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Numero do processo: 10886.720704/2015-22
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
Numero da decisão: 2002-000.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente MARIA ASSUNCAO FRANCESCONI DOS SANTOS MARTINS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 72 07 04 /2 01 5- 22 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10886.720704/201522 Acórdão n.º 2002000.390 S2C0T2 Fl. 88 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 3/7), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2013. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir de R$926,06 para saldo de imposto a pagar de R$2.227,19. A notificação noticia a omissão de rendimentos no valor de R$27.685,44, de duas fontes pagadoras. Impugnação Cientificada à contribuinte (fl.29), a NL foi objeto de impugnação, em 14/7/2015, às fls. 2/16 dos autos, na qual alega que teria sido diagnosticada com moléstia grave em julho de 2012, tendo, por decorrência, apresentado declaração retificadora para excluir da tributação metade dos rendimentos auferidos naquele ano. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente em decisão assim ementada (fls. 46/50): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 Ementa: PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei 7.713/1988 e alterações. Tal isenção está condicionada a comprovação da doença mediante laudo pericial emitido de modo conclusivo por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e se aplica aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo ou parecer, quando a moléstia for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 31/8/2016 (fl. 54), a contribuinte, em 23/9/2016 (fl. 56), apresentou recurso voluntário, às fls. 56/79, no qual alega, em apertado resumo, que: Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10886.720704/201522 Acórdão n.º 2002000.390 S2C0T2 Fl. 89 3 seria aposentada da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão desde 15/10/1998 e, da Ibascaf, desde 22/6/1999, conforme documentos juntados ao seu recurso atestariam. o laudo apresentado teria sido emitido por instituição que tem convênio com o SUS, tendo sido o local onde teria se dado sua cirurgia e seu tratamento. Ressalta que a sua cidade não dispõe de centro de atendimento oficial da União para o tipo de tratamento realizado. restariam preenchidos e comprovados todos os requisitos necessários, requerendo o cancelamento do lançamento fiscal. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre rendimentos recebidos pela recorrente de duas fontes pagadoras, Instituto de Benef. e Assist. aos Serv. Mun de Cabo Frio e da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (fl.5), os quais ela alega seriam isentos do IR a partir da metade do anocalendário 2012 por serem decorrentes de aposentadoria e ser ela portadora de moléstia grave. O colegiado de primeira instância entendeu que nenhuma das condições necessárias para o reconhecimento da isenção pleiteada foi cumprida pela contribuinte, como registrado no trecho reproduzido a seguir: Do dispositivo legal mencionado, inferese que duas condições básicas devem ser preenchidas pelo candidato à isenção em pauta, sendo a primeira que os rendimentos recebidos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e a segunda concernente à comprovação do estado de moléstia grave, mediante laudo médico oficial. Examinamos os documentos apresentados e constatamos que as exigências legais para o reconhecimento da isenção pleiteada não foram cumpridas. Não restou devidamente comprovado que os rendimentos declarados se tratam de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, conforme legislação citada. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10886.720704/201522 Acórdão n.º 2002000.390 S2C0T2 Fl. 90 4 E, relativamente ao estado de moléstia grave, o Laudo Médico da Secretaria de Saúde do Município de Cabo Frio, datado de 20/05/2013 comprova que contribuinte é portadora de doença grave, porém, é omisso quanto à data de início da doença. Verificase que, somente o Laudo Médico, não oficial, do Centro de Oncologia, menciona outubro de 2012 como data de início da doença. Com efeito, constatase que não foram preenchidos cumulativamente os requisitos necessários para usufruir a isenção por moléstia grave prevista em lei sobre os rendimentos declarados no ano de 2012. Sobre os requisitos para gozo dessa isenção, transcrevo a Súmula CARF nº 63, de observÂncia obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Em seu recurso, a recorrente comprova que os rendimentos das duas fontes pagadoras decorrem de aposentadoria (fls. 59/60 e 66/73). Entretanto, no tocante à comprovação da moléstia grave, não foi sanada a falha apontada na decisão a quo. Como consignado naquela decisão, o laudo médico oficial, à fl. 15, foi emitido em 20/5/2013 e não aponta a data de início da doença e, portanto, não se revela hábil a fazer a prova quanto à existência da moléstia no anocalendário 2012, objeto destes autos. A avaliação médicopericial de fl.61, emitida em 24/5/2013, também não indica a data de início da doença. Por seu turno, o laudo médico de fl. 10, emitido em 26/7/2013, que aponta que a recorrente foi submetida a procedimento cirúrgico em 16/10/2012, além de não atestar o início da doença em julho de 2012, como alega a recorrente, não se trata de laudo médico oficial, como exigido pela legislação de regência, reproduzida na decisão recorrida. O fato da entidade emitente desse laudo ser conveniada ao SUS não a equipara à condição de serviço médico oficial. O SUS não é entidade, não possui personalidade jurídica, sendo apenas uma forma de organização da prestação de atendimento médico à população pelo Poder Público, que tanto pode ser prestado por instituições públicas como por entidades privadas, mediante convênio. Por fim, a alegação da inexistência de serviço médico oficial da União que ofereça tratamento de câncer na sua cidade não a socorre, visto que o laudo pode ser emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados ou dos Municípios, não sendo necessariamente aquele responsável pela realização do tratamento. Registrese que a recorrente juntou laudos médicos oficiais, o que vai contra o seu argumento de impossibilidade de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10886.720704/201522 Acórdão n.º 2002000.390 S2C0T2 Fl. 91 5 obtenção do documento exigido. Não obstante, os documentos não se prestam a comprovar a existência da doença no anocalendário 2012. Assim, sem reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.913627/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 13 62 7/ 20 09 -5 0 Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10830.913627/200950 Resolução nº 3302000.843 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos comprobatórios (peças judiciais de mandado de segurança por ele impetrado, partes da DIPJ, DCTF e da Demonstração do Resultado do Exercício) e requereu a reforma da decisão de origem, alegando que o crédito pleiteado era decorrente de receitas financeiras auferidas por empresa sucedida, tendo a incidência da contribuição (PIS/Cofins) se dado sob amparo do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, que promoveu o alargamento de sua base de cálculo, para além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias e serviços, alargamento esse declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de demonstração da composição e da existência do crédito e de provas hábeis a comprovar sua liquidez e certeza. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, trouxe aos autos cópias de planilhas identificadas como Balancete, Balanço, Lalur e Razão e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10830.913627/200950 Resolução nº 3302000.843 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.833, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.913618/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.833 Voto vencedor): Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao fato de estar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em seu voto, o i. relator entendeu que os documentos acostados aos autos demonstram a existência do crédito pleiteado pela recorrente, possibilitando a compensação requerida. Todavia, não constam, no processo, documentos necessários à demonstração da natureza de algumas receitas no caso, atinentes à participação em outras sociedades , as quais poderiam servir de base de incidência de PIS/COFINS e, assim, influenciar na apuração do crédito alegado pela recorrente. Nesse sentido, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10830.913627/200950 Resolução nº 3302000.843 S3C3T2 Fl. 5 4 Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 311DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720603/2016-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
NULIDADE.
Não procedem as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
IRPJ. FORMA DE APURAÇÃO. FATO GERADOR ANUAL.
Tendo optado pela forma de apuração anual do IRPJ, o fato gerador do tributo ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE ANOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE.
Comprovado que a contribuinte possui saldo de prejuízo fiscal/base negativa de CSLL de anos anteriores não utilizado, é permitida a compensação com a base apurada em procedimento fiscal.
DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL, ao PIS e à Cofins dele decorrente.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. RECEITAS DE ATIVIDADES TÍPICAS DE CORRETORA. TRIBUTAÇÃO.
Comprovado que as receitas são decorrentes de atividades típicas de sociedade corretora de valores, mantém-a tributação respectiva.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECEITAS DE ATIVIDADES TÍPICAS DE CORRETORA. TRIBUTAÇÃO.
Comprovado que as receitas são decorrentes de atividades típicas de sociedade corretora de valores, mantém-a tributação respectiva.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, exceto se a impugnante demonstrar, via requerimento à autoridade julgadora, a ocorrência das condições previstas na legislação para apresentação de provas em momento posterior.
IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA.
A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento questionado.
PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS DO FATO GERADOR.
O prazo decadencial, não existindo situação de dolo ou fraude, é de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1201-002.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli.
(assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. IRPJ. FORMA DE APURAÇÃO. FATO GERADOR ANUAL. Tendo optado pela forma de apuração anual do IRPJ, o fato gerador do tributo ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE ANOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. Comprovado que a contribuinte possui saldo de prejuízo fiscal/base negativa de CSLL de anos anteriores não utilizado, é permitida a compensação com a base apurada em procedimento fiscal. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao IRPJ aplicase à CSLL, ao PIS e à Cofins dele decorrente. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. RECEITAS DE ATIVIDADES TÍPICAS DE CORRETORA. TRIBUTAÇÃO. Comprovado que as receitas são decorrentes de atividades típicas de sociedade corretora de valores, mantéma tributação respectiva. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECEITAS DE ATIVIDADES TÍPICAS DE CORRETORA. TRIBUTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 03 /2 01 6- 54 Fl. 822DF CARF MF 2 Comprovado que as receitas são decorrentes de atividades típicas de sociedade corretora de valores, mantéma tributação respectiva. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, exceto se a impugnante demonstrar, via requerimento à autoridade julgadora, a ocorrência das condições previstas na legislação para apresentação de provas em momento posterior. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento questionado. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS DO FATO GERADOR. O prazo decadencial, não existindo situação de dolo ou fraude, é de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli. (assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Presidente em exercício. (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório O acórdão nº 1676.987, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo (DRJ/SPO), deu parcial provimento à impugnação administrativa, conforme se extrai da sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 823DF CARF MF Processo nº 16327.720603/201654 Acórdão n.º 1201002.304 S1C2T1 Fl. 823 3 Anocalendário: 2011, 2012 IRPJ. FORMA DE APURAÇÃO. FATO GERADOR ANUAL. Tendo optado pela forma de apuração anual do IRPJ, o fato gerador do tributo ocorre em 31 de Dezembro de cada ano calendário. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE ANOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. Comprovado que a contribuinte possui saldo de prejuízo fiscal/base negativa de CSLL de anos anteriores não utilizado, é permitida a compensação com a base apurada em procedimento fiscal. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao IRPJ aplicase à CSLL, ao PIS e à Cofins dele decorrente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011, 2012 RECEITAS DE ATIVIDADES TÍPICAS DE CORRETORA. TRIBUTAÇÃO. Comprovado que as receitas são decorrentes de atividades típicas de sociedade corretora de valores, mantéma tributação respectiva. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011, 2012 RECEITAS DE ATIVIDADES TÍPICAS DE CORRETORA. TRIBUTAÇÃO. Comprovado que as receitas são decorrentes de atividades típicas de sociedade corretora de valores, mantéma tributação respectiva. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, exceto se a impugnante demonstrar, via requerimento à Fl. 824DF CARF MF 4 autoridade julgadora, a ocorrência das condições previstas na legislação para apresentação de provas em momento posterior. AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento questionado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS DO FATO GERADOR. O prazo decadencial, não existindo situação de dolo ou fraude, é de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls.563567, em ação fiscal empreendida junto à contribuinte supramencionada, para verificação de sua regularidade tributária relativa aos anoscalendário 2011 e 2012, a fiscalização apurou os fatos descritos a seguir: O Banco Central do Brasil (Bacen) encaminhou à RFB relatório indicando indícios de irregularidades de natureza fiscal envolvendo transferências irregulares de rendas de aplicações financeiras e de corretagens da Solidez Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários Ltda (Solidez) para a conta do sócio Sr. Chao En Ming, CPF 019.210.35803. Foram identificados débitos sistemáticos nas seguintes contas de receitas da corretora: Rendas de Aplicações Compromissadas, Cosif 7.1.4.10 Rendas de Títulos de Renda Fixa, Cosif 7.1.5.10 Rendas de Corretagens em Operações em Bolsas, Cosif 7.1.7.60 As contrapartidas eram a crédito na conta corrente nº 45.4008 do sócio Sr. Chao En Ming na corretora, ocasionando expressiva redução de receitas da Solidez. Fl. 825DF CARF MF Processo nº 16327.720603/201654 Acórdão n.º 1201002.304 S1C2T1 Fl. 824 5 Diante disso, a empresa foi intimada a apresentar balancetes dos anoscalendário 2011 e 2012 com as contas dos grupos 7 (contas de resultado credoras) e 8 (contas de resultado devedoras); livro de apuração do lucro real (Lalur) do período e detalhamento dos lançamentos nas referidas contas de receita e contrapartidas no grupo 4.9.5.30.02.00001 com destaque na conta 45.4008. Após análise dos documentos apresentados, constatouse lançamentos a débito nas contas de receita a seguir: 7.1.4.10.10.0001: Rendas de Aplicações em Operações Compromissadas – Posição Bancada 7.1.5.10.00.0001: Rendas de Títulos de Renda Fixa – LFT Livres 7.1.7.60.00.0002: Rendas de Corretagens em Operações em Bolsas – Corretagem Bovespa 7.1.7.60.00.00005: Rendas de Corretagens em Operações em Bolsas Praça São Paulo As funções de tais contas são registrar as rendas das aplicações, dos títulos e dos serviços prestados, que constituam receita efetiva da instituição no período. De acordo com os registros contábeis as referidas contas tiveram débitos no montante de R$15.555.945,47 em 2011 e de R$8.223.762,05 em 2012, reduzindo expressivamente as receitas tributáveis da corretora. As contrapartidas dos lançamentos nas contas foram créditos denominados “repasses” na conta 458008, grupo 4.9.5.30.02.00001, titular Sr. Chao En Ming, sócio da corretora com 99,99% das cotas do capital da empresa. A contribuinte foi intimada a explicar os lançamentos a débito (Repasses) efetuados nas contas 7.1.4.10.10.00001, 7.1.5.10.00.00001, 7.1.7.60.00.00002 e 7.1.7.60.00005, nos anoscalendário 2011 e 2012, e contrapartidas. Em resposta, a empresa afirmou que os repasses se referiam a alienação das ações da Bovespa Holding S/A transferidas ao sócio Sr. Chao En Ming pela redução do capital social da Solidez, conforme processo 16327.001330/201050. O referido processo trata de auto de infração de IRPJ e de CSLL sobre o resultado de R$75.635.575,06, referente a alienação de ações da Bovespa Holding que a Solidez auferiu em 29/10/2007 e não incluiu na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL na DIPJ do anocalendário 2007. Assim, não existe relação entre o objeto dessa autuação (resultados auferido em 2007) e a presente ação fiscal sobre reduções nas receitas operacionais no período de 2011 a 2012. Fl. 826DF CARF MF 6 Considerando que a resposta não explicou os lançamentos de débitos – Repasses – nas mencionadas contas de receitas, a fiscalizada foi intimada para apresentar: informações sobre lançamentos contábeis relativos à redução do capital social da corretora, metodologia de apuração dos valores referentes aos repasses efetuados na conta 45.4008, período de 2011 a 2012, fundamentação legal para as contrapartidas dos lançamentos dos repasses na conta 45.4008 a débito em contas de receitas, reduzindo o resultado da Solidez. A ciência ocorreu em 18/07/2016. Após solicitar prorrogação de prazo para apresentação do solicitado, em 16/08/2016 a contribuinte requereu novo prazo alegando dificuldade de localização das memórias de cálculo do período, e que os registros contábeis no período seriam em número de 250 lançamentos. Em 01/09/2016 apresentou resposta à intimação contendo cadastro da empresa, aprovação de redução do capital social da empresa pelo Bacen, cópia de alteração de contrato social relativa à redução do capital social e cópia do razão de 28/09/2007 e 04/02/2009. Todavia, não entregou os 250 lançamentos contábeis alegado na resposta anterior. A redução do capital social da corretora, decidida em 28/09/2007, ocorreu mediante a entrega de 6.241.578 ações ON da Bovespa Holding de propriedade da sociedade. Não restou evidenciada nenhuma relação entre a redução de capital e os lançamentos que reduziram as receitas operacionais da empresa. Além disso, a corretora não apresentou a metodologia de apuração dos valores relativos aos repasses para a conta 45.4008, tampouco apresentou a fundamentação legal das contrapartidas dos lançamentos de repasses a débito das contas de receitas. Evidenciase, assim, que as receitas operacionais da corretora foram reduzidas por meio de débitos em contas de receitas cujos valores foram repassados ao sócio controlador da Solidez, Sr. Chao En Ming, sem amparo legal. Em razão disso, foram reduzidos indevidamente o lucro real, a base de cálculo da CSLL e as bases mensais do PIS e da Cofins, nos anos de 2011 e 2012 (demonstrativos de fls. 565566). Os autos de infração constam às fls. 568605, e foram fundamentados nos seguintes dispositivos legais: Fl. 827DF CARF MF Processo nº 16327.720603/201654 Acórdão n.º 1201002.304 S1C2T1 Fl. 825 7 Da Impugnação Inconformada com a autuação, a empresa apresentou a impugnação de fls. 681690, acompanhada dos documentos de fls. 612680 e 691714, expondo, em síntese, as seguintes alegações: 1 – Nulidade dos autos de infração e decadência do crédito tributário Os fatos geradores do período de 01/2011 a 12/2011 já foram objeto de fiscalização e autuação no processo 16327.720986/201580 (fls.661680), sendo nulas as autuações Fl. 828DF CARF MF 8 por bis in idem eis que autuam os mesmos fatos geradores já objeto de autuação naquele processo. Além disso, conforme o art.149 do CTN, a revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. No caso, já ocorreu a decadência do direito de lançar no período de 01/2011 a 09/2011, eis que decorridos mais de 5 anos dos fatos geradores. A revisão foi feita por auditor incompetente, pois não participou da primeira autuação, o que viola o art.54 do Parecer Normativo Cosit nº 08/2014. A fiscalização também efetuou o lançamento sem observar a sistemática do lucro real ajustado pelas exclusões, adições e compensações, sendo nulo o lançamento também por isso. Conforme cópias dos balancetes e Lalur anexos (fls.13106 e 691692), a contribuinte possui saldo de prejuízo fiscal acumulado, o qual deveria ter sido considerado pela fiscalização na autuação, sendo imprescindível a recomposição do lucro tributável. Portanto, deveria ser considerado o saldo de prejuízo fiscal acumulado até 2016. 2 Inexigibilidade dos débitos de IRPJ e de CSLL A fiscalização, à revelia do art. 142 do CTN, desconsiderou a documentação apresentada pela corretora, a qual comprova que as receitas adicionadas ao lucro real não são de sua titularidade, sem qualquer contraprova. Inferiu, assim, que as receitas seriam da Solidez, sem qualquer prova nesse sentido, contrariando o art.25 do Decreto nº 7.541/2011 e arts. 2º, parágrafo único, VII, e 50, I, da Lei nº 9.784/99. Nesse sentido, cita a doutrina e a jurisprudência às fls.685687. Portanto, a redução do lucro tributável jamais poderia ser presumida pela fiscalização. Conforme os art.923 e 924 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos nela registrados. Considerando que as receitas da corretora estão escrituradas em sua contabilidade, conforme documentos anexos ao processo, não havendo nenhum elemento que os desabone, restam inexigíveis o IRPJ e a CSLL cobrados. 3 Inexigibilidade dos débitos de PIS e de Cofins A fiscalização tratou como operacionais receitas financeiras, tributandoas pelo PIS e pela Cofins. Ainda que pudessem ser atribuídas à Solidez, o que não se sustenta, conforme demonstrado, tais receitas não poderiam ser tributadas por essas contribuições, pois a decisão transitadas em julgado no mandado de segurança nº 2001.61.00.0316434 reconheceu o direito de a Solidez recolher as exações tomando como base de cálculo apenas a receita bruta da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços, e prestação de serviços, desconsiderada em sua composição quaisquer outros fatores Fl. 829DF CARF MF Processo nº 16327.720603/201654 Acórdão n.º 1201002.304 S1C2T1 Fl. 826 9 econômicos estranhos à sua atividade fim, afastando o § 1º do art.3º da Lei nº 9.718/98 (fls.693709). Portanto, a decisão judicial determinou a exclusão dos valores decorrentes de atividades não típicas da corretora da base de cálculo do PIS e da Cofins. Entretanto, o Fisco está a cobrar exatamente os valores excluídos pela decisão judicial, eis que os débitos subjudice referemse ao PIS e à Cofins sobre receitas financeiras que não fazem parte da atividadefim da Solidez. As sociedades corretoras intermedeiam a compra e venda de títulos financeiros para seus clientes, sendo remuneradas por esses serviços, que não são receitas financeiras. Ao contrário dos bancos, as receitas decorrentes de aplicações financeiras não estão relacionadas à atividade fim da corretora, conforme seu contrato social às fls.709714. A atividade fim da corretora é intermediar a compra e venda de ações no mercado de bolsa de valores. Não sendo banco, a Solidez não pratica o spread bancário. Portanto, as receitas financeiras sobre as quais se exige o PIS e a Cofins não são passiveis de tributação por tais contribuições, nos termos da decisão judicial referida. 4 Do pedido Pelo exposto requer seja declarada a nulidade dos autos de infração, ou ao menos, a decadência dos débitos relativos aos fatos geradores de 01/2011 a 09/2011. No mérito, requer a declaração de improcedência da autuação, cancelandose as exigências. Requer a produção de todas as provas pertinentes, inclusive a juntada de documentos. A contribuinte interpôs o tempestivo Recurso Voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O acórdão recorrido ratificou a exigência tributária, explicitando a inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício: Da validade dos autos de infração Fl. 830DF CARF MF 10 A propósito de a impugnante requerer seja reconhecida a nulidade dos autos de infração, esclareçase que o art. 142 do CTN fornece a definição legal de lançamento, estabelecendo como requisitos indispensáveis à sua constituição: a verificação da ocorrência do fato gerador, a identificação do sujeito passivo, a determinação da matéria tributável e o cálculo do montante do crédito a favor da Fazenda Pública. O parágrafo único do mesmo artigo dispõe sobre a vinculação e a obrigatoriedade do lançamento. A vinculação consiste na cerrada observância dos ditames legais quando de sua efetivação; enquanto que a obrigatoriedade do lançamento impede que o agente, para não faltar com o dever de ofício, que lhe foi atribuído por lei, uma vez constatada a ocorrência de infração, deixe de lavrar o competente auto para a formalização e cobrança do crédito tributário devido pelo sujeito passivo. As hipóteses de nulidade, no âmbito do processo administrativo fiscal, restringemse às previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito, o qual considera nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No art. 10 do mesmo Decreto nº 70.235 são estatuídos os requisitos para a lavratura do auto de infração, o qual deverá ser lavrado por agente competente e conter, obrigatoriamente, os elementos arrolados em seus incisos I a VI, como se pode verificar em seu texto, transcrito abaixo: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Da combinação dos dispositivos acima transcritos depreendese que só a inobservância dos pressupostos legais para a constituição do lançamento e para lavratura do auto de infração, ou a incompetência do autuante, são causas suficientes para invalidar a autuação e, consequentemente, o lançamento nela Fl. 831DF CARF MF Processo nº 16327.720603/201654 Acórdão n.º 1201002.304 S1C2T1 Fl. 827 11 consignado. Como isso não ocorreu no presente caso, descabe a anulação ou cancelamento dos autos de infração em análise. Em relação à alegação de bis in idem, ressaltese que a autuação do processo 16327.720986/201580 tratou de ausência de declaração de IRPJ/CSLL, detectada pelo confronto entre a escrituração e os valores declarados, e de multa isolada pela falta de recolhimento dos referidos tributos sobre a base estimada, conforme fls.662680. Destaquese que, no Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal do processo 16327.720986/201580 (fls.677), a contribuinte foi cientificada de que aquela ação fiscal referiuse às infrações constantes dos lançamentos ali efetuados. Sendo assim, tratase de diferentes infrações, razão pela qual não procede a alegação da contribuinte de bis in idem. Pelo mesmo motivo, a presente autuação não se trata de uma revisão daquele lançamento do processo 16327.720986/201580, eis que diferentes as infrações apuradas. Por fim, o art. 54 do PN Cosit nº 08/2014 fala em autoridade administrativa da unidade da RFB, sem se referir nominalmente ao Auditor que participou da primeiro autuação, razão pela qual é incorreta a inferência da impugnante de que, em caso de revisão (o que não houve, repitase), somente poderia atuar o Auditor participante da primeira autuação objeto da revisão Igualmente, não vislumbro quaisquer das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/19721, ratificando a ausência de nulidade e prevalecendo a validade da constituição do crédito tributário, tal como formalizado. II. DECADÊNCIA O acórdão recorrido inadmitiu a decadência na constituição do crédito tributário de PIS, da COFINS, do IRPJ e da CSLL, não havendo o lançamento de ofício extemporâneo, embora indicasse seu termo inicial no mês do fato imponível, consoante o artigo 150, parágrafo quarto, do Código Tributário Nacional. Reescrevo o acórdão recorrido sobre esse tema: 1 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio” Fl. 832DF CARF MF 12 A impugnante alega que estariam decaídos os lançamentos do período 01/2011 a 09/2011, pois o fato gerador teria ocorrido mais de 5 anos antes do lançamento. O Código Tributário Nacional – CTN dispõe sobre a decadência nos seus artigos 150 e 173, reproduzidos parcialmente a seguir: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No caso em questão, não consta no Termo de Verificação da fiscalização ocorrência de dolo ou fraude, pelo que a regra a ser usada na contagem do prazo decadencial é, neste caso, a do art.150, § 4º do CTN. Por sua vez, o período de apuração do IRPJ consta no art. 1º da Lei nº 9.430/96, transcrito a seguir: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) Fl. 833DF CARF MF Processo nº 16327.720603/201654 Acórdão n.º 1201002.304 S1C2T1 Fl. 828 13 § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. Registrese que, posteriormente aos fatos geradores aqui tratados, o art.2º da referida Lei sofreu alteração, exposta a seguir, mantendo, porém, a mesma sistemática de base de cálculo estimada: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) Para a CSLL, aplicamse as mesmas normas de apuração e pagamento do IRPJ, conforme o art.57 da Lei nº 8.981/95. No caso em tela, a impugnante optou, nos anoscalendário, 2011 e 2012, pela apuração anual do IRPJ/CSLL, conforme as respectivas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Sendo assim, o fato gerador do IRPJ e da CSLL é anual, encerrandose, na situação analisada, em 31/12/2011 e 31/12/2012. Portanto, os prazos para lançamento seriam, respectivamente, 31/12/2016 e 31/12/2017. Tendo sido cientificada dos lançamentos em 09/2016, não procede a alegação da impugnante de que haveria decaído o direito de lançamento para o IRPJ e a CSLL. Em relação ao PIS e à Cofins, o fato gerador é mensal, conforme Leis Complementares nº 7/70 e 70/91. Os fatos geradores mais antigos de PIS e Cofins lançados referemse ao período 30/09/2011, sendo o prazo decadencial de cinco anos contado a partir de 01/10/2011 até 30/09/2016. Tendo sido cientificada dos lançamentos em 29/09/2016, não procede a alegação da impugnante de que haveria decaído o direito de lançamento para o PIS e a Cofins lançados. Em razão do exposto, não procede a alegação de decadência dos lançamentos questionados. Destarte, havendo a ciência da Recorrente sobre o lançamento de ofício em 29/09/2016, sendo o primeiro crédito tributário originário de 30/09/2011, ratifico a inexistência da decadência. III. PROTESTO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS Fl. 834DF CARF MF 14 A Recorrente requereu "a produção de todas as provas pertinentes, notadamente a juntada de documentos". Entretanto, a prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), sobretudo, quando existe a presunção juris tantum de omissão de receitas, invertendo o ônus probatório para Recorrente. Certamente, a extensão da dilação probatória necessitaria de prévia justificativa e pedido específico da contribuinte, evidenciando, nitidamente, a relevância para resolução do presente litígio. IV. MÉRITO Fl. 835DF CARF MF Processo nº 16327.720603/201654 Acórdão n.º 1201002.304 S1C2T1 Fl. 829 15 De acordo com artigo 57, parágrafo terceiro, do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro teor, ressalvando que inexistiu novos argumentos ou provas, quando da interposição do recurso voluntário: Da utilização de prejuízos fiscais Alega a impugnante que deveria ter sido considerado na autuação o saldo de prejuízo fiscal acumulado até 2016. Em relação à compensação de prejuízos, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, nos seus arts. 509 e 510, permite a compensação de prejuízo apurado no demonstração do lucro real do próprio exercício, bem como a compensação com prejuízos de exercícios anteriores, esta até o limite de 30% da base de cálculo ajustada do imposto. Portanto, somente podem ser compensados eventual prejuízo do exercício, bem como os prejuízos anteriores ao exercício. Tendo em vista que a contribuinte possui saldo de prejuízos fiscais anteriores ao exercício de 2011, deve ser efetuada a compensação. Notese que, após a compensação de prejuízos fiscais/base de cálculo da CSLL efetuada no ano 2011, não restou saldo de prejuízos fiscais/base de cálculo da CSLL de anos anteriores a ser compensado em 2012. Em relação ao ano de 2012, a contribuinte apurou IRPJ e CSLL a pagar, conforme parte A do Lalur às fls. 346347. Da base de cálculo do IRPJ e da CSLL A impugnante alega que a fiscalização presumiu a redução do lucro e desconsiderou a documentação apresentada no curso da ação fiscal, a qual comprovaria que as receitas não seriam de Fl. 836DF CARF MF 16 titularidade da corretora. Expõe que a fiscalização não apresentou provas do apurado, contrariando o art.25 do Decreto nº 7.541/2011 e arts. 2º, parágrafo único, VII, e 50, I, da Lei nº 9.784/99. Uma vez escriturados os valores, segue a impugnante, caberia à fiscalização provar a inveracidade dos fatos nela registrados, conforme arts.923 e 924 do RIR/99. Em relação ao alegado, cabe dizer que não houve presunção da fiscalização, pois os valores realmente foram sacados das contas de receita da corretora, como apurado no curso da ação fiscal e detalhadamente relatado no Termo de Verificação elaborado pela fiscalização. Frisese que os saques das contas de receita também foram constatados pelo Bacen conforme relatório de fls.560562. Tampouco os documentos apresentados pela impugnante no processo contradizem a infração apurada: todas as contas de receita, a saber contas nº 7.1.4.10.10.00001, 7.1.5.10.00.00001, 7.1.7.60.00.00002 e 7.1.7.60.00005, das quais foram sacados os valores para a conta do Sr. Chao, constituem, conforme dita o Cosif, contas de receita da instituição financeira, fato não contestado pela defesa. Portanto, não há nenhuma razão para que os valores ali contidos fossem transferidos para a conta do sócio da Solidez. Ressaltese que cabe à defendente instruir a impugnação com todos os elementos de prova que fundamentem suas alegações, conforme previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Sobre a apresentação de provas, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez (“Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado”, Ed. Dialética, SP, 2010, pág. 214) lecionam que: No processo administrativo fiscal federal temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então, o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o interessado aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes. Os contribuintes não têm o dever de produzir provas em sua defesa, tãosó o ônus. Não o atendendo, não sofrem sanção alguma, mas deixam de auferir a vantagem que decorreria do implemento da prova. O sujeito passivo pode simplesmente negar os fatos trazidos no lançamento, recaindo sobre o agente fiscal o ônus da prova desses fatos, porque o julgador só terá esses elementos de comprovação para concluir pela procedência da exigência (art. 209 do CPC). Por outro lado, se a defesa alegar outro fato que evidencie a inexistência do fato constitutivo, recai sobre ela o ônus da prova. Da mesma forma, se apresentar uma exceção baseada em fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda, deverá também provar o alegado. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 16327.720603/201654 Acórdão n.º 1201002.304 S1C2T1 Fl. 830 17 Tal entendimento é assente no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, conforme decisões a seguir: IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam comprovar as alegações de defesa. Não tem valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. Destarte, não tendo sido apresentados os documentos hábeis e idôneos (por ex. documentos contábeis) aptos a respaldar eventual alteração do débito confessado em DCTF, não há comprovação da existência do pagamento a maior que possibilite o deferimento do pedido de restituição. (Acórdão 1802002.347, de 24/09/14) ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Quando utilizadas para afastar fatos apresentados pela autoridade fiscal e baseados em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. (Acórdão 2401003.057, de 18/06/2013) AUSÊNCIA DE PROVAS SUFICIENTES EM RECURSO. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não são suficientes para ilidir o feito fiscal. (Acórdão 2802001.908, de 19/09/12) MERAS ALEGAÇÕES. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. COMPROVAÇÃO DOS FATOS. A defesa deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. (Acórdão 1101000.795, de 11/09/12) Uma vez que a própria escrituração da empresa confirma que houve débitos em contas de receita a crédito da conta do sócio Sr. Chao, e considerando que a impugnante não apresentou nenhum documento hábil apto a comprovar sua alegação, restam mantidos os lançamentos. Da base de cálculo do PIS e da Cofins A impugnante alega que o PIS e a Cofins não poderiam ser cobrados pois possui decisão judicial afastando o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Conforme a própria impugnante reconhece, a decisão judicial afastou a exigibilidade do PIS e da Cofins sobre receitas de atividades não típicas da corretora. Fl. 838DF CARF MF 18 Entretanto, aqui não se trata de receitas estranhas ao objeto social da impugnante: conforme a escrituração da empresa, as receitas tratamse de atividades próprias de uma corretora, a saber, rendas de corretagem (contas 7.1.7.60.00.00002 e 7.1.7.60.00005), que nada mais é do que a comissão cobrada pela corretora para sua atividade de intermediação de compra e venda de títulos/ações. Além disso, as demais contas, nº 7.1.4.10.10.00001, 7.1.5.10.00.00001, rendas de títulos de aplicações em operações compromissadas e rendas de títulos de renda fixa também são receitas decorrentes do objeto social da companhia, conforme consta em seu contrato social, cláusula segunda, fls.710712: Cláusula segunda. A sociedade tem por objeto social: (...) c) Intermediar oferta pública de distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado; d) Comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, (...) e) Encarregarse da administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários; (...) h) Instituir, organizar e administrar fundos e clubes de investimento; (...) o) Realizar operações compromissadas. (...) q) Operar em bolsas de mercadorias e de futuros por conta própria e de terceiros, (...) r) Prestar serviços de intermediação e de assessoria ou assistência técnicas, em operações e atividades nos mercados financeiros e de capitais; Portanto, o leque de serviços financeiros prestados pela corretora Solidez é bem mais amplo do que pretende supor a defendente, sendo todas as receitas em questão comprovadamente decorrentes do objeto social da impugnante. Destaquese ainda que a decisão judicial transitada em julgado no Agravo de Instrumento nº 001642733.2012.4.03.0000/SP (fls.726727), interposto pela impugnante em face de decisão no Mandado de Segurança referido pela impugnante, afastou expressamente o alargamento da decisão proferida naquele MS: Fl. 839DF CARF MF Processo nº 16327.720603/201654 Acórdão n.º 1201002.304 S1C2T1 Fl. 831 19 Sendo assim, restam mantidos os lançamentos de PIS e de Cofins. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de: · Rejeitar as preliminares de nulidade; · No mérito, julgar procedente em parte a impugnação para: 1. manter o crédito tributário lançado referente a PIS e Cofins; 2. exonerar os valores lançados como tributos e multas, decorrentes da nova apuração da base de cálculo, considerando a compensação de saldo de prejuízo fiscal acumulado de períodos anteriores, no cálculo do IRPJ, e a compensação de saldo de base de cálculo negativa acumulada de períodos anteriores, no cálculo da CSLL referentes ao ano de 2011; 3. manter os valores lançados como tributos e multas de IRPJ e CSLL referentes ao ano de 2012; 4. alterar o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL na database de 31/12/2011, para zero. Seguem as memórias de cálculo referentes ao crédito mantido e exonerado. Ressaltese que as compensações de prejuízos acumulados e base de cálculo negativa acumulada de CSLL foram realizadas, observandose que consulta aos sistemas da RFB consta informação de saldo disponível para a compensação em 2011, e não consta informação de compensação realizada nos exercícios de 2012 e posteriores. Fl. 840DF CARF MF 20 A Recorrente não evidenciou qualquer argumento jurídico que infirmasse a constituição do crédito tributário, ocasionando sua preservação integral, consoante o acórdão recorrido. Embora a contribuinte instruísse sua defesa com documentos, não há elementos Fl. 841DF CARF MF Processo nº 16327.720603/201654 Acórdão n.º 1201002.304 S1C2T1 Fl. 832 21 suficientes para inverter o ônus da prova que lhe é própria, nem evidenciar a inexistência de omissão de receitas. A improcedência sobre a presunção fiscal de omissão de receita ocorre mediante documentos hábeis e idôneos, segundo o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 e a explanação do acórdão recorrido. O artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, igualmente, reafirma que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." A presunção juris tantum foi estabelecida em norma vigente, invertendo o ônus de prova quanto à omissão de receitas para a contribuinte. O Código de Processo Civil/1973, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, prevê tal hipótese no artigo 334: "Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." Frisese que a Recorrente, conquanto questione a improcedência da exigência, irresignada sobre a ausência de verificação de eventuais documentos, nada acrescentou em termos de prova documental, hábil e idônea, elidindo a válida e motivada presunção. A coisa julgada, que segundo a Recorrente, influenciaria na exigibilidade do crédito tributário de PIS e da COFINS, não exonerou a incidência sobre sua atividadefim. Imprescindível, nesse sentido, ressaltar a exposição da Recorrente sobre tal contencioso judicial: 10. O v. acórdão, transitado em julgado nos autos do mandado de segurança n°. 2001.61.00.0316434, reconheceu o direito da SOLIDEZ a recolher devidas exações tomando como base de cálculo apenas a receita bruta decorrente da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de prestação de serviços, desconsiderada na sua composição quaisquer outros fatores econômicos estranhos à sua atividade fim, afastando, portanto, a aplicação do §1° do artigo 3° da Lei n.° 9.718, de 1998" (ref. doc. 05 anexo à impugnação). 11. Ou seja, o comando jurisdicional definitivo para as partes (SOLIDEZ e Fisco) foi aquele que determinou a exclusão, da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, os valores decorrentes das atividades não típicas da sociedade corretora. 12. No entanto, o Fisco, de forma a transgredir o que restou decidido pelo Judiciário, está cobrando exatamente os tributos excluídos pela decisão judicial, não obstante o fato de que os débitos sub judice dizem respeito à exigência de PIS e COFINS sobre receitas financeiras que não fazem parte da atividadefim da SOLIDEZ. Fl. 842DF CARF MF 22 Assim sendo, convalidase a imposição fiscal, presumindo a existência de receitas omitidas, vinculadas à atividadefim da Recorrente, não sobrevindo, novamente, prova em contrário. O contrato social da Recorrente é mais amplo, como esclarecido pelo acórdão recorrido, no entanto, o recurso afirma que "a atividadefim da SOLIDEZ consiste em intermediar a compra e venda de ações no mercado de bolsa de valores." Em síntese, a Recorrente, tanto no procedimento fiscal antecedente como no presente contencioso administrativo, não comprovou, mediante documentos hábeis e idôneos, que a incidência tributária foi sobre a intermediação de compra e venda de ações no mercado de bolsa de valores, outra atividade definida no seu contrato social ou receita diversa da sua prestação de serviços, abrangida naquela Ação de Mandado de Segurança. Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitando a nulidade arguida e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 843DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.004930/2001-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1996 a 31/10/1998
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 2
A análise de constitucionalidade de ato que ocorreu de acordo com as normas de direito tributário demanda a análise de constitucionalidade destas normas, o que é vetado neste Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1996 a 31/10/1998
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula CARF nº 91.
SÚMULA CARF 91
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Deve-se ser anulada a decisão que aplicou o prazo prescricional de 05 (cinco) anos.
Numero da decisão: 3201-004.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1996 a 31/10/1998 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 2 A análise de constitucionalidade de ato que ocorreu de acordo com as normas de direito tributário demanda a análise de constitucionalidade destas normas, o que é vetado neste Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1996 a 31/10/1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula CARF nº 91. SÚMULA CARF 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Deve-se ser anulada a decisão que aplicou o prazo prescricional de 05 (cinco) anos.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 2 A análise de constitucionalidade de ato que ocorreu de acordo com as normas de direito tributário demanda a análise de constitucionalidade destas normas, o que é vetado neste Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1996 a 31/10/1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula CARF nº 91. SÚMULA CARF 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Devese ser anulada a decisão que aplicou o prazo prescricional de 05 (cinco) anos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 49 30 /2 00 1- 60 Fl. 303DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 275/282, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1616.424 – 6ª Turma da DRJ/SPOI, efls. 236/246, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade negando o pedido de restituição/compensação. O relatório da decisão da DRJ descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado a pedidos de compensações, protocolado em 25/10/2001, no valor de R$ 324.431,58 referentes aos recolhimentos a título de PIS dos períodos de apuração compreendidos entre 09/96 e 10/98. Objetiva demonstrar a questão da semestralidade do PIS. Entende que a exação deveria ser recolhida no sexto mês após o faturamento, o que geraria uma diferença de recolhimento pela variação do valor da UFIR entre as datas em que foram feitos os pagamentos e a data devida. Alega, ainda, a inexistência do fato gerador da contribuição para o PIS neste período. Segundo sua tese, a retroatividade do fato gerador do PIS à 01/10/95, prevista no artigo 18 da Lei9.715/98, ao ser declarada inconstitucional, tornou inexistente todos os fatos geradores do período entre 01/10/95 até a publicação da Lei n° 9.715/98. Por esse raciocínio, haveria um indébito a favor do contribuinte, pois foram recolhidos os valores pertinentes ao período. O despacho decisório elaborado pela DERAT/SP, fls. 122/132, indeferiu o pedido de restituição e não homologou as declarações de compensação tendo como pano de fundo as alegações a seguir: a) Que o direito de requerer a restituição dos recolhimentos a título de PIS referentes aos períodos de apuração recolhidos até 24/10/1996 encontravase decaído por decurso de prazo previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 25/10/1966) e no Ato Declaratório SRF n° 96, de26/11/1999; b) Que os períodos de apuração até 02/96, para determinação do valor devido da contribuição para o PIS, aplicamse a Lei Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11610.004930/200160 Acórdão n.º 3201004.296 S3C2T1 Fl. 304 3 Complementar 07/70 e alterações. Para os períodos de apuração cujo fator gerador tenha ocorrido a partir de 01/03/1996, o que contempla a totalidade dos pagamentos que se pretende restituir, carece o requerimento em exame de qualquerfundamento legal. O contribuinte descontente com o despacho decisório que indeferiu seu pleito apresentou sua manifestação de inconformidade (fls. 136/144), no qual pleiteia que seja reformada a decisão da EQITD/DIORT/DERAT/SP tendo em vista os seguintes argumentos: 1) O prazo decadencial para repetir o indébito só se inicia depois de decorridos cinco anos do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, a partir da homologação expressa ou tácita, para os tributos que utilizam a modalidade de lançamento "por homologação"; 2) A base de cálculo do PIS, da data de sua criação até o advento da MP n°1.212/95, manteve a característica da semestralidade, ou seja, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador; 3) E ilegítimo o recolhimento do PIS com base na Medida Provisória n°1.212/95, uma vez que o STF, atendendo ao princípio da anterioridade nonagesimal, declarou a inconstitucionalidade do dispositivo que determinava a aplicação do referido instrumento legislativo a partir dos fatos geradores de outubro de 1995 (ADIN n° 1417DF. RE n° 232.8963PA e Resolução do Senado 10/2005). Portanto, o vacatio legis, que em princípio seria de 90 dias contados da publicação da MP 1.212/95, se estendeu até23/03/2001, data da publicação do julgamento de mérito da ADIN acima mencionada. O que permite concluir que "sem ordenamento legal que dispusesse sobre o fato gerador, o PIS FATURAMENTO tornouse inexigível, posto que sem fato gerador não há contribuição". Buscou sustentar suas teses por intermédio de jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça (STJ). É o relatório. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 1616.424 – 6ª Turma da DRJ/SPOI, efls. 236/246, está assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1996 a 31/10/1998 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECADÊNCIA O direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Observância do art. 3° da Lei Complementar n 118/2005. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL Fl. 305DF CARF MF 4 O Egr. STF, ao julgar o mérito da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.4170 e do Recurso Extraordinário n° 232.896/PA em 02.08.99, declarou ilegítima a retroação da Medida Provisória n° 1.212/95 (art. 15),e não da Lei n° 9.715/98 e firmou entendimento de que o prazo de noventa dias, estabelecido no artigo 195, § 6° da Constituição Federal, conta se a partir da publicação da primeira medida provisória, a de número 1.212/95, validando, assim, todas as medidas provisórias reeditadas a partir desta, por meio de nova medida provisória, dentro do prazo de validade de trinta dias e que resultou na referida Lei. Desta Forma, aos fatos geradores ocorridos no período de 01.10.95 a 29.02.96, aplicase o disposto na Lei Complementar n° 07/70 e alterações. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Dos Fatos Em 25/10/2001, efl. 3, a Recorrente protocolizou pedido de restituição relativo ao recolhimento indevido e a maior do PIS supostamente recolhido a maior no período de apuração entre 09/1996 a 10/1998. Utiliza como fundamento para o referido pedido a declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88 (RE n° 148.7542/93); declaração de inconstitucionalidade do artigo 15 da Medida Provisória n° 1.212/95, com suas reedições e conversão na Lei n° 9.715/98 (RE n° 232.8963/Pará, ADIn n° 1.4170/DF). A recorrente alega que: É uníssona a jurisprudência emanada do Colendo Superior Tribunal de Justiça, quando sentencia que, tratandose de contribuição ou tributo sujeitos a lançamento por homologação do crédito, o prazo decadencial só começa a fluir após decorridos 5 (cinco) anos da data do fato gerador, somados mais 5 (cinco) anos se a homologação se der de forma não expressa, (...) (RV efl. 276) Cita jurisprudência para reafirmar o argumento de que “O prazo decadencial só começa a correr após decorridos 05 (cinco) anos da data do fato gerador, somados mais 05 (cinco) anos.” Do Direito A Recorrente alega que com o advento dos Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88, foram introduzidas relevantes alterações relativamente à base de cálculo do PIS, sendo que a nova sistemática acabou por extinguir o princípio da semestralidade. Ocorre que com o julgamento do Recurso Extraordinário n° 148.7542/RJ, o STF — declarou a inconstitucionalidade dos referidos Decretosleis, sendo a decisão referendada pelo Senado Federal pela Resolução n° 49, de 10/10/1995. Sustenta então que se restabeleceram as regras estatuídas pela Lei Complementar n° 07/70, notadamente o disposto no artigo 6º caput, e parágrafo único, de onde decorre o direito de restituição dos valores pagos por antecipação a título de contribuição ao PIS. Cita jurisprudência. Do Pedido Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11610.004930/200160 Acórdão n.º 3201004.296 S3C2T1 Fl. 305 5 A Recorrente pede que o Acórdão de primeira instância seja reformado, para determinar a restituição na forma de compensação dos valores constantes do pedido. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. De forma objetiva, a lide cingese, em primeiro plano, a determinar se ocorreu a decadência/prescrição do direito de pleitear a restituição do PIS. A discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação foi questão tormentosa, que dividiu a doutrina e a jurisprudência administrativa e judicial por algum tempo. De forma ilustrativa, a divisão pode ser vista na discussão da própria natureza do prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. De forma direta é de amplo conhecimento que a Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, inovou na contagem dos prazos, existindo grande debate sobre o termo inicial da aplicação do prazo quinquenal ao invés do decimal para a decadência/prescrição. O assunto, contudo, encontrase resolvido por meio da Súmula CARF 91, cuja aplicação é vinculante nos termos do Art. 75, § 2º, Anexo II, do RICARF. Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assim, devese afastar a decadência/prescrição do presente caso, uma vez que não decorreu o período de 10 (dez) anos do lançamento levandose em conta que o pleito de restituição é anterior a 09/06/05. Quanto a análise de matérias de cunho constitucional cabe aplicar a Súmula CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Fl. 307DF CARF MF 6 Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar da decadência/prescrição, faça a análise do mérito do litígio. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004951/2010-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 31/08/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECUPERAÇÃO E VULCANIZAÇÃO DE PNEUS. SIMPLES NACIONAL. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS.
Correto o indeferimento de pedido de restituição se os alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização.
Numero da decisão: 1001-000.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 31/08/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECUPERAÇÃO E VULCANIZAÇÃO DE PNEUS. SIMPLES NACIONAL. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS. Correto o indeferimento de pedido de restituição se os alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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E RECAPAGENS DE PNEUS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 31/08/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECUPERAÇÃO E VULCANIZAÇÃO DE PNEUS. SIMPLES NACIONAL. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS. Correto o indeferimento de pedido de restituição se os alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 49 51 /2 01 0- 41 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10935.004951/201041 Acórdão n.º 1001000.837 S1C0T1 Fl. 213 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba (PR), mediante o Acórdão nº 0640.193, de 11/04/2013 (efls. 149/156). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) Trata o processo de Pedido de RestituiçãoPer de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no total de R$6.010,60, protocolizado em 30/07/2010, págs. 3/7, relativo a Pagamento Indevido ou a Maior, código 3333 SIMPLES NACIONAL, Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, recolhido em 31/08/2007 no DASN de valor total R$18.482,12. 2. A DRF em Cascavel/PR, por meio do Despacho Decisório de págs. 108/1104, indeferiu o pedido porque constatou que o contribuinte desenvolveu atividades de prestação de serviços, cujas alíquotas do Simples Nacional devido são calculados pela tabela do Anexo III – Serviços, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro 2006, não tendo sido confirmada a pretensão do contribuinte de que sua atividade seria indústria, a qual recai na tabela do Anexo II Indústria, o que resultaria nos valores que o contribuinte entende ter recolhido a maior. 3. Cientificado em 19/11/2012, págs. 115/116, o interessado apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de págs. 118/121, por meio de seu representante legal, págs. 122/124. 4. Assevera que a atividade da empresa é “recapagem e recauchutagem de pneus”, CNAEF 22.12.900, em que 22.1 é indústria de produtos de borracha, portanto se trata de operação industrial de recondicionamento de pneus usados. 5. Questiona a conclusão fiscal de nos itens 24 e 25, de que o Decreto N° 7.212, de 15 de junho de 2010 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI) classifica a atividade de recauchutagem de pneus como borracharia que utiliza força motriz, não se enquadrando como indústria; diz que “No item 21. do despacho decisório, o auditor relata que fez uma consulta e empresa tem 19 funcionários, portanto a sua conclusão o item 26, já está equivocada conforme descrito no item 25.”, porque o art. 7º, para efeitos do art. 5º, II, nos casos dos incisos IV e V, define que oficina é estabelecimento que empregar, no máximo, 5 (cinco) operários e, quando utilizar força motriz, não exceder a potência de 5 (cinco) quilowatts; e o trabalho preponderante é de 60% de mãodeobra, no mínimo. 6. Transcreve o art. 4º, V do RIPI, que define industrialização como qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto ou o aperfeiçoe para consumo, tal como aquela exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado e que renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento); transcreve Ato Declaratório Normativo – ADN Cosit nº 21, de 21 de agosto de 1996, referente a industrialização, e processos de consulta diversos no mesmo sentido, em apoio à sua tese. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10935.004951/201041 Acórdão n.º 1001000.837 S1C0T1 Fl. 214 3 O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujo excerto do voto vencedor transcrevo a seguir: 7. O contrato social, págs. 43/47, registrado em 03/08/1995, define o objeto social da empresa como: Comércio de pneus, câmaras de ar, acessórios e artefatos de borracha para veículos, e serviços de recuperação, vulcanização, balanceamento e alinhamento de pneus. (Grifouse.) 8. Este objeto social foi mantido e acrescido da atividade de representação comercial na 2º alteração contratual de 19/06/2008, págs. 48/58. 9. O contribuinte advoga que os “serviços de recuperação e vulcanização de pneus” tratamse de atividade industrial, portanto, em vez de ter apurado os valores do Simples Nacional segundo a tabela do Anexo III – Serviços, da LC nº 123, de 2006, deveria ter apurado pela tabela do Anexo III – Indústria e por isso, recolheu a maior. 10. A seguir, em exemplo do entendimento da RFB: Solução de Consulta nº 242, de 18 de Dezembro de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: RECONDICIONAMENTO DE PNEUS. INDUSTRIALIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DO IPI. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA. POSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA. As atividades de recapagem, recauchutagem e recondicionamento de pneus usados configuram, como regra, operações de industrialização, sujeitandose à incidência do IPI, sendo irrelevante haver também, ou não, incidência do ISS, da competência dos municípios. Na hipótese de a recapagem, recauchutagem e recondicionamento de pneus usados ser realizada por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional, a operação não é considerada industrialização. Para esse efeito, oficina é definida como “o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts” e trabalho preponderante é considerado aquele “que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento”. DISPOSITIVOS LEGAIS: Decreto nº 4.544, de 2002, arts. 4º, 5º, inciso V, e 7º, inciso II, alíneas “a” e “b”; Pareceres Normativos CST nº 253, de 1970, nº 127, de 1971, e nº 83, de 1977. 11. Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (Decreto nº 4.544, de 2002), vigente em 2007, define: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10935.004951/201041 Acórdão n.º 1001000.837 S1C0T1 Fl. 215 4 I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Exclusões Art. 5º Não se considera industrialização: (...) V o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional; (...) Art. 7º Para os efeitos do art. 5º: (...) II nos casos dos seus incisos IV e V: a) oficina é o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts; e b) trabalho preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento. (Grifouse.) 12. O contribuinte apresentou a Declaração Anual do Simples Nacional – DASN: RecarTrevo DASN Receita Bruta jul/07 130.949,90 ago/07 144.071,01 set/07 131.152,00 out/07 150.875,86 nov/07 120.200,00 dez/07 104.488,00 Total 781.736,77 100% Estoque inicial 593.196,14 Compras 610.025,26 Estoque Final 892.041,35 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10935.004951/201041 Acórdão n.º 1001000.837 S1C0T1 Fl. 216 5 Consumo 311.180,05 43% 40% Despesas 415.845,80 57% 53% Total Consumo +Despesas 727.025,85 100% 93% 13. Não apresentou balancete para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007, somente o do anocalendário 2007, o qual não guarda coerência com a DASN: Balancete contábil ac 2007 págs. 60/62 Receita Bruta de Serviços 1.886.843,07 100% Custo dos serviços 1.349.096,52 72% Despesas operacionais 323.362,58 17% .despesas adm e gerais 204.184,42 .despesas financeiras 119.178,16 Total Custo + Depesas Op 1.672.4590,10 89% 14. As cópias de notas fiscais que apresentou, praticamente ilegíveis, evidenciam vendas a pessoas físicas, constando os CPF dos clientes, págs. 67/69 e a de pessoas jurídicas, uma cooperativa agroindustrial, uma transportadora, uma atacadista de legumes e cereais, tratase de encomendas para consumo próprio, já que os objetos destas não é comercialização de pneus, págs. 70/73 e 148; também o Razão, confirma tais clientes. 15. Às págs. 104/105 a GFIP de 12/2007 informa os trabalhadores: GFIP CBO Alexandre de Paula 09113 Ajustador de máquinas de embalagem/aprendiz de mecânica de manutenção/líder de manutenção mecânica/mecânico de equipamentos diversos Carlos Aparecido Castilho 07842 Alimentador de esteiras/linha de produção/máquina automática Claudino Francisco da Rocha Jr 09113 Ajustador (...) Dorvalino da Paz Felizardo 07250 Ajustador mecânico de diversos equipamentos ou aprendiz de / Centralizador de rodas Etelvino Jospe Locatelli Cavalli 01231 Diretor Admin Fin (tratase do sócio admin da empresa) Everton Castro Felix 04141 Operador de balança/de movimentação e armazenagem de cargas/ de pesagem/pesador/sileiro/almoxarife/ aux de almoxarifado/ balanceiro/ conferente/encarr de estoque/de expedição/de pesagem Fabiana Primon 04110 Agente, assistente ou auxiliar administrativo Geneci Nicacio 09113 Ajustador (...) José Jandir Farias 07250 Ajustador mecânico de diversos equipamentos ou aprendiz / Centralizador de rodas José Vanderlei de Oliveira 03541 Contato publicitário/promotor de vendas/representante/vendedor Josias Xavier 07250 Ajustador mecânico de diversos equipamentos ou aprendiz de / Centralizador de rodas Lizeu Braga de Freitas 07842 Alimentador de esteiras/linha de produção/máquina automática Neri Leopoldo Fell 03541 Promotor de vendas/propagandista/representante/vendedor Paulo Catuzzo 03541 Contato publicitário/promotor de Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10935.004951/201041 Acórdão n.º 1001000.837 S1C0T1 Fl. 217 6 vendas/representante/vendedor Pedro Agenor Demetrio 09113 Ajustador (...) Salete Aparecida Martins Monteiro 08414 Trabalhador ind de alimentos Classificação Brasileira de Ocupações CBO, instituída por Portaria Ministerial nº. 397, de 9 de outubro de 2002 16. Isto é : 9 (nove) trabalhadores na oficina, dos quais 3 (três) centralizadores de roda– alinhamento de pneus; 1 (um) almoxarife; 3 (três) vendedores; 1 (um) diretor administrativo/financeiro – sócio da empresa; 1 (um) auxiliar administrativo; 1 (um) cozinheira/copeira, totalizando os 16 empregados informados no final do 2º semestre 2007, tendo informado 19 no início do período, na DASN. 17. Quanto à atividade de vulcanização, temse uma descrição do processo no sítio: http://www.gruporgpneus.com.br/reformasprocesso.php: O Processo de Reconstrução A reconstrução de pneus é um processo que envolve várias etapas, começando pela raspagem do pneu e terminando na vulcanização onde o pneu tem a sua vida útil prolongada. 1 Limpeza O processo de reforma dos pneus começa com a limpeza do pneu. Uma máquina preparada para esta função com o auxilio de uma escova faz a limpeza da lateral do pneu, retirando todos os resíduos que poderiam comprometer a reconstrução. 2 Exame inicial Após a limpeza, o pneu passa por uma verificação inicial. Neste processo visual, o profissional avalia as reais condições do pneu a ser recuperado. Cinco partes fundamentais do pneu são analisadas: a parte interna, o flanco ou lateral, o ombro, a banda de rodagem e o talão. Esta etapa do processo é muito importante, pois este exame define se o pneu poderá ou não ser reconstruído 3 Raspagem Após o exame inicial, o pneu passa à máquina de raspagem, onde a banda de rodagem será desgastada. Neste processo, identificase o raio do pneu em que está sendo realizada a raspagem, bem como o perímetro da banda que será aplicada. De posse destas indicações, o raspador encaminha uma ficha com os dados do pneu para a área de seleção da banda, que será preparada enquanto o pneu passa pelas fases seguintes. 4 Escareação Nesta etapa tratamse os pequenos cortes encontrados no piso da carcaça. Tal qual uma "obturação de dentes", é preciso que cada ponto "careado" seja corrigido individualmente. Caso os cortes tenham atingido o pacote de cintas, o pneu receberá um conserto especial, capaz de restituir a resistência da carcaça. 5 Aplicação de conserto Para que a integridade da carcaça seja garantida, não basta "tapar o furo": é preciso reconstituir a estrutura de cada ponto danificado. Depois de escariado, se o pneu demandar consertos irá seguir para esta etapa. A carcaça é preparada internamente para a aplicação do reparo, que varia de acordo com o tamanho do dano e segue as determinações técnicas. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10935.004951/201041 Acórdão n.º 1001000.837 S1C0T1 Fl. 218 7 6 Aplicação de cola Depois de todo o preparo inicial, começa a fase de remontagem do pneu. Nesta operação, uma máquina aplica cola sobre a carcaça tratada e depois retira seu excesso. 7 Enchimento Nesta etapa, uma borracha especial é aplicada para tampar todos os orifícios escariados do pneu. Depois disso, o pneu está pronto para a aplicação da nova banda. 8 Aplicação da banda de rodagem Nesta etapa a banda é cortada, depois recebe uma borracha de ligação, responsável pela adesão da banda à carcaça durante o processo de vulcanização. Quando o pneu chega à máquina de aplicação, a banda já está pronta para a montagem, pois foi preparada previamente. A seguir é a vez do processo de roletamento, que irá retirar o ar que pode ter restado entre a banda e o piso da carcaça. Para complementar esta operação, aplicase uma etiqueta de identificação na lateral do pneu. A etiqueta informa o número e a data das reconstruções já aplicadas nele. 9 Envelopamento Aqui o pneu recebe um envelope de borracha na parte externa, que vai ser succionada durante o processo de vulcanização, causando uma pressão de fora para dentro sobre o pneu 10 Montagem O processo de montagem é diferente para pneus tubeless (sem câmara) e pneus tube type (com câmara). Os pneus sem câmara utilizam um envelope interno e externo. Já os pneus com câmara, utilizamse roda, saco de ar e protetor. 11 Vulcanização O pneu é então colocado na autoclave, equipamento que utiliza temperatura, pressão e tempo para vulcanizar a nova banda sobre a carcaça. Durante este processo, é fundamental utilizar recursos eletrônicos para controlar o tempo, a temperatura e os níveis de pressão que serão aplicados ao pneu. Só assim é possível garantir a segurança e qualidade da operação. 12 Inspeção final Após a vulcanização, o pneu é desmontado e encaminhado para a inspeção final. Nesta fase, verificase a parte interna, a parte externa, a nova banda e a integridade da carcaça. O pneu esta disponível para ser entregue ao cliente. 18. O sítio da empresa, consultado nesta data: http://www.cavallipneus.com/, nada informa sobre os serviços, produtos, instalações ou equipe. 19. Intimado a informar se adquiriu carcaças de pneus e a apresentar as notas fiscais de compra; e a informar se fez reforma de pneus usados para consumidor final e, no caso, quem forneceu as carcaças de pneus; e a informar se fez reforma de pneus usados para comerciantes que revendem pneus usados e, no caso, quem forneceu as carcaças de pneus, respondeu às págs. 100/102: Item 06.1 Neste período de 07 a 12 de 2007, não foi efetuado aquisição de carcaças de pneus. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10935.004951/201041 Acórdão n.º 1001000.837 S1C0T1 Fl. 219 8 Item 06.2 A recauchutagem de pneus foi realizada a partir do fornecimento do pneu usados/danificado pelo consumidor final. O pneu recauchutado é do consumidor final. Item 06.3 A Empresa não fez reforma de pneus usados para comerciantes que revendem pneus reformados. 20. Concluise que o contribuinte, apesar de constar do objeto social a atividade de comércio de pneus e assemelhados, não auferiu receitas de vendas, mas de serviços de recuperação e vulcanização de pneus; conta com 6 (seis) operários nesta atividade; sua clientela contrata esses serviços para consumo próprio e não para comercialização; não há dados suficientes para se apurar se prevalece o custo de mãodeobra na proporção de 60%, pois os dados contábeis são discrepantes dos da DASN; tampouco não forneceu informação sobre qual processo de vulcanização executa, se a quente, se a frio, que tipo de equipamentos e qual a potência instalada. 21. Em síntese, o contribuinte não apresentou elementos comprobatórios da sua pretensão de que sua atividade se caracterize como industrialização. Conclusão. À vista do exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Ciente da decisão em 23/04/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 15948, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 23/05/2013 (efls. 160/163), conforme carimbo aposto à fls. 160. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No seu recurso voluntário a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, ou seja, em suma, que "as indústria de recapagem de pneus utiliza máquinas automatizada de última geração, que facilita a redução de mão de obra, por outro ângulo, está máquinas consome muita energia elétrica que supera a potência de 5 ( cinco ) quilowatts" e transcreve artigos do Regulamento do IPI. Aduz a recorrente que no p. recurso que não constam quesitos que seriam importantes para diferenciar um indústria de uma oficina, tais como "Qual é processo de vulcanização? Qual tipo de máquinas utilizadas para recauchutagem? Qual é potência em quilowatts? Qual é consumos de energia elétrica de cada máquina? Qual é tipos de insumos utilizados?" Anexa as contas de energia elétrica e fotos das máquinas. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10935.004951/201041 Acórdão n.º 1001000.837 S1C0T1 Fl. 220 9 Quanto aos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e reiterado no presente recuso, estes foram fundamentadamente afastados em sede de primeira instância, conforme voto condutor do acórdão recorrido transcrito no relatório, pelo que peço vênia para adotar como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999. Quanto aos novos argumentos apresentados, em nada acrescenta à lide, mesmo porque o relator já se debruçou sobre o assunto, de forma precisa. Entendo que os fundamentos esposados pela turma a quo, não deixa dúvida que se trata de prestação de serviço, não havendo, in casu, qualquer margem para a hipótese de industrialização como alega a recorrente. Não há o que acrescentar, a fundamentação é abrangente e escorreita. Neste sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.902551/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 12/06/2007
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-005.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1465; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.902551/201247 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.988 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente DOW BRASIL SUDESTE INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 12/06/2007 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 25 51 /2 01 2- 47 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.902551/201247 Acórdão n.º 3302005.988 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) da contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o direito creditório decorria do pagamento a maior da contribuição, dada a inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09061.745, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, especialmente o novel posicionamento do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade da manutenção do ICMS na base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.902551/201247 Acórdão n.º 3302005.988 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.969, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.679818/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.969): O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência e a matéria é de competência deste Colegiado. A presente discussão jurídica gravita exclusivamente em torno da possibilidade jurídica de se computar, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICMS incidente sobre as mercadorias vendidas ou dos serviços prestados. A recorrente insurgese contra a inclusão do ICMS no faturamento, base de cálculo das contribuições exigidas, no caso específico Cofins e PIS, argüindo ser inconstitucional sua cobrança. Ressalta que o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecida como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim concluindo ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, mais precisamente do ICMS. Argumenta que o valor do ICMS não revela medida de riqueza. Em razão da similitude com o presente caso concreto, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158), que também foi adotado pelo I. Conselheiro Walker Araújo, processo administrativo nº 13609.000892/200998 (acórdão 3302005.708), que peço venia para transcrever: "II Mérito II.3 ICMS/ISSQN na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS/ISSQN na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação do RE 240.7852/MS. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS/ISSQN na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.902551/201247 Acórdão n.º 3302005.988 S3C3T2 Fl. 5 4 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.902551/201247 Acórdão n.º 3302005.988 S3C3T2 Fl. 6 5 empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.902551/201247 Acórdão n.º 3302005.988 S3C3T2 Fl. 7 6 Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.902551/201247 Acórdão n.º 3302005.988 S3C3T2 Fl. 8 7 julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Aplicase ao ISSQN, os mesmos fundamentos explicitados pelo Superior Tribunal de Justiça para manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, considerando, inclusive, que o RESP 1.144.469/PR tratou dos referidos impostos. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Assim, pelas já esposadas razões, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.904393/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.545
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ICMS BASE DE CÁLCULO PIS/COFINS. Recorrente CITROSUCO S/A AGROINDUSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de contribuição indeferido por despacho decisório eletrônico, vez que o valor do DARF teria sido utilizado integralmente para quitar débitos próprios. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ nº 14045330. Intimada desta decisão a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, alegando, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 04 39 3/ 20 11 -1 4 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13851.904393/201114 Resolução nº 3402001.545 S3C4T2 Fl. 153 2 (i) a ausência de retificação da DCTF não prejudica a validade do crédito do contribuinte, respaldado na indevida extensão do conceito de receita bruta da Lei n.º 9.718/98 e na não incidência do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; (ii) que as provas anexadas na Manifestação de Inconformidade seriam suficientes para respaldar o crédito pleiteado, sendo descabida a afirmação da r. decisão recorrida no sentido de que a produção de provas estaria preclusa. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.537, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902716/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.537): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Em sua defesa, a Recorrente indica que os créditos seriam referentes à extensão inconstitucional da base de cálculo da COFINS Cumulativa pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98 e a não inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, especificamente quanto ao período de apuração de 04/2003. Observese a Recorrente acostou aos autos memória de cálculo do crédito, identificando as contas contábeis nas quais respalda o seu crédito. Contudo, esses documentos não foram apreciados pela r. decisão recorrida sob o argumento de que teriam apenas valor indicativo: "Em relação aos elementos de prova, somente se constituem em excertos de livros contábeis ou fiscais se demonstrada a observância das formalidades (termos e abertura e encerramento, e, no caso de Livro Diário, autenticação), previstas no art. 5º, § 2º, do Decreto Lei nº 486, de 1969, e no art. 6º do Decreto nº 64.567, de 1969, a seguir transcritos: (...) Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13851.904393/201114 Resolução nº 3402001.545 S3C4T2 Fl. 154 3 No caso dos documentos juntados aos autos pela interessada, constatase que não cumprem tais formalidades. Em suma, os documentos apresentados, embora relevantes, possuem valor apenas indicativo, e mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos dos artigos acima transcritos. Além disso, a interessada não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele PA, e o débito apurado, resultante da aplicação da alíquota da contribuição sobre a base de cálculo efetivamente apurada na contabilidade, nos termos do artigo 9º, § 1º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977, acima transcrito." (efl. 111) Assim, os documentos apresentados pelo contribuinte para respaldar seu crédito não foram analisados pela fiscalização. Visando sanar a questão meramente formal apontada pela r. decisão, o contribuinte acostou aos autos, no Recurso Voluntário, os termos de abertura e encerramento do livro razão. Cumpre mencionar que o presente processo envolve duas teses distintas. Primeiro, quanto à extensão do conceito de receita da Lei n.º 9.718/98. Neste ponto, devidamente indicou a r. decisão recorrida, com base nos julgamento do Supremo Tribunal Federal, que "externe de dúvida que, na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS, somente deveriam ter sido considerados pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, isto é, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços." Além disso, discutese ainda a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. E é do conhecimento deste colegiado que o Supremo Tribunal Federal julgou esta tese no Recurso Extraordinário n.º 574.706, em sede de repercussão geral, no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins": "EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13851.904393/201114 Resolução nº 3402001.545 S3C4T2 Fl. 155 4 aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS." (RE 574706, Relatora Ministra Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, Acórdão eletrônico DJe223 Divulgado 29/09/2017 publicado 02/10/2017 grifei) Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito, segregando na memória de cálculo os valores relacionados às duas teses, entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem elabore relatório fiscal avaliando a validade da memória de cálculo do crédito apresentada pelo contribuinte, identificando: (i) se as parcelas relacionadas como "OUTRAS RECEITAS" não se enquadram no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos); e (ii) a sistemática adotada para o cálculo do ICMS excluído da base de cálculo da COFINS à luz do entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP): (i) intime a Recorrente a apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13851.904393/201114 Resolução nº 3402001.545 S3C4T2 Fl. 156 5 alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) identificar qual a sistemática adotada pelo contribuinte para excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS, avaliando o valor de crédito do tributo passível de ser reconhecido ao contribuinte caso se adote o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP): (i) intime a Recorrente a apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) identificar qual a sistemática adotada pelo contribuinte para excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS, avaliando o valor de crédito do tributo passível de ser reconhecido ao contribuinte caso se adote o entendimento majoritário firmado no julgamento Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13851.904393/201114 Resolução nº 3402001.545 S3C4T2 Fl. 157 6 do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.907244/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
Numero da decisão: 1301-003.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10283.903399/200953, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 72 44 /2 00 9- 96 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10283.907244/200996 Acórdão n.º 1301003.574 S1C3T1 Fl. 3 2 Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de Declaração de Compensação DCOMP, no qual se pleiteia compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ Estimativa mensal (código 2362). O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A empresa apresentou manifestação de inconformidade onde afirma que as compensações foram realizadas em completa harmonia com a legislação vigente. Isto porque calculou e recolheu um determinado valor de IRPJ, com código de arrecadação de estimativa mensal e, posteriormente ao recolhimento, verificou que o valor de IRPJ efetivamente devido montava um valor inferior àquele originalmente pago através de DARF. Acrescenta que o valor recalculado está de acordo com os valores declarados em DCTF e que, uma vez confessada uma dívida efetiva em valor inferior àquele recolhido, teria nascido um crédito tributário. O sujeito passivo alega que por equívoco procedeu ao recolhimento num valor superior àquele efetivamente devido. Argumenta também que não se trata de pagamento por estimativa mensal, uma vez que foi realizado com base em balanço de suspensão ou redução. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que os valores apurados a partir da receita bruta em função de balancete redução correspondem a estimativa mensal e que não havia previsão legal para utilização em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal de IRPJ. Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual reafirma a existência de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, declara que a decisão da DRJ vai de encontro a jurisprudência do CARF e, ao final, requer o reconhecimento da homologação das compensações em litígio. É o relatório. Voto Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10283.907244/200996 Acórdão n.º 1301003.574 S1C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.563, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10283.903399/2009 53, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.563): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme se depreende do relatório, o cerne da discussão no presente processo é a possibilidade ou não de se compensar pagamento indevido ou a maior recolhido a título de estimativa mensal para aquelas pessoas jurídicas sujeitas à apuração do IRPJ pelo lucro real. O pedido de compensação foi indeferido liminarmente, através de Despacho Decisório Eletrônico, a partir do momento em que o sistema constatou tratarse de recolhimento efetivado sob o código de arrecadação 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL). A Unidade de Origem não se adentrou no mérito do direito creditório, e por conseguinte, não deu oportunidade para o contribuinte produzir provas. O Despacho Eletrônico, bem como o acórdão da DRJ, fundamentaram o indeferimento do pedido de compensação no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, em concomitância com o art. 10 da IN SRF nº 600/2005. O §14º do art.74 da citada lei atribuiu competência a Secretaria da Receita Federal para disciplinar a compensação e, o órgão emitiu instrução normativa que disciplinou a matéria. O art. 10 da IN SRF nº 600/2005, vigente à época, determinava: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Contudo o art.74, §3º, da Lei nº 9.430/96 que tratou das vedações à compensação através de DCOMP, dispôs em seu Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10283.907244/200996 Acórdão n.º 1301003.574 S1C3T1 Fl. 5 4 inciso IX dos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ ou da CSLL, mas nada dispondo acerca de créditos oriundos de pagamento indevido de estimativa mensal, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ......... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ........ IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. (grifei) É de se observar que a Instrução Normativa fez uma interpretação restritiva de Lei nº 9.430/96, a qual não encontrou guarida na jurisprudência do CARF, que acerca da matéria proferiu a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Transcrevese ainda a redação anterior da súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Para melhor esclarecer a aplicação da súmula, trago à baila trecho do acórdão da CSRF nº 910100.406, de 02/10/2009, utilizado como precedente para elaboração da jurisprudência: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10283.907244/200996 Acórdão n.º 1301003.574 S1C3T1 Fl. 6 5 social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição corno pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, (...) De acordo com o acórdão recorrido, não seria possível caracterizar como indevido o recolhimento da antecipação mensal por estimativa de CSLL efetuado a maior, apenas confrontando referido pagamento com as regras para apuração do valor devido a titulo de antecipação mensal. (...) É o relatório. (...) Nos termos da lei, a pessoa jurídica que opta pelo lucro real anual está obrigada a antecipar, mensalmente, o IRPJ calculado por estimativa. Referida obrigação de antecipar a cada mês uma parcela do IRPJ que será devido ao fim do ano calendário é apurada sobre a base de cálculo estimada, calculada conforme percentuais definidos em lei aplicados sobre a receita bruta do Contribuinte até o mês em que a antecipação é realizada. Ainda nos termos da lei, a obrigação de antecipar o imposto pode ser reduzida ou suspensa, conforme o Contribuinte comprove, mediante levantamento de balanços ou balancetes, que o IRPJ, se calculado sobre o lucro real verificado até o momento da apuração da antecipação, é menor do que o valor devido de acordo com o cálculo sobre a base estimada. Em apertada síntese, esse é o regime legal da obrigação de antecipar, mensalmente, o IRPJ, em caso de opção pela apuração do lucro real em base anual. Diferentemente do acórdão recorrido, entendo que o Contribuinte está obrigado ao recolhimento das antecipações mensais nos termos estabelecidos na legislação, seja sobre as bases estimadas, seja sobre a base de cálculo apurada em balanço ou balancete de suspensão ou redução. A meu ver, havendo recolhimento superior àquele imposto por lei, ainda que sob a alcunha de "estimativa", resta caracterizado o recolhimento a maior passível de restituição ou compensação. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10283.907244/200996 Acórdão n.º 1301003.574 S1C3T1 Fl. 7 6 Como bem observou o acórdão paradigma, a legislação não estabelece que recolhimentos a maior que os estabelecidos pelas regras da apuração da antecipação mensal por estimativa também devem ser considerados como antecipação do imposto. Em outros termos, o recolhimento que exceda o valor apurado de acordo com as regras para o cálculo das antecipações mensais por estimativa não tem natureza de antecipação do imposto, mas de pagamento indevido, restituível nos termos do art. 165 do CTN.(grifei) Nesse diapasão, em observância à Súmula CARF nº 84, reconhecese que é possível a caracterização de indébito a partir de recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte da existência de pagamento indevido, ou seja, que o valor recolhido a título de estimativa mensal, ainda que através de balanço ou balancete suspensão/redução, foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Logo, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindo se assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10283.907244/200996 Acórdão n.º 1301003.574 S1C3T1 Fl. 8 7 de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900473/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/04/2004
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-006.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente)
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/04/2004 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 04 73 /2 00 8- 00 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13819.900473/200800 Acórdão n.º 3302006.069 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada (DCOMP), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não havia sustentado a existência do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que "temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, (...) portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo" (sic). Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, que fosse feita revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 05035.472, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando a ausência de prova do direito creditório pleiteado. Ressaltou a DRJ que o contencioso administrativo não se prestava ao pedido formulado pelo contribuinte, havendo rito específico para pedido de cancelamento, e que a autoridade encarregada da cobrança haveria de cuidar para que, comprovada a coincidência entre os débitos exigidos por meio da DCOMP e os relacionados com o pagamento alegado, não houvesse cobrança duplicada do débito tributário. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ratificando os argumentos da Manifestação de Inconformidade e alegando não ter se utilizado do crédito apontado na DCOMP, vez que promovera o pagamento integral do débito cuja compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento. Destacou o recorrente que o pagamento integral do débito ocorrera antes mesmo da ciência da não homologação da compensação declarada, não podendo ser compelido ao pagamento em duplicidade do citado débito. Sustentou, ainda, que o pagamento é causa de extinção do crédito tributário e que, muito embora a DCOMP constitua confissão de dívida, tal preceito não pode ferir o art. 149, II e IV do CTN, no sentido de que fosse promovida a revisão de ofício. Por fim, pediu que, em caso de não se entender pelo cancelamento da DCOMP, fosse a repartição de origem oficiada para que não houvesse cobrança duplicada do débito tributário. É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13819.900473/200800 Acórdão n.º 3302006.069 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.068, de 24/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13819.900462/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.068): O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a apreciálo. Do Contencioso Administrativo. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13819.900473/200800 Acórdão n.º 3302006.069 S3C3T2 Fl. 5 4 comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. No caso em estudo, o contribuinte informou, em sua primeira oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado, por meio de DARF, o pagamento integral do débito que pretendia compensar, bem como pediu, de modo suficientemente claro, a revisão de ofício para fins de cancelamento da DCOMP. Assim, no que cinge ao suposto crédito declarado na DCOMP em comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede de manifestação de inconformidade, fazendo com que sequer tenha se instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em litígio. A DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o contencioso administrativo não se presta ao pedido formulado pela contribuinte, havendo rito específico para o pedido de cancelamento. No recurso voluntário, o contribuinte ratificou todos os argumentos produzidos por ocasião da manifestação de inconformidade, renovando o pedido de revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP e, por conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação, sob pena de pagamento em duplicidade. Repisese que desde sua primeira manifestação neste PAF, a empresa reconheceu a inexistência do direito creditório antes alegado e pugnou pela revisão de ofício, com o cancelamento da DCOMP e extinção da cobrança decorrente de sua não homologação. Segundo previsão legal do § 9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por meio de Manifestação de Inconformidade, contra a não homologação da declaração de compensação. Nesse sentido, temse que a competência dos órgãos de julgamento administrativo, no que diz respeito às declarações de compensação, está adstrita ao reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não, da compensação declarada. Ocorre que o caso em estudo não versa sobre a não homologação da DCOMP, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito creditório, tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13819.900473/200800 Acórdão n.º 3302006.069 S3C3T2 Fl. 6 5 cancelamento da DCOMP, o que escapa à competência dos julgadores administrativos. Não estando a retificação ou o cancelamento de declarações, entregues pelo sujeito passivo, inseridos na esfera de competências do julgador administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou litígio. Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do direito creditório não homologado pelo Despacho Decisório, não há e nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento administrativo, vez que também não podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo contribuinte nestes autos. Observese, entretanto, que há indícios de que o débito antes pretendido compensar foi pago por meio de DARF pelo contribuinte antes da emissão do despacho decisório, devendo a unidade responsável avaliar se o referido pagamento é passível de alocação ao débito oriundo da DCOMP em comento. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720231/2017-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2014 a 31/12/2015
NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE DÉBITO E CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Os custos com taxas de administração de cartões de débito e crédito não geram direito a crédito, por não se enquadrarem na definição de insumo estabelecida na legislação que rege a matéria.
ATIVIDADE COMERCIAL. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. IMPERTINÊNCIA. EMBALAGEM. IMPOSSIBILIDADE.
Consoante a legislação, as pessoas jurídicas que exercem atividade comercial, via de regra, podem descontar créditos pelas aquisições de bens para revenda, não sendo possível a adoção do conceito de insumo e o tratamento a ele dispensado nesse ramo, haja vista que é instituto típico da atividade de prestação de serviço e industrial (produção/fabricação), motivo pelo qual os materiais de embalagens (sacolas plásticas e para presentes) utilizados em sua atividade não garantem créditos.
ATIVIDADE COMERCIAL. EMBALAGEM. REVENDA. DIREITO AO CRÉDITO.
Embalagens adquiridas como mercadorias e destinadas a revenda, dão direito ao crédito de acordo com a legislação de regência.
COFINS. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMS-ST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS-ST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE MULTA. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Na ausência de recolhimento espontâneo pelo sujeito passivo, cabe a constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício, com a respectiva penalidade prevista em lei.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2014 a 31/12/2015
NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE DÉBITO E CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Os custos com taxas de administração de cartões de débito e crédito não geram direito a crédito, por não se enquadrarem na definição de insumo estabelecida na legislação que rege a matéria.
ATIVIDADE COMERCIAL. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. IMPERTINÊNCIA. EMBALAGEM. IMPOSSIBILIDADE.
Consoante a legislação, as pessoas jurídicas que exercem atividade comercial, via de regra, podem descontar créditos pelas aquisições de bens para revenda, não sendo possível a adoção do conceito de insumo e o tratamento a ele dispensado nesse ramo, haja vista que é instituto típico da atividade de prestação de serviço e industrial (produção/fabricação), motivo pelo qual os materiais de embalagens (sacolas plásticas e para presentes) utilizados em sua atividade não garantem créditos.
ATIVIDADE COMERCIAL. EMBALAGEM. REVENDA. DIREITO AO CRÉDITO.
Embalagens adquiridas como mercadorias e destinadas a revenda, dão direito ao crédito de acordo com a legislação de regência.
COFINS. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMS-ST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS-ST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE MULTA. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Na ausência de recolhimento espontâneo pelo sujeito passivo, cabe a constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício, com a respectiva penalidade prevista em lei.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 3201-004.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para tão somente reverter as glosas de créditos apurados nas aquisições de materiais de embalagens destinados a revenda.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para tão somente reverter as glosas de créditos apurados nas aquisições de materiais de embalagens destinados a revenda. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2014 a 31/12/2015 NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE DÉBITO E CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com taxas de administração de cartões de débito e crédito não geram direito a crédito, por não se enquadrarem na definição de insumo estabelecida na legislação que rege a matéria. ATIVIDADE COMERCIAL. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. IMPERTINÊNCIA. EMBALAGEM. IMPOSSIBILIDADE. Consoante a legislação, as pessoas jurídicas que exercem atividade comercial, via de regra, podem descontar créditos pelas aquisições de bens para revenda, não sendo possível a adoção do conceito de insumo e o tratamento a ele dispensado nesse ramo, haja vista que é instituto típico da atividade de prestação de serviço e industrial (produção/fabricação), motivo pelo qual os materiais de embalagens (sacolas plásticas e para presentes) utilizados em sua atividade não garantem créditos. ATIVIDADE COMERCIAL. EMBALAGEM. REVENDA. DIREITO AO CRÉDITO. Embalagens adquiridas como mercadorias e destinadas a revenda, dão direito ao crédito de acordo com a legislação de regência. COFINS. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMS-ST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS-ST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE MULTA. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Na ausência de recolhimento espontâneo pelo sujeito passivo, cabe a constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício, com a respectiva penalidade prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2014 a 31/12/2015 NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE DÉBITO E CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com taxas de administração de cartões de débito e crédito não geram direito a crédito, por não se enquadrarem na definição de insumo estabelecida na legislação que rege a matéria. ATIVIDADE COMERCIAL. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. IMPERTINÊNCIA. EMBALAGEM. IMPOSSIBILIDADE. Consoante a legislação, as pessoas jurídicas que exercem atividade comercial, via de regra, podem descontar créditos pelas aquisições de bens para revenda, não sendo possível a adoção do conceito de insumo e o tratamento a ele dispensado nesse ramo, haja vista que é instituto típico da atividade de prestação de serviço e industrial (produção/fabricação), motivo pelo qual os materiais de embalagens (sacolas plásticas e para presentes) utilizados em sua atividade não garantem créditos. ATIVIDADE COMERCIAL. EMBALAGEM. REVENDA. DIREITO AO CRÉDITO. Embalagens adquiridas como mercadorias e destinadas a revenda, dão direito ao crédito de acordo com a legislação de regência. COFINS. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMS-ST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS-ST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE MULTA. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Na ausência de recolhimento espontâneo pelo sujeito passivo, cabe a constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício, com a respectiva penalidade prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. ICMS. SUBSITUIÇÃO TRIBUTÁRIA Recorrente RI HAPPY BRINQUEDOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2014 a 31/12/2015 NÃOCUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE DÉBITO E CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com taxas de administração de cartões de débito e crédito não geram direito a crédito, por não se enquadrarem na definição de insumo estabelecida na legislação que rege a matéria. ATIVIDADE COMERCIAL. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. IMPERTINÊNCIA. EMBALAGEM. IMPOSSIBILIDADE. Consoante a legislação, as pessoas jurídicas que exercem atividade comercial, via de regra, podem descontar créditos pelas aquisições de bens para revenda, não sendo possível a adoção do conceito de “insumo” e o tratamento a ele dispensado nesse ramo, haja vista que é instituto típico da atividade de prestação de serviço e industrial (produção/fabricação), motivo pelo qual os materiais de embalagens (sacolas plásticas e para presentes) utilizados em sua atividade não garantem créditos. ATIVIDADE COMERCIAL. EMBALAGEM. REVENDA. DIREITO AO CRÉDITO. Embalagens adquiridas como mercadorias e destinadas a revenda, dão direito ao crédito de acordo com a legislação de regência. COFINS. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMSST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMSST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 02 31 /2 01 7- 12 Fl. 3326DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.327 2 MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE MULTA. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Na ausência de recolhimento espontâneo pelo sujeito passivo, cabe a constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício, com a respectiva penalidade prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2014 a 31/12/2015 NÃOCUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE DÉBITO E CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com taxas de administração de cartões de débito e crédito não geram direito a crédito, por não se enquadrarem na definição de insumo estabelecida na legislação que rege a matéria. ATIVIDADE COMERCIAL. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. IMPERTINÊNCIA. EMBALAGEM. IMPOSSIBILIDADE. Consoante a legislação, as pessoas jurídicas que exercem atividade comercial, via de regra, podem descontar créditos pelas aquisições de bens para revenda, não sendo possível a adoção do conceito de “insumo” e o tratamento a ele dispensado nesse ramo, haja vista que é instituto típico da atividade de prestação de serviço e industrial (produção/fabricação), motivo pelo qual os materiais de embalagens (sacolas plásticas e para presentes) utilizados em sua atividade não garantem créditos. ATIVIDADE COMERCIAL. EMBALAGEM. REVENDA. DIREITO AO CRÉDITO. Embalagens adquiridas como mercadorias e destinadas a revenda, dão direito ao crédito de acordo com a legislação de regência. COFINS. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMSST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMSST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE MULTA. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Fl. 3327DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.328 3 Na ausência de recolhimento espontâneo pelo sujeito passivo, cabe a constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício, com a respectiva penalidade prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para tão somente reverter as glosas de créditos apurados nas aquisições de materiais de embalagens destinados a revenda. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Impugnação, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de impugnação, fls. 2894 a 2921, contra autos de infração relativos às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, fls. 2861 a 2878, emitidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí SP, que durante procedimento fiscal, vide o Termo de Verificação Fiscal, fls. 2850 a 2856, constatou que o recorrente descontou valores a título de créditos de PIS e da Cofins sobre despesas com taxa de administração de cartões de débito/crédito e sobre aquisições de materiais de embalagens não destinados à revenda, para o que não há previsão no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 15, § 3º da Lei nº 10.865/2004. Fl. 3328DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.329 4 Também foi constatado na Escrituração Fiscal Digital – Contribuições o desconto indevido de créditos calculados sobre o valor do ICMS – Substituição Tributária destacado nas notas fiscais de compras de brinquedos de NCM 9503. Como o ICMS – Substituição Tributária não pode ser considerado como custo da mercadoria adquirida para revenda, por conseqüência, não pode compor a base de cálculo de creditamento das contribuições. O relatório fiscal também ressalta que o contribuinte transmitiu via Sped a Escrituração Fiscal Digital – EFD – Contribuições, referente aos períodos de apuração de janeiro/2014 a dezembro/2015, com os valores “zerados” do ICMS – Substituição Tributária relativos aos campos das notas fiscais de compras (CFOP 1.403 e 2.403). Conseqüentemente, sujeitase à multa de 3% sobre o valor das transações comerciais escrituradas de forma incompleta em cada período de apuração, conforme nova redação e vigência estabelecida pelo artigo 57, inciso III, alínea a, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a redação dada pelo artigo 57 da Lei nº 12.873, de 2013, e artigo 10 da IN RFB nº 1.252, de 01 de março de 2012, com a nova redação dada pela IN RFB nº 1.387, de 21 de agosto de 2013). Os valores de créditos do PIS e da Cofins glosados pela fiscalização, da insuficiência da declaração e recolhimento dessas contribuições, bem como das multas por preenchimento da Escrituração Fiscal Digital – EFD – Contribuições com dados incompletos, estão detalhados nos demonstrativos anexos ao Termo de Verificação Fiscal. Observese que as multas regulamentares por preenchimento incorreto da Escrituração Fiscal Digital – EFD –Contribuições, são exigidas através de Auto de Infração formalizado em outro processo administrativo, nº 19311.720232/201759. Após cientificado da autuação, em 31/08/2017, vide termo de fl. 2889, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 29/09/2017, vide termo de fl. 2892, sua impugnação, onde alega, em apertada síntese: Que se as empresas que verticalizam sua produção, indo desde a produção de insumos até a venda ao cliente final, podem se creditar de todo tipo de insumo incorrido em sua cadeia produtiva, seria injusto e inconstitucional limitar o creditamento para uma empresa que seja exclusivamente varejista. Ressalta que sua atividade seria mais complexa do a simples venda de produtos no varejo e nesse sentido, defende que tal complexidade em todas as atividades que exerce deixaria claro a existência de uma cadeia produtiva em sua atividade, o que a autorizaria ao reconhecimento de insumos, sobre serviços prestados e sua atividade produtiva. Dessa forma, conclui que a totalidade dos itens sobre os quais se questiona a apropriação de créditos de PIS e Cofins na autuação ora combatida representariam custo de aquisição de mercadorias adquiridas para revenda ou insumo da sua atividade, garantindose portanto, a apropriação de créditos sobre tais dispêndios. Fl. 3329DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.330 5 Sobre a inclusão do ICMSST no custo de aquisição, defende que pelo exame das normas contábeis e fiscais que tratam do tema, seria evidente que os valores de ICMSST destacados nas notas fiscais dos produtos adquiridos se encaixariam no conceito de custo de aquisição, uma vez que se trataria de um tributo não recuperável. Cita e transcreve doutrina e parecer CPC sobre o tema, acrescenta, ainda que as suas Demonstrações de Resultado do Exercício, conforme imposição das regras aplicáveis a espécie, registrariam o ICMSST na composição do Custo da Mercadoria Vendida ("CMV"). Ainda sobre esta matéria, ressalta que o substituto tributário teria o dever legal de recolher todo o tributo devido na cadeia econômica, sendo essa uma obrigação de sua própria titularidade e não uma obrigação legal de terceiros, repassada ao substituto. Logo, como o custo do ICMSST incorrido seria integralmente pago pelo recorrente, quando da aquisição das mercadorias, portanto, deveria compor o seu custo de aquisição, assim como todo e qualquer outro tributo não recuperável. Cita o Parecer Normativo RFB n° 77, de 23/10/1986, editado pelo Coordenador do Sistema de Tributação, o qual esclareceria que o custo do imposto será "embutido" no valor/preço da revenda. Repisa que o fato de o substituído não destacar o ICMSST recolhido pelo substituto e assim ser obrigado a repassar o ônus do tributo no preço dos produtos ratificaria o entendimento de que o imposto é irrecuperável e, conseqüentemente, compõem o custo de aquisição das mercadorias, como já teria sido reconhecido em Solução de Consulta que transcreve em seu recurso. Aponta, ainda, que o STF já teria reconhecido em outras oportunidades que o ICMSST seria tributo irrecuperável que compõem o custo de aquisição das mercadorias, cita jurisprudência desta suprema corte para embasar seus argumentos. Sobre as glosas de créditos apurados sobre materiais de embalagem, aponta, preliminarmente, que parte dos valores glosados diriam respeito à venda de embalagens por meio de seu sítio eletrônico (ecommerce), o que afastaria qualquer dúvida sobre a possibilidade de creditamento. Esclarece que seus clientes que efetuam compras por meio do seu sítio eletrônico pagariam, de forma apartada, pela aquisição das embalagens, ou seja, seria cobrado um valor pela revenda das embalagens para presente. Logo, ainda que não se entenda que todo o valor correspondente a embalagens seria passível de creditamento pelo PIS e pela Cofins, ao menos o valor das embalagens para presente, cobrado à parte nas compras feitas pela internet, deveria ser reconhecido para fins de tomada de crédito. Desse modo, defende que os valores relativos aos custos com embalagens proporcionais às vendas realizadas por meio de seu sítio eletrônico deveriam ser aceitos como autorizativos de reconhecimento dos créditos do PIS e da Cofins. Ainda sobre as glosas de créditos apurados sobre materiais de embalagem, defende que todas as demais embalagens, para as quais não haveria cobrança em separado, também deveriam gerar direito aos créditos das contribuições, seja com base (i) nos artigos 3°, inciso I da Lei n° 10.637/02 e Lei n° 10.833/03 Fl. 3330DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.331 6 (custo da mercadoria para revenda); ou (ii) nos artigos 3°, inciso II da Lei n° 10.637 e Lei n° 10.833/03 (insumo). Repisa que os custos de aquisição incluiriam o preço de compra, os tributos não recuperáveis e, no que interessa ao presente item, todos os demais custos diretamente atribuíveis à aquisição dos produtos que serão objeto de revenda. Novamente ressalta o conteúdo do Pronunciamento Técnico CPC 16 e que as suas Demonstrações de Resultado do Exercício registrariam as embalagens na composição do CMV. Defende, também, que qualquer que seja o entendimento adotado nesse item, os dispêndios com aquisição de embalagens devem ser considerados como insumo da sua atividade e, como tal, passível de creditamento com base nos artigos 3°, inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Discorre sobre o conceito de insumo adotado pela doutrina e jurisprudências administrativa (CARF) e judicial (STJ). Conclui que sob qualquer perspectiva que se examine a questão, não haveria dúvida de que a glosa deveria ser cancelada, ou ao menos parcialmente revista, quanto à parcela de vendas de embalagens pelo ecommerce. Sobre a glosa de créditos apurados sobre os gastos com cartões de crédito e débito, apresenta três argumentos principais para demonstrar a regularidade do seu procedimento adotado. Primeiro, defende que a parcela a ser paga às administradoras de cartões de crédito e de débito nem deveria figurar como receita própria das empresas, na medida em que os valores devidos à essas entidades já seriam conhecidos desde a realização da venda. Alternativamente, caso não se admita que a parcela paga às administradoras de cartões de crédito e de débito seja excluída do conceito legal de receita, defende então que tais despesas deveriam permitir o reconhecimento de crédito de PIS e de Cofins, uma vez que esses dispêndios seriam essenciais para que qualquer valor seja sequer reconhecido como receita. Segundo, aponta que não haveria nenhum insumo mais importante para a geração da receita, do que os gastos com a disponibilização de meios de pagamento para o seu cliente adquirir seus produtos. Aponta que as compras pagas com cartões de débito e crédito corresponderiam a uma média de 82% do total de vendas realizadas no período objeto do lançamento. Desta forma, o reconhecimento de créditos sobre estes dispêndios estaria amparado pelos artigos 3°, inciso II da Lei n° 10.637 e Lei n° 10.833/03. Terceiro, aponta que limitar os pagamentos em cartão de débitos e créditos implicaria redução das receitas tributáveis pelo PIS e pela Cofins, por forca da Lei n° 13.455, de 26/6/2017, cujo artigo 1º autorizaria a diferenciação de preços de bens e serviços oferecidos ao público em função do prazo ou instrumento de pagamento utilizado. Logo, caso seus clientes dispusessem de apenas um meio de pagamento, p.ex. dinheiro, seria provável que fosse exigida a concessão de descontos por pagamentos em dinheiro (pois a preferência da clientela seria pela realização de pagamentos em cartão). Com isso, seriam auferidas menos receitas e, conseqüentemente, haveria menor recolhimento de PIS e Cofins. Fl. 3331DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.332 7 Contesta a multa de oficio aplicada no percentual de 75%, que entende injusto e que ultrapassaria os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser prontamente reduzida. Cita, ainda, jurisprudência do STF, bem como os artigos 100 e 112 do CTN, para defender a redução da multa a um valor proporcional e adequado. Contesta a aplicação de juros sobre a multa de ofício, bem como a incidência de juros pela taxa SELIC. Cita jurisprudência do CARF para amparar seus argumentos. Conclui com o pedido para que seja integralmente apreciada e acolhida sua impugnação, com o imediato cancelamento integral dos Autos de Infração em tela (principal, multas e juros), com o conseqüente arquivamento do processo administrativo. Protesta, finalmente, pela posterior juntada de documentos que possam se fazer necessários, conforme o princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal." A Impugnação foi julgada improcedente e a decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2014 a 31/12/2015 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS substituição tributária (ICMSST) não constitui custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria, assim, sobre a respectiva parcela não há previsão de apuração de créditos de PIS ou de Cofins para fins de desconto da contribuição devida calculada no regime da não cumulatividade. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 3332DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.333 8 Período de apuração: 01/02/2014 a 31/12/2015 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS substituição tributária (ICMSST) não constitui custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria, assim, sobre a respectiva parcela não há previsão de apuração de créditos de PIS ou de Cofins para fins de desconto da contribuição devida calculada no regime da não cumulatividade. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) como questão de ordem, o julgamento do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo: a ilegalidade do conceito de insumo adotado pela Fiscalização e decisão recorrida; (ii) traz considerações doutrinárias e jurisprudenciais sobre o conceito de insumo; (iii) é regular a apropriação de créditos sobre taxas de administração de cartões de crédito e débito; (iv) a parcela a ser paga às administradoras de cartões de crédito e de débito nem deveriam figurar como receita própria das empresas, na medida em que os valores devidos a essas entidades já são conhecidos desde a realização da venda; (v) não se pode entender que os valores que serão repassados às administradoras de cartões de crédito sejam considerados como ingressos efetivos e permanentes de recursos no seu patrimônio; Fl. 3333DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.334 9 (vi) caso não se admitida que as parcelas pagas às administradoras de cartões de crédito e de débito deveriam ser excluídas do conceito legal de receita, na medida em que jamais serão integradas ao patrimônio jurídico da Recorrente, temos que, por óbvio, tais despesas deveriam permitir o reconhecimento de crédito de PIS e de Cofins, uma vez que esses dispêndios são essenciais para que a Recorrente tenha receitas; (vii) não há nenhum insumo mais importante para a geração da receita do que os gastos com a disponibilização de meios de pagamento para o seu cliente adquirir seus produtos; (viii) o reconhecimento de créditos sobre esses dispêndios é autorizado pelo artigo 3.º, inciso II da Lei nº 10.637/02 e Lei nº 10.833/03, tendo em vista que o pagamento dessa taxa possibilita à Recorrente (i) a consecução de suas atividades de varejista no ramo de produtos recreativos infantis; e, desse modo, (ii) contribui indiscutivelmente para a geração de sua receita sujeita à incidência do PIS e da Cofins; (ix) que as compras pagas com cartões de débito e crédito corresponderam a uma média de 82% do total de vendas realizadas pela Recorrente no período de Janeiro de 2014 a Dezembro de 2015 (período da glosa); (x) ainda que se admitisse que esses dispêndios não configuram insumo da atividade da Recorrente e que a extinção desse meio de pagamento não impactaria a exploração das atividades e a geração de receitas da Recorrente (o que se admite apenas para argumentar), é certo que limitar os pagamentos em cartão de débitos e créditos implicaria redução das receitas tributáveis pelo PIS e pela Cofins, por conta da Lei nº 13.455, de 26.6.2017; (xi) as despesas com embalagens devem gerar créditos do PIS e da Cofins, uma vez que esses dispêndios compõem o custo da mercadoria para revenda; (xii) as despesas com embalagens são insumos seus; (xiii) há parcela de embalagens revendida ao cliente nas vendas online (e commerce); (xiv) o ICMSST compõe o custo de aquisição; (xv) O Pronunciamento Técnico nº 16 especifica que todos os tributos não recuperáveis, como é o caso do ICMSST e devem compor o custo de aquisição; (xvi) sob a perspectiva da legislação tributária, o Decreto nº 3.000, de 26.3.1999 (“RIR/99”) determina que os impostos recuperáveis devem ser excluídos do custo de aquisição (artigo 289, §3.º); (xvii) o substituto tributário é integralmente responsável por reter e recolher o ICMSST, destacando os respectivos valores na nota fiscal. Tratase de obrigação do próprio substituto tributário, na qualidade de sujeito passivo da obrigação tributária. (xviii) o custo do ICMSST incorrido é integralmente pago pela Recorrente quando da aquisição das mercadorias e, portanto, comporá o custo de aquisição para o adquirente (assim como todo e qualquer outro tributo não recuperável); Fl. 3334DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.335 10 (xix) a prevalecer o entendimento de que o ICMSST não integra o custo dos produtos, as DD. Autoridades Tributárias deverão, por consequência, excluir o valor do ICMSST das bases de cálculo do PIS e da Cofins; (xx) o ICMSST tem natureza definitiva e irrecuperável para a Recorrente, portanto, é parte integrante do custo de aquisição, de modo que resta demonstrado o direito da Recorrente de apropriar créditos do PIS e da Cofins também sobre essa parcela do seu custo de aquisição; (xxi) é indevida a multa de ofício aplicada; (xxii) que a multa de ofício (penalidade) só pode ser aplicada pelo órgão judicante, no caso o CARF; (xxiii) a multa aplicada no percentual de 75% ultrapassa os limites da razoabilidade, proporcionalidade e nãoconfisco; (xxiv) o artigo 112 do CTN dispõe expressamente que a norma tributária que comine penalidades deverá ser interpretada e aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos de dúvida a respeito da capitulação legal do fato e da natureza ou das circunstâncias materiais do fato; e (xxv) impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator. Inicialmente, é de se tecer algumas considerações introdutórias em relação ao mérito recursal. Marco Aurélio Grecco (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. O escólio de Aliomar Baleeiro é elucidativo para a questão posta em debate: "É uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa "input", isto é, o conjunto dos fatores produtivos, tais como matériasprimas, energia, trabalho, amortização de capital, etc, empregados pelo empresário para produzir o "output" ou o produto final (...)" (Direito Tributário Brasileiro, Forense Rio de Janeiro, 1980, 9ª edição, pág.214) Fl. 3335DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.336 11 O Superior Tribunal de Justiça entende que são ilegais as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, conforme a seguir: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria Fl. 3336DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.337 12 impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido." (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) Imperioso esclarecer que por ocasião do recente julgamento do RESP nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo a Corte Superior assim de posicionou sobre a matéria: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. Fl. 3337DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.338 13 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte." (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Excerto do voto proferido pelo Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, no processo 10247.000002/200663 é elucidativo para o caso em debate: "Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo." Ainda, de processo relatado pelo Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais." (Processo 11065.101167/200652; Acórdão 9303005.612; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Sessão de 19/09/2017). Tecidas tais considerações, para melhor compreensão das matérias em debate, passase a análise de acordo com os tópicos postos na peça recursal. Fl. 3338DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.339 14 A REGULARIDADE DA APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE TAXAS DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE DÉBITO E CRÉDITO Defende a Recorrente que é regular a apropriação de créditos sobre taxas de administração de cartões de débito e crédito. Em que pese os argumentos postos, entendo que não lhe assiste razão. Aqui, adoto como fundamento, as decisões proferidas pelo CARF em casos análogos, conforme precedentes a seguir transcritos: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com taxas de administração de cartões de crédito não geram direito a crédito, por não se enquadrarem na definição de insumo estabelecida na legislação de regência. (...)" (Processo nº 19311.720294/201507; Acórdão n° 3301004.483; Relatora Conselheira Semíramis de Oliveira Duro; sessão de 22/03/2018) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PIS NÃOCUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de insumos para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. PIS NÃOCUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. INCISO II DAS LEIS DE REGÊNCIA. CRÉDITOS INDEVIDOS. As leis de regência das contribuições (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) tratam , em seus artigos terceiros, de créditos a diversos setores. Mas não o fazem especificamente nos incisos II Fl. 3339DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.340 15 dos arts. 3º, que versam restritivamente sobre produção/fabricação” e “prestação de serviços." (Processo nº 10805.724064/201582; Acórdão nº 3401004.379; Relator Conselheiro André Henrique Lemos; sessão 26/02/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para a dedução da base de cálculo da contribuição em face de despesas com verba de propaganda cooperada. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS NA PREPARAÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO. Não está previsto o desconto de crédito de gastos com bens e serviços utilizados como insumos para pessoas jurídicas que exerçam a atividade comercial, uma vez que a legislação tributária restringe o aproveitamento de créditos com insumos para pessoas jurídicas que exerçam atividade ligada à produção de bens ou prestação de serviços. (...)" (Processo nº 16682.720148/201567; Acórdão nº 3402005.553; Relator Conselheiro Pedro Sousa Bispo; sessão de 29/08/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2009 (...) TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO. VEDAÇÃO AO CÁLCULO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS Não há respaldo legal ao cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre despesas com taxa de administração de cartões de crédito. (...)" (Processo nº 10580.730133/201315; Acórdão nº 3301 002.978; Redator voto vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira; sessão de 19/05/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2010, 2011 Fl. 3340DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.341 16 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO. Os custos com taxas de administração de cartões de crédito e débito não geram direito a crédito, por não se enquadrarem na definição de insumo estabelecida na legislação de regência, posta a atividade meramente comercial, distinta da produção e da prestação de serviço. (...)" (Processo n° 18050.720506/2014 12; Acórdão n° 3301003.874; Relator Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho; sessão de 28/06/2017) Do voto condutor destaco: "Ora, a regra geral de creditamento de valores de insumos vale considerar que a primeira parte do art. 3o, II, da Lei nº 10.637 prevê o desconto de créditos de " bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda [...] ", não havendo assim previsão de desconto de insumo em atividade meramente comercial, distinta da produção e da prestação de serviço." Comentando o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, no RESP n° 1.221.170/PR, Paulo Roberto Andrade e Marcos Tranchesi Ortiz, anotam: "Triunfou, portanto, no leading case, a referida exegese intermediária, que aceita como insumos bens e serviços “essenciais” ou “relevantes” — na dicção do próprio julgado — ao processo produtivo do contribuinte. Por mais importantes que possam ser à geração de receita e ao empreendimento globalmente considerado, os dispêndios desvinculados do segmento de produção — leiase, da etapa produtiva — do contribuinte não galgarão, nunca, a condição de insumos. É por isso, aliás, que apenas indústrias e prestadores de serviços estão referidos no inciso II do artigo 3º da Lei 10.833/03. Empreendimentos exclusivamente comerciais não apropriam insumos simplesmente porque nada produzem. (PIS/Cofins, conceito de insumos e despesas comerciais, Revista Consultor Jurídico, 8 de junho de 2018, 6h57) Tal entendimento vem sido trilhado pelo Poder Judiciário. Do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: "TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. PIS E COFINS. VALORES COBRADOS PELAS EMPRESAS ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. (...) Da análise das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, verificase que o conceito de insumos, para fins de creditamento no regime não Fl. 3341DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.342 17 cumulativo das contribuições PIS e COFINS por elas instituído, abrange os elementos que se relacionam diretamente à atividade fim da empresa, não abarcando todos os elementos da sua atividade. Não podem ser consideradas insumos as despesas com taxas e comissões pagas a administradoras de cartões de crédito." (TRF4, AC 500794592.2015.4.04.7205, SEGUNDA TURMA, Relatora CARLA EVELISE JUSTINO HENDGES, juntado aos autos em 26/11/2015) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 (...) COFINS NÃOCUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. Excetuados os gastos com disposição legal específica, apenas os bens e serviços empregados no processo produtivo e que não se incluam no ativo permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições.Em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo sobre gastos com: iv) taxas pagas às administradoras de cartões de crédito." (Processo nº 13855.721049/201151; Acórdão nº 9303006.689; Relator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal; sessão de 12/04/2018) Do Tribunal Regional Federal da 1ª Região: "TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS TAXAS DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO E/OU DÉBITO. CUSTO OPERACIONAL. IMPOSSIBILIDADE. CREDITAMENTO. NATUREZA DE INSUMO NÃO CONFIGURADA. PRECEDENTES. (...) 4. "Para fins de creditamento de PIS e COFINS (art. 3º, II, da Leis 10.637/02 e 10.833/03), a ideia de insumos, ainda que na sua acepção mais ampla, está relacionada com os elementos essenciais à realização da atividade fim da empresa. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.230.441/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 18/09/2013" (AgRg no REsp 1.244.507/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/11/2013, DJe 29/11/2013). 5. Os valores pagos a título de taxas ou comissões às administradoras de cartões de crédito e de débito ainda que considerada a realidade atual das transações comerciais não podem ser entendidos como insumos, por não se caracterizarem Fl. 3342DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.343 18 como pressuposto ou condição para o exercício de suas atividades, mas mero instrumento facilitador do recebimento de seus pagamentos. Precedente: (AC 006116497.2011.4.01.3400 / DF, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, OITAVA TURMA, eDJF1 de 08/07/2016) 6. Apelações não providas.A Turma, por unanimidade, negou provimento às apelações." (AC 008932952.2014.4.01.3400, DESEMBARGADORA FEDERAL ÂNGELA CATÃO, TRF1 SÉTIMA TURMA, eDJF1 DATA:26/01/2018 PAGINA:.) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário na matéria em apreço. A REGULARIDADE DA APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE MATERIAIS DE EMBALAGEM Anota a decisão recorrida: "Especificamente sobre as glosas de créditos apurados nas aquisições de materiais de embalagens não destinados à revenda, o recorrente acrescenta que parte dos valores glosados diria respeito à venda avulsa de embalagens por meio de seu sítio eletrônico (ecommerce). Contudo, limitouse a apresentar apenas uma cópia da tela de seu sítio eletrônico, sem juntar qualquer outra documentação contábil ou fiscal para comprovar suas alegações nesse sentido. Desta forma, em face da falta de comprovação do alegado, entendo que permanecem corretas todas as glosas aplicadas sobre créditos apurados nas aquisições de materiais de embalagens não destinados à revenda. Uma vez que o recorrente sequer buscou comprovar, mesmo que por amostragem, que quaisquer das glosas efetuadas tenha se referido, na verdade, à operações de revenda de embalagens avulsas para seus clientes." Como visto, a decisão recorrida em relação aos materiais de embalagem entendeu que se tais materiais não fossem destinados à revenda não seriam passíveis de creditamento para fins do PIS e da COFINS, pois não correspondem a “insumos” e que não teria ocorrido a comprovação de que parte das embalagens é revendida nas compras online (ecommerce) no website da Recorrente. No que tange à pretensão da Recorrente de que possui o direito ao crédito do PIS e da COFINS sobre embalagens, pois são insumos de sua atividade, entendo que não lhe assiste razão. Há que se esclarecer que a Recorrente não é empresa industrial nem prestadora de serviços, sua atividade é comercial. Considerando tal circunstância, as embalagens não podem ser consideradas com insumos. Para evitar o enfado, reportome às considerações tecidas no tópico anterior, para negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 3343DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.344 19 Acrescento decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre o tema: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 (...) "COFINS NÃOCUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. Excetuados os gastos com disposição legal específica, apenas os bens e serviços empregados no processo produtivo e que não se incluam no ativo permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições. Em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo sobre gastos com: i) embalagens (fitas adesivas incluídas nas vendas feitas pela internet); ii) combustível e manutenção de empilhadeiras utilizadas na revenda de mercadorias: iii) encargos de amortização de despesas préoperacionais, caracterizadas pela ativação de juros pagos em contrato de financiamento firmado com o BNDES para a construção de edificação; iv) taxas pagas às administradoras de cartões de crédito." (destaque nosso) (Processo nº 13855.721049/201151; Acórdão nº 9303006.689; Relator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal; sessão de 12/04/2018) Ainda do CARF: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 (...) ATIVIDADE COMERCIAL. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. IMPERTINÊNCIA. MATERIAL DE EMBALAGEM. IMPOSSIBILIDADE. Consoante art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, as pessoas jurídicas que exercem atividade comercial, via de regra, podem descontar créditos pelas aquisições de bens para revenda, não sendo possível a adoção do conceito de “insumo” e o tratamento a ele dispensado nesse ramo, haja vista que é instituto típico da atividade de prestação de serviço e industrial (produção/fabricação), motivo pelo qual os materiais de embalagens (sacolas plásticas e para presentes) utilizados no comércio não garantem créditos. (...)" (Processo nº 16682.721499/201323; Acórdão nº 3401004.398; Relator Conselheiro Robson José Bayerl; sessão de 28/02/2018) Fl. 3344DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.345 20 Com relação à parcela da autuação que trata da revenda de embalagens avulsas, entendo que assiste razão ao argumento recursal. No caso, tais embalagens devem ser consideradas como mercadorias, o que gera o direito ao crédito. Determinam o inc. I, art. 3º, Lei. 10.833 e inc. I, art. 3º, Lei 10.637: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...)" A decisão recorrida limitouse a afirmar que não houve comprovação do alegado. Entendo que a Recorrente logrou êxito em demonstrar o seu direito. Da peça recursal transcrevo: "81. A terceira razão é que parte dos valores glosados dizem respeito à venda de embalagens por meio do sítio eletrônico da Recorrente (ecommerce), o que afasta qualquer dúvida sobre a possibilidade de creditamento. 82. Nesse particular, é importante registrar que os clientes da Recorrente que efetuam compras por meio do sítio eletrônico pagam, de forma apartada, pela aquisição das embalagens, i.e., é cobrado um valor pela revenda das embalagens para presente, como se verifica abaixo: Fl. 3345DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.346 21 83. Ao contrário do alegado na r. Decisão Recorrida, a Recorrente demonstrou que as embalagens são efetivamente revendidas, (i) seja porque o próprio website da Recorrente é público e é possível consultar que as embalagens devem ser adquiridas pelos clientes; (ii) como porque o DRE apresentado pela Recorrente em sede de Impugnação comprova a venda das embalagens. 84. Desse modo, ainda que não se entenda que todo o valor correspondente a embalagens é passível de creditamento pelo PIS e pela Cofins (o que se admite apenas para argumentar), é certo que ao menos o valor das embalagens para presente, cobrado em compras feitas pela internet, deverá ser reconhecido para fins de tomada de crédito. Nesse sentido, a Recorrente destaca que, no mínimo, os valores relativos aos custos com embalagens proporcionais às vendas realizadas por meio de seu sítio eletrônico devem ser aceitos como autorizativos de reconhecimento dos créditos do PIS e da Cofins. Assim, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de créditos apurados nas aquisições de materiais de embalagens destinados a revenda. A REGULARIDADE DA APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE O ICMSST A matéria tem sido reiteradamente decidida no CARF pelo não acolhimento da tese de defesa do contribuinte. Vejamos: Fl. 3346DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.347 22 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2009, 2010 REGIME NÃO CUMULATIVO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O ICMS substituição tributária (ICMSST), pago pelo adquirente na condição de contribuinte substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. 2. É incabível a apuração de créditos da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMSST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (...)" (Processo nº 10480.720456/201400; Acórdão nº 3302005.672; Relator Conselheiro Walker Araújo; sessão de 25/07/2018) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. ICMSST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMSST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída. (...)" (Processo nº 19311.720294/201507; Acórdão nº 3301004.483; Relatora Conselheira Semíramis de Oliveira Duro; sessão de 22/03/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2009 Fl. 3347DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.348 23 (...) COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMSST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMSST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída." (Processo nº 10580.730133/201315; Acórdão nº 3301002.978; Relatora Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões; sessão de 19/05/2016) O entendimento referido, de igual modo, tem sido perfilhado pelo Poder Judiciário. Do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: "CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). REGIME NÃOCUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. VALORES REFERENTES AO ICMSSUBSTITUIÇÃO (ICMS ST). Não tem direito o contribuinte ao creditamento, no âmbito do regime nãocumulativo do PIS e COFINS, dos valores que, na condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS substituição." (TRF4, AC 500434302.2015.4.04.7203, SEGUNDA TURMA, Relator RÔMULO PIZZOLATTI, juntado aos autos em 06/12/2016) Superior Tribunal de Justiça STJ: "RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/1973. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. VALORES REFERENTES A ICMSSUBSTITUIÇÃO (ICMS ST). IMPOSSIBILIDADE. 1. Não tem direito o contribuinte ao creditamento, no âmbito do regime não cumulativo do PIS e COFINS, dos valores que, na condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS substituição. 2. Quando ocorre a retenção e recolhimento do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ICMSST), a empresa substituta não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Nessa situação, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa substituta que se torna apenas depositária de tributo (responsável tributário por substituição ou agente arrecadador) que será entregue ao Fisco. Então não ocorre a incidência das contribuições ao PIS/PASEP, COFINS, já que não há receita da empresa prestadora substituta. É o que estabelece o art. 279 do RIR/99 e o art. 3º, §2º, da Lei n. 9.718/98. Fl. 3348DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.349 24 3. Desse modo, não sendo receita bruta, o ICMSST não está na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas devidas pelo substituto e definida nos arts. 1º e §2º, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003. 4. Sendo assim, o valor do ICMSST não pode compor o conceito de valor de bens e serviços adquiridos para efeito de creditamento das referidas contribuições para o substituído, exigido pelos arts. 3, §1º, das Leis n n. 10.637/2002 e 10.833/2003, já que o princípio da não cumulatividade pressupõe o pagamento do tributo na etapa econômica anterior, ou seja, pressupõe a cumulatividade (ou a incidência em "cascata") das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. 5. Recurso especial não provido." (REsp 1456648/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2016, DJe 28/06/2016) "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. VALORES REFERENTES A ICMSSUBSTITUIÇÃO (ICMSST). IMPOSSIBILIDADE. 1. A Segunda Turma do STJ entende que, "não sendo receita bruta, o ICMSST não está na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas devidas pelo substituto e definida nos arts. 1º e §2º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003" (REsp 1.456.648/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 2/6/2016, DJe 28/6/2016). 2. Agravo Interno não provido." (AgInt no AgRg no REsp 1577561/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/04/2017, DJe 02/05/2017) "RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO N. 3/STJ. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. VALORES REFERENTES A ICMSSUBSTITUIÇÃO (ICMS ST). IMPOSSIBILIDADE. 1. O presente recurso foi interposto na vigência do CPC/2015, o que atrai a incidência do Enunciado Administrativo Nº 3: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". 2. Não tem direito o contribuinte ao creditamento, no âmbito do regime não cumulativo do PIS e COFINS, dos valores que, na Fl. 3349DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.350 25 condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS substituição. Precedentes: REsp. n. 1.456.648 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 02.06.2016; REsp. n. 1.461.802 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22.09.2016. 3. A aplicação da Súmula n. 568/STJ ("O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema") não exige a existência de múltiplos julgados sobre o tema, apenas a suficiência do debate pelo órgão julgador no precedente e a adequação dos fundamentos determinantes do precedente utilizado como paradigma ao caso concerto (art. 489, §1º, V, CPC/2015). 4. Agravo interno não provido." (AgInt nos EDcl no REsp 1462346/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/03/2017, DJe 13/03/2017) Diante do exposto, voto por negar provimento a tal tópico recursal. MULTA DE OFÍCIO Quanto ao argumento de ilegitimidade da multa de ofício, perfilho o entendimento de que não prosperam os argumentos de defesa da Recorrente no sentido de que careceria à autoridade administrativa competência para impor multa, cabendolhe apenas propor a aplicação da mesma, nos moldes do que dispõe o art. 142 do CTN. A aplicação do defendido pela Recorrente levaria, na prática, à inaplicabilidade de qualquer penalidade por parte da autoridade fiscal de lançamento, o que não faz sentido dentro do conjunto normativo tributário. Constatada a hipótese inserta na legislação tributária atinente à sua imposição, não apenas pode a autoridade lançadora exigir a penalidade aplicável, como tem o dever de ofício de fazêlo. No que tange ao argumento de que a multa imposta, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), afronta os princípios do nãoconfisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, é por demais sabido que tal argumento não pode ser apreciado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em face ao enunciado na Súmula nº 2 deste Conselho, abaixo reproduzida: "Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." De todo modo, considerando que parcela do lançamento está sendo afastada, conforme anteriormente exposto, deixa de subsistir, a imposição da multa de ofício, a qual também deverá ser exonerada na mesma proporção da exoneração dos créditos relativos à obrigação principal. Fl. 3350DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.351 26 Caso reste mantida a íntegra da autuação quanto ao mérito da presente demanda, há de ser mantida a multa de ofício aplicada, em razão da sua previsão legal, sendo vedado a este órgão colegiado administrativo o exame da constitucionalidade de tal norma. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Com relação ao argumento de não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, este Relator, possui o entendimento pessoal de que assiste razão ao pleito recursal. A obrigação tributária principal (o tributo) decorre de lei. A obrigação tributária acessória (a multa) decorre de atividade administrativa vinculada de fiscalização. Logo, a correção monetária da multa aparece como claro benefício e prêmio ao autor em prejuízo ao réu. Basta confrontar o valor do tributo (obrigação tributária principal) e o valor da multa (obrigação tributária acessória) grafado no auto de infração. Ademais, por ser a multa uma penalidade não possui natureza de tributo. O CARF possui precedentes sobre o tema. Transcrevo o Acórdão nº 3402 002.799: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010 REGIME MONOFÁSICO. LEI Nº 10.147/2000. FABRICANTES DE PRODUTOS SUJEITOS A ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS. PRODUTOS DE HIGIENE PESSOAL, PERFUMARIA OU DE TOUCADOR. REVENDA. INCIDÊNCIA. Incidem as alíquotas diferenciadas previstas no art. 1º, I, "b" da Lei nº 10.147/2000 sobre as receitas oriundas da revenda de produtos de higiene pessoal, perfumaria ou de toucador, auferida por pessoa jurídica fabricante desses produtos, ainda que o revendedor não os tenha submetido a processo de industrialização. ERROS MATERIAIS. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. MULTAS. ABUSIVIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. Estando a penalidade e seu percentual expressamente previstos em texto legal, só cabe à administração verificar a presença dos pressupostos de fato para sua aplicação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa Selic. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Fl. 3351DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.352 27 Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso voluntário provido em parte." (Processo nº 19311.720281/201287; Acórdão nº 3402002.799; Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim; sessão de 09/12/2015) (destaque nosso) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 ARRENDAMENTO MERCANTIL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Conforme entendimento assentado pelo STF (RE no 592.905/SC), em questão de reconhecida Repercussão Geral, a partir das disposições da Lei Complementar no 116/2003, o arrendamento mercantil constitui prestação de serviço. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício de que trata o art. 44 da Lei no 9.430/1996, por carência de base legal." (Processo nº 16327.721234/201111; Acórdão nº 3403002.918; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; sessão de 25/04/2014) "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/08/2007 (...) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre multa de lançamento de ofício.Assim, não se pode admitir que a multa seja atualizada." (Processo nº 12782.000010/201054; Acórdão nº 3401003.199; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; sessão de 23/08/2016) Ocorre que, a recente Súmula CARF nº 108 pacificou a questão no âmbito administrativo. Aludida Súmula possui a seguinte redação: "Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias, razão pela qual nego provimento ao recurso neste tópico. Fl. 3352DF CARF MF Processo nº 19311.720231/201712 Acórdão n.º 3201004.389 S3C2T1 Fl. 3.353 28 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para tão somente reverter as glosas de créditos apurados nas aquisições de materiais de embalagens destinados a revenda. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 3353DF CARF MF
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