação deve ser interpretada sistematicamente como o principio do contraditório e da ampla defesa. Se a contribuinte falhou na comprovação dos fatos que a autoridade julga pertinentes, deverá remeter os autos a quem tem competência para novamente instruíla, elencando objetivamente o que precisa ser demonstrado; b) Quanto aos “serviços não especificados”, não há como repudiar a ideia de que tais valores contribuem para um resultado ou obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. c) No que tange ao serviço de extração de madeira, tal procedimento não se constitui em etapa anterior ao processo produtivo da empresa, uma vez que o corte da madeira é efetuado com base nas exigências feitas pela recorrente. Nesse sentido, a partir do momento em que a árvore está sendo cortada já se iniciou o processo produtivo da empresa; d) Considerandose que as máquinas são empregadas na produção de bens da recorrente e indispensáveis à obtenção do resultado final, a medida que se impõe é o deferimento do ressarcimento do crédito em relação às aquisições de peças e serviços empregados na manutenção de máquinas e veículos; e) Quanto á glosa referente à aquisição de florestas por meio de contrato de compra e venda de árvores de pinus em pé, deve ser esclarecido que os créditos referemse a bens do ativo imobilizado, na medida que os contratos dão direito à exploração da floresta, configurando uma espécie de arrendamento da área, onde a recorrente obrigouse a abater as árvores compradas no prazo de 24 meses. Seguindo a instrução dada Decreto 3000/99, que regulamenta o Imposto de Renda e Proventos de Fl. 870DF CARF MF Processo nº 13971.720015/200818 Resolução nº 3401001.518 S3C4T1 Fl. 871 7 Qualquer Natureza, a recorrente vem fazendo a amortização mensal do montante referente ao valor dos contratos, sendo assim, a quota que gera o crédito é mensal e tem como base de cálculo a proporção do valor do contrato, conforme prevê o Decreto supracitado. Por fim, a contribuinte requer o direito de ressarcirse dos créditos da contribuição para o Cofins, relativos ao 2º trimestre do ano de 2006, no tocante as despesas realizadas com a aquisição de floresta com contrato, exploração de floresta e manutenção de máquinas e frete na aquisição. A Resolução CARF nº 3401000.535 proferida em 17/07/2012, por composição pretérita deste colegiado, houve por bem converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: (...) quanto à amortização da floresta adquirida, para que se resolva esta lide é necessária diligência para se averiguar o montante exato que adentrou o estoque da empresa, proveniente da floresta adquirida e que foi utilizado na fabricação do produto final, tendo em vista o princípio da verdade material, uma vez que tratase de matéria prima utilizada diretamente no processo produtivo. Frente a todo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que se averigúe o montante referente ao frete de insumos e à madeira proveniente da floresta adquirida que foram utilizadas no processo produtivo, durante o período de vigência do contrato, bem como os valores gastos com a manutenção do maquinário e a extração da madeira. Cientificandose a contribuinte, do resultado para, caso queira, se manifestar no prazo de 30 dias. Em 24/10/2013, foi proferido o relatório de diligência que recalculou os créditos da contribuinte relativos à Cofins nãocumulativa, apurados nos meses abril, maio e junho/2006 (2º trimestre/2006) e objetos do Pedido de Ressarcimento nº. 01886.23499.240806.1.1.090893, transmitido em 24/08/2006, com a reversão das glosas levadas a efeito no Despacho Decisório SAORT/DRF/BLU de fls. 512/540, relativas aos montantes: (i) referentes aos fretes no transporte da madeira das florestas até a fábrica, para utilização no processo produtivo; (ii) extratos referentes às madeiras provenientes das florestas, que adentraram o estoque da empresa e foram efetivamente utilizadas como matériaprima diretamente no processo produtivo; (iii) gastos com a manutenção do maquinário; e (iv) gastos com os serviços empregados na extração da madeira, o que modificou o montante de crédito passível de reconhecimento, de R$162.621,27, conforme apuração DRJ (fl. 649), para R$200.928,31. Em 20/01/2014, a contribuinte protocolou manifestação sobre o relatório de diligência requerendo o direito ao reconhecimento do crédito do montante despendido também com o (i) transporte de vidros e chapas e (ii) com o total das florestas adquiridas por meio de contrato e utilizado no processo produtivo. É o Relatório. Voto Fl. 871DF CARF MF Processo nº 13971.720015/200818 Resolução nº 3401001.518 S3C4T1 Fl. 872 8 Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Partese da premissa de que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos das contribuições devem estar ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados, de forma identificável, na venda de mercadorias ou serviços, contribuindo para geração de receitas, restando infenso a qualquer questionamento o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção (direto ou indireto), nos termos do quanto preceituado pelo Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em 22/02/2018, em sede de recurso representativo de controvérsia, que considerou como insumo aquilo que atende à essencialidade (essencial como o indissociável do processo produtivo) ou relevância (aquilo que, embora prescindível à fabricação do produto ou à prestação do serviço, integra o processo produtivo, seja em decorrência das especificidades deste processo, ou de imposição legal à atividade produtiva desempenhada pela pessoa jurídica) do bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica da contribuinte. Em síntese, tratase da análise de Pedido de Ressarcimento de créditos em que a contribuinte alega que a aquisição de florestas com contrato, na manutenção de máquinas, do serviço de extração de madeiras, e o frete na aquisição de insumos, são fatos geradores de créditos. Conforme abaixo se transcreve, assiste razão à contribuinte nos seguintes termos: "(...) No que tange aos gastos com manutenção de máquinas, o argumento da contribuinte deve prevalecer, uma vez que estes insumos não entram em contato com o produto em fabricação, entretanto, existe o desgaste causado por este produto no maquinário. Quanto ao serviço de extração, este é fato gerador de créditos, uma vez que cumpre os requisitos da regra matriz, mesmo sendo uma etapa pré produtiva, está envolvido diretamente com o produto final, tendo em vista que este insumo fornece a matériaprima que é utilizada no processo, portanto, a extração é um insumo da cadeia produtiva, pois, o material extraído sofre alterações físicas e químicas. (...) O frete, neste caso, pode ser enquadrado nos sentidos econômicos e funcionais da palavra “insumo” por ser um fator envolvido na produção, bem como integrar o processo de produção da mercadoria, portanto fazendo parte do processo de produção final do produto. (...) serviços de locomoção de bens entre departamentos da empresa, que façam com que a madeira vá em direção à utilização que lhe seja própria, são serviços que geram créditos de PIS" (seleção e grifos nossos). . Segundo se depreende da diligência efetuada, os valores lançados a crédito em conta de Exaustão Acumulada de Reservas Florestais (título no balancete: “EXAUSTÇO ACUM.RES.FLOREST”), em abril e maio/2006, são apurados meramente com base em Fl. 872DF CARF MF Processo nº 13971.720015/200818 Resolução nº 3401001.518 S3C4T1 Fl. 873 9 proporções de prazo contratual ou se representam montantes exatos que adentraram o estoque da empresa, nas respectivas competências. Foi esclarecido que decorrem de estimativas feitas com base em quantidade de árvores, pesos estimados e preço unitário destas, não correspondendo a quantidades e valores retratados nos documentos fiscais de transferências destas para a fábrica, operações sob o CFOP 1.151, “Transferência para industrialização”. Inclusive, em específico quanto a maio/2006, no qual foi contabilizado o valor mais expressivo (R$ 712.073,89), sequer houve movimentação de árvores, pois a floresta já se encontrava exaurida, de sorte que tal lançamento visou “exaurir um valor desse contrato”, nos termos utilizados pela contribuinte Foi entregue, ainda, pela contribuinte, a relação de Notas Fiscais dos montantes exatos correspondentes às árvores que adentraram os estoques da empresa, provenientes de floresta adquirida, e que foram utilizadas como matéria prima diretamente no processo produtivo, na fabricação dos produtos finais, em um total de 44 notas de entrada, de emissão da própria empresa, em abril/2006, relativas a operações sob o CFOP 1.151, que se referem a madeira trazida da Fazenda Alto da Serra, situada no Município de Lontras/SC. Quanto aos montantes gastos com manutenção de maquinário, a autoridade fiscal não identificou dentre os documentos fiscais acostados pela contribuinte (fls. 578 e 579/619) algum que correspondesse a gastos com manutenção de maquinário, restando portanto prejudicada eventual apuração tendente a reversão de glosa a tal título. Com relação aos montantes gastos com serviços empregados na extração da madeira, o questionamento da contribuinte se referia a operações objeto de documentos fiscais cujas cópias já constavam dos autos, às fls. 578 e 579/619, tendo a autoridade fiscal procedido à intimação unicamente para obter esclarecimento respeitante a alguns deles, nos quais havia dúvidas quanto a trataremse de serviços empregados na extração da madeira, em um total de 5 notas fiscais, que totalizam R$ 13.796,20. Tais considerações levaram a unidade a recalcular o montante de crédito passível de reconhecimento, de R$162.621,27, nos termos do quanto decidido pela primeira instância administrativa, para R$ 200.928,31. Contudo, ao se perscrutar a respeito especificamente do transporte de cargas, de fato se extrai da planilha juntada pela recorrente para atender à Resolução em referência e à determinação da autoridade diligenciante, foram incluídos no pedido de ressarcimento de crédito os valores despendidos com o transporte (frete) de bens como “Vidros” e “Chapas”, montantes estes glosados. Não haveria lógica em se deferir o crédito respeitantes ao gasto com o deslocamento da madeira até a fábrica e se negar aos vidros e às chapas, uma vez que inequivocamente se está diante de matéria prima utilizada diretamente no processo produtivo: insumos, assim como é insumo o frete cobrado pela transportadora, uma vez que se está diante de fabricante de portas e painéis, produtos para os quais o vidro e as chapas representam essencial matéria prima. Assim, devem ser igualmente reconhecidos os valores referentes ao transporte de tais itens. Por outro lado, a Resolução em referência determinou a apuração do montante de árvores adquiridas por contrato efetivamente utilizado no processo produtivo, bem como quanto adentrou no estoque da empresa: A recorrente juntou várias notas fiscais relativas ao período. O que se percebe, entretanto, é que a autoridade administrativa teria glosado todo o valor não constante nas notas fiscais. Ou seja, apesar de ter “exaurido” ou “amortizado” todas as árvores adquiridas no contrato, Fl. 873DF CARF MF Processo nº 13971.720015/200818 Resolução nº 3401001.518 S3C4T1 Fl. 874 10 isto é, 55 mil árvores, a autoridade fiscal, como elegeu as notas fiscais como meio hábil de comprovação de entrada no estoque, considerou apenas o que delas constou De fato, há de se manter em mente a disposição do art. 328 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/1999), que confere o direito ao creditamento: Art. 328. A quota anual de amortização do valor dos direitos contratuais de exploração de florestas terá como base de cálculo o valor do contrato e será calculada em função do prazo de sua duração (DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 5º e § 1º). § 1º Opcionalmente, poderá ser considerada como data do início do prazo contratual, para os efeitos do disposto neste artigo, a do início da efetiva exploração dos recursos (DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 5º, § 2º). § 2º Ocorrendo a extinção dos recursos florestais antes do término do prazo contratual, o saldo não amortizado poderá ser computado como custo ou encargo do período de apuração em que ocorrer a extinção (DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 5º, § 3º). § 3º As disposições deste artigo não se aplicam aos contratos de exploração firmados por prazo indeterminado (DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 5º e § 4º). Assim, se a amortização é realizada com base em estimativa, o saldo, quando extintos os recursos antes do término do prazo contratual, poderá ser computado como custo ou encargo do período de apuração em que ocorrer a extinção, ainda que em uma só parcela, sendo de todo irrelevante se considerar o montante que adentrou no estoque com base nas notas fiscais, pois o que importa é que, no período de apuração, os recursos florestais foram todos extintos. Neste sentido, a manifestação da contribuinte, sendo relevante destacar o seguinte trecho, por pertinente: (...) como explicou a recorrente na resposta ao “termo de intimação”, o valor constante das notas fiscais não corresponde exatamente com o valor das notas de transferência lançadas no CFOP 1.151 por que se fez uma estimativa de quanto o total de árvores adquiridas representaria em toneladas e, as notas fiscais foram emitidas com base no peso. Daí, por conta do equívoco na estimativa realizada, no final do mês de abril já não havia mais madeira para ser extraída, e ainda faltava exaurir um valor relativo ao contrato. Por isso que o valor de exaustão no mês de maio não tem nota fiscal correspondente no CFOP 1.151. O que ocorre, porém, é que mesmo sem nota fiscal para esse mês, o valor do contrato foi totalmente exaurido; restou comprovado no processo, contabilmente, pelo livro razão, por exemplo, que houve a extração total no período. Assim, deve ser considerado como extraído e utilizado no processo produtivo todo o montante relativo à floresta adquirida por contrato Assim, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos exatos e precisos termos do resultado de diligência, na manutenção de máquinas, do serviço de extração de madeiras, e o frete na aquisição de insumos, aos quais qual deve ser acrescido o direito ao crédito do montante despendido Fl. 874DF CARF MF Processo nº 13971.720015/200818 Resolução nº 3401001.518 S3C4T1 Fl. 875 11 também com o transporte de vidros e chapas e com o total das florestas adquiridas por meio de contrato. Em que pese em um primeiro momento entender pelo provimento parcial ao recurso voluntário, nos exatos e precisos termos do resultado de diligência, na manutenção de máquinas, do serviço de extração de madeiras, e o frete na aquisição de insumos, aos quais qual deve ser acrescido o direito ao crédito do montante despendido também com o transporte de vidros e chapas e com o total das florestas adquiridas por meio de contrato, necessário, antes, procederse à verificação da identidade de matérias discutidas nos âmbitos judicial e administrativo, tendo em vista a notícia da ação ordinária (Processo nº 500358476.2013.404.7213), em trâmite na 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária do Rio Grande do Sul, motivo pelo qual entendo não estar o presente processo apto a julgamento. Assim, voto por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Para que a unidade verifique e certifique a concomitância, total ou parcial, da matéria submetida ao presente contencioso com relação àquela discutida na ação ordinária (Processo nº 500358476.2013.404.7213), em trâmite na 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária do Rio Grande do Sul; (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 875DF CARF MF
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Numero do processo: 16643.000277/2010-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente).
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora
(assinado digitalmente).
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Sergio Abelson, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano, Eduardo Morgado Rodrigues, Lívia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente). Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora (assinado digitalmente). Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Sergio Abelson, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano, Eduardo Morgado Rodrigues, Lívia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1629.968 5a Turma da DRJ/SP1, que por unanimidade de votos julgou IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo integralmente o crédito lançado. A acusação fiscal diz respeito a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurada no ano calendário 2005, uma vez que a Contribuinte teria realizado ajustes de Preço de Transferência em montante inferior ao devido, posto que ela teria calculado indevidamente os ajustes de preço de transferência com base no método preço de revenda menos lucro de 60% (PLR 60) previsto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 43 .0 00 27 7/ 20 10 -9 7 Fl. 939DF CARF MF Processo nº 16643.000277/201097 Resolução nº 1401000.595 S1C4T1 Fl. 939 2 pela IN 243/2002, utilizado o custo FOB, ao invés do custo CIF adicionado do Imposto de Importação para calcular o preço praticado nas importações e teria realizado a dedução de despesas financeiras do preço praticado sem a correspondente comprovação. Durante o lançamento foi observado que a Contribuinte questionou a legalidade do cálculo do preço de transferência previsto pela IN 243/2002 no Mandado de Segurança 2004.61.05.0147098 10a. Vara Cível de São Paulo, o qual teve sentença procedente no sentido de conceder a ordem pleiteada para afastar a aplicação da Instrução Normativa n. 243/2002. Contra o lançamento foi apresentada impugnação na qual questionouse a que: i) as autoridades fiscais se equivocaram no ajuste calculado para 23 produtos objeto da autuação, uma vez que tais produtos tiveram seu consumo indevidamente duplicado, bem como porque ii) na eventualidade da aplicação da IN/SRF 243/2002 para aplicação do método PRL 60. Apreciados os argumentos da impugnação o lançamento foi mantido sob o entendimento de que não foram apresentados os documentos necessários para comprovar o equivoco no ajuste realizado para os 23 produtos, bem como para suportar a aplicação do método PIC, bem como que a impugnação não poderia ser conhecida na parte em que questiona a legalidade da IN SRF 243/2002, uma vez que a discussão na esfera judicial. Inconformada, apresentou Recurso Voluntário requerendo o sobrestamento do feito até o deslinde do Mandado de Segurança n. 2004.61.05.0147098 e na hipótese de sobrevir decisão desfavorável à contribuinte ou rejeitarse o sobrestamento, que seja retificado o valor do ajuste de preço de transferência pretendido pelas autoridades fiscais, em vista da exclusão de alguns produtos, ou considerado o método PIC para o cálculo dos ajustes de preços de transferência, por ser o método mais favorável. Informo que em pesquisa de andamento dos autos do Mandado de Segurança n. 2004.61.05.0147098, conta a informação no sentido de a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em julgamento realizado em 06/09/2017, por unanimidade, negar provimento à remessa oficial, para manter a sentença proferida pelo juízo da 10 Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo, contudo, o julgamento ainda não se tornou definitivo em razão de discussão veiculada em sede de Recurso Especial proposto pela União Federal em 23/07/2018. Andamento em 16/10/2018: <<http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?numero Processo=00147099720044036105>> É o relatório do essencial. Voto. Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Fl. 940DF CARF MF Processo nº 16643.000277/201097 Resolução nº 1401000.595 S1C4T1 Fl. 940 3 Preliminar de sobrestamento em razão de matéria contestada judicialmente. Conforme relatado a Recorrente questionou a legalidade do cálculo do preço de transferência previsto pela IN 243/2002 no Mandado de Segurança 2004.61.05.0147098 10a. Vara Cível de São Paulo, o qual teve sentença procedente no sentido de conceder a ordem pleiteada para afastar a aplicação da Instrução Normativa n. 243/2002, sentença essa confirmada pela Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em julgamento realizado em 06/09/2017, nos termos do Acórdão n. 21929/2017, embora ainda pendente de análise de Recurso Especial proposto pela União Federal, o Acórdão TRF3 restou assim ementado: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTAÇÃO EM TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS VINCULADAS. METODOLOGIA DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. IN Nº 243/2002. ILEGALIDADE. 1.Tratandose de transações internacionais entre pessoas jurídicas vinculadas, a tributação dáse através do conceito "preço de transferência", sob a metodologia, no caso da impetrante, do "Preço de Revenda menos Lucro". 2. À guisa de complementar a disposição legal regente do assunto, sobrevieram instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, incluindo a IN nº 243/2002, que flagrantemente extrapolou o poder regulamentar que lhe é outorgado, logo, patente a ofensa ao princípio da reserva da lei formal. 3. Filiome ao entendimento existente nesta E.turma no sentido de que as IN/SRF nº 32/2001 e a IN 243/02 mantiveram em comum que o preço de transferência pelo método PRL da Lei nº 9430/96, com a redação da Lei 9.959/2000, é o resultado do preço de revenda menos descontos incondicionais, impostos, comissões e o percentual de sessenta por cento. Porém, são completamente distintas no que se refere à forma de obtenção da margem de lucro de sessenta por cento, que a primeira simplesmente determina que incida sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado no país, ao passo que a segunda obriga a apuração do percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, para então aplicálo sobre o preço líquido de venda e, assim, obter a participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido. Não se cuida de um mero detalhamento ou explicitação de conceitos, como alega o fisco, mas em clara modificação da sistemática legal e, mais grave, de modo a indevidamente majorar o tributo, em afronta aos artigos 5º, 150, inciso I, CF e 3º, 97, incisos II e III, §1º, e 114 do CTN. 5.A edição da Lei nº 12.715, em 17 de setembro de 2012, que deu nova redação ao artigo 18 da Lei 9430/96 e revogou a dada pela Lei 9.959, de 27/01/2000, expõe de modo cabal que a Instrução Normativa nº 243 havia desbordado desta última, porquanto o legislador encampou inteiramente com praticamente texto idêntico o que a regulamentação havia indevidamente antecipado. 6. Remessa oficial desprovida. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 16643.000277/201097 Resolução nº 1401000.595 S1C4T1 Fl. 941 4 ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento à remessa oficial, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 06 de setembro de 2017. MARCELO SARAIVA Desembargador Federal Relator Desta maneira, fácil perceber que a questão relativa a legalidade da IN SRF 243/2002, embora tenha sido objeto de pacificação por este Tribunal Administrativo, nos dizeres da Súm. CARF 115: Súmula CARF Nº 115 A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. Ela esta judicializada, o que impede que este colegiado tome conhecimento da matéria, nos termos da Súm. CARF n. 01. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Desta maneira, ainda que a questão relativa a legalidade da IN SRF 243/2002 esteja pacificada neste Conselho, entendo que há impedimento ao seu conhecimento, não sendo sequer o caso de sobrestarse os autos. Razão pela qual, afasto a preliminar relativa ao pedido de sobrestamento. Mérito. Erro de cálculo utilização de quantidades de consumo duplicadas. A recorrente alega ter demonstrado em sua impugnação que as autoridades fiscais computaram para determinados produtos, uma quantidade de consumo duplicada, o que acabou por resultar em um aumento indevido no valor do ajuste do preço de transferência, o que não foi acolhido pela DRJ, pois considerou que as autoridades fiscais teriam considerado a quantidade consumida informada pela própria recorrente e que esta não teria apresentado qualquer documentação para suportar tal alegação de equívoco. Em sede de Recurso Voluntário, esclarece melhor a questão e aponta a título de exemplo, erro que pode ser constado através dos documentos anexados no próprio processo administrativo, onde aponta o documento de fls. 40/167 contendo a listagem de todos os bens, serviços e direitos importados no ano de 2005, detalhando a quantidade consumida dos bens importados. Fl. 942DF CARF MF Processo nº 16643.000277/201097 Resolução nº 1401000.595 S1C4T1 Fl. 942 5 Dentre os bens listados pela Recorrente, consta o produto "Contraeixo de ação de transmissão", código 020795VA, com uma quantidade consumida que totaliza 5.514,015: Contudo, em relação a esse item demonstra a Recorrente que as autoridades fiscais consideraram para o cálculo do ajuste do preço de transferência, a quantidade de R$ 11.028,000, conforme planilha que fundamentou a autuação: Desta forma, no que tange a este item, resta demonstrado pela recorrente que as informações consideradas pelas autoridades fiscais, implicaram no cômputo duplicado do consumo para os produto "Contraeixo de ação de transmissão", código 020795VA, o que implicou em erro de cálculo no momento do ajuste de preço de transferência. Assim, uma vez demonstrado tal equívoco alegado e havendo indícios de que tal situação pode ter ocorrido também em relação aos demais produtos listados pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, entendo por bem converter os autos em diligência a fim de que a unidade de origem possa recalcular os erros apontados em relação aos 20 item que aponta terem sido objeto de cálculo duplicado. Da escolha do método mais favorável. A recorrente alega que na impugnação apresentou método diferente de apuração que seria a ela mais benéfico e protesta pela existência de método de apuração de ajustes mais Fl. 943DF CARF MF Processo nº 16643.000277/201097 Resolução nº 1401000.595 S1C4T1 Fl. 943 6 benéfico e que a alteração do método poderia ser realizada em benefício do contribuinte, mesmo após o encerramento do procedimento de fiscalização. Para isso apresenta os métodos que entende serem mais benéficos para a empresa em relação aos cálculos dos ajustes de preços de transferência. Acrescenta que solicitou a aplicação do método PIC em sede re recurso, no entanto a autoridade fiscal e a DRJ não aceitaram a solicitação sob a argumentação de que a apresentação de novo método mais favorável somente poderia ter sido realizada durante o procedimento fiscalizatório e não durante a fase recursal. Da análise das normas que tratam da apuração e realização de ajustes de preços de transferência, verificamos que o art. 18, § 4º, da Lei nº 9.430/96, estabelece a possibilidade de utilização de mais de um método para a realização de cálculo dos ajustes. “Artigo 18 Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subsequente.” Ora o permissivo legal aponta o direito de o contribuinte realizar a apuração por mais de um método a fim de, ao final, verificando o método que lhe é mais favorável, aplicálo para fins de realização dos ajustes. Contudo, temse nos autos que durante o processo de fiscalização não lhe foi conferida oportunidade para tanto, conforme por ele reclamado em sede de Recurso Voluntário. Desta maneira, afim de prevenir qualquer eventual cerceamento de defesa, aproveitando que os autos serão baixados em diligência para que a unidade de origem possa confrontar os erros de calculo duplo apontados pela contribuinte, seja também a ela oportunizada a possibilidade de demonstra de forma pertinente que o método PIC lhe era mais favorável, nos moldes do art. 18, § 4º, da Lei nº 9.430/96. Ante o exposto, voto pela conversão do processo em DILIGÊNCIA, nos seguintes termos: 1 a unidade de origem promova o confronto do erros apontados pela Recorrente em relação aos 20 item que aponta terem sido objeto de cálculo duplicado e se for o caso, apontar os corretos valores das operações. 2 Oportunizar à contribuinte a possibilidade de demonstrar de forma pertinente que o método PIC lhe era mais favorável, nos moldes do art. 18, § 4º, da Lei nº 9.430/96. Devendo ao final, a autoridade fiscal elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder Fl. 944DF CARF MF Processo nº 16643.000277/201097 Resolução nº 1401000.595 S1C4T1 Fl. 944 7 prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. É o meu voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Fl. 945DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720773/2013-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009, 01/12/2009 a 31/12/2009
PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR CONCEDIDA A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO OU PRÊMIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar, caracterizados como verdadeiros prêmios ou gratificações que assumem caráter remuneratório.
Numero da decisão: 9202-007.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento.Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) não votou quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Ana Paula Fernandes na reunião anterior.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada),
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar, caracterizados como verdadeiros prêmios ou gratificações que assumem caráter remuneratório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento.Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) não votou quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Ana Paula Fernandes na reunião anterior. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 73 /2 01 3- 47 Fl. 869DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Relatório O presente lançamento compreende os autos de infração nº 51.014.8646 (apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas), nº 51.014.8654 (contribuição da empresa e a destinada ao financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa e nº 51.014.8662 (contribuição destinada a terceiros/outras entidades) nas competências 07/2009 e 12/2009. O lançamento teve por fato gerador o pagamento de valores aportados como Contribuição Complementar dos empregados do nível Executivo para o plano de previdência complementar denominado PédeMeia (levantamento CC2). De acordo com o Relatório Fiscal, os referidos pagamentos foram considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária, haja vista a desproporcionalidade entre os aportes da empresa para os funcionários executivos e para os demais colaboradores (contribuição complementar). A multa aplicada, referente ao AI nº 51.014.8646 foi apurada conforme previsto no art. 32A, “caput”, inciso I e §§ 2º e 3º, incluídos pela Lei 11.941/2009 e corresponde a R$ 20,00 para cada grupo de até 10 informações incorretas/omitidas (ou fração) observada a multa mínima de R$ 500,00 por competência. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ) I julgado improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. Em sessão plenária de 08/08/2017, foi dado provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2202004.086 (fls. 791/806), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009, 01/12/2009 a 31/12/2009 PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. FALTA DE ISONOMIA NAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. ISENÇÃO. De conformidade com o artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, o exclusivo pressuposto legal para afastar a tributação dos valores Fl. 870DF CARF MF Processo nº 16682.720773/201347 Acórdão n.º 9202007.202 CSRFT2 Fl. 3 3 pagos aos empregados e dirigentes a título de previdência privada é a extensão à totalidade dos funcionários, inexistindo qualquer vedação legal à inexistência de isonomia entre os aportes, não podendo o aplicador da lei conferir interpretação que não decorre do bojo da própria norma legal. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 11/09/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 22/09/2017, Recurso Especial (fls. 808/816). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido, mantendose o lançamento em sua totalidade. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 2ª Câmara, de 25/10/2017 (fls. 825/829), considerados os acórdãos 2302000.074 e 2301 004.258. · Em seu recurso a Fazenda Nacional expõe como a Seguridade Social é financiada (art. 195 da Constituição Federal) e define os contornos da base de cálculo da contribuição previdenciária (art. 201 também da CF) e argumenta que a interpretação conjunta desses dois dispositivos legais leva à conclusão de que o termo “folha de salários”, para efeito do cálculo da contribuição para a Seguridade Social, abrange não somente salário, no sentido estrito do termo, mas o quantum total efetivamente pago, devido ou creditado ao empregado em razão do contrato de trabalho, independentemente da titulação atribuída à parcela salarial ou remuneratória. · Afirma que a Lei nº 8.212/91, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, estabelece que a base de cálculo da contribuição previdenciária é composta pela totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados aos empregados a qualquer título; e que no caso das parcelas pagas pelo empregador ao empregado, a título de previdência complementar, somente não haverá incidência da exação quando o programa em questão for oferecido à totalidade de seus empregados, sem qualquer exceção, o que inclui o tratamento diferenciado (art. 28, §9º, “p”, da Lei n.º 8.212/91). · Enfatiza que esse preceptivo legal citado, a teor do artigo 111 do Código Tributário Nacional e face seu caráter isentivo, deve ser interpretado literalmente, não comportando exegese ampliativa por parte do aplicador da norma. · Lembra que na hipótese dos autos, é cristalino que o programa implantado pela empresa não é ofertado igualmente a todos aqueles que compõem o seu quadro funcional e que, dessa forma, por não ter cumprido a empresa os requisitos para gozo da isenção, imperiosa a manutenção da exigência sobre os benefícios da previdência privada. Cientificado do Acórdão nº 2202004.086, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 09/11/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem – fl. 834), o contribuinte apresentou Fl. 871DF CARF MF 4 contrarrazões (fls. 842/859), em 24/11/2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada à folha 840, portanto, tempestivamente. · Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que não se verificou a similitude entre as situações fáticas do paradigma analisado e a do acórdão recorrido, razão pela qual o Recurso Especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido. · Argumenta que a alínea "p" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 isenta de contribuição previdenciária os valores pagos através da previdência complementar quando o pagamento ou crédito observar um único requisito: que o plano de previdência complementar seja disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. · Entende que cumpriu este único requisito e que o critério adotado pela auditoria fiscal quanto à desproporcionalidade entre os valores das contribuições portadas pelo contribuinte a funcionários de nível executivo e aquelas portadas aos demais segurados, não possui qualquer amparo legal. · Argui a ausência de fundamento no pleito da Fazenda Nacional, visto que a partir da interpretação literal da norma isentiva, o único requisito estabelecido é que o plano de previdência complementar seja oferecido à totalidade dos funcionários. · Assim, requer que não seja conhecido o Recurso Especial interposto, ou ainda, sucessivamente, sejalhe negado provimento. É o relatório. Fl. 872DF CARF MF Processo nº 16682.720773/201347 Acórdão n.º 9202007.202 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 825/859. Contudo, havendo questionamento acerca do conhecimento passo a apreciar a questão. Do conhecimento Cumpre esclarecer, ante a alegação do contribuinte de que os acórdãos apresentados como paradigmas não possuem a similitude fática com o acórdão recorrido, que quanto ao primeiro paradigma, assistelhe razão, como reconhecido no próprio despacho de admissibilidade. No que tange ao segundo paradigma, entretanto, não concordo com o contribuinte. Em que pese o contribuinte trazer em suas alegações minúcias do plano de previdência complementar que foi objeto de análise no segundo paradigma, o cerne da questão é se nos dois casos foram oferecidos planos diferenciados entre os empregados. Conforme se depreende do trecho abaixo, extraído do acórdão 2301004.258, de 13/05/2015, percebese que o que motivou o lançamento naquele caso, foi a ausência de isonomia entres os empregados no fornecimento do plano de previdência complementar, tal qual se verificou no acórdão recorrido: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2008 Autos de Infração DEBCAD’s n°s 37.258.8425, 37.258.8433, 37.248.8417 Consolidados em 14/12/2011 EQUÍVOCOS JURÍDICOS CONSUMADOS NA DECISÃO DE PISO. AUSÊNCIA DE TRATAMENTO ISONÔMICO AOS SEUS EMPREGADOS. Decreto 3.048/99 que atualizou e regulamentou a Previdência Social, Artigo 1°, I, diz que a seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinado a assegurar o direito relativo à saúde, à previdência e à assistência social, atendendo, sobretudo, a diretrizes da universalidade da cobertura e do atendimento. Havendo distinção de planos de seguros, de previdência, de aposentadoria e outros quejandos, entre funcionários de uma mesma empresa, não pode ser considerado tratamento Fl. 873DF CARF MF 6 isonômico. Isto porque a etimologia da palavra temse que "isonomia", implica em: "iso", igual + "nomos", lei + "ía", abstrato e significa, literalmente, lei que igual, que estabelece a justiça mediante a igualdade de direitos a todos usando os mesmos critérios. No presente caso alega a Recorrente que houve equívoco jurídico na decisão de piso, eis que a falsa premissa de que ela deixou de tratar isonomicamente todos seus funcionários, privilegiando 29 que ocupam cargo diretivo, é equivocada, e por isto desaguou no presente lançamento. Todavia, há nos autos provas inequívocas de que houve tratamento diferenciado aos funcionários de maior gradação, já que seus planos complementares não era extensivo a todos. E, ficando comprovado a diferença de tratamento entre funcionários não há de aplicar o disposto no artigo 28, § 9°, alínea P, eis que cristalino ao determinar que o plano será considerado como complementar e não incidente de contribuição previdenciária desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes.(g.n.) Quando analisamos o teor da ementa do acórdão recorrido, de pronto já nos é possível vislumbrar a possibilidade de conhecimento do recurso, posto que, se levássemos a matéria em discussão no acórdão recorrido ao colegiado do paradigma, poderseia obter o mesmo resultado do paradigma. Vejamos o teor da ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009, 01/12/2009 a 31/12/2009 PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. FALTA DE ISONOMIA NAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. ISENÇÃO. De conformidade com o artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, o exclusivo pressuposto legal para afastar a tributação dos valores pagos aos empregados e dirigentes a título de previdência privada é a extensão à totalidade dos funcionários, inexistindo qualquer vedação legal à inexistência de isonomia entre os aportes, não podendo o aplicador da lei conferir interpretação que não decorre do bojo da própria norma legal. Assim, concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão Do mérito Previdência Privada Inexistência de isonomia entre categorias de empregados. O lançamento em questão teve por fato gerador o pagamento de valores aportados como contribuição complementar dos empregados do nível Executivo para o plano de previdência complementar denominado PédeMeia. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 16682.720773/201347 Acórdão n.º 9202007.202 CSRFT2 Fl. 5 7 O que levou a auditoria fiscal a efetuar o lançamento foi a desproporcionalidade entre os aportes da empresa para os funcionários executivos e para os demais colaboradores o que ensejou a caracterização de remuneração indireta. Os valores pagos a título de previdência privada não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária, desde que não sejam caracterizados como instrumento de incentivo ao trabalho. O benefício da previdência complementar tem previsão constitucional no artigo 202 da Constituição Federal de 1988, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98, abaixo transcrito: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). A Lei nº 8.212/1991, art. 28, § 9º, alínea "p", estabelece o seguinte: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT Por sua vez, o art. 9º da CLT mencionado no dispositivo acima transcrito, versa o seguinte: Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação Ou seja, resta claro que só não deve integrar a remuneração do empregado e, conseqüentemente, o conceito de salário de contribuição, as contribuições destinadas pelo empregador à título de previdência complementar desde que baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal e que a forma como sejam ofertados não desnature a natureza de previdência complementar. Fl. 875DF CARF MF 8 Em que pese o acórdão recorrido apresentar o entendimento de que não há vedação na lei a que se ofereça planos diferenciados entre os empregados, entendo que um plano de previdência complementar não pode ser utilizado como forma de remuneração indireta. Assim, o lançamento efetuado não teve por fundamento apenas o fato de o contribuinte ter fornecido planos de previdência privada diferenciados para alguns empregados, mas e, principalmente, pelo fato de os valores pagos aos executivos ser tão superior àqueles pagos aos demais empregados que desnaturou o conceito de previdência privada, passando a se caracterizar como verdadeira remuneração paga sob o manto de uma verba isenta. A discrepância fica visível quando se analisa as cláusulas do Contrato de Adesão, Termo Aditivo 02, referente ao Programa de Previdência Globopar (PPG). Tal programa é composto dos Planos A e B, sendo que o primeiro é o oferecido a todos os colaboradores, no qual a empresa e empregado contribuem igualmente. Já o Plano B, que é o plano destinado aos executivos é custeado somente pela empresa, conforme se verifica nos trechos abaixo colacionados: “CAPÍTULO 3 – CONTRIBUIÇÕES PARA OS PLANOS A E B DE CONTRIBUIÇÃO DEFINIDA 3.1. O custeio do PLANO A, DE CONTRIBUIÇÃO DEFINIDA nos moldes de PLANO GERADOR DE BENEFÍCIOS LIVRES, será efetuado mediante contribuições dos PARTICIPANTES e da INSTITUIDORA, devidas da seguinte forma: 3.1.1. Contribuições do PARTICIPANTE a) Contribuição Básica: Corresponderá a um percentual inteiro do SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO menos 1 URG (Unidade de Referência Globopar), conforme tabela abaixo, a título de serviço futura, paga mensalmente, 12 vezes ao ano: Até 39 anos e 11 meses até 4% (salário – 1URG) De 40 a 44 anos e 11 meses até 6% (salário – 1URG) De 45 a 49 anos e 11 meses até 8% (salário – 1URG) Acima de 50 anos e 11 meses até 10% (salário – 1URG) b) Contribuição Voluntária: O PARTICIPANTE poderá efetuar, a seu exclusivo critério, em valores e periodicidade livres, observado o mínimo de R$ 50,00 (cinqüenta reais). Essas contribuições serão efetuadas exclusivamente pelo PARTICIPANTE, através de desconto em folha de pagamento, ou boleto bancário, não havendo contrapartida da INSTITUIDORA, e serão alocadas em contas individuais denominadas CONTA PARTICIPANTE. 3.1.2. Contribuições da INSTITUIDORA a) Contribuição Básica: A INSTITUIDORA efetuará mensalmente Contribuições Básicas correspondentes a 100% do valor da Contribuição Básica efetuada pelo PARTICIPANTE, de acordo com a alínea ‘a’ do item 3.1.1. do presente Capítulo. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 16682.720773/201347 Acórdão n.º 9202007.202 CSRFT2 Fl. 6 9 3.2. O custeio do PLANO B, de CONTRIBUIÇÃO DEFINIDA nos moldes de FUNDO GERADOR DE BENEFÍCIOS, será efetuado mediante contribuições da INSTITUIDORA, devidas da seguinte forma: a) Contribuição Extraordinária: A INSTITUIDORA poderá, a seu exclusivo critério, efetuar Contribuições Extraordinárias de valor e freqüência livres, observada a legislação pertinente.” (g.n.) Da simples leitura, verificase a forma subjetiva como podem se dar as contribuições extraordinárias relativas ao Plano B, eis que podem ser efetuadas a critério da empresa, com valor e frequência livres. Além disso, no Plano B, o custeio dos aportes é 100% suportado pela empresa. Conforme todos os pontos trazidos, fica clara a natureza remuneratória, seja na forma de gratificação, prêmio, ou qualquer outra nomenclatura que se queira dar, aos valores aportados ao “plano de previdência privada” dos executivos. Embora os argumentos apresentados acima, no entender desta relatora já seriam suficientes para determinar a incidência de contribuições previdenciárias por terem sido desnaturados os pagamentos a luz da legislação, pela impossibilidade de exclusão do benefício ao salário de contribuição, entendo pertinente, embora não argumentado pelo sujeito passivo em contrarrazões apreciar a questão a luz da Lei Complementar nª 109/2001. Com relação aos valores pagos a título de previdência privada complementar, a Recorrente alegou em seu recurso que tais valores não integram o salário de contribuição por força do art. 202 da Constituição Federal/88 e art. 68 da Lei Complementar (LC) 109/20011, e afirma que seria inaplicável a disposição do art. 28, §9°, alínea “p”, da Lei 8.212/1991, uma vez que esta disposição estaria em confronto com o ordenamento jurídico. Contudo, embora essa legislação não tenha fundamentado o provimento, entendo que deva ser enfrentada frente ao caso concreto. Inicialmente, em razão da possibilidade de se aplicar mais de uma lei perante um mesmo caso, os critérios clássicos de resolução do conflito sempre prezaram pela exclusão de uma das leis (critério hierárquico, critério da especialidade e 1 Lei Complementar (LC) 109/2001: Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. § 1o Os benefícios serão considerados direito adquirido do participante quando implementadas todas as condições estabelecidas para elegibilidade consignadas no regulamento do respectivo plano. § 2o A concessão de benefício pela previdência complementar não depende da concessão de benefício pelo regime geral de previdência social. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Fl. 877DF CARF MF 10 critério cronológico), e não pela conformação de todas as existentes na busca de tutelar a relação jurídica posta na melhor forma possível, tornando o sistema jurídico harmônico. Sobre o tema, a regra estampada no §2° do art. 2° da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), Decreto 4.657/1942, com redação dada pela Lei 12.376/2010, estabelece que a lei nova nem sempre revoga ou modifica a lei anterior, ainda que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes. Decreto 4.657/1942 – Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, com redação dada pela Lei 12.376/2010: Art. 2°. (...) §2° A lei nova, que estabeleça disposições gerias ou especiais a para das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. Percebese que a regra do citado §2° deixa bem clara a visão de sistema jurídico e, por consectário lógico, a necessidade de o Direito ser analisado como um todo, e isso viabiliza a aplicação conjunta das normas estampadas na Lei 8.212/1991 e na Lei Complementar 109/2001, já que ambas as leis tratam do sistema previdenciário. Assim, a regra do art. 28, §9°, alínea “p”, da Lei 8.212/1991 deverá ser analisada em conformidade com as regras da Lei Complementar 109/2001, especificamente os artigos 16, 26, 68 e 69 dessa lei, e, por consectário lógico, alinhome ao entendimento proferido no Acórdão no 2402003.661 (sessão de 16/07/2013), processo 10783.723424/201109 (Relator: Julio César Vieira Gomes), adotando a parte pertiente ao presente julgado como razões de decidir. No Relatório Fiscal (fls. 335 e seguintes), o Fisco informa que há valores pagos a título de previdência complementar privada e aberta, nos seguintes termos Fl. 878DF CARF MF Processo nº 16682.720773/201347 Acórdão n.º 9202007.202 CSRFT2 Fl. 7 11 De acordo com o Relatório Fiscal, o Fisco concluiu que “(...) Não se pode perder de vista que as contribuições do patrocinador para o plano privado de previdência representam incremento patrimonial para seus empregados, sendo, portanto, utilidades salariais. Em face disso, integrariam a base de cálculo das exações previdenciárias Assim, extraise desse Relatório que o fundamento fático seria não apenas um tratamento não isonômico adotado pela Recorrente na concessão da previdência complementar privada, mas especialmente valores que desnaturam o conceito de previdencia. Para resolução da questão controvertida nos autos, partiremos de uma análise distinta entre os valores oriundos do regime aberto e os valores oriundo do regime fechado de previdência complementar privada. No que tange aos valores pagos a título de previdência complementar privada no regime aberto, entendese que eles não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária, desde que não sejam caracterizados como instrumento de incentivo ao trabalho (prêmio ou gratificação), entendimento delineado no Acórdão no 2402003.661 (processo 10783.723424/201109), seguem as razões fáticas e jurídicas: “[...] Previdência Complementar Privada em Regime Aberto O benefício tem previsão constitucional no artigo 202, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98; portanto, tratase de imunidade de contribuição previdenciária: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. ... § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). ... Em destaque nas transcrições acima, temse que, atendidos os requisitos da lei, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração e, conseqüentemente, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias. De fato, outra não poderia ser a interpretação. Isto porque somente se pode falar em Previdência Complementar quando suas características estão presentes. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a Previdência Complementar Privada. Para que assim seja considerada e daí não incidirem contribuições previdenciárias devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o Fl. 879DF CARF MF 12 artigo 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Quanto ao artigo 28, §9°, alínea p, parte final, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, portanto anterior mesmo à EC n° 20/98, não tenho dúvida que se houver incompatibilidade com os artigos 68 e 69, §1° da Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, que passaram a regular o artigo 202, §2° da Constituição Federal, restará derrogado, pois além desta última veicular norma tributária especial é posterior àquela: Art. 28 (...) §9° (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (g.n) Apenas como esclarecimento, meu entendimento sobre a expressão: “desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes” já havia sido manifestado no Acórdão n° 20500.176, de 11/12/2007 quando se apreciou a incidência ou não sobre o benefício Plano Educacional. Naquele caso, não havia disposição legal posterior de natureza tributária silente quanto ao requisito, como neste caso; a CLT, regulando relações de trabalho, é que deixava de considerar como salário o benefício, persistindo com isso a parte final do artigo 28, § 9º, alínea “t” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Quanto às exigências para o gozo da isenção de que o benefício não substitua parcelas salariais e seja extensivo à totalidade dos segurados empregados e dirigentes, parte final do dispositivo, entendo que não houve revogação. Isto porque é razoável que a legislação tributária procurasse evitar práticas elisivas, como a pretensiosa redução da base de cálculo por meio da substituição pelo benefício ou mesmo sua disponibilização vinculada à produtividade do empregado, do que o caracterizaria como uma gratificação. Fl. 880DF CARF MF Processo nº 16682.720773/201347 Acórdão n.º 9202007.202 CSRFT2 Fl. 8 13 E não se diga que a falta de previsão dessas exigências na lei posterior tenha sido intencional para a revogação de todo o dispositivo legal da Lei n° 8.212/91. Interessa ao Direito do Trabalho a definição de salário e não as regras periféricas voltadas aos efeitos tributários. As exigências da legislação tributária na parte final do artigo 28, §9°, alínea “t” da Lei n° 8.212/91, ao contrário da parte inicial, não integram a caracterização de alguma utilidade como salário ou não, apenas estabelecem o necessário para gozo da isenção. Retomando ao exame da LC n° 109/2001, selecionamos as principais disposições para este estudo: Lei Complementar nº 109, de 29 de Maio de 2001 Art. 1o O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4o As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas ... Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1o Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. ... Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. Fl. 881DF CARF MF 14 § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. ... CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. ... Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas para que não fiquem espaços vazios na linha de desenvolvimento deste trabalho, lembrase que os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 68 e 69 são apenas partes do estatuto da previdência complementar, veiculado pela LC n° 109/2001. Inicialmente, dispõe a lei que os programas podem ser abertos ou fechados, de acordo com a natureza da entidade de previdência complementar. Após, trata de cada um nas seções que se seguem: na Seção II os programas em regime fechado e na Seção III, regime aberto. Para o primeiro, através de seu artigo 16, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja Fl. 882DF CARF MF Processo nº 16682.720773/201347 Acórdão n.º 9202007.202 CSRFT2 Fl. 9 15 oferecido à totalidade dos empregados, tal como no artigo 28, § 9º, “p” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Portanto, um suposto programa de previdência complementar em regime fechado não oferecido à totalidade dos empregados não pode ser considerado como tal e as contribuições vertidas devem ser tributadas normalmente, eis que carecem de característica essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, faculdade somente possível quando a opção é pelo regime aberto, conforme artigo 26, §3° da lei. Vêse que para o regime fechado, considerando a unidade da lei, não há incompatibilidade com a Lei n° 8.212/1991, apenas que nesta as regras de incidência e abrangência estão em um mesmo dispositivo legal. Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar, artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendêlo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos selecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. Em síntese, temos que para a não incidência de contribuições previdenciárias: a) até o advento da LC n° 109/2001, em quaisquer casos, a empresa tinha que oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes; Fl. 883DF CARF MF 16 b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação. No presente caso sob exame, os fatos geradores ocorreram posteriormente à LC n° 109/2001. Tratandose da modalidade de previdência complementar em regime aberto, de acordo com a tese aqui desenvolvida, não haveria necessidade de disponibilização dos planos de previdência complementar à totalidade dos dirigentes e empregados, desde que a restrição ao benefício seja de forma genérica e impessoal, que é o caso; portanto, os valores lançados são insubsistentes. Portanto, entendo que assiste razão ao recorrente. [...]” (Voto no 2402003.661, sessão de 16/07/2013, processo 10783.723424/201109, Relator: Julio César Vieira Gomes) Neste particular, entendese que os valores concernentes ao regime aberto de previdência complementar privada, desde que não sejam um instrumento de incentivo ao trabalho, como forma de prêmio ou gratificação, poderiam excluídos do presente lançamento fiscal, já que, após a promulgação da Emenda Constitucional 20/1998 e a publicação da Lei Complementar (LC) 109/2001, o Fisco deverá fazer uma análise conglobante2, que consiste na necessidade de analisar a hipótese fática do fato gerador dentro do ordenamento jurídico em geral (conglobando) e não apenas a norma estampada no art. 28, §9°, alínea “p”, da Lei 8.212/1991. Esse entendimento decorre do fato de que os valores pagos a título de previdência complementar privada no regime aberto não estão abarcados pela regra exclusiva da incidência da contribuição previdenciária – prevista no art. 28 da Lei 8.212/1991 –, desde que não sejam caracterizados como instrumento de incentivo ao trabalho, conforme foi delineado no Acórdão no 2402003.661 (sessão de 16/07/2013), proferido por esta Corte Administrativa no processo 10783.723424/201109 (Relator: Julio Cesar Vieira Gomes). Caso não seja feita a análise conglobante, isso poderá ocasionar a nulidade do lançamento fiscal por cerceamento ao direito de defesa da Recorrente ou exclusão dos valores lançados, já que o Fisco não poderá tributar os valores pagos a título de previdência complementar privada no regime aberto com base, exclusivamente, no argumento de que tais valores estão em desacordo com art. 28, §9°, alínea “p”, da Lei 8.212/1991 (ou seja, a verba deverá ser disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes). Trocando em miúdos, a regra isentiva prevista na alínea “p” do §9° do art. 28 da Lei 8.212/1991 não admite interpretação extensiva, a teor do art. 111 do CTN3, mas admite um a interpretação literal com abrangência de todas as leis que tratam da matéria referente ao regime de previdência complementar privada (LC’s 108/2001 e 2 Conglobante, nome cognominado pelos penalistas Eugênio Raúl Zaffaroni e José Henrique Pierangelli (sobre o tema, consulte: Fernando Capez. Curso de Direito Penal, 13 Edição. São Paulo: Editora Saraiva, 2009, vol. 1) 3 Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172/1966: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 16682.720773/201347 Acórdão n.º 9202007.202 CSRFT2 Fl. 10 17 109/2001, que é facultativo e complementar ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), este sendo o caso dos autos. Assim, identificar o arcabouço jurídico a ser aplicado ao regime de previdência complementar operado por entidade aberta não é apenas uma forma de confirmar a regra isentiva da Lei 8.212/1991, é uma tarefa elementar para que essa regra seja, juridicamente, interpretada de forma literal, e para que não seja subvertida ou não seja aplicada apenas exclusivamente com base em apenas um regra isolada, distanciandose do ordenamento jurídico posto. Isso citado acima é o contexto jurídico da matéria submetida à controvérsia pelas partes (Fisco e Recorrente). Dentro do contexto fático do plano de previdência complementar aberto, extraise do Relatório Fiscal, transcrito anterioremente, e dos demais documentos acostados aos autos que a Recorrente concedia a alguns segurados dirigentes (executivos) o plano de previdência complementar, como também o pagamento integral de contribuições vertidas, sem ônus ao empregado. Com isso, essas verbas pagas aos segurados executivos configuram um instrumento de incentivo ao trabalho, já que flagrantemente o caracterizara como um prêmio e, portanto, gratificação, sujeita à incidência da contribuição previdenciária, conforme delineamento nas premissas estabelecidas no Acórdão no 2402003.661 (sessão de 16/07/2013), proferido por esta Corte Administrativa no processo 10783.723424/201109 (Relator: Julio Cesar Vieira Gomes). Por todo exposto, no que diz respeito à verba paga a título de previdência privada complementar a empregados do nível Executivo para o plano de previdência complementar denominado PédeMeia, resta demonstrado ter sido desnaturada a indole previdenciária. Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, restabelecendo o crédito tributário. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 885DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.902169/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO.
A retificação de DCTF para alteração dos valores declarados na declaração original para fins de modificação de Despacho Decisório deve vir acompanhada de documentação hábil e idônea que comprove o erro.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO POSTERIOR DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Uma vez verificada a inexistência do direito creditório por ocasião da transmissão da Declaração de Compensação original, cabe ao contribuinte a comprovação de que o crédito objeto da declaração já existia.
Numero da decisão: 1201-002.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10183.902177/2013-28, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ERRO NO PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO. A retificação de DCTF para alteração dos valores declarados na declaração original para fins de modificação de Despacho Decisório deve vir acompanhada de documentação hábil e idônea que comprove o erro. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO POSTERIOR DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Uma vez verificada a inexistência do direito creditório por ocasião da transmissão da Declaração de Compensação original, cabe ao contribuinte a comprovação de que o crédito objeto da declaração já existia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10183.902177/201328, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 21 69 /2 01 3- 81 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10183.902169/201381 Acórdão n.º 1201002.593 S1C2T1 Fl. 3 2 Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Trata o processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório postulado na declaração de compensação (PER/DCOMP) em que foi declarado crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Após ciência do despacho decisório, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a contribuinte afirma que houve equívoco em não retificar as DCTFs e que a DIPJ comprovaria a inexistência do débito. Decisão da DRJ/CGE Em decisão de 30/03/2015, a 2° Turma da DRJ/CGE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A retificação de DCTF, desacompanhada de esclarecimentos quanto ao suposto erro cometido e de prova da veracidade dos débitos retificados, é insuficiente para reforma da decisão que indeferiu o direito creditório. Recurso Voluntário Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual ratificação os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.590, de 16/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10183.902177/2013 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10183.902169/201381 Acórdão n.º 1201002.593 S1C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.590): "Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, por isso, deve ser apreciado. Mérito Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente traz de forma muito sucinta os mesmos argumentos trazidos em sua Impugnação anterior, especialmente quanto à possibilidade de dedução do ágio que a meu ver não constitui o cerne da discussão ora travada que referese à ausência de comprovação da existência dos créditos utilizados em compensação. Além disso, apresenta petição, que chama de laudo, que supostamente comprovaria seu direito creditório, o que não acontece a meu ver. Dada a inexistência de novos argumentos ou provas trazidos pelas Recorrente em sede de Recurso Voluntário e o total alinhamento do presente Conselheiro à decisão da DRJ, faço aqui uso do disposto no Art. 57, § 3°do Regimento Interno deste CARF que assim dispõe: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Desta forma, faço abaixo a transcrição integral do voto vencedor da decisão da DRJ: Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10183.902169/201381 Acórdão n.º 1201002.593 S1C2T1 Fl. 5 4 AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO Postula a interessada direito creditório em tese decorrente de recolhimento indevido ou a maior de estimativa de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ . A pretensão não foi acolhida pois, conforme a DCTF apresentada pela empresa, havia correspondência entre o recolhimento e o valor do débito declarado. Por esse viés, inexistiu recolhimento indevido ou a maior. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, afirmando, em síntese, que o débito não existiria e que apresentou DCTF retificadora. Efetivamente, constatamos que a empresa apresentou DCTFs “zerando” os débitos de IRPJ e CSSL anteriormente declarados, com relação ao ano calendário 2010. A título de ilustração, transcrevo os valores constantes das DIPJs e DCTFs originais e retificadoras, no que se refere ao mês janeiro/2010: [...] Pelo visto no quadro acima, aparentemente a empresa, ciente do indeferimento de seu pleito, apresentou declarações retificadoras ad hoc, sem maior compromisso com a realidade dos fatos, apenas com o objetivo de atacar pontualmente a motivação do ato decisório contrário ao seu interesse. O mesmo ocorre nos demais períodos de apuração em que houve pagamento de estimativa, conforme os registros nos sistemas de processamento de dados pertinentes, já que a cópia de declaração apresentada pela interessada omite as páginas em que constariam tais informações. Nenhuma explicação foi apresentada para as retificações e nenhum documento foi trazido para subsidiar as informações prestadas nas declarações, e há evidente contradição entre o conteúdo das declarações retificadoras. Em situações tais como a analisada, o crédito pretendido poderia ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde. Outrossim, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto, com força de Lei, determina Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10183.902169/201381 Acórdão n.º 1201002.593 S1C2T1 Fl. 6 5 em seu art. 16 que a impugnação (manifestação de inconformidade) “mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. No mesmo sentido, a Lei n.º 9.784/99, de aplicação subsidiária ao rito processual do Decreto n.º 70.235/72, estabelece, em seu art. 36, que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, em consonância, ainda, com o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil (CPC), que afirma que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Com efeito, cumpre elucidar ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil (CC), para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos contábeis e fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como prova a mera apresentação de DCTF retificadora, notadamente quando contraditória com outras declarações apresentadas. Nesse sentido tem decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme ementas a seguir transcritas: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10183.902169/201381 Acórdão n.º 1201002.593 S1C2T1 Fl. 7 6 O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes,Sessão de 22/05/2013) Assim, na ausência de comprovação do direito creditório em tela, não merece reforma a decisão combatida. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10183.902169/201381 Acórdão n.º 1201002.593 S1C2T1 Fl. 8 7 Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724566/2012-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009
CONTA CORRENTE. CRÉDITO ROTATIVO. MÚTUO.
O simples fato de as operações serem realizadas ao abrigo de conta corrente não obsta à exigência do IOF quando essas representem autênticas operações de mútuo financeiro entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779/99.
Configura operação de mútuo, sujeita à incidência de IOF, o mecanismo de crédito rotativo em conta corrente mantido entre a pessoa jurídica e seu sócio majoritário, mediante o qual a primeira disponibiliza ao segundo recursos financeiros que deverão ser restituídos num prazo determinado.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 75%. TIPICIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO.
A falta ou insuficiência de recolhimento espontâneo de tributo pelo sujeito passivo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, que veicula a sanção correspondente a multa de ofício em seu percentual original, sem agravamento ou qualificação.
A alegação de que a multa de ofício seria confiscatória e, portanto, inconstitucional, não pode ser conhecida no âmbito administrativo.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 CONTA CORRENTE. CRÉDITO ROTATIVO. MÚTUO. O simples fato de as operações serem realizadas ao abrigo de conta corrente não obsta à exigência do IOF quando essas representem autênticas operações de mútuo financeiro entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779/99. Configura operação de mútuo, sujeita à incidência de IOF, o mecanismo de crédito rotativo em conta corrente mantido entre a pessoa jurídica e seu sócio majoritário, mediante o qual a primeira disponibiliza ao segundo recursos financeiros que deverão ser restituídos num prazo determinado. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 75%. TIPICIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO. A falta ou insuficiência de recolhimento espontâneo de tributo pelo sujeito passivo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, que veicula a sanção correspondente a multa de ofício em seu percentual original, sem agravamento ou qualificação. A alegação de que a multa de ofício seria confiscatória e, portanto, inconstitucional, não pode ser conhecida no âmbito administrativo. Recurso Voluntário negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 CONTA CORRENTE. CRÉDITO ROTATIVO. MÚTUO. O simples fato de as operações serem realizadas ao abrigo de conta corrente não obsta à exigência do IOF quando essas representem autênticas operações de mútuo financeiro entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779/99. Configura operação de mútuo, sujeita à incidência de IOF, o mecanismo de crédito rotativo em conta corrente mantido entre a pessoa jurídica e seu sócio majoritário, mediante o qual a primeira disponibiliza ao segundo recursos financeiros que deverão ser restituídos num prazo determinado. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 75%. TIPICIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO. A falta ou insuficiência de recolhimento espontâneo de tributo pelo sujeito passivo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, que veicula a sanção correspondente a multa de ofício em seu percentual original, sem agravamento ou qualificação. A alegação de que a multa de ofício seria confiscatória e, portanto, inconstitucional, não pode ser conhecida no âmbito administrativo. Recurso Voluntário negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 45 66 /2 01 2- 30 Fl. 1304DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Versa o processo sobre auto de infração para a exigência de Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários – IOF, no valor de R$ 2.114.224,34, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, totalizando R$ 4.458.461,22, em face da falta de cobrança e recolhimento do imposto sobre operações de repasse de recursos em dinheiro ao sócio Newton Bonin, de CPF nº 361.319.039 72, caracterizadas como operações de mútuo, com fundamento no art. 13 da Lei nº 9.779/99 e Decretos nºs 4.494/2002, 6.306/2007, 6.339/2008 e 6.691/2008. A interessada apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) decadência para fatos geradores anteriores a 19/06/2007; b) inexistência de débito de IOF, eis que, se o mútuo foi tomado pelo sócio, então esse imposto da operação financeira já foi devidamente retido e recolhido pela Instituição Financeira; c) excesso do percentual da multa aplicada; e d) impossibilidade de utilização da taxa Selic como sucedâneo dos juros moratórios. Posteriormente, a interessada compareceu novamente aos autos, solicitando a dedução de valores de IOF, conforme planilha e documentos juntados. A Delegacia de Julgamento não acolheu os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos: A interessada não declarou em DCTF (11321223), nem efetuou recolhimento algum de IOF no período alcançado pela ação fiscal. Por conseguinte nada se operou que ensejasse a homologação expressa ou tácita da administração, já que inexiste atividade da contribuinte passível de ser homologada. Logo, cumpre à Administração proceder de ofício ao lançamento na forma do art. 149, V do CTN, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, segundo a regra do art. 173, I do CTN. O fato de se ter glosado as despesas financeiras relativas aos empréstimos no âmbito do IRPJ não quer dizer que não foi a ora impugnante quem obteve os recursos junto às instituições financeiras. Significa, tão somente que tais despesas financeiras por juros Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 10980.724566/201230 Acórdão n.º 3402005.974 S3C4T2 Fl. 1.305 3 passivos não são dedutíveis na apuração da pessoa jurídica posto que os recursos não foram empregados em sua atividade fim. Ademais, o IOF exigido quando da obtenção dos recursos não supre a falta de pagamento do IOF incidente sobre os empréstimos destes mesmos valores ao sócio da empresa. Constituem duas operações distintas, cada qual sujeita à incidência do tributo. O RIOF/2002, em seu art. 7º, detalhou como obter o valor da operação de crédito para fins de determinação da base de cálculo do IOF, de acordo com cada tipo da operação. No inciso I, alínea “a” , tratou da base de cálculo em operação de empréstimo (de qualquer modalidade, abrangendo, portanto, o mútuo), quando o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário não foi definido, fixandoa como o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. A mesma determinação foi mantida pelo art. 7º, inc. I, alínea “a”, “1” do Decreto nº 6.306/2007 – RIF/2007, que revogou o Regulamento anterior. Conforme dados extraídos dos arquivos contábeis entregues pelo sujeito passivo, as operações praticadas referemse a mútuos de recursos financeiros, operacionalizadas por meio de contascorrentes contábeis e registrados em contas do ativo realizável a longo prazo. De acordo com o estabelecido na Constituição Federal, no CTN e na Lei nº 9.779/99, para a incidência do IOF importa apenas a ocorrência da operação de crédito, ou seja, a entrega ou a disponibilização deste crédito (sua concessão), não havendo qualquer restrição quanto à natureza jurídica do ente que concedeu o empréstimo. Indeferese o pedido para que sejam deduzidos do montante autuado os valores de IOF retidos pelos bancos. Inexiste possibilidade para tal, pois a presente operação não se confunde com aquela quando a impugnante buscou os recursos junto às instituições financeiras para, na sequência repassálos ao sócio. O fato de a pessoa jurídica repassar os valores ao sócio fez surgir um novo fato gerador do tributo, sem contudo, fazer desaparecer aquele anteriormente ocorrido (obtenção dos empréstimos junto aos bancos). Cientificada dessa decisão em 08/08/2013, a contribuinte interpôs o recurso voluntário em 06/09/2013, mediante o qual repisa os argumentos da impugnação e acrescenta outros, sob os seguintes tópicos: II. Preliminarmente: Da Decadência Do Mérito III. Inexistência do Débito de IOF III.1. Da desconsideração, pelo Fisco, do empréstimo realizado pela recorrente e a Instituição Financeira e do pagamento de IOF já realizado III.2. Da não incidência do IOF no contrato de conta corrente IV. Excesso do percentual da multa aplicada Mediante a Resolução nº 3402001.164– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 24 de outubro de 2017, este Colegiado converteu o julgamento em diligência para "determinar a vinculação do presente processo ao PAF nº 10980.724.565/201295, determinando o sobrestamento deste processo na Câmara até que aquele esteja definitivamente julgado na esfera administrativa" e posterior juntada aos autos da sua decisão definitiva, sob o entendimento de que "a decisão relativa às operações caracterizadas pela fiscalização como Fl. 1306DF CARF MF 4 "operações de mútuo" impacta diretamente na dedutibilidade ou não dos juros decorrentes das despesas financeiras assumidas pela Recorrente". Foi procedida à juntada de cópia do Acórdão nº 1301001.208– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2013, e de outros documentos que comprovam a sua definitividade no âmbito administrativo, tendo os autos retornado a este CARF. Considerandose que o Relator originário não mais integrava este Colegiado, o processo foi redistribuído por sorteio a esta Relatora em 24/07/2018. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Sobre a decadência assim decidiu a DRJ: Na situação em análise verificase que a interessada não declarou em DCTF(11321223) e nem efetuou recolhimento algum de IOF no período alcançado pela ação fiscal. Por conseguinte nada se operou que ensejasse a homologação expressa ou tácita da administração, já que inexiste atividade da contribuinte passível de ser homologada. Logo, cumpre à administração proceder de ofício ao lançamento na forma do art. 149, V do CTN, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, segundo a regra do art. 173, I do CTN, in verbis: (...) 21. Dessa forma, tendo em vista que o crédito Tributário foi cientificado à interessada em 19/06/2012, e considerando que a decadência ocorreria em 31/12/2012 (início da contagem do prazo em 01/01/2008, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), não há que se cogitar da ocorrência do instituto da decadência para o lançamento de fatos ocorridos no período de 01/01/2007 a 19/06/2007, pelo que se indefere a preliminar levantada pela impugnante. A recorrente não contesta o fato de que não teria efetuado declaração ou pagamento parcial de IOF no período objeto do lançamento, apenas aduzindo que a decisão da DRJ não estaria em consonância com o disposto no CTN, nem com os julgados do CARF e do STJ, com entendimento no sentido de que aplicase o prazo de decadência previsto no art. 150, §4° do CTN aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. O CARF, em cumprimento ao art. 62 do seu Regimento Interno, acolhe o entendimento constante no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333/SC, na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que: "O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 10980.724566/201230 Acórdão n.º 3402005.974 S3C4T2 Fl. 1.306 5 Nesse sentido, decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais o tratamento a ser dado à decadência nos tributos sujeitos à homologação no julgado abaixo, cuja ementa se segue: Processo nº 13819.005008/200260, Recurso nº 142.314 Especial do Procurador, Acórdão nº 9101001.353 – 1ª Turma, Sessão de 15 de maio de 2012, Relatora: Susy Gomes Hoffmann Anocalendário: 1998. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO E DE DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 173, I, DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. FATOS GERADORES OCORRIDOS EM 1998. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO EM 26/12/2003. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve pagamento antecipado nem declaração prévia do débito, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo. Necessária observância dessa decisão, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Dessa forma, não obstante seja o IOF sujeito ao lançamento por homologação, diante da ausência de declaração ou de pagamento parcial do tributo nos períodos autuados, não há como se acolher a tese da recorrente de que o prazo de decadência deveria ser contado na forma do art. 150, §4° do CTN. Trata o presente processo da exigência de IOF, relativamente aos períodos de apuração dos anos de 2007 a 2009, em face da falta de cobrança e recolhimento do imposto sobre operações de repasse de recursos em dinheiro ao seu sócio majoritário, caracterizadas como operações de mútuo. A base de cálculo foi obtida pelo somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, em face de não estar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário. O processo nº 10980.724565/201295 trata das exigências de IRPJ e CSLL, relativas aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, em face de glosa de despesas financeiras, constituídas por juros incorridos em empréstimos no mercado financeiro. A autoridade fiscal entendeu que tais despesas não seriam necessárias e, portanto, não dedutíveis, vez que, caso a fiscalizada não efetuasse empréstimos ao seu sócio majoritário, visto que os saldos das contas de mútuo com tal sócio eram sempre superiores ao correspondente à conta de empréstimos e financiamentos, não teria tido a necessidade de captar recursos no mercado financeiro. Mediante o Acórdão nº 1301001.208– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, negouse provimento ao recurso voluntário no âmbito do IRPJ e CSLL, em decisão já definitiva no âmbito administrativo, nos seguintes termos: (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. (...) VOTO (...) Tratase de glosa de DESPESAS FINANCEIRAS, relativa a juros incorridos em empréstimos tomados pela fiscalizada, considerados (os empréstimos) não Fl. 1308DF CARF MF 6 necessários haja vista que, no mesmo período em que as operações foram realizadas, foram efetuados empréstimos vultosos para o seu sócio majoritário. A premissa da Fiscalização é a de que, caso a fiscalizada não tivesse efetuado, por livre deliberação, os empréstimos ao seu sócio majoritário, não teria tido a necessidade de ir ao mercado captar recursos. A meu ver, o que cabe verificar é se, de fato, tal premissa é verdadeira, pois, se assim for, penso restar incontestável a glosa procedida pela Fiscalização. No caso, não se estaria diante de uma intervenção (indevida) nos negócios privados da contribuinte, mas, sim, de não admitir que recursos que deveriam ingressar no erário público sejam destinados, pela empresa, para arcar com custos de financiamentos caracterizadamente desnecessários, eis que decorrentes de mera liberalidade (empréstimos ao sócio). O demonstrativo de fls. 188, representativo da comparação entre os saldos dos mútuos realizados com o sócio NEWTON BONIN e os correspondentes aos empréstimos e financiamentos captados no mercado, penso, tornam inquestionável a conclusão apresentada pela autoridade fiscal. (...) Notase que, embora alguns pagamentos dos recursos captados no mercado e dos empréstimos tomados pelo sócio tenham sido efetuados, o demonstrativo em questão expõe de forma clara o seguinte: i) no ano de 2007, a fiscalizada efetuou empréstimos ao seu sócio no montante de R$25.777.549,76, tendo captado recursos no mercado no valor de R$18.008.926,88; ii) no ano de 2008, a fiscalizada efetuou empréstimos ao seu sócio no montante de R$18.862.371,22, tendo captado recursos no mercado no valor de R$6.166.097,21; iii) no ano de 2009, a fiscalizada efetuou empréstimos ao seu sócio no montante de R$5.770.126,92, tendo captado recursos no mercado no valor de R$3.607.793,18. A desnecessidade, pois, resta caracterizada, eis que, como afirma a autoridade fiscal, “os saldos das contas de mútuo com o sócio sempre eram superiores ao constante na conta Empréstimos e Financiamentos.” A suposição feita pela autoridade fiscal de que os recursos captados no mercado pela Recorrente foram integralmente repassado ao seu sócio, a meu ver, é irrelevante para caracterizar a desnecessidade das despesas de juros apropriadas no resultado. Como dito, tal caracterização é de clareza solar quando se verifica que a contribuinte emprestou ao sócio recursos, em montantes sempre superior ao que captou mercado, sem lhe cobrar juros, quando poderia ter evitado a sua descapitalização, limitandoa, ao menos, ao montante que, supõese, precisou buscar no mercado. (...) Por fim, cabe salientar que, diante do não acolhimento das razões de defesa trazidas pela Recorrente, não há de se falar em restabelecimento do prejuízo fiscal de 2009. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (...) Ao que se percebe, a existência do mútuo com o sócio majoritário, cuja tributação pelo IOF ora se discute, foi relevante para que a fiscalização e os órgãos de julgamento, no processo nº 10980.724565/201295, considerassem que as despesas financeiras (juros incorridos em empréstimos no mercado financeiro) não eram despesas necessárias à atividade da empresa, logo, não seriam dedutíveis na esfera do IRPJ. No entanto, o julgamento acima, acerca do IRPJ/CSLL não traz qualquer consequência para o presente processo, como restará abaixo mais evidente. Embora os dois Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 10980.724566/201230 Acórdão n.º 3402005.974 S3C4T2 Fl. 1.307 7 processos tenham sido formalizados em face do mesmo procedimento fiscal, representam desdobramentos diversos e independentes em face da legislação do IRPJ/CSLL e do IOF. No que diz respeito ao mérito, não houve desconsideração pelo Fisco do empréstimo realizado pela contribuinte com a instituição financeira, como alegado pela recorrente. Em verdade, na interpretação dos fatos, uma das hipóteses considerada pelo AuditorFiscal autuante para entender que, no processo de IRPJ, as despesas financeiras não seriam necessárias à atividade da empresa foi a de que os valores provenientes dos empréstimos teriam sido "repassados integralmente" ao sócio, ou seja, foram depois de captados transferidos da empresa para o sócio em operações de mútuo. Não se aventou no presente processo, nem no relativo ao IRPJ, qualquer hipótese de simulação. Não se está aqui a analisar a tributação de negócio jurídico dissimulado, ocultado por negócio aparente. A operação sobre a qual ora se debruça o Colegiado é o mútuo ocorrido entre a recorrente e seu sócio majoritário por intermédio de conta corrente, não se desprezando que a operação anterior de captação de recursos pela pessoa jurídica no mercado financeiro efetivamente tenha ocorrido. Ainda que assim não fosse, ao final do processo administrativo nº 10980.724565/201295, como se vê no Acórdão acima, a tese que prevaleceu para sustentar a legitimidade da glosa por não se tratar de despesa necessária à atividade da empresa foi o argumento da fiscalização de que “os saldos das contas de mútuo com o sócio sempre eram superiores ao constante na conta Empréstimos e Financiamentos.” Melhor dizendo, o julgador da 1ª Seção entendeu que apenas esse argumento era suficiente para manter a autuação, tendo, inclusive, deixado expresso que "A suposição feita pela autoridade fiscal de que os recursos captados no mercado pela Recorrente foram integralmente repassado[s] ao seu sócio, a meu ver, é irrelevante para caracterizar a desnecessidade das despesas de juros apropriadas no resultado". Também não prospera a alegação da recorrente de que o IOF exigido no presente lançamento já teria sido tributado quando do empréstimo pela instituição financeira, vez que são operações distintas, ambas sujeitas à incidência do IOF, como já bem esclareceu a DRJ: (...) Salientese que o IOF exigido quando da obtenção dos recursos não supre a falta de pagamento do IOF incidente sobre o empréstimos destes mesmos valores ao sócio da empresa. Constituem duas operações distintas, cada qual sujeita à incidência do tributo. No primeiro caso, o empréstimo foi concedido pela instituição financeira, que, na qualidade de responsável pela retenção e pagamento do IOF assim o fez. No segundo, é a ora impugnante que figura como concedente do empréstimo e, então caberia à impugnante efetuar a retenção e o pagamento do IOF sobre os valores repassados ao sócio. (...) Por essa mesma razão não se pode acatar o pedido da recorrente de que sejam deduzidos os valores de IOF retidos pelas instituições financeiras, os quais se referem à tributação de operação diversa da presente. Como fundamentou a DRJ, "O fato de a pessoa jurídica repassar os valores ao sócio fez surgir um novo fato gerador do tributo, sem contudo, fazer desaparecer aquele anteriormente ocorrido (obtenção dos empréstimos junto aos bancos)". Fl. 1310DF CARF MF 8 Acerca da alegação da recorrente de não incidência de IOF no contrato de conta corrente, este Colegiado tem entendido que o simples fato de as operações serem realizadas ao abrigo de conta corrente não obsta à exigência do IOF quando essas representem autênticas operações de mútuo financeiro, conforme decidido no Acórdão nº 3402003.019– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 26 de abril de 2016, em excelente voto da Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz, abaixo transcrito parcialmente: Sobre a jurisprudência relativa ao tema, ressalto que o Superior Tribunal de Justiça, ao analisar caso muito semelhante ao da Recorrente, julgou que a abertura de crédito em conta corrente é uma das formas de realização da “operação de crédito correspondente a mútuo”, prevista no artigo 13 da Lei n. 9.119/99,9 de modo que deve sim ensejar a tributação pelo IOF. Vale destacar o trecho do voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques, bem como a ementa atribuída ao Recurso Especial n. 1.239.101 – RJ: "Com efeito, o que a lei caracteriza como fato gerador do IOF é a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas" e não a específica operação de mútuo. (...) Sendo assim, o contrato de mútuo, longe de ser a única espécie contratual a ser tributada, é tido por um modelo cujas características essenciais devem ser buscadas em outras espécies de contrato que envolvam operações de crédito para que possam ser alcançadas pela hipótese de incidência do IOF. É por esse motivo que o §1º, do art. 13, da lei citada considera ocorrido o fato gerador do tributo na data da concessão do crédito. O contrato de abertura de crédito que a recorrente celebra estabelece que a controladora disponibiliza créditos às controladas, que poderão utilizálos total ou parcialmente. A remuneração do capital emprestado são os juros sobre o capital da controladora disponibilizado às controladas. Nesse sentido, não resta dúvida que as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas, com a previsão de concessão de crédito, são verdadeiras operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, na medida em que, em todos os casos, é disponibilizado numerário de forma imediata para pagamento futuro a depender do saldo existente” Ementa: TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. 1. O art. 13, da Lei n. 9.779/99 caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas " e não a específica operação de mútuo. Sendo assim, no contexto do fato gerador do tributo devem ser compreendidas também as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas com a previsão de concessão de crédito. Recurso especial não provido. (grifei) De tudo isso, percebese que o problema a ser enfrentado não se esgota na discussão de existir ou não um contrato de conta corrente – com as características que lhe são particulares, tão bem desenvolvidas pela doutrina jurídica – entre a Recorrente e as demais empresas do grupo econômico. Sobre a impossibilidade de o IOF incidir indiscriminadamente sobre toda e qualquer transação abrigada pelo contrato de conta corrente, não há dúvida. A questão palpitante é, isto sim, o fato de a conta corrente ser utilizada para a concretização de empréstimos entre as empresas (pela abertura de crédito, por exemplo), o famigerado mútuo, “empréstimo de coisas fungíveis” no qual “o mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade” (artigo 586 do Código Civil). Sobre a qualificação do mútuo, ressalto que o prazo pode ser livremente estipulado pelas partes, e que, como se trata de grupo empresarial, não há necessidade de estabelecimento de juros sobre os valores emprestados (artigos 591 e 592 do Código Civil).10 Nesse sentido, com a precisão com que sempre proferiu seus Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 10980.724566/201230 Acórdão n.º 3402005.974 S3C4T2 Fl. 1.308 9 votos, o Conselheiro Natanael Martins, depois de acurada explanação sobre a natureza do contrato de conta corrente na doutrina de Fran Martins,11 Carvalho de Mendonça,12 Pontes de Miranda13, conclui justamente sobre a indispensabilidade de verificação dos negócios jurídicos operados através da conta corrente: IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA ART. 21 DO DL. 2.065/83 CONTA CORRENTE ENTRE EMPRESAS CARACTERIZAÇÃO COMO MÚTUO IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO O mútuo, a teor do disposto no artigo 1256 do Código Civil, pressupõe o empréstimo de coisas fungíveis, não se caracterizando como tal a figura do contrato de conta corrente. (...) Assim, não teria o contrato de conta corrente o condão de modificar a causa jurídica das remessas individualmente consideradas, ocorrendo, apenas, espécie de paralisação de sua exigibilidade, ao menos até o encerramento da conta. O Conselho de Contribuintes, em reiterados acórdãos, tem exarado o entendimento de que o contacorrente e o mútuo são institutos jurídicos distintos, de modo que, casuisticamente, deve ser avaliada a origem das remessas que integram a contacorrente para que se possa discernir sua real natureza. Ocorre que, como já se disse, o contrato de conta corrente é, na verdade, contrato normativo, destinado a regular, apenas e tão somente, o tratamento a ser dados a cada uma das remessas, não interferindo em suas respectivas causas. Nesse contexto, um contrato de conta corrente poderia, entre suas remessas, conter adiantamentos ou reembolsos de despesas, dívidas ou adiantamentos comerciais, remessas para gestão unificada de caixa e, até mesmo, mútuos, sem que, pelo fato de serem escrituradas em conta corrente se desvinculassem de suas origens. In casu, resta comprovado que o contrato de conta corrente compreende remessas decorrentes de duplicatas recebidas pela interligada em nome da Recorrente, como também despesas a pagar pela Recorrente à interligada, liquidandose o saldo apurado ao final de cada mês. Ou seja, os valores lançados na conta corrente em análise não caracterizam contra to de mútuo, de modo que não se deve pretender seja aplicado à hipótese o DecretoLei n° 2.065/83." Corroborando esse entendimento, confirase a ementa do Acórdão n° 10180.803, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: "IRPJ — Negócios de mútuo. A contacorrente relativa a operações entre coligadas, interligadas, controladoras e controladas, não é, em si mesma, bastante para caracterizar negócio de mútuo. Há que se investigar a natureza jurídica de cada operação objeto do lançamento, separando aquelas que realmente espelhem mútuo." (Recurso n° 132.337, Sétima Câmara, Acórdão n° 10706.903, Rei. Natanael Martins) Ainda sobre a importância da aferição da natureza das transações para fins de solução de casos como este, registro o trecho do voto do Conselheiro José Fernandes do Nascimento no Acórdão n. 3102002.318: É indubitável que o contrato de conta corrente e de mútuo são distintos, porém, a meu ver, esta não é questão relevante para o deslinde da controvérsia, mas sim a natureza das transações financeiras que a recorrente realizou com as demais empresas do grupo, isto é, se tais operações representavam, na essência, uma operação de mútuo financeiro ou uma mera operação de conta corrente. Ratificando tudo quanto exposto, a doutrina especializada de Antônio da Silva Cabral14 traz a seguinte lição da obra de Pontes de Miranda: “5.6 – MÚTUO E CONTRATO DE CONTA CORRENTE PONTES DE MIRANDA (Tratado, cit., LXII, pág. 120) Fl. 1312DF CARF MF 10 'Os negócios jurídicos de que resultam os créditos e os débitos são estranhos à conta corrente, que a eles apenas se refere, para os submeter à escrituração específica.’ Este é um aspecto para o qual tanto o Fisco quanto os contribuintes não vêm atentando, querendo aquele se computem juros e correção monetária sobre quantias escrituradas em conta corrente só porque estão em conta corrente, como se esta conta representasse um mútuo em si mesmo. Esquecemse de que o importante é a análise do negócio jurídico que deu motivo ao lançamento em conta corrente. É um erro, freqüentemente encontrado na escrituração de empresas e em atos normativos do Fisco, encararse a conta corrente como se esta representasse uma dação recíproca de empréstimo, quando o importante seria analisarem se os negócios jurídicos que motivaram os débitos ou créditos em conta corrente. Nem há que se calcular correção monetária e juros sobre determinada quantia escriturada em conta corrente justamente porque, enquanto existir a conta corrente nenhum dos contratantes poderá exigir a obrigação do outro. Tal só ocorrerá quando a conta corrente for fechada. O que é exigível é, repitase, o saldo da conta corrente. In casu, existe a operação de crédito correspondente a mútuo pela abertura de crédito entre os contratantes, que gerou a disponibilidade de recursos para as empresas relacionadas à Recorrente, a qual, portanto, configura como responsável tributária pelo recolhimento do IOF (artigo 5º, inciso III do Decreto n. 6.306/2007). Esse foi o negócio jurídico que gerou os débitos e créditos contabilizados na conta corrente contábil da Recorrente e é tal negócio jurídico – e não a conta corrente contratual em si – que determina a existência de operação de crédito correspondente ao mútuo. Outrossim, o presente lançamento tributário não aplica as alíquotas do IOF sobre o total contratado como abertura do crédito em conta corrente, mas sim sobre o saldo da conta corrente, que é o quantum exigível, nos precisos termos delimitados pela mais abalizada doutrina e pela legislação do IOF. Nessa mesma linha foi o entendimento da Receita Federal na Solução de Consulta nº 50 Cosit, de 26 de fevereiro de 2015, assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF OPERAÇÃO DE MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS POR MEIO DE CONTA CORRENTE. INCIDÊNCIA. O IOF previsto no art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, incide sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, independentemente da forma pela qual os recursos sejam entregues ou disponibilizados ao mutuário. Dessa forma, ocorre o fato gerador do imposto nas operações de crédito dessa natureza também quando realizadas por meio de conta corrente, sendo irrelevante ainda a relação de controle ou coligação entre as pessoas jurídicas envolvidas. Dispositivos Legais: Lei nº 9.779, de 1999, art. 13; Ato Declaratório SRF nº 30, de 1999, art. 1º; Instrução Normativa RFB nº 907, de 2009, art. 7º, caput e §§ 2º e 3º. Conforme delimitado no art. 586 do Código Civil, "O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis, sendo que "O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade". No presente caso, conforme se observa nos três contratos das fls. 05/10 (vide o primeiro abaixo), as operações são caracterizadas como empréstimo em moeda corrente no País (coisa fungível), por intermédio de crédito rotativo em conta corrente, ficando o mutuário obrigado a restituir o valor na data fixada: Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 10980.724566/201230 Acórdão n.º 3402005.974 S3C4T2 Fl. 1.309 11 Pelo que se depreende do art. 591 do Código Civil, a operação de mútuo pode se dar de forma onerosa ou não, razão pela qual não socorre a recorrente a alegação de que houve a incidência de juros, eis que esse fato não descaracteriza a operação de mútuo. No mais, em que pese o fato de as operações estarem ao abrigo de conta corrente, a recorrente não apresentou qualquer outro elemento modificativo ou extintivo que pudesse desqualificar a operação de mútuo na forma efetuada pela autoridade fiscal no Termo de Verificação, abaixo transcrito: Conforme resposta ao Termo de Intimação n° 01 (contratos de mútuo apresentados) e cópias do livro razão, constatase que a Logika manteve, nos três anoscalendário fiscalizados, mútuo com o sócio NEWTON BONIN, nos valores constantes nas planilhas que acompanham o Termo de Intimação n° 04, acrescidos de R$31.000.000,00 a partir de 01/10/08, como detalhado a seguir neste termo. O mútuo referese a conta corrente e caracterizase como operação de crédito. (...) O imposto incide, portanto, sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos financeiros disponibilizados sob qualquer forma, sendo irrelevante o modo pelo qual o mútuo se exteriorize. O mecanismo de conta corrente mantido entre pessoa jurídica e pessoa física, onde uma disponibiliza à outra recursos financeiros, que deverão ser restituídos num prazo determinado ou indeterminado, configura operação de mútuo. Analisando o plano de contas da Logika, constatamos que haviam as contas abaixo que, pelo nome e pela natureza, representariam conta corrente com pessoa física, sujeita à incidência do IOF: 2007 conta «1.2.1.5.1 NEXTON BONIN", do subgrupo "1.2.1.6 CRÉDITOS DE COLIGADAS E CONTROLADAS", do subgrupo "1.2.1 REALIZÁVEL A LONGO PRAZO", do grupo "12000000 ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO", do Ativo; 2008 e 2009 conta "12010101 EMPRÉSTIMOS A PESSOA LIGADA", do subgrupo "12010100 CRÉDITOS E VALORES", do subgrupo "12010000 Fl. 1314DF CARF MF 12 REALIZÁVEL A LONGO PRAZO", do grupo "12000000 ATIVO NÃO CIRCULANTE", do Ativo; Concluise, do exame dos livros razão, dos contratos de mútuo e da resposta do contribuinte ao Termo de Intimação n° 04, onde está confirmado que as citadas contas são decorrentes de operações de créditos, que seus saldos representam créditos da Logika perante seu sócio. (...) Como a contas 1.2.1.5.1 (2007) e 12010101 (2008 e 2009) permitem identificar os créditos da fiscalizada perante seu sócio, efetuamos nossas apurações com base nestas contas. Desta forma, utilizando os livros contábeis disponibilizados pelo sujeito passivo, calculamos os saldos devedores diários que representam créditos da Logika perante seu sócio. Através do Termo de Intimação Fiscal n° 04, demos oportunidade ao sujeito passivo que se manifestasse acerca dos valores constantes nas planilhas mencionadas, indicando eventuais lançamentos que não caracterizassem operações de crédito, apresentando os respectivos documentos comprobatórios. Na resposta à intimação, a empresa não apresentou informações que pudessem indicar que os valores constantes nas planilhas não se referem a operações de crédito. Consideraremos, portanto, que todos os saldos diários compõem a base de cálculo do IOF a ser cobrado da Logika, pessoa jurídica concedente do crédito. Dessa forma, os recursos disponibilizados pela recorrente ao seu sócio majoritário qualificamse como operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoa jurídica e pessoa física, sujeitandose à incidência do IOF, nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779/99. Melhor sorte não assiste à recorrente quanto à alegação de excesso do percentual da multa de ofício aplicada (75%) devendo ser indeferido o seu pedido de redução da multa. A alegação de que a multa de ofício seria confiscatória e, portanto, inconstitucional, não pode ser conhecida no âmbito administrativo. No caso, verificar a eventual existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que a prevê a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. No âmbito do processo administrativo fiscal, por força do caput do art. 59 do Decreto no 7.574/2011, é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as situações descritas no parágrafo único desse dispositivo, in casu, não caracterizadas. O entendimento no sentido de que descabe ao julgador administrativo examinar alegação de inconstitucionalidade consta, inclusive, da Súmula no 2 do CARF aprovada pelo Pleno e pelas Turmas da CSRF, nas sessões realizadas em 8 de dezembro de 2009 e 29 de novembro de 2010, divulgada pela Portaria Carf no 52, de 2010: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". O princípio do não confisco é uma limitação imposta pela Constituição Federal ao legislador ordinário, não podendo este último instituir tributo (e não multa) que tenha efeito confiscatório, e, ainda assim, caso ele o faça, pode a pessoa prejudicada socorrer se no Poder Judiciário, que poderá resguardar o princípio no controle difuso ou concentrado de constitucionalidade das leis. À Administração Tributária, sujeita ao princípio da legalidade, incumbe a fiel execução da lei. Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 10980.724566/201230 Acórdão n.º 3402005.974 S3C4T2 Fl. 1.310 13 Para a configuração no mundo concreto da infração punível com a multa de ofício de 75%, em obediência ao princípio da tipicidade, basta que reste demonstrado a ausência de recolhimento espontâneo dos tributos devidos pelo sujeito passivo. A falta ou insuficiência de recolhimento espontâneo de tributo pelo sujeito passivo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora da sanção correspondente a multa de ofício no seu percentual original de 75%. No caso, o agente administrativo está meramente aplicando a penalidade descrita em lei como adequada e suficiente para a situação concreta retratada nos autos, não havendo qualquer razão para afastála ou reduzila. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13831.720317/2012-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2009, anocalendário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 1. 72 03 17 /2 01 2- 77 Fl. 78DF CARF MF 2 de 2008, em que foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 13.040,00. Também foi objeto do lançamento omissão de rendimentos no valor de R$ 6.748,88. O contribuinte apresentou impugnação parcial (concordou com a autuação no tocante à omissão de rendimentos e pediu o restabelecimento de despesas médicas no valor de R$ 3.500,00), que foi julgada procedente em parte, mediante Acórdão da DRJ Brasília de f. 60/65. A Decisão restabeleceu despesas médicas no montante de R$ 1.000,00 Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 71/74. Em síntese, alega que apresentou todos os documentos solicitados pela autoridade fiscal. Entende que a documentação apresentada é suficiente para comprovar suas alegações. Argumenta que apresentou extratos bancários e planilhas de vinculação dos saques aos pagamentos de despesas médicas, que comprovam o efetivo desembolso. Pugna pelo cancelamento da exigência. É o relatório.. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O pedido limitase a que seja aceito o valor de R$ 3.500,00, a título de despesas médicas. Desse valor, já foi reconhecido pela DRJ o valor de R$ 1.000,00. Analisando a documentação acostada pelo contribuinte, entendo ser suficiente para comprovar seus argumentos e reverter a glosa das despesas médicas efetuadas, no valor por ele reivindicado. A decisão da DRJ entendeu que somente parte dos pagamentos foram comprovados, pois não restou comprovado uma vinculação entre os saques bancários e os recibos apresentados. Neste ponto, divirjo do entendimento manifestado na decisão de primeira instância. É certo que a comprovação das despesas não pode se restringir a meros recibos, devendo o contribuinte fazer prova do efetivo pagamento das deduções pretendidas. O contribuinte alega que efetuou saques de contas e efetuou o pagamento dos profissionais em dinheiro. A análise dos extratos não deve ser efetuada de forma tão restritiva, de modo a só aceitar correspondência exata de datas e valores. Há de ser frisado que o contribuinte apresentou os extratos, realçando estar agindo de forma colaborativa com a fiscalização. Ademais, sua defesa não se baseia em negativas genéricas e em um suposto valor absoluto dos recibos. O recorrente trouxe elementos suficientes para firmar a convicção no sentido de que houve o efetivo desembolso dos valores declarados a título de despesas médicas. Os extratos bancários e apresentados constituem fortes indícios de que suas alegações são procedentes. A análise dos extratos demonstra que foram efetuados, no decorrer do ano calendário, saques em montante que se mostra compatível com o que é pedido pelo recorrente. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13831.720317/201277 Acórdão n.º 2001000.767 S2C0T1 Fl. 3 3 Por estas razões, concluo pela aceitação das deduções com despesas médicas, no valor pleiteado, que considero devidamente comprovadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.002016/2006-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO OCORRÊNCIA
A despeito da Qualycook emprestar seu cadastro para fins de compra de matérias primas, haja vista restrições existentes no mercado quanto à aquisição desses materiais pela Xereta, a Recorrente não conseguiu afastar as imputações fiscais, pois não ficou demonstrado nos autos com documentos hábeis e idôneos que o saldo credor do caixa pertencia A. Xereta, muito menos que pagamentos feitos a terceiros sem causa foram realizados pela La Bella, quem administrou como sindica por um tempo a Xereta.
APLICAÇÃO DA SÚMULA 32 DO CARF.
Súmula CARF no 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence as pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
OMISSÃO DE RECEITA.
A presunção de omissão de receita dada pela Receita encontra guarida no próprio artigo 42 da Lei n° 9.430/96, cabendo àquele que movimentou financeiramente demonstrar cabalmente que os valores não lhes pertenciam.
É o que dispõe inclusive a Súmula 26 do CARF, na qual cita o disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430/96: "A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada."
PRESUNÇÃO LEGAL. ONUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o Onus da prova, transferindo para a contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
A Recorrente deveria trazer aos autos do processo todos os documentos, movimentações, pagamentos feitos pela sua administrada, a empresa Xereta, solicitando inclusive por meio de ação de exibição de documentos em face de outras empresas que administraram como sindicas as contas da Xereta, a apresentação de todos os documentos e pagamentos feitos a terceiros em
nome da empresa Xereta, contudo, não o fez.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS.
Em se tratando de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), a decisão de mérito prolatada processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.808
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO OCORRÊNCIA A despeito da Qualycook emprestar seu cadastro para fins de compra de matérias primas, haja vista restrições existentes no mercado quanto à aquisição desses materiais pela Xereta, a Recorrente não conseguiu afastar as imputações fiscais, pois não ficou demonstrado nos autos com documentos hábeis e idôneos que o saldo credor do caixa pertencia A. Xereta, muito menos que pagamentos feitos a terceiros sem causa foram realizados pela La Bella, quem administrou como sindica por um tempo a Xereta. APLICAÇÃO DA SÚMULA 32 DO CARF. Súmula CARF no 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence as pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. OMISSÃO DE RECEITA. A presunção de omissão de receita dada pela Receita encontra guarida no próprio artigo 42 da Lei n° 9.430/96, cabendo àquele que movimentou financeiramente demonstrar cabalmente que os valores não lhes pertenciam. É o que dispõe inclusive a Súmula 26 do CARF, na qual cita o disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430/96: "A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada." PRESUNÇÃO LEGAL. ONUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o Onus da prova, transferindo para a contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. A Recorrente deveria trazer aos autos do processo todos os documentos, movimentações, pagamentos feitos pela sua administrada, a empresa Xereta, solicitando inclusive por meio de ação de exibição de documentos em face de outras empresas que administraram como sindicas as contas da Xereta, a apresentação de todos os documentos e pagamentos feitos a terceiros em nome da empresa Xereta, contudo, não o fez. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), a decisão de mérito prolatada processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes. Recurso conhecido e não provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-07-17T10:50:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2014-07-17T10:50:47Z; Last-Modified: 2014-07-17T10:50:47Z; dcterms:modified: 2014-07-17T10:50:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:f24de399-6e50-4ec9-bc1f-cd3a51c142c7; Last-Save-Date: 2014-07-17T10:50:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2014-07-17T10:50:47Z; meta:save-date: 2014-07-17T10:50:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2014-07-17T10:50:47Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2014-07-17T10:50:47Z; created: 2014-07-17T10:50:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2014-07-17T10:50:47Z; pdf:charsPerPage: 1939; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2014-07-17T10:50:47Z | Conteúdo => SI-C2T1 Fl. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13830.002016/2006-20 Recurso Voluntário Acórdão n° 1201-000.808 — 2 Camara / la Turma Ordinária Sessão de 8 de maio de 2013 Matéria Auto de Infração - IRPJ, CSLL, Pis, Cofins e IR-Fonte Recorrente QUALYCOOK COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO OCORRÊNCIA A despeito da Qualycook emprestar seu cadastro para fins de compra de matérias primas, haja vista restrições existentes no mercado quanto à aquisição desses materiais pela Xereta, a Recorrente não conseguiu afastar as imputações fiscais, pois não ficou demonstrado nos autos com documentos hábeis e idôneos que o saldo credor do caixa pertencia A. Xereta, muito menos que pagamentos feitos a terceiros sem causa foram realizados pela La Bella, quem administrou como sindica por um tempo a Xereta. APLICAÇÃO DA SÚMULA 32 DO CARF. Súmula CARF no 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence as pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. OMISSÃO DE RECEITA. A presunção de omissão de receita dada pela Receita encontra guarida no próprio artigo 42 da Lei n° 9.430/96, cabendo àquele que movimentou financeiramente demonstrar cabalmente que os valores não lhes pertenciam. É o que dispõe inclusive a Súmula 26 do CARF, na qual cita o disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430/96: "A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada." PRESUNÇÃO LEGAL. ONUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o Onus da prova, transferindo para a contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Processo n° 13830.002016/2006-20 Sl-C2T1 Acórdão n.° 1201-000.808 Fl. 2 A Recorrente deveria trazer aos autos do processo todos os documentos, movimentações, pagamentos feitos pela sua administrada, a empresa Xereta, solicitando inclusive por meio de ação de exibição de documentos em face de outras empresas que administraram como sindicas as contas da Xereta, a apresentação de todos os documentos e pagamentos feitos a terceiros em nome da empresa Xereta, contudo, não o fez. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), a decisão de mérito prolatada processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes. Recurso conhecido e não provido. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Franc Rf.eiro de Queiroz - Presidente. EDITADO EM: .1 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Junior. 2 Processo n° 13830.002016/2006-20 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-000.808 Fl. 3 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado em face da empresa Qualycook Comércio de Alimentos Ltda., quanto a fatos jurídicos tributários ocorridos em 2003 e 2004, fundado em omissão de receita com arbitramento do lucro em razão do contribuinte não possuir escrituração na forma da legislação comercial e fiscal. Nestes termos, cobrou-se IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, com multa de 75%. Houve ainda a autuação quanto ao IR-Fonte em razão de pagamentos a beneficiários não identificados — denominado de pagamento sem causa, com multa de 75%. Vejamos com detalhes os fatos narrados no relatório da fiscalização: Através do Termo de Inicio da Ação Fiscal, foi dado ciência das movimentações financeiras nos anos 2003 e 2004, incompatíveis com as receitas declaradas, intimando a apresentar os Livros Contábeis e Fiscais e os extratos bancários. Apresentou no dia 07/03/2006, os livros contábeis (Diário e Razão do ano 2004), livros fiscais (Registro de Entradas, Saídas, Inventário e Utilização de documentos fiscais e termos de ocorrência), o Contrato Social de Constituição de 01/09/2003, o Contrato Particular de Administração Empresarial e Prestação de Serviços que se fazem entre duas pessoas jurídicas de 08/09/2003 (Contratante a INDUSTRIA E COMÉRCIO DE BISCOITOS XERETA LTDA e Contratada a QUAL YCOOK COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA) e um disquete contendo 4 planilhas em excel denominados pagamentos Xereta 2003 e 2004 e recebimentos Xereta 2003 e 2004. Apresentou no dia 31/03/2006, os extratos bancários do período de 01/09/2003 a 31/12/2004, da conta 28.308-8, Ag. 0061-2, do Banco Bradesco S.A. e extratos do período de 29/04/2004 a 31/12/2004 da conta 0424 26394-5 do Banco loll S.A.. Intimamos a Contratante INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BISCOITOS XERETA LTDA, a apresentar os livros fiscais (Registro de Entrada, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Apuração do IPI), os livros contábeis (Livro Diário e Razão) e vias fixas das notas fiscais, todos do período de 01/9/2003 a 31/12/2004, bem como,intimamos a comprovar o efetivo pagamento de comissões decorrente do Contrato de Administração Empresarial. A movimentação financeira foi plenamente justificado pelos seguintes documentos: - CONTRATO PARTICULAR DE ADMINISTRAÇÃ 0 EMPRESARIAL E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS QUE SE FAZEM ENTRE DUAS PESSOAS JURÍDICAS (doc. Fls. 041 a 3 Processo n° 13830.002016/2006-20 S 1 -C2TI Acórdão n.° 1201-000.808 Fl. 4 044), firmado pela Contratante INDUSTRIA E COMÉRCIO DE BISCOITOS XERETA LTDA. — CNAI 52.045.986/0001-10 e a Autuada; b) - planilhas em Excel (lis. 046 a 057), dos pagamentos e recebimentos efetuados em decorrência do referido contrato, extraídos do sistema contábil da Contratante e c) - extratos da movimentação financeira no banco BRADESCO S/A (fls. 214 a 250). Os pagamentos e recebimentos constantes nas planilhas (lls. 046 a 057) apresentadas pela Autuada, foram extraídos da contabilidade da Contratante INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BISCOITOS XERETA LTDA, de vez que, na pequena amostra (cópia do livro razão de fls. 556 a 562), localizamos registros contábeis coincidente quanto à data, valor e histórico, bem como no documento de fls. 535 a 540, a Autuada afirma o seguinte "pois foram informações colhidas na contabilidade da empresa XERETA e que não refletem, os pagamentos e recebimentos feitos pela empresa QUALYCOOK". Por outro lado, localizamos também diversos créditos (depósitos) e débitos (cheques) nos extratos bancários (fls. 214 a 250), que constam como pagamentos e recebimento nas planilhas. Após análise das documentações apresentadas pela Autuada e pela Contratante (Indústria e Comércio de Biscoitos Xereta Ltda.), elaboramos o TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL (fis. 416 a 533), com a finalidade de: a) — dar ciência da constatação da insuficiência de caixa de R$ 918.466,42 em 30/11/2003 e diferença de R$ 1.602.271,75 entre as disponibilidades apuradas a partir das planilhas de recebimentos e pagamentos e a escrituração contábil; b) — intimar a comprovar a origem dos recursos utilizados no ano de 2003, para suprir a insuficiência de caixa (R$ 918.466,42) e identificar e comprovar os pagamentos da diferença das disponibilidades apuradas (R$ 1.602.271,75). 1) - OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA PELA INSUFICIÊNCIA DE CAIXA (SALDO CREDOR DE CAIXA) DE R$ 918.466,42, OCORRIDO EM 30/11/2003. O Demonstrativo do Saldo de Caixa do período de 26/08/2003 a 31/12/2003 (fls. 420 a 431), anexo do Termo de Constatação e Intimação Fiscal demonstrando insuficiência de caixa (Saldo Credor) de R$ 918.466,42, em 30/11/2003, foi elaborado através das planilhas denominadas "recebimentos Ref 2003" (fls. 046 a 051) e "Pagamentos-Xereta 2003" (fls. 052 a 057), disponibilizadas em meio magnético (disquete). A Autuada alega no documento de fls. 535 a 546, que não existe a insuficiência de caixa, visto que, no ano de 2003 efetuou recebimentos de R$ 1.001.882,98 e pagamentos de R$ 1.000.069,90, apurados através da conta corrente bancária em 4 Processo n° 13830.002016/2006-20 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-000.808 Fl. 5 nome da empresa, junto ao Banco Bradesco S.A. (C/C 28308-8 — Ag. 0061-2) e que "As planilhas entregues a fiscalização são movimentações de créditos e débitos efetuados pela empresa XERETA e não pela empresa QUAL YCOOK, ou seja, nem tudo que foi lançado como pagamento pela empresa XERETA foi pago pelo empresa QUALYCOOK". Alegação improcedente, de vez que, não discrimina e nem comprova os supostos pagamentos efetuados diretamente pela Contratante XERETA, incluidos no demonstrativo do saldo de caixa (lis. 420 a 431), enquanto a fiscalização baseou nos seguintes elementos: a) — A clausula 3' do Contrato Particular de Administração Empresarial e Prestação de Serviços que se fazem entre duas pessoas jurídicas de 08/09/2003 (fls. 041 a 044), dispõe "A empresa QUAL YCOOK, através dos sócios que a compõem terão o controle total do fluxo financeiro da XERETA, tendo sob a sua responsabilidade os recursos para saldar todos os compromissos que forem assumidos ou contratados a partir desta data, necessários ao perfeito e continuo funcionamento da XERETA, inclusive os salários atuais, movimentado em seu nome os seus próprios recursos e os do Administrador, e da XERETA, podendo antecipar valores, fazer aplicações, postergar títulos, sempre sob sua total responsabilidade." b) — alem das planilhas de pagamentos terem sido apresentadas pela Autuada, analisamos o seu conteúdo, mediante confronto com os extratos da movimentação bancária e lançamentos contábeis do livro razão da Contratante, já comentado na parte inicial deste relatório. c) — A empresa Contratante escriturou os recebimentos e pagamentos, nas contas abaixo discriminadas, conforme livro razão de fls. 556 a 562, resultando passivo de R$ 938.985,43, ent 31/12/2003, o que comprova que os pagamentos computados no demonstrativo de saldo de caixa (fls. 420 a 431) foram pagos pela Autuada: ATIVO CIRCULANTE Código da conta Titulo Saldo em 31/12/2003 1.04.7 EMPRÉSTIMOS MOTUO 1.04.7.019 QUALYCOOK COM. ALIM LTDA 389.302,38 1.04.7.020 QUAL YCOOK FACTORING 389.258,39 PASSIVO CIRCULANTE Código da conta Titulo Saldo em 31/12/2003 2.06.1 EMPRESTIMOS - MUTUO 2.06.1.005 QUALYCOOK COM DE ALIM 1.671.179,57 Processo n° 13830.002016/2006-20 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-000.808 Fl. 6 2.06.1.007 EMPREST.QUALYCOOK/XERETA 46.366,63 d) - Alegando problema de saúde do contabilista, não atendeu a intimação de proceder a escrituração contábil do ano de 2003. 2) - PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS/ PAGAMENTOS SEM CAUSA, NO MONTANTE REAJUSTADO DE R$ 2.465.033,46, NO ANO CALENDÁRIO DE 2004. Demonstramos no Termo de Constatação e Intimação Fiscal (item 3 das Constatações), que a disponibilidade efetiva em 31/12/2004, era de RS 1.266.363,18 ao passo que a disponibilidade constante no balanço patrimonial levantado em 31/12/2004 (11s. 181), ajustado com a exclusão das receitas de exportação de R$ 486.100,61 (contabilizado em duplicidade a débito de caixa), o saldo passaria a ser credor em R$ 335.908,57, resultando diferença de R$ 1.602.271,75, correspondente a R$ 1.266.363,18 + R$ 335.908,57. Entretanto após os esclarecimentos prestados no documento de fls. 535 a 546, efetuamos nova análise, quanto à escrituração contábil das receitas da exportação, e percebemos o equivoco ao concluir que houve duplicidade de lançamento a débito na conta caixa. Por ter escriturado unia vez na conta caixa, por ocasião do faturamento e mais uma vez na conta bancos, quando do recebimento da exportação, escriturou em duplicidade nas contas do grupo disponibilidades, entretanto, corno o registro na conta banco (recebimento da exportação) tem a contrapartida a conta caixa, ambas do mesmo grupo (disponibilidades), não gerou nenhum acréscimo indevido das disponibilidades. Outrossim, por ter constatado que os recebimentos dessas exportações no montante de R$ 486.100,61, não constam nas planilhas de recebimentos (lls. 058 a 109), utilizadas para apuração das disponibilidades demonstradas no Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 416 a 419), estamos apresentando a seguir novo demonstrativo. (+) Recebimentos (planilhafls.058 a 109) 18.913.069,39 (-) Pagamentos (planilhafls. 110 a 161) 17.312.445,09 (=) Saldo (Demonstrativofls. 432 a 532) 1.600.624,30 (+) Recebimento das exportações não constante na planilha 486.100,61 (+) Integralização de capital em 01/01/2004 150.000,00 (-) Distribuição de lucros ern 31/12/2004 196.220,00 (-) Despesas Operacionais contabilizados no ano 2004 288.041,12 (--) Disponibilidade em 31/12/2004 1.752.463,79 Processo n° 13830.002016/2006-20 S I -C2TI Acórdão n.° 1201-000.808 Fl. 7 - Disponibilidade conforme Balanço Patrimonial levantado em 31/12/2004: (+) Caixa 95.287,48 (+) Banco 'tali S/A C/C 26394-5 42.901,25 (+) Banco Bradesco S/A C/C 20308-8 12.003,31 (=) Disponibilidades (Balanço de 31/12/2004 — fl. 181) 150.192,04 - A diferença de R$ 1.602.271,75 (R$ 1.752.463,79 — R$ 150.192,04), entre as disponibilidades demonstradas, representa recursos da Contratante Xereta, recebidos pela Autuada, utilizados nos pagamentos a beneficiário não identificados, objeto, do Termo de Constatação e Intimação A Autuada alega no documento de fls. 535 a 546, que a diferença apurada não lhes pertencem, ou seja, não efetuaram esses pagamentos, mas sim, com toda certeza foram feitas pela empresa XERETA e que "As planilhas entregues a fiscalização são movimentações de créditos e débitos efetuados pela empresa XERETA e não pela empresa QUAL YCOOK, ou seja, nem tudo que foi lançado como pagamento pela empresa XERETA foi pago pelo empresa QUALYCOOK". Alegação improcedente, de vez que, não discrimina e nem comprova o destino de R$ 1.602.271,75, de recursos decorrente da execução do Contrato Particular de Administração Empresarial e Prestação de Serviços de fls. 041 a 044, bem como, contesta o conteúdo das planilhas que a própria Autuada entregou àfiscalizacdo. Observe-se que a Autuada demonstra e confirma no documento de fls. 535 a 546 que, no ano de 2004, efetuou saques no montante de R$ 18.993.517,15 dos bancos Bradesco (R$ 13.689.875,96) e Pau (R$ 5.303.641,19), para efetuar os pagamentos de débitos da Contratante Xereta, enquanto o total de pagamentos constante nas planilhas apresentada pela Autuada é de R$ 17.312.445,09 (fls. 110 a 161), com diferença entre os recursos movimentados em bancos e os pagamentos constantes nas planilhas de R$ 1.681.072,06, diferença levemente maior que o apurado e demonstrado de R$ 1.602.271,75, neste item 2 deste Relatório Fiscal. Por outro lado, cumpre observar que as movimentações financeiras, escrituradas nas contas Bancos conforme livro razão de fls. 185 a 212, pelos totais dos créditos e cheques emitidos no Ines, tendo como contrapartida a conta caixa, além de não individualizar as operações (recebimentos e pagamentos), não serve, por ser contas do mesmo grupo DISPONIBILIDADES, para demonstrar a origem e nem o destino dos recursos pertencente a Contratante INDUSTRIA E COMERCIO DE BISCOITOS XERETA LTDA. 7 fr Processo n° 13830.002016/2006-20 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-000.808 Fl. 8 Para a escrituração contábil demonstrar fielmente os atos praticados na execução dos serviços contratados pela INDUSTRIA E COMÉRCIO DE BISCOITOS XERETA LTDA., deve escriturar os recebimentos e pagamentos em contas próprias, de maneira que o saldo represente recursos de terceiros em seu poder, possibilitando o confronto com o escriturado nos livros contábeis da Contratante ou ainda servir para PRESTAÇÃ ODE CONTAS. A base de cálculo tributável do imposto de renda na fonte de R$ 2.465.033,46, corresponde a diferença de R$ 1.602.271,75, reajustado nos termos do artigo 20 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 06/02/2001. Os documentos trazidos aos autos são: FLS.: DESCRIÇÃO: 001 a 002. Mandados de Procedimento Fiscal e Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF 003 a 023. Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo e respectivos Autos de Infração e demonstrativos 024 a 030 Relatório Fiscal anexo aos Autos de Infração lavrados 031 a 034 Contrato Social de 01/09/2003 034 a 036 Termo de Inicio da Ação Fiscal de 26/01/2006 037 Pedido de prorrogação de prazo de 07/02/2006 038/039 Termo de Intimação Fiscal de 09/02/2006 040 Termo de Retenção de 07/03/2006 041 a 044 Contrato Particular de Administração Empresarial e Prestação de Serviços que fazem entre duas pessoas jurídicas de 08/09/2003 045 Certidão n°217/2003 da I" Vara de Trabalho de Marl/ia 046 a 051 Planilha "Recebimentos Ref 2003" 052 a 057 Planilha "Pagamentos Xereta 2003" 058 a 109 Planilha "Recebimentos Xereta 2004" 110 a 161 Planilha "Pagamentos Xereta 2004" 162 a 182 Livro Diário Geral do período de 01/01/2004 a 31/12/2004 183/184 Balancete de Verificação levantado em/37/12/2004 Destaca-se, dentre as intimações feitas pela Receita Federal, uma que trata da distribuição de lucros aos sócios e a solicitação de escrituração de livros contábeis: Processo n° 13830.002016/2006-20 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-000.808 Fl. 9 Diante do exposto, requer-se a prestação do relacionado nos itens a seguir: 1 — Comprovar a efetiva distribuição de R$ 196.220,00, a títulos de lucros, aos sócios em Prazo — 10 dias 31/12/2004 2— Informar as contas utilizadas para apuração dos Custos das Mercadorias Vendidas 3 — Comprovar a origem dos recursos utilizados no ano de 2003, para suprir a insuficiência de caixa de R$ 918.466,42 eni 30/ 11/2003 4 - Identificar e apresentar comprovante dos pagamentos no montante de R$ 1.602.271,75 (diferença entre as disponibilidades apuradas no item 3 das Constatações) 5 — Demonstrar e apresentar comprovantes do efetivo recebimento da remuneração pela prestação de serviços Ind. e Com. De Biscoitos Xereta Lida, decorrente do contrato firmado em 08/09/2003. 6— Escriturar e apresentar os livros contábeis (Diário e Razão) do ano 2003 A autuada, conforme documentos juntados 202 e seguintes escriturou no razão apenas despesas, pagamentos de pro-labore, salários, FGTS etc. próprios, não realizando qualquer escrituração de valores relativos à Xereta. Juntou-se ainda nos autos os extratos bancários apresentados pela Recorrente, do período de 01/09/2003 a 31/12/2004, conforme fls. 214 e seguintes. A contribuinte impugnou o lançamento fiscal, tratando da questão d ac ilegitimidade passiva e do mérito, buscando justificar as diferenças de saldo de caixa e demonstrar que não houve pagamentos a beneficiários não identificados. Foram juntados na impugnação extratos bancários da empresa La Bella Comercial, tida como sindica da massa falida, na qual efetuou alguns recebimentos e pagamentos em nome da empresa Xereta em 2003, dai combater a informação de sobra de caixa na contabilidade da empresa Xereta. Destaca-se ainda, após ajuntada de documentos da empresa La Bella e notas fiscais de operações em nome da Xereta, que o contribuinte apresenta os seguintes esclarecimentos: Esclarecimentos Como pode-se verificar ocorreram várias situações em que a Xereta atribui quitação de seus débitos a Qualycook, porém, os recursos não sairam da conta bancária desta. Inicialmente se analisarmos o razão da Xereta, c/ 2.06.1.005 — Qualyccok Com. de Alin). tem como lançamento inicial em 05/09/2003, pagamento da nota fiscal 5947 Sperafico Moinhos Ltda., no valor de R$ 21.735,00, portanto referida nota foi paga 9 Processo If 13830.002016/2006-20 SI-C2T1 Acórao n.° 1201-000.808 Fl. 10 efetivamente por LA BELLA COMERCIAL LTDA., valor este controlado através da planilha anexa. Em seguida a Xereta atribui como quitação nota fiscal n. 2628 — pf LA BELLA no valor de R$ 27.500,00, porém, referida nota não foi quitada e sim creditada para a LA BELLA conforme lançamento na conta corrente retro mencionado. Estão sendo juntados comprovantes onde demonstram claramente que os pagamentos atribuidos pela Xereta. Qualycook, tiverem suas origem na LA BELLA, cujos valores foram controlados através do conta corrente. Logo se o saido devedor da Qualycook em 30/11/2003 junto LA BELLA importava em R$ 943.712,47, valor este não levado em conta pelo Auditor na apuração do SALDO CREDOR DE CAIXA, de 918.466,42, mencionado no item 1) do RELATORIO FISCAL, fls. 25/27) fica cabalniente comprovado a não existência de tal situação. oportuno lembrar que esses esclarecimentos .16 foram prestados (lis. 535 a 546), onde foi apresentado planilha demonstrando os efetivos pagamentos efetuados para a Xereta. A DRJ manteve o lançamento, conforme voto abaixo transcrito. Do que consta dos autos, notadaniente das certidões acostadas sob fls. 45 e 552, verifica-se que no âmbito da Ação Civil Pública n. 1501/2002-6, que tramitou pela 2a Vara do Trabalho de Manha, movida pelo Ministério Público do Trabalho em face de Indústria e Comércio de Biscoitos Xereta Ltda., decorrente de audiência realizada em 26/08/2003, foi nomeado para exercer as atividades administrativas e mercantis o senhor Roberval Dias Martins. Foram-lhe concedidos poderes para firmar contratos de prestação de serviços com outras empresas, ficando pessoalmente responsável por todos os atos de gerência praticados relativamente á. Biscoitos Xereta. Posteriormente, em 13/10/2004, foi decretada a falência da Biscoitos Xereta, com determinação para que o estabelecimento fosse lacrado. Em decisão prolatada no dia 14/10/2004 o juizo da falência autorizou a continuação dos negócios da falida, tendo sido nomeado administrador provisório o senhor Roberval Dias Martins. Em 09/11/2004 foi tomado o compromisso de sindica da requerente do pedido de falência, Technoprint Embalagens Técnicas Ltda. Em 17/06/2005 revogou-se a nomeação de Technoprint nomeando-se sindica La Bella Comercial Ltda. Em face do que foi exposto, constata-se que carecem de fundamento as alegações vertidas na peça impugnat6ria que pretendem atribuir à sociedade empresária La Bella pagamentos efetuados em nome da contribuinte. Conforme se depreende da certidão de fls. 552 a La Bella fora designada sindica da Biscoitos Xereta em 17/06/2005. No caso presente, os fatos geradores objeto do lançamento tributário ocorreram nos anos- 10 Processo n° 13830.002016/2006-20 SI-C2T1 Acórdão rt.° 1201-000.808 Fl. 11 calendário de 2003 e 2004. Assim, por incompatibilidade lógica, não há como considerar as alegações da contribuinte. Trata-se de analisar lançamento referente ao IRPJ e reflexos, em que foi arbitrado o lucro da contribuinte, pela circunstancia de que a escrituração contábil não fora apresentada a administração tributária. Tal forma de apuração do resultado tributável encontra respaldo no art. 530, I, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), de 1999, adiante transcrito: (...) No que diz respeito ao arbitramento, vale observar que se trata de prerrogativa que assiste a autoridade e permite, presuntivamente, apurar-se resultado econômico sempre que o contribuinte deixar de apresentar a autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial. Trata-se de conseqüência que a lei deduz e que permite considerar-se como verdadeiro o resultado obtido, até prova em contrario. 0 principal atributo da presunção relativa é o de inverter o ónus da prova contra o sujeito passivo, autorizando o fisco a presumir a ocorrência do fato gerador pela verificacdo da situação tipificada em lei, como, no caso vertente, quanto ao saldo credor de caixa. É a forma encontrada pelo legislador para estimar a base imponivel na situação em que outra modalidade (lucro real ou presumido) não seja possível de se aferir. Em vista de que a impugnante, a despeito das instancias da autoridade tributária, não apresentou os livros fiscais exigidos pelo fisco, tampouco regular escrituração contábil, procedeu-se ao arbitramento do lucro, em conformidade com o permissivo insculpido no art. 530 do RIR/2000. Contrariamente ao que alegou, inexistiu cerceamento de defesa, haja vista que a possibilidade de apresentação de documentos na fase imptignatória seria perfeitamente aceitável. Entretanto, a contribuinte limita-se a tecer argumentação destituída de base probatória apta a justificar o alegado. Registre-se que a alegação apresentada pela contribuinte para não exibir os documentos exigidos pela fiscalização repousou na justificativa de que seu contabilista apresentava problemas de saúde. Da posterior juntada de documentos No que diz respeito ao pedido de juntada posterior, veiculado ao final da peça impugnatória, eventual pretensão da contribuinte encontrará guarida apenas se estiver enquadrada em alguma das exceções previstas no sç 4° do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972, que instituiu o Processo Administrativo Fiscal (PAF) a saber: I1 # Processo no 13830.002016/2006-20 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-000.808 Fl. 12 Da constituição da Qualycook Alega a contribuinte que fora constituída com o fim exclusivo de prestar serviços nas áreas comercial e financeira para a Biscoitos Xereta em face da situação periclitante por que ela passava. Conquanto um de seus objetivos possa efetivamente ter sido o de prestar apoio à Biscoitos Xereta, a cláusula 3 de seu contrato estabelece como objeto social "comercialização, industrialização, importação, exportação de alimentos e serviços de administração e consultoria a outras empresas de alimentos". São improcedentes as alegações de que a contribuinte fora constituída por expressa determinação judicial para atender exclusivamente a. Biscoitos Xereta. De fato, conforme consta da certidão n. 217/2003 45) o provimento jurisdicional estabeleceu como responsável pela administração o senhor Roberval Dias Martins. Dentre as prerrogativas concedidas ao senhor Rob erva! uma delas foi a de contratar prestação de serviços. Nesse diapasão é que fora lavrado o contrato particular de administração tendo como contratante Biscoitos Xereta e como contratada a contribuinte. Ademais, o acordo firmado entre a contribuinte a Biscoitos Xereta não pode ser oposto com a finalidade de desobrigá-la da responsabilidade pelo pagamento de tributos, a teor do que preceitua o art. 123 do Código Tributário Nacional: Tampouco sobrevive a alegação de que a contribuinte jamais teve receita própria. Se não fosse pela previsão contratual que estabelece até cinco por cento do fat uramento bruto da Biscoitos Xereta como remuneração pelos serviços prestados, existiu a distribuição dos lucros que decorreram de receita da exportação efetuada pela Qualycook, objeto da intimação «is. 416). Por fim, há que se considerar que a própria impugn ante declarou receitas à administração tributária, a teor do que consta da declaração relativa ao anocalendário de 2004. Do lançamento tributário Cumpre deixar consignado, diversamente do que alegou a contribuinte, que as informações relativas a Biscoitos Xereta serviram para aferir a movimentação de caixa, da qual restou saldo credor de R$918. 466,42 em 2003, apurado a partir do confronto entre as planilhas de recebimentos e pagamentos e a escrituração contábil, além do valor de R$1.602.271, 75 em 2004, obtido do cotejo entre recebimentos e pagamentos e demais ajustes descritos no demonstrativo de fl. 028. A autoridade fiscal valeu-se de tais informações em vista da renitência da contribuinte em fornecer os registros contábeis. Descabe alegar utilização indevida de prova emprestada porquanto o procedimento fiscal tem natureza inquisitória e prescinde do concurso da outra parte, no caso, a contribuinte, para apuração da matéria tributável. No caso vertente, a 12 Processo n° 13830.002016/2006-20 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-000.808 Fl. 13 impugn ante fora cientificada a apresentar suas alegações para contrapor o que a fiscalização havia constatado, conforme se depreende da intimação de fls. 416/533, o que foi feito nos termos da resposta de 08/05/2006 (fls. 535/546). Ademais, ainda que a autuada não tivesse sido instada a inanifestar-se durante o procedimento fiscal, a fase imp ugnatória é o momento propicio para alegar e contrapor toda matéria de defesa, sem qualquer ofensa ao principio constitucional do contraditório e ao da ampla defesa. importante ressaltar que a fiscalização viu-se compelida a intimar a Biscoitos Xereta em razão da resistência da contribuinte em prestar as informações que lhe foram requeridas. Na adoção da sistemática de arbitramento da base de cálculo a autoridade fiscal pode se utilizar não só do método previsto no art. 284 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n. 3000, de 1999 (RIR /1999), como de outro que sirva aos mesmos propósitos quando constatado que o contribuinte valeu-se de artificios com vistas a frustrar a apuração do resultado efetivo. Trata-se de conseqüência que a lei deduz e que permite considerar-se como verdadeiro o resultado obtido, até prova emn contrário. 0 principal atributo da presunção relativa é o de inverter o ónus da prova contra o sujeito passivo, autorizando o fisco a presumir a ocorrência do fato gerador pela verificação da situação tipificada em lei, como, no caso vertente, quanto ao saldo credor de caixa. A caracterização do fato gerador dos tributos está ligada a falta de justificativa para o que fora apurado pela fiscalização, conforme a dicção da lei. Nesse sentido a tributação por omissão de receitas decorrente de uma presunção legal em nada fere o conceito legal de fato gerador a que se refere o art. 43 do CTN. Ao revés, tal presunção, como fez a fiscalização no caso vertente, vem no sentido de reforçar o fato de que o sujeito passivo adquiriu a disponibilidade econômica ou jurídica dos valores apurados. Pelo que a verdade (seja material ou formal) que dimana dos autos é a de que o contribuinte teve a disponibilidade de um acréscimo patrimonial, como decorrência direta de saldo credor de caixa. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Trata-se de presunção júris tantum, que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte a sua produção. E o que se depreende da leitura do artigo 334 do Código de Processo Civil (CPC), cujos preceitos aplicam-se subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal (PAF): 13 ff Processo n° 13830.002016/2006-20 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-000.808 Fl. 14 Com essa nova previsão legal, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do principio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tab somente a in questionável observância do novo diploma. Seguindo as normas legais aplicáveis a espécie, a fiscalização identificou os lançamentos efetuados nas contas de depósito, tomados com base nos extratos bancários, tendo intimado a contribuinte a comprovar as operações efetuadas a crédito das contas correntes mantidas em seu nome ou então a comprovar o trânsito pelas contas de resultado. No que diz respeito a parte do lançamento que trata de pagamentos a beneficiários não identificados, vale observar que a base de cálculo fora obtida a partir das informações prestadas pela Biscoitos Xereta, que retratam não s6 o fluxo de recebimentos e pagamentos como também outros desembolsos e ingressos obtidos das informações prestadas pela contribuinte. Especificamente quanto aos recebimentos e pagamentos, em relação aos quais a fiscalização obteve os valores de R$18. 913.069,39 e R$17.312.334,09 (fl. 417), respectivamente, embora tivessem sido demonstrados destacadamente por lançamento nas planilhas apresentadas à contribuinte, esta limitou-se a informar totais de recebimento e pagamento 537) sem qualquer comprovação de como obtivera tais valores, o que não se presta para justificar suas alegações. importante salientar que as informações relativas aos recebimentos e pagamentos efetuados em face de Biscoitos Xereta prestaram-se a identificar que seu caixa era suprido pela Qualycook sob a modalidade de empréstimos, o que corrobora o fato de que a alegada exclusividade na prestação de serviços não existiu. Afinal, de onde provieram os recursos para efetuar os empréstimos? Nesse diapasão, tais informações caracterizam elemento de prova a identificar o saldo credor de caixa em uni período e os pagamentos a beneficiários não identificados em outro. Em vista de que não apresentou instrução probatória suficiente para afastar o que fora obtido presuntivamente, lavrou-se a imposição tributária. Verifica-se, por conseguinte, que não há reparos a serem feitos ao procedimento da fiscalização, que lançou tributo sobre a receita, considerada omitida por presunção, da qual decorreu a base para o arbitramento do resultado. 14 f‘ Processo n° 13830.002016/2006-20 Sl-C2T1 Acórdão n.° 1201-000.808 Fl. 15 Pois bem, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus pro bandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratando-se antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. 0 sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, teto só incumbe-lhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias en que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Nesse sentido, é imprescindível que as provas e argumentos carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo Fisco. Dos tributos reflexos Os lançamentos relativos et Contribuição Social, Cofins e ao PIS objeto do presente processo constituem reflexos da exigência pertinente ao IRRI. Conforme explanação feita nos itens precedentes deste voto, foi confirmada integralmente a exigência, inclusive no tocante et multa de oficio e aos juros de mora aplicados. Desta forma, tendo os lançamentos em questão se pautado nos estritos limites da legislação de regência, deve ser mantido integralmente o crédito tributário apurado em relação a Contribuição Social, Cofins e ao PIS, dado seu caráter reflexivo. Em função de tudo o que foi anteriormente exposto, voto pela manutenção do crédito tributário lançado. A contribuinte foi intimada do resultado do julgamento de primeira instância administrativa em 19 de novembro de 2011. Inconformada com a decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 14 de dezembro de 2011, alegando que: a) JAMAIS teve qualquer receita própria e JAMAIS realizou qualquer operação que pudesse ser entendido como mercantil; b) Limitou-se ao cumprimento de decisão judicial, visando administrar e saldar todos os compromissos que forem assumidos ou contratados a partir de 08/09/2003, necessários ao perfeito e continuo funcionamento da Xereta, inclusive os salários atuais, única forma desta empresa se manter viva e seus fornecedores, empregados etc., receberem aquilo que lhes pertencia; c) Com isso a empresa tinha como atividade a administração financeira da Xereta, agindo como mera intermediária; d) Quem faturou, quem vendeu, quem produziu, quem teve movimentação econômica foi a Xereta; Processo n° 13830.002016/2006-20 SI-C2T1 AcOrddo n.° 1201-000.808 Fl. 16 e) Assim, alega ilegitimidade passiva na autuação. Este é o relatório. Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso 0 Recurso é tempestivo e atende os requisitos legais, por isso o conheço. Inicialmente, considerando o fato da contribuinte ter alegado em seu Recurso apenas a questão da ilegitimidade passiva no lançamento, entendo que a mesma perdeu a oportunidade de rebater novamente as imputações quanto ao mérito, especificamente quanto As operações pagas pela La Bella, como bem fez em sua impugnação, juntando inclusive documentos. Não apresentando em seu Recurso os mesmos fundamentos da impugnação, cumpre a esse julgador analisar aquilo que a mesma recorre, de forma a atender os interesses processuais, que de certa parte são limitados aos interesses do contribuinte trazidos em seu petitório. Desta feita, cumpre-nos analisar, apenas, se o sujeito passivo que deveria ser autuado seria a Qualycook ou a Xereta, considerando o fato de que as provas trazidas nos autos não foram suficientes para permitir A fiscalização e A DRJ afastar as imputações fiscais. Nestes termos, passemos ao nexo A. investigação da sujeição passiva. Inicialmente, destaca-se de plano que parte a da matéria a ser enfrentada está sob o manto de aplicação de Súmula do CARF: Súmula CARF n° 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hail e idônea o uso da conta por terceiros. Segundo o contrato trazido de administração e gestão financeira trazido nos autos, as operações financeiras originaram das atividades da empresa Xereta, a despeito da Qualycook emprestar seu cadastro para fins de compra de matérias primas, haja vista restrições existentes no mercado quanto A aquisição desses materiais pela Xereta, visto sua situação financeira comprometida. Esse documento é importante para se gerar um nexo com terceiros, contudo não é suficiente para afastar as imputações fiscais, pois não ficou demonstrado nos autos com documentos hábeis e idôneos que o saldo credor do caixa pertencia A. Xereta, muito menos que pagamentos feitos a terceiros sem causa foram realizados pela La Bella, quem administrou como sindica por um tempo a Xereta. A presunção de omissão de receita dada pela Receita encontra guarida no próprio artigo 42 da Lei n° 9.430/96, cabendo àquele que movimentou financeiramente demonstrar cabalmente que os valores não lhes pertenciam. 16 Processo n° 13830.002016/2006-20 SI-C2T1 Acórclao n.° 1201-000.808 Fl. 17 o que dispõe inclusive a Súmula 26 do CARY, na qual cita o disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430/96: "A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada." Portanto, se Recorrente movimentou valores financeiros em suas conta bancárias pertencentes à terceiros, deveria ser a maior interessada em trazer aos autos do processo todos os documentos, movimentações, pagamentos feitos pela sua administrada, a empresa Xereta, solicitando inclusive por meio de ação de exibição de documentos em face de outras empresas que administraram como sindicas as contas da Xereta, a apresentação de todos os documentos e pagamentos feitos a terceiros em nome da empresa Xereta. Não o fazendo, acabou não se enquadrando na parte final no disposto na Súmula 32 do CARF, quando tratou da exceção. Com isso, os valores creditados e movimentados pela Qualycook, a despeito de se tratar aparentemente de operações relativas à Xereta, devem ser minuciosamente comprovados e demonstrados, para não gerar nenhuma presunção negativa A. Recorrente, até mesmo porque qualquer diferença apurada será imputada A. detentora da conta que teve o crédito de valores, confirmando a sujeição passiva da Recorrente. Diante do exposto, considerando que a única tese aventada pela recorrente se dá quanto à ilegitimidade passiva, e considerando os argumentos trazidos neste decisum, CONHEÇO do recurso e NEGO-LHE PROVIMENTO. como voto! fae /CO. uso - Relator 17
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